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<p>INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA</p><p>ARQUITETURA E URBANISMO</p><p>CAMPUS SÃO PAULO</p><p>OS ENGENHOS DO NORDESTE NAS OBRAS DE FRANS POST: O</p><p>Engenho (1660)</p><p>Professor João Piza</p><p>Esther Castro Martins (SP3048756)</p><p>SÃO PAULO</p><p>2022</p><p>Introdução</p><p>Frans Post era holandês e veio ao nordeste brasileiro em 1636. Aqui,</p><p>retratou diversas paisagens da época, as quais envolviam os engenhos de</p><p>açúcar, representando toda sua estrutura e disposição externa, inclusive as</p><p>Casas Grandes e as Senzalas, além de registrar, de forma edênica, os</p><p>escravisados, moendas, rios e vegetações. Este trabalho tem a finalidade de</p><p>analisar a biografia dele, o contexto histórico em que veio ao Brasil e analisar o</p><p>quadro “O Engenho” de Post, sua estrutura e organização, seus elementos</p><p>principais e secundários e a época em que foi pintado.</p><p>Contexto Histórico</p><p>Os engenhos, inicialmente, se desenvolveram nas capitanias de</p><p>Pernambuco e São Vicente. Existiam dois tipos de engenhos de açúcar nesse</p><p>início até a época de Frans Post: os engenhos reais – movidos a água – e os</p><p>engenhos trapiches – movidos a tração animal. Em 1516 foi construído no litoral</p><p>pernambucano o primeiro engenho de que se tem notícia no Brasil, mais</p><p>precisamente na feitoria de Itamaracá</p><p>Na época em que o Frans Post residiu aqui no Brasil, entre 1636 e 1640,</p><p>ele ficou nas regiões dos engenhos, regiões estas que, segundo Telles, eram</p><p>“extremamente fértil, enriquecida pelo massapé, compreende as faldas</p><p>litorâneas das serras, recobertas outrora por matas cerradas. É a zona da cana-</p><p>de-açúcar, dos ricos e opulentos engenhos, que funcionavam à base do</p><p>latifúndio, da monocultura e do braço escravo.” (Atlas dos Monumentos</p><p>Históricos e Artísticos do Brasil. TELLES, Augusto Carlos da Silva. IPHAN, 2008</p><p>P.35)</p><p>Os engenhos tinham algumas características em comum entre eles:</p><p>1. Ficavam próximo a algum rio (pois eram, geralmente, movidos a</p><p>água – engenhos reais – e o rio também podia ser usado como via</p><p>de transporte até os portos)</p><p>2. Ficavam próximos à florestas pela necessidade constante de</p><p>madeira para as fornalhas e construção</p><p>3. Casas Grandes possuíam capelas associadas, algumas até</p><p>integradas à construção</p><p>4. Normalmente eram retratados em declive, com a casa grande e a</p><p>capela nos pontos mais altos</p><p>A Casa Grande era a sede das fazendas, que abrigava o senhor de</p><p>engenho, sua família seus agregados e hóspedes. A disposição dos ambientes</p><p>internos é uma sequência de compartimentos, quartos ou alcovas, ligados por</p><p>um corredor e contando, normalmente, com uma varanda. Estas casas eram de</p><p>apenas um pavimento de habitação, levantado do solo. A parte de baixo,</p><p>ocupada por armazéns e pessoal de serviço</p><p>As senzalas dos escravizados, como expressão mais simples de uma</p><p>habitação, não foram concebidas e construídas com intenção plástica alguma. O</p><p>tipo mais frequente caracteriza-se por um conjunto de pequenos compartimentos</p><p>conjugados, dispostos em linha reta, nem sempre com janelas, e com portas</p><p>voltadas para um alpendre contínuo. Consistia em um comprido telheiro, feito de</p><p>alvenaria de tijolos ou pau-a-pique, com celas medindo aproximadamente 3 m</p><p>de comprimento e largura, cobertas também com telhas, as terças apoiando-se</p><p>diretamente nas paredes. As portas eram de tábuas de madeira. O piso de terra</p><p>batida e sem forro ou outra abertura</p><p>O programa usual dos engenhos consistia em setores de moradia (Casa</p><p>Grande e</p><p>Senzala),</p><p>trabalho</p><p>(Fornalha,</p><p>Moenda, etc) e</p><p>Culto (capela).</p><p>Seguindo</p><p>basicamente a</p><p>lógica de uma</p><p>cidade em</p><p>proporções</p><p>menores. Deste</p><p>modo, cada</p><p>setor abrigava</p><p>atividades</p><p>especificas e era</p><p>independente de outros.</p><p>A técnica construtiva é a melhor disponível, podendo ser de alvenaria de</p><p>pedra ou taipa de pilão, dependendo da região. Telhados de madeira e telhas de</p><p>barro.</p><p>As casas eram construídas com alicerces profundos utilizando óleo de</p><p>baleia e grossas paredes de taipa; pedra e cal; teto de palha, sapê ou telhas com</p><p>o máximo de inclinação para servir de proteção contra o sol forte e as chuvas</p><p>tropicais; piso de terra batida ou assoalho; poucas portas e janelas e alpendres</p><p>na frente e dos lados.</p><p>Frans Post</p><p>Frans Post</p><p>nasceu em Haarlen,</p><p>na Holanda, em 1612</p><p>e veio ao Brasil com</p><p>24 anos, integrando a</p><p>comitiva de artistas e</p><p>sábios que</p><p>acompanharam o</p><p>príncipe de Nassau.</p><p>Ele era irmão do</p><p>arquiteto Piet Post</p><p>que foi responsável</p><p>pelo urbanismo da</p><p>cidade Maurícia.</p><p>Post ficou</p><p>entre 1636 e 1640 no</p><p>nordeste brasileiro e,</p><p>durante este período,</p><p>pintou diversas obras</p><p>e completou mais</p><p>dezenas quando</p><p>retornou ao seu</p><p>ateliê. Isso mostra</p><p>sua memória</p><p>fotográfica e sua</p><p>preocupação com os</p><p>detalhes das</p><p>paisagens. Ele era</p><p>muito observador e, sempre a partir de sua experiência e de esboços e notas</p><p>feitas, inventou uma natureza ausente do olhar, mas que se faz presente através</p><p>da imaginação.</p><p>Ele é considerado o inventor da paisagem no Brasil e um pintor naturalista</p><p>Paisagem com Plantação (O Engenho)</p><p>1668 - obra</p><p>O engenho – usina de açúcar – é representado de uma forma como se</p><p>fosse um mundo fechado, fora da realidade, afastada até mesmo da cidade</p><p>próxima que havia se formado. A pintura nos fornece uma paisagem de uma</p><p>certa forma edênica, paradisíaca, calma e sossegada, reforçada principalmente</p><p>pelo céu extenso e claro, rio ao fundo com casas de época. No entanto, é uma</p><p>representação do universo e trabalho, onde os negros impede o esquecimento</p><p>da realidade da escravidão (há dezenas deles na pintura).</p><p>Mesmo que se saiba que a produção do açúcar seja voltada para o</p><p>mercado internacional e que os interesses holandeses neste negócio lucrativo</p><p>tenha sido o principal motivo da invasão e conquista do nordeste brasileiro, a</p><p>paisagem nos faz mergulhar em um universo ordenado.</p><p>Todos os detalhes do engenho e da atividade produtiva aí estão</p><p>representados – a moenda, a usina real, os bois, o rio, a casa do senhor, a capela</p><p>e a senzala.</p><p>O foco da cena está em segundo plano na pintura, de forma atípica. É</p><p>cena principal do engenho e fica à direita do quadro, mais iluminada, onde vai a</p><p>luz do sol, que não aparece na cena a não ser pela sua luz. Há um grande</p><p>organização e ordem que, de certa forma causa tranquilidade e sossego, onde</p><p>as figuras humanas parecem antes posar para o pintor do que realizar alguma</p><p>tarefa. A cor negra da pele contrasta com a alvura das roupas brancas. Eles são</p><p>parte da paisagem, tal como a Casa-grande ou a palmeira vertical que inaugura,</p><p>à esquerda do quadro, a linha diagonal da composição, quebrando a</p><p>horizontalidade. Equilíbrio é a essência deste foco.</p><p>Já no primeiro plano, em meio às sombras, a exuberância, beleza e</p><p>mesmo violência da vegetação tropical, em meio a um mundo animal selvagem,</p><p>onde uma enorme serpente se retorce. O jogo entre a luz e a sombra revela e</p><p>oculta, quebrando, de certa forma, a mansidão deste mundo utópico. Tudo nesta</p><p>natureza é belo, mas será tudo tão tranquilo e seguro como mostra o segundo</p><p>plano?</p><p>O pintor se preocupou com cada detalhe da obra, contudo é tandem</p><p>idealizada, imobilizada, como uma imagem parada no tempo, para informar</p><p>sobre o coração do Brasil açucareiro, agora holandês. Uma utopia paisagística,</p><p>talvez, com um tempo natural que se detém para ser exibido ao espectador</p><p>Embora esta paisagem não tenha especificação de qual engenho se trata,</p><p>podemos ter uma certa noção de como se dava a implantação deste engenho, a</p><p>disposição das edificações e, baseando-se por outros engenhos da época, é</p><p>possível ter uma noção de como se davam a plantas da capela, casa-grande,</p><p>usina e senzala:</p><p>Fonte das figuras: Engenho e Arquitetura: tipologia dos edifícios dos</p><p>antigos engenhos de açúcar de Pernambuco. GOMES, Geraldo. 1997.</p><p>Planta baixa do engenho real presente nesta discutida obra do Frans Post</p><p>Perspectiva do engenho, em rosa, com a</p><p>roda dágua em azul</p><p>Implantação das edificações presentes no Engenho descrito acima:</p><p>1) Capela</p><p>2) Casa grande</p><p>3) Usina de açúcar</p><p>4) Senzala</p><p>É possível perceber, pela própria implantação abaixo como há uma certa</p><p>hierarquização dos edifícios, sendo o mais importante (e no ponto mais alto) a</p><p>capela, e o menos importante (e no ponto mais baixo) a senzala dos</p><p>escravizados.</p><p>Implantação em perspectiva. Em roxo, a senzala, em rosa, o engenho, em verde, a</p><p>casa grande, e em amarelo, a capela.</p><p>Conclusão</p><p>Considerando-se os textos acima descritos, os engenhos do nordeste</p><p>brasileiro, na época em que Frans Post esteve aqui, eram, no geral, todos</p><p>parecidos, tanto sua inserção na cidade (próximos de rios e florestas), quanto</p><p>sua organização interna (suas construções como a Casa Grande, a Senzala, as</p><p>moendas, a fornalha, a capela, entre outras). A obra aqui retratada – “O</p><p>Engenho” – é representada de forma edênica e estática, afastada da cidade e o</p><p>Engenho leva em consideração todos os aspectos citados anteriormente. No</p><p>entanto, diferentemente de outras obras de Post, essa foi pintada de forma que</p><p>a cena principal ficasse em segundo plano. Nela, até mesmo os escravizados</p><p>compõem a cena de forma como se fizesse parte da paisagem ordenada. Já na</p><p>cena secundária, posta em primeiro plano, quente a mansidão deste mundo</p><p>utópico de Post. A obra é recheada de detalhes e naturalista.</p><p>Referências Bibliográficas</p><p>A INVENÇÃO DO BRASIL - O NASCIMENTO DA PAISAGEM BRASILEIRA</p><p>SOB O OLHAR DO OUTRO. Pesavento, Sandra. UFRGS. 2004</p><p>PAISAGENS DESCRITIVAS:</p><p>O REGISTRO DE LUGARES POSSÍVEIS NA OBRA DE FRANS POST (1612-</p><p>1680). Schröpel, Daiana. 2018</p><p>ENGENHO SIM, DE AÇÚCAR NÃO O ENGENHO DE FARINHA DE FRANS</p><p>POST. Carvalho Soares, Mariza. 2009</p><p>FRANS Post. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São</p><p>Paulo: Itaú Cultural, 2022.</p><p>ENGENHO E ARQUITETURA: TIPOLOGIA DOS EDIFÍCIOS DOS ANTIGOS</p><p>ENGENHOS DE AÇÚCAR DE PERNAMBUCO. GOMES, Geraldo. 1997.</p><p>ATLAS DOS MONUMENTOS HISTÓRICOS E ARTÍSTICOS DO BRASIL.</p><p>TELLES, Augusto Carlos da Silva. IPHAN, 2008.</p>