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<p>A Avaliação na Alfabetização</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>A avaliação na alfabetização e a eficácia de suas práticas costumam provocar intensas discussõe</p><p>s,que envolvem estudiosos, professores, gestores, famílias e seus sujeitos principais, as crianças.</p><p>A BNCC (Base Nacional Comum Curricular), homologada em 2017, passou a ocupar as mentes</p><p>dos educadores brasileiros e trouxe muitas reflexões à luz da sua publicação. A partir desse mo</p><p>mento, tornou-se necessário repensar os tempos e os modos de alfabetizar. A Base aponta que as</p><p>crianças brasileiras devem ser alfabetizadas até o fim do 2.º ano do Ensino Fundamental, o que r</p><p>epresentou a mudança do 3.º para o 2.º ano do Ensino Fundamental como limite para a criança s</p><p>e alfabetizar. Quanto aos modos de ensinar, são sugeridos alguns apontamentos na BNCC que p</p><p>oderão contribuir para a elaboração (ou revisão) dos currículos nas escolas. Assim, a BNCC pod</p><p>e colaborar no cotidiano escolar e na reconsideração constante das diversas formas de aprendiza</p><p>gem infantil e processos de avaliação na importante fase da alfabetização.</p><p>Nesta Unidade de Aprendizagem, você estudará a avaliação na alfabetização enquanto parte inte</p><p>grante do processo de ensino e aprendizagem, elemento fundamental no processo de alfabetizaçã</p><p>o e letramento e um instrumento fundamental na qualificação do processo alfabetizador.</p><p>Por fim, você aprofundará os estudos sobre a importância de entender que a avaliação deve estar</p><p>de acordo com a prática pedagógica desenvolvida pelo processo de alfabetização e letramento.</p><p>Bons estudos.</p><p>Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>Interpretar a avaliação como parte integrante do processo de ensino e aprendizagem e com</p><p>o elemento fundamental no processo de alfabetização e letramento.</p><p>•</p><p>Identificar a avaliação na alfabetização como um instrumento fundamental na qualificação</p><p>desse processo.</p><p>•</p><p>Reconhecer que a avaliação deve estar de acordo com a prática pedagógica desenvolvida p</p><p>elo processo de alfabetização e letramento.</p><p>•</p><p>DESAFIO</p><p>Talvez a avaliação na alfabetização seja um tema bem recuado na sua memória escolar. Faça um</p><p>esforço para pensar na realidade de crianças inseridas no processo alfabetizador e na heterogenei</p><p>dade das salas de aula num país tão diversificado quanto o Brasil.</p><p>Pense na situação concreta de uma sala de aula com crianças de seis anos de idade vivenciando</p><p>o processo alfabetizador preconizado na BNCC (Base Nacional Comum Curricular).</p><p>Numa escola da região central de São Paulo, você recebe;no primeiro ano do Ensino Fundament</p><p>al, uma turma composta por 25 crianças. Na primeira semana de aula, você passa a conhecer seu</p><p>s alunos, bem como a experiência deles com relação à leitura e à escrita. Cinco alunos já leem e</p><p>escrevem, quinze alunos reconhecem as letras e elaboram hipóteses sobre leitura e escrita, e os c</p><p>inco restantes conhecem apenas as letras do seu próprio nome.</p><p>Nesse contexto, surge o questionamento: Em um grupo tão heterogêneo, como você irá avaliar o</p><p>s alunos, oportunizando a todos as condições para que evoluam no processo de aquisição da leit</p><p>ura e da escrita?</p><p>INFOGRÁFICO</p><p>A criança, ao ler, deverá usar uma forma específica de processamento de informação. A aprendi</p><p>zagem da leitura é a aprendizagem de processos necessários para ler.</p><p>A seguir, conheça as habilidades relacionadas à leitura e à escrita a serem desenvolvidas no 1.º e</p><p>2.º ano do Ensino Fundamental.</p><p>CONTEÚDO DO LIVRO</p><p>A avaliação deve ser considerada uma parte integrante e extremamente importante do processo d</p><p>e alfabetização e letramento.</p><p>Educar e avaliar nos tempos de aquisição da leitura e da escrita são ações que caminham juntas</p><p>na perspectiva de uma escola comprometida com o sucesso escolar das crianças.</p><p>Na obra Alfabetização e letramento, leia o capítulo Avaliação na alfabetização, base teórica dest</p><p>a Unidade de Aprendizagem.</p><p>Boa leitura!</p><p>ALFABETIZAÇÃO</p><p>E LETRAMENTO</p><p>Maria da Glória Feitosa Freitas</p><p>Avaliação na alfabetização</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Interpretar a avaliação como parte integrante do processo de ensino</p><p>e aprendizagem e como elemento fundamental no processo de</p><p>alfabetização e letramento.</p><p> Identificar a avaliação na alfabetização como um instrumento funda-</p><p>mental na qualificação desse processo.</p><p> Reconhecer que a avaliação deve estar de acordo com a prática pe-</p><p>dagógica desenvolvida pelo processo de alfabetização e letramento.</p><p>Introdução</p><p>A avaliação na alfabetização costuma trazer intensas discussões relaciona-</p><p>das à eficácia de suas práticas. Tais discussões envolvem tanto estudiosos</p><p>e professores quanto gestores, famílias e os sujeitos principais, as crianças.</p><p>Especificamente neste momento histórico da educação nacional, o</p><p>assunto ocupa mentes e surgem reflexões à luz da recente publicação da</p><p>Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Afinal, estão em jogo decisões</p><p>sobre os novos tempos de alfabetizar (passagem do 3º ao 2º ano como</p><p>limite para a criança se alfabetizar) e sobre os modos de ensinar (alguns</p><p>apontamentos da BNCC contribuem para reflexões sobre os currículos).</p><p>Tudo isso convoca os envolvidos a repensar as aprendizagens infantis e</p><p>os processos de avaliação na fase da alfabetização.</p><p>Neste capítulo, você vai estudar a avaliação na alfabetização enquanto</p><p>parte integrante do processo de ensino e aprendizagem e enquanto</p><p>aspecto fundamental do processo de alfabetização e letramento. Você</p><p>também vai refletir sobre a alfabetização como um instrumento essencial</p><p>na qualificação do processo alfabetizador. Por fim, você vai verificar que a</p><p>avaliação deve estar de acordo com a prática pedagógica desenvolvida</p><p>no processo de alfabetização e letramento.</p><p>C08_Avaliacao_na_Alfabetizacao.indd 1 22/05/2018 09:56:40</p><p>A avaliação em seu contexto educacional</p><p>A avaliação deve ser considerada parte integrante e de extrema importância</p><p>do processo de alfabetização e letramento. Educar e avaliar nos tempos de</p><p>aquisição da leitura e da escrita são ações que caminham juntas na perspectiva</p><p>de uma escola comprometida com o sucesso das crianças.</p><p>É certo afirmar que a avaliação é uma das partes potentes do processo de</p><p>ensino e aprendizagem, revelando as singularidades das crianças. Segundo</p><p>Álvarez Méndez (2002, p. 65):</p><p>A avaliação age, então, a serviço do saber e das pessoas que aprendem. Ela</p><p>deveria ser o momento no qual quem ensina e quem aprende encontram-se</p><p>com a sã intenção de aprender. Avaliamos para conhecer e aprendemos com</p><p>a avaliação. Somente assegurando a aprendizagem podemos assegurar a ava-</p><p>liação, isto é, a boa avaliação, que forma continuamente, que seria também</p><p>significativa e catalisadora de novas aprendizagens. Avaliamos enquanto</p><p>aprendemos; aprendemos enquanto avaliamos.</p><p>Segundo o excerto, a avaliação está a serviço da aprendizagem das pessoas.</p><p>Os futuros leitores precisarão ser hábeis para decodificar palavras e símbolos</p><p>escritos, integrar informações advindas de diversos textos e captar sentidos da</p><p>escrita. Eles também deverão interpretar os significados do texto, traduzir em</p><p>sons as sílabas isoladas, usar habilidades de pensamento cognitivo e metacog-</p><p>nitivo, refletir sobre a relevância do que foi lido e até construir significados a</p><p>partir de textos. Nesse sentido, as avaliações trazem importantes dados sobre</p><p>a diversidade de usos de tais habilidades (SOARES, 1995).</p><p>Uma criança, ao ler, deverá usar uma forma específica de processamento de</p><p>informação. Aprender a leitura é aprender os processos necessários para ler. O</p><p>ensino e a aprendizagem devem agir no entendimento de que “[...] ler é transformar</p><p>representações gráficas da linguagem em representações mentais da sua forma</p><p>sonora e do seu significado. Quando se trata de um texto, o objetivo da leitura é</p><p>poder apreender o seu sentido” (MALUF; CARDOSO-MARTINS, 2013, p. 16).</p><p>Não distante de tais entendimentos devem estar, concomitantemente, as</p><p>avaliações oferecidas</p><p>às crianças. O professor não poderá exigir em avalia-</p><p>ções que todas as crianças tenham níveis de leitura iguais. Ele precisa levar</p><p>em conta o extenso, intenso, pessoal e intransferível processo de habilidade</p><p>de identificação das palavras escritas. A avaliação oferece ao educador a</p><p>possibilidade de acompanhar o processo de alfabetização, compreendendo</p><p>as hipóteses das crianças quanto à leitura e à escrita, bem como entendendo</p><p>de que forma a criança pode ser auxiliada nesse processo.</p><p>Avaliação na alfabetização2</p><p>C08_Avaliacao_na_Alfabetizacao.indd 2 22/05/2018 09:56:41</p><p>Você pode estar se fazendo as seguintes perguntas: como comparar os</p><p>alunos em uma única provinha aos oito anos, no final do 2º ano? E como</p><p>impedir os que já evoluíram em suas compreensões de responder questões</p><p>que para outros são difíceis?</p><p>Progressivamente, à medida que o leitor se torna capaz de identificar correta</p><p>e rapidamente a grande maioria das palavras, o determinante mais importante</p><p>das diferenças individuais na leitura passa a ser a qualidade e a eficiência das</p><p>capacidades gerais (MALUF; CARDOSO-MARTINS, 2013, p. 16).</p><p>Assim, a avaliação precisa dar suporte às diferenças determinantes, e não</p><p>andar em sentidos contrários a elas.</p><p>A escrita ocorre por meio de um conjunto de habilidades e conhecimentos</p><p>linguísticos e psicológicos, que são inúmeros e distintos dos necessários para</p><p>a leitura. Será necessário desenvolver as habilidades e conhecimentos para</p><p>decodificar palavras escritas, entender informações contidas no texto e outras</p><p>inúmeras competências. Magda Soares (1995, p. 9) defende que: “[...] escrever</p><p>é um processo de relacionamento entre unidades sonoras e símbolos escritos, e</p><p>é também um processo de expressão de ideias e de organização do pensamento</p><p>sob forma escrita”. Como você deve imaginar, ambos os processos devem ser</p><p>contemplados na avaliação.</p><p>As etapas de ensino e aprendizagem na alfabetização e no letramento</p><p>devem envolver usos sociais, funções, habilidades técnicas e valores que</p><p>vão muito além de apenas saber ler e escrever (SOARES, 1995). Como todos</p><p>esses ganhos, frutos de intensos esforços subjetivos, podem ficar de fora da</p><p>avaliação? Nem pensar!</p><p>Caso o processo de ensino e aprendizagem não leve em conta que há uma</p><p>evolução, por meio de estágios, na aquisição da leitura e da escrita, é possível</p><p>exigir das crianças que ainda representam a linguagem somente por meio de</p><p>desenhos que façam grafismos, rabiscos e apresentem concepções das distin-</p><p>ções entre o desenho e a escrita. Já é bastante difundido nos estudos sobre o</p><p>assunto que, para além dos recursos didáticos, métodos e manuais, as crianças</p><p>buscam adquirir conhecimentos. E não ficam isoladamente memorizando e</p><p>repetindo supostas técnicas para se alfabetizar, para serem avaliadas.</p><p>Você deve notar que os meninos e meninas são sujeitos de suas aquisições</p><p>de conhecimentos sobre a leitura e a escrita. Ferreiro e Teberosky trouxeram</p><p>à luz uma criança desconhecida à época de suas pioneiras pesquisas. As</p><p>autoras escreveram sobre a criança que: “[...] se propõe problemas e trata</p><p>de solucioná-los, segundo sua própria metodologia... Insistiremos sobre o</p><p>3Avaliação na alfabetização</p><p>C08_Avaliacao_na_Alfabetizacao.indd 3 22/05/2018 09:56:41</p><p>que se segue: trata-se de um sujeito que procura adquirir o conhecimento, e</p><p>não simplesmente de um sujeito disposto a adquirir uma técnica particular”</p><p>(FERREIRO; TEBEROSKY, 1985, p. 11).</p><p>Além dos suores das mãos, as avaliações deverão incluir as certezas que</p><p>as etapas anteriores do planejamento e da execução trouxeram para a vida de</p><p>meninos e meninas com relação à leitura e à escrita. O longo e construtivo</p><p>processo de aquisição da lectoescrita é muito mais do que aprender a ler e</p><p>escrever para fazer provinhas. Não haveria sentido em apenas ensinar e nada</p><p>querer saber sobre o aprender. O certo é que o encontro com a escola é também</p><p>o momento em que as crianças descobrem a existência da avaliação. A palavra</p><p>avaliação pode não ter uma conotação pesada para todos os que passaram por</p><p>escolas nos tempos de aprender a ler e escrever. E tantos outros devem ter</p><p>lembranças de apuros passados.</p><p>É importante que você reflita sobre o que realizar com os dados colhidos nas avalia-</p><p>ções, que deverão servir de subsídios para as próximas etapas do processo de ensino</p><p>e aprendizagem. Avaliar significa “dar valor a” no latim. É importante que a escola</p><p>seja um lugar em que a avaliação seja valorizada e tenha um espaço determinante</p><p>no processo de ensino e aprendizagem. A avaliação deve ser um diagnóstico “[...]</p><p>daquilo que professores e alunos vêm realizando até ali e, ao mesmo tempo, como</p><p>um guia que permita indicar os rumos a serem seguidos dali em diante no sentido</p><p>de se corrigir o que não vem dando certo e reforçar as práticas bem-sucedidas”</p><p>(CORDEIRO, 2012, p. 151).</p><p>Nos últimos 30 anos, tanto o cenário educacional brasileiro quanto as leis</p><p>mudaram para garantir alterações na hora de ensinar, aprender e avaliar. Com</p><p>o passar do tempo, as salas de aula foram deixando de ser cenários de controle</p><p>excessivo, autoritarismo, punições, memorizações de lições acríticas, repetições</p><p>das mesmas lições, recompensas, pavores relacionados ao fracasso escolar,</p><p>exclusões em massa, excessivas reprovações e classificações dos mais fortes</p><p>aos mais fracos. Também foram sendo deixadas de lado as seleções favoráveis</p><p>aos mais favorecidos socioeconomicamente, as reproduções de desigualdades</p><p>sociais, os comentários demolidores das vontades de aprender e a certeza de</p><p>que a avaliação era um entrave aos sonhos das crianças e famílias de acesso</p><p>pleno e bem-sucedido à cultura letrada.</p><p>Avaliação na alfabetização4</p><p>C08_Avaliacao_na_Alfabetizacao.indd 4 22/05/2018 09:56:41</p><p>A avaliação precisou afastar-se da escolha de premiar os melhores com</p><p>medalhas de honra ao mérito. Ela teve de insistir na garantia, contida nas leis,</p><p>do direito à aprendizagem ampla da leitura e da escrita a todas as crianças,</p><p>utilizando formas de avaliação individualizadas, capazes de fazer as dificul-</p><p>dades e aprendizagens consolidadas emergirem.</p><p>Cordeiro (2012) afirma que, na década de 1990, surgiram várias discussões</p><p>sobre os mecanismos de exclusão. Além disso, os procedimentos de avaliação</p><p>“[...] se multiplicaram e, nos dias de hoje, todos falam sobre a inclusão, a</p><p>progressão continuada, o reforço escolar, a recuperação contínua e outros</p><p>procedimentos destinados a enfrentar o problema do fracasso e da exclusão”</p><p>(CORDEIRO, 2012, p. 145).</p><p>No Brasil, ficou evidente a necessidade, pós-redemocratização, de repen-</p><p>sar a escolarização das crianças. Isso diz respeito ao processo de ensino e</p><p>aprendizagem e também à avaliação. O avanço das legislações educacionais,</p><p>o acesso às teorizações ditas justas para a alfabetização mais eficaz de</p><p>todas as crianças e as ações em prol da alfabetização e letramento foram</p><p>criando um lugar mais facilitador para os desejos das crianças de aprender</p><p>a ler e escrever. As atividades colocaram as crianças em situações ativas</p><p>no aprender, e as avaliações são realizadas com sujeitos ativos e reais, in-</p><p>dependentemente de suas condições socioeconômicas, levadas em conta na</p><p>hora de planejar atividades.</p><p>Apoiar uma criança nas aquisições necessárias a ler e escrever, ou seja, alfabetizá-la,</p><p>implica a existência de condições cognitivas para incorporar o sistema de represen-</p><p>tação alfabético.</p><p>Outro aspecto importante é que, como acontece em qualquer ação docente, os</p><p>educadores que lidam com o processo de alfabetização e letramento possuem con-</p><p>cepções de ensino e de aprendizagem que guiam suas atividades em sala de aula.</p><p>A avaliação como um instrumento fundamental</p><p>na qualificação do processo alfabetizador</p><p>O processo longo e instigante da alfabetização requer um instrumento fun-</p><p>damental para qualifi car as suas práticas educativas. Tal ferramenta qualifi -</p><p>catória é a avaliação. “A avaliação é um instrumento de que dispomos para</p><p>5Avaliação na alfabetização</p><p>C08_Avaliacao_na_Alfabetizacao.indd</p><p>5 22/05/2018 09:56:41</p><p>melhorar o ensino a partir da observação dos processos e da aprendizagem</p><p>dos alunos e com a análise e a revisão das propostas didáticas que fi zemos”</p><p>(ZABALA et al., 2016, p. 145).</p><p>Os professores dos anos iniciais do ensino fundamental devem se indagar</p><p>amplamente sobre seus processos de ensino, aprendizagem e avaliação. Assim,</p><p>terão um projeto educativo para concretizar e avaliar. Os bons caminhos são as</p><p>escolhas metodológicas alinhadas com os objetivos e as finalidades pretendidas.</p><p>Também é fundamental o desenvolvimento de “[...] estratégias de observação</p><p>para avaliar, depois, o que realmente acontece em aula e os comportamentos</p><p>e as atitudes dos meninos e das meninas” (ZABALA et al., 2016, p. 139).</p><p>Para crianças com seis anos, na chegada ao ensino fundamental, são essen-</p><p>ciais ações pedagógicas que avaliem as potencialidades trazidas da educação</p><p>infantil. É importante avaliar os conhecimentos e habilidades adquiridas nessa</p><p>etapa da educação básica. Conhecer seus conhecimentos prévios sobre a escrita</p><p>e estimular a criança a prosseguir seus estudos e ampliá-los é tarefa básica</p><p>da escola, que “[...] deverá planejar sua intervenção a partir da informação</p><p>que cada um dos alunos possui sobre a forma e a função do código escrito”</p><p>(ZABALA et al., 2016, p. 29).</p><p>Alfabetizar crianças a partir dos seis anos não é focar nos tradicionais giz,</p><p>quadro e cartilhas. Sempre é bom lembrar que o ensino, a aprendizagem e a</p><p>avaliação de tais crianças precisam ser pensados criativamente, já que os “[...]</p><p>conhecimentos delas advêm da interação direta — corporal, experimental,</p><p>sensorial — com elementos que agucem a curiosidade e que permitam ex-</p><p>perimentar, desenvolver, sistematizar, conectar” (BARBOSA; DELGADO,</p><p>2012, p. 141). É importante, a partir desse ingresso no ensino fundamental, a</p><p>garantia do “[...] desenvolvimento de sua oralidade, de imersã o nas diferentes</p><p>linguagens simbó licas da cultura e no acesso aos usos e à s funções da cultura</p><p>escrita em nossa sociedade” (BARBOSA; DELGADO, 2012, p. 114).</p><p>As legislações da educação básicas enfatizam que é necessário cuidado</p><p>constante com a avaliação não punitiva e não classificatória. Tal avaliação deve</p><p>estar aliada aos direitos das crianças à aprendizagem eficaz do ler e do escrever,</p><p>bem como ao direito ao acesso e à permanência tranquila na escola. Além</p><p>disso, as legislações adotam um currículo que pensa na sequência dos níveis,</p><p>enfatizando o aprofundamento das aprendizagens necessárias. Entretanto,</p><p>[...] muitos podem interpretar [esses elementos], em uma leitura aligeirada da</p><p>legislação, como possibilidade de antecipação de processos de ensino ou, ainda,</p><p>da desresponsabilizaç ã o das escolas pelas aprendizagens necessárias à s crian-</p><p>ças em cada momento do percurso (BARBOSA; DELGADO, 2012, p. 115).</p><p>Avaliação na alfabetização6</p><p>C08_Avaliacao_na_Alfabetizacao.indd 6 22/05/2018 09:56:41</p><p>A avaliação, nos dois anos iniciais do ensino fundamental, passa pelo</p><p>acompanhamento e pela documentação do desenvolvimento das crianças. Isso</p><p>é feito pelos professores e já preconizado na BNCC, homologada com parecer</p><p>do Conselho Nacional de Educação (CNE) em 2017. Cabe aos educadores</p><p>o processo permanente de planejar ou rever as futuras propostas e metas,</p><p>alinhadas à BNCC, a partir dos dados das avaliações. A ideia é garantir as</p><p>aprendizagens, sempre lembrando que as crianças do 1º ano têm promoção</p><p>automática para o 2º ano e direito a consolidar verdadeiramente a sua apren-</p><p>dizagem. Com relação à proposta pedagógica, o 2º ano deve dar continuidade</p><p>à quilo que o 1º ano realizou.</p><p>O 2º ano parte exatamente de onde o 1º ano terminou. A continuidade será</p><p>definida a partir daquilo que já́ foi conquistado pelas crianças, tendo em vista</p><p>o trabalho diversificado em sala de aula, para atender à diversidade dos pro-</p><p>cessos de aprendizagem das crianças. A continuidade entre 1º e 2º ano é uma</p><p>responsabilidade da escola e dos docentes e não pode estar desarticulada de toda</p><p>a reflexão dos demais professores. No 3º ano, a criança, já com o domínio da</p><p>linguagem escrita, pode sofisticar seus modos de expressão e comunicação. É a</p><p>finalização do processo de alfabetização (BARBOSA; DELGADO, 2012, p. 143).</p><p>Qual é a avaliação adequada para qualificar o processo de alfabetização</p><p>em conformidade com a pedagogia da participação e em oposição à pedagogia</p><p>da transmissão? A pedagogia da transmissão é centrada nos produtos e na</p><p>comparação, nem sempre isenta de preconceitos, do que uma criança é capaz</p><p>de fazer conforme as normas. Já a pedagogia da participação é definida como</p><p>aquela centrada nos processos. Uma avaliação baseada nessa perspectiva não</p><p>negligencia os erros e quer investigá-los. Ela é centrada tanto na subjetividade</p><p>quanto no grupo e reflete sobre as aquisições e realizações das crianças. A</p><p>pedagogia da participação:</p><p>[...] centra-se nos atores que constroem o conhecimento para que participem</p><p>progressivamente, através do processo educativo, da(s) cultura(s) que os</p><p>constituem como seres só cio-histó rico-culturais. A pedagogia da participação</p><p>realiza uma dialogia constante entre a intencionalidade conhecida para o ato</p><p>educativo e a sua prossecuç ã o no contexto com os atores, porque estes sã o</p><p>pensados como ativos, competentes e com direito a codefinir o itinerá rio do</p><p>projeto de apropriaç ã o da cultura que chamamos educaç ã o (OLIVEIRA-</p><p>-FORMOSINHO; KISHIMOTO; PINAZZA, 2007, p. 18).</p><p>As atividades das crianças não poderão ser de outra ordem que não:</p><p>questionamento, planejamento, experimentação, confirmação de hipótese,</p><p>7Avaliação na alfabetização</p><p>C08_Avaliacao_na_Alfabetizacao.indd 7 22/05/2018 09:56:41</p><p>investigação, cooperação e resolução de problemas. Os professores alfabeti-</p><p>zadores deverão agir para estruturar o ambiente. Eles precisam estar atentos</p><p>à escuta, observando tudo, avaliando as crianças e seus intentos com elas</p><p>constantemente, replanejando a partir dos resultados, formulando perguntas,</p><p>abertos aos interesses e conhecimentos prévios das crianças e do grupo. No</p><p>século XXI, deixaram de ser preocupações centrais do educador, ao avaliar,</p><p>as ações de testar, reforçar, punir e só analisar os produtos. Hoje, a avaliação</p><p>é um qualificador da aprendizagem.</p><p>A Base Nacional Comum Curricular, homologada em 2017, preconiza</p><p>que nos anos iniciais (1º e 2º anos) do ensino fundamental é esperado que</p><p>a criança se alfabetize (BRASIL, 2018). A alfabetização é o foco da ação</p><p>pedagógica e se supõe que isso traga uma consequência: a avaliação pre-</p><p>cisará dar conta desse processo. A BNCC (BRASIL, 2018) prevê que o</p><p>conhecimento do alfabeto é imprescindível para o desenvolvimento do</p><p>processo de escrita e leitura. Uma criança alfabetizada é capaz de codificar</p><p>e decodificar os fonemas (sons da língua) em grafemas/letras (materiais</p><p>gráficos), o que envolve o desenvolvimento de uma consciência fonológica</p><p>(fonemas da língua e organização em seguimentos sonoros como sílabas</p><p>e palavras) e o conhecimento do alfabeto em diferentes formatos (letras</p><p>imprensa e cursiva, maiúsculas e minúsculas). Além disso, a criança deve</p><p>estabelecer relações grafofônicas entre esses dois sistemas de materialização</p><p>do português do Brasil.</p><p>A avaliação da alfabetização, possível a partir da BNCC, deverá levar</p><p>em conta todos esses elementos e ainda o processo de construção de habili-</p><p>dades e capacidades de análise e de transcodificação linguística, presentes</p><p>no processo alfabetizador. Segundo esse documento, alfabetizar é lidar</p><p>com a apropriação pelo aluno da ortografia da língua escrita. Isso inclui a</p><p>compreensão do longo processo vivenciado em prol da construção do fun-</p><p>cionamento fonológico da língua e a necessidade de conhecer as relações</p><p>fono-ortográficas (relações entre os sons/fonemas, em suas variedades, e</p><p>as letras/grafemas) (BRASIL, 2018).</p><p>Então, a avaliação da alfabetização precisará dar conta do funcionamento</p><p>da escrita alfabética necessária para a criança ler e escrever. Ela também</p><p>deverá</p><p>comprovar que as crianças conseguem perceber as relações complexas</p><p>estabelecidas entre os sons da fala (fonemas) e as letras da escrita (grafe-</p><p>mas). Já que a ação pedagógica deve estimular a consciência fonológica da</p><p>Avaliação na alfabetização8</p><p>C08_Avaliacao_na_Alfabetizacao.indd 8 22/05/2018 09:56:41</p><p>linguagem, as avaliações irão analisar as crianças em suas habilidades de</p><p>perceber sons e de verificar como se separam e se juntam em novas palavras,</p><p>em suas complexidades.</p><p>A BNCC (BRASIL, 2018) sugere que o educador privilegie atividades de leitura e escrita</p><p>relacionadas à vida cotidiana, como os gêneros orais e escritos conhecidos pelas</p><p>crianças. É o caso, por exemplo, das receitas culinárias, das regras de jogos e das</p><p>cantigas de roda. Além disso, a pontuação, a acentuação e a introdução das classes</p><p>morfológicas de palavras devem ser suficientemente focadas a partir do 3º ano.</p><p>Avaliação e prática pedagógica no processo</p><p>de alfabetização e letramento</p><p>A avaliação e a prática pedagógica devem percorrer trajetórias comuns no</p><p>processo de alfabetização e letramento? Com certeza. A avaliação do processo</p><p>de alfabetização precisa manter-se relacionada à aquisição da escrita e da</p><p>leitura. Além disso, ela implica avaliar o processo de aquisição do código</p><p>escrito, tanto no que se refere à escrita quanto no que se refere à leitura. Já o</p><p>letramento vai além da condição apresentada a respeito do ler e do escrever,</p><p>apontando os usos sociais que a criança faz do que aprendeu.</p><p>Dissociar alfabetização e letramento é um equívoco. No quadro das atuais</p><p>concepções psicológicas, linguísticas e psicolinguísticas de leitura e escrita,</p><p>a entrada da criança (e também do adulto analfabeto) no mundo da escrita</p><p>ocorre simultaneamente por estes dois processos: pela aquisição do sistema</p><p>convencional de escrita — a alfabetização — e pelo desenvolvimento de ha-</p><p>bilidades de uso desse sistema em atividades de leitura e escrita, nas práticas</p><p>sociais que envolvem a língua escrita — o letramento.</p><p>Portanto, alfabetização e letramento não são processos independentes, mas</p><p>interdependentes e indissociáveis: a alfabetização se desenvolve no contexto (e</p><p>por meio) de práticas sociais de leitura e de escrita. Isto é, ela ocorre por meio</p><p>de atividades de letramento. O letramento, por sua vez, só pode se desenvolver</p><p>no contexto (e por meio) da aprendizagem das relações entre fonema e grafema,</p><p>isto é, em dependência da alfabetização (SOARES, 2004).</p><p>9Avaliação na alfabetização</p><p>C08_Avaliacao_na_Alfabetizacao.indd 9 22/05/2018 09:56:41</p><p>A ação de alfabetizar acontece para tornar as crianças capazes de ler e escrever. Além</p><p>disso, essa ação tem o objetivo de fazer com que todos sintam que são capazes de se</p><p>apropriar dos usos da leitura e da escrita. Todos devem se perceber como sujeitos de</p><p>suas próprias escritas e capazes de serem leitores críticos, o que acontecerá conjun-</p><p>tamente ao letramento. Assim, você deve deixar de lado a visão tradicional da criança</p><p>alfabetizada como aquela “[...] que apenas aprendeu a ler e a escrever”. Na verdade,</p><p>a criança alfabetizada deve ser aquela “[...] que adquiriu o estado ou a condição de</p><p>quem se apropriou da leitura e da escrita, incorporando as práticas sociais que as</p><p>demandam” (SOARES, 2000, p. 19).</p><p>A alfabetização é a apropriação de um sistema simbólico ou a decodifica-</p><p>ção de signos? Ou será que tais processos se constroem paralelamente? Eles</p><p>caminham de forma paralela! Ainda assim, é prioritária a entrada da criança</p><p>no mundo dos símbolos. Operar com os símbolos e traduzir um conhecimento</p><p>por outro são atividades próprias da abstração e da simbolização, que se ini-</p><p>ciam nos anos da educação infantil. Todas as atividades da educação infantil</p><p>devem desempenhar os seus papeis essenciais nos dois anos iniciais do ensino</p><p>fundamental, tempo de alfabetizar previsto na BNCC.</p><p>E você sabe o que seria essencial planejar na prática pedagógica para al-</p><p>fabetizar crianças e realizar a avaliação? As crianças precisam aprender, em</p><p>situações com função social, a refletir sobre a própria língua, a criar vocabulários</p><p>específicos, a experimentar estratégias para ler e a contar histórias vividas e</p><p>inventadas. Para o aprendizado da cultura escrita, é preciso construir a perspec-</p><p>tiva do arbitrário, do descontextualizado, do limite, do que está além do aqui e</p><p>do agora. É importante você lembrar-se de que a aprendizagem da linguagem</p><p>escrita é também uma alteraç ã o nas estruturas cognitivas, afinal o pensamento</p><p>se materializa em palavras. Como afirmam Barbosa e Delgado (2012, p. 123):</p><p>Alfabetizar nã o pode ser mais compreendido como ensino de letras e de</p><p>nú meros, como treino grá fico ou trabalho que enfatiza as letras e as sí labas</p><p>isoladamente. Ler e escrever nã o se reduzem à aprendizagem mecâ nica de</p><p>uma té cnica, nã o tê m apenas uma dimensã o perceptivo-motora, mas cog-</p><p>nitiva, cultural, social. A leitura nã o pode ser realizada de modo mecâ nico</p><p>transformando as crianç as em leitores passivos e nã o críticos. A leitura nã o</p><p>deve se limitar à interpretação do texto, mas ser considerada um caminho.</p><p>Ler é mais do que decifrar, decodificar foneticamente; é produzir sentidos,</p><p>interpretar, compreender, relacionar, refletir.</p><p>Avaliação na alfabetização10</p><p>C08_Avaliacao_na_Alfabetizacao.indd 10 22/05/2018 09:56:42</p><p>Quando o educador de crianças em alfabetização fala em letramento (li-</p><p>teracy), se refere aos modos como seus alunos usam a língua escrita e as</p><p>práticas sociais de escrita e leitura. Assim, isso é uma referência ao estado</p><p>ou condição do sujeito diante da cultura letrada e do aprender a escrever e</p><p>ler. Soares (2000, p. 17) revela que implícita nesse conceito “[...] está a ideia</p><p>de que a escrita traz consequências sociais, culturais, políticas, econômicas,</p><p>cognitivas, linguísticas, quer para o grupo social em que seja introduzida,</p><p>quer para o indivíduo que aprenda a usá-la”.</p><p>O processo de letramento insere as crianças constantemente na cultura</p><p>escrita. Porém, todos, crianças e adultos, estão continuamente em contato com</p><p>novidades a serem enfrentadas no mundo, já que há constante mutação nos</p><p>formatos da escrita e da leitura. Assim, não é possível avaliar a alfabetização</p><p>das crianças usando as mesmas plataformas utilizadas, por exemplo, pelos seus</p><p>avós, não é? Você deve considerar que as crianças já nascem em contato com</p><p>um universo repleto de letras. Desde cedo elas são apresentadas a plataformas</p><p>como computadores, tablets e smartphones.</p><p>Tais novidades tecnológicas insistem em lembrar que o letramento, con-</p><p>temporaneamente, não se inicia na entrada do 1º ano do ensino fundamental.</p><p>Como afirmam Barbosa e Delgado (2012, p. 122): “Pertencer à cultura escrita</p><p>é muito mais do que saber ler e escrever; é estar em processo contí nuo de</p><p>letramento. Podemos até́ afirmar que hoje, com as novas mí dias, estamos</p><p>presenciando o nascimento de novas formas de praticar a escrita e a leitura”.</p><p>Como você viu, alfabetização e letramento são tarefas interdependentes</p><p>(SOARES, 2004). Letramento é a “[...] aç ã o de ensinar e aprender prá ticas</p><p>sociais de leitura e escrita e envolve a identidade e agê ncia do aprendiz</p><p>na aquisiç ã o da linguagem” (KISHIMOTO; OLIVEIRA-FORMOSINHO,</p><p>2013, p. 22). Portanto, é imprescindível ver o letramento como uma base,</p><p>ou seja, “[...] leitura e escrita são, fundamentalmente, meios de comunica-</p><p>ção e interaç ã o, enquanto a alfabetizaç ã o deve ser vista pela criança como</p><p>instrumento para envolver-se nas prá ticas e usos da língua” (KISHIMOTO;</p><p>OLIVEIRA-FORMOSINHO, 2013, p. 34).</p><p>O letramento é “[...] prá tica social de aquisiç ã o de significados da linguagem</p><p>verbal e nã o verbal, contempla um sistema linguístico que contém regras,</p><p>estruturas e significações construídas em contextos situados” (KISHIMOTO;</p><p>OLIVEIRA-FORMOSINHO, 2013, p. 26). Além disso, o letramento serve para</p><p>a reflexão dos educadores, que devem entender a aprendizagem do letramento</p><p>como processo interno e autoguiado pela criança.</p><p>Isso implica entender as</p><p>etapas do ensino e da aprendizagem pelo foco do aprendiz.</p><p>11Avaliação na alfabetização</p><p>C08_Avaliacao_na_Alfabetizacao.indd 11 22/05/2018 09:56:42</p><p>O sucesso de tal aprendizagem “[...] depende da decisão, da vontade e do</p><p>interesse de cada criança, de sua agê ncia, o que tem gerado perspectivas que</p><p>valorizam a escuta da criança como ponto de partida da educação” (KISHI-</p><p>MOTO; OLIVEIRA-FORMOSINHO, 2013, p. 26). As autoras lembram que</p><p>“[...] Ferreiro e Teberosky (1985) utilizam a noção de agê ncia ou tomada de</p><p>decisão como categoria para explicar o funcionamento da mente e a aquisiç ã o</p><p>de conhecimentos sobre o letramento” (apud KISHIMOTO; OLIVEIRA-</p><p>-FORMOSINHO, 2013, p. 26).</p><p>Programas educacionais que consideram as crianças como iguais não</p><p>beneficiam o letramento, mas dificultam a visibilidade dos significados e a</p><p>pronúncia de palavras. Quando o educador refletir sobre as diversas formas</p><p>de letramento presentes nas diferentes crianças que recebe em sua sala de aula</p><p>será capaz de conduzir o seu cotidiano com a certeza de que a aprendizagem</p><p>é individual. Assim, terá sucesso no “[...] suporte ao conhecimento de cada</p><p>criança, [n]a organização das classes para facilitar a aprendizagem de diversos</p><p>aprendizes e [n]a relação com a família e a cultura popular” (KISHIMOTO;</p><p>OLIVEIRA-FORMOSINHO, 2013, p. 34).</p><p>A alfabetização, processo de ensinar a escrever e ler, representa uma</p><p>importante prática de letramento escolar e é caracterizada por:</p><p>Objetivar a linguagem em textos escritos, despertar a consciência para os fatos</p><p>da linguagem, analisar a linguagem em sua composição por partes (frases,</p><p>palavras, sí labas, letras). Conhecer a “mecâ nica” ou funcionamento da escrita</p><p>alfabética para ler e escrever significa, principalmente, perceber as relações</p><p>bastante complexas que se estabelecem entre os sons da fala (fonemas) e as</p><p>letras da escrita (grafemas), o que envolve o despertar de uma consciência</p><p>fonológica da linguagem: perceber seus sons, como se separam e se juntam</p><p>em novas palavras, etc. Ocorre que essas relações nã o são tão simples quanto</p><p>as cartilhas fazem parecer (KISHIMOTO; OLIVEIRA-FORMOSINHO,</p><p>2013, p. 92).</p><p>É possível conhecer pessoas que aprenderam em suas experiências extra-</p><p>escolares. Pais, irmãos mais velhos ou outros familiares podem ter realizado</p><p>tais colaborações junto aos aprendizes. Só que a grande maioria das crianças</p><p>das classes populares conta com a escola para ser alfabetizada. As ações</p><p>pedagógicas que deixam a desejar na concretização do direito à aprendizagem</p><p>das crianças devem ser avaliadas e modificadas.</p><p>A avaliação no decorrer do 1º e 2º anos do ensino fundamental, levando</p><p>em conta a BNCC e a meta de a criança se alfabetizar durante esses dois</p><p>anos, poderá colaborar com uma prática avaliativa que caminhe ao lado</p><p>Avaliação na alfabetização12</p><p>C08_Avaliacao_na_Alfabetizacao.indd 12 22/05/2018 09:56:42</p><p>da prática pedagógica no processo de alfabetização e letramento. A base</p><p>sugere que os educadores acompanhem (e, portanto, avaliem) as capacida-</p><p>des/habilidades envolvidas na alfabetização (capacidades de codificação e</p><p>decodificação), a saber:</p><p> compreensão de diferenças entre escrita e outras formas gráficas (outros</p><p>sistemas de representação);</p><p> domínio das convenções gráficas (letras maiúsculas e minúsculas,</p><p>cursiva e script);</p><p> conhecimento do alfabeto português do Brasil;</p><p> compreensão da natureza alfabética do sistema de escrita;</p><p> domínio das relações entre grafemas e fonemas;</p><p> facilidade para saber decodificar palavras e textos escritos;</p><p> tranquilidade para ler, reconhecendo globalmente as palavras;</p><p> ampliação da sacada do olhar para porções maiores de texto que meras</p><p>palavras, desenvolvendo assim fluência e rapidez de leitura (fatiamento)</p><p>(BRASIL, 2018).</p><p>Concluindo, a avaliação, parte integrante do processo de ensino e apren-</p><p>dizagem, está ligada ao sucesso escolar das crianças, à alfabetização e ao</p><p>letramento. A avaliação na alfabetização colabora essencialmente com a</p><p>qualificação do professor alfabetizador. Como você viu, ela não pode ser</p><p>punitiva e deve apoiar as tentativas e ações bem-sucedidas da criança ao se</p><p>alfabetizar. Além disso, é certo entender que a avaliação deve sempre estar de</p><p>acordo como a prática pedagógica desenvolvida no processo de alfabetização</p><p>e letramento.</p><p>A Base Nacional Comum Curricular foi homologada em de-</p><p>zembro de 2017. Com meta para ser implementada entre</p><p>2019 e 2020, ela já aponta a discussão para a possibilidade</p><p>de restringir para dois anos o processo alfabetizador (1º e</p><p>2º anos do ensino fundamental). Leia sobre o processo de</p><p>alfabetização entre as páginas 87 e 91 do texto disponível</p><p>no link ou código a seguir.</p><p>https://goo.gl/2dnT8j</p><p>13Avaliação na alfabetização</p><p>C08_Avaliacao_na_Alfabetizacao.indd 13 22/05/2018 09:56:43</p><p>ÁLVAREZ MÉNDEZ, J. M. Avaliar para conhecer, examinar para excluir. Porto Alegre:</p><p>Artmed, 2002.</p><p>BARBOSA, M. C. S.; DELGADO, A. C. C. A infâ ncia no ensino fundamental de 9 anos.</p><p>Porto Alegre: Penso, 2012.</p><p>BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018. Dis-</p><p>ponível em: . Acesso em: 19 maio 2018.</p><p>CORDEIRO, J. Didática. São Paulo: Contexto, 2012.</p><p>FERREIRO, E; TEBEROSKY, A. Psicogênese da língua escrita. Porto Alegre: Artmed, 1985.</p><p>KISHIMOTO, T. M.; OLIVEIRA-FORMOSINHO, J. Em busca da pedagogia da infância:</p><p>pertencer e participar. Porto Alegre: Penso, 2013.</p><p>MALUF, M. R.; CARDOSO-MARTINS, C. (Org.). Alfabetização no século XXI: como se</p><p>aprende a ler e a escrever. Porto Alegre: Penso, 2013.</p><p>OLIVEIRA-FORMOSINHO, J.; KISHIMOTO, T. M.; PINAZZA, M. A. (Org.). Pedagogia(s) da</p><p>infâ ncia: dialogando com o passado, construindo o futuro. Porto Alegre: Penso, 2007.</p><p>SOARES, M. Letramento e alfabetização: as muitas facetas. Revista Brasileira de Edu-</p><p>cação, n. 25, jan./abr., 2004. Disponível em: . Acesso em: 19 maio 2018.</p><p>SOARES, M. Letramento: um tema em três gêneros. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica,</p><p>2000.</p><p>SOARES, M. Língua escrita, sociedade e cultura: relações, dimensões e perspectivas.</p><p>Revista Brasileira de Educação, n. 0, set./dez. 1995. Disponível em: . Acesso em: 19 maio 2018.</p><p>ZABALA, A. et al. Didática geral. Porto Alegre: Penso, 2016.</p><p>Leitura recomendada</p><p>VIANA, F. L. et al. Desenvolvendo competências de letramento emergente: propostas</p><p>integradoras para a pré-escola. Porto Alegre: Penso, 2017.</p><p>Avaliação na alfabetização14</p><p>C08_Avaliacao_na_Alfabetizacao.indd 14 22/05/2018 09:56:43</p><p>DICA DO PROFESSOR</p><p>A avaliação do processo de alfabetização deve manter-se relacionada à aquisição da escrita e da</p><p>leitura e ocupar-se do processo de aquisição do código escrito no que se refere tanto à escrita qu</p><p>anto à leitura. Já o letramento vai além da condição apresentada a respeito do ler e do escrever, a</p><p>pontando os usos que a criança faz socialmente do conhecimento adquirido.</p><p>Veja nesta Dica do Professor a avaliação como um instrumento fundamental na qualificação do</p><p>processo alfabetizador e a nova BNCC.</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do vídeo ou clique no código para acessar.</p><p>EXERCÍCIOS</p><p>1) Sobre a avaliação como parte integrante do processo de ensino e aprendizagem e ele</p><p>mento fundamental no processo de alfabetização e letramento, é correto afirmar:</p><p>A)</p><p>O processo de alfabetização não é um dos componentes da inserção da criança no mundo d</p><p>a escrita.</p><p>B)</p><p>Crianças decoram as letras e fazem boas provas.</p><p>C)</p><p>A inserção da criança no mundo da escrita envolve também o aprender a ler compreendend</p><p>o e interpretando.</p><p>D)</p><p>O educador alfabetizador não deve se preocupar em favorecer atividades em que a criança</p><p>aprenda a escrever para se expressar e interagir.</p><p>E)</p><p>A apropriação dos usos e funções sociais</p><p>da escrita não constitui o letramento e, na esfera</p><p>deste, a alfabetização.</p><p>Sobre a avaliação como um instrumento fundamental na qualificação do processo alf2)</p><p>https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/abe02e15e5957e33f3885f366c903507</p><p>abetizador, é correto afirmar:</p><p>A)</p><p>A entrada das crianças no 1.º ano do Ensino Fundamental não precisa garantir uma inserçã</p><p>o criadora e construtiva da criança no mundo letrado.</p><p>B)</p><p>A avaliação é um instrumento para melhorar o ensino a partir da observação dos processos</p><p>de aprendizagem dos alunos, dispensando a análise e a revisão das propostas didáticas utili</p><p>zadas.</p><p>C)</p><p>Os conhecimentos prévios sobre o escrito e a estimulação para sua continuidade são tarefa</p><p>s básicas da escola, que deverá planejar sua intervenção a partir da informação que cada u</p><p>m dos alunos possui sobre a forma e a função do código escrito.</p><p>D)</p><p>Os professores alfabetizadores não devem pensar em estratégias de observação para avalia</p><p>r, depois, o que realmente acontece em aula e os comportamentos e atitudes das crianças.</p><p>E)</p><p>Segundo a BNCC, alfabetizar crianças a partir dos seis anos é focar no tradicional giz, qua</p><p>dro e cartilhas.</p><p>3) Sobre a avaliação na alfabetização e as concepções sobre alfabetizar nos dois primeir</p><p>os anos do Ensino Fundamental, segundo a nova BNCC, é válido afirmar:</p><p>A)</p><p>No século XXI, a preocupação única do educador, ao avaliar, é testar, reforçar, punir e só a</p><p>valiar os produtos.</p><p>B)</p><p>A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), homologada em 2017, preconiza que, nos a</p><p>nos iniciais (1.º e 2.º ano) do Ensino Fundamental, é esperado que a criança se alfabetize.</p><p>C)</p><p>Segundo a BNCC, a alfabetização não é o foco da ação pedagógica. Sendo assim, a avaliaç</p><p>ão precisará atestar quantitativamente as aprendizagens.</p><p>D)</p><p>A BNCC não prevê a necessidade do conhecimento do alfabeto e da mecânica da escrita/le</p><p>itura como processos imprescindíveis para que qualquer criança se alfabetize, tornando-se</p><p>capaz de codificar e decodificar os fonemas em grafemas.</p><p>E)</p><p>A BNCC não valoriza o conhecimento do alfabeto português do Brasil em diferentes form</p><p>atos (letras de imprensa e cursiva, maiúsculas e minúsculas).</p><p>4)</p><p>No decorrer do 1.º e 2.º ano do Ensino Fundamental, segundo a BNCC, é importante</p><p>acompanhar as capacidades/habilidades envolvidas na alfabetização (capacidades de</p><p>codificação e decodificação). Sobre tais capacidades/habilidades, é verdadeiro afirma</p><p>r:</p><p>A)</p><p>É importante dominar as convenções gráficas (letras maiúsculas e minúsculas, cursiva e sc</p><p>ript) e conhecer o alfabeto português do Brasil.</p><p>B)</p><p>Compreender diferenças entre escrita e outras formas gráficas (outros sistemas de represen</p><p>tação) já deve ser consolidado na Educação Infantil.</p><p>C)</p><p>Não é importante compreender a natureza alfabética do nosso sistema de escrita.</p><p>D)</p><p>Tais capacidades incluem dominar as relações entre grafemas e não de fonemas.</p><p>E)</p><p>Não é importante proporcionar a ampliação da sacada do olhar para porções de texto maior</p><p>es que meras palavras, desenvolvendo assim fluência e rapidez de leitura (fatiamento).</p><p>5) Sobre alfabetização, letramento e avaliação, é verdadeiro afirmar:</p><p>A)</p><p>O letramento não é prática social de aquisição de significados da linguagem verb</p><p>al e não verbal, mas contempla um sistema linguístico que contém regras, es</p><p>truturas e significações construídas em contextos situados.</p><p>B)</p><p>A aprendizagem do letramento não pode ser vista como um processo interno e autoguiado</p><p>pela criança, tampouco implica entender as etapas de ensino e aprendizagem pelo foco do</p><p>aprendiz.</p><p>C)</p><p>O sucesso da aprendizagem depende da decisão, vontade e interesse de cada criança, de su</p><p>a age ̂ncia, e tem gerado perspectivas que valorizam a escuta da criança como</p><p>ponto de partida da educação.</p><p>D)</p><p>Programas educacionais que consideram as crianças como iguais beneficiam o letramento</p><p>e facilitam a visibilidade dos significados e a pronúncia de palavras.</p><p>E)</p><p>Não cabe ao educador refletir sobre as diversas formas de letramento presentes nas diferen</p><p>tes crianças, já que a aprendizagem não é individual.</p><p>NA PRÁTICA</p><p>A avaliação como parte integrante do processo de ensino e aprendizagem é fundamental n</p><p>o processo de alfabetização e letramento.</p><p>A BNCC (Base Nacional Comum Curricular), homologada em 2017 e com implementação para</p><p>acontecer até 2020, defende que as capacidades/habilidades de codificação e decodificação envo</p><p>lvidas na alfabetização são as seguintes: compreender diferenças entre escrita e outras formas gr</p><p>áficas, dominar as convenções gráficas, conhecer o alfabeto, compreender a natureza alfabética</p><p>do nosso sistema de escrita, dominar as relações entre grafemas e fonemas, saber decodificar pal</p><p>avras e textos escritos, saber ler reconhecendo globalmente as palavras, ampliar a sacada do olha</p><p>r para porções de texto maiores que meras palavras.</p><p>Veja a seguir como essa questão se apresenta na prática.</p><p>SAIBA +</p><p>Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professo</p><p>r:</p><p>Concepções e práticas de avaliação no ciclo de alfabetização</p><p>A avaliação no ciclo de alfabetização: concepção, instrumentos, procedimentos e registros. O pa</p><p>pel social da escola; a questão da qualidade na educação; a autoavaliação favorecendo os princíp</p><p>ios da autonomia, da criticidade, da criatividade e da autoria; o ciclo na perspectiva de garantia d</p><p>e promoção continuada, considerando diferentes tempos e formas de aprendizagem. Compõe ain</p><p>da esta edição temática o Salto Revista.</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do vídeo ou clique no código para acessar.</p><p>https://www.youtube.com/embed/frQh17nqP7o</p>