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<p>O cerebelo, segunda maior estrutura encefálica, ocupa as regiões inferior e posterior da cavidade craniana. Assim como o telencéfalo (cérebro), o cerebelo tem uma superfície com vários giros que aumenta muito a área do córtex (substância cinzenta), permitindo a presença de um número maior de neurônios.</p><p>Cabe ao córtex cerebral planejar e à medula e aos sistemas troncoencefálicos executar o movimento voluntário, mas é fundamental a participação de estruturas que regulem o movimento, por meio de informações provenientes do córtex cerebral e/ou dos receptores periféricos, e que são basicamente o cerebelo e os chamados núcleos da base. Ao primeiro, compete aperfeiçoar e ajustar padrões motores, principalmente durante o movimento; aos núcleos da base, atuar no planejamento deste movimento.</p><p>O cerebelo está encarregado de fazer ajustes nos movimentos por meio de conexões com o córtex e os núcleos motores do tronco encefálico. As lesões cerebelares, assim, não produzem bloqueio motor, mas comprometem a execução da maioria dos movimentos, tanto voluntários como rítmicos/automáticos. A dissinergia, ou decomposição dos movimentos, e a dismetria, ou erro nas distâncias na execução motora, são sinais característicos de comprometimento cerebelar.</p><p>Organização externa</p><p>O cerebelo contém três grandes divisões filogeneticamente definidas: (1) cerebelo vestibular, (2) cerebelo espinal e (3) cerebelo “cerebral”.</p><p>O primeiro representa o componente mais antigo e basicamente se relaciona com os núcleos vestibulares, de modo fundamental para o controle dos movimentos oculares e equilíbrio. As principais conexões aferentes e eferentes desse cerebelo envolvem os núcleos vestibulares.</p><p>O segundo se conecta com os núcleos cerebelares fastigial e interpósito, recebe boa parte das informações sensoriais periféricas, além de atuar no controle dos movimentos em execução. Duas subdivisões são discerníveis nesse segundo cerebelo: uma parte medial (o verme cerebelar) e outra mais lateral, que é parte dos hemisférios cerebelares, estando as duas subdivisões em relação com os sistemas de controle motor descendente medial e lateral, respectivamente.</p><p>o Terceiro cerebelo está relacionado com o núcleo denteado e, por meio deste, com regiões corticais envolvidas no planejamento e iniciação motoras, sendo parte do circuito envolvido nessa função compartilhada com os núcleos da base. Essa região do cerebelo recebe projeções exclusivamente de núcleos pontinos, que são relés para vias de origem cortical que aportam ao cerebelo</p><p>Organização interna</p><p>A organização interna do cerebelo é bastante conhecida e consiste em três camadas: a molecular, mais externa; a de células de Purkinje; e a granular, mais interna.</p><p>A camada molecular contém os axônios das células granulares, que são as fibras paralelas, e das células estreladas e em cesto, que funcionam como interneurônios. Os dendritos das células de Purkinje invadem a camada molecular, e seus axônios descem atravessando a camada granular em direção à substância branca. Essa camada, por sua vez, contém um número enorme de células granulares, além das células de Golgi, em muito menor quantidade.</p><p>Os neurônios do córtex cerebelar recebem sinais oriundos de dois tipos de fibras, trepadeiras e musgosas, que provêm de regiões diferentes. As trepadeiras se originam do núcleo olivar inferior e se arborizam extensamente no pericário e dendritos proximais da célula de Purkinje, representando uma das sinapses mais eficientes no sistema nervoso central, em que um único potencial de ação pré-sináptico produz um surto de espículas de alta frequência naquela célula. As musgosas têm origem não só em vários núcleos do tronco encefálico, como também em neurônios da medula espinal, e terminam nas células granulares, as quais ativam. Essas células estão sob o controle de células de Golgi, que são interneurônios inibitórios na mesma camada, por meio de circuitos de retroalimentação e anteroalimentação negativas. De fato, tanto colaterais das fibras paralelas como das próprias fibras musgosas ativam as células de Golgi, que, por sua vez, fazem sinapses inibitórias com as células granulares.</p><p>As fibras musgosas e as trepadeiras ativam, em seu trajeto ao córtex cerebelar, os núcleos cerebelares profundos, antes de produzirem ativação das células de Purkinje, das células granulares e de outros interneurônios cerebelares. As células de Purkinje, por sua vez, controlam a atividade dos neurônios dos núcleos cerebelares profundos, que representam a saída do cerebelo em direção aos geradores de movimentos, por intermédio de sinapses inibitórias</p><p>A atividade das fibras trepadeiras aumenta transientemente o efeito das fibras paralelas sobre as células de Purkinje, por elevar sua excitabilidade, mas, dependendo da coincidência temporal da atividade dos dois tipos de fibras, pode causar depressão prolongada da eficácia das fibras paralelas pelo mecanismo da depressão de longa duração. Esse processo de plasticidade sináptica envolve receptores de glutamato do tipo ácido aminometilpropiônico (AMPA) e metabotrópicos, além do óxido nítrico, e está associado a um aumento de cálcio intracelular nos dendritos das células de Purkinje.</p><p>O resultado final desse processo parece ser uma dessensibilização e internalização dos receptores AMPA nas sinapses das fibras paralelas com as células de Purkinje, o que reduz os potenciais sinápticos produzidos pelas fibras paralelas nos dendritos dessas células. Essa depressão da atividade das fibras paralelas, que ocorre durante e após o aprendizado motor, produz uma diminuição na frequência de disparo das células de Purkinje e, portanto, um crescimento de atividade dos núcleos cerebelares profundos, devido a um processo de desinibição (remoção da inibição das células de Purkinje sobre os neurônios dos núcleos cerebelares profundos). Essas interações representam o substrato celular para a ação cerebelar na correção de movimentos, que envolve a detecção de diferenças entre a atividade produzida pelos geradores de movimento (“intenção”) e o resultado dessa atividade em músculos, tendões e articulações (“ação”).</p><p>Os circuitos cerebelares parecem especialmente adequados para a detecção dessas diferenças, e a saída cerebelar, por meio de um relé no núcleo ventrolateral do tálamo, pode executar as correções necessárias nos neurônios corticais. Esse circuito de retroalimentação cerebelocortical é fundamental na execução correta dos movimentos, ajustando a sua direção, força e velocidade</p><p>Anatomia e divisões funcionais</p><p>Núcleos cerebelares</p><p>Legenda</p><p>IVº ventrículo: cavidade do rombencéfalo, situada entre o bulbo e a ponte ventralmente e o cerebelo, dorsalmente. Continua-se cranialmente com o aqueduto cerebral e caudalmente com o canal central do bulbo. Seu conteúdo é o líquor. Apresenta os recessos laterais, expansões laterais da cavidade que contêm plexo coróide.</p><p>Amígdala cerebelar: ou tonsila, lobo do hemisfério cerebelar que se projeta medialmente sobre a face dorsal do bulbo.</p><p>Centro branco medular do cerebelo: substância branca do cerebelo, que é revestida externamente por fina camada de substância cinzenta, o córtex cerebelar.</p><p>Hemisfério cerebelar: massas laterais pares que se prendem a uma porção mediana ímpar, o vérmis.</p><p>Núcleo denteado: núcleo cerebelar envolvido com a coordenação dos movimentos.</p><p>Núcleo fastigial: núcleo cerebelar envolvido com a manutenção da postura e equilíbrio.</p><p>Núcleo globoso e emboliforme: núcleo cerebelar envolvido com o tônus muscular</p><p>Pedúnculo cerebelar médio: feixe de fibras que penetram no cerebelo, formado pelas fibras transversais da ponte provenientes dos neurônios situados nos núcleos pontinos. Participa da via córtico-ponto-cerebelar.</p><p>Vérmis: porção mediana ímpar do cerebelo.</p><p>BR 12:48 / 19:03 CEREBELO: Anatomia, Divisões e Funções - Rogério Souza</p><p>· CEREBELO: Anatomia, Divisões e Funções - Rogério Souza</p><p>Vermis: Fala, postura, tônus, marcha.</p><p>Hemisfério: Coordenação apendicular</p><p>Lobo floculonodular:</p><p>Equilíbrio e movimentação ocular</p><p>Núcleos da base</p><p>Esses núcleos integram informações sensorimotoras corticais, via múltiplos canais que atuam em paralelo. Seus componentes recebem aferências de praticamente todo o córtex cerebral, mas, através de núcleos talâmicos, apenas enviam projeções ao córtex frontal. Como tanto a origem primária de suas aferências quanto seu alvo final de projeção são corticais, a informação dentro de cada canal em particular transita de forma circular, tal qual um arco fechado de circuitos retroalimentadores. É interessante notar que esses “canais” são e formam distintas vias de tráfego, além de conectarem delimitadas estruturas basais a regiões específicas do lobo frontal. Seus efeitos no movimento podem se dar por meio de uma atuação direta, sobre os centros subcorticais que influenciam os movimentos, ou indireta, via um circuito de retroalimentação cortical. Lesões nos diferentes núcleos que compõem os núcleos da base podem produzir, além de déficits motores, sensíveis alterações de cunho cognitivo, o que sugere que essas estruturas processam informações motoras vinculadas a algum tipo de significado motivacional.</p><p>NÚCLEOS DA BASE: HOJE VOCÊ VAI APRENDER DE VERDADE.</p><p>CONHEÇA A FUNÇÃO DOS NÚCLEOS DA BASE.</p><p>NÚCLEOS DA BASE: Neuroanatomia Funcional (Aula Completa)</p><p>Profundamente, dentro de cada hemisfério cerebral, existem três núcleos (aglomerados de substância cinzenta) que são conhecidos coletivamente como núcleos da base</p><p>Dois dos núcleos da base estão lado a lado, laterais ao tálamo. São eles o globo pálido, mais próximo do tálamo, e o putame, mais próximo do córtex cerebral. Juntos, estes núcleos formam o núcleo lentiforme. O terceiro dos núcleos da base é o núcleo caudado, que tem uma grande “cabeça” conectada a uma “cauda” menor por meio de um longo “corpo” em forma de vírgula.</p><p>Os núcleos lentiforme e caudado formam juntos o corpo estriado. Este termo se refere à aparência estriada da cápsula interna quando ela passa entre os núcleos da base. Estruturas próximas que estão funcionalmente ligadas aos núcleos da base são a substância negra do mesencéfalo e os núcleos subtalâmicos do diencéfalo. Axônios da substância negra terminam no núcleo caudado e no putame. Os núcleos subtalâmicos se conectam com o globo pálido.</p><p>Os núcleos da base recebem aferências do córtex cerebral e geram eferências para partes motoras do córtex por meio dos núcleos mediais e ventrais do tálamo. Além disso, os núcleos da base apresentam várias conexões entre si. Uma importante função destes núcleos é auxiliar a regulação do início e do término dos movimentos. A atividade neuronal no putame precede ou antecipa movimentos corporais; no núcleo caudado, acontece antes dos movimentos oculares. O globo pálido ajuda na regulação do tônus muscular necessário para movimentos corporais específicos. Os núcleos da base também controlam contrações subconscientes dos músculos esqueléticos. Exemplos disso incluem os movimentos dos braços durante uma caminhada e uma risada que acontece em resposta a uma piada (não aquela que você inicia conscientemente para fazer seu professor de anatomia e fisiologia rir).</p><p>Além de influenciar funções motoras, os núcleos da base realizam outras tarefas. Eles ajudam no início e no término de alguns processos cognitivos – como a atenção, a memória e o planejamento – e podem atuar no sistema límbico para regular comportamentos emocionais. Parece que transtornos como a doença de Parkinson, o transtorno obsessivo-compulsivo, a esquizofrenia e a ansiedade crônica envolvem disfunções dos circuitos entre os núcleos da base e o sistema límbico.</p><p>🗝 Os núcleos da base ajudam a iniciar e a concluir movimentos, suprimem movimentos indesejados e regulam o tônus muscular.</p><p>image26.png</p><p>image8.png</p><p>image15.png</p><p>image13.png</p><p>image9.png</p><p>image18.png</p><p>image3.png</p><p>image24.png</p><p>image19.png</p><p>image4.png</p><p>image10.png</p><p>image1.png</p><p>image21.png</p><p>image5.png</p><p>image11.png</p><p>image7.png</p><p>image20.png</p><p>image27.png</p><p>image2.png</p><p>image23.png</p><p>image12.png</p><p>image28.png</p><p>image6.png</p><p>image14.png</p><p>image25.png</p><p>image22.png</p>