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Citar quais as principais causas e complicações das pancreatites aguda e crônica. 1 Citar quais as principais causas e complicações das pancreatites aguda e crônica. Pancreatite Aguda Pancreatite aguda é a inflamação aguda do pâncreas, a classificação do grau da pancreatite aguda é leve, moderada ou grave, de acordo com a existência de complicações locais e a insuficiência transitória ou passageira do órgão. Os principais fatores Etiológicos são: Alcoolismo Hiperlipoproteinemia Hipercalcemia Farmacos (azatioprina, estatinas, agonistas do GLP1 e inibidores da DPP 4 Mutação em genes que codificam a TRIPISINA Fibrose cística Cálculos biliares Trauma Caxumba A pancreatite aguda resulta da liberação e ativação inadequadas das enzimas pancreáticas, que, por sua vez, destroem o tecido pancreático e induzem uma reação inflamatória. A ativação inapropriada da tripsina dentro do pâncreas pode ativar outras proenzimas, como a pró-fosfolipase e a pró-elastase, que degradam as células adiposas e danificam as fibras elásticas dos vasos sanguíneos, respectivamente. Quando o dano tecidual é iniciado, a tripsina também pode ativar, direta ou indiretamente, fatores encontrados no sangue, incluindo componentes da coagulação, complemento, calicreína e vias Citar quais as principais causas e complicações das pancreatites aguda e crônica. 2 fibrinolíticas. A inflamação resultante e a trombose de pequenos vasos provocam maior dano às células acinares, o que amplifica a ativação intrapancreática das enzimas Existem 3 eventos que ativam as enzimas que desencadeiam o processo de pancreatite, sendo eles: Obstrução do ducto pancreatico por cálculos biliares e lama biliar A obstrução aumenta a pressão ductal intrapancreática e leva ao acúmulo de líquido rico em enzimas no interstício. Diferentemente de outras enzimas pancreáticas, a lipase é secretada em uma forma ativa e tem o potencial de causar necrose da gordura local. Foi formulada a hipótese de que a morte dos adipócitos produz localmente sinais de “perigo ,ˮ que são detectados por células estreladas do pâncreas e leucócitos. Estes liberam mediadores pró- inflamatórios que, por sua vez, promovem extravasamento microvascular e desenvolvimento de edema intersticial. O edema pode comprometer ainda mais Citar quais as principais causas e complicações das pancreatites aguda e crônica. 3 o fluxo sanguíneo local, o que causa insuficiência vascular e lesão isquêmica das células acinares Lesão primária das células acinares As células acinares podem ser danificadas por uma variedade de agressões endógenas, exógenas e iatogênicas. Muitas dessas agressões resultam em estresse oxidativo e geração de radicais livres intracelulares, que levam à oxidação dos lipídios da membrana e à ativação de fatores de transcrição. Estes últimos incluem AP1 e NFκB, que induzem a expressão de quimiocinas que, por sua vez, atraem células mononucleares. O aumento do fluxo de cálcio constitui outro fator desencadeante importante para a ativação inapropriada de enzimas. O cálcio desempenha um papel fundamental na regulação da tripsina. Quando os níveis de cálcio estão baixos, a tripsina tende a clivar e inativar a ela própria, porém essa autoinibição é anulada, e a autoativação da tripsina é favorecida quando ocorre elevação dos níveis de cálcio. Por conseguinte, qualquer fator capaz de produzir aumento do cálcio dentro das células acinares pode desencadear a ativação excessiva da tripsina. Transporte intracelular defeituoso de proenzimas dentro das células acinares Nas células acinares normais, as enzimas digestivas e as hidrolases lisossômicas são transportadas por vias separadas. Em modelos animais de lesão acinar, as proenzimas pancreáticas, das quais a catepsina (uma família de hidrolases) é a mais importante, são liberadas indevidamente nos lisossomos. Em seguida, as hidrolases ativam as proenzimas pancreáticas que rompem as membranas lisossômicas, levando, por fim, à liberação de enzimas ativadas. Não se sabe ao certo se esse mecanismo é relevante na pancreatite aguda humana. A Pancreatite também possui fatores genéticos Gene Produto proteico Função CFTR 7q31 Regulador de condutância transmembrana na fibrose cística Canal epitelial de ânions. As mutações de perda de função alteram a pressão do líquido e limitam a secreção de bicarbonato, o que causa espessamento dos líquidos secretados e obstrução ductal Citar quais as principais causas e complicações das pancreatites aguda e crônica. 4 Gene Produto proteico Função PRSS1 7q34 Serina protease 1 (tripsinogênio 1 Tripsina catiônica. As mutações de ganho de função impedem a autoinativação da tripsina SPINK1 5q32 Inibidor de serina peptidase, Kazal tipo 1 Inibidor da tripsina. As mutações causam perda de função, aumentando a atividade da tripsina CASR 3q13 Receptor sensor de cálcio Receptor ligado à membrana, que detecta os níveis extracelulares de cálcio e controla os níveis luminais deste íon. As mutações podem alterar as concentrações de cálcio e ativar a tripsina CTCR 1p36 Quimiotripsina C (caldecrina) Degrada a tripsina, protege o pâncreas de lesão relacionada com a tripsina CPA1 7q32 Carboxipeptidase A1 Exopeptidase envolvida na regulação da ativação de zimogênios Suas características clinicas são: A dor abdominal constitui a principal manifestação da pancreatite aguda. Caracteristicamente, a dor é constante, intensa e referida na parte superior ou média das costas e, em certas ocasiões, no ombro esquerdo. A gravidade varia desde um leve desconforto até dor incapacitante. É comum a ocorrência de anorexia, náuseas e vômitos. Os níveis plasmáticos elevados de amilase e lipase sustentam o diagnóstico de pancreatite aguda, assim como a exclusão de outras causas possíveis de dor abdominal. Histologia da pancreatite aguda Citar quais as principais causas e complicações das pancreatites aguda e crônica. 5 O corte histologico apresenta necrose gordurosa a esquerda e necrose de parênquima ao centro Corte histológico apresenta infiltrados inflamatórios nos ácinos e ductos Citar quais as principais causas e complicações das pancreatites aguda e crônica. 6 Corte histológico mostrando células inflamatórias, incluindo neutrófilos, linfócitos e plasmócitos Aspectos Macroscópicos da pancreatite aguda Macroscopicamente o órgão se apresenta com hemorragia na região da cabeça e necrose gordurosa na parte superior esquerda https://www.notion.so/Corte-histol-gico-mostrando-c-lulas-inflamat-rias-incluindo-neutr-filos-linf-citos-e-plasm-citos-10848eaf625d80f3a238e7a7bdbf1991?pvs=21 https://www.notion.so/Corte-histol-gico-mostrando-c-lulas-inflamat-rias-incluindo-neutr-filos-linf-citos-e-plasm-citos-10848eaf625d80f3a238e7a7bdbf1991?pvs=21 https://www.notion.so/Corte-histol-gico-mostrando-c-lulas-inflamat-rias-incluindo-neutr-filos-linf-citos-e-plasm-citos-10848eaf625d80f3a238e7a7bdbf1991?pvs=21 Citar quais as principais causas e complicações das pancreatites aguda e crônica. 7 Macroscopicamente o órgão apresenta necrose gordurosa Macroscopicamente há a presença de hemorragia Complicações da pancreatite aguda As principais complicações da pancreatite aguda são: Pseudocisto pancreático Pancreatite necrosante Citar quais as principais causas e complicações das pancreatites aguda e crônica. 8 Infecção do pâncreas Insuficiência de órgãos Um pseudocisto pancreático é uma coleção de líquido contendo enzimas pancreáticas que se forma dentro e ao redor do pâncreas. Em algumas pessoas, o pseudocisto desaparece espontaneamente. Em outras pessoas, é possível que o pseudocisto não desapareça e se infeccione. A pancreatite necrosante pode ocorrer no caso de pancreatite aguda grave. No caso da pancreatite necrosante, algumas partes do pâncreas podem morrer e os líquidos orgânicos podem vazar para dentro da cavidade abdominal, o que reduz ovolume de sangue e resulta em uma queda acentuada da pressão arterial, possivelmente causando choque e insuficiência de órgãos. A pancreatite aguda grave pode apresentar risco à vida. A infecção de um pâncreas inflamado pode ocorrer, sobretudo em pessoas que têm pancreatite necrosante. Às vezes, o médico suspeita da existência de infecção quando há uma piora no estado de saúde da pessoa e ela fica com febre, sobretudo se isso ocorrer depois que os primeiros sintomas da pessoa já haviam começado a se resolver. A insuficiência de órgãos pode ocorrer na pancreatite aguda, uma vez que danos ao pâncreas podem permitir que enzimas ativadas e toxinas como, por exemplo, as citocinas, entrem na corrente sanguínea e causem uma redução da pressão arterial e danos a outros órgãos como os pulmões e os rins, por exemplo. Esse tipo de dano pode fazer com que algumas pessoas que estão com pancreatite aguda apresentem insuficiência de outros órgãos, inclusive dos rins, pulmões ou coração e essa insuficiência pode levar à morte. Pacreatite crônica A pancreatite crônica é definida como uma inflamação prolongada do pâncreas associada à destruição irreversível do parênquima exócrino, fibrose e, nos estágios avançados, perda do parênquima endócrino. A prevalência da pancreatite crônica situa-se entre 0,04 e 5%; a maioria dos pacientes afetados são homens de meia-idade. A causa mais comum de pancreatite crônica é o uso de álcool a longo prazo As principais causas são: https://www.msdmanuals.com/pt-br/casa/dist%C3%BArbios-do-cora%C3%A7%C3%A3o-e-dos-vasos-sangu%C3%ADneos/hipotens%C3%A3o-arterial-e-choque/choque https://www.msdmanuals.com/pt-br/casa/doen%C3%A7as-imunol%C3%B3gicas/biologia-do-sistema-imunol%C3%B3gico/imunidade-inata#v778726_pt Citar quais as principais causas e complicações das pancreatites aguda e crônica. 9 Alcoolismo Obstrução prolongada do ducto pancreático por cálculos ou neoplasias Lesão autoimune Fatores Hereditários O processo prolongado de inflamação do pancreas leva a formação de fibrose e perda das células acinares, atrofia, além de dilatação variável dos ductos, o que leva a uma perda de função endócrina e exócrina e desenvolvimento de pseudocistos. Histologia da pancreatite crônica Citar quais as principais causas e complicações das pancreatites aguda e crônica. 10 A. A fibrose extensa e a atrofia deixaram apenas ilhotas residuais (parte superior) e ductos (parte inferior), com células inflamatórias crônicas esparsas e algumas ilhas de tecido acinar. B. Fotomicrografia em aumento maior, mostrando os ductos dilatados com concreções ductais eosinofílicas espessas em um indivíduo com pancreatite crônica alcoólica. C. Exemplo de pancreatite autoimune com infiltrados linfoplasmocitários extensos e estroma fibrótico estoriforme. Neste caso, a coloração para IgG4 confirmou a presença de plasmócitos que expressam IgG4 em quantidade abundante Fibrose extensa: Há uma quantidade significativa de tecido fibroso substituindo o tecido pancreático normal. Atrofia do parênquima: O tecido pancreático normal está reduzido, com perda de células acinares. Ductos dilatados: Observam-se ductos pancreáticos dilatados, alguns contendo concreções eosinofílicas espessas. Citar quais as principais causas e complicações das pancreatites aguda e crônica. 11 Ilhotas residuais: Algumas ilhotas pancreáticas ainda estão presentes, principalmente na parte superior da imagem. Células inflamatórias crônicas: Há presença de células inflamatórias esparsas no tecido. Ilhas de tecido acinar remanescente: Pequenas áreas de tecido acinar ainda podem ser vistas em meio à fibrose. Características macroscópicas Órgão com aspecto nodular e irregular Presença de áreas esbranquiçadas, indicando fibrose extensa Complicações da pancreatite crônica Pode ocorrer o desenvolvimento de uma coleção de líquido denominada pseudocisto pancreático. Pode haver sangramento ou ruptura dos Citar quais as principais causas e complicações das pancreatites aguda e crônica. 12 pseudocistos, e aqueles que se expandem podem causar dor ou bloquear o duodeno ou os dutos biliares. Por fim, as células do pâncreas que secretam insulina podem ser destruídas, o que leva a um desenvolvimento gradativo de diabetes. Pacientes com pancreatite crônica correm um risco maior de sofrerem de câncer de pâncreas