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<p>Ação Probatória Autônoma - CPL3 - Parte 2</p><p>1. A melhor arma</p><p>1.1. A melhor ferramenta jurídica para provar que um bem é do</p><p>devedor, apesar de não estar no nome dele se chama</p><p>1.1.1. Ação probatória autônoma</p><p>1.1.1.1. É essa ação que eu vou te ensinar exatamente</p><p>agora</p><p>2. A ação probatória autônoma</p><p>2.1. O art. 381 do CPC estabelece que:</p><p>2.1.1. Art. 381. A produção antecipada da prova será admitida</p><p>nos casos em que:</p><p>2.1.1.1. I - haja fundado receio de que venha a tornar-se</p><p>impossível ou muito difícil a verificação de certos fatos na</p><p>pendência da ação;</p><p>2.1.1.2. II - a prova a ser produzida seja suscetível de</p><p>viabilizar a autocomposição ou outro meio adequado de</p><p>solução de conflito;</p><p>2.1.1.3. III - o prévio conhecimento dos fatos possa justificar</p><p>ou evitar o ajuizamento de ação.</p><p>2.1.1.4. Mas o ouro deste artigo está no § 5º:</p><p>2.1.1.4.1. § 5º Aplica-se o disposto nesta Seção àquele</p><p>que pretender justificar a existência de algum fato ou</p><p>relação jurídica para simples documento e sem caráter</p><p>contencioso, que exporá, em petição circunstanciada, a</p><p>sua intenção.</p><p>2.1.1.4.1.1. Aqui está o fundamento para a propositura</p><p>da Ação Probatória Autônoma.</p><p>2.1.1.4.1.1.1. No nosso exemplo, você precisa</p><p>justificar a existência de uma relação jurídica, qual</p><p>seja, de que o Marcelo é proprietário de um carro,</p><p>pois anda com ele diariamente, mas registrou o bem</p><p>em nome da Sogra, que nunca fica com a posse do</p><p>bem.</p><p>2.1.1.4.1.1.1.1. Uma vez feita essa prova em</p><p>juízo, sobre o verdadeiro proprietário do bem,</p><p>depois do contraditório exercido na ação</p><p>probatória autônoma, você estará bem mais</p><p>perto do deferimento do pedido de penhora na</p><p>sua execução.</p><p>3. Detalhes teóricos e práticos sobre a ação</p><p>probatória autônoma</p><p>3.1. 1</p><p>3.1.1. O objetivo dessa ação não é que o juiz declare algo (que</p><p>o Marcelo é o proprietário do veículo, por exemplo).</p><p>3.1.1.1. Mas simplesmente documentar em juízo, mediante</p><p>o contraditório, a existência de um fato ou relação jurídica.</p><p>3.2. 2</p><p>3.2.1. O Juiz da ação probatória autônoma não se manifesta</p><p>sobre o conteúdo da prova</p><p>3.2.1.1. Ele apenas controla a validade da produção da</p><p>prova</p><p>3.2.1.1.1. Art. 383, § 2º, CPC</p><p>3.2.1.1.1.1. § 2º O juiz não se pronunciará sobre a</p><p>ocorrência ou a inocorrência do fato, nem sobre as</p><p>respectivas consequências jurídicas.</p><p>3.2.1.1.1.1.1. No final a prova é entregue ao</p><p>requerente, para que ela faça o que quiser, inclusive</p><p>nada.</p><p>3.2.1.1.1.1.1.1. Imagine, no nosso exemplo, que a</p><p>prova demonstre que que o carro é efetivamente</p><p>da sogra do Marcelo e que está locado ao mesmo.</p><p>3.3. 3</p><p>3.3.1. Qual é o juízo competente para essa ação?</p><p>3.3.1.1. Art. 381, § 2º, do CPC</p><p>3.3.1.1.1. § 2º A produção antecipada da prova é da</p><p>competência do juízo do foro onde esta deva ser</p><p>produzida ou do foro de domicílio do réu.</p><p>3.4. 4</p><p>3.4.1. O que deve constar na petição inicial dessa ação?</p><p>3.4.1.1. Art. 382 do CPC</p><p>3.4.1.1.1. Art. 382. Na petição, o requerente apresentará</p><p>as razões que justificam a necessidade de antecipação da</p><p>prova e mencionará com precisão os fatos sobre os quais</p><p>a prova há de recair.</p><p>3.4.1.1.1.1. As razões para a produção da prova</p><p>3.4.1.1.1.1.1. No nosso exemplo: preciso produzir a</p><p>prova para pedir a penhora do veículo em uma</p><p>execução</p><p>3.4.1.1.1.2. Os fatos sobre os quais a prova recairá</p><p>3.4.1.1.1.2.1. No nosso exemplo: a prova deverá</p><p>recair sobre a propriedade do veículo tal</p><p>3.4.1.1.1.3. Qual é o tipo de prova a ser realizada</p><p>3.4.1.1.1.3.1. No nosso exemplo: testemunhal e</p><p>depoimento pessoal</p><p>3.5. 5</p><p>3.5.1. Quem deve constar no pólo passivo dessa ação?</p><p>3.5.1.1. Todos os que podem ser diretamente atingidos com</p><p>a utilização da prova</p><p>3.5.1.1.1. No nosso exemplo: o Marcelo e a Sogra do</p><p>Marcelo</p><p>3.6. 6</p><p>3.6.1. Que tipo de prova pode ser produzida nessa ação?</p><p>3.6.1.1. Qualquer tipo de prova</p><p>3.7. 7</p><p>3.7.1. Pode o requerido produzir prova na mesma ação?</p><p>3.7.1.1. Sim</p><p>3.7.1.1.1. Art. 383, § 3º, do CPC</p><p>3.7.1.1.1.1. § 3º Os interessados poderão requerer a</p><p>produção de qualquer prova no mesmo procedimento,</p><p>desde que relacionada ao mesmo fato, salvo se a sua</p><p>produção conjunta acarretar excessiva demora.</p><p>3.8. 8</p><p>3.8.1. Os requeridos/interessados podem apresentar defesa?</p><p>Há recurso contra decisão proferida na ação probatória</p><p>autônoma?</p><p>3.8.1.1. Art. 383, § 4º, do CPC: Neste procedimento, não se</p><p>admitirá defesa ou recurso, salvo contra decisão que</p><p>indeferir totalmente a produção da prova pleiteada pelo</p><p>requerente originário.</p><p>3.9. 9</p><p>3.9.1. Como é o procedimento, o passo a passo dessa ação?</p><p>3.9.1.1. - o autor apresenta a petição inicial</p><p>3.9.1.2. - o juiz determina a citação dos interessados (no</p><p>nosso exemplo, do Marcelo e da Sogra do Marcelo)</p><p>3.9.1.2.1. Não se admite defesa, mas os interessados</p><p>podem peticionar pugnando a produção de provas</p><p>também.</p><p>3.9.1.2.1.1. Como a lei não fala em que prazo, isso terá</p><p>que ser feito no prazo assinalado pelo juiz ou em 5</p><p>dias, caso o juiz não estabeleça prazo (art. 218, § 3º,</p><p>CPC).</p><p>3.9.1.3. - o juiz determina a produção da prova</p><p>3.9.1.3.1. pode ser pericial, testemunhal, depoimento</p><p>pessoal, etc</p><p>3.9.1.3.1.1. Dica Prática</p><p>3.9.1.3.1.1.1. Para casos como o do nosso exemplo,</p><p>o depoimento pessoal costuma ser certeiro.</p><p>Dificilmente uma pessoa que mente deixa de cair</p><p>em contradições. No nosso caso, ouvir a Sogra do</p><p>Marcelo, em depoimento, certamente deixaria</p><p>evidente que o carro não é dela.</p><p>3.9.1.3.1.1.1.1. Da mesma maneira, ouvir o</p><p>vendedor do carro pode ser uma boa</p><p>3.9.1.3.1.1.1.1.1. Pedir aos réus que juntem a</p><p>prova da transferência bancária....da conta de</p><p>quem saiu o dinheiro?</p><p>3.9.1.4. - depois de produzida a prova:</p><p>3.9.1.4.1. Art. 383. Os autos permanecerão em cartório</p><p>durante 1 (um) mês para extração de cópias e certidões</p><p>pelos interessados.</p><p>3.9.1.4.1.1. Parágrafo único. Findo o prazo, os autos</p><p>serão entregues ao promovente da medida.</p><p>3.10. 10</p><p>3.10.1. A necessidade de uma medida cautelar</p><p>3.10.1.1. Para garantir a utilidade prática da ação</p><p>probatória, você deve pedir uma medida cautelar ao juízo</p><p>da execução.</p><p>3.10.1.1.1. Você deve mostrar que ajuizou a ação</p><p>probatória autônoma e pedir que, até o encerramento</p><p>dessa ação, que seja impedida a venda do bem em</p><p>discussão.</p><p>3.10.1.1.1.1. Lembra, sempre, que pra conseguir uma</p><p>medida cautelar, você tem que demonstrar</p><p>minimamente a verossimilhança de suas alegações.</p><p>3.10.1.1.1.1.1. E como fazer isso na prática</p><p>3.10.1.1.1.1.1.1. Simplesmente juntando os</p><p>elementos de prova que você já tem...Mostra o</p><p>Marcelo desfilando com o carro, fotografias,</p><p>vídeos e etc.</p><p>3.10.1.1.1.1.1.1.1. E mostra o ajuizamento da</p><p>ação probatória autônoma</p>