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<p>1</p><p>COMUNICAÇÃO E</p><p>METODOLOGIA</p><p>Unidade III</p><p>Prof. Sandro Roberto Mazurechen</p><p>2</p><p>EXPEDIENTE</p><p>PRESIDENTE DA MANTENEDORA</p><p>Professor Wilson Ramos Filho</p><p>SUPERINTENDENTE DAS COLIGADAS UB</p><p>Professor Edson Aires da Silva</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO CAMPO REAL</p><p>REITORIA</p><p>Professor Edson Aires da Silva</p><p>UGV CENTRO UNIVERSITÁRIO</p><p>REITORIA</p><p>Professor Edson Aires da Silva</p><p>FACULDADES DO CENTRO DO PARANÁ (UCP)</p><p>DIREÇÃO</p><p>Professora Jane Silva Bührer Taques</p><p>FACULDADES INTEGRADAS DO VALE DO IVAÍ</p><p>DIREÇÃO</p><p>Professora Jane Silva Bührer Taques</p><p>COORDENAÇÃO DA EQUIPE MULTIDISCIPLINAR</p><p>E NÚCLEO DE PRODUÇÃO DE CONTEÚDOS</p><p>Prof. Atilio A. Matozzo</p><p>COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA</p><p>Professor Angelo A. Del Ponte</p><p>Professor Atilio Augustinho Matozzo</p><p>Professor Gregori Henrique Vottori Trombetta</p><p>Professor Jefferson César dos Santos</p><p>Professor Jefferson Silvestre Alberti dos Santos</p><p>Professor Mateus Cassol Tagliani</p><p>Professora Larissa Jagnez</p><p>Professora Patricia Melhem Rosas</p><p>COORDENAÇÃO DE PRODUÇÃO DE CONTEÚDO</p><p>Atilio Augustinho Matozzo</p><p>Élita Fernanda Teixeira da Cruz Matozzo</p><p>Luan Ossak</p><p>Marcelo Kloczko</p><p>COORDENAÇÃO TÉCNICA</p><p>Ayres Siqueira Silva</p><p>Élita Fernanda Teixeira da Cruz Matozzo</p><p>ISBN: 978-65-85878-52-4</p><p>3</p><p>SUMÁRIO</p><p>1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 4</p><p>2 AS QUATRO LENTES QUE INVESTIGAM O MUNDO........................................... 5</p><p>2.1 CONHECIMENTO VULGAR OU POPULAR (SENSO COMUM) ...................... 5</p><p>2.1.1 As Seis Características Que Delimitam O Conhecimento Popular. ............ 7</p><p>2.2 CONHECIMENTO TEOLÓGICO OU RELIGIOSO ............................................ 9</p><p>2.2.1 A Relação E A Tensão Entre O Conhecimento Teológico E Os Outros Tipos</p><p>De Conhecimento. ............................................................................................. 10</p><p>2.2.2 As Seis Características Que Delimitam O Conhecimento Religioso. ........ 11</p><p>2.3 CONHECIMENTO FILOSÓFICO ..................................................................... 13</p><p>2.3.1 Os Limites Entre o Conhecimento Filosófico e o Conhecimento Científico</p><p>........................................................................................................................... 14</p><p>2.3.2 As Seis Características que Delimitam o Conhecimento Filosófico .......... 16</p><p>2.4 CONHECIMENTO CIENTÍFICO ...................................................................... 18</p><p>2.4.1 A Importância Do Domínio Do Conhecimento Científico No Processo De</p><p>Aprendizagem Durante A Graduação. ............................................................... 19</p><p>2.4.2 As Seis Características Que Delimitam O Conhecimento Científico ......... 20</p><p>3 REFERÊNCIAS - REGRAS DA ABNT .................................................................. 22</p><p>3.1 NORMAS GERAIS........................................................................................... 22</p><p>3.1.1 Exemplos De Referências Conforme O Tipo De Fonte De Pesquisa........ 23</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................... 25</p><p>REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 26</p><p>4</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Bem-vindos à Unidade 3 da nossa Apostila Didática da disciplina de</p><p>Comunicação e Metodologia! Nesta etapa, exploraremos os fascinantes tipos de</p><p>conhecimento que permeiam nossa jornada acadêmica e mergulharemos</p><p>profundamente no universo da padronização das referências acadêmicas de acordo</p><p>com o padrão ABNT (NBR 6023/2018).</p><p>Antes de tudo, esta unidade nos levará a uma jornada pelo mundo dos tipos de</p><p>conhecimento. Conheceremos quatro categorias fundamentais que moldam a nossa</p><p>compreensão do mundo: o conhecimento Popular, o Religioso, o Filosófico e o</p><p>Científico. Cada um desses tipos de conhecimento possui suas características únicas</p><p>e influencia de maneira distinta o nosso modo de ver e interpretar a realidade.</p><p>Descobriremos como o conhecimento Popular se enraíza nas tradições e</p><p>experiências cotidianas, o conhecimento Religioso molda crenças e valores, o</p><p>conhecimento Filosófico questiona profundamente a natureza da existência, e o</p><p>conhecimento Científico busca respostas embasadas em evidências empíricas.</p><p>Além dos tipos de conhecimento, compreender a importância da padronização</p><p>é fundamental para qualquer estudante ou pesquisador. O padrão ABNT é a bússola</p><p>que nos guiará na organização e formatação das nossas referências bibliográficas,</p><p>tornando nossos trabalhos acadêmicos mais claros, confiáveis e alinhados com as</p><p>melhores práticas da comunidade científica.</p><p>Nesta unidade, vocês aprenderão não apenas como aplicar corretamente as</p><p>normas da ABNT, mas também por que elas são essenciais para a construção do</p><p>conhecimento científico. Vamos desmistificar o processo de formatação e mostrar</p><p>como ele pode ser uma ferramenta poderosa na comunicação das ideias.</p><p>O nosso objetivo nesta unidade é ir além da simples exposição desses tipos de</p><p>conhecimento. Queremos que vocês percebam como essas diferentes formas de</p><p>saber dialogam e se complementam no contexto acadêmico e na nossa compreensão</p><p>do mundo. Afinal, a diversidade de conhecimento é uma das forças motrizes do</p><p>progresso intelectual e social.</p><p>5</p><p>Estejam preparados para explorar os desafios e as oportunidades que surgem</p><p>quando diferentes tipos de conhecimento se encontram, e como isso pode enriquecer</p><p>nossas pesquisas e análises. Estamos ansiosos para compartilhar esse conhecimento</p><p>com vocês e para ver como ele irá enriquecer suas experiências acadêmicas e</p><p>intelectuais.</p><p>Preparem-se para mergulhar no mundo da comunicação acadêmica e da</p><p>diversidade do conhecimento! Vamos juntos explorar as fronteiras da compreensão</p><p>humana.</p><p>2 AS QUATRO LENTES QUE INVESTIGAM O MUNDO</p><p>A abordagem do conhecimento assume um papel de destaque na</p><p>epistemologia e nas reflexões filosóficas sobre a natureza da cognição humana. Neste</p><p>contexto, distinguem-se quatro tipos fundamentais de conhecimento, cada um com</p><p>suas características, fontes e implicações únicas. Nesta seção, analisaremos de</p><p>maneira crítica os tipos de conhecimento populares, religiosos, filosóficos e científicos,</p><p>que desempenham papéis intrincados na compreensão e na modelagem da</p><p>sociedade e do universo.</p><p>Ao explorar esses quatro tipos de conhecimento - popular, religioso, filosófico</p><p>e científico - esta seção se propõe a analisar como cada um deles contribui de maneira</p><p>singular para a complexa tessitura do conhecimento humano. Nossa análise se</p><p>debruçará sobre as origens, características distintivas e inter-relações entre essas</p><p>formas de conhecimento, oferecendo um aprofundamento acadêmico nas diversas</p><p>formas de compreender o mundo que nos rodeia.</p><p>2.1 CONHECIMENTO VULGAR OU POPULAR (SENSO COMUM)</p><p>O conhecimento popular, muitas vezes, se manifesta como um repositório de</p><p>saberes transmitidos oralmente e por meio de tradições culturais, refletindo as</p><p>experiências coletivas e a cosmovisão de comunidades ao longo de gerações. Este</p><p>tipo de conhecimento, por vezes, desafia explicações racionais, mas desempenha um</p><p>6</p><p>papel fundamental na formação da identidade cultural e na perpetuação de crenças</p><p>arraigadas.</p><p>O conhecimento popular é uma expressão multifacetada da compreensão</p><p>humana que encontra sua base na transmissão oral e nas tradições culturais. Essa</p><p>forma de conhecimento é intrinsecamente ligada às experiências coletivas e à</p><p>cosmovisão de grupos sociais que, ao longo de gerações, desenvolvem e aperfeiçoam</p><p>uma série de conhecimentos, práticas e narrativas que moldam suas vidas e</p><p>identidades. Embora o conhecimento popular possa, em alguns casos, parecer</p><p>desafiar explicações racionais, ele desempenha um papel fundamental na formação</p><p>da identidade cultural e na perpetuação de crenças</p>
<p>arraigadas.</p><p>Um exemplo ilustrativo desse fenômeno pode ser encontrado nas tradições</p><p>folclóricas de muitas comunidades rurais em todo o mundo. Considere a prática de</p><p>plantio e colheita de culturas agrícolas em uma determinada região, baseada em datas</p><p>específicas do calendário lunar ou em rituais ancestrais transmitidos de geração em</p><p>geração. Embora a ciência moderna forneça explicações precisas sobre os ciclos de</p><p>crescimento das plantas e a influência da lua, essas comunidades continuam a aderir</p><p>às práticas transmitidas por seus antepassados. Isso reflete a profunda conexão entre</p><p>o conhecimento popular e a identidade cultural, à medida que essas tradições não</p><p>apenas fornecem subsistência, mas também servem como uma ligação viva com as</p><p>raízes culturais e históricas da comunidade.</p><p>Além disso, o conhecimento popular também se manifesta em histórias, lendas</p><p>e mitos que são transmitidos oralmente. Por exemplo, contos folclóricos de criaturas</p><p>míticas que habitam florestas ou rios podem não ter uma base científica sólida, mas</p><p>têm um valor cultural significativo. Eles ajudam a explicar os mistérios da natureza e</p><p>estabelecem diretrizes morais, transmitindo valores e normas de comportamento que</p><p>são fundamentais para a coesão da comunidade.</p><p>Portanto, o conhecimento popular, embora possa parecer distante da lógica</p><p>científica, desempenha um papel vital na preservação da riqueza cultural e na</p><p>construção da identidade de grupos humanos, fornecendo uma conexão profunda</p><p>entre as gerações e uma compreensão única do mundo que os cerca.</p><p>7</p><p>O conhecimento popular, muitas vezes, está mais preocupado com a aceitação</p><p>do fato em si do que com uma investigação aprofundada dos porquês envolvidos nos</p><p>fenômenos e nos fatos. Essa característica é particularmente evidente em práticas e</p><p>crenças que foram transmitidas de geração em geração sem uma análise crítica</p><p>sistemática.</p><p>Tomemos, por exemplo, a superstição comum de evitar passar por baixo de</p><p>escadas. Muitas pessoas em várias culturas têm essa crença arraigada, mas poucas</p><p>podem fornecer uma explicação científica ou lógica para ela. No entanto, essa</p><p>superstição continua sendo seguida, pois o conhecimento popular nesse contexto se</p><p>concentra na tradição e na preservação das práticas culturais em vez de uma busca</p><p>por evidências ou fundamentação racional.</p><p>Outro exemplo notável é o uso de remédios tradicionais à base de ervas em</p><p>algumas comunidades. Muitos desses remédios têm sido usados por séculos,</p><p>passando de uma geração para outra. Embora a eficácia de algumas dessas práticas</p><p>possa ser questionável do ponto de vista científico, elas são valorizadas porque</p><p>refletem a confiança no conhecimento transmitido e a manutenção das tradições</p><p>culturais.</p><p>Essa ênfase no fato em si, sem uma investigação aprofundada dos</p><p>mecanismos subjacentes, não implica necessariamente em falta de valor. O</p><p>conhecimento popular muitas vezes se baseia na experiência prática e no senso</p><p>comum, fornecendo soluções práticas para os desafios cotidianos. No entanto, é</p><p>importante reconhecer que esse tipo de conhecimento pode ser limitado em sua</p><p>capacidade de explicar e prever fenômenos complexos e, portanto, pode coexistir com</p><p>outras formas de conhecimento, como o científico, que se concentram em uma</p><p>compreensão mais profunda dos porquês e como as coisas funcionam.</p><p>2.1.1 As Seis Características Que Delimitam O Conhecimento Popular.</p><p>O conhecimento popular, também conhecido como senso comum, apresenta</p><p>uma série de características distintas que o diferenciam de outras formas de</p><p>conhecimento mais especializado, como o científico. Essas características,</p><p>8</p><p>compiladas dos estudos de Ferrari (1974) e Marconi e Lakatos (2003), são</p><p>fundamentais para compreender a natureza e os limites desse tipo de conhecimento:</p><p>● Valorativo: O conhecimento popular é frequentemente influenciado por valores</p><p>culturais, crenças e normas sociais. Ele reflete o julgamento subjetivo das</p><p>pessoas e pode variar de uma cultura para outra. Por exemplo, o que é</p><p>considerado moralmente aceitável em uma cultura pode ser visto como</p><p>inaceitável em outra.</p><p>● Reflexivo: O conhecimento popular muitas vezes surge da reflexão intuitiva e</p><p>experiencial das pessoas sobre a vida cotidiana. Ele é desenvolvido de maneira</p><p>informal, sem a necessidade de rigorosos métodos de investigação ou análise</p><p>crítica.</p><p>● Assistemático: Ao contrário do conhecimento científico, que segue um método</p><p>sistemático de pesquisa, o conhecimento popular não segue um conjunto</p><p>organizado de princípios ou procedimentos. Ele é adquirido de maneira</p><p>espontânea e não formalizada.</p><p>● Verificável: Embora o conhecimento popular possa ser baseado em</p><p>experiências pessoais, muitas vezes carece de verificabilidade objetiva. As</p><p>afirmações do senso comum nem sempre podem ser testadas ou confirmadas</p><p>de maneira confiável, tornando-as menos confiáveis em comparação com o</p><p>conhecimento científico.</p><p>● Falível: O conhecimento popular está sujeito a erros, preconceitos e</p><p>suposições incorretas. Como é frequentemente baseado na experiência</p><p>pessoal e na percepção individual, pode conter informações imprecisas ou</p><p>generalizações inadequadas.</p><p>● Inexato: Devido à sua natureza não sistemática e à falta de verificações</p><p>rigorosas, o conhecimento popular pode ser impreciso ou conter informações</p><p>desatualizadas. Conforme a compreensão científica avança, algumas crenças</p><p>populares podem se revelar incorretas ou desatualizadas.</p><p>9</p><p>Embora o conhecimento popular tenha suas limitações, ele desempenha um</p><p>papel importante na vida cotidiana, fornecendo orientações práticas e influenciando a</p><p>tomada de decisões pessoais e sociais. É importante reconhecer suas características</p><p>específicas ao usá-lo como referência, ao mesmo tempo em que se reconhece a</p><p>necessidade de buscar conhecimento mais especializado e científico quando se trata</p><p>de questões complexas e críticas.</p><p>2.2 CONHECIMENTO TEOLÓGICO OU RELIGIOSO</p><p>Os conhecimentos religiosos, por sua vez, têm sido centrais na construção de</p><p>sistemas de crenças que respondem a indagações existenciais profundas, como o</p><p>propósito da vida e a natureza da divindade. As religiões influenciam não apenas as</p><p>esferas espirituais, mas também moldam sistemas éticos e morais, fornecendo</p><p>orientações para bilhões de fiéis em todo o mundo.</p><p>Os conhecimentos religiosos desempenham um papel essencial na</p><p>estruturação das convicções humanas, oferecendo respostas profundas a indagações</p><p>existenciais que há séculos têm intrigado a humanidade. Do propósito da vida à</p><p>natureza da divindade, as religiões oferecem uma lente pela qual as pessoas podem</p><p>compreender e dar significado às complexidades da existência humana.</p><p>Por exemplo, o cristianismo, uma das maiores religiões do mundo, ensina que</p><p>o propósito da vida humana é conhecer a Deus e viver em conformidade com Seus</p><p>ensinamentos. Isso influencia diretamente as escolhas de muitos cristãos, desde a</p><p>forma como eles veem suas carreiras e relacionamentos até como eles tomam</p><p>decisões éticas em suas vidas cotidianas.</p><p>SAIBA+</p><p>Você consegue imaginar como um senso comum - ou conhecimento popular - se</p><p>estabelece em uma sociedade? O vídeo abaixo leva exatamente a esta reflexão.</p><p>Conheça o “Experimento dos cinco macacos”, ele será comentado na aula</p><p>síncrona, então, vale a pena assistir.</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=M9nTQjvNyCE</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=M9nTQjvNyCE</p><p>10</p><p>As religiões também moldam sistemas éticos e morais que afetam as ações e</p><p>as decisões dos fiéis. O Islã, por exemplo, prescreve um conjunto de leis morais</p><p>conhecidas como a Sharia, que orienta os muçulmanos em questões que vão desde</p><p>a alimentação e a vestimenta até questões mais complexas de justiça e direitos</p><p>humanos. Esses sistemas éticos e morais não apenas fornecem diretrizes para a vida</p><p>individual, mas também têm um impacto significativo nas leis e nas</p>
<p>normas sociais</p><p>das sociedades em que são praticados.</p><p>Além disso, as religiões desempenham um papel fundamental na construção</p><p>de identidades culturais e coletivas. Por exemplo, o hinduísmo não apenas fornece</p><p>uma visão de mundo e uma estrutura espiritual para seus seguidores, mas também é</p><p>intrincadamente ligado à cultura e à história da Índia, influenciando festivais, arte,</p><p>música e tradições familiares.</p><p>Portanto, os conhecimentos religiosos não se limitam a questões espirituais;</p><p>eles têm um impacto abrangente na vida das pessoas e nas sociedades em que estão</p><p>enraizados. Eles não apenas fornecem respostas a perguntas existenciais profundas,</p><p>mas também orientam comportamentos éticos, moldam identidades culturais e</p><p>desempenham um papel fundamental na construção da experiência humana.</p><p>2.2.1 A Relação E A Tensão Entre O Conhecimento Teológico E Os Outros Tipos De</p><p>Conhecimento.</p><p>O conhecimento religioso, também conhecido como teológico, muitas vezes é</p><p>baseado na fé e na revelação divina. No entanto, ao longo da história, teólogos e</p><p>filósofos religiosos têm procurado estabelecer pontes entre o conhecimento religioso,</p><p>o conhecimento filosófico e o conhecimento científico, buscando compreender as</p><p>complexidades do universo e da existência humana.</p><p>Santo Agostinho, um dos pensadores mais influentes da história cristã,</p><p>argumentou que a fé e a razão podem coexistir harmoniosamente. Em sua obra</p><p>"Confissões", Agostinho explorou questões filosóficas profundas, como o problema do</p><p>mal e a natureza da alma, enquanto mantinha sua fé cristã central. Ele defendeu que</p><p>a razão pode ser usada para aprofundar a compreensão das verdades religiosas,</p><p>11</p><p>ampliando assim o escopo do conhecimento teológico. Outro pensador notável, São</p><p>Tomás de Aquino, desenvolveu o que é conhecido como a "teologia tomista". Ele</p><p>argumentou que a fé e a razão são complementares e podem ajudar a esclarecer a</p><p>verdade divina. Aquino usou as obras do filósofo grego Aristóteles para criar uma</p><p>síntese entre a filosofia e a teologia, afirmando que a razão humana pode contribuir</p><p>para a compreensão de Deus e da criação.</p><p>No contexto da relação entre conhecimento religioso e científico, surgiu o</p><p>movimento do Criacionismo Científico. Embora o Criacionismo Científico seja</p><p>controverso e não seja amplamente aceito na comunidade científica, ele exemplifica</p><p>uma tentativa de reconciliar a fé religiosa com a ciência. Os defensores do</p><p>Criacionismo Científico buscam interpretar as descobertas científicas à luz de uma</p><p>visão criacionista da origem do universo e da vida, alegando que a evolução e a</p><p>criação divina podem coexistir. Dessa intersecção, surge a ideia de reconciliação entre</p><p>essas perspectivas, explorando interpretações alegóricas das escrituras religiosas ou</p><p>adotando posições intermédias, como o "design inteligente", que argumenta que a</p><p>complexidade da vida é indicativa de uma inteligência superior, sem especificar uma</p><p>divindade particular.</p><p>Porém, é importante observar que a relação entre conhecimento religioso,</p><p>filosófico e científico nem sempre é harmoniosa e tem sido palco de debates intensos</p><p>ao longo dos anos. Muitos cientistas e filósofos argumentam que o conhecimento</p><p>religioso e o científico operam em domínios distintos, com métodos e objetivos</p><p>diferentes, e, portanto, não devem ser misturados. No entanto, essa interação</p><p>complexa entre os diferentes tipos de conhecimento continua a ser um tópico de</p><p>discussão e reflexão, demonstrando a riqueza da busca humana pelo entendimento</p><p>em todas as suas formas.</p><p>2.2.2 As Seis Características Que Delimitam O Conhecimento Religioso.</p><p>De acordo com Ferrari (1974) e Marconi e Lakatos (2003), o conhecimento</p><p>religioso, ou teológico, possui características distintas que o diferenciam de outras</p><p>12</p><p>formas de conhecimento. Aqui estão as seis características-chave do conhecimento</p><p>religioso:</p><p>● Valorativo: O conhecimento religioso é intrinsecamente valorativo, pois lida</p><p>com questões de significado, moralidade e valores fundamentais. Ele fornece</p><p>orientação sobre o que é considerado certo e errado com base em princípios</p><p>religiosos e crenças.</p><p>● Inspiracional: O conhecimento religioso muitas vezes é derivado de fontes</p><p>inspiracionais, como textos sagrados, revelações divinas ou experiências</p><p>religiosas pessoais. Acredita-se que essas fontes transmitam verdades</p><p>profundas e orientação espiritual.</p><p>● Sistemático: Apesar de sua natureza inspiracional, o conhecimento religioso</p><p>muitas vezes é organizado em sistemas de crenças e doutrinas. Teólogos e</p><p>líderes religiosos trabalham para construir sistemas coerentes que explicam a</p><p>relação entre Deus, a humanidade e o cosmos.</p><p>● Não verificável: Diferentemente do conhecimento científico, que se baseia em</p><p>observação, experimentação e verificação empírica, o conhecimento religioso</p><p>muitas vezes lida com questões que não podem ser empiricamente testadas</p><p>ou verificadas. As crenças religiosas frequentemente dependem da fé e da</p><p>revelação divina, o que torna essas questões além do alcance da investigação</p><p>científica.</p><p>● Infalível: De acordo com muitas tradições religiosas, o conhecimento religioso</p><p>é considerado infalível, ou seja, livre de erros ou contradições. Acredita-se que</p><p>as verdades religiosas sejam eternas e incontestáveis, e qualquer aparente</p><p>contradição é frequentemente interpretada como uma limitação da</p><p>compreensão humana.</p><p>● Exato: O conhecimento religioso é frequentemente considerado como</p><p>contendo verdades absolutas e inquestionáveis. Ele oferece respostas</p><p>definitivas para questões fundamentais, como a existência de Deus, a natureza</p><p>do divino e o propósito da vida.</p><p>13</p><p>Essas características tornam o conhecimento religioso uma forma única de</p><p>compreensão que desempenha um papel significativo na vida de muitos indivíduos e</p><p>na cultura de diversas sociedades. No entanto, é importante lembrar que o</p><p>conhecimento religioso é subjetivo e baseado na fé, o que significa que suas verdades</p><p>podem variar de uma tradição para outra e de uma pessoa para outra. Essa</p><p>diversidade é uma parte fundamental da riqueza da experiência religiosa humana.</p><p>2.3 CONHECIMENTO FILOSÓFICO</p><p>O conhecimento filosófico, em contraste, busca a compreensão do mundo por</p><p>meio da análise crítica e do questionamento profundo. Filósofos ao longo da história</p><p>têm se dedicado à exploração de questões metafísicas, epistemológicas e éticas,</p><p>desafiando pressupostos convencionais e incentivando a busca constante pela</p><p>verdade e pela sabedoria.</p><p>O conhecimento filosófico, por natureza, se destaca por seu compromisso com</p><p>a investigação profunda e a análise crítica do mundo e de questões fundamentais da</p><p>existência humana. Diferentemente de outras formas de conhecimento, a filosofia não</p><p>se limita a um conjunto específico de fatos ou a uma tradição dogmática; em vez disso,</p><p>busca a compreensão por meio do questionamento incessante.</p><p>Um exemplo clássico desse compromisso com a análise crítica e a exploração</p><p>profunda pode ser encontrado nas obras do filósofo grego Sócrates. Sócrates é</p><p>famoso por suas "socráticas", diálogos filosóficos nos quais ele usava uma série de</p><p>perguntas incisivas para investigar e desafiar as crenças e os conhecimentos de seus</p><p>contemporâneos. Seu método de questionamento, conhecido como "maiêutica", tinha</p><p>como objetivo levar as pessoas a examinar suas próprias crenças e a chegar a uma</p><p>compreensão mais clara e fundamentada.</p><p>Além disso, a filosofia abrange uma ampla gama de questões, incluindo</p><p>metafísica, epistemologia e ética. Na metafísica, os filósofos exploram questões sobre</p><p>a natureza da realidade, como "O que é a realidade?". Um exemplo notável é a teoria</p><p>das ideias de Platão, que argumenta que o mundo sensível é apenas uma sombra do</p><p>mundo das ideias eternas.</p><p>14</p><p>Na epistemologia, a filosofia investiga questões relacionadas ao conhecimento,</p><p>como "O que é o conhecimento e como</p>
<p>podemos adquiri-lo?". O filósofo René</p><p>Descartes, por exemplo, é famoso por sua declaração "Cogito, ergo sum" ("Penso,</p><p>logo existo"), que destaca a importância da dúvida metódica na busca pelo</p><p>conhecimento.</p><p>Na ética, a filosofia explora questões relacionadas ao certo e ao errado, como</p><p>"Qual é o fundamento da moralidade?". O filósofo Immanuel Kant desenvolveu a ética</p><p>deontológica, que se concentra na obrigação moral e no dever.</p><p>2.3.1 Os Limites Entre o Conhecimento Filosófico e o Conhecimento Científico</p><p>O conhecimento filosófico, em sua essência, se diferencia do conhecimento</p><p>científico justamente por sua abordagem caracteristicamente aberta e orientada para</p><p>o questionamento contínuo. Enquanto a ciência muitas vezes busca respostas</p><p>definitivas e leis naturais precisas para explicar fenômenos observáveis, a filosofia</p><p>abraça a incerteza e o diálogo perpétuo.</p><p>Ao contrário da ciência, que utiliza métodos empíricos para obter resultados</p><p>concretos e mensuráveis, os filósofos frequentemente abordam questões que não</p><p>podem ser resolvidas definitivamente por meio da experimentação ou da observação.</p><p>Por exemplo, questões metafísicas como a natureza da realidade última ou questões</p><p>epistemológicas sobre a natureza do conhecimento humano são áreas onde as</p><p>respostas definitivas permanecem evasivas.</p><p>Um exemplo clássico dessa busca contínua por respostas é a "Questão</p><p>Cartesiana" proposta por René Descartes. Ele levantou dúvidas sobre a confiabilidade</p><p>de nossas percepções e até mesmo sobre a existência de um mundo externo. Essa</p><p>reflexão profunda levou a uma das conclusões mais célebres da filosofia, o "Cogito,</p><p>ergo sum" ("Penso, logo existo"), que, embora tenha proporcionado uma</p><p>compreensão crucial da natureza do conhecimento e da consciência, não oferece uma</p><p>resposta definitiva para todas as questões filosóficas.</p><p>Além disso, a filosofia frequentemente envolve debates e discussões sem fim</p><p>entre filósofos ao longo do tempo. Por exemplo, a ética e a moralidade são áreas em</p><p>15</p><p>que diferentes teorias filosóficas competem, sem uma conclusão definitiva sobre qual</p><p>é a abordagem moral "correta". Filósofos como John Stuart Mill, que defendeu o</p><p>utilitarismo, e Immanuel Kant, que desenvolveu a ética deontológica, ofereceram</p><p>perspectivas profundamente diferentes sobre o que constitui a ação moral.</p><p>Nesse sentido, a ética, um campo central da filosofia, desempenha um papel</p><p>fundamental na influência sobre o desenvolvimento do conhecimento científico. Ela</p><p>fornece um conjunto de princípios e diretrizes morais que orientam a conduta dos</p><p>cientistas e a prática da pesquisa científica. A seguir, discutiremos como a ética pode</p><p>impactar o desenvolvimento do conhecimento científico, juntamente com exemplos</p><p>ilustrativos.</p><p>Primeiramente, a ética impõe padrões rigorosos de conduta moral e</p><p>responsabilidade aos cientistas. Isso significa que a pesquisa científica deve ser</p><p>conduzida de acordo com princípios éticos, como honestidade, integridade, respeito</p><p>pelos direitos humanos e bem-estar dos participantes da pesquisa. Por exemplo, a</p><p>Declaração de Helsinque estabelece diretrizes éticas para a pesquisa médica</p><p>envolvendo seres humanos, garantindo que os estudos respeitem os princípios de</p><p>beneficência e justiça.</p><p>A ética também influencia a escolha de tópicos de pesquisa e a direção da</p><p>investigação científica. Os cientistas enfrentam questões éticas ao decidir quais</p><p>tópicos de pesquisa são socialmente benéficos e moralmente aceitáveis. Por exemplo,</p><p>a pesquisa em armas biológicas é amplamente considerada antiética devido aos</p><p>perigos potenciais que representa para a humanidade, o que levou a acordos</p><p>internacionais proibindo tais estudos.</p><p>Ela também molda a divulgação de resultados científicos. Os cientistas têm a</p><p>responsabilidade de comunicar seus resultados de maneira precisa e honesta,</p><p>evitando distorções ou omissões deliberadas. Casos de má conduta científica, como</p><p>falsificação de dados ou plágio, são considerados violações éticas graves e podem</p><p>resultar em sérias consequências profissionais.</p><p>Além disso, a ética da pesquisa envolve a consideração dos impactos sociais</p><p>e ambientais de novos conhecimentos científicos. Por exemplo, no campo da</p><p>16</p><p>biotecnologia, a ética desempenha um papel crucial na avaliação dos riscos e</p><p>benefícios das manipulações genéticas, garantindo que essas tecnologias sejam</p><p>usadas de maneira responsável e com consideração aos princípios éticos.</p><p>Contudo, é preciso sempre estar atento para o fato de que os padrões éticos</p><p>podem variar não só no espaço, como também no tempo, o que pode fazer com que</p><p>algo que é considerado ético hoje, não o seja no futuro, e vice-versa. Assim, o</p><p>conhecimento filosófico é inerentemente caracterizado pela sua disposição para a</p><p>investigação contínua, pelo diálogo crítico e pela aceitação da incerteza. Em vez de</p><p>buscar respostas definitivas, a filosofia concentra-se na exploração de questões</p><p>profundas e no aprimoramento constante da compreensão, incentivando um processo</p><p>de pensamento que transcende os limites do conhecimento estabelecido.</p><p>2.3.2 As Seis Características que Delimitam o Conhecimento Filosófico</p><p>Ferrari (1974) e Marconi e Lakatos (2003) também se dedicaram a definir as</p><p>características do conhecimento filosófico. Assim, o conhecimento filosófico apresenta</p><p>uma série de características distintas que o diferenciam de outras formas de</p><p>conhecimento. Aqui estão as seis características-chave do conhecimento filosófico:</p><p>● Valorativo: A filosofia é inerentemente valorativa, pois lida com questões</p><p>relacionadas a valores, moralidade e ética. Ela busca avaliar e analisar o que</p><p>é certo, errado, bom ou mau em diferentes contextos, fornecendo um quadro</p><p>para a reflexão ética e moral.</p><p>● Racional: O conhecimento filosófico se baseia na razão e no pensamento</p><p>crítico. Os filósofos utilizam argumentos lógicos, análise conceitual e métodos</p><p>de raciocínio para explorar questões profundas e chegar a conclusões</p><p>fundamentadas.</p><p>● Sistemático: A filosofia é frequentemente organizada em sistemas de</p><p>pensamento coesos. Os filósofos desenvolvem sistemas filosóficos</p><p>abrangentes que tentam abordar uma ampla gama de questões relacionadas,</p><p>como a metafísica, a epistemologia e a ética, em um contexto interconectado.</p><p>17</p><p>● Não verificável: Ao contrário da ciência, que busca a verificabilidade e a</p><p>falsificabilidade por meio da experimentação e da observação empírica, muitas</p><p>questões filosóficas não são passíveis de verificação empírica direta. Isso</p><p>significa que as respostas filosóficas frequentemente dependem da</p><p>argumentação lógica e do debate intelectual, em vez de evidências empíricas</p><p>concretas.</p><p>● Infalível: O conhecimento filosófico não é necessariamente infalível. Ao</p><p>contrário, ele reconhece a possibilidade de debate e contestação. Filósofos</p><p>frequentemente discordam e contestam as conclusões uns dos outros,</p><p>refletindo a natureza aberta e dinâmica da investigação filosófica.</p><p>● Exato: A busca por respostas definitivas e precisas em filosofia pode ser</p><p>elusiva. Muitas questões filosóficas não têm respostas simples e definitivas. No</p><p>entanto, a filosofia se esforça para alcançar um nível de exatidão na análise</p><p>conceitual e na argumentação, mesmo quando não atinge respostas definitivas.</p><p>Essas características fazem do conhecimento filosófico uma disciplina única</p><p>que se dedica ao questionamento profundo, à exploração de valores e à reflexão</p><p>crítica sobre uma ampla gama de questões humanas. Embora o conhecimento</p><p>filosófico não busque necessariamente respostas finais e precisas, ele desempenha</p><p>um papel essencial no desenvolvimento do pensamento humano e na busca por</p><p>compreender questões fundamentais da existência e da condição humana.</p><p>SAIBA+</p><p>Para se aprofundar no mundo da filosofia de forma prática e didática, um caminho</p><p>bastante interessante é seguir o canal “Café Filosófico”. Originalmente</p>
<p>uma série</p><p>de programas da TV Cultura, o conteúdo migrou para o YouTube e tem cada vez</p><p>mais atingido seguidores na internet. Vale a pena gastar alguns minutos da sua</p><p>semana para entender como a filosofia faz suas provocações.</p><p>https://www.youtube.com/channel/UCEgITwyUyDiMVBpmDibjP3g</p><p>https://www.youtube.com/channel/UCEgITwyUyDiMVBpmDibjP3g</p><p>18</p><p>2.4 CONHECIMENTO CIENTÍFICO</p><p>O conhecimento científico representa uma abordagem sistemática e</p><p>empiricamente fundamentada para a compreensão do universo. Através da</p><p>observação rigorosa, experimentação controlada e análise crítica, a ciência almeja</p><p>desvendar os mistérios naturais, fornecendo explicações baseadas em evidências e</p><p>impulsionando avanços tecnológicos que revolucionam a sociedade.</p><p>O conhecimento científico é uma faceta distintiva da busca humana pelo</p><p>entendimento do mundo ao nosso redor. Ele se destaca por sua abordagem</p><p>sistemática e empiricamente fundamentada, que se baseia na observação rigorosa,</p><p>experimentação controlada e análise crítica dos fenômenos naturais. A ciência tem</p><p>como objetivo principal desvendar os mistérios do universo por meio de um processo</p><p>metodológico rigoroso, fornecendo explicações que são baseadas em evidências</p><p>sólidas e, assim, promovendo avanços significativos na compreensão e na tecnologia</p><p>que transformam a sociedade.</p><p>Um exemplo clássico da aplicação da metodologia científica pode ser visto na</p><p>área da física. Quando Isaac Newton formulou suas leis do movimento no século XVII,</p><p>ele não apenas propôs ideias teóricas, mas também as testou empiricamente. Por</p><p>meio de experimentos com objetos em movimento e observações astronômicas, ele</p><p>acumulou evidências que apoiaram suas leis e as tornaram fundamentais para a física</p><p>clássica.</p><p>Além disso, a ciência tem uma capacidade única de fornecer previsões precisas</p><p>e controláveis. Por exemplo, na medicina, os ensaios clínicos são conduzidos para</p><p>avaliar a eficácia de novos tratamentos. Esses estudos são projetados de forma a</p><p>controlar variáveis e obter resultados confiáveis, permitindo que os médicos tomem</p><p>decisões informadas sobre o tratamento de pacientes.</p><p>A ciência não apenas busca entender o mundo, mas também tem um impacto</p><p>direto na sociedade. A aplicação do conhecimento científico levou a avanços</p><p>tecnológicos que revolucionaram a vida cotidiana. Por exemplo, a revolução industrial,</p><p>alimentada por descobertas científicas, transformou a produção e o transporte,</p><p>alterando a maneira como as sociedades funcionavam.</p><p>19</p><p>Avanços na medicina, como a descoberta de antibióticos e a compreensão da</p><p>genética, têm salvado vidas e melhorado a qualidade de vida das pessoas. A</p><p>tecnologia de comunicação e informação, desenvolvida com base em princípios</p><p>científicos, conectou o mundo de maneira inimaginável no passado.</p><p>2.4.1 A Importância Do Domínio Do Conhecimento Científico No Processo De</p><p>Aprendizagem Durante A Graduação.</p><p>O domínio do conceito de conhecimento científico desempenha um papel</p><p>crucial no processo de aprendizagem durante a graduação. À medida que os</p><p>estudantes avançam em suas disciplinas acadêmicas, é essencial que compreendam</p><p>os princípios fundamentais da ciência e adquiram as habilidades necessárias para</p><p>aplicá-los em sua área de estudo. Existem várias razões pelas quais o conhecimento</p><p>científico é importante nesse contexto:</p><p>Primeiramente, o conhecimento científico fornece uma base sólida para a</p><p>compreensão dos conceitos e teorias subjacentes às disciplinas acadêmicas. Isso é</p><p>particularmente relevante em campos como a biologia, a química, a física e a</p><p>matemática, nos quais os princípios científicos desempenham um papel central. Os</p><p>estudantes que dominam esses princípios têm uma vantagem significativa na</p><p>assimilação de informações e na resolução de problemas complexos em suas áreas</p><p>de estudo.</p><p>Além disso, o conhecimento científico promove a mentalidade crítica e analítica.</p><p>Os estudantes que compreendem o método científico estão mais bem preparados</p><p>para avaliar informações, identificar fontes confiáveis e questionar afirmações</p><p>infundadas. Isso é fundamental em um mundo onde a informação está amplamente</p><p>disponível, mas a habilidade de discernir entre o que é válido e o que não é tornou-se</p><p>uma habilidade crítica.</p><p>O conhecimento científico também está intrinsecamente ligado à pesquisa</p><p>acadêmica. Durante a graduação, os estudantes frequentemente se envolvem em</p><p>projetos de pesquisa que exigem a aplicação de métodos científicos. A compreensão</p><p>dos princípios científicos é essencial para a concepção de experimentos, a análise de</p><p>20</p><p>dados e a interpretação de resultados. Além disso, o conhecimento científico ajuda os</p><p>estudantes a comunicar eficazmente suas descobertas e conclusões por meio de</p><p>relatórios, apresentações e publicações acadêmicas.</p><p>Por último, mas não menos importante, o conhecimento científico é uma base</p><p>sólida para a resolução de problemas complexos e a tomada de decisões informadas.</p><p>À medida que os estudantes progridem em suas carreiras acadêmicas e profissionais,</p><p>eles frequentemente enfrentam desafios que exigem uma abordagem baseada em</p><p>evidências. O entendimento das metodologias científicas e da análise crítica permite-</p><p>lhes abordar esses desafios com confiança e eficácia.</p><p>2.4.2 As Seis Características Que Delimitam O Conhecimento Científico</p><p>O conhecimento científico apresenta seis características distintivas que, Ferrari</p><p>(1974) e Marconi e Lakatos (2003), o diferenciam de outras formas de conhecimento.</p><p>Aqui estão as seis características-chave do conhecimento científico:</p><p>● Real (factual): O conhecimento científico busca descrever e compreender o</p><p>mundo real e natural. Ele é fundamentado em observações e fatos concretos,</p><p>visando uma representação precisa da realidade. Por exemplo, a teoria da</p><p>gravitação de Isaac Newton descreve de forma factual a atração gravitacional</p><p>entre objetos com massa.</p><p>● Contingente: O conhecimento científico reconhece que as conclusões podem</p><p>ser contingentes, ou seja, dependentes das circunstâncias e das evidências</p><p>disponíveis. As teorias científicas podem mudar à medida que novas evidências</p><p>são obtidas ou novos métodos de observação se tornam disponíveis. Um</p><p>exemplo é a teoria da evolução de Charles Darwin, que se adaptou ao longo</p><p>do tempo com base em novas descobertas.</p><p>● Sistemático: A ciência é caracterizada por sua abordagem sistemática e</p><p>organizada para investigar o mundo. Ela utiliza métodos padronizados de</p><p>coleta de dados, análise estatística e revisão por pares. Isso garante que as</p><p>conclusões científicas sejam confiáveis e replicáveis.</p><p>21</p><p>● Verificável: O conhecimento científico é baseado na verificabilidade, o que</p><p>significa que qualquer pessoa com as ferramentas e métodos adequados deve</p><p>ser capaz de reproduzir e verificar os resultados. Experimentos científicos, por</p><p>exemplo, devem ser conduzidos de forma que outros cientistas possam repeti-</p><p>los e obter os mesmos resultados.</p><p>● Falível: A ciência reconhece a possibilidade de erro e a falibilidade das</p><p>conclusões. As teorias científicas estão sujeitas a revisão e aprimoramento à</p><p>medida que novas informações surgem. Isso é exemplificado pelo ajuste das</p><p>teorias científicas quando evidências contrárias são apresentadas.</p><p>● Aproximadamente exato: Embora a ciência busque a precisão e a exatidão,</p><p>ela reconhece que a perfeição absoluta raramente é alcançada. As medições</p><p>e as teorias científicas frequentemente incluem margens de erro ou incertezas.</p><p>No entanto, mesmo com essa aproximação, o conhecimento científico continua</p><p>sendo uma das formas mais confiáveis e precisas de compreender o mundo.</p><p>Essas características tornam o conhecimento científico uma ferramenta</p><p>poderosa para a exploração e compreensão do mundo natural. Ele fornece uma</p><p>estrutura sólida para a investigação, a descoberta e a tomada de decisões informadas,</p><p>ao mesmo tempo em que é flexível</p>
<p>o suficiente para se adaptar às mudanças e aos</p><p>avanços na compreensão do universo.</p><p>REFLITA</p><p>Entender e identificar os quatro tipos de conhecimento - popular, religioso,</p><p>filosófico e científico - é crucial em nossa vida cotidiana. Isso nos permite</p><p>reconhecer a diversidade de fontes de sabedoria, promover o pensamento crítico,</p><p>compreender o contexto cultural, tomar decisões informadas, valorizar as</p><p>contribuições para o progresso humano e resolver conflitos de maneira construtiva.</p><p>Cada tipo de conhecimento desempenha um papel distinto em nossa vida,</p><p>moldando nossas perspectivas, valores e escolhas, e reconhecer sua presença</p><p>nos enriquece como indivíduos e sociedade.</p><p>22</p><p>3 REFERÊNCIAS - REGRAS DA ABNT</p><p>A correta padronização das referências acadêmicas é um elemento essencial</p><p>na produção de trabalhos acadêmicos de qualidade e na comunicação eficaz de</p><p>pesquisas e ideias. Nesta seção do livro, exploraremos as diretrizes e normas</p><p>estabelecidas pelo padrão ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) - NBR</p><p>6023/2018, que regem a formatação e apresentação de referências bibliográficas em</p><p>documentos acadêmicos.</p><p>A compreensão e aplicação dessas normas são fundamentais para que</p><p>estudantes, pesquisadores e profissionais possam contribuir de forma consistente e</p><p>confiável para o desenvolvimento da pesquisa acadêmica no Brasil. Ao longo deste</p><p>tópico, abordaremos de forma detalhada os principais aspectos da padronização de</p><p>referências conforme a ABNT, fornecendo orientações práticas e exemplos para</p><p>auxiliar os leitores na produção de trabalhos acadêmicos rigorosos e de qualidade.</p><p>3.1 NORMAS GERAIS</p><p>A norma técnica ABNT NBR 6023/2018 é um importante guia para a</p><p>padronização das referências bibliográficas em trabalhos acadêmicos e científicos.</p><p>Ela estabelece diretrizes específicas para a apresentação de informações sobre as</p><p>fontes utilizadas em um trabalho, permitindo que leitores e pesquisadores acessem e</p><p>verifiquem as referências de forma consistente e precisa. Nesse contexto, a norma</p><p>ABNT 6023/2018 aborda diversas características e técnicas de formatação de</p><p>referências, garantindo a clareza e a uniformidade nas citações.</p><p>Algumas das características essenciais que essa norma define incluem:</p><p>a) Completeness (Completude): A norma especifica quais elementos devem</p><p>estar presentes em uma referência bibliográfica, como autor(es), título, local de</p><p>publicação, editora, data de publicação, entre outros. Isso garante que as</p><p>informações necessárias para identificar e localizar a fonte sejam fornecidas de</p><p>maneira consistente.</p><p>23</p><p>b) Ordem de apresentação: A ABNT 6023/2018 estabelece uma ordem</p><p>específica para apresentação dos elementos da referência, por exemplo, o</p><p>autor deve ser mencionado antes do título do livro ou artigo. Isso facilita a</p><p>localização das informações-chave.</p><p>c) Pontuação: A norma define regras claras para a pontuação utilizada na</p><p>formatação das referências, como o uso de vírgulas, pontos e parênteses. Isso</p><p>ajuda a evitar ambiguidades e erros na apresentação das informações.</p><p>d) Itálico e negrito: A norma também orienta o uso de itálico e negrito para</p><p>destacar elementos específicos, como o título do periódico, do trabalho, ou o</p><p>nome do autor com o itálico no termo et. al. Essa formatação contribui para a</p><p>clareza e a uniformidade das referências.</p><p>e) Recuo: A norma sugere o uso de recuo ou alinhamento específico para</p><p>diferenciar os elementos da referência, tornando mais fácil a identificação de</p><p>cada parte.</p><p>Além dessas características, a ABNT 6023/2018 também fornece orientações</p><p>detalhadas sobre como formatar diferentes tipos de fontes, como livros, artigos de</p><p>revista, teses, sites, entre outros. Ela aborda aspectos específicos, como a inclusão</p><p>de números de volume e página, abreviações, e como lidar com autores corporativos.</p><p>Para ilustrar essas técnicas de formatação, é comum a norma incluir exemplos de</p><p>referências para diferentes tipos de fontes, como artigos de periódicos, livros,</p><p>trabalhos apresentados em congressos, entre outros. Esses exemplos servem como</p><p>modelos para os pesquisadores, garantindo que eles sigam as diretrizes da norma de</p><p>maneira adequada.</p><p>3.1.1 Exemplos De Referências Conforme O Tipo De Fonte De Pesquisa</p><p>Obs.: Algumas referências abaixo são fictícias, contudo seguem exatamente o</p><p>padrão que deve ser seguido para referenciar as fontes de conteúdo que podem ser</p><p>utilizadas para trabalhos acadêmicos. Lembre-se de que aqui estão exemplificadas</p><p>24</p><p>apenas algumas referências possíveis. Para uma abordagem mais detalhada, não</p><p>deixe de acessar a indicação de leitura deste tópico!</p><p>I. Livros:</p><p>CUSTÓDIO, A. A arte de pensar a arte. 2. ed. São Paulo: Edgard Blücher, 2001.</p><p>II. Trabalhos Acadêmicos</p><p>ALBUQUERQUE, A. J. Estudos exploratórios sobre a consciência coletiva. 2022.</p><p>98 f. TCC em Psicologia – Universidade Córdoba Lumes, Santa Catarina, 2022.</p><p>III. Artigo Científico</p><p>SOUZA, F. T. Os caminhos da lei. ActJus, Palotina, n. 12, p. 131-148, 2023.</p><p>IV. Eventos Acadêmicos</p><p>JORNADA CIENTÍFICA PRÓ-SAÚDE, 2., 2021, Jundiaí, Anais… Jundiaí, Faculdades</p><p>Integradas Céu Azul, 2021. 62 p.</p><p>V. Leis</p><p>BRASIL. Lei . 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da</p><p>educação nacional. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 23 dez. 1996. Disponível</p><p>em: . Acesso em: 18 ago.</p><p>2018.</p><p>SÃO PAULO (Estado). Decreto n. 63.461, de 11 de junho de 2018. Dispõe sobre o</p><p>funcionamento das repartições públicas estaduais nos dias da participação do Brasil</p><p>na Copa do Mundo FIFA 2018. Lex: coletânea de legislação e jurisprudência, São</p><p>Paulo, v. 30, n. 8, p. 351-352, 2018.</p><p>SÃO PAULO (Estado). Decreto n. 63.461, de 11 de junho de 2018. Dispõe sobre o</p><p>funcionamento das repartições públicas estaduais nos dias da participação do Brasil</p><p>na Copa do Mundo FIFA 2018. Secretaria de Governo. Disponível em:</p><p>. Acesso em 18, ago. 2018.</p><p>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6023: informação e</p><p>documentação: referências: elaboração. Rio de Janeiro: ABNT, 2002. 24 p.</p><p>25</p><p>VI. Filmes</p><p>ESCRITORES da liberdade. Direção: Richard Lagravenese. Produção: Richard</p><p>Lagravenese. EUA: UIP, 2007. 1 DVD (123 min), son., color. Legendado. Port.</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Nesta unidade, exploramos uma variedade de tópicos relacionados ao</p><p>conhecimento, à normatização de referências acadêmicas e à importância de</p><p>compreender os diferentes tipos de conhecimento em nossa vida cotidiana. Desde os</p><p>tipos de conhecimento - popular, religioso, filosófico e científico - até a norma ABNT</p><p>NBR 6023/2018 que padroniza as referências bibliográficas, pudemos examinar como</p><p>esses conceitos se entrelaçam e desempenham papéis fundamentais em nosso</p><p>crescimento intelectual e na comunicação do conhecimento.</p><p>A apreciação da diversidade de perspectivas proporcionada pelos diferentes</p><p>tipos de conhecimento nos ajuda a abraçar a complexidade da sociedade em que</p><p>vivemos e promove a tolerância e o respeito mútuo. Reconhecer a coexistência e a</p><p>interação desses tipos de conhecimento é essencial para uma convivência</p><p>harmoniosa e uma comunicação eficaz.</p><p>Por outro lado, as normas de referências acadêmicas da ABNT desempenham</p><p>um papel crucial na produção de pesquisa de qualidade e na validação do</p><p>conhecimento. Elas asseguram a clareza e a credibilidade das fontes utilizadas em</p><p>trabalhos acadêmicos e científicos, facilitando a replicação e a verificação da pesquisa</p><p>por outros pesquisadores.</p><p>SAIBA+</p><p>O link abaixo é um material criado pelos professores Amadei e Ferraz, da USP,</p><p>sobre as técnicas de referências de para trabalhos acadêmico-científicos, de</p><p>acordo com a norma técnica 6023, de 2018, da ABNT. Sugere-se que a leitura</p><p>deste material seja feita para o aprofundamento</p>
<p>do conhecimento sobre tais</p><p>técnicas sempre que você for escrever um trabalho acadêmico.</p><p>https://usp.br/sddarquivos/aulasmetodologia/abnt6023.pdf</p><p>https://usp.br/sddarquivos/aulasmetodologia/abnt6023.pdf</p><p>26</p><p>Em conjunto, o entendimento dos tipos de conhecimento e a aplicação das</p><p>normas de referências acadêmicas contribuem para o progresso da sociedade e do</p><p>conhecimento humano. Ao adotarmos uma abordagem integrada desses conceitos,</p><p>estamos melhor preparados para enfrentar os desafios do nosso tempo e contribuir</p><p>para um mundo mais informado, diversificado e colaborativo. A busca pelo</p><p>conhecimento é uma jornada contínua e, através do aprendizado e da aplicação</p><p>desses princípios, podemos avançar em direção a um futuro mais iluminado e</p><p>enriquecedor.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>AMADEI, J. R. P.; FERRAZ, V. C. T. Guia para elaboração de referências: ABNT</p><p>NBR 6023:2018. Bauru, 2019. 54 p.</p><p>https://usp.br/sddarquivos/aulasmetodologia/abnt6023.pdf</p><p>TRUJILLO FERRARI, Alfonso. Metodologia da ciência. 3. ed. Rio de Janeiro:</p><p>Kennedy, 1974.</p><p>MARCONI, Maria e LAKATOS, Marina de Andrade. Fundamentos de Metodologia</p><p>Científica, 8a edição. Grupo GEN, 2017.</p><p>https://usp.br/sddarquivos/aulasmetodologia/abnt6023.pdf</p><p>27</p>

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