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APS PCP Psicologia Organizacional (Versão 2) docx

Relatório de Atividades Práticas Supervisionadas sobre Psicologia Organizacional e do Trabalho: apresenta introdução à área, entrevista com psicóloga de RH (Recrutamento e Seleção), descrição do mercado e campo de atuação, rotina, dificuldades, população atendida e comentários sobre formação e especialização.

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INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS – ICH
CURSO DE PSICOLOGIA
UNIVERSIDADE PAULISTA – UNIP
DISCIPLINA: PSICOLOGIA: CIÊNCIA E PROFISSÃO
Gabriel Antonio do Nascimento da Silva – RA: F34IE3
Jonathan Pereira de Sousa – RA: F3468D1
Luanda de Oliveira Santos – RA: T0805I8
Natalia Costa Santos – RA: N8367B4
Atividades Práticas Supervisionada – APS
São Paulo
2022
Gabriel Antonio do Nascimento da Silva
Jonathan Pereira de Sousa
Luanda de Oliveira Santos
Natalia Costa Santos
Atividades Práticas
Supervisionadas da disciplina Psicologia:
Ciência e Profissão, do curso de
Bacharelado em Formação de Psicólogo
apresentado à Universidade Paulista –
UNIP, como exigência parcial para
obtenção do grau de Bacharel em
Psicologia.
Orientador Prof.: João Marcos
Luciano Amorim
São Paulo
2022
2
SUMÁRIO
Introdução …………………………………………………………………………..………. 4
Psicologia Organizacional e do Trabalho…………………………………..……………. 5
Conclusão ………………………………………………………………………..…………. 7
Bibliografia da entrevista ………………………………………………..………………… 8
Bibliografia geral ………………………………………………….………………………. 27
3
INTRODUÇÃO
O propósito da disciplina Psicologia: Ciência e Profissão (PCP), é que os
alunos do curso Formação de Psicólogo tenham conhecimento sobre as diversas
vertentes da Psicologia e os diferentes campos de atuação do profissional. Além de
propor a reflexão sobre os efeitos que o psicólogo tem diante da sociedade, em
outras palavras, a relação do profissional no que se refere a função social.
Como citado anteriormente sobre a diversidade da Psicologia e com base no
conteúdo ministrado no decorrer do semestre, o grupo aprofundou-se em uma das
abordagens da área para a elaboração deste trabalho, do qual foi designado realizar
uma entrevista com um(a) profissional do ramo possibilitando escolher o campo de
atuação. Dessa maneira, o contexto escolhido foi a Psicologia Organizacional e do
Trabalho, vertente essa de alta relevância, e que possui uma grande taxa de
crescimento e inovação.
O trabalho aborda diversas características sobre essa área da Psicologia,
como o mercado de trabalho, o campo de atuação dos profissionais nele inserido e
o público geral. Baseado no relato da profissional, que trabalha na área de Recursos
Humanos, onde informa sobre sua rotina de trabalho, dificuldades e experiências.
4
Psicologia Organizacional e do Trabalho
A psicologia organizacional foca no estudo do comportamento humano, tendo
o ambiente corporativo como cenário de atuação. Com base nisso, os
conhecimentos de psicologia são empregados com o objetivo de compreender o
comportamento individual e coletivo para aplicar recursos que melhorem a qualidade
de vida e desempenho de atividades dentro da empresa.
O psicólogo organizacional tem o papel de promover o bem-estar dos
colaboradores, podendo fazer isso em diferentes frentes do RH (Recursos
Humanos).
Ele pode procurar estratégias para promover um ambiente corporativo mais
tranquilo e, consequentemente, aumentar a produtividade dos colaboradores. Além
da promoção de um ambiente mais agradável, o mesmo pode aplicar avaliações de
desempenho, que quando bem aplicadas, essas avaliações apontam caminhos para
o crescimento pessoal e profissional, aumentando o engajamento e oferecendo uma
noção de propósito ao colaborador.
Entrevistamos uma psicóloga organizacional que trabalha em uma empresa
de tecnologia, na área de Recursos Humanos com Recrutamento e Seleção.
Como enunciado pela profissional, durante a entrevista, psicólogos
organizacionais usam diariamente de aspectos psicológicos em seus ambientes de
trabalho, seja na forma da escuta ativa com os colaboradores, ou na forma de
análise de candidatos, onde não se leva em conta apenas questões técnicas mas
comportamentais, culturais e socioemocionais.
Durante a entrevista abordando pontos sobre seu local de trabalho e sua
atuação, FS destacou pontos importantes do benefício que sua formação de
psicóloga tem em sua profissão, como uma diferente análise no R&S, uma visão
diferente das situações na empresa, e formas de um melhor relacionamento com os
colaboradores, ressaltando a autonomia que a mesma possui diante de suas
atividades como psicóloga organizacional, o que se faz essencial em certas
situações.
Quando questionada sobre a população atendida, ela citou uma realidade já
comum no Brasil, sendo a maioria do gênero masculino de 20 a 40 anos, o que
levanta a pauta do papel das mulheres, que participam em menos cargos de
5
liderança, e questões sobre diversidade e inclusão, que fazem parte de uma minoria,
mas que já vem ganhando espaço em grandes organizações.
Abordando sobre sua formação profissional, FS comentou sobre o fato do
curso formação de psicólogo ser mais focado para a área clínica, de forma que para
outras áreas de atuação, como o caso da organizacional, seja necessário um
aprofundamento além da graduação em psicologia, tal como uma graduação em
Gestão Recursos Humanos, ou uma pós graduação relacionada à área, e até
mesmo cursos especializados voltados a gestão de pessoa.
Em relação ao mercado de trabalho organizacional para psicólogos, sem
dúvidas é uma área em constante expansão, mas para acompanhar os profissionais
precisam se atualizar e se integrar melhor nas questões tecnológicas, bem como
administrativas.
Ao fim da entrevista podemos concluir a importância e a necessidade de um
psicólogo organizacional, não apenas para questões administrativas, quanto
também para aumentar a produtividade da empresa como um todo, e paralelamente
beneficiar todos os colaboradores, visando a saúde e bem estar do mesmo.
Atentando, principalmente, sua importância no recrutamento e seleção, pelo
diferencial que um profissional formado em psicologia pode contribuir para uma
melhor análise dos candidatos, com um olhar perspectivo mais amplo e eficiente na
seleção e acompanhamento dos colaboradores.
6
CONCLUSÃO
Realizar a entrevista com uma psicóloga organizacional no primeiro semestre do
curso de psicologia, foi uma rica experiência, que contribuiu e muito para nossa
formação educacional e profissional, principalmente porque 3 de 4 integrantes do
grupo possuem interesse em psicologia organizacional, servindo como uma visão
futura dos desafios que iremos encontrar nessa profissão, e como um
aprofundamento no conhecimento da mesma.
Contar com uma psicóloga formada e que atua no campo profissional, contribuiu
imensamente para o desenrolar da entrevista, principalmente pela mesma se
mostrar disposta a responder todas as perguntas com clareza, sempre deixando um
clima levemente informal, e abordando pontos de relevância que a mesma achou
interessantes a se citar, somando isso ao grande interesse de nossa parte, foi
realizada uma entrevista bem produtiva.
Ao término da entrevista compreendemos mais sobre a psicologia organizacional,
tanto na teoria ministrada pelo professor em aula, quanto na prática vivenciada
diariamente dentro da organização. Aspectos práticos sobre seu ambiente de
trabalho, sua forma de trabalhar e outros tópicos, tal como a importância da
profissão, sendo de grande relevância em diversos âmbitos, seja no Recrutamento e
Seleção, Treinamento e Desenvolvimento ou Cargos e Salários, e sobre a forma de
como a psicologia está presente neste ambiente administrativo, usando de
abordagens psicológicas para melhorar o ambiente de trabalho preservando a saúde
mental dos colaboradores, ou durante a seleção de candidatos, que hoje podemos
chamar de talentos para a empresa.
7
BIBLIOGRAFIA DA ENTREVISTA
1. Caracterização do campo (contexto, área) de atuação.
1.1. Descreva sua(s) atividade(s) como psicólogo(a), isto é, descreva
especificamente o que faz e como faz como profissional desse contexto.
“Antes, e até um contexto, a gente tinha muito uma visão de psicólogo
dentro da RH não é atuar como psicólogo. E depois que eu comecei a
atuar, inclusive, antes de começar essa atuação eu percebi que não, pelo
contrário, eu uso até demais a psicologia.Não só na seleção, como em
todo meu processo de atendimento dos colaboradores. Então, hoje por
mais que a gente não faça clínica dentro da Rh, e a gente nem pode, eu
como psicóloga nem posso clinicar dentro do RH. Mas a escuta ativa, o
acolhimento, enfim todo esse processo faz parte ali do meu serviço como
RH mas também como psicóloga. Tenho pares que não são e não fazem
essa escuta ativa, justamente por não ter essa vivência, essa experiência.
Então, hoje eu uso muito a psicologia, como eu falei, na escuta ativa, no
acolhimento, na hora do recrutamento e seleção para triar perfis. Hoje
como Rh, a gente não tria um currículo ou não faz uma entrevista só
baseada nas experiências, na parte técnica, naquilo que o gestor pediu e
a gente entrega. A gente avalia perfil comportamental, a gente avalia
cultura de empresa, se a pessoa vai se sentir bem, se a pessoa vai se
sentir feliz aqui dentro da empresa. Então, isso são características que
nem todo mundo consegue avaliar. Quando a gente tem uma bagagem
como psicólogo, que tem toda uma teoria por trás, que tem todo um
contexto de questionamentos, de análises. Quando a gente olha para
aquele perfil para entender de fato o ambiente que ele vai estar inserido,
se vai ser positivo ou não para ele, o que que vai gerar de expectativas, o
que que não vai gerar. É importante a gente ter ali expectativas alinhadas,
porque isso também entra na saúde mental do colaborador, numa
sequência aqui na empresa. Então a gente sempre vai utilizar critérios
básicos da psicologia, da escuta, do acolhimento. E, claro, na hora do
recrutamento e seleção, que também é parte do meu trabalho aqui hoje,
essa análise de perfil comportamental. Claro, que não é uma análise que,
8
nossa! Meu Deus! Eu faço um relatório de três páginas do profissional.
Impossível, com uma hora de conversa e nunca ter conhecido alguém, eu
consegui fazer essa análise por completo. Mas o básico, em como ele age
dentro de um ambiente, como ele age com alguns tipos de perfis, a gente
consegue tirar. Não é completo, não dá para descrever aquele ser
humano por completo, mas a gente consegue também algumas
características ou outras, saber como ele vai reagir, como ele reforça o
comportamento, como ele não reforça, enfim, o que é positivo para ele.
Então uso bastante.”
1.2. Onde é e como é seu local de trabalho?
“Hoje numa atuação mais híbrida, eu tenho uma oportunidade, não só de
trabalhar em casa. O que como psicóloga, e aí tirando a parte de
recrutamento, falando de atendimento aos colaboradores é melhor, porque
eu tenho um pouco mais de confidência. A gente ‘tá’ no escritório que todo
mundo se vê, todo mundo ver entrar na sala de reuniões, e isso inibe
qualquer ser humano de falar qualquer coisa. Então, a gente como
psicólogo tende a ter esse cuidado de saber onde a pessoa está e o
quanto ela vai se sentir confortável para falar, para se expor, para
questionar, para perguntar, para trazer algo. Então, quando eu estou
trabalhando de casa, claro, que eu tenho uma abertura 10 vezes melhor
com os colaboradores. Tanto no que eles trazem de dores, de dúvidas, de
questionamentos, de elogios. Quando eu tô de casa, mesmo que online ,e
esse contato às vezes falha um pouco, o online perde um pouco desse
contato presencial e visual mas ajuda. Ajuda na confidência, neles se
sentirem mais confortáveis, não tá na sala com alguém do Rh, ou a
pessoa está de casa também e isso ajuda um pouco eles a se sentirem
um pouco mais confortáveis para falar. Então, hoje eu atuo em dois
modelos, tanto híbrido e estar no escritório, às vezes estou no escritório.
Então aqui é uma sala, é um ambiente totalmente aberto. A gente tem
sala de reuniões, então a gente só vem para sala realmente quando
precisa falar com alguém ou tem algum call ou algo do tipo. Então e, de
novo, é um espaço todo cheio de vidros, então, não tem parede, não tem
9
nada fechado. Então é tudo muito aberto, tudo muito transparente, o que
dificulta algumas vezes a atuação do psicólogo num ambiente desse, mas
é mais ou menos assim. O escritório fica no Campo Belo.”
1.3. Em sua opinião, quais são as condições necessárias para a realização
de seu trabalho? Você as tem? Você tem autonomia nas suas decisões
relacionadas à sua atividade?
“Sim, tenho condições necessárias. Hoje eu tenho, além de tudo, tenho
autonomia para tocar qualquer situação que eu tenha aqui dentro da
empresa e acho que isso para um psicólogo é extremamente positivo,
porque sem autonomia a gente não vai conseguir atuar com nada, né.
Porque sempre se a gente tiver que reportar alguma coisa, nem sempre a
gente pode reportar tudo que a gente escuta, nem tudo que a gente vê,
temos que filtrar. Então, quando eu penso em condições, não físicas né,
mas as minhas condições de poder atuar como psicóloga em alguns
momentos na hora do acolhimento, eu super tenho. Porque eu tenho
essa autonomia, eu tenho essa… com a gestão e todas as gestões da
empresa. Eu sei o que eu preciso saber, o que eu não preciso saber, e o
que eu preciso saber, o que eu preciso melhorar. Então eu acho que isso
é uma condição de que a gente consegue se sentir confortável para atuar
como profissional. Não é todo lugar que a gente consegue isso, eu já tive
outras experiências e, infelizmente, eu não tinha essa possibilidade. E
acho que físico, também, acho que sim a empresa fornece um bom
espaço, sempre muito confortáveis, é isso. Depende muito do local que a
gente tá e do momento e da situação. Mas acho que a empresa, sim,
comporta coisas positivas para a gente poder atuar. Tenho super
autonomia para as minhas decisões, sempre baseado no meu
profissional, não dá para opinar em outra coisa dentro do RH. Quando eu
estou falando de recrutamento e seleção, de candidatos, de avaliação de
perfil, quando eu tô falando de atendimento de colaboradores para
alguma situação específica, tenho muita autonomia de poder tocar sem
precisar ficar me justificando: - Olha aconteceu X coisa , por isso eu tenho
que tomar essa ação. - Vai lá toma ação, resolve e depois você me traz o
10
resumo do que aconteceu e se alguém precisa ficar sabendo disso.
Então, sim, tenho muita autonomia e acho que é positivo também.”
1.4. Você, nas suas atividades, trabalha com outros profissionais? Se sim,
quais?
“Sim. A gente tem profissional de administração, tem outros psicólogos
também, estudante de Psicologia, está cheio de psicólogos nesse RH.
Psicólogos, estudantes de psicologia, profissionais da área administrativa,
da área de formação de Gestão de Recursos Humanos, e acho que é
isso, acho que administração e gestão de RH.”
1.5. Você se considera satisfeito com seu trabalho, atualmente? Poderia
nos explicar os motivos disso?
“Sim, sou super feliz aonde eu tô. Acho que volto no que a gente falou nas
perguntas anteriores, eu consigo realmente atuar dentro da ética
profissional, a empresa compreende 100% a minha ética. O que eu posso
e o que eu não posso falar, o que eu preciso e o que eu não preciso para
tomar alguma ação, para fazer alguma… enfim ter algum cuidado com
algum assunto específico, praticar alguma ação para os colaboradores
para minimizar alguma situação, e eu posso agir e eu não preciso
justificar. Eu posso levar a ideia, eu falo o que eu preciso fazer, porque eu
entendo essa situação, porque eu colhi essa análise no ambiente, numa
conversa com várias pessoas, como uma pessoa com ... enfim. Eu
analisando e observando o tempo todo e notei que precisa disso. E acho
que isso talvez seja o que mais me motiva e o que me deixa satisfeita com
o meio ambiente hoje. Eu tenho autonomia e eu tenho espaço para poder
fazer o que eu preciso e o que eu acho que vai dar o resultado. Então é
positivo, minha voz é escutada como profissional e muito bem escutada.
Então se eu falo, não, é isso, porque somos psicólogos e a gente tem
essa avaliação, isso é importante, ninguém questiona aqui. Cada um tem
a sua área de conhecimento, e quando a gente se coloca comoesse
profissional de, não, nós estamos falando por isso, porque a gente tem
esse conhecimento, porque a gente sabe, ou eu posso aplicar essa ação
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porque eu sei o que vai gerar, porque podemos fazer isso como
profissionais. A gente não é questionado de nada, a gente é aceito: - Ok,
confiamos em vocês e vamos. E temos esses retornos positivos também,
então eu me sinto super satisfeita, consigo atuar.”
1.6. Em sua opinião, qual a importância da psicologia na sua área de
atuação?
“Na minha opinião, a ética. A ética a gente tem que ter em todas as áreas
e em todos os lugares que a gente trabalha. Mas a Psicologia, ela nos
ensina com um pouco mais de detalhe a ética. Porque a ética não é só o
que nos salva de algo errado que a gente opta por não praticar pela ética,
mas é o outro também. Ensina muito a empatia e o cuidado com o outro.
Se a gente quebra alguma coisa, alguma ética, a gente pratica algo que
não é correto, não dói só em mim, não só eu posso ser prejudicada, mas
os outros. E a psicologia ensina muito a gente a olhar o outro. Então,
dentro do RH, dentro da empresa, dentro dessa psicologia organizacional,
dessa vivência organizacional, acho que a ética vai muito além da
psicologia. A gente consegue ter um olhar um pouco mais cuidadoso até
com o outro, essa coisa da empatia, do que o vou gerar no outro, se eu
fizer isso. Vai sair da minha ética, o que é que o outro vai pensar, o que é
que outro vai sentir, como outro vai reagir. E a gente consegue ter esse
cuidado, quando eu olho para outros profissionais que talvez não tenham
tato, esse tato do cuidado com o outro.”
1.7. Você utiliza de alguma abordagem específica? Se sim, poderia nos
falar sobre como ela auxilia e atende as demandas do seu trabalho?
“Sim, uso. Aqui a gente não tem essa obrigação, na verdade, cada
psicólogo aqui tem uma área de atuação diferente, uma abordagem que
se identifica e por isso a gente utiliza. Eu sou Skinner, eu sou
behaviorismo total. Eu amo comportamento, análise de comportamento.
Dá uns choques nos ratinhos é excelente, eu adoro. Não sei se vocês já
passaram por essa matéria, mas é uma matéria maravilhosa, dos sonhos,
a psicanálise fica muito longe disso (brincadeira). Uso a abordagem
12
psicológica voltada para análise do comportamento, em alguns momentos.
Me ajuda muito a entender o ser humano dentro do ambiente e as reações
dele dentro do ambiente, os reforços, as punições, a forma como ele age,
a forma como ele se retira de um ambiente, as esquivas. Então, o
comportamental me ajuda muito a entender, porque somos seres
humanos inseridos dentro de um ambiente e nós não podemos ser 100%
o que somos dentro de casa. Então, baseado em alguns estímulos que a
gente tem, a gente acaba analisando esses perfis. Então, sim, uso a
abordagem até para fazer seleção também, mas muito para entender o
atendimento. E isso, como eu falei, acho que auxilia nesse processo da
gente entender como agir com o colaborador, em que momento ele tem
uma esquiva, em que momento ele se sente punido por algo e como ele
reage frente essa punição. Como retirar isso dele, como dar um reforço
positivo, dar um reforço negativo, como a gente age nesses processos
com o colaborador. Até para que ele tome atitudes mais corretas, para que
ele se sinta melhor, para que não tenha reações fisiológicas ou de
comportamento, de saúde mental e até física, para que ele se sinta bem,
né. Então, meu objetivo aqui é sempre que, da porta para fora, eles
fiquem felizes, fiquem saudáveis, que não seja um peso eles estarem aqui
todos os dias. Então olhar o ambiente, estudar o ambiente, o que o
ambiente afeta na pessoa, me ajuda. E o comportamental me ajuda, acho
que muito mais por isso, como as pessoas reagem em algumas situações
e depois como elas continuam reagindo.”
1.8. Quais são os maiores desafios da sua área de atuação?
“Aqui dentro talvez todo mundo achar que é psicólogo, sem bagagem
nenhuma, e isso é péssimo, porque as pessoas acham que só escutar o
outro e dar qualquer conselho é ser psicólogo. E que nem sempre aquele
conselho a gente precisa dar ou nem sempre tá na hora da gente falar, tá
na hora as vezes da gente só escutar, escutar, porque é isso. E acho que
muito nos atrapalha como profissionais, as pessoas julgarem que a
psicologia e a forma como a gente trabalha é só ouvir e só dar conselhos,
e nem sempre, porque nem sempre é só dar conselhos. Às vezes, a gente
13
só vai ouvir mesmo, e às vezes a gente só vai acolher, escutar, acalmar,
ter alguma ação ali frente ao que tá trazendo de queixas e depois a gente
vai trabalhar com o tempo né, aos poucos. Então acho que o maior
desafio que a gente tem hoje, é fazer as pessoas entenderem que o
profissional de psicologia, ele estuda muito e não estuda só os 5 anos, ele
continua estudando todos os dias, porque eu nunca parei de ler sobre
nada desde que eu terminei essa faculdade, foi o curso que eu escolhi
que eu mais estudo, impressionante! É … e a gente o tempo todo tá
desatualizado, então é impossível que as pessoas que têm pouquíssimos
estudos ou que não tenha estudado, consiga ter uma bagagem para poder
acolher alguém. E você precisa tá preparado para acolher alguém, não é
só chegar e escutar, você tem que ser como profissional como pessoa né,
nenhum psicólogo também que não tá bem tem que acolher o outro, pelo
contrário você precisa estar muito firme disso, e acho que é um desafio os
psicólogos entenderem que eles precisam estar firmes para receber uma
queixa, porque a gente nunca sabe como a gente vai reagir pós uma
queixa. Então a gente tem que estar muito bem, tem que fazer terapia
também, tem que se acompanhar, e acho que é isso também, as pessoas
que não são psicólogos acharem que são, é péssimo. Porque quebra todo
um conceito, toda uma ética e todo um cuidado que o psicólogo trabalha
pedra por pedra, processo por processo, cuidado por cuidado. E vem
alguém e às vezes derruba tudo isso, então tentar trazer sempre essa
imagem da importância e do cuidado, acho que é uma das coisas mais
difíceis né. E dentro do RH, tirar esse pensamento de que o psicólogo
trabalhando no RH não trabalha como psicólogo, gente isso é péssimo. Se
um dia vocês trabalharem com o RH não pensem assim, a gente usa
muito e eu sou grata por ter feito psicologia e trabalhar no RH, porque
metade das queixas que eu escuto hoje, se eu não fosse psicóloga eu não
daria conta.”
1.9. Como funciona a devolutiva do processo seletivo para os seus
gestores e o feedback para os candidatos?
14
“Normalmente a gente faz a aplicação de testes, só testes aplicados por
psicólogos, na verdade a gente aplica o G-38 como ferramenta de teste de
inteligência não verbal, que a gente chama de teste lógico (não escrevam
isso, pelo amor de Deus, se não o professor me mata). A gente sempre
passa uma devolutiva do resultado do teste, sem abrir. Não sei se vocês
já conseguiram ver, mas ele denomina a quantidade de acertos uma
porcentagem para falar da pessoa né. 10, 20, 30, 40, 50%, 99% então que
denomina ali, os níveis de lógica que a pessoa tem diante de cada
questão. É … a gente evita trazer essas porcentagens, por uma questão
de cuidado da pessoa não se sentir inferior caso ela seja reprovada, então
a gente traz normalmente o número de acertos e o feedback de uma
devolutiva de agradecimento com não muitas informações. Quando são
candidatos que passam pra fase final, realmente finalistas, a gente
elabora um descritivo ali básico do porque que ele não foi aprovado nessa
fase final e tudo que a gente avaliou como perfil dele, como expectativa de
carreira, perfil comportamental, pontos positivos e negativos né, enfim em
geral a gente faz ali um resumo para ele saber a avaliação que a gente
teve, e a gente sempre passa isso aos finalistas. Agora para candidatos
que não, a gente passa o retorno breve de que a gente optou por seguir
com outros candidatos, que é a verdade, ele foi reprovado por algum
motivo e a gente optou por seguircom outros, e a gente sempre passa
esse retorno. Para os gestores, a mesma coisa, a gente passa os
resultados dos testes, a gente nunca passa nada voltado para o
emocional para o gestor, nada, porque a gente não gosta de expor o
candidato. E os gestores nem sempre vão ter essa resiliência, essa
empatia de entender que às vezes não é aquilo a pessoa, e que pode ser
um momento. E a gente tentar filtrar algumas coisas que a gente fala,
então os nossos pareceres são sempre muito sucintos e são
características que a pessoa têm, comunicativa, uma pessoa reflexiva, é
uma pessoa simpática, é uma pessoa que se desenvolve bem e a gente
nunca diz que a pessoa é assim, ela se demonstra assim, então eu
também não posso dizer que a pessoa é né, eu não tenho esse
conhecimento todo. Então ela demonstra ser simpática, comunicativa,
15
enérgica e tende ser sempre um feedback um pouco mais positivo e
pontos de atenção, talvez possa ser desorganizada, talvez possa, mas
nunca que é a pessoa é assim. A gente nunca fornece esse tipo de
feedback, porque de novo, a pessoa não é, ela está ali, e não é
exatamente.”
2. População atendida.
2.1. Como se caracteriza a clientela atendida por você em relação à: faixa
etária, gênero, classe social, escolaridade e profissão?
“Hoje a faixa etária é grande maioria dos 22 aos 40 anos, é bem assim
diverso, diverso não né, porque diversidade pra mim é dos 14 aos 60 pra
mais. Então isso pra mim isso não é diversidade, menos que isso acho
que tá na média de todo mundo e já não é um ciclo diverso. Mas acho que
de faixa etária é isso, acho que pode contar dos 22 até uns 40 anos, a
grande maioria entre os 30 e 40. De gênero infelizmente mais masculino,
grande parte da nossa população, minto, na verdade não, os nossos
indicadores são quase metade/metade, a gente tem hoje 53% do público
masculino, mas quando a gente olha para o público feminino grande parte
deles não está na liderança, então para mim continua sendo ruim. Então é
isso, a gente tem esse equilíbrio quando a gente fala de gênero né, e isso
quando a gente tá falando de mulher e homem cis tá, não falamos de
trans, nem dentro de todas as siglas do LGBTQIA+, sem falar disso, só
falando de homem e mulher cis. De classe social, aí sim é bem mais
diverso, então hoje acho que aqui todas as classes a gente tem, e bem
equilibrado, não é algo que você fala "putz”. São sei lá, de 250 pessoas,
200 é classe A e as demais não, classe A não que é demais né, numa
classe B ali … Mas tem, a gente tem uma diversidade sim, isso é positivo,
mas agora ficou na dúvida de qual classe é, mas acho que classe C mais
até do que D, enfim. A escolaridade também bem diverso, mentira, grande
maioria tem ensino superior poucos com ensino médio, e os ensino médio
são cargos mais Jr, e que a gente instiga que as pessoas estudem, façam
uma faculdade ou faça um curso técnico ou vá pra frente né, o que é
positivo aqui esse incentivo de estudar é muito bacana.”
16
2.2. De que maneira essas pessoas chegam até você (ex.: por iniciativa
própria, encaminhadas diretamente a você, encaminhadas a instituição etc.)?
“Sim a gente tem, na verdade assim, aqui dentro recebemos muitas
indicações então hoje parte do meu trabalho também vem das indicações,
e isso quando a gente fala de seleção. A gente tem algumas divulgações
com instituições de ensino principalmente pras vagas mais Jr’s né, não só
estágio, mas auxiliar, assistente que a gente vê que tem um potencial ali
pra ser um bom profissional no futuro, então a gente contrata
independente das experiências, então essa parte com parcerias, com
instituições de ensino né, faculdades enfim pra nós é bem positivo e
sempre traz bastante gente também. Tem muita gente estudando e pouco
emprego, esse monte de gente estudando e querendo um futuro então a
gente tenta, mas acho que vem de todos os lados, vem muito por iniciativa
própria dos candidatos (bastante), a gente recebe muitos currículos por
dia não só no e-mail mas no LinkedIn, muita gente chamando sempre
interessados. Mas acho que é isso tem um equilíbrio nisso também, acho
que a gente recebe bastante de todos os lados, quando a gente divulga
nas instituições então, bomba.”
2.3. Na empresa existe alguma procura interna do colaborador para
atendimento com psicólogos, seja para problemas em casa ou na empresa?
“Para ter esse primeiro acolhimento sim, para clinicar não. Mas para ter
esse primeiro atendimento, acolhida e direcionamento sim. A gente tem
essa abertura, a gente tenta deixar esse canal aberto, nem sempre a
gente deixa todo mundo confortável. Porque é isso, tem gente que tem
essa imagem do RH e nem todo mundo ainda consegue quebrar essa
imagem de que o RH só demite, só contrato, só paga salário. A gente
trabalha para isso para tirar essa visão, mas sim a gente tem esse canal
aberto. De novo não clinicamos, mas a gente direciona. Se a gente vê
uma queixa, a gente entende a queixa, escuta, faz essa escuta ativa que é
importante, acolhe e direciona. Nunca atendemos.”
17
2.4. Em sua opinião, qual imagem que a população tem do psicólogo e da
Psicologia?
“Acho que positivo. Mas eu tenho que dizer que acho que metade da
empresa ainda tem uma visão de que as psicólogas do RH, são RH.
Então são contratações, são demissões, são pagamento de salários.
Ainda acho que a gente tem que trabalhar mais para quebrar essa visão,
acho que ainda é muito pouco, acho que a gente vem tentando, mas ainda
é muito pouco. Acho que a gente passa uma imagem de sermos … A
gente escuta muito isso: “Vocês acolhem muito bem, são muito
acolhedoras”, a gente escuta muita essa palavra (acolhedoras). Então
acho que é uma imagem positiva, porque é exatamente isso que a gente
quer passar, mas acho que ainda falta muitas pessoas se sentirem
confortáveis para isso.”
2.5. Em sua opinião, quais são as contribuições que a profissão de
psicólogo tem dado à sociedade como um todo?
“Acho que o psicólogo ele tenta, é difícil, o ser humano (Nossa Senhora),
por isso que gosto dos animais. O ser humano é muito difícil, é difícil você
entender o outro quando você tem uma opinião muito firme, muito
concreta, vem de uma cultura, vem de um círculo de amizade, vem de um
círculo familiar, vem de vivências, vem de histórico, vem de muita coisa.
Então acho que o psicólogo ele vem para tentar questionar né, não ir
contra nem ir a favor, mas fazer questionar-se. Se questione, tente,
pergunte, mas por que não? Ou por que sim? Acho que a contribuição que
a gente tem como profissional na sociedade como um todo, acho que é
exatamente isso, fazer questionar. E a gente não tá aqui para impor ideias
ou fazer a pessoa mudar o pensamento dela, cada um é como ele é,
baseado em tudo que ele viveu. A gente não tem como tirar isso ou
arrancar isso de uma pessoa, a gente pode tentar fazer com que ela tenha
outras visões e talvez essa é a ideia do psicólogo como um todo né, para
onde ele consegue direcionar, o que ele consegue fazer mas nunca
impor.”
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3. Formação profissional na graduação (Faculdade de Psicologia).
3.1. No seu ponto de vista, quais são os requisitos necessários para a
formação de psicólogo para sua área de atuação? Seu curso de graduação
atendeu a esses requisitos?
“Acho que faltou mais, deveria ter mais. Acho que foi muito mais de um
interesse meu vincular o que eu aprendi com a minha profissão hoje,
porque o curso ele te ensina muito a clinicar. É muito clínica, clínica,
clínica. E pouco a parte organizacional, a gente tem uma matéria
enquanto a gente tem várias de psicanálise e comportamental, mas tudo
bem, a gente tem um estágio também lá no final do curso, mas eu acho
que vai do aluno ter esse encontro com a sua profissão né, no meu caso
como RH. Então acho que a faculdade em si, ela poderia ter ensinado
mais ou tratado um pouco mais várias outras áreas e que pelo menos na
minha época, não sei a de vocês, tinha muita gente da área de RH no
meu curso. E poderia ter sido mais enfatizado, poderia tersido trabalhado
de forma que agregasse mais né, e não que a gente como aluno tivesse
que tipo, “putz” isso aqui eu posso pegar e jogar lá na minha área, isso
aqui nada a ver vou aprender porque eu tenho que aprender ou isso aqui
eu vou conseguir agregar de alguma forma né, mas é muito pouco e acho
que faltou várias pautas ali de diversidade que eu não tive na época, não
sei se já tem, mas enfim acho que faltou um pouco no curso e que me
ajudaria muito e acho que ajudaria as minhas colegas de profissão
também. Atendeu meus requisitos quando eu falo de ser humano, de
conhecer, de tentar compreender, nesse sentido mas não pra minha área
completo, acho que faltou muito.”
3.2. Há necessidade de formação superior à graduação para que se possa
trabalhar na sua área de atuação? Como foi com você?
“Acho que sim, acho que não precisa de uma segunda graduação, claro
que se tiver é ótimo, porque te dá um leque a mais de experiência, mas
acho que um curso mínimo ou uma pós que te dê uma visão do que é RH,
porque as pessoas chegam aqui querendo clinicar e de novo, RH não é
clínica e não, a gente nem pode misturar esse processo, de novo, a gente
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acolhe, a gente escuta, então a gente tem que ter isso muito firme na
nossa cabeça. E os psicólogos, quando eles saem da faculdade, acham
que eles têm que atender todo mundo, que tudo é uma queixa, que tudo é
um problema para resolver e não é assim, nem sempre é assim, a gente
tem que ter essa escuta de interpretar o que ele está falando, o que serve,
o que é de momento, o que é emoção ou o que não é, a gente tem que ter
essa compreensão e acho que para área de atuação do RH eu acho que
muitas vezes se frustra o profissional porque ele não entende o que as
pessoas fazem no RH. E é legal várias coisas que eu faço dentro do RH,
recrutar, atender o colaborador, fazer dinâmica, fazer ação, super legal
porque você vê os funcionários felizes, mas tem as outras coisas também,
tem o administrativo, tem o ‘pagar’, tem o ‘tirar dúvida’ de holerite, tem
‘imprimir’ papel, tem contratação, tem todo o outro lado do administrativo
que a gente não aprende dentro da psicologia, a gente aprende a fazer
relatório e ter o prontuário organizado para não perder as informações e
se um dia ter que repassar, o outro profissional não se ‘lascar’, a gente
não aprende na prática a demanda administrativa e é difícil isso, se a
pessoa não tem outro curso ou qualquer outra vivência, ela vai chegar um
pouco perdida, se é só isso que ela tem como estudo, ela se perde no
início e até pode se frustar.”
4. Mercado de Trabalho.
4.1. Qual a situação atual do mercado de trabalho na sua área (para
recém-formados e mais experientes)? E no futuro, como será este mercado,
em sua opinião?
“Hoje é muito aquecida, mas no futuro se o psicólogo não conseguir se
adaptar às tecnologias, não vai ‘dar bom’ no RH, acho que no RH, estar
na área clínica, acho que a gente tem muito a evoluir. Mas como RH sim,
acho que os psicólogos têm que entender que hoje em dia não dá para
ser só leitura, não dá para a gente sentar e fazer um treinamento só
passando ppt [Power Point], são milênios, é difícil fazer essa galera se
inteirar e você tem que entender que é uma geração e são várias
gerações e você tem que entender tudo isso. Então acho que hoje o
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mercado está superaquecido, de RH principalmente para estudantes,
estou ‘cansada’ de ver estágio de RH pedindo essa experiência em
psicologia e tudo mais, é aquecido, mas no futuro a gente vai precisar
como profissionais estar sempre se integrando com essa tecnologia e
tentando criar um universo entre os dois, juntar o que a psicologia tem de
melhor quando a gente fala do presencial, do contato, do social, do olho
no olho, do conversar versus essa geração que nem sempre vai querer
isso, ensinar para eles o quanto isso é bom, praticar isso.”
4.2. Como foi sua entrada no mercado de trabalho? Como chegou à
posição que ocupa hoje?
“Eu comecei fazendo faculdade de RH, então foi um viés para eu
conseguir entrar nessa área porque eu estudei antes da psicologia, eu fiz
RH, então me ajudou bastante, confesso que desde pequenininha, desde
ensino médio, aqueles questionamentos que os professores faziam, eu
falava ‘quero ser psicóloga’, isso eu sempre tive certeza, mas tem toda
uma questão da barreira familiar de saber que psicólogo é ‘pobre’ mesmo,
que tem carreira, que é difícil ser psicólogo. Eu fui fazer RH, comecei meu
trabalho, não comecei com recrutamento e seleção, as pessoas que
conseguem isso eu falo ‘vocês tiraram a sorte grande, vocês ganharam na
loteria’, porque normalmente a gente começa no DP, que é a parte mais
administrativa do RH, a gente começa no departamento pessoal e a gente
vai crescendo, vai demonstrando interesse, vai indo para outra área, então
foi assim que eu fiz, eu comecei com DP e fui sempre migrando e sempre
que tinha um espaço eu ia para outra coisa que não fosse DP, que não
fosse folha de pagamento, então foi assim que eu fui me inserindo na área
a estar até hoje aí com seleção e outras coisas.”
4.3. Em termos de remuneração, como são as condições da sua área?
Você saberia citar valores médios de remuneração?
“Eu vou falar baseada no mercado, porque aqui a gente tem uma faixa
salarial fora do comum, até eu como psicóloga me sinto super valorizada,
eu falo ‘gente eu arrasei na vida, venci na vida’, então acho que no
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mercado sim, a gente não é tão valorizado, eu escutei desde que eu
comecei a Psicologia que eu nunca ia ser rica sendo psicóloga,
trabalhando no RH então piorou, então eu já aceitei. Acho que é uma
média, eu já vi desde pessoas, é triste isso, já vi desde pessoas
graduadas ganhando 2 [dois mil] como mínimo e eu já vi pessoas
graduadas ganhando 5 [cinco mil], 6 [seis mil], como uma média eu acho
que 2 [dois mil] sendo o mínimo e 6 [seis mil] sendo o máximo e assim,
muitos anos de experiência para chegar nesse salário, muitos anos
mesmo (...) isso pensando no RH.”
4.4. Quais as dicas você dá para quem quer atuar nesta área?
“Sim, acho que isso e se inteirar nas tecnologias e estudar bastante, não é
só estudar abordagem comportamental, psicanálise, ‘fenô’, humanista,
não é só estudar isso, RH não é só estudar isso, esse mercado é estudar
um pouco de tudo, o que é tenso, porque hoje em dia o RH trabalha até
com ‘analytics’, trabalha com indicador, trabalha com estudo de salários,
hoje em dia você não é só um profissional que senta e recruta, é um
profissional que analisa salário, é um profissional que faz avaliação de
desempenho, é um profissional que analisa postura de clima, é um
funcionário que faz de indicador, então hoje você não é só um RH que
contrata e que faz entrevista, de desligamento. Tecnologia, eu acho que a
tecnologia é um dos pontos principais e ter muita, muita paciência, muita
inteligência, não é fácil lidar com pessoas todos os dias e lidar e saber que
é aqui, estou lidando aqui, quando eu sair não é mais da ‘minha conta’,
estou indo para a minha casa, minha vida, meu momento, trabalho. Acho
que a maturidade é importante para os profissionais principalmente na
área de RH, infelizmente a gente não tem bons profissionais na área, o
que acaba quebrando essa imagem do que o RH deveria ser, de respeito,
de empatia, de cuidado, de responsabilidade, isso foge um pouco, com
todo respeito quando eu falo com o outro, toda essa situação com o outro,
eu acho que como opinião e como dica principalmente as pessoas
precisam ter empatia, precisam ter respeito, você não tem noção, o que
eu não quero que façam comigo eu não vou fazer com o outro,
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minimamente as pessoas deveriam pensar assim. Na parte técnica é isso,
se renovar constantemente.”
4.5. Com a alta crescente dos temas relacionados à Diversidade e Inclusão
nos ambientes corporativos, como isso têm impactado nas demandas da sua
área?
“Total, isso todos os dias, porque é desde você alinhar um perfil e o gestor falar
‘eu quero só alguém da Universidade X’* evocê vai falar ‘quem está lá na
Universidade X?’* São as pessoas que moram no Itaim, são as pessoas que
moram no Jardim Europa, são as pessoas que moram na Berrini, na Vila
Olímpia, são pessoas de classe média alta, são pessoas que não viveram nem
um pingo as vezes do que a pessoa que nem na faculdade conseguiu chegar
por alguma outra questão. Então a diversidade e a inclusão começa desde aí
para gente, como recrutadora, como RH, é questionar o gestor a partir daí,
porque é o mínimo, é o começo de tudo, porque como que eu vou aceitar o
cara falar que ‘ai não, eu quero diversidade, mas eu quero inglês fluente, eu
quero uma pessoa da Universidade X*, eu quero uma pessoa com
intercâmbio’, então você não quer diversidade, você quer um perfil padrão de
todo o mercado de trabalho, então você não quer diversidade, ‘ah mas
diversidade abaixa a régua’, não, a diversidade é a gente poder fornecer isso
pro profissional, diversidade é ‘tudo bem, ele não tem, mas eu vou fornecer
isso para ele, ele vai ser isso, ele vai ter um intercâmbio, ele vai ter uma
graduação, ele vai ter porque eu como empresa posso auxiliar ele para chegar
nisso’, mas se eu não questiono nessa ponta que eu estou, eu levo um
processo todo preconceituoso a frente, todo discriminatório, eu vou levar. Então
o meu papel como RH quando eu falo de diversidade começa desde o
questionamento: - ‘Mas a gente tem que fazer isso?’, ‘Mas precisa disso?’,
‘Mas se a gente fizer isso?’. Então isso vale para todos os pilares de
diversidade, desde o comemorar um aniversário, os ‘aniversariantes do mês’ e
eu não comprar um bolo para o vegetariano, e aí? E o vegano? O que eu faço
com ele? Eu posso ter uma pessoa, mas eu tenho que pensar nele, porque
senão ele não vai ser ‘incluso’, independente. Então isso é inclusão, é o pensar
desde como a pessoa vai se sentir nesse espaço, desde o questionamento do
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‘alinhar perfil’ de quem eu vou trazer, de não ‘abrir local’ de onde a pessoa
mora, não ‘abrir a faculdade’ que ela cursa. Quando a gente fala de faculdade
com a mensalidade mais barata, é não mencionar isso, porque as vezes as
pessoas julgam por natureza, ‘ah mas porque estuda na Universidade Y*,
então não é tão boa faculdade, então não ver ser tão bom’, não, quem ‘faz a
faculdade’ é o aluno, todo mundo sabe disso, quem estuda muito sem dúvidas
vai ser um profissional excelente, independente da faculdade que ele tiver,
aquilo é só um certificado, tem muita gente aí com certificado que não é bom
profissional. Então é esse trabalho que o RH tem que ter dentro da diversidade,
o questionamento, porque se a gente aceita, a gente não está praticando a
Diversidade e Inclusão, a gente só está deixando acontecer, e a gente está
fazendo, a gente está discriminando de uma forma super velada, a gente às
vezes até sabe que é errado, mas a gente fica ali, ‘ai eu não vou falar nada’,
não, a gente tem que falar, porque se a gente quer mudança a gente tem que
falar, e como RH esse é o nosso papel, se o RH não falar ninguém vai falar,
então fica difícil, é o nosso papel e acho que a diversidade parte daí, desde o
primeiro questionamento. E quando a gente fala da inclusão aqui dentro é
desde a ação mais simples que a gente tem até a ação que impacta a empresa
inteira, desde dar parabéns para as pessoas e dar uma caixa de bombom sem
lactose ou sem glúten à pessoa que tem algum problema de saúde, a gente
tem que pensar nisso, a gente tem que fazer essa inclusão, porque senão eu
vou dar alguma coisa e ele vai falar ‘poxa, mas eu nem como isso’ e a empresa
nem teve o cuidado de pensar, tem que ter, tem que partir da gente, tem que
partir dessas pequenas ações até as maiores, acho que é isso. E as pequenas
ações vão motivando e vão fazendo as pessoas entenderem o quanto isso é
importante, e acho que isso fomenta, é positivo.”
*A entrevistada citou o nome de duas universidades, esses nomes foram
substituídos por nomes fictícios: Universidade X e Universidade Y.
4.6. Na empresa em que você trabalha, vocês como organização, estão
pensando em Diversidade e Inclusão?
“Sim, mas acho que a gente ainda ‘boia’ um pouco, é difícil, acho que a
gente (…) hoje por incrível que pareça eu trabalho numa empresa que a
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liderança questiona porque que não tem - ‘Por que não tem nenhuma
mulher negra na liderança?’, ‘Por que não tem um PCD na minha área?’,
‘Por que não tem um trans na minha área?’, ‘Por que não tem? Eu quero
contratar’, ‘Por que não tem mais pessoas negras? Só tem ‘gente branca’
no escritório’ - Eu vejo os gestores questionarem isso e eu não vejo
coordenadores, eu vejo gerentes, eu vejo diretores questionando isso, o
que é positivo, porque os assistentes questionarem é (…) mas quem gere
e desce esse pedido é a diretoria, então ter isso motiva muito, porque aí a
gente fala, é ali que a gente consegue fomentar isso e que essa pessoa
pratique e ensine as pessoas e motive as pessoas a serem assim
também, então é a primeira empresa que eu vejo mais questionamentos e
reclamações. Eu tenho uma gestora que ‘ela tem’, ela fala e sempre vai
falar que de cinco pessoas que ‘ela tem’, pelo menos quatro ‘tem que ser
mulher’, ela só quer um homem dentro da equipe dela e agora ela quer
porque quer uma pessoa trans na equipe dela, eu fico ‘pelo amor de
Deus’, cada dia que passa ela me dá um desafio maior na seleção, eu falo
‘Jesus’, quando chega vaga dela eu já falo ‘não vou fazer’, sério é
realmente difícil, mas assim a gente, se é isso que ela quer, a gente vai
entregar para ela o que ela quer, porque a gente sabe que o que ela ta
fazendo é incrível e nem todo mundo vai fazer, então se a gente tem a
oportunidade a gente vai fazer independente se é difícil ou se não é, se eu
vou ficar três meses com a vaga aberta.”
4.7. Quais foram as dificuldades e facilidades que você enfrentou para a
sua inserção profissional?
“Acho que de barreira quando as pessoas entendem que eu sou DP e não
dá para eu fazer seleção vendo números, eles acham que a gente nunca
vai ter habilidade para falar com as pessoas e fazer uma seleção. E e eu
aprendi que não, porque eu entrei como estagiária de recrutamento e
seleção e na minha primeira vaga eu ‘fechei’ com os dois primeiros
candidatos que eu apresentei, então eu entendi que é vontade, é
dedicação, é estudo, é você ter a proatividade de você estudar e ir para
frente e tentar, é muito difícil essa barreira das pessoas acreditarem que a
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gente pode ser um bom profissional baseado no estudo, no que a gente
vem estudando, no que a gente vem treinando, é muito difícil. Então eu
acho que nessa fase de quando eu era DP para fazer uma pessoa
acreditar que poderia ser boa, eu tive que provar por ‘a mais b’, não foi
uma coisa que ‘cara confie em mim’, na confiança de ‘nossa, eu vou dar
essa chance ou eu vou desenvolver essa pessoa’, você está me
‘vendendo’ eu vou acreditar na sua ‘venda’ mas eu vou querer ver o seu
‘produto’ no final, essa coisa do ‘você ter que se provar mil vezes para
você falar que eu sei fazer’ é muito difícil nessa transição, é cansativo, te
desmotiva, porque em alguns momentos você não consegue mesmo e aí
eles te rotulam baseado nisso, é difícil. Mas tem coisas boas nesse
momento, porque você aprende a resiliência, a paciência, você aprende a
se frustrar e passar a entender que é um momento que é o outro, não é o
que o outro fala, mas é o que a gente faz com o que o outro diz conosco,
não é sempre a atitude, aquilo que a gente tá sentindo, ‘meu Deus, mas
eu tô sentindo porque eu quero sentir’, não por isso, o outro falou, mas eu
posso pegar aquilo que o outro falou e transformar em uma forma positiva.
Então de novo, é o que a gente faz com o que o outro fala, é importante,
acho que me ensinou muito como profissional, hoje em dia eu tenho mais
resiliência, mais reflexão antes de agir, antes de pensar, antes de um
feedback, enfim.”
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BIBLIOGRAFIA GERAL
CAMPOS, Leonor N Medeiros. Psicologia organizacional: o que é e como pode
ajudara empresa. Psicologia Viva, 2018. Disponível em:
. Acesso em: 28 Abr 2022.
O QUE É PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL E COMO ELA PODE AUXILIAR SUA
EMPRESA?. GrupoSeres, 2022. Disponível em:
. Acesso em: 28 Abr 2022.
PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL: CONCEITO, OBJETIVOS, VANTAGENS E
METODOLOGIAS. Conexa Saúde, 2022. Disponível em:
. Acesso em: 29
Abr 2022.
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