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Historia do Brasil 237
saca, que pagaria juros e amortização do capital indispen
savel ao custeio dessa manobra (1). Uma novidade que
abalou a economia liberal: intervinha o Estado na
lavoura e no comercio, limitando-os estatisticamente; de
fórma empírica, é certo, mas já em nome do principio
médito da extensão do poder público à fazenda, ao
armazem, ao negocio. . . Aquilo era espantoso: e simples.
Só mais tarde se chamaria dirigismo (2). Tinha um pre
cedente: a ação do governo russo contra a especulação
alemã do trigo ... (3). O Estado de S. Paulo (com
garantia federal) levantou na Europa o emprestimo de 15
milhões esterlinos: e "estabilizou" a cotação do café.
Teria sido um desastre, se as safras subsequentes não fos
sem pequenas, reduzidas pelas geadas .. . (4) Mas o Es
tado assumira uma posição ousada de defesa do "prin
cipal produto": e dela não desistiria.
A bôa diplomacia.
O exito da valorização do café nos meios financeiros
da Europa (5) (Sielcken, de Hamburgo, Schroder, de Lon-
(l) Vd. documentação in MIGUEL CALMON, Factos Economicos, p. 370,
Rio 1918. O plano fôra de Alexandre Siciliano. Sobre o episodlo,
AFONSO d'E. TAUNAY, Pequena historia do café no Brasil, p. 295 e segs.,
Itio 1945.
(2) Leia-se RENÉ GoNNARD, Histoire des doctrines économiques, p.
484, Paris 1947. Observa HENRY WILLIAM SrIEGEL, "wlth these mesures
Drazil assumed the role of in the field of raw material control ", The
brazilian economy, p . 172, Philadclphia 1949, O congresso cafeeiro de
países produtores reunido cm 1902 em New York tinha estabelecido um
"cartel de preços" ana!ogo ao que se crcou cm Taubaté, Anclres Sprecher
von Dernegg, Plantas tropicais e sub-tropicais na economia mundial, p.
308, Rio, 1038.
(3) Parecer da comissão de finanças da Camara (Serzcdclo Corrca),
10 de Nov. de 1908, Doc,,mentos pa,·lamentares, Valorização do café, II,
5, Rio 1015.
(4) MIGUEL CALMON, º"· cit., p, 175 . nealruente os preços subiram
em 1011-12 de 238% sf,IJre os ele 1907-8, Von llcrnegg, op. cit., p , 308. " Com
isto o primeiro negócio da valorização foi bem sucedido". Justifica-o
H. E. J ACOD, Biografia del calfé, p . 324, Milano 1086.
(5) H. E. JAcon, Biografia del caffé, p. 827.
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dres) não corre por conta apenas do interesse mundial
pela mercadoria. Exprime a confiança que conquistára
o Brasil no mercado externo, menos pelas exportações,
cujo ritmo lhe atestava o enriquecimento, do que pela
diplomacia, forte e sábia. Insistimos em dizer: estava-se
no tempo do prestígio internacional pelo pêso estatis
tico das armas, pelo fulgôr protocolar das embaixadas,
pela arrogancia dos impérios em plena expansão, isto é,
em irritada concorrencia (de que os episodios de Fa
choda e Tanger eram explosões sentimentais) (1); e
valia, no conceito internacional, a potencia que falava
alto, repelia a cobiça estrangeira, deitava ao mar uma
bela esquadra, manobrava com vistosas legiões, e seduzia
o capital sem pátria. Homem desse clima, Rio Branco
a ele se adaptou com esplêndida naturalidade: até porque
a sua idéia de defesa nacional ( obsessão patriótica da
sua politica) coincidía com o espírito da epoca. Tinha a
nitidez do "sistema". O do Brasil na monarquia (e
ninguem melhor o justificou, continuador devoto da obra
do visconde seu pai) se concentrára no apôio dado às
republicas vizinhas, para manterem a sua independencia,
enquanto definíamos no mapa e no terreno, por bem ou
por mal, a vaga linha fronteiriça. A amizade das côrtes
européias e a distância dos Estados Unidos nos ajudaram,
ou pelo menos não nos perturbaram a tarefa. Na repú
blica o "sistema" se apegou a outra doutrina: a de Mon
roe. Não foi um simples comprimento, o nome que Rio
Branco pôs no palacio da Avenida, cópia do pavilhão
brasileiro da Exposição de São Luiz (1904) - Palacio
(1) ~ quando o Imperialismo colonial (digamos com Hauser) se
Integra no nacionalismo. Em 1898 pouco faltou para lnglêses e fran
cêses se baterem no alto Nilo (Fachoda) : cederam estes (vd. GEORGES
HARDY, La politique coloniale et le partage de la terre, p. 242, Paris
1987; L. GENET, L'Europe contemporaine, p, 457, Paris 1951), O Impe
rador da Alemanha desembarcou em Tanger (1905) manifestando o seu
Interesse pelo "contrôle" marroquino: quasl a guerra com a França ...
Esta porem já se allára à Inglaterra e ia formar com a Russla a Tri
plice Entente, em clara prevenção da luta, prevista e Imensa.
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Monroe. Colocou-se espertamente ao lado dos Estados
Unidos na fase decisiva do novo "manifest destiny" -
quando precisavam eles, malquistos em tese com os póvos
hispânicos pela guerra de Cuba, pela anexação das Fili
pinas e de Porto Rico, de um sólido amigo na América
latina (1). Vimos de que serviu essa aliança no caso do
Acre. Funcionára tacitamente em 1893, em 1895, em
1899; e o proprio Rio Branco dela conservava - com
o laudo de Cleveland na questão de Missões - uma pro
funda impressão. Explorou-a sagazmente. Tornava o
Brasil invulneravel quanto aos demais continentes; e em
face dos latino-americanos, singularmente forte. Esta
tranquilidade transparece na contenda com o Peru (a res
peito do Alto Purús e do Alto Juruá), a mais grave depois
da querela boliviana: e se lhe estende à política exterior
até 1914.
Questões terminais.
Originou-se a pendencia com o Peru da invasão
daqueles rios pelos "caucheros" - em 1902 - lá estabe
lecidos como em terra conquistada. Protestando, recusou
lhe o Itamarati a participação nas negociações com a
Bolivia - em que não cabia terceiro; e assinado o tra
tado de Petropolis, exigiu a retirada dos invasores. Só
conheceria as suas razões depois disto. Condescendia na
arbitragem: contanto que precedida da exibição dos
titulas de domínio ... (2) Vários batalhões foram então
(1) Leia-se sobre o novo imperialismo americano, SAMUEL FLAGG BEMIS,
La diplomacia de Estados Unidos en la America Latina, trad de T.
Oniz, p. 133, México 1944. Quanto à oposição de teses, em 1904, pan
americanismo e pan-iberianismo, DuNSHEE DE ABRANCHES, Brazil and
the Monroe doctrine, p. 62, Rio 1915.
(2) A1vARO LINs, Rio Branco, p. 456.
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remetidos para a remota região (1); e como as armas
peruanas eram importadas através do Amazonas, Rio
Branco decidiu interceptá-las, embora esta violencia
pudésse precipitar a luta. Mandou que fosse desem
barcado o material bélico do vapor que o levava para
lquitos - alegando tratar-se, não de represalia, mas de
segurança; e assim - indo ao encontro da guerra para a
evitar - forçou a conversação amigavel. Realmente
secionara a artéria vital da resistencia peruana em tais
confins. Concordou-se no Rio (o ministro Hemán
Velarde e Rio Branco) em eliminar o dissídio pelo
retômo puro e simples à convenção de 1851 (a fronteira
declinando do Javarí para o paralelo 11) com a provisoria
nautralização da zona disputada. Se só se firmou em
1909 o tratado final, a demora deve-se ao Itamaratí, inte
ressado em esperar o desfêcho da questão do Perú com a
Bolívia arbitrada pela Argentina (2). Entretanto acertou
com o Equador (6 de Maio de 1904) reavivar a linha
ajustada em 1851 cm Lima (na dependencia, é certo, do
resultado do seu litígio com o Peru(3); definiu a da Guiana
holandêsa (5 de Maio de 1906), cerrando-lhe, pelo
espigão do Tumucumaque, a bacia amazônica; esclareceu
com a Colombia (24 de Abril de 1907) a divisoria pelo
Apoporis-Capurú-serro Caparro e rio Negro, até a pedra
do Cucuí, famosa pelo desterro de 1893; e culminou
emocionalmente a política afetuosa com o Uruguai, insta
lando-o no condomínio da lagôa dos Patos e do ]agua
rão ("). Com o Chile apertou laços cordiais (mais vivos
(1) Euc1.1m:s DA CUNIIA, Oonti-aste.• e confrontos, p. 415, faln da
"feição gravlssima" da "guerra Iminente", achando errado o envio de
tropas para o l'urús. As dificuldades mllltares desse movimento Iriam
Inspirar, como diremos, a renovação do. exército no governo de Afonso
l'enn. Valiaa experiência . . .
(2) EucLtoEs DA CuNIIA escreveu Peru vers11i Bolivia (2.• ed., Rio
1930).
(3) DUNSIIEE DE ADRANCHES, Rio Branco e a politica exterior do
Brasil, II, 248.
(4) Vd. II. D., En.savo ,Te história patria, p. 706, Montevideo 1023.
b) Favoreceu as oposições, que deram destaque à capacidade criativa do povo brasileiro.
c) Propiciou uma operação de propaganda do governo Médici, tentando associar a conquista ao
regime autoritário.
d) Favoreceu o projeto de abertura do general Geisel, ao criar um clima de otimismo pelas
realizações do governo.
e) Alcançou repercussão muito limitada, pois os meios de comunicação eram censurados.
38 - (UNIR RO)
No âmbito político, 1979 é o ano da Anistia, que foi aprovada em 28 de agosto, envolvendo
questões polêmicas [...] Mesmo incorporando o conceito de crimes conexos para beneficiar, em
tese, os agentes do Estado envolvidos na prática de torturas e assassinatos, a Lei de Anistia
possibilitou o retorno de lideranças políticas que estavam exiladas, o que trouxe novo impulso ao
processo de redemocratização. Nesse mesmo ano, foi aprovada a reformulação política que deu
origem ao sistema partidário em vigência até os dias de hoje.
(Brasil. Secretaria Especial dos Direitos Humanos. Comissão Especial sobre Mortos
e Desaparecidos Políticos. Direito à verdade e à memória:
Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. Brasília:
Secretaria Especial dos Direitos Humanos, 2007.)
A partir do texto acima, pode-se afirmar que a Lei de Anistia NÃO beneficiou
a) cidadãos que tiveram os seus direitos políticos cassados.
b) militares envolvidos na prática de tortura.
c) militantes das organizações que empreenderam luta armada contra o regime.
d) lideranças políticas que foram obrigadas a se exilar.
e) condenados que praticaram crimes comuns após 1968.
39 - (UFS)
A travessia histórica da democracia passou por dificuldades em vários momentos da história do
Brasil.
Na época dos governos militares pós-1964, se constata, politicamente:
a) a prevalência de governos marcados pela censura e pela falta de negociação política entre o
governo e a população.
b) a existência de uma intensa vida multipartidária, apesar do autoritarismo e do excesso de
medidas inconstitucionais.
c) a falta de políticas econômicas de modernização, devido à censura do governo e à inflação em
fase de crescimento.
d) a presença de governos conservadores, sem articulação com as mudanças tecnológicas
compatíveis com o mundo ocidental.
e) o fim do populismo político, com a grande mudança trazida pela ruptura com práticas de
corrupção, comuns no passado.
40 - (FATEC SP)
Considere o Cartum elaborado por Luiz Geraldo Ferrari, em 1975
(In: Piracicaba 30 anos de humor. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado/Instituto do Memorial
de Artes Gráficas do Brasil, 2003, p. 53)
Ao relacionar a visão do cartunista ao período histórico referido, pode-se depreender que o
personagem do cartum vivia um contexto no qual
a) os militares democráticos aprovaram leis criando um novo sindicalismo desatrelado das mãos
do Estado e com autonomia em relação às decisões patronais.
b) os presidentes militares divulgaram amplamente o retorno ao Estado de direito, concedendo
liberdade de imprensa e anistia aos presos políticos.
c) os militares da “linha-dura”, embora tivessem eliminado os focos de guerrilha, continuavam a
enxergar subversivos por toda parte, praticando torturas e repressão.
d) o presidente da República veio a público reconhecer os excessos cometidos pelos militares da
“linha-dura” contra as instituições democráticas do país.
e) as forças armadas anunciaram o retorno do Estado democrático, com a posse de Tancredo
Neves, e do afastamento dos militares da vida política brasileira.
41 - (PUC RS)
Considere a figura e no texto a seguir.
O governo do Gen. Costa e Silva foi marcado pela ligação à linha dura. Com a Constituição de 1967,
que cerceara a participação política de setores oposicionistas e da sociedade civil, aumentaram as
manifestações populares para colocar fim à ditadura. Uma onda de protestos tomou conta do país,
promovida pela Frente Ampla, pelo MDB e principalmente pelo movimento estudantil, que estava
em sintonia com os movimentos norte-americanos e europeus da época. A imagem acima é
exemplo de uma das muitas manifestações de repúdio às ações do governo.
Para diminuir ainda mais as liberdades da sociedade civil e impedir que manifestações como esta
ocorressem com frequência, foi promulgado novo Ato Institucional, o AI – 5, que determinava
a) o estabelecimento do bipartidarismo.
b) a suspensão de todos os direitos civis e constitucionais, e a censura aos meios de comunicação.
c) a restrição às greves, permitidas somente para algumas categorias profissionais.
d) a abertura da economia brasileira ao capital externo.
e) a expansão do crédito aos consumidores.
42 - (UNIMONTES MG)
Quem não é pelo Brasil, é contra o Brasil!
D. Pedro II. SCHWARCZ. Lílian. Moritz, p. 304)
Brasil, ame-o ou deixe-o!
(Ditadura Militar)
O aspecto presente nas duas frases é o/a
a) xenofobia.
b) misticismo.
c) ufanismo.
e) regionalismo.
43 - (UERJ)
No Brasil, o ano de 1968 foi marcado pelos crescentes choques entre as tentativas de maior
participação política e o endurecimento do governo militar.