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Sumário Repertórios Universais 11 Educação 19 Saúde 31 Segurança 45 Meio Ambiente e Sustentabilidade 53 Ciência e Tecnologia 63 Economia 75 Juventude, Infância e Terceira Idade 79 Minorias Sociais e Étnicas 87 Desigualdade Social 97 Temas Subjetivos 101 Redação Pop 107 �e Umbrella Academy 2019 107 Coisa Mais Linda 2019 110 Game of �rones 2011 114 Pretty Little Liars 2010 120 6 Vingadores: Ultimato 2019 126 thank u, next 2019 130 �e Society 2019 135 Black Mirror 2011 139 Lemonade 2016 144 La Casa de Papel 2017 147 Olhos que Condenam 2019 150 13 Reasons Why 2017 153 Elite 2018 158 Coringa 2019 161 Parasita 2019 164 Sex Education 2019 168 Anne With An E 2017 172 Grey's Anatomy 2005 176 O Poço 2019 179 �e Handmaid's Tale 2017 182 O Ódio que Você Semeia 2018 187 Dark 2017 189 Harry Potter 2001 192 Jogos Vorazes 2012 195 7 �e Boys 2019 198 Crepúsculo 2008 200 Star Wars 1977 203 Meninas Malvadas 2003 205 O Gambito da Rainha 2020 208 Divergente 2014 210 Maze Runner 2014 212 Round 6 2021 214 You (Você) 2018 217 Sintonia 2019 221 Não Olhe para Cima 2021 224 Homem-Aranha 2002 226 Euphoria 2019 229 Heartstopper 2022 232 Stranger �ings 2016 234 Bridgerton 2020 237 8 9 Oi, Desde o início da minha jornada como vestibulando, eu sempre fui apaixonado pelo uso de repertórios na redação. É incrível como você tem a liberdade para usar e relacionar produ- tos culturais que, à primeira vista, parecem tão opostos: em um texto, �omas Malthus e Vingadores se encontram; em outro, Indústria Cul- tural e Jogos Vorazes; outro, Racionais MC's e Round 6. Não tem coisa mais impressionante do que ver o domínio de mundo de cada pessoa e os artefatos usados para construir um texto mais persuasivo. Foi um prazer imenso escrever esse Livro de Repertórios. Ele é resultado de anos de trabalho estudando redação, produzindo conteúdo na inter- net e escrevendo análises de séries, �lmes, e músicas para as redes. Na primeira metade, você vai encontrar exemplos de repertórios separados por tipo e por eixo temático. Em seguida, você encontrará a seção Re- dação Pop: análises detalhadas de produções da cultura pop para você maratonar e usar na sua redação. O conteúdo é denso, mas a minha expectativa é de que você utilize o livro aos poucos: lendo as indicações de repertório para o tema da sua próxima redação ou, talvez, estudando a análise de um �lme depois de apagar a TV. Pesquise e vá além das descrições que eu coloquei aqui. Eu tenho certeza de que vai ser um processo enriquecedor. Espero que este livro seja útil para a sua jornada. Mas principalmente, que você se apaixone pela magia do repertório assim como eu. :) Bons estudos! Lucas Felpi 10 Repertórios Universais 11 II.. Repertórios UniversaisRepertórios Universais Repertórios ‘coringa’ para encaixar em qualquer tema. Para aqueles momentos em que você não consegue pensar em nada. LITERATURA “O Cidadão de Papel” Gilberto Dimenstein, 1993 Em seu livro, Dimenstein argumenta que a legislação brasileira não é e�caz. Ele diz que, embora aparente ser completa na teoria, muitas vezes ela não é concretizada na prática, deixando os direitos do cidadão apenas “no papel”. O livro é uma ótima referência caso sua análise envolva con- trapôr um direito supostamente assegurado na legislação, mas que não se vê garantido na realidade. Exemplo: Democratização do acesso ao cinema no Brasil (Enem 2019) “Em sua obra “Cidadãos de Papel”, o célebre escritor Gilber- to Dimestein disserta acerca da inefetividade dos direitos consti- tucionais, sobretudo, no que se refere à desigualdade de acesso aos benefícios normativos. Diante disso, a conjuntura dessa análise con- �gura-se no Brasil atual, haja vista que o acesso ao cinema, no país, ainda não é democrático. Essa realidade se deve, essencialmente, à falta de subsídios para infraestrutura nas regiões periféricas e à ur- banização desordenada das urbes.” - Redação nota mil de Vitória Castro, retirada de “Cartilha Redação a Mil 2.0” Repertórios Universais12 “O Cidadão de Papel”, do autor Gilberto Dimestein, é uma das obras mais populares entre estudantes como repertório sociocultural. Repertórios Universais 13 “Raízes do Brasil” Sérgio Buarque de Holanda, 1936 Sérgio Buarque de Holanda tenta explicar a formação da sociedade bra- sileira ao apresentar o conceito do “homem cordial”. Este seria o brasile- iro: um ser que prioriza a emotividade excessiva à razão, agindo com o coração - tanto para bem quanto para o mal. O resultado, segundo Buarque, seria a criação de problemas que persistem até hoje, como a corrupção e o "jeitinho brasileiro". Exemplo: O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira (Enem 2020) “Ademais, a mentalidade social preconceituosa existente no ter- ritório nacional di�culta a superação dos estigmas no que tange as disfunções mentais. Nesse cenário, o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, em sua obra "O Homem Cordial", expõe o egoísmo pre- sente na sociedade brasileira — que tende a priorizar ideais particu- lares em detrimento do bem estar coletivo. Desse modo, observa-se que as doenças mentais são frequentemente associadas à incapaci- dade ou fraqueza por destoarem do ideal inalcançável de perfeição cultivado no ideário nacional, o que faz com que muitos cidadãos sejam alvo de preconceito e exclusão, fatos que demonstram o egoís- mo ainda presente na mentalidade brasileira.” - Redação nota mil de Isabella Bernardes, retirada de “Cartilha Redação a Mil 3.0” “Ensaio sobre a Cegueira” José Saramago, 1995 O livro conta a história de um país que é tomado por uma epidemia chamada “cegueira branca”. Os infectados deixam de enxergar tudo, so- mente um véu branco, leitoso. O livro não trata apenas da cegueira física, Repertórios Universais14 mas traça uma ácida crítica à sociedade quanto à cegueira moral: o egoís- mo, medo, covardia, imparcialidade. Vivemos em uma sociedade em que nos cegamos para os problemas, que são aceitos passivamente. Exemplo: Manipulação do comportamento do usuário pelo con- trole de dados na internet (Enem 2018) "Outrossim, questões sociais estão intimamente ligadas ao con- trole de informações na internet. Nesse âmbito, a cegueira moral, fenômeno exposto por José Saramago em sua obra ”Ensaio sobre Cegueira“, caracteriza a alienação da sociedade frente às demais re- alidades sociais, a qual é fomentada pela restrição do pleno acesso à informação pelos meios de comunicação. Dessa feita, as redes soci- ais propiciou a formação de “bolhas sociais“, de modo a manipular o comportamento do indivíduo, além de restringir sua ideia acerca da conjuntura vivida." - Redação nota mil de Iohana Freitas, retirada de “Cartilha Redação a Mil” LEGISLAÇÃO Constituição do Brasil de 1988 Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer nature- za, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes a inviolab- ilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à proprie- dade. Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) Art. 1º Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade. Repertórios Universais 15 MÚSICA “Diário de um Detento” Racionais MC's, 1997 “O ser humano é descartável no Brasil” “Favela” Arlindo Cruz, 2009 “Nem toda a maldade humana está em quem porta um fuzil. Tem gente de terno e gravata matando o Brasil” “Somos quem podemos ser" Engenheiros do Hawaii, 1988 “Quem ocupa o trono tem culpa. Quem oculta o crime também. Quem duvida da vida tem culpa. Quem evita a dúvida também tem” Como usar música na redação? A música é um ótimo recurso para ser usado como repertório so- ciocultural! Poucas pessoas utilizam, o que faz com que o seu tex- to �que com maior criatividade e autoria, masÉ qualquer nota, qualquer notícia Páginas em branco, fotos colori- “O que distingue uma época econômica de outra, é menos o que se produziu do que a forma de o produzir.” - Karl Marx, �lósofo alemão “A primeira lição da economia é a escassez: nunca há o bastante de algo para satisfazer todos aqueles que o querem. A primeira lição da política é ignorar a primeira lição da economia.” - �omas Sowell, economista e �lósofo político estadunidense FILMES, DOCUMENTÁRIOS E SÉRIES “Round 6” 2021 A produção coreana da Net�ix retrata centenas de pessoas endividadas que entram em um jogo mortal para competir por um prêmio milionário - prontas para arriscarem suas vidas. As personagens possuem uma car- acterística em comum: todas estão desesperadas por dinheiro. A série mostra a falta de preparo da população ao administrar suas �nanças. Leia a análise completa de “Round 6” na página 214. Economia 77 CITAÇÕES “Até que a Sorte nos Separe” 2012 O �lme retrata de forma cômica o descuido que muitos brasileiros pos- suem com o dinheiro. O longa segue a história de Tino, um homem co- mum que, do dia para a noite, se torna e milionário após ganhar na lote- ria. Ao longo da trama, �ca evidente o despreparo e a falta de habilidade de Tino em lidar com o dinheiro de forma consciente, ao gastá-lo com- pletamente em pouco tempo. A saga retrata a realidade de muitos bra- sileiros que enfrentam desa�os na administração de suas economias e ressalta a necessidade da educação �nanceira. Economia78 Juventude, Infância e Terceira Idade 79 • Os direitos das crianças e dos adolescentes no Brasil • Gravidez na adolescência em evidência no Brasil • O consumo de álcool entre jovens no Brasil • O crescente uso de drogas por jovens • Os desa�os da adoção de crianças • O desaparecimento de jovens e crianças • Altos índices de depressão e ansiedade em fase de infância e juventude • O trabalho infantil na realidade brasileira • Situação dos idosos no Brasil e no mundo • O descaso e abandono de idosos na sociedade contemporânea • Letramento digital da terceira idade • Valorização do idoso • A relevância de uma infância saudável na formação do indivíduo • Vulnerabilidade infantil no Brasil • Desa�os para a promoção da leitura na infância • Os efeitos do distanciamento na infância da pandemia de COVID-19 • Os desa�os da sexualidade na adolescência • Crianças em situação de rua e soluções para o problema VIIIVIII.. Juventude, Infância e Juventude, Infância e Terceira IdadeTerceira Idade Repertórios para temas dentro do eixo Juventude, Infância e Terceira Idade, como: Leia a análise completa de “Harry Potter” na página 192. Juventude, Infância e Terceira Idade80 LITERATURA “Harry Potter” J.K. Rowling, 1998-2007 A saga bruxa retrata a infância conturbada do menino Harry, órfão, que vive em um ambiente familiar abusivo com seus tios. Fora do universo literário, um es- tudo da Revista de Psicologia So- cial Aplicada em 2014 concluiu que a leitura de Harry Potter estimula a tolerância, pela qual crianças desenvolveram maior empatia a grupos marginalizados na vida real, como LGBTs, imi- grantes e refugiados. “Memórias de um Sargento de Milícias” Manuel Antônio de Almeida, 1853 O romance retrata a vida no Rio de Janeiro em pleno século XIX. Leonardo (protagonista do livro) é um jovem abandonado pela mãe, a qual decidiu ir embora para Portugal, e pelo pai, um o�- cial de justiça que não tem consid- eração pelo menino. Leonardo é acolhido por um barbeiro, mas carrega traumas em sua infância devido à ausência de sua família no seu processo de formação. Leonar- do cresce como uma criança rebel- de e que causa diversos problemas na história. LEGISLAÇÃO Constituição do Brasil de 1988 Art. 277º É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito Juventude, Infância e Terceira Idade 81 à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à pro�ssionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. Art. 230º A família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas, assegurando sua partici- pação na comunidade, defend- endo sua dignidade e bem-estar e garantindo-lhes o direito à vida. Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, 8069/1990) Art. 1º Esta Lei dispõe sobre a proteção integral à criança e ao adolescen- te. Estatuto do Idoso (10741/2003) Art. 1º É instituído o Estatuto do Idoso, destinado a regular os direitos assegurados às pessoas com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos. MÚSICA “Não é Sério” Charlie Brown Jr, 2000 “Eu vejo na TV o que eles falam sobre o jovem não é sério O jovem no Brasil nunca é levado a sério” Abordagem temática: direitos das crianças e adolescentes. “Terra de gigantes” Engenheiros do Hawaii, 1987 “Nessa terra de gigantes Que trocam vidas por diamantes A juventude é uma banda Numa propaganda de refrigerantes” Juventude, Infância e Terceira Idade82 Abordagem temática: desvalorização dos jovens. DADOS ESTATÍSTICOS 1. De acordo com o Cenário da Infância e Adolescência no Brasil 2023: i. O Brasil tem 68,6 milhões de crianças e adolescentes entre zero e 19 anos de idade, o que representa 33% da população total do país. ii. 10,6 milhões de crianças e adolescentes vivendo com renda dom- iciliar mensal per capita de até um quarto de salário-mínimo. iii. 1,7 milhão de crianças estão em situação de trabalho infantil, correspondendo a 4,6% da população nesta faixa etária. 4. Dados do Instituto Brasileiro de Geogra�a e Estatística (IBGE) de 2022 apontam que o número de idosos no Brasil é de 32,1 milhões. 5. Pelas estimativas do mesmo instituto, a expectativa é de que o núme- ro de pessoas com 65 anos ou mais praticamente triplique, chegando a 58,2 milhões em 2060 – o equivalente a 25,5% da população. FILOSOFIA Socialização Émile Durkheim, sociólogo francês A socialização de Durkheim é o processo educativo pelo qual as pessoas que nascem em sociedade são submetidas durante a infância e adolescên- cia para encaixar-se dentro do grupo social. Através dele, aprende-se as normas e valores coercitivos, e interferências nesse processo ou a falta dele podem gerar a marginalização ou até violentação do indivíduo em sociedade. “Toda criança é um artista. O problema é como manter-se artista depois de crescido.” - Pablo Picasso, pintor e escultor espanhol FILMES, DOCUMENTÁRIOS E SÉRIES “Crianças Invisíveis” 2005 O documentário “Crianças Invisíveis” conta com sete curta-metragens Juventude, Infância e Terceira Idade 83 “A in�uência dos pais governa a criança, concedendo-lhe provas de amor e ameaçando com castigos, os quais, para a criança, são sinais de perda do amor e se farão temer por essa mesma causa.” - Sigmund Freud, considerado pai da psicanálise “Todas as pessoas grandes foram um dia crianças. Mas poucas se lembram disso.” - Antoine Saint Exupery, escritor francês, em “O Pequeno Príncipe” CITAÇÕES Leia a análise completa de “Anne With An E” na página 172. Leia a análise completa de “Euphoria” na pági- na 229. Juventude, Infância e Terceira Idade84 produzidos em países diferentes com uma mesma realidade em vis- ta: a violação dos direitos das cri- anças e o desrespeito à infância. São retratados casos ao redor do mundo, incluindo no Brasil, nos quais jovens são submetridos a situações de pobreza, violência, trabalho, trá�co de drogas e evasão escolar, sem qualquer ajuda de seus pais. “Anne With An E” 2017 A série tem como ponto de partida a adoção da garota Anne Shirley pelos Cuthbert, embora eles es- tivessem à espera de um menino para ajudar na lavoura. A revelação do gênero não é bem recebida pela família, devido à idealização prévia de um per�lpelos futuros pais ad- otivos. Este é um problema muito comum e grave na adoção, que acaba por privilegiar um per�l es- pecí�co de crianças, normalmente jovens e brancas, em detrimento das demais. “Euphoria” 2019 O enredo de “Euphoria” conta a história de Rue, desde o seu nasci- mento até sua adolescência. No Ensino Médio, ela passa por uma fase de transformação de identi- dade e é visto como a personagem controla suas crises de hiperativi- dade através de drogas ilícitas e de remédios que estimulam o cérebro a um estado de êxtase. No decor- rer da trama, ela precisa frequen- tar centros de reabilitação e apoio para manter-se distante do seu vício e retornar a uma vida “lim- pa”. “Grace and Frankie” 2015 Em “Grace and Frankie”, duas senhoras recém-divorciadas apo- sentadas ingressam no mercado de trabalho como empresárias no ramo de sex shop, quebrando par- adigmas e tabus sociais. A série mostra outro lado da terceira Leia a análise completa de “Crepúsculo” na pá- gina 200. Juventude, Infância e Terceira Idade 85 idade que não estamos acostu- mados a ver, além de discutir so- bre as necessidades especí�cas dessa faixa etária. “Crepúsculo” 2008 A saga infanto-juvenil de vampi- ros e lobisomens, embora muito distante da realidade, pode ser associada a diversos temas sociais relacionados à adolescência e à puberdade. Acontecem episódios de abuso sexual, gravidez na ado- lescência e são retratadas as insegu- ranças da primeira interação sexual para garotas. “Homem-Aranha” 2002 Juventude, Infância e Terceira Idade86 No universo das histórias em quadrinhos, Peter Parker é um adolescente que vive uma vida não muito ordinária junto aos seus tios Mary e Ben, já idosos, que cumprem uma função importante na sua formação. Aposen- tado e com di�culdades de mobilidade, tio Ben é morto durante um as- salto armado, enquanto Mary se torna vítima dos vilões do famoso Homem-Aranha. A trama pode ser relacionada à necessidade de pro- gramas governamentais para assegurar a segurança e bem-estar na tercei- ra idade. “�e Society” 2019 Quando sobram apenas os adoles- centes na Terra, o que acontece? Essa é a proposta da série “�e Society”, e a resposta é: caos. Roubos de lojas, vi- olência, festas, e irresponsabilidade. Os jovens tentam construir uma so- ciedade para controlar a anomia, mas acabam por causar mais con�itos e resultar em mortes. Com o repentino isolamento dos adolescentes, são en- fatizados os dilemas característicos dessa fase da vida: os jovens se vêem perdidos, e necessitam de seus pais no momento de maior vulnerabilidade. Leia a análise completa de “Homem-Aranha” na página 226. Leia a análise completa de “�e Society” na página 135. Minorias Sociais e Étnicas 87 • Desa�os para a inclusão dos refugiados na sociedade brasileira • Intolerância e discurso de ódio contra minorias • Marginalização das pessoas em situação de rua no Brasil • Garantia da inclusão e da acessibilidade de cegos no cotidiano bra- sileiro • Caminhos para combater a violência e o preconceito contra LGBTs • Transfobia em debate no Brasil • Racismo estrutural no Brasil • Violência policial contra negros no Brasil e no mundo • Violência contra a mulher e abuso sexual • A persistência do feminicídio • Diferenças salariais entre homens e mulheres no Brasil • A inclusão de pessoas portadoras de de�ciências nos espaços públicos • Preconceito de classe social e a desigualdade socio-econômica no Brasil • A questão da gordofobia no Brasil • A questão da xenofobia no Brasil • A violência contra indígenas na sociedade brasileira • A inclusão dos surdos na sociedade brasileira • Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil IXIX.. Minorias Sociais e ÉtnicasMinorias Sociais e Étnicas Repertórios para temas dentro do eixo Minorias Sociais e Étnicas, como: Minorias Sociais e Étnicas88 LITERATURA “O Senhor das Moscas” William Golding, 1954 O livro foi escrito em 1954 e con- ta a história de um grupo de garo- tos de uma escola militar que sof- rem um acidente de avião e caem numa ilha deserta. Lá eles precis- am criar um sistema de convivên- cia, leis e, inicialmente, uma ten- tativa de ambiente democrático. No entanto, entre os garotos ocorre a prática do bullying, que recai sobre o personagem “Porquinho”, apelidado dessa maneira por ser considerado gor- do, usar óculos e ter di�culdades em respirar por conta de sua asma. Porquinho sofre inúmeras ofen- sas durante a obra, não sendo tratado da mesma maneira dos demais garotos. “Sermão de Santo Antônio aos Peixes” Padre Antônio Vieira, 1654 O Sermão, escrito em 1654, é construído por meio da alegoria: discurso voltado aos peixes, mas que na verdade é para os homens. Vieira critica duas características do ser humano: corrupção e am- bição. A metáfora feita por ele con- siste em apontar a questão de os peixes devorarem uns aos outros, indicando que o problema é ainda maior pelo fato dos grandes se ali- mentarem dos pequenos. Dessa forma, o autor metaforiza as ati- tudes de exploração dos mais ricos e poderosos sobre os mais pobres e oprimidos. O objetivo de Vieira era condenar a escravidão indíge- na pelos europeus. “Um Teto Todo Seu” Virgínia Wolf, 1929 O livro é um compilado das pal- estras feitas por Virgínia Wolf na década de 20. A autora traz re�ex- ões acerca das condições sociais da mulher na sociedade e como isso impacta nos espaços destinados a ela, mostrando o quanto a mulher não tem liberdade para trabalhar com o que quiser e nem escrever e falar o que pensa. No livro, po- demos ver a “Alegoria do espelho”, em que a autora explica que as mulheres são vistas como espe- lhos pelos homens, re�etindo sua imagem engrandecida e, dessa for- ma, sendo diminuídas. Minorias Sociais e Étnicas 89 MÚSICA “A Vida É Desa�o” Racionais MC's, 2002 “Pesadelo é um elogio Pra quem vive na guerra, a paz nunca existiu Num clima quente, a minha gente sua frio Vi um pretinho, seu caderno era um fuzil” Abordagem temática: evasão escolar. “Negro drama” Racionais MC's, 2002 “Desde o início por ouro e prata Olha quem morre, então veja você quem mata Recebe o mérito, a farda que pratica o mal Me ver pobre, preso ou morto já é cultural” Abordagem temática: exploração de minorias, racismo. “Cálice” Chico Buarque, 1978 “Pai, afasta de mim esse cálice De vinho tinto de sangue [...] Como beber dessa bebida amarga? Tragar a dor, engolir a labuta? Mesmo calada a boca, resta o peito Silêncio na cidade não se escuta De que me vale ser �lho da santa? Melhor seria ser �lho da outra Outra realidade menos morta Tanta mentira, tanta força bruta [...] De vinho tinto de sangue Como é difícil acordar calado Se na calada da noite eu me dano Quero lançar um grito desumano Que é uma maneira de ser escuta- do Esse silêncio todo me atordoa Atordoado eu permaneço atento- Na arquibancada pra a qualquer momento Ver emergir o monstro da lagoa [...] De muito gorda a porca já não anda De muito usada a faca já não corta Como é difícil, pai, abrir a porta Essa palavra presa na garganta Esse pileque homérico no mundo De que adianta ter boa vontade? Mesmo calado o peito, resta a cuca Dos bêbados do centro da cidade [...] Talvez o mundo não seja pequeno Nem seja a vida um fato con- Minorias Sociais e Étnicas90 sumado Quero inventar o meu próprio pecado Quero morrer do meu próprio veneno Quero perder de vez tua cabeça Minha cabeça perder teu juízo Quero cheirar fumaça de óleo diesel Me embriagar até que alguém me esqueça” Abordagem temática: música escrita durante a ditadura militar para mostrar a repressão sofrida pela população. “Índios” Legião Urbana, 1986 “Quem me dera ao menos uma vez Ter de volta todo o ouro que entreguei a quem Conseguiu me convencer que era prova de amizade Se alguém levasse embora até o que eu não tinha [...] Quem me dera ao menos uma vez Esquecer que acreditei que era por brincadeiraQue se cortava sempre um pano de chão De linho nobre e pura seda [...] Quem me dera ao menos uma vez Explicar o que ninguém consegue entender Que o que aconteceu ainda está por vir E o futuro não é mais como era antigamente [...] Quem me dera ao menos uma vez Provar que quem tem mais do que precisa ter Quase sempre se convence que não tem o bastante Fala demais por não ter nada a dizer [...] Quem me dera ao menos uma vez Que o mais simples fosse visto como o mais importante Mas nos deram espelhos E vimos um mundo doente [...] Quem me dera ao menos uma vez Entender como um só Deus ao mesmo tempo é três E esse mesmo Deus foi morto por vocês É só maldade então, deixar um Deus tão triste [...] Quem me dera ao menos uma vez Acreditar por um instante em tudo que existe Acreditar que o mundo é perfeito E que todas as pessoas são felizes [...] Quem me dera ao menos uma vez Minorias Sociais e Étnicas 91 Fazer com que o mundo saiba que seu nome Está em tudo e mesmo assim Ninguém lhe diz ao menos obrigado [...] Quem me dera ao menos uma vez Como a mais bela tribo Dos mais belos índios Não ser atacado por ser inocente [...] Nos deram espelhos e vimos um mundo doente Tentei chorar e não consegui” Abordagem temática: exploração dos indígenas. “Toda forma de poder” Engenheiros do Hawaii, 1986 “Toda forma de poder é uma forma de morrer por nada Toda forma de conduta se transforma numa luta armada A história se repete Mas a força deixa a história mal contada” Abordagem temática: autoritarismo, abuso de poder. “É Proibido Proibir” Caetano Veloso, 1968 “[...] E eu digo não E eu digo não ao não Eu digo É! Proibido proibir [...]” Caetano Veloso compôs a música “É Proibido Proibir” durante o grande movimento de Maio de 68, em que as ruas, inicialmente de Paris e posterior- mente de outras nações, foram tomadas pelos jovens que lutavam contra os regimes políticos da época. Nesta música, Caetano utiliza a frase pichada em um muro de Paris “é proibido proibir” para manifestar-se contra a ditadura no Brasil. Abordagem temática: autoritarismo, abuso de poder. DADOS ESTATÍSTICOS 1. De acordo com o segundo pesquisa do Instituto Datafol- ha em 2021: i. Uma em cada quatro mul- heres acima de 16 anos a�r- ma ter sofrido algum tipo de violência no ano de 2020 no Brasil, durante a pandemia de Covid. ii. 37,9% das brasileiras sof- reram algum tipo de assé- dio sexual durante 2020. iii. Dentre as formas de violên- cia sofrida, 18,6% respon- Minorias Sociais e Étnicas92 deram que foram ofendidas verbalmente, 6,3% sofreram tapas, chutes ou empurrões, 5,4% passaram por algum tipo de ofensa sexual ou tentativa forçada de relação, 3,1% foram ameaçadas com faca ou arma de fogo e 2,4% foram espancadas. 2. Segundo a Pesquisa PoderData 2021, 81% dos brasileiros vem racis- mo no país, mas só 34% admitem preconceito contra negros. 3. Segundo dados do Grupo Gay da Bahia (GGB) de 2019, o Brasil registrava uma morte por homofobia a cada 23 horas. 4. Conforme a Pesquisa Nacional de Saúde, 60,3% dos brasileiros com 18 anos ou mais - o que correspondia a 96 milhões de pessoas - es- tavam acima do peso em 2019. Já uma pesquisa realizada em 2017 pela Skol Diálogos mostrou que 92% dos brasileiros admitiram sof- rer com gordofobia no convívio social. 5. De acordo com a Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o número de pessoas em situação de rua no Brasil cresceu 140% entre 2012 e março de 2020, chegando a quase 222 mil pessoas. 6. Segundo o Atlas da Violência 2021, a taxa de mortes violentas de indígenas aumentou 21,6%, saindo de 15 por 100 mil indígenas, em 2009, para 18,3, em 2019. FILOSOFIA Equidade vs. Igualdade Florestan Fernandes, sociólogo brasileiro Como se sabe, igualdade representa o estado de tratamento de todos como iguais e a garantia dos mesmos recursos a todos sem distinção. Porém, é importante conhecer o conceito de equidade por Fernandes, que compreende que é preciso tratar sim os desiguais como desiguais para provê-los de suas carências e atingir a igualdade. Um exemplo de ação de equidade são as cotas sociais e raciais de universidades. “A gente luta por uma socie- dade em que as mulheres pos- sam ser consideradas pessoas.” - Djamila Ribeiro, �lósofa e jornalista brasileira “Devemos tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na medida de sua desigualdade.” - Aristóteles, �lósofo da Grécia Antiga “O negro só é livre quando morre.” - Carolina de Jesus, uma das primei- ras escritoras negras do Brasil “Ninguém nasce odiando outra pes- soa por sua cor da pele, sua origem ou religião. As pessoas podem aprender a odiar e pode-se ensiná-las a amar. O amor chega mais naturalmente ao coração humano que o contrário.” - Martin Luther King Jr, ativista político estadunidense Minorias Sociais e Étnicas 93 CITAÇÕES Leia a análise completa de "O Ódio que Você Semeia" na página 187. Minorias Sociais e Étnicas94 HISTÓRIA Peste Negra/Peste Bubônica Europa, Ásia e África, século XIV Durante a pandemia da peste negra, a população da Europa acusou os povos judeus de serem os responsáveis pela proliferação da doença no território. Tal acusação partia do fato dos judeus serem famosos por suas migrações pelo mundo, o que, segundo a população da época, teria sido o motivo da doença entrar no continente. Dessa forma, houve perse- guição a esses povos e milhares de judeus foram assassinados durante o período da doença. FILMES, DOCUMENTÁRIOS E SÉRIES “O Ódio Que Você Semeia” 2018 Baseado no livro homônimo, o longa acompanha Starr Carter, uma ad- olescente negra de 16 anos que presencia o assassinato de seu melhor amigo, Khalil, que estava desarmado, por um policial branco. A impuni- dade do funcionário público e o racismo velado que a garota evidencia em sua escola e nos arredores a dá coragem para se manifestar e lutar por justiça. Uma história �ccional, mas que poderia muito bem ser real. “Parasita” 2019 O �lme acompanha a família Kim, composta por um casal de desempre- gados e dois �lhos que vivem em um apertado imóvel semi-subterrâneo. Leia a análise completa de “Parasita” na página 164. Leia a análise completa de “O Conto da Aia” na página 182. Minorias Sociais e Étnicas 95 Em uma zona perigosa e marginalizada da cidade, eles trabalham do- brando caixas de pizza para sustentar suas necessidades básicas. Ao longo da narrativa, a família anseia por conquistar uma condição de vida mel- hor e secretamente se in�ltram na casa de outra família rica. O choque entre classes revela o abismo que as divide e o preconceito velado da classe opressora. O �lme venceu Melhor Filme no Oscar 2020. “O Conto da Aia” 2017 No futuro distópico de “�e Handmaid’s Tale”, as mulheres servem pa- péis sociais divididos em castas: Esposas, Marthas, Aias, ou Não Mul- heres. Todas as mulheres são submissas aos seus maridos, Comandantes e ao Estado e são privadas de ler, escrever, ou ter acesso a qualquer produ- to cultural. Os abusos e estupros são institucionalizados e considerados “Cerimônias”. A série assusta o espectador pela proximidade dos discur- sos dos governantes com a de pessoas atuais. “Olhos que Condenam” 2019 Baseada em fatos reais, essa minisérie trata do famoso caso dos “Cinco do Central Park”: cinco garotos negros acusados de um estupro brutal e tentativa de homicídio em Nova Iorque. A polícia os encontra nos arre- dores e decide contorcer os depoimentos dos menores, voltando-os uns aos outros, a�m de fabricar evidências. O racismo institucional exposto na produção é infelizmente realidade ainda hoje, e os cinco garotos, hoje adultos, continuam com o trauma e a infeliz condenação injusta. Leia a análise completa de "Olhos que Condenam" na página XX. Leia a análise completa de "Olhos que Condenam" na página 150. Minorias Sociais e Étnicas96 “A 13ª Emenda” 2016 O documentário fala sobre a medida legislativa (13ª emenda), instaura- da por Abraham Lincolnem 1865, que visava o �m da escravidão nos EUA. O documentário trabalha por meio de uma perspectiva histórica para mostrar como, mesmo após a instauração da emenda, ainda contin- uou e continua existindo a exploração dos negros na sociedade. Nele é possível encontrarmos questões sobre segregação racial, o sistema pri- sional e a escravidão vistas no passado e perpetuadas até os dias de hoje. Desigualdade Social 97 • O quadro da pobreza em evidência no Brasil • Meios para superar a desigualdade socioeconômica no Brasil • Dé�cit habitacional no Brasil • Caminhos para combater o aumento da fome no Brasil • O descaso com o fenômeno da favelização • A desigualdade social em paralelo às di�culdades de acesso ao ensi- no superior no Brasil • O desa�o de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil LITERATURA Poema “Morte e Vida Severina” João Cabral de Melo Neto, 1955 O poema, escrito entre 1954 e 1955, narra a história do personagem Severino, um nordestino que sai do sertão em busca de melhores condições de vida. Por meio da trajetória de Severino, João Cabral de- nuncia as mazelas do sertão (seca, fome, mortes, lutas por terras). Além disso, re�exões sobre a vida e a morte aparecem com frequência na obra. “Vidas Secas” Graciliano Ramos, 1938 A obra modernista "Vidas Secas", por Graciliano Ramos, retrata a história de vulnerabilidade socioeconômica enfrentada por Fabiano e XX.. Desigualdade SocialDesigualdade Social Repertórios para temas dentro do eixo Desigualdade Social, como: Desigualdade Social98 sua família de retirantes pela seca do sertão nordestino, sempre sub- missos aos superiores, como o Es- tado, os soldados e seu patrão. A obra denuncia a pobreza acentua- da no Brasil, a desigualdade, a subcidadania e a invisibilidade social. “Quarto de Despejo” Carolina Maria de Jesus, 1960 O livro é um diário de Carolina Maria de Jesus, uma mulher neg- ra, pobre e moradora, na época, da favela do Canindé, em São Paulo, descrevendo a pobreza, segregação socioespacial, precon- ceito, saneamento básico, entre outros problemas sociais. MÚSICA “A Vida É Desa�o” Racionais MC's, 2002 “É incontável, inaceitável, im- placável, inevitável Ver o lado miserável se sujeitando com migalhas, favores Se esquivando entre noite de medo e horrores” Abordagem temática: moradores de rua, desigualdade social. “Homem na Estrada” Racionais MC's, 1993 “Me digam quem é feliz, quem não se desespera Vendo nascer seu �lho no berço da miséria (...) Um cheiro horrível de esgoto no quintal Por cima ou por baixo, se chover será fatal Um pedaço do inferno, aqui é onde eu estou Até o IBGE passou aqui e nunca mais voltou” Abordagem temática: desigualdade social, fome, pobreza, favelização, dé�cit habitacional, saneamento básico. “Favela” Arlindo Cruz, 2009 Desigualdade Social 99 “O povo que sobe a ladeira Ajuda a fazer mutirão Divide a sobra da feira E reparte o pão Como é que essa gente tão boa É vista como marginal Eu acho que a sociedade Tá enxergando mal Minha favela” Abordagem temática: favelização. HISTÓRIA Colonialismo Brasil, 1500-1822 A desigualdade social brasileira pode ser vista como legado do período colonial, que se deve à in- �uência ibérica, à escravidão e aos padrões de posses latifundiárias. Aspectos como o racismo estru- tural, a discriminação de gênero, a alta tributação de impostos e o o desequilíbrio do investimento re- gional só agravaram a desigual- dade brasileira. FILMES, DOCUMENTÁRIOS E SÉRIES “Que Horas Ela Volta?” 2015 O �lme retrata a vida de uma em- pregada doméstica nordestina, Val, que trabalha na casa de uma família em São Paulo. A chegada de sua �lha desestabiliza a harmo- nia do grupo e a desigualdade so- cial é escancarada quando a �lha assume uma postura de enfrenta- mento às opressões e à divisão de classes realizadas pela família. “Cidade de Deus” 2002 O premiado �lme retrata de forma impactante e realista o cotidiano de uma das maiores e mais antigas favelas do país: a Cidade de Deus, no Rio de Janeiro. Mesmo tendo sido produzido há mais de 15 anos, o longa mostra-se extremamente atual ao expor situações prob- Desigualdade Social100 lemáticas já enraizadas na sociedade, como a desigualdade social, o rac- ismo, o trá�co de drogas, a criminalidade na infância, e mais. “Central do Brasil” 1998 O drama narra a história de Dora, uma professora aposentada que com- plementa a renda sendo escritora de cartas para pessoas analfabetas na Estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Sua rotina é abalada quan- do uma de suas clientes morre atropelada por um ônibus e deixa sozinho o �lho Josué, um pobre menino de 9 anos. O clássico do cinema brasile- iro escancara temas como analfabetismo, desigualdade social, pobreza, trá�co de pessoas, e venda de órgãos. Temas Subjetivos 101 LITERATURA “Grande Sertão: Veredas” Guimarães Rosa, 1956 Livro publicado em 1956, Grande Sertão Veredas narra, dentre outras questões, a história de amizade e futuramente amor entre Diadorim (Reinaldo/Maria Deodorina) e Riobaldo. Diadorim é uma garota que desde pequena troca sua identidade (antes chamada de Maria Deo- dorina) e �nge ser um menino (inicialmente chamado de Reinaldo e depois de Diadorim) para poder fazer parte do grupo de jagunços da época e, assim, desvincular-se de rótulos sociais para viver a liberdade. Aqui há a necessidade de moldar a identidade conforme a situação. Poema: “O apanhador de desperdícios” Manoel de Barros, 2008 “Uso a palavra para compor meus silêncios. Não gosto das palavras fatigadas de informar. Dou mais respeito às que vivem de barriga no chão tipo água pedra sapo. Entendo bem o sotaque das águas Dou respeito às coisas desimportantes XIXI.. Temas SubjetivosTemas Subjetivos Repertórios para temas subjetivos, mas nada impede que sejam utilizados em temas objetivos. Temas Subjetivos102 e aos seres desimportantes. Prezo insetos mais que aviões. Prezo a velocidade das tartarugas mais que a dos mísseis. Tenho em mim um atraso de nascença. Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos. Tenho abundância de ser feliz por isso. Meu quintal é maior do que o mundo. Sou um apanhador de desperdícios: Amo os restos como as boas moscas. Queria que a minha voz tivesse um formato de canto. Porque eu não sou da informática: eu sou da invencionática. Só uso a palavra para compor meus silêncios.” Abordagem temática: simplicidade, o conceito de valor para o homem da atualidade, oposição ao consumismo. MÚSICA “A Vida É Desa�o” Racionais MC's, 2002 “O aprendizado foi duro E mesmo diante desse revés não parei de sonhar Fui persistente, porque o fraco não alcança a meta” Abordagem temática: resiliência. “Wave” Tom Jobim, 1967 Temas Subjetivos 103 “Vou te contar Os olhos já não podem ver Coisas que só o coração pode entender Fundamental é mesmo o amor É impossível ser feliz sozinho” Abordagem temática: amizade, amor, felicidade, solidão, o sentido da existência. “A Felicidade” Tom Jobim, 1959 “Tristeza não tem �m Felicidade sim A felicidade é como a pluma Que o vento vai levando pelo ar Voa tão leve Mas tem a vida breve Precisa que haja vento sem parar” Abordagem temática: tristeza, felicidade, brevidade, humanidade e o poder dos sentimentos, valorização dos momentos vividos. “Pais e Filhos” Legião Urbana, 1989 “É preciso amar as pessoas Como se não houvesse amanhã Por que se você parar pra pensar Na verdade não há (...) Sou uma gota d’água Sou um grão de areia Você me diz que seus pais não lhe entendem Mas você não entende seus pais Você culpa seus pais por tudo E isso é absurdo Temas Subjetivos104 São crianças como você O que você vai ser Quando você crescer?” Abordagem temática: importância da família, valorização do idoso, empatia, futuro, passado, vivenciar o presente. FILOSOFIA Sujeito Pós-Moderno Stuart Hall, sociólogo britânico-jamaicano De acordo com Hall, a identidade humana passou por transformaçõessociais pela modernidade, produzindo profundos efeitos à maneira pela qual o indivíduo entende a si mesmo e é entendido socialmente. O su- jeito pós-moderno é aquele que não possui apenas uma única ou perma- nente identidade, mas várias, das quais algumas são contraditórias e out- ras não são resolvidas. Esse sujeito da pós-modernidade tem uma identidade “móvel”, pois assume identidades diferentes em diferentes momentos. HISTÓRIA Tropicalismo Brasil, 1967-1968 O Tropicalismo foi um movimento liderado por músicos brasileiros que buscavam a ruptura da padronização da cultura da época. Por meio de vestimentas coloridas e chamativas, cabelos grandes e mistura de estilos musicais, como Rock e Bossa Nova, o Tropicalismo transformou e mod- ernizou não só a música popular brasileira a cultura brasileira. O movi- mento ainda tinha um viés libertário e in�uenciou a política e o compor- tamento das pessoas. Dentre os artistas que compunham o movimento estavam Caetano Veloso e Gilberto Gil, que foram presos pelo governo Temas Subjetivos 105 militar em 1968. O Tropicália foi reprimido pela Ditadura, mas mudou por completo o rumo da cultura do país. Gripe Espanhola Mundo, 1918-1919 Durante a pandemia da gripe espanhola, também ocorria a Primeira Guerra Mundial. Imprensas do mundo todo foram censuradas pelos militares e precisavam manipular as notícias sobre a situação da gripe em seus países, visto que se divulgassem a realidade da doença em seus territórios, estariam mostrando as suas fragilidades aos inimigos. No entanto, a Espanha, neutra na guerra, divulgava notícias diariamente ao mundo com todas as informações reais dos acontecimentos. Assim, a cobertura verdadeira da doença �cou conhecida em todo o mundo graças à Espanha. Temas Subjetivos106 Redação Pop 107 “THE UMBRELLA ACADEMY” 2019, 4 temporadas, 16+ Adoção A série tem a premissa de 7 crianças poderosas adotadas por um bil- ionário, quase como uma aquisição deste para treiná-las a serem armas de luta. O processo adotivo envolvido não é detalhado, mas percebe-se que sua falta de vínculo emocional e sua criteriosidade para o acolhi- mento. Família Disfuncional Um ambiente familiar disfuncional é aquele no qual há con�itos, má conduta ou abusos regularmente, às vezes criando um sentimento errô- neo de que isso seria normal. Na família Hargreeves, a ausência do pai, XIIXII.. Redação PopRedação Pop Análises detalhadas de séries e �lmes para serem utilizados como repertórios socioculturais na redação (pode conter spoilers). Sinopse “Antes de falecer, o milionário Sir Reginald Hargreeves adotou sete crianças a �m de treiná-las para combater o mal. Depois que ele morre misteriosamente, esses jovens habilidosos unem suas forças para seguir o caminho para o qual seu pai adotivo os criou e acabam se envolvendo em um mundo muito mais perigoso do que eles imaginavam ser possível.” Redação Pop108 Baseada na HQ de mesmo nome, “�e Umbrella Academy” acompanha as desven- turas de uma família desajustada de super-heróis, disponível na Net�ix. Redação Pop 109 a negligência com as necessidades das crianças, a falta de afeto e carinho parental e a violência na casa são alguns dos exemplos de ambiente dis- funcional. Vulnerabilidade Infantil O crescimento em uma família disfuncional produz efeitos a longo pra- zo. Essa é a profunda vulnerabilidade infantil a que se assiste no país e no mundo, isto é, a fragilidade para violar os direitos das crianças, por isso a importância da preservação da infância. Vemos a representação de tais traumas duradouros nas 6 personagens principais, os quais vou analisar brevemente para poder ampliar a discussão em redações: Luther: Alienação Social O número 1, Luther, se torna alienado ao ser excessivamente leal ao pai e obedecer todas as suas demandas. Em um dado momento, o pai o envia para a Lua para um isolamento ainda maior. Diego: Justiça com as Próprias Mãos Diego, número 2, ex-policial, desiste da carreira e se rende aos impulsos de agressividade e ferocidade para virar um vigilante da cidade que faz justiça com as mãos. Allison: Abuso de Autoridade Parental A número 3, Allison, vira mãe e, também como consequência de seu crescimento deturpado, comete abusos quanto à autoridade que têm sobre sua �lha pequena, resultando na perda da guarda. Klaus: Drogas O número 4, Klaus, se torna viciado em drogas como forma de canalizar as emoções e fugir de sua realidade circundante. Redação Pop110 Cinco: Fuga de Casa O número 5, chamado de Cinco, foge de casa quando pequeno por re- ceber rejeições e negligências do pai, e �ca desaparecido. Vanya: Marginalização Familiar Vanya, a número 7, é a maior representação do trauma, pois, além da negligência parental, sofria o mesmo pelos irmãos. Ela era a única sem poderes e, por isso, não ia às missões, não participava das fotos, era mar- ginalizada da família. A segregação imposta a ela moldou uma pessoa insegura, rancorosa, e desesperançosa no amor. Exemplo: A questão da adoção de crianças e adolescentes no Bra- sil “No seriado “�e Umbrella Academy”, o bilionário Sir Reginald Hargreeves decide adotar 7 crianças com superpoderes e treiná-las para combater o crime. Entretanto, é descoberto que uma delas, Vanya, a número 7, não possui poderes, e por isso torna-se con- stantemente excluída da família e negligenciada na casa, já que não cumpria o critério de acolhimento do pai. Paralelamente, o processo adotivo no Brasil passa por problema semelhante: assim como Sir Reginald, há uma demanda cada vez maior por per�s estereotipados para adoção, e um contingente incompatível de crianças e adoles- centes marginalizadas em abrigos.” - Redação redigida por Lucas Felpi “COISA MAIS LINDA” 2019, 2 temporadas, 16+ Sinopse “Uma dona de casa chega ao Rio dos anos 50 para encontrar o Redação Pop 111 Patriarcado A série se passa no Rio de Janeiro de 1959, exatos 60 antes dos dias atuais, quando a cidade vivia uma época próspera, ainda capital do país. O con- texto é claramente sexista, uma sociedade patriarcal em que as mulheres deviam ser inferiores e subservientes. Em diversas cenas são ditas falas (ainda remanescentes hoje) como “Homem é mais focado, mais pro�s- sional e menos emotivo” e “Deixe a parte chata para os meninos”. Racismo Os re�exos escravocratas da sociedade brasileira mostram-se evidentes marido e descobre que foi abandonada. Em vez de sofrer, ela de- cide �car na cidade e abrir um clube de bossa nova.” Redação Pop112 uma canção considerada do novo estilo “Bossa Nova”, uma mistura de samba e jazz. Esse híbrido na- cional-internacional foi um mar- co histórico na música popular brasileira e �cou conhecido em todo o mundo. Machismo Nos primeiros episódios, Malu sofre ao buscar �nanciamento e parcerias para o seu clube. Nin- guém dispunha-se a ajudá-la com o estabelecimento porque as mul- heres, no pensamento patriarcal, não deveriam ser empreendedo- ras. Apenas os homens deveriam trabalhar e as mulheres deveriam permanecer inerciais, subservien- tes. Representatividade Feminina Na revista “Ângela”, em que �ereza trabalha, uma revista feminina, havia apenas ela de mul- her. Todos os jornalistas eram homens assinando com nomes femininos: uma demonstração clara de que, nem em assuntos vol- tados ao público feminino, há a devida representatividade das mulheres. em episódios de discriminação ra- cial, principalmente com Adélia, a protagonista negra. Ela é vista sempre como empregada e indig- na de, por exemplo, utilizar-se do elevador social do prédio. Quan- do a vêem, imediatamente a asso- ciam a uma funcionária subordi- nada a Maria Luíza. Feminismo e Empoderamento As personagens principais são 4 mulheres: Maria Luíza, Adélia, Lígia e �ereza, cada uma com sua singularidade, mas todas lutando por serem mulheres naquele contexto. Portanto, a narrativa mostra como cada desenvolve uma maneira de que- brar as correntes que a prende e, coma devida coragem e “loucura” (como dizem), enfrentar a im- posição masculina: Malu com seu clube de música, Adélia com sua independência, Lígia com seu sonho de ser cantora, e �ereza com sua escrita crítica jornalísti- ca. Surgimento da Bossa Nova Malu se apaixona pela música ca- rioca ao ouvir Chico tocando Redação Pop 113 ra-dama brasileira, já que ela “também não gostava de falar de política”. Augusto então diz que, sim, Lígia se interessava pela política, causando assombramen- to e certo tom de julgamento na mesa, já que o papel da mulher se- ria de ignorante quanto ao quesi- to. Aborto Após se libertar de Augusto, Lígia decide que quer seguir a carreira de cantora e, grávida do ex-mari- do, não conseguiria ter o �lho que a aguardava. Ela opta pelo proced- imento clandestino de aborto, que é bem-sucedido, mas que causa revolta pela família aristocrática de Augusto - este que, por sua vez, age radicalmente quando ouve so- bre o acontecimento. Exemplo: A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira (Enem 2015) “Na série nacional da Net�ix “Coisa Mais Linda”, o cenário do Rio de Janeiro de 1959 é marcado pelo patriarcalismo. Nesse sentido, Augusto é um Fuga da Família Tradicional Na série, as famílias tradicionais, como de Malu e Lígia, percebem o casamento como essencial para a manutenção da linhagem e da reputação. A visão de que, por ex- emplo, Maria Luíza havia sido traída e tornado-se mãe solteira era uma mancha no nome da família. Essas novas estruturas fa- miliares são cada vez mais pre- sentes na sociedade brasileira. Violência Doméstica e Estupro Lígia e Augusto vivem um rela- cionamento extremamente abu- sivo. Augusto, por ciúmes da atenção que a esposa recebia ao cantar, a proíbe de perseguir a car- reira musical e a coloca em sua sombra. Em casa, bate nela quan- do descobre que ela havia cantado e a agride violentamente no Coisa Mais Linda. Há uma cena em que ele retorna bêbado à casa e força Lígia a satisfazer seu desejo sexu- al, embora não consentido. O Papel da Mulher na Política Em um episódio, no jantar na casa do prefeito do Rio, Lígia é dita que iria gostar da primei- Redação Pop114 político que, com medo de perder sua bela e cobiçada esposa can- tora, a bate e a agride regularmente em casa, chegando a estuprá-la. Sessenta anos depois, é evidente que muitas circunstâncias não se alteraram: a violência contra a mulher persiste no Brasil do século XXI, consequência majoritariamente da insegurança masculina em perder sua enraizada posição de poder.” - Redação redigida por Lucas Felpi “GAME OF THRONES” 2011, 8 temporadas, 16+ Disputas Políticas e Territoriais A trama da série é baseada no confronto de interesses dos reinos e das famílias de Westeros, que competem por terras e castelos, guerreiam en- tre si, pelo poder regional e nacional. Ao longo do tempo, são vistas mudanças abruptas nos status e localizações de personagens e famílias e presenciadas diversas batalhas e conquistas territoriais. Construção Social da Segregação É marcante na narrativa a separação entre o mundo civilizado, ao sul da Sinopse “Game of �rones adapta para a TV a série literária As Crônicas de Gelo e Fogo, de George R.R. Martin. A série se passa em Wes- teros, uma terra reminiscente da Europa Medieval, onde as es- tações duram por anos ou até mesmo décadas. A história gira em torno de uma batalha entre os Sete Reinos, onde duas famílias dominantes estão lutando pelo controle do Trono de Ferro, cuja posse possivelmente assegurará a sobrevivência durante o inverno que está por vir.” Redação Pop 115 Muralha, e o mundo selvagem, ao norte dela. Essa segregação, determi- nada pela construção de uma gigante muralha de gelo, está cercada de preconceitos e construções sociais estereotipadas sobre o que seriam os “selvagens”. Hoje em dia, uma situação semelhante ocorre em fronteiras no mundo ocidental, como entre Estados Unidos e México, com a proposta similar de muro para separação física. Incesto O ato de incesto diz respeito a relações sexuais entre membros da mesma família. A família Targaryen já praticava com frequência entre seus de- scendentes para “manter a linhagem pura” e na série é bem retratada a relação extraconjugal entre os irmãos Cersei e Jaime Lannister, ponto Redação Pop116 inicial para muitas das intrigas do enredo. Submissão Feminina e Objeti�cação Em Essos, Daenerys Targaryen é forçada por seu irmão Viserys a se casar com o líder Dothraki Khal Drogo para garantir um exército. O casamento arranjado demons- tra uma mentalidade machista e coloca Daenerys como mero ob- jeto de prazer ao novo marido, embora gradualmente a relação se tornou mais consensual e real. Corrupção A morte de Jon Arryn, mão do Rei, marca um dos primeiros acontecimentos da série, mas que, em essência, é um assassinato tra- mado que inicia a corrupção em Westeros pela conquista do Trono de Ferro. Peter Baelish (ou Mind- inho) e Varys são os principais conspiradores na rede de trans- missão de informações sigilosas. Estado e Religião Da mesma forma que os �lósofos do Antigo Regime defendiam que os monarcas possuíam o “direito divino”, isto é, a autoridade como vontade sagrada de Deus, Melisan- dre, uma sacerdotisa do Deus Ver- melho, dizia que este havia escol- hido Stannis Baratheon para ser o rei de Westeros, e utilizava a cren- ça religiosa para justi�car sua le- gitimidade. Homofobia Renly Baratheon, casado com Margaery Tyrell, é, em verdade, apaixonado por seu irmão, Loras Tyrell. Porém, como a homossex- ualidade não é permitida no reino, ele é obrigado a esconder e �ngir um relacionamento com Mar- gaery, mesmo não sendo capaz de consumí-lo. Incompetência Governamental Renly e Margaery bloquearam o abastecimento de comida para Porto Real, deixando a população da capital faminta. A inércia e in- e�cácia do Rei Jo�rey para resolv- er a fome causou uma das maiores revoltas da cidade. Efeitos da Tortura Ramsay Snow, bastardo de Lorde Bolton, após capturar �eon Redação Pop 117 Greyjoy em Winterfell, o tortura e chega a castrá-lo. Sádico, Ram- say afeta profundamente a identi- dade de �eon, passando a chamá-lo de Fedor, e o faz servir a suas vontades e estranhas manias. �eon, ou Fedor, vive traumatiza- do e fragilizado após a tortura. Mortes de Inocentes em Con- texto de Guerra O famoso Casamento Vermelho, no 9º episódio, pode ser relacio- nado à realidade de mortes de civis e inocentes em guerras atu- ais. No contexto de Westeros, o con�ito Bolton-Stark não poupa ninguém e, sem piedade, são mortas mulheres e crianças - in- clusive Talisa, grávida e esfaquea- da com o bebê em sua barriga. Escravidão Os Imaculados eram escravos sol- dados em Astapor, treinados agressivamente desde a infância e castrados para tornarem-se guer- reiros isentos de desejos sexuais e conexões emocionais. Daenerys os compra, liberta-os e inicia um grande processo de abolição da escravidão por toda a chamada Baía dos Escravos (renomeada Baía dos Dragões após o feito). Preconceito à De�ciência Ao longo de toda a série, é retrata- do o preconceito que a família Lannister tem com Tyrion, o úni- co membro com nanismo na lin- hagem. Sendo excluído e muitas vezes rejeitado, ele é o primeiro a ser acusado pela morte do Rei Jof- frey e posto sob um injusto julga- mento. No Brasil, o dia 25 de out- ubro foi instituído em 2017 como o Dia Nacional de Combate ao Preconceito contra as Pessoas com Nanismo. Vingança Oberyn Martell viaja a Porto Real com a missão secreta de vingar sua irmã e seus sobrinhos, mortos cru- elmente por Montanha na rebe- lião de Robert Baratheon. Oberyn decide então arriscar sua vida e participar do julgamento por batalha de Tyrion apenas para en- frentar Montanha e alcançar a vin- gança. Pena de Morte Ao �nal da caminhada pela liber- Redação Pop118 tação dos escravos, Daenerys as- sume o controle de Meereen e or- denamatar 163 governantes da cidade em justiça às 163 crianças escravas cruci�cadas por eles. O caso gera uma controvérsia e certa oposição à Khaleesi, por sua opção pela pena de morte. A de- cisão retoma o lema “olho por olho, dente por dente”. Intolerância Religiosa Surge nessa temporada a seita dos Pardais, crentes da Fé dos Sete, mas que, radicais, não aceitam qualquer desvio à religião ou fé diferente da sua. É estabelecida a Fé Militante, um exército religio- so para combater in�éis e caçar homossexuais, um possível para- lelismo à Inquisição medieval. Violência contra a Mulher e Estupro É arranjado o casamento entre Sansa Stark e Ramsay Bolton, que, assim como fazia com �e- on, passou a maltratar constante- mente a mulher. Porém, o episó- dio decisivo está na noite de núpcias, em que Ramsay estupra Sansa e a mantém em cativeiro. Rituais de Sacrifício Religiosos A feiticeira Melisandre, baseada na religião do Deus Vermelho, aconselha Stannis, para melhorar seu desempenho na guerra, a fazer um sacrifício: queimar sua �lha Shireen viva, pois ela possui sangue real. Ele aceita, desespera- do. Perseguição Política No dia do julgamento de Loras e Margaery Tyrell e Cersei Lannis- ter pelo Alto Pardal, Cersei não comparece ao Grande Septo de Baelor e orquestra a destruição do lugar com todos dentro, a �m de eliminar os seus maiores inimigos no jogo do poder. Margaery com- petia com ela na manipulação do Rei Tommen e sabia controlá-lo muito bem; o Alto Pardal a man- teve em cativeiro e a humilhou profundamente. Ela emprega en- tão fogovivo para explodir o Septo e atinge os seus objetivos de forma ilegal. Suicídio entre Jovens Após sua intensa manipulação pelo Alto Pardal e a morte de sua amada, o jovem despreparado e Redação Pop 119 fragilizado Rei Tommen decide saltar da janela de seu aposento e suicidar-se. A pressão imposta so- bre ele de reinar e atender a todos os interesses se torna excessiva para si, semelhante aos jovens da atualidade. Feminismo e Empoderamento Na sexta temporada, Arya se conecta com sua identidade e consolida sua personalidade forte e empoderada. Ao acompanhar Jaqen H’ghar em Braavos, ela se aperfeiçoa em lutar e cumpre al- gumas missões, mas sendo puni- da severamente por desobediên- cia. No �nal, ela se rebela e consegue independência da or- dem dos Homens Sem Rosto, continuando �rmemente sua missão pessoal. Tratamento de Doenças Samwell Tarly, após ir a Cidadela e obter conhecimentos da vasta biblioteca dos sábios Meistres, consegue encontrar um trata- mento para a trágica Escamagris, doença que atordoava person- agens há 6 temporadas. O caso revela a constante evolução cientí- �ca no ramo da saúde até os tem- pos atuais, nos quais novas medi- cações e tratamentos são descobertos para doenças antes fatais. Exploração Mineral O combate aos Caminhantes Brancos levou à necessidade da ex- ploração do Vidro de Dragão (ma- terial capaz de matá-los), intensi�- cada cada vez mais e comprometendo a estrutura natu- ral da ilha Pedra do Dragão. Manipulação Alienadora Lorde Baelish (ou Mindinho), o personagem alegórico da manipu- lação de agentes sociais, demons- tra seu poder de controle ao gerar um con�ito entre as irmãs Arya e Sansa Stark. Ele é capaz de selecio- nar o que é apresentado e visto por cada uma e traçar uma história que resulte no seu próprio benefício. Aquecimento Global (Bônus) Por �m, é interessante explicar uma relação muito inteligente, ressaltada inclusive pelo George R.R. Martin, entre a série Game of Redação Pop120 �rones e um fenômeno contemporâneo: o aquecimento global. Os Caminhantes Brancos são uma ameaça à sobrevivência de todos na série, mas os reinos persistem em brigar internamente entre si por inter- esses próprios e pequenos. Alguns inclusive não acreditam na existência dessas criaturas, como um mito, mesmo com evidências e relatos feitos. Troque “reinos” por países e “Caminhantes Brancos” pela mudança climática. Ambos são fenômenos da natureza irrefreáveis, que con- stituem uma ameaça iminente a todos e demandam a união para a sobre- vivência. Mais do que qualquer coisa, Game of �rones veicula a mensagem da articulação entre os humanos por um bem maior. É preciso abrir mão da política individual, dos interesses pessoais e da ambição para o combate ao inimigo maior. Como disse Davos, “Se não superarmos nossas inimi- zades e nos unirmos, morreremos. E então não importará qual esqueleto sentará no Trono de Ferro”. “PRETTY LITTLE LIARS” 2010, 7 temporadas, 14+ Cyberbullying O �o condutor de PLL é a perseguição digital que quatro garotas, Aria, Spencer, Hanna e Emily, sofrem diariamente caladas. Elas são ameaçadas da exposição de seus segredos e, por isso, não conseguem denunciar o agressor (“A”), que se esconde no anonimato online para sadicamente atormentar suas vidas. Como disse a personagem Dra. Sullivan em um Sinopse “Na pequena cidade de Rosewood, cinco melhores amigas guar- dam grandes segredos. Alison, a líder do grupo, desaparece e suas amigas passam a receber mensagens de uma fonte anônima que assina apenas como ‘-A’.” Redação Pop 121 discurso, “Hoje em dia, valentões podem causar muito mais estragos. Eles têm armas melhores. Eles podem apertar ‘enviar’ repetitivamente, e se esconderem no anonimato de uma mensagem ou e-mail, o que é a maior das covardias”. Desaparecimento de Crianças e Adolescentes A trama da série se inicia com o desaparecimento da 5ª membra e líder do grupo, Allison, em uma noite do pijama com as amigas. Todas dor- mem e, no meio da noite, acordam e sentem a falta de sua “abelha rainha”, que havia sumido. Segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM), o índice de desaparecimento de crianças e adolescentes no mundo vem se elevando a uma taxa superior a 10% anualmente. Só no Brasil, são regis- trados 50 mil casos por ano. Relações Professor-Aluno No seriado, há dois exemplos de envolvimento amoroso entre um pro- fessor e uma aluna (inclusive na mesma família): Aria Montgomery com Ezra Fitz, que começam um caso no banheiro de um bar antes da posse do cargo de Ezra, e Byron Montgomery, pai de Aria, com Meredith So- renson, uma de suas alunas e amante extraconjugal. A discussão gira em torno dos limites da relação de um professor com seus alunos, e o quanto casos de paixão, como esses, afetam no aprendizado, objetivo principal do docente. Limites entre Trotes/Pegadinhas e Violência Numa noite em que as meninas experimentavam roupas, Alison diz que viu Toby, irmão de Jenna, espionando-as e orquestra um plano para sol- tar uma bomba de fedor em sua garagem como vingança. As demais pensam em apenas contar aos pais, mas Ali a�rma que não haveria graça nisso, ordenando, então, a execução da pegadinha. Mas a brincadeira deu terrivelmente errado — a garagem pegou fogo, e estava lá sua irmã Jenna, que se tornou permanentemente cega. É relevante pensar os lim- Redação Pop122 “Pretty Little Liars” segue quatro amigas que recebem ameaças anônimas do stalker 'A'. Até hoje, a produção é considerada uma das favoritas do público jovem. Redação Pop 123 ites de tais “brincadeiras” atual- mente, como os trotes universi- tários, e os seus efeitos, visto, por exemplo, o caso do calouro da USP que foi encontrado morto, afogado na raia olímpica, ao ser obrigado a pular sem saber nadar. Assédio por Intrusão/Stalking Na 2ª temporada, o clube NAT (sigla traduzida para “Nós vemos tudo”), formado por Ian �omas, Jason DiLaurentis e Garrett Reynolds, tinha como objetivo obsessivamente perseguir e �lmar as garotas de Rosewood, compi- lando o maior número de vídeos (em sua maioria íntimos) de meninas. O caráter pervertido desse grupo mostra o quão pro- fundo é o problema do stalking, um crime que, por exemplo, ain- da não tem legislação especí�ca no Brasil (enquadrando-se como perturbação da tranquilidade). Trumas do Bullying na Escola A revelação do Original A é feita: Mona. Osmotivos que a levaram para fazer as injúrias contra o gru- po, além de um claro distúrbio mental, estão na experiência traumática que a personagem tinha na escola. Antes do desapa- recimento de Ali, ela era excluída de todas as formas e sofria bully- ing pela malvada Alison, enquan- to nenhuma das outras quatro meninas se pronunciavam. A in- cessante zombaria com a menina “nerd” e “desajeitada” provocou um desejo cruel de vingança e de inversão de papéis. Mona, por meio do anonimato digital, passa- va, de vítima, à própria agressora de Alison e suas amigas. Feminicídio O caso do assassinato de Maya, descoberto em detalhes na 3ª tem- porada, constrói um quadro de feminicídio: Lyndon, seu ex-namorado, era um stalker dese- quilibrado que, após perdê-la e vê- la com Emily em Rosewood, sente ciúmes e planeja matá-la. Ele muda de identidade, nomean- do-se Nate, e muda para Rose- wood como um aluno de trans- ferência de arquitetura, tudo para assassinar a ex-namorada que não �cou com ele. O plano é concret- izado, resultando na terrível morte da personagem. Redação Pop124 Saúde Mental na Adolescência O acúmulo de todo o estresse e trauma do cyberbullying culmi- naram no colapso total de Spen- cer no momento da descoberta de que seu namorado, Toby, fazia parte do A Team e, depois, ao en- contrar um cadáver falso dele. Nessa hora, ela perde completa- mente a sanidade mental e o con- trole de suas emoções, explode, e é, inclusive, internada no hos- pício Radley, o mesmo de Mona anteriormente. Uma evidência de como os problemas do estresse e relacionamentos (levados a uma escala �ctícia maior, claro) podem conduzir os jovens ao estado de instabilidade emocional. Abuso e Manipulação de Menores Uma das maiores reviravoltas da 4a temporada está no personagem de Ezra, que, embora não seja A, esteve tramando por todo esse tempo um plano próprio — es- crever seu romance sobre Alison. Em verdade, ele havia se envolvi- do com ela antes de tudo, e se aproxima de Aria apenas para co- letar informações para escrever a obra. Isso signi�ca que ele sempre soube, desde o início, que Aria era menor de idade (tinha 16 anos) e que seria sua aluna, mas mesmo assim seduziu e manipulou a garo- ta vulnerável, para ser sua fonte para a escrita. O Uso de Drogas Estimulantes entre Jovens Spencer cria, ao longo do tempo, uma dependência com anfetami- nas: psicoestimulantes que auxil- iam a passar noites em claro e fazem o cérebro trabalhar mais depressa. Essas drogas sintéticas são cada vez mais utilizadas por estudantes na contemporanei- dade, com a corrida contra o tem- po para estudar todos os conteú- dos. Porém, elas causam o vício e levam a danos graves — Spencer, por exemplo, em uma noite, começa a andar dormindo e é en- contrada na manhã seguinte na escola por Ezra. Falhas do Sistema Judicial Após a suposta morte de Mona, a primeira a ser acusada foi Alison e, mesmo inocente e sem provas o su�ciente, ela é presa pelo crime, acompanhada de suas quatro ami- Redação Pop 125 gas como cúmplices. É interes- sante pensar como tudo havia sido orquestrado por outra pessoa externa, A, mas culminou na ma- nipulação de todo o sistema poli- cial e judicial a �m de condenar cinco garotas inocentes, com sucesso. Demonstra como a justiça pode ser distorcida e cor- rompida. Sequestro/Cativeiro Ainda pior do que a condenação injusta, está o que veio a seguir: a pena não foi a prevista consti- tucionalmente, em uma cela pri- sional, por outra falha, a segu- rança policial. Durante o transporte de 4 das detentas, a van foi atacada e as meninas foram se- questradas e levadas a um cat- iveiro planejado e montado para elas por A. Lá, elas são mantidas cativas e devem cumprir os dese- jos do sequestrador, em um sádi- co jogo de “casa de bonecas”. Tortura Psicológica Durante a primeira metade da temporada, são abordados os efeitos da tortura das garotas na “casa de bonecas”. Traumatizadas, elas não conseguem dormir em seus quartos sem pensar nos cenários do cativeiro. Lá, é mostra- do como A as forçava a escolher qual das amigas teria água, comi- da, ou seria machucada, uma tor- tura psicológica cruel no dilema entre o sofrimento de todas vs. o sofrimento de uma. Transfobia e Rejeição Familiar durante a Transição Quando CeCe é revelada como A, vemos que Charles é, em verdade, Charlotte DiLaurentis, uma mul- her trans cuja loucura foi desen- volvida pela rejeição da família. Quando pequena, ela não era aceita por Kenneth, que então produziu uma história em que a criança teria afogado Alison, le- vando à sua reclusão em Radley. Lá, ela também é culpada de assas- sinar Marion Cavanaugh e dopa- da com excessivos remédios diari- amente, o que constrói seu caráter sociopata e culmina em tomar o jogo de A quando conhece Mona. Tudo isso por não se identi�car com o sexo que nasceu e querer re- alizar sua transição. No Brasil, 29 de janeiro é o Dia da Visibilidade Trans. Redação Pop126 Mortes de Civis em Guerras A história de Nicole, personagem secundária, pode remeter à discussão das mortes de inocentes em guerras civis. Ela é uma ativa voluntária em missões internacionais e, junto com Ezra, vai à Colômbia ajudar na con- strução de habitações. Ezra adoece e, quando volta aos EUA, descobre que revolucionários atacaram os voluntários e os sequestraram. Nicole é dita morta junto com outras dezenas de civis inocentes. Amizade e Desajuste Social (Bônus) No último episódio, o último A (A.D.) é �nalmente revelado: Alex Drake, a irmã gêmea secreta de Spencer. E a motivação dela: novamente, se repete a falta de aceitação e o desajuste desde menor como fator en- cadeador da violência contra as Liars. A poderosa e verdadeira amizade entre as 5 é objeto de desejo para personagens alienadas e historicamente excluídas — como Mona, CeCe e Alex Drake. Especi�camente no últi- mo caso, Alex sente inveja da vida perfeita que Spencer recebeu nos EUA, com uma família, amigas e namorado que a amam, enquanto ela, sua irmã gêmea, foi colocada num hospício na Inglaterra e isolada de todos. Ao �nal, Pretty Little Liars é uma série sobre o impacto dos laços sociais e da inclusão sob a ótica da estabilidade emocional, e a falta dessa mesma aceitação como gatilho para o desequilíbrio mental. Mesmo com diversas torturas e jogos, as 5 garotas conseguiram superar e manter-se unidas pela força que a amizade as trouxe. “VINGADORES: ULTIMATO” 2019, 3h2min, 12+ Sinopse “O grave curso de eventos colocado em ação por �anos, que dizimou metade do universo e fraturou os Vingadores, faz com que os Vingadores remanescentes tomem uma atitude �nal na grande conclusão dos 22 �lmes da Marvel Studios.” Redação Pop 127 Superpopulação e Escassez de Recursos �anos é um antagonista que planejou a longo prazo exterminar 50% dos seres vivos do universo, baseado apenas em uma teoria: a descrença na gestão ambiental. Para ele, cujo planeta de origem foi destruído pela superpopulação e guerras por recursos, não há chances de sobrevivência para o universo com a crescente demanda populacional e a oferta exis- tente. Malthusianismo A concepção de �anos lembra a teoria demográ�ca do economista britânico �omas Malthus na obra “Ensaio sobre o Princípio da Popu- lação”, de 1798. Para Malthus, a população crescia em progressão geométrica (ex.: 2, 4, 8, 16,…), enquanto a produção de alimentos, em progressão aritmética (ex.: 2, 4, 6, 8,…). Sendo assim, não haveria recur- sos su�cientes para a humanidade e essa explosão demográ�ca causaria um quadro global de fome, doenças e pobreza. Por isso, a corrente do malthusianismo defendia a castidade, o casamento tardio e o controle da natalidade. Genocídio Entretanto, �anos desvia da solução de Malthus para uma alternativa radical: assassinar metade da vida no universo como sacrifício para a prosperidade da metade restante. Como disse o biólogo Je� Nekola, “desintegrar aleatoriamente as pessoas lembra as estratégiasdos ditadores ao longo da história”: exemplos como o Holocausto na Segunda Guerra Mundial, os assassinatos em massa do Khmer Vermelho no Camboja, o genocídio em Ruanda em 1994, demonstram que a mesma solução de �anos baseada no extermínio esteve presente desde o início dos tempos. Desenvolvimento Sustentável Para além do plano absurdo e maligno do vilão, é relevante discutir o Redação Pop128 tema do desenvolvimento paralelo à responsabilidade ambiental, já que ambos devem caminhar juntos. Segundo o antropólogo Aaron Jonas Stutz, “Quando você sai do cinema e pensa: 'Ok, essa é a ideia de um vilão malvado e maluco para resolver o problema’. Como nós realmente tentamos resolvê-lo?”. A discussão em torno do desenvolvimento suste- ntável está muito presente nos dois últimos �lmes dos Vingadores, refer- enciando a conjuntura geopolítica atual da Terra. Os 5 Estágios do Luto A morte em massa de 50% da vida terrestre afeta os Vingadores restantes de formas diferentes, mas cada um representa um dos 5 estágios do luto. (1) A *negação* alienadora de Tony Stark, que procura evitar lembrar do ocorrido para �car com a �lha. (2) A *raiva* descontrolada do Gavião Arqueiro, que, ao perder sua família, inicia uma rota de matanças pelo mundo. (3) A *barganha* incessante da Viúva Negra, que procura re- verter o acontecido de qualquer forma possível. (4) A *depressão* de �or ao se entregar no alcoolismo como válvula de escape. (5) A *aceit- ação* de Capitão América ao entrar em um grupo de apoio para compar- tilhar seus sentimentos e ajudar outros remanescentes. Mulheres no Exército/Em Combate Em uma das cenas mais marcantes do longa, todas as heroínas femininas se reúnem em um quadro para proteger a Manopla do In�nito, que está com Capitã Marvel. A força de representatividade produzida pela cres- cente presença feminina no ramo dos super-heróis traz à tona o tema da desconstrução de papéis de gênero. As mulheres podem, sim, ser com- batentes e lutarem nos campos de batalha, seja nas Forças Armadas, na vida real, ou nos grandiosos cenários dos �lmes da Marvel. Abuso e Negligência Familiar A relação de �anos com suas �lhas Gamora e Nebulosa constitui um triste exemplo de abuso familiar. Ele as criou para serem guerreiras e as Redação Pop 129 colocava uma contra a outra, para se aperfeiçoarem e o auxiliarem em seu plano. É retratado um abuso frente às garotas tanto físico e violento, quanto emocional e psicológico. Em “Ultimato”, retorna-se ao momen- to do tempo em que ambas são controladas pelo pai e é mostrado o pro- cesso de libertação das duas quando abrem os olhos para a manipulação da relação (por exemplo, Gamora descobre que seria depois sacri�cada em troca de uma Joia do In�nito). Memória como Resistência �anos do passado, ao ver que sua versão do futuro fracassou (os Vin- gadores puderam voltar no tempo e reconquistar as joias), percebe onde foi cometido o erro: ele se esqueceu que os 50% restantes no planeta Terra teriam memória e recordariam das mortes ocorridas, não sendo possível prosperar. Então, ele decide que, dessa vez, apagaria a memória dos remanescentes para ter um recomeço. Fica clara a importância da memória como arma de resistência, já que somente com ela é possível fazer uma análise crítica do presente. É possível fazer uma correlação com livros de distopia como “1984”, “Fahrenheit 451”. Exemplo: A importância do passado para a compreensão do pre- sente (Fuvest 2019) “�anos, vilão do �lme “Vingadores: Ultimato”, viaja para o futuro apenas para descobrir que seu plano de assassinar aleatoriamente metade da vida no universo fracassou: os Vingadores, sofrendo das perdas, descobrem uma forma de trazer todos de volta. Nesse senti- do, o titã percebe que, em verdade, ele teria que apagar a memória dos 50% remanescentes, para que estes não tenham consciência do que ocorreu e prosperem alienados. Fora da �cção, é fato que o lon- ga demonstra como o passado é essencial para a realização de uma análise crítica do presente, aquele funcionando como parâmetro de comparação para este.” - Redação redigida por Lucas Felpi Redação Pop130 “THANK U, NEXT” 2019, 12 músicas, 41min Romantismo Idealizado “imagine” A primeira faixa do álbum de Ariana Grande fala sobre uma noite ideal entre um casal: ”acordados a noite toda”, “na banheira”. Mas a expecta- tiva amorosa é quebrada em “imagine um mundo assim”. A voz lírica está fantasiando sobre um relacionamento ideal, frustrada de não alca- nçar as expectativas; semelhante à escola literária do Romantismo. Como disse a cantora, “imagine“ é sobre negação de um término - oposto de “thank u next”, sobre aceitação. Essa angústia é muito comum entre os jovens do século XXI e pode ser, por exemplo, causa de depressão. Imperfeições e Inseguranças “needy” Nessa música, Ariana expõe as suas inseguranças e defeitos, como uma forma de “humanização” de sua �gura pública. É fato que a sociedade tende a pensar que personalidades famosas são perfeitas e possuem “0 defeitos“, mas “needy” mostra que Ariana é uma pessoa “intensa”, “prob- lemática”, ”obsessiva”, “que ama demais“ e, é claro, “carente”. Tal des- construção expõe um lado mais humano e vulnerável de uma celebri- dade. Tracklist 1. imagine 2. needy 3. NASA 4. bloodline 5. fake smile 6. bad idea 7. make up 8. ghostin 9. in my head 10. 7 rings 11. thank u, next 12. break up with your girl- friend, i’m bored Redação Pop 131 Emancipação Feminina “NASA” “NASA” é uma música que faz uma analogia entre a emancipação femi- nina e a astrofísica. Faz-se uma alusão da mulher como o universo e do homem como a NASA, esta que tem como objetivo conhecer e explicar a complexidade do grandioso e maravilhoso universo. Mas a voz lírica diz que “precisa de espaço” (brincando com os dois sentidos da palavra), já que quer se autoconhecer e ter independência. Em um trecho, ela diz que costumava orbitar ao redor do homem, mas agora apenas a gravi- Redação Pop132 dade a puxa. Essa é uma compara- ção válida ao empoderamento feminino, na questão de inde- pendência econômica, sentimen- tal e psicológica. "Ficar" ou Namorar “bloodline” O título (“linhagem”) já remete à temática da música: um relacio- namento livre e descompromissa- do, em que não há envolvimento sério. “Não quero você na minha linhagem” “só quero me divertir”. Essas novas modalidades de rela- cionamento no século XXI são tema para redação, com a tendên- cia cada vez maior à ausência de compromisso/responsabilidade do “�car” ao invés do “namorar”. Zygmunt Bauman pode ser rela- cionado ao assunto, em sua tese da efemeridade nas relações da at- ualidade. Felicidade nas Redes Sociais “fake smile” A 5ª canção do álbum retrata um problema da carreira de celebri- dades como Ariana, mas que tam- bém afeta a todos nas redes soci- ais: a necessidade de se mostrar sempre feliz, com a vida perfeita. Como �gura pública, ela é forcada a dar “sorrisos falsos”, mentir e reprimir suas emoções quando não está bem. Da mesma forma, na internet os per�s digitais são sempre construídos a partir da completa e total felicidade de to- dos, sendo reprimidas quaisquer vulnerabilidades para transmitir uma imagem “perfeita”. Relacionamentos Abusivos “bad idea”/“in my head” “bad idea” é sobre o dilema de sa- ber que alguém é ruim para você, mas mesmo assim querendo-o de volta. Trechos como “Eu tive uma péssima ideia: vou te ligar para você vir aqui aliviar a minha dor” mostram que, embora seja um rel- acionamento abusivo e não saudável, a sua perda exige um processo doloroso - pela própria manipulação envolvida. Assim, é fácil render-se à tentação de voltar àquela mesma pessoa por comodi- dade e alívio da dor, um processo de autodestruição. Assim como “bad idea”, é possível relacionar “in my head” ao mesmo tema, adi- cionando uma nova perspectiva: a visão que essa pessoa tem de den- Redação Pop 133 tro da relação, quando enxerga o abusador de forma distorcida. O indivíduoé apaixonado por uma versão idealizada do parceiro cria- da em sua cabeça - ”Todos veem demônio, enquanto eu vejo anjo”. Ambas as músicas do álbum de Ariana discutem a manipulação provocada por um relacionamen- to abusivo. Sadomasoquismo “make up” “É meio masoquista”, diz Ariana Grande sobre ”make up” a Zach Sang. E não mentiu: a música re- trata um desejo de sofrimento pelo prazer sexual que o acom- panha. Além do jogo de ambiv- alência de ”make up” (alternando entre “reconciliar” e “ma- quiagem”), trechos como “O jeito que você grita meu nome // Me faz querer fazer amor com você” e “Eu gosto quando você �ca bravo // É um clima, é uma vibe” se en- quadram na para�lia do sado- masoquismo presente na socie- dade. Luto/Viuvez “ghostin” Em maio, Ariana Grande e Pete Davidson anunciaram que es- tavam noivos; infelizmente, 5 meses depois, Ariana terminou o relacionamento, abalada pela morte de seu ex-namorado Mac Miller. Essa faixa do álbum demonstra justamente a di�cul- dade a qual enfrentou com o luto do falecido amante, sentimento comum entre o grupo social das viúvas. Para ela, era impossível manter uma relação com Pete, pois ainda sentia muito pela perda do póstumo ex-namorado. Consumismo “7 rings” “7 rings” é uma música sobre em- poderamento feminino, mas que foca no enorme poder aquisitivo de Grande e na ostentação �nan- ceira. Pode-se pensar no famoso refrão (“Eu vejo, eu gosto, eu que- ro, eu tenho”) como uma repre- sentação da sociedade hipercon- sumista, além da crítica à mercantilização de tudo na atuali- dade (“Gostou do meu cabelo? Obrigada, acabei de comprar”). A canção re�ete uma mensagem di- retamente oposta à re�exão do �lósofo Epicuro, o qual dizia que a Redação Pop134 felicidade não advém do consumo: Ariana rebate com “Quem fala que dinheiro não resolve problemas, não tem dinheiro su�ciente para re- solvê-los”. Autoamor e Empoderamento “thank u,next” No famoso videoclipe de “thank u, next”, Ariana escolhe reproduzir 4 �lmes dos anos 2000 que tem uma característica em comum: protagoni- stas femininas que passaram por um término e saíram mais fortes. Essa é a mensagem da música - a valorização do amor próprio antes do amor ao outro. Ariana reconta toda sua trajetória amorosa, agradecendo a todos os seus ex pelos momentos, para dizer que agora “conheceu outra pes- soa”, ela mesma. É um hino de autoaceitação e empoderamento femini- no. Monogamia “break up with your girlfriend, i'm bored” Embora haja outras teorias para o signi�cado da música depois do vídeo, vamos pensar na mais simples: o ato de se interessar por uma pessoa com- prometida. A voz lírica pede repetitivamente para que o homem “ter- mine com sua namorada”, mas não �ca claro se ela está interessada pelo homem ou pela namorada (�ca a re�exão). Mesmo assim, a letra mostra um problema que a sociedade criou com a construção da exclusividade física e da monogamia, um fator coercitivo que é enraizado na sociedade e não é primitivo do ser humano, assim como o ciúmes. Exemplo: Compro, logo existo? (Unesp 2019) “Na canção de sucesso “7 rings”, da norte-americana Ariana Grande, é representada uma mentalidade de consumo perpetuada na socie- dade do século XXI. Com a letra “Eu vejo, eu gosto, eu quero, eu tenho”, Ariana rea�rma a visão de que “ter” se tornou sinônimo de “ser” em tempos como o de hoje, em que status é de�nido por os- Redação Pop 135 tentação �nanceira. Contrariando a teoria de Epicuro de que felici- dade não advém do dinheiro, a cantora pop traz os fãs uma re�exão sobre o consumismo global: a população está cada vez mais usando a “terapia de compras“ como um vício escapatório da realidade.” - Redação redigida por Lucas Felpi “THE SOCIETY” 2019, 1 temporada, 16+ Estado de Anomia Quando sobram apenas os adolescentes, se evidencia um estado de ano- mia. Para o sociólogo francês Émile Durkheim, anomia é a ausência das normas sociais, o desrespeito às regras e às tradições comuns. Como solução, Durkheim propunha a divisão do trabalho, ao desenvolver a solidariedade social — os jovens da série também percebem a necessi- Sinopse “Todo mundo desaparece da próspera cidade de West Ham, menos os adolescentes. Para sobreviver, eles vão ter de organizar a sua própria sociedade.” Redação Pop136 dade de construir uma sociedade para controlar o caos. Teorias Contratualistas A questão política engloba as ide- ias das teorias contratualistas de Rousseau, Hobbes e Locke, pelas quais o Estado surge de um con- trato social: a população cede par- te de sua liberdade a um gover- nante, que, em troca, irá assegurar a convivência e a sobrevivência de todos. Na série, Cassandra é a que consegue liderar o contrato social. Nesse caso, a teoria mais próxima é a de �omas Hobbes, segundo o qual “o homem é o lobo do homem“, ou seja, o ser humano sem leis é destrutivo e caótico, e precisa do Estado para reprimir seus instintos. Dilemas da Adolescência Com o repentino isolamento dos adolescentes, são enfatizados os dramas e os aspectos característi- cos dessa fase da vida. Embora a costumeira rebeldia com os pais e a aparente maturidade dos ado- lescentes, os jovens de “�e Soci- ety” se vêem perdidos, e necessi- tam seus pais no momento de vulnerabilidade. A redação da UFRGS de 2019, por exemplo, tratava justamente da relação en- tre adolescência e maturidade, no quesito dependência dos pais. Inclusão dos Surdos Sam é um dos protagonistas do se- riado, um menino surdo. Seu per- sonagem carrega uma representa- tividade importante para a população surda, ainda subvalori- zada e, muitas vezes, esquecida. O interessante é observar como sua narrativa não é o foco da série: ele é um personagem pertinente como qualquer outro e não há vi- timização por sua de�ciência. Os outros jovens aprendem a língua de sinais para se comunicar com ele e garantir que ele participe ati- vamente. Religião como Explicação Após a tragédia ocorrida com os 200 jovens de West Ham, muitos passam a encontrar refúgio na re- ligião. O caso demonstra a capaci- dade da religião em servir como conforto para a incerteza humana, ao oferecer respostas, mesmo que divinas, às incessantes e inúmeras dúvidas mundanas. Redação Pop 137 Desenvolvimento Sustentável Sem saber por quanto tempo teri- am comida e recursos como elet- ricidade e água, os adolescentes precisam pensar em uma forma de desenvolvimento sustentável. Não seria sustentável viver cada um por si: seria necessário racio- nalizar o uso dos recursos da na- tureza e dos alimentos, limitados, para garantir a sobrevivência cole- tiva. Um dilema tanto �ccional quanto real do século XXI. Mulheres na Política A primeira líder a organizar a so- ciedade é Cassandra. Ela sabe da vulnerabilidade a que as mulheres estão expostas naquele caos e pro- mete protegê-las. Seu posiciona- mento �rme e sua vocação como líder feminina incomoda os garo- tos da cidade (antes os populares do Ensino Médio) e um deles a assassina a sangue frio. Mais um exemplo de como mulheres no comando incomodam o status quo sexista e de como, assim como com Marielle Franco, este leva à morte. Porte de Armas Logo após a consolidação da nova civilização com Allie, um proble- ma surge: o enorme contingente de armas na cidade. Os adoles- centes, com medo uns dos outros, portavam pistolas para todos os lugares e criavam tensão entre si por quaisquer pequenos con�itos. Allie decide recolher todas as ar- mas e proibir o porte, mas as man- tém guardadas. A discussão para o uso de armas persiste muito inten- sa hoje. O Papel do Estado O �lósofo Michel Foucault expli- ca em um de seus livros que o pa- pel do Estado para ele é “Vigiar e Punir”, criando prisões, hospícios e mecanismos de controle. É pos- sível relacionar essa visão à condu- ta do governo de Allie criado em “�e Society”, já que o seu objeti- vo era frear os desejos individu- alistas dos jovens e vigiá-los. As- sim, é criada a Guarda, uma milícia paraé importante citar o trecho ou assunto da música que dialogue com o seu texto. Não precisa ser muito longo, ou citar diretamente. Por exemplo, você pode dizer: “Na música “Cálice”, de Chico Buarque, o cantor diz que é difícil calar-se diante dos infortúnios vividos no dia a dia, fa- zendo referência à opressão vivida pela população no período da Dit- adura Militar”. Lembre-se de colocar tanto a letra da música quanto o nome dela entre aspas! Não ocupe muitas linhas do seu texto com a música - coloque apenas o que é fundamental e traga logo em seguida uma contextualização entre a música e a redação. “O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles” - Simone de Beauvoir, escritora, intelectual e �lósofa francesa “A insatisfação é o primeiro passo para o progresso de um homem ou de uma nação” - Oscar Wilde, escritor, poeta e dramaturgo britânico “Não são as crises que mudam o mundo, e sim nossa reação a elas” - Zygmunt Bauman, �lósofo e sociólogo polonês “A inclusão acontece quando se aprende com as diferenças e não com as igualdades” - Paulo Freire, educador brasileiro Repertórios Universais16 CITAÇÕES “Se queres prever o futuro, estuda o passado” - Confúcio, pensador e �lósofo chinês “Temos de nos tornar a mudança que queremos ver” - Mahatma Gandhi, ativista indiano “A vontade geral deve emanar de todos para ser aplicada a todos” - Jean-Jacques Rousseau, �lósofo suíço Repertórios Universais 17 FILOSOFIA Banalidade do Mal Hannah Arendt, �lósofa alemã Hannah Arendt defende que a sociedade contemporânea passou por um processo de massi�cação e alienação, tal qual os indivíduos tornaram-se incapazes de realizar julgamentos, alucinados e aceitando as situações Repertórios Universais18 sem questionar. Assim, as situações de injustiça e desigualdade são passa- das despercebidas pela sociedade pela “banalidade do mal”. Exemplo: Democratização do acesso ao cinema no Brasil (Enem 2019) “Em uma segunda análise, a alienação social contribui para a per- sistência da disparidade no acesso ao cinema. A �lósofa alemã Han- nah Arendt, em “Banalidade do Mal”, re�etiu sobre o resultado do processo de massi�cação da sociedade, o qual forma os indivíduos incapazes de realizar julgamentos morais, aceitando as situações sem questionar. O pensamento da �loso�a está relacionado ao contexto de alienação da sociedade brasileira no qual os sujeitos sociais se calam diante das questões que prejudicam grupos menos favore- cidos, desconsiderando a importância de determinados recursos, como acesso ao cinema, para o cumprimento de direitos sociais.” - Redação nota mil de Caroline Baptista, retirada de “Cartilha Redação a Mil 2.0” Educação 19 • Analfabetismo total e funcional • A evasão escolar em questão no Brasil • Caminhos para combater o bullying nas escolas do Brasil • O papel da família na educação dos jovens • Educação alimentar • Educação ecológica • A ação das escolas na comunidade • Educação pública/formal no Brasil • Leitura dos brasileiros • A necessidade de educação �nanceira no Brasil • Valorização do ensino superior • A importância do ensino a distância • Incentivo à pesquisa cientí�ca • Os desa�os do ensino técnico no Brasil • Escolas cívico-militares no Brasil • A evasão nas universidades brasileiras • A Reforma do Ensino Médio • A educação como meio transformador da vida do brasileiro • Os jovens brasileiros e a escolha da pro�ssão a seguir • O mau comportamento dos alunos em sala no Brasil • A educação domiciliar em questão no Brasil (“homeschooling”) • O movimento estudantil IIII.. EducaçãoEducação Repertórios para temas dentro do eixo Educação, como: Educação20 LITERATURA “O Ateneu” Raul Pompeia, 1888 Parte do movimento realista no Brasil, “O Ateneu” narra a tra- jetória de Sérgio, que, já adulto, reconta em primeira pessoa suas vivências em um colégio interno na cidade do Rio de Janeiro, chamado Ateneu, durante o �nal do século XIX. O livro defende a ideia de que a escola é um re�exo da sociedade, como um micro- cosmo social. O que acontece na escola re�ete as relações de toda a sociedade. “Infância” Graciliano Ramos, 1945 O livro é uma autobiogra�a de Graciliano Ramos, que mistura el- ementos pessoais com sociais. Ao mesmo tempo em que o autor confessa as suas memórias desde os 2 anos de idade até a sua puber- dade, são expostos problemas que afetaram não só ele mesmo, mas também o seu meio. No capítulo “Escola”, Graciliano Ramos traça uma crítica muito atual ao sistema educacional: como ensinar e�ci- entemente, se o que é apresentado aos alunos está muito distante da realidade deles. “Harry Potter e a Ordem da Fênix” J.K. Rowling, 2003 A saga completa trata do eixo edu- cacional ao descrever as experiên- cias de alunos em uma escola de magia. Ao serem postos em risco com invasões, guerras e violência, suas vivências podem ser compara- das aos atuais tiroteios escolares. Além disso, o bullying é abordado no passado do Professor Severo Snape. Porém, especi�camente no Educação 21 quinto livro do universo literário, vê-se a intervenção do Ministro da Magia, Cornélio Fudge, em uma reforma no ensino de Hogwarts, como forma de tirania no poder. A interferência estatal na educação é uma forma clássica de se manter no poder, já que uma sociedade inteligente e politizada é mais difícil de ser manipulada pelas instituições do Estado. Educação22 LEGISLAÇÃO Constituição do Brasil de 1988 Art. 6º São direitos sociais a edu- cação, a saúde, o trabalho, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à in- fância, a assistência aos desam- parados, na forma desta Consti- tuição. Art. 205º A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incen- tivada com a colaboração da so- ciedade, visando ao pleno desen- volvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua quali�cação para o trabalho. MÚSICA “Negro drama” Racionais MC's, 1997 “Pesadelo é um 2002 Pra quem vive na guerra, a paz nunca existiu Num clima quente, a minha gente sua frio Vi um pretinho, seu caderno era um fuzil” Abordagem temática: evasão escolar. “O Analfabeto” Moreira da Silva, 1965 “O analfabeto não vence na vida E tem a sua lida presa aos demais O analfabeto não sabe de nada Não lê as notícias que vem nos jornais O analfabeto é um papagaio Só fala porque ouve outro falar E em caso de assinar um docu- mento Ele deixa a �cha do seu polegar” “Geração Coca-Cola” Dado Villa‐Lobos e Renato Russo, 1984 “Depois de 20 anos na escola Não é difícil aprender Todas as manhas do seu jogo sujo Não é assim que tem que ser Vamos fazer nosso dever de casa E aí então vocês vão ver Suas crianças derrubando reis Fazer comédia no cinema com as suas leis Somos os �lhos da revolução Somos burgueses sem religião Somos o futuro da nação Geração Coca‐Cola.” Abordagem temática: o poder transfor- mador da educação. Educação 23 DADOS ESTATÍSTICOS 1. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua 2022, a taxa de analfabetismo no Brasil foi estimada em 5,6% (9,6 milhões de pessoas). Entre pessoas pretas ou pardas, 7,4% eram analfabetas, mais que o dobro da taxa entre brancas (3,4%). 2. Segundo o Instituto Brasileiro de Geogra�a e Estatística (IBGE), o nível de instrução de 28% das pessoas com 25 anos ou mais de idade era de Ensino Fundamental Incompleto em 2022. 3. Em 2022, segundo dados do IBGE, entre os 52 milhões de jovens com 14 a 29 anos do país, 18,3% não completaram o ensino médio, seja por terem abandonado a escola antes do término dessa etapa ou por nunca a terem frequentado. FILOSOFIA Educação Bancária Paulo Freire, educador brasileiro Paulo Freire defende que a escola não deve ofertar uma educação bancária, isto é, depositar conhecimentos na mente do indivíduo. Ao invés disso, é necessário educar o indivíduo para que ele “tome as rédeas dapoliciamento dos ha- bitantes, além dos improvisos re- alizados de prisão, julgamento e punição. Pena de Morte Quando encontram o assassino de Redação Pop138 Cassandra, cria-se uma longa dis- cussão em torno de qual seria sua punição, já que já não existiam leis ou sistema judiciário. Em busca de criar o seu próprio, Allie e seus aliados optam pela penitên- cia máxima, a pena de morte. A discussão do tema é muito polêmica hoje, e relembra o lema “olho por olho, dente por dente“, notório do Código de Hamurabi. Gravidez na Adolescência Ao longo da temporada, é acom- panhado o �o narrativo da gravi- dez de Becca, uma menina que acidentalmente engravida de um caso de uma noite. É notado o seu sentimento de medo e desprepa- ro, além do desamparo de estar sozinha e não ter o pai do bebê por perto. O abandono paterno e a gravidez na adolescência são problemas indissociáveis da reali- dade brasileira, que causam prob- lemas físicos e psicológicos à mãe e à criança. Abuso e Violência Doméstica A relação entre Campbell e Elle na série merece um reconheci- mento de tão desesperador que é de assistí-la. Campbell manipula e força a menina a fazer o que ele deseja; bate nela e fere-a seria- mente, deixando diversas marcas; impõe todas as suas vontades e não a permite fugir do relaciona- mento. Elle vive amedrontada e, por muitas vezes, prefere a morte a continuar na cidade com ele. Socialismo vs. Capitalismo A sociedade de Cassandra e Allie era baseada em valores marxistas, em que prevalecia a consciência coletiva. Todos abriam mão de bens pessoais para compartilha- rem tudo: as casas, a comida e o trabalho. Assim, os antigos priv- ilégios desapareciam, e isso inco- modava alguns antes bene�ciados por eles. Harry é um dos que mais defende a volta da propriedade privada, pela fortuna de sua família, e é o representante do que seria o capitalismo e o individual- ismo num mundo socialista e co- letivista. Democracia vs. Ditadura O debate se torna mais intenso quando a questão é quem �ca no poder. Allie estava há seis meses no cargo por sucessão de sua irmã, como uma monarquia autoritaris- Redação Pop 139 ta, até que, en�m, decide abrir eleições para poder governar com legiti- midade democrática. Como muitas tentativas democráticas, esta falha: o ódio irracional é propagado como propaganda política; a Igreja se posi- ciona politicamente; por todos os lados, está a ambição pelo poder. A Guarda realiza um golpe de Estado, prende Allie e Will, e impõe seus representantes. Não parece tão difícil relacionar “�e Society” ao mundo real. Exemplo: Gravidez na adolescência em evidência no Brasil “West Ham, Connecticut, EUA. Duzentos jovens encontram-se sozinhos em sua cidade, assustados com o desaparecimento de todos os adultos. Sobretudo, Becca é uma menina que descobre que está grávida de um caso de uma noite, duplamente aterrorizada: além de lidar com os medos dos outros, deve pensar no seu bebê. Embora essa seja a trama da série “�e Society”, não há dúvidas da reali- dade do problema da gravidez na adolescência. Assim como Becca, meninas que engravidam precocemente são forçadas a carregarem os dilemas emocionais dessa fase da vida em concomitância com as responsabilidades de ser mãe.” - Redação redigida por Lucas Felpi “BLACK MIRROR” 2011, 6 temporadas, 16+ Sinopse “Uma espécie de híbrido entre '�e Twilight Zone' e 'Tales of the Unexpected', Black Mirror explora sensações do mal-estar con- temporâneo. Cada episódio conta uma história diferente, traçan- do uma antologia que mostra o lado negro da vida atrelada à tec- nologia.” Redação Pop140 “�e National Anthem” (Hino Nacional) • Descontrole da informação • O poder da opinião pública • A sociedade do espetáculo • Zoo�lia • Entretenimento desumano “Fifteen Million Merits” (Quinze Milhões de Méritos) • Desigualdade social e elitis- mo • Geração de energia • Indústria do entretenimento • A imposição publicitária • Sucumbência ao sistema “�e Entire History of You” (Toda a Sua História) • Paralelo ao histórico de atividades online • Fim da privacidade • Vazamento de casos ex- traconjugais (ex: Ashley Madison) • Esquecimento como dádiva “Be Right Back” (Volto Já) • Processo de luto • Mães solteiras • Mapeamento digital de personalidade • Per�l digital vs. per�l real • Humanização robótica “White Bear” (Urso Branco) • A passividade digital perante a vida real • Violência vingativa • Justiça popular • Alienação como punição máxima • A importância da memória “�e Waldo Moment” (Mo- mento Waldo) • A irracionalidade da idolatria • O ódio como propaganda política • Nazismo e tendências atuais • Política dos não políticos • O poder dos memes “White Christmas” (Natal) • Direitos humanos para emuladores humanos • Aborto • Crime passional/ciúmes • Solidão e socialização • O bloqueio virtual das relações modernas Redação Pop 141 "Nosedive" é o primeiro episódio da terceira temporada da série antológica de �cção cientí�ca britânica Black Mirror, estrelado por Bryce Dallas Howard. Redação Pop142 “Nosedive” (Queda Livre) • Felicidade forjada das redes sociais • Necessidade de validação • A gami�cação da vida • Sistemas de pontuação e avaliação • Arti�cialidade das relações humanas • Liberdade de expressão “Playtest” (Versão de Testes) • O poder da realidade aumen- tada • Fenômeno da imersão digital • Terror no entretenimento • Bullying na infância • Doenças mentais e alzheimer “Shut Up and Dance” (Manda Quem Pode) • Invasão de hackers na internet • Suborno e chantagem • Vazamentos de nudes e fotos íntimas • Pedo�lia “San Junipero” • O desejo da vida eterna • Homossexualidade e homo- fobia • Eutanásia • Nostalgia da terceira idade • Envelhecimento da popu- lação “Men Against Fire” (Engenha- ria Reversa) • A criação de um inimigo imaginário • Extermínio como solução radical • O controle emocional dos soldados • Teoria da eugenia • Combate à pobreza “Hated in the Nation” (Odia- dos pela Nação) • Extinção de animais • A inovação dos drones • Ódio nas redes sociais • A voz inconsequente do anonimato • Camu�agem na massa cibernética “USS Callister” • Traumas da rejeição social Redação Pop 143 • Ética da inteligência arti�cial • Ódio e vingança no ambi- ente virtual • Síndrome do pequeno poder “Arkangel” • Superproteção parental • Alienação pelo �ltro de conteúdo • Conceito de sociedade disciplinar de Foucault • O papel da educação familiar no desenvolvimento pessoal “Crocodile” (Crocodilo) • Ações guiadas pelo impulso e instinto animal • Transtornos mentais/so- ciopatia • Carros autônomos • Efeito bola de neve • A subjetividade da memória “Hang �e DJ” • Aplicativos de encontros amorosos • Controle do usuário pela tecnologia • Algoritmos de big data • O mito da alma gêmea • Amor como fuga do sistema “Metalhead” • A vitória das máquinas sobre os humanos • Perigo de robos automatiza- dos • Luta instintiva por sobre- vivência • Crianças em condições de doenças terminais • Preservação da infância “Black Museum” • Prazer na dor alheia • Racismo institucional • Condenação de inocentes • Tortura como entretenimen- to “Striking Vipers” • Homossexualidade reprimida • O papel dos avatares digitais • Realidade virtual como paralela • Monogamia e relacionamen- tos abertos “Smithereens” • Transporte por aplicativo Redação Pop144 • O vício das redes sociais • Uso dos celulares no trânsito • Processo de luto de viúvos • Tragédias como espetáculos digitais “Rachel, Jack, and Ashley Too” • Massi�cação da indústria cultural • Manipulação midiática • Descartabilidade do artista • Culto a celebridades • Inteligência arti�cial “LEMONADE” 2016, 12 músicas, 49min In�delidade “Pray You Catch Me” Beyoncé já inicia o álbum com “Consigo sentir o gosto da desonestidade (...) enquanto você se faz de cavalheiro”, um prelúdio do que está por vir. A voz líricade- scon�a que seu parceiro a trai com outra pessoa, gerando desespero e incerteza. Ciúmes “Hold Up” Em “Hold Up”, vemos a fase de tentativas de descobrir a traição, com invasões à lista de chamadas do marido e questionamentos à sua volta tardia a casa. Beyoncé ainda discute: "O que é pior? Pare- cer ciumenta ou louca? Pre�ro ser louca", explicitando o medo social de demonstrar o sentimento inev- Tracklist 1. Pray You Catch Me 2. Hold Up 3. Don’t Hurt Yourself 4. Sorry 5. 6 Inch 6. Daddy Lessons 7. Love Drought 8. Sandcastles 9. Forward 10. Freedom 11. All Night 12. Formation Redação Pop 145 itável do ciúmes. Subjugação da Mulher “Don't Hurt Yourself ” Diante da revelação de in�deli- dade, a voz lírica, ao invés de se rebaixar, se eleva a posição de dig- na de coisas melhores. Enaltecen- do o valor das mulheres, Beyoncé diz “Pode �car com seu dinheiro, tenho meu próprio”, revelando-se independente sentimental e �- nanceiramente. Manutenção de Longos Rela- cionamentos “Don't Hurt Yourself ” Ao contrário do que o título im- plica, Beyoncé não está disposta a se desculpar ou aceitar desculpas. A música retrata uma briga de casamento em que o marido cla- ma por perdão, enquanto a mul- her não aceita e diz estar arrepen- dida do dia em que colocou a aliança em seu dedo. Relaciona- mentos longos são compostos por altos e baixos e brigas e arrependi- mentos são comuns. Empoderamento Feminino “6 Inch” O “salto de 15cm” é representati- vo do empoderamento demon- strado na música. “6 Inch” é sobre enaltecer o valor das mulheres tra- balhadoras e batalhadoras, que “ralam”, “se pressionam“, “lutam”, mas “valem cada dólar e cada minuto”. Quem comanda o mun- do? Formação Familiar “Daddy Lessons” Retomando suas raízes, a cantora faz uma faixa country sobre os modos como seu pai a moldou como pessoa e as lições que ele a ensinou, como a de se atentar às mentiras dos homens. Isso mostra a importância da família no desen- volvimento da criança, mas, além disso, a música cita que o pai en- sinava a menina a atirar e usar ar- mas, uma discussão polêmica. Reconciliação “Love Drought” “Love Drought” é o primeiro pas- so para o perdão. A voz lírica pre- tende entender o porquê da traição, “o que fez de errado”, e se seus sentimentos são integral- mente correspondidos. Ao �nal, Redação Pop146 ela abre mão do orgulho para diz- er que, de sua parte, poderia haver reconciliação. Vulnerabilidade “Sandcastles” Embora também retrate o camin- ho para a reconstrução do casal, a oitava faixa revela um fator im- portante para a conexão de duas pessoas: demonstração das vul- nerabilidades. Beyoncé canta: “Mostre-me suas cicatrizes, que eu não vou embora”, clamando pela coragem de ser vulnerável. Resolução de Con�itos “Forward” A curta duração da música prova que ela é o ponto de virada do ál- bum: os dois estão prontos para mover adiante e deixar o passado de lado. O amor um pelo outro e a sinceridade são tão fortes que são capazes de reconstruir a relação que tiveram. Direitos das Minorias “Freedom” “Freedom” é um clamor por com- pleta liberdade. Pelos direitos civis e humanos de minorias mar- ginalizadas socialmente, princi- palmente da comunidade negra. Trechos da música remetem às chacinas policiais de negros, a sub- alternização, a criminalização e o genocídio desse grupo. É um pro- testo pela voz, pelo poder e pela liberdade de coletividades feitas minorias. Amor Verdadeiro “All Night” “Amor verdadeiro trouxe sal- vação”. A penúltima faixa discute a concepção de amor verdadeiro, que pode ultrapassar qualquer im- passe e se torna perpétuo. É fato que atualmente vemos uma maior liquefação das relações, mas a can- tora defende o lema da avó: “Nada que é real pode ser ameaçado”. Vidas Negras Importam “Formation” Para encerrar a narrativa musical, Beyoncé toma orgulho da mulher negra que é e de suas raízes, inclu- sive da estética característica neg- ra. Ela menciona seu pai negro e mãe crioula e o belo cabelo afro de sua �lha, Blue Ivy. Em uma visão mais ampla, vemos a questão da violência policial aos negros, am- Redação Pop 147 pli�cando o movimento Vidas Negras Importam. “O que aconteceu em Nova Orleans?”. Exemplo: A persistência do racismo na sociedade brasileira “No último álbum visual da popstar Beyoncé “Lemonade”, mais introspectivo e pessoal, a cantora se orgulha de suas raízes negras e clama pelo combate ao genocídio policial de sua população. Como exemplo, vê-se no videoclipe de “Formation” a cidade de New Orle- ans, na qual um vlogger negro foi misteriosamente morto em 2010. Paralelamente, em maio de 2019, um carro de família negra foi alvo de 80 tiros militares sem qualquer ameaça. De fato, �ca claro que ainda, para além da crítica de Beyoncé, ainda existe o racismo insti- tucional e estrutural na mentalidade da sociedade brasileira.” - Redação redigida por Lucas Felpi “LA CASA DE PAPEL” 2017, 5 temporadas, 16+ Crise Econômica A trama do grande roubo discute uma possível consequência das crises econômicas: a propensão ao crime. Em resposta à crise do euro e à situ- ação da economia espanhola, o grupo do Professor decide invadir a Casa da Moeda e produzir notas de dinheiro, fazendo sua própria “injeção de liquidez” para os mais pobres. Sinopse “Oito ladrões se trancam com reféns na Casa da Moeda da Es- panha. Seu líder manipula a polícia para realizar um plano. Será o maior roubo da história, ou uma missão em vão?” Redação Pop148 Desigualdade Social Outro desencadeador do plano da gangue é a tamanha desigual- dade social existente. Vindos de origens miseráveis e raízes pobres, os integrantes do grupo procur- am por justiça em um mundo capitalista. É fato que La Casa de Papel retrata o sentimento dos desfavorecidos do sistema que se vêem sem saída. Robin Hood e a Linha Tênue do Maniqueísmo Assim como na lenda de Robin Hood, o Professor articula um plano com o objetivo de equili- brar a balança �nanceira espan- hola: roubar dos mais ricos para dar aos mais pobres. Isso, é claro, constitui crime, mas ganha a afeição e a compaixão do público em geral. A inversão de valores da simpatia pela vilania se vê tam- bém em casos como o de Jack Sparrow em “Piratas do Caribe”, Frank Underwood em “House of Cards”, e Nazaré Tedesco em “Senhora do Destino”, e revela que é possível confundir mocin- hos com bandidos, bem com o mal. Resistência ao Nazifascismo Se você existe e já ouviu falar em “La Casa de Papel”, já ouviu o “Bella Ciao“. A música já ganhou versão funk e foi muito retomada nos dias de hoje, mas sua origem tem um signi�cado importante: a resistência à política fascista de Benito Mussolini na Itália em 1940. O Professor e Berlim en- toam essa música como símbolo da resistência que estão construin- do ao sistema �nanceiro, mas que remonta à época do nazifascismo. Machismo Na série, as integrantes femininas são constantemente rebaixadas e colocadas sob comando masculi- no, com comentários negativos e opressão. Além disso, a inspetora Raquel é enclausurada pelo seu chefe extremamente machista, coronel Prieto. A frase que sim- boliza a quebra dessa tradição é a tomada de liderança de Nairóbi sobre Berlim, com a famosa fala “Que comece o matriarcado“. Crianças em Situação de Vulner- abilidade Falando em Nairóbi, ela diz nos Redação Pop 149 primeiros episódios que possui um �lho pequeno de 7 anos, do qual perdeu a guarda. É explicado que ela perdeu a guarda do menor por ele se encontrar em um ambiente de extrema vulnerabilidade e envolven- do-se no trá�co de drogas e nas atividades criminais da mãe. O Estatuto da Criança e do Adolescente prevê direitos básicos para crianças e adoles- centes, mas, mesmo assim, apenas na cidade de São Paulo 77 mil jovens estão em situação de abuso, negligência e exploração. Síndrome de Estocolmo Cada personagem na trama ganha nome de uma cidade, e não é a toa que Mônica Gaztambide é nomeada “Estocolmo”.A funcionária do banco mantida como refém se apaixona por um dos assaltantes, Denver, e cria uma relação com ele, um claro exemplo do fenômeno psíquico Síndrome de Estocolmo. É um estado em que uma vítima passa a ter simpatia e até mesmo amor ou amizade pelo seu agressor, considerada uma doença psicológica aleatória e vista pela primeira vez no famoso assalto de 6 dias de Norrmalmstorg, em Estocolmo, na Suécia. Redação Pop150 Tortura no Século XXI A parte 3 de “La Casa de Papel” foca em fazer justiça a um dos ladrões que é capturado pela polícia. Rio é preso e levado para local desconheci- do sem que houvesse nenhuma notícia ou relato de sua captura, causan- do suspeitas da equipe de que houvesse acontecendo atividade policial ilegal. De fato, o que estava acontecendo era uma tortura com o pri- sioneiro em busca de informações sigilosas, um crime retrógrado mas ainda recorrente em pleno século XXI. Exemplo: Efeitos da crise econômica contemporânea no Brasil “Madrid, Espanha. Oito ladrões entram na Casa da Moeda com macacões vermelhos e máscaras de Dali, com o plano de imprimir dinheiro para sustentar suas miseráveis vidas. Essa é a trama da cé- lebre série “La Casa de Papel”, de 2017, que retrata �ccionalmente uma das consequências da crise especulativa no país europeu: o sen- timento de subversão do sistema e a tendência à criminalidade. De fato, no caso brasileiro, presencia-se o aumento nas taxas de violên- cia pela crise econômica recente, necessitando-se, portanto, analisar os impactos não somente �nanceiros, mas também sociais dessa.” - Redação redigida por Lucas Felpi “OLHOS QUE CONDENAM” 2019, 1 temporada, 18+ Sinopse “Cinco adolescentes do Harlem vivem um pesadelo depois de serem injustamente acusados de um ataque brutal no Central Park. Baseada em uma história real.” Redação Pop 151 Estupro O famoso caso dos “Cinco do Central Park” diz respeito a um estupro brutal e tentativa de homicídio de uma corredora branca, Trisha Meili, no conheci- do parque da cidade de Nova Iorque. Embora não tenham sido eles os culpados, o evento demon- stra a terrível recorrência da vi- olência sexual às mulheres nos contextos mais imprevisíveis. Corrupção e Violência Policial Ao encontrar a corredora à beira da morte, a polícia rapidamente associou o evento ao tumulto e à arruaça que jovens negros faziam no parque. Mais cedo, diversos deles haviam sido levados à deleg- acia, inclusive um deles agredido por um policial, usando seu ca- pacete. Então, os investigadores decidem encerrar logo o caso in- ventando denúncias aos jovens, fazendo falsas promessas, interro- gando-os sem a presença dos pais ou de advogados e incriminan- do-os com falsas e confusas con- �ssões forçadas.. Racismo Institucional Os eventos retratados na série têm uma mensagem explícita: o racis- mo está velado até nas instituições governamentais, injustamente acusando e condenando um seleto grupo. Em 18 de abril de 1989, poucos jovens negros causaram confusão no parque, e todos, de um grupo grande de inocentes de qualquer ato, foram levados vio- lentamente à delegacia. A promo- toria e a opinião pública midiática não tiveram receio em acusar cri- anças de um estupro brutal, desu- manizando e maltratando os jov- ens, porque, para eles, eram “animais”. O que não seria difer- ente se fossem brancos? De�ciências do Poder Judiciário E assim, 5 crianças negras ino- centes foram condenadas à prisão por um crime que não comet- eram, em um erro da Justiça entre tantos outros semelhantes. Em uma acusação sem provas físicas, nenhuma compatibilidade de DNA, uma linha do tempo incon- ciliável e depoimentos con�i- tantes, o caso contra os garotos, dividido ainda em 2 processos dif- erentes, resultou no mesmo ve- redito: injustiça. Redação Pop152 Pena de Morte Ainda antes dos acusados serem julgados, o magnata milionário Donald Trump gastou $85.000 para um anúncio de página intei- ra em 4 grandes jornais da cidade: ele pedia a volta da pena de morte para a execução dos 5 jovens. Até hoje, com a estreia da série que ex- onera os 5, o atual presidente dos EUA se recusa a se desculpar e nega a inocência deles. O debate da pena de morte é delicado nos EUA, variando de estado para es- tado, e têm sido fomentado no Brasil. Trá�co de Drogas Ao sair da prisão, já mais velho, Raymond Santana busca em- pregos para se sustentar e falha sucessivamente. Após longas de- cepções atrás de trabalho e obser- vando há tempos o �uxo do crime organizado de Harlem, o jovem se envolve com o trá�co de drogas para sua sobrevivência. Fica claro que a ine�cácia na reinserção de ex-carcerários no mercado de tra- balho leva à propensão da entrada ao trá�co e, claro, ao ciclo in�nito de criminalidade a essa camada marginalizada. Sistema Carcerário No último episódio, vemos a par- ticularidade da situação de Korey Wise: por já ter 16 anos, o garoto foi submetido diretamente à vida no sistema penitenciário. Lá, ele era espancado e violentado em ataques até coordenados e orques- trados pelos próprios guardas, vendo-se dentro de um esquema de corrupção e opressão nas cade- ias. Para piorar a situação, ele não podia ir na enfermaria pois seria “dedo-duro” e foi obrigado a se colocar na cela solitária. Transfobia Um tópico tangenciado no desen- rolar da série é a história de pre- conceito que a irmã de Korey, Marci Wise, sofria dentro e fora de casa por ser uma mulher trans. Na rua, era observada e agredida ver- balmente por pedestres ao seu lado; em casa, era oprimida e re- pudiada por sua mãe, que chega a expulsá-la de casa por sua identi- dade de gênero. Enquanto Korey serve seu tempo na prisão, ele ouve a notícia de que sua irmã foi assas- sinada. Redação Pop 153 Exemplo: Caminhos para combater o racismo no Brasil (Enem 2016 2ª aplicação) “Em 2019, a minissérie “Olhos que Condenam” trouxe à tona o caso dos “Cinco do Central Park”, as cinco crianças negras conde- nadas injustamente por claro racismo institucional. Entretanto, é fato que o problema não está restrito aos EUA, visto, por exemplo, o paradoxo brasileiro de �or Batista e Rafael Braga: o primeiro, branco e �lho de milionário, foi absolvido de atropelar e matar um ciclista, enquanto o segundo, pobre e negro, preso por portar uma garrafa de desinfetante nas manifestações de junho de 2013. Logo, �ca claro que, para combater a mentalidade racista no país, é preciso realizar uma reavaliação da seletividade penal e policial e reparar as injustiças históricas.” - Redação redigida por Lucas Felpi “13 REASONS WHY” 2017, 4 temporadas, 18+ Bullying Hannah Baker é nova em Liberty High e sai com Justin Foley, que secre- tamente tira uma foto íntima sua. No dia seguinte, a foto circula por todos os colegas e ela passa a ser humilhada, objeti�cada e assediada nos corredores. A garota, recém chegada na escola, começa a ser excluída e os amigos que ela vai encontrando no caminho sempre a desapontam ou abandonam. Sinopse “Clay Jensen é um estudante que se vê envolvido em uma série de mistérios provocados pelo trágico suicídio de uma amiga.” Redação Pop154 “13 Reasons Why” foi lançada em 2017 na Net�ix, baseada na obra literária de mesmo nome. Sucesso imediato, muitos acreditam que o show é perigoso. Redação Pop 155 Invasão de Privacidade Além de Justin, outros agentes participam da frequente invasão da privacidade e intimidade de Hannah sem seu consentimento. Tyler Down persegue Hannah e a fotografa pela janela de seu quar- to, divulgando uma imagem sua beijando Courtney Crimsen. Em outro caso, Ryan Shaver rouba um poema de Hannah e o publica na revista sem a sua autorização, sendo exposta e ridicularizada. Assédio Sexual e Estupro Desde seu encontro com Justin, Hannah é vítima de assédio sexu- al pelos atletas da escola. Alex Standall a coloca na lista de mel- hores corpos da turma; Marcus Cole a humilha com propostas sexuais e agarrando sua perna; BryceWalker passa a mão nela en- quanto está na �la; ela presencia Bryce estuprando Jessica Davis; Bryce estupra a própria Hannah na banheira. Omissão da Escola Numa última tentativa de sobre- viver, Hannah recorre a seu con- selheiro escolar, Kevin Potter. Em um exemplo grave de negligência e irresponsabilidade institucional, Potter parece não prestar atenção aos sinais alarmantes da fala de Hannah. Ela conta que foi es- tuprada e ele duvida da história e diz que, se não for apontar o agres- sor, ela deveria esquecer o caso e seguir adiante. Inconsequência Adolescente No âmbito da adolescência, 13RW faz uma análise do tema das repercussões de nossas ações, das relações causa-efeito, já que os adolescentes tendem a não pensar nas consequências de suas escol- has. Justin vazando a foto de Han- nah leva a Alex com a lista, levan- do os atletas a abusarem do corpo de Hannah, assim por diante. Outro exemplo disso está a seguir: Bebida e Direção Na �ta 5, Hannah descreve o episódio em que pega carona com Sheri Holland, que ainda está em- briagada após uma festa. Ela bate numa placa de trânsito e insiste em não chamar a polícia. Por cau- sa disso, outro aluno, Je� Atkins, não para no local apropriado e morre em um acidente de carro. Redação Pop156 Suicídio Depois da conversa com Mr. Pot- ter, Hannah desiste de sua vida e comete suicídio. A cena (agora apagada pela Net�ix) foi polêmi- ca por representar gra�camente o ato, indo contra normas mundi- ais. Hannah deixa as �tas e aponta responsáveis por sua morte, caus- ando uma nova tentativa de suicí- dio por Alex. Impunidade Seletiva Na segunda temporada, vemos o desenrolar do caso dos pais de Hannah Baker contra Bryce Walker, em que o agressor ganha e sai impune, havendo estuprado diversas garotas. Como o próprio ator que o interpreta disse, “Nos- sa série é uma obra de �cção mas também representa a realidade. Bryce é privilegiado, vem de uma família rica e poderosa, é homem, branco e hétero e por isso é muito fácil se livrar dessas situações. Ve- mos isso acontecer diariamente e é terrível. Fãs �carão com raiva, mas devemos �car com raiva, porque é a realidade.” Estupro Masculino Outra cena polêmica foi o estupro de Tyler Down, quando Monty de la Cruz e outros atletas o encur- ralam e o estupram com um cabo de vassoura. O estupro masculino é um assunto ainda mais velado e menos divulgado, já que o es- tereótipo de que o homem não pode expressar sensibilidade faz com que as vítimas sintam ainda mais vergonha. Tiroteios Escolares Ao �nal da temporada, presencia- mos outro efeito do ato de bully- ing e assédio: o tiroteio escolar. No baile, Tyler Down aparece com sua coleção de armas (abrindo es- paço para o tópico porte/posse de armas) com a intenção de matar seus colegas. Claramente, não há justi�cativa para atos como esse, mas vemos as origens de um in- stinto desumano. No mesmo dia em que a 2a temporada foi dis- ponibilizada, 9 estudantes e 1 pro- fessor morreram em um tiroteio em uma escola no Texas. Gravidez na Adolescência e Aborto Chloe Rice, ex-namorada de Bryce Walker e sobrevivente de es- Redação Pop 157 tupro deste, se descobre grávida e decide abortar. A série retrata, assim como nos outros tópicos, a difícil realidade dessa decisão: o peso emocio- nal, a di�culdade burocrática, e a pressão social. Homofobia como Homossexualidade Reprimida Em uma reviravolta na série, é revelado que Monty de la Cruz, um dos mais homofóbicos atletas de Liberty High e que estuprara Alex por isso, já havia se envolvido com garotos. Ele se descobre homossexual e, assim como em outros casos, sua homofobia estava enraizada no medo de as- sumir-se como um. Em agosto de 2021, um dos maiores líderes da tera- pia “cura gay“. McKrae Game, se declarou homossexual. Determinismo 13 Reasons Why demonstra como comportamentos dos personagens foram internalizados por in�uências externas, como na teoria do Deter- minismo. Monty era abusado por seu pai em casa todo dia, depois repro- duzindo essa violência; Justin foi abandonado pela mãe viciada em dro- gas, tornando-se um viciado ele mesmo; Bryce vivia sob a pressão de mostrar-se másculo com a presença de pai e avô machistas e agressivos, construindo um caráter frio e insensível. Exemplo: A epidemia de atiradores em ambientes escolares “18 de maio de 2018. Em uma escola no Texas, EUA, nove es- tudantes e um professor morrem por tiros de um estudante. No mesmo dia, estreia a 2a temporada da série “13 Reasons Why”, que, para a surpresa dos telespectadores, desenha a rota de eventos até um tiroteio no colégio: Tyler Down, excluído, estuprado e sozinho, desenvolve um desejo irracional de vingança. Fora das telas, atos de violência nas escolas brasileiras têm crescido exponencialmente, injusti�cáveis mas advindos de fatores como a cultura do bullying e a instabilidade emocional adolescente.” - Redação redigida por Lucas Felpi Redação Pop158 “ELITE” 2018, 7 temporadas, 18+ Bullying nas Escolas Quando uma escola pública desaba por obras mal feitas, três alunos re- cebem bolsas de estudo para Las Encinas, o colégio mais exclusivo da Espanha. Lá, eles são discriminados por sua condição material inferior, vistos como vírus contagiosos ou animais desumanizados pelos alunos das famílias milionárias, resultando em um assassinato. Luta de Classes Em “Elite”, como o próprio nome indica, a principal temática é o con- �ito entre as classes sociais de Las Encinas. Relacionando-o com a teoria de Karl Marx, vemos o conceito de luta de classes aplicado entre o grupo opressor, dos alunos de famílias ricas, e o oprimido, dos bolsistas, bus- cando reivindicar seu espaço e seus direitos. De acordo com o �lósofo, a luta de classes é uma constante na história humana, já que a condição material determina os demais aspectos da vida. HIV na Adolescência Um dos motivos para a discriminação com alunos de famílias pobres foi a transmissão do vírus HIV de um ex-aluno bolsista para Marina, uma das garotas do colégio. Ao longo da série, vemos como sua condição com o vírus molda a visão dos outros sobre sua vida sexual e o tratamento de seus pais com relação a ela. Sinopse “Após três jovens da escola pública serem transferidos para um conceituado colégio de elite, o con�ito entre classes acaba levan- do a um assassinato.” Redação Pop 159 Xenofobia e Intolerância Religiosa Nadia, uma das bolsistas vinda de família muçulmana, é proibida de usar o hijab (o véu islâmico que cobre o cabelo das mulheres) pela direção da escola, com risco de expulsão em caso de desobediência. “Aqui, todos usam acessórios – bolsas caras, relógios de ouro... Tudo isso quer dizer: sou mais rico do que você. Por que não posso usar um símbolo da minha fé?’’, ela fala. Homofobia O caso entre Omar, irmão de Nadia e vindo de uma família conservado- ra muçulmana, e Ander, �lho da diretora da escola, revela as facetas da homofobia em diferentes famílias e as di�culdades no processo de aber- tura da sexualidade. Omar tem medo de ser expulso de casa pelos pais rigorosos, e Andar esconde sua orientação sexual temendo ser excluído pelos amigos e perder sua carreira no tênis. Relações Amorosas Outra relação a ser mencionada é o trisal Christian (um dos bolsistas), Carla e Polo (que antes formavam um casal). Os últimos dois decidem juntos experimentar novas con�gurações com outras pessoas e usam o Redação Pop160 novo colega Christian, que ao �- nal resulta em uma conexão maior. Os três se envolvem emo- cionalmente, Polo se descobre sexualmente e eles formam um trisal. Corrupção O pai de dois personagens princi- pais comanda a construtora re- sponsável pelo colapso da escola pública, acobertado pelas bolsas de estudo. O mesmo tinha um es- quema de corrupção com o pai de outro colega, documentado em arquivos dentro de um relógio. Quando o relógio é roubado, eles fazem de tudo para recuperá-lo e proteger os segredos, incluindo assassinato.Gravidez Precoce Marina secretamente se envolve em um caso com Nano, irmão de Samuel, do qual descobre estar grávida. Além de lidar com a pressão e as consequências de uma gravidez precoce, ela não pode di- vulgar quem é o pai da criança. Quando Marina é assassinada, seu bebê também morre. Uso de Drogas por Jovens Os jovens de “Elite” fazem festas com frequência e não tem di�cul- dade para obter bebidas alcóolicas ou drogas (Omar, por exemplo, é um pequeno tra�cante). Guzmán, irmão adotivo de Marina e con- trário ao uso de drogas após desco- brir que seus pais biológicos mor- reram devido ao consumo dessas, aparece na 2ª temporada abusan- do de entorpecentes após a perda da irmã. Vazamento de Fotos Intímas Na 2ª temporada, Nadia tem um vídeo íntimo seu com Guzmán vazado por Valério e Lucrécia, que sente ciúme dos dois juntos. A menina tem que contar aos seus pais, rigorosamente religiosos, mas é perdoada e recebe apoio desses. A situação re�ete um prob- lema comum entre jovens que mancha a reputação das vítimas e causa impactos duradouros com os membros da família. Incesto Lucrécia e Valério são meio- irmãos (�lhos do mesmo pai) com um histórico de casos românticos desde crianças, um caso de inces- to. Uma das revelações mais cho- Redação Pop 161 cantes da nova temporada, a paixão entre os dois toma uma proporção maior quando a família descobre o romance numa cena um tanto pertur- badora de jantar. Condenações Injustas Após a morte de Marina, Nano é acusado de cometer o crime contra sua amante secreta e encarcerado injustamente: até seu julgamento o�cial, ele teria de �car 2 anos na cadeia. Samuel, seu irmão, faz de tudo para provar que ele é inocente, inclusive forja seu desaparecimento e morte para levar Carla a confessar que Polo é o culpado. Exemplo: Caminhos para a inclusão de portadores de IST’s no Brasil “Na série televisiva “Elite”, Marina vem de uma família rica e privile- giada, que tenta a todo momento esconder que sua �lha é portadora do vírus HIV. Ao longo da narrativa, são retratadas as di�culdades de lidar com uma infecção envolta por tabus, mitos e preconceitos, inclusive gerando na trama a intolerância dos alunos do colégio para com os bolsistas, já que havia sido um deles o transmissor do vírus. Fora das telas, �ca claro que jovens diagnosticados com IST’s en- contram obstáculos para sua inclusão e aceitação, principalmente por desinformação generalizada e medo infundado.” - Redação redigida por Lucas Felpi “CORINGA” 2019, 2h2min, 16+ Sinopse “Arthur Fleck é um homem que luta para encontrar o seu camin- ho na sociedade fraturada de Gotham. Preso em uma existência cíclica entre a apatia e a crueldade, Arthur toma uma decisão Redação Pop162 Doenças Mentais Arthur Fleck sofre de um trans- torno denominado Transtorno da Expressão Emocional Invol- untária, cujo aspecto marcante é a risada incontrolável, mas também exibe sintomas de depressão, distúrbios alimentares, aluci- nações e esquizofrenia. Ele é neg- ligenciado, ignorado e atacado por sua condição, enquanto todos desviam seus olhos para ele nas ruas— uma apatia que é doloro- samente retratada no �lme. O Papel da Assistência Social Fleck visita regularmente o serviço de assistência social de Gotham para sessões de terapia e fornecimento de seus pesados medicamentos. Ao ponto em que sua terapeuta já não consegue mais escutar os pacientes, o pro- grama têm seu orçamento corta- do e ele �ca sem os remédios. É a partir do corte de recursos públi- cos que a queda do protagonista têm início. Porte de Armas Uma das maiores polêmicas do longa é a abertura do debate para o armamento estadunidense: é ex- posto como a violência do icônico Coringa têm origem na facilidade de aquisição de armas de fogo. Um colega de trabalho, Randall, empresta a Arthur uma arma para sua proteção após um incidente com garotos o espancando na rua. Da próxima vez, os atacantes seri- am mortos. Criação de um Sociopata ruim que provoca uma série de acontecimentos nesse estudo de personagem ambicioso.” Redação Pop 163 Ao longo da narrativa, o especta- dor acompanha o agonizante pro- cesso de transformação de psicose em psicopatia, resultado de múl- tiplos fatores sociais impostos ao frágil personagem. Em realidade, no caso do �lme, Coringa se torna um sociopata: diferentemente de um psicopata, que têm seu com- portamento inato, um sociopata desenvolve as características du- rante a vida, por meio de traumas, da educação e da família. Abuso Físico e Psicológico Quando menor, Fleck sofria da violência doméstica do namorado abusivo de sua mãe. Penny, que também sofre de problemas men- tais, adotou Arthur e o levou para ser criado em um ambiente hostil e vulnerável, onde seu namorado chega a amarrar a criança em um aquecedor por um longo período de tempo e causa traumas psi- cológicos e físicos em sua cabeça. Marginalização Social Em “Coringa”, é discutido a seg- regação de diversas camadas que são base da estrutura social. Pro�ssões pouco valorizadas, como palhaços de rua, se tornam invisíveis e alvo de piadas. Pela perspectiva de um comediante de- sajeitado, vemos Arthur mal-re- munerado, demitido e ridicular- izado por todos: desde o público de seu stand-up, homens na rua, até apresentadores de televisão. Descaso Político �omas Wayne é o representante da elite de Gotham. Em uma ci- dade corrupta e que permite ape- nas a prosperidade dos ricos, Wayne concorre à prefeitura e diz em um de seus declaramentos televisivos que a pobreza é uma condição inata, como uma casta inferior, chamando os que a ela pertencem de “palhaços”. A partir de então, a máscara de palhaço vira um símbolo de resistência (Bella Ciao?). Violência Policial Em uma das perseguições de dete- tives ao Coringa, os policiais o procuram por vagões de trem com civis vestindo máscaras de pal- haços. Em meio à confusão, brigas intensi�cam e os policiais recor- rem às suas armas: um detetive mata um civil. Poderia ser Ágatha Félix. Redação Pop164 Justiça pelas Próprias Mãos O �lme aborda a violência popular como uma forma de vingança à real- idade opressora, levando à morte dos representantes da elite (a família Wayne, por exemplo) e dos opressores dos marginalizados (os homens que atacam Arthur no metrô). Embora seja um outro tipo de vigilante, é demonstrado o efeito da justiça pelas próprias mãos: caos. Luta de Classes A revolução iniciada no �nal do �lme representa a inversão de poder: os trabalhadores tomam o controle antes da elite, o que Marx teoriza como “luta de classes”. Para o �lósofo, a história é feita de transformações no status quo causadas pela revolta da classe oprimida contra a classe opres- sora. Exemplo: A riqueza de poucos bene�cia a sociedade inteira? (Un- esp 2017) “No �lme de 2019 “Coringa”, Arthur Fleck é um palhaço mal-suce- dido que se tornaria o futuro arqui-inimigo de Batman ao iniciar uma rebelião popular contra a aristocracia local. Em Gotham, uma cidade corrupta e elitista que impede a prosperidade econômica dos desfavorecidos, Fleck é ridicularizado, rejeitado e violentado em ce- nas dolorosas que retratam a origem de sua violência vingativa. De fato, na realidade atual, a concentração de renda e a subcondição das camadas pobres resultam em mazelas sociais prejudiciais à to- dos: a perda de dignidade muitas vezes leva à criminalidade.” - Redação redigida por Lucas Felpi “PARASITA” 2019, 2h12min, 16+ Sinopse Redação Pop 165 “Toda a família de Ki-taek está desempregada, vivendo num porão sujo e apertado. Uma obra do acaso faz com que o �lho adolescente da família comece a dar aulas de inglês à garota de uma família rica. Fascinados com a vida luxuosa destas pessoas, pai, mãe, �lho e �lha bolam um plano para se in�ltrarem também na família burguesa, um a um. No entanto, os segredos e mentiras necessários à ascensão social custarão caro a todos.” Estado de Pobreza O �lme acompanha afamília Kim, composta por um casal de desempre- gados e dois �lhos que vivem em um apertado imóvel semi-subterrâneo. Em uma zona perigosa e marginalizada da cidade, eles trabalham do- brando caixas de pizza para sustentar suas necessidades básicas. Desigualdade Social Um dos �lhos Kim é contratado pelos Park, uma família milionária que vive no alto de um grande morro e que aponta o contraste social de ren- da. A deslumbrante casa em que os Park residem e o luxo de que usu- fruem espanta o humilde jovem Ki-woo, contratado como tutor de in- glês. Luta de Classes O choque social do primeiro encontro resulta na luta de classes do �lme. O desejo dos desfavorecidos de conquistar uma condição de vida melhor os leva a secretamente se in�ltrarem na casa como funcionários: a irmã se torna terapeuta de arte do caçula e seus pais, motorista e governanta — se livrando dos que antes ocupavam tais postos. Falta de União Classicista Retratando a teoria do con�ito entre classes sociais de Marx, “Parasita” Redação Pop166 também revela a falta de união da classe oprimida em tais cenários, assim como durante a Revolução Industrial. Embora ambas as famílias Kim e da antiga gover- nanta almejem tomar vantagem dos Park, elas não chegam a um acordo e brigam violentamente entre si. Os Desiguais Efeitos do Clima Em uma das principais cenas do �lme, uma forte tempestade atinge a cidade e causa a completa inundação do apartamento dos Kim. Eles são deslocados a um ginásio com dezenas de famílias desalojadas e, no dia seguinte, Sr. Kim escuta a senhora Park agra- decendo a chuva do dia anterior: “Hoje o céu está tão azul e sem poluição, graças à chuva!”. Apropriação Cultural Uma das linhas narrativas recor- rentes é a �xação do caçula da família Park com a cultura indíge- na, se vestindo de índio, dormin- do em cabanas e atirando �echas. Embora a criança seja pequena, a discussão sobre a redução de cul- turas oprimidas a fantasias está se tornando cada vez mais crescente nos dias atuais. Preconceito O elemento que representa o pre- conceito da elite Park diante dos Kim é o cheiro característico, que, de acordo com eles, seria de quem “anda de metrô”—uma vez pego, nunca sai. Tendo ignorado isso antes, é a reação de nojo do patrão a tal cheiro quando precisa salvar sua �lha que faz Sr. Kim explodir e matar o milionário. "Parasitismo" O parasitismo referenciado no título do �lme vai além da invasão dos Kim à mansão milionária, en- globando uma re�exão maior a respeito da hierarquia social: se um parasita vive às expensas de outro(s), a elite não se sustenta às custas da miséria dos desfavoreci- dos? Bong Joon-Ho abre portas para se perguntar quem é o parasi- ta de quem. Ascensão Social Como um símbolo do �lme, as es- cadas aparecem em diversas cenas como a fronteira entre pobreza e luxo. A diferença de altitude entre o bairro dos Kim e a mansão dos Redação Pop 167 "Parasita" fez história como o primeiro �lme sul-coreano indicado ao Oscar para Melhor Filme em 2020, e levou o prêmio, além de 3 outras categorias. Redação Pop168 Park demonstra a in�exibilidade das camadas sociais e di�culdade de ascenção. A posição da residência dos Kim como semi-subterrânea tam- bém não é por acaso: eles vivem entre a escuridão subterrânea e a super- fície. Na cena �nal, o pai dos Kim é rebaixado um nível a mais — preso na completa escuridão abaixo da mansão, seguido da fala de seu �lho: “Um dia, eu vou comprar aquela casa e tudo que você terá que fazer será subir as escadas”. Exemplo: Os efeitos do aquecimento global no mundo “No premiado �lme de 2019 “Parasita”, o diretor Bong Joon-Ho re- trata os diferentes efeitos de uma forte tempestade em duas famílias, Kim e Park. Enquanto a humilde residência dos Kim é profunda- mente alagada e destrói seu abrigo, os Park enaltecem a beleza da chuva de sua grande janela em uma alta mansão. Traçando um para- lelo com as catástrofes climáticas do século XXI, Joon-Ho defende no longa a desigualdade nos efeitos do impacto humano na natureza pela classe social. De fato, é claro atualmente como são os países ricos os principais responsáveis pelas emissões dos gases do efeito estufa e os países mais pobres, os que mais sofrerão os efeitos de tal mudança climática.” - Redação redigida por Lucas Felpi “SEX EDUCATION” 2019, 4 temporadas, 16+ Sinopse “Otis é um adolescente socialmente inapto que vive com sua mãe, uma terapista sexual. Apesar de não ter perdido a virgindade ain- da, ele é uma espécie de especialista em sexo. Junto com Maeve, uma colega de classe rebelde, ele resolve montar sua própria clíni- ca de saúde sexual para ajudar outros estudantes da escola.” Redação Pop 169 Educação Sexual Como o próprio título da série indica, grande parte da trama gira em torno da terapia sexual para alunos na escola Moordale feita por um próprio aluno. Isso pode ser relacionado à visão de quão importante é o estabelecimento de aulas de educação sexual nas escolas, efetivas e assis- tenciais, que supram essa necessidade dos jovens nessa faixa de transição. Puberdade Falando em transição, essa é outra temática da série. Problemas sexuais da adolescência atingem todos os personagens e são abordados nas ses- sões da clínica de Otis. É possível ver essas di�culdades e analisar como os jovens mudam, se conhecem, e tentam se adaptar às transformações. Bullying nas Escolas Um tema recorrente em redações, e com um caso bastante especí�co na série. A relação entre Adam e Eric, o primeiro o valentão e o segundo um dos únicos meninos gays da escola, é marcada pela violência do bullying. Adam agride, xinga e rouba os pertences de Eric sempre que o encontra, constituindo também homofobia de sua parte. Fotos Intímas Em um episódio em que a foto íntima de uma garota é vazada e zomba- da, sem o seu rosto, todas as garotas do colégio se levantam no auditório assumindo a identidade da imagem para proteger a vítima e acobertá-la. Relações Familiares Diversos tipos de relações pais-�lhos são abordados na série: estudantes sem pais e sem apoio (Maeve), estudantes com pais controladores (Otis), ou até mesmo estudantes com pais que direcionam os �lhos para seu in- teresse próprio (Jackson). Além disso, faz-se presente a multiplicidade das con�gurações familiares, incluindo mães solteira e uniões homossex- uais. Redação Pop170 Aborto Uma das personagens, Maeve, passa por um episódio de gravidez indesejada, e precisa abortar. O debate sobre o tema é polêmico, e a série aborda a visão da menina sem condições �nanceiras ou psi- cológicas para ter um �lho em idade escolar. Ao mesmo tempo, protestantes anti-aborto gritam e a culpam na porta da clínica. Homofobia Como dito, Eric é um dos únicos meninos gays de Moordale e, além de sofrer agressões verbais diariamente, vive uma violência física traumática. Isso muda sua atitude quanto às suas roupas, es- condendo sua identidade por medo, e provoca nele uma maior agressividade, em resposta àquela vivida por ele. Em outra linha de análise, o seu principal agressor, Adam, se de- scobre atraído por Eric enquanto o agride. Muito comum no mun- do atual, a homofobia enraizada na homossexualidade reprimida é originada da inveja de liberdade do outro, e vêm sendo desmas- carada com notícias de, por exem- plo, defensores da “cura gay” se declarando homossexuais. ISTs A série retrata na clínica clandesti- na de Otis o desconhecimento e o preconceito que envolve as ISTs. Recentemente renomeadas, as In- fecções Sexualmente Trans- missíveis devem ser estudadas a fundo nas escolas para garantir a segurança dos jovens e a devida prevenção sem intolerância ou desrespeito. Desinformação e Fake News Como exemplo, no primeiro episódio da 2a temporada, há um suposto surto de clamídia na esco- la e os alunos entram em pânico. Dedos são apontados a uma garo- ta e ela é isolada, sem conheci- mento de que a tal IST não é transmitida por via aérea. São es-sas e outras fake news que geram a tão grave desinformação no ramo da saúde. Masturbação Um dos maiores tabus da socie- dade sem dúvida é a masturbação. “Sex Education”, em sua tentativa de desmisti�car o sexo e suas ver- Redação Pop 171 tentes, aborda de forma contraí- da até os assuntos mais sigilosos. Nas primeiras cenas da nova temporada, vê-se que Otis tor- nou-se viciado em masturbar-se, o que di�culta suas relações in- terpessoais do dia a dia e, claro, sua vida sexual. Assédio e Sororidade No novo ano de Moordale, Ai- mee passa por uma experiência traumática. De pé no ônibus, um homem se masturba e ejacula na perna da menina, que pede por aju- da e é ignorada. Apesar de não se importar de imediato, o trauma se desenvolve e ela se torna incapaz de andar de ônibus, tomando longas caminhadas. No �nal, em busca por algo em comum entre seis meninas, o que as amarra são ex- periências de assédio. Elas se unem e retomam o poder de Aimee sobre seu ônibus. Redação Pop172 Exemplo: A prática de bullying nas escolas brasileiras “Na série televisiva “Sex Education”, Eric é um adolescente LGBT do colégio Moordale que, por suas roupas e estilo, é regularmente abordado e assediado por Adam, �lho do diretor. Por sua vez, é demonstrado como Adam é constantemente reprimido e despreza- do na esfera domiciliar pela �gura do pai. Fora da �cção, a prática do bullying é muito recorrente nas escolas da rede brasileira de ensino, com tais agressores muitas vezes reproduzindo comportamentos vis- tos em um círculo social em outro e criando um ciclo de violência.” - Redação redigida por Lucas Felpi “ANNE WITH AN E” 2017, 3 temporadas, 12+ Adoção A série se inicia com Sr. e Sra. Cuthbert adotando Anne Shirley, embora estivessem à espera de um menino para ajudar na lavoura. A revelação do gênero não é bem recebida pela idealização prévia de um per�l pelos pais adotivos, problema muito comum e grave no sistema adotivo brasileiro. Papéis de Gênero Passando-se em 1908, a trajetória de Anne destaca os diversos rótulos ditos femininos e que infelizmente perduram até hoje. Quando, por ex- Sinopse “Depois de treze anos sofrendo no sistema de assistência social, a orfã Anne é mandada para morar com uma solteirona e seu irmão. Munida de sua imaginação e de seu intelecto, a pequena Anne vai transformar a vida de sua família adotiva e da cidade que lhe abrigou, lutando pela sua aceitação e pelo seu lugar no mundo.” Redação Pop 173 emplo, a Sra. Cuthbert quer devolver Anne ao orfanato por esta ser uma menina e “incapaz de trabalhar na fazenda”, são vistos os comportamen- tos de subserviência erroneamente esperados das mulheres. Bullying Na nova escola de Anne, a protagonista é mal tratada e ridicularizada por seus colegas por ser orfã, adotada e por ter cabelo ruivo. Ela é excluída por possuir um pensamento diferente do da época, o que causa um constan- te e duradouro sentimento de rejeição e não-pertencimento na menina. Inovação no Ensino O professor da cidade era um homem que seguia um método tradicional de ensino: deixava alunos de castigo de costas, os humilhava, usava régua e instigava o bullying. Após sua transferência, entra uma professora nova, causando um grande alvoroço na cidade por ser uma mulher solteira. Ela muda o molde de ensino para aulas ao ar livre, debates e desenvolvimen- to de senso crítico. Os pais e a aristocracia conservadora da cidade se opõem à presença dela. Homossexualidade Cole, um dos melhores amigos de Anne, compartilha do sentimento de não pertencimento da protagonista. Fugindo do papel masculino na la- voura e na caça, ele preferia o mundo sensível da literatura e das artes, onde encontrava seu refúgio. Em um dos episódios, eles conhecem Jose- phine, uma mulher lésbica, e descobrem uma comunidade inclusiva daquela época. Assim, Cole explora sua verdadeira sexualidade, até então inexistente e impossível no seu imaginário. Abuso Sexual No início do século XX, contatos físicos como abraços e beijos são proi- bidos antes do matrimônio. Nesse contexto, Josie Pye, prometida a Billy Andrews por interesse de seus pais, sofre um assédio em que, por mais Redação Pop174 “Anne With An E”, disponível na Net�ix, adapta as histórias de “Anne de Green Gables”, escritas por L.M. Montgomery. Redação Pop 175 que gostasse de Billy, é beijada à força. Josie foge e conta o ocorri- do a suas amigas, porém Billy, in- satisfeito, espalha que os dois teri- am ido além, difamando a menina. Em outro episódio, as meninas tem suas saias levantadas na hora do almoço, o que leva Anne a dizer uma das maiores fra- ses da história: “Uma saia nunca é um convite”. Liberdade de Expressão Com a difamação de Josie, Anne escreve um artigo in�amado para defendê-la, em um exemplo de sororidade. Com um texto que pregava o empoderamento femi- nino e repreendia o machismo, ela sofre rejeição por todos os la- dos. Os comandantes da cidade buscam tirar a imprensa da escola, sob a justi�cativa de que represen- taria uma ameaça, mas os jovens organizam um protesto a favor de sua liberdade de expressão. O Papel da Leitura Durante sua vida no orfanato ou em casas provisórias, Anne foi vítima de condições precárias, abusivas e difíceis e encontrou a leitura como um refúgio mental. A menina, que escondia livros nos porões para que pudesse ler nos raros momentos de paz durante a madrugada, assim desenvolveu sua grande imaginação, vocab- ulário e ideias, revelando a im- portância da leitura. Racismo Quando Gilbert Blythe, amigo de Anne, decide se aventurar pelos mares, ele conhece Sebastian (ou Bash), um homem negro com quem estabelece uma forte amiza- de. Bash se surpreende que Blythe não se importa com sua cor, visto que não estava acostumado com solidariedade de brancos. O retor- no dos dois a Avonlea leva a in- úmeras situações de racismo, dis- cussão muito presente nas 2a e 3a temporadas. Convivência com a Diversidade No �m, a série traz a mensagem de que é preciso aprender a respeitar e conviver com as diferenças, já que a multiplicidade é inerente aos seres humanos e não é de hoje. Como alguns exemplos, temos Anne fugindo dos rótulos femini- nos, os Cuthbert que nunca se Redação Pop176 casaram, Cole com posturas diferentes das rotuladas para meninos, e a professora Stacy que veste calças e gosta de motocicletas. Exemplo: A prática de bullying nas escolas brasileiras “Na série canadense “Anne With An E” situada em 1908, os irmãos Sr. e Sra. Cuthbert procuram adotar um garoto para ajudar em sua lavoura, mas, para sua surpresa, recebem uma menina, Anne. Logo de início, a mãe adotiva considera devolvê-la para o orfana- to por garotas não serem consideradas aptas para realizar trabalhos físicos. Embora Anne conquiste o carinho de seus novos pais, a série demonstra como o problema da idealização de um per�l para adoção persiste até hoje. De fato, o principal desa�o para a adoção no Brasil está na demanda por per�s estereotipados e na discrepân- cia da realidade nos orfanatos.” - Redação redigida por Lucas Felpi “GREY'S ANATOMY” 2005, 19 temporadas, 14+ Saúde Pública No geral, a série “Grey’s Anatomy” descreve o cotidiano do Seattle Grace Hospital, um hospital em Seattle, e na vida dos médicos, cirurgiões e residentes. Sendo um hospital particular, vemos inúmeros casos de pes- soas que não conseguem atendimento de qualidade em hospitais da rede pública e são levadas a gastar milhares de dólares ali, mesmo às vezes sem Sinopse “Durante sua residência, Meredith Grey vive paixões pro�ssion- ais e pessoais com seus colegas médicos em um hospital em Seat- tle.” Redação Pop 177 ter condições. Empoderamento Feminino A série trabalha com personagens femininas com uma história de luta, dando posições de destaque para mulheres negras, pobres, que sofreram abuso ou maus-tratos, para contarem suas histórias e os espectadores acompanharem sua evolução. Alémde retratar como a desigualdade de gêneros é vista na realidade, é possível traçar o caminho que elas passaram para estarem na posição em que estão. Racismo Miranda Bailey, uma das médicas do seriado, atende um jovem paramédico que chega ao hospi- tal, mas esse se nega a ser atendido por uma negra, sem dar detalhes. No atendimento, George O'Mal- ley, um interno, descobre uma tatuagem da suástica nazista em sua barriga - o mesmo era um neonazista, ainda comuns no sé- culo XXI e reemergentes, como visto no caso de Charlottesville em 2017. Questão dos Refugiados Um dia, Izzie Stevens recebe uma senhora japonesa que não sabe falar inglês, mas procura ajuda todo o dia. Ao �nal do dia, Izzie encontra a senhora escondida no estacionamento do hospital com sua �lha ferida, sem poder entrar no hospital ou seria deportada. Ética na Medicina Quando seu marido precisa de um novo coração, Izzie decide cortar o �o do DIV, que deixa seu marido estável, para que ele piore e suba na �la do transplante. Um ato an- tiético e errado, mas indireta- mente consequência da falta de disponibilidade de doadores e das longas �las por sobrevivência. Eutanásia Quando Meredith Grey e Derek Shepherd, no momento separa- dos, descobrem que seu cachor- rinho Doc está com um câncer em fase terminal, eles decidem juntos pedir ao veterinário Finn aplicar eutanásia no cachorrinho para que ele não sofra mais com sua doença. Terrorismo/Tiroteios Redação Pop178 Quando um senhor recém-viúvo aponta os médicos como re- sponsáveis pela morte de sua es- posa, um tiroteio acontece no hospital. Ele compra uma arma, e dispara tiros no estabelecimento, ferindo e matando diversas pes- soas como vingança, suicidan- do-se em seguida. Homofobia A cirurgiã Callie Torres se desco- bre LGBT na 4ª temporada, em um processo de estranhamento. Agora, quando seus pais vão a Se- attle para seu casamento com a Dr. Arizona Robbins, eles não aceitam o ralacionamento ho- mossexual e sua mãe trata a noiva de forma rude e homofóbica. No �nal, ela decide não comparecer ao casamento da �lha. Adoção Derek e Meredith, um casal que se vê incapaz de ter �lhos biológi- cos, optam pelo processo de adoção. Vendo Zola, uma menina africana que chegou em um pro- jeto de Arizona e Alex, se apaixo- nam pela doce menina e �nal- mente a adotam como sua �lha. Aborto Na 8ª temporada, Cristina Yang decide abortar uma gravidez, por não se sentir preparada para ser mãe e preferir focar em sua carrei- ra de como médica. O processo exempli�ca o dilema vivido por muitas mulheres na realidade que precisam conciliar planejamento familiar com carreira pro�ssional. Alcoolismo O personagem Richard Webber, cirurgião do hospital, tem prob- lemas de alcoolismo ao longo da série. Em certo ponto, ele já havia perdido o posto de cirurgião chefe por voltar a beber. Depois da per- da de sua esposa Adele, com Alz- heimer, ele começa a lutar contra seus problemas com o álcool e ir a encontros de AA. Gravidez na Adolescência Na série, Betty Nelson é uma ado- lescente que �ca grávida de um tra�cante de drogas. Durante a gestação, ela foge de casa por medo de seus pais, mas ao �nal dá a luz a seu �lho, Leo, e ele vai para adoção. A linha narrativa de Betty demon- stra realidades tanto das di�cul- Redação Pop 179 dades de carregar um bebê na adolescência e quanto do uso de drogas, como vemos a seguir. Drogas entre os Jovens Quando Betty começa a se envolver no mundo das drogas, ela se vê um buraco sem saída, mesmo indo a clínicas de reabilitação. Ao mesmo tem- po, a gravidade de seus atos só começa a ser percebida quando ela perde o seu namorado por uma overdose. Estupro Na 15ª temporada, a personagem Jo Karev descobre ser fruto de um es- tupro sofrido por sua mãe. Apesar de ter tido o bebê, a jovem universi- tária dá a �lha para adoção, pois ela era uma lembrança constante da vi- olência que havia sofrido. Em outra cena muito emocionante, uma vítima de estupro chega ao hospital mas não quer passar pelos corredores até a sala de cirurgia, por medo de sua reação ao ver os homens pelo caminho. Assim, todas as mulheres do hospital se reunem no corredor para que ela pudesse se sentir segura. “O POÇO” 2019, 1h34min, 16+ Desigualdade Social “O Poço” explora, literalmente, a verticalidade social vivenciada hoje na Sinopse “Um lugar misterioso, uma prisão indescritível. Dois reclusos vivem em cada nível. Um número desconhecido de níveis. Uma plataforma descendente contendo comida para todos eles. Uma luta desumana pela sobrevivência, mas também uma oportuni- dade de solidariedade.” Redação Pop180 representação de uma prisão ver- tical, na qual cada nível é uma classe social. Como diz o com- panheiro de cela do protagonista, Trimagasi, “há três tipos de pes- soas: as de cima, as de baixo, e as que caem”, sendo descartada a re- mota possibilidade de espontânea ascensão social. Individualidade Dentro do chamado Centro Ver- tical de Autogestão, uma platafor- ma com comida desce do pri- meiro andar em diante. Em teoria, o banquete seria su�ciente para todos, mas a ostentação e luxo dos residentes dos níveis su- periores impossibilitam a distru- ibuição justa dos recursos. A cada mês, prisioneiros trocam de níveis e, mesmo assim, o egocentrismo típico do capitalismo permanece: como diz Paulo Freire, “Quando a educação não é libertadora, o son- ho do oprimido é ser o opressor”. Insegurança Alimentar A realidade distópica do �lme rev- ela a gravidade do problema da insegurança alimentar e da fome, muito presente no Brasil. En- quanto poucos recebem muito em seus pratos, muitos �cam de es- tômagos vazios. No �lme, as opções são claras: em níveis (ou classes) inferiores, a escolha é comer ou ser comido. Redação Pop 181 O Poder do Estômago Uma análise feita pelo �lme é o efeito da privação da necessidade humana pela alimentação. Por um lado, a instintividade da fome causa atos horrendos de violência no �lme, mas também a movi- mentação por uma mudança no status quo, sendo a fome causa comum de diversas revoltas históricas, como a Revolução Francesa e a Primavera Árabe. Consciência de Classe Mesmo com o revezamento de níveis, é visto como os prisionei- ros não desenvolvem uma con- sciência de classe para ajudar uns aos outros. A�nal, todos passam pelas mesmas privações um mês ou outro, mas preferem focar em seus privilégios quando os pos- suíam. Faz-se uma re�exão ao mundo de hoje, onde falta união de classe para o combate às ma- zelas sociais. Proteção da Criança Ao longo do �lme, vemos uma mãe que busca proteger sua �lha incessantemente. A proteção de crianças em ambientes de vulner- abilidade como tal cenário é de suma importância, e, pela mesma lógica, Goreng sacri�ca a panna cotta para alimentar a garota. É as- sim que �ca claro que ela é a men- sagem: a proteção de uma criança ainda em um contexto hostil reve- la a humanidade dos prisioneiros, ao salvar a concretização da in- ocência e da esperança, a criança. Análise da Simbologia "Óbvio": Trimagasi repete múltip- las vezes a palavra “óbvio” ao ex- plicar o poço ao protagonista em uma contradição do realismo de um antigo prisioneiro, sobrevi- vente do sistema que se rende a este, e do idealismo de um novo integrante, Goreng. O livro e a faca: O �lme discute a importância da educação, repre- sentada pela leitura literária, para a solução de mazelas sociais. Ao contrário de Trimagasi, que traz uma faca para se proteger e se ali- mentar, Goreng é o único que de- cide trazer um livro, uma escolha que de�ne seu caráter messiânico. Dom Quixote: A menção ao livro como objeto escolhido de Goreng traça uma estreita relação entre as Redação Pop182 tramas das duas obras e seus personagens. Goreng, assim como Dom Quixote, se perde na loucura e nas ilusões, mas é a �gura heróica destina- da a salvar todos. 333 e o Inferno: O Centro Vertical de Autogestão é uma clara analogiaao inferno, com 333 andares e 666 pessoas (números bem conhecidos). Ao descer pela plataforma, Goreng observa exemplos típicos de cada um dos 7 pecados capitais, um em cada andar. As referências bíblicas são diver- sas, inclusive com a referência de Goreng a Messias, Jesus e Mensageiro em diversos momentos. Nomes dos personagens: Tudo nessa narrativa gira em torno de comida, até os nomes do personagens: Nasi Goreng é um prato da Indonésia semel- hante a arroz frito; Baharat é uma mistura de condimentos típica do Oriente Médio; Imoguiri lembra muito o prato japonês oniguiri, bolin- ho de arroz. Exemplo: Desa�os para a segurança alimentar no Brasil “No �lme espanhol “O Poço”, prisioneiros são con�nados em uma torre vertical e apenas podem se alimentar dos restos da comida do nível de cima. Na narrativa, �ca clara a disparidade do luxo dos primeiros andares comparada à miséria dos últimos, analogamente à realidade. Fora do mundo distópico, o problema da insegurança alimentar no Brasil se vê, de fato, atrelado ao fato da enraizada desigualdade social do país e da má distribuição dos recursos em uma sociedade verticalmente hierarquizada.” - Redação redigida por Lucas Felpi “THE HANDMAID'S TALE” 2017, 5 temporadas, 18+ Sinopse Redação Pop 183 “Gilead tem um regime que trata mulheres como propriedade. O�red é uma das poucas mulheres férteis e serva do Comandan- te, buscando sobreviver e encontrar a �lha que foi tirada dela.” Desastres Ambientais No futuro distópico de �e Handmaid’s Tale, a poluição do ar causada pelos humanos levou à infertilidade de grande parte da população. Com chance de 1 em 4 de ter um �lho saudável, fundamentalistas recorrem a um golpe político nos Estados Unidos para isolar as mulheres férteis restantes em uma casta reprodutiva: as Aias. O mais assustador é que há estudos que realmente comprovam o efeito da poluição na taxa de fertil- idade (Fonte: “Exposição a partículas �nas ambientais e qualidade do sêmen no Taiwan”, 2017). Direitos das Mulheres No novo regime, chamado de Gilead, as mulheres servem papéis sociais divididas em castas: Esposas, Marthas, Aias, ou Não Mulheres. Todas as mulheres são submissas aos seus maridos, Comandantes e ao Estado e privadas de ler, escrever, ou ter acesso a qualquer produto cultural. Estupro e Escravidão Sexual As Aias são as únicas mulheres férteis na sociedade gileadiana, vistas como objetos reprodutivos que assistem Esposas e seus maridos a terem �lhos. Nas chamadas Cerimônias, ocorridas mensalmente em seus perío- dos férteis, as Aias são estupradas por seus Comandantes enquanto deit- adas nas pernadas da Esposa. Depois da gravidez, elas devem entregar o bebê ao casal e dirigir-se à próxima casa. Religião e Teocracia Gilead é uma teocracia, um regime no qual Estado e Igreja são fundidos. A Cerimônia, por exemplo, é baseada na interpretação distorcida da pas- Redação Pop184 sagem bíblica de Lia e Raquel, pela qual servos férteis podem cometer adultério para dar �lhos a casais inférteis, mas ignora princípios-base do livro sagrado. Além disso, vê-se a intolerância religiosa em vigor, quando judeus são levados ao Muro e enforcados por sua fé. Manipulação da História Uma casta menor de mulheres, as Tias, são as responsáveis pela edu- cação e controle das Aias, sendo o símbolo de manipulação de Gile- ad. As Tias reproduzem vídeos do passado com teor violento e assus- tam as Aias a �m de convencê-las de que aquilo é uma benção. Uma delas, Tia Lydia, conta como an- tes os homens violentavam as mulheres na rua e hoje elas não precisam mais ter medo. A�nal, o estupro foi institucionalizado. A Importância da Linguagem A linguagem do universo de �e Handmaid’s Tale tem papel essen- cial: Gilead cria um vocabulário o�cial que serve à elite patriarcal. Ela priva as mulheres de seus nomes pessoais: O�red, por ex- emplo, que é “Of” + “Fred” = “de Fred”, nome de seu Comandante. Há cumprimentos o�ciais, como “Abençoado seja o fruto”, e nomes de eventos, como a “Cerimônia” e os “Salvamentos”, que facilitam a manipulação, assim como a Nova Língua em “1984” de George Or- well. Homofobia Além de crença em outras re- ligiões, Gilead condena a homos- sexualidade sob pena de enforca- mento dos chamados “Traidores de Gênero”. Vemos o passado de Emily, uma das atuais Aias, que, antes do golpe, vê seu colega de trabalho gay sendo assassinado e depois é proibida de viajar com sua esposa por seu casamento não ser mais reconhecido. Casamento Infantil Na 2ª temporada, o motorista dos Waterford, Nick, é concebido uma Esposa, mas se surpreende que esta seja uma garota de 15 anos, Eden. A jovem prometida ao homem de 30 anos é completa- mente mergulhada nos valores do regime e sonha mais do que tudo em servir seu marido e concebê-lo �lhos. A normalização do casa- Redação Pop 185 Série do Hulu, “�e Handmaid's Tale” é baseada no livro de Margaret Atwood e vencedora de diversas estatuetas do Emmy, sendo indicada a 21 na edição de 2021. Redação Pop186 mento infantil em diversas cultu- ras é pauta de direitos das crianças. Relação Mãe-Filho Durante toda a série e livro, a pro- tagonista June vive em busca de sua �lha, tirada de sua guarda ao tornar-se uma Aia. Agora nova- mente grávida para seu Coman- dante, ela não quer entregar seu bebê e faz de tudo para tirá-lo do país. Vemos a força da materni- dade e do laço mãe-�lho, pelo qual ela arrisca sua vida em diver- sos momentos em um regime to- talitário. Tortura e Mutilação Após episódios de rebelião das mulheres, o�ciais torturam as mesmas com castigos desumanos. Em caso de leitura ou escrita por mulheres, a pena é a perda de um dedo (o que ocorre com Serena). Em casos mais graves, como o de Emily, a pena pode chegar a ser a mutilação genital feminina, vi- olência ainda cometida hoje em alguns países. Doenças Mentais e Suicídio Eleanor, a esposa do novo Co- mandante de June, sofre de distúrbios mentais principal- mente pela culpa que carrega de seu marido ser um dos criadores de Gilead. Um dos maiores prob- lemas vistos é a falta de medica- mentos para auxilia-lá e a neg- ligência à saúde mental da população, chegando a levar Elea- nor ao suicídio. Em outro episó- dio, June é forçada a passar meses na mesma posição em um quarto de hospital, levando-a à loucura. Rebelião Um dos maiores ensinamentos que �e Handmaid’s Tale traz é o da importância da unIão contra regimes opressores. Ao longo das 3 temporadas, todos os grupos de mulheres (Aias, Marthas e Espo- sas) têm momentos de desobe- diência coletiva, o que gradual- mente enfraquece Gilead. O engajamento social das mulheres é a força transformadora dessa reali- dade. Como diz June: “Eles não deveriam ter nos dado uniformes, se não queriam que nos tornásse- mos um exército.” Exemplo: A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira (Enem 2015) Redação Pop 187 “Na distopia canadense “O Conto da Aia”, as mulheres férteis restantes no mundo são estupradas por Comandantes para cum- prir a função reprodutiva das Aias. Embora muitos homens também tenham se tornado infertéis pelo processo da poluição atmosférica, a solução patriarcalista foi um sistema em que as mulheres são sub- missas e violentadas. A�nal, o universo criado por Margaret Atwood não difere muito da realidade brasileira: a persistência da violência contra a mulher deve-se majoritariamente ao cultivo de uma cultura patriarcal aos meninos desde a infância, os futuros agressores.” - Redação redigida por Lucas Felpi “O ÓDIO QUE VOCÊ SEMEIA” 2018, 2h13min, 14+ Brutalidade Policial “O Ódio que Você Semeia” acompanha a adolescente Starr Carter após testemunhar o assassinato de seu amigo negro desarmado, Khalil Harris, por um policial branco. Sem motivo, o guarda para o carro dos dois e, ao ver o garoto alcançando algo, atira e o mata: era uma escova. Distorção de Discurso Após o evento, Khalil passa a ser retratado namídia como tra�cante de drogas e é enfatizada sua suposta agressividade como justi�cativa à ação do policial. O pai do o�cial vai à televisão para fazer um discurso emo- cionado sobre o risco de vida a que seu �lho estava submetido na hora. Sinopse “Starr Carter é uma adolescente negra de 16 anos que presencia o assassinato de Khalil, seu melhor amigo, por um policial branco, e está disposta a dizer a verdade pela honra de seu amigo, custe o que custar.” Redação Pop188 Impunidade e Justiça Mesmo com o testemunho anôn- imo de Starr, o policial não é con- denado e é dito que agiu em legítima defesa. A injustiça faz com que Starr e integrantes do movimento negro vão às ruas e comecem uma revolta com saques, fogo e gritos. Estereótipos Raciais O tratamento de policiais e a visão hostil da sociedade frente à população negra revela a perpetu- ação de estereótipos negros de bandidagem, violência e envolvi- mento com drogas. Starr estuda em uma escola privilegiada, e es- conde suas gírias e modos de falar para não a olharem assim. Racismo Velado Amiga de Starr, Hailey representa o racismo enraizado que parece in- visível aos olhos de quem o pratica. Com a morte de Khalil, ela quer protestar para perder aula e sente pena do policial pelos ataques a sua pessoa. Casais Inter-Raciais Starr namora um menino branco de sua escola, Chris. Como um casal inter-racial, os dois sofrem resistência por julgamento de seus amigos e famílias. Starr, por exem- plo, esconde seu relacionamento de seu pai por medo do que ele dirá. Reconhecimento de Privilégios Chris defende que não vê Starr por sua cor, então ela a�rma que não ver sua negritude é não a enxergar. Assim, ele reconhece que o discur- so de que todos são iguais é um privilégio daqueles que nunca sof- reram em razão de sua cor. O Ciclo da Pobreza Racial Maverick, pai de Starr, explica que Redação Pop 189 o racismo nega aos negros os recursos necessários à prosperidade �nan- ceira. Sem opção, muitos se rendem ao trá�co e fomenta-se o estereótipo social racista e a violência policial. Assim, cria-se um ciclo vicioso da pobreza segregadora. Exemplo: Caminhos para combater o racismo no Brasil (Enem 2016) “No �lme de 2018 “O Ódio que Você Semeia”, Starr Carter é uma adolescente negra que presencia o brutal assassinato de seu amigo, Khalil, por um policial branco. O �lme se torna mais que nunca im- portante quando episódios de violência policial direcionada à popu- lação negra persistem na realidade brasileira: a morte de João Pedro, de 14 anos, no Rio de Janeiro, foi estopim de motins e protestos em 2020. Logo, �ca claro que, para o combate ao racismo no Brasil, são necessários o �m da impunidade aos agressores e a conscientização social pelo respeito igualitário.” - Redação redigida por Lucas Felpi “DARK” 2017, 3 temporadas, 16+ Energia Nuclear A série discute a opção por energia nuclear em Winden, tanto benefícios quanto malefícios. Por um lado, a usina sustenta a demanda energética da cidade e emprega ampla mão de obra. Por outro, ela produz enorme contingente de lixo atômico e, em 1986, ocorre um acidente radioativo Sinopse “Quatro famílias iniciam uma desesperada busca por respostas quando uma criança desaparece e um complexo mistério envol- vendo três gerações começa a se revelar.” Redação Pop190 que causa a viagem no tempo. Proteção das Crianças O tema da garantia dos direitos das crianças é abordado no desa- parecimento de menores, inclu- indo sequestro e infanticídio. Erik Obendorf, Yasin, Mads e Mikkel Nielsen misteriosamente desaparecem em Winden, ao mesmo tempo em que corpos de crianças são encontrados. Drogas na Escola Erik Obendorf é um menino que tra�cava drogas dentro da escola, com contatos secretos e estoques escondidos. Quando ele desapa- rece, seus amigos vão atrás de seu estoque na �oresta e é então que Mikkel Nielsen some também. Suicídio Outra temática importante é o suicídio, exempli�cado no com- etido por Michael Kanhwald, pai de Jonas. Pode-se pensar nas cau- sas para o ato, como a de não per- tencimento à realidade circundan- te, mas também nas consequências: Redação Pop 191 Jonas cresce traumatizado e sem a �gura paterna. Religião A religião está muito presente no personagem de Noah, que serve como padre de uma Igreja secreta, sugerindo aos jovens que Deus traçara um caminho para cada um. Através da mensagem reli- giosa, ele convence as crianças e adolescentes a seus experimentos e ao controle do tempo. Traição e Incesto Dilemas de relacionamentos apa- recem nas �guras de traição e do incesto. Ao longo da série, é reve- lado que Martha e Jonas, que mantinham uma relação amoro- sa, em verdade são tia e sobrinho. Além disso, vê-se que Ulrich Nielsen trai repetitivamente sua esposa com Hannah Kanhwald. Con�ito de Gerações A viagem no tempo possibilita o contato de personagens de difer- entes épocas e desses com suas versões passadas e futuras. É per- ceptível como a humanidade pas- sou por profundas mudanças so- cioculturais e tecnológicas extraordinárias em questões de décadas. Negligência ao Idoso Antes ignorado e abandonado por sua ocupada �lha, Egon Tiede- mann de 1986 descobre que tem câncer de próstata e isso altera a relação até então negligenciadora de Claudia com ele, agora movida a aproveitar cada momento junto a seu pai. Adoção As origens genealógicas de Char- lotte Doppler são exploradas nesse temporada, chocando muitos por sua descendência sinistra. O even- to se relaciona à temática da adoção, em que as crianças são cri- adas por terceiros e crescem com a curiosidade incessante de quem seriam seus verdadeiros progeni- tores, de quem foram separados. Imutabilidade do Tempo A abordagem do tempo como imutável e cíclico impressiona. Embora haja viagem no tempo, os personagens não conseguem alter- ar os eventos que prevêem. Em verdade, tudo está fadado a acon- Redação Pop192 tecer, até mesmo suas tentativas de alterações. O passado e o futuro são imutáveis, e tecnologia nenhuma mudaria isso. Violência Doméstica O passado de Katharina Nielsen foi marcado por violência física dentro de casa pela mãe, que resulta em marcas no seu rosto quando ia para a escola. Em 1950, Hannah vê a mãe de Katharina criança em uma clínica de aborto, provavelmente fruto de abuso e causa de sua futura violência. Pedo�lia No futuro pós-apocalipse, Elizabeth Doppler vive em um trailer com seu pai, quando um invasor entra para roubar comida e a nocauteia. Desa- cordada, o intruso começa a abrir suas calças e molestá-la, numa tentati- va repugnante de violação de uma criança. Exemplo: Os direitos das crianças e dos adolescentes no Brasil “No seriado alemão “Dark”, os meninos Erik e Yasin desaparecem misteriosamente na cidade de Winden. Ao longo da trama, é desco- berto que os menores eram usados em experimentos cientí�cos em cárcere privado que, ao falharem, os matavam. Fora das telas, é fato que são necessárias medidas por parte do Estado para prevenir vio- lações como essas ao direito à infância, já que, quando não resultam em morte, reverberam para o resto da vida adulta.” - Redação redigida por Lucas Felpi “HARRY POTTER” 2001, 7 livros, 8 �lmes, 10+ Sinopse “Harry Potter é uma série de sete romances e oito �lmes de fanta- sia. A série narra as aventuras de um jovem chamado Harry James Redação Pop 193 Adoção Harry Potter é um garoto órfão que vive infeliz junto a seus tios, os Dursley. Em sua nova casa, ele é tratado como desprezível, ín�- mo em relação a seu primo e como súdito da casa. As di�culdades da inclusão de Harry se relacionam com a de muitas crianças no pro- cesso pós-adoção. Identidades Comunitárias No mundo mágico, as escolas de bruxaria possuem casas de estu- dantes: em Hogwarts, é o caso de Gri�nória, Lufa-Lufa, Corvinal e Sonserina. O senso de comuni- dade criado dentro de cada uma e dentro do mundo bruxo em si re- �etemprópria vida”, e para tal, o indivíduo precisa aprender a “ler o mundo”. Empoderamento Paulo Freire, educador brasileiro O conceito de empoderamento é de�nido por Paulo Freire como o pro- cesso pelo qual grupos historicamente oprimidos ganham conscien- tização de sua opressão e organizam-se com o objetivo de libertação e obtenção de poder político. De acordo com o autor, a educação é uma importante ferramenta na efetivação desse processo é necessária por seu potencial transformador. “A educação é a arma mais poderosa que se pode usar para mudar o mundo” - Nelson Mandela, advogado e ex-presidente da África do Sul “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda” “A educação deve ser transformadora” - Paulo Freire, educador brasileiro “As famílias confundem escolarização com educação” - Mário Sérgio Cortella, �ló- sofo e escritor brasileiro “O ser humano é aquilo que a educação faz dele” - Immanuel Kant, �lósofo alemão Educação24 CITAÇÕES “A educação tem raízes amargas, mas os seus frutos são doces.” - Aristóteles, �lósofo grego “Temos escolas do século XIX, professores do século XX e alunos do século XXI” - José Pacheco, ex-diretor da Escola da Ponte “Educai as crianças e não será preciso punir os homens” - Pitágoras, �lósofo e matemático grego “A educação é uma socialização da jovem geração pela geração adulta” - Émile Durkheim, sociólogo francês Educação 25 Educação26 FILMES, DOCUMENTÁRIOS E SÉRIES “Pro Dia Nascer Feliz” 2007 O documentário de João Jardim aborda o sistema educacional brasileiro, descreven- do realidades esco- lares de diferentes contextos sociais, econômicos e cul- turais a partir de di- versos olhares: da instituição, do aluno, do professor e da família. O diretor visita, por exemplo, a escola mais cara e elitizada do país, ao mesmo tempo em que visita uma escola extremamente sucateada no interior do Ceará. O objetivo é expor o abismo exis- tente entre as escolas públicas e privadas e a relação do adolescen- te com a escola. “Quando Sinto Que Já Sei” 2014 O documentário de 2014 se propõe a mostrar iniciativas alter- nativas ao sistema educacional tradicional implementado na maior parte das escolas brasileiras. Focados na autonomia do aluno e na liberdade, os projetos de escolas alternativas demon- strados no �lme têm por princípio o res- peito pela individual- idade de cada aluno e pelo contexto social em que se inserem. Por isso o título “Quando sinto que já sei”: quando o ensino tem por objetivo conquistar o senti- mento no aluno de saber sem pre- cisar provar a ninguém, sem testes, provas ou avaliações formais. “Nunca Me Sonharam” 2017 “Nunca Me Sonharam” retrata as ambiguidades na educação, onde Educação 27 convivem juntos o sonho de um futuro melhor e a desilusão de percebê-lo distante, inacessível. O documentário é um retrato sensível e emocional das distintas realidades presentes no Ensino Médio brasileiro, fase marcada pela evasão e distorção idade- série, que evidencia como foco principal a ine�ciência da socie- dade e da rede de ensino em re- sponder os jovens, grupo carac- terizado por seus desejos e questionamentos. “Esperando Pelo Super- Homem” 2010 Passado nos Estados Unidos, o documentário acompanha cinco crianças, Anthony, Francisco, Bi- anca, Daisy e Emily, que desejam obter uma educação de qualidade, mas que acabam tendo que entrar em uma loteria para entrar uma boa escola, já que os colégios próx- imos às suas residências são fracas- sos estrondosos. O �lme mostra a di�culdade vivida por professores e alunos, semelhante ao Brasil, onde a única esperança é a de que um “super-homem” venha salvá- los da calamidade ao seu redor. “Escritores da Liberdade” 2007 O �lme conta a história de Erin Gruwell, uma professora recém-formada que se depara com o desa�o de lecionar para o 1º ano do Ensino Médio em uma escola periférica e problemática norte-americana. Os alunos são jo- vens marcados pela violência, de- scrença, desobediência, desmo- tivação e principalmente por con�itos raciais, oriundos de famílias desestruturadas e vítimas de abandono. O longa-metragem mostra alguns dos con�itos encon- trados pela professora e sua saída por uma educação libertadora e revolucionária na sala de aula. Educação28 “Sociedade dos Poetas Mortos” 1989 O longa estrelado por Robin Wil- liams gira em torno de uma escola preparatória de elite para garotos, em que um novo professor de lit- eratura desbanca o método con- servador de ensino e opta por en- sinar inglês através da poesia. Ele acaba por conquistar os alunos e inspirá-los a seguirem sonhos que a eles eram desconhecidos. O �lme apresenta uma forte crítica ao modelo tradicional de ensino da época, marcado pela rigidez e in�exibilidade, que repreende e reprime a essência criativa de cada aluno. Além disso, também retra- ta o poder da relação profes- sor-aluno. “Extraordinário” 2017 Baseado no livro homônimo de R. J. Palacio, escritora norte-ameri- cana, "Extraordinário" mostra a rotina escolar de Auggie Pullman, um menino com uma deformi- dade facial conhecida como sín- drome de Treacher Collins. Tendo sido educado em casa por toda a vida, ao ingressar na escola, ele precisa aprender a conviver em um ambiente que não está prepa- rado para recebê-lo. Auggie é víti- ma de bullying e zombarias, mas persiste na escola, apoiado por sua família e pelos novos amigos que conheceu. “Segunda Chamada” 2019 Série da Rede Globo, a produção brasileira retrata alunos do Ensino de Jovens e Adultos (EJA) da per- iferia de São Paulo, com uma se- gunda chance para concluir o En- Educação 29 sino Médio e obter o seu diploma de conclusão. A série escancara a real condição do sistema educa- cional brasileiro, com a falta de investimento público, carência de professores e desmotivação do corpo docente. Além disso, é de- fendido o poder transformador da escola, que muda o rumo de muitos alunos vulneráveis. “Elite” 2018 Quando uma escola pública desaba por negligência da construtora e do governo, três alunos recebem bol- sas de estudo em Las Encinas, o colégio mais caro da Espanha — tal é a trama principal de Elite. Lá, eles são discriminados por sua condição �nanceira, roupas e trejeitos, vistos como vírus contagiosos ou animais selvagens pelos alunos das famílias milionárias. O preconceito e o bul- lying nas escolas é abordado junta- mente a questões de sexualidade, Educação30 ISTs, gravidez na adolescência, xenofobia e intolerância religiosa. Tudo sem o apoio ou consideração da instituição escolar. “13 Reasons Why” 2017 Série muito conhecida baseada no livro homônimo, “13 Reasons Why” reconta os motivos que levam Hannah Baker a tirar sua própria vida aos 17 anos. Aluna nova na escola, ela sofre com a humilhação e objeti�cação dos colegas, exclusão de grupos sociais e situações de assédio sexual por outros alunos. A crítica da série no quesito educacional se dá à omissão da escola e, ainda mais, à participação da mesma na decisão de Hannah. Numa última tentativa de sobreviver, Hannah recorre a seu conselheiro escolar, que negligencia e ignora os sinais alarmantes da fala dela. “Sex Education” 2017 A série da Net�ix retrata uma lacuna existente na maior parte das escolas brasileiras e internacionais: a educação sexual, importante componente na formação dos jovens. Na escola �ctícia de Moordale, alunos recorrem à Otis Milburn, �lho de uma terapeuta sexual, para responder suas dúvi- das e preocupações quanto ao assunto. A falta de aulas de educação sex- ual efetivas e assistenciais causa pânico, desespero e insegurança nos ad- olescentes; e quando a escola decide implementar tais aulas, elas são voltadas à repressão e demonização do ato libidinoso. Leia a análise completa de “13 Reasons Why” na página 153. Leia a análise completa de “Sex Education” na página 168. Leiaa importância de coletivos identitários em uma sociedade. Estupro e Escravidão Sexual Em Hogwarts, eventos turbulen- tos colocam os alunos em risco: invasão de dementadores, in�l- tração de criminosos, violência em torneio escolar, entre outros. O tema torna-se ainda mais relevante quando comparado à atual preocu- pação de pais quanto à segurança de seus �lhos nas escolas, com o índice crescente de tiroteios e vi- olência. Ensino da Tolerância Um estudo publicado na Revista de Psicologia Social Aplicada em 2014 concluiu que a leitura de Harry Potter estimula a tolerância. Ao verem a relação do protagonis- ta com trouxas, mestiços e elfos domésticos, grupos estigmatiza- dos no mundo bruxo, crianças desenvolveram maior empatia a grupos marginalizados na vida real, como LGBTs, imigrantes e refugiados. O Mito da Pureza Racial Voldemort e seus seguidores de- fendem arduamente o conceito de pureza e superioridade bruxa, perseguindo e matando trouxas e os chamados “sangue-ruins”, mes- Potter, que descobre aos 11 anos de idade que é um bruxo ao ser convidado para estudar na Escola de Magia e Bruxaria de Hog- warts.” Redação Pop194 tiços bruxos �lhos de trouxas. O mesmo argumento fora dito da raça ariana em 1940 para justi�- car o Holocausto. Ascensão do Fascismo A história traça um forte paralelo a eventos históricos da Segunda Guerra. A Sonserina, formada majoritamente por membros ari- anos, como os Malfoy, é a princi- pal fonte do preconceito contra mestiços. O fundador da casa? Salazar Sonserina. O salazarismo foi uma vertente do fascismo em Portugal, simultâneo ao Nazismo alemão. Liberdade de Imprensa Em meio à ascensão de Volde- mort, o Ministro da Magia Cornélio Fudge nega a existência de qualquer perigo, por meio do Profeta Diário, para manter seu poder. Com a narrativa o�cial manipulada pelo governo, censu- ra-se veículos de comunicação al- ternativos, como O Pasquim. Esporte como Inclusão Social Ao ingressar em Hogwarts, Harry faz poucos amigos e é julgado por ser “o menino que sobreviveu”. É quando ele descobre seu talento no quadribol (principal esporte bruxo) que sua popularidade emerge, exemplo do esporte de- sempenhando um papel funda- mental na inclusão social. Tortura Institucional Sirius Black, tio de Harry, é conde- nado pelo assassinato de Tiago e Lily Potter e passa 12 anos na Prisão de Azkaban por um crime que não cometeu. Lá, os prisionei- ros são submetidos à guarda dos dementadores, que torturam os prisioneiros sugando suas emoções. Bullying Um dos professores mais conheci- dos da série, Severo Snape, é frio e cruel com seus alunos, ator- mentando e humilhando-os sem motivo. A origem de seu compor- tamento zombador se dá no próprio bullying que sofria quan- do criança por Tiago Potter e Siri- us Black, formando um ciclo. Falsidade Ideológica Outro conhecido professor é Gil- Redação Pop 195 deroy Lockhart, docente de Defesa Contra as Artes das Trevas em Hog- warts, com diversos títulos e livros renomados. É descoberto, porém, que era uma fraude: ele empregava feitiços de memória naqueles que haviam realizado os feitos ditos serem dele. Exemplo: As novas manifestações do fascismo no século XXI “A famosa saga de livros “Harry Potter” conta a história do menino bruxo que confronta Voldemort, um líder que utiliza da violência e do terror contra não-bruxos para angariar seguidores. À frente do Ministério da Magia, o vilão institui um regime totalitarista perse- guidor dos não pertencentes à “raça pura” bruxa. Fora do universo mágico, vê-se necessária atenção redobrada a novos fascismos que, por meio de mecanismos de manipulação em massa e ódio a mino- rias desfavorecidas, cerceiam a liberdade e multiplicidade civil.” - Redação redigida por Lucas Felpi “JOGOS VORAZES” 2012, 3 livros, 4 �lmes, 12+ Concentração de Renda Panem é um país construído à base de desigualdades sociais. Seguindo o Sinopse “A antes América do Norte, agora formada por 12 distritos, é comandada com mão de ferro pelo Presidente Snow. Uma das formas com que a Capital demonstra seu poder é pelos 'Jogos Vorazes', competição anual em que um garoto e uma garota de cada distrito são selecionados a lutar até a morte. Para evitar que sua irmã participe, Katniss se oferece em seu lugar. Até onde ela estará disposta a ir para ser vitoriosa nos 'Jogos Vorazes'?” Redação Pop196 A adaptação dos romances de Suzanne Collins conquistou uma legião de fãs e é considerada uma das franquias mais bem sucedidas do cinema. Redação Pop 197 conceito de dominação de Karl Marx, os 12 distritos são vistos como meras propriedades do Es- tado que servem apenas para abastecer a Capital, sede do luxo e da riqueza. Isso não deixa de ser realidade no Brasil: por aqui, os cinco homens mais ricos detém o mesmo que 50% da população mais pobre, segundo estudo da Oxfam em 2018. Fome Como classes sociais, os distritos mais altos na hierarquia, 1 e 2, são os mais ricos, enquanto os mais baixos, 11 e 12, são os com piores condições de vida, habituados com a miséria e com a fome. Para sobreviver, Katniss Everdeen, uma moradora do distrito 12, passa a caçar nas áreas �orestais proibidas. Totalitarismo/Vigiar e Punir Assim como descrito no livro “Vi- giar e Punir” por Foucault, o pa- pel do Estado totalitário de Snow é o de controlar a subversão pela guarda policial (ironicamente chamados de Paci�cadores) e o de impôr punições. Os anuais ‘Jogos Vorazes’ é o maior exemplo disso: após uma rebelião, jovens de cada distrito são selecionados para luta- rem até a morte em uma espécie de reality show. Sociedade do Espetáculo O evento dos Jogos Vorazes traça claras relações com as teorias da Sociedade do Espetáculo de Guy Debord e da Indústria Cultural da Escola de Frankfurt. Inicialmente um marco de lembrança da opressão à rebelião, os Jogos tor- naram-se entretenimento com tecnologia de ponta, transmitidos ao vivo e parte da estratégia de alienação em massa. Papel da Mídia Ao dar início a uma nova rev- olução, Katniss se torna símbolo e rosto da rebelião. Durante “A Es- perança”, vemos o processo de produção de propagandas políti- cas e o papel que as chamadas tele- visivas desempenham no levante da população. Pequenos detalhes como cenário, �gurino e en- tonação são cruciais para alcançar o efeito desejado. Redação Pop198 Crimes de Guerra A saga re�ete de início a �m sobre o caráter dos crimes de guerra. Nos Jogos Vorazes, matar é equivalente a sobreviver e, por isso, Gale acredita que seja impessoal; Katniss discorda. Durante a guerra à Capital, diver- sos crimes são cometidos, como explosões a hospitais e massacre de cri- anças. Seria guerra justi�cativa? Exemplo: O poder de manipulação das mídias na sociedade brasileira “Na célebre trilogia “Jogos Vorazes” de Suzanne Collins, o Estado autoritário de Panem contém os motins populares por meio da re- pressão e da realização dos chamados Jogos Vorazes. O evento anual é televisionado e a violência selvagem imposta aos participantes é construída de modo a aparentar culpa dos distritos e repreender re- voltas contra o status quo. Paralelamente, a propaganda política é um grande mecanismo de manipulação midiática no Brasil, que usa de fake news e efeitos emocionais para alienar eleitores.” - Redação redigida por Lucas Felpi “THE BOYS” 2019, 3 temporadas, 18+ Abuso de Poder “�e Boys” é uma paródia dos universos de super-heróis altruístas e ide- Sinopse “Os Sete são os heróis mais poderosos da Terra. Porém, esses pro- tetores têm um lado oculto que a maioria das pessoas desconhece. Se eles usam seus poderes para o mal, Hughie, Billy e o resto do time têm a missão de detê-los.” Redação Pop 199 alizados, retratando-os como seri- am na realidade: corruptos, vio- lentos e imparáveis. Se, no mundo real, políticos já abusam de seus poderes para favorecer interesses próprios, imagine se existissem os super-poderes.Grandes Corporações No mundo real, super-heróis seri- am altamente capitalizados. Na série, Vought é a multinacional encarregada da equipe su- per-herói Os Sete, visando maxi- mizar os seus lucros. Distorcendo ética, ciência e a opinião pública, grandes corporações visam resul- tados �nanceiros a todo custo, sem lei que as parem. Assédio Sexual A nova integrante dos Sete, Luz-Estrela, é recebida na equipe por ameaças pelo colega e antigo ídolo de infância, o herói aquáti- co Profundo, que a força a fazer sexo oral nele para permanecer no grupo. Ao longo da série, é demonstrado como a insegurança do herói com suas guelras fazia-o abusar sexualmente de mulheres. Cultura do Cancelamento Por serem máquinas de lucro, os heróis buscam completa aprovação popular. Os analistas da Vought observam os memes, índices de popularidade, mídias digitais, e tudo é meticulosamente articula- do para gerar a impressão certa e crescer as ações. No mundo atual, a mobilização de ódio nas redes so- ciais faz com que um deslize seja su�ciente para levar um ídolo a seu �m. Pink Money Após Capitão Pátria forçar Maeve fora do armário, Vought se aprove- ita da situação para aumentar suas vendas ao público LGBTQI+. A discussão do Pink Money torna-se relevante quando empresas utili- zam de símbolos LGBTQI+ a �m de gerar lucro. Enquanto Vought rentabilizava sua sexualidade, Maeve era forçada a viver uma vida estereotipada e em um rótulo in- desejado. Importância da Família Líder dos Sete, Capitão Pátria é o mais corrupto e sem escrúpulos dos super-heróis. É demonstrado como sua criação na ausência de pais, com a única presença de um Redação Pop200 cientista, deu origem a seu comportamento sociopático. Quando ele tem um �lho, a preocupação de todos é garantir-lhe uma boa criação familiar para que a história não se repita. Xenofobia O que seriam super-heróis sem super-vilões? Capitão Pátria envia a sub- stância que concede poderes super-humanos a células terroristas para criar seus próprios inimigos. Esses super-terroristas tornam-se a justi�ca- tiva para seus discursos de xenofobia contra imigrantes e que resultam na morte de um homem árabe por preconceito da população. Neonazismo e Supremacia Branca É revelado que a novata da 2a temporada, Tempesta, era em verdade neonazista e crente do Genocídio Branco, uma teoria da conspiração de supremacistas brancos que incita o racismo, a xenofobia, e a perseguição a minorias. Infelizmente, manifestações dessa ideia ainda são assustado- ramente presentes. Exemplo: O abuso de poder e de autoridade no Brasil “Na série norte-americana “�e Boys”, super-heróis, reais e ama- dos pela população, escondem uma indústria repleta de corrupção e violência, em que ninguém consegue mantê-los dentro da lei. Em- bora super-poderes não sejam realidade, vê-se que micro-poderes políticos no Brasil são estendidos para além de suas legitimidades para favorecer interesses pessoais. Logo, �ca claro que a concessão de poder sem su�ciente coerção popular e governamental acarreta o abuso de autoridade e a sensação de superioridade à lei.” - Redação redigida por Lucas Felpi “CREPÚSCULO” 2008, 4 livros, 5 �lmes, 13+ Redação Pop 201 Sinopse “A estudante Bella Swan conhece Edward Cullen, um belo mas misterioso adolescente. Edward é um vampiro, cuja família não bebe sangue, e Bella, longe de �car assustada, se envolve em um romance perigoso com sua alma gêmea imortal.” Stalking O casal que conquistou o mundo, a humana Isabella Swan e o vampiro Edward Cullen, é dito por alguns como exemplo do crescente fenômeno de “stalking”: após se conhecerem, Edward segue e vigia Bella a todo momento, aparecendo no seu quarto todas as noites para observá-la. Abuso Sexual Quando Bella vai a Port Angeles acompanhar as amigas em uma tarde de compras, ela é abordada por um grupo de homens em uma rua sem saí- da. Os homens expressam o desejo explícito de assediá-la, mas Edward, que a estava observando, chega antes de que algo pior pudesse acontecer. Colonialismo A rivalidade entre vampiros e lobisomens em Forks teve origem com a chegada dos vampiros em terras já ocupadas pelos ancestrais lobisomens. A cena retrata bem o padrão da colonização de povos indígenas: brancos europeus adentrando e dominando terra pertencente aos povos nativos. Vegetarianismo A família Cullen é apresentada como vampiros “vegetarianos”, guiados pela ética de não se alimentarem de humanos. Embora o conceito não seja o mesmo, o vegetarianismo dos vampiros ressalta o poder de escolha no hábito alimentar e da repressão dos desejos selvagens instintivos por um bem maior. Redação Pop202 Preceitos Religiosos Stephenie Meyer, autora dos livros, pertence à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Mórmon), movimento religioso cristão. Seus preceitos religiosos são ecoados pelas obras, como a virgindade até o mat- rimônio e a puridade de Bella e seus amigos ao não beberem e festejarem como os demais. Gravidez na Adolescência Bella tem 18 anos e acaba de se formar quando engravida de Edward na lua de mel em terras brasileiras. Pesquisas apontam que gestações como essa, na adolescência, muitas vezes indesejadas, representam risco para o corpo ainda em transformação e são uma das maiores causas da evasão escolar no Brasil. Doação de Sangue Em 2008, uma campanha de doação de sangue em São Paulo utilizava a saga para dizer “Nem só os vampiros precisam de sangue”. Em Crepús- culo, a importância do sangue é destacada, por exemplo, quando Bella �ca grávida, episódio no qual ela depende da doação de sangue por out- ros para sua sobrevivência. Exemplo: Caminhos para combater o abuso sexual de crianças e adolescentes “Na saga de livros Crepúsculo, Isabella Swan é uma adolescente apaixonada pelo vampiro Edward Cullen. Em uma noite com as amigas, ela é abordada em um beco sem saída por um grupo de homens assediadores, mas o namorado vampiro chega a tempo para evitar o pior. Fora das páginas, milhares de crianças e adolescentes no Brasil passam por experiências similares de abuso sexual— um quadro perpetuado pelo tabu na sociedade brasileira sobre o tema e pela di�culdade da denúncia a famílias e instituições estatais.” - Redação redigida por Lucas Felpi Redação Pop 203 Sinopse “A princesa Leia é mantida refém pelas forças imperiais comanda- das por Darth Vader. Luke Skywalker e o capitão Han Solo pre- cisam libertá-la e restaurar a liberdade e a justiça na galáxia.” “STAR WARS” 1977, 4 livros, 5 �lmes, 13+ Ciência e Tecnologia Em Star Wars, o desenvolvimento cientí�co é retratado como motor das inovações que permitem, entre outros, a viagem intergaláctica. Porém, também é mostrado o “lado sombrio” da tecnologia: a possibilidade de criação de super armas, como a Estrela da Morte, que pode aniquilar planetas inteiros. Religião Não há dúvidas de que George Lucas cria a Força como uma alegoria a diversas religiões ocidentais e orientais, com referências bíblicas. Teóri- cos apontam semelhanças entre o personagem Luke Skywalker e Moisés. Em 2001, o ‘Jediísmo’ era a quarta maior religião no Reino Unido (Fon- te: ONS-UK). Uso da Violência Com �lmes de ação e aventura, a saga apresenta um considerável teor de violência. Entretanto, os Jedi transmitem a mensagem do paci�smo: por exemplo, no Episódio V - O Império Contra-ataca, Mestre Yoda explica a Luke que um Jedi usa a Força somente para meios de informação e autodefesa - e nunca para agressão. Respeito ao Idoso Mestre Yoda é o principal membro do Conselho Jedi, admirado por suas Redação Pop204 habilidades com a Força e sua vas- ta sabedoria. Embora person- agem �ctício, o pequeno verde ancião manifesta a importância da valorização dos mais velhos em quesitos de experiência e ensina- mentos. Transtornos Mentais Em um artigo de 2015, psicólo- gos argumentam que Star Wars é um exemplo de temas psiquiátri- cos: C3PO tem TOC; Yoda tem dislexia super�cial;Luke Sky- walker, esquizofrenia prodrômi- ca. E Jar Jar Binks é um exemplo facilmente identi�cável de trans- torno de dé�cit de atenção e hip- eratividade. Tirania e Queda da Democracia A segunda trilogia de Star Wars mostra como democracias viram ditaduras. Sheev Palpatine, que é chanceler da República, conspira para atacar a imagem dos Jedi, provocar o medo e tomar o con- trole como imperador. A lição é sintetizada nas palavras da sena- dora Padmé Amidala: “Então é assim que a liberdade morre, com um estrondoso aplauso”. Movimentos Ativistas Após a ascensão do Império Galác- tico, Jedis e forças opositoras se unem para formar a Aliança Re- belde, em prol da liberdade e da volta da democracia. O sentimen- to de revolta popular dos heróis se assemelha ao de movimentos con- temporâneos de ativismo por dire- itos fundamentais ao redor do pla- neta. Discurso de Ódio Declarando os Jedi como traidores, Palpatine solicitou a execução da Ordem 66: autorização para um genocídio em massa dos Jedi pelos stormtroopers. Milhares foram mortos ao redor da galáxia pela or- dem fascista. O nome dos solda- dos espaciais não era coincidência: a ala paramilitar original do Parti- do Nazista era chamada de Sturm- abteilung (Storm Division). Exemplo: Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil (Enem 2016) “No universo de ‘Star Wars’, os mestres Jedi foram aniquilados pelos lordes Sith, seguidores Redação Pop 205 de uma seita inimiga. Liderados por Darth Sidious, eles depuseram a República e instauraram um regime ditatorial. Fora dos cinemas, a intolerância religiosa é uma realidade no Brasil, tornando necessário o seu combate, para a manutenção da liberdade individual e da ci- dadania.” - Redação nota 960 de Débora Aladim “MENINAS MALVADAS” 2004, 1h37min, 12+ Ensino Domiciliar Pelos últimos 12 anos, Cady Heron foi educada pelos pais em casa en- quanto vivia na África. Ao se mudar para Evanston, EUA, ela passa a frequentar uma escola pública, sendo obrigada a se adequar a protocolos de socialização estranhos a ela. O �lme originalmente seria intitulado “Homeschooled”. Estereótipo do Continente Africano A personagem principal não revela o seu país de origem, sendo referido apenas como “África”. Tal fato, somado às cenas de alusões com animais selvagens na escola, rea�rma a generalização do continente africano a uma massa homogênea de território dominado pelo mundo animal e visto como “terceiro mundo”. Sinopse “Cady Heron cresceu na África e sempre estudou em casa, nunca tendo ido à escola. Após retornar aos Estados Unidos com seus pais, ela se prepara para iniciar sua vida em uma escola pública. Logo Cady percebe como a língua venenosa de suas novas colegas pode prejudicar sua vida e, para piorar ainda mais sua situação, Cady se apaixona pelo garoto errado.” Redação Pop206 Bullying nas Escolas Ao entrar no Colégio North Shore, Cady é apresentada ao grupo mais importante da escola: Regina George, Gretchen Wie- ners e Karen Smith. Elas são a elite do mundo feminino no colé- gio, admiradas porém temidas por serem cruéis com os compor- tamentos e aparências das demais. A�nal, elas são as Meninas Mal- vadas. Rivalidade Feminina As três garotas guardam um Burn Book: um livro de anotações com defeitos e xingamentos sobre as outras mulheres da escola, exemp- lo de rivalidade feminina na ado- lescência. A comparação exacerba- da e a competição entre as meninas é prejudicial a todas: são insegu- ranças internas projetadas umas nas outras. Culto ao Corpo “Meninas Malvadas” retrata bem a obsessão de jovens com sua ima- gem corporal: até mesmo a abel- ha-rainha Regina George e suas amigas sofrem com a imagem de Redação Pop 207 seus corpos no espelho. Um episódio marcante é quando Cady, para atacar Regina, entrega barras de proteína à colega para que ela ganhe peso. Homofobia Janis e Damien são melhores amigos do grupo de artistas da escola, con- stantemente alvos de homofobia pelos demais. Durante uma apresen- tação musical, Damien tem um tênis atirado no rosto pelos garotos do colégio; Janis é alvo de rumores sobre sua sexualidade criados por Regina George. Feminismo Ao �nal do longa, a mensagem é de sororidade e feminismo. As garotas deixam de brigar por garotos e de rebaixarem umas às outras, para abrir espaço às suas verdadeiras identidades. A autora do livro que originou o �lme, Rosalind Wiseman, viaja o mundo ensinando adolescentes a ser- em gentis nas escolas. Exemplo: A prática de bullying nas escolas brasileiras “No �lme “Meninas Malvadas”, Regina George e suas colegas são consideradas as abelhas-rainhas que aterrorizam as demais garotas do Colégio North Shore. Ao longo da trama, Cady, a garota nova, percebe que o bullying praticado tem como origem a insegurança das próprias meninas malvadas. Fora das telas, é fato que grande parte das escolas brasileiras apresentam práticas semelhantes de bul- lying, que são responsáveis por gerarem efeitos a longo prazo em suas vítimas e são muitas vezes causadas por inseguranças internas dos opressores.” - Redação redigida por Lucas Felpi Redação Pop208 “O GAMBITO DA RAINHA” 2020, 1 temporada, 16+ Abandono Paterno Em 1950, Beth Harmon, de 9 anos, sobrevive a um acidente de carro trágico que mata sua mãe. Mais tarde, é revelado que o ato tivera sido proposital, motivado pelo abandono à familia por parte do pai. No Bra- sil, o abandono paterno continua sendo uma das grandes pautas sociais a serem combatidas, com consequências graves à mãe e à criança. Adoção Dirigida ao orfanato Lar Methuen, Beth conhece Jolene, uma garota negra que espera pela chance de ser adotada há algum tempo. Jolene aponta um dos maiores problemas da seletividade injusta no processo adotivo em sua fala: “Ninguém vai vir atrás de nós agora. Estamos velhas demais. Ou pretas demais”. Abuso de Drogas Na instituição, enquanto pílulas tranquilizantes eram distribuídas às cri- anças, Beth manipula o seu uso para alcançar prazer e torna-se depen- dente química. As pílulas Xanzolam, embora não sejam um medicamen- to real, se assemelham muito a um remédio popular nos anos 60, receitado como cura para a ansiedade, chamado Librium. Alcoolismo Sinopse “Em um orfanato no estado de Kentucky, EUA, nos anos 1950, uma garota descobre um talento impressionante para o xadrez enquanto luta contra o vício e os problemas que acompanham sua genialidade.” Redação Pop 209 A longo prazo, todos esses elementos entram em jogo desenvolvendo o alcoolismo que Beth vivencia em sua vida adulta. O trauma na infância, o contato com tranquilizantes, a rejeição pelo pai adotivo, todos foram fatores que levaram o álcool a se tornar válvula de escape para a vida de Beth. Sociedade Patriarcal “O Gambito da Rainha” retrata a realidade patriarcal dos anos 50 a 70, destacando os estereótipos impostos à protagonista. Ao demonstrar in- teresse pelo xadrez, seus pais adotivos sugerem algo “mais para meninas”. Campeã brasileira de xadrez, Juliana Terao diz que a série até pegou leve: “Os jogadores não aceitariam tão facilmente serem dominados por uma mulher”. Inclusão no Esporte A pauta feminina no xadrez implica um tema ainda maior: a inclusão no esporte e sua importância como mecanismo de reparação social. Como um grande polo de atenção global, o esporte se vê no dever de incluir grupos minoritários/reprimidos a �m de estabelecer um espaço igual- itário e representativo. Redação Pop210 Esporte como Política Além disso, o esporte também pode atuar como meio de comunicação de ideologias políticas. No contexto da série inserida na Guerra Fria, a disputa de Beth Harmon contra os russos se vê estendida além do tabu- leiro: ela se torna peça política para a vitória simbólica dos americanos contra os soviéticos. Exemplo: O abandono paterno em questão no Brasil “Na minissérie norte-americana “O Gambito da Rainha”, Elizabeth Harmon perde sua mãe em um acidente de carro nainfância e não conhece seu pai, que as abandonou cedo. Ao longo da narrativa, é revelado que o acidente fora proposital, provocado por uma dis- cussão com o pai da garota, e o trauma gerado na criança é perpet- uado na forma de dependência química, alcoolismo, e tabagismo. Fora da �cção, faz-se necessário discutir o abandono paterno no Brasil, como forma de injustiça social a mães-solteiras e como fator desencadeador de traumas afetivos a crianças.” - Redação redigida por Lucas Felpi “DIVERGENTE” 2014, 3 livros, 3 �lmes, 14+ Categorização Social Na distópica cidade de Chicago, a sociedade é dividida em 5 facções, uma para cada virtude: Abnegação, Amizade, Audácia, Erudição e Fran- Sinopse “Em uma Chicago futurista, onde as pessoas estão divididas em cinco facções com base em suas personalidades, Beatrice Prior descobre ser uma divergente, alguém que se encaixa em mais de uma facção.” Redação Pop 211 queza. A divisão de grupos é dita a responsável pela manutenção da paz, mas é visto como ela acaba por agravar tensões, gerando competição e mitos de superiori- dade. Teste Vocacional Ao completar 16 anos, todos os jovens passam por um teste para decidir a qual facção pertencem. A cada um é dado liberdade de es- colha após o teste, mas sem volta atrás. A trama se assemelha ao dilema da escolha vocacional, em que jovens em idade pré-matura são dados a escolha de uma vida inteira. Não Conformidade Nem todos conformam à norma. Assim como, na vida real, nem to- dos são capazes de decidir-se em uma carreira ou identi�car-se com um rótulo, em “Divergen- te”, nem todos se encaixam nas facções. Os Divergentes são aque- les com aptitudes de mais de uma facção, perseguidos pelo governo como criminosos. Situação de Rua O recíproco também é verda- deiro: aqueles que não apresentam as virtudes de nenhuma facção, vivem em situação de rua sem cuidado ou auxílio algum do Esta- do. Abandonados e invisíveis, os sem facção são mais uma analogia a problemas do mundo real, reve- lando como um sistema é falho ao descartar minorias. Manipulação Genética Em “Convergente”, é explicada a origem do sistema distópico: Chi- cago se tornara sede de um experi- mento para recuperar o genoma humano após a modi�cação genética se disseminar. Aqueles pertencentes às facções haviam sido modi�cados, e os Divergentes seriam aqueles mais próximos ao genoma puro. Violência Doméstica Par da protagonista Tris, Quatro (Tobias Eaton) foge de casa para escapar de seu pai abusivo. Marcus Eaton é líder da Abnegação e man- tinha uma imagem pública de bom e carinhoso, enquanto chega- va em casa apenas para bater em seu �lho com um cinto. Mais tar- de, ele a�rma que “formou seu caráter”. Redação Pop212 Exemplo: Limites da edição genética em seres humanos no século XXI “Na série de livros “Divergente”, a busca pelo melhoramento genéti- co de características como inteligência, medo e honestidade causam o colapso da humanidade e a perda do genoma original humano. Em um experimento, Chicago é dividida em cinco facções e aqueles chamados de “divergentes”, que pertencem a mais de uma facção, representariam a volta ao genoma puro. Fora da �cção, �ca claro que técnicas recentes de edição genética constituem tanto um avanço quanto um perigo à sociedade, enquanto eliminam predisposições a doenças mas carregam um potencial destrutivo nas mãos erradas.” - Redação redigida por Lucas Felpi “MAZE RUNNER” 2014, 6 livros, 3 �lmes, 14+ Memória como Identidade Em “Maze Runner”, �omas é um jovem que acorda em um elevador subterrâneo sem memória. Em uma comunidade onde todos buscam descobrir sua identidade, a saga traz a re�exão: seriam as pessoas a soma de suas memórias ou há uma essência intrínseca a cada um, independen- te de nossas experiências? Sinopse “Em um futuro apocalíptico, o jovem �omas é escolhido para enfrentar o sistema. Ao acordar dentro de um escuro elevador em movimento, ele não consegue se lembrar nem de seu nome. Na comunidade isolada em que foi abandonado, ele conhece outros garotos que passaram pelo mesmo. Para conseguir escapar, �om- as precisa descobrir os sombrios segredos guardados em sua men- te e correr muito.” Redação Pop 213 Estado de Anomia Sozinhos, os garotos são apresen- tados a um estado de anomia: a ausência de normas sociais, se- gundo Émile Durkheim. Assim como Durkheim propunha a di- visão do trabalho como solução, eles estabelecem uma sociedade funcional com a criação de um sistema rígido de leis, uma hier- arquia social e tarefas diárias. Sexismo Por 2 anos, a Clareira é formada apenas por meninos, até que che- ga Teresa. No livro, Alby, o líder, com medo de a estuprarem, colo- ca guardas para protegê-la. São dirigidos insultos sexistas a Tere- sa, como fraca e indefesa, mas ela prova ser mais corajosa, mais forte e mais inteligente do que a maio- ria dos meninos. Experimentos Humanos Ao �nalmente escapar do labirin- to, �omas e seus amigos desco- brem que fazem parte de um ex- perimento da organização CRUEL (Catástrofe e Ruína Uni- versal: Experimento Letal). A ex- periência tinha como objetivo es- tudar o cérebro dos adolescentes em situações adversas, como medo, ansiedade, terror. Erupções Solares É explicado que, 15 anos antes de “Maze Runner”, enormes ex- plosões solares devastaram o pla- neta e a civilização humana. No mundo real, tempestades solares preocupam por outra razão: se uma erupção dessas proporções atinge a Terra, pode haver um co- lapso dos sistemas de eletricidade e internet por anos. Escassez de Recursos Seis meses após a catástrofe, foi es- timado que havia alimento e água potável su�ciente apenas para 70% da população restante. As- sim, duas visões surgem para o modo de ação: enquanto alguns sugerem racionamento de recur- sos, cientistas acabam por desen- volver um vírus mortal para elimi- nar os outros 30%. Pandemia Global Em pouco tempo, o vírus foge de controle e se torna uma pandemia, eliminando grande parte da popu- lação mundial. Uma pequena por- Redação Pop214 centagem, a maioria com menos de 20 anos, é descoberta imune ao vírus e é então inserida nos experimentos da CRUEL, na esperança de encon- trar uma cura à doença mortal. Exemplo: Coronavírus e a emergência na saúde global “Na saga juvenil “Maze Runner”, é retratado um mundo pós-apocalíptico em que a civilização humana é dizimada por um vírus letal, altamente contagioso. Na esperança de encontrar um antídoto, jovens imunes são estudados em simulações para descobrir o que fazem deles diferentes dos demais. No contexto atual, a série não poderia ser mais assustadora: diante de um vírus real, cientistas correm para salvar vidas ceifadas ao redor do mundo e prevenir o novo colapso econômico do século XXI.” - Redação redigida por Lucas Felpi “ROUND 6” 2021, 1 temporada, 16+ Endividamento Financeiro “Round 6” tem como pontapé inicial a história de Seong Gi-Hun, um pai divorciado e parcialmente sustentado por sua mãe idosa, que deve mais de 160 milhões de wons sul-coreanos a bancos e agiotas. Em um país onde a dívida familiar total excede o seu PIB, Gi-Hun é mais um homem comum. Sinopse “Centenas de jogadores falidos aceitam um estranho convite para um jogo de sobrevivência. Um prêmio milionário aguarda, mas as apostas são altas e mortais.” Redação Pop 215 “Round 6”, obra sul-coreana que estreou na Net�ix em 2021, se tornou uma das produções mais assistidas e populares da história do streaming. Redação Pop216 Proteção de Dados Assim como outros 455 endivida- dos, Gi-Hun é selecionado para um torneio de jogos mortais por dinheiro. A escolha dos convida- dos é baseada em seus dados �- nanceiros, o que os torna mais vulneráveis e suscetíveis ao jogo. No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados garante o tratamento de dados de crédito. Mito da Meritocracia A ilha funciona como uma alego- ria da sociedade capitalista mod- erna, onde, de acordo como Líder, “cada jogador tem a chance de jogar um jogo justo sob as mes- mas condições”. A falácia da mer- itocracia é logo revelada na dis- criminação, corrupção e manipulação vistas nas rodadas de perigosas brincadeiras infantis. Dignidade Humana Os jogos de Round 6 têm sido comparados a programas como “Mega Senha” e “Caldeirão do Huck”, nos quais a humilhação e a degradação da dignidade da classe pobre são justi�cadas pelo mero entretenimento dos ricos. A desumanização e exploração da vulnerabilidade pela oportuni- dade de ascensão social. Direitos Trabalhistas Na série, Gi-Hun conta sobre sua demissão da montadora Dragon Motors depois de mais de 10 anos, parte de uma dispensa coletiva. Os funcionários entram em greve e ele perde seu melhor amigo. O criador se inspirou na brutal re- pressão à greve da Ssangyong Mo- tors em 2009, que demitiu 2646 funcionários e causou a morte de 143 destes, a maioria por suicídio. Sexismo e Feminicídio Em diversos momentos, os joga- dores são ordenados a formarem grupos para os jogos. Na divisão, a discriminação contra as mulheres é escancarada assim que os partic- ipantes associam a força física como masculina. Além disso, há o relato forte da personagem Ji-Yeo- ng, cujo pai, um pregador, assassi- na sua mãe violentamente. Etarismo Outra forma de preconceito re- tratada no seriado é a exclusão do idoso Il-Nam, considerado inca- Redação Pop 217 paz e um perdedor inevitável da competição. Gi-Hun simpatiza com o senhor e o inclui na sua equipe ainda que saiba da desvantagem associada ao ato. A desvalorização e abandono de idosos é pauta recorrente no Bra- sil e no mundo. Trá�co de Órgãos Por trás dos jogos violentos, há um esquema clandestino de extração e comercialização de órgãos dos jogadores eliminados na ilha. Guardas se juntam para aproveitar a pilha de cadáveres acumulados e ganhar com o mercado de trá�co de órgãos humanos, um altamente rentável. Exemplo: A importância da educação �nanceira em questão no Brasil “Na série sul-coreana “Round 6”, 456 pessoas são selecionadas para competirem em um jogo mortal por um grande prêmio em dinheiro, unidas pelas altas dívidas contraídas e a impossibilidade de pagá-las. Assim, os organizadores abusam da vulnerabilidade de endividados para criar um espetáculo de entretenimento cruel e violento. Nesse sentido, a obra explicita uma grave problemática igualmente brasile- ira: a falta de investimentos e a desvalorização da educação �nancei- ra condena o futuro de milhares de jovens e adultos por todo o país.” - Redação redigida por Lucas Felpi “YOU (VOCÊ)” 2018, 4 temporadas, 16+ Sinopse “Obsessivo e perigosamente charmoso, ele vai ao extremo para entrar na vida de quem o fascina. Você pode acabar �sgada sem nem perceber. Aí, pode ser tarde demais.” Redação Pop218 Stalking O stalking se tornou um fenôme- no do século XXI. De fato, hoje é comum conhecer uma pessoa an- tes por sua personalidade virtual do que pela real. Na série, Joe, as- sim que conhece Beck, corre para procurar seu nome em sites como Facebook, Instagram e Twitter, e rapidamente descobre tudo sobre ela. Superexposição nas Redes Soci- ais O stalking é ainda facilitado quando o alvo se expõe na inter- net e produz uma vitrine de sua vida: um requisito que Beck e a maioria dos internautas infeliz- mente cumprem. Assim, Joe con- segue, com alguns cliques, encon- trar tudo sobre Beck, suas amigas, seus interesses, e até mesmo o en- dereço de sua casa. Nas palavras do protagonista: “Você quer ser vista, Beck”. Machismo Estrutural O que começa como um reconhe- cimento digital se torna um teatro para conquistar a garota. Semel- hante a um predador e sua presa, Joe ferozmente trilha o caminho para sua fantasia amorosa, e faz de tudo (t-u-d-o) para conquistá-la, sob a desculpa de que “ele sabia o que era melhor para ela”; “ele iria Redação Pop 219 corrigir sua vida”. O que disse, machista? Relacionamentos Abusivos Obviamente, quando o relacio- namento se inicia, vemos o quão abusivo é. Joe têm ciúmes de tudo e todos, desde as amigas de Beck até o seu terapeuta, e segue os pas- sos da namorada obsessivamente todos os dias. Favores Sexuais Em um episódio, Beck se encon- tra em um con�ito como escrito- ra, pois seu chefe dá em cima dela frequentemente. Por um lado, com repulsa do homem, e por outro, com medo de perder o em- prego se não satisfazê-lo, ela se vê sem saída. A�nal, o homem tinha olhos apenas para seu corpo, e de- sprezava seu talento artístico. Feminicídio No �nal da temporada, a revira- volta mais chocante aparece: Beck é assassinada por Joe. Se na �cção o episódio já choca pelo grande amor de Joe, imagine no mundo real: 70% dos feminicídios têm o parceiro como suspeito. A�nal, a possessividade e fantasia exacerba- das de Joe custaram a vida de sua própria amante. Determinismo É visível a análise que a série traça sobre a in�uência do meio a um indivíduo. Por exemplo, a origem do caráter impulsivo de Joe: foi herdado do abandono parental e do senhor que o apadrinhou, Sr. Mooney. Assim como Joe prende vítimas no porão da livraria, Sr. Mooney costumava prender o jo- vem Joe na cela. Como um ciclo, vê-se que Joe passa adiante sua vi- olência à Paco, consolidada na cena em que a criança friamente se recusa a ajudar Beck. Talvez nunca tenha um �m. Falsa Identidade Após os eventos com Beck, Joe foge de Nova Iorque para Los An- geles e assume uma nova persona. Ele comete o crime de falsa identi- dade, roubando os documentos e nome do verdadeiro Will Bettel- heim (além de o prender em cat- iveiro). O delito de falsa identi- dade consta no artigo 307 da Constituição brasileira e pode re- sultar em 3 meses a 1 ano de de- Redação Pop220 tenção. Violência Doméstica Em �ashbacks, o pequeno Joe aparece testemunhando seu pai agredir �sicamente sua mãe em casa. No Brasil, a cada dois minu- tos, uma mulher é vítima de vi- olência doméstica; a série enfatiza os efeitos disso na vida futura de um jovem: Joe acaba traumatiza- do, vingativo e violento a ponto de matar seu pai. Língua de Sinais Novo alvo amoroso de Joe, Love é uma recém-viúva de um homem surdo, Mr. Kennedy. Para além da leitura labial, a ASL (a língua de sinais estadunidense) se torna im- portante forma de comunicação entre o antigo casal, e o sinal de “eu te amo” é retomado por Love mais tarde com Joe. Proteção de Crianças Embora Joe aparente ser frio, ele tem uma clara bússola moral com crianças. Devido aos eventos de sua infância, ele busca proteger os menores, como Paco (1ª tempo- rada), Ellie (2ª temporada) e seu �lho Henry (3ª temporada). No episódio de abuso infantil de Hen- derson, ele faz justiça com as mãos; da mesma forma, é apenas quando Love revela uma gravidez que Joe a poupa da morte. Vacinação Na 3ª temporada, pós-pandemia, a personagem Sherry é cancelada por dar uma festa durante o isola- mento e furar a �la da vacina. Ao mesmo tempo, outro morador, Gil, passa sarampo ao bebê Henry por não vacinar suas �lhas: "Sim- plesmente não acreditamos em submeter crianças a injeções tóxi- cas, elas não precisam lutar contra coisas para as quais seus corpos foram criados para combater", ele diz. Busca por Amor Vê-se que ambos Joe e Love bus- cam e fantasiam com amor obses- sivamente para suprir a falta de afeto ou presença parental. Os dois formulam expectativas e querem alcançá-las a todo custo, ultrapassando—ou devo dizer de- struindo—quaisquer obstáculos. A�nal, a maior pergunta que "You" coloca é: é o amor que cega, ou a falta dele? Redação Pop 221 Exemplo: A segurança de dados na era das redes sociais “Na série norte-americana “Você”, o gerente de livraria Joe Gold- berg conhece uma garota e se apaixona à primeira vista. Ao desco- brir seu nome, recorre à internet para encontrar tudo sobre a vida e personalidade de Guinevere Beck—e encontra. A�nal, todas as suas redes sociais são públicas e tudo, inclusiveseu endereço, está disponível a qualquer um. Nesse sentido, Joe passa a observá-la não somente por sua atividade online, mas pela janela de sua casa. Fora da televisão, �ca claro que a exposição de dados pessoais redes soci- ais traz efeitos imprevisíveis à privacidade e à integridade humana dos cidadãos do século XXI.” - Redação redigida por Lucas Felpi “SINTONIA” 2019, 4 temporadas, 16+ Favelização As cenas de “Sintonia” ocorrem, em sua maioria, na favela da Vila Áurea, espaço marcado por habitações precárias, falta de saneamento básico, forte presença do crime organizado e cidadãos em busca de melhores condições de vida. As adversidades vistas na série também podem ser encontradas nas comunidades existentes no Brasil. A vida nas favelas é marcada pelo desamparo estatal em relação aos direitos básicos da popu- lação brasileira. Sinopse “Três adolescentes que moram na mesma favela paulista perseg- uem seus sonhos e ao mesmo tempo mantêm sua amizade, em um mundo de música, drogas e religião” Redação Pop222 Trabalho Informal Rita, uma das protagonistas da série, é uma garota órfã que preci- sa trabalhar vendendo merca- dorias no transporte público para garantir o seu sustento. A jovem passa por situações como: merca- dorias con�scadas, retorno �nan- ceiro baixo e carga horária de tra- balho exaustiva. Assim como Rita, há inúmeros cidadãos que, fora da �cção, também precisam enfrentar as adversidades advin- das do trabalho informal para lu- tar pela sua sobrevivência e ter uma vida minimamente digna. Trá�co de Drogas Nando é um garoto que sente a cobrança da vida adulta aproxi- mando-se de sua realidade. Com esposa e uma �lha pequena para criar, ele entra para o mundo do trá�co em busca de renda para sustentar sua família. A série mos- tra a realidade de muitos jovens que , diante de uma situação desesperadora e sem apoio estatal, encontram no mundo do trá�co uma saída para os seus problemas. Diversidade Cultural A cultura do funk, fortemente re- tratada na série, entra como pano de fundo das histórias de quem mora na comunidade da Vila Áurea, na periferia de SP. É por meio do sonho de ser MC, viven- ciado pelo personagem Doni, e pelo �uxo (baile funk da comuni- dade), que vemos uma parte im- portante da cultura do nosso país, muitas vezes minorizada pelas elites. O funk faz parte do dia a dia de muitas pessoas que moram nas comunidades e serve para repre- sentar suas vivências, seus gostos, suas alegrias e suas identidades. Religião Ao lado do funk, do trabalho in- formal e dos sonhos, está a re- ligião, considerada um símbolo de respeito e formação dos cidadãos da comunidade da Vila Áurea. A personagem Rita é uma das que se entrega à vida religiosa em busca de conforto e crescimento pessoal. Na realidade do povo brasileiro, a religião, conforme mostrado na série, serve como uma forte base de formação de caráter e ponto de apoio para os diferentes prob- lemas enfrentados pela população. Redação Pop 223 Variação Linguística A comunicação da maioria dos personagens da série é marcada pela variação linguística carregada de gírias advindas das comunidades, como “cavalo”(transporte/moto), “biriri” (celular), “chave” (estilo) e “goma” (casa). Desde os diálogos simples do dia a dia das pessoas, até às cenas mais marcantes entre os tra�cantes, é possível perceber palavras que fo- gem de um conhecimento geral e que marcam uma forte cultura local. “Sintonia” reforça que a variação linguística é um forte instrumento de representatividade cultural, a qual está viva nos diversos nichos da socie- dade brasileira. Importância da Família Doni é um garoto que se destaca dos outros personagens devido à pre- sença de um núcleo familiar consolidado. Por ter mãe e pai presentes em sua formação, pôde ter acesso aos estudos e não precisou trabalhar fora para garantir seu sustento (como Rita) e entrar para o trá�co (como Nan- do). A série mostra como a existência de uma base familiar interfere dire- tamente no desenvolvimento de um cidadão. Exemplo: A ocupação urbana desordenada no Brasil “A produção nacional “Sintonia”, ambientada na comunidade �ctí- cia da Vila Áurea, na periferia de São Paulo, destaca de modo hu- manizado e verossímil o cotidiano das favelas. Ao longo da trama, a re�exão social por trás dos personagens Doni, Rita e Nando é estimulada a partir das di�culdades vividas por cada um. Para além da �cção, a série representa a realidade nas residências e bairros per- iféricos por todo o Brasil, à mercê da pobreza e da exclusão social. Essa situação acentuou-se ao longo do desenvolvimento do país, que, devido à falta de planejamento e infraestrutura, causou a alta marginalização urbana evidenciada no seriado.” - Redação redigida por Lucas Felpi Redação Pop224 “NÃO OLHE PARA CIMA” 2021, 2h25min, 16+ Crise Climática No novo �lme de Adam McKay, dois astrônomos descobrem um come- ta em rota de colisão com a Terra. Escrito muito antes da pandemia, o longa teve como inspiração a emergência do aquecimento global cau- sado pelo ser humano. “É como se um cometa fosse atingir a Terra, e ninguém se importasse,” diz o diretor. Negacionismo Quando os cientistas tentam alertar as autoridades, são ignorados e des- denhados. A população prefere discutir a nomeação de um ator pornô à Suprema Corte ou o término entre celebridades. Apesar do aviso da ciên- cia, se não for possível ver o cometa —ou sentir a mudança climática— está tudo bem. Espetacularização da Notícia O alerta do �m do mundo se torna um espetáculo envolto por memes, hashtags, símbolos sexuais e jornalistas que tentam imprimir humor e leveza ao apocalipse. Em uma sociedade afundada no sensacionalismo, até o cientista-chefe Dr. Randall Mindy é rapidamente seduzido pela fama. Machismo Enquanto Dr. Mindy é o rosto bonito da campanha, Kate Dibiasky, re- Sinopse “Dois astrônomos descobrem um cometa mortal vindo em di- reção à Terra e partem em um tour midiático para alertar a hu- manidade. Só que ninguém parece dar muita bola.” Redação Pop 225 sponsável pela descoberta do meteoro, é silenciada e vilanizada. Seu co- lega homem leva o crédito e seu ex-namorado a larga para escrever um livro entitulado “Um Encontro com o Diabo” — tamanha dignidade das mulheres na ciência. Poder dos Bilionários Peter Isherwell é a caricatura dos CEOs de grandes empresas de tecnolo- gia: um mix de Elon Musk e Mark Zuckerberg. Seu poder de in�uência política, movido por interesses pessoais, é capaz de mudar o curso da humanidade. Seria o grande perigo o cometa iminente, ou bilionários sem regulamentação? Trumpismo A presidenta �ctícia Janie Orlean, vivida por Meryl Streep, é uma alusão direta a Donald Trump. Assim como o laranja, que minimizou temas como a pandemia e o aquecimento global, Orlean é uma ex-celebridade que ascendeu à política por um discurso nacionalista, que mistura pop- ulismo e pós-verdade. Redação Pop226 Anticiência A grande mensagem do �lme está na frustração dos cientistas em comu- nicar uma mensagem importante quando opiniões valem mais do que fatos. A anticiência assustadoramente real da fala “Nós apoiamos os em- pregos que o cometa vai criar”. O que vai nos matar não é um vírus, ou cometa; é a idiotice humana. Exemplo: Reconhecimento da contribuição das mulheres nas ciências da saúde no Brasil (Enem 2021 2ª aplicação) “No �lme “Não Olhe Para Cima”, a cientista Kate Dibiasky desco- bre um cometa em direção à Terra em poucos meses. Ao alertar o mundo sobre o risco iminente de extinção da humanidade, ela é alvo de montagens e memes de demônio — fama oposta à de seu colega Dr. Mindy, o ‘cientista galã’. Em terras brasileiras, observa-se tratamento semelhante dado às cientistas responsáveis por desco- bertas na área da saúde: são necessários maiores incentivos estatais às pro�ssionais do ramo e a publicização de suas contribuições na mídia.” - Redação redigida por Lucas Felpi “HOMEM-ARANHA” 2002, 8 �lmes,12+ Violência Urbana Em suas 3 versões, Peter Parker é um jovem picado por uma aranha ge- Sinopse “Depois de ser picado por uma aranha geneticamente modi�ca- da, Peter Parker ganha super poderes e as habilidades da aranha para se agarrar a qualquer superfície. Ele promete usá-los para combater o crime e começa a entender as palavras de seu querido tio Ben: com grandes poderes vêm grandes responsabilidades.” Redação Pop 227 neticamente modi�cada que ganha super habilidades pela mordida. Com seus poderes, ele decide combater o crime de Queens, Nova York, não com o objetivo de salvar o mundo, mas de prevenir crimes e salvar pessoas como o ‘amigo da vizinhança’. Assédio Sexual Em determinado momento, sua paixão de infância Mary Jane Watson é encurralada por homens em capas de chuva, que tentam assediá-la em um beco escuro. O pior é evitado pelo Homem-Ara- nha, e os dois se beijam de pon- ta-cabeça na chuva em um mais beijos mais famosos da história do cinema. Terceira Idade Peter �cou órfão quando criança e mora com seu tio Ben e sua tia May, já idosos e aposentados. Os dois desempenham papel impor- tante na formação do herói, mas também se tornam vítimas de seus inimigos e colocados em ris- co. Alvo fácil por sua vulnerabili- dade e fragilidade física, tio Ben é assassinado durante um assalto armado. Poder e Responsabilidade Tomado pela culpa, Peter lembra as palavras de seu tio: “Com grandes poderes vêm grandes re- sponsabilidades”. O provérbio popularizado pelo herói pode ser comparado às responsabilidades esperadas de pessoas e instituições às quais foram concedidas poder, como o Estado, políticos ou até in�uenciadores. Mensagem sem- elhante aparece na Bíblia: “Daque- les a quem foi con�ado muito, muito mais será pedido” (Lucas 12:48). Segurança do Trabalho Nos �lmes “O Espetacular Homem-Aranha”, vê-se um pa- drão por trás da origem dos vilões: todos são fruto de acidentes de trabalho na multinacional quími- ca Oscorp. Max é um empregado da Oscorp que sofre um acidente ao cair em um tanque de enguias magnéticas; já Dr. Curt Connors e Harry Osborn injetam soros ex- perimentais em si mesmos. Armamento Na mais recente trilogia, o vilão Abutre, codinome de Adrian Toomes, obtém tecnologia extra- Redação Pop228 terrestre na Batalha de Nova York de 2012 e decide usá-la para criar e vender armas avançadas e superar o desemprego. O negócio de Toomes cresce exponencialemnte e levanta a questão do trá�co ilegal de armas. Fake News O grande tema de “Longe de Casa”, con�rmado por seus roteiristas, é a praga da atualidade: as fake news. Mysterio é capaz de manipular a reali- dade e fazer com que todos acreditem que ele é um herói, quando real- mente é um vilão. Mesmo que �que tão clara a mentira ao �nal, metade do mundo ainda acredita nela. Justiça Restaurativa Na maior aventura do Aranha, Peter assume a missão de reabilitar os vilões do multiverso, mostrando o bem que pode acontecer quando in- vestimos nas pessoas ao invés de aprisioná-las. O conceito de justiça restaurativa defende que aqueles que fazem o mal também precisam de cura e são dignas de redenção. Exemplo: A situação atual dos idosos no Brasil “No universo das histórias em quadrinhos, Peter Parker é um ado- lescente que vive uma vida não muito ordinária para os de sua idade - seus pais morreram quando pequeno e, em um acidente, ele se descobre com superpoderes, tornando-se o herói Homem Aranha. Ao longo da narrativa, um papel importante é o de seus tios Mary e Ben, já idosos, com quem vive e dos quais depende a renda familiar. Ao �nal, aposentado e com di�culdades físicas, o tio Ben é mor- to durante um assalto armado, em um episódio bastante lembrado por fãs. Fora da �cção, a triste realidade dos idosos deve ser alvo de programas governamentais, pela condição em que se encontram em muitos domicílios brasileiros: por vezes abandonadas, por vezes explorados pelas próprias famílias.” - Redação redigida por Lucas Felpi Redação Pop 229 Sinopse “O dia-a-dia de um grupo de estudantes do Ensino Médio, à me- dida que eles exploram novos amores e amizades em um mundo de sexo, drogas, traumas e mídias sociais.” “EUPHORIA” 2019, 2 temporadas, 18+ Transtornos Mentais Rue Bennett, protagonista da série, é diagnosticada desde cedo com múltiplos transtornos mentais: TOC, dé�cit de atenção, transtorno de ansiedade generalizada e possivelmente transtorno bipolar. Isso causa nela di�culdades de concentração, ataques de ansiedade e episódios de- pressivos constantes. Uso de Drogas por Jovens Após receber Diazepam para tratar ansiedade e secretamente tomar opi- oides analgésicos do tratamento de câncer de seu pai, Rue se apega às drogas e ao álcool como mecanismo de escape, o que logo se torna vício. Ao longo da trama, ela sofre um episódio de overdose e passa a frequentar centros de reabilitação. Gravidez na Adolescência e Aborto Cassie é uma garota doce e gentil, mas com di�culdade em se relacionar pelos rumores de sua história sexual. Quando �nalmente encontra Chris McKay, acaba engravidando. Com receio de não realizar seus sonhos, ela decide interromper a gestação e busca a ajuda da mãe para a acompanhar no aborto induzido. Transexualidade Durante a infância, Jules Vaughn sofria crises de depressão e automuti- lação decorrentes de disforia de gênero, o que a leva a ser a internada em Redação Pop230 Com Zendaya, Jacob Elordi, Sydney Sweeney e Hunter Schafer no elenco, a premiada série conta a história de Rue, uma adolescente viciada em drogas. Redação Pop 231 um hospital psiquiátrico contra sua vontade. Finalmente, aos 13 anos, ela passa pelo processo da transição e começa a explorar sua verdadeira identidade e sexuali- dade. Orientação Sexual Nos últimos episódios da 1ª tem- porada, Rue se encontra apaixo- nada por Jules, um afeto que ul- trapassa o forte laço de amizade entre as duas. Elas �cam juntas sem estabelecer rótulos, marcan- do tanto uma nova descoberta sexual de Rue quanto uma redesc- oberta de interesses por parte de Jules. Abuso Físico e Emocional Nate Jacobs é o típico atleta pop- ular que namora a líder de torci- da, Maddy, em um relacionamen- to extremamente abusivo. Ele a manipula emocionalmente e che- ga a estrangular a menina, deixan- do marcas de hematomas em seu pescoço. Maddy tenta disfarçar o abuso com maquiagem, mas uma denúncia é feita. Pornogra�a Infantil Na trama, Nate passa-se por “Ty- ler” em um aplicativo de paquera e seduz Jules, que acaba enviando fotos nua para ele, sem saber quem se escondia por trás do per�l. Nate revela ser o cara do aplicativo e ameaça a entregar para a polícia pelo crime de pornogra�a infantil, já que ela é menor de idade. Homofobia Internalizada Cal Jacobs, pai de Nate, é uma das �guras mais poderosas da cidade, que vive uma vida secreta de casos com outros homens e mulheres trans. Ainda pequeno, Nate se de- para com a coleção de gravações de seu pai e reprime esse lado de si, semelhante a Cal, criando uma personalidade violenta e tóxica. Trá�co de Drogas Além do uso de drogas, vemos também a rede do trá�co, seus for- necedores e as tristes razões pelas quais se entra nesse mundo. Ash- tray (em português, Cinzeiro) tem 10 anos de idade, tatuagens no rosto e é tra�cante com seu irmão Fezco, junto do qual cuida de sua avó, que perdeu a habilidade loco- motora. Fezco é amigo de infância de Rue e é apontado por ela como responsável por alimentar o vício Redação Pop232 da garota. Positividade Tóxica A personagem de Kat sofre bullying a escola desde a infância por seu peso, acarretando problemas de autoestima e autoaceitação. Em uma das cenas mais impactantes da 2ª temporada, ela se vê enclausurada por in- �uenciadoras magras gritando lemas de amor próprio, em um retrato das redes sociais atuais. “HEARTSTOPPER” 2022, 2 temporadas, 12+ Bullying Baseada na HQ homônima, a série acompanha Charlie Spring, um ga- rotogentil que vive com as marcas emocionais do bullying. Após ter sido tirado à força do armário para o colégio no ano anterior, ele se torna alvo de olhares, insultos e comentários homofóbicos diários de seus colegas do time de rúgbi. Educação de Sexo Único Dentro da Truham Boys School, é visto como o sexismo, a homofobia e a transfobia são acentuadas em escolas de sexo único. Apesar de existir uma certa experiência universal de pessoas queer no que tange à escola, a narrativa demonstra os efeitos nocivos da segregação no ambiente esco- lar. Relacionamentos Abusivos Sinopse “Nesta série sobre amadurecimento, os adolescentes Charlie e Nick descobrem que são mais que apenas amigos e precisam lidar com as di�culdades da vida escolar e amorosa.” Redação Pop 233 No início da trama, Charlie man- tém um relacionamento secreto com Ben, no qual é mal tratado e forçado a se encontrar às escondi- das. Em determinado momento, Ben impulsiona o menino contra a parede e começa a beijá-lo à força, até que o popular Nick Nel- son intercede e resgata o amigo. Sexualidade na Adolesência A relação de Charlie e Nick �o- resce quando os dois sentam jun- tos em aula, mas uma faísca acende para além da amizade. Em toda a sua confusão, Nick passa por uma jornada de autodesco- berta da sexualidade: das pesqui- sas no Google ao despertar bissex- ual ao assistir Piratas do Caribe com a mãe. Transgeneridade Elle é uma aluna transgênero que estudava com os meninos e vai para Higgs, a escola vizinha ape- nas para meninas. Durante sua transição, ela sofre provocações cruéis tanto de seus colegas quan- to da diretoria escolar, a qual se recusa a chamá-la pelo nome so- cial e reprova a largura de seu ca- belo. Lesbofobia Na nova escola, Elle conhece Tara e Darcy, duas namoradas que es- tão prontas para divulgar publica- mente o seu relacionamento. Quando �nalmente publica uma foto assumindo sua sexualidade, Tara deve lidar com a lesbofobia dos internatutas e o tratamento diferente por suas colegas de classe. Acolhimento Familiar Cansado de manter o amor por Charlie em segredo, Nick decide assumir sua sexualidade para a mãe, brilhantemente interpretada por Olivia Colman. A mãe ouve Redação Pop234 com atenção e demonstra seu carinho incondicional pelo �lho. A aceit- ação familiar é um fator de grande in�uência na constituição da identi- dade pessoal. Representatividade Com um tom doce e otimista, “Heartstopper” aborda assuntos impor- tantes da sociedade sem resumir os seus personagens LGBTQIA+ a des- graças e fatalidades. Sua promessa está na história da simples felicidade no amor, especialmente para um grupo ao qual histórias do tipo foram negadas por tanto tempo. Exemplo: A situação atual dos idosos no Brasil “Em “Heartstopper”, Elle é uma aluna transgênero em processo de transição na Truham Boys School, uma escola britânica apenas para meninos. Antes de ser transferida, ela sofre agressões verbais por seus colegas e pelo diretor do colégio, que se recusa reiteradamente a uti- lizar seu nome social. Diante disso, pode-se observar, assim como na série, a falta de respeito à identidade de gênero de pessoas travestis e transexuais no Brasil. Decerto, o respeito do nome social desem- penha papel fundamental na garantia da dignidade e no combate ao preconceito dirigido a esse grupo no país.” - Redação redigida por Lucas Felpi “STRANGER THINGS” 2016, 4 temporadas, 16+ Sinopse “Em novembro de 1983, na pequena cidade de Hawkins, Indi- ana, um garoto de 12 anos, Will Byers desaparece misteriosa- mente. A mãe de Will, Joyce, torna-se frenética e tenta encontrar Will, enquanto o chefe de polícia Jim Hopper começa a investi- gar, assim como os amigos de Will: Mike, Dustin e Lucas.” Redação Pop 235 Desaparecimento de Crianças Hawkins, Indiana, 1983. Um garoto de 12 anos desaparece misteriosa- mente após uma noite de Dungeons & Dragons. De início, a série retra- ta os efeitos do desaparecimento infantil em uma comunidade. Uma mãe desolada, os amigos confusos, e a cidade à procura do pequeno Will Byers. Corrida Armamentista A ambientação da série na Guerra Fria revela uma análise importante: a descoberta do Mundo Invertido e os experimentos feitos a Eleven têm como propósito ultrapassar os soviéticos na corrida armamentista. Cor- ridas tecnológicas como essa descartam a ética para alcançar resultado o mais rápido possível. Publicidade Infantil Em diversos momentos, é apresentado o impacto da mídia tanto no hip- erconsumo dos jovens, como nos wa�es Eggo que Eleven vê na tele- visão, quanto na repetida frase de Dustin, “russos malvados, russos mal- vados”: a demonização dos soviéticos na cultura jovem da época. Socialização Cobaia do Projeto MKUltra por toda sua infância, Eleven passa pelo processo de socialização ao escapar do laboratório. Com Mike, Lucas e Dustin, ela descobre o que é a amizade, a con�ança, e o amor. Émile Durkheim é um dos maiores teóricos da socialização, considerando-a um processo educativo coercitivo. Adoção Sem sua mãe, Eleven está sozinha e é procurada pelos cientistas america- nos. Hopper a acolhe e cuida da garota como sua própria �lha, ensinan- do-a a comer vegetais, olhar o relógio e como se comportar à mesa. A adoção de Eleven revela o quão emocionalmente importante é a vivência Redação Pop236 familiar para crianças. Inclusão e Diversidade Dustin Henderson possui displa- sia cleidocraniana, uma doença rara que retarda o crescimento dos dentes e faz do personagem e ator banguela. A série retrata a ne- cessidade da inclusão e promove a conscientização pública a respeito do assunto: sua presença fez com que pesquisas pela doença cresces- sem 94%. Shopping Centers Na 3ª temporada, Hawkins ganha um novo cenário: o Starcourt Mall. Com ele, “Stranger �ings” mostra a sociedade fervorosa pela ascensão dos shopping centers e a criação de hábitos consumistas nesses espaços de concentração de comércios. Novos serviços como o cinema chegam à cidade. Transtornos Alimentares Chrissy é líder de torcida do time de beisebol de Hawkins High e sofre de bulimia, induzindo o vômito no banheiro após ser con- stantemente ridicularizada por sua mãe sobre sua aparência e peso. No Brasil, bulimia e anorex- ia afetam cerca de 4,7% da popu- lação em geral, mas podem chegar a 10% entre a população mais jo- vem, segundo a OMS. Bullying nas Escolas Na 4ª temporada, Eleven enfrenta o terror do Ensino Médio e a zom- baria incessante de seus colegas. Angela é o retrato das brutalidades da vida adolescente, enquanto Eleven passou sua juventude isola- da. A parte triste é que Will tam- pouco não parece defendê-la en- quanto está na escola, receoso de voltar a ser vítima de bullying em Hawkins. Exemplo: Democratização do acesso ao cinema no Brasil (Enem 2019) “No seriado de �cção cientí- �ca “Stranger �ings”, ambi- entado em 1983, a criação de um shopping center possibili- ta aos residentes de Hawkins, Indiana, o acesso às salas de cinema. Um grupo de adoles- centes, para não pagar o in- gresso caro da sessão, costuma assistir aos �lmes passando pe- los fundos de uma sorveteria. Na realidade atual brasileira, Redação Pop 237 vê-se que saídas como essa são, para muitos, a única forma de aces- so ao entretenimento cinematográ�co. De fato, a democratização do cinema no país tem como seu maior obstáculo o valor alto do ingresso, mas se faz fundamental pela relevância do cinema como arte.” - Redação redigida por Lucas Felpi “BRIDGERTON” 2020, 3 temporadas, 16+ Política do Pão e Circo No período regencial do Reino Unido, a temporada social é o grande entretenimento da nobreza. Com o objetivo de distrair as classes mais altas durante o período de atividade do parlamento, o mercado casamen- teiro torna-se um festival de bailes, jantares e cerimônias luxuosas que deixa a política em segundo plano. Sinopse “Oito irmãos inseparáveis buscam amor e felicidade na alta socie- dade deLondres. Inspirada nos best-sellers de Julia Quinn.” Redação Pop238 Casamento Infantil Embora Daphne tenha 21 anos, as debutantes da Londres regencial não tinham mais de 16 anos: uma realidade ainda dolorosamente real. No Brasil, 36% das mulheres entre 20 e 24 anos casaram-se antes dos 18 anos. O casamento precoce pode resultar em abandono escolar e maior risco de violência doméstica. O Papel da Mulher na Sociedade O descontentamento com o papel feminino perante a sociedade é um tema constante da série. Em certo momento, Daphne, diz ao irmão: “você não tem ideia do que é ser uma mulher. Como é sentir que sua vida toda é reduzida a um momento. Foi para isso que fui criada. Isso é tudo que sou. É meu único valor.” Fofoca e Cancelamento Ao longo da trama, os eventos são rigorosamente narrados pela autora sob o pseudônimo de Lady Whistledown. Em seus pan�etos de fofoca, ela publica as notícias, boatos e escândalos da mais alta nobreza. Com pena e papel, ela tem o poder de fazer ou arruinar a reputação de qualquer um, incluindo a rainha. Gravidez na Adolescência Quando Marina �ompson chega à cidade para passar a temporada com os Featheringtons, ela precisa esconder um grande segredo: a gravidez de seu falecido pretendente. Inconsolável e vista com maus olhos pela socie- dade, ela tenta interromper a gravidez com um chá de ervas abortivas, sem sucesso. Alfabetização Aos 4 anos, o Duque de Hastings ainda não havia dito uma única pala- vra, mas sabia ler melhor do que a maioria das crianças de sua idade. Sob Redação Pop 239 a tutela de Lady Danbury, ele en�m começa a falar, mas com uma gague- ira severa. O pai �ca furioso, chama-o de imbecil, ameaça bater nele e o dá por morto. Estupro Em uma das cenas mais polêmicas da série, Daphne inverte sua posição na cama para impedir o método contraceptivo de seu marido, conhecido como coito interrompido. O Duque pede que Daphne espere, mas ela continua a realizar o ato. No livro, a cena é ainda mais explícita: Simon está embriagado, e a duquesa tira proveito disso. Representação Racial O grande trunfo da série foi reescrever o passado com personagens ne- gros em papéis de importância social e �nanceira, um exemplo de revi- sionismo histórico em que a licença poética é incrivelmente importante. A série é mais um exemplo de como, nos últimos anos, a pressão por representatividade ganha cor e voz. Exemplo: Fofoca (Mackenzie 2010) “Na Londres de 1813, o que uma donzela mais teme são os boatos. Eles, mesmo que infundados e mentirosos, possuem a capacidade de destruir suas vidas perante a sociedade. Tal é a trama da série televisiva de 2020 “Bridgerton”, que retrata o poder nocivo da bis- bilhotagem à vida alheia. Fora das telas, é fato que a prática da fo- foca é prejudicial à sociedade quando tomada por inverdades e pela ausência de compaixão. Aparada pelas tecnologias modernas, a fo- foca torna-se então um veículo destrutivo para produzir difamações, agressões virtuais e cyberbullying a milhares de jovens brasileiros.” - Redação redigida por Lucas Felpia análise completa de “Elite” na página 158. Saúde 31 • O combate às epidemias no Brasil • Obesidade no Brasil • Aumento das ISTs entre os jovens brasileiros • Caminhos para combater os maus-tratos aos animais • Alcoolismo • Desa�os para uma alimentação saudável • Transtornos alimentares em jovens e adultos • Doação de órgãos no Brasil • Vacinação e movimento anti-vacina • Desa�os e importância da saúde pública no Brasil • O combate à depressão na sociedade brasileira • Expectativa de vida entre os brasileiros • Saneamento básico • O uso de drogas na contemporaneidade • Autismo • Violência obstétrica • A assistência ao tratamento de dependentes químicos • Os desa�os no combate à pobreza menstrual no Brasil • O respeito à ética na medicina • Alternativas para a melhoria da saúde pública brasileira • O fenômeno do sedentarismo no século XXI • Indústria farmacêutica IIIIII.. SaúdeSaúde Repertórios para temas dentro do eixo Saúde, como: Saúde32 LITERATURA “O Cortiço” Aluísio Azevedo, 1890 O romance naturalista do escritor maranhense retrata as relações cotidi- anas que se estabeleciam em um cortiço no Rio de Janeiro ao �nal do século XIX. A relação estabelecida entre o ambiente, a saúde e o sanea- mento básico mostram as graves consequências das condições precárias de moradia, repercutidas até os dias atuais. Con�itos são formados den- tro do cortiço e corrupção, ganância e exploração tornam-se rotineiras. “Holocausto Brasileiro” Daniela Arbek, 2013 O livro denuncia os maus-tratos reais do hospital psiquíco Colônia de Barbacena, em Minas Gerais. Depoimentos de ex-funcionários revelam episódios de violação dos direitos humanos aos pacientes com diagnósti- co de doença mental, incluindo tortura, abuso sexual, condições pre- cárias de sobrevivência e massacre humano. Mais de 60 mil pessoas per- deram suas vidas pelo propósito de “limpeza social” comparável à teoria eugenista do século XX. Exemplo: O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira (Enem 2020 Impresso) “A obra “O Holocausto brasileiro”, da escritora e jornalista Daniela Arbex, retrata as péssimas condições do maior hospital psiquiátrico do país, na cidade de Barbacena. Nesse livro, os pacientes são trat- ados por meio de métodos arcaicos e invasivos, desde agressões até choques elétricos, demonstrando a violência sofrida por indivíduos portadores de transtornos psíquicos. Assim, além de expor os abusos do sistema de saúde da época, o texto também é muito atual, uma vez que o preconceito e a omissão estatal perpetuam o estigma asso- Saúde 33 ciado às doenças mentais.” - Redação nota mil de Maria Julia Passos, retirada de “Cartilha Redação a Mil 3.0” “O Alienista” Machado de Assis, 1882 O conto de Machado de Assis acompanha o Dr. Bacamarte, que resolve se dedicar aos estudos da psiquiatria e constrói um manicômio, chamado Casa Verde, para abrigar todos os loucos de Itaguaí. Ao longo da narrati- va, Bacamarte interna mais e mais integrantes da população, até que a cidade encontrava-se com 75% de sua população internada na Casa Verde. A análise feita por Machado de Assis está nas fronteiras entre o normal e o anormal e na di�culdade de se diagnosticar distúrbios psi- cológicos pela ignorância que os rodeiam. Exemplo: O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira (Enem 2020 Impresso) “Na obra “O Alienista”, o autor Machado de Assis aborda a questão das doenças mentais, já no período do Realismo literário - século XIX, - por meio do personagem Doutor Bacamarte. No enredo, nota-se o empenho do protagonista de aprisionar os diagnosticados na “Casa Verde”, local que se assemelha aos manicômios, na tenta- tiva de isolá-los da sociedade. Apesar do ínterim entre a publicação do livro e o contexto hodierno, percebe-se que as doenças de cunho psíquico ainda são estigmatizadas no Brasil.” - Redação nota mil de Larissa Cunha, retirada de “Cartilha Redação a Mil 3.0” LEGISLAÇÃO Constituição do Brasil de 1988 Saúde34 Art. 196º A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido medi- ante políticas sociais e econômicas que visem a redução do risco de doenças e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para a sua promoção, proteção e recuperação. Lei Orgânica da Saúde (8080/1990) Art. 1º O dever do Estado de garantir a saúde consiste na formulação e execução de políticas econômicas e sociais que visem à redução de riscos de doenças e de outros agravos e no estabelecimento de condições que assegurem acesso universal e igualitário às ações e aos serviços para a sua promoção, proteção e recuperação. Art. 3º Os níveis de saúde expressam a organização social e econômica do País, tendo a saúde como determinantes e condicionantes, entre out- ros, a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, a atividade física, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e serviços essenciais. MÚSICA “Cotidiano” Chico Buarque de Holanda, 1971 “Todo dia eu só penso em poder parar Meio-dia eu só penso em dizer não Depois penso na vida pra levar E me calo com a boca de feijão” Abordagem temática: rotina exaustiva de trabalho, realidade de quem vira escravo do trabalho, estresse, síndrome de burnout. DADOS ESTATÍSTICOS 1. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do IBGE de 2019, 71,5% dos brasileiros, ou seja, mais de 150 milhões de pessoas, dependem Saúde 35 do Sistema Único de Saúde (SUS) para tratamento. 2. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha revelou que 89% dos brasileiros classi�cam a saúde - pública ou privada - como péssi- ma, ruim ou regular. 3. A proporção de obesos na população de 20 anos ou mais de idade mais que dobrou no Brasil entre 2003 e 2019, passando de 12,2% para 26,8%, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde 2019. 4. Segundo pesquisa do instituto Ipsos de 2021, 53% dos brasileiros declararam que sua saúde emocional e mental piorou desde o início da pandemia, quinto maior índice do mundo. HISTÓRIA Revolta da Vacina Rio de Janeiro, 1904 Rebelião popular contra a vacina anti-varíola, imposta como obrigatória pelo médico Oswaldo Cruz para todo brasileiro com mais de seis meses de idade em 1904. O episódio surge após um longo processo de re- urbanização do Rio de Janeiro e, consequentemente, indignação das camadas mais pobres, que foram desalojadas e afastadas da cidade. Com a imposição da vacina, o povo não aceitava ver sua casa invadida e ter que tomar uma injeção contra a vontade, e foi às ruas da capital da República protestar. Peste Negra/Peste Bubônica Europa, Ásia e África, século XIV A pandemia da peste negra, ou peste bubônica, doença responsável por matar um terço da população da Europa durante a primeira metade do século XIV, foi propagada devido às condições precárias de higiene e habitação da época. Não havia saneamento básico, tornando as casas e vilas ambientes propícios para os transmissores iniciais da doença: pulgas “A saúde como direito de todos e dever do Estado é uma demagogia e ainda tira a respons- abilidade dos cidadãos sobre o próprio bem-estar: se Estado é quem cuida, não sou eu” - Dráuzio Varella, médico brasileiro “Saúde é o estado completo de bem-estar físico, mental e social e não somente a ausência de doença.” - Organização Mundial da Saúde (OMS), agência de saúde da ONU “O homem saudável é aquele que possui um estado mental e físico em perfeito equilíbrio.” - Hipócrates, médico e �lósofo da Grécia Antiga Saúde36 CITAÇÕES e ratos. Ademais, as fezes e lixos contaminados eram descartados nas ruas, além da doença também poder ser transmitida por gotículas de sa- liva e contato direto com os infectados. Instaurou-se o isolamento social. Nobres foram para seus castelos. Médicos não tocavam em pacientes, usavam máscaras com olhos de vidro e furos para respirar e roupas de couro como proteção e arriscavam suas vidas para tentar salvar outras. “Cultivarestados mentais positivos como a generosidade e a compaixão decididamente conduz a melhor saúde mental e a felicidade.” - Dalai Lama, chefe de estado e líder espiritual do Tibete “O Estado preocupa-se com a saúde do indivíduo em função de sua utilização como instrumento de trabalho e não em função de suas esperanças, de seus anseios, de seus temores ou de seus sofrimentos.” - Jayme Landmann, médico brasileiro “A saúde é um problema político. As estruturas de saúde são re�exos da sociedade; as estruturas políticas são os nossos melhores instrumentos.” - Hélder Martins, jornalista e ex-Ministro da Saúde “O homem joga sua saúde fora para conseguir dinheiro; depois, usa o dinheiro para reconquistá-la.” - Confúcio, �lósofo e pensador chinês Saúde 37 FILMES, DOCUMENTÁRIOS E SÉRIES “SICKO: SOS Saúde” 2007 O documentário dirigido, pro- duzido e protagonizado por Mi- chael Moore é uma crítica ao sistema de saúde dos Estados Unidos, onde cerca de 50 milhões de cidadãos não possuem plano de saúde e não há sistema de saúde universal. Mesmo assim, aqueles que ainda possuem são vítimas de fraude das companhias privadas de seguro-saúde ou falta de co- bertura. A mensagem passada pelo documentarista é da visão mercantilista da saúde, que mar- tiriza vidas em nome do lucro capitalista. “Patch Adams: O Amor é Con- tagioso” 1998 Passado em 1969, o protagonista Hunter Adams é um estudante de medicina que acredita em méto- dos não convencionais para aju- dar seus pacientes, após ter sido internado temporariamente em um hospital psiquiátrico. O �lme critica o conservadorismo de médicos na hierarquia de poder hospitalar e traz à tona a importân- cia dos doutores da alegria, que aumentam os índices de cura e alívio das doenças ao despertar a alegria nos pacientes. “Nise: O Coração da Loucura” 2015 O longa-metragem brasileiro es- trelado por Glória Pires retrata a vida e história da mulher que, nos anos 50, revolucionou o tratamen- to psiquiátrico: Nise da Silveira. A psiquiatra, que se recusava a uti- lizar as técnicas da lobotomia e eletrochoque em pacientes que sofrem da esquizofrenia, gerou uma ruptura do sistema manico- Saúde38 Maria Oliveira - 07703603007 mial existente através do amor e da arte. Ela traz um novo olhar à loucu- ra e ressalta como o despertar criativo e o tratamento humanizado po- dem proporcionar calento. “Coringa” 2017 Em “Coringa”, Arthur Fleck sofre do Transtorno da Expressão Emocio- nal Involuntária, sendo negligenciado, ignorado e atacado por sua condição - uma apatia dolorosamente retratada no �lme. A assistência social a que ele vai tem o fundo orçamentário cortado e não supre mas seus remédios ou sessão de terapia. É nesse momento, com a precarie- Saúde 39 dade do sistema de saúde e o preconceito social, que o Coringa surge. Exemplo: O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira (Enem 2020 Impresso) “No �lme estadunidense “Coringa”, o personagem principal, Ar- thur Fleck, sofre de um transtorno mental que o faz ter episódios de riso exagerado e descontrolado em público, motivo pelo qual é frequentemente atacado nas ruas. Em consonância com a realidade de Arthur, está a de muitos cidadãos, já que o estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira ainda con�gura um desa�o a ser sanado. Isso ocorre, seja pela negligência governamental nesse âmbito, seja pela discriminação dessa classe por parcela da popu- lação verde-amarela.” - Redação nota mil de Julia Vieira, retirada de “Cartilha Redação a Mil 3.0” “Sob Pressão” 2017 A série da Globo é um retrato pro- fundo e cru da denúncia das péssi- mas condições do sistema público de saúde no Brasil. Com cenas fortes e realistas, a obra mostra o cotidiano de pro�ssionais de saúde que lutam para salvar vidas onde falta todo tipo de recurso, enquan- to também travam batalhas por problemas emocionais e familiares. Em um especial de 2020, a série também aborda a vida e trabalho incessante dos pro�ssionais duran- te a pandemia de COVID-19. Saúde40 “Maze Runner” 2014 No universo pós-apocalíptico da saga, �omas e um grupo de garotos são colocados em um jogo de labirinto gigante para serem testados em situações adversas de medo, ansiedade e terror, a �m de encontrar uma cura ao vírus letal que alastrou a humanidade. Comparável à busca acel- erada à vacina do novo coronavírus, os jovens imunes são estudados em simulações para descobrir o que os diferenciam dos demais. “Grey's Anatomy” 2005 “Grey’s Anatomy” descreve o cotidiano do Seattle Grace Hospital e as experiências vividas pelos médicos, cirurgiões e residentes. Como hospi- tal particular, inúmeras pessoas que não conseguem atendimento de qualidade em hospitais da rede pública recorrem a ele e devem desem- bolsar milhares de dólares para sua saúde, mesmo às vezes sem condições. Leia a análise completa de “Maze Runner” na página 212. Saúde 41 Muitos debates da medicina são abordados como a ética na pro�ssão, o racismo, aborto, alcoolismo, drogas, abusos e muito mais. “O Poço” 2020 Muito popular durante a pandemia, o �lme da Net�ix retrata um futuro distópico em que prisioneiros são con�nados em uma estrutura vertical onde os primeiros comem um banquete e aos demais restam apenas as sobras. Em teoria, o banquete seria su�ciente para todos, mas o luxo dos níveis superiores impossibilita a distribuição justa dos recursos. O prob- lema da insegurança alimentar e da fome, muito presente igualmente no Brasil, é destacado nas ações violentas e instintos de sobrevivência dos con�nados para suprir seus estômagos vazios. Leia a análise completa de “Grey's Anatomy” na página 176. Leia a análise completa de “O Poço” na página 179. Saúde42 “Grey's Anatomy”, criada por Shonda Rhimes, é uma das mais famosas séries médi- cas da atualidade, abordando assuntos polêmicos em meio a romance e drama. Saúde 43 Saúde44 Segurança 45 • O combate à violência urbana na sociedade brasileira • Os desa�os da segurança pública no Brasil • O porte e posse de armas no Brasil • O sistema carcerário brasileiro • Justiça com as próprias mãos • O papel da polícia para aprimoramento da segurança • O combate às infrações de trânsito nas rodovias brasileiras • A realidade prisional feminina no Brasil • A repressão violenta de manifestações • Altos índices de criminalidade • A guerra das drogas • As manifestações de violência nos estádios brasileiros de futebol • A segurança da informação no século XXI • A proteção de dados pessoais • Desa�os do sistema de segurança pública no Brasil • Corrupção policial • Trá�co de pessoas LITERATURA “Estação Carandiru” Dráuzio Varella, 1999 IVIV.. SegurançaSegurança Repertórios para temas dentro do eixo Segurança, como: Segurança46 No livro, o médico Dráuzio Va- rella relata 10 anos de atendimen- to voluntário na Casa de De- tenção de São Paulo, o maior presídio do Brasil, e o episódio do Massacre do Carandiru, quando uma intervenção da Polícia Mili- tar para conter uma rebelião cau- sou a morte de 111 detentos. Ele mostra como um código penal não-escrito organiza o comporta- mento da população carcerária e como a violência é ali perpetuada. “Vigiar e Punir” Michel Foucault, 1975 Na obra “Vigiar e Punir”, Michel Foucault trata do processo como a Justiça deixou de aplicar tortu- ras mortais e passou a buscar a “correção” dos criminosos. Porém, isso não reduziu o poder do Estado. A diferença seria que foi criada uma série de mecanis- mos que visam separar os in- divíduos em normal ou anormal, cidadão ou deliquente. Foucault apresenta o modelo do Pan-ópti- co, em que todos são observados em sociedade e o papel do Estado é de vigiar e selecionar aqueles que se deve “corrigir” e “refor- mar”. “Capitães da Areia” Jorge Amado, 1937 O romance, que trata de um gru- po de crianças de rua em Salvador, na Bahia, procura mostrar não apenas os assaltos e as atitudes vio- lentas dadeliquência juvenil, mas também as aspirações e os pensa- mentos ingênuos, comuns a qualquer criança. São estes perso- nagens que, no mundo real, se tor- nam “soldados do crime organiza- do”. Existem e ainda vão continuar existindo muitos Pedros Bala, muitas Doras, muitos “capitães” que surgirão das areias da desigual- dade e que, infelizmente, continu- arão sendo manchetes dos nossos noticiários. Segurança 47 LEGISLAÇÃO Constituição do Brasil de 1988 Art. 5º Todos são iguais perante a lei [...], garantindo-se [...] a invio- labilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segu- rança e à propriedade. Art. 6º São direitos sociais a edu- cação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desa- mparados, na forma desta Con- stituição. MÚSICA “Homem na Estrada” Racionais MC's, 1993 “No seu lado não tem mais ninguém A justiça criminal é implacável Tiram sua liberdade, família e moral Mesmo longe do sistema carcerário Te chamarão para sempre de ex-presidiário” Abordagem temática: sistema prisional, reinserção de presos na sociedade. “Diário de um Detento” Racionais MC's, 1997 “Tirei um dia a menos ou um dia a mais, sei lá Tanto faz, os dias são iguais Acendo um cigarro, e vejo o dia passar Mato o tempo pra ele não me matar” Abordagem temática: realidade do sistema prisional, falta de atividades voltadas à reinserção dos presos na sociedade. DADOS ESTATÍSTICOS 1. De acordo com o levantamen- to Monitor da Violência de 2019, o número de pessoas presas no Brasil é 682 mil. Penitenciárias, porém, estão 54,9% acima da capacidade. 2. O Brasil lidera o ranking mun- dial de homicídios em númer- os absolutos, de acordo com dados do Estudo Global sobre Homicídios 2023. Em homicídios per capita, está na 11ª posição. 3. Segundo dados da ONU de 2019, o Brasil é o segundo país mais violento da América do Sul. “A violência destrói o que ela pretende defender: a dignidade da vida, a liberdade do ser humano” - João Paulo II, papa da Igreja Católica Apostólica Romana “A violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota.” - Jean-Paul Sartre, �lósofo e escritor francês “A força gerada pela não violência é in�nitamente maior do que a força de todas as armas inventadas pela engenhosidade do homem.” - Mahatma Gandhi, líder indiano “Não se pode manter a paz pela força, mas sim pela concórdia.” - Albert Einstein, físico e matemático alemão Segurança48 CITAÇÕES “O Estado não pode fomentar a violência, mas sim contê-la” - Sérgio Adorno, sociólogo e professor da USP Segurança 49 FILMES, DOCUMENTÁRIOS E SÉRIES “Bacurau” 2019 O premiado �lme brasileiro retrata o cenário de violência no Brasil em um microcosmo banhado de sangue: a cidade �ctícia de Bacurau, no sertão do Pernambuco. Os moradores de Bacurau lidam com a estranha visita de forasteiros e, a partir desse embate e da luta contra a fome, a desigualdade, a omissão do Estado e ainda a violência étnica, surgem as armas e o derramar de sangue. A obra é um retrato �el e atual do estado de violência que estamos submergidos. Segurança50 “Presos que menstruam” 2018 O curta-metragem “Presos que Menstruam” narra a história de mulheres no sistema carcerário brasileiro, que vivem más condições de higiene (muitas sem o direito a absorventes), precon- ceito contra lésbicas e as di�cul- dades das mães e de bebês que crescem com a liberdade cercea- da. Com apenas 25 minutos, o curta incita a re�exão sobre a aus- ência do Estado na proteção de tais pessoas e na abertura da crim- inalidade como um caminho para mulheres que não tem como se sustentar ou a seus �lhos. “Última Parada 174” 2008 O �lme franco-brasileiro conta uma �cção sobre a vida de Sandro Barbosa, um garoto de rua do Rio de Janeiro que sobreviveu à Cha- cina da Candelária em 1993 e, anos mais tarde, orquestraria o famoso sequestro do ônibus 174, repercutido por todo o Brasil. A obra relata os problemas da falta de assistência do Estado e da mar- ginalização da população de rua, gerando um ciclo da violência na sociedade. Ao �nal, é recontado o episódio do ônibus 174 e os efeitos do crime organizado. “Batman: O Cavaleiro das Trev- as” 2008 O personagem Batman, conheci- do como o justiceiro de Gotham, traça uma forte relação ao desejo popular de justiça pelas próprias mãos devido à ine�ciência dos sistemas de justiça vigentes. Por- tanto, homens e mulheres saem às ruas para vingar atrocidades com- Leia a análise completa de “La Casa de Papel” na página 147. Segurança 51 etidas por outros, empregando mais violência como meio para tal - o famoso “olho por olho, dente por dente”. “Tropa de Elite” 2007 “Tropa de Elite” é um �lme policial brasileiro que tem como tema a vi- olência urbana no Rio de Janeiro e, principalmente, nas regiões dos mor- ros e favelas. A grande presença de cenas de tiroteio entre a polícia e tra�cantes revela o cotidiano desses espaços e a realidade vivenciada por milhões de brasileiros. O �lme foi contestado por muitos ao atribuir a culpa de tal violência aos usuários de substâncias ilícitas que, consequen- temente, fomentam a expansão do trá�co de drogas. “La Casa de Papel” 2014 A trama dos grandes roubos espanhóis traça uma importante relação entre a criminalidade retratada e o contexto que a cerceia. A crise econômica espanhola que antecede a narrativa, a crise do euro, causa o agravamento da pobreza, a subversão ao sistema e, logo, o planejamento do ‘atraco’ do grupo mascarado de Salvador Dalí. Além disso, é retratado posteriormente um episódio de tortura moderna ao personagem Rio. “Star Wars” 1977 Com �lmes de ação e aventura, a saga interestelar de�nitivamente apre- senta um considerável teor de violência. Porém, pode-se traçar uma análise da mensagem passada pelos Jedi nos �lmes sobre o paci�smo. No “Episódio V - O Império Contra-Ataca”, Mestre Yoda explica a Luke Skywalker que um Jedi usa a Força somente para meios de informação e Leia a análise completa de “Star Wars” na página 203. Segurança52 autodefesa - nunca para agressão. Se tal princípio fosse aplicado à socie- dade atual, teríamos mais diálogo e mais segurança ao invés de um ciclo de violência. Meio Ambiente e Sustentabilidade 53 • Mobilidade urbana sustentável • O perigo das secas e escassez da água no Brasil • A problemática do descarte de lixo no Brasil • A permanência do desmatamento na Amazônia • A importância da preservação do meio ambiente • Consciência ambiental e ativismo ambiental • Alteração climática e aquecimento global • Comércio ilegal de animais silvestres • Trá�co de animais • Poluição dos solos e uso dos agrotóxicos • Desenvolvimento econômico sustentável • Os desa�os de implementar a educação ambiental no Brasil • Os efeitos da falta de proteção ambiental • O aumento das queimadas no território brasileiro • Desastres ambientais • O desenvolvimento de cidades sustentáveis • Crise hídrica no Brasil • Agronegócio no Brasil • Aumento das inundações e do nível do mar • Os desa�os da relação entre o homem e o meio ambiente VV.. Meio Ambiente e Meio Ambiente e SustentabilidadeSustentabilidade Repertórios para temas dentro do eixo Meio Ambiente e Sustentabilidade, como: Meio Ambiente e Sustentabilidade54 LEGISLAÇÃO Constituição do Brasil de 1988 Art. 225º Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia quali- dade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras ger- ações. Novo Código Florestal (12.651/2012) Art. 1º Esta Lei estabelece nor- mas gerais sobre a proteção da vegetação, áreas de Preservação Permanente e as áreas de Reserva Legal; a exploração �orestal, o su- primento de matéria-prima �or- estal, o controleda origem dos produtos �orestais e o controle e prevenção dos incêndios �or- estais, e prevê instrumentos econômicos e �nanceiros para o alcance de seus objetivos. DADOS ESTATÍSTICOS 1. De acordo com um relatório de 2021 do Painel de Cientis- tas da ONU para Mudanças Climáticas, a concentração de CO2 no planeta é quase 50% maior do que há um século e meio e a temperatura média já subiu 1.1ºC. 2. O desmatamento na Amazônia brasileira atingiu a maior área registrada nos últi- mos 12 anos, segundo dados o�ciais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), com crescimento de 9,5% em relação a 2019. 3. Segundo dados do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2020, a geração de lixo no Bra- sil aumentou em 12,4 milhões de toneladas de 2010 a 2019. 4. O mesmo estudo diz ainda que cada brasileiro produz, em média, 379,2 kg de lixo por ano, o que corresponde a mais de 1 kg por dia. 5. Segundo dados da Organi- zação das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o Brasil é o 3º com maior uso absoluto de agrotóx- icos no mundo, depois da China e dos EUA. Meio Ambiente e Sustentabilidade 55 6. De acordo com os dados do Instituto de Pesquisa Econômica Apli- cada (Ipea) de 2019, a matriz energética brasileira é formada por 45% de fontes renováveis e 54% de fontes fósseis. FILOSOFIA Sociedade do Consumo Jean Baudrillard, sociólogo francês A Sociedade do Consumo é um termo utilizado na economia e so- ciologia para designar a sociedade que entra em uma etapa avança- da de desenvolvimento industrial capitalista e que se caracteriza pelo consumo massivo de bens e serviços. Uma característica marcante do conceito é o efeito do super consumismo ao meio ambiental, o qual é extorquido e exterminado para suprir a demanda pelo materialismo. Ética Ambiental Peter Singer, �lósofo australiano Em sua teoria, Singer propõe uma ética voltada à sustentabilidade: ele incentiva a consideração dos interesses de todas as criaturas sencientes e rejeita os ideais de uma sociedade materialista, na qual o sucesso é medi- do pelo número de bens de consumo que alguém é capaz de acumular. “Só quando a última árvore for derrubada, o último peixe for morto e o último rio for poluí- do é que o homem perceberá que não pode comer dinheiro.” - Provérbio indígena CITAÇÕES “Inteligência é a habilidade das espécies para viver em harmonia com o meio ambiente” - Paul Atson, co-fundador do Greenpeace “O animal é tão ou mais sábio do que o homem: conhece a medida da sua necessidade, enquanto o homem a ignora.” - Demócrito, �lósofo grego “Cada dia a natureza produz o su�ciente para nossa carência. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não havia pobreza no mundo e ninguém morreria de fome.” - Mahatma Gandhi, líder indiano “Não deveríamos ter de faltar à aula para lutar contra a mudança climática. É um fracasso das gerações anteriores que não �zeram nada” - Greta �unberg, ativista sueca Meio Ambiente e Sustentabilidade56 “O homem fez da Terra um inferno para os animais.” - Arthur Schopenhauer, �lósofo alemão “Aja de modo que os efeitos da tua ação sejam compatíveis com a permanência de uma autêntica vida humana sobre a Terra.” - Hans Jonas, �lósofo alemão “É triste pensar que a natureza fala e que o gênero humano não a ouve.” - Victor Hugo, escritor francês “Só se pode vencer a natureza obedecendo-lhe” - Francis Bacon, �lósofo inglês Meio Ambiente e Sustentabilidade 57 FILMES, DOCUMENTÁRIOS E SÉRIES “Oceano de Plástico” 2015 O documentário “Oceano de Plástico”, dirigido e roteirizado pelo jornalista e cineasta Craig Leeson, mostra a poluição dos oceanos pelo plástico e o seu im- pacto para os animais, as pessoas e os ecossistemas circundantes. É explorado como o estilo de vida humano tem consequências na destruição das espécies marinhas e apresentam-se tecnologias e soluções inovadoras que podem ser postas em prática. “Trashed: Para Onde Vai Nosso Lixo” 2012 Neste documentário, Candida Brady e Jeremy Irons, além de abordarem a questão da quanti- dade de lixo em si, acusam os gov- ernos de não se importarem com o destino dos resíduos. O �lme mostra a falta de reciclagem e bons hábitos da população quan- to ao assunto, sugerindo algumas práticas a serem utilizadas. “O Dia Depois de Amanhã” 2004 O �lme de �cção apresenta o pos- sível futuro do planeta caso o aquecimento global continue sen- do negligenciado: uma catástrofe climática abrupta com consequên- cias gravíssimas. O protagonista Jack Hall, especialista em meteo- rologia, percebe o que está por vir e tenta alertar as autoridades, mas é tarde demais. Temperaturas de- scem vertiginosamente, cidades são inundadas e uma nova era do gelo está prestes a começar. “Wall-E” 2008 “Wall-E”, da Disney, transparece uma mensagem ambiental clara. Meio Ambiente e Sustentabilidade58 Em um planeta inabitável pelo acúmulo descomunal de lixo, os hu- manos restantes são obrigados a viverem em uma nave enquanto robôs gradativamente limpam a face da Terra. Embora o �lme tenha a trama em volta dos personagens robôs, é possível analisar o contexto no qual a narrativa se insere para explorar temas sobre lixo e possíveis impactos das ações humanas em um futuro distante. “Rio” 2011 A animação brasileira de 2011 acompanha uma arara-azul, Blu, que ao nascer foi capturada na �oresta do Rio de Janeiro e levada para os Estados Meio Ambiente e Sustentabilidade 59 Meio Ambiente e Sustentabilidade60 Unidos. É descoberto que Blu é o último macho da espécie e encon- tra a última fêmea viva, Jade. Logo a seguir, os dois são captur- ados por uma quadril- ha que vende aves raras. O �lme gira em torno da temática do trá�co de animais sil- vestres, prática que consiste em um crime ambiental e vem con- tribuindo para a ex- tinção de muitas es- pécies da nossa biodiversidade. “Expresso do Amanhã” 2020 A série da Net�ix é uma distopia climática assustadoramente real: após a humanidade ignorar a emergência do aquecimento global até o seu ponto crítico, ci- entistas tentam resfriar a Terra arti�cialmente com bombas atômicas. O resultado é um pla- neta congelado e inabitável, onde a única salvação é um trem im- parável que contorna a Terra le- vando consigo os últimos sobre- viventes do planeta. “Vingadores: Ultimato” 2015 No épico �lme da Marvel, �anos é um vilão que planeja exterminar 50% dos seres vivos baseado na sua de- scrença na gestão am- biental. Para ele, cujo planeta de origem foi destruído pela super- população e guerras por recursos, não há chances de sobre- vivência em um uni- verso com tamanha demanda populacio- nal e insu�ciente oferta de recur- sos. Embora o plano seja absurdo, a preocupação de �anos é rele- Leia a análise completa de “Vingadores” na página 126. Meio Ambiente e Sustentabilidade 61 vante à discussão da implementação e�caz do desenvolvimento suste- ntável. “Homem” 2012 O curta-metragem apresenta por meio do personagem Man (Homem) a relação entre o ser humano e o meio ambiente. Através das atitudes do personagem, podemos ver a degradação da natureza causada pelo próprio ser humano. Man polui rios, mata os animais, derruba �orestas e trans- forma tudo em produtos para seu próprio consumo. Após acabar com todas as formas de vida na Terra, ele termina sozinho em uma grande pilha de lixo, em um planeta inabitável. Meio Ambiente e Sustentabilidade62 Ciência e Tecnologia 63 • Caminhos para alcançar a inclusão digital no Brasil • Re�exos da 4ª Revolução Industrial na sociedade contemporânea • Os efeitos da exposição exagerada no ambiente cibernético • O perigo da invasão de privacidade • O problema do uso excessivo da tecnologia entre os brasileiros • O impacto das notícias falsas na sociedade brasileira • A desvalorização da ciência no Brasil • A importância da pesquisa cientí�ca • A importância da popularização da ciência • O re�exo da tecnologia no mercadode trabalho • A relação do homem com a tecnologia • Corrida espacial • Exposição das redes sociais a crianças e jovens • Impacto da tecnologia na democracia brasileira • Cyberbullying • Linchamento virtual no mundo digital • Os perigos do lixo eletrônico para o meio ambiente • As consequências da manipulação de imagens e vídeos na internet • O crescimento do uso de ferramentas de Inteligência Arti�cial • Impactos da tecnologia em sala de aula no Brasil • Tecnologia e a desigualdade social VIVI.. Ciência e TecnologiaCiência e Tecnologia Repertórios para temas dentro do eixo Ciência e Tecnologia, como: Ciência e Tecnologia64 LITERATURA Poema “À Televisão” José Paulo Paes, 1992 “Teu boletim meteorológico me diz aqui e agora se chove ou se faz sol. Para que ir lá fora? A comida suculenta que pões à minha frente como-a toda com os olhos. Aposentei os dentes. Nos dramalhões que encenas há tamanho poder de vida que eu próprio nem me canso em viver. Guerra, sexo, esporte me dás tudo, tudo. Vou pregar minha porta: já não preciso do mundo.” Abordagem temática: poder da mídia, manipulação por meio da mídia. “1984” George Orwell, 1949 O livro retrata uma sociedade distópica em que a tecnologia é utilizada como ferramenta de controle e opressão. A "teletela", um dispositivo onipresente, monitora cada movimento e palavra dos cidadãos e trans- mite comunicados públicos do Partido. Orwell critica a forma como a tecnologia pode ser usada para restringir a liberdade individual, manip- ular as informações e distorcer a realidade. Ciência e Tecnologia 65 Exemplo: Manipulação do comportamento do usuário pelo con- trole de dados na internet (Enem 2018) “No livro “1984” de George Orwell, é retratado um futuro distópi- co em que um Estado totalitário controla e manipula toda forma de registro histórico e contemporâneo, a �m de moldar a opinião pública a favor dos governantes. Nesse sentido, a narrativa foca na trajetória de Winston, um funcionário do contraditório Ministério da Verdade que diariamente analisa e altera notícias e conteúdos midiáticos para favorecer a imagem do Partido e formar a população através de tal ótica. Fora da �cção, é fato que a realidade apresentada por Orwell pode ser relacionada ao mundo cibernético do século XXI: gradativamente, os algoritmos e sistemas de inteligência arti�- cial corroboram para a restrição de informações disponíveis e para a in�uência comportamental do público, preso em uma grande bolha sociocultural.” - Redação nota mil de Lucas Felpi, retirada de “Cartilha Redação a Mil” “Admirável Mundo Novo” Aldous Huxley, 1932 Huxley escreve sobre uma visão pessimista do futuro e critica ferozmente o culto positivista à ciência. No romance distópico, passado “no ano 600 da Era Fordiana”, em alusão satírica a Henry Ford, seres humanos são criados em linhas de montagem e moldados por meio de hipnose auditi- va, a “hipnopedia”. O livro é uma sátira à nova sociedade mecanizada, padronizada e automatizada e apresenta um forte ceticismo em relação à ideia de progresso. Exemplo: Manipulação do comportamento do usuário pelo con- trole de dados na internet (Enem 2018) “No livro Admirável Mundo Novo do escritor inglês Aldous Hux- ley é retratada uma realidade distópica na qual o corpo social pa- Ciência e Tecnologia66 droniza-se pelo controle de informações e traços comportamentais. Tal obra �ctícia, em primeira análise, diverge substancialmente da realidade contemporânea, uma vez que valores democráticos im- peram. No entanto, com o in�uente papel atribuído à internet, con- �gurou-se uma liberdade paradoxal tangente à regulamentação de dados. Assim, faz-se profícuo observar a parcialidade informacional e o consumo exacerbado como pilares fundamentais da problemáti- ca.” - Redação nota mil de Sílvia Lima, retirada de “Cartilha Redação a Mil” LEGISLAÇÃO Constituição do Brasil de 1988 Art. 220º A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a in- formação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição. Marco Civil da Internet (12.965/2014) Art. 1º Esta Lei estabelece princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da internet no Brasil e determina as diretrizes para atuação da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios em relação à matéria. Lei de Inovação Tecnológica (10.973/2004) Art. 1º Esta Lei estabelece medidas de incentivo à inovação e à pesquisa cientí�ca e tecnológica no ambiente produtivo ao alcance da autonomia tecnológica e ao desenvolvimento do sistema produtivo. MÚSICA “Pela Internet” Gilberto Gil, 1997 Ciência e Tecnologia 67 “Eu quero entrar na rede Pra manter o debate Juntar via Internet Um grupo de tietes de Connecticut De Connecticut acessar O chefe da Mac-milícia de Milão Um hacker ma�oso acaba de soltar Um vírus pra atacar programas no Japão Eu quero entrar na rede pra contactar Os lares do Nepal, os bares do Gabão Que o chefe da polícia carioca avisa pelo celular Que lá na praça Onze tem um vídeo-pôquer para se jogar” Abordagem temática: tecnologia como ferramenta de conexão global. “Admirável Chip Novo” Pitty, 2003 “Pane no sistema Alguém me descon�gurou Aonde estão meus olhos de robô? Eu não sabia, eu não tinha percebido Eu sempre achei que era vivo Parafuso e �uido em lugar de articulação Até achava que aqui batia um coração Nada é orgânico, é tudo programado E eu achando que tinha me libertado Mas lá vêm eles novamente Eu sei o que vão fazer Reinstalar o sistema Pense, fale, compre, beba Leia, vote, não se esqueça Use, seja, ouça, diga Tenha, more, gaste, viva Ciência e Tecnologia68 Pense, fale, compre, beba Leia, vote, não se esqueça Use, seja, ouça, diga Não, senhor, sim, senhor Não, senhor, sim, senhor” Abordagem temática: dependência tecnológica, ausência de autonomia individual. DADOS ESTATÍSTICOS 1. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do IBGE de 2022, 87,2% (ou 161,6 milhões) das pessoas de 10 anos ou mais de idade do país estão conectados à Internet. 2. Quando se compara a rede de ensino, segundo o IBGE, 98,4% dos estudantes da rede privada utilizaram a Internet em 2022, ao passo que entre os estudantes da rede pública o percentual foi de 87,0%. 3. De acordo com o Índice Anual do Estado da Ciência de 2019, 74% pensam que o Brasil está �cando para trás na realização de avanços cientí�cos. 4. 68,9% dos brasileiros declarou con�ar na ciência, de acordo com o estudo Con�ança na Ciência no Brasil, pelo INCT-CPCT. FILOSOFIA Modernidade Líquida Zygmunt Bauman, sociólogo polonês Bauman defende que vivemos na era da modernidade líquida, caracteri- zada pela �uidez e rapidez com que as relações sociais e ideias são feitas e desfeitas. A inconsistência e a fragilidade dos laços entre as pessoas foram intensi�cadas, segundo ele, pelo surgimento das novas tecnologias. Ciência e Tecnologia 69 Positivismo Auguste Comte, �lósofo francês O positivismo de Comte é uma corrente �losó�ca que aposta na ordem e nas ciências para a obtenção de progresso social. O objetivo de toda sociedade seria alcançar a etapa �nal da marcha de desenvolvimento da humanidade: o estado positivo, onde a ciência baseada na observação elabora o conhecimento humano sobre a natureza, buscando respostas na própria natureza. Aldeia Global Marshall McLuhan, �lósofo canadense Apesar de não conhecer a internet, McLuhan criou o conceito de aldeia global para representar o encurtamento de distâncias e a facilidade de trocas culturais entre os diferentes povos com o avanço nas tecnologias de informação e comunicação, quebrando fronteiras geográ�cas, cul- turais, sociais e de outros tipos. HISTÓRIA Iluminismo França, 1715 O Iluminismo foi um movimento intelectual e �losó�co durante os séculos XVII e XVIII na Europa, que representou uma ruptura com o passado e promoveu uma revolução nas artes, ciências e tecnologia com o avanço da razão e do métodocientí�co. Revoluções Industriais 1760-1850, 1850 -1945, 1950 As 4 Revoluções Industriais são estudadas por historiadores como mo- mentos decisivos no progresso cientí�co-tecnológico. Cada uma conta com inovações e contextos diferentes, embora igualmente relevantes. “A tecnologia move o mundo.” - Steve Jobs, fundador da Apple “Tornou-se aparentemente óbvio que a nossa tecnologia excedeu a nossa humanidade.” “O espírito humano precisa prevalecer sobre a tecnologia.” - Albert Einstein, físico alemão “Os homens criam as ferramentas. As ferramentas recriam os homens.” - Marshall McLuhan, �lósofo canadense Ciência e Tecnologia70 Guerra Fria 1947 Durante a Guerra Fria, travada entre EUA e URSS, presenciou-se, ao invés de uma guerra física, uma grande corrida tecnológica, armamentis- ta e espacial, com incentivos estatais à pesquisa cientí�ca. CITAÇÕES “A ciência é feita de erros, mas é bom cometer erros, pois, gradual- mente, eles nos levam à verdade.” - Julio Verne, escritor francês “Toda nova tecnologia cria seus excluídos.” - Pierre Lévy, �lósofo francês “Ciência e tecnologia revolucionam nossas vidas, mas a memória, a tradição e o mito moldam nossas respostas” - Arthur Schlesinger, historiador “A humanidade está adquirindo a tecnologia certa pelas razões erradas.” - Richard Buckminster Fuller, escritor e inventor Ciência e Tecnologia 71 FILMES, DOCUMENTÁRIOS E SÉRIES “Dilema das Redes” 2020 O documentário da Net�ix en- trevista especialistas em tecnolo- gia e pro�ssionais da área que co- letivamente denunciam um mesmo problema: a tecnologia está colocando a humanidade em risco. As plataformas das redes so- ciais e aplicativos de celular são construídos intencionalmente para serem viciantes e para moldarem o comportamento do usuário ao seu favor. Sem ações por parte da legislação pública, a polarização política e os confron- tos étnicos e sociais se agravaram ao ponto de escaparem das telas. “Ela” 2013 Em “Ela”, �eodore é um escritor solitário, que acaba de comprar um novo sistema operacional de voz para o seu computador. Para a sua surpresa, ele acaba se apaixo- nando pela voz do programa, dando início a uma relação amo- rosa entre ambos. O �lme conta uma história de amor incomum e explora a relação entre o homem contemporâneo e a tecnologia. “A Rede Social” 2010 O �lme conta a história de origem da rede social Facebook, na qual o jovem estudante Mark Zucker- berg, revoltado com sua ex-namorada, cria um mundo vir- tual paralelo para se tornar social- mente relevante e popular. A obra mostra até onde alguém vai para conquistar o status e o sucesso, com traições, ganância e a fuga da realidade. “Matrix” 1999 Ciência e Tecnologia72 O �lme acompanha a descoberta do jovem programador �omas An- derson, que atende entre os hackers como Neo, de que a realidade não é o que parece. Todo o longa é como se fosse uma adaptação da alegoria da caverna, de Platão. A ideia proposta pelas diretoras Lana e Lilly Wa- chowski é que as máquinas dominaram a humanidade e criaram uma realidade simulada para os humanos não acordarem do transe. Exemplo: Manipulação do comportamento do usuário pelo con- trole de dados na internet (Enem 2018) “No �lme “Matrix“, clássico do gênero �cção cientí�ca, o protago- nista Neo é confrontado pela descoberta de que o mundo em que vive é, na realidade, uma ilusão construída a �m de manipular o comportamento dos seres humanos, que, imersos em máquinas que mantém seus corpos sob controle, são explorados por um sistema distópico dominado pela tecnologia. Embora seja uma obra �ccion- al, o �lme apresenta características que se assemelham ao atual con- texto brasileiro, pois, assim como na obra, os mecanismos tecnológi- cos têm contribuído para alienação dos cidadãos, sujeitando-os aos �ltros de informações impostos pela mídia, o que in�uencia nega- tivamente seus padrões de consumo e sua autonomia intelectual.” - Redação nota mil de Fernanda Santos, retirada de “Cartilha Redação a Mil” “Black Mirror” 2011 “Black Mirror” é uma série britânica antológica que reconta os males da tecnologia e, mais que isso, atribui a culpa ao ser humano por não saber lidar com ela. Cada episódio narra uma inovação assustadora diferente, mais próxima da realidade do que se imagina, enquanto aborda temas como privacidade digital, polarização política, vício digital, hackers, lin- chamento virtual e dilemas éticos tecnológicos. Ciência e Tecnologia 73 “O Jogo da Imitação” 2014 O �lme retrata a história do matemático Alan Turing na criação da “Enigma” – máquina capaz de descriptografar os códigos nazistas na Segunda Guerra Mundial. A invenção dele foi tão importante que os computadores foram originados a partir de seus estudos. Exemplo: Manipulação do comportamento do usuário pelo con- trole de dados na internet (Enem 2018) “Em “O jogo da imitação”, o personagem Alan Turing prejudica o avanço da Alemanha nazista, quando consegue decifrar os algorit- mos correspondentes ao projeto de guerra de Hitler. Diante disso, pode-se observar, desde a segunda metade do século XX, a relevân- cia do conhecimento tecnológico para atingir certos objetivos. Con- tudo, diferentemente desse contexto, atualmente, utiliza -se, muitas vezes, a tecnologia não para o bem coletivo, como no �lme, mas para vantagens individuais, mediante a manipulação de dados de usuários da internet. Destarte, é fundamental analisar as razões que tornam essa problemática uma realidade no mundo contemporâ- neo.” - Redação nota mil de Isabel Petrenko, retirada de “Cartilha Redação a Mil” Ciência e Tecnologia74 Leia a análise completa de “Black Mirror” na página 139. Economia 75 • Impactos da crise econômica na sociedade brasileira • Caminhos para superar a crise econômica atual no Brasil • Estagnação social • Impactos da queda da taxa de juros no Brasil • Altas taxas de desemprego • Empregos informais • Exploração trabalhista • Sustentabilidade na crise econômica • Empreendedorismo • Os impactos econômicos do processo de envelhecimento popula- cional • Mudanças nas leis trabalhistas e os novos horizontes para empre- gadores e empregados • A relevância das políticas públicas no Brasil LITERATURA “Quincas Borba” Machado de Assis, 1891 Na obra, Machado retrata a vida do personagem ‘Rubião” - um homem que teve sua vida transformada ao receber uma herança e �car mil- ionário. Rubião não sabia administrar seu dinheiro e gastava-o em com- pras e festas. O destino da personagem foi morrer pobre e sem moradia. VIIVII.. EconomiaEconomia Repertórios para temas dentro do eixo Economia, como: das Qualquer nova, qualquer notícia Qualquer coisa que se mova é um alvo E ninguém tá a salvo”. DADOS ESTATÍSTICOS 1. A taxa média de desemprego no Brasil fechou o ano de 2023 em 7,8% (8,6 milhões), a menor desde 2014. O número é da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua do IBGE. 2. Segundo IBGE, o país regis- trou uma taxa de informali- dade de 39,1% no mercado de trabalho até agosto de 2023. 3. Em 2023, a in�ação no acu- mulado em 12 meses caiu para o menor patamar em quase 3 anos. A economia brasileira, isto é, o PIB brasileiro cresceu 2,9% em 2023, primeiro ano do mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, comparado a 3% em 2022, segundo dados do IBGE. O PIB havia �cado es- tagnado no segundo semestre do ano. Economia76 Poema “Ao Shopping Center” José Paulo Paes, 2002 “Pelos teus círculos Vagamos sem rumo Nós almas penadas Do mundo do consumo. Do elevador ao céu Pela escada ao inferno: Os extremos se tocam No castigo eterno. Cada loja é um novo prego em nossa cruz. Por mais que compremos Estamos sempre nus Nós que por teus círculos Vagamos sem perdão À espera (até quando?) Da Grande Liquidação.” Abordagem temática: consumismo. MÚSICA “O Papa é Pop” Engenheiros do Hawaii, 1990 “Todo mundo tá relendo o que nunca foi lido Todo mundo tá comprando os mais vendidos