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Instituto Federal Goiano - Campus Ceres
Bacharelado em Zootecnia
Disciplina: Reprodução Animal
Docente: Marcelo Marcondes de Godoy
 
Manejo reprodutivo de suínos e seu efeito na produtividade.
Raimundo Augusto de Castro Campos
Vinícius da Rocha Rodrigues
CERES - GOIÁS
Outubro, 2024.
Manejo reprodutivo de suínos e seu efeito na produtividade.
Raimundo Augusto de Castro Campos (raimundo.augusto@estudante.ifgoiano.edu.br)
Vinícius da Rocha Rodrigues (vinicius.rocha1@estudante.ifgoino.edu.br)
Resumo: O trabalho revisou o manejo reprodutivo na suinocultura, com foco na fisiologia e nas técnicas reprodutivas que visam otimizar a produtividade. O manejo reprodutivo adequado é essencial para maximizar a eficiência reprodutiva. Nos machos, a avaliação andrológica deve incluir parâmetros como motilidade espermática e morfologia, além de um manejo nutricional adequado que afete a qualidade seminal. Para as fêmeas, é fundamental monitorar o ciclo estral e realizar um manejo nutricional que considere as fases reprodutivas. O uso de técnicas de flushing alimentar pode resultar em aumento na ovulação e na qualidade dos oócitos, melhorando assim a taxa de concepção. As tecnologias reprodutivas, como a inseminação artificial e as práticas de sincronização de estros, são essenciais para aumentar a eficiência reprodutiva. A utilização de sêmen resfriado e a seleção genética têm se mostrado benéficas na melhoria da produtividade. Conclui-se que um manejo reprodutivo estruturado, aliado a inovações tecnológicas e práticas nutricionais rigorosas, é determinante para aumentar a produtividade e a sustentabilidade na suinocultura, impactando positivamente na rentabilidade do setor.
Palavras-chave: manejo, produtividade, reprodutivo, suinocultura.
Abstract: This review focuses on reproductive management in swine production, emphasizing the physiological aspects and reproductive techniques aimed at enhancing productivity. Effective reproductive management is critical for optimizing reproductive efficiency. In male pigs, a thorough andrological evaluation, which includes assessing sperm motility and morphology, is essential, along with appropriate nutritional strategies to improve semen quality. For female pigs, close monitoring of the estrous cycle and tailored nutritional management are necessary to support different reproductive phases. The implementation of flushing techniques has been shown to increase ovulation rates and improve oocyte quality, thereby boosting conception rates. Additionally, advanced reproductive technologies such as artificial insemination and estrous synchronization are fundamental to enhancing reproductive outcomes. The use of cooled semen and genetic selection further contributes to productivity improvements. The findings underscore that a structured approach to reproductive management, complemented by technological advancements and rigorous nutritional practices, is vital for enhancing productivity and sustainability in swine production, ultimately benefiting the sector's profitability.
Keywords: management, productivity, reproductive, pig farming,
CERES - GOIÁS
Outubro, 2024.
Sumário
1 Introdução	5
2 Anatomia do sistema reprodutor do macho	5
3 Anatomia do sistema reprodutor da fêmea suína	6
4 Manejo reprodutivo do macho	6
5 Manejo reprodutivo da fêmea suína	7
6 Relação de nutrição e reprodução na fêmea	7
7 Influência do escore corporal da fêmea	8
8 Relação da nutrição e reprodução no macho	8
9 Monta Natural	9
10 Inseminação Artificial	9
10.1 Inseminação artificial intrauterina (IAIU)	9
10.2 Inseminação Artificial em tempo fixo (IATF)	10
10.3 Inseminação artificial intrauterina profunda (IAUP)	10
11 Volume e concentração da dose de seminal	11
12 Considerações finais	11
13 Referências Bibliográficas	12
14 Anexos	15
15 Ficha para avaliação do trabalho	22
Lista de figuras
Figura 1: Sistema reprodutor de macho suíno.	15
Figura 2: Glândulas acessórias presente no suíno macho.	15
Figura 3: Trato reprodutivo de uma porca.	16
Figura 4: Vagina e vulva de uma porca.	17
Figura 5: Regulação hormonal da reprodução em suínos.	17
Figura 6: Ciclo estral na matriz suína.	18
Figura 7: Escore de condição corpórea de matrizes.	18
Figura 8: Monta natural.	19
Figura 9: Representação da disposição do cateter no trato genital da porca durante a IA.	19
Figura 10: Imagem anatômica da inserção do catéter na IAIU.	20
Figura 11: Sonda Firflex para realizar IAUP.	20
Figura 12: Realização da coleta de sêmen.	21
1 Introdução
	A carne suína, embora não seja consumida por grande parte da população mundial, é a segunda maior fonte de proteína animal do mundo, com destaque para o mercado asiático, especialmente a China, que se destaca pelo crescente consumo. Esse mercado está em constante expansão, e novos avanços em biossegurança e bem-estar animal vêm impulsionando ainda mais seu crescimento. Em 2023, o Brasil produziu 5.156 mil toneladas de carne suína, sendo 1.230 mil toneladas destinado a exportação e 3.926 mil toneladas foram comercializadas no mercado interno do país (ABPA, 2024).
 A suinocultura tem se destacado globalmente como uma atividade de alto potencial para a produção de carne em curtos períodos. As características intrínsecas da espécie, combinadas com avanços genéticos e aprimoramentos no manejo, favoreceram esse crescimento, facilitando a seleção e a disseminação de material genético, o que, por sua vez, impulsionou significativamente a produção suinícola no Brasil (Antunes et al., 2022).
Beuron e Brito (2016) destaca a importância das matrizes suínas, mencionando as mudanças em seu perfil morfofisiológico, com uma maior exigência de produzir leitegadas numerosas e, consequentemente, grande quantidade de leite. 
No manejo reprodutivo das fêmeas, os principais focos são os aspectos reprodutivos e produtivos. No aspecto reprodutivo, busca-se maximizar o número de partos por fêmea anualmente e ao longo de sua vida reprodutiva. Já no aspecto produtivo, o objetivo é aumentar o número de leitões desmamados por fêmea por ano. Para atingir esses resultados, podem ser adotadas diversas estratégias específicas de manejo reprodutivo (Silva, 2023).
No entanto, é nas tecnologias reprodutivas que os investimentos se tornam especialmente importantes. Essas inovações garantem não apenas um aumento no número de animais nascidos vivos, mas também contribuem para que esses animais atinjam a idade produtiva com a menor taxa possível de perdas. Esse foco na eficiência reprodutiva desempenhou um papel significativo na expansão contínua do setor suíno (Ross et al., 2023).
Desta maneira, torna-se o objetivo desse trabalho realizar uma revisão de literatura acerca do manejo reprodutivo dos suínos, considerando a fisiologia e técnicas reprodutivas para o aumento da produtividade.
2 Anatomia do sistema reprodutor do macho
Os órgãos do sistema reprodutor dos suínos são constituídos por segmentos contínuos que desempenham funções cruciais na gametogênese, na maturação e na transferência de células germinativas masculinas. Segundo Fails e Magee (2019), o sistema reprodutor masculino é formado por dois testículos situados no escroto, que regulam a temperatura testicular, além de órgãos acessório, como ductos e glândulas, culminando no pênis (Figura 1 abaixo). Os testículos são responsáveis pela espermatogênese, processo que resulta na produção de espermatozoides e na secreção do hormônio androgênico testosterona. O escroto proporciona um microambiente favorável para a espermatogênese e a maturação dos espermatozoides, mantendo uma temperatura ideal, ligeiramente inferior à temperatura corporal do animal. As estruturas acessórias, como o epidídimo — onde ocorre a capacitação e armazenamento dos espermatozoides — e o ducto deferente, que transporta os espermatozoides durante a ejaculação, desempenham papéis fundamentais na condução dos gametas até a fêmea. Além disso, as glândulas sexuais acessórias, incluindo as glândulas apolares, asglândulas vesiculares, a próstata e as glândulas bulbouretrais, contribuem para a formação do líquido seminal, que nutre e facilita a motilidade dos espermatozoides na trajetória até o óvulo (Figura 2 abaixo).
3 Anatomia do sistema reprodutor da fêmea suína
Conforme descrito por Neto (2017), as funções reprodutivas na fêmea de suínos são multifacetadas e incluem a formação de oócitos e a criação de um ambiente uterino ideal para o desenvolvimento embrionário. Os órgãos reprodutivos femininos compreendem duas estruturas ováricas, que não apenas são responsáveis pela oogênese — o processo de produção de oócitos — mas também pela secreção de hormônios esteroides essenciais, como estrogênio e progesterona. Além dos ovários, o sistema inclui duas tubas uterinas, que possuem fimbrias que capturam o óvulo após a ovulação, além do útero, a vagina e a vulva. (Figura 3 abaixo) (Figura 4 abaixo).
Após a liberação do óvulo do ovário, ele é direcionado para a tuba uterina, onde geralmente ocorre a fertilização pelo espermatozoide. Este processo culmina na formação de um zigoto, que se implanta na mucosa endometrial do útero. A partir daí, o zigoto se desenvolve inicialmente como um embrião, que mais tarde se transforma em um feto durante as etapas de gestação. Finalmente, o parto ocorre quando o feto é expelido do útero, passando pelo canal vaginal e pela vulva, resultando no nascimento de um recém-nascido (Fails e Magee, 2019).
4 Manejo reprodutivo do macho
	O manejo reprodutivo do macho suíno é crucial para a produção, pois ele contribui com 50% do material genético e pode atender até 20 fêmeas na monta natural. A reposição deve ocorrer a uma taxa mínima de 50% ao ano, limitando o uso reprodutivo a dois anos. Machos devem ser adquiridos com cerca de cinco meses, permitindo tempo para adaptação e treinamento (Neto, 2017).
O exame andrológico é essencial para avaliar a capacidade reprodutiva do macho, incluindo identificação, exames clínicos, análise do histórico e inspeção do sistema reprodutor. Além disso, a avaliação do comportamento sexual e a análise do sêmen são realizadas para verificar motilidade, concentração e morfologia dos espermatozoides. Esse manejo é fundamental para otimizar a eficiência reprodutiva do plantel (Neto, 2017).
5 Manejo reprodutivo da fêmea suína
	A fêmea suína é considerada poliéstrica anual, apresentando ciclos estrais ao longo do ano (Figura 6 abaixo), que são interrompidos apenas em casos de prenhez ou disfunções endócrinas. A puberdade nas leitoas ocorre geralmente entre 150 e 220 dias de idade, com a idade exata influenciada por fatores como o tempo de contato com o cachaço e a condição corporal da fêmea. Após atingir a puberdade, a fêmea passa a ter ciclos estrais que variam de 18 a 24 dias, sendo comum a inseminação das marrãs durante o segundo ou terceiro estro após a puberdade (Garcia, 2022).
A gestação nas fêmeas suínas normalmente dura de 114 a 116 dias, seguida por um período de lactação que pode variar de 16 a 40 dias, dependendo do sistema de produção adotado. Durante a lactação, as porcas geralmente experimentam um anestro lactacional fisiológico, caracterizado pela ausência de ciclos estrais. Após o desmame, o intervalo entre o desmame e o retorno ao estro varia de 4 a 6 dias (Almeida et al., 2024).
Esses estágios reprodutivos são regulados por um sistema hormonal complexo. O hipotálamo libera o hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH), que estimula a hipófise a secretar hormônios como o folículo estimulante (FSH) e o luteinizante (LH), além de oxitocina e prolactina. Os ovários, por sua vez, produzem hormônios essenciais como progesterona (P4), 17-estradiol (E2), inibinas e relaxina, enquanto o útero libera prostaglandina F2 (PGF2) (Figura 5 abaixo). Essa interação hormonal é fundamental para regular os ciclos estrais, a gestação e a lactação, evidenciando a complexidade do sistema reprodutivo das fêmeas suínas (Garcia, 2022).
6 Relação de nutrição e reprodução na fêmea 
	A prática de nutrição específica em marrãs antes da inseminação é amplamente reconhecida na indústria suinícola. O flushing alimentar, que envolve a restrição inicial de alimentos seguida de um incremento na oferta, demonstrou ter um efeito positivo sobre a ovulação. Este método favorece a estabilização do ciclo estral e melhora a qualidade do oócito, aumentando a viabilidade embrionária (Ferreira et al., 2014).
	Estudos indicam que a nutrição de marrãs pode ser otimizada pela inclusão de carboidratos, como amido de milho, que potencializa a resposta insulínica e promove um ambiente mais favorável à ovulação (Araujo, 2023). A utilização de dietas baseadas em carboidratos resulta em picos pós-prandiais de insulina significativamente mais altos em comparação às dietas lipídicas, favorecendo o aumento do número de folículos viáveis e a uniformidade da qualidade dos oócitos (Ferreira et al., 2014). Além disso, a combinação de ingredientes ricos em dextrose e carboidratos facilmente fermentáveis tem mostrado aumentar o número e o peso de leitões nascidos, evidenciando o potencial dos carboidratos em melhorar o desempenho reprodutivo.
	A eficiência do flushing é influenciada por fatores como o manejo das marrãs em baias. Quando as fêmeas são agrupadas antes da inseminação, há uma tendência de redução na ingestão alimentar dos indivíduos subordinados, o que pode comprometer os resultados esperados do incremento na oferta de nutrientes. Portanto, manter as marrãs em condições de gaiolas é recomendado para maximizar os benefícios do flushing (Ferro et al., 2022).
	Além disso, a manipulação do metabolismo energético das marrãs por meio da dieta pode alterar o padrão de secreção hormonal. A substituição de fontes lipídicas por carboidratos não só melhora a produção de insulina, mas também tem efeitos positivos sobre a secreção de progesterona, o que pode levar a um aumento na taxa de ovulação e na qualidade dos embriões (Ferreira et al., 2014).
	Por fim, o polipeptídeo inibitório gástrico (GIP) desempenha um papel fundamental na integração entre os estímulos digestivos e a secreção insulínica. Em marrãs submetidas a dietas ricas em carboidratos, os níveis de GIP aumentam, resultando em uma resposta insulínica mais eficaz e favorecendo a reprodutividade (Mallmann, 2020).
7 Influência do escore corporal da fêmea
	O escore de condição corporal (ECC) é um método utilizado na suinocultura para avaliar o estado nutricional das fêmeas durante os períodos reprodutivos (Figura 7 abaixo). Ele classifica as fêmeas em diferentes categorias, como abaixo do ideal, ideal ou acima do ideal, com base na observação visual e palpação do corpo. Apesar de sua subjetividade e variações nas avaliações, o ECC é uma ferramenta útil para ajustar a alimentação e otimizar a ração conforme as necessidades das matrizes.
	Silva (2023) aponta que fêmeas com escore acima do desejado apresentam maiores perdas de leitões em comparação com aquelas com escore ideal. Além disso, ao ajustar a ração com base no ECC, o número de fêmeas com escore ideal aumentam significativamente. Esses achados ressaltam a relevância do ECC na melhoria da produtividade suína.
8 Relação da nutrição e reprodução no macho
	O desempenho reprodutivo dos machos suínos é afetado por diversos fatores, especialmente o manejo nutricional. A nutrição adequada é fundamental para a espermatogênese, e a utilização de dietas para fêmeas gestantes pode não atender às necessidades específicas dos varrões.
	De acordo com Brustolini (s.d.), a inclusão de óleos com ácidos graxos poli-insaturados n-3 e n-6 melhora a fluidez da membrana espermática, aumentando a quantidade de sêmen. Nutrientes como biotina e zinco são essenciais para a saúde locomotora, enquanto a fibra dietética ajuda a controlar a saciedade sem excesso de peso.
	Na formulação das dietas, é importante considerar o escore corporal e as necessidades de qualidade do sêmen. A presença de fosfolipídeos, selenoproteínas e glicoproteínas é vital para a função espermática. Além disso, o bem-estar animal deve serpriorizado, pois problemas locomotores podem impactar a produção de sêmen. Uma abordagem integrada entre nutrição e manejo é crucial para otimizar a performance reprodutiva dos machos suínos (Brustolini, s.d.)
9 Monta Natural
A reprodução natural é a prática sexual realizada entre a fêmea e o macho (Figura 8 abaixo). O cachaço contribui com 50% do material genético do rebanho de produção e o fato de atender cerca de 20 fêmeas em reprodução natural, sua importância em cada indivíduo em produção torna-se ainda maior. Portanto, a escolha do macho tem um impacto decisivo nos resultados económicos da produção. Em termos de idade, o porco só deve começar a procriar quando atingir a idade de 10 a 12 meses e estar se desenvolvendo bem (Ferreira et al., 2014). 
O cio é o período durante o qual as porcas são excitadas e levam o macho para fertilização. Nas porcas, a puberdade é caracterizada pelo início do primeiro cio, em média entre 6 e 7 meses, a ser repetido a cada 21 dias até o acasalamento fértil e a prenhes resultante. A idade da puberdade varia suficiente e, na prática, um limite máximo de 220 a 240 dia. A duração ideal de uma montagem varia de 5 a 10 minutos (Ferreira et al., 2014). 
Qualquer cobertura levar menos de 3 minutos deve ser considerado, suspeito. O tamanho da porca deve ser adaptado ao porco. A fêmea deve estar perfeitamente no cio, com vulva desinfetada.
 10 Inseminação Artificial
A inseminação artificial é uma técnica consolidada na suinocultura sendo amplamente utilizada nas criações tecnificadas. A inseminação artificial da fêmea suína pode ser feita com a deposição do sêmen anterior a cérvix do animal, ou após a cérvix (Grings, 2021).
Na suinocultura moderna, a inseminação artificial é uma abordagem frequente para aprimorar o desempenho reprodutivo, dispensando a utilização direta do macho. As principais técnicas adotadas são a inseminação intrauterina (IAIU), a inseminação artificial com sincronização (IATF) e a inseminação intrauterina profunda (IAUP) (Figura 9 abaixo).
10.1 Inseminação artificial intrauterina (IAIU)
	A Inseminação Artificial Intrauterina (IAIU) é uma técnica que deposita sêmen diretamente no útero usando um cateter (Figura 10 abaixo), resultando em taxas de gravidez mais altas e permitindo a redução do número de espermatozoides e diluentes por dose, tornando o processo mais econômico (Almeida et al., 2024).
	O uso inadequado da pipeta e do cateter pode causar complicações, especialmente em fêmeas com o trato reprodutivo em desenvolvimento. Um estudo revelou que a resistência à passagem do cateter diminui conforme o sistema reprodutivo se desenvolve, apresentando taxas de passagem entre 44% e 66% em diferentes estros. O peso das fêmeas também impacta essa taxa, com matrizes de 140 kg a 150 kg apresentando uma taxa de passagem de 70% (Almeida et al., 2024).
10.2 Inseminação Artificial em tempo fixo (IATF)
	A IATF é uma técnica que facilita a inseminação de um grupo de fêmeas em um momento específico. Para isso, utiliza-se um protocolo de sincronização hormonal, onde hormônios como gonadotrofinas e prostaglandinas são administrados para induzir a ovulação simultânea nas fêmeas. (Rubas et al., 2022). 
	Após a administração dos hormônios, as porcas exibem sinais de estro, permitindo que a inseminação artificial seja realizada em um intervalo programado, geralmente entre 12 a 24 horas após o início do estro. Essa abordagem elimina a necessidade de monitoramento constante do ciclo estral e aumenta a eficiência do manejo reprodutivo (Pascual, 2020). A IATF contribui para a otimização da produção suína, melhorando o controle reprodutivo e potencializando as taxas de concepção (Roloff, 2020).
	Feita com uma dose de sêmen de 80 mL que contém aproximadamente 3 bilhões de espermatozoides. Uma pipeta é introduzida na vagina no sentido dorso cranial e fixada na cérvix, durante esse procedimento é ideal que o macho esteja perto da fêmea (de Araújo e Lourenço, 2023).
10.3 Inseminação artificial intrauterina profunda (IAUP)
A Inseminação Artificial Intrauterina Profunda (IAUP) é caracterizada pelo depósito de sêmen profundamente na parte caudal dos chifres uterinos. Essa técnica permite o uso de um número menor de espermatozoides por inseminação, bem como a utilização de sêmen criopreservado ou sexado. Estudos comparativos realizados por Caravaca et al (2012). demonstraram que a IAUP apresenta melhores resultados em termos do número de leitões nascidos vivos em comparação com outras técnicas de inseminação.
O procedimento é realizado com uma sonda Firflex, (Figura 11) que permite o depósito do sêmen sem cirurgia ou anestesia. O cateter é introduzido, e a dose de sêmen é injetada com ar e diluente, tornando a técnica menos invasiva (Almeida et al., 2024).
Entre as vantagens da IAUP estão a redução do refluxo de sêmen, a menor quantidade de espermatozoides necessários e a possibilidade de usar sêmen congelado. No entanto, a técnica tem desvantagens, como o custo elevado do cateter e a necessidade de mão de obra especializada (Almeida et al., 2024).
11 Volume e concentração da dose de seminal 
	O volume e a concentração adequados da dose seminal em suínos são essenciais para garantir bons resultados reprodutivos (Figura 12). Pesquisas realizadas por Pascual (2021) mostram que, ao utilizar doses de 3 ml com 100 milhões de espermatozoides viáveis, impulsionadas por 15 ml de diluente para alcançar o útero, é possível obter níveis de fertilidade semelhantes aos de técnicas tradicionais que utilizam 90 ml e 3 bilhões de espermatozoides. No entanto, há uma leve redução de cerca de 1,5 leitões por leitegada, indicando o limite mínimo eficaz.
Na prática de inseminação de rotina, volumes entre 30 e 35 ml são suficientes, e 45 ml são recomendados para maior segurança. No entanto, volumes superiores a 60 ml podem causar uma resposta exagerada de defesa uterina, diminuindo a viabilidade dos espermatozoides. Esse risco é menor na inseminação cervical, onde parte do volume não chega ao útero devido ao refluxo natural. Assim, uma dose de 45 ml é considerada ideal para otimizar a fertilização e minimizar perdas (Pascual, 2021).
12 Considerações finais
Para aumentar o manejo reprodutivo na suinocultura, várias práticas podem ser adotadas. Primeiramente, a seleção genética de reprodutores e matrizes é fundamental para assegurar a qualidade do material genético, contribuindo para a produtividade e saúde dos animais. O controle rigoroso do escore de condição corporal (ECC) das fêmeas deve ser realizado, pois isso impacta diretamente no desempenho reprodutivo. Um ECC adequado ajuda a maximizar a taxa de ovulação e a redução de perdas de leitões.
Além disso, é importante implementar técnicas de inseminação artificial, como a inseminação intrauterina profunda, que pode aumentar as taxas de concepção e reduzir o número de espermatozoides necessários. O manejo nutricional também deve ser otimizado; por exemplo, o uso de flushing alimentar e a inclusão de carboidratos na dieta podem melhorar a qualidade do oócito e a viabilidade embrionária.
Por fim, a adoção de tecnologias reprodutivas avançadas, como a sincronização hormonal, pode facilitar a programação dos ciclos reprodutivos, garantindo um melhor controle e eficiência no manejo reprodutivo. Essa combinação de práticas pode elevar significativamente a produtividade do sistema suinícola.
13 Referências Bibliográficas
1 ALMEIDA, A. A., VALENTIM J. K., MORALECO D. D., ZANELLA J., VIEIRA J. R. R. F. Reproduction technologies in pig farming:artificial insemination - Literature Review.Vet. e Zootec. 2024; v31: 1-11.
2 ANTUNES, I. C., CAZELLA, L. L., PIASSA, M. M. C. Influência do manejo sobre o desempenho de matrizes suínas: artigo de revisão. CityFarm FAG. 2ed. 2022.
3 ARAUJO, Ana Carolina Borges. Análise de coeficientes de variação como medida de precisão em experimentos com suínos. Monografia (Graduação em Zootecnia) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia – MG, 2023.
4 Associação Brasileira de Proteína Animal – ABPA. RelatórioAnual 2024. Disponível em: https://abpa-br.org/wp-content/uploads/2024/04/ABPA-Relatorio-Anual-2024_capa_frango.pdf.
5 BEURON, M. P., BRITO, D. C. Principais afecções reprodutivas em fêmeas suínas. Universidade do Oeste de Santa Catarina. Artigo online, 8 pag. 2016.
6 BRUSTOLINI, A. P. L. Particularidades na nutrição de suínos machos reprodutores. Revista Feed Food. p. 74. [sem data]. Disponível em: https://www.db.agr.br/public/downloads/particularidades-na-nutricao-de-suinos-machos-reprodutores.pdf
7 CARAVACA, I. H., RICO M. J. I., MATÁS, C., CARVAJAL J. A., VIEIRA L., Abril D. et al. Reproductive performance and backflow study in cervical and post-cervical artificial insemination in sows. Animal Reproduction Science. 2012. vol. 136 (2) p.14-22. 2012.
8 DE ARAUJO, L., LOURENÇO, N. Inseminação Artificial - O manejo reprodutivo necessário para beneficiar a produção de suínos. Site VetJr. Universidade Federal de Minas Gerais. 2023.
9 FAILS, A. D., MAGEE, C. Frandson - Anatomia e Fisiologia dos Animais de Produção. Editora Guanabara Koogan. 8ª ed. 452p. 2019.
10 FERREIRA, A. H. et al. Produção de suínos: teoria e prática. 1ª ed. Brasília. Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS). 2014. 908p.
11 FERRO, D. A. et al. Suinocultura: da gestação ao processamento da carne. Goiânia. Editora Kelps, 2022. 161 p. 
12 GARCIA, Cristian Hernando Martinez. Infertilidade sazonal em suínos: qual é o impacto na produção de suínos no Brasil?. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo o. Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia. Departamento de Nutrição e Produção Animal, Pirassununga, 2022.
13 GRINGS, Vitor Hugo. Inseminação artificial. Embrapa Suínos e Aves. 2021. Disponível em: https://www.embrapa.br/agencia-de-informacao-tecnologica/criacoes/suinos/pre producao/insumos-e-servicos/insumos/inseminacao-artificial.
14 MALLMANN, André Luis. Manejo alimentar de fêmeas suínas no período gestacional e pré-inseminação: impactos produtivos e reprodutivos. Tese (Doutorado) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Faculdade de Veterinária, Porto Alegre, RS, 2020.
15 NETO, R. F., DE SOUSA, J. P. B., COSTA, L. F. X., MARQUES, D. P., OLIVEIRA, I. L. S., SILVA, I. C. A., GODOY, M. M., PESSOA, F. O. A. Aspectos do manejo reprodutivo de suínos. Colloquium Agrariae, vol. 13, n. Especial 2, 2017, p. 41-50.
16 PASCUAL, J. G. A inseminação artificial pós-cervical. Comunidade Profissional de Suinocultura. 2020. 
17 PASCUAL, J. G. Características das doses de sêmen: volume, concentração e conservação. Comunidade Profissional de Suinocultura. 2021. 
18 ROLOFF, Cássio. Apostila de suinocultura. CEEPRO – Escola Agrícola Visconde de São Leopoldo. 2020. Disponível em: http://www.ceepro.com.br/wp-content/uploads/2020/02/Apostila-Su%C3%ADnos-Completa-2020.pdf
19 ROSS, C. A. R., DITADI, C. T., de OLIVEIRA, V., CERON, M. S., FRAGA, B. N., MULLER, G., CARNEIRO, O. S. Manejo reprodutivo do macho suíno: sistemas de alojamento e de coleta de sêmen, uma revisão. Ciência Animal e Veterinária: tópicos atuais em pesquisa. p. 74-88. vol. 2. 2023.
20 RUBAS, A., ANDRADE, L., MENEGOLLA, V., CUNHA, S. H. M., LOCATELLI, M. L. Desafios atuais e futuros na inseminação artificial de suínos. Revista Inovação – Gestão e Tecnologia no Agronegócio. Vol. 1, 2022.
21 SILVA, Emily Daiana Cavalheiro. Fatores que afetam os índices reprodutivos de fêmeas suínas. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Medicina Veterinária) - Universidade Federal de Santa Catarina, Curitibanos – SC. 2023.
14 Anexos
Figura 1: Sistema reprodutor de macho suíno.
Fonte: Guido (2005).
Figura 2: Glândulas acessórias presente no suíno macho.
Fonte: Konig e Liebich (2016).
Figura 3: Trato reprodutivo de uma porca.
Fonte: Konig e Liebich (2016).
Figura 4: Vagina e vulva de uma porca.
Fonte: Konig e Liebich (2016).
Figura 5: Regulação hormonal da reprodução em suínos.
Fonte: Passei Direto (2012)
Figura 6: Ciclo estral na matriz suína.
Fonte: UFPR. 
Figura 7: Escore de condição corpórea de matrizes.
Fonte: Sanz (2012).
Figura 8: Monta natural.
Fonte: Suinos Lagoa do Sol.
Figura 9: Representação da disposição do cateter no trato genital da porca durante a IA.
Fonte: Garcia (2021).
Figura 10: Imagem anatômica da inserção do catéter na IAIU.
Fonte: Pascual (2020).
Figura 11: Sonda Firflex para realizar IAUP.
Fonte: Agroline.
Figura 12: Realização da coleta de sêmen.
Fonte: Agroline.
15 Ficha para avaliação do trabalho
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