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HISTÓRIA DA RADIOLOGIA
II.1 História da Radiologia No dia 8 de Novembro de 1895, o físico alemão Wilhelm Conrad Roentgen (1845-1923) encontrava-se no seu laboratório quando reparou que nas proximidades de um tubo de vácuo existia uma tela coberta com plationicianeto de bário sobre a qual se projectava uma inesperada luminosidade, resultante da fluorescência do material, Figura II.1. Roentgen concluiu então que uma radiação invisível saia do tubo, atravessava a sala utilizando o ar como meio de transporte e ia excitar os materiais fluorescentes do ecrã. Esta radiação invisível tinha um enorme poder de penetração, atravessando materiais como cartão e madeira, mas os objectos metálicos eram atravessados com maior dificuldade ou mesmo totalmente impenetráveis. Também observou que os tecidos moles se apresentavam muito transparentes e que as estruturas ósseas eram ligeiramente opacas e foi assim que ao colocar a sua mão à frente do tubo de Crookes viu os seus ossos projectados numa tela. Como era uma radiação invisível, desconhecida, chamou-lhe Radiação X, (Stewart, 1998). Figura II.1 Wilhelm Roentgen (retirado de (Wikipédia, 2008)). Em Janeiro de 1896 Roentgen realizou a primeira radiografia em público na sociedade de Física Médica de Wuzburg, (Bushong, 2004). Desde essa época até aos dias de hoje surgiram várias modificações dos aparelhos iniciais com intuito de reduzir a dose de radiação ionizante e os seus efeitos biológicos adversos. A Radiologia industrial surgiu em 1920, com o início dos estudos relativos à aplicação dos raios X na inspecção de materiais. Em julho de 1927, Monografia de Verónica Eloisa Varela Marques 7 Sistemas CAD e Patologia Intersticial Pulmonar utilizando a radiação X, Egas Moniz desenvolveu a angiografia cerebral com a introdução de produto de contraste na artéria carótida comum após punção cervical, (Casa Museu Egas Moniz, 2006). A evolução dos equipamentos trouxe novos métodos, surgindo assim a Tomografia Linear. Por volta de 1931, J. Licord desenvolveu a mielografia com a introdução de um produto radiopaco no espaço subaracnoideu lombar, (Novas TEc. Saúde, 2008). Irene e Fréderic Joliot Curie, em 1934, descobrem a radioatividade em elementos artificiais impulsionando as aplicações médicas com a obtenção de isótopos radioactivos, (Stewart, 1998). Em 1963, Kuhl e Edwards demonstraram imagens de SPECT (Tomografia Computadorizada por Emissão de Fotão) e a partir de 1966 o diagnóstico através da ultrassonografia tornou-se comum, (Bushong, 2004). Na década de 1970, um engenheiro inglês, J. Hounsfield desenvolveu a Tomografia Computadorizada, acoplando um aparelho de Raios-X a um computador o que lhe permitiu ganhar desta forma o prémio Nobel de Física e Medicina, (Calha, 2003). No ano de 1973 Damadian e Lauterbur produzem a primeira imagem de RM (Ressonância Magnética), iniciando-se nos anos 80 a sua aplicação clínica, (Bushong, 2004). A RM permite obter imagens do corpo humano similares às da tomografia computadorizada, com a vantagem adicional de não utilizar radiação ionizante.
HISTÓRIA DA RADIOATIVIDADE
A descoberta de Röntgen levou Becquerel, no início do ano de 1896, a testar a hipótese de que as substâncias fosforescentes (substâncias que emitem luz visível depois de absorver energia de outra fonte, mas que, ao contrário das substâncias fluorescentes, continuam emitindo luz por 
algum tempo, mesmo depois que a fonte de energia é desligada) e fluorescentes também emitiriam raios X.
Ele fez isso deixando ao sol amostras de um minério de urânio, o sulfato duplo de potássio e a uranila di-hidratada. Em seguida, ele colocou essas amostras em contato com um filme fotográfico envolvido por um invólucro preto para ver se elas impressionavam o filme e, assim, emitiam raios X.
No entanto, começou um tempo de chuva em Paris e Becquerel teve que guardar as suas amostras em uma gaveta escura com alguns filmes virgens protegidos com um papel preto. Novamente, um fato acidental aliado à perspicácia resultou em uma descoberta excepcional. Veja um trecho do relatório que Becquerel fez à Academia de Ciências da França:
“Como o sol não voltou a aparecer durante vários dias, revelei as chapas fotográficas a 1º de março, na expectativa de encontrar imagens muito deficientes. Ocorreu o oposto: as silhuetas apareceram com grande nitidez. Pensei imediatamente que a ação poderia ocorrer no escuro.”2
Becquerel também descobriu que essa radiação que o urânio emitia também ionizava gases, transformando-os em condutores.
Entrou então em cena o casal Pierre Curie (1859-1906) e Marie Curie (1867-1934). Juntamente a eles, Becquerel descobriu que a propriedade que ele viu era pertencente ao urânio, pois todos os minérios de urânio emitiam os raios que impressionavam o filme. Marie Curie batizou essa propriedade de o urânio emitir raios de radioatividade.
 Os trabalhos do casal Curie tiveram crucial importância na mudança de rumo que tomaria a radioatividade. Em abril de 1898, Marie Curie constatou que havia algum componente mais ativo que o urânio em seus minerais naturais. Esse casal trabalhou durante três anos exaustivamente, usaram 1400 litros de um minério de urânio chamado pechblenda ou uranita (UO2) e, em 1902, isolaram átomos de dois elementos químicos radioativos que não eram conhecidos na época. O primeiro, eles chamaram de rádio, pois ele era 2 milhões de vezes mais radioativo que o urânio; o segundo, eles chamaram de polônio, em homenagem à Polônia, terra natal de Madame Curie.
Em 1903, Marie Curie, Pierre Curie e Antoine-Henri Becquerel dividiram o Prêmio Nobel de Física pelos seus trabalhos com radioatividade.
2 PRÁTICAS DA RADIOLOGIA INDUSTRIAL
1 A radiografia industrial é uma poderosa ferramenta de controle de qualidade que faz o uso de fontes radioativas de Ir-192, Se-75, Co-60, todas utilizadas nas indústrias automotivas, indústrias navais, indústrias siderúrgicas, aviação e materiais bélicos, como explosivos. Também possui ampla aplicação nas indústrias de petróleo e petroquímicas.
2 Perfilagem de poços de petróleo
No setor petrolífero, as técnicas nucleares são utilizadas na perfilagem de poços de petróleo que consiste na medida e registro contínuo de determinados parâmetros ao longo das paredes de um poço. Para isto, utiliza-se uma sonda de medição que é introduzida progressivamente na perfuração. A interpretação de gráficos resultantes ajuda a determinar a localização, quantidade e produtividade de óleo e gás do poço. Nestas sondas utilizam-se fontes radioativas de Césio-137, Cobalto-60 e Amerício-Berílio-241.
ACIDENTES COM FONTE RADIOATIVOS 
 Rio de Janeiro, 2011
Em outubro de 2011, uma menina de apenas 7 anos chamada Maria Eduarda estava em tratamento de leucemia no Hospital Venerável da Terceira Ordem de São Francisco da Penitência, no Rio de Janeiro. Ela havia sido diagnosticada com a doença em 2010 e já tinha completado um ciclo de quimioterapia quando os médicos indicaram o tratamento radioterápico.
Ao iniciar as sessões, seus pais ficaram preocupados com o repentino aparecimento de queimaduras na pele de Maria Eduarda. Os médicos disseram que a reação era normal, o que despreocupou os responsáveis pela menina. Porém, os ferimentos na cabeça de Maria Eduarda pioraram e logo ela começou a apresentar danos cerebrais, como dificuldade para andar e falar.
Foi aí que finalmente diagnosticaram a radiação citânia na menina. Além das graves queimaduras, a radiação também afetou o seu cérebro, o que ocasionou danos irreversíveis no lobo frontal. Infelizmente, Maria Eduarda não resistiu e faleceu em junho de 2012.

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