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Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 
Internacional. 
 
 
 
 
UNIDADE II 
CONTROLADORIA E AS FUNÇÕES DO CONTROLLER 
 
Prof.ª Me. Tayrine Rodrigues Munhoz 
Prof.ª Me. Thais Caetano Roth 
 
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM 
 
Caro (a) acadêmico (a), na segunda unidade temos como objetivos de 
aprendizagem entender os conceitos e objetivos da controladoria, conhecer a 
controladoria como ramo do conhecimento e como órgão administrativo e 
identificar as características e funções do controller. 
 
Plano de estudo 
Serão abordados os seguintes tópicos: 
1. Conceitos e objetivos da Controladoria. 
2. Controladoria como ramo do conhecimento. 
3. Controladoria como órgão administrativo. 
4. Características e funções do controller. 
 
 
 
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INTRODUÇÃO 
 
A controladoria surgiu nas últimas décadas como uma evolução da 
contabilidade tradicional. Com um mundo globalizado e empresas em busca de 
conquistar seu espaço, surge a necessidade de um profissional que consiga 
unir qualificações necessárias para entender a organização e fornecer 
informações úteis e confiáveis para os gestores. 
Alguns autores segregam a controladoria em duas grandes áreas, a saber: 
ramo do conhecimento e órgão administrativo. Como ramo do conhecimento é 
trabalhado aspectos sobre o conceito de controladoria, seu objeto de estudo e 
as ciências relacionadas. Já como órgão administrativo está relacionado à sua 
missão, estrutura e função. 
É necessário um conhecimento profundo sobre essas duas áreas e ainda 
apresentar várias características qualitativas, para ser um profissional completo 
e consiga atender as necessidades das organizações nos dias de hoje. Essas 
questões que abordaremos nessa unidade. 
 
Bons estudos! 
 
 
 
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1 CONCEITOS E OBJETIVOS DA CONTROLADORIA 
 
A controladoria surgiu há pouco e é considerada como o atual estágio evolutivo 
da contabilidade, de acordo com Schmidt (2002, p. 20), essa ciência 
 
[...] surgiu no início do século XX nas grandes 
corporações norte americanas, com a finalidade de 
realizar rígido controle de todos os negócios das 
empresas relacionadas, subsidiárias e/ou filiais. Um 
significativo número de empresas concorrentes, que 
haviam proliferado a partir da revolução industrial, 
começou a se fundir no final do século XIX, formando 
grandes empresas, organizadas sob forma de 
departamentos e divisões, mas com controle 
centralizado. O crescimento vertical e diversificado 
desses conglomerados exigia, por parte dos acionistas e 
gestores, um controle [...]. Esses três fatores 
(verticalização, diversificação e expansão geográfica das 
organizações) e o consequente aumento da 
complexidade de suas atividades [...] exigiram a 
ampliação das funções do controller. 
 
No Brasil, a controladoria surgiu com a instalação de multinacionais. Nesse 
período, os profissionais dessas multinacionais se deslocavam até o Brasil para 
serem habilitados sobre as teorias e práticas contábeis utilizadas pela empresa 
(SCHMIDT, 2002). 
De acordo com Siqueira e Soltelinho (2001), foi durante os anos 60 que 
ocorreu um aumento na procura por profissionais da área de controladoria no 
Brasil. Os autores elencam três razões que ajudam explicar esse aumento. A 
primeira relacionada com a instalação de multinacionais em solo brasileiro, 
notadamente norte-americanas, que enraizaram a profissão no país. A 
segunda razão refere-se ao acirramento na competição que essas 
organizações trouxeram para o Brasil, forçando as empresas a se 
reestruturarem e, por fim, a terceira refere-se ao crescimento econômico das 
empresas que, na época, fomentaram a necessidade de profissionais que 
auxiliassem o controle das organizações. 
Figueiredo e Caggiano (2004) explicam que com o crescente aumento da 
complexidade na organização das empresas, a interferência constante dos 
meios governamentais por um acirramento na fiscalização e aumento das 
 
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políticas fiscais e, principalmente, a necessidade por melhores práticas de 
gestão, também contribuíram para o início e ascensão dessa ciência. 
Outro fator que se tornou relevante para o surgimento da controladoria foram 
as críticas a respeito da ineficiência da contabilidade tradicional, caracterizada 
como ortodoxa, priorizando o atendimento ao fisco e mensurando dados 
passados da organização. A controladoria apresenta-se como uma evolução 
natural desta contabilidade, cujos campos de atuação são as organizações 
econômicas, caracterizadas como sistemas abertos, inseridos e interagindo 
com outros num dado ambiente (CATELLI, 2001). 
Este cenário do início da controladoria faz emergir a necessidade de 
profissionais com competências e habilidades para atender toda esta demanda 
das organizações. Siqueira e Soltelinho (2001) comentam ainda que foi nos 
anos 80 que ocorreu a maior procura pelo profissional da controladoria. 
Nesse sentido, por ser considerada uma ciência nova, Borinelli (2006) 
argumenta que não existe um referencial teórico vasto e profundo sobre o 
assunto. Em sua tese de doutorado, o autor (2009, p. 105) define controladoria 
como “(...) um conjunto de conhecimentos que se constituem em bases 
teóricas e conceituais de ordens operacional, econômica, financeira e 
patrimonial, relativas ao controle do processo de gestão organizacional”. 
Incorporando a controladoria ao um contexto empresarial, Oliveira, Perez 
Junior e Silva (2008, p. 13) a definem como “departamento responsável pelo 
projeto, elaboração, implementação e manutenção do sistema integrado de 
informações operacionais, financeiras e contábeis de determinada entidade, 
com ou sem finalidades lucrativas”. 
Neste contexto, Mosimann e Fisch (2009, p. 88) determinam que a 
controladoria consiste em um corpo de doutrinas e conhecimentos relativos à 
gestão econômica. Pode ser visualizada sob dois enfoques: 
a. Um órgão administrativo com missão, funções e princípios norteadores 
definidos no modelo de gestão do sistema empresa; e 
b. Uma área do conhecimento humano com fundamentos, conceitos 
princípios e métodos oriundos de outras ciências. 
 
 
 
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Indicação de leitura 
 
CONTROLADORIA – SEU PAPEL NA ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS 
 
 
 
Autores: Clara Pellegrinello Mossimann 
Idioma: Português 
Editora: Atlas 
Assunto: Administração – Contabilidade – Auditoria 
Edição: 2ª 
Ano de publicação: 2002 
 
Resumo: Este livro enriquece a cultura da administração empresarial, ao introduzir a questão 
ambiental entre os desenvolvem uma linha de raciocínio fundamentado acadêmica e 
cientificamente, objetivando definir o papel exercido pela Controladoria no processo de gestão 
empresarial. Contém uma seção de exercícios ao final de cada capítulo. Sumário - Conceito de 
empresa; Gestão; Planejamento: conceito, características e classificação; Sistemas de 
informações; Controle; Controladoria; O papel da controladoria no processo de gestão. 
 
Fonte: LIVRARIA CULTURA, 2016 
 
 
 
 
 
 
Indicação de filme 
 
O CONTADOR 
 
 
 
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Lançamento: 2016 
Direção: Gavin O'Connor 
Elenco: Ben Affleck, Anna Kendrick e J.K. Simmons 
Gênero: Ação e Suspense 
Nacionalidade: EUA 
 
Sinopse: Christian Wolff (Ben Affleck) é um homem que apresenta um quadro de Síndrome 
de Asperger, o que o faz ter mais intimidadepor números do que por pessoas. Ele usa um 
escritório de contabilidade em uma cidadezinha pequena apenas como fachada para 
trabalhar como contador autônomo para algumas das mais perigosas organizações 
criminosas do mundo. 
Fonte: RESERVA CULTURAL, 2016 
 
 
 
 
 
2 CONTROLADORIA COMO RAMO DO CONHECIMENTO 
 
Souza e Borinelli (2009) explanam que o entendimento da controladoria 
enquanto ramo do conhecimento apresenta três questões necessárias a serem 
respondidas: O que é controladoria? Qual o seu objeto de estudo? Quais são 
as ciências afins? Ainda nesta perspectiva verifica-se que a Controladoria é 
uma ciência considerada multidisciplinar, pois esta se relaciona com outras 
áreas científicas. 
Iniciamos o entendimento da Controladoria como ramo do conhecimento 
responde à primeira questão: o que é controladoria? De acordo com Borinelli 
(2006, p. 105), controladoria é “[...] um conjunto de conhecimentos que se 
constituem em bases teóricas e conceituais de ordens operacional, econômica, 
financeira e patrimonial, relativas ao controle do processo de gestão 
organizacional”. 
A controladoria como ramo do conhecimento, pautada na Teoria da 
Contabilidade e conciliada com outras ciências, como economia, sistema de 
informação, entre outras, é fonte para bases teóricas e conceituais utilizadas no 
desenvolvimento de sistemas de informação e modelo de gestão econômica 
que suprem as necessidades informacionais dos gestores no momento da 
tomada de decisão (CATELLI, 2001). 
 
 
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Uma vez definida a controladoria, é importante agora conhecermos qual seu 
objeto de estudo, qual é o foco da controladoria. De acordo com Catelli (2001), 
como ramo do conhecimento, a controladoria está voltada a modelar a correta 
mensuração da riqueza, a estruturação do modelo de gestão e os sistemas de 
informações. O autor acrescenta (2001, p. 345), 
 
[...] uma ampla gama de assuntos serão objetos de estudos, 
dos quais destacamos: modelo de gestão, processo de gestão, 
modelo organizacional, modelo de decisão, modelo de 
mensuração, modelo de identificação e acumulação e modelo 
de informação. 
 
Mossiman e Fisch (2009, p.101) relatam que “o objeto de estudo da 
controladoria é a gestão econômica. (...) Cabe à Controladoria, como ramo do 
conhecimento, estudar o comportamento e controle econômico das riquezas 
das empresas, em face das ações humanas”. Para Borinelli (2006, p. 109) “O 
objeto de estudo da controladoria são as organizações, ou seja, o modelo 
organizacional como um todo, subdivido nos seguintes focos possíveis de 
atuação: 
- o processo (e o modelo) de gestão como um todo, especialmente em suas 
fases de planejamento e controle, com suas respectivas ênfases: gestão 
operacional, econômica, financeira e operacional; 
- as necessidades informacionais, consubstanciadas nos modelos de decisão e 
de informação; e 
- o processo de formação dos resultados organizacionais, compreendendo o 
modelo de mensuração e o modelo de identificação e acumulação. 
De forma análoga, as outras áreas das ciências sociais, onde várias ciências 
se fundem para o entendimento de uma, é a controladoria. Para o 
entendimento dessa última é necessário percorrermos por vários outros 
campos do conhecimento científico. 
Sob esse enfoque, Mossiman e Fisch (2009) e Borinelli (2006) afirmam que a 
Controladoria pode ser explicada como um conjunto de princípios, 
procedimentos e métodos advindos de ciências como: administração, 
economia, psicologia, estatística, direito, matemática, sociologia e 
contabilidade. Pode-se dizer que a contabilidade é uma das principais ciências 
 
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relacionadas à controladoria, pois é altamente relacionada à gestão econômica 
das empresas. 
Para Borinelli (2006), a contribuição da administração está relacionada à 
ciência administrativa se preocupar com a gestão dos recursos econômicos 
das organizações, em estudar o patrimônio das empresas sob o pensamento 
de gestão, buscando formar formas eficientes de verificar os variados recursos 
necessários para o bom desenvolvimento da empresa. Neste contexto, a 
controladoria e a administração se interligam pelos fundamentos teóricos 
utilizados pela administração no processo de controle gerencial. 
A economia se faz importante, segundo Mossiman e Fisch (2009), pela sua 
contribuição em estudar o conceito de renda econômica, o que 
consequentemente afeta a riqueza da empresa, que é objeto de estudo da 
controladoria. Outro fator de contribuição foi o estudo da criação, 
transformação e distribuição dos recursos econômicos na sociedade. 
A psicologia se relaciona estritamente com a controladoria, pelo fato de a 
primeira ter como objeto de estudo o comportamento humano, suas 
motivações, seus valores e seus estímulos. O profissional de controladoria 
estará se relacionando com pessoas e gerindo-as a todo o momento, 
necessitando entender como os seres humanos se comportam (BORINELLI, 
2006). 
No campo da estatística, Borinelli (2006, p. 117), relata que 
 
Tendo-se em conta que a controladoria fornece bases 
conceituais para se exercer o controle do processo de gestão 
organizacional, ela tem que recorrer à Estatística para buscar 
conceitos relativos à coleta, organização, descrição, análise e 
interpretação de dados que servirão para estudar e medir, 
quantitativamente, os fenômenos relacionados a tal controle. 
 
O autor acrescenta que a controladoria utiliza de conceitos e instrumentos 
originários da estatística para realizar estudos sobre alternativas em condições 
de riscos e incerteza para a empresa. 
A ciência jurídica contribui para a controladoria, no sentido que o direito estuda 
os usos, costumes e valores da sociedade, fixando normas que regulam os 
direitos e deveres individuais e sociais. A controladoria necessita conhecer as 
 
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regras jurídicas onde a empresa está inserida, bem como considerar as regras 
de conduta e organização advindas do direito (BORINELLI, 2006). 
Com relação à matemática, Borinelli (2006) comenta que sua relação com a 
controladoria está pautada no fornecimento pela matemática de conceitos 
sobre símbolos, métodos e valores numéricos, possibilitando a base conceitual 
da controladoria, especialmente porque no controle do processo de gestão 
organizacional se faz uso de quantificações físicas e monetárias. 
Para Borinelli (2006, p. 120) “[...] a Sociologia se ocupa do estudo da sociedade 
e suas formas de se organizar, ou seja, se ocupa das relações sociais e da 
organização estrutural”. Dessa forma, a controladoria se utiliza desse 
entendimento de organização da sociedade para obter subsídios e aplicá-los 
nas empresas. 
A contabilidade é uma das ciências consideradas mais importantes para a 
controladoria. Mossimann e Fisch (2009, p. 103) descrevem que a 
contabilidade estuda os “fatos relacionados com a atividade econômica do 
homem, limitada ao âmbito das entidades. Incumbe-lhe estudar o 
comportamento dos eventos que interferem na riqueza da empresa, em face 
das ações humanas ou de sua ausência”. 
Borinelli (2006, p. 113) relata que a relação entre controladoria e contabilidade, 
 
[...] encontra-se no fato de a segunda utilizar conceitos 
contábeis para identificar, classificar, registrar e sumarizar as 
transações e eventos decorrentes das operações realizadas 
por uma entidade. Essa sistemática vai produzir informações 
que serão utilizadas pela primeira para o controle do processo 
de gestão organizacional. Em outras palavras, significa que a 
Contabilidade oferece matéria-prima para a Controladoria. 
 
Dessaforma, a contabilidade estuda o patrimônio das organizações e, por meio 
de seus relatórios, fornecem bases confiáveis para a controladoria utilizar como 
fonte para retirada de suas informações, auxiliando na gestão das 
organizações. 
A controladoria além ser vista como um ramo do conhecimento e utilizar de 
várias ciências para o auxílio de sua execução, ela é vista também como órgão 
administrativo. 
 
 
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Reflita 
 
Para um bom desenvolvimento da controladoria, o profissional dessa área deverá se municiar 
de conhecimentos de várias áreas. Neste contexto, entra a figura de um profissional 
multidisciplinar, que é aquele conhecedor profundo da sua área, mas possui conhecimento em 
outras ciências. Como está o desempenho em outras áreas? Ou até mesmo nas outras 
disciplinas? 
 
 
 
 
 
3 CONTROLADORIA COMO ÓRGÃO ADMINISTRATIVO 
 
A controladoria, vista como um órgão administrativo, tem como objetivo obter 
informações adequadas e úteis ao processo decisório da organização, 
auxiliando os gestores na busca da eficácia organizacional e na possibilidade 
de tomar uma decisão de forma mais assertiva (FIGUEIREDO; CAGGIANO, 
2004). 
Mosimann e Fisch (2009) entendem que a controladoria, como órgão 
administrativo, deve ir em busca do cumprimento da missão e continuidade da 
organização, ou seja, cumprir o seu papel em coordenar e reunir esforços dos 
gestores em busca de um resultado global maximizado. Nesse sentido, Catelli 
(2001, p. 346) argumenta que a controladoria possui a responsabilidade de 
execução das atividades elencadas a seguir: 
 Desenvolvimento de condições para a realização da gestão econômica; 
 Subsídio ao processo de gestão com informações em todas as suas 
fases; 
 Gestão dos sistemas de informações econômicas de apoio às decisões; 
 Apoio à consolidação, avaliação e harmonização dos planos das áreas. 
Figueiredo e Caggiano (2004, p. 27) resume as responsabilidades da 
controladoria como órgão administrativo em 5 (cinco) itens, a saber: 
 
 
 
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 Planejamento: tendo como base os objetivos e as metas da companhia, 
deverá estabelecer um plano integrado de curto e longo prazo, sendo 
constantemente monitorado pela controladoria. 
 Controle: forma de assegurar que o que foi planejado está sendo 
cumprido. Tem-se a necessidade de avaliação de desempenho constante. 
 Informação: a transformação dos dados em informações úteis para os 
mais diversos usuários. 
 Contabilidade: registrar as movimentações da empresa conforme os 
princípios contábeis geralmente aceitos. 
 Outras funções: observar e administrar as demais atividades que 
possuem impacto no desempenho da empresa. 
Padoveze (2002, p. 124) sintetiza considerando a controladoria como 
responsável pelo sistema de informação contábil gerencial da empresa, 
assumindo uma posição ativa dentro da companhia, alerta em controlar, 
informar, influenciar, para assegurar a eficácia empresarial e tendo como 
missão assegurar o resultado da companhia. 
Conforme Mossiman e Fisch (2009, p. 89), a controladoria apresenta como 
missão “otimizar os resultados econômicos da empresa, para garantir sua 
continuidade, por meio da integração dos esforços das diversas áreas”. Nesse 
mesmo sentido, para Figueiredo e Caggiano (2004, p. 26), a missão da 
controladoria é “zelar pela continuidade da empresa, assegurando a otimização 
do resultado global”. 
Apesar da controladoria se apresentar com várias responsabilidades, de 
acordo com Catelli (2001), ela não substitui a responsabilidade dos gestores 
por seus resultados obtidos. Seu papel é auxiliá-los na busca pela otimização 
do resultado. Cabe ao gestor conhecimento de suas especialidades, bem como 
o entendimento necessário sobre gestão econômica, operacional, financeira e 
patrimonial de suas respectivas áreas. 
Levando em conta suas responsabilidades, a controladoria está estruturada da 
seguinte forma: 
 
 
 
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Figura 1 – Estrutura da Controladoria 
 
Fonte: OLIVEIRA; PEREZ Jr.; SILVA, 2008 
 
De acordo com Oliveira, Perez Jr. e Silva (2008), ligada aos sistemas de 
informação necessários à gestão, a controladoria deve estar estruturada para 
atender as necessidades rotineiras de sua função e atuar no processo de 
gerenciamento da organização. 
Conforme a Figura 1, percebe-se que a controladoria é estruturada em duas 
grandes áreas suportadas pelo sistema de informações gerenciais. Na área de 
planejamento e controle, estão incorporadas as atividades relacionadas à 
gestão de negócios, o que compreende as questões orçamentárias e 
projeções, questões estratégicas relacionadas aos custos, contabilidade e 
análise de desempenho por centros de responsabilidades, planejamento 
tributário, entre outros (OLIVEIRA; PEREZ JR.; SILVA, 2008). 
Já para área contábil e fiscal, são realizadas atividades concernentes à 
contabilidade tradicional, representadas pelo atendimento às informações 
societárias, fiscais e funções de guarda de ativos, tais como demonstrativos a 
serem publicados, controle patrimonial e seguros, gestão de impostos, controle 
de inventários, etc. (PADOVEZE, 2002). 
Informações sobre a situação patrimonial da organização, sobre os setores, os 
serviços, os produtos, os custos, as despesas, entre outras acerca da 
companhia e seus departamentos integram o sistema de informações 
 
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gerenciais da empresa e representam toda a base da estrutura da 
controladoria. 
Com um sistema robusto e com dados confiáveis, a controladoria consegue 
agilidade no desempenho de suas atribuições e identificação de possíveis 
deficiências advindas de outros setores. Nesse sentido Oliveira, Perez Jr. e 
Silva (2008) comentam que assim estruturadas, as atividades de controles 
internos melhoram a performance dos gestores e consequentemente uma 
maior eficácia e eficiência dos departamentos. 
Oliveira, Perez Jr. e Silva (2008, p.13) relatam que para a controladoria ser 
considerada eficiente e eficaz deve estar capacita a: 
• Organizar e reportar dados e informações relevantes para os tomadores de 
decisões; 
• Manter permanente monitoramento sobre os controles das diversas 
atividades e do desempenho de outros departamentos; 
• Exercer uma força ou influência capaz de influir nas decisões dos gestores 
da entidade. 
As funções da controladoria como órgão administrativo tem que estar alinhada 
com um profissional que possua várias atividades e entenda as características 
necessárias para o bom desempenho do cargo. 
 
 
 
Indicação de leitura 
 
A CONTROLADORIA – TEORIA E PRÁTICA 
 
 
 
 
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Autores: Sandra Figueiredo e Paulo Cesar Caggiano 
Idioma: Português 
Editora: Atlas Editora 
Assunto: Administração – Contabilidade – Auditoria 
Edição: 4 
Ano de publicação: 2008 
 
Resumo: Esta obra contém - Sumário - Parte I - Uma estrutura para planejamento e controle - 
1. Contabilidade e gestão empresarial - a controladoria; 2. O sentido do planejamento e 
controle; 3. A estrutura da contabilidade de custos; 4. Planejamento de longo prazo; 5. 
Planejamento dos investimentos de capital; 6. Planejamento orçamentário; 7. Análise custo x 
volume x lucro; 8. Custeio variável; 9. Preço; 10. Decisões táticas de curto prazo; Parte III - 
Controle - 11. A organização do controle; 12. Custo-padrão e análise das variações; 13. 
Controle de custos administrativos;14. Aspectos comportamentais da avaliação de 
desempenho; 15. Balanced scorecard e logística empresarial; Bibliografia. 
Fonte: LIVRARIA CULTURA, 2016 
 
 
 
 
 
4 CARACTERÍTICAS E FUNÇÕES DO CONTROLLER 
 
O profissional que responde pela unidade organizacional controladoria é 
denominado controller. Apesar da palavra controller remeter a controle, não é 
propriamente no sentido punitivo e coercitivo da palavra. A sua performance 
está relacionada ao fato de informar, formar, educar, influenciar, persuadir, 
nunca impor, de forma que todos os membros da companhia ajam para atender 
os objetivos da empresa (PADOVEZE, 2004). 
De acordo com Figueiredo e Caggiano (2004, p. 28), o papel do controller é 
“zelar pela continuidade da empresa, viabilizando as sinergias existentes 
fazendo com que as atividades desenvolvidas conjuntamente alcancem 
resultados superiores aos que alcançariam se trabalhassem 
independentemente”. 
O desempenho desse profissional será medido de acordo com a sua 
contribuição aos gestores da organização do que propriamente pela sua 
capacidade de ajuste e correção das demonstrações contábeis que relatam 
aspectos financeiros (FIGUREIREDO; CAGGIANO, 2004). 
 
 
 
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A atividade desse profissional se diferencia dependendo do porte e da estrutura 
da empresa, atuando de formas diferentes e dentro dos mais diversos níveis da 
administração (JUNIOR; PESTANA; FRANCO, 1997). 
Mosimann e Fisch (2009, p. 93) descrevem que as responsabilidades do 
controller estão, a partir, dos seguintes itens: 
- Conjunto dos sistemas contábeis empregados na empresa; 
- Reforço do controle interno por meio da autoridade interna; 
- Preparação e explicitação das análises financeiras; 
- Manutenção dos contratos celebrados pela empresa com terceiros; 
- Administração das questões fiscais e tributárias; 
- Estabelecimento, coordenação e administração de um plano adequado para o 
controle das operações empresariais; 
- Fiscalização dos objetivos, efetivação das políticas, processos e estrutura 
organizacional da empresa estabelecidos em conjunto com os demais 
gestores; 
- Coordenação e preparação da informação para auditoria externa, bem como 
ser o elo de ligação da empresa com os auditores independentes; 
- Proteção dos ativos da empresa; 
- Estudos econômico-financeiros, incluindo as influências de forças econômicas 
e sociais e do governo sobre o resultado econômico das atividades da 
empresa; 
- Aprovação do pagamento e assinatura de títulos de crédito em consonância 
com o tesoureiro; 
- Aplicação de regulamentos da empresa quanto às cauções prestadas e ações 
emitidas pela empresa; 
- Preparação e aprovação de normas internas elaboradas para o cumprimento 
de decisões administrativas tomadas pelo acionista controlador ou por acordo 
de acionistas, ou ainda, para cumprimento de dispositivos legais ou exigências 
governamentais, quando se tratar de assunto que diga respeito à gestão 
econômica; 
- Assessoramento aos demais gestores para correção dos desvios entre 
planejamento e execução; 
 
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- Gerenciamento do sistema de informações que dá suporte ao processo 
decisório da gestão econômica; 
- Preparação das informações de ordem econômico-financeira para as 
entidades governamentais, acionistas controladores ou a quem, por acordos, 
tem negócios com a empresa; 
- Gerenciamento da área Controladoria. 
Para Figueiredo e Caggiano (2004, p. 29), como responsável pelo sistema de 
informação, o controller tem como tarefa informar o gestor da organização 
sobre seus resultados, aonde pode ir e quais os caminhos que a empresa deve 
seguir. E para o bom desempenho de suas funções, o controller precisa possuir 
alguns requisitos: 
a) Conhecimento do ramo de atividade ao qual a empresa faz parte, assim 
como dos problemas e das vantagens que afetam o setor. 
b) Conhecimento da história da empresa e uma identificação com seus 
objetivos, suas metas e suas políticas, assim como com seus problemas 
básicos e suas possibilidades estratégicas; 
c) Habilidade para analisar dados contábeis e estatísticos que são a base 
direcionadora de sua ação e conhecimento de informática suficiente para 
propor modelos de aglutinação e simulação das diversas combinações de 
dados; 
d) Habilidade de bem expressar-se oralmente e por escrito, e profundo 
conhecimento dos princípios contábeis e das implicações fiscais que afetam o 
resultado empresarial. 
Atualmente, o responsável pela controladoria necessita ser um profissional 
multifuncional, ter conhecimento sobre várias áreas, como contábeis, 
financeiras e administrativas, além do entendimento profundo da organização 
onde atua. 
Nesse sentido, Oliveira, Perez Jr e Silva (2008, p. 21) relatam que as 
exigências para o desempenho da função tornaram-se complexas e 
desafiadoras em virtude das mudanças ocorridas nos processos produtivos e 
nas técnicas gerenciais e administrativas das companhias. E para atender 
 
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essas exigências, os autores descrevem os conhecimentos necessários para o 
desempenho das funções de controller: 
• Contabilidade e finanças; 
• S.I.G.; 
• Tecnologia de informação; 
• Aspectos legais de negócios e visão empresarial; 
• Métodos quantitativos; 
• Processos informatizados da produção de bens e serviços. 
Além de todas as habilidades já elencadas, exige-se do controller desenvoltura 
para convencer usuários externos e internos da empresa sobre seus conceitos 
e ideias, capacidade de planejamento estratégico, controles orçamentários e 
práticas internacionais de negócios (OLIVEIRA; PEREZ JR.; SILVA, 2008). 
De acordo com Padoveze (2004), a persuasão é uma característica 
fundamental e que necessita ser desenvolvida pelo controller. Esse poder de 
convencimento e influência junto aos gestores se deve, principalmente, pelo 
conhecimento desse profissional sobre conhecimento da ciência contábil, da 
cultura e missão da empresa e pelo conhecimento científico da administração 
econômica. 
O gerenciamento e monitoramento do sistema de informação faz parte das 
funções do controller (PADOVEZE, 2004; FIGUEIREDO, CAGGIANO, 2004). 
Esse mesmo sistema auxilia o controller disponibilizando informações 
necessárias para que ele consiga emitir relatórios, fazer suas análises e 
apresentar as bases para os gestores do processo de tomada de decisão. 
Devido toda essa responsabilidade e a possuir as mais variadas funções, o 
controller deve ser um profissional de alto nível na empresa. Para Padoveze 
(2002), a controladoria é considerada um órgão de staff. O cargo da 
controladoria, dependendo do organograma, pode ser aplicado a diversas 
áreas, como administrativa, contábil e financeira, com diferentes níveis de 
responsabilidade e salariais, respondendo ao diretor e vice-presidente da 
organização. 
 
 
 
 
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Fique por dentro 
 
Valorização do cargo de controller 
 
De acordo com o Guia Salarial da Robert Half, os maiores aumentos salariais em 2016 devem 
ser nos holerites dos analistas na área contábil-fiscal. O percentual projetado pela consultoria é 
de 11%. E, ao lado de gerentes financeiros, controllers, analistas de controladoria, analistas de 
tesouraria e de profissionais de auditoria, os analistas contábeis-fiscais deverão ser os mais 
disputados no mercado de trabalho, ainda que as contratações em finanças e contabilidade 
tendam à estabilidade. 
 
Fonte: EXAME, 2016 
 
 
 
 
 
Indicação de leitura 
 
CONTROLADORIAAutores: Ivam Ricardo Peleias 
Idioma: Português 
Editora: Saraiva Editora 
Assunto: Administração – Contabilidade – Auditoria 
Edição: 1 
Ano de publicação: 2002 
 
Resumo: Esta obra apresenta a importância da abordagem de risco-retorno e da alocação de 
capital para controle da gestão de instituições financeiras, fazendo uma análise da 
controladoria e a inserção do fator risco em sua atividade. Entre outros assuntos de destaque, 
estão os riscos financeiros da empresa moderna e suas implicações, os diversos tipos de 
riscos presentes na atividade de intermediação financeira e a reorientação da controladoria. 
Fonte: LIVRARIA CULTURA, 2016 
 
 
 
 
 
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CONCLUSÃO 
 
Apesar de ser considerada uma ciência nova, sem muitas pesquisas empíricas, 
a controladoria assume um papel importante dentro das organizações, como 
provedora de informações das diversas áreas da empresa, priorizando sua 
continuidade. 
A controladoria utiliza-se da contabilidade tradicional como base informacional 
para suas análises, entretanto, vai além das obrigações ante aos usuários 
externos, como governo, e busca atender principalmente os usuários internos, 
com intuito de muni-los de ferramentas úteis no processo de tomada de 
decisões. 
Para tanto, exige-se um profissional completo e conhecedor das diversas áreas 
do conhecimento, como: contabilidade, administração, direito, sociologia, 
estatística, economia, entre outras. 
Cabe a esse profissional também estar atento às mudanças administrativas, 
em fábrica, até a mais alta cúpula da organização, para o estabelecimento de 
controles internos necessários para a minimizar a ocorrência de fraudes e 
auxiliar na melhor administração da empresa. 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
 
BORINELLI, Márcio Luiz. Estrutura conceitual básica de controladoria: 
sistematização à luz da teoria e da práxis. 2006. Tese de Doutorado. 
Universidade de São Paulo. 
 
BORINELLI, Márcio Luiz. Estrutura conceitual básica de 
controladoria: sistematização à luz da teoria e da práxis. São Paulo, 2006. 
Tese (Doutorado em Controladoria e Contabilidade: Contabilidade) – 
Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade – Universidade de São 
Paulo. Disponível em: . Acesso em: 05 mai. 2012. 
 
CATELLI, A. (coord.). Controladoria: uma abordagem da gestão econômica 
GECON. 2a ed. São Paulo: Atlas, 2001. 
 
FIGUEIREDO, Sandra; CAGGIANO, Paulo César. Controladoria teoria e 
prática. São Paulo: Atlas,2004. 
 
MOSIMANN, C. P.; FISCH, S. Controladoria: seu papel na administração de 
empresas. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2009. 
 
OLIVEIRA, L. M.; PEREZ JUNIOR, J. H.; SILVA, C. A. S.. Controladoria 
Estratégica. Atlas. São Paulo: 2008. 
 
PADOVEZE, Clóvis Luís. Sistemas de Informações Contábeis: fundamentos 
e análise – 3. Ed. – São Paulo: Atlas, 2002. 
 
PADOVEZE, Clóvis Luís. Controladoria Básica. São Paulo: Pioneira 
Thomson Learning, 2004. 
 
SIQUEIRA, José Ricardo Maia de; SOLTELINHO, Wagner. O profissional de 
controladoria no mercado brasileiro: do surgimento da profissão aos dias 
atuais. Revista Contabilidade & Finanças, v. 12, n. 27, p. 66-77, 2001. 
 
SCHMIDT, Paulo (org.). Controladoria: agregando valor para a empresa. 
Porto Alegre: Bookman, 2002. 
 
SOUZA, Bruno C.; BORINELLI, Márcio L. Controladoria. Curitiba-PR: IESDE 
Brasil, 2009.

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