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Distribuição gratuita. Direitos autorais reservados. ISBN nº 978-65-00-96096-9. Versão em site: sites.google.com/view/autistas-trabalho. https://sites.google.com/view/autistas-trabalho https://sites.google.com/view/autistas-trabalho PREFÁCIO CONTEXTUALIZAÇÃO CONTEÚDO PÚBLICO-ALVO Nosso público-alvo contempla organizações que desejam aderir ao movimento da neurodiversidade. Portanto, este é o guia ideal para pessoas que desejam tornar seu ambiente de trabalho mais inclusivo para autistas. Infelizmente, existem pouquíssimos materiais de referência em língua portuguesa que abordem a inclusão de autistas no mercado de trabalho. Frente a esse contexto, esta cartilha visa preencher essa importante lacuna. Este material se propõe a disponibilizar informações baseadas em evidências sobre a temática, de maneira resumida e didática para o público leigo. Em termos gerais, este guia abordará diversos aspectos da inclusão, desde o processo seletivo até a permanência e a ascensão na carreira de autistas. Ao longo destas páginas, serão explorados temas como adaptações no ambiente de trabalho, suporte necessário, sensibilização dos colegas e gestão de carreira. LIMITAÇÕES É importante ressaltar que este guia não busca encerrar a discussão acerca do tema, mas sim introduzi-la de forma acessível e informativa no contexto corporativo brasileiro. Dessa forma, este não é um guia definitivo. Reconhecemos as limitações inerentes ao nosso trabalho, especialmente o fato de que muitas de nossas recomendações estão diretamente associadas ao contexto de autistas verbais com nível 1 de suporte. Convidamos outras pessoas a explorarem aspectos adicionais em futuras cartilhas, de modo a ampliar o espectro de orientações disponíveis para a inclusão de autistas de níveis 2 e 3 de suporte no mercado de trabalho. Todas as medidas propostas neste guia são apenas recomendações. Quanto a esse aspecto, é fundamental entender que cada pessoa autista é única e tem autonomia para decidir o que é melhor para si. Em alguns casos, também é importante levar em conta a perspectiva de pessoas responsáveis legalmente pelo indivíduo autista. Logo, é essencial estabelecer um diálogo aberto e respeitoso com cada profissional autista, de maneira a considerar suas preferências de comunicação, além de jamais impor medidas sem consultar sua opinião. AUTONOMIA DA PESSOA AUTISTA Gostaríamos de destacar a importância de considerar as subjetividades, interseccionalidades, níveis de suporte e condições associadas da pessoa autista. Cada indivíduo possui suas próprias necessidades e habilidades. INDIVIDUALIDADE DA PESSOA AUTISTA Esta cartilha teve como fundamento os seguintes princípios: Do paradigma e do movimento da neurodiversidade; Da linguagem neuroafirmativa; Da garantia dos direitos humanos e da cidadania das pessoas autistas. Do self-advocacy (ou autodefesa); Das práticas baseadas em evidências científicas, aliadas a valores éticos e neuroafirmativos; Da identity-first language (ou terminologia da pessoa em primeiro lugar); Da luta contra a psicofobia, o capacitismo e os manicômios; Da defesa das boas práticas de ESG, além do posicionamento contra o social washing e o tokenismo; Da defesa da inclusão e da oposição à exclusão, à segregação e à integração de pessoas com deficiência nos contextos sociais. Todos os tópicos acima são explicados no glossário a partir da página 69. PRINCÍPIOS https://br.linkedin.com/in/simonegadotti Com carinho e respeito, Mariana, Felipe e Ghael, Fevereiro de 2024. Esta cartilha contou com a elaboração e a revisão de uma equipe multidisciplinar de especialistas em neurodiversidade com formação em: Psicologia, Neuropsicologia, Medicina, Direito, Ciências Sociais, Pedagogia, Psicopedagogia, Letras, Design, Comunicação, Gestão Ambiental, Gestão Pública, Educação Física, Administração, Construção Civil, Arte, Educação Inclusiva, Cultura e Diversidade & Inclusão. Da página 76 à 79, estão disponíveis as biografias das pessoas envolvidas com a autoria, edição e revisão desta cartilha. Responsáveis por esta cartilha: Mariana Moreira Andrade: coordenação, editoria, redação, projeto gráfico e diagramação; Felipe Emílio Gruetzmacher: redação, editoria e diagramação; Ghael Henrique Leite: editoria, redação e diagramação. Nossos especiais agradecimentos a cada integrante da equipe de revisão, por sua contribuição inestimável: Débora Cunha Romanov, Isabela Sallum Guimarães, Luciana Vieira Mariano, Ricardo Tadeu de Carvalho e Simone Gadotti Strelow. PESSOAS ENVOLVIDAS Esperamos que este guia seja um primeiro passo significativo na jornada rumo a um ambiente de trabalho mais inclusivo, acessível e neurodiverso. Seguimos na luta por um mercado de trabalho onde cada pessoa, independentemente de suas diferenças, possa prosperar e contribuir plenamente. Além disso, contamos com a contribuição de mais pessoas na causa da inclusão social de autistas, por meio de campanhas de conscientização, redação de cartilhas, postagens nas redes sociais e pesquisas. Acima de tudo, convidamos todas as pessoas a seguirem as recomendações cuidadosamente trazidas nesta cartilha. EXPECTATIVAS https://www.linkedin.com/in/marianamoreiraandrade/ https://www.linkedin.com/in/felipegruetzmacher https://www.linkedin.com/in/ghaelleite https://www.linkedin.com/in/d%C3%A9boracunharomanov https://www.escavador.com/sobre/6846948/isabela-sallum-guimaraes https://www.escavador.com/sobre/5553106/luciana-vieira-mariano SUMÁRIO 1 Considerações iniciais Conhecendo o autismo ................................................................................................................................... Página 08 Desmistificando estigmas ............................................................................................................................. Página 11 Autistas no mercado de trabalho ............................................................................................................ Página 14 Perigos da camuflagem social .................................................................................................................. Página 17 Divulgação da vaga ............................................................................................................................................ Página 30 Formulário de inscrição. .................................................................................................................................... Página 30 Testes de personalidade e testes de QI ................................................................................................. Página 31 Atividades em grupo (dinâmica e resolução de case) ............................................................. Página 31 Entrevista de emprego ....................................................................................................................................... Página 32 Avaliações ................................................................................................................................................................... Página 33 Feedback ...................................................................................................................................................................... Página 33 Alocação para a vaga ........................................................................................................................................ Página 33 Contrato de experiência .................................................................................................................................... Página 34 Leis e entendimentos judiciais ..................................................................................................................... Página 19 Orientação vocacional ...................................................................................................................................... Página 23 O mito das profissões ideais...........................................................................................................................Página 28 2 Empoderando autistas 3 Processo admissional 4 Permanência no trabalho Ambiente de trabalho acolhedor ................................................................................................................ Página 36 Job crafting ................................................................................................................................................................. Página 40 Conversas .................................................................................................................................................................... Página 41 Cuidados antes de demitir .............................................................................................................................. Página 58 Possíveis impactos da demissão ................................................................................................................ Página 59 Como comunicar uma demissão ............................................................................................................... Página 59 Iniciativas inclusivas ............................................................................................................................................ Página 61 Para além do autismo ........................................................................................................................................ Página 62 Entrevista com especialista ............................................................................................................................ Página 63 Sugestões (de livros, sites, documentário e redes sociais) ..................................................... Página 65 Referências .................................................................................................................................................................. Página 67 Glossário ........................................................................................................................................................................ Página 69 Autoria e edição ..................................................................................................................................................... Página 76 Revisão .......................................................................................................................................................................... Página 79 Segurança psicológica ..................................................................................................................................... Página 42 Acessibilidade cognitiva ................................................................................................................................... Página 44 Acessibilidade sensorial .................................................................................................................................... Página 45 Exaustão em autistas ........................................................................................................................................... Página 46 Eventos corporativos ............................................................................................................................................ Página 47 Autorrealização no trabalho ........................................................................................................................... Página 48 Feedback ...................................................................................................................................................................... Página 49 Progressão de carreira ....................................................................................................................................... Página 56 5 Processo demissional 6 Considerações finais 7 Elaboração da cartilha INICIAIS CONSIDERAÇÕES11 Página 08 Diferenças na linguagem não verbal: autistas podem expressar suas emoções de várias maneiras, em geral, percebidas como diferentes em relação às convenções sociais de interação. Assim, existem autistas que gesticulam de mais ou de menos, que realizam muito ou pouco contato visual, etc. Diferenças na reciprocidade emocional: por exemplo, pode variar desde a necessidade de pausas em conversas até a menor tolerância ao silêncio. Diferenças nos relacionamentos: autistas podem apresentar diferenças ao desenvolver, manter e compreender relacionamentos sociais. Diferenças nas formas de comunicação: existem autistas verbais e não verbais. Algumas pessoas autistas, principalmente as não verbais, utilizam formas de Comunicação Alternativa e/ou Aumentativa (CAA), como pranchas de comunicação no papel ou no tablet, escrita no computador ou outras maneiras. DIFERENÇAS NA COMUNICAÇÃO, LINGUAGEM E INTERAÇÃO PADRÕES CONSTANTES DE COMPORTAMENTOS E INTERESSES Estereotipias e repetições: autistas podem se expressar nos movimentos (como balançar na cadeira ou mexer as mãos), na fala (como repetir frases de filmes) ou no uso do objeto (como girar ou enfileirar objetos). Rotinas e rituais: autistas podem ter maior necessidade de estabilidade e padrões no cotidiano, como se sentar sempre na mesma cadeira, comer os mesmos alimentos etc. Foco intenso em determinados interesses (conhecido popularmente como “hiperfoco”): autistas podem focar bastante em assuntos de seu interesse, os quais podem abranger uma ampla gama de áreas, desde um personagem de ficção até assuntos técnicos. Reatividade a estímulos alterada: autistas podem ter reatividade aumentada (hiper- reatividade) ou reduzida (hiporreatividade) a estímulos, como sons, luzes, cheios, texturas, temperatura e dor. CONHECENDO O AUTISMO O autismo apresenta dois grupos de características: 1 2 O espectro autista não é linear. Na verdade, ele apresenta uma ampla gama de manifestações, de modo que cada autista tem sua própria personalidade e forma de expressão, influenciadas pela cultura, pelo ambiente organizacional, pelo nível de instrução e outros fatores. Desse modo, cada pessoa autista é única e distinta, podendo apresentar todas ou somente algumas das características descritas na página anterior. Portanto, não há como alguém ser mais ou menos autista do que outra pessoa. Por exemplo: Alice apresenta muitas estereotipias, utiliza gesticulação, tem hiperfoco em gatos, é hipossensível a barulho e prefere uma rotina fixa. Já Ana é autista, tem poucas estereotipias, não exibe expressões faciais acentuadas nem gesticula, tem quatro hiperfocos, é hipersensível a barulho e não segue uma rotina fixa. Ambas são autistas. ESPECTRO AUTISTA E DIFERENÇAS INDIVIDUAIS Embora ainda não existam dados oficiais, estima-se haver de pessoas autistas no Brasil, isto é, 6 milhões da população brasileira3% (Fonte: Canal Autismo, 2023). (dados considerando a população de autistas com e sem diagnóstico formal) Página 09 PARADIGMA DA NEURODIVERSIDADE E TERMINOLOGIAS O paradigma da neurodiversidade promove a aceitação e a valorização das diferenças cerebrais. Todas as pessoas são neurodiversas, uma vez que não existem dois cérebros completamente iguais. Em termos sociais, existe um padrão cultural esperado de funcionamento cerebral. Quem o segue faz parte da neuromaioria. Já as pessoas cujos cérebros não correspondem a esse padrão convencionado são denominadas de neurodivergentes e compõem a neurominoria. Entenda mais sobre os termos associados à neurodiversidade no tópico “Paradigma e movimento da neurodiversidade”, no glossário ao final do guia. Do ponto de vista legal, a Lei nº 12.764/2012 (Lei Berenice Piana) se refere a autistas como “Pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA)”. Sob a ótica médica, também é adotada a terminologia TEA, que costuma aparecer em laudos e em pesquisas acadêmicas. Da perspectiva do movimento da neurodiversidade, se opta pelo uso das terminologias afirmativas: “autista” e “pessoa autista”, conforme justificado no tópico “Identity-first language”, no Glossário(disponível a partir da pag. 69). Termos como: I) “Transtorno do Espectro Autista (TEA)”; II) “Pessoa com autismo”; III) “anjo azul”; IV) “níveis leve/moderado/severo”; V) “autismo de alto/baixo funcionamento”; VI) “Síndrome de Asperger” são considerados potencialmente ofensivos da perspectiva do movimento da neurodiversidade. Pergunte para a pessoa autista quais termos ela prefere usar, a fim de respeitá-la e de evitar polêmicas. Em termos legais, a Lei n° 12.764/12 (Lei Berenice Piana) estabelece a fita de quebra-cabeça como símbolo de identificação das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). De um lado, existem autistas que defendem a utilização da fita de quebra-cabeça. Por outro lado, parte da comunidade de ativistas autistas recomenda evitar o uso desse símbolo para representar o espectro autista, pois ele foi originalmente criado para simbolizar o autismo como um enigma a ser resolvido, no qual a cura seria a última peça faltante. Em alternativa, tais ativistas preferem utilizar o infinito nas cores de arco-íris para representar o orgulho autista, uma vez que esse símbolo expressa a natureza variada do espectro do autismo. O cordão de girassol foi instituído pela Lei n° 14.624/23, que alterou a Lei n° 13.146/15 (Estatuto da Pessoa com Deficiência), definindo-o como símbolo de identificação das pessoas com deficiência oculta, isto é, aquelas que não são aparentes, como o autismo. Esse Estatuto também estabelece que toda pessoa com deficiência, usando ou não o cordão de girassol, possui o direito ao atendimento preferencial. Além disso, a pessoa atendente tem o direito de requisitar documento comprobatório da deficiência no ato de atendimento. Já a CIPTEA (Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista) é um documento governamental usado para identificação de autistas, conforme previsto no art. 3º da Lei n° 12.764/12 (Lei Berenice Piana). Página 10 CORDÃO DE GIRASSOL E CIPTEA SÍMBOLOS Pergunte para a pessoa autista qual símbolo ela prefere usar, a fim de respeitá-la e de evitar polêmicas. Mito: O autismo é uma doença. Na verdade, o autismo não é uma doença, e sim uma variação neurológica, com alto fator genético e hereditário. Além disso, a Lei nº 12.764/12 (Lei Berenice Piana) considera o autismo legalmente como deficiência. Cabe destacar que a legislação brasileira segue o modelo biopsicossocial da deficiência, em conformidade à Lei n° 13.146/15 (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Mito: Autistas são antissociais. Na verdade, cada autista apresenta sua própria personalidade. Assim, existem autistas introvertidos e autistas extrovertidos. Algumas pessoas autistas não gostam de conversar sobre temas que destoam de seu leque de interesses, como assuntos sobre clima, vida pessoal, fofocas e assuntos de celebridade. Se você quiser interagir com uma pessoa autista, uma boa opção consiste em conversar sobre hiperfocos dela. Mito: Autistas são rudes. Na verdade, autistas não são rudes, mas podem apresentar diferenças na comunicação, na linguagem e na interação, as quais, muitas vezes, diferem-se do padrão neuronormativo de comunicação. Portanto, a ausência de um sorriso nem sempre significa insatisfação, a falta de contato visual nem sempre indica desinteresse e um tom de fala monótono e/ou elevado nem sempre é indício de arrogância. Desse modo, uma resposta que pode soar arrogante para a neuromaioria, em determinado contexto, pode parecer perfeitamente educada e natural para algumas pessoas autistas. É necessário compreender as diferenças e atentar-se ao que está sendo dito, e não a como a pessoa está falando. Esclarecer alguns mitos sobre autistas é fundamental para promover a inclusão no trabalho: DESMISTIFICANDO ESTIGMAS Página 11 Mito: Autistas são geniais ou têm deficiência intelectual. Na verdade, assim como no restante da população, existem autistas com QIs variados (dentro, abaixo ou acima da média). Sendo assim: Nem toda pessoa autista é genial. De fato, existem autistas com altas habilidades, muitas vezes, associadas a seus hiperfocos. Todavia, mesmo nesses casos, a instituição não deve explorar a pessoa autista, abusando de suas habilidades e seus interesses, mediante pressão e demandas excessivas (o que poderia causar tanto burnout, quanto exaustão em autistas). Pelo contrário: as habilidades devem ser valorizadas, mas nunca exploradas; Nem toda pessoa autista possui deficiência intelectual e, mesmo quem tem QI abaixo da média apresenta capacidade de realizar determinadas tarefas, a depender de seus interesses, habilidades, acesso a recursos de acessibilidade e disponibilidade de apoio ou suporte; Promova a acessibilidade, sem superestimar nem subestimar cada autista. Mito: Autistas não possuem empatia. Na verdade, essa noção parte da interpretação equivocada de estudos com pouco controle de variáveis, os quais desconsideram as enormes variações que ocorrem entre autistas. Em muitas dessas pesquisas, foram abordadas a empatia afetiva (capacidade de sentir o que o outro está sentindo) e a empatia cognitiva (capacidade de compreender as perspectivas dos demais e seu estado mental). É comum estudos observarem diferenças entre autistas e neuromaioria para os dois componentes, mas as diferenças são maiores para a empatia cognitiva. Inclusive, existem relatos de que pessoas autistas poderiam apresentar níveis mais altos de empatia afetiva em relação à neuromaioria. Uma proposta mais recente é de que, diferentemente da neuromaioria, autistas apresentariam uma discrepância entre os dois tipos de empatia (Shalev et al., 2022; Harmsen et al., 2019). Na verdade, estudos recentes questionam dados que sugerem a prevalência do autismo no sexo masculino. Pesquisas atualizadas revelam que fatores como vieses de diagnóstico e acesso desigual aos serviços de saúde podem ter influenciado os resultados. Nesse contexto, pesquisas encontraram evidências de que meninos e meninas no espectro apresentaram taxas equivalentes de comportamentos autistas na primeira infância (Burrows et al., 2022). Mito: O autismo predomina no sexo masculino. Página 12 Mito: O autismo pode ser leve, moderado ou severo. Na verdade, atualmente, é mais adequado se referir ao nível de suporte requerido pela pessoa autista, em vez de classificar os níveis de gravidade do autismo. Essa mudança é importante, pois enfoca no grau de acessibilidade necessária, desfazendo-se do mito de que o autismo é uma doença que pode ser “leve”, “moderada” ou “grave”. Mais especificamente, esses níveis estão previstos no DSM-5-TR da Associação Americana de Psiquiatria e se referem ao quanto uma pessoa autista necessita de ajuda para realizar tarefas cotidianas, como se comunicar, tomar banho, entre outras. No caso do Nível 1, o indivíduo autista precisa de ajuda em poucas situações; no Nível 2, em muitas situações; e, no Nível 3, em praticamente todas as situações. Mito: Existe um autismo chamado de Síndrome de Asperger. Na verdade, o termo Síndrome de Asperger deixou de ser oficialmente utilizado em muitos sistemas de classificação e de diagnóstico, como o DSM-5-TR (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª edição, texto revisado). Atualmente, prevalece a unificação diagnóstica de todos os antigos subtipos de autismo. Portanto, a antiga Síndrome de Asperger passou a ser incorporada no espectro autista. Além disso, o uso do dessa terminologia é desencorajado, devido a controvérsias em relação às associações do médico Hans Asperger com o nazismo e com pesquisas eugenistas envolvendo autistas. Mito: Autista precisa trabalhar em local especializado. Na verdade, é um equívoco acreditar que autistas somente podem trabalhar em locais específicos. Assim como qualquer indivíduo, autistas podem ter sucesso em uma variedade de ambientes de trabalho, desde que exista acessibilidade (universal e individualizada) para neurodivergentes nas organizações. O mais importante é oferecer oportunidades e suporte adequados para que a pessoa autista possa alcançar todoo potencial em sua função. Isso envolve a promoção de uma cultura inclusiva, em que tanto a neurodiversidade quanto a subjetividade sejam valorizadas, considerando suas características, interesses, habilidades e desejos. Página 13 Autistas com graduação apresentam maiores taxas de desemprego e de superqualificação e menos responsabilidades de supervisão, tanto em relação à neuromaioria, quanto em relação a outras pessoas com deficiência. Esses dados consideraram uma amostra formada por 279.251 pessoas graduadas em universidades britânicas nos anos de 2018 e 2019, das quais 15,5% eram pessoas com deficiência e 3,8% destas eram autistas (Allen, 2021). Também no Reino Unido, a taxa de desemprego na população (com e sem graduação) é de 78% entre autistas, 46% entre todas as pessoas com deficiência e 18,7% entre pessoas sem deficiência (Putz et al., 2020). Infelizmente, ainda não existem dados representativos, atualizados e confiáveis para o Brasil. Os dados abaixo apresentam um breve panorama sobre a inclusão de autistas no mercado de trabalho: Índice Pessoas autistas graduadas Pessoas graduadas neurotípicas Pessoas com deficiência graduadas (incluindo autistas) Taxa de desemprego 16,7% 7,7% 9,9% Superqualificação para função 43,9% 26,8% 30,9% Responsabilidade de supervisão 14,7% 21,2% 21,5% Fonte dos dados da tabela: Allen (2021). No Reino Unido, a probabilidade de receber um salário inferior a 20 mil euros anualmente é de 72% para autistas, 63% para pessoas com outras deficiências e 52% para pessoas sem deficiência (Vincent et al., 2023). Aguardamos os resultados do Censo 2022 do IBGE para obtermos dados brasileiros sobre essa temática. AUTISTAS NO MERCADO DE TRABALHO Página 14 2,17 vezes maior O desemprego entre autistas com graduação é Esse cálculo foi encontrado a partir dos dados de Allen (2021). do que entre pessoas graduadas neurotípicas. Por que o mercado de trabalho é tão hostil para autistas? Estigma e discriminação durante o processo seletivo de emprego; Bullying e preconceito por parte da equipe de trabalho; Falta de apoio e falta de acessibilidade; Lacunas na formação profissional; Problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade. Assim como todo mundo, cada autista apresenta pontos fortes e pontos fracos, que devem ser individualmente considerados. As características autistas podem ser percebidos como potencialidades ou desafios, a depender da acessibilidade disponível para o desenvolvimento pessoal. Por exemplo, os hiperfocos podem ser vantajosos se estimulados, mas podem ser desvalorizados em contextos que exigem dedicação a temas diversos e desinteressantes para a pessoa. Página 15 Evite o tokenismo. O tokenismo consiste em implementar práticas muito insignificantes de diversidade e inclusão, somente para aparentar uma falsa igualdade de oportunidades. São exemplos de práticas tokenistas: Utilizar símbolos e datas comemorativas de grupos minoritários em posts e em campanhas de marketing, sem haver inclusão efetiva na instituição; Cumprir apenas a cota mínima de contratação de pessoas com deficiência; Incluir pessoas de minorias na equipe somente como estratégia para atrair clientes; Entre outras estratégias em que se utiliza a causa autista sem uma inclusão efetiva. (Golden Steps, 2023) Porque é socialmente vantajoso: devido às suas mentes neurodivergentes, autistas têm o potencial de oferecer novas perspectivas em várias áreas do conhecimento. Porque é eticamente inclusivo: a ética da inclusão reconhece o valor intrínseco de cada indivíduo, os quais merecem respeito, dignidade e oportunidades iguais. Porque é legalmente previsto: todas as organizações devem cumprir tanto as leis de inclusão de pessoas com deficiência e as leis específicas para autistas. Porque é profissionalmente atrativo: 80% das pessoas de 18 e 34 anos levam a diversidade em consideração ao escolher onde trabalhar (Glassdoor, 2022). Você também pode atuar como agente da inclusão. A seguir, ensinaremos como adotar medidas inclusivas para autistas na organização onde você trabalha. Para ajudar a reverter o cenário de exclusão social de autistas mostrado acima, pedimos que você possa implementar, dentro do possível, as medidas sugeridas na sua organização. Incluir autistas é uma prática alinhada aos valores de ESG, conforme explicado no glossário ao final do guia. Dessa forma, incluir autistas não é só uma questão de ética e de solidariedade. O mercado de trabalho precisa de profissionais autistas: Página 16 Todos as mentes importam. Não há cérebro certo ou errado, pois cada mente processa informações de maneira diferente. Porque é corporativamente engajador: equipes muito diversas geram maior senso de igualdade de oportunidades e aumento de produtividade de 46% a 58% (Gallup, 2016). https://www.glassdoor.com/research/who-cares-about-diversity-equity-and-inclusion https://news.gallup.com/opinion/gallup/190103/using-employee-engagement-build-diverse-workforce.aspx PERIGOS DA CAMUFLAGEM Tipos de camuflagem social Compensação Envolve o ato de aprender a imitar comportamentos neuronormativos em vários contextos sociais. Exemplo: ver vídeos de linguagem corporal para aprender a realizá-la. Mascaramento Trata-se de ocultar características autistas e/ou substitui-las por características neuronormativas. Exemplo: suprimir as estereotipias autistas (como balançar o corpo). Assimilação Consiste na prática de se esforçar para assumir uma personalidade distinta da própria ao socializar. Exemplo: comparecer em festas para fingir ser mais sociável. Camuflagem social A camuflagem social consiste em práticas usadas por autistas para receber aceitação social por parte da neuromaioria. A camuflagem social divide-se em três subtipos e nunca deve ser imposta, pois gera graves efeitos à saúde mental de autistas. A camuflagem gera efeitos gravíssimos para as pessoas autistas, como: Aumento considerável de depressão, estresse e ansiedade (Keating et al., 2021), além de exaustão física, cognitiva e sensorial (Hull et al., 2017); Problemas de autoestima e de identidade, sobretudo em mulheres autistas (Bargiela et al, 2017); Sensação de falta de aceitação social e redução no desempenho em tarefas cotidianas (Beck et al., 2020); Pensamentos suicidas (Beck et al., 2020), além de tentativa e consumação de suicídio (Cassidy et al, 2018). Efeitos negativos da camuflagem social Dentre todos os fatores, as situações de trabalho representam as maiores motivações para realizar camuflagem (Cage, Troxell-Whitman, 2019). Portanto, a camuflagem NUNCA deve ser incentivada, tendo em vista as consequências negativas para autistas. Nesse sentido, a equipe de trabalho NUNCA pode, insinuar, sugerir ou obrigar que autistas ocultem suas características, imitem comportamentos neuronormativos ou finjam traços de personalidade. . Ser autista é um direito fundamental sob a perspectiva do movimento da neurodiversidade. Dessa forma, pessoas autistas devem ser respeitadas da maneira que são. Página 17 Em vez de tentar mudar a pessoa autista, mude o ambiente de trabalho, tornando-o mais acessível. AUTISTAS EMPODERANDO22 A Lei nº 12.764/12 (Lei Berenice Piana) passou a considerar autistas como pessoas com deficiência, para todos os efeitos legais. Portanto, todos os direitos elegíveis a pessoas com deficiência também são válidos para autistas, inclusive, os direitos a seguir: O artigo 37 da Lei n° 13.146/15 (Estatuto da Pessoa com Deficiência) prevê que as pessoas com deficiência têm direito à inclusão no mercado de trabalho e à colocação competitiva, em igualdade de oportunidades com os demais indivíduos. Para tanto, essa lei destaca que devem ser atendidas “as regras de acessibilidade, o fornecimento de recursos de tecnologia assistiva e a adaptação razoável no ambiente de trabalho”. A colocação competitiva poderá ocorrer por meio de trabalho com apoio, sendo observadas algumas diretrizes, como a “provisão de suportes individualizados que atendam a necessidadesespecíficas da pessoa com deficiência, inclusive a disponibilização de recursos de tecnologia assistiva, de agente facilitador e de apoio no ambiente de trabalho”. ACESSIBILIDADE NO TRABALHO LEIS E ENTENDIMENTOS JUDICIAIS LEIS TRABALHISTAS 11 De acordo com o artigo 75-F da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que foi incluído por meio da Lei nº 14.422/22, as pessoas com deficiência devem ter prioridade em vagas para atividades que possam ser efetuadas em regime de home office ou remoto. Esse direito é válido para pessoas com deficiência que estejam empregadas em qualquer organização. PRIORIDADE EM ATIVIDADES DE TRABALHO REMOTO PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA O artigo 93 da Lei n° 8.213/91 (Lei de Planos de Benefícios da Previdência Social) estabelece que empresas com 100 ou mais empregados devem reservar de 2% a 5% dos cargos para pessoas beneficiárias reabilitadas ou com deficiência, dependendo do número total de empregados contratados pela referida empresa. Essa lei é válida para toda e qualquer atividade empresarial, de todos os segmentos de mercado, desde que haja compatibilidade entre as atividades exercidas pela pessoa com deficiência e as adaptações exigidas por sua condição. RESERVA DE VAGAS PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA EM EMPRESAS PRIVADAS Página 19 http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%2012.764-2012?OpenDocument Página 20 Conforme o parágrafo 1º do artigo 1º do Decreto nº 9.508/18, pessoas com deficiência têm direito a, no mínimo, 5% das vagas oferecidas para concursos públicos da administração pública federal direta e indireta. Ainda, de acordo com o parágrafo 2º do artigo 1º deste mesmo decreto, as empresas públicas e sociedades de economia mista com 100 ou mais empregados também deverão reservar de 2% a 5% dos cargos para pessoas com deficiência, dependendo do número total de empregados contratados pela referida empresa, como previsto no artigo 93 da Lei n° 8.213/91 (Lei de Planos de Benefícios da Previdência Social). O Decreto nº 9.508/18 também assegura a adequação de critérios para a pessoa com deficiência para a realização e avaliação de provas escritas e práticas, inclusive durante o curso de formação (se houver), e do estágio probatório ou do período de experiência, que serão efetivadas por meio do acesso a tecnologias assistivas e a adaptações razoáveis. Já o parágrafo 2º do artigo 5º da Lei nº 8.112/90 (Lei do Servidor Público Federal) prevê a reserva de até 20% das vagas oferecidas em concursos públicos federais (inclusive para autarquias e fundações públicas federais) para pessoas com deficiência. Em concursos municipais e estaduais, é necessário que a pessoa autista consulte as leis locais e o edital do concurso para conhecer seus direitos e deveres. RESERVA DE VAGAS PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA EM CONCURSOS PÚBLICOS LEIS PARA FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS COM DEFICIÊNCIA 22 JORNADA DE TRABALHO ESPECIAL PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA CONCURSADAS O parágrafo 2° do artigo 98 da Lei nº 8.112/90 (Lei do Servidor Público Federal) estabelece que as pessoas servidoras públicas federais com deficiência têm direito à redução de jornada de trabalho. Nesse caso, a necessidade da jornada especial deve ser comprovada por junta médica oficial. Se a demanda for validada pela junta, a pessoa colaboradora com deficiência não precisará compensar horário. Em 2023, o Supremo Tribunal Federal fixou, por meio do Tema 1097, a tese (com repercussão geral) de que as disposições deste mesmo parágrafo são também aplicáveis aos servidores públicos estaduais e municipais, para todos os efeitos. A partir deste entendimento, portanto, a jornada especial para pessoas com deficiência também passou a ser aplicável às pessoas servidoras públicas estaduais e municipais, que venham a requerer seus direitos judicialmente, conforme consta em: https://portal.stf.jus.br/repercussaogeral/teses.asp (após acessar o site, clique em “Teses com repercussão geral” e, no campo “Digite um termo”, escreva “1097”). A Lei Complementar nº 142/13 regulamenta as condições para a aposentadoria especial de pessoas com deficiência, que é um direito garantido pelo artigo 201 da Constituição Federal. Entenda mais sobre essas regras e como solicitá-las em: https://meutudo.com.br/blog/aposentadoria-pessoa-com-deficiencia/. APOSENTADORIA ESPECIAL LEIS PREVIDENCIÁRIAS E ASSISTENCIAIS33 https://portal.stf.jus.br/repercussaogeral/teses.asp https://portal.stf.jus.br/repercussaogeral/teses.asp https://portal.stf.jus.br/repercussaogeral/teses.asp https://portal.stf.jus.br/repercussaogeral/teses.asp https://portal.stf.jus.br/repercussaogeral/teses.asp https://portal.stf.jus.br/repercussaogeral/teses.asp https://portal.stf.jus.br/repercussaogeral/teses.asp https://portal.stf.jus.br/repercussaogeral/teses.asp https://portal.stf.jus.br/repercussaogeral/teses.asp https://portal.stf.jus.br/repercussaogeral/teses.asp https://portal.stf.jus.br/repercussaogeral/teses.asp https://portal.stf.jus.br/repercussaogeral/teses.asp https://portal.stf.jus.br/repercussaogeral/teses.asp https://portal.stf.jus.br/repercussaogeral/teses.asp https://portal.stf.jus.br/repercussaogeral/teses.asp https://portal.stf.jus.br/repercussaogeral/teses.asp Página 21 PROCESSOS E PROCEDIMENTOS LEGAIS44 Segundo o artigo 9º da Lei 13.146/15 (Estatuto da Pessoa com Deficiência), toda pessoa com deficiência tem prioridade em processos e em procedimentos judiciais e administrativos em que for parte ou interessada. Já o artigo 69-A da Lei nº 9.784/99, que trata dos processos administrativos federais, concede prioridade para pessoas com deficiência na tramitação de procedimentos administrativos em que figure como parte ou pessoa interessada em qualquer órgão e instância. Além disso, a partir da Resolução nº 2 de 2005, o Superior Tribunal de Justiça passou a priorizar em seus julgamentos os processos cuja parte seja pessoa com deficiência, desde que a causa em juízo tenha vínculo com a própria deficiência. Para outros tribunais e instâncias, é necessário consultar as instruções específicas de cada órgão. PRIORIDADE EM PROCESSOS E PROCEDIMENTOS JUDICIAIS E ADMINISTRATIVOS LEIS PARA RESPONSÁVEIS LEGAIS DE AUTISTAS55 FLEXIBILIZAÇÃO DA JORNADA PARA RESPONSÁVEIS DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA Conforme o artigo 8° Lei nº 14.457/22 (que instituiu o Programa Emprega + Mulheres), pessoas empregadas que tenham filho, enteado ou pessoa sob sua guarda com deficiência têm direito a medidas de flexibilização da jornada de trabalho, por exemplo: regime especial de compensação de jornada de trabalho por meio de banco de horas e horários de entrada e saída flexíveis. PRIORIDADE NO TRABALHO REMOTO PARA RESPONSÁVEIS DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA De acordo com artigo 7º da Lei nº 14.457/22 (que instituiu o Programa Emprega + Mulheres), pessoas que sejam empregadas e que tenham sob sua responsabilidade filhos, enteados ou pessoas sob guarda judicial com deficiência terão prioridade na alocação de vagas para as atividades que possam ser efetuadas em regime remoto ou home office. BENEFÍCIO PARA AUTISTA DE BAIXA RENDA O artigo 20 da Lei n° 8742/93 garante o Benefício de Prestação Continuada (BPC), no valor de um salário mínimo mensal, à pessoa com deficiência que comprove não possuir meios de prover a própria manutenção e nem de tê-la provida por sua família. Página 22 REGRAS PARA APRENDIZES COM DEFICIÊNCIA As regras para o contrato de aprendizagem estão presentes no artigo 428 e seguintes da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O contrato de aprendizagem é um contrato de trabalho especial, por meio do qual a organização fornece, simultaneamente, tanto uma formação técnico-profissional em determinada área, quanto tarefas de trabalho compatíveis com essa formação. Mais especificamente, ainda segundo o parágrafo 4º do artigo 478 da CLT, essa “formação técnico-profissional caracteriza-se por atividades teóricas e práticas, metodicamente organizadas em tarefas de complexidade progressiva desenvolvidas no ambiente de trabalho”. Em geral,o contrato de aprendizagem tem o limite de 2 anos e se aplica a pessoas de 14 a 24 anos de idade, tendo como pressupostos para sua validade: (i) anotação na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS); (ii) se o aprendiz ainda não tiver concluído o ensino médio, matrícula e frequência na escola; e (iii) inscrição em programa de aprendizagem desenvolvido sob orientação de uma entidade qualificada em formação técnico- profissional metódica. No caso específico de aprendizes com deficiência, a vigência do contrato de aprendizagem não apresenta o limite de duração de 2 anos. Além disso, não há limite de idade para aprendizes com deficiência na contratação. A comprovação da escolaridade de aprendizes com deficiência deverá considerar, principalmente, as habilidades e competências relacionadas com a profissionalização. Para o aprendiz com deficiência com 18 anos ou mais, a validade do contrato de aprendizagem requer a anotação na CTPS, além de matrícula e frequência em programa de aprendizagem desenvolvido sob orientação de entidade qualificada em formação técnico-profissional metódica. CONTRATO DE ESTÁGIO E DE APRENDIZAGEM66 REGRAS PARA ESTÁGIO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA Estágio é um vínculo de trabalho supervisionado, com fins educativos, de estudantes que frequentam o ensino regular em instituições de educação superior, profissional, ensino médio, educação especial e anos finais do ensino fundamental da educação de jovens e adultos. Em relação a pessoas com deficiência, os artigos 11 e 17 da Lei nº 11.788/08 (Lei do Estágio) estabelecem, respectivamente: 1) que o contrato de estágio para pessoas com deficiência não tem limite de duração; e 2) 10% das vagas de estágio devem ser reservadas para pessoas com deficiência. http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%2011.788-2008?OpenDocument A orientação vocacional para autistas é crucial para facilitar seu ingresso no mercado de trabalho, sua progressão de carreira, sua satisfação profissional e sua qualidade de vida. Por quê? A orientação vocacional deve ser idealmente conduzida por profissionais qualificados. Todavia, se você tiver limitações socioeconômicas que dificultam o acesso a especialistas, tente refletir sobre as questões mencionadas e, se quiser, consulte preencha a ficha a seguir. Se possível, busque por projetos gratuitos de orientação profissional disponíveis em sua cidade ou online. Onde? Seus interesses/hiperfocos e suas habilidades; Seus pontos fortes e fracos; Suas características enquanto autista; Suas necessidades de suporte; Seu nível de acesso à educação; Suas características de personalidade; As vantagens e as desvantagens de cada profissão; Seus valores pessoais; As demandas do mercado; e/ou A disponibilidade de vagas afirmativas para neurominorias. Fatores a considerar A orientação vocacional é realizada por meio de: avaliação individual, opções de carreiras, aconselhamento personalizado, desenvolvimento de habilidades, tomada de decisões e definição de plano de ação. É importante garantir a participação ativa da pessoa autista nos processos decisórios. Como? Preferências a identificar Ambiente de trabalho: em que tipo de ambiente trabalhar? Objetos de trabalho: com o que trabalhar? Atividades de trabalho: fazendo o quê? Rotina de trabalho: quando e quanto tempo trabalhar? Prefiro rotina fixa ou flexível? Expectativas e retornos do trabalho: o que desejo obter com meu trabalho? Modalidade de trabalho: prefiro trabalhar no regime híbrido, remoto ou presencial? Socialização no trabalho: prefiro trabalhar individualmente ou em grupo? Considerar os fatores acima ajudará a pessoa autista a filtrar cursos, ocupações e organizações que julgar interessantes e condizentes com o seu próprio perfil vocacional. ORIENTAÇÃO VOCACIONAL Página 23 Meus pontos fortes e fracos Meus interesses: ________________________________________________________________ Minhas habilidades: _____________________________________________________________ Meus pontos fracos: _____________________________________________________________ Minhas características autistas: Minhas hiper e hipossensibilidades: ___________________________________________________ Minhas necessidades de suporte: ____________________________________________________ Minha personalidade: Introversão, extroversão ou ambiversão? _______________________________________________ Prefiro a teoria ou a prática? _______________________________________________________ Prefiro conceitos concretos ou abstratos? _______________________________________________ Prefiro a lógica ou a emoção? ______________________________________________________ Prefiro me planejar ou improvisar? ___________________________________________________ Clima organizacional: Sofisticado Porte da organização: Ambiente de trabalho: em que tipo de ambiente você prefere trabalhar? Urbanizada grande Urbanizada pequena Litorânea Rural No exteriorCidade: Simples Calmo Cooperativo Formal Agitado Competitivo Descontraído Grande Médio Pequeno Locais: Em casa Em escritório Em cozinhas Em hospitais Em clínicas Em ONGs Em escolas Em universidades Em laboratórios Em lojas Em museus Em indústrias Em igrejas Em estúdios Outros: _________ Variabilidade de locais: Local fixo Local variável (exemplos: viagens, perícias em campo) Preferências a identificar: Ficha simplificada de orientação vocacional. Não dispensa a consulta a especialistas. 1ª parte: Autoconhecimento Com atendimento ao público Objetos de trabalho e socialização: com o que e quem você prefere trabalhar? Individualmente Com equipes pequenas Com bebêsPessoas: Com equipes grandes Com crianças Com adolescentes Com adultos Matemática Economia Eletrônica Geografia Engenharia Idiomas Matemática Programação HistóriaAdministração Artes Assuntos: Biologia Culinária Psicologia Geologia Literatura Arquitetura Design Meio ambiente Estatística MecânicaConstruçãoAstronomiaSociologia Outros: _________ Página 24 Animais Pessoas Plantas Minerais ProgramaçãoObjetos: Máquinas Números Fatos Jogos Carros Vestuário Minerais Contratos Legislação Dinheiro Desenhos Remédios Textos Filmes Minerais Ideias Livros Alimentos Mapas Fórmulas Fotos Mobiliário Joias Experimentos Ferramentas Outros: _________________________________________________________ Tipo de atividade: Científica Política Organizar Planejar Analisar Maquiar Ler Dançar Escrever Estudar Atividades de trabalho: fazendo o quê? Intelectual Cultural Artística Literária Religiosa Manual Esportiva Relacional Ritmo das atividades: Com pressão Rotineira Com riscos Sem pressão Dinâmica Sem riscos Ações: Cuidar Vender Pesquisar Costurar Desenhar Coordenar / Liderar Empreender Cantar Resolver problemas Programar Orientar Persuadir Comunicar Ensinar Mediar Filmar Outras: _____________________________________________________________ Rotina de trabalho: quando e quanto tempo trabalhar? Horário de trabalho: Flexível Fixo Ritmo de trabalho: Intenso Moderado Período de trabalho: Integral Parcial O mínimo possível Atividade física Prestígio / Status Poder se isolar Simplicidade Estabilidade financeira Socialização Ajuda às pessoas Igualdade e inclusão Lidar com pessoas Solidariedade Conhecimento Ter muito tempo livre Fazer o que gosta Fazer várias coisas Viagens Poder Prazer Aventura Justiça Cultura Estética Outros: _________ Criatividade / Se expressar Autonomia Liberdade Superação pessoal Ascensão de carreira rápida Ascensão gradual de carreira Horários flexíveis Honestidade e respeito Trabalhar por conta própria Retorno financeiro Segurança Competição Ser líder Selecione os três principais: 1. ________________ / 2. ________________ / 3. ________________ Expectativas e retornos do trabalho: o que desejo obter com meu trabalho? Página 25 Presencial Remoto HíbridoModalidade de trabalho: Com base nas informações anteriormente preenchidas, complete o esquema à direita (ikigai). Entendamais sobre como preencher o ikigai em: ikigaitest.com. Nesse link, também é possível realizar o teste do ikigai automaticamente, caso não queira preenchê-lo manualmente. Página 26 2ª parte: Profissão https://ikigaitest.com/pt/teste-de-personalidade/ Página 27 Liste dez opções de organizações que apresentam cargos relacionados à sua profissão. 1. Pesquise para cada uma: 2. Existem vagas afirmativas para o cargo desejado? Qual o salário? Qual o local? Qual a modalidade (remoto, presencial, híbrido)? A organização oferece acomodações acessíveis? Considerando as respostas para os itens acima, inscreva-se para o processo seletivo mais vantajoso para suas demandas pessoais. 3. Fonte: Esta ficha foi parcialmente baseada no Programa de Orientação Profissional da Universidade Federal de Minas Gerais (POP/UFMG). 3ª parte: Emprego Liste todas as profissões em que há possibilidade de você seguir. Se precisar, consulte uma lista de profissões: https://www.gupy.io/blog/lista-de-profissoes 1. Para cada profissão listada, pesquise e escreva três subáreas. Exemplo: Engenharia Civil (subáreas = projetos estruturais, gestão de obras, orçamento de obras). 2. Para cada subárea de cada profissão, pesquise e escreva: ambiente de trabalho, objetos de trabalho, socialização, atividades, rotina de trabalho, possibilidades de retorno e possíveis modalidades de trabalho. 3. Compare as características de cada subárea com suas preferências pessoais. Quais são compatíveis e quais não são? 4. Selecione as profissões mais compatíveis com seu perfil. Se for necessário realizar algum curso técnico ou de graduação, pesquise opções de instituições onde cursar, de acordo com sua localidade e sua renda. Além disso, se você tiver preferência por um curso a distância, pesquise se há oferta para cada opção. 5. Liste as vantagens e as desvantagens das opções remanescentes. 6. Defina a profissão com o melhor custo-benefício para você.7. https://www.gupy.io/blog/lista-de-profissoes Todas! As capacidades e os interesses variam de pessoa para pessoa. Dessa forma, autistas podem se destacar em qualquer carreira que lhes interessem, desde que haja acessibilidade, além da valorização da neurodiversidade em todos os campos profissionais. Nesse contexto, os hiperfocos das pessoas autistas podem ser ampliados e estimulados como fonte de profissão. Por exemplo, autistas com interesse em carros podem ser incentivados a estudar Engenharia Mecânica. Dessa forma, os hiperfocos podem oferecer oportunidades de trabalho únicas, permitindo a autistas se destacarem em suas áreas de interesse, de modo a contribuírem para equipes, para projetos e para a sociedade. Que profissões são mais adequadas para autistas? O mito das profissões ideais Página 28 ADMISSIONAL PROCESSO33 Realizar uma seleção inclusiva para autistas promove a valorização de suas habilidades únicas e contribui para a criação de um ambiente de trabalho diverso e acolhedor. Além disso, permite aproveitar o potencial de profissionais autistas, enriquecendo a equipe e impulsionando a inovação organizacional. Cada pessoa autista é diferente. Portanto, pergunte para cada pessoa autista quais das medidas, das listadas abaixo ou não, são mais adequadas a seu próprio contexto. Formulário de inscrição Pergunte sobre demandas de acessibilidadeDê instruções simples e diretas Mantenha o formulário simples e direto, evitando jargões e perguntas complexas ou confusas. Divida o formulário em seções identificáveis e bem definidas. Não limite o tempo de resposta. Não coloque pegadinhas. Deixe as perguntas invasivas como opcionais. Lembre-se que algumas pessoas autistas não se sentem à vontade em revelar seu diagnóstico e em conversar sobre sua condição. Pergunte se a pessoa candidata necessita de quaisquer medidas de acessibilidade durante cada fase do processo seletivo, para que você possa providenciar as adaptações com antecedência. Crie um formulário que permita que a pessoa selecione as medidas mais apropriadas para seu próprio contexto. Também deixe um espaço aberto para solicitação de medidas adicionais. Divulgação da vaga Divulgue a vaga em grupos de autistasDê informações precisas e previsíveis sobre a vaga Autistas necessitam de previsibilidade; portanto, conceda todos os dados e as informações disponíveis sobre a vaga: cargo, nível de escolaridade, salário, local, modalidade de trabalho, horários, benefícios, funções do cargo etc. Informe que o processo seletivo será inclusivo para neurodivergentes e que as adaptações necessárias serão providenciadas. Evite inserir textos muito longos. Grife as informações principais. Caso a vaga seja exclusiva para autistas ou para pessoas com deficiência, divulgue-a em grupos frequentados por pessoas do espectro autista. Se possível, faça parcerias para divulgar a vaga em redes sociais e grupos de coletivos autistas (como o CATEA) e em empresas de inclusão de neurominorias no mercado de trabalho (como a StarTEA, a aTip, a Stardust Zone, CRIAutista e a Specialisterne). PROCESSO ADMISSIONAL Página 30 Página 00 Atividades em grupo (dinâmica e resolução de cases) Favoreça a participação equitativaFlexibilize as atividades em grupo Pergunte quais são as preferências de comunicação da pessoa previamente à dinâmica de grupo. Possibilite alternativas, se necessário, como: rodas de conversa, grupos menores (duplas, trios), trabalho individual, gravação de vídeo, entre outras medidas. Vale destacar que algumas pessoas autistas gostam de fazer atividades em grupo. Separe os grupos previamente para evitar o constrangimento caso alguém não encontre colegas para formar equipe. Não exija improvisação e evite mudanças de última hora. Não exponha o diagnóstico da pessoa autista para o restante da equipe. Se ela se sentir à vontade, ela mesma o revelará. Não submeta as pessoas a pegadinhas sociais, como: “Quem nessa dinâmica você não contrataria e por quê?” Evite dinâmicas muito abstratas (exemplo: dinâmicas com balões). Prefira dinâmicas que necessitem de resoluções objetivas de problemas reais (exemplo: soluções de sustentabilidade ou de acessibilidade). Estabeleça turnos de fala para evitar interrupções, falta de participação ou falas demoradas, por exemplo: estabeleça um minuto para cada pessoa falar. Algumas pessoas autistas podem não saber quando e por quanto tempo podem falar. Dê instruções objetivas e precisas. Não exija nada além do que foi solicitado. Esteja disponível para tirar dúvidas sempre que necessário. Página 31 Complemente os testes com outros métodosNão desclassifique devido às características autistas Aplique tarefas práticas semelhantes à rotina de trabalho. Esse método tende a ser eficaz, pois avalia a habilidade de a pessoa executar especificamente as tarefas que lhe serão atribuídas caso efetivada no trabalho. Dê instruções precisas, conceda tempo suficiente e não exija nada além do pedido. Lembre-se que as pessoas autistas estão tendo um primeiro contato com a atividade; logo, leve em consideração que elas demandam um período de adaptação para a tarefa. Dessa maneira, a pessoa candidata poderá ser avaliada pelo desempenho na execução de ações. Por vezes, os resultados de testes de personalidade podem ser interpretados com vieses cognitivos quando aplicados em autistas. Assim, não desclassifique uma pessoa devido às características do autismo. Em alternativa, busque alocar autistas para cargos que valorizem suas habilidades. Por exemplo, caso a pessoa tenha se candidatado para um cargo incompatível com seu perfil, analise se existe outra vaga na qual ela pode ter um bom desempenho. Além disso, se você julgar que tais avaliações são necessárias, considere utilizar instrumentos adaptados e acessíveis para aquela pessoa, além de oferecer apoio (como tirar dúvidas de termos ambíguos) no momento da aplicação. Testes de personalidade e de QI Entrevista de emprego Respeite as características Reduza os estímulos sensoriais Simplifique a linguagem Dê tempo suficientepara a pessoa responder. Considere que existem pessoas autistas que apresentam tempo de resposta mais prologado. Evite interrupções, para que a pessoa não perca a linha de raciocínio. Respeite as características não verbais, caso a pessoa as apresente, como contato visual escasso, movimentos repetitivos, tom de fala baixo ou alto, ausência de sorriso, sinais de ansiedade, ritmo de fala lento ou rápido etc.). Evite usar metáforas e expressões idiomáticas, para evitar que a pessoa autista as interprete de modo literal. Não faça pegadinhas sociais. Evite realizar perguntas muito abertas, vagas ou abstratas, por exemplo: “Que animal você seria?”, “Qual é o seu personagem de filme preferido?”, “Se você pudesse viajar no tempo, para quando e onde você iria?”, entre outras. Certifique-se de que o local onde ocorrerá a entrevista estará livre de estímulos sensoriais, como ruídos, luzes fortes ou piscando, multidões e cheiros acentuados. Respeite o uso de equipamentos de apoio, suporte e/ou tecnologia assistiva, como abafadores de ruído e óculos escuros, se preciso. Respeite a comunicação Valorize as características Garanta previsibilidade Respeite as preferências de comunicação de autistas, seja verbalmente, por escrito, por intermédio de comunicação alternativa e/ou aumentativa ou por pessoas de apoio. Realize todas as adaptações de acessibilidade e inclusão necessárias para possibilitar a interação. Informe as perguntas antecipadamente por e- mail. Se possível, informe o tempo máximo que será dado para responder cada pergunta. Inicie a entrevista já explicando as etapas que se sucederão. Permita a consulta ao currículo e a anotações. Inicie com perguntas sobre interesses pessoais, a fim de criar conexão com a pessoa autista e de estimular a conversa. Foque no conteúdo das respostas, e não na linguagem corporal e no tom de voz da pessoa autista. Isto é, foque no que está sendo dito, e não em como está sendo dito. Evite perguntas invasivas sobre o autismo. Valorize as habilidades da pessoa autista, de maneira a sempre evitar subestimá-la. Estimule que a pessoa autista fale sobre si mesma e sobre seus próprios pontos fortes. Página 32 Feedback Valorize as habilidades Não faça críticas preconceituosas Alterne críticas e elogios Não infantilize a pessoa autista. Trate-a como você trataria outros indivíduos adultos. Nunca associe as características do autismo a críticas negativas (como comunicação, linguagem e estereotipias). Não invada a privacidade. Não utilize as diferenças autistas como justificativa para desclassificação de autistas de um processo seletivo. Valorize também outras habilidades, como os conhecimentos técnicos e a qualidade das entregas, por exemplo. Destaque os pontos fortes; Alterne os pontos fortes e fracos; Sugira formas de desenvolvimento pessoal; Explique para a pessoa o porquê ela foi classificada ou desclassificada. Garanta suporte psicológico, se necessário. Avaliações Forneça esclarecimentos Conceda tempo suficiente Escreva enunciados precisos Conceda tempo adicional de prova, se necessário. Algumas pessoas autistas apresentam alterações nas funções executivas (isto é, na capacidade de planejar e de executar determinadas tarefas) e, portanto, necessitam de tempo extra. Não elabore uma avaliação maior ou mais difícil que a dos outros estudantes. Garanta a equidade. Forneça, com paciência, esclarecimentos de enunciados durante avaliações, quando solicitados. Não é preciso dar a resposta, mas é necessário tirar dúvidas de interpretação, para garantir oportunidades iguais. Se possível, disponibilize intérpretes de enunciados para tirar dúvidas. Escreva enunciados curtos, com informações facilmente localizáveis. Se possível, ilustre com imagens. Prefira testes de múltipla escolha, de preencher lacunas ou questões abertas. Evite questões de V ou F. Página 33 Alocação para a vaga Valorize as habilidades Respeite as preferências Promova a acessibilidade Aloque a pessoa de acordo com seus pontos fortes, seus pontos fracos e suas habilidades. Considere os interesses e os hiperfocos da pessoa autista no processo de alocação, dentro do possível. Permita que a pessoa autista opine sobre qual área pensa ser mais adequada para si e entre em consenso com ela. Justifique para a pessoa por que ela fora alocada para aquela área. Explique sobre o plano de carreira e possíveis mudanças. Consulte a pessoa autista acerca das medidas de acessibilidade que serão necessárias para ela mesma. Contrate uma consultoria em inclusão e diversidade, caso necessite tratar de questões específicas. Contrato de experiência Liste as expectativas Seja paciente durante a adaptação Forneça mentoria e suporte Seja flexível com horários e atrasos durante o período de adaptação. Lembre-se que mudanças na rotina são desafiadoras para pessoas autistas. Pergunte periodicamente se a pessoa autista apresenta dúvidas e responda-as atentamente. Faça um treinamento de rota para ensinar o trajeto até os locais a serem frequentados pela pessoa autista. Selecione uma pessoa com paciência para realizar mentoria, a fim de tirar dúvidas e dar dicas. Forneça feedbacks regulares, para que a pessoa autista possa se adaptar durante o período de experiência. Incentive e faça elogios constantes. Forneça uma lista com as expectativas e as responsabilidades do cargo logo no início do período de experiência, a fim de garantir previsibilidade. Não exija nada além do especificado. Página 34 Lembre-se: Nenhuma pessoa autista é igual a outra pessoa autista. As medidas dessa cartilha são apenas sugestões. Pergunte a cada pessoa autista o que é mais adequado para ela. NO TRABALHO PERMANÊNCIA44 Comunique-se de forma precisa, sintética e literal Entenda e respeite as características do autismo Ofereça metas e instruções por escrito, preferencialmente, em forma de lista. Dê previsibilidade de dias e de horários. Explique as etapas antes de cada procedimento e ensine rotas com antecedência. Mudanças no plano podem causar angústia a colaboradores autistas. Realize reuniões neuroinclusivas com datas, objetivos e temas comunicados previamente. No início de cada encontro, liste os tópicos que serão abordados e avise qual será o horário do intervalo. Confira previsibilidade e respeite a rotina Ser literal abrange evitar sarcasmos, ironias e piadas de duplo sentido. Mais do que isso, também é necessário realizar recomendações e dar ordens literalmente, sem nunca exigir nada além do que foi orientado. Por isso, a comunicação entre a pessoa autista e o restante da equipe precisa ser cuidadosamente literal, precisa e efetiva. Autistas apresentam comportamentos neuroatípicos que devem ser respeitados: Em relação às diferenças na comunicação: grande parte das pessoas autistas apresenta diferenças na leitura e na expressão de sinais sociais não verbais, como expressões faciais e gesticulação. Portanto, a ausência de sorriso nem sempre significa que estão insatisfeitas; a falta de contato visual nem sempre indica desinteresse; e um tom de fala monótono e/ou elevado nem sempre é indício de arrogância. Em relação às estereotipias: caso a pessoa autista manifeste alguma estereotipia em uma conversa, continue o diálogo. Não faça perguntas embaraçosas nem aponte as características da pessoa. Se você perceber que um comportamento representa angústia ou sobrecarga, tente ajudar perguntando sobre o sentimento, e nunca sobre o comportamento. Somente intervenha se o comportamento for autolesivo e prejudicial. As estratégias abaixo são alternativas para tornar o ambiente de trabalho mais inclusivo para autistas. A lista contém apenas sugestões. É imprescindível perguntar para a pessoa autista quais medidas são mais adequadas para seu próprio contexto. Além disso, colegas de trabalho e lideranças devem se aliar na luta pela neuroinclusão, a fim de facilitar a comunicação, o intercâmbio de ideias e a combinação de habilidades. AMBIENTE DE TRABALHO ACOLHEDOR Página 36 Evitefofocas Quando uma pessoa autista se negar a envolver com fofocas, esse comportamento não deve ser visto como “indiferente” ou “apático”. Na verdade, muitas pessoas autistas evitam fofocas por apresentarem um forte senso de justiça. Além disso, manter a ética no trabalho beneficia todas as pessoas, tanto as neuromaiorias quanto as neurominorias. Designe mentores Cabe à pessoa mentora ensinar estratégias neuroafirmativas de comunicação, gestão de tempo e adaptação a mudanças, com dicas práticas e contextualizadas, sem impor a camuflagem social. A mentoria também pode envolver orientação de carreira, apoio motivacional e networking. Deve-se valorizar os hiperfocos, o ritmo de aprendizagem e a acessibilidade. Faça pausas periódicas e evite interrupções Em geral, autistas necessitam de previsibilidade. Portanto, programe com antecedência os horários das pausas periódicas, a fim de evitar a sobrecarga cognitiva. Além disso, evite interromper autistas durante as tarefas, pois esses indivíduos costumam passar por momentos de foco intenso e não gostar de transições abruptas. Respeite a privacidade É fundamental compreender que, em certos momentos, algumas pessoas autistas (nem todas!) podem querer passar alguns momentos a sós, como na hora do almoço e nos intervalos. Em geral, isso acontece porque autistas, por vezes, passam por sobrecarga social, emocional e sensorial. Assim, isolar-se por alguns instantes é uma maneira de se recuperar para focar na jornada de trabalho pela frente. Portanto, respeite a necessidade de autistas se isolarem por algum tempo. Página 37 Compreenda o uso de CAA, se necessário Comunicação alternativa e aumentativa (CAA) consiste no uso de recursos que auxiliam autistas a se comunicarem com outras pessoas. Por exemplo, existem autistas que se expressam por meio de cartões com imagens, por apps ou por escrito, por exemplo. Trabalho remoto, híbrido ou presencial? Determinar o melhor modelo de trabalho depende das preferências da pessoa autista e das demandas organizacionais. Por um lado, existem pessoas autistas que preferem trabalhar presencialmente. Por outro lado, em alguns casos, o regime home office pode ser uma opção adequada para evitar a sobrecarga sensorial do trânsito e do ambiente de trabalho. Para determinar o modelo mais adequado, verifique e/ou adapte as condições de acessibilidade do ambiente de trabalho. Lembre-se que, segundo a Lei n° 14.442/22 (Lei do Teletrabalho), pessoas com deficiência têm prioridade em trabalhos que podem ser realizados remotamente. Dê respostas e explicações Pergunte se a pessoa autista tem dúvidas e dê respostas para as questões antes do início das tarefas, Peça a pessoa para explicar com as próprias palavras as explicações dadas, para que seja possível identificar se houve entendimento. Comunique-se de forma precisa e sucinta, sem ambiguidades, metáforas e generalizações. Preferencialmente, dê instruções em forma de lista, passo a passo e/ou checklist. Além de explicar oralmente, forneça as instruções por escrito. Dê instruções precisas Crie conexão por meio de hiperfocos e jogos Uma boa estratégia de interação com pessoas autistas consiste em conversar sobre os hiperfocos delas. Além disso, jogos, como Uno e dominó, são formas de criar conexão com algumas pessoas autistas. Para determinar a melhor forma de interação, basta perguntar para a própria pessoa autista o que ela gosta de fazer e de conversar. Compreenda o uso de tecnologias assistivas Tecnologias assistivas visam melhorar a comunicação, a organização de atividades e a gestão de tarefas, além de gerenciar os estímulos ambientais. O uso de tecnologias assistivas é um direito garantido por lei. Exemplos de tecnologias assistivas: softwares de reconhecimento de voz, apps para monitorar emoções e kindles com controle de luz. Página 38 É importante não exigir que autistas improvisem, caso não se sintam confortáveis, pois muitas delas podem se beneficiar de rotinas e de previsibilidade. É possível celebrar a neurodiversidade no trabalho de várias maneiras, por exemplo, por meio de campanhas de conscientização, cartilhas, palestras, sites e cartazes que promovam a compreensão e o respeito às diferentes neurodivergências. Outra forma é reconhecer publicamente as contribuições de profissionais autistas, com déficit de atenção e outras pessoas neurodivergentes, de modo a valorizá-las. Crie grupos de afinidade Grupos de afinidade podem conectar pessoas interessadas em vários temas, ,como inclusão, neurodiversidade, pessoas com deficiência, saúde mental e autismo. Além disso, o grupo pode: Compartilhar experiências de inclusão; Sugerir ações para consolidar um ambiente diverso e inclusivo; Expandir a discussão para toda a empresa; Conectar pessoas com interesses em comum. Faça reuniões online inclusivas Boas práticas em reuniões online incluem: Pausa entre reuniões para a pessoa autista processar o assunto; Deixar na tela somente quem está falando; Esconder a própria câmera; Enviar pauta com antecedência, garantindo a previsibilidade e respeitando a rotina da pessoa autista; Avaliar se a reunião é necessária ou não; Enviar a ata da reunião por escrito. Respeite as preferências de roupas e de alimentos Autistas costumam usar roupas condizentes com sua hiper ou hipossensibilidade. Portanto, o estilo de se vestir deve ser respeitado e compreendido, desde que não seja socialmente ofensivo. Além disso, existem autistas com seletividade alimentar e intolerâncias alimentares. Logo, se a organização fornecer refeições, é necessário se certificar que existem opções de comida adequadas para as pessoas autistas. Não exija improvisação Celebre a neurodiversidade Página 39 O job crafting consiste em redesenhar um trabalho para que se adeque ao jeito e ao modo de atuar de cada profissional do time. Esse redesenho consiste em três ações principais: Task crafting: acrescentar, eliminar, ajustar o tempo ou redesenhar aspectos das tarefas presentes na rotina da pessoa colaboradora; Relational crafting: criar, sustentar, reduzir ou eliminar o tempo de contato com colegas de trabalho; Cognitive crafting: interpretar tarefas, relacionamentos e tarefas com outro significado. O QUE É JOB CRAFTING? Uma pessoa especialista em marketing e em produção de conteúdo poderia negociar com a liderança para criar uma coluna no blog do banco onde trabalha. Nesse caso, estaria dando uma sugestão de tarefa em suas atribuições gerais. Nessa coluna, a pessoa colaboradora teria maior liberdade para escrever sobre finanças e serviços bancários. A liderança poderia concordar com esse acréscimo de tarefas, pois encararia essa iniciativa como proatividade e como possibilidade de criar artigos para agregar na visibilidade do banco. A pessoa também poderia encarar essa nova tarefa como uma forma de externalizar seu potencial de escrita e de criatividade. Todas essas alterações e mudanças seriam de mútua aceitação entre colaboradores e lideranças. A pessoa autista pode negociar com a liderança para utilizar o job crafting e refazer o modo como ela própria trabalha. Por exemplo: Combinar um horário de concentração, em que ninguém vai falar com ela, a fim de manter o hiperfoco no trabalho; Identificar quais são as tarefas mais apropriadas para os talentos da pessoa colaboradora autista e deixar que ela foque nessas tarefas; Alinhar propósito, resultados, personalidade e vontade da pessoa colaboradora e da organização, o que significa sintonia entre organização e pessoa trabalhadora, de maneira a gerar novas formas positivas de encarar o trabalho. EXEMPLO DE JOB CRAFTING E NO CASO DE UMA PESSOA AUTISTA? 1.7 Benefícios do job crafting: Motivação Satisfação Produtividade Bem-estar Novas habilidades Proatividade JOB CRAFTING Página 40 Não faça isso. Precisamos conversar. Chegou atrasada de novo? Perdeu o ônibus? Ninguém tem interesse nesse assunto agora. Por que você tem chegado atrasada? Podemos falar sobre isso na hora do almoço? Em vez de: Diga:Explique o porquê Fale de modo específico Fale de modo direto Fale de modo respeitoso Não faça isso, porque... Precisamos conversar sobre ... Dica: CONVERSAS Para comunicar-se efetivamente com autistas, é recomendável seguir as estratégias elencadas abaixo, a fim de estabelecer conexões significativas e de construir relacionamentos positivos. Baseado em @the.autiscats Página 41 Segurança psicológica é um senso de que a equipe não irá envergonhar, rejeitar ou punir alguém por se pronunciar. Para garantir a segurança psicológica para autistas no trabalho, é necessária uma abordagem holística que dê liberdade para: SEGURANÇA PSICOLÓGICA Página 42 Promover interações sociais inclusivas e respeitosas no local de trabalho, incentivando a participação de toda a equipe, incluindo autistas; Fornecer oportunidades para que autistas se envolvam em atividades de equipe e colaborativas; Respeitar as necessidades por momentos a sós e de descanso quando necessário; Sensibilizar a equipe de trabalho sobre o autismo e a luta contra o capacitismo e a psicofobia, incentivando a empatia e o respeito mútuo. INTERAGIR22 Criar um ambiente psicologicamente saudável, onde qualquer pessoa se sinta confortável para expressar suas opiniões, ideias e preocupações; Respeitar as preferências de comunicação de autistas, seja verbalmente, por escrito ou por meio de comunicação alternativa e/ou aumentativa; Respeitar as características das pessoas autistas, como estereotipias e comunicação não convencional, além de sua personalidade. Não tente impor mudanças neuronormativas e nunca estimule ou exija a camuflagem de traços autistas. Buscar por uma equipe de saúde mental em caso de comportamentos prejudiciais, como se ferir ou ofender outras pessoas. Se possível, a empresa deve fazer parcerias com equipes de saúde mental e de diversidade especializadas em neurodivergentes. EXPRESSAR11 Página 43 Oferecer treinamentos e cartilhas sobre inclusão de autistas para toda a equipe, a fim de promover uma compreensão mais profunda das necessidades e das características das pessoas autistas; Adotar uma abordagem flexível no treinamento, na avaliação e no desenvolvimento profissional, oferecendo opções de aprendizado que sejam acessíveis e adaptáveis às diferentes maneiras de processamento de informações de cada autista, aos diferentes níveis de inteligência e de ritmo de aprendizagem. Ter tolerância ao erro e paciência ao ensinar. Ser flexível de acordo com as necessidades de cada profissional, realizando adaptações no ambiente de trabalho para acomodar as necessidades individuais de cada autista. APRENDER33 Promover um senso de pertencimento e de inclusão no ambiente de trabalho, reconhecendo e valorizando as contribuições únicas que autistas trazem para a equipe. Criar oportunidades para que autistas se envolvam em grupos de afinidade, redes de suporte ou iniciativas de responsabilidade social corporativa que possam fortalecer seu senso de comunidade e conexão com a organização; Ter atenção a qualquer forma de discriminação ou exclusão e tome medidas proativas para abordá-las e preveni-las. Ter um canal de denúncias na organização, permitindo a opção de envio de relatos anônimos. Realizar campanhas de conscientização periódicas sobre o combate a vieses inconscientes, aos estigmas contra autistas e ao preconceito em relação a indivíduos neurodivergentes. Nunca invalidar os sentimentos e as demandas levantadas pelas pessoas autistas. PERTENCER44 Desenho wayfinding: sistema de orientação que ajuda as pessoas a se deslocarem em ambientes, por meio de sinais visuais, indicadores de direção e informações precisas. Exemplos são: placas, setas, mapas, pictogramas, marcadores de piso, sistemas de cores, vídeos explicativos de rotas e tecnologias de realidade aumentada. 44 Desenho universal: crie ambientes e programas acessíveis para todas as pessoas. Para isso, diversifique as opções oferecidas, permitindo que cada indivíduo escolha aquilo que melhor se adapta às suas próprias necessidades. Exemplos: disponibilizar instruções por escrito e explicá-las oralmente, para que pessoas com diferentes estilos de aprendizagem possam compreender.22 Previsibilidade e rotina: garanta que as pessoas possam antecipar e entender o que esperar em diferentes ambientes e situações, reduzindo a ansiedade causada por surpresas ou mudanças inesperadas. Crie rotinas consistentes, as quais ajudam as pessoas a entender e a se adaptar ao ambiente. 11 Apoios visuais: utilize apoios visuais, como placas com pictogramas, desenhos, infográficos, diagramas, mapas, storyboards, calendários, gráficos, tabelas, rotinas visuais e fotografias para complementar a comunicação verbal e facilitar a compreensão de conceitos. Coloque etiquetas e post-its nos lugares onde são guardados certos objetos.33 Linguagem simples: use palavras simples, frases curtas e expressões precisas. Evite textões, jargões e ambiguidades. Não utilize linguagem figurativa, por exemplo: em vez de dizer “aqui vestimos a camisa da empresa”, prefira: “aqui promovemos o engajamento interno do time”. Descreva as informações de maneira concreta e objetiva, evitando conceitos abstratos e metafóricos. 55 A acessibilidade cognitiva trata-se de criar ambientes, produtos e serviços que sejam compreensíveis e utilizáveis por pessoas com diversas capacidades cognitivas. Para promovê-la, deve-se seguir os seguintes princípios: ACESSIBILIDADE COGNITIVA Página 44 Áreas fechadas de foco individual Áreas abertas de foco individual COMO LIDAR A acessibilidade sensorial envolve ajustes ambientais para atender indivíduos com diferentes níveis de sensibilidade sensorial. Todas as pessoas, sobretudo as neurodivergentes, são beneficiadas por medidas de acessibilidade sensorial, tais como: Cortinas persianas simples com cores neutras Cadeiras sem texturas Equipamentos silenciosos (torneiras, ar condicionado, teclados etc.) Mesas com protetores de quinas Paredes com cores suaves, sem texturas Sinalização de horário: substituição do alarme sonoro por notificações digitais (no computador, no celular etc.) Alimentação: opções de comida condizentes com as preferências alimentares (caso a organização ofereça refeições) Controle de temperatura e da umidade do ar: ventilação, purificação do ar, isolamento acústico. Controle de odores: sistemas de exaustão em áreas produtoras de odores, como cozinhas e banheiros. Controle de luzes : se possível, iluminação natural. Lâmpadas quentes com intensidade da luz regulável. Verificar regularmente se as luzes não estão piscando. Controle de ruídos: isolamento acústico, zoneamento por intensidade de ruídos de conversas. Áreas colaborativas (com permissão para conversas) Sala individual para descanso sensorial Odores: utilização de desinfetantes sem odor. Orientação para colegas evitarem perfumes, cremes e desodorantes fortes. ARQUITETURA DESIGN DE INTERIORES ZONEAMENTO OUTRAS Cadeira de balanço; Isolamento acústico; Regulação de luz ; Abafador de som; Sons calmantes; Poltrona; Cobertor; Etc. ACESSIBILIDADE SENSORIAL Página 45 11 ME LT DO WN SH UT DO WN COMO LIDAR 22 Antecipação e prevenção: conheça os gatilhos que podem desencadear exaustão na pessoa autista e tente evitá-los. Caso a pessoa autista vivencie exaustão, tente identificar e eliminar suas causas. Meltdown (colapso): é uma exaustão em que uma pessoa autista perde o controle sobre suas emoções, o que pode gerar explosões de raiva, choro, agressividade e, em alguns casos, comportamentos autolesivos. Shutdown (desligamento): é uma exaustão em que uma pessoa autista se desconecta do ambiente ao seu redor, de maneira a se isolar, ficar em silêncio, deitar no chão etc. Trata-se de uma reação a gatilhos como: estresse, sobrecarga sensorial, excesso de demandas sociais, imprevisibilidade, mudança de rotina, sono, falta de apoio e de compreensão, contínuos mal-entendidos etc. É importante entender que essa exaustão, em grande parte das vezes, ocorre quando a pessoaautista é exposta a muitos estímulos sensoriais (como barulho) e a uma grande demanda social, por exemplo. O QUE É A EXAUSTÃO EM AUTISTAS? Tipos de exaustão: Procure ajuda de profissionais de saúde mental no caso de exaustões frequentes, autolesivas e/ou graves. Comunicação precisa e direta: use linguagem simples e objetiva e dê à pessoa tempo suficiente para processar as informações. 33 Respeito ao espaço pessoal: não abrace, não encoste nem force uma conversa se não for de interesse da pessoa autista. Disponibilize uma sala individual para descanso sensorial durante a exaustão. 44 Comunicação alternativa: caso a pessoa autista não consiga se comunicar verbalmente, sugira a utilização de fichas ou do celular. 55 Apoio sem julgamento: mostre compreensão, esteja disponível e evite críticas. Durante a exaustão, reduza as demandas de trabalho. 66 Técnicas de relaxamento: se a pessoa autista desejar, ajude-a a realizar técnicas de respiração, meditação, controle emocional etc. EXAUSTÃO EM AUTISTAS Página 46 Planejamento antecipado Ambiente tranquilo Atividades estruturadas Alimentação inclusiva Espaços de quietude Disponibilize com muita antecedência o local e os horários de início e de término. Não faça festas surpresas. Escolha um local com iluminação suave, sem excesso de estímulos visuais e sonoros. Forneça opções e horários de atividades. Jogos são uma boa maneira de facilitar a socialização. Ofereça opções alimentares condizentes com as demandas e as preferências alimentares da equipe. Disponibilize espaços de descanso para as pessoas que necessitarem de momentos de tranquilidade. Privacidade Respeite as pessoas que não querem participar do evento. Não insista para comparecerem. Siga o checklist para tornar as festas da organização mais inclusivas para autistas: EVENTOS CORPORATIVOS Página 47 As perguntas abaixo podem ser respondidas com o intuito de entender o contexto das organizações, a fim de cocriar uma cultura que harmonize a felicidade e os resultados. Que benefícios não monetários a organização fornece? Oferecer benefícios não monetários promove a retenção de talentos, melhora o clima organizacional e aumenta a produtividade da equipe., Exemplos: espaço para dialogar sobre inseguranças profissionais, plano de academia, plano de saúde, vale-cultura etc. Cada pessoa pode escolher as habilidades que deseja desenvolver? Além de incentivar o desenvolvimento de habilidades alinhadas aos objetivos da organização, torna-se fundamental permitir que profissionais busquem outras formas de aprendizagem que possam agregar valor à sua própria carreira. Exemplo: plataforma com cursos (design, programação, etc.). Colegas de trabalho compartilham conhecimentos e aprendem entre si? Compartilhar informações e experiências é essencial para toda a equipe se desenvolver conjuntamente. Exemplo: uma colaboradora aprendeu novas técnicas de marketing e se voluntariou para ministrar um treinamento sobre o assunto para o restante da equipe, a fim de melhorar os processos internos. É importante haver compatibilidade entre os valores e as expectativas das pessoas colaboradoras e da organização. Exemplo: horários de trabalho bem estabelecidos para quem prefere rotina fixa e definida, como é o caso de algumas pessoas autistas. Os perfis profissionais estão alinhados com a cultura organizacional? AUTORREALIZAÇÃO NO TRABALHO Página 48 Como o trabalho impulsiona as habilidades profissionais ? Impulsionar o desenvolvimento pessoal estimula a melhoria na satisfação e no desempenho das pessoas, facilitando o crescimento profissional. Em paralelo, gera aumento de produtividade para a organização. Exemplo: cursos de hard e soft skills. Os resultados positivos são bem reconhecidos e o feedback é frequente? O trabalho oferece desafios instigantes, interessantes e viáveis? Trabalhos que oferecem desafios alinhados com as habilidades dos times impactam positivamente a segurança psicológica. Além disso, geram maior comprometimento e produtividade da equipe. Exemplo: resolução de problemas relacionados a um hiperfoco de uma pessoa autista. É extremamente necessário existir uma cultura de valorização e de reconhecimento do trabalho, para que cada indivíduo se sinta respeitado e apoiado em seu crescimento profissional. Exemplo: elogiar em público para estimular a autoestima das pessoas colaboradoras e realizar feedbacks mensais. Conhecer o impacto do próprio trabalho no ecossistema organizacional gera maior consciência do propósito, o que pode engajar mais. Exemplo: realizar uma ampla conscientização da importância de cada pessoa para o projeto. Todas as pessoas colaboradoras estão conscientes de sua contribuição? Definição: o feedback é uma forma de comunicação que visa reconhecer os pontos fortes, identificar as oportunidades de melhoria e orientar as ações futuras. Objetivo: o feedback é essencial para o desenvolvimento tanto de indivíduos quanto das organizações. Uma cultura do feedback promove o aprendizado contínuo, a motivação, a confiança, a inovação e a excelência. Princípios: o feedback sempre deve ser construtivo, honesto, respeitoso e baseado em fatos. FEEDBACK Página 49 Propósitos e expectativas pouco definidos; Exigência de tarefas que não foram pedidas; Explicações imprecisas; Falta de oportunidade para tirar dúvidas; Incompatibilidade de expectativas; Recursos compartilhados insuficientes; Falhas de comunicação; Desorganização da equipe; Preconceito e estigma; Sobrecarga de atividades para a pessoa autista; Alterações frequentes na rotina; Falta de respeito por parte da equipe; Entre outros fatores. Antes de dar um feedback negativo, elucide os critérios de avaliação com antecedência a cada tarefa. Verifique possibilidade de os problemas terem sido causados por fatores externos à pessoa autista, como: Papel da pessoa autista: receber e aproveitar as orientações e os elogios que lhe são dados, buscando se desenvolver pessoal e profissionalmente. A pessoa autista também pode dar e retornar feedbacks a colegas e à liderança, expressando suas opiniões, sugestões e dificuldades de forma respeitosa e construtiva. Deve buscar aprender com os feedbacks, mas também para ensinar sobre suas habilidades, seus interesses e suas potencialidades. Benefícios do feedback para autistas: 1) desenvolvimento pessoal e profissional; 2) adaptar-se ao ambiente de trabalho; 3) entender suas responsabilidades; 4) reconhecer seus pontos fortes e melhorar seus pontos fracos; 5) aumentar sua autoestima e sua autoconfiança; 6) compreender melhor as instruções; e 7) aumentar a satisfação com o trabalho. PESSOA AUTISTA Papel da liderança: fornecer feedbacks justos, imparciais e respeitosos, reconhecendo a individualidade e a subjetividade de cada pessoa colaboradora. A liderança deve criar um ambiente com segurança psicológica, para que toda a equipe se sinta segura para expressar suas opiniões e sugestões. Cada líder deve ter abertura para ouvir e aprender com as pessoas lideradas. Dessa forma, a liderança tem a função gerir a equipe, e não de ditar regras. Benefícios do feedback para a liderança: 1) acompanhar o desempenho, o comportamento e o potencial das pessoas lideradas; 2) receber um retorno sobre o seu estilo de liderança; 3) aprimorar as suas próprias habilidades e corrigir falhas; 4) absorver sugestões para melhoria dos projetos; e 5) criar um clima de confiança, de respeito e de cooperação. LIDERANÇA Papel da organização: promover a cultura do feedback na organização. Algumas maneiras de alcançar esse objetivo são: 1) estabelecer uma frequência e disponibilizar um calendário especificando as datas das sessões de feedback; 2) ministrar treinamentos sobre técnicas de feedback; 3) estimular o respeito, a acessibilidade e a inclusão nos feedbacks; e 4) manter registros de acompanhamento de progresso individual de cada pessoa colaboradora. Benefícios da cultura do feedback para a organização: 1) promover a melhoria contínua; 2) conhecer as necessidades,as expectativas e as dificuldades de cada integrante; 3) alinhar estratégias; 4) consolidar uma cultura inclusiva e aberta ao aprendizado; 5) levantar ideias; 6) promover disciplina; 7) reter talentos; 8) equilibrar esforços e funções; entre outros. ORGANIZAÇÃO Página 50 Os principais agentes envolvidos com o feedback no contexto organizacional são: https://propat.com.br/feedback-uma-ferramenta-para-o-desenvolvimento-de-equipes/ https://propat.com.br/feedback-uma-ferramenta-para-o-desenvolvimento-de-equipes/ https://propat.com.br/feedback-uma-ferramenta-para-o-desenvolvimento-de-equipes/ Feedback MARCA Essa técnica visa explicar realizar feedback de modo específico, objetivo e imparcial. Para aplicá-la, você deve especificar sinteticamente para a pessoa colaboradora: momento do comportamento, ação, reação, consequência e alternativas. Exemplo de crítica negativa: Ontem (momento), quando você não entregou a sua parte do trabalho na data que convencionamos (ação), eu fiquei preocupada (reação) com o atraso do cronograma. Existe uma possibilidade de não conseguirmos acabar a tempo (consequência). Por outro lado, eu acredito que, se você acabar até o final do dia, a gente consiga ajustar o cronograma (alternativas). Você acha que será possível? Exemplo de crítica positiva: Ontem (momento), quando você entregou a sua parte do trabalho antes da data que convencionamos (ação), eu fiquei muito satisfeita (reação). Portanto conseguimos cumprir o cronograma antes da data prevista (consequência). No tempo remanescente, você prefere iniciar um novo projeto ou fazer cursos para desenvolver suas habilidades pessoais? (alternativas). Feedback Sanduíche Essa técnica visa equilibrar as críticas negativas e positivas, além de permitir a participação da pessoa avaliada no processo de feedback. Para aplicá-la, siga a seguinte ordem: crítica positiva, crítica negativa, sugestão de correções, pedido da opinião da pessoa, resposta e síntese. Exemplo: Achei sua sugestão interessante em relação aos aspectos X, Y e Z (crítica positiva). Todavia, eu acredito que, para atingirmos a meta M, essa sugestão seria inviável pela razão R (crítica negativa). Em alternativa, pensei adotarmos a alternativa A (sugestão de correções). Você acha que faz sentido? (pedido da opinião da pessoa e resposta). Eu acredito que seu posicionamento é pertinente por causa de X, Y e Z, mas a alternativa A tem mais vantagens devido à razão R (síntese). Feedback 360° Essa técnica visa coletar informações sobre uma pessoa colaboradora a partir de diversas fontes, como colegas, líderes, clientes e a própria pessoa liderada. Além disso, esse tipo de feedback permite não apenas líderes avaliarem liderados, mas também que liderados avaliem líderes. ESTRATÉGIAS PARA CONCEDER FEEDBACK Página 51 O que fazer? Por que fazer? O que não fazer? Como fazer? Respeite as preferências de comunicação. Pergunte para cada autista se prefere receber o feedback por videochamada, presencialmente ou por e-mail, por exemplo. Para respeitar a individualidade e a autonomia da pessoa autista, além de facilitar a compreensão do feedback. Nunca imponha um modo de comunicação que deixe a pessoa autista desconfortável. Promova segurança psicológica e acessibilidade durante o feedback. Para isso, consulte as medidas sugeridas nas páginas 42 a 45. Garanta previsibilidade antes, durante e depois do feedback. Para evitar que a pessoa autista se sinta surpreendida, ansiosa ou desconfiada pelo feedback. Nunca dê feedback sem aviso prévio. Evite mudar constantemente os horários, locais e formatos de feedback, a não ser que haja justificativa e consentimento. Informe com antecedência sobre o feedback, especificando: objetivo, conteúdo, formato, horário, frequência, local etc. Use linguagem direta e livre de eufemismos. Para facilitar a compreensão e a comunicação da pessoa autista, além de evitar mal- entendidos ou confusões. Nunca utilize uma linguagem ambígua, irônica, eufemizada ou ofensiva. Utilize palavras simples, concretas e precisas, que expressem especificamente o que se quer dizer. DICAS PARA DAR FEEDBACK PARA AUTISTAS Página 52 Página 53 O que fazer? Por que fazer? O que não fazer? Como fazer? Faça críticas específicas, dê justificativas e forneça opções de solução. Para ajudar a pessoa autista a entender e aceitar as críticas, de modo a tornar a comunicação mais imparcial, efetiva e respeitosa. Nunca faça críticas injustas, genéricas, subjetivas e sem fundamento. Nunca deixe a pessoa autista sem orientação ou apoio. Não sugira nem imponha nada. Não avalie aspectos que não são necessários para o cargo. Dê exemplos e evidências de comportamentos. Explique o porquê a atitude foi certa ou errada. Dê sugestões de alternativas, caso necessário. Alterne críticas positivas e negativas, as quais devem ser consideradas fontes de aprendizagem. Para valorizar e incentivar a pessoa autista, bem como promover uma atitude positiva e construtiva diante das críticas. Nunca atribua críticas negativas às características do autismo. Nunca foque somente em erros, mas também nos acertos. Nunca infantilize nem minimize as capacidades. Equilibre pontos fortes e pontos fracos. Elogie esforços, progressos e resultados. Enfatize que as críticas são oportunidades de desenvolvimento, e não julgamentos ou punições. Respeite o tempo de processamento, compreenda a forma de comunicação e valorize a perspectiva da pessoa autista. Para respeitar o ritmo e o estilo de comunicação da pessoa autista, e para promover a sua participação e o seu protagonismo no feedback. Não apresse nem interrompa a pessoa autista enquanto ela estiver falando. Dê tempo suficiente para a pessoa responder. Dê espaço para autoavaliação e para questionamentos. Entenda que a pessoa autista pode ser direta, o que não significa arrogância. Registre e acompanhe o progresso individual. Para monitorar e avaliar o seu desempenho e seu desenvolvimento, gerando previsibilidade e controle para a pessoa autista. Evite métricas quantitativas, tendo em vista que o nível de aprendizagem é subjetivo e inquantificável. Registre os pontos principais de cada feedback: data, aspectos positivos/ negativos e plano de ação de melhorias. Forneça uma cópia desses registros para a pessoa autista. Ouça com atenção. 1. Escute todos os fatos e todas as opiniões.2. Parafraseie o que foi dito, para confirmar se entendeu a mensagem. 3. Faça perguntas para entender melhor o que tiver dúvida. 4. Peça sugestões para sua liderança sobre as próximas ações. 5. Diga os pontos em que concorda e em que discorda da crítica. Se estiver triste ou com raiva, marque um outro momento para dar sua opinião quando estiver com calma. Dê justificativas, mostrando evidências e exemplos para os pontos em que discorda. 6. Tente entrar em um consenso com a liderança acerca das próximas ações. 7. Muitas vezes, autistas evitam reclamar por vergonha ou medo de receberem punição. Por outro lado, quando manifestam seus descontentamentos, também podem enfrentar incompreensão e repreensão por parte da liderança. Para evitar essas situações, incentive a pessoa autista a se expressar e ensine-a estratégias para comunicar suas insatisfações no ambiente de trabalho. Uma estratégia é ensinar a seguir o passo a passo abaixo: Utilize estratégias de regulação emocional, como respiração guiada e meditação, para se acalmar. 1. Em um momento de calma, reflita imparcialmente sobre o fato que lhe gerou insatisfação. Responda (para si mesmo ou em um papel) as perguntas abaixo: 2. Qual foi o fato gerador de insatisfação?a. Por que esse fato me gerou insatisfação?b. Como eu me senti no momento em que a situação aconteceu?c. Existe como comprovar que esse fato aconteceu? Se sim, colete as evidências. d. Planeje o que você irá comunicar. Para isso, uma opção é utilizar uma adaptação do método de Comunicação Não Violenta (CNV) para pessoas autistas, sugerida pela Specialisterne no link: specialisterne.com. Esse método adaptadoconsiste em dizer: observação do evento, fatos associados ao evento (em substituição ao componentes de sentimento, proposto na abordagem clássica da CNV), necessidade e pedido de solução. Você também pode adicionar um pedido de previsão de resolução da questão e agradecimentos. Por exemplo: 3. Observação: Ontem, João e José cometeram bullying. a. Fato: Eles disseram que eu sou esquisito, o que foi desrespeitoso.b. Necessidades: Necessito de mais respeito por parte de ambos os colegas. c. Solicitações: Peço, encarecidamente, que João e José sejam conscientizados sobre a situação, para que não ocorra novamente. d. Pedido de previsão de retorno: Aguardo retorno com uma previsão de qual solução será adotada. e. Agradecimento: Muito obrigado pela atenção e pela compreensão. f. Comunique para a liderança sua insatisfação. Para isso, escreva um e-mail ou marque uma reunião. Se houver alguma evidência da situação, como fotos, prints de conversas, gravações, lembre-se de anexá-la. 4. ESTRATÉGIAS PARA AUTISTAS RECEBEREM FEEDBACK ESTRATÉGIAS PARA AUTISTAS COMUNICAREM INSATISFAÇÕES Página 54 https://ca.specialisterne.com/facts-and-feelings-alternatives-to-non-violent-communication-and-i-statements-in-diverse-workplaces/ https://ca.specialisterne.com/facts-and-feelings-alternatives-to-non-violent-communication-and-i-statements-in-diverse-workplaces/ https://ca.specialisterne.com/facts-and-feelings-alternatives-to-non-violent-communication-and-i-statements-in-diverse-workplaces/ https://ca.specialisterne.com/facts-and-feelings-alternatives-to-non-violent-communication-and-i-statements-in-diverse-workplaces/ https://ca.specialisterne.com/facts-and-feelings-alternatives-to-non-violent-communication-and-i-statements-in-diverse-workplaces/ https://ca.specialisterne.com/facts-and-feelings-alternatives-to-non-violent-communication-and-i-statements-in-diverse-workplaces/ 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https://ca.specialisterne.com/facts-and-feelings-alternatives-to-non-violent-communication-and-i-statements-in-diverse-workplaces/ https://ca.specialisterne.com/facts-and-feelings-alternatives-to-non-violent-communication-and-i-statements-in-diverse-workplaces/ https://ca.specialisterne.com/facts-and-feelings-alternatives-to-non-violent-communication-and-i-statements-in-diverse-workplaces/ https://ca.specialisterne.com/facts-and-feelings-alternatives-to-non-violent-communication-and-i-statements-in-diverse-workplaces/ https://ca.specialisterne.com/facts-and-feelings-alternatives-to-non-violent-communication-and-i-statements-in-diverse-workplaces/ Em alguns casos, também é importante tratar as situações com imparcialidade, tanto por parte da pessoa autista, quanto por parte das pessoas não autistas. Veja algumas estratégias para isso: A liderança deve ajudar e ensinar a pessoa autista a defender suas ideias frente à equipe. Infelizmente, muitas vezes, autistas dão boas ideias e sugestões, mas podem ser negligenciadas devido à falta de entendimento pelo restante da equipe. Ensine a pessoa autista a: Organizar sua ideia antes de expô-la para o restante da equipe; Utilizar técnicas de argumentação, como exemplos, dados estatísticos, resultados de pesquisas, analogias e argumentos de autoridade. Mostrar semelhanças nas opiniões em vez de apenas divergências; Gerar opções de ganhos mútuos; Sugerir uma votação, se não for possível chegar em um consenso. ESTRATÉGIAS PARA SER IMPARCIAL E EVITAR CONFLITOS ESTRATÉGIAS PARA DEFENDER IDEIAS Em vez de: “Não entregamos o projeto dentro do prazo pois Fulano é irresponsável.” Diga: “Não entregamos o trabalho porque ocorreu um imprevisto.” Em vez de: “Fulano sempre chega atrasado.” Diga: “Fulano se atrasou na quarta e na quinta, mas chegou no horário na segunda.” Em vez de: “Não gostei da sua ideia.” Diga: “Como nosso objetivo é X, acredito que conseguiremos atingir esse resultado por meio de Y.” Em vez de: “Fulano faltou na reunião hoje e atrapalhou o grupo.” Diga: “Fulano faltou na reunião hoje. Será que aconteceu alguma coisa com ele?” Em vez de: “Eu entreguei o projeto atrasado porque Fulano me atrasou.” (se for mentira) Diga: “Me desculpe por ter entregue meu projeto depois do prazo. Não vai se repetir.” Separe a pessoa do problema Evite generalizações. Especifique. Concentre-se em interesses, e não em posições Assuma a possibilidade de ter acontecido um imprevisto Admita seus próprios erros Em vez de: “Fulano não entregou a parte dele do projeto.” Diga: “A equipe deu um prazo muito curto para Fulano acabar a parte dele do projeto.” Assuma a responsabilidade enquanto uma equipe Página 55 Promova uma cultura organizacional sensível à causa neurodivergente. Pessoas autistas podem ter várias características que as tornam excelentes líderes, como: pensamento detalhista, habilidades analíticas aguçadas e uma abordagem direta e honesta na comunicação, além de traços de sua personalidade individual. Nesse contexto, promover a acessibilidade é fundamental para que autistas possam desenvolver suas habilidades de liderança. Isso pode ser feito por meio de mentoria, além de de treinamentos sobre comunicação assertiva, inteligência emocional e gestão de equipes. Se as pessoas autistas preferirem, podem realizar sessões de terapia socioemocional, de preferência, com profissionais da psicologia neuroafirmativa, a qual valoriza a neurodiversidade e não impõe a camuflagem social. É importante ressaltar que o desejo de ser líder não é obrigatório para nenhuma pessoa, inclusive para autistas. Portanto, a oportunidade de assumir um cargo de liderança não deve ser um fator determinante para aumento salarial. Em alternativa, as organizações devem criar planos de carreira que valorizem diferentes trajetórias profissionais, em diversas áreas, de modo a garantir igualdade salarial independentemente de haver desejo ou não em se tornar líder. Assim como o restante da equipe, autistas têm alto potencial de desenvolvimento e merecem promoção de cargo ao longo da carreira. Nesse contexto, a mentoria profissional é essencial para impulsionar a progressão de carreira de autistas. Seguem algumas recomendações para indivíduos responsáveis pela mentoria: Possibilite a participação ativa da pessoa autista no estabelecimento de metas. Nunca decida pela pessoa; Considere a individualidade da pessoa autista, elencando seus pontos fortes e fracos, seus desejos e suas habilidades; Não avalie aspectos que não são necessários para o cargo atual e para os cargos projetos para o futuro; Não atribua críticas negativas às características do autismo; Ajude a pessoa autista a elaborar um plano de carreira, estabelecendo metas para cada fase; Não infantilize a pessoa autista; Registre o progresso do indivíduo autista por meio de um Plano de Desenvolvimento Individual (PDI). Envie uma cópia para a pessoa autista a cada atualização do PDI; Não engane nem iluda a pessoa autista com promessas que não poderá cumprir. Para a liderança, são feitas as seguintes recomendações: Realize promoções de cargo justas, assertivas e equitativas. Reserve cotas para neurominorias em cada nível de funções. Autistas em cargos de liderança PROGRESSÃO DE CARREIRA Página 56 DEMISSIONAL PROCESSO55 Tanto autistas quanto pessoas não autistas lidam com a demissão de diferentes formas. Todavia, autistas enfrentam obstáculos bem específicos para conseguir um emprego e se manter nele. Por isso, o propósito deste texto é apresentar algumas dessas dificuldades e alternativas para tornar o processo menos traumático. CUIDADOS ANTES DE DEMITIR 11 22 Nunca demita uma pessoa devido aos traços de autismo Demitir uma pessoa por suas características de autista caracteriza psicofobia e capacitismo, de modo a abrir espaço para denúncias. Lembre-se que, se não houver acessibilidade, o aprendizado durante o treinamento e o modo como a pessoa autista interpreta o contexto social podem dificultar sua permanência no emprego. Isso pode acontecer porque colegas de trabalho podem considerá-la “distante”, afinal, autistas não costumam interagir socialmente da mesma forma que neuromaiorias. Por exemplo: não sorrir; nem sempre cumprimentar; recusar atividades sociais; e falar longamente sobre seu hiperfoco. Considere uma realocação de cargos em vez de uma demissão Antes de demitir, é preciso avaliar se a falta de adaptação de uma pessoa autista ao emprego não se trata de uma incompatibilidade com a vaga. Nesse sentido, o RH e a pessoa autista podem entrar em um acordo de realocação para outra função, levando-se em consideração uma análise de perfil que contemple seus pontos fortes e fracos. 33 Tente uma mudança na abordagem de comunicação Nem sempre os entraves no diálogo e o desentendimento de ordens deve-se, necessariamente, a erros de autistas.Muitas vezes, líderes podem expressar demandas e expectativas de uma forma que aparenta ser vaga para autistas, que possuem um estilo de comunicação mais direto e literal. Assim, em alternativa, líderes podem tentar comunicar expectativas de forma mais precisa e objetiva. Página 58 PROCESSO DEMISSIONAL POSSÍVEIS IMPACTOS DA DEMISSÃO 11 22 Exaustão devido à imprevisibilidade Muitas vezes, autistas ganham salários baixos, porque precisam aceitar empregos que pagam menos do que merecem. Além disso, em um contexto caracterizado por entraves de comunicação, geralmente, autistas não têm sequer ideia de que haverá demissão. Tais cenários de insegurança financeira e de imprevisibilidade dificultam a criação de um plano de emergência e de fontes de reserva por parte de algumas pessoas autistas. Em casos mais graves, o impacto da demissão na pessoa autista pode ser tão grande a ponto de levar a episódios de ansiedade, depressão, estresse e, até mesmo, suicídio. Dificuldades para encontrar um novo emprego A demissão é uma situação que se agrava por todos os fatores explicados anteriormente. Mais especificamente, as barreiras de acessibilidade e o preconceito dificultam exponencialmente a inclusão de autistas no mercado de trabalho. Portanto, antes de demitir, tome os cuidados já mencionados. COMO COMUNICAR UMA DEMISSÃO 11 22 Garanta previsibilidade A demissão deve, preferencialmente, ser comunicada com antecedência. Dessa forma, a pessoa autista obtém tempo adicional para se acostumar com a situação. Elabore uma carta de recomendação Outra boa prática consiste em fornecer uma carta de recomendação para a pessoa autista se recolocar no mercado. Essa carta pode conter: características comportamentais positivas; competências profissionais; pontos positivos de trabalhar com essa pessoa; qual é a área e a profissão dela; quais eram as tarefas que ela resolvia; e como essas tarefas agregavam valor para a organização. Exemplo de carta de recomendação Meu nome é Meire da Fonseca e tive o prazer de ter sido líderes da Nicole Moreira durante o período de março de 2020 a janeiro de 2023. Nessa época, Nicole atuava como programadora na empresa Xis, cujo nicho de mercado é a venda de softwares para bancos automatizarem rotinas bancárias. Nicole é uma mulher autista, objetiva e direta, o que ajudava na execução de tarefas e na escrita de códigos com rapidez e agilidade. A partir das habilidades técnicas e comportamentais, Nicole agregava qualidade para os produtos da empresa Xis. Portanto, atesto minha confiança na Nicole e gostaria de recomendá-la como colaboradora. (Inserir assinatura e telefone) Caso nenhuma das estratégias acima funcione, a demissão deve ser feita de maneira humanizada. Para isso, as medidas abaixo são importantes: Página 59 FINAIS CONSIDERAÇÕES66 A Specialisterne oferece cursos e oportunidades de emprego para pessoas autistas, fornecendo suporte especializado para o desenvolvimento de carreira. Seu modelo se concentra na preparação das empresas para incluir a neurodiversidade, oferecendo cursos e projetos de inclusão profissional online em todo o Brasil. A proposta da Specialisterne é baseada em oportunidades de emprego e cursos de tratamento de dados e testes de software. Saiba mais em: specialisternebrasil.com. A SAP promove o Programa Autismo no Trabalho, oferecendo emprego e suporte no local de trabalho para colaboradores autistas, valorizando suas habilidades únicas. Os candidatos podem destacar projetos pessoais, experiências voluntárias e interesses relacionados ao trabalho. A empresa é reconhecida por sua liderança em inclusão de autistas no mercado de trabalho em várias regiões do mundo. Obtenha mais informações sobre em: jobs.sap.com/content/Autism-at-Work/. SAP aTip É uma startup que atua construindo conexão entre pessoas neuroatípicas e o mercado de trabalho para áreas de tecnologia. Atua em três eixos: 1) profissionalização de membros autistas com cursos na área de tecnologia; 2) conexão de autistas a empresas; e 3) consultoria a empresas que desejam contratar autistas na cota para pessoa com deficiência. Também divulga vagas exclusivas para autistas em empresas. Saiba mais em: atip.io. Stardust Zone É uma startup na área de RHTech e EdTech dedicada a promover a neurodiversidade nos ambientes de trabalho. Oferece soluções personalizadas para ajudar as organizações a construírem ambientes de colaboração inclusivos, bem como auxilia indivíduos pertencentes a neurominorias no processo de desenvolvimento de habilidades pessoais e profissionais. Entenda mais sobre o funcionamento da Stardust Zone no LinkedIn da iniciativa: stardust.zone. Criautista A CRIAutista é uma startup com a missão de promover um mercado de trabalho mais justo para neurodivergentes. Atua através do desenvolvimento de pesquisas comportamentais, ações de conscientização, aulas e treinamentos, educação e consultoria em acessibilidade (para empresas e para profissionais). Também oferece treinamentos de soft skills e criatividade para neurodivergentes. Saiba mais informações sobre o Criautista em: criautista.com.br. CooTEA É um programa social para inclusão de autistas no mercado de trabalho. Oferece treinamentos e supervisão de autistas. Trata-se de uma inciativa da Adapte Educação em parceria com a Alura, Instituto Incluir, Agir Social e Poli-USP, além de uma rede de voluntariado de pessoas físicas e jurídicas. A iniciativa também busca conectar profissionais autistas a empresas. Obtenha mais informações sobre o projeto CooTEA através do site: www.adapte.com.vc/cootea. Seguem organizações que atuam na inclusão de autistas no mercado de trabalho: INICIATIVAS INCLUSIVAS Página 61 Specialisterne https://specialisternebrasil.com/ https://jobs.sap.com/content/Autism-at-Work/ https://jobs.sap.com/content/Autism-at-Work/ https://www.atip.io/ https://www.atip.io/ https://stardust.zone/ https://stardust.zone/ https://criautista.com.br/ https://criautista.com.br/ https://www.adapte.com.vc/cootea https://www.alura.com.br/ https://incluir.ong.br/ https://agir.social/ https://pro.poli.usp.br/ https://www.adapte.com.vc/cootea Ao abordarmos o processo de inclusão de autistas no mercado de trabalho, é fundamental compreender que a diversidade de experiências e de características individuais ultrapassa os limites do espectro do autismo. Se nos limitarmos apenas aos traços autistas, corremos o risco de negligenciar a complexidade das subjetividades de cada pessoa autista, além de subestimar outros fatores que influenciam suas experiências profissionais. PARA ALÉM DO AUTISMO 11 Em primeiro lugar, a interseccionalidade desempenha um papel crucial nesse contexto. Denominam-se fatores interseccionais a interação entre dois ou mais determinantes sociais que colocam uma pessoa em situação de vulnerabilidade, principalmente, nas dimensões de gênero, etnia, classe social, orientação sexual e deficiência. Nesse sentido, uma estudante mulher, negra, de baixa renda, lésbica e autista deve ser respeitada em sua integralidade de características identitárias, e não apenas em relação ao autismo. Interseccionalidades Adicionalmente, é importante reconhecer as coorrências, que são condições médicas ou psicológicas que podem coexistir com o autismo. Por exemplo, algumas pessoas autistas também apresentem ansiedade, depressão, déficit de atenção, hiperatividade, fobia social e outras questões de saúde mental. A compreensão das condições associadas é essencial para proporcionar um suporte eficaz e abrangente aos autistas, permitindo que eles tenham acesso a recursos e estratégias que atendam às suas necessidades. 33 Condições associadas Além disso, é importante reconhecer e valorizar as potencialidades e subjetividades únicas de cada autista. Cada indivíduo traz consigo um conjunto diverso de habilidades, talentos e perspectivas que podem enriquecer o ambiente profissional de maneira significativa. Ao considerarmos esses pontos fortes individuais, podemos cultivar um espaço onde autistas possam nãoapenas superar desafios, mas também se destacar em áreas que refletem seus interesses e suas forças intrínsecas, de maneira a efetivar sua inclusão plena. 22 Subjetividades Conforme exposto nos textos anteriores, o autismo é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta cada pessoa de maneira distinta e individual. Esse espectro de diferenças se estende no âmbito dos níveis de suporte, isto é, o grau de ajuda que uma pessoa autista necessita para realizar as atividades do seu cotidiano, como interagir, conversar, trabalhar, tomar banho, cozinhar, alimentar-se, entre outras. Grande parte das medidas presentes nesta cartilha devem ser adaptadas de acordo com o nível de suporte demandado pela pessoa em questão. 44 Níveis de suporte Página 62 ENTREVISTA COM ESPECIALISTA Página 63 A inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho é um tema de grande relevância e complexidade. Para compreender melhor como essa inclusão se manifesta na prática, conduzimos uma entrevista esclarecedora com Simone Gadotti. Simone é uma figura proeminente no cenário da inclusão, atuando no Gentes Instituto, uma organização dedicada a conectar pessoas com deficiência ao mercado de trabalho. Nesta entrevista, exploramos os desafios, as práticas bem-sucedidas e as perspectivas futuras da inclusão no ambiente profissional, na esperança de promover uma maior compreensão e engajamento em relação à neurodiversidade e à igualdade. Entrevistada: Simone Gadotti, especialista em inclusão de autistas no mercado de trabalho no Gentes Instituto. Simone Gadotti (fotografia à direita) Coordenadora de projetos sociais no Gentes Instituto. É mãe atípica de dois adolescentes autistas. Além disso, é formada em Gestão Pública e certificada pela Escola de Democracia RenovaBR. Também é cofundadora da StarTEA. LinkedIn: @simonegadotti https://br.linkedin.com/in/simonegadotti 33 Antes de tudo, procurem se conhecer bem, saber quais são os gatilhos que podem gerar uma crise e como evitar, que saibam seus limites e mais importante, que comuniquem isso aos entrevistadores e colegas de trabalho. Isso fará toda diferença no acolhimento. Que busquem trabalhar em algo que gostem. Respeitar seus limites, que não tentem parecer típicos, porque o esforço que isso demanda não vale a pena. Cada ser humano é único e todos têm a possibilidade de serem ótimos profissionais. E claro, que estudem e se aperfeiçoem em sua área. O que você recomenda para autistas que estão ingressando agora no mercado de trabalho? 22 O que você recomenda para organizações que gostariam de incluir pessoas autistas em sua equipe? O mais importante na hora da inclusão é informação precisa para todos os colaboradores. O que mais dificulta esse processo é o capacitismo, fruto da ignorância. Investir em capacitação para líderes e liderados é um bom começo. Olhar para além da deficiência e ver principalmente as habilidades e entender que esse colaborador, antes de ter algum diagnóstico, é uma pessoa, com habilidades e dificuldades, como qualquer outra. É importante também, na entrevista, ser claro e objetivo nas perguntas e, caso esse profissional esteja contratado, deixar sempre um canal aberto para comunicação para evitar mal-entendidos. 11 O grupo de adolescentes e adultos autistas do Gentes Instituto se reúne toda quinta-feira num grupo de estudos para: Desenvolver propósito e missão das pessoas autistas; Identificar pontos de melhora e potencialidades; Ativar o autoconhecimento das pessoas autistas; Conhecer as particularidades de cada indivíduo. A partir desse conhecimento prévio sobre o perfil deles, a equipe do Gentes Instituto encaminha as pessoas autistas para o mercado de trabalho. Assim, a empresa contratante recebe treinamento específico para lidar com os colaboradores autistas e vice-versa. Nenhuma pessoa autista é igual a outra. Por isso, auxiliar pessoas autistas a identificar pontos de melhoria e características positivas pode fortalecer a inclusão no mercado de trabalho. Como o trabalho de inclusão é executado pelo Gentes Instituto? Página 64 SUGESTÕES SUGESTÕES DE LIVROS 11 Essa cartilha apresenta recomendações de medidas para inclusão de autistas no ensino superior, com foco na conscientização de professores. O acesso à educação acessível e inclusiva é um direito previsto a todos os autistas na legislação brasileira. Além disso, a inclusão no mercado de trabalho requer, entre outros fatores, a oportunidades de receber uma educação profissionalizante de qualidade e com acessibilidade. Está disponível gratuitamente em: linktr.ee/coletivoautistaufmg. 22 33 44 Essa obra propõe os eixos de interesse como estratégias de aprendizagem para estudantes autistas. Para isso, apresenta casos reais de pessoas autistas que se destacaram em seus respectivos hiperfocos, inclusive, profissionalmente. Esse livro ensina práticas de autoconhecimento para autistas, além de técnicas de mindfulness, de controle sensorial e de gerenciamento de exaustão. Atualmente, está disponível apenas em inglês. Consiste em uma cartilha gratuita com orientações para o planejamento, a organização e a composição de escritórios acessíveis para neurodivergentes. Encontra-se disponível em inglês através do link: neuroinclusive.design. “The neurodivergent friedly workbook of DBT skills”, de Sonny Jane Wise 55 Nessa obra, os autores se fundamentam em evidências científicas para propor que o autismo não é uma doença, mas, sim, um jeito próprio de ser humano. Assim, em vez de buscar suprimir os traços do autismo, o livro se propõe a desvendar as causas do comportamento autista, proporcionando ferramentas efetivas de desenvolvimento. “Aprendizes com autismo”, de Sílvia Ester Orrú “Lugar de Autista é na UFMG: cartilha pedagógica para professores”, do Coletivo Autista da UFMG “Autismo: humano à sua maneira”, de Barry Prizant e Tom Fields-Meyer 66 Trata-se de uma história em quadrinhos autobiográfica que acompanha uma mulher autista em sua jornada de autoaceitação e busca por compreensão da neurodiversidade, enfrentando desafios e estereótipos ao longo do caminho. “Neurodiversity in the office”, da Workplace e da Skanska “A diferença invisível”, de Mademoiselle Caroline e Julie Dachez Página 65 http://linktr.ee/coletivoautistaufmg https://neuroinclusive.design/wp-content/uploads/2023/04/Neurodiversity-in-the-office_2023.pdf https://neuroinclusive.design/wp-content/uploads/2023/04/Neurodiversity-in-the-office_2023.pdf https://neuroinclusive.design/wp-content/uploads/2023/04/Neurodiversity-in-the-office_2023.pdf https://neuroinclusive.design/wp-content/uploads/2023/04/Neurodiversity-in-the-office_2023.pdf https://neuroinclusive.design/wp-content/uploads/2023/04/Neurodiversity-in-the-office_2023.pdf https://www.amazon.com.br/s/ref=dp_byline_sr_book_1?ie=UTF8&field-author=Barry+M.+Prizant&text=Barry+M.+Prizant&sort=relevancerank&search-alias=stripbooks https://www.amazon.com.br/Tom-Fields-Meyer/e/B0052XQ1EO/ref=dp_byline_cont_book_2 https://grupoautentica.com.br/nemo/autor/mademoiselle-caroline/1560 https://grupoautentica.com.br/nemo/autor/julie-dachez/1559 SUGESTÃO DE REDES SOCIAIS 11 Tadeu Bezerra é um pesquisador autista na área de neurodiversidade afirmativa. Além disso, ele realiza conscientizações acerca da importância da inclusão de neurodivergentes na sociedade em seu Instagram: instagram.com/tadeuneurodivergente. Todas as postagens são baseadas em fontes científicas. 22 O Coletivo Autista CATEA também realiza campanhas de conscientização sobre o autismo no Instagram (instagram.com/coletivocatea). Adicionalmente, estabelece parcerias com profissionais especialistas em autismo para atendimento a baixo custo. Também organiza grupos no Telegram e no WhatsApp para interação de autistas. Os grupos podem ser acessados em: linktr.ee/coletivocatea. SUGESTÃO DE DOCUMENTÁRIO 11 O documentário aborda os lados positivos e negativos dos principais testes de personalidade utilizados na contemporaneidade, com enfoque no MBTI. Em um trecho do documentário,é mostrado como esses testes têm acentuado a exclusão de autistas e de outras pessoas neurodivergentes no mercado de trabalho. “Persona: The Dark Truth Behind Personality Tests”, dirigido por Tim Hawkins SUGESTÕES DE SITES 11 22 O blog da Specialisterne USA também contém vários textos interessantes sobre a inclusão profissional de autistas, desde os processos seletivos até a demissão. O blog está disponível na língua inglesa. O blog da Specialisterne Brasil apresenta uma diversidade de tópicos relacionados ao processo de inclusão de autistas no mercado de trabalho. Várias das dicas presentes nesta cartilha foram baseadas em textos de lá. spercialisternebrasil.com/noticias/ us.specialisterne.com/category/blog/ @tadeuneurodivergente @coletivocatea Página 66 http://instagram.com/tadeuneurodivergente http://instagram.com/coletivocatea http://linktr.ee/coletivocatea Como fazer com que seus colegas autistas se sintam mais confortáveis no trabalho: lnkd.in/dK3zemHY Performance review, cultura organizacional e neurodiversidade: lnkd.in/dFxdKecS Como dar feedback para autistas: lnkd.in/dqrzwXka 5 passos antes de demitir uma pessoa autista: lnkd.in/d_hh2NvM Como evitar o preconceito de considerar pessoas autistas "díficeis": lnkd.in/ddb5te44 Guia para eventos neuroinclusivos: lnkd.in/d_BK2SQp Por que explicações são importantes para colaboradores autistas: lnkd.in/d6VmDdj2 Como tornar as entrevistas de emprego inclusivas para autistas: lnkd.in/d_6fWeWx Concentre-se nas palavras do colaborador autista, e não na sua comunicação não verbal: lnkd.in/dw_z_f82 Reuniões acessíveis para autistas: lnkd.in/dyTBtPnm O que configura bullying contra autistas: lnkd.in/d9PRRJhX Vantagens do trabalho remoto para autistas: lnkd.in/daGJZg5t Como dar instruções acessíveis para pessoas autistas: lnkd.in/dJhbcpMQ Por que é importante evitar interromper pessoas autistas durante o trabalho: lnkd.in/dqCuyGK8 Como valorizar os pontos fortes dos colaboradores autistas: lnkd.in/dm-6VbVu Terminologias relacionadas ao autismo que devem ser evitadas: lnkd.in/dUSrZcxf Por que ser demitido enquanto autista tem um impacto maior do que ser demitido enquanto neurotípico: lnkd.in/dsEkXX4G Como autistas costumam entender as regras: lnkd.in/dv7F9h84 A socialização não deve determinar o avanço na carreira da pessoa autista: lnkd.in/d2eVtee8 Os seus colaboradores autistas podem sofrer flutuações de energia e capacidade: specialisternebrasil.com Segurança sensorial: um dever de inclusão da neurodiversidade no local de trabalho: specialisternebrasil.com PUBLICAÇÕES DA SPECIALISTERNE SITES E MANUAIS DIAGNÓSTICOS Canal Autismo - Por que o Brasil pode ter 6 milhões de autistas?: canalautismo.com.br Golden Steps (2023): Autism Unemployement Rate: Causes and Solutions: goldenstepsaba.com Gallup (2016): Using Employee Engagement to Build a Diverse Workforce: news.gallup.com Glassdoor (2022): Who cares about diversity, equity and inclusion? glassdoor.com American Psychiatric Association (APA). Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. 5. ed. revisada. Porto Alegre: Artmed, 2022. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). CID-11: Classificação estatística internacional de doenças e problemas relacionados à saúde. São Paulo: EDUSP, 2019. 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(2021). What Happens Next? A report on the outcomes of 2019 disabled graduates, on behalf of AGCAS. Bargiela et al. (2016). The Experiences of Late-diagnosed Women with Autism Spectrum Conditions: An Investigation of the Female Autism Phenotype. Beck et al. (2020). Looking good but feeling bad: “Camouflaging” behaviors and mental health in women with autistic traits. Disponível em: doi.org/10.1177/1362361320912147. Burrows, C. A. et al. A Data-Driven Approach in an Unbiased Sample Reveals Equivalent Sex Ratio of Autism Spectrum Disorder–Associated Impairment in Early Childhood. Biological Psychiatry, v. 92, n. 8, p. 654–662, 1 out. 2022. Cage et al. (2018). Experiences of Autism Acceptance and Mental Health in Autistic Adults. Cassidy et al. (2018). Risk markers for suicidality in autistic adults. Harmsen, I. E. (2019). Empathy in autism spectrum disorder. Journal of Autism and Developmental Disorders, 49, 3939-3955. Hull et al. (2017). 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ARTIGOS CIENTÍFICOS LEGISLAÇÃO Lei n° 8.122/90: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8112compilado.htm Decreto-lei n° 3.298/99: https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1999/decreto-3298-20-dezembro-1999- 367725-norma-pe.html Resolução n° 2 de 2005 do STJ: https://bdjur.stj.jus.br/jspui/handle/2011/71 Lei Complementar n° 142/13: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp142.htm Lei n° 11.788/08: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11788.htm Lei nº 12.008/09: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l12008.htm Lei n° 12.764/12: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12764.htm Lei n° 13.146/15: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm Decreto-lei n° 9.508/18: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/decreto/d9508.htmLei n° 14.442/22: https://legis.senado.leg.br/norma/36328477 http://doi.org/10.1177/1362361320912147 http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5509825/ http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5509825/ https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11788.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11788.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l12008.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l12008.htm Paradigma e movimento da neurodiversidade Página 69 GLOSSÁRIO PRINCÍPIOS QUE NORTEARAM ESTA CARTILHA O paradigma da neurodiversidade desafia a visão tradicional que considera certas diferenças, como autismo e a dislexia, como desordens ou patologias que precisam ser corrigidas ou curadas. Em vez disso, o paradigma da neurodiversidade defende que essas diferenças neurológicas são uma parte natural da variabilidade humana e devem ser aceitas, respeitadas e celebradas, assim como outras formas de diversidade, como etnia, gênero ou orientação sexual. Por outro lado, o paradigma patologizante é a perspectiva tradicional que enxerga as diferenças neurológicas como anormalidades que necessitam de correção ou tratamento médico. Nesse paradigma, as condições neurológicas são frequentemente vistas como defeitos que precisam ser corrigidos para que a pessoa se ajuste às normas sociais dominantes. A respeito do paradigma da neurodiversidade, é importante conhecer alguns termos: Neuromaioria refere-se a indivíduos que possuem mentes e comportamentos enquadrados nos padrões sociais. Algumas fontes se referem a essas pessoas como neuroconvergentes, neuroconformantes ou neurotípicas. Neurominoria são as pessoas cujas características neurológicos e comportamentais diferem das expectativas sociais dominantes. Isso inclui pessoas bipolares, autistas, disléxicas e borderliners, por exemplo. A diferença pode ter nascido com a pessoa ou ter sido adquirida após o nascimento. Algumas fontes se referem a essas pessoas como neurodivergentes. Existem referências que tratam os termos “pessoa neurodivergente” e “pessoa neuroatípica” como sinônimos. Outras fontes consideram pessoa neuroatípica como as pessoas neurodivergentes cujas diferenças neurológicas e/ou comportamentais necessariamente derivam de diferenças no neurodesenvolvimento. Nessa linha de raciocínio, toda pessoa neuroatípica seria neurodivergente (exemplo: autista), mas nem toda pessoa neurodivergente seria neuroatípica (exemplo: pessoa unicamente borderline). Neurodiversidade é o entendimento de que cada cerebro é único e funciona à sua própria maneira, compreendendo todo o universo de pessoas, tanto neuromaiorias quanto neurominorias. O movimento da neurodiversidade trata-se da ação coletiva que compreende o conjunto de iniciativas sociais, políticas e culturais com o objetivo de promover o paradigma da neurodiversidade na sociedade. Lutando pelos direitos, pela equidade, pela acessibilidade e pela inclusão das neurominorias nos diversos contextos sociais, como cultura, educação, trabalho, saúde, esporte e lazer. Ativistas desse movimento defendem a valorização das habilidades e das perspectivas únicas das pessoas neurodivergentes, ao mesmo tempo em que desafia o estigma e a discriminação associados a elas. Página 70 Linguagem neuroafirmativa A linguagem neuroafirmativa é uma abordagem de comunicação que reconhece e valoriza a diversidade neurocognitiva. Ela promove a aceitação e o respeito pelas diferenças de autistas e de outras neurominorias, enfatizando a importância de tratar as pessoas com base em suas necessidades individuais e habilidades, em vez de estigmatizar ou patologizar suas características. Vini Pezzin, influencer responsável pelo Instagram @terapianeuroafirmativa, sugere as seguintes substituições de termos para descrever corpos-mentes neurominóricos, em conformidade aos princípios da linguagem neuroafirmativa: transtorno, síndrome Em vez de: Diga: neurodivergência, diagnóstico sinais, sintomas características, experiências, comportamentos comportamento problema ou desadaptativo estratégia de sobrevivência comorbidade coocorrência, condições associadas (adaptado) déficit, disfunção, atraso diferença melhora, evolução maior qualidade de vida desenvolvimento normal desenvolvimento neurotípico habilidades sociais camuflagem social (adaptado) crise, desregulação sobrecarga, exaustão Página 71 Direitos humanos e cidadania das pessoas autistas Self-advocacy (ou autodefesa) Práticas baseadas em evidências científicas, aliadas a valores éticos e neuroafirmativos O self-advocacy (ou autodefesa) refere-se à prática de uma pessoa advogar por si mesma em relação às suas próprias necessidades, direitos e interesses. Isso envolve comunicar seus próprios limites e necessidades, a fim de promover maior qualidade de vida para si, de modo a: identificar as próprias necessidades, pedir apoio e suporte quando necessário, conhecer e reivindicar seus direitos, impor limites, validar os valores pessoais, exigir respeito, ser reconhecido e explorar as próprias habilidades. Identity-first language As evidências científicas fornecem uma base sólida e confiável para compreender as nuances e as complexidades do espectro autista, permitindo o desenvolvimento de práticas e políticas eficazes. É importante que essas abordagens estejam alinhadas a valores morais, a fim de respeitar a dignidade, a autonomia e a diversidade das pessoas autistas. Em um cenário marcado pela disseminação de fake news, a combinação de ciência e ética é fundamental para combater práticas sem evidências e/ou eticamente prejudiciais. Promover os direitos humanos e a cidadania das pessoas autistas é uma tarefa fundamental para garantir uma sociedade justa, acessível e inclusiva. Sob esse viés, torna-se essencial reconhecer que autistas têm os mesmos direitos humanos que qualquer outro indivíduo, o que inclui o direito à vida, à liberdade, à educação, à saúde, ao trabalho, à participação plena na sociedade, entre outros. Para promover a cidadania das pessoas autistas, é preciso implementar políticas e práticas que assegurem sua inclusão e seu acesso equitativo a oportunidades em todos os aspectos da vida. Isso implica não apenas eliminar barreiras físicas e sociais, mas também aceitar, compreender e dar apoio às pessoas autistas, reconhecendo sua diversidade e seu valor social. A identity-first language é uma maneira de se referir a pessoas autistas que coloca a identidade em primeiro lugar. Mais especificamente, consiste em optar pelo termo "pessoa autista" em vez de "pessoa com autismo". Essa linguagem está alinhada ao paradigma da neurodiversidade, de maneira a valorizar a identidade de indivíduos no espectro autista. Sendo assim, dizer “pessoa autista” destaca que ser autista não é uma tragédia nem motivo de vergonha, mas uma característica que deve ser valorizada e motivo de orgulho. Página 72 Luta contra a psicofobia, o capacitismo e os manicômios Defesa das boas práticas de ESG, além do posicionamento contra o social washing e o tokenismo A sigla ESG significa: Environmental (ambiental), Social (social) e Governance (governança). Consistem em boas práticas para considerar fatores ambientais, sociais e de governança em negócios. O "S" de Social pode ser efetivado mediante a atração e a promoção de pessoas autistas nas empresas. Para cumprir boas práticas de ESG, é necessário se abster de práticas ligadas ao social washing e ao tokenismo, que consistem em: Social washing: é uma prática em que instituições executam ações de cunho social de modo pontual e superficial, sem gerar nenhum impacto real significativo, tendo como objetivo apenas a intenção de gerar marketing ao associar o nome da marca com a responsabilidade social. Tokenismo: as ações de social washing relacionadas a grupos minoritários são denominadas de tokenismo. Um exemplo é contratar pessoas autistas apenas para cumprir cotas, sem que haja um plano de carreira para elas. A luta contraa psicofobia, o capacitismo e os manicômios é crucial para promover a inclusão, o respeito e a igualdade de direitos para pessoas autistas. Segue um breve contexto acerca desses aspectos: Luta contra a psicofobia: a psicofobia refere-se ao preconceito e à discriminação contra pessoas neurodivergentes, como autistas. Isso pode incluir estereótipos negativos, tratamento injusto e marginalização dessas pessoas na sociedade. Lutar contra a psicofobia é extremamente importante para promover a inclusão social de neurominorias. Luta contra o capacitismo: o capacitismo é o preconceito e a discriminação gerados a partir da suposição equivocada de que as pessoas com deficiências são inferiores ou menos capazes do que aquelas sem deficiências. No contexto do autismo, isso pode se manifestar em atitudes que subestimam as habilidades e os potenciais de autistas. Ao combater o capacitismo, a sociedade passa reconhecer o valor único de cada pessoa autista. Luta antimanicomial: em termos históricos, as neurominorias enfrentaram a institucionalização em manicômios e em instituições segregadas, onde frequentemente eram submetidas a tratamentos desumanos e a condições inadequadas. Nesse contexto, a luta contra a institucionalização de autistas em manicômios envolve a defesa de alternativas baseadas na comunidade, onde as pessoas autistas tenham acesso a apoio, serviços acessíveis e oportunidades de participação plena na sociedade, sem serem excluídas nem estigmatizadas. Defesa da inclusão e oposição à exclusão, à segregação e à integração de pessoas com deficiência nos contextos sociais 1. Exclusão Durante a Antiguidade, era comum o extermínio das pessoas com deficiência. Por exemplo, em Esparta, crianças com deficiência eram lançadas no abismo para a morte. 2. Segregação Na Idade Média, pessoas com deficiência costumavam ser internadas em hospitais e asilos, onde, frequentemente, permaneciam por toda a vida. Quem não conseguia abrigo, muitas vezes, precisava mendigar nas ruas. Ao longo da história, uma infinidade de barreiras, preconceitos e estereótipos foram e continuam sendo impostos às pessoas com deficiência. Em cada época da humanidade, as ideologias predominantes do período influenciaram o surgimento de novas abordagens de compreensão e de resposta às deficiências. Todos os paradigmas deixam resquícios até hoje. São eles: 3. Integração Na Modernidade, a revolução científica levou a uma visão da deficiência como doença a ser tratada, de modo que a pessoa com deficiência precisaria ser reabilitada para se adequar aos padrões sociais. 4. Inclusão Na Contemporaneidade, finalmente, a deficiência passou a ser compreendida não como uma característica negativa, mas como uma diferença natural dos seres humanos. Atualmente, entende- se que a deficiência não está na pessoa, mas na falta de acessibilidade do meio em que ela se situa. Por esse motivo, a sociedade atual tem movido esforços para a valorização da diferença e da promoção da acessibilidade. A seguir, são apresentados exemplos de como cada um desses paradigmas se manifestam em relação a autistas no mercado de trabalho: É EXCLUSÃO QUANDO... uma instituição de trabalho recusa uma contratação devido ao fato de a pessoa ser autista. É SEGREGAÇÃO QUANDO... são criados espaços físicos separados exclusivamente para autistas trabalharem, sem oferecer a opção de integração nas equipes regulares. É INTEGRAÇÃO QUANDO... as instituições de trabalho contratam autistas apenas para cumprir a cota mínima de pessoas com deficiência, de modo a alocar essas pessoas para atuarem em cargos abaixo de seu nível de formação, sem dar oportunidades de crescimento de carreira. É INCLUSÃO QUANDO... as instituições de trabalho adotam políticas e práticas através das quais autistas recebem acesso equitativo a oportunidades de emprego; valorização por suas contribuições e habilidades; e acessibilidade, apoio e suporte para se desenvolverem profissionalmente, inclusive progredindo de carreira, em um ambiente amigável e colaborativo. Portanto, em um mundo que busca justiça e igualdade de oportunidades, é imperativo que a sociedade se comprometa a trilhar um caminho que elimine os paradigmas de exclusão, segregação e integração, de modo a abrir espaço para a verdadeira inclusão. Página 73 As concepções sobre o autismo e outras deficiências tem evoluído ao longo do tempo, passando por diferentes paradigmas interpretativos. Atualmente, cada um desses modelos ainda está presente em manifestações sociais, culturais e políticas. Abaixo, os modelos da deficiência são explicados, destacando suas perspectivas e implicações na compreensão e na abordagem do autismo. Modelo médico: enfoca a deficiência como uma condição puramente médica, colocando o foco principal na causa biológica e nas características clínicas da condição. Assim, esse modelo trata o autismo exclusivamente como um transtorno, desvinculado dos contextos social e ambiental. O grande problema em adotar o paradigma médico é que ele concebe o autismo como um déficit a ser corrigido, estimulando que autistas camuflem suas características do autismo. Além disso, o modelo médico é utilizado nos critérios de diagnóstico em manuais, como o DSM-5-TR e o CID-11. Muitas vezes, tais manuais ignoram a diversidade de manifestações do autismo, invalidando as características individuais e as diferenças intersecionais de gênero, raça, classe social, condições coexistentes e outros fatores. Modelo social: este modelo enfatiza o papel do ambiente e da sociedade na experiência e na percepção da deficiência. Ele propõe que a deficiência não é apenas uma questão médica, mas, sobretudo, uma questão social, influenciada pelas atitudes, práticas e estruturas sociais. De acordo com esse paradigma, a deficiência não está no indivíduo, mas no meio social, na medida em que existem barreiras de acessibilidade que dificultam a plena inclusão social de pessoas com deficiência. Assim, o modelo social enfoca a importância da aceitação, da inclusão e da adaptação do ambiente para garantir que todas as pessoas tenham acesso a oportunidades e a suporte adequados para viver uma vida plena e participativa na sociedade Modelo biopsicossocial: este modelo busca integrar aspectos do modelo médico e do modelo social, reconhecendo que a deficiência ou o autismo são influenciados por fatores biológicos, psicológicos e sociais. Ele considera não apenas as características médicas da condição, mas também o impacto do ambiente, das interações sociais, das atitudes e das políticas sociais na experiência da deficiência. O modelo biopsicossocial enfatiza a importância de abordar as necessidades individuais das pessoas com deficiência, ao mesmo tempo em que promove a inclusão, a igualdade de oportunidades e a conscientização na sociedade. Cabe destacar que a legislação brasileira segue o modelo biopsicossocial da deficiência, em conformidade à Lei n° 13.146/15 (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Página 74 MODELOS DA DEFICIÊNCIA E DO AUTISMO DA CARTILHA ELABORAÇÃO77 Olá! Eu sou a MARIANA MOREIRA Serviços: Confeção de e-books e copywriting; Palestras sobre neurodiversidade, luta conta a psicofobia e inclusão de neurominorias em faculdades e em organizações. Contato: marianamoreiraand@hotmail.com LinkedIn: @marianamoreiraandrade AUTORIA E EDIÇÃO UM POUCO DA MINHA HISTÓRIA: CURIOSIDADES SOBRE MIM: 1. 3. 2. 4. Sou de Belo Horizonte. Tenho 24 anos. Estou me formando em Engenharia de Produção. Sou autista e tenho muito orgulho disso. Tenho déficit de atenção e altas habilidades. Tenho hiperfoco em inclusão e neurodiversidade. Amo escrever, sou poetisa e já tirei mil na redação do Enem. Minhas gatas,Amora e Aurora Em março de 2023, recebi meu diagnóstico de autismo. No mês seguinte, iniciei o processo de inclusão pedagógica e social de estudantes autistas na UFMG. Junto ao Coletivo Autista da UFMG, na época recém-criado, conquistamos a aprovação de mais de 30 direitos para a comunidade autistada instituição. Além desta cartilha, sou organizadora e co-autora do e- book “Lugar de autista é na UFMG: cartilha para professores”, que está disponível gratuitamente em: linktr.ee/coletivoautistaufmg. Outro trabalho consiste na cartilha “Psicofobia: estigma contra as doenças mentais”, que pode ser acessada em: linktr.ee/amareloufmg. Esta sou eu! Página 76 https://www.linkedin.com/in/marianamoreiraandrade/ http://linktr.ee/coletivoautistaufmg http://linktr.ee/coletivoautistaufmg http://linktr.ee/coletivoautistaufmg http://linktr.ee/coletivoautistaufmg http://linktr.ee/coletivoautistaufmg http://linktr.ee/coletivoautistaufmg http://linktr.ee/coletivoautistaufmg http://linktr.ee/coletivoautistaufmg http://linktr.ee/coletivoautistaufmg http://linktr.ee/coletivoautistaufmg http://linktr.ee/coletivoautistaufmg http://linktr.ee/coletivoautistaufmg http://linktr.ee/coletivoautistaufmg http://linktr.ee/coletivoautistaufmg http://linktr.ee/coletivoautistaufmg http://linktr.ee/coletivoautistaufmg http://linktr.ee/coletivoautistaufmg http://linktr.ee/coletivoautistaufmg http://linktr.ee/coletivoautistaufmg http://linktr.ee/coletivoautistaufmg http://linktr.ee/coletivoautistaufmg http://linktr.ee/coletivoautistaufmg http://linktr.ee/coletivoautistaufmg http://linktr.ee/coletivoautistaufmg http://linktr.ee/coletivoautistaufmg http://linktr.ee/coletivoautistaufmg Serviços: Copywriting e redação digital; Marketing profissional estratégico. Olá! Meu nome é Contato: felipe.grtzm@gmail.com LinkedIn: @felipegruetzmacher AUTORIA E EDIÇÃO FELIPE EMÍLIO GRUETZMACHER UM POUCO DA MINHA HISTÓRIA: CURIOSIDADES SOBRE MIM: 1. 3. 2. 4. Moro em Blumenau. Tenho 35 anos. Sou formado em gestão ambiental, educação ambiental e copywriter. Um dos meus hiperfocos é criar histórias de ficção científica para a EA Magazine, um site sobre inovação e futuro do trabalho. Pretendo ser colunista da StarDust Zone, uma rede global de soluções em emprega- bilidade, empreendorismo e educação profissional para neurodivergentes. As minhas maiores qualidades são o idealismo inato e a forte vontade de apoiar pessoas. Meu maior sonho é me casar! Eu e minha cadela, a Mel Sou autista com muito orgulho! No trabalho, eu executo uma ação bastante específica do marketing, que é criar conteúdo para redes sociais, blogs e sites. Minha escrita é voltada para construir credibilidade e apresentar os diferenciais das empresas para ganhar a confiança das pessoas. Apresento propostas de valor para educar o mercado. Como copywriter, posso atuar em qualquer nicho e atividade, pois marketing é fundamental em qualquer empresa. Assim, trabalho como assistente de mídias na ASID Brasil, uma organização do terceiro setor voltada para a inclusão socioeconômica da pessoa com deficiência. Além disso, trabalho como redator e escrevo textos para o blog do Perto Digital, uma Startup que vende soluções em acessibilidade digital para empresas. Faço trabalhos voluntários como escrever posts para a ANAGEA (associação nacional dos gestores ambientais) e transcrever lives da ONG Mães de Autistas. Página 77 https://www.linkedin.com/in/felipegruetzmacher/ Serviços: Pesquisa de comportamento; Consultoria de Acessibilidade; Design de Produtos; Palestras e capacitação para a inclusão de neurominorias. Contato: ola@ghaelleite.com.br www.ghaelleite.com.br LinkedIn: @ghaelleite 1. Meu diagnóstico possibilitou eu me entender e poder explicar aos outros como vejo o mundo. 2. Passo maior parte do tempo hiperverbal e não hipoverbal. 4. Sou uma pessoa de origem periférica e tenho orgulho da minha cultura. 3. Tenho a pesquisa como a minha vocação, e isso faz eu sempre querer aprender e ensinar. UM POUCO DA MINHA HISTÓRIA: Diagnosticado como autista na fase adulta, abracei a missão de desmistificar ideias erradas que são propagadas sobre neurominorias. Por meio de consultorias, palestras e criação de conteúdo, busco conscientizar pessoas e organizações para a causa da população autista. Além disso, participo ativamente de grupos e iniciativas que promovam a inclusão de pessoas autistas nos mais diversos ambientes. E também sou fundador da CRIAutista — uma startup com o objetivo de transformar o mercado de trabalho em um lugar mais acolhedor e justo para neurominorias. Faço pesquisa sobre pessoas autistas adultas e suas interações e nas horas vagas eu gosto de aprender coisas novas, praticar artes marciais e jogar boardgames e RPG. AUTORIA E EDIÇÃO Olá! Eu sou GHAEL HENRIQUE LEITE CURIOSIDADES SOBRE MIM: Moro em Curitiba. Tenho 30 anos. Sou formado em Ciências Sociais, MBA UX Design e especialista em Inclusão Autista, e sou mestrando em Tecnologia e Sociedade. Página 78 https://linkedin.com/in/ghaelleite https://linkedin.com/in/ghaelleite https://linkedin.com/in/ghaelleite https://ghaelleite.com.br/ https://linkedin.com/in/ghaelleite REVISÃO Página 79 DÉBORA CUNHA ROMANOV Luciana Vieira Mariano é autista, mãe de autista, professora do Departamento de Ciências Humanas - Campus V da Universidade do Estado da Bahia onde coordena o Núcleo de Acessibilidade e Inclusão e os projetos Caminhos para uma Educação Inclusiva e o Coletivo Autista da UNEB. Atualmente é estudante do curso de graduação em Psicologia e dos cursos de pós-graduação em Atendimento Educacional Especializado, Neuropsicopedagogia e Psicopedagogia Clínica com ênfase em diagnóstico psicopedagógico ISABELA SALLUM GUIMARÃES LUCIANA VIEIRA MARIANO RICARDO TADEU DE CARVALHO SIMONE GADOTTI STRELOW Débora Cunha Romanov é irmã de autista. Advogada, Bacharel em Educação Física e professora. Mestranda em Administração de Empresas (linha de pesquisa de Gestão Humana e Social das Organizações), pós-graduada em Direito Internacional” e em Direito Administrativo. Pós-graduanda em Transtorno do Espectro Autista e em Diversidade, Equidade, IncIusão e Cultura Organizacional. Pesquisadora de temas relacionados à neurodiversidade em organizações e à inclusão de autistas no mercado de trabalho. Ricardo Tadeu de Carvalho é autista com TDAH e altas habilidades/superdotação. É formado em Letras e em Medicina pela UFMG. Atua na área de Medicina do Trabalho e no atendimento de autistas adultos. Tem experiência em projetos acadêmicos na área de saúde mental e neurociência. Faz parte dos coletivos neurodivergentes da UFMG (Coletivo Autista, Coletivo TDAH e Coletivo AHSD) e é coautor do e-book “Lugar de autista é na UFMG: cartilha pedagógica para professores“. Isabela Sallum Guimarães é psicóloga pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mestre em Medicina Molecular pela UFMG e doutoranda no programa de Psicologia: Cognição e Comportamento na UFMG. Atua com pesquisa sobre regulação emocional, psicopatologia e perfeccionismo na infância. Na clínica, trabalha com avaliação neuropsicológica e psicoterapia de crianças, adolescentes e adultos com quadros de neurodiversidade e a outras queixas de saúde mental. Simone Gadotti Strelow é mãe atípica de dois autistas. Graduada em Gestão Pública e pós-graduanda em Transtorno do Espectro Autista pela universidade ISEP. Ativista da inclusão. Idealizadora do Piquenique da Inclusão e coordenadora do Gentes Instituto. Atua à frente do projeto Emprego Apoiado, que emprega e acompanha pessoas com deficiência intelectual e psicossocial. Esta cartilha é distribuída gratuitamente. Todos os direitos autorais estão reservados legalmente. Reproduções (parciais ou integrais) somente serão permitidas mediante a autorização da equipe de autoria, através do e-mail marianamoreiraand@hotmail.com. ISBN nº 978-65-00-96096-9