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07 Metafísica - Avaliação III

Avaliação final discursiva (individual) com gabarito e correção, contendo questões sobre o niilismo passivo em Nietzsche e sobre noções pré-socráticas (physis, causalidade) a partir de Deleuze e Guatarri; inclui resposta esperada, resposta do aluno e comentário avaliativo.

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<p>14/10/2024 03:52 Avaliação Final (Discursiva) - Individual</p><p>about:blank 1/3</p><p>Prova Impressa</p><p>GABARITO | Avaliação Final (Discursiva) - Individual</p><p>(Cod.:989256)</p><p>Peso da Avaliação 2,00</p><p>Prova 87587711</p><p>Qtd. de Questões 2</p><p>Nota 9,50</p><p>Nietzsche apropria-se e desenvolve o conceito de niilismo. Este filósofo atribui dois sentidos a</p><p>este conceito, ora compreendendo seu aspecto passivo, ou reativo, ora contemplando seu lado ativo.</p><p>Quais seriam, portanto, as características do niilismo passivo?</p><p>Resposta esperada</p><p>O niilismo passivo parte da constatação da ausência de sentido no real, ao mesmo tempo em que</p><p>destaca a falta de necessidade de sentido para a experiência humana, que se realiza na</p><p>constatação da insignificância do mundo, sendo a preguiça a reação a esta.</p><p>Minha resposta</p><p>Para Nietzsche, o niilismo passivo é uma forma de niilismo caracterizada pela resignação, pelo</p><p>desencanto e pela aceitação de que a vida não tem sentido intrínseco ou valor superior, sem</p><p>reagir de forma criativa ou transformadora a esse fato. Algumas de suas principais características</p><p>são: Desânimo e resignação: No niilismo passivo, o indivíduo reconhece a ausência de valores</p><p>absolutos, mas reage com desânimo e conformismo, aceitando que a vida não tem sentido ou</p><p>valor intrínseco, aceitando esse vazio sem tentar criar novos valores ou dar um novo sentido à</p><p>existência. Fuga e apatia: Quem adota o niilismo passivo pode se refugiar na apatia, no</p><p>isolamento ou na inércia, recusando-se a agir ou a buscar novas formas de criar sentido, pois vê</p><p>qualquer esforço como inútil. A pessoa não luta contra o vazio existencial, mas se entrega à</p><p>apatia ou busca refúgio em formas de escapismo, como o hedonismo ou a busca por distrações</p><p>superficiais. Relação com a tradição: Muitas vezes, o niilismo passivo surge como resultado da</p><p>perda de crença nos valores tradicionais (como religiosos ou morais), sem que novos valores</p><p>sejam criados para substituí-los. Assim, o niilista passivo pode cair em um vazio onde a ausência</p><p>de sentido é simplesmente suportada. O indivíduo permanece preso às estruturas em declínio,</p><p>sem coragem de superá-las. Pessimismo radical: O niilismo passivo muitas vezes leva a um</p><p>pessimismo profundo, onde se reconhece a falta de propósito na existência, mas ao invés de</p><p>procurar soluções, a pessoa sucumbe à melancolia e ao ceticismo. Tende a rejeitar ou depreciar a</p><p>vida, considerando-a irrelevante ou dolorosa. Em resumo, o niilismo passivo é caracterizado pela</p><p>aceitação passiva do colapso dos valores tradicionais, sem vontade de superação ou</p><p>transformação. Ele resulta em uma espécie de paralisia existencial, onde o indivíduo se encontra</p><p>desprovido de propósito ou energia criativa para reagir a esse vazio. Esse tipo de niilismo está</p><p>em contraste com o niilismo ativo, que, em vez de se conformar, busca destruir os valores</p><p>antigos e criar novos significados e formas de existência.</p><p>Retorno da correção</p><p>VOLTAR</p><p>A+</p><p>Alterar modo de visualização</p><p>1</p><p>14/10/2024 03:52 Avaliação Final (Discursiva) - Individual</p><p>about:blank 2/3</p><p>Parabéns acadêmico, sua resposta se aproximou dos objetivos da questão, poderia apenas ter</p><p>apresentado mais argumentos acerca dos conteúdos disponibilizados nos materiais didáticos e</p><p>estudos.</p><p>A filosofia como atividade crítica do pensamento tem como função primordial a compreensão</p><p>do real através da criação de conceitos. O filósofo é aquele que cria, inventa, constrói e dá</p><p>consistência aos conceitos. Para Deleuze e Guatarri (1992, p. 27) "todo conceito remete a um</p><p>problema, a problemas sem os quais não teria sentido, e que só podem ser isolados ou compreendidos</p><p>na medida de sua solução". É na Grécia Antiga do século V que a atividade filosófica se debruça pela</p><p>primeira vez na arte de criar conceitos. Os filósofos denominados pré-socráticos, se depararam com</p><p>um mundo impregnado por narrações míticas, fantasias, criadas e transmitidas oralmente para</p><p>explicar a experiência real. Diante dessa aporia, os pré-socráticos criaram conceitos para explicar, à</p><p>luz da racionalidade, os fenômenos do mundo: a natureza ou physis, a causalidade, o elemento</p><p>primordial ou arqué, o cosmos ou kosmo, o logos. A partir do exposto, faça uma síntese das principais</p><p>noções que os primeiros filósofos da Grécia Antiga se debruçaram em explicar.</p><p>FONTE: DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. O que é a filosofia? Trad. de Bento Prado Jr. e</p><p>Alberto Alonso Muñoz. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1992.</p><p>Resposta esperada</p><p>* A noção de natureza ou physis, constituiu uma noção fundamental e o objeto comum dos pré-</p><p>socráticos. O mundo natural se explicava através das causas naturais, investigação rigorosa dos</p><p>fenômenos, enquanto o mundo exterior ou divino não se sustentava, perde seu sentido diante da</p><p>função explicativa.</p><p>* A noção de causalidade também é uma noção fundamental, pois a explicação orientada pela</p><p>filosofia e ciência é uma descoberta da rede causal na natureza. As causas e os efeitos se ligam</p><p>uns aos outros numa sequência que determina o passado e projeta o futuro, permitindo intervir</p><p>nesse processo causal. A causalidade é regressiva e sucessiva.</p><p>* A arqué é o elemento primordial da natureza, na qual fornece unidade à natureza estando</p><p>presente em todo universo e caracterizando o início de uma generalização dos múltiplos</p><p>elementos; caráter básico da natureza; em Tales, o elemento primordial era a água, na qual</p><p>significava que esse elemento era o princípio de todas as coisas e presente em todas elas.</p><p>* O cosmos ou kosmo era entendido pelos primeiros filósofos como o mundo natural organizado</p><p>por princípios racionais e tendo a causalidade como lei primordial; o cosmos se opõe ao caos; o</p><p>cosmos pode ser explicado pela razão humana.</p><p>* O logos, segundo os pré-socráticos, seria o discurso racional para explicar a realidade por meio</p><p>de causas naturais; discurso que se abre a críticas; o logos se fundamenta na argumentação lógica</p><p>para explicar os fenômenos do mundo natural.</p><p>Minha resposta</p><p>Os filósofos pré-socráticos, ao se depararem com um mundo repleto de narrativas míticas,</p><p>procuraram criar conceitos racionais para explicar os fenômenos naturais e a origem do cosmos.</p><p>Dentre as principais noções que esses pensadores abordaram estão: Physis (natureza): A ideia</p><p>central para explicar a totalidade dos fenômenos naturais e como eles se organizam. Os pré-</p><p>socráticos buscaram compreender a natureza de maneira racional, investigando sua origem e os</p><p>princípios que a regem. Arqué (princípio primordial): Referia-se ao elemento fundamental que</p><p>daria origem a todas as coisas. Eles tentavam descobrir qual seria a substância original de onde</p><p>tudo provém e para onde tudo retorna, propondo diferentes elementos como essa origem, como a</p><p>água (Tales), o ar (Anaxímenes) e o infinito ou ápeiron (Anaximandro). Kosmos (ordem</p><p>universal): Compreendido como a ordem e a harmonia que governam o universo, em oposição</p><p>2</p><p>14/10/2024 03:52 Avaliação Final (Discursiva) - Individual</p><p>about:blank 3/3</p><p>ao caos. Para os pré-socráticos, o cosmos era regido por leis racionais, permitindo que pudesse</p><p>ser compreendido como um todo coerente, com leis universais que o governam. Logos (razão):</p><p>Representava a capacidade de explicar o mundo através da razão e do discurso lógico, em vez de</p><p>mitos ou tradições. O logos era visto como uma força organizadora, o princípio racional que</p><p>ordena o universo. Causalidade: Os pré-socráticos foram pioneiros na busca por causas racionais</p><p>para os fenômenos, rejeitando explicações sobrenaturais ou mitológicas. Buscavam compreender</p><p>as causas dos fenômenos, promovendo uma explicação lógica para a origem e transformação das</p><p>coisas. Esses conceitos foram os primeiros passos da filosofia no sentido de substituir</p><p>explicações míticas por uma visão racional e sistemática do mundo. Tornando a filosofia uma</p><p>atividade crítica e racional, que buscava entender o real através da criação de teorias sistemáticas</p><p>sobre a natureza e o universo.</p><p>Retorno da correção</p><p>Parabéns, acadêmico, sua resposta atingiu os objetivos da questão e você contemplou o esperado,</p><p>demonstrando</p><p>a competência da análise e síntese do assunto abordado, apresentando excelentes</p><p>argumentos próprios, com base nos materiais disponibilizados.</p><p>Imprimir</p>

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