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Núcleo de Educação a Distância
GRUPO PROMINAS DE EDUCAÇÃO
Diagramação: Rhanya Vitória M. R. Cupertino
Revisão Ortográfica: Águyda Beatriz Teles
PRESIDENTE: Valdir Valério, Diretor Executivo: Dr. Willian Ferreira.
O Grupo Educacional Prominas é uma referência no cenário educacional e com ações voltadas para 
a formação de profissionais capazes de se destacar no mercado de trabalho.
O Grupo Prominas investe em tecnologia, inovação e conhecimento. Tudo isso é responsável por 
fomentar a expansão e consolidar a responsabilidade de promover a aprendizagem.
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Prezado(a) Pós-Graduando(a),
Seja muito bem-vindo(a) ao nosso Grupo Educacional!
Inicialmente, gostaríamos de agradecê-lo(a) pela confiança 
em nós depositada. Temos a convicção absoluta que você não irá se 
decepcionar pela sua escolha, pois nos comprometemos a superar as 
suas expectativas.
A educação deve ser sempre o pilar para consolidação de uma 
nação soberana, democrática, crítica, reflexiva, acolhedora e integra-
dora. Além disso, a educação é a maneira mais nobre de promover a 
ascensão social e econômica da população de um país.
Durante o seu curso de graduação você teve a oportunida-
de de conhecer e estudar uma grande diversidade de conteúdos. 
Foi um momento de consolidação e amadurecimento de suas escolhas 
pessoais e profissionais.
Agora, na Pós-Graduação, as expectativas e objetivos são 
outros. É o momento de você complementar a sua formação acadêmi-
ca, se atualizar, incorporar novas competências e técnicas, desenvolver 
um novo perfil profissional, objetivando o aprimoramento para sua atu-
ação no concorrido mercado do trabalho. E, certamente, será um passo 
importante para quem deseja ingressar como docente no ensino supe-
rior e se qualificar ainda mais para o magistério nos demais níveis de 
ensino.
E o propósito do nosso Grupo Educacional é ajudá-lo(a) 
nessa jornada! Conte conosco, pois nós acreditamos em seu potencial. 
Vamos juntos nessa maravilhosa viagem que é a construção de novos 
conhecimentos.
Um abraço,
Grupo Prominas - Educação e Tecnologia
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Olá, acadêmico(a) do ensino a distância do Grupo Prominas!
É um prazer tê-lo em nossa instituição! Saiba que sua escolha 
é sinal de prestígio e consideração. Quero lhe parabenizar pela dispo-
sição ao aprendizado e autodesenvolvimento. No ensino a distância é 
você quem administra o tempo de estudo. Por isso, ele exige perseve-
rança, disciplina e organização. 
Este material, bem como as outras ferramentas do curso (como 
as aulas em vídeo, atividades, fóruns, etc.), foi projetado visando a sua 
preparação nessa jornada rumo ao sucesso profissional. Todo conteúdo 
foi elaborado para auxiliá-lo nessa tarefa, proporcionado um estudo de 
qualidade e com foco nas exigências do mercado de trabalho.
Estude bastante e um grande abraço!
Professora: Raquel Henrique
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O texto abaixo das tags são informações de apoio para você ao 
longo dos seus estudos. Cada conteúdo é preprarado focando em téc-
nicas de aprendizagem que contribuem no seu processo de busca pela 
conhecimento.
Cada uma dessas tags, é focada especificadamente em partes 
importantes dos materiais aqui apresentados. Lembre-se que, cada in-
formação obtida atráves do seu curso, será o ponto de partida rumo ao 
seu sucesso profisisional.
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Esta unidade analisará o processo de aprendizagem da lín-
gua escrita por meio dos estudos sobre Alfabetização e Letramento e 
ainda, o que a Base Nacional Curricular Comum homologada em 2018 
traz de contribuições e mudanças para esta fase tão importante da 
vida escolar das crianças. Especificamente, foram enfocadas: a) re-
flexão sobre o conceito de alfabetização e letramento, b) métodos de 
alfabetização no Brasil, c) o processo de construção da escrita segun-
do Emília Ferreiro, d) contribuições de Magda Soares, e) mudanças no 
processo de alfabetização e letramento segundo a BNCC, f) práticas 
de alfabetização e letramento e, g) formação de professores. Trata-se 
de um módulo voltado para formação e atualização de professores que 
estão atuando no ciclo de alfabetização e também, àqueles professo-
res que não estão atuando diretamente no ciclo, mas que compreen-
dem a importância de se entender o processo para o desenvolvimento 
de habilidades subsequentes ao processo ou habilidades prévias para 
o desenvolvimento da escrita. Justifica-se por causa da sua real e 
persistente relevância, dado que o contexto social e educacional que 
a sociedade brasileira tem enfrentado, nos últimos anos, claramente 
impacta nas relações de ensino. Os resultados revelam que o desen-
volvimento da alfabetização se apresenta ainda nos dias de hoje com 
resultados que preocuparam a todos os envolvidos em educação. Eles 
mostram também que somente por meio de estudo, planejamento e 
políticas públicas que esta realidade pode ser alterada.
Alfabetização. Letramento. Base Nacional Curricular.
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 CAPÍTULO 01
ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO
Apresentação do Módulo ______________________________________ 11
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Reflexões sobre os Conceitos de Alfabetização e Letramento ____
Contribuições de Magda Soares ________________________________
Breve Histórico dos Métodos de Alfabetização no Brasil ___________
 CAPÍTULO 02
O PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DA ESCRITA
Contribuições de Emília Ferreiro ________________________________ 30
25Recapitulando ________________________________________________
21Qual o melhor Método de Alfabetização para as Crianças? _______
Recapitulando _________________________________________________ 41
 CAPÍTULO 03
BNCC O QUE MUDA NO PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO E LETRA-
MENTO
Alfabetização e Letramento segundo a BNCC __________________ 47
Práticas de Alfabetização e Letramento _________________________ 53
Refletindo sobre a Formação de Professores ____________________ 59
Recapitulando _________________________________________________ 65
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Considerações Finais ____________________________________________ 70
Fechando a Unidade ____________________________________________ 71
Referências _____________________________________________________ 74
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Nos últimos anos vivenciamos inúmeros desafios na busca da 
garantia de uma escola democrática, na qual todos os alunos tenham 
acesso a uma educação de qualidade, que perpasse o desafio da de-
codificação de letras e símbolos, mas que seja capaz de formar alunos 
leitores, críticos e conscientes de seu papel como cidadão.
Aprender a ler e escrever é um direito de todos e necessita ser 
garantido por meio de uma prática educativa baseada em princípios re-
lacionados a uma escola inclusiva, que esteja preparada paratraçar um 
plano individual de ensino que atenda a especificidade de cada educando.
Muito embora há inúmeras pesquisas e discussões acerca do 
processo de alfabetização, é de conhecimento de todos que temos muito 
a caminhar para que consigamos atingir índices de maior notoriedade e 
respeito quando se refere a alfabetização, as avaliações externas realiza-
das apontam que o Brasil ainda produz nos dias de hoje analfabetos fun-
cionais, pessoas capazes de decodificarem o sistema de escrita por meio 
da leitura, todavia, não compreendem o que leem e portanto, não pos-
suem a habilidade de interpretar e usar a língua de maneira consciente. 
A implantação da BNCC - Base Nacional Curricular Comum – 
nos permite perceber que o processo de alfabetização nos dois primei-
ros anos do Ensino Fundamental deve ser o foco da ação pedagógica 
docente em todo o país. 
Aprender a ler e escrever oferece aos estudantes algo novo e surpreendente: 
amplia suas possibilidades de construir conhecimentos nos diferentes com-
ponentes, por sua inserção na cultura letrada, e de participar com maior au-
tonomia e protagonismo na vida social (BRASIL, 2018, p. 63)
Dentro deste paradigma é de extrema importância a formação 
continuada do professor alfabetizador, pois, somente investindo no de-
senvolvimento profissional do docente juntamente com ações de políti-
cas públicas, o cenário descrito e vivido até o presente momento poderá 
ser alterado visando melhorias. Este módulo busca dialogar com o pro-
fessor alfabetizador trazendo um pouco do conhecimento da alfabetiza-
ção em nosso país e ainda, o conhecimento teórico de pesquisadoras 
renomadas na área da alfabetização e por fim, a contribuição que a 
BNCC propõe ao educador.
Compreender conceitos como alfabetização e letramento, tão 
comuns ao meio do educador, tão próximos e, ao mesmo tempo impreg-
nados de concepções, que embora caminhem lado a lado se distanciam 
ao ser definidas é necessário para se apropriar da compreensão do 
processo de aquisição da língua escrita pelas crianças. Assim como é 
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fundamental para o educador se ater a história do processo de alfabeti-
zação no Brasil. Por meio da história, quatro grandes momentos foram 
divididos didaticamente para apresentar os métodos em vigor durante 
cada período e suas implicações para os dias atuais.
Cabe ao educador também, conhecer um pouco das pesquisas 
de Emília Ferreiro e sua contribuição sobre o processo de construção 
da escrita, pois, a partir dos estudos da Psicogênese da Língua Escrita 
são desvendados os mecanismos pelos quais as crianças aprendem a 
ler e a escrever. Assim, as contribuições de Magda Soares vêm promo-
ver a importância de o letramento acontecer concomitante ao processo 
de aquisição da língua escrita.
Em seguida, será discutido o que muda no processo de alfa-
betização e letramento após a implementação da Base Nacional Co-
mum Curricular e quais são as diretrizes que o professor alfabetizador 
precisa se apoiar ao desenvolver seu trabalho pedagógico: práticas de 
alfabetização e letramento, e também, considerações sobre a rotina pe-
dagógica para garantir boas situações de aprendizagem, contribuindo 
assim no processo de aquisição da língua escrita pela criança. Por fim, 
o módulo faz uma reflexão sobre a formação inicial e contínua dos pro-
fessores, bem como as consequências diretas deste mecanismo para 
a sala de aula. É importante frisar que este assunto não se esgota nas 
páginas deste trabalho e há muito o que pesquisar e produzir de conhe-
cimento sobre esta área tão importante aos educadores.
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O primeiro capítulo deste módulo busca elucidar aos profissio-
nais da área da Educação conceitos tão repetidos e difundidos atual-
mente, e que ao mesmo tempo, são tão complexos pelas semelhanças 
que possuem. 
Pesquisadores e teóricos como Emília Ferreiro e Magda Soares 
se apropriaram destes conceitos numa tentativa de esclarecer o processo 
de aquisição da língua escrita pelas crianças. Distinguindo cada um dos 
termos, o professor é capaz de compreender a importância de cada um no 
desenvolvimento do processo de escrita pelo qual as crianças perpassam.
Dando seguimento aos estudos sobre o tema, este capítulo 
abordará um breve histórico do processo de alfabetização no Brasil. Ao 
se apropriar da história, nos deparamos com quatro grandes momentos 
que retratam didaticamente os métodos em vigor durante cada período 
ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO
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e suas implicações para os dias atuais.
Conhecer os métodos utilizados ao longo da história da alfabe-
tização no Brasil colabora com o entendimento de que algumas práticas 
antigas, mecânicas, voltadas para o exercício repetitivo e o treino cons-
tante são tão presentes na atual educação brasileira.
REFLEXÕES SOBRE OS CONCEITOS DE ALFABETIZAÇÃO E LE-
TRAMENTO
Considera-se a alfabetização como um dos temas mais polê-
micos no Brasil. De um lado por uma interminável guerra de métodos: 
fônico x construtivista que veremos mais à frente uma definição para 
cada um, do outro lado, a luta incansável de alguns teóricos em contri-
buir com a educação no sentido de conciliar a reflexão sobre o sistema 
alfabético, não descartando o caminhar das crianças ao aprender sons 
e letras, mas inserindo-as no mundo letrado.
Aprender um sistema de representação bastante abstrato é um 
desafio para criança, transformar os sons em letras, é um processo que 
o professor precisa conhecer como se dá em cada aluno. Para isso, o 
professor precisa entender fundamentos e conceitos diversificados, tais 
como, os psicológicos, fonológicos, linguísticos e sociolinguísticos que a 
formação inicial do professor infelizmente ainda não contempla e quando 
contempla não é suficiente e adequada para preparar o professor.
É preciso atentar-se que para se ter a aprendizagem inicial da 
língua escrita é necessário ter clareza sobre dois conceitos: alfabetiza-
ção e letramento. Alfabetização é o processo de aprendizagem do siste-
ma de representação dos sons da fala, ou seja, como transformamos os 
sons (fonemas) em letras (grafemas). É a aquisição de uma ferramenta, 
o sistema alfabético e ortográfico, é ainda, deixar de operar com repre-
sentações simbólicas e fazer o registro silábico das palavras. Para isso, 
a criança se apropria de processos próprios, tais como, entender que 
escrevemos da esquerda para a direita de cima para baixo, que utiliza-
mos letras e não números e assim, por diante.
Quando o ensino das primeiras letras é muito dissociado dos usos da leitura 
na vida social, muitas vezes o aluno conclui que se aprende ler e a escrever 
para passar de ano e para copiar os exercícios dados pela professora. No 
entanto, se a alfabetização for conduzida de forma a demonstrar que a leitu-
ra e a escrita tem função aqui e agora, e não apenas num futuro distante, é 
provável que o indivíduo se sinta mais motivado para o esforço que a apren-
dizagem exige. (CARVALHO, 2010, p. 14)
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Por outro aspecto, como aponta Marlene Carvalho, não basta 
a criança aprender a decodificar as letras que a levará dominar a língua 
escrita no seu uso social, é esse o desafio do processo, levar a criança 
a desenvolver habilidades do uso da ferramenta escrita no contexto so-
cial e cultural de que as pessoas vivem, que vai muito além da simples 
identificação e decodificação simbólica. A esse recurso dá-se o nome de 
letramento, habilidadeque a criança adquire de saber o que escrever, 
para quem escrever, em que contexto escrever, identificando e lidando 
com os mais variados tipos de gêneros e suas práticas sociais.
Embora sejam processos distintos para se definir, na apren-
dizagem inicial da língua escrita eles devem caminhar lado a lado de 
forma simultânea, a criança deve ser alfabetizada dentro de um contex-
to de letramento. Por isso, é importante que o professor alfabetizador 
reconheça esses processos para possibilitar que a criança esteja num 
contexto de alfabetização e letramento que ocorrem ao mesmo tempo. 
O letramento se dá a partir da experiência da criança com o uso 
social, algo que ela convive vai tomando um status diferente. Alfabetizar 
letrando ou letrar alfabetizando vai se entretecendo de modo que um 
não pode caminhar sem o outro. Diz respeito, a exposição das crianças 
a sociedade letrada, pois, a criança anda nas ruas, vê televisão e rece-
be diversos estímulos que a ajudam no processo do letramento e que 
não podem ser deixados de lado pelo professor. Para Magda Soares:
é necessário reconhecer que alfabetização – entendida como a aquisição 
do sistema convencional de escrita – distingue-se de letramento – entendi-
do como o desenvolvimento de comportamentos e habilidades de uso com-
petente da leitura e da escrita em práticas sociais: distinguem-se tanto em 
relação aos objetos de conhecimento quanto em relação aos processos cog-
nitivos e linguísticos de aprendizagem e, portanto, também de ensino desses 
diferentes objetos. Tal fato explica por que é conveniente a distinção entre os 
dois processos. (SOARES, p. 97, 2004)
O conceito de letramento vai além da alfabetização, ou seja, da-
quilo que a gente entende como apropriação do sistema de escrita para 
tratar dos usos sociais da escrita na sociedade. A ideia de letramento veio 
no sentido de enriquecer o uso social da alfabetização, é alfabetizar-se 
pensando no horizonte de uso social para a esta tecnologia. Não basta 
uma condição alfabetizada do ponto de vista tradicional, quer era aprender 
a ler e escrever, aprender a decodificar e a codificar, embora essa condição 
seja fundamental ela não é suficiente para formar sujeitos letrados.
É interessante perceber que o conceito de letramento surge no 
Brasil, a partir de 1980, inclusive observa-se em dicionários anteriores a dé-
cada de 80 que a acepção do verbete letrando passou por uma transforma-
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ção, anteriormente indicava a pessoa que era erudita, versada em letras, 
um literato. E mais recentemente, indica também, a pessoa que é capaz de 
se inserir em eventos de letramento, de usos da escrita, com autonomia. 
É nesse sentido que a escola deve pensar em letramento, oportunizando 
momentos de inserção de práticas letradas, de práticas de uso da escrita. 
Assim, se inicia a discussão sobre letramento, diante das práti-
cas de leitura e escrita na sociedade contemporânea que leva os estu-
diosos a elaborarem novos conceitos que colaborem com a prática do 
professor em sala de aula. Numa sociedade urbana, onde a escrita é 
cada vez mais presente, é impossível pensar em pessoas que não façam 
uso da escrita, sejam elas alfabetizadas ou não. As pessoas estão a todo 
momento tendo contato com materiais escritos, as pessoas leem placas 
de ônibus, leem nomes de produtos nos supermercados, leem placas, 
faixas, enfim, a escrita é totalmente presente em nossa sociedade. 
No entanto, o fundamental é o olhar do professor para essas 
questões de maneira perspicaz, entendendo que a fundamentação te-
órica que o professor adquirir deve ser traduzida numa prática pedagó-
gica adequada.
O processo de letramento escolar se inicia a partir do primeiro 
ano, de maneira sistematizada, mas ele acontece muito antes da entra-
da da criança na escola, antes mesmo da educação infantil, por meio 
do contato e estímulo familiar, a criança ao chegar na escola já carrega 
consigo um conhecimento sobre esse processo. Segundo Telma Weisz:
perdemos de vista o aprendiz. Estávamos tão ocupados com a mão, o olho, 
os ouvidos que esquecemos que no comando há sempre um ser pensante. 
Alguém que diante da escrita se pergunta: a) Para que serve? b) O que re-
presenta? c) Quais as propriedades observáveis deste objeto? d) Todas as 
palavras escritas são iguais? e) O que determina a diferença entre elas? f) E 
as semelhanças? (WEISZ, p. 116, 1985)
Ser letrado é ser capaz de participar das situações de intera-
ção na sociedade em que os textos de diversos gêneros estão presen-
tes, neste sentido, não é preciso que a criança seja alfabetizada para 
que ela seja letrada, as crianças desde muito cedo podem participar de 
eventos de letramento diversos. 
Salienta-se aqui que os termos: letramento e alfabetização, são 
separados para fins didáticos, mas isso não pode dar margem ao que 
ocorria anteriormente aos estudos da psicogênese, onde se acreditava 
que os anos iniciais do ensino fundamental eram para aprender sobre 
o sistema de escrita e que somente após essa sistematização a criança 
avançaria uma etapa e estaria pronta para ter contato com o texto.
Por algum tempo, os conceitos de alfabetização e letramento 
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foram vistos como se um não dependesse do outro, hoje cada vez mais 
essa percepção vem sendo rediscutida. No Brasil, uma das maiores 
pesquisadoras sobre o tema é Magda Soares que afirma
O que se propõe é, em primeiro lugar, a necessidade de reconhecimento 
da especificidade da alfabetização, entendida como processo de aquisição 
e apropriação do sistema da escrita, alfabético e ortográfico; em segundo 
lugar, e como decorrência, a importância de que a alfabetização se desen-
volva num contexto de letramento – entendido este, no que se refere à etapa 
inicial da aprendizagem da escrita, como a participação em eventos variados 
de leitura e de escrita, e o consequente desenvolvimento de habilidades de 
uso da leitura e da escrita nas práticas sociais que envolvem a língua escrita, 
e de atitudes positivas em relação a essas práticas. (SOARES, 2004, p.12)
Alfabetização e letramento são conceitos que, na prática 
se apresentam de formas indissociáveis e que possuem o mesmo 
propósito. No final, o que se deseja é que essas crianças estejam 
alfabetizadas para participar de uma forma mais íntegra na vida 
social. Então, esse é o objetivo maior.
Quando se pensa nos conceitos apresentados, é necessário re-
fletir também sobre articulação. A articulação entre alfabetização e letra-
mento está posta independente dos professores terem ou não este con-
ceito pedagogicamente resolvido, porque a cultura escrita está presente 
na escola, pois, a criança vai para a escola independentemente do lugar 
que se origina com representações do que e de onde se usa a escrita. 
Estes processos geram atividades didáticas diferenciadas em 
sala de aula, atividades mais voltadas para o processo de alfabetiza-
ção e atividades mais voltadas para o processo de letramento, por isso, 
é tão importante que o professor consiga articular e tenha clareza de 
como usar essas práticas em sala de aula. Estes conceitos precisam 
ser complementares em sala de aula, a escola deve se preocupar tanto 
em levar a criança a compreender o valor da escrita e a cultura escrita 
em suas mais variadas formas, como fazer o investimento grande para 
a compreensão do funcionamento do sistema alfabético.
As atividades de alfabetização nos primeiros anos do ensino 
fundamental, devem se pautar, primeiramente, por estimular os alunos 
a usar a língua escrita na sala de aula. Atividades que estimulam a leitu-
ra, escrita, tanto de palavras, frases e textos, atividades que serão mais 
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efetivas didaticamente se articularem o uso, com a reflexão e análise 
dos elementos que compõem o sistema de escrita. Do ponto de vista 
mais estrito, tem que ser atividades que desafiem a criança a pensar 
sobre o sistema de escrita, sobre textos escritos, pensar sobre o uso 
destes textos e funcionamento da escrita de modo geral.
É possível alfabetizar aos seis anos, muitos trabalhos nos mos-
tram isso, que as crianças muito cedo têm condição de organizar textos 
com as possibilidades que elas têm naquele momento, ainda com lacu-
nas, mas já pensarem sobre a organização da linguagem escrita e não 
só da língua escrita. Sabe-se que com o letramento e com a difusão da 
escrita no contexto social, a criança é capaz de se alfabetizar bem antes 
dos seis anos de idade. 
Ao participar de situações de leitura e escrita, a criança vai 
compreendendo o sistema de escrita, e cabe a escola sistematizar esse 
conhecimento que ela já vem ao longo de sua infância construindo no 
contexto social.
BREVE HISTÓRICO DOS MÉTODOS DE ALFABETIZAÇÃO NO BRA-
SIL
A alfabetização passou a ser estudada no Brasil em suas múlti-
plas facetas, sendo uma delas, a histórica. Estudar alfabetização pelo viés 
da história permite entender os problemas das dificuldades de as crianças 
aprenderem a ler e escrever, bem como do professor ensinar as crianças. 
A história da alfabetização do Brasil pode ser dividida em qua-
tro grandes momentos que se baseiam conforme os métodos em vigor 
durante o período. Maria Rosário Longo Mortatti afirma que:
Em nosso país, a história da alfabetização tem sua face mais visível na histó-
ria dos métodos de alfabetização, em torno dos quais, especialmente desde 
o final do século XIX, vêm-se gerando tensas disputas relacionadas com 
"antigas" e "novas" explicações para um mesmo problema: a dificuldade de 
nossas crianças em aprender a ler e a escrever, especialmente na escola 
pública. (MORTATTI, p. 1, 2006).
O primeiro momento da história da alfabetização no Brasil se 
dá do descobrimento do Brasil até 1890. Este período é marcado pelas 
características que se tinha da escola. A escola ainda não era a que 
conhecemos nos dias atuais, esse espaço ainda não organizado era 
chamado de casa escola. Às vezes pago pela administração da época, 
mas muitas vezes essa casa era paga pelo professor que desejava ter 
seu espaço, tinha somente um professor (unidocente) e não tinha as ca-
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racterísticas de mobiliário que conhecemos hoje em dia. Nesse período 
ainda estávamos organizando o sistema escolar que só vai se concreti-
zar depois do momento da primeira república. De acordo com Mortatti: 
Para o ensino da leitura, utilizavam-se, nessa época, métodos de marcha 
sintética (da "parte" para o "todo"): da soletração (alfabético), partindo do 
nome das letras; fônico (partindo dos sons correspondentes às letras); e da 
silabação (emissão de sons), partindo das sílabas. Dever-se-ia, assim, iniciar 
o ensino da leitura com a apresentação das letras e seus nomes (método da 
soletração/alfabético), ou de seus sons (método fônico), ou das famílias silá-
bicas (método da silabação), sempre de acordo com certa ordem crescente 
de dificuldade. Posteriormente, reunidas as letras ou os sons em sílabas, ou 
conhecidas as famílias silábicas, ensinava-se a ler palavras formadas com 
essas letras e/ou sons e/ou sílabas e, por fim, ensinavam-se frases isoladas 
ou agrupadas. Quanto à escrita, esta se restringia à caligrafia e ortografia, e 
seu ensino, à cópia, ditados e formação de frases, enfatizando-se o desenho 
correto das letras. (MORTATTI, p. 5, 2006).
Em 1876, foi publicada em Portugal a Cartilha Maternal, escrita 
pelo poeta português João de Deus, assim como outros pensadores 
portugueses também fizeram. Essa cartilha foi um marco por coincidir 
com a Proclamação da República. O positivista Silvio Jardim, professor, 
advogado da escola normal de São Paulo foi o grande defensor e res-
ponsável por propagar esse novo método aqui no Brasil, que foi chama-
do de Palavração, classificado como analítico, trazia a palavra como um 
ponto de partida para o aprendizado, do todo para a parte, contrariando 
o que acontecia antes com a soletração, que era um método sintético, 
pois começava pela parte para chegar ao todo, da letra até a palavra.
O segundo momento da história da alfabetização se deu em 
meados dos anos 1890 até 1920. Este momento teve início com a Re-
forma da Instrução Pública no estado de São Paulo que reorganizou o 
currículo dos grupos escolares. Alterando horário tornando-o mais rígi-
do, currículo programático definido, fiscalização por parte do diretor do 
grupo mais intensa, racionalidade da distribuição das matérias. Organi-
zações que faziam sentido a adoção de um método. 
Sob forte influência da Pedagogia norte-americana, o que se dis-
cute nesta época é o ensino da leitura e escrita pelo método analítico, con-
trariando o sintético, este método tinha por característica o ensino da leitura 
pelo todo, para somente depois esmiuçar suas partes constitutivas. O todo 
refere-se a palavra, sentença ou historieta que era o conjunto de frases 
relacionadas entre si por meio de associações lógicas. Mortatti aponta que:
a ênfase da discussão sobre métodos continuou incidindo no ensino inicial 
da leitura, já que o ensino inicial da escrita era entendido como uma questão 
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de caligrafia (vertical ou horizontal) e de tipo de letra a ser usada (manuscrita 
ou de imprensa, maiúscula ou minúscula), o que demandava especialmente 
treino, mediante exercícios de cópia e ditado. (MORTATTI, p. 8, 2006).
O terceiro momento da história da alfabetização, se dá no perío-
do de 1920 a 1980 e fica marcado com o decreto de Antônio de Sampaio 
Dória, que pressupõe a autonomia didática, a partir daí surge o relativis-
mo pedagógico e então, o método deixa de ser obrigatório, oficializado 
e determinado e passa ser algo a critério do professor e de sua didática. 
A tendência de relativização do método decorreu especialmen-
te dos estudos de Lourenço Filho, grande pensador brasileiro, desfoca, 
descentraliza a questão da alfabetização, tendo como necessário um 
método rigoroso que necessite ser seguido com rigidez, pois, ele traz 
como contribuição da área da Psicologia a questão da maturidade ne-
cessária para aprender a ler e a escrever. E então ele apresenta oito 
tipos diferenciados de testes que as crianças deviam se submeter, com 
o objetivo de homogeneizar a salas de aula para alfabetização.
Nesta época, o que acontecia nos ambientes escolares eram 
os conhecidos períodos preparatórios, onde as crianças se submetiam 
a atividades de coordenação motora, acuidade visual e auditiva, esque-
ma corporal e lateralidade que denominavam como atividades de pron-
tidão. Os alunos cujo desenvolvimento era melhor iam para a primeira 
classe e assim sucessivamente, até chegar as crianças que tiveram um 
resultado insatisfatório, de modo que os alunos da sala tivessem mes-
mo desenvolvimento, tornando dessa forma, a sala homogênea. 
Esse período ficou marcado pela publicação de muitas carti-
lhas. O ensino era centralizado no professor e na cartilha. Após a reali-
zação das atividades da cartilha entendia-se que o aluno estava apto a 
partir de então, manusear o livro didático e outros instrumentos gráficos.
O quarto momento da história da alfabetização no Brasil se dá 
a partir de 1980 até os dias atuais. Inicia-se no final da década de 70 e 
início de 80, um movimento muito importante pela democratização da 
escola, e ainda, um movimento de crítica ao livro didático. Concomitante 
a isso, começam a surgir as ideias de Emília Ferreiro que propaga que 
o importante não é o método, mas o que a criança já construiu e está 
disposta a construir.
O trabalhopedagógico inicia-se então com o aluno sendo o 
ponto de partida e cabe ao professor, conhecer o que seu aluno já sabe 
para realizar o seu planejamento e avançar os saberes deste aluno re-
alizando a mediação. Nesta visão, a sala heterogênea é essencial para 
o desenvolvimento de todos. 
Como os métodos deixaram de ser importante, alguns equí-
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vocos marcaram esse período, por exemplo, muitos pensaram que o 
alfabeto não tinha mais importância, que dividir palavras em sílabas não 
ajudaria o aluno a aprender a escrita. E os estudos na contramão vieram 
para desmistificar essas crenças e fazer com que o educador entendes-
se que decorar alfabeto como no século XIX se fazia não acrescenta 
em nada, se feita para classificar, segregar, assim como, decorar as 
famílias silábicas sem estabelecer relações, mas o ensino do alfabeto, 
a relação grafemas e fonemas é importante para que a criança entenda 
como se constitui uma linguagem escrita da sociedade letrada. 
Desde a Proclamação da República, há mais ou menos 120 anos, 
que se nota um discurso reafirmado na necessidade de combater o tradi-
cional e antigo como a causa dos males do presente e difundir o novo. 
Ao longo dos quatro momentos cruciais da história da al-
fabetização, é possível perceber que a disputa entre o novo e o an-
tigo, que até hoje se manifesta entre o novo e o tradicional, indica 
que o tradicional tem que ser constantemente identificado como 
antigo, vazio de sentido, homogêneo, origem dos males do presen-
te para que o discurso novo e revolucionário possa se sobrepor e 
ganhar hegemonia. 
Nessa disputa, na luta por enfrentar o fracasso da esco-
la brasileira no processo de alfabetização, um dos elementos que 
mudou consideravelmente o entendimento, foi a divulgação da te-
oria da psicogênese da escrita, a partir de 1980. E o que sobressai 
disso em todos os momentos é a questão dos métodos de alfabe-
tização, com a seguinte reflexão: de como ensinar a criança a ler e 
escrever. Trataremos deste tema mais adiante.
QUAL O MELHOR MÉTODO DE ALFABETIZAÇÃO PARA AS CRIAN-
ÇAS?
Desde muito tempo existe uma discussão sobre qual é o me-
lhor método para alfabetizar as crianças: método fonético ou métodos 
ligados ao construtivismo. Para uns a garantia é o foco no ensino nas 
relações entre sons e letras, para outros a abordagem deve se dar a 
partir de textos reais para que as crianças possam desenvolver seu 
conhecimento sobre a escrita. É importante dizer que essas questões 
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nunca foram esgotadas e muitas pesquisas são realizadas sobre as 
diferenças entre os métodos e sua melhor eficácia. Mortatti afirma que
Grandes são os riscos de abordar o presente. Maior, porém, é a responsabilida-
de de fazê-lo, quando se considera que a história não é caracterizada nem por 
ciclos de apogeu e decadência, nem por “eternos retornos”, nem por trajetória 
lineares de progresso em direção ao fim da evolução, e que a abordagem his-
tórica, no âmbito científico, visa primordialmente a compreender, sem disputar 
julgamentos de valor apriorísticos. E muito maior, ainda, é a responsabilidade de 
fazê-lo com o objetivo de oferecer uma parcela de contribuição para um debate 
que deve ser sobretudo rigoroso e consequente. (MORTATTI, p. 109, 2009)
Nenhuma pesquisa em seu fim determina o melhor método de 
ensino, o que essas pesquisas normalmente apontam é que qualquer mé-
todo de alfabetização pode ser importante para um determinado momento 
da vida da criança ou um determinado tipo de aprendizagem da criança.
O processo de alfabetização acontece a partir da formação da 
consciência linguística que dá origem à oralidade, à tentativa espon-
tânea de escrita e que dá origem a uma ampliação de vocabulário, no 
entanto, qualquer que seja o início do processo de alfabetização, vai 
se cristalizar quando a criança pode fazer uso de um vocabulário muito 
mais amplo para expressar uma ideia. 
Quando a criança for capaz de usar um vocabulário muito mais 
amplo para emitir uma ideia, essa ampliação de vocabulário para produ-
zir uma frase, ou um texto, é o tão esperado momento que se dá a alfa-
betização com critérios de crítica, de discernimento, de posicionamento 
de ideias, portanto, quando a criança amplia um vocabulário ela usou 
uma metodologia para chegar a essa ampliação. 
Se a ampliação do vocabulário é um critério utilizado para en-
tender que a criança está alfabetizada, é necessário compreender como 
se dá este processo de ampliação. E neste ponto que se dá a resposta 
para criança, pois cada uma tem a ampliação do vocabulário a partir de 
uma metodologia, de um material, de um condutor, de um professor e 
de um educador. 
Muitas crianças, sobretudo aquelas que apresentam muitas difi-
culdades no processo de alfabetização tendem a ter resultados melhores 
no processo fonético de alfabetização. Pois, se a ampliação de vocabulário 
é um dos critérios de alfabetização, imagine que se a criança tem a consci-
ência de uma palavra, de um som fonético e busca-se a rima ou a alitera-
ção (repetição de fonemas idênticos) deste som, é mais fácil por aproxima-
ção para a criança construir relações que ampliem seu vocabulário.
Todavia, essa condição não é igual para todas as crianças. Cada 
criança tem resultados diferentes a partir do uso de métodos diferentes. 
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Há crianças que, durante o processo de alfabetização por métodos globais 
e mais psicodinâmicos, apresentam resultados extraordinariamente bons, 
em comparação com métodos fonéticos e até mesmo silábicos. Por isso, é 
que se diz que não há um melhor método, pois, o adequado é aquele em 
que a criança e seu potencial se associam a um método e o materiais e os 
recursos que esse método se apresenta. Segundo a BNCC.
Assim, alfabetizar é trabalhar com a apropriação pelo aluno da ortografia do por-
tuguês do Brasil escrito, compreendendo como se dá este processo (longo) de 
construção de um conjunto de conhecimentos sobre o funcionamento fonológico 
da língua pelo estudante. Para isso, é preciso conhecer as relações fono-orto-
gráficas, isto é, as relações entre sons (fonemas) do português oral do Brasil 
em suas variedades e as letras (grafemas) do português brasileiro escrito. Dito 
de outro modo, conhecer a “mecânica” ou o funcionamento da escrita alfabética 
para ler e escrever significa, principalmente, perceber as relações bastante com-
plexas que se estabelecem entre os sons da fala (fonemas) e as letras da escrita 
(grafemas), o que envolve consciência fonológica da linguagem: perceber seus 
sons, como se separam e se juntam em novas palavras etc. Ocorre que essas 
relações não são tão simples quanto as cartilhas ou livros de alfabetização fa-
zem parecer. Não há uma regularidade nessas relações e elas são construídas 
por convenção. Não há, como diria Saussure, “motivação” nessas relações, ou 
seja, diferente dos desenhos, as letras da escrita não representam propriedades 
concretas desses sons. (BRASIL, p. 92, 2008)
Sendo assim, o professor alfabetizador deve ter clareza que 
para cada criança um método terá um efeito melhor, por isso, conhecer 
todos eles e utilizar diferentes possibilidades com as crianças que apre-
sentam uma determinada dificuldade é possibilitar que elas avancem no 
processo de escrita dando condições para isso, de nada adianta insistir 
no método “mais moderno” ou “mais eficiente” se ele não apresenta 
resultado com determinada criança.
A criança é um ser plural e em cada uma o desenvolvimento 
se dá de uma determinada maneira. É importante refletir que isto não 
significa caminhar entre os métodos de forma desenfreada, o professor 
alfabetizador precisa ter uma linha detrabalho que faça uma previsão 
consistente do que se deseja que a criança alcance, para garantir seu 
desenvolvimento e avanço no processo de escrita.
Isso não significa, porém, que se deva ensinar a ler e escrever “de qualquer 
jeito”. Por ser um processo escolarizado, sistemático e intencional, esse ensino 
(como o de todas as matérias escolares) não pode prescindir de método, ou 
seja, de uma sequência de passos planejados e organizados para o professor 
ensinar e as crianças conseguirem aprender a ler e escrever. Se a questão 
dos métodos é importante, não é, porém, a única, nem a mais importante, e 
não pode ser tratada com efeitos pirotécnicos, desviando a atenção do que é 
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essencial: o fato de que um método de ensino é apenas um dos aspectos de 
uma teoria educacional relacionada com uma teoria do conhecimento e com 
um projeto político e social. Trata-se, assim, de pensar mais seriamente em 
todos os aspectos envolvidos nesse processo complexo e multifacetado que é 
a alfabetização e nesse que continua sendo nosso maior desafio: a busca de 
soluções rigorosas, consequentes e relativamente duradouras para se enfren-
tarem as dificuldades de nossas crianças em aprender a ler e escrever e de 
nossos professores em ensiná-las. (MORTATTI, p.112, 2009)
Ao pensar no enfoque de alfabetização construtivista e na pers-
pectiva do letramento que possuem ideais baseados aos estudos da psi-
cogênese da língua, observa-se que estes se divergem em um ponto em 
comum que é a relação entre a fala e a escrita. O que ocorre é que para 
os estudiosos do construtivismo, a língua escrita possui um sistema de 
representação que é paralelo e independente ao sistema de represen-
tação da fala, a partir disso, que defendem a ideia de que ao ensinar as 
crianças não é necessário apenas estudar as relações de sons e letras.
Por outro lado, os estudiosos e adeptos do letramento, ressal-
tam a importância do ensino sistemático dessas relações entre sons e 
letras. Fazer com que a criança se atente aos sons, sílabas, segmenta-
ções e, consequentemente, em fonemas representados por letras, pro-
move o desenvolvimento da consciência fonológica tão essencial para 
garantir os avanços da criança no processo. Observa-se que o enfoque 
desta perspectiva está na leitura, enquanto a ênfase do outro se dá no 
processo de escrita.
Um professor que tenha clareza sobre as diferentes perspec-
tivas, sobre os diferentes métodos e sobre os estudos em torno desta 
temática é capaz de utilizar toda essa variedade como mecanismos de 
opções para garantir o processo de ensino. É essencial que os professo-
res conheçam profundamente as diferentes ideias e teorias sobre alfabe-
tização, pois, somente assim, terão capacidade de analisar cada uma e 
utilizar o que for pertinente para seu dia a dia, descartando o que for velho 
e ultrapassado para sua sala de aula. Desta forma, o professor consegue 
determinar quais práticas são mais efetivas a seus alunos e quais devem 
acontecer em cada momento, direcionando o que de fato é viável.
Somente com esses cuidados e esses rigores que o professor 
alfabetizador garantirá a seus alunos que o direito de aprender esteja 
acima de qualquer método, modismo e práticas contaminadas por falta 
de conhecimento.
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QUESTÕES DE CONCURSOS
QUESTÃO 1
(ANO: 2021 BANCA: FEPESE ÓRGÃO: PREFEITURA DE ARARAN-
GUÁ - SC PROVA: FEPESE - 2021 - PREFEITURA DE ARARANGUÁ 
- SC - PROFESSOR III - ENSINO FUNDAMENTAL E INFANTIL)
Algumas teorias contemporâneas sobre alfabetização e letramento 
passaram a problematizar questões linguísticas ainda pouco de-
batidas e/ou ignoradas nos processos de ensino e aprendizagem, 
trazendo o conceito “preconceito linguístico” aos diálogos atuais.
Sobre esse novo paradigma, é correto afirmar:
1. As regras que aprendemos na escola em boa parte não correspon-
dem à língua que realmente falamos e escrevemos no Brasil. Por isso 
achamos que “o português é uma língua difícil”: porque temos que 
decorar conceitos e fixar regras que não significam nada para nós.
2. Está provado e comprovado para algumas correntes de pensa-
mento que uma criança normotípica de 5-6 anos de idade já domi-
na as regras gramaticais de sua língua e possui os recursos neces-
sários para se exprimir. O que ela não conhece são as sutilezas, 
sofisticações e irregularidades no uso dessas regras.
3. A Língua Portuguesa no Brasil possui uma unidade surpreen-
dente e essa constatação torna-se significativa para a imposição 
de uma norma linguística única, que congrega oralidade e escrita 
de maneira homogênea e natural.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
a) É correta apenas a afirmativa 3.
b) São corretas apenas as afirmativas 1 e 2.
c) São corretas apenas as afirmativas 1 e 3.
d) São corretas apenas as afirmativas 2 e 3.
e) São corretas as afirmativas 1, 2 e 3.
QUESTÃO 2
(ANO: 2021 BANCA: AMAUC ÓRGÃO: PREFEITURA DE ALTO BELA 
VISTA - SC PROVA: AMAUC - 2021 - PREFEITURA DE ALTO BELA 
VISTA - SC - PROFESSOR SÉRIES INICIAIS)
Ao realizar uma atividade proposta por sua professora, a aluna Car-
la escreveu BUNECA (boneca), ao ser indagada sobre a escrita da 
palavra, a professora também reflete sobre o processo de alfabetiza-
ção e letramento. Assinale a alternativa CORRETA sobre este tema: 
a) Para não errar a escrita desta palavra a criança deve aprender meca-
nicamente a recitar a família BA-BE-BI-BO-BU percebendo as diferen-
ças de cada sílaba. 
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b) A professora percebe que deve investir sistematicamente em atividades 
de ditado para forçar as crianças a fixarem a escrita correta das palavras.
c) A professora percebe que a aluna faz uma transcrição de sua fala e 
isto é comum no processo de construção da base alfabética. Por isso 
jogos, brincadeiras com letras e palavras e utilização de diversos supor-
tes auxiliam a avançar na escrita correta durante este período. 
d) A professora apaga a escrita da aluna e solicita que a criança escreva 
corretamente, pois palavras erradas devem ser corrigidas desde o início do 
processo de alfabetização e letramento para não serem fixadas erradas.
e) A professora compreende que a aluna estava desatenta e discute com 
a mesma, pois já explicou em sala muitas vezes que várias palavras da 
Língua Portuguesa são faladas de uma forma e escritas de outra.
QUESTÃO 3
(ANO: 2018 BANCA: EDUCA ÓRGÃO: PREFEITURA DE PATOS - PB 
PROVA: EDUCA - 2018 - PREFEITURA DE PATOS - PB - PROFES-
SOR DE EDUCAÇÃO BÁSICA II - LÍNGUA INGLESA)
“É uma palavra que tem conceito recente, introduzido na lingua-
gem da educação e das ciências linguísticas há pouco mais de 
duas décadas. Seu surgimento pode ser interpretado como decor-
rência da necessidade de configurar e nomear comportamentos e 
práticas sociais na área da leitura e da escrita que ultrapassem o 
domínio do sistema alfabético e ortográfico, nível de aprendizagem 
da língua escrita perseguido, tradicionalmente, pelo processo de 
alfabetização”. A concepção faz referência à(ao):
a) Aprendizagem significativa.
b) Alfabetização.
c) Linguagem.
d) Letramento.
e) Expressividade.
QUESTÃO 4
(ANO: 2018 BANCA: FUNDEP (GESTÃO DE CONCURSOS) ÓR-
GÃO: PREFEITURA DE ERVÁLIA - MG PROVA: FUNDEP (GESTÃO 
DE CONCURSOS) - 2018 - PREFEITURA DE ERVÁLIA - MG - PRO-
FESSOR EDUCAÇÃO INFANTIL)
Analise as afirmativas acerca dos processos de alfabetização e le-
tramento. 
I. Alfabetização e letramento, embora sendo conceitos distintos, 
cada um com suas especificidades, são processos complementa-
res e inseparáveis. 
II. A alfabetização não é dependente do letramento; é impossível alfa-
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betizar letrando, pois se alfabetiza primeiramente, para se letrar depois.
III. À medida que se apropria do sistema linguístico em situações 
contextualizadas, a criança percebe que a língua escrita tem uma 
função social.
Estão corretas as afirmativas
a) I e II, apenas.
b) I e III, apenas.
c) II e III, apenas.
d) I, II e III.
QUESTÃO 5
(ANO: 2021 BANCA: PREFEITURA DE FORTALEZA - CE ÓRGÃO: 
PREFEITURA DE FORTALEZA - CE PROVA: PREFEITURA DE FOR-
TALEZA - CE - 2021 - PREFEITURA DE FORTALEZA - CE - GESTOR 
ESCOLAR)
Lerner (2002) apresenta alguns desafios para transformar o ensino 
da leitura e da escrita na Escola. Sobre isso, marque a opção correta.
a) Em relação aos processos de leitura e escrita, o desafio da Escola é 
formar praticantes da leitura e da escrita, e não apenas “decifradores” 
do sistema de escrita.
b) Para transformar o ensino da leitura e da escrita na Escola, não se 
configura um desafio a superação das atividades mecânicas e despro-
vidas de sentido.
c) Para transformar o ensino da leitura e da escrita na Escola, não se 
constitui um desafio investir na formação continuada de professores e 
professoras.
d) Em relação aos processos de leitura e escrita, é preciso considerar 
a escrita apenas como objeto de avaliação, sem que se constitua como 
objeto de ensino.
QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE
Nessa disputa de métodos, na luta por enfrentar o fracasso da esco-
la brasileira no processo de alfabetização, um dos elementos que mu-
dou consideravelmente o entendimento, foi a divulgação da Teoria da 
Psicogênese da Escrita, a partir de 1980. E o que sobressai disso em 
todos os momentos é a questão dos métodos de alfabetização, com a 
seguinte reflexão: de como ensinar a criança a ler e escrever. Sobre o 
enunciado, comente acerca da Teoria da Psicogênese da Escrita e a 
sua aplicação processo de alfabetização da criança.
TREINO INÉDITO
Sobre as atividades de alfabetização nos primeiros anos do ensino 
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fundamental, deve se primeiramente:
a) Estimular os alunos a usar a língua escrita na sala de aula.
b) Levar o aluno a diferenciar a língua escrita dos desenhos e garatujas.
c) Fazer o aluno decorar as letras do alfabeto.
d) Estimular os alunos a usarem as sílabas para escrever.
e) Intensificar o trabalho com o silabário.
NA MÍDIA
ALFABETIZAÇÃO ESTÁ ENTRE AS AÇÕES PRIORITÁRIAS DOS 
CEM DIAS DE GOVERNO
O Ministério da Educação (MEC) incluiu no pacote de projetos priori-
tários para os cem dias de governo Bolsonaro uma ação específica na 
área de alfabetização. A ideia é banir métodos globais de ensinar a ler 
e escrever, que costumam ser associadas à teoria construtivista de de-
senvolvimento cognitivo, para promover o método fônico.
No fônico, a aprendizagem começa das letras e sílabas até chegar às 
palavras. Nos métodos globais, o caminho costuma ser inverso, par-
tindo de textos e experiências sobre as funções da linguagem para se 
chegar às letras e sons, mas focando na compreensão da leitura.
No Brasil, em geral, se adota a abordagem construtivista, mas não há 
regra única. Especialistas divergem sobre a eficácia da medida plane-
jada pelo governo e apontam que a combinação de diferentes técnicas 
com alfabetizadores bem formados é o mais importante.
Fonte: (O GLOBO, 2019). Disponível em: https://oglobo.globo.com/so-
ciedade/educacao/alfabetizacao-esta-entre-as-acoes-prioritarias-dos-
-cem-dias-de-governo-23347807
NA PRÁTICA
É com grande preocupação que esta notícia vinculada na mídia chega 
aos profissionais da educação. É preciso se atentar que todas às vezes 
que se deseja inovar apagando tudo que foi feito durante o passado 
está fadado ao erro. É preciso que as mudanças considerem o que já foi 
estudado, feito e desenvolvido e, a partir disso, trace novos horizontes 
de experiência e prática.
Quando se contrapõe métodos, um versus o outro, cria-se uma distân-
cia muito grande, na qual se intensifica uma rivalidade. O importante é 
que o professor saiba quais ações praticadas dentro de cada método é 
eficiente para levar o aluno à reflexão. Há de se considerar que a crian-
ça precisa aprender a palavra, e que associar esta aprendizagem a lei-
tura de textos, ao uso social, a práticas da linguagem é a maneira mais 
funcional de se alfabetizar, principalmente, nas camadas mais baixas 
onde as crianças não possuem contato com o mundo letrado.
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Este capítulo traz ao leitor, um recorte das pesquisas de Emília 
Ferreiro e sua contribuição sobre o processo de construção da escrita. A 
partir dos estudos da Psicogênese da Língua Escrita são desvendados 
os mecanismos pelos quais as crianças aprendem a ler e a escrever. Ao 
mudar a ótica condutora da aprendizagem, as ideias da pesquisadora 
argentina trouxeram muitas implicações nas práticas dos professores 
alfabetizadores.
 Posteriormente, o capítulo abordará as contribuições de Mag-
da Soares sobre alfabetização e letramento, por meio de sua prática 
e de suas pesquisas é possível compreender a importância de o le-
tramento acontecer concomitante ao processo de aquisição da língua 
escrita de forma a garantir que as crianças desenvolvam a habilidade 
de leitura e escrita com competência para o uso social.
O PROCESSO DE CONSTRUÇÃO
DA ESCRITA
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CONTRIBUIÇÕES DE EMÍLIA FERREIRO
Inicialmente, é necessário apresentar a autora que este capítu-
lo abordará. Emília Ferreiro, argentina, nascida em 1936, psicolinguísti-
ca, pedagoga, pesquisadora, doutorou-se na Universidade de Genebra 
sobre orientação de Jean Piaget. Na sua trajetória profissional publicou 
vários livros. Dedicou-se à educação e hoje ainda atua como professora 
titular do Centro de Investigação e Estudos Avançados do Instituto Po-
litécnico Nacional, na Cidade do México. Considera-se mais relevante 
em suas pesquisas, o fato dela descobrir como a criança pensa no pro-
cesso de alfabetização.
Em suas pesquisas, ela descobriu e descreveu a Psicogênese 
da Língua Escrita que mostra como em um processo evolutivo a criança 
constrói o conhecimento da escrita e assim, desvendou os mecanismos 
pelos quais as crianças aprendem a ler e a escrever. 
Suas descobertas trouxeram um novo olhar para o fazer peda-
gógico em sala de aula. Se antes da psicogênese, o foco do processo de 
ensino aprendizagem se dava em torno do “como se ensina?”, após a Psi-
cogênese o foco passa para o “como se aprende?”. Essa reflexão levou os 
educadores a repensarem drasticamente seus métodos de ensino.
As investigações evidenciam que o processo de alfabetização 
nada tem de mecânico do ponto de vista da criança que aprende. A autora, 
chama a atenção para a forma de se alfabetizar que se perpetuou por lon-
gos anos dentro das escolas e nos diz que, tradicionalmente, a alfabetiza-
ção é considerada em função da relação entre o método e o estado de ma-
turidade ou prontidão da criança. Isso significa que a ênfase do processo 
de ensino aprendizagem está no método do professor e que a maturidade 
da criança não é pré-requisito para aprendizagem. Nas palavras de Morais:
[...] não existe “prontidão” para a alfabetização. Em lugar de excluir alunos por-
que não apresentariam habilidades não essências para o aprendizado da es-
crita [...], passamos a entender que todos têm direito a se alfabetizar, que pre-
cisamos partir do ponto em que as crianças se encontram (um belo princípio 
construtivista que se aplica a todas as áreas do conhecimento), mesmo que 
haja muita heterogeneidade dentro do grupo/classe. (MORAIS, 2012,p. 75)
Nesta forma de pensar a alfabetização os dois polos: quem en-
sina e quem aprende, têm sido caracterizados, mas só esses elementos 
não são suficientes, falta um terceiro elemento nesta relação, que é a 
natureza do objeto do conhecimento, a natureza da escrita.
Segundo Emília, a escrita pode ser concebida de duas formas 
muito distintas. A primeira como um código de transcrição gráfica das 
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unidades sonoras e a segunda como um sistema de representação da 
linguagem e a forma que o professor alfabetizador a considera implica 
diretamente em sua prática de sala de aula. 
Ao concebermos a escrita como um código de transcrição grá-
fica, que converte os sons das letras em escrita das letras, coloca-se em 
primeiro plano a descriminação visual e auditiva como pré-requisito para 
alfabetização. Isso acontece porque se acredita que se a criança não 
tem dificuldade para discriminar entre duas formas visuais próximas, 
as letras, entre duas formas auditivas próximas, sons e não apresenta 
nenhuma dificuldade para desenhá-las, não deveria existir dificuldade 
para aprender a ler. Visto que, escrever se trata de uma simples trans-
crição do som para um código visual. Essa forma de conceber a escrita, 
está inserida na concepção tradicional de alfabetização, cujo modo de 
considerar a escrita consiste em prestar atenção apenas nos aspec-
tos gráficos das produções das crianças. Esses aspectos se referem à 
qualidade dos traçados das letras, orientações do tipo: escreve-se da 
esquerda para a direita, de cima para baixo etc., ignorando os aspectos 
construtivos no processo de aquisição da escrita.
Por um outro lado, ao concebermos a escrita como um sistema de 
representação, o problema se coloca em termos completamente diferen-
tes. Embora a criança saiba falar adequadamente e faça todas as discrimi-
nações perceptivas isso não resolve o problema central da língua escrita. 
O problema consiste em compreender a natureza do sistema de represen-
tação da escrita, entender que alguns elementos essenciais da língua oral 
não estão presentes na representação escrita, por exemplo, a entonação 
da voz, isso acontece porque todas as palavras são tratadas como equiva-
lentes na representação, apesar de pertencerem a classes distintas. 
A consequência dessa dicotomia, em relação à forma de conce-
ber a escrita se expressa de maneira muito mais profundo. Se a escrita é 
concebida como código de transcrição, sua aprendizagem é compreendi-
da apenas como aquisição de uma técnica de memorização, nesse caso, 
a criança precisa apenas memorizar o alfabeto, as sílabas e as palavras.
Se a escrita é concebida como um sistema de representação, 
sua aprendizagem se converte em apropriação de um novo objeto do 
conhecimento, ou seja, numa aprendizagem conceitual. Nessa forma 
de pensar a escrita, levam-se em consideração os aspectos construti-
vos, esses têm a ver com o que se quis representar e os meios utiliza-
dos para criar diferenciações entre as apresentações. Neste caso, as 
crianças realizam explorações para compreender a natureza da escrita 
e durante todo o processo de evolução produzem escritas a partir da 
elaboração de suas hipóteses. Os indicadores mais claros dessas ex-
plorações são as suas produções espontâneas. 
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Do ponto de vista construtivo, segundo a Emília, a escrita in-
fantil segue uma linha de evolução extremamente regular e podem ser 
distinguidos três grandes períodos de evolução. É importante observar 
como aponta Russo que:
Cada nível tem características que o definem. Contudo, mesmo atendendo 
às características principais, diferentes crianças em determinado nível tam-
bém ser mostram de muitas outras maneiras, fazendo representações muito 
particulares, de acordo com seus próprios saberes e concepções resultantes 
de um percurso interno e pessoal. (RUSSO, 2012, p. 32)
De acordo com as características que o definem, o primeiro 
período a criança faz distinção entre o modo de representação icônico 
(desenho) e não icônico (escrita). O segundo período há uma constru-
ção de formas de diferenciação que se caracteriza pelo aparecimento 
de controle progressivo das variações sobre os eixos quantitativos e 
qualitativos. E o terceiro período há a “fonetização” da escrita que se 
inicia pelo período silábico e termina pelo período alfabético.
No primeiro período, aparecem duas distinções básicas, sendo 
a primeira que a criança distingue o desenhar e o escrever. A segunda, a 
criança concebem a escrita como um conjunto de formas linear e arbitrária. 
No segundo período de evolução da escrita, Emília aponta a bus-
ca de diferenciações entre as escritas produzidas para dizer coisas dife-
rentes. Neste período, a criança pensa que palavras diferentes escreve de 
formas diferentes. Começa então, uma busca difícil e muito elaborada de 
modos de diferenciação da escrita, é um período de grande esforço intelec-
tual, pois, a criança estabelece critérios de diferenciação entre as escritas. 
Esses critérios se expressam sobre dois eixos: o quantitativo e o 
qualitativo. No eixo quantitativo, a criança apresenta variações da quanti-
dade de letras de uma escrita para a outra, para obter escritas diferentes 
também estabelece a quantidade mínima de letras que a escrita deve ter 
para que se diga algo. No eixo qualitativo, a criança busca a qualidade da 
escrita, por isso, varia o repertório de letras de uma escrita para a outra, 
varia também a posição das mesmas letras sem modificar a quantidade.
No terceiro período, a criança começa por descobrir que a quan-
tidade de letras que irá escrever uma palavra pode ter correspondência 
com a quantidade de parte que se reconhece na emissão oral, essas 
partes da palavra são as suas sílabas, iniciando assim, o período silábico.
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Nesse período, a criança escreve uma letra para representar 
cada sílaba da palavra, essa hipótese silábica é de maior importância 
por duas razões. A primeira permite que a criança obtenha um critério 
geral para regular as variações da quantidade de letra que devem ser 
escritas, uma letra para cada sílaba da palavra. A segunda razão, a 
criança centra sua atenção nas variações sonoras entre as palavras, no 
entanto, a hipótese silábica cria condições de contradição. 
A primeira contradição aparece entre o controle silábico e a 
quantidade mínima de letras para ser interpretável, por exemplo, as pa-
lavras monossílabas deveriam se escrever com uma única letra, mas se 
colocar uma letra só o escrito não se pode ler, essa contradição ocorre 
porque a criança acredita que, para ler palavras escritas tem que ter no 
mínimo três letras.
A segunda contradição refere-se à interpretação silábica e as 
escritas produzidas pelos adultos que sempre terão mais letras que a 
hipótese silábica permite antecipar. 
Quando a criança descobre que a sílaba não pode ser con-
siderada como uma unidade ingressa no último passo do sistema da 
compreensão do sistema socialmente estabelecido. A partir daí a crian-
ça descobre novos desafios, pelo lado quantitativo, não basta uma le-
tra por sílaba, também não se pode estabelecer nenhuma regularidade 
duplicando a quantidade de letras por sílabas, já que há sílabas que 
se escreve com uma, duas, três ou mais letras. Pelo lado qualitativo a 
criança enfrentará os problemas ortográficos que surgem, a identidade 
de som não garante a quantidade de letras e nem vice-versa, por exem-
plo, a palavra casa escrita com z, garante a identidade de som, mas não 
a identidade da letra, o que se constitui um erro ortográfico. 
Dentre as contribuições de Emília Ferreiro, foi possível com-
preender que não é necessário sequenciaro ensino da alfabetização, 
controlando ferozmente o que os alunos aprendem passo a passo den-
tro dos conteúdos. Segundo Morais:
Na hora de sequenciar o ensino da alfabetização, passamos a ver que é com-
pletamente inadequado “ensinar primeiro as vogais, depois os ditongos, depois 
sílabas simples”, para só um dia deixar o aluno se deparar com irregularida-
des ortográficas ou silábicas que não são compostas por consoante ou vogal. 
Aprendemos que não é preciso controlar as palavras com que a criança se 
defronta, porque isso em nada assegura seu avanço. (MORAIS, 2012, p. 74)
E também, precisa-se compreender que o erro faz parte do 
processo de construção da língua escrita. Que escrever omitindo letra é 
característica de determinado nível hipotético e que é necessário levar 
a criança à reflexão para que possa evoluir no processo. Assim como, 
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repetir exaustivamente a forma de falar fonemas não é a forma adequa-
da para que a criança sane as dificuldades ortográficas.
Os inúmeros avanços e contribuições que o estudo da Psico-
gênese da Língua Escrita trouxe aos educadores, permitiu também al-
gumas ideias fossem distorcidas e revelando assim, problemas graves 
que precisam de atenção e cuidado por parte do educador.
Outrora não foi incomum ouvir e talvez, esteja ainda presente 
em alguns educadores a ideia equivocada de que para alguns não é ne-
cessário sistematizar a aprendizagem de palavras porque as crianças 
aprendem sozinhas cada qual ao seu ritmo. É evidente que o papel da 
escola está justamente neste ponto, de ser um espaço de reflexão para 
que a criança possa evoluir em seus saberes. 
Outra ideia que é necessária completa compreensão é em re-
lação ao domínio da correspondência letra-som. É preciso oportunizar 
para que a criança tenha evolução no processo de escrita, atividades 
que evidenciem as correspondências de grafema-fonema, principal-
mente, nos dois primeiros anos de alfabetização.
A caligrafia dos alunos, é mais um ponto que merece destaque. 
Escrever em caixa alta facilita no processo de leitura no início da alfa-
betização, todavia, é necessário que haja evolução nesta forma de es-
crever. Não há nenhum ganho em manter a escrita da letra de imprensa 
em caixa alta até o terceiro, quarto ano do Ensino Fundamental de nove 
anos. É necessário que haja transição e evolução da letra de imprensa 
em caixa alta para a escrita com letra cursiva, que deve sim ser ensi-
nada com o traçado de forma correta, pois, além dela ser escrita com 
maior velocidade, ela implica em uma maior persuasão de seus leitores 
quando não encontrada dificuldade para ler.
Nessa linha de questões que se tornaram polêmicas pelo não 
entendimento dos educadores, está a ortografia que para muitos foi as-
sociada a atividades tradicionais, com caráter de repressão e humilha-
ção daqueles que cometem desvios. É importante dizer, que o trabalho 
com ortografia deve ser feito ao longo dos anos escolares, levando o 
aluno a compreender as regularidades e irregularidades da Língua Por-
tuguesa de maneira reflexiva.
CONTRIBUIÇÕES DE MAGDA SOARES 
Magda Becker Soares foi uma educadora, linguística, pesqui-
sadora e professora universitária brasileira. Referência em alfabetiza-
ção no Brasil, cavaleira e comendadora da Ordem Nacional do Mérito 
Educativo. Era professora emérita aposentada da Faculdade de Educa-
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ção da Universidade Federal de Minas Gerais. Nasceu em 7 de setem-
bro de 1932 e faleceu em 1 de janeiro em Belo Horizonte, Minas Gerais
Um dos maiores nomes na área da alfabetização e letramento 
com ênfase em ensino-aprendizagem, Magda Soares, professora emérita 
da Faculdade de Educação (FAE) da Universidade Federal de Minas Ge-
rais (UFMG), pesquisadora do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita 
(Ceale). Além de ter uma inquestionável importância no cenário acadêmi-
co, a especialista atuava como consultora da rede municipal de educação 
da cidade mineira de Lagoa Santa, onde desenvolvia um trabalho ligado à 
formação de professores da rede pública. Magda Soares deixou um legado 
memorável para a alfabetização e o letramento no Brasil. Foi responsável 
pelo projeto Alfaletrar, em Lagoa Santa (MG). Produziu uma extensa lista 
de livros acadêmicos e didáticos, em 2017 recebeu o Prêmio Jabuti pela 
obra, Alfabetização: a questão dos métodos. em 2020 publicou sua última 
obra, Alfaletrar: toda criança pode aprender a ler e a escrever.
Com uma vasta publicação na área de alfabetização, as ideias de 
Magda Soares são essenciais para a prática na sala de aula já que a for-
mação inicial não prepara as professoras para a grande responsabilidade 
de alfabetizar. É sempre um impacto muito grande fazer alunos de uma 
sala de aula tornar-se leitores. Para tanto, é necessário que os professores 
invistam em sua formação contínua, pois, a alfabetização se constitui de fa-
ces multifacetadas que para entender o processo é necessário se apropriar 
de diferentes conhecimentos e áreas. Para Magda Soares:
Pode-se concluir da discussão a respeito do conceito de alfabetização, que 
essa não é uma habilidade, é um conjunto de habilidades, o que a caracteriza 
como um fenômeno de natureza complexa, multifacetado. Essa complexida-
de e multiplicidade de facetas explicam por que o processo de alfabetização 
tem sido estudado por diferentes profissionais, que privilegiam ora estas ora 
aquelas habilidades, segundo a área de conhecimento a que pertencem. 
Resulta daí uma visão fragmentária do processo e, muitas vezes, uma apa-
rente incoerência entre as análises e interpretações propostas. Uma teoria 
coerente da alfabetização exigiria uma articulação e integração dos estudos 
e pesquisas a respeito de suas diferentes facetas. (SOARES, p. 21, 1985).
Nas pesquisas e estudos da autora, os conceitos de alfabe-
tização e letramento são os pontos centrais, que o professor precisa 
compreender para garantir o desenvolvimento do processo de aprendi-
zagem nas crianças e aquisição da língua escrita. Para ela, ao colocar a 
criança num ambiente de convívio com a escrita que possua portadores 
reais e uma circulação máxima de textos de uso social garante-se os 
princípios adequados para o acesso da criança a leitura e a escrita.
No que diz respeito à alfabetização e ao letramento, cada qual 
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possui suas particularidades. A alfabetização no sentido específico, pro-
porciona à criança aprender as relações da escrita, torna a criança capaz 
de ler palavras, escrever palavras, ler sentenças e escrever sentenças 
até chegar a escrever um texto. Tem fundamentos próprios e metodologia 
próprias que são fundamentos linguísticos, fonológicos e cognitivos.
Por outro lado, ao desenvolver na criança as estratégias de lei-
tura e escrita, gosto pela leitura, a compreensão de que existem vários 
gêneros que circulam na sociedade, vários portadores que nos rodeiam, 
são competências que o letramento dá conta de realizar.
Ao fazer parte do processo de alfabetizar letrando é necessário 
garantir que a criança compreenda que a escrita é a representação do 
som, assim como se faz necessário que ela compreenda também, que a 
escrita é usada para várias finalidades: que ela varia conforme o interlo-
cutor, para quem você escreve, que a leitura possui diferentes objetivos 
etc. Para alcançar esses objetivos, é necessário pensar nesse processo 
e fazer a aprendizagem de forma sistemática, sequencial, de modo que 
o professor compreenda a necessidade de trabalhar integradamente as 
duas coisas, sem desassociá-la. 
O emprego dos verbos integrar e articular retoma a afirmação anterior de 
que os dois processos – alfabetização e letramento – são, noestado atual do 
conhecimento sobre a aprendizagem inicial da língua escrita, indissociáveis, 
simultâneos e interdependentes [...]. Esse alfabetizar letrando, ou letrar alfa-
betizando, pela integração e pela articulação das várias facetas do processo 
de aprendizagem inicial da língua escrita, é, sem dúvida, o caminho para a 
superação dos problemas que vimos enfrentando nesta etapa da escolari-
zação; descaminhos serão tentativas de voltar a privilegiar esta ou aquela 
faceta, como se fez no passado, como se faz hoje, sempre resultando em 
fracasso, esse reiterado fracasso da escola brasileira em dar às crianças 
acesso efetivo e competente ao mundo da escrita. (SOARES, 2004, p. 100) 
Constitui-se como objeto de conhecimento para Magda So-
ares, a consideração referente a três desenvolvimentos que ocor-
rem simultaneamente no processo de alfabetização e letramento: 
o desenvolvimento psicogenético, o desenvolvimento da consci-
ência fonológica e o desenvolvimento do conhecimento das letras.
Detalhando esses desenvolvimentos, entende-se que a criança 
na fase de alfabetização perpassa pelo desenvolvimento psicogenético, no 
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qual, ela vai aos poucos descobrindo e se apropriando do que a língua es-
crita representa socialmente. Concomitante a este processo, um aspecto 
que desenvolve é a descoberta das letras que caminha junto ao desenvol-
vimento da consciência fonológica, que é a criança ser capaz de compre-
ender que é o som das palavras que é registrado pelos grafemas. E então, 
adicionado a essas etapas, a criança aprende sobre o conhecimento das 
letras que é de caráter arbitrário, criado a partir de uma convenção.
Compreender o processo e saber como agir e atuar neste pro-
cesso é a alternativa adequada para os alfabetizadores atuarem em 
sala de aula. A psicogênese trouxe uma enorme colaboração ao apre-
sentar o estudo das hipóteses silábicas que são as fases que as crian-
ças perpassam para aprender a língua escrita.
A contribuição de Emília Ferreiro com a Psicogênese da Escrita 
se associada com os conceitos da Psicologia sociocultural de Vygotsky que 
traz a ideia da zona de desenvolvimento proximal, corrobora na compreen-
são da necessidade de as crianças frequentarem o ambiente escolar.
As pesquisas da psicogênese da língua escrita mostraram que 
as crianças passam por fases bem definidas neste processo de aprendi-
zagem. Isso não significa que todos passam por todas as fases de ma-
neira uniforme, o processo é dinâmico, ocorrem saltos e as crianças es-
tão sempre em transição exigindo do educador atenção e sensibilidade. 
Pois, por meio do estudo das hipóteses silábicas que mapeia o processo 
pelo qual as crianças aprendem a língua escrita nos diz que a distância 
entre o nível de desenvolvimento atual, determinado pela capacidade 
de resolver um problema sem ajuda, e suas possibilidades, determina-
do através de resolução de um problema sob a orientação do professor, 
basicamente é o caminhar dos alunos entre as hipóteses. Cada avanço 
rumo a alfabetização da criança se justifica por diversas intervenções e 
orientações do professor capazes de fazê-la refletir, saindo de sua zona 
de conforto e alcançando um novo nível de conhecimento.
A criança quando na fase pré-silábica não se deu conta ainda 
que ao escrevermos registramos o som das palavras e não significado 
das palavras. Fazer as crianças entenderem isso é permitir que elas 
deixem a fase icônica, possibilitando que a criança inicie o processo de 
desenvolvimento da consciência fonológica, por meio de um trabalho 
com parlendas, rimas, com enfoque no som.
Já os alunos quando na fase silábica, passam por uma signi-
ficativa evolução. A criança quando silábica sem valor, entende que a 
consciência é marcada por uma letra para cada sílaba, ela percebeu o 
segmento, mas ainda não percebeu a natureza deste segmento. Além 
disso, ela precisa entender que essa cadeia sonora que é a palavra 
é segmentável. O mais fácil para a criança num primeiro momento é 
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segmentar em sílabas, entender que a palavra pode ser dividida em sí-
labas. É avançar da consciência silábica (silábico sem valor) para cons-
ciência fonêmica (silábico com valor). 
Quando a criança alcança a hipótese de escrita silábica com va-
lor é necessário reformular a forma de trabalhar com essa criança, pois, 
ela já é capaz de entender a representação silábica das palavras, mas 
ainda não adquiriu a consciência fonética pois, não somos capazes de 
pronunciar os fonemas. Para que haja evolução nesta fase, o aluno preci-
sa ter seus saberes confrontados, questionar a criança sobre as diversas 
possibilidades que se pode escrever ao alternar as letras. Sempre com-
parar o aspecto sonoro ao da língua escrita aumentando sua consciência 
fonológica. É possível ainda, explorar os saberes da turma dividindo os 
alunos em duplas produtivas, onde os alunos poderão colaborar um com 
a aprendizagem do outro a partir dos saberes que possuem.
Nesta fase ao comparar as possibilidades de escrita e que as 
trocas de letras permitem escrever, possibilita a criança a compreender e 
adquirir a consciência fonética. Por exemplo, comparar a escrita da palavra 
boneca com a escrita da palavra soneca, faz com que a criança avance na 
construção do sistema de escrita. A passagem de uma hipótese da outra é 
feita com a explicitação da sonoridade da língua e da segmentação. 
Magda Soares destaca a influência da psicogênese da língua 
escrita, cujas pesquisas apontam a necessidade de a criança aprender 
a ler e escrever por meio de práticas e materiais reais de leitura e es-
crita. A especialista defende que alfabetização e letramento envolvem 
duas aprendizagens distintas, mas que devem ocorrer de forma articu-
lada, o que denomina como alfabetizar letrando.
Segundo Magda Soares, essa ideia também é uma contribui-
ção da Psicogênese, pois, Emília Ferreiro sempre insistiu que a criança 
aprenda a ler e escrever em situações reais de leitura e escrita com ma-
teriais próprios de leitura e escrita com uso social, isto é letramento. Não 
se trata apenas de aprender a tecnologia da escrita, discute-se como 
as crianças vão passando pelas etapas psicogenéticas e, ao mesmo 
tempo desenvolvendo a consciência fonologia para aprender o sistema 
de representação. Sistema esse que serve para alguma coisa. Por isso, 
não se pode deixar para depois. A criança não aprende o sistema para 
depois estar apta a ler e escrever nos usos sociais a leitura e escrita.
A definição de letramento apresentada por Magda Soares é 
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para Emília Ferreiro uma definição inadequada. A pensadora discorda 
dessa denominação e para ela a coexistência dos dois termos não 
funciona, pois, letramento e alfabetização estão em consonância e 
ocorrem interligados. Já Magda Soares, defende essa terminologia 
porque para ela a definição de alfabetização define o aspecto do sis-
tema de escrita. Já o letramento engloba os usos da língua escrita.
Embora defina os dois conceitos em suas particularidades, 
Magda Soares defende a ideia de que é importante que as duas coisas 
ocorram de maneira simultânea sem desassociação.
Tem-se tentado, ultimamente, atribuir um significado demasiado abrangente a 
alfabetização, considerando-a um processo permanente, que se estenderia por 
toda vida, que não se esgotaria na aprendizagem da leitura e da escrita. É ver-
dade que, de certa forma, a aprendizagem da língua materna, quer escrita, quer 
oral, é um processo permanente, nunca interrompido. (SOARES, p. 15, 2012)
O processo de alfabetização e letramento ocorre desde a educa-
ção infantil, e o que cabe a escola fazer é sistematizar um processo que jáestá acontecendo fora da escola. Sistematizar significa introduzir a criança 
no mundo da escrita de acordo com as condições que ela tem no momento, 
de acordo com sua idade e a fase em que está. A educadora sublinha ainda 
o papel da literatura infantil e da cultura lúdica no processo de letramento 
da criança. Para ela, o material adequado ao processo de alfabetização 
que dá significado a aprendizagem da criança é o livro literário infantil.
A literatura é importante para o letramento porque ela permite 
ao aluno conhecer outros textos e gêneros para além dos textos da vida 
cotidiana e prática, do ir e vir nas ruas e para o processo de alfabeti-
zação ela também cumpre o seu papel porque permite que a criança 
aprenda a ler de maneira prazerosa, de forma a exercitar muito da vida 
lúdica que ela vivência.
Há muito tempo que se vincula aprender a ler e escrever a um 
sacrifício terrível. Todavia, quando a professora desenvolve a consciência 
fonológica por meio de parlendas, ela está trabalhando de forma lúdica 
para um processo posterior que a criança vivenciará. Ler histórias para as 
crianças acompanhando o dedo mostra para criança o sentido da escrita 
e da leitura, mostra que o texto está no livro e não é inventado, além de 
muitos outros conhecimentos. São práticas inerentes a função de professor 
que em muito colabora no processo de aprendizagem da língua escrita.
Quando a criança inicia a vida escolar na Educação Infantil 
passa a receber informações sobre a escrita, quando brincam com os 
sons das palavras, na repetição dos versos das cantigas, reconhecen-
do semelhanças e diferenças entre os termos de maneira lúdica, ma-
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nuseiam todo tipo de material escrito, como revistas, gibis, livros, etc., 
momento em que o professor lê textos ou histórias para os alunos e/
ou escreve os textos que os alunos produzem oralmente dando voz 
aos mesmos. Essa familiaridade com o mundo dos textos proporciona 
maior interação na sociedade letrada, essa familiaridade que proporcio-
na resultados nos anos iniciais do Ensino Fundamental, pois, a criança 
carrega consigo toda essa experiência vivenciada.
Segundo Morais (2012, p. 72) “[...] temos resultados de pesqui-
sa demonstrando que o tipo de ensino praticado é um fator determinan-
te para permitir que a maioria das crianças que estão no final da edu-
cação infantil cheguem ao primeiro ano (do ensino fundamental) com 
mais conhecimentos sobre o SEA”. Nesse sentido, quando o emprego 
de jogos de palavras (que promovem a consciência fonológica) e da 
reflexão sobre textos poéticos da tradição oral (quadrinhas, parlendas e 
cantigas) são feitos intencionalmente para propiciar o avanço das hipó-
teses de escrita, automaticamente temos crianças que se alfabetizam 
de maneira rápida e eficiente de forma natural.
A Pedagogia caberia ver conhecer todas as partes do conhe-
cimento para organizar o ensino de modo a articular essas partes, de 
modo que o processo complexo que a criança vivencie seja respeitado, 
desenvolvendo todas as partes destes processos.
O professor que não busca avançar dentro de seu conheci-
mento, que não ressignifica sua prática, que não é pesquisador e curio-
so sobre o aprender de seus alunos está fadado ao fracasso. Não há 
formação inicial que dê conta de tantas teorias e conhecimentos com-
plexos. Somente a prática de sala de aula somada aos conhecimentos 
teóricos e muita reflexão proporcionará uma educação de qualidade.
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QUESTÕES DE CONCURSOS
QUESTÃO 1
(ANO: 2022 BANCA: AMEOSC ÓRGÃO: PREFEITURA DE GUARU-
JÁ DO SUL - SC PROVA: AMEOSC - 2022 - PREFEITURA DE GUA-
RUJÁ DO SUL - SC - PROFESSOR II - PEDAGOGIA SERIES INICIAIS 
DO ENSINO)
A alfabetização nos anos iniciais do Ensino Fundamental é mais 
que ensinar a ler e escrever, consiste em ensinar os alunos a usa-
rem esses processos em seu dia a dia. Por isso, a sala de aula 
precisa ser um ambiente alfabetizador. Nesse sentido, o professor 
deve, EXCETO:
a) Utilizar recursos didáticos que auxiliem no processo de alfabetização, 
como livros, jornais, histórias, materiais diversos que ajudam os alunos 
a desenvolver essas habilidades leitoras.
b) Aplicar atividades de pesquisa, valorizando a investigação, a integra-
ção, a cooperação e assim incentivar a ação do aluno, levando-o ao de-
senvolvimento de habilidades como características básicas do processo 
de aprendizagem.
c) Aplicar prova após cada conteúdo estudado, visando verificar as 
aprendizagens alcançadas pelos alunos, visto que esta é a forma mais 
confiável de verificação. 
d) Realizar sequências didáticas, pois é uma forma de organização do 
trabalho pedagógico que permite antecipar o que será enfocado em um 
espaço de tempo que é variável em função do que os alunos precisam 
aprender, da mediação e do constante monitoramento que o professor 
faz para acompanhar o desempenho dos alunos.
QUESTÃO 2
(ANO: 2022 BANCA: ADM&TEC ÓRGÃO: PREFEITURA DE LAJEDO 
- PE PROVA: ADM&TEC - 2022 - PREFEITURA DE LAJEDO - PE - 
PROFESSOR DE ENSINO FUNDAMENTAL I - ANOS INICIAIS)
Analise as afirmativas a seguir e marque a opção CORRETA:
a) Promover os meios que facilitem a apropriação do sistema de escrita 
por parte dos educandos é uma função que deve ser evitada a todo 
momento pelo educador. 
b) Na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, o 
educador deve estimular os educandos a negar a utilização do sistema 
escrito e a desconsiderar os significados socialmente construídos sobre 
a linguagem oral. 
c) No processo de alfabetização e letramento, é necessária a mediação, 
pois é por meio dela que o professor propiciará ao aluno a busca por 
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novos conhecimentos, a investigação e a reflexão. 
d) O papel principal do educador alfabetizador na Educação Infantil é 
tolher as expectativas dos educandos quanto às possibilidades de uso 
social da linguagem escrita.
QUESTÃO 3
(ANO: 2021 BANCA: VUNESP ÓRGÃO: PREFEITURA DE VÁRZEA 
PAULISTA - SP PROVA: VUNESP - 2021 - PREFEITURA DE VÁRZEA 
PAULISTA - SP - PROFESSOR DE EDUCAÇÃO BÁSICA - ENSINO 
FUNDAMENTAL)
Em se tratando de alfabetização e letramento, Lerner (2002) afirma 
que “Ensinar a ler e escrever é um desafio que transcende amplamen-
te a alfabetização em sentido estrito. O desafio que a escola enfrenta 
hoje é o de incorporar todos os alunos à cultura do escrito, é o de con-
seguir que todos seus ex-alunos cheguem a ser membros plenos da 
comunidade de leitores e escritores”, e complementa: “Agora, para 
concretizar o propósito de formar todos os alunos como praticantes 
da cultura escrita, é necessário reconceitualizar o objeto de ensino e 
construí-lo tomando como referência fundamental.
a) a literatura infantil”.
b) o emprego de cartilhas”. 
c) os artigos de jornais e de revistas”.
d) as práticas sociais de leitura e escrita”.
e) os textos clássicos da cultura ocidental”.
QUESTÃO 4
(ANO: 2021 BANCA: AMEOSC ÓRGÃO: PREFEITURA DE GUARU-
JÁ DO SUL - SC PROVA: AMEOSC - 2021 - PREFEITURA DE GUA-
RUJÁ DO SUL - SC - PROFESSOR DE ENSINO FUNDAMENTAL - 
ANOS INICIAIS)
A aprendizagem da linguagem oral e escrita é um dos elementos 
importantes para as crianças ampliarem suas possibilidades de in-
serção e de participação nas diversas práticas sociais.
Em relação à escrita, assinale a afirmação que apresenta uma si-
tuação que pode prejudicar o ensino da escrita.
a) A escrita deve entrar na vida da criança de uma forma que elas gos-
tem e tenham interesse por ela.
b) No caso da escrita é necessária a articulação da função simbólica da 
consciência, do pensamento, da memória, da atenção e da percepção.
c) Através do contexto a criança aprende, a leitura deve ser algo que 
atrai a atenção e ointeresse das crianças.
d) A escrita deve ser ensinada sem sentido; deve ser ensinada sem 
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primeiro mostrar para a criança o que é, sempre deve se dar uma intro-
dução porque elas estão aprendendo aquelas novas palavras.
QUESTÃO 5
(ANO: 2021 BANCA: FEPESE ÓRGÃO: PREFEITURA DE SÃO JOSÉ 
- SC PROVA: FEPESE - 2021 - PREFEITURA DE SÃO JOSÉ - SC - 
AUXILIAR DE SALA - EDUCAÇÃO INFANTIL)
As práticas pedagógicas desenvolvidas pelas instituições de Edu-
cação Infantil devem garantir experiências que contemplem uma 
multiplicidade de linguagens e narrativas. Assim, a prática de 
“contação de histórias” se encerra em uma ferramenta significa-
tiva para o desenvolvimento infantil. Assinale a alternativa correta 
em relação ao assunto.
a) As crianças pequenas devem ouvir sempre a mesma história para 
auxiliar o seu processo de interesse e memorização.
b) As histórias precisam ser contadas sucessivamente em um mesmo 
local a fim de garantir o silêncio das crianças.
c) Os contos de fadas, o universo dos reis, princesas e bruxas não são re-
comendados para as crianças, pois podem provocar ansiedade e medo.
d) Criar rituais para o momento de contar histórias pode auxiliar o pro-
cesso de construção do envolvimento e da atenção das crianças em 
relação às narrativas.
e) Às crianças é desaconselhável recontar histórias do seu jeito, visto 
que, ao criar suas próprias narrativas, podem aprender a mentir.
QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE
Tanto as descobertas de Emília Ferreiro como os estudos de Magda 
Soares levam à conclusão de que as crianças têm um papel ativo no 
aprendizado. Elas constroem o próprio conhecimento - daí a palavra 
construtivismo. Sobre o enunciado, comente as implicações que essa 
conclusão possibilita para a prática escolar.
TREINO INÉDITO
Os estudos e pesquisas de Magda Soares definem letramento como:
a) Práticas sociais vivenciadas pelas pessoas que usam a escrita como 
um sistema simbólico para interação com o mundo como se fosse uma 
tecnologia.
b) Técnicas específicas de linguagem oral e escrita.
c) Período marcado pelo desenvolvimento da fala da criança.
d) Atividades realizadas na educação infantil visando o desenvolvimen-
to da escrita.
e) Práticas de oralidade visando o desenvolvimento da leitura e escrita.
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NA MÍDIA
MEC PREPARA MATERIAL PARA EXPLICAR NOVA POLÍTICA DE 
ALFABETIZAÇÃO 
Ministério da Educação (MEC) está finalizando um caderno que expli-
cará as diretrizes, os princípios e os objetivos da Política Nacional de 
Alfabetização (PNA). A intenção é que as escolas passem a alfabetizar 
as crianças no primeiro ano do ensino fundamental, ou seja, geralmente 
aos 6 anos de idade.
A orientação está em decreto publicado no último dia 11 no Diário Oficial 
da União. A política prevê ajuda financeira e assistência técnica da União 
para os municípios que aderirem ao programa, a elaboração de materiais 
didático-pedagógicos para serem usados nas escolas e o aumento da 
participação das famílias no processo de alfabetização dos estudantes.
Fonte: (AGÊNCIA BRASIL, 2019). Disponível em: http://agenciabrasil.
ebc.com.br/educacao/noticia/2019-04/mec-prepara-material-para-expli-
car-nova-politica-de-alfabetizacao
NA PRÁTICA
Quando se trabalha com educação é comum ter ideias fortes que são 
as engrenagens motivadoras de nossa prática no dia a dia, todavia, é 
necessário pensar que educação necessita ser real e verdadeira, res-
peitando assim, todas as características específicas que compõem todo 
o plano educacional.
Pensar em alfabetizar todos os alunos no primeiro ano do Ensino Fun-
damental é um objetivo que a curto prazo é bastante ambicioso. De for-
ma alguma, alfabetizar uma criança no primeiro ano é impossível. Mas, 
precisamos pensar que não trabalhamos com realidades homogêneas 
e que é mais comum do que se imagina, crianças que não frequentaram 
o ensino infantil, crianças muito imaturas e com dificuldades de apren-
der, crianças que não recebem o apoio familiar, crianças que são muito 
faltosas no primeiro ano porque os pais ainda não compreenderam a 
importância do acompanhamento escolar, crianças violentadas ou gera-
das em ambientes de drogas e álcool que possuem a parte psicológica 
bastante comprometida.
Além das questões relacionadas às crianças, temos que pensar tam-
bém na escola, a escola está pronta para alfabetizar todas as crianças 
até o fim do primeiro ano? A escola possui profissionais capacitados 
que conseguem trabalhar da melhor forma possível com as salas he-
terogêneas? O processo de alfabetização que se deseja até o fim do 
ano abrange o processo de letramento? Os professores conhecem os 
métodos de alfabetização? A escola possui material humano e recursos 
didáticos que colaboram para a conquista deste objetivo?
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Diante de muitos questionamentos, é necessário refletir sobre a práti-
ca real. Muitas crianças conseguem se alfabetizar até o fim do primeiro 
ano, principalmente, quando já passaram por uma educação infantil que 
atingiu seus objetivos, e ainda, quando a criança possui uma família que 
valoriza o ambiente letrado e as ações da escola, todavia, objetivar que 
todos estejam alfabetizados até o fim do primeiro ano, requer uma análise 
crucial sobre a forma de implementação deste objetivo, só assim, é pos-
sível pensar nesta hipótese como uma proposta real para o nosso país.
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Este capítulo tem por objetivo trazer as mudanças no processo 
de alfabetização e letramento após a implementação da Base Nacional 
Comum Curricular. E ainda, esclarecer quais são as diretrizes que o 
professor alfabetizador precisa se apoiar ao desenvolver seu trabalho 
pedagógico de forma a garantir que o processo de aquisição da língua 
escrita pela criança seja alcançado atingindo as habilidades previstas 
pela BNCC a cada ano escolar.
Em seguida, será discutido neste capítulo algumas práticas de 
alfabetização ideias para garantir o avanço na escrita pelos alunos, e 
algumas considerações sobre o que não se deve faltar na rotina do pro-
fessor alfabetizador para garantir boas situações de aprendizagem con-
tribuindo assim no processo de aquisição da língua escrita pela criança.
Por fim, este capítulo promove uma reflexão sobre a formação 
dos professores, em sua fase inicial e o desenvolvimento contínuo, bem 
BNCC: O QUE MUDA NO PROCESSO
DE ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO
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como as consequências diretas deste mecanismo para a sala de aula. 
ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO SEGUNDO A BNCC
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento 
que possui um conjunto de orientações norteadoras para que as equipes 
pedagógicas possam construir seus currículos locais com um embasa-
mento teórico comum a todos os lugares do país. A Base é responsá-
vel por determinar as competências, as habilidades e as aprendizagens 
essenciais que todos os alunos devem desenvolver durante cada etapa 
da educação básica e determina que essas competências, habilidades 
e conteúdos devem ser os mesmo sem qualquer instituição de ensino.
Ao ser homologada no fim de 2017, a BNCC torna-se um docu-
mento de caráter normativo diferente dos Parâmetros Curriculares Na-
cionais (PCN’s) que é um documento orientador. Sendo assim, a BNCC 
é um documento de força de lei e isso certamente impacta a relação que 
os professores,escolas e redes de ensino têm com ele, pois, o fato de 
ser normativo agrega consigo a ideia de que todas as escolas devem 
acatar o que o documento prevê.
A primeira ideia que temos na BNCC é a ideia de que a educação 
básica no Brasil tem que ter como foco o desenvolvimento integral e pleno 
dos estudantes, essa é uma ideia que está prevista desde a Constituição 
Federal em 1988 e somente agora com a implementação da Base que se 
conseguiu assegurar como uma referência curricular, que visa o desenvol-
vimento de todas as dimensões do ser humano: intelectual, físico e social.
Nesse contexto, a BNCC afirma, de maneira explícita, o seu compromisso 
com a educação integral. Reconhece, assim, que a Educação Básica deve 
visar à formação e ao desenvolvimento humano global, o que implica com-
preender a complexidade e a não linearidade desse desenvolvimento, rom-
pendo com visões reducionistas que privilegiam ou a dimensão intelectual 
(cognitiva) ou a dimensão afetiva. Significa, ainda, assumir uma visão plural, 
singular e integral da criança, do adolescente, do jovem e do adulto – con-
siderando-os como sujeitos de aprendizagem – e promover uma educação 
voltada ao seu acolhimento, reconhecimento e desenvolvimento pleno, nas 
suas singularidades e diversidades. (BRASIL, 2018, p.16)
Uma das mudanças nas quais o documento prevê e possivel-
mente de maior impacto entre os educadores é sobre o processo de 
alfabetização no Ensino Fundamental - anos iniciais. Anterior a este do-
cumento a criança precisava consolidar o processo de alfabetização 
quando ela estava no 3ª ano do Ensino Fundamental, e agora com a 
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implementação da BNCC, antecipou-se o processo de alfabetização, ou 
seja, a criança precisa consolidar a alfabetização quando ela chega no 
2º ano do Ensino Fundamental.
Nos dois primeiros anos do Ensino Fundamental, a ação pedagógica deve ter 
como foco a alfabetização, a fim de garantir amplas oportunidades para que 
os alunos se apropriem do sistema de escrita alfabética de modo articulado 
ao desenvolvimento de outras habilidades de leitura e de escrita e ao seu en-
volvimento em práticas diversificadas de letramentos. (BRASIL, 2018, p.59)
É importante que se compreenda que essa mudança é de ca-
ráter organizacional, o documento orienta o foco na alfabetização pre-
ferencialmente em dois anos, isso não significa que é obrigatório que 
todos os alunos estejam alfabetizados nestes dois anos, é necessário, 
sim, que tenham “amplas oportunidades” de alfabetização, respeitando 
sempre as habilidades e a apropriação dos conteúdos pelos alunos.
O professor deve entender que o processo de sistematização 
da aquisição da Língua Escrita tem início no Ensino Fundamental. Vi-
vendo práticas de letramento na Educação Infantil vão aproximar em 
algum momento a criança da escrita e possibilitar que a criança no En-
sino Fundamental tenha facilidade para usufruir da sistematização do 
processo de alfabetização. 
A BNCC do Ensino Fundamental – Anos Iniciais, ao valorizar as situações 
lúdicas de aprendizagem, aponta para a necessária articulação com as ex-
periências vivenciadas na Educação Infantil. Tal articulação precisa prever 
tanto a progressiva sistematização dessas experiências quanto o desenvol-
vimento, pelos alunos, de novas formas de relação com o mundo, novas 
possibilidades de ler e formular hipóteses sobre os fenômenos, de testá-las, 
de refutá-las, de elaborar conclusões, em uma atitude ativa na construção de 
conhecimentos. (BRASIL, 2018, p.57)
Outro ponto importante é que o letramento precisa continuar 
dentro das práticas de aprendizagem como forma de ampliar as pos-
sibilidades de participação das crianças dentro das práticas sociais. As 
práticas devem ser significativas e a participação da criança deve ser 
crítica. Observa-se que Diretriz Curricular Nacional para o Ensino Fun-
damental de 9 (nove) anos já propunha o que a BNCC vem reafirmar.
Nos anos iniciais do Ensino Fundamental, a criança desenvolve a capaci-
dade de representação, indispensável para a aprendizagem da leitura, [...]. 
O desenvolvimento da linguagem permite a ela reconstruir pela memória 
as suas ações e descrevê-las, bem como planejá-las, habilidades também 
necessárias às aprendizagens previstas para esse estágio. A aquisição da 
leitura e da escrita na escola, fortemente relacionada aos usos sociais da 
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escrita nos ambientes familiares de onde veem as crianças, pode demandar 
tempos e esforços diferenciados entre os alunos da mesma faixa etária. A 
criança nessa fase tem maior interação nos espaços públicos, entre os quais 
se destaca a escola. (BRASIL, p. 9, 2010)
O documento anuncia a utilização da perspectiva enunciativa-
-discursiva da linguagem que o PCN’s já adotava. A ideia desta pers-
pectiva é compreender que a linguagem é uma atividade humana ine-
rente e faz parte do processo de relacionamento entre os sujeitos dentro 
de uma sociedade. Neste sentido, a centralidade no texto se justifica por 
seu uso e função social, trabalhar o texto a partir de suas relações den-
tro da sociedade e não textos que sejam confeccionados para o ensino 
como os existentes nas antigas cartilhas de ensino. 
Os Parâmetros Curriculares Nacionais destacavam o texto 
como unidade básica de trabalho. A BNCC retoma isso, trazendo o texto 
como ponto central, é ele que vai dizer, quais são as habilidades, objeti-
vos, conteúdos que serão trabalhados, é importante dizer também, qual 
o discurso desse gênero, em quais ambientes e funcionalidades esse 
gênero acontece.
Tal proposta assume a centralidade do texto como unidade de trabalho e 
as perspectivas enunciativo-discursivas na abordagem, de forma a sempre 
relacionar os textos a seus contextos de produção e o desenvolvimento de 
habilidades ao uso significativo da linguagem em atividades de leitura, escuta 
e produção de textos em várias mídias e semioses. (BRASIL, 2018, p.69)
O alfabetizar letrando é o que está claramente previsto na BNCC, 
cuidar das diferentes facetas aliados ao letramento digital. Criar oportuni-
dades para construção de novos significados, para o desenvolvimento da 
linguagem, para apropriação de novos conceitos e palavras de contextos e 
cenários, para que de fato esse aluno quando for consolidar e sistematizar 
o conhecimento aprendido não seja apenas o código e tenha todo esse 
acervo mental e de exploração que diz respeito ao letramento também.
O letramento digital é outro ponto que a BNCC aborda, utili-
zar o universo contemporâneo de práticas de linguagem para dentro da 
sala de aula, é dar continuidade desde a educação infantil, pois, nesta 
fase, a criança já está em contato com a linguagem oral e a linguagem 
escrita e deve então, ampliar essas possibilidades de aprendizagem.
O documento entende que uma coisa é se valer da cultura digi-
tal para uso cotidiano, outra coisa é usufruir da cultura digital com cará-
ter educacional. A escola precisa se apropriar dessas tecnologias para 
ensinar aos alunos o uso adequado destas ferramentas.
Os materiais didáticos deverão se adequar a estes usos também 
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e teremos a produção de livros didáticos que estejam vinculados direta-
mente com as ferramentas midiáticas. Gêneros, portadores de textos, pró-
prios da língua escrita estarão nos livros didáticos, assim como páginas de 
blog, conversas de WhatsApp, publicações de redes sociais também serão 
objetos de estudo do aluno por estar presente em seu contexto social.
O desafio é incorporar essas novas tecnologias sem passar 
por um processo de desconstrução da alfabetização. É preciso incorpo-
rar as práticas de letramento digital sem negar as práticas deletramento 
e alfabetização que dão certo até o presente momento e que são essen-
ciais para a aquisição da língua escrita. 
Vale lembrar que para o trabalho com as práticas de linguagem 
foram organizados campos de atuação que vão trazer os diferentes tex-
tos para mostrar o quanto é importante contextualizar e trazer esse sig-
nificado para o processo de aprendizagem dos alunos.
Observar as práticas de linguagem que a criança traz ou os 
eixos: oralidade, análise linguística, leitura e escuta e a produção de 
texto. Esses momentos acontecerão tanto de forma autônoma como de 
forma compartilhada, ou seja, o aluno vai ter a possibilidade de escre-
ver individualmente ou coletivamente, isso auxilia muito no processo de 
alfabetização dele, quando o professor também é escriba desta turma, 
quando ele produz um texto falado com destino escrito.
Em seus estudos sobre alfabetização, Magda Soares, aponta-
va que a alfabetização tem múltiplas facetas que afetam o processo de 
alfabetização. A BNCC destaca a faceta linguística e ao fazer isso, ela 
se preocupa em dar conta do uso social da língua. Não adianta apro-
priar do sistema e não saber o que fazer com essa tecnologia.
Isso vai fazer com que o foco e a ação pedagógica sejam nes-
se processo de alfabetização, o aluno precisa conhecer o alfabeto, o 
processo de leitura e escrita, ao conseguir codificar e decodificar os 
fonemas em grafemas e desenvolver uma consciência fonológica pode-
mos dizer que ele está alfabetizado.
É importante dizer que esse processo de consciência fonoló-
gica não acontece de maneira rápida, o aluno vai construir diferentes 
habilidades e análises linguísticas que precisam ser levadas em con-
sideração, então, precisamos pensar nas práticas que são ofertadas 
dentro do processo de alfabetização.
Ao se apropriar do código é preciso saber o uso que se deve 
fazer dele. Por isso, que o trabalho deve acontecer de forma concomi-
tante, à medida que o professor trabalha com a apropriação do sistema 
de escrita, desenvolve um trabalho com os usos da escrita. Validando 
assim, o uso da leitura e da escrita como prática social.
A última versão da BNCC (2017) apresentou uma mudança mui-
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to grande das outras versões no que diz respeito à alfabetização. As ver-
sões anteriores traziam a ideia de direitos e objetivos da aprendizagem 
e a BNCC traz a ideia de competências e habilidades da aprendizagem. 
Quando se entra numa discussão de competências e habilidades, des-
loca-se dos objetivos que a educação tem e da forma que ela pode lidar 
com o processo de aprendizagem da criança para um olhar que é do que 
a criança precisa ter e não do que o espaço educacional precisa ter.
Há uma grande preocupação com um dos pressupostos teóri-
cos da BNCC que é o desenvolvimento de competências e habilidades, 
no qual, ela está organizada, o objeto de conhecimento aparece, mas 
ele está a serviço do desenvolvimento destas competências.
Os programas de formação continuada para professores, tais 
como, Pró-letramento e PNAIC trouxeram propostas de currículo para 
os anos iniciais. O Pró-letramento organizado em eixos, habilidades, 
capacidades e procedimentos. E o PNAIC organizado em eixos e direi-
tos de aprendizagem (operacionalização dos eixos em termos de obje-
tivos). Essa ênfase aos objetivos da aprendizagem é a forma como a 
BNCC apresenta-se aos educadores.
A BNCC propõe campos de atuação de modo que o texto ga-
nhe centralidade vinculando-se aos campos de atuação social: cotidia-
no, público, artístico e literário, estudos e pesquisas. É em função des-
ses campos de atuação que os gêneros textuais e discursivos foram 
escolhidos. São importantes porque mostram para nós a importância do 
uso social na língua. 
Quando a BNCC coloca uma série de habilidades que estão 
relacionadas a um campo de atuação específica é dizer que naquele 
momento eu preciso oportunizar o contato com práticas sociais que es-
tejam relacionadas a vida cotidiana ou a vida pública, de acordo com o 
que o campo de atuação prioriza.
No ciclo de alfabetização didaticamente poder-se-ia separar os 
gêneros, de um lado os gêneros do campo de atuação de vida cotidiana, 
vida pública e estudos e pesquisas, e de outro lado os artísticos e literários. 
Essa definição se faz necessária porque a atuação em sala de aula do en-
sino desses gêneros é muito diferente. Deve-se estar atento a isso porque 
em vez de criar leitores que tenham prazer em ler e apreciar textos literários 
corre-se o iminente risco de ter alunos com aversão ao texto literário.
O eixo de leitura traz o professor como modelo de leitor para 
seus alunos. O professor necessita ler para seus alunos. Ler é diferente 
de contar. Porque ao ler uma história para uma criança eu permito que 
ela entenda que a história escrita é diferente da contada e sem nenhuma 
sistematização a criança vai internalizando os aspectos da língua escrita.
O professor deve ser escriba para seus alunos desde a Educa-
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ção Infantil, pois, este procedimento permite que as crianças entendam 
como funciona a língua escrita. Ao escrever uma regra de brincadeira, a 
criança vai se apropriando e entendendo a diferença de funcionamento e 
organização da oralidade para língua escrita. Na fala temos uma situação 
em que o interlocutor está presente, enquanto na escrita o interlocutor está 
ausente, e por isso, a produção escrita necessita tomar alguns cuidados 
necessários para a compreensão do texto. Há um distanciamento entre os 
interlocutores, por isso, a escrita tem que ser mais precisa. (dêiticos)
Se pudéssemos fazer uma conversão dos quatro eixos previstos 
para o Fundamental I para o cenário da Educação Infantil, nossa ênfase 
estaria na leitura, na oralidade e na escrita, compreendendo que não é um 
trabalho com o código, mas com a compreensão que a escrita tem neces-
sariamente uma organização e um funcionamento diferente. Por isso, a 
escola precisa trabalhar com as duas modalidades de oralidade e escrita.
O que se percebe quando se fala sobre os princípios de apren-
dizagem da BNCC é uma forte preocupação com os objetivos de apren-
dizagem a serem alcançados ao longo da educação base. A grande 
preocupação é como se vai dosando e ampliando esses objetivos ao 
longo dos anos escolares dos estudantes.
O que se tem são habilidades comuns do primeiro ao quinto ano. 
Ao trabalhar com produção textual, por exemplo, o que se tem é um tra-
balho que dê conta de definir muito bem o projeto de comunicação para 
o aluno. Deixar claro qual é o gênero a ser escrito, onde irá circular, para 
que o aluno irá escrever, por isso, é importante definir o projeto de comu-
nicação e essa é uma habilidade comum a todos os anos.
O que se tem de mais específico é a definição de gêneros para 
cada ano, mas isso não quer dizer que o documento propõe um enrijeci-
mento do currículo. O professor tem autonomia para antecipar gêneros 
do ano posterior, considerando as habilidades que seus alunos já domi-
nam. Concluímos desta forma que:
[...] aprender a ler e escrever oferece aos estudantes algo novo e surpreen-
dente: amplia suas possibilidades de construir conhecimentos nos diferentes 
componentes, por sua inserção na cultura letrada, e de participar com maior 
autonomia e protagonismo na vida social. (BRASIL, p.63, 2018)
Não podemos entender o que a BNCC propõe como um enrijeci-
mento de nosso planejamento, seja para antecipar assuntos ou revisar con-
teúdos o professor precisa entender a flexibilidade presente no documento, 
pois, o que vai determinar este avanço ou recuo são as habilidades que o 
grupo de alunos de atuação do professor já domina. Essa antecipação de 
conteúdos deve ser feita pela certificação das habilidades alcançadas seja 
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no perspectivo individual ou coletivo e maturidade que o grupo tem.
O ensino precisa perpassar inicialmente por um diagnóstico, para 
que o professor tenha condição de planejar com tranquilidade e eficiência. 
Após a execução das atividades de ensino previstas neste planejamento, é 
necessário que haja um monitoramento, percebendo se o que foi previsto 
já foi alcançado e alterando o que não deu certo durante o percurso. É 
o que trata de intencionalidade pedagógica, pensar os registros de forma 
adequada, dedicar um momento para olhar o desenvolvimento do grupo.
Precisa-se aprender a heterogeneidade das turmas. Uma das 
maneiras de lidar com isso é a formação dos grupos. Não entre grupos 
de alunos que sabem mais ou menos, mas agrupar ora pela semelhança, 
ora pela diferença, ora realidade que o grupo todo compreende e realiza.
Os PCN’s e a BNCC reforçam a ideia do ambiente alfabeti-
zador, esse ambiente precisa ser composto ou configurado ao que se 
deseja a cada momento de aprendizagem do aluno. O professor ao 
trabalhar com uma sequência didática precisa compreender que tudo 
que o aluno vai aprendendo sobre as características de um determinado 
gênero ele vai acrescentado ao cartaz que sirva de consulta.
A BNCC é um documento consistente dentro de uma perspec-
tiva de organização, possibilidade de orientação de construção de um 
currículo, no entanto, ela não trás uma discussão, nem apontamentos 
específicos com caráter metodológico. A ideia é que paralelo a leitura 
e apropriação deste documento, o professor construa um acervo de le-
trar-se também para essa perspectiva de trabalho, seja de temáticos 
direcionados à atuação dele direta, seja de ampliação de repertório e 
de conhecimento de mundo para que a BNCC, seja um documento vivo 
dentro da escola e não normatizador de conteúdo.
PRÁTICAS DE ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO
O professor necessita ter clareza que organizar uma rotina sema-
nal de leitura e escrita é essencial para o desenvolvimento de sua sala de 
aula. Planejar esta rotina envolve pensar no tempo, espaço, materiais, pro-
postas, intervenções, nos níveis de saberes de cada criança de forma que 
sua intencionalidade se manifeste nas boas situações de aprendizagem.
Dentro desta proposta de alfabetização e letramento, o profes-
sor precisa contemplar dentro da organização de sua rotina, situações 
didáticas de reflexão sobre o sistema de escrita alfabético, bem como, 
de apropriação da linguagem que se escreve. Explorar a diversidade de 
atividades com diferentes propósitos, e ter consciência de que uma mes-
ma atividade necessita ser repetida por variadas vezes, até que alcance 
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o objetivo desejado e o desempenho dos alunos seja cada vez melhor.
O sucesso deste processo não se dá por levar atividades inédi-
tas e desfragmentadas diariamente aos alunos, mas sim, pela perspicácia 
do professor em variar os gêneros literários a serem trabalhados, com-
binando o tipo de ação que o aluno vai desenvolver em cada atividade.
Dentro de uma rotina semanal, o professor necessita contem-
plar atividades que sejam permanentes até que o objetivo dela seja atin-
gido. Situações de produção escrita pelo professor, situações de pro-
dução escrita pelo aluno, situações de trabalho com a oralidade, leitura 
em voz alta pelo professor, leitura realizada pelos alunos que ainda não 
leem convencionalmente, são algumas das atividades essenciais para 
a criança na fase de alfabetização e letramento.
A criança ao entrar no primeiro ano do Ensino Fundamental já 
traz consigo a experiência vivida por estímulos familiares e escolares, 
vivenciados na Educação Infantil relacionado ao processo de alfabetiza-
ção. Não se pode pensar que a criança está começando o seu processo 
de aquisição da língua escrita neste momento, pois, como se sabe vi-
vemos numa sociedade considerada grafocêntrica, centrada na escrita, 
e as vivências desta criança precisam ser respeitadas e aproveitadas 
neste momento, para que ela possa evoluir.
Antes mesmo de terem se apropriado do sistema alfabético, se as crianças têm 
a oportunidade de participar de leitura e de produção de textos, aprendem uma 
série de características de gêneros textuais escritos (não só relativas à “estrutu-
ra” ou organização composicional dos mesmos, mas também sobre suas finali-
dades, usos sociais e esferas de circulação). (MORAIS, 2012, p. 118)
Daí decorre a importância de se realizar a sondagem inicial 
para conferir e averiguar a forma que esta criança pensa para que as-
sim, mediante os resultados, possa planejar situações de aprendizagem 
adequadas para que ela evolua neste processo de aquisição da língua 
escrita alfabética e ortográfica.
Para definir a didática mais adequada, o professor precisa, antes de mais nada, 
detectar o nível em que se encontra cada aluno, para então intervir coerente-
mente em seu processo de aprendizagem. Deve procurar atingir os alunos de 
todos os níveis, desafiando-os para procurar o avanço. As atividades podem mo-
tivar diferentes níveis e em cada criança implicarão uma mudança, ou adequa-
ção, da hipótese própria do nível em que ela se encontra. (RUSSO, p.41, 2012)
Pensar em atividades que atendam a todos os alunos de forma 
desafiadora para que avancem no processo de aquisição da língua não 
é algo tão simples. O professor precisa considerar cada especificidade 
sempre pensando no todo. Para isso, a melhor forma de trabalho é levar o 
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aluno a raciocinar sobre a escrita sempre na interação com os seus pares 
produtivos. Para todos as fases de hipótese de escrita deve se trabalhar 
com a questão sonora das letras do alfabeto, bem como reconhecimento 
das formas das letras e as associações estabelecidas entre grafema e 
som. O trabalho com as regularidades e irregularidades presentes nos 
nomes próprios também é ideal para o avanço de todos os alunos.
É necessário ressaltar que a alfabetização e o letramento ca-
minham na mesma direção, por isso, o professor deve utilizar de situa-
ções de aprendizagem que valorize a função da língua escrita.
Tão importante quanto oportunizar boas situações de aprendi-
zagem é proporcionar aos alunos um ambiente que seja alfabetizador, 
desde que as ideias construtivistas foram difundidas, ter um ambiente 
alfabetizador tornou-se essencial para que a criança que está no pro-
cesso de apropriação da escrita esteja sempre em interação com o ob-
jeto de conhecimento que se deseja alcançar. É a partir do contato com 
intenso com os materiais escritos e a oportunidade de analisá-los que o 
conhecimento se faz acontecer. 
Faz-se necessário lembrar, que a simples exposição de cartazes, 
rótulos de produtos, listas e textos de nada colabora com o processo de 
aprendizagem se o uso desses materiais não for eficiente. Por isso, tor-
na-se ambiente alfabetizador quando os cartazes são elaborados com os 
alunos e retratam o uso e significado para aquela turma. Dispor o alfabe-
to, ter lista de nomes próprios dos alunos da sala, cartazes com a escrita 
de cantigas ou textos são sempre necessários para a realização de boas 
situações de aprendizagem. Como afirma Russo (2012, p.21) “quando o 
ambiente alfabetizador favorece a aprendizagem, transforma o desinteres-
se de alguns em motivação. A sala de aula deve incentivar a reflexão e ser 
motivadora da leitura, da escrita e do manuseio do material didático”.
A leitura em voz alta de histórias e textos variados de diferen-
tes gêneros é essencial para os alunos mesmo aqueles que ainda não 
dominam o mecanismo de decodificação. Ler, mesmo antes de saber 
ler, proporciona à criança o desenvolvimento e a criação de hipóteses 
sobre a escrita. Boas situações de aprendizagem para se realizarcom 
as crianças, vão de atividades de leitura de texto em cartazes, nos quais 
são destacados os títulos e o professor leva a criança a criar expectativa 
sobre o que o texto estará falando, se literário, quais serão os perso-
nagens da história, o que acontecerá numa história que seja conhecida 
ou não pelos alunos, se é notícia, do que esta notícia estará contando, 
quando que aconteceu, será o fato real. 
Quando os alunos ainda não sabem ler, é o professor quem realiza as leituras, 
emprestando sua voz ao texto. Enquanto escutam leituras de contos, histórias, 
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poemas, etc., os alunos se iniciam como “leitores” de textos literários. Mas é 
preciso nunca esquecer que ler é diferente de contar. Ao ler uma história o pro-
fessor deve fazê-lo sem simplificá-la, sem substituir termos que considera difí-
ceis. Não é porque a linguagem é mais elaborada que o texto se torna incom-
preensível. É justamente o contato com a linguagem escrita como ela é que 
vai fazendo com que ela se torne mais acessível. (SÂO PAULO, 2014, p. 236)
O sucesso no processo de alfabetização está relacionado à for-
ma com que o professor alfabetizador questiona seus alunos sobre tudo, 
fazer boas perguntas leva-os a refletir sobre o que já sabem sobre a lín-
gua e assim constroem e solidificam suas hipóteses de aprendizagem. 
A realização do levantamento de hipóteses sobre o texto a ser 
desenvolvido é valiosa e necessária, mas é preciso, ir adiante, reali-
zando a leitura do texto e estabelecendo comparações entre o que se 
acreditava que ia tratar com o que de fato aconteceu nas linhas lidas. 
Certificar-se que os alunos compreenderam o texto lido enriquece o tra-
balho desenvolvido. Segundo Carvalho (2010, p. 27) “se esse trabalho 
for realizado frequentemente, desde o início da alfabetização, os alunos 
ficarão preparados para saber o que podem esperar de determinada 
leitura: é o primeiro passo para formação de leitores críticos”.
A evolução desta atividade de leitura, ou o próximo passo a se 
realizar é a análise de cada termo escrito, seja numa poesia, cantiga, 
parlenda ou um texto conhecido de memória pelos alunos, possibilitar 
que eles contem quantas palavras estão escritas em determinado ver-
so, ou que encontrem determinada palavra escrita no texto, possibilita 
mais reflexões no sentido de encontrar as unidades.
A criança que ainda não domina a leitura e a escrita, ao partici-
par de situações de leitura que seu professor ou colega mais experientes 
lê textos que ela ainda não consegue ler sozinha avança no processo, 
da mesma forma, a criança que ainda não escreve convencionalmente 
quando colocada em situações, em que o professor é o escriba ou o 
colega mais experiente é o escriba, também participa de um processo 
de avanços em seus conhecimentos letrados.
O desenvolvimento de atividades que permitam a criança re-
fletir sobre a construção da palavra em sua dimensão sonora são es-
senciais na fase de alfabetização, por isso, justifica-se aqui o professor 
planejar intencionalmente situações de aprendizagem que contemplem 
o trabalho com jogos com palavras e com textos poéticos de tradição 
oral. A criança precisa adquirir a consciência fonológica a partir da aná-
lise de palavras, de rimas, dentro dos textos. Insistir em atividades que 
os alunos possam contar e comparar sílabas de palavras, analisar qual 
palavra é maior ou menor, identificar e recordar outras palavras que ini-
ciam com a mesma sílaba, identificar rimas, relacionar rimas existentes 
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no texto com ouras palavras do uso cotidiano. Essas atividades permi-
tem que a criança estabeleça critérios e semelhanças parar classificar 
as palavras, evoluindo no processo de alfabetização.
Os jogos com palavras também possibilitam esses tipos de as-
sociações cognitivas nas crianças: dominó de palavras, bingo da letra 
inicial, jogo do mico com rimas, são situações de aprendizagem que 
após a realização do jogo são exploradas as palavras que o jogo pro-
porcionou refletir faz com que o aluno estabeleça reflexão sobre signifi-
cantes escritos e orais. A maneira adequada de explorar essas palavras 
é por meio da análise, circulando sempre a letra inicial e final, contando 
as sílabas e letras, refletindo e estabelecendo relações com outras pala-
vras que iniciam ou terminam com a mesma sílaba. Para os alunos que 
estão mais avançados solicitar que escrevam outras palavras com as 
mesmas características sonoras. 
Desenvolver atividades de escrita com o nome próprio ou o 
nome dos colegas possibilita a aprendizagem e reflexão da língua tam-
bém. A criança quando colocada para registrar suas atividades diaria-
mente com o nome próprio passa a estabelecer a ideia de que as letras 
e ordem que o nome é escrito não se altera e quando isso acontece dei-
xa de representar o que é destinado. Portanto, ao escrever JOÃO, não 
posso estabelecer o registro com as letras dispostas de outra forma, por 
exemplo, OÃJO, ou utilizar-se de outras letras para escrever este nome.
Além do significado afetivo, histórico, social e familiar, entre outros, o nome 
do alfabetizando é uma palavra que, ao ser percebido por ele como modelo 
estável e imutável de escrita e de leitura, colabora qualitativamente com o 
seu processo de construção da alfabetização. (RUSSO, 2012, p. 63)
Quando a criança é colocada para comparar nomes de pessoas 
conhecidas por ela, ela é capaz de identificar que a quantidade de letras 
da palavra não diz respeito ao tamanho do que a palavra representa, de 
modo que uma criança possa chamar Catarina e ser a menor de sua tur-
ma ou então, chamar-se Yan e ser a criança mais alta entre seus colegas.
Solicitar que a criança conte a quantidade de letras e sílabas 
que os nomes próprios possuem faz com que ela compreenda que sem-
pre utiliza mais letras ao escrever do que sílabas que utiliza ao pronun-
ciar palavras. 
Dentro dessa perspectiva, a lista de chamada é um material didático impor-
tantíssimo, uma vez que é formada pelos nomes de todos os alunos da clas-
se. Pode ser considerada um instrumento de alfabetização e deve ser utiliza-
da para atividades diversificadas dentro das áreas de estudo, nos primeiros 
anos de escolaridade ou em classes de alfabetização. Ao dedicar atenção 
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especial à lista, o professor verificará que quase todas, se não todas, as 
letras do alfabeto estão presentes, bem como muitas questões ortográficas e 
léxicas. (RUSSO, 2012, p. 65)
A utilização de crachá, prisma em cima da carteira, lista com 
nome de todos os alunos, grade de nomes, quebra cabeça, dominó dos 
nomes, bingo são exemplos de recursos que possibilitam o trabalho 
com os nomes próprios. Separar o nome das meninas e dos meninos, 
colocá-los em ordem alfabética, circular as vogais e consoantes, são 
atividades que favorecem o desenvolvimento dos alunos.
As situações de escrita pelo professor, na qual ele é o escriba 
e, portanto, modelo de escritor aos seus alunos, tornam-se boas situ-
ações de aprendizagem, desde o registro da rotina diária na lousa, a 
escrita do cabeçalho, a construção de textos como bilhetes até chegar 
a reescrita de contos, são oportunidades do aluno refletir sobre a aqui-
sição do processo de escrita e também realizar a leitura destes textos.
 A escola é essencialmente um espaço de leitura, oportunizar 
atividades que garantam o contato dos alunos com bons textos promo-
ve o desenvolvimento de todos em relação a linguagem e aquisição da 
escrita. Para isso, existe uma diversidade de modalidades de leitura, 
que planejada para cada momento, favorece e garante o avanço dos 
alunos, são elas: leitura pontual, leitura colaborativa, leitura programa-da, leitura em voz alta pelo professor, atividades sequenciadas de leitu-
ra para estudo de determinado tema, roda de leitura, leitura de escolha 
pessoal, leitura individual, leitura em voz alta, leitura por pareamento, 
leitura por ordenação das partes do texto, entre outras possibilidades. 
Como afirma Bräkling (2014, p. 309) “na escola se deve ler para apren-
der a participar das práticas sociais de leitura”. 
É considerando as diferentes demandas da sociedade, para 
inserção do indivíduo no mundo letrado, que a proposta de um trabalho 
em sala de aula que contemple os diferentes gêneros textuais se faz tão 
necessária. Essa diversidade de gêneros que tem circulado na escola, 
precisa ser pensada de tal modo, que as diferentes esferas de circula-
ção de fato sejam representadas. Trabalhar com textos científicos, com 
notícias de jornais, com textos que aparecem no cotidiano de resolução 
de problemas das pessoas no dia a dia, é fundamental para realmente 
pensar na escola como um espaço de aproximação do contexto extra-
escolar que as crianças participam. 
Na sala de aula, o professor deve utilizar materiais que as crian-
ças manuseiam no dia a dia, rótulos de produtos que eles manuseiam, 
lista de compras, propaganda política, jornais de promoção de lojas, são 
todas coisas que as crianças têm em mãos diariamente, é obvio que ha-
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verá uma ampliação de conhecimento com os alunos, mas estes materiais 
servem normalmente, como o despertar do interesse deles para a leitura, 
pois, aguça a curiosidade de cada um. O papel do texto literário presente 
em livros infanto-juvenis é oportunizar aquele aluno que não tem acesso ou 
tem pouco acesso ampliação das experiências de leitura de nossos alunos. 
REFLETINDO SOBRE A FORMAÇÃO DE PROFESSORES 
Tornou-se uma máxima dizer em algum momento da vida que 
não se pode parar de estudar, que se deve estudar e atualizar-se pela 
vida inteira, na vida dos professores isso também acontece, sempre diz 
que o professor é aquele que não se afasta do estudo e se mantém em 
processo contínuo de aprendizagem.
O período que alguém se dedica à função de professor é cha-
mado de período de formação inicial. É natural que todos que já se pas-
saram pela vivência de aluno, se vê como capaz de ocupar a função de 
professor, por já viver a experiência de sala de aula, porém, esta análise 
é um tremendo engano.
Quando o aluno inicia a formação de professor, ele já carrega 
consigo uma bagagem de experiências positiva e negativa do que é 
ser professor. Diferente de outros cursos, que normalmente não se tem 
muita experiência em relação ao profissional que se deseja ser. Toda-
via, ao adentrar a faculdade de Pedagogia, o aluno carrega consigo 
anos de experiência empírica sobre a função de professor, sobre o que 
é escola, aulas, ensino, avaliação, metodologia, mesmo que difusa toda 
essa bagagem se dá tanto no plano cognitivo, quanto no afetivo. 
Inicia-se a aprender a ser professor, sendo aluno. Mas a par-
tir do momento, que se toma essa decisão, inicia-se um estudo sobre 
questões pedagógicas, de conteúdos que serão ensinados, a dimensão 
didática e relacional da aprendizagem, a dimensão psicológica do que 
significa aprender e ensinar, uma série de conhecimentos que se busca 
construir nesse processo de formação inicial.
Após este processo, dá-se a formação contínua que dura o 
período que esse professor atuar. Neste processo, quanto mais a for-
mação estiver voltada à escola e às necessidades dos alunos que está 
lidando, mais tem-se capacidade de preparar aulas que atendam às 
necessidades formativas dos alunos. 
Saber que os problemas que os professores enfrentam dia a dia na sala de aula 
estão vinculados ao ensino ou à aprendizagem escolar de determinados conte-
údos não foi suficiente para deduzir imediatamente que os conhecimentos mais 
relevantes para eles são precisamente aqueles que contribuem para resolver es-
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ses problemas, quer dizer, os conhecimentos didáticos. (LERNER, p. 103, 2002) 
 No Brasil, embora tenha-se conseguindo que quase todos os 
alunos tenham acesso ao ensino fundamental até catorze anos, nos 
deparamos com um outro problema, que é a qualidade da educação. 
A qualidade da educação passa pela democratização do acesso ao co-
nhecimento, como é de fato que o aluno se apropria do conhecimento 
para organizar sua vida amparado no que lhe foi ensinado.
É preciso que o professor entenda que para exercer a função 
de professor e alcançar as metas necessárias para a qualidade da edu-
cação, o professor, precisa ter uma sólida formação associada ao afeto. 
Nenhuma formação docente verdadeira pode fazer-se alheada, de um lado, 
do exercício da criticidade que implica a promoção da curiosidade ingênua 
à curiosidade epistemológica, e de outro, sem o reconhecimento do valor 
das emoções, da sensibilidade, da afetividade, da intuição ou adivinhação. 
(FREIRE, p. 45, 1996)
Neste sentido, formação inicial e contínua precisa formar um 
pacto com a prática efetiva do cotidiano. Pois, a formação inicial não 
é detentora de todos os saberes, e a prática será fundamental para o 
desenvolvimento de boas ações.
As políticas públicas de formação de professores são impor-
tantes por sinalizar as diretrizes de por onde caminhará a formação do 
professor. Essas políticas necessitam ser pensadas em função da de-
manda, da realidade do país, tamanho das redes de ensino, dos profis-
sionais da educação, professores e funcionários, de questões materiais, 
são alguns exemplos da abrangência e alcance que têm essas políticas. 
Atualmente, a Pedagogia forma professores polivalentes para 
trabalhar com a infância, professor aquele que trabalha com um con-
junto de conhecimentos, diferente do professor especialista. É função 
também do curso de Pedagogia, formar o Pedagogo, que é aquele que 
vai atuar na gestão das escolas, nas secretarias da educação. Todavia, 
essa formação inicial faz com que se pergunte se a formação tem sido 
eficaz no alcance de suas funções.
Pelo que vemos atualmente, infelizmente, os cursos não têm 
conseguido garantir essas formações de forma satisfatória. É impres-
cindível que as políticas públicas sejam eficazes neste sentido de assu-
mir um compromisso com a educação brasileira. 
A distância com que as formações dos professores acontecem 
em relação a nossas escolas reais, escolas públicas, é demasiadamen-
te grande e assustadora, por isso, formar professores, exige que se 
tenha um vínculo com a escola real. O grande desafio da formação é 
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articulação entre teoria e prática. Estuda-se grandes teóricos de todas 
as áreas específicas e se reflete com a realidade para que se possa 
acontecer uma interação verdadeira. 
É necessário entender, que em Educação não há respostas 
prontas, por isso, não se pode oferecer um treinamento para estudantes 
de Pedagogia que mais tarde atuarão que possibilite o sucesso de sua 
prática. O que contribui efetivamente para uma prática eficiente, diferen-
ciada, crítica e reflexiva é uma excelente formação teórica. 
Não há docência sem discência, as duas se explicam e seus sujeitos apesar 
das diferenças que os conotam, não se reduzem à condição de objeto, um do 
outro. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender. 
[...] Quando vivemos a autenticidade exigida pela prática de ensinar-apren-
der participamos de uma experiência total, diretiva, política, ideológica, gno-
siológica, pedagógica, estética e ética, em que a boniteza deve achar-se de 
mãos dadas com a docência e com a seriedade. (FREIRE, p.24, 1996)
A adequação da BNCC se dá muito além dos conteúdos escola-
res a serem ensinadosdentro das escolas, o processo de adequação per-
passa também pela formação dos professores. As audiências públicas que 
aconteceram durante a construção da base não trouxeram discussões efe-
tivas sobre as formações dos professores pós homologação deste docu-
mento. A grande preocupação das discussões se dera em virtude de temas 
como religião, educação indígena, entre outros assuntos. Todavia, dentro 
destas discussões realizadas pode ser perceber que há uma convicção de 
que a Base trará um impacto muito positivo na formação de professores.
Por outro lado, vê-se com muita preocupação e há uma crítica 
a implantação da Base e os impactos em relação a formação de profes-
sores de se tornarem negativos. Recentemente, em 2015, foi publicada 
a Resolução nº 2, de 1º de julho de 2015 que define as Diretrizes Cur-
riculares Nacionais para a formação inicial em nível superior (cursos de 
licenciatura, cursos de formação pedagógica para graduados e cursos 
de segunda licenciatura) e para a formação continuada, diante disso, as 
universidades em todo país estão se adequado a estas diretrizes. 
Porém, a base vem na contramão deste documento que defen-
de uma base comum nacional de formação de professores, que começa 
com a sólida formação teórica de professores, relação teoria e prática, o 
compromisso social e político do educador, a pesquisa do componente 
curricular e os cursos de formação de professores, principalmente que 
as faculdades públicas estão em busca de contemplar em seus cursos.
A Base está organizando todos os direitos de aprendizagem 
dos alunos, e o impacto que ela tem na formação de professores, seja 
qual for a arquitetura de diretrizes e de regulatórios que essa formação 
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tenha e as modificações que irão decorrer a partir da base terão que 
considerar os direitos dos alunos para organizar, estruturar, modernizar 
e garantir os direitos de aprendizagem. A base não é um documento 
que define a regulamentação ou a orientação dos cursos de formação 
de professores, todavia, ela afetará os cursos no sentido de estar apre-
sentando os direitos de aprendizagem dos alunos.
Referência nacional para a formulação dos currículos dos sistemas e das 
redes escolares dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e das 
propostas pedagógicas das instituições escolares, a BNCC integra a política 
nacional da Educação Básica e vai contribuir para o alinhamento de outras 
políticas e ações, em âmbito federal, estadual e municipal, referentes à for-
mação de professores, à avaliação, à elaboração de conteúdos educacionais 
e aos critérios para a oferta de infraestrutura adequada para o pleno desen-
volvimento da educação. (BRASIL, 2018, p. 8)
É necessário compreender que a Base propõe a identificação 
dos direitos mínimos de aprendizagem de cada cidadão brasileiro em 
qualquer canto do Brasil e para garantir equidade, os brasileiros têm direi-
to de ter acesso ao mínimo de aprendizagem para conseguir prosseguir 
em seus estudos. É necessário que essa identificação de direitos delimite 
também a formação mínima dos professores, que devem ser reflexivos, 
que necessitam fazer a gestão da aprendizagem na sala de aula, que tem 
que entender de política educacional, que precisam ter uma formação 
excelente como profissional e completa, mas que minimamente devem 
dominar os conhecimentos que os alunos têm o direito de aprender. 
A formação dos professores deve ser feita de acordo com o 
que os alunos devem aprender nas escolas. E o que garantirá a efe-
tivação dessa atualização profissional é a formação em serviço, pois, 
caberá discutir em cada rede, escola, como os professores poderão 
pensar na base dentro de seu dia a dia e realidade, ajustando-o para 
seus currículos e projetos políticos pedagógicos, escolhendo as meto-
dologias a serem adotadas para garantir onde os alunos devem chegar, 
já que a base não propõe o uso de métodos. 
O site do INEP apresenta dados do senso do ensino superior 
há dez anos. Os dados identificados da trajetória do professor, de sua 
formação e consegue fazer com seus dados estatísticos ao passar dos 
anos, uma análise da adequação da formação do professor. Não somen-
te das formações iniciais, mas das formações continuadas que o profes-
sor desenvolve ao longo de sua carreira. Observa-se nestes dados que é 
alarmante o nível de inadequação da formação que se tem com a tarefa 
de ensinar, este nível se acentua ainda mais com os professores que 
atuam do quinto ao nono ano do ensino fundamental ou no ensino médio. 
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As estatísticas mostram que os professores que atuam nestes 
grupos não possuem formação adequada, muitos ainda não possuem for-
mação de ensino superior, alguns possuem bacharelado em áreas correla-
tas e outros nem em áreas correlatas, alguns possuem formação na área 
do componente curricular que atuam e um grupo pequeno de professores 
que possuem a licenciatura de forma correta. Esses dados que estão à dis-
posição de toda a sociedade mostram o quanto é urgente a necessidade 
de adequar a formação do professor exatamente para a atuação profissio-
nal que ele vai ter. É fundamental que independente da BNCC o professor 
se especialize exatamente naquele campo em que ele irá atuar. 
A mudança nos cursos de formação inicial de professores terá de corres-
ponder, em extensão e profundidade, aos princípios que orientam a reforma 
da educação básica, mantendo com esta sintonia fina. Não se trata de criar 
modismos, mas de buscar modalidades de organização pedagógica e espa-
ços institucionais que favoreçam a constituição, nos futuros professores, das 
competências docentes que serão requeridas para ensinar e fazer com que 
os alunos aprendam de acordo com os objetivos e diretrizes pedagógicas 
traçados para a educação básica. (MELLO, 2000, p.101)
A formação de professores em nosso país padece de vários 
problemas, a partir do sexto ano quando tem os professores especialis-
tas, além da inadequação como mostra os dados do INEP, o aluno ao 
fazer a licenciatura recebe toda a formação de conteúdo, mas sofre com 
o encurtamento dos estudos na área de metodologia e didática que é 
tão essencial para atuação. 
Por outro lado, a formação do professor que atua na educação 
infantil e nos anos iniciais, ainda demonstra problemas na área da al-
fabetização, pois, o professor alfabetizador recebe turmas muito hete-
rogêneas que exigem do professor maior preparo para atuar de forma 
adequada com esses grupos.
No caso do curso de Pedagogia tem se comprovado que são 
os alunos que possuem as notas mais baixas do ENEM que normal-
mente vão para o curso. E por essa razão, no ensino superior é neces-
sário trabalhar com conteúdo do ensino médio para garantir que os alu-
nos dominem conteúdos que serão ensinados posteriormente. Guiomar 
Namo de Melo destaca que 
Só uma coesão firme em torno da formação dos docentes como interesse da 
nação poderá dar significado pleno, forte e eficaz às diretrizes, referenciais 
ou recomendações sobre o currículo e a organização pedagógico-institucio-
nal dos cursos de formação.(MELLO, 2000, p.108)
Diante do exposto, é preciso compreender que a formação de professor inicial e 
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continua é fruto de políticas públicas consistentes e é essencial para garantir o 
desenvolvimento da educação de forma a melhorar os resultados existentes nos 
dias de hoje. Pensar em formação, atualizar-se, buscar refletir sobre sua prática 
e estudar são pilares inerentes a função do educador que necessita atualizar-se 
frequentemente para garantir um trabalho adequado em sala de aula que garan-
ta o desenvolvimento dos alunos dentro de suas especificidades.
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QUESTÕES DE CONCURSOS
QUESTÃO 1
(ANO: 2018 BANCA: VUNESP ÓRGÃO: IPSM PROVA: VUNESP – 2018 
- IPSM – ANALISTA DE GESTÃO MUNICIPAL – CONTABILIDADE)
Está quase pronto o documento que definirá o padrão nacional 
para o que crianças e jovens devem aprender até o 9° ano do en-
sino fundamental. Trata-se da quarta versão da Base Nacional Co-
mum Curricular (BNCC). Caso aprovada até janeiro, a diretriz deve 
começar a ser implementada nos próximos dois anos.
A BNCC define conteúdo a serem estudados e competências e ha-
bilidades que os alunos devem demonstrar a cada passo da vida 
escolar. Soa como obviedade, mas não existe norma válida em 
todo o país que estabeleça de modo preciso a progressão do en-
sino e o que se deve esperar como resultado. Note-se ainda que 
a base curricular não especifica como alcançar seus objetivos – 
isso será papel dos currículos a serem elaborados por estados e 
municípios, que podem fazer acréscimos conforme necessidades 
regionais. A existência de um padrão pode permitir a correção de 
desigualdades do aprendizado e avaliações melhores. A partir de 
um limiar mediano de clareza, inteligência pedagógica e pragma-
tismo, qualquer modelo é melhor do que nenhum. Nesse aspecto, 
a nova versão da BNCC está perto de merecer nota de aprovação.
O programa ainda se mostra extenso em demasia, não muito diferen-
te do que se viu nas escolas das últimas décadas, quando raramente 
foi cumprido. O excesso de assuntos dificulta abordagens mais apro-
fundadas e criativas. A BNCC lembra a Constituição de 1988. Detalhis-
ta, arrojada e generosa, mas de difícil aplicação imediata e integral. É 
indiscutível, de todo modo, a urgência de pôr em prática esse plano 
que pode oferecer educação decente e igualitária às crianças.
(Editorial. Folha de S.Paulo, 10.12.2017. Adaptado)
No editorial, fica claro que
a) a aprovação da BNCC é importante, considerando-se que não existe, 
em nível nacional, norma válida que define a progressão do ensino e os 
resultados que dele devem ser esperados.
b) o papel da BNCC a ser aprovada é questionável, uma vez que a ação 
maior ficará com estados e municípios na elaboração de seus currículos.
c) a organização da BNCC corresponde a um programa cuja extensão 
permitirá sua execução, garantindo abordagens mais aprofundadas e 
criativas.
d) a validade da BNCC é relevante, considerando-se que se trata de um 
documento que não especifica como alcançar os objetivos em relação 
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à progressão de ensino.
e) o impacto da BNCC será a longo prazo, considerando-se que ela tra-
ta de questão educacional sobejamente discutida, cuja aplicação edu-
cacional não é de caráter de urgência.
QUESTÃO 2
(ANO: 2018 BANCA: FUMARC ÓRGÃO: SEE - MG PROVA: FUMARC 
– 2018 – SEE – MG – PROFESSOR DE EDUCAÇÃO BÁSICA – EDU-
CAÇÃO FÍSICA)
Sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), homologada em 
dezembro de 2017 pelo Ministério da Educação, NÃO é correto afir-
mar:
a) A contribuição mais significativa da BNCC é o de substituir os currí-
culos das disciplinas escolares das redes públicas federal, estaduais e 
municipais, na medida em que determina o que deve ser ensinado em 
cada escola.
b) Determina os conhecimentos e as competências que os estudantes 
devem desenvolver ao longo da escolaridade, sendo orientada por prin-
cípios éticos, políticos e estéticos.
c) Fruto de amplo debate com diferentes atores do campo educacional 
e com a sociedade brasileira, a BNCC tem o propósito de contribuir com 
construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.
d) Trata-se de um documento de referência, de caráter normativo, que 
define o conjunto de aprendizagens essenciais que todos os alunos 
brasileiros devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da 
Educação Básica.
e) Uma das finalidades da BNCC é contribuir com a superação da frag-
mentação das políticas educacionais, com o fortalecimento do regime 
de colaboração entre as três esferas de governo.
QUESTÃO 3
(ANO: 2019 BANCA: PREFEITURA DE RIO DE JANEIRO - RJ ÓR-
GÃO: PREFEITURA DE RIO DE JANEIRO - RJ PROVA: PREFEITU-
RA DE RIO DE JANEIRO - RJ – 2019 - PREFEITURA DE RIO DE 
JANEIRO - RJ – PROFESSOR ADJUNTO DE EDUCAÇÃO INFANTIL)
O artigo 26 da Lei nº 9.394/96, LDB em vigor, afirma que os currí-
culos da educação infantil devem contemplar a Base Nacional Co-
mum Curricular – BNCC. Em dezembro de 2017, o Conselho Nacio-
nal de Educação a aprovou. Sobre esse tema, é correto afirmar que 
a BNCC é um documento de caráter:
a) reflexivo, que define o conjunto normativo orgânico e progressivo de 
aprendizagens essenciais como direito das crianças, jovens e adultos
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b) normativo, que define o conjunto normativo orgânico e progressivo de 
aprendizagens essenciais como direito das crianças, jovens e adultos
c) opcional, que defende o conjunto normativo orgânico e progressivo de 
aprendizagens essenciais como direito das crianças, jovens e adultos
d) sugestivo, que defende o conjunto normativo orgânico e progressivo 
de aprendizagens essenciais como direito das crianças, jovens e adultos
QUESTÃO 4
(ANO: 2019 BANCA: NC-UFPR ÓRGÃO: PREFEITURA DE CURITIBA 
- PR PROVA: NC-UFPR - PREFEITURA DE CURITIBA - PR – PROFIS-
SIONAL DE MAGISTÉRIO – DOCÊNCIA II – LÍNGUA PORTUGUESA)
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento que 
determina os conhecimentos e habilidades essenciais que devem 
garantir o direito à aprendizagem e o desenvolvimento pleno de 
todos os estudantes. A respeito do assunto, conforme a última ver-
são desse documento, considere as seguintes afirmativas:
1. A BNCC tem como um de seus marcos legais o Artigo 205 da 
Constituição Federal de 1988, que reconhece a educação como um 
direito fundamental de todos e um dever compartilhado entre o Es-
tado, a sociedade e a família.
2. Conforme a BNCC, as decisões pedagógicas devem considerar o 
desenvolvimento de competências, com indicações claras sobre o que 
os alunos devem “saber”, e sobre o que eles devem “saber fazer”.
3. A implementação da BNCC deve levar em conta a diversidade 
cultural, social e econômica dos estados brasileiros, possibilitan-
do que cada instituição de ensino construa o seu currículo de for-
ma independente, e autônoma usando como base somente as ne-
cessidades da comunidade local a qual atende.
4. Considerando que a Educação Básica deve propender à forma-
ção e ao desenvolvimento humano, a BNCC defende explicitamen-
te o compromisso com a educação integral.
Assinale a alternativa correta.
a) Somente a afirmativa 2 é verdadeira.
b) Somente as afirmativas 1 e 3 são verdadeiras.
c) Somente as afirmativas 3 e 4 são verdadeiras.
d) Somente as afirmativas 1, 2 e 4 são verdadeiras.
e) As afirmativas 1, 2, 3 e 4 são verdadeiras.
QUESTÃO 5
(ANO: 2018 BANCA: FUMARC ÓRGÃO: SEE - MG PROVA: FUMARC 
– 2018 – SEE – MG - PROFESSOR DE EDUCAÇÃO BÁSICA – EDU-
CAÇÃO FÍSICA)
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A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) reconhece um pro-
blema histórico relacionado com o ensino da Educação Física no 
Brasil. Trata-se da dificuldade em estabelecer uma progressão no 
ensino dos temas que compõem o universo de conhecimentos que 
a disciplina deve ensinar nas escolas, ou seja, a BNCC propõe uma 
maneira de tratar dessa questão ao longo da trajetória escolar.
Assinale a alternativa que apresenta corretamente essa proposta.
a) As dimensões do conhecimento que representam níveis distintos de 
complexidade na relação com as unidades temáticas estão definidas.
b) A decisão sobre o que ensinar em cada unidade temática, em cada 
ano da escolarização, fica por conta de cada professor.c) Cada vez que um professor voltar a um conteúdo, deverá avaliar sua 
turma para decidir se vai introduzir, retomar ou aprofundar o conhecimento.
d) Os conteúdos a serem ensinados em cada unidade temática pela Edu-
cação Física são definidos rigidamente a cada ano da trajetória escolar.
e) Os níveis de aprofundamento que devem ser observados ao se en-
sinar uma unidade temática em cada ciclo escolar são determinados.
QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE
A BNCC anuncia em seu documento a utilização da perspectiva enun-
ciativa-discursiva da linguagem para as práticas de ensino na área de 
Língua Portuguesa. Esta perspectiva aborda a ideia de que a linguagem 
é uma atividade humana inerente que faz parte do relacionamento entre 
os sujeitos dentro de uma sociedade. Sobre o enunciado, comente as 
implicações que essa perspectiva enunciativa-discursiva da linguagem 
possibilita para a prática escolar.
TREINO INÉDITO
Os estudos e pesquisas de Magda Soares definem letramento como:
a) práticas sociais vivenciadas pelas pessoas que usam a escrita como 
um sistema simbólico para interação com o mundo como se fosse uma 
tecnologia.
b) técnicas específicas de linguagem oral e escrita.
c) período marcado pelo desenvolvimento da fala da criança.
d) atividades realizadas na educação infantil visando o desenvolvimento 
da escrita.
e) práticas de oralidade visando o desenvolvimento da leitura e escrita.
NA MÍDIA
ESCRITA, LEITURA E TECNOLOGIAS – OLHAR DE LINCEU DOS 
PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO
No documento da BNCC, afirma-se que alfabetização é o foco da ação 
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pedagógica nos dois primeiros anos do Ensino Fundamental. Isto signi-
fica que professores, gestores e profissionais que atuam na educação 
precisam aprofundar o conhecimento sobre os elementos constitutivos 
da Língua Portuguesa, as características discursivas da linguagem es-
crita e oral, dadas nos diferentes textos que vão compor o referencial de 
estudo nas turmas de alfabetização.
No contexto do ensino e aprendizado da leitura e da escrita, a BNCC 
nos apresenta as competências relacionadas ao uso das tecnologias 
digitais de informação e comunicação. A exigência de saber ler e escre-
ver recai sobre as especificidades da linguagem utilizada na produção 
de textos midiáticos, que consideram determinada forma de registro, 
expressões, símbolos, imagens.
Escrita, leitura e tecnologias deverão ser retomadas e amplamente dis-
cutidas. Para que as competências colocadas na BNCC possam ser 
compreendidas e alcançadas, é necessário ampliar e aperfeiçoar as 
oportunidades para que os alunos se apropriem da língua escrita.
Fonte: (GAZETA DO POVO, 2019). Disponível em: https://www.gazeta-
dopovo.com.br/blogs/educacao-e-midia/escrita-leitura-e-tecnologias-o-
lhar-de-linceu-dos-profissionais-da-educacao/
NA PRÁTICA
Considerando o meio social que estamos inseridos atualmente, é de se 
esperar que um documento norteador com a BNCC vai trazer à tona o 
uso e o ensino dos conteúdos mediáticos e suas tecnologias. Toda crian-
ça antes mesmo de frequentar o Ensino Infantil é valorizada por seus 
pais pela habilidade que desde muito pequenas possuem para lidar com 
os recursos tecnológicos. Diante desta realidade, a escola não pode se 
fechar para este mundo, ela precisa dominá-lo e incluir no seu dia a dia a 
fim de que estes recursos estejam a favor da aprendizagem das crianças.
Além disso, o mundo digital carrega consigo inúmeros gêneros textuais 
que cabe a escola explorar e trabalhar com as crianças de modo a levá-
-las ao desenvolvimento crítico e consciente das informações postadas 
diariamente, seja nos sites, blogs, redes sociais e até mesmos nas con-
versas de aplicativos como WhatsApp. Ampliar os olhares sobre a manei-
ra que os alunos aprendem é uma estratégia primordial para garantir o 
desenvolvimento da aprendizagem das crianças. A leitura, escrita e todo 
processo de letramento inclui questões mediáticas e também tecnológi-
cas, por essa razão, cabe a escola estar atualizada sobre essas questões 
de forma a utilizar todos estes recursos como ferramentas capazes de 
alcançar as habilidades que a BNCC preconiza para os estudantes.
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Compreender o processo de alfabetização e letramento que a 
criança passa ao adquirir o conhecimento da língua escrita exige muito 
estudo do professor, atenção às particularidades de cada criança, atua-
lização de suas práticas e reflexões de suas ações.
O que aparenta ser pontual e característico de cada fase tor-
na-se complexo e inquietante àquele profissional que objetiva tirar a 
criança de sua zona de conforto e fazê-la evoluir, nesta troca da criança 
que almeja aprender com o professor que deseja ensinar é o momento 
de maior concentração de estudos, teorias e formação para o professor.
Não descartar a prática e refletir sobre as tomadas de decisões 
baseadas em estudos que garantem a reflexão do professor, faz do pro-
fessor educador competente na arte de ensinar.
Somado as particularidades deste processo, surge a BNCC, 
um documento que pretende garantir a equidade de educação para 
toda a nação brasileira. Compreender que políticas públicas são essen-
ciais para o desenvolvimento da educação em todos os lugares do país 
garantindo o mesmo direito para todas as crianças é fundamental para 
educação brasileira.
É por meio deste documento, que cada estado, município e 
escola fará as adequações necessárias a seu currículo e projeto político 
pedagógico de maneira que o mínimo esteja assegurado pela BNCC e 
o máximo seja contemplado por cada unidade de ensino de acordo com 
sua realidade.
Este trabalho permite ao aluno conhecer um pouco do proces-
so de alfabetização e letramento no Brasil e ainda, refletir sobre a BNCC 
que recém homologada chega às escolas com propostas bastantes de-
safiadoras e importantes para o futuro da educação em nosso país. 
A partir deste módulo, é necessário se aprofundar nos teóricos 
aqui citados, no documento formal da BNCC e levar para sua sala de 
aula as práticas sugeridas para um melhor desenvolvimento de sua prá-
tica. Por fim, o trabalho inicia-se aqui, é por meio do estudo contínuo do 
professor que parte dos avanços na educação se efetivará.
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GABARITOS
CAPÍTULO 01
QUESTÕES DE CONCURSOS
QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE 
A Teoria da Psicogênese da Escrita contribuiu de forma principal para 
a mudança de paradigma da atuação do professor. Anteriormente aos 
estudos de Emília Ferreiro, o foco da alfabetização estava no professor 
que era o detentor de todo saber e que por meio de métodos analíticos 
e sintéticos propunha atividades que levavam a criança a se alfabetizar.
Após os estudos da pesquisadora argentina, tem se uma mudança nes-
ta forma de ensinar, pois, o centro da alfabetização passa a ser o aluno 
e o princípio do processo é entender o que está criança sabe para poder 
evoluir na hipótese de escrita em que se encontra.
A forma de descobrir o que a criança já sabe é por meio da utilização 
das sondagens de palavras, na qual é possível o professor descobrir a 
forma que a criança pensa analisando sua escrita e leitura.
Em seguida, por meio de atividades adequadas a hipótese de escrita 
em que se encontra, esta criança é levada à reflexão junto do professor 
mediador e por isto, é capaz de avançar no processo de escrita. 
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CAPÍTULO 02
QUESTÕES DE CONCURSOS
QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE 
A criança tem um papel ativo no seu aprendizado, considerar esta afir-
mação, é conceber o alunocomo um ser pensante e atuante capaz de 
construir e elaborar seu conhecimento sobre a leitura e escrita da forma 
que Emília Ferreiro revelou em suas pesquisas.
Observa-se que a criança elabora hipóteses acerca da língua escrita, 
sendo função da escola promover o avanço dessas hipóteses até a es-
crita convencional e garantir o desenvolvimento dela no mundo letrado 
como a autora Magda Soares sugere em seus estudos.
Na prática escolar, ao compreender essas afirmações é possibilitar ao 
aluno que faça reflexão de suas hipóteses garantindo assim, o avanço 
dele dentro do processo de escrita. Assim também, ocorre no processo 
de letramento, levar o aluno a refletir sobre as ideias presentes em um 
texto, dar condições para que ele analise um discurso sem a carga de 
certo e errado faz com que ele desenvolva mecanismos de validar hi-
póteses acerca do que o texto escrito está sugerindo ao leitor, garantin-
do assim, um desenvolvimento real da compreensão de um texto, bem 
como, a leitura e interpretação não só do texto explícito mas também de 
todas as informações implícitas presentes no discurso.
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CAPÍTULO 03
QUESTÕES DE CONCURSOS
QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE 
A opção da BNCC na área de Língua Portuguesa com a abordagem da 
perspectiva enunciativa-discursiva da linguagem retoma uma orienta-
ção que os PCN’s já adotavam em seu documento. 
Na prática escolar a centralidade do ensino por meio do texto se faz 
extremamente necessária devido à funcionalidade que os gêneros tex-
tuais carregam em si. Ao ensinar estabelecendo relação entre o texto 
escrito e a sua função social promove no sujeito relações de compreen-
são de sua vida com a sociedade.
A criança está inserida dentro da sociedade e ela precisa fazer uso dis-
so, por isso, quando ela é capaz de analisar um folder de propaganda, 
um convite para um evento artístico, uma capa de jornal, o sumário de 
um livro, ela está estabelecendo relação com o mundo que vive. Dife-
rentemente de analisar textos fabricados cuja função social não promo-
ve reflexão na criança.
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