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Questões de Língua Portuguesa (múltipla escolha) com textos adaptados — crônica de W. Carrasco e texto informativo sobre mobilidade — cobrindo interpretação, flexões verbais e vocabulário (provas CESGRANRIO, 2018).

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<p>Raq</p><p>uel</p><p>Mio</p><p>rin</p><p>-</p><p>02</p><p>5.8</p><p>04</p><p>.55</p><p>0-</p><p>78</p><p>LÍ</p><p>N</p><p>G</p><p>U</p><p>A</p><p>P</p><p>O</p><p>RT</p><p>U</p><p>G</p><p>U</p><p>ES</p><p>A</p><p>27</p><p>No trecho “Esse limite poderia ser dado pelo próprio consumi-</p><p>dor, se ele assim quiser?” (parágrafo 6), a forma verbal destaca-</p><p>da expressa a noção de</p><p>a) dever</p><p>b) certeza</p><p>c) hipótese</p><p>d) obrigação</p><p>e) necessidade</p><p>52. (CESGRANRIO – 2018)</p><p>O ano da esperança</p><p>O ano de 2017 foi difícil. Avalio pelo número de amigos</p><p>desempregados. E pedidos de empréstimos. Um atrás do</p><p>outro. Nunca fui de botar dinheiro nas relações de amizade.</p><p>Como afirmou Shakespeare, perde-se o dinheiro e o amigo.</p><p>Nos primeiros pedidos, eu ajudava, com a consciência de que</p><p>era uma doação. A situação foi piorando. Os argumentos tam-</p><p>bém. No início era para pagar a escola do filho. Depois vieram</p><p>as mães e avós doentes. Lamentavelmente, aprendi a não ser</p><p>generoso. Ajudava um rapaz, que não conheço pessoalmente.</p><p>Mas que sofreu um acidente e não tinha como pagar a fisiote-</p><p>rapia. Comecei pagando a físio. Vieram sucessivas internações,</p><p>remédios. A situação piorando, eu já estava encomendando</p><p>missa de sétimo dia. Falei com um amigo médico, no Rio de</p><p>Janeiro. Ele aceitou tratar o caso gratuitamente. Surpresa! O</p><p>doente não aparecia para a consulta. Até que o coloquei contra</p><p>a parede. Ou se consultava ou eu não ajudava mais.</p><p>Cheio de saúde, ele foi ao consultório. Pediu uma receita</p><p>de suplementos para ficar com o corpo atlético. Nunca conheci</p><p>o sujeito, repito. Eu me senti um idiota por ter caído na história.</p><p>Só que esse rapaz havia perdido o emprego após o suposto</p><p>acidente. Foi por isso que me deixei enganar. Mas, ao perder</p><p>salário, muita gente perde também a vergonha. Pior ainda. A</p><p>violência aumenta. As pessoas buscam vagas nos mercados</p><p>em expansão. Se a indústria automobilística vai bem, é lá que</p><p>vão trabalhar.</p><p>Podemos esperar por um futuro melhor ou o que nos</p><p>aguarda é mais descrédito? Novos candidatos vão surgir.</p><p>Serão novos? Ou os antigos? Ou novos com cabeça de velhos?</p><p>Todos pedem que a gente tenha uma nova consciência para</p><p>votar. Como? Num mundo em que as notícias são plantadas</p><p>pela internet, em que muitos sites servem a qualquer mentira.</p><p>Digo por mim. Já contaram cada história a meu respeito que</p><p>nem sei o que dizer. Já inventaram casos de amor, tramas nas</p><p>novelas que escrevo. Pior. Depois todo mundo me pergunta</p><p>por que isso ou aquilo não aconteceu na novela. Se mudei a</p><p>trama. Respondo:</p><p>— Nunca foi para acontecer. Era mentira da internet.</p><p>Duvidam. Acham que estou mentindo.</p><p>CARRASCO, W. O ano da esperança. Época, 25 dez. 2017, p.97. Adaptado.</p><p>Considere o trecho “Depois vieram as mães e avós doentes.”</p><p>A frase em que se emprega uma flexão do verbo destacado, de</p><p>acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, é:</p><p>a) Não sei o que fazer depois que vinherem as mães e avós</p><p>doentes.</p><p>b) Depois que as mães e avós doentes virem, faremos alguma</p><p>coisa.</p><p>c) Depois que eu vim, as mães e avós doentes ficaram curadas.</p><p>d) Depois, as mães e avós doentes tiveram vindo até aqui.</p><p>e) Talvez seja melhor ir depois de vierem as mães e avós</p><p>doentes.</p><p>53. (CESGRANRIO – 2018)</p><p>Mobilidade e acessibilidade desafiam cidades</p><p>A população do mundo chegou, em 2011, à marca oficial</p><p>de 7 bilhões de pessoas. Desse total, parte cada vez maior vive</p><p>nas cidades: em 2010, esse contingente superou os 50% dos</p><p>habitantes do planeta, e até 2050 prevê-se que mais de dois</p><p>terços da população mundial será urbana.</p><p>No Brasil, a população urbana já representa 84,4% do total,</p><p>de acordo com o Censo 2010. É preciso, então, que questões</p><p>de mobilidade e acessibilidade urbana passem a ser discutidas.</p><p>No passado, a noção de mobilidade era estreitamente</p><p>ligada ao automóvel. Hoje, como resultado, os moradores de</p><p>grande maioria das cidades brasileiras lidam diariamente com</p><p>congestionamentos insuportáveis, que causam enormes per-</p><p>das. Isso, sem falar no alto índice de mortes em vias urbanas</p><p>do país. Depreendemos daí que a dependência do automóvel</p><p>como meio de transporte é um fator que impede a mobilidade</p><p>urbana.</p><p>É importante investir em infraestrutura pedestre, cicloviá-</p><p>ria e em sistemas mais eficazes e adequados de ônibus. Ao</p><p>mesmo tempo, podemos desenvolver cidades mais acessí-</p><p>veis, onde a maior parte dos serviços esteja próxima às mora-</p><p>dias e haja opções de transporte não motorizado para nos</p><p>locomovermos.</p><p>BROADUS, V. Portal Mobilize Brasil. 16 jul. 2012. Disponível em: http://www.</p><p>mobilize.org.br/noticias/2419/mobilidade-acessibilidade- e-deficiencias-</p><p>fisicas.html. Acesso em: 9 jul. 2018. Adaptado.</p><p>Glossário:</p><p>Mobilidade urbana – É a facilidade de locomoção das entre as</p><p>diferentes zonas de uma cidade.</p><p>Acessibilidade urbana – É a garantia de condições às pessoas</p><p>portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida,</p><p>No trecho “é um fator que impede a mobilidade urbana”, o verbo</p><p>que expressa o sentido contrário ao da palavra destacada é</p><p>a) fechar</p><p>b) prender</p><p>c) facilitar</p><p>d) atrapalhar</p><p>e) interromper</p><p>54. (CESGRANRIO – 2016)</p><p>Banhos de mar</p><p>Meu pai acreditava que todos os anos se devia fazer uma</p><p>cura de banhos de mar. E nunca fui tão feliz quanto naquelas</p><p>temporadas de banhos em Olinda, Recife.</p><p>Meu pai também acreditava que o banho de mar salutar</p><p>era o tomado antes de o sol nascer. Como explicar o que eu</p><p>sentia de presente prodigioso em sair de casa de madrugada</p><p>e pegar o bonde vazio que nos levaria para Olinda ainda na</p><p>escuridão?</p><p>De noite eu ia dormir, mas o coração se mantinha acorda-</p><p>do, em expectativa. E de puro alvoroço, eu acordava às quatro</p><p>e pouco da madrugada e despertava o resto da família. Nós</p><p>nos vestíamos depressa e saíamos em jejum. Porque meu pai</p><p>acreditava que assim devia ser: em jejum.</p><p>Saímos para uma rua toda escura, recebendo a brisa da</p><p>pré-madrugada. E esperávamos o bonde. Até que lá de longe</p><p>ouvíamos o seu barulho se aproximando. Eu me sentava bem</p><p>na ponta do banco, e minha felicidade começava. Atraves-</p><p>sar a cidade escura me dava algo que jamais tive de novo. No</p><p>bonde mesmo o tempo começava a clarear, e uma luz trêmula</p><p>de sol escondido nos banhava e banhava o mundo.</p><p>Eu olhava tudo: as poucas pessoas na rua, a passagem pelo</p><p>campo com os bichos-de-pé: “Olhe, um porco de verdade!” gri-</p><p>tei uma vez, e a frase de deslumbramento ficou sendo uma das</p><p>brincadeiras da minha família, que de vez em quando me dizia</p><p>rindo: “Olhe, um porco de verdade.”</p><p>Eu não sei da infância alheia. Mas essa viagem diária me</p><p>tornava uma criança completa de alegria. E me serviu como</p><p>promessa de felicidade para o futuro. Minha capacidade de ser</p><p>feliz se revelava. Eu me agarrava, dentro de uma infância muito</p><p>infeliz, a essa ilha encantada que era a viagem diária.</p><p>LISPECTOR, C. A Descoberta do Mundo. São Paulo: Rocco, 1999, p. 175.</p><p>Adaptado.</p><p>O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para Raquel Miorin - 025.804.550-78, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua</p><p>reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.</p>

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