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<p>CENTRO UNIVERSITÁRIO SÃO CAMILO</p><p>Curso de Enfermagem</p><p>Ana Vitória Matias Ribeiro</p><p>Júlia Helena Della Sávia Correia</p><p>Karen Silva Naitzki</p><p>ATENÇÃO NO CUIDADO AO PACIENTE COM DISPOSITIVO: DERIVAÇÃO</p><p>VENTRICULAR</p><p>São Paulo</p><p>2023</p><p>Ana Vitória Matias Ribeiro</p><p>Júlia Helena Della Sávia Correia</p><p>Karen Silva Naitzki</p><p>ATENÇÃO NO CUIDADO AO PACIENTE COM DISPOSITIVO: DERIVAÇÃO</p><p>VENTRICULAR</p><p>Trabalho apresentado como requisito parcial</p><p>para a aprovação parcial na disciplina de</p><p>Projeto Integrador V, do Curso de</p><p>Enfermagem do Centro Universitário São</p><p>Camilo, sob orientação da Profª. Dra. Lucia</p><p>Tobase.</p><p>São Paulo</p><p>2023</p><p>1</p><p>SUMÁRIO</p><p>1. Introdução...............................................................................................................3</p><p>2. Objetivos.................................................................................................................7</p><p>2.1 Objetivo Geral…………………………………………………...……………………7</p><p>2.2 Objetivos Específicos………………………………………………………..………7</p><p>3. Metodologia……………………………………………………………………………….8</p><p>4. Resultados…..…….................................................................................................9</p><p>4.1 Derivação Ventricular Externa (DVE).................................................................9</p><p>4.2 Derivação Ventricular Peritoneal (DVP)…………………………………………..11</p><p>4.3 Derivação Ventricular Atrial (DVA)…………………………………………………13</p><p>4.4 Cuidados……………………………………………………………………………..13</p><p>5. Considerações finais…………………………………………………..…………….…17</p><p>6. Referências…………………………………………….…………………………...…..18</p><p>2</p><p>1. INTRODUÇÃO</p><p>O sistema nervoso pode ser subdividido em dois: o sistema nervoso central (SNC),</p><p>formado pelo encéfalo e a medula espinhal, já o sistema nervoso periférico (SNP),</p><p>formado por nervos (cranianos e espinhais) e gânglios. O encéfalo é dividido em</p><p>cérebro, tronco encefálico e o cerebelo. O sistema nervoso central é revestido por</p><p>membranas chamadas de meninges, as membranas recobrem e protegem o tecido</p><p>nervoso, a mais externa é a dura-máter, sendo mais resistente (PERIS, 2020).</p><p>No SNC localizam-se os ventrículos laterais direito e esquerdo. Ventrículos</p><p>cerebrais são um conjunto de cavidades que estão conectadas dentro do cérebro,</p><p>essas estão preenchidas de líquido cefalorraquidiano (LCR), conhecido como Líquor</p><p>e sua principal função é a proteção do cérebro, este conjunto é chamado de sistema</p><p>ventricular e está localizado no parênquima cerebral. O LCR está presente nas</p><p>cavidades ventriculares do encéfalo, no espaço subaracnóideo em volta da medula</p><p>espinhal e do encéfalo, sendo produzido pelos plexos coróides e em menor</p><p>quantidade, no espaço subaracnóideo e pelos espaços perivasculares. Há quatro</p><p>ventrículos encefálicos, o ventrículo lateral direito, ventrículo lateral esquerdo, IIIº</p><p>ventrículo e IVº ventrículo e há o forame interventricular ou forame de Monro como</p><p>passagem do IIIº para o IVº ventrículo (Figura 1) ( FERNANDES, 2021).</p><p>Figura 1</p><p>Fonte: https://teachmeanatomy.info/</p><p>3</p><p>A produção do líquido acontece constantemente e é realizada pelo epêndima dos</p><p>plexos corióides (localizados no assoalho dos ventrículos laterais e tetos dos IIIº e</p><p>IVº ventrículos), em média de 500 ml por dia. A remoção de LCR por drenagem</p><p>ventricular é um procedimento para reduzir a PIC (Pressão Intracraniana)</p><p>aumentada. Esta por sua vez tem uma variação de 5 a 15 mmHg que se traduz na</p><p>relação entre o há na caixa craniana (cérebro, líquido cefalorraquidiano e sangue) e</p><p>o volume do crânio, a alteração do volume de um desses componentes pode causar</p><p>a hipertensão intracraniana (HIC) (TANAKA, 2021).</p><p>Alterações no líquido podem desenvolver algumas patologias como a hidrocefalia. O</p><p>acúmulo do LCR dentro do cérebro em algumas cavidades pode ser caracterizado</p><p>pela hidrocefalia, nesse caso nos ventrículos cerebrais e no espaço subaracnoide</p><p>entre as membranas aracnóide e pia-máter das meninges. O excesso retido faz com</p><p>que os ventrículos cerebrais se dilatem, causando danos nas estruturas encefálicas.</p><p>Esse acúmulo pode ser causado por um desequilíbrio entre a produção e a</p><p>reabsorção do líquido cefalorraquidiano ou por algum tipo de obstrução que impeça</p><p>sua circulação e drenagem (BRASIL, 2010).</p><p>Os sintomas são, em recém-nascidos ou crianças pequenas, irritabilidade, letargia</p><p>ou sonolência excessiva, apneias ou paradas respiratórias, alteração do formato do</p><p>crânio, cabeça grande ou que cresce rapidamente, fontanela dilatada, abaulada e</p><p>tensa, dificuldade para andar e desequilíbrio, atraso do desenvolvimento</p><p>neuropsicomotor, em crianças mais velhas e em adultos, dor de cabeça, vômitos,</p><p>dificuldade para enxergar, letargia ou sonolência excessiva (AMATO, 2015).</p><p>A hidrocefalia pode afetar pessoas de qualquer idade, mas é mais comum nas</p><p>crianças e nos idosos. Em idosos há uma doença chamada Hidrocefalia de Pressão</p><p>Normal (HPN), estes desenvolvem dificuldade para caminhar, incontinência urinária</p><p>e deficiência cognitiva, principalmente perda de memória (AMATO, 2015).</p><p>Pode ocorrer na vida intra-uterina, a hidrocefalias congênita ou podem ser</p><p>adquiridas ao longo da infância ou fase adulta por uma diversidade de causas. O</p><p>acúmulo por obstrução é a hidrocefalia obstrutiva, causada por hemorragias ou</p><p>sangramentos intracranianos, traumatismos cranianos, infecções (meningite),</p><p>4</p><p>idiopática. Já a hidrocefalia comunicante por um desequilíbrio entre a velocidade de</p><p>elaboração do LCR e a absorção, cujo as principais causas são congênitas</p><p>(malformações cerebrais), tumores e cistos (AMATO, 2015).</p><p>As derivações são necessárias no tratamento de pacientes com distúrbios da</p><p>circulação liquórica e também ampara o tratamento da hidrocefalia e patologias</p><p>como traumatismo cranioencefálico. A Derivação Ventricular Externa (DVE) é</p><p>utilizada para drenagem do líquido cefalorraquidiano (LCR) e monitoramento da</p><p>pressão intracraniana (PIC), consiste em um sistema fechado de drenagem, com</p><p>exteriorização do cateter pela pele e acoplado a um sistema coletor. Já a derivação</p><p>ventrícular peritoneal (DVP) é composta por um cateter proximal posicionado dentro</p><p>do ventrículo, tendo como finalidade diminuir a pressão intracraniana causada pelo</p><p>acúmulo de líquido, desviando o líquor do sistema ventricular intracraniano para a</p><p>cavidade peritoneal (BRASIL, 2020).</p><p>Sobre a realização da coleta de LCR pelo enfermeiro, de acordo com o PARECER</p><p>DE CONSELHEIRO FEDERAL N° 181/2019/COFEN:</p><p>Diante o exposto, sou de parecer que o Enfermeiro exerça sua</p><p>profissão com autonomia, livre de imperícia, negligência e</p><p>imprudência, sempre se qualificando em sua área podendo</p><p>manipular a bolsa coletora de líquor da DVE sempre que</p><p>necessário e possui competência legal para realizar a coleta</p><p>de liquor pela via proximal externa do Dreno intraventricular de</p><p>Derivação Ventricular Externa, devendo o profissional avaliar</p><p>sua competência técnica para realização do procedimento</p><p>supramencionado. Esclareço que a técnica realizada para</p><p>coleta poderá ser definida pelo próprio profissional, ampara na</p><p>literatura, quando não houver protocolo institucional ou</p><p>procedimentos operacionais padrão (POP), e que a coleta</p><p>poderá ser realizada pelos Enfermeiros da Hospital Estadual</p><p>de Pronto Socorro João Paulo II ou do instituto, sendo esta</p><p>uma decisão gerencial do serviço de Enfermagem.</p><p>A análise do LCR é importante no diagnóstico e aparecimento de diversas doenças</p><p>como infecções do sistema nervoso central, aumentos da pressão intracraniana ou</p><p>invasão de células cancerígenas no sistema nervoso central (ALESSANDRI, sd).</p><p>É visto que uma das linhas de atuação do enfermeiro são as IRAS (Infecções</p><p>relacionadas à Assistência à Saúde), estas são infecções adquiridas durante a</p><p>prestação dos serviços de saúde e sendo um problema de saúde pública mundial .</p><p>5</p><p>Podem ser classificadas como eventos adversos e têm causado o aumento da</p><p>morbidade e da mortalidade de pacientes, o que repercute no aspecto social e</p><p>econômico, assim como nos sistemas de saúde. A vigilância e a elaboração de</p><p>planos com ações sólidas reflete diretamente no controle das IRAS</p><p>(ARAÚJO,</p><p>2017).</p><p>6</p><p>2. OBJETIVO</p><p>Objetivo Geral</p><p>● Demonstrar a utilização do dispositivo de derivação ventricular e seus</p><p>principais agravos por infecções.</p><p>Objetivos Específicos</p><p>● Compreender os principais problemas advindos do uso dos dispositivos</p><p>● Exemplificar o uso da derivação ventricular externa e peritoneal.</p><p>● Identificar as melhores práticas de cuidado de enfermagem para o</p><p>atendimento do paciente submetido à colocação de derivações ,</p><p>.</p><p>7</p><p>3. METODOLOGIA</p><p>3.1 Tipo de pesquisa</p><p>Trata-se de uma pesquisa bibliográfica. A pesquisa bibliográfica tem como</p><p>finalidade principal a identificação e coleta de dados sobre determinado assunto ou</p><p>autor. Para obtenção de dados, foi realizada uma busca na literatura, utilizando-se</p><p>de artigos, revistas e aulas sobre o assunto, a fim de entendermos a temática</p><p>proposta, utilizando os seguintes DeCS: derivação ventricular, cuidados de</p><p>enfermagem com pacientes com derivações ventriculares, derivação ventricular</p><p>externa, derivação ventricular peritoneal.</p><p>8</p><p>4. RESULTADOS</p><p>4.1 Derivação Ventricular Externa (DVE)</p><p>Derivação Ventricular Externa (DVE) é um sistema fechado de drenagem, o</p><p>dispositivo é inserido em cirurgia através de um orifício do crânio, no qual a</p><p>extremidade se mantém posicionada no interior de um dos ventrículos cerebrais e</p><p>há a exteriorização do cateter pela pele e o acompanhamento por meio de um</p><p>sistema coletor (bolsa de drenagem) (Figura 2 ) (TANAKA, 2021).</p><p>Figura 2</p><p>Fonte: Batista,2020</p><p>A partir da figura a seguir (Figura 3 ) identifica-se os materiais utilizados na</p><p>realização desse procedimento:</p><p>9</p><p>Figura 3</p><p>Fonte: Batista,2020</p><p>1.Escala de pressão – Em mmHg e cmH2O, bureta graduada móvel.</p><p>2.Filtro antimicrobiano hidrofóbico resistente à água, prevenindo a interrupção da</p><p>drenagem por bloqueio do filtro+clamp.</p><p>3.Torneira 3 vias – com saída para monitoração da PIC.</p><p>4.Conector macho e fêmea.</p><p>5.Bolsa coletora.</p><p>6.Porta coletora para esvaziamento da bolsa</p><p>7.Conector</p><p>10</p><p>8.Corta fluxo</p><p>9.Torneira 3 vias</p><p>10.Válvula em Y para coleta de amostra ou injeção de líquido.</p><p>11.Válvula anti-refluxo – para prevenção de retorno do líquor.</p><p>É indicado para monitorização e redução da pressão intracraniana (PIC) o que</p><p>permite a drenagem de LCR ou sangue, suporte no tratamento da hidrocefalia,</p><p>associada a diferentes patologias como traumatismo cranioencefálico (TCE),</p><p>hemorragia subaracnóidea (HSA), processos tumorais expansivos ou infecciosos,</p><p>dentre outros. Por ser uma derivação externa, deve-se ser utilizado no menor</p><p>tempo possível, devido ao maior risco de infecções (BRASIL, 2020).</p><p>4.2 Derivação Ventricular Peritoneal (DVP)</p><p>Outro tipo de derivação é a Derivação Ventricular Peritoneal (DVP), esse sistema é</p><p>constituído por cateter proximal, feito de silicone, que fica localizado dentro do</p><p>ventrículo e é conectado a uma válvula (Figura 4), possuindo mecanismos distintos</p><p>para drenar o liquor (as mais comuns são aquelas reguladas pela pressão</p><p>intraventricular ou reguladas pelo fluxo de líquor) (Figura 5).O intuito dessa</p><p>derivação é aliviar a PIC causada pelo acúmulo de líquido, para que isso seja</p><p>alcançado, o liquor do sistema ventricular intracraniano é desviado para a cavidade</p><p>peritoneal, é o meio mais simples e fácil de tratar a hidrocefalia, por ser uma</p><p>derivação permanente, salvo apresentar disfunção ou mais raramente infecção</p><p>(VIANA, 2019).</p><p>11</p><p>Figura 4</p><p>Fonte: neimplantes, sd</p><p>Figura 5</p><p>Fonte: Cruzeiro, 2013</p><p>As válvulas são classificadas em três tipos, contidas no COREN, de acordo com o</p><p>seu mecanismo de funcionamento:</p><p>1. Válvulas de pressão diferencial: abre quando a diferença de pressão por</p><p>meio da válvula ultrapassa um nível pré-determinado, permitindo a sifonagem</p><p>do LCR na posição ereta;</p><p>2. Válvulas de controle por sifonagem: apresenta dispositivo que aumenta a</p><p>resistência ao fluxo do LCR na posição ereta, mantendo a pressão</p><p>intracraniana constante independentemente da posição;</p><p>12</p><p>3. Válvulas reguladas por fluxo: possuem mecanismo que permite o aumento da</p><p>resistência ao fluxo do LCR com aumento das pressões diferenciais,</p><p>mantendo a vazão acima das pressões normais do LCR, dentro de um limite</p><p>pré-determinado.</p><p>Esses sistemas valvulares apresentam problemas relacionados ao excesso ou</p><p>deficiência de drenagem, o que levou ao desenvolvimento de sistemas de</p><p>derivações com válvulas programáveis, as quais permitem ao cirurgião ajustar as</p><p>características da drenagem. O sistema de Derivação Ventrículo Peritoneal</p><p>Programável (SVPCH) possui 18 ajustes de pressão, na faixa entre 30 mmH2O e</p><p>200 mmH2O. Antes da operação, o cirurgião usa um programador específico para</p><p>selecionar um ajuste na pressão da válvula que se adeque às condições em</p><p>constante mudança do paciente. Após, o médico pode mudar o ajuste da pressão</p><p>da válvula, mesmo que ela já esteja implantada, de maneira não invasiva, sem</p><p>necessidade de uma operação para revisão (COREN, 2021).</p><p>4.3 Derivação Ventricular Atrial (DVA)</p><p>Além disso há a Derivação Ventricular Atrial (DVA), que consiste no implante de um</p><p>sistema interno de drenagem de líquor com intuito de retirar excesso de líquido do</p><p>ventrículo cerebral para o coração na cavidade cardíaca, átrio. Como é inserido um</p><p>corpo estranho no organismo, existe o risco de infecção ao paciente, por isso</p><p>evita-se a utilização do DVA (PETITTO, 2018).</p><p>4.4 Cuidados</p><p>O sistema de derivação ventricular requer cuidado durante todo o processo de</p><p>utilização. Entretanto pode desencadear problemas diante de sua manipulação,</p><p>exigindo atenção aos problemas relacionados às Infecções Relacionadas à</p><p>Assistência à Saúde (IRAS), havendo diferenças entre as possíveis complicações</p><p>da DVE e da DVP.</p><p>Ao que se refere a DVE, o dispositivo é contraindicado em pacientes com algum</p><p>distúrbio de coagulação ou anticoagulados por terapia medicamentosa, infecção no</p><p>13</p><p>couro cabeludo ou abscessos no local, pelo alto risco de infecção do sistema</p><p>nervoso central, como meningites e ventriculites (BRASIL, 2020).</p><p>A assistência de enfermagem tem como objetivo diminuir as IRAS e por conseguinte</p><p>as taxas de mortalidade além do tempo de permanência em leitos de UTI.</p><p>Complicações podem ocorrer aos pacientes que fazem uso do DVE, entre elas</p><p>encontra-se a Hipodrenagem (quando a drenagem de líquor é inferior ao limite</p><p>mínimo ou a onda da PIC está plana no monitor, normalmente está relacionado a</p><p>um bloqueio ou obstrução do cateter); Hiperdrenagem (quando a quantidade de</p><p>LCR drenada dos ventrículo é maior que sua produção), podendo ocasionar</p><p>hemorragias ou complicações ventriculares ou, ainda, remoção acidental do cateter</p><p>necessitando intervenção cirúrgica; Processos inflamatórios, sendo a Meningite</p><p>(inflamação das meninges) a mais recorrente, a incidência dessa patologia</p><p>bacteriana pós-craniotomias variam aproximadamente de 0,3% a 1,9%, sendo a</p><p>maioria relacionada a bactérias como Staphylococcus aureus, Staphylococcus</p><p>epidermidis, Streptococcus pneumoniae e por bacilo Gram-negativos</p><p>(Pseudomonas, Klebsiella e Enterobacter), vê-se a necessidade de atentar-se a</p><p>sinais como hipertermia, hiperemia ou drenagem de exsudato/secreção</p><p>(SAKAMOTO, 2021); (COREN, 2021).</p><p>Por ser uma derivação externa, necessita de maiores cuidados previstos no</p><p>COREN, considerando a complexidade e importância dos procedimento na</p><p>evolução do paciente, alguns cuidados de enfermagem são indispensáveis, como:</p><p>1. Fechar o clamp do circuito proximal à cabeça do paciente, para interromper a</p><p>drenagem ao realizar mudanças na altura da cabeceira da cama e, ao</p><p>término, abrir novamente;</p><p>2. A cada mensuração, o reservatório será aberto para que o líquido drenado</p><p>seja depositado na bolsa de drenagem (após mensuração, fechá-lo</p><p>novamente);</p><p>3. Quando a bolsa coletora da DVE atingir 2/3, realizar o esvaziamento da</p><p>mesma, utilizando técnica asséptica;</p><p>4. Manter a bolsa de drenagem bem fixada evitando alterar nível e drenagem</p><p>inadvertida por sifonagem. A drenagem do líquor é feita contra o gradiente de</p><p>pressão hidrostática, ou seja, na dependência</p><p>da altura em que instala-se a</p><p>bolsa coletora aberta;</p><p>14</p><p>5. Calibrar o sistema a cada troca de decúbito ou dúvida de valores;</p><p>6. Verificar a onda da PIC no monitor multiparâmetro, em condições</p><p>fisiologicamente adequadas,</p><p>7. Conferir ponto zero do sistema na altura do meato auricular externo;</p><p>8. Medir o líquido drenado de 6/6h para o BHP (balanço hídrico parcial),</p><p>observando e registrando o aspecto (hemático, límpido, espesso ou hialino);</p><p>9. Manter a altura do ponto de escoamento de LCR em 20 cm (ou conforme</p><p>prescrição médica) acima do transdutor ou do ponto zero; considerando a</p><p>PIC normal em até 15 mmHg, seria este o valor da altura da bolsa coletora ao</p><p>nível do forame de Monro e dentro de uma condição mais próxima da</p><p>fisiológica;</p><p>10.Manter conexões firmes evitando vazamentos;</p><p>11. Quando identificar bolhas de ar do sistema externo, comunicar equipe</p><p>neurocirúrgica;</p><p>12.Verificar a permeabilidade do cateter e, em caso de obstrução, comunicar</p><p>equipe médica para desobstrução ou troca do catéter no centro cirúrgico;</p><p>13.Acomodar o cateter de ventriculostomia na cama de maneira que não e</p><p>dobre;</p><p>14.Verificar constantemente o traçado gráfico da PIC para constatação de que o</p><p>sistema está permeável;</p><p>15. Identificar o sistema de DVE no leito do paciente;</p><p>16.Realizar curativo na região peri-cateter uma vez por dia e quando necessário;</p><p>17.Observar se há extravasamento de líquor ou sinais flogísticos;</p><p>18. Inspecionar a região de inserção do cateter na admissão e uma vez por</p><p>turno, anotando o aspecto da ferida operatória [...] (SMELTZER et al., 2020).</p><p>Já os principais problemas relacionados a DVP são a obstrução do cateter interno</p><p>na cabeça, desconexões ou fraturas do cateter, que por sua vez causam acúmulo</p><p>de líquido na região subcutânea (Figura 6), que não é capaz de absorvê-lo, e as</p><p>infecções ou problemas abdominais.</p><p>15</p><p>Figura 6</p><p>Fonte: Matushta, sd</p><p>Alguns cuidados relacionados ao paciente com DVP são (BRASIL, 2020):</p><p>● Identificar sinais e sintomas da subdrenagem (são os mesmos do aumento</p><p>da PIC):</p><p>● Náuseas, vômito;</p><p>● Apneia, bradicardia e irritabilidade;</p><p>● Convulsões;</p><p>● Fontanela tensa e protuberante, ingurgitamento das veias do couro cabeludo</p><p>(no caso de crianças)</p><p>● Edema no trajeto dos cateteres, devido desconexão e extravasamento de</p><p>LCR do sistema de derivação;</p><p>O Centro de Controle de Infecções Hospitalares (CCIH), dentro de uma unidade</p><p>hospitalar, é imprescindível, pois traz consigo o cuidado para a prevenção e controle</p><p>de infecção, tanto para o corpo clínico quanto para o paciente. Ou seja, há</p><p>necessidade da atuação atenta e organizada do enfermeiro frente às infecções,</p><p>como na prevenção do quadro de meningite quando se menciona o sistema de</p><p>DVE, como citado acima.</p><p>16</p><p>5. CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>A Derivação Ventricular Externa é um sistema fechado de drenagem usado em</p><p>procedimentos neurocirúrgicos. A Derivação Ventrículo Periférica é um sistema de</p><p>drenagem do líquor para outras partes do organismo, que geralmente são</p><p>direcionados à região peritoneal.</p><p>São frequentemente necessárias no tratamento de urgência nos pacientes com</p><p>distúrbios da circulação liquórica, hemorragia subaracnóideas, intraventricular ou</p><p>intraparenquimatosa.</p><p>A indicação da DVE deve ser minuciosa em virtude das complicações desse tipo de</p><p>sistema, que são: infecção no local do cateter; meningites, encefalites e</p><p>ventriculites; e por fim, as hemorragias intracerebrais ou intravasculares.</p><p>Por tratar-se de dispositivos invasivos, a DVE e a DVP, requerem uma maior</p><p>atenção no manuseio e um gerenciamento diligente. É nesse cenário que o</p><p>enfermeiro é inserido, com a função e responsabilidade de garantir o bem-estar</p><p>físico do paciente e prever possíveis agravos, com o objetivo de evitar danos e</p><p>prejuízos ao paciente, conforme a Resolução Cofen nº 358/2009 afirma.</p><p>As Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) são os eventos adversos</p><p>mais comuns em serviços de saúde e causam o aumento do tempo de internação,</p><p>dos gastos da instituição e das taxas de morbimortalidade associada à internação.</p><p>Ademais, a incidência das IRAS é um dos parâmetros avaliados para determinar a</p><p>qualidade do serviço de saúde. Diante disso, a busca na literatura científica</p><p>oportunizou identificar a importância da atuação dos profissionais de enfermagem</p><p>na prevenção da IRAS, uma vez que o enfermeiro é o profissional que está presente</p><p>em toda a assistência à saúde e possui contato constante com os pacientes, sendo</p><p>assim imprescindível nas ações direcionadas na prevenção dessas infecções.</p><p>17</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>PERIS, silvestre. Sistema nervoso: estrutura, doenças e ação de drogas. Estado</p><p>de Mato Grosso Prefeitura Municipal de Novo São Joaquim EMEB “Oscar Zaiden de</p><p>Menezes”, [S. l.], p. 1-14, 4 dez. 2020. Disponível em:</p><p>https://www.novosaojoaquim.mt.gov.br/fotos_educacao/1358.pdf Acesso</p><p>em:18.mar.2023</p><p>SAKAMOTO, V. T. M., VIEIRA, T. W., VIEGAS, K., Blatt, C. R., & Caregnato, R. C.</p><p>A.. (2021). Nursing assistance in patient care with external ventricular drain: a</p><p>scoping review. Revista Brasileira De Enfermagem, 74(Rev. Bras. 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