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psicologia do esporte e exercicio

Livro didático de Psicologia do Esporte e do Exercício, de Leonardo Pestillo de Oliveira, para graduação em Educação Física EaD. Trata de psicologia do esporte e rendimento esportivo; 168 páginas, Unicesumar (reimpressão 2023) com versão digital/QR‑code.

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<p>PSICOLOGIA</p><p>DO ESPORTE</p><p>E DO EXERCÍCIO</p><p>PROFESSOR</p><p>Dr. Leonardo Pestillo de Oliveira</p><p>Quando identificar o ícone QR-CODE, utilize o aplicativo Uni-</p><p>cesumar Experience para ter acesso aos conteúdos online. O</p><p>download do aplicativo está disponível nas plataformas:</p><p>Acesse o seu livro também disponível na versão digital.</p><p>Google Play App Store</p><p>2</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância;</p><p>OLIVEIRA, Leonardo Pestillo de.</p><p>Psicologia do Esporte e do Exercício. Leonardo Pestillo de Oliveira.</p><p>Maringá - PR: Unicesumar, 2018. Reimpresso em 2023.</p><p>168 p.</p><p>“Graduação em Educação Física - EaD”.</p><p>1. Psicologia do Esporte. 2. Rendimento Esportivo. 3. EaD. I. Título.</p><p>ISBN 978-85-459-1660-4</p><p>CDD - 22ª Ed. 150</p><p>CIP - NBR 12899 - AACR/2</p><p>NEAD</p><p>Núcleo de Educação a Distância</p><p>Av. Guedner, 1610, Bloco 4</p><p>Jd. Aclimação - Cep 87050-900 Maringá - Paraná</p><p>www.unicesumar.edu.br | 0800 600 6360</p><p>Impresso por:</p><p>Coordenador(a) de Conteúdo Mara Cecilia Rafael Lopes, Projeto Gráfico José Jhonny Coelho,</p><p>Editoração Humberto Garcia da Silva, Designer Educacional Ana Claudia Salvadego, Revisão Textual</p><p>Meyre Barbosa da Silva, Ilustração Bruno Pardinho, Mateus Fotos Shutterstock.</p><p>DIREÇÃO UNICESUMAR</p><p>Reitor Wilson de Matos Silva, Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho, Pró-Reitor Executivo de EAD William Victor</p><p>Kendrick de Matos Silva, Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin, Presidente da Mantenedora Cláudio</p><p>Ferdinandi.</p><p>NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>Diretoria Executiva Chrystiano Minco�, James Prestes, Tiago Stachon, Diretoria de Graduação e Pós-graduação Kátia</p><p>Coelho, Diretoria de Permanência Leonardo Spaine, Diretoria de Design Educacional Débora Leite, Head de Produção</p><p>de Conteúdos Celso Luiz Braga de Souza Filho, Head de Curadoria e Inovação Tania Cristiane Yoshie Fukushima,</p><p>Gerência de Produção de Conteúdo Diogo Ribeiro Garcia, Gerência de Projetos Especiais Daniel Fuverki Hey, Gerência</p><p>de Processos Acadêmicos Taessa Penha Shiraishi Vieira, Gerência de Curadoria Carolina Abdalla Normann de Freitas,</p><p>Supervisão de Produção de Conteúdo Nádila Toledo.</p><p>Em um mundo global e dinâmico, nós trabalhamos</p><p>com princípios éticos e profissionalismo, não</p><p>somente para oferecer uma educação de qualidade,</p><p>mas, acima de tudo, para gerar uma conversão</p><p>integral das pessoas ao conhecimento. Baseamo-</p><p>nos em 4 pilares: intelectual, profissional, emocional</p><p>e espiritual.</p><p>Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos de</p><p>graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 100 mil</p><p>estudantes espalhados em todo o Brasil: nos quatro</p><p>campi presenciais (Maringá, Curitiba, Ponta Grossa</p><p>e Londrina) e em mais de 300 polos EAD no país,</p><p>com dezenas de cursos de graduação e pós-graduação.</p><p>Produzimos e revisamos 500 livros e distribuímos mais</p><p>de 500 mil exemplares por ano. Somos reconhecidos</p><p>pelo MEC como uma instituição de excelência, com</p><p>IGC 4 em 7 anos consecutivos. Estamos entre os 10</p><p>maiores grupos educacionais do Brasil.</p><p>A rapidez do mundo moderno exige dos educadores</p><p>soluções inteligentes para as necessidades de todos.</p><p>Para continuar relevante, a instituição de educação</p><p>precisa ter pelo menos três virtudes: inovação,</p><p>coragem e compromisso com a qualidade. Por</p><p>isso, desenvolvemos, para os cursos de Engenharia,</p><p>metodologias ativas, as quais visam reunir o melhor</p><p>do ensino presencial e a distância.</p><p>Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é</p><p>promover a educação de qualidade nas diferentes áreas</p><p>do conhecimento, formando profissionais cidadãos</p><p>que contribuam para o desenvolvimento de uma</p><p>sociedade justa e solidária.</p><p>Vamos juntos!</p><p>Wilson Matos da Silva</p><p>Reitor da Unicesumar</p><p>boas-vindas</p><p>Prezado(a) Acadêmico(a), bem-vindo(a) à</p><p>Comunidade do Conhecimento.</p><p>Essa é a característica principal pela qual a Unicesumar</p><p>tem sido conhecida pelos nossos alunos, professores</p><p>e pela nossa sociedade. Porém, é importante</p><p>destacar aqui que não estamos falando mais daquele</p><p>conhecimento estático, repetitivo, local e elitizado, mas</p><p>de um conhecimento dinâmico, renovável em minutos,</p><p>atemporal, global, democratizado, transformado pelas</p><p>tecnologias digitais e virtuais.</p><p>De fato, as tecnologias de informação e comunicação</p><p>têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, lugares,</p><p>informações, da educação por meio da conectividade</p><p>via internet, do acesso wireless em diferentes lugares</p><p>e da mobilidade dos celulares.</p><p>As redes sociais, os sites, blogs e os tablets aceleraram</p><p>a informação e a produção do conhecimento, que não</p><p>reconhece mais fuso horário e atravessa oceanos em</p><p>segundos.</p><p>A apropriação dessa nova forma de conhecer</p><p>transformou-se hoje em um dos principais fatores de</p><p>agregação de valor, de superação das desigualdades,</p><p>propagação de trabalho qualificado e de bem-estar.</p><p>Logo, como agente social, convido você a saber cada</p><p>vez mais, a conhecer, entender, selecionar e usar a</p><p>tecnologia que temos e que está disponível.</p><p>Da mesma forma que a imprensa de Gutenberg</p><p>modificou toda uma cultura e forma de conhecer,</p><p>as tecnologias atuais e suas novas ferramentas,</p><p>equipamentos e aplicações estão mudando a nossa</p><p>cultura e transformando a todos nós. Então, priorizar o</p><p>conhecimento hoje, por meio da Educação a Distância</p><p>(EAD), significa possibilitar o contato com ambientes</p><p>cativantes, ricos em informações e interatividade. É</p><p>um processo desafiador, que ao mesmo tempo abrirá</p><p>as portas para melhores oportunidades. Como já disse</p><p>Sócrates, “a vida sem desafios não vale a pena ser vivida”.</p><p>É isso que a EAD da Unicesumar se propõe a fazer.</p><p>Willian V. K. de Matos Silva</p><p>Pró-Reitor da Unicesumar EaD</p><p>Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está</p><p>iniciando um processo de transformação, pois quando</p><p>investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou</p><p>profissional, nos transformamos e, consequentemente,</p><p>transformamos também a sociedade na qual estamos</p><p>inseridos. De que forma o fazemos? Criando</p><p>oportunidades e/ou estabelecendo mudanças capazes</p><p>de alcançar um nível de desenvolvimento compatível</p><p>com os desafios que surgem no mundo contemporâneo.</p><p>O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de</p><p>Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo</p><p>este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens</p><p>se educam juntos, na transformação do mundo”.</p><p>Os materiais produzidos oferecem linguagem</p><p>dialógica e encontram-se integrados à proposta</p><p>pedagógica, contribuindo no processo educacional,</p><p>complementando sua formação profissional,</p><p>desenvolvendo competências e habilidades, e</p><p>aplicando conceitos teóricos em situação de realidade,</p><p>de maneira a inseri-lo no mercado de trabalho. Ou seja,</p><p>estes materiais têm como principal objetivo “provocar</p><p>uma aproximação entre você e o conteúdo”, desta</p><p>forma possibilita o desenvolvimento da autonomia</p><p>em busca dos conhecimentos necessários para a sua</p><p>formação pessoal e profissional.</p><p>Portanto, nossa distância nesse processo de crescimento</p><p>e construção do conhecimento deve ser apenas</p><p>geográfica. Utilize os diversos recursos pedagógicos</p><p>que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita.</p><p>Ou seja, acesse regularmente o Studeo, que é o seu</p><p>Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos</p><p>fóruns e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe</p><p>das discussões. Além disso, lembre-se que existe</p><p>uma equipe de professores e tutores que se encontra</p><p>disponível para sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em</p><p>seu processo de aprendizagem, possibilitando-lhe</p><p>trilhar com tranquilidade e segurança sua trajetória</p><p>acadêmica.</p><p>boas-vindas</p><p>Débora do Nascimento Leite</p><p>Diretoria de Design Educacional</p><p>Janes Fidélis Tomelin</p><p>Pró-Reitor de Ensino de EAD</p><p>Kátia Solange Coelho</p><p>Diretoria de Graduação</p><p>e Pós-graduação</p><p>Leonardo Spaine</p><p>Diretoria de Permanência</p><p>autor</p><p>Dr. Leonardo Pestillo de Oliveira</p><p>Pós-doutor em Saúde Global pela Duke University-EUA. Doutor em Psicologia</p><p>Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, com período sanduíche</p><p>na Université du Québec à Trois-Rivières-Canadá. Psicólogo pela Universidade</p><p>A Psicologia no Brasil. Psicologia</p><p>Ciência e Profissão, Brasília, v. 30, n. esp., p. 8-41,</p><p>dez. 2010.</p><p>TRIPLETT, N. L. Dynamogenic factors in pace-</p><p>making and competition. The American Journal of</p><p>Psychology, v. 9, n. 4, p. 507-533, jul. 1898.</p><p>VEALEY, R. S. Mental skills training in sport. In:</p><p>TENENBAUM, G.; EKLUND, R. C. (Eds.). Han-</p><p>dbook of sport psychology, Hoboken: Wiley, 2007.</p><p>VIEIRA, L. F.; NASCIMENTO JUNIOR, J. R. A.;</p><p>VIEIRA, J. L. L. O estado da arte da pesquisa em Psi-</p><p>cologia do Esporte no Brasil. Revista de Psicología</p><p>del Deporte. v. 22, n. 2, p. 501-507, 2013.</p><p>VIEIRA, L. F.; VISSOCI, J. R. N.; OLIVEIRA, L.</p><p>P.; VIEIRA, J. L. L. Psicologia do esporte: uma área</p><p>emergente da psicologia. Psicologia em Estudo, Ma-</p><p>ringá, v. 15, n. 2, p. 391-399, jun. 2010.</p><p>WEINBERG, R. S.; GOULD, D. Fundamentos da</p><p>psicologia do esporte e do exercício. Porto Alegre:</p><p>Artmed, 2017.</p><p>Referência on-line:</p><p>1Em: . Acesso em: 30 jul. 2018.</p><p>38</p><p>gabarito</p><p>1. E</p><p>2. C</p><p>3. C</p><p>4.</p><p>Definição:</p><p>a. “É o estudo científico de pessoas e seus comportamentos em atividades</p><p>esportivas e atividades físicas e a aplicação prática desse conhecimento”</p><p>(GILL, 1979).</p><p>Objetivos:</p><p>a. Entender como os fatores psicológicos afetam o desempenho físico de um</p><p>indivíduo.</p><p>b. Entender como a participação em esportes e exercícios afeta o desenvolvi-</p><p>mento psicológico, a saúde e o bem-estar de uma pessoa.</p><p>5.</p><p>a. Pesquisador: busca entender o processo de regulação psicológica da ati-</p><p>vidade física e esportiva. Tipos: teórica, empírica, básica, aplicada, labora-</p><p>torial e estudo de campo.</p><p>b. Professor: busca assessorar na educação da maioria das pessoas envol-</p><p>vidas no esporte: em nível acadêmico para estudantes; profissionais do</p><p>esporte e participantes do esporte.</p><p>c. Consultor: busca, por meio do conhecimento e da competência, desen-</p><p>volver duas funções: a) diagnosticar e avaliar (detecção de talentos, testes</p><p>de cognição e habilidades sensório-motoras e evolução das necessidades</p><p>dos participantes; b) por meio da intervenção, conduzir de forma coopera-</p><p>tiva com outras pessoas da área, aconselhar, ou atuar como consultor em</p><p>situações de problemas especiais.</p><p>gabarito</p><p>UNIDADE II</p><p>Professor Dr. Leonardo Pestillo de Oliveira</p><p>Plano de Estudo</p><p>A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta</p><p>unidade:</p><p>• Compreendendo o desenvolvimento humano e esportivo</p><p>• Personalidade e esporte</p><p>• Desenvolvimento psicológico de crianças e adolescentes</p><p>por meio do esporte</p><p>• Desenvolvimento da carreira esportiva</p><p>Objetivos de Aprendizagem</p><p>• Compreender como o desenvolvimento humano ocorre e</p><p>sua relação com o esporte.</p><p>• Apresentar características de personalidade e sua relação</p><p>com o desenvolvimento humano e esportivo.</p><p>• Compreender como o esporte pode ser um elemento de</p><p>influência do desenvolvimento psicológico infantil e juvenil.</p><p>• Compreender como os atletas se desenvolvem</p><p>dentro do contexto esportivo, as teorias e as fases de</p><p>desenvolvimento.</p><p>DESENVOLVIMENTO HUMANO E</p><p>SUA RELAÇÃO COM O ESPORTE</p><p>unidade</p><p>II</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>A</p><p>pós a apresentação sobre a história da Psicologia do Esporte</p><p>e do Exercício, chega o momento de começarmos a discutir</p><p>sobre alguns assuntos mais específicos de como pode ser reali-</p><p>zado o trabalho dentro desta área. A partir da Unidade II, co-</p><p>meçaremos um percurso mais detalhado sobre temáticas que envolvem</p><p>questões individuais dos atletas e também as questões de grupo.</p><p>No contexto da Psicologia, é extremamente importante compreender</p><p>o desenvolvimento humano. É por meio de teorias que nos embasamos</p><p>para identificar o momento em que as pessoas estão dentro do quadro</p><p>de desenvolvimento e, assim, podermos definir também as formas que</p><p>podemos utilizar para agir junto a estas pessoas. Com isso, discutiremos</p><p>um pouco sobre algumas teorias específicas da Psicologia que nos levam</p><p>a compreender o desenvolvimento humano de forma mais detalhada.</p><p>A partir daí, estudaremos também uma característica que todos te-</p><p>mos, mas que também é muito específica, a personalidade. Esta precisa</p><p>ser compreendida dentro de alguns parâmetros para que, cientificamen-</p><p>te, possamos entender melhor as pessoas com quem convivemos. E já que</p><p>falaremos sobre desenvolvimento humano, estudaremos, também, como</p><p>se dá o desenvolvimento de crianças e adolescentes por meio do esporte</p><p>e quais as contribuições que o contexto esportivo pode trazer para este</p><p>público, como ser um elemento de desenvolvimento moral.</p><p>Por fim, veremos por quais fases estas crianças e adolescentes passam</p><p>até se tornarem atletas profissionais de sucesso ou, às vezes, nem tanto</p><p>assim. É preciso, também, dividir as fases de desenvolvimento dentro do</p><p>contexto esportivo para que, assim, possamos ter uma visão mais especí-</p><p>fica em cada um dos momentos em que esses atletas estão vivendo.</p><p>44</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>Compreendendo o</p><p>Desenvolvimento Humano e Esportivo</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>45</p><p>Todo profissional que trabalha diretamente com</p><p>pessoas deve ter conhecimento básico sobre como</p><p>elas se comportam, como elas chegaram até ali, en-</p><p>fim, é preciso conhecê-las. A Psicologia, enquanto</p><p>uma ciência, fornece elementos essenciais para que</p><p>as pessoas possam se relacionar de forma eficiente e</p><p>em busca de atingir os objetivos traçados em algum</p><p>contexto, no nosso caso, o esportivo.</p><p>Todas as decisões que tomamos ao longo de nos-</p><p>sas vidas são baseadas na nossa história (passado),</p><p>levando em consideração as pessoas com quem con-</p><p>vivemos diariamente (presente) e, principalmente,</p><p>pensando nos objetivos que pretendemos alcançar</p><p>(futuro). Começamos, então, a nos questionar sobre</p><p>o porquê de algumas pessoas escolherem se dedicar</p><p>ao esporte e, dentro deste contexto, se dedicarem a</p><p>modalidades esportivas específicas (ALVES, 2015;</p><p>SENA et al., 2017).</p><p>Antes de falarmos em desenvolvimento do atle-</p><p>ta, precisamos compreender o desenvolvimento do</p><p>ser humano, pois, antes de escolher ser atleta, o in-</p><p>divíduo precisa aprender a ser um sujeito posto em</p><p>um contexto. As relações humanas são estabeleci-</p><p>das, e o primeiro núcleo social em que a criança é</p><p>inserida é a família (LEME et al., 2016), o que nos</p><p>leva a compreender que as principais características</p><p>que apresentamos atualmente foram também in-</p><p>fluenciadas por esta família.</p><p>A Teoria Bioecológica do Desenvolvimento Hu-</p><p>mano, uma proposta consistente de Bronfenbrenner</p><p>(2011), leva-nos a compreender, por exemplo, quais</p><p>motivos levam as pessoas a se envolverem em de-</p><p>terminadas atividades, entre elas, as atividades es-</p><p>portivas. Esta teoria oferece-nos a possibilidade de</p><p>compreender o desenvolvimento humano a partir</p><p>de sistemas que influenciam o desenvolvimento, ao</p><p>mesmo tempo em que são influenciados.</p><p>Para começarmos a discutir essa teoria, precisa-</p><p>mos entender sua principal característica. Segundo</p><p>Bronfenbrenner (2011), o desenvolvimento humano</p><p>é resultado da interação entre o indivíduo e o am-</p><p>biente em que ele está inserido. Essa interação dá-</p><p>-nos a perspectiva de compreender as características</p><p>deste indivíduo, bem como as suas relações com as</p><p>outras pessoas e com o ambiente. Além disso, é por</p><p>meio dela que as atividades são realizadas e, tam-</p><p>bém, sua história é construída.</p><p>46</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>A partir do que se observa na Figura 1, podemos com-</p><p>preender a divisão do desenvolvimento humano em</p><p>etapas, ou melhor dizendo, em sistemas. O desenvolvi-</p><p>mento humano é considerado um processo que depen-</p><p>de de uma interação sinérgica de quatro componentes:</p><p>o Processo, a Pessoa, o Contexto e o Tempo (BRON-</p><p>FENBRENNER, 2011). Estas interações constantes</p><p>ocorrem ao longo do desenvolvimento humano, que é</p><p>tanto produto quanto produtor do seu processo. Veja-</p><p>mos as características de cada um destes componentes:</p><p>multidimensional que esta abordagem nos fornece,</p><p>implicando respeitar o espaço de todos os profissio-</p><p>nais envolvidos no processo.</p><p>A representação gráfica do modelo bioecológico</p><p>pode</p><p>ser uma das principais formas de compreen-</p><p>dermos o seu significado. Isso pode ser ilustrado na</p><p>Figura 1.</p><p>As pesquisas sobre o desenvolvimento de atletas</p><p>apresentam bastante semelhança com as caracterís-</p><p>ticas da abordagem bioecológica, pois compreen-</p><p>dem os processos que são gerados ao longo do tem-</p><p>po e o desenvolvimento biopsicossocial do sujeito/</p><p>atleta que está dentro deste ambiente (ROTHER;</p><p>MEJIA, 2015). Isto nos leva a considerar toda a ótica</p><p>Figura 1 - Modelo de Bronfenbrenner</p><p>Fonte: adaptado de Bronfenbrenner (2011).</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>47</p><p>PROCESSO</p><p>O Processo representa todas as mudanças que</p><p>ocorrem no desenvolvimento da pessoa. Bron-</p><p>fenbrenner enfatizou o papel desempenhado pela</p><p>pessoa em seu próprio desenvolvimento por meio</p><p>de um mecanismo denominado processos proxi-</p><p>mais (ROSA; TUDGE, 2013). As interações entre a</p><p>pessoa e o ambiente são importantes, mas só serão</p><p>eficazes se ocorrerem com regularidade e ao longo</p><p>de períodos extensos de tempo (LEME et al., 2016).</p><p>Os processos proximais são o centro da teoria bio-</p><p>ecológica e são vistos como as forças motrizes do</p><p>desenvolvimento humano (BRONFENBRENNER;</p><p>MORRIS, 2006).</p><p>PESSOA</p><p>O segundo elemento considerado por Bron-</p><p>fenbrenner em sua teoria é a Pessoa. Este elemen-</p><p>to envolve características biológicas e psicológicas</p><p>que são já determinadas, mas também envolve as</p><p>características que surgem como resultado das in-</p><p>terações com o ambiente (BRONFENBRENNER,</p><p>2011). Neste sentido é que se denominam caracte-</p><p>rísticas biopsicológicas, que são produto e produ-</p><p>toras do seu desenvolvimento. Leme et al. (2016)</p><p>descrevem que este elemento Pessoa apresenta três</p><p>características biopsicológicas, as quais denominam</p><p>Força, Recursos e Demandas.</p><p>Força</p><p>A Força é considerada a mais provável de in-</p><p>fluenciar os resultados de desenvolvimento de</p><p>uma pessoa, seja de forma geradora ou disrupti-</p><p>va. As características desenvolvimentais gerado-</p><p>ras contemplam a curiosidade, disposição para</p><p>engajar-se em atividades solitárias ou coletivas,</p><p>prontidão para seguir metas de longo prazo. Já as</p><p>características disruptivas envolvem impulsivida-</p><p>de, intempestividade, distração, falta de habilidade</p><p>para adiar gratificações imediatas, agressividade</p><p>(ROSA; TUDGE, 2013).</p><p>Recursos</p><p>A característica dos Recursos é de influenciar as ha-</p><p>bilidades da pessoa em engajar-se efetivamente nos</p><p>processos proximais (BRONFENBRENNER; MOR-</p><p>RIS, 2006). Estes recursos podem sofrer algumas</p><p>limitações, tais como deficiências que restringem</p><p>ou inibem o desenvolvimento da pessoa. Estas de-</p><p>ficiências podem variar como doenças físicas e/ou</p><p>mentais, distúrbios genéticos e também podem ser</p><p>relacionados à competência da pessoa, ao conheci-</p><p>mento e às experiências adquiridas ao longo da vida</p><p>(LEME et al., 2016).</p><p>Demandas</p><p>Por fim, as Demandas contemplam as caracterís-</p><p>ticas da pessoa que estimulam ou desencorajam as</p><p>reações ao ambiente, o que pode contribuir, ou não,</p><p>para o aumento dos processos proximais (BRON-</p><p>FENBRENNER; MORRIS, 2006). Um exemplo de</p><p>como nossas características sofrem esta influência</p><p>são as questões de aparência física, idade, gênero e</p><p>etnia, que são influenciadas constantemente pelas</p><p>crenças, pelos valores e pelos papéis sociais estabele-</p><p>cidos pela cultura em que a pessoa vive.</p><p>48</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>CONTEXTO</p><p>Um dos componentes mais complexos de se compre-</p><p>ender é o Contexto, em que se dá o desenvolvimen-</p><p>to, composto por sistemas que são interdependen-</p><p>tes com denominações específicas: Microssistema,</p><p>Mesossistema, Exossistema, Macrossistema e Cro-</p><p>nossistema. De forma geral, Bronfenbrenner (2011)</p><p>assume que o desenvolvimento humano dá-se (ou é</p><p>resultado) tanto pelas relações de múltiplas pesso-</p><p>as em seus ambientes próximos, o que compreende,</p><p>neste caso, o Microssistema e o Mesossistema, quan-</p><p>to pelas influências de contextos remotos ou pelo</p><p>Exossistema e Macrossistema.</p><p>Para compreender os ambientes próximos, Bron-</p><p>fenbrenner (2011) descreve o Microssistema como o</p><p>contexto imediato em que a pessoa se desenvolve e</p><p>tem suas experiências diretas, como a família, a es-</p><p>cola (no caso de crianças) e o local de trabalho (para</p><p>os adultos). O Mesossistema constitui um conjunto</p><p>ou rede de microssistemas contendo as trocas de in-</p><p>terambientes, ou seja, as relações entre as famílias,</p><p>entre a família e a escola e/ou trabalho.</p><p>Com relação aos contextos externos, o autor de-</p><p>nomina o Exossistema como ambiente que não en-</p><p>volve a participação ativa da pessoa, mas, neste am-</p><p>biente, ocorrem atividades e elementos que afetam</p><p>a pessoa e, ao mesmo tempo, são afetados por ela.</p><p>Mais além, o Macrossistema pode ser compreendido</p><p>como a soma de todos os sistemas de ordem inferior</p><p>e que afetam indiretamente as relações interpessoais</p><p>e a qualidade de vida das pessoas (BRONFENBREN-</p><p>NER; MORRIS, 2006), envolvem os sistemas po-</p><p>lítico, econômico e educacional, as ideologias, os</p><p>valores e as crenças que são compartilhados pelos</p><p>membros da cultura (LEME et al., 2016).</p><p>TEMPO</p><p>O último dos sistemas considerados por Bron-</p><p>fenbrenner é o Cronossistema, que “é constituído</p><p>por mudanças ou estabilidades que ocorrem nas ca-</p><p>racterísticas biopsicológicas da pessoa ao longo do</p><p>seu curso de vida” (LEME et al., 2016, p. 185). No</p><p>modelo bioecológico, o conceito de Tempo foi am-</p><p>pliado para incluir o que acontece ao longo do tem-</p><p>po ontogenético e histórico (ROSA; TUDGE, 2013).</p><p>Operacionalmente, o modelo bioecológico pro-</p><p>põe métodos para avaliar os resultados de desenvol-</p><p>vimento que emergem como resultado da participa-</p><p>ção ativa dos quatro componentes do modelo PPCT:</p><p>Processo, Pessoa, Contexto e Tempo. No contexto</p><p>esportivo, esta é uma teoria de extrema valia, ten-</p><p>do em vista a possibilidade que elas nos fornece de</p><p>compreender o processo de desenvolvimento huma-</p><p>no sob a perspectiva de inter-relações dos elemen-</p><p>tos que são importantes desde o nascimento até as</p><p>idades mais avançadas (ROTHER; MEJIA, 2015). O</p><p>esporte pode ser classificado como um ambiente ou</p><p>um sistema em que os processos proximais ocorrem</p><p>ao longo do tempo e que, de alguma forma, causam</p><p>o desenvolvimento da pessoa.</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>49</p><p>50</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>Personalidade e Esporte</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>51</p><p>Após compreendermos como se dá o desenvolvi-</p><p>mento humano de forma geral, a partir dos conhe-</p><p>cimentos de Bronfenbrenner (2011), precisamos</p><p>detalhar algumas características individuais que</p><p>nos levam a compreender melhor alguns compor-</p><p>tamentos e atitudes das pessoas. Uma das carac-</p><p>terísticas mais discutidas e também mais contro-</p><p>versas é a personalidade, que, por si só, nos leva</p><p>à compreensão de que somos seres humanos. A</p><p>personalidade é a característica comum a todos os</p><p>seres humanos e o que nos diferencia dos demais</p><p>seres vivos.</p><p>Muito se ouve, no dia a dia, sobre o que é perso-</p><p>nalidade e, partindo para a literatura da Psicologia</p><p>do Esporte, Weinberg e Gould (2017) descrevem-na</p><p>como um conjunto de características de uma pessoa</p><p>que a faz única. Pensando nesse conjunto de carac-</p><p>terísticas, há diversas teorias e diversos instrumen-</p><p>tos que são utilizados para descrever este fenômeno</p><p>na vida do ser humano. As organizações esportivas</p><p>fazem esforços constantes para um desenvolvimen-</p><p>to dinâmico e o máximo de facilidades para manter</p><p>seus atletas, mas, apesar de todo este esforço, apenas</p><p>uma pequena parcela destes atletas chega ao topo</p><p>(KHAN et al., 2016).</p><p>É comum encontrarmos pesquisas no âmbito</p><p>esportivo que analisam a personalidade dentro de</p><p>padrões. Podemos considerar que as teorias que</p><p>compõem o que se conhece por Abordagem Traço</p><p>são muito utilizadas neste meio. Esta abordagem</p><p>pressupõe que as características principais da perso-</p><p>nalidade de uma pessoa são relativamente estáveis,</p><p>ou seja, os traços são permanentes e consistentes</p><p>em diversas situações. Um dos modelos mais aceitos</p><p>hoje é o dos cinco grandes fatores da personalidade,</p><p>conhecido também como Big 5 (ALLEN; GREEN-</p><p>LESS; JONES, 2013).</p><p>A razão para que os modelos da abordagem</p><p>traço sejam muito utilizados no contexto esportivo</p><p>circunda a necessidade de alguns treinadores e ges-</p><p>tores esportivos compreenderem quais atletas terão</p><p>sucesso, ou não, a partir de uma medida psicológica.</p><p>Este fato é muito completo, tendo em vista que as</p><p>características atuais de uma pessoa não determi-</p><p>nam o caminho que ela seguirá. O fato de um atleta</p><p>apresentar determinado traço psicológico que o pre-</p><p>disponha a se comportar de determinada maneira</p><p>não significa que isso ocorrerá em todas as situações</p><p>(WEINBERG; GOULD, 2017).</p><p>O Modelo Big 5 é composto por cinco diferentes</p><p>aspectos associados com o conceito de personalidade:</p><p>• Variação individual de um indivíduo sobre</p><p>o design evolucionário geral para a natureza</p><p>humana, expressa como um padrão em de-</p><p>senvolvimento de:</p><p>• Traços disposicionais.</p><p>• Adaptações características.</p><p>• Histórias de vida integrativas complexas e di-</p><p>ferencialmente situadas.</p><p>• Em cultura (LIDOR, 2014).</p><p>Baseados em teorias como esta, é possível verificar o</p><p>que se chama de “personalidade do esporte”, referên-</p><p>cia a atletas que possuem determinadas caracterís-</p><p>ticas e qualidades que os levam a se tornar grandes</p><p>atletas, como disciplina, inteligência de jogo, con-</p><p>trole emocional, motivação positiva, entre outros</p><p>(SAMULSKI, 2009).</p><p>A principal característica do modelo Big 5 é a</p><p>definição dos cinco traços de personalidade mais</p><p>amplos, chamados de Extroversão, Amabilidade,</p><p>Conscienciosidade, Neuroticismo e Abertura para</p><p>Experiências (GOMES; GOLINO, 2012). Vejamos</p><p>cada uma destas características como ilustradas</p><p>na Figura 2.</p><p>52</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>Alto</p><p>Busca de atenção.</p><p>Busca por excitação.</p><p>Alto</p><p>Credulidade.</p><p>Submissão.</p><p>Abnegação.</p><p>Alto</p><p>Perfeccionismo.</p><p>Workaholic.</p><p>Baixo</p><p>Frieza Isolada.</p><p>Retraimento social.</p><p>Anedonia.</p><p>Baixo</p><p>Grandiosidade.</p><p>Insensibilidade.</p><p>Desconfiança.</p><p>Baixo</p><p>Irresponsabilidade.</p><p>Distração.</p><p>Temeridade.</p><p>EXTROVERSÃO</p><p>Característica de pessoas consideradas expan-</p><p>sivas e focadas mais em valores externos que</p><p>internos. É muito presente em pessoas comuni-</p><p>cativas que se manifestam de forma livre e com</p><p>boa desenvoltura (GOMES; GOLINO, 2012). Pes-</p><p>soas com poucas características de extroversão</p><p>são comumente chamadas de introvertidas,</p><p>sendo mais voltadas para si mesmas e prefe-</p><p>rem experiências íntimas de si mesmas.</p><p>CONSCIENCIOSIDADE</p><p>Apresenta-se como uma característica muito</p><p>presente em pessoas que são confiáveis, res-</p><p>ponsáveis, organizadas e persistentes. Além</p><p>disso, as pesquisas mostram que pessoas com</p><p>esta característica são mais satisfeitas e com-</p><p>prometidas em seus relacionamentos (YANG;</p><p>JOWETT. CHAN, 2015).</p><p>AMABILIDADE</p><p>Amabilidade é a propensão de um indivíduo</p><p>a acatar a ideia dos outros, pois são mais co-</p><p>operativas, receptivas e confiáveis; um dos in-</p><p>teresses das pessoas com alta amabilidade é</p><p>justamente o bem-estar dos outros. O altruís-</p><p>mo representa-se como uma característica im-</p><p>portante nestas pessoas (NUNES et al., 2010).</p><p>Figura 2 - Big 5</p><p>Fonte: adaptado de Gomes e Golino (2012).</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>53</p><p>Alto</p><p>Destemor.</p><p>Estabilidade emocional.</p><p>Alto</p><p>Excentricidade.</p><p>Desregulação perceptiva.</p><p>Baixo</p><p>Insegurança.</p><p>Instabilidade emocional.</p><p>Vergonha</p><p>Baixo</p><p>Mente fechada.</p><p>Inflexível.</p><p>ABERTURA PARA EXPERIÊNCIAS</p><p>As pessoas fascinadas por novidades são</p><p>aquelas que, geralmente, são rotuladas de</p><p>abertas a novas experiências, são criativas,</p><p>curiosas e sensíveis do ponto de vista artísti-</p><p>co (NUNES; HUTZ, 2002). Esta abertura a ex-</p><p>periências leva o indivíduo à maior capacidade</p><p>de procurar caminhos alternativos, pensar em</p><p>novas formas e maneiras de enfrentar um de-</p><p>safio (GOMES; GOLINO, 2012).</p><p>ESTABILIDADE EMOCIONAL/</p><p>NEUROTICISMO</p><p>A principal característica de pessoas com es-</p><p>tabilidade emocional é a capacidade para li-</p><p>darem com as situações que lhe causam es-</p><p>tresse, com isso, apresentam pouca variação</p><p>de humor, tendo um padrão psíquico mais</p><p>constante (GOMES; GOLINO, 2012). São, ge-</p><p>ralmente, pessoas calmas, autoconfiantes,</p><p>seguras. Já o neuroticismo caracteriza as</p><p>pessoas com mais instabilidade emocional,</p><p>sendo estas mais ansiosas, deprimidas, ner-</p><p>vosas e inseguras.</p><p>54</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>Mais importante que compreender os traços de</p><p>personalidade do atleta é compreender todo o pro-</p><p>cesso em que ele está inserido, qual o contexto, qual</p><p>sua história e, principalmente, as relações que ele</p><p>estabelece no momento atual. Yang, Jowett e Chan</p><p>(2015) argumentam que, como o papel principal de</p><p>um treinador é apoiar e instruir os seus atletas, a</p><p>personalidade terá um efeito mínimo sobre os atle-</p><p>tas. O estudo descobriu que a personalidade dos</p><p>atletas determinava como seus treinadores viam a</p><p>qualidade do relacionamento, ao passo que a per-</p><p>sonalidade dos treinadores não tinha qualquer</p><p>efeito sobre a forma como os atletas viam a relação</p><p>treinador-atleta.</p><p>Além disso, o estilo de vínculo que se estabele-</p><p>ce também influencia as próprias percepções sobre</p><p>a qualidade do relacionamento na díade técnico-</p><p>-atleta, no entanto, apenas o estilo de vínculo dos</p><p>atletas influencia a percepção dos técnicos sobre a</p><p>qualidade dos relacionamentos (DAVIS; JOWETT,</p><p>2013). Por isso, a relação entre técnicos e atletas</p><p>deve ser uma das variáveis consideradas muito im-</p><p>portantes para o sucesso de um atleta ou de uma</p><p>equipe. As características de liderança serão estu-</p><p>dadas na Unidade IV.</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>55</p><p>56</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>Como já explorado nesta Unidade, as características</p><p>individuais são importantes no processo de desen-</p><p>volvimento humano. A personalidade é a principal</p><p>característica que nos caracteriza enquanto seres</p><p>humanos, e durante a carreira esportiva, muitas são</p><p>as situações em que os atletas são expostos, o que</p><p>auxilia no desenvolvimento de suas características.</p><p>Cada um, dentro de sua própria realidade, seja es-</p><p>porte de rendimento, seja esporte voltado para a</p><p>saúde e qualidade de vida, tem sua história e a cada</p><p>mudança, novos elementos são inseridos em seu re-</p><p>pertório humano (CIAMPA, 2009).</p><p>Considerando que o ambiente é um fator impor-</p><p>tante no desenvolvimento humano, há que se pensar</p><p>no contexto esportivo como uma ferramenta de de-</p><p>senvolvimento importantíssima para se vislumbrar</p><p>uma sociedade pautada em elementos das relações</p><p>humanas que levam ao bom convívio e ao respeito</p><p>mútuo. Autores como Piaget (2000) destacam que</p><p>todos são capazes de alguma ação considerada mo-</p><p>ral, e esta ação só é possível a partir das relações que</p><p>o sujeito estabelece com o meio em que habita. A</p><p>moral tende a se desenvolver paralelamente à cogni-</p><p>ção e à afetividade, e o autor considera três diferen-</p><p>tes momentos da vida do sujeito para explicar isso:</p><p>Anomia, Heteronomia e Autonomia.</p><p>Anomia caracteriza-se por ausência de consci-</p><p>ência moral, não sendo possível apresentar a noção</p><p>Desenvolvimento Psicológico</p><p>de Crianças e Adolescentes por</p><p>Meio do Esporte</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>57</p><p>de regra social ou de justiça. O segundo momento,</p><p>chamado Heteronomia, surge quando a criança já</p><p>é capaz de compreender, rudimentarmente, as re-</p><p>gras sociais e apresenta pouca noção de justiça. Já</p><p>o último momento, conhecido por Autonomia, é a</p><p>fase em que os adolescentes apresentam consciên-</p><p>cia de que as regras são importantes instrumentos</p><p>que regulam as relações sociais (FREITAS, 2002;</p><p>LELEUX, 2003).</p><p>A partir das discussões iniciais de Piaget, Kohl-</p><p>berg (1964, 1981, 1984) desenvolve suas ideias</p><p>empiricamente e sistematiza todo o conhecimen-</p><p>to sobre o desenvolvimento moral em estágios</p><p>sequenciais e organizados hierarquicamente. Ao</p><p>apresentar o conceito de “competência moral”,</p><p>Kohlberg (1964) explica como o sujeito tende a</p><p>agir, conscientemente, quando se depara com situ-</p><p>ações que envolvem aspectos morais. Por consciên-</p><p>cia moral entende-se que é a “capacidade de tomar</p><p>decisões e emitir juízos morais (baseados em prin-</p><p>cípios internos) e a agir de acordo com tais juízos”</p><p>(KOHLBERG, 1964, p. 425).</p><p>Kohlberg (1971) explica esses conceitos por</p><p>meio de três estágios de desenvolvimento moral</p><p>(Pré-Convencional, Convencional e Pós-Conven-</p><p>cional), e cada estágio é subdividido em dois níveis,</p><p>como descritos a seguir:</p><p>58</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>Estágios do Desenvolvimento Níveis de Consciência Moral Noção de Justiça</p><p>Pré-Convencional 1. Orientação</p><p>“Punição-obediência”</p><p>Ordem Social</p><p>Os mais fracos devem obediência</p><p>aos mais fortes.</p><p>Nível 1: Orientação “punição-obediência”</p><p>Uma ação é considerada boa ou má a partir das consequências físicas que ela gera. As crianças neste nível ainda</p><p>não conseguem realizar operações mentais concretas no sentido de reversibilidade, ou seja, no sentido da reci-</p><p>procidade lógica. A justiça é compreendida no sentido de uma ordem social, castigo, punição (HABERMAS, 1990).</p><p>A criança é capaz de responder</p><p>a regras culturais, noção de</p><p>bom e mau, certo e errado.</p><p>Nível 2: Orientação instrumental-relativista</p><p>Todas as ações que satisfazem instrumentalmente as próprias necessidades (e ocasionalmente a necessidade</p><p>dos outros) são consideradas ações justas. A noção de reversibilidade lógica já está presente e pode ser ilus-</p><p>trada no seguinte ponto: “tu te inclinas a mim e eu me inclino a ti” (HABERMAS, 1990, p. 60).</p><p>2. Orientação</p><p>instrumental-relativista</p><p>Polidez</p><p>Troca de agrados ou ofensas. Tratar</p><p>os outros como eles lhe tratam.</p><p>Convencional 3. Orientação “Bom moço” Compreensão da regra de outro</p><p>Reflexão sobre o role taking.</p><p>Nível 3: Orientação “bom moço”</p><p>O comportamento que agrada aos outros é considerado o ideal e adequado. As pessoas consideradas autori-</p><p>dades e as instituições reconhecidas socialmente são importantes, pois as regras e convenções determinadas</p><p>por elas embasam aquilo que é correto e moral. Este é o estágio em que o sujeito pode assumir uma função</p><p>(role taking) ou diferentes papéis (APEL, 1994).</p><p>As crianças neste estágio</p><p>demonstram como é</p><p>importante satisfazer as</p><p>expectativas da família ou do</p><p>grupo social pertencente.</p><p>Nível 4: Orientação “lei e ordem”</p><p>Neste nível, observa-se uma orientação no sentido de autoridade, de papéis fixos e de manutenção da ordem</p><p>social (HABERMAS, 1990). A manutenção da ordem social é considerada a principal forma de perspectiva moral</p><p>(BATAGLIA; MORAIS; LEPRE, 2010).4. Orientação “Lei e Ordem” Perspectiva de</p><p>manutenção da lei e da ordem</p><p>Pós-Convencional 5. Orientação Legalismo</p><p>social-contratual</p><p>Princípio racional de</p><p>legitimação do direito</p><p>Nível 5: Orientação Legalismo social-contratual</p><p>Principal característica deste nível é o princípio do contrato social e dos direitos à vida e à liberdade, uma ação</p><p>justa é aquela que é definida em termos de direitos individuais gerais e padrões examinados pela sociedade</p><p>(BATAGLIA; MORAIS; LEPRE, 2010). Mas é preciso considerar que alguns direitos e valores são considerados re-</p><p>lativos, ou seja, devem ser sustentados por toda a sociedade, independente da opinião da maioria, neste caso,</p><p>estamos falando de vida e liberdade (LELEUX, 2003).</p><p>Principal característica deste</p><p>estágio é o sujeito agir de</p><p>acordo com os princípios</p><p>morais universais, baseados na</p><p>reciprocidade e igualdade.</p><p>Nível 6: Orientação no sentido de princípios éticos universais</p><p>Nível de desenvolvimento moral em que está presente o conceito de competência de juízo moral, além dos</p><p>conceitos de reversibilidade e universalidade. Neste período, justo é aquilo que é definido pela decisão que é</p><p>tomada de forma autônoma, baseada na consciência, de acordo com os princípios éticos (KOHLBERG, 1964).</p><p>Considera-se ainda que, neste nível de desenvolvimento moral, estejam presentes os princípios éticos univer-</p><p>sais de justiça (igualdade de valores) válidos pela humanidade.</p><p>6. Orientação no sentido de</p><p>princípios éticos universais Moral point of view</p><p>Quadro 1 - Etapas do desenvolvimento moral segundo Kohlberg</p><p>Fonte: Kohlberg (1971, 1976, 1981).</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>59</p><p>Estágios do Desenvolvimento Níveis de Consciência Moral Noção de Justiça</p><p>Pré-Convencional 1. Orientação</p><p>“Punição-obediência”</p><p>Ordem Social</p><p>Os mais fracos devem obediência</p><p>aos mais fortes.</p><p>Nível 1: Orientação “punição-obediência”</p><p>Uma ação é considerada boa ou má a partir das consequências físicas que ela gera. As crianças neste nível ainda</p><p>não conseguem realizar operações mentais concretas no sentido de reversibilidade, ou seja, no sentido da reci-</p><p>procidade lógica. A justiça é compreendida no sentido de uma ordem social, castigo, punição (HABERMAS, 1990).</p><p>A criança é capaz de responder</p><p>a regras culturais, noção de</p><p>bom e mau, certo e errado.</p><p>Nível 2: Orientação instrumental-relativista</p><p>Todas as ações que satisfazem instrumentalmente as próprias necessidades (e ocasionalmente a necessidade</p><p>dos outros) são consideradas ações justas. A noção de reversibilidade lógica já está presente e pode ser ilus-</p><p>trada no seguinte ponto: “tu te inclinas a mim e eu me inclino a ti” (HABERMAS, 1990, p. 60).</p><p>2. Orientação</p><p>instrumental-relativista</p><p>Polidez</p><p>Troca de agrados ou ofensas. Tratar</p><p>os outros como eles lhe tratam.</p><p>Convencional 3. Orientação “Bom moço” Compreensão da regra de outro</p><p>Reflexão sobre o role taking.</p><p>Nível 3: Orientação “bom moço”</p><p>O comportamento que agrada aos outros é considerado o ideal e adequado. As pessoas consideradas autori-</p><p>dades e as instituições reconhecidas socialmente são importantes, pois as regras e convenções determinadas</p><p>por elas embasam aquilo que é correto e moral. Este é o estágio em que o sujeito pode assumir uma função</p><p>(role taking) ou diferentes papéis (APEL, 1994).</p><p>As crianças neste estágio</p><p>demonstram como é</p><p>importante satisfazer as</p><p>expectativas da família ou do</p><p>grupo social pertencente.</p><p>Nível 4: Orientação “lei e ordem”</p><p>Neste nível, observa-se uma orientação no sentido de autoridade, de papéis fixos e de manutenção da ordem</p><p>social (HABERMAS, 1990). A manutenção da ordem social é considerada a principal forma de perspectiva moral</p><p>(BATAGLIA; MORAIS; LEPRE, 2010).4. Orientação “Lei e Ordem” Perspectiva de</p><p>manutenção da lei e da ordem</p><p>Pós-Convencional 5. Orientação Legalismo</p><p>social-contratual</p><p>Princípio racional de</p><p>legitimação do direito</p><p>Nível 5: Orientação Legalismo social-contratual</p><p>Principal característica deste nível é o princípio do contrato social e dos direitos à vida e à liberdade, uma ação</p><p>justa é aquela que é definida em termos de direitos individuais gerais e padrões examinados pela sociedade</p><p>(BATAGLIA; MORAIS; LEPRE, 2010). Mas é preciso considerar que alguns direitos e valores são considerados re-</p><p>lativos, ou seja, devem ser sustentados por toda a sociedade, independente da opinião da maioria, neste caso,</p><p>estamos falando de vida e liberdade (LELEUX, 2003).</p><p>Principal característica deste</p><p>estágio é o sujeito agir de</p><p>acordo com os princípios</p><p>morais universais, baseados na</p><p>reciprocidade e igualdade.</p><p>Nível 6: Orientação no sentido de princípios éticos universais</p><p>Nível de desenvolvimento moral em que está presente o conceito de competência de juízo moral, além dos</p><p>conceitos de reversibilidade e universalidade. Neste período, justo é aquilo que é definido pela decisão que é</p><p>tomada de forma autônoma, baseada na consciência, de acordo com os princípios éticos (KOHLBERG, 1964).</p><p>Considera-se ainda que, neste nível de desenvolvimento moral, estejam presentes os princípios éticos univer-</p><p>sais de justiça (igualdade de valores) válidos pela humanidade.</p><p>6. Orientação no sentido de</p><p>princípios éticos universais Moral point of view</p><p>60</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>Toda esta discussão teórica sobre moral tem sua</p><p>base na Filosofia, mas, no contexto esportivo, estes</p><p>aspectos são abordados com base na compreensão</p><p>dos comportamentos de seus membros, sendo eles</p><p>atletas, treinadores e demais profissionais envol-</p><p>vidos neste campo de atuação. Os estudos sobre</p><p>agressividade no esporte (BREDEMEIER, 1994;</p><p>GUIVERNAU; DUDA, 2002) são importantes para</p><p>auxiliar no trabalho com crianças e adolescentes que</p><p>iniciam sua prática esportiva e estão inseridos</p><p>em</p><p>um contexto que pode proporcionar um desenvol-</p><p>vimento global mais inclinado à competência moral</p><p>(WEINBERG; GOULD, 2017).</p><p>Mais recentemente, os estudos sobre desen-</p><p>volvimento moral por meio do esporte têm au-</p><p>mentado e abordam variáveis distintas, mas que</p><p>se relacionam com a temática, por exemplo, o fun-</p><p>cionamento moral (KAVUSSANU; ROBERTS;</p><p>NTOUMANIS, 2002; KAVUSSANU; SPRAY,</p><p>2006), julgamento moral (PROIOS; DOGANIS,</p><p>2006) e comportamento moral (BOARDLEY; JA-</p><p>CKSON, 2012). Com o avanço do esporte nos</p><p>últimos anos, é importante que as pesquisas tam-</p><p>bém se direcionem a investigar elementos que</p><p>possam sofrer influência dessa velocidade de de-</p><p>senvolvimento, pois as relações humanas necessi-</p><p>tam de elementos teóricos para auxiliar seu per-</p><p>curso, tendo em vista que o ser humano está em</p><p>constante mudança.</p><p>Permanecer no contexto esportivo pode ser um</p><p>elemento facilitador do desenvolvimento moral do</p><p>sujeito. Quanto mais o sujeito percebe que é capaz</p><p>de satisfazer suas necessidades de autonomia com</p><p>a prática esportiva, maiores as chances deste emitir</p><p>orientações morais positivas em relação à prática.</p><p>O desenvolvimento moral é um elemento do de-</p><p>senvolvimento da personalidade do sujeito, e com-</p><p>portamentos baseados em autonomia podem ser</p><p>considerados resultados de maturação e descen-</p><p>tralização do eu e do grupo (HABERMAS, 1990),</p><p>características que podem ser facilitadas pelo en-</p><p>volvimento no esporte.</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>61</p><p>62</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>Desenvolvimento da</p><p>Carreira Esportiva</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>63</p><p>Feitas as considerações sobre como o contexto esportivo pode</p><p>ser um caminho importante para o desenvolvimento geral do</p><p>ser humano, precisamos discutir sobre como um atleta desen-</p><p>volve-se, desde o início de sua carreira até sua aposentadoria.</p><p>Nem todas as crianças e os adolescentes que se inserem no con-</p><p>texto esportivo chegarão a ser atletas profissionais, mas aqueles</p><p>que o fazem, o fazem baseados em alguns pontos importantes</p><p>que precisam ser discutidos. Muitas teorias surgiram ao longo</p><p>do tempo para explicar este desenvolvimento esportivo, e aqui</p><p>discutiremos a desenvolvida por Wylleman e Lavallee (2004),</p><p>que avaliam os processos cognitivos, emocionais e sociais vivi-</p><p>dos pelos atletas de rendimento durante todo o processo.</p><p>Tendo em vista que, geralmente, as crianças iniciam a prá-</p><p>tica esportiva baseada no lúdico, na brincadeira e sem consi-</p><p>derar a hipótese de se tornar um atleta profissional, falar em</p><p>planejamento da carreira não é simples. Este planejamento</p><p>deve ser baseado nas características pessoais (aspectos cogni-</p><p>tivo, emocional e comportamental), nos níveis de escolarida-</p><p>de, nos aspectos socioeconômicos e no tipo de apoio social</p><p>recebido (SAMULSKI; MARQUES, 2009).</p><p>Como dito, é preciso pensar na carreira esportiva base-</p><p>ando-se em fases que possam ilustrar cada momento percor-</p><p>rido. A maioria das crianças praticam alguma modalidade</p><p>esportiva, principalmente para se divertir, mas também por-</p><p>que algumas já sabem que pode fazer bem, melhorar suas ha-</p><p>bilidades físicas e cognitivas e para poder permanecer mais</p><p>tempo com os amigos, a razão social para praticar um esporte</p><p>(WEINBERG; GOULD, 2017).</p><p>Wylleman e Lavallee (2004) apresentam um modelo de de-</p><p>senvolvimento da carreira esportiva baseado em quatro fases:</p><p>Fase de Iniciação, Fase de Desenvolvimento, Fase de Excelência</p><p>e Fase de Aposentadoria. Cada fase tem sua própria caracterís-</p><p>tica e está baseada no nível de exigência esportiva. Este mode-</p><p>lo pode ser representado no Quadro 1 e leva em consideração</p><p>tanto as questões essencialmente esportivas quanto questões de</p><p>ordem psicológica, psicossocial e escolaridade.</p><p>64</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>Considerada uma das fases mais complicadas, a aposentadoria representa uma diminuição do en-</p><p>volvimento do atleta em treinamentos e competições esportivas. Esta diminuição é experienciada de</p><p>forma gradual, mas cada atleta terá seu momento individual (SAMULSKI; MARQUES, 2009). Esta fase</p><p>de aposentadoria pode ocorrer por volta dos 35 anos de idade e se estender até os 40, dependendo da</p><p>modalidade e do atleta (SATAMBULOVA; WYLLEMAN, 2014).</p><p>Esta fase é característica de crianças que se envolvem em atividades</p><p>esportivas com o intuito principal de se divertir. As atividades lúdi-</p><p>cas sem preocupação com a performance é o principal ponto a ser</p><p>observado. O local onde as crianças se inserem são as escolinhas</p><p>esportivas de diversas modalidades, além das brincadeiras de</p><p>rua (SAMULSKI; MARQUES, 2009). Esta fase de iniciação pode</p><p>compreender dos 6-7 anos até os 12-13 anos de idade (SATAM-</p><p>BULOVA; WYLLEMAN, 2014).</p><p>Após a fase de iniciação, em que as brinca-</p><p>deiras reinam como principais atividades, os</p><p>adolescentes começam a se identificar com</p><p>uma prática mais específica. Nesta fase,</p><p>geralmente optam por uma determinada</p><p>modalidade esportiva e passam a partici-</p><p>par de competições regulares, e o nível de</p><p>comprometimento passa a ser crescente,</p><p>demandando maior organização (SAMULSKI;</p><p>MARQUES, 2009). Esta fase de desenvolvimento</p><p>pode compreender dos 12-13 anos até os 18-19 anos</p><p>de idade (SATAMBULOVA; WYLLEMAN, 2014).</p><p>Com a dedicação mais específica em uma modalidade esportiva, é possível</p><p>que os atletas venham a se tornar profissionais e assumam o desejo de</p><p>investir em sua carreira esportiva. O seu estilo de vida passa a ser muito</p><p>dedicado à performance esportiva (SAMULSKI; MARQUES, 2009). Esta fase</p><p>de excelência é considerada a mais extensa da carreira esportiva e pode compreender</p><p>dos 18-19 anos até os 35-40 anos de idade (SATAMBULOVA; WYLLEMAN, 2014).</p><p>DESENVOLVIMENTO DA</p><p>CARREIRA ESPORTIVA</p><p>FASE DE INICIAÇÃO</p><p>FASE DE DESENVOLVIMENTO</p><p>FASE DE EXCELÊNCIA</p><p>FASE DE APOSENTADORIA</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>65</p><p>A transição para o esporte induz a uma mu-</p><p>dança de identidade para o atleta. Ao pôr</p><p>fim à sua carreira esportiva, um atleta perde</p><p>uma parte importante de si mesmo, espe-</p><p>cialmente, se treinar e competir um esporte</p><p>por grande parte da sua vida. Isso pode se</p><p>aplicar ao atleta jovem que não competirá</p><p>na faculdade, ao colegiado que não competir</p><p>profissionalmente e ao atleta profissional</p><p>que estiver se aposentando. Como os atletas</p><p>gastam muito tempo treinando e se dedi-</p><p>cando ao esporte, eles têm pouco tempo</p><p>para explorar outras atividades ou carreiras.</p><p>Isso leva ao fechamento de identidade e a</p><p>uma forte identidade atlética, associada à</p><p>dificuldade de adaptação, após o término</p><p>da carreira esportiva.</p><p>Fonte: Murphy, Petitpas e Brewer (1996).</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Quadro 2 - Características do modelo de desenvolvimento da carreira esportiva</p><p>Fonte: Samulski e Marques (2009).</p><p>Nota: As linhas tracejadas indicam que a idade em que acontece a transição é aproximada.</p><p>Idade 10 15 20 25 30 35</p><p>Fase de carreira</p><p>esportiva Iniciação</p><p>Desenvolvi-</p><p>mento</p><p>Excelência Aposentadoria</p><p>Nível psicológico Infância Adolescência Idade Adulta</p><p>Nível psicossocial Pais, irmãos,</p><p>amigos</p><p>Amigos,</p><p>treinador, pais</p><p>Parceiro(a), treinador Parceiro(a) família</p><p>Escolaridade Ensino</p><p>fundamental</p><p>Ensino</p><p>médio</p><p>Ensino superior Ocupação profissional</p><p>Como vimos, cada uma destas fases tem suas carac-</p><p>terísticas específicas e, de acordo com a Figura 3, é</p><p>possível observar que estas fases da carreira esportiva</p><p>ocorrem, concomitantemente, a outras fases de de-</p><p>senvolvimento, como o desenvolvimento psicológico,</p><p>o desenvolvimento psicossocial e a escolaridade. Isso</p><p>demonstra que a carreira de um atleta precisa ser ob-</p><p>servada para além das questões esportivas, e é preciso</p><p>compreender que não basta focar apenas em como ele</p><p>se desenvolve como atleta, mas também como um ser</p><p>humano (SAMULSKI; MARQUES, 2009). As transi-</p><p>ções que ocorrem de uma fase para outra são resul-</p><p>tados de diversos fatores, tanto individuais quanto</p><p>sociais, e a qualidade destas transições também de-</p><p>pende dos fatores de adaptação dos atletas em cada</p><p>uma das fases, como as experiências de desenvolvi-</p><p>mento, a identidade, a robustez mental, a percepção</p><p>de controle,</p><p>as estratégias de adaptação e o apoio so-</p><p>cial que deve durar desde o início até a aposentadoria</p><p>(BRANDÃO et al., 2000).</p><p>66</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>Pensar na carreira esportiva baseada nestas fases</p><p>é considerar uma carreira com transições chamadas</p><p>normativas. Esta Transição Esportiva Normativa é re-</p><p>lativamente previsível, segundo a lógica do desenvol-</p><p>vimento esportivo, seguindo padrões de organização</p><p>esportiva e sem levar em consideração aspectos que</p><p>possam atrapalhar este desenvolvimento (STAMBU-</p><p>LOVA, 2014). Mas é preciso pensar também nas Tran-</p><p>sições Esportivas Não-Normativas, que são menos</p><p>previsíveis e estão relacionadas às questões esportivas,</p><p>como lesões, mudanças de clube, perda de patrocínio</p><p>e também a questões não esportivas da vida do atleta,</p><p>que envolvem a separação dos familiares, insucesso</p><p>nos estudos, problemas financeiros e relacionamentos</p><p>afetivos (SAMULSKI; MARQUES, 2009).</p><p>O apoio social e emocional ao atleta é de ex-</p><p>trema importância nos momentos de transi-</p><p>ção de carreira.</p><p>(Geraldine M. Murphy)</p><p>REFLITA</p><p>Pensar nas etapas que um atleta pode passar ao longo</p><p>de sua vida é de extrema importância, principalmente,</p><p>porque, como vimos, há fatores que são mais previsí-</p><p>veis e os que são menos previsíveis. O grande desafio</p><p>desta temática e da prática é pensar no atleta a partir de</p><p>seu desenvolvimento biopsicossocial e estar atento aos</p><p>elementos que podem, de alguma maneira, influenciar</p><p>a transição de uma fase a outra. O trabalho realizado</p><p>a partir da integração de diversos profissionais, como</p><p>psicólogos, profissionais de Educação Física, especia-</p><p>listas em Administração e Marketing Esportivo pode</p><p>facilitar a possibilidade de diminuir os fatores que pos-</p><p>sam por ventura prejudicar o andamento da carreir</p><p>67</p><p>considerações finais</p><p>Chegamos ao final da nossa Unidade II da disciplina de Psicologia do Esporte e</p><p>do Exercício, em que começamos a compreender um pouco mais sobre as carac-</p><p>terísticas específicas das pessoas que estão envolvidas no contexto esportivo, no</p><p>caso, os atletas.</p><p>Discutimos, aqui, quatro pontos que são essenciais para compreendermos</p><p>um pouco do que ocorre no desenvolvimento humano, baseando nossas discus-</p><p>sões no contexto esportivo. Pensar no desenvolvimento humano é pensar em</p><p>quais características são importantes neste momento e, para isso, utilizamos uma</p><p>das teorias que nos levam a pensar de forma global este processo, a Teoria Bioe-</p><p>cológica do Desenvolvimento Humano de Bronfenbrenner.</p><p>Bronfenbrenner faz-nos pensar em como nossa vida vai se desenvolvendo em</p><p>algumas etapas e em relações que vamos assumindo ao longo do tempo. Mas, in-</p><p>dividualmente, é a personalidade que começa a ser importante, pois é o conjunto</p><p>de características que adquirimos ao longo do tempo, a partir de características</p><p>próprias e também de elementos de fora que são internalizados, do ambiente, das</p><p>relações que estabelecemos.</p><p>Ao entrarmos, especificamente, no contexto esportivo, vimos como ocorre</p><p>o desenvolvimento psicológico de crianças e adolescentes por meio do espor-</p><p>te, assumindo que o esporte pode ser um ótimo contexto para se adquirir ca-</p><p>racterísticas psicológicas e comportamentais positivas. Já, quando o assunto é</p><p>esporte profissional, o desenvolvimento da carreira bem estabelecido torna-se</p><p>fundamental para que o atleta possa realizar suas transições de fase de forma</p><p>saudável até chegar a uma aposentadoria baseada em bons desempenhos e bons</p><p>relacionamentos dentro do esporte.</p><p>A partir destes elementos, o objetivo é levar a você, aluno(a), um pouco da</p><p>compreensão de como as características individuais são importantes para o de-</p><p>senvolvimento humano e também para o desenvolvimento esportivo, seja no</p><p>contexto esportivo profissional, seja no contexto esportivo voltado para a quali-</p><p>dade de vida e que contribui para o desenvolvimento humano.</p><p>68</p><p>atividades de estudo</p><p>1. As transições de carreira são elementos importantes para se compreender</p><p>como o atleta reage às mudanças que ocorrem ao longo de sua vida. A fase</p><p>de aposentadoria é considerada uma das mais complexas, tendo em vista</p><p>que muitos atletas não se preparam para ela, e pode apresentar aspectos</p><p>que dificultam a finalização saudável desta carreira esportiva. Considerando</p><p>esta fase de aposentadoria, assinale a alternativa que contém indicadores</p><p>deste processo mal elaborado:</p><p>a) Dificuldade de desenvolver um novo papel social.</p><p>b) Proximidade entre nível de aspiração e nível de habilidade.</p><p>c) Relacionamentos de apoio ilimitados.</p><p>d) Experiência prévia com situação de perda.</p><p>e) Apoio das instituições esportivas para a superação desse momento.</p><p>2. A palavra personalidade tem origem no latim persona, que se referia a uma</p><p>máscara teatral usada pelos atores romanos, nas encenações. Esses atores</p><p>antigos usavam máscara, que representava o papel em que se projetava este</p><p>“falso eu”. Sobre a personalidade, analise as afirmativas a seguir:</p><p>I - Por personalidade, os psicólogos contemporâneos querem referir-se</p><p>àqueles padrões relativamente consistentes e duradouros de percep-</p><p>ção, pensamento, sentimento e comportamento que dão às pessoas</p><p>identidade distinta.</p><p>II - Personalidade é o padrão de características constantes que produzem</p><p>consistência e individualidade em determinada pessoa.</p><p>III - A personalidade não pode ser vista como uma integração ou totalida-</p><p>de complexa e dinâmica, moldada por muitas forças.</p><p>Assinale a alternativa correta:</p><p>a) Apenas a afirmativa I é correta.</p><p>b) Apenas a afirmativa II é correta.</p><p>c) Apenas a afirmativa III é correta.</p><p>d) Apenas as afirmativas I e II são corretas.</p><p>e) Todas as afirmativas estão corretas.</p><p>69</p><p>atividades de estudo</p><p>3. Como abordamos, a personalidade é um aspecto do ser humano que lhe</p><p>garante individualidade e permite que sejamos considerados únicos. O mo-</p><p>delo Big 5 da personalidade tem sido um dos mais utilizados em diversos</p><p>contextos, inclusive, no esportivo. Segundo o modelo dos fatores, são cinco</p><p>as dimensões básicas da personalidade: Extroversão, Amabilidade, Conscien-</p><p>ciosidade, Estabilidade Emocional (ou neurose) e Abertura para Experiências.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a definição correta do fator Extroversão:</p><p>a) Propensão de um indivíduo para acatar a ideia dos outros. As pessoas</p><p>com esta característica são cooperativas, receptivas e confiáveis.</p><p>b) Uma pessoa com esta característica é responsável, organizada, confiá-</p><p>vel e persistente.</p><p>c) Refere-se à capacidade de uma pessoa para lidar com o estresse. As</p><p>pessoas com esta característica costumam ser calmas, autoconfiantes</p><p>e seguras.</p><p>d) Refere-se aos interesses de uma pessoa e ao seu fascínio por novida-</p><p>des. Pessoas com esta característica são criativas, curiosas e sensíveis</p><p>artisticamente.</p><p>e) Nível de conforto de uma pessoa com seus relacionamentos. As pessoas</p><p>com esta característica costumam ser agregadoras, assertivas e sociáveis.</p><p>4. A carreira esportiva de um atleta envolve diferentes fases. As fases da carreira</p><p>esportiva de um atleta podem estar associadas à progressão pelas categorias</p><p>de um determinado esporte, ou, conforme o modelo de Wylleman e Lavallee</p><p>(2004), podem estar associadas ao nível de exigência esportiva. Discorra sobre</p><p>as quatro fases da carreira esportiva, segundo o modelo de Wylleman e Lavallee</p><p>(2004).</p><p>5. Em seu livro, Weinberg e Gould (2017) apresentam resultados de uma pes-</p><p>quisa de Ewing e Seefeldt (1996) realizada nos Estados Unidos com aproxima-</p><p>damente 8 mil crianças (49% meninos, 51% meninas) envolvidas em esportes</p><p>patrocinados tanto na escola como após a escola. O objetivo era saber quais</p><p>motivos levavam-nas a praticar a modalidade em que estavam envolvidas.</p><p>Baseado neste estudo e em suas experiências com o contexto esportivo, ex-</p><p>plique as principais razões que as crianças citam para a participação ou de-</p><p>sistência no esporte.</p><p>70</p><p>LEITURA</p><p>COMPLEMENTAR</p><p>Os estudos sobre o desenvolvimento e as transições da carreira esportiva começaram</p><p>a aparecer na década de 60, e vêm demonstrando aumento</p><p>substancial tanto em sua</p><p>quantidade quanto em sua qualidade, especialmente a partir do fim da década de 80,</p><p>período em que começaram a se manifestar determinadas mudanças nos focos de</p><p>pesquisa, nos quadros teóricos e na atenção aos fatores contextuais que caracterizam</p><p>a evolução do tema. No campo da Psicologia do Esporte, o conceito de transição na</p><p>carreira esportiva foi introduzido com interesse especial no estudo de como (ex)atletas</p><p>enfrentavam a aposentadoria do esporte competitivo.</p><p>As transições correspondem às mudanças ocorridas durante o processo de desenvolvi-</p><p>mento da carreira esportiva do atleta, podendo ser caracterizadas como normativas ou</p><p>não normativas. As transições normativas são relativamente previsíveis e possibilitam</p><p>a ocorrência de oportunidades que preparam os atletas para lidarem com elas ante-</p><p>cipadamente e mais facilmente, pois são, geralmente, de natureza mais estrutural e</p><p>organizacional. As transições não normativas, por sua vez, são menos previsíveis, pois</p><p>ocorrem de forma inesperada e, consequentemente, caracterizam-se como as mais di-</p><p>fíceis de se lidar.</p><p>No domínio esportivo, enquanto as transições não normativas correspondem às tran-</p><p>sições causadas por fatores como lesões, overtraining, mudança de equipes, clubes,</p><p>treinadores ou companheiros de equipe, as transições normativas incluem as do início</p><p>da especialização esportiva para o treinamento intensivo das categorias de base para</p><p>a categoria adulta ou, ainda, do esporte amador para o profissional e da carreira ativa</p><p>para a aposentadoria esportiva, as quais apresentam características próprias que exi-</p><p>gem algum tipo de ajustamento dos esportistas.</p><p>As transições não esportivas, por sua vez, exigem que os atletas aprendam a lidar com</p><p>mudanças em nível psicológico (passagem da infância para adolescência; da adoles-</p><p>cência para idade adulta), psicossocial (mudanças significativas nos agentes sociais à</p><p>medida que eles amadurecem), acadêmico ou profissional (mudanças educacionais e</p><p>vocacionais).</p><p>Fonte: Folle et al. (2016).</p><p>71</p><p>material complementar</p><p>Desenvolvimento de Treinadores e Atletas: Pedagogia do Esporte</p><p>(Volume 1)</p><p>Larissa Rafaela Galatti, Alcides José Scaglia, Paulo Cesar Montagner, Roberto Rodri-</p><p>gues Paes (Editores)</p><p>Editora: Unicamp</p><p>Sinopse: são múltiplos os caminhos para o desenvolvimento de um atleta. O mes-</p><p>mo se passa para que um treinador alcance o nível de excelência no seu contexto</p><p>de atuação. Em ambos os casos, trata-se de um processo em longo prazo, in-</p><p>fluenciado por múltiplos fatores de diferentes naturezas; são caminhos reflexivos,</p><p>com momentos com e sem mediação de outros agentes. No livro Desenvolvimento</p><p>de treinadores e atletas: Pedagogia do esporte, vol. 1, esses processos são apre-</p><p>sentados, levando-nos a refletir sobre procedimentos pedagógicos e pesquisas</p><p>aplicadas que venham a contribuir para um melhor desenvolvimento de dois dos</p><p>principais agentes do contexto esportivo: atletas e treinadores. Para tal, a obra</p><p>reúne 12 capítulos de respeitados autores do tema do Brasil, do Canadá, do Chile</p><p>e da Espanha, lançando-se como livro de referência para os treinadores, atletas,</p><p>professores e pesquisadores envolvidos neste complexo universo.</p><p>Indicação para Ler</p><p>72</p><p>referências</p><p>ALLEN, M. S.; GREENLESS, I.; JONES, M. Persona-</p><p>lity in sport: A comprehensive review. International</p><p>Review of Sport and Exercise Psychology, v. 6, n. 1,</p><p>p. 184-208, 2013.</p><p>ALVES, F. R. Fatores motivacionais para a prática de</p><p>futsal em adolescentes entre 11 e 17 anos. Revista</p><p>Brasileira de Futsal e Futebol, Edição Especial: Pe-</p><p>dagogia do Esporte, São Paulo, v. 7, n. 27, p. 579-585,</p><p>2015.</p><p>APEL, K. O. Estudos de moral moderna. Petrópolis:</p><p>Vozes, 1994.</p><p>BATAGLIA, P. U. R.; MORAIS, A.; LEPRE, R. M. A</p><p>teoria de Kohlberg sobre o desenvolvimento do ra-</p><p>ciocínio moral e os instrumentos de avaliação de ju-</p><p>ízo e competência moral em uso no Brasil. Estudos</p><p>de Psicologia, v. 15, n. 1, p. 25-32, jan./abr. 2010.</p><p>BOARDLEY, I. D.; JACKSON, B. When teammates</p><p>are viewed as rivals: a cross-national investigation</p><p>of achievement goals and intrateam moral behavior.</p><p>Journal of Sport & Exercise Psychology, v. 34, n. 4,</p><p>p. 503 - 524, 2012.</p><p>BRANDÃO, M. R. F.; AKEL, M. C.; ANDRADE, S.</p><p>A.; GUISELINI, M. A. N.; MARTINI, L. A.; NAS-</p><p>TÁS, M. A. Causas e conseqüências da transição de</p><p>carreira esportiva: uma revisão de literatura. Revista</p><p>Brasileira de Ciência e Movimento, v. 8, n. 1, p. 49-</p><p>58, 2000.</p><p>BREDEMEIER, B. J. L. Children’s moral reasoning</p><p>and their assertive, aggressive, and submissive ten-</p><p>dencies in sport and daily life. Journal of Sport &</p><p>Exercise Psychology, v. 16, n. 1, p. 1-14, 1994.</p><p>BRONFENBRENNER, U. Bioecologia do Desenvol-</p><p>vimento Humano: tornando os seres humanos mais</p><p>humanos. Porto Alegre: Artmed, 2011.</p><p>BRONFENBRENNER, U.; MORRIS, P. A. The bio-</p><p>ecological model of human development. In: DA-</p><p>MON, W.; LERNER, R. M. Handbook of child psy-</p><p>chology: Theoretical models of human development.</p><p>New York: Wiley, 2006. p. 793-828.</p><p>CIAMPA, A. C. (1987). A estória do Severino e a</p><p>história da Severina: um ensaio de Psicologia Social.</p><p>São Paulo: Brasiliense, 2009.</p><p>DAVIS, L.; JOWETT, S. An attachment theory pers-</p><p>pective in the examination of relational processes as-</p><p>sociated with coach–athlete dyads. Journal of Sport</p><p>and Exercise Psychology, n. 35, v. 2, p. 156-167,</p><p>2013.</p><p>FREITAS, L. B. L. Piaget e a consciência mora l- um</p><p>kantismo evolutivo? Psicologia Reflexão e Crítica, v.</p><p>15, n. 2, p. 303-308, 2002.</p><p>FOLLE, A.; COLLET, C.; SALLES, W. N.; NASCI-</p><p>MENTO, J. V. Transições no processo de desenvol-</p><p>vimento de atletas do basquetebol feminino. Revista</p><p>Brasileira de Educação Física e Esporte, São Paulo.</p><p>v. 30, n. 2, p. 477-490, abr./jun. 2016.</p><p>GOMES, C. M. A.; GOLINO, H. F. Relações Hierár-</p><p>quicas entre os Traços Amplos do Big Five. Psicolo-</p><p>gia: Reflexão e Crítica, v. 25, n. 3, p. 445-456, 2012.</p><p>GUIVERNAU, M.; DUDA, J. L. Moral atmosphere</p><p>and athletic aggressive tendencies in young soccer</p><p>players. 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O seu estilo de</p><p>vida passa a ser muito dedicado à performance esportiva.</p><p>• Fase de Aposentadoria - considerada uma das fases mais complicadas,</p><p>a aposentadoria representa diminuição do envolvimento do atleta em trei-</p><p>namentos e competições esportivas. Esta diminuição é experienciada de</p><p>forma gradual, e cada atleta terá seu momento individual.</p><p>5.</p><p>As crianças participam:</p><p>• Para aprender novas habilidades.</p><p>• Por diversão.</p><p>• Para afiliação.</p><p>• Pelas emoções e pela excitação.</p><p>• Pelo exercício e condicionamento.</p><p>• Pelo desafio da competição/vencer.</p><p>As crianças desistem por:</p><p>• Falha em aprender novas habilidades.</p><p>• Falta de diversão.</p><p>• Falta de afiliação.</p><p>• Falta de emoções e excitação.</p><p>• Falta de exercício e condicionamento.</p><p>• Falta de desafio/fracasso.</p><p>Professor Dr. Leonardo Pestillo de Oliveira</p><p>Plano de Estudo</p><p>A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta</p><p>unidade:</p><p>• Motivação para a prática do esporte</p><p>• Autoconfiança e expectativas de rendimento</p><p>• Treinamento de Habilidades Psicológicas</p><p>• Variáveis individuais que podem ajudar ou prejudicar o</p><p>rendimento esportivo</p><p>Objetivos de Aprendizagem</p><p>• Compreender os conceitos da motivação e como esta</p><p>influencia a prática esportiva profissional ou não.</p><p>• Descrever como a autoconfiança pode ser um fator de</p><p>influência no sucesso esportivo.</p><p>• Apresentar as principais características do Treinamento de</p><p>Habilidades Psicológicas (THP) e como elas podem ajudar o</p><p>desempenho no esporte e no exercício.</p><p>• Discutir sobre três variáveis importantes do indivíduo, no</p><p>contexto esportivo: ativação, ansiedade e estresse.</p><p>CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS</p><p>E RENDIMENTO ESPORTIVO</p><p>unidade</p><p>III</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>O</p><p>lá, aluno(a), seja bem-vindo(a) à nossa Unidade III do livro</p><p>da disciplina de Psicologia do Esporte e do Exercício. Chega-</p><p>mos ao ponto da disciplina em que estudaremos alguns ele-</p><p>mentos que se destacam por serem mais voltados aos aspectos</p><p>individuais dos atletas. São variáveis que podemos trabalhar para tentar</p><p>modificá-las e, assim, melhorar a performance esportiva.</p><p>A primeira dessas variáveis é a Motivação, uma das questões mais dis-</p><p>cutidas no contexto esportivo e que ainda gera muitas dúvidas: o que faz</p><p>um atleta permanecer motivado para a prática esportiva? Como melho-</p><p>rar a motivação de atletas para que continuem na prática? São apenas al-</p><p>guns questionamentos que merecem ser discutidos, mas não são simples</p><p>de se responder, são muitos fatores que podem influenciar a motivação.</p><p>Uma das variáveis que influencia a motivação e que se relaciona com</p><p>a temática da personalidade, já estudada na disciplina, é a Autoconfian-</p><p>ça. A percepção de que se é capaz de realizar determinada tarefa é um</p><p>elemento importante para o desempenho no esporte. Além de se rela-</p><p>cionar com a personalidade, a autoconfiança pode ser trabalhada, e aí</p><p>entra nossa terceira temática da Unidade, o Treinamento de Habilidades</p><p>Psicológicas (THP).</p><p>Treinar habilidades psicológicas significa pensar sobre quais delas são</p><p>necessárias em determinado momento e em determinado esporte. Mes-</p><p>mo fazendo parte de uma mesma equipe, já sabemos que cada atleta e</p><p>cada indivíduo tem suas próprias características, por isso, a importância</p><p>de se pensar caso a caso no processo de treinamento psicológico.</p><p>Para fechar a Unidade III, abordaremos algumas variáveis que podem</p><p>ter um papel duplo no desempenho esportivo, podem ajudar, mas tam-</p><p>bém prejudicar o atleta, dependendo de como ela surge e de como o atleta</p><p>reage a ela. Por isso, precisamos trabalhar com os atletas no sentido de</p><p>serem capazes de reconhecer estas variáveis e usá-las a seu favor.</p><p>80</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>Atletas que já são considerados consagrados em</p><p>uma modalidade, pessoas que praticam atividade</p><p>física há anos sem interrupção prolongada e que</p><p>se sentem bem, geralmente, são consideradas pes-</p><p>soas motivadas para determinada atividade. Isso</p><p>já nos leva a pensar sobre o que vem a ser exata-</p><p>mente esta motivação. A motivação é toda ener-</p><p>gia dispensada em uma direção e com intensidade</p><p>suficiente para atingir um objetivo (WEINBERG;</p><p>GOULD, 2017).</p><p>Esta direção significa o quanto uma pessoa, no</p><p>caso o atleta, sente-se atraída por determinadas</p><p>situações. Já a intensidade significa o quanto essa</p><p>pessoa (atleta) se esforça ou quanto de esforço co-</p><p>loca nesta situação. Alguns autores consideram</p><p>que a motivação é um fator indispensável para o</p><p>sucesso esportivo, por isso, dividem as discussões</p><p>acerca da motivação, baseando-se em determina-</p><p>das características. Essa divisão se justifica pelo</p><p>fato de que os estágios de desenvolvimento espor-</p><p>tivo diferentes exigem tipos diversos de motiva-</p><p>ção. Há, porém, certa discussão mais comum de</p><p>que a motivação intrínseca seria crucial para o su-</p><p>cesso em todos os níveis. (VISSOCI et al., 2008).</p><p>Motivação Para a</p><p>Prática do Esporte</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>81</p><p>A motivação intrínseca é uma variável que</p><p>está presente em uma das teorias da motivação</p><p>mais utilizadas no contexto esportivo nas últi-</p><p>mas três décadas, a Teoria da Autodeterminação</p><p>(DECI; RYAN, 1985; HAGGER; CHATZISA-</p><p>RANTIS, 2007). Mas nem sempre o pensamento</p><p>de autodeterminação foi consenso. Weinberg e</p><p>Gould (2017) apresentam três visões que foram</p><p>surgindo ao longo do tempo e que tentaram, de</p><p>alguma forma, compreender o que significa essa</p><p>motivação humana.</p><p>A primeira destas visões é a chamada “Visão</p><p>centrada no traço”, que apresenta a ideia de que o</p><p>comportamento humano motivado ocorre baseado</p><p>nas características de personalidade da pessoa, nas</p><p>suas necessidades e nos seus objetivos, isso permite</p><p>a ideia de que a pessoa pode ser predisposta, ou não,</p><p>ao sucesso. Um pensamento contrário a este primei-</p><p>ro é da “Visão centrada na situação”, que discute que</p><p>a motivação é determinada, primariamente, pela</p><p>situação, independentemente das características do</p><p>sujeito. Por fim, a “Visão interacional” traz-nos uma</p><p>percepção que é considerada a mais aceita, atual-</p><p>mente, no contexto esportivo, pois leva em conside-</p><p>ração tanto as questões do sujeito quanto as questões</p><p>da situação que o ideal é examinar a forma como</p><p>estes dois elementos interagem para pensar no com-</p><p>portamento das pessoas (Figura 1).</p><p>Figura 1 - Modelo de motivação interacional: fatores pessoais e fatores situacionais</p><p>Fonte: adaptado de Weinberg e Gould (2017).</p><p>FATORES PESSOAIS</p><p>• Personalidade</p><p>• Necessidades</p><p>• Interesses</p><p>• Objetivos</p><p>FATORES SITUACIONAIS</p><p>• Estilo do líder-técnico</p><p>• Atratividade das instalações</p><p>• Histórico de vitórias e derrotas</p><p>da equipe</p><p>• Objetivos</p><p>INTERAÇÃO INDIVÍDUO-SITUAÇÃO</p><p>MOTIVAÇÃO DO PARTICIPANTE</p><p>82</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>A partir destas abordagens, surgem teorias, como a Te-</p><p>oria da Autodeterminação, que aponta para a natureza</p><p>e a função da motivação com base nos aspectos psico-</p><p>lógicos e propõe a motivação dentro de um continuum</p><p>regulatório (DECI; RYAN, 1985; WILSON et al., 2006).</p><p>Esta teoria tem como base conceber o ser humano com</p><p>um organismo ativo que é voltado ao crescimento e a</p><p>um desenvolvimento mais integrado do sentido do self</p><p>e no sentido da integração com as estruturas sociais.</p><p>Como é uma teoria que tem sua base em um con-</p><p>tinuum, apresenta, também, diferentes processos re-</p><p>gulatórios que dão nome aos diferentes tipos de mo-</p><p>tivação, que vão desde uma ausência de motivação,</p><p>até o que se chama autodeterminação. Esses tipos de</p><p>motivação são (PELLETIER; SARRAZIN, 2007):</p><p>• Amotivação.</p><p>• Motivação Extrínseca de Regulação Externa.</p><p>• Motivação Extrínseca de Regulação Introjetada.</p><p>• Motivação Extrínseca de Regulação Identi-</p><p>ficada.</p><p>• Motivação Extrínseca de Regulação Integrada.</p><p>• Motivação Intrínseca.</p><p>Desmotivação Motivação</p><p>Extrínseca</p><p>Motivação</p><p>Intrínseca</p><p>Ausência de</p><p>Regulação intencional</p><p>Interesse e</p><p>prazer pela tarefa</p><p>Regulação</p><p>Externa</p><p>Regulação</p><p>Introjetada</p><p>Regulação</p><p>Identi�cada</p><p>Regulação</p><p>Integrada</p><p>Contingências de</p><p>recompensa e</p><p>punição</p><p>Motivação</p><p>Controlada</p><p>Autoestima dependente</p><p>do desempenho;</p><p>envolvimento do ego</p><p>Motivação</p><p>Moderamente</p><p>Controlada</p><p>Importância dos</p><p>objetivos, valores e</p><p>regulamentos</p><p>Coerência entre</p><p>objetivos, valores</p><p>e regulamentos</p><p>Motivação</p><p>Moderamente</p><p>Autonôma</p><p>Motivação</p><p>Autonôma</p><p>Ausência de</p><p>Motivação</p><p>Motivação</p><p>Autonôma Inerente</p><p>Figura 2 - Continuum de autodeterminação</p><p>Fonte: adaptada de Gagné e Deci (2005).</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>83</p><p>A Amotivação representa uma ausência de moti-</p><p>vação no sujeito, este não apresenta intenção nem</p><p>comportamento proativo, o que pode gerar, inclu-</p><p>sive, desvalorização da atividade e falta de controle</p><p>pessoal (GUIMARÃES; BZUNECK, 2008).</p><p>A Motivação Extrínseca, no geral, é caracte-</p><p>rizada por levar o indivíduo a não se dedicar a</p><p>uma atividade por prazer, mas se dedicar a uma</p><p>atividade pensando em obter algum tipo de re-</p><p>compensa externa (VALLERAND, 2004; VALLE-</p><p>RAND, 2007).</p><p>A seguir, veremos os tipos de Motivação Extrín-</p><p>seca que foram descritas, de acordo com Ntoumanis</p><p>e Mallett (2014):</p><p>• Motivação Extrínseca de Regulação Externa:</p><p>a principal característica de uma pessoa que</p><p>realiza uma atividade baseada neste tipo de</p><p>motivação é obter algum tipo de recompensa,</p><p>ou, até mesmo, evitar punições. Atletas po-</p><p>dem apresentar comportamentos para obter</p><p>recompensas tangíveis (ganhar dinheiro ou</p><p>troféus). A Motivação Extrínseca de Regula-</p><p>ção Externa está associada a baixos níveis de</p><p>autodeterminação.</p><p>• Motivação Extrínseca de Regulação Intro-</p><p>jetada: a pessoa realiza uma atividade ou</p><p>apresenta comportamentos extrinsecamente</p><p>motivados, que são regulados a partir das</p><p>consequências sentimentais que este com-</p><p>portamento pode gerar. Ou seja, realiza uma</p><p>atividade para não se sentir culpado ou com</p><p>vergonha. No esporte, é muito comum ver-</p><p>mos atletas jovens praticando alguma moda-</p><p>lidade esportiva porque não querem decep-</p><p>cionar seus pais. A Motivação Extrínseca de</p><p>Regulação Introjetada está associada a baixos</p><p>níveis de autodeterminação.</p><p>• Motivação Extrínseca de Regulação Identifi-</p><p>cada: pessoas que apresentam alto índice de</p><p>identificação realizam suas atividades nem</p><p>sempre por escolha, mas por necessidade, e</p><p>podem não apreciar tal atividade. Algumas</p><p>pessoas podem realizar atividade física ou</p><p>praticar esportes não porque realmente gos-</p><p>tam, mas porque valorizam a importância do</p><p>engajamento esportivo para suas metas de</p><p>saúde e desempenho. A Motivação Extrínse-</p><p>ca de Regulação Identificada está associada a</p><p>um endosso pessoal da participação esporti-</p><p>va, sendo rica em autodeterminação.</p><p>• Motivação Extrínseca de Regulação Integra-</p><p>da: ocorre quando os comportamentos são</p><p>realizados porque são totalmente assimila-</p><p>dos dentro do próprio sistema. Isso é comum</p><p>quando os atletas percebem que seu engaja-</p><p>mento esportivo faz parte de quem realmente</p><p>são. Sendo assim, há certa coerência entre o</p><p>comportamento emitido e os objetivos e/ou</p><p>valores da pessoa, é uma forma mais autô-</p><p>noma de motivação extrínseca. A Motivação</p><p>Extrínseca de Regulação Integrada está asso-</p><p>ciada a um endosso pessoal da participação</p><p>esportiva, sendo rica em autodeterminação.</p><p>Considerada unidimensional, a Motivação Intrín-</p><p>seca é definida e está presente quando uma pessoa</p><p>realiza uma atividade por si mesma, pelo prazer</p><p>que sente em se engajar em tal atividade (PELLE-</p><p>TIER; SARRAZIN, 2007). Quando uma pessoa se</p><p>engaja em uma atividade por questões autodetermi-</p><p>nadas, o reforço que ela receberá é direcionado às</p><p>suas funções psicológicas tendo associação entre a</p><p>motivação intrínseca e o bem-estar psicológico. No</p><p>contexto esportivo, quando o atletas apresentam alta</p><p>84</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>motivação intrínseca, estes se envolvem livremente</p><p>em atividades que consideram interessantes e agra-</p><p>dáveis e que oferecem uma oportunidade de apren-</p><p>dizado e desenvolvimento pessoal (NTOUMANIS;</p><p>MALLETT, 2014).</p><p>A Teoria da Autodeterminação está presente em</p><p>diversos trabalhos sobre a motivação, no contexto</p><p>esportivo, e demonstram que as formas autônomas/</p><p>autodeterminadas de regulação (motivação intrín-</p><p>seca, regulação integrada e identificada), compara-</p><p>das às formas de regulação controladas (regulação</p><p>introjetada e externa) e amotivação, resultam em re-</p><p>sultados mais adaptativos, como mais esforço, per-</p><p>sistência, desempenho e vários índices de bem-estar</p><p>psicológico (VALLERAND, 2007).</p><p>Um ponto deve ficar claro, não há um tipo me-</p><p>lhor ou pior de motivação, quanto mais autodeter-</p><p>minado for um atleta, melhor a possibilidade de</p><p>sucesso. Mas é preciso pensarmos que a motivação</p><p>extrínseca tem seu valor. Tipos elevados de motiva-</p><p>ção extrínseca autônoma (isto é, com regulação in-</p><p>tegrada e identificada) no esporte são importantes,</p><p>dado que alguns comportamentos podem não ser</p><p>inerentemente agradáveis (por exemplo, exercícios</p><p>repetitivos durante o treinamento), mas podem ter</p><p>alto valor instrumental.</p><p>A regulação introjetada, às vezes, pode levar à</p><p>persistência, mas isso é relativamente de curta du-</p><p>ração (PELLETIER et al., 2001). Recompensas tan-</p><p>gíveis são muito frequentemente usadas no esporte</p><p>(por exemplo, bolsas esportivas), mas as evidências</p><p>sugerem que, quando usadas para motivar atletas,</p><p>elas resultam em atletas motivados por regulamen-</p><p>tação externa.</p><p>A autodeterminação assenta-se em três necessi-</p><p>dades psicológicas básicas: a necessidade de autono-</p><p>mia, de competência e de estabelecimento de vín-</p><p>culos. Estas necessidades básicas são consideradas</p><p>inatas, integradas e interdependentes, levando ao</p><p>pensamento de que a satisfação de cada uma delas</p><p>fortalece e reforça as outras. Quando essas necessi-</p><p>dades são satisfeitas, os indivíduos experimentarão</p><p>melhor qualidade de motivação, de bem-estar psico-</p><p>lógico e se envolverão em comportamentos adapta-</p><p>tivos (por exemplo, aumento do investimento com-</p><p>portamental) (NTOUMANIS; MALLETT, 2014;</p><p>TREASURE et al., 2007).</p><p>A Autonomia refere-se ao desejo de sentir a</p><p>propriedade sobre o comportamento de alguém.</p><p>Já a Competência refere-se à necessidade de se</p><p>sentir eficaz e alcançar resultados valiosos. Por</p><p>fim, o Estabelecimento de vínculos é o desejo de</p><p>se sentir aceito e, significativamente, conectado</p><p>com os outros (DECI; RYAN, 2002). Estas neces-</p><p>sidades básicas estão presentes nas pesquisas que</p><p>tratam da Teoria da Autodeterminação e que ten-</p><p>tam exemplificar como essas necessidades estão</p><p>influenciando o desempenho dos atletas. Ou seja,</p><p>no contexto esportivo, os atletas experimentarem</p><p>a satisfação da necessidade de autonomia quando</p><p>estiverem engajados, de maneira positiva, em seus</p><p>planos de treinamento e desenvolvimento pessoal;</p><p>a satisfação de competência-necessidade ocorrerá</p><p>quando lhes são dadas oportunidades suficientes e</p><p>orientação para alcançar o sucesso; e a satisfação</p><p>de necessidade de relacionamento quando eles se</p><p>sentem aceitos e valorizados por seu treinador e</p><p>companheiros de equipe.</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>85</p><p>86</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>Durante o desenvolvimento da carreira esportiva, o</p><p>atleta depara-se com diversas situações que exigem</p><p>dele tomada de decisão rápida, mas nem sempre ela</p><p>precisa ser imediata. Em momentos específicos, du-</p><p>rante uma partida, por exemplo, exige-se mais ra-</p><p>pidez, e as opções nem sempre são vastas. Cada de-</p><p>cisão tomada, a partir de um número específico de</p><p>opções, carrega possíveis consequências positivas e/</p><p>ou negativas (GRECO, 2009).</p><p>Com o passar do tempo e de acordo com as experi-</p><p>ências vividas, as tomadas de decisão tornam-se mais</p><p>eficientes, exigindo menos esforço, tornando-se, tam-</p><p>bém, mais intencional e consciente (TENENBAUM;</p><p>LIDOR, 2005). Um elemento importante no processo</p><p>de tomada de decisão é a autoconfiança, que também</p><p>é adquirida ao longo do tempo.</p><p>As pesquisas mostram a relação direta entre ter</p><p>autoconfiança e sucesso esportivo, tendo em vista o</p><p>Autoconfiança e Expectativas</p><p>de Rendimento</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>87</p><p>quanto os atletas de sucesso demonstram-se mais se-</p><p>guros de si e acreditam que suas capacidades podem</p><p>lhes direcionar para o êxito (WEINBERG; GOULD,</p><p>2017). A autoconfiança, então, seria o grau de certe-</p><p>za que uma pessoa tem em suas capacidades para ser</p><p>bem-sucedido(a) em uma situação específica, ou em</p><p>diversas situações (VEALEY, 2005). Mas é preciso</p><p>pensar na autoconfiança como um elemento dinâ-</p><p>mico, e não estático, pois se manifesta em determi-</p><p>nadas situações e varia, substancialmente, no tempo</p><p>e em resposta a novas experiências.</p><p>Weinberg e Gould (2017) descrevem uma pes-</p><p>quisa realizada por Vealey e Knight (2002) em que</p><p>os autores consideram a autoconfiança como uma</p><p>variável multidimensional, podendo haver diver-</p><p>sos tipos de autoconfiança, que serão apresenta-</p><p>dos a seguir.</p><p>Primeiro ponto é pensar a autoconfiança na</p><p>capacidade de executar habilidades físicas, mas há</p><p>também a questão mental e a autoconfiança na ca-</p><p>pacidade de usar as habilidades psicológicas, como</p><p>a mentalização e o diálogo interior. Há também a</p><p>autoconfiança na capacidade de usar as habilidades</p><p>perceptuais, como a tomada de decisão. Outro tipo é</p><p>a autoconfiança no nível de condicionamento físico</p><p>e na condição de treinamento, e, para fechar, a auto-</p><p>confiança no potencial de aprendizagem e na possi-</p><p>bilidade de melhorar as próprias habilidades.</p><p>No contexto esportivo, é viável considerar que</p><p>a autoconfiança influencie também outras caracte-</p><p>rísticas psicológicas. Ela pode facilitar, por exem-</p><p>plo, a concentração deixando sua mente mais pre-</p><p>parada para concentrar-se na tarefa em questão.</p><p>Alcançar metas e objetivos traçados também pode</p><p>ter ajuda da autoconfiança, pois sendo este o obje-</p><p>tivo real, as chances de conseguir se manter focado</p><p>mesmo sob pressão aumentam, aumentando tam-</p><p>bém a quantidade e a duração do esforço realizado</p><p>na busca desse objetivo, no caso, sua persistência</p><p>(STEFANELLO, 2007).</p><p>Como já descrito, a autoconfiança é uma variá-</p><p>vel multidimensional e, com isso, precisamos pensar,</p><p>individualmente, sobre os casos com os quais tra-</p><p>balhamos. Mas é preciso, também, pensar em como</p><p>a autoconfiança pode, em certa medida, ser um fa-</p><p>tor negativo para o desempenho esportivo. Este fa-</p><p>tor nos leva a pensar em uma autoconfiança ideal</p><p>(WEINBERG; GOULD, 2017). Esta autoconfiança</p><p>ideal pode ser melhor compreendida na Figura 3,</p><p>que mostra a relação em U invertido com o topo da</p><p>curva inclinado um pouco mais para a direita.</p><p>A partir do que temos na Figura 3, pode-se perceber</p><p>que o desempenho esportivo apresenta melhora à</p><p>medida que a autoconfiança também aumenta. Mas</p><p>há um ponto máximo de desempenho (ideal) e, a</p><p>partir deste ponto, percebe-se que mesmo a auto-</p><p>confiança aumentando, o desempenho diminui. Isso</p><p>significa que problemas de desempenho podem sur-</p><p>gir em situações de pouca autoconfiança, mas tam-</p><p>bém quando esta autoconfiança é excessiva.</p><p>Figura 3 - Relação entre autoconfiança e desempenho no esporte</p><p>Fonte: adaptada de Weinberg e Gould (2017).</p><p>Pouco</p><p>confiante</p><p>Baixo</p><p>Alto</p><p>Confiança</p><p>adequada</p><p>Excesso de</p><p>confiança</p><p>D</p><p>es</p><p>em</p><p>pe</p><p>nh</p><p>o</p><p>Moderado</p><p>88</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>Falta de confiança significa que o sujeito duvida</p><p>de si próprio. Um atleta pode apresentar grandes</p><p>habilidades físicas para obter sucesso mas não tem</p><p>tanta confiança em suas capacidades em realizar</p><p>determinada atividade, principalmente em situa-</p><p>ções de grande pressão. Isso ocorre também com</p><p>praticantes de exercício e de atividade física, em</p><p>que a falta de confiança em relação à sua aparência</p><p>ou à capacidade de permanecer na atividade pode</p><p>gerar a interrupção desta forma (FELTZ; ÖNCÜ,</p><p>2014).</p><p>O excesso de confiança pode ser interpretado</p><p>também como uma falsa confiança. Neste caso, a</p><p>confiança é maior do que a própria capacidade, e</p><p>isso faz com que o desempenho piore, como conse-</p><p>quência da crença do sujeito de que não precisa se</p><p>preparar ou se esforçar para conseguir o que deseja.</p><p>No entanto o excesso de confiança ainda é menos</p><p>prejudicial do que a falta de confiança, mesmo que</p><p>ambos possam causar queda de rendimento (MIL-</p><p>LER; GERACI, 2011).</p><p>Vealey e Chase (2008) apresentam um modelo</p><p>conceitual de autoconfiança no esporte, que apre-</p><p>senta quatro</p><p>Estadual de Maringá, Mestre em Educação Física pela Universidade Estadual de</p><p>Maringá. Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Psicologia do</p><p>Esporte e Promoção da Saúde. Atualmente é professor do Mestrado em Pro-</p><p>moção da Saúde e do curso de graduação em Psicologia do Centro Universitário</p><p>Cesumar (UniCesumar). Líder do Grupo de Pesquisa/CNPQ Psicologia, Esporte e</p><p>Saúde - PES. Membro do Comitê de Ética em Pesquisa da UniCesumar. Pesqui-</p><p>sador Bolsista - Modalidade Produtividade em Pesquisa para Doutor - PPD - do</p><p>Instituto Cesumar de Ciência, Tecnologia e Inovação (ICETI).</p><p>Link do currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/5641304042011472</p><p>http://lattes.cnpq.br/5641304042011472</p><p>apresentação do material</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>Professor Dr. Leonardo Pestillo de Oliveira</p><p>Olá, prezado(a) acadêmico(a), é com grande satisfação que apresento a você a nossa</p><p>disciplina de Psicologia do Esporte e do Exercício como uma disciplina do curso</p><p>de Educação Física. A realização desta disciplina possibilitará a compreensão de</p><p>elementos da Psicologia que fazem parte do contexto esportivo.</p><p>Tendo conhecimento da importância de se compreender as características psi-</p><p>cológicas envolvidas na prática esportiva, seja ela profissional ou não, espero que</p><p>você se sinta inclinado a buscar uma qualificação adequada que possa colaborar</p><p>com sua atuação profissional após a conclusão desta graduação.</p><p>Todo mecanismo de aprendizagem perpassa duas vias, uma delas é responsa-</p><p>bilidade do professor, que objetiva transmitir o conteúdo com a preocupação de</p><p>que este seja realizado com qualidade, a outra é a do aluno, que deve compreender</p><p>a importância de cada elemento a ele fornecido, pois trata-se de um processo em</p><p>construção constante.Veremos, aqui, elementos da Psicologia e sua contribuição</p><p>para o contexto esportivo de rendimento ou não.</p><p>Na Unidade I, temos como conteúdo um pouco da história da Psicologia do</p><p>Esporte e do Exercício no mundo e um pouco de sua história no Brasil. Este tópico</p><p>é importante para termos uma visão geral sobre como a área surgiu, compreen-</p><p>deremos as suas principais características e como ela pode ser importante para os</p><p>praticantes. Desmistificaremos um dos principais mitos existentes sobre a área,</p><p>o mito de que a Psicologia do Esporte e do Exercício é importante apenas para</p><p>atletas profissionais. Ou seja, precisamos compreender que esta área de atuação</p><p>está presente em qualquer contexto que envolva o esporte e a atividade física.</p><p>Na Unidade II, após termos discutido um pouco do histórico, faremos uma</p><p>discussão sobre como o desenvolvimento humano e o desenvolvimento no con-</p><p>texto esportivo ocorrem concomitantemente. Veremos como o esporte pode ser</p><p>uma ferramenta importante para colaborar com o desenvolvimento de crianças</p><p>e adolescentes, além de verificar como o desenvolvimento de um atleta ocorre,</p><p>quais fases e características são importantes ao longo do tempo.</p><p>Já na Unidade III, temos como tema principal as características individuais</p><p>que influenciam o sujeito a iniciar, continuar ou parar uma prática esportiva. Al-</p><p>gumas variáveis psicológicas são muito discutidas no contexto da Psicologia do</p><p>Esporte e do Exercício, e teremos alguns tópicos relacionadas a elas. Teremos uma</p><p>discussão sobre a motivação do sujeito, como a autoconfiança e as expectativas de</p><p>rendimento podem influenciar a prática e também quais habilidades psicológicas</p><p>estão presentes neste contexto.</p><p>Após a discussão de variáveis individuais, teremos, na Unidade IV, uma apre-</p><p>sentação de características presentes na coletividade, ou seja, no trabalho com</p><p>grupos. A coesão de grupo é uma das variáveis mais discutidas quando se fala em</p><p>rendimento esportivo, mas não podemos deixar de discutir também o papel do</p><p>líder neste processo bem como a cooperação e a comunicação entre todos os que</p><p>fazem parte de uma mesma equipe, ou grupo.</p><p>Para finalizar, teremos, na Unidade V, a discussão sobre os elementos que</p><p>envolvem características de saúde e bem-estar psicológico. Estas características</p><p>são importantes tanto para trabalharmos com atletas profissionais como com</p><p>amadores ou pessoas que realizam atividades físicas com objetivo de melhorar</p><p>sua qualidade de vida. Falaremos um pouco sobre como as lesões, no esporte,</p><p>podem atrapalhar e até interromper uma carreira de sucesso, e também como a</p><p>prática excessiva do esporte pode vir a se tornar um vilão à saúde física e mental.</p><p>Espero que este enfoque dado a alguns elementos da Psicologia do Esporte</p><p>e do Exercício possam contribuir para sua formação de forma satisfatória e que</p><p>possa estimulá-lo a continuar seus estudos e sua busca por conhecimento sobre a</p><p>área. Com experiência em duas áreas que são fundamentais para esta disciplina,</p><p>formação interdisciplinar, quero, também, fornecer a você um pouco do que a</p><p>Psicologia do Esporte e do Exercício pode colaborar com a formação de um pro-</p><p>fissional de Educação Física e em sua atuação profissional futura.</p><p>Desejo a você boa leitura e bons estudos!</p><p>sumário</p><p>UNIDADE I</p><p>INÍCIO E DESENVOLVIMENTO DA PSICOLOGIA DO</p><p>ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>14 Discussões Iniciais Sobre a Psicologia do</p><p>Esporte e do Exercício</p><p>20 Características da Psicologia do Esporte e do</p><p>Exercício na Atualidade</p><p>24 Compreendendo a Relação da Psicologia</p><p>do Esporte e do Exercício e o Rendimento</p><p>Esportivo</p><p>28 Compreendendo a Relação da Psicologia do</p><p>Esporte e do Exercício e o Esporte Escolar</p><p>31	 Considerações	finais</p><p>36 Referências</p><p>38 Gabarito</p><p>UNIDADE II</p><p>DESENVOLVIMENTO HUMANO E SUA RELAÇÃO COM O</p><p>ESPORTE</p><p>44 Compreendendo o Desenvolvimento Huma-</p><p>no e Esportivo</p><p>50 Personalidade e Esporte</p><p>56 Desenvolvimento Psicológico de Crianças e</p><p>Adolescentes por Meio do Esporte</p><p>62 Desenvolvimento da Carreira Esportiva</p><p>67	 Considerações	finais</p><p>72 Referências</p><p>75 Gabarito</p><p>UNIDADE III</p><p>CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS E RENDIMENTO ES-</p><p>PORTIVO</p><p>80 Motivação Para a Prática do Esporte</p><p>86	 Autoconfiança	e	Expectativas	de	Rendimento</p><p>90 Treinamento de Habilidades Psicológicas</p><p>96 Variáveis Individuais que Podem Ajudar ou</p><p>Prejudicar o Rendimento Esportivo</p><p>101	 Considerações	finais</p><p>106 Referências</p><p>109 Gabarito</p><p>UNIDADE IV</p><p>ELEMENTOS DE GRUPO E O CONTEXTO ESPORTIVO</p><p>114 Como são Formados os Grupos: Coesão</p><p>118 Liderança no Esporte</p><p>122 Comunicação no Esporte</p><p>126 Competição e Cooperação: do Início da Car-</p><p>reira	Esportiva	à	Profissionalização</p><p>130	 Considerações	finais</p><p>135 Referências</p><p>137 Gabarito</p><p>UNIDADE V</p><p>PRÁTICA ESPORTIVA, SAÚDE E BEM-ESTAR PSICOLÓGICO</p><p>142 Prática Esportiva e Promoção da Saúde</p><p>146 Prática Esportiva e Bem-Estar Psicológico</p><p>150 Fatores Psicológicos e Lesões Esportivas</p><p>154 Consequências do Excesso da Prática Esportiva:</p><p>Elementos Presentes no Rendimento</p><p>157	 Considerações	finais</p><p>161 Referências</p><p>164 Gabarito</p><p>165 conclusão geral</p><p>Professor Dr. Leonardo Pestillo de Oliveira</p><p>Plano de Estudo</p><p>A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta</p><p>unidade:</p><p>• Discussões iniciais sobre a Psicologia do Esporte e do</p><p>Exercício</p><p>• Características da Psicologia do Esporte e do Exercício na</p><p>atualidade</p><p>• Compreendendo a relação da Psicologia do Esporte e do</p><p>Exercício e o rendimento esportivo</p><p>• Compreendendo a relação da Psicologia do Esporte e do</p><p>Exercício e o esporte escolar</p><p>Objetivos de Aprendizagem</p><p>• Apresentar elementos históricos sobre como a Psicologia do</p><p>Esporte e do Exercício desenvolveu-se ao longo do tempo.</p><p>• Descrever as principais características que a área apresenta,</p><p>atualmente,	como	campo	de	atuação	profissional.</p><p>• Discutir como o trabalho da Psicologia do Esporte e do</p><p>Exercício pode ser inserido no contexto do rendimento</p><p>esportivo.</p><p>• Discutir como o trabalho da Psicologia do Esporte e do</p><p>Exercício pode ser inserido no contexto esportivo amador e</p><p>início da carreira esportiva de rendimento.</p><p>INÍCIO E DESENVOLVIMENTO</p><p>DA PSICOLOGIA DO ESPORTE</p><p>E DO EXERCÍCIO</p><p>unidade</p><p>I</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Uma parcela significativa da população tem uma percepção</p><p>de que a Psicologia é uma área que se ocupa apenas de tra-</p><p>balhar</p><p>elementos principais:</p><p>1. Fatores que influenciam a confiança esportiva.</p><p>2. Fontes de confiança no esporte.</p><p>3. Construtos de confiança esportiva.</p><p>4. Consequências da confiança esportiva.</p><p>Fatores que in�uenciam a</p><p>con�ança esportiva</p><p>Fatores de con�ança esportiva</p><p>Construtos de con�ança esportiva</p><p>Consequências de con�ança esportiva</p><p>Cultura</p><p>organizacional</p><p>Atmosfera socialRealização</p><p>Características</p><p>demográ�cas e de</p><p>personalidade</p><p>Autorregulação</p><p>Con�ança nas</p><p>habilidades físicas</p><p>Con�ança nas habilidades de</p><p>tomada de decisões</p><p>Con�ança na</p><p>resiliência</p><p>Afeto Comportamento</p><p>Cognição</p><p>Estes elementos podem ser melhor visualizados na Figura 4:</p><p>Figura 4 - Modelo de autoconfiança no esporte</p><p>Fonte: adaptada de Vealey e Chase (2008).</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>89</p><p>O modelo conceitual de autoconfiança no esporte</p><p>leva-nos a observar que temos dois tipos de fatores</p><p>que influenciam a confiança, questões externas ao</p><p>sujeito, como a cultura organizacional, característi-</p><p>cas do ambiente e também questões internas, como</p><p>a personalidade. Há também diferentes fontes de</p><p>confiança esportiva que estão centradas na realiza-</p><p>ção, na capacidade de autorregulação e na atmosfera</p><p>social. Sendo a autoconfiança multidimensional, os</p><p>quatro construtos fazem parte deste modelo e, como</p><p>já descritos, envolvem a confiança nas habilidades</p><p>de tomada de decisão, confiança nas habilidades fí-</p><p>sicas e confiança na resiliência. Para fechar, estão as</p><p>consequências da autoconfiança no esporte, que se</p><p>referem ao afeto, ao comportamento e às cognições.</p><p>Pensando no contexto esportivo, em que a figura do</p><p>técnico é fundamental, esta figura também pode exer-</p><p>cer influência na autoconfiança dos atletas. Essa influ-</p><p>ência pode ocorrer de diversas formas, por exemplo, ao</p><p>criar expectativas nos atletas que são chamadas de sinais</p><p>pessoais. Estas influenciam o comportamento dos pró-</p><p>prios técnicos, pois se comportam de formas específicas</p><p>quando têm expectativas altas ou baixas em relação ao</p><p>atleta. Como consequência, o desempenho dos atletas</p><p>pode confirmar, ou não, as expectativas dos técnicos, se</p><p>estavam certos ou errados sobre as capacidades e poten-</p><p>ciais dos atletas (WEINBERG; GOULD, 2017).</p><p>O trabalho psicológico, no contexto esportivo,</p><p>pode ajudar os atletas a melhorarem sua autoconfian-</p><p>ça, tendo como base a melhora no foco, no desempe-</p><p>nho, maior confiança na atuação e também aumento</p><p>nos pensamentos confiantes. No caso das modalida-</p><p>des coletivas, não basta apenas desenvolver a con-</p><p>fiança individual, é preciso construir uma confiança</p><p>coletiva que aumenta também o desenvolvimento de</p><p>boas relações entre os atletas no momento das com-</p><p>petições e, assim, atingir as metas que são comuns.</p><p>Como vimos, a autoconfiança é um dos fatores</p><p>que mais influenciam o desempenho dos atletas.</p><p>Técnicos podem ajudar os atletas a aumentarem sua</p><p>autoeficácia e sua autoconfiança por meio de técni-</p><p>cas específicas que podem ajudar, até mesmo, atle-</p><p>tas experientes a superar algumas barreiras (FELTZ;</p><p>ÖNCÜ, 2014). O feedback é importante, visto que o</p><p>treinador que elogia e reconhece quando os atletas</p><p>têm um bom desempenho é visto como uma base</p><p>importante para reforçar a autoconfiança deles e</p><p>atuam como um barômetro inestimável, permitindo</p><p>aos atletas saberem se estão atendendo às expectati-</p><p>vas de seus treinadores (BEAUCHAMP, 2014).</p><p>90</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>Melhorar o desempenho é um objetivo diário quando</p><p>se está inserido no contexto esportivo. A busca pela</p><p>excelência no esporte é inerente, e não basta apenas</p><p>treinar ou desenvolver as habilidades físicas, técnicas</p><p>e táticas. Precisamos pensar, também, nas habilidades</p><p>psicológicas que são importantes para que os atletas</p><p>mantenham-se firmes em suas carreiras.</p><p>O Treinamento de Habilidades Psicológica, no</p><p>entanto, não serve apenas para atletas de rendimen-</p><p>to. Praticantes de exercício e de atividade física tam-</p><p>bém podem ser beneficiados com esta questão, pois</p><p>aprendem a lidar melhor com a raiva, a ansiedade e</p><p>o estresse quando estão em prática (VIEIRA et al.,</p><p>2010). As características de personalidade do sujeito</p><p>são bons indicadores de como se comportam em de-</p><p>terminados momentos, mas há sempre a necessida-</p><p>de de monitoramento destas características para que</p><p>possam ser utilizadas a favor das pessoas.</p><p>Treinamento de</p><p>Habilidades Psicológicas</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>91</p><p>Certo grau de ansiedade pode ser considerado um aspecto positivo na motivação dos atletas, pois au-</p><p>menta o esforço durante a preparação física. Por outro lado, o excesso de ansiedade pode levar o atleta</p><p>a mudanças, como tensão muscular, ineficácia durante a execução de movimentos, dificuldade para</p><p>tomar decisões e redução da autoconfiança e do prazer pela prática esportiva. Ansiedade em menor</p><p>grau pode resultar pouco esforço e pouca motivação pela prática. Um equilíbrio da ansiedade pode</p><p>levar o atleta a estar autorregulado e a obter bom desempenho durante treinamentos e competições.</p><p>Fonte: Balaguer (2005).</p><p>ATENÇÃO</p><p>92</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>A excelência no esporte não ocorre por acaso, e</p><p>mesmo grandes atletas podem ser vítimas de aba-</p><p>timentos mentais e de erros, porém o segredo não</p><p>está em evitar estes problemas, e sim, em conseguir</p><p>reverter a situação. O autoconhecimento sobre suas</p><p>habilidades e características torna-se o grande trun-</p><p>fo para que o atleta saiba respeitar seus limites e</p><p>evitar que seu desempenho piore (HAGTVET; HA-</p><p>NIN, 2007). A resistência mental é, muitas vezes,</p><p>traduzida em como o atleta tem capacidade de con-</p><p>centração, de recuperação frente a um fracasso, de</p><p>saber lidar com a pressão e persistir, mesmo em mo-</p><p>mentos de adversidade (BULL et al., 2005; CRUST;</p><p>CLOUGH, 2012).</p><p>Clough, Earle e Sewell (2002) apresentam um</p><p>modelo de resistência mental baseado em 4Cs: Con-</p><p>trole, Comprometimento, Desafio (Challenge) e</p><p>Confiança. A definição de cada um destes elementos</p><p>pode ser observado no Quadro 1:</p><p>Controle</p><p>Capacidade do atleta para lidar com diversos elementos ao mesmo tempo. São diver-</p><p>sos fatores que podem influenciar o rendimento, e o controle faz com que ele perma-</p><p>neça influente em vez de controlado.</p><p>Comprometimento Capacidade do atleta em se manter profundamente envolvido no cumprimento dos</p><p>objetivos delimitados, apesar das dificuldades envolvidas no processo.</p><p>Desafio (Challenge) Capacidade do atleta para perceber as possíveis ameaças como oportunidades de</p><p>crescimento pessoal e de seguir em frente.</p><p>Confiança Capacidade do atleta em manter a crença em si mesmo, a autoconfiança que deve</p><p>permanecer apesar das dificuldades do processo.</p><p>Quadro 1 - Características dos componentes do Modelo dos 4Cs</p><p>Fonte: adaptado de Clough, Earle e Sewell (2002).</p><p>Muitos atletas, técnicos e demais profissionais en-</p><p>volvidos no contexto esportivo ainda têm dúvidas</p><p>sobre o papel da psicologia para os atletas. Mas é</p><p>preciso compreender que, assim como os atletas</p><p>treinam e aprimoram suas habilidades físicas, suas</p><p>habilidades psicológicas também podem e o devem</p><p>ser (SAMULSKI, 2009).</p><p>O que vem a ser, então, o Treinamento de Habi-</p><p>lidades Psicológicas? “Refere-se à prática sistemática</p><p>e consistente de habilidades mentais ou psicológicas</p><p>com o objetivo de melhorar o desempenho, aumentar</p><p>o prazer ou alcançar maior satisfação na atividade es-</p><p>portiva e física” (WEINBERG; GOULD, 2017, p. 231).</p><p>Há diversos métodos para se trabalhar com estes ele-</p><p>mentos que visam a modificação do comportamento</p><p>com o intuito de melhorar o estabelecimento de me-</p><p>tas, controle de atenção, relaxamento físico e mental</p><p>entre outros pontos que, em alguns textos, podemos</p><p>encontrar definidos como treinamento mental.</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>93</p><p>Mesmo com todas estas características, alguns atle-</p><p>tas ainda tendem a negligenciar o treinamento das</p><p>habilidades psicológicas, e podemos resumir isso</p><p>em três razões básicas: falta de conhecimento, equí-</p><p>vocos em relação a habilidades psicológicas e falta</p><p>de tempo (WEINBERG; GOULD, 2017).</p><p>A falta de conhecimento</p><p>ocorre dos dois lados,</p><p>tanto atletas não sabem como desenvolver suas pró-</p><p>prias habilidades e também muitos profissionais não</p><p>sabem exatamente como ensinar. Não basta o técni-</p><p>co gritar com os atletas para que eles se concentrem,</p><p>eles já sabem disso, portanto, a concentração deve</p><p>ser desenvolvida durante os treinamentos, baseada</p><p>em elementos teóricos, como o atleta entender que,</p><p>em momentos em que ele está mais “relaxado”, sua</p><p>concentração aumenta (SAMULSKI, 2009).</p><p>Um dos erros em relação às habilidades psico-</p><p>lógicas é achar que as pessoas já nascem com elas.</p><p>Pode haver uma predisposição a desenvolver carac-</p><p>terísticas positivas para o contexto esportivo, mas as</p><p>habilidades podem ser aprendidas e desenvolvidas,</p><p>dependendo das exigências a que estamos expostos.</p><p>Nenhum atleta chega ao sucesso sem a prática siste-</p><p>mática de suas habilidades físicas e mentais (BLU-</p><p>MENSTEIN; LIDOR; TENENBAUM, 2005).</p><p>O último ponto está na falta de tempo que, mui-</p><p>tas vezes, é o centro das justificativas de técnicos e</p><p>atletas sobre o porquê de o sucesso não ter sido atin-</p><p>gido. Mas acreditar que uma derrota foi causada por</p><p>questões que envolvem, por exemplo, a falta de con-</p><p>centração não faz com que técnicos e atletas reservem</p><p>tempo para treinar esta habilidade, ao contrário, é co-</p><p>mum observar o aumento de tempo de treinamento</p><p>técnico ou físico (LIDOR; BLUMENSTEIN, 2007).</p><p>O treinamento de habilidades psicológicas é uma</p><p>ferramenta importantíssima para o desempenho</p><p>esportivo e não serve apenas para atletas de elite.</p><p>Como já descrito, praticantes de atividade física de</p><p>forma não competitiva são também beneficiados</p><p>com estas técnicas. Não deve ser aplicado somen-</p><p>te a atletas que apresentam problemas psicológicos</p><p>ou clínicos, pois não tem como objetivo a “cura”</p><p>de problemas psicológicos, e sim, desenvolver ca-</p><p>racterísticas positivas, como estabelecimento de</p><p>metas, mentalização, concentração, que são apenas</p><p>alguns dos elementos importantes a todos os pra-</p><p>ticantes de esporte e atividade física (WEINBERG;</p><p>GOULD, 2017).</p><p>94</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>É importante reconhecer que o treinamento de ha-</p><p>bilidades psicológicas tem efetividade comprovada</p><p>em diversos estudos, mas também é importante</p><p>reconhecer que esta efetividade depende das carac-</p><p>terísticas individuais dos atletas. Não basta tratar</p><p>todos como iguais e pensar que o mesmo tipo de</p><p>treinamento funcionará para todos, é preciso levar</p><p>em consideração as diferenças individuais (SHARP;</p><p>HODGE, 2011) e que a conexão com os atletas é im-</p><p>portante para se construir uma boa relação e atender</p><p>às suas necessidades.</p><p>De acordo com Weinberg e Gould (2017), é pre-</p><p>ciso pensar no programa de treinamento de habi-</p><p>lidades psicológicas em três fases distintas: Fase de</p><p>Educação, Fase de Aquisição e Fase de Prática, que</p><p>estão resumidas na Figura 5:</p><p>Não basta ao atleta treinar apenas suas ha-</p><p>bilidades físicas, ele precisa reconhecer a im-</p><p>portância de treinar também suas habilida-</p><p>des psicológicas, pois os fatores psicológicos</p><p>podem ser os principais responsáveis por</p><p>quedas no desempenho.</p><p>(adaptado de Robert S. Weinberg e Daniel Gould)</p><p>REFLITA</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>95</p><p>Se houver controle tanto por parte do profissional que conduzir o programa de treinamento de habilidades</p><p>psicológicas quanto por parte dos atletas, há grandes chances de se obter sucesso. É um processo de apren-</p><p>dizagem sistemática e que pode ser consistente quando bem executado. Esta prática sistemática terá muita</p><p>relação com o sucesso no esporte e na atividade física, tanto quanto a prática de habilidades físicas.</p><p>FASE DE EDUCAÇÃO</p><p>Atletas reconhecem a importância</p><p>da aquisição de habilidades psico-</p><p>lógicas e como elas podem influen-</p><p>ciar o seu desempenho. Pode du-</p><p>rar horas ou dias, dependendo das</p><p>características individuais.</p><p>FASE DE PRÁTICA</p><p>Momento de automatizar as habilida-</p><p>des, de ensinar o atleta a integrar sis-</p><p>tematicamente as habilidades psico-</p><p>lógicas em situações de desempenho</p><p>e simular as habilidades que o atleta</p><p>deseja aplicar nas competições reais.</p><p>É importante que os atletas mante-</p><p>nham um diário no qual registrem a</p><p>frequência e a efetividade percebida</p><p>das estratégias.</p><p>FASE DE AQUISIÇÃO</p><p>Concentra-se em estratégias e técnicas</p><p>para aprendizagem das diferentes ha-</p><p>bilidades psicológicas. Técnicas de ati-</p><p>vação, regulação da ansiedade, mudar</p><p>padrões de pensamento, relaxamento.</p><p>TRÊS FASES DO TREINAMENTO DE</p><p>HABILIDADES PSICOLÓGICAS</p><p>Figura 5 - As três fases do treinamento de habilidades psicológicas</p><p>Fonte: Weinberg e Gould (2017).</p><p>96</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>Estratégias para melhorar o desempenho esportivo</p><p>são sempre utilizadas por técnicos, preparadores físi-</p><p>cos e também por psicólogos. A busca por resultados</p><p>é uma constante no contexto esportivo e, por isso, os</p><p>estudos com foco nesta variável são importantes. Para</p><p>a Psicologia do Esporte e do Exercício, compreender</p><p>como os atletas reagem em determinados momentos</p><p>e situações é importante, e também verificar como as</p><p>questões psicológicas variam em determinadas situa-</p><p>ções (OLIVEIRA; FOGAGNOLI; VIEIRA, 2015).</p><p>Variáveis Individuais que Podem</p><p>Ajudar ou Prejudicar o Rendimento</p><p>Esportivo</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>97</p><p>Uma das variáveis psicológicas mais estudadas</p><p>e que influenciam diretamente no desempenho</p><p>dos atletas é o humor. O humor reflete os estados</p><p>emocionais, corporais e comportamentais do atle-</p><p>ta, assim como também os sentimentos, os pensa-</p><p>mentos e o entusiasmo na realização da atividade</p><p>(WEINBERG; GOULD, 2017).</p><p>Como já vimos, as características psicológicas</p><p>das pessoas variam de acordo com suas experiências</p><p>e suas vivências. O humor segue este mesmo pa-</p><p>drão, pois segue as exigências provenientes do meio</p><p>em que o atleta está inserido. Um ponto importan-</p><p>te também é compreender que a maneira como a</p><p>pessoa percebe o mundo à sua volta é influenciado</p><p>pelo seu estado de humor, o que pode diminuir ou</p><p>aumentar o impacto dos acontecimentos e tam-</p><p>bém pode influenciar a forma como essa pessoa se</p><p>comportará diante dos fatos (GAZZANIGA; HEA-</p><p>THERTON, 2005).</p><p>Exemplos para isso não faltam, basta observar</p><p>como o atleta comporta-se em situações de treina-</p><p>mento e em situações de competição. A situação de</p><p>treinamento exige atenção e comportamento com-</p><p>patíveis com a realidade, já as competições, os jo-</p><p>gos e as particularidades do momento de confronto</p><p>exigem outro tipo de atenção e comportamento. São</p><p>estas exigências e a forma como o atleta as percebe</p><p>que podem comprometer o seu desempenho e, sa-</p><p>bendo que as exigências em diferentes situações são</p><p>específicas, é que o treinamento de habilidades psi-</p><p>cológicas para evitar as alterações bruscas de humor</p><p>é importante (HAGTVET; HANIN, 2007).</p><p>Quanto mais o atleta aprende a reconhecer</p><p>suas alterações de humor, e quanto mais ele con-</p><p>segue controlá-las, menores as chances de que elas</p><p>influenciem negativamente no seu desempenho. O</p><p>controle emocional e a capacidade de administrar os</p><p>níveis de medo, estresse e ansiedade causados pela</p><p>situação faz com que os atletas sejam mais propen-</p><p>sos a alcançar níveis de ativação considerados óti-</p><p>mos e resultados positivos durante uma competição</p><p>(WEINBERG; GOULD, 2017).</p><p>Entre algumas tentativas de formular conceitos</p><p>sobre como trabalhar para que o desempenho de</p><p>atletas seja o melhor possível, Morgan (1979) desen-</p><p>volveu o que ele chamou de Perfil de Estados de Hu-</p><p>mor, considerado um modelo de saúde mental que</p><p>muitos consideram eficiente para prever o sucesso</p><p>esportivo. Este modelo é avaliado a partir de um</p><p>instrumento psicométrico chamado POMS, que, no</p><p>Brasil, foi validado por Rohlfs et al. (2008) e chama-</p><p>do de Escala de Humor de Brunel (Brums).</p><p>Este instrumento avalia seis características do</p><p>humor do atleta, que podem ser grandes indicati-</p><p>vos de como este está do ponto de vista psicológico</p><p>e também físico. Os fatores avaliados são: Tensão,</p><p>Fadiga, Depressão, Raiva, Confusão Mental e Vi-</p><p>gor. Estes fatores devem ser analisados e podem</p><p>demonstrar</p><p>alguns pontos a serem trabalhados</p><p>com os atletas. São cinco fatores considerados ne-</p><p>gativos e, quando se apresentam elevados, podem</p><p>indicar uma possível queda de desempenho.Vere-</p><p>mos como cada fator pode colaborar com o desem-</p><p>penho dos atletas, na Figura 6:</p><p>98</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>Figura 6 - As seis características do humor do atleta</p><p>Fonte: adaptado de Oliveira et al. (2015); Rotta (2016); Brandt et al. (2011);</p><p>Weinberg e Gould (2017); Rotta et al. (2014).</p><p>A Tensão é uma variável que se refere aos aspectos de tensão músculo-es-</p><p>quelética, que não, necessariamente, é expressa diretamente, mas que alguns</p><p>comportamentos podem ser indicativos, como a agitação, a inquietação e a</p><p>hiperatividade (OLIVEIRA et al., 2015).</p><p>Outro fator com carga negativa é a Fadiga, que,</p><p>muitas vezes, é negada pelos atletas, pois pode sig-</p><p>nificar consequências negativas para este. Ela re-</p><p>presenta estados de esgotamento, apatia e baixo</p><p>nível de energia. Os atletas podem verbalizar que</p><p>não estão cansados, mas podem apresentar, por</p><p>exemplo, alteração na atenção, baixa concentração</p><p>e memória, além de distúrbios de humor e irritabi-</p><p>lidade, que são mais percebidos pelos companhei-</p><p>ros de equipe e pessoas próximas (ROTTA, 2016).</p><p>Ao contrário da agitação percebida pelos índices altos de tensão e a irri-</p><p>tabilidade da fadiga, a Depressão representa um sentimento de inade-</p><p>quação pessoal e leva o atleta a apresentar sentimentos de humor de-</p><p>primido, de autovalorização negativa, isolamento emocional e tristeza.</p><p>Vale lembrar que não estamos nos referindo à depressão clínica, mas</p><p>sim, a um estado depressivo, não patológico (BRANDT et al., 2011).</p><p>SEIS CARACTERÍSTICAS DO</p><p>HUMOR DO ATLETA</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>99</p><p>Muitos atletas podem apresentar, também, senti-</p><p>mentos de hostilidade e antipatia com relação aos</p><p>companheiros de equipe e a si mesmo. Este fator</p><p>é chamado de Raiva, que é considerado um esta-</p><p>do emocional que pode variar desde sentimentos</p><p>de leve irritação até a cólera, que são sentimentos</p><p>associados a estímulos do sistema nervoso autô-</p><p>nomo (WEINBERG; GOULD, 2017).</p><p>A Confusão Mental é um dos fatores também con-</p><p>siderados negativos e que se caracteriza por ser</p><p>uma possível resposta à ansiedade, ao estresse e à</p><p>depressão. Pode ser expressa por sentimentos de</p><p>incerteza, instabilidade para controlar as emoções</p><p>e dificuldade de manter a atenção (ROTTA; ROHL-</p><p>FS; OLIVEIRA, 2014).</p><p>Por fim, temos o fator considerado positivo, o Vigor, que pode ser expres-</p><p>so pelos sentimentos de energia, animação e que são fundamentais para</p><p>o bom desempenho do atleta. A excitação causada pelo vigor é importante</p><p>para que o atleta tenha disposição e energia física (OLIVEIRA et al., 2015).</p><p>100</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>A partir destes seis fatores, Morgan avaliou diver-</p><p>sos atletas de rendimento e chegou ao que ele de-</p><p>nomina Perfil Iceberg. Este perfil aponta que um</p><p>atleta bem-sucedido tem o fator positivo Vigor aci-</p><p>ma da média da população, e os fatores considera-</p><p>dos negativos (Tensão, Depressão, Raiva, Fadiga e</p><p>Confusão Mental) abaixo da média da população.</p><p>Este Perfil Iceberg pode ser melhor compreendido</p><p>por meio da Figura 7:</p><p>O humor é uma boa variável para se verificar</p><p>no contexto esportivo e, como ressaltado, pode dar</p><p>indicativos importantes para se trabalhar com os</p><p>atletas. Não é a única variável que pode atrapalhar o</p><p>desempenho dos atletas, mas o modelo apresentado</p><p>por Morgan (1979) mostra-nos seis fatores que fa-</p><p>zem parte dessa variável psicológica. E se bem ana-</p><p>lisados, estes podem ajudar muito os profissionais</p><p>que trabalham diretamente com os atletas. Buscar a</p><p>excelência esportiva é importante, porém mais im-</p><p>portante é saber como analisar os fatores que podem</p><p>influenciar esta busca.</p><p>Tensão</p><p>Remadores</p><p>Lutadores</p><p>Corredores</p><p>Depressão Raiva Vigor Fadiga Confusão35</p><p>40</p><p>45</p><p>50</p><p>55</p><p>60</p><p>65</p><p>Es</p><p>co</p><p>re</p><p>T</p><p>(5</p><p>0%</p><p>=</p><p>m</p><p>éd</p><p>ia</p><p>d</p><p>a</p><p>po</p><p>pu</p><p>la</p><p>çã</p><p>o</p><p>)</p><p>Figura 7 - Exemplo de Perfil Iceberg descrito por Morgan (1979)</p><p>Fonte: Weinberg e Gould (2017, p. 39).</p><p>Este é apenas um indicativo de que o atleta encon-</p><p>tra-se com saúde mental positiva, mas é impor-</p><p>tante ressaltar que é apenas um indicativo. Outras</p><p>fontes devem ser analisadas para se chegar a uma</p><p>constatação mais confiável. É apenas uma maneira</p><p>de avaliar estes fatores de forma rápida e que pode</p><p>ser um material a ser utilizado durante os treina-</p><p>mentos e competições. Além disso, não deve ser</p><p>utilizado, por exemplo, como um instrumento de</p><p>seleção de atletas, ou para os considerar aptos para</p><p>uma partida ou competição.</p><p>101</p><p>considerações finais</p><p>Nossa Unidade III chega ao fim, e nela abordamos mais alguns elementos que</p><p>são considerados, pela literatura, importantes para compreendermos o papel da</p><p>Psicologia do Esporte e do Exercício no trabalho com os atletas.</p><p>Começamos a Unidade discutindo um pouco sobre uma das variáveis mais</p><p>estudadas no contexto esportivo, a Motivação. Como sabemos, sem motivação</p><p>não conseguimos alcançar nossos objetivos, e com os atletas não é diferente. O</p><p>contexto do esporte é baseado em atingir metas ou, no caso, vencer. É impor-</p><p>tante os profissionais que atuam junto aos atletas compreenderem os principais</p><p>conceitos que circundam a motivação dos atletas e como ela pode influenciar no</p><p>desempenho destes. E isso é importante também para as pessoas que praticam</p><p>alguma atividade física ou algum exercício com o objetivo de alcançar melhor</p><p>qualidade de vida.</p><p>Não é apenas a motivação, no entanto, que se torna importante neste cenário,</p><p>outras características psicológicas também funcionam como uma mola propul-</p><p>sora da busca pelo desempenho. Autoconfiança e expectativas positivas de de-</p><p>sempenho são fundamentais para a caminhada rumo ao sucesso. A pessoa que</p><p>consegue desenvolver a autoconfiança apresenta também um pensamento mais</p><p>propício para que as atividades diárias sejam mais prazerosas e possam, inclusive,</p><p>desenvolver o sentimento de paixão e felicidade na atividade.</p><p>Por isso, é importante que as habilidades psicológicas sejam trabalhadas no</p><p>dia a dia dos atletas. Quanto mais habilidade de controlar as emoções os atle-</p><p>tas apresentarem, melhor eles saberão lidar com elas em momentos de tensão</p><p>e estresse. Por isso, é importante conhecer a si mesmo e desenvolver também a</p><p>habilidade de controlar o humor, bem como os seus fatores envolvidos. Uma pes-</p><p>soa com boa capacidade de controlar suas emoções reconhece que há momentos</p><p>bons e momentos ruins, que isso é normal para todos, a diferença está em saber</p><p>como lidar com esta oscilação das emoções. Controle é muito importante.</p><p>102</p><p>atividades de estudo</p><p>1. De acordo com a Teoria da Autodeterminação, a</p><p>motivação pode ser considerada a partir de duas</p><p>fontes: uma extrínseca e outra intrínseca. Sabe-</p><p>-se, também, que não apenas no esporte com-</p><p>petitivo, mas, nas práticas diárias, a motivação é</p><p>fundamental para alcançar o objetivo proposto</p><p>(DECI; RYAN, 1985). A partir do que se sabe sobre</p><p>a Teoria da Autodeterminação, assinale a alter-</p><p>nativa correta quanto à Motivação Intrínseca de</p><p>Experiências Estimulantes:</p><p>a) Ocorre quando o indivíduo regulariza, en-</p><p>tão, seu comportamento com o objetivo</p><p>de obter uma recompensa, ou evitar uma</p><p>punição. A fonte de controle é perseguida</p><p>pelo indivíduo como sendo completamen-</p><p>te externa a ele.</p><p>b) Ocorre quando o indivíduo identifica-se</p><p>com as consequências (ex: sensação de</p><p>estar mais em forma) e ao comportamento</p><p>(ex: praticar uma atividade física).</p><p>c) É representada por muitos conceitos, tais</p><p>como a exploração, a curiosidade, os obje-</p><p>tivos intrínsecos de aprender, a motivação</p><p>intrínseca intelectual, a motivação intrínse-</p><p>ca de aprender.</p><p>d) Ocorre quando uma pessoa faz uma ati-</p><p>vidade pelo simples prazer, sem objeti-</p><p>vo aparente (nem para aprender, nem</p><p>por realizar qualquer coisa), se não por</p><p>apreciar a atividade; ter o prazer e sentir</p><p>sensações prazerosas representam, pro-</p><p>vavelmente, a sensação mais pura de mo-</p><p>tivação intrínseca.</p><p>e) Ocorre quando uma</p><p>pessoa sente-se moti-</p><p>vada quando faz uma atividade pelo prazer</p><p>e pela satisfação que sente quando a reali-</p><p>za, cria qualquer coisa ou, ainda, tenta um</p><p>desafio difícil.</p><p>2. Estresse, ansiedade e medo são algumas emo-</p><p>ções que ocorrem em todos os seres humanos.</p><p>O medo, assim como outras emoções primárias,</p><p>tem a função de “avisar” o organismo sobre pos-</p><p>síveis perigos que venham a ocorrer. Ele é bené-</p><p>fico e saudável, mas, quando se torna excessivo,</p><p>pode se transformar em um transtorno psicoló-</p><p>gico e prejudicar o desempenho de atletas. So-</p><p>bre o medo, assinale a alternativa correta:</p><p>a) O medo é uma das principais emoções ne-</p><p>gativas que um atleta pode sentir, o que</p><p>pode, em algumas situações, destruir a</p><p>harmonia psíquica do indivíduo.</p><p>b) Sentir medo não tem a ver com fatores cul-</p><p>turais, educacionais e sociais, por isso se</p><p>torna fácil interpretar seus motivos.</p><p>c) Admitir que está com medo é fácil para</p><p>atletas em geral, pelo fato de ser inerente</p><p>a todos os seres humanos.</p><p>d) A atenção e a velocidade de reação dimi-</p><p>nuem quando um atleta está com medo.</p><p>e) Técnicos e dirigentes proíbem seus atletas</p><p>de sentirem medo em competições.</p><p>3. O Treinamento de Habilidades Psicológicas é</p><p>importante tanto para atletas de esportes indi-</p><p>viduais quanto coletivos. Sobre o THP, analise as</p><p>afirmativas a seguir.</p><p>I - É preciso desenvolver programas de acon-</p><p>selhamento psicológico individualizado</p><p>com atletas para que estes possam lidar</p><p>melhor com a sobrecarga emocional cau-</p><p>sada pelas altas exigências do esporte.</p><p>II - É importante identificar níveis de ansieda-</p><p>de e estresse, e o atleta precisa aprender</p><p>a se automonitorar e, assim, direcionar ati-</p><p>vidades específicas que visem a auxiliar os</p><p>atletas a manejar a ansiedade e o estresse</p><p>em situações preparatórias e competitivas.</p><p>103</p><p>atividades de estudo</p><p>III - Tanto atletas quanto comissão técnica</p><p>devem trabalhar em conjunto para que</p><p>os programas de manejo de estresse, de</p><p>coesão de grupo e promoção da saúde e</p><p>bem-estar funcionem.</p><p>Assinale a alternativa correta.</p><p>a) Apenas a afirmativa I está correta.</p><p>b) Apenas a afirmativa II está correta.</p><p>c) Apenas a afirmativa III está correta.</p><p>d) Apenas as afirmativas I e II estão corretas.</p><p>e) Todas as afirmativas estão corretas.</p><p>4. A partir de estudos, Weinberg e Gould (2017)</p><p>definem ansiedade como um estado emocional</p><p>caracterizado por nervosismo, preocupação e</p><p>apreensão, associada à ativação ou à agitação do</p><p>corpo. A ansiedade pode ser um dos fatores que</p><p>afetam o desempenho de atletas tanto nas com-</p><p>petições quanto nos treinamentos, dependendo</p><p>da fase em que a equipe ou o atleta se encontra.</p><p>Além disso, o tipo de esporte pode também ser</p><p>um fator característico para se observar as mani-</p><p>festações da ansiedade no atleta. Sendo assim,</p><p>assinale a alternativa que contenha a descrição</p><p>correta de como os fatores sexo, idade, experiên-</p><p>cia, tipo de esporte e características da situação</p><p>estão relacionados com a ansiedade.</p><p>a) Sexo: indivíduos do sexo feminino apre-</p><p>sentam nível de ansiedade com traço infe-</p><p>rior aos indivíduos do sexo masculino.</p><p>b) Idade: a ansiedade apresenta um aumen-</p><p>to de intensidade desde a fase da adoles-</p><p>cência até a terceira idade, ou seja, a últi-</p><p>ma fase de desenvolvimento é o período</p><p>de vida em que o ser humano se encontra</p><p>com maiores níveis de ansiedade.</p><p>c) Experiência: quanto maior o tempo de</p><p>prática, menor será a ansiedade do atleta</p><p>frente às situações importantes. A vivência</p><p>no esporte faz com que a ansiedade dimi-</p><p>nua.</p><p>d) Tipos de Esporte: os esportes individuais</p><p>tendem a provocar menos ansiedade nos</p><p>atletas.</p><p>e) Características da situação: quanto mais</p><p>complexa a situação, menor será a mani-</p><p>festação da ansiedade no atleta.</p><p>5. Assim como a ansiedade, o estresse e o medo, a</p><p>ativação tem uma influência direta no desempe-</p><p>nho dos atletas. Por isso, autores como Weinberg</p><p>e Gould (2017) trabalham com o objetivo de fa-</p><p>zer com que os atletas compreendam o que</p><p>chamam de estado ótimo de ativação. Assinale</p><p>a alternativa correta sobre o que se entende por</p><p>estado ótimo de ativação:</p><p>a) Um estado emocional negativo com sen-</p><p>timentos de nervosismo, preocupação e</p><p>apreensão.</p><p>b) Estado emocional temporário, em constan-</p><p>te variação, com sentimentos de apreen-</p><p>são e tensão conscientemente percebidos.</p><p>c) Tendência comportamental de perceber</p><p>como ameaçadoras circunstâncias que,</p><p>objetivamente, não são perigosas.</p><p>d) É um estado de desequilíbrio substancial</p><p>entre as demandas físicas e psicológicas</p><p>impostas pela competição.</p><p>e) É uma preparação fisiológica e psicológica</p><p>geral, variando em um continuum de sono</p><p>profundo e uma intensa agitação.</p><p>104</p><p>LEITURA</p><p>COMPLEMENTAR</p><p>Os aspectos psicológicos no contexto esportivo devem ser considerados em todos os</p><p>esportes, independentemente de suas características. Ajudar os atletas a regularem sua</p><p>mente, visando ao sucesso esportivo de maneira saudável é fundamental para que haja</p><p>continuidade de sua carreira e também após o término da carreira, o que não é tão simples</p><p>assim. A Psicologia Esportiva refere-se a aspectos psicológicos que são estudados, com-</p><p>preendidos e aplicados no contexto do esporte de rendimento e da atividade física, tendo</p><p>como função colaborar com os praticantes para melhorar seu desempenho profissional ou</p><p>apenas pela Promoção da Saúde.</p><p>Ao avaliar e analisar os efeitos do esporte no seu praticante, a Psicologia pode contri-</p><p>buir para que este seja capaz de melhorar suas habilidades e alcançar novos objetivos</p><p>(WEINBERG; GOULD, 2008). Não raro, é possível encontrar estudos que destacam o quanto</p><p>os aspectos psicológicos determinam, direta ou indiretamente, o comportamento de atle-</p><p>tas de rendimento. Isso se dá pela especificidade do contexto em que os atletas são subme-</p><p>tidos à constante pressão de uma competição (DESCHAMPS; DE ROSE JR., 2000).</p><p>Esta influência, no entanto, é específica a cada modalidade em questão, por fatores relati-</p><p>vos à rotina de treinos, período de competição, preparação e pós competição. As alterações</p><p>psicológicas e comportamentais que ocorrem com os atletas influenciam o seu desempe-</p><p>nho individual e também do grupo quando se trata de esportes coletivos. Este é um dos</p><p>fatores importantes de serem analisados à medida que se torna possível detectar estas</p><p>mudanças.</p><p>Nos dias atuais, o esporte de alto nível está muito equilibrado no que se refere ao preparo</p><p>físico, técnico e tático, sendo o fator psicológico fundamental na diferença entre um vence-</p><p>dor e um perdedor. A capacidade de um atleta manter a estabilidade emocional colabora</p><p>com seu potencial de alcance de metas, prevenindo, inclusive, que pensamentos negativos</p><p>e incapacitantes invadam sua mente, prejudicando seu desempenho.</p><p>Fonte: Oliveira (2016).</p><p>105</p><p>material complementar</p><p>Guga, um brasileiro</p><p>Gustavo Kuerten</p><p>Editora: Sextante</p><p>Sinopse: é em junho de 1997 que Gustavo Kuerten inicia a maior virada de sua</p><p>vida. O palco é Roland Garros, o torneio de tênis mais charmoso do mundo. Como</p><p>personagem inicialmente coadjuvante e depois protagonista, o desconhecido ca-</p><p>beludo, surfista e boa-praça iria abalar as tradições do esporte refinado e entrar</p><p>para a história mundial do tênis e do esporte brasileiro.</p><p>Mas sua trajetória brilhante rumo ao topo do ranking tem início muito antes,</p><p>quando ainda era criança em Florianópolis, onde seria preparado pela família,</p><p>pelas tragédias e por um treinador que esteve ao seu lado em todos os grandes</p><p>momentos.</p><p>Em um relato absolutamente sincero, empolgante e emocionante, Guga revela,</p><p>por meio de seus sentimentos, as passagens mais marcantes de sua vida. Ele des-</p><p>creve as memórias de sua infância e adolescência com o mesmo estilo modesto e</p><p>divertido que o caracteriza como jogador.</p><p>A forte base familiar, a inspiração no pai, a admiração pelo irmão tenista, o apoio</p><p>irrestrito da mãe, a paixão pelo irmão caçula e a confiança inabalável do treinador</p><p>são peças fundamentais em sua história, a base que o levou a superar a falta de</p><p>incentivo, a descrença</p><p>em si mesmo e os adversários mais temidos de sua época.</p><p>Essa jornada sem igual, passando pelos torneios juvenis e profissionais, o tricam-</p><p>peonato de Roland Garros, a chegada ao topo do ranking mundial, entre outras</p><p>conquistas, é contada a partir da visão única do menino que nasceu para ser cam-</p><p>peão e cativou o coração de todos os brasileiros.</p><p>Indicação para Ler</p><p>106</p><p>referências</p><p>BALAGUER, G. Anxiety: From pumped to panicked.</p><p>In: MURPHY, S. (Ed.). 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E</p><p>Professor Dr. Leonardo Pestillo de Oliveira</p><p>Plano de Estudo</p><p>A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta</p><p>unidade:</p><p>• Como são formados os grupos: coesão</p><p>• Liderança no esporte</p><p>• Comunicação no esporte</p><p>• Competição e cooperação: do início da carreira esportiva à</p><p>profissionalização</p><p>Objetivos de Aprendizagem</p><p>• Caracterizar o contexto do esporte coletivo e como</p><p>algumas variáveis podem ajudar, ou prejudicar, a coesão</p><p>de grupo.</p><p>• Descrever as características de um líder e sua influência no</p><p>rendimento esportivo.</p><p>• Compreender como a comunicação é um ponto importante</p><p>no contexto esportivo, suas qualidades e ruídos.</p><p>• Apresentar como a competição e a cooperação podem</p><p>facilitar o desempenho esportivo desde a infância.</p><p>ELEMENTOS DE GRUPO E O</p><p>CONTEXTO ESPORTIVO</p><p>unidade</p><p>IV</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>S</p><p>eja bem-vindo(a) à Unidade IV da nossa disciplina de Psicolo-</p><p>gia do Esporte e do Exercício. Iniciaremos, neste momento, uma</p><p>discussão acerca de algumas características que são importan-</p><p>tes para pensarmos no contexto esportivo e que envolvem as</p><p>relações humanas.</p><p>Após verificarmos as variáveis individuais que influenciam o desem-</p><p>penho esportivo e também a prática de atividades físicas, falaremos so-</p><p>bre elementos de grupo. O primeiro ponto a ser discutido é justamente a</p><p>coesão, elemento dos mais importantes quando se trata de trabalho em</p><p>equipe, pois o trabalho que depende do esforço e da colaboração de todos</p><p>precisa ser trabalhado diariamente.</p><p>Uma figura que influencia diretamente na coesão de grupo é o líder, o</p><p>sujeito responsável por orientar e estabelecer determinados planos de traba-</p><p>lho para a equipe. O estilo de liderança exerce influência direta sobre o com-</p><p>portamento dos atletas e, consequentemente, no desempenho da equipe.</p><p>Mas a liderança também precisa ser pensada nos esportes individuais, em</p><p>que a relação se torna mais próxima e também sofre com outras variáveis.</p><p>Tanto para uma equipe esportiva ter sucesso quanto para o líder da</p><p>equipe ter influência positiva sobre os atletas, é preciso estabelecer ca-</p><p>nais de comunicação satisfatórios. Falar apenas não basta, é preciso saber</p><p>falar, assim como é preciso saber ouvir. Estas são apenas algumas carac-</p><p>terísticas que devemos pensar quando estabelecermos canais de comuni-</p><p>cação. Veremos como esse processo funciona e quais suas influências no</p><p>desempenho dos atletas.</p><p>Para finalizar a Unidade IV, abordaremos um tema complexo, princi-</p><p>palmente quando se trata de esporte infantil: a competição esportiva. Há</p><p>divergência sobre os riscos e benefícios que a competição pode trazer às</p><p>crianças, e discutiremos algumas destas divergências. Abordaremos algumas</p><p>características envolvidas no contexto competitivo e também qual o papel da</p><p>cooperação entre pares durante o processo de desenvolvimento da carreira.</p><p>114</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>Vamos nos concentrar, neste momento, nos pro-</p><p>cessos grupais. Mesmo os esportes individuais são</p><p>compostos por equipes que passam grande parte</p><p>do tempo treinando em grupos. A maioria dos téc-</p><p>nicos, professores e demais instrutores trabalham,</p><p>diariamente, com grupos, o que torna este tópico</p><p>importante para tratarmos de alguns elementos que</p><p>compõem o trabalho de uma equipe.</p><p>Todas as variáveis psicológicas voltadas para o</p><p>indivíduo, como a personalidade, a motivação, o hu-</p><p>mor, entre outras precisam também ser trabalhadas</p><p>no grupo. Imaginem um grupo de atletas que traba-</p><p>lham diariamente em busca de um mesmo objetivo</p><p>e cada um tem um objetivo, cada um tem uma mo-</p><p>tivação específica e não consegue exatamente traba-</p><p>lhar estas variáveis de forma conjunta. Isso dificulta</p><p>Como são Formados os Grupos:</p><p>Coesão</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>115</p><p>muito o alcance das metas que foram delimitadas no</p><p>início do trabalho.</p><p>Uma das estratégias utilizadas por técnicos</p><p>de sucesso é, já no início da temporada, assegurar</p><p>que todos os seus jogadores se ajustem ao conceito</p><p>de equipe e apoiem uns aos outros (WEINBERG;</p><p>GOULD, 2017). Mas, claro, a coesão de equipe não</p><p>é o único fator que pode levar ao sucesso, há outros</p><p>fatores envolvidos no processo. Há exemplos de</p><p>equipes que apresentam resultados positivos mesmo</p><p>com uma aparente falta de coesão.</p><p>Uma das primeiras definições de coesão foi re-</p><p>alizada por Festinger, Schacter e Back, em 1950,</p><p>delimitando que ela seria um campo composto por</p><p>forças que agem para que os membros permaneçam</p><p>no grupo (CARRON et al., 2002). Estas forças se-</p><p>riam definidas como: a) a atratividade do grupo e b)</p><p>o controle dos meios.</p><p>A atratividade do grupo é um elemento que se</p><p>expressa no desejo de um indivíduo ter interações</p><p>interpessoais com outros membros do grupo e de</p><p>se envolver nas atividades deste grupo. Já o con-</p><p>trole dos meios refere-se aos benefícios que um</p><p>indivíduo pode obter ao fazer parte de um grupo</p><p>(WEINBERG; GOULD, 2017).</p><p>Mais recentemente, Carron, Brawley e Widmeyer</p><p>(1998) trouxeram outra definição mais abrangente,</p><p>em que a coesão é considerada um processo dinâmi-</p><p>co que se reflete na tendência de um grupo unir-se e</p><p>permanecer unido, sempre em busca de objetivos e/</p><p>ou para satisfazer as necessidades afetivas dos mem-</p><p>bros deste grupo. Esta definição leva a compreender</p><p>a coesão como elemento multidimensional e tam-</p><p>bém acrescenta dois fatores principais, a coesão para</p><p>a tarefa e a coesão social.</p><p>Quando nos referimos à coesão para a tarefa,</p><p>temos em mente que significa o quanto os mem-</p><p>bros de um grupo trabalham juntos em função</p><p>de objetivos comuns, neste caso, a conquista</p><p>de títulos e vitórias. Já a coesão social reflete o</p><p>quanto os membros desta equipe gostam uns dos</p><p>outros e também gostam de permanecer na com-</p><p>panhia desses mesmos membros (NASCIMEN-</p><p>TO JUNIOR; VIEIRA, 2013).</p><p>Do ponto de vista teórico, o ideal seria que uma</p><p>equipe refletisse os dois tipos de coesão de forma</p><p>satisfatória e elevada. Mas nem sempre isso ocorre,</p><p>pois, como Weinberg e Gould (2017) relatam, diver-</p><p>sas equipes obtiveram resultados importantes, mas</p><p>com problemas de coesão. Um exemplo disso foi a</p><p>equipe do Los Angeles Lakers, no início dos anos</p><p>2000, em que havia baixa coesão social, exemplifi-</p><p>cada por discussões, brigas e comportamentos de</p><p>subgrupos. Mesmo com estes problemas, a coesão</p><p>para a tarefa era tão alta que supria a deficiência da</p><p>coesão social, pois mesmo que atletas como Kobe</p><p>Bryant e Shaquille O’Neal não se entendessem fora</p><p>de quadra, dividiam o mesmo objetivo de vitória, re-</p><p>sultando em títulos.</p><p>Para compreender melhor esta discussão, Car-</p><p>ron (1982) desenvolveu um modelo conceitual (Fi-</p><p>gura 1) que auxilia na compreensão de como há di-</p><p>versos fatores envolvidos neste processo de coesão</p><p>de uma equipe.</p><p>116</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>A ideia do modelo é demonstrar que há 4</p><p>fatores principais que afetam diretamente o</p><p>desenvolvimento da coesão:</p><p>1. Fatores Ambientais</p><p>2. Fatores Pessoais</p><p>3. Fatores de Liderança</p><p>4. Fatores de Equipe.</p><p>FATORES DE LIDERANÇA</p><p>Todo grupo precisa de uma liderança asser-</p><p>tiva, e com isso este é um dos fatores con-</p><p>siderados importantes para a manutenção</p><p>da coesão de grupo. Elementos como uma</p><p>boa comunicação entre técnicos e atletas in-</p><p>fluencia significativamente na coesão (CAS-</p><p>TELLANI, 2012). Assim como características</p><p>negativas de um técnico, podem afetar ne-</p><p>gativamente a coesão.</p><p>FATORES AMBIENTAIS</p><p>São considerados os fatores mais gerais e</p><p>envolvem as normas que mantêm um gru-</p><p>po unido. Entre estas normas pode-se citar</p><p>os contratos com empresários, bolsas de</p><p>estudo e até as expectativas que a família</p><p>tem sobre o futuro deste atleta. Estes ele-</p><p>mentos podem manter um grupo unido</p><p>pois</p><p>às vezes limitam as escolhas de quais</p><p>grupos gostaria de fazer parte (NASCIMEN-</p><p>TO JUNIOR; VIEIRA, 2013).</p><p>FATORES PESSOAIS</p><p>Os fatores pessoais referem-se às carac-</p><p>terísticas individuais que cada membro do</p><p>grupo apresenta. Há características que</p><p>se assemelham, mas também característi-</p><p>cas que são muito diferentes mas há de se</p><p>considerar que a satisfação pessoal é uma</p><p>das características mais importantes para a</p><p>manutenção da coesão (CARRON; DENNIS,</p><p>2001). Há diversos benefícios pessoais que</p><p>podem surgir e estão relacionados à coesão</p><p>como por exemplo a paixão, a autoeficácia</p><p>e níveis menores de ansiedade e depressão</p><p>(PARADIS; MARTIN; CARRON, 2012).</p><p>FATORES DE EQUIPE</p><p>Por fim, há elementos como as normas de</p><p>produtividade do grupo, os papéis desen-</p><p>volvidos pelos atletas e a estabilidade da</p><p>equipe que podem influenciar a coesão. As</p><p>pesquisas têm mostrado que equipes que</p><p>permanecem unidas por longo tempo ten-</p><p>dem a apresentar níveis elevados de coesão</p><p>de grupo. Mesmo as derrotas e fracassos,</p><p>quando compartilhados entre os membros</p><p>do grupo, podem ser importantes para a</p><p>manutenção da coesão pois demonstra a</p><p>união entre os membros (CARRON et al.,</p><p>2002).</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>117</p><p>Altos níveis de coesão de grupo podem também aumentar o desempenho pois podem produzir</p><p>aumento do esforço dos envolvidos no grupo. Mas nem sempre isso é fácil, pois em alguns casos</p><p>os objetivos são traçados para o grupo como um todo, e buscar objetivos comuns esbarra em ca-</p><p>racterísticas individuais, como já vimos. As metas dos grupos não são resultado da soma das metas</p><p>individuais. Por isso, uma liderança com características positivas (comunicação efetiva e aberta)</p><p>para a manutenção da coesão se torna importante, levando os atletas a se envolverem no processo</p><p>e gerando possíveis resultados positivos.</p><p>Fatores Abientais</p><p>• Responsabilidade contratual</p><p>• Orientação organizacional</p><p>Coesão</p><p>• Relacionada à tarefa</p><p>• Coesão Social</p><p>Fatores de Equipe</p><p>• Tarefa do grupo</p><p>• Desejo por sucesso do grupo</p><p>• Capacidade de equipe</p><p>• Estabilidade da equipe</p><p>Fatores Pessoais</p><p>• Orientação individual</p><p>• Satisfação</p><p>• Diferenças individuais</p><p>Resultados de grupo</p><p>• Estabilidade de equipe</p><p>• Efetividade absoluta e relativa do desempenho</p><p>Fatores de Liderança</p><p>• Comportamento de liderança</p><p>• Estilo de liderança</p><p>• Personalidade dos técnicos e atletas</p><p>Resultados individuais</p><p>• Consequências compartamentais</p><p>• Efetividade absoluta e relativa do desempenho</p><p>• Satisfação</p><p>Figura 1 - Modelo conceitual de coesão esportiva</p><p>Fonte: adaptada de Carron (1982-X).</p><p>118</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>Liderança no Esporte</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>119</p><p>O sucesso de um atleta perpassa diversos elementos,</p><p>entre eles a qualidade da liderança. Principalmente no</p><p>esporte infantil, o técnico e/ou professor deve ensinar</p><p>a seus atletas quando é apropriado competir e quando</p><p>é apropriado cooperar (WEINBERG; GOULD, 2017).</p><p>Seja no esporte coletivo, seja no individual, o</p><p>desempenho só será positivo frente a uma liderança</p><p>eficaz, com boa qualidade de comunicação e com es-</p><p>tilos de liderança sob uma perspectiva multidimen-</p><p>sional. É preciso pensar, ainda, sobre a liderança que</p><p>ocorre entre os próprios atletas. Não apenas técni-</p><p>cos, mas também atletas são considerados grandes</p><p>líderes, mesmo que aos olhos do público isso não</p><p>seja tão visível.</p><p>As discussões sobre liderança no contexto es-</p><p>portivo tiveram base nos modelos teóricos da Psi-</p><p>cologia Organizacional, porém com algumas dife-</p><p>renças quanto às definições. São várias também as</p><p>definições de liderança, pois cada autor conceitua de</p><p>acordo com sua perspectiva teórica, autores diferen-</p><p>tes apresentam definições diferentes (NOCE; COS-</p><p>TA; LOPES, 2009).</p><p>Northouse (2010) define liderança como um</p><p>processo pelo qual uma pessoa exerce influência</p><p>sobre um grupo ou uma outra pessoa para que</p><p>este alcance um determinado objetivo. No contex-</p><p>to esportivo, pensar em liderança é pensar em um</p><p>elemento multidimensional, em que as ações de</p><p>um líder visam a tomar decisões, motivar os par-</p><p>ticipantes do processo e oferecer feedback cons-</p><p>trutivo, o que visa também a mais qualidade nas</p><p>relações interpessoais.</p><p>120</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>Figura 2 - O modelo multidimensional de liderança no esporte</p><p>Fonte: Chelladurai (2007).</p><p>5 7</p><p>6</p><p>4</p><p>2</p><p>3</p><p>Características situacionais</p><p>Características do líder</p><p>Características dos membros</p><p>Comportamento requerido</p><p>Comportamento real</p><p>Comportamento preferido</p><p>Desempenho e satisfação</p><p>Antecedentes Comportamento do líder Consequências</p><p>1</p><p>De acordo com este modelo, o objetivo final é levar o</p><p>atleta à satisfação e ao desempenho positivo. Mas es-</p><p>tas consequências dependem de alguns antecedentes</p><p>que são a situação, o líder e os membros da equipe</p><p>(Características situacionais, Características do líder</p><p>e Características dos membros), que levam a três ti-</p><p>pos de comportamento do líder: o comportamento</p><p>requerido pela situação, o comportamento real, ba-</p><p>seado nas características próprias do líder, e o com-</p><p>portamento preferido, baseado nas características</p><p>preferidas pelos membros da equipe (WEINBERG;</p><p>GOULD, 2017).</p><p>Quando uma equipe ou um atleta alcança um</p><p>resultado positivo, é possível que os três aspectos do</p><p>comportamento do líder estejam de acordo. É um</p><p>cenário em que o líder se comporta de maneira ade-</p><p>quada ao que a situação exige, e estes comportamen-</p><p>tos são, ao mesmo tempo, ajustados às preferências</p><p>dos membros do grupo. Se estas três características</p><p>do líder estão de acordo, e o resultado da equipe/</p><p>atleta foram positivos, é provável que estes atletas</p><p>sintam-se satisfeitos (CHELLADURAI, 2007).</p><p>Este modelo multidimensional de liderança no</p><p>esporte foi, ao longo dos anos, utilizado por mui-</p><p>tos profissionais inseridos no contexto e também foi</p><p>assunto de diversos trabalhos científicos. Tanto que</p><p>a Escala de Liderança Esportiva (CHELLADURAI;</p><p>RIEMER, 1998) foi desenvolvida para medir com-</p><p>portamentos de liderança, incluindo as preferências</p><p>dos atletas por comportamentos específicos. Esta es-</p><p>cala avalia cinco dimensões que são relacionadas ao</p><p>processo de liderança no esporte. São elas:</p><p>Pensando na questão multidimensional de lide-</p><p>rança, Chelladurai (2007) desenvolveu um mo-</p><p>delo especificamente para a atividade física e o</p><p>esporte, chamado Modelo Multidimensional de</p><p>Liderança no Esporte. A principal característica</p><p>deste modelo é que a eficiência do líder esportivo</p><p>é variável, e depende das características dos atle-</p><p>tas e dos limites impostos pela situação. A repre-</p><p>sentação gráfica deste modelo pode ser observada</p><p>na Figura 2.</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>121</p><p>técnicos e atletas trabalham juntos e, geralmente,</p><p>por um longo tempo, em uma relação de dependên-</p><p>cia mútua (LORIMER; JOWETT, 2014).</p><p>Um líder deve estimular seus atletas para que</p><p>desenvolvam características desejáveis dentro do</p><p>contexto esportivo e fora dele. Isso poderá transfor-</p><p>má-lo em um líder no futuro. Diversas característi-</p><p>cas foram descritas aqui que podem ajudar os atletas</p><p>a alcançarem um desempenho desejável. Empatia,</p><p>comunicação efetiva, flexibilidade quanto aos estilos</p><p>de liderança e saber emitir feedback possibilitam ao</p><p>líder alcançar junto com os atletas a satisfação dos</p><p>resultados atingidos.</p><p>mente, os atletas como consequência</p><p>de um comportamento positivo, um</p><p>bom desempenho, por exemplo. Este</p><p>comportamento depende do desempe-</p><p>nho e é mais específico e voltado ao de-</p><p>sempenho esportivo.</p><p>4. Comportamento democrático: com-</p><p>portamento do técnico que visa a ga-</p><p>rantir que os atletas participem das</p><p>decisões sobre as metas do grupo, mé-</p><p>todos de treino e estratégias que serão</p><p>traçadas.</p><p>5. Comportamento autocrático: compor-</p><p>tamento do técnico que visa a tomar de-</p><p>cisões de forma individual, independen-</p><p>temente da opinião dos atletas. É um</p><p>comportamento que enfatiza a autorida-</p><p>de ao colocar em prática suas decisões.</p><p>Estes estilos de liderança descritos são importantes,</p><p>pois não definem exatamente o que um técnico deve</p><p>fazer,</p><p>ou deixar de fazer, para ser um grande líder.</p><p>Não há combinação perfeita de comportamentos</p><p>para isso, o ideal é que os comportamentos do téc-</p><p>nico sejam ajustados às preferências dos membros</p><p>e às necessidades da situação, o que pode gerar um</p><p>ótimo desempenho e maior satisfação dos atletas</p><p>(CHELLADURAI, 2014).</p><p>O desafio de um líder é justamente determinar</p><p>qual estilo deverá se ajustar melhor às circunstâncias</p><p>para que, assim, possa adaptar seu estilo dominan-</p><p>te a uma situação específica. No contexto esportivo,</p><p>1. Comportamento treino-instrução</p><p>(comportamentos instrutivos): são</p><p>características do técnico que se tradu-</p><p>zem em comportamento instrutivo para</p><p>tentar melhorar o desempenho dos</p><p>atletas. São instruções técnicas sobre</p><p>habilidades, técnicas e estratégias.</p><p>2. Comportamento de apoio social: com-</p><p>portamento do técnico que visa ao bem-</p><p>-estar dos atletas e tenta estabelecer</p><p>um relacionamento afetuoso entre eles.</p><p>Este apoio social independe do desem-</p><p>penho dos atletas e ultrapassa as fron-</p><p>teiras do esporte, é um olhar também</p><p>para as questões pessoais do atleta.</p><p>3. Comportamento de feedback positi-</p><p>vo: comportamento do técnico que visa</p><p>a elogiar ou recompensar, consistente-</p><p>122</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>Já do ponto de vista da liderança, a comunicação</p><p>afetiva e aberta pode melhorar a coesão de grupo e</p><p>ter impacto direto no desempenho. Boas habilidades</p><p>de comunicação figuram entre os aspectos mais im-</p><p>portantes que contribuem para um desempenho no</p><p>contexto esportivo e também para um crescimento</p><p>pessoal para participantes de esportes e atividades</p><p>físicas (WEINBERG; GOULD, 2017). Mas não é tão</p><p>simples assim estabelecermos canais de comunica-</p><p>ção adequados.</p><p>Comunicação no Esporte</p><p>Os estudos que se debruçam nas temáticas discu-</p><p>tidas anteriormente, a saber, a coesão de grupo e</p><p>a liderança, trabalham com um elemento em co-</p><p>mum, que facilita a união do grupo e, também, o</p><p>desenvolvimento de uma liderança saudável e as-</p><p>sertiva. Estamos falando da comunicação. Quando</p><p>se pretende, por exemplo, mudar as características</p><p>de uma equipe, não há elemento que substitua um</p><p>canal de comunicação para que todos os elementos</p><p>sejam esclarecidos.</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>123</p><p>Este modelo apresentado na Figura 3 é muito utili-</p><p>zado para se compreender como as pessoas se co-</p><p>municam. No entanto, é preciso pensar que a co-</p><p>municação pode ser compreendida de duas formas.</p><p>A primeira delas é o que se conhece por Comuni-</p><p>cação Interpessoal, que ocorre, geralmente, quan-</p><p>do envolve, ao menos, duas pessoas. A segunda é</p><p>chamada de Comunicação Intrapessoal, que é a</p><p>comunicação que a pessoa tem com ela mesma, co-</p><p>nhecida também como diálogo interior (SAMUL-</p><p>SKI; LOPES, 2009).</p><p>A Comunicação Interpessoal é a mais comum</p><p>de ser observada e é a referência que temos quan-</p><p>do se fala em comunicação. Uma pessoa envia uma</p><p>mensagem, a outra recebe e interpreta, mas, nes-</p><p>te processo, muitas vezes, ocorrem distorções do</p><p>conteúdo enviado, é mal interpretada, o que pode</p><p>gerar alguns problemas. A comunicação não verbal</p><p>é um fator importante neste tipo de comunicação,</p><p>e, no contexto esportivo, muitas vezes, os compor-</p><p>tamentos não verbais dos adversários podem in-</p><p>fluenciar nas expectativas de resultados dos atletas</p><p>(BUSCOMBE et al., 2006).</p><p>Todos conversam consigo mesmos, portan-</p><p>to, a Comunicação Intrapessoal é mais comum do</p><p>que imaginamos, além de ser muito importante.</p><p>Essa comunicação interna ajuda a pessoa a mode-</p><p>lar e a prever com ela age e se comporta. Quanto</p><p>mais positiva essa comunicação interna, maiores as</p><p>chances de influenciar, por exemplo, a motivação da</p><p>pessoa para a prática de exercícios e também atle-</p><p>tas a continuarem na busca por melhores resultados</p><p>(WEINBERG; GOULD, 2017).</p><p>Há algumas diretrizes que podem ser utilizadas</p><p>para que o processo de comunicação seja mais eficaz</p><p>(MARTENS, 1987). Algumas dessas diretrizes po-</p><p>dem ser observadas no Quadro 1:</p><p>Um dos problemas mais comuns na comuni-</p><p>cação é o quanto as pessoas esperam que os outros</p><p>leiam suas mentes, compreendam o que elas querem</p><p>dizer sem ao menos emitir um mínimo de informa-</p><p>ções suficientes para serem compreendidas (SERPA,</p><p>2002). Isso é o que os pesquisadores chamam de</p><p>rupturas do processo de comunicação, e esta inefi-</p><p>ciência na comunicação pode gerar efeitos negati-</p><p>vos nas relações que são estabelecidas (WEINBERG;</p><p>GOULD, 2017).</p><p>Martens (1987) descreve que a comunicação</p><p>ocorre segundo um processo básico, que pode</p><p>ser dividido em cinco passos. O primeiro passo</p><p>(1) é a decisão pessoal de enviar uma mensagem;</p><p>em seguida, (2) esta mesma pessoa codifica-a, ou</p><p>seja, transforma os pensamentos em uma mensa-</p><p>gem que possa ser interpretada; após codificá-la, a</p><p>transmite (3) para um receptor. Essa transmissão,</p><p>geralmente, é feita por meio de palavras, mas tam-</p><p>bém pode ser não verbal. Ocorre, então, a recep-</p><p>ção (4) dessa mensagem, que é interpretada pelo</p><p>receptor e, em seguida, ocorre uma resposta inter-</p><p>na, baseada em emoções (interesse, raiva ou alívio</p><p>pela mensagem). Esses passos podem ser observa-</p><p>dos na Figura 3:</p><p>Figura 3 - Etapas do Processo de Comunicação</p><p>Fonte: adaptada de Martens (1987).</p><p>Decisão de enviar</p><p>uma mensagem</p><p>Resposta interna do</p><p>receptor à mensagem</p><p>Traduz pensamentos</p><p>em uma mensagem</p><p>Receptor interpreta a</p><p>mensagem</p><p>Mensagem canalizada</p><p>(verbal e não verbal)</p><p>124</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>Mesmo que uma pessoa utilize estratégias para se</p><p>comunicar melhor, há sempre alguns ruídos que</p><p>ocorrem neste processo. A comunicação eletrônica</p><p>facilita e melhora a rapidez da comunicação, mas</p><p>não impede que ela seja ineficiente em alguns as-</p><p>pectos. Alguns pontos são importantes de se com-</p><p>preender quando falamos de falhas no processo de</p><p>comunicação (WEINBERG; GOULD, 2017).</p><p>Uma das falhas mais comuns é a do emissor da</p><p>mensagem, que pode ser enviada de forma insatisfató-</p><p>ria. A mensagem também pode ter uma característica</p><p>de incoerência, pois algumas pessoas dizem algo hoje</p><p>e amanhã já mudam de ideia e dizem algo oposto ao já</p><p>dito. Mas o receptor também pode ser responsável pe-</p><p>las falhas de comunicação ao interpretar, erroneamen-</p><p>te, uma mensagem, ou quando “deixam de escutar”.</p><p>Pode-se considerar três níveis de escuta: Nível 1:</p><p>escuta ativa, que denota a forma correta de se escutar</p><p>uma mensagem; Nível 2: refere-se a escutar apenas</p><p>o conteúdo quando ele é dito, gerando, no emissor, a</p><p>sensação de desinteresse do receptor; Nível 3: ocorre</p><p>quando o receptor ouve apenas uma parte da men-</p><p>sagem, o que leva a não compreender a mensagem</p><p>correta (SAMULSKI; LOPES, 2009).</p><p>Diretrizes Descrição das diretrizes</p><p>Ser direto Não espere que as pessoas descubram o que se passa na sua mente. Enviar a mensa-</p><p>gem indiretamente causa interpretações equivocadas.</p><p>Ser dono de sua men-</p><p>sagem</p><p>Se você está emitindo uma mensagem, seja claro e diga “eu”. O que você diz, é o que</p><p>você acredita. Não use outras pessoas para se proteger. Evite dizer “a equipe acha...”,</p><p>“a maioria acha”.</p><p>Ser completo e espe-</p><p>cífico</p><p>Forneça todas as informações que o outro precisa receber para compreender sua</p><p>mensagem.</p><p>Ser claro e consistente Evite mensagens duplas, pois emitem significados contraditórios, causam confusão.</p><p>Um técnico precisa ser claro ao dizer os motivos pelos quais está escalando um atleta.</p><p>Expresse suas neces-</p><p>sidades e sentimentos</p><p>claramente</p><p>Os relacionamentos íntimos precisam ser baseados na confiança, e compartilhar sen-</p><p>timentos é importante para um grupo de pessoas que buscam os mesmos objetivos.</p><p>Demonstre apoio Não envie mensagens baseadas em ameaças, sarcasmo ou julgamentos. Isso pode</p><p>gerar falta de interesse do receptor quanto à mensagem.</p><p>Reforce com repetição Repita (com cautela) os pontos importantes para reforçar o que pretende que as pes-</p><p>soas entendam sobre o que está querendo dizer.</p><p>Adeque a mensagem</p><p>ao receptor</p><p>Saiba com quem está falando para que sua mensagem possa ser adaptada e melhor</p><p>compreendida pelo receptor. O vocabulário utilizado é importante</p><p>neste processo.</p><p>Quadro 1 - Diretrizes para o envio de mensagens verbais e não verbais eficazes</p><p>Fonte: Martens (1987).</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>125</p><p>126</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>soas com base em seu desempenho comparado ao</p><p>de outros indivíduos, realizando a mesma tarefa ou</p><p>participando do mesmo evento”.</p><p>O caráter de recompensa é um dos elementos</p><p>de discussão neste contexto, tendo em vista que</p><p>recompensar alguém por uma vitória significa, au-</p><p>tomaticamente, alimentar a noção de fracasso de</p><p>outros atletas ou equipes. Mas nem sempre isso é o</p><p>que ocorre, pois o sucesso pode ser medido também</p><p>pelo que se conhece por cooperação.</p><p>Coakley (1994, p. 79) ainda apresenta a definição</p><p>de cooperação como sendo “um processo social por</p><p>meio do qual o desempenho é avaliado e recompen-</p><p>sado em termos da realização coletiva de um grupo</p><p>de pessoas que trabalham juntas para alcançar de-</p><p>Competição e Cooperação:</p><p>do Início da Carreira Esportiva</p><p>à Profissionalização</p><p>Toda competição exige dos atletas dedicação e preparo</p><p>específicos para alcançar os objetivos traçados. Preci-</p><p>samos entender quais os efeitos positivos e negativos</p><p>que a competição e a cooperação causam no contexto</p><p>esportivo. Mas esta compreensão visa, principalmen-</p><p>te, ao equilíbrio entre estes dois contextos que são im-</p><p>portantes para o desenvolvimento do atleta.</p><p>O que seria, então, competição? Segundo</p><p>Weinberg e Gould (2017), este termo é utilizado em</p><p>diversas situações, mas apresentam definições de di-</p><p>versos outros autores que se concentram em situa-</p><p>ções nas quais as pessoas competem contra outras,</p><p>em atividades físicas organizadas. Coakley (1994,</p><p>p. 78) define competição como “um processo social</p><p>que ocorre quando são dadas recompensas às pes-</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>127</p><p>terminado objetivo”. Este elemento retira a ideia de</p><p>um vencedor e preza pela recompensa coletiva, em</p><p>que é compartilhada por todos no grupo, cujo suces-</p><p>so depende diretamente da coletividade.</p><p>Martens (1975) descreve que a competição é</p><p>mais do que apenas um evento isolado, pois envolve</p><p>quatro estágios distintos. Estes quatro estágios po-</p><p>dem ser observados a seguir:</p><p>Estágio 1 - Situação competitiva obje-</p><p>tiva</p><p>Inclui um padrão para comparação (nível</p><p>de desempenho passado) e pelo menos</p><p>uma outra pessoa (desempenho de outra</p><p>pessoa).</p><p>Estágio 3 - Resposta</p><p>A pessoa avalia a situação e decide en-</p><p>frentar ou evitar. Se a decisão é de não</p><p>competir, então a resposta se encerra</p><p>aqui. Mas se a decisão for competir, pode</p><p>ocorrer no nível comportamental, fisio-</p><p>lógico, psicológico ou nos três níveis. As</p><p>instalações, o clima, o tempo e a capacida-</p><p>de do adversário são algumas influências</p><p>externas que podem ocorrer.</p><p>Estágio 2 - Situação competitiva sub-</p><p>jetiva</p><p>Refere-se ao modo como a pessoa</p><p>percebe, aceita e avalia a situação</p><p>competitiva objetiva. Os antecedentes</p><p>e os atributos únicos do sujeito passam</p><p>a ser importantes. Capacidade percebi-</p><p>da, motivação, importância da situação</p><p>influenciam a avaliação subjetiva.</p><p>Quadro 2 - Estágios do processo competitivo</p><p>Fonte: adaptado de Martens (1975).</p><p>Estágio 4 - Consequências</p><p>Resulta da comparação entre a resposta</p><p>do atleta e o padrão comparativo. As con-</p><p>sequências são, geralmente, vistas como</p><p>positivas ou negativas. Mas a percepção</p><p>que o atleta tem das consequências é</p><p>mais importante que o resultado prático.</p><p>128</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>Podemos classificar os técnicos baseando em</p><p>cinco estilos principais de tomada de decisão:</p><p>autocrático, autocrático-consultivo, consul-</p><p>tivo-individual, consultivo-grupal e grupal.</p><p>Embora os estilos de decisão autocrático e</p><p>consultivo-grupal sejam os preferidos dos</p><p>treinadores, a escolha do estilo de decisão</p><p>mais eficiente depende do técnico e de sua</p><p>situação particular.</p><p>Fonte: Chelladurai e Trail (2001).</p><p>SAIBA MAIS</p><p>dos competidores. Mas a competição em si não pro-</p><p>duz o atleta agressivo e hostil. O que determina este</p><p>tipo de comportamento e sentimento é o foco em</p><p>fazer qualquer coisa para vencer, mesmo que isso</p><p>signifique prejudicar seu adversário (WEINBERG;</p><p>GOULD, 2017).</p><p>Para os gregos, a competição era um princípio</p><p>vital, e o sujeito crescia e se desenvolvia imerso em</p><p>um espírito criador, um competidor (RUBIO, 2002).</p><p>Mas estes fatos ocorrem em casos extremos. Há di-</p><p>versas situações esportivas de competição em que os</p><p>atletas aprendem a ajudar os companheiros, a traba-</p><p>lharem em conjunto na busca dos mesmos objetivos,</p><p>e isso reduz a ênfase dada pelas pressões pela vitória.</p><p>Estas características de grupo geram um ambiente</p><p>social mais positivo e melhoram o desempenho.</p><p>É importante que as crianças se insiram em am-</p><p>bientes esportivos competitivos desde cedo, mas a</p><p>competição infantil deve ser baseada em práticas</p><p>pedagógicas, principalmente no contexto educacio-</p><p>nal, para que estas atividades gerem a possibilidade</p><p>de raciocínio e reflexão sobre o contexto (RUFINO</p><p>et al., 2016). O esporte competitivo, desde que tra-</p><p>balhado de forma educativa com as crianças, possi-</p><p>bilita a compreensão de que ele pode desenvolver a</p><p>inclusão, a cooperação e a divisão de tarefas. Nin-</p><p>guém está sozinho no esporte, e a cooperação entre</p><p>os envolvidos é muito importante (TUBINO, 2010).</p><p>As atividades que são realizadas em cooperação</p><p>tendem a produzir desempenho melhor do que o</p><p>competitivo, no entanto, quando a atividade deve</p><p>ser realizada com outra pessoa, os resultados são</p><p>sempre melhores do que quando trabalham sozi-</p><p>nhos. Cooke et al. (2011) avaliaram diversas pessoas</p><p>em atividades simples que envolviam alcançar resul-</p><p>tados em que deveriam dar o melhor de si. Quando</p><p>realizaram as atividades sozinhas, o resultado foi</p><p>Todo processo social precisa ser pensado de forma</p><p>específica. Cada estágio apresentado sofre influência</p><p>dos demais estágios, dos fatores ambientais exter-</p><p>nos, e o processo de competição deve conter o papel</p><p>do processo de socialização e o contexto social para</p><p>determinar a orientação das ações (WEINBERG;</p><p>GOULD, 2017). As atitudes esportivas surgem des-</p><p>de idades pouco avançadas na vida do ser humano,</p><p>e as diferenças naturais que ocorrem, por exemplo,</p><p>por conta do sexo, são resultados das questões so-</p><p>ciais presentes, e não de questões apenas naturais</p><p>(ECCLES; HAROLD, 1991).</p><p>O contexto competitivo, em que a ênfase é dada</p><p>no processo de vencer e derrotar um adversário, pro-</p><p>duz a ideia de hostilidade e agressividade por parte</p><p>A percepção que os atletas têm da situação esportiva</p><p>é muito importante. E isso só é possível com a ajuda</p><p>de técnicos, pais e demais profissionais do contex-</p><p>to esportivo. Considerando a competição como um</p><p>processo social aprendido e que sofre influência do</p><p>ambiente, é preciso pensar nos estágios definidos</p><p>por Martens como fundamentais para se compreen-</p><p>der o ambiente esportivo.</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>129</p><p>sempre inferior do que quando realizaram as ativi-</p><p>dades na presença de outras pessoas, quando envol-</p><p>via competição.</p><p>A presença de um adversário faz com que as</p><p>pessoas se dediquem mais do que quando estão so-</p><p>zinhas. Isso pode representar que elas sentem mais</p><p>necessidade de esforço quando sua atividade depen-</p><p>de de outras pessoas, ou quando outras pessoas de-</p><p>pendem de sua colaboração. Por isso, o esporte pode</p><p>também levar ao desenvolvimento de uma equipe</p><p>cooperativa (FRASER-THOMAS; CÔTÉ, 2006).</p><p>O grande desafio é combinar cooperação e competi-</p><p>ção, mas é um desafio que tende a beneficiar a todos.</p><p>Técnicos, atletas e todos os envolvidos no contexto</p><p>esportivo são responsáveis por colaborar com um</p><p>ambiente que seja, ao mesmo tempo, competitivo</p><p>e cooperativo. A cooperação tende a aumentar o</p><p>prazer na realização de uma atividade, melhora a</p><p>comunicação e pode, também, produzir resultados</p><p>melhores nas competições. Entretanto a cooperação</p><p>não precisa substituir a competição, é preciso ter</p><p>harmonia entre os dois elementos, pois isso pode</p><p>ajudar, principalmente, no desenvolvimento psico-</p><p>lógico global dos atletas, e isso é o que mais importa</p><p>(WEINBERG; GOULD,</p><p>2017).</p><p>Se o treinador enfatizar ao jogador a impor-</p><p>tância de sua contribuição para o êxito da</p><p>equipe, possivelmente esse jogador fará mais</p><p>esforço consistente e ficará envolvido de for-</p><p>ma mais pessoal.</p><p>(Robert S. Weinberg e Daniel Gould)</p><p>REFLITA</p><p>130</p><p>considerações finais</p><p>P</p><p>rezado(a) aluno(a), chegamos ao final da nossa Unidade IV, em que</p><p>nos debruçamos sobre alguns assuntos que dizem respeito, basica-</p><p>mente, a situações que envolvem os grupos esportivos. Todos elemen-</p><p>tos importantes de serem trabalhados no contexto de modalidades</p><p>esportivas coletivas.</p><p>Abordamos quatro temáticas e começamos com a que mais se destaca no</p><p>contexto do esporte coletivo, a coesão de grupo. É importante perceber que a</p><p>coesão está presente em todas as situações que envolvem o esporte coletivo, desde</p><p>o início do trabalho até os objetivos serem atingidos. É por meio da coesão que</p><p>podemos entender como uma equipe que tem atletas muito talentosos não con-</p><p>segue ter um rendimento considerado satisfatório nas competições.</p><p>São muitas variáveis envolvidas no processo de formação e desenvolvimento</p><p>de um grupo esportivo. Uma delas é a liderança, o papel exercido por uma das</p><p>figuras que mais influencia os demais no grupo. O líder pode ter características</p><p>desenvolvidas por um técnico ou também por um atleta. Quando falamos em</p><p>líderes, não nos referimos apenas à figura do treinador, é preciso pensar nas li-</p><p>deranças que surgem entre os próprios atletas, tanto do ponto de vista esportivo</p><p>quanto do ponto de vista social. O que nos leva a compreender os dois elementos</p><p>da coesão: coesão para a tarefa e coesão social.</p><p>Coesão e liderança são dependentes dos processos de comunicação, que re-</p><p>presentam uma das características do ser humano mais importantes. A comuni-</p><p>cação faz parte da humanidade e, quando bem desenvolvida, pode levar as equi-</p><p>pes a ótimos desempenhos. Portanto, compreender como desenvolver bem os</p><p>canais de comunicação pode diminuir os problemas e gerar melhores resultados.</p><p>Para finalizar a Unidade, falamos um pouco sobre como os grupos podem e</p><p>devem trabalhar de forma cooperativa, mesmo em situações de competição. A</p><p>busca pela harmonia entre competição e cooperação é o ideal dentro do campo</p><p>esportivo, o que pode facilitar o desempenho esportivo desde a infância.</p><p>131</p><p>atividades de estudo</p><p>1. Liderança poderia ser considerada de forma ge-</p><p>nérica como “o processo pelo qual um indivíduo</p><p>influencia um grupo de indivíduos para o alcance</p><p>de uma meta comum“ (NORTHOUSE, 2010, p. 3</p><p>apud WEINBERG; GOULD, 2017, p. 187), porém,</p><p>no esporte, esta definição precisa ser melhor</p><p>discutida para que possa se adaptar a este am-</p><p>biente. Por isso, Chelladurai (1978) apresenta o</p><p>Modelo Multidimensional de Liderança no Es-</p><p>porte, que indica algumas características do líder</p><p>esportivo seja na competição, seja no momento</p><p>de treinamento. Considerando este modelo de</p><p>liderança, analise as afirmações como seguem:</p><p>I - O Comportamento Treino-Instrução cor-</p><p>responde ao comportamento do do trei-</p><p>nador voltado para a melhoria da perfor-</p><p>mance dos atletas por meio da focalização</p><p>das preocupações, nos treinos duros e</p><p>exigentes.</p><p>II - O Comportamento de Suporte Social do</p><p>técnico é quando ele não se importa com</p><p>o que os atletas fazem fora do ambiente</p><p>esportivo, ou seja, na sua vida social.</p><p>III - O Comportamento de Reforço é quando o</p><p>treinador reforça, positivamente, o atleta,</p><p>reconhecendo e recompensando os seus</p><p>bons desempenhos.</p><p>IV - O Comportamento Autocrático é o com-</p><p>portamento do treinador que preconiza a</p><p>independência nas tomadas de decisão e</p><p>vinca a sua autoridade pessoal.</p><p>Está de acordo com o Modelo Multidimensional de</p><p>Liderança no Esporte de Chelladurai a alternativa:</p><p>a. I e II.</p><p>b. II e IV.</p><p>c. I, III e IV.</p><p>d. I e III.</p><p>e. I, II, III e IV.</p><p>2. Trabalhar com grupos de pessoas é uma das</p><p>características da Psicologia, assim como outras</p><p>áreas das Ciências do Esporte, em que a aplica-</p><p>ção dos conhecimentos é voltada para a saúde e</p><p>o rendimento dos atletas. No trabalho com gru-</p><p>pos, a Psicologia do Esporte e do Exercício visa a</p><p>intervir em equipes de esportes coletivos e, até</p><p>mesmo, individuais, tendo em vista a quantidade</p><p>de pessoas envolvidas no dia a dia. Sobre o tra-</p><p>balho com grupos e o trabalho do profissional de</p><p>Psicologia, analise as afirmativas a seguir:</p><p>I - Trabalhar sempre com programas de psi-</p><p>coterapia individual, levando os atletas a</p><p>lidarem melhor com a sobrecarga emocio-</p><p>nal do cotidiano do esporte.</p><p>II - Trabalhar com elementos, como a ansie-</p><p>dade traço e a ansiedade estado e, assim,</p><p>poder direcionar atividades específicas que</p><p>visem a auxiliar os indivíduos a manejar o</p><p>estresse em situações de preparação para</p><p>competições e durante competições.</p><p>III - Trabalhar em conjunto com atletas, téc-</p><p>nicos e comissão técnica maneiras de</p><p>enfrentar o estresse em competições,</p><p>controle da concentração, ampliação das</p><p>habilidades de comunicação e de coesão</p><p>de equipe, padrões de resiliência diante</p><p>de situações de derrota em competições,</p><p>desenvolvimento da noção de esporte</p><p>como promoção de saúde e bem-estar in-</p><p>dividual e coletivo.</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>a) I, apenas.</p><p>b) III, apenas.</p><p>c) I e II, apenas.</p><p>d) II e III, apenas.</p><p>e) Todas as afirmativas estão corretas.</p><p>132</p><p>atividades de estudo</p><p>3. Coesão é um processo dinâmico, que é refle-</p><p>tido na tendência de um grupo a tornar-se e a</p><p>manter-se unido na busca de seus objetivos e/</p><p>ou para a satisfação das necessidades afetivas</p><p>de seus membros (CARRON et al., 2002). Expli-</p><p>que quais os dois tipos de coesão que devem ser</p><p>considerados ao se trabalhar com uma equipe</p><p>esportiva, abordando quais as duas forças distin-</p><p>tas que agem para que os membros permane-</p><p>çam em um grupo.</p><p>4. O diálogo interior é um fator potencial de distra-</p><p>ção mental. Toda vez que o atleta pensa em algo,</p><p>ele está conversando consigo mesmo. Este diálo-</p><p>go interior também é chamado de Comunicação</p><p>Intrapessoal e tem sua importância no desempe-</p><p>nho do atleta. De acordo com Samulski e Lopes</p><p>(2009), descreva as características da Comunica-</p><p>ção Intrapessoal.</p><p>5. Martens (1975) descreve quatro estágios do mo-</p><p>delo de competição. Sobre o estágio situação com-</p><p>petitiva subjetiva, analise as afirmativas a seguir:</p><p>I - Necessita sempre de um padrão de com-</p><p>paração sobre o nível de desempenho.</p><p>II - É o momento da comparação entre a res-</p><p>posta do atleta e o padrão comparado.</p><p>III - É o momento em que a pessoa avalia a</p><p>situação e decide se vai continuar (enfren-</p><p>tar), ou não, a situação.</p><p>IV - Caracteriza-se como a maneira que uma</p><p>pessoa percebe, aceita e avalia a situação</p><p>competitiva objetiva.</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>a) I, apenas.</p><p>b) III, apenas.</p><p>c) I e II, apenas.</p><p>d) II e III, apenas.</p><p>e) IV, apenas.</p><p>133</p><p>LEITURA</p><p>COMPLEMENTAR</p><p>O mundo esportivo tem presenciado, desde o final do século XIX, o envolvimento e a</p><p>inserção das mulheres neste espaço. A participação feminina em competições de alto</p><p>rendimento aumentou, consideravelmente, ao longo dos anos. Os discursos sociais e</p><p>biológicos que condenavam a prática esportiva feminina foram, gradativamente, per-</p><p>dendo a sua força. De tal modo, hoje não se questiona como antes a capacidade atlética</p><p>das mulheres.</p><p>A conquista do espaço feminino no esporte, entretanto, pode ser considerada de al-</p><p>cance apenas parcial. No que se refere ao comando esportivo, são os homens que</p><p>ainda prevalecem. As esferas administrativas do esporte, incluindo os cargos de dire-</p><p>ção e de tomadas de decisão, constituem espaço de domínio masculino. Isso porque a</p><p>associação entre autoridade e masculinidade ainda tem grande força na percepção das</p><p>pessoas (NORMAN, 2010). Esse quadro de desigualdade entre homens e mulheres, na</p><p>direção esportiva, provoca questionamentos. Em 1995, no Centésimo Congresso Olím-</p><p>pico, discutiu-se o pequeno número de mulheres em posições de liderança e se fizeram</p><p>recomendações (PFISTER, 2004).</p><p>No cargo de técnica esportiva, o campo de atuação ainda se encontra muito limitado</p><p>para</p><p>com a área clínica e ainda considerando o estereóti-</p><p>po de “loucura”, termo já não utilizado para descrever pes-</p><p>soas que sofrem de transtornos mentais. Engana-se quem ainda tem esta</p><p>visão limitada em relação à área clínica da Psicologia, pois há diversos</p><p>outros campos de atuação em que a Psicologia se faz presente, entre eles</p><p>está o contexto esportivo, e é sobre isso que falaremos nesta Unidade I.</p><p>A Psicologia enquanto ciência é jovem quando comparada a outras</p><p>áreas, e por mais que o foco inicial tenha sido a saúde mental das pessoas</p><p>com transtornos mentais, as demais áreas da Psicologia também surgi-</p><p>ram em paralelo. Os primeiros estudos da área de Psicologia do Esporte</p><p>e do Exercício que se tem conhecimento datam do final do século XIX,</p><p>mesmo período em que a Psicologia passa a ser reconhecida enquanto</p><p>ciência e área específica de atuação.</p><p>Com isso, estudaremos alguns elementos do início da área, compre-</p><p>enderemos como ela se desenvolveu ao longo do tempo e quais caracte-</p><p>rísticas ainda hoje estão presentes e garantem sua permanência no ce-</p><p>nário atual. Um ponto importante a ser discutido também é sobre como</p><p>a Psicologia do Esporte e do Exercício pode ser ferramenta importante</p><p>não apenas para psicólogos, mas também para profissionais de Educação</p><p>Física. Basta compreendermos qual a função de cada profissional dentro</p><p>de suas características específicas, sabendo quais os limites de atuação e</p><p>como estas duas áreas podem atuar em conjunto.</p><p>O objetivo principal desta Unidade é fornecer uma visão geral sobre a</p><p>área e sobre como utilizar estes conhecimentos na atuação profissional, seja</p><p>no esporte de rendimento, seja no esporte amador, seja, inclusive, no contex-</p><p>to escolar, pois este também é um contexto em que o esporte está presente.</p><p>14</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>São mais de 100 anos de história, muitas barrei-</p><p>ras, muitas conquistas e muitas coisas ainda por</p><p>se desenvolver. Era o ano de 1879, em Leipzig, na</p><p>Alemanha, quando Wilhelm Wundt fundou seu</p><p>Laboratório de Psicologia Experimental, um mar-</p><p>co histórico que funda a Psicologia como ciência,</p><p>estabelecendo métodos e objeto próprios de estu-</p><p>do. Apesar de ter a Filosofia como base, tornar-se</p><p>independente desta área passa a ser importante</p><p>para as primeiras pesquisas que deram início à sua</p><p>sistematização e delimitaram os horizontes de seu</p><p>interesse (SOARES, 2010).</p><p>Esta é apenas uma introdução simples de quan-</p><p>do a Psicologia inicia sua trajetória como ciência,</p><p>ela se torna importante para compreender também</p><p>a história da Psicologia do Esporte e do Exercício,</p><p>ponto principal deste nosso livro. Vejamos, então,</p><p>como as próximas páginas podem ajudá-lo a com-</p><p>preender um pouco mais de como a área surgiu e</p><p>como está nos dias atuais.</p><p>O início de tudo, antes do primeiro passo para</p><p>qualquer caminhada, seja ela longa, seja curta, é o</p><p>planejamento, e cada desafio necessita de um pla-</p><p>nejamento específico, focado no que se pretende</p><p>Discussões Iniciais</p><p>Sobre a Psicologia do</p><p>Esporte e do Exercício</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>15</p><p>realizar, levando em consideração todos os pos-</p><p>síveis resultados deste planejamento. A sua com-</p><p>preensão sobre como a Psicologia do Esporte e do</p><p>Exercício surgiu, como se desenvolveu e como está</p><p>atualmente será mais adequada se você também se</p><p>planejar, estabelecer um plano de leitura, estudo e,</p><p>principalmente, se buscar outras fontes de infor-</p><p>mação, pois este livro dará apenas uma explicação</p><p>geral sobre a área.</p><p>Feito este planejamento, começaremos com o</p><p>que se conhece, de início, como Psicologia do Es-</p><p>porte e do Exercício, e que suscitou as primeiras</p><p>discussões sobre a área. Para isso, precisamos defi-</p><p>nir o que pretendemos estudar. O que seria, então,</p><p>Psicologia do Esporte e do Exercício? Weinberg e</p><p>Gould (2017) dão-nos uma definição que nos leva</p><p>a compreender a área como o estudo científico do</p><p>comportamento das pessoas quando estão envolvi-</p><p>das em atividades esportivas, em atividades físicas</p><p>e, principalmente, na aplicação prática deste co-</p><p>nhecimento. Ou seja, não basta apenas estudarmos</p><p>os principais conceitos e as características, é preci-</p><p>so colocá-los em prática.</p><p>Uma definição ainda mais abrangente e que nos</p><p>permite ter uma visão geral da área é apresentada</p><p>pela American Psychological Association - APA,</p><p>principal organização científica e profissional que</p><p>representa a Psicologia, nos Estados Unidos, e que</p><p>serve de base para muitos outros países. Segundo</p><p>o site da própria organização, a Psicologia do Es-</p><p>porte é a capacidade de se utilizar conhecimentos</p><p>e habilidades psicológicas para atender ao ótimo</p><p>desempenho e ao bem-estar dos atletas, aos as-</p><p>pectos sociais e de desenvolvimento de praticantes</p><p>de esportes, e às questões sistêmicas associadas a</p><p>configurações e a organizações esportivas ([2018],</p><p>on-line)1.</p><p>Com estas definições, podemos perceber que</p><p>a Psicologia do Esporte e do Exercício é uma área</p><p>que pode abranger diversos contextos, não apenas</p><p>o do esporte profissional, de rendimento, em que os</p><p>atletas fazem do contexto esportivo a sua principal</p><p>atividade profissional. Basta considerarmos que em</p><p>qualquer local em que o esporte esteja envolvido, e</p><p>que tenhamos pessoas praticando, a Psicologia po-</p><p>derá também estar lá, levando seus conhecimentos</p><p>e proporcionando aos praticantes uma busca mais</p><p>adequada aos resultados.</p><p>Sendo assim, podemos considerar dois objetivos</p><p>principais da área. O primeiro seria voltado ao con-</p><p>texto esportivo profissional, pois visa a compreender</p><p>como os fatores psicológicos dos atletas podem afe-</p><p>tar o seu desempenho físico. Já o segundo objetivo</p><p>seria voltado ao público não profissional, mas que</p><p>está, de alguma forma, envolvido no contexto espor-</p><p>tivo, ou seja, compreender como a prática esportiva</p><p>e de exercícios de um sujeito pode afetar o seu de-</p><p>senvolvimento psicológico, a sua saúde e o seu bem-</p><p>-estar (WEINBERG; GOULD, 2017).</p><p>Partindo destes dois objetivos, pode-se imagi-</p><p>nar como os pesquisadores começaram a inserir os</p><p>conhecimentos da Psicologia no contexto esportivo.</p><p>Após compreendermos quais os objetivos da Psico-</p><p>logia do Esporte e do Exercício, precisamos saber</p><p>da sua história, como começou e como chegou até</p><p>os dias atuais. A história remete-nos à Grécia Anti-</p><p>ga, considerada o berço dos estudos sobre a relação</p><p>mente e corpo. Avançando no tempo, o final do sé-</p><p>culo XIX fica marcado pelos primeiros estudos e as</p><p>pesquisas sobre as questões psicológicas, no contex-</p><p>to esportivo (SAMULSKI, 2009). Este desenvolvi-</p><p>mento da Psicologia do Esporte e do Exercício pode</p><p>ser dividido em seis períodos, e alguns dos princi-</p><p>pais fatos estão destacados a seguir.</p><p>16</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>Entre os anos de 1893 e 1920, alguns países destacaram-se, sendo considerados os</p><p>pioneiros	dos	estudos	científicos	da	área.	O	primeiro	deles	é	os	Estados	Unidos,	em</p><p>1893.	E.	W.	Scripture	realiza	estudos	baseados	em	dados	de	atletas	de	Yale,	e	temos,	na</p><p>Universidade de Indiana, os primeiros experimentos direcionados para a relação entre</p><p>a	Psicologia	e	o	esporte.	Estes	estudos	foram	conduzidos	por	Norman	Triplett,	que,	em</p><p>1897, estudou	sobre	como	um	adversário	pode	influenciar	no	rendimento	de	um	atleta,</p><p>neste caso, no ciclismo. Seus estudos chegaram a algumas respostas, mostrando que a</p><p>presença de um outro atleta poderia ser um estímulo para a liberação de uma energia</p><p>que não, necessariamente, estava manifestada no atleta, dando início, então, aos estu-</p><p>dos da motivação no contexto esportivo (GOULD; VOELKER, 2014; TRIPLETT, 1898). Em</p><p>1899,	Scripture	de	Yale	descreve	traços	de	personalidade	que	acreditava	serem	favo-</p><p>recidos	pela	prática	esportiva,	e,	em	1918,	o	ainda	estudante	Coleman	Griffith	conduz</p><p>estudos informais de jogadores de futebol americano e de basquetebol na University of</p><p>Illinois (WEINBERG; GOULD, 2017).</p><p>1893-1920 1921-1938</p><p>Primeiros anos</p><p>D</p><p>es</p><p>ta</p><p>qu</p><p>es</p><p>d</p><p>o</p><p>Pe</p><p>rí</p><p>od</p><p>o</p><p>1</p><p>D</p><p>es</p><p>ta</p><p>qu</p><p>es</p><p>d</p><p>o</p><p>Pe</p><p>rí</p><p>od</p><p>o</p><p>2 Após	este	período	do	final	do	século	XIX,	o	início	do</p><p>o público feminino. Para se inserir e progredir na carreira, elas se deparam com</p><p>muitos obstáculos, desde o preconceito até os baixos salários. Essa situação leva-nos</p><p>a questionar por que existem tão poucas mulheres atuando nessa profissão, e o que</p><p>limita o acesso e a ascensão feminina nessa carreira.</p><p>Os profissionais com poucas oportunidades tendem a limitar suas aspirações, a valori-</p><p>zar sua competência menos do que o ideal e a não buscar mudanças neste quadro. A</p><p>estrutura de poder é definida como a capacidade da pessoa em atuar, eficientemente,</p><p>dentro dos limites do sistema e é determinada pelas características formais do cargo e</p><p>das alianças informais estabelecidas. O poder é afetado por fatores, como a visibilidade</p><p>e a relevância da função. Pessoas com pouco poder tendem a ser mais inseguras.</p><p>Fonte: Ferreira et al. (2013, p. 103-124).</p><p>134</p><p>material complementar</p><p>Guardiola Confidencial</p><p>Martí Perarnau</p><p>Editora: Grande Área</p><p>Sinopse: Josep Guadiola i Sala, ou simplesmente Pep Guardiola, o nome que o</p><p>futebol consagrou, é o personagem central do livro. Artífice ideológico, como trei-</p><p>nador, de um tipo de jogo plástico, vencedor e revolucionário, Pep deixou o Bar-</p><p>celona, onde conquistara todos os títulos possíveis, para se lançar em um novo</p><p>projeto profissional no Bayern de Munique, outro gigante do futebol europeu.</p><p>E para escrever sobre ele, o jornalista Martí Perarnau acompanhou durante um</p><p>ano o dia a dia do novo comandante do Bayern. Perarnau obteve do próprio</p><p>Guardiola permissão para compartilhar o vestiário com os atletas, seguir de per-</p><p>to todos os passos do técnico e detalhar uma temporada inteira do catalão no</p><p>comando do clube. Estava lançado o desafio a Martí: decifrar a personalidade de</p><p>Pep Guardiola, o técnico que deu ao Barcelona os melhores anos de sua história.</p><p>O autor soube aproveitar o acesso livre – sem precedentes! – aos bastidores de</p><p>um dos maiores clubes de futebol do mundo. Observou de perto um personagem</p><p>apaixonado pelo futebol, meticuloso e obsessivo em sua busca pela perfeição.</p><p>Pôde conhecer melhor também as ideias e conceitos de jogo fundamentais para</p><p>o técnico, desfazendo ao longo da obra uma série de clichês que rodeiam a figura</p><p>de Guardiola.</p><p>Indicação para Ler</p><p>135</p><p>referências</p><p>BUSCOMBE, R.; GREENLESS, I.; HOLDER, T.;</p><p>THELWELL, R.; RIMMER, M. Expectancy effects</p><p>in tennis: The impact of opponents’ pre-match non-</p><p>verbal behaviour on male tennis players. Journal of</p><p>Sports Sciences, v. 24, n. 12, p. 1265-1272, 2006.</p><p>CARRON, A.Cohesiveness in sport groups: Inter-</p><p>pretations and considerations. Journal of Sport Psy-</p><p>chology, v, 4, n. 2, p. 123-138, 1982.</p><p>CARRON, A. V.; BRAWLEY, L. R.; WIDMEYER,</p><p>W.N. The measurement of cohesion in sport groups.</p><p>In: DUDA, J. L. (Ed.). Advances in sport and exer-</p><p>cise psychology measurement. Morgantown, WV:</p><p>Fitness Information Technology, 1998, p. 213-226.</p><p>CARRON, A. V.; COLMAN, M. M.; WHEELER, J.;</p><p>STEVENS, D. Cohesion and performance in sport:</p><p>A meta-analysis. Journal of Sport and Exercise Psy-</p><p>chology, v. 24, n. 2, p. 168-88, 2002.</p><p>CARRON, A. V.; DENNIS, P. The sport team as an</p><p>effective group. In: WILLIAMS, J. M. (Ed.). Applied</p><p>sport psychology: Personal growth to peak perfor-</p><p>mance. Mountain View, CA: Mayfield, 2001, 4th</p><p>ed., p. 120-134.</p><p>CASTELLANI, R. M. A liderança e coesão grupal no</p><p>futebol profissional: o pesquisador fora do jogo. Re-</p><p>vista Brasileira de Educação Física e Esporte, v. 26,</p><p>n. 3, p. 431-445, 2012.</p><p>CHELLADURAI, P. Leadership in sport: Mul-</p><p>tidimensional Model. In: EKLUND, R. C.; TE-</p><p>NENBAUM, G. (Ed.). Encyclopedia of Sport and</p><p>Exercise Psychology. Los Angeles: SAGE, 2014, p.</p><p>405-408.</p><p>CHELLADURAI, P. Leadership in sports. In: TE-</p><p>NENBAUM, G.; EKLUND, R. C. (Eds.). Handbook</p><p>of sport psychology (3rd ed). Hoboken, NJ: Wiley,</p><p>2007, p. 113-135.</p><p>CHELLADURAI, P.; RIEMER, H. Measurement of</p><p>leadership in sport. In: DUDA, J (Ed.), Advances</p><p>in sport and exercise psychology measurement.</p><p>Morgantown, WV: Fitness Information Technology,</p><p>1998, p. 227-256.</p><p>CHELLADURAI, P.; TRAIL, G. Styles of decision-</p><p>-making in coaching. In: WILLIAMS, J. M. (Ed.).</p><p>Applied sport psychology: Personal growth to peak</p><p>performance (4th ed.). Mountain View, CA: May-</p><p>field, 2001, p. 107-119.</p><p>COAKLEY, J. Sport in society: Issues and controver-</p><p>sies (4th ed.). St. Louis: Times Mirror/Mosby Colle-</p><p>ge, 1994.</p><p>COOKE, A.; KVUSSANU, M.; MCINTYRE, D.;</p><p>RING, C. Effects of competition on endurance per-</p><p>formance and the underlying psychological and phy-</p><p>siological mechanisms. Biological Psychology, v. 86,</p><p>n. 3, p. 370-378, 2011.</p><p>ECCLES, J. S.; HAROLD, R. D. Gender differences in</p><p>sport involvement: Applying the Eccles expectancy-</p><p>-value model. Journal of Applied Sport Psychology,</p><p>v. 3, n. 1, p. 7-35, 1991.</p><p>FERREIRA, H. J.; SALLES, J. G. C.; MOURÃO, L.;</p><p>MORENO, A. A baixa representatividade de mu-</p><p>lheres como técnicas esportivas no Brasil. Movi-</p><p>mento, Porto Alegre, v. 19, n. 03, p. 103-124, jul./</p><p>set. 2013.</p><p>136</p><p>referências</p><p>FRASER-THOMAS, J.; COTÉ, J. Youth sports: im-</p><p>plementing findings and moving forward with rese-</p><p>arch. Athletic Insight, v. 8, n. 3, p. 12-27, 2006.</p><p>LORIMER, R.; JOWETT, S. Coaches. In: PAPAIO-</p><p>ANNOU, A. G.; HACKFORT, D. (Ed.). Routledge</p><p>Companion to Sport and Exercise Psychology: Glo-</p><p>bal perspectives and fundamental concepts. London:</p><p>Routledge, 2014. Cap. 11, p. 171-186.</p><p>MARTENS, R. Coaches guide to sport psychology.</p><p>Champaign: Human Kinetics Publishers, 1987.</p><p>______. Social Psychology and physical activity.</p><p>New York: Harper & Row, 1975.</p><p>NASCIMENTO JUNIOR, J. R. A.; VIEIRA, L. F.</p><p>Coesão de grupo e liderança do treinador em fun-</p><p>ção do nível competitivo das equipes: um estudo no</p><p>contexto do futsal paranaense. Revista Brasileira de</p><p>Cineantropometria & Desempenho Humano, v. 15,</p><p>n. 1, p. 89-102, 2013.</p><p>NOCE, F.; COSTA, I. T.; LOPES, M. C. Liderança.</p><p>In: SAMULSKI, D. Psicologia do esporte: conceitos</p><p>e novas perspectivas. Barueri: Manole, 2009. 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Psicologia do esporte:</p><p>conceitos e novas perspectivas. Barueri: Manole,</p><p>2009. Cap. 14, p. 335-356.</p><p>SERPA, S. Treinador e atleta: a relação sagrada. In:</p><p>BECKER JR., B. (Org.). Psicologia aplicada ao trei-</p><p>nador esportivo. Novo Hamburgo: FEEVALE, 2002.</p><p>TUBINO, M. J. G. Estudos Brasileiros sobre o Es-</p><p>porte: ênfase no esporte-educação. Maringá: Eduem,</p><p>2010.</p><p>WEINBERG, R. S.; GOULD, D. Fundamentos da</p><p>psicologia do esporte e do exercício. Porto Alegre:</p><p>Artmed, 2017.</p><p>137</p><p>gabarito</p><p>1. C</p><p>2. D</p><p>3. Uma das primeiras definições de coesão foi realizada por Festinger, Schacter</p><p>e Back em 1950, delimitando que a coesão seria um campo composto por</p><p>forças que agem para que os membros permaneçam no grupo (CARRON et</p><p>al., 2002). Estas forças seriam definidas como: a) a atratividade do grupo, e</p><p>b) o controle dos meios.</p><p>Mais recentemente, Carron, Brawley e Widmeyer (1998) trouxeram outra</p><p>definição mais abrangente, em que a coesão seria considerada um pro-</p><p>cesso dinâmico que se reflete na tendência de um grupo se unir e per-</p><p>manecer unido, sempre em busca de objetivos e/ou para satisfazer as</p><p>necessidades afetivas dos membros deste grupo. Esta definição leva a</p><p>compreender a coesão como um elemento multidimensional e também</p><p>acrescenta dois fatores principais, a coesão para a tarefa e a coesão social.</p><p>Quando nos referimos à coesão para a tarefa, temos em mente que significa</p><p>o quanto os membros de um grupo trabalham juntos em função de objeti-</p><p>vos comuns, neste caso, a conquista de títulos e vitórias. Já a coesão social</p><p>reflete o quanto os membros desta equipe gostam uns dos outros e tam-</p><p>bém gostam de permanecer na companhia uns dos outros (NASCIMENTO</p><p>JUNIOR; VIEIRA, 2013).</p><p>4. É preciso pensar que a comunicação pode ser compreendida de duas for-</p><p>mas. A primeira delas é o que se conhece por Comunicação Interpessoal,</p><p>que ocorre, geralmente, quando envolve ao menos duas pessoas. A segunda</p><p>é chamada de Comunicação Intrapessoal, que é a comunicação que a pes-</p><p>soa tem com ela mesma, conhecida também como diálogo interior (SAMUL-</p><p>SKI; LOPES, 2009).</p><p>Todos conversam consigo mesmo, portanto, a Comunicação Intrapessoal é</p><p>mais comum do que imaginamos, além de ser muito importante. Essa co-</p><p>municação interna ajuda a pessoa a modelar e a prever com o ela age e</p><p>se comporta. Quanto mais positiva essa comunicação interna, maiores as</p><p>chances de influenciar, por exemplo, a motivação da pessoa para a prática</p><p>de exercícios e também atletas a continuarem na busca por melhores resul-</p><p>tados (WEINBERG; GOULD, 2017).</p><p>5. E</p><p>Professor Dr. Leonardo Pestillo de Oliveira</p><p>Plano de Estudo</p><p>A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta</p><p>unidade:</p><p>• Prática esportiva e promoção da saúde</p><p>• Prática esportiva e bem-estar psicológico</p><p>• Fatores psicológicos e lesões esportivas</p><p>• Consequências do excesso da prática esportiva: elementos</p><p>presentes no rendimento</p><p>Objetivos de Aprendizagem</p><p>• Explorar como a prática esportiva pode colaborar com o</p><p>processo de promoção da saúde das pessoas.</p><p>• Descrever como a prática esportiva pode colaborar com o</p><p>bem-estar psicológico dos indivíduos.</p><p>• Compreender como os aspectos psicológicos podem</p><p>facilitar ou prejudicar a recuperação de lesões esportivas.</p><p>• Descrever quais as consequências da prática excessiva do</p><p>esporte: overtraining.</p><p>PRÁTICA ESPORTIVA,</p><p>SAÚDE E BEM-ESTAR PSICOLÓGICO</p><p>unidade</p><p>V</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>C</p><p>aro(a) aluno(a), iniciamos, neste momento, a Unidade V da</p><p>nossa disciplina Psicologia do Esporte e do Exercício. Esta é a</p><p>última unidade do livro, e abordaremos alguns elementos que,</p><p>muitas vezes, não são tão discutidos no contexto do esporte</p><p>competitivo.</p><p>Estudaremos um pouco sobre como a prática esportiva e o exercí-</p><p>cio podem ser grandes aliados da saúde, não apenas física, mas também</p><p>mental dos que estão envolvidos neste ambiente. O primeiro ponto a ser</p><p>destacado na unidade será a relação entre a prática esportiva e a pro-</p><p>moção da saúde. É preciso explorarmos, de forma significativa, como a</p><p>prática esportiva pode colaborar com o processo de promoção da saúde</p><p>das pessoas, sejam elas atletas, sejam apenas simpatizantes do esporte.</p><p>Essa discussão sobre saúde, no contexto esportivo, leva à perspectiva</p><p>de entender melhor como a sua prática pode ser ferramenta de auxílio ao</p><p>bem-estar psicológico. A literatura atual já nos mostra que movimentar o</p><p>corpo não causa benefícios apenas físicos aos praticantes, o fator psicoló-</p><p>gico também é um dos beneficiados. Por isso, é importante pensarmos em</p><p>como esta relação pode ser trabalhada de forma cada vez mais positiva.</p><p>Praticar algum tipo de esporte ou atividade física, no contexto compe-</p><p>titivo ou não, leva o envolvido a se preocupar com um fator cada vez mais</p><p>presente, que é a lesão. Independentemente de como é feita a prática, as</p><p>pessoas podem sofrer consequências negativas que podem ser causadas</p><p>por diversos fatores, como a prática excessiva do esporte, muito comum</p><p>em atletas profissionais, e também a prática irregular e sem orientação,</p><p>mais comum entre os amadores e simpatizantes do esporte voltado à saúde.</p><p>Estas lesões podem ter consequências mais graves, levando o indi-</p><p>víduo a, muitas vezes, abandonar sua prática, no caso de profissionais, o</p><p>abandono da carreira. Mais adiante, pode desencadear comportamentos</p><p>não propícios à saúde, como comportamentos adictivos que são grandes</p><p>vilões da saúde mental e física dos atletas.</p><p>142</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>Prática Esportiva</p><p>e Promoção da Saúde</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>143</p><p>No senso comum, é fácil perceber o quanto as pes-</p><p>soas consideram que praticar algum esporte e/ou</p><p>fazer uma atividade física traz benefícios para a</p><p>saúde dos praticantes. Apesar de os conceitos de</p><p>saúde e de doença se alterarem ao longo do tempo,</p><p>é sempre válido atentar-se à definição mais disse-</p><p>minada da Organização Mundial da Saúde (WHO,</p><p>1948) que considera a saúde como o bem-estar fí-</p><p>sico, mental e social, e não apenas ausência de do-</p><p>ença. Esta é uma das principais questões a serem</p><p>avaliadas quando o assunto é Promoção da Saúde,</p><p>não focar tanto na doença.</p><p>Com o avanço da tecnologia, as discussões</p><p>acerca do movimento das pessoas, principalmente</p><p>crianças, é assunto permanente. Alguns defenden-</p><p>do seus benefícios, outros criticando por conta dos</p><p>prejuízos que são causados. A demanda dos produ-</p><p>tos eletrônicos disponíveis, atualmente, que visam</p><p>a facilitar a vida das pessoas, leva-nos a refletir jus-</p><p>tamente sobre como essa tecnologia pode afetar a</p><p>saúde mental e o bem-estar físico e psicológico das</p><p>pessoas (OLIVEIRA et al., 2016).</p><p>Quando o assunto saúde torna-se um fator</p><p>importante na vida das pessoas, é preciso pensar</p><p>em como podemos ter estratégias para melhorá-la</p><p>e em como lutar para mantê-la. Os dados sobre</p><p>saúde mental da população, a quantidade de pes-</p><p>soas com diagnósticos de depressão, ansiedade e</p><p>demais transtornos de humor são cada vez mais</p><p>alarmantes (WHO, 2015, on-line)1. O uso de me-</p><p>dicamentos é uma das formas de tratamento para</p><p>este tipo de enfermidade, e as pesquisas têm de-</p><p>monstrado a importância também da prática de</p><p>atividade física e esporte que podem colaborar</p><p>com o tratamento, além de aumentar os sentimen-</p><p>tos de bem-estar e contribuírem para a redução</p><p>das enfermidades já citadas.</p><p>Estimular a prática de esportes desde a infância é</p><p>um ponto que já discutimos. Os benefícios são inú-</p><p>meros, e as experiências vividas na infância tendem</p><p>a ter efeito para a vida toda (KAVUSSANU, 2002). A</p><p>regularidade na prática esportiva é considerada um</p><p>dos fatores importantes na manutenção da saúde, e</p><p>investigar os benefícios psicológicos que esta prática</p><p>traz, não só para as crianças, mas para os adultos e</p><p>também para os idosos, é um ponto fundamental.</p><p>Algumas características psicológicas tendem a</p><p>melhorar com o envolvimento esportivo. O resga-</p><p>te da autoestima, a melhora no autoconceito e na</p><p>qualidade de vida estão entre elas. Mas há que se</p><p>lembrar também que nunca é tarde para iniciar esta</p><p>prática. Na fase adulta e/ou idosa, pode ser mais di-</p><p>fícil, mas não impossível, e adquirir o hábito pode</p><p>levar um tempo.</p><p>A sensação de pertencimento a um grupo é</p><p>outro fator importante no contexto da prática es-</p><p>portiva. Sentir-se aceito gera a sensação de que há</p><p>preocupação dos demais para consigo, o que gera a</p><p>sensação de bem-estar individual (ORLICK, 2000).</p><p>Estas características auxiliam no fortalecimento do</p><p>autoconceito, muito relacionado à satisfação com a</p><p>vida e pode ser definido por Tamayo (2001) como</p><p>estrutura cognitiva que organiza as experiências</p><p>passadas do indivíduo, controla o processo informa-</p><p>tivo relacionado a ele próprio e exerce uma função</p><p>de autorregulação.</p><p>Todo este mecanismo que gera sensações emo-</p><p>cionais positivas nas pessoas faz com que a percep-</p><p>ção de competência e controle sobre um estilo de</p><p>vida ativo e saudável sejam também intensificados.</p><p>Diversas áreas da vida da pessoa são influenciadas</p><p>positivamente, vida emocional, vida interpessoal,</p><p>vida social e as relações sociais melhoram (CAL-</p><p>MEIRO; MATOS, 2004). Veja que esta relação da</p><p>144</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>prática esportiva com a saúde mental não significa</p><p>tratar alguma doença em específico, sendo este o</p><p>mecanismo de</p><p>Promoção da Saúde importante que é</p><p>causado por este contexto (OLIVEIRA et al., 2016).</p><p>O autoconceito é apenas um fator que pode se</p><p>beneficiar da prática esportiva. Este hábito saudável</p><p>pode contribuir para um desenvolvimento integral</p><p>das pessoas, levando a um melhor ajustamento pes-</p><p>soal e social. Com isso, podemos pensar também na</p><p>autoestima que envolve o grau em que o pratican-</p><p>te está satisfeito consigo mesmo. O sentimento que</p><p>envolve a percepção de uma baixa autoestima pode</p><p>resultar em experiências negativas de fracasso pes-</p><p>soal e a percepção de que a avaliação de terceiros</p><p>também é negativa (TAMAYO, 2001).</p><p>Em sua pesquisa com atletas de voleibol, Vieira</p><p>et al. (2010) descrevem que o autoconceito represen-</p><p>ta uma característica do sujeito que o leva a certas</p><p>escolhas, certos comportamentos, com isso, para</p><p>que o comportamento de uma pessoa mude, primei-</p><p>ro é preciso que o seu autoconceito mude. Profissio-</p><p>nais que atuam junto a atletas precisam valorizar o</p><p>autoconceito à medida que necessitam de mudanças</p><p>de comportamentos e atitudes para que sua percep-</p><p>ção seja positiva a ponto de colaborar com seu de-</p><p>sempenho.</p><p>Autoconceito e autoestima não são a mesma</p><p>coisa, apesar de muitos tratarem como tal. A auto-</p><p>estima pode ser definida como a forma como nos</p><p>sentimos acerca de nós mesmos e pode ser consi-</p><p>derada um componente avaliador do autoconceito</p><p>(BRANDEN, 2000). Se a autoestima envolve avalia-</p><p>ção, a prática de esportes e atividade física podem</p><p>contribuir, e muito, para que crianças e adolescen-</p><p>tes desenvolvam uma autoestima mais positiva e,</p><p>ao chegarem na idade adulta, possam utilizar estas</p><p>características positivas a seu favor.</p><p>O benefício social e para a saúde que a prática de</p><p>atividade física proporciona é muito importante. Há</p><p>a consequência de contribuir com a cidadania, pro-</p><p>porcionar atividades em grupo que possibilitam a</p><p>compreensão sobre regras, respeito aos companhei-</p><p>ros, além de melhorar o autoconceito e a autoestima</p><p>já salientados. Todos são aspectos importantes para</p><p>a compreensão da relação da atividade física com a</p><p>Promoção da Saúde (OLIVEIRA et al., 2016).</p><p>Os meios de comunicação e as pesquisas que são</p><p>realizadas, atualmente, no campo da atividade física</p><p>e da saúde, destacam a necessidade de a população</p><p>adquirir hábitos saudáveis de vida. Isso se torna uma</p><p>ferramenta de combate aos danos causados à saúde,</p><p>decorrentes, por exemplo, do estilo de vida urbana</p><p>atual (SAMULSKI et al., 2009a).</p><p>A atuação no campo da Promoção da Saúde é</p><p>complexo, pois envolve o pensamento de trabalho</p><p>interdisciplinar para compreender a complexidade</p><p>do fenômeno descrito como saúde. Este fato envol-</p><p>ve, entre outros aspectos, o incentivo ao desenvolvi-</p><p>mento de comportamentos saudáveis, o que inclui,</p><p>no nosso caso, a prática esportiva, e isso é social-</p><p>mente aceito (GUEDES, 2016).</p><p>Apesar dos pontos já salientados, é fundamen-</p><p>tal pensar que os benefícios causados pela prática</p><p>esportiva não são automáticos e levam certo tempo</p><p>para ocorrer. Na infância e na adolescência, o prin-</p><p>cipal elemento é contribuir para o desenvolvimen-</p><p>to psicológico e da personalidade. Já nos adultos e</p><p>nos idosos, é preciso organizar o ambiente para que</p><p>possa contribuir com a qualidade de vida de forma</p><p>satisfatória. O engajamento na atividade física ou no</p><p>esporte geram consequências por longos períodos</p><p>de tempo, desenvolvem nas pessoas outros compor-</p><p>tamentos considerados saudáveis, deixando também</p><p>as experiências sociais mais positivas.</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>145</p><p>146</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>Prática Esportiva</p><p>e Bem-Estar Psicológico</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>147</p><p>A maioria dos transtornos psicológicos são tratados</p><p>com o uso de medicamentos, psicoterapias e demais</p><p>atividades do contexto médico e psicológico. Mas</p><p>como já destacado, a prática de atividade física tem</p><p>se tornado uma grande aliada ao tratamento de di-</p><p>versas enfermidades. Dados epidemiológicos dão</p><p>conta de contribuir com esta ideia sobre a influência</p><p>benéfica que a atividade física e o esporte produzem</p><p>na vida da população (WEINBERG; GOULD, 2017).</p><p>Os transtornos mentais mais comuns na popula-</p><p>ção mundial são a ansiedade e a depressão, e a ati-</p><p>vidade física pode ser um elemento de muita ajuda</p><p>neste processo de tratamento. Os efeitos agudos (ime-</p><p>diatos) e crônicos (de longo prazo) podem influen-</p><p>ciar nas mudanças positivas da saúde mental dos pra-</p><p>ticantes, independentemente do tipo de exercício.</p><p>Sobre a ansiedade, os estudos que investigam</p><p>os efeitos crônicos na redução da ansiedade têm</p><p>tido grandes resultados, mostrando que práticas de</p><p>exercício por um tempo significativo (dois a quatro</p><p>meses) tendem a diminuir de forma significativa</p><p>os estados ansiosos dos praticantes (O´CONNOR;</p><p>PUETZ, 2005). Compreender quais mudanças psi-</p><p>cológicas podem ser esperadas com determinados</p><p>tipos de exercícios e também com os níveis de in-</p><p>tensidade é importante para que se escolha deter-</p><p>minado exercício a ser realizado, tendo em vista a</p><p>sua adequação e adesão.</p><p>A depressão clínica apresenta uma característica</p><p>um pouco diferente da ansiedade. Causa um sofri-</p><p>mento psíquico significativo e, dependendo do grau,</p><p>pode ser incapacitante para a pessoa. A inatividade</p><p>física é, muitas vezes, relacionada com níveis mais</p><p>altos de depressão, e pesquisadores como Legrand e</p><p>Heuze (2007) constataram que a frequência de ativi-</p><p>dade física pode ser um fator importante para redu-</p><p>zir os sintomas depressivos.</p><p>São diversos benefícios que a prática esportiva</p><p>pode causar, do ponto de vista psicológico, quanto</p><p>mais se pratica uma atividade física ou um espor-</p><p>te, maiores as chances de desenvolver níveis altos de</p><p>autoeficácia e competência percebida, aumentando</p><p>também a motivação para a prática (WEINBERG;</p><p>GOULD, 2017). Não é de hoje que os autores deba-</p><p>tem estes benefícios psicológicos. Em 1985, Taylor</p><p>et al. (1985) descreveram alguns efeitos, mostran-</p><p>do que a prática esportiva aumenta o desempenho</p><p>acadêmico, a positividade, a confiança, melhora a</p><p>estabilidade emocional, a satisfação sexual e o bem-</p><p>-estar. Além de diminuir os índices de abuso de</p><p>substâncias nocivas, como o álcool, reduz os índices</p><p>de raiva, ansiedade, depressão e tensão.</p><p>O exercício está associado à redução de emo-</p><p>ções estressantes, como o estado ansioso, e</p><p>está ligado a um nível reduzido de depressão</p><p>e ansiedade de leves a moderadas. A longo</p><p>prazo, o exercício físico costuma estar asso-</p><p>ciado a reduções de traços, como neurose e</p><p>ansiedade.</p><p>Fonte: Weinberg e Gould (2017).</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Quando se fala em bem-estar psicológico, fala-se em</p><p>uma característica psicológica também mais estru-</p><p>turada, o que possibilita o sujeito desenvolver algu-</p><p>mas características positivas e que podem ser usadas</p><p>no dia a dia, em relações sociais, profissionais e de</p><p>lazer. Uma destas características é a resiliência, que</p><p>se encaixa em uma característica da personalidade</p><p>que permite a pessoa suportar situações estressan-</p><p>tes e enfrentá-las, retornando ao mesmo nível que se</p><p>encontrava antes da situação (ROSADO et al., 2013).</p><p>148</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>Ser resiliente significa ter capacidade de superar</p><p>uma situação que poderia ter sido traumática, com</p><p>uma força renovada (ANAUT, 2005). Muitos auto-</p><p>res têm considerado um mecanismo importante de</p><p>defesa contra o estresse e a adversidade (CLOUGH</p><p>et al., 2002).</p><p>O uso do esporte como parte de uma inter-</p><p>venção médica ou terapêutica pode, de certa ma-</p><p>neira, encorajar uma abordagem positiva voltada</p><p>à promoção da saúde, no sentido de que os prati-</p><p>cantes de esporte e de atividade física incorporam</p><p>e aprendem um estilo de vida mais saudável por</p><p>meio do exercício (WEINBERG; GOULD, 2017).</p><p>Este estilo de vida pode ser descrito como um con-</p><p>junto de ações e comportamentos do cotidiano que</p><p>reflete as atitudes, os valores e que são realizados</p><p>de forma consciente. O hábito pode ser considera-</p><p>do consciente se a pessoa que realiza percebe que o</p><p>valor de um comportamento deve ser</p><p>mudado por</p><p>meio de sua vontade própria (NAHAS, 2006; RA-</p><p>PHAELLI, 2009).</p><p>O bem-estar psicológico causado pela prática</p><p>esportiva faz parte do estabelecimento de um esti-</p><p>lo de vida saudável, o que é fundamental para me-</p><p>lhor qualidade de vida. Mas há que se lembrar que</p><p>estes benefícios só são possíveis com a realização</p><p>constante, de forma regular, da atividade, além de</p><p>ser orientada por profissionais qualificados para tal.</p><p>Não podemos esquecer que a atividade física ou o</p><p>esporte sozinhos não fazem milagre, é preciso ob-</p><p>servar outros elementos fundamentais, como a boa</p><p>alimentação, a hidratação adequada, o descanso re-</p><p>fletido em noites bem dormidas, entre outras ativi-</p><p>dades importantes (WHO, 2010).</p><p>A orientação adequada, com profissionais quali-</p><p>ficados, visa as questões que estão envolvidas e que,</p><p>às vezes, não são consideradas importantes. Pensar</p><p>nos motivos que levam as pessoas a se engajarem em</p><p>determinadas atividades, a idade dos praticantes,</p><p>o sexo e a experiência em determinadas atividades</p><p>não podem ser descartadas. Há que se considerar</p><p>características como a competência técnica, a possi-</p><p>bilidade de diversão, o prazer e a saúde, como discu-</p><p>tem Bernardes et al. (2015).</p><p>O foco na infância e na adolescência é funda-</p><p>mental. Os adolescentes encontram-se em uma</p><p>fase de escolhas e decisões, e os comportamentos</p><p>emitidos neste momento podem determinar sua</p><p>interação com a sociedade e aquisição de hábitos</p><p>e atitudes que podem influenciar outros compor-</p><p>tamentos positivos ao longo da vida (OLIVEIRA</p><p>et al., 2017).</p><p>O trabalho da Psicologia, no estímulo da popu-</p><p>lação à adesão de hábitos saudáveis, visa a reflexão</p><p>sobre a importância deste processo para a saúde</p><p>global da sociedade, além de contribuir, também,</p><p>para a diminuição de comportamentos de risco</p><p>entre as classes menos favorecidas. Martins et al.</p><p>(2012) discutem que incentivar jovens a criarem</p><p>estratégias que possibilitem a adoção de hábitos</p><p>saudáveis pode ser fundamental para que estes</p><p>comportamentos de risco reduzam e se transfor-</p><p>mem em aspectos positivos.</p><p>Vale ressaltar que o bem-estar psicológico pode</p><p>variar de acordo com o tipo de atividade que se rea-</p><p>liza, além de se considerar os demais fatores envol-</p><p>vidos na prática, como o ambiente físico, os profis-</p><p>sionais instrutores e a própria pessoa que realiza a</p><p>atividade. Isso nos leva a pensar novamente no su-</p><p>jeito é um ser biopsicossocial, remetendo à dificul-</p><p>dade de se estabelecer conceitos e estratégias que</p><p>sejam comuns a todos (SAMULSKI et al., 2009a).</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>149</p><p>Programas de atividade física que contemplam</p><p>todas as idades são fundamentais para evidenciar</p><p>a importância da atividade física para as pessoas.</p><p>Influenciar hábitos que podem resultar em melhor</p><p>bem-estar psicológico e físico desde a infância e</p><p>adolescência permitem melhorar a saúde no futuro,</p><p>o que aumenta também a probabilidade de o indi-</p><p>víduo continuar ativo nas idades mais avançadas</p><p>(MATSUDO et al., 2003).</p><p>Com o passar do tempo, é preciso pensar, por</p><p>exemplo, em como a prática de atividade física pode</p><p>ser um elemento fundamental para o bem-estar psi-</p><p>cológico, no processo de envelhecimento. Chegar</p><p>aos 40 ou 50 anos sem praticar algum tipo de ativi-</p><p>dade física de forma regular leva à percepção visível</p><p>de diminuição de resistência, força e flexibilidade.</p><p>Além da flacidez muscular e aumento da gordura</p><p>corporal (WEINBERG; GOULD, 2017).</p><p>Isso leva à compreensão da ideia de que a ativi-</p><p>dade física é prejudicial à saúde das pessoas idosas, o</p><p>que é contraditória. Não podemos privar esta popu-</p><p>lação de tentar alcançar melhor qualidade de vida,</p><p>baseando suas atividades apenas nas suas incapa-</p><p>cidades físicas. É preciso pensar nos benefícios que</p><p>essa população terá, não apenas físicos, mas também</p><p>psíquicos com a prática de atividade física e hábitos</p><p>saudáveis (SAMULSKI et al., 2009a).</p><p>Ainda há uma elevada porcentagem da população</p><p>que pode ser considerada inativa do ponto de vista fí-</p><p>sico, ou seja, de prática regular de atividade física. Mas</p><p>a disseminação dos benefícios aqui tratados é funda-</p><p>mental para que a população geral compreenda a sua</p><p>real necessidade. A prática de esporte e atividade física</p><p>sozinha não pode ser tratada como único fator de saú-</p><p>de, mas é um indicativo e pode ser também um incen-</p><p>tivo à adesão de outros hábitos considerados saudáveis.</p><p>150</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>Enaltecer a importância da prática esportiva é fun-</p><p>damental. Mais ainda é olhar também para o outro</p><p>lado da moeda, os momentos nem tão bons assim</p><p>deste contexto que gera prazer e dor em algumas</p><p>situações. Falaremos, agora, sobre as lesões espor-</p><p>tivas, que podem ocorrer tanto em atletas profis-</p><p>sionais quanto em atletas amadores ou praticantes</p><p>de atividade física com o objetivo voltado à saúde,</p><p>assunto já debatido nesta unidade.</p><p>Weinberg e Gould (2017) atentam para a dife-</p><p>rença entre lesão e desconforto. O desconforto é</p><p>uma sensação que está associada à lesão, e este, por</p><p>si só, não resulta, necessariamente, em prejuízo de</p><p>movimentos. A lesão é um trauma corporal que re-</p><p>sulta em, no mínimo, uma incapacidade (momentâ-</p><p>nea ou permanente) das funções físicas.</p><p>Apesar de sempre considerar a lesão um aspecto</p><p>físico, há outros fatores que podem influenciar na</p><p>causa da lesão e também no tratamento dessa lesão.</p><p>Fatores físicos, sociais e psicológicos são todos ele-</p><p>mentos que precisam ser analisados neste cenário</p><p>em específico. Sobre os fatores físicos, não há muito</p><p>segredo além de se pensar nos desequilíbrios mus-</p><p>culares, na intensidade da atividade e no excesso de</p><p>treino aliado à falta de descanso como principais</p><p>causas das lesões (SMITH et al., 2000).</p><p>Sobre as razões sociais, Malcom (2006) destaca a</p><p>percepção que os atletas têm acerca do quão os tor-</p><p>cedores valorizam aqueles que continuam jogando</p><p>mesmo com dor e lesionados. Suportar a dor e as</p><p>dificuldades da lesão gera a percepção de que a le-</p><p>são não é tão séria quanto parece, porém pode gerar</p><p>consequências piores, dependendo do caso.</p><p>Os fatores psicológicos envolvidos nas discus-</p><p>sões sobre lesões no esporte ajudam a compreender</p><p>um pouco sobre a percepção e a reação que os atle-</p><p>tas têm sobre este fator estressante. O estado mental</p><p>do atleta não causa diretamente uma lesão, mas as</p><p>experiências negativas vivenciadas podem produ-</p><p>zir respostas fisiológicas e atencionais exageradas,</p><p>determinando maior suscetibilidade a lesões por</p><p>meio do aumento exagerado da tensão muscular, a</p><p>redução do campo visual e o aumento da distração</p><p>(SAMULSKI; AZEVEDO, 2009).</p><p>As pesquisas demonstram alta relação entre o es-</p><p>tresse e as lesões no contexto esportivo. Assim, é preci-</p><p>Fatores Psicológicos</p><p>e Lesões Esportivas</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>151</p><p>so ficar atento às questões psicológicas, principalmente</p><p>as consideradas negativas, para que programas de pre-</p><p>venção sejam estabelecidos com o intuito de, pelo me-</p><p>nos, minimizar os efeitos negativos das lesões. As cau-</p><p>sas do estresse são inúmeras, desde situações sociais e</p><p>competitivas, até exigências em excesso e estrutura psi-</p><p>cológica que, muitas vezes, entra em contradição com</p><p>a noção do senso comum de que esporte e saúde são a</p><p>única relação existente (WEINBERG; GOULD, 2017).</p><p>As reações psicológicas envolvidas nas lesões esporti-</p><p>vas é o que nos interessa neste momento. Como já vi-</p><p>mos, há fatores psicológicos que podem desencadear</p><p>reações fisiológicas que deixam o atleta mais propen-</p><p>so a se lesionar. Mas quais os fatores psicológicos en-</p><p>volvidos após a lesão? Como trabalhar para fortalecer</p><p>os aspectos psicológicos de um atleta ou praticante de</p><p>atividade física no processo de recuperação?</p><p>Independentemente da causa, do tipo e da in-</p><p>tensidade da lesão, as respostas emocionais preci-</p><p>sam ser analisadas. Kübler-Ross (2008), em seus es-</p><p>tudos sobre a morte e o morrer, estabeleceu que as</p><p>pessoas experimentam reações de ajustamento que</p><p>podem ser chamadas de estágios do processo de</p><p>morrer. Algumas pesquisas na área esportiva têm</p><p>utilizado este modelo para discutir a importância</p><p>da intervenção psicológica nestes casos (VELOSO;</p><p>PIRES, 2007), as implicações psicológicas nas le-</p><p>sões (VASCONCELOS-RAPOSO et al., 2014), o</p><p>Lesões ocorrem por diversos motivos, e isso</p><p>exige atenção interdisciplinar no processo de</p><p>reabilitação, dando atenção tanto às altera-</p><p>ções musculoesqueléticas quanto às altera-</p><p>ções psíquicas.</p><p>REFLITA</p><p>que torna este modelo útil para discutirmos suas</p><p>características e contribuições.</p><p>O modelo de Kübler-Ross (2008), adaptado ao</p><p>contexto esportivo, visa a descrever como os atletas e/</p><p>ou praticantes de esportes e exercícios que se lesionam</p><p>agem diante de tal fato. O processo todo é descrito</p><p>em cinco estágios: negação, raiva, barganha ou nego-</p><p>ciação, depressão, aceitação e reorganização. Embora</p><p>esses estágios sejam bem descritos pela autora, é ne-</p><p>cessário lembrar que os indivíduos lesionados, não ne-</p><p>cessariamente, seguem um padrão estabelecido nem</p><p>demonstram suas emoções baseadas nestes cinco está-</p><p>gios. Mas, levando em consideração esse modelo, refle-</p><p>tiremos sobre como cada momento pode ser enfrenta-</p><p>do pelos atletas. A maioria passa por todos os estágios,</p><p>no entanto o tempo e a duração deles é dependente das</p><p>características psicológicas apresentadas pelos atletas</p><p>(GORDON et al., 1991).</p><p>Logo nos momentos que seguem uma lesão, é</p><p>possível verificar no atleta a fase de Negação, carac-</p><p>terizada pela descrença sobre o ocorrido, o que o leva</p><p>a negar sua importância. Com o passar do tempo e</p><p>a percepção de que a lesão é séria e terá consequên-</p><p>cias, instala-se o estágio de Raiva, sendo demonstra-</p><p>da por meio de agressividade com os demais à sua</p><p>volta. A fase de Barganha ocorre quando o atleta co-</p><p>meça a negociar consigo mesmo algumas estratégias</p><p>na tentativa de se recuperar de forma mais rápida.</p><p>As estratégias giram em torno de propor soluções na</p><p>tentativa de evitar a realidade da situação. Ao per-</p><p>ceber conscientemente a situação grave da lesão, o</p><p>atleta pode experimentar um período de Depressão</p><p>e incerteza sobre o futuro, principalmente sobre o</p><p>retorno da prática esportiva. Por fim, a Aceitação</p><p>instala-se, e essa fase é importante para que possa</p><p>iniciar o processo de reabilitação e retorno às ativi-</p><p>dades (SAMULSKI; AZEVEDO, 2009).</p><p>152</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>Outras reações psicológicas que podem surgir nos atletas lesionados são apresentadas por</p><p>Petitpas e Danish (1995). Vamos a elas:</p><p>Perda da identidade:</p><p>surge quando o atleta não participa</p><p>mais das atividades esportivas por</p><p>motivos específicos à lesão. Essa não</p><p>participação das atividades pode levar</p><p>ao desenvolvimento da perda de iden-</p><p>tidade pessoal, afetando, inclusive,</p><p>seu autoconceito.</p><p>Medo e ansiedade:</p><p>a situação da lesão pode levar os atle-</p><p>tas a experimentarem altos níveis de</p><p>medo e ansiedade, que estão direta-</p><p>mente relacionados com a incerteza</p><p>futura no contexto esportivo, e isso</p><p>envolve diversos fatores, como vaga</p><p>na equipe e futuras transferências.</p><p>Falta de confiança:</p><p>o tempo que o atleta passa sem pra-</p><p>ticar a atividade pode desencadear</p><p>perda da autoconfiança e diminuição</p><p>da motivação para a prática esporti-</p><p>va. Esta falta de confiança pode gerar</p><p>dificuldades de concentração na ati-</p><p>vidade, levando a outras lesões ou à</p><p>reincidência.</p><p>Redução do desempenho:</p><p>o período sem praticar a atividade, ex-</p><p>perimentando sensações como a perda</p><p>da identidade, o medo, a ansiedade e a</p><p>falta de confiança pode desencadear re-</p><p>dução do desempenho, após o período</p><p>de recuperação. Pode surgir dificuldade</p><p>em reconhecer que, logo após a lesão,</p><p>seu desempenho pode ser menor, e</p><p>essa realidade precisa ser considerada.</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>153</p><p>Após compreender alguns dos mecanismos psicoló-</p><p>gicos presentes nas situações de lesão, no contexto</p><p>esportivo, é preciso pensar em como a Psicologia</p><p>pode colaborar com a recuperação dos lesionados,</p><p>sendo atletas ou não. Do ponto de vista da estrutura</p><p>psicológica, pessoas lesionadas que utilizam melhor</p><p>suas estratégias de estabelecimento de metas, men-</p><p>talização e possuem estratégias de enfrentamento</p><p>mais adequadas são aquelas que se recuperam tam-</p><p>bém mais rápido (IEVLEVA; ORLICK, 1991).</p><p>De acordo com Samulski e Azevedo (2009), o</p><p>atleta lesionado precisa receber o máximo de in-</p><p>formações possível sobre a gravidade da lesão bem</p><p>como sobre o processo de reabilitação. A informa-</p><p>ção sobre a realidade da situação deixa o atleta mais</p><p>seguro e com possibilidade de lidar melhor com a</p><p>reabilitação e as possíveis intercorrências.</p><p>As técnicas psicológicas são importantes ferra-</p><p>mentas nesse momento. Proporcionar ao atleta es-</p><p>tratégias de estabelecimento de metas, baseando-se</p><p>nos prazos para um possível retorno, nas sessões de</p><p>fisioterapia necessárias, tipos de exercícios a serem</p><p>realizados, pode ajudar o atleta a manter o foco no</p><p>processo. Estabelecer uma meta relaciona-se com a</p><p>expectativa do sucesso, mantendo o atleta concen-</p><p>trado nas atividades que precisa realizar. Mas estas</p><p>metas precisam se concentrar nas possibilidades,</p><p>na realidade, não podem ser muito exageradas, pois</p><p>isso pode causar frustração pelo não alcance destas</p><p>(NUNES et al., 2010).</p><p>Com as metas traçadas, fica mais fácil aderir a</p><p>outras técnicas, como o diálogo interno, que ajuda</p><p>na retomada da autoconfiança e pode ser utiliza-</p><p>do, inclusive, para bloquear pensamentos negativos</p><p>que surgem em decorrência da lesão (HATZIGE-</p><p>ORGIADIS et al., 2008). Por ser um momento que</p><p>causa estresse no atleta, as técnicas de relaxamento</p><p>podem colaborar para o alívio da dor e do próprio</p><p>estresse da situação, além da redução da tensão mus-</p><p>cular, melhora no fluxo sanguíneo e melhora do sis-</p><p>tema imunológico (NATA, 2011).</p><p>Todos os profissionais envolvidos no processo</p><p>de recuperação de um atleta precisam compreender</p><p>que esta é uma fase complexa, cheia de percalços. Da</p><p>parte da psicologia, a compreensão dos fatores de</p><p>risco nesta situação faz-se importante para intervir</p><p>de acordo com as necessidades estabelecidas. Mas</p><p>o trabalho isolado da Psicologia, sem comunicação</p><p>com as demais áreas, torna o alcance dos resultados</p><p>mais complicado.</p><p>154</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>Consequências do</p><p>Excesso da Prática Esportiva:</p><p>Elementos Presentes no Rendimento</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>155</p><p>Como abordado no tópico anterior, as lesões po-</p><p>dem ser causadas, entre outros fatores, pelo exces-</p><p>so de treinamento, falta de descanso e atividades</p><p>mal orientadas. O excesso de prática esportiva,</p><p>profissional ou não, pode ter consequências não</p><p>tão agradáveis assim a quem pratica. Abordare-</p><p>mos, agora, algumas destas consequências que,</p><p>infelizmente, ocorrem de forma silenciosa e, apa-</p><p>rentemente, repentina.</p><p>O excesso de treinamento é muito conhecido</p><p>pelo termo em inglês overtraining e pode ocorrer,</p><p>muitas vezes, pela pressão para que os atletas obte-</p><p>nham resultados positivos e permaneçam treinando</p><p>o ano todo com vigor e intensidade máximos. Além</p><p>de fatores extraesporte que incluem questões pu-</p><p>blicitárias, status e a ideia de quanto mais, melhor</p><p>(WEINBERG; GOULD, 2017).</p><p>O excesso de treinamento tornou-se um proble-</p><p>ma significativo no contexto esportivo. No entanto</p><p>atletas amadores e praticantes de atividade física</p><p>também estão chegando ao limite da prática, sofren-</p><p>do problemas físicos e psicológicos, o que ocasiona,</p><p>muitas vezes, o encerramento da carreira e da práti-</p><p>ca. A periodização do treinamento é uma das prin-</p><p>cipais ferramentas para minimizar as consequências</p><p>negativas da prática, é uma estratégia de expor os</p><p>atletas a cargas de treinamento de grande volume e</p><p>alta intensidade, seguidas por uma carga de treina-</p><p>mento mais baixa, chamada de repouso ou polimen-</p><p>to (GOMES, 2009).</p><p>Quando este treinamento vira excessivo,</p><p>ocorre um ciclo mais curto em que os atletas</p><p>são expostos a cargas de treinamento excessivas,</p><p>próximas da capacidade máxima. Como este tra-</p><p>balho com sobrecarga é um processo individu-</p><p>al, por vezes, torna-se demais, podendo resultar</p><p>em lesões e demais</p><p>consequências negativas. Isso</p><p>ocorre por conta de um repouso insatisfatório, o</p><p>que gera queda do desempenho (U. S. OLYMPIC</p><p>COMMITTEE, 1998).</p><p>Do ponto de vista fisiológico, a estafa é muito</p><p>comum, que se caracteriza por um estado fisiológico</p><p>de treinamento excessivo que pode ser manifestado</p><p>como prontidão esportiva deteriorada (WILMORE;</p><p>COSTILL, 2001). A estafa tem como sinal principal</p><p>a queda do desempenho do atleta, mas também há</p><p>sinais psicológicos, como alteração do humor, po-</p><p>dendo evoluir para quadros depressivos.</p><p>Atualmente, muitas pesquisas estão estudando</p><p>os efeitos psicológicos do excesso de treinamento e</p><p>concluindo que o burnout também é uma das suas</p><p>consequências. No Brasil, as pesquisas de Pires et</p><p>al. (2005) tentam compreender este fenômeno que</p><p>causa afastamento físico, emocional e social de uma</p><p>atividade física (ou esporte) que antes era agradável.</p><p>Como nos casos clínicos, esse afastamento pode ser</p><p>acompanhado por exaustão emocional e física, além</p><p>de uma desvalorização do esporte praticado.</p><p>Alguns pesquisadores dedicam-se a compreen-</p><p>der quais fatores podem levar o atleta ao excesso de</p><p>treinamento, tendo em vista este ser um fator muito</p><p>individual e de difícil mensuração. Apesar da relação</p><p>básica entre o volume de treinamento e as reações a</p><p>este volume excessivo, há evidências de que o estres-</p><p>se não esportivo pode ser associado ao treinamento</p><p>excessivo (MEEHAN et al., 2004). Tobar (2012) en-</p><p>controu também que o excesso de treinamento tem</p><p>relação com alterações de humor e a ansiedade dos</p><p>atletas, mas ainda com a ressalva de que isso depen-</p><p>de da estrutura psicológica individual.</p><p>Levando em consideração estes fatores, o Qua-</p><p>dro 1 apresenta os principais sinais e sintomas que</p><p>podemos encontrar nos casos de excesso de treina-</p><p>mento e de burnout no esporte.</p><p>156</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>Como podemos observar no Quadro 1, os sintomas</p><p>do excesso de treinamento e do burnout são mui-</p><p>to parecidos e são de natureza física e psicológica.</p><p>Estes fatores tornaram-se um problema significativo</p><p>no contexto esportivo, principalmente de alto nível,</p><p>o que tem causado, em alguns casos, o encerramento</p><p>precoce de uma carreira que poderia ser de sucesso</p><p>(SAMULSKI et al., 2009b). Isto leva à importância</p><p>do fato de os profissionais envolvidos no contexto</p><p>entenderem dos sintomas que podem surgir por</p><p>conta do excesso de treinamento.</p><p>A pressão por resultados e pela dedicação na</p><p>prática pode ter algumas consequências negati-</p><p>vas. Quando se fala em crianças e adolescentes, os</p><p>efeitos psicológicos e físicos podem ser bem seve-</p><p>ros, podem ocorrer quedas de desempenho, baixa</p><p>autoestima, surgimento de transtornos alimentares</p><p>e lesões crônicas (CARR; WEIGAND, 2014). Estes</p><p>sintomas podem surgir em decorrência do excesso</p><p>de treinamento e acabam prejudicando também as</p><p>transições naturais que ocorrem no contexto espor-</p><p>tivo, tornando-as insatisfatórias e, até mesmo, não</p><p>ocorrer, em neste caso, evoluindo para o abandono</p><p>da prática (STAMBULOVA; WYLLEMAN, 2014).</p><p>Em cada idade, o tipo de treinamento é espe-</p><p>cífico, mas é sempre necessário que os envolvidos</p><p>tenham consciência de um planejamento específico</p><p>para evitar que o excesso de treinamento e a pres-</p><p>são estabelecida ocasionem o abandono da carreira</p><p>do atleta e, até mesmo, o surgimento de comporta-</p><p>mentos considerados prejudiciais à carreira. Manter</p><p>o corpo e a mente saudáveis é fundamental para o</p><p>andamento da carreira, seja um atleta profissional,</p><p>seja um praticante de atividade física. O estresse</p><p>crônico causado pelo excesso de treinamento e pelas</p><p>condições diárias da prática cobram um alto preço</p><p>ao corpo e à mente do atleta, portanto, cuidar da</p><p>saúde mental, no contexto esportivo, é tão impor-</p><p>tante quanto cuidar da saúde física (WEINBERG;</p><p>GOULD, 2017).</p><p>Excesso de treinamento Burnout</p><p>Desempenho insatisfatório Baixa motivação ou energia</p><p>Apatia Esgotamento físico e mental</p><p>Letargia Autoestima diminuída</p><p>Perturbação do sono Perturbação do sono</p><p>Perda de peso/perda de apetite Isolamento social</p><p>Dor ou sensibilidade muscular Ansiedade aumentada</p><p>Alterações de humor Alterações do humor</p><p>Lesões por excesso de prática Abuso de substâncias</p><p>Perda da concentração Baixa concentração</p><p>Quadro 1 - Sinais e sintomas apresentados por atletas em excesso de treinamento e burnout</p><p>Fonte: Hackney; Perlman; Nowacki (1990) apud Weinberg; Gould (2017).</p><p>157</p><p>considerações finais</p><p>Chegamos ao final de mais uma unidade e, nesta última etapa da nossa disciplina,</p><p>focamos em aspectos que fogem um pouco do contexto do esporte de rendimen-</p><p>to, mas que são tão importantes quanto, pois o destaque ficou por conta da saúde</p><p>e do bem-estar do atleta e também do praticante de atividade física.</p><p>O primeiro ponto discutido foi a respeito de como o esporte pode ser um</p><p>elemento a ser trabalhado, visando a qualidade de vida e a promoção da saúde da</p><p>população como um todo. Praticar um esporte significa mais do que cuidar do</p><p>corpo, significa, também, manter a mente em condições saudáveis ao ponto de</p><p>guiar os comportamentos de forma mais qualitativa, visando a saúde.</p><p>As consequências psicológicas da prática esportiva são amplamente discu-</p><p>tidas nas pesquisas da área, principalmente destacando os efeitos positivos de</p><p>como o esporte pode colaborar com o bem-estar psicológico das pessoas. A re-</p><p>lação mente e corpo, nestes casos, é o ponto importante a ser pensado, tendo em</p><p>vista a natureza humana indissociável neste caso.</p><p>Apesar das consequências positivas da prática esportiva, precisamos pensar</p><p>também em como o esporte pode ocasionar fatores negativos, como as lesões. As</p><p>diferentes modalidades esportivas geram diferentes estímulos, e também os atle-</p><p>tas estão sujeitos a diferentes tipos de lesões. As lesões podem prejudicar muito</p><p>a carreira de um atleta e influenciar, negativamente, a motivação de uma pessoa</p><p>para a prática esportiva.</p><p>Por fim, ainda discutindo aspectos referentes às lesões, uma temática tem</p><p>preocupado os envolvidos no esporte, que é o caso do excesso de prática esporti-</p><p>va, denominado overtraining. O excesso de prática pode ter consequências sérias</p><p>aos atletas, como o estresse elevado (burnout), lesões, comportamentos adictivos</p><p>e, até mesmo, o abandono da carreira. Com isso, fechamos a ideia de que pensar</p><p>no esporte vai além de pensar no aspecto físico, foca-se, também, no aspecto psi-</p><p>cológico, que é tão importante quanto.</p><p>158</p><p>atividades de estudo</p><p>1. Há cerca de quatro décadas, a Síndrome de Bur-</p><p>nout vem sendo investigada no cenário acadêmi-</p><p>co. Tem seu início de preocupação no contexto</p><p>do trabalho, em que diversos casos de estresse</p><p>relacionados diretamente com o local de traba-</p><p>lho surgiram, causando preocupação de diversas</p><p>áreas de estudo. No esporte, o burnout é um</p><p>fenômeno que ocorre frequentemente entre jo-</p><p>vens atletas e está relacionado basicamente:</p><p>a) à busca de uma nova modalidade espor-</p><p>tiva.</p><p>b) à grande excitação vivida pela competição.</p><p>c) ao abandono da modalidade, causado por</p><p>alto nível de stress.</p><p>d) à relação de dependência entre técnico e</p><p>atleta.</p><p>e) à determinação do atleta em não se deixar</p><p>influenciar pelo meio.</p><p>2. Todo atleta está sujeito a se lesionar pelo menos</p><p>uma vez, durante toda a sua carreira. Pensando</p><p>em uma intervenção psicológica, após a lesão no</p><p>contexto esportivo, é possível observar e traba-</p><p>lhar, baseando-se em algumas reações emocio-</p><p>nais que podem ocorrem nestas situações. As-</p><p>sinale a alternativa que apresenta a combinação</p><p>que melhor viabilizaria a intervenção do psicólo-</p><p>go do esporte:</p><p>a) Desespero, negação, desilusão e suicídio.</p><p>b) Medo, resignação, raiva, pânico e reorga-</p><p>nização.</p><p>c) Negação, raiva, negociação, depressão,</p><p>aceitação e reorganização.</p><p>d) Alegria, resignação, alívio, conforto e resi-</p><p>liência.</p><p>e) Frustração, resignação, isolamento e tenta-</p><p>tivas de aceitação.</p><p>3. A síndrome do excesso de treinamento (over-</p><p>training) é considerada o resultado de um de-</p><p>sequilíbrio entre a demanda do exercício e a</p><p>possibilidade</p><p>de assimilação ao treinamento.</p><p>Este desequilíbrio gera alterações metabólicas e</p><p>emocionais. Após a detecção do overtraining, o</p><p>atleta necessita de um trabalho específico para</p><p>sua recuperação. Descreva como o overtraining</p><p>pode influenciar na motivação de um atleta que</p><p>está em processo de repouso devido ao excesso</p><p>de treinamento.</p><p>4. Em decorrência de lesões, cerca de 5% a 15%</p><p>dos atletas de elite ficam fora do treinamento</p><p>por, pelo menos, um mês, a cada temporada.</p><p>Cada modalidade esportiva apresenta suas le-</p><p>sões características e, neste caso, o objetivo da</p><p>psicologia é limitar os sofrimentos e as perdas</p><p>associadas à lesão e garantir boas condições psi-</p><p>cológicas para a volta ao esporte. Disserte sobre</p><p>as reações psicológicas (KÜBLER-ROSS, 2008)</p><p>que ocorrem com o atleta, associadas à lesão es-</p><p>portiva.</p><p>5. As evidências científicas sobre os benefícios do</p><p>esporte na vida da população em geral são inú-</p><p>meras. No contexto da Psicologia do Esporte e</p><p>do Exercício, estes benefícios são destacados</p><p>a partir de alguns pontos específicos, como o</p><p>uso do esporte no tratamento de questões psi-</p><p>quiátricas, que se relacionam com o humor, a</p><p>ansiedade, a depressão, entre outros. A partir</p><p>das discussões sobre a relação do esporte com</p><p>o bem-estar psicológico (WEINBERG; GOULD,</p><p>2017), explique quais os efeitos positivos do es-</p><p>porte sobre a ansiedade e a depressão.</p><p>159</p><p>LEITURA</p><p>COMPLEMENTAR</p><p>Uma população saudável é resultado de diversos fatores, boa alimentação, práticas</p><p>regulares de atividade física, cuidados com a saúde mental, entre outros fatores já co-</p><p>nhecidos. Entre estes elementos, a atividade física é uma prática que pode beneficiar,</p><p>e muito, os índices de saúde de cidades inteiras, desde que os programas sejam bem</p><p>desenvolvidos.</p><p>Neste aspecto, sempre é importante verificar como a população está de acordo com</p><p>alguns índices importantes para se avaliar a saúde geral. Por ser uma prática de fácil</p><p>visualização, e os resultados poderem ser mensurados, alguns estudos são desenvol-</p><p>vidos com o intuito de avaliar a população e verificar como a saúde está fazendo parte</p><p>do cotidiano.</p><p>Um bom desempenho motor é considerado um atributo fundamental para a constru-</p><p>ção de todo um acervo motor durante a infância, tornando-se, assim, essencial para</p><p>a efetiva participação em atividades cotidianas. É nas atividades diárias, como correr,</p><p>saltar e rolar que as crianças desenvolvem habilidades fundamentais de movimento, as</p><p>quais se refletem nos seus níveis de aptidão física e desempenho motor. Além de ser</p><p>determinado pela genética, o desempenho motor relaciona-se com os comportamen-</p><p>tos da conduta e da solicitação motora destes indivíduos.</p><p>Estudos com crianças e adolescentes têm reportado a uma associação direta entre de-</p><p>sempenho motor e atividade física. Um bom nível de desempenho motor e de aptidão</p><p>física relacionada à saúde, nas fases iniciais da vida, apresenta-se associado a bons indi-</p><p>cadores de saúde, tais como: baixos níveis de colesterol e triglicerídeos, pressão arterial</p><p>e sensibilidade à insulina equilibradas, risco menor de obesidade, baixa prevalência de</p><p>lombalgias e desvios posturais, além de refletir em bom desempenho acadêmico.</p><p>Levantamentos internacionais foram realizados, descrevendo o perfil de desempenho</p><p>motor e aptidão física relacionados à saúde de escolares. Algumas destas pesquisas</p><p>subsidiaram políticas públicas de promoção da saúde para a população infantil. Koute-</p><p>dakis e Bouziotas revelaram associação entre a baixa aptidão física e o rendimento es-</p><p>colar. Outras investigações prospectivas sugerem que a baixa aptidão física na infância</p><p>e na adolescência reflete negativamente na vida adulta. No Brasil, os estudos ainda não</p><p>são conclusivos quanto ao baixo padrão de aptidão física de escolares, principalmente</p><p>pelo fato de utilizar amostras pequenas.</p><p>Fonte: Pelegrini et al. (2011).</p><p>160</p><p>material complementar</p><p>Manual Completo de Condicionamento Físico e Saúde</p><p>Barbara Buschman</p><p>Editora: Phorte</p><p>Sinopse: baseado em sólida fundamentação teórica e em importantes e recentes</p><p>pesquisas sobre atividade física e nutrição, este livro traz orientações específicas</p><p>em ambas as áreas e para as diferentes faixas etárias, incluindo pessoas em con-</p><p>dições especiais de saúde. A presente obra traz valiosas informações sobre condi-</p><p>cionamento físico e saúde, descrevendo programas de exercícios para diferentes</p><p>níveis de condicionamento, além de princípios e diretrizes em atividade física e</p><p>nutrição que permitem a obtenção de resultados eficientes e seguros.</p><p>Indicação para Ler</p><p>161</p><p>referências</p><p>ANAUT, M. A Resiliência: ultrapassar os traumatis-</p><p>mos. Lisboa: Climepsi, 2005.</p><p>BERNARDES, A. G.; YAMAJIL, B. H. S.; GUEDES,</p><p>D. P. Motivos para prática de esporte em idades jo-</p><p>vens: um estudo de revisão. Motricidade, v. 11, n. 2,</p><p>p. 163-173, 2015.</p><p>BRANDEN, N. Auto-estima: como aprender a gos-</p><p>tar de si mesmo. 35. ed. São Paulo: Saraiva, 2000.</p><p>CALMEIRO, L.; MATOS, M. Psicologia, exercício e</p><p>saúde. Lisboa: Visão e Contextos, 2004.</p><p>CARR, S; WEIGAND, D. A. Families. In: PAPAIO-</p><p>ANNOU, A. G.; HACKFORT, D. (Ed.). Routledge</p><p>Companion to Sport and Exercise Psychology: Glo-</p><p>bal perspectives and fundamental concepts. London:</p><p>Routledge, 2014. Cap. 12, p. 187-198.</p><p>CLOUGH, P. J.; EARLE, K.; SEWELL, D. Mental</p><p>toughness: The concept and its measurement. In:</p><p>Cockerill, I. (Ed.). Solutions in Sport Psychology.</p><p>London: Thomson, 2002, p. 32-43.</p><p>GOMES, A. C. Treinamento desportivo: estrutura-</p><p>ção e periodização. Porto Alegre: Artmed, 2009.</p><p>GORDON, S.; MILIOS, D.; GROVE, R. J. Psycholo-</p><p>gical aspects of recovery process from sport injury:</p><p>the perspective of sport physiotherapists. The Aus-</p><p>tralian Journal of Science and Medicine in Sport, v.</p><p>23, n. 2, p. 53-60, 1991.</p><p>GUEDES, D. P. Educação Física Escolar: contribui-</p><p>ção para educação em saúde. In: GONZALEZ, R. H.;</p><p>MACHADO, M. M. T. (Ed.). Promoção da saúde em</p><p>crianças e adolescentes. 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A pressão por resultados e a dedica-</p><p>ção na prática pode ter algumas consequên-</p><p>cias negativas. Quando se fala em crianças e</p><p>adolescentes, os efeitos psicológicos e físicos</p><p>podem ser bem severos. Podem ocorrer</p><p>quedas de desempenho, baixa autoestima,</p><p>surgimento de transtornos alimentares e le-</p><p>sões crônicas (CARR; WEIGAND, 2014). Estes</p><p>sintomas podem surgir em decorrência do</p><p>excesso de treinamento e acabam prejudi-</p><p>cando, também, as transições naturais que</p><p>ocorrem no contexto esportivo, torna-as</p><p>insatisfatórias e, até mesmo, não ocorrem,</p><p>neste caso, evoluindo para o abandono da</p><p>prática (STAMBULOVA; WYLLEMAN, 2014).</p><p>4.</p><p>Negação, Raiva, Barganha ou Negociação,</p><p>Depressão, Aceitação e Reorganização.</p><p>Embora estes estágios sejam bem descritos</p><p>pela autora, é necessário lembrar que os in-</p><p>divíduos lesionados, não necessariamente,</p><p>seguem um padrão estabelecido nem de-</p><p>monstram suas emoções baseadas nestes</p><p>cinco estágios. Mas levando em consideração</p><p>este modelo, refletiremos sobre como cada</p><p>momento pode ser enfrentado pelos atletas.</p><p>A maioria passa por todos os estágios, mas o</p><p>tempo e a duração delas é dependente das</p><p>características psicológicas apresentadas pe-</p><p>los atletas (GORDON et al., 1991).</p><p>Logo nos momentos que seguem uma</p><p>lesão, é possível verificar no atleta a fase</p><p>de Negação. Essa fase caracteriza-se pela</p><p>descrença sobre o ocorrido, o que o leva</p><p>a negar sua importância. Com o passar do</p><p>tempo e a percepção de que a lesão é séria</p><p>e terá consequências, instala-se o estágio</p><p>de Raiva, sendo demonstrada por meio de</p><p>agressividade com os demais à sua volta. A</p><p>fase de Barganha ocorre quando o atleta</p><p>começa a negociar consigo mesmo algu-</p><p>mas estratégias na tentativa de se recu-</p><p>perar de forma mais rápida. As estratégias</p><p>giram em torno de propor soluções a fim</p><p>de evitar a realidade da situação. Ao per-</p><p>ceber, conscientemente, a situação grave</p><p>da lesão, o atleta pode experimentar um</p><p>período de Depressão e incerteza sobre o</p><p>futuro, principalmente sobre o retorno da</p><p>prática esportiva. Por fim, a Aceitação ins-</p><p>tala-se, e esta fase é importante para que</p><p>possa iniciar o processo de reabilitação e</p><p>o retorno às atividades (SAMULSKI; AZEVE-</p><p>DO, 2009).</p><p>5.</p><p>Os índices de pessoas que sofrem com pro-</p><p>blemas devido à depressão e à ansiedade au-</p><p>mentam a cada ano. A prática de exercícios e</p><p>esporte está relacionada com a redução de</p><p>sintomas destes estados emocionais</p><p>tipica-</p><p>mente negativos. Os efeitos tanto agudos</p><p>quanto crônicos do exercício geram a dimi-</p><p>nuição da ansiedade a da depressão quando</p><p>são realizados de forma regular, com inten-</p><p>sidade moderada (20 a 30 minutos de dura-</p><p>ção), de natureza aeróbica e agradável.</p><p>gabarito</p><p>conclusão geral</p><p>Prezado(a) aluno(a), espero que este livro tenha</p><p>contribuído com sua formação, com vistas à impor-</p><p>tância dos aspectos psicológicos envolvidos no es-</p><p>porte, seja ele de rendimento, voltado para a saúde,</p><p>seja de bem-estar psicológico. Ao longo das cinco</p><p>unidades, abordamos temáticas que não esgotam o</p><p>universo da Psicologia do Esporte e do Exercício,</p><p>mas estão em alta nas discussões em frentes de atu-</p><p>ação no Ensino, na Pesquisa e na Intervenção no</p><p>contexto esportivo.</p><p>É fundamental a compreensão de que o traba-</p><p>lho da Psicologia do Esporte e do Exercício pode</p><p>ser realizado tanto por profissionais de Psicologia</p><p>quanto de Educação Física, desde que respeita-</p><p>dos os limites da prática profissional. Conhecer</p><p>os fatores psicológicos envolvidos no esporte e</p><p>na atividade física é fundamental, e o profissional</p><p>de Educação Física necessita deste conhecimen-</p><p>to para que seu trabalho ultrapasse a barreira de</p><p>focar apenas nas questões físicas do esporte e da</p><p>atividade física.</p><p>Este conhecimento vai desde o início da práti-</p><p>ca, considerando os motivos que levam a pessoa a se</p><p>inserir neste contexto, até os diversos pontos, como</p><p>as variáveis que contribuem para a continuidade</p><p>da prática e as variáveis que podem prejudicar esta</p><p>atividade. No que concerne ao esporte profissional,</p><p>há as exigências físicas aumentadas e, com isso, as</p><p>exigências psicológicas também aumentam, pois a</p><p>busca por resultados em uma competição é, muitas</p><p>vezes, barreira a ser ultrapassada que demanda de-</p><p>masiado esforço. O objetivo é contribuir para que</p><p>um atleta possa desempenhar suas atividades de for-</p><p>ma saudável, física e psicologicamente.</p><p>Já a prática esportiva voltada à saúde deve ser</p><p>considerada uma atividade permanente na vida das</p><p>pessoas, desenvolvendo estratégias que colaboram</p><p>com o desenvolvimento saudável da população bem</p><p>como para a promoção da saúde geral.</p><p>Desta forma, espero que tenham aproveitado, e</p><p>que este conteúdo possa ser aplicado, diariamente,</p><p>em sua prática profissional.</p><p>século	XX	é	marcado	pelo	desen-</p><p>volvimento dos primeiros laboratórios e Institutos de Psicologia do Esporte. Além dos</p><p>Estados Unidos, outros países, como Alemanha, Japão e Rússia também começaram a</p><p>investir em pesquisas na área.</p><p>• 1920: Robert Schulte dirige um laboratório de psicologia na German High School for Physi-</p><p>cal Education.</p><p>• 1920: início do primeiro laboratório de Psicologia do Esporte, por P. A. Rudik, em Moscou,</p><p>no Instituto Estatal de Cultura Física.</p><p>Até	então,	alguns	estudos	isolados	eram	realizados,	porém	o	americano	Coleman	Gri-</p><p>ffith	passa	a	dedicar	sua	carreira	aos	estudos	da	Psicologia,	no	contexto	esportivo.	En-</p><p>quanto psicólogo da University of Illinois, foi nomeado diretor, em 1925, do laboratório</p><p>intitulado Research in Athletics Laboratory, o que lhe confere reconhecimento como o pai</p><p>da Psicologia do Esporte, na América do Norte (GOULD; VOELKER, 2014). Entre os anos</p><p>de	1921	e	1931,	Griffith	publicou	25	artigos	oriundos	de	pesquisas	 realizadas	 sobre</p><p>Psicologia do Esporte.</p><p>Desenvolvimento de laboratórios e de testes psicológicos</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>17</p><p>1939-1965 1966-1977</p><p>D</p><p>es</p><p>ta</p><p>qu</p><p>es</p><p>d</p><p>o</p><p>Pe</p><p>rí</p><p>od</p><p>o</p><p>3</p><p>D</p><p>es</p><p>ta</p><p>qu</p><p>es</p><p>d</p><p>o</p><p>Pe</p><p>rí</p><p>od</p><p>o</p><p>4</p><p>Já na década de 1940, entra um novo período do desenvolvimento da área, em que os</p><p>estudos	tornam-se	mais	específicos	e,	na	University of California, em Berkeley, Franklin</p><p>Henry	foi	um	dos	principais	responsáveis	pelo	desenvolvimento	científico	da	Psicologia</p><p>do Esporte (WEINBERG; GOULD, 2017).</p><p>• 1943:	Dorothy	Yates	trabalha	com	boxeadores	universitários	e	estuda	os	efeitos	de	inter-</p><p>venções de seu treino com relaxamento.</p><p>• 1949: Warren Johnson avalia as emoções experimentadas pelos atletas antes das com-</p><p>petições.</p><p>• 1951: John Lawther publica Psychology of Coaching.</p><p>Além dos Estados Unidos, outros países, como Austrália, Brasil, Inglaterra, Alemanha,</p><p>Itália,	Japão	e	União	Soviética	começam	a	apresentar	estudos	e	trabalhos	realizados	no</p><p>contexto da Psicologia do Esporte. Neste período, o trabalho com atletas envolvia técni-</p><p>cas comportamentais, cognitivas, e, principalmente Franklin Henry e Anna Espenscha-</p><p>de	recomendavam	a	prática	mental	e	visualização	(EKLUND;	TENENBAUM,	2014).	Este</p><p>período	de	desenvolvimento	científico	leva	à	realização	do	primeiro	Congresso	Mundial</p><p>de Psicologia do Esporte, em Roma, no ano de 1965. Nesta cidade, também foi fundada</p><p>a International Society of Sport Psychology (ISSP).</p><p>Preparação para o futuro</p><p>Todos	estes	fatos	que	marcam	o	início	da	área	fazem	com	que	ela	chegue	às	univer-</p><p>sidades	de	 forma	mais	específica,	não	apenas	em	 laboratórios	ou	estudos	 isolados,</p><p>mas também em disciplinas dos cursos de graduação. Ao mesmo tempo, outras as-</p><p>sociações nacionais surgem também em diversos países. Em 1966, surgem a Associa-</p><p>tion for Sport Psychology, na Alemanha, e a North American Society for the Psychology of</p><p>Sport and Physical Activity (NASPSPA), nos Estados Unidos, e, em 1967, a British Society of</p><p>Sports Psychology (Inglaterra) e a French Society of Sports Psychology (França) (EKLUND;</p><p>TENENBAUM, 2014).</p><p>Estabelecimento da psicologia do esporte como disciplina acadêmica</p><p>18</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>1978-2000 2001 ATÉ O PRESENTE</p><p>Esta	expressividade	científica	adquirida	pela	área	faz	com	que	ela	se	desenvolva	em	todo	o	mun-</p><p>do,	não	apenas	em	países	isolados.	A	realização	de	eventos	científicos	e	as	pesquisas	publicadas</p><p>começam a dar os frutos necessários para que a Psicologia do Esporte torne-se uma área conheci-</p><p>da	e	respeitada	tanto	no	contexto	universitário	quanto	no	profissional,	atuando,	diretamente,	com</p><p>atletas	profissionais.	A	fundação	de	uma	revista	científica	especializada	foi	um	marco	importante</p><p>em 1979, o Journal of Sport Psychology passa a ser referência, pois, a partir deste momento, as pes-</p><p>quisas	passam	a	ser	indexadas	em	um	repositório	científico,	como	as	demais	áreas.</p><p>Neste período, Dorothy Harris, professora na Pennsylvania State University, torna-se a primeira</p><p>mulher e a primeira norte-americana a ser membro da International Society of Sport Psychology (ISSP)</p><p>(GOULD; VOELKER, 2014). Este se tornaria o primeiro passo para que outras mulheres a seguissem,</p><p>já que, nesta época, a participação feminina era pouca nos cursos de nível superior da área.</p><p>• 1980: O Comitê Olímpico dos EUA cria o Conselho Consultor de Psicologia do Esporte.</p><p>• 1984:	A	cobertura	da	televisão	norte-americana	dos	Jogos	Olímpicos	enfatiza	a	Psicologia	do	Esporte.</p><p>• 1985: O Comitê Olímpico dos EUA emprega o primeiro psicólogo do esporte em tempo integral.</p><p>• 1986: O primeiro periódico acadêmico aplicado, The Sport Psychologist, é publicado.</p><p>• 1989: É criado o Journal of Applied Sport Psychology.</p><p>O	final	do	século	XX	e	o	início	do	século	XXI,	considerados	o	período	contemporâneo	da	Psicologia</p><p>do Esporte e do Exercício, são marcados por demonstrar que este é um campo em ascensão, mui-</p><p>to	empolgante	de	se	fazer	parte,	porém	há	muito	ainda	o	que	se	estudar	e	desenvolver,	principal-</p><p>mente	em	países	em	que	este	desenvolvimento	científico	e	profissional	ainda	pode	ser	conside-</p><p>rado emergente, como o Brasil. Já em 1986, a Associação Americana de Psicologia (APA) criou sua</p><p>Divisão	47	(www.apa47.org),	voltada,	especificamente,	para	a	Psicologia	do	Esporte	e	do	Exercício,</p><p>enquanto	no	Brasil	a	Psicologia	ainda	iniciava	sua	caminhada	como	profissão	regulamentada,	com</p><p>pouco mais de 20 anos de história (SOARES, 2010).</p><p>Ciência e prática multidisciplinares na Psicologia do Esporte e do Exercício</p><p>D</p><p>es</p><p>ta</p><p>qu</p><p>es</p><p>d</p><p>o</p><p>Pe</p><p>rí</p><p>od</p><p>o</p><p>5</p><p>D</p><p>es</p><p>ta</p><p>qu</p><p>es</p><p>d</p><p>o</p><p>Pe</p><p>rí</p><p>od</p><p>o</p><p>6 Mesmo	antes	de	1962	(ano	da	regulamentação	da	profissão	de	psicólogo	no	Brasil),	há	relatos	de</p><p>trabalhos de intervenção psicológica no esporte. Em 1958, João Carvalhaes, então psicólogo do</p><p>São	Paulo	Futebol	Clube,	realizou	um	trabalho	junto	à	seleção	brasileira	de	futebol	(VIEIRA	et	al.,</p><p>2010), coincidentemente, a equipe foi campeã da Copa do Mundo de Futebol desse ano, o primei-</p><p>ro título da equipe nacional (EKLUND; TENENBAUM, 2014).</p><p>O principal meio de desenvolvimento da Psicologia do Esporte e do Exercício dá-se no contexto</p><p>acadêmico,	pelas	pesquisas	realizadas	com	apoio	de	instituições	de	fomento	e	também	no	traba-</p><p>lho	realizado,	principalmente,	por	psicólogos	junto	a	atletas	e	equipes	esportivas.</p><p>• 2000: A revista Psychology of Sport and Exercise é criada e publicada na Europa.</p><p>• 2003: A APA Division	47	tem	foco	na	Psicologia	do	Esporte	como	área	de	proficiência	especializada.</p><p>Assim, a psicologia do exercício prospera, especialmente, em ambientes universitários e há um</p><p>interesse crescente na psicologia aplicada ao esporte. Como mostrado neste primeiro momento,</p><p>podemos perceber que não estamos falando de uma área recente, porém ainda desconhecida por</p><p>alguns. Fato este que mostra a importância de se debater o assunto nos cursos de graduação de</p><p>Psicologia e Educação Física por todo o mundo.</p><p>Psicologia contemporânea do esporte e do exercício</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>19</p><p>20</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>É fato que a Psicologia do Esporte e do Exercício</p><p>cresce no mundo todo, estando presente em muitos</p><p>países, seja em cursos universitários, seja de especia-</p><p>lização, seja no trabalho prático com atletas e equipes</p><p>esportivas. Como já descrito, este trabalho prático</p><p>também está presente em um contexto esportivo não</p><p>profissional, e este é um dos principais motivos pelo</p><p>qual denomina-se Psicologia do Esporte (referência</p><p>ao esporte profissional) e do Exercício (voltado para</p><p>o esporte não profissional).</p><p>Todo esse desenvolvimento e toda essa expres-</p><p>sividade não significa que o trabalho seja aceito por</p><p>todos. Não estamos falando de uma unanimidade</p><p>no contexto esportivo, visto que, ainda hoje, mui-</p><p>tos atletas, técnicos e comissões técnicas esportivas</p><p>não incluem o trabalho psicológico no dia a dia de</p><p>suas equipes. Isto se dá, principalmente, pela he-</p><p>rança histórica da Psicologia sobre o trabalho com</p><p>a “loucura”, fato que demonstra o desconhecimen-</p><p>to sobre qual seria</p><p>o principal objetivo do trabalho</p><p>psicológico, principalmente no contexto esportivo,</p><p>em que o ponto principal é justamente fortalecer a</p><p>estrutura psíquica dos atletas na tentativa de que</p><p>fatores psicológicos não interfiram, negativamente,</p><p>em seu rendimento.</p><p>Esta desconfiança e este desconhecimento so-</p><p>bre o trabalho psicológico, no contexto esportivo,</p><p>ocorre devido a alguns fatores. Exemplo disso é</p><p>Características da Psicologia</p><p>do Esporte e do Exercício na Atualidade</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>21</p><p>A principal estratégia utilizada para que a área de-</p><p>senvolva-se no contexto acadêmico, no Brasil, é a</p><p>criação de laboratórios de pesquisa especializados e</p><p>também a realização de eventos científicos que dão</p><p>suporte e abrem espaço para as discussões teóricas e</p><p>práticas entre profissionais da área.</p><p>A Psicologia do Esporte e do Exercício é uma</p><p>ciência e precisa ser compreendida como tal. Por</p><p>isso a importância de que ela seja inserida cada vez</p><p>mais no contexto acadêmico, abarcando os três pi-</p><p>lares que podemos citar como sendo as principais</p><p>áreas de atuação, na atualidade. Alguns autores,</p><p>que, no Brasil, a disciplina de Psicologia do Espor-</p><p>te e do Exercício não está presente em grande parte</p><p>dos cursos de graduação de Psicologia, ou está pre-</p><p>sente apenas como uma disciplina eletiva. Fato que</p><p>não ocorre com os cursos de Educação Física, pois</p><p>a maioria destes apresenta a disciplina como parte</p><p>obrigatória de sua matriz curricular (RUBIO, 2000).</p><p>como Samulski (2009) e Weinberg e Gould (2017)</p><p>apontam que o profissional que atua hoje no cam-</p><p>po da Psicologia do Esporte tem a possibilidade de</p><p>atuar em diversas carreiras. Porém há três papéis</p><p>básicos que condensam as principais atividades,</p><p>são eles: o papel de pesquisador, o papel de profes-</p><p>sor e o papel de consultor.</p><p>O primeiro registro da relação entre a Psico-</p><p>logia aplicada ao esporte no Brasil é de 1954.</p><p>Nesse ano, João Carvalhaes foi contratado</p><p>pela Federação Paulista de Futebol para tra-</p><p>balhar na avaliação, seleção e treinamento</p><p>de árbitros de futebol. Devido à divulgação</p><p>de seu trabalho com os árbitros, em 1957,</p><p>foi contratado para aplicar a Psicologia nos</p><p>atletas do São Paulo Futebol Clube. Nesse</p><p>mesmo ano, foi convocado para compor a</p><p>comissão técnica da Seleção Brasileira de</p><p>Futebol, responsável pela preparação para</p><p>a Copa de 1958.</p><p>Fonte:	Hernandez	(2011).</p><p>SAIBA MAIS</p><p>A Psicologia do Esporte e do Exercício per-</p><p>mite um leque amplo de possibilidades de</p><p>atuação.	Profissionais	de	Educação	Física	e</p><p>de Psicologia devem unir esforços para que</p><p>esta área se fortaleça ainda mais no Brasil.</p><p>REFLITA</p><p>Figura 1 - Os três papéis básicos da Psicologia do Esporte e do Exercício</p><p>Fonte: o autor.</p><p>22</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>FUNÇÃO DE PESQUISA</p><p>A pesquisa é uma função muito importante no con-</p><p>texto da Psicologia do Esporte e do Exercício. Neste</p><p>caso, o papel de pesquisador é aquele desenvolvido</p><p>no campo acadêmico e tem por objetivo aumentar</p><p>o conhecimento científico da área, por meio de pes-</p><p>quisas científicas. A maioria dos psicólogos e pro-</p><p>fissionais de Educação Física que atuam na área e</p><p>que estão vinculados a alguma universidade empe-</p><p>nham-se em desenvolver pesquisas para compreen-</p><p>der melhor este contexto. Uma das vantagens da área</p><p>acadêmica é a possibilidade de realizar pesquisas em</p><p>conjunto com outros profissionais, o que pode cola-</p><p>borar para aumentar a interdisciplinaridade da área,</p><p>fato este importante tendo em vista que o sujeito</p><p>que está inserido no contexto esportivo precisa ser</p><p>pensado enquanto um sujeito biopsicossocial, como</p><p>já descrito por Urie Bronfenbrenner, na década de</p><p>1970 (ROSA; TUDGE, 2013).</p><p>Como já destacado, o papel desempenhado</p><p>neste caso é o de pesquisador, que pode desenvol-</p><p>ver teorias, procedimentos de avaliação de atletas e</p><p>pessoas envolvidas no contexto esportivo, além de</p><p>compreender melhor as variáveis psicológicas que</p><p>estão envolvidas no esporte e na atividade física. O</p><p>conhecimento que é adquirido na pesquisa servirá</p><p>de base para uma função que discutiremos em bre-</p><p>ve, que é o da intervenção.</p><p>FUNÇÃO DE ENSINO</p><p>Talvez a área que mais se destaca no Brasil, a área</p><p>do ensino é composta por professores que compar-</p><p>tilham seu conhecimento com alunos interessados</p><p>em conhecer melhor a área. Muitos especialistas em</p><p>Psicologia do Esporte e do Exercício estão no con-</p><p>texto acadêmico, ministrando cursos universitários</p><p>e compondo corpo docente em disciplinas de cursos</p><p>de graduação em Psicologia e Educação Física. Es-</p><p>tes transmitem seu conhecimento e suas habilidades</p><p>técnicas acerca da área, e é o principal momento em</p><p>que se pode compreender a relação entre fatores psi-</p><p>cológicos e a prática esportiva ou de atividade física.</p><p>Samulski (2009) destaca algumas metas que de-</p><p>vem ser seguidas pelos professores neste contexto,</p><p>ou seja, os principais pontos a serem transmitidos</p><p>aos alunos, como:</p><p>• Princípios e fundamentos psicológicos presen-</p><p>tes nos processos de aprendizagem e de ensino.</p><p>• Conhecimentos e capacidades psicológicas</p><p>para a educação prática nos diversos setores</p><p>de aplicação no esporte.</p><p>• Conhecimentos e técnicas em metodologia</p><p>da pesquisa psicológica.</p><p>FUNÇÃO DE INTERVENÇÃO</p><p>Após um período de formação profissional, é pos-</p><p>sível assumir uma posição de intervenção junto a</p><p>atletas de esporte individual ou coletivo. O principal</p><p>objetivo, neste caso, é trabalhar para o desenvolvi-</p><p>mento de habilidades psicológicas para melhorar o</p><p>desempenho em competições e treinamento (VE-</p><p>ALEY, 2007).</p><p>Esta seria, talvez, a função que mais necessita</p><p>de desenvolvimento no Brasil, tendo em vista a não</p><p>existência de uma formação específica e também a</p><p>falta de conhecimento sobre qual seria o papel de</p><p>um psicólogo esportivo junto a uma equipe ou a</p><p>um atleta. Há muitas atividades que um psicólogo</p><p>esportivo pode realizar junto a equipes esportivas,</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>23</p><p>atletas profissionais e amadores, atletas de equipes</p><p>escolares, ou seja, em qualquer contexto envolvendo</p><p>esporte e atividade física, o psicólogo poderá atuar</p><p>visando ao auxílio dos envolvidos. No entanto, é pos-</p><p>sível dividirmos em dois tipos de especialidades que</p><p>encontramos na Psicologia do Esporte e do Exercí-</p><p>cio contemporâneo: Psicologia Clínica do Esporte e</p><p>Psicologia Educacional do Esporte. Veremos quais</p><p>as principais características de cada uma delas.</p><p>Psicologia Clínica do Esporte</p><p>De acordo com Brewer e Petrie (2014) e Proctor e</p><p>Boan-Lenzo (2010), esta é a área em que os profis-</p><p>sionais são qualificados, extensivamente, em Psico-</p><p>logia. Isso porque aprendem a detectar e a tratar in-</p><p>divíduos que apresentam algum tipo de transtorno</p><p>emocional, como depressão, ansiedade, tendências</p><p>suicidas, entre outros transtornos que são detecta-</p><p>dos também na população geral. Além disso, este</p><p>trabalho exige uma autorização específica que, neste</p><p>caso, é dada pelos Conselhos Federal e Regional de</p><p>Psicologia, tendo em vista a profundidade de alguns</p><p>destes problemas, exigindo uma qualificação especí-</p><p>fica para tal.</p><p>Há um mito de que o atleta profissional não apre-</p><p>senta transtornos emocionais, pois este é visto pela</p><p>população como um sujeito saudável, física e psico-</p><p>logicamente. Mas, assim como a população geral, os</p><p>atletas e praticantes de atividade física desenvolvem</p><p>desde transtornos leves até transtornos emocionais</p><p>graves, necessitando, assim, de tratamento específico.</p><p>Os transtornos mentais estão presentes em qualquer</p><p>estágio do desenvolvimento humano, alguns momen-</p><p>tos com maior prevalência que outros, mas há sempre</p><p>a necessidade de cuidado (GULLIVER et al., 2012).</p><p>Psicologia Educacional do Esporte</p><p>Nesta especialidade, os profissionais recebem trei-</p><p>namento extensivo na área de ciência do esporte e</p><p>do exercício, em Educação Física e em Cinesiolo-</p><p>gia. Esta é uma área em que os profissionais não</p><p>são habilitados a tratar transtornos emocionais,</p><p>estando capacitados apenas a compreender os as-</p><p>pectos psicológicos que podem contribuir para</p><p>um melhor desempenho dos atletas</p><p>e praticantes</p><p>de atividade física. Este é o gancho importante</p><p>para justificar como os profissionais da Educação</p><p>Física podem trabalhar com Psicologia do Esporte</p><p>e do Exercício.</p><p>O controle da ansiedade, o auxílio no desenvol-</p><p>vimento de habilidades psicológicas, da confiança</p><p>e do autocontrole são elementos que não neces-</p><p>sitam de uma habilitação em Psicologia para tal.</p><p>Isso porque, na maioria dos casos, é o treinador, o</p><p>preparador físico e o especialista em Ciências do</p><p>Esporte que convivem diariamente com o atleta,</p><p>estando em contato diário com suas característi-</p><p>cas mentais positivas e negativas (SI; STATLER;</p><p>SAMULSKI, 2014).</p><p>24</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>A Psicologia do Esporte e do Exercício é uma área</p><p>que cresce, exponencialmente, no mundo todo. Di-</p><p>versos países investem na formação e especialização</p><p>de profissionais para atuar junto a atletas e delega-</p><p>ções esportivas, nas principais competições espor-</p><p>tivas nacionais e internacionais. O desenvolvimento</p><p>de teorias da psicologia e de métodos que sejam es-</p><p>pecíficos para o contexto esportivo pode contribuir</p><p>para o desenvolvimento tanto da psicologia quanto</p><p>do esporte (SAMULSKI, 2009).</p><p>Uma das principais dificuldades para a Psico-</p><p>logia inserir-se no contexto esportivo é o conheci-</p><p>mento sobre qual o seu papel. Já destacamos, nesta</p><p>Unidade, alguns dos principais serviços que a Psi-</p><p>cologia pode prestar a atletas e equipes esportivas</p><p>(WEINBERG; GOULD, 2017). Aplicar teorias e mé-</p><p>todos da Psicologia na prática esportiva não significa</p><p>ser apenas esta a sua função, mas há que se pensar</p><p>na relação teoria e prática, o que nem sempre é fácil</p><p>(VIEIRA; NASCIMENTO JUNIOR; VIEIRA, 2013).</p><p>A intervenção psicológica na prática esportiva,</p><p>seja esporte de rendimento ou escolar, seja apenas</p><p>uma prática esportiva, pode ser baseada em pro-</p><p>gramas psicológicos de treinamento, aconselha-</p><p>mento e acompanhamento específico de cada mo-</p><p>dalidade em questão (LIDOR; BLUMENSTEIN;</p><p>Compreendendo a Relação da</p><p>Psicologia do Esporte e do Exercício</p><p>e o Rendimento Esportivo</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>25</p><p>TENENBAUM, 2007). Desenvolver habilidades</p><p>pessoais, a percepção psicológica em função do ad-</p><p>versário (COIMBRA; BARA FILHO; MIRANDA,</p><p>2013), a autoconfiança (PALUDO et al., 2016), a</p><p>autodeterminação (OLIVEIRA et al., 2015), o con-</p><p>trole das emoções (DIAS et al., 2013) são apenas al-</p><p>gumas das possibilidades de trabalho, tendo como</p><p>foco principal as situações concretas em que os</p><p>atletas estão envolvidos.</p><p>Há, ainda, a necessidade de se desenvolver um</p><p>trabalho baseado nas características dos atletas.</p><p>Principalmente quando se fala em equipes, há o de-</p><p>safio de se pensar nas características individuais de</p><p>cada um dos membros desta. Os estudos sobre per-</p><p>sonalidade ajudam a compreender as características</p><p>de cada sujeito, mas não determinam como estes se</p><p>comportarão nem como responderão a determina-</p><p>dos estímulos que são emitidos ao longo do proces-</p><p>so (ROSADO; FONSECA; SERPA, 2013). Para isso,</p><p>há diversas estratégias de treinamento psicológico</p><p>que podem ser adaptadas às necessidades particu-</p><p>lares de cada atleta, levando-os a um autoconheci-</p><p>mento mais elaborado e a uma maior autogestão das</p><p>emoções (WEINBERG; GOULD, 2017).</p><p>As exigências de desempenho estão cada dia</p><p>maiores, os atletas buscam a excelência a cada trei-</p><p>namento, a cada competição, sendo este um dos</p><p>fatores que, naturalmente, levam à percepção das</p><p>diferenças entre um e outro. Proporcionalmente às</p><p>exigências cada vez maiores, os atletas convivem</p><p>com as pressões externas, o que interferem, direta-</p><p>mente, no seu desempenho. Voltamos à discussão</p><p>sobre a necessidade de pensarmos o sujeito (neste</p><p>caso o atleta) como um ser biopsicossocial (ROSA;</p><p>TUDGE, 2013), culminando na percepção de que</p><p>a preparação esportiva compreende fatores físicos,</p><p>técnicos, táticos e psicológicos.</p><p>Toda preparação envolvida no contexto es-</p><p>portivo deve ser pensada e organizada de forma</p><p>a facilitar o trabalho. A intervenção psicológica</p><p>deve ser estruturada de acordo com a realidade</p><p>dos atletas e/ou da equipe esportiva, seguindo</p><p>etapas e pensando na realidade de cada esporte.</p><p>Neste caso, o profissional da psicologia, ao iniciar</p><p>um trabalho no contexto esportivo, deve levar em</p><p>consideração as características de periodização do</p><p>treinamento dos atletas.</p><p>Bompa (1999) apresenta três etapas que podem ser</p><p>seguidas durante o que se conhece por uma tempo-</p><p>rada de treinamento esportivo: (1) Preparação, (2)</p><p>Competição e (3) Transição. A partir disso, Lidor,</p><p>Blumenstein e Tenenbaum (2007) indicam que a</p><p>preparação psicológica deve refletir as necessidades</p><p>específicas dos atletas em cada uma das fases. Sendo</p><p>assim, a intervenção psicológica no contexto espor-</p><p>tivo deve ocorrer com uma relação muito próxima</p><p>da periodização do treinamento.</p><p>26</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>Seguindo esta perspectiva, Vieira, Vissoci e Oli-</p><p>veira (2010) aprofundaram esta discussão no cam-</p><p>po da intervenção psicológica e descreveram quatro</p><p>etapas que podem ser seguidas no acompanhamen-</p><p>to de atletas de rendimento. A proposta foi dividida</p><p>no seguinte modelo:</p><p>• Etapa 1 - Contato inicial.</p><p>• Etapa 2 - Levantamento das necessidades.</p><p>• Etapa 3 - Programa de intervenção.</p><p>• Etapa 4 - Avaliação dos resultados.</p><p>As duas primeiras etapas do programa de inter-</p><p>venção psicológica são as que ocorrem em menor</p><p>tempo. Isso porque devem ser realizadas logo nos</p><p>primeiros momentos da intervenção. Durante o</p><p>contato inicial, é preciso informar aos envolvidos</p><p>todas as etapas que serão realizadas bem como qual</p><p>o papel de cada envolvido neste processo, momento</p><p>de estabelecimento de rapport (vínculo entre psicó-</p><p>logos e equipe esportiva) e também de definição de</p><p>metas/objetivos a serem atingidos, durante a tempo-</p><p>rada. Os objetivos devem ser delimitados de acordo</p><p>com o cronograma da equipe, as competições alvo,</p><p>e também os objetivos individuais, tendo em vista</p><p>que os atletas de esporte coletivo também têm suas</p><p>metas individuais (WEINBERG; GOULD, 2017).</p><p>Após todas as apresentações e já com as dúvidas</p><p>sanadas, é o momento de a equipe psicológica realizar</p><p>o levantamento das necessidades psicológicas para a</p><p>equipe alvo. É preciso ficar a par dos horários de trei-</p><p>namentos, os tipos de treinamento e a rotina diária dos</p><p>atletas, pois isto se torna uma ferramenta de conheci-</p><p>mento individual e coletivo dos atletas. O foco princi-</p><p>pal é avaliar variáveis psicológicas da equipe e comissão</p><p>técnica. São utilizados testes psicométricos individuais,</p><p>entrevistas e observações de conduta em treinamentos</p><p>e competições (VIEIRA; VISSOCI; OLIVEIRA, 2010).</p><p>Os dados obtidos nesta avaliação serão utili-</p><p>zados no decorrer do trabalho, mas uma das ava-</p><p>liações que ocorre durante todo o trabalho é a</p><p>observação sistemática de treinamentos e competi-</p><p>ções, pois, quando realizada de maneira específica,</p><p>funciona como um instrumento que permite aos</p><p>profissionais da psicologia identificarem padrões</p><p>de comportamentos dos atletas, da comissão téc-</p><p>nica, bem como relacionar estes padrões de com-</p><p>portamento dos atletas com o desempenho destes</p><p>(CILLO, 2003). As características psicológicas po-</p><p>sitivas e negativas devem ser levadas em considera-</p><p>ção a todo momento, pois, silenciosamente, podem</p><p>levar os atletas a aumentarem ou diminuírem seu</p><p>desempenho, muitas vezes, de forma silenciosa, e,</p><p>ao serem negligenciadas, podem causar sérias con-</p><p>sequências no decorrer da temporada.</p><p>Com as informações coletadas, chega o mo-</p><p>mento de executar o programa de inter-</p><p>venção, que seguirá o calendário</p><p>esportivo da equipe e/ou do</p><p>atleta. A intervenção psi-</p><p>cológica também deve se-</p><p>guir uma periodização</p><p>específica, isto porque</p><p>as exigências psico-</p><p>lógicas em cada</p><p>etapa da tempo-</p><p>rada esportiva se</p><p>alteram e precisam</p><p>ser reguladas, dependendo</p><p>das exigências. No traba-</p><p>lho com atletas de mo-</p><p>dalidades individu-</p><p>ais, as sessões são</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>27</p><p>realizadas de acordo com as necessidades destes,</p><p>mas a periodicidade</p><p>semanal é uma das priori-</p><p>dades. Nos esportes coletivos, esta periodicidade</p><p>também é preservada com atividades em grupo,</p><p>mas, neste caso, há uma especificidade que deve</p><p>ser levada em conta, as intervenções individuais</p><p>com os atletas, pois esta individualidade também</p><p>precisa ser trabalhada, não com tanta frequência</p><p>quanto às atividades em grupo, mas sempre que se</p><p>achar necessário (SAMULSKI, 2009).</p><p>As intervenções são realizadas de um lado</p><p>com características pedagógicas, visando a levar</p><p>os atletas a conhecerem os conceitos psicológicos</p><p>que os afetam diariamente, tais como ativação, an-</p><p>siedade, humor, motivação para a prática, entre</p><p>outros. Este conhecimento inicial tem por obje-</p><p>tivo fazer com que os atletas cheguem a um au-</p><p>toconhecimento sobre suas características,</p><p>sendo capazes de resolver seus próprios</p><p>conflitos emocionais, principalmente,</p><p>em momentos de tensão e competição</p><p>(LIDOR; BLUMENSTEIN; TE-</p><p>NENBAUM, 2007).</p><p>Temas gerais de discus-</p><p>são, como coesão de gru-</p><p>po, motivação para a</p><p>prática esportiva,</p><p>melhora da comu-</p><p>nicação entre os</p><p>membros e auto-</p><p>gestão da saúde</p><p>mental são es-</p><p>senciais em qual-</p><p>quer equipe. Mas</p><p>fatores específi-</p><p>cos são levados em conta após o levantamento das</p><p>necessidades individuais. Cada equipe terá suas pró-</p><p>prias características, e isso deve ser levado em conta.</p><p>O treinamento psicológico que é fornecido aos atle-</p><p>tas torna-se importante, pois é uma das formas de</p><p>levá-los ao autoconhecimento e à maior capacidade</p><p>de lidar de maneira eficaz com as exigências físicas</p><p>e emocionais às quais são expostos (WEINBERG;</p><p>GOULD, 2017).</p><p>A intervenção psicológica propriamente dita</p><p>dura o tempo necessário, de acordo com o crono-</p><p>grama da temporada em questão e, ao fim, é pre-</p><p>ciso realizar uma avaliação de todo o processo, vi-</p><p>sando a destacar os pontos positivos e negativos do</p><p>trabalho. Uma forma de se fazer esta avaliação é</p><p>pelos resultados da equipe ou dos atletas durante a</p><p>temporada, mas basear o sucesso ou o fracasso de</p><p>um trabalho apenas pelos títulos alcançados pode</p><p>ser uma estratégia não muito adequada (ÁLVAREZ</p><p>et al., 2013).</p><p>É preciso reconhecer quais mudanças signifi-</p><p>cativas ocorreram durante este processo, como os</p><p>atletas se percebem após todo o trabalho realizado,</p><p>a opinião da comissão técnica, ou seja, de todos os</p><p>envolvidos. Pois, apenas com esta avaliação final</p><p>é possível realizar uma reestruturação do trabalho</p><p>para que no ano seguinte as atividades possam ser</p><p>realizadas de forma mais específica possível. O ob-</p><p>jetivo sempre será levar os atletas a melhorarem</p><p>seu desempenho esportivo, mas isso só será possí-</p><p>vel se metas reais forem traçadas. Metas reais ten-</p><p>dem a ser atingidas com trabalho e dedicação, mas</p><p>metas que são definidas sem uma avaliação correta</p><p>tendem a não ser atingidas e podem gerar frus-</p><p>tração, sendo um ponto muito negativo em qual-</p><p>quer trabalho que seja realizado (WEINBERG;</p><p>GOULD, 2017).</p><p>28</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>Compreendendo a</p><p>Relação da Psicologia do Esporte</p><p>e do Exercício e o Esporte Escolar</p><p>A prática esportiva, desde a tenra idade, é, compro-</p><p>vadamente, discutida na literatura nacional e inter-</p><p>nacional como um dos principais fatores que auxi-</p><p>liam na aquisição de uma boa qualidade de vida nos</p><p>anos posteriores. Há discussões importantes sobre</p><p>quanto mais cedo se começar a adquirir hábitos sau-</p><p>dáveis, maiores as chances de que estes hábitos per-</p><p>durem por mais tempo. Isso aliado a um estilo de</p><p>vida com alimentação rica em nutrientes naturais e</p><p>controle permanente de peso e equilíbrio emocional</p><p>(SILVEIRA, 2017).</p><p>Um dos locais em que estes hábitos podem ser</p><p>trabalhados e desenvolvidos é a escola. Atividades</p><p>voltadas à Promoção da Saúde devem incluir ele-</p><p>mentos de atividade física, comportamentos saudá-</p><p>veis, alimentação adequada e controle emocional. O</p><p>esporte escolar analisa, de um lado, os processos de</p><p>ensino e aprendizagem e, de outro, os processos de</p><p>educação e socialização, os comportamentos e as re-</p><p>lações entre professores e alunos e também caracte-</p><p>rísticas psicológicas, tais como estresse causado pelo</p><p>contexto, motivação para a prática esportiva e pro-</p><p>cessos de socialização (SAMULSKI, 2009).</p><p>A escola não é um local apenas para se apren-</p><p>der elementos técnico-científicos, mas também um</p><p>local de socialização, em que deve se respeitar as</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>29</p><p>capacidades individuais dos alunos e os incenti-</p><p>varem a praticarem atividades que estimulem sua</p><p>mente. Além disso, o desenvolvimento humano</p><p>deve ser encarado como um processo que ocorre</p><p>em diversas frentes: físico, cognitivo, afetivo, social</p><p>e moral (SANTOS, 2016).</p><p>iniciação de uma criança no esporte é permeada de</p><p>mudanças, novas interações sociais e a possibilidade</p><p>de se adaptar a novas realidades.</p><p>O esporte praticado nas escolas pode ser tam-</p><p>bém um trampolim para a profissionalização. E este</p><p>aspecto envolve também um ponto importante, que</p><p>é o econômico. Quanto mais desigualdade social um</p><p>país apresenta, mais as pessoas buscam alternativas</p><p>para melhorar suas condições de vida, e o esporte</p><p>é uma destas ferramentas (MACHADO; MOIOLI;</p><p>PRESOTO, 2016). Por isso, as relações devem ser</p><p>estabelecidas sempre visando o desenvolvimento</p><p>natural das crianças, sem a obrigatoriedade de se re-</p><p>alizar uma atividade não desejada.</p><p>A prática esportiva na infância não deve ser en-</p><p>carada apenas como um trampolim social, tampou-</p><p>co como uma obrigatoriedade de que estas crianças</p><p>venham a se tornar atletas profissionais. Mesmo que</p><p>a etapa escolar seja um momento de desligamento</p><p>das questões familiares, a família continua com um</p><p>papel fundamental no desenvolvimento das crian-</p><p>ças, motivo este pelo qual as discussões sobre a rela-</p><p>ção cada vez mais próxima das famílias com o con-</p><p>texto escolar são importantes.</p><p>Toda atividade que o ser humano realiza pre-</p><p>cisa ser um momento que lhe cause prazer, e com</p><p>as crianças e os adolescentes não é diferente. Este</p><p>início da carreira esportiva pode ser um momento</p><p>não tão agradável assim, tendo em vista as diversas</p><p>variáveis envolvidas neste processo. Estas variáveis</p><p>terão sua parcela de influência na continuidade da</p><p>prática esportiva, mas também na possibilidade de</p><p>abandono da prática.</p><p>Algumas pesquisas têm sido conduzidas com o</p><p>intuito de compreender o que se chama de dropout,</p><p>um fenômeno para nomear o abandono esportivo</p><p>(PIRES; BRANDÃO; MACHADO, 2005). Há di-</p><p>Há sempre um foco maior em atletas profissionais</p><p>quando o assunto é esporte, mas estes mesmos atle-</p><p>tas tiveram seu período de aprendizagem e de de-</p><p>senvolvimento antes de se tornarem os atletas que</p><p>são. O comportamento humano adapta-se de acor-</p><p>do com as características do ambiente em que está</p><p>inserido e, durante seu desenvolvimento, há com-</p><p>portamentos que são inatos (ligados aos fatores bio-</p><p>lógicos) e os que são moldados pela atividade cultu-</p><p>ral das pessoas com as quais se relaciona. Berger e</p><p>Luckmann (2012) descrevem que o indivíduo nasce</p><p>e se torna membro de uma sociedade, ou seja, é um</p><p>ser social, que vive em grupo.</p><p>Ao sair do seio da família e adentrar ao contexto</p><p>escolar, a criança passa a se relacionar com pessoas</p><p>de outras culturas e locais, rompendo com o modelo</p><p>de educação que vinha recebendo em casa, e, assim,</p><p>passa a receber influência deste novo núcleo de con-</p><p>vivência (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2008). A</p><p>30</p><p>PSICOLOGIA DO ESPORTE E DO EXERCÍCIO</p><p>versas causas para o abandono precoce da prática</p><p>esportiva, tais como as elevadas exigências técnicas,</p><p>os treinos exaustivos e a não adaptação psicológica</p><p>às demandas do contexto (FONSECA; ZECHIN;</p><p>MANGINI, 2014).</p><p>A intervenção psicológica, no contexto do início</p><p>da carreira esportiva, perpassa também o contexto</p><p>escolar e deve ser realizada de forma adequada, ten-</p><p>do em vista sua complexidade, pois envolve múlti-</p><p>plas responsabilidades. Estas responsabilidades são</p><p>referentes aos próprios atletas jovens, aos pais, aos</p><p>técnicos, aos professores, aos árbitros e, até mesmo,</p><p>aos torcedores que acompanham</p><p>o desenvolvimen-</p><p>to dos jovens atletas. A intervenção, neste momento,</p><p>visa a uma reflexão por parte dos envolvidos de que</p><p>o futuro é incerto, e o trabalho a ser realizado neste</p><p>momento é o de direcionar o jovem a ter a capacida-</p><p>de de decidir o que fará com sua vida ao longo dos</p><p>anos que virão.</p><p>É preciso ficar atento, pois o esporte com</p><p>crianças e adolescentes também tem um caráter</p><p>recreativo e formativo. Não necessariamente se</p><p>tornarão grandes atletas do esporte mundial, mas,</p><p>claro, os exemplos dos adultos devem ser utiliza-</p><p>dos também, tendo em vista que as crianças e os</p><p>jovens seguem seus passos, e a responsabilidade</p><p>destes chamados “exemplos” cresce a cada com-</p><p>portamento realizado.</p><p>31</p><p>considerações finais</p><p>Para encerrar, faremos uma retomada do assunto que foi discutido nesta Unidade</p><p>cuja estrutura foi elaborada com o intuito de que você, aluno(a), fosse apresenta-</p><p>do(a) aos elementos iniciais da Psicologia do Esporte e do Exercício.</p><p>Foram apresentados quatro tópicos principais para a compreensão inicial da</p><p>área. Iniciamos falando um pouco sobre como começaram as discussões relacio-</p><p>nadas à importância da Psicologia ao ser utilizada no contexto esportivo para</p><p>ajudar os atletas a melhorarem seu desempenho. Este início foi marcado por ex-</p><p>periências específicas, em determinados países que ainda hoje são os grandes</p><p>produtores científicos da área.</p><p>Em seguida, entramos nas discussões sobre como a Psicologia do Esporte e</p><p>do Exercício está na atualidade, as relações entre a Educação Física e a Psicolo-</p><p>gia, como grandes áreas precisam se estreitar cada vez mais, sempre buscando</p><p>o desenvolvimento dos interesses em comum. Só com a união dos profissionais</p><p>é que poderemos ter mais destaque no trabalho com o contexto esportivo e a</p><p>atividade física.</p><p>Finalizamos a Unidade I apresentando duas formas de pensar a atuação da</p><p>Psicologia do Esporte e do Exercício hoje. A intervenção no esporte de rendi-</p><p>mento, que é o campo de trabalho em que as pessoas mais acreditam estar inseri-</p><p>da a Psicologia. Mas não devemos nos esquecer de que os grandes atletas inicia-</p><p>ram suas carreiras em locais e equipes com características diferentes. O início da</p><p>carreira e seu desenvolvimento, que será discutido de forma mais específica na</p><p>Unidade II, precisa ser considerado e, muitas vezes, o esporte escolar é o início</p><p>de muitas carreiras de sucesso.</p><p>Espero que esta explicação inicial tenha despertado em você o interesse por</p><p>compreender melhor quais as contribuições que a Psicologia pode trazer para o</p><p>contexto esportivo. Cada área com suas especificidades pode e deve contribuir</p><p>para o desenvolvimento humano e, assim, levar os atletas a melhores desempe-</p><p>nhos, dentro de suas próprias possibilidades.</p><p>32</p><p>atividades de estudo</p><p>1. Mário sempre quis ser professor de Educação Física, no entanto ele se sente frus-</p><p>trado porque seus alunos do Ensino Médio têm pouco interesse em desenvolver</p><p>capacidades e em aprender habilidades básicas. O objetivo de Mário é motivar</p><p>os alunos sedentários a engajarem-se em atividades físicas. Neste sentido, é im-</p><p>portante que Mário conheça alguns elementos principais da área chamada Psi-</p><p>cologia do Esporte (WEINBERG; GOULD, 2008). Considere as assertivas a seguir:</p><p>I - O psicólogo do esporte e do exercício identifica princípios e diretrizes que</p><p>os profissionais podem usar para ajudar adultos e crianças a participarem</p><p>e se beneficiarem de atividades esportivas e de exercícios.</p><p>II - Entender como os fatores psicológicos afetam o desempenho físico de um</p><p>indivíduo pode ser considerado um dos objetivos da Psicologia do Esporte.</p><p>III - Entender como a participação em esportes e exercícios afeta o desen-</p><p>volvimento psicológico, a saúde e o bem-estar de uma pessoa pode ser</p><p>considerado um dos objetivos da Psicologia do Esporte.</p><p>IV - A Psicologia do Esporte aplica-se a uma ampla parcela da população.</p><p>Assinale a alternativa que contenha assertivas verdadeiras sobre a Psicologia do Esporte:</p><p>a) I e II.</p><p>b) II e III.</p><p>c) I e III.</p><p>d) I e IV.</p><p>e) I, II, III e IV.</p><p>2. Os profissionais que atuam no contexto da Psicologia do Esporte e do Exercício</p><p>têm possibilidade de atuação junto a diversos atletas e a modalidades esportivas,</p><p>e não apenas atletas profissionais, como também atletas amadores e aqueles</p><p>que praticam atividade física. Analise as alternativas a seguir e assinale aquela</p><p>que melhor representa o motivo pelo qual cada um destes tipos de atletas prati-</p><p>cam o esporte/atividade física. Siga a ordem: atletas profissionais, atletas amado-</p><p>res e praticantes de atividade física.</p><p>a) Orientados para performance; orientados para a superação de recordes;</p><p>foco na competição.</p><p>b) Orientados para competição; orientados para o bem-estar; orientados</p><p>para o lazer.</p><p>c) Opção profissional; foco na superação pessoal; prazer da atividade física.</p><p>d) Questão de sobrevivência; escolha da prática como meio de vida; dificulda-</p><p>de em aderir ao exercício.</p><p>e) Reflexão sobre a prática; cobrança pessoal e institucional; sem intenção de</p><p>competir.</p><p>33</p><p>atividades de estudo</p><p>3. Há muito o que se fazer no contexto da Psicologia do Esporte e do Exercício, e</p><p>isso se define, também, dependendo da área em que se atua. É possível inserir</p><p>o trabalho da Psicologia do Esporte e do Exercício em diversas frentes, como o</p><p>esporte de rendimento, esporte escolar, esporte recreativo, prevenção, saúde e</p><p>reabilitação. Assinale a alternativa correta sobre o esporte escolar:</p><p>a) Contexto em que se analisa a modificação dos fatores psíquicos determi-</p><p>nantes do rendimento no esporte, com a finalidade de melhorá-lo e otimi-</p><p>zar o processo de recuperação.</p><p>b) É o contexto em que se analisa o comportamento recreativo de grupos</p><p>de diferentes faixas etárias, classes socioeconômicas e atuações de dife-</p><p>rentes motivos.</p><p>c) Parte do princípio de se analisar, por um lado, os processos de ensino e</p><p>aprendizagem e, por outro, processos de educação e socialização.</p><p>d) Principais temas de análise são esporte e personalidade, agressão, inte-</p><p>ração entre treinador e atleta, estresse psíquico na competição e motiva-</p><p>ção esportiva.</p><p>e) Contexto em que são pesquisadas as possibilidades preventivas e terapêu-</p><p>ticas do esporte.</p><p>4. Muitas discussões são realizadas atualmente sobre esta área de atuação, conhe-</p><p>cida como Psicologia do Esporte e do Exercício, por isso, é importante conhecer</p><p>qual o propósito desta área. Baseando-se nas discussões de Weinberg e Gould</p><p>(2007), descreva o que é (definição) Psicologia do Esporte e do Exercício, ressal-</p><p>tando quais os dois objetivos principais desta área de atuação.</p><p>5. A atuação profissional mais conhecida no contexto da Psicologia do Esporte e do</p><p>Exercício está relacionada aos esportes de alto rendimento, mas não é só isso o</p><p>foco do psicólogo do esporte. Os psicólogos do esporte modernos seguem car-</p><p>reiras variadas, desempenhando três papéis básicos em suas atividades profis-</p><p>sionais. Explique quais são os três campos de atuação de um psicólogo esportivo,</p><p>abordando seus papéis principais.</p><p>34</p><p>LEITURA</p><p>COMPLEMENTAR</p><p>A	leitura	a	seguir	é	baseada	em	um	artigo	científico	que	aborda	um	tipo	de	pesquisa	muito</p><p>utilizado	para	se	compreender	a	fundo	um	tema	específico.	O	artigo	é	uma	revisão	siste-</p><p>mática de literatura sobre a psicologia do esporte em periódicos da Psicologia. Segue um</p><p>pouco do que encontrarão neste artigo.</p><p>A	 ampliação	 da	 produção	 do	 conhecimento	 científico,	 no	 Brasil,	 tem	 levado	 diferentes</p><p>áreas	a	realizar	balanços	dos	estudos	e	pesquisas	desenvolvidas,	demonstrando	a	impor-</p><p>tância de tais análises no processo de construção e aperfeiçoamento do conhecimento</p><p>(VIRTUOSO; HAUPENTHAL; PEREIRA; MARTINS, KNABBEN; ANDRADE, 2011). Ao analisar,</p><p>historicamente,	as	investigações	e	pesquisas	no	esporte,	verifica-se	o	domínio	das	ciências</p><p>biológicas, no entanto não podemos deixar de lado os aspectos emocionais decorrentes do</p><p>esporte, especialmente a saúde mental e a necessidade destes aspectos na preparação de</p><p>atletas (ALLEN; DE JONG, 2006; RIMMELE</p><p>et al., 2007).</p><p>Segundo Virtuoso et al. (2011), são necessários estudos que avaliem a produção literária</p><p>sobre	os	mais	variados	assuntos	a	fim	de	apontar	lacunas	de	conhecimento	e	direcionar</p><p>trabalhos futuros. Na Psicologia do Esporte Aplicada ao Alto Rendimento, este levantamen-</p><p>to	é	importante	para	visualizar	o	foco	das	pesquisas	na	área,	os	principais	assuntos	que</p><p>vêm sendo estudados e quais são as principais carências nesta área.</p><p>A Psicologia do Esporte (PE) é a ciência que investiga aspectos emocionais no contexto es-</p><p>portivo (GOUVEIA, 2001), estando vinculada à Psicologia e às Ciências do Esporte. Nos EUA,</p><p>a Psicologia do Esporte e do Exercício foi estabelecida como área da American Psychologi-</p><p>cal	Association	(Division	47),	em	1986,	com	o	foco	nas	questões	profissionais	e	de	pesquisa.</p><p>Desde	então,	a	área	tem	evoluído,	aparentemente,	mas	o	impacto	na	profissão	ainda	tem</p><p>sido	pouco	significante	(AOYAGI;	PORTENGA;	POCZWARDOWSKI;	COHEN;	STATLER,	2012).</p><p>Fletcher	e	Wagstaff	(2009)	apontam	como	necessidade	da	PE	aplicar	efetivamente	o	que	se</p><p>estuda na teoria e pesquisa na prática esportiva. Na Europa, a European Federation for the</p><p>Psychology of Sport and Physical Activity (FEPSAC) também tem se preocupado com os de-</p><p>safios	da	Psicologia	do	Esporte	Aplicada	(WYLLEMAN;	HARWOOD;	ELBE;	REINTS;	CALUWÉ,</p><p>2009).</p><p>Fonte: Andrade et al. (2015).</p><p>35</p><p>material complementar</p><p>Psicologia do Esporte: teoria e prática</p><p>Katia Rubio (Org.)</p><p>Editora: Casa do Psicólogo</p><p>Sinopse: este livro, coletivo, aglutina muitos autores e reúne uma diversidade de</p><p>temas	em	uma	área	que,	apesar	de	não	ser	emergente	como	a	classificamos,	pois</p><p>é antiga no Brasil, tem recebido, nos últimos, anos uma importância e divulgação</p><p>grandes,	colocando-a	acessível	aos	que	iniciam	a	profissão	e	escolhem	sua	área</p><p>de intervenção e aprofundamento.</p><p>Ele	responde	a	muitas	necessidades,	mas,	acima	de	tudo,	faz	circular	a	Psicologia</p><p>de forma acessível e estimula o desenvolvimento de disciplinas nos cursos de gra-</p><p>duação em Psicologia. É também um livro para muitos, pois o conhecimento da</p><p>Psicologia	tem	sido	necessário	para	complementar	a	formação	de	outros	profis-</p><p>sionais.	A	área	do	esporte	tem	sido	habitada	por	muitas	profissões	e	a	Psicologia,</p><p>com	este	livro,	passa	a	contribuir	para	qualificar	a	formação	de	vários	profissio-</p><p>nais e se coloca disponível para debater suas ideias.</p><p>Indicação para Ler</p><p>The Players Tribune	é	uma	nova	plataforma	de	mídia	que	fornece	conteúdo	escrito	por	atletas	profis-</p><p>sionais. Oferece diariamente conversas esportivas e publica histórias em primeira pessoa diretamente</p><p>de atletas. Entre eles, brasileiros como Ronaldinho Gaúcho e Marta. Disponível em: .</p><p>Indicação para Acessar</p><p>36</p><p>referências</p><p>ÁLVAREZ, O.; FALCO, C.; ESTEVAN, I.; MOLI-</p><p>NA-GARCÍA, J.; CASTILLO, I. Intervención psico-</p><p>lógica en un equipo de gimnasia rítmica deportiva:</p><p>Estudio de un caso. Revista de Psicología del Depor-</p><p>te. v. 22, n. 2, p. 395-401, 2013.</p><p>ANDRADE, A.; BRANDT, R.; DOMINSKI, F. H.;</p><p>VILARINO, G. T.; COIMBRA, D.; MOREIRA, M.</p><p>Psicologia do Esporte no Brasil: Revisão em Periódi-</p><p>cos da Psicologia. Psicologia em Estudo, Maringá, v.</p><p>20, n. 2, p. 309-317, abr./jun. 2015.</p><p>BERGER, P. L.; LUCKMANN, T. A construção so-</p><p>cial da realidade: tratado de sociologia do conheci-</p><p>mento. 34. ed. Petrópolis: Vozes, 2012.</p><p>BOCK, A. M. B.; FURTADO, O.; TEIXEIRA, M. L.</p><p>T. Psicologias - uma introdução ao estudo de Psico-</p><p>logia. São Paulo: Saraiva, 2008.</p><p>BOMPA, T. Periodization: theory and methodology</p><p>of training. Champaing: Human Kinetics, 1999.</p><p>BREWER, B. W.; PETRIE, T. A. Psychopathology in</p><p>sport and exercise psychology. In: VAN RAALTE, J.</p><p>L.; BREWER, B. W. (Ed.). Exploring sport and exer-</p><p>cise psychology. 3 ed. Washington: American Psy-</p><p>chological Association, 2014.</p><p>COIMBRA, D. R.; BARA FILHO, M.; MIRANDA,</p><p>R. Habilidades psicológicas de coping em atletas bra-</p><p>sileiros. Motricidade. v. 9, n. 1, p. 95-106, jan. 2013.</p><p>CILLO, E. N. Análise de jogo como fonte de dados</p><p>para a intervenção em psicologia do esporte. In: RU-</p><p>BIO, K. (Org.). Psicologia do Esporte Aplicada. São</p><p>Paulo: Casa do Psicólogo, 2003.</p><p>DIAS, C.; CORTE-REAL, N.; CRUZ, J. F.; FONSE-</p><p>CA, A. M. Emoções no desporto: O que sabemos e o</p><p>(que sentimos) que julgamos saber. Revista de Psico-</p><p>logía del Deporte. v. 22, n. 2, p. 473-480, 2013.</p><p>EKLUND, R. C.; TENENBAUM, G. (Ed.). Encyclo-</p><p>pedia of Sport and Exercise Psychology. Los Ange-</p><p>les: SAGE, 2014.</p><p>FONSECA, G. M. M.; ZECHIN, F.; MANGINI, R. E.</p><p>O abandono do futsal na iniciação esportiva. Revista</p><p>Brasileira de Futsal e Futebol, São Paulo, v. 6, n. 21.</p><p>p. 169-176, set./out./nov./dez. 2014.</p><p>GOULD, D.; VOELKER, D. K. History of sport psy-</p><p>chology. In: EKLUND, R. C.; TENENBAUM, G.</p><p>(Ed.). Encyclopedia of Sport and Exercise Psycholo-</p><p>gy. Los Angeles: SAGE, 2014, p. 345-350.</p><p>GULLIVER, A.; GRIFFITHS, K. M.; CHRIS-</p><p>TENSEN, H.; MACKINNON, A.; CALEAR, A.;</p><p>PARSONS, A.; BENNETT, K.; BATTERHAM, P.;</p><p>STANIMIROVIC, E. Internet-Based Interventions</p><p>to Promote Mental Health Help-Seeking in Elite</p><p>Athletes: An Exploratory Randomized Controlled</p><p>Trial. Journal of Medical Internet Research, v. 14, n.</p><p>3, p. 1-18, 2012.</p><p>HERNANDEZ, J. A. E. João Carvalhaes, um psicó-</p><p>logo campeão do mundo de futebol. Estudos e Pes-</p><p>quisas em Psicologia, Rio de Janeiro, v. 11, n. 3, p.</p><p>1027-1049, 2011.</p><p>LIDOR, R.; BLUMENSTEIN, B.; TENENBAUM, G.</p><p>Psychological aspects of training in European basket-</p><p>ball: conceptualization, periodization, and planning.</p><p>The Sport Psychologist. v. 21, n. 3, p. 353-367, 2007.</p><p>MACHADO, A. A.; MOIOLI, A.; PRESOTO, D.</p><p>As inter-relações culturais e o esporte infanto-juve-</p><p>nil: percepções doloridas. In: BRANDÃO, M. R. F.;</p><p>MACHADO, A. A. Competências psicológicas no</p><p>esporte infanto-juvenil. Várzea Paulista: Fontoura,</p><p>2016. Cap. 10, p. 169-191.</p><p>OLIVEIRA, L. P.; VISSOCI, J. R. N.; NASCIMEN-</p><p>TO JUNIOR, J. R. A.; VIEIRA, J. L.; VIEIRA, L. F.;</p><p>BALBINOTTI, M. A. A.; PEIXOTO, E. M. O papel</p><p>mediador da autodeterminação sobre o efeito do</p><p>perfeccionismo nas estratégias de enfrentamento em</p><p>atletas juniores de futebol. Saúde e Desenvolvimen-</p><p>to Humano. v. 3, n. 1, p. 7-16, 2015.</p><p>37</p><p>material complementar</p><p>PALUDO, A. C.; NUNES, S. A. N.; SIMÕES, A. C.;</p><p>FERNANDES, M. G. Relação entre ansiedade com-</p><p>petitiva, autoconfiança e desempenho esportivo:</p><p>uma revisão ampla da literatura. Psicologia Argu-</p><p>mento. v. 34, n. 85, p. 156-169, 2016.</p><p>PIRES, D. A.; BRANDÃO, M. R. F.; MACHADO, A.</p><p>A. A síndrome de Burnout no esporte. Motriz, Rio</p><p>Claro, v. 11, n. 3, p. 147-153, set./dez. 2005.</p><p>PROCTOR, S.; BOAN-LENZO, C. Prevalence of</p><p>depressive symptoms in male intercollegiate studen-</p><p>t-athletes and non-athletes. Journal of Clinical Sport</p><p>Psychology, v. 4, n. 3, p. 204-220, sept. 2010.</p><p>ROSA, E. M.; TUDGE, J. Urie Bronfenbrenner’s</p><p>Theory of Human Development: Its Evolution from</p><p>Ecology to Bioecology. Journal of Family Theory &</p><p>Review. v. 5, n. 4, p. 243-258, dez. 2013.</p><p>ROSADO, A.; FONSECA, C.; SERPA, S. Robustez</p><p>mental: uma perspectiva integradora. Revista de</p><p>Psicología del Deporte. v. 22, n. 2, p. 495-500, 2013.</p><p>RUBIO, K. Psicologia do Esporte: Interfaces, pesqui-</p><p>sa e intervenção. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2000.</p><p>SAMULSKI, D. Introdução à Psicologia do Esporte. In:</p><p>SAMULSKI, D. Psicologia do esporte: conceitos e no-</p><p>vas perspectivas. Barueri: Manole, 2009. cap. 1, p. 1-20.</p><p>SANTOS, A. R. R. O desenvolvimento moral na</p><p>perspectiva da psicologia do esporte escolar. In:</p><p>BRANDÃO, M. R. F.; MACHADO, A. A. Compe-</p><p>tências psicológicas no esporte infanto-juvenil.</p><p>Várzea Paulista: Fontoura, 2016. Cap. 2, p. 27-50.</p><p>SILVEIRA, M. G. G. Prevenção da obesidade e</p><p>de doenças do adulto na infância. Petrópolis:</p><p>Vozes, 2017.</p><p>SI, G.; STATLER, T.; SAMULSKI, D. Preparing ath-</p><p>letes for major competitions. In: PAPAIOANNOU,</p><p>A. G.; HACKFORT, D. (Ed.). Routledge Companion</p><p>to Sport and Exercise Psychology: Global perspec-</p><p>tives and fundamental concepts. London: Routledge,</p><p>2014. Cap. 32, p. 495-510.</p><p>SOARES, A. R.</p>

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