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<p>Coesão e Paralelismo</p><p>GR0583 - (Enem)</p><p>Era uma vez</p><p>Um rei leão que não era rei.</p><p>Um pato que não fazia quá-quá.</p><p>Um cão que não la�a.</p><p>Um peixe que não nadava.</p><p>Um pássaro que não voava.</p><p>Um �gre que não comia.</p><p>Um gato que não miava.</p><p>Um homem que não pensava...</p><p>E, enfim, era uma natureza sem nada.</p><p>Acabada. Depredada.</p><p>Pelo homem que não pensava.</p><p>Laura Araújo Cunha (CUNHA, L. A. In: KOCH, I. V.; ELIAS, V.</p><p>M. Ler e escrever: estratégias de produção textual. São</p><p>Paulo: Contexto, 2011.)</p><p>São as relações entre os elementos e as partes do texto</p><p>que promovem o desenvolvimento das ideias. No poema,</p><p>a estratégia linguís�ca que contribui para esse</p><p>desenvolvimento, estabelecendo a con�nuidade do</p><p>texto, é a</p><p>a) escolha de palavras de diferentes campos semân�cos.</p><p>b) negação contundente das ações pra�cadas pelo</p><p>homem.</p><p>c) intertextualidade com o gênero textual fábula infan�l.</p><p>d) repe�ção de estrutura sintá�ca com novas</p><p>informações.</p><p>e) u�lização de ponto final entre termos de uma mesma</p><p>oração.</p><p>GR0575 - (Enem)</p><p>O homem disse, Está a chover, e depois, Quem é você,</p><p>Não sou daqui, Anda à procura de comida, Sim, há quatro</p><p>dias que não comemos, E como sabe que são quatro dias,</p><p>É um cálculo, Está sozinha, Estou com o meu marido e</p><p>uns companheiros, Quantos são, Ao todo, sete, Se estão</p><p>a pensar em ficar conosco, �rem daí o sen�do, já somos</p><p>muitos, Só estamos de passagem, Donde vêm, Es�vemos</p><p>internados desde que a cegueira começou, Ah, sim, a</p><p>quarentena, não serviu de nada, Por que diz isso,</p><p>Deixaram-nos sair, Houve um incêndio e nesse momento</p><p>percebemos que os soldados que nos vigiavam �nham</p><p>desaparecido, E saíram, Sim, Os vossos soldados devem</p><p>ter sido dos úl�mos a cegar, toda a gente está cega, Toda</p><p>a gente, a cidade toda, o país</p><p>SARAMAGO, J. Ensaio sobre a cegueira. São Paulo: Cia.</p><p>das Letras, 1995.</p><p>A cena retrata as experiências das personagens em um</p><p>país a�ngido por uma epidemia. No diálogo, a violação</p><p>de determinadas regras de pontuação</p><p>a) revela uma incompa�bilidade entre o sistema de</p><p>pontuação convencional e a produção do gênero</p><p>romance.</p><p>b) provoca uma leitura equivocada das frases</p><p>interroga�vas e prejudica a verossimilhança.</p><p>c) singulariza o es�lo do autor e auxilia na representação</p><p>do ambiente caó�co.</p><p>d) representa uma exceção às regras do sistema de</p><p>pontuação canônica.</p><p>e) colabora para a construção da iden�dade do narrador</p><p>pouco escolarizado.</p><p>GR0579 - (Enem PPL)</p><p>As alegres meninas que passam na rua, com suas</p><p>pastas escolares, às vezes com seus namorados. As</p><p>alegres meninas que estão sempre rindo, comentando o</p><p>besouro que entrou na classe e pousou no ves�do da</p><p>professora; essas meninas; essas coisas sem importância.</p><p>O uniforme as despersonaliza, mas o riso de cada uma</p><p>as diferencia. Riem alto, riem musical, riem desafinado,</p><p>riem sem mo�vo; riem.</p><p>Hoje de manhã estavam sérias, era como se nunca</p><p>mais voltassem a rir e falar coisas sem importância.</p><p>Faltava uma delas. O jornal dera no�cia do crime. O</p><p>corpo da menina encontrado naquelas condições, em</p><p>lugar ermo. A selvageria de um tempo que não deixa</p><p>mais rir.</p><p>As alegres meninas, agora sérias, tornaram-se adultas</p><p>de uma hora para outra; essas mulheres.</p><p>ANDRADE, C. D. Essas meninas. Contos plausíveis. Rio de</p><p>Janeiro: José Olympio, 1985.</p><p>No texto, há recorrência do emprego do ar�go “as" e do</p><p>pronome “essas". No úl�mo parágrafo, esse recurso</p><p>linguís�co contribui para</p><p>1@professorferretto @prof_ferretto</p><p>a) intensificar a ideia do súbito amadurecimento.</p><p>b) indicar a falta de iden�dade �pica da adolescência.</p><p>c) organizar a sequência temporal dos fatos narrados.</p><p>d) complementar a descrição do acontecimento trágico.</p><p>e) expressar a banalidade dos assuntos tratados na</p><p>escola.</p><p>GR0580 - (Enem)</p><p>Fazer 70 anos</p><p>Fazer 70 anos não é simples.</p><p>A vida exige, para o conseguirmos,</p><p>perdas e perdas no ín�mo do ser,</p><p>como, em volta do ser, mil outras perdas.</p><p>[…]</p><p>Ó José Carlos, irmão-em-Escorpião!</p><p>Nós o conseguimos…</p><p>E sorrimos</p><p>de uma vitória comprada por que preço?</p><p>Quem jamais o saberá?</p><p>ANDRADE, C. D. Amar se aprende amando. São Paulo:</p><p>Círculo do Livro, 1992 (fragmento).</p><p>O pronome oblíquo “o”, nos versos “A vida exige, para o</p><p>conseguirmos” e “Nós o conseguimos”, garante a</p><p>progressão temá�ca e o encadeamento textual,</p><p>recuperando o segmento</p><p>a) “Ó José Carlos”.</p><p>b) “perdas e perdas”.</p><p>c) “A vida exige”.</p><p>d) “Fazer 70 anos”.</p><p>e) “irmão-em-Escorpião”.</p><p>GR0581 - (Enem)</p><p>Apesar de</p><p>Não lembro quem disse que a gente gosta de uma pessoa</p><p>não por causa de, mas apesar de. Gostar daquilo que é</p><p>gostável é fácil: gen�leza, bom humor, inteligência,</p><p>simpa�a, tudo isso a gente tem em estoque na hora em</p><p>que conhece uma pessoa e resolve conquistá-la. Os</p><p>defeitos ficam guardadinhos nos primeiros dias e só</p><p>então, com a convivência, vão saindo do esconderijo e</p><p>revelando-se no dia a dia. Você então descobre que ele</p><p>não é apenas gen�l e doce, mas também um tremendo</p><p>casca-grossa quando trata os próprios funcionários. E ela</p><p>não é apenas segura e determinada, mas uma chorona</p><p>que passa 20 dias por mês com TPM. E que ele ronca, e</p><p>que ela diz palavrão demais, e que ele é supers�cioso por</p><p>bobagens, e que ela enjoa na estrada, e que ele não</p><p>gosta de criança, e que ela não gosta de cachorro, e</p><p>agora? Agora, convoquem o amor para resolver essa</p><p>encrenca.</p><p>(MEDEIROS, M. Revista O Globo, n. 790, 12 jun. 2011</p><p>(Adaptado).)</p><p>Há elementos de coesão textual que retomam</p><p>informações no texto e outros que as antecipam. Nos</p><p>trechos, o elemento de coesão sublinhado que antecipa</p><p>uma informação do texto é</p><p>a) “Gostar daquilo que é gostável é fácil [...]”.</p><p>b) “[...] tudo isso a gente tem em estoque [...]”.</p><p>c) “[...] na hora em que conhece uma pessoa [...]”.</p><p>d) “[...] resolve conquistá-la”.</p><p>e) “[...] para resolver essa encrenca”.</p><p>GR0574 - (Enem)</p><p>Um asteroide de cerca de um mil metros de diâmetro,</p><p>viajando a 288 mil quilômetros por hora, passou a uma</p><p>distância insignificante — em termos cósmicos — da</p><p>Terra, pouco mais do dobro da distância que nos separa</p><p>da Lua. Segundo os cálculos matemá�cos, o asteroide</p><p>cruzou a órbita da Terra e somente não colidiu porque ela</p><p>não estava naquele ponto de interseção.</p><p>Se ele �vesse sido capturado pelo campo gravitacional</p><p>do nosso planeta e colidido, o impacto equivaleria a 40</p><p>bilhões de toneladas de TNT, ou o equivalente à explosão</p><p>de 40 mil bombas de hidrogênio, conforme calcularam os</p><p>computadores operados pelos astrônomos do programa</p><p>de Exploração do Sistema Solar da Nasa; se caísse no</p><p>con�nente, abriria uma cratera de cinco quilômetros, no</p><p>mínimo, e destruiria tudo o que houvesse num raio de</p><p>milhares de outros; se desabasse no oceano, provocaria</p><p>maremotos que devastariam imensas regiões costeiras.</p><p>Enfim, uma visão do Apocalipse.</p><p>Disponível em: h�p://bdjur.stj.jus.br. Acesso em: 23 abr.</p><p>2010.</p><p>Qual estratégia caracteriza o texto como uma no�cia</p><p>alarmante?</p><p>a) A descrição da velocidade do asteroide.</p><p>b) A recorrência de formulações hipoté�cas.</p><p>c) A referência à opinião dos astrônomos.</p><p>d) A u�lização da locução adverbial “no mínimo”.</p><p>e) A comparação com a distância da Lua à Terra.</p><p>GR0578 - (Enem)</p><p>O senhor</p><p>Carta a uma jovem que, estando em uma roda em</p><p>que dava aos presentes o tratamento de você, se dirigiu</p><p>ao autor chamando-o “o senhor”:</p><p>Senhora:</p><p>Aquele a quem chamastes senhor aqui está, de peito</p><p>magoado e cara triste, para vos dizer que senhor ele não</p><p>2@professorferretto @prof_ferretto</p><p>é, de nada, nem de ninguém.</p><p>Bem o sabeis, por certo, que a única nobreza do</p><p>plebeu está em não querer esconder sua condição, e esta</p><p>nobreza tenho eu. Assim, se entre tantos senhores ricos e</p><p>nobres a quem chamáveis você escolhestes a mim para</p><p>tratar de senhor, é bem de ver que só poderíeis ter</p><p>encontrado essa senhoria nas rugas de minha testa e na</p><p>prata de meus cabelos. Senhor de muitos anos, eis aí; o</p><p>território onde eu mando é no país do tempo que foi.</p><p>Essa palavra “senhor”, no meio de uma frase, ergueu</p><p>entre nós um muro frio e triste.</p><p>Vi o muro e calei: não é de muito, eu juro, que me</p><p>acontece essa tristeza; mas também não era a vez</p><p>primeira.</p><p>(BRAGA, R. A borboleta amarela. Rio de Janeiro:</p><p>essas expressões à conta da</p><p>superfluidades nem ainda atribuir-lhes papel decora�vo,</p><p>o que seria contrassenso, uma vez que rareiam no</p><p>discurso eloquente e retórico e se usam a cada instante</p><p>justamente no falar desataviado de todos os dias.</p><p>Uma coisa é dirigirmo-nos à cole�vidade, a pessoas</p><p>desconhecidas, de condições diversas, e que nos ouvem</p><p>caladas; outra coisa é tratar com alguém de perto, falar e</p><p>ouvir, e ajeitar a cada momento a linguagem em atenção</p><p>a essa pessoa que está diante de nós, para que fique</p><p>sempre bem impressionada com as nossas palavras.</p><p>(Said Ali, Meios de Expressão e Alterações Semân�cas,</p><p>RJ)</p><p>1sobejantes: demasiados, excessivos, de sobras.</p><p>2pear: prender.</p><p>No segundo parágrafo, no segmento: ...nem ainda</p><p>atribuir-lhes papel decora�vo..., o pronome pessoal</p><p>oblíquo “lhes” tem como referência no texto:</p><p>a) essas expressões.</p><p>b) palavras exple�vas.</p><p>c) os fatos.</p><p>d) an�gos preconceitos.</p><p>e) superfluidades.</p><p>GR0694 - (Unifenas)</p><p>Afeganistão: o que aconteceu com 100 refugiados</p><p>afegãos que Brasil recebeu há quase 20 anos</p><p>Após o início da Guerra do Afeganistão, o Brasil</p><p>implementou um programa de reassentamento e trouxe</p><p>várias famílias para Porto Alegre. Foi a única vez que</p><p>diversos afegãos foram transferidos de uma só vez ao</p><p>país.</p><p>Nabila (esquerda) estava no grupo de primeiros</p><p>refugiados afegãos recebidos pelo Brasil. Ela conta que</p><p>foi di�cil aprender português e que as pessoas</p><p>estranhavam as roupas tradicionais e o véu que usava na</p><p>cabeça — Foto: Arquivo pessoal/Via BBC.</p><p>1. Nabila Khazizadah passou os três primeiros meses</p><p>no Brasil, em 2002, chorando de saudade da família. Ela</p><p>desembarcou em Porto Alegre aos 25 anos, com o</p><p>marido e os dois filhos, alguns meses depois do início da</p><p>Guerra do Afeganistão.</p><p>2. O pai, a mãe e os irmãos ficaram na Índia, país</p><p>onde a família buscou refúgio primeiro, fugindo dos</p><p>talibãs.</p><p>3. “Fiquei três meses fechada dentro de casa</p><p>chorando, pensando no que eu faria longe da minha</p><p>família. Depois eu pensei, isso não adianta, chorando</p><p>dentro de casa, eu não vou conseguir fazer nada. Eu</p><p>tenho que colocar a cara à tapa e aprender português",</p><p>contou à BBC News Brasil.</p><p>4. “Saí pelo bairro falando com as vizinhas, tentando</p><p>fazer amizades."</p><p>5. Nas ruas de Porto Alegre, as pessoas estranhavam o</p><p>véu cobrindo inteiramente o cabelo. Às vezes, reagiam</p><p>com hos�lidade. “Não �nha afegãos lá naquela época,</p><p>não �nha muçulmanos. As pessoas me viam com o hijab</p><p>e saíam de perto, não queriam sentar ao meu lado no</p><p>ônibus. Alguns falavam: sai de perto, é mulher-bomba.”</p><p>(...)</p><p>10. Essas pessoas, que não falavam português e que</p><p>�nham uma ideia muito remota do que era o Brasil,</p><p>cruzariam o oceano em busca de uma vida nova.</p><p>11. Nabila conta que o marido fez um pedido ao</p><p>governo indiano para ser reassentado em outro país,</p><p>onde recebesse auxílio e �vesse mais oportunidades de</p><p>trabalho. Meses depois, chegou a no�cia de que o Brasil</p><p>os receberia.</p><p>12. “A gente não sabia como era o Brasil, como é a</p><p>língua e a cultura. Saímos com olhos fechados, no escuro,</p><p>jogando na sorte. Tudo o que a gente queria era um</p><p>futuro para nosso filho, mais calmo, mais saudável."</p><p>(...)</p><p>Disponível em:</p><p>h�ps://g1.globo.com/mundo/no�cia/2021/08/20/afeganistao-</p><p>o-que-aconteceu-com-100-refugiados-afegaosque-brasil-</p><p>recebeu-ha-quase-20-anos.ghtml</p><p>Releia: “Alguns falavam: sai de perto, é mulher-bomba.”</p><p>(5º parágrafo).</p><p>A progressão temá�ca de um texto pode ser estruturada</p><p>por meio de diferentes recursos coesivos, incluindo a</p><p>pontuação. Nesse trecho, a vírgula estabelece entre as</p><p>duas orações uma ideia de</p><p>18@professorferretto @prof_ferretto</p><p>a) tempo, pois deve-se sair de perto quando for uma</p><p>mulher-bomba.</p><p>b) concessão, pois, apesar de ser uma mulher-bomba,</p><p>deve-se sair de perto.</p><p>c) consequência, pois o mo�vo de se sair de perto é ser</p><p>uma mulher-bomba.</p><p>d) condição, pois deve-se sair de perto se for uma</p><p>mulher-bomba.</p><p>e) explicação, pois deve-se sair de perto já que é uma</p><p>mulher-bomba.</p><p>GR0700 - (Enem)</p><p>Essas moças �nham o vezo de afirmar o contrário do</p><p>que desejavam. Notei a singularidade quando</p><p>principiaram a elogiar o meu paletó cor de macaco.</p><p>Examinavam-no sérias, achavam o pano e os aviamentos</p><p>de qualidade superior, o fei�o admirável. Envaideci-me:</p><p>nunca havia reparado em tais vantagens. Mas os gabos se</p><p>prolongaram, trouxeram-me desconfiança. Percebi afinal</p><p>que elas zombavam e não me suscep�bilizei. Longe disso:</p><p>achei curiosa aquela maneira de falar pelo avesso,</p><p>diferente das grosserias a que me habituara. Em geral me</p><p>diziam com franqueza que a roupa não me assentava no</p><p>corpo, sobrava nos sovacos.</p><p>RAMOS, G. Infância. Rio de Janeiro: Record, 1994.</p><p>Gabo: a�tude prepotente ou orgulhosa; arrogância,</p><p>presunção.</p><p>Por meio de recursos linguís�cos, os textos mobilizam</p><p>estratégias para introduzir e retomar ideias, promovendo</p><p>a progressão do tema. No fragmento transcrito, um novo</p><p>aspecto do tema é introduzido pela expressão</p><p>a) “a singularidade”.</p><p>b) “tais vantagens”.</p><p>c) “os gabos”.</p><p>d) “Longe disso”.</p><p>e) “Em geral”.</p><p>GR0702 - (Unicamp)</p><p>‘Nevou’ no Rio</p><p>Em pleno verão, o fenômeno que vem chamando</p><p>atenção nas ruas do Rio é conhecido como “nevada</p><p>carioca”, ou apenas “nevou”. Trata-se da mania de</p><p>descolorir, pla�nando os cabelos até os fios ficarem</p><p>completamente brancos, que tomou conta das cabeças</p><p>dos jovens de Norte a Sul e virou a febre do momento. A</p><p>onda começou às vésperas do Natal, ganhou força no</p><p>réveillon e entrou em janeiro lotando os salões. Nascida</p><p>nas comunidades e nos subúrbios, a tendência</p><p>ultrapassou fronteiras geográficas e sociais da cidade,</p><p>principalmente depois de ganhar as redes e de ter</p><p>conquistado ar�stas e atletas. Cabeleireiros e donos de</p><p>salão apostam que o modismo resiste com força até os</p><p>dias de folia.</p><p>(Adaptado de:</p><p>h�ps://oglobo.globo.com/rio/no�cia/2023/01/nevou-</p><p>no-riomania-de-descolorir-o-cabelo-ate-ficar-quase-</p><p>branco-viramoda-entre-os-cariocas.ghtml. Acesso em</p><p>22/06/2023.)</p><p>Assinale a alterna�va em que todas as palavras listadas</p><p>têm um mesmo referente dentro do texto.</p><p>a) fenômeno – onda – tendência – modismo.</p><p>b) mania – onda – febre – força.</p><p>c) fenômeno – momento – mania – febre.</p><p>d) modismo – tendência – força – momento.</p><p>GR0703 - (Enem)</p><p>Gripado, penso entre espirros em como a palavra</p><p>gripe nos chegou após uma série de contágios entre</p><p>línguas. Par�u da Itália em 1743 a epidemia de gripe que</p><p>disseminou pela Europa, além do vírus propriamente</p><p>dito, dois vocábulos virais: o italiano influenza e o francês</p><p>grippe. O primeiro era um termo derivado do la�m</p><p>medieval influen�a, que significava “influência dos astros</p><p>sobre os homens”. O segundo era apenas a forma</p><p>nominal do verbo gripper, isto é, “agarrar”. Supõe-se que</p><p>fizesse referência ao modo violento como o vírus se</p><p>apossa do organismo infectado.</p><p>(RODRIGUES, S. Sobre palavras. Veja, São Paulo, 30 nov.</p><p>2011.)</p><p>Para se entender o trecho como uma unidade de sen�do,</p><p>é preciso que o leitor reconheça a ligação entre seus</p><p>elementos. Nesse texto, a coesão é construída</p><p>predominantemente pela retomada de um termo por</p><p>outro e pelo uso da elipse. O fragmento do texto em que</p><p>há coesão por elipse do sujeito é:</p><p>a) “[...] a palavra gripe nos chegou após uma série de</p><p>contágios entre línguas”.</p><p>b) “Par�u da Itália em 1743 a epidemia de gripe [...]”.</p><p>c) “O primeiro era um termo derivado do la�m medieval</p><p>influen�a, que significava ‘influência dos astros sobre</p><p>os homens’”.</p><p>d) “O segundo era apenas a forma nominal do verbo</p><p>gripper [...]”.</p><p>e) “Supõe-se que fizesse referência ao modo violento</p><p>como o vírus se apossa do organismo infectado”.</p><p>GR0716 - (Famerp)</p><p>19@professorferretto @prof_ferretto</p><p>A ciência e a tecnologia não são apenas cornucópias1</p><p>despejando dádivas sobre o mundo. Os cien�stas não só</p><p>conceberam as armas nucleares; eles também pegaram</p><p>os líderes polí�cos pela lapela, argumentando que a sua</p><p>nação �nha que ser a primeira a fabricar uma dessas</p><p>armas. E assim eles produziram mais de 60 mil armas</p><p>nucleares. Durante a Guerra Fria, os cien�stas nos</p><p>Estados Unidos, na União Sovié�ca, na China e em outras</p><p>nações estavam dispostos</p><p>a expor os seus conterrâneos à</p><p>radiação - na maioria dos casos, sem o conhecimento</p><p>deles - a fim de se preparar para a guerra nuclear. A</p><p>nossa tecnologia produziu a talidomida, os CFCs, o</p><p>agente laranja, os gases que atacam o sistema nervoso, a</p><p>poluição do ar e da água, as ex�nções de espécies, e</p><p>indústrias tão poderosas que podem arruinar o clima do</p><p>planeta. Aproximadamente metade dos cien�stas na</p><p>Terra dedica parte de seu tempo de trabalho para fins</p><p>militares. Embora alguns cien�stas ainda sejam vistos</p><p>como estranhos ao sistema, cri�cando corajosamente os</p><p>males da sociedade e dando os primeiros avisos sobre</p><p>catástrofes tecnológicas potenciais, muitos são</p><p>considerados oportunistas submissos ou uma fonte</p><p>complacente de lucros empresariais e de armas de</p><p>destruição em massa - não importa quais sejam as</p><p>consequências a longo prazo. os perigos tecnológicos que</p><p>a ciência apresenta, seu desafio implícito ao</p><p>conhecimento recebido e sua visível dificuldade são</p><p>razões para que as pessoas, desconfiadas, a evitem.</p><p>Existe uma razão para as pessoas ficarem nervosas a</p><p>respeito da ciência e da tecnologia.</p><p>(O mundo assombrado pelos demônios, 2006.</p><p>Adaptado.)</p><p>1 – Cornucópia: vaso em forma de chifre, com frutas e</p><p>flores que dele extravasam profusamente, an�go símbolo</p><p>da fer�lidade, riqueza, abundância.</p><p>Retoma um termo mencionado anteriormente no texto a</p><p>palavra sublinhada em:</p><p>a) “Os perigos tecnológicos que a ciência apresenta, seu</p><p>desafio implícito ao conhecimento recebido e sua</p><p>visível dificuldade são razões para que as pessoas,</p><p>desconfiadas, a evitem.”</p><p>b) “Os perigos tecnológicos que a ciência apresenta, seu</p><p>desafio implícito ao conhecimento recebido e sua</p><p>visível dificuldade são razões para que as pessoas,</p><p>desconfiadas, a evitem.”</p><p>c) “Os cien�stas não só conceberam as armas nucleares;</p><p>eles também pegaram os líderes polí�cos pela lapela,</p><p>argumentando que a sua nação �nha que ser a</p><p>primeira a fabricar uma dessas armas.”</p><p>d) “Existe uma razão para as pessoas ficarem nervosas a</p><p>respeito da ciência e da tecnologia.”</p><p>e) “Os cien�stas não só conceberam as armas nucleares;</p><p>eles também pegaram os líderes polí�cos pela lapela,</p><p>argumentando que a sua nação �nha que ser a</p><p>primeira a fabricar uma dessas armas.”</p><p>GR0733 - (Faminas)</p><p>Seu cérebro quer água!</p><p>Ficar só um pouco desidratado já compromete o</p><p>trabalho dos neurônios e causa até irritação. Novo</p><p>estudo da Universidade de Connec�cut, nos Estados</p><p>Unidos, aponta um mo�vo inusitado para bebermos</p><p>bastante líquido ao longo do dia, e especialmente</p><p>quando estamos lendo, estudando, escrevendo…</p><p>Após acompanhar 51 voluntários subme�dos a testes</p><p>de atenção e lógica, os cien�stas descobriram que</p><p>mesmo uma desidratação leve – aquela que muitas vezes</p><p>surge antes de a sede dar as caras – já atrapalha o</p><p>raciocínio. Mais do que isso, o humor piora com a falta de</p><p>H2O no organismo. “Todas as células do corpo precisam</p><p>de água para funcionar, e as neuronais não são exceção”,</p><p>explica o fisiologista e autor da pesquisa, Lawrence</p><p>Armstrong. “Sem hidratação adequada, as informações e</p><p>sen�mentos acabam sendo processados de um jeito</p><p>impróprio pela massa cinzenta”, conclui.</p><p>(Saúde é vital, maio/2012).</p><p>Em “Mais do que isso, o humor piora com a falta de H2O</p><p>no organismo”, o termo destacado contribui para a</p><p>coesão textual referindo-se ao (à)</p><p>a) mo�vo da falta de água no organismo, constatado</p><p>através de pesquisa cien�fica.</p><p>b) importância dos testes desenvolvidos pelos cien�stas</p><p>para estudo sobre a falta de água.</p><p>c) descoberta dos cien�stas sobre uma das</p><p>consequências da falta de água no organismo.</p><p>d) processo pelo qual o organismo passa gerando piora</p><p>no humor a par�r da falta de água.</p><p>20@professorferretto @prof_ferretto</p><p>GR0736 - (Pmesp)</p><p>Leia um trecho do “Sermão do bom ladrão”, de Antônio</p><p>Vieira, para responder à questão.</p><p>Suponho, finalmente, que os ladrões de que falo não</p><p>são aqueles miseráveis, a quem a pobreza e vileza de sua</p><p>fortuna condenou a este gênero de vida, porque a</p><p>mesma sua miséria ou escusa ou alivia o seu pecado. O</p><p>ladrão que furta para comer não vai nem leva ao Inferno:</p><p>os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são os</p><p>ladrões de maior calibre e de mais alta esfera, os quais</p><p>debaixo do mesmo nome e do mesmo predicamento</p><p>dis�ngue muito bem São Basílio Magno. Não são só</p><p>ladrões, diz o santo, os que cortam bolsas ou espreitam</p><p>os que se vão banhar, para lhes colher a roupa; os ladrões</p><p>que mais própria e dignamente merecem este �tulo são</p><p>aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e</p><p>legiões, ou o governo das províncias, ou a administração</p><p>das cidades, os quais já com manha, já com força,</p><p>roubam e despojam os povos. Os outros ladrões roubam</p><p>um homem, estes roubam cidades e reinos; os outros</p><p>furtam debaixo do seu risco, estes sem temor, nem</p><p>perigo; os outros, se furtam, são enforcados, estes</p><p>furtam e enforcam. Diógenes, que tudo via com mais</p><p>aguda vista que os outros homens, viu que uma grande</p><p>tropa de varas e ministros de jus�ça levavam a enforcar</p><p>uns ladrões, e começou a bradar: “Lá vão os ladrões</p><p>grandes enforcar os pequenos.” Ditosa Grécia, que �nha</p><p>tal pregador! E mais ditosas as outras nações, se nelas</p><p>não padecera a jus�ça as mesmas afrontas. Quantas</p><p>vezes se viu em Roma ir a enforcar um ladrão por ter</p><p>furtado um carneiro, e no mesmo dia ser levado em</p><p>triunfo um cônsul, ou ditador, por ter roubado uma</p><p>província! E quantos ladrões teriam enforcado estes</p><p>mesmos ladrões triunfantes? De um chamado Seronato,</p><p>disse com discreta contraposição Sidônio Apolinar:</p><p>“Seronato está sempre ocupado em duas coisas: em</p><p>cas�gar furtos, e em os fazer.” Isto não era zelo de jus�ça,</p><p>senão inveja. Queria �rar os ladrões do mundo, para</p><p>roubar ele só.</p><p>(Antônio Vieira. Essencial Padre Antônio Vieira, 2011.</p><p>Adaptado.)</p><p>Retoma um termo mencionado anteriormente no texto a</p><p>palavra sublinhada em:</p><p>a) “Não são só ladrões, diz o santo, os que cortam bolsas</p><p>ou espreitam os que se vão banhar”</p><p>b) “E mais ditosas as outras nações, se nelas não</p><p>padecera a jus�ça as mesmas afrontas.”</p><p>c) “Quantas vezes se viu em Roma ir a enforcar um ladrão</p><p>por ter furtado um carneiro”</p><p>d) “Seronato está sempre ocupado em duas coisas: em</p><p>cas�gar furtos, e em os fazer.”</p><p>e) “Queria �rar os ladrões do mundo, para roubar ele</p><p>só.”</p><p>GR0737 - (Fcc)</p><p>Atenção: Leia o conto “Casos de baleias”, de Carlos</p><p>Drummond de Andrade, para responder à questão.</p><p>A baleia telegrafou ao superintendente da Pesca,</p><p>queixando-se de que estava sendo caçada demais, e a</p><p>con�nuar assim sua espécie desapareceria com prejuízo</p><p>geral do meio ambiente e dos usuários.</p><p>O superintendente, em o�cio, respondeu à baleia que</p><p>não podia fazer nada senão recomendar que de duas</p><p>baleias uma fosse poupada, e esta ganhasse número de</p><p>registro para iden�ficar-se.</p><p>Em face dessa resolução, todas as baleias</p><p>providenciaram registro, e o ob�veram pela maneira</p><p>como se obtêm essas coisas, à margem dos</p><p>regulamentos. O mar ficou coalhado de números, que</p><p>rabeavam alegremente, e o esguicho dos cetáceos,</p><p>formando verdadeiros fes�vais no alto oceano, dava ideia</p><p>de imenso jardim explodindo em repuxos, dourados de</p><p>sol, ou prateados de lua.</p><p>Um inspetor da Superintendência, intrigado com o</p><p>fato de que ninguém mais conseguia caçar baleia, pôs-se</p><p>a examinar os livros e verificou que havia infinidade de</p><p>números repe�dos. Cancelou-se o registro, e os</p><p>funcionários responsáveis pela fraude, jogados ao mar,</p><p>foram devorados pelas baleias, que passaram a ser</p><p>caçadas indiscriminadamente. A recomendação</p><p>internacional para suspender a caça por tempo</p><p>indeterminado só alcançará duas baleias vivas,</p><p>escondidas e fantasiadas de rochedo, no litoral do</p><p>Espírito Santo.</p><p>(ANDRADE, Carlos Drummond de. Contos plausíveis. São</p><p>Paulo: Companhia das Letras, 2012).</p><p>Retoma um termo mencionado anteriormente no texto a</p><p>palavra sublinhada no seguinte trecho:</p><p>21@professorferretto @prof_ferretto</p><p>a) Cancelou-se o registro (4º parágrafo).</p><p>b) Um inspetor da Superintendência [...] pôs-se a</p><p>examinar os livros (4º parágrafo).</p><p>c) e o ob�veram pela maneira como se obtêm essas</p><p>coisas (3º parágrafo).</p><p>d) e a con�nuar assim sua espécie desapareceria (1º</p><p>parágrafo).</p><p>e) e o esguicho dos cetáceos [...] dava ideia de imenso</p><p>jardim (3º parágrafo).</p><p>GR0746 - (Unesp)</p><p>Leia a crônica “Despedida”, de Carlos Drummond de</p><p>Andrade (1902-1987), publicada originalmente no Jornal</p><p>do Brasil em 05.06.1971, e a resposta de Edson Arantes</p><p>do Nascimento (1940-2022), o Pelé, publicada no mesmo</p><p>jornal em 29.06.1971.</p><p>Pelé despede-se em julho da Seleção Brasileira.</p><p>Decidiu, está decidido. Querem que ele con�nue, mas</p><p>sua educação espor�va se dilata em educação moral, e</p><p>Pelé dá muito apreço à sua palavra. Se atender aos</p><p>apelos, ficará bem com todo o mundo e mal consigo. Pelé</p><p>não quer brigar com Pelé. Não abandonará de todo o</p><p>futebol, pois con�nuará jogando pelo seu clube. Não vejo</p><p>contradição nisto. Faz como um grande proprietário de</p><p>terras, que trocasse a fazenda pela miniatura de um sí�o:</p><p>con�nua a ter águas, plantas, criação, a mesma</p><p>luminosidade das horas — menos a imensidão, que</p><p>acaba cansando. Ou como o leitor de muitos livros, que</p><p>passasse a ler um só que contém o resumo de tudo. Pelé</p><p>quer cul�var sua vida a seu gosto, ele que a vivia tanto ao</p><p>gosto dos outros. Sua municipalização voluntária me</p><p>encanta. Não é só pelo ato de sabedoria, que é sair antes</p><p>que exijam a nossa saída. Uma a�tude destas indica mais</p><p>cautela do que desprendimento. É pelo ato de escolha —</p><p>de escolher o mais simples, envolvendo renúncia e</p><p>gen�leza. As massas brasileiras e internacionais não</p><p>poderão chamá-lo de ingrato, pois con�nuarão a vê-lo,</p><p>aqui e no estrangeiro, em seu jogo de astúcia e arte. Mas</p><p>ele passará a jogar como par�cular, um famoso incógnito,</p><p>que não aspira às glórias de um quarto campeonato</p><p>mundial. E com isso, dará lugar a outro, ou a outros, que</p><p>por mais que caprichassem ficavam sempre um tanto</p><p>encobertos pela sombra de Pelé — a sombra de que</p><p>espontaneamente se desfaz. Bela jogada, a sua: a de não</p><p>jogar como campeão, sendo campeoníssimo.</p><p>(Carlos Drummond de Andrade. Quando é dia de futebol,</p><p>2014.)</p><p>Estou comovido. Entre tantas coisas que dizem a meu</p><p>respeito, generosas ou menos boas, suas palavras</p><p>�veram a rara virtude de se lembrarem do homem, da</p><p>pessoa humana que quero ser, demonstrando</p><p>compreensão e carinho por essa condição fundamental.</p><p>Recortei sua crônica, não por que fala de mim, mas</p><p>porque traduz, no primor de seu es�lo, um apoio que me</p><p>incen�va e me conforta.</p><p>(Pelé apud Carlos Drummond de Andrade. Quando é dia</p><p>de futebol, 2014.)</p><p>“Ou como o leitor de muitos livros, que passasse a ler um</p><p>só que contém o resumo de tudo.” (Drummond)</p><p>“E com isso, dará lugar a outro, ou a outros, que por mais</p><p>que caprichassem ficavam sempre um tanto encobertos</p><p>pela sombra de Pelé — a sombra</p><p>de que espontaneamente se desfaz.” (Drummond)</p><p>Os termos sublinhados referem-se, respec�vamente, a</p><p>a) “livros” e “Pelé”.</p><p>b) “um” e “sombra”.</p><p>c) “livros” e “sombra”.</p><p>d) “um” e “Pelé”.</p><p>e) “leitor” e “Pelé”.</p><p>GR0811 - (Ifpe)</p><p>“O BONZINHO SE DÁ MAL”: GENEROSIDADE E</p><p>MANIPULAÇÃO</p><p>(1) Você tenta levar sua vida direi�nho. Busca ser</p><p>cordial e ter empa�a com o semelhante. Trata o outro</p><p>bem, pois acha que é assim que qualquer criatura</p><p>merece ser tratada. Com quem gosta mais, vai além. Se</p><p>lhe sobra, compar�lha. Quando vê o erro, o ins�nto de</p><p>proteção passa na frente e você tenta alertar. Se cabem</p><p>dois, por que ir sozinho? Isso te alegra, então eu fico</p><p>contente.</p><p>(2) A você, tudo isso parece ser natural, orgânico. E</p><p>daí você se engana. De forma egoísta, acha que tem o</p><p>direito de re�rar do outro o direito de ser quem ele é.</p><p>Quer recíproca, similaridade, espelhamento de a�tudes.</p><p>Vê injus�ça na troca, acha que faz mais e recebe menos.</p><p>“Trouxa, agora está aí cul�vando mágoas. Da próxima</p><p>vez, farei diferente”. E não reflete sobre tudo o que se</p><p>passou.</p><p>(3) Ser verdadeiramente generoso é uma virtude que</p><p>contempla um pequeno punhado de pessoas. Em geral,</p><p>emprestamos em vez de doar. E não fazemos isso por</p><p>uma debilidade de caráter: a vida se mantém a par�r de</p><p>trocas, tudo só existe em relação.</p><p>(4) Quando tentamos oferecer algo gratuitamente,</p><p>inconscientemente esperamos alguma contrapar�da:</p><p>reconhecimento, carinho, atenção, pres�gio, escuta,</p><p>aprovação. Às vezes, buscamos apenas sermos</p><p>percebidos e validados naquilo que somos, mas não</p><p>cremos ser. É bem comum. Nisso, tornam-se admiráveis</p><p>os que ajudam desconhecidos, sem se importarem com</p><p>22@professorferretto @prof_ferretto</p><p>os problemas dos que estão próximos – a quem poderão</p><p>cobrar pela generosidade?</p><p>(5) O mesmo vale para os mercenários: aqueles que</p><p>sabem dar preço às coisas mais impalpáveis, que</p><p>encontram equivalência entre dois valores tão díspares,</p><p>mas deixam as intenções às claras. Só nos sen�mos</p><p>enganados quando não deixamos às claras o preço das</p><p>nossas a�tudes.</p><p>(6) A generosidade é uma das formas mais primi�vas</p><p>de manipulação desenvolvidas pelo ser humano. Vem do</p><p>berço. Mais precisamente, do colo. A nossa primeira</p><p>referência de doação vem da mãe, ou de quem exerceu</p><p>esse papel. O bebê, indefeso e incapaz, estará subme�do</p><p>à oferta que provém dessa fonte. E aí aprendemos o que</p><p>é chantagem emocional, que mais tarde se traduzirá no</p><p>duelo entre o “só eu sei o que fiz por você” versus “você</p><p>poderia ser melhor para mim”. Quem sai vencedor? A</p><p>culpa. Justo ela, uma das emoções mais tóxicas que</p><p>povoam nossa alma.</p><p>(7) O comportamento de abuso é fruto desse eixo</p><p>desestrutural, seja para o abusador ou para o abusado.</p><p>Há, inclusive, uma espécie de alternância entre esses</p><p>papéis. Quando o dito generoso se vê menosprezado</p><p>pelo outro, diz: isso é um absurdo, depois de tudo que eu</p><p>fiz. Mas não percebe o quanto esse fazer é, em si, uma</p><p>a�tude abusiva.</p><p>(8) Isso não é uma ode ao egoísmo ou à ganância.</p><p>Mas a par�lha saudável é aquela que se dá em acordo,</p><p>de forma pura. Se não consegue, melhor não ser</p><p>generoso, para também não ser hipócrita. Ou, pior:</p><p>emi�r faturas para guardá-las na gaveta, à espera da</p><p>melhor oportunidade de apresentá-la àquele que julgar</p><p>devedor. Não esqueçamos: são as boas intenções que</p><p>lotam o inferno.</p><p>TORRES, João Rafael. “O bonzinho se dá mal”:</p><p>generosidade e manipulação. Disponível em:</p><p>h�ps://www.metropoles.com/colunas-blogs/psique/o-</p><p>bonzinho-se-da-mal-generosidade-e-manipulacao.</p><p>Acesso: 08 out. 2017(adaptado).</p><p>Releia o seguinte trecho, reflita sobre questões de</p><p>coerência e coesão textuais e assinale a alterna�va</p><p>CORRETA.</p><p>“(1) Você tenta levar sua vida direi�nho. Busca ser cordial</p><p>e ter empa�a com o semelhante. Trata o outro bem, pois</p><p>acha que é assim que qualquer criatura merece ser</p><p>tratada. Com quem gosta mais, vai além. Se</p><p>lhe sobra, compar�lha. Quando vê o erro, o ins�nto de</p><p>proteção passa na frente e você tenta alertar. Se cabem</p><p>dois, por que ir sozinho? Isso te alegra, então eu fico</p><p>contente.” (1º parágrafo).</p><p>a) Os termos destacados em negrito indicam um</p><p>processo coesivo por elipse, por se tratar da omissão</p><p>de elementos facilmente iden�ficáveis ou que já</p><p>tenham sido citados anteriormente.</p><p>b) A omissão do sujeit, no segundo e terceiro períodos</p><p>do trecho, revela um processo de coesão lexical, uma</p><p>vez que os verbos estão conjugados na mesma pessoa,</p><p>tempo e modo.</p><p>c) As palavras “cordial” e “empa�a”, por se referirem a</p><p>um mesmo assunto (tratar os outros bem),</p><p>caracterizam um processo de coesão referencial.</p><p>d) Em: “Se cabem dois”, a pluralização do verbo prejudica</p><p>a coerência, visto que o referente é o mesmo dos</p><p>termos destacados, logo, ele deveria ter sido grafado</p><p>no singular.</p><p>e) As formas verbais sublinhadas concordam com o</p><p>sujeito explicitado no primeiro período do trecho e</p><p>preservam a coerência textual.</p><p>GR0816 - (Enem)</p><p>O Flamengo começou a par�da no ataque, enquanto</p><p>o Botafogo procurava fazer uma forte marcação no meio</p><p>campo e tentar lançamentos para Victor Simões, isolado</p><p>entre os zagueiros rubro-negros. Mesmo com mais posse</p><p>de bola, o �me dirigido por Cuca �nha grande dificuldade</p><p>de chegar à área alvinegra por causa do bloqueio</p><p>montado pelo Botafogo na frente da sua área.</p><p>No entanto, na primeira chance rubro-negra, saiu o</p><p>gol. Após cruzamento da direita de Ibson, a zaga</p><p>alvinegra</p><p>rebateu a bola de cabeça para o meio da área.</p><p>Kléberson apareceu na jogada e cabeceou por cima do</p><p>goleiro Renan. Ronaldo Angelim apareceu nas costas da</p><p>defesa e empurrou para o fundo da rede quase que em</p><p>cima da linha: Flamengo 1 a 0.</p><p>Disponível em: h�p://momentodofutebol.blogspot.com</p><p>(Adaptado.)</p><p>O texto, que narra uma parte do jogo final do</p><p>Campeonato Carioca de futebol, realizado em 2009,</p><p>contém vários conec�vos, sendo que</p><p>23@professorferretto @prof_ferretto</p><p>a) após é conec�vo de causa, já que apresenta o mo�vo</p><p>de a zaga alvinegra ter reba�do a bola de cabeça.</p><p>b) enquanto tem um significado alterna�vo, porque</p><p>conecta duas opções possíveis para serem aplicadas</p><p>no jogo.</p><p>c) no entanto tem significado de tempo, porque ordena</p><p>os fatos observados no jogo em ordem cronológica de</p><p>ocorrência.</p><p>d) mesmo traz ideia de concessão, já que “com mais</p><p>posse de bola”, ter dificuldade não é algo</p><p>naturalmente esperado.</p><p>e) por causa de indica consequência, porque as</p><p>tenta�vas de ataque do Flamengo mo�varam o</p><p>Botafogo a fazer um bloqueio.</p><p>GR0817 - (Fuvest)</p><p>O império das festas e as festas do império</p><p>O Brasil do século XIX, excluindo-se a primeira e a</p><p>úl�ma década, conviveu intensamente com a realeza. De</p><p>1808 a 1889, os brasileiros acostumaram-se a ter um rei à</p><p>frente da cena polí�ca. Mas se D. João, D. Pedro I, D.</p><p>Pedro II e a princesa Isabel – esta, quando da ausência de</p><p>seu pai – ocuparam o espaço formal do mando execu�vo,</p><p>no dia a dia interagiram com outros reis e rainhas.</p><p>Estamos falando de uma série de personagens que</p><p>lideravam as festas populares e que, provenientes de</p><p>reinos distantes – presentes na memória dos escravos</p><p>africanos ou nas lembranças dos saudosos colonos</p><p>portugueses −, povoaram o nosso assoberbado</p><p>calendário de festas. Oriundo de tradições diversas e de</p><p>cosmologias par�culares, esse puzzle* ritual fez do Brasil</p><p>o país das festas, o depositário de um arsenal de</p><p>símbolos, costumes e valores.</p><p>Contudo, mais do que isso, tal qual um caleidoscópio,</p><p>essas tradições não foram apenas se reproduzindo, como</p><p>o movimento ro�neiro de um motor. Ao contrário,</p><p>dinamicamente, acabaram por criar festas próprias e</p><p>leituras originais de um material que lhes era anterior.</p><p>Nesses rituais, teatralizava-se um grande jogo simbólico</p><p>e, entre outros figurantes, a realeza era personagem</p><p>frequente, porém não sempre principal.</p><p>* puzzle: confusão; quebra-cabeça.</p><p>(Lilia M. Schwarcz, Valéria M. de Macedo, in: As barbas</p><p>do imperador: D.Pedro II, um monarca nos trópicos.).</p><p>No trecho “Contudo, mais do que isso, (...) essas</p><p>tradições não foram apenas se reproduzindo, como o</p><p>movimento ro�neiro de um motor” (2º parágrafo), as</p><p>expressões grifadas estabelecem, respec�vamente,</p><p>relações lógicas de</p><p>a) Conclusão / proporção / comparação.</p><p>b) Concessão / alternância / conclusão.</p><p>c) Condição / modo / explicação.</p><p>d) Causa / contraposição / concessão.</p><p>e) Contraposição / comparação / modo.</p><p>GR0820 - (Ufscar)</p><p>(...) Na minha opinião, existe no Brasil, em</p><p>permanente funcionamento, não fechando nem para o</p><p>almoço, uma Central Geral de Maracutaia. Não é possível</p><p>que não exista. E, com toda a certeza, é uma das</p><p>organizações mais perfeitas já cons�tuídas, uma</p><p>contribuição ines�mável do nosso país ao patrimônio da</p><p>raça humana. Nada de novo é implantado sem que surja</p><p>no mesmo instante, às vezes sem intervalo visível,</p><p>imediatamente mesmo, um esquema bem montado para</p><p>fraudar o que lá seja que tenha sido criado. [...] Exemplo</p><p>mais recente ocorreu em São Paulo, mas podia ser em</p><p>qualquer outra cidade do país, porque a CGM é</p><p>onipresente, não deixa passar nada, nem discrimina</p><p>ninguém. Segundo me contam aqui, a prefeitura de São</p><p>Paulo agora fornece caixão e enterro gratuitos para os</p><p>doadores de órgãos, certamente os mais pobres. Basta</p><p>que a família do morto prove que ele doou pelo menos</p><p>um órgão, para receber o bene�cio. Mas claro, é isso</p><p>mesmo, você adivinhou, ser brasileiro é meramente uma</p><p>questão de prá�ca. Surgiram indivíduos ou organizações</p><p>que, mediante uma módica contraprestação pecuniária,</p><p>fornecem documentação falsa, “provando” que o</p><p>defunto doou órgãos, para que o caixão e o enterro</p><p>sejam pagos com dinheiro público.</p><p>(João Ubaldo Ribeiro. O Estado de S.Paulo, 18.09.2005.)</p><p>Em “para receber o bene�cio", a palavra bene�cio tem</p><p>como referência</p><p>a) Uma módica contraprestação pecuniária.</p><p>b) A não-discriminação.</p><p>c) Caixão e enterro.</p><p>d) A doação de órgãos.</p><p>e) A CGM.</p><p>GR0821 - (Uel)</p><p>(...) Não faz tanto tempo assim, a noção de risco,</p><p>como hoje a conhecemos, não exis�a. Doenças e mortes</p><p>eram consideradas inevitáveis consequências de um</p><p>des�no divinamente planejado, sobre o qual não</p><p>possuíamos controle. As pessoas não pesavam as</p><p>consequências da escolha de sua carreira, do uso de</p><p>tecnologias ou das polí�cas sociais simplesmente porque</p><p>essas opções não exis�am. O risco era uma província</p><p>povoada por jogadores de dados e cartas, aliás os</p><p>24@professorferretto @prof_ferretto</p><p>primeiros a medi-lo e a manipulá-lo. A emergência do</p><p>capitalismo globalizado, junto com a ciência e a</p><p>tecnologia, trouxe bene�cios inegáveis à agricultura, aos</p><p>transportes e à saúde. Mas também nos transformou em</p><p>jogadores numa escala jamais vista. Durante o século XX,</p><p>contemplamos o lado nega�vo de avanços tecnológicos</p><p>que foram instrumento de guerras e atrocidades.</p><p>Aprendemos a temer acidentes, poluição, ex�nção de</p><p>espécies, desmatamento, lixo atômico, além da</p><p>contaminação da água e dos alimentos com agrotóxicos.</p><p>Agora, na medida em que entramos no século XXI,</p><p>deparamos com estonteantes possibilidades</p><p>tecnológicas: clonagem, membros ciberné�cos para</p><p>repor componentes humanos, alimentos gene�camente</p><p>modificados. Naturalmente ques�onamos se esse</p><p>con�nuo avanço tecnológico implicará riscos</p><p>imprevisíveis.</p><p>(Andrea Kauffmann-Zeh. A miopia cien�fica, Revista</p><p>Época, 30/4/2001, p. 114.)</p><p>As expressões os primeiros e esse con�nuo avanço</p><p>tecnológico referem-se, respec�vamente, a:</p><p>a) jogadores – componentes humanos.</p><p>b) dados e cartas – clonagem.</p><p>c) riscos de manipulação – membros ciberné�cos.</p><p>d) usos das tecnologias – alimentos gene�camente</p><p>modificados.</p><p>e) jogadores de dados e cartas – estonteantes</p><p>possibilidades tecnológicas.</p><p>GR0822 - (Uel)</p><p>Leia o parágrafo introdutório de um livro de Alba Zaluar</p><p>sobre a violência urbana no Rio de Janeiro.</p><p>O lugar não importa. Pode ser qualquer um, contanto</p><p>que seja pobre e marginal a esta outrora encantadora</p><p>cidade. Nele fiquei mais de um ano convivendo e</p><p>conversando com os supostos agentes da violência</p><p>urbana. Alguns por serem simples moradores do lugar.</p><p>Pois o que é para nós, além de um grande medo, assunto</p><p>jornalís�co, para eles é nódoa contra a qual têm que lutar</p><p>diariamente, até com eles próprios na frente do espelho</p><p>que certa imprensa lhes montou. Mais um es�gma que,</p><p>na pressa de descobrir os culpados alhures, se lhes</p><p>impôs. Outros porque realmente traficam, assaltam e</p><p>fazem uso da arma de fogo. Eu os vi, observei, escutei e</p><p>deles ouvi contar muitas estórias. Durante todo esse</p><p>tempo ouvi também explicações, ou seja, tenta�vas de</p><p>encaixar o que para eles pode vir a ser uma terrível</p><p>tragédia pessoal numa lógica qualquer, na ordem das</p><p>coisas deste mundo. É claro. Todo mundo sabe o fim dos</p><p>bandidos pobres: morrer antes dos 25 anos. E ninguém</p><p>quer ver seu filho seu irmão, seu parente ou seu vizinho</p><p>com este des�no, embora haja quem acredite que este</p><p>caminho não é escolha, é sina. Talvez seja o modo que</p><p>encontram para dizer que as condições em que vivem os</p><p>levam forçosamente a agir assim.</p><p>ZALUAR, Alba. Condomínio do diabo. Rio de Janeiro:</p><p>Editora da UFRJ, 1994. p. 7.</p><p>Em que alterna�va a mudança na ordem das palavras</p><p>resulta em uma sequência que poderia subs�tuir a</p><p>expressão correspondente no texto, sem alteração de</p><p>sen�do?</p><p>a) esta outrora encantadora cidade → esta encantadora</p><p>cidade outrora.</p><p>b) os supostos agentes da violência urbana → os agentes</p><p>da violência urbana supostos.</p><p>c) certa imprensa → imprensa certa.</p><p>d) uma terrível tragédia pessoal → uma tragédia pessoal</p><p>terrível.</p><p>e) dos bandidos pobres → dos pobres bandidos.</p><p>GR0823</p><p>- (Cn)</p><p>O desaparecimento dos livros na vida co�diana e a</p><p>diminuição da leitura(26) são preocupantes quando</p><p>sabemos que os livros são disposi�vos fundamentais(18)</p><p>na formação subje�va das pessoas. Perguntamo-nos</p><p>sobre o que os meios de comunicação fazem conosco: da</p><p>televisão ao computador, dos brinquedos ao telefone</p><p>celular, somos formados por objetos e aparelhos.</p><p>Se, em nossa época, a leitura diminui</p><p>ver�ginosamente, ao mesmo tempo, cresce o elogio da</p><p>ignorância,(15) nossa velha conhecida. Há, nesse</p><p>contexto, dois �pos de ignorância(25) em relação às</p><p>quais os livros são potentes ou impotentes.(2) Uma é a</p><p>ignorância filosófica, aquela que em Sócrates se</p><p>expunha(9) na ironia do "sei-que-nada-sei". Aquele que</p><p>não sabe e quer saber(19) pode procurar os livros, esses</p><p>objetos que guardam tantas informações, tantos</p><p>conteúdos, que podemos esperar deles muita coisa:</p><p>perguntas e, até mesmo, respostas. A outra é a</p><p>ignorância prepotente, à qual alguns filósofos deram o</p><p>nome de "burrice". Pela burrice, essa forma cogni�va</p><p>impotente e, contudo, muito prepotente,(22) alguém</p><p>transforma o não saber em suposto saber, a resposta</p><p>pronta é transformada em verdade. Nesse caso, os livros</p><p>são esquecidos. Eles são desnecessários como "meios</p><p>para o saber". Cancelada a curiosidade como sinal de um</p><p>desejo de conhecimento, os livros tornam-se inúteis.(10)</p><p>Assim, a ignorância que nos permite saber se opõe à que</p><p>nos deforma(1) por estagnação.(23) A primeira gosta dos</p><p>livros, a segunda os detesta.(13)</p><p>[ ... ]</p><p>Para aprender a perguntar, precisamos aprender a ler.</p><p>Não por que o pensamento dependa da gramá�ca(16) ou</p><p>25@professorferretto @prof_ferretto</p><p>da língua formal, mas porque ler é um �po de</p><p>experiência que nos ensina(12) a desenvolver raciocínios,</p><p>nos ensina a entender, a ouvir e a falar para</p><p>compreender. Ensina-nos a interpretar. Ajuda-nos,</p><p>portanto, a elaborar questões(8) e a fazer perguntas.</p><p>Perguntas que nos ajudam a dialogar,(6) ou seja, a entrar</p><p>em contato com o outro. Nem que esse outro seja,(20)</p><p>em primeiro momento, apenas cada um de nós mesmos.</p><p>Pensar, esse ato que está faltando entre nós, começa</p><p>aí, muitas vezes em silêncio, quando nos dedicamos a</p><p>esse gesto(4) simples(17) e ao mesmo tempo complexo</p><p>que é ler um livro. É lamentável que as pessoas</p><p>sucumbam ao clima programado da cultura(14) em que</p><p>ler é proibido. Os meios tecnológicos de comunicação</p><p>são insidiosos nesse momento, pois prometem uma</p><p>completude que o ato de ler(5) um livro nunca prometeu.</p><p>É que o ato da leitura nunca nos engana.(3) Por isso</p><p>também muitos se afastam dele.(11) Muitos que foram</p><p>educados para não pensar(24) passam a não gostar do</p><p>que não conhecem.(7) Mas há quem tenha descoberto</p><p>esse prazer(21) que é o prazer de pensar a par�r da</p><p>experiência da linguagem – compreensão e diálogo –</p><p>sempre ofertada em um livro. Certamente, para essas</p><p>pessoas, o mundo todo – e ela mesma – é algo bem</p><p>diferente.</p><p>TIBURI, Márcia. Potência do pensamento: por uma</p><p>filosofia polí�ca da leitura. Disponível em:</p><p>h�p://revistacult.uol.com.br. Acesso em: 31 jan. 2016</p><p>(adaptado).</p><p>Assinale a opção na qual o uso da conjunção mantém o</p><p>sen�do original do período “A primeira gosta dos livros, a</p><p>segunda os detesta." (13).</p><p>a) A primeira gosta dos livros, e a segunda os detesta.</p><p>b) A primeira gosta dos livros, logo a segunda os detesta.</p><p>c) A primeira gosta dos livros, porque a segunda os</p><p>detesta.</p><p>d) A primeira gosta dos livros, quando a segunda os</p><p>detesta.</p><p>e) A primeira gosta dos livros, portanto a segunda os</p><p>detesta.</p><p>GR0824 - (Afa)</p><p>A distância entre o motorista de vidros lacrados e o</p><p>mendigo que pede esmola no sinal vermelho é maior que</p><p>a distância entre ele e as trilhas agrestes das novelas e</p><p>dos comerciais. Nas ruas esburacadas das metrópoles,</p><p>ele talvez se sinta escalando falésias. No seu coração a</p><p>cidade embrutecida é a pior de todas as selvas.</p><p>Em relação ao excerto acima, extraído da revista VEJA e</p><p>propositalmente alterado, é correto afirmar que</p><p>a) Redundâncias e tautologias interferem na clareza.</p><p>b) É claro e conciso, porém apresenta falhas grama�cais.</p><p>c) Não é conciso, pois os pronomes “ele" e “seu" causam</p><p>ambiguidade.</p><p>d) A clareza está comprome�da pelo emprego do</p><p>pronome pessoal e do possessivo.</p><p>GR0825 - (Unitau)</p><p>A arte perdida da caligrafia</p><p>Umberto Eco</p><p>Recentemente, dois jornalistas italianos escreveram</p><p>um ar�go de jornal de três páginas (em letras de</p><p>imprensa - infelizmente) sobre o declínio da caligrafia.</p><p>Agora já é fato conhecido: a maioria das crianças - devido</p><p>aos computadores (quando elas os usam) e às</p><p>mensagens de texto - não consegue mais escrever a mão,</p><p>exceto em suadas letras maiúsculas.</p><p>Em uma entrevista, um professor disse que os alunos</p><p>também cometem muitos erros de ortografia, o que me</p><p>parece um problema em separado (6): médicos sabem</p><p>escrever e, mesmo assim, suas escritas são sofríveis; e</p><p>você pode ser um especialista em caligrafia, mas escrever</p><p>“conserto", e não “concerto". Eu conheço crianças cuja</p><p>caligrafia é bastante boa. Mas o ar�go fala em 50 por</p><p>cento de italianinhos - e eu suponho que seja graças a um</p><p>des�no indulgente (7) que eu frequente os outros 50 por</p><p>cento (algo que me acontece também na arena polí�ca).</p><p>A tragédia (1) começou bem antes do computador e do</p><p>telefone celular.</p><p>A caligrafia de meus pais era ligeiramente inclinada,</p><p>porque eles posicionavam o papel em ângulo e suas</p><p>letras eram, pelo menos para os padrões atuais,</p><p>pequenas obras de arte (2). Na época, alguns -</p><p>provavelmente aqueles com letra feia - diziam que a</p><p>caligrafia elegante era a arte dos tolos. É óbvio que</p><p>caligrafia bonita não significa, necessariamente,</p><p>inteligência refinada. Mas era prazeroso ler notas ou</p><p>documentos escritos de maneira caprichada.</p><p>Minha geração foi treinada para ter boa caligrafia e</p><p>nós passávamos os primeiros meses da escola primária</p><p>aprendendo a traçar as letras. Posteriormente, o</p><p>exercício (3) foi �do como obtuso e repressivo, mas ele</p><p>nos ensinou a manter o pulso firme ao usarmos a caneta</p><p>para formar letras arredondadas e delicadamente</p><p>desenhadas. Bem, nem sempre - porque as canetas-</p><p>�nteiro, com as quais sujávamos carteiras, livros,</p><p>cadernos, dedos e roupas, costumavam produzir uma</p><p>borra desagradável que grudava na caneta e obrigava a</p><p>dez minutos de contorções para limpar.</p><p>A crise começou com o advento (4) da caneta</p><p>esferográfica. As primeiras esferográficas também faziam</p><p>sujeira - se, imediatamente após escrever, você passasse</p><p>o dedo sobre as úl�mas palavras (8), era inevitável</p><p>aparecer um borrão. E as pessoas já não �nham muito</p><p>26@professorferretto @prof_ferretto</p><p>interesse em escrever bem, já que a caligrafia feita com</p><p>uma esferográfica, mesmo que limpa, não �nha mais</p><p>alma, es�lo ou personalidade. Por que deveríamos</p><p>lamentar o fim (5) da boa caligrafia? A capacidade de</p><p>escrever bem e velozmente em um teclado es�mula o</p><p>pensamento rápido e, com frequência (não sempre), o</p><p>corretor ortográfico irá sublinhar um erro de grafia.</p><p>Embora o celular tenha ensinado a geração mais</p><p>jovem a escrever “kd vc?" no lugar de “Cadê você?", não</p><p>nos esqueçamos de que nossos antepassados (9) ficariam</p><p>chocados ao ver que escrevemos “farmácia" e não</p><p>“pharmacia", ou “xícara" em vez de “chicara". Teólogos</p><p>medievais escreviam “respondeo dicendum quod,” coisa</p><p>que teria feito Cícero se revirar no túmulo.</p><p>A arte da caligrafia nos ensina a controlar nossas</p><p>mãos e encoraja a coordenação mão-olho.</p><p>O ar�go de três páginas apontava que a escrita a mão</p><p>nos obriga a compor a frase mentalmente antes de</p><p>escrevê-la. Graças à resistência da caneta e do papel,</p><p>somos forçados a parar para pensar. Muitos escritores,</p><p>embora acostumados a escrever no computador, algumas</p><p>vezes até prefeririam imprimir letras em uma placa de</p><p>argila, porque assim poderiam pensar com mais calma.</p><p>É verdade que as crianças escreverão cada vez mais</p><p>em computadores e celulares. Apesar de tudo, a</p><p>humanidade aprendeu a redescobrir muitas coisas que a</p><p>civilização eliminou como desnecessárias. As pessoas não</p><p>viajam mais a cavalo, mas algumas fazem aulas de</p><p>equitação; existem iates motorizados,</p><p>mas muita gente é</p><p>tão devotada à arte de velejar quanto os fenícios de três</p><p>mil anos atrás; há túneis e ferrovias, mas muitos ainda</p><p>apreciam caminhar a pé por passagens alpinas; há</p><p>pessoas que colecionam selos na era do e-mail; e</p><p>exércitos vão à guerra com rifles Kalashnikovs, mas</p><p>também organizamos pacíficos torneios de esgrima.</p><p>Seria bom se os pais enviassem os filhos a escolas de</p><p>caligrafia, para que eles pudessem par�cipar de</p><p>compe�ções e torneios (10)- não só para adquirir base</p><p>em algo que é belo, mas também para seu</p><p>desenvolvimento psicomotor. Tais escolas já existem,</p><p>basta procurar “escola de caligrafia" na internet. E, talvez</p><p>para aqueles com mão firme e sem emprego estável,</p><p>ensinar essa arte possa se tornar um bom negócio.</p><p>(Disponível em www2livrariacultura.com.br/cultura</p><p>news. Data de acesso: 07/09/10 (Texto adaptado).</p><p>Em alguns momentos, o autor u�liza expressões para</p><p>retomar partes do texto. Para retomar de forma</p><p>avalia�va a questão central - o declínio da escrita a mão</p><p>nos dias de hoje-, ele usa a expressão:</p><p>a) A tragédia (1)</p><p>b) Obras de arte (2)</p><p>c) O exercício (3)</p><p>d) O advento (4)</p><p>e) O fim (5)</p><p>GR0826 - (Pmesp)</p><p>Leia um trecho do “Sermão do bom ladrão”, de Antônio</p><p>Vieira.</p><p>Suponho, finalmente, que os ladrões de que falo não</p><p>são aqueles miseráveis, a quem a pobreza e vileza de sua</p><p>fortuna condenou a este gênero de vida, porque a</p><p>mesma sua miséria ou escusa ou alivia o seu pecado. O</p><p>ladrão que furta para comer não vai nem leva ao Inferno:</p><p>os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são os</p><p>ladrões de maior calibre e de mais alta esfera, os quais</p><p>debaixo do mesmo nome e do mesmo predicamento</p><p>dis�ngue muito bem São Basílio Magno. Não são só</p><p>ladrões, diz o santo, os que cortam bolsas ou espreitam</p><p>os que se vão banhar, para lhes colher a roupa; os ladrões</p><p>que mais própria e dignamente merecem este �tulo são</p><p>aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e</p><p>legiões, ou o governo das províncias, ou a administração</p><p>das cidades, os quais já com manha, já com força,</p><p>roubam e despojam os povos. Os outros ladrões roubam</p><p>um homem, estes roubam cidades e reinos; os outros</p><p>furtam debaixo do seu risco, estes sem temor, nem</p><p>perigo; os outros, se furtam, são enforcados, estes</p><p>furtam e enforcam. Diógenes, que tudo via com mais</p><p>aguda vista que os outros homens, viu que uma grande</p><p>tropa de varas e ministros de jus�ça levavam a enforcar</p><p>uns ladrões, e começou a bradar: “Lá vão os ladrões</p><p>grandes enforcar os pequenos.” Ditosa Grécia, que �nha</p><p>tal pregador! E mais ditosas as outras nações, se nelas</p><p>não padecera a jus�ça as mesmas afrontas. Quantas</p><p>vezes se viu em Roma ir a enforcar um ladrão por ter</p><p>furtado um carneiro, e no mesmo dia ser levado em</p><p>triunfo um cônsul, ou ditador, por ter roubado uma</p><p>província! E quantos ladrões teriam enforcado estes</p><p>mesmos ladrões triunfantes? De um chamado Seronato,</p><p>disse com discreta contraposição Sidônio Apolinar:</p><p>“Seronato está sempre ocupado em duas coisas: em</p><p>cas�gar furtos, e em os fazer.” Isto não era zelo de jus�ça,</p><p>senão inveja. Queria �rar os ladrões do mundo, para</p><p>roubar ele só.</p><p>Antônio Vieira. Essencial Padre Antônio Vieira, 2011.</p><p>Adaptado.</p><p>A coesão textual se dá pela omissão de um substan�vo</p><p>que pode ser facilmente subentendido no seguinte</p><p>trecho:</p><p>27@professorferretto @prof_ferretto</p><p>a) “O ladrão que furta para comer não vai nem leva ao</p><p>Inferno”.</p><p>b) “os ladrões que mais própria e dignamente merecem</p><p>este �tulo”.</p><p>c) “Os outros ladrões roubam um homem”.</p><p>d) “Lá vão os ladrões grandes enforcar os pequenos”.</p><p>e) “Seronato está sempre ocupado em duas coisas”.</p><p>GR0827 - (Fmj)</p><p>Leia um trecho do tratado Da maneira de dis�nguir o</p><p>bajulador do amigo, do historiador e filósofo grego</p><p>Plutarco, para responder às questões de 07 a 10.</p><p>Quando um homem dá sem cessar, em palavras,</p><p>provas de amor-próprio, meu caro An�oco Filopapo,</p><p>Platão observa que todos o desculpam; mas esse</p><p>sen�mento, acrescenta ele, entre uma pletora de vícios</p><p>muito diferentes, contém um muito importante que</p><p>impede que ele tenha sobre si mesmo um julgamento</p><p>íntegro e imparcial. “Com efeito, o amante é cego a</p><p>respeito do que ele ama”, a menos que tenha aprendido,</p><p>por um estudo especial, a habituar-se a apreciar e</p><p>procurar o belo, de preferência ao inato e ao familiar. No</p><p>seio da amizade eis que se abre ao bajulador um vasto</p><p>campo de ação: nosso amor-próprio é para ele um</p><p>terreno de acesso inteiramente propício à inves�gação</p><p>sobre nós; por causa desse sen�mento, cada um de nós é</p><p>o primeiro e o maior adulador de si próprio, não</p><p>hesitando em confiar no bajulador estranho de quem</p><p>espera ter a aprovação para confirmar suas crenças e</p><p>desejos. Com efeito, aquele que é acusado de gostar da</p><p>bajulação não passa de um homem perdidamente</p><p>enamorado de si, que, pela paixão que a si mesmo</p><p>dedica, deseja e crê possuir todas as qualidades; ora, se o</p><p>desejo é natural, a crença é, entretanto, arriscada e</p><p>reclama bastante circunspecção. Mas, supondo-se que a</p><p>verdade seja divina e seja, segundo Platão, o princípio</p><p>“de todos os bens para os deuses e de todos os bens para</p><p>os homens”, o bajulador está muito arriscado a ser</p><p>inimigo dos deuses e sobretudo do deus Pí�co, pois não</p><p>deixa de estar em contradição com o “conhece-te a �</p><p>mesmo”, iludindo cada um quanto à sua própria pessoa e</p><p>tornando-o cego, no que diz respeito a si mesmo, e às</p><p>virtudes e aos vícios que lhe concernem, pois torna as</p><p>primeiras imperfeitas e inacabadas, os outros, totalmente</p><p>incuráveis.</p><p>(Plutarco. Como �rar proveito de seus inimigos / Da</p><p>maneira de dis�nguir o bajulador do amigo, 2011.</p><p>Adaptado.)</p><p>“Quando um homem dá sem cessar, em palavras, provas</p><p>de amor-próprio, meu caro An�oco Filopapo, Platão</p><p>observa que todos o desculpam; mas esse sen�mento,</p><p>acrescenta ele, entre uma pletora de vícios muito</p><p>diferentes, contém um muito importante que impede</p><p>que ele tenha sobre si mesmo um julgamento íntegro e</p><p>imparcial.”</p><p>Os referentes dos termos em negrito nesse trecho são,</p><p>respec�vamente</p><p>a) An�oco Filopapo, Platão e An�oco Filopapo.</p><p>b) An�oco Filopapo, An�oco Filopapo e Platão.</p><p>c) Platão, An�oco Filopapo e homem.</p><p>d) homem, Platão e Platão.</p><p>e) homem, Platão e homem.</p><p>GR0829 - (Fcmscsp)</p><p>Leia a crônica “Médicos e monstros”, de Moacyr Scliar,</p><p>publicada originalmente no jornal Zero Hora, em</p><p>20.08.1997.</p><p>Sentenças judiciais nem sempre têm sido muito felizes</p><p>no que diz respeito aos direitos humanos, mas este 20 de</p><p>agosto marca o quinquagésimo aniversário de uma</p><p>decisão jurídica que se tornaria um marco não apenas na</p><p>história da jus�ça como na da é�ca médica. Naquela data</p><p>o Tribunal de Nuremberg condenou 23 médicos nazistas</p><p>por par�cipação em a�vidades de genocídio.</p><p>O número não chega a ser impressionante. E os réus</p><p>eram, na verdade, figuras secundárias. Ali não estava, por</p><p>exemplo, Adolf Eichmann, que injetava corante nos olhos</p><p>de crianças para torná-los arianamente azuis, ou que</p><p>matou uma criança com suas próprias mãos para</p><p>confirmar o diagnós�co de tuberculose, posto em dúvida</p><p>por colegas. Como outros, ele �nha escapado — para ser</p><p>alcançado depois pelo longo braço da jus�ça israelense.</p><p>Importante, contudo, foi a sentença. Porque, anexo a</p><p>ela, estava um documento que depois se tornaria</p><p>conhecido como o Código de Nuremberg. Em sua defesa,</p><p>os médicos nazistas haviam alegado que estavam agindo</p><p>em nome da ciência; para evitar que essa afrontosa</p><p>alegação servisse de desculpa em crimes posteriores. O</p><p>Código de Nuremberg estabeleceu vários princípios. Que</p><p>hoje nos parecem óbvios: um experimento médico só</p><p>pode ser feito com o consen�mento da pessoa; deve</p><p>proporcionar resultados que beneficiem a humanidade;</p><p>deve evitar qualquer sofrimento. Que os doutores</p><p>nazistas tenham violado princípios tão básicos mostra a</p><p>que ponto chegaram em sua degradação. Mas não só</p><p>eles, obviamente; em Tuskegee, no Alabama, médicos</p><p>deixaram de usar a penicilina em pacientes negros com</p><p>sífilis para observar como evoluiria a doença não tratada</p><p>(um conhecimento, diga-se de passagem, há muito</p><p>registrado nos manuais clínicos).</p><p>Robert Louis Stevenson criou as figuras de Dr. Jekyll</p><p>e</p><p>Mr. Hyde, o médico e o monstro, para simbolizar o</p><p>28@professorferretto @prof_ferretto</p><p>antagonismo entre o bem e o mal. Nos doutores nazistas</p><p>esse antagonismo desapareceu: eram médicos e eram</p><p>monstros. Diante da enorme quan�dade de pessoas</p><p>indefesas, a medicina optou pela extrema crueldade das</p><p>experiências sem sen�do, da tortura impiedosa, das</p><p>câmaras de gás. Uma experiência que os médicos da</p><p>ditadura, por exemplo, herdaram e que pra�caram —</p><p>inclusive aqui no Brasil — até há muito pouco tempo.</p><p>Cinquenta anos depois da sentença do Tribunal de</p><p>Nuremberg, é necessário lembrar, ainda uma vez, que a</p><p>medicina surgiu, única e exclusivamente, para ajudar o</p><p>ser humano. Qualquer ser humano.</p><p>(Moacyr Scliar. A nossa frágil condição humana, 2017.)</p><p>Para evitar a sua repe�ção, garan�ndo assim uma maior</p><p>coesão textual, verifica-se no primeiro parágrafo da</p><p>crônica a omissão do substan�vo</p><p>a) “data”.</p><p>b) “história”.</p><p>c) “Sentenças”.</p><p>d) “decisão”.</p><p>e) “marco”.</p><p>GR0830 - (Epcar)</p><p>Disponível em: h�ps://shre.ink/QV7i. Acesso em: 11</p><p>maio 2023.</p><p>Com base na análise dos quadrinhos, só NÃO se pode</p><p>afirmar que</p><p>a) as palavras “se” e “e”, 2º quadrinho, classificam-se</p><p>como conjunções.</p><p>b) a palavra “isso” estabelece uma coesão catafórica em</p><p>relação ao conteúdo do quadrinho anterior.</p><p>c) a expressão “apesar de que”, 3º quadrinho, estabelece</p><p>uma relação de concessão com a frase anterior.</p><p>d) o 2º quadrinho aborda uma das consequências de não</p><p>se saber ler.</p><p>GR0831 - (Enem)</p><p>(...) E assim as coisas con�nuaram acontecendo entre</p><p>os dois, em quase sustos, um grande por acaso com</p><p>cacoetes de gestos defini�vos. Com o Nunca Mais se</p><p>oferecendo o tempo todo, bastaria dizer foi um prazer ter</p><p>te conhecido, bastaria não trocar telefones nem e-mails e</p><p>enterrar a casualidade com a cal da sabedoria — nada</p><p>poderia ser defini�vo, os encontros duravam duas horas</p><p>ou duas décadas ou duas vezes isso, mas em algum</p><p>momento necessariamente seria o fim. De todos os</p><p>grandes amores, De todos os pequenos. De todas as</p><p>juras, das promessas, de todos os na-alegria-e-na-</p><p>tristeza. De todos os não amores, os desamores, os</p><p>casamentos para sempre, os rancores para sempre, de</p><p>todas as paralelas que só se viabilizam na abstração da</p><p>geometria, de todas as pequenas paixões e de todas as</p><p>grandes paixões, de tudo que para na antessala da</p><p>paixão, de todos os vínculos não experimentados, de</p><p>todos.</p><p>LISBOA, A. Rahushisha. Rio de Janeiro Obje�va 2014.</p><p>O recurso que promove a progressão textual,</p><p>contribuindo para a construção da ideia de que as</p><p>relações amorosas têm um enredo comum, é a</p><p>a) repe�ção do pronome indefinido “todos”.</p><p>b) u�lização do travessão na marcação do aposto.</p><p>c) retomada do antecedente pelo pronome “isso”.</p><p>d) contraposição de ideias marcada pela conjunção</p><p>“mas”.</p><p>e) substan�vação de expressões pela anteposição do</p><p>ar�go.</p><p>29@professorferretto @prof_ferretto</p><p>Record,</p><p>1991.)</p><p>A escolha do tratamento que se queira atribuir a alguém</p><p>geralmente considera as situações específicas de uso</p><p>social. A violação desse princípio causou um mal-estar no</p><p>autor da carta. O trecho que descreve essa violação é:</p><p>a) “Essa palavra, ‘senhor’, no meio de uma frase ergueu</p><p>entre nós um muro frio e triste.”</p><p>b) “A única nobreza do plebeu está em não querer</p><p>esconder a sua condição.”</p><p>c) “Só poderíeis ter encontrado essa senhoria nas rugas</p><p>de minha testa.”</p><p>d) “O território onde eu mando é no país do tempo que</p><p>foi.”</p><p>e) “Não é de muito, eu juro, que acontece essa tristeza;</p><p>mas também não era a vez primeira.”</p><p>GR0576 - (Enem)</p><p>(Disponível em: h�p://ziraldo.blogtv.uol.com.br. Acesso</p><p>em: 27 jul. 2010).</p><p>O cartaz de Ziraldo faz parte de uma campanha contra o</p><p>uso de drogas. Essa abordagem, que se diferencia das de</p><p>outras campanhas, pode ser iden�ficada</p><p>a) pela seleção do público-alvo da campanha,</p><p>representado, no cartaz, pelo casal de jovens.</p><p>b) pela escolha temá�ca do cartaz, cujo texto configura</p><p>uma ordem aos usuários e não usuários: diga não às</p><p>drogas.</p><p>c) pela ausência intencional do acento grave, que</p><p>constrói a ideia de que não é a droga que faz a cabeça</p><p>do jovem.</p><p>d) pelo uso da ironia, na oposição imposta entre a</p><p>seriedade do tema e a ambiência amena que envolve</p><p>a cena.</p><p>e) pela criação de um texto de sá�ra à postura dos</p><p>jovens, que não possuem autonomia para seguir seus</p><p>caminhos.</p><p>GR0582 - (Enem)</p><p>A tendência dos nomes</p><p>O nome é uma das primeiras coisas que não escolhemos</p><p>na vida. Estará inscrito nos registros: na maternidade, no</p><p>RG, no CPF, no obituário etc. Enfim, uma escolha que não</p><p>fizemos nos acompanha do berço ao túmulo, pois na</p><p>lápide se dirá que ali jaz Fulano de Tal.</p><p>(SILVA, D. Língua, n. 77, mar. 2012.)</p><p>Algumas palavras atuam no desenvolvimento de um</p><p>texto contribuindo para a sua progressão. A palavra</p><p>“enfim” promove o encadeamento do texto, tendo sido</p><p>u�lizada com a intenção de</p><p>a) explicar que os nomes das pessoas são escolhidos no</p><p>nascimento.</p><p>b) ra�ficar que os nomes registrados no nascimento são</p><p>imutáveis.</p><p>c) reiterar que os nomes recebidos são importantes até a</p><p>morte.</p><p>d) concluir que os nomes acompanham os indivíduos até</p><p>a morte.</p><p>e) acrescentar que ninguém pode escolher o próprio</p><p>nome.</p><p>GR0398 - (Unicamp)</p><p>Leia o texto: “Boas coisas acontecem para quem espera.</p><p>As melhores coisas acontecem para quem se levanta e</p><p>faz.” (Domínio público.)</p><p>Considerando o texto acima e a maneira como ele é</p><p>estruturado, podemos afirmar que:</p><p>3@professorferretto @prof_ferretto</p><p>a) O uso encadeado de “Boas coisas” e “As melhores</p><p>coisas” possibilita a valorização do primeiro enunciado</p><p>e a desvalorização do segundo.</p><p>b) A repe�ção do termo “coisas” garante que “boas</p><p>coisas” e “as melhores coisas” remetem ao mesmo</p><p>referente.</p><p>c) Entre as expressões “para quem espera” e “para quem</p><p>se levanta e faz” estabelece-se uma relação de</p><p>temporalidade.</p><p>d) A sequenciação desse texto ocorre por meio da</p><p>recorrência de expressões e de estruturas sintá�cas.</p><p>GR0400 - (Unicamp)</p><p>É possível fazer educação de qualidade sem escola</p><p>É possível fazer educação embaixo de um pé de</p><p>manga? Não só é, como já acontece em 20 cidades</p><p>brasileiras e em Angola, Guiné-Bissau e Moçambique.</p><p>Decepcionado com o processo de “ensinagem”, o</p><p>antropólogo Tião Rocha pediu demissão do cargo de</p><p>professor da UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto)</p><p>e criou em 1984 o CPCD (Centro Popular de Cultura e</p><p>Desenvolvimento).</p><p>Curvelo, no Sertão mineiro, foi o laboratório da</p><p>“escola” que abandonou mesa, cadeira, lousa e giz, fez</p><p>das ruas a sala de aula e envolveu crianças e familiares na</p><p>pedagogia da roda. “A roda é um lugar da ação e da</p><p>reflexão, do ouvir e do aprender com o outro. Todos são</p><p>educadores, porque estão preocupados com a</p><p>aprendizagem. É uma construção cole�va”, explica.</p><p>O educador diz que a roda constrói consensos.</p><p>“Porque todo processo ele�vo é um processo de</p><p>exclusão, e tudo que exclui não é educa�vo. Uma escola</p><p>que seleciona não educa, porque excluiu alguns. A</p><p>melhor pedagogia é aquela que leva todos os meninos a</p><p>aprenderem. E todos podem aprender, só que cada um</p><p>no seu ritmo, não podemos uniformizar.”</p><p>Nesses 30 anos, o educador foi engrossando “seu</p><p>dicionário de terminologias educacionais, todas calcadas</p><p>no saber popular: surgiu a pedagogia do abraço, a</p><p>pedagogia do brinquedo, a pedagogia do sabão e até</p><p>oficinas de cafuné. Esta úl�ma foi provocada depois que</p><p>um garoto perguntou: “Tião, como faço para conquistar</p><p>uma moleca?” Foi a deixa para ele colocar questões de</p><p>sexualidade na roda.</p><p>(...)</p><p>Sem pressa, seguindo a Carta da Terra e citando</p><p>Ariano Suassuna para dizer que “terceira idade é para</p><p>fruta: verde, madura e podre”, Tião diz se sen�r</p><p>“privilegiado” de viver o que já viveu e acreditar na</p><p>utopia de não haver mais nenhuma criança analfabeta no</p><p>Brasil. “Isso não é uma polí�ca de governo, nem de</p><p>terceiro setor, é uma questão é�ca”, pontua.</p><p>(Qsocial, 09/12/2014.</p><p>Disponível em:</p><p>h�p://www.cpcd.org.br/por�olio/e_possivel_fazer</p><p>_educacao_de_qualidade_100_escola/.)</p><p>Em relação ao trecho “E ainda colocou em uso termos</p><p>como ‘empodimento’, após várias vezes ser ques�onado</p><p>pelas comunidades: ‘Pode [fazer tal coisa], Tião?’ Seguida</p><p>da resposta certeira: ‘Pode, pode tudo’”, é correto</p><p>afirmar:</p><p>a) A expressão “Seguida da resposta certeira” indica a</p><p>elipse de uma outra expressão.</p><p>b) A criação da palavra “empodimento” é resultado de</p><p>um processo: sufixação.</p><p>c) A repe�ção do verbo no enunciado “Pode, pode tudo”</p><p>exemplifica o es�lo reitera�vo do texto.</p><p>d) O discurso direto presente no trecho tem a função de</p><p>dar voz às comunidades.</p><p>GR0577 - (Enem)</p><p>João/Zero (Wagner Moura) é um cien�sta genial, mas</p><p>infeliz porque há 20 anos atrás foi humilhado</p><p>publicamente durante uma festa e perdeu Helena (Alinne</p><p>Moraes), uma an�ga e eterna paixão. Certo dia, uma</p><p>experiência com um de seus inventos permite que ele</p><p>faça uma viagem no tempo, retornando para aquela</p><p>época e podendo interferir no seu des�no. Mas quando</p><p>ele retorna, descobre que sua vida mudou totalmente e</p><p>agora precisa encontrar um jeito de mudar essa história,</p><p>nem que para isso tenha que voltar novamente ao</p><p>passado. Será que ele conseguirá acertar as coisas?</p><p>Disponível em: h�p://adorocinema.com. Acesso em: 4</p><p>out. 2011.</p><p>Qual aspecto da organização grama�cal atualiza os</p><p>eventos apresentados na resenha, contribuindo para</p><p>despertar o interesse do leitor pelo filme?</p><p>a) O emprego do verbo haver, em vez de ter, em “há 20</p><p>anos atrás foi humilhado”.</p><p>b) A descrição dos fatos com verbos no presente do</p><p>indica�vo, como “retorna” e “descobre”.</p><p>c) A repe�ção do emprego da conjunção “mas” para</p><p>contrapor ideias.</p><p>d) A finalização do texto com a frase de efeito “Será que</p><p>ele conseguirá acertar as coisas?”.</p><p>e) O uso do pronome de terceira pessoa “ele” ao longo</p><p>do texto para fazer referência ao protagonista</p><p>“João/Zero”.</p><p>GR0588 - (Enem PPL)</p><p>E vejam agora com que destreza, com que arte faço</p><p>eu a maior transição deste livro. Vejam: o meu delírio</p><p>começou em presença de Virgília; Virgília foi o meu grão</p><p>4@professorferretto @prof_ferretto</p><p>pecado de juventude; não há juventude sem meninice;</p><p>meninice supõe nascimento; e eis aqui como chegamos</p><p>nós, sem esforço, ao dia 20 de outubro de 1805, em que</p><p>nasci. Viram?</p><p>ASSIS, M. Memórias póstumas de Brás Cubas. Rio de</p><p>Janeiro: NovaAguilar, 1974 (fragmento).</p><p>A repe�ção é um recurso linguís�co u�lizado para</p><p>promover a progressão textual, pois indica</p><p>entrelaçamento de ideias. No fragmento de romance, as</p><p>repe�ções foram u�lizadas com o obje�vo de</p><p>a) marcar a transição entre dois momentos dis�ntos da</p><p>narra�va, o amor do narrador por Virgília e seu</p><p>nascimento.</p><p>b) tornar mais lento o fluxo de informações, para</p><p>finalmente conduzir o leitor ao tema principal.</p><p>c) reforçar, pelo acúmulo de afirmações, a ideia do</p><p>quanto é grande o sen�mento do narrador por Virgília.</p><p>d) representar a monotonia, caracterizadora das etapas</p><p>da vida do autor: a juventude e a velhice.</p><p>e) assegurar a sequenciação cronológica dos fatos</p><p>representados e a precisão das informações.</p><p>GR0591 - (Enem PPL)</p><p>Reciclar é só parte da solução</p><p>O lixo é um grande problema da sustentabilidade.</p><p>Literalmente: todos os anos, cada brasileiro produz 385</p><p>kg de resíduos — dá 61 milhões de toneladas no total. O</p><p>certo seria tentar diminuir ao máximo essa quan�dade</p><p>de lixo. Ou seja, em vez de ter objetos recicláveis, o ideal</p><p>seria produzir sempre objetos reu�lizáveis, o que diminui</p><p>os resíduos. Mas, enquanto isso não acontece, temos que</p><p>nos contentar com a reciclagem. E é aí que vem um</p><p>detalhe perigoso: reciclar o lixo também polui o</p><p>ambiente e gasta energia. Reciclar vidro, por exemplo, é</p><p>15% mais caro do que produzi-lo a par�r de matérias-</p><p>primas virgens. Afinal, é feito basicamente de areia, soda</p><p>e calcário, que são abundantes na natureza. Então,</p><p>nenhuma empresa tem interesse em reciclá-lo. Já o</p><p>alumínio é um supernegócio, porque economiza muita</p><p>energia.</p><p>HORTA, M. Disponível em: h�p://super.abril.com.br.</p><p>Acesso em: 25 maio 2012.</p><p>O emprego adequado dos elementos de coesão contribui</p><p>para a construção de um texto argumenta�vo e para que</p><p>os obje�vos pretendidos pelo autor possam ser</p><p>alcançados. A análise desses elementos no texto mostra</p><p>que o conec�vo</p><p>a) “ou seja” introduz um esclarecimento sobre a</p><p>diminuição da quan�dade de lixo.</p><p>b) “mas” instaura jus�fica�vas para a criação de novos</p><p>�pos de reciclagem.</p><p>c) “também” antecede um argumento a favor da</p><p>reciclagem.</p><p>d) “afinal” retoma uma finalidade para o uso de</p><p>matérias-primas.</p><p>e) “então” reforça a ideia de escassez de matérias-primas</p><p>na natureza.</p><p>GR0598 - (Enem)</p><p>Acho que educar é como catar piolho na cabeça de</p><p>criança.</p><p>É preciso ter confiança, perseverança e um certo</p><p>despojamento.</p><p>É preciso, também, conquistar a confiança de quem se</p><p>quer educar, para fazê-lo deitar no colo e ouvir histórias.</p><p>MUNDURUKU, D. Disponível em:</p><p>h�p://caravanamekukradja.blogspot.com.br. Acesso em:</p><p>5 dez. 2012.</p><p>Concorrem para a estruturação e para a progressão das</p><p>ideias no texto os seguintes recursos:</p><p>a) Comparação e enumeração.</p><p>b) Hiperonímia e antonímia.</p><p>c) Argumentação e citação.</p><p>d) Narração e retomada.</p><p>e) Pontuação e hipérbole.</p><p>GR0605 - (Enem PPL)</p><p>Como ocorrem os eclipses solares?</p><p>Quando a Lua passa exatamente entre a Terra e o Sol,</p><p>o astro que ilumina nosso planeta some por alguns</p><p>minutos. O espetáculo só ocorre durante a lua nova e</p><p>apenas nas ocasiões em que a sombra projetada pelo</p><p>satélite a�nge algum ponto da super�cie do planeta.</p><p>Aliás, é o tamanho dessa sombra que vai determinar se o</p><p>desaparecimento do astro será total, parcial ou anular.</p><p>Geralmente, ocorrem ao menos dois eclipses solares por</p><p>ano. Um eclipse solar é uma excelente oportunidade para</p><p>estudar melhor o Sol.</p><p>Disponível em: h�ps://mundoestranho.abril.com.br.</p><p>Acesso em: 21 ago. 2017 (adaptado).</p><p>Nesse texto, a palavra “aliás” cumpre a função de</p><p>5@professorferretto @prof_ferretto</p><p>a) promover uma conclusão de ideias valendo-se das</p><p>informações da frase anterior.</p><p>b) indicar uma mudança de assunto e de foco no tema</p><p>desenvolvido.</p><p>c) conectar a informação da frase anterior com a da</p><p>posterior.</p><p>d) conferir um caráter mais coloquial à reportagem.</p><p>e) salientar a negação expressa na frase posterior.</p><p>GR0611 - (Ufrgs)</p><p>Em 1826, o pintor francês Jean-Bap�ste Debret, em</p><p>uma das mais expressivas obras que pintou no Rio de</p><p>Janeiro, O escravo do naturalista, registrou a par�cipação</p><p>dos escravos e auxiliares locais no trabalho de campo dos</p><p>naturalistas estrangeiros que, a par�r do início do século</p><p>19, percorreram várias partes do Brasil.</p><p>A contribuição das culturas na�vas para o</p><p>conhecimento cien�fico adquirido ou construído</p><p>pelos naturalistas (9) quase sempre tem sido</p><p>desconsiderada pelos historiadores da ciência (7). A</p><p>atenção destes (6) é dirigida para as observações e</p><p>teorias daqueles (8), seus instrumentos e métodos de</p><p>trabalho e para as influências polí�cas, filosóficas e</p><p>econômicas em suas obras, com frequência, eles (10)</p><p>descrevem as populações locais como iletradas e</p><p>ignorantes; porém, delas dependia, em boa medida, o</p><p>êxito das expedições dos naturalistas.</p><p>Em muitos trechos de seus relatos, cien�stas como</p><p>Alfred Wallace, Henry Bates e Louis Agassiz descrevem</p><p>como os habitantes locais (12) contribuíram com</p><p>conhecimentos para o seu (11) trabalho. Havia, é claro, o</p><p>previsível apoio logís�co e de infraestrutura, tais como o</p><p>fornecimento de alimentos, meios de transporte e outros</p><p>recursos materiais, bem como sua (13) presença como</p><p>guias, carregadores, intérpretes e companhia pessoal.</p><p>Muitas vezes, porém – e é esse ponto que nos interessa -,</p><p>verifica-se também, por parte de indivíduos e</p><p>comunicantes locais, a transmissão de conhecimentos</p><p>ob�dos com a longa experiência na floresta. Esses</p><p>conteúdos viriam a ser sistema�zados pelos naturalistas,</p><p>deputados dentro da visão cien�fica predominante e</p><p>incorporados ao cabedal cien�fico universal.</p><p>(Adaptado de. MOREIRA, Ildeu de Castro. O escravo do</p><p>naturalista. Ciência Hoje, v. 31, n. 184, jul.2002.)</p><p>Vários pronomes no texto retomam elementos</p><p>anteriormente referidos. Abaixo, o pronome está</p><p>associado ao elemento que ele subs�tui no texto em</p><p>todas as alterna�vas, à exceção de</p><p>a) destes (6) – historiadores da ciência (7).</p><p>b) daqueles (8) – naturalistas (9).</p><p>c) eles (10) – historiadores da ciência (7).</p><p>d) seu (11) – habitantes locais (12).</p><p>e) sua (13) – habitantes locais (12).</p><p>GR0612 - (Ufrgs)</p><p>Entre as situações linguís�cas que o português já</p><p>viveu em seu contato com outras línguas, cabe considerar</p><p>uma situação que se realiza em nossos dias: aquela em</p><p>que ele é uma língua de emigrantes. Para o leitor</p><p>brasileiro (5), soará talvez estranho que falemos aqui (7)</p><p>do português como uma língua de EMIGRANTES, pois o</p><p>Brasil foi antes de mais nada um país para o qual se</p><p>dirigiam em massa, durante mais de dois séculos,</p><p>pessoas nascidas em vários países europeus e asiá�cos;</p><p>assim, para a maioria dos brasileiros, a representação</p><p>mais natural é a da convivência no Brasil com</p><p>IMIGRANTES vindos de outros países. Sabemos,</p><p>entretanto (15), que, nos úl�mos cem anos, muitos</p><p>falantes do português foram buscar melhores condições</p><p>de vida, par�ndo (18) não só de Portugal para o Brasil,</p><p>mas também (19) desses dois países para a América do</p><p>Norte e (20) para vários países da Europa: em certo</p><p>momento, na década de 1970, viviam na região</p><p>parisiense mais de um milhão de portugueses –uma</p><p>população superior à que �nha então a cidade de Lisboa.</p><p>Do Brasil, têm ...... nas úl�mas décadas muitos jovens e</p><p>trabalhadores, dirigindo-se aos quatro cantos do mundo.</p><p>A existência de comunidades de imigrantes é sempre</p><p>uma situação delicada para os próprios imigrantes e para</p><p>o país que os recebeu: normalmente (32), os imigrantes</p><p>vão a países que têm interesse em usar (33) sua força de</p><p>trabalho, mas qualquer oscilação na economia faz com</p><p>que os na�vos ........ sua presença como indesejável; as</p><p>diferenças na cultura e na fala podem alimentar</p><p>preconceitos e desencadear problemas reais de</p><p>diferentes ordens.</p><p>Em geral (40), proteger a cultura e a língua do</p><p>imigrante não é (41) um obje�vo prioritário dos países</p><p>hospedeiros, mas no caso do português tem havido ........</p><p>. Em certo momento, o português foi uma das línguas</p><p>estrangeiras mais estudadas na França; e, em algumas</p><p>cidades do Canadá e dos Estados Unidos, um mínimo de</p><p>vida associa�va tem garan�do a sobrevivência de jornais</p><p>editados em português, man�dos pelas próprias</p><p>comunidades de origem portuguesa e brasileira.</p><p>(Adaptado de: ILARI, Rodolfo; BASSO, Renato. O</p><p>português como língua de emigrantes. In: O português da</p><p>gente: a língua que estudamos a língua que falamos. São</p><p>Paulo: Contexto, 2006. p. 42-43.)</p><p>Desconsiderando questões de emprego de letra</p><p>maiúscula, assinale a alterna�va em que se sugere um</p><p>6@professorferretto @prof_ferretto</p><p>deslocamento de adjunto adverbial que preservaria tanto</p><p>a correção quanto o sen�do do segmento original.</p><p>a) Colocação de Para o leitor brasileiro (5) entre vírgulas,</p><p>imediatamente após aqui (7).</p><p>b) Deslocamento de entretanto (15) para imediatamente</p><p>após par�ndo (18).</p><p>c) Passagem de também (19) para imediatamente</p><p>após e</p><p>(20).</p><p>d) Deslocamento de normalmente (32) para</p><p>imediatamente após usar (33).</p><p>e) Colocação de Em geral (40) entre vírgulas,</p><p>imediatamente após é (41).</p><p>GR0613 - (Ufrgs)</p><p>Darwin passou quatro meses no Brasil, em 1832,</p><p>durante a sua célebre viagem a bordo do Beagle. Voltou</p><p>impressionado com o que viu: "Delícia é um termo</p><p>insuficiente para exprimir as emoções sen�das por um</p><p>naturalista (28) a sós com a natureza em uma floresta</p><p>brasileira", escreveu. O Brasil, porém, aparece de forma</p><p>menos idílica em seus (27) escritos: “Espero nunca mais</p><p>voltar a um país escravagista. O estado da enorme</p><p>população escrava deve preocupar todos os que chegam</p><p>ao Brasil. Os senhores de escravos querem ver o negro</p><p>como outra espécie, mas temos todos a mesma origem.”</p><p>Em vez do gorjeio do sabiá, o que Darwin guardou nos</p><p>ouvidos foi um som terrível (3) que o (29) acompanhou</p><p>por toda a vida: “Até hoje, se eu ouço um grito, lembro-</p><p>me, com dolorosa e clara memória, de quando passei</p><p>numa casa em Pernambuco e ouvi urros terríveis. Logo</p><p>entendi que era algum pobre escravo que estava sendo</p><p>torturado.”</p><p>Segundo o biólogo Adrian Desmond, “a viagem do</p><p>Beagle, para Darwin, foi menos importante pelos</p><p>espécimes coletados do que pela experiência de</p><p>testemunhar os horrores da escravidão no Brasil. De</p><p>certa forma, ele escolheu focar na descendência comum</p><p>do homem justamente para mostrar que todas as raças</p><p>eram iguais (31) e, desse modo (30), enfim, objetar</p><p>àqueles que insis�am em dizer que os negros pertenciam</p><p>a uma espécie diferente e inferior à dos brancos".</p><p>Desmond (33) acaba de lançar um estudo que mostra a</p><p>paixão abolicionista do cien�sta (35), revelada por seus</p><p>(32) diários e cartas pessoais. “A extensão de seu (34)</p><p>interesse no combate à ciência de cunho racista é</p><p>surpreendente, e pudemos detectar um ímpeto moral</p><p>por trás de seu trabalho sobre a evolução humana - uma</p><p>crença na ‘irmandade racial’ que �nha origem em seu</p><p>ódio ao escravismo e que o levou a pensar numa</p><p>descendência comum.”</p><p>(Adaptado de: HAAG, C. O elo perdido tropical. Pesquisa</p><p>FAPESP, n. 159, p. 80-85, maio 2009.)</p><p>Assinale a alterna�va em que se estabelece uma relação</p><p>de referência correta entre o primeiro e o segundo</p><p>segmentos extraídos do texto.</p><p>a) seus (27) – um naturalista (28).</p><p>b) o (29) – um som terrível (3).</p><p>c) desse modo (30) –- todas as raças eram iguais (31).</p><p>d) seus (32) – Desmond (33).</p><p>e) seu (34) – do cien�sta (35).</p><p>GR0616 - (Ufrgs)</p><p>A variação linguís�ca é uma realidade que, embora</p><p>razoavelmente (2) bem estudada pela sociolinguís�ca,</p><p>pela dialetologia e pela linguís�ca histórica, provoca, em</p><p>geral, (4) reações sociais muito nega�vas. O senso</p><p>comum tem escassa percepção de que a língua é um</p><p>fenômeno heterogêneo, que alberga grande variação e</p><p>está em mudança con�nua. Por isso, costuma folclorizar</p><p>a variação regional; demoniza a variação social e tende a</p><p>interpretar as mudanças como sinais de deterioração da</p><p>língua. O senso comum não se dá bem com a variação</p><p>linguís�ca e chega (14), muitas vezes, (15) a explosões de</p><p>ira e a gestos de grande violência simbólica diante de</p><p>fatos de variação.</p><p>Boa parte de uma educação de qualidade tem a ver</p><p>precisamente com o ensino de língua – um ensino que</p><p>garanta o domínio das prá�cas socioculturais de leitura,</p><p>escrita e fala nos espaços públicos. E esse domínio inclui</p><p>o das variedades linguís�cas historicamente iden�ficadas</p><p>como as mais próprias a essas prá�cas – isto é, as</p><p>variedades escritas e faladas que devem ser iden�ficadas</p><p>como cons�tu�vas da chamada norma culta. Isso</p><p>pressupõe, inclusive (27), uma ampla discussão sobre o</p><p>próprio conceito de norma culta e suas efe�vas</p><p>caracterís�cas (29) no Brasil contemporâneo.</p><p>Parece claro hoje que o domínio dessas variedades</p><p>caminha junto com o domínio das respec�vas prá�cas</p><p>socioculturais. Parece claro também, por outro lado, que</p><p>não se trata apenas de desenvolver uma pedagogia que</p><p>garanta o domínio das prá�cas socioculturais e das</p><p>respec�vas variedades linguís�cas. Considerando o grau</p><p>de rejeição social das variedades ditas populares, parece</p><p>que o que nos desafia é a construção de toda uma</p><p>cultura escolar aberta à crí�ca da discriminação pela</p><p>língua e preparada para combatê-la, o que pressupõe</p><p>uma adequada compreensão da heterogeneidade</p><p>linguís�ca do país, sua história social e suas</p><p>caracterís�cas atuais. Essa compreensão deve alcançar,</p><p>em primeiro lugar, os próprios educadores e, em seguida,</p><p>os educandos.</p><p>Como fazer isso? Como garan�r a disseminação dessa</p><p>cultura na escola e pela escola, considerando que a</p><p>sociedade em que essa escola existe não reconhece sua</p><p>cara linguís�ca e não só só discrimina impunemente pela</p><p>7@professorferretto @prof_ferretto</p><p>língua, como dá sustento explícito a esse �po de</p><p>discriminação? Em suma, como construir uma pedagogia</p><p>da variação linguís�ca?</p><p>(Adaptado de: ZILLES, A. M; FARACO, C. A. Apresentação.</p><p>In: ZILLES, A. M; FARACO, C. A, orgs., Pedagogia da</p><p>variação linguís�ca: língua, diversidade e ensino. São</p><p>Paulo: Parábola, 2015.)</p><p>Considere as seguintes propostas de alteração da ordem</p><p>de elementos adverbiais do texto.</p><p>I. Deslocamento de , em geral, (4) para imediatamente</p><p>antes de razoavelmente (2).</p><p>II. Deslocamento de , muitas vezes, (15) para</p><p>imediatamente antes de chega (14).</p><p>III. Deslocamento de inclusive (27), precedido de vírgula,</p><p>para imediatamente depois de caracterís�cas (29).</p><p>Quais propostas estão corretas e preservam o sen�do do</p><p>texto?</p><p>a) Apenas I.</p><p>b) Apenas II.</p><p>c) Apenas I e III.</p><p>d) Apenas II e III.</p><p>e) I, II e III.</p><p>GR0621 - (Uff)</p><p>Nunca esteve tão bom para nós, mulheres (7). Nem tão</p><p>di�cil.</p><p>Os salários não são iguais, as creches con�nuam</p><p>insuficientes (9), o sexo é uma confusão total entre o agir</p><p>e o sen�r (16), o trabalho é complicadíssimo em termos</p><p>psíquicos para a mulher (10): fonte de culpa e medos.</p><p>Nunca foi tão di�cil. Muito está colocado, mas tudo está</p><p>por fazer (14). Esta é uma hora para se parar e pensar</p><p>(12). Pensar pelo que brigamos até agora, o que</p><p>conseguimos, onde fomos usadas pelo sistema, o que</p><p>deu errado, o que fazer de agora em diante. Sinto que</p><p>existe todo um trabalho a ser feito de conscien�zação</p><p>feminina — pois o que se passa no Piauí não é o mesmo</p><p>das grandes capitais (8) — já que as lutas não serão</p><p>primordialmente mais no nível do “queremos”,</p><p>“exigimos”, das passeatas, mas da prá�ca do obter e do</p><p>ser. É uma luta mais in�mista de um lado, fora dos jornais</p><p>(11), mais difusa na realidade (15).</p><p>A luta de base, de formiguinha, onde o</p><p>confrontamento não será mais com a polícia e o governo</p><p>somente, mas basicamente com os companheiros de</p><p>trabalho, amigos e marido (13).</p><p>SUPLICY, Marta. Reflexões sobre o co�diano. Rio Janeiro:</p><p>Espaço e Tempo, 1986. p. 124-5.</p><p>No trecho abaixo, o termo destacado tem função</p><p>anafórica, já que retoma elemento anteriormente</p><p>expresso.</p><p>“A luta de base, de formiguinha, onde o confronto não</p><p>será mais com a polícia e o governo somente, mas</p><p>basicamente com os companheiros de trabalho, amigos e</p><p>marido.” (13)</p><p>Assinale a opção que apresenta o elemento</p><p>anteriormente expresso:</p><p>a) Confronto.</p><p>b) Formiguinha.</p><p>c) Luta.</p><p>d) Polícia.</p><p>e) Passeatas.</p><p>GR0622 - (Uff)</p><p>Acompanho com assombro o que andam dizendo</p><p>sobre os primeiros 500 anos do brasileiro (6). Concordo</p><p>com todas as opiniões emi�das e com as minhas em</p><p>primeiríssimo lugar. Tenho para mim que há dois</p><p>referenciais literários para nos definir. De um lado, o</p><p>produto daquilo que Gilberto Freyre chamou de casa-</p><p>grande e senzala (3), o homem miscigenado, potente e</p><p>tendendo a ser feliz. De outro, o Macunaíma, herói sem</p><p>nenhuma definição, ou sem nenhum caráter (4) – como</p><p>queria o próprio Mário de Andrade.</p><p>Fomos e seremos assim, em nossa essência, embora</p><p>as circunstâncias mudem e nós mudemos com elas (8).</p><p>Retomando a imagem literária, citemos a Capitu menina</p><p>– e teremos como sempre a intervenção soberana de</p><p>Machado de Assis.</p><p>Um rapaz da plateia me perguntou onde ficaria o</p><p>homem de Guimarães Rosa – outra coordenada que nos</p><p>ajuda a definir o brasileiro (5). Evidente que o universo de</p><p>Rosa é sobretudo verbal, mas o homem é causa e</p><p>efeito</p><p>do verbo. Por isso mesmo, o personagem rosiano tem a</p><p>ver com o homem de Gilberto Freyre e de Mário de</p><p>Andrade. É um refugo consciente da casa-grande e da</p><p>senzala, o opositor de uma e de outra, criando a sua</p><p>própria vereda mas sem esquecer o ressen�mento social</p><p>do qual se afastou e contra o qual procura lutar (7).</p><p>É também macunaímico, pois sem definição</p><p>catalogada na escala de valores culturais oriundos de sua</p><p>formação racial. Nem por acaso um dos personagens</p><p>mais importantes do mundo de Rosa é uma mulher que</p><p>se faz passar por jagunço. Ou seja, um herói – ou heroína</p><p>– sem nenhum caráter.</p><p>Tomando Gilberto Freyre como a linha ver�cal e</p><p>Mário de Andrade como a linha horizontal de um ângulo</p><p>reto, teríamos Guimarães Rosa como a hipotenusa</p><p>fechando o triângulo (1). A imagem geométrica pode ser</p><p>forçada, mas foi a que me veio na hora – e acho que fui</p><p>entendido (2).</p><p>8@professorferretto @prof_ferretto</p><p>CONY, Carlos Heitor. Folha Ilustrada, 5º Caderno, São</p><p>Paulo, 21/04/2000, p.12.</p><p>“Fomos e seremos assim, em nossa essência, embora as</p><p>circunstâncias mudem e nós mudemos com elas.” (8).</p><p>Assinale a opção em que, ao reescrever-se o fragmento</p><p>acima, subs�tuiu-se o conec�vo destacado por outro de</p><p>valor condicional, fazendo-se alterações aceitáveis.</p><p>a) Fomos e seremos assim em nossa ess��ncia, porque as</p><p>circunstâncias mudaram e nós mudamos com elas.</p><p>b) Fomos e seremos assim em nossa essência, enquanto</p><p>as circunstâncias mudarem e nós mudarmos com elas.</p><p>c) Éramos e somos assim em nossa essência, à medida</p><p>que as circunstâncias mudaram e nós mudamos com</p><p>elas.</p><p>d) Teríamos sido e seríamos assim em nossa essência, se</p><p>as circunstâncias mudassem e nós mudássemos com</p><p>elas.</p><p>e) Temos sido e somos assim em nossa essência,</p><p>conforme as circunstâncias têm mudado e nós temos</p><p>mudado com elas.</p><p>GR0623 - (Uff)</p><p>Acompanho com assombro o que andam dizendo</p><p>sobre os primeiros 500 anos do brasileiro (6). Concordo</p><p>com todas as opiniões emi�das e com as minhas em</p><p>primeiríssimo lugar. Tenho para mim que há dois</p><p>referenciais literários para nos definir. De um lado, o</p><p>produto daquilo que Gilberto Freyre chamou de casa-</p><p>grande e senzala (3), o homem miscigenado, potente e</p><p>tendendo a ser feliz. De outro, o Macunaíma, herói sem</p><p>nenhuma definição, ou sem nenhum caráter (4) – como</p><p>queria o próprio Mário de Andrade.</p><p>Fomos e seremos assim, em nossa essência, embora</p><p>as circunstâncias mudem e nós mudemos com elas (8).</p><p>Retomando a imagem literária, citemos a Capitu menina</p><p>– e teremos como sempre a intervenção soberana de</p><p>Machado de Assis.</p><p>Um rapaz da plateia me perguntou onde ficaria o</p><p>homem de Guimarães Rosa – outra coordenada que nos</p><p>ajuda a definir o brasileiro (5). Evidente que o universo de</p><p>Rosa é sobretudo verbal, mas o homem é causa e efeito</p><p>do verbo. Por isso mesmo, o personagem rosiano tem a</p><p>ver com o homem de Gilberto Freyre e de Mário de</p><p>Andrade. É um refugo consciente da casa-grande e da</p><p>senzala, o opositor de uma e de outra, criando a sua</p><p>própria vereda mas sem esquecer o ressen�mento social</p><p>do qual se afastou e contra o qual procura lutar (7).</p><p>É também macunaímico, pois sem definição</p><p>catalogada na escala de valores culturais oriundos de sua</p><p>formação racial. Nem por acaso um dos personagens</p><p>mais importantes do mundo de Rosa é uma mulher que</p><p>se faz passar por jagunço. Ou seja, um herói – ou heroína</p><p>– sem nenhum caráter.</p><p>Tomando Gilberto Freyre como a linha ver�cal e</p><p>Mário de Andrade como a linha horizontal de um ângulo</p><p>reto, teríamos Guimarães Rosa como a hipotenusa</p><p>fechando o triângulo (1). A imagem geométrica pode ser</p><p>forçada, mas foi a que me veio na hora – e acho que fui</p><p>entendido (2).</p><p>CONY, Carlos Heitor. Folha Ilustrada, 5º Caderno, São</p><p>Paulo, 21/04/2000, p.12.</p><p>Assinale a opção em que o pronome destacado</p><p>estabelece uma referência a elemento anteriormente</p><p>expresso no texto:</p><p>a) “Mas foi a que me veio na hora – e acho que fui</p><p>entendido.” (2)</p><p>b) “De um lado, o produto daquilo que Gilberto Freyre</p><p>chamou de casa-grande e senzala,” (3)</p><p>c) “De outro, o Macunaíma, herói sem</p><p>nenhuma definição, ou sem nenhum caráter” (4)</p><p>d) “Um rapaz da plateia me perguntou onde ficaria o</p><p>homem de Guimarães Rosa – outra coordenada que</p><p>nos ajuda a definir o brasileiro”. (5)</p><p>e) “Acompanho com assombro o que andam dizendo</p><p>sobre os primeiros 500 anos do brasileiro.” (6)</p><p>GR0625 - (Ufscar)</p><p>Na minha opinião, existe no Brasil, em permanente</p><p>funcionamento, não fechando nem para o almoço, uma</p><p>Central Geral de Maracutaia. Não é possível que não</p><p>exista. E, com toda a certeza, é uma das organizações</p><p>mais perfeitas já cons�tuídas, uma contribuição</p><p>ines�mável do nosso país ao patrimônio da raça humana.</p><p>Nada de novo é implantado sem que surja no mesmo</p><p>instante, às vezes sem intervalo visível, imediatamente</p><p>mesmo, um esquema bem montado para fraudar o que</p><p>lá seja que tenha sido criado. [...] Exemplo mais recente</p><p>ocorreu em São Paulo, mas podia ser em qualquer outra</p><p>cidade do país, porque a CGM é onipresente, não deixa</p><p>passar nada, nem discrimina ninguém. Segundo me</p><p>contam aqui, a prefeitura de São Paulo agora fornece</p><p>caixão e enterro gratuitos para os doadores de órgãos,</p><p>certamente os mais pobres. Basta que a família do morto</p><p>prove que ele doou pelo menos um órgão, para receber o</p><p>bene�cio. Mas claro, é isso mesmo, você adivinhou, ser</p><p>brasileiro é meramente uma questão de prá�ca. Surgiram</p><p>indivíduos ou organizações que, mediante uma módica</p><p>contraprestação pecuniária, fornecem documentação</p><p>falsa, “provando” que o defunto doou órgãos, para que o</p><p>caixão e o enterro sejam pagos com dinheiro público.</p><p>(João Ubaldo Ribeiro. O Estado de S.Paulo, 18.09.2005.)</p><p>9@professorferretto @prof_ferretto</p><p>Assinale a alterna�va em que a subs�tuição das palavras</p><p>destacadas mantém o mesmo sen�do original do trecho:</p><p>Exemplo mais recente ocorreu em São Paulo, mas podia</p><p>ser em qualquer outra cidade do país, porque a CGM é</p><p>onipresente.</p><p>a) Exemplo mais recente ocorreu em São Paulo, no</p><p>entanto podia ser em qualquer outra cidade do país,</p><p>uma vez que a CGM é onipresente.</p><p>b) Exemplo mais recente ocorreu em São Paulo, pois</p><p>podia ser em qualquer outra cidade do país, já que a</p><p>CGM é onipresente.</p><p>c) Exemplo mais recente ocorreu em São Paulo, podia,</p><p>pois, ser em qualquer outra cidade do país, visto que a</p><p>CGM é onipresente.</p><p>d) Exemplo mais recente ocorreu em São Paulo, podia,</p><p>pois, ser em qualquer outra cidade do país, visto que a</p><p>CGM é onipresente.</p><p>e) Exemplo mais recente ocorreu em São Paulo, já que</p><p>podia ser em qualquer outra cidade do país, à medida</p><p>que a CGM é onipresente.</p><p>GR0628 - (Ufpr)</p><p>A fronteira tênue entre heróis e vilões</p><p>O conceito de herói está profundamente ligado à</p><p>cultura que o criou e a quando foi criado, o que significa</p><p>que ele4 varia muito de lugar para lugar e de época para</p><p>época. Mesmo assim, a figura do herói aparece nas mais</p><p>diversas sociedades e eras, sempre atendendo a critérios</p><p>morais e desejos em comum de determinado povo.</p><p>Apesar do protagonismo do herói, o que seria dele se</p><p>não houvesse um vilão? Nas narra�vas, o vilão costuma</p><p>ser o antagonista1. Os vilões representam aquilo que é</p><p>errado, injusto, que foge à moral defendida pelo herói.</p><p>Por não carregar o protagonismo das histórias, o vilão</p><p>costuma ser um personagem sem profundidade, sem</p><p>dilemas, sem uma história que nos explique o porquê de</p><p>suas ações. E isso reforça sua vilania.</p><p>Conhecer a história de alguém é um processo</p><p>humanizador, capaz até de revogar2 a alcunha3 de vilão e</p><p>conferir ao personagem o �tulo de herói, ou só de uma</p><p>pessoa comum que tem seus5 defeitos e qualidades.</p><p>Assim, uma maneira de fabricar vilões é não deixar suas6</p><p>histórias serem contadas, é criar uma imagem sobre</p><p>esses personagens e mantê-los em silêncio.</p><p>MIRANDA, Lucas Mascarenhas de. A fronteira tênue</p><p>entre heróis e vilões. Ciência hoje, Rio de Janeiro, 21 nov.</p><p>2021. Disponível em: h�ps://cienciahoje.org.br/ar�go/a-</p><p>fronteira-tenue-entre-herois-e-viloes/. Adaptado.</p><p>Assinale a alterna�va que contém os elementos a que</p><p>apontam, respec�vamente, os termos “ele” (ref. 4),</p><p>“seus” (ref. 5) e “suas” (ref. 6), destacados</p><p>no texto.</p><p>a) conceito de herói, pessoa comum, qualidades.</p><p>b) herói, personagem, maneira.</p><p>c) conceito de herói, pessoa comum, vilões.</p><p>d) herói, personagem, vilões.</p><p>e) conceito de herói, personagem, maneira.</p><p>GR0629 - (Ufpr)</p><p>Da Violência</p><p>Hannah Arendt</p><p>Estas reflexões foram causa das pelos eventos e</p><p>debates dos úl�mos anos comparados com o</p><p>background2 do século vinte, que se tornou realmente,</p><p>como Lênin �nha previsto, um século de guerras e</p><p>revoluções; um século daquela violência que5 se acredita</p><p>comumente ser o denominador comum destas guerras e</p><p>revoluções. Há, todavia, um outro fator na situação atual</p><p>que, embora8 não previsto por ninguém, é pelo menos</p><p>de igual importância. O desenvolvimento técnico dos</p><p>implementos da violência chegou a tal ponto que</p><p>nenhum obje�vo polí�co concebível poderia</p><p>corresponder ao seu potencial destru�vo, ou jus�ficar</p><p>seu uso efe�vo num conflito armado. Assim6, a arte da</p><p>guerra1 – desde tempos imemoriais o impiedoso árbitro</p><p>final em disputas internacionais – perdeu muito de sua</p><p>eficácia e quase todo seu fascínio. O “apocalíp�co”3 jogo</p><p>de xadrez entre as superpotências, ou seja7, entre os que</p><p>manobram no plano mais alto de nossa civilização, está</p><p>sendo jogado segundo a regra “se qualquer um ‘ganhar’ é</p><p>o fim de ambos”; é um embate sem qualquer</p><p>semelhança com os outros embates militares</p><p>precedentes. Seu obje�vo “racional”4 é in�midação e</p><p>não vitória, e a corrida armamen�sta, já não9 sendo uma</p><p>preparação para a guerra, só pode ser jus�ficada agora</p><p>pela ideia de que quanto mais in�midação houver maior</p><p>é a garan�a de paz.</p><p>Extraído e adaptado de: Arendt, H. Crises da República.</p><p>SP: Perspec�va, 2017.</p><p>Acerca dos relatores de coesão presentes no texto,</p><p>assinale a alterna�va correta.</p><p>10@professorferretto @prof_ferretto</p><p>a) O termo grifado em “um século daquela violência que</p><p>se acredita” (ref. 5) é conjunção integrante com valor</p><p>adi�vo.</p><p>b) O vocábulo “assim” (ref. 6) tem valor adversa�vo, de</p><p>oposição ao período precedente.</p><p>c) A locução “ou seja” (ref. 7) tem o mesmo valor</p><p>semân�co de “quer seja”.</p><p>d) O valor semân�co de “embora” (ref. 8) corresponde a</p><p>“por mais que”.</p><p>e) A locução “já não” (ref. 9) tem valor concessivo</p><p>equivalente a “ainda que”.</p><p>GR0635 - (Uema)</p><p>TEXTO I</p><p>Por qualquer modo que encaremos a escravidão, ela</p><p>é, e sempre será um grande mal. Dela a decadência do</p><p>comércio; porque o comércio, e a lavoura caminham de</p><p>mãos dadas, e o escravo não pode fazer florescer a</p><p>lavoura; porque o seu trabalho é forçado. Ele não tem</p><p>futuro; o seu trabalho não é indenizado; ainda dela nos</p><p>vem o opróbrio, a vergonha; porque de fronte al�va e</p><p>desassombrada não podemos encarar as nações livres;</p><p>por isso que o es�gma da escravidão, pelo cruzamento</p><p>das raças, estampa-se na fronte de todos nós. Embalde</p><p>procurará um dentro nós convencer ao estrangeiro que</p><p>em suas veias não gira uma só gota de sangue escravo...</p><p>E depois, o caráter que nos imprime, e nos</p><p>envergonha!</p><p>O escravo é olhado por todos como ví�ma – e o é.</p><p>REIS, Maria Firmina dos. A escrava.</p><p>h�ps://www.letras.ufmg.br/literafro.</p><p>TEXTO II</p><p>E Lentz via por toda parte o homem branco</p><p>apossando-se resolutamente da terra e expulsando</p><p>defini�vamente o homem moreno que ali se gerara. E</p><p>Lentz sorria com orgulho na perspec�va da vitória e do</p><p>domínio de sua raça. Um desdém pelo mulato, em que</p><p>ele exprimia o seu desprezo pela languidez, pela</p><p>fatuidade e fragilidade deste, turvou-lhe a visão radiosa</p><p>que a natureza do país lhe imprimira no espírito. Tudo</p><p>nele era agora um sonho de grandeza e triunfo.</p><p>ARANHA, Graça (1868-1931). Canaã. 3 ed. São Paulo:</p><p>Mar�ns Claret, 2013.</p><p>Em relação à coesão textual dos textos I e II, é correto</p><p>afirmar que, no texto</p><p>a) II, o vocábulo “deste” retoma desdém.</p><p>b) I, o catafórico “por isso” anuncia a expressão “pelo</p><p>Cruzamento das raças”.</p><p>c) II, o pronome “lhe” é um termo catafórico de “país”.</p><p>d) I, a contração “dela” retoma a palavra “escravidão”.</p><p>e) I, o pronome em “Ele não tem futuro” é o anafórico de</p><p>“futuro”.</p><p>GR0641 - (Uece)</p><p>O Bicho</p><p>(Manuel Bandeira)</p><p>Vi ontem (06) um (04) bicho (01)</p><p>Na imundície do pá�o</p><p>Catando comida entre os detritos.</p><p>Quando achava (02) alguma coisa,</p><p>Não examinava (03) nem cheirava:</p><p>Engolia com voracidade.</p><p>O (05) bicho não era um cão,</p><p>Não era um gato,</p><p>Não era um rato.</p><p>O bicho, meu Deus, era um homem. (07)</p><p>BANDEIRA, Manuel. Poesias completas. 4. ed. Rio de</p><p>Janeiro: José Olympio, 1986.</p><p>O poema acima apresenta elementos linguís�cos de</p><p>coesão que contribuem para ar�culação do sen�do entre</p><p>suas partes. Baseado nesta ideia, é correto dizer que</p><p>a) se retoma o elemento bicho (01), através da</p><p>referenciação catafórica por meio da elipse, que está</p><p>indicada na forma verbal presente no enunciado</p><p>“Quando achava (02) alguma coisa”.</p><p>b) pelas desinências empregadas no verbo examinava</p><p>(03), é possível fazer um movimento retrospec�vo</p><p>para recuperar o termo que está elíp�co, no caso, o</p><p>pronome eu.</p><p>c) O uso dos ar�gos indefinido em um bicho (04) e</p><p>definido em o bicho (05) serve para mostrar que, no</p><p>primeiro caso, a visão do enunciador é a de um bicho,</p><p>que ainda está por se definir; e, no segundo caso, a</p><p>visão é a de que já se conhece qual é o bicho a que se</p><p>está referindo.</p><p>d) O advérbio ontem (06) faz referência a um tempo</p><p>posterior ao do momento em que o enunciador do</p><p>poema relata o fato.</p><p>GR0643 - (Uece)</p><p>[...] Uma noite de inverno, gelada e nevoenta, cercava</p><p>a criaturinha (25). Silêncio completo, nenhum sinal de</p><p>11@professorferretto @prof_ferretto</p><p>vida nos arredores. O galo velho não cantava no poleiro,</p><p>nem Fabiano roncava na cama de varas. Estes sons (35)</p><p>não interessavam Baleia (31), mas quando o galo ba�a as</p><p>asas e Fabiano (33) se virava, emanações familiares</p><p>revelavam-lhe a presença deles (30) (34). Agora parecia</p><p>que a fazenda se �nha despovoado.</p><p>Baleia respirava depressa, a boca aberta, os queixos</p><p>desgovernados, a língua pendente e insensível. Não sabia</p><p>o que �nha sucedido. O estrondo, a pancada que</p><p>recebera no quarto e a viagem di�cil no barreiro ao fim</p><p>do pá�o desvaneciam-se no seu espírito (32).</p><p>Provavelmente estava na cozinha, entre as pedras que</p><p>serviam de trempe. Antes de se deitar, sinhá Vitória</p><p>re�rava dali os carvões e a cinza, varria com um molho de</p><p>vassourinha o chão queimado, e aquilo ficava um bom</p><p>lugar para cachorro descansar. O calor afugentava as</p><p>pulgas, a terra se amaciava. E, findos os cochilos,</p><p>numerosos preás corriam e saltavam, um formigueiro de</p><p>preás invadia a cozinha.</p><p>A tremura subia, deixava a barriga e chegava ao peito</p><p>de Baleia. Do outro peito para trás era tudo</p><p>insensibilidade e esquecimento. Mas o resto do corpo se</p><p>arrepiava, espinhos de mandacaru penetravam na carne</p><p>meio comida pela doença.</p><p>Baleia encostava a cabecinha (26) fa�gada na pedra. A</p><p>pedra estava fria, certamente sinhá Vitória (29) �nha</p><p>deixado o fogo apagar-se muito cedo.</p><p>Baleia queria dormir. Acordaria feliz, num mundo</p><p>cheio de preás (27). E lamberia as mãos de Fabiano, um</p><p>Fabiano enorme. As crianças se espojariam com ela (28),</p><p>rolariam com ela num pá�o enorme, num chiqueiro</p><p>enorme. O mundo ficaria todo cheio de preás, gordos,</p><p>enormes.</p><p>RAMOS, Graciliano. Vidas secas, 82ª ed. Rio de Janeiro:</p><p>Record, 2001. p. 85-91.</p><p>Os pronomes servem para criar uma cadeia de referência</p><p>a elementos que são retomados ao longo do texto.</p><p>Aplicando esta ideia ao excerto do romance de Vidas</p><p>Secas, é correto afirmar que</p><p>a) em “As crianças se espojariam com ela” (28), o</p><p>pronome ela se refere à sinhá Vitória (29), mãe das</p><p>crianças.</p><p>b) no trecho “[...] emanações familiares revelavam-lhe a</p><p>presença deles” (30), o uso do pronome lhe faz</p><p>referência à Baleia (31).</p><p>c) no enunciado “O estrondo, a pancada que recebera no</p><p>quarto e a viagem di�cil no barreiro ao fim do pá�o</p><p>desvaneciam-se no seu espírito” (32), o pronome seu</p><p>está se referindo a Fabiano (33).</p><p>d) a forma pronominal deles (34) retoma a expressão</p><p>estes sons (35).</p><p>GR0645 - (Uece)</p><p>Poluição das águas con�nentais</p><p>A poluição das águas con�nentais, principalmente nos</p><p>grandes centros urbanos, é cada vez mais alarmante.</p><p>As perspec�vas futuras para</p><p>as águas con�nentais são</p><p>bastante nega�vas. Muitos são os estudos que buscam</p><p>contemplar informações sobre a quan�dade e qualidade</p><p>da água disponível. A ONU (Organização das Nações</p><p>Unidas) elaborou uma série de estudos para obter um</p><p>parecer concreto da real situação no quadro hídrico do</p><p>planeta e ficou comprovado que, com o passar do tempo,</p><p>o comprome�mento das águas para o consumo humano,</p><p>para a manutenção de animais e para a irrigação na</p><p>agricultura ocorre de forma crescente.</p><p>Atualmente, vários fatores e seguimentos dis�ntos</p><p>contribuem para o processo de escassez desse recurso</p><p>indispensável a todo ser vivo, dentre os principais estão:</p><p>a a�vidade industrial, que u�liza os rios para escoar os</p><p>seus rejeitos; as mineradoras; a agricultura, que faz uso</p><p>de diversos insumos agrícolas (fer�lizantes, inse�cidas,</p><p>herbicidas e etc.), com intuito de aumentar a produção, a</p><p>fim de atender o mercado externo, ou seja, exportação;</p><p>entre outros.</p><p>Uma parte dos insumos agrícolas é levada pela</p><p>enxurrada da chuva, que chega a rios e córregos(04),</p><p>inserindo várias substâncias tóxicas. Essas mesmas</p><p>substâncias são absorvidas pelo solo e a�ngem o lençol</p><p>freá�co(01).</p><p>Das substâncias comumente encontradas como</p><p>agentes poluidores estão: restos de petróleo e derivados,</p><p>chumbo, mercúrio e metais pesados, que são largamente</p><p>usados em indústrias e na extração de minérios.</p><p>Outro centro de difusão de poluição são os centros</p><p>urbanos, que, diariamente, em todo o planeta e,</p><p>principalmente nos países pobres(12), lançam esgotos</p><p>domés�cos sem nenhum �po de tratamento(11). O</p><p>esgoto a�nge rios e córregos(05), além do lençol</p><p>freá�co(02) (14), que estão nas proximidades das</p><p>cidades(06) (13). Isso acontece em vários lugares, no</p><p>entanto, a incidência é mais comum em pequenas</p><p>cidades que não possuem centros de tratamento do</p><p>esgoto domés�co.</p><p>O desmatamento é um fator direto que agrava a</p><p>questão da escassez da água, uma vez que ao re�rar a</p><p>cobertura vegetal para a ocupação urbana ou rural, o</p><p>solo fica exposto à água da chuva e vento. Com isso, o</p><p>solo vai sendo depositado nos mananciais, provocando o</p><p>assoreamento dos rios, esse processo promove</p><p>mudanças climá�cas e compromete a vida aquá�ca.</p><p>Os garimpos, que têm suas a�vidades às margens de</p><p>rios(10), provocam a dispersão de minerais pesados(09),</p><p>como o mercúrio, poluindo as águas que são consumidas</p><p>por comunidades.</p><p>Os portos realizam limpeza de cinco em cinco anos,</p><p>jogando uma imensa quan�dade de dejetos; os aterros</p><p>12@professorferretto @prof_ferretto</p><p>sanitários(07) são grandes agentes poluidores de águas,</p><p>principalmente do lençol freá�co(03), pois milhões de</p><p>toneladas de lixo acumulados liberam um líquido(16)</p><p>(chorume) que é absorvido pelo solo e a�nge as reservas</p><p>subterrâneas de água(08) (15).</p><p>Adaptado de FREITAS, Eduardo de. Poluição de Águas</p><p>Con�nentais. Brasil Escola. Disponível em:</p><p>. Acesso em: 20 de maio de</p><p>2019.</p><p>O autor u�liza o termo “lençol freá�co” em alguns</p><p>trechos do texto 1 (01) (02) (03). No entanto, ele o</p><p>subs�tui em determinada parte. A expressão que</p><p>subs�tui “lençol freá�co” é</p><p>a) “rios e córregos” (04) e (05).</p><p>b) “proximidades das cidades” (06).</p><p>c) “aterros sanitários” (07).</p><p>d) “reservas subterrâneas de água” (08).</p><p>GR0650 - (Ifal)</p><p>E, num fiapo de tempo, bem menor do que aquele em</p><p>que um es�lhaço de estrela resvala no céu escuro e cego,</p><p>a raposa conheceu a morte, algo atordoador e fulgente</p><p>que só poderia ser a morte, caso esta exis�sse em toda a</p><p>sua absurda plenitude e dura magnificência, e não fosse</p><p>apenas uma ficção ou um ponto de referência dos vivos</p><p>deixados repen�namente de amar e odiar, demi�dos de</p><p>súbito de sua grandeza e miséria. Era a morte que,</p><p>incandescente e perversa, a alcançava, alterando a sua</p><p>inconfundível beleza animal, tumultuando-lhe o sangue,</p><p>destruindo a sua ardente harmonia de movimentos,</p><p>tornando vítrea a sua visão da manhã cristalina e</p><p>fantasmagórica.</p><p>Desfigurada pelos golpes que os homens lhe haviam</p><p>vibrado, ela ficou jazendo durante mais de uma hora</p><p>sobre as pedras da rua. Era um montão de carnes e pelos</p><p>informes e ensanguentados, e em torno dela se revezava</p><p>um círculo de curiosos, cambiando os comentários mais</p><p>variados. Quando o dia já clareava por completo, uma</p><p>carroça de lixo parou perto do ajuntamento, e o cadáver</p><p>da raposa foi jogado entre os monturos.</p><p>IVO, Lêdo. Ninho de cobras: uma história mal contada.</p><p>Maceió: Imprensa Oficial Graciliano Ramos, 2015. p. 21-</p><p>22.</p><p>Considerando as relações de coesão referencial</p><p>estabelecidas pelos pronomes no excerto de Ninho de</p><p>cobras, marque a opção que aponta uma leitura</p><p>EQUIVOCADA dessas relações.</p><p>a) “... algo atordoador e fulgente que só poderia ser a</p><p>morte...” / que = “algo”.</p><p>b) “... demi�dos de súbito de sua grandeza e miséria...” /</p><p>sua = “os vivos”.</p><p>c) “Era a morte que, incandescente e perversa, a</p><p>alcançava...” / a = “a raposa”.</p><p>d) “... e em torno dela se revezava um círculo de</p><p>curiosos...” / dela = “ela” (“a raposa”).</p><p>e) “que os homens lhe haviam vibrado, ela ficou</p><p>jazendo...” / lhe = “golpes”.</p><p>GR0656 - (Uece)</p><p>Fita métrica do amor</p><p>Como se mede uma pessoa? Os tamanhos variam</p><p>conforme o grau de envolvimento. Ela é enorme pra você</p><p>quando fala do que leu e viveu, quando trata você com</p><p>carinho e respeito, quando olha nos olhos e sorri</p><p>destravado. É pequena pra você quando só pensa em si</p><p>mesmo, quando se comporta de uma maneira pouco</p><p>gen�l, quando fracassa justamente no momento em que</p><p>teria que demonstrar o que há de mais importante entre</p><p>duas pessoas: a amizade.</p><p>Uma pessoa é gigante pra você quando se interessa</p><p>pela sua vida(18), quando busca alterna�vas para o seu</p><p>crescimento, quando sonha junto. É pequena quando</p><p>desvia do assunto.</p><p>Uma pessoa é grande quando perdoa, quando</p><p>compreende, quando se coloca no lugar do outro,</p><p>quando age não de acordo com o que esperam dela, mas</p><p>de acordo com o que espera de si mesma(22). Uma</p><p>pessoa é pequena quando se deixa reger por</p><p>comportamentos clichês.</p><p>Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou</p><p>miudeza dentro de um relacionamento(19), pode crescer</p><p>ou decrescer num espaço de poucas semanas: será ela</p><p>que mudou ou será que o amor é traiçoeiro nas suas</p><p>medições? Uma decepção pode diminuir o tamanho de</p><p>um amor que parecia ser grande. Uma ausência pode</p><p>aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.</p><p>(20)</p><p>É di�cil conviver com esta elas�cidade: as pessoas se</p><p>agigantam e se encolhem aos nossos olhos. Nosso</p><p>julgamento é feito não através de cen�metros e metros,</p><p>mas de ações e reações, de expecta�vas e frustrações.</p><p>Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la</p><p>inesperadamente, se orna mais uma. O egoísmo unifica</p><p>os insignificantes.</p><p>Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que</p><p>tornam uma pessoa grande. É a sua sensibilidade sem</p><p>tamanho. (21)</p><p>MEDEIROS, Martha. Non-stop: crônicas do co�diano. Rio</p><p>de Janeiro: L&PM Editores. 2001.</p><p>13@professorferretto @prof_ferretto</p><p>No trecho “Uma pessoa é grande quando perdoa [...],</p><p>quando age não de acordo com o que esperam dela, mas</p><p>de acordo com o que espera de si mesma” (22), o termo</p><p>“pessoa”, nas expressões destacadas do trecho acima, é</p><p>retomado por meio de alguns recursos coesivos, a saber:</p><p>a) Elipse, pronome pessoal do caso reto e pronome</p><p>pessoal do caso oblíquo.</p><p>b) Pronome pessoal do caso oblíquo, elipse e pronome</p><p>pessoal do caso oblíquo.</p><p>c) Elipse, pronome pessoal do caso oblíquo e pronome</p><p>pessoal do caso oblíquo.</p><p>d) Pronome pessoal do caso oblíquo, elipse e pronome</p><p>pessoal do caso reto.</p><p>GR0657 - (Uece)</p><p>A imigrante italiana que se formou em nutrição aos 87</p><p>anos escreveu o TCC inteiro à mão</p><p>Os cabelos brancos de Luísa Valencic Ficara</p><p>contrastaram com a juventude(19) dos colegas durante</p><p>sua(18) formatura. Nascida na Itália(25), Luísa imigrou</p><p>para a América do Sul durante a Segunda Guerra</p><p>Mundial, viveu em três países sul-americanos e se</p><p>estabeleceu em Jundiaí, no interior de São Paulo(26). Aos</p><p>87 anos, ela acaba de se formar em nutrição.</p><p>Dona Luísa, como é conhecida, vive na cidade(24) há</p><p>40 anos. Após o falecimento</p><p>do marido e de sua irmã, ela</p><p>decidiu voltar a estudar para se mante ocupada. Foi</p><p>assim que surgiu a ideia de se matricular no curso de</p><p>nutrição do Centro Universitário Padre Anchieta. A</p><p>graduação(21) foi concluída após seis anos de estudos,</p><p>com um TCC sobre a cana-de-açúcar no Brasil. Segundo</p><p>informações do Grupo Anchieta(23), todo o trabalho(20)</p><p>foi escrito à mão. Colegas, professores e funcionários da</p><p>ins�tuição(22) ajudaram com a parte da digitação,</p><p>configuração e impressão do trabalho, para apoiar Dona</p><p>Luísa.</p><p>Mas a graduação não é o limite para a idosa. Ela, que</p><p>também frequenta aulas de alemão, inglês e francês, já</p><p>está pensando em ingressar em um curso de pós-</p><p>graduação para con�nuar estudando, segundo contou ao</p><p>G1.</p><p>Disponível em: h�p://www.hypeness.com.br/2017/09/a-</p><p>imigrante-italiana-que-se-formou-em-nutricao-aos-87-</p><p>anos-escreveu-o-tcc-inteiro-a-mao/. Acesso em: 23 set.</p><p>2017.</p><p>A no�cia acima apresenta elementos coesivos que</p><p>ajudam na “costura” temá�ca do texto. A par�r dessa</p><p>ideia, é correto asseverar que</p><p>a) o pronome “sua” (18) se relaciona à “juventude” (19).</p><p>b) “todo o trabalho” (20) retoma “graduação” (21).</p><p>c) “ins�tuição” (22) subs�tui “Grupo Anchieta” (23).</p><p>d) “cidade” (24) refere-se à “Itália” (25).</p><p>GR0659 - (Esc. Naval)</p><p>Não, os livros não vão acabar</p><p>Não sei se é a próxima chegada da Amazon ao Brasil</p><p>ou a profecia maia do fim do mundo, mas o fato é que</p><p>nunca vi tanta gente preocupada com o fim do livro. São</p><p>estudantes que me escrevem mo�vados por pesquisas</p><p>escolares, organizadores de eventos literários que me</p><p>pedem palestras, leitores que manifestam sua apreensão.</p><p>Em alguns casos, percebo uma espécie perversa de</p><p>prazer apocalíp�co, mas logo desaponto quem quer ver o</p><p>mar pegando fogo para comer camarão cozido: é que</p><p>absolutamente não acredito que o livro vai acabar.</p><p>Tenho escrito reiteradas vezes sobre o assunto; estou,</p><p>aliás, numa posição bastante confortável para fazê-lo.</p><p>Gosto igualmente de livros e de tecnologia, e seria a</p><p>primeira a abraçar meus dois amores reunidos num só</p><p>objeto; mas embora o Kindle e os vários pads tenham o</p><p>seu valor como readers, os livros em papel não estão tão</p><p>próximos da ex�nção quanto, digamos, o �gre de</p><p>Sumatra.</p><p>Para começo de conversa, é preciso lembrar que o</p><p>negócio das editoras não é vender papel, mas sim vender</p><p>histórias. O papel é apenas o suporte para os seus</p><p>produtos. Aos poucos, em alguns casos, ele tende a ser</p><p>mesmo subs�tuído pelos tablets. Não dou vida longa aos</p><p>livros de referência em papel. Estes funcionam melhor, e</p><p>podem ser mais facilmente atualizados, em forma</p><p>eletrônica. O caso clássico é o da Enciclopédia Britannica,</p><p>cujos editores anunciaram, no começo do ano, que a</p><p>edição corrente, de 2010, seria a úl�ma impressa,</p><p>marcando o fim de 244 anos de uma bela - e volumosa -</p><p>história em papel.</p><p>Embora quase todos os conjuntos de folhas impressas</p><p>reunidos entre duas capas recebam o mesmo nome de</p><p>livro, nem todos exercem a mesma função. Há livros e</p><p>livros. Um manual técnico é um animal completamente</p><p>diferente de um romance; um livro escolar não guarda</p><p>nenhuma semelhança com uni livro de arte; uma</p><p>antologia poé�ca e um guia de viagem são produtos que</p><p>só têm em comum o fato de serem vendidos no mesmo</p><p>lugar.</p><p>Há livros que só funcionam em papel. É o caso dos</p><p>livros que os povos angloparlantes denominam coffee</p><p>table books, "livros de mesinha de centro" - aqueles</p><p>livrões bonitos, em formato grande, cheios de ilustrações</p><p>e muito incómodos de ler no colo, impossíveis de levar</p><p>para a cama. Estes são objetos que se destacam pelo</p><p>tamanho, pela qualidade de impressão, pela vista que</p><p>14@professorferretto @prof_ferretto</p><p>fazem. Quem quer ver um livro desses num tablet? Quem</p><p>quer presentear um desses em e-formato?</p><p>Há também os grandes clássicos, os romances que</p><p>todos amamos e queremos ter ao alcance da mão. Esses</p><p>são aqueles livros que, em geral, lemos pela primeira vez</p><p>em formato de bolso, mas aos quais nos apegamos tanto</p><p>que, não raro, acabamos comprando uma segunda</p><p>edição, mais bonita, para nos fazer companhia pelo resto</p><p>da vida.</p><p>Isso explica as lindas edições que a Zahar, por</p><p>exemplo, tem feito de obras que já encantaram várias</p><p>gerações, como "Peter Pan", "Os três mosqueteiros" ou</p><p>"Vinte mil léguas submarinas": livros lindos de se ver e de</p><p>se pegar, cujo esmero �sico complementa a edição</p><p>caprichada. Ganhar de presente um livro desses é uma</p><p>alegria que não se tem com um vale para uma compra</p><p>eletrônica.</p><p>Fica a dica, aliás, já que o Natal vem aí.</p><p>Há prazeres e sensações que só tem com o papel.</p><p>Gosto de perceber o tamanho de um livro à primeira</p><p>vista. Um tablet pode me informar quantas páginas um</p><p>volume tem, mas essa informação é abstrata. Saber que</p><p>um livro tem 500 páginas ou ver que um livro tem 500</p><p>páginas são coisas diferentes. Gosto também de folhear</p><p>um livro e de fazer uma espécie de leitura em diagonal</p><p>antes de me decidir pela compra. Isso é impossível de</p><p>fazer com ebooks.</p><p>Sem falar, é claro, do cheiro inigualável dos livros em</p><p>papel.</p><p>RONAI, Cora. Jornal O Globo, Economia, 12 nov. 2012.</p><p>Em que opção a autora empregou o paralelismo?</p><p>a) “Não dou vida longa aos livros de referência em</p><p>Papel." (3º parágrafo).</p><p>b) “Sem falar, é claro, do cheiro inigualável dos livros em</p><p>papel." (9º parágrafo).</p><p>c) “Esses são aqueles livros que, em geral, lemos pela</p><p>primeira vez [...]." (6º parágrafo).</p><p>d) “Gosto igualmente de livros e de tecnologia, e seria a</p><p>primeira a abraçar [...]." (2º parágrafo).</p><p>e) “Em alguns casos, percebo uma espécie perversa de</p><p>prazer apocalíp�co [...]." (1º parágrafo).</p><p>GR0661 - (Fuvest)</p><p>A única frase em que se mantém o paralelismo entre os</p><p>elementos que a cons�tuem é:</p><p>a) Hoje, a flora e a fauna do Brasil con�nuam</p><p>desaparecendo, assim como a madeira está sendo</p><p>preservada em alguns jardins botânicos.</p><p>b) Quanto aos nossos recursos naturais, temos de</p><p>considerar o que estamos abandonando, destruindo e</p><p>sendo usurpados.</p><p>c) A grande questão é saber se a crise da indústria</p><p>jornalís�ca é estrutural, ou seja, mais profunda do que</p><p>podemos divisar e pode afetar a essência do</p><p>jornalismo, a credibilidade.</p><p>d) A biodiversidade é a base das a�vidades agrícolas,</p><p>pecuárias, pesqueiras e florestais e, também, da</p><p>estratégica indústria da biotecnologia.</p><p>e) As doenças estranhas são os pensamentos</p><p>sistema�camente dedicados a falar levianamente das</p><p>outras pessoas ou ao endeusamento do eu.</p><p>GR0662 - (Fuvest)</p><p>Cruz Costa foi meu professor e meu amigo. Era um</p><p>homem adorável, delicadíssimo, sempre de bom humor,</p><p>disfarçando as pesadas amarguras da vida por meio não</p><p>apenas de uma educação impecável, mas da ironia</p><p>irreverente. Convivemos muito e até fomos juntos ao</p><p>Uruguai para um curso de férias — ele sempre tratando o</p><p>an�go aluno com a maior solicitude.</p><p>Era informadíssimo, �nha uma cultura densa e</p><p>múl�pla, nascida da curiosidade por vários setores:</p><p>filosofia, sociologia, literatura, história. Filho único de</p><p>pais abastados, a sua formação foi a do gentleman* culto</p><p>que lê, observa, segue cursos aqui e fora, viaja, como</p><p>quem está se preparando interminavelmente para algo</p><p>que não sabe direito o que possa ser. Depois de ter</p><p>começado e largado o curso médico no decênio de 1920,</p><p>já �nha trinta anos quando este algo apareceu sob a</p><p>forma da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da</p><p>Universidade de São Paulo. Cruz Costa foi o inscrito</p><p>número um e mais tarde o orador da primeira turma,</p><p>cujo ato de formatura sacudiu a classe média e os</p><p>intelectuais da São Paulo provinciana de1937, por causa</p><p>do discurso do paraninfo, Júlio de Mesquita Filho,</p><p>homem sem papas na língua, que fez reflexões</p><p>consideradas acintosas pelas faculdades tradicionais, pois</p><p>mostrava que a de Filosofia vinha inaugurar finalmente o</p><p>saber desinteressado, que não separa o ensino da</p><p>pesquisa e se torna fonte de novos saberes. O discurso</p><p>de Cruz Costa fere com mais discrição teclas parecidas,</p><p>dizendo coisas como: “Era necessário, portanto, que o</p><p>nocivo regime individualista de autodidatas �vesse fim,</p><p>pois mostrava-se incapaz de cons�tuir base para a cultura</p><p>nacional”. Por isso, �nha dito</p><p>antes, prefigurando a</p><p>própria carreira:</p><p>“A nossa missão, quaisquer que sejam os caminhos</p><p>que agora tenhamos de trilhar, está in�mamente ligada</p><p>aos des�nos da Universidade. Interessa-nos altamente a</p><p>15@professorferretto @prof_ferretto</p><p>sua existência e a sorte que lhe está reservada, porque o</p><p>seu des�no se confunde com o nosso.”</p><p>De fato, o rapaz meio diletante, que se orientava na</p><p>cultura segundo o capricho das veleidades, começava a</p><p>viver uma coisa nova no Brasil, para ele e para tantos</p><p>mais: a carreira no setor das Humanidades.</p><p>Antonio Candido, Recortes.</p><p>Considerado o contexto, contribuiria com o paralelismo</p><p>sintá�co do texto o acréscimo da expressão sublinhada,</p><p>no seguinte trecho do primeiro parágrafo:</p><p>a) “Cruz Costa foi meu professor e, mais além, meu</p><p>amigo” (L. 1).</p><p>b) “inclusive disfarçando as pesadas amarguras da vida”</p><p>(L. 3).</p><p>c) “mas também da ironia irreverente” (L. 4-5).</p><p>d) “Convivemos muito um com o outro e até fomos</p><p>juntos ao Uruguai” (L. 5-6).</p><p>e) “ele, aliás, sempre tratando o an�go aluno com a</p><p>maior solicitude” (L. 6-7).</p><p>GR0663 - (Famerp)</p><p>Uma noite destas, vindo da cidade para o Engenho</p><p>Novo, encontrei num trem da Central um rapaz aqui do</p><p>bairro, que eu conheço de vista e de chapéu.</p><p>Cumprimentou-me, sentou-se ao pé de mim, falou da lua</p><p>e dos ministros, e acabou recitando-me versos. A viagem</p><p>era curta, e os versos pode ser que não fossem</p><p>inteiramente maus. Sucedeu, porém, que, como eu</p><p>estava cansado, fechei os olhos três ou quatro vezes;</p><p>tanto bastou para que ele interrompesse a leitura e</p><p>metesse os versos no bolso.</p><p>– Con�nue, disse eu acordando.</p><p>– Já acabei, murmurou ele.</p><p>– São muito bonitos.</p><p>Vi-lhe fazer um gesto para �rá-los outra vez do bolso,</p><p>mas não passou do gesto; estava amuado. No dia</p><p>seguinte entrou a dizer de mim nomes feios, e acabou</p><p>alcunhando-me Dom Casmurro. Os vizinhos, que não</p><p>gostam dos meus hábitos reclusos e calados, deram curso</p><p>à alcunha, que afinal pegou. Nem por isso me zanguei.</p><p>[...]</p><p>Não consultes dicionários. Casmurro não está aqui no</p><p>sen�do que eles lhe dão, mas no que lhe pôs o vulgo de</p><p>homem calado e me�do consigo. Dom veio por ironia,</p><p>para atribuir-me fumos de fidalgo. Tudo por estar</p><p>cochilando! Também não achei melhor �tulo para a</p><p>minha narração; se não �ver outro daqui até o fim do</p><p>livro, vai este mesmo. O meu poeta do trem ficará</p><p>sabendo que não lhe guardo rancor. E com pequeno</p><p>esforço, sendo o �tulo seu, poderá cuidar que a obra é</p><p>sua. Há livros que apenas terão isso dos seus autores;</p><p>alguns nem tanto.</p><p>(Dom Casmurro, 2008.)</p><p>“um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de</p><p>chapéu.”</p><p>Nessa frase, são associados dois substan�vos</p><p>seman�camente díspares: “vista” e “chapéu”. A quebra</p><p>de paralelismo semân�co provoca um curioso efeito de</p><p>es�lo. Entre as frases, re�radas de outro romance de</p><p>Machado de Assis, a que produz efeito de es�lo</p><p>semelhante é:</p><p>a) “Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias</p><p>pelo princípio ou pelo fim.”</p><p>b) “Já o leitor compreendeu que era a Razão que voltava</p><p>à casa, e convidava a Sandice a sair.”</p><p>c) “Um emplasto an�-hipocondríaco, des�nado a aliviar a</p><p>nossa melancólica humanidade.”</p><p>d) “A minha ideia, depois de tantas cabriolas, cons�tuíra-</p><p>se ideia fixa.”</p><p>e) “Marcela amou-me durante quinze meses e onze</p><p>contos de réis.”</p><p>GR0666 - (Espm)</p><p>Em um dos itens abaixo há falta de paralelismo na</p><p>construção da frase. Assinale-o:</p><p>a) Bebida alcoólica caseira causa intoxicação e mata 51</p><p>pessoas na Líbia.</p><p>b) Três policiais são acusados de desviar drogas e ligação</p><p>com traficantes internacionais.</p><p>c) Plano de saúde muda de nome e escapa de punição da</p><p>Agência Nacional de Saúde.</p><p>d) Problema técnico na PF afetou não só emissão de</p><p>passaportes, como também re�rada.</p><p>e) Exposição marca Dia Mundial da Água e incen�va</p><p>consumo consciente.</p><p>GR0667 - (Pucrs)</p><p>Publicado na Folha da Manhã de 14/10/1928 (man�da a</p><p>grafia original)</p><p>Com a aplicação (02) do cinematographo falante,</p><p>surgiu recentemente uma aguda polêmica sobre qual dos</p><p>meios de expressão é o melhor. O que (12) mais chamará</p><p>(07) a atenção do público: (11) as palavras ou as ações</p><p>dos ar�stas? Alguns insistem (03) em que os sons</p><p>provocam mais a curiosidade dos assistentes. Outros</p><p>acham (04) que a ação é a verdadeira essência do</p><p>cinematógrafo e (13) sendo (13) (08) a voz produto das</p><p>machinhas mecânicas, ella só serve para distrair a</p><p>atenção do público. (...)</p><p>(01). Muitos não duvidaram em prognos�car que as</p><p>películas de cores se generalizariam, chegando a serem</p><p>(09) tão comuns como as que hoje existem (05) (02).</p><p>16@professorferretto @prof_ferretto</p><p>Entretanto, não demorou em que fosse descoberto</p><p>(10) que a novidade da cor distraia a mente nas partes</p><p>mais culminantes do drama reflec�do na tela. Logo</p><p>depois, surgiu um systema de usar as côres unicamente</p><p>em certas passagens para dar uma melhor impressão de</p><p>efeito esté�co, mantendo-se invariavelmente o branco e</p><p>o preto, para poder assim (14) ficarem registrados os</p><p>verdadeiros e intensos momentos da drama�cidade da</p><p>cena. A psicologia comprova isto. Ainda que com nossos</p><p>olhos apreciemos (06) a natureza em suas próprias cores,</p><p>o mesmo não acontece com a nossa mente.</p><p>(Disponível em: www.folha.ad.uol.com.br/click.ng.</p><p>Acesso em: 27/09/2011 Cinematógrafo: aparelho capaz</p><p>de reproduzir numa tela o movimento, por meio de uma</p><p>sequência de fotografias.)</p><p>1. Se em lugar de “a aplicação” (02) fosse u�lizado “o</p><p>advento” ou “o uso”, a compreensão não seria</p><p>prejudicada.</p><p>2. “Alguns insistem” (03) e “Outros acham” (04)</p><p>contribuem para a relação de paralelismo entre as</p><p>estruturas que iniciam.</p><p>3. “As que hoje existem” (05) faz contraponto a “as</p><p>películas de côres”.</p><p>4. “Apreciemos” (06) está no subjun�vo, modo verbal</p><p>exigido pelo nexo concessivo “Ainda que”.</p><p>Estão corretas as afirma�vas</p><p>a) 1 e 2, apenas.</p><p>b) 2 e 3, apenas.</p><p>c) 2 e 4, apenas.</p><p>d) 1, 3 e 4, apenas.</p><p>e) 1, 2, 3 e 4.</p><p>GR0668 - (Insper)</p><p>A alterna�va que corrige a falha de paralelismo</p><p>grama�cal existente na manchete, mantendo o mesmo</p><p>sen�do, é:</p><p>a) Presidente do UFC prevê abertura de escritório no</p><p>Brasil e fazer evento na Rocinha.</p><p>b) Presidente do UFC prevê que escritório seja aberto no</p><p>Brasil e evento na Rocinha.</p><p>c) Presidente do UFC prevê que abertura de escritório no</p><p>Brasil crie evento na Rocinha.</p><p>d) Presidente do UFC prevê abrir escritório no Brasil e</p><p>realizar evento na Rocinha.</p><p>e) Presidente do UFC prevê escritório no Brasil ou evento</p><p>na Rocinha.</p><p>GR0669 - (Unesp)</p><p>Boiadeiro</p><p>De manhãzinha, quando eu sigo pela estrada</p><p>Minha boiada pra invernada eu vou levar:</p><p>São dez cabeças; é muito pouco, é quase nada</p><p>Mas não tem outras mais bonitas no lugar.</p><p>Vai boiadeiro, que o dia já vem,</p><p>Leva o teu gado e vai pensando no teu bem.</p><p>De tardezinha, quando eu venho pela estrada,</p><p>A fiarada tá todinha a me esperar;</p><p>São dez filinho, é muito pouco, é quase nada,</p><p>Mas não tem outros mais bonitos no lugar.</p><p>Vai boiadeiro, que a tarde já vem</p><p>Leva o teu gado e vai pensando no teu bem.</p><p>E quando chego na cancela da morada,</p><p>Minha Rosinha vem correndo me abraçar.</p><p>É pequenina, é miudinha, é quase nada</p><p>Mas não tem outra mais bonita no lugar.</p><p>Vai boiadeiro, que a noite já vem,</p><p>Guarda o teu gado e vai pra junto do teu bem!</p><p>(Armando Cavalcante e Klecius Caldas. Boiadeiro. In: Beth</p><p>Cançado. Aquarela brasileira, vol. I. Brasília: Editora Corte</p><p>Ltda., 1994. p. 59.)</p><p>Um dos melhores recursos expressivos empregados na</p><p>letra de Boiadeiro é o processo de repe�ção da mesma</p><p>estrutura sintá�ca com a mudança de apenas um</p><p>vocábulo, que faz progredir o sen�do, tal como se</p><p>verifica, por exemplo, entre os versos 5, 11 e 17. Tal</p><p>recurso é conhecido como</p><p>a) Paralelismo.</p><p>b) Metáfora.</p><p>c) Comparação.</p><p>d) Pleonasmo.</p><p>e) Metonímia.</p><p>17@professorferretto @prof_ferretto</p><p>GR0678 - (Espm)</p><p>Os fenômenos da linguagem examinavam-se outrora</p><p>apenas à luz da gramá�ca e da lógica, e já era muito se a</p><p>análise reconhecia como palavras exple�vas ou de realce</p><p>os termos sobejantes¹ unidos à oração ou nela</p><p>encravados.</p><p>Hoje que a ciência da linguagem inves�ga os fatos</p><p>sem deixar-se pear² por an�gos preconceitos, já não</p><p>podemos levar</p>