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Dos crimes praticados por particular contra a administração pública estrangeira Apresentação Sabe-se que o Brasil tem diversas relações comerciais e diplomáticas com diversas nações. Fundado nesse propósito de compromisso e boa-fé com os países estrangeiros, foi instituída a Lei n.o 10.467, de 2002, responsável por tipificar condutas irregulares a fim de garantir maior segurança, eficiência e transparência nos negócios internacionais. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai estudar as condutas de tráfico de influência internacional, corrupção ativa em transações comerciais internacionais, o conceito, para fins penais, de funcionário público estrangeiro, assim como os principais debates jurídicos que envolvem esses crimes. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir funcionário público estrangeiro.• Analisar o crime de corrupção ativa em transação comercial internacional. • Descrever o crime de tráfico de influência em transação comercial internacional. • Desafio A integridade e a moralidade da Administração Pública estrangeira são tuteladas no Código Penal em seus arts. 337-B a 337-D. Adriana Pierazzoli é Diretora-Executiva de uma empresa brasileira na área de importação/exportação e, nos últimos meses de 2018, tem tido vários problemas com a entrada de mercadorias no México. Você, na qualidade de promotor de justiça, como agiria nessa situação? Infográfico O art. 337-D do Código Penal é considerado uma lei interpretativa de natureza contextual, isso porque apresenta um conceito que permitirá ao operador do Direito clarificar conteúdos da própria norma penal. No Infográfico a seguir, você vai ver o significado de alguns termos no interior do art. 337-D do Código Penal. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/18a7d2d8-6e64-4c32-953a-474607d467e7/28c11c6b-2166-4973-a7d9-0cde4f239b63.jpg Conteúdo do livro O Brasil, ao se tornar signatário das convenções de combate contra a corrupção e combate à corrupção de funcionário público estrangeiro, vem buscando meios que objetivem prevenir e punir quaisquer atos que ameacem a estabilidade no contexto das relações exteriores, culminado na criminalização das condutas de corrupção ativa e tráfico de influência nas transações comerciais internacionais. No Capítulo Dos crimes praticados por particular contra a Administração estrangeira, da obra Direito Penal IV, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você vai estudar sobre os tipos penais descritos no artigo 337-B e 337- C, do Código Penal, bem como o conceito, para fins penais, de funcionário público estrangeiro. Boa leitura. DIREITO PENAL IV Anna Carolina Gomes dos Reis Crimes praticados por particular contra a Administração Pública estrangeira Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir funcionário público estrangeiro. Analisar o crime de corrupção ativa em transação comercial internacional. Descrever o crime de tráfico de influência em transação comercial internacional. Introdução A corrupção e outras irregularidades praticadas no âmbito internacional são alvo de constantes preocupações de Estados soberanos. Também são objeto de alguns tratados e convenções internacionais, que objetivam prevenir e punir ações criminosas que desestabilizem interesses de ordem econômica e a boa governança. A prática de negócios transparentes e legais permite maior segurança e sustentabilidade nas relações internacionais. Por esse motivo, inseriu-se, no Código Penal, um capítulo destinado a crimes praticados por particular contra a Administração Pública estrangeira. Neste capítulo, você vai ler sobre os crimes de corrupção ativa e tráfico de influência no âmbito das transações comerciais internacionais, previstos nos arts. 337-B e 337-C do Código Penal. Além disso, você vai ler os aspectos conceituais do termo funcionário público estrangeiro para fins penais. 1 Conceito de funcionário público estrangeiro O conceito de funcionário público estrangeiro e suas principais características estão inseridos no art. 337-D do Código Penal (BRASIL, 1940, documento on-line), conforme: Art. 337-D Considera-se funcionário público estrangeiro, para os efeitos penais, quem, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, exerce car- go, emprego ou função pública em entidades estatais ou em representações diplomáticas de país estrangeiro. Parágrafo único. Equipara-se a funcionário público estrangeiro quem exerce cargo, emprego ou função em empresas controladas, diretamente ou indire- tamente, pelo Poder Público de país estrangeiro ou em organizações públicas internacionais. A norma contida no art. 337-D tem natureza interpretativa; ou seja, tem como objetivo auxiliar e esclarecer as normas penais que pedem a utilização desse conceito. Historicamente, o conceito de funcionário público estrangeiro apresentado no Código Penal baseou-se no art. 1º, item 4, a, da Convenção de Combate da Corrupção de Funcionários Públicos Estrangeiros em Transações Comerciais Internacionais, conforme: “Funcionário público estrangeiro” significa qualquer pessoa responsável por cargo legislativo, administrativo ou jurídico de um país estrangeiro, seja ela nomeada ou eleita; qualquer pessoa que exerça função pública para um país estrangeiro, inclusive para representação ou empresa pública; e qualquer funcionário ou representante de organização pública internacional (BRASIL, 1940, documento on-line). O conceito de funcionário público estrangeiro apresentado no art. 337-D é o que deve ser utilizado obrigatoriamente para fins penais, ainda que, em outras disciplinas, venha qualificado de modos diferentes. Contudo, embora o Direito Penal não possa usar conceitos fornecidos por disciplinas como Direito Internacional e Direito Civil, o operador do Direito que trabalhe nessas áreas pode se valer do conceito trazido pelo Direito Penal se assim for pertinente. Crimes praticados por particular contra a Administração Pública estrangeira2 Para que se enquadre no conceito de funcionário público estrangeiro, o sujeito deve ter, para fins penais, as seguintes características: exercer cargo, emprego ou função pública; exercer as atividades em entidades estatais, representações diplomáticas de país estrangeiro, empresas controladas direta ou indiretamente pelo Poder Público estrangeiro ou organizações públicas internacionais. O país estrangeiro apontado nessa norma penal refere-se a todas as instân- cias e divisões, seja nas esferas municipais, estaduais ou federais, dependendo da estrutura de cada Estado estrangeiro. 2 Corrupção ativa em transação comercial internacional O delito de corrupção ativa em transação comercial internacional e seus prin- cipais elementos são encontrados no art. 337-B do Código Penal (BRASIL, 1940, documento on-line): Art. 337-B Prometer, oferecer ou dar, direta ou indiretamente, vantagem inde- vida a funcionário público estrangeiro, ou a terceira pessoa, para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício relacionado à transação comercial internacional: Pena — reclusão, de 1 (um) a 8 (oito) anos, e multa. Parágrafo único. A pena é aumentada de 1/3 (um terço), se, em razão da vantagem ou promessa, o funcionário público estrangeiro retarda ou omite o ato de ofício, ou o pratica infringindo dever funcional O objetivo do delito de corrupção ativa em transação comercial internacional é tutelar as transações comerciais internacionais, propiciando práticas transpa- rentes e seguras entre as partes vinculadas a acordos, contratos, tratados, entre outros, de natureza comercial. Nesse sentido, Cunha (2018, p. 841) afirma que: Embora o delito de corrupção ativa em transação internacional esteja inserido no título dos crimes contra a AdministraçãoPública brasileira, o presente delito não tutela sua incolumidade. Igualmente não protege o regular andamento da Administração Pública estrangeira, mas sim o regular desenvolvimento das transações comercial entre o Brasil e demais países. 3Crimes praticados por particular contra a Administração Pública estrangeira O sujeito ativo do crime de corrupção ativa em transação comercial inter- nacional pode ser qualquer pessoa (crime comum); portanto, pode abranger tanto particulares quanto agentes públicos brasileiros. O sujeito passivo é a coletividade internacional, bem como aqueles que tenham sofrido prejuízos diretos com o ato de corrupção, como pessoas físicas ou jurídicas afetadas pela prática da corrupção ativa na transação comercial internacional. O objeto material do crime de corrupção ativa em transação comercial internacional é a vantagem indevida. O termo indevido é elemento essencial e é entendido como tudo aquilo que não é permitido pelo Direito ou contrário à boa-fé e aos costumes. Não há obrigatoriedade que essa vantagem tenha natureza patrimonial, consubstanciada em dinheiro, bens móveis ou imóveis. Dessa forma, a vantagem pode ter conteúdo material ou imaterial, como relações sexuais, troca de favores, entre outros. A vantagem indevida pode ser percebida diretamente pelo funcionário público estran- geiro ou pessoa indicada por este, tendo como motivação a conduta típica prevista no art. 337-B do Código Penal. Como verbos nucleares da conduta, temos: Prometer — é o ato de comprometer-se a fazer, dar, deixar de fazer, entre outros. Oferecer — é o ato de exibir e fazer proposta de vantagem indevida. Dar — é a entrega propriamente dita da vantagem ou transferência de bens móveis ou imóveis. O parágrafo único do art. 337-B apresenta uma causa de aumento de pena, em que o legislador determinou o acréscimo equivalente a um terço da pena, caso, de fato, ao receber a vantagem indevida, o funcionário público estrangeiro retarde, omita ou pratique ato em descumprimento de seu dever funcional. Crimes praticados por particular contra a Administração Pública estrangeira4 A principal diferença entre o crime de corrupção ativa em transação comercial inter- nacional e o crime previsto no art. 333 do Código Penal “[...] reside no fato de que a corrupção do funcionário público estrangeiro visa a determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício especificamente relacionado à transação comercial internacional (elemento normativo do tipo)” (CAPEZ, 2019, p. 820). O elemento subjetivo do crime de corrupção ativa em transação comercial internacional é o dolo específico, ou seja, o agente deve agir com a finalidade de promover a prática, a omissão ou o retardamento de ato pelo funcionário público estrangeiro ou outra pessoa, em transação comercial internacionalEND ELEMENT. O termo transação comercial internacional é explicado pelo jurista Damásio de Jesus (2003, p. 14): Para efeito de interpretação do texto legal, a elementar transação foi em- pregada pelo legislador penal no sentido de operação comercial. Sob esse aspecto, inclusive, o termo comercial, aparentemente, seria até redundante. De ver, entretanto, que o uso da expressão transação comercial impede que haja confusão com o sentido jurídico-técnico da palavra, qual seja, modo de composição de conflitos e de extinção de obrigações. Assim, deve ser entendida em termos de contrato, acordo de vontades por meio do qual as pessoas formam um vínculo jurídico. Desse prisma, transacionar corresponde a uma ação de cunho econômico, que implica, em última análise, produção ou circulação de bens ou serviços, com finalidade de lucro. Pode ser considerada, portanto, como um contrato que viabiliza a produção ou circulação de bens ou serviços. A consumação vai ocorrer de forma diferente, conforme o núcleo da con- duta. No núcleo prometer e oferecer, o crime de corrupção ativa em transação comercial internacional é entendido como formal, de consumação antecipada. Assim, basta que o agente prometa ou oferte a vantagem, não interessando para o Direito Penal se o houve recusa ou oferta por parte do funcionário público ou estrangeiro. Por outro lado, no núcleo dar, o crime de corrupção ativa em transação comercial internacional recebe a classificação de crime material. Por conse- quência, a consumação vai ocorrer apenas com a efetiva entrega da vantagem, independentemente se houve ou não prática, omissão ou retardamento do ato de ofício que é a moeda de troca da conduta criminosa. 5Crimes praticados por particular contra a Administração Pública estrangeira A tentativa é admitida apenas nos casos em que a promessa ou a oferta é feita na forma escrita (carta, e-mails, entre outras). Se for oral, é inadmitido. O delito previsto no art. 337-B, caput, do Código Penal comina uma pena mí- nima de reclusão de 1 ano, portanto, é considerado de médio potencial ofensivo e permite a suspensão condicional do processo se o agente comprovar os requisitos do art. 89 da Lei nº. 9.099, de 26 de setembro de 1995 (BRASIL, 1940; 1995). Por outro lado, a figura agravada do parágrafo único, cuja pena pode ser elevada em um terço, é classificada como elevado potencial ofensivo e, por consequência, não admite nenhum benefício da Lei nº. 9.099/1995. A ação penal é pública incondicionada. Segundo a doutrina, a corrupção ativa em transação comercial internacional é classificada como crime: comum; simples; material (na conduta de dar); formal (na conduta de oferecer ou prometer); de dano; de execução livre; instantâneo; unissubjetivo; unissubsistente ou plurissubsistente. Segundo Jesus (2003), as transações comerciais são aquelas: que tenham como objeto, direta ou indiretamente, a importação ou exportação de bens ou serviços; de transporte internacional, por qualquer via, de pessoas, cargas, malotes postais, remessas expressas ou qualquer outro bem; que impliquem transmissão de informações, por qualquer meio de comunicação, entre pessoas localizadas ou sediadas em países distintos; relativas a empréstimos e quaisquer outras obrigações ou que possibilitem a circu- lação de valores de qualquer natureza, cujas partes estejam localizadas ou sediadas em países distintos; que tenham como objeto cessão, transferência, delegação, assunção ou modificação das obrigações ou valores referidos no inciso anterior; quaisquer outras que impliquem produção ou circulação de bens ou serviços cujos elementos os vinculem a mais de um sistema jurídico. Crimes praticados por particular contra a Administração Pública estrangeira6 3 Tráfico de influência em transação comercial internacional O crime de tráfi co de infl uência e suas características podem ser analisados por meio da leitura do art. 337-C do Código Penal (BRASIL, 1940, documento on-line): Art. 337-C Solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, vantagem ou promessa de vantagem a pretexto de influir em ato praticado por funcionário público estrangeiro no exercício de suas funções, relacionado a transação comercial internacional. Pena — reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. Parágrafo único. A pena é aumentada da metade, se o agente alega ou insinua que a vantagem é também destinada a funcionário estrangeiro. O objetivo do crime de tráfico de influência é tutelar a probidade, boa-fé e transparência nas práticas de natureza comercial internacionais. O sujeito ativo do crime pode ser qualquer pessoa (crime comum), portanto, pode abranger tanto particulares quanto agentes públicos brasileiros. O sujeito passivo é a coletividade internacional, bem como aqueles que poderão vir a ser prejudicados com a prática do delito, como a pessoa física ou jurídica que tenha sido afetada com a prática do tráfico de influência na transação comercial internacional. O objeto material é a vantagem indevida, que pode ter conteúdo material ou imaterial.Como verbos nucleares da conduta, temos quatro verbos: solicitar; obter; exigir; cobrar. O crime de tráfico de influência em transação comercial “[...] cuida-se de tipo misto alternativo, crime de ação múltipla ou de conteúdo variado, em que haverá um só crime quando o sujeito ativo realizar mais de um núcleo no mesmo contexto fático e no tocante o mesmo objetivo material” (MASSON, 2018, p. 1.195)END ELEMENT. 7Crimes praticados por particular contra a Administração Pública estrangeira O elemento subjetivo é o dolo específico, ou seja, o agente deve ter vontade consciente de solicitar, exigir, cobrar e obter vantagem, com o pretexto de influenciar/iludir o funcionário público estrangeiro para obter vantagem em uma transação comercial internacional. Esse delito não admite modalidade culposa. Assim como no delito do art. 337-B, no tráfico de influência, a consumação vai ocorrer de forma diferente, conforme o núcleo da conduta (BRASIL, 1940). No núcleo solicitar, exigir e cobrar, o crime de tráfico de influência em transação comercial internacional é entendido como formal, de consumação antecipada. Basta que o agente alegue que tenha a suposta influência sobre funcionário público estrangeiro para configurar o crime. Ademais, a transação deve ter natureza internacional. No núcleo obter, o delito recebe a classificação de material. Por conse- quência, a consumação vai ocorrer apenas quando o agente tem êxito na vantagem que pretende conseguir. A tentativa é admitida apenas nos casos em que é possível fracionar as condutas. Se for cometido em única conduta, a tentativa é inadmitida. O delito previsto no art. 337-C, caput, do Código Penal comina uma pena mínima de reclusão de 2 anos, portanto, é classificado como elevado potencial ofensivo (BRASIL, 1940). Por consequência, não admite nenhum benefício da Lei nº. 9.099/1995. A ação penal é pública incondicionada. Segundo a dou- trina, o crime de tráfico de influência em transação comercial internacional é classificado como: comum; simples; formal (na conduta de solicitar, exigir e cobrar); material (na conduta de dano); de dano; de execução livre; comissivo (regra); instantâneo; unissubjetivo; plurissubsistente. Crimes praticados por particular contra a Administração Pública estrangeira8 Para ilustrar o delito de tráfico de influência em transação comercial internacional (art. 337-C do Código Penal), tomemos o exemplo citado por Damásio de Jesus, em que um brasileiro que, “[...] alegando falsamente prestígio junto às autoridades do Timor Leste, solicita vantagem a uma empresa brasileira, com a promessa de lograr sua contratação pelo governo timorense, para a construção de viadutos” (BRASIL, 1940, documento on-line). Nas palavras de Jesus (2003, p. 31): [...] a expressão “a pretexto” significa sob fundamento, com a descul- pa, no sentido de que o autor faz uma simulação, levando a vítima à suposição de que irá influir no comportamento funcional do agente do Poder Público estrangeiro. É possível que, na verdade, ele tenha prestígio junto ao funcionário, caso em que subsiste o delito, uma vez que a incriminação reside na fraude, na promessa de influência, mas, na realidade, nenhuma atitude ele irá tomar junto à Administração Pública. Daí a denominação que se dá ao fato: “venda de fumaça” (vinditio fumi). BRASIL. Decreto-Lei no. 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Código Penal. Diário Ofi- cial da União, 31 dez. 1940. Disponível em: http://www2.camara.leg.br/legin/fed/ declei/1940-1949/decreto-lei-2848-7-dezembro-1940-412868-publicacaooriginal-1-pe. html. Acesso em: 29 jan. 2020. BRASIL. Lei no. 9.099, de 26 de setembro de 1995. Dispõe sobre os Juizados Especiais Cíveis e Criminais e dá outras providências. Diário Oficial da União, 27 set. 1995. Dispo- nível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9099.htm. Acesso em: 29 jan. 2020. CAPEZ, F. Curso de Direito Penal. 26. ed. São Paulo: Editora Saraiva, 2019. CUNHA, S. R. Manual de Direito Penal: parte especial. 10. ed. Salvador: Editora JusPO- DIVM, 2018. 1.024 p. JESUS, D. Crimes de corrupção ativa e tráfico de influência nas transações comerciais internacionais. São Paulo: Editora Saraiva, 2003. MASSON, C. R. Direito Penal: parte especial. 10. ed. São Paulo: Editora Método, 2018. v. 3. 9Crimes praticados por particular contra a Administração Pública estrangeira Os links para sites da Web fornecidos neste livro foram todos testados, e seu funciona- mento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links. Crimes praticados por particular contra a Administração Pública estrangeira10 Dica do professor A Constituição Federal foi promulgada há mais de 30 anos, porém, perdura até hoje a discussão de se é possível responsabilizar, penalmente, a pessoa jurídica. Apesar de o tema ser pacífico quando se trata da tutela do meio ambiente, paira ainda a dúvida sobre outros delitos. Assista à Dica do Professor para relembrar as correntes que se formaram a respeito do tema responsabilidade penal da pessoa jurídica e analisar sua relação com o crime de corrupção ativa em transação comercial internacional. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/811ba2410ae5f2975238b88256f6f91a Exercícios 1) Segundo Cléber Masson, "sanção penal é a resposta estatal, no exercício do ius puniendi e após o devido processo legal, ao responsável pela prática de um crime ou de uma contravenção penal" (p. 220, 2018). Sobre o estabelecimento de sanções no Código Penal, marque a assertiva que corresponde corretamente à pena aplicada no delito de tráfico de influência em transação comercial internacional. A) Reclusão, de 2 a 5 anos, e multa. B) Detenção, de 2 a 5 anos, e multa. C) Detenção, de 1 a 3 anos, e multa. D) Reclusão, de 1 a 3 anos, e multa. E) Reclusão, de 2 a 4 anos, e multa. 2) A Lei n.o 9.099/95 dispõe sobre os juizados especiais cíveis e criminais e é pautada pelos princípios da oralidade simplicidade, informalidade, economia processual e celeridade processual. Sobre aplicação dessa Lei no crime de corrupção ativa em transação comercial internacional, e possível afirmar que: A) É inadmitida a aplicação de quaisquer benefícios da Lei n.o 9.099/95 nas hipóteses do art. 337-B, caput. B) É admitida a aplicação da Lei n.o 9.099/95 nas hipóteses do art. 337-B, em seu parágrafo único. C) Permite a suspensão condicional do processo nos casos do art. 337-B, caput, se o agente cumprir os requisitos da Lei. D) Permite a suspensão condicional do processo nos casos do art. 337-B, parágrafo único, se o agente cumprir os requisitos da Lei. E) Permite a aplicação do rito sumaríssimo quando se tratar da hipótese prevista no art. 337-B, caput. 3) O crime previsto no art. 337-C do Código Penal tem como objeto jurídico a tutela da boa-fé e da regularidade das transações comerciais de natureza internacional. O delito de tráfico de influência, quanto ao grau de ofensividade, recebe a classificação de __________ potencial ofensivo. Em relação ao sujeito ativo, é considerado crime __________. Marque a assertiva que complete corretamente as lacunas do texto. A) menor, comum. B) médio, comum. C) elevado, próprio. D) médio, próprio. E) elevado, comum. 4) Sendo o Brasil signatário de tratados e convenções, em 2002, voltados para o combate à corrupção, foram acrescentados no Código Penal os crimes de tráfico de influência e corrupção ativa nas transações comerciais internacionais. Acerca dos seus conhecimentos sobre esses delitos, marque a assertiva que corresponda corretamente a um exemplo de condutanuclear da corrupção ativa em transação comercial internacional. A) Ato do funcionário público estrangeiro receber vantagem indevida de particular para a prática de ato de ofício. B) Ato do particular prometer vantagem indevida a funcionário público ou terceira pessoa para prática de ato de ofício. C) Ato do funcionário público estrangeiro solicitar vantagem indevida a particular para a prática de ato de ofício. D) Ato do particular iludir funcionário público para que este cometa ato de ofício ilícito. E) Ato do funcionário público estrangeiro aceitar promessa de vantagem indevida ofertada por particular. 5) O Código Penal, em seu art. 337-D, apresenta, para fins penais, o conceito de funcionário público estrangeiro. Acerca das características dessa norma, marque a assertiva correta. A) Elimina desse conceito os funcionários de organizações públicas internacionais. B) O tipo penal comina pena de detenção de até 6 meses, caso o operador do Direito deixe de aplicar o conceito imposto pelo Direito Penal. C) Imprescindível o exercídio de função remunerada para fins de enquadramento no conceito de funcionário público estrangeiro. D) É uma norma de natureza interpretativa, pois objetiva esclarecer conteúdos dentro do Direito Penal. E) País estrangeiro refere-se a níveis federais e estaduais do Governo de determinado Estado, excluindo, portanto, níveis municipais. Na prática No âmbito penal e processual penal, a delimitação da competência serve para identificar quem vai julgar as ações penais privadas e públicas. A competência pode ser limitada em razão de matéria, funcional, local da ação delituosa, domicílio do réu, dentre outros que a lei vier a determinar. Veja como funciona a competência para julgamento e processamento de ações penais que versem sobre o crime de corrupção ativa em transação comercial internacional. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/19d37aaa-14b0-4d3a-aa4b-c6226a9b9800/0855b4a7-b1d9-4b78-9d23-c2ae5646c023.jpg Saiba + Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: O combate a crimes de corrupção pela Justiça Federal da Região Sul do Brasil Neste trabalho, a autora aborda ações do Poder Judiciário e da Polícia Federal, em nível regional, entre 2003 a 2016, para combater a corrupção nas esferas públicas e particulares. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. O impacto dos Acordos de Leniências nos incentivos para a cooperação internacional Nesta publicação, vários autores analisam casos como a "Lava Jato" e os tratados mutilaterais e como o Brasil tem aplicado as práticas de prevenção e correção de atos de corrupção, tráfico de influência e lavagem de dinheiro. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Decreto n.º 3.678, de 30 de novembro de 2000 Neste link, você vai encontrar a Convenção de Combate à Corrupção de Funcionários Estrangeiros, que lhe auxiliará no entendimento de vários conceitos relacionados aos crimes estudados nesta Unidade de Aprendizagem, cujo objetivo é auxiliar a governança, a moralidade e o desenvolvimento econômico no âmbito das relações internacionais. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-76122019000600987&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt https://www.justica.gov.br/sua-protecao/lavagem-de-dinheiro/institucional-2/publicacoes/cooperacao-em-pauta/cooperacao-em-pauta-novembro-2018.pdf?v=2120309964 Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D3678.htm?v=1718567377