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Sumário
Repertórios Universais 11
Educação 19
Saúde 31
Segurança 45
Meio Ambiente e Sustentabilidade 53
Ciência e Tecnologia 63
Economia 75
Juventude, Infância e Terceira Idade 79
Minorias Sociais e Étnicas 87
Desigualdade Social 97
Temas Subjetivos 101
Redação Pop 107
�e Umbrella Academy 2019 107
Coisa Mais Linda 2019 110
Game of �rones 2011 114
Pretty Little Liars 2010 120
 6
Vingadores: Ultimato 2019 126
thank u, next 2019 130
�e Society 2019 135
Black Mirror 2011 139
Lemonade 2016 144
La Casa de Papel 2017 147
Olhos que Condenam 2019 150
13 Reasons Why 2017 153
Elite 2018 158
Coringa 2019 161
Parasita 2019 164
Sex Education 2019 168
Anne With An E 2017 172
Grey's Anatomy 2005 176
O Poço 2019 179
�e Handmaid's Tale 2017 182
O Ódio que Você Semeia 2018 187
Dark 2017 189
Harry Potter 2001 192
Jogos Vorazes 2012 195
 7
�e Boys 2019 198
Crepúsculo 2008 200
Star Wars 1977 203
Meninas Malvadas 2003 205
O Gambito da Rainha 2020 208
Divergente 2014 210
Maze Runner 2014 212
Round 6 2021 214
You (Você) 2018 217
Sintonia 2019 221
Não Olhe para Cima 2021 224
Homem-Aranha 2002 226
Euphoria 2019 229
Heartstopper 2022 232
Stranger �ings 2016 234
Bridgerton 2020 237
 8
 9
Oi,
Desde o início da minha jornada como vestibulando, eu sempre fui 
apaixonado pelo uso de repertórios na redação. 
É incrível como você tem a liberdade para usar e relacionar produ-
tos culturais que, à primeira vista, parecem tão opostos: em um texto, 
�omas Malthus e Vingadores se encontram; em outro, Indústria Cul-
tural e Jogos Vorazes; outro, Racionais MC's e Round 6. Não tem coisa 
mais impressionante do que ver o domínio de mundo de cada pessoa e 
os artefatos usados para construir um texto mais persuasivo. 
Foi um prazer imenso escrever esse Livro de Repertórios. Ele é resultado 
de anos de trabalho estudando redação, produzindo conteúdo na inter-
net e escrevendo análises de séries, �lmes, e músicas para as redes. Na 
primeira metade, você vai encontrar exemplos de repertórios separados 
por tipo e por eixo temático. Em seguida, você encontrará a seção Re-
dação Pop: análises detalhadas de produções da cultura pop para você 
maratonar e usar na sua redação.
O conteúdo é denso, mas a minha expectativa é de que você utilize o 
livro aos poucos: lendo as indicações de repertório para o tema da sua 
próxima redação ou, talvez, estudando a análise de um �lme depois de 
apagar a TV. Pesquise e vá além das descrições que eu coloquei aqui. 
Eu tenho certeza de que vai ser um processo enriquecedor.
Espero que este livro seja útil para a sua jornada. Mas principalmente, 
que você se apaixone pela magia do repertório assim como eu. :)
Bons estudos!
Lucas Felpi
 10
Repertórios Universais 11
II..
Repertórios UniversaisRepertórios Universais
Repertórios ‘coringa’ para encaixar em qualquer tema. Para aqueles 
momentos em que você não consegue pensar em nada.
LITERATURA
“O Cidadão de Papel”
Gilberto Dimenstein, 1993
Em seu livro, Dimenstein argumenta que a legislação brasileira não é 
e�caz. Ele diz que, embora aparente ser completa na teoria, muitas vezes 
ela não é concretizada na prática, deixando os direitos do cidadão apenas 
“no papel”. O livro é uma ótima referência caso sua análise envolva con-
trapôr um direito supostamente assegurado na legislação, mas que não se 
vê garantido na realidade.
Exemplo: Democratização do acesso ao cinema no Brasil (Enem 
2019)
“Em sua obra “Cidadãos de Papel”, o célebre escritor Gilber-
to Dimestein disserta acerca da inefetividade dos direitos consti-
tucionais, sobretudo, no que se refere à desigualdade de acesso aos 
benefícios normativos. Diante disso, a conjuntura dessa análise con-
�gura-se no Brasil atual, haja vista que o acesso ao cinema, no país, 
ainda não é democrático. Essa realidade se deve, essencialmente, à 
falta de subsídios para infraestrutura nas regiões periféricas e à ur-
banização desordenada das urbes.”
- Redação nota mil de Vitória Castro, retirada de “Cartilha Redação a Mil 
2.0”
Repertórios Universais12
“O Cidadão de Papel”, do autor Gilberto Dimestein, é uma das obras mais 
populares entre estudantes como repertório sociocultural.
Repertórios Universais 13
“Raízes do Brasil”
Sérgio Buarque de Holanda, 1936
Sérgio Buarque de Holanda tenta explicar a formação da sociedade bra-
sileira ao apresentar o conceito do “homem cordial”. Este seria o brasile-
iro: um ser que prioriza a emotividade excessiva à razão, agindo com o 
coração - tanto para bem quanto para o mal. O resultado, segundo 
Buarque, seria a criação de problemas que persistem até hoje, como a 
corrupção e o "jeitinho brasileiro".
Exemplo: O estigma associado às doenças mentais na sociedade 
brasileira (Enem 2020)
“Ademais, a mentalidade social preconceituosa existente no ter-
ritório nacional di�culta a superação dos estigmas no que tange as 
disfunções mentais. Nesse cenário, o sociólogo Sérgio Buarque de 
Holanda, em sua obra "O Homem Cordial", expõe o egoísmo pre-
sente na sociedade brasileira — que tende a priorizar ideais particu-
lares em detrimento do bem estar coletivo. Desse modo, observa-se 
que as doenças mentais são frequentemente associadas à incapaci-
dade ou fraqueza por destoarem do ideal inalcançável de perfeição 
cultivado no ideário nacional, o que faz com que muitos cidadãos 
sejam alvo de preconceito e exclusão, fatos que demonstram o egoís-
mo ainda presente na mentalidade brasileira.”
- Redação nota mil de Isabella Bernardes, retirada de “Cartilha Redação a 
Mil 3.0”
“Ensaio sobre a Cegueira”
José Saramago, 1995
O livro conta a história de um país que é tomado por uma epidemia 
chamada “cegueira branca”. Os infectados deixam de enxergar tudo, so-
mente um véu branco, leitoso. O livro não trata apenas da cegueira física, 
Repertórios Universais14
mas traça uma ácida crítica à sociedade quanto à cegueira moral: o egoís-
mo, medo, covardia, imparcialidade. Vivemos em uma sociedade em 
que nos cegamos para os problemas, que são aceitos passivamente.
Exemplo: Manipulação do comportamento do usuário pelo con-
trole de dados na internet (Enem 2018)
"Outrossim, questões sociais estão intimamente ligadas ao con-
trole de informações na internet. Nesse âmbito, a cegueira moral, 
fenômeno exposto por José Saramago em sua obra ”Ensaio sobre 
Cegueira“, caracteriza a alienação da sociedade frente às demais re-
alidades sociais, a qual é fomentada pela restrição do pleno acesso à 
informação pelos meios de comunicação. Dessa feita, as redes soci-
ais propiciou a formação de “bolhas sociais“, de modo a manipular 
o comportamento do indivíduo, além de restringir sua ideia acerca 
da conjuntura vivida."
- Redação nota mil de Iohana Freitas, retirada de “Cartilha Redação a Mil”
LEGISLAÇÃO
Constituição do Brasil de 1988
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer nature-
za, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes a inviolab-
ilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à proprie-
dade.
Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH)
Art. 1º Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e 
direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns 
aos outros com espírito de fraternidade.
Repertórios Universais 15
MÚSICA
“Diário de um Detento”
Racionais MC's, 1997
“O ser humano é descartável no Brasil”
“Favela”
Arlindo Cruz, 2009
“Nem toda a maldade humana está em quem porta um fuzil. Tem gente 
de terno e gravata matando o Brasil”
“Somos quem podemos ser"
Engenheiros do Hawaii, 1988
“Quem ocupa o trono tem culpa. Quem oculta o crime também. Quem 
duvida da vida tem culpa. Quem evita a dúvida também tem”
 Como usar música na redação?
A música é um ótimo recurso para ser usado como repertório so-
ciocultural! Poucas pessoas utilizam, o que faz com que o seu tex-
to �que com maior criatividade e autoria, masÉ qualquer nota, qualquer 
notícia 
Páginas em branco, fotos colori-
“O que distingue uma época 
econômica de outra, é menos 
o que se produziu do que a 
forma de o produzir.”
- Karl Marx, �lósofo alemão
“A primeira lição da economia é a 
escassez: nunca há o bastante de algo 
para satisfazer todos aqueles que o 
querem. A primeira lição da política é 
ignorar a primeira lição da economia.”
- �omas Sowell, economista e �lósofo 
político estadunidense
FILMES, DOCUMENTÁRIOS E SÉRIES
“Round 6”
2021
A produção coreana da Net�ix retrata centenas de pessoas endividadas 
que entram em um jogo mortal para competir por um prêmio milionário 
- prontas para arriscarem suas vidas. As personagens possuem uma car-
acterística em comum: todas estão desesperadas por dinheiro. A série 
mostra a falta de preparo da população ao administrar suas �nanças.
 Leia a análise completa de “Round 6” na página 214.
Economia 77
CITAÇÕES
“Até que a Sorte nos Separe”
2012
O �lme retrata de forma cômica o descuido que muitos brasileiros pos-
suem com o dinheiro. O longa segue a história de Tino, um homem co-
mum que, do dia para a noite, se torna e milionário após ganhar na lote-
ria. Ao longo da trama, �ca evidente o despreparo e a falta de habilidade 
de Tino em lidar com o dinheiro de forma consciente, ao gastá-lo com-
pletamente em pouco tempo. A saga retrata a realidade de muitos bra-
sileiros que enfrentam desa�os na administração de suas economias e 
ressalta a necessidade da educação �nanceira.
Economia78
Juventude, Infância e Terceira Idade 79
• Os direitos das crianças e dos adolescentes no Brasil
• Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
• O consumo de álcool entre jovens no Brasil
• O crescente uso de drogas por jovens
• Os desa�os da adoção de crianças
• O desaparecimento de jovens e crianças
• Altos índices de depressão e ansiedade em fase de infância e 
juventude
• O trabalho infantil na realidade brasileira
• Situação dos idosos no Brasil e no mundo
• O descaso e abandono de idosos na sociedade contemporânea
• Letramento digital da terceira idade
• Valorização do idoso
• A relevância de uma infância saudável na formação do indivíduo
• Vulnerabilidade infantil no Brasil
• Desa�os para a promoção da leitura na infância
• Os efeitos do distanciamento na infância da pandemia de 
COVID-19
• Os desa�os da sexualidade na adolescência
• Crianças em situação de rua e soluções para o problema
VIIIVIII..
Juventude, Infância e Juventude, Infância e 
Terceira IdadeTerceira Idade
Repertórios para temas dentro do eixo Juventude, Infância e Terceira 
Idade, como:
Leia a análise completa 
de “Harry Potter” na 
página 192.
Juventude, Infância e Terceira Idade80
LITERATURA
“Harry Potter”
J.K. Rowling, 1998-2007
A saga bruxa retrata a infância 
conturbada do menino Harry, 
órfão, que vive em um ambiente 
familiar abusivo com seus tios. 
Fora do universo literário, um es- 
tudo da Revista de Psicologia So-
cial Aplicada em 2014 concluiu 
que a leitura de Harry Potter 
estimula a tolerância, pela qual 
crianças desenvolveram maior 
empatia a grupos marginalizados 
na vida real, como LGBTs, imi-
grantes e refugiados.
“Memórias de um Sargento de 
Milícias”
Manuel Antônio de Almeida, 1853
O romance retrata a vida no Rio 
de Janeiro em pleno século XIX. 
Leonardo (protagonista do livro) 
é um jovem abandonado pela 
mãe, a qual decidiu ir embora 
para Portugal, e pelo pai, um o�-
cial de justiça que não tem consid-
eração pelo menino. Leonardo é 
acolhido por um barbeiro, mas 
carrega traumas em sua infância 
devido à ausência de sua família no 
seu processo de formação. Leonar- 
do cresce como uma criança rebel-
de e que causa diversos problemas 
na história.
LEGISLAÇÃO
Constituição do Brasil de 1988
Art. 277º É dever da família, da 
sociedade e do Estado assegurar à 
criança, ao adolescente e ao jovem, 
com absoluta prioridade, o direito 
Juventude, Infância e Terceira Idade 81
à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à pro�ssionalização, 
à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e 
comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, 
discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.
Art. 230º A família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as 
pessoas idosas, assegurando sua partici- pação na comunidade, defend-
endo sua dignidade e bem-estar e garantindo-lhes o direito à vida.
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, 8069/1990)
Art. 1º Esta Lei dispõe sobre a proteção integral à criança e ao adolescen-
te.
Estatuto do Idoso (10741/2003)
Art. 1º É instituído o Estatuto do Idoso, destinado a regular os direitos 
assegurados às pessoas com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos.
MÚSICA
“Não é Sério”
Charlie Brown Jr, 2000
“Eu vejo na TV o que eles falam sobre o jovem não é sério 
O jovem no Brasil nunca é levado a sério”
Abordagem temática: direitos das crianças e adolescentes.
“Terra de gigantes”
Engenheiros do Hawaii, 1987
“Nessa terra de gigantes 
Que trocam vidas por diamantes 
A juventude é uma banda 
Numa propaganda de refrigerantes”
Juventude, Infância e Terceira Idade82
Abordagem temática: desvalorização dos jovens.
DADOS ESTATÍSTICOS
1. De acordo com o Cenário da Infância e Adolescência no Brasil 2023:
i. O Brasil tem 68,6 milhões de crianças e adolescentes entre zero 
e 19 anos de idade, o que representa 33% da população total do 
país.
ii. 10,6 milhões de crianças e adolescentes vivendo com renda dom-
iciliar mensal per capita de até um quarto de salário-mínimo.
iii. 1,7 milhão de crianças estão em situação de trabalho infantil, 
correspondendo a 4,6% da população nesta faixa etária.
4. Dados do Instituto Brasileiro de Geogra�a e Estatística (IBGE) de 
2022 apontam que o número de idosos no Brasil é de 32,1 milhões.
5. Pelas estimativas do mesmo instituto, a expectativa é de que o núme-
ro de pessoas com 65 anos ou mais praticamente triplique, chegando 
a 58,2 milhões em 2060 – o equivalente a 25,5% da população.
FILOSOFIA
Socialização
Émile Durkheim, sociólogo francês
A socialização de Durkheim é o processo educativo pelo qual as pessoas 
que nascem em sociedade são submetidas durante a infância e adolescên-
cia para encaixar-se dentro do grupo social. Através dele, aprende-se as 
normas e valores coercitivos, e interferências nesse processo ou a falta 
dele podem gerar a marginalização ou até violentação do indivíduo em 
sociedade.
“Toda criança é um artista. 
O problema é como manter-se 
artista depois de crescido.”
- Pablo Picasso, pintor e 
escultor espanhol
FILMES, DOCUMENTÁRIOS E SÉRIES
“Crianças Invisíveis”
2005
O documentário “Crianças Invisíveis” conta com sete curta-metragens 
Juventude, Infância e Terceira Idade 83
“A in�uência dos pais governa a 
criança, concedendo-lhe provas 
de amor e ameaçando com castigos, 
os quais, para a criança, são sinais 
de perda do amor e se farão temer 
por essa mesma causa.”
- Sigmund Freud, considerado 
pai da psicanálise
“Todas as pessoas grandes foram 
um dia crianças. Mas poucas se 
lembram disso.”
- Antoine Saint Exupery, escritor 
francês, em “O Pequeno Príncipe”
CITAÇÕES
Leia a análise completa 
de “Anne With An E” 
na página 172.
Leia a análise completa 
de “Euphoria” na pági-
na 229.
Juventude, Infância e Terceira Idade84
produzidos em países diferentes 
com uma mesma realidade em vis-
ta: a violação dos direitos das cri-
anças e o desrespeito à infância. 
São retratados casos ao redor do 
mundo, incluindo no Brasil, nos 
quais jovens são submetridos a 
situações de pobreza, violência, 
trabalho, trá�co de drogas e evasão 
escolar, sem qualquer ajuda de 
seus pais.
“Anne With An E”
2017
A série tem como ponto de partida 
a adoção da garota Anne Shirley 
pelos Cuthbert, embora eles es-
tivessem à espera de um menino 
para ajudar na lavoura. A revelação 
do gênero não é bem recebida pela 
família, devido à idealização prévia 
de um per�lpelos futuros pais ad-
otivos. Este é um problema muito 
comum e grave na adoção, que 
acaba por privilegiar um per�l es-
pecí�co de crianças, normalmente 
jovens e brancas, em detrimento 
das demais.
“Euphoria”
2019
O enredo de “Euphoria” conta a 
história de Rue, desde o seu nasci-
mento até sua adolescência. No 
Ensino Médio, ela passa por uma 
fase de transformação de identi-
dade e é visto como a personagem 
controla suas crises de hiperativi-
dade através de drogas ilícitas e de 
remédios que estimulam o cérebro 
a um estado de êxtase. No decor-
rer da trama, ela precisa frequen-
tar centros de reabilitação e apoio 
para manter-se distante do seu 
vício e retornar a uma vida “lim-
pa”.
“Grace and Frankie”
2015
Em “Grace and Frankie”, duas 
senhoras recém-divorciadas apo-
sentadas ingressam no mercado de 
trabalho como empresárias no 
ramo de sex shop, quebrando par-
adigmas e tabus sociais. A série 
mostra outro lado da terceira 
Leia a análise completa 
de “Crepúsculo” na pá-
gina 200.
Juventude, Infância e Terceira Idade 85
idade que não estamos acostu-
mados a ver, além de discutir so-
bre as necessidades especí�cas 
dessa faixa etária. 
“Crepúsculo”
2008
A saga infanto-juvenil de vampi-
ros e lobisomens, embora muito 
distante da realidade, pode ser 
associada a diversos temas sociais 
relacionados à adolescência e à 
puberdade. Acontecem episódios 
de abuso sexual, gravidez na ado-
lescência e são retratadas as insegu-
ranças da primeira interação sexual 
para garotas.
“Homem-Aranha”
2002
Juventude, Infância e Terceira Idade86
No universo das histórias em quadrinhos, Peter Parker é um adolescente 
que vive uma vida não muito ordinária junto aos seus tios Mary e Ben, já 
idosos, que cumprem uma função importante na sua formação. Aposen-
tado e com di�culdades de mobilidade, tio Ben é morto durante um as-
salto armado, enquanto Mary se torna vítima dos vilões do famoso 
Homem-Aranha. A trama pode ser relacionada à necessidade de pro- 
gramas governamentais para assegurar a segurança e bem-estar na tercei-
ra idade.
“�e Society”
2019
Quando sobram apenas os adoles-
centes na Terra, o que acontece? Essa é 
a proposta da série “�e Society”, e a 
resposta é: caos. Roubos de lojas, vi-
olência, festas, e irresponsabilidade. 
Os jovens tentam construir uma so-
ciedade para controlar a anomia, mas 
acabam por causar mais con�itos e 
resultar em mortes. Com o repentino 
isolamento dos adolescentes, são en-
fatizados os dilemas característicos 
dessa fase da vida: os jovens se vêem 
perdidos, e necessitam de seus pais no 
momento de maior vulnerabilidade.
 Leia a análise completa de “Homem-Aranha” na página 226.
 Leia a análise completa de “�e Society” na página 135.
Minorias Sociais e Étnicas 87
• Desa�os para a inclusão dos refugiados na sociedade brasileira
• Intolerância e discurso de ódio contra minorias
• Marginalização das pessoas em situação de rua no Brasil
• Garantia da inclusão e da acessibilidade de cegos no cotidiano bra-
sileiro
• Caminhos para combater a violência e o preconceito contra LGBTs
• Transfobia em debate no Brasil
• Racismo estrutural no Brasil
• Violência policial contra negros no Brasil e no mundo
• Violência contra a mulher e abuso sexual
• A persistência do feminicídio
• Diferenças salariais entre homens e mulheres no Brasil
• A inclusão de pessoas portadoras de de�ciências nos espaços 
públicos
• Preconceito de classe social e a desigualdade socio-econômica no 
Brasil
• A questão da gordofobia no Brasil
• A questão da xenofobia no Brasil
• A violência contra indígenas na sociedade brasileira
• A inclusão dos surdos na sociedade brasileira
• Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil
IXIX..
Minorias Sociais e ÉtnicasMinorias Sociais e Étnicas
Repertórios para temas dentro do eixo Minorias Sociais e Étnicas, 
como:
Minorias Sociais e Étnicas88
LITERATURA
“O Senhor das Moscas”
William Golding, 1954
O livro foi escrito em 1954 e con-
ta a história de um grupo de garo-
tos de uma escola militar que sof-
rem um acidente de avião e caem 
numa ilha deserta. Lá eles precis-
am criar um sistema de convivên-
cia, leis e, inicialmente, uma ten-
tativa de ambiente democrático. 
No entanto, entre os garotos 
ocorre a prática do bullying, que 
recai sobre o personagem 
“Porquinho”, apelidado dessa 
maneira por ser considerado gor-
do, usar óculos e ter di�culdades 
em respirar por conta de sua asma. 
Porquinho sofre inúmeras ofen-
sas durante a obra, não sendo 
tratado da mesma maneira dos 
demais garotos.
“Sermão de Santo Antônio aos 
Peixes”
Padre Antônio Vieira, 1654
O Sermão, escrito em 1654, é 
construído por meio da alegoria: 
discurso voltado aos peixes, mas 
que na verdade é para os homens. 
Vieira critica duas características 
do ser humano: corrupção e am-
bição. A metáfora feita por ele con-
siste em apontar a questão de os 
peixes devorarem uns aos outros, 
indicando que o problema é ainda 
maior pelo fato dos grandes se ali-
mentarem dos pequenos. Dessa 
forma, o autor metaforiza as ati-
tudes de exploração dos mais ricos 
e poderosos sobre os mais pobres e 
oprimidos. O objetivo de Vieira 
era condenar a escravidão indíge-
na pelos europeus.
“Um Teto Todo Seu”
Virgínia Wolf, 1929
O livro é um compilado das pal-
estras feitas por Virgínia Wolf na 
década de 20. A autora traz re�ex-
ões acerca das condições sociais da 
mulher na sociedade e como isso 
impacta nos espaços destinados a 
ela, mostrando o quanto a mulher 
não tem liberdade para trabalhar 
com o que quiser e nem escrever e 
falar o que pensa. No livro, po-
demos ver a “Alegoria do espelho”, 
em que a autora explica que as 
mulheres são vistas como espe- 
lhos pelos homens, re�etindo sua 
imagem engrandecida e, dessa for-
ma, sendo diminuídas.
Minorias Sociais e Étnicas 89
MÚSICA
“A Vida É Desa�o”
Racionais MC's, 2002
“Pesadelo é um elogio 
Pra quem vive na guerra, a paz 
nunca existiu 
Num clima quente, a minha 
gente sua frio 
Vi um pretinho, seu caderno era 
um fuzil”
Abordagem temática: evasão escolar.
“Negro drama”
Racionais MC's, 2002
“Desde o início por ouro e prata 
Olha quem morre, então veja 
você quem mata 
Recebe o mérito, a farda que 
pratica o mal 
Me ver pobre, preso ou morto já 
é cultural”
Abordagem temática: exploração de 
minorias, racismo.
“Cálice”
Chico Buarque, 1978
“Pai, afasta de mim esse cálice 
De vinho tinto de sangue [...] 
Como beber dessa bebida 
amarga? 
Tragar a dor, engolir a labuta? 
Mesmo calada a boca, resta o 
peito 
Silêncio na cidade não se escuta 
De que me vale ser �lho da santa? 
Melhor seria ser �lho da outra 
Outra realidade menos morta 
Tanta mentira, tanta força bruta 
[...] 
De vinho tinto de sangue 
Como é difícil acordar calado 
Se na calada da noite eu me dano 
Quero lançar um grito desumano 
Que é uma maneira de ser escuta-
do 
Esse silêncio todo me atordoa 
Atordoado eu permaneço atento-
Na arquibancada pra a qualquer 
momento 
Ver emergir o monstro da lagoa 
[...] 
De muito gorda a porca já não 
anda 
De muito usada a faca já não corta 
Como é difícil, pai, abrir a porta 
Essa palavra presa na garganta 
Esse pileque homérico no mundo 
De que adianta ter boa vontade? 
Mesmo calado o peito, resta a 
cuca 
Dos bêbados do centro da cidade 
[...] 
Talvez o mundo não seja pequeno 
Nem seja a vida um fato con-
Minorias Sociais e Étnicas90
sumado 
Quero inventar o meu próprio 
pecado 
Quero morrer do meu próprio 
veneno 
Quero perder de vez tua cabeça 
Minha cabeça perder teu juízo 
Quero cheirar fumaça de óleo 
diesel 
Me embriagar até que alguém me 
esqueça”
Abordagem temática: música escrita 
durante a ditadura militar para mostrar 
a repressão sofrida pela população.
“Índios”
Legião Urbana, 1986
“Quem me dera ao menos uma 
vez 
Ter de volta todo o ouro que 
entreguei a quem 
Conseguiu me convencer que era 
prova de amizade 
Se alguém levasse embora até o 
que eu não tinha [...] 
Quem me dera ao menos uma 
vez 
Esquecer que acreditei que era 
por brincadeiraQue se cortava sempre um pano 
de chão 
De linho nobre e pura seda [...] 
Quem me dera ao menos uma vez 
Explicar o que ninguém consegue 
entender 
Que o que aconteceu ainda está 
por vir 
E o futuro não é mais como era 
antigamente [...] 
Quem me dera ao menos uma vez 
Provar que quem tem mais do que 
precisa ter 
Quase sempre se convence que 
não tem o bastante 
Fala demais por não ter nada a 
dizer [...] 
Quem me dera ao menos uma vez 
Que o mais simples fosse visto 
como o mais importante 
Mas nos deram espelhos 
E vimos um mundo doente [...] 
Quem me dera ao menos uma vez 
Entender como um só Deus ao 
mesmo tempo é três 
E esse mesmo Deus foi morto por 
vocês 
É só maldade então, deixar um 
Deus tão triste [...] 
Quem me dera ao menos uma vez 
Acreditar por um instante em 
tudo que existe 
Acreditar que o mundo é perfeito 
E que todas as pessoas são felizes 
[...] 
Quem me dera ao menos uma vez 
Minorias Sociais e Étnicas 91
Fazer com que o mundo saiba 
que seu nome 
Está em tudo e mesmo assim 
Ninguém lhe diz ao menos 
obrigado [...] 
Quem me dera ao menos uma 
vez 
Como a mais bela tribo 
Dos mais belos índios 
Não ser atacado por ser inocente 
[...] 
Nos deram espelhos e vimos um 
mundo doente 
Tentei chorar e não consegui”
Abordagem temática: exploração dos 
indígenas.
“Toda forma de poder”
Engenheiros do Hawaii, 1986
“Toda forma de poder é uma 
forma de morrer por nada 
Toda forma de conduta se 
transforma numa luta armada 
A história se repete 
Mas a força deixa a história mal 
contada”
Abordagem temática: autoritarismo, 
abuso de poder.
“É Proibido Proibir”
Caetano Veloso, 1968
“[...] E eu digo não 
E eu digo não ao não Eu digo 
É! Proibido proibir [...]”
Caetano Veloso compôs a música “É 
Proibido Proibir” durante o grande 
movimento de Maio de 68, em que as 
ruas, inicialmente de Paris e posterior-
mente de outras nações, foram tomadas 
pelos jovens que lutavam contra os 
regimes políticos da época. Nesta 
música, Caetano utiliza a frase pichada 
em um muro de Paris “é proibido 
proibir” para manifestar-se contra a 
ditadura no Brasil.
Abordagem temática: autoritarismo, 
abuso de poder.
DADOS ESTATÍSTICOS
1. De acordo com o segundo 
pesquisa do Instituto Datafol-
ha em 2021:
i. Uma em cada quatro mul-
heres acima de 16 anos a�r-
ma ter sofrido algum tipo 
de violência no ano de 
2020 no Brasil, durante a 
pandemia de Covid.
ii. 37,9% das brasileiras sof-
reram algum tipo de assé-
dio sexual durante 2020.
iii. Dentre as formas de violên-
cia sofrida, 18,6% respon-
Minorias Sociais e Étnicas92
deram que foram ofendidas verbalmente, 6,3% sofreram tapas, 
chutes ou empurrões, 5,4% passaram por algum tipo de ofensa 
sexual ou tentativa forçada de relação, 3,1% foram ameaçadas 
com faca ou arma de fogo e 2,4% foram espancadas.
2. Segundo a Pesquisa PoderData 2021, 81% dos brasileiros vem racis-
mo no país, mas só 34% admitem preconceito contra negros.
3. Segundo dados do Grupo Gay da Bahia (GGB) de 2019, o Brasil 
registrava uma morte por homofobia a cada 23 horas.
4. Conforme a Pesquisa Nacional de Saúde, 60,3% dos brasileiros com 
18 anos ou mais - o que correspondia a 96 milhões de pessoas - es-
tavam acima do peso em 2019. Já uma pesquisa realizada em 2017 
pela Skol Diálogos mostrou que 92% dos brasileiros admitiram sof-
rer com gordofobia no convívio social.
5. De acordo com a Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o número de 
pessoas em situação de rua no Brasil cresceu 140% entre 2012 e 
março de 2020, chegando a quase 222 mil pessoas.
6. Segundo o Atlas da Violência 2021, a taxa de mortes violentas de 
indígenas aumentou 21,6%, saindo de 15 por 100 mil indígenas, em 
2009, para 18,3, em 2019.
FILOSOFIA
Equidade vs. Igualdade
Florestan Fernandes, sociólogo brasileiro
Como se sabe, igualdade representa o estado de tratamento de todos 
como iguais e a garantia dos mesmos recursos a todos sem distinção. 
Porém, é importante conhecer o conceito de equidade por Fernandes, 
que compreende que é preciso tratar sim os desiguais como desiguais 
para provê-los de suas carências e atingir a igualdade. Um exemplo de 
ação de equidade são as cotas sociais e raciais de universidades.
“A gente luta por uma socie-
dade em que as mulheres pos-
sam ser consideradas pessoas.”
- Djamila Ribeiro, �lósofa e 
jornalista brasileira
“Devemos tratar igualmente os 
iguais e desigualmente os desiguais, 
na medida de sua desigualdade.”
- Aristóteles, �lósofo da Grécia Antiga
“O negro só é livre quando morre.”
- Carolina de Jesus, uma das primei-
ras escritoras negras do Brasil
“Ninguém nasce odiando outra pes-
soa por sua cor da pele, sua origem ou 
religião. As pessoas podem aprender 
a odiar e pode-se ensiná-las a amar. 
O amor chega mais naturalmente ao 
coração humano que o contrário.”
- Martin Luther King Jr, ativista 
político estadunidense
Minorias Sociais e Étnicas 93
CITAÇÕES
Leia a análise completa de "O Ódio que Você Semeia" na 
página 187.
Minorias Sociais e Étnicas94
HISTÓRIA
Peste Negra/Peste Bubônica
Europa, Ásia e África, século XIV
Durante a pandemia da peste negra, a população da Europa acusou os 
povos judeus de serem os responsáveis pela proliferação da doença no 
território. Tal acusação partia do fato dos judeus serem famosos por suas 
migrações pelo mundo, o que, segundo a população da época, teria sido 
o motivo da doença entrar no continente. Dessa forma, houve perse-
guição a esses povos e milhares de judeus foram assassinados durante o 
período da doença.
FILMES, DOCUMENTÁRIOS E SÉRIES
“O Ódio Que Você Semeia”
2018
Baseado no livro homônimo, o longa acompanha Starr Carter, uma ad-
olescente negra de 16 anos que presencia o assassinato de seu melhor 
amigo, Khalil, que estava desarmado, por um policial branco. A impuni-
dade do funcionário público e o racismo velado que a garota evidencia 
em sua escola e nos arredores a dá coragem para se manifestar e lutar por 
justiça. Uma história �ccional, mas que poderia muito bem ser real.
“Parasita”
2019
O �lme acompanha a família Kim, composta por um casal de desempre-
gados e dois �lhos que vivem em um apertado imóvel semi-subterrâneo. 
 Leia a análise completa de “Parasita” na página 164.
 Leia a análise completa de “O Conto da Aia” na página 182.
Minorias Sociais e Étnicas 95
Em uma zona perigosa e marginalizada da cidade, eles trabalham do-
brando caixas de pizza para sustentar suas necessidades básicas. Ao longo 
da narrativa, a família anseia por conquistar uma condição de vida mel-
hor e secretamente se in�ltram na casa de outra família rica. O choque 
entre classes revela o abismo que as divide e o preconceito velado da 
classe opressora. O �lme venceu Melhor Filme no Oscar 2020.
“O Conto da Aia”
2017
No futuro distópico de “�e Handmaid’s Tale”, as mulheres servem pa-
péis sociais divididos em castas: Esposas, Marthas, Aias, ou Não Mul-
heres. Todas as mulheres são submissas aos seus maridos, Comandantes 
e ao Estado e são privadas de ler, escrever, ou ter acesso a qualquer produ-
to cultural. Os abusos e estupros são institucionalizados e considerados 
“Cerimônias”. A série assusta o espectador pela proximidade dos discur-
sos dos governantes com a de pessoas atuais.
“Olhos que Condenam”
2019
Baseada em fatos reais, essa minisérie trata do famoso caso dos “Cinco do 
Central Park”: cinco garotos negros acusados de um estupro brutal e 
tentativa de homicídio em Nova Iorque. A polícia os encontra nos arre-
dores e decide contorcer os depoimentos dos menores, voltando-os uns 
aos outros, a�m de fabricar evidências. O racismo institucional exposto 
na produção é infelizmente realidade ainda hoje, e os cinco garotos, hoje 
adultos, continuam com o trauma e a infeliz condenação injusta.
Leia a análise completa de "Olhos que Condenam" na 
página XX.
Leia a análise completa de "Olhos que Condenam" na 
página 150.
Minorias Sociais e Étnicas96
“A 13ª Emenda”
2016
O documentário fala sobre a medida legislativa (13ª emenda), instaura-
da por Abraham Lincolnem 1865, que visava o �m da escravidão nos 
EUA. O documentário trabalha por meio de uma perspectiva histórica 
para mostrar como, mesmo após a instauração da emenda, ainda contin-
uou e continua existindo a exploração dos negros na sociedade. Nele é 
possível encontrarmos questões sobre segregação racial, o sistema pri-
sional e a escravidão vistas no passado e perpetuadas até os dias de hoje.
Desigualdade Social 97
• O quadro da pobreza em evidência no Brasil
• Meios para superar a desigualdade socioeconômica no Brasil
• Dé�cit habitacional no Brasil
• Caminhos para combater o aumento da fome no Brasil
• O descaso com o fenômeno da favelização
• A desigualdade social em paralelo às di�culdades de acesso ao ensi-
no superior no Brasil
• O desa�o de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil
LITERATURA
Poema “Morte e Vida Severina”
João Cabral de Melo Neto, 1955
O poema, escrito entre 1954 e 1955, narra a história do personagem 
Severino, um nordestino que sai do sertão em busca de melhores 
condições de vida. Por meio da trajetória de Severino, João Cabral de-
nuncia as mazelas do sertão (seca, fome, mortes, lutas por terras). Além 
disso, re�exões sobre a vida e a morte aparecem com frequência na obra.
“Vidas Secas”
Graciliano Ramos, 1938
A obra modernista "Vidas Secas", por Graciliano Ramos, retrata a 
história de vulnerabilidade socioeconômica enfrentada por Fabiano e 
XX..
Desigualdade SocialDesigualdade Social
Repertórios para temas dentro do eixo Desigualdade Social, como:
Desigualdade Social98
sua família de retirantes pela seca 
do sertão nordestino, sempre sub-
missos aos superiores, como o Es-
tado, os soldados e seu patrão. A 
obra denuncia a pobreza acentua-
da no Brasil, a desigualdade, a 
subcidadania e a invisibilidade 
social.
“Quarto de Despejo”
Carolina Maria de Jesus, 1960
O livro é um diário de Carolina 
Maria de Jesus, uma mulher neg-
ra, pobre e moradora, na época, 
da favela do Canindé, em São 
Paulo, descrevendo a pobreza, 
segregação socioespacial, precon-
ceito, saneamento básico, entre 
outros problemas sociais. 
MÚSICA
“A Vida É Desa�o”
Racionais MC's, 2002
“É incontável, inaceitável, im-
placável, inevitável 
Ver o lado miserável se sujeitando 
com migalhas, favores 
Se esquivando entre noite de 
medo e horrores”
Abordagem temática: moradores de rua, 
desigualdade social.
“Homem na Estrada”
Racionais MC's, 1993
“Me digam quem é feliz, quem 
não se desespera 
Vendo nascer seu �lho no berço 
da miséria (...) 
Um cheiro horrível de esgoto no 
quintal 
Por cima ou por baixo, se chover 
será fatal 
Um pedaço do inferno, aqui é 
onde eu estou 
Até o IBGE passou aqui e nunca 
mais voltou”
Abordagem temática: desigualdade 
social, fome, pobreza, favelização, dé�cit 
habitacional, saneamento básico.
“Favela”
Arlindo Cruz, 2009
Desigualdade Social 99
“O povo que sobe a ladeira 
Ajuda a fazer mutirão 
Divide a sobra da feira 
E reparte o pão 
Como é que essa gente tão boa 
É vista como marginal 
Eu acho que a sociedade 
Tá enxergando mal 
Minha favela”
Abordagem temática: favelização.
HISTÓRIA
Colonialismo
Brasil, 1500-1822
A desigualdade social brasileira 
pode ser vista como legado do 
período colonial, que se deve à in-
�uência ibérica, à escravidão e aos 
padrões de posses latifundiárias. 
Aspectos como o racismo estru-
tural, a discriminação de gênero, 
a alta tributação de impostos e o o 
desequilíbrio do investimento re-
gional só agravaram a desigual-
dade brasileira.
FILMES, DOCUMENTÁRIOS 
E SÉRIES
“Que Horas Ela Volta?”
2015
O �lme retrata a vida de uma em-
pregada doméstica nordestina, 
Val, que trabalha na casa de uma 
família em São Paulo. A chegada 
de sua �lha desestabiliza a harmo-
nia do grupo e a desigualdade so-
cial é escancarada quando a �lha 
assume uma postura de enfrenta-
mento às opressões e à divisão de 
classes realizadas pela família.
“Cidade de Deus”
2002
O premiado �lme retrata de forma 
impactante e realista o cotidiano 
de uma das maiores e mais antigas 
favelas do país: a Cidade de Deus, 
no Rio de Janeiro. Mesmo tendo 
sido produzido há mais de 15 anos, 
o longa mostra-se extremamente 
atual ao expor situações prob-
Desigualdade Social100
lemáticas já enraizadas na sociedade, como a desigualdade social, o rac-
ismo, o trá�co de drogas, a criminalidade na infância, e mais.
“Central do Brasil”
1998
O drama narra a história de Dora, uma professora aposentada que com-
plementa a renda sendo escritora de cartas para pessoas analfabetas na 
Estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Sua rotina é abalada quan-
do uma de suas clientes morre atropelada por um ônibus e deixa sozinho 
o �lho Josué, um pobre menino de 9 anos. O clássico do cinema brasile-
iro escancara temas como analfabetismo, desigualdade social, pobreza, 
trá�co de pessoas, e venda de órgãos.
Temas Subjetivos 101
LITERATURA
“Grande Sertão: Veredas”
Guimarães Rosa, 1956
Livro publicado em 1956, Grande Sertão Veredas narra, dentre outras 
questões, a história de amizade e futuramente amor entre Diadorim 
(Reinaldo/Maria Deodorina) e Riobaldo. Diadorim é uma garota que 
desde pequena troca sua identidade (antes chamada de Maria Deo- 
dorina) e �nge ser um menino (inicialmente chamado de Reinaldo e 
depois de Diadorim) para poder fazer parte do grupo de jagunços da 
época e, assim, desvincular-se de rótulos sociais para viver a liberdade. 
Aqui há a necessidade de moldar a identidade conforme a situação.
Poema: “O apanhador de desperdícios”
Manoel de Barros, 2008
“Uso a palavra para compor meus silêncios. 
Não gosto das palavras 
fatigadas de informar. 
Dou mais respeito 
às que vivem de barriga no chão 
tipo água pedra sapo. 
Entendo bem o sotaque das águas 
Dou respeito às coisas desimportantes 
XIXI..
Temas SubjetivosTemas Subjetivos
Repertórios para temas subjetivos, mas nada impede que sejam 
utilizados em temas objetivos.
Temas Subjetivos102
e aos seres desimportantes. 
Prezo insetos mais que aviões. 
Prezo a velocidade 
das tartarugas mais que a dos mísseis. 
Tenho em mim um atraso de nascença. 
Eu fui aparelhado 
para gostar de passarinhos. 
Tenho abundância de ser feliz por isso. 
Meu quintal é maior do que o mundo. 
Sou um apanhador de desperdícios: 
Amo os restos 
como as boas moscas. 
Queria que a minha voz tivesse um formato 
de canto. 
Porque eu não sou da informática: 
eu sou da invencionática. 
Só uso a palavra para compor meus silêncios.”
Abordagem temática: simplicidade, o conceito de valor para o homem da atualidade, 
oposição ao consumismo.
MÚSICA
“A Vida É Desa�o”
Racionais MC's, 2002
“O aprendizado foi duro 
E mesmo diante desse revés não parei de sonhar 
Fui persistente, porque o fraco não alcança a meta”
Abordagem temática: resiliência.
“Wave”
Tom Jobim, 1967
Temas Subjetivos 103
“Vou te contar 
Os olhos já não podem ver 
Coisas que só o coração pode entender 
Fundamental é mesmo o amor 
É impossível ser feliz sozinho”
Abordagem temática: amizade, amor, felicidade, solidão, o sentido da existência.
“A Felicidade”
Tom Jobim, 1959
“Tristeza não tem �m 
Felicidade sim 
A felicidade é como a pluma 
Que o vento vai levando pelo ar 
Voa tão leve 
Mas tem a vida breve 
Precisa que haja vento sem parar”
Abordagem temática: tristeza, felicidade, brevidade, humanidade e o poder dos 
sentimentos, valorização dos momentos vividos.
“Pais e Filhos”
Legião Urbana, 1989
“É preciso amar as pessoas 
Como se não houvesse amanhã 
Por que se você parar pra pensar 
Na verdade não há (...) 
Sou uma gota d’água 
Sou um grão de areia 
Você me diz que seus pais não lhe entendem 
Mas você não entende seus pais 
Você culpa seus pais por tudo 
E isso é absurdo 
Temas Subjetivos104
São crianças como você 
O que você vai ser 
Quando você crescer?”
Abordagem temática: importância da família, valorização do idoso, empatia, futuro, 
passado, vivenciar o presente.
FILOSOFIA
Sujeito Pós-Moderno
Stuart Hall, sociólogo britânico-jamaicano
De acordo com Hall, a identidade humana passou por transformaçõessociais pela modernidade, produzindo profundos efeitos à maneira pela 
qual o indivíduo entende a si mesmo e é entendido socialmente. O su-
jeito pós-moderno é aquele que não possui apenas uma única ou perma-
nente identidade, mas várias, das quais algumas são contraditórias e out-
ras não são resolvidas. Esse sujeito da pós-modernidade tem uma 
identidade “móvel”, pois assume identidades diferentes em diferentes 
momentos.
HISTÓRIA
Tropicalismo
Brasil, 1967-1968
O Tropicalismo foi um movimento liderado por músicos brasileiros que 
buscavam a ruptura da padronização da cultura da época. Por meio de 
vestimentas coloridas e chamativas, cabelos grandes e mistura de estilos 
musicais, como Rock e Bossa Nova, o Tropicalismo transformou e mod-
ernizou não só a música popular brasileira a cultura brasileira. O movi-
mento ainda tinha um viés libertário e in�uenciou a política e o compor-
tamento das pessoas. Dentre os artistas que compunham o movimento 
estavam Caetano Veloso e Gilberto Gil, que foram presos pelo governo 
Temas Subjetivos 105
militar em 1968. O Tropicália foi reprimido pela Ditadura, mas mudou 
por completo o rumo da cultura do país.
Gripe Espanhola
Mundo, 1918-1919
Durante a pandemia da gripe espanhola, também ocorria a Primeira 
Guerra Mundial. Imprensas do mundo todo foram censuradas pelos 
militares e precisavam manipular as notícias sobre a situação da gripe 
em seus países, visto que se divulgassem a realidade da doença em seus 
territórios, estariam mostrando as suas fragilidades aos inimigos. No 
entanto, a Espanha, neutra na guerra, divulgava notícias diariamente ao 
mundo com todas as informações reais dos acontecimentos. Assim, a 
cobertura verdadeira da doença �cou conhecida em todo o mundo 
graças à Espanha.
Temas Subjetivos106
Redação Pop 107
“THE UMBRELLA ACADEMY” 2019, 4 temporadas, 16+
Adoção
A série tem a premissa de 7 crianças poderosas adotadas por um bil-
ionário, quase como uma aquisição deste para treiná-las a serem armas 
de luta. O processo adotivo envolvido não é detalhado, mas percebe-se 
que sua falta de vínculo emocional e sua criteriosidade para o acolhi-
mento.
Família Disfuncional
Um ambiente familiar disfuncional é aquele no qual há con�itos, má 
conduta ou abusos regularmente, às vezes criando um sentimento errô-
neo de que isso seria normal. Na família Hargreeves, a ausência do pai, 
XIIXII..
Redação PopRedação Pop
Análises detalhadas de séries e �lmes para serem utilizados como 
repertórios socioculturais na redação (pode conter spoilers).
 Sinopse
“Antes de falecer, o milionário Sir Reginald Hargreeves adotou 
sete crianças a �m de treiná-las para combater o mal. Depois que 
ele morre misteriosamente, esses jovens habilidosos unem suas 
forças para seguir o caminho para o qual seu pai adotivo os criou 
e acabam se envolvendo em um mundo muito mais perigoso do 
que eles imaginavam ser possível.”
Redação Pop108
Baseada na HQ de mesmo nome, “�e Umbrella Academy” acompanha as desven-
turas de uma família desajustada de super-heróis, disponível na Net�ix.
Redação Pop 109
a negligência com as necessidades das crianças, a falta de afeto e carinho 
parental e a violência na casa são alguns dos exemplos de ambiente dis-
funcional.
Vulnerabilidade Infantil
O crescimento em uma família disfuncional produz efeitos a longo pra-
zo. Essa é a profunda vulnerabilidade infantil a que se assiste no país e no 
mundo, isto é, a fragilidade para violar os direitos das crianças, por isso a 
importância da preservação da infância. Vemos a representação de tais 
traumas duradouros nas 6 personagens principais, os quais vou analisar 
brevemente para poder ampliar a discussão em redações:
Luther: Alienação Social
O número 1, Luther, se torna alienado ao ser excessivamente leal ao pai 
e obedecer todas as suas demandas. Em um dado momento, o pai o envia 
para a Lua para um isolamento ainda maior.
Diego: Justiça com as Próprias Mãos
Diego, número 2, ex-policial, desiste da carreira e se rende aos impulsos 
de agressividade e ferocidade para virar um vigilante da cidade que faz 
justiça com as mãos.
Allison: Abuso de Autoridade Parental
A número 3, Allison, vira mãe e, também como consequência de seu 
crescimento deturpado, comete abusos quanto à autoridade que têm 
sobre sua �lha pequena, resultando na perda da guarda.
Klaus: Drogas
O número 4, Klaus, se torna viciado em drogas como forma de canalizar 
as emoções e fugir de sua realidade circundante.
Redação Pop110
Cinco: Fuga de Casa 
O número 5, chamado de Cinco, foge de casa quando pequeno por re-
ceber rejeições e negligências do pai, e �ca desaparecido.
Vanya: Marginalização Familiar 
Vanya, a número 7, é a maior representação do trauma, pois, além da 
negligência parental, sofria o mesmo pelos irmãos. Ela era a única sem 
poderes e, por isso, não ia às missões, não participava das fotos, era mar-
ginalizada da família. A segregação imposta a ela moldou uma pessoa 
insegura, rancorosa, e desesperançosa no amor.
Exemplo: A questão da adoção de crianças e adolescentes no Bra-
sil
“No seriado “�e Umbrella Academy”, o bilionário Sir Reginald 
Hargreeves decide adotar 7 crianças com superpoderes e treiná-las 
para combater o crime. Entretanto, é descoberto que uma delas, 
Vanya, a número 7, não possui poderes, e por isso torna-se con-
stantemente excluída da família e negligenciada na casa, já que não 
cumpria o critério de acolhimento do pai. Paralelamente, o processo 
adotivo no Brasil passa por problema semelhante: assim como Sir 
Reginald, há uma demanda cada vez maior por per�s estereotipados 
para adoção, e um contingente incompatível de crianças e adoles-
centes marginalizadas em abrigos.”
- Redação redigida por Lucas Felpi
“COISA MAIS LINDA” 2019, 2 temporadas, 16+
 Sinopse
“Uma dona de casa chega ao Rio dos anos 50 para encontrar o 
Redação Pop 111
Patriarcado
A série se passa no Rio de Janeiro de 1959, exatos 60 antes dos dias atuais, 
quando a cidade vivia uma época próspera, ainda capital do país. O con-
texto é claramente sexista, uma sociedade patriarcal em que as mulheres 
deviam ser inferiores e subservientes. Em diversas cenas são ditas falas 
(ainda remanescentes hoje) como “Homem é mais focado, mais pro�s-
sional e menos emotivo” e “Deixe a parte chata para os meninos”.
Racismo
Os re�exos escravocratas da sociedade brasileira mostram-se evidentes 
marido e descobre que foi abandonada. Em vez de sofrer, ela de-
cide �car na cidade e abrir um clube de bossa nova.”
Redação Pop112
uma canção considerada do novo 
estilo “Bossa Nova”, uma mistura 
de samba e jazz. Esse híbrido na-
cional-internacional foi um mar-
co histórico na música popular 
brasileira e �cou conhecido em 
todo o mundo.
Machismo
Nos primeiros episódios, Malu 
sofre ao buscar �nanciamento e 
parcerias para o seu clube. Nin-
guém dispunha-se a ajudá-la com 
o estabelecimento porque as mul-
heres, no pensamento patriarcal, 
não deveriam ser empreendedo-
ras. Apenas os homens deveriam 
trabalhar e as mulheres deveriam 
permanecer inerciais, subservien-
tes.
Representatividade Feminina
Na revista “Ângela”, em que 
�ereza trabalha, uma revista 
feminina, havia apenas ela de mul-
her. Todos os jornalistas eram 
homens assinando com nomes 
femininos: uma demonstração 
clara de que, nem em assuntos vol-
tados ao público feminino, há a 
devida representatividade das 
mulheres.
em episódios de discriminação ra-
cial, principalmente com Adélia, 
a protagonista negra. Ela é vista 
sempre como empregada e indig-
na de, por exemplo, utilizar-se do 
elevador social do prédio. Quan-
do a vêem, imediatamente a asso-
ciam a uma funcionária subordi-
nada a Maria Luíza.
Feminismo e Empoderamento
As personagens principais são 4 
mulheres: Maria Luíza, Adélia, 
Lígia e �ereza, cada uma com 
sua singularidade, mas todas 
lutando por serem mulheres 
naquele contexto. Portanto, a 
narrativa mostra como cada 
desenvolve uma maneira de que-
brar as correntes que a prende e, 
coma devida coragem e “loucura” 
(como dizem), enfrentar a im-
posição masculina: Malu com seu 
clube de música, Adélia com sua 
independência, Lígia com seu 
sonho de ser cantora, e �ereza 
com sua escrita crítica jornalísti-
ca.
Surgimento da Bossa Nova
Malu se apaixona pela música ca-
rioca ao ouvir Chico tocando 
Redação Pop 113
ra-dama brasileira, já que ela 
“também não gostava de falar de 
política”. Augusto então diz que, 
sim, Lígia se interessava pela 
política, causando assombramen-
to e certo tom de julgamento na 
mesa, já que o papel da mulher se-
ria de ignorante quanto ao quesi-
to.
Aborto
Após se libertar de Augusto, Lígia 
decide que quer seguir a carreira 
de cantora e, grávida do ex-mari-
do, não conseguiria ter o �lho que 
a aguardava. Ela opta pelo proced-
imento clandestino de aborto, que 
é bem-sucedido, mas que causa 
revolta pela família aristocrática 
de Augusto - este que, por sua vez, 
age radicalmente quando ouve so-
bre o acontecimento.
Exemplo: A persistência da 
violência contra a mulher na 
sociedade brasileira (Enem 
2015)
“Na série nacional da Net�ix 
“Coisa Mais Linda”, o cenário 
do Rio de Janeiro de 1959 é 
marcado pelo patriarcalismo. 
Nesse sentido, Augusto é um 
Fuga da Família Tradicional
Na série, as famílias tradicionais, 
como de Malu e Lígia, percebem 
o casamento como essencial para 
a manutenção da linhagem e da 
reputação. A visão de que, por ex-
emplo, Maria Luíza havia sido 
traída e tornado-se mãe solteira 
era uma mancha no nome da 
família. Essas novas estruturas fa-
miliares são cada vez mais pre-
sentes na sociedade brasileira.
Violência Doméstica e Estupro
Lígia e Augusto vivem um rela-
cionamento extremamente abu-
sivo. Augusto, por ciúmes da 
atenção que a esposa recebia ao 
cantar, a proíbe de perseguir a car-
reira musical e a coloca em sua 
sombra. Em casa, bate nela quan-
do descobre que ela havia cantado 
e a agride violentamente no Coisa 
Mais Linda. Há uma cena em que 
ele retorna bêbado à casa e força 
Lígia a satisfazer seu desejo sexu-
al, embora não consentido.
O Papel da Mulher na Política
Em um episódio, no jantar na 
casa do prefeito do Rio, Lígia é 
dita que iria gostar da primei-
Redação Pop114
político que, com medo de perder sua bela e cobiçada esposa can-
tora, a bate e a agride regularmente em casa, chegando a estuprá-la. 
Sessenta anos depois, é evidente que muitas circunstâncias não se 
alteraram: a violência contra a mulher persiste no Brasil do século 
XXI, consequência majoritariamente da insegurança masculina em 
perder sua enraizada posição de poder.”
- Redação redigida por Lucas Felpi
“GAME OF THRONES” 2011, 8 temporadas, 16+
Disputas Políticas e Territoriais
A trama da série é baseada no confronto de interesses dos reinos e das 
famílias de Westeros, que competem por terras e castelos, guerreiam en-
tre si, pelo poder regional e nacional. Ao longo do tempo, são vistas 
mudanças abruptas nos status e localizações de personagens e famílias e 
presenciadas diversas batalhas e conquistas territoriais.
Construção Social da Segregação
É marcante na narrativa a separação entre o mundo civilizado, ao sul da 
 Sinopse
“Game of �rones adapta para a TV a série literária As Crônicas 
de Gelo e Fogo, de George R.R. Martin. A série se passa em Wes-
teros, uma terra reminiscente da Europa Medieval, onde as es-
tações duram por anos ou até mesmo décadas. A história gira em 
torno de uma batalha entre os Sete Reinos, onde duas famílias 
dominantes estão lutando pelo controle do Trono de Ferro, cuja 
posse possivelmente assegurará a sobrevivência durante o inverno 
que está por vir.”
Redação Pop 115
Muralha, e o mundo selvagem, ao norte dela. Essa segregação, determi-
nada pela construção de uma gigante muralha de gelo, está cercada de 
preconceitos e construções sociais estereotipadas sobre o que seriam os 
“selvagens”. Hoje em dia, uma situação semelhante ocorre em fronteiras 
no mundo ocidental, como entre Estados Unidos e México, com a 
proposta similar de muro para separação física.
Incesto
O ato de incesto diz respeito a relações sexuais entre membros da mesma 
família. A família Targaryen já praticava com frequência entre seus de-
scendentes para “manter a linhagem pura” e na série é bem retratada a 
relação extraconjugal entre os irmãos Cersei e Jaime Lannister, ponto 
Redação Pop116
inicial para muitas das intrigas do 
enredo.
Submissão Feminina e 
Objeti�cação
Em Essos, Daenerys Targaryen é 
forçada por seu irmão Viserys a se 
casar com o líder Dothraki Khal 
Drogo para garantir um exército. 
O casamento arranjado demons-
tra uma mentalidade machista e 
coloca Daenerys como mero ob-
jeto de prazer ao novo marido, 
embora gradualmente a relação se 
tornou mais consensual e real.
Corrupção
A morte de Jon Arryn, mão do 
Rei, marca um dos primeiros 
acontecimentos da série, mas que, 
em essência, é um assassinato tra-
mado que inicia a corrupção em 
Westeros pela conquista do Trono 
de Ferro. Peter Baelish (ou Mind-
inho) e Varys são os principais 
conspiradores na rede de trans-
missão de informações sigilosas.
Estado e Religião
Da mesma forma que os �lósofos 
do Antigo Regime defendiam que 
os monarcas possuíam o “direito 
divino”, isto é, a autoridade como 
vontade sagrada de Deus, Melisan-
dre, uma sacerdotisa do Deus Ver-
melho, dizia que este havia escol-
hido Stannis Baratheon para ser o 
rei de Westeros, e utilizava a cren-
ça religiosa para justi�car sua le-
gitimidade.
Homofobia
Renly Baratheon, casado com 
Margaery Tyrell, é, em verdade, 
apaixonado por seu irmão, Loras 
Tyrell. Porém, como a homossex-
ualidade não é permitida no reino, 
ele é obrigado a esconder e �ngir 
um relacionamento com Mar-
gaery, mesmo não sendo capaz de 
consumí-lo.
Incompetência Governamental
Renly e Margaery bloquearam o 
abastecimento de comida para 
Porto Real, deixando a população 
da capital faminta. A inércia e in-
e�cácia do Rei Jo�rey para resolv-
er a fome causou uma das maiores 
revoltas da cidade.
Efeitos da Tortura
Ramsay Snow, bastardo de Lorde 
Bolton, após capturar �eon 
Redação Pop 117
Greyjoy em Winterfell, o tortura 
e chega a castrá-lo. Sádico, Ram-
say afeta profundamente a identi-
dade de �eon, passando a 
chamá-lo de Fedor, e o faz servir a 
suas vontades e estranhas manias. 
�eon, ou Fedor, vive traumatiza-
do e fragilizado após a tortura.
Mortes de Inocentes em Con-
texto de Guerra
O famoso Casamento Vermelho, 
no 9º episódio, pode ser relacio-
nado à realidade de mortes de 
civis e inocentes em guerras atu-
ais. No contexto de Westeros, o 
con�ito Bolton-Stark não poupa 
ninguém e, sem piedade, são 
mortas mulheres e crianças - in-
clusive Talisa, grávida e esfaquea-
da com o bebê em sua barriga.
Escravidão
Os Imaculados eram escravos sol-
dados em Astapor, treinados 
agressivamente desde a infância e 
castrados para tornarem-se guer-
reiros isentos de desejos sexuais e 
conexões emocionais. Daenerys 
os compra, liberta-os e inicia um 
grande processo de abolição da 
escravidão por toda a chamada 
Baía dos Escravos (renomeada 
Baía dos Dragões após o feito).
Preconceito à De�ciência
Ao longo de toda a série, é retrata-
do o preconceito que a família 
Lannister tem com Tyrion, o úni-
co membro com nanismo na lin-
hagem. Sendo excluído e muitas 
vezes rejeitado, ele é o primeiro a 
ser acusado pela morte do Rei Jof-
frey e posto sob um injusto julga-
mento. No Brasil, o dia 25 de out-
ubro foi instituído em 2017 como 
o Dia Nacional de Combate ao 
Preconceito contra as Pessoas com 
Nanismo.
Vingança
Oberyn Martell viaja a Porto Real 
com a missão secreta de vingar sua 
irmã e seus sobrinhos, mortos cru-
elmente por Montanha na rebe-
lião de Robert Baratheon. Oberyn 
decide então arriscar sua vida e 
participar do julgamento por 
batalha de Tyrion apenas para en-
frentar Montanha e alcançar a vin-
gança.
Pena de Morte
Ao �nal da caminhada pela liber-
Redação Pop118
tação dos escravos, Daenerys as-
sume o controle de Meereen e or-
denamatar 163 governantes da 
cidade em justiça às 163 crianças 
escravas cruci�cadas por eles. O 
caso gera uma controvérsia e certa 
oposição à Khaleesi, por sua 
opção pela pena de morte. A de-
cisão retoma o lema “olho por 
olho, dente por dente”.
Intolerância Religiosa
Surge nessa temporada a seita dos 
Pardais, crentes da Fé dos Sete, 
mas que, radicais, não aceitam 
qualquer desvio à religião ou fé 
diferente da sua. É estabelecida a 
Fé Militante, um exército religio-
so para combater in�éis e caçar 
homossexuais, um possível para-
lelismo à Inquisição medieval.
Violência contra a Mulher e 
Estupro
É arranjado o casamento entre 
Sansa Stark e Ramsay Bolton, 
que, assim como fazia com �e-
on, passou a maltratar constante-
mente a mulher. Porém, o episó-
dio decisivo está na noite de 
núpcias, em que Ramsay estupra 
Sansa e a mantém em cativeiro.
Rituais de Sacrifício Religiosos
A feiticeira Melisandre, baseada 
na religião do Deus Vermelho, 
aconselha Stannis, para melhorar 
seu desempenho na guerra, a fazer 
um sacrifício: queimar sua �lha 
Shireen viva, pois ela possui 
sangue real. Ele aceita, desespera-
do.
Perseguição Política
No dia do julgamento de Loras e 
Margaery Tyrell e Cersei Lannis-
ter pelo Alto Pardal, Cersei não 
comparece ao Grande Septo de 
Baelor e orquestra a destruição do 
lugar com todos dentro, a �m de 
eliminar os seus maiores inimigos 
no jogo do poder. Margaery com-
petia com ela na manipulação do 
Rei Tommen e sabia controlá-lo 
muito bem; o Alto Pardal a man-
teve em cativeiro e a humilhou 
profundamente. Ela emprega en-
tão fogovivo para explodir o Septo 
e atinge os seus objetivos de forma 
ilegal.
Suicídio entre Jovens
Após sua intensa manipulação 
pelo Alto Pardal e a morte de sua 
amada, o jovem despreparado e 
Redação Pop 119
fragilizado Rei Tommen decide 
saltar da janela de seu aposento e 
suicidar-se. A pressão imposta so-
bre ele de reinar e atender a todos 
os interesses se torna excessiva 
para si, semelhante aos jovens da 
atualidade.
Feminismo e Empoderamento
Na sexta temporada, Arya se 
conecta com sua identidade e 
consolida sua personalidade forte 
e empoderada. Ao acompanhar 
Jaqen H’ghar em Braavos, ela se 
aperfeiçoa em lutar e cumpre al-
gumas missões, mas sendo puni-
da severamente por desobediên-
cia. No �nal, ela se rebela e 
consegue independência da or-
dem dos Homens Sem Rosto, 
continuando �rmemente sua 
missão pessoal.
Tratamento de Doenças
Samwell Tarly, após ir a Cidadela 
e obter conhecimentos da vasta 
biblioteca dos sábios Meistres, 
consegue encontrar um trata-
mento para a trágica Escamagris, 
doença que atordoava person-
agens há 6 temporadas. O caso 
revela a constante evolução cientí-
�ca no ramo da saúde até os tem-
pos atuais, nos quais novas medi-
cações e tratamentos são 
descobertos para doenças antes 
fatais.
Exploração Mineral
O combate aos Caminhantes 
Brancos levou à necessidade da ex-
ploração do Vidro de Dragão (ma-
terial capaz de matá-los), intensi�-
cada cada vez mais e 
comprometendo a estrutura natu-
ral da ilha Pedra do Dragão.
Manipulação Alienadora
Lorde Baelish (ou Mindinho), o 
personagem alegórico da manipu-
lação de agentes sociais, demons-
tra seu poder de controle ao gerar 
um con�ito entre as irmãs Arya e 
Sansa Stark. Ele é capaz de selecio-
nar o que é apresentado e visto por 
cada uma e traçar uma história 
que resulte no seu próprio 
benefício.
Aquecimento Global (Bônus)
Por �m, é interessante explicar 
uma relação muito inteligente, 
ressaltada inclusive pelo George 
R.R. Martin, entre a série Game of 
Redação Pop120
�rones e um fenômeno contemporâneo: o aquecimento global.
Os Caminhantes Brancos são uma ameaça à sobrevivência de todos na 
série, mas os reinos persistem em brigar internamente entre si por inter-
esses próprios e pequenos. Alguns inclusive não acreditam na existência 
dessas criaturas, como um mito, mesmo com evidências e relatos feitos. 
Troque “reinos” por países e “Caminhantes Brancos” pela mudança 
climática. Ambos são fenômenos da natureza irrefreáveis, que con-
stituem uma ameaça iminente a todos e demandam a união para a sobre-
vivência.
Mais do que qualquer coisa, Game of �rones veicula a mensagem da 
articulação entre os humanos por um bem maior. É preciso abrir mão da 
política individual, dos interesses pessoais e da ambição para o combate 
ao inimigo maior. Como disse Davos, “Se não superarmos nossas inimi-
zades e nos unirmos, morreremos. E então não importará qual esqueleto 
sentará no Trono de Ferro”.
“PRETTY LITTLE LIARS” 2010, 7 temporadas, 14+
Cyberbullying
O �o condutor de PLL é a perseguição digital que quatro garotas, Aria, 
Spencer, Hanna e Emily, sofrem diariamente caladas. Elas são ameaçadas 
da exposição de seus segredos e, por isso, não conseguem denunciar o 
agressor (“A”), que se esconde no anonimato online para sadicamente 
atormentar suas vidas. Como disse a personagem Dra. Sullivan em um 
 Sinopse
“Na pequena cidade de Rosewood, cinco melhores amigas guar-
dam grandes segredos. Alison, a líder do grupo, desaparece e suas 
amigas passam a receber mensagens de uma fonte anônima que 
assina apenas como ‘-A’.”
Redação Pop 121
discurso, “Hoje em dia, valentões podem causar muito mais estragos. 
Eles têm armas melhores. Eles podem apertar ‘enviar’ repetitivamente, e 
se esconderem no anonimato de uma mensagem ou e-mail, o que é a 
maior das covardias”.
Desaparecimento de Crianças e Adolescentes
A trama da série se inicia com o desaparecimento da 5ª membra e líder 
do grupo, Allison, em uma noite do pijama com as amigas. Todas dor-
mem e, no meio da noite, acordam e sentem a falta de sua “abelha rainha”, 
que havia sumido. Segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM), o 
índice de desaparecimento de crianças e adolescentes no mundo vem se 
elevando a uma taxa superior a 10% anualmente. Só no Brasil, são regis-
trados 50 mil casos por ano.
Relações Professor-Aluno
No seriado, há dois exemplos de envolvimento amoroso entre um pro-
fessor e uma aluna (inclusive na mesma família): Aria Montgomery com 
Ezra Fitz, que começam um caso no banheiro de um bar antes da posse 
do cargo de Ezra, e Byron Montgomery, pai de Aria, com Meredith So-
renson, uma de suas alunas e amante extraconjugal. A discussão gira em 
torno dos limites da relação de um professor com seus alunos, e o quanto 
casos de paixão, como esses, afetam no aprendizado, objetivo principal 
do docente.
Limites entre Trotes/Pegadinhas e Violência
Numa noite em que as meninas experimentavam roupas, Alison diz que 
viu Toby, irmão de Jenna, espionando-as e orquestra um plano para sol-
tar uma bomba de fedor em sua garagem como vingança. As demais 
pensam em apenas contar aos pais, mas Ali a�rma que não haveria graça 
nisso, ordenando, então, a execução da pegadinha. Mas a brincadeira 
deu terrivelmente errado — a garagem pegou fogo, e estava lá sua irmã 
Jenna, que se tornou permanentemente cega. É relevante pensar os lim-
Redação Pop122
“Pretty Little Liars” segue quatro amigas que recebem ameaças anônimas do stalker 
'A'. Até hoje, a produção é considerada uma das favoritas do público jovem.
Redação Pop 123
ites de tais “brincadeiras” atual-
mente, como os trotes universi-
tários, e os seus efeitos, visto, por 
exemplo, o caso do calouro da 
USP que foi encontrado morto, 
afogado na raia olímpica, ao ser 
obrigado a pular sem saber nadar.
Assédio por Intrusão/Stalking
Na 2ª temporada, o clube NAT 
(sigla traduzida para “Nós vemos 
tudo”), formado por Ian �omas, 
Jason DiLaurentis e Garrett 
Reynolds, tinha como objetivo 
obsessivamente perseguir e �lmar 
as garotas de Rosewood, compi-
lando o maior número de vídeos 
(em sua maioria íntimos) de 
meninas. O caráter pervertido 
desse grupo mostra o quão pro-
fundo é o problema do stalking, 
um crime que, por exemplo, ain-
da não tem legislação especí�ca 
no Brasil (enquadrando-se como 
perturbação da tranquilidade).
Trumas do Bullying na Escola
A revelação do Original A é feita: 
Mona. Osmotivos que a levaram 
para fazer as injúrias contra o gru-
po, além de um claro distúrbio 
mental, estão na experiência 
traumática que a personagem 
tinha na escola. Antes do desapa-
recimento de Ali, ela era excluída 
de todas as formas e sofria bully-
ing pela malvada Alison, enquan-
to nenhuma das outras quatro 
meninas se pronunciavam. A in-
cessante zombaria com a menina 
“nerd” e “desajeitada” provocou 
um desejo cruel de vingança e de 
inversão de papéis. Mona, por 
meio do anonimato digital, passa-
va, de vítima, à própria agressora 
de Alison e suas amigas.
Feminicídio
O caso do assassinato de Maya, 
descoberto em detalhes na 3ª tem-
porada, constrói um quadro de 
feminicídio: Lyndon, seu 
ex-namorado, era um stalker dese-
quilibrado que, após perdê-la e vê-
la com Emily em Rosewood, sente 
ciúmes e planeja matá-la. Ele 
muda de identidade, nomean-
do-se Nate, e muda para Rose-
wood como um aluno de trans-
ferência de arquitetura, tudo para 
assassinar a ex-namorada que não 
�cou com ele. O plano é concret-
izado, resultando na terrível morte 
da personagem.
Redação Pop124
Saúde Mental na Adolescência
O acúmulo de todo o estresse e 
trauma do cyberbullying culmi-
naram no colapso total de Spen-
cer no momento da descoberta de 
que seu namorado, Toby, fazia 
parte do A Team e, depois, ao en-
contrar um cadáver falso dele. 
Nessa hora, ela perde completa-
mente a sanidade mental e o con-
trole de suas emoções, explode, e 
é, inclusive, internada no hos-
pício Radley, o mesmo de Mona 
anteriormente. Uma evidência de 
como os problemas do estresse e 
relacionamentos (levados a uma 
escala �ctícia maior, claro) podem 
conduzir os jovens ao estado de 
instabilidade emocional.
Abuso e Manipulação de 
Menores
Uma das maiores reviravoltas da 
4a temporada está no personagem 
de Ezra, que, embora não seja A, 
esteve tramando por todo esse 
tempo um plano próprio — es-
crever seu romance sobre Alison. 
Em verdade, ele havia se envolvi-
do com ela antes de tudo, e se 
aproxima de Aria apenas para co-
letar informações para escrever a 
obra. Isso signi�ca que ele sempre 
soube, desde o início, que Aria era 
menor de idade (tinha 16 anos) e 
que seria sua aluna, mas mesmo 
assim seduziu e manipulou a garo-
ta vulnerável, para ser sua fonte 
para a escrita.
O Uso de Drogas Estimulantes 
entre Jovens
Spencer cria, ao longo do tempo, 
uma dependência com anfetami-
nas: psicoestimulantes que auxil-
iam a passar noites em claro e 
fazem o cérebro trabalhar mais 
depressa. Essas drogas sintéticas 
são cada vez mais utilizadas por 
estudantes na contemporanei-
dade, com a corrida contra o tem-
po para estudar todos os conteú-
dos. Porém, elas causam o vício e 
levam a danos graves — Spencer, 
por exemplo, em uma noite, 
começa a andar dormindo e é en-
contrada na manhã seguinte na 
escola por Ezra.
Falhas do Sistema Judicial
Após a suposta morte de Mona, a 
primeira a ser acusada foi Alison e, 
mesmo inocente e sem provas o 
su�ciente, ela é presa pelo crime, 
acompanhada de suas quatro ami-
Redação Pop 125
gas como cúmplices. É interes-
sante pensar como tudo havia 
sido orquestrado por outra pessoa 
externa, A, mas culminou na ma-
nipulação de todo o sistema poli-
cial e judicial a �m de condenar 
cinco garotas inocentes, com 
sucesso. Demonstra como a 
justiça pode ser distorcida e cor-
rompida.
Sequestro/Cativeiro
Ainda pior do que a condenação 
injusta, está o que veio a seguir: a 
pena não foi a prevista consti-
tucionalmente, em uma cela pri-
sional, por outra falha, a segu-
rança policial. Durante o 
transporte de 4 das detentas, a van 
foi atacada e as meninas foram se-
questradas e levadas a um cat-
iveiro planejado e montado para 
elas por A. Lá, elas são mantidas 
cativas e devem cumprir os dese-
jos do sequestrador, em um sádi-
co jogo de “casa de bonecas”.
Tortura Psicológica
Durante a primeira metade da 
temporada, são abordados os 
efeitos da tortura das garotas na 
“casa de bonecas”. Traumatizadas, 
elas não conseguem dormir em 
seus quartos sem pensar nos 
cenários do cativeiro. Lá, é mostra-
do como A as forçava a escolher 
qual das amigas teria água, comi-
da, ou seria machucada, uma tor-
tura psicológica cruel no dilema 
entre o sofrimento de todas vs. o 
sofrimento de uma.
Transfobia e Rejeição Familiar 
durante a Transição
Quando CeCe é revelada como A, 
vemos que Charles é, em verdade, 
Charlotte DiLaurentis, uma mul-
her trans cuja loucura foi desen-
volvida pela rejeição da família. 
Quando pequena, ela não era 
aceita por Kenneth, que então 
produziu uma história em que a 
criança teria afogado Alison, le-
vando à sua reclusão em Radley. 
Lá, ela também é culpada de assas-
sinar Marion Cavanaugh e dopa-
da com excessivos remédios diari-
amente, o que constrói seu caráter 
sociopata e culmina em tomar o 
jogo de A quando conhece Mona. 
Tudo isso por não se identi�car 
com o sexo que nasceu e querer re-
alizar sua transição. No Brasil, 29 
de janeiro é o Dia da Visibilidade 
Trans.
Redação Pop126
Mortes de Civis em Guerras
A história de Nicole, personagem secundária, pode remeter à discussão 
das mortes de inocentes em guerras civis. Ela é uma ativa voluntária em 
missões internacionais e, junto com Ezra, vai à Colômbia ajudar na con-
strução de habitações. Ezra adoece e, quando volta aos EUA, descobre 
que revolucionários atacaram os voluntários e os sequestraram. Nicole é 
dita morta junto com outras dezenas de civis inocentes.
Amizade e Desajuste Social (Bônus)
No último episódio, o último A (A.D.) é �nalmente revelado: Alex 
Drake, a irmã gêmea secreta de Spencer. E a motivação dela: novamente, 
se repete a falta de aceitação e o desajuste desde menor como fator en-
cadeador da violência contra as Liars. A poderosa e verdadeira amizade 
entre as 5 é objeto de desejo para personagens alienadas e historicamente 
excluídas — como Mona, CeCe e Alex Drake. Especi�camente no últi-
mo caso, Alex sente inveja da vida perfeita que Spencer recebeu nos 
EUA, com uma família, amigas e namorado que a amam, enquanto ela, 
sua irmã gêmea, foi colocada num hospício na Inglaterra e isolada de 
todos. Ao �nal, Pretty Little Liars é uma série sobre o impacto dos laços 
sociais e da inclusão sob a ótica da estabilidade emocional, e a falta dessa 
mesma aceitação como gatilho para o desequilíbrio mental. Mesmo com 
diversas torturas e jogos, as 5 garotas conseguiram superar e manter-se 
unidas pela força que a amizade as trouxe.
“VINGADORES: ULTIMATO” 2019, 3h2min, 12+
 Sinopse
“O grave curso de eventos colocado em ação por �anos, que 
dizimou metade do universo e fraturou os Vingadores, faz com 
que os Vingadores remanescentes tomem uma atitude �nal na 
grande conclusão dos 22 �lmes da Marvel Studios.”
Redação Pop 127
Superpopulação e Escassez de Recursos
�anos é um antagonista que planejou a longo prazo exterminar 50% 
dos seres vivos do universo, baseado apenas em uma teoria: a descrença 
na gestão ambiental. Para ele, cujo planeta de origem foi destruído pela 
superpopulação e guerras por recursos, não há chances de sobrevivência 
para o universo com a crescente demanda populacional e a oferta exis-
tente.
Malthusianismo
A concepção de �anos lembra a teoria demográ�ca do economista 
britânico �omas Malthus na obra “Ensaio sobre o Princípio da Popu-
lação”, de 1798. Para Malthus, a população crescia em progressão 
geométrica (ex.: 2, 4, 8, 16,…), enquanto a produção de alimentos, em 
progressão aritmética (ex.: 2, 4, 6, 8,…). Sendo assim, não haveria recur-
sos su�cientes para a humanidade e essa explosão demográ�ca causaria 
um quadro global de fome, doenças e pobreza. Por isso, a corrente do 
malthusianismo defendia a castidade, o casamento tardio e o controle da 
natalidade.
Genocídio
Entretanto, �anos desvia da solução de Malthus para uma alternativa 
radical: assassinar metade da vida no universo como sacrifício para a 
prosperidade da metade restante. Como disse o biólogo Je� Nekola, 
“desintegrar aleatoriamente as pessoas lembra as estratégiasdos ditadores 
ao longo da história”: exemplos como o Holocausto na Segunda Guerra 
Mundial, os assassinatos em massa do Khmer Vermelho no Camboja, o 
genocídio em Ruanda em 1994, demonstram que a mesma solução de 
�anos baseada no extermínio esteve presente desde o início dos tempos.
Desenvolvimento Sustentável
Para além do plano absurdo e maligno do vilão, é relevante discutir o 
Redação Pop128
tema do desenvolvimento paralelo à responsabilidade ambiental, já que 
ambos devem caminhar juntos. Segundo o antropólogo Aaron Jonas 
Stutz, “Quando você sai do cinema e pensa: 'Ok, essa é a ideia de um 
vilão malvado e maluco para resolver o problema’. Como nós realmente 
tentamos resolvê-lo?”. A discussão em torno do desenvolvimento suste-
ntável está muito presente nos dois últimos �lmes dos Vingadores, refer-
enciando a conjuntura geopolítica atual da Terra.
Os 5 Estágios do Luto
A morte em massa de 50% da vida terrestre afeta os Vingadores restantes 
de formas diferentes, mas cada um representa um dos 5 estágios do luto. 
(1) A *negação* alienadora de Tony Stark, que procura evitar lembrar do 
ocorrido para �car com a �lha. (2) A *raiva* descontrolada do Gavião 
Arqueiro, que, ao perder sua família, inicia uma rota de matanças pelo 
mundo. (3) A *barganha* incessante da Viúva Negra, que procura re-
verter o acontecido de qualquer forma possível. (4) A *depressão* de 
�or ao se entregar no alcoolismo como válvula de escape. (5) A *aceit-
ação* de Capitão América ao entrar em um grupo de apoio para compar-
tilhar seus sentimentos e ajudar outros remanescentes.
Mulheres no Exército/Em Combate
Em uma das cenas mais marcantes do longa, todas as heroínas femininas 
se reúnem em um quadro para proteger a Manopla do In�nito, que está 
com Capitã Marvel. A força de representatividade produzida pela cres-
cente presença feminina no ramo dos super-heróis traz à tona o tema da 
desconstrução de papéis de gênero. As mulheres podem, sim, ser com-
batentes e lutarem nos campos de batalha, seja nas Forças Armadas, na 
vida real, ou nos grandiosos cenários dos �lmes da Marvel.
Abuso e Negligência Familiar
A relação de �anos com suas �lhas Gamora e Nebulosa constitui um 
triste exemplo de abuso familiar. Ele as criou para serem guerreiras e as 
Redação Pop 129
colocava uma contra a outra, para se aperfeiçoarem e o auxiliarem em seu 
plano. É retratado um abuso frente às garotas tanto físico e violento, 
quanto emocional e psicológico. Em “Ultimato”, retorna-se ao momen-
to do tempo em que ambas são controladas pelo pai e é mostrado o pro-
cesso de libertação das duas quando abrem os olhos para a manipulação 
da relação (por exemplo, Gamora descobre que seria depois sacri�cada 
em troca de uma Joia do In�nito).
Memória como Resistência
�anos do passado, ao ver que sua versão do futuro fracassou (os Vin-
gadores puderam voltar no tempo e reconquistar as joias), percebe onde 
foi cometido o erro: ele se esqueceu que os 50% restantes no planeta 
Terra teriam memória e recordariam das mortes ocorridas, não sendo 
possível prosperar. Então, ele decide que, dessa vez, apagaria a memória 
dos remanescentes para ter um recomeço. Fica clara a importância da 
memória como arma de resistência, já que somente com ela é possível 
fazer uma análise crítica do presente. É possível fazer uma correlação 
com livros de distopia como “1984”, “Fahrenheit 451”.
Exemplo: A importância do passado para a compreensão do pre-
sente (Fuvest 2019)
“�anos, vilão do �lme “Vingadores: Ultimato”, viaja para o futuro 
apenas para descobrir que seu plano de assassinar aleatoriamente 
metade da vida no universo fracassou: os Vingadores, sofrendo das 
perdas, descobrem uma forma de trazer todos de volta. Nesse senti-
do, o titã percebe que, em verdade, ele teria que apagar a memória 
dos 50% remanescentes, para que estes não tenham consciência do 
que ocorreu e prosperem alienados. Fora da �cção, é fato que o lon-
ga demonstra como o passado é essencial para a realização de uma 
análise crítica do presente, aquele funcionando como parâmetro de 
comparação para este.”
- Redação redigida por Lucas Felpi
Redação Pop130
“THANK U, NEXT” 2019, 12 músicas, 41min
Romantismo Idealizado
“imagine”
A primeira faixa do álbum de Ariana Grande fala sobre uma noite ideal 
entre um casal: ”acordados a noite toda”, “na banheira”. Mas a expecta-
tiva amorosa é quebrada em “imagine um mundo assim”. A voz lírica 
está fantasiando sobre um relacionamento ideal, frustrada de não alca-
nçar as expectativas; semelhante à escola literária do Romantismo. Como 
disse a cantora, “imagine“ é sobre negação de um término - oposto de 
“thank u next”, sobre aceitação. Essa angústia é muito comum entre os 
jovens do século XXI e pode ser, por exemplo, causa de depressão.
Imperfeições e Inseguranças
“needy”
Nessa música, Ariana expõe as suas inseguranças e defeitos, como uma 
forma de “humanização” de sua �gura pública. É fato que a sociedade 
tende a pensar que personalidades famosas são perfeitas e possuem “0 
defeitos“, mas “needy” mostra que Ariana é uma pessoa “intensa”, “prob-
lemática”, ”obsessiva”, “que ama demais“ e, é claro, “carente”. Tal des-
construção expõe um lado mais humano e vulnerável de uma celebri-
dade.
 Tracklist
1. imagine
2. needy
3. NASA
4. bloodline
5. fake smile
6. bad idea
7. make up
8. ghostin
9. in my head
10. 7 rings
11. thank u, next
12. break up with your girl-
friend, i’m bored
Redação Pop 131
Emancipação Feminina
“NASA”
“NASA” é uma música que faz uma analogia entre a emancipação femi-
nina e a astrofísica. Faz-se uma alusão da mulher como o universo e do 
homem como a NASA, esta que tem como objetivo conhecer e explicar 
a complexidade do grandioso e maravilhoso universo. Mas a voz lírica 
diz que “precisa de espaço” (brincando com os dois sentidos da palavra), 
já que quer se autoconhecer e ter independência. Em um trecho, ela diz 
que costumava orbitar ao redor do homem, mas agora apenas a gravi-
Redação Pop132
dade a puxa. Essa é uma compara-
ção válida ao empoderamento 
feminino, na questão de inde-
pendência econômica, sentimen-
tal e psicológica.
"Ficar" ou Namorar
“bloodline”
O título (“linhagem”) já remete à 
temática da música: um relacio-
namento livre e descompromissa-
do, em que não há envolvimento 
sério. “Não quero você na minha 
linhagem” “só quero me divertir”. 
Essas novas modalidades de rela-
cionamento no século XXI são 
tema para redação, com a tendên-
cia cada vez maior à ausência de 
compromisso/responsabilidade 
do “�car” ao invés do “namorar”. 
Zygmunt Bauman pode ser rela-
cionado ao assunto, em sua tese 
da efemeridade nas relações da at-
ualidade.
Felicidade nas Redes Sociais
“fake smile”
A 5ª canção do álbum retrata um 
problema da carreira de celebri-
dades como Ariana, mas que tam-
bém afeta a todos nas redes soci-
ais: a necessidade de se mostrar 
sempre feliz, com a vida perfeita. 
Como �gura pública, ela é forcada 
a dar “sorrisos falsos”, mentir e 
reprimir suas emoções quando 
não está bem. Da mesma forma, 
na internet os per�s digitais são 
sempre construídos a partir da 
completa e total felicidade de to-
dos, sendo reprimidas quaisquer 
vulnerabilidades para transmitir 
uma imagem “perfeita”.
Relacionamentos Abusivos
“bad idea”/“in my head”
“bad idea” é sobre o dilema de sa-
ber que alguém é ruim para você, 
mas mesmo assim querendo-o de 
volta. Trechos como “Eu tive uma 
péssima ideia: vou te ligar para 
você vir aqui aliviar a minha dor” 
mostram que, embora seja um rel-
acionamento abusivo e não 
saudável, a sua perda exige um 
processo doloroso - pela própria 
manipulação envolvida. Assim, é 
fácil render-se à tentação de voltar 
àquela mesma pessoa por comodi-
dade e alívio da dor, um processo 
de autodestruição. Assim como 
“bad idea”, é possível relacionar 
“in my head” ao mesmo tema, adi-
cionando uma nova perspectiva: a 
visão que essa pessoa tem de den-
Redação Pop 133
tro da relação, quando enxerga o 
abusador de forma distorcida. O 
indivíduoé apaixonado por uma 
versão idealizada do parceiro cria-
da em sua cabeça - ”Todos veem 
demônio, enquanto eu vejo anjo”. 
Ambas as músicas do álbum de 
Ariana discutem a manipulação 
provocada por um relacionamen-
to abusivo.
Sadomasoquismo
“make up”
“É meio masoquista”, diz Ariana 
Grande sobre ”make up” a Zach 
Sang. E não mentiu: a música re-
trata um desejo de sofrimento 
pelo prazer sexual que o acom-
panha. Além do jogo de ambiv-
alência de ”make up” (alternando 
entre “reconciliar” e “ma-
quiagem”), trechos como “O jeito 
que você grita meu nome // Me 
faz querer fazer amor com você” e 
“Eu gosto quando você �ca bravo 
// É um clima, é uma vibe” se en-
quadram na para�lia do sado-
masoquismo presente na socie-
dade.
Luto/Viuvez
“ghostin”
Em maio, Ariana Grande e Pete 
Davidson anunciaram que es-
tavam noivos; infelizmente, 5 
meses depois, Ariana terminou o 
relacionamento, abalada pela 
morte de seu ex-namorado Mac 
Miller. Essa faixa do álbum 
demonstra justamente a di�cul-
dade a qual enfrentou com o luto 
do falecido amante, sentimento 
comum entre o grupo social das 
viúvas. Para ela, era impossível 
manter uma relação com Pete, 
pois ainda sentia muito pela perda 
do póstumo ex-namorado.
Consumismo
“7 rings”
“7 rings” é uma música sobre em-
poderamento feminino, mas que 
foca no enorme poder aquisitivo 
de Grande e na ostentação �nan-
ceira. Pode-se pensar no famoso 
refrão (“Eu vejo, eu gosto, eu que-
ro, eu tenho”) como uma repre-
sentação da sociedade hipercon-
sumista, além da crítica à 
mercantilização de tudo na atuali-
dade (“Gostou do meu cabelo? 
Obrigada, acabei de comprar”). A 
canção re�ete uma mensagem di-
retamente oposta à re�exão do 
�lósofo Epicuro, o qual dizia que a 
Redação Pop134
felicidade não advém do consumo: Ariana rebate com “Quem fala que 
dinheiro não resolve problemas, não tem dinheiro su�ciente para re-
solvê-los”.
Autoamor e Empoderamento
“thank u,next”
No famoso videoclipe de “thank u, next”, Ariana escolhe reproduzir 4 
�lmes dos anos 2000 que tem uma característica em comum: protagoni-
stas femininas que passaram por um término e saíram mais fortes. Essa é 
a mensagem da música - a valorização do amor próprio antes do amor ao 
outro. Ariana reconta toda sua trajetória amorosa, agradecendo a todos 
os seus ex pelos momentos, para dizer que agora “conheceu outra pes-
soa”, ela mesma. É um hino de autoaceitação e empoderamento femini-
no.
Monogamia
“break up with your girlfriend, i'm bored”
Embora haja outras teorias para o signi�cado da música depois do vídeo, 
vamos pensar na mais simples: o ato de se interessar por uma pessoa com-
prometida. A voz lírica pede repetitivamente para que o homem “ter-
mine com sua namorada”, mas não �ca claro se ela está interessada pelo 
homem ou pela namorada (�ca a re�exão). Mesmo assim, a letra mostra 
um problema que a sociedade criou com a construção da exclusividade 
física e da monogamia, um fator coercitivo que é enraizado na sociedade 
e não é primitivo do ser humano, assim como o ciúmes.
Exemplo: Compro, logo existo? (Unesp 2019)
“Na canção de sucesso “7 rings”, da norte-americana Ariana Grande, 
é representada uma mentalidade de consumo perpetuada na socie-
dade do século XXI. Com a letra “Eu vejo, eu gosto, eu quero, eu 
tenho”, Ariana rea�rma a visão de que “ter” se tornou sinônimo de 
“ser” em tempos como o de hoje, em que status é de�nido por os-
Redação Pop 135
tentação �nanceira. Contrariando a teoria de Epicuro de que felici-
dade não advém do dinheiro, a cantora pop traz os fãs uma re�exão 
sobre o consumismo global: a população está cada vez mais usando 
a “terapia de compras“ como um vício escapatório da realidade.”
- Redação redigida por Lucas Felpi
“THE SOCIETY” 2019, 1 temporada, 16+
Estado de Anomia
Quando sobram apenas os adolescentes, se evidencia um estado de ano-
mia. Para o sociólogo francês Émile Durkheim, anomia é a ausência das 
normas sociais, o desrespeito às regras e às tradições comuns. Como 
solução, Durkheim propunha a divisão do trabalho, ao desenvolver a 
solidariedade social — os jovens da série também percebem a necessi-
 Sinopse
“Todo mundo desaparece da próspera cidade de West Ham, 
menos os adolescentes. Para sobreviver, eles vão ter de organizar a 
sua própria sociedade.”
Redação Pop136
dade de construir uma sociedade 
para controlar o caos.
Teorias Contratualistas
A questão política engloba as ide-
ias das teorias contratualistas de 
Rousseau, Hobbes e Locke, pelas 
quais o Estado surge de um con-
trato social: a população cede par-
te de sua liberdade a um gover-
nante, que, em troca, irá assegurar 
a convivência e a sobrevivência de 
todos. Na série, Cassandra é a que 
consegue liderar o contrato social. 
Nesse caso, a teoria mais próxima 
é a de �omas Hobbes, segundo o 
qual “o homem é o lobo do 
homem“, ou seja, o ser humano 
sem leis é destrutivo e caótico, e 
precisa do Estado para reprimir 
seus instintos.
Dilemas da Adolescência
Com o repentino isolamento dos 
adolescentes, são enfatizados os 
dramas e os aspectos característi-
cos dessa fase da vida. Embora a 
costumeira rebeldia com os pais e 
a aparente maturidade dos ado-
lescentes, os jovens de “�e Soci-
ety” se vêem perdidos, e necessi-
tam seus pais no momento de 
vulnerabilidade. A redação da 
UFRGS de 2019, por exemplo, 
tratava justamente da relação en-
tre adolescência e maturidade, no 
quesito dependência dos pais.
Inclusão dos Surdos
Sam é um dos protagonistas do se-
riado, um menino surdo. Seu per-
sonagem carrega uma representa-
tividade importante para a 
população surda, ainda subvalori-
zada e, muitas vezes, esquecida. O 
interessante é observar como sua 
narrativa não é o foco da série: ele 
é um personagem pertinente 
como qualquer outro e não há vi-
timização por sua de�ciência. Os 
outros jovens aprendem a língua 
de sinais para se comunicar com 
ele e garantir que ele participe ati-
vamente.
Religião como Explicação
Após a tragédia ocorrida com os 
200 jovens de West Ham, muitos 
passam a encontrar refúgio na re-
ligião. O caso demonstra a capaci-
dade da religião em servir como 
conforto para a incerteza humana, 
ao oferecer respostas, mesmo que 
divinas, às incessantes e inúmeras 
dúvidas mundanas.
Redação Pop 137
Desenvolvimento Sustentável
Sem saber por quanto tempo teri-
am comida e recursos como elet-
ricidade e água, os adolescentes 
precisam pensar em uma forma 
de desenvolvimento sustentável. 
Não seria sustentável viver cada 
um por si: seria necessário racio-
nalizar o uso dos recursos da na-
tureza e dos alimentos, limitados, 
para garantir a sobrevivência cole-
tiva. Um dilema tanto �ccional 
quanto real do século XXI.
Mulheres na Política
A primeira líder a organizar a so-
ciedade é Cassandra. Ela sabe da 
vulnerabilidade a que as mulheres 
estão expostas naquele caos e pro-
mete protegê-las. Seu posiciona-
mento �rme e sua vocação como 
líder feminina incomoda os garo-
tos da cidade (antes os populares 
do Ensino Médio) e um deles a 
assassina a sangue frio. Mais um 
exemplo de como mulheres no 
comando incomodam o status 
quo sexista e de como, assim 
como com Marielle Franco, este 
leva à morte.
Porte de Armas
Logo após a consolidação da nova 
civilização com Allie, um proble-
ma surge: o enorme contingente 
de armas na cidade. Os adoles-
centes, com medo uns dos outros, 
portavam pistolas para todos os 
lugares e criavam tensão entre si 
por quaisquer pequenos con�itos. 
Allie decide recolher todas as ar-
mas e proibir o porte, mas as man-
tém guardadas. A discussão para o 
uso de armas persiste muito inten-
sa hoje.
O Papel do Estado
O �lósofo Michel Foucault expli-
ca em um de seus livros que o pa-
pel do Estado para ele é “Vigiar e 
Punir”, criando prisões, hospícios 
e mecanismos de controle. É pos-
sível relacionar essa visão à condu-
ta do governo de Allie criado em 
“�e Society”, já que o seu objeti-
vo era frear os desejos individu-
alistas dos jovens e vigiá-los. As-
sim, é criada a Guarda, uma 
milícia paraé importante citar 
o trecho ou assunto da música que dialogue com o seu texto. Não 
precisa ser muito longo, ou citar diretamente. Por exemplo, você 
pode dizer: “Na música “Cálice”, de Chico Buarque, o cantor diz 
que é difícil calar-se diante dos infortúnios vividos no dia a dia, fa-
zendo referência à opressão vivida pela população no período da Dit-
adura Militar”. Lembre-se de colocar tanto a letra da música 
quanto o nome dela entre aspas! Não ocupe muitas linhas do seu 
texto com a música - coloque apenas o que é fundamental e traga 
logo em seguida uma contextualização entre a música e a redação.
“O mais escandaloso 
dos escândalos é que nos 
habituamos a eles”
- Simone de Beauvoir, escritora, 
intelectual e �lósofa francesa
“A insatisfação é o primeiro 
passo para o progresso de um 
homem ou de uma nação”
- Oscar Wilde, escritor, poeta e 
dramaturgo britânico
“Não são as crises que 
mudam o mundo, e sim 
nossa reação a elas”
- Zygmunt Bauman, �lósofo e 
sociólogo polonês
“A inclusão acontece quando 
se aprende com as diferenças e 
não com as igualdades”
- Paulo Freire, educador brasileiro
Repertórios Universais16
CITAÇÕES
“Se queres prever o futuro, 
estuda o passado”
- Confúcio, pensador e 
�lósofo chinês
“Temos de nos tornar a 
mudança que queremos ver”
- Mahatma Gandhi, 
ativista indiano
“A vontade geral deve 
emanar de todos para ser 
aplicada a todos”
- Jean-Jacques Rousseau, 
�lósofo suíço
Repertórios Universais 17
FILOSOFIA
Banalidade do Mal
Hannah Arendt, �lósofa alemã
Hannah Arendt defende que a sociedade contemporânea passou por um 
processo de massi�cação e alienação, tal qual os indivíduos tornaram-se 
incapazes de realizar julgamentos, alucinados e aceitando as situações 
Repertórios Universais18
sem questionar. Assim, as situações de injustiça e desigualdade são passa-
das despercebidas pela sociedade pela “banalidade do mal”.
Exemplo: Democratização do acesso ao cinema no Brasil (Enem 
2019)
“Em uma segunda análise, a alienação social contribui para a per-
sistência da disparidade no acesso ao cinema. A �lósofa alemã Han-
nah Arendt, em “Banalidade do Mal”, re�etiu sobre o resultado do 
processo de massi�cação da sociedade, o qual forma os indivíduos 
incapazes de realizar julgamentos morais, aceitando as situações sem 
questionar. O pensamento da �loso�a está relacionado ao contexto 
de alienação da sociedade brasileira no qual os sujeitos sociais se 
calam diante das questões que prejudicam grupos menos favore-
cidos, desconsiderando a importância de determinados recursos, 
como acesso ao cinema, para o cumprimento de direitos sociais.”
- Redação nota mil de Caroline Baptista, retirada de “Cartilha Redação a 
Mil 2.0”
Educação 19
• Analfabetismo total e funcional
• A evasão escolar em questão no Brasil
• Caminhos para combater o bullying nas escolas do Brasil
• O papel da família na educação dos jovens
• Educação alimentar
• Educação ecológica
• A ação das escolas na comunidade
• Educação pública/formal no Brasil
• Leitura dos brasileiros
• A necessidade de educação �nanceira no Brasil 
• Valorização do ensino superior
• A importância do ensino a distância
• Incentivo à pesquisa cientí�ca
• Os desa�os do ensino técnico no Brasil
• Escolas cívico-militares no Brasil
• A evasão nas universidades brasileiras
• A Reforma do Ensino Médio
• A educação como meio transformador da vida do brasileiro
• Os jovens brasileiros e a escolha da pro�ssão a seguir
• O mau comportamento dos alunos em sala no Brasil
• A educação domiciliar em questão no Brasil (“homeschooling”)
• O movimento estudantil
IIII..
EducaçãoEducação
Repertórios para temas dentro do eixo Educação, como:
Educação20
LITERATURA
“O Ateneu”
Raul Pompeia, 1888
Parte do movimento realista no 
Brasil, “O Ateneu” narra a tra-
jetória de Sérgio, que, já adulto, 
reconta em primeira pessoa suas 
vivências em um colégio interno 
na cidade do Rio de Janeiro, 
chamado Ateneu, durante o �nal 
do século XIX. O livro defende a 
ideia de que a escola é um re�exo 
da sociedade, como um micro-
cosmo social. O que acontece na 
escola re�ete as relações de toda a 
sociedade.
“Infância”
Graciliano Ramos, 1945
O livro é uma autobiogra�a de 
Graciliano Ramos, que mistura el-
ementos pessoais com sociais. Ao 
mesmo tempo em que o autor 
confessa as suas memórias desde os 
2 anos de idade até a sua puber-
dade, são expostos problemas que 
afetaram não só ele mesmo, mas 
também o seu meio. No capítulo 
“Escola”, Graciliano Ramos traça 
uma crítica muito atual ao sistema 
educacional: como ensinar e�ci-
entemente, se o que é apresentado 
aos alunos está muito distante da 
realidade deles.
“Harry Potter e a Ordem da 
Fênix”
J.K. Rowling, 2003
A saga completa trata do eixo edu-
cacional ao descrever as experiên-
cias de alunos em uma escola de 
magia. Ao serem postos em risco 
com invasões, guerras e violência, 
suas vivências podem ser compara-
das aos atuais tiroteios escolares. 
Além disso, o bullying é abordado 
no passado do Professor Severo 
Snape. Porém, especi�camente no 
Educação 21
quinto livro do universo literário, vê-se a intervenção do Ministro da 
Magia, Cornélio Fudge, em uma reforma no ensino de Hogwarts, como 
forma de tirania no poder. A interferência estatal na educação é uma 
forma clássica de se manter no poder, já que uma sociedade inteligente e 
politizada é mais difícil de ser manipulada pelas instituições do Estado.
Educação22
LEGISLAÇÃO
Constituição do Brasil de 1988
Art. 6º São direitos sociais a edu-
cação, a saúde, o trabalho, o lazer, 
a segurança, a previdência social, 
a proteção à maternidade e à in-
fância, a assistência aos desam-
parados, na forma desta Consti-
tuição.
Art. 205º A educação, direito de 
todos e dever do Estado e da 
família, será promovida e incen-
tivada com a colaboração da so-
ciedade, visando ao pleno desen-
volvimento da pessoa, seu preparo 
para o exercício da cidadania e sua 
quali�cação para o trabalho.
MÚSICA
“Negro drama”
Racionais MC's, 1997
“Pesadelo é um 2002 
Pra quem vive na guerra, a paz 
nunca existiu 
Num clima quente, a minha 
gente sua frio 
Vi um pretinho, seu caderno era 
um fuzil”
Abordagem temática: evasão escolar.
“O Analfabeto”
Moreira da Silva, 1965
“O analfabeto não vence na vida 
E tem a sua lida presa aos demais 
O analfabeto não sabe de nada 
Não lê as notícias que vem nos 
jornais 
O analfabeto é um papagaio 
Só fala porque ouve outro falar 
E em caso de assinar um docu-
mento 
Ele deixa a �cha do seu polegar”
“Geração Coca-Cola”
Dado Villa‐Lobos e Renato Russo, 
1984
“Depois de 20 anos na escola 
Não é difícil aprender 
Todas as manhas do seu jogo sujo 
Não é assim que tem que ser 
Vamos fazer nosso dever de casa 
E aí então vocês vão ver 
Suas crianças derrubando reis 
Fazer comédia no cinema com as 
suas leis 
Somos os �lhos da revolução 
Somos burgueses sem religião 
Somos o futuro da nação 
Geração Coca‐Cola.”
Abordagem temática: o poder transfor-
mador da educação.
Educação 23
DADOS ESTATÍSTICOS
1. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 
Contínua 2022, a taxa de analfabetismo no Brasil foi estimada em 
5,6% (9,6 milhões de pessoas). Entre pessoas pretas ou pardas, 7,4% 
eram analfabetas, mais que o dobro da taxa entre brancas (3,4%).
2. Segundo o Instituto Brasileiro de Geogra�a e Estatística (IBGE), o 
nível de instrução de 28% das pessoas com 25 anos ou mais de idade 
era de Ensino Fundamental Incompleto em 2022.
3. Em 2022, segundo dados do IBGE, entre os 52 milhões de jovens 
com 14 a 29 anos do país, 18,3% não completaram o ensino médio, 
seja por terem abandonado a escola antes do término dessa etapa ou 
por nunca a terem frequentado.
FILOSOFIA
Educação Bancária
Paulo Freire, educador brasileiro
Paulo Freire defende que a escola não deve ofertar uma educação 
bancária, isto é, depositar conhecimentos na mente do indivíduo. Ao 
invés disso, é necessário educar o indivíduo para que ele “tome as rédeas 
dapoliciamento dos ha-
bitantes, além dos improvisos re-
alizados de prisão, julgamento e 
punição.
Pena de Morte
Quando encontram o assassino de 
Redação Pop138
Cassandra, cria-se uma longa dis-
cussão em torno de qual seria sua 
punição, já que já não existiam 
leis ou sistema judiciário. Em 
busca de criar o seu próprio, Allie 
e seus aliados optam pela penitên-
cia máxima, a pena de morte. A 
discussão do tema é muito 
polêmica hoje, e relembra o lema 
“olho por olho, dente por dente“, 
notório do Código de Hamurabi.
Gravidez na Adolescência
Ao longo da temporada, é acom-
panhado o �o narrativo da gravi-
dez de Becca, uma menina que 
acidentalmente engravida de um 
caso de uma noite. É notado o seu 
sentimento de medo e desprepa-
ro, além do desamparo de estar 
sozinha e não ter o pai do bebê 
por perto. O abandono paterno e 
a gravidez na adolescência são 
problemas indissociáveis da reali-
dade brasileira, que causam prob-
lemas físicos e psicológicos à mãe 
e à criança.
Abuso e Violência Doméstica
A relação entre Campbell e Elle 
na série merece um reconheci-
mento de tão desesperador que é 
de assistí-la. Campbell manipula 
e força a menina a fazer o que ele 
deseja; bate nela e fere-a seria-
mente, deixando diversas marcas; 
impõe todas as suas vontades e 
não a permite fugir do relaciona-
mento. Elle vive amedrontada e, 
por muitas vezes, prefere a morte a 
continuar na cidade com ele.
Socialismo vs. Capitalismo
A sociedade de Cassandra e Allie 
era baseada em valores marxistas, 
em que prevalecia a consciência 
coletiva. Todos abriam mão de 
bens pessoais para compartilha-
rem tudo: as casas, a comida e o 
trabalho. Assim, os antigos priv-
ilégios desapareciam, e isso inco-
modava alguns antes bene�ciados 
por eles. Harry é um dos que mais 
defende a volta da propriedade 
privada, pela fortuna de sua 
família, e é o representante do que 
seria o capitalismo e o individual-
ismo num mundo socialista e co-
letivista.
Democracia vs. Ditadura
O debate se torna mais intenso 
quando a questão é quem �ca no 
poder. Allie estava há seis meses no 
cargo por sucessão de sua irmã, 
como uma monarquia autoritaris-
Redação Pop 139
ta, até que, en�m, decide abrir eleições para poder governar com legiti-
midade democrática. Como muitas tentativas democráticas, esta falha: o 
ódio irracional é propagado como propaganda política; a Igreja se posi-
ciona politicamente; por todos os lados, está a ambição pelo poder. A 
Guarda realiza um golpe de Estado, prende Allie e Will, e impõe seus 
representantes. Não parece tão difícil relacionar “�e Society” ao mundo 
real.
Exemplo: Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
“West Ham, Connecticut, EUA. Duzentos jovens encontram-se 
sozinhos em sua cidade, assustados com o desaparecimento de todos 
os adultos. Sobretudo, Becca é uma menina que descobre que está 
grávida de um caso de uma noite, duplamente aterrorizada: além de 
lidar com os medos dos outros, deve pensar no seu bebê. Embora 
essa seja a trama da série “�e Society”, não há dúvidas da reali-
dade do problema da gravidez na adolescência. Assim como Becca, 
meninas que engravidam precocemente são forçadas a carregarem 
os dilemas emocionais dessa fase da vida em concomitância com as 
responsabilidades de ser mãe.”
- Redação redigida por Lucas Felpi
“BLACK MIRROR” 2011, 6 temporadas, 16+
 Sinopse
“Uma espécie de híbrido entre '�e Twilight Zone' e 'Tales of the 
Unexpected', Black Mirror explora sensações do mal-estar con-
temporâneo. Cada episódio conta uma história diferente, traçan-
do uma antologia que mostra o lado negro da vida atrelada à tec-
nologia.”
Redação Pop140
“�e National Anthem” (Hino 
Nacional)
• Descontrole da informação
• O poder da opinião pública
• A sociedade do espetáculo
• Zoo�lia
• Entretenimento desumano
“Fifteen Million Merits” 
(Quinze Milhões de Méritos)
• Desigualdade social e elitis-
mo
• Geração de energia
• Indústria do entretenimento
• A imposição publicitária
• Sucumbência ao sistema
“�e Entire History of You” 
(Toda a Sua História)
• Paralelo ao histórico de 
atividades online
• Fim da privacidade
• Vazamento de casos ex-
traconjugais (ex: Ashley 
Madison)
• Esquecimento como dádiva
“Be Right Back” (Volto Já)
• Processo de luto
• Mães solteiras
• Mapeamento digital de 
personalidade
• Per�l digital vs. per�l real
• Humanização robótica
“White Bear” (Urso Branco)
• A passividade digital perante 
a vida real
• Violência vingativa
• Justiça popular
• Alienação como punição 
máxima
• A importância da memória
“�e Waldo Moment” (Mo-
mento Waldo)
• A irracionalidade da idolatria
• O ódio como propaganda 
política
• Nazismo e tendências atuais
• Política dos não políticos
• O poder dos memes
“White Christmas” (Natal)
• Direitos humanos para 
emuladores humanos
• Aborto
• Crime passional/ciúmes
• Solidão e socialização
• O bloqueio virtual das 
relações modernas
Redação Pop 141
"Nosedive" é o primeiro episódio da terceira temporada da série antológica de �cção 
cientí�ca britânica Black Mirror, estrelado por Bryce Dallas Howard.
Redação Pop142
“Nosedive” (Queda Livre)
• Felicidade forjada das redes 
sociais
• Necessidade de validação
• A gami�cação da vida
• Sistemas de pontuação e 
avaliação
• Arti�cialidade das relações 
humanas
• Liberdade de expressão
“Playtest” (Versão de Testes)
• O poder da realidade aumen-
tada
• Fenômeno da imersão digital
• Terror no entretenimento
• Bullying na infância
• Doenças mentais e alzheimer
“Shut Up and Dance” (Manda 
Quem Pode)
• Invasão de hackers na 
internet
• Suborno e chantagem
• Vazamentos de nudes e fotos 
íntimas
• Pedo�lia
“San Junipero”
• O desejo da vida eterna
• Homossexualidade e homo-
fobia
• Eutanásia
• Nostalgia da terceira idade
• Envelhecimento da popu-
lação
“Men Against Fire” (Engenha-
ria Reversa)
• A criação de um inimigo 
imaginário
• Extermínio como solução 
radical
• O controle emocional dos 
soldados
• Teoria da eugenia
• Combate à pobreza
“Hated in the Nation” (Odia-
dos pela Nação)
• Extinção de animais
• A inovação dos drones
• Ódio nas redes sociais
• A voz inconsequente do 
anonimato
• Camu�agem na massa 
cibernética
“USS Callister”
• Traumas da rejeição social
Redação Pop 143
• Ética da inteligência arti�cial
• Ódio e vingança no ambi-
ente virtual
• Síndrome do pequeno poder
“Arkangel”
• Superproteção parental
• Alienação pelo �ltro de 
conteúdo
• Conceito de sociedade 
disciplinar de Foucault
• O papel da educação familiar 
no desenvolvimento pessoal
“Crocodile” (Crocodilo)
• Ações guiadas pelo impulso e 
instinto animal
• Transtornos mentais/so-
ciopatia
• Carros autônomos
• Efeito bola de neve
• A subjetividade da memória
“Hang �e DJ”
• Aplicativos de encontros 
amorosos
• Controle do usuário pela 
tecnologia
• Algoritmos de big data
• O mito da alma gêmea
• Amor como fuga do sistema
“Metalhead”
• A vitória das máquinas sobre 
os humanos
• Perigo de robos automatiza-
dos
• Luta instintiva por sobre-
vivência
• Crianças em condições de 
doenças terminais
• Preservação da infância
“Black Museum”
• Prazer na dor alheia
• Racismo institucional
• Condenação de inocentes
• Tortura como entretenimen-
to
“Striking Vipers”
• Homossexualidade reprimida
• O papel dos avatares digitais
• Realidade virtual como 
paralela
• Monogamia e relacionamen-
tos abertos
“Smithereens”
• Transporte por aplicativo
Redação Pop144
• O vício das redes sociais
• Uso dos celulares no trânsito
• Processo de luto de viúvos
• Tragédias como espetáculos 
digitais
“Rachel, Jack, and Ashley Too”
• Massi�cação da indústria 
cultural
• Manipulação midiática
• Descartabilidade do artista
• Culto a celebridades
• Inteligência arti�cial
“LEMONADE” 
2016, 12 músicas, 49min
In�delidade
“Pray You Catch Me”
Beyoncé já inicia o álbum com 
“Consigo sentir o gosto da 
desonestidade (...) enquanto você 
se faz de cavalheiro”, um prelúdio 
do que está por vir. A voz líricade-
scon�a que seu parceiro a trai com 
outra pessoa, gerando desespero e 
incerteza.
Ciúmes
“Hold Up”
Em “Hold Up”, vemos a fase de 
tentativas de descobrir a traição, 
com invasões à lista de chamadas 
do marido e questionamentos à 
sua volta tardia a casa. Beyoncé 
ainda discute: "O que é pior? Pare-
cer ciumenta ou louca? Pre�ro ser 
louca", explicitando o medo social 
de demonstrar o sentimento inev-
 Tracklist
1. Pray You Catch Me
2. Hold Up
3. Don’t Hurt Yourself
4. Sorry
5. 6 Inch
6. Daddy Lessons
7. Love Drought
8. Sandcastles
9. Forward
10. Freedom
11. All Night
12. Formation
Redação Pop 145
itável do ciúmes.
Subjugação da Mulher
“Don't Hurt Yourself ”
Diante da revelação de in�deli-
dade, a voz lírica, ao invés de se 
rebaixar, se eleva a posição de dig-
na de coisas melhores. Enaltecen-
do o valor das mulheres, Beyoncé 
diz “Pode �car com seu dinheiro, 
tenho meu próprio”, revelando-se 
independente sentimental e �-
nanceiramente.
Manutenção de Longos Rela-
cionamentos
“Don't Hurt Yourself ”
Ao contrário do que o título im-
plica, Beyoncé não está disposta a 
se desculpar ou aceitar desculpas. 
A música retrata uma briga de 
casamento em que o marido cla-
ma por perdão, enquanto a mul-
her não aceita e diz estar arrepen-
dida do dia em que colocou a 
aliança em seu dedo. Relaciona-
mentos longos são compostos por 
altos e baixos e brigas e arrependi-
mentos são comuns.
Empoderamento Feminino
“6 Inch”
O “salto de 15cm” é representati-
vo do empoderamento demon-
strado na música. “6 Inch” é sobre 
enaltecer o valor das mulheres tra-
balhadoras e batalhadoras, que 
“ralam”, “se pressionam“, “lutam”, 
mas “valem cada dólar e cada 
minuto”. Quem comanda o mun-
do?
Formação Familiar
“Daddy Lessons”
Retomando suas raízes, a cantora 
faz uma faixa country sobre os 
modos como seu pai a moldou 
como pessoa e as lições que ele a 
ensinou, como a de se atentar às 
mentiras dos homens. Isso mostra 
a importância da família no desen-
volvimento da criança, mas, além 
disso, a música cita que o pai en-
sinava a menina a atirar e usar ar-
mas, uma discussão polêmica.
Reconciliação
“Love Drought”
“Love Drought” é o primeiro pas-
so para o perdão. A voz lírica pre-
tende entender o porquê da 
traição, “o que fez de errado”, e se 
seus sentimentos são integral-
mente correspondidos. Ao �nal, 
Redação Pop146
ela abre mão do orgulho para diz-
er que, de sua parte, poderia haver 
reconciliação.
Vulnerabilidade
“Sandcastles”
Embora também retrate o camin-
ho para a reconstrução do casal, a 
oitava faixa revela um fator im-
portante para a conexão de duas 
pessoas: demonstração das vul-
nerabilidades. Beyoncé canta: 
“Mostre-me suas cicatrizes, que 
eu não vou embora”, clamando 
pela coragem de ser vulnerável.
Resolução de Con�itos
“Forward”
A curta duração da música prova 
que ela é o ponto de virada do ál-
bum: os dois estão prontos para 
mover adiante e deixar o passado 
de lado. O amor um pelo outro e 
a sinceridade são tão fortes que 
são capazes de reconstruir a 
relação que tiveram.
Direitos das Minorias
“Freedom”
“Freedom” é um clamor por com-
pleta liberdade. Pelos direitos 
civis e humanos de minorias mar-
ginalizadas socialmente, princi-
palmente da comunidade negra. 
Trechos da música remetem às 
chacinas policiais de negros, a sub-
alternização, a criminalização e o 
genocídio desse grupo. É um pro-
testo pela voz, pelo poder e pela 
liberdade de coletividades feitas 
minorias.
Amor Verdadeiro
“All Night”
“Amor verdadeiro trouxe sal-
vação”. A penúltima faixa discute 
a concepção de amor verdadeiro, 
que pode ultrapassar qualquer im-
passe e se torna perpétuo. É fato 
que atualmente vemos uma maior 
liquefação das relações, mas a can-
tora defende o lema da avó: “Nada 
que é real pode ser ameaçado”.
Vidas Negras Importam
“Formation”
Para encerrar a narrativa musical, 
Beyoncé toma orgulho da mulher 
negra que é e de suas raízes, inclu-
sive da estética característica neg-
ra. Ela menciona seu pai negro e 
mãe crioula e o belo cabelo afro de 
sua �lha, Blue Ivy. Em uma visão 
mais ampla, vemos a questão da 
violência policial aos negros, am-
Redação Pop 147
pli�cando o movimento Vidas Negras Importam. “O que aconteceu em 
Nova Orleans?”.
Exemplo: A persistência do racismo na sociedade brasileira
“No último álbum visual da popstar Beyoncé “Lemonade”, mais 
introspectivo e pessoal, a cantora se orgulha de suas raízes negras e 
clama pelo combate ao genocídio policial de sua população. Como 
exemplo, vê-se no videoclipe de “Formation” a cidade de New Orle-
ans, na qual um vlogger negro foi misteriosamente morto em 2010. 
Paralelamente, em maio de 2019, um carro de família negra foi alvo 
de 80 tiros militares sem qualquer ameaça. De fato, �ca claro que 
ainda, para além da crítica de Beyoncé, ainda existe o racismo insti-
tucional e estrutural na mentalidade da sociedade brasileira.”
- Redação redigida por Lucas Felpi
“LA CASA DE PAPEL” 2017, 5 temporadas, 16+
Crise Econômica
A trama do grande roubo discute uma possível consequência das crises 
econômicas: a propensão ao crime. Em resposta à crise do euro e à situ-
ação da economia espanhola, o grupo do Professor decide invadir a Casa 
da Moeda e produzir notas de dinheiro, fazendo sua própria “injeção de 
liquidez” para os mais pobres.
 Sinopse
“Oito ladrões se trancam com reféns na Casa da Moeda da Es-
panha. Seu líder manipula a polícia para realizar um plano. Será o 
maior roubo da história, ou uma missão em vão?”
Redação Pop148
Desigualdade Social
Outro desencadeador do plano 
da gangue é a tamanha desigual-
dade social existente. Vindos de 
origens miseráveis e raízes pobres, 
os integrantes do grupo procur-
am por justiça em um mundo 
capitalista. É fato que La Casa de 
Papel retrata o sentimento dos 
desfavorecidos do sistema que se 
vêem sem saída.
Robin Hood e a Linha Tênue do 
Maniqueísmo
Assim como na lenda de Robin 
Hood, o Professor articula um 
plano com o objetivo de equili-
brar a balança �nanceira espan-
hola: roubar dos mais ricos para 
dar aos mais pobres. Isso, é claro, 
constitui crime, mas ganha a 
afeição e a compaixão do público 
em geral. A inversão de valores da 
simpatia pela vilania se vê tam-
bém em casos como o de Jack 
Sparrow em “Piratas do Caribe”, 
Frank Underwood em “House of 
Cards”, e Nazaré Tedesco em 
“Senhora do Destino”, e revela 
que é possível confundir mocin-
hos com bandidos, bem com o 
mal.
Resistência ao Nazifascismo
Se você existe e já ouviu falar em 
“La Casa de Papel”, já ouviu o 
“Bella Ciao“. A música já ganhou 
versão funk e foi muito retomada 
nos dias de hoje, mas sua origem 
tem um signi�cado importante: a 
resistência à política fascista de 
Benito Mussolini na Itália em 
1940. O Professor e Berlim en-
toam essa música como símbolo 
da resistência que estão construin-
do ao sistema �nanceiro, mas que 
remonta à época do nazifascismo.
Machismo
Na série, as integrantes femininas 
são constantemente rebaixadas e 
colocadas sob comando masculi-
no, com comentários negativos e 
opressão. Além disso, a inspetora 
Raquel é enclausurada pelo seu 
chefe extremamente machista, 
coronel Prieto. A frase que sim-
boliza a quebra dessa tradição é a 
tomada de liderança de Nairóbi 
sobre Berlim, com a famosa fala 
“Que comece o matriarcado“.
Crianças em Situação de Vulner-
abilidade
Falando em Nairóbi, ela diz nos 
Redação Pop 149
primeiros episódios que possui um �lho pequeno de 7 anos, do qual 
perdeu a guarda. É explicado que ela perdeu a guarda do menor por ele 
se encontrar em um ambiente de extrema vulnerabilidade e envolven-
do-se no trá�co de drogas e nas atividades criminais da mãe. O Estatuto 
da Criança e do Adolescente prevê direitos básicos para crianças e adoles-
centes, mas, mesmo assim, apenas na cidade de São Paulo 77 mil jovens 
estão em situação de abuso, negligência e exploração.
Síndrome de Estocolmo
Cada personagem na trama ganha nome de uma cidade, e não é a toa que 
Mônica Gaztambide é nomeada “Estocolmo”.A funcionária do banco 
mantida como refém se apaixona por um dos assaltantes, Denver, e cria 
uma relação com ele, um claro exemplo do fenômeno psíquico Síndrome 
de Estocolmo. É um estado em que uma vítima passa a ter simpatia e até 
mesmo amor ou amizade pelo seu agressor, considerada uma doença 
psicológica aleatória e vista pela primeira vez no famoso assalto de 6 dias 
de Norrmalmstorg, em Estocolmo, na Suécia.
Redação Pop150
Tortura no Século XXI
A parte 3 de “La Casa de Papel” foca em fazer justiça a um dos ladrões 
que é capturado pela polícia. Rio é preso e levado para local desconheci-
do sem que houvesse nenhuma notícia ou relato de sua captura, causan-
do suspeitas da equipe de que houvesse acontecendo atividade policial 
ilegal. De fato, o que estava acontecendo era uma tortura com o pri-
sioneiro em busca de informações sigilosas, um crime retrógrado mas 
ainda recorrente em pleno século XXI.
Exemplo: Efeitos da crise econômica contemporânea no Brasil
“Madrid, Espanha. Oito ladrões entram na Casa da Moeda com 
macacões vermelhos e máscaras de Dali, com o plano de imprimir 
dinheiro para sustentar suas miseráveis vidas. Essa é a trama da cé-
lebre série “La Casa de Papel”, de 2017, que retrata �ccionalmente 
uma das consequências da crise especulativa no país europeu: o sen-
timento de subversão do sistema e a tendência à criminalidade. De 
fato, no caso brasileiro, presencia-se o aumento nas taxas de violên-
cia pela crise econômica recente, necessitando-se, portanto, analisar 
os impactos não somente �nanceiros, mas também sociais dessa.”
- Redação redigida por Lucas Felpi
“OLHOS QUE CONDENAM” 2019, 1 temporada, 18+
 Sinopse
“Cinco adolescentes do Harlem vivem um pesadelo depois de 
serem injustamente acusados de um ataque brutal no Central 
Park. Baseada em uma história real.”
Redação Pop 151
Estupro
O famoso caso dos “Cinco do 
Central Park” diz respeito a um 
estupro brutal e tentativa de 
homicídio de uma corredora 
branca, Trisha Meili, no conheci-
do parque da cidade de Nova 
Iorque. Embora não tenham sido 
eles os culpados, o evento demon-
stra a terrível recorrência da vi-
olência sexual às mulheres nos 
contextos mais imprevisíveis.
Corrupção e Violência Policial
Ao encontrar a corredora à beira 
da morte, a polícia rapidamente 
associou o evento ao tumulto e à 
arruaça que jovens negros faziam 
no parque. Mais cedo, diversos 
deles haviam sido levados à deleg-
acia, inclusive um deles agredido 
por um policial, usando seu ca-
pacete. Então, os investigadores 
decidem encerrar logo o caso in-
ventando denúncias aos jovens, 
fazendo falsas promessas, interro-
gando-os sem a presença dos pais 
ou de advogados e incriminan-
do-os com falsas e confusas con-
�ssões forçadas..
Racismo Institucional
Os eventos retratados na série têm 
uma mensagem explícita: o racis-
mo está velado até nas instituições 
governamentais, injustamente 
acusando e condenando um seleto 
grupo. Em 18 de abril de 1989, 
poucos jovens negros causaram 
confusão no parque, e todos, de 
um grupo grande de inocentes de 
qualquer ato, foram levados vio-
lentamente à delegacia. A promo-
toria e a opinião pública midiática 
não tiveram receio em acusar cri-
anças de um estupro brutal, desu-
manizando e maltratando os jov-
ens, porque, para eles, eram 
“animais”. O que não seria difer-
ente se fossem brancos?
De�ciências do Poder Judiciário
E assim, 5 crianças negras ino-
centes foram condenadas à prisão 
por um crime que não comet-
eram, em um erro da Justiça entre 
tantos outros semelhantes. Em 
uma acusação sem provas físicas, 
nenhuma compatibilidade de 
DNA, uma linha do tempo incon-
ciliável e depoimentos con�i-
tantes, o caso contra os garotos, 
dividido ainda em 2 processos dif-
erentes, resultou no mesmo ve-
redito: injustiça. 
Redação Pop152
Pena de Morte
Ainda antes dos acusados serem 
julgados, o magnata milionário 
Donald Trump gastou $85.000 
para um anúncio de página intei-
ra em 4 grandes jornais da cidade: 
ele pedia a volta da pena de morte 
para a execução dos 5 jovens. Até 
hoje, com a estreia da série que ex-
onera os 5, o atual presidente dos 
EUA se recusa a se desculpar e 
nega a inocência deles. O debate 
da pena de morte é delicado nos 
EUA, variando de estado para es-
tado, e têm sido fomentado no 
Brasil.
Trá�co de Drogas
Ao sair da prisão, já mais velho, 
Raymond Santana busca em-
pregos para se sustentar e falha 
sucessivamente. Após longas de-
cepções atrás de trabalho e obser-
vando há tempos o �uxo do crime 
organizado de Harlem, o jovem se 
envolve com o trá�co de drogas 
para sua sobrevivência. Fica claro 
que a ine�cácia na reinserção de 
ex-carcerários no mercado de tra-
balho leva à propensão da entrada 
ao trá�co e, claro, ao ciclo in�nito 
de criminalidade a essa camada 
marginalizada.
Sistema Carcerário
No último episódio, vemos a par-
ticularidade da situação de Korey 
Wise: por já ter 16 anos, o garoto 
foi submetido diretamente à vida 
no sistema penitenciário. Lá, ele 
era espancado e violentado em 
ataques até coordenados e orques-
trados pelos próprios guardas, 
vendo-se dentro de um esquema 
de corrupção e opressão nas cade-
ias. Para piorar a situação, ele não 
podia ir na enfermaria pois seria 
“dedo-duro” e foi obrigado a se 
colocar na cela solitária.
Transfobia
Um tópico tangenciado no desen-
rolar da série é a história de pre-
conceito que a irmã de Korey, 
Marci Wise, sofria dentro e fora de 
casa por ser uma mulher trans. Na 
rua, era observada e agredida ver-
balmente por pedestres ao seu 
lado; em casa, era oprimida e re-
pudiada por sua mãe, que chega a 
expulsá-la de casa por sua identi-
dade de gênero. Enquanto Korey 
serve seu tempo na prisão, ele ouve 
a notícia de que sua irmã foi assas-
sinada.
Redação Pop 153
Exemplo: Caminhos para combater o racismo no Brasil (Enem 
2016 2ª aplicação)
“Em 2019, a minissérie “Olhos que Condenam” trouxe à tona o 
caso dos “Cinco do Central Park”, as cinco crianças negras conde-
nadas injustamente por claro racismo institucional. Entretanto, é 
fato que o problema não está restrito aos EUA, visto, por exemplo, 
o paradoxo brasileiro de �or Batista e Rafael Braga: o primeiro, 
branco e �lho de milionário, foi absolvido de atropelar e matar um 
ciclista, enquanto o segundo, pobre e negro, preso por portar uma 
garrafa de desinfetante nas manifestações de junho de 2013. Logo, 
�ca claro que, para combater a mentalidade racista no país, é preciso 
realizar uma reavaliação da seletividade penal e policial e reparar as 
injustiças históricas.”
- Redação redigida por Lucas Felpi
“13 REASONS WHY” 2017, 4 temporadas, 18+
Bullying
Hannah Baker é nova em Liberty High e sai com Justin Foley, que secre-
tamente tira uma foto íntima sua. No dia seguinte, a foto circula por 
todos os colegas e ela passa a ser humilhada, objeti�cada e assediada nos 
corredores. A garota, recém chegada na escola, começa a ser excluída e os 
amigos que ela vai encontrando no caminho sempre a desapontam ou 
abandonam.
 Sinopse
“Clay Jensen é um estudante que se vê envolvido em uma série de 
mistérios provocados pelo trágico suicídio de uma amiga.”
Redação Pop154
“13 Reasons Why” foi lançada em 2017 na Net�ix, baseada na obra literária de 
mesmo nome. Sucesso imediato, muitos acreditam que o show é perigoso. 
Redação Pop 155
Invasão de Privacidade
Além de Justin, outros agentes 
participam da frequente invasão 
da privacidade e intimidade de 
Hannah sem seu consentimento. 
Tyler Down persegue Hannah e a 
fotografa pela janela de seu quar-
to, divulgando uma imagem sua 
beijando Courtney Crimsen. Em 
outro caso, Ryan Shaver rouba 
um poema de Hannah e o publica 
na revista sem a sua autorização, 
sendo exposta e ridicularizada.
Assédio Sexual e Estupro
Desde seu encontro com Justin, 
Hannah é vítima de assédio sexu-
al pelos atletas da escola. Alex 
Standall a coloca na lista de mel-
hores corpos da turma; Marcus 
Cole a humilha com propostas 
sexuais e agarrando sua perna; 
BryceWalker passa a mão nela en-
quanto está na �la; ela presencia 
Bryce estuprando Jessica Davis; 
Bryce estupra a própria Hannah 
na banheira.
Omissão da Escola
Numa última tentativa de sobre-
viver, Hannah recorre a seu con-
selheiro escolar, Kevin Potter. Em 
um exemplo grave de negligência 
e irresponsabilidade institucional, 
Potter parece não prestar atenção 
aos sinais alarmantes da fala de 
Hannah. Ela conta que foi es-
tuprada e ele duvida da história e 
diz que, se não for apontar o agres-
sor, ela deveria esquecer o caso e 
seguir adiante.
Inconsequência Adolescente
No âmbito da adolescência, 
13RW faz uma análise do tema 
das repercussões de nossas ações, 
das relações causa-efeito, já que os 
adolescentes tendem a não pensar 
nas consequências de suas escol-
has. Justin vazando a foto de Han-
nah leva a Alex com a lista, levan-
do os atletas a abusarem do corpo 
de Hannah, assim por diante. 
Outro exemplo disso está a seguir:
Bebida e Direção
Na �ta 5, Hannah descreve o 
episódio em que pega carona com 
Sheri Holland, que ainda está em-
briagada após uma festa. Ela bate 
numa placa de trânsito e insiste 
em não chamar a polícia. Por cau-
sa disso, outro aluno, Je� Atkins, 
não para no local apropriado e 
morre em um acidente de carro.
Redação Pop156
Suicídio
Depois da conversa com Mr. Pot-
ter, Hannah desiste de sua vida e 
comete suicídio. A cena (agora 
apagada pela Net�ix) foi polêmi-
ca por representar gra�camente o 
ato, indo contra normas mundi-
ais. Hannah deixa as �tas e aponta 
responsáveis por sua morte, caus-
ando uma nova tentativa de suicí-
dio por Alex.
Impunidade Seletiva
Na segunda temporada, vemos o 
desenrolar do caso dos pais de 
Hannah Baker contra Bryce 
Walker, em que o agressor ganha e 
sai impune, havendo estuprado 
diversas garotas. Como o próprio 
ator que o interpreta disse, “Nos-
sa série é uma obra de �cção mas 
também representa a realidade. 
Bryce é privilegiado, vem de uma 
família rica e poderosa, é homem, 
branco e hétero e por isso é muito 
fácil se livrar dessas situações. Ve-
mos isso acontecer diariamente e 
é terrível. Fãs �carão com raiva, 
mas devemos �car com raiva, 
porque é a realidade.”
Estupro Masculino
Outra cena polêmica foi o estupro 
de Tyler Down, quando Monty de 
la Cruz e outros atletas o encur-
ralam e o estupram com um cabo 
de vassoura. O estupro masculino 
é um assunto ainda mais velado e 
menos divulgado, já que o es-
tereótipo de que o homem não 
pode expressar sensibilidade faz 
com que as vítimas sintam ainda 
mais vergonha.
Tiroteios Escolares
Ao �nal da temporada, presencia-
mos outro efeito do ato de bully-
ing e assédio: o tiroteio escolar. No 
baile, Tyler Down aparece com 
sua coleção de armas (abrindo es-
paço para o tópico porte/posse de 
armas) com a intenção de matar 
seus colegas. Claramente, não há 
justi�cativa para atos como esse, 
mas vemos as origens de um in-
stinto desumano. No mesmo dia 
em que a 2a temporada foi dis-
ponibilizada, 9 estudantes e 1 pro-
fessor morreram em um tiroteio 
em uma escola no Texas.
Gravidez na Adolescência e 
Aborto
Chloe Rice, ex-namorada de 
Bryce Walker e sobrevivente de es-
Redação Pop 157
tupro deste, se descobre grávida e decide abortar. A série retrata, assim 
como nos outros tópicos, a difícil realidade dessa decisão: o peso emocio-
nal, a di�culdade burocrática, e a pressão social.
Homofobia como Homossexualidade Reprimida
Em uma reviravolta na série, é revelado que Monty de la Cruz, um dos 
mais homofóbicos atletas de Liberty High e que estuprara Alex por isso, 
já havia se envolvido com garotos. Ele se descobre homossexual e, assim 
como em outros casos, sua homofobia estava enraizada no medo de as-
sumir-se como um. Em agosto de 2021, um dos maiores líderes da tera-
pia “cura gay“. McKrae Game, se declarou homossexual.
Determinismo
13 Reasons Why demonstra como comportamentos dos personagens 
foram internalizados por in�uências externas, como na teoria do Deter-
minismo. Monty era abusado por seu pai em casa todo dia, depois repro-
duzindo essa violência; Justin foi abandonado pela mãe viciada em dro-
gas, tornando-se um viciado ele mesmo; Bryce vivia sob a pressão de 
mostrar-se másculo com a presença de pai e avô machistas e agressivos, 
construindo um caráter frio e insensível.
Exemplo: A epidemia de atiradores em ambientes escolares 
“18 de maio de 2018. Em uma escola no Texas, EUA, nove es-
tudantes e um professor morrem por tiros de um estudante. No 
mesmo dia, estreia a 2a temporada da série “13 Reasons Why”, que, 
para a surpresa dos telespectadores, desenha a rota de eventos até 
um tiroteio no colégio: Tyler Down, excluído, estuprado e sozinho, 
desenvolve um desejo irracional de vingança. Fora das telas, atos 
de violência nas escolas brasileiras têm crescido exponencialmente, 
injusti�cáveis mas advindos de fatores como a cultura do bullying e 
a instabilidade emocional adolescente.”
- Redação redigida por Lucas Felpi
Redação Pop158
“ELITE” 2018, 7 temporadas, 18+
Bullying nas Escolas
Quando uma escola pública desaba por obras mal feitas, três alunos re-
cebem bolsas de estudo para Las Encinas, o colégio mais exclusivo da 
Espanha. Lá, eles são discriminados por sua condição material inferior, 
vistos como vírus contagiosos ou animais desumanizados pelos alunos 
das famílias milionárias, resultando em um assassinato.
Luta de Classes
Em “Elite”, como o próprio nome indica, a principal temática é o con-
�ito entre as classes sociais de Las Encinas. Relacionando-o com a teoria 
de Karl Marx, vemos o conceito de luta de classes aplicado entre o grupo 
opressor, dos alunos de famílias ricas, e o oprimido, dos bolsistas, bus-
cando reivindicar seu espaço e seus direitos. De acordo com o �lósofo, a 
luta de classes é uma constante na história humana, já que a condição 
material determina os demais aspectos da vida.
HIV na Adolescência
Um dos motivos para a discriminação com alunos de famílias pobres foi 
a transmissão do vírus HIV de um ex-aluno bolsista para Marina, uma 
das garotas do colégio. Ao longo da série, vemos como sua condição com 
o vírus molda a visão dos outros sobre sua vida sexual e o tratamento de 
seus pais com relação a ela.
 
 Sinopse
“Após três jovens da escola pública serem transferidos para um 
conceituado colégio de elite, o con�ito entre classes acaba levan-
do a um assassinato.”
Redação Pop 159
Xenofobia e Intolerância Religiosa
Nadia, uma das bolsistas vinda de família muçulmana, é proibida de usar 
o hijab (o véu islâmico que cobre o cabelo das mulheres) pela direção da 
escola, com risco de expulsão em caso de desobediência. “Aqui, todos 
usam acessórios – bolsas caras, relógios de ouro... Tudo isso quer dizer: 
sou mais rico do que você. Por que não posso usar um símbolo da minha 
fé?’’, ela fala.
Homofobia
O caso entre Omar, irmão de Nadia e vindo de uma família conservado-
ra muçulmana, e Ander, �lho da diretora da escola, revela as facetas da 
homofobia em diferentes famílias e as di�culdades no processo de aber-
tura da sexualidade. Omar tem medo de ser expulso de casa pelos pais 
rigorosos, e Andar esconde sua orientação sexual temendo ser excluído 
pelos amigos e perder sua carreira no tênis.
Relações Amorosas
Outra relação a ser mencionada é o trisal Christian (um dos bolsistas), 
Carla e Polo (que antes formavam um casal). Os últimos dois decidem 
juntos experimentar novas con�gurações com outras pessoas e usam o 
Redação Pop160
novo colega Christian, que ao �-
nal resulta em uma conexão 
maior. Os três se envolvem emo-
cionalmente, Polo se descobre 
sexualmente e eles formam um 
trisal.
Corrupção
O pai de dois personagens princi-
pais comanda a construtora re-
sponsável pelo colapso da escola 
pública, acobertado pelas bolsas 
de estudo. O mesmo tinha um es-
quema de corrupção com o pai de 
outro colega, documentado em 
arquivos dentro de um relógio. 
Quando o relógio é roubado, eles 
fazem de tudo para recuperá-lo e 
proteger os segredos, incluindo 
assassinato.Gravidez Precoce
Marina secretamente se envolve 
em um caso com Nano, irmão de 
Samuel, do qual descobre estar 
grávida. Além de lidar com a 
pressão e as consequências de uma 
gravidez precoce, ela não pode di-
vulgar quem é o pai da criança. 
Quando Marina é assassinada, 
seu bebê também morre.
Uso de Drogas por Jovens
Os jovens de “Elite” fazem festas 
com frequência e não tem di�cul-
dade para obter bebidas alcóolicas 
ou drogas (Omar, por exemplo, é 
um pequeno tra�cante). Guzmán, 
irmão adotivo de Marina e con-
trário ao uso de drogas após desco-
brir que seus pais biológicos mor-
reram devido ao consumo dessas, 
aparece na 2ª temporada abusan-
do de entorpecentes após a perda 
da irmã.
Vazamento de Fotos Intímas
Na 2ª temporada, Nadia tem um 
vídeo íntimo seu com Guzmán 
vazado por Valério e Lucrécia, que 
sente ciúme dos dois juntos. A 
menina tem que contar aos seus 
pais, rigorosamente religiosos, 
mas é perdoada e recebe apoio 
desses. A situação re�ete um prob-
lema comum entre jovens que 
mancha a reputação das vítimas e 
causa impactos duradouros com 
os membros da família.
Incesto
Lucrécia e Valério são meio-
irmãos (�lhos do mesmo pai) com 
um histórico de casos românticos 
desde crianças, um caso de inces-
to. Uma das revelações mais cho-
Redação Pop 161
cantes da nova temporada, a paixão entre os dois toma uma proporção 
maior quando a família descobre o romance numa cena um tanto pertur-
badora de jantar.
Condenações Injustas
Após a morte de Marina, Nano é acusado de cometer o crime contra sua 
amante secreta e encarcerado injustamente: até seu julgamento o�cial, 
ele teria de �car 2 anos na cadeia. Samuel, seu irmão, faz de tudo para 
provar que ele é inocente, inclusive forja seu desaparecimento e morte 
para levar Carla a confessar que Polo é o culpado.
Exemplo: Caminhos para a inclusão de portadores de IST’s no 
Brasil
“Na série televisiva “Elite”, Marina vem de uma família rica e privile-
giada, que tenta a todo momento esconder que sua �lha é portadora 
do vírus HIV. Ao longo da narrativa, são retratadas as di�culdades 
de lidar com uma infecção envolta por tabus, mitos e preconceitos, 
inclusive gerando na trama a intolerância dos alunos do colégio para 
com os bolsistas, já que havia sido um deles o transmissor do vírus. 
Fora das telas, �ca claro que jovens diagnosticados com IST’s en-
contram obstáculos para sua inclusão e aceitação, principalmente 
por desinformação generalizada e medo infundado.”
- Redação redigida por Lucas Felpi
“CORINGA” 2019, 2h2min, 16+
 Sinopse
“Arthur Fleck é um homem que luta para encontrar o seu camin-
ho na sociedade fraturada de Gotham. Preso em uma existência 
cíclica entre a apatia e a crueldade, Arthur toma uma decisão 
Redação Pop162
Doenças Mentais
Arthur Fleck sofre de um trans-
torno denominado Transtorno da 
Expressão Emocional Invol-
untária, cujo aspecto marcante é a 
risada incontrolável, mas também 
exibe sintomas de depressão, 
distúrbios alimentares, aluci-
nações e esquizofrenia. Ele é neg-
ligenciado, ignorado e atacado 
por sua condição, enquanto todos 
desviam seus olhos para ele nas 
ruas— uma apatia que é doloro-
samente retratada no �lme.
O Papel da Assistência Social
Fleck visita regularmente o 
serviço de assistência social de 
Gotham para sessões de terapia e 
fornecimento de seus pesados 
medicamentos. Ao ponto em que 
sua terapeuta já não consegue 
mais escutar os pacientes, o pro-
grama têm seu orçamento corta-
do e ele �ca sem os remédios. É a 
partir do corte de recursos públi-
cos que a queda do protagonista 
têm início.
Porte de Armas
Uma das maiores polêmicas do 
longa é a abertura do debate para o 
armamento estadunidense: é ex-
posto como a violência do icônico 
Coringa têm origem na facilidade 
de aquisição de armas de fogo. 
Um colega de trabalho, Randall, 
empresta a Arthur uma arma para 
sua proteção após um incidente 
com garotos o espancando na rua. 
Da próxima vez, os atacantes seri-
am mortos.
Criação de um Sociopata
ruim que provoca uma série de acontecimentos nesse estudo de 
personagem ambicioso.”
Redação Pop 163
Ao longo da narrativa, o especta-
dor acompanha o agonizante pro-
cesso de transformação de psicose 
em psicopatia, resultado de múl-
tiplos fatores sociais impostos ao 
frágil personagem. Em realidade, 
no caso do �lme, Coringa se torna 
um sociopata: diferentemente de 
um psicopata, que têm seu com-
portamento inato, um sociopata 
desenvolve as características du-
rante a vida, por meio de traumas, 
da educação e da família.
Abuso Físico e Psicológico
Quando menor, Fleck sofria da 
violência doméstica do namorado 
abusivo de sua mãe. Penny, que 
também sofre de problemas men-
tais, adotou Arthur e o levou para 
ser criado em um ambiente hostil 
e vulnerável, onde seu namorado 
chega a amarrar a criança em um 
aquecedor por um longo período 
de tempo e causa traumas psi-
cológicos e físicos em sua cabeça.
Marginalização Social
Em “Coringa”, é discutido a seg-
regação de diversas camadas que 
são base da estrutura social. 
Pro�ssões pouco valorizadas, 
como palhaços de rua, se tornam 
invisíveis e alvo de piadas. Pela 
perspectiva de um comediante de-
sajeitado, vemos Arthur mal-re-
munerado, demitido e ridicular-
izado por todos: desde o público 
de seu stand-up, homens na rua, 
até apresentadores de televisão.
Descaso Político
�omas Wayne é o representante 
da elite de Gotham. Em uma ci-
dade corrupta e que permite ape-
nas a prosperidade dos ricos, 
Wayne concorre à prefeitura e diz 
em um de seus declaramentos 
televisivos que a pobreza é uma 
condição inata, como uma casta 
inferior, chamando os que a ela 
pertencem de “palhaços”. A partir 
de então, a máscara de palhaço 
vira um símbolo de resistência 
(Bella Ciao?).
Violência Policial
Em uma das perseguições de dete-
tives ao Coringa, os policiais o 
procuram por vagões de trem com 
civis vestindo máscaras de pal-
haços. Em meio à confusão, brigas 
intensi�cam e os policiais recor-
rem às suas armas: um detetive 
mata um civil. Poderia ser Ágatha 
Félix.
Redação Pop164
Justiça pelas Próprias Mãos
O �lme aborda a violência popular como uma forma de vingança à real-
idade opressora, levando à morte dos representantes da elite (a família 
Wayne, por exemplo) e dos opressores dos marginalizados (os homens 
que atacam Arthur no metrô). Embora seja um outro tipo de vigilante, é 
demonstrado o efeito da justiça pelas próprias mãos: caos.
Luta de Classes
A revolução iniciada no �nal do �lme representa a inversão de poder: os 
trabalhadores tomam o controle antes da elite, o que Marx teoriza como 
“luta de classes”. Para o �lósofo, a história é feita de transformações no 
status quo causadas pela revolta da classe oprimida contra a classe opres-
sora.
Exemplo: A riqueza de poucos bene�cia a sociedade inteira? (Un-
esp 2017)
“No �lme de 2019 “Coringa”, Arthur Fleck é um palhaço mal-suce-
dido que se tornaria o futuro arqui-inimigo de Batman ao iniciar 
uma rebelião popular contra a aristocracia local. Em Gotham, uma 
cidade corrupta e elitista que impede a prosperidade econômica dos 
desfavorecidos, Fleck é ridicularizado, rejeitado e violentado em ce-
nas dolorosas que retratam a origem de sua violência vingativa. De 
fato, na realidade atual, a concentração de renda e a subcondição 
das camadas pobres resultam em mazelas sociais prejudiciais à to-
dos: a perda de dignidade muitas vezes leva à criminalidade.”
- Redação redigida por Lucas Felpi
“PARASITA” 2019, 2h12min, 16+
 Sinopse
Redação Pop 165
“Toda a família de Ki-taek está desempregada, vivendo num 
porão sujo e apertado. Uma obra do acaso faz com que o �lho 
adolescente da família comece a dar aulas de inglês à garota de 
uma família rica. Fascinados com a vida luxuosa destas pessoas, 
pai, mãe, �lho e �lha bolam um plano para se in�ltrarem também 
na família burguesa, um a um. No entanto, os segredos e mentiras 
necessários à ascensão social custarão caro a todos.”
Estado de Pobreza
O �lme acompanha afamília Kim, composta por um casal de desempre-
gados e dois �lhos que vivem em um apertado imóvel semi-subterrâneo. 
Em uma zona perigosa e marginalizada da cidade, eles trabalham do-
brando caixas de pizza para sustentar suas necessidades básicas.
Desigualdade Social
Um dos �lhos Kim é contratado pelos Park, uma família milionária que 
vive no alto de um grande morro e que aponta o contraste social de ren-
da. A deslumbrante casa em que os Park residem e o luxo de que usu-
fruem espanta o humilde jovem Ki-woo, contratado como tutor de in-
glês.
Luta de Classes
O choque social do primeiro encontro resulta na luta de classes do �lme. 
O desejo dos desfavorecidos de conquistar uma condição de vida melhor 
os leva a secretamente se in�ltrarem na casa como funcionários: a irmã se 
torna terapeuta de arte do caçula e seus pais, motorista e governanta — se 
livrando dos que antes ocupavam tais postos.
Falta de União Classicista
Retratando a teoria do con�ito entre classes sociais de Marx, “Parasita” 
Redação Pop166
também revela a falta de união da 
classe oprimida em tais cenários, 
assim como durante a Revolução 
Industrial. Embora ambas as 
famílias Kim e da antiga gover-
nanta almejem tomar vantagem 
dos Park, elas não chegam a um 
acordo e brigam violentamente 
entre si.
Os Desiguais Efeitos do Clima
Em uma das principais cenas do 
�lme, uma forte tempestade 
atinge a cidade e causa a completa 
inundação do apartamento dos 
Kim. Eles são deslocados a um 
ginásio com dezenas de famílias 
desalojadas e, no dia seguinte, Sr. 
Kim escuta a senhora Park agra-
decendo a chuva do dia anterior: 
“Hoje o céu está tão azul e sem 
poluição, graças à chuva!”.
Apropriação Cultural
Uma das linhas narrativas recor-
rentes é a �xação do caçula da 
família Park com a cultura indíge-
na, se vestindo de índio, dormin-
do em cabanas e atirando �echas. 
Embora a criança seja pequena, a 
discussão sobre a redução de cul-
turas oprimidas a fantasias está se 
tornando cada vez mais crescente 
nos dias atuais.
Preconceito
O elemento que representa o pre-
conceito da elite Park diante dos 
Kim é o cheiro característico, que, 
de acordo com eles, seria de quem 
“anda de metrô”—uma vez pego, 
nunca sai. Tendo ignorado isso 
antes, é a reação de nojo do patrão 
a tal cheiro quando precisa salvar 
sua �lha que faz Sr. Kim explodir e 
matar o milionário.
"Parasitismo"
O parasitismo referenciado no 
título do �lme vai além da invasão 
dos Kim à mansão milionária, en-
globando uma re�exão maior a 
respeito da hierarquia social: se 
um parasita vive às expensas de 
outro(s), a elite não se sustenta às 
custas da miséria dos desfavoreci-
dos? Bong Joon-Ho abre portas 
para se perguntar quem é o parasi-
ta de quem.
Ascensão Social
Como um símbolo do �lme, as es-
cadas aparecem em diversas cenas 
como a fronteira entre pobreza e 
luxo. A diferença de altitude entre 
o bairro dos Kim e a mansão dos 
Redação Pop 167
"Parasita" fez história como o primeiro �lme sul-coreano indicado ao Oscar para 
Melhor Filme em 2020, e levou o prêmio, além de 3 outras categorias.
Redação Pop168
Park demonstra a in�exibilidade das camadas sociais e di�culdade de 
ascenção. A posição da residência dos Kim como semi-subterrânea tam-
bém não é por acaso: eles vivem entre a escuridão subterrânea e a super-
fície. Na cena �nal, o pai dos Kim é rebaixado um nível a mais — preso 
na completa escuridão abaixo da mansão, seguido da fala de seu �lho: 
“Um dia, eu vou comprar aquela casa e tudo que você terá que fazer será 
subir as escadas”.
Exemplo: Os efeitos do aquecimento global no mundo
“No premiado �lme de 2019 “Parasita”, o diretor Bong Joon-Ho re-
trata os diferentes efeitos de uma forte tempestade em duas famílias, 
Kim e Park. Enquanto a humilde residência dos Kim é profunda-
mente alagada e destrói seu abrigo, os Park enaltecem a beleza da 
chuva de sua grande janela em uma alta mansão. Traçando um para-
lelo com as catástrofes climáticas do século XXI, Joon-Ho defende 
no longa a desigualdade nos efeitos do impacto humano na natureza 
pela classe social. De fato, é claro atualmente como são os países 
ricos os principais responsáveis pelas emissões dos gases do efeito 
estufa e os países mais pobres, os que mais sofrerão os efeitos de tal 
mudança climática.”
- Redação redigida por Lucas Felpi
“SEX EDUCATION” 2019, 4 temporadas, 16+
 Sinopse
“Otis é um adolescente socialmente inapto que vive com sua mãe, 
uma terapista sexual. Apesar de não ter perdido a virgindade ain-
da, ele é uma espécie de especialista em sexo. Junto com Maeve, 
uma colega de classe rebelde, ele resolve montar sua própria clíni-
ca de saúde sexual para ajudar outros estudantes da escola.”
Redação Pop 169
Educação Sexual
Como o próprio título da série indica, grande parte da trama gira em 
torno da terapia sexual para alunos na escola Moordale feita por um 
próprio aluno. Isso pode ser relacionado à visão de quão importante é o 
estabelecimento de aulas de educação sexual nas escolas, efetivas e assis-
tenciais, que supram essa necessidade dos jovens nessa faixa de transição.
Puberdade
Falando em transição, essa é outra temática da série. Problemas sexuais 
da adolescência atingem todos os personagens e são abordados nas ses-
sões da clínica de Otis. É possível ver essas di�culdades e analisar como 
os jovens mudam, se conhecem, e tentam se adaptar às transformações.
Bullying nas Escolas
Um tema recorrente em redações, e com um caso bastante especí�co na 
série. A relação entre Adam e Eric, o primeiro o valentão e o segundo um 
dos únicos meninos gays da escola, é marcada pela violência do bullying. 
Adam agride, xinga e rouba os pertences de Eric sempre que o encontra, 
constituindo também homofobia de sua parte.
Fotos Intímas
Em um episódio em que a foto íntima de uma garota é vazada e zomba-
da, sem o seu rosto, todas as garotas do colégio se levantam no auditório 
assumindo a identidade da imagem para proteger a vítima e acobertá-la.
Relações Familiares
Diversos tipos de relações pais-�lhos são abordados na série: estudantes 
sem pais e sem apoio (Maeve), estudantes com pais controladores (Otis), 
ou até mesmo estudantes com pais que direcionam os �lhos para seu in-
teresse próprio (Jackson). Além disso, faz-se presente a multiplicidade 
das con�gurações familiares, incluindo mães solteira e uniões homossex-
uais.
Redação Pop170
Aborto
Uma das personagens, Maeve, 
passa por um episódio de gravidez 
indesejada, e precisa abortar. O 
debate sobre o tema é polêmico, e 
a série aborda a visão da menina 
sem condições �nanceiras ou psi-
cológicas para ter um �lho em 
idade escolar. Ao mesmo tempo, 
protestantes anti-aborto gritam e 
a culpam na porta da clínica.
Homofobia
Como dito, Eric é um dos únicos 
meninos gays de Moordale e, 
além de sofrer agressões verbais 
diariamente, vive uma violência 
física traumática. Isso muda sua 
atitude quanto às suas roupas, es-
condendo sua identidade por 
medo, e provoca nele uma maior 
agressividade, em resposta àquela 
vivida por ele.
Em outra linha de análise, o seu 
principal agressor, Adam, se de-
scobre atraído por Eric enquanto 
o agride. Muito comum no mun-
do atual, a homofobia enraizada 
na homossexualidade reprimida é 
originada da inveja de liberdade 
do outro, e vêm sendo desmas-
carada com notícias de, por exem-
plo, defensores da “cura gay” se 
declarando homossexuais.
ISTs
A série retrata na clínica clandesti-
na de Otis o desconhecimento e o 
preconceito que envolve as ISTs. 
Recentemente renomeadas, as In-
fecções Sexualmente Trans-
missíveis devem ser estudadas a 
fundo nas escolas para garantir a 
segurança dos jovens e a devida 
prevenção sem intolerância ou 
desrespeito.
Desinformação e Fake News
Como exemplo, no primeiro 
episódio da 2a temporada, há um 
suposto surto de clamídia na esco-
la e os alunos entram em pânico. 
Dedos são apontados a uma garo-
ta e ela é isolada, sem conheci-
mento de que a tal IST não é 
transmitida por via aérea. São es-sas e outras fake news que geram a 
tão grave desinformação no ramo 
da saúde.
Masturbação
Um dos maiores tabus da socie-
dade sem dúvida é a masturbação. 
“Sex Education”, em sua tentativa 
de desmisti�car o sexo e suas ver-
Redação Pop 171
tentes, aborda de forma contraí-
da até os assuntos mais sigilosos. 
Nas primeiras cenas da nova 
temporada, vê-se que Otis tor-
nou-se viciado em masturbar-se, 
o que di�culta suas relações in-
terpessoais do dia a dia e, claro, 
sua vida sexual.
Assédio e Sororidade
No novo ano de Moordale, Ai-
mee passa por uma experiência 
traumática. De pé no ônibus, um 
homem se masturba e ejacula na 
perna da menina, que pede por aju-
da e é ignorada. Apesar de não se 
importar de imediato, o trauma se 
desenvolve e ela se torna incapaz de 
andar de ônibus, tomando longas 
caminhadas. No �nal, em busca 
por algo em comum entre seis 
meninas, o que as amarra são ex-
periências de assédio. Elas se unem 
e retomam o poder de Aimee sobre 
seu ônibus.
Redação Pop172
Exemplo: A prática de bullying nas escolas brasileiras
“Na série televisiva “Sex Education”, Eric é um adolescente LGBT 
do colégio Moordale que, por suas roupas e estilo, é regularmente 
abordado e assediado por Adam, �lho do diretor. Por sua vez, é 
demonstrado como Adam é constantemente reprimido e despreza-
do na esfera domiciliar pela �gura do pai. Fora da �cção, a prática do 
bullying é muito recorrente nas escolas da rede brasileira de ensino, 
com tais agressores muitas vezes reproduzindo comportamentos vis-
tos em um círculo social em outro e criando um ciclo de violência.”
- Redação redigida por Lucas Felpi
“ANNE WITH AN E” 2017, 3 temporadas, 12+
 
 
 
 
Adoção
A série se inicia com Sr. e Sra. Cuthbert adotando Anne Shirley, embora 
estivessem à espera de um menino para ajudar na lavoura. A revelação do 
gênero não é bem recebida pela idealização prévia de um per�l pelos pais 
adotivos, problema muito comum e grave no sistema adotivo brasileiro.
Papéis de Gênero
Passando-se em 1908, a trajetória de Anne destaca os diversos rótulos 
ditos femininos e que infelizmente perduram até hoje. Quando, por ex-
 Sinopse
“Depois de treze anos sofrendo no sistema de assistência social, a 
orfã Anne é mandada para morar com uma solteirona e seu irmão. 
Munida de sua imaginação e de seu intelecto, a pequena Anne vai 
transformar a vida de sua família adotiva e da cidade que lhe 
abrigou, lutando pela sua aceitação e pelo seu lugar no mundo.”
Redação Pop 173
emplo, a Sra. Cuthbert quer devolver Anne ao orfanato por esta ser uma 
menina e “incapaz de trabalhar na fazenda”, são vistos os comportamen-
tos de subserviência erroneamente esperados das mulheres.
Bullying
Na nova escola de Anne, a protagonista é mal tratada e ridicularizada por 
seus colegas por ser orfã, adotada e por ter cabelo ruivo. Ela é excluída por 
possuir um pensamento diferente do da época, o que causa um constan-
te e duradouro sentimento de rejeição e não-pertencimento na menina.
Inovação no Ensino
O professor da cidade era um homem que seguia um método tradicional 
de ensino: deixava alunos de castigo de costas, os humilhava, usava régua 
e instigava o bullying. Após sua transferência, entra uma professora nova, 
causando um grande alvoroço na cidade por ser uma mulher solteira. Ela 
muda o molde de ensino para aulas ao ar livre, debates e desenvolvimen-
to de senso crítico. Os pais e a aristocracia conservadora da cidade se 
opõem à presença dela.
Homossexualidade
Cole, um dos melhores amigos de Anne, compartilha do sentimento de 
não pertencimento da protagonista. Fugindo do papel masculino na la-
voura e na caça, ele preferia o mundo sensível da literatura e das artes, 
onde encontrava seu refúgio. Em um dos episódios, eles conhecem Jose-
phine, uma mulher lésbica, e descobrem uma comunidade inclusiva 
daquela época. Assim, Cole explora sua verdadeira sexualidade, até então 
inexistente e impossível no seu imaginário.
Abuso Sexual
No início do século XX, contatos físicos como abraços e beijos são proi-
bidos antes do matrimônio. Nesse contexto, Josie Pye, prometida a Billy 
Andrews por interesse de seus pais, sofre um assédio em que, por mais 
Redação Pop174
“Anne With An E”, disponível na Net�ix, adapta as histórias de “Anne de 
Green Gables”, escritas por L.M. Montgomery.
Redação Pop 175
que gostasse de Billy, é beijada à 
força. Josie foge e conta o ocorri-
do a suas amigas, porém Billy, in-
satisfeito, espalha que os dois teri-
am ido além, difamando a 
menina. Em outro episódio, as 
meninas tem suas saias levantadas 
na hora do almoço, o que leva 
Anne a dizer uma das maiores fra-
ses da história: “Uma saia nunca é 
um convite”.
Liberdade de Expressão
Com a difamação de Josie, Anne 
escreve um artigo in�amado para 
defendê-la, em um exemplo de 
sororidade. Com um texto que 
pregava o empoderamento femi-
nino e repreendia o machismo, 
ela sofre rejeição por todos os la-
dos. Os comandantes da cidade 
buscam tirar a imprensa da escola, 
sob a justi�cativa de que represen-
taria uma ameaça, mas os jovens 
organizam um protesto a favor de 
sua liberdade de expressão.
O Papel da Leitura
Durante sua vida no orfanato ou 
em casas provisórias, Anne foi 
vítima de condições precárias, 
abusivas e difíceis e encontrou a 
leitura como um refúgio mental. 
A menina, que escondia livros nos 
porões para que pudesse ler nos 
raros momentos de paz durante a 
madrugada, assim desenvolveu 
sua grande imaginação, vocab-
ulário e ideias, revelando a im-
portância da leitura.
Racismo
Quando Gilbert Blythe, amigo de 
Anne, decide se aventurar pelos 
mares, ele conhece Sebastian (ou 
Bash), um homem negro com 
quem estabelece uma forte amiza-
de. Bash se surpreende que Blythe 
não se importa com sua cor, visto 
que não estava acostumado com 
solidariedade de brancos. O retor-
no dos dois a Avonlea leva a in-
úmeras situações de racismo, dis-
cussão muito presente nas 2a e 3a 
temporadas.
Convivência com a Diversidade
No �m, a série traz a mensagem de 
que é preciso aprender a respeitar e 
conviver com as diferenças, já que 
a multiplicidade é inerente aos 
seres humanos e não é de hoje. 
Como alguns exemplos, temos 
Anne fugindo dos rótulos femini-
nos, os Cuthbert que nunca se 
Redação Pop176
casaram, Cole com posturas diferentes das rotuladas para meninos, e a 
professora Stacy que veste calças e gosta de motocicletas.
Exemplo: A prática de bullying nas escolas brasileiras
“Na série canadense “Anne With An E” situada em 1908, os irmãos 
Sr. e Sra. Cuthbert procuram adotar um garoto para ajudar em 
sua lavoura, mas, para sua surpresa, recebem uma menina, Anne. 
Logo de início, a mãe adotiva considera devolvê-la para o orfana-
to por garotas não serem consideradas aptas para realizar trabalhos 
físicos. Embora Anne conquiste o carinho de seus novos pais, a 
série demonstra como o problema da idealização de um per�l para 
adoção persiste até hoje. De fato, o principal desa�o para a adoção 
no Brasil está na demanda por per�s estereotipados e na discrepân-
cia da realidade nos orfanatos.”
- Redação redigida por Lucas Felpi
“GREY'S ANATOMY” 2005, 19 temporadas, 14+
 
 
 
 
Saúde Pública
No geral, a série “Grey’s Anatomy” descreve o cotidiano do Seattle Grace 
Hospital, um hospital em Seattle, e na vida dos médicos, cirurgiões e 
residentes. Sendo um hospital particular, vemos inúmeros casos de pes-
soas que não conseguem atendimento de qualidade em hospitais da rede 
pública e são levadas a gastar milhares de dólares ali, mesmo às vezes sem 
 Sinopse
“Durante sua residência, Meredith Grey vive paixões pro�ssion-
ais e pessoais com seus colegas médicos em um hospital em Seat-
tle.”
Redação Pop 177
ter condições.
Empoderamento Feminino
A série trabalha com personagens 
femininas com uma história de 
luta, dando posições de destaque 
para mulheres negras, pobres, que 
sofreram abuso ou maus-tratos, 
para contarem suas histórias e os 
espectadores acompanharem sua 
evolução. Alémde retratar como 
a desigualdade de gêneros é vista 
na realidade, é possível traçar o 
caminho que elas passaram para 
estarem na posição em que estão.
Racismo
Miranda Bailey, uma das médicas 
do seriado, atende um jovem 
paramédico que chega ao hospi-
tal, mas esse se nega a ser atendido 
por uma negra, sem dar detalhes. 
No atendimento, George O'Mal-
ley, um interno, descobre uma 
tatuagem da suástica nazista em 
sua barriga - o mesmo era um 
neonazista, ainda comuns no sé-
culo XXI e reemergentes, como 
visto no caso de Charlottesville 
em 2017.
Questão dos Refugiados
Um dia, Izzie Stevens recebe uma 
senhora japonesa que não sabe 
falar inglês, mas procura ajuda 
todo o dia. Ao �nal do dia, Izzie 
encontra a senhora escondida no 
estacionamento do hospital com 
sua �lha ferida, sem poder entrar 
no hospital ou seria deportada.
Ética na Medicina
Quando seu marido precisa de um 
novo coração, Izzie decide cortar o 
�o do DIV, que deixa seu marido 
estável, para que ele piore e suba 
na �la do transplante. Um ato an-
tiético e errado, mas indireta-
mente consequência da falta de 
disponibilidade de doadores e das 
longas �las por sobrevivência.
Eutanásia
Quando Meredith Grey e Derek 
Shepherd, no momento separa-
dos, descobrem que seu cachor-
rinho Doc está com um câncer em 
fase terminal, eles decidem juntos 
pedir ao veterinário Finn aplicar 
eutanásia no cachorrinho para 
que ele não sofra mais com sua 
doença.
Terrorismo/Tiroteios
Redação Pop178
Quando um senhor recém-viúvo 
aponta os médicos como re-
sponsáveis pela morte de sua es-
posa, um tiroteio acontece no 
hospital. Ele compra uma arma, e 
dispara tiros no estabelecimento, 
ferindo e matando diversas pes-
soas como vingança, suicidan-
do-se em seguida.
Homofobia
A cirurgiã Callie Torres se desco-
bre LGBT na 4ª temporada, em 
um processo de estranhamento. 
Agora, quando seus pais vão a Se-
attle para seu casamento com a 
Dr. Arizona Robbins, eles não 
aceitam o ralacionamento ho-
mossexual e sua mãe trata a noiva 
de forma rude e homofóbica. No 
�nal, ela decide não comparecer 
ao casamento da �lha.
Adoção
Derek e Meredith, um casal que 
se vê incapaz de ter �lhos biológi-
cos, optam pelo processo de 
adoção. Vendo Zola, uma menina 
africana que chegou em um pro-
jeto de Arizona e Alex, se apaixo-
nam pela doce menina e �nal-
mente a adotam como sua �lha.
Aborto
Na 8ª temporada, Cristina Yang 
decide abortar uma gravidez, por 
não se sentir preparada para ser 
mãe e preferir focar em sua carrei-
ra de como médica. O processo 
exempli�ca o dilema vivido por 
muitas mulheres na realidade que 
precisam conciliar planejamento 
familiar com carreira pro�ssional.
Alcoolismo
O personagem Richard Webber, 
cirurgião do hospital, tem prob-
lemas de alcoolismo ao longo da 
série. Em certo ponto, ele já havia 
perdido o posto de cirurgião chefe 
por voltar a beber. Depois da per-
da de sua esposa Adele, com Alz-
heimer, ele começa a lutar contra 
seus problemas com o álcool e ir a 
encontros de AA.
Gravidez na Adolescência
Na série, Betty Nelson é uma ado-
lescente que �ca grávida de um 
tra�cante de drogas. Durante a 
gestação, ela foge de casa por medo 
de seus pais, mas ao �nal dá a luz a 
seu �lho, Leo, e ele vai para adoção. 
A linha narrativa de Betty demon-
stra realidades tanto das di�cul-
Redação Pop 179
dades de carregar um bebê na adolescência e quanto do uso de drogas, 
como vemos a seguir.
Drogas entre os Jovens
Quando Betty começa a se envolver no mundo das drogas, ela se vê um 
buraco sem saída, mesmo indo a clínicas de reabilitação. Ao mesmo tem-
po, a gravidade de seus atos só começa a ser percebida quando ela perde 
o seu namorado por uma overdose.
Estupro
Na 15ª temporada, a personagem Jo Karev descobre ser fruto de um es-
tupro sofrido por sua mãe. Apesar de ter tido o bebê, a jovem universi-
tária dá a �lha para adoção, pois ela era uma lembrança constante da vi-
olência que havia sofrido. Em outra cena muito emocionante, uma 
vítima de estupro chega ao hospital mas não quer passar pelos corredores 
até a sala de cirurgia, por medo de sua reação ao ver os homens pelo 
caminho. Assim, todas as mulheres do hospital se reunem no corredor 
para que ela pudesse se sentir segura.
“O POÇO” 2019, 1h34min, 16+
 
 
 
 
Desigualdade Social
“O Poço” explora, literalmente, a verticalidade social vivenciada hoje na 
 Sinopse
“Um lugar misterioso, uma prisão indescritível. Dois reclusos 
vivem em cada nível. Um número desconhecido de níveis. Uma 
plataforma descendente contendo comida para todos eles. Uma 
luta desumana pela sobrevivência, mas também uma oportuni-
dade de solidariedade.”
Redação Pop180
representação de uma prisão ver-
tical, na qual cada nível é uma 
classe social. Como diz o com-
panheiro de cela do protagonista, 
Trimagasi, “há três tipos de pes-
soas: as de cima, as de baixo, e as 
que caem”, sendo descartada a re-
mota possibilidade de espontânea 
ascensão social.
Individualidade
Dentro do chamado Centro Ver-
tical de Autogestão, uma platafor-
ma com comida desce do pri-
meiro andar em diante. Em 
teoria, o banquete seria su�ciente 
para todos, mas a ostentação e 
luxo dos residentes dos níveis su-
periores impossibilitam a distru-
ibuição justa dos recursos. A cada 
mês, prisioneiros trocam de níveis 
e, mesmo assim, o egocentrismo 
típico do capitalismo permanece: 
como diz Paulo Freire, “Quando a 
educação não é libertadora, o son-
ho do oprimido é ser o opressor”.
Insegurança Alimentar
A realidade distópica do �lme rev-
ela a gravidade do problema da 
insegurança alimentar e da fome, 
muito presente no Brasil. En-
quanto poucos recebem muito em 
seus pratos, muitos �cam de es-
tômagos vazios. No �lme, as 
opções são claras: em níveis (ou 
classes) inferiores, a escolha é 
comer ou ser comido.
Redação Pop 181
O Poder do Estômago
Uma análise feita pelo �lme é o 
efeito da privação da necessidade 
humana pela alimentação. Por 
um lado, a instintividade da fome 
causa atos horrendos de violência 
no �lme, mas também a movi-
mentação por uma mudança no 
status quo, sendo a fome causa 
comum de diversas revoltas 
históricas, como a Revolução 
Francesa e a Primavera Árabe.
Consciência de Classe
Mesmo com o revezamento de 
níveis, é visto como os prisionei-
ros não desenvolvem uma con-
sciência de classe para ajudar uns 
aos outros. A�nal, todos passam 
pelas mesmas privações um mês 
ou outro, mas preferem focar em 
seus privilégios quando os pos-
suíam. Faz-se uma re�exão ao 
mundo de hoje, onde falta união 
de classe para o combate às ma-
zelas sociais.
Proteção da Criança
Ao longo do �lme, vemos uma 
mãe que busca proteger sua �lha 
incessantemente. A proteção de 
crianças em ambientes de vulner-
abilidade como tal cenário é de 
suma importância, e, pela mesma 
lógica, Goreng sacri�ca a panna 
cotta para alimentar a garota. É as-
sim que �ca claro que ela é a men-
sagem: a proteção de uma criança 
ainda em um contexto hostil reve-
la a humanidade dos prisioneiros, 
ao salvar a concretização da in-
ocência e da esperança, a criança.
Análise da Simbologia
"Óbvio": Trimagasi repete múltip-
las vezes a palavra “óbvio” ao ex-
plicar o poço ao protagonista em 
uma contradição do realismo de 
um antigo prisioneiro, sobrevi-
vente do sistema que se rende a 
este, e do idealismo de um novo 
integrante, Goreng.
O livro e a faca: O �lme discute a 
importância da educação, repre-
sentada pela leitura literária, para 
a solução de mazelas sociais. Ao 
contrário de Trimagasi, que traz 
uma faca para se proteger e se ali-
mentar, Goreng é o único que de-
cide trazer um livro, uma escolha 
que de�ne seu caráter messiânico.
Dom Quixote: A menção ao livro 
como objeto escolhido de Goreng 
traça uma estreita relação entre as 
Redação Pop182
tramas das duas obras e seus personagens. Goreng, assim como Dom 
Quixote, se perde na loucura e nas ilusões, mas é a �gura heróica destina-
da a salvar todos.
333 e o Inferno: O Centro Vertical de Autogestão é uma clara analogiaao 
inferno, com 333 andares e 666 pessoas (números bem conhecidos). Ao 
descer pela plataforma, Goreng observa exemplos típicos de cada um dos 
7 pecados capitais, um em cada andar. As referências bíblicas são diver-
sas, inclusive com a referência de Goreng a Messias, Jesus e Mensageiro 
em diversos momentos.
Nomes dos personagens: Tudo nessa narrativa gira em torno de comida, até 
os nomes do personagens: Nasi Goreng é um prato da Indonésia semel-
hante a arroz frito; Baharat é uma mistura de condimentos típica do 
Oriente Médio; Imoguiri lembra muito o prato japonês oniguiri, bolin-
ho de arroz.
Exemplo: Desa�os para a segurança alimentar no Brasil
“No �lme espanhol “O Poço”, prisioneiros são con�nados em uma 
torre vertical e apenas podem se alimentar dos restos da comida 
do nível de cima. Na narrativa, �ca clara a disparidade do luxo dos 
primeiros andares comparada à miséria dos últimos, analogamente 
à realidade. Fora do mundo distópico, o problema da insegurança 
alimentar no Brasil se vê, de fato, atrelado ao fato da enraizada 
desigualdade social do país e da má distribuição dos recursos em 
uma sociedade verticalmente hierarquizada.”
- Redação redigida por Lucas Felpi
“THE HANDMAID'S TALE” 2017, 5 temporadas, 18+
 
 
 
 Sinopse
Redação Pop 183
“Gilead tem um regime que trata mulheres como propriedade. 
O�red é uma das poucas mulheres férteis e serva do Comandan-
te, buscando sobreviver e encontrar a �lha que foi tirada dela.”
Desastres Ambientais
No futuro distópico de �e Handmaid’s Tale, a poluição do ar causada 
pelos humanos levou à infertilidade de grande parte da população. Com 
chance de 1 em 4 de ter um �lho saudável, fundamentalistas recorrem a 
um golpe político nos Estados Unidos para isolar as mulheres férteis 
restantes em uma casta reprodutiva: as Aias. O mais assustador é que há 
estudos que realmente comprovam o efeito da poluição na taxa de fertil-
idade (Fonte: “Exposição a partículas �nas ambientais e qualidade do 
sêmen no Taiwan”, 2017).
Direitos das Mulheres
No novo regime, chamado de Gilead, as mulheres servem papéis sociais 
divididas em castas: Esposas, Marthas, Aias, ou Não Mulheres. Todas as 
mulheres são submissas aos seus maridos, Comandantes e ao Estado e 
privadas de ler, escrever, ou ter acesso a qualquer produto cultural.
Estupro e Escravidão Sexual
As Aias são as únicas mulheres férteis na sociedade gileadiana, vistas 
como objetos reprodutivos que assistem Esposas e seus maridos a terem 
�lhos. Nas chamadas Cerimônias, ocorridas mensalmente em seus perío-
dos férteis, as Aias são estupradas por seus Comandantes enquanto deit-
adas nas pernadas da Esposa. Depois da gravidez, elas devem entregar o 
bebê ao casal e dirigir-se à próxima casa.
Religião e Teocracia
Gilead é uma teocracia, um regime no qual Estado e Igreja são fundidos. 
A Cerimônia, por exemplo, é baseada na interpretação distorcida da pas-
Redação Pop184
sagem bíblica de Lia e Raquel, 
pela qual servos férteis podem 
cometer adultério para dar �lhos 
a casais inférteis, mas ignora 
princípios-base do livro sagrado. 
Além disso, vê-se a intolerância 
religiosa em vigor, quando judeus 
são levados ao Muro e enforcados 
por sua fé.
Manipulação da História
Uma casta menor de mulheres, as 
Tias, são as responsáveis pela edu-
cação e controle das Aias, sendo o 
símbolo de manipulação de Gile-
ad. As Tias reproduzem vídeos do 
passado com teor violento e assus-
tam as Aias a �m de convencê-las 
de que aquilo é uma benção. Uma 
delas, Tia Lydia, conta como an-
tes os homens violentavam as 
mulheres na rua e hoje elas não 
precisam mais ter medo. A�nal, o 
estupro foi institucionalizado.
A Importância da Linguagem
A linguagem do universo de �e 
Handmaid’s Tale tem papel essen-
cial: Gilead cria um vocabulário 
o�cial que serve à elite patriarcal. 
Ela priva as mulheres de seus 
nomes pessoais: O�red, por ex-
emplo, que é “Of” + “Fred” = “de 
Fred”, nome de seu Comandante. 
Há cumprimentos o�ciais, como 
“Abençoado seja o fruto”, e nomes 
de eventos, como a “Cerimônia” e 
os “Salvamentos”, que facilitam a 
manipulação, assim como a Nova 
Língua em “1984” de George Or-
well.
Homofobia
Além de crença em outras re-
ligiões, Gilead condena a homos-
sexualidade sob pena de enforca-
mento dos chamados “Traidores 
de Gênero”. Vemos o passado de 
Emily, uma das atuais Aias, que, 
antes do golpe, vê seu colega de 
trabalho gay sendo assassinado e 
depois é proibida de viajar com 
sua esposa por seu casamento não 
ser mais reconhecido.
Casamento Infantil
Na 2ª temporada, o motorista dos 
Waterford, Nick, é concebido 
uma Esposa, mas se surpreende 
que esta seja uma garota de 15 
anos, Eden. A jovem prometida ao 
homem de 30 anos é completa-
mente mergulhada nos valores do 
regime e sonha mais do que tudo 
em servir seu marido e concebê-lo 
�lhos. A normalização do casa-
Redação Pop 185
Série do Hulu, “�e Handmaid's Tale” é baseada no livro de Margaret Atwood e 
vencedora de diversas estatuetas do Emmy, sendo indicada a 21 na edição de 2021.
Redação Pop186
mento infantil em diversas cultu-
ras é pauta de direitos das crianças.
Relação Mãe-Filho
Durante toda a série e livro, a pro-
tagonista June vive em busca de 
sua �lha, tirada de sua guarda ao 
tornar-se uma Aia. Agora nova-
mente grávida para seu Coman-
dante, ela não quer entregar seu 
bebê e faz de tudo para tirá-lo do 
país. Vemos a força da materni-
dade e do laço mãe-�lho, pelo 
qual ela arrisca sua vida em diver-
sos momentos em um regime to-
talitário.
Tortura e Mutilação
Após episódios de rebelião das 
mulheres, o�ciais torturam as 
mesmas com castigos desumanos. 
Em caso de leitura ou escrita por 
mulheres, a pena é a perda de um 
dedo (o que ocorre com Serena). 
Em casos mais graves, como o de 
Emily, a pena pode chegar a ser a 
mutilação genital feminina, vi-
olência ainda cometida hoje em 
alguns países.
Doenças Mentais e Suicídio
Eleanor, a esposa do novo Co-
mandante de June, sofre de 
distúrbios mentais principal-
mente pela culpa que carrega de 
seu marido ser um dos criadores 
de Gilead. Um dos maiores prob-
lemas vistos é a falta de medica-
mentos para auxilia-lá e a neg-
ligência à saúde mental da 
população, chegando a levar Elea-
nor ao suicídio. Em outro episó-
dio, June é forçada a passar meses 
na mesma posição em um quarto 
de hospital, levando-a à loucura.
Rebelião
Um dos maiores ensinamentos 
que �e Handmaid’s Tale traz é o 
da importância da unIão contra 
regimes opressores. Ao longo das 
3 temporadas, todos os grupos de 
mulheres (Aias, Marthas e Espo-
sas) têm momentos de desobe-
diência coletiva, o que gradual-
mente enfraquece Gilead. O 
engajamento social das mulheres é 
a força transformadora dessa reali-
dade. Como diz June: “Eles não 
deveriam ter nos dado uniformes, 
se não queriam que nos tornásse-
mos um exército.”
Exemplo: A persistência da 
violência contra a mulher na 
sociedade brasileira (Enem 
2015)
Redação Pop 187
“Na distopia canadense “O Conto da Aia”, as mulheres férteis 
restantes no mundo são estupradas por Comandantes para cum-
prir a função reprodutiva das Aias. Embora muitos homens também 
tenham se tornado infertéis pelo processo da poluição atmosférica, 
a solução patriarcalista foi um sistema em que as mulheres são sub-
missas e violentadas. A�nal, o universo criado por Margaret Atwood 
não difere muito da realidade brasileira: a persistência da violência 
contra a mulher deve-se majoritariamente ao cultivo de uma cultura 
patriarcal aos meninos desde a infância, os futuros agressores.”
- Redação redigida por Lucas Felpi
“O ÓDIO QUE VOCÊ SEMEIA” 2018, 2h13min, 14+
 
 
 
Brutalidade Policial
“O Ódio que Você Semeia” acompanha a adolescente Starr Carter após 
testemunhar o assassinato de seu amigo negro desarmado, Khalil Harris, 
por um policial branco. Sem motivo, o guarda para o carro dos dois e, ao 
ver o garoto alcançando algo, atira e o mata: era uma escova.
Distorção de Discurso
Após o evento, Khalil passa a ser retratado namídia como tra�cante de 
drogas e é enfatizada sua suposta agressividade como justi�cativa à ação 
do policial. O pai do o�cial vai à televisão para fazer um discurso emo-
cionado sobre o risco de vida a que seu �lho estava submetido na hora.
 Sinopse
“Starr Carter é uma adolescente negra de 16 anos que presencia o 
assassinato de Khalil, seu melhor amigo, por um policial branco, 
e está disposta a dizer a verdade pela honra de seu amigo, custe o 
que custar.”
Redação Pop188
Impunidade e Justiça
Mesmo com o testemunho anôn-
imo de Starr, o policial não é con-
denado e é dito que agiu em 
legítima defesa. A injustiça faz 
com que Starr e integrantes do 
movimento negro vão às ruas e 
comecem uma revolta com 
saques, fogo e gritos.
Estereótipos Raciais
O tratamento de policiais e a 
visão hostil da sociedade frente à 
população negra revela a perpetu-
ação de estereótipos negros de 
bandidagem, violência e envolvi-
mento com drogas. Starr estuda 
em uma escola privilegiada, e es-
conde suas gírias e modos de falar 
para não a olharem assim.
Racismo Velado
Amiga de Starr, Hailey representa 
o racismo enraizado que parece in-
visível aos olhos de quem o pratica. 
Com a morte de Khalil, ela quer 
protestar para perder aula e sente 
pena do policial pelos ataques a 
sua pessoa.
Casais Inter-Raciais
Starr namora um menino branco 
de sua escola, Chris. Como um 
casal inter-racial, os dois sofrem 
resistência por julgamento de seus 
amigos e famílias. Starr, por exem-
plo, esconde seu relacionamento 
de seu pai por medo do que ele 
dirá.
Reconhecimento de Privilégios
Chris defende que não vê Starr por 
sua cor, então ela a�rma que não 
ver sua negritude é não a enxergar. 
Assim, ele reconhece que o discur-
so de que todos são iguais é um 
privilégio daqueles que nunca sof-
reram em razão de sua cor.
O Ciclo da Pobreza Racial
Maverick, pai de Starr, explica que 
Redação Pop 189
o racismo nega aos negros os recursos necessários à prosperidade �nan-
ceira. Sem opção, muitos se rendem ao trá�co e fomenta-se o estereótipo 
social racista e a violência policial. Assim, cria-se um ciclo vicioso da 
pobreza segregadora.
Exemplo: Caminhos para combater o racismo no Brasil (Enem 
2016)
“No �lme de 2018 “O Ódio que Você Semeia”, Starr Carter é uma 
adolescente negra que presencia o brutal assassinato de seu amigo, 
Khalil, por um policial branco. O �lme se torna mais que nunca im-
portante quando episódios de violência policial direcionada à popu-
lação negra persistem na realidade brasileira: a morte de João Pedro, 
de 14 anos, no Rio de Janeiro, foi estopim de motins e protestos em 
2020. Logo, �ca claro que, para o combate ao racismo no Brasil, são 
necessários o �m da impunidade aos agressores e a conscientização 
social pelo respeito igualitário.”
- Redação redigida por Lucas Felpi
“DARK” 2017, 3 temporadas, 16+
 
 
Energia Nuclear
A série discute a opção por energia nuclear em Winden, tanto benefícios 
quanto malefícios. Por um lado, a usina sustenta a demanda energética 
da cidade e emprega ampla mão de obra. Por outro, ela produz enorme 
contingente de lixo atômico e, em 1986, ocorre um acidente radioativo 
 Sinopse
“Quatro famílias iniciam uma desesperada busca por respostas 
quando uma criança desaparece e um complexo mistério envol-
vendo três gerações começa a se revelar.”
Redação Pop190
que causa a viagem no tempo.
Proteção das Crianças
O tema da garantia dos direitos 
das crianças é abordado no desa-
parecimento de menores, inclu-
indo sequestro e infanticídio. 
Erik Obendorf, Yasin, Mads e 
Mikkel Nielsen misteriosamente 
desaparecem em Winden, ao 
mesmo tempo em que corpos de 
crianças são encontrados.
Drogas na Escola
Erik Obendorf é um menino que 
tra�cava drogas dentro da escola, 
com contatos secretos e estoques 
escondidos. Quando ele desapa-
rece, seus amigos vão atrás de seu 
estoque na �oresta e é então que 
Mikkel Nielsen some também.
Suicídio
Outra temática importante é o 
suicídio, exempli�cado no com-
etido por Michael Kanhwald, pai 
de Jonas. Pode-se pensar nas cau-
sas para o ato, como a de não per-
tencimento à realidade circundan-
te, mas também nas consequências: 
Redação Pop 191
Jonas cresce traumatizado e sem a 
�gura paterna.
Religião
A religião está muito presente no 
personagem de Noah, que serve 
como padre de uma Igreja secreta, 
sugerindo aos jovens que Deus 
traçara um caminho para cada 
um. Através da mensagem reli-
giosa, ele convence as crianças e 
adolescentes a seus experimentos 
e ao controle do tempo.
Traição e Incesto
Dilemas de relacionamentos apa-
recem nas �guras de traição e do 
incesto. Ao longo da série, é reve-
lado que Martha e Jonas, que 
mantinham uma relação amoro-
sa, em verdade são tia e sobrinho. 
Além disso, vê-se que Ulrich 
Nielsen trai repetitivamente sua 
esposa com Hannah Kanhwald.
Con�ito de Gerações
A viagem no tempo possibilita o 
contato de personagens de difer-
entes épocas e desses com suas 
versões passadas e futuras. É per-
ceptível como a humanidade pas-
sou por profundas mudanças so-
cioculturais e tecnológicas 
extraordinárias em questões de 
décadas.
Negligência ao Idoso
Antes ignorado e abandonado por 
sua ocupada �lha, Egon Tiede-
mann de 1986 descobre que tem 
câncer de próstata e isso altera a 
relação até então negligenciadora 
de Claudia com ele, agora movida 
a aproveitar cada momento junto 
a seu pai.
Adoção
As origens genealógicas de Char-
lotte Doppler são exploradas nesse 
temporada, chocando muitos por 
sua descendência sinistra. O even-
to se relaciona à temática da 
adoção, em que as crianças são cri-
adas por terceiros e crescem com a 
curiosidade incessante de quem 
seriam seus verdadeiros progeni-
tores, de quem foram separados.
Imutabilidade do Tempo
A abordagem do tempo como 
imutável e cíclico impressiona. 
Embora haja viagem no tempo, os 
personagens não conseguem alter-
ar os eventos que prevêem. Em 
verdade, tudo está fadado a acon-
Redação Pop192
tecer, até mesmo suas tentativas de alterações. O passado e o futuro são 
imutáveis, e tecnologia nenhuma mudaria isso.
Violência Doméstica
O passado de Katharina Nielsen foi marcado por violência física dentro 
de casa pela mãe, que resulta em marcas no seu rosto quando ia para a 
escola. Em 1950, Hannah vê a mãe de Katharina criança em uma clínica 
de aborto, provavelmente fruto de abuso e causa de sua futura violência.
Pedo�lia
No futuro pós-apocalipse, Elizabeth Doppler vive em um trailer com seu 
pai, quando um invasor entra para roubar comida e a nocauteia. Desa-
cordada, o intruso começa a abrir suas calças e molestá-la, numa tentati-
va repugnante de violação de uma criança.
Exemplo: Os direitos das crianças e dos adolescentes no Brasil
“No seriado alemão “Dark”, os meninos Erik e Yasin desaparecem 
misteriosamente na cidade de Winden. Ao longo da trama, é desco-
berto que os menores eram usados em experimentos cientí�cos em 
cárcere privado que, ao falharem, os matavam. Fora das telas, é fato 
que são necessárias medidas por parte do Estado para prevenir vio-
lações como essas ao direito à infância, já que, quando não resultam 
em morte, reverberam para o resto da vida adulta.”
- Redação redigida por Lucas Felpi
“HARRY POTTER” 2001, 7 livros, 8 �lmes, 10+
 
 
 
 Sinopse
“Harry Potter é uma série de sete romances e oito �lmes de fanta-
sia. A série narra as aventuras de um jovem chamado Harry James 
Redação Pop 193
Adoção
Harry Potter é um garoto órfão 
que vive infeliz junto a seus tios, 
os Dursley. Em sua nova casa, ele 
é tratado como desprezível, ín�-
mo em relação a seu primo e como 
súdito da casa. As di�culdades da 
inclusão de Harry se relacionam 
com a de muitas crianças no pro-
cesso pós-adoção.
Identidades Comunitárias
No mundo mágico, as escolas de 
bruxaria possuem casas de estu-
dantes: em Hogwarts, é o caso de 
Gri�nória, Lufa-Lufa, Corvinal e 
Sonserina. O senso de comuni-
dade criado dentro de cada uma e 
dentro do mundo bruxo em si re-
�etemprópria vida”, e para tal, o indivíduo precisa aprender a “ler o mundo”.
Empoderamento
Paulo Freire, educador brasileiro
O conceito de empoderamento é de�nido por Paulo Freire como o pro-
cesso pelo qual grupos historicamente oprimidos ganham conscien-
tização de sua opressão e organizam-se com o objetivo de libertação e 
obtenção de poder político. De acordo com o autor, a educação é uma 
importante ferramenta na efetivação desse processo é necessária por seu 
potencial transformador.
“A educação é a arma 
mais poderosa que se pode 
usar para mudar o mundo”
- Nelson Mandela, advogado e 
ex-presidente da África do Sul
“Se a educação sozinha não 
transforma a sociedade, sem ela 
tampouco a sociedade muda”
“A educação deve ser 
transformadora”
- Paulo Freire, educador brasileiro
“As famílias confundem 
escolarização com educação”
- Mário Sérgio Cortella, �ló-
sofo e escritor brasileiro
“O ser humano é aquilo 
que a educação faz dele”
- Immanuel Kant, �lósofo alemão
Educação24
CITAÇÕES
“A educação tem raízes amargas, 
mas os seus frutos são doces.”
- Aristóteles, �lósofo grego
“Temos escolas do século 
XIX, professores do século XX e 
alunos do século XXI”
- José Pacheco, ex-diretor da Escola 
da Ponte 
“Educai as crianças e não será 
preciso punir os homens”
- Pitágoras, �lósofo e 
matemático grego
“A educação é uma 
socialização da jovem geração 
pela geração adulta”
- Émile Durkheim, 
sociólogo francês
Educação 25
Educação26
FILMES, DOCUMENTÁRIOS 
E SÉRIES
“Pro Dia Nascer 
Feliz”
2007
O documentário de 
João Jardim aborda o 
sistema educacional 
brasileiro, descreven-
do realidades esco-
lares de diferentes 
contextos sociais, 
econômicos e cul-
turais a partir de di-
versos olhares: da instituição, do 
aluno, do professor e da família. 
O diretor visita, por exemplo, a 
escola mais cara e elitizada do 
país, ao mesmo tempo em que 
visita uma escola extremamente 
sucateada no interior do Ceará. 
O objetivo é expor o abismo exis-
tente entre as escolas públicas e 
privadas e a relação do adolescen-
te com a escola.
“Quando Sinto Que Já Sei”
2014
O documentário de 2014 se 
propõe a mostrar iniciativas alter-
nativas ao sistema educacional 
tradicional implementado na 
maior parte das escolas brasileiras. 
Focados na autonomia do aluno e 
na liberdade, os projetos de escolas 
alternativas demon-
strados no �lme têm 
por princípio o res-
peito pela individual-
idade de cada aluno e 
pelo contexto social 
em que se inserem. 
Por isso o título 
“Quando sinto que já 
sei”: quando o ensino 
tem por objetivo 
conquistar o senti-
mento no aluno de saber sem pre-
cisar provar a ninguém, sem testes, 
provas ou avaliações formais.
“Nunca Me Sonharam”
2017
“Nunca Me Sonharam” retrata as 
ambiguidades na educação, onde 
Educação 27
convivem juntos o sonho de um 
futuro melhor e a desilusão de 
percebê-lo distante, inacessível. 
O documentário é um retrato 
sensível e emocional das distintas 
realidades presentes no Ensino 
Médio brasileiro, fase marcada 
pela evasão e distorção idade-
série, que evidencia como foco 
principal a ine�ciência da socie-
dade e da rede de ensino em re-
sponder os jovens, grupo carac-
terizado por seus desejos e 
questionamentos.
“Esperando Pelo Super- 
Homem”
2010
Passado nos Estados Unidos, o 
documentário acompanha cinco 
crianças, Anthony, Francisco, Bi-
anca, Daisy e Emily, que desejam 
obter uma educação de qualidade, 
mas que acabam tendo que entrar 
em uma loteria para entrar uma 
boa escola, já que os colégios próx-
imos às suas residências são fracas-
sos estrondosos. O �lme mostra a 
di�culdade vivida por professores 
e alunos, semelhante ao Brasil, 
onde a única esperança é a de que 
um “super-homem” venha salvá-
los da calamidade ao seu redor.
“Escritores da Liberdade”
2007
O �lme conta a história de Erin 
Gruwell, uma professora 
recém-formada que se depara com 
o desa�o de lecionar para o 1º ano 
do Ensino Médio em uma escola 
periférica e problemática 
norte-americana. Os alunos são jo-
vens marcados pela violência, de-
scrença, desobediência, desmo-
tivação e principalmente por 
con�itos raciais, oriundos de 
famílias desestruturadas e vítimas 
de abandono. O longa-metragem 
mostra alguns dos con�itos encon-
trados pela professora e sua saída 
por uma educação libertadora e 
revolucionária na sala de aula.
Educação28
“Sociedade dos Poetas Mortos”
1989
O longa estrelado por Robin Wil-
liams gira em torno de uma escola 
preparatória de elite para garotos, 
em que um novo professor de lit-
eratura desbanca o método con-
servador de ensino e opta por en-
sinar inglês através da poesia. Ele 
acaba por conquistar os alunos e 
inspirá-los a seguirem sonhos que 
a eles eram desconhecidos. O 
�lme apresenta uma forte crítica 
ao modelo tradicional de ensino 
da época, marcado pela rigidez e 
in�exibilidade, que repreende e 
reprime a essência criativa de cada 
aluno. Além disso, também retra-
ta o poder da relação profes-
sor-aluno.
“Extraordinário”
2017
Baseado no livro homônimo de R. 
J. Palacio, escritora norte-ameri-
cana, "Extraordinário" mostra a 
rotina escolar de Auggie Pullman, 
um menino com uma deformi-
dade facial conhecida como sín-
drome de Treacher Collins. Tendo 
sido educado em casa por toda a 
vida, ao ingressar na escola, ele 
precisa aprender a conviver em 
um ambiente que não está prepa-
rado para recebê-lo. Auggie é víti-
ma de bullying e zombarias, mas 
persiste na escola, apoiado por sua 
família e pelos novos amigos que 
conheceu.
“Segunda Chamada”
2019
Série da Rede Globo, a produção 
brasileira retrata alunos do Ensino 
de Jovens e Adultos (EJA) da per-
iferia de São Paulo, com uma se-
gunda chance para concluir o En-
Educação 29
sino Médio e obter o seu diploma 
de conclusão. A série escancara a 
real condição do sistema educa-
cional brasileiro, com a falta de 
investimento público, carência 
de professores e desmotivação do 
corpo docente. Além disso, é de-
fendido o poder transformador 
da escola, que muda o rumo de 
muitos alunos vulneráveis.
“Elite”
2018
Quando uma escola pública desaba 
por negligência da construtora e do 
governo, três alunos recebem bol-
sas de estudo em Las Encinas, o 
colégio mais caro da Espanha — tal 
é a trama principal de Elite. Lá, eles 
são discriminados por sua condição 
�nanceira, roupas e trejeitos, vistos 
como vírus contagiosos ou animais 
selvagens pelos alunos das famílias 
milionárias. O preconceito e o bul-
lying nas escolas é abordado junta-
mente a questões de sexualidade, 
Educação30
ISTs, gravidez na adolescência, xenofobia e intolerância religiosa. Tudo 
sem o apoio ou consideração da instituição escolar.
“13 Reasons Why”
2017
Série muito conhecida baseada no livro homônimo, “13 Reasons Why” 
reconta os motivos que levam Hannah Baker a tirar sua própria vida aos 
17 anos. Aluna nova na escola, ela sofre com a humilhação e objeti�cação 
dos colegas, exclusão de grupos sociais e situações de assédio sexual por 
outros alunos. A crítica da série no quesito educacional se dá à omissão 
da escola e, ainda mais, à participação da mesma na decisão de Hannah. 
Numa última tentativa de sobreviver, Hannah recorre a seu conselheiro 
escolar, que negligencia e ignora os sinais alarmantes da fala dela.
“Sex Education”
2017
A série da Net�ix retrata uma lacuna existente na maior parte das escolas 
brasileiras e internacionais: a educação sexual, importante componente 
na formação dos jovens. Na escola �ctícia de Moordale, alunos recorrem 
à Otis Milburn, �lho de uma terapeuta sexual, para responder suas dúvi-
das e preocupações quanto ao assunto. A falta de aulas de educação sex-
ual efetivas e assistenciais causa pânico, desespero e insegurança nos ad-
olescentes; e quando a escola decide implementar tais aulas, elas são 
voltadas à repressão e demonização do ato libidinoso.
 Leia a análise completa de “13 Reasons Why” na página 153.
 Leia a análise completa de “Sex Education” na página 168.
 Leiaa importância de coletivos 
identitários em uma sociedade.
Estupro e Escravidão Sexual
Em Hogwarts, eventos turbulen-
tos colocam os alunos em risco: 
invasão de dementadores, in�l-
tração de criminosos, violência 
em torneio escolar, entre outros. O 
tema torna-se ainda mais relevante 
quando comparado à atual preocu-
pação de pais quanto à segurança 
de seus �lhos nas escolas, com o 
índice crescente de tiroteios e vi-
olência.
Ensino da Tolerância
Um estudo publicado na Revista 
de Psicologia Social Aplicada em 
2014 concluiu que a leitura de 
Harry Potter estimula a tolerância. 
Ao verem a relação do protagonis-
ta com trouxas, mestiços e elfos 
domésticos, grupos estigmatiza-
dos no mundo bruxo, crianças 
desenvolveram maior empatia a 
grupos marginalizados na vida 
real, como LGBTs, imigrantes e 
refugiados.
O Mito da Pureza Racial
Voldemort e seus seguidores de-
fendem arduamente o conceito de 
pureza e superioridade bruxa, 
perseguindo e matando trouxas e 
os chamados “sangue-ruins”, mes-
Potter, que descobre aos 11 anos de idade que é um bruxo ao ser 
convidado para estudar na Escola de Magia e Bruxaria de Hog-
warts.”
Redação Pop194
tiços bruxos �lhos de trouxas. O 
mesmo argumento fora dito da 
raça ariana em 1940 para justi�-
car o Holocausto.
Ascensão do Fascismo
A história traça um forte paralelo 
a eventos históricos da Segunda 
Guerra. A Sonserina, formada 
majoritamente por membros ari-
anos, como os Malfoy, é a princi-
pal fonte do preconceito contra 
mestiços. O fundador da casa? 
Salazar Sonserina. O salazarismo 
foi uma vertente do fascismo em 
Portugal, simultâneo ao Nazismo 
alemão.
Liberdade de Imprensa
Em meio à ascensão de Volde-
mort, o Ministro da Magia 
Cornélio Fudge nega a existência 
de qualquer perigo, por meio do 
Profeta Diário, para manter seu 
poder. Com a narrativa o�cial 
manipulada pelo governo, censu-
ra-se veículos de comunicação al-
ternativos, como O Pasquim.
Esporte como Inclusão Social
Ao ingressar em Hogwarts, Harry 
faz poucos amigos e é julgado por 
ser “o menino que sobreviveu”. É 
quando ele descobre seu talento 
no quadribol (principal esporte 
bruxo) que sua popularidade 
emerge, exemplo do esporte de-
sempenhando um papel funda-
mental na inclusão social.
Tortura Institucional
Sirius Black, tio de Harry, é conde-
nado pelo assassinato de Tiago e 
Lily Potter e passa 12 anos na 
Prisão de Azkaban por um crime 
que não cometeu. Lá, os prisionei-
ros são submetidos à guarda dos 
dementadores, que torturam os 
prisioneiros sugando suas 
emoções.
Bullying
Um dos professores mais conheci-
dos da série, Severo Snape, é frio e 
cruel com seus alunos, ator-
mentando e humilhando-os sem 
motivo. A origem de seu compor-
tamento zombador se dá no 
próprio bullying que sofria quan-
do criança por Tiago Potter e Siri-
us Black, formando um ciclo.
Falsidade Ideológica
Outro conhecido professor é Gil-
Redação Pop 195
deroy Lockhart, docente de Defesa Contra as Artes das Trevas em Hog-
warts, com diversos títulos e livros renomados. É descoberto, porém, que 
era uma fraude: ele empregava feitiços de memória naqueles que haviam 
realizado os feitos ditos serem dele.
Exemplo: As novas manifestações do fascismo no século XXI
“A famosa saga de livros “Harry Potter” conta a história do menino 
bruxo que confronta Voldemort, um líder que utiliza da violência 
e do terror contra não-bruxos para angariar seguidores. À frente do 
Ministério da Magia, o vilão institui um regime totalitarista perse-
guidor dos não pertencentes à “raça pura” bruxa. Fora do universo 
mágico, vê-se necessária atenção redobrada a novos fascismos que, 
por meio de mecanismos de manipulação em massa e ódio a mino-
rias desfavorecidas, cerceiam a liberdade e multiplicidade civil.”
- Redação redigida por Lucas Felpi
“JOGOS VORAZES” 2012, 3 livros, 4 �lmes, 12+
 
 
Concentração de Renda
Panem é um país construído à base de desigualdades sociais. Seguindo o 
 Sinopse
“A antes América do Norte, agora formada por 12 distritos, é 
comandada com mão de ferro pelo Presidente Snow. Uma das 
formas com que a Capital demonstra seu poder é pelos 'Jogos 
Vorazes', competição anual em que um garoto e uma garota de 
cada distrito são selecionados a lutar até a morte. Para evitar que 
sua irmã participe, Katniss se oferece em seu lugar. Até onde ela 
estará disposta a ir para ser vitoriosa nos 'Jogos Vorazes'?”
Redação Pop196
A adaptação dos romances de Suzanne Collins conquistou uma legião de fãs e é 
considerada uma das franquias mais bem sucedidas do cinema.
Redação Pop 197
conceito de dominação de Karl 
Marx, os 12 distritos são vistos 
como meras propriedades do Es-
tado que servem apenas para 
abastecer a Capital, sede do luxo e 
da riqueza. Isso não deixa de ser 
realidade no Brasil: por aqui, os 
cinco homens mais ricos detém o 
mesmo que 50% da população 
mais pobre, segundo estudo da 
Oxfam em 2018.
Fome
Como classes sociais, os distritos 
mais altos na hierarquia, 1 e 2, são 
os mais ricos, enquanto os mais 
baixos, 11 e 12, são os com piores 
condições de vida, habituados 
com a miséria e com a fome. Para 
sobreviver, Katniss Everdeen, 
uma moradora do distrito 12, 
passa a caçar nas áreas �orestais 
proibidas.
Totalitarismo/Vigiar e Punir
Assim como descrito no livro “Vi-
giar e Punir” por Foucault, o pa-
pel do Estado totalitário de Snow 
é o de controlar a subversão pela 
guarda policial (ironicamente 
chamados de Paci�cadores) e o de 
impôr punições. Os anuais ‘Jogos 
Vorazes’ é o maior exemplo disso: 
após uma rebelião, jovens de cada 
distrito são selecionados para luta-
rem até a morte em uma espécie 
de reality show.
Sociedade do Espetáculo
O evento dos Jogos Vorazes traça 
claras relações com as teorias da 
Sociedade do Espetáculo de Guy 
Debord e da Indústria Cultural da 
Escola de Frankfurt. Inicialmente 
um marco de lembrança da 
opressão à rebelião, os Jogos tor-
naram-se entretenimento com 
tecnologia de ponta, transmitidos 
ao vivo e parte da estratégia de 
alienação em massa.
Papel da Mídia
Ao dar início a uma nova rev-
olução, Katniss se torna símbolo e 
rosto da rebelião. Durante “A Es-
perança”, vemos o processo de 
produção de propagandas políti-
cas e o papel que as chamadas tele-
visivas desempenham no levante 
da população. Pequenos detalhes 
como cenário, �gurino e en-
tonação são cruciais para alcançar 
o efeito desejado.
 
Redação Pop198
Crimes de Guerra
A saga re�ete de início a �m sobre o caráter dos crimes de guerra. Nos 
Jogos Vorazes, matar é equivalente a sobreviver e, por isso, Gale acredita 
que seja impessoal; Katniss discorda. Durante a guerra à Capital, diver-
sos crimes são cometidos, como explosões a hospitais e massacre de cri-
anças. Seria guerra justi�cativa?
Exemplo: O poder de manipulação das mídias na sociedade 
brasileira
“Na célebre trilogia “Jogos Vorazes” de Suzanne Collins, o Estado 
autoritário de Panem contém os motins populares por meio da re-
pressão e da realização dos chamados Jogos Vorazes. O evento anual 
é televisionado e a violência selvagem imposta aos participantes é 
construída de modo a aparentar culpa dos distritos e repreender re-
voltas contra o status quo. Paralelamente, a propaganda política é 
um grande mecanismo de manipulação midiática no Brasil, que usa 
de fake news e efeitos emocionais para alienar eleitores.”
- Redação redigida por Lucas Felpi
“THE BOYS” 2019, 3 temporadas, 18+
 
 
 
Abuso de Poder
“�e Boys” é uma paródia dos universos de super-heróis altruístas e ide-
 Sinopse
“Os Sete são os heróis mais poderosos da Terra. Porém, esses pro-
tetores têm um lado oculto que a maioria das pessoas desconhece. 
Se eles usam seus poderes para o mal, Hughie, Billy e o resto do 
time têm a missão de detê-los.”
Redação Pop 199
alizados, retratando-os como seri-
am na realidade: corruptos, vio-
lentos e imparáveis. Se, no mundo 
real, políticos já abusam de seus 
poderes para favorecer interesses 
próprios, imagine se existissem os 
super-poderes.Grandes Corporações
No mundo real, super-heróis seri-
am altamente capitalizados. Na 
série, Vought é a multinacional 
encarregada da equipe su-
per-herói Os Sete, visando maxi-
mizar os seus lucros. Distorcendo 
ética, ciência e a opinião pública, 
grandes corporações visam resul-
tados �nanceiros a todo custo, 
sem lei que as parem.
Assédio Sexual
A nova integrante dos Sete, 
Luz-Estrela, é recebida na equipe 
por ameaças pelo colega e antigo 
ídolo de infância, o herói aquáti-
co Profundo, que a força a fazer 
sexo oral nele para permanecer no 
grupo. Ao longo da série, é 
demonstrado como a insegurança 
do herói com suas guelras fazia-o 
abusar sexualmente de mulheres.
Cultura do Cancelamento
Por serem máquinas de lucro, os 
heróis buscam completa aprovação 
popular. Os analistas da Vought 
observam os memes, índices de 
popularidade, mídias digitais, e 
tudo é meticulosamente articula-
do para gerar a impressão certa e 
crescer as ações. No mundo atual, 
a mobilização de ódio nas redes so-
ciais faz com que um deslize seja 
su�ciente para levar um ídolo a seu 
�m.
Pink Money
Após Capitão Pátria forçar Maeve 
fora do armário, Vought se aprove-
ita da situação para aumentar suas 
vendas ao público LGBTQI+. A 
discussão do Pink Money torna-se 
relevante quando empresas utili-
zam de símbolos LGBTQI+ a �m 
de gerar lucro. Enquanto Vought 
rentabilizava sua sexualidade, 
Maeve era forçada a viver uma vida 
estereotipada e em um rótulo in-
desejado.
Importância da Família
Líder dos Sete, Capitão Pátria é o 
mais corrupto e sem escrúpulos 
dos super-heróis. É demonstrado 
como sua criação na ausência de 
pais, com a única presença de um 
Redação Pop200
cientista, deu origem a seu comportamento sociopático. Quando ele tem 
um �lho, a preocupação de todos é garantir-lhe uma boa criação familiar 
para que a história não se repita.
Xenofobia
O que seriam super-heróis sem super-vilões? Capitão Pátria envia a sub-
stância que concede poderes super-humanos a células terroristas para 
criar seus próprios inimigos. Esses super-terroristas tornam-se a justi�ca-
tiva para seus discursos de xenofobia contra imigrantes e que resultam na 
morte de um homem árabe por preconceito da população.
Neonazismo e Supremacia Branca
É revelado que a novata da 2a temporada, Tempesta, era em verdade 
neonazista e crente do Genocídio Branco, uma teoria da conspiração de 
supremacistas brancos que incita o racismo, a xenofobia, e a perseguição 
a minorias. Infelizmente, manifestações dessa ideia ainda são assustado-
ramente presentes.
Exemplo: O abuso de poder e de autoridade no Brasil
“Na série norte-americana “�e Boys”, super-heróis, reais e ama-
dos pela população, escondem uma indústria repleta de corrupção e 
violência, em que ninguém consegue mantê-los dentro da lei. Em-
bora super-poderes não sejam realidade, vê-se que micro-poderes 
políticos no Brasil são estendidos para além de suas legitimidades 
para favorecer interesses pessoais. Logo, �ca claro que a concessão 
de poder sem su�ciente coerção popular e governamental acarreta o 
abuso de autoridade e a sensação de superioridade à lei.”
- Redação redigida por Lucas Felpi
“CREPÚSCULO” 2008, 4 livros, 5 �lmes, 13+
Redação Pop 201
 Sinopse
“A estudante Bella Swan conhece Edward Cullen, um belo mas 
misterioso adolescente. Edward é um vampiro, cuja família não 
bebe sangue, e Bella, longe de �car assustada, se envolve em um 
romance perigoso com sua alma gêmea imortal.”
 
Stalking
O casal que conquistou o mundo, a humana Isabella Swan e o vampiro 
Edward Cullen, é dito por alguns como exemplo do crescente fenômeno 
de “stalking”: após se conhecerem, Edward segue e vigia Bella a todo 
momento, aparecendo no seu quarto todas as noites para observá-la.
Abuso Sexual
Quando Bella vai a Port Angeles acompanhar as amigas em uma tarde de 
compras, ela é abordada por um grupo de homens em uma rua sem saí-
da. Os homens expressam o desejo explícito de assediá-la, mas Edward, 
que a estava observando, chega antes de que algo pior pudesse acontecer.
Colonialismo
A rivalidade entre vampiros e lobisomens em Forks teve origem com a 
chegada dos vampiros em terras já ocupadas pelos ancestrais lobisomens. 
A cena retrata bem o padrão da colonização de povos indígenas: brancos 
europeus adentrando e dominando terra pertencente aos povos nativos.
Vegetarianismo
A família Cullen é apresentada como vampiros “vegetarianos”, guiados 
pela ética de não se alimentarem de humanos. Embora o conceito não 
seja o mesmo, o vegetarianismo dos vampiros ressalta o poder de escolha 
no hábito alimentar e da repressão dos desejos selvagens instintivos por 
um bem maior.
Redação Pop202
Preceitos Religiosos
Stephenie Meyer, autora dos livros, pertence à Igreja de Jesus Cristo dos 
Santos dos Últimos Dias (Mórmon), movimento religioso cristão. Seus 
preceitos religiosos são ecoados pelas obras, como a virgindade até o mat-
rimônio e a puridade de Bella e seus amigos ao não beberem e festejarem 
como os demais.
Gravidez na Adolescência
Bella tem 18 anos e acaba de se formar quando engravida de Edward na 
lua de mel em terras brasileiras. Pesquisas apontam que gestações como 
essa, na adolescência, muitas vezes indesejadas, representam risco para o 
corpo ainda em transformação e são uma das maiores causas da evasão 
escolar no Brasil.
Doação de Sangue
Em 2008, uma campanha de doação de sangue em São Paulo utilizava a 
saga para dizer “Nem só os vampiros precisam de sangue”. Em Crepús-
culo, a importância do sangue é destacada, por exemplo, quando Bella 
�ca grávida, episódio no qual ela depende da doação de sangue por out-
ros para sua sobrevivência.
Exemplo: Caminhos para combater o abuso sexual de crianças e 
adolescentes
“Na saga de livros Crepúsculo, Isabella Swan é uma adolescente 
apaixonada pelo vampiro Edward Cullen. Em uma noite com as 
amigas, ela é abordada em um beco sem saída por um grupo de 
homens assediadores, mas o namorado vampiro chega a tempo para 
evitar o pior. Fora das páginas, milhares de crianças e adolescentes 
no Brasil passam por experiências similares de abuso sexual— um 
quadro perpetuado pelo tabu na sociedade brasileira sobre o tema e 
pela di�culdade da denúncia a famílias e instituições estatais.”
- Redação redigida por Lucas Felpi
Redação Pop 203
 Sinopse
“A princesa Leia é mantida refém pelas forças imperiais comanda-
das por Darth Vader. Luke Skywalker e o capitão Han Solo pre-
cisam libertá-la e restaurar a liberdade e a justiça na galáxia.”
“STAR WARS” 1977, 4 livros, 5 �lmes, 13+
 
Ciência e Tecnologia
Em Star Wars, o desenvolvimento cientí�co é retratado como motor das 
inovações que permitem, entre outros, a viagem intergaláctica. Porém, 
também é mostrado o “lado sombrio” da tecnologia: a possibilidade de 
criação de super armas, como a Estrela da Morte, que pode aniquilar 
planetas inteiros.
Religião
Não há dúvidas de que George Lucas cria a Força como uma alegoria a 
diversas religiões ocidentais e orientais, com referências bíblicas. Teóri-
cos apontam semelhanças entre o personagem Luke Skywalker e Moisés. 
Em 2001, o ‘Jediísmo’ era a quarta maior religião no Reino Unido (Fon-
te: ONS-UK).
Uso da Violência
Com �lmes de ação e aventura, a saga apresenta um considerável teor de 
violência. Entretanto, os Jedi transmitem a mensagem do paci�smo: por 
exemplo, no Episódio V - O Império Contra-ataca, Mestre Yoda explica 
a Luke que um Jedi usa a Força somente para meios de informação e 
autodefesa - e nunca para agressão.
Respeito ao Idoso
Mestre Yoda é o principal membro do Conselho Jedi, admirado por suas 
Redação Pop204
habilidades com a Força e sua vas-
ta sabedoria. Embora person-
agem �ctício, o pequeno verde 
ancião manifesta a importância 
da valorização dos mais velhos em 
quesitos de experiência e ensina-
mentos.
Transtornos Mentais
Em um artigo de 2015, psicólo-
gos argumentam que Star Wars é 
um exemplo de temas psiquiátri-
cos: C3PO tem TOC; Yoda tem 
dislexia super�cial;Luke Sky-
walker, esquizofrenia prodrômi-
ca. E Jar Jar Binks é um exemplo 
facilmente identi�cável de trans-
torno de dé�cit de atenção e hip-
eratividade.
Tirania e Queda da Democracia
A segunda trilogia de Star Wars 
mostra como democracias viram 
ditaduras. Sheev Palpatine, que é 
chanceler da República, conspira 
para atacar a imagem dos Jedi, 
provocar o medo e tomar o con-
trole como imperador. A lição é 
sintetizada nas palavras da sena-
dora Padmé Amidala: “Então é 
assim que a liberdade morre, com 
um estrondoso aplauso”.
Movimentos Ativistas
Após a ascensão do Império Galác-
tico, Jedis e forças opositoras se 
unem para formar a Aliança Re-
belde, em prol da liberdade e da 
volta da democracia. O sentimen-
to de revolta popular dos heróis se 
assemelha ao de movimentos con-
temporâneos de ativismo por dire-
itos fundamentais ao redor do pla-
neta.
Discurso de Ódio
Declarando os Jedi como traidores, 
Palpatine solicitou a execução da 
Ordem 66: autorização para um 
genocídio em massa dos Jedi pelos 
stormtroopers. Milhares foram 
mortos ao redor da galáxia pela or-
dem fascista. O nome dos solda-
dos espaciais não era coincidência: 
a ala paramilitar original do Parti-
do Nazista era chamada de Sturm-
abteilung (Storm Division).
Exemplo: Caminhos para 
combater a intolerância 
religiosa no Brasil (Enem 
2016)
“No universo de ‘Star Wars’, os 
mestres Jedi foram aniquilados 
pelos lordes Sith, seguidores 
Redação Pop 205
de uma seita inimiga. Liderados por Darth Sidious, eles depuseram 
a República e instauraram um regime ditatorial. Fora dos cinemas, a 
intolerância religiosa é uma realidade no Brasil, tornando necessário 
o seu combate, para a manutenção da liberdade individual e da ci-
dadania.”
- Redação nota 960 de Débora Aladim
“MENINAS MALVADAS” 2004, 1h37min, 12+
 
 
Ensino Domiciliar
Pelos últimos 12 anos, Cady Heron foi educada pelos pais em casa en-
quanto vivia na África. Ao se mudar para Evanston, EUA, ela passa a 
frequentar uma escola pública, sendo obrigada a se adequar a protocolos 
de socialização estranhos a ela. O �lme originalmente seria intitulado 
“Homeschooled”.
Estereótipo do Continente Africano
A personagem principal não revela o seu país de origem, sendo referido 
apenas como “África”. Tal fato, somado às cenas de alusões com animais 
selvagens na escola, rea�rma a generalização do continente africano a 
uma massa homogênea de território dominado pelo mundo animal e 
visto como “terceiro mundo”.
 Sinopse
“Cady Heron cresceu na África e sempre estudou em casa, nunca 
tendo ido à escola. Após retornar aos Estados Unidos com seus 
pais, ela se prepara para iniciar sua vida em uma escola pública. 
Logo Cady percebe como a língua venenosa de suas novas colegas 
pode prejudicar sua vida e, para piorar ainda mais sua situação, 
Cady se apaixona pelo garoto errado.”
Redação Pop206
Bullying nas Escolas
Ao entrar no Colégio North 
Shore, Cady é apresentada ao 
grupo mais importante da escola: 
Regina George, Gretchen Wie-
ners e Karen Smith. Elas são a 
elite do mundo feminino no colé-
gio, admiradas porém temidas 
por serem cruéis com os compor-
tamentos e aparências das demais. 
A�nal, elas são as Meninas Mal-
vadas.
Rivalidade Feminina
As três garotas guardam um Burn 
Book: um livro de anotações com 
defeitos e xingamentos sobre as 
outras mulheres da escola, exemp-
lo de rivalidade feminina na ado-
lescência. A comparação exacerba-
da e a competição entre as meninas 
é prejudicial a todas: são insegu-
ranças internas projetadas umas 
nas outras.
Culto ao Corpo
“Meninas Malvadas” retrata bem a 
obsessão de jovens com sua ima-
gem corporal: até mesmo a abel-
ha-rainha Regina George e suas 
amigas sofrem com a imagem de 
Redação Pop 207
seus corpos no espelho. Um episódio marcante é quando Cady, para 
atacar Regina, entrega barras de proteína à colega para que ela ganhe 
peso.
Homofobia
Janis e Damien são melhores amigos do grupo de artistas da escola, con-
stantemente alvos de homofobia pelos demais. Durante uma apresen-
tação musical, Damien tem um tênis atirado no rosto pelos garotos do 
colégio; Janis é alvo de rumores sobre sua sexualidade criados por Regina 
George.
Feminismo
Ao �nal do longa, a mensagem é de sororidade e feminismo. As garotas 
deixam de brigar por garotos e de rebaixarem umas às outras, para abrir 
espaço às suas verdadeiras identidades. A autora do livro que originou o 
�lme, Rosalind Wiseman, viaja o mundo ensinando adolescentes a ser-
em gentis nas escolas.
Exemplo: A prática de bullying nas escolas brasileiras
“No �lme “Meninas Malvadas”, Regina George e suas colegas são 
consideradas as abelhas-rainhas que aterrorizam as demais garotas 
do Colégio North Shore. Ao longo da trama, Cady, a garota nova, 
percebe que o bullying praticado tem como origem a insegurança 
das próprias meninas malvadas. Fora das telas, é fato que grande 
parte das escolas brasileiras apresentam práticas semelhantes de bul-
lying, que são responsáveis por gerarem efeitos a longo prazo em 
suas vítimas e são muitas vezes causadas por inseguranças internas 
dos opressores.”
- Redação redigida por Lucas Felpi
Redação Pop208
“O GAMBITO DA RAINHA” 2020, 1 temporada, 16+
Abandono Paterno
Em 1950, Beth Harmon, de 9 anos, sobrevive a um acidente de carro 
trágico que mata sua mãe. Mais tarde, é revelado que o ato tivera sido 
proposital, motivado pelo abandono à familia por parte do pai. No Bra-
sil, o abandono paterno continua sendo uma das grandes pautas sociais 
a serem combatidas, com consequências graves à mãe e à criança.
Adoção
Dirigida ao orfanato Lar Methuen, Beth conhece Jolene, uma garota 
negra que espera pela chance de ser adotada há algum tempo. Jolene 
aponta um dos maiores problemas da seletividade injusta no processo 
adotivo em sua fala: “Ninguém vai vir atrás de nós agora. Estamos velhas 
demais. Ou pretas demais”.
Abuso de Drogas
Na instituição, enquanto pílulas tranquilizantes eram distribuídas às cri-
anças, Beth manipula o seu uso para alcançar prazer e torna-se depen-
dente química. As pílulas Xanzolam, embora não sejam um medicamen-
to real, se assemelham muito a um remédio popular nos anos 60, 
receitado como cura para a ansiedade, chamado Librium. 
Alcoolismo
 Sinopse
“Em um orfanato no estado de Kentucky, EUA, nos anos 1950, 
uma garota descobre um talento impressionante para o xadrez 
enquanto luta contra o vício e os problemas que acompanham 
sua genialidade.”
Redação Pop 209
A longo prazo, todos esses elementos entram em jogo desenvolvendo o 
alcoolismo que Beth vivencia em sua vida adulta. O trauma na infância, 
o contato com tranquilizantes, a rejeição pelo pai adotivo, todos foram 
fatores que levaram o álcool a se tornar válvula de escape para a vida de 
Beth.
Sociedade Patriarcal
“O Gambito da Rainha” retrata a realidade patriarcal dos anos 50 a 70, 
destacando os estereótipos impostos à protagonista. Ao demonstrar in-
teresse pelo xadrez, seus pais adotivos sugerem algo “mais para meninas”. 
Campeã brasileira de xadrez, Juliana Terao diz que a série até pegou leve: 
“Os jogadores não aceitariam tão facilmente serem dominados por uma 
mulher”.
Inclusão no Esporte
A pauta feminina no xadrez implica um tema ainda maior: a inclusão no 
esporte e sua importância como mecanismo de reparação social. Como 
um grande polo de atenção global, o esporte se vê no dever de incluir 
grupos minoritários/reprimidos a �m de estabelecer um espaço igual-
itário e representativo.
Redação Pop210
Esporte como Política
Além disso, o esporte também pode atuar como meio de comunicação 
de ideologias políticas. No contexto da série inserida na Guerra Fria, a 
disputa de Beth Harmon contra os russos se vê estendida além do tabu-
leiro: ela se torna peça política para a vitória simbólica dos americanos 
contra os soviéticos.
Exemplo: O abandono paterno em questão no Brasil
“Na minissérie norte-americana “O Gambito da Rainha”, Elizabeth 
Harmon perde sua mãe em um acidente de carro nainfância e não 
conhece seu pai, que as abandonou cedo. Ao longo da narrativa, é 
revelado que o acidente fora proposital, provocado por uma dis-
cussão com o pai da garota, e o trauma gerado na criança é perpet-
uado na forma de dependência química, alcoolismo, e tabagismo. 
Fora da �cção, faz-se necessário discutir o abandono paterno no 
Brasil, como forma de injustiça social a mães-solteiras e como fator 
desencadeador de traumas afetivos a crianças.”
- Redação redigida por Lucas Felpi
“DIVERGENTE” 2014, 3 livros, 3 �lmes, 14+
 
Categorização Social
Na distópica cidade de Chicago, a sociedade é dividida em 5 facções, 
uma para cada virtude: Abnegação, Amizade, Audácia, Erudição e Fran-
 Sinopse
“Em uma Chicago futurista, onde as pessoas estão divididas em 
cinco facções com base em suas personalidades, Beatrice Prior 
descobre ser uma divergente, alguém que se encaixa em mais de 
uma facção.”
Redação Pop 211
queza. A divisão de grupos é dita a 
responsável pela manutenção da 
paz, mas é visto como ela acaba 
por agravar tensões, gerando 
competição e mitos de superiori-
dade.
Teste Vocacional
Ao completar 16 anos, todos os 
jovens passam por um teste para 
decidir a qual facção pertencem. 
A cada um é dado liberdade de es-
colha após o teste, mas sem volta 
atrás. A trama se assemelha ao 
dilema da escolha vocacional, em 
que jovens em idade pré-matura 
são dados a escolha de uma vida 
inteira.
Não Conformidade
Nem todos conformam à norma. 
Assim como, na vida real, nem to-
dos são capazes de decidir-se em 
uma carreira ou identi�car-se 
com um rótulo, em “Divergen-
te”, nem todos se encaixam nas 
facções. Os Divergentes são aque-
les com aptitudes de mais de uma 
facção, perseguidos pelo governo 
como criminosos.
Situação de Rua
O recíproco também é verda-
deiro: aqueles que não apresentam 
as virtudes de nenhuma facção, 
vivem em situação de rua sem 
cuidado ou auxílio algum do Esta-
do. Abandonados e invisíveis, os 
sem facção são mais uma analogia 
a problemas do mundo real, reve-
lando como um sistema é falho ao 
descartar minorias.
Manipulação Genética
Em “Convergente”, é explicada a 
origem do sistema distópico: Chi-
cago se tornara sede de um experi-
mento para recuperar o genoma 
humano após a modi�cação 
genética se disseminar. Aqueles 
pertencentes às facções haviam 
sido modi�cados, e os Divergentes 
seriam aqueles mais próximos ao 
genoma puro.
Violência Doméstica
Par da protagonista Tris, Quatro 
(Tobias Eaton) foge de casa para 
escapar de seu pai abusivo. Marcus 
Eaton é líder da Abnegação e man-
tinha uma imagem pública de 
bom e carinhoso, enquanto chega-
va em casa apenas para bater em 
seu �lho com um cinto. Mais tar-
de, ele a�rma que “formou seu 
caráter”.
Redação Pop212
Exemplo: Limites da edição genética em seres humanos no 
século XXI
“Na série de livros “Divergente”, a busca pelo melhoramento genéti-
co de características como inteligência, medo e honestidade causam 
o colapso da humanidade e a perda do genoma original humano. 
Em um experimento, Chicago é dividida em cinco facções e aqueles 
chamados de “divergentes”, que pertencem a mais de uma facção, 
representariam a volta ao genoma puro. Fora da �cção, �ca claro que 
técnicas recentes de edição genética constituem tanto um avanço 
quanto um perigo à sociedade, enquanto eliminam predisposições 
a doenças mas carregam um potencial destrutivo nas mãos erradas.”
- Redação redigida por Lucas Felpi
“MAZE RUNNER” 2014, 6 livros, 3 �lmes, 14+
 
Memória como Identidade
Em “Maze Runner”, �omas é um jovem que acorda em um elevador 
subterrâneo sem memória. Em uma comunidade onde todos buscam 
descobrir sua identidade, a saga traz a re�exão: seriam as pessoas a soma 
de suas memórias ou há uma essência intrínseca a cada um, independen-
te de nossas experiências?
 Sinopse
“Em um futuro apocalíptico, o jovem �omas é escolhido para 
enfrentar o sistema. Ao acordar dentro de um escuro elevador em 
movimento, ele não consegue se lembrar nem de seu nome. Na 
comunidade isolada em que foi abandonado, ele conhece outros 
garotos que passaram pelo mesmo. Para conseguir escapar, �om-
as precisa descobrir os sombrios segredos guardados em sua men-
te e correr muito.”
Redação Pop 213
Estado de Anomia
Sozinhos, os garotos são apresen-
tados a um estado de anomia: a 
ausência de normas sociais, se-
gundo Émile Durkheim. Assim 
como Durkheim propunha a di-
visão do trabalho como solução, 
eles estabelecem uma sociedade 
funcional com a criação de um 
sistema rígido de leis, uma hier-
arquia social e tarefas diárias.
Sexismo
Por 2 anos, a Clareira é formada 
apenas por meninos, até que che-
ga Teresa. No livro, Alby, o líder, 
com medo de a estuprarem, colo-
ca guardas para protegê-la. São 
dirigidos insultos sexistas a Tere-
sa, como fraca e indefesa, mas ela 
prova ser mais corajosa, mais forte 
e mais inteligente do que a maio-
ria dos meninos.
Experimentos Humanos
Ao �nalmente escapar do labirin-
to, �omas e seus amigos desco-
brem que fazem parte de um ex-
perimento da organização 
CRUEL (Catástrofe e Ruína Uni-
versal: Experimento Letal). A ex-
periência tinha como objetivo es-
tudar o cérebro dos adolescentes 
em situações adversas, como 
medo, ansiedade, terror.
Erupções Solares
É explicado que, 15 anos antes de 
“Maze Runner”, enormes ex-
plosões solares devastaram o pla-
neta e a civilização humana. No 
mundo real, tempestades solares 
preocupam por outra razão: se 
uma erupção dessas proporções 
atinge a Terra, pode haver um co-
lapso dos sistemas de eletricidade 
e internet por anos.
Escassez de Recursos
Seis meses após a catástrofe, foi es-
timado que havia alimento e água 
potável su�ciente apenas para 
70% da população restante. As-
sim, duas visões surgem para o 
modo de ação: enquanto alguns 
sugerem racionamento de recur-
sos, cientistas acabam por desen-
volver um vírus mortal para elimi-
nar os outros 30%.
Pandemia Global
Em pouco tempo, o vírus foge de 
controle e se torna uma pandemia, 
eliminando grande parte da popu-
lação mundial. Uma pequena por-
Redação Pop214
centagem, a maioria com menos de 20 anos, é descoberta imune ao vírus 
e é então inserida nos experimentos da CRUEL, na esperança de encon-
trar uma cura à doença mortal.
Exemplo: Coronavírus e a emergência na saúde global
“Na saga juvenil “Maze Runner”, é retratado um mundo 
pós-apocalíptico em que a civilização humana é dizimada por um 
vírus letal, altamente contagioso. Na esperança de encontrar um 
antídoto, jovens imunes são estudados em simulações para descobrir 
o que fazem deles diferentes dos demais. No contexto atual, a série 
não poderia ser mais assustadora: diante de um vírus real, cientistas 
correm para salvar vidas ceifadas ao redor do mundo e prevenir o 
novo colapso econômico do século XXI.”
- Redação redigida por Lucas Felpi
“ROUND 6” 2021, 1 temporada, 16+
 
Endividamento Financeiro
“Round 6” tem como pontapé inicial a história de Seong Gi-Hun, um 
pai divorciado e parcialmente sustentado por sua mãe idosa, que deve 
mais de 160 milhões de wons sul-coreanos a bancos e agiotas. Em um 
país onde a dívida familiar total excede o seu PIB, Gi-Hun é mais um 
homem comum.
 Sinopse
“Centenas de jogadores falidos aceitam um estranho convite para 
um jogo de sobrevivência. Um prêmio milionário aguarda, mas as 
apostas são altas e mortais.”
Redação Pop 215
“Round 6”, obra sul-coreana que estreou na Net�ix em 2021, se tornou uma das 
produções mais assistidas e populares da história do streaming.
Redação Pop216
Proteção de Dados
Assim como outros 455 endivida-
dos, Gi-Hun é selecionado para 
um torneio de jogos mortais por 
dinheiro. A escolha dos convida-
dos é baseada em seus dados �-
nanceiros, o que os torna mais 
vulneráveis e suscetíveis ao jogo. 
No Brasil, a Lei Geral de Proteção 
de Dados garante o tratamento de 
dados de crédito.
Mito da Meritocracia
A ilha funciona como uma alego-
ria da sociedade capitalista mod-
erna, onde, de acordo como 
Líder, “cada jogador tem a chance 
de jogar um jogo justo sob as mes-
mas condições”. A falácia da mer-
itocracia é logo revelada na dis-
criminação, corrupção e 
manipulação vistas nas rodadas 
de perigosas brincadeiras infantis.
Dignidade Humana
Os jogos de Round 6 têm sido 
comparados a programas como 
“Mega Senha” e “Caldeirão do 
Huck”, nos quais a humilhação e 
a degradação da dignidade da 
classe pobre são justi�cadas pelo 
mero entretenimento dos ricos. A 
desumanização e exploração da 
vulnerabilidade pela oportuni-
dade de ascensão social.
Direitos Trabalhistas
Na série, Gi-Hun conta sobre sua 
demissão da montadora Dragon 
Motors depois de mais de 10 anos, 
parte de uma dispensa coletiva. 
Os funcionários entram em greve 
e ele perde seu melhor amigo. O 
criador se inspirou na brutal re-
pressão à greve da Ssangyong Mo-
tors em 2009, que demitiu 2646 
funcionários e causou a morte de 
143 destes, a maioria por suicídio.
Sexismo e Feminicídio
Em diversos momentos, os joga-
dores são ordenados a formarem 
grupos para os jogos. Na divisão, a 
discriminação contra as mulheres 
é escancarada assim que os partic-
ipantes associam a força física 
como masculina. Além disso, há o 
relato forte da personagem Ji-Yeo-
ng, cujo pai, um pregador, assassi-
na sua mãe violentamente.
Etarismo
Outra forma de preconceito re-
tratada no seriado é a exclusão do 
idoso Il-Nam, considerado inca-
Redação Pop 217
paz e um perdedor inevitável da competição. Gi-Hun simpatiza com o 
senhor e o inclui na sua equipe ainda que saiba da desvantagem associada 
ao ato. A desvalorização e abandono de idosos é pauta recorrente no Bra-
sil e no mundo.
Trá�co de Órgãos
Por trás dos jogos violentos, há um esquema clandestino de extração e 
comercialização de órgãos dos jogadores eliminados na ilha. Guardas se 
juntam para aproveitar a pilha de cadáveres acumulados e ganhar com o 
mercado de trá�co de órgãos humanos, um altamente rentável.
Exemplo: A importância da educação �nanceira em questão no 
Brasil
“Na série sul-coreana “Round 6”, 456 pessoas são selecionadas para 
competirem em um jogo mortal por um grande prêmio em dinheiro, 
unidas pelas altas dívidas contraídas e a impossibilidade de pagá-las. 
Assim, os organizadores abusam da vulnerabilidade de endividados 
para criar um espetáculo de entretenimento cruel e violento. Nesse 
sentido, a obra explicita uma grave problemática igualmente brasile-
ira: a falta de investimentos e a desvalorização da educação �nancei-
ra condena o futuro de milhares de jovens e adultos por todo o país.”
- Redação redigida por Lucas Felpi
“YOU (VOCÊ)” 2018, 4 temporadas, 16+
 Sinopse
“Obsessivo e perigosamente charmoso, ele vai ao extremo para 
entrar na vida de quem o fascina. Você pode acabar �sgada sem 
nem perceber. Aí, pode ser tarde demais.”
Redação Pop218
Stalking
O stalking se tornou um fenôme-
no do século XXI. De fato, hoje é 
comum conhecer uma pessoa an-
tes por sua personalidade virtual 
do que pela real. Na série, Joe, as-
sim que conhece Beck, corre para 
procurar seu nome em sites como 
Facebook, Instagram e Twitter, e 
rapidamente descobre tudo sobre 
ela.
Superexposição nas Redes Soci-
ais
O stalking é ainda facilitado 
quando o alvo se expõe na inter-
net e produz uma vitrine de sua 
vida: um requisito que Beck e a 
maioria dos internautas infeliz-
mente cumprem. Assim, Joe con-
segue, com alguns cliques, encon-
trar tudo sobre Beck, suas amigas, 
seus interesses, e até mesmo o en-
dereço de sua casa. Nas palavras 
do protagonista: “Você quer ser 
vista, Beck”.
Machismo Estrutural
O que começa como um reconhe-
cimento digital se torna um teatro 
para conquistar a garota. Semel-
hante a um predador e sua presa, 
Joe ferozmente trilha o caminho 
para sua fantasia amorosa, e faz de 
tudo (t-u-d-o) para conquistá-la, 
sob a desculpa de que “ele sabia o 
que era melhor para ela”; “ele iria 
Redação Pop 219
corrigir sua vida”. O que disse, 
machista?
Relacionamentos Abusivos
Obviamente, quando o relacio-
namento se inicia, vemos o quão 
abusivo é. Joe têm ciúmes de tudo 
e todos, desde as amigas de Beck 
até o seu terapeuta, e segue os pas-
sos da namorada obsessivamente 
todos os dias.
Favores Sexuais
Em um episódio, Beck se encon-
tra em um con�ito como escrito-
ra, pois seu chefe dá em cima dela 
frequentemente. Por um lado, 
com repulsa do homem, e por 
outro, com medo de perder o em-
prego se não satisfazê-lo, ela se vê 
sem saída. A�nal, o homem tinha 
olhos apenas para seu corpo, e de-
sprezava seu talento artístico.
Feminicídio
No �nal da temporada, a revira-
volta mais chocante aparece: Beck 
é assassinada por Joe. Se na �cção 
o episódio já choca pelo grande 
amor de Joe, imagine no mundo 
real: 70% dos feminicídios têm o 
parceiro como suspeito. A�nal, a 
possessividade e fantasia exacerba-
das de Joe custaram a vida de sua 
própria amante.
Determinismo
É visível a análise que a série traça 
sobre a in�uência do meio a um 
indivíduo. Por exemplo, a origem 
do caráter impulsivo de Joe: foi 
herdado do abandono parental e 
do senhor que o apadrinhou, Sr. 
Mooney. Assim como Joe prende 
vítimas no porão da livraria, Sr. 
Mooney costumava prender o jo-
vem Joe na cela. Como um ciclo, 
vê-se que Joe passa adiante sua vi-
olência à Paco, consolidada na 
cena em que a criança friamente se 
recusa a ajudar Beck. Talvez nunca 
tenha um �m.
Falsa Identidade
Após os eventos com Beck, Joe 
foge de Nova Iorque para Los An-
geles e assume uma nova persona. 
Ele comete o crime de falsa identi-
dade, roubando os documentos e 
nome do verdadeiro Will Bettel-
heim (além de o prender em cat-
iveiro). O delito de falsa identi-
dade consta no artigo 307 da 
Constituição brasileira e pode re-
sultar em 3 meses a 1 ano de de-
Redação Pop220
tenção.
Violência Doméstica
Em �ashbacks, o pequeno Joe 
aparece testemunhando seu pai 
agredir �sicamente sua mãe em 
casa. No Brasil, a cada dois minu-
tos, uma mulher é vítima de vi-
olência doméstica; a série enfatiza 
os efeitos disso na vida futura de 
um jovem: Joe acaba traumatiza-
do, vingativo e violento a ponto 
de matar seu pai.
Língua de Sinais
Novo alvo amoroso de Joe, Love é 
uma recém-viúva de um homem 
surdo, Mr. Kennedy. Para além da 
leitura labial, a ASL (a língua de 
sinais estadunidense) se torna im-
portante forma de comunicação 
entre o antigo casal, e o sinal de 
“eu te amo” é retomado por Love 
mais tarde com Joe.
Proteção de Crianças
Embora Joe aparente ser frio, ele 
tem uma clara bússola moral com 
crianças. Devido aos eventos de 
sua infância, ele busca proteger os 
menores, como Paco (1ª tempo-
rada), Ellie (2ª temporada) e seu 
�lho Henry (3ª temporada). No 
episódio de abuso infantil de Hen-
derson, ele faz justiça com as mãos; 
da mesma forma, é apenas quando 
Love revela uma gravidez que Joe a 
poupa da morte.
Vacinação
Na 3ª temporada, pós-pandemia, 
a personagem Sherry é cancelada 
por dar uma festa durante o isola-
mento e furar a �la da vacina. Ao 
mesmo tempo, outro morador, 
Gil, passa sarampo ao bebê Henry 
por não vacinar suas �lhas: "Sim-
plesmente não acreditamos em 
submeter crianças a injeções tóxi-
cas, elas não precisam lutar contra 
coisas para as quais seus corpos 
foram criados para combater", ele 
diz.
Busca por Amor
Vê-se que ambos Joe e Love bus-
cam e fantasiam com amor obses-
sivamente para suprir a falta de 
afeto ou presença parental. Os 
dois formulam expectativas e 
querem alcançá-las a todo custo, 
ultrapassando—ou devo dizer de-
struindo—quaisquer obstáculos. 
A�nal, a maior pergunta que 
"You" coloca é: é o amor que cega, 
ou a falta dele?
Redação Pop 221
Exemplo: A segurança de dados na era das redes sociais
“Na série norte-americana “Você”, o gerente de livraria Joe Gold-
berg conhece uma garota e se apaixona à primeira vista. Ao desco-
brir seu nome, recorre à internet para encontrar tudo sobre a vida 
e personalidade de Guinevere Beck—e encontra. A�nal, todas as 
suas redes sociais são públicas e tudo, inclusiveseu endereço, está 
disponível a qualquer um. Nesse sentido, Joe passa a observá-la não 
somente por sua atividade online, mas pela janela de sua casa. Fora 
da televisão, �ca claro que a exposição de dados pessoais redes soci-
ais traz efeitos imprevisíveis à privacidade e à integridade humana 
dos cidadãos do século XXI.”
- Redação redigida por Lucas Felpi
“SINTONIA” 2019, 4 temporadas, 16+
Favelização
As cenas de “Sintonia” ocorrem, em sua maioria, na favela da Vila Áurea, 
espaço marcado por habitações precárias, falta de saneamento básico, 
forte presença do crime organizado e cidadãos em busca de melhores 
condições de vida. As adversidades vistas na série também podem ser 
encontradas nas comunidades existentes no Brasil. A vida nas favelas é 
marcada pelo desamparo estatal em relação aos direitos básicos da popu-
lação brasileira. 
 Sinopse
“Três adolescentes que moram na mesma favela paulista perseg-
uem seus sonhos e ao mesmo tempo mantêm sua amizade, em 
um mundo de música, drogas e religião”
Redação Pop222
Trabalho Informal
Rita, uma das protagonistas da 
série, é uma garota órfã que preci-
sa trabalhar vendendo merca-
dorias no transporte público para 
garantir o seu sustento. A jovem 
passa por situações como: merca-
dorias con�scadas, retorno �nan-
ceiro baixo e carga horária de tra-
balho exaustiva. Assim como 
Rita, há inúmeros cidadãos que, 
fora da �cção, também precisam 
enfrentar as adversidades advin-
das do trabalho informal para lu-
tar pela sua sobrevivência e ter 
uma vida minimamente digna.
Trá�co de Drogas
Nando é um garoto que sente a 
cobrança da vida adulta aproxi-
mando-se de sua realidade. Com 
esposa e uma �lha pequena para 
criar, ele entra para o mundo do 
trá�co em busca de renda para 
sustentar sua família. A série mos-
tra a realidade de muitos jovens 
que , diante de uma situação 
desesperadora e sem apoio estatal, 
encontram no mundo do trá�co 
uma saída para os seus problemas. 
Diversidade Cultural
A cultura do funk, fortemente re-
tratada na série, entra como pano 
de fundo das histórias de quem 
mora na comunidade da Vila 
Áurea, na periferia de SP. É por 
meio do sonho de ser MC, viven-
ciado pelo personagem Doni, e 
pelo �uxo (baile funk da comuni-
dade), que vemos uma parte im-
portante da cultura do nosso país, 
muitas vezes minorizada pelas 
elites. O funk faz parte do dia a dia 
de muitas pessoas que moram nas 
comunidades e serve para repre-
sentar suas vivências, seus gostos, 
suas alegrias e suas identidades. 
Religião
Ao lado do funk, do trabalho in-
formal e dos sonhos, está a re-
ligião, considerada um símbolo de 
respeito e formação dos cidadãos 
da comunidade da Vila Áurea. A 
personagem Rita é uma das que se 
entrega à vida religiosa em busca 
de conforto e crescimento pessoal. 
Na realidade do povo brasileiro, a 
religião, conforme mostrado na 
série, serve como uma forte base 
de formação de caráter e ponto de 
apoio para os diferentes prob-
lemas enfrentados pela população. 
Redação Pop 223
Variação Linguística
A comunicação da maioria dos personagens da série é marcada pela 
variação linguística carregada de gírias advindas das comunidades, como 
“cavalo”(transporte/moto), “biriri” (celular), “chave” (estilo) e “goma” 
(casa). Desde os diálogos simples do dia a dia das pessoas, até às cenas 
mais marcantes entre os tra�cantes, é possível perceber palavras que fo-
gem de um conhecimento geral e que marcam uma forte cultura local. 
“Sintonia” reforça que a variação linguística é um forte instrumento de 
representatividade cultural, a qual está viva nos diversos nichos da socie-
dade brasileira. 
Importância da Família
Doni é um garoto que se destaca dos outros personagens devido à pre-
sença de um núcleo familiar consolidado. Por ter mãe e pai presentes em 
sua formação, pôde ter acesso aos estudos e não precisou trabalhar fora 
para garantir seu sustento (como Rita) e entrar para o trá�co (como Nan-
do). A série mostra como a existência de uma base familiar interfere dire-
tamente no desenvolvimento de um cidadão.
Exemplo: A ocupação urbana desordenada no Brasil
“A produção nacional “Sintonia”, ambientada na comunidade �ctí-
cia da Vila Áurea, na periferia de São Paulo, destaca de modo hu-
manizado e verossímil o cotidiano das favelas. Ao longo da trama, 
a re�exão social por trás dos personagens Doni, Rita e Nando é 
estimulada a partir das di�culdades vividas por cada um. Para além 
da �cção, a série representa a realidade nas residências e bairros per-
iféricos por todo o Brasil, à mercê da pobreza e da exclusão social. 
Essa situação acentuou-se ao longo do desenvolvimento do país, 
que, devido à falta de planejamento e infraestrutura, causou a alta 
marginalização urbana evidenciada no seriado.”
- Redação redigida por Lucas Felpi
Redação Pop224
“NÃO OLHE PARA CIMA” 2021, 2h25min, 16+
Crise Climática
No novo �lme de Adam McKay, dois astrônomos descobrem um come-
ta em rota de colisão com a Terra. Escrito muito antes da pandemia, o 
longa teve como inspiração a emergência do aquecimento global cau-
sado pelo ser humano. “É como se um cometa fosse atingir a Terra, e 
ninguém se importasse,” diz o diretor.
Negacionismo
Quando os cientistas tentam alertar as autoridades, são ignorados e des-
denhados. A população prefere discutir a nomeação de um ator pornô à 
Suprema Corte ou o término entre celebridades. Apesar do aviso da ciên-
cia, se não for possível ver o cometa —ou sentir a mudança climática— 
está tudo bem. 
Espetacularização da Notícia
O alerta do �m do mundo se torna um espetáculo envolto por memes, 
hashtags, símbolos sexuais e jornalistas que tentam imprimir humor e 
leveza ao apocalipse. Em uma sociedade afundada no sensacionalismo, 
até o cientista-chefe Dr. Randall Mindy é rapidamente seduzido pela 
fama. 
Machismo
Enquanto Dr. Mindy é o rosto bonito da campanha, Kate Dibiasky, re-
 Sinopse
“Dois astrônomos descobrem um cometa mortal vindo em di-
reção à Terra e partem em um tour midiático para alertar a hu-
manidade. Só que ninguém parece dar muita bola.”
Redação Pop 225
sponsável pela descoberta do meteoro, é silenciada e vilanizada. Seu co-
lega homem leva o crédito e seu ex-namorado a larga para escrever um 
livro entitulado “Um Encontro com o Diabo” — tamanha dignidade 
das mulheres na ciência.
Poder dos Bilionários
Peter Isherwell é a caricatura dos CEOs de grandes empresas de tecnolo-
gia: um mix de Elon Musk e Mark Zuckerberg. Seu poder de in�uência 
política, movido por interesses pessoais, é capaz de mudar o curso da 
humanidade. Seria o grande perigo o cometa iminente, ou bilionários 
sem regulamentação?
Trumpismo
A presidenta �ctícia Janie Orlean, vivida por Meryl Streep, é uma alusão 
direta a Donald Trump. Assim como o laranja, que minimizou temas 
como a pandemia e o aquecimento global, Orlean é uma ex-celebridade 
que ascendeu à política por um discurso nacionalista, que mistura pop-
ulismo e pós-verdade.
Redação Pop226
Anticiência
A grande mensagem do �lme está na frustração dos cientistas em comu-
nicar uma mensagem importante quando opiniões valem mais do que 
fatos. A anticiência assustadoramente real da fala “Nós apoiamos os em-
pregos que o cometa vai criar”. O que vai nos matar não é um vírus, ou 
cometa; é a idiotice humana.
Exemplo: Reconhecimento da contribuição das mulheres nas 
ciências da saúde no Brasil (Enem 2021 2ª aplicação)
“No �lme “Não Olhe Para Cima”, a cientista Kate Dibiasky desco-
bre um cometa em direção à Terra em poucos meses. Ao alertar o 
mundo sobre o risco iminente de extinção da humanidade, ela é 
alvo de montagens e memes de demônio — fama oposta à de seu 
colega Dr. Mindy, o ‘cientista galã’. Em terras brasileiras, observa-se 
tratamento semelhante dado às cientistas responsáveis por desco-
bertas na área da saúde: são necessários maiores incentivos estatais 
às pro�ssionais do ramo e a publicização de suas contribuições na 
mídia.”
- Redação redigida por Lucas Felpi
“HOMEM-ARANHA” 2002, 8 �lmes,12+
 
Violência Urbana
Em suas 3 versões, Peter Parker é um jovem picado por uma aranha ge-
 Sinopse
“Depois de ser picado por uma aranha geneticamente modi�ca-
da, Peter Parker ganha super poderes e as habilidades da aranha 
para se agarrar a qualquer superfície. Ele promete usá-los para 
combater o crime e começa a entender as palavras de seu querido 
tio Ben: com grandes poderes vêm grandes responsabilidades.”
Redação Pop 227
neticamente modi�cada que 
ganha super habilidades pela 
mordida. Com seus poderes, ele 
decide combater o crime de 
Queens, Nova York, não com o 
objetivo de salvar o mundo, mas 
de prevenir crimes e salvar pessoas 
como o ‘amigo da vizinhança’.
Assédio Sexual
Em determinado momento, sua 
paixão de infância Mary Jane 
Watson é encurralada por homens 
em capas de chuva, que tentam 
assediá-la em um beco escuro. O 
pior é evitado pelo Homem-Ara-
nha, e os dois se beijam de pon-
ta-cabeça na chuva em um mais 
beijos mais famosos da história do 
cinema.
Terceira Idade
Peter �cou órfão quando criança e 
mora com seu tio Ben e sua tia 
May, já idosos e aposentados. Os 
dois desempenham papel impor-
tante na formação do herói, mas 
também se tornam vítimas de 
seus inimigos e colocados em ris-
co. Alvo fácil por sua vulnerabili-
dade e fragilidade física, tio Ben é 
assassinado durante um assalto 
armado.
Poder e Responsabilidade
Tomado pela culpa, Peter lembra 
as palavras de seu tio: “Com 
grandes poderes vêm grandes re-
sponsabilidades”. O provérbio 
popularizado pelo herói pode ser 
comparado às responsabilidades 
esperadas de pessoas e instituições 
às quais foram concedidas poder, 
como o Estado, políticos ou até 
in�uenciadores. Mensagem sem-
elhante aparece na Bíblia: “Daque-
les a quem foi con�ado muito, 
muito mais será pedido” (Lucas 
12:48).
Segurança do Trabalho
Nos �lmes “O Espetacular 
Homem-Aranha”, vê-se um pa-
drão por trás da origem dos vilões: 
todos são fruto de acidentes de 
trabalho na multinacional quími-
ca Oscorp. Max é um empregado 
da Oscorp que sofre um acidente 
ao cair em um tanque de enguias 
magnéticas; já Dr. Curt Connors e 
Harry Osborn injetam soros ex-
perimentais em si mesmos.
Armamento
Na mais recente trilogia, o vilão 
Abutre, codinome de Adrian 
Toomes, obtém tecnologia extra-
Redação Pop228
terrestre na Batalha de Nova York de 2012 e decide usá-la para criar e 
vender armas avançadas e superar o desemprego. O negócio de Toomes 
cresce exponencialemnte e levanta a questão do trá�co ilegal de armas.
Fake News
O grande tema de “Longe de Casa”, con�rmado por seus roteiristas, é a 
praga da atualidade: as fake news. Mysterio é capaz de manipular a reali-
dade e fazer com que todos acreditem que ele é um herói, quando real-
mente é um vilão. Mesmo que �que tão clara a mentira ao �nal, metade 
do mundo ainda acredita nela.
Justiça Restaurativa
Na maior aventura do Aranha, Peter assume a missão de reabilitar os 
vilões do multiverso, mostrando o bem que pode acontecer quando in-
vestimos nas pessoas ao invés de aprisioná-las. O conceito de justiça 
restaurativa defende que aqueles que fazem o mal também precisam de 
cura e são dignas de redenção.
Exemplo: A situação atual dos idosos no Brasil
“No universo das histórias em quadrinhos, Peter Parker é um ado-
lescente que vive uma vida não muito ordinária para os de sua idade 
- seus pais morreram quando pequeno e, em um acidente, ele se 
descobre com superpoderes, tornando-se o herói Homem Aranha. 
Ao longo da narrativa, um papel importante é o de seus tios Mary e 
Ben, já idosos, com quem vive e dos quais depende a renda familiar. 
Ao �nal, aposentado e com di�culdades físicas, o tio Ben é mor-
to durante um assalto armado, em um episódio bastante lembrado 
por fãs. Fora da �cção, a triste realidade dos idosos deve ser alvo 
de programas governamentais, pela condição em que se encontram 
em muitos domicílios brasileiros: por vezes abandonadas, por vezes 
explorados pelas próprias famílias.”
- Redação redigida por Lucas Felpi
Redação Pop 229
 Sinopse
“O dia-a-dia de um grupo de estudantes do Ensino Médio, à me-
dida que eles exploram novos amores e amizades em um mundo 
de sexo, drogas, traumas e mídias sociais.”
“EUPHORIA” 2019, 2 temporadas, 18+
 
Transtornos Mentais
Rue Bennett, protagonista da série, é diagnosticada desde cedo com 
múltiplos transtornos mentais: TOC, dé�cit de atenção, transtorno de 
ansiedade generalizada e possivelmente transtorno bipolar. Isso causa 
nela di�culdades de concentração, ataques de ansiedade e episódios de-
pressivos constantes.
Uso de Drogas por Jovens
Após receber Diazepam para tratar ansiedade e secretamente tomar opi-
oides analgésicos do tratamento de câncer de seu pai, Rue se apega às 
drogas e ao álcool como mecanismo de escape, o que logo se torna vício. 
Ao longo da trama, ela sofre um episódio de overdose e passa a frequentar 
centros de reabilitação.
Gravidez na Adolescência e Aborto
Cassie é uma garota doce e gentil, mas com di�culdade em se relacionar 
pelos rumores de sua história sexual. Quando �nalmente encontra Chris 
McKay, acaba engravidando. Com receio de não realizar seus sonhos, ela 
decide interromper a gestação e busca a ajuda da mãe para a acompanhar 
no aborto induzido.
Transexualidade
Durante a infância, Jules Vaughn sofria crises de depressão e automuti-
lação decorrentes de disforia de gênero, o que a leva a ser a internada em 
Redação Pop230
Com Zendaya, Jacob Elordi, Sydney Sweeney e Hunter Schafer no elenco, a 
premiada série conta a história de Rue, uma adolescente viciada em drogas.
Redação Pop 231
um hospital psiquiátrico contra 
sua vontade. Finalmente, aos 13 
anos, ela passa pelo processo da 
transição e começa a explorar sua 
verdadeira identidade e sexuali-
dade.
Orientação Sexual
Nos últimos episódios da 1ª tem-
porada, Rue se encontra apaixo-
nada por Jules, um afeto que ul-
trapassa o forte laço de amizade 
entre as duas. Elas �cam juntas 
sem estabelecer rótulos, marcan-
do tanto uma nova descoberta 
sexual de Rue quanto uma redesc-
oberta de interesses por parte de 
Jules.
Abuso Físico e Emocional
Nate Jacobs é o típico atleta pop-
ular que namora a líder de torci-
da, Maddy, em um relacionamen-
to extremamente abusivo. Ele a 
manipula emocionalmente e che-
ga a estrangular a menina, deixan-
do marcas de hematomas em seu 
pescoço. Maddy tenta disfarçar o 
abuso com maquiagem, mas uma 
denúncia é feita.
Pornogra�a Infantil
Na trama, Nate passa-se por “Ty-
ler” em um aplicativo de paquera e 
seduz Jules, que acaba enviando 
fotos nua para ele, sem saber quem 
se escondia por trás do per�l. Nate 
revela ser o cara do aplicativo e 
ameaça a entregar para a polícia 
pelo crime de pornogra�a infantil, 
já que ela é menor de idade.
Homofobia Internalizada
Cal Jacobs, pai de Nate, é uma das 
�guras mais poderosas da cidade, 
que vive uma vida secreta de casos 
com outros homens e mulheres 
trans. Ainda pequeno, Nate se de-
para com a coleção de gravações 
de seu pai e reprime esse lado de si, 
semelhante a Cal, criando uma 
personalidade violenta e tóxica.
Trá�co de Drogas
Além do uso de drogas, vemos 
também a rede do trá�co, seus for-
necedores e as tristes razões pelas 
quais se entra nesse mundo. Ash-
tray (em português, Cinzeiro) tem 
10 anos de idade, tatuagens no 
rosto e é tra�cante com seu irmão 
Fezco, junto do qual cuida de sua 
avó, que perdeu a habilidade loco-
motora. Fezco é amigo de infância 
de Rue e é apontado por ela como 
responsável por alimentar o vício 
Redação Pop232
da garota.
Positividade Tóxica
A personagem de Kat sofre bullying a escola desde a infância por seu 
peso, acarretando problemas de autoestima e autoaceitação. Em uma das 
cenas mais impactantes da 2ª temporada, ela se vê enclausurada por in-
�uenciadoras magras gritando lemas de amor próprio, em um retrato das 
redes sociais atuais.
“HEARTSTOPPER” 2022, 2 temporadas, 12+
Bullying
Baseada na HQ homônima, a série acompanha Charlie Spring, um ga-
rotogentil que vive com as marcas emocionais do bullying. Após ter sido 
tirado à força do armário para o colégio no ano anterior, ele se torna alvo 
de olhares, insultos e comentários homofóbicos diários de seus colegas 
do time de rúgbi.
Educação de Sexo Único
Dentro da Truham Boys School, é visto como o sexismo, a homofobia e 
a transfobia são acentuadas em escolas de sexo único. Apesar de existir 
uma certa experiência universal de pessoas queer no que tange à escola, a 
narrativa demonstra os efeitos nocivos da segregação no ambiente esco-
lar.
Relacionamentos Abusivos
 Sinopse
“Nesta série sobre amadurecimento, os adolescentes Charlie e 
Nick descobrem que são mais que apenas amigos e precisam lidar 
com as di�culdades da vida escolar e amorosa.”
Redação Pop 233
No início da trama, Charlie man-
tém um relacionamento secreto 
com Ben, no qual é mal tratado e 
forçado a se encontrar às escondi-
das. Em determinado momento, 
Ben impulsiona o menino contra 
a parede e começa a beijá-lo à 
força, até que o popular Nick Nel-
son intercede e resgata o amigo.
Sexualidade na Adolesência
A relação de Charlie e Nick �o-
resce quando os dois sentam jun-
tos em aula, mas uma faísca 
acende para além da amizade. Em 
toda a sua confusão, Nick passa 
por uma jornada de autodesco-
berta da sexualidade: das pesqui-
sas no Google ao despertar bissex-
ual ao assistir Piratas do Caribe 
com a mãe.
Transgeneridade
Elle é uma aluna transgênero que 
estudava com os meninos e vai 
para Higgs, a escola vizinha ape-
nas para meninas. Durante sua 
transição, ela sofre provocações 
cruéis tanto de seus colegas quan-
to da diretoria escolar, a qual se 
recusa a chamá-la pelo nome so-
cial e reprova a largura de seu ca-
belo.
Lesbofobia
Na nova escola, Elle conhece Tara 
e Darcy, duas namoradas que es-
tão prontas para divulgar publica-
mente o seu relacionamento. 
Quando �nalmente publica uma 
foto assumindo sua sexualidade, 
Tara deve lidar com a lesbofobia 
dos internatutas e o tratamento 
diferente por suas colegas de 
classe. 
Acolhimento Familiar
Cansado de manter o amor por 
Charlie em segredo, Nick decide 
assumir sua sexualidade para a 
mãe, brilhantemente interpretada 
por Olivia Colman. A mãe ouve 
Redação Pop234
com atenção e demonstra seu carinho incondicional pelo �lho. A aceit-
ação familiar é um fator de grande in�uência na constituição da identi-
dade pessoal.
Representatividade
Com um tom doce e otimista, “Heartstopper” aborda assuntos impor-
tantes da sociedade sem resumir os seus personagens LGBTQIA+ a des-
graças e fatalidades. Sua promessa está na história da simples felicidade 
no amor, especialmente para um grupo ao qual histórias do tipo foram 
negadas por tanto tempo.
Exemplo: A situação atual dos idosos no Brasil
“Em “Heartstopper”, Elle é uma aluna transgênero em processo de 
transição na Truham Boys School, uma escola britânica apenas para 
meninos. Antes de ser transferida, ela sofre agressões verbais por seus 
colegas e pelo diretor do colégio, que se recusa reiteradamente a uti-
lizar seu nome social. Diante disso, pode-se observar, assim como na 
série, a falta de respeito à identidade de gênero de pessoas travestis 
e transexuais no Brasil. Decerto, o respeito do nome social desem-
penha papel fundamental na garantia da dignidade e no combate ao 
preconceito dirigido a esse grupo no país.”
- Redação redigida por Lucas Felpi
“STRANGER THINGS” 2016, 4 temporadas, 16+
 Sinopse
“Em novembro de 1983, na pequena cidade de Hawkins, Indi-
ana, um garoto de 12 anos, Will Byers desaparece misteriosa-
mente. A mãe de Will, Joyce, torna-se frenética e tenta encontrar 
Will, enquanto o chefe de polícia Jim Hopper começa a investi-
gar, assim como os amigos de Will: Mike, Dustin e Lucas.”
Redação Pop 235
Desaparecimento de Crianças
Hawkins, Indiana, 1983. Um garoto de 12 anos desaparece misteriosa-
mente após uma noite de Dungeons & Dragons. De início, a série retra-
ta os efeitos do desaparecimento infantil em uma comunidade. Uma 
mãe desolada, os amigos confusos, e a cidade à procura do pequeno Will 
Byers.
Corrida Armamentista
A ambientação da série na Guerra Fria revela uma análise importante: a 
descoberta do Mundo Invertido e os experimentos feitos a Eleven têm 
como propósito ultrapassar os soviéticos na corrida armamentista. Cor-
ridas tecnológicas como essa descartam a ética para alcançar resultado o 
mais rápido possível.
Publicidade Infantil
Em diversos momentos, é apresentado o impacto da mídia tanto no hip-
erconsumo dos jovens, como nos wa�es Eggo que Eleven vê na tele-
visão, quanto na repetida frase de Dustin, “russos malvados, russos mal-
vados”: a demonização dos soviéticos na cultura jovem da época. 
Socialização
Cobaia do Projeto MKUltra por toda sua infância, Eleven passa pelo 
processo de socialização ao escapar do laboratório. Com Mike, Lucas e 
Dustin, ela descobre o que é a amizade, a con�ança, e o amor. Émile 
Durkheim é um dos maiores teóricos da socialização, considerando-a 
um processo educativo coercitivo. 
Adoção
Sem sua mãe, Eleven está sozinha e é procurada pelos cientistas america-
nos. Hopper a acolhe e cuida da garota como sua própria �lha, ensinan-
do-a a comer vegetais, olhar o relógio e como se comportar à mesa. A 
adoção de Eleven revela o quão emocionalmente importante é a vivência 
Redação Pop236
familiar para crianças.
Inclusão e Diversidade
Dustin Henderson possui displa-
sia cleidocraniana, uma doença 
rara que retarda o crescimento 
dos dentes e faz do personagem e 
ator banguela. A série retrata a ne-
cessidade da inclusão e promove a 
conscientização pública a respeito 
do assunto: sua presença fez com 
que pesquisas pela doença cresces-
sem 94%.
Shopping Centers
Na 3ª temporada, Hawkins ganha 
um novo cenário: o Starcourt 
Mall. Com ele, “Stranger �ings” 
mostra a sociedade fervorosa pela 
ascensão dos shopping centers e a 
criação de hábitos consumistas 
nesses espaços de concentração de 
comércios. Novos serviços como 
o cinema chegam à cidade.
Transtornos Alimentares
Chrissy é líder de torcida do time 
de beisebol de Hawkins High e 
sofre de bulimia, induzindo o 
vômito no banheiro após ser con-
stantemente ridicularizada por 
sua mãe sobre sua aparência e 
peso. No Brasil, bulimia e anorex-
ia afetam cerca de 4,7% da popu-
lação em geral, mas podem chegar 
a 10% entre a população mais jo-
vem, segundo a OMS.
Bullying nas Escolas
Na 4ª temporada, Eleven enfrenta 
o terror do Ensino Médio e a zom-
baria incessante de seus colegas. 
Angela é o retrato das brutalidades 
da vida adolescente, enquanto 
Eleven passou sua juventude isola-
da. A parte triste é que Will tam-
pouco não parece defendê-la en-
quanto está na escola, receoso de 
voltar a ser vítima de bullying em 
Hawkins.
Exemplo: Democratização 
do acesso ao cinema no 
Brasil (Enem 2019)
“No seriado de �cção cientí-
�ca “Stranger �ings”, ambi-
entado em 1983, a criação de 
um shopping center possibili-
ta aos residentes de Hawkins, 
Indiana, o acesso às salas de 
cinema. Um grupo de adoles-
centes, para não pagar o in-
gresso caro da sessão, costuma 
assistir aos �lmes passando pe-
los fundos de uma sorveteria. 
Na realidade atual brasileira, 
Redação Pop 237
vê-se que saídas como essa são, para muitos, a única forma de aces-
so ao entretenimento cinematográ�co. De fato, a democratização 
do cinema no país tem como seu maior obstáculo o valor alto do 
ingresso, mas se faz fundamental pela relevância do cinema como 
arte.”
- Redação redigida por Lucas Felpi
“BRIDGERTON” 2020, 3 temporadas, 16+
Política do Pão e Circo
No período regencial do Reino Unido, a temporada social é o grande 
entretenimento da nobreza. Com o objetivo de distrair as classes mais 
altas durante o período de atividade do parlamento, o mercado casamen-
teiro torna-se um festival de bailes, jantares e cerimônias luxuosas que 
deixa a política em segundo plano.
 Sinopse
“Oito irmãos inseparáveis buscam amor e felicidade na alta socie-
dade deLondres. Inspirada nos best-sellers de Julia Quinn.”
Redação Pop238
Casamento Infantil
Embora Daphne tenha 21 anos, as debutantes da Londres regencial não 
tinham mais de 16 anos: uma realidade ainda dolorosamente real. No 
Brasil, 36% das mulheres entre 20 e 24 anos casaram-se antes dos 18 
anos. O casamento precoce pode resultar em abandono escolar e maior 
risco de violência doméstica.
O Papel da Mulher na Sociedade
O descontentamento com o papel feminino perante a sociedade é um 
tema constante da série. Em certo momento, Daphne, diz ao irmão: 
“você não tem ideia do que é ser uma mulher. Como é sentir que sua vida 
toda é reduzida a um momento. Foi para isso que fui criada. Isso é tudo 
que sou. É meu único valor.”
Fofoca e Cancelamento
Ao longo da trama, os eventos são rigorosamente narrados pela autora 
sob o pseudônimo de Lady Whistledown. Em seus pan�etos de fofoca, 
ela publica as notícias, boatos e escândalos da mais alta nobreza. Com 
pena e papel, ela tem o poder de fazer ou arruinar a reputação de qualquer 
um, incluindo a rainha.
Gravidez na Adolescência
Quando Marina �ompson chega à cidade para passar a temporada com 
os Featheringtons, ela precisa esconder um grande segredo: a gravidez de 
seu falecido pretendente. Inconsolável e vista com maus olhos pela socie-
dade, ela tenta interromper a gravidez com um chá de ervas abortivas, 
sem sucesso. 
Alfabetização
Aos 4 anos, o Duque de Hastings ainda não havia dito uma única pala-
vra, mas sabia ler melhor do que a maioria das crianças de sua idade. Sob 
Redação Pop 239
a tutela de Lady Danbury, ele en�m começa a falar, mas com uma gague-
ira severa. O pai �ca furioso, chama-o de imbecil, ameaça bater nele e o 
dá por morto.
Estupro
Em uma das cenas mais polêmicas da série, Daphne inverte sua posição 
na cama para impedir o método contraceptivo de seu marido, conhecido 
como coito interrompido. O Duque pede que Daphne espere, mas ela 
continua a realizar o ato. No livro, a cena é ainda mais explícita: Simon 
está embriagado, e a duquesa tira proveito disso.
Representação Racial
O grande trunfo da série foi reescrever o passado com personagens ne-
gros em papéis de importância social e �nanceira, um exemplo de revi-
sionismo histórico em que a licença poética é incrivelmente importante. 
A série é mais um exemplo de como, nos últimos anos, a pressão por 
representatividade ganha cor e voz. 
Exemplo: Fofoca (Mackenzie 2010)
“Na Londres de 1813, o que uma donzela mais teme são os boatos. 
Eles, mesmo que infundados e mentirosos, possuem a capacidade 
de destruir suas vidas perante a sociedade. Tal é a trama da série 
televisiva de 2020 “Bridgerton”, que retrata o poder nocivo da bis-
bilhotagem à vida alheia. Fora das telas, é fato que a prática da fo-
foca é prejudicial à sociedade quando tomada por inverdades e pela 
ausência de compaixão. Aparada pelas tecnologias modernas, a fo-
foca torna-se então um veículo destrutivo para produzir difamações, 
agressões virtuais e cyberbullying a milhares de jovens brasileiros.”
- Redação redigida por Lucas Felpia análise completa de “Elite” na página 158.
Saúde 31
• O combate às epidemias no Brasil
• Obesidade no Brasil
• Aumento das ISTs entre os jovens brasileiros
• Caminhos para combater os maus-tratos aos animais
• Alcoolismo
• Desa�os para uma alimentação saudável
• Transtornos alimentares em jovens e adultos
• Doação de órgãos no Brasil
• Vacinação e movimento anti-vacina
• Desa�os e importância da saúde pública no Brasil
• O combate à depressão na sociedade brasileira
• Expectativa de vida entre os brasileiros
• Saneamento básico
• O uso de drogas na contemporaneidade
• Autismo
• Violência obstétrica
• A assistência ao tratamento de dependentes químicos
• Os desa�os no combate à pobreza menstrual no Brasil
• O respeito à ética na medicina
• Alternativas para a melhoria da saúde pública brasileira
• O fenômeno do sedentarismo no século XXI
• Indústria farmacêutica
IIIIII..
SaúdeSaúde
Repertórios para temas dentro do eixo Saúde, como:
Saúde32
LITERATURA
“O Cortiço”
Aluísio Azevedo, 1890
O romance naturalista do escritor maranhense retrata as relações cotidi-
anas que se estabeleciam em um cortiço no Rio de Janeiro ao �nal do 
século XIX. A relação estabelecida entre o ambiente, a saúde e o sanea-
mento básico mostram as graves consequências das condições precárias 
de moradia, repercutidas até os dias atuais. Con�itos são formados den-
tro do cortiço e corrupção, ganância e exploração tornam-se rotineiras.
“Holocausto Brasileiro”
Daniela Arbek, 2013
O livro denuncia os maus-tratos reais do hospital psiquíco Colônia de 
Barbacena, em Minas Gerais. Depoimentos de ex-funcionários revelam 
episódios de violação dos direitos humanos aos pacientes com diagnósti-
co de doença mental, incluindo tortura, abuso sexual, condições pre-
cárias de sobrevivência e massacre humano. Mais de 60 mil pessoas per-
deram suas vidas pelo propósito de “limpeza social” comparável à teoria 
eugenista do século XX.
Exemplo: O estigma associado às doenças mentais na sociedade 
brasileira (Enem 2020 Impresso)
“A obra “O Holocausto brasileiro”, da escritora e jornalista Daniela 
Arbex, retrata as péssimas condições do maior hospital psiquiátrico 
do país, na cidade de Barbacena. Nesse livro, os pacientes são trat-
ados por meio de métodos arcaicos e invasivos, desde agressões até 
choques elétricos, demonstrando a violência sofrida por indivíduos 
portadores de transtornos psíquicos. Assim, além de expor os abusos 
do sistema de saúde da época, o texto também é muito atual, uma 
vez que o preconceito e a omissão estatal perpetuam o estigma asso-
Saúde 33
ciado às doenças mentais.”
- Redação nota mil de Maria Julia Passos, retirada de “Cartilha Redação a 
Mil 3.0”
“O Alienista”
Machado de Assis, 1882
O conto de Machado de Assis acompanha o Dr. Bacamarte, que resolve 
se dedicar aos estudos da psiquiatria e constrói um manicômio, chamado 
Casa Verde, para abrigar todos os loucos de Itaguaí. Ao longo da narrati-
va, Bacamarte interna mais e mais integrantes da população, até que a 
cidade encontrava-se com 75% de sua população internada na Casa 
Verde. A análise feita por Machado de Assis está nas fronteiras entre o 
normal e o anormal e na di�culdade de se diagnosticar distúrbios psi-
cológicos pela ignorância que os rodeiam.
Exemplo: O estigma associado às doenças mentais na sociedade 
brasileira (Enem 2020 Impresso)
“Na obra “O Alienista”, o autor Machado de Assis aborda a questão 
das doenças mentais, já no período do Realismo literário - século 
XIX, - por meio do personagem Doutor Bacamarte. No enredo, 
nota-se o empenho do protagonista de aprisionar os diagnosticados 
na “Casa Verde”, local que se assemelha aos manicômios, na tenta-
tiva de isolá-los da sociedade. Apesar do ínterim entre a publicação 
do livro e o contexto hodierno, percebe-se que as doenças de cunho 
psíquico ainda são estigmatizadas no Brasil.”
- Redação nota mil de Larissa Cunha, retirada de “Cartilha Redação a Mil 
3.0”
LEGISLAÇÃO
Constituição do Brasil de 1988
Saúde34
Art. 196º A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido medi-
ante políticas sociais e econômicas que visem a redução do risco de 
doenças e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e 
serviços para a sua promoção, proteção e recuperação.
Lei Orgânica da Saúde (8080/1990)
Art. 1º O dever do Estado de garantir a saúde consiste na formulação e 
execução de políticas econômicas e sociais que visem à redução de riscos 
de doenças e de outros agravos e no estabelecimento de condições que 
assegurem acesso universal e igualitário às ações e aos serviços para a sua 
promoção, proteção e recuperação.
Art. 3º Os níveis de saúde expressam a organização social e econômica 
do País, tendo a saúde como determinantes e condicionantes, entre out-
ros, a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o 
trabalho, a renda, a educação, a atividade física, o transporte, o lazer e o 
acesso aos bens e serviços essenciais.
MÚSICA
“Cotidiano”
Chico Buarque de Holanda, 1971
“Todo dia eu só penso em poder parar 
Meio-dia eu só penso em dizer não 
Depois penso na vida pra levar 
E me calo com a boca de feijão”
Abordagem temática: rotina exaustiva de trabalho, realidade de quem vira escravo do 
trabalho, estresse, síndrome de burnout.
DADOS ESTATÍSTICOS
1. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do IBGE de 2019, 71,5% 
dos brasileiros, ou seja, mais de 150 milhões de pessoas, dependem 
Saúde 35
do Sistema Único de Saúde (SUS) para tratamento.
2. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha revelou que 89% 
dos brasileiros classi�cam a saúde - pública ou privada - como péssi-
ma, ruim ou regular.
3. A proporção de obesos na população de 20 anos ou mais de idade 
mais que dobrou no Brasil entre 2003 e 2019, passando de 12,2% 
para 26,8%, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde 2019.
4. Segundo pesquisa do instituto Ipsos de 2021, 53% dos brasileiros 
declararam que sua saúde emocional e mental piorou desde o início 
da pandemia, quinto maior índice do mundo.
HISTÓRIA
Revolta da Vacina
Rio de Janeiro, 1904
Rebelião popular contra a vacina anti-varíola, imposta como obrigatória 
pelo médico Oswaldo Cruz para todo brasileiro com mais de seis meses 
de idade em 1904. O episódio surge após um longo processo de re-
urbanização do Rio de Janeiro e, consequentemente, indignação das 
camadas mais pobres, que foram desalojadas e afastadas da cidade. 
Com a imposição da vacina, o povo não aceitava ver sua casa invadida 
e ter que tomar uma injeção contra a vontade, e foi às ruas da capital 
da República protestar.
Peste Negra/Peste Bubônica
Europa, Ásia e África, século XIV
A pandemia da peste negra, ou peste bubônica, doença responsável por 
matar um terço da população da Europa durante a primeira metade do 
século XIV, foi propagada devido às condições precárias de higiene e 
habitação da época. Não havia saneamento básico, tornando as casas e 
vilas ambientes propícios para os transmissores iniciais da doença: pulgas 
“A saúde como direito de 
todos e dever do Estado é uma 
demagogia e ainda tira a respons-
abilidade dos cidadãos sobre o 
próprio bem-estar: se Estado é 
quem cuida, não sou eu”
- Dráuzio Varella, médico brasileiro
“Saúde é o estado completo de 
bem-estar físico, mental e social e 
não somente a ausência de doença.”
- Organização Mundial da Saúde 
(OMS), agência de saúde da ONU
“O homem saudável é 
aquele que possui um 
estado mental e físico em 
perfeito equilíbrio.”
- Hipócrates, médico e �lósofo 
da Grécia Antiga
Saúde36
CITAÇÕES
e ratos. Ademais, as fezes e lixos contaminados eram descartados nas 
ruas, além da doença também poder ser transmitida por gotículas de sa-
liva e contato direto com os infectados. Instaurou-se o isolamento social. 
Nobres foram para seus castelos. Médicos não tocavam em pacientes, 
usavam máscaras com olhos de vidro e furos para respirar e roupas de 
couro como proteção e arriscavam suas vidas para tentar salvar outras. 
“Cultivarestados mentais positivos 
como a generosidade e a compaixão 
decididamente conduz a melhor 
saúde mental e a felicidade.”
- Dalai Lama, chefe de estado e líder 
espiritual do Tibete
“O Estado preocupa-se com a saúde 
do indivíduo em função de sua 
utilização como instrumento de 
trabalho e não em função de suas 
esperanças, de seus anseios, de seus 
temores ou de seus sofrimentos.”
- Jayme Landmann, médico brasileiro 
“A saúde é um problema político. As 
estruturas de saúde são re�exos da 
sociedade; as estruturas políticas são 
os nossos melhores instrumentos.”
- Hélder Martins, jornalista e 
ex-Ministro da Saúde
“O homem joga sua saúde fora para 
conseguir dinheiro; depois, usa o 
dinheiro para reconquistá-la.”
- Confúcio, �lósofo e pensador chinês
Saúde 37
FILMES, DOCUMENTÁRIOS 
E SÉRIES
“SICKO: SOS Saúde”
2007
O documentário dirigido, pro-
duzido e protagonizado por Mi-
chael Moore é uma crítica ao 
sistema de saúde dos Estados 
Unidos, onde cerca de 50 milhões 
de cidadãos não possuem plano 
de saúde e não há sistema de saúde 
universal. Mesmo assim, aqueles 
que ainda possuem são vítimas de 
fraude das companhias privadas 
de seguro-saúde ou falta de co-
bertura. A mensagem passada 
pelo documentarista é da visão 
mercantilista da saúde, que mar-
tiriza vidas em nome do lucro 
capitalista.
“Patch Adams: O Amor é Con-
tagioso”
1998
Passado em 1969, o protagonista 
Hunter Adams é um estudante de 
medicina que acredita em méto-
dos não convencionais para aju-
dar seus pacientes, após ter sido 
internado temporariamente em 
um hospital psiquiátrico. O �lme 
critica o conservadorismo de 
médicos na hierarquia de poder 
hospitalar e traz à tona a importân-
cia dos doutores da alegria, que 
aumentam os índices de cura e 
alívio das doenças ao despertar a 
alegria nos pacientes.
“Nise: O Coração da Loucura”
2015
O longa-metragem brasileiro es-
trelado por Glória Pires retrata a 
vida e história da mulher que, nos 
anos 50, revolucionou o tratamen-
to psiquiátrico: Nise da Silveira. A 
psiquiatra, que se recusava a uti-
lizar as técnicas da lobotomia e 
eletrochoque em pacientes que 
sofrem da esquizofrenia, gerou 
uma ruptura do sistema manico-
Saúde38
Maria Oliveira - 07703603007
mial existente através do amor e da arte. Ela traz um novo olhar à loucu-
ra e ressalta como o despertar criativo e o tratamento humanizado po-
dem proporcionar calento.
“Coringa”
2017
Em “Coringa”, Arthur Fleck sofre do Transtorno da Expressão Emocio-
nal Involuntária, sendo negligenciado, ignorado e atacado por sua 
condição - uma apatia dolorosamente retratada no �lme. A assistência 
social a que ele vai tem o fundo orçamentário cortado e não supre mas 
seus remédios ou sessão de terapia. É nesse momento, com a precarie-
Saúde 39
dade do sistema de saúde e o preconceito social, que o Coringa surge.
Exemplo: O estigma associado às doenças mentais na sociedade 
brasileira (Enem 2020 Impresso)
“No �lme estadunidense “Coringa”, o personagem principal, Ar-
thur Fleck, sofre de um transtorno mental que o faz ter episódios 
de riso exagerado e descontrolado em público, motivo pelo qual é 
frequentemente atacado nas ruas. Em consonância com a realidade 
de Arthur, está a de muitos cidadãos, já que o estigma associado às 
doenças mentais na sociedade brasileira ainda con�gura um desa�o 
a ser sanado. Isso ocorre, seja pela negligência governamental nesse 
âmbito, seja pela discriminação dessa classe por parcela da popu-
lação verde-amarela.”
- Redação nota mil de Julia Vieira, retirada de “Cartilha Redação a Mil 3.0”
“Sob Pressão”
2017
A série da Globo é um retrato pro-
fundo e cru da denúncia das péssi-
mas condições do sistema público 
de saúde no Brasil. Com cenas 
fortes e realistas, a obra mostra o 
cotidiano de pro�ssionais de saúde 
que lutam para salvar vidas onde 
falta todo tipo de recurso, enquan-
to também travam batalhas por 
problemas emocionais e familiares. 
Em um especial de 2020, a série 
também aborda a vida e trabalho 
incessante dos pro�ssionais duran-
te a pandemia de COVID-19.
Saúde40
“Maze Runner”
2014
No universo pós-apocalíptico da saga, �omas e um grupo de garotos 
são colocados em um jogo de labirinto gigante para serem testados em 
situações adversas de medo, ansiedade e terror, a �m de encontrar uma 
cura ao vírus letal que alastrou a humanidade. Comparável à busca acel-
erada à vacina do novo coronavírus, os jovens imunes são estudados em 
simulações para descobrir o que os diferenciam dos demais.
“Grey's Anatomy”
2005
“Grey’s Anatomy” descreve o cotidiano do Seattle Grace Hospital e as 
experiências vividas pelos médicos, cirurgiões e residentes. Como hospi-
tal particular, inúmeras pessoas que não conseguem atendimento de 
qualidade em hospitais da rede pública recorrem a ele e devem desem-
bolsar milhares de dólares para sua saúde, mesmo às vezes sem condições. 
 Leia a análise completa de “Maze Runner” na página 212.
Saúde 41
Muitos debates da medicina são abordados como a ética na pro�ssão, o 
racismo, aborto, alcoolismo, drogas, abusos e muito mais.
“O Poço”
2020
Muito popular durante a pandemia, o �lme da Net�ix retrata um futuro 
distópico em que prisioneiros são con�nados em uma estrutura vertical 
onde os primeiros comem um banquete e aos demais restam apenas as 
sobras. Em teoria, o banquete seria su�ciente para todos, mas o luxo dos 
níveis superiores impossibilita a distribuição justa dos recursos. O prob-
lema da insegurança alimentar e da fome, muito presente igualmente no 
Brasil, é destacado nas ações violentas e instintos de sobrevivência dos 
con�nados para suprir seus estômagos vazios.
 Leia a análise completa de “Grey's Anatomy” na página 176.
 Leia a análise completa de “O Poço” na página 179.
Saúde42
“Grey's Anatomy”, criada por Shonda Rhimes, é uma das mais famosas séries médi-
cas da atualidade, abordando assuntos polêmicos em meio a romance e drama.
Saúde 43
Saúde44
Segurança 45
• O combate à violência urbana na sociedade brasileira
• Os desa�os da segurança pública no Brasil
• O porte e posse de armas no Brasil
• O sistema carcerário brasileiro
• Justiça com as próprias mãos
• O papel da polícia para aprimoramento da segurança
• O combate às infrações de trânsito nas rodovias brasileiras
• A realidade prisional feminina no Brasil
• A repressão violenta de manifestações
• Altos índices de criminalidade
• A guerra das drogas
• As manifestações de violência nos estádios brasileiros de futebol
• A segurança da informação no século XXI
• A proteção de dados pessoais
• Desa�os do sistema de segurança pública no Brasil
• Corrupção policial
• Trá�co de pessoas
LITERATURA
“Estação Carandiru”
Dráuzio Varella, 1999
IVIV..
SegurançaSegurança
Repertórios para temas dentro do eixo Segurança, como:
Segurança46
No livro, o médico Dráuzio Va-
rella relata 10 anos de atendimen-
to voluntário na Casa de De-
tenção de São Paulo, o maior 
presídio do Brasil, e o episódio do 
Massacre do Carandiru, quando 
uma intervenção da Polícia Mili-
tar para conter uma rebelião cau-
sou a morte de 111 detentos. Ele 
mostra como um código penal 
não-escrito organiza o comporta-
mento da população carcerária e 
como a violência é ali perpetuada.
“Vigiar e Punir”
Michel Foucault, 1975
Na obra “Vigiar e Punir”, Michel 
Foucault trata do processo como 
a Justiça deixou de aplicar tortu-
ras mortais e passou a buscar a 
“correção” dos criminosos. 
Porém, isso não reduziu o poder 
do Estado. A diferença seria que 
foi criada uma série de mecanis-
mos que visam separar os in-
divíduos em normal ou anormal, 
cidadão ou deliquente. Foucault 
apresenta o modelo do Pan-ópti-
co, em que todos são observados 
em sociedade e o papel do Estado 
é de vigiar e selecionar aqueles 
que se deve “corrigir” e “refor-
mar”.
“Capitães da Areia”
Jorge Amado, 1937
O romance, que trata de um gru-
po de crianças de rua em Salvador, 
na Bahia, procura mostrar não 
apenas os assaltos e as atitudes vio-
lentas dadeliquência juvenil, mas 
também as aspirações e os pensa-
mentos ingênuos, comuns a 
qualquer criança. São estes perso-
nagens que, no mundo real, se tor-
nam “soldados do crime organiza-
do”. Existem e ainda vão continuar 
existindo muitos Pedros Bala, 
muitas Doras, muitos “capitães” 
que surgirão das areias da desigual-
dade e que, infelizmente, continu-
arão sendo manchetes dos nossos 
noticiários.
Segurança 47
LEGISLAÇÃO
Constituição do Brasil de 1988
Art. 5º Todos são iguais perante a 
lei [...], garantindo-se [...] a invio-
labilidade do direito à vida, à 
liberdade, à igualdade, à segu-
rança e à propriedade.
Art. 6º São direitos sociais a edu-
cação, a saúde, a alimentação, o 
trabalho, a moradia, o transporte, 
o lazer, a segurança, a previdência 
social, a proteção à maternidade e 
à infância, a assistência aos desa-
mparados, na forma desta Con-
stituição.
MÚSICA
“Homem na Estrada”
Racionais MC's, 1993
“No seu lado não tem mais 
ninguém 
A justiça criminal é implacável 
Tiram sua liberdade, família e 
moral 
Mesmo longe do sistema 
carcerário 
Te chamarão para sempre de 
ex-presidiário”
Abordagem temática: sistema prisional, 
reinserção de presos na sociedade.
“Diário de um Detento”
Racionais MC's, 1997
“Tirei um dia a menos ou um dia 
a mais, sei lá 
Tanto faz, os dias são iguais 
Acendo um cigarro, e vejo o dia 
passar 
Mato o tempo pra ele não me 
matar”
Abordagem temática: realidade do 
sistema prisional, falta de atividades 
voltadas à reinserção dos presos na 
sociedade.
DADOS ESTATÍSTICOS
1. De acordo com o levantamen-
to Monitor da Violência de 
2019, o número de pessoas 
presas no Brasil é 682 mil. 
Penitenciárias, porém, estão 
54,9% acima da capacidade.
2. O Brasil lidera o ranking mun-
dial de homicídios em númer-
os absolutos, de acordo com 
dados do Estudo Global sobre 
Homicídios 2023. Em 
homicídios per capita, está na 
11ª posição.
3. Segundo dados da ONU de 
2019, o Brasil é o segundo país 
mais violento da América do 
Sul.
“A violência destrói o que 
ela pretende defender: a 
dignidade da vida, a 
liberdade do ser humano”
- João Paulo II, papa da Igreja 
Católica Apostólica Romana
“A violência, seja qual for a 
maneira como ela se manifesta, 
é sempre uma derrota.”
- Jean-Paul Sartre, �lósofo e 
escritor francês
“A força gerada pela não violência é 
in�nitamente maior do que a força 
de todas as armas inventadas pela 
engenhosidade do homem.”
- Mahatma Gandhi, líder indiano
“Não se pode manter a paz pela 
força, mas sim pela concórdia.”
- Albert Einstein, físico e 
matemático alemão
Segurança48
CITAÇÕES
“O Estado não pode fomentar a 
violência, mas sim contê-la”
- Sérgio Adorno, sociólogo e 
professor da USP
Segurança 49
FILMES, DOCUMENTÁRIOS E SÉRIES
“Bacurau”
2019
O premiado �lme brasileiro retrata o cenário de violência no Brasil em 
um microcosmo banhado de sangue: a cidade �ctícia de Bacurau, no 
sertão do Pernambuco. Os moradores de Bacurau lidam com a estranha 
visita de forasteiros e, a partir desse embate e da luta contra a fome, a 
desigualdade, a omissão do Estado e ainda a violência étnica, surgem as 
armas e o derramar de sangue. A obra é um retrato �el e atual do estado 
de violência que estamos submergidos.
Segurança50
“Presos que menstruam”
2018
O curta-metragem “Presos que 
Menstruam” narra a história de 
mulheres no sistema carcerário 
brasileiro, que vivem más 
condições de higiene (muitas sem 
o direito a absorventes), precon-
ceito contra lésbicas e as di�cul-
dades das mães e de bebês que 
crescem com a liberdade cercea-
da. Com apenas 25 minutos, o 
curta incita a re�exão sobre a aus-
ência do Estado na proteção de 
tais pessoas e na abertura da crim-
inalidade como um caminho para 
mulheres que não tem como se 
sustentar ou a seus �lhos.
“Última Parada 174”
2008
O �lme franco-brasileiro conta 
uma �cção sobre a vida de Sandro 
Barbosa, um garoto de rua do Rio 
de Janeiro que sobreviveu à Cha-
cina da Candelária em 1993 e, 
anos mais tarde, orquestraria o 
famoso sequestro do ônibus 174, 
repercutido por todo o Brasil. A 
obra relata os problemas da falta 
de assistência do Estado e da mar-
ginalização da população de rua, 
gerando um ciclo da violência na 
sociedade. Ao �nal, é recontado o 
episódio do ônibus 174 e os efeitos 
do crime organizado.
“Batman: O Cavaleiro das Trev-
as”
2008
O personagem Batman, conheci-
do como o justiceiro de Gotham, 
traça uma forte relação ao desejo 
popular de justiça pelas próprias 
mãos devido à ine�ciência dos 
sistemas de justiça vigentes. Por-
tanto, homens e mulheres saem às 
ruas para vingar atrocidades com-
 Leia a análise completa de “La Casa de Papel” na página 147.
Segurança 51
etidas por outros, empregando mais violência como meio para tal - o 
famoso “olho por olho, dente por dente”.
“Tropa de Elite”
2007
“Tropa de Elite” é um �lme policial brasileiro que tem como tema a vi-
olência urbana no Rio de Janeiro e, principalmente, nas regiões dos mor-
ros e favelas. A grande presença de cenas de tiroteio entre a polícia e 
tra�cantes revela o cotidiano desses espaços e a realidade vivenciada por 
milhões de brasileiros. O �lme foi contestado por muitos ao atribuir a 
culpa de tal violência aos usuários de substâncias ilícitas que, consequen-
temente, fomentam a expansão do trá�co de drogas.
“La Casa de Papel”
2014
A trama dos grandes roubos espanhóis traça uma importante relação 
entre a criminalidade retratada e o contexto que a cerceia. A crise 
econômica espanhola que antecede a narrativa, a crise do euro, causa o 
agravamento da pobreza, a subversão ao sistema e, logo, o planejamento 
do ‘atraco’ do grupo mascarado de Salvador Dalí. Além disso, é retratado 
posteriormente um episódio de tortura moderna ao personagem Rio.
“Star Wars”
1977
Com �lmes de ação e aventura, a saga interestelar de�nitivamente apre-
senta um considerável teor de violência. Porém, pode-se traçar uma 
análise da mensagem passada pelos Jedi nos �lmes sobre o paci�smo. No 
“Episódio V - O Império Contra-Ataca”, Mestre Yoda explica a Luke 
Skywalker que um Jedi usa a Força somente para meios de informação e 
 Leia a análise completa de “Star Wars” na página 203.
Segurança52
autodefesa - nunca para agressão. Se tal princípio fosse aplicado à socie-
dade atual, teríamos mais diálogo e mais segurança ao invés de um ciclo 
de violência.
Meio Ambiente e Sustentabilidade 53
• Mobilidade urbana sustentável
• O perigo das secas e escassez da água no Brasil
• A problemática do descarte de lixo no Brasil
• A permanência do desmatamento na Amazônia
• A importância da preservação do meio ambiente
• Consciência ambiental e ativismo ambiental
• Alteração climática e aquecimento global
• Comércio ilegal de animais silvestres
• Trá�co de animais
• Poluição dos solos e uso dos agrotóxicos
• Desenvolvimento econômico sustentável
• Os desa�os de implementar a educação ambiental no Brasil
• Os efeitos da falta de proteção ambiental
• O aumento das queimadas no território brasileiro
• Desastres ambientais
• O desenvolvimento de cidades sustentáveis
• Crise hídrica no Brasil
• Agronegócio no Brasil
• Aumento das inundações e do nível do mar
• Os desa�os da relação entre o homem e o meio ambiente
VV..
Meio Ambiente e Meio Ambiente e 
SustentabilidadeSustentabilidade
Repertórios para temas dentro do eixo Meio Ambiente e 
Sustentabilidade, como:
Meio Ambiente e Sustentabilidade54
LEGISLAÇÃO
Constituição do Brasil de 1988
Art. 225º Todos têm direito ao 
meio ambiente ecologicamente 
equilibrado, bem de uso comum 
do povo e essencial à sadia quali-
dade de vida, impondo-se ao 
Poder Público e à coletividade o 
dever de defendê-lo e preservá-lo 
para as presentes e futuras ger-
ações.
Novo Código Florestal 
(12.651/2012)
Art. 1º Esta Lei estabelece nor-
mas gerais sobre a proteção da 
vegetação, áreas de Preservação 
Permanente e as áreas de Reserva 
Legal; a exploração �orestal, o su-
primento de matéria-prima �or-
estal, o controleda origem dos 
produtos �orestais e o controle e 
prevenção dos incêndios �or-
estais, e prevê instrumentos 
econômicos e �nanceiros para o 
alcance de seus objetivos.
DADOS ESTATÍSTICOS
1. De acordo com um relatório 
de 2021 do Painel de Cientis-
tas da ONU para Mudanças 
Climáticas, a concentração de 
CO2 no planeta é quase 50% 
maior do que há um século e 
meio e a temperatura média já 
subiu 1.1ºC.
2. O desmatamento na 
Amazônia brasileira atingiu a 
maior área registrada nos últi-
mos 12 anos, segundo dados 
o�ciais do Instituto Nacional 
de Pesquisas Espaciais (INPE), 
com crescimento de 9,5% em 
relação a 2019.
3. Segundo dados do Panorama 
dos Resíduos Sólidos no Brasil 
2020, a geração de lixo no Bra-
sil aumentou em 12,4 milhões 
de toneladas de 2010 a 2019.
4. O mesmo estudo diz ainda 
que cada brasileiro produz, em 
média, 379,2 kg de lixo por 
ano, o que corresponde a mais 
de 1 kg por dia.
5. Segundo dados da Organi-
zação das Nações Unidas para 
Alimentação e Agricultura 
(FAO), o Brasil é o 3º com 
maior uso absoluto de agrotóx-
icos no mundo, depois da 
China e dos EUA.
Meio Ambiente e Sustentabilidade 55
6. De acordo com os dados do Instituto de Pesquisa Econômica Apli-
cada (Ipea) de 2019, a matriz energética brasileira é formada por 
45% de fontes renováveis e 54% de fontes fósseis.
FILOSOFIA
Sociedade do Consumo
Jean Baudrillard, sociólogo francês
A Sociedade do Consumo é um termo utilizado na economia e so-
ciologia para designar a sociedade que entra em uma etapa avança-
da de desenvolvimento industrial capitalista e que se caracteriza pelo 
consumo massivo de bens e serviços. Uma característica marcante do 
conceito é o efeito do super consumismo ao meio ambiental, o qual é 
extorquido e exterminado para suprir a demanda pelo materialismo.
Ética Ambiental
Peter Singer, �lósofo australiano
Em sua teoria, Singer propõe uma ética voltada à sustentabilidade: ele 
incentiva a consideração dos interesses de todas as criaturas sencientes e 
rejeita os ideais de uma sociedade materialista, na qual o sucesso é medi-
do pelo número de bens de consumo que alguém é capaz de acumular.
“Só quando a última árvore for 
derrubada, o último peixe for 
morto e o último rio for poluí-
do é que o homem perceberá 
que não pode comer dinheiro.”
- Provérbio indígena
CITAÇÕES
“Inteligência é a habilidade das 
espécies para viver em harmonia 
com o meio ambiente”
- Paul Atson, co-fundador 
do Greenpeace
“O animal é tão ou mais sábio 
do que o homem: conhece a 
medida da sua necessidade, 
enquanto o homem a ignora.”
- Demócrito, �lósofo grego
“Cada dia a natureza produz o 
su�ciente para nossa carência. Se 
cada um tomasse o que lhe fosse 
necessário, não havia pobreza no 
mundo e ninguém morreria de fome.”
- Mahatma Gandhi, líder indiano
“Não deveríamos ter de faltar à aula 
para lutar contra a mudança 
climática. É um fracasso das gerações 
anteriores que não �zeram nada”
- Greta �unberg, ativista sueca
Meio Ambiente e Sustentabilidade56
“O homem fez da Terra um 
inferno para os animais.”
- Arthur Schopenhauer, 
�lósofo alemão
“Aja de modo que os efeitos da 
tua ação sejam compatíveis com 
a permanência de uma autêntica 
vida humana sobre a Terra.”
- Hans Jonas, �lósofo alemão
“É triste pensar que a 
natureza fala e que o gênero 
humano não a ouve.”
- Victor Hugo, escritor francês
“Só se pode vencer a natureza 
obedecendo-lhe”
- Francis Bacon, �lósofo inglês
Meio Ambiente e Sustentabilidade 57
FILMES, DOCUMENTÁRIOS 
E SÉRIES
“Oceano de Plástico”
2015
O documentário “Oceano de 
Plástico”, dirigido e roteirizado 
pelo jornalista e cineasta Craig 
Leeson, mostra a poluição dos 
oceanos pelo plástico e o seu im-
pacto para os animais, as pessoas e 
os ecossistemas circundantes. É 
explorado como o estilo de vida 
humano tem consequências na 
destruição das espécies marinhas 
e apresentam-se tecnologias e 
soluções inovadoras que podem 
ser postas em prática.
“Trashed: Para Onde Vai Nosso 
Lixo”
2012
Neste documentário, Candida 
Brady e Jeremy Irons, além de 
abordarem a questão da quanti-
dade de lixo em si, acusam os gov-
ernos de não se importarem com 
o destino dos resíduos. O �lme 
mostra a falta de reciclagem e 
bons hábitos da população quan-
to ao assunto, sugerindo algumas 
práticas a serem utilizadas.
“O Dia Depois de Amanhã”
2004
O �lme de �cção apresenta o pos-
sível futuro do planeta caso o 
aquecimento global continue sen-
do negligenciado: uma catástrofe 
climática abrupta com consequên-
cias gravíssimas. O protagonista 
Jack Hall, especialista em meteo-
rologia, percebe o que está por vir 
e tenta alertar as autoridades, mas 
é tarde demais. Temperaturas de-
scem vertiginosamente, cidades 
são inundadas e uma nova era do 
gelo está prestes a começar.
“Wall-E”
2008
“Wall-E”, da Disney, transparece 
uma mensagem ambiental clara. 
Meio Ambiente e Sustentabilidade58
Em um planeta inabitável pelo acúmulo descomunal de lixo, os hu-
manos restantes são obrigados a viverem em uma nave enquanto robôs 
gradativamente limpam a face da Terra. Embora o �lme tenha a trama 
em volta dos personagens robôs, é possível analisar o contexto no qual a 
narrativa se insere para explorar temas sobre lixo e possíveis impactos das 
ações humanas em um futuro distante. 
“Rio”
2011
A animação brasileira de 2011 acompanha uma arara-azul, Blu, que ao 
nascer foi capturada na �oresta do Rio de Janeiro e levada para os Estados 
Meio Ambiente e Sustentabilidade 59
Meio Ambiente e Sustentabilidade60
Unidos. É descoberto que Blu é o 
último macho da espécie e encon-
tra a última fêmea viva, Jade. 
Logo a seguir, os dois são captur-
ados por uma quadril-
ha que vende aves 
raras. O �lme gira em 
torno da temática do 
trá�co de animais sil-
vestres, prática que 
consiste em um crime 
ambiental e vem con-
tribuindo para a ex-
tinção de muitas es-
pécies da nossa 
biodiversidade.
“Expresso do Amanhã”
2020
A série da Net�ix é uma distopia 
climática assustadoramente real: 
após a humanidade ignorar a 
emergência do aquecimento 
global até o seu ponto crítico, ci-
entistas tentam resfriar a Terra 
arti�cialmente com bombas 
atômicas. O resultado é um pla-
neta congelado e inabitável, onde 
a única salvação é um trem im-
parável que contorna a Terra le-
vando consigo os últimos sobre-
viventes do planeta.
“Vingadores: Ultimato”
2015
No épico �lme da Marvel, �anos 
é um vilão que planeja exterminar 
50% dos seres vivos 
baseado na sua de-
scrença na gestão am-
biental. Para ele, cujo 
planeta de origem foi 
destruído pela super-
população e guerras 
por recursos, não há 
chances de sobre-
vivência em um uni-
verso com tamanha 
demanda populacio-
nal e insu�ciente oferta de recur-
sos. Embora o plano seja absurdo, 
a preocupação de �anos é rele-
 Leia a análise completa de “Vingadores” na página 126.
Meio Ambiente e Sustentabilidade 61
vante à discussão da implementação e�caz do desenvolvimento suste-
ntável.
“Homem”
2012
O curta-metragem apresenta por meio do personagem Man (Homem) a 
relação entre o ser humano e o meio ambiente. Através das atitudes do 
personagem, podemos ver a degradação da natureza causada pelo próprio 
ser humano. Man polui rios, mata os animais, derruba �orestas e trans-
forma tudo em produtos para seu próprio consumo. Após acabar com 
todas as formas de vida na Terra, ele termina sozinho em uma grande 
pilha de lixo, em um planeta inabitável. 
Meio Ambiente e Sustentabilidade62
Ciência e Tecnologia 63
• Caminhos para alcançar a inclusão digital no Brasil
• Re�exos da 4ª Revolução Industrial na sociedade contemporânea
• Os efeitos da exposição exagerada no ambiente cibernético
• O perigo da invasão de privacidade
• O problema do uso excessivo da tecnologia entre os brasileiros
• O impacto das notícias falsas na sociedade brasileira
• A desvalorização da ciência no Brasil
• A importância da pesquisa cientí�ca
• A importância da popularização da ciência
• O re�exo da tecnologia no mercadode trabalho
• A relação do homem com a tecnologia
• Corrida espacial
• Exposição das redes sociais a crianças e jovens
• Impacto da tecnologia na democracia brasileira
• Cyberbullying
• Linchamento virtual no mundo digital
• Os perigos do lixo eletrônico para o meio ambiente
• As consequências da manipulação de imagens e vídeos na internet
• O crescimento do uso de ferramentas de Inteligência Arti�cial
• Impactos da tecnologia em sala de aula no Brasil
• Tecnologia e a desigualdade social
VIVI..
Ciência e TecnologiaCiência e Tecnologia
Repertórios para temas dentro do eixo Ciência e Tecnologia, como:
Ciência e Tecnologia64
LITERATURA
Poema “À Televisão”
José Paulo Paes, 1992
“Teu boletim meteorológico
me diz aqui e agora
se chove ou se faz sol.
Para que ir lá fora?
A comida suculenta
que pões à minha frente
como-a toda com os olhos.
Aposentei os dentes.
Nos dramalhões que encenas
há tamanho poder
de vida que eu próprio
nem me canso em viver.
Guerra, sexo, esporte
me dás tudo, tudo.
Vou pregar minha porta:
já não preciso do mundo.”
Abordagem temática: poder da mídia, manipulação por meio da mídia.
“1984”
George Orwell, 1949
O livro retrata uma sociedade distópica em que a tecnologia é utilizada 
como ferramenta de controle e opressão. A "teletela", um dispositivo 
onipresente, monitora cada movimento e palavra dos cidadãos e trans-
mite comunicados públicos do Partido. Orwell critica a forma como a 
tecnologia pode ser usada para restringir a liberdade individual, manip-
ular as informações e distorcer a realidade.
Ciência e Tecnologia 65
Exemplo: Manipulação do comportamento do usuário pelo con-
trole de dados na internet (Enem 2018)
“No livro “1984” de George Orwell, é retratado um futuro distópi-
co em que um Estado totalitário controla e manipula toda forma 
de registro histórico e contemporâneo, a �m de moldar a opinião 
pública a favor dos governantes. Nesse sentido, a narrativa foca na 
trajetória de Winston, um funcionário do contraditório Ministério 
da Verdade que diariamente analisa e altera notícias e conteúdos 
midiáticos para favorecer a imagem do Partido e formar a população 
através de tal ótica. Fora da �cção, é fato que a realidade apresentada 
por Orwell pode ser relacionada ao mundo cibernético do século 
XXI: gradativamente, os algoritmos e sistemas de inteligência arti�-
cial corroboram para a restrição de informações disponíveis e para a 
in�uência comportamental do público, preso em uma grande bolha 
sociocultural.”
- Redação nota mil de Lucas Felpi, retirada de “Cartilha Redação a Mil” 
“Admirável Mundo Novo”
Aldous Huxley, 1932
Huxley escreve sobre uma visão pessimista do futuro e critica ferozmente 
o culto positivista à ciência. No romance distópico, passado “no ano 600 
da Era Fordiana”, em alusão satírica a Henry Ford, seres humanos são 
criados em linhas de montagem e moldados por meio de hipnose auditi-
va, a “hipnopedia”. O livro é uma sátira à nova sociedade mecanizada, 
padronizada e automatizada e apresenta um forte ceticismo em relação à 
ideia de progresso.
Exemplo: Manipulação do comportamento do usuário pelo con-
trole de dados na internet (Enem 2018)
“No livro Admirável Mundo Novo do escritor inglês Aldous Hux-
ley é retratada uma realidade distópica na qual o corpo social pa-
Ciência e Tecnologia66
droniza-se pelo controle de informações e traços comportamentais. 
Tal obra �ctícia, em primeira análise, diverge substancialmente da 
realidade contemporânea, uma vez que valores democráticos im-
peram. No entanto, com o in�uente papel atribuído à internet, con-
�gurou-se uma liberdade paradoxal tangente à regulamentação de 
dados. Assim, faz-se profícuo observar a parcialidade informacional 
e o consumo exacerbado como pilares fundamentais da problemáti-
ca.”
- Redação nota mil de Sílvia Lima, retirada de “Cartilha Redação a Mil”
LEGISLAÇÃO
Constituição do Brasil de 1988
Art. 220º A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a in-
formação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer 
restrição, observado o disposto nesta Constituição.
Marco Civil da Internet (12.965/2014)
Art. 1º Esta Lei estabelece princípios, garantias, direitos e deveres para o 
uso da internet no Brasil e determina as diretrizes para atuação da União, 
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios em relação à matéria.
Lei de Inovação Tecnológica (10.973/2004)
Art. 1º Esta Lei estabelece medidas de incentivo à inovação e à pesquisa 
cientí�ca e tecnológica no ambiente produtivo ao alcance da autonomia 
tecnológica e ao desenvolvimento do sistema produtivo.
MÚSICA
“Pela Internet”
Gilberto Gil, 1997
Ciência e Tecnologia 67
“Eu quero entrar na rede 
Pra manter o debate 
Juntar via Internet 
Um grupo de tietes de Connecticut 
De Connecticut acessar 
O chefe da Mac-milícia de Milão 
Um hacker ma�oso acaba de soltar 
Um vírus pra atacar programas no Japão 
Eu quero entrar na rede pra contactar 
Os lares do Nepal, os bares do Gabão 
Que o chefe da polícia carioca avisa pelo celular 
Que lá na praça Onze tem um vídeo-pôquer para se jogar”
Abordagem temática: tecnologia como ferramenta de conexão global.
“Admirável Chip Novo”
Pitty, 2003
“Pane no sistema 
Alguém me descon�gurou 
Aonde estão meus olhos de robô? 
Eu não sabia, eu não tinha percebido 
Eu sempre achei que era vivo 
Parafuso e �uido em lugar de articulação 
Até achava que aqui batia um coração 
Nada é orgânico, é tudo programado 
E eu achando que tinha me libertado 
Mas lá vêm eles novamente 
Eu sei o que vão fazer 
Reinstalar o sistema 
Pense, fale, compre, beba 
Leia, vote, não se esqueça 
Use, seja, ouça, diga 
Tenha, more, gaste, viva 
Ciência e Tecnologia68
Pense, fale, compre, beba 
Leia, vote, não se esqueça 
Use, seja, ouça, diga 
Não, senhor, sim, senhor 
Não, senhor, sim, senhor”
Abordagem temática: dependência tecnológica, ausência de autonomia individual.
DADOS ESTATÍSTICOS
1. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 
do IBGE de 2022, 87,2% (ou 161,6 milhões) das pessoas de 10 anos 
ou mais de idade do país estão conectados à Internet.
2. Quando se compara a rede de ensino, segundo o IBGE, 98,4% dos 
estudantes da rede privada utilizaram a Internet em 2022, ao passo 
que entre os estudantes da rede pública o percentual foi de 87,0%.
3. De acordo com o Índice Anual do Estado da Ciência de 2019, 74% 
pensam que o Brasil está �cando para trás na realização de avanços 
cientí�cos.
4. 68,9% dos brasileiros declarou con�ar na ciência, de acordo com o 
estudo Con�ança na Ciência no Brasil, pelo INCT-CPCT.
FILOSOFIA
Modernidade Líquida
Zygmunt Bauman, sociólogo polonês
Bauman defende que vivemos na era da modernidade líquida, caracteri-
zada pela �uidez e rapidez com que as relações sociais e ideias são feitas e 
desfeitas. A inconsistência e a fragilidade dos laços entre as pessoas foram 
intensi�cadas, segundo ele, pelo surgimento das novas tecnologias.
Ciência e Tecnologia 69
Positivismo
Auguste Comte, �lósofo francês
O positivismo de Comte é uma corrente �losó�ca que aposta na ordem 
e nas ciências para a obtenção de progresso social. O objetivo de toda 
sociedade seria alcançar a etapa �nal da marcha de desenvolvimento da 
humanidade: o estado positivo, onde a ciência baseada na observação 
elabora o conhecimento humano sobre a natureza, buscando respostas 
na própria natureza.
Aldeia Global
Marshall McLuhan, �lósofo canadense
Apesar de não conhecer a internet, McLuhan criou o conceito de aldeia 
global para representar o encurtamento de distâncias e a facilidade de 
trocas culturais entre os diferentes povos com o avanço nas tecnologias 
de informação e comunicação, quebrando fronteiras geográ�cas, cul-
turais, sociais e de outros tipos.
HISTÓRIA
Iluminismo
França, 1715
O Iluminismo foi um movimento intelectual e �losó�co durante os 
séculos XVII e XVIII na Europa, que representou uma ruptura com o 
passado e promoveu uma revolução nas artes, ciências e tecnologia com 
o avanço da razão e do métodocientí�co.
Revoluções Industriais
1760-1850, 1850 -1945, 1950
As 4 Revoluções Industriais são estudadas por historiadores como mo-
mentos decisivos no progresso cientí�co-tecnológico. Cada uma conta 
com inovações e contextos diferentes, embora igualmente relevantes.
“A tecnologia move o mundo.”
- Steve Jobs, fundador da Apple
“Tornou-se aparentemente óbvio 
que a nossa tecnologia excedeu 
a nossa humanidade.” 
“O espírito humano precisa 
prevalecer sobre a tecnologia.”
- Albert Einstein, físico alemão
“Os homens criam as 
ferramentas. As ferramentas 
recriam os homens.”
- Marshall McLuhan, �lósofo 
canadense
Ciência e Tecnologia70
Guerra Fria
1947
Durante a Guerra Fria, travada entre EUA e URSS, presenciou-se, ao 
invés de uma guerra física, uma grande corrida tecnológica, armamentis-
ta e espacial, com incentivos estatais à pesquisa cientí�ca.
CITAÇÕES
“A ciência é feita de erros, mas é 
bom cometer erros, pois, gradual-
mente, eles nos levam à verdade.”
- Julio Verne, escritor francês
“Toda nova tecnologia cria seus 
excluídos.”
- Pierre Lévy, �lósofo francês
“Ciência e tecnologia 
revolucionam nossas vidas, mas a 
memória, a tradição e o mito 
moldam nossas respostas”
- Arthur Schlesinger, historiador
“A humanidade está 
adquirindo a tecnologia certa 
pelas razões erradas.”
- Richard Buckminster Fuller, 
escritor e inventor
Ciência e Tecnologia 71
FILMES, DOCUMENTÁRIOS 
E SÉRIES
“Dilema das Redes”
2020
O documentário da Net�ix en-
trevista especialistas em tecnolo-
gia e pro�ssionais da área que co-
letivamente denunciam um 
mesmo problema: a tecnologia 
está colocando a humanidade em 
risco. As plataformas das redes so-
ciais e aplicativos de celular são 
construídos intencionalmente 
para serem viciantes e para 
moldarem o comportamento do 
usuário ao seu favor. Sem ações 
por parte da legislação pública, a 
polarização política e os confron-
tos étnicos e sociais se agravaram 
ao ponto de escaparem das telas.
“Ela”
2013
Em “Ela”, �eodore é um escritor 
solitário, que acaba de comprar 
um novo sistema operacional de 
voz para o seu computador. Para a 
sua surpresa, ele acaba se apaixo-
nando pela voz do programa, 
dando início a uma relação amo-
rosa entre ambos. O �lme conta 
uma história de amor incomum e 
explora a relação entre o homem 
contemporâneo e a tecnologia.
“A Rede Social”
2010
O �lme conta a história de origem 
da rede social Facebook, na qual o 
jovem estudante Mark Zucker-
berg, revoltado com sua 
ex-namorada, cria um mundo vir-
tual paralelo para se tornar social-
mente relevante e popular. A obra 
mostra até onde alguém vai para 
conquistar o status e o sucesso, 
com traições, ganância e a fuga da 
realidade.
“Matrix”
1999
Ciência e Tecnologia72
O �lme acompanha a descoberta do jovem programador �omas An-
derson, que atende entre os hackers como Neo, de que a realidade não é 
o que parece. Todo o longa é como se fosse uma adaptação da alegoria da 
caverna, de Platão. A ideia proposta pelas diretoras Lana e Lilly Wa-
chowski é que as máquinas dominaram a humanidade e criaram uma 
realidade simulada para os humanos não acordarem do transe.
Exemplo: Manipulação do comportamento do usuário pelo con-
trole de dados na internet (Enem 2018)
“No �lme “Matrix“, clássico do gênero �cção cientí�ca, o protago-
nista Neo é confrontado pela descoberta de que o mundo em que 
vive é, na realidade, uma ilusão construída a �m de manipular o 
comportamento dos seres humanos, que, imersos em máquinas que 
mantém seus corpos sob controle, são explorados por um sistema 
distópico dominado pela tecnologia. Embora seja uma obra �ccion-
al, o �lme apresenta características que se assemelham ao atual con-
texto brasileiro, pois, assim como na obra, os mecanismos tecnológi-
cos têm contribuído para alienação dos cidadãos, sujeitando-os aos 
�ltros de informações impostos pela mídia, o que in�uencia nega-
tivamente seus padrões de consumo e sua autonomia intelectual.”
- Redação nota mil de Fernanda Santos, retirada de “Cartilha Redação a Mil” 
“Black Mirror”
2011
“Black Mirror” é uma série britânica antológica que reconta os males da 
tecnologia e, mais que isso, atribui a culpa ao ser humano por não saber 
lidar com ela. Cada episódio narra uma inovação assustadora diferente, 
mais próxima da realidade do que se imagina, enquanto aborda temas 
como privacidade digital, polarização política, vício digital, hackers, lin-
chamento virtual e dilemas éticos tecnológicos.
Ciência e Tecnologia 73
“O Jogo da Imitação”
2014
O �lme retrata a história do matemático Alan Turing na criação da 
“Enigma” – máquina capaz de descriptografar os códigos nazistas na 
Segunda Guerra Mundial. A invenção dele foi tão importante que os 
computadores foram originados a partir de seus estudos.
Exemplo: Manipulação do comportamento do usuário pelo con-
trole de dados na internet (Enem 2018)
“Em “O jogo da imitação”, o personagem Alan Turing prejudica o 
avanço da Alemanha nazista, quando consegue decifrar os algorit-
mos correspondentes ao projeto de guerra de Hitler. Diante disso, 
pode-se observar, desde a segunda metade do século XX, a relevân-
cia do conhecimento tecnológico para atingir certos objetivos. Con-
tudo, diferentemente desse contexto, atualmente, utiliza -se, muitas 
vezes, a tecnologia não para o bem coletivo, como no �lme, mas 
para vantagens individuais, mediante a manipulação de dados de 
usuários da internet. Destarte, é fundamental analisar as razões que 
tornam essa problemática uma realidade no mundo contemporâ-
neo.”
- Redação nota mil de Isabel Petrenko, retirada de “Cartilha Redação a Mil” 
Ciência e Tecnologia74
 Leia a análise completa de “Black Mirror” na página 139.
Economia 75
• Impactos da crise econômica na sociedade brasileira
• Caminhos para superar a crise econômica atual no Brasil
• Estagnação social
• Impactos da queda da taxa de juros no Brasil
• Altas taxas de desemprego
• Empregos informais
• Exploração trabalhista
• Sustentabilidade na crise econômica
• Empreendedorismo
• Os impactos econômicos do processo de envelhecimento popula-
cional
• Mudanças nas leis trabalhistas e os novos horizontes para empre-
gadores e empregados
• A relevância das políticas públicas no Brasil
LITERATURA
“Quincas Borba”
Machado de Assis, 1891
Na obra, Machado retrata a vida do personagem ‘Rubião” - um homem 
que teve sua vida transformada ao receber uma herança e �car mil-
ionário. Rubião não sabia administrar seu dinheiro e gastava-o em com-
pras e festas. O destino da personagem foi morrer pobre e sem moradia.
VIIVII..
EconomiaEconomia
Repertórios para temas dentro do eixo Economia, como:
das 
Qualquer nova, qualquer notícia 
Qualquer coisa que se mova é um 
alvo 
E ninguém tá a salvo”.
DADOS ESTATÍSTICOS
1. A taxa média de desemprego 
no Brasil fechou o ano de 2023 
em 7,8% (8,6 milhões), a 
menor desde 2014. O número 
é da Pesquisa Nacional por 
Amostra de Domicílios 
(PNAD) Contínua do IBGE.
2. Segundo IBGE, o país regis-
trou uma taxa de informali-
dade de 39,1% no mercado de 
trabalho até agosto de 2023.
3. Em 2023, a in�ação no acu-
mulado em 12 meses caiu para 
o menor patamar em quase 3 
anos.
A economia brasileira, isto é, o 
PIB brasileiro cresceu 2,9% 
em 2023, primeiro ano do 
mandato de Luiz Inácio Lula 
da Silva, comparado a 3% em 
2022, segundo dados do 
IBGE. O PIB havia �cado es-
tagnado no segundo semestre 
do ano.
Economia76
Poema “Ao Shopping Center”
José Paulo Paes, 2002
“Pelos teus círculos
Vagamos sem rumo
Nós almas penadas
Do mundo do consumo.
Do elevador ao céu
Pela escada ao inferno:
Os extremos se tocam
No castigo eterno.
Cada loja é um novo prego em 
nossa cruz.
Por mais que compremos
Estamos sempre nus
Nós que por teus círculos
Vagamos sem perdão
À espera (até quando?)
Da Grande Liquidação.”
Abordagem temática: consumismo.
MÚSICA
“O Papa é Pop”
Engenheiros do Hawaii, 1990
“Todo mundo tá relendo o que 
nunca foi lido 
Todo mundo tá comprando os 
mais vendidos

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