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UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ – UTP Letícia dos Santos Moreira AS CARACTERÍSTICAS DA SÍNDROME DE DOWN Tuiuti – PA 2024 SUMÁRIO 1 HISTÓRIA DA SÍNDROME DE DOWN.................................................................... 3 2 CAUSAS GENÉTICAS ............................................................................................ 4 3 SINTOMAS .............................................................................................................. 6 4 DIAGNÓSTICO ........................................................................................................ 7 5 COMPLICAÇÕES POSSÍVEIS ................................................................................ 9 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 10 3 1 HISTÓRIA DA SÍNDROME DE DOWN A Síndrome de Down (SD) é uma condição genética, descoberta por John Langdon Down (Figura 1) há mais de um século e que foi identificada como uma das causas mais frequentes de deficiência mental (DM) (Carvalho e Almeida, 2021). Figura 1. John Langdon Down Fonte: Carvalho e Almeida (2021) Desde então, se tem avançado em seu conhecimento, ainda que existem mecanismos íntimos a descobrir. Em 1.958, o francês Jérôme Lejeune e a inglesa Pat Jacobs descobriram a origem cromossômica da síndrome, que passou a ser considerada genética (Benn, 2019). Em 1958, o geneticista Jérôme Lejeune verificou uma alteração genética causada por um erro de distribuição cromossômica em que, ao invés de 46, as células possuíam 47 cromossomos e este cromossomo extra se ligava ao par 21. Assim, surgiu a denominação Trissomia do 21, e a anomalia foi batizada como Síndrome de Down em homenagem ao seu descobridor (Carvalho, 2021). Na Idade Média, esses indivíduos eram considerados possuídos pelo demônio, justificando seu extermínio. Apenas no final desse período histórico, instituições cristãs passaram a ajudar aos necessitados. De fato, segundo Lima (2018), com a chegada do Cristianismo, as pessoas com deficiência passaram a ser vistas como criaturas de Deus. 4 Assim, não poderiam ser abandonadas, pois precisavam de proteção e caridade. Depois passaram a ser acolhidas por igrejas, conventos, hospícios criados pela nobreza, onde ficavam, muitas vezes, amarradas em celas, apartadas da sociedade. A denominação de síndrome de Down foi proposta por Lejeune como forma de homenagear John Langdon Down pela sua descoberta, mas antes disso, várias outras denominações foram utilizadas, como “imbecilidade mongolóide, idiotia mongoloide, cretinismo furfuráceo, acromicria congênita, criança mal-acabada, criança inacabada”, dentre outras (Dupas, 2019). No final do século XIX médicos de outros países europeus diagnosticaram a situação descrita por Dow em alguns de seus pacientes, acrescentando novas informações, como a grande incidência de problemas cardíacos, além da ligeira curvatura do dedo mínimo (Mata, 2019). Diante disso, entende-se que antigamente não tinham palavras certas para chamar a pessoa que possui necessidades educativas especiais, os mesmos eram tratados como doidos, que não sabiam de nada, e que na verdade não é bem assim, pois os mesmos pensam como um ser humano qualquer, a diferença é que os mesmos tem desenvolvimento intelectual limitado, não agem de forma rápida como um dito normal. 2 CAUSAS GENÉTICAS Atualmente quem tem Síndrome de Down é capaz de ter mais qualidade de vida, é claro que vão ter restrições, mas tudo isso indica que foi devido aos cuidados multiprofissionais, que estão contribuindo para se obter uma longevidade. A alteração genética é atribuída a trissomia (92 a 95% dos casos), mosaico (2 a 4%) e translocação (3 a 4%) do cromossomo 21. Os fatores que criam as condições como predisponentes são exposição a radiações, infecções e idade materna (Benn, 2019). Há três tipos diferentes da trissomia do 21: trissomia 21 livre, trissomia 21 em translocação e trissomia 21 em mosaicismo. Veja abaixo um pouco mais sobre elas: Trissomia 21 livre: ocorre uma não disjunção durante o processo de divisão celular (meiose) que deu origem aos gametas, de acordo a tabela 1 abaixo: 5 Tabela 1. Três tipos diferentes da trissomia Trissomia 21 livre Ocorre uma não disjunção durante o processo de divisão celular (meiose) que deu origem aos gametas. Nesse caso, um dos gametas possui um cromossomo 21 a mais e, após a fecundação, gera um zigoto com a trissomia. Esse tipo é o mais comum de trissomia do 21 e, geralmente, é consequência no erro da formação do gameta materno. Nessa situação, o cariótipo é escrito da seguinte forma: 47, XX + 21 (sexo feminino) ou 47 XY + 21 (sexo masculino). Trissomia 21 em translocação São pouco comuns, ocorrendo em 3% a 4% dos casos. Nesse caso, não se observa um cromossomo 21 a mais livre, mas uma parte de um cromossomo 21 ligado a outro cromossomo. Há, portanto, dois cromossomos do par 21 completos e mais um pedaço de um terceiro cromossomo 21 colado a outro cromossomo de outro par. Trissomia 21 em mosaicismo: É o menos comum. Há a formação da primeira célula com o número normal de cromossomos, entretanto, ocorre erro nas divisões celulares que ocorrem na sequência. Portanto, temos indivíduos com células normais e com células trissômicas." Fonte: Lima (2018) A SD é caracterizada por um grau variável de atraso no desenvolvimento mental e motor e está associada a sinais como hipotonia muscular (90,9%), prega palmar transversa única (59,0%), prega única no quinto dedo (18,1%), sulco entre o halux e o segundo artelho (77,2%), excesso de pele no pescoço (82%), fenda palpebral oblíqua (100%) e face achatada (86,3%), de acordo com estudo de revisão (Mata e Pignata, 2019). A SD é caracterizada pela mudança do estado normal dos cromossomos e podemos chamar de trissomia, um organismo no qual um dos pares de cromossomos homólogos apresenta um cromossomo a mais. Em resultado temos a deficiência mental e um distúrbio que gera problemas nas funções motoras e de linguagem, reconhecida por Langdon Down em 1866 (COHEN, 2019). Pode-se dizer que SD é uma alteração cromossômica, onde acontece o atraso do desenvolvimento da criança tanto nas funções motoras quanto na linguagem, e de forma mais frequente o retardo mental, que são características essenciais para diagnóstico da síndrome (Silva e Dessen, 2020). A SD é dividida em 3 grupos de apresentação clínica que explica a alteração dos cromossomos durante a sua formação, a trissomia do cromossomo 21, que pode ocorrer por Trissomia Simples, que é a mais comum, ocorre em cerca de 95% dos casos, quando um cromossomo a mais se junta ao par 21, Translocação, que ocorre em 3% dos casos e mesmo que tenha os 46 cromossomos pode ser portador da SD, único caso que pode ter relação genética herdada pelos pais, ou 6 Mosaicismo, acontece em apenas 2% dos casos, comprometendo apenas partes das células, podendo assim, algumas células ter 47 cromossomos e outras com 46. Apesar de existirem três possibilidades do ponto de vista citogenético, a SD apresenta um fenótipo com expressividade variada (Pedremônico, 2019). Dentre as características fenotípicas desta síndrome destacam-se a braquicefalia, descrita por um diâmetro fronto-occipital muito pequeno, fissuras palpebrais com inclinação superior, pregas epicânticas, base nasal achatada e hipoplasia da região mediana da face. Além dessas características da face, observa- se, também, que o pescoço é curto, podendo estar presente apenas uma prega palmar; a pina é pequena e displásica; a língua é protusa e hipotônica; há clinodactilia do 5º dedo das mãos e uma distância aumentadaentre o 1º e o 2º dedos dos pés (Silva e Dessen, 2020). 3 SINTOMAS A Síndrome de Down é uma tarefa muito complexa. Assim como não se pode definir uma pessoa simplesmente pelos genes que tem, ou pela cor de sua pele, definir a Síndrome de Down apenas no âmbito genético ou físico é ignorar a totalidade da pessoa que está sendo levada em consideração. Com a finalidade de explicitar algumas características da Síndrome, passo a dividir e subsidiar alguns subitens importantes para conhecê-la, portanto, retomo a importância de conhecer a pessoa ou a própria Síndrome de Down como um todo íntegro e peculiar (Silva et al., 2021). Os sinais e sintomas evidenciam os portadores da Síndrome de Down e não raras às vezes suas fisionomias contribuem para as práticas de preconceito e exclusões sociais. Tais dados também são indicadores de fragilidades físicas e biológicas, fazendo-se necessárias ações na área da saúde que melhorem a qualidade de vida dos portadores de Síndrome de Down e programas de assistências aos seus familiares para um cuidado com mais qualidade e efetivo na assistência dos seus (Silva e Kleinhans, 2019) Portadores da Síndrome de Down tem um retardo mental diferente um dos outros, as características físicas são bem marcantes nessa síndrome onde todos têm olhos afastados, rosto redondo cabelo geralmente liso e claro e em poucas quantidades eles tão tem muita facilidade de demonstrar afeto e carinho com 7 abraços e beijos. Mas o intelectual pode ser bem diferente entre eles sendo que cada um se desenvolve de maneira única e peculiar em seu desenvolvimento em geral (Pedrmônico, 2019). As crianças com SD apresentam hipotonia muscular e são muito sonolentas. Logo após o nascimento, elas mostram dificuldades para a sucção e deglutição. Observa-se, também, um atraso no desenvolvimento de alguns reflexos do bebê, havendo um comprometimento na postura de semiflexão dos quadris, que pode não ser evidente ou, até mesmo, estar ausente (Oliveira e Silva, 2019). Porém, é de uma grande importância que desde o nascimento, os portadores da Síndrome de Down sejam estimulados, que tenham objetivos capazes de vencer as limitações que essa alteração genética impõe, e auxiliar para que possam desenvolver todo seu potencial. Devido todas as necessidades específicas de saúde e aprendizagem, deve-se exigir assistência profissional multidisciplinar e atenção permanente dos pais ou cuidadores (Silva et al., 2021). A criança com Síndrome de Down tem que ter acompanhamento por profissionais da saúde para fazer exames periódicos como hemograma, eco cardiograma exames de tireoides já que eles têm disfunção da tireoide. É muito importante fazer terapias e exercícios físicos para ajudar no seu desenvolvimento já que eles têm hipotonia por isso a importância exercitar os músculos e assim não perder tônus muscula (Carvalho e Almeida, 2021) 4 DIAGNÓSTICO Para diagnosticar a Síndrome de Down atualmente são utilizados três tipos de exames: amniocentese, amostra vilocorial e a triagem de alfa-fetoproteína. Amniocentese é o exame onde se colhe o líquido amniótico e este passa pelo processo de centrifugação e as células do feto se reproduzirão numa cultura, podendo ser utilizadas posteriormente para análise cromossômica (Cunha, 2020). O diagnóstico da Síndrome de Down pode ser feito ao nascimento do bebê quando o médico observa as características da mesma. O bebê com síndrome de Down apresenta as seguintes características: implantação das orelhas mais baixas que o normal, língua grande, retardo mental, olhos oblíquos, puxadinhos para cima, uma prega a mais na pálpebra do olho, atraso no desenvolvimento motor, hipotonia, fraqueza dos músculos, presença de somente uma linha na palma da mão e 8 desenvolvimento da linguagem mais tarde que o normal. Para confirmar o diagnóstico após o nascimento o médico poderá pedir que fossem feitos exames de sangue no bebê De acordo Nakadonari (2018), uma inclinação lateral dos olhos para cima (olhos puxadinhos) e prega epicântica (pálpebra superior é deslocada para o canto interno), semelhante ao dos orientais. As pálpebras são estreitas e levemente oblíquas. A parte posterior da cabeça é levemente achatada (braquicefalia), podendo dar uma aparência arredondada à cabeça. As moleiras (fontanela) são, na maioria das vezes, maiores e demoram mais para se fechar. Na linha média onde os ossos do crânio se encontram (linha de sutura), há muitas vezes, uma moleira adicional (fontanela falsa). Cabelo liso e fino, em algumas crianças, podendo haver áreas com falhas de cabelo (alopecia parcial), ou, em casos raros, todo o cabelo pode ter caído (alopecia total) (Botão et al., 2020). Durante a gestação, o ultrassom morfológico fetal para avaliar a translucência nucal pode preconizar a presença da síndrome, que só é confirmada pelos exames da amniocentese e amostra do vilo corial. Depois do nascimento, é o exame do cariótipo que comprova o diagnóstico clínico, que vai mostrar se ele é ou não portador da síndrome. Trata-se de um teste de análise de 9 cromossomos, denominado cariótipo ou cariograma, em que são examinados o número e a estrutura dos cromossomos, a partir de exame de sangue (Paiva, 2020). O diagnóstico da Síndrome de Down é estabelecido com base em uma série de sinais e sintomas, sendo posteriormente confirmado pelo estudo cromossômico. A Triagem de Alfa-feto proteína está associada às desordens cromossômicas, especialmente no caso da Síndrome de Down (Moreira e Gusmão, 2021). De acordo o estud ode Paiva (2020), mostram que é possível identificar cerca de 60% a 80% de desordem cromossômica no período de gestação”. Por serem poucas as desordens genéticas que podem ser separadas durante a gestação, e até o presente momento, nenhuma terapia intrauterina foi descoberta para a Síndrome de Down. Para comprovar a existência da Síndrome de Down, o médico deve solicitar um exame genético: o cariótipo. É por meio deste, que se permite confirmar o diagnóstico. 9 5 COMPLICAÇÕES POSSÍVEIS A Síndrome de Down se caracteriza, em sua etiologia, por ser uma alteração na divisão cromossômica usual, resultando na triplicação - ao invés da duplicação - do material genético referente ao cromossomo 21. A causa dessa alteração ainda não é conhecida, mas sabe-se que ela pode ocorrer de três modos diferentes. Em 96% dos casos, essa trissomia se apresenta por uma não-disjunção cromossômica total: conforme o feto se desenvolve, todas as células acabam por assumir um cromossomo 21 extra (Lima, 2018). A síndrome de Down frequentemente acarreta complicações clínicas que acabam por interferir no desenvolvimento global da criança portadora, sendo que as mais comumente encontradas são alterações cardíacas, hipotonia, complicações respiratórias e alterações sensoriais, principalmente relacionadas à visão e à audição (Botão et al., 2020). As crianças portadoras de Síndrome de Down compreendem mais do que conseguem expressar, contestam esses pontos. Sua argumentação é a de que as crianças que foram expostas ao uso de sistemas de comunicação alternativos/ aumentativos, concomitantemente ao uso da linguagem oral, mostraram-se menos frustradas em suas relações interpessoais e de aprendizagem por conseguirem expressar melhor desejos e pensamentos, além de terem enriquecido sua linguagem básica com novos conceitos (Paiva, 2020). As doenças associadas e complicações dos indivíduos com síndrome de Down. Ainda há pouca interação da comunidade em geral com estas pessoas, seja por estigmas ou barreiras culturais. Indivíduos com síndrome de Down podem viver de maneira bastante independente. Apenas necessitam um bom e adequado apoio durante a infância e juventude. Investigações tem sido feitas com parentes e amigos de família para conhecer mais sobre as perspectivas e dificuldades destadoença (Nakadonari, 2018). Com diversas complicações no horizonte e doenças associadas à Síndrome de Down, faz-se necessário o diagnóstico precoce e tratamento oportuno dessas comorbidades, para que os indivíduos tenham maiores chances de se desenvolver de forma mais saudável. Estima-se que quase metade dos bebés com síndrome de Down têm doenças cardíacas congénitas (CHD). É de longe a causa mais comum 10 associada à morbilidade e mortalidade de pessoas com síndrome de Down, especialmente nos primeiros 2 anos de vida (Cunha, 2020). Essas doenças cardíacas podem aumentar a tensão arterial nos pulmões e deixar o coração incapaz de bombear o sangue de forma eficaz. Devido a esta prevalência tão elevada de CHD em pessoas com síndrome de Down, foi recomendado que todos os doentes recebessem um ecocardiograma nas primeiras semanas de vida (Dupas, 2019). Os testes após o nascimento são mais precisos, se bem que os defeitos cardíacos, muitas vezes, podem ser detectados antes do nascimento. REFERÊNCIAS BENN, P. A. 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