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Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. UNIDADE IV CONTROLADORIA ESTRATÉGICA Prof.ª Me. Tayrine Rodrigues Munhoz Prof.ª Me. Thais Caetano Roth OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM Caro (a) acadêmico (a), a Unidade IV tem por objetivo elucidar o conceito de estratégia, bem como o planejamento estratégico e sua interação com a controladoria. Objetiva relacionar a contabilidade gerencial com as estratégias organizacionais e suas contribuições para a prática da controladoria através dos artefatos mais utilizados pelas grandes corporações. Plano de estudo Serão abordados os seguintes tópicos: 1. Conceito de estratégia e as implicações para a controladoria. 2. Planejamento estratégico. 3. Controladoria estratégica e funções do controller estratégico. 4. Controladoria, contabilidade gerencial, aspectos estratégicos e seus artefatos. Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. CONVERSA INICIAL Devido à volatilidade do mercado e dos diversos fatores que afetam o ambiente organizacional, torna-se imprescindível a elaboração de estratégias que busquem potencializar os pontos fortes da entidade, aproveitando as oportunidades e controlando os riscos. Desta forma, o planejamento nada mais é do que um plano de ações que visa levar uma corporação ao alcance de suas metas e objetivos. O planejamento estratégico tem por função orientar as atividades de controladoria, pois por meio dele é possível perceber se as decisões tomadas estão na direção que levará a organização onde deseja chegar. Tanto a execução das tarefas como o controle e as medidas corretivas devem ser estabelecidas em conformidade com o que foi anteriormente planejado, aumentando assim as chances de sucesso nas negociações realizadas. Para uma efetiva realização da controladoria, alinhada às estratégias da organização, são necessários instrumentos, mecanismos e métodos que promovam o controle e gerem informações robustas que poderão ser úteis ao processo decisório. Esses instrumentos que permitem que a controladoria se materialize são conhecidos como artefatos e surgiram em diversos estágios evolutivos da contabilidade gerencial. Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. 1 CONCEITO DE ESTRATÉGIA E AS IMPLICAÇÕES PARA A CONTROLADORIA A sociedade contemporânea sofreu mudanças radicais que ocorreram principalmente no final do século XX, mas que continuam presentes até hoje (KUNSCH, 2006). O avanço tecnológico, o intercâmbio de informações, a internacionalização comercial e a alta competitividade reestruturaram a maneira de pensar e agir dentro das organizações. A volatilidade dos negócios levou os gestores a se preocuparem com um planejamento estratégico, no qual as decisões são tomadas pensando em o que deve ser feito e não como deve ser feito (MARTIN, 2002). Para Nascimento e Reginato (2013, p. 144), no ambiente empresarial, estratégias “são caminhos escolhidos para posicionar ou reposicionar a empresa em seu ambiente”. Os autores ainda acrescentam que uma das funções mais importantes da estratégia empresarial é a sua utilização no realinhamento da empresa às condições ambientais, possibilitando sua permanência no mercado. A utilização de estratégias visa o melhor posicionamento frente à competição do mercado, aos fornecedores e outras entidades, mantendo e melhorando a lucratividade do empreendimento (NASCIMENTO; REGINATO, 2013). Um dos pontos principais da estratégia é que ela deve se relacionar com o objetivo da empresa, prezando pela continuidade da organização no ambiente que ela está inserida. Com isso, a estratégia da sobrevivência é um das estratégias que necessitam estar permanentemente vinculadas à corporativa (PADOVEZE, 2011). Inúmeros são os desafios que as organizações estão sujeitas e eles promovem uma variedade de cenários que devem ser analisados para a elaboração de um planejamento estratégico (KUNSCH, 2006). Segundo Muller (2003), para alcançar um diferencial dentro de um nicho de mercado, é necessário considerar diversas variáveis internas e externas, que exercem influência sobre o andamento dos negócios. Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. O modelo de gestão, ou seja, a forma em que a organização é conduzida rumo a seus objetivos, afetará o seu posicionamento estratégico, consequentemente, o sucesso ou fracasso empresarial. Padoveze (2011, p. 26) conceitua modelo de gestão como “produto do Subsistema Institucional e pode ser definido como o conjunto de normas que devem orientar os gestores na escolha das melhores alternativas para levar a empresa a cumprir sua missão com eficácia”. Os princípios e valores interiorizados pela alta administração e seus principais gestores, estejam eles explícitos ou não, nortearão o processo decisório. Impressões a respeito da sustentabilidade, ética, respeito aos clientes e colaboradores, qualidade e pontualidade são exemplos de crenças que impactam as rotinas organizacionais, nos investimentos, nas alianças, mas principalmente na maneira como a empresa é vista pelo mercado e concorrentes (OLIVEIRA; PEREZ JÚNIOR; SILVA, 2011). Por essa razão, é de extrema importância para a implementação das estratégias a formalização escrita dos valores e crenças da entidade. A estratégia a ser tomada por uma organização está relacionada com o posicionamento que a mesma pretende assumir, durante um espaço de tempo, no mercado em que está inserida. Para Porter (1990) o posicionamento estratégico refere-se às maneiras de se conquistar uma liderança de mercado, sendo elas: a) fornecendo um preço mais acessível que os concorrentes; b) um produto ou serviço diferente, ou c) enfoque, que consiste em voltar-se para um determinado grupo de compradores ou campo geográfico. A estratégia escolhida pela entidade para guiar seu posicionamento, norteará, por sua vez, o planejamento estratégico. O planejamento é o momento em que se decide o que fazer e como fazer antes que as ações sejam realizadas. É neste processo que a organização deve estabelecer o que precisa ser alcançado, quais as alternativas disponíveis e quais os elementos internos e externos que afetarão o sucesso futuro (PEREIRA et al., 2011). Migliato (2004) apresenta os conceitos que sustentam o planejamento estratégico, são eles: Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Visão organizacional: é o conjunto de crenças, valores e aspirações que permeiam a organização e que servirão para nortear as decisões futuras. Missão organizacional: é a razão de existir da organização, qual seu propósito e como pretende atuar no mercado. Análise externa: consiste na verificação do ambiente externo e como estas variáveis podem influenciar a rotina empresarial. Dentro do planejamento estratégico estas informações são utilizadas para determinar como a entidade aproveitará as oportunidades e prevenirá as ameaças. São exemplos de variáveis externas: leis, posicionamentos políticos, avanço tecnológico e também a própria competitividade mercadológica. Objetivos: são determinados com base na missão organizacional, costumam ser mais genéricos e referem-se ao lugar que a entidade deseja estar dentro de um curto ou longo espaço de tempo. Metas: são determinadas com base nos objetivos e referem-se aos caminhos que devem ser trilhados para alcançar os objetivos. Tratam-se de alvos mais específicos e com datas determinadas para seu alcance. Implementação de estratégias: é o processo em que ocorre a conversão das estratégias para um plano de ação, as quais são realizadas por meio de um gerenciamento de processos e pessoas. Controle estratégico: é um mecanismo que consiste na comparação entre o planejado e o executado, demonstrando até que ponto as estratégias estão atendendo as metas, objetivos e missão da organização. Este processo serve para retornar ao ponto da tomada de decisão e reformular as estratégias caso seja necessário. Nesse processo de formulação de estratégias e planejamento estratégico, de longo ou curto prazo, para organizações, com ou sem fins lucrativos, a controladoria se demonstra vital. Ela deve fornecer subsídios para os gestores, por meio da manutenção de um sistema de informações que permita integrar as várias funções e especialidades. Para Catelli (2007), a controladoria tem primordialmente um papel de otimizar o resultado durante o processo de planejamento. Esta coordena os orçamentos Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. das diversas áreas e busca melhorar os resultados da empresa. Observando o modelo de gestão, a controladoria possui um papel de fornecedora de informações econômicas, além de gerir os sistemas de informações para a gestão econômica da empresa. Como detentora da manutenção do sistema de informação, a controladoria, apresenta como um de seus papéis fundamentais a prestação de informações sobre como a empresa está se comportando, com comparações entre os resultados projetados e os reais, analisando em conjunto com os gestores, os principais motivos das variações, planejando estrategicamente as ações tomadas para corrigir tais desvios. Fique por dentro Um estudo realizado por dois pesquisadores da USP, Bruno Carlos de Souza e Márcio Luiz Borinelli, apresentou os requisitos comuns solicitados em anúncios de emprego para atuação em controladoria gerencial. Cargos oferecidos: analista contábil, analista de controladoria, analista de gestão, analista de orçamento, analista financeiro, assistant controller, coordenador contábil, coordenador de avaliação econômica, coordenador de controladoria, coordenador de planejamento, coordenador contábil, especialista de negócios e inteligência de mercados, project controller, supervisor contábil, supervisor de análise financeira e supervisor de controladoria. Subordinação: coordenador contábil, gerente de custos e orçamento, gerente de controladoria, gerente financeiro, gerente geral, controller, controller corporativo, bussiness controller, diretor administrativo, diretor financeiro, chief financial officer (CFO) e sócio. Remuneração: a remuneração anual dos anúncios oferecidos para profissionais desse grupo varia de R$ 30.000,00 a R$ 110.000,00. Fonte: ANAIS DO XVI CONGRESSO BRASILEIRO DE CUSTOS, 2009. Indicação de leitura PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO Autores: Idalberto Chiavenato e Arão Sapiro Idioma: Português Editora: Elsevier Editora Assunto: Administração Edição: 2ª Ano de publicação: 2009 Resumo: Este livro apresenta as etapas do processo de planejamento estratégico, desde a intenção estratégica até o resultado final, constituindo-se em um manual para a elaboração do plano estratégico para organizações com ou sem fins Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. lucrativos, empresas públicas ou privadas, empresas pequenas, médias ou grandes, empresas familiares ou empreendimentos de qualquer porte ou propósito. Fonte: SARAIVA, 2016 2 PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO O planejamento estratégico para uma empresa, na atualidade, é algo vital para a sua permanência no mercado. Conforme Padoveze (2004, p. 85), “Planejar é uma estratégia para aumentar as chances de sucesso de uma empresa em um mundo de negócios que muda constantemente. [...] O Planejamento Estratégico será tão eficaz quanto as premissas que foram neles incluídas”. A elaboração de um planejamento estratégico eficaz não é uma tarefa simples e demanda certo tempo daqueles que vão elaborá-lo. Estes precisam possuir conhecimento sobre as variáveis que o compõe. As mudanças que ocorrem nos ambientes internos e externos das empresas são variáveis que desafiam a capacidade, criatividade e experiência dos gestores para controlá-los (NASCIMENTO E REGINATO, 2013). O processo formal de elaboração do planejamento estratégico, além de estabelecer os padrões de qualidade dentro das organizações, possibilita a integração dos participantes da gestão da empresa, com várias questões que envolvem os negócios, com a verificação e expectativa a obtenção dos resultados planejados (NASCIMENTO E REGINATO, 2013). Inúmeras são as contribuições do planejamento estratégico para o ambiente organizacional. Por meio dele é possível identificar e gerir os pontos fortes e fracos da empresa para que eles sejam utilizados de forma benéfica. Nascimento e Reginato (2013, p. 149) listam os principais benefícios do planejamento: a. Comunicação: o processo é eficaz entre os membros da organização, motivando o desenvolvimento do diálogo em torno das questões estratégicas que a envolvem; b. Motivação: o processo tem um apelo motivacional ao deixar claro para os membros da organização o que se espera deles em termos de performance; Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. c. Padrões: estabelecimento de desempenho, que estimulam a eficácia do processo de planejamento e da própria administração do negócio; d. Rejuvenescimento/renovação: encoraja atitudes favoráveis a respeito de mudanças. O diálogo em torno das necessidades de ajuste da empresa ao seu ambiente estimula a diminuição da resistência interna às mudanças, que passam a ser vistas como uma necessidade; e. Prioridades: estabelece as prioridades organizacionais. Ao fixar suas metas, a administração estabelece de forma clara qual o direcionamento que quer que seja dado ao empreendimento. f. Proatividade: prática de uma gestão proativa. A análise constante das condições ambientais promove a tomada de decisão antes que a organização seja afetada pela mudança de alguma variável; g. Outros benefícios: promove a alocação de recursos de forma criteriosa, permitindo à organização alavancar seus resultados, na medida em que a avaliação de necessidade de recursos e sua alocação se dão de forma global. Esse é um grande benefício, pois permite à empresa evitar as ameaças, atenuando seus efeitos e, ao mesmo tempo, tirar proveito das oportunidades que surgem de novos negócios; busca a manutenção do equilíbrio da organização no ambiente; concilia o que a empresa pode fazer em termos das oportunidades presentes com o que ela pode fazer em termos de suas forças e fraquezas. Entretanto, os autores ainda alertam que caso ocorra uma administração inflexível, poderá causar inquietação nos membros da organização, tornam os gestores intranquilos, bem como um planejamento demasiadamente detalhado poderá comprometer a relação de custo-benefício. De acordo com Padoveze (2004, p. 85), Um plano estratégico é uma visão específica do futuro da empresa, com as seguintes descrições: Como será o setor de atuação da empresa; Em quais mercados ela irá competir; Quais os competidores no mercado; Quais produtos e serviços a empresa estará oferecendo; Quem são e como são os seus clientes; Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Que valor estará oferecendo a seus clientes através de seus produtos e serviços; Quais as vantagens ela terá no longo prazo; Qual será ou deverá ser oseu porte; Qual será ou deverá ser a sua rentabilidade; Quanto será agregado de valor aos acionistas. Para Oliveira, Perez Júnior e Silva (2011, p. 21), [...] a Controladoria deve exercer um papel preponderante, apoiando e fornecendo subsídios para os diversos gestores no planejamento e controle das atividades operacionais, comerciais, financeiras, administrativas, tributárias etc., por meio da manutenção de um sistema de informações que permita integrar as várias funções e especialidades. Diversos autores entendem que a função da controladoria está centrada no fornecimento de informações aos gestores a fim de que elas os levem ao atingimento dos objetivos organizacionais (MARTIN, 2002). Desta forma, a informação e a maneira como é comunicada ganha um poder estratégico, pois pode influenciar o processo decisório (REGINATO; NASCIMENTO, 2007). Embora os aspectos informacionais da controladoria sejam evidentes, na prática, a controladoria tem se engajado cada vez mais em atividades estratégicas. Aos poucos sua participação no processo de formulação de estratégias tem se tornado mais significativa, por exemplo, através do auxílio na tradução do plano estratégico em medidas táticas e operacionais (LUKES; GASPARETTO; SCHNORRENBERGER, 2010). Borinelli (2006, p. 136) apresenta as funções que a controladoria assume durante o processo de interação com as estratégias organizacionais: [...] coordenar, assessorar e consolidar os processos de elaboração dos planos empresariais, orçamento e previsões; criar condições para a realização do controle, através do acompanhamento dos planos e das decisões tomadas; auxiliar na definição de métodos e processos para medição do desempenho das áreas organizacionais, assim como dos gestores; auxiliar na definição e gestão de preços de transferência gerenciais; realizar estudos sobre análise de viabilidade econômica de projetos de investimento; realizar estudos especiais de natureza contábil-econômica; desenvolver condições para a realização da gestão econômica e proceder à avaliação econômica. Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Portanto, a controladoria, incorporando sua função estratégica, para suportar a gestão deve fixar-se em projetar o futuro. Por meio da observação do posicionamento mercadológico assumido e alinhada aos objetivos e metas, a controladoria, através de seus levantamentos, análises e demonstrativos, é capaz de decifrar todo o desempenho empresarial e balizar a formulação de novas estratégias (MARTIN, 2002). O efetivo envolvimento entre a controladoria e o planejamento estratégico dependerá da postura assumida pelo controller. O domínio da tecnologia, capacidade de adaptação a novos ambientes, interesse por novos conhecimentos, oratória, proatividade, habilidades interpessoais, controle emocional, capacidade de liderança e trabalho em equipe, criatividade, ética e responsabilidade social são alguns requisitos importantes para atuação de controller a nível estratégico (OLIVEIRA; PEREZ JÚNIOR; SILVA, 2011). Além disso, o controller de nível estratégico deve se familiarizar com diversas áreas do conhecimento, como: contabilidade, custos, finanças, administração, sociologia, marketing. Portanto, trata-se de um profissional generalista, pois a excelência de seu desempenho exige diversas experiências no âmbito gerencial (OLIVEIRA; PEREZ JÚNIOR; SILVA, 2011). Indicação de leitura PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Autores: Djalma de Pinho Rebouços de Oliveira Idioma: Português Editora: Atlas Assunto: Administração Edição: 33 Ano de publicação: 2015 Resumo: A decisão de escrever este livro fundamentou-se na escassez de material didático, principalmente em língua portuguesa, referente ao assunto, bem como na necessidade de apresentar uma metodologia com o nível de detalhes que proporcione ao executivo, visão mais explícita do que, efetivamente, representa esse importante instrumento de administração que é planejamento estratégico. Fonte: SARAIVA, 2016 3 CONTROLADORIA ESTRATÉGICA E FUNÇÕES DO CONTROLLER ESTRATÉGICO A Controladoria estratégica possui como foco o planejamento estratégico. É definida por Padoveze (2004, p. 83) como “a atividade de Controladoria que, através do Sistema de Informação Contábil, abastece os responsáveis pelo Planejamento Estratégico da companhia com informações tanto financeiras quanto não financeiras, para apoiar o processo de análise, planejamento, implementação e controle da estratégia organizacional”. Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. O sistema de informação é a base para ações da controladoria estratégica. É através desse sistema que ela retira informações úteis e confiáveis para o desenvolvimento do planejamento estratégico e é através desse mesmo sistema de informação que a controladoria consegue identificar se aquilo que foi planejado está sendo devidamente cumprido. Padovezi (2011, p. 97) descreve alguns focos a serem trabalhados nos sistemas de informações contábeis gerenciadas para atender os vários tipos de estratégias, como segue no quadro 1 exposto abaixo: Quadro 1 – Informações contábeis gerenciadas Contabilidade para estratégia competitiva Rentabilidade por segmento (business units). Contabilidade de competidores. Contabilidade de rentabilidade de clientes. Contabilidade para análise de rentabilidade de produtos. Contabilidade para estratégia corporativa Contabilidade para a estrutura organizacional (centros de custos, de lucros e contribuição e de investimentos). Contabilidade de negócios com foco único. Contabilidade para estratégias de diversificação. Contabilidade de negócios integrados verticalmente. Contabilidade para conglomerados. Contabilidade para companhias multinacionais e globais. Contabilidade para desenvolvimento dos negócios (funcional) Contabilidade do ciclo de vida dos produtos. Estratégias de lançamento de novos produtos. Contabilidade para o crescimento dos negócios. Contabilidades para análise do risco dos negócios. Fundamentos Atenção a todos os credores ou depositários. Preocupação com o longo prazo. Inclusão dos indicadores de aderência ao Planejamento Estratégico. Uso de informações monetárias, físicas, de produtividades e de qualidade. Foco constante ao ambiente externo à empresa. Informações para controladoria estratégica Custos dos competidores. Rentabilidade dos produtos dos competidores. Informações sobre o processo de gestão de preços de vendas dos competidores. Capacidade produtiva dos concorrentes. Satisfação dos clientes em relação à concorrência. Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Motivos dos negócios perdidos. Grau de satisfação dos empregados. Imagem da empresa junto aos recrutadores e funcionários potenciais. Índice de absenteísmo. Indicadores de produtividade x produtividade esperada. Evolução da qualidade dos fornecedores. Capacidade produtiva e saúde financeira dos fornecedores. Grau de relacionamento e satisfação com os fornecedores. Imagem institucional. Impacto na empresa das conjunturas econômica, política e social. Indicadores do mercado externo, importações, câmbio etc. Satisfação dos acionistas. Valor da empresa etc. Fonte: adaptado de Padovezi (2011, p. 98). Percebe-se que a informação é extramente importante para o sucesso da execução do planejamento estratégico.Uma das funções do profissional de controladoria, a nível estratégico, é proporcionar aos gestores a informação mais assertiva possível. Para isso, ele precisa possuir como seu instrumento de trabalho um bom sistema de informação gerencial integrado (SIGE), no qual todos os módulos sejam integrados. É necessário para esse profissional de controladoria estratégica possuir controle interno dos processos do sistema de informação gerencial integrado, assegurando a confiabilidade dessas informações para conseguir alcançar os resultados planejados e corrigir as falhas no meio do processo. Padoveze (2011, p. 98) relata que existem três pontos a serem observados, como a forma pela qual o controller estrategista explicita sua atuação estratégica: No processo de mensuração dos resultados corretos das atividades empresariais, permitindo à empresa a tomada de decisão adequada. No seu papel influenciador, pelo apoio que presta às demais atividades dentro da empresa e na sua missão como assegurador da eficácia empresarial; Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Em ele ser o responsável pelos sistemas de informações abastecedores do Planejamento Estratégico e do controle das metas estratégicas. O controller trata-se de um profissional generalista, conhecedor dos departamentos da empresa e no ramo que ela atua, experiente nas mais diversas áreas, como administração, contábil, financeira, pessoal, entre outras. E como estrategista, deve auxiliar a empresa no planejamento estratégico, reunindo informações internas e externas relacionadas à organização, pensando sempre na continuidade da empresa. Para que a empresa perdure no ambiente em que ela está inserida, é necessária a assertividade das decisões estratégicas. Para Padoveze (2011), o lucro é a melhor forma de medir a eficácia organizacional e este deve ser usado como parâmetro para avaliação de desempenho das atividades empresariais e de seus gestores. Dessa forma, conclui-se que a controladoria e o controller estratégico têm como foco atender às necessidades informacionais da organização no âmbito estratégico e para isso têm como auxílio a contabilidade gerencial, que atua alinhada à controladoria e fornece artefatos para atuação da controladoria. 4 CONTABILIDADE GERENCIAL E ASPECTOS ESTRATÉGICOS Há algumas décadas desde que o processo de gestão tem sofrido um realinhamento no qual diversos modelos e sistemas de gerenciamento de informações surgiram com a finalidade de auxiliar e facilitar a tomada de decisão. Tais mecanismos gerenciais têm por objetivo levar à maximização dos resultados e avaliação do desempenho nos diversos níveis hierárquicos (GUERREIRO; PEREIRA; REZENDE, 2006). A contabilidade gerencial nasceu da necessidade diária das empresas obterem informações para a tomada de decisão, baseando-se nas demonstrações Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. contábeis. Desta forma, a contabilidade gerencial desempenha dentro das organizações funções de mensuração, interpretação e controle de informações econômicas. Para uma maior compreensão, Andrade et al. (2013) apresentam no Quadro 2 três importantes definições acerca da contabilidade gerencial. Quadro 2 – Definição da contabilidade gerencial AUTOR DEFINIÇÃO Horngren (1985, p. 4) “A contabilidade administrativa (gerencial) se interessa pela acumulação, pela classificação e pela interpretação de informações que ajudem os executivos a atingir objetivos organizacionais, explícita ou implicitamente definidos pela direção”. Atkinson et al. (2000, p. 36) “Contabilidade gerencial é o processo de identificar, mensurar, reportar e analisar informações sobre os eventos econômicos das empresas. [...] A informação gerencial contábil é uma das fontes informacionais primárias para a tomada de decisão e para o controle das empresas. Sistemas gerenciais contábeis produzem informações que ajudam funcionários, gerentes e executivos a tomar melhores decisões e a aperfeiçoar os processos e desempenhos de suas empresas”. Warren, Reeve e Fess (2001, p. 3) “As informações da contabilidade gerencial incluem dados históricos e estimados usados pela administração na condução de operações diárias, no planejamento de operações futuras e no desenvolvimento de estratégias integradas de negócios. As características da contabilidade gerencial são influenciadas pelas variadas necessidades da administração.” Fonte: Andrade et al., 2013. A contabilidade gerencial tem por objetivo primordial a correta interpretação dos resultados alcançados pela organização. Para atingir seu objetivo, utiliza de instrumentos que, por meio das informações registradas pela contabilidade financeira, auxiliam a interpretação dos resultados. São utilizados alguns indicadores e ferramentas como o orçamento, benchmarking e Balanced Scorecard (SELL, 2004). Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Reflita Considerando os conhecimentos adquiridos até o momento, pode-se concluir que a contabilidade gerencial e a controladoria são idênticas em seus objetivos e funções? Para Frezzati et al. (2007), a informação contábil tem papel fundamental no processo estratégico, pois, por meio de relatórios e mecanismos de gerenciamento de informações, permite a identificação de estratégias financeiras passíveis de serem executadas, além de indicar quais ações de nível tático podem ser mais eficazes no cumprimento das metas estabelecidas. A contabilidade gerencial está voltada para a geração de informações baseada em dados econômicos, diferentemente da controladoria na qual as atividades encontram-se disseminadas por toda a organização e em diferentes áreas do conhecimento, como nos departamentos de Almoxarifado, Contas a Receber, Produção, Comercial, Marketing e Recursos humanos (BORINELI, 2006). Além disso, a contabilidade gerencial apresenta ferramentas úteis ao processo de planejamento estratégico empresarial, uma vez que promove o monitoramento do desempenho individual de gestores, bem como de unidades de negócio, gerando informações relevantes a respeito dos custos, orçamentos, despesas, inclusive de previsões de gastos e planos de lucros anuais (FREZATTI et al., 2007). Cadez e Guilding (2008) apud Andrade et al. (2013) elencam as principais práticas de contabilidade gerencial estratégica (CGE) que podem ser observadas no Quadro 3. Quadro 3 – Práticas de Contabilidade Gerencial com Orientação Estratégica CATEGORIAS DAS PRÁTICAS DE CGE PRÁTICAS DE CGE CUSTOS 1. Custeio dos atributos Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. 2. Custeio do ciclo de vida 3. Custeio da qualidade 4. Custeio meta 5. Custeio da cadeia de valor PLANEJAMENTO, CONTROLE E MEDIÇÃO DO DESEMPENHO 1. Benchmarking 2. Medição integrada do desempenho TOMADA DE DECISÃO ESTRATÉGICA 1. Custeio estratégico 2. Precificação estratégica 3. Avaliação e monitoramento da marca CONTABILIDADE DO COMPETIDOR 1. Avaliação dos custos dos concorrentes 2. Monitoramento da posição competitiva 3. Avaliação do desempenho do concorrente CONTABILIDADE DO CONSUMIDOR 1. Análise da rentabilidade do cliente 2. Análise da rentabilidade do cliente durante a vida 3. Avaliação do ativo do cliente Fonte: CADEZ e GUILDING (2008) apud ANDRADE et al., 2013 Conforme elucida o Quadro 3, as práticas de contabilidade gerencial estratégica voltam-se para a estruturação das informações que podem ser relevantes para subsidiar o processo de planejamento estratégico e são estabelecidasnos mais diversos níveis e áreas da organização. Desta forma, baseadas na orientação estratégica organizacional, em conjunto com as informações contábeis financeiras, realizam um monitoramento do desempenho empresarial como um todo. Oliveira, Perez Júnior e Silva (2011) complementam que, na maioria das vezes, as práticas de contabilidade gerencial são implementadas para atender a necessidade de informações de nível tático e operacional, uma vez que as informações úteis ao planejamento estratégico não podem ser facilmente mensuradas em valores monetários, pois são expressas de maneira mais eficaz por variáveis qualitativas. Em razão da dificuldade de se mensurar as variáveis qualitativas, as práticas e ferramentas de contabilidade gerencial passaram por uma série de evoluções, dando origem aos modernos artefatos de contabilidade gerencial, que dividiram a contabilidade gerencial em duas perspectivas: tradicional e moderna. Tais perspectivas serão apresentadas no próximo capítulo desta unidade. Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Indicação de leitura CONTABILIDADE GERENCIAL Autores: Anthony A. Atkinson, Robert S. Kaplan, Ella Mae Matsumura e S. Mark Young Idioma: Português Editora: ATLASBOOKS Assunto: Administração – Contabilidade Edição: 4 Ano de publicação: 2015 Resumo: Esta quarta edição, tradução da sexta edição publicada nos Estados Unidos, sofreu grande reformulação e apresenta vários tópicos novos. Fornece problemas e casos baseados na experiência prática dos autores, incluindo casos da Harvard Business School e do Institute of Management Accountants (IMA), que engajam estudantes em análises estratégicas e organizacionais. Essa orientação para a ação torna o texto excelente para a disciplina Contabilidade Gerencial ensinada a partir de uma perspectiva da tomada de decisão. O livro integra o pensamento mais atualizado sobre inovações recentes em contabilidade gerencial, incluindo: Balanced Scorecard; mapas estratégicos; custeio baseado em atividade orientado para o tempo para a análise de rentabilidade de clientes e produtos; custeio alvo; custeio ambiental; e projeto dos sistemas de controle gerencial. Fonte: SARAIVA, 2016 4.1 Artefatos de contabilidade gerencial A contabilidade gerencial é uma área que se dedica a fornecer e gerenciar informações para os usuários internos da organização. Por esse motivo, sofre influência de diversas variáveis, como tecnologia, política, questões tributárias, Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. necessidade do cliente e o comportamento da concorrência, o que lhe obriga a estar em constante evolução para melhor atender aos gestores. A contabilidade gerencial desempenha um importante papel nas atividades de execução e controle, que é obtido por intermédio dos artefatos, elaborando informações gerenciais a fim de nortear os gestores no cumprimento das diferentes funções organizacionais. Por meio de informações eficazes, oriundas dos artefatos gerenciais, é possível agregar valor ao negócio, contribuindo assim para o alcance do principal objetivo organizacional (MORAIS; COELHO; HOLANDA, 2014). O International Federation of Accountants (IFAC) publicou em 1998 um guia de boas práticas, no qual explicitou o processo evolutivo e as etapas que levaram a contabilidade gerencial a atingir o atual estágio em que se encontra. Neste processo, podem ser elencados quatro estágios: 1°) Até 1950 – Este estágio considera os artefatos de contabilidade gerencial utilizados antes de 1950. Seu objetivo estava na identificação dos custos desprendidos no processo produtivo e no controle financeiro; 2°) Entre 1950 e 1965 – Estágio em que o foco estava no fornecimento de informações para o planejamento e controle gerencial utilizando-se das tecnologias disponíveis; 3°) Entre 1965 e 1985 – Neste estágio o objetivo estava voltado para a minimização das perdas de recursos no processo produtivo, utilizando de sistemas de informações gerenciais no processo monitoramento e interpretação dos dados; 4°) Iniciou-se em 1985 e dura até os dias atuais – Seu foco está na criação de valor aos clientes e acionistas, por meio do efetivo uso dos recursos disponíveis. Guerreiro, Cornachione Júnior e Soutes (2011) reforçam que, embora o IFAC tenha publicado um estudo sobre os estágios evolutivos da contabilidade gerencial, não enfatizaram quais artefatos são utilizados em cada uma destas etapas. Porém, a partir da compreensão do objetivo de cada estágio evolutivo, diversos autores se engajaram em relacionar os artefatos existentes a cada um destes estágios. Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Soutes (2006, p. 9) define os artefatos de contabilidade gerencial como as “atividades, ferramentas, instrumentos, filosofias de gestão, filosofias de produção, modelos de gestão e sistemas que possam ser utilizados por profissionais da contabilidade gerencial no exercício de suas funções”. Portanto, estes instrumentos estão disponíveis às organizações para um melhor desempenhar das atividades de gestão e controle. No intuito de acompanhar as mudanças radicais que acontecem no ambiente econômico contemporâneo, vários artefatos de contabilidade gerencial foram criados (MORAIS; COELHO; HOLANDA, 2010). De acordo com Oyadomari et al. (2010), fatores contingenciais, ou seja, variáveis referentes ao ambiente interno e externo à organização, que podem influenciar o desempenho dos negócios, explicam a necessidade da utilização de artefatos contábeis gerenciais. Contudo, a implementação destes instrumentos não é uma tarefa fácil, pois envolvem aspectos estruturais, culturais e interpessoais. Além disso, qualquer ação de investimento, como a promoção de artefatos de contabilidade gerencial, exige capital disponível. Considerando uma linha tradicional, se comparada a outros investimentos, sua implantação pode não parecer tão vantajosa, pois seu retorno econômico é indireto e qualitativo (FREZATTI, 2006). As práticas e instrumentos podem ser diferentes para cada organização, pois devem atender a perfis, necessidades e desejos distintos. A customização dos componentes, técnicas e artefatos ou a própria relevância que é dada para cada um deles, poderá ser bastante significativa em razão do interesse e posicionamento estratégico de cada entidade (FREZATTI, 2006). De acordo com Soutes (2006), os artefatos de contabilidade gerencial podem ser agrupados em três grupos distintos, devido a algumas características comuns: i) Métodos e sistemas de custeio; ii) Métodos de mensuração, avaliação e medidas de desempenho; iii) Filosofias e modelos de gestão. Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Soutes (2006) identifica e classifica os principais artefatos de contabilidade gerencial, dentro de cada estágio evolutivo, conforme o Quadro 4. Quadro 4 – Segregação dos Artefatos da Contabilidade Gerencial ESTÁGIOS DA CONTABILIDADE GERENCIAL ARETAFATOS DE CONTABILIDADE GERENCIAL 1° Estágio Determinação do custo e controle financeiro Custeio por Absorção Custeio Variável Custeio Padrão Retorno Sobre investimento 2° Estágio Informação para controle e planejamento gerencial Preço de Transferência Moeda Constante Valor presente Orçamento Descentralização 3° Estágio Redução de perdas de recursos no processo operacional Custeio Baseado em Atividades (ABC) Custeio Meta (Target Costing) Benchmarking Kaizen Just in Time (JIT) Teoria das Restrições Planejamento Estratégico GestãoBaseada em Atividades (ABM) 4° Estágio Criação de Valor através do uso efetivo dos recursos EVA (EconomicValueAdded) Simulação GECON Balanced Scorecard Gestão Baseada em Valor (VBM) Fonte: adaptado de SOUTES, 2006 Dentro de cada estágio evolutivo da contabilidade gerencial surgiram métodos e técnicas específicas de gerenciamento de informações, ou seja, diferentes tipos de artefatos da contabilidade gerencial, os quais podem ser classificados entre artefatos tradicionais e artefatos modernos de contabilidade gerencial. 4.1.1 Artefatos Tradicionais de Contabilidade Gerencial Soutes (2006) considera como artefatos tradicionais aqueles que melhor se relacionam com o primeiro e segundo estágios da contabilidade gerencial e como artefatos modernos, aqueles relacionados ao terceiro e quarto estágios Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. evolutivos. Desta forma, os principais artefatos tradicionais são: custeio por absorção, custeio variável, custeio padrão, preço de transferência, retorno sobre o investimento, moeda constante, valor presente, orçamento e descentralização. De forma elucidativa, será apresentado o conceito referente a cada tipo de artefato tradicional mencionado. Custeio por absorção: tal método está voltado para a alocação total dos custos necessários para obtenção de bens ou serviços. Tanto os custos fixos como os custos variáveis são alocados ao que se produz (LEONE; PEDROSA JÚNIOR; PAULO, 2014). Custeio variável: este método considera como custo do produto, apenas os custos variáveis, enquanto que os custos fixos são considerados como despesas do período, sendo apurados posteriormente (MARTINS, 2003). Custeio padrão: trata-se de um critério de mensuração de gastos que é utilizado na projeção de gastos futuros. Seu objetivo é prever os gastos que poderão ocorrer, eliminando variáveis que causam distorções (LEONE; PEDROSA JÚNIOR; PAULO, 2014). Preço de transferência: refere-se ao preço que uma divisão ou departamento cobra por um produto ou serviço oferecido por outra divisão de uma mesma organização (HORNGREN; FOSTER; DATAR, 1997). Tal prática se dá devido à necessidade de avaliar o desempenho de cada departamento de maneira individualizada. Retorno sobre o investimento: trata-se de um mecanismo de avaliação de desempenho organizacional, no qual o resultado obtido em um determinado espaço de tempo é comparado com os investimentos registrados no ativo (MARTINS, 2003). Moeda constante: refere-se a uma correção monetária em que as informações são atualizadas para uma moeda forte, retirando o poder inflacionário, a fim de possibilitar comparações entre os custos de um produto em diferentes espaços de tempo (MARTINS, 2003). Valor presente: utilizado para apurar a ação do tempo sobre o capital, por exemplo, a desvalorização de um bem adquirido parceladamente devido à taxa de inflação existente (MARTINS, 2003). Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Orçamento: está relacionado ao planejamento estratégico, pois refere-se ao plano financeiro traçado para viabilizar o alcance das metas e objetivos estabelecidos, atuando tanto no planejamento quanto no controle das estratégias. Descentralização: conceito relacionado ao perfil de gestão assumido pela organização. Refere-se a uma contabilização setorial, bem como uma estruturação por centro de resultados, levando a uma avaliação de desempenho individualizada (COELHO, 2000). De acordo com um estudo realizado por Oyadomari et al. (2010), os artefatos tradicionais apresentam-se como boas práticas ao estímulo da inovação organizacional. Os artefatos de contabilidade gerencial tradicionais permanecem sendo utilizados pelas organizações conjuntamente com os artefatos modernos, sendo alternados conforme a necessidade de informação. Indicação de filme O LOBO DE WALL STREET Lançamento: 2014 Dirigido por: Martin Scorsese Com: Leonardo DiCaprio, Jonah Hill, Margot Robbie Gênero: Biografia, Drama, Policial Nacionalidade: EUA Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Sinopse: Durante seis meses, Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio) trabalhou duro em uma corretora de Wall Street, seguindo os ensinamentos de seu mentor Mark Hanna (Matthew McConaughey). Quando finalmente consegue ser contratado como corretor da firma, acontece o Black Monday, que faz com que as bolsas de vários países caiam repentinamente. Sem emprego e bastante ambicioso, ele acaba trabalhando para uma empresa de fundo de quintal que lida com papéis de baixo valor, que não estão na bolsa de valores. É lá que Belfort tem a ideia de montar uma empresa focada neste tipo de negócio, cujas vendas são de valores mais baixos mas, em compensação, o retorno para o corretor é bem mais vantajoso. Ao lado de Donnie (Jonah Hill) e outros amigos dos velhos tempos, ele cria a Stratton Oakmont, uma empresa que faz com que todos enriqueçam rapidamente e, também, levem uma vida dedicada ao prazer. Fonte: ADORO CINEMA, 2016 4.1.2 Artefatos Modernos de Contabilidade Gerencial De acordo com Soutes (2006), houve uma repaginação no entendimento da função do contador gerencial que, durante o primeiro e segundo estágio da contabilidade gerencial estava focada no fornecimento da informação, já no terceiro e quarto estágio, essa função voltou-se para o gerenciamento da informação reduzindo as perdas e agregando valor à entidade. Desta forma, surgem os artefatos modernos de contabilidade gerencial. Os principais artefatos modernos de contabilidade gerencial, relacionados ao terceiro e quarto estágio evolutivo são: custeio baseado em atividades (ABC), custeio meta (target costing), benchmarking, Kaizen, just in time (JIT), teoria das restrições, planejamento estratégico, gestão baseada em valor (VBM). Semelhantemente à sessão anterior, será apresentado o conceito referente a cada tipo de artefato moderno mencionado. Custeio baseado em atividades: Este método tenta minimizar as distorções causadas pelos rateios tradicionais (MARTINS, 2003). Foca no tratamento dos custos indiretos, considerando que não são os produtos que consomem recursos, mas as atividades realizadas. Custeio meta: “O Custeio-Alvo ou Custeio Meta é um processo de planejamento de lucros, preços e custos que parte do preço de venda para chegar ao custo, razão pela qual diz-se que é o custo definido de fora para dentro” (MARTINS, 2003, p.160). Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Benchmarking: trata-se de um instrumento que busca o monitoramento do mercado a fim de criar estratégias que levem a organização a igualar ou superar os competidores locais e globais (COLAUTO; BEUREN; SANT’ANA, 2004). Kaizen: significa uma melhoria contínua em um fluxo de valor integral ou em um processo individual, de maneira que agregue mais valor com menos desperdício. Desta forma, todos os envolvidos no processo devem se esforçar para alcançar um objetivo comum: o aproveitamento dos recursos com o mínimo de sobra (ARAÚJO; RENTES, 2006). Just in time: Consiste em uma filosofia de produção onde só é produzido aquilo que foi requerido pelo mercado. Desta forma a produção passa a ser puxada pelo mercado evitando desperdícios, diferente dos métodos tradicionais em que os produtos eram empurrados para o mercado consumidor (ROESCH; ANTUNES, 1990). Teoria das restrições: refere-se a [...] uma filosofia de gerenciamento cujo objetivo é a programação da produção rompendo as barreiras globais da empresa, utilizando como medidas do alcance dameta global indicadores exclusivamente financeiros como: Lucro Líquido, Retorno sobre o Investimento e Fluxo de Caixa (SOUTES, 2006). Planejamento estratégico: trata-se de um processo no qual a alta administração avalia os pontos fortes e fracos da organização, comparando-os com as oportunidades e ameaças mercadológicas a fim de traçar planos que tornarão a entidade mais competitiva (ANTHONY; GOVINDARAJAN, 2002). Gestão baseada em valor: defende que o maior objetivo de uma empresa é maximizar valor para o acionista, ou seja, aumentar, o máximo possível, o valor econômico agregado ao investidor. Para tanto, as receitas devem superar todos os gastos da empresa (custos e despesas), inclusive o custo de oportunidade do capital (ASSAF NETO; ARAÚJO; FREGONESI, 2006). Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Indicação de leitura CONTABILIDADE GERENCIAL PARA TOMADA DE DECISÃO Autor: Eddie Mclaney e Peter Atrill Idioma: Português Editora: Saraiva Assunto: Administração - Contabilidade Edição: 1 Ano de publicação: 2009 Resumo: A contabilidade gerencial garante que os gestores disponham das informações necessárias para planejar, controlar e tomar decisões dentro das organizações. Todas as informações contábeis fornecidas devem cobrir um amplo espectro e ajudar na identificação e avaliação das consequências financeiras das decisões de longo e curto prazo tomadas pelas empresas. Com uma abordagem moderna e didática, o livro cobre todas as áreas necessárias para obter uma base sólida do assunto: trata das maneiras pelas quais a contabilidade gerencial pode ser usada para fazer planos e tentar garantir que esses planos sejam de fato cumpridos; considera o uso de informações para tomar decisões relativas a investimentos de longo prazo; trata da contabilidade gerencial estratégica e lida com problemas de medição de desempenho quando a empresa adota uma estrutura organizacional divisional, como acontece com a maioria das grandes organizações. Fonte: SARAIVA, 2016 Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. CONCLUSÃO Ao estudarmos esta unidade, pudemos abordar importantes temas, relacionando a controladoria aos aspectos estratégicos e como os artefatos de contabilidade gerencial, através das informações que podem ser obtidas, podem agregar valor ao processo decisório, contribuindo assim com o perfeito alinhamento aos objetivos centrais da corporação. A contabilidade gerencial há anos vem evoluindo no sentido de acompanhar as mudanças no mercado. Por meio dela compreendemos como as informações contábeis podem oferecer suporte em diversos tipos de atividades e como as práticas de contabilidade gerencial viabilizam o monitoramento global do desempenho empresarial, possibilitando que as estratégias sejam reformuladas sempre que necessário. Pudemos perceber que para um controller desempenhar sua função da maneira mais adequada possível, ou seja, produzindo informações que sejam úteis de fato, necessita se munir de conhecimento buscando os mecanismos certos para cada tipo de necessidade. Entre artefatos tradicionais e modernos são inúmeras as opções disponíveis, cabe ao controller decidir quais usar e como customizá-los para melhor atender as demandas da entidade. Embora existam inúmeras práticas de contabilidade gerencial e diversos artefatos, somente o profissional que os manuseia poderá fazê-los contribuir com os objetivos organizacionais, contribuindo com o processo de planejamento, trazendo informações relevantes e consequentemente elevando o potencial competitivo da instituição. Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. REFERÊNCIAS ANTHONY, Robert N.; GOVINDARAJAN, Vijay.Sistemas de Controle Gerencial. São Paulo: Atlas, 2002. ANDRADE, Luis C. M. et al. Determinantes para a utilização de práticas de contabilidade gerencial estratégica: um estudo empírico. Revista de Administração Mackenzie, v. 14, n. 1, 2011. ARAUJO, Cesar Augusto Campos De; RENTES, Antônio Freitas. 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