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Departamento de Letras A COMPREENSÃO DE ESTRUTURAS PASSIVAS POR UNIVERSITÁRIOS COM SINTOMAS SUGESTIVOS DE TDAH: UM ESTUDO-PILOTO Aluna: Carolina Aguiar de Oliveira Silva Orientador: Leticia M. Sicuro Corrêa Introdução Este trabalho se insere no campo da Psicolinguística1, no que pretende investigar o processamento de estruturas de alto custo (relativas e interrogativas QU/QU+N e passivas reversíveis) no quadro de transtornos que afetam a linguagem na idade adulta. O projeto intitulado “Estruturas de alto custo de processamento e correferência no quadro de transtornos que afetam a linguagem de crianças em idade escolar” foi modificada em virtude do período de restrições da pandemia de COVID-19, o qual impossibilitou o acesso as crianças na modalidade presencial, com e sem diagnóstico. Dessa forma, buscou-se como alternativa, o desenvolvimento de uma pesquisa com adultos universitários, utilizando ferramentas que possibilitassem a aplicação de tarefas linguísticas na modalidade on-line. Por conseguinte, o trabalho desenvolvido para contribuição no projeto que investiga a compreensão dessas estruturas em populações atípicas intitula-se “A compreensão de estruturas passivas por universitários com sintomas sugestivos de TDAH: Um estudo-piloto”. Consideram-se de alto custo estruturas que evolvem dependência descontínua, com a presença de elemento interveniente, e/ou em que a ordem canônica (SVO) e sua correspondência com os respectivos papéis temáticos (agente-verbo-tema/paciente) é alterada [1]. Dificuldade no processamento dessas estruturas caracteriza transtornos de linguagem [2]. Em estruturas canônicas (SVO), o papel temático atribuído ao sujeito é o de agente/experenciador. Nas sentenças passivas, uma operação sintática acarreta o posicionamento do tema/paciente na posição de sujeito, alterando o procedimento canônico de análise. Logo, a compreensão de estruturas passivas gera um maior custo de processamento, pois requer o reconhecimento de AUX + PART para que o papel de tema seja atribuído ao sujeito [3]. O Transtorno do Déficit de Atenção e/ou Hiperatividade (TDAH) caracteriza-se como um padrão recorrente de sintomas de desatenção e/ou hiperatividade e impulsividade iniciados antes dos 12 anos de idade [4]. Estima-se que em 70% das crianças diagnosticadas com TDAH, os sintomas persistam na idade adulta [5]. Ademais, constata-se que sintomas desse transtorno estejam relacionados aos déficits nas funções executivas (competências de alto nível de processamento, como controle inibitório, que permitem a execução de tarefas direcionadas a um objetivo) [6]. Diferentes modelos neurocognitivos explicam os déficits envolvidos no processamento da informação em indivíduos com TDAH. O Modelo Híbrido de Funções Executivas [7] caracteriza as dificuldades na memória operacional e na autorregulação emocional/comportamental provenientes de déficits no controle inibitório. O modelo de Regulação de Estado [8] propõe que as disfunções executivas presentes no TDAH estão relacionadas com os aspectos motivacionais, que geram déficits na regulação de respostas, 1 Trabalho de IC vinculado ao projeto FAPERJ-CNE-2020, intitulado “Habilidades linguísticas diferenciadas em populações atípicas”, da profa. orientadora. Departamento de Letras velocidade de processamento e controle de interferências. Por fim, segundo o Modelo Cognitivo Energético [9], considera disfunções em dois processos concomitantes: computacionais e fatores de estado - esses que envolvem, aspectos tanto executivos – relacionados a codificação e processamento, decisão e emissão de uma resposta comportamental, como, déficits motivacionais relacionados aos níveis de estado. No que concerne à linguagem, indivíduos com TDAH têm quase o dobro de chance de atender aos critérios diagnósticos de transtorno de linguagem [10]. Contudo, não foram realizados estudos controlados sobre o processamento de sentenças de alto custo em adultos com esses sintomas. Entretanto, dados anedóticos sugerem dificuldades de estudantes universitários com diagnóstico de TDAH na compreensão dessas estruturas. Assim sendo, dentre as colaborações para o projeto, elaborou-se um estudo piloto o qual busca investigar em que medida jovens universitários com sintomas de TDAH têm dificuldades na compreensão de estruturas passivas. Objetivos O objetivo geral desse trabalho consiste em compreender o processamento de estruturas de alto custo no TDAH. Dentre os objetivos específicos cita-se: (i) realizar uma revisão teórica acerca das diferentes ferramentas utilizadas na avaliação do TDAH; (ii) conduzir um experimento com adultos universitários com ou sem sintomas sugestivos de déficit de atenção e/ou hiperatividade; (iii) investigar se indivíduos com sintomas de TDAH apresentam dificuldade no processamento de estruturas passivas e na compreensão leitora em pequenos textos narrativos. Revisão Teórica: Avaliação do TDAH Considerando os aspectos cognitivos, para o diagnóstico clínico diferencial do TDAH, são utilizadas ferramentas de avaliação neuropsicológica das funções executivas e da atenção. Alguns testes e tarefas que medem a eficiência do processamento de informações, controle inibitório, flexibilidade cognitiva, monitorização e funções da atenção como seletiva, alternada e sustentada podem ser úteis para o rastreio dos domínios cognitivos comprometidos [11]. Dentre esses, cita-se instrumentos neuropsicológicos como: a Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção (BPA) [12], o Teste dos Cinco Dígitos (FDT) [13] e o paradigma Go- no-go [14]. Para rastreio dos sintomas, pode-se também utilizar escalas/inventários que investigam os sintomas, comportamentos e o nível de prejuízo funcional; como exemplo: Escala de Avaliação de Disfunções Executivas de Barkley (BDEFS) [15], a Escala de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (ETDAH-AD) [16] e a Escala de Autorrelato para Adultos (ASRS-18) [17]. Em vista as tarefas neuropsicológicas, o BPA realiza a avaliação da atenção e de seus subcomponentes: concentrada, alternada e dividida [12]. O teste é composto por tarefas de cancelamento – o avaliando deve ser capaz de realizar um escaneamento visual (sondagem) na busca dos estímulos alvo dispostos em uma folha. A partir desse instrumento é possível compreender déficits atencionais e executivos, assim como no FDT [13], que mede a velocidade de processamento cognitivo e os processos automáticos e controlados da atenção. Durante a execução do FDT, o indivíduo deve ser capaz de focar e de reorientar a atenção e lidar com interferências em tarefas de leitura e contagem de estímulos. Dentre as funções executivas, esse avalia o controle inibitório e flexibilidade cognitiva e as funções atencionais. A tarefa go-no-go [14] consiste em uma tarefa aplicada geralmente em formato computadorizado para avaliar o controle inibitório, iniciativa comportamental, vigilância e velocidade de processamento. Os participantes devem responder de forma correta o mais rápido que possível um estímulo, pressionando um botão específico quando esse aparecer na tela do computador. De forma aleatória, alguns eventos irão exibir na tela um estímulo diferente ao Departamento de Letras indicado previamente – nesse caso, o participante deverá inibir uma resposta. Como exemplo: os participantes devem pressionar a tecla N somente quando um quadrado aparecer na tela, quando aparecerem triângulo, deverá pressionar a tecla M, ou nenhum botão. Essa tarefa possui diferentes versões, com variados níveis de dificuldade. Considerando a avaliação dos sintomas, os inventários e/ou escalas de autorrelato contribuem para identificação do TDAH em adultos. A Escala de Avaliação de Disfunções Executivas de Barkley (BDEFS) [15] avalia o gerenciamento de tempo; organização e resolução de problemas;autocontrole; motivação e a autorregulação de emoções; correspondentes aos sintomas do modelo Híbrido de Funções Executivas [7]. A Escala de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (ETDAH-AD) [16] auxilia no diagnóstico do TDAH, na medida em que investiga o nível de prejuízo funcional; por meio da desatenção (habilidades atencionais, organização, ritmo de desempenho em tarefas); da impulsividade (déficits no sistema inibitório e baixo autocontrole); dos aspectos emocionais; da autorregulação da atenção/motivação (organização e planejamento); e da hiperatividade. O levantamento teórico das ferramentas utilizadas para diagnóstico/rastreio de sintomas foi desenvolvido para possível aplicação dessas ferramentas em voluntários pesquisa. Em vista dificuldades no acesso à amostra clínica de adultos e crianças previamente diagnosticados, como alternativa, a ASRS-18 [17] foi definida para o rastreio dos sintomas do TDAH nos participantes do experimento-piloto. Assim, o grupo controle e experimental do estudo-piloto foi definido à posteriori. A ASRS-18 possibilita o preenchimento on-line. Desenvolvida por Kessler e colaboradores [18] em conjunto com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Adult Self-Report Scale (ASRS-18) busca investigar a presença dos sintomas nucleares do Transtorno do Déficit de Atenção e/ou Hiperatividade (TDAH) em adultos. A elaboração dos itens foi pautada nos 18 sintomas presentes no DSM-IV-TR (Structured Clinical Interview for DSM-IV-TR), adaptando os itens da entrevista clínica para situações da vida adulta [19]. A escala teve a sua adaptação transcultural para o português elaborada por Mattos e colaboradores [17], permitindo a aplicação do instrumento como uma informação clínica complementar para o diagnóstico na população brasileira. A escala ASRS-18 apresenta 18 itens correspondentes aos sintomas listados no critério A do DSM-IV, [19]. Segundo o critério diagnóstico, a presença de seis ou mais sintomas persistentes por um período de seis meses é indicativo para o diagnóstico de TDAH [19]. A escala é dividida em duas partes (A e B), sendo a parte A constituída de 9 perguntas referentes aos sintomas de desatenção, e a parte B com 9 perguntas referentes a hiperatividade / impulsividade [17]. A ASRS-18 não é capaz de fechar qualquer diagnóstico para o TDAH em adultos, ela é apenas uma escala de rastreio dos sintomas [20]. Somente profissionais psiquiatras e/ou psicólogos que podem realizar o diagnóstico clínico baseado nos critérios diagnósticos do Manual Diagnóstico dos Transtornos Mentais. Quanto a aplicação, os itens dispostos seguidamente deverão ser respondidos pelo próprio participante. Em cada item, a pessoa deve assinalar o número que corresponde como se sentiu e se comportou nos últimos 6 meses. As opções de resposta são atribuídas em uma escala de frequência de 0 a 4 sendo: (0) para “Nunca”, (1) para “Raramente”, (2) para “Algumas vezes”, (3) para “Frequentemente” e (4) para “Muito Frequentemente” [4]. O tempo estimado para o preenchimento da escala é de 5 minutos [17]. A aplicação breve tornou viável a aplicação da escala após a participação dos voluntários na tarefa de leitura. A interpretação e pontuação de corte sugerida para avaliação, os autores consideraram como ponto de corte estabelecido no DSM-IV, seis (ou mais) sintomas de desatenção e/ou Hiperatividade / Impulsividade [19]. Leite [21] elaborou o estudo das propriedades psicométricas da escala para população brasileira, recomendando o uso de 21 pontos como ponto de corte para adultos com sintomas de TDAH. Aliás, é demostrado que a versão brasileira Departamento de Letras da ASRS-18 apresenta boas propriedades psicométricas, considerando-a uma possível ferramenta complementar no diagnóstico de adultos com TDAH na prática clínica [17, 21]. A seguir, encontra-se o anexo a produção realizada correspondente a pesquisa: “A compreensão de estruturas passivas por universitários com sintomas sugestivos de TDAH: Um estudo-piloto”. Método T arefa Experimental: O experimento-piloto fez uso da leitura de pequenos textos em que a última sentença (com papéis temáticos reversíveis) encontra-se na voz passiva ou ativa (baseline). A técnica de leitura automonitorada foi aplicada à última sentença de cada texto, tomando-se como pontos críticos a posição após a 3ª e a 5ª palavra - correspondentes ao verbo principal no particípio e ao nome do agente da passiva, respectivamente, nas sentenças na voz passiva (i). Para textos com sentenças na voz ativa (ii), as mesmas posições foram mantidas, correspondes ao verbo principal (3a palavra) e ao nome do complemento do verbo (5a palavra). i. (...) Cátia foi treinada P3 pela Júlia P5 para a reunião da equipe à tarde. ii. (…) A Júlia treinou P3 a Cátia P5 para a reunião da equipe à tarde. A leitura foi seguida de uma tarefa de compreensão, do tipo julgamento de valor verdade (verdadeiro ou falso), na qual foi introduzida a opção “não sei”. Design Experimental: Constituem as variáveis independentes o tipo de sentença - passivas e ativas/baseline, como variável intersujeitos; e tipo de participante – com e sem sintomas de TDAH, como fator grupal. O tempo de leitura em cada posição crítica foi tomado como variável dependente. Adicionalmente, o número de acertos na tarefa de julgamento em função do tipo de afirmativa (verdadeira/falsa) foi analisado. Participantes: Participaram 38 voluntários brasileiros, estudantes universitários residentes do estado do Rio de Janeiro, 23 mulheres e 12 homens; com idade média de 25,4 anos 2. Os estudantes foram recrutados por meio da divulgação em redes sociais e canais de comunicação da universidade para acessarem ao link do experimento. Estes foram alocados ao grupo experimental (n=16) ou ao grupo controle (n=22) em função do número de sintomas de TDAH apresentados na Adult Self-Report Scale (ASRS-18) [17]. Quanto ao tipo de estrutura, os participantes viram histórias com sentenças experimentais ativas/baseline ou passivas, combinadas com estímulos distratores. A lista de estímulos conduzida por cada participante foi aleatorizada em vista a programação do experimento; foi utilizando a função “rshuffle” para aleatorização das listas por participante e dos estímulos experimentais/distratores em cada exibição. Procedimento e Aparato: O experimento foi conduzido online na plataforma PCIbex [22], utilizada para elaboração e programação de experimentos linguísticos. Os participantes acessaram o link do experimento através de um computador desktop ou laptop, conectado a uma rede de internet. Antes de executar a tarefa de leitura, foi apresentado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e aplicado um questionário sociodemográfico. Após o término da atividade, os participantes preencheram uma escala para rastreio dos sintomas de TDAH. 2 A idade de cinco participantes e o gênero de três voluntários não foram contabilizados por falhas no software utilizado para pesquisa. Departamento de Letras ASRS - 18 (Adult Self-Report Scale): A escala foi aplicada para rastreio dos sintomas de TDAH em adultos e alocação do grupo experimental e controle à posteriori. Os itens da escala são pautados nos 18 sintomas listados no critério A do DSM-IV, sendo subdividida em duas partes: 9 sintomas de desatenção (Parte A) e 9 sintomas de hiperatividade/impulsividade (Parte B). Em cada item, o participante deveria assinalar o número que corresponde a como se sentiu e se comportou nos últimos 6 meses. As opções de resposta são atribuídas em uma escala de frequência de 0 a 4 sendo: (0) para “Nunca”, (1) para “Raramente”, (2) para “Algumas vezes”, (3) para “Frequentemente” e (4) para “Muito Frequentemente”. O ponto de corte é estabelecido segundo o critério A do DSM-IV. Material Experimental: O material consiste de 36 pequenas histórias (4 sentenças e 30palavras em média): 12 histórias com a última sentenças na voz passiva (I); 12 com a última sentença na voz ativa (II) e 12 com a última sentença distratora, dos seguintes tipos: 4 relativas de objeto (III); 4 com ambiguidade pronominal (IV) e 4 com incongruência semântica (V). As mesmas histórias foram utilizadas nas condições ativa e passiva, exceto pela última frase. A tabela 1 ilustra exemplos de histórias do material, contendo a sentença lida palavra por palavra sublinhada: Tabela 1: I. João surfa todos os sábados com seus amigos Ricardo e Bruno, que sempre têm um bom programa para o fim de semana. No último sábado, como estava chovendo, João achou que ficaria em casa. Mas que nada. João foi convidado pelo Ricardo para ir no shopping mais tarde. II. João surfa todos os sábados com seus amigos Ricardo e Bruno, que sempre têm um bom programa para o fim de semana. No último sábado, como estava chovendo, João achou que ficaria em casa. Mas que nada. O Ricardo convidou o João para ir no shopping mais tarde. III. Juliana e Rodrigo sempre viajam durante as festas de fim de ano. Porém, neste ano, os pais de Juliana convidaram ela e Rodrigo para passar a virada junto com eles. Gostaram da ideia, mas Juliana já tinha feito reservas de hotel. Mas tudo foi resolvido! Rodrigo conseguiu cancelar as reservas que Juliana tinha feito. IV. Fátima estava com muita dor de garganta. Ficou muito preocupada e pediu para sua amiga Ana que a levasse ao médico. Infelizmente, Ana não pode ajudar sua amiga, pois tinha uma reunião no trabalho. Que correria! Por conta da pressa, ela teve que pedir um táxi. V. Ivan e Isadora priorizam uma alimentação saudável. Eles nunca deixam faltar frutas e vegetais na sua dieta. Por isso, Isadora até decidiu tentar seguir uma dieta vegetariana por um tempo. Ivan gostou da iniciativa de Isadora e decidiu fazer um churrasco. Considerando a tarefa de julgamento de valor verdade, nas histórias experimentais, metade das proposições para julgamento é verdadeira e metade é falsa. Nas histórias distratoras, as relativas de objeto são sempre verdadeiras; para as com ambiguidade pronominal, a resposta esperada seria “não sei”; e para sentenças incongruentes com a história, a resposta esperada seria falsa ou “não sei”. A ordem de exibição das histórias é aleatorizada por participante. Resultados e discussão do experimento Considerando a presente amostra, 20 estudantes realizaram o experimento com estruturas na voz passiva e 18 viram estruturas na voz ativa, aleatorizados pelo programa utilizado [22]. Quanto ao grupo, 16 participantes obtiveram quantitativo de sintomas sugestivos de TDAH na ASRS - 18 (grupo experimental) e 22 foram alocados no grupo controle. Por fim, participaram Departamento de Letras da pesquisa: TDAH passiva (n=10); Controle passiva (n=9); TDAH ativa/baseline (n=6); Controle ativa/baseline (n=11). Os tempos de leitura foram submetidos ao teste t-student não pareado utilizando o pacote estatístico do software do Microsoft Excel. Dois participantes foram desconsiderados das análises por apresentarem tempos médios de leitura >1000 ms. Foram analisados os resultados de 36 participantes. Quanto ao efeito de tipo de estrutura, o teste funcionou conforme o previsto com maior tempo na leitura de passivas, particularmente na posição 5 (t(34) = 2.28, p = 0.01); na posição 3 (t(34) = 1.57, p = 0.06), a diferença entre as médias não foi estatisticamente significativa. Quanto ao efeito de tipo de participante (com e sem sintomas de TDAH), não houve diferença significativa no tempo médio de leitura nos dois tipos de estruturas, na voz passiva (t(17) = 0.18, p = 0.57), e nas estruturas na voz ativa (t(15) = 1.17, p = 0.87). Na tarefa de julgamento também não houve diferença nos percentuais de acertos dos dois grupos: 90.83% (n=10) de acertos na condição voz passivas no grupo TDHA e 93,52% (n=9) no grupo controle. O julgamento de proposições falsas em sentenças passivas e ativas parece gerar maior demanda para ambos os grupos (96,19% de acertos em proposições verdadeiras e 89,52% em proposições falsas). A partir dos resultados, não há evidências de uma maior dificuldade no processamento de sentenças passivas por universitários com sintomas sugestivos de TDAH. Entretanto, a utilização de uma única escala de autorrelato para rastreio dos sintomas pode ter sido ineficaz como critério de inclusão no grupo experimental. Os resultados preliminares ainda são precários por conta do pequeno número de participantes do grupo controle na condição passivas (n=9) e no grupo TDAH na condição ativas (n=6). Ademais, o gênero narrativo dos textos pode ter facilitado a leitura. Além do aumento da presente amostra, como desdobramento deste estudo, pretende-se aumentar a complexidade de textos, com gênero expositivo. Conclusão e tarefas realizadas O experimento-piloto encontra-se em fase de coleta de dados. Os dados preliminares e descritivos iniciais foram apresentados na forma de seminário interno. Busca-se, em próximas etapas do projeto, investigar a correlação do desempenho em tarefas de funções executivas com tarefas de compreensão linguística com indivíduos com e sem sintomas, e ainda, a compreensão de estruturas relativas e passivas em crianças e adultos com e sem sintomas de TDAH. A colaboração no projeto constou com a participação em diversas atividades relacionadas a tarefa de pesquisa, dentre essas realizadas no período de 2021-2022, cita-se: - Revisão teórica das ferramentas de avaliação do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade; e (b) dos instrumentos e escalas para avaliação neuropsicológica do TDAH na idade Adulta. - Elaboração do material linguístico (pequenas narrativas) utilizado no experimento on- line de leitura automonitorada. - Participação em seminários internos para (a) apresentação do estudo; (b) e aprendiza- gem sobre o uso da plataforma PCIbex para execução de experimentos psicolinguísticos on-line; - Participação em seminários internos sobre teorias e análises estatísticas utilizadas na pesquisa psicolinguística – como uso dos Modelos Bayesianos e Modelos Lineares Mis- tos; e uso do RStudio para análise de dados; - Elaboração do estudo-piloto com universitários: (a) programação do experimento de leitura automonitorada online no PCIbex; (b) recrutamento dos universitários para Departamento de Letras execução do experimento de forma remota – via redes sociais e canais de comunicação da universidade; (c) Limpeza dos dados coletados utilizando o software RStudio e aná- lise estatística de dados. 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