Prévia do material em texto
<p>TEORIAS DA</p><p>COMUNICAÇÃO</p><p>Prof. Me. Eduardo Faria</p><p>Aula 08</p><p>corrente europeia nos estudos da comunicação</p><p>Escola de</p><p>Frankfurt</p><p>TEORIA CRÍTICA EM OPOSIÇÃO À</p><p>TEORIA FUNCIONALISTA</p><p>A tradição funcionalista da pesquisa em comunicação estadunidense, com a Mass Communication Research, assumia a</p><p>posição de que o avanço nas tecnologias de comunicação de massa poderiam contribuir com alguns avanços e possível</p><p>controle da democracia.</p><p>A partir disso, a função que a comunicação de massa poderia exercer no público era objeto de investigação em diferentes</p><p>linhas.</p><p>Para Armand Mattelart (2004), os meios de comunicação, nessa perspectiva, seriam mecanismos decisivos capazes de</p><p>regular a sociedade a partir da reprodução dos valores do sistema social, de modo que com as inovações na</p><p>comunicação (jornal, rádio e a televisão) a saúde democrática poderia se beneficiar.</p><p>Contudo, essa perspectiva não era aceita integralmente pela Escola de Frankfurt, especialmente quando os</p><p>pesquisadores da Escola de Frankfurt se encontravam exilados nos Estados Unidos. Acompanhando de perto algumas</p><p>pesquisas americanas que por vezes eram financiadas por personalidades e grupos com interesses políticos e</p><p>capitalistas.</p><p>Os frankfurtianos se opuseram à pesquisa orientada para servir aos</p><p>interesses do poder estatal e das empresas de comunicação. A</p><p>preocupação central não era melhorar o conhecimento dos processos</p><p>dos meios de comunicação e, assim, facilitar a sua exploração.</p><p>Desejam, antes de mais nada, problematizar a sua existência e</p><p>significados do ponto de vista crítico (RÜDIGER, 2012, p. 145).</p><p>Em 1920, em Frankfurt, na Alemanha, reuniram-</p><p>se um grupo de cientistas socias, sobretudo</p><p>filósofos, para investigar sobre a comunicação</p><p>de massa, a arte e a linguagem e midiática.</p><p>Em 1935, devido à situação política desfavorável</p><p>na Alemanha, o Instituto se estabeleceu em</p><p>Nova York, onde se afiliou à Universidade de</p><p>Columbia.</p><p>Linhas de estudo</p><p>• política,</p><p>• psicanálise,</p><p>• comunicação,</p><p>• linguagem,</p><p>• ação social.</p><p>Influências</p><p>Sigmund Freud (psicanálise e estudos do</p><p>inconsciente),</p><p>Karl Marx (capitalismo e relações de poder),</p><p>Max Weber (racionalização e mudanças culturais e</p><p>sociais).</p><p>Principais autores de Frankfurt</p><p>Theodor Adorno Max Horkheimer Jürgen Habermas Herbert MarcuseWalter Benjamin</p><p>Filósofo, sociólogo,</p><p>musicólogo e</p><p>compositor alemão. Sua</p><p>crítica à cultura popular</p><p>e seu pessimismo em</p><p>relação à modernidade</p><p>são observados em</p><p>diversos trabalhos.</p><p>Filósofo, sociólogo e</p><p>professor alemão.</p><p>Conhecido por sua</p><p>obra sobre a crítica da</p><p>razão instrumental e</p><p>por sua coautoria com</p><p>Adorno no livro</p><p>"Dialética do</p><p>Esclarecimento" .</p><p>Filósofo, sociólogo e</p><p>professor alemão.</p><p>Conhecido por sua</p><p>teoria da ação</p><p>comunicativa e por</p><p>suas ideias sobre a</p><p>esfera pública e a</p><p>democracia.</p><p>Crítico literário,</p><p>tradutor, filósofo e</p><p>sociólogo alemão.</p><p>Embora tenha sido</p><p>marginalmente</p><p>associado à Escola é</p><p>frequentemente</p><p>incluído devido à sua</p><p>proximidade intelectual</p><p>sobre arte, cultura e</p><p>história.</p><p>Sociólogo e filósofo</p><p>alemão. Reconhecido</p><p>por seus escritos</p><p>sobre a sociedade de</p><p>consumo e repressão</p><p>social, ele aplica em</p><p>suas obras a</p><p>psicanálise freudiana</p><p>para criticar a</p><p>repressão social.</p><p>Os frankfurtianos trataram de um leque de assuntos que compreendia</p><p>desde os processos civilizadores modernos e o destino do ser humano</p><p>na era técnica até a política, a arte, a música, a literatura e a vida</p><p>cotidiana. Dentro desses temas (...) vieram descobrir a importância</p><p>dos fenômenos da mídia e a cultura de mercado no modo de vida</p><p>contemporâneo (RÜDIGER, 2012, p. 132).</p><p>Os racionalistas, tradição que ganha forma a partir do iluminismo, acreditavam que o uso extremo da razão</p><p>poderia gerar mais progresso humano e mais emancipação crítica.</p><p>Para eles, a sociedade pode ser entendida de forma analítica, com base em princípios racionais e leis</p><p>objetivas.</p><p>Acredita que o uso correto da razão pode levar à melhoria das instituições sociais e políticas, muitas vezes</p><p>sem a necessidade de uma transformação radical na sociedade.</p><p>À ótica racionalista é linear, desconsidera a sociologia, a filosofia,</p><p>a psicologia e a cultura para analisar criticamente as estruturas sociais.</p><p>Para o Iluminismo, o progresso da razão e da tecnologia iria libertar o homem</p><p>das crenças mitológicas e superstições, resultando numa sociedade mais</p><p>livre e democrática.</p><p>RAZÃO = uma força positiva e progressista</p><p>René Descartes (séc. XVII), filósofo e matemático francês</p><p>OPOSIÇÃO À TRADIÇÃO RACIONALISTA</p><p>RAZÃO INSTRUMENTAL</p><p>Para os filósofos de Frankfurt, o uso da razão</p><p>nem sempre garante a emancipação críticas dos</p><p>indivíduos. Ao contrário, pode, pode meios de</p><p>reforços ideológicos repercutidos pela mídia, ser</p><p>convertida em razão como instrumento de</p><p>propagação dos interesses capitalistas e políticos.</p><p>• Abordagem filosófica que busca compreender e transformar a sociedade,</p><p>questionando as estruturas de poder e as formas de dominação presentes nas</p><p>relações sociais.</p><p>• Para os teóricos críticos, a reflexão crítica sobre a realidade social é essencial</p><p>para a transformação da sociedade e a superação das formas de opressão e</p><p>dominação.</p><p>• A teoria crítica busca, assim, promover a conscientização dos indivíduos,</p><p>estimulando a ação política e a luta por uma sociedade mais justa e</p><p>democrática.</p><p>Principais discussões</p><p>PODER E DOMINAÇÃO ALIENAÇÃO E IDEOLOGIA</p><p>Como as estruturas de poder</p><p>são mantidas e justificadas</p><p>O QUE É TEORIA CRÍTICA?</p><p>Como as ideias dominantes (tanto dos regimes</p><p>totalitários de direita quanto de esquerda) alienam</p><p>as pessoas de sua própria condição</p><p>Como todos os integrantes da escola eram marxistas e judeus, logo quando Adolf Hitler tomou o</p><p>poder na Alemanha, em 1933, os pesquisadores do Instituto para Pesquisa Social em Frankfurt</p><p>emigraram para os EUA.</p><p>Teodor Adorno aceitou o convite de Paul Lazarsfeld para pesquisar os efeitos culturais dos</p><p>programas musicais de rádio no Escritório de Pesquisa de Rádio da Universidade de Princeton,</p><p>uma das primeiras instituições a analisar os meios de comunicação.</p><p>A colaboração entre os dois pesquisadores terminou em 1939, já que Adorno se recusava a</p><p>pesquisar usando questionários elaborados pelos patrocinadores (empresas e políticos) das</p><p>pesquisas, que financiavam as investigações sobre os meios de comunicação para aumentar o</p><p>impacto dos meios e assim aumentar também o lucro das empresas envolvidas.</p><p>Por falta de compatibilidade entre as duas tendências, os teóricos da Escola de Frankfurt</p><p>começaram a usar o adjetivo “teoria crítica” para definir seu campo teórico de pesquisa no</p><p>universo da comunicação.</p><p>ADVENTO DA TEORIA CRÍTICA</p><p>Frankfurt foi fundada no período entre as duas guerras mundiais e representou a fuga</p><p>tanto do capitalismo quanto do crescente avanço do comunismo.</p><p>Por isso, a Escola de Frankfurt é denominada neomarxista, por ser uma evolução</p><p>das ideias do filósofo Karl Marx, mas sem se identificar totalmente a ele por</p><p>vislumbrar uma saída ao capitalismo que não fosse comunista. Ou seja,</p><p>neomarxistas por aceitarem também contribuições da sociologia, psicanálise e</p><p>filosofia existencial no desenvolvimento dos seus trabalhos.</p><p>Ao analisar a produção material da Europa, no século XIX, Marx identificou a marcante</p><p>desigualdade e a exploração de uma classe detentora dos meios de produção (burguesia)</p><p>sobre a classe explorada (proletariado), o que marcou profundamente a sua carreira.</p><p>Em O Manifesto Comunista, Marx e Engels afirmam que "a história de todas as</p><p>sociedades até hoje existentes é a história das lutas de classes." Essa frase icônica</p><p>representa o cerne do que é o marxismo: o reconhecimento de que diferentes classes</p><p>sociais são transpassadas por relações de dominação.</p><p>PERSPECTIVA NEOMARXISTA EM FRANKFURT</p><p>Karl Max</p><p>1818-1883</p><p>Filósofo, sociólogo,</p><p>historiador,</p><p>economista,</p><p>jornalista e pesquisador</p><p>socialista</p><p>A história de todas as sociedades parte da LUTA DE CLASSES, onde a opressão de uma</p><p>classe sobre a outra molda o desenvolvimento histórico,</p><p>O capitalismo promove a alienação do proletariado, para que os trabalhadores vendam sua força</p><p>de trabalho em troca de um salário, enquanto a burguesia acumula riqueza às suas custas,</p><p>Defesa de uma revolução proletária global: "Trabalhadores de todos os países, uni-vos!“,</p><p>O manifesto propõe uma fase transitória de ditadura do proletariado, onde o controle do Estado e da</p><p>economia estaria nas mãos dos trabalhadores para suprimir a resistência da burguesia.</p><p>Implementação do comunismo, sustentado pela abolição da propriedade privada dos meios de</p><p>produção (fábricas, terras, comércios, etc.), pois ela é vista como o principal mecanismo de</p><p>exploração,</p><p>EMANCIPAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO SOCIAL</p><p>A Teoria Crítica não é apenas uma crítica negativa da sociedade, mas vislumbra um propósito emancipatório, na</p><p>qual os pensadores da Escola de Frankfurt acreditavam que, por meio da crítica reflexiva e da conscientização, os</p><p>indivíduos poderiam romper com as formas de dominação e opressão existentes (elementos históricos levantados</p><p>por Marx desde à consolidação do capitalismo, da ascensão burguesa e da consolidação da massa proletária)</p><p>a fim de alcançarem uma sociedade mais justa e livre.</p><p>A modernidade coincide, como era, com o progresso do projeto de tornar o homem sujeito e</p><p>construir uma sociedade capaz de permitir sua realização como o indivíduo. Noutros termos,</p><p>libertá-los das autoridades míticas e das opressões do tradicionalismo. A realização desse projeto</p><p>todavia revelou-se problemática. O progresso da razão é gerador de um avanço que não pode ser</p><p>separado da criação de novas ideias (...) responsáveis pelo aparecimento de sintomas regressivos</p><p>na cultura e de uma silenciosa coisificação da humanidade (RÜDIGER, 1999, p. 132).</p><p>Theodor Adorno e Max Horkheimer</p><p>INDÚSTRIA</p><p>CULTURAL</p><p>_capitalismo cultural e os processos de “coisificação” social_</p><p>INDÚSTRIA CULTURAL</p><p>O conceito de Indústria Cultural surge a partir de 1942, a pós Adorno e Horkheimer publicarem uma</p><p>de suas principais obras: Dialética do Iluminismo. A obra surge a partir da crítica às sociedades</p><p>capitalistas avançadas, na qual a sociedade é motivada a se engajar nas mudanças e</p><p>manutenções sociais e econômicas a partir do consumo desenfreado e esteticamente</p><p>massificado.</p><p>Nesta perspectiva, as possíveis crises sociais eram combatidas pelo processo de exploração</p><p>mercantil da cultura e dos processos de formação crítica da consciência. Embora o princípio da</p><p>industrialização tenha motivado muitos estudiosos a pensarem numa sociedade mais livre e justa, a</p><p>libertação da sociedade se vê diante dos mesmo paradigmas de dominação.</p><p>Não se trata apenas da subordinação do proletário diante da burguesia, pela venda da sua força de</p><p>trabalho. A comunicação (sobretudo, jornais, revistas, rádio e televisão) se veem diante da mesma</p><p>lógica de dominação. Tirando do público a possibilidade de conteúdos emancipadores e colocando-</p><p>os acorrentados na lógica social dominante.</p><p>A Indústria Cultural indica que a as novas tecnologias e os novos meios de comunicação atuam</p><p>como o mesmo princípio de acumulação capitalista, com exploração do trabalho intelectual e de</p><p>produção de conteúdos sobre à ótica da acumulação.</p><p>A indústria cultural é um instrumento de dominação que reduz a cultura a</p><p>um produto de consumo e perpetua a alienação da sociedade. Adorno e</p><p>Horkheimer argumentam que a indústria cultural é uma extensão da lógica</p><p>da produção em massa, que transforma tudo em mercadoria e promove a</p><p>uniformidade cultural. Para eles, a indústria cultural faz parte de um sistema</p><p>de controle social que impede a possibilidade de transformação social e</p><p>reduz a criatividade humana a um produto mercantil (BODART, 2012).</p><p>Guernica (1937) - Pablo Picasso</p><p>O Mural de Detroit (1932-1933) - Diego Rivera</p><p>INDÚSTRIA CULTURAL</p><p>jazz, blue, soul, etc.</p><p>funk, samba, hip hop, etc.</p><p>Aquilo que a Indústria Cultural oferece de continuamente novo, não</p><p>é mais do que uma representação, sob formas sempre diferente,</p><p>de algo que é sempre igual. A mudança oculta o esqueleto, e</p><p>oculta tão pouco, como no próprio conceito de lucro. Desde que</p><p>este adquiriu o domínio sobre a cultura</p><p>(ADORNO & HORKHEIMER, 1947, p. 80).</p><p>PRINCIPAIS PONTOS DA INDÚSTRIA CULTURAL</p><p>Padronização das obras de arte, música, cinema, literatura e outros</p><p>conteúdos para serem consumidos em massa.</p><p>A arte que deveria promover reflexão e crítica, é convertida em mercadoria,</p><p>com foco no lucro e no entretenimento superficial.</p><p>A produção cultural segue padrões e fórmulas repetitivas, o que reduz a</p><p>diversidade artística e intelectual. Filmes, músicas e programas de TV</p><p>seguem estruturas previsíveis, voltadas para agradar o maior número de</p><p>pessoas e gerar mais consumo. A criatividade e a originalidade são</p><p>sacrificadas para maximizar o lucro e garantir o sucesso comercial.</p><p>O consumo de produtos culturais massificados leva à alienação dos</p><p>indivíduos, que são estimulados a aceitar passivamente os valores e ideias</p><p>promovidos por esses produtos. A cultura, em vez de ser um espaço para o</p><p>pensamento crítico e a emancipação, reforça o conformismo e a aceitação</p><p>das condições impostas pelo sistema capitalista.</p><p>PRINCIPAIS PONTOS DA INDÚSTRIA CULTURAL</p><p>A Indústria Cultural é vista como um instrumento de controle social que mantém</p><p>a ordem existente ao distrair as massas e desviar sua atenção das injustiças</p><p>sociais e das contradições do sistema. Através da cultura de massa, a elite</p><p>econômica e política pode influenciar e moldar as crenças, comportamentos e</p><p>atitudes do público, perpetuando a dominação.</p><p>O capitalismo cria "falsas necessidades", ou seja, desejos artificiais que</p><p>induzem as pessoas a consumir mais produtos e serviços desnecessários.</p><p>A Indústria Cultural desempenha um papel central na criação dessas falsas</p><p>necessidades, promovendo o consumo desenfreado e a ilusão de que a</p><p>felicidade e o sucesso estão atrelados a esses produtos.</p><p>A Indústria Cultural privilegia o entretenimento superficial em detrimento do</p><p>conteúdo reflexivo e crítico. O entretenimento de massa promove a</p><p>distração constante, impedindo o público de se engajar com questões</p><p>sociais, políticas ou filosóficas mais profundas.</p><p>Antes da Dialética do Iluminismo, utilizava-se o termo cultura de massa,</p><p>mas este foi substituído por Indústria Cultural. Uma vez que o termo</p><p>cultura de massa poderia referir a um tipo de cultura que nasce</p><p>espontaneamente da própria massa, como uma forma de arte popular. A</p><p>proposta da Indústria Cultural é totalmente diferente, segundo Adorno e</p><p>Horkheimer, que refere à integração dos veículos e meios de</p><p>comunicação na criação de produtos em larga escala com objetivos</p><p>capitalistas (WOLF, 1998, p. 28).</p><p>O aumento da produtividade econômica, que por um lado traduz um</p><p>mundo mais justo, por outro confere pode aos grupos socias que</p><p>controlam o resto da população. O indivíduo se vê anulado dos poderes</p><p>econômicos, e, ao mesmo tempo, vislumbram uma realização e felicidade</p><p>a partir do consumo de a eles destinados. A elevação do padrão de vida</p><p>das classes inferiores reflete a difusão hipócrita do espírito. A enxurrada de</p><p>informações precisas e diversões assépticas desperta e idiotiza pessoas</p><p>ao mesmo tempo (ADORNO & HORKHEIMER, 1947).</p><p>No sistema da Indústria Cultural, o processo operativo integra cada</p><p>elemento, desde o enredo de um romance, até os últimos dos efeitos</p><p>sonoros. Nesse sistema, o indivíduo deixa de decidir autonomamente,</p><p>o conflito entre impulso e a consciência soluciona-se pelo consumo</p><p>acrítico dos valores impostos (ADORNO & HORKHEIMER, 1947).</p><p>Aquilo que outrora os filósofos chamavam vida, reduziu-se à esfera</p><p>do privado e posteriormente a do consumo puro e simples que não é</p><p>mais do que um apêndice do processo inicial</p><p>de produção, sem</p><p>autonomia e essência própria (...) o consumidor não é mais soberano,</p><p>como a Industria Cultural queria fazer crer, não é o seu sujeito, mas o</p><p>seu objeto (ADORNO & HORKHEIMER, 1947).</p><p>A OBRA DE ARTE E A</p><p>REPRODUTIBILIDADE</p><p>TÉCNICA</p><p>Walter Benjamin</p><p>(1892-1940)</p><p>ARTE E A REPRODUTIBILIDADE TÉCNICA</p><p>A Arte e Reprodutibilidade Técnica é um conceito central na obra de Walter Benjamin, em seu ensaio "A</p><p>Obra de Arte na Era de Sua Reprodutibilidade Técnica" (1936). Em seu livro, Benjamin analisa o impacto</p><p>da tecnologia moderna, especialmente a fotografia e o cinema, na produção e na experiência da arte.</p><p>Apesar da reprodutibilidade técnica tornar a arte acessível a um público muito mais amplo, já que antes as</p><p>obras de arte só podiam ser vistas em locais específicos (como museus ou igrejas), a reprodutibilidade</p><p>revela-se um abismo. Isso porque a forma como as pessoas percebem a arte também foram alteradas.</p><p>Em vez de uma experiência única e contemplativa, a reprodutibilidade permite uma consumação rápida e</p><p>superficial da arte. Obras de arte podem ser reproduzidas em diferentes contextos, e essa flexibilidade</p><p>modifica sua função social e cultural.</p><p>Para Benjamin, a aura de uma obra de arte está ligada à sua unicidade e</p><p>autenticidade. Obras de arte tradicionais, como pinturas ou esculturas, têm</p><p>uma aura porque são únicas e estão ligadas ao contexto em que foram</p><p>criadas.</p><p>No entanto, com a introdução da tecnologia de reprodução em massa</p><p>(fotografia, cinema, impressões), essa aura se perde, já que as obras</p><p>podem ser replicadas inúmeras vezes.</p><p>As técnicas de reprodução destacam do domínio da tradição do objeto</p><p>reproduzido. Na medida em que multiplicam a reprodução, substituem a</p><p>existência única da obra por uma existência serial. E na medida em que</p><p>essas técnicas permitem à reprodução vir ao encontro do espectador, em</p><p>todas as situações, elas atualizam o objeto reproduzido. Esses dois</p><p>processos resultam num abalo à tradição, que constitui o reverso da crise</p><p>atual da renovação da humanidade. Eles se relacionam intimamente com</p><p>o movimento de massa em nossos dias (BENJAMIN, 1987, p. 168).</p><p>ARTE E POLÍTICA</p><p>Pra Benjamin reprodução técnica da arte tem implicações políticas. Em suas pesquisas, acredita que a</p><p>massificação da arte poderia ser usada tanto para fins revolucionários (perspectiva emancipatória do</p><p>indivíduo) quanto para manipulação política (perspectiva ideológica sob indivíduo).</p><p>ARTE E POLÍTICA</p><p>Slide 1: TEORIAS DA COMUNICAÇÃO</p><p>Slide 2</p><p>Slide 3</p><p>Slide 4</p><p>Slide 5</p><p>Slide 6</p><p>Slide 7</p><p>Slide 8</p><p>Slide 9</p><p>Slide 10</p><p>Slide 11</p><p>Slide 12</p><p>Slide 13</p><p>Slide 14</p><p>Slide 15</p><p>Slide 16</p><p>Slide 17</p><p>Slide 18</p><p>Slide 19</p><p>Slide 20</p><p>Slide 21</p><p>Slide 22</p><p>Slide 23</p><p>Slide 24</p><p>Slide 25</p><p>Slide 26</p><p>Slide 27</p><p>Slide 28</p><p>Slide 29</p><p>Slide 30</p><p>Slide 31</p><p>Slide 32</p><p>Slide 33</p><p>Slide 34</p><p>Slide 35</p>