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Atena 
Apostila do
PROFESSOR
FILOSOFIA e 
SOCIOLOGIA
 
 
 
 
 
 
 
FILOSOFIA 
Aula Caderno 1 
zero Introdução à Filosofia 
1 e 2 Pré-socráticos e Sócrates 
3 Platão e Aristóteles 
 
Aula Caderno 2 
4 Filósofos romanos 
5 Filosofia medieval (Santo. Agostinho/São Tomás) 
6 Filosofia no Renascimento 
7 Racionalismo e Empirismo (Descartes e Locke) 
 
Aula Caderno 3 
8 Iluminismo: Voltaire e Rousseau 
9 Iluminismo: Kant 
10 Hegel e Marx e Nietzsche 
 
Aula Caderno 4 
11 Existencialismo (Sartre) 
12 Foucault e seu tempo 
13 Habermas e o neomarxismo 
 
 SOCIOLOGIA 
Aula Caderno 5 
1 e 2 Introdução à Sociologia (Marx, Durkheim e Weber) 
3 e 4 Estrutura social e suas desigualdades 
 
Aula Caderno 6 
5 Sociedade e trabalho 
6 Estado e política 
7 O Estado no Brasil 
 
Aula Caderno 7 
8 e 9 Cidadania e movimentos sociais 
10 Ideologia e cultura 
 
Aula Caderno 8 
11 e 12 Sociedade e religiosidade 
 
FILOSOFIA E SOCIOLOGIA 
ATENA 018 
 1 AULA 
 
 
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FILOSOFIA 1
2 POLISABER
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Introdução à Filosofia
Origens da Filosofia
Bilhões de pessoas espalhadas pelo planeta, vivendo 
sob diferentes modos de organização política, econô-
mica, social e cultural. A humanidade é um coletivo de 
indivíduos que se impôs como espécie dominante no 
planeta, dando a si própria a denominação de Homo 
sapiens, o “homem sábio”, fato este que coloca o ato de 
pensar como seu diferencial enquanto “animal racional”, 
estabelecendo relações entre seus semelhantes e com as 
demais espécies. Neste conjunto de ações do ser humano 
com tudo o que está a sua volta, portanto, na produção 
de cultura e dentro desta, podemos começar a pontuar 
o que viria a ser Filosofia.
A primeira ação se dá pelo questionamento, base para 
a produção do conhecimento filosófico: nós observamos 
tudo o que está a nossa volta e daí, tentamos buscar a 
compreensão de quem somos, onde estamos, o que 
fazemos e entendemos.
Quando começamos a fazer isso?
Há uma dificuldade para localizar no tempo e no es-
paço o início da produção dos saberes, bem como seus 
primeiros autores. Provavelmente, diferentes grupos 
humanos, em contextos mais ou menos próximos, ten-
taram responder a essas indagações e aos problemas 
cotidianos, talvez de forma semelhante ou não, mas isso 
ocorreu com maior ou menor intensidade ao longo da 
história da humanidade.
Não se pode ignorar a existência de outras fontes de 
reflexão do ser humano sobre si e sobre o conhecimen-
to fora do chamado “mundo ocidental”, como a China 
e a Índia, bem como as culturas da Pérsia, da Arábia e 
do Oriente Próximo ou vindas de tradições ágrafas dos 
continentes africano, americano e austral. 00
15
FILOSOFIA – AULA ZERO
Na busca pela compreensão de si próprio e do mundo 
que o cercava, o ser humano criou os mitos (do grego 
mythos, "narrativa"), lendas orais ou escritas que colo-
cavam a sua relação com o Universo em uma constante 
interação com o sagrado.
Daí se explicava a origem de tudo o que conhecemos, 
como os fenômenos naturais, os animais, a humanidade 
e suas atitudes. Dessa compreensão, deduzia-se a exis-
tência de um conjunto de forças criadoras poderosas e 
imortais, com o qual nós, humanos, e demais seres, frá-
geis e mortais, teríamos uma relação espelhada, na qual 
encontrávamos identidade (os deuses têm características 
humanas) e, ao mesmo tempo, distanciamento (poder 
infinitamente superior ao humano).
Os gregos eram politeístas, acreditavam que os deu-
ses se relacionavam com as forças da natureza e eram 
capazes de alterar ou decidir os destinos dos mortais.
O templo era uma das principais construções da cidade, 
geralmente erguido no lugar mais alto e seguro (acrópole), 
e ali se depositavam as oferendas e os sacrifícios, que 
recebiam a atenção dos sacerdotes e dos oráculos, os 
quais prediziam o futuro segundo a fala dos deuses. Era 
comum que em cada casa houvesse um pequeno altar 
para o culto das divindades e dos antepassados.
Muitas das divindades gregas são conhecidas nos dias 
de hoje, mas os resquícios arqueológicos nos mostram 
que deuses reverenciados em uma pólis não eram ne-
cessariamente conhecidos em outra. Do panteão grego, 
destacamos: Zeus, senhor de todos os deuses; Poseidon, 
deus dos oceanos; Afrodite, deusa do amor; Apolo, deus 
da beleza e do sol; Dionísio, deus do vinho; Hermes, 
mensageiro dos deuses; Ares, deus da guerra; e Hades, 
deus do mundo dos mortos.
Entre os valores da cultura grega, destaca-se a busca 
pela imortalidade, impossível no plano físico, mas pos-
sível nos registros históricos dos feitos memoráveis e 
honrosos, que dariam a um simples mortal a grandeza e 
a distinção da condição de herói, cujas proezas seriam 
Eis o traço pelo qual distingo as índoles sequiosas de 
ver, amantes da arte e limitadas à prática, dos homens 
em questão, os contempladores da verdade, aos quais 
unicamente convém o nome de filósofos. 
A República, de Platão, séc. IV a.C.M
. C
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SC
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 POLISABER 3
 aula zero FILOSOFIA
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narradas de geração a geração ao longo dos séculos e 
que se distinguiria dos outros mortais por ter uma ex-
celência (areté): a bravura de Teseu, a força de Héracles 
(Hércules), a sagacidade de Odisseu (Ulisses) ou a perícia 
de Aquiles no combate. 
Do variado panorama do patrimônio cultural grego, 
evidenciam-se ainda a Filosofia e o teatro.
Não é simples definir Filosofia, mas, como vimos no 
início desta aula, a própria palavra significa “apreço pelo 
saber”. De fato, para Platão, no Fédon, o filósofo é “aquele 
que ama a sabedoria” e, no Livro V de A República, em 
que Platão sistematiza os ensinamentos de seu mestre 
Sócrates, o filósofo é “o contemplador da verdade”.
O que no início tinha um caráter espontâneo foi to-
mando uma forma mais regrada, saindo da cultura oral 
para se manifestar na cultura escrita, mantendo seus 
elementos de origem. O conteúdo da tragédia era o mito, 
inicialmente com a vida de Dionísio e das personagens 
ligadas a ele; ao longo do século VI a.C., o tema dionisíaco 
cede passo às narrativas de heróis e de outros deuses.
A fusão dos mitos heroicos com os mitos divinos tam-
bém faz parte das relações entre o plano humano e o 
mundo sobrenatural, pois, na concepção grega, os deuses 
interferiam diretamente na vida dos humanos, que muitas 
vezes cometiam erros e crimes por agir “sob influência 
divina” ou contavam com sua proteção e ajuda.
A forma de pensar e de exprimir seus pensamentos 
segue, entre os gregos, um percurso muito específico, 
distinguindo-os de outros povos, uma vez que envolve 
a ideia de conhecimento da natureza (no sentido mais 
amplo da palavra) e de seus diferentes componentes 
(humanos ou não), bem como os conceitos de realidade, 
ação e suas variadas manifestações. Não ignoramos a 
existência de outras formas de pensar, desenvolvidas 
por outros povos, mas a matriz do que entendemos hoje 
como pensamento ocidental é inegavelmente grega, ten-
do se disseminado pela Europa ocidental e depois para 
seus domínios – por exemplo, a América portuguesa, que 
deu origem ao Brasil, ou mesmo a América inglesa, que 
originou Canadá e Estados Unidos, bem como as demais 
colônias francesas, holandesas e espanholas. A estas, 
agregaram-se também os elementos nativos indígenas 
e dos africanos, compondo uma estrutura multiétnica e 
bastante diversa da fonte europeia.
A cultura grega foi uma das principais inspirações para 
a literatura, a música, a pintura e a escultura na cultura 
ocidental, tendo sido lida, apropriada e recriada em dife-
rentes momentos, como na Idade Média (de acordo com 
os interesses do clero), no Renascimento (séculos XV e 
XVI) ou no Neoclassicismo do século XVIII, o chamado
Século das Luzes, quando a razão, tão cara aos gregos, 
fundamentou os elementos primordiais da metodologia 
científica utilizada atualmente.
 A origem dos deuses
Quantos da Terra e do Céu nasceram,
filhosconceito de justiça.
Mas por que Platão precisou usar esta alegoria? Ele ter-
mina o livro VI (511 a.C.) ordenando os modos de conheci-
mento da seguinte forma: o mais elevado, a inteligência; o 
segundo, o entendimento; o terceiro, a crença e a opinião; 
e o último, a imaginação ou a suposição. O terceiro e o 
quarto baseiam-se no mundo sensível e, portanto, não 
levam à verdade suprema. Os dois primeiros são do do-
mínio do inteligível, mas o entendimento diferencia-se 
da inteligência porque não vai até o princípio, mas parte 
de hipóteses, o que o torna um intermédio entre a doxa 
e a episteme.
O livro VII (514 a.C.) começa com o seguinte: “Em segui-
da – continuei – imagina a nossa natureza, relativamente 
à educação ou à sua falta, de acordo com a seguinte ex-
periência”. Esta primeira fala de Sócrates neste capítulo 
mostra a sua intenção de tratar da educação ao utilizar-
-se de tal alegoria. Ele estava preocupado em ilustrar 
como deveria ser a formação dos habitantes da cidade, 
ou seja, como eles deveriam ser orientados a buscar as 
ideias e os valores mais elevados. A proposição principal 
do ideário de Platão é formar o homem moral dentro do 
Estado justo. Para orientar os habitantes a tais ideias, é 
necessário o filósofo como educador pois é ele quem tem 
o conhecimento das ideias unas e imutáveis.
“Escola de Atenas” de Rafael Sanzio, 1510.
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 POLISABER 23
 aula 3 FILOSOFIA
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Período sistemático: 
Aristóteles 
Nasceu em Estagira, na península da Calcídica, região 
sob o domínio macedônico. Sua família era de condição 
aristocrática e tinha laços com a dinastia real, pois o pai 
de Aristóteles, Nicômano, fora o médico do rei Amintas II 
(pai de Felipe II). Mudou-se para Atenas aos 17 anos e se 
tornou discípulo de Platão na Academia. Gradativamente, 
ganhou espaço como “comentador”, recebendo desta-
que por seus apontamentos. No entanto, com a morte 
de Platão em 347 a.C. e a escolha de um novo diretor 
para a Academia, o ateniense Espeusipo, Aristóteles se 
sentiu preterido. Em 343 a.C., foi convidado por Felipe II 
para ser o preceptor de Alexandre Magno. Construiu um 
grande laboratório, graças à amizade com Felipe II e seu 
filho Alexandre, atuando de modo ativo na educação da 
corte macedônica.
Em 335 a.C., retorna a Atenas e, aos cinquenta anos, 
funda sua própria escola, perto de um bosque dedicado 
a Apolo Lykeos, daí o nome de Liceu e de seus alunos, os 
peripatéticos (peripateîn, em grego, significa "passear"), 
porque ficavam discutindo e caminhando por ali, entre 
uma pausa e outra, pelas sombras das árvores. Seus úl-
timos anos são entremeados de lutas políticas, pois fora 
próximo do tirano Hérmias e, com a morte de Alexandre 
em 323 a.C., Atenas buscava recuperar sua autonomia. 
A composição de um hino em louvor a Hérmias, no qual 
dava-lhe o status divino, lhe valeu uma acusação de 
impiedade semelhante à de Sócrates e, assim, tentando 
evitar o mesmo fim, Aristóteles se exilou em Cálcis, na 
ilha de Eubeia (terra de sua mãe, na qual detinha proprie-
dades), onde morreu em 322 a.C. O Liceu, bem como a 
biblioteca ali existente, contendo sua obra, entre outros 
textos, ficou sob os cuidados do discípulo Teofrasto.
Aristóteles e as ciências
A obra aristotélica aborda todos os ramos do saber: 
Lógica, Física, Filosofia, Botânica, Zoologia. Seus tra-
balhos foram de grande importância para se iniciar a 
construção daquilo que hoje entendemos como pen-
samento científico e metodologia científica. Apesar 
de algumas deduções equivocadas, entendemos que 
a importância dos estudos de Aristóteles estava na 
metodologia estabelecida. A classificação e a siste-
matização dos seres vivos a partir da observação de 
suas características físicas e funcionais, bem como 
de seu ambiente e comportamento, fundamentaram 
gradativamente o olhar sobre a vida (conceito por 
ele também explorado) e daí poderíamos considerar 
Aristóteles o “pai da Biologia”. Desse modo, a ideia de 
estudar os fenômenos naturais não era algo exclusivo 
do que chamamos na atualidade de “Ciências da 
Natureza” e, assim, entendemos que, além do desen-
volvimento do conhecimento filosófico, encontramos 
aí também o desenvolvimento de um conhecimento 
científico e de um importante capítulo para a História 
da Ciência, que, naquele contexto, eram uma coisa 
só e que, muito mais tarde, a partir do séculos XVII 
e XVIII, passou a sofrer uma sistemática divisão até 
os tempos atuais.
No campo do pensamento filosófico, são livros fun-
damentais de Aristóteles: Retórica, Ética a Nicômaco, 
Ética a Eudemo, Órganon: conjunto de tratados da 
Lógica, Física, Política e Metafísica. Ao contrário de 
seu mestre, Aristóteles criticava o conceito platônico 
de ideia, que, para ele, não possuía uma existência 
separada, porque só são reais os indivíduos concretos. 
A ideia só existe nos seres individuais: ele a chama de 
“forma”. Preocupado com as primeiras causas e com 
os primeiros princípios de tudo, Aristóteles dessacrali-
zou o “ideal” platônico, realizando as ideias nas coisas, 
e, para tanto, apontou o destaque para a experiência. 
Assim, os caminhos do conhecimento seriam os da 
vida. O ponto central de sua teoria é a distinção entre 
potência e ato. O que leva à segunda distinção básica, 
entre matéria e forma: “a substância é a forma”. 
Daí sua concepção de Deus como ato puro, primei-
ro motor do mundo (Deus ex machina, na tradução de 
seus textos para o latim), motor imóvel, inteligência, 
pensamento que ignora o mundo e só pensa a si 
mesmo. Quanto ao homem, é um “animal político”, 
submetido ao Estado, que, pela educação, obriga-o a 
realizar a vida moral, pela prática das virtudes: a vida 
social é um meio, não o fim da vida moral. A felicidade 
suprema consiste na contemplação da realização de 
nossa forma essencial. A política aparece como um 
prolongamento da moral. A virtude não se confunde 
com o heroísmo, mas é uma atividade racional por 
excelência. O equilíbrio da conduta só se realiza na 
vida social: a verdadeira humanidade só é adquirida 
na sociabilidade.
Matéria (lat. materia)1
1. Substância sólida, corpórea. Substância da qual 
1. JAPIASSU, Hilton; MARCONDES, Danilo. Dicionário Básico de Filosofia. Rio de janeiro: 
Jorge Zahar Editora, 1991. p. 126.
FILOSOFIA aula 3
24 POLISABER
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-1
algo é feito, constituinte físico de algo. Oposto a 
forma, espírito.
2. Nas cosmogonias dos pré-socráticos, a matéria 
se constituía dos quatro elementos primordiais (água, 
terra, ar, fogo), de cuja combinação resultava toda a 
natureza. Diferentes correntes privilegiaram um ou 
outro elemento como mais central, e essa visão teve 
forte influência nas ciências da Antiguidade.
3. Em Aristóteles e na tradição escolástica, a maté-
ria é a realidade sensível, princípio indeterminado de 
que o mundo físico é composto, caracterizando-se a 
partir de suas determinações como “matéria de” algo. 
Nesse sentido, a matéria é sempre relativa à forma. 
A matéria é o princípio da individuação, sendo que 
dois indivíduos da mesma espécie são diferentes 
entre si não quanto à sua forma, que é a mesma, 
mas quanto à matéria.
4. Na lógica aristotélica, a matéria de um juízo é o 
seu conteúdo, ou seja, os conceitos designados pelo 
sujeito e pelo predicado, enquanto a forma é o tipo 
de relação estabelecida. Ex.: os juízos “Este homem 
é branco” e “Este homem não é branco” são iguais 
do ponto de vista material, diferindo pela forma, 
sendo o primeiro particular afirmativo e o segundo 
particular negativo.
Forma (do latim, forma)2
Princípio que determina a matéria, fazendo dela 
tal coisa determinada: aquilo que, num ser, é inteli-
gível. A matéria e a forma constituem o par central 
da física aristotélica. A forma é aquilo que, na coisa, 
é inteligível, podendo ser conhecido pela razão (ob-
jeto da ciência): a essência, o “definível”. A matéria 
é considerada como um substrato passivo que deve 
tomar forma para se tornartal coisa. Matéria e forma 
só podem ser dissociadas pelo pensamento.
Lógica (do latim, logica; do grego, logike, de 
lógos, "razão")3
1. Em um sentido amplo, a lógica é o estudo da 
estrutura e dos princípios relativos à argumentação 
válida, sobretudo da inferência dedutiva e dos méto-
dos de prova e demonstração, dedução; implicação.
2. Tradicionalmente, há três maneiras gerais de se 
conceber a lógica: 
a) Como ciência do real: ou seja, as categorias 
2. Japiassu, Hilton e MARCONDES, Danilo. Dicionário Básico de Filosofia. Rio de Janeiro: 
Jorge Zahar Editora, 1991. p.81.
3. Japiassu, Hilton e MARCONDES, Danilo. Dicionário Básico de Filosofia. Rio de Janeiro: 
Jorge Zahar Editora, 1991. p.120.
(como sujeito e predicado) e princípios lógicos 
(como a lei da identidade e a lei do terceiro exclu-
ído) refletiriam categorias e princípios ontológicos; 
seriam, portanto, derivados da própria natureza e 
estrutura do real. Esta é essencialmente a concep-
ção aristotélica, que predomina em grande parte no 
pensamento antigo e medieval, embora sobreviva 
em certas concepções contemporâneas como o 
platonismo de Frege. 
b) Como ciência do pensamento: ou seja, as ca-
tegorias e princípios lógicos refletiriam a estrutura 
e o modo de operar de nosso pensamento, especi-
ficamente de nosso raciocínio dedutivo; seriam o 
resultado da explicitação e sistematização dessas 
categorias e princípios. Essa visão é característica 
do pensamento moderno, sendo representada prin-
cipalmente pela Logique de Port-Royal (1662), de 
Antoine Arnauld (1616-98) e Pierre Nicole (1625-95), 
inspirada no racionalismo cartesiano, e cujo subtítulo 
era precisamente “a arte de pensar”. O intuicionismo 
contemporâneo, ao menos com Brouwer (1881-
1966), mantém urna visão próxima a esta. 
c) Mais contemporaneamente, a lógica é vista, so-
bretudo, como ciência da linguagem, ou seja, como 
ciência das linguagens formais, e das categorias 
e princípios que utilizamos para a construção de 
sistemas formais, para operar com esses sistemas 
e para fundamentar sua validade.
 Resumo da ópera
Nesta aula, trabalhamos com os pensamentos de 
Platão e de Aristóteles. Para Aristóteles, um crítico de 
Platão, a ideia não possui uma existência separada. Só 
são reais os indivíduos concretos; desse modo, a ideia 
só existe nos seres individuais: ele a chama de “forma”. 
Preocupado com as primeiras causas e com os primeiros 
princípios de tudo, dessacralizou “ideal” platônico, reali-
zando as ideias nas coisas, estabelecendo-se o primado 
da experiência, cujos caminhos do conhecimento são os 
da vida. Sua teoria capital é a distinção entre potência e 
ato, o que leva à segunda distinção básica, entre matéria 
e forma: “a substância é a forma”. 
 POLISABER 25
 aula 3 FILOSOFIA
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-1
EXERCÍCIOS
1. (Enem)
Para Platão, o que havia de verdadeiro em Parmênides era que o objeto de conhecimento é um objeto de razão e não 
de sensação, e era preciso estabelecer uma relação entre objeto racional e objeto sensível ou material que privilegiasse 
o primeiro em detrimento do segundo. Lenta, mas irresistivelmente, a Doutrina das Ideias formava-se em sua mente.
ZINGANO, M. 
Platão e Aristóteles: o fascínio da filosofia. 
São Paulo: Odysseus, 2012. Adaptado.
O texto faz referência à relação entre razão e sensação, um aspecto essencial da Doutrina das Ideias de Platão (427 
a.C.-346 a.C.). De acordo com o texto, como Platão se situa diante dessa relação?
a) Estabelecendo um abismo intransponível entre as duas.
b) Privilegiando os sentidos e subordinando o conhecimento a eles.
c) Atendo-se à posição de Parmênides de que razão e sensação são inseparáveis.
d) Afirmando que a razão é capaz de gerar conhecimento, mas a sensação não.
e) Rejeitando a posição de Parmênides de que a sensação é superior à razão.
2. (Enem)
A felicidade é, portanto, a melhor, a mais nobre e a mais aprazível coisa do mundo, e esses atributos não devem estar 
separados como na inscrição existente em Delfos “das coisas, a mais nobre é a mais justa, e a melhor é a saúde; porém 
a mais doce é ter o que amamos”. Todos estes atributos estão presentes nas mais excelentes atividades, e entre essas 
a melhor, nós a identificamos como felicidade.
ARISTÓTELES. 
A política. 
São Paulo: Cia. das Letras, 2010.
Ao reconhecer na felicidade a reunião dos mais excelentes atributos, Aristóteles a identifica como:
a) busca por bens materiais e títulos de nobreza. 
b) plenitude espiritual e ascese pessoal. 
c) finalidade das ações e condutas humanas. 
d) conhecimento de verdades imutáveis e perfeitas. 
e) expressão do sucesso individual e reconhecimento público. 
3. (UFU) Leia o trecho abaixo. 
E que existe o belo em si, e o bom em si, e, do mesmo modo, relativamente a todas as coisas que então postulamos como múlti-
plas, e, inversamente, postulamos que a cada uma corresponde uma ideia, que é única, e chamamos-lhe a sua essência (507b-c). 
PLATÃO. 
República. 
Trad. de Maria Helena da Rocha Pereira. 
8a ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1996. 
FILOSOFIA aula 3
26 POLISABER
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Marque a alternativa que expressa corretamente o pensamento de Platão:
a) Somente por meio dos sentidos, em especial da visão, pode o filósofo obter o conhecimento das ideias. 
b) No pensamento platônico, o conhecimento das ideias permite ao filósofo discernir a unidade inteligível em face da 
multiplicidade sensível. 
c) Para que a alma humana alcance o conhecimento das ideias, ela deve elevar-se às alturas do inteligível, o que so-
mente é possível após a morte ou por meio do contato com os deuses gregos. 
d) Tanto a dialética quanto a matemática elevam o conhecimento ao inteligível; mas, somente a matemática, por seu 
caráter abstrato, conduz a alma ao princípio supremo: a ideia de Bem. 
4. (Enem)
SANZIO, R. Detalhes do afresco "A escola de Atenas". 
Disponível em: fil.cfh.ufsc.br.
Acesso em: 20 mar. 2013.
No centro, conhecimento se encontra em uma instância na qual o homem descobre a:
a) suspensão do juízo como reveladora da verdade.
b) realidade inteligível por meio do método dialético.
c) salvação da condição mortal pelo poder de Deus.
d) essência das coisas sensíveis no intelecto divino.
e) ordem intrínseca ao mundo por meio da sensibilidade.
ESTUDO ORIENTADO
Caro(a) aluno(a),
Na aula "Platão e Aristóteles", temos o objetivo de apresentar as principais características dos dois últimos períodos da 
filosofia grega, observando-se as diferenças entre o pensamento de Platão (a percepção de um mundo sensível e de um 
inteligível) e seu discípulo Aristóteles (que buscava entender a importância da ação e o papel do homem nesse contexto).
Nos exercícios selecionados, propomos a fixação dos conceitos discutidos para trabalhar a habilidade de leitura e 
interpretação de textos, os quais podem ser dos filósofos do período estudado ou de especialistas contemporâneos 
que buscam apresentar as principais ideias dos pensadores.
Na Roda de leitura, os textos de Platão apresentados na forma de diálogos mostram um exemplo do pensamento 
dialético, além do destaque no texto I para o famoso mito de “Atlântida”, enquanto no texto de Aristóteles encontramos 
uma reflexão sobre o discurso artístico e seu fazer como forma de expressão e pensamento no fragmento da Poética.
Bons estudos!
 POLISABER 27
 aula 3 FILOSOFIA
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EXERCÍCIOS
1. (UEL) 
Todos os homens, por natureza, desejam conhecer. 
Sinal disso é o prazer que nos proporcionam os nos-
sos sentidos; pois, ainda que não levemos em conta a 
sua utilidade, são estimados por si mesmos; e, acima 
de todos os outros, o sentido da visão”. Mais adiante, 
Aristóteles afirma: “Por outro lado, não identificamos 
nenhum dos sentidos com a Sabedoria, se bem que 
eles nos proporcionem o conhecimento mais fidedigno 
do particular. Não nos dizem, contudo, o porquê de 
coisa alguma.
ARISTÓTELES. 
Metafísica. 
Trad. de Leonel Vallandro. 
Porto Alegre: Globo, 1969. p. 36 e 38.
Com base no texto acima e nosconhecimentos so-
bre a metafísica de Aristóteles, considere as afirma-
tivas a seguir.
I. Para Aristóteles, o desejo de conhecer é inato ao 
homem.
II. O desejo de adquirir sabedoria em sentido pleno 
representa a busca do conhecimento em mais alto 
grau.
III. O grau mais alto de conhecimento manifesta-se no 
prazer que sentimos em utilizar nossos sentidos.
IV. Para Aristóteles, a sabedoria é a ciência das causas 
particulares que produzem os eventos.
A alternativa que contém todas as afirmativas cor-
retas é:
a) I e II.
b) II e IV.
c) I, II e III.
d) I, III e IV.
e) II, III e IV.
2. (UFSM)
Portanto, nem por natureza nem contrariamente à 
natureza a virtude moral é engendrada em nós, mas 
a natureza nos dá a capacidade de recebê-la, e esta 
capacidade se aperfeiçoa com o hábito. 
ARISTÓTELES. 
Ética a Nicômaco. Brasília: Editora da UNB, 2001.
Analise as afirmações:
I. O ser humano é mau ou bom por natureza.
II. A virtude moral não é algo inato ao ser humano.
III. A ética ocupa-se basicamente de questões subjeti-
vas, abstratas e essencialmente de interesse parti-
cular do indivíduo.
IV. Uma ética deontológica é aquela construída sobre o 
princípio do dever.
Com base no texto e nos conhecimentos sobre éti-
ca, marque a alternativa correta.
a) I, II.
b) I, II, III.
c) I e IV.
d) II e IV.
e) I, II, III e IV.
3. (Vunesp) 
De acordo com a Alegoria da Caverna, a possibilidade 
de um indivíduo tornar-se justo e virtuoso depende de 
um processo de transformação pelo qual deve passar. 
Assim, afasta-se das aparências, rompe com as ca-
deias de preconceitos e condicionamentos e adquire 
o verdadeiro conhecimento. Tal processo culmina com 
a ideia da forma do Bem, representada pela metáfora 
do Sol. Para Platão, conhecer o Bem significa tornar-se 
virtuoso. Aquele que conhece a justiça não pode deixar 
de agir de modo justo. 
MARCONDES, Danilo. 
Textos básicos de ética: de Platão a Foucault. 
Rio de Janeiro, Zahar, 2007. p. 31 
A importância histórica do método de conhecimento 
estabelecido na obra de Platão justifica-se
a) pela defesa de uma rigorosa separação entre a esfera 
da política e a esfera da filosofia.
b) por definir proposições instrumentais para o agir 
político, antecipando as estratégias maquiavélicas.
c) por identificar as coisas empíricas como sendo em 
si mesmas dotadas de sua própria verdade.
d) pela definição de uma esfera suprassensível que 
contém as formas perfeitas, necessárias e universais 
das coisas.
e) por entender os preconceitos e condicionamentos do 
mundo sensível como esfera virtuosa e justa. 
FILOSOFIA aula 3
28 POLISABER
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-1
4. (UEL) Considere a citação abaixo:
SÓCRATES: Tomemos como princípio que todos os 
poetas, a começar por Homero, são simples imitadores 
das aparências da virtude e dos outros assuntos de que 
tratam, mas que não atingem a verdade. São semelhan-
tes nisso ao pintor de que falávamos há instantes, que 
desenhará uma aparência de sapateiro, sem nada en-
tender de sapataria, para pessoas que, não percebendo 
mais do que ele, julgam as coisas segundo a aparência?
Glauco: “Sim”.
PLATÃO. 
A república. 
Trad. de Enrico Corvisieri. 
São Paulo: Nova Cultural, 1997. p. 328.
Com base no texto acima e nos conhecimentos 
sobre a mímesis em Platão, assinale a alternativa 
correta.
a) Platão critica a pintura e a poesia porque ambas são 
apenas imitações diretas da realidade.
b) Para Platão, os poetas e pintores têm um conheci-
mento válido dos objetos que representam.
c) Tanto os poetas quanto os pintores estão, segundo 
a teoria de Platão, afastados dois graus da verdade.
d) Platão critica os poetas e pintores porque estes, à 
medida que conhecem apenas as aparências, não 
têm nenhum conhecimento válido do que imitam 
ou representam.
e) A poesia e a pintura são criticadas por Platão porque 
são cópias imperfeitas do mundo das ideias. 
RODA DE LEITURA
Texto I
Muitos e grandes foram os feitos da vossa cidade 
que são motivo de admiração nos registos que deles 
aqui ficaram. Mas, entre todos eles, destaca-se um em 
grandeza e beleza; os nossos escritos referem como 
a vossa cidade um dia extinguiu uma potência que 
marchava insolente em toda a Europa e na Ásia, depois 
de ter partido do Oceano Atlântico. Em tempos, e este 
mar podia ser atravessado, pois havia uma ilha junto 
ao estreito a que vós chamais Colunas de Héracles4 
– como vós dizeis; ilha essa que era maior do que a 
4. O estreito de Gibraltar
Líbia e a Ásia juntas, a partir da qual havia um acesso 
para os homens daquele tempo irem às outras ilhas, 
e destas ilhas iam diretamente para todo o território 
continental que se encontrava diante delas e rodeava 
o verdadeiro oceano. De facto, aquilo que está aquém 
do estreito de que falamos parece um porto com uma 
entrada apertada. No lado de lá é que está o verdadeiro 
mar e é a terra que o rodeia por completo que deve ser 
chamada com absoluta exatidão “continente”.5
Nesta ilha, a Atlântida, havia uma enorme confe-
deração de reis com uma autoridade admirável que 
dominava toda a ilha, bem como várias outras ilhas e 
algumas partes do continente; além desses, domina-
vam ainda alguns locais aquém da desembocadura: 
desde a Líbia6 ao Egito e, na Europa, até à Tirrénia.7 Esta 
potência tentou, toda unida, escravizar com uma só 
ofensiva toda a vossa região, a nossa e também todos 
os locais aquém do estreito. Foi nessa altura, ó Sólon, 
que, pela valentia e pela força, se revelou a todos os 
homens o poderio da vossa cidade, pois sobrepôs-se 
a todos em coragem e nas artes da guerra, quando 
liderou o exército grego e, depois, quando foi deixada à 
sua própria mercê, por força da desistência dos outros 
povos e correu riscos extremos. Mas veio a erigir o 
monumento da vitória ao dominar quem nos atacava; 
impediu que escravizassem, entre outros, quem nunca 
tinha sido escravizado, bem como todos os que habi-
tavam aquém das Colunas de Héracles, e libertou-os 
a todos sem qualquer reserva.8 Posteriormente, por 
causa de um sismo incomensurável e de um dilúvio 
que sobreveio num só dia e numa noite terríveis,9 toda 
a vossa classe guerreira foi de uma só vez engolida 
pela terra, e a ilha da Atlântida desapareceu da mesma 
maneira, afundada no mar. É por isso que nesse local o 
oceano é intransitável e imperscrutável, em virtude da 
lama que aí existe em grande quantidade e da pouca 
profundidade provocada pela ilha que submergiu.”10
Acabas de ouvir, ó Sócrates, o essencial do relato e 
de Crítias, o ancião, segundo o que ele ouviu de Sólon. 
Ontem, enquanto tu falavas sobre o Estado e dos 
homens que referias, eu fiquei atônito ao recordar-me 
disto de que agora vos falo, por me aperceber de que, 
5. Segundo esta descrição, que recupera alguns elementos do Fédon (108c-114c), a 
bacia mediterrânica é apenas a parte central da superfície terrestre e não a sua 
totalidade: é circundada pelo oceano, onde se situa a Atlântida, e é além deste que 
se situa o território continental. No fundo, a zona do mediterrâneo equivale a um 
conjunto de ilhas desse verdadeiro mar.
6. Todo o território entre o Egito e a costa ocidental de África.
7. Parte ocidental da península Itálica.
8. Este dilúvio é igualmente referido no Crítias e também por outros autores.
9. No Menéxeno é descrita em termos muito semelhantes a prestação ateniense 
contra a invasão dos Persas.
10. Semelhante testemunho dá Aristóteles nos Meteorológicos.
 POLISABER 29
 aula 3 FILOSOFIA
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miraculosamente e por obra de um acaso, sem que 
fosse tua intenção, tinhas coligido muito do que Sólon 
dissera. Ainda assim, não quis falar de improviso, pois 
não me lembrava o suficiente, em virtude do tempo 
decorrido. Portanto, decidi que seria preciso que eu 
próprio recuperasse adequadamente tudo isto, antes de 
vos contar deste modo. Por isso, concordei prontamen-
te com as tuas determinações de ontem, acreditando 
que, em todos os casos como este, o encargo mais 
importante é propor um discurso que seja adequado 
aosobjetivos e possa ser suficientemente vantajoso 
para nós. Assim, tal como Hermócrates disse, mal on-
tem saí daqui, repeti-lhes aquilo de que me lembrava; 
e, depois de me ter ido embora, refleti durante a noite 
e recuperei quase tudo. Em boa verdade, o que se 
aprende na infância, segundo se diz, fica admiravelmen-
te retido na memória. Com efeito, o que ouvi ontem, 
não sei se eu o conseguirei trazer de novo à memória 
por completo, mas em relação ao que apreendi há já 
muito tempo, ficaria absolutamente admirado se me 
escapasse alguma coisa. De fato, era com tanto prazer 
e entusiasmo infantil que as escutava, além de o ancião 
mas contar de bom grado (enquanto lhe fazia perguntas 
repetidamente) que, tal como aquele tipo de escrita 
em pintura encáustica11 que subsiste, se tornaram para 
mim indeléveis. Assim, logo ao amanhecer, contei-lhes 
isto, de modo a que me acompanhassem no relato. 
E agora, pois foi por causa disso que referi tudo isto, 
estou preparado, ó Sócrates, a relatá-lo não só no que 
se refere aos seus aspectos principais, mas também 
ao pormenor, tal como o ouvi. Quanto aos cidadãos e à 
cidade que tu ontem nos descreveste como num mito, 
ponhamo-los aqui, transportando-os para a realidade,12 
como se aquela cidade fosse esta aqui, e suponhamos 
que aqueles cidadãos que tu tinhas em mente são os 
nossos antepassados – os reais; aqueles de que falava 
o sacerdote. Estarão em absoluta harmonia e nós não 
estaremos fora de tom se dissermos que eles são 
os que existiram naquele tempo. Assim, dentro dos 
possíveis, tentaremos todos em conjunto ocupar-nos 
da tarefa que nos entregaste. Portanto, ó Sócrates, é 
preciso ter em atenção se este discurso está de acordo 
com o nosso propósito, ou se devemos procurar um 
outro em substituição dele.
SÓCRATES: E que outro discurso, ó Crítias, podería-
mos nós preferir melhor que este, que seja ainda mais 
adequado ao festival da deusa que celebramos, pois 
11. Método de pintura que consistia em aplicar cera aquecida numa base metálica; 
garantilando-lhe grande durabilidade. 
12. Epi talêthes. 
está-lhe intimamente ligado, e, além disso, é muito 
relevante o facto de não se tratar de uma narrativa 
forjada, mas sim de um discurso real. Na verdade, como 
e onde encontraríamos outros, caso deixássemos este 
de lado? Não é possível. Agora, boa sorte, pois é a vós 
que compete falar. Quanto a mim, em troca dos discur-
sos de ontem, mantenho-me em silêncio e retribuo o 
papel de ouvinte.
CRÍTIAS: Observa, então, ó Sócrates, o programa que 
preparámos para a tua recepção. Com efeito, pareceu-
-nos que Timeu, por de nós ser o mais entendido em 
astronomia e o que mais se empenhou em conhecer 
a natureza do mundo,13 deveria ser o primeiro a falar, 
começando pela origem do mundo e terminando na 
natureza do homem. Depois dele, serei eu, como se dele 
tenha recebido os homens gerados pelo seu discurso e 
de ti um certo número de homens educados de forma 
particularmente apurada. Então, de acordo com as 
palavras e a lei de Sólon, depois de os trazer à nossa 
presença, como se estivessem perante juízes, fá-los-ei 
cidadãos desta cidade, como se fossem os Atenienses 
de outrora, cuja existência permanece esquecida e foi 
agora desvelada pelo testemunho dos escritos sagra-
dos. Daqui em diante, farei o meu discurso como se 
na verdade se tratasse de cidadãos e de Atenienses.
TIMEU-CRÍTIAS. 
Platão. 
Coimbra: FCT, 2011, p. 87-92. 
(Coleção Autores Gregos e Latinos. Série Textos.)
Texto II
Poesia e história. Mito trágico e mito tradicional. 
Particular e universal. Piedade e terror. Surpreendente 
e maravilhoso.
50. Pelas precedentes considerações se manifesta 
que não é ofício de poeta narrar o que aconteceu; é, 
sim, o de representar o que poderia acontecer, quer 
dizer: o que é possível segundo a verossimilhança e a 
necessidade. Com efeito, não diferem o historiador e 
o poeta por escreverem verso ou prosa (pois que bem 
poderiam ser postos em verso as obras de Heródoto, 
e nem por isso deixariam de ser história, se fossem 
em verso o que eram em prosa) — diferem, sim, em 
que diz um as coisas que sucederam, e outro as que 
poderiam suceder. Por isso a poesia é algo de mais 
filosófico e mais sério do que a história, pois refere 
aquela principalmente o universal, e esta o particular. 
13. Kosmos
FILOSOFIA aula 3
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Por “referir-se ao universal” entendo eu atribuir a um 
indivíduo de determinada natureza pensamentos e 
ações que, por liame de necessidade e verossimilhança, 
convém a tal natureza; e ao universal, assim entendido, 
visa a poesia, ainda que dê nomes às suas personagens; 
particular, pelo contrário, é o que fez Alcibíades ou o 
que lhe aconteceu.
51. Quanto à comédia, já ficou demonstrado [este 
caráter universal da poesia]; porque os comediógra-
fos, compondo a fábula segundo a verossimilhança, 
atribuem depois às personagens os nomes que lhes 
parece, e não fazem como os poetas jâmbicos, que se 
referem a indivíduos particulares.
52. Mas na tragédia mantêm-se os nomes já existen-
tes. A razão é a seguinte: o que é possível é plausível; 
ora, enquanto as coisas não acontecem, não estamos 
dispostos a crer que elas sejam possíveis, mas é claro 
que são possíveis aquelas que aconteceram, pois não 
teriam acontecido se não fossem possíveis.
53. Todavia, sucede também que em algumas tra-
gédias são conhecidos os nomes de uma ou duas 
personagens, sendo os outros inventados; em outras 
tragédias nenhum nome é conhecido, como no Anteu 
de Agatão, em que são fictícios tanto os nomes como 
os fatos, o que não impede que igualmente agrade. 
Pelo que não é necessário seguir à risca os mitos tra-
dicionais donde são extraídas as nossas tragédias; pois 
seria ridícula fidelidade tal, quando é certo que ainda 
as coisas conhecidas são conhecidas de poucos, e 
contudo agradam elas a todos igualmente.
54. Daqui claramente se segue que o poeta deve ser 
mais fabulador que versificador; porque ele é poeta 
pela imitação e porque imita ações. E ainda que lhe 
aconteça fazer uso de sucessos reais, nem por isso 
deixa de ser poeta, pois nada impede que algumas das 
coisas que realmente acontecem sejam, por natureza, 
verossímeis e possíveis e, por isso mesmo, venha o 
poeta a ser o autor delas.
55. Dos mitos e ações simples, os episódicos são os 
piores. Digo “episódico” o mito em que a relação entre 
um e outro episódio não é necessária nem verossímil. 
Tais são os mitos de maus poetas, por [imperícia] deles, 
e às vezes de bons poetas, por [condescendência com 
os] atores. É que, para compor partes declamatórias, 
chegam a forçar a fábula para além dos próprios limites 
e a romper o nexo da ação.
56. Como, porém, a tragédia não só é imitação de uma 
ação completa, como também de casos que suscitam o 
terror e a piedade, e estas emoções se manifestam prin-
cipalmente quando se nos deparam ações paradoxais, 
e, perante casos semelhantes, maior é o espanto que 
ante os feitos do acaso e da fortuna (porque, ainda 
entre os eventos fortuitos, mais maravilhosos parecem 
os que se nos afiguram acontecidos de propósito — tal 
é, por exemplo, o caso da estátua de Mítis em Argos, 
que matou, caindo-lhe em cima, o próprio causador 
da morte de Mítis, no momento em que a olhava —, 
pois fatos semelhantes não parecem devidos ao mero 
acaso), daqui se segue serem indubitavelmente os 
melhores os mitos assim concebidos.
ARISTÓTELES. 
Poética. 
Livro IX, 50-56. 
São Paulo: Abril Cultural, 1979, p. 249-250.
NAVEGAR
 Filme
Alexandre 
Direção: Oliver Stone. 
Alemanha/Estados Uni-
dos/Reino Unido, 2004.
O filme resgata a figura 
do conquistador Alexan-
dre Magno, apresentando 
não só uma preciosa re-
constituição das batalhas 
e dos ambientes do mun-
do antigo, mas também a 
conturbada biografia do 
personagem-título: logo 
no início, há uma pequena amostra do que teria sido 
sua relação com Aristóteles e suas ideias, inclusive mos-
trando a influência do sábio de Estagira para o príncipe 
e sua corte e oemprego da metodologia peripatética, 
ensinando ao ar livre.
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 aula 3 FILOSOFIA
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 Livros
STRATHERN, Paul. Platão 
em 90 minutos. Rio de Janeiro: 
Jorge Zahar, 1998.
Na pólis de Atenas, um jo-
vem bem-nascido chamado 
Arístocles decidiu esquecer as 
suas ambições enquanto luta-
dor. Depois de adotar o nome 
Platão, resolveu dedicar-se à 
filosofia. Em 387 a.C., fundou a 
Academia, a primeira universi-
dade do mundo, e ensinou aos 
seus alunos que tudo aquilo que vemos não é a realidade, 
mas simplesmente uma reprodução da verdadeira ori-
gem. E, na sua famosa República, descreveu as políticas 
da “mais alta forma de Estado”.
STRATHERN, Paul. Aristó-
teles em 90 minutos. Rio de 
Janeiro: Jorge Zahar, 1998.
Aristóteles escreveu acer-
ca de tudo, desde a forma 
das conchas à esterilidade, 
especulou acerca de temas 
como a natureza da alma, a 
meteorologia, a poesia e a 
arte, e até a interpretação dos 
sonhos. Fora a matemática, 
transformou todos os ramos 
de conhecimento em que tocou. Acima de tudo, Aristó-
teles é recordado por ter fundado a lógica. Quando, pela 
primeira vez, dividiu o conhecimento humano em catego-
rias separadas, permitiu que a compreensão que temos 
do mundo se desenvolvesse de uma forma sistemática.
CASERTANO, Giovanni. 
Uma introdução à República de 
Platão. São Paulo: Paulus, 2011.
Esta introdução a um dos 
mais longos, densos, multifa-
cetados e controvertidos diá-
logos de Platão — a República 
— soma-se a uma bibliografia 
sobre Platão e o platonismo 
que vem crescendo nos úl-
timos anos em português. A 
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obra escrita por Casertano divide-se em uma apresenta-
ção geral, seguida da exposição analítica de cada um dos 
dez livros que compõem o diálogo e mais três capítulos. 
Ao longo de seu livro, o autor lança luzes acerca de 
questões presentes na República que foram objeto de 
grandes controvérsias, desde Aristóteles até a atualidade.
ÁGORA
Matrix é um ótimo exemplo para trabalharmos a releitu-
ra cinematográfica de temas ligados à Filosofia. Produção 
estadunidense e australiana, de 1999, do gênero ficção 
científica, dirigida pelos irmãos Andy e Lana Wachowski, 
protagonizado por Keanu Reeves e Laurence Fishburne, 
traz em seu enredo uma ampla gama de elementos que 
constituem as bases da cultura ocidental.
Atividade 
Análise do discurso filosófico a partir do filme Matrix.
Objetivos
– Identificar conceitos filosóficos presentes no filme.
– Estabelecer os paralelos entre a proposição dos 
diretores e a visão dos filósofos.
– Observar a aproximação e o distanciamento dos 
temas tratados pelo filme e pela Filosofia.
FILOSOFIA aula 3
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O sábio se contenta de viver feliz, não simplesmente de viver.
Cartas a Lucílio, de Sêneca.
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 aula 3 FILOSOFIA
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GABARITO – FILOSOFIA
Aula Zero 
 Estudo orientado
1. São corretas as alternativas 01 + 08 + 16 = 25
2. b
3. b
Aulas 1 e 2
 Estudo orientado
1. a
2. c
3. Segundo o autor, o pensamento filosófico diferen-
cia-se do mitológico pelo fato de propor uma expli-
cação natural aos fenômenos naturais, valendo-se 
da observação e análise de determinados eventos, 
podendo ser aprendido por qualquer pessoa que 
se interesse pelo assunto, enquanto a mitologia se 
baseia na crença sem reflexão de determinada nar-
rativa, que de geração em geração foi reproduzida 
e aponta para a intervenção de forças sobrenatu-
rais entre os homens e o mundo. No entanto, sua 
compreensão não é possível sem a atuação de um 
sacerdote ou mago, que é capaz de interpretar e 
entender seu funcionamento: aqueles que são “ini-
ciados” nos conhecimentos de tais mistérios teriam 
uma percepção parcial e os leigos estariam total-
mente fora da sua compreensão.
Aula 3
 Estudo orientado
1. a
2. d
3. d
4. d
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FILOSOFIA 2
FILOSOFIA aula 4
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Filósofos romanos
Do Império Helenístico ao Império Romano
O enfraquecimento dos gregos favoreceu sua assimilação pelos macedônios, que vieram do Norte e iniciaram a for-
mação de um vasto império a partir da submissão da Hélade, em 338 a.C., na batalha de Queroneia, liderada por Filipe II 
com a participação de seu filho e herdeiro, o príncipe Alexandre. 
Com a morte de Filipe, em 336 a.C., Alexandre deu continuidade ao processo de conquista, anexando o Egito, a Ásia 
Menor, a Mesopotâmia e a Pérsia e chegando até o rio Indo, formando, portanto, um dos maiores impérios da Antigui-
dade entre 336-323 a.C. 
Império Helenístico
Antioquia
Sídon
Biblos
Laudiceia
Selêucia
SardesAtenas
Bizâncio
MACEDÔNIA
EG
ITO
Mileto
Ectabana
PersépoliaAlexandria
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AR VERM
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Alexandria
Mên�s
Alexandria
Zadracarta
Alexandria
Alexandria
Cabul
Pattaia
Selêucia
Eufrates
Babilônia
Dura
Europos
MAR MEDITERRÂNEO
MAR NEGRO
M
A
R CÁSPIO
GOLFO PÉRSICO
MAR DA ARÁBIA
Alexandre permitiu a manutenção dos povos dominados, resultando na fusão de valores gregos e orientais.
A principal forma de manutenção do Império Helenístico foi a força militar, inicialmente composta de macedônios e 
gregos e, à medida que as anexações avançaram, também de muitos asiáticos. No interior do Império, Alexandre preser-
vou a estrutura administrativa persa, com a divisão em satrapias, cada qual administrada por um sátrapa, responsável 
pela manutenção da ordem, pela tributação e pelo exercício da justiça.
Tendo sido educado por Aristóteles e detentor de uma visão de mundo mais plural que seus conterrâneos, Alexandre 
permitiu a manutenção da cultura dos povos dominados, resultando na fusão de valores gregos e orientais. Isso gerou 
A
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TS
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FILOSOFIA – AULA 4
O privilégio do ser humano de bem é acolher com 
satisfação e amor o que lhe acontece e é urdido na 
trama de sua vida. 
Meditações (Livro III, 16), de Marco Aurélio.W
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 aula 4 FILOSOFIA
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um império híbrido, de múltiplas culturas, e um exemplo disso foi o próprio Alexandre, que se casou com a princesa 
Roxana, filha de um potentado da região da Báctria, e depois com mais três princesas persas.
Alexandre empenhou-se na construção da própria imagem, espelhando-se tanto na tradição grega, evocando as 
figuras de Aquiles ou de Hércules, quanto na tradição oriental, ordenando que o retratassem como o faraó no Egito 
conquistado, e ainda cultivou os valores teocráticos do Egito, da Mesopotâmia e da Pérsia, sendo cultuado como rei (o 
basileus grego) e, ao mesmo tempo, deus.
Portanto, de um lado, destaca-se a cultura helênica, oriunda da Hélade, cujas referências foram muito bem consolidadas 
por Aristóteles na educação de Alexandre, e, de outro, a cultura oriental de diferentes povos (persas, babilônios, egípcios 
e outros) que, uma vez dominados por Alexandre, foram incorporados ao Império e deram origem à cultura helenística. 
Busto de Alexandre.
Atualmente, este mosaico encontra-se no Museu Nacional de Arte Antiga, em Nápoles, mas originalmente estava na 
cidade de Pompeia (ao sul de roma, próxima de Nápoles), quando foi engolida pela erupção do Monte Vesúvio, em 79 d.C. 
O que vemos é a parte sobrevivente à erupção e aos 17 séculos de soterramento. Nela, Alexandre Magno persegue o xá 
da Pérsia, Dário III, que fora derrotado nesta batalha em 333 a.C.
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FILOSOFIA aula 4
4 POLISABER
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Além de construir um extenso império, Alexandre pro-
curou preservar sua memória com a fundação de cerca de 
mais de vinte cidades com o nome de Alexandria, entre 
as quais, uma no norte do Egito, já herdada do período 
faraônico (desde Ramsés II 1279-1213 a.C.). Ele também 
preservou e ampliou uma grande biblioteca, resguar-
dando parte significativa da culturagrega em milhares 
de rolos de papiro.
Apesar de seu grande êxito militar, Alexandre não 
conseguiu deixar um sucessor, pois seu filho com Roxana 
não assumiu depois de sua morte, em 323 a.C., ocorrida 
em condições suspeitas, que incluíam a possibilidade de 
assassinato por envenenamento. Morreu às vésperas de 
completar 33 anos, ainda jovem, como seu império, que 
fora retalhado entre seus principais generais: a Hélade fi-
cou sob o controle de Antígono, o Egito passou ao domínio 
de Ptolomeu, a Síria e a Mesopotâmia ficaram ao cargo 
de Seleuco, e os reinos do leste, além do planalto persa, 
foram fragmentados em unidades menores, perdendo as 
referências helênicas ali implantadas e depois agregadas 
a outros domínios da Ásia central.
Em 146 a.C., os romanos dominaram a Hélade, que foi 
transformada em uma província romana denominada 
Graetia, termo latino do qual deriva a palavra “Grécia”. 
Dali, os novos senhores iniciaram a conquista do Medi-
terrâneo oriental e do Oriente próximo, então uma fração 
menor conquistada do antigo império de Alexandre, de 
quem os romanos se colocaram como sucessores no 
domínio do Oriente.
Do ponto de vista cultural, a importância dos romanos 
é controversa, pois seus feitos militares foram sempre 
mais exaltados que sua herança cultural, argumento 
sustentado também por Horácio, poeta romano do século 
I a.C. para quem “A Grécia conquistada conquistou seu 
feroz vencedor e introduziu as artes no agreste Lácio”.
Há muitos pontos comuns entre as duas culturas, pois, 
com a conquista dos gregos pelos romanos, milhares 
de escravos da Hélade foram levados para a Itália para 
trabalhar em diferentes áreas. A religião romana recebeu 
influência direta dos gregos, em virtude da correspondên-
cia entre vários deuses das duas culturas, assim como a 
arquitetura, a escultura e a pintura.
Segundo Epicuro, a felicidade é alcançada com a 
moderação.
 Epicuro
Epicuro nasceu em Samos (341 a.C.), filho de um pro-
fessor e de uma curandeira que fazia previsões para o 
futuro. Quando jovem, fundou, em Atenas, uma escola de 
filosofia, conhecida como O Jardim, na qual reunia seus 
discípulos. De suas obras, só chegaram aos dias atuais 
fragmentos de suas máximas e três cartas destinadas 
respectivamente a Meneceu, Heródoto e Pítocles.
Segundo Epicuro, a religião e as explicações supersti-
ciosas e míticas sobre os fenômenos naturais geravam a 
angústia humana. Apenas a ciência era capaz de dissipá-
-la e proporcionar uma vida tranquila. 
Com base nas ideias de Demócrito sobre a física ma-
terialista e o atomismo, Epicuro dizia que os fenômenos 
naturais são explicados de formas naturais e têm aí a 
sua causa. No entanto, a investigação desses fenômenos 
não se propõe à satisfação científica, pois a finalidade da 
ciência é trazer tranquilidade aos seres humanos. Nada 
provém do nada, mas se forma a partir de elementos que 
existem antecipadamente. O atomismo de Demócrito 
elimina, portanto, a crença em um Deus criador, já que os 
átomos são eternos. Além disso, não cabe em sua teoria 
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a ideia de um Deus que intervém no mundo, que pune e 
recompensa. Os deuses abstêm-se de interferir no mundo 
porque ficariam expostos aos movimentos incessantes 
dos átomos e deixariam de ser invulneráveis.
O epicurismo tem como objetivo principal a felicidade, 
livrando o ser humano de suas angústias e inquietações. 
Ataraxia é o nome dado a esse processo de “salvação”. 
Na filosofia epicurista, a busca pela felicidade e o prazer 
é amparada pela austeridade moral. O prazer não é o 
prazer desenfreado, mas a ausência de dor, ou seja, uma 
fuga de todas as ocasiões de dor, de todos os riscos, de 
todas as aventuras.
Na busca pelo prazer é preciso discernir entre os 
prazeres existenciais (luxo, vaidade etc.) que devem ser 
evitados, e aqueles naturais ou absolutamente necessá-
rios, que devem ser perseguidos, mas de forma ascética 
(alimento, conforto, amizade). Segundo Epicuro, a sa-
bedoria consiste em livrar-se das paixões e refugiar-se 
na discrição. As influências que o mundo exterior pode 
exercer sobre nós, pelos sentimentos e desejos desen-
freados, devem ser domadas.
O epicurismo é dividido em três partes: canônica, física 
e ética. A parte canônica, que é a introdução ao pensa-
mento de Epicuro, apresenta o critério que embasa sua 
teoria do conhecimento. A física vai tratar da teoria dos 
átomos e suas implicações na constituição do universo 
e dos seres vivos. A ética, ponto de convergência de 
toda a doutrina de Epicuro, apresenta a forma como a 
humanidade pode alcançar a felicidade, livrando-se das 
perturbações, sejam essas causadas pela política, socie-
dade ou advindas da religião.
É importante entender que a relação canônica de 
Epicuro não se apresenta por meio de proposta teórica. 
Ela tem uma finalidade prática, utilitarista; é um saber 
para a vida. As gradações e os critérios da verdade são 
as sensações, antecipações e sentimentos. As sensações 
são impressões recebidas pelos sentidos via estímulos 
externos e são verdadeiras porque causam movimento. 
Só o que existe gera movimento. Segundo Epicuro, as 
sensações seriam resultantes de pequenas imagens 
(em grego eidola, de onde se origina a palavra ídolo) e, 
tal qual nos altares de culto das casas, essas pequeninas 
imagens estariam presentes. Essas imagens afetam os 
sentidos na medida em que eles as registram. São cópias 
verdadeiras da realidade.
Os juízos são verdadeiros quando são confirmados pela 
sensação. Por exemplo: prazer e dor são sinais verdadei-
ros (sensações) do que deve ser evitado ou buscado do 
ponto de vista moral. Por outro lado, os juízos podem 
produzir o erro, já que a totalidade das impressões rece-
bidas e a natureza dos homens são iguais. Então não é 
na sensação ou percepção que fundamenta o erro, mas 
naquele que expressa o julgamento sobre ela. O julga-
mento sobre se algo é bom ou não, se causa felicidade 
ou dor, vem do movimento muscular. Esse movimento 
vai dizer se o objeto merece ser aceito ou rejeitado. A 
vontade também ocupa um lugar importante no processo 
de conhecimento, já que a alma pensante é movida pelos 
objetos desejados ou que não são desejáveis.
É na ética que a filosofia de Epicuro encontra sua razão 
de ser. A ética epicurista é entendida como a busca da 
felicidade pela remoção dos obstáculos lançados pela 
política, pela religião e pelas relações sociais, o que pode 
ser enfatizado na lembrança de seu quádruplo remédio: 
os deuses não devem causar medo; não é preciso temer 
a morte; o prazer é acessível ao homem e é possível 
suportar a dor. O filósofo conduzia seus discípulos, por 
meio da prática, a uma vida em que ideias e experiência 
andassem juntas. O próprio nome, Epicuro, do grego 
epíkouros, significa auxiliador, aquele que presta ajuda.
Quando o ser humano busca o prazer, na verdade, bus-
ca a felicidade natural. Como na vida é impossível gozar 
todos os prazeres e evitar todas as dores, é necessário 
fazer uma escolha inteligente por meio do logismós. 
Os prazeres dos quais resultam uma dor maior devem 
ser evitados. No entanto, suportar uma dor, quando for 
inevitável, pode ser recompensador − serenidade, au-
sência de dor, tranquilidade. O ser humano não pode ser 
perturbado pelos deuses, pela morte, pela dor ou pelas 
opiniões dos outros. A eudaimonia surge como proposta 
à nakodaimonia (infelicidade), sabedoria para livrar-se 
dos temores e para poder decidir quando a dor deve ser 
abraçada e quando se deve desfrutar do prazer.
A virtude não pode se constituir apenas de sacrifício. 
Deve buscar também a recompensa pessoal e nesse sen-
tido deve ser escrava do prazer. Só se alcança a virtude 
com phróneses, logismós, soprousýne e dike (inteligência, 
calculismo, autodomínio e justiça). A prudência proporcio-
na o verdadeiro prazer, buscando evitar a dor, porque se 
fundamenta em reflexão, emponderação, fruto da razão 
e do cálculo. O autodomínio é necessário para que sejam 
evitados os bens materiais, a cultura sofisticada e a par-
ticipação na política. Todas essas coisas são supérfluas. 
Mesmo como resultado de convenção social, a justiça deve 
ser buscada porque produz a imperturbabilidade para quem 
dela usufrui. O paradigma do epicurismo pode ser resumido 
na atitude interior que independe de condições exteriores, 
na qual a individualidade se pauta em suas ações.
Texto extraído de “A porta e o jardim: uma 
introdução ao epicurismo e estoicismo da 
Grécia pós-socrática”, de Uipirangi Franklin da 
Silva Câmara. In: Revista Eletrônica do Curso de 
Pedagogia das Faculdades OPET, junho 2014. 
Adaptado por Elias Feitosa de Amorim Júnior .
FILOSOFIA aula 4
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Estoicismo
Estudar o estoicismo compreende a necessidade de 
sua vinculação com reflexões sobre a natureza, a lei e 
as formas de relação entre elas. A necessidade de um 
fundamento para a boa lei, para legitimar o cotidiano, os 
novos tempos, vai levar os estoicos a formularem um 
cosmos teorizado como harmonia de forças contrárias. 
A justa medida contemplada na natureza é o que se deve 
buscar na vida política e particular. Os estoicos vão justifi-
car essa afirmativa ao ler a natureza de forma dogmática. 
Todos devem se submeter aos princípios da natureza. A 
natureza é quem determina o que somos e como agimos:
A natureza estoica é teorizada como divina em sua 
eterna normatividade, em sua prevista ordenação e 
força constitutiva dos seres. Sem a presença das di-
vindades míticas, ela é abstrata em sua sacralidade e 
ampara a universalidade do homem quanto ao uso do 
logos, uma vez que ele é cósmico e pertinente a todos 
os seres, portanto à própria natureza humana. A physis 
sustenta a noção de igualdade, e forma, por princípio, o 
modo de ser e de agir dos seres. Todo homem é lógikos, 
pois o natural é lógikos. Todo homem pertence ao 
cosmo, e toda cidade deve ser a expressão do modo 
de ser cósmico. (Gazolla, 1999, p. 41)
O núcleo fundamental no estoicismo pode ser a con-
cepção de que uma lei divina e natural, comum a todos 
os cidadãos, é o paradigma pelo qual todos os seres 
humanos têm o seu princípio constitutivo e pelo qual 
baseiam sua conduta. 
O estoicismo pode ser dividido em três períodos:
I) Estoicos antigos (séculos III-II a.C.): Zenão de Cício 
(336-246 a.C.); Cleanto de Assos (331-232 a.C.); Crisipo 
de Soles (277-208); Ariston de Chíos, Hérilo de Cartagena, 
Dionísio de Heracleota, Perseu de Cício, Esfero do Bósforo.
II) Estoicos médios (século II a.C.): Panécio de Rodes 
(185 a.C.); Possidônio de Apameia (130-51 a.C.).
III) Estoicos tardios ou romanos (séculos I-II d.C.): Lúcio 
Naneu Sêneca, de Córdoba, (8 a.C. a 65 d.C.); Epicteto de 
Hierápolis (50-125 d.C.); Marco Aurélio, Imperador Roma-
no (121-180 d.C.); Musônio Rufo e Arriano.
A filosofia estoica nos é conhecida pelas obras dos 
estoicos tardios: Epiteto, Sêneca e Marco Aurélio. Em 
relação aos fundadores da escola, os estoicos antigos, só 
nos restam os fragmentos citados por Diógenes Laércio 
e Estobeu, ou por críticos como Plutarco e Cícero.
O estoicismo foi fundado por Zenão de Cício, a atual 
ilha de Chipre (336-264 a.C.). Em Atenas, para onde foi 
ainda jovem, tornou-se discípulo dos cínicos. No início 
do século III a.C. fundou uma escola localizada perto do 
pórtico de colunas Poecile. Do nome stoa, coluna, surgiu 
o termo "estoico". Além de Zenão, nesse período de fun-
dação, temos Cleanto (331-232 a.C.), que compôs o “Hino 
a Zeus”, e Crisipo (280-210 a.C.), nascido em Tarso, que 
deu o caráter sistemático à doutrina estoica. A doutrina 
estoica é geralmente dividida em três partes: uma física, 
uma lógica e uma ética. 
Na perspectiva filosófica estoica, essas três partes 
estão interligadas e a física não pode ser concebida se-
parada da moral. O estoicismo compreende uma razão 
suprema, natureza, que é a causa e determinação de tudo 
o que acontece. Há uma harmonia imanente no universo, 
expressão da racionalidade da qual a natureza é portado-
ra. A natureza é a vida universal (o próprio Deus). O mundo 
inteiro se assemelha a um imenso ser vivo, cujos órgãos 
são os diversos indivíduos e cuja alma é Deus, a razão 
imanente do universo. O universo, cujo corpo é Deus, é 
um organismo perfeito, cujo mal só existe em função do 
bem. Sendo o homem um órgão desse imenso organismo 
é natural que se submeta ao seu destino. A lógica estoica 
expressa a ideia de um cosmos harmonioso em que todos 
os acontecimentos e todos os seres estão ligados, unidos 
por um destino racional. A teoria do conhecimento faz 
uma distinção entre representação mental, assentimento 
e compreensão (katalepsis): uma apreensão da ideia. A 
ciência é uma ligação de conhecimento da razão humana 
do seu parentesco com a razão divina, a concordância 
com a natureza. 
O estoicismo compreendeu a felicidade como uma ati-
tude da vontade. O homem é feliz quando deseja que as 
coisas sejam o que são. A ideia expressa nessa atitude é 
de que se deve viver de acordo com a natureza, sendo um 
ser racional, consentindo com a racionalidade do destino. 
A liberdade é entendida como um assentimento a essa 
determinação, por compreendê-la como racional e seu 
assentimento como expressão de sua natureza racional. 
Na vida, existem coisas que dependem de nós, como 
nossas decisões e outras que não, como saúde, morte etc. 
Como o ser humano tem posse de seus juízos e paixões, 
o objeto dessas paixões só se valoriza em função do juízo 
que se faz dele. Dessa maneira a importância das coisas 
provém tão somente de nossa opinião. Se dominarmos 
nossas opiniões, seremos senhores do universo. A moral 
estoica é considerada uma disposição de vontade, uma 
moral de intenção. É extremamente rigorosa porque 
não considera casuística nem meias medidas. A virtude 
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consiste na retidão do querer. Segundo Crisipo, “Quem 
não é sábio é louco. Afogamo-nos tanto com meio palmo 
de água acima do nariz quanto nas profundezas de um 
abismo do mar”. 
Famoso por seus discursos e articulações políticas, Cícero 
viveu e morreu pela defesa da República romana.
 Cícero
Em janeiro de 49 a.C., o triúnviro romano Júlio César 
atravessou o Rubicão e desencadeou a guerra civil que 
o levaria a dominar todo o império. Venceu Pompeu em 
Farsala, instalou Cleópatra no trono do Egito, reorganizou 
o Oriente e derrotou os últimos adeptos do segundo 
triúnviro da África, em 46 a.C., e na Espanha, um ano 
depois. De volta a Roma em 45 a.C., começou a governar 
como déspota absoluto e tratou de eliminar os últimos 
adversários.
Entre os adversários perseguidos estava Marco Túlio 
Cícero (106-43 a.C.), senador e figura proeminente da 
política romana nos anos anteriores. Obrigado a deixar 
os negócios públicos, Cícero recolheu-se à vida privada 
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e retomou a meditação filosófica, de que já se ocupara 
em um primeiro exílio, por volta de 51 a.C. O resultado 
foi um conjunto de obras, escritas em aproximadamen-
te dois anos e que versavam sobre os mais variados 
assuntos: Sobre os fins, Controvérsias tusculanas e 
Sobre os deveres tratam de problemas éticos; Os tó-
picos e Os acadêmicos abordam questões lógicas; A 
natureza dos deuses, Sobre a arte adivinhatória e Sobre 
o destino são dedicados a temas da física.
Do ponto de vista da filosofia, essas são as principais 
obras escritas por Cícero no retiro forçado por César 
e vinham juntar-se a Sobre o orador, escrito em 55 
a.C., A República, redigida em 51 a.C., e Sobre as leis, 
provavelmente da mesma época.
Esse conjunto de obras desempenharia papel de pri-
meiro plano na história do pensamento porque fazia do 
latim um idioma filosófico. Pouco antes, Lucrécio tinha 
escrito o poema Sobre a natureza, mas a obra não foi 
publicada senão após a morte do poeta e, ao que tudo 
indica, sob os cuidados de Cícero.
Apesardesse valor histórico, as obras de Cícero não 
contêm um pensamento original, limitando-se a amal-
gamar diferentes teorias filosóficas gregas. Cícero foi 
um pensador eclético, discutindo os argumentos das 
diferentes doutrinas gregas correntes na época, sem 
vincular-se inteiramente a nenhuma.
Ele conheceu essas correntes quando, na juventu-
de, estudou em Atenas, antes de tornar-se famoso 
advogado e homem público. Foi discípulo e amigo de 
epicuristas, estoicos, peripatéticos e acadêmicos. De 
todos eles Cícero retirou algumas ideias e compôs uma 
síntese que, além da importância pela criação de um 
vocabulário filosófico latino, constitui fonte de estudo 
de boa parte do pensamento clássico.
No que diz respeito a suas próprias posições dou-
trinárias, Cícero, em teoria do conhecimento, opôs-se 
tanto ao ceticismo radical de Pirro de Elis (360-270 
a.C.) quanto ao dogmatismo extremado. Defendeu 
como critério de verdade o probabilismo do consenso 
universal, isto é, aquela posição que acha possível ao 
homem chegar a algum conhecimento das coisas, sem, 
no entanto, atingir a verdade absoluta. A verdade estaria 
naquilo que pode ser aceito por todos. As razões dessa 
posição são colocadas menos num plano puramente 
lógico do que no terreno das necessidades práticas do 
homem. Para Cícero, o problema do conhecimento não 
pode ser solucionado exclusivamente em sua estrutura 
interna. O homem necessita, todavia, de admitir como 
verdadeiras algumas noções sem as quais não é pos-
sível manter a coesão da sociedade.
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Em moral, Cícero aderiu às doutrinas estoicas sem, 
entretanto, aceitar todo o rigor da concepção segundo 
a qual o exercício da virtude basta-se a si mesmo e 
consiste na conformidade da conduta humana às leis 
racionais da natureza.
Aceita essas ideias, mas exige que tais normas se-
jam válidas pelo consenso universal. Esse consenso 
universal articula-se em torno de algumas ideias que 
dão fundamento à vida moral e social, principalmente 
a da existência de Deus e sua providência. Tais noções 
seriam comprovadas pela consciência natural dos ho-
mens e pela constatação de que na natureza os fenô-
menos organizam-se em torno de fins, os quais supõem 
a existência de um fim último de todas as coisas. Outra 
ideia com a mesma função de fundamentar a vida social 
e moral é a da essência espiritual e divina da alma e sua 
imortalidade. Essa ideia encontrar-se-ia confirmada na 
preocupação do homem com sua vida futura.
 Epicuro, Lucrécio, Cícero, 
Sêneca, Marco Aurélio.
São Paulo: Abril Cultural, 1985. 
(Coleção Os pensadores).
Destacado pensador que se tornou tutor do Imperador 
Nero, sendo, mais tarde, uma de suas vítimas.
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 Sêneca
Depois de Cícero ter iniciado a história da filosofia em 
língua latina, formulando sua síntese eclética, o movi-
mento de ideias mais importante do pensamento romano 
foi o desenvolvimento das doutrinas estoicas, também 
originárias da Grécia, como o epicurismo e o ecletismo.
A escola estoica foi fundada por Zenão de Cício (334-
264 a.C.) e continuada por Cleanto de Assos (331-232 a.C.) 
e Crisipo de Soles (280-210 a.C.). Posteriormente, a escola 
transformou-se, tendendo a uma posição eclética, com 
Panécio de Rodes (185-112 a.C.) e Possidônio de Apameia 
(135-51 a.C.). O primeiro representante do estoicismo 
romano, sem considerar as ideias estoicas presentes no 
ecletismo de Cícero, foi Lucius Annaeus Sêneca, nascido 
em Córdoba (Espanha), por volta do ano 4 a.C. Era filho do 
orador Annaeus Sêneca (55 a.C-39 d.C.) – conhecido como 
Sêneca, o Velho –, autor da obra Declamações. Sêneca, 
o Jovem, foi educado em Roma, onde estudou retórica 
ligada à filosofia. Em pouco tempo tornou-se um advo-
gado respeitado e ascendeu politicamente, tornando-se 
membro do Senado romano e depois nomeado questor 
(responsável pela cobrança de impostos).
Entre seus adversários, estava o imperador Calígula, que 
tinha intenção de assassiná-lo, mas o poupou por acre-
ditar que ele morreria precocemente em razão da saúde 
debilitada. Calígula acabou morrendo antes de Sêneca. 
A morte de Calígula, no entanto, não garantiu tranqui-
lidade a Sêneca. Em 41 d.C., foi acusado por Messalina, 
esposa do novo imperador, Cláudio César Germânico, de 
praticar adultério com Júlia Livila, irmã de Calígula e so-
brinha de Cláudio. Ambos acabaram sendo desterrados e 
Calígula passou oito anos na Córsega, vivendo na pobreza. 
Em 49 d.C., Messalina foi acusada de conspiração e 
condenada à morte. O imperador Cláudio então se casou 
com Agripina, prima de Messalina. A nova imperatriz 
mandou trazer Sêneca de volta do exílio para educar seu 
filho, Nero. Em 54 d.C., quando Nero se torna imperador, 
Sêneca passa a ser seu principal conselheiro. Esse perío-
do estende-se até 62 d.C., ano em que começa a perder 
sua influência sobre o despótico soberano. Sêneca deixou 
a vida pública e passou a ser perseguido por Nero, o que 
acabou por levá-lo ao suicídio, em 65 d.C.
As cartas morais de Sêneca, escritas entre os anos 63 
e 65 e dirigidas a Lucílio, misturam elementos epicuristas 
com ideias estoicas e contêm observações pessoais, 
reflexões sobre a literatura e crítica satírica dos vícios 
comuns na época. Entre seus doze Ensaios morais, 
destacam-se Sobre a clemência, cautelosa advertência 
a Nero sobre os perigos da tirania, Da brevidade da vida, 
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análise das frivolidades nas sociedades corruptas, e 
Sobre a tranquilidade da alma, que tem como assunto o 
problema da participação na vida pública. As questões 
naturais expõem a física estoica enquanto vinculada aos 
problemas éticos.
Além dessas obras propriamente filosóficas, Sêneca 
escreveu ainda nove tragédias e uma obra-prima da 
sátira latina, Apokolokintosis, que ridiculariza Cláudio e 
suas pretensões à divindade.
Em suas obras Sêneca teve um significativo interesse 
pela questão da moral e, assim, a filosofia era para ele 
um constructo da ação humana, cujo foco seria a com-
preensão dos males da alma do homem e sobretudo 
um meio pelo qual se alcançaria a virtude. O centro da 
reflexão filosófica deve ser, portanto, a ética; a física e a 
lógica devem ser consideradas seus prelúdios.
Sua concepção do mundo repete as ideias dos estoicos 
gregos sobre a estrutura puramente material da natureza. 
Contudo, a razão universal dos gregos Cleanto e Zenão, 
em Sêneca, transforma-se em um deus pessoal, que é 
sabedoria, previsão e vigilância, sempre em ação para 
governar o mundo e realizar uma ordem maravilhosa.
 Marco Aurélio
Marco Aurélio nasceu em 121, no seio de uma família 
aristocrática, e muito cedo perdeu os pais. Foi então 
adotado pelo tio, Aurélio Antonino. Aos 11 anos, Marco 
Aurélio conheceu o estoicismo e passou a adotar hábitos 
de vida austera. Depois dos anos de formação, passou a 
colaborar intimamente com o imperador, seu pai adotivo, 
ocupando o cargo de cônsul por três vezes. Em 161, 
Aurélio Antonino faleceu e Marco Aurélio foi nomeado 
seu sucessor.
O governo de Marco Aurélio – que se estendeu por qua-
se vinte anos, até sua morte em 180 – foi perturbado por 
guerras sangrentas e prolongadas, com as consequentes 
dificuldades internas. Além disso, Roma foi vítima de 
inundações, tremores de terra e incêndios. Marco Aurélio 
conseguiu enfrentar todas as dificuldades, tendo sido 
excelente guerreiro e administrador e, ao mesmo tempo, 
humanizando profundamente o exercício do poder. 
Foi um grande admirador de Epiteto (cerca de 50 d.C-
130 d.C), que pode ser considerado cronologicamente o 
segundo grande representante do estoicismo romano. 
Epiteto foi escravo durante muitos anos e, posteriormen-
te, professor de filosofia. Seu ensino foi recolhido pelo 
discípulo Ariano de Nicomeia em oito livros. Chegaram 
até a atualidade quatro livros inteiros e apenas alguns 
fragmentos dos restantes.
Nos poucos momentos que os encargos de governo 
permitiam, Marco Auréliorecolhia-se à meditação filosófi-
ca e escrevia seus pensamentos em língua grega, que lhe 
parecia a mais apta a exprimir inquietações intelectuais e 
morais profundas. As meditações (como posteriormente 
ficaram conhecidos aqueles pensamentos) são simples 
notas, apenas esboçadas.
O conteúdo das Meditações é a filosofia estoica, mas 
de um estoicismo bastante distante das doutrinas de 
Zenão, Cleanto e Crisipo. As especulações físicas e lógicas 
cedem lugar ao caráter prático dos romanos e ao acon-
selhamento moral. Em Marco Aurélio – como também 
nas Máximas de Epiteto – a questão central da filosofia 
é o problema de como se deve encarar a vida para que 
se possa viver bem. Esse problema assume a forma de 
intensa preocupação com o estado de sua própria alma, 
em virtude da natureza delicada e sensível do autor 
das Meditações, homem sobretudo religioso e pouco 
interessado na investigação científica. Por essa razão o 
estoicismo de Marco Aurélio frequentemente apresenta 
discrepâncias em relação a suas origens gregas. Marco 
Aurélio não chegou a ser um pensador original e não pro-
curou resolver as inconsistências de sua própria posição. 
Enquanto a ortodoxia estoica levava-o na direção de um 
credo materialista, seu sentimento religioso impelia-o 
no sentido da força moral e da benevolência. Por isso, 
as Meditações de Marco Aurélio expressam-se por meio 
de uma linguagem que, por um lado, parece pressupor a 
aceitação de um panteísmo puramente físico; por outro, 
abandona os dogmas da escola estoica para seguir os 
ditames do coração.
Por certo a verdadeira chave para a compreensão das 
oscilações de Marco Aurélio deve ser procurada menos 
em suas características psicológicas que nas circunstân-
cias históricas em que viveu. Observemos alguns excertos 
das Meditações (Marco Aurélio, 1964):
Não te atordoes; a cada impulso, pratica a justiça; a 
cada ideia, resguarda o intelecto. (Livro IV, p. 22)
Aos conselhos já ditos, acrescente-se mais um: deter-
minar e definir invariavelmente a imagem percebida, para 
vê-la qual é na sua essência, nua e por inteiro, distinta 
no seu todo, e dizer para consigo o nome que a designa, 
bem como o das partes que a compõe e em que se dis-
solverá. (Livro III, p. 11)
Nem todas as acepções se conhecem por aí dos termos 
furtar, semear, comprar, repousar, ver o que deve ser 
feito; isso não se faz com os olhos, mas com certa outra 
visão. (Livro III, p. 15)
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Se pecou, o mal é seu; quiçá não tenha pecado. (Livro IX, p. 38)
Trabalha não como um coitado, nem como quem quer inspirar dó ou ser admirado; deseja, sim, apenas uma coisa: 
andar e parar como determina a razão. (Livro IX, p. 12)
O Império Romano estava perdendo o antigo esplendor e a cultura clássica greco-latina mostrava os últimos sinais 
de vitalidade. Cada vez mais ganhava corpo uma nova concepção do mundo: o cristianismo.
Marco Aurélio expressa claramente essa etapa de transição. Nele, a autossuficiência do antigo estoicismo grego cede 
lugar à falta de confiança em si mesmo e à consciência das próprias imperfeições. Com isso, antecipa a virtude cristã 
da humildade e mais um passo apenas poderia levá-lo à concepção de um deus único e pessoal.
Estátua de bronze fundido por volta de 175 d.C., hoje preservada no Palazzo dei Conservatori, mas com uma cópia de 
mesmo tamanho na Piazza del Campidoglio, em Roma, tornou-se uma referência para as representações dos governantes 
como "vencedores e conquistadores" durante o Renascimento em diante.
 Resumo da ópera
Nesta aula tratamos de duas correntes de pensamento: o epicurismo (relacionado à busca dos prazeres) e o estoicismo 
(à busca das virtudes). Ambas foram formas de pensar que permearam o pensamento dos séculos finais da Antiguidade 
e depois foram reinterpretadas no período medieval, sendo o epicurismo condenado e o estoicismo cristianizado, influen-
ciando pensadores da Igreja posteriormente, em especial, com a discussão sobre a busca da virtude como guia moral.
Destacamos também o desenvolvimento da tradição retórica romana, na qual Cícero e Sêneca tiveram um papel 
central, influenciando a tradição ocidental em virtude de sua releitura durante a Idade Média e o Renascimento.
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EXERCÍCIO
1. (Enem) 
Alguns dos desejos são naturais e necessários; outros, naturais e não necessários; outros, nem naturais nem necessá-
rios, mas nascidos de vã opinião. Os desejos que não nos trazem dor se não satisfeitos não são necessários, mas o seu 
impulso pode ser facilmente desfeito, quando é difícil obter sua satisfação ou parecem geradores de dano.
EPICURO DE SAMOS. 
Doutrinas principais. 
In: SANSON, V. F. Rio de Janeiro: Eduff, 1974.
No fragmento da obra filosófica de Epicuro, o homem tem como fim
a) alcançar o prazer moderado e a felicidade.
b) valorizar os deveres e as obrigações sociais.
c) aceitar o sofrimento e o rigorismo da vida com resignação.
d) refletir sobre os valores e as normas dadas pela divindade.
e) defender a indiferença e a impossibilidade de se atingir o saber.
ESTUDO ORIENTADO
Caro(a) aluno(a),
Selecionamos, neste Estudo orientado, exercícios e textos que têm o objetivo de ajudá-lo(a) a se familiarizar com 
as correntes do epicurismo e do estoicismo, identificando os principais conceitos e as principais características relacio-
nados a essa corrente. Nesse processo, é importantíssimo não só a leitura e interpretação dos textos, mas também a 
elaboração de explicações em respostas dissertativas.
Os fragmentos escolhidos de Epicuro e Cícero reforçam a importância do contato direto com as fontes do discurso 
filosófico, as quais são usadas para a elaboração dos enunciados nos exames, portanto, isso se enquadra também no 
objetivo de desenvolver a habilidade de leitura e interpretação de texto.
Observe com atenção a seção Navegar sobre a famosa conspiração de Catilina contra a República romana.
Bons estudos! 
EXERCÍCIO
1. (UEM) O Período Helenístico inicia-se com a conquista macedônica das cidades-Estado gregas. As correntes filosófi-
cas desse período surgem como tentativas de remediar os sofrimentos da condição humana individual: o epicuris-
mo ensinando que o prazer é o sentido da vida; o estoicismo instruindo a suportar com a mesma firmeza de caráter 
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os acontecimentos bons ou maus; o ceticismo de 
Pirro orientando a suspender os julgamentos sobre 
os fenômenos.
Sobre essas correntes filosóficas, assinale o que for 
correto.
01) Os estoicos, acreditando na ideia de um cosmo 
harmonioso governado por uma razão universal, 
afirmaram que virtuoso e feliz é o homem que vive 
de acordo com a natureza e a razão.
02) Conforme a moral estoica, nossos juízos e pai-
xões dependem de nós, e a importância das coisas 
provém da opinião que delas temos.
04) Para o epicurismo, a felicidade é o prazer, mas o 
verdadeiro prazer é aquele proporcionado pela au-
sência de sofrimentos do corpo e de perturbações 
da alma.
08) Para Epicuro, não se deve temer a morte, por-
que nada é para nós enquanto vivemos e, quando 
ela nos sobrevém, somos nós que deixamos de ser.
16) O ceticismo de Pirro sustentou que, porque to-
das as opiniões são igualmente válidas e nossas 
sensações não são verdadeiras nem falsas, nada se 
deve afirmar com certeza absoluta, e da suspensão 
do juízo advêm a paz e a tranquilidade da alma.
2. (CESP/UnB) 
À noção de clemência, Sêneca contrapõe a miseri-
córdia: “enquanto a primeira define-se como abranda-
mento da pena merecida, a segunda é caracterizada 
pela partilha emocional na dor do condenado, com a 
exclusão total da pena”.
Comentário de Luiz Feracine. 
In: SÊNECA. A clemência. Col. Grandes Obras do 
Pensamento Universal. Vários autores: Escala, 2007. 
p. 22. 
Adaptado.
O filósofo romano Lucius Sêneca foi, sobretudo, um 
moralista. A filosofia é para ele uma arte da ação huma-
na, uma medicina dos males da alma e uma pedagogiaque forma os homens para o exercício da virtude.
Separata. 
In: SÊNECA. Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 
1977. p. 101. 
Adaptado. 
Considerando que os fragmentos de texto têm ca-
ráter unicamente motivador, explique sobre a prin-
cipal tendência filosófica de Sêneca, justificando 
sua importância para o Império Romano.
RODA DE LEITURA
Texto I
Todo desejo incômodo e inquieto se dissolve no amor 
da verdadeira filosofia.
Nunca se protele o filosofar quando se é jovem, nem 
canse o fazê-lo quando se é velho, pois que ninguém 
é jamais pouco maduro nem demasiado maduro para 
conquistar a saúde da alma. E quem diz que a hora de 
filosofar ainda não chegou ou já passou assemelha-se 
ao que diz que ainda não chegou ou já passou a hora 
de ser feliz.
Assim como realmente a medicina em nada benefi-
cia, se não liberta dos males do corpo, assim também 
sucede com a filosofia, se não liberta das paixões da 
alma.
Não pode afastar o temor que importa para aquilo 
a que damos maior importância quem não saiba qual 
é a natureza do universo e tenha a preocupação das 
fábulas míticas. Por isso não se podem gozar prazeres 
puros sem a ciência da natureza.
Antes de tudo, considerando a divindade incorruptível 
e bem-aventurada, não se lhe deve atribuir nada de 
incompatível com a imortalidade ou contrário à bem-
-aventurança.
Realmente não concordam com a bem-aventurança 
preocupações, cuidados, iras e benevolências.
O ser bem-aventurado e imortal não tem incômodos 
nem os produz aos outros, nem é possuído de iras ou 
de benevolências, pois é no fraco que se encontra 
qualquer coisa de natureza semelhante.
01 + 02 + 04 + 16 = 23
Sêneca foi tutor do imperador Nero e buscava nessa condição oferecer ao jovem príncipe, 
posteriormente imperador, exemplos de valores morais que pudessem consolidar seu 
caráter, pensando no comportamento deste enquanto imperador. A busca das virtudes 
para a condução da vida é uma preocupação presente na tradição estoica, à qual Sêneca 
está relacionado e a partir da qual, conduzia seus estudos e ensinamentos. 
Sêneca também se destacou como um grande orador, sendo que seus discursos ficaram 
famosos não só em sua época, mas constituíram as bases dos estudos de retórica no 
mundo latino, desde o período imperial até nossos dias.
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Habitua-te a pensar que a morte nada é para nós, 
visto que todo o mal e todo o bem se encontram na 
sensibilidade: e a morte é a privação da sensibilidade. 
É insensato aquele que diz temer a morte, não 
porque ela o aflija quando sobrevier, mas porque o 
aflige o prevê-la: o que não nos perturba quando está 
presente inutilmente nos perturba também enquanto 
o esperamos.
O limite da magnitude dos prazeres é o afastamento 
de toda a dor. E onde há prazer, enquanto existe, não 
há dor de corpo ou de espírito, ou de ambos.
A dor do corpo não é de duração contínua, mas a dor 
aguda dura pouco tempo, e aquilo que apenas supera 
o prazer da carne não permanece nela muitos dias. 
E as grandes enfermidades têm, para o corpo, mais 
abundante o prazer do que a dor.
O essencial para a nossa felicidade é a nossa condi-
ção íntima: e desta somos nós os amos.
Epicuro de Samos. 
A filosofia e o seu objetivo.
Texto II
[...]
V. Na verdade, não devemos ouvir os subterfúgios 
que empregam os que pretendem gozar facilmente 
de uma vida ociosa, embora digam que acarreta 
miséria e perigo auxiliar a República, rodeada de 
pessoas incapazes de realizar o bem, com as quais a 
comparação é humilhante, em cujo combate há risco, 
principalmente diante da multidão revoltada, pelo que 
não é prudente tomar as rédeas quando não se podem 
conter os ímpetos desordenados do populacho, nem é 
generoso expor-se, na luta com adversários impuros, a 
injúrias ou ultrajes que a sensatez não tolera; como se 
os homens de grande virtude, animosos e dotados de 
espírito vigoroso, pudessem ambicionar o poder com 
um objetivo mais legítimo que o de sacudir o jugo dos 
maus, evitando que estes despedacem a República, 
que um dia os homens honestos poderiam desejar, mas 
então inutilmente, erguer de suas ruínas.
VI. Quem pode demonstrar a isenção que nega ao sá-
bio toda participação dos negócios públicos, exceto nos 
casos em que o tempo ou a necessidade o obrigue? A 
quem pode sobrevir maior necessidade do que a mim, na 
qual nada teria podido fazer, mesmo não sendo cônsul? 
Como o poderia eu ter sido sem ter feito esta carreira 
desde a minha infância, pela qual teria de chegar, de 
cavaleiro, a esta suprema honra? Não está em nossas 
mãos servir à República quando a vontade o ordena e de 
improviso, mesmo quando ela corra grave risco, se não 
nos tivermos colocado antes em condições favoráveis. E, 
em geral, o que mais estranho nos discursos dos sábios 
é que os que negam ser possível governar uma nave 
num mar tranquilo, porque nunca procuraram saber 
fazê-lo, se julguem capazes de tomar o leme quando 
sobrevém a borrasca. Assim costumam falar e disso 
se gabam com não pouca frequência; esquecendo os 
meios de constituir solidamente um Estado, atribuem 
tal conhecimento não aos homens doutos e eminentes 
mas aos experimentados nessa modalidade de conhe-
cimento. Como poderão cumprir a promessa de auxiliar 
a República em transes difíceis, quando ignoram o que 
é mais fácil: governar o Estado em tempo de bonança? 
Realmente, os sábios não costumam, por vontade 
própria, descer aos negócios públicos, e nem sempre 
admitem esse encargo; mas também julgo perigoso 
descuidar arbitrariamente o conhecimento dos negócios 
públicos sem se preparar para qualquer eventualidade 
e desconhecendo o que pode ocorrer.
Marco Túlio Cícero. 
Da República.
NAVEGAR
 Livros
FUNARI, Pedro Paulo. Grécia 
e Roma. 4. ed. São Paulo: Con-
texto, 2006.
Trata-se de uma síntese dos 
principais elementos do mundo 
grego e romano, passando pela 
organização socioeconômica e 
cultural, dando ao leitor uma visão 
panorâmica dessas civilizações.
GUARINELLO, Norberto Luiz. 
Imperialismo greco-romano. 3. 
ed. São Paulo: Ática, 1994.
Em um texto muito objetivo e 
conciso, o historiador descreve 
o conceito de imperialismo e o 
aplica ao universo greco-romano, 
analisando a formação, ascensão 
e decadência dos dois impérios.
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 As disputas pelo poder na República romana.
Nesta obra de Cesare Maccari, observamos a representação de um célebre momento da história da República romana, 
quando Cícero confronta perante o Senado o cônsul Lúcio Sérgio Catilina, que articulara um golpe contra a República, 
envolvendo a tentativa de assassinato de dois outros cônsules e do próprio Cícero. Ao desmascarar Catilina, tornou-
-se célebre a fala de Cícero: “Qvosque tandem abvtere, Catilina, patientia nostra?” que significa “Até quando, Catilina, 
abusarás de nossa paciência?”.
Cícero encontra-se ao centro, contando com a plena atenção dos senadores, enquanto Catilina está no canto à direita 
do espectador, acoado e cabisbaixo. Esse afresco é uma representação do episódio feita em 1889 por Cesare Maccari, 
no Palazzo Madama, que é a sede do Senado da Itália. O retrato de Cícero em discurso, defendendo a República romana, 
buscava na história a legitimação do poder da Itália, recém-unificada em 1870.
ÁGORA
Desde o golpe de 1889, o Brasil se tornou uma República e desde então vivenciamos diferentes situações políticas e 
sociais que oscilaram entre o autoritarismo e a maior liberdade da vontade coletiva em prol do “bem comum”, que é 
o significado de “Res publica” em latim. No entanto, o exercício da cidadania tem esbarrado nas tensões entre os inte-
resses privados e os públicos e como tanto a sociedade brasileira como seus representantes nas esferas do governo 
(Municipal, Estadual e Federal) têm exercido seus papéis e suas responsabilidades.
Atividade: discussão sobre a República no Brasil contemporâneo.
Objetivos: 
Identificar as características de funcionamentoos mais temíveis, detestava-os o pai
dês o começo: tão logo cada um deles nascia
a todos ocultava, à luz não os permitindo,
na cova da Terra. Alegrava-se na maligna obra
o Céu. Por dentro gemia a Terra prodigiosa
atulhada, e urdiu1 dolosa e maligna arte.
Disse com ousadia, ofendida no coração:
“Filhos meus e do pai estólido2, se quiserdes
ter-me fé, puniremos o maligno ultraje de vosso
pai, pois ele tramou antes obras indignas”. 
Assim falou e a todos reteve o terror, ninguém
vozeou. Ousado o grande Cronos de curvo pensar
devolveu logo as palavras à mãe cuidadosa:
“Mãe, isto eu prometo e cumprirei
a obra, porque nefando não me importa o nosso
pai, pois ele tramou antes obras indignas”.
Assim falou. Exultou nas entranhas da Terra prodigiosa,
colocou-o oculto em tocaia, pôs-lhe nas mãos
a foice dentada e inculcou-lhe todo o ardil.3
Veio com a noite o grande Céu, ao redor da Terra
desejando amor sobrepairou e estendeu-se
a tudo. Da tocaia o filho alcançou com a mão
esquerda, com a destra pegou a prodigiosa foice
longa e dentada. E do pai o pênis
ceifou com ímpeto e lançou-o a esmo
para trás.
HESÍODO. 
Teogonia: a origem dos deuses, versos 155-182. 
Edição bilíngue greco-portuguesa 
traduzida por Jaa Torrano. 
São Paulo: Iluminuras, 2006, p. 111.
Hesíodo, poeta do século VIII a.C., nos oferece uma pre-
ciosa visão do pensamento mitológico, apresentando a 
tensa dinâmica existente entre os deuses, os quais muitas 
vezes, envolveriam direta ou indiretamente os homens 
para a saciedade de seus desejos, enquanto os homens 
por seu turno, buscavam os favores e proteção divinos, 
por meio de sacrifícios, rituais e festas, responsáveis pela 
1. Teceu. 
2. Estúpido. 
3. Plano engenhoso. 
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construção de um modo de pensar e lidar com o sagrado que estaria diretamente presente e ativo no cotidiano humano.
O embate entre a tradição mitológica e o pensamento científico significou uma quebra de paradigma (do grego pará-
deigma, "modelo"): as ações humanas e os fenômenos naturais deveriam ser compreendidos de modo racional, portanto 
pelo uso do logos, a razão. Assim, as superstições seriam abandonadas e é justamente neste sentido que Platão fala do 
filósofo como “contemplador da verdade”, ponto de partida para a melhor leitura e compreensão do mundo.
Uma pessoa comum da Hélade, o mundo grego antigo, se presenciasse um terremoto que causasse destruição, mortes 
e muitas perdas, diria que Poseidon, deus dos oceanos conhecido como “Treme Terras”, estaria irado, e a melhor solução 
seria um grande sacrifício, oferecendo sangue de um touro no templo. Já o filósofo se colocaria a perguntar: Por que a 
terra tremeu? Quanto tempo durou? O que há debaixo da terra? 
Dessa forma, a Filosofia se coloca como portadora de um conjunto de procedimentos (observação de um problema, 
questionamento, análise e proposição de uma explicação) construídos a partir do uso das ideias, abrindo assim o es-
paço necessário para o que se entenderia mais tarde como metodologia científica. O método (do grego méthodos, que 
significa "caminho", "percurso") é justamente o conjunto de procedimentos mais adequado para o desenvolvimento 
do raciocínio e daí se construirá o conhecimento, não por simples reprodução de lendas que, de geração em geração, 
reproduziam uma dimensão limitada e imprecisa sobre o mundo; portanto, as noções de conhecimento e do sagrado 
estavam se separando. 
 Cronologia
Filosofia 
antiga
Filosofia 
medieval
Filosofia 
renascentista
Filosofia 
moderna
Filosofia 
iluminista
Filosofia 
contemporânea
VII a.C. - V VII ao XIV XIV - XVI XVII - XVIII XVIII - XIX XIX - XX
Magna Grécia
Moeda
Escrita
Pólis
República 
romana
Império Romano
Filosofia cristã
Teocentrismo
Padres da 
Igreja
Neoplatonismo
Feudalismo
Escolástica
Antropocentrismo
Grandes Navegações
Colonização do 
“Novo Mundo”
Absolutismo
Racionalismo
Empirismo
Mercantilismo
Revoluções 
inglesas
Racionalismo
“Era das 
Revoluções”
EUA (1776)
França (1789)
Independência 
das Américas
Capitalismo 
industrial
Imperialismo
Primeira Guerra 
(1914-1918)
Revolução Russa
Fascismos
Segunda Guerra 
(1939-1945)
Guerra Fria
Nova Ordem 
Mundial
Tales
Anaximandro
Anaxímenes
Parmênides
Sofistas
Sócrates 
Platão
Aristóteles
Epicuro
Cícero
Sêneca
Marco Aurélio
Agostinho
Plotino
Basílio Magno
Ibn Sina
Ibn Roshd
Abelardo
Tomás de 
Aquino
Roger Bacon
Guilherme de 
Ockham
Maquiavel
Erasmo de 
Rotterdam
Thomas Morus
Campanella
Jean Bodin
Montaigne
Berkeley
Descartes
Francis Bacon
Hobbes
Pascal
Locke
Espinosa
Leibniz 
Hume
Rousseau
Voltaire
Diderot
Montesquieu
Kant
Hegel
Marx
Schopenhauer
Nietzsche 
Sartre
Heidegger
Russell
Foucault
Derrida
Deleuze
Habermas
O quadro acima, na condição de síntese, oferece apenas alguns nomes, distribuídos ao longo do tempo, mostrando os 
diferentes pensadores que conduziram as discussões da Antiguidade aos nossos dias sobre a Filosofia e seu papel na 
sociedade. Uma grande lista, com idas e vindas, apresentando questionamentos, conceitos, definições, metodologias e 
proposições que colocavam o ser humano e o conhecimento produzido no centro do debate e, para cada época e autor, 
 POLISABER 5
 aula zero FILOSOFIA
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existe um imenso acúmulo de saberes, os quais buscare-
mos debater ao longo de nossas aulas para aprofundar 
os estudos filosóficos, não apenas com o único fim de 
conduzi-lo à Universidade, mas para que você vivencie 
a Filosofia de modo intenso e questione a sua relação 
com o mundo.
Instrumentos conceituais
Quando discutimos um tema na Filosofia, geralmente 
partimos de alguma pergunta: “O que é?”, “Como é?”, 
“Por que é assim e não diferente?” etc. Existem várias 
perguntas e várias possibilidades de respostas, e tudo 
depende de como o questionamento e as relações feitas 
entre as perguntas e respostas conduzem a discussão, 
que não significa “briga” como no senso comum. A troca 
de ideias é a base para o pensamento filosófico e, nesse 
processo, é prioritário estar aberto para as contradições.
A epígrafe desta aula é uma citação do livro A Repú-
blica, de Platão, na qual Sócrates define o filósofo como 
o “contemplador da verdade”; porém, cabe, para come-
çarmos nossa conversa, a seguinte pergunta: O que é a 
verdade para a Filosofia?
Se perguntarmos o que é a verdade entre nossos 
familiares, amigos, colegas de trabalho ou a qualquer 
outra pessoa, teremos uma chuva de respostas, as mais 
diversas possíveis. A verdade pode ser tomada como o 
oposto da mentira ou como a fidelidade no relato de um 
acontecimento; portanto, se eu alterando as informações 
sobre um acontecimento, escondendo (omissão) ou alte-
rando o relato do evento (fraude), estou mentindo, logo, 
faltando com a verdade. Ao recebermos determinada 
notícia, tomados pela surpresa, geralmente perguntamos: 
“Isso é verdade, mesmo? Tem certeza?”. Neste caso, a 
verdade se relaciona com a ideia que temos da realidade, 
em oposição à fantasia.
O termo grego para a "verdade" era aletheia, que sig-
nifica “aquilo que não pode ser encoberto, escondido”. 
Daí vieram as representações artísticas que mostram a 
personificação da verdade como uma mulher nua e a 
expressão popular “a verdade nua e crua”. Essa também 
era a ideia de verdade para os romanos, que usavam a 
palavra veritas, da qual as línguas latinas verteram uma 
grande família (no italiano, veritá; no francês, verité; no 
espanhol, verdad; no português, verdade) e originaram 
termos como "verossimilhança", "veracidade", "verifica-
ção", "veredito" e sua imediata relação com “precisão", 
"exatidão", "evidência" e "realidade”.
O anseio em buscar a verdade, no contexto de nossa 
experiência de vida, percorre os caminhos mais variados: 
na educação que recebemos, falar a verdade é um valor 
muito importante, porém, percebemos que isso tem con-
sequências, porque não são todas as pessoas que estão 
preparadas para “lidar com a verdade”. Exemplo simples: 
um casal conversa sobre um parente, apontando proble-
mas destado governo republicano.
Apresentar os problemas existentes no exercício da vida pública; proposição de alternativas para a resolução dos 
problemas.
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 aula 4 FILOSOFIA
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Na realidade não chego a aprender tudo o que sou. Mas então o espírito é limitado demais para 
compreender-se a si mesmo? E onde está aquilo que ele não aprende de si mesmo?
Confissões (X, 8), de Santo Agostinho.
S E N H A
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A primeira se glorifica em si mesma; a segunda se glorifica no Senhor. A primeira está dominada pela ambição do domí-
nio de seus príncipes ou as nações que submetem; a segunda utiliza mutuamente a caridade dos superiores mandando 
e os súditos obedecendo.
A Cidade de Deus (XIV, 28), de Santo Agostinho.
Filosofia medieval (Santo Agostinho/ São Tomás) 
A transição do mundo pagão para o mundo cristão
A passagem entre os séculos IV e V foi um período de transição em todos os sentidos, pois os desdobramen-
tos da divisão do Império em 395 e as ondas de invasões de tribos que assolaram diferentes partes dos domínios 
romanos foram decisivos para a transformação do chamado mundo romano para aquilo que depois foi denominado 
mundo feudal.
Nesse período, alguns pensadores concorreram para a organização da doutrina cristã, como Ambrósio de Milão (374-
397), Agostinho de Hipona (395-430) e Eusébio Sofrônio Jerônimo (342-420), que ficou conhecido como são Jerônimo, 
os quais foram depois, com outros autores, chamados de “Pais da Igreja”, pois seus textos fundamentaram a doutrina 
cristã e serviram de referência para a construção do cristianismo como conhecemos hoje. Ambrósio era filho de uma 
abastada família romana e dotado de uma erudição exemplar; ingressou na vida religiosa e, por sua capacidade ímpar 
no exercício da oratória, passou rapidamente de diácono (auxiliar que ainda não fez os votos de compromisso, mas 
colabora com as atividades cotidianas da igreja) a bispo de Milão, no ano de 374. Agostinho também vinha de família 
abastada, e sua conversão à fé cristã deveu-se à influência dos sermões de Ambrósio, o qual conheceu pessoalmente 
e que, mais tarde, foi uma de suas referências para A Cidade de Deus, escrita em 410. Agostinho foi influenciado ainda 
por Jerônimo, que, a partir de 384, traduziu o texto bíblico para o latim, versão que ficou conhecida como Vulgata e foi 
a principal referência dos cristãos por vários séculos.
Nesse contexto de múltiplas transformações, a cultura greco-romana foi gradativamente assimilada pelo mundo 
cristão, de acordo com os interesses da Igreja: em 394, foram proibidos os Jogos Olímpicos, que não só eram uma cele-
bração em honra dos deuses greco-romanos como serviam de referência temporal. Por isso, o Império passou a adotar 
o calendário cristão, tendo o ano do nascimento de Jesus como marco central: a datação anterior seria decrescente (o 
período antes de Cristo seria indicado por a.C.) e a posterior, crescente (acompanhada de d.C. ou A.D. – em latim, Anno 
Domini, Ano do Senhor).
Em outra perspectiva, veremos a releitura da tradição filosófica greco-romana absorvida pelos primeiros autores cris-
tãos como Agostinho, que interpretou Platão na perspectiva cristã, abrindo caminho para conceitos importantes como 
a predestinação, pela qual Deus escolhe o destino dos homens, mostrando quem teria a alma salva ou condenada pela 
eternidade. Essas leituras de Platão tiveram grande influência e resultaram no pensamento neoplatônico que predominaria 
FILOSOFIA – AULA 5
Dois amores deram origem a duas cidades: o amor a si 
mesmo até o desprezo de Deus, a terrena; e o amor de 
Deus até o menosprezo de si, a celestial. 
A Cidade de Deus (XIV, 28), de Santo Agostinho.TH
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na Igreja até meados do século XIII e, além disso, acabou sendo um ponto primordial para os questionamentos teológicos 
do século XVI, durante a Reforma.
"É muito mais fácil o oceano todo ser transferido para este buraco do que compreender-se o mistério da Santíssima 
Trindade". E a criança desapareceu...
 Santo Agostinho
Aurélio Agostinho, bispo de Hipona, nasceu em Tagaste, hoje Souk-Ahras, na Argélia, e é um dos mais importantes ini-
ciadores da tradição platônica no surgimento da filosofia cristã, sendo um dos principais responsáveis pela síntese entre 
o pensamento filosófico clássico e o cristianismo. Estudou em Cartago, depois em Roma e Milão, tendo sido professor 
de retórica. Reconverteu-se ao cristianismo, que fora a religião de sua infância, em 386 d.C., após ter passado pelo ma-
niqueísmo e pelo ceticismo. Regressou, então, à África (388 d.C.), fundando uma comunidade religiosa. Suas obras mais 
conhecidas são As confissões, publicada em 400 d.C., de caráter autobiográfico, e A Cidade de Deus, composta entre 
412 d.C. e 427 d.C. Santo Agostinho sofreu grande influência do pensamento grego, sobretudo da tradição platônica, por 
meio da escola de Alexandria e do neoplatonismo, com sua interpretação espiritualista de Platão.
Sua filosofia tem como preocupação central a relação entre a fé e a razão, mostrando que sem a fé a razão é incapaz 
de promover a salvação do homem e de trazer-lhe felicidade. A razão funciona como auxiliar da fé, permitindo esclare-
cer, tornar inteligível aquilo que a fé revela de forma intuitiva. Esse é o sentido da célebre fórmula agostiniana Credo ut 
intelligam (Creio para que possa entender).
Na obra A Cidade de Deus, Santo Agostinho interpreta a história da humanidade como conflito entre a Cidade de 
Deus, inspirada no amor a Deus e nos valores cristãos, e a Cidade Humana, baseada exclusivamente nos fins e inte-
resses mundanos e imediatistas. Ao final do processo histórico, a Cidade de Deus deveria triunfar. Em razão desse tipo 
de análise, Santo Agostinho é considerado um dos primeiros filósofos da história, um precursor da formulação dos 
conceitos de historicidade e de tempo histórico. A influência do pensamento agostiniano foi decisiva na formação e no 
desenvolvimento da filosofia cristã no período medieval, sobretudo na linha do platonismo.
A temática platônica encontrada na obra de Agostinho é a ideia de que o reino terreno é muito inferior quando com-
parado ao reino divino, sendo uma referência à doutrina de Plotino (205-270), que em seus estudos metafísicos diz que 
todo o Ser é causado pelo Uno, que equivaleria a Deus, ao Bem e à Beleza, conectando-se com a República de Platão, 
quando este cita a “Ideia do Bem”.
Ao se analisar a proposição de Plotino sobre o Uno, este se apresenta dotado de simplicidade, indivisibilidade e despro-
vido de atributos e além de qualquer Ser. Talvez haja aqui uma conexão com Parmênides (515-440 a.C.), mas Plotino não 
consegue expor como a multiplicidade do Universo seria oriunda de algo tão simples, enquanto Parmênides dedicou-se 
a explicar a origem da multiplicidade.
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Plotino diz que o universo se origina do Uno distan-
ciando-se da perfeição deste por necessidade, derivado 
de um processo de emanação de princípios organizados 
hierarquicamente: cada um menos perfeito que o anterior 
e tudo isso sendo derivado do Uno. 
Destacam-se como mais importantes: Noûs (Intelecto 
ou Pensamento), Mundo-Alma e o mundo material. Pode-
mos dizer que as ideias de Plotino sobre a emanação são 
motivadas por um compromisso com a ideia pré-socrática 
de que o complexo deve ser explicado em termos simples 
e também pela ideia de que os fenômenos contingentes 
devem em última instância ser explicados em termos 
de algo que em si não exige explicação. Assim, no fim 
ele tem uma concepção do Uno absolutamente simples, 
autocausado e causa de tudo o mais no Universo.
Santo Agostinho, especialmente nas suas obras mais 
antigas, aceita em grande parte a concepção plotiniana 
da realidade. Em particular, ele considera Deusa fonte 
e a origem dos vários estágios de pluralidade e multipli-
cidade que existem abaixo d’Ele. Plotino iguala Deus ao 
Ser, à Verdade e à Bondade, e enfatiza o contraste entre 
o mundo inteligível da verdade espiritual e o mundo 
sensível dos objetos materiais.
Esse contraste entre os reinos inteligível e sensível per-
mite a Santo Agostinho afirmar que, se voltarmos os olhos 
para o mundo inteligível, para Deus, por outras palavras, e 
deixarmos ser seduzidos pelo brilho do mundo material, 
então encontraremos a Verdade eterna, fixa e o consolo 
para os problemas da vida cotidiana. Essa ideia encontra 
nas Confissões sua expressão mais poética na famosa 
experiência mística que ele compartilhara em Óstia (porto 
marítimo próximo de Roma) com sua mãe Mônica:
[...] gradualmente nós passamos por todos os níveis 
de objetos corporais e até pelo próprio céu, onde o Sol, 
a Lua e as estrelas brilham sobre a Terra. Na verdade, 
nós nos elevamos ainda mais por uma meditação 
interior, falando e nos maravilhando com tuas obras.
E por fim chegamos à nossa própria mente e fomos 
além dela, para podermos subir tão alto quanto aquela 
região de abundância inesgotável onde alimentaste 
Israel para sempre com o alimento da verdade, onde a 
vida é essa Sabedoria pela qual as coisas são feitas, as 
que foram e as que serão. A Sabedoria não é feita, mas 
é como sempre foi e será para sempre [...] 
Agostinho, 1999.
O livre-arbítrio e a origem do Mal 
No entanto, existem aspectos da visão de Plotino que 
Santo Agostinho não aceitou, principalmente a insistência 
da natureza voluntária da atividade divina, pois entendia 
que Deus estava ativo no desenvolvimento do Universo. 
Além das observações sobre o Ser e o Uno, Santo Agos-
tinho desenvolveu um importante estudo sobre a questão 
do livre-arbítrio, buscando compreender a origem do Mal 
e o não envolvimento de Deus com a existência deste.
Sendo os humanos seres dotados de racionalidade, 
esta última possibilita o livre-arbítrio e, assim, podem 
optar entre o bem e o mal, portanto, podem agir bem 
ou agir mal, logo o Mal não é uma criação de Deus, e 
sim a ausência de algo: se alguém rouba algo, falta-lhe 
honestidade; se alguém mente faltou com a verdade; se 
uma pessoa é muito vaidosa, faltou-lhe humildade etc.
A liberdade de escolha está condicionada ao uso da 
Razão, que permite a tomada de uma boa ou má decisão. 
E na análise do “Pecado Original”, a mesma faculdade que 
permitia Adão e Eva serem obedientes a Deus permitiu 
a desobediência e daí a “Queda” e, por conseguinte, a 
condenação da Humanidade, implicando uma responsabi-
lidade pesada ao casal primordial que cedera à tentação. 
Afinal, se a oferta da serpente tivesse sido recusada, 
a obediência a Deus teria sido fortalecida ao invés da 
ousadia e desrespeito que provocaram a expulsão do 
Paraíso. Desse modo, Santo Agostinho apresenta o papel 
da consciência moral na condição humana ao pensar o 
exercício do livre-arbítrio.
Com a ascensão do cristianismo à condição de religião 
do Império Romano, os pensadores que fundamentaram 
a doutrina cristã ficaram conhecidos como os “Pais da 
Igreja”, de onde vem a Patrística, dividida em grega e 
latina, representando a produção intelectual da base 
da Igreja Cristã: Clemente (35-100), Justino (100-165), 
Orígenes (185-254), Basílio Magno (330-379), Santo Am-
brósio (340-397), são João Crisóstomo (347-407), Santo 
Agostinho (354-430), Gregório Magno (540-604) e Isidoro 
de Sevilha (560-636).
Assim, a filosofia patrística se constituiu na apropriação 
dos diferentes saberes e métodos desenvolvidos no uni-
verso greco-romano para a elaboração dos fundamentos 
teológicos do cristianismo: os dogmas, as verdades ab-
solutas inquestionáveis reveladas por Deus. Aí se esta-
beleceu uma distinção entre as verdades humanas ou da 
razão e as verdades sobrenaturais oriundas da revelação 
da fé, portanto, a primeira serve a segunda.
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Tendo Deus e os evangelistas sobre sua cabeça, cercado 
por Platão e Aristóteles, e o muçulmano Averroés sob 
seus pés, Tomás de Aquino é exaltado como "Doutor da 
Igreja".
 São Tomás de Aquino
Nasceu na Itália, de família nobre, e entrou cedo para a 
Ordem dos Dominicanos. Percorreu toda a Europa medie-
val. Depois dos estudos em Nápoles, Paris e Colônia (onde 
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teve por mestre Alberto Magno), ensinou em Paris e nos 
Estados Papais. Morreu quando se dirigia ao Concílio de 
Lyon. Sua extensa obra compreende duas Sumas, a Suma 
contra os gentios e a Suma teológica, vários tratados e 
comentários sobre Aristóteles, a Bíblia, Boécio etc.
O pensamento de São Tomás está profundamente 
ligado ao de Aristóteles, que ele, por assim dizer, “cristia-
niza”. Seu papel principal foi o de organizar as verdades 
da religião e de harmonizá-las com a síntese filosófica de 
Aristóteles, demonstrando que não há ponto de conflito 
entre fé e razão. 
São Tomás mostra que há, em Aristóteles, uma filosofia 
verdadeiramente autônoma e independente do dogma, 
mas em harmonia com ele. Assim, São Tomás introduz 
no teísmo cristão o rigor do naturalismo peripatético. 
Porém, distingue o Estado e a Igreja, o direito e a moral, 
a filosofia e a teologia, a natureza e o sobrenatural. “A 
última felicidade do homem não se encontra nos bens 
exteriores, nem nos bens do corpo, nem nos da alma: 
só pode ser encontrada na contemplação da verdade” 
(Gilson, 1960, p. 125).
São Tomás reconheceu, assim como seu mestre Alberto 
Magno, que aqueles argumentos eram persuasivos e, 
assim, teve de descobrir um jeito de conciliar filosofia e 
fé. Segundo o papa Leão XIII (1878-1903): “Distinguindo 
claramente razão da fé, como deve ser, e ao mesmo 
tempo, reunindo-as numa harmonia de amizade, ele 
protegeu os direitos de cada uma delas e cuidou da 
dignidade de ambas”.
Ao tomar emprestado de Aristóteles a alegação de que 
em qualquer disciplina é preciso reconhecer a diferença 
entre o suposto e o provado, Tomás de Aquino abriu um 
importante espaço na discussão teológica, tendo a dis-
cussão sobre a existência de Deus, assim, sua teoria do 
conhecimento pretendia ser, ao mesmo tempo, universal 
(estende-se a todos os conhecimentos) e crítica (determi-
na os limites e as condições do conhecimento humano). 
O conhecimento verdadeiro seria uma “adequação da 
inteligência à coisa”. Retomando a física e a metafísica 
de Aristóteles, estabelece as cinco “vias” que nos condu-
zem a afirmar racionalmente a existência de Deus: com 
base nos efeitos, afirmamos a causa. Estabelece sua 
concepção de natureza como ordem do mundo, ordem 
decifrável das coisas e que permite fixar fins particulares 
a cada uma delas. Deus é a causa de tudo, mas não age 
diretamente nos fatos da criação. Ele instaurou um sis-
tema de leis, causas segundas, ordenando cada um dos 
domínios naturais segundo sua especificidade própria. 
Deus é o primeiro motor imóvel, é a primeira causa efi-
ciente, é o único Ser necessário, é o Ser absoluto, o Ser 
cuja Providência governa o mundo.
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A Suma teológica
Combinando a filosofia de Aristóteles com a doutrina 
católica, e unindo para sempre a fé e a razão, a Suma 
teológica é um livro obrigatório para qualquer estudan-
te de filosofia. São cinco volumes inacabados, escritos 
entre 1265 e 1273, sendo que no primeiro volume estão 
as famosas cinco provas da existência de Deus por São 
Tomás. Ele afirma que a existência de Deus não é evidente 
por si mesma, mas existem dois tipos de demonstração: 
uma pela causa e outra pelos efeitos. Sempre que um 
efeito é mais manifesto que sua causa, recorremos a ele 
a fim de conhecer a causa. Por qualquer efeito podemos 
demonstrar a existência de sua causa, porque os efeitos 
dependem da causa e, estabelecida a existência do efeito, 
necessariamente temos a preexistência de sua causa. 
Então, se a existência de Deus não é evidente para nós, 
pode ser demonstrada pelos efeitos por nós conhecidos.Assim, pelas obras de Deus, pode-se demonstrar sua 
existência, ainda que por elas não possamos conhecê-lo 
quanto à sua essência.
São Tomás nega que possamos ver a essência de Deus 
pois Santo Agostinho diz que “ninguém jamais viu a Deus, 
nem nesta vida, tal como Ele é, nem na vida angélica, 
como os olhos do corpo veem as coisas visíveis. E nem um 
intelecto criado porque o conhecimento de todo aquele 
que conhece é segundo o modo de sua natureza. Santo 
Agostinho escreveu: “os objetos sublimes das ciências 
não podem ser vistos se não são iluminados por seu Sol”, 
isto é, por Deus. Não é necessário para ver algo intelec-
tualmente ver a essência de Deus. Porém, nesta vida 
podemos conhecer a Deus pela razão natural. O homem 
não pode, a partir do conhecimento das coisas sensíveis, 
conhecer todo o poder de Deus, nem ver sua essência. 
No entanto podemos conhecer a Deus se É, e conhecer 
aquilo que é necessário que lhe convenha como à causa 
primeira universal.
Filosofia islâmica
O processo de expansão do Islã resultou na articula-
ção entre a árabe e as mais variadas culturas, tanto no 
Ocidente como Oriente, favorecendo o intercâmbio dos 
mais diversos saberes. Além da manutenção de rotas 
comerciais, a dominação de diferentes povos permitiu aos 
árabes um amplo fluxo de contato e circulação, seja das 
mercadorias e metais preciosos, seja do conhecimento 
que hoje também integra a chamada cultura ocidental: 
em matemática (desenvolvimento da aritmética, da 
álgebra e da trigonometria, além do que os gregos já 
conheciam, e a adoção dos algarismos hindus, depois 
denominados arábicos); em química (foram os primeiros 
a descrever os processos de filtração, destilação e su-
blimação, como também a descobrir várias substâncias 
como o álcool, o ácido sulfúrico, o salitre e o alume); na 
medicina (estudaram o diagnóstico do sarampo e da 
varíola, bem como doenças cuja contaminação provém 
da água e do solo); e na astronomia (conheciam o uso 
da bússola, inventada pelos chineses, além do uso do 
sextante e do astrolábio para a navegação, orientando-
-se pelas estrelas, e ainda participaram da construção de 
observatórios astronômicos).
A produção de conhecimento entre os árabes estava 
ligada às Casas do Saber (Bayt al-hikma), com estrutura 
semelhante à das universidades ocidentais, destacando-
-se as das cidades de Bagdá, Cairo, Damasco, Isfahan e 
Córdoba (Al-Andalus), onde se estudava medicina, teo-
logia, direito, matemática e filosofia. 
Entre os intelectuais árabes, destacam-se o médico 
Ibn Sina (Avicena, 980-1037), que vivera na Pérsia e cujos 
estudos sobre a anatomia humana (princípio de medicina) 
foram referência no Ocidente até o século XVII; o filósofo 
Ibn Rushd (Averróes, 1126-1198), nascido no Al-Andalus, 
que foi um dos grandes estudiosos de Aristóteles, res-
ponsável pela tradução e introdução de vários textos no 
Ocidente, fator importante para o chamado renascimento 
cultural dos séculos XV e XVI, demonstrando que a cul-
tura greco-romana não foi preservada exclusivamente 
pela Igreja Católica Romana e Ortodoxa, mas outros 
componentes colaboraram para seu reflorescimento na 
Europa ocidental – nesse caso, os árabes tiveram um 
papel significativo.
Na literatura, encontramos o ciclo de histórias co-
nhecido como As mil e uma noites, cuja origem está na 
tradição popular e oral, depois registrada em árabe, entre 
os séculos X e XII, sendo posteriormente copiadas em di-
ferentes manuscritos, espalhados entre o norte da África 
e o Oriente próximo, e ainda traduzidas para as línguas 
ocidentais no século XVIII, embora sem a preocupação 
de manter as características originais, gerando uma va-
riante de texto que não corresponde aos textos árabes 
mais antigos. Essa “adaptação” se deveu ao pensamento 
“moralizador” europeu, interessado em falar sobre a cul-
tura oriental, mas despida de seus “vícios”; além disso, 
acrescentaram-se personagens antes inexistentes como 
Aladim, o marujo Simbá e Ali Babá. 
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que hoje também integra a chamada cultura ocidental: 
em matemática (desenvolvimento da aritmética, da 
álgebra e da trigonometria, além do que os gregos já 
conheciam, e a adoção dos algarismos hindus, depois 
denominados arábicos); em química (foram os primeiros 
a descrever os processos de filtração, destilação e su-
blimação, como também a descobrir várias substâncias 
como o álcool, o ácido sulfúrico, o salitre e o alume); na 
medicina (estudaram o diagnóstico do sarampo e da 
varíola, bem como doenças cuja contaminação provém 
da água e do solo); e na astronomia (conheciam o uso 
da bússola, inventada pelos chineses, além do uso do 
sextante e do astrolábio para a navegação, orientando-
-se pelas estrelas, e ainda participaram da construção de 
observatórios astronômicos).
A produção de conhecimento entre os árabes estava 
ligada às Casas do Saber (Bayt al-hikma), com estrutura 
semelhante à das universidades ocidentais, destacando-
-se as das cidades de Bagdá, Cairo, Damasco, Isfahan e 
Córdoba (Al-Andalus), onde se estudava medicina, teo-
logia, direito, matemática e filosofia. 
Entre os intelectuais árabes, destacam-se o médico 
Ibn Sina (Avicena, 980-1037), que vivera na Pérsia e cujos 
estudos sobre a anatomia humana (princípio de medicina) 
foram referência no Ocidente até o século XVII; o filósofo 
Ibn Rushd (Averróes, 1126-1198), nascido no Al-Andalus, 
que foi um dos grandes estudiosos de Aristóteles, res-
ponsável pela tradução e introdução de vários textos no 
Ocidente, fator importante para o chamado renascimento 
cultural dos séculos XV e XVI, demonstrando que a cul-
tura greco-romana não foi preservada exclusivamente 
pela Igreja Católica Romana e Ortodoxa, mas outros 
componentes colaboraram para seu reflorescimento na 
Europa ocidental – nesse caso, os árabes tiveram um 
papel significativo.
Na literatura, encontramos o ciclo de histórias co-
nhecido como As mil e uma noites, cuja origem está na 
tradição popular e oral, depois registrada em árabe, entre 
os séculos X e XII, sendo posteriormente copiadas em di-
ferentes manuscritos, espalhados entre o norte da África 
e o Oriente próximo, e ainda traduzidas para as línguas 
ocidentais no século XVIII, embora sem a preocupação 
de manter as características originais, gerando uma va-
riante de texto que não corresponde aos textos árabes 
mais antigos. Essa “adaptação” se deveu ao pensamento 
“moralizador” europeu, interessado em falar sobre a cul-
tura oriental, mas despida de seus “vícios”; além disso, 
acrescentaram-se personagens antes inexistentes como 
Aladim, o marujo Simbá e Ali Babá. 
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O médico, filósofo e matemático Ibn Sina, conhecido no 
Ocidente por Avicena.
 Avicena
Abu Ali al-Husayn ibn Abd Allah ibn Sina, geralmente 
abreviado para Ibn Sina, latinizado como Avicena (Afshana), 
nascido em cerca de 980, no atual Uzbequistão, e morto 
em Hamadan, Irã, em junho de 1037, foi um polímata per-
sa, provavelmente o filósofo mais importante na tradição 
islâmica e o filósofo mais influente da era pré-moderna.
Destacou-se, entre outras áreas, no campo da medicina, 
e seu principal trabalho, o Cânone da Medicina (al-Qanun 
fi’l-Tibb), continuou a ser utilizado como manual de me-
dicina nas universidades da Europa e no mundo islâmico 
até o início do período moderno. Como filósofo, sua 
principal obra é A cura (al-Shifa’), que teve um impacto 
decisivo sobre a escolástica europeia, especialmente 
sobre Tomás de Aquino.
De sua vida pessoal, o perfil que chegou até nós é que 
Avicena era um jovem muito precoce e, com 10 anos de 
idade, já havia memorizado o Alcorão. Aos 16, já dominava 
várias ciências, como física, matemática, lógica e meta-
física. Logo, começou o estudo e a prática da medicina, 
e, antes de completar 21 anos de idade, escreveu seu 
famoso texto Cânone.
Avicena serviu sucessivamente a vários soberanos 
persas como médico e conselheiro, viajando com eles 
de um lugar ao outro e,apesar de conhecido pelo seu 
perfil sociável, dedicou um bom tempo aos trabalhos 
literários, dos quais são exemplos concretos os cerca de 
cem volumes que escreveu. Destacam-se ainda entre os 
seus trabalhos os extensos comentários sobre a obra de 
Aristóteles e A libertação (al-Najat).
A filosofia de Avicena é uma tentativa de construir um 
sistema coerente e abrangente que esteja de acordo com 
as exigências religiosas da cultura muçulmana. Como 
tal, ele pode ser considerado o primeiro grande filósofo 
islâmico. Seu trabalho é frequentemente visto como parte 
das tradições aristotélica e neoplatônica.
Um princípio favorito de Avicena, que é citado não 
só por Averróes, mas também pelos escolásticos, e 
especialmente por santo Alberto Magno (1193-1280), 
era “intellectus in formis agit universalitatem”, ou seja, 
a universalidade das nossas ideias é o resultado da 
atividade da própria mente. Este é um princípio a ser 
entendido no sentido realista, não no nominalista. Para 
Avicena, o significado é que, embora existam diferenças 
e semelhanças entre as coisas independentemente da 
mente, a constituição formal de coisas no campo da 
individualidade, universalidade genérica, universalidade 
específica, e assim por diante, é trabalho da mente.
Outras importantes contribuições suas são encontradas 
nas áreas das ciências naturais, teoria musical e matemá-
tica. A influência de Avicena na Europa medieval começou 
por meio das traduções de suas obras realizadas primeiro 
na Espanha. Sua metafísica tornou-se base para discussões 
sobre a filosofia islâmica e teologia filosófica. 
Neste detalhe do afresco "Escola de Atenas", Rafael Sanzio 
reconheceu a importância de Averróes (usando turbante 
branco) ao apresentá-lo entre os grandes sábios.
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 Averróes
Abu al-Walid Muhammad ibn Ahmad ibn Muhammad 
ibn Rushd, cujo nome latinizado ficou conhecido no 
Ocidente como Averróes, aprendeu jurisprudência e 
teologia com o pai e estudou quase todas as ciências 
e a filosofia do seu tempo, tendo escrito obras sobre 
medicina, física, astronomia, jurisprudência muçulmana, 
filosofia e teologia.
A partir de 1169 (pouco se sabe sobre a sua vida antes 
desse período), Averróes foi agraciado pelos príncipes da 
dinastia muçulmana Almóada reinante no norte da África 
e na Espanha. Em 1169 foi nomeado juiz em Sevilha, em 
1171 em Córdoba. Banido em 1195, por causa de suas 
atitudes filosóficas, foi restaurado três anos depois, pouco 
antes de sua morte.
A originalidade de Averróes consistiu em fundir em 
um só conceito uma física materialista e um raciona-
lismo baseado no “espírito da humanidade”, presente 
no indivíduo mas ao mesmo tempo a ele transcenden-
te. Negando a imortalidade da alma, foi o precursor 
dos filósofos heréticos do islamismo e do cristianis-
mo, e sua influência estendeu-se até a Renascença. 
Os comentários de Averróes sobre Aristóteles em Sharh 
("Grande comentário") e Telkhis (“Resumo”), traduzidos 
para o latim na primeira metade do século XIII, tornaram 
conhecido o pensamento desse filósofo grego, o que 
influiu no pensamento de Tomás de Aquino, produzindo 
verdadeira revolução na filosofia cristã, até então baseada 
no platonismo.
A irrupção do Aristóteles arabizado nas universidades 
europeias impunha um trabalho de exegese e de assimi-
lação, pois não era possível nem aceitá-lo tal qual nem 
ignorar sua presença. A essa tarefa se consagraram Al-
berto Magno e, principalmente, Tomás de Aquino, que leu 
e comentou as obras de Aristóteles em traduções latinas 
feitas diretamente do grego. Contestando ao averroísmo, 
Tomás de Aquino opera a conciliação, a síntese definitiva 
do pensamento aristotélico e da revelação cristã.
A teologia de Averróes influiu em autores místicos do 
século seguinte, como Amalrico de Bena (1150-1204), que 
ensinava que tudo é Deus e que Deus está encarnado tan-
to em Cristo quanto no crente, não podendo este pecar, 
pensamento que lhe valeu a condenação e proibição de 
seus ensinamentos. Almarico teve seu corpo exumado e 
queimado, junto a um grupo de seus discípulos em 1209, 
na cidade de Paris. Em 1215, a doutrina de Almarico foi 
formalmente condenada no IV Concílio de Latrão.
A influência filosófica de Averróes foi muito mais forte; 
é sensível em vários movimentos heterodoxos, até Pietro 
Pomponazzi, professor na Universidade de Pádua até 1512 
e da Universidade de Bolonha até sua morte em 1525.
Além de traduzir e comentar as obras de Aristóteles, 
Averróes é autor de uma refutação de Algazel (1058-1111) 
intitulada “Destruição da destruição” e de várias obras 
sobre filosofia, lógica, física, medicina e astronomia.
 Resumo da ópera
Nesta aula trabalhamos com dois segmentos da filosofia 
medieval: o pensamento cristão (Santo Agostinho e São 
Tomás) e o pensamento islâmico (Avicena e Averróes).
Além dos conceitos trabalhados respectivamente pelos 
quatro pensadores, é importante observar a conexão de 
suas ideias com a tradição e o pensamento da Antigui-
dade, caracterizando uma releitura de pensadores como 
Platão e Aristóteles e, assim, deixamos de lado a retró-
grada visão de que o período medieval foi uma época de 
atraso e ignorância ou, ainda, que a cultura greco-romana 
tenha desaparecido.
EXERCÍCIOS
1. (UFU)
Na medida em que o Cristianismo se consolidava, a partir do século II, vários pensadores, convertidos à nova fé e, 
aproveitando-se de elementos da filosofia greco-romana que eles conheciam bem, começaram a elaborar textos sobre a 
fé e a revelação cristãs, tentando uma síntese com elementos da filosofia grega ou utilizando-se de técnicas e conceitos 
da filosofia grega para melhor expor as verdades reveladas do Cristianismo. Esses pensadores ficaram conhecidos como 
os Padres da Igreja, dos quais o mais importante a escrever na língua latina foi Santo Agostinho.
COTRIM, Gilberto. 
Fundamentos de Filosofia: ser, saber e fazer. São Paulo: Saraiva, 1996, p. 128. Adaptado. 
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Esse primeiro período da filosofia medieval, que durou do século II ao século X, ficou conhecido como 
a) Escolástica.
b) Neoplatonismo.
c) Antiguidade tardia.
d) Patrística.
2. (Enem) 
Ora, em todas as coisas ordenadas a algum fim, é preciso haver algum dirigente, pelo qual se atinja diretamente o 
devido fim. Com efeito, um navio, que se move para diversos lados pelo impulso dos ventos contrários, não chegaria ao 
fim de destino, se por indústria do piloto não fosse dirigido ao porto; ora, tem o homem um fim, para o qual se ordenam 
toda a sua vida e ação.
Acontece, porém, agirem os homens de modos diversos em vista do fim, o que a própria diversidade dos esforços e 
ações humanas comprova. Portanto, precisa o homem de um dirigente para o fim.
AQUINO, Tomás de. 
Do reino ou do governo dos homens: ao rei do Chipre. Escritos políticos de São Tomás de Aquino. 
Petrópolis: Vozes, 1995. Adaptado.
No trecho citado, Tomás de Aquino justifica a monarquia como o regime de governo capaz de 
a) refrear os movimentos religiosos contestatórios. 
b) promover a atuação da sociedade civil na vida política. 
c) unir a sociedade tendo em vista a realização do bem comum. 
d) reformar a religião por meio do retorno à tradição helenística. 
e) dissociar a relação política entre os poderes temporal e espiritual. 
3. (UFF) Na Idade Média, se considerava que o ser humano podia alcançar a verdade por meio da fé e também por 
meio da razão. Ao mesmo tempo, o poder religioso (Igreja) e o poder secular (Estado) mantinham relacionamento 
político tenso e difícil. O filósofo Tomás de Aquino desenvolveu uma concepção destinada a conciliar FÉ e RAZÃO, 
bem como IGREJA e ESTADO. 
De acordo com as ideias desse filósofo,
a) o Estado deve subordinar-se à Igreja. 
b) a Igreja e o Estado são mutuamente incompatíveis. 
c) a Igreja e o Estado devem fundir-se numa só entidade. 
d) a Igreja e o Estado são, em certa medida, conciliáveis.e) a Igreja deve subordinar-se ao Estado.
ESTUDO ORIENTADO
Caro(a) aluno(a),
Analisar a organização da filosofia medieval é também observar como a tradição cristã releu e repensou a Antiguidade, 
dando-lhe uma roupagem que se relacionava com sua crença e, assim, a compreensão do papel da Igreja enquanto insti-
tuição religiosa e centro de produção de conhecimento torna-se imprescindível para a compreensão do contexto histórico 
e reflexivo no mundo cristão e também, de acordo com suas características, o mesmo ocorre no mundo muçulmano.
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Os exercícios escolhidos mostram como os conceitos referentes à filosofia medieval vêm sendo cobrados nos exames 
e aí se observa a importância da leitura, reflexão e interpretação dos textos e sua relação com seu período de produção.
Na seção Navegar, destacamos o filme O nome da Rosa que traz o pano de fundo dos debates teológicos e intelectuais 
daquele contexto, além de fazer um recorte bastante rico sobre a mentalidade, cultura e sociedade medieval.
Bons estudos!
EXERCÍCIO
1. (Uncisal) A filosofia de Santo Agostinho é essencialmente uma fusão das concepções cristãs com o pensamento 
platônico. Subordinando a razão à fé, Agostinho de Hipona afirma existirem verdades superiores e inferiores, sendo 
as primeiras compreendidas a partir da ação de Deus. Como se chama a teoria agostiniana que afirma ser a ação 
de Deus que leva o homem a atingir as verdades superiores?
a) Teoria da Predestinação. 
b) Teoria da Providência. 
c) Teoria Dualista. 
d) Teoria da Emanação. 
e) Teoria da Iluminação. 
2. (UFF) A grande contribuição de Tomás de Aquino para a vida intelectual foi a de valorizar a inteligência humana e 
sua capacidade de alcançar a verdade por meio da razão natural, inclusive a respeito de certas questões da religião. 
Discorrendo sobre a “possibilidade de descobrir a verdade divina”, ele diz que há duas modalidades de verdade 
acerca de Deus. A primeira refere-se a verdades da revelação que a razão humana não consegue alcançar, por 
exemplo, entender como é possível Deus ser uno e trino. A segunda modalidade é composta de verdades que a 
razão pode atingir, por exemplo, que Deus existe. 
 
A partir dessa citação, indique a afirmativa que melhor expressa o pensamento de Tomás de Aquino: 
a) A fé é o único meio do ser humano chegar à verdade. 
b) O ser humano só alcança o conhecimento graças à revelação da verdade que Deus lhe concede. 
c) Mesmo limitada, a razão humana é capaz de alcançar certas verdades por seus meios naturais.
d) A Filosofia é capaz de alcançar todas as verdades acerca de Deus. 
e) Deus é um ser absolutamente misterioso e o ser humano nada pode conhecer d’Ele. 
3. (UEM) Sobre a relação entre filosofia, Igreja e Estado na Idade Média, assinale o que for correto.
01) Na Idade Média, os mosteiros representam uma importante fonte do saber. Nesses locais, a cultura greco-latina 
manteve-se preservada, graças à atividade dos copistas e à conservação dos manuscritos dos autores clássicos. 
02) Na Alta Idade Média, a Igreja começou a libertar-se da dominação política do Império Carolíngio e iniciou-se um 
período de supremacia do poder espiritual sobre o poder político.
04) Boécio (séc. VI) propõe a reabertura aos temas clássicos através de uma corrente espiritual e gnóstica denomi-
nada “nova sofística”, apresentada em sua obra máxima, a Suma teológica. 
08) Por ser um período de obscuridade, a filosofia medieval não se dedicou aos grandes temas da filosofia, como 
a questão do conhecimento, o papel da linguagem e a teleologia da práxis humana, que aparecem depois, com a 
modernidade. 
 POLISABER 25
 aula 5 FILOSOFIA
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-2
16) O relacionamento entre a Igreja e o Estado co-
meçou no fim do Império Romano, quando o cris-
tianismo foi transformado em religião oficial do 
Estado. Enquanto o paganismo perdia sua posição 
de religião oficial, o cristianismo era protegido pelo 
Império, o que permitiu sua difusão. 
4. (CESP/UnB) 
O pensamento de São Tomás de Aquino teve imensa 
influência em sua época, estendendo-se mesmo até o 
período contemporâneo, quando é representado pelo 
neotomismo. São Tomás foi, de fato, um pensador de 
grande criatividade e originalidade que desenvolveu 
uma filosofia própria em um sentido fortemente sis-
temático, tratando praticamente de todas as grandes 
questões da filosofia e da teologia de sua época, bem 
como tomando Aristóteles – e não mais o platonismo 
e o agostinianismo, como até então se fazia – como 
ponto de partida para a elaboração de seu sistema. 
São Tomás mostra, então, que a filosofia de Aristóteles 
é perfeitamente compatível com o cristianismo, abrindo, 
assim, uma nova alternativa para o desenvolvimento 
da filosofia cristã.
MARCONDES, Danilo. 
Iniciação à história da filosofia: dos pré-socráticos a 
Wittgenstein. 4. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.
 p. 126.
Considerando o trecho anterior, redija um texto dis-
sertativo acerca da filosofia de Tomás de Aquino, 
abordando, necessariamente, os seguintes aspectos:
a) questão tomista. 
b) tratados que foram seguidos e menção ao filósofo 
grego que mais influenciou essa filosofia.
RODA DE LEITURA
Texto I
[...]
VII. II. 3. Era-me bastante, Senhor, contra aqueles 
enganados enganadores e palradores mudos, porque 
através deles não soava a tua palavra, era-me, pois, bas-
tante aquilo que já há muito tempo, ainda em Cartago, 
Nebrídio costumava propor, e todos os que o tínhamos 
ouvido ficámos impressionados: “Que te poderia fazer 
aquela espécie de gente das trevas que os Maniqueus 
costumam opor como massa adversa, se tu com ela não 
tivesses querido lutar?”. Ora, se respondessem que te 
poderia causar alguma coisa de mal, tu serias violável e 
corruptível. Se, ao invés, dissessem que em nada essas 
coisas te poderiam prejudicar, não haveria causa para 
lutar, e lutar de tal modo que uma certa parte de ti e um 
teu membro ou a geração da tua própria substância se 
misturaria com os poderes adversos e com as naturezas 
criadas por ti, e se corromperia e mudaria para pior, na 
proporção em que da felicidade se transformasse em 
miséria, e carecesse de auxílio com que pudesse ser 
libertada e purificada; e que esta parte era a alma, em 
socorro da qual veio a tua palavra, livre, para ela que 
era servil, pura, para ela manchada, íntegra, para ela 
corrupta, mas também ela própria corruptível, porque 
formada de uma só e mesma substância. E deste modo, 
se os Maniqueus dissessem que tu, o que quer que tu 
sejas, isto é, que a tua substância, pela qual tu és, é 
incorruptível, tudo isso seria falso e execrável; se, pelo 
contrário, dissessem que é corruptível, isso mesmo 
também seria falso e abominável, desde a primeira 
palavra. Portanto, bastava-me só isto contra aqueles 
que, de todo o modo, era preciso expulsar como um 
peso de dentro do peito, porque, sentindo e dizendo 
estas coisas acerca de ti, não tinham por onde esca-
par, senão com um horrível sacrilégio do coração e 
da língua. [O livre arbítrio, causa do pecado] VII. III. 4. 
Mas, também ainda, embora dissesse e acreditasse 
firmemente que és incontaminável e inalterável e 
sob nenhum aspecto mutável, tu, nosso Deus, Deus 
verdadeiro, que criaste não só as nossas almas, mas 
também os nossos corpos, e não apenas as nossas 
almas e os nossos corpos, mas também todos nós e 
todas as coisas, não tinha por explicada e esclarecida 
a causa do mal. Fosse ela qual fosse, porém, via que 
era preciso procurá-la de modo a que, graças a ela, 
não fosse obrigado a acreditar que é mutável o Deus 
imutável, ou que eu próprio me convertesse naquilo 
01 + 02 + 16 = 19
São Tomás proporcionou a aproximação entre a fé e a razão, sendo a segunda uma 
justificativa da primeira e, nesse sentido, a compreensão de Deus estaria na plenitude da 
fé e a racionalidade seria uma ferramenta que daria uma dimensão parcial do Universo 
criado por Deus, apenas atingido na sua plenitude pela fé.
A releitura cristã de Aristóteles tornou-se umde seus principais referenciais para a elabo-
ração da Suma teológica. Dentro do pensamento tomista, a sistematização das análises 
e o desenvolvimento das bases do pensamento escolástico (exposição de uma tese, 
argumentação, contra-argumentação, réplica, tréplica), desse modo, tais procedimentos 
fundamentaram tanto o pensar quanto o escrever na produção intelectual medieval, 
conferindo uma identidade marcante dentro das universidades quanto à produção do 
conhecimento que ficou conhecido como Escolástica.
FILOSOFIA aula 5
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que eu procurava. E assim, procurava-a em segurança 
e certo de que não era verdade o que diziam aqueles 
que eu evitava com toda a minha alma, porque os via, 
procurando donde provinha o mal, cheios de maldade 
(Eclesiastes 9:3; Romanos 1:29), em virtude da qual 
eram de opinião que é mais a tua substância que está 
sujeita a sofrer o mal, do que a deles a fazê-lo. 5. E 
esforçava-me por compreender o que ouvia: que o livre 
arbítrio da vontade é a causa de praticarmos o mal e 
o teu reto juízo (Salmo 118:137) a de o sofrermos, mas 
não conseguia compreender essa causa com clareza. 
E assim, tentando arrancar do abismo o olhar do meu 
espírito, afundava-me de novo, e muitas vezes tentava e 
me afundava uma e outra vez. Na verdade, elevava-me 
para a tua luz o facto tanto de saber que tinha uma von-
tade como o de saber que vivia. Por isso, quando queria 
ou não queria alguma coisa, tinha absoluta certeza de 
que quem queria ou não queria não era outro senão 
eu. E via, cada vez mais, que aí estava a causa do meu 
pecado. E aquilo que fazia contra vontade via que era 
mais padecer do que fazer, e julgava que isso não era 
culpa, mas castigo, pelo qual, como eu logo confessava, 
considerando-te justo, era castigado não injustamente. 
Mas de novo dizia: “Quem me fez? Porventura não foi 
o meu Deus, que é não apenas bom, mas o próprio 
bem? Donde me vem então o querer o mal e o não 
querer o bem? Será para haver um motivo para que 
eu seja castigado justamente? Quem colocou isto 
em mim, e plantou em mim este viveiro de amargura 
(Hebreus 12:15), embora todo eu tenha sido feito por 
um Deus tão doce? Se o autor é o diabo, donde veio o 
mesmo diabo? Mas se também ele, por uma vontade 
perversa, de anjo bom se tornou diabo, donde lhe veio, 
também a ele, a má vontade pela qual se tornaria diabo, 
quando o anjo, na sua totalidade, tinha sido criado por 
um criador sumamente bom?”. De novo me deixava 
abater e sufocar com estes pensamentos, mas não 
me deixava arrastar até àquele inferno do erro, onde 
ninguém te confessa (Salmo 6:6), quando se julga que 
és tu a padecer o mal, e não o homem que o pratica. 
Agostinho de Hipona. 
A Cidade de Deus.
Texto II
Existem muitas maneiras de descobrir a verdade. 
Como diz muito bem o Filósofo (Aristóteles), citado 
por Boécio, “é próprio do homem culto exigir, em cada 
assunto, o rigor que comporta a natureza da matéria" 
(Sobre a Ética, livro III, capitulo IV). Consequentemente, 
cumpre-nos começar por mostrar de que maneira se 
pode descobrir a verdade proposta.
As verdades que professamos acerca de Deus re-
vestem uma dupla modalidade. Com efeito, existem a 
respeito de Deus verdades que ultrapassam totalmente 
as capacidades da razão humana. Uma delas é, por 
exemplo, que Deus é trino e uno. Ao contrário, existem 
verdades que podem ser atingidas pela razão: por 
exemplo, que Deus existe, que há um só Deus etc. Estas 
últimas verdades, os próprios filósofos as provaram 
por via demonstrativa, guiados que eram pelo lume 
da razão natural.
Que existe em Deus um domínio ininteligível, o qual 
ultrapassa totalmente as capacidades da razão huma-
na, é evidente. O princípio de todo conhecimento que 
a inteligência pode conseguir acerca de uma coisa é 
o conhecimento da substância desta coisa, visto que, 
segundo o ensinamento do Filósofo, o princípio de 
demonstração é “aquilo que uma coisa é” (livro II dos 
Analíticos Segundos, III, 9). Por conseguinte, a maneira 
pela qual a substância da coisa é apreendida pela 
inteligência comandará necessariamente a maneira 
pela qual se conhecerá tudo quanto diz respeito a esta 
coisa. Se, portanto, a inteligência humana apreende a 
substância de uma determinada coisa, por exemplo, da 
pedra ou do triângulo, nada do que está dentro do do-
mínio inteligível desta coisa ultrapassará a capacidade 
da razão humana.
Tal não é o nosso caso com referência a Deus. A 
inteligência humana é incapaz, pelas suas próprias 
forças, de apreender a substância ou a essência íntima 
de Deus. Com efeito, o nosso conhecimento intelectual, 
conforme o modo próprio da vida presente, tem seu 
ponto de partida nos sentidos corporais, de tal modo 
que tudo o que não cai sob o domínio dos sentidos não 
pode ser apreendido pela inteligência humana, a não 
ser na medida em que os objetos sensíveis (acessíveis 
aos sentidos) permitem deduzir a existência de tais 
coisas. Ora, os objetos sensíveis não podem conduzir a 
nossa inteligência a enxergar neles aquilo que constitui 
a substância ou essência divina, pois se verifica uma 
diferença de nível entre os efeitos e o poder da coisa. 
E, todavia, os objetos sensíveis conduzem a nossa 
inteligência a um certo conhecimento de Deus, até ao 
ponto de conhecermos que Ele existe, e mesmo até 
conhecermos tudo o que se deve atribuir ao primeiro 
princípio. Por conseguinte, existem em Deus verdades 
inteligíveis, as quais são acessíveis à razão humana: 
em contrapartida, outras há que superam totalmente 
as forças da razão humana.
Tomás de Aquino. 
Súmula contra os gentios.
 POLISABER 27
 aula 5 FILOSOFIA
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-2
depois com manuscritos que registraram as peripécias 
de Sherazade para enganar o sultão, contando-lhe as 
mais incríveis histórias. 
ÁGORA
Atividade: Discussão sobre as relações entre a Fé e 
a Razão
Objetivos: A partir da proposição de São Tomás:
 – identificar os elementos que caracterizam a fé e 
a razão;
 – apontar a construção lógica estabelecida no tomis-
mo que aproxima ambas;
 – contrapor a visão tomista com a visão secularizada 
da contemporaneidade. 
NAVEGAR
 Filmes
O nome da Rosa 
Direção: Jean-Jacques An-
naud, 1986, 131 min.
Inspirado no romance de 
suspense de Umberto Eco, 
o filme tem sua trama am-
bientada no século XIV, em 
um mosteiro beneditino 
localizado nos Alpes italia-
nos, que se torna palco de 
uma série de misteriosos 
assassinatos. O frade franciscano William de Baskerville 
precisa desvendá-los antes da realização de um Concílio 
que procurava pôr fim às disputas entre franciscanos e 
dominicanos. Aborda ainda a relação dos monges com o 
conhecimento e a visão distinta entre os religiosos sobre 
o conflito entre a fé e a razão. 
 Livros
HOURANI, Albert. Uma his-
tória dos povos árabes. 2. ed. 
São Paulo: Companhia das 
Letras, 2001. 
Grande síntese histórica que 
abrange o período pré-islâmi-
co, a organização do Islã e 
sua expansão até o século 
XX, enfocando aspectos po-
líticos, religiosos e socioeco-
nômicos do mundo árabe e 
de seus participantes.
Livro das mil e uma noites. 
Trad. Mamede Mustafá Jarou-
che. São Paulo: Globo, 2005. 
Traduzida diretamente do 
árabe, essa obra, em quatro 
volumes, busca recuperar 
as histórias originais de As 
mil e uma noites, uma das 
principais referências da cultura árabe, que foi repassada 
de geração a geração, primeiro como narrativas orais e 
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Daqui nasce uma questão: é melhor ser amado ou temido? Na minha opinião, conviria ser ambas as 
coisas. Dada, porém, a dificuldade de preencher alguém esse duplo requisito, o mais vantajoso é ser temido.
O Príncipe, de Nicolau Maquiavel.
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 aula 7 FILOSOFIA
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Assim cumpre ser raposa para conhecer as armadi-
lhas e leão para amedrontar os lobos. Quem se contenta 
de ser leão demonstra não conhecer o assunto.
O Príncipe, de NicolauMaquiavel.
Filosofia no Renascimento
A releitura da cultura greco- 
-romana
O conceito de Renascimento vem da palavra italiana 
rinascita, pois se acreditava que o período anterior, a Ida-
de Média, fora uma “espessa e longa noite gótica” imersa 
nas trevas e desprovida de cultura. Para os homens desse 
período, a “verdadeira” cultura encontrava-se na Antigui-
dade, a qual foi banida e em seu lugar a Igreja estabeleceu 
o teocentrismo. O saber, portanto, encontrava-se nas 
artes e nos escritos clássicos.
Por isso os artistas e intelectuais buscavam uma con-
cepção de cultura diferente da medieval e que tinha suas 
raízes no mundo greco-romano. A proposta central era 
afastar-se do teocentrismo, buscando o antropocentris-
mo, ou seja, o homem como medida de todas as coisas.
Apesar dessa repulsa à Idade Média, é importante 
perceber que as transformações sofridas durante o Re-
nascimento foram resultado de um processo de continui-
dade que perpassou o medievo e atingiu seu esplendor 
no momento seguinte, logo não podemos considerar a 
Renascença como uma ruptura total, mas sim um longo 
processo de experimentação e aprimoramento.
Cabe também a ressalva de que o Renascimento não 
foi a “recuperação integral” da Antiguidade, mas a sua 
releitura, sujeita aos valores e modismos do período entre 
os séculos XIV e XVI. 
FILOSOFIA – AULA 6
Tendo, portanto, necessidade de proceder como animal, 
deve um príncipe adotar a índole ao mesmo tempo do 
leão e da raposa; porque o leão não sabe fugir das 
armadilhas e a raposa não sabe defender-se dos lobos. 
O Príncipe, de Nicolau Maquiavel.PA
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A partir da reabertura do Mediterrâneo ao longo das 
Cruzadas (séculos XI-XIII), a Europa viveu uma intensa 
transformação das relações sociais e do modo de vida, 
pois as cidades voltaram a crescer e se tornaram o 
centro das atividades comerciais mediante a atuação 
dos burgueses. A burguesia era um grupo oriundo da 
classe trabalhadora que não possuía legitimidade como 
a nobreza ou o clero.
A prosperidade italiana era relacionada com o mono-
pólio do comércio de especiarias com o Oriente, no qual 
se destacavam as cidades de Gênova, Veneza, Florença 
e Pisa. Essas cidades controlavam a venda de especiarias 
dentro da Europa e também a sua compra com os árabes 
e turcos no Mediterrâneo.
O Renascimento tem como berço a península Itálica 
devido a um conjunto de fatores que favoreceu sua for-
mação. Em primeiro lugar, ao fato de ter sido o centro do 
Império Romano e guardar milhares de ruínas e resquícios 
da cultura greco-romana, como templos, estátuas e pré-
dios públicos, o que lhe proporcionava uma convivência 
muito próxima com seu “glorioso passado”. 
Em segundo lugar, ao enriquecimento proveniente do 
comércio mediterrâneo, que permitiu aos burgueses o 
investimento nas artes, sendo denominados mecenas, 
com o objetivo de legitimar sua posição na sociedade e 
buscar uma visão de mundo que se relacionasse com seu 
modo de vida, rompendo com a visão de mundo medieval, 
na qual eram simples trabalhadores inferiorizados pela 
nobreza e pelo clero. O mecenato, no entanto, não ficou 
restrito aos burgueses, pois nobres, papas e príncipes 
também o fizeram. 
Outro fator importante foi a sobrevivência de muitos 
textos clássicos através da sua conservação em biblio-
tecas de mosteiros e abadias. Esses textos foram copia-
dos e traduzidos por monges copistas e provinham do 
intercâmbio entre sábios bizantinos (vindos do Império 
Bizantino atacado pelos turcos) e também da ação dos 
árabes na tradução e divulgação de vários textos.
FILOSOFIA aula 6
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A sobrevivência dos elementos da cultura clássica pode ser relacionada com sua redescoberta a partir do interesse 
dos intelectuais pelos studia humanitatis (estudos humanos que incluíam filosofia, poesia, história, matemática, elo-
quência e o perfeito domínio do latim e do grego), pois não se buscou a mera repetição dos modelos antigos, mas sua 
reinterpretação à luz de sua época e dessa maneira constituiu-se o humanismo.
Transformações culturais e científicas
Uma importante transformação ocorrida no contexto do Renascimento foi a invenção da imprensa de tipos móveis 
pelo alemão Johan Gutenberg, que em 1450, na sua oficina em Mongúcia, começou a imprimir a Bíblia. Antes da im-
prensa, os livros eram reproduzidos por cópia manual, feita nos mosteiros e abadias pelos monges copistas, que se 
responsabilizavam por copiar o texto e produzir também as imagens que o acompanhavam, as iluminuras.
A divulgação e a ampliação do uso da imprensa tiveram um grande impacto na sociedade ocidental, favorecendo a 
divulgação do conhecimento em uma escala muito maior que antes, bem como tornando o livro mais acessível, muito 
embora ainda não houvesse uma democratização do conhecimento e da cultura, algo que talvez estejamos vivenciando 
agora em nossa época, guardadas as devidas proporções, porque o analfabetismo e a educação de qualidade ainda são 
temas de amplas e sérias discussões.
Durante a Idade Média, um dos principais temas defendidos pela Igreja era o geocentrismo, teoria pautada no pen-
samento de Cláudio Ptolomeu (aproximadamente 100-170), o qual concebia a Terra como estática, tendo o Sol e os 
planetas girando ao seu redor.
O pensamento geocêntrico começou a ser questionado pelo astrônomo Nicolau Copérnico (1473-1543), ao publicar, 
um pouco antes de morrer, o tratado De Revolutionibus Orbium Celestium, defendendo o heliocentrismo (a Terra e os 
planetas giram em torno do Sol, que é estático).
A teoria heliocêntrica foi levada adiante por Galileu Galilei (1564-1642), físico e matemático nascido em Pisa, respon-
sável pelo aprimoramento do telescópio em 1609 e também pelo furor causado quando desafiou a Igreja ao defender 
intensamente os estudos de Copérnico. Em razão de suas ideias, acabou acusado de “inimigo da fé” e foi duas vezes 
processado pela Inquisição. Apesar de não ter sido condenado à morte, recebeu um castigo de maior crueldade para 
quem vive daquilo que estuda e ensina: foi obrigado a retratar-se publicamente, renegando suas pesquisas e acabou 
seus dias em prisão domiciliar.
Os estudos de Galileu foram importantes para os trabalhos de Johannes Kepler (1571-1630), que analisou o movimento 
dos planetas, elaborando a teoria das órbitas elípticas, vigente até os dias de hoje. Os estudos de Galileu também cola-
boraram para o aprofundamento do assunto com os trabalhos de Isaac Newton (1642-1727), físico inglês que consolidou 
a posição de seus antecessores e publicou trabalhos sobre a chamada Lei de Gravitação Universal, conhecida por nós 
hoje como leis de Newton, as quais não só explicam uma série de eventos físicos que vivenciamos, como também 
acabaram por confirmar o heliocentrismo.
A partir de pensamento de Copérnico, Galileu apresentou a visão heliocêntrica com uma certeza, questionando o saber da 
Igreja.
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 aula 6 FILOSOFIA
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Somente em 1992, a Igreja Católica, então chefiada 
pelo papa João Paulo II, perdoou Galileu, reconhecendo 
o valor de suas pesquisas e a gravidade do erro que a 
instituição cometeu com o estudioso pisano.
Na Medicina, destacou-se André Vesálio (1514-1564), na 
área da anatomia, ao publicar o tratado Sobre a estrutura 
do corpo humano, trabalho realizado pela experiência na 
dissecação de cadáveres; Miguel de Servet (1511-1553), 
médico espanhol responsável pela descoberta da circu-
lação do sangue ou circulação pulmonar pelas artérias; 
e William Harvey (1578-1657), que estudou Medicina em 
Pádua, onde Vesálio foi professor e deixou um grande 
número de discípulos. Harvey aprimorou as pesquisas 
de Servet sobre o sistema circulatório e publicou, em 
1628, o tratado Estudos anatômicos dos movimentos 
do coração e do sangue dos animais, considerado uma 
das mais importantes obras de sua época, tendo apenas 
omitido a existência dos vasos capilares, pois ainda não 
tinha sido inventadoo microscópio. A descoberta dos 
capilares ficou por conta dos trabalhos do médico italiano 
Marcelo Malpighi (1628-1694), já que o microscópio foi 
inventado na Holanda em 1657.
Humanistas: o homem 
como a medida de todas 
as coisas
A transição da Idade Média para a Idade Moderna re-
presentou não só a constituição de uma nova visão de 
mundo por parte da sociedade europeia, mas também 
a contestação do pensamento e mentalidade medievais 
ainda dominante.
Apesar dos esforços doutrinários, a distância entre 
a ortodoxia defendida pelo papa e os demais clérigos 
nem sempre atingia toda a população, que muitas vezes 
acabava por moldar ou reformular suas crenças de uma 
maneira muito particular, dentro do que podemos enten-
der como cultura popular.
O questionamento da Igreja foi fruto de um processo 
de transformação pelo qual a Europa ocidental passava, 
especialmente pelo fortalecimento da burguesia e de 
sua importância dentro da nova dinâmica econômica 
europeia, pois o mundo agrícola foi dando espaço ao 
mundo urbano: o crescimento do comércio implicava 
a transformação de vários setores da sociedade com 
a expansão das cidades, das trocas comerciais em 
larga escala e, em razão disso, necessitava-se de uma 
mentalidade mais adequada àquele momento, pois o 
catolicismo proibia o lucro e a usura, defendia o “justo 
preço” das corporações de ofício, dificultando, portanto, 
a consolidação da burguesia.
Outro movimento que teve uma contribuição significa-
tiva foi a mudança de paradigma que ocorreu durante os 
séculos XV e XVI, período conhecido como Renascimento, 
especialmente pela invenção da imprensa e a conse-
quente circulação mais rápida do conhecimento entre 
os meios intelectuais, bem como o acesso ao livro, além 
do desenvolvimento daquilo que entendemos por meto-
dologia científica, processo calcado no levantamento de 
hipóteses e análise de dados, seguido pela elaboração 
de teorias que não eram apresentadas como verdades 
absolutas (dogmas), mas sim como possibilidades para 
o esclarecimento do tema estudado.
Alguns dos setores da Cristandade começaram a per-
ceber que a Igreja Católica estava apresentando uma 
conduta muito diferente dos princípios que defendia, o 
que implicava o desgaste de sua imagem e também seu 
enfraquecimento. Entre os principais críticos podemos 
citar a figura de Erasmo de Roterdã (1466-1536), um 
pensador católico que em sua obra de 1508, o Elogio 
da loucura, aponta os principais problemas da Igreja de 
sua época: 
[...] as armas dos papas não consistem todas naque-
las doces bênçãos de que fala São Paulo e das quais 
são eles tão zelosos. Consistem elas em interdições, 
suspensões, excomunhões e naquele terribilíssimo 
castigo pelo qual um beatíssimo padre pode mandar à 
vontade qualquer alma para o inferno. Os nossos San-
tíssimos Pais de Cristo e os seus vigários gerais nunca 
empregam com maior zelo esse espantoso castigo do 
que no caso daqueles que, à instigação do demônio, 
tentam diminuir ou danificar o Patrimônio de São Pedro. 
Dizia este bom apóstolo a seu Mestre: “Deixamos tudo 
para seguir-te”. Compreendeis que grande sacrifício fez 
o pobre pescador! Foi a fortuna o que ele conseguiu em 
virtude desta renúncia; é por isso que Sua Santidade 
glorificada possui terras, cidades, domínios e recebe 
impostos e taxas. E é sobretudo para defender e con-
servar essa rica aquisição que os pontífices romanos 
costumam condenar as almas. É verdade que nem ao 
menos poupam os corpos, e inflamados pelo zelo de 
Jesus Cristo, desfraldam a bandeira de Marte e, sem 
piedade, empregam o ferro e o fogo para sustentar 
suas razões.”
FILOSOFIA aula 6
32 POLISABER
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-2 Erasmo de Roterdã, acima, e, em seguida, Thomas Morus 
representam a erudição renascentista no norte da Europa.
As críticas recaíam sobre a Igreja em virtude do dis-
tanciamento entre o alto clero e seus fiéis, pois o luxo e 
ostentação da corte papal e de seus dignitários contras-
tava com a pobreza e privações da grande maioria de 
seus fiéis. Além da vida luxuosa, práticas como a simonia 
(venda de relíquias e cargos religiosos) e a venda de in-
dulgências (absolvição de pecados em troca de dinheiro, 
terras etc.) faziam parte do cotidiano do alto clero. Erasmo 
de Roterdã costumava dizer que “se todos os pedaços 
da cruz de Cristo, existentes na Europa, fossem reunidos 
hoje, nós construiríamos um navio!”. 
Dessa forma, a crise moral que a Igreja Católica Romana 
atravessava foi o combustível para inflamar as discussões 
que reprovavam a conduta de grande parte do alto clero 
e, ao mesmo tempo, o caminho para tentar construir ou 
reconstruir a vida espiritual defendida na essência da 
doutrina cristã, fato que não excluiu a ruptura (aqueles 
que reclamaram foram rotulados como “protestantes” 
e daí temos a origem dessa denominação para as novas 
igrejas do século XVI), muitas vezes ocasionada pelo 
próprio clero católico que se recusava em admitir seus 
erros, como bem retrata a máxima papal: “Roma locuta, 
causa finita”, isto é, “Roma disse, questão encerrada”.
Com a morte de Henrique VII em 1509, o trono foi 
ocupado por seu filho, Henrique VIII, que se casou no 
mesmo ano com Catarina de Aragão, princesa espanhola 
que lhe dera apenas uma filha (Maria Tudor), e que estava 
prometida em casamento ao príncipe espanhol Felipe de 
Habsburgo, herdeiro da Coroa espanhola. 
Temendo que, após sua morte, os espanhóis se apo-
derassem da Inglaterra, Henrique VIII desejava o divórcio 
para casar-se novamente, ideia que se manifestou já 
em 1527, mas não se concretizou efetivamente em um 
primeiro momento, especialmente pela pressão exercida 
pelo papa.
Entre aqueles que defendiam a manutenção das boas 
relações com Roma, estava Thomas Morus, humanista 
que escreveu A utopia (publicada em 1516) e exercia 
a função de conselheiro do rei, posicionando-se contra 
a possibilidade de uma cisão religiosa e temendo uma 
onda de guerras na Inglaterra que poderia destruir o reino.
Um dos pontos principais de A utopia é a preocupação 
com o bem comum ao qual se submete o bem individual. 
Para tanto, os utopianos preferem a divisão dos bens en-
tre todos, pois acreditam que isso garantiria a abundância 
para todos e não a concentração de riquezas nas mãos 
de um grupo pequeno:
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É minha convicção firme que uma distribuição 
segundo critérios de equidade ou uma planificação 
justa das coisas humanas não é possível sem eliminar 
totalmente a propriedade privada. Enquanto ela 
subsistir, estou convencido de que há de continuar 
sempre a haver, entre grandíssima parte da humanidade 
e entre a melhor parte dela, o fardo angustiante e 
inelutável da pobreza e da miséria. (Morus, 2006, p. 47) 
Por meio da divisão do trabalho, todos trabalhariam 
apenas o necessário para garantir o bem geral, pois, do 
mesmo modo que ninguém trabalharia para outra pessoa, 
ninguém poderia se esquivar da sua responsabilidade. Até 
os viajantes deveriam trabalhar antes de serem alimen-
tados. Em caso de haver produção além da necessidade 
de consumo, as horas de trabalho seriam reduzidas. A 
esse respeito, diz Morus: 
Se todos trabalhassem, a carga horária diminui para 
todos. Havendo seis horas apenas para trabalhar, [...] 
esse tempo é suficiente para produzir bens abundan-
tes que bastem para as necessidades e que cheguem 
não apenas para remediar, mas até sobrem. (Morus, 
2006, p. 57)
O papa Clemente VII negou o pedido de anulação do 
casamento de Henrique VIII, evitando a represália dos 
Habsburgo, já que Carlos V era sobrinho de Catarina e 
ambicionava não só preservar o poder que exercia pela 
Europa, mas também queria que a Inglaterra se colocasse 
sob sua órbita.
Henrique VIII decretou o Ato de Supremacia em 
1534, a partir do qual se tornava o líder e protetor da 
Igrejana Inglaterra, liberando-se da autoridade papal e 
confiscando-lhe as terras que possuía na Inglaterra, as 
quais passaram ao controle da Igreja Anglicana, a nova 
instituição fundada por Henrique VIII. A situação não foi 
bem aceita por muitos, entre eles, Thomas Morus, que 
abandonou o cargo de conselheiro real e se recusou a ju-
rar lealdade ao novo líder espiritual do reino, fato que lhe 
valeu a acusação de traição, prisão e execução em 1535.
O exercício do poder
 Maquiavel
Nicolau Maquiavel (1469-1527) foi um político e escritor 
florentino que serviu o governo Médici em Florença, atuan-
do como emissário e diplomata em diferentes governos da 
península Itálica. Entre seus escritos, destaca-se O Príncipe 
(escrito em 1513 e publicado em 1532), um texto que 
remete à antiga tradição do Speculum Princeps (Espelho 
do príncipe, em latim), um manual de governo cujo texto 
tinha por objetivo mostrar como um governante deveria 
exercer o poder. 
Na concepção de Maquiavel, o governante deveria 
preservá-lo a todo custo, pois acima do bem e do mal 
estavam as razões de Estado:
[...] Nasce daí esta questão debatida: se será melhor 
ser amado que temido ou vice-versa. Responderá que 
se desejaria ser uma e outra coisa; mas como é difícil 
reunir ao mesmo tempo as qualidades que dão aqueles 
resultados, é muito mais seguro ser temido que amado, 
quando se tenha que falhar numa das duas. É que os 
homens geralmente são ingratos, volúveis, simulado-
res, covardes e ambiciosos de dinheiro, e, enquanto 
lhes fizerem bem, todos estão contigo, oferecem-te 
sangue, bens, vida, filhos, como disse acima, desde 
que a necessidade esteja longe de ti. Mas, quando ela 
se avizinha, voltam-se para outra parte. E o príncipe, se 
confiou plenamente em palavras e não tomou outras 
precauções, está arruinado. Pois as amizades conquis-
tadas por interesse, e não por grandeza e nobreza de 
caráter, são compradas, mas não se pode contar com 
elas no momento necessário. E os homens hesitam 
menos em ofender aos que se fazem amar do que 
aos que se fazem temer, porque o amor é mantido 
por um vínculo de obrigação, o qual devido a serem os 
homens pérfidos é rompido sempre que lhes aprouver, 
ao passo que o temor que se infunde é alimentado 
pelo receio de castigo, que é um sentimento que não 
se abandona nunca. Deve portanto o príncipe fazer-se 
temer de maneira que, se não se fizer amado, pelo 
menos evite o ódio, pois é fácil ser ao mesmo tempo 
temido e não odiado, o que sucederá uma vez que se 
abstenha de se apoderar dos bens e das mulheres de 
seus cidadãos e dos seus súditos, e, mesmo sendo 
obrigado a derramar o sangue de alguém, só poderá 
fazê-lo quando houver uma justificativa convincente 
e causa manifesta. Deve, sobretudo, abster-se de se 
aproveitar dos bens dos outros, porque os homens 
esquecem mais depressa a morte do pai do que a perda 
de seu patrimônio. Além disso, não faltam ocasiões para 
pilhar o que é dos outros, e aquele que começa a viver 
de rapinagem, sempre as encontra, o que não sucede 
quanto às ocasiões de derramar sangue. 
Maquiavel, 1978, p. 70.
FILOSOFIA aula 6
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 Hobbes
Com a finalidade de cuidar da própria conservação e de 
ter uma vida mais satisfeita, o Estado é então instituído. O 
pacto pelo qual se dá a instituição do Estado consiste na 
submissão de cada um a um representante, para o qual 
será transmitido o direito ao uso da força para proteção 
dos representados. Daí aparece a ideia do soberano 
representante em Hobbes: 
O Estado, de acordo com Hobbes é instituído quan-
do uma multidão de homens concorda e pactua que 
qualquer homem ou assembleia de homens a quem 
seja atribuído pela maioria o direito de representá-los 
(ou seja, de ser seu representante), todos sem exceção, 
tanto os que votaram a favor como contra ele, deverão 
autorizar todos os seus atos (do homem ou assembleia 
de homens), tal como se fossem seus próprios atos e 
decisões, a fim de viverem em paz uns com os outros 
e serem protegidos do restante dos homens. (Gomes, 
2006, p. 14)
O contrato social descrito no Leviatã se encontra dire-
tamente ligado à ideia de representação. A essência do 
Estado está na pessoa do representante, que é o sobe-
rano. Quando há voluntariamente esse acordo entre os 
indivíduos de se submeterem a um homem, ou a uma 
assembleia de homens, dá-se a instituição do Estado. É a 
partir desse consentimento geral, motivado e preservado 
pela busca de segurança (por medo da morte), que deri-
vam os direitos dos soberanos. A autoridade concedida ao 
representante contém em si o maior poder do Estado. O 
poder do representante não encontra poder maior que o 
que lhe foi concedido, nem mesmo na união daqueles que 
lhe concederam. Assim é possível em Hobbes o uso da 
expressão "soberano representante", pois ele tudo pode.
Por tudo o que vimos até aqui podemos entender 
como a filosofia política é o estudo do “corpo social” 
e o "poder soberano" em Hobbes existe para impedir 
as consequências do estado de natureza (impedir que 
os homens se destruam uns aos outros), permitindo, 
com isso, a coexistência entre os homens. Para delegar 
esse poder a um soberano é preciso que os indivíduos 
cedam uma parte de seus direitos e o transfiram a um 
soberano por meio de um contrato ou pacto social pelo 
qual se institui e se organiza a sociedade civil e se evita a 
“guerra de todos contra todos”. Por meio desse pacto os 
indivíduos elegem um representante de seus interesses 
dotado de "poder absoluto".
Esse contrato se torna necessário porque o homem 
também deseja sobreviver. Esse desejo de sobrevivên-
cia também é uma lei natural e é em nome dela que os 
homens estabelecem esse contrato, cujo poder deve ser 
exercido por um soberano que pode ser uma assembleia 
ou parlamento, ou um rei.
Hobbes dá preferência à monarquia absolutista basea-
do no princípio de que o poder, para ser eficaz, deve ser 
exercido de forma absoluta, e não baseado nas teorias 
tradicionais do direito divino dos reis. Esse poder absoluto 
é o resultado da transferência dos direitos dos indivíduos 
ao soberano por meio do pacto social, mas esse poder 
absoluto só pode ser considerado legítimo enquanto 
assegura a paz civil e não para a realização da vontade 
pessoal do soberano.
 Resumo da ópera
Nesta aula trabalhamos com os pensadores do Re-
nascimento (Erasmo, Morus, Maquiavel e Hobbes) e res-
saltamos como ponto central a mudança de paradigma 
(modelo) que a Europa ocidental passou a viver: a Igreja e 
o clero perderam não só o monopólio do conhecimento, 
mas também deixaram de ser a única fonte de explicação 
para todas as coisas, já que o questionamento, observa-
ção, investigação e análise dos dados ali coletados for-
maram um caminho (método) para levantar hipóteses e 
teorias sobre a explicação dos fenômenos que envolvem 
o homem e o universo.
Ao tirar o foco da exclusiva orientação divina (teocen-
trismo) e apontá-lo em direção ao homem (antropocen-
trismo), o Renascimento abriu caminho para a construção 
do mundo que chamamos de moderno e criou um espaço 
de tensão aos segmentos dominantes, obrigando-os a 
reagir com força para não perderem ainda mais espaço. 
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 aula 6 FILOSOFIA
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EXERCÍCIOS
1. (Enem) 
Nasce daqui uma questão: se vale mais ser amado 
que temido ou temido que amado. Responde-se que 
ambas as coisas seriam de desejar; mas porque é 
difícil juntá-las, é muito mais seguro ser temido que 
amado, quando haja de faltar uma das duas. Porque 
dos homens se pode dizer, duma maneira geral, que 
são ingratos, volúveis, simuladores, covardes e ávidos 
de lucro, e enquanto lhes fazes bem são inteiramente 
teus, oferecem-te o sangue, os bens, a vida e os filhos, 
quando, como acima disse, o perigo está longe; mas 
quando ele chega, revoltam-se.
MAQUIAVEL, N. 
O príncipe. Rio de Janeiro: Bertrand, 1991.
A partir da análise histórica do comportamento hu-
mano em suas relações sociais e políticas, Maquia-
vel define ohomem como um ser
a) munido de virtude, com disposição nata a praticar o 
bem a si e aos outros.
b) possuidor de fortuna, valendo-se de riquezas para 
alcançar êxito na política.
c) guiado por interesses, de modo que suas ações são 
imprevisíveis e inconstantes.
d) naturalmente racional, vivendo em um estado pré-
-social e portando seus direitos naturais.
e) sociável por natureza, mantendo relações pacíficas 
com seus pares.
2. (Enem) 
A natureza fez os homens tão iguais, quanto às fa-
culdades do corpo e do espírito, que, embora por vezes 
se encontre um homem manifestamente mais forte de 
corpo, ou de espírito mais vivo do que outro, mesmo 
assim, quando se considera tudo isto em conjunto, a 
diferença entre um e outro homem não é suficiente-
mente considerável para que um deles possa com base 
nela reclamar algum benefício a que outro não possa 
igualmente aspirar.
HOBBES, T. 
Leviatã. São Paulo: Martins Fontes, 2003. 
Para Hobbes, antes da constituição da sociedade 
civil, quando dois homens desejavam o mesmo 
objeto, eles
a) entravam em conflito. 
b) recorriam aos clérigos.
c) consultavam os anciãos.
d) apelavam aos governantes. 
e) exerciam a solidariedade.
3. (UEL) 
Justiça e Estado apresentam-se como elementos 
indissociáveis na filosofia política hobbesiana. Ao 
romper com a concepção de justiça defendida pela 
tradição aristotélico-escolástica. Hobbes propõe uma 
nova moralidade relacionada ao poder político e sua 
constituição jurídica. O Estado surge pelo pacto para 
possibilitar a justiça e, na conformidade com a lei, se 
sustenta por meio dela. No Leviatã (caps. XIV-XV), a 
justiça hobbesiana fundamenta-se, em última instância, 
na lei natural concernente à autoconservação, da qual 
deriva a segunda lei que impõe a cada um a renúncia 
de seu direito a todas as coisas, para garantir a paz 
e a defesa de si mesmo. Desta, por sua vez, implica 
a terceira lei natural: que os homens cumpram os 
pactos que celebrarem. Segundo Hobbes, “onde não 
há poder comum não há lei, e onde não há lei não há 
injustiça. Na  guerra, a força e a fraude são as duas 
virtudes cardeais”.
HOBBES, T. 
Leviatã. Trad. J. Monteiro e M. B. N. da Silva. São Paulo: 
Nova Cultural, 1997. 
(Coleção Os Pensadores, cap. XIII.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre o 
pensamento de Hobbes, é correto afirmar:
a) A humanidade é capaz, sem que haja um poder 
coercitivo que a mantenha submissa, de consentir na 
observância da justiça e das outras leis de natureza 
a partir do pacto constitutivo do Estado.
b) A justiça tem sua origem na celebração de pactos 
de confiança mútua, pelos quais os cidadãos, ao 
renunciarem sua liberdade em prol de todos, remo-
vem o medo de quando se encontravam na condição 
natural de guerra.
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c) A justiça é definida como observância das leis naturais e, portanto, a injustiça consiste na submissão ao poder 
coercitivo que obriga igualmente os homens ao cumprimento dos seus pactos.
d) As noções de justiça e de injustiça, como as de bem e de mal, têm lugar a partir do momento em que os homens 
vivem sob um poder soberano capaz de evitar uma condição de guerra generalizada de todos.
e) A justiça torna-se vital para a manutenção do Estado na medida em que as leis que a efetivam sejam criadas, por 
direito natural, pelos súditos com o objetivo de assegurar solidariamente a paz e a segurança de todos.
ESTUDO ORIENTADO
Caro(a) aluno(a),
Ao estudar o pensamento renascentista, é importante não só a compreensão de uma mudança de paradigma (teo-
centrismo substituído pelo antropocentrismo), mas também a forma como as premissas da metodologia e pensamento 
científico estavam se estruturando, possibilitando a abertura de importante caminho para se consolidar como forma de 
estudo e produção de conhecimento.
Nos exames, o período renascentista, bem como sua produção cultural e intelectual, são bastante solicitados, sendo 
exigido do candidato o conhecimento sobre os conceitos e a mentalidade daquele contexto. A principal ferramenta é 
a leitura e interpretação de textos
Na seção Passear, há uma sugestão de visita ao Masp para vivenciar em imagens o que seria essa nova “visão de 
mundo” que se abre a partir do século XVI.
Bons estudos!
EXERCÍCIOS
1. (Enem) 
Acompanhando a intenção da burguesia renascentista de ampliar seu domínio sobre a natureza e sobre o espaço 
geográfico, através da pesquisa científica e da invenção tecnológica, os cientistas também iriam se atirar nessa aventura, 
tentando conquistar a forma, o movimento, o espaço, a luz, a cor e mesmo a expressão e o sentimento. 
SEVCENKO, N. 
O Renascimento. Campinas: Unicamp, 1984.
O texto apresenta um espírito de época que afetou também a produção artística, marcada pela constante relação 
entre
a) fé e misticismo. 
b) ciência e arte. 
c) cultura e comércio. 
d) política e economia. 
e) astronomia e religião.
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2. (UFF) De acordo com o filósofo inglês Thomas Ho-
bbes (1588-1679), em seu estado natural, os seres 
humanos são livres, competem e lutam entre si. 
Mas como têm em geral a mesma força, o confli-
to se perpetua através das gerações, criando um 
ambiente de tensão e medo permanentes. Para 
Hobbes, criar uma sociedade submetida à lei e na 
qual os seres humanos vivam em paz e deixem de 
guerrear entre si, pressupõe que todos os homens 
renunciem a sua liberdade original e deleguem a 
um só deles (o soberano) o poder completo e in-
questionável.
Assinale a modalidade de governo que desempe-
nhou importante papel na Filosofia Política Moder-
na e que é associada à teoria política de Hobbes.
a) Sistema republicano
b) Despotismo esclarecido
c) Monarquia censitária
d) Sistema parlamentar
e) Monarquia absoluta
3. (Enem) 
A filosofia encontra-se escrita neste grande livro que 
continuamente se abre perante nossos olhos (isto é, o 
universo), que não se pode compreender antes de en-
tender a língua e conhecer os caracteres com os quais 
está escrito. Ele está escrito em língua matemática, os 
caracteres são triângulos, cujos meios é impossível en-
tender humanamente as palavras; sem eles, vagamos 
perdidos dentro de um obscuro labirinto.
GALILEI, G. 
O ensaiador. Os pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 
1978.
No contexto da Revolução Científica do século XVII, 
assumir a posição de Galileu significava defender a
a) continuidade do vínculo entre ciência e fé dominante 
na Idade Média. 
b) necessidade de o estudo linguístico ser acompanhado 
do exame matemático. 
c) oposição da nova física quantitativa aos pressupostos 
da filosofia escolástica.
d) importância da independência da investigação cien-
tífica pretendida pela Igreja.
e) inadequação da matemática para elaborar uma ex-
plicação racional da natureza. 
4. (Unesp)
Texto I
Sócrates – Ao atingir os cinquenta anos, os que tive-
rem se distinguido em tudo e de toda maneira, no seu 
agir e nas ciências, deverão ser levados até o limite e 
forçados a elevar a parte luminosa da sua alma ao Ser 
que ilumina todas as coisas. Então, quando tiverem 
vislumbrado o bem em si mesmo, usá-lo-ão como um 
modelo para organizar a cidade, os particulares e a sua 
própria pessoa, pelo resto da sua vida. Passarão a maior 
parte do seu tempo estudando a filosofia e, quando 
chegar sua vez, suportarão trabalhar nas tarefas de 
administração e governo, por amor à cidade, pois que 
verão nisso um dever indispensável. Assim, depois de 
terem formado sem cessar homens que lhes sejam 
semelhantes, para lhes deixar a guarda da cidade, irão 
habitar as ilhas dos bem-aventurados.
Glauco – São mesmo belíssimos, Sócrates, os gover-
nantes que modelaste como um escultor! 
Platão. 
A República, 2000. Adaptado.
Texto II
Origina-se aí a questão a ser discutida: se é preferível 
ao príncipe ser amado ou temido. Responder-se-á que 
se preferiria uma e outra coisa; porém, como é difícil 
unir, a um só tempo, as qualidades que promovem 
aqueles resultados,pessoa, sendo que o filho deste casal está pró-
ximo e houve a conversa dos pais. Algum tempo depois, 
o parente que era o “assunto da conversa” chega para 
visitar o casal e a criança, buscando interagir com este 
visitante, diz: “Minha mãe e meu pai falaram que você é 
muito chato!”. Situação constrangedora e complicada, 
pois, no conjunto das relações sociais do mundo adulto, 
esse típico e espontâneo comentário feito pela criança é 
inadequado. Devemos falar tudo o que pensamos sobre 
as outras pessoas e o mundo? Como fica a defesa da 
verdade como valor em meio às conveniências da vida 
social? Então, no convívio social são aceitas as “mentiras 
sociais”, que genericamente chamamos de “desculpas”, 
e daí podemos “moldar” a realidade, de acordo com a 
necessidade, abrindo um espectro variado de atitudes 
que vêm ter a dissimulação como algo comum e não 
necessariamente são um desvio de caráter.
Portanto, para o filósofo, a verdade se constitui como um 
valor que o aproximará da sophia, a sabedoria (sapientia, 
em latim). Um filósofo pode ser um sábio, mas nem todo 
sábio é um filósofo. A sabedoria é oriunda tanto da expe-
riência prática da vida quanto do conhecimento formal, 
adquirido com mestres por meio da dedicação aos estudos. 
E daí, novamente, pensando no senso comum, esbarra-
mos naquelas colocações: “A minha filosofia de vida é ...” 
ou “A empresa que eu trabalho tem como filosofia ...”. 
Portanto numa visão simplória, filosofia pode ser qual-
quer conjunto de ideias ou pensamentos, dito ou escrito 
por qualquer pessoa, sem levar em conta a trajetória do 
processo de produção de conhecimento, a reflexão e o 
uso de uma metodologia sistematizada para a produção 
daquele saber, que na Filosofia é estudado por um campo 
chamado de "epistemologia".
Desse modo, a produção de conhecimento (gnósis, 
em grego) provém da fundamentação teórica, resultado 
da reflexão, e, nesse caso, a palavra "teoria" (do grego 
theoria, "contemplação") está relacionada à uma ação 
intelectual pura, articulada pela metodologia e pelos 
princípios, para entender um determinado fenômeno, 
portanto, alheia às condições da emoção, mas orientadas 
pelos referenciais da razão (logos, em grego), os ditames 
do pensamento que oferecem um direcionamento para as 
ações, e daí teremos a palavra "lógica", que constituiu um 
importante campo de estudo do conhecimento filosófico.
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 Resumo da ópera4
Nesta aula, apresentamos, em linhas gerais, o que é a Filosofia, seu objeto de estudo e origens, além dos principais 
conceitos que trabalharemos ao longo das aulas. Destacamos que estudar Filosofia não nos fará filósofos, mas os 
conceitos, a teoria e a metodologia aprendidos nos permitirão uma abordagem sobre diferentes campos do conheci-
mento humano, buscando responder como se deram e se dão, as relações da humanidade com o universo e como o 
ser humano se vê e se posiciona perante diferentes tipos de situações na vida coletiva, usando sua racionalidade para 
explicar o mundo. Não sabemos se encontraremos todas as respostas, mas temos como um grande desafio percorrer 
esse caminho em busca de uma série de possibilidades de entender como os diferentes autores e suas obras levaram 
à humanidade às suas atuais conquistas.
ESTUDO ORIENTADO
Caro(a) aluno(a),
Nesta aula de “Introdução à Filosofia”, temos o objetivo de apresentar as principais características desta disciplina, 
uma síntese de sua origem e história, para, em seguida, trabalhar com os primeiros conceitos. Nos exercícios a seguir, 
a perspectiva é analisar a relação entre o discurso filosófico e os diferentes tipos de discursos (científicos, mitológicos 
e outros) que se colocam como contraposição ou afirmação ao saber filosófico.
Lembre-se: questionar o objeto de estudo é algo imprescindível para a compreensão do pensamento filosófico, e 
esse processo será trabalhado por meio da resolução de exercícios e da análise de fragmentos de autores referentes 
ao período ou tema estudados.
Boa leitura e reflexão!
EXERCÍCIOS
1. (UEM) 
Para referir-se à palavra e à linguagem, os gregos possuíam duas palavras: mythos e lógos. Diferentemente do mythos, 
lógos é uma síntese de três ideias: fala/palavra, pensamento/ideia e realidade/ser. Lógos é a palavra racional em que se 
exprime o pensamento que conhece o real. É discurso (ou seja, argumento e prova), pensamento (ou seja, raciocínio e 
demonstração) e realidade (ou seja, as coisas e os nexos e as ligações universais e necessárias entre os seres). [...] Essa 
dupla dimensão da linguagem (como mythos e lógos) explica por que, na sociedade ocidental, podemos comunicar-nos 
e interpretar o mundo sempre em dois registros contrários e opostos: o da palavra solene, mágica, religiosa, artística e o 
da palavra leiga, científica, técnica, puramente racional e conceitual.
CHAUÍ, M. 
Convite à filosofia. 
São Paulo: Ática, 2011. p. 187-188.
4. Hoje muito comum, essa expressão – “resumo da ópera” – remete à ideia de um apanhado geral sobre determinado assunto, mas sua origem é antiga. Ela vem do italiano sommàrio 
dell’Opera, termo usado no século XVII para se referir a uma breve apresentação de uma obra de arte (escultura, pintura, construção etc.), pois inicialmente opera significava “obra” ou 
“ação”. Ainda no século XVII, o canto lírico passou a ser chamado de “ópera”; no teatro, os espectadores recebiam um pequeno livro (libretto) para acompanhar as árias (composições 
musicais que fazem parte da ópera), além de uma sinopse do enredo da peça. Daí a relação entre a função primeira da expressão e o uso que lhe damos hoje. 
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A partir do texto, assinale a(s) alternativa(s) 
correta(s). 
01) O mythos é uma linguagem que comunica saberes 
e conhecimentos.
02) As coisas próprias do domínio religioso são inefá-
veis, ou seja, não podem ser pronunciadas e ditas 
pela linguagem humana.
04) O mythos não possui o mesmo poder de convenci-
mento e de persuasão que o lógos.
08) O lógos é, ao mesmo tempo, o exercício da razão e 
sua enunciação para os seres humanos.
16) O lógos é muito mais do que a palavra, é a expressão 
das qualidades essenciais do ser, a possibilidade de 
conhecer as coisas nos seus fundamentos primeiros.
2. (UPE-2013) 
A filosofia, no que tem de realidade, concentra-se na 
vida humana e deve ser referida sempre a esta para 
ser plenamente compreendida, pois somente nela e 
em função dela adquire seu ser efetivo.
VITA, Luís Washington. 
Introdução à filosofia. 
São Paulo: Melhoramentos, 1964. p. 20. 
Sobre esse aspecto do conhecimento filosófico, é 
correto afirmar que: 
a) a consciência filosófica impossibilita o distanciamen-
to para avaliar os fundamentos dos atos humanos e 
dos fins aos quais eles se destinam. 
b) um dos pontos fundamentais da filosofia é o desejo 
de conhecer as raízes da realidade, investigando-lhe 
o sentido, o valor e a finalidade. 
c) a filosofia é o estudo parcial de tudo aquilo que é 
objeto do conhecimento particular. 
d) o conhecimento filosófico é trabalho intelectual, 
de caráter assistemático, pois se contenta com as 
respostas para as questões colocadas. 
e) a filosofia é a consciência intuitiva sensível que bus-
ca a compreensão da realidade por meio de certos 
princípios estabelecidos pela razão. 
3. (Unesp)
O hormônio testosterona está ligado ao egoísmo, se-
gundo uma pesquisa inglesa. Em testes feitos por cien-
tistas da University College of London, na Grã-Bretanha, 
mulheres que tomaram doses do hormônio masculino 
mostraram comportamento egocêntrico quando tinham 
de lidar com problemas em pares. Quando os pesqui-
sadores ministraram placebo às voluntárias antes dos 
testes, elas cooperaram entre si. O estudo ajuda a ex-
plicar como os hormônios moldam o comportamento 
humano.
Testosterona pode induzir comportamento egoísta. 
Veja, 1 fev. 2012.
O pressuposto fundamental assumido pela pesqui-
sa citada para explicar o comportamento humano 
podeé muito mais seguro ser temido 
do que amado, quando se veja obrigado a falhar numa 
das duas. Os homens costumam ser ingratos, volúveis, 
covardes e ambiciosos de dinheiro; enquanto lhes 
proporcionas benefícios, todos estão contigo. Todavia, 
quando a necessidade se aproxima, voltam-se para 
outra parte. Os homens relutam menos em ofender aos 
que se fazem amar do que aos que se fazem temer, 
pois o amor se mantém por um vínculo de obrigação, 
o qual, mercê da perfídia humana, rompe-se sempre 
que for conveniente, enquanto o medo que se incute 
é alimentado pelo temor do castigo, sentimento que 
nunca se abandona.
Maquiavel. 
O Príncipe, 2000. Adaptado. 
FILOSOFIA aula 6
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Considerando os conceitos filosóficos de “idealis-
mo”, “metafísica” e “ética”, explique as diferenças 
entre as concepções de política formuladas por Pla-
tão e por Maquiavel.
RODA DE LEITURA
Texto I
A renúncia da liberdade em favor da ordem
Thomas Hobbes (1588-1679), pensador inglês que 
presenciou todo processo de tensão política na Grã-
-Bretanha, assistindo a ascensão, queda e restauração 
dos Stuart (1603-49/1660-89). No turbilhão da Revolução 
Puritana (1642-49), durante a ascensão do ditador re-
publicano Oliver Cromwell (1649-1659), Hobbes ainda 
escreveu O Leviatã, em 1651, obra que defende o esta-
belecimento de um contrato social entre os súditos e o 
Estado, pois os primeiros abrem mão de sua liberdade 
em troca da segurança oferecida pelo segundo.
[...] O único caminho para erigir semelhante poder 
comum, capaz de defendê-los contra a invasão dos 
estrangeiros e contra as injúrias alheias, assegurando-
-lhes de tal modo que por sua própria atividade e pelos 
frutos da terra poderão nutrir-se a si mesmos e viver 
satisfeitos, é conferir todo o seu poder a um homem 
ou a uma assembleia de homens, todos os quais, por 
pluralidade de votos, possam reduzir suas vontades a 
uma vontade. Isto equivale a dizer: eleger um homem 
ou uma assembleia de homens que representem sua 
personalidade; e que cada um considere como próprio 
e se reconheça a si mesmo como autor de qualquer 
coisa que faça ou promova aquele que representa a 
sua pessoa, naquelas coisas que concernem à paz e 
à segurança comuns; que, além disso, submetam suas 
vontades cada um à vontade daquele, e seus juízos 
a seu juízo. [...] O titular desta pessoa se denomina 
soberano, e se diz que tem poder soberano; cada um 
dos que o rodeiam é seu súdito (Hobbes, 1978, p. 105).
Texto II
O Absolutismo de direito divino
Jacques Bossuet (1627-1704), cardeal-orador da corte 
de Luís XIV de Bourbon, autor de A Política Inspirada nas 
Sagradas Escrituras e propõe que o rei é o “escolhido” 
de Deus na Terra, com poder incontestável e que só 
deve justificativas ao próprio Criador.
[...] Três razões fazem ver que este governo é o me-
lhor. A primeira é que é o mais natural e se perpetua por 
si próprio [...]. A segunda razão [...] é que esse governo 
é o que interessa mais na conservação do Estado e dos 
poderes que o constituem: o príncipe, que trabalha para 
o seu Estado, trabalha para os seus filhos, e o amor 
que tem pelo seu reino, confundido com o que tem 
pela sua família, torna-se natural [...]. A terceira razão 
tira-se das dignidades das casas reais [...] A inveja, que 
se tem naturalmente daqueles que estão acima de nós, 
torna-se aqui em amor e respeito; os próprios grandes 
obedecem sem repugnância a uma família que sempre 
viram como superior e à qual se não conhece outra 
que a possa igualar [...]. O trono real não é um trono 
de um homem, mas o trono do próprio Deus [...]. O rei 
vê de mais longe e de mais alto; deve acreditar-se que 
ele vê melhor, e deve obedecer-lhe sem murmurar, 
pois o murmúrio é uma disposição para a sedição [...] 
(Bossuet, 1964, p. 80)
NAVEGAR
 Livros 
SEVCENKO, Nicolau. O Renas-
cimento. São Paulo: Atual, 1994. 
(Coleção Discutindo a História.)
Um texto muito claro e preciso 
que fornece uma abordagem 
ampla sobre o Renascimento, 
vendo-o não só como um conjun-
to de transformações culturais, 
mas também como um processo 
de mudança que atingiu as ques-
tões socioeconômicas e políticas, relacionando-as com 
a mentalidade do período entre os séculos XIV e XVI. 
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Platão entende a existência de um mundo das ideias (mundo inteligível) que se distingue 
do mundo em que vivemos (mundo sensível), o qual seria apenas a projeção das sombras 
do primeiro, que estaria além do nosso alcance matérico. Portanto, numa dimensão meta-
física, atingível pelo uso da razão, acima das questões mundanas e dos jogos de poder, e 
seu acesso pelos filósofos garantiria o exercício do governo pensando-se no bem comum 
acima de tudo, de onde Platão concebe a ideia do “filósofo-rei”.
Maquiavel, por sua vez, abre mão dos elevados valores éticos (o bem, a justiça, a ho-
nestidade), porque condiciona a ação humana em prol do alcance e controle do poder 
a qualquer preço e custo, propondo o exercício da política numa perspectiva amoral e 
acima dos valores religiosos, portanto, a defesa das razões de Estado está em primeiro 
lugar e o governante deve usar de todos os recursos (violência, injustiça, desonestidade) 
para se sustentar no poder. 
 POLISABER 39
 aula 6 FILOSOFIA
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BURKE, Peter. O Renasci-
mento italiano. São Paulo: Nova 
Alexandria, 1994.
Professor da Universidade de 
Cambridge na Inglaterra e espe-
cialista nas pesquisas ligadas à 
História da Cultura, Peter Burke 
nos oferece uma análise muito 
fina e precisa do processo de 
transformação da cultura euro-
peia na passagem dos séculos XV e XVI.
PASSEAR
No Masp (Museu de Arte de São Paulo), situado na 
Avenida Paulista, no 1578, encontramos um espaço pri-
vilegiado para vivenciar cultura e arte na capital paulista. 
Seu acervo foi constituído principalmente pela ação de 
Assis Chateaubriand e Pietro Maria Bardi (crítico de arte 
e diretor do museu), e abriga um grande número de pin-
turas renascentistas e de outros períodos, tornando-o 
uma referência em toda a América Latina.
Sua localização na avenida mais famosa da cidade, em 
um prédio projetado pela arquiteta Lina Bo Bardi e inaugu-
rado em 1968, tornou o Masp um ponto de encontro, seja 
para conhecer o acervo do museu, seja para frequentar a 
feira de antiguidades que ocorre no vão do prédio (todo 
domingo) ou para reivindicar questões centrais na vida 
política brasileira, sendo então polo de convergência para 
passeatas e manifestações.
ÁGORA
Atividade: Debate sobre o exercício do poder.
Objetivos:
 – analisar as características de organização do Es-
tado;
 – caracterizar as visões de Maquiavel, Hobbes e 
Bossuet sobre o Estado;
 – contrapor a visão contratualista (Hobbes) e divina 
(Bossuet) com a crítica de Erasmo e Morus. 
FILOSOFIA aula 6
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S E N H A
“Penso, logo existo.”
Discurso sobre o método, de René Descartes.
 POLISABER 41
 aula 6 FILOSOFIA
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Racionalismo e Empirismo 
(Descartes e Locke) 
A Revolução Científica
O século XVII representa, na história do homem, a cul-
minação de um processo em que se subverteu a imagem 
que ele tinha de si próprio e do mundo. A emergência 
da nova classe dos burgueses determina a produção 
de uma nova realidade cultural, a ciência física, que se 
exprime matematicamente. A atividade filosófica, a partir 
daí, reinicia um novo trajeto: ela se desdobra como uma 
reflexão cujo pano de fundo é a existência dessa ciência. 
A revolução científica determinou a quebra do modelo 
de inteligibilidade apresentado pelo aristotelismo, o que 
provocou, nos novos pensadores, o receio de enganar-se 
novamente. A procura da maneira de evitar o erro faz 
surgir a principal característica do pensamento moderno: 
a questão do método. Essa preocupação centraliza as 
reflexões não apenas no conhecimento do ser (meta-
física), mas, sobretudo, no problema do conhecimento 
(teoria do conhecimento ou epistemologia). Podemos 
dizer queaté então a filosofia tem uma atitude realista, 
no sentido de não colocar em questão a existência do 
objeto, a realidade do mundo. A Idade Moderna inverte 
o polo de atenção, centralizando no sujeito a questão do 
conhecimento. Se o pensamento que o sujeito tem do ob-
jeto concorda com o objeto, dá-se o conhecimento. Mas 
qual é o critério para se ter certeza de que o pensamento 
concorda com o objeto? Isto é, um dos problemas que 
a teoria do conhecimento terá que propor e solucionar 
é aquele de saber quais são os critérios, as maneiras, os 
métodos de que se pode valer o homem para ver se um 
conhecimento é ou não verdadeiro.
As soluções apresentadas a essas questões vão originar 
duas correntes: o racionalismo e o empirismo.
Racionalismo
Corrente filosófica que enfatiza o papel da razão como 
fundamento do modo de conhecer a realidade. Nessa 
perspectiva, a razão vai possibilitar a apreensão e a jus-
tificação do conhecimento sem o recurso da experiência 
sensorial interferindo no processo do conhecimento. A 
razão é, assim, a única fonte de qualquer conhecimento, 
e é ainda capaz de, sozinha, chegar à verdade absoluta 
das coisas.
 René Descartes
René Descartes nasceu na França, de família nobre. 
Aos 8 anos, órfão de mãe, foi enviado para o colégio dos 
jesuítas de La Flèche, onde se revelou um aluno brilhan-
te. Terminou o secundário em 1612, contente com seus 
mestres, mas descontente consigo mesmo, pois não 
havia descoberto a Verdade que tanto procurava nos 
livros. Decidiu procurá-la no mundo, assim passou a viajar 
muito. Alistou-se nas tropas holandesas de Maurício de 
Nassau em 1618 e sob a influência de Isaac Beeckmann, 
entrou em contato com a física copernicana. Em seguida, 
alistou-se nas tropas da Baviera durante a Guerra dos 
Trinta Anos (1618-48). Para receber a herança da mãe, 
retornou a Paris, onde frequentou os meios intelectuais 
e, aconselhado pelo cardeal Pierre de Bérulle, dedicou-se 
ao estudo da filosofia, com o objetivo de conciliar a nova 
ciência com as verdades do cristianismo. A fim de evitar 
problemas com a Inquisição, foi para a Holanda em 1629, 
onde estudou matemática e física. 
Escreveu muitos livros e cartas, entre eles destacaram-
-se: O discurso do método, As meditações metafísicas, Os 
princípios de filosofia, O tratado do homem e o tratado 
do mando. Convidado pela rainha Cristina, vai passar 
uns tempos em Estocolmo, onde morreu de pneumonia 
um ano depois. 
FILOSOFIA – AULA 7
É necessário que ao menos uma vez na vida você 
duvide, tanto quanto possível, de todas as coisas. 
Discurso sobre o método, de René Descartes.FR
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Toda a obra de Descartes mostra que o conhecimento 
requer, para ser válido, um fundamento metafísico. Ele 
partiu da dúvida metódica: se eu duvido de tudo o que 
me vem pelos sentidos, e se duvido até mesmo das 
verdades matemáticas, não posso duvidar de que tenho 
consciência de duvidar, portanto, de que existo enquanto 
tenho essa consciência. O “cogito” é, pois, a descoberta 
do espírito por si mesmo, que se percebe que existe como 
sujeito: eis a primeira verdade descoberta para o funda-
mento da metafísica e cuja evidência fornece o critério 
da ideia verdadeira. Assim, a metafísica é fundadora de 
todo saber verdadeiro.
Empirismo
É a doutrina ou teoria do conhecimento, segundo 
a qual todo conhecimento humano deriva, direta ou 
indiretamente, da experiência sensível externa ou interna. 
Frequentemente, fala-se do “empírico” como daquilo que 
se refere à experiência, às sensações e às percepções, 
relativamente aos encadeamentos da razão. O empirismo, 
sobretudo de Locke e de Hume, demonstra que não há 
outra fonte do conhecimento senão a experiência e a 
sensação. As ideias só nascem de um enfraquecimento 
da sensação, e não podem ser inatas. Daí o empirismo 
rejeitar todas as especulações como vãs e impossíveis de 
circunscrever. Seu grande argumento: “Nada se encontra 
no espírito que não tenha, antes, estado nos sentidos”. “A 
não ser o próprio espírito”, responde Leibniz. Kant tenta 
resolver o debate: todos os nossos conhecimentos, diz ele, 
provêm da experiência, mas segundo quadros e formas a 
priori que são próprios de nosso espírito. Com isso, tenta 
evitar o perigo do dogmatismo e do empirismo.
Segundo Locke, o conhecimento é oriundo da experiência.
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 John Locke (1632-1704) 
John Locke nasceu perto de Bristol, Inglaterra. Estudou 
medicina e foi secretário político de vários homens de 
Estado. Fez várias viagens ao exterior. Até os 38 anos, 
não manifestou nenhuma vocação filosófica. Foi somente 
em 1670-71 que seu pensamento tomou um novo rumo: 
surgiu-lhe a ideia de sua grande obra: Ensaio sobre o en-
tendimento humano em 1690. No mesmo ano, escreveu 
o Ensaio sobre a tolerância. Em 1693, publicou A razoa-
bilidade do Cristianismo. Sua obra foi uma reação contra 
Descartes e sua doutrina das ideias inatas. Ao descrever a 
formação de nossas ideias, Locke mostrou que todas elas 
têm por fonte a experiência. Ele defendeu o empirismo 
contra o racionalismo cartesiano.
O essencial de sua doutrina é sua teoria do conheci-
mento: 
a) todo conhecimento humano tem sua origem na 
sensação: “nada há na inteligência que, antes, não tenha 
estado nos sentidos”; não há ideias inatas no espírito; 
b) a partir dos dados da experiência, o entendimento 
vai produzir novas ideias por abstração; 
c) se o entendimento humano é passivo na origem, pois 
é tributário dos sentidos, tem um papel ativo, pois pode 
combinar as ideias simples e formar ideias complexas. 
Assim, seu empirismo leva-o a conferir à probabilidade 
um papel essencial no conhecimento. Quanto à política, 
parte da seguinte ideia: “Os homens são todos, por na-
tureza, livres, iguais e independentes, e ninguém pode 
ser despossuído de seus bens nem submetido ao poder 
político sem seu consentimento”.
Segundo Hume, a Ciência consegue atingir as certezas morais.
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 aula 7 FILOSOFIA
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 David Hume (1711-1776) 
O filósofo e historiador escocês David Hume nasceu em 
Edimburgo. Estudou filosofia e se interessou pelas letras. 
Abandonou o curso de Direito e dedicou-se ao comércio, 
passando três anos na França (1734-1737). Retornou à 
Inglaterra, tornou-se secretário do general Saint Clair e 
o acompanhou a Viena e Turim. Em 1744, candidatou-se 
a uma cadeira de filosofia em Edimburgo, foi acusado de 
ateísmo e não nomeado. Posteriormente, candidatou-se 
à cadeira de lógica em Glasgow, para substituir Adam 
Smith, e fracassou novamente. Conseguiu ser nomeado 
bibliotecário da faculdade de direito, onde se dedicou 
a uma grande atividade literária. Em 1763, retornou à 
França como secretário da embaixada, onde conheceu 
Rousseau. Voltou à Inglaterra e tornou-se subsecretário 
de Estado (1767-1768). No ano seguinte (1769), regressou 
então a Edimburgo, onde permaneceu até sua morte. A 
filosofia de David Hume caracteriza-se como um feno-
menismo que procede ao mesmo tempo do empirismo 
de Locke e do idealismo de Berkeley: também é conhe-
cida por ser um ceticismo, na medida em que reduz os 
princípios racionais a ligações de ideias fortificadas pelo 
hábito e o eu a uma coleção de estados de consciência. 
Suas obras principais são: O tratado sobre a natureza hu-
mana (1739), Ensaios morais, políticos e literários (1741), 
Investigação sobre o entendimento humano (1748), Dis-
cursos políticos (1752), História da Inglaterra durante os 
reinados de James I e Carlos I (1754) e Diálogos sobre a 
religião natural (1779), póstuma. Abordam os seguintes 
temas fundamentais: 
a) não é possível nenhuma teoria geral da realidade: o 
homem não pode criar ideias, pois está inteiramente 
submetido aos sentidos; todos os nossos conheci-
mentos vêm dos sentidos;
b)a ciência só consegue atingir certezas morais: suas 
verdades são da ordem da probabilidade;
c) não há causalidade objetiva, pois nem sempre as 
mesmas causas produzem os mesmos efeitos;
d) convém que substituamos toda certeza pela proba-
bilidade. Eis seu ceticismo, a condição da tolerância 
e da coexistência pacífica entre os homens. Trata-se 
de um ceticismo teórico, não válido na vida prática.
Para Leibniz, "Nada se encontra no espírito que não 
tenha, antes, estado nos sentidos".
 Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716) 
A filosofia de Leibniz pode ser vista como um con-
junto de princípios da organização que estabelece 
relação de liberdade entre vários elementos do mun-
do. Para Leibniz a razão é possibilidade de estabe-
lecer relações entre esses elementos, uma relação 
lógica que é organizada por meio da matemática. 
Leibniz escreveu diversos ensaios, mas não expôs de 
modo organizado e sistemático seu pensamento filosó-
fico, mesmo assim podemos dizer que ele acreditava na 
existência no mundo de uma ordem necessária, livre e 
que se organizava de forma espontânea. Essa ordem se 
desenvolvia segundo o melhor modo possível dentro das 
várias possibilidades.
A criação do mundo tal como o encontramos seguiu 
uma ordem geral e uma regularidade. Entre as diversas 
possibilidades de organização do mundo, Deus escolheu 
a melhor de todas, a que mais se assemelhava à Sua per-
feição e a mais simples de todas. Em outras palavras, o 
mundo que temos e no qual vivemos é o melhor mundo 
possível.
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O mundo existente era uma possibilidade e se realizou 
seguindo uma regra que não é necessária mas que foi 
aceita de forma livre pelos elementos que configuraram 
o mundo tal como ele é. As possibilidades de organi-
zação do mundo são infinitas, mas Deus escolheu, de 
forma livre, entre elas a melhor possibilidade, e fez isso 
usando a razão.
Dizer que o mundo tem uma ordem não é o mesmo que 
dizer que o mundo é necessário ou dizer que o mundo 
necessita de uma determinada ordem. A necessidade faz 
parte do mundo da lógica, da razão, e não do mundo real. 
Assim, Leibniz diferencia a verdade de razão da verdade 
de fato, as primeiras são imprescindíveis, não obedecem 
a realidade, se repetem indefinidamente, não trazem nada 
de novo e são inatas.
As verdades de fato não têm em si a sua razão de ser e di-
zem respeito ao mundo real, elas são a realização de um dos 
inúmeros mundos possíveis. O contrário de uma verdade 
de fato também pode existir. A ordem da existência das 
verdades de fato deve ter um princípio, e esse princípio é 
o que de modo geral a filosofia de Leibniz tenta encontrar.
Leibniz se pergunta por que existe esse mundo em vez 
de nada? Esse mundo não tem em si uma razão de ser e 
de existir e como não tem em si uma razão de ser, essa 
razão deve estar fora desse mundo. Para ele a razão de 
ser do mundo está em Deus. E se nos perguntarmos por 
que esse mundo é assim, a resposta é que é assim porque 
é o melhor mundo possível e por isso Deus escolheu ser 
de tal forma.
Outro aspecto inovador em Leibniz é a sua teoria da 
natureza. Inicialmente ele acreditava que “a natureza 
não dá saltos”, ou seja, para que algo na natureza passe 
a ser outra coisa ela tem que passar por todos os graus 
intermediários que existem entre o que ela é e o que ela 
vai ser, por exemplo, para uma criança se tornar adulta ela 
tem que passar por todas as fases intermediárias. Mais 
tarde em seus escritos ele formula o conceito de força, 
ou de ação motora, que é a capacidade de algo produzir 
determinados efeitos, por exemplo, os nossos músculos 
têm a capacidade de movimentar os membros, de movi-
mentar outros objetos e portanto de gerar efeitos sobre 
os membros e os objetos.
Mas a força é mais do que o simples movimento, a força 
é algo colocado na natureza por Deus e não é somente uma 
capacidade das coisas naturais, mas um esforço de um 
movimento ou de um efeito que pode acontecer se não for 
interrompido por uma força maior. A essência das substân-
cias é o agir. A força é, assim, a essência do mundo natural. 
As mônadas
Os princípios do conhecimento formulados por Leibniz 
levaram-no a uma concepção do mundo oposta à car-
tesiana. Enquanto Descartes formula uma concepção 
geométrica e mecânica dos corpos, Leibniz constrói uma 
concepção dinâmica. Nesse sentido, explica os seres não 
como máquinas que se movem, mas como forças vivas: 
“Os corpos materiais, por sua resistência e impenetrabili-
dade, revelam-se não como extensão, mas como forças; 
por outro lado, a experiência indica que o que se conserva 
num ciclo de movimento não é – como pensava Descar-
tes – a quantidade do movimento, mas a quantidade de 
força viva”. A partir da noção de matéria como essencial-
mente atividade, Leibniz chega à ideia de que o universo 
é composto de unidades de força, as mônadas, noção 
fundamental de sua metafísica. Essa noção, contudo, 
não se esgota na adição do atributo força ao conceito da 
matéria, formulado por Descartes. Leibniz chega também 
à noção de mônada mediante a experiência interior que 
cada indivíduo tem de si mesmo e que o revela como uma 
substância ao mesmo tempo una e indivisível.
Mônadas são substâncias simples, diferentes entre si, 
sem extensão, indivisíveis e eternas. Somente Deus pode 
criar ou destruir as mônadas. Cada mônada vê o mundo 
de seu ponto de vista e elas não se comunicam entre si. 
Qualquer mudança na mônada tem de ser o resultado de 
um processo interno, pois nada externo pode interferir nela.
Deus é também uma mônada, mas Ele percebe o mundo 
de todos os pontos de vista possíveis enquanto as outras 
mônadas percebem e representam o mundo somente 
do seu ponto de vista. Deus é a mônada das mônadas. 
Mônadas com memória compõem a alma dos animais e 
as mônadas que têm razão formam o espírito humano.
Nas mônadas superiores da alma humana os enten-
dimentos confusos indicam a nossa imperfeição e as 
dependências que temos da matéria. Nossa perfeição, 
por outro lado, está na força, na liberdade e nos nossos 
pensamentos diversos.
Nosso corpo e o corpo dos animais são uma reunião de 
mônadas que somente se mantêm agregadas por causa 
de nossa alma que é a mônada dominante; as mônadas 
do corpo e as mônadas da alma seguem leis indepen-
dentes; as do corpo seguem leis mecânicas e as da alma, 
as leis dos propósitos que pretendem alcançar. Corpo e 
alma vivem em harmonia graças a uma perfeita ordem 
estabelecida por Deus quando criou ambos.
As mônadas são isoladas, mas estão ligadas por serem 
uma a representação da outra. São como as diferentes re-
presentações que podemos ter do mundo, e todas juntas 
formam a representação do universo que se manifesta 
na mônada máxima que é Deus.
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 aula 7 FILOSOFIA
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 Resumo da ópera
Estudamos nesta aula que durante o século XVII observou-se o fortalecimento do poder real e da Igreja Católica, por 
meio da Contrarreforma em todo mundo católico (valendo-se da Inquisição e da Companhia de Jesus). Formou-se o 
ambiente ideal para o surgimento do Barroco, a síntese cultural de um período marcado pela luta entre a fé e a razão.
Foi nesse momento que as bases do racionalismo foram lançadas por meio dos estudos teóricos de filosofia, ciências 
matemáticas e pensamento político, os quais contestavam ou condenavam a ordem absolutista e a concepção de mundo 
católica. Destacaram-se como principais teóricos desse período René Descartes, John Locke e Leibniz.
EXERCÍCIOS
1. (Unesp) 
A modernidade não pertence a cultura nenhuma, mas surge sempre CONTRA uma cultura particular, como uma fenda, 
uma fissura no tecido desta. Assim, na Europa, a modernidade não surge como um desenvolvimento da cultura cristã, mas 
como uma crítica a esta, feita por indivíduos como Copérnico, Montaigne, Bruno, Descartes, indivíduos que, na medida 
em que a criticavam, já dela se separavam, já dela se desenraizavam.A crítica faz parte da razão que, não pertencendo 
a cultura particular nenhuma, está em princípio disponível a todos os seres humanos e culturas. Entendida desse modo, 
a modernidade não consiste numa etapa da história da Europa ou do mundo, mas numa postura crítica ante a cultura, 
postura que é capaz de surgir em diferentes momentos e regiões do mundo, como na Atenas de Péricles, na Índia do 
imperador Ashoka ou no Brasil de hoje.
CÍCERO, ANTONIO. 
Resenha sobre o livro O Roubo da História.
Folha de S.Paulo, 1 nov. 2008. Adaptado.
Com a leitura do texto, a modernidade pode ser entendida como
a) uma tendência filosófica especificamente europeia e ocidental de crítica cultural e religiosa.
b) uma tendência oposta a diversas formas de desenvolvimento da autonomia individual.
c) um conjunto de princípios morais absolutos, dotados de fundamentação teológica e cristã.
d) um movimento amplo de propagação da crítica racional a diversas formas de preconceito.
e) um movimento filosófico desconectado dos princípios racionais do iluminismo europeu.
2. (UFU) 
Para bem compreender o poder político e derivá-lo de sua origem, devemos considerar em que estado todos os homens 
se acham naturalmente, sendo este um estado de perfeita liberdade para ordenar-lhes as ações e regular-lhes as posses 
e as pessoas conforme acharem conveniente, dentro dos limites da lei de natureza, sem pedir permissão ou depender 
da vontade de qualquer outro homem.
LOCKE, John. 
Segundo Tratado sobre o Governo. 
São Paulo: Abril Cultural, 1978.
A partir da leitura do texto acima e de acordo com o pensamento político do autor, assinale a alternativa correta.
a) Segundo Locke, o estado de natureza se confunde com o estado de servidão.
FILOSOFIA aula 7
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b) Para Locke, o direito dos homens a todas as coisas independe da conveniência de cada um.
c) Segundo Locke, a origem do poder político depende do estado de natureza.
d) Segundo Locke, a existência de permissão para agir é compatível com o estado de natureza. 
3. (Enem) 
Todo o poder criativo da mente se reduz a nada mais do que a faculdade de compor, transpor, aumentar ou diminuir 
os materiais que nos fornecem os sentidos e a experiência. Quando pensamos em uma montanha de ouro, não faze-
mos mais do que juntar duas ideias consistentes, ouro e montanha, que já conhecíamos. Podemos conceber um cavalo 
virtuoso, porque somos capazes de conceber a virtude a partir de nossos próprios um cavalo, animal que nos é familiar.
HUME, D. 
Investigação sobre o entendimento humano. 
São Paulo: Abril Cultural, 1995. 
Hume estabelece um vínculo entre pensamento e impressão ao considerar que
a) os conteúdos das ideias no intelecto têm origem na sensação.
b) o espírito é capaz de classificar os dados da percepção sensível.
c) as ideias fracas resultam de experiências sensoriais determinadas pelo acaso.
d) os sentimentos ordenam como os pensamentos devem ser processados na memória.
e) as ideias têm como fonte específica o sentimento cujos dados são colhidos na empiria.
ESTUDO ORIENTADO
Caro(a) aluno(a), 
O pensamento de Descartes (1596-1650) tinha por tese que o conhecimento era somente oriundo da razão e sua 
extensão era finita, entendendo a concepção do universo como algo mecânico e mensurável. Descartes teve como 
uma de suas principais obras o livro O discurso sobre o método, e entendia que o conhecimento se formava a partir 
da dúvida sistemática, buscando atingir um axioma (verdade inquestionável que dispensa provação) e assim chegou 
à celebre frase “Penso, logo existo”.
O liberalismo político teve como seu propulsor o pensamento do teórico e filósofo inglês John Locke (1632-1704), 
que defendia os chamados direitos naturais: propriedade privada, liberdade e resistência às tiranias, tendo por base 
um governo regido pela Constituição, um instrumento de controle entre o governo e seus subordinados. Para Locke, o 
conhecimento era construído a partir da percepção sensorial, valorizando, portanto, o empirismo (a experimentação é 
a prática mais importante).
Assita ao filme Descartes, sugerido na seção Navegar. Dirigido por Roberto Rosselini, propõe uma leitura muito so-
fisticada sobre a vida e a época de Descartes, apontando os elementos principais de sua filosofia com muita atenção 
e seriedade. 
Bons estudos!
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EXERCÍCIOS
1. (Unesp) “Penso, logo existo” significa que
a) Minha alma pensa.
b) Meu corpo pensa.
c) Minha alma sente.
d) Meu corpo sente.
e) Meu corpo existe.
2. (UFSJ) Ao investigar as origens das ideias, diver-
sos filósofos fizeram interferências importantes no 
pensamento filosófico da humanidade. Dentre eles, 
destaca-se o pensamento de John Locke. Assinale a 
alternativa que expressa as origens das ideias para 
John Locke. 
a) “Não há dúvida de que todo o nosso conhecimento 
começa com a experiência […] mas embora todo o 
nosso conhecimento comece com a experiência, 
nem por isso todo ele pode ser atribuído a esta, mas 
à imaginação e à ideia.” 
b) “O que sou eu? Uma substância que pensa. O que é 
uma substância que pensa? É uma coisa que duvida, 
que concebe, que afirma, que nega, que quer, que 
não quer, que imagina e que sente, uma ideia em 
movimento. 
c) “Quando analisamos nossos pensamentos ou ideias, 
por mais complexos e sublimes que sejam, sempre 
descobrimos que se resolvem em ideias simples que 
são cópias de uma sensação ou sentimento anterior, 
calcado nas paixões.” 
d) “Afirmo que essas duas, a saber, as coisas materiais 
externas, como objeto da sensação, e as operações 
de nossas próprias mentes, como objeto da reflexão, 
são, a meu ver, os únicos dados originais dos quais 
as ideias derivam.” 
3. (Enem) 
Texto I
Experimentei algumas vezes que os sentidos eram 
enganosos, e é de prudência nunca se fiar inteiramente 
em quem já nos enganou uma vez.
DESCARTES, R. 
Meditações Metafísicas. 
São Paulo: Abril Cultural, 1979.
Texto II
Sempre que alimentarmos alguma suspeita de que 
uma ideia esteja sendo empregada sem nenhum signi-
ficado, precisaremos apenas indagar: de que impressão 
deriva esta suposta ideia? E se for impossível atribuir-
-lhe qualquer impressão sensorial, isso servirá para 
confirmar nossa suspeita.
HUME, D. 
Uma investigação sobre o entendimento. 
São Paulo: Unesp, 2004. Adaptado.
Nos textos, ambos os autores se posicionam sobre 
a natureza do conhecimento humano. A compara-
ção dos excertos permite assumir que Descartes e 
Hume 
a) defendem os sentidos como critério originário para 
considerar um conhecimento legítimo. 
b) entendem que é desnecessário suspeitar do signi-
ficado de uma ideia na reflexão filosófica e crítica. 
c) são legítimos representantes do criticismo quanto à 
gênese do conhecimento. 
d) concordam que conhecimento humano é impossível 
em relação às ideias e aos sentidos. 
e) atribuem diferentes lugares ao papel dos sentidos no 
processo de obtenção do conhecimento.
4. (Unesp) 
Texto I
– Pode-se deduzir, da influência dos órgãos, uma 
relação entre o desenvolvimento dos órgãos cerebrais 
e o desenvolvimento das capacidades morais e inte-
lectuais?
– Não confundais o efeito com a causa. O Espírito 
tem sempre as capacidades que lhe são próprias; ora, 
não são os órgãos que produzem as capacidades, mas 
as capacidades que conduzem ao desenvolvimento 
dos órgãos.
O Espírito, se encarnado, traz certas predisposições, 
admitindo-se, para cada uma, um órgão correspondente 
no cérebro, o desenvolvimento desses órgãos será um 
efeito e não uma causa. Se as capacidades se originas-
sem nesses órgãos, o homem seria uma máquina sem 
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48 POLISABER
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livre-arbítrio e sem responsabilidade dos seus atos. 
Seria preciso admitir que os maiores gênios, sábios, 
poetas, artistas, não são gênios senão porque o acaso 
lhes deu órgãos especiais.
KARDEC, Allan. 
O livro dos espíritos [texto originalmente publicado 
em 1848], 2011. Adaptado. 
Texto II
Lobo temporal é o nome da regiãodo córtex cerebral 
onde são processados os sinais sonoros. “Deduzo que 
a habilidade de produzir música também deve estar 
lá”, afirma o neurologista alemão Helmut Steinmetz, um 
dos pesquisadores da Universidade Henrich Heine, de 
Düsseldorf, Alemanha, responsáveis pela descoberta de 
que os músicos têm o lobo temporal esquerdo maior 
que o dos outros indivíduos. Steinmetz e seu parceiro 
Gottfried Schlaug compararam, em exames de resso-
nância magnética, o cérebro de trinta músicos com os 
de outros trinta indivíduos. Em todos, o lobo temporal 
esquerdo é um pouco maior que o direito, mas essa di-
ferença chega a ser duas vezes maior entre os músicos.
JOBIM, Nelson. 
Um dom de gênio. Superinteressante, maio de 2000.
Considerando o conceito filosófico de “inatismo”, 
explique as diferenças entre os dois textos, no que 
se refere à origem das capacidades mentais.
RODA DE LEITURA
Texto I
Inexiste no mundo coisa mais bem distribuída que 
o bom senso, visto que cada indivíduo acredita ser 
tão bem provido dele que mesmo os mais difíceis de 
satisfazer em qualquer outro aspecto não costumam 
desejar possuí-lo mais do que já possuem. E é impro-
vável que todos se enganem a esse respeito; mas isso 
é antes uma prova de que o poder de julgar de forma 
correta e discernir entre o verdadeiro e o falso, que é 
justamente o que é denominado bom senso ou razão, 
é igual em todos os homens; e, assim sendo, de que a 
diversidade de nossas opiniões não se origina do fato 
de serem alguns mais racionais que outros, mas ape-
nas de dirigirmos nossos pensamentos por caminhos 
diferentes e não considerarmos as mesmas coisas. Pois 
é insuficiente ter o espírito bom, o mais importante é 
aplicá-lo bem. As maiores almas são capazes dos 
maiores vícios, como também das maiores virtudes, e 
os que só andam muito devagar podem avançar bem 
mais, se continuarem sempre pelo caminho reto, do 
que aqueles que correm e dele se afastam.
Quanto a mim, nunca supus que meu espírito fosse 
em nada mais perfeito do que os dos outros; com 
frequência desejei ter o pensamento tão rápido, ou 
a imaginação tão clara e diferente, ou a memória tão 
abrangente ou tão pronta, quanto alguns outros. E 
desconheço quaisquer outras qualidades, afora as 
que servem para o aperfeiçoamento do espírito; pois, 
quanto à razão ou ao senso, posto que é a única coisa 
que nos torna homens e nos diferencia dos animais, 
acredito que existe totalmente em cada um, acompa-
nhando nisso a opinião geral dos filósofos, que afirmam 
não existir mais nem menos senão entre os acidentes, 
e não entre as formas ou naturezas dos indivíduos de 
uma mesma espécie.
Mas não recearei dizer que julgo ter tido muita felici-
dade de me haver encontrado, a partir da juventude, em 
determinados caminhos, que me levaram a considera-
ções e máximas, das quais formei um método, pelo qual 
me parece que eu consiga aumentar de forma gradativa 
meu conhecimento, e de elevá-lo, pouco a pouco, ao 
mais alto nível, a que a mediocridade de meu espírito e 
a breve duração de minha vida lhe permitam alcançar. 
Pois já colhi dele tais frutos que, apesar de no juízo que 
faço de mim próprio eu procure inclinar-me mais para 
o lado da desconfiança do que para o da presunção, 
e que, observando com um olhar de filósofo as varia-
das ações e empreendimentos de todos os homens, 
não exista quase nenhum que não me pareça fútil e 
inútil, não deixo de lograr extraordinária satisfação do 
progresso que creio já ter feito na procura da verdade 
e de conceber tais esperanças para o futuro que, se 
entre as ocupações dos homens puramente homens 
existe alguma que seja solidamente boa e importante, 
atrevo-me a acreditar que é aquela que escolhi.
Contudo, pode ocorrer que me engane, e talvez não 
seja mais do que um pouco de cobre e vidro o que eu 
A proposição de Allan Kardec implica uma visão dualista, na qual o homem é constituído 
de matéria e espírito e o corpo seria um repositório da alma, que segundo Kardec seria o 
espírito encarnado, dotado de uma bagagem espiritual oriunda de outras vidas, a qual seria 
responsável pelas habilidades e conhecimentos daquele indivíduo, fato que se aproxima 
do inatismo proposto no pensamento de Platão e de Descartes, porque a produção e o 
porte do conhecimento estariam ligados à razão.
Já no texto de Jobim, existe uma perspectiva determinista, destacando-se o diferencial 
daqueles que ele chama de “gênios” a partir da posse de um cérebro especial, dado pelo 
acaso e daí a relação com o pensamento empirista que entende que a inteligência é oriun-
da de uma tábula rasa, do zero e não de reminiscências passadas como propõe Kardec.
 POLISABER 49
 aula 7 FILOSOFIA
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tomo por ouro e diamantes. Sei como estamos sujeitos 
a nos enganar no que nos diz respeito, e como também 
nos devem ser suspeitos os juízos de nossos amigos, 
quando são a nosso favor. Mas apreciaria muito mostrar, 
neste discurso, quais os caminhos que segui, e repre-
sentar nele a minha vida como num quadro, para que 
cada um possa julgá-la e que, informado pelo comen-
tário geral das opiniões emitidas a respeito dela, seja 
este uma nova forma de me instruir, que acrescentarei 
àquelas de que tenho o hábito de me utilizar.
René Descartes. 
Discurso sobre o método.
Texto II
1. Para o homem, a escravidão é um estado tão vil, tão 
miserável e tão diretamente contrário ao temperamento 
generoso e à coragem de nossa nação, que é difícil 
imaginar como um inglês, e menos ainda um cavalheiro, 
poderia advogar em seu favor. Na verdade, como qual-
quer outro tratado que tentaria convencer os homens, 
sem exceção, de que eles são escravos e devem sê-lo, 
eu teria considerado o Patriarca de Sir Robert Filmer 
uma nova exibição pretensiosa, comparável ao elogio 
de Nero, ao invés de um discurso sério, concebidocomo 
tal, se a gravidade do título e da introdução, a imagem 
apresentada no cabeçalho do livro e os aplausos que 
o têm acompanhado não me obrigassem a acreditar 
na sinceridade do autor e também do editor. Então o 
tomei nas mãos com todas as esperanças que atraem 
um tratado cuja aparição provocou tanto alarido, e o 
li de um só fôlego com toda a seriedade que lhe era 
devida; mas confesso que, neste livro que devia forjar 
as correntes de toda a humanidade, eu me surpreendi 
muito ao não encontrar senão uma corda de areia, 
útil, talvez, àqueles cuja arte e ofício consistem em 
levantar nuvens de poeira para cegar o povo e fazê-lo 
extraviar-se mais facilmente, mas frágil demais para 
arrastar na servidão aqueles que mantêm seus grandes 
olhos abertos e bastante bom senso para pensar que 
as correntes são pouco convenientes, ainda que se 
cuidasse de limá-las e poli-las.
2. Se alguns pensam que eu exagero quando falo de 
forma tão livre de um homem que é o grande campeão 
do poder absoluto e ídolo daqueles que o adoram, eu 
lhes suplico, apenas uma vez, que não recusem esta 
pequena concessão a um indivíduo que, mesmo após 
ter lido o livro de Sir Robert e assim como a lei o au-
toriza, não pode se impedir de considerar a si mesmo 
um homem livre; pois eu sei que isso não é uma falta, a 
menos que se encontre alguém mais informado que eu 
sobre os rumos do destino e que tem alguma revelação 
da próxima notícia: há tanto tempo adormecido, desde 
que foi publicado este tratado consagrou-se a perseguir 
toda a liberdade pela força de seus argumentos e, de 
agora em diante, este modelo acanhado proposto por 
nosso autor servirá de Decálogo e de critério perfeito da 
política para todas as épocas futuras. Seu sistema tem 
pouco espaço. Reduz-se a isto: “Todo governo é uma 
monarquia absoluta”; e eis sobre o que ele se baseia: 
“Nenhum homem nasce livre”.
3. Desde que surgiu no mundo uma geração pronta 
a lisonjear os príncipes formulando a opinião de que 
estes são investidos de um direito divino de exercer o 
poder absoluto, sem levar em conta leis destinadas a 
reger a instituição de seu cargo e o exercício de seu 
governo, ou condições para que eles iniciemsuas fun-
ções, ou ainda o compromisso de respeitá-las, fosse 
este ratificado por juramentos ou promessas da maior 
solenidade, estas pessoas negaram à humanidade seu 
direito à liberdade natural: assim fazendo, não somente 
expuseram todos os indivíduos à pior miséria da tirania 
e da opressão, tanto quanto puderam, mas ainda os 
títulos dos príncipes tornaram-se duvidosos e seus 
tronos abalados (pois, segundo esta doutrina, todos 
os príncipes, com uma única exceção, também eles 
nascem escravos, e, em virtude de um direito divino, são 
herdeiros legítimos de Adão), como se eles quisessem 
entrar em uma guerra contra todo o governo e inverter 
as próprias bases da sociedade humana.
John Locke. 
Segundo tratado sobre o Governo.
NAVEGAR
 Filmes 
Descartes 
Direção: Roberto Rosselini, 
1974, 150 min.
A cinebiografia de Descartes 
teve como base as referências 
presentes no Discurso sobre o 
método, pautando o roteiro pela 
linha de pensamento cartesiana 
entrecruzada com os eventos 
de sua vida, apesar de Rosselini 
não ter o objetivo de fazer uma 
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adaptação do texto filosófico para o cinema, porém 
fornece autenticidade ao contexto da representação do 
pensador.
 Livros 
STRATHERN, Paul. 90 minu-
tos com Descartes. Rio de Ja-
neiro: Editora Jorge Zahar, 1998.
Apresentação do pensamen-
to cartesiano, seus principais 
conceitos e uma síntese de 
suas obras de maior destaque, 
apontando, assim, as principais 
referências para o entendimen-
to do racionalismo.
STRATHERN, Paul. 90 minu-
tos com Locke. Rio de Janeiro: 
Editora Jorge Zahar, 1998. 
Organização de uma síntese 
sobre o pensamento de John 
Locke, sua obra, apontando os 
principais temas e conceitos 
dentro do pensamento empi-
rista. 
ÁGORA
Atividade: Discussão sobre a visão racionalista e em-
pirista.
Objetivos:
 – caracterizar cada corrente de pensamento;
 – usar na argumentação os respectivos conceitos e 
refletir sobre o conhecimento;
 – explorar a tese da “tábula rasa”.
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 aula 7 FILOSOFIA
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Voltaire. 
Carta ao rei Frederico II da Prússia, 6 de abril de 1767.
S E N H A
“A dúvida não é uma condição agradável, 
mas a certeza é absurda.”
FILOSOFIA gabarito
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Aula 4 
 Estudo orientado
1. 01 + 02 + 04 + 16 = 23
2. 
Sêneca foi tutor do imperador Nero e buscava 
nessa condição oferecer ao jovem príncipe, poste-
riormente imperador, exemplos de valores morais 
que pudessem consolidar seu caráter, pensando no 
comportamento deste enquanto imperador. A busca 
das virtudes para a condução da vida é uma preocu-
pação presente na tradição estoica, à qual Sêneca 
está relacionado e, a partir da qual, conduzia seus 
estudos e ensinamentos. 
Sêneca também se destacou como um grande ora-
dor; seus discursos ficaram famosos não só em sua 
época, mas constituíram as bases dos estudos de 
retórica no mundo latino, desde o período imperial 
até nossos dias.
Aula 5
 Estudo orientado
1. e
2. c
3. 01 + 02 + 16 = 19
4. 
a) São Tomás proporcionou a aproximação entre a 
fé e a razão, sendo a segunda uma justificativa da 
primeira e, nesse sentido, a compreensão de Deus 
estaria na plenitude da fé e a racionalidade seria 
uma ferramenta que daria uma dimensão parcial do 
universo criado por Deus, apenas atingido na sua 
plenitude pela fé.
b) A releitura cristã de Aristóteles tornou-se um de 
seus principais referenciais para a elaboração da 
Suma teológica. Dentro do pensamento tomista, a 
sistematização das análises e o desenvolvimento 
das bases do pensamento escolástico (exposição 
de uma tese, argumentação, contra-argumentação, 
réplica, tréplica), desse modo, tais procedimentos 
fundamentaram tanto o pensar quanto o escrever 
na produção intelectual medieval, conferindo uma 
identidade marcante dentro das universidades quan-
to à produção do conhecimento que ficou conhecido 
como Escolástica.
Aula 6
 Estudo orientado
1. b
2. e
3. c
4. Platão entende a existência de um mundo das 
ideias (mundo inteligível) que se distingue do mun-
do em que vivemos (mundo sensível), o qual seria 
apenas a projeção das sombras do primeiro, que 
estaria além do nosso alcance matérico. Portanto, 
numa dimensão metafísica, atingível pelo uso da 
razão, acima das questões mundanas e dos jogos 
de poder, e seu acesso pelos filósofos garantiria o 
exercício do governo pensando-se no bem comum 
acima de tudo, de onde Platão concebe a ideia do 
“filósofo-rei”.
Maquiavel, por sua vez, abre mão dos elevados valo-
res éticos (o bem, a justiça, a honestidade), porque 
condiciona a ação humana em prol do alcance e 
controle do poder a qualquer preço e custo, propon-
do o exercício da política numa perspectiva amoral 
e acima dos valores religiosos, portanto, a defesa 
das razões de Estado está em primeiro lugar e o go-
vernante deve usar de todos os recursos (violência, 
injustiça, desonestidade) para se sustentar no poder. 
Aula 7 
 Estudo orientado
1. a
2. d
GABARITO – FILOSOFIA 
 POLISABER 53
 gabarito FILOSOFIA
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3. e
4. A proposição de Allan Kardec implica uma visão 
dualista, na qual o homem é constituído de matéria 
e espírito e o corpo seria um repositório da alma, 
que, segundo Kardec, seria o espírito encarnado, 
dotado de uma bagagem espiritual oriunda de ou-
tras vidas, a qual seria responsável pelas habilida-
des e conhecimentos daquele indivíduo, fato que se 
aproxima do inatismo proposto no pensamento de 
Platão e de Descartes, porque a produção e o porte 
do conhecimento estariam ligados à razão.
Já no texto de Jobim, existe uma perspectiva deter-
minista, destacando-se o diferencial daqueles que ele 
chama de “gênios” a partir da posse de um cérebro 
especial, dado pelo acaso e daí a relação com o 
pensamento empirista que entende que a inteligên-
cia é oriunda de uma tábula rasa, do zero e não de 
reminiscências passadas como propõe Kardec.
 Referências
AGOSTINHO. Confissões. Livro IX, 10. São Paulo: Nova 
Cultural, 1999.
BOSSUET, Jacques. A política inspirada nas Sagradas 
Escrituras. Paris: Éd. Chatelet, Collection d’Histoire, 1964, 
vol. IX.
GAZOLLA, R. O ofício do filósofo estoico: o duplo re-
gistro do discurso da Stoa. São Paulo: Loyola, 1999, p. 41.
GILSON, Étienne. Introduction a la philosophie chré-
tienne. Paris: Éd. J. Vrin, 1960, p. 125.
GOMES, Fernanda da Silva. Dissertação de Mestrado. 
Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade 
Federal de Santa Catarina. Florianópolis, 2006.
HOBBES, Thomas. O Leviatã. São Paulo: Editora Abril, 
1978. (Coleção Os Pensadores)
MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe. cap. XVII. São Paulo: 
Abril, 1978. (Coleção Os Pensadores)
MARCO AURÉLIO. Meditações. Tradução Jaime Bruna. 
São Paulo: Editora Cultrix, 1964.
MORUS, Thomas. A utopia. São Paulo: L&PM, 2006.
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Iluminismo: Voltaire e 
Rousseau 
As luzes da razão
As transformações ocorridas na Europa desde o fim 
da Idade Média motivaram o aparecimento de novas 
estruturas sociais e políticas como o fortalecimento do 
capitalismo comercial e a nova configuração do pen-
samento burguês. Os elementos dessa nova forma de 
pensar começaram a surgir no contexto do Renascimento 
e da Reforma, tornando-se vinculados ao liberalismo 
(político e econômico). Esse processo desenvolveu-se 
ao longo do século XVII, e resultou, no século XVIII, no 
que se denominou Ilustração ou Iluminismo, cujas ideias 
eram antiabsolutistas, antimercantilistas e anticlericais.
Durante o século XVII observou-se o fortalecimento do 
poder real e da Igreja Católica, que, durante o período 
conhecido como Contrarreforma, restaurou a Inquisição 
e apoiou a Companhia de Jesus, formando o ambiente 
ideal para o surgimento do Barroco, a síntese cultural de 
um período marcado pela luta entre a fé e a razão.
Foi nesse momentoque as bases do racionalismo fo-
ram lançadas pelos estudos teóricos de filosofia, ciências 
matemáticas e pensamento político, os quais se opunham 
à ordem absolutista e à concepção de mundo católica. 
Destacaram-se como principais teóricos desse período 
René Descartes, Isaac Newton e John Locke.
O Iluminismo, ou filosofia das luzes, fundamentava-se 
na ideia de que todos os fenômenos, incluindo a política 
e a economia, poderiam ser explicados racionalmente. 
Pregava a limitação ou supressão dos poderes do rei, 
baseando-se na razão e na lógica em contraposição à 
visão divina do mundo.
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FILOSOFIA – AULA 8
A dúvida não é uma condição agradável, mas a certeza 
é absurda!
Dicionário Filosófico, de Voltaire.TH
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Apesar de pertencer à nobreza, o barão de Montes-
quieu (1688-1675) era um profundo admirador e defensor 
dos ideais iluministas, identificados com o pensamento 
burguês. Em seu livro O Espírito das Leis, que demorou 30 
anos para ficar pronto, Montesquieu propôs a divisão do 
Estado em três poderes distintos e independentes: Exe-
cutivo, Legislativo e Judiciário. Assim, esperava eliminar 
a base centralizadora do absolutismo, pois afirmava que 
“qualquer pessoa que tivesse o poder tenderia a abusar 
dele”. Era favorável ao voto censitário, pois não via com 
bons olhos a participação popular no processo eleitoral.
O mais importante veículo de difusão das ideias ilumi-
nistas foi a Enciclopédia, obra em 35 volumes, organizada 
por Denis Diderot (1713-1784) e Jean D’Alembert (1717-
83) e que contou com a colaboração de cerca de 300 
filósofos. Seu maior propósito era reunir em uma obra 
todo o conhecimento do período, mas foi impossível 
dissociar a obra do pensamento iluminista, racionalista, 
liberal e burguês dos responsáveis pelos verbetes. Apesar 
das perseguições, que chegaram a levar Diderot à cadeia, 
e das constantes interrupções do projeto, a Enciclopé-
dia foi considerada, à época, a grande divulgadora do 
Iluminismo.
Da mesma forma que o absolutismo cerceava a partici-
pação burguesa no controle do Estado, o mercantilismo 
e suas práticas de monopólio e protecionismo eram um 
grande obstáculo para a consolidação do poder burguês. 
A proposta principal era o fim das estruturas de corpo-
rações de ofício existentes, fim dos monopólios e das 
taxas de origem feudal cobradas por muitos nobres pro-
vincianos, a não intervenção do Estado na economia e a 
liberdade de ação e investimento por parte da burguesia.
Nesse contexto, surgiu a doutrina da fisiocracia, em que 
a natureza era a fonte central da riqueza e, portanto, os 
esforços para a prosperidade deveriam ser dedicados à 
agricultura. Um dos representantes desse pensamento 
 POLISABER 3
 aula 8 FILOSOFIA
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foi o fisiocrata François Quesnay (1694-1774), autor do 
Tableau Economique (Quadro Econômico) em 1758.
O liberalismo econômico teve como um de seus prin-
cipais pensadores o inglês Adam Smith (1723-1790), 
defensor da não intervenção estatal (Estado mínimo, 
mercado máximo), pois o mercado seria regido por leis 
próprias: Laissez faire, laissez passer, le monde va delui 
même! (Deixa fazer, deixa passar, que o mundo anda por 
si mesmo!). Sua principal obra foi o livro A riqueza das 
nações, publicado em 1776.
Outro nome relevante do liberalismo econômico foi 
Thomas Malthus (1766-1834) que publicou o Ensaio sobre 
o princípio da população em 1798, no qual previa fome 
em larga escala e uma grave crise, resultantes do fato 
de a população aumentar em progressão geométrica 
enquanto a produção de alimentos crescia em progressão 
aritmética. Ainda segundo o malthusianismo, os grandes 
morticínios que costumavam provocar reduções da po-
pulação (guerras e epidemias) seriam meros paliativos 
para um problema tão grave. Malthus, no entanto, não 
contava com os avanços tecnológicos para solucionar 
esse problema.
Outro liberal de grande influência foi o economista 
inglês David Ricardo (1772-1823), autor de Princípios de 
economia política e tributação, de 1817, em que defendeu 
ideias inspiradas em Adam Smith e Thomas Malthus. Ao 
analisar o problema da produção alimentar versus cres-
cimento populacional, David Ricardo acreditava que os 
salários tinham uma tendência a manter-se no mínimo 
necessário para a sobrevivência do trabalhador e sua 
família, o que foi chamado de “lei férrea dos salários”. 
Quanto à produção de riqueza e sua relação com a renda, 
Ricardo afirmava que o volume da produção das terras 
determinava o preço dos alimentos, além de defender 
que a dinâmica do comércio internacional deveria ser 
ditada pela livre concorrência, diminuindo a importância 
da especialização de uma determinada região num dado 
tipo de produção.
A lógica da exploração do trabalho operário foi analisa-
da por Nassau William Senior (1790-1864), professor de 
economia na Universidade de Oxford, defensor ativo da 
não redução da jornada de trabalho, fato que eliminaria 
o lucro líquido das empresas, provocando falências, 
desemprego e perda de riqueza. Sua tese era de que o 
lucro vinha justamente da última hora da jornada e, en-
tre o século XVIII e XIX, o turno de trabalho era de pelo 
menos 12 horas diárias.
 Voltaire
Voltaire – exemplo do despotismo esclarecido. 
François Marie Arouet (1694-1778) nasceu em Paris 
numa família de origem burguesa, mas de condições 
modestas, sendo o caçula de três filhos. Estudou Direito 
na Universidade de Paris, demonstrando mais talento 
na escrita do que na prática jurídica. Passou a escrever 
textos satíricos contra a igreja, a nobreza e a Coroa fran-
cesa e acabou sendo exilado para a Inglaterra. Durante 
o exílio, tomou conhecimento do pensamento de John 
Locke, principalmente sobre sua contestação da doutrina 
das ideias inatas.
Nesse contexto, Voltaire aprofundou seu questionamen-
to das instituições como a Igreja e a Coroa, e passou tam-
bém a investigar as formas de pensar. Como os empiristas, 
Voltaire valorizava a experiência concreta e defendia que 
esta conduziria à ruptura dos paradigmas vigentes: a es-
tabilidade e tradição estabelecidos sobre o conhecimento 
pelo clero. Para Voltaire, não nascíamos com conceitos e 
ideias prontos em nossa cabeça. Era essencial duvidar! 
Ao refutar a “certeza”, Voltaire colocou no horizonte 
a situação que, de alguma forma ou maneira, teorias e 
ideias foram revistas, exceto algumas proposições mate-
máticas e lógicas, portanto, um saber, um conhecimento 
não era algo imutável, de um “fato concreto” aos olhos de 
Voltaire tornava-se uma hipótese de trabalho, mas sem 
afirmar também que não existiam verdades absolutas e 
que também seria imprescindível a organização de uma 
sistemática, de um método científico para articular o 
pensamento e evitar uma infinidade de dúvidas.
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Voltaire estendeu esse exercício de questionar e cri-
ticar o conhecimento para as circunstâncias políticas e 
sociais de seu tempo. Suas reflexões encontraram eco no 
Iluminismo e foram motor para as convulsões posteriores 
da Revolução Francesa em 1789.
Ele tornou-se o mais representativo personagem do 
Iluminismo francês e o inspirador de uma nova forma 
de política: o despotismo esclarecido. Sua principal arma 
nos ataques dirigidos à nobreza e à burocracia real era a 
sátira. Além disso, mostrava-se um anticlerical mordaz. 
Achava que a Igreja Católica era a responsável pela manu-
tenção do absolutismo (chamado após a Revolução Fran-
cesa de Antigo Regime) e, portanto, tal instituição deveria 
acabar. Mas Voltaire era a favor do regime monárquico, 
desde que este se mostrasse sensível aos interesses da 
burguesia. Trocou correspondência com alguns monarcas 
que aprenderam a admirar sua obra, e chegou a viver na 
corte de Frederico II, da Prússia (1740-1786).
Propunha a substituição da Igrejapelo deísmo, que seria 
um culto a um ser supremo que se encontra na natureza, 
assim como o próprio homem. Considerava a Igreja des-
necessária, pois, se homem e Deus estão na natureza, não 
há necessidade de alguém para intermediar sua relação.
Difundiu as ideias de outros iluministas e defendeu 
que somente países politicamente evoluídos (como a 
França) deveriam ter governos liberais, e que povos mais 
atrasados (como as colônias) deveriam ser submetidos a 
um governo absoluto. 
 Rousseau
Rousseau: o direito à revolução.
Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) escreveu sobre 
diferentes temas (política, linguística, educação, filoso-
fia). Ele propunha que todos os homens nascem livres 
e iguais e, nisso, não era muito diferente dos demais 
iluministas. Em seu texto Discurso sobre a origem e os 
fundamentos da desigualdade entre os homens, defen-
dia a tese do “bom selvagem” e o resgate do convívio 
com a natureza, uma vez que, em essência, o homem 
no “estado de natureza” era fundamentalmente bom. 
Rousseau foi um dos poucos pensadores contrários à 
propriedade privada, que, para ele, era a fonte de todos 
os males da humanidade, pois, a partir do momento em 
que a propriedade privada se estabeleceu, a sociedade 
se corrompeu e criou mecanismos para protegê-la, ge-
rando injustiças que, gradativamente, favoreceram os 
proprietários em detrimento do resto da sociedade. Daí 
decorre a visão de que “o homem nasce livre, mas, por 
toda parte, encontra-se acorrentado.”
Em seu livro O contrato social, apresentou a proposta 
de um Estado que deveria proteger os mais pobres dos 
mais ricos e reclamou o direito ao voto universal, sendo 
por isso considerado o pai da democracia representativa.
A relação contratual, segundo Rousseau, estaria cons-
tituída a partir do contexto em que a “vontade geral” da 
sociedade confere ao governo autoridade e legitimidade 
para governá-la. Todos passam a ser protegidos pelas leis 
e os governados obedecem às normas estabelecidas. No 
entanto, se o governo se torna uma tirania, violentando 
a sociedade, ele perde sua legitimidade. O contrato é 
quebrado e a sociedade pode destituí-lo e constituir um 
novo governo que atenda às suas necessidades. Essa 
noção de liberdade está relacionada a agir de acordo 
com a vontade do coletivo, abrindo mão dos interesses 
particulares em prol do bem comum.
Portanto, Rousseau fala no “direito de revolução”, o qual 
se manifestaria anos mais tarde, na Queda da Bastilha em 
1789, quando a população de Paris “arrancou simbolica-
mente” com as próprias mãos o poder absoluto de Luís XVI.
Rousseau, apesar de considerar a aparição da pro-
priedade privada um mal, a reconhecia como inevitável. 
Propunha, então, a limitação da propriedade: “Para 
melhorar o estado social, é preciso que todos tenham 
o suficiente e que ninguém tenha demasiado”, desse 
modo, as palavras lema da Revolução Francesa (liberdade, 
igualdade e fraternidade) se conectavam com intensidade 
ao pensamento de Rousseau e ecoaram pela Europa ou 
mesmo além, como no caso da Guerra de Independência 
dos EUA (1776-1783).
Posteriormente, as influências do pensamento de 
Rousseau, especialmente a concepção de igualdade e o 
questionamento da propriedade privada, se dilataram no 
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movimento socialista no século XIX que construiu a crítica ao capitalismo dominado pela burguesia. As ideias de ruptura 
com a ordem vigente ganharam fôlego, abrindo novas perspectivas sobre a discussão do controle dos meios de produ-
ção, da geração de riqueza e da acumulação de capital que a burguesia vinha conduzindo, já que esta última tomara o 
lugar da nobreza no controle do poder político e econômico depois da Revolução Francesa, deixando as camadas mais 
pobres, apesar de toda a movimentação revolucionária, no mesmo lugar: exploradas e empobrecidas.
A educação segundo Rousseau
Rousseau publicou Emílio, ou da Educação, uma obra filosófica sobre a educação. O autor partiu do pressuposto de 
que a criança nascia naturalmente boa e que a sociedade é quem a corrompia, tornando-a um adulto mau. 
No século XVIII, a criança não era entendida como a concebemos hoje. Eram “pequenos adultos” e deveriam ser 
castigados quando necessário. 
Para Rousseau, a infância deveria ser entendida em sua complexidade, ou seja, por suas próprias características. O pro-
cesso educativo deveria ser capaz de separar a criança do adulto, porque, ao se valorizar o processo educativo, contempla-
-se um melhor propósito para a sociedade, cabendo uma educação adequada e distinta para o homem e para mulher.
Na obra, ele fala da educação de Emílio e Sofia, em que o primeiro deve ser criado para ser forte e rico, recebendo 
instrução científica. Educado dessa forma, Emílio será um cidadão capaz de assumir e aceitar as exigências impostas pela 
sociedade sem que se sinta oprimido. Sofia deve ser criada fora dos preceitos da razão, pois as mulheres nasceram para 
serem submissas ao marido, direcionadas ao casamento e à maternidade, não apresentando possibilidades de aprender 
conceitos científicos. Não há uma perspectiva que busque a emancipação feminina ou a igualdade entre os gêneros.1
O foco da obra é sobre como educar uma criança. Deve-se dar ênfase à educação desde o nascimento. Rousseau 
afirma que tudo o que não se tem quando se nasce (juízo, força, assistência) e do que se necessita quando adulto é 
dado pela educação e que apenas esta pode modificar o homem.
Emílio manifesta ainda forte crítica à educação tradicional, pois esta era muito racionalizada, técnica e impositiva. Inicia-
-se então, com base na visão rousseauniana, uma pedagogia voltada e centrada na criança, não mais reconhecendo-a 
como adulto, mas sim na essência da infância, na felicidade e na liberdade da criança. 
“Juramento dos Horácios”, Jacques-Louis David, c. 1784, Museu do Louvre, Paris. 
1 PILETTI, Cláudio; PILETTI, Nelson. História da educação. 7. ed. São Paulo: Ática, 1997. p. 94.
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O Neoclassicismo e as Luzes
Foi na França do século XVIII que o pensamento liberal, fermentado ao longo do século XVII, encontrou um campo 
fértil. A Casa de Bourbon comandava um dos mais rígidos regimes absolutistas da história como consequência da 
crise do governo francês (gastos com guerras, luxo da Corte, censuras, perseguições religiosas etc.) e do interesse 
da burguesia francesa em romper com as limitações do mercantilismo, além de uma série de elementos de origem 
feudal que sobreviveram no interior do absolutismo francês.
O pensamento iluminista congregava uma série de ideias distintas, as quais geralmente apresentavam um núcleo 
comum: eram contrárias ao absolutismo, à Igreja e sua influência e ao mercantilismo.
Um dos principais canais de manifestação do Iluminismo foi a concepção da Enciclopédia, um imenso conjunto 
de artigos reunidos como uma compilação de todos os conhecimentos científicos do período sob a organização de 
Denis Diderot (1713-1784) e Jean Le Rond D’Alembert (1717-1783).
O Iluminismo se manifestou, além da Enciclopédia, por intermédio dos filósofos e pensadores franceses que pro-
punham formas alternativas de poder e de governo, cujo conteúdo favorecia os interesses burgueses.
A valorização do racionalismo implicou o retorno à estética greco-romana, ou seja, ao equilíbrio (Aurea mediocritas, 
em latim, “mediocridade dourada”, mas aqui mediocridade tem seu valor original, significa meio-termo, ponto médio), 
à sobriedade (Inutilia truncat, em latim, significa “cortar o inútil”), à perfeição formal, à representação perfeita da 
natureza e aos temas mitológicos. Tal fato permitiu construir um padrão cultural sofisticado para a burguesia, que 
cada vez mais se elitizava e ansiava pela participação do poder político na Europa (com exceção da Inglaterra, cuja 
burguesia fizera seu levante em 1689 e já se encontrava no podercom o sucesso da Revolução Gloriosa).
Os valores dessa elite emergente que pretendia derrubar a velha aristocracia eram ambíguos, pois o desejo pelo 
poder político representava a busca pela legitimação de sua condição e, ao mesmo tempo, implicava tornarem-se 
os novos aristocratas.
Nessas circunstâncias, o padrão de cultura aceito pela sociedade passava pelo crivo dos institutos oficiais, como 
as Academias de Belas Artes, o que originou o academicismo.
A pintura teve uma forte influência da ideia de beleza aristotélica, impregnada de racionalismo, com a perfeita defi-
nição do traço e dos contornos, a harmonia da composição e das cores. Valendo-se dessas técnicas, alguns pintores 
destacaram-se, como Jacques-Louis David (1748-1825), pintor oficial da Revolução Francesa e da Corte napoleônica, 
e Jean-Auguste Dominique Ingres (1780-1867).
Assim como a pintura, o padrão arquitetônico também recuperou a estética greco-romana, que fora muito evidente 
no Renascimento e retornou ao centro das discussões artísticas com a utilização intensa das colunas (dóricas, jônicas, 
coríntias e compósitas), de átrios (fachadas triangulares dos templos), arcadas e estatuário inspirados no ideal de 
beleza da Antiguidade Clássica.
 Resumo da ópera
Nesta aula, analisamos o pensamento filosófico do Século das Luzes, como ficou conhecido o século XVIII, que teve 
suas raízes no racionalismo debatido no século XVII e este, por sua vez, estava conectado ao pensamento renascentista.
Entre os autores do século XVIII, destacamos Jean-Jacques Rousseau (1712-1778): seu pensamento estava mais vincu-
lado às camadas populares, ao contrário de outros iluministas, criticando não só a valorização da propriedade privada, 
mas também a exacerbada importância da razão. Uma de suas principais obras foi Do contrato social, cujo conteúdo 
defendia uma relação contratual entre governo e governados (o poder é do povo e entregue por este ao governo) em 
prol do bem comum, e quando essa relação fosse rompida pela tirania, era justo o direito de revolta. Rousseau tinha 
uma visão naturalista, entendendo a Natureza como bem primordial, e os homens seriam todos bons em sua essência, 
mas eram corrompidos pela sociedade.
Na concepção de uma defesa intensa do racionalismo, encontramos François Marie Arouet, conhecido pelo pseudônimo 
de Voltaire (1694-1778), cujo estilo sarcástico e sagaz lhe proporcionou alguns problemas, como a censura da Coroa e 
o exílio por dois anos na Inglaterra, período em que escreveu Cartas inglesas. Voltaire era favorável à monarquia, mas 
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não ao absolutismo. Estava alinhado ao pensamento da alta burguesia, defendendo a liberdade de expressão e fazendo 
violentos ataques à Igreja. Voltaire não nutria nenhum apreço pelos homens do povo, pois os considerava inferiores em 
sua ignorância. Por outro lado, teve muito contato com monarcas absolutistas, como Frederico II da Prússia e Catarina II 
da Rússia (1762-96), influenciando-os no seu modo de pensar, pois estes promoveram várias reformas em seus reinos, 
num processo conhecido como despotismo esclarecido.
EXERCÍCIOS
1. (Unicamp) 
O homem nasce livre, e por toda a parte encontra-se a ferros. O que se crê senhor dos demais não deixa de ser mais 
escravo do que eles. [...] A ordem social, porém, é um direito sagrado que serve de base a todos os outros. [...] Haverá 
sempre uma grande diferença entre subjugar uma multidão e reger uma sociedade. Sejam homens isolados, quantos 
possam ser submetidos sucessivamente a um só, e não verei nisso senão um senhor e escravos, de modo algum con-
siderando-os um povo e seu chefe. Trata-se, caso se queira, de uma agregação, mas não de uma associação; nela não 
existe bem público, nem corpo político. 
ROUSSEAU, Jean-Jacques. 
Do contrato social. 
São Paulo: Abril, 1973. p. 28, 36.
No trecho apresentado, o autor 
a) argumenta que um corpo político existe quando os homens encontram-se associados em estado de igualdade política. 
b) reconhece os direitos sagrados como base para os direitos políticos e sociais. 
c) defende a necessidade de os homens se unirem em agregações, em busca de seus direitos políticos. 
d) denuncia a prática da escravidão nas Américas, que obrigava multidões de homens a se submeterem a um único 
senhor.
2. (UFU) De acordo com Rousseau, 
“A passagem do estado de natureza para o estado civil determina no homem uma mudança muito notável, substituindo 
na sua conduta o instinto pela justiça e dando às suas ações a moralidade que antes lhes faltava.” 
ROUSSEAU, Jean-Jacques.
Do contrato social. 
São Paulo: Abril Cultural, 1983. p. 36. 
Coleção Os Pensadores.
 
Sobre a passagem do estado de natureza para o estado civil, é correto afirmar que:
a) o homem mantém a liberdade natural e o direito irrestrito, e ainda ganha uma moralidade muito particular guiada 
pelo seu puro apetite.
b) o homem perde a liberdade natural e o direito à propriedade, mas adquire a obrigação de seguir sua própria vontade.
c) o homem perde a liberdade natural e o direito ilimitado, mas ganha a liberdade civil e a propriedade de tudo o que 
possui.
d) o homem mantém a liberdade natural e o direito ilimitado, mas abdica da liberdade civil em favor da liberdade moral.
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ESTUDO ORIENTADO
Caro(a) aluno(a),
Na compreensão do pensamento iluminista, apresentamos nesta aula o pensamento de Rousseau e Voltaire, sendo 
perceptível a divergência de posição entre ambos, porque o primeiro teve uma posicionamento mais ligado à baixa 
burguesia, enquanto o segundo era ligado à alta burguesia e aristocracia e, assim, podemos entender que o Iluminismo 
não foi uma expressão uniforme de pensar, mas, sim, um grande conjunto de intelectuais que tinham diferentes olhares 
sobre os problemas da sociedade em que viveram.
Os exercícios escolhidos trabalham com a leitura, interpretação e análise dos textos e dos conceitos de Rousseau 
e de Voltaire, comparando-os também com outros autores, desse modo, buscam avaliar o conhecimento preciso dos 
conceitos e obra dos pensadores.
Na Roda de leitura, selecionamos fragmentos de Rousseau e Voltaire que mostram sua análise sobre temas distin-
tos (a monarquia parlamentar descrita por Voltaire e a relação contratual da sociedade por Rousseau) que permitem 
ampliar o entendimento sobre a argumentação dos autores e de seus principais conceitos, sendo assim, uma forma de 
se apropriar desses conhecimentos para a elaboração das respostas dissertativas.
Bons estudos!
EXERCÍCIOS
1. (PUC-PR) De acordo com o Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade, de Jean-Jacques Rousseau 
(1712-1778), é correto afirmar que
a) No estado de natureza – fundamento do direito político – o homem natural era um ser livre, porém, sem direitos iguais.
b) No estado de natureza – fundamento do direito político – o homem natural era um ser de direitos iguais, porém 
não era livre.
c) No estado de natureza os direitos fundamentais do homem eram: igualdade, liberdade e propriedade.
d) No estado de natureza já existe o direito de propriedade.
e) No estado de natureza os direitos fundamentais do homem eram: igualdade e liberdade.
2. (Unicamp) 
O homem nasce livre, e por toda a parte encontra-se a ferros. O que se crê senhor dos demais não deixa de ser mais 
escravo do que eles. [...] A ordem social, porém, é um direito sagrado que serve de base a todos os outros. [...] Haverá 
sempre uma grande diferença entre subjugar uma multidão e reger uma sociedade. Sejam homens isolados, quantos 
possam ser submetidos sucessivamente a um só, e não verei nisso senão um senhor e escravos, de modo algum con-
siderando-os um povo e seu chefe. Trata-se, caso se queira, de uma agregação, mas não de uma associação; nela não 
existe bem público, nem corpo político. 
ROUSSEAU, Jean-Jacques. 
Do contrato social. 
São Paulo: Abril, 1973. p. 28, 36.
Sobre Do contrato social, publicado em 1762, e seu autor, é correto afirmar que: 
a) Rousseau,um dos grandes autores do Iluminismo, defende a necessidade de o Estado francês substituir os impostos 
por contratos comerciais com os cidadãos. 
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b) A obra inspirou os ideais da Revolução Francesa, ao 
explicar o nascimento da sociedade pelo contrato 
social e pregar a soberania do povo. 
c) Rousseau defendia a necessidade de o homem voltar 
a seu estado natural, para assim garantir a sobrevi-
vência da sociedade. 
d) O livro, inspirado pelos acontecimentos da Indepen-
dência Americana, chegou a ser proibido e queimado 
em solo francês.
3. (UFPR) A respeito do Iluminismo, movimento filosó-
fico que se difundiu pela Europa ao longo do século 
XVIII, considere as seguintes afirmativas:
I. Muitos filósofos franceses, entre eles Montesquieu, 
Voltaire e Diderot, foram leitores, admiradores e divul-
gadores da filosofia política produzida pelos ingleses, 
como John Locke com sua crítica ao absolutismo.
II. Quanto à organização do Estado, os filósofos ilumi-
nistas não eram contra a monarquia, mas contra as 
ideias de que o poder monárquico fora constituído 
pelo direito divino e de que ele não poderia ser sub-
metido a nenhum freio.
III. A descoberta da perspectiva e a valorização de te-
mas religiosos marcaram as expressões artísticas 
durante o Iluminismo.
IV. Em Portugal, o pensamento iluminista recebeu 
grande impulso das descobertas marítimas.
Assinale a alternativa correta:
a) Somente a afirmativa I é verdadeira.
b) Somente as afirmativas I e II são verdadeiras.
c) Somente as afirmativas I, II e IV são verdadeiras.
d) Somente as afirmativas III e IV são verdadeiras.
e) Somente as afirmativas II, III e IV são verdadeiras.
4. (Unesp) 
Texto I 
Não se pode matar sempre. Faz-se a paz com o 
vizinho até que se acredite estar bastante forte para re-
começar. Os que sabem escrever redigem tratados de 
paz. Os chefes de cada povo, para melhor enganar seus 
inimigos, testemunham pelos deuses que eles próprios 
criaram. Inventam-se os juramentos. Um promete por 
Samonocodão, outro, em nome de Júpiter, viver sempre 
em harmonia, e na primeira ocasião degolam em nome 
de Júpiter e de Samonocodão. 
VOLTAIRE. 
Dicionário Filosófico, 1984. 
Adaptado. 
Texto II 
Realizou-se, na tarde deste domingo, 08 de junho, nos 
Jardins Vaticanos, o encontro de oração pela paz entre 
o Papa Francisco e os presidentes de Israel e Palestina, 
respectivamente, Shimon Peres e Mahmoud Abbas. Eis 
um trecho da oração pela paz feita pelo Papa Francisco: 
“Senhor Deus de Paz, escutai a nossa súplica! Tornai- 
-nos disponíveis para ouvir o grito dos nossos cidadãos 
que nos pedem para transformar as nossas armas em 
instrumentos de paz, os nossos medos em confiança e 
as nossas tensões em perdão.” O Presidente da Pales-
tina, Mahmoud Abbas, proferiu as seguintes palavras: 
“Reconciliação e paz, Ó Senhor, são as nossas metas. 
Deus, em seu Livro Sagrado, disse aos fiéis: ‘Fazei a paz 
entre vós!’ Nós estamos aqui, Senhor, orientados em 
direção à paz. Tornai firmes os nossos passos e coroa 
com o sucesso os nossos esforços e nossas iniciativas”. 
O Presidente de Israel, Shimon Peres, disse: “O nosso 
Livro dos Livros nos impõe o caminho da paz, nos pede 
que trabalhemos por sua realização. Diz o Livro dos 
Provérbios: Suas vias são vias de graça, e todas as suas 
sendas são paz. Assim devem ser as nossas vias. Vias 
de graça e de paz. Nós todos somos iguais diante do 
Senhor. Nós todos fazemos parte da família humana”. 
PAPA FRANCISCO. 
Para fazer a paz é preciso coragem. 
Disponível em: pt.radiovaticana.va.
Acesso em: 08 jun. 2014. 
Considerando a relação entre política e religião, in-
dique e comente duas diferenças entre os textos 
apresentados.
5. (Unesp) Entre a população brasileira, 39% acham 
que a desigualdade social alimenta a criminalidade, 
mas 58% acreditam que a maldade das pessoas é a 
sua principal causa. Esse contraste entre posições 
liberais e conservadoras é uma marca da socieda-
de brasileira, de acordo com pesquisa nacional feita 
pelo Datafolha. Foram realizadas 2 588 entrevistas 
em 160 municípios. Inspirado por uma metodologia 
adotada por institutos de pesquisa estrangeiros, o 
Ao se pensar na relação entre política e religião, Voltaire mostra o quão volúveis podem 
ser as ações humanas ao usarem o argumento religioso, que poderia ser justificativa para 
a paz ou para a guerra, destacando o fato de Voltaire apontar a religião e suas práticas 
como construções humanas e não um dado de evidente comprovação.
As falas do papa Francisco, de Mahmoud Abbas e Shimon Peres partem da crença na 
existência de uma força sobrenatural (Deus) e buscavam naquele contexto unir suas 
preces num discurso pacifista, demonstrando a comunhão de pensamentos entre o 
cristianismo, islamismo e judaísmo.
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Datafolha submeteu os entrevistados a uma bateria 
de perguntas sobre assuntos polêmicos para verifi-
car a inclinação das pessoas por valores liberais e 
conservadores. 
Tendência conservadora é forte no país. 
Folha de S. Paulo, 25 dez. 2012. 
Adaptado. 
Relacione a diferença entre as opiniões de liberais 
e conservadores sobre as causas da violência às 
concepções de natureza humana no pensamento 
de Jean-Jacques Rousseau [1712-1778] e Thomas 
Hobbes [1588-1679].
RODA DE LEITURA
Texto I
Suponhamos os homens chegando àquele ponto em 
que os obstáculos prejudiciais à sua conservação no 
estado de natureza sobrepujam, pela sua resistência, 
as forças de que cada indivíduo dispõe para manter-se 
nesse estado. Então, esse estado primitivo já não pode 
subsistir, e o gênero humano, se não mudasse de modo 
de vida, pereceria. Ora, como os homens não podem 
engendrar novas forças, mas somente unir e orientar as 
já existentes, não tem eles outro meio de conservar-se 
senão formando, por agregação, um conjunto de forças, 
que possa sobrepujar a resistência, impelindo-as para 
um só móvel, levando-as a operar em concerto.
[...] “Encontrar uma forma de associação que defenda 
e proteja a pessoa e os bens de cada associado com 
toda a força comum, e pela qual cada um, unindo-se a 
todos, só obedece contudo a si mesmo, permanecendo 
assim tão livre quanto antes”.
As cláusulas desse contrato são de tal modo determi-
nadas pela natureza do ato, que a menor modificação 
as tornaria vãs e de nenhum efeito, de modo que, em-
bora talvez jamais enunciadas de maneira formal, são 
as mesmas em toda a parte, e tacitamente mantidas 
e reconhecidas em todos os lugares, até quando, 
violando-se o pacto social, cada um volta a seus primei-
ros direitos e retoma sua liberdade natural, perdendo 
a liberdade convencional pela qual renunciara àquela.
ROUSSEAU, Jean-Jacques. 
Do contrato social. 
São Paulo: Abril, 1978. p. 32. 
Coleção Os Pensadores. 
Texto II
Eis uma diferença mais essencial entre Roma e a 
Inglaterra, vantajosa para esta última: em Roma, o fruto 
das guerras civis foi a escravidão; na Inglaterra, a liber-
dade. A nação inglesa é a única na Terra que chegou a 
regulamentar o poder dos reis resistindo-lhes, e que de 
esforço em esforço chegou, enfim, a estabelecer um 
governo sábio, onde o príncipe, todo-poderoso para 
fazer o bem, tem as mãos atadas para fazer o mal; 
onde os senhores são grandes sem insolência e sem 
vassalos, e o povo participa do governo sem confusão.
A Câmara dos Lordes e a Câmara dos Comuns são 
os árbitros da nação. O rei, o superárbitro. Faltou essa 
balança aos romanos: em Roma, os grandes e o povo 
estavam sempre divididos, sem um poder interme-
diário que o pusesse de acordo. O Senado de Roma, 
cheio de um orgulho injusto e punível, nada querendo 
dividir com os plebeus, só conhecia um segredo para 
afastá-los do governo: ocupá-los sempre nas guerras 
estrangeiras. Encarava o povo como a uma besta feroz 
que deveria ser atiçada contra os vizinhos, com medo 
que devorasse seus senhores. Assim, o maior defeito 
do governo dos romanos tornou-os conquistadores. 
Por serem infelizesser identificado com:
a) as diferenças sociais de gênero.
b) o determinismo biológico. 
c) os fatores de natureza histórica.
d) os determinismos materiais da sociedade.
e) a autonomia ética do indivíduo.
RODA DE LEITURA
Texto I
A Filosofia é um ramo do conhecimento que pode ser 
caracterizado de três modos: seja pelos conteúdos ou 
temas tratados, seja pela função que exerce na cultura, 
seja pela forma como trata tais temas. Com relação aos 
conteúdos, contemporaneamente, a Filosofia trata de 
conceitos tais como bem, beleza, justiça, verdade. Mas, 
nem sempre a Filosofia tratou de temas selecionados, 
como os indicados acima. No começo, na Grécia, a Filo-
sofia tratava de todos os temas, já que até o séc. XIX não 
havia uma separação entre ciência e filosofia. Assim, na 
Grécia, a Filosofia incorporava todo o saber. No entanto, 
a Filosofia inaugurou um modo novo de tratamento dos 
temas a que passa a se dedicar, determinando uma mu-
dança na forma de conhecimento do mundo até então 
vigente. Isso pode ser verificado a partir de uma análise 
da assim considerada primeira proposição filosófica. 
Se dermos crédito a Nietzsche, a primeira proposição filo-
sófica foi aquela enunciada por Tales, a saber, que a água é 
o princípio de todas as coisas (Aristóteles. Metafísica, I, 3). 
Cabe perguntar o que haveria de filosófico na propo-
sição de Tales. Muitos ensaiaram uma resposta a esta 
questão. Hegel, por exemplo, afirma: “com ela a Filosofia 
começa, porque através dela chega à consciência de 
São corretas 01 + 08 + 16 = 25
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que o um é a essência, o verdadeiro, o único que é em 
si e para si. Começa aqui um distanciar-se daquilo que 
é a nossa percepção sensível”. Segundo Hegel, o filosó-
fico aqui é o encontro do universal, a água, ou seja, um 
único como verdadeiro. Nietzsche, por sua vez, afirma: 
“a filosofia grega parece começar com uma ideia absur-
da, com a proposição: a água é a origem e a matiz de 
todas as coisas. Será mesmo necessário deter-nos nela 
e levá-la a sério? Sim, e por três razões: em primeiro 
lugar, porque essa proposição enuncia algo sobre a 
origem das coisas; em segundo lugar, porque o faz 
sem imagem e fabulação; e, enfim, em terceiro lugar, 
porque nela, embora apenas em estado de crisália [sic], 
está contido o pensamento: ‘Tudo é um’. A razão citada 
em primeiro lugar deixa Tales ainda em comunidade 
com os religiosos e supersticiosos, a segunda o tira 
dessa sociedade e no-lo mostra como investigador da 
natureza, mas, em virtude da terceira, Tales se torna o 
primeiro filósofo grego”.
DUTRA, Delamar José Volpato. 
O que é Filosofia, professor? E para que serve? 
Disponível em: fil.cfh.ufsc.br/files/2013/04/ 
Delamar-Volpato-Dutra-O-que-%C3%A9-filosofia-e-
para-que-serve.pdf. Acesso em: 8 jan. 2016. 
Texto II
MOYERS: Penso que isso em parte explica o sucesso 
de Guerra nas estrelas. Não foi apenas a qualidade da 
produção que fez dele um filme tão atraente, é, também, 
que ele chegou num momento em que as pessoas 
tinham necessidade de ver, em imagens assimiláveis, 
o embate entre o bem e o mal. Todos precisavam que o 
idealismo lhes fosse lembrado, todos queriam ver uma 
história baseada em desprendimento, não em egoísmo.
CAMPBELL: O fato de o poder do mal não estar 
identificado com nenhuma nação específica, nesta 
terra, significa que você tem aí um poder abstrato, que 
representa um princípio, não uma situação histórica 
específica. A história do filme tem a ver com uma 
operação de princípios, não com esta nação contra 
aquela. As máscaras de monstros, usadas pelos atores 
de Guerra nas estrelas, representam a verdadeira força 
monstruosa, no mundo moderno. Quando a máscara 
de Darth Vader é retirada, você vê um rosto informe, de 
alguém que não se desenvolveu como indivíduo huma-
no. O que se vê é uma espécie de fase indiferenciada, 
estranha e digna de pena.
MOYERS: Qual é o significado disso?
CAMPBELL: Darth Vader não desenvolveu a própria 
humanidade. É um robô. É um burocrata, vive não nos 
seus próprios termos, mas nos termos de um sistema 
imposto. Este é o perigo que hoje enfrentamos, como 
ameaça às nossas vidas. O sistema vai conseguir 
achatá-lo e negar a sua própria humanidade, ou você 
conseguirá utilizar-se dele para atingir propósitos hu-
manos? Como se relacionar com o sistema de modo 
a não o ficar servindo compulsivamente? Não adianta 
tentar mudá-lo em função das suas concepções ou 
das minhas. O momento histórico subjacente a ele é 
grandioso demais para que algo realmente significativo 
resulte desse tipo de ação. O que é preciso é aprender a 
viver no tempo que nos coube viver, como verdadeiros 
seres humanos. Isso é o que vale, e pode ser feito. 
MOYERS: Como? 
CAMPBELL: Mantendo-se fiel aos seus próprios 
ideais, como Luke Skywalker, rejeitando as exigências 
impessoais com que o sistema o pressiona. 
MOYERS: Quando levei meus dois filhos para ver 
Guerra nas estrelas, eles reagiram com entusiasmo, 
como toda a plateia, quando, no clímax da última luta, a 
voz de Obi-Wan Kenobi diz a Skywalker: “Desligue o seu 
computador, desligue a máquina e seja você mesmo, siga 
seus sentimentos, confie em seus sentimentos”. Ao fazê-
-lo, é bem-sucedido, e a plateia prorrompe em aplausos.
CAMPBELL, Joseph. 
O poder do mito. 
São Paulo: Palas Athena, 1990. p.158-159.
NAVEGAR
 Livros
JAPIASSU, Hilton; MARCONDES, Danilo. Dicionário 
básico de filosofia. Rio de janeiro: Jorge Zahar, 1991.
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importância da atitude filosófica do questionamento, 
como podemos lidar com esse paradoxo: acesso am-
plo à informação numa escala nunca antes vista e, ao 
mesmo tempo, a manutenção de posições que reiteram 
preconceito, intolerância e ignorância nos mais variados 
assuntos?
Atividade
Selecione uma matéria sobre um tema ligado à defesa 
dos direitos humanos em um site de notícias e com base 
nos comentários feitos pelos internautas, aponte as con-
trovérsias ali presentes, buscando tanto as posições mais 
coerentes quanto aquelas mais estranhas.
Objetivos 
– Identificar os valores presentes ou ausentes nas 
argumentações;
– Buscar, na estrutura do comentário, a coerência ou 
incoerência da argumentação;
– Identificar a presença ou ausência do senso comum.
PRADO JR., Caio. O que é Filosofia? São Paulo: Brasi-
liense, 2008, v. 37, (Coleção Primeiros Passos).
GAARDER, Jostein. O mundo 
de Sofia. São Paulo: Companhia 
das Letras, 2012.
O mundo de Sofia é um livro es-
crito por Jostein Gaarder em 1999 
e adaptado pela tevê norueguesa 
em 2000 em oito episódios. Nesta 
adaptação, assim como o livro, 
observamos o percurso de Sofia, 
uma jovem de 14 anos, pela his-
tória da Filosofia e suas diferentes questões, trazidas ao 
seu cotidiano pelos bilhetes deixados por um misterioso 
Alberto Knox e também por cartas trocadas com seu 
pai, estabelecendo assim uma narrativa que se constrói 
pelos diálogos, tal qual Platão em seus textos filosóficos.
A dinâmica do enredo busca uma imersão visual na-
quilo que seria uma introdução ao pensamento filosófico, 
não substituindo o contato com os textos originais, porém 
auxilia na apresentação dos principais conceitos sobre 
a Filosofia da Antiguidade ao mundo contemporâneo.
ÁGORA
O momento atual é apresentado como a “era da infor-
mação” em virtude da quantidade e rapidez da circulação 
de dados de que hoje dispomos. No entanto, observamos, 
de um lado, a dificuldade de lidar com tanta informação 
ou mesmo de como separar as melhores fontes, como 
construir uma opinião e, por outro lado, vemos o cres-
cimento de posturas que se valem da intolerância, da 
violência e da irracionalidade para defender seus pre-
tensos “valores”.
Tomando a proposição de Platão, o filósofo como o 
“contemplador da verdade”, e colocando em pauta a 
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Ubi dubium ibi libertas, provérbio latinona pátria, tornaram-se senhores do 
mundo, até que suas divisões os escravizaram.
VOLTAIRE. 
Cartas inglesas. Carta n. 8. 
São Paulo: Abril, 1978. p. 13.
Coleção Os Pensadores.
NAVEGAR
A segunda metade do século XVIII foi dotada de vários 
compositores que podem exemplificar o contexto do 
famoso Século das Luzes, como Joseph Haydn (1732- 
-1809) e Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791). Foram 
Segundo Hobbes, o estado de natureza seria marcado pela violência e pelo conflito. 
Para que a humanidade sobrevivesse, foi estabelecido um “contrato social”, tirando a 
liberdade dos cidadãos e colocando-os sob o controle do Estado, que passou a deter 
o monopólio da violência. Assim sendo, pode-se relacionar o pensamento conservador 
citado no texto com o pensamento de Hobbes, apontando uma maldade intrínseca (nas 
palavras de Hobbes “O homem é o lobo do próprio homem”).
Rousseau, por sua vez, argumenta no campo oposto, entendendo que o homem na 
sua essência é bom, (e daí o conceito do “bom selvagem”, que mais tarde foi resgatado 
pelo Romantismo no Brasil), mas pode ser corrompido pela sociedade, o que remete ao 
pensamento liberal ao relacionar a violência com a desigualdade social.
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contemporâneos, se conheceram pessoalmente e torna-
ram-se amigos. Ambos tiveram sua produção ligada ao 
chamado classicismo (equilíbrio, leveza e simplicidade) 
e daí a origem do termo música clássica (o termo mais 
abrangente é música erudita, pois acomoda os compo-
sitores de diferentes épocas).
No caso de Haydn são 107 sinfonias e 83 concertos 
que enfocaram as mais variadas temáticas, tendo ainda 
composto oratórios como A Criação, sonatas e operetas. 
Já a obra de Mozart chega ao número de 600 peças de 
vários gêneros (oratórios, concertos, sinfonias, sonatas, 
óperas), sendo algumas delas, de certa forma, parte de 
nosso imaginário coletivo, pois foram usadas inúmeras 
vezes em filmes, propagandas e desenhos animados.
 Filmes 
Ligações perigosas. Dire-
ção: Stephen Frears, 1988. 
119 min. 
Inspirado no romance de 
Choderlos de Laclos, publica-
do em 1782, o filme recupera 
o ambiente da aristocracia 
francesa às vésperas da Re-
volução de 1789, com toda a 
sutileza do ambiente sofisti-
cado dos castelos e teatros, a 
vida ociosa de um casal de antigos amantes que se di-
vertiam com as intrigas e conquistas que conseguia 
obter no seio da Corte francesa. Uma lição memorável 
sobre a vida cortesã e seus dilemas para a manutenção 
da reputação e honra, acompanhados daquilo que se 
entendia por boa cultura, havendo um destaque especial 
para a produção musical.
Amadeus. Direção: Milos 
Forman, 1984. 188 min.
O filme procura resgatar a 
“aura do gênio” e sua curta 
mas intensa carreira entre as 
melhores salas de concerto 
e a realeza europeia, que, 
longe de uma cinebiografia 
sisuda, mostra a criatividade 
e energia do jovem compo-
sitor que aos 5 anos de idade já seduzia as plateias e 
depois se tornou uma referência para a produção musical 
de todas as épocas.
PESQUISAR E LER
GRESPAN, Jorge. Revolu-
ção Francesa e Iluminismo. 
São Paulo: Contexto, 2003.
O autor rejeita, por exemplo, 
a ideia de que o Iluminismo 
se limitou a uma elaboração 
teórica, ao passo que a Re-
volução teria sido apenas a 
sua consequência prática. 
Considera o chamado “Espí-
rito das Luzes” já como uma 
reflexão sobre um processo revolucionário, no caso, 
o ocorrido na Inglaterra no século XVII. Derruba mal- 
-entendidos arraigados, sem eliminar a pluralidade de 
interpretações possíveis a um dos capítulos fundamentais 
da história da humanidade. Nesse livro, pensamento e 
ação não são vistos de forma estanque. Do mesmo modo, 
trata a Revolução Francesa como representante não só da 
concretização daqueles ideais filosóficos, mas também 
uma etapa de toda a construção teórica sobre o Iluminismo. 
STRATHERN, Paul. Rous-
seau em 90 minutos. Rio de 
Janeiro: Jorge Zahar, 1999.
Jean-Jacques Rousseau 
foi um pensador que es-
creveu sobre diferentes 
temas (educação, linguísti-
ca, política). Mesmo sendo 
contemporâneo de grandes 
pensadores, como Kant e 
Hume, sua obra teve um 
alcance popular bem maior que a de ambos. Autor de 
livros ao mesmo tempo profundamente inspiradores e 
contraditórios, em que o sentimento muitas vezes vence 
o argumento intelectual, Rousseau foi o primeiro a des-
locar os temas da liberdade e da irracionalidade para um 
domínio menos intelectualizado.
ÁGORA
O direito consiste na liberdade de fazer ou de omitir, 
ao passo que a lei determina ou obriga uma dessas 
coisas. De modo que a lei e o direito se distinguem 
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tanto como a obrigação e a liberdade, as quais são 
incompatíveis quando se referem à mesma matéria.
E dado que a condição do homem é uma condição de 
guerra de todos contra todos, sendo neste caso cada 
um governado por sua própria razão, e não havendo 
nada, de que possa lançar mão, que não possa servir-
-lhe de ajuda para a preservação de sua vida contra 
seus inimigos, segue-se daqui que tal numa condição 
todo homem tem direito a todas as coisas, incluindo 
os corpos dos outros.
HOBBES, Thomas. 
Leviatã. 
São Paulo: Abril, 1979. p. 78.
os homens nesse estado [de natureza], não tendo entre 
si nenhuma espécie de relação moral, nem deveres 
conhecidos, não poderiam ser bons nem maus, e não 
tinham vícios nem virtudes [...].
ROUSSEAU, Jean-Jacques. 
Discurso sobre a origem e os fundamentos da 
desigualdade entre os homens. 
São Paulo: Abril, 1979. p. 168.
Não conhecemos a priori coisas senão aquelas nas quais nós mesmos nos aplicamos a fundo.
Imannuel Kant, Crítica da razão pura.
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Iluminismo: Kant
 Immanuel Kant
Um dos filósofos que mais profundamente influen-
ciaram a formação da filosofia contemporânea, Kant 
nasceu em Konigsberg, na Prússia Oriental, que antes 
integrava o Império Alemão e atualmente é o enclave 
de Kaliningrado, fronteiriço entre e a Polônia e a Lituânia, 
mas controlado pela Rússia, onde passou toda a sua vida, 
tendo chegado a reitor da Universidade de Konigsberg, 
da qual foi estudante e professor. O pensamento de Kant 
é tradicionalmente dividido em duas fases: a pré-crítica 
(1755-1780) e a crítica (1781 em diante), que se inicia com 
a publicação da Crítica da razão pura, sua obra capital. Na 
fase pré-crítica o pensamento kantiano está totalmente 
inserido na tradição do sistema metafísico de Leibniz e 
Wolff, então dominante nos meios acadêmicos alemães. 
Sua principal obra nesse período é a dissertação de 1770, 
com a qual tornou-se catedrático da universidade, e que, 
embora elaborada dentro do quadro conceituai da me-
tafísica tradicional, prenuncia alguns dos temas centrais 
da fase crítica, como a questão dos limites da razão e 
da solução dos problemas metafísicos. A fase crítica 
se inicia, nas palavras do próprio Kant, por influência 
de suas leituras dos empiristas ingleses, sobretudo de 
Hume. Sobre essa influência, afirmou nos Prolegómenos: 
“um lume despertou-me de meu sono dogmático”. As 
objeções céticas de Hume ao racionalismo dogmático 
e à metafísica especulativa levaram Kant a questionar e 
reconsiderar essa tradição, ao mesmo tempo procurando 
defender a possibilidade da ciência e da moral, contra o 
ceticismo arrasador de Hume. 
Crítica da razão pura
Kant apresentou, em 1781, a partir da Crítica da razão 
pura, a proposição de pensar a filosofia em dois cam-
pos amplos: os racionalistas e os empiristas, sendo os 
primeiros defensores da tese de que algumas verdades 
metafísicas são alcançadas simplesmente por meio da 
reflexão racional sem referência sensorial, enquanto os 
segundos defendem que todo o conhecimento depende 
da análise da experiência sensorial. Porém, isso possi-
bilita que alguns postulem um “eu” e outros venham a 
negá-lo; unssustentam a noção de substância material e 
outros a rejeitam. Assim sendo, a razão leva racionalistas 
e empiristas a contradições metafísicas, situação bem 
distinta ocorreu com estes nos campos não filosóficos, 
como a matemática, por exemplo, que tem um caráter 
racionalista e não precisa da experiência sensorial; já 
as ciências naturais, apesar de seu envolvimento com a 
racionalidade, dependem de dados empíricos que estão 
relacionados à experiência sensorial.
Muito bem, desse complexo embate, Kant colocou a 
seguinte questão: por que o empirismo e o racionalismo 
falharam tanto na metafísica se os instrumentos que 
empregaram são plenamente adequados aos estudos 
em outros campos de reflexão?
Kant afirma que nem o racionalismo nem o empiris-
mo estão à altura da tarefa de resgatar a metafísica da 
confusão e, o que é pior, o espectro do ceticismo paira 
sobre tudo. O que na verdade se exige é que a razão se 
faça objeto da sua própria indagação para que se possa 
determinar seu alcance e limites. Uma investigação crí-
tica da própria razão deve se tornar um tanto delicada, 
portanto, não se preocupe demais se o que se seguir for 
às vezes muito confuso. Semblantes cerrados e suspiros 
profundos são uma resposta normal quando alguém 
se aproxima de Kant. Talvez o melhor ponto de partida 
para se buscar no sentido de como se desenvolve a sua 
FILOSOFIA – AULA 9
O princípio do imperativo categórico age de tal forma 
que a norma de tua ação possa ser tomada como lei 
universal.
Crítica da razão prática, de Immanuel Kant.C
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investigação tenha duas distinções. A primeira entre as 
proposições analíticas e sintéticas. Proposições analíticas 
são verdades definicionais. Numa definição precisa, uma 
proposição é analítica se seu predicado está contido 
dentro do conceito do sujeito. Por exemplo, a proposição 
“todos os solteiros são homens adultos não casados” é 
analítica, pois o conceito “solteiro” contém dentro de si as 
ideias de “não casado”, “adulto” e “homem”. Dado o que 
significam os conceitos, essas verdades são necessárias. 
Outras proposições, entretanto, introduzem informações 
que não estão contidas dentro do conceito do sujeito. São 
proposições sintéticas, porque o sujeito e o predicado se 
unem para formar (sintetizar) uma verdade informativa. 
Um exemplo seria a proposição “todos os meninos jogam 
futebol”, na qual está claro que jogar futebol não é parte 
do conceito “menino”. Está claro que essas verdades não 
são necessárias – para sua verdade depende de como é 
o mundo. Kant trabalha com mais uma distinção, desta 
vez sobre a forma como as proposições são conhecidas. 
Existem preposições a priori e a posteriori, derivadas das 
expressões latinas que significam “antes de” e “depois 
de”, respectivamente. Não precisamos ter nenhuma 
experiência particular para saber a verdade de uma 
proposição a priori. Sabe-se que a priori independente-
mente da experiência. Verdades a priori são verdades 
necessárias como “2 + 2 = 4” ou “triângulos têm três 
lados”. O conhecimento da verdade de uma proposição 
a posteriori depende efetivamente da experiência. Não 
se sabe que a grama é verde a menos que já se tinha 
visto grama. A terminologia empregada que talvez seja 
um tanto árida, mas as próprias ideias não são muito 
complexas. Basicamente, parece que temos quatro tipos 
de proposições: 
a) analítica a posteriori 
b) sintética a posteriori 
c) analítica a priori 
d) sintética a priori
É bastante claro que as proposições analíticas a priori 
e as proposições sintéticas a posteriori não apresentam 
problemas. Os racionalistas se interessam por proposi-
ções analíticas a priori e os empiristas pelas proposições 
sintéticas a posteriori. São as duas outras possibilidades 
que são estranhas. A ideia de uma proposição analítica a 
posteriori não faz muito sentido – por que você precisa 
da experiência para conhecer alguma coisa que é ver-
dadeira por definição? Isso deixa apenas o julgamento 
sintéticos a priori, o ponto em que as coisas se tornam 
muito estranhas e infelizmente muito complexas.
A “revolução copernicana” de 
Kant
Tal qual Nicolau Copérnico na Astronomia, que apresen-
tou o heliocentrismo como uma hipótese alternativa ao 
geocentrismo, Immanuel Kant promoveu uma resposta ao 
problema dos racionalistas e empiristas, estabelecendo 
que todos os filósofos até aquele contexto pareciam estar 
atuando como os astrônomos geocêntricos, porque es-
tavam buscando um centro que não era verdadeiro. Mas 
qual seria esse engano? O erro estava em considerar o 
conhecimento tendo como ponto de partida a realidade.
No caso dos racionalistas como Descartes que definia 
“coisa pensante” ou “substância pensante”; no caso dos 
empiristas a realidade inicial é exterior, o mundo ou a 
natureza. Ora, Kant defende que o ponto de partida da 
filosofia não pode ser a realidade (seja interna ou externa) 
e sim o estudo da própria faculdade de conhecer ou o 
estudo da razão.
De fato, os filósofos anteriores, em lugar de, antes 
de tudo, estudar o que é a própria razão e indagar que 
ela pode ou não pode conhecer, o que é a experiência 
e que ela pode ou não pode conhecer, em vez, enfim, 
de procurar saber o que é conhecer, o que é pensar e 
o que é verdade, preferiram começar dizendo o que é 
a realidade (a natureza do espírito humano), afirmando 
que ela é racional e que por isso pode ser inteiramente 
conhecida pelas ideias da razão.
Colocaram uma realidade ou os objetos do conhe-
cimento no centro e fizeram uma razão ou sujeito do 
conhecimento girar em torno dela. Façamos assim uma 
“revolução de copernicana” em filosofia escreveu Kant 
em sua Crítica da razão pura: “até agora julgava ser que 
o nosso conhecimento devia ser regulado pelos obje-
tos, mas agora devemos admitir que os objetos devem 
regular-se pelo nosso conhecimento”.
Segundo Kant, Copérnico não completou sua expli-
cação, a qual foi completada e corrigida por Kepler e 
Newton, que mostraram que ele (Copérnico) julgava 
ser uma boa hipótese e realmente era. Dela surgiu a 
necessária explicação astronômica, assim, ao modo de 
Copérnico, segue Kant, pois demonstrou também, de ma-
neira universal e necessária, que os objetos se adaptam 
ao conhecimento e não o conhecimento aos objetos, ou 
seja, comecemos colocando no centro a própria razão:
“Não é a razão a luz natural? Não é ela o sol que ilumina 
todas as coisas em torno do qual tudo gira? Comece-
mos, portanto, pelo natural no centro do conhecimento, 
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comecemos, então, pela razão porque por meio do seu estudo compreenderíamos o que são sujeito do conhecimento 
e o objeto do conhecimento” e isso está na Crítica da razão pura.
A proposição da “crítica” de Kant aponta que não serão examinados os conhecimentos que a razão alcança, e sim as 
condições nas quais o conhecimento racional é possível. E a palavra “pura”? Porque se trata de analisar a razão antes 
e sem as inferências oferecidas pela experiência. Ele escreve também que não é a crítica de “livros e dos sistemas 
filosóficos”, mas da própria faculdade da razão, em geral, considerada em todos os conhecimentos
De fato, nossos conhecimentos começam com a experiência, porém não é verdade que todos eles provêm dela. 
Como o estudo se refere às condições necessárias universais de todo conhecimento possível antes da experiência e 
sem os dados da experiência, esse estudo não é empírico, então é a priori e não a posteriori. Kant o apresenta como 
transcendental, que deve ser entendido como todo conhecimento que em geral se ocupa menos dos objetos e mais de 
nosso modo de conhecer, na medida em que este deve ser a priori.
Diz o texto: “Um missionário medieval contou-me que havia encontrado o ponto onde o céu e a Terra se tocam...”. Esta 
imagem representa o questionamento da realidade. Será que a compreenderemos? Temos que investigá-la e não aceitar 
aquilo que está posto. É o quesustenta Kant. 
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Idealismo (do latim tardio idealis)1
Em um sentido geral, “idealismo” significa dedicação, engajamento, compromisso com um ideal, sem preocupação prá-
tica necessariamente, ou sem visar sua concretização imediata. Por exemplo, o idealismo de fulano. O termo “idealismo” 
engloba, na história da filosofia, diferentes correntes de pensamento que têm em comum a interpretação da realidade 
do mundo exterior ou material em termos do mundo interior, subjetivo ou espiritual. Do ponto de vista da problemática 
do conhecimento, o idealismo implica a redução do objeto do conhecimento ao sujeito conhecedor; e no sentido onto-
lógico, equivale à redução da matéria ao pensamento ou ao espírito. 
1. A teoria das ideias, de Platão, é, por vezes, impropriamente chamada de idealismo. Na verdade, deve ser conside-
rada um “realismo das ideias”, já que para Platão as ideias constituem uma realidade autônoma – o mundo inteligível 
– existente por si mesma, independentemente de nosso conhecimento ou pensamento.
2. Idealismo imaterialista. Segundo Berkeley, a realidade do mundo dos objetos materiais está apenas na existência 
destes como ideias, seja na mente de Deus. seja na do homem, criado por Deus. Este é o sentido de seu famoso 
pensamento: Esse est percipi (Ser é ser percebido). Ver imaterialismo.
3. Idealismo transcendental. Doutrina kantiana, também conhecida como idealismo crítico, que considera os ob-
jetos de nossa experiência, enquanto dados no espaço e no tempo, como fenômenos, isto é, aparências, devendo 
distinguir-se da “coisa em si“ – a realidade enquanto tal – que é para nós incognoscível. O objeto é algo, portanto, que 
só existe em uma relação de conhecimento. “Chamo de idealismo transcendental de todos os fenômenos a doutrina 
segundo a qual nós os consideramos sem exceção como simples representações, e não como "coisas em si” (Kant).
4. Idealismo alemão pós-kantiano. É o desenvolvimento da doutrina kantiana, sobretudo por Fichte e Schelling, 
que no entanto deram a essa doutrina uma interpretação mais subjetiva e menos crítica, prescindindo da noção de 
“coisa em si“ e considerando o real como constituído pela consciência.
5. Idealismo absoluto. Termo empregado por Hegel para caracterizar sua metafísica, segundo a qual o real é a 
ideia, entendida contudo não em um sentido subjetivo, mas absoluto. Opõe-se, portanto, aos vários tipos de idealis-
mo subjetivista, acima indicados (2-4), e constitui-se em uma forma de monismo. Ver espiritualismo; racionalismo; 
psicologismo. Oposto a materialismo, realismo.
6. Na tradição filosófica, o idealismo se opõe fundamentalmente ao materialismo, na medida em que, para ele, o 
Universo se reduz, seja a dois princípios heterogêneos, a matéria e o pensamento, seja a um único princípio, o pen-
samento. Nesse caso, os objetos materiais são apenas representações de nosso espírito, ou seja, o ser das coisas 
nada mais é do que a ideia que o espírito delas possui. Opõe-se ainda, nesse sentido, a empirismo e a realismo.
7. Contemporaneamente, sob influência da crítica marxista, o termo “idealismo” designa uma concepção generosa 
ou ambiciosa, irrealizável ou utópica. Especialmente na moral, frequentemente significa uma ignorância das condições 
concretas do agir humano.
 Resumo da ópera
Nessa aula, apresentamos o pensamento de Immanuel Kant e sua importância dentro da reflexão filosófica, tendo 
como referenciais seus estudos que avançaram no campo da metafísica e epistemologia, dos quais optamos em dar 
atenção à Crítica da razão pura, de 1781. Observamos sua extrema importância para o debate anterior entre racionalistas 
e empiristas, contribuindo Kant para algo que ficou conhecido como a “revolução copernicana” da filosofia e daí uma 
dinâmica de estudos se desdobraram, influenciando outros pensadores de língua alemã (Fichte, Schelling e Hegel) na 
continuidade ou mesmo Marx na ruptura, bem como outros intelectuais de outros países, garantindo a Kant um espaço 
prioritário na história da Filosofia.
1 JAPIASSU, Hilton; MARCONDES, Danilo. Dicionário básico de Filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1991. p. 98.
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EXERCÍCIOS
1. (Enem)
Esclarecimento é a saída do homem de sua menoridade, da qual ele próprio é culpado. A menoridade é a incapacidade 
de fazer uso de seu entendimento sem a direção de outro indivíduo. O homem é o próprio culpado dessa menoridade 
se a causa dela não se encontra na falta de entendimento, mas na falta de decisão e coragem de servir-se de si mesmo 
sem a direção de outrem. Tem coragem de fazer uso de teu próprio entendimento, tal é o lema do esclarecimento. A 
preguiça e a covardia são as causas pelas quais uma tão grande parte dos homens, depois que a natureza de há muito 
os libertou de uma condição estranha, continua, no entanto, de bom grado menores durante toda a vida.
KANT, Immanuel. 
Resposta à pergunta: o que é esclarecimento? 
Petrópolis: Vozes, 1985. Adaptado.
Kant destaca no texto o conceito de Esclarecimento, fundamental para a compreensão do contexto filosófico da 
Modernidade. Esclarecimento, no sentido empregado por Kant, representa
a) a reivindicação de autonomia da capacidade racional como expressão da maioridade. 
b) o exercício da racionalidade como pressuposto menor diante das verdades eternas. 
c) a imposição de verdades matemáticas, com caráter objetivo, de forma heterônoma. 
d) a compreensão de verdades religiosas que libertam o homem da falta de entendimento. 
e) a emancipação da subjetividade humana de ideologias produzidas pela própria razão. 
2. (Enem) 
Até hoje admitia-se que nosso conhecimento se devia regular pelos objetos; porém, todas as tentativas para descobrir, 
mediante conceitos, algo que ampliasse nosso conhecimento, malogravam-se com esse pressuposto. Tentemos, pois, 
uma vez, experimentar se não se resolverão melhor as tarefas da metafísica, admitindo que os objetos se deveriam 
regular pelo nosso conhecimento.
KANT, Immanuel. 
Crítica da razão pura. 
Lisboa: Calouste-Gulbenkian, 1994. Adaptado.
O trecho em questão é uma referência ao que ficou conhecido como revolução copernicana na filosofia. Nele, 
confrontam-se duas posições filosóficas que
a) assumem pontos de vista opostos acerca da natureza do conhecimento.
b) defendem que o conhecimento é impossível, restando-nos somente o ceticismo.
c) revelam a relação de interdependência entre os dados da experiência e a reflexão filosófica.
d) apostam, no que diz respeito às tarefas da filosofia, na primazia das ideias em relação aos objetos.
e) refutam-se mutuamente quanto à natureza do nosso conhecimento e são ambas recusadas por Kant.
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ESTUDO ORIENTADO
EXERCÍCIOS
1. (Unesp) 
Preguiça e covardia são as causas que explicam por que uma grande parte dos seres humanos, mesmo muito após a 
natureza tê-los declarado livres da orientação alheia, ainda permanecem, com gosto, e por toda a vida, na condição de 
menoridade. É tão confortável ser menor! Tenho à disposição um livro que entende por mim, um pastor que tem cons-
ciência por mim, um médico que prescreve uma dieta etc.: então não preciso me esforçar. A maioria da humanidade vê 
como muito perigoso, além de bastante difícil, o passo a ser dado rumo à maioridade, uma vez que tutores já tomaram 
para si de bom grado a sua supervisão. Após terem previamente embrutecido e cuidadosamente protegido seu gado, 
para que estas pacatas criaturas não ousem dar qualquer passo fora dos trilhos nos quais devem andar, os tutores lhes 
mostram o perigo que as ameaça caso queiram andar por conta própria. Tal perigo, porém, não é assim tão grande, pois, 
após algumas quedas, aprenderiam finalmente a andar; basta, entretanto, o perigo de um tombo para intimidá-las e 
aterrorizá-las por completo para que não façam novas tentativas. 
KANT, Immanuel. 
apud Danilo Marcondes. 
Textos básicosde ética – de Platão a Foucault, 2009. 
Adaptado. 
O texto refere-se à resposta dada pelo filósofo Kant à pergunta “O que é o Iluminismo?”. Explique o significado da 
oposição por ele estabelecida entre “menoridade” e “autonomia intelectual”.
RODA DE LEITURA
Texto I
I — Da Distinção Entre o Conhecimento Puro e o Empírico Não se pode duvidar de que todos os nossos conhecimentos 
começam com a experiência, porque, com efeito, como haveria de exercitar-se a faculdade de se conhecer, se não fosse 
pelos objetos que, excitando os nossos sentidos, de uma parte, produzem por si mesmos representações, e de outra 
parte, impulsionam a nossa inteligência a compará-los entre si, a reuni-los ou separá-los, e deste modo à elaboração da 
matéria informe das impressões sensíveis para esse conhecimento das coisas que se denomina experiência? No tempo, 
pois, nenhum conhecimento precede a experiência, todos começam por ela. Mas se é verdade que os conhecimentos 
derivam da experiência, alguns há, no entanto, que não têm essa origem exclusiva, pois poderemos admitir que o nosso 
conhecimento empírico seja um composto daquilo que recebemos das impressões e daquilo que a nossa faculdade cog-
noscitiva lhe adiciona (estimulada somente pelas impressões dos sentidos); aditamento que propriamente não distinguimos 
A menoridade citada no texto faz uma relação com a mentalidade e visão de mundo anteriores ao Iluminismo, quando as crenças dominavam a construção dos costumes e saberes, 
sempre colocando o homem numa condição de fragilidade (inferior, pecador). Na medida em que o pensamento científico se consolidou pelo domínio e uso da razão, ocorreu a autonomia 
do desenvolvimento da inteligência, numa postura mais ousada e afirmativa do homem sobre a vida e o mundo.
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 aula 9 FILOSOFIA
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senão mediante uma longa prática que nos habilite a 
separar esses dois elementos. Surge desse modo uma 
questão que não se pode resolver à primeira vista: será 
possível um conhecimento independente da experiên-
cia e das impressões dos sentidos? Tais conhecimentos 
são denominados a priori, e distintos dos empíricos, 
cuja origem é a posteriori, isto é, da experiência. Aquela 
expressão, no entanto, não abrange todo o significado 
da questão proposta, porquanto há conhecimentos 
que derivam indiretamente da experiência, isto é, de 
uma regra geral obtida pela experiência, e que no 
entanto não podem ser tachados de conhecimentos 
a priori. Assim, se alguém escava os alicerces de uma 
casa, a priori poderá esperar que ela desabe, sem 
precisar observar a experiência da sua queda, pois, 
praticamente, já sabe que todo corpo abandonado no 
ar sem sustentação cai ao impulso da gravidade. Assim 
esse conhecimento é nitidamente empírico. Conside-
raremos, portanto, conhecimento a priori, todo aquele 
que seja adquirido independentemente de qualquer 
experiência. A ele se opõem os opostos aos empíricos, 
isto é, àqueles que só o são a posteriori, quer dizer, por 
meio da experiência. Entenderemos, pois, daqui por 
diante, por conhecimento a priori, todos aqueles que 
são absolutamente independentes da experiência; eles 
são opostos aos empíricos, isto é, àqueles que só são 
possíveis mediante a experiência. Os conhecimentos 
a priori ainda podem dividir-se em puros e impuros. 
Denomina-se conhecimento a priori puro ao que carece 
completamente de qualquer empirismo. Assim, p. ex., 
“toda mudança tem uma causa”, é um princípio a priori, 
mas impuro, porque o conceito de mudança só pode 
formar-se extraído da experiência.
KANT, Immanuel. 
Crítica da razão pura, 1781.
Disponível em: dominiopublico.gov.br/download/
texto/cv000016.pdf.
Acesso em: 15 fev. 2016.
Texto II
Definição
Princípios práticos são proposições que encerram 
uma determinação universal da vontade, subordinando-
-se a essa determinação diversas regras práticas. 
São subjetivos, ou máximas, quando a condição é 
considerada pelo sujeito como verdadeira só para a sua 
vontade; são, por outro lado, objetivos ou leis práticas 
quando a condição é conhecida como objetiva, isto é, 
válida para a vontade de todo ser natural.
Escólio 
Admitindo-se que a razão pura possa encerrar em si 
um fundamento prático, suficiente para a determinação 
da vontade, então há leis práticas, mas se não se admite 
o mesmo, então todos os princípios práticos serão meras 
máximas. Em uma vontade patologicamente afetada por 
um ser natural pode observar-se um conflito das máxi-
mas diante das leis práticas conhecidas pelo mesmo.
Exemplifiquemos: alguém pode adotar o axioma de 
não suportar qualquer ofensa sem vingá-la, compre-
endendo todavia que isso não constitui nenhuma lei 
prática, mas apenas a sua máxima e que, de modo 
inverso, como regra para a vontade de todo ser racional, 
idêntica máxima não pode concordar em si mesma. No 
conhecimento da natureza, os princípios do que ocorre 
(por exemplo, o princípio da igualdade da ação e da 
reação na comunicação do movimento) são ao mesmo 
tempo leis da natureza, pois o uso da oração está ali 
determinado teoricamente e pela natureza do objeto.
No conhecimento prático, isto é, aquele que só tem 
que tratar dos fundamentos da determinação da von-
tade, os princípios que alguém formula em si mesmo 
nem por isso constituem leis a que inevitavelmente se 
veja submetido, porque a razão na prática se ocupa do 
sujeito, ou seja da faculdade de desejar, segundo cuja 
constituição especial pode a regra referir-se por formas 
bem diversas. A regra prática é sempre um produto da 
razão, porque prescreve a ação, qual meio para o efeito, 
considerado como intenção.
Essa regra, porém, para um ser no qual a razão não 
é o fundamento único da determinação da vontade 
é um imperativo, isto é, uma regra designada por 
um “deve ser” (ein Sollen) que exprime a compulsão 
(Nötigung) objetiva da ação e significa que se a razão 
determinasse totalmente a vontade, a ação ocorreria 
indefectivelmente segundo essa regra. Desse modo, 
os imperativos valem objetivamente, sendo em tudo 
distintos das máximas, não obstante estas constituírem 
princípios subjetivos. Determinam aqueles, porém, ou 
as condições da causalidade do ser racional como cau-
sa eficiente, só em consideração do efeito e suficiência 
para o mesmo, ou, então, determinam só a vontade, seja 
FILOSOFIA aula 9
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ou não ela suficiente para o efeito. Os primeiros seriam 
imperativos hipotéticos e encerrariam meros preceitos 
da habilidade; os segundos, de forma inversa, seriam 
categóricos, constituindo, somente eles, leis práticas. 
Assim, pois, são as máximas, em verdade, princípios, 
mas não imperativos. Os próprios imperativos, contudo, 
quando condicionados, isto é, quando não determinam 
a vontade exclusivamente como vontade, mas somen-
te em vista de um efeito apetecido, ou seja, quando 
são imperativos hipotéticos, constituem, portanto, 
preceitos práticos, mas não leis. Devem estas últimas 
determinar suficientemente a vontade, mesmo antes 
que eu indague se tenho a faculdade necessária para 
um efeito apetecido ou o que devo fazer para produzir 
esse efeito; devem, portanto, ser categóricas, pois do 
contrário não são leis, faltando-lhes a necessidade 
que, se tem de ser prática, urge ser independente de 
condições patológicas e, por isso mesmo, casualmente 
ligadas à vontade. Dizei a alguém, por exemplo, que 
deve trabalhar e poupar na juventude para não sofrer a 
miséria na velhice; trata-se isto de um preceito prático 
da vontade, exato e importante ao mesmo tempo.
Vê-se porém logo, nesse caso, que a vontade é 
referente a alguma outra coisa que se supõe desejar, 
devendo esse desejo ser confiado ao próprio agente, 
pois talvez preveja ele alguma outra fonte de auxílio, 
além da fortuna por ele próprio adquirida, ou não espera 
chegar a ser velho, ou pensa que uma vez chegado ao 
caso de miséria, poderá satisfazer-secom pouco.
A razão, da qual unicamente pode sair toda a regra 
que deva conter necessidade, inclui imediatamente 
também a necessidade nesse seu preceito (pois sem 
esta não seria imperativo); mas esta necessidade só 
está condicionada subjetivamente e não cabe supô-la 
em todos os objetos em grau idêntico. Contudo, para 
a sua lei se exige que só necessite supor-se ela a si 
mesma, porque a regra é objetiva e universalmente 
verdadeira só quando vale sem as condições subjetivas, 
contingentes, que distinguem um ser natural de outro. 
Pois bem; dizei a alguém que nunca deve fazer promes-
sas falsas: tal regra só se refere à sua vontade, sejam 
ou não as intenções que o homem pode ter, realizáveis 
por essa vontade; o mero querer é o que deve ser de-
terminado completamente a priori por aquela regra. Se, 
todavia, acharmos essa regra praticamente exata, então 
é uma lei, porque se trata de um imperativo categórico. 
Dessa forma, porém, só à vontade se referem as leis 
práticas, sem ter em conta o que for efetuado pela 
causalidade da vontade, podendo-se fazer abstração 
dessa causalidade (como pertencente ao mundo dos 
sentidos) para obter puras essas leis práticas.
KANT, Immanuel. 
Crítica da razão prática. Trad. Afonso Bertagnoli. São 
Paulo: Brasil Editora, 1959.
Disponível em: institutoelo.org.br/site/files/publications/
bb907f18d02eb6febb5d17e176bb287c.pdf.
Acesso em: 15 fev. 2016.
NAVEGAR
 Filme
Laranja mecânica. Direção: 
Stanley Kubrick, 1971, 136 min. 
Inspirado no romance futu-
rista de Anthony Burgess (A 
Clockwork Orange, em inglês), 
escrito em 1962, o enredo se 
articula a partir das ações de 
uma gangue de delinquentes 
liderada por Alex DeLarge, que 
em suas ações buscavam a 
satisfação de seus desejos e 
impulsos imediatos.
A conexão com o pensamento kantiano é que Alex 
observa os impulsos, que são exteriores a ele, e, assim, 
os padrões morais são postos de lado.
PESQUISAR E LER
STRATHERN, Paul. Kant 
em 90 minutos. Rio de Janei-
ro: Jorge Zahar, 1999.
Análise da obra e pensa-
mento de Kant, abordando 
os principais conceitos den-
tro de sua ampla produção 
intelectual, a qual trouxe im-
portantes contribuições para 
os campos da epistemologia, 
ética, direito e matemática.
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Não é a consciência que determina a vida, mas a vida que determina a consciência.
Marx e Engels, A Ideologia alemã.
S E N H A
LEITE, Flamarion Tavares. 
10 lições sobre Kant. Petrópo-
lis: Vozes, 2007.
Apresenta os conceitos 
básicos para a introdução 
aos textos de Kant, buscando 
familiarizar o leitor com o ar-
cabouço filosófico necessário 
para a análise da epistemolo-
gia, da ética e do conceito de 
liberdade.
ÁGORA
Atividade: discussão sobre o comportamento juvenil 
no Brasil contemporâneo.
A partir da análise do filme Laranja mecânica, dirigido 
por Stanley Kubrick, procure comparar, no contexto do 
filme e de nossa época, elementos que:
a) caracterizem uma aproximação com o discurso do 
filme.
b) caracterizem o distanciamento entre o enredo do 
filme e a atualidade.
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Hegel, Marx e Nietzsche 
O século das ciências
O ponto de partida da periodização da Revolução 
Industrial é a Inglaterra da década de 1780. Segundo o 
historiador inglês Eric Hobsbawm, “qualquer que tenha 
sido a razão do avanço britânico, ele não se deveu à su-
perioridade tecnológica e científica. Nas ciências naturais, 
os franceses estavam seguramente à frente dos ingleses, 
vantagem que a Revolução Francesa veio acentuar de for-
ma marcante, pelo menos na Matemática e na Física, pois 
ela incentivou as ciências na França, enquanto a reação 
suspeitava delas na Inglaterra. Até mesmo nas ciências 
sociais os britânicos ainda estavam muito longe daquela 
superioridade que fez – e em grande parte ainda faz – da 
economia um assunto eminentemente anglo-saxão; mas 
a Revolução Industrial colocou-os em um inquestionável 
primeiro lugar”.1
Dessa forma, podemos chamar Primeira Revolução 
Industrial o período entre aproximadamente 1780 e 1850, 
marcado pelas máquinas feitas em ferro e que usavam 
a energia a vapor, oriunda da queima do carvão mineral 
que aquecia as caldeiras de água, produzindo o vapor 
necessário à movimentação de engrenagens que tinham 
inúmeras funções, nas mais diferentes áreas.
A principal transformação ocorrida na indústria foi a 
invenção da máquina a vapor por James Watt (1736-1819), 
em 1769, ensejando a ampliação da produção, antes de-
pendente da força física humana. Além disso, surgiram 
em fins do século XVIII os teares mecânicos como o de 
Edmund Cartwright (1743-1823), de 1785, fato que explica 
a concentração de máquinas no setor têxtil.
1 HOBSBAWM, Eric. A era das revoluções: 1789-1848. São Paulo: Paz e Terra, 2003. p. 52.
A tecnologia à base de vapor foi também usada em 
meios de transporte, e tanto o barco a vapor do esta-
dunidense Robert Fulton, de 1807, quanto a locomotiva 
a vapor de George Stephenson (1781-1848), de 1825, 
causaram mudanças decisivas nos transportes e favore-
ceram a intensificação do processo de industrialização. 
Desse período, destaca-se também a invenção do te-
légrafo pelo estadunidense Samuel Morse (1791-1872), 
que possibilitou a comunicação rápida a longa distância: 
um emissor passava uma mensagem codificada em pul-
sos magnéticos, que eram transmitidos por fios (cabos 
telegráficos); na unidade de recepção, uma máquina 
marcava num papel a sequência de sinais recebidos – e 
chamado código Morse –, que seriam decodificados e a 
mensagem lida, e o mesmo sistema podia ser adaptado 
para a comunicação com sinais luminosos (o acender e 
apagar de uma lanterna). A primeira linha telegráfica foi 
instalada em 1844, ligando Washington a Baltimore, na 
costa leste dos Estados Unidos.
Os conhecimentos sobre eletricidade e eletromag-
netismo resultaram das pesquisas do físico e químico 
britânico Michael Faraday (1791-1867), que concebeu a 
teoria da indução eletromagnética e as leis da eletrólise, 
indispensáveis para o entendimento das relações entre 
energia química e elétrica.
Inicialmente restrita à Inglaterra, a Revolução Indus-
trial, na primeira metade do século XIX, espalhou-se 
pela Europa continental, atingindo a Bélgica e a França. 
Esse dinamismo se acentuou ao longo do XIX, com a 
ampliação das áreas industriais e a concorrência entre 
as potências europeias.
Esse processo levou à chamada Segunda Revolução 
Industrial, consequência das mudanças iniciadas em 
fins do século XVIII, com as máquinas a vapor movidas a 
carvão. Não só quanto aos processos de produção, mas 
também quanto à dinâmica do sistema capitalista, na 
segunda fase da Revolução Industrial (de 1850 a 1950), 
FILOSOFIA – AULA 10
O pensamento, o conceito de direito fez-se de repente 
valer e o velho edifício de iniquidade não lhe pode resis-
tir [...]. Desde que o sol está no firmamento [...] não se 
tinha visto o homem [...] basear-se numa ideia e cons-
truir segundo ela a realidade. 
A Filosofia do Direito, de Georg Hegel.H
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aumentaram as áreas industriais e se intensificou a busca 
de fontes de matérias-primas e mercados consumidores.
Em virtude do aumento da produção, a estrutura do 
sistema capitalista cresceu e se sofisticou, principalmente 
depois da ideia da produção em série – padronizada e 
em larga escala – e, também no final do século XIX, com 
o surgimento da linha de montagem, criada por Henry 
Ford, nos EUA.
Nesse contexto, Nikolaus Otto desenvolveu o motor a 
explosão (combustão interna), e Rudolf Diesel (1858-1913) 
o aperfeiçoou, com a introdução do petróleo, concor-
rendo para a criação do automóvel e de outros veículos 
como o caminhão, o trator, o ônibus e, posteriormente, o 
avião, inventado pelo brasileiro Alberto Santos Dumont. 
Seu primeirovoo foi documentado em 23 de outubro de 
1906, no aparelho chamado 14-Bis, na cidade de Paris. 
Apesar disso, os irmãos estadunidenses Orville e Wilbur 
Wright afirmaram ter realizado um voo com o aparelho 
Flyer I em 17 de dezembro de 1903, informação apenas 
registrada num diário e sem a presença de testemunhas.
Na chamada Segunda Revolução Industrial, incrementa-
ram-se sobretudo as comunicações. Em 1877, o escocês 
Alexander Graham Bell (1847-1922) inventa o telefone e 
desenvolve um cilindro de cera em que se podia registrar 
sons, criando as condições para a invenção do gramofone, 
pelo alemão Emil Berliner, em 1887. A partir da teoria 
sobre ondas publicada pelo inglês James Clerk Maxwell 
(1831-1879) em 1873 e dos estudos do físico alemão 
Heinrich Hertz (1857-1894), o italiano Guglielmo Marconi 
(1874-1937) concebe um aparelho radiofônico – o rádio. 
Em 1926, o escocês John Logie Baird (1888-1946) cria a 
televisão e, em 1949, surge a base tecnológica para a 
transmissão a longa distância, tornando-a mais acessível 
e dando origem a uma nova concepção de comunicação 
de massa que substituiu o rádio, senhor absoluto entre 
as décadas de 1920 e 1950.
Além das transformações tecnológicas, no campo po-
lítico e econômico, o neocolonialismo foi vital para que 
as potências industriais pudessem ampliar sua cadeia 
produtiva. Portanto, a busca de matérias-primas e de 
mercados implicou um processo de conquista e domi-
nação e daí a concepção de um neocolonialismo, o qual 
teve a necessidade de construir uma argumentação que 
buscava sustentar suas ações e, nesse caso, os versos 
de Rudyard Kipling (1865-1935), poeta inglês nascido na 
Índia britânica, são esclarecedores: 
Aceitai o fardo do homem branco,
Enviai os melhores de vossos filhos,
Condenai vossos filhos ao exílio,
Para que sejam os servidores de seus cativos.
A ideia de Kipling é que o homem branco teria um 
“fardo”, uma dura e difícil missão a cumprir, a qual seria a 
transmissão da civilização europeia aos primitivos povos 
que a desconheciam, portanto, quando o poeta fala em 
“Condenai vossos filhos ao exílio,/ Para que sejam os 
servidores de seus cativos”, está implícita a ideia de que o 
melhor da juventude ocidental deveria assumir os postos 
de controle e comando nas remotas colônias, cumprindo 
a tarefa da missão civilizatória e por isso ser “servidores” 
e não “dominadores”, apesar de o terem sido, afinal a 
“transmissão do conhecimento superior europeu” foi um 
desdobramento da dominação política, econômica, militar 
e cultural que as potências capitalistas desenvolveram.
A visão de uma posição de superioridade pode ser en-
tendida como um discurso de autoafirmação que, entre 
outras fontes, teria se desdobrado da leitura equivocada 
da teoria evolucionista apresentada por Charles Darwin 
em seu livro Teoria geral da evolução das espécies, 
publicado em 1859. Darwin apresenta a competição 
existente entre as espécies animais e nesta se manifes-
taria o processo denominado de “seleção natural”, no 
qual as espécies mais bem adaptadas sobrevivem e as 
menos adaptadas perecem, sendo a evolução, portanto, 
o resultado desse processo.
Alguns intelectuais e cientistas acabaram por aplicar 
a concepção de “mais e menos evoluído” para a espécie 
humana, concebendo assim uma explicação para as 
diferenças gritantes que distanciavam os povos tidos 
como “primitivos” e os chamados “evoluídos”. Nasceu, 
assim, o darwinismo social, uma visão que potencializou 
o pensamento racista.
Tendo vivido num tempo de grandes avanços científi-
cos, o filósofo inglês Herbert Spencer (1820-1903) foi o 
principal representante do evolucionismo nas ciências hu-
manas. Ele intuiu a existência de regras evolucionistas na 
natureza antes de seu compatriota, o naturalista Charles 
Darwin (1809-1882), formular a revolucionária teoria da 
evolução das espécies. É ele o autor da expressão “sobre-
vivência do mais apto”, muitas vezes atribuída a Darwin. 
O filósofo aplicou à sociologia ideias que retirou das 
ciências naturais, criando um sistema de pensamento 
muito influente a seu tempo. Suas conclusões o levaram 
a defender a primazia do indivíduo perante a sociedade e 
o Estado, e a natureza como fonte da verdade, incluindo 
a verdade moral, daí o conceito chamado de darwinismo 
social.
O campo das ciências médicas também se influenciou 
pelo discurso do darwinismo social e surgiu o conceito 
de “raças” humanas (branca, amarela, negra e verme-
lha) cujas diferenças poderiam ser estabelecidas pela 
FILOSOFIA aula 10
24 POLISABER
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Antropometria, técnica de medição de partes do corpo 
humano que nos fins do século XIX e primeira metade 
do século XX seria usada como ferramenta para a sus-
tentação do racismo, especialmente entre os nazistas.
O século XIX foi o momento da consolidação da indepen-
dência de várias disciplinas que compunham a formação 
humanista e, naquele contexto, passaram a ser ensinadas 
dentro de cursos específicos, os quais se desdobraram em 
ferramentas para a afirmação do discurso imperialista e 
da melhor compreensão das áreas e povos dominados: 
História, Geografia, Arqueologia e Antropologia.
Foi nesse “caldo de cultura” que fervilharam as ideias 
responsáveis pela base do pensamento nazista, fruto de 
uma mera adaptação aos delírios de Hitler que releu a 
ideologia racista vigente na virada do século XIX para o XX.
 Georg Friedrich Hegel
Hegel: a dialética idealista.
De que fala Georg Hegel (1770-1831) no texto em epí-
grafe? Relembra a Revolução Francesa (1789), evento 
notável que ocorreu quando ele tinha 19 anos. Na Prússia, 
acompanhou apaixonadamente os acontecimentos que 
marcaram um ponto de ruptura da história: a derrocada 
do mundo feudal e o fortalecimento da ordem burgue-
sa. É essa a contradição dialética cuja resolução Hegel 
aponta como sendo a tarefa da Razão. Sendo alemão, 
Hegel continuará vivendo essa contradição, na medida 
em que a Prússia e os Estados alemães se achavam, de 
certa forma, ainda mergulhados em tradições e costumes 
oriundos da ordem feudal, mesmo que politicamente 
divididos em diversos Estados não unificados. 
Segundo Roger Garaudy, marxista francês: “O método 
que elaborou para tentar vencer as dilacerações e as 
contradições do seu tempo – a dialética idealista – só 
pode ser compreendido a partir da experiência viva e do 
drama vivido que suscitaram nele a exigência filosófica”.2
A dialética idealista
A filosofia de Hegel é uma filosofia do devir (do movi-
mento, do “vir a ser”). Para compreender a realidade em 
constante processo, Hegel abandona a lógica tradicional, 
aristotélica, que considera inadequada para a explicação 
do movimento. Estabelece os princípios de uma nova 
lógica: a dialética. Segundo a dialética, todas as coisas 
e ideias morrem. Como diz Goethe: “Tudo o que existe 
merece desaparecer”. Mas essa força destruidora é 
também a força motriz do processo histórico.
O movimento da dialética se faz em três etapas: tese, 
antítese e síntese. A antítese é a negação da tese, e a sín-
tese é a superação da contradição entre tese e antítese.
Da abordagem dialética resulta um novo conceito de 
história. O presente é retomado como resultado de longo 
e dramático processo; a história não é a simples acu-
mulação e justaposição de fatos acontecidos no tempo, 
mas é resultado de verdadeiro engendramento, de um 
processo cujo motor interno é a contradição dialética. 
Ao explicar o movimento gerador da realidade, Hegel 
desenvolve a dialética idealista: no sistema hegeliano, a 
racionalidade não é mais um modelo a se aplicar, “mas 
é o próprio tecido do real e do pensamento”. O mundo 
é a manifestação da Ideia, “o real é racional e o racional 
é real”. “A história universal nada mais é do que a mani-
festação da Razão”.
No movimento dialético, a Razão passa por diversos 
graus, desde a natureza inorgânica até as formas mais 
complexas da vida social. Entre estas, Hegel se refere 
ao Espírito objetivo, ou seja, o espíritoexterior do ho-
mem enquanto expressão da vontade coletiva por meio 
da moral, do direito, da política: o Espírito objetivo se 
realiza naquilo que se chama mundo da cultura e assim, 
para Hegel, o Estado é uma das mais altas sínteses do 
Espírito objetivo. 
2 GARAUDY, R. O pensamento de Hegel. São Paulo: L&PM, 1983. p. 8.
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A concepção de Estado
As teorias sobre o Estado foram desenvolvidas por He-
gel na obra Filosofia do direito, na qual critica a tradição 
naturalista típica dos filósofos contratualistas. Estes, ao 
elaborarem a hipótese do homem em estado de natureza, 
desenvolveram a concepção de que a sociedade é com-
posta por indivíduos isolados que se reúnem motivados 
por um pacto, a fim de formar artificialmente o Estado e 
garantir a liberdade individual e a propriedade privada. 
Ao contrário das teorias contratualistas, a concepção 
hegeliana nega a anterioridade dos indivíduos, pois é o 
Estado que fundamenta a sociedade. Não é o indivíduo 
que escolhe o Estado, mas sim é por ele constituído. Ou 
seja, não existe o homem em estado de natureza, pois o 
homem é sempre um indivíduo social. O Estado sinteti-
za, numa realidade coletiva, a totalidade dos interesses 
contraditórios entre os indivíduos. Assim como a família 
é a síntese dos interesses contraditórios entre seus 
membros, e a sociedade civil a síntese que supera as 
divergências entre as diversas famílias, o Estado repre-
senta a unidade final, a síntese mais perfeita que supera 
a contradição existente entre o privado e o público. 
No movimento dialético, as esferas da família e da 
sociedade civil não devem ser entendidas como formas 
anteriores ou exteriores ao Estado, pois na verdade só 
existem e se desenvolvem no Estado. Quando Hegel 
usa a expressão sociedade civil, lhe dá um sentido novo, 
correspondente à esfera intermediária entre a família e o 
Estado. A sociedade civil é o lugar das atividades econômi-
cas, e, portanto, onde prevalecem os interesses privados, 
sempre antagônicos entre si. Por isso mesmo é o lugar 
das diferenças sociais e conflituosas entre ricos e pobres 
e da rivalidade dos profissionais entre si. Para superar as 
contradições que põem em perigo a coletividade, é preciso 
reconhecer a soberania do Estado. Nele, cada um tem a 
clara consciência de agir em busca do bem coletivo, sendo, 
assim, por excelência, a esfera dos interesses públicos e 
universais. A importância do Estado na filosofia política de 
Hegel levou a interpretações diversas, inclusive a de que 
ele teria sido o teórico do absolutismo prussiano, o que, 
em última análise, justificaria o Estado totalitário do século 
XX. Vários filósofos se insurgiram contra essa simplificação 
deformadora do seu pensamento, desde o próprio Karl 
Marx até os contemporâneos à ascensão dos fascismos 
como Eric Weil (1904-1977).
Pelo menos até o momento histórico vivido por Hegel, a 
monarquia constitucional representava para ele a melhor 
forma de governo, a que melhor corresponde ao “espírito 
do tempo”. Com ela não se corre o risco de pôr o indivíduo 
em primeiro plano, já que o domínio do monarca não é 
autônomo e independente, mas regido pelas leis e pelo 
bem do Estado. Isso seria possível pelo fato de a monar-
quia constitucional opor-se ao despotismo, não sendo, 
portanto, o governo de um só, e os poderes do Estado se 
encontrarem divididos e exercidos por diversos órgãos.
A influência da filosofia hegeliana 
Hegel exerceu grande influência no desenvolvimento 
do pensamento político posterior, e seus seguidores 
dividiram-se em dois grupos opostos, denominados 
esquerda e direita hegeliana. Essa cisão foi provocada 
por uma querela de origem religiosa incitada por David F. 
Strauss, teólogo e autor de Vida de Jesus, na interpretação 
do pensamento de Hegel.
Os da direita são os discípulos conservadores e mantêm 
a filosofia idealista do mestre; na política, defendem o 
estado prussiano e, na religião, seguem o luteranismo. Os 
da esquerda transformam a filosofia idealista em mate-
rialista; na política, defendem a anarquia ou um regime 
socialista e, na religião, são ateus ou anticristãos. Entre 
estes estão Feuerbach e, posteriormente, Marx e Engels, 
os quais, ao realizarem a inversão do idealismo hegeliano, 
assentam as bases do materialismo dialético: “A dialética 
de Hegel foi colocada com a cabeça para cima ou, dizendo 
melhor, ela que se tinha apoiado exclusivamente sobre 
sua cabeça, foi de novo reposta sobre seus pés“.
Outra divergência se encontra na concepção de Marx, 
para quem o Estado não representa a síntese que supe-
raria os interesses contraditórios da sociedade civil, mas 
estaria a serviço da classe dominante.
Hegelianismo3 
Nome genérico atribuído ao destino póstumo da Filoso-
fia de Hegel, que formou um grande número de discípulos 
que logo se dividiram em dois grupos: os hegelianos de 
direita e os hegelianos de esquerda. Assim, o impacto 
do sistema hegeliano sobre a Filosofia foi inegável. Esse 
sistema, que se esforça por reunir o espírito e a nature-
za, o universal e o particular, o ideal e o real, foi tomado 
como referência, tanto por pensadores conservadores 
(de direita) quanto por revolucionários (de esquerda), 
tanto por crentes quanto por ateus. Os hegelianos de 
direita se tornaram os campeões do liberalismo. Quanto 
aos hegelianos de esquerda, apoiando-se na teoria da 
religião e da sociedade, converteram-se em defensores 
ardorosos da transformação revolucionária da sociedade. 
Entre estes últimos, Feuerbach e Marx foram os mais 
ilustres. Lenin dizia: “Para se compreender Marx, é preciso 
ter compreendido Hegel”.
3 JAPIASSU, Hilton; MARCONDES, Danilo. Dicionário básico de Filosofia. Rio de Janeiro: 
Jorge Zahar, 1991. p. 90.
FILOSOFIA aula 10
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-3
Historicismo4 
1. Método filosófico que tenta explicar sistematicamen-
te pela história, isto é, pelas circunstâncias da evolução 
das ideias e dos costumes ou pelas transformações 
das estruturas econômicas, todos os acontecimentos 
relevantes do direito, da moral, da religião e de todas as 
formas de progresso da consciência.
2. De modo especial, teoria segundo a qual o direito, 
como produto de uma criação coletiva, evolui com a 
comunidade que o criou, só podendo ser compreendido 
numa perspectiva histórica.
Sob sua aparência liberal, essa teoria é bastante rea-
cionária, pois faz do direito a estrutura inconsciente de 
uma comunidade sacralizada por seu próprio passado.
3. Convém distinguir entre historicismo filosófico e histo-
ricismo epistemológico ou metodológico. O primeiro faz da 
história o fundamento de uma concepção geral do mundo 
ou, então, considera que todos os fenômenos sociais e 
humanos só são inteligíveis mediante o recurso da cate-
goria “história” (frequentemente fundada numa oposição 
radical entre natureza e história). O segundo recusa toda e 
qualquer concepção do mundo, vendo na história apenas 
uma das condições de inteligibilidade do real.
 Karl Marx
Marx: a dialética materialista.
4 Ibidem. p. 94.
Karl Marx (1818-1883) foi um filósofo alemão, nascido 
em Trier de uma família judia convertida ao protestantis-
mo. Sua obra teve grande impacto em sua época e na for-
mação do pensamento social e político contemporâneo. 
Estudou Direito nas Universidades de Bonn e de Berlim, 
doutorando-se pela Universidade de Jena (1841), com 
uma tese sobre a filosofia da natureza de Demócrito e de 
Epicuro. Ligou-se aos “jovens hegelianos de esquerda”, 
escrevendo em jornais socialistas. Depois de um intenso 
período de militância política, marcado pela fundação da 
“liga” dos comunistas (1847) e pela redação, com Engels, 
do Manifesto do Partido Comunista (1848), exilou-se na 
Inglaterra (1849), onde viveu até a sua morte, desenvol-
vendo suas pesquisas e escrevendo grande parte de sua 
obra na biblioteca do Museu Britânico, em Londres. 
Sua obra não se restringe ao campo da filosofiaapenas, 
mas abrange ainda sobretudo os campos da história, da 
ciência política e da economia. O pensamento de Marx 
desenvolve-se a partir do contato com a obra dos econo-
mistas ingleses como Adam Smith e David Ricardo, e da 
ruptura com o pensamento hegeliano e com a tradição 
idealista da filosofia alemã. E então que surge o materia-
lismo histórico, segundo o qual as relações sociais são 
determinadas pela satisfação das necessidades da vida 
humana, não sendo apenas uma forma, dentre outras, 
da atividade humana, mas a condição fundamental de 
toda a história. 
Logo, a economia política, que estuda a natureza dessas 
relações de produção, deve ser a base de todo estudo 
sobre o homem, sua vida social e sua expressão cultu-
ral. Grande parte das obras de Marx foram escritas em 
colaboração com Engels, sendo por vezes difícil separar 
as ideias de um e as de outro. Apesar de ter elaborado 
um grande número de obras teóricas nos mais diversos 
campos da filosofia e das ciências sociais, Marx nunca 
abandonou a militância política, nem a convicção de que 
a tarefa de uma filosofia, que se queira verdadeiramente 
crítica, deve ser a transformação da realidade. Escreveu 
também um grande número de artigos para jornais, meio 
como ganhou a vida em Londres. Nesses textos, analisou 
os eventos históricos e políticos de sua época como as 
comunas de Paris. Suas principais obras são: A crítica da 
filosofia do Direito de Hegel (1843, publicada postuma-
mente); A sagrada família (1845), em colaboração com 
Engels; A ideologia alemã (1845-1846), em colaboração 
com Engels, também publicada postumamente; A miséria 
da filosofia: resposta à filosofia da miséria de Proudhon 
(1847); A luta de classes na França (1850); 0 18 Brumário 
de Luís Bonaparte (1852); Crítica da economia política 
(1859) e 0 capital, 3 vols. (1867-1895), tendo Engels cola-
borado na edição desta última.
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 aula 10 FILOSOFIA
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Marxismo
Termo que designa tanto o pensamento de Karl Marx 
e de seu principal colaborador, Friedrich Engels, como 
também as diferentes correntes que se desenvolveram 
a partir do pensamento de Marx, levando a se distinguir, 
por vezes, entre o marxismo (relativo a esses desenvol-
vimentos) e o pensamento marxiano (do próprio Marx). A 
obra de Marx estende-se em múltiplas direções, incluindo 
não só a filosofia, como a economia, a ciência política, 
a história etc.; e sua imensa influência se encontra em 
todas essas áreas. O marxismo é, por vezes, também 
conhecido como materialismo histórico, materialismo 
dialético e socialismo científico (termo empregado por 
Engels). O pensamento filosófico de Marx desenvolve-se 
a partir de uma crítica da filosofia hegeliana e da tradição 
racionalista. Considera que essa tradição, por manter suas 
análises no plano das ideias, do espírito, da consciência 
humana, não chegava a ser suficientemente crítica por 
não atingir a verdadeira origem dessas ideias – a qual 
estaria na base material da sociedade, na sua estrutura 
econômica e nas relações de produção que esta mantém. 
Isso equivaleria, segundo Marx, a “colocar o homem de 
Hegel de cabeça para baixo”. Seria, portanto, necessário 
analisar o capitalismo – modo de produção da socie-
dade contemporânea para Marx – a fim de revelar sua 
natureza de dominação e exploração do proletariado, e 
desmascará-la. O pensamento de Marx, entretanto, não 
se restringe a uma análise teórica, mas busca formular os 
princípios de uma prática política voltada para a revolução 
que destruiria a sociedade capitalista para construir o 
socialismo, a sociedade sem classes, chegando ao fim 
do Estado. “Os filósofos sempre se preocuparam em 
interpretar a realidade, é preciso agora transformá-la.” 
O marxismo se desenvolveu em várias correntes que 
podemos subdividir em políticas e teóricas, embora nem 
sempre a fronteira entre ambas seja muito nítida. Entre 
as correntes políticas temos, por exemplo, o marxismo-
-leninismo, ou simplesmente leninismo, também cha-
mado de marxismo ortodoxo, ou materialismo dialético, 
que se tornou a doutrina oficial na União Soviética, após 
a revolução de 1917; o trotskismo, de Leon Trotsky, 
que defendeu contra o leninismo a teoria da revolução 
permanente: o maoísmo, doutrina desenvolvida por 
Mao Tsé-Tung, que chegou ao poder na China após a 
revolução de 1947. Entre as correntes teóricas, podemos 
destacar os seguintes pensadores e escolas: o alemão 
Karl Kautsky (1854-1938), um dos principais seguidores 
de Marx, defensor de um marxismo revolucionário, contra 
tendências revisionistas como a de Eduard Bernstein; 
o húngaro Georg Lukács (1885-1971), que propõe uma 
interpretação de Marx valorizando suas raízes hegelianas; 
o alemão Karl Korsch (1889-1961), que enfatiza a base 
filosófica da teoria social e política de Marx; o austro-
-marxismo de, entre outros, Max Adler (1873-1937), que 
incorpora elementos kantianos à sua interpretação de 
Marx; o alemão Ernst Bloch (1885-1977), que insere o 
marxismo na tradição do idealismo alemão; o italiano 
Antônio Gramsci (1891-1937), fundador do Partido Comu-
nista Italiano e que desenvolve uma filosofia da práxis; o 
francês Louis Althusser (1918-1990), que faz uma leitura 
de Marx em uma perspectiva estruturalista; o marxismo 
de Sartre; o marxismo da Escola de Frankfurt de Theodor 
Adorno (1903-1969), Max Horkheimer (1895-1973), Walter 
Benjamin (1892-1940) e posteriormente Herbert Marcuse 
(1898-1979) e Jürgen Habermas (1929), que se volta para 
a análise da sociedade industrial, do capitalismo avança-
do e de sua produção cultural. Muitas dessas correntes 
encontram-se inclusive em conflito, cada uma buscando 
ser mais fiel ao pensamento autêntico de Marx; porém 
umas enfatizam seu aspecto econômico e político, outras 
a análise histórica, outras ainda o caráter filosófico: umas 
destacam a influência de Hegel, outras a doutrina revolu-
cionária. Um dos aspectos mais polêmicos da interpreta-
ção do pensamento de Marx diz respeito à sua atualidade, 
ou seja, à validade da análise marxista, voltada para a 
realidade do surgimento do capitalismo no século XIX, 
com sua aplicação agora à sociedade contemporânea 
e ao capitalismo avançado, que possui características 
não previstas por Marx. Por esse motivo, várias dessas 
correntes se denominam “neomarxistas”, na medida em 
que constituem tentativas de desenvolvimento e adap-
tação do pensamento de Marx a essa nova realidade.
A mais-valia
Conceito fundamental utilizado por Marx para sublinhar 
a exploração imposta ao proletariado pelo proprietário 
dos meios de produção: a força de trabalho dos operários 
é o único valor de uso capaz de multiplicar o valor. Ao 
vender sua força de trabalho ao empregador, em troca de 
um salário, ela se torna um valor da troca como qualquer 
outra mercadoria: “o valor da força de trabalho é deter-
minado pela quantidade de trabalho necessária à sua 
produção”. Todavia, o empregador prolonga ao máximo 
a duração do trabalho do operário. Esse sobretrabalho 
cria um sobreproduto, uma mais-valia que não é paga ao 
trabalhador, que lhe é subtraída e marca a sua exploração. 
FILOSOFIA aula 10
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Quando a mais-valia é aumentada pela introdução de 
máquinas mais aperfeiçoadas, por um controle maior da 
produção individual ou por uma aceleração do ritmo de 
trabalho, falamos de mais-valia relativa. E o único modo, 
segundo a teoria marxista, de se acabar com a mais-valia, 
é substituir a propriedade privada pela propriedade co-
letiva dos meios de produção.
Materialismo histórico
A ideia principal é que as transformações sociais são 
decorrentes das forças econômicas; portanto, a economia 
formava a base da sociedade (a infraestrutura), e esta 
interagia sobre os demais elementos (política, religião, 
cultura etc.), constituindo a superestrutura. A somatória 
desses eventos constituía o que foi chamado por Marx 
de modo de produção: “Na produção capitalista, o tra-
balhador é não proprietáriodas condições de produção; 
[não é] nem [proprietário] do campo que lavra, nem do 
instrumento que trabalha. A essa alienação das condições 
de produção corresponde aqui, entretanto, uma mudança 
real no próprio modo de produção. O instrumento se 
transforma em máquina; o trabalhador trabalha em ofi-
cina etc. O próprio modo de produção não mais permite 
essa dispersão dos instrumentos de produção ligada à 
pequena propriedade, tão pouco à dispersão dos próprios 
trabalhadores. Na produção capitalista, a usura não pode 
mais separar as condições de produção do trabalhador 
e o produtor, porque estes já se encontram separados”.
 Friedrich Nietzsche
Pintura de Edvard Munch, c., 1906. 
O pensamento de Nietzsche (1844-1900) se orienta no 
sentido de recuperar as forças inconscientes, vitais, ins-
tintivas subjugadas pela razão durante séculos. Para tanto, 
critica Sócrates por ter encaminhado pela primeira vez a 
reflexão moral em direção ao controle racional das pai-
xões. Segundo Nietzsche, nasce aí o homem desconfiado 
de seus instintos, tendo essa tendência culminado com o 
cristianismo, que acelerou a “domesticação” do homem. 
Em diversas obras, como Sobre a genealogia da moral, Para 
além do bem e do mal e Crepúsculo dos ídolos, em estilo 
apaixonado e mordaz, Nietzsche faz a análise histórica da 
moral e denuncia a incompatibilidade entre esta e a vida. 
Em outras palavras, o homem, sob o domínio da moral, 
se enfraquece, tornando-se doentio e culpado. Nietzsche 
relembra a Grécia homérica, do tempo das epopeias e 
das tragédias, considerando-a como o momento em que 
predominam os verdadeiros valores aristocráticos, quando 
a virtude reside na força e na potência, sendo atributo do 
guerreiro belo e bom, amado dos deuses. Nessa pers-
pectiva, o inimigo não é mau: “Em Homero, tanto o grego 
quanto o troiano são bons. Não passa por mau aquele que 
nos inflige algum dano, mas aquele que é desprezível”. Ao 
fazer a crítica da moral tradicional, Nietzsche preconiza 
a “transvaloração de todos os valores”. Denuncia a falsa 
moral, “decadente”, “de rebanho”, “de escravos”, cujos 
valores seriam a bondade, a humildade, a piedade e o 
amor ao próximo. Contrapõe a ela a moral “de senhores”, 
uma moral positiva que visa à conservação da vida e dos 
seus instintos fundamentais.
A moral de senhores é positiva, porque baseada no 
sim à vida, e se configura sob o signo da plenitude, do 
acréscimo. Por isso se funda na capacidade de criação, 
de invenção, cujo resultado é a alegria, consequência da 
afirmação da potência. O homem que consegue superar-
-se é o Super-homem (Ubermensch, expressão alemã 
que significa “além do homem”, “sobre-humano”, “que 
transpõe os limites do humano”). À moral aristocrática, 
moral de senhores, que é sadia e voltada para os instintos 
da vida, Nietzsche contrapõe o pensamento socrático-
-platônico (que provoca a ruptura entre o trágico e o 
racional) e a tradição da religião judaico-cristã. A moral 
que deriva daí é a moral de escravos, moral decadente 
porque baseada na tentativa de subjugação dos instintos 
pela razão. O homem-fera, animal de rapina, é transfor-
mado em animal doméstico ou cordeiro. A moral plebeia 
estabelece um sistema de juízos que considera o bem 
e o mal valores metafísicos transcendentes, isto é, in-
dependentes da situação concreta vivida pelo homem.
A moral de escravos nega os valores vitais e resulta na 
passividade, na procura da paz e do repouso. O homem 
se torna enfraquecido e diminuído em sua potência.
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A alegria é transformada em ódio à vida, o ódio dos 
impotentes. A conduta humana, orientada pelo ideal as-
cético, torna-se marcada pelo ressentimento e pela má 
consciência. O ressentimento nasce da fraqueza e é no-
civo ao fraco. O homem ressentido, incapaz de esquecer, 
é como o dispéptico: fica “envenenado” pela sua inveja 
e impotência de vingança. Ao contrário, o homem nobre 
sabe “digerir” suas experiências, e esquecer é uma das 
condições de manter-se saudável. A má consciência ou 
sentimento de culpa é o ressentimento voltado contra 
si mesmo, daí fazendo nascer a noção de pecado, que 
inibe a ação. O ideal ascético nega a alegria da vida e 
coloca a mortificação como meio para alcançar a outra 
vida num mundo superior, do além. Assim, as práticas 
de altruísmo destroem o amor de si, domesticando os 
instintos e produzindo gerações de fracos. 
Ao pensarmos nessa concepção de ascese, Nietzsche 
revisita os estoicos apontando o conceito de amor fati, 
literalmente “amor do destino”, portanto, relacionando a 
uma ideia de fatalidade, desse modo, aponta o ensejo, a 
busca daquilo que virá e, assim, a dimensão do futuro tem 
um espaço bastante caro no pensamento nietzschiano. 
É por isso que contra o enfraquecimento do homem, 
contra a transformação de fortes em fracos – tema 
constante da reflexão nietzschiana – é necessário 
assumir uma perspectiva além de bem e mal, isto é, 
“além da moral”. Mas, por outro lado, para além de 
bem e mal não significa para além de bom e mau. A 
dimensão das forças, dos instintos, da vontade de po-
tência, permanece fundamental. “O que é bom? Tudo 
que intensifica no homem o sentimento de potência, a 
vontade de potência, a própria potência. O que é mau? 
Tudo que provém da fraqueza.
MACHADO, R. 
Nietzsche e a verdade. 
São Paulo: Paz e Terra, 1999. p. 68.
Moral (lat. moralis, de mor-, mos: costume) – 
definições5
1. Em um sentido amplo, sinônimo de ética como teoria 
dos valores que regem a ação ou conduta humana, ten-
do um caráter normativo ou prescritivo. Em um sentido 
mais estrito, a moral diz respeito aos costumes, valores 
e normas de conduta específicos de uma sociedade ou 
cultura, enquanto a ética considera a ação humana do 
5 JAPIASSU, Hilton; MARCONDES, Danilo. Dicionário básico de Filosofia. Rio de Janeiro: 
Jorge Zahar, 1991. p. 134.
seu ponto de vista valorativo e normativo, em um sentido 
mais genérico e abstrato.
2. Pode-se distinguir entre uma moral do bem, que visa 
estabelecer o que é o bem para o homem – a sua felicidade, 
realização, prazer etc., e como se pode atingi-lo –, e uma 
moral do dever, que representa a lei moral como um im-
perativo categórico, necessária, objetiva e universalmente 
válida: “O dever é uma necessidade de se realizar uma 
ação por respeito à lei” (Kant).
Segundo Kant, a moral é a esfera da razão prática que 
responde à pergunta: “O que devemos fazer?
Apolíneo/apolinismo6
Termos criados por Nietzsche e derivados de Apolo, que 
ele opõe a Dioniso. Segundo Nietzsche, Apolo é o deus 
da medida e da harmonia, enquanto Dioniso é o deus da 
embriaguez, da inspiração e do entusiasmo. “Apolíneo“, 
diz Nietzsche, significa “contemplativo, que é fonte de 
harmonia e beleza”, enquanto “dionisíaco“ significa “de 
exaltação trágica e patética da vida”. A palavra apolinis-
mo designa a contemplação extasiada de um mundo de 
imaginação e de sonho, do mundo da bela aparência que 
nos liberta do devir; por sua vez, o dionisismo concebe 
ativamente o devir, sente-o objetivamente como a “vo-
lúpia curiosa do criador” (Nietzsche).
Dionisíaco7
Termo utilizado por Nietzsche, derivado do nome do 
deus Dioniso, deus da embriaguez, da inspiração e do 
entusiasmo, para designar a vontade de potência, cujo 
enfraquecimento podemos encontrar na massa do reba-
nho: ela é a pulsão fundamental da vida. Contra a moral 
do pecado, precisamos querer viver, declara Nietzsche, 
pois é o “instinto” que representa o poder criador da 
vida. Ao combater a transcendência, defende a ideia de 
que o homem deve ser ultrapassado num esforço de 
criação pessoal. Donde a necessidade de uma transmu-
tação dos valores: o bem encontra-se na exaltação do 
sentimento de poder: o mal, em tudo que o contraria. 
Oposto a apolíneo.
 Resumo da ópera
Nesta aula, trabalhamos com três autores que influen-
ciaram as discussões filosóficas e políticas do século XIX 
em diante: Hegel e Marx desenvolveramseu pensamento 
a partir da dialética, mas de modos distintos. Enquanto 
6 Idem, Ibidem. p. 16.
7 Idem, Ibidem. p. 55.
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Hegel entendia que a síntese estava no espírito, Marx entendia que ela estava na matéria, originando o materialismo 
dialético. Quanto à concepção de História que ambos desenvolveram também era diferente, porque Hegel pensava 
numa “progressão histórica” como se fosse um resultado da “revelação do espírito” e Marx pensava como a quebra da 
opressão por meio da derrubada da burguesia.
A linha de pensamento de Nietzsche se articulou numa posição diferente da de Hegel e Marx pelo fato de se afastar 
do idealismo kantiano, negando uma finalidade à História, apresentando uma visão de que o homem passava por uma 
crise, daí a ruptura com os valores a sua volta e o desapego, direcionando-o para o “nada” e, assim, temos o nihilismo 
e o consequente questionamento da fé, resultando na expressão: “Deus está morto”.
EXERCÍCIOS
1. (UEM)
A filosofia de Hegel constitui, assim, exemplo de um grandioso e radical investimento especulativo, qualificado como 
ideia de liberdade. Ao mesmo tempo em que tem a pretensão de analisar a liberdade segundo um modo conceitual (lógico-
-ontológico), quer, também, compreendê-la como uma forma histórica de sua manifestação. Ou, dito de outro modo, sem 
abandonar o seu caráter autorreferencial (subjetivo), o filósofo pretende efetivá-la na sua necessária forma institucional 
(objetiva). […] Se a liberdade subjetiva não alcançar essa dimensão e se circunscrever no âmbito dos interesses e desejos 
particulares dos indivíduos nas suas relações privadas, o próprio princípio da liberdade se vê ameaçado.
MARÇAL, J. (org.) 
Antologia de textos filosóficos. 
Curitiba: SEED-PR, 2009. p. 309.
Com base na citação anterior, assinale as alternativas corretas; 
01) O livre-arbítrio constitui uma ameaça para a realização da liberdade. 
02) A liberdade deve ser pensada em dois planos distintos: o primeiro, autorreferencial ou subjetivo, e o segundo, 
institucional ou objetivo. 
04) A efetividade do Estado e das instituições sociais constitui um obstáculo para os desejos particulares dos indi-
víduos. 
08) O exercício da liberdade é característico de um processo historicamente definido. 
16) A liberdade é uma síntese da religião com o autoconhecimento. 
2. (Enem) 
Na produção social que os homens realizam, eles entram em determinadas relações indispensáveis e independentes de 
sua vontade; tais relações de produção correspondem a um estágio definido de desenvolvimento das suas forças materiais 
de produção. A totalidade dessas relações constitui a estrutura econômica da sociedade – fundamento real, sobre o qual 
se erguem as superestruturas política e jurídica, e ao qual correspondem determinadas formas de consciência social.
MARX, K. 
Prefácio à Crítica da economia política. 
In: MARX, K.; ENGELS, F. 
Textos 3. 
São Paulo: Edições Sociais, 1977. Adaptado.
 POLISABER 31
 aula 10 FILOSOFIA
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-3
Para o autor, a relação entre economia e política estabelecida no sistema capitalista faz com que
a) o proletariado seja contemplado pelo processo de mais-valia. 
b) o trabalho se constitua como o fundamento real da produção material. 
c) a consolidação das forças produtivas seja compatível com o progresso humano. 
d) a autonomia da sociedade civil seja proporcional ao desenvolvimento econômico. 
e) a burguesia revolucione o processo social de formação da consciência de classe. 
3. (Enem) 
A filosofia grega parece começar com uma ideia absurda, com a proposição: a água é a origem e a matriz de todas 
as coisas. Será mesmo necessário deter-nos nela? Sim, e por três razões: em primeiro lugar, porque essa proposição 
enuncia algo sobre a origem das coisas; em segundo lugar, porque o faz sem imagem e fabulação; e enfim, em terceiro 
lugar, porque nela, embora apenas em estado de crisálida, está contido o pensamento: Tudo é um.
NIETZSCHE, F. 
Crítica moderna. 
São Paulo: Nova Cultural, 1999. 
Coleção Os pré-socráticos. 
O que, de acordo com Nietzsche, caracteriza o surgimento da filosofia entre os gregos?
a) O impulso para transformar, mediante justificativas, os elementos sensíveis em verdades racionais.
b) O desejo de explicar, usando metáforas, a origem dos seres e das coisas.
c) A necessidade de buscar, de forma racional, a causa primeira das coisas existentes.
d) A ambição de expor, de maneira metódica, as diferenças entre as coisas.
e) A tentativa de justificar, a partir de elementos empíricos, o que existe no real.
ESTUDO ORIENTADO
Caro(a) aluno(a),
Ao estudarmos Hegel, Marx e Nietzsche precisamos observar, tanto nos fragmentos de textos selecionados na Roda 
de Leitura quanto naqueles que formam os enunciados dos exercícios, quais são os conceitos presentes e quais são 
as características que marcam o pensamento dos autores.
Os exercícios escolhidos mostram como os conceitos referentes à filosofia do século XIX vêm sendo cobrados nos 
exames e aí se observa a importância da leitura, reflexão e interpretação dos textos e sua relação com seu período de 
produção.
Os filmes indicados no Navegar têm a perspectiva de apresentar uma rica crítica à sociedade que conhecemos, tanto 
no âmbito coletivo (Germinal e A classe operária vai ao paraíso) quanto no âmbito das reflexões sobre as crises pessoais 
(Quando Nietzsche chorou) e, assim, amarramos as principais discussões desenvolvidas neste capítulo.
Bons estudos!
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EXERCÍCIOS
1. (UFU) A respeito do conceito de dialética, Hegel faz a seguinte afirmação: 
O interesse particular da paixão é, portanto, inseparável da participação do universal, pois é também da atividade do 
particular e de sua negação que resulta o universal. 
HEGEL, G. W. F. 
Filosofia da História. 2. ed. 
Tradução de Maria Rodrigues e Hans Harden. 
Brasília: Editora da UnB, 1998. p. 35. 
Com base no pensamento de Hegel, assinale a alternativa correta. 
a) O particular é irracional, por isso é a negação do universal, portanto, a História não é guiada pela Razão, mas se deixa 
conduzir pelo acaso cego dos acontecimentos que se sucedem sem nenhuma relação entre eles. 
b) O universal é a somatória dos particulares, de modo que a História é tão só o acumulado ou o agregado das partes 
isoladas, e assim elas estão articuladas tal como engrenagens de uma grande máquina. 
c) O particular da paixão é a ação dos indivíduos, sempre em oposição à finalidade da História, isto é, do universal da 
Razão que governa o mundo, mas esta depende da ação dos indivíduos, sem os quais ela não se manifesta. 
d) O universal é a vontade divina que por intermédio da sua ação providente preserva os homens de todos os perigos, 
evitando que se desgastem com suas paixões, assim, o humano é preservado desde o seu surgimento na Terra.
2. (UFSJ) Na filosofia de Friedrich Nietzsche, é fundamental entender a crítica que ele faz à metafísica. Nesse sentido, 
é CORRETO afirmar que essa crítica
a) tem o sentido, na tradição filosófica, de contentamento, plenitude.
b) é a inauguração de uma nova forma de pensar sem metafísica através do método genealógico.
c) é o discernimento proposto por Nietzsche para levar à supressão da tendência que o homem tem à individualidade 
radical.
d) pressupõe que nenhum homem, de posse de sua razão, tem como conceber uma metafísica qualquer, que não 
tenha recebido a chancela da observação.
e) a metafísica é válida, pois trata de Deus e da liberdade humana.
3. (Unesp)
Texto I 
Com o desenvolvimento industrial, o proletariado não cresce unicamente em número; concentra-se em massas cada 
vez maiores, fortalece-se e toma consciência disso. A partir daí os trabalhadores começam a formar sindicatos contra 
os burgueses, atuando em conjunto na defesa dos salários. De todas as classes que hoje se defrontam com a burguesia, 
apenas o proletariado é uma classe verdadeiramente revolucionária. Todos os movimentos históricos precedentesque significa “Onde há dúvida, há liberdade”.
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 aulas 1 e 2 FILOSOFIA
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FILOSOFIA – AULAS 1 E 2
Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo. 
SócratesD
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Pré-socráticos e Sócrates
Periodização da Filosofia grega
Apesar das controvérsias existentes entre seus atuais estudiosos, a Filosofia grega pode ser dividida em quatro perí-
odos que englobam grande parte da história da Hélade entre os séculos VII a.C. e VI d.C.:
 – Período pré-socrático ou cosmológico (do fim do século VII ao fim do século V a.C.), cujo principal objeto de 
estudo foi a origem da Natureza (physis) e suas diferentes transformações. 
 – Período socrático ou antropológico (fim do século V e todo o século IV a.C.), quando a Filosofia investigava 
questões humanas como a ética, a política e as técnicas. Nesse período, há duas referências, em campos opostos: 
os sofistas e Sócrates. 
 – Período sistemático (fim do século IV ao fim do século III a.C.), no qual Aristóteles conseguiu sistematizar as di-
ferentes concepções ligadas ao conhecimento acumulado até então e agregou ainda um elemento novo, a lógica.
 – Período helenístico ou greco-romano (fim do século III a.C. até o século VI d.C.), quando houve assimilação da 
Hélade pelo império de Alexandre e sua posterior anexação aos domínios romanos, no século II a.C. 
Abdera
Tasos
Estagira
Eleia
Atenas
Creta
Quios
Mileto
Clazômenas
Esmirna
Éfeso
Laodiceia
Pérgamo
Cízico
Demócrito (470-?)
Aristóteles (384-322)
Parmênides (515-?)
Zenão (490-?)
Sócrates (470-399)
Platão (430-349)
Samos
Pitágoras (570-500)
Heráclito (580-540)
Tales (640-562)
Anaximandro (580-520)
A
VI
TS
FILOSOFIA aulas 1 e 2
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 A busca da origem do Kosmos
As cosmogonias são, de certa forma, narrativas sobre 
as origens do mundo. Em geral, elas estão presentes 
nos mitos, isto quando não são a sua essência. Falam 
de união sexual entre deuses, que geram o mundo, ou 
da união sexual entre deuses e humanos, que costu-
mam criar situações complexas e dar o enredo a uma 
história que explica divisões, guerras, ciúmes, paixões, 
disputas sobre a justiça etc. Já as cosmologias estão 
mais para o campo do pensamento filosófico do que 
para o pensamento mitológico. Para vários autores da 
história da Filosofia, elas são a origem do pensamento 
filosófico, e outros, mais propensos a verem continuidade 
do que rupturas na história do pensamento, tendem a 
vê-las como o início do pensamento científico. As cos-
mologias são teorias a respeito da natureza do mundo. 
As cosmogonias são genealogias, diferentemente das 
cosmologias, que são o conhecimento a respeito de 
elementos primordiais, mas naturais. O pensamento 
cosmológico remete à physis, a palavra grega que tem 
a ver com o que é eterno e de onde tudo surge, nasce, 
brota. Trata-se de um elemento imperecível, que gera 
todos os outros elementos naturais, que são perecíveis.
“A origem das coisas”
Entender a Natureza a partir de uma investigação 
racional tratou de gradativamente se estabelecer 
um novo percurso para a compreensão do que nos 
cerca, sem querer levar em conta, as manifestações 
sobrenaturais, seja dos deuses, seja dos astros ou 
espíritos, cabendo uma nova forma de se posicionar 
sobre os fenômenos naturais e as ações humanas.
– A compreensão do Kosmos: o Universo;
– O estudo da physis: a natureza.
– Tales: o fundamental é a água.
– Anaximandro: o kosmos é submetido ao Apeiron.
– Anaxímenes: o fundamental é o ar.
– Pitágoras: o número é o regente das formas e ideias.
– Heráclito: o fundamental é o fogo.
– Parmênides: o Uno. “Não posso falar do que não é”.
 Os filósofos pré-socráticos
Este termo que designa, na história da Filosofia, os 
pensadores gregos que viveram entre o século VII e os 
meados do século IV a.C. Sócrates nasceu em 470 e mor-
reu em 399 a.C. (todas as datas, antes de Cristo, são, na 
sua maioria, estimativas). Nem todos, portanto, viveram 
antes de Sócrates.
São também denominados fisiólogos por se ocuparem 
com o conhecimento do mundo natural (physis), a com-
preensão da Natureza. Tales de Mileto (640-548 a.C.) é 
considerado, já por Aristóteles, como o “primeiro filósofo”, 
devido à sua busca de um primeiro princípio natural que 
explicasse a origem de todas as coisas. Tales é tido como 
fundador da escola jônica, que inclui seu discípulo Anaxi-
mandro. As principais escolas filosóficas pré-socráticas, 
além da escola jônica, são: a escola atomista, incluindo 
Leucipo (450-420 a.C.) e Demócrito (460-370 a.C.); a escola 
pitagórica, fundada por Pitágoras de Samos (século VI a.C.); 
a escola eleata, de Xenófanes (século VI a.C.), bem como de 
Parmênides (510 a.C.) e seu discípulo Zenão; e a escola mo-
bilista, de Heráclito (480 a.C.). Com Sócrates e os sofistas, a 
Filosofia grega toma novo rumo, sendo que a preocupação 
cosmológica deixa de ser predominante, dando lugar a uma 
preocupação maior com a experiência humana, o domínio 
dos valores e o problema do conhecimento.
Muitos desses pensadores foram, antes de tudo, 
cosmólogos. E vários deles trabalharam em um sentido 
reducionista, isto é, tentaram encontrar uma substân-
cia única, força exclusiva, ou princípio básico capaz de 
ser apresentado como o elemento efetivamente real 
e primordial do cosmos. A Filosofia dos pré-socráticos 
(filósofos da natureza) voltava o seu pensamento para a 
origem (racional) do mundo, do cosmos. Ou seja, estes 
filósofos dedicavam-se às investigações cosmológicas, 
buscando a arché (o princípio fundamental de todas as 
coisas). De seus escritos, quase tudo se perdeu, restando 
apenas poucos fragmentos.
Tales de Mileto (624-546 a.C.) – É considerado “o pai 
da Filosofia grega”. Para ele, a água seria o elemento 
primordial (a arché) de tudo o que existe. Atribui-se a 
Tales a demonstração do primeiro teorema de geometria 
(embora o estudo sistemático desta ciência tenha real-
mente começado na escola de Pitágoras, no séc. VI a.C.).
Anaximandro de Mileto (610-546 a.C.) – O princípio 
gerador de todas as coisas, segundo Anaximandro, seria 
o apeiron (em grego, significa "ilimitado", "indetermina-
do" "que não tem limite", "infinito"). A ordem do mundo 
teria surgido do caos em virtude deste princípio. Assim, o 
apeiron seria o princípio original de todos os seres, tanto 
de seu aparecimento quanto de sua dissolução.
Anaxímenes de Mileto (585-528 a.C.) – Segundo esse 
pensador, o elemento gerador de tudo é o ar. Por meio 
da rarefação e da condensação, o ar forma tudo o que 
existe. “Da mesma maneira que a nossa alma, que é ar, 
nos mantém vivos, também o sopro e o ar mantém o 
mundo inteiro”.
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Pitágoras de Samos (570-495 a.C.) – Enquanto os seus 
antecessores e contemporâneos buscavam a origem de 
todas as coisas em elementos (água, ar e fogo), Pitágoras 
entendia que o Universo seria derivado de relações ma-
temáticas; portanto, a estrutura das formas e do cosmos 
estaria nos números, assumindo a matemática como um 
“molde” para a elaboração do pensamento filosófico e, 
nisso, as ideias seriam regidas pelos números. 
Heráclito de Éfeso (536-475 a.C.) – É conhecido como 
o filósofo do devir, da mudança. De acordo com Heráclito, 
o logos ("razão", "inteligência", "discurso", "pensamen-
to") governa todas as coisas, e está associado ao fogo, 
gerador do processo cósmico. Tudo está em incessante 
transformação: “panta rei” ("tudo flui" em grego). As 
coisas estão, pois, em constante movimento, nada per-
manece o mesmo (“não nos banhamos duas vezes no 
mesmo rio”). Todavia, não se deve deduzir dessa afir-
mação que Heráclito defendeu uma teoria da mudança 
contínua desregrada. Ao contrário, ele entendia que havia 
uma lógica – o lógos – governando tal mudança contínua.
Parmênides de Eleia (515-445 a.C.) – Para Parmênides, 
o ser é uno, imóvel, eterno, imutável. Desse modo, o devir, 
a mudança, seria ilusão e simples aparência; o movimentoforam 
movimentos minoritários, ou em proveito de minorias. O movimento proletário é o movimento consciente e independente, 
da imensa maioria, em proveito da imensa maioria. Proletários de todos os países, uni-vos! 
MARX, K; ENGELS, F. 
Manifesto comunista, 1982. 
Adaptado. 
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Texto II 
Só pelo fato de pertencer a uma multidão, o homem 
desce vários graus na escala da civilização. Isolado 
seria talvez um indivíduo culto; em multidão é um ser 
instintivo, por consequência, um bárbaro. Possui a 
espontaneidade, a violência, a ferocidade e também 
o entusiasmo e o heroísmo dos seres primitivos e a 
eles se assemelha ainda pela facilidade com que se 
deixa impressionar pelas palavras e pelas imagens e 
se deixa arrastar a atos contrários aos seus interesses 
mais elementares. O indivíduo em multidão é um grão 
de areia no meio de outros grãos que o vento arrasta 
a seu bel-prazer. 
LE BON, Gustave. 
Psicologia das multidões, 1980. 
Descreva duas diferenças entre os dois textos, 
quanto às suas concepções sobre o papel das mul-
tidões na história.
4. (Unesp) Leia os textos.
Texto I
Ora, a propriedade privada atual, a propriedade bur-
guesa, é a última e mais perfeita expressão do modo de 
produção e de apropriação baseado nos antagonismos 
de classes, na exploração de uns pelos outros. Neste 
sentido, os comunistas podem resumir sua teoria nesta 
fórmula única: a abolição da propriedade privada. [...] A 
ação comum do proletariado, pelo menos nos países 
civilizados, é uma das primeiras condições para sua 
emancipação. Suprimi a exploração do homem pelo 
homem e tereis suprimido a exploração de uma nação 
por outra. Quando os antagonismos de classes, no in-
terior das nações, tiverem desaparecido, desaparecerá 
a hostilidade entre as próprias nações.
MARX, K; ENGELS, F. 
Manifesto comunista, 1848. 
Texto II
Os comunistas acreditam ter descoberto o caminho 
para nos livrar de nossos males. Segundo eles, o ho-
mem é inteiramente bom e bem disposto para com 
seu próximo, mas a instituição da propriedade privada 
corrompeu-lhe a natureza. [...] Se a propriedade privada 
fosse abolida, possuída em comum toda a riqueza e 
permitida a todos a partilha de sua fruição, a má von-
tade e a hostilidade desapareceriam entre os homens. 
[...] Mas sou capaz de reconhecer que as premissas 
psicológicas em que o sistema se baseia são uma ilusão 
insustentável. [...] A agressividade não foi criada pela 
propriedade. [...] Certamente [...] existirá uma objeção 
muito óbvia a ser feita: a de que a natureza, por dotar os 
indivíduos com atributos físicos e capacidades mentais 
extremamente desiguais, introduziu injustiças contra as 
quais não há remédio.
FREUD, Sigmund.
Mal-estar na civilização, 1930. 
Adaptado.
Qual a diferença que os dois textos estabelecem so-
bre a relação entre a propriedade privada e as ten-
dências de hostilidade e agressividade entre os ho-
mens e as nações? Explicite, também, a diferença 
entre os métodos ou pontos de vista empregados 
pelos autores dos textos para analisar a realidade.
RODA DE LEITURA
Texto I
A razão como base da história
O único pensamento que a filosofia traz para o trata-
mento da história é o conceito simples de Razão, que 
é a lei do mundo e, portanto, na história do mundo as 
coisas aconteceram racionalmente. Essa convicção e 
percepção é uma pressuposição da história como tal; na 
A primeira diferença está na perspectiva dos autores, porque Marx pensa no proletariado 
como um “coletivo” que soma a massa de explorado, e esta seria capaz de se unir e se 
articular para romper a opressão e assumir o controle da sociedade, enquanto Le Bon 
vê a multidão como algo negativo e perigoso, situação que impossibilita a organização e 
o benefício do indivíduo, o qual se dissolveria no coletivo.
A segunda diferença entre os textos encontra-se na natureza do estudo, porque Marx 
tem um olhar histórico e sociológico ao pensar a humanidade, enquanto Le Bon faz o 
caminho oposto, buscando olhar o “eu” para compreender melhor o coletivo a partir das 
ferramentas teóricas da Psicologia.
Na visão de Marx, a propriedade privada seria o ponto de tensão marcante ao longo da 
história. De acordo com ele, se a propriedade privada fosse abolida, as tensões e desi-
gualdades desapareceriam, uma vez que a coletivização traria o equilíbrio à humanidade. 
Freud, por sua vez, entende que as tensões e os conflitos derivam de elementos ligados 
à individualidade e à personalidade, que o ser humano traz desde seu nascimento. 
Sendo assim, tais situações não seriam resolvidas apenas com a distribuição igualitária 
de bens e riqueza.
Quanto à metodologia, Marx faz uma análise do homem pelo coletivo (a sociedade, o 
proletariado) e se ocupa de entender os fenômenos sociais e políticos, enquanto Freud 
faz o caminho contrário, analisando o ser humano por sua personalidade, buscando nas 
profundezas do “eu” explicações para os diferentes comportamentos que a humanidade 
seria dotada, diagnosticando novas doenças e distúrbios e, assim, abrindo um novo 
campo de estudos: a Psicanálise. 
 
FILOSOFIA aula 10
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própria filosofia, a pressuposição não existe. A filosofia 
demonstrou através de sua reflexão especulativa que a 
Razão – esta palavra poderá ser aceita aqui sem maior 
exame da sua relação com Deus – é ao mesmo tempo 
substância e poder infinito, que ela é em si o material 
infinito de toda vida natural e espiritual e também é a 
forma infinita, a realização de si como conteúdo. Ela 
é substância, ou seja, é através dela e nela que toda 
a realidade tem o seu ser e a sua subsistência. Ela é 
poder infinito, pois a Razão não é tão impotente para 
produzir apenas o ideal, a intenção, permanecendo em 
uma existência fora da realidade – sabe-se lá onde – 
como algo característico nas cabeças de umas poucas 
pessoas. Ela é o conteúdo infinito de toda a essência e 
verdade, pois não exige, como o faz a atividade finita, a 
condição de materiais externos, de meios fornecidos de 
onde extrair-se o alimento e os objetos de sua atividade; 
ela supre seu próprio alimento e sua própria referência. 
E ela é forma infinita, pois apenas em sua imagem e 
por ordem sua os fenômenos surgem e começam a 
viver. É a sua própria base de existência e meta final 
absoluta e realiza esta meta a partir da potencialidade 
para a realidade, da fonte interior para a aparência 
exterior, não apenas no universal natural, mas também 
no espiritual, na história do mundo. Que esta Ideia ou 
Razão seja o Verdadeiro Poder Eterno e Absoluto e 
que apenas ela e nada mais, sua glória e majestade, 
manifeste-se no mundo – como já dissemos, isto já foi 
provado em filosofia e aqui está sendo pressuposto 
como demonstrado.
Aqueles dentre os senhores que não tenham ainda 
conhecido a filosofia talvez já tenham sido convidados 
a participar destas lições sobre a história do mundo 
com a crença na Razão, com um desejo, uma sede 
por sua compreensão. É realmente esse desejo pela 
compreensão racional, pelo conhecimento, e não 
simplesmente por uma acumulação de fatos diversos, 
que deveriam ser pressupostos como aspiração sub-
jetiva no estudo das ciências. Pois, mesmo que não 
se estivesse abordando a história do mundo com a 
reflexão e o conhecimento da Razão, pelo menos se 
deveria ter a fé invencível e firme de que há Razão na 
história, acreditando que o mundo da inteligência e da 
vontade consciente não está abandonado ao simples 
acaso, mas deve manifestar-se à luz da Ideia racional. 
Mas na verdade não tenho de exigir esta fé por anteci-
pação. O que eu disse aqui provisoriamente e repetirei 
mais tarde deve ser tomado como visão resumida de 
conjunto, mesmo em nosso ramo da ciência. Não é 
uma pressuposição de estudo, é um resultado que 
por acaso conheço porque eu já conheço o conjunto. 
Portanto, apenas o estudo da história do mundo em si 
pode mostrar que ela continuou racionalmente, que ela 
representa a trajetóriaé, assim, engano dos nossos sentidos. “O ser é, o não ser 
não é”, ou seja: o ser imutável, eterno, permanente das 
coisas, é o único que existe, enquanto o não ser, que seria 
a mudança, não existe.
Demócrito de Abdera (460-371 a.C.) – Demócrito 
entendia que tudo no Universo seria composto de mi-
núsculas partículas indivisíveis e imutáveis, daí o termo 
"átomo" (a partícula negativa “a” e a palavra “tomos”, 
"que não pode ser partido", em grego). Tais partículas se 
moveriam livremente, uma vez que, entre elas, só haveria 
o vazio, podendo se deslocar e colidir, formando novas 
composições. Sua teoria foi denominada "atomismo" e 
buscou propor uma explicação distintas das cosmogonias 
que falavam das ações dos deuses no Universo, propon-
do, portanto, uma visão de caráter mecanicista para a 
ordenação do homem, do mundo e de tudo que existe.
 Sócrates
A vida de Sócrates nos é contada por Xenofonte (em 
suas Memorabilia) e por Platão, que faz dele o personagem 
central de seus diálogos, sobretudo Apologia de Sócrates 
e Fédon. Ele nasceu em Atenas. Sua mãe era parteira; 
seu pai, escultor. Recebeu uma educação tradicional: 
aprendizagem da leitura e da escrita a partir da obra de 
Homero. Conhecedor das doutrinas filosóficas anteriores e 
contemporâneas (Parmênides, Zenão, Heráclito), participou 
do movimento de renovação da cultura empreendido pelos 
sofistas, mas se revelou um inimigo destes. 
Consolidador da Filosofia, nada deixou escrito. Par-
ticipou ativamente da vida da cidade, dominada pela 
desordem intelectual e social, submetida à demagogia 
dos que sabiam falar bem. Convidado a fazer parte do 
Conselho dos 500, manifestou sua liberdade de espírito 
combatendo as medidas que julgava injustas. Permane-
ceu independente em relação às lutas travadas entre os 
partidários da democracia e da aristocracia. 
Acreditando obedecer a uma voz interior, realizou uma 
tarefa de educador público e gratuito. Colocou os homens 
em face da seguinte evidência oculta: as opiniões não 
são verdades, pois não resistem ao diálogo crítico. São 
contraditórias. Acreditamos saber, mas precisamos des-
cobrir que não sabemos. A verdade, escondida em cada 
um de nós, só é visível aos olhos da razão.
Acusado de introduzir novos deuses em Atenas e de 
corromper a juventude, foi condenado pela cidade. Irritou 
seus juízes com sua mordaz ironia. Morreu tomando 
cicuta. É conhecido seu famoso método, sua arte de 
interrogar, sua “maiêutica”, que consiste em forçar o 
interlocutor a desenvolver seu pensamento sobre uma 
questão que ele pensa conhecer, para conduzi-lo, de 
consequência em consequência, a contradizer-se, e, 
portanto, a confessar que nada sabe. 
No Teeteto, Platão mostra Sócrates definindo sua tarefa 
filosófica por analogia à de uma parteira (profissão de sua 
mãe), sendo que, em vez de dar à luz crianças, o filósofo 
“dá à luz ideias” (maieutiké: "arte do parto", em grego). 
O filósofo deveria, portanto, segundo Sócrates, provocar 
nos indivíduos o desenvolvimento de seu pensamento de 
modo que estes viessem a superar sua própria ignorância, 
descobrindo, por si próprios, com o auxílio do “parteiro”, 
a verdade que trazem em si.
Enquanto método filosófico, praticado por Sócrates, 
a maiêutica consiste em um procedimento dialético no 
qual o filósofo, partindo das opiniões que seu interlocutor 
tem sobre algo, procura fazê-lo cair em contradição ao 
defender seu ponto de vista, vindo, assim, a reconhecer 
sua ignorância acerca daquilo que julgava saber. Ao re-
conhecermos nossa ignorância, descobrimos, pela razão, 
a verdade que temos em nós. 
As etapas do saber são: 
I) ignorar sua ignorância; 
II) conhecer sua ignorância; 
III) ignorar seu saber; 
IV) conhecer seu saber. 
FILOSOFIA aulas 1 e 2
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Sua famosa expressão “conhece-te a ti mesmo” não 
é uma investigação psicológica, mas um método de se 
adquirir a ciência dos valores que o homem traz em si. “O 
homem mais justo de seu tempo”, nos dizeres de Platão, 
foi condenado à morte sob a acusação de impiedade e 
de corrupção da juventude.
O período socrático ou antropológico (fim do século V 
e todo o século IV a.C.) se refere a quando a Filosofia 
investigava questões humanas como a ética, a política 
e as técnicas. Nesse período, há duas referências, em 
campos opostos: os sofistas e Sócrates. Os primeiros 
refutavam os ensinamentos dos filósofos cosmológicos, 
dizendo que eram imprecisos e inúteis à pólis e se apre-
sentavam como mestres na oratória, cujo domínio faria 
dos jovens bons cidadãos. 
Sócrates dizia que sua sabedoria era limitada à sua 
própria ignorância. Segundo ele, a verdade, escondida 
em cada um de nós, só é visível aos olhos da razão (daí 
a célebre frase “Só sei que nada sei!”). Ele acreditava 
que os erros são consequência da ignorância humana. 
Nunca proclamou ser sábio. A intenção de Sócrates era 
levar as pessoas a conhecerem seus desconhecimentos 
(“Conhece-te a ti mesmo.”). Por meio da problematiza-
ção de conceitos conhecidos, daquilo que se conhece, 
percebe-se os dogmas e preconceitos existentes.
O que é o bem? O que é a justiça? São exemplos de 
algumas perguntas feitas por ele. Com habilidade de ra-
ciocínio, procurava evidenciar as contradições afirmadas, 
os novos problemas que surgiam a cada resposta. Seu 
objetivo inicial era demolir, nos discípulos, o orgulho, a 
ignorância e a presunção do saber. A ironia socrática 
tinha um caráter purificador na medida em que levava 
os discípulos a confessarem suas próprias contradições 
e ignorâncias, onde antes só julgavam possuir certezas 
e clarividências. Libertos do orgulho e da pretensão de 
que tudo sabiam, os discípulos podiam iniciar o caminho 
da reconstrução das próprias ideias.
Sócrates, por sua vez, se valia do questionamento 
constante e, assim, conseguia mostrar a seu interlocutor 
que este nada sabia, ponto de partida para a busca de um 
raciocínio preciso; isso o indispôs com os sofistas, a quem 
ele acusava de corromper a juventude. Ironicamente, foi 
justamente sob essa acusação, somada ao desrespeito 
aos deuses, que Sócrates foi julgado pela Assembleia e 
condenado à morte por ingestão de cicuta. Sócrates não 
deixou nada escrito, mas seus discípulos – dentre eles, 
Platão – se responsabilizaram por registrar uma parte de 
seus ensinamentos na Apologia de Sócrates.
“Sócrates no leito de morte” 
Jacques-Louis David, 1787.
 Os sofistas
Na Grécia clássica, os sofistas foram os mestres da 
retórica e da oratória, professores itinerantes que ensi-
navam sua arte aos cidadãos interessados em dominar 
melhor a técnica do discurso, instrumento político fun-
damental para os debates e discussões públicas, já que 
na pólis grega as decisões políticas eram tomadas nas 
assembleias. Contemporâneos de Sócrates, Platão e 
Aristóteles, foram combatidos por esses filósofos, que 
condenavam o relativismo dos sofistas e sua defesa da 
ideia de que a verdade é resultado da persuasão e do 
consenso entre os homens. A metafísica se constitui 
assim, nesse momento, em grande parte em oposição 
à sofística. Devido a isso e ao triunfo da metafísica na 
tradição filosófica, ficou-nos uma imagem negativa dos 
sofistas como “produtores do falso” (segundo Platão, 
em O sofista), manipuladores de opiniões, criadores 
de ilusões. Estudos mais recentes, entretanto, buscam 
revalorizar de forma mais isenta o pensamento dos 
sofistas, mostrando que seu relativismo baseava-se em 
uma doutrina da natureza humana e de sua relação com 
o real, bem como indicando a importância da contribui-
ção dos sofistas para os estudos de gramática, retórica 
e oratória, para o conhecimento da língua grega e para 
o desenvolvimento de teorias do discurso. Não se pode 
falar, contudo, de uma doutrina única, comum a todos os 
sofistas, mas apenas em certos pontos de contato entre 
várias concepções bastante heterogêneas.
Entre os principais sofistas destacaram-se Górgias, 
Protágoras e Hípias de Elida. Das principaisobras dos 
sofistas só chegaram até nós fragmentos, muitas vezes 
citados por seus adversários, como Platão.
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 aulas 1 e 2 FILOSOFIA
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 Resumo da ópera
Nesta aula trabalhamos com os primeiros filósofos e suas ideias, tendo em vista uma categoria estabelecida: o papel 
de Sócrates e seu pensamento. Aqueles que antecederam Sócrates, buscando explicações sobre a natureza e seus 
fenômenos foram chamados a posteriori de “pré-socráticos” e aqueles que buscavam manipular o conhecimento e seu 
discurso, denominados de “sofistas”.
Sócrates trouxe a proposição de uma método de pensamento (maiêutica) e uma forma de argumentar (dialética) 
que foi se estruturando gradativamente por meio de de seus discípulos, destacando-se Platão, responsável não só 
por compilar suas ideias, mas também por abrir outros campos de conhecimento que fundamentaram o pensamento 
filosófico posterior. 
EXERCÍCIOS
1. (Enem)
Texto I
Anaxímenes de Mileto disse que o ar é o elemento originário de tudo o que existe, existiu e existirá, e que outras coisas 
provêm de sua descendência. Quando o ar se dilata, transforma-se em fogo, ao passo que os ventos são ar condensado. 
As nuvens formam-se a partir do ar por feltragem e, ainda mais condensadas, transformam-se em água. A água, quando 
mais condensada, transforma-se em terra e, quando condensada ao máximo possível, transforma-se em pedras.
BURNET, J. 
A aurora da filosofia grega. 
Rio de Janeiro: PUC-Rio, 2006. Adaptado.
Texto II
Basílio Magno, filósofo medieval, escreveu: “Deus, como criador de todas as coisas, está no princípio do mundo e dos 
tempos. Quão parcas de conteúdo se nos apresentam, em face desta concepção, as especulações contraditórias dos 
filósofos, para os quais o mundo se origina, ou de algum dos quatro elementos, como ensinam os Jônios, ou dos átomos, 
como julga Demócrito. Na verdade, dão impressão de quererem ancorar o mundo numa teia de aranha”.
GILSON, E.; BOEHNER, P. 
História da filosofia cristã. 
São Paulo: Vozes, 1991. Adaptado.
Filósofos dos diversos tempos históricos desenvolveram teses para explicar a origem do universo, a partir de uma 
explicação racional. As teses de Anaxímenes, filósofo grego antigo, e de Basílio, filósofo medieval, têm em comum 
na sua fundamentação teorias que:
a) eram baseadas nas ciências da natureza. 
b) refutavam as teorias de filósofos da religião. 
c) tinham origem nos mitos das civilizações antigas. 
d) postulavam um princípio originário para o mundo.
e) defendiam que Deus é o princípio de todas as coisas.
2. (UFU) Sobre o pensamento de Heráclito de Éfeso, marque a alternativa incorreta. 
a) Segundo Heráclito, a realidade do Ser é a imobilidade, uma vez que a luta entre os opostos neutraliza qualquer 
possibilidade de movimento. 
b) Heráclito concebe o mundo como um eterno devir, isto é, em estado de perene movimento. Nesse sentido, a imo-
bilidade apresenta-se como uma ilusão. 
c) Para Heráclito, a guerra (pólemos) é o princípio regulador da harmonia do mundo. 
d) Segundo Heráclito, o um é múltiplo, e o múltiplo é um. 
FILOSOFIA aulas 1 e 2
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ESTUDO ORIENTADO
Caro(a) aluno(a),
Nesta aula "Pré-Socráticos e Sócrates", temos o objetivo de apresentar as principais características desse primeiro 
momento de produção de conhecimento filosófico, observando-se as diferenças entre os pré-socráticos (que buscavam 
entender a natureza e seus fenômenos) e Sócrates (que buscava entender o conhecimento e o uso da razão).
Nos exercícios selecionados, propomos a fixação dos conceitos discutidos trabalhando as habilidades de leitura e 
interpretação de textos, cujos autores podem ser os filósofos do período estudado ou especialistas contemporâneos 
que buscam apresentar as principais ideias dos pensadores.
Na Roda de leitura, os textos de Platão apresentados na forma de diálogos, mostram um exemplo do pensamento 
socrático, do qual é possível apontar sua metodologia (maiêutica) e sua forma de argumentação (dialética).
Bons estudos!
EXERCÍCIOS
1. (Unicamp) A sabedoria de Sócrates, filósofo ateniense que viveu no século V a.C., encontra o seu ponto de par-
tida na afirmação “sei que nada sei”, registrada na obra Apologia de Sócrates. A frase foi uma resposta aos que 
afirmavam que ele era o mais sábio dos homens. Após interrogar artesãos, políticos e poetas, Sócrates chegou à 
conclusão de que ele se diferenciava dos demais por reconhecer a sua própria ignorância. O “sei que nada sei” é 
um ponto de partida para a Filosofia, pois:
a) aquele que se reconhece como ignorante torna-se mais sábio por querer adquirir conhecimentos. 
b) é um exercício de humildade diante da cultura dos sábios do passado, uma vez que a função da Filosofia era repro-
duzir os ensinamentos dos filósofos gregos. 
c) a dúvida é uma condição para o aprendizado e a Filosofia é o saber que estabelece verdades dogmáticas a partir 
de métodos rigorosos. 
d) é uma forma de declarar ignorância e permanecer distante dos problemas concretos, preocupando-se apenas com 
causas abstratas.
2. (UFU) Leia o trecho abaixo, que se encontra na Apologia de Sócrates, de Platão, e traz algumas das concepções 
filosóficas defendidas pelo seu mestre. 
Com efeito, senhores, temer a morte é o mesmo que se supor sábio quem não o é, porque é supor que sabe o que não 
sabe. Ninguém sabe o que é a morte, nem se, porventura, será para o homem o maior dos bens; todos a temem, como 
se soubessem ser ela o maior dos males. A ignorância mais condenável não é essa de supor saber o que não se sabe? 
PLATÃO. 
A apologia de Sócrates, 29 a-b, 
In. HADOT, P. O que é a filosofia antiga? São Paulo: Loyola, 1999. p. 61. 
Com base no trecho anterior e na filosofia de Sócrates, assinale a alternativa incorreta. 
a) Sócrates prefere a morte a ter que renunciar à sua missão, qual seja: buscar, por meio da filosofia, a verdade, para 
além da mera aparência do saber. 
b) Sócrates leva o seu interlocutor a examinar-se, fazendo-o tomar consciência das contradições que traz consigo. 
c) Para Sócrates, pior do que a morte é admitir aos outros que nada se sabe. Deve-se evitar a ignorância a todo custo, 
ainda que defendendo uma opinião não devidamente examinada. 
d) Para Sócrates, o verdadeiro sábio é aquele que, colocado diante da própria ignorância, admite que nada sabe. Admitir 
o não saber, quando não se sabe, define o sábio, segundo a concepção socrática.
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 aulas 1 e 2 FILOSOFIA
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3. (Unesp) 
O pensamento mítico consiste em uma forma pela 
qual um povo explica aspectos essenciais da realidade 
em que vive: a origem do mundo, o funcionamento 
da natureza e as origens desse povo, bem como seus 
valores básicos. As lendas e narrativas míticas não são 
produto de um autor ou autores, mas parte da tradição 
cultural e folclórica de um povo. Sua origem cronológica 
é indeterminada e sua forma de transmissão é basica-
mente oral. O mito é, portanto, essencialmente fruto 
de uma tradição cultural e não da elaboração de um 
determinado indivíduo. O mito não se justifica, não se 
fundamenta, portanto, nem se presta ao questionamen-
to, à crítica ou à correção. Um dos elementos centrais 
do pensamento mítico e de sua forma de explicar a 
realidade é o apelo ao sobrenatural, ao mistério, ao 
sagrado, à magia. As causas dos fenômenos naturais 
são explicadas por uma realidade exterior ao mundo 
humano e natural, superior, misteriosa, divina, a qual 
só os sacerdotes, os magos, os iniciados, são capazes 
de interpretar, ainda que apenas parcialmente.
MARCONDES, Danilo.
Iniciação à história da filosofia. 
Rio de. Janeiro: Jorge Zahar, 2001. Adaptado. 
A partir do texto, explique como o pensamento filo-
sófico característico da Grécia clássica diferenciou-se 
do pensamento mítico.
RODA DE LEITURA
Texto I
Prossigamos, pois, e vejamos, de início, qual é a 
acusação, de onde nasce a calúnia contra mim, ba-
seado no qualMeleto me moveu este processo. Ora 
bem, que diziam os caluniadores ao caluniar-me? É 
necessário ler a ata da acusação jurada por esses tais 
acusadores: - Sócrates comete crime e perde a sua 
obra, investigando as coisas terrenas e as celestes, e 
tornando mais forte a razão mais débil, e ensinando isso 
aos outros. - Tal é, mais ou menos, a acusação: e isso 
Segundo o autor, o pensamento filosófico diferencia-se do mitológico pelo fato de propor 
uma explicação natural aos fenômenos naturais, valendo-se da observação e análise de 
determinados eventos, podendo ser aprendido por qualquer pessoa que se interesse por 
isso, enquanto a mitologia se baseia na crença sem reflexão de determinada narrativa, 
que de geração em geração foi sendo reproduzida, e aponta para a intervenção de forças 
sobrenaturais entre os homens e o mundo. No entanto, sua compreensão não é possível 
sem a atuação de um sacerdote ou mago, que é capaz de interpretar e entender seu 
funcionamento e mesmo aqueles que são “iniciados” nos conhecimentos de tais mistérios, 
teriam uma percepção parcial e os leigos estariam totalmente fora da sua compreensão.
já vistes, vós mesmos, na comédia de Aristófanes, na 
qual aparece, aqui e ali, um Sócrates que diz caminhar 
pelos ares e exibe muitas outras tolices, das quais não 
entendo nem muito, nem pouco.
E não digo isso por desprezar tal ciência, se é que há 
sapiência nela, mas o fato é, cidadãos atenienses, que, 
de maneira alguma, me ocupo de semelhantes coisas. 
E apresento testemunhas: vós mesmos, e, peço-vos, 
informei reciprocamente, mutuamente vos interrogueis, 
quantos de vós me ouviram discursar algum dia; e 
muitos dentre vós são desses.
Perguntai-vos uns aos outros se qualquer de vós 
jamais me ouviu orar, muito ou pouco, em torno de 
tais assuntos, e então reconhecereis que tais são, do 
mesmo modo, as outras mentiras que dizem de mim.
PLATÃO. 
Apologia a Sócrates. 
Tradução de Maria Lacerda de Souza. 
Disponível em: dominiopublico.gov.br/download/
texto/cv000065.pdf. Acesso em: 20 nov. 2015.
Texto II
SÓCRATES: Mas, voltando ao início da discussão, 
como é que poderíamos definir o conhecimento? Não 
vamos desistir da investigação, presumo eu.
TEETETO: De modo nenhum, a não ser que tu mesmo 
desistas.
SÓCRATES: Diz-me, então, qual a melhor definição 
que poderíamos dar de conhecimento, para não en-
trarmos em contradição conosco mesmos.
TEETETO: É exatamente a que já procuramos dar, 
Sócrates. Da minha parte, não vejo outra.
SÓCRATES: Qual é ela?
TEETETO: Que a opinião verdadeira é conhecimento. 
A opinião verdadeira, parece, é infalível e que tudo o 
que dela resulta é belo e bom.
SÓCRATES: Não há como experimentar para ver, Tee-
teto, diz o chefe de fila na passagem do rio. Aqui dá-se o 
mesmo: o que temos a fazer é avançar na investigação. 
Talvez venhamos a esbarrar em alguma coisa que nos 
revele o que procuramos. Se pararmos por aqui, é que 
não descobriremos nada.
TEETETO: Tens razão. Vamos em frente e examine-
mos!
SÓCRATES: O problema não exige um estudo pro-
longado, pois existe toda uma profissão que mostra 
bem como a opinião verdadeira não é conhecimento.
FILOSOFIA aulas 1 e 2
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TEETETO: Como é possível? Que profissão é essa?
SÓCRATES: A desses modelos de sabedoria a que se 
dá o nome de oradores e advogados. Tais indivíduos, 
com a sua arte, produzem a convicção, não ensinando, 
mas sugerindo as opiniões que lhes aprazem. Ou jul-
gas tu que há mestres tão habilidosos que, no pouco 
tempo concedido pela clepsidra, sejam capazes de 
ensinar devidamente a verdade acerca de um roubo 
ou de qualquer outro crime, a ouvintes que não foram 
testemunhas do fato?
TEETETO: Não creio, de forma nenhuma. Eles não 
fazem senão persuadi-los.
SÓCRATES: Mas, para ti, persuadir alguém não será 
levá-lo a ter uma opinião?
TEETETO: Sem dúvida.
SÓCRATES: Então, quando há juízes que se acham jus-
tamente persuadidos de fatos que só uma testemunha 
ocular, e mais ninguém, pode saber, não é verdade que, 
ao julgarem esses fatos por ouvir dizer, depois de terem 
formado deles uma opinião verdadeira, pronunciam 
um juízo desprovido de conhecimento, embora tendo 
uma convicção justa, se deram uma sentença correta?
TEETETO: Com certeza.
SÓCRATES: Mas, meu amigo, se a opinião verdadeira 
dos juízes e o conhecimento fossem a mesma coisa, 
nunca o melhor dos juízes teria uma opinião correta 
sem conhecimento. A verdade, porém, é que se trata 
de duas coisas diferentes.
TEETETO: Eu mesmo já ouvi alguém fazer essa dis-
tinção, Sócrates; tinha-me esquecido dela, mas voltei a 
lembrar-me. Dizia essa pessoa que a opinião verdadeira 
acompanhada de razão é conhecimento, e que, des-
provida de razão, a opinião está fora do conhecimento 
e que as coisas que não são possíveis explicar são 
incognoscíveis (é a expressão que empregava) e as que 
são possíveis explicar são cognoscíveis.
SÓCRATES: Estás a falar bem. Mas como distinguia 
ele o cognoscível do que não é? Diz-se lá, para ver se o 
que ouviste está de acordo com o que eu também ouvi.
TEETETO: Não sei se vou ser capaz de lembrar-me.
Se, no entanto, ouvir outra pessoa dizê-lo, penso que 
consigo acompanhar.
PLATÃO. 
Teeteto.
 Disponível em: fflch.usp.br/df/opessoa/HCTex-Platao-
Conhecimento.pdf. 
Acesso em: 21 nov. 2015.
NAVEGAR
 Filme
Sócrates
Direção: Roberto Rosselini. 
Espanha/Itália/França, 1971.
Depois que os atenienses 
caíram sobre o governo da 
Tirania dos Trinta, a vida 
dos cidadãos não era mais 
segura. O filósofo Sócra-
tes, entretanto, continua 
a sua pregação filosófica, 
aglomerando mais e mais 
jovens discípulos. Entre eles 
está Platão, que anotou os 
discursos de seu mestre, sem saber sobre o conflito e 
o que aparentemente parecia tão real para ser consi-
derado um princípio. A juventude de Atenas gostava de 
Sócrates, embora os conservadores, como o comediante 
Aristófanes, o ridicularizassem, acreditando que ele era 
um dos sofistas.
 Livros
MACIEL JR., Auterives. Os 
pré-socráticos: A invenção 
da Razão. 2 ed. São Paulo: 
Odysseus, 2003.
Esta obra, escrita pelo filó-
sofo Auterives Maciel Junior, 
professor da Universidade Fe-
deral do Rio de Janeiro (UFRJ), 
aborda as principais ideias dos 
pensadores da Grécia antiga, 
entre 600 e 400 a.C., que ex-
pressaram essencialmente a 
mesma convicção: a de que a razão era o caminho para 
compreendermos o universo e seus mistérios. Focalizan-
do o aspecto racionalista de suas especulações, o autor 
mostra por que os pré-socráticos podem justificadamente 
ser considerados protocientistas.
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NAVEGAR
 Filme
Sócrates
Direção: Roberto Rosselini. 
Espanha/Itália/França, 1971.
Depois que os atenienses 
caíram sobre o governo da 
Tirania dos Trinta, a vida 
dos cidadãos não era mais 
segura. O filósofo Sócra-
tes, entretanto, continua 
a sua pregação filosófica, 
aglomerando mais e mais 
jovens discípulos. Entre eles 
está Platão, que anotou os 
discursos de seu mestre, sem saber sobre o conflito e 
o que aparentemente parecia tão real para ser consi-
derado um princípio. A juventude de Atenas gostava de 
Sócrates, embora os conservadores, como o comediante 
Aristófanes, o ridicularizassem, acreditando que ele era 
um dos sofistas.
 Livros
MACIEL JR., Auterives. Os 
pré-socráticos: A invenção 
da Razão. 2 ed. São Paulo: 
Odysseus, 2003.
Esta obra, escrita pelo filó-
sofo Auterives Maciel Junior, 
professor da Universidade Fe-
deral do Rio de Janeiro (UFRJ), 
aborda as principais ideias dos 
pensadores da Grécia antiga, 
entre 600 e 400 a.C., que ex-
pressaram essencialmente a 
mesma convicção: a de que a razão era o caminho para 
compreendermos o universo e seus mistérios. Focalizan-
do o aspecto racionalista de suas especulações, o autor 
mostra por que os pré-socráticos podem justificadamente 
ser considerados protocientistas.
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STRATHERN, Paul. Sócra-
tes em 90minutos. Rio de 
Janeiro: Jorge Zahar, 1998.
Apenas um século depois 
do seu início, a filosofia entrou 
na sua época áurea com o 
aparecimento de Sócrates, 
que passou tanto tempo da 
sua vida a falar de filosofia 
nas ruas de Atenas que nun-
ca conseguiu deixar nada 
escrito. O seu método de 
interrogatório agressivo, conhecido como dialética, foi o 
predecessor da lógica; usou-o para ultrapassar as tolices 
dos seus adversários e chegar à verdade. Acreditava que, 
em vez de questionarmos o mundo, devíamos questionar-
-nos a nós próprios. Sócrates colocou a filosofia na base 
da razão. Via o mundo como sendo apenas acessível ao 
nosso pensamento, não aos nossos sentidos. 
ÁGORA
A condenação de Sócrates foi um ato de força da 
Assembleia de Atenas, naquele contexto sob o controle 
espartano, decorrente da vitória de Esparta sobre Atenas 
na Guerra do Peloponeso (431-404 a.C.). Sócrates fora 
acusado dos crimes de impiedade e corrupção da juven-
tude e, por fim, fora condenado a morrer ingerindo cicuta.
Atividade 
Reproduzir o julgamento de Sócrates. Dividir os alunos 
em dois grupos (um grupo representa Sócrates, e outro 
grupo, sua acusação) e retomar os crimes imputados a 
Sócrates, desenvolvendo a argumentação (de acusação 
e defesa).
Objetivos 
Trabalhar a organização de uma linha de argumentação, 
expondo argumentos e contra-argumentação, levando 
em conta o contexto histórico e filosófico da época de 
Sócrates.
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O que faz alcançar a verdade das coisas que são conhecidas e dá àquele que conhece sua capacidade 
[...] é a ideia do bem.
A República, de Platão.
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 aula 3 FILOSOFIA
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FILOSOFIA – AULA 3
O exercício próprio dos filósofos não é precisamente 
libertar a alma e afastá-la do corpo?
Fédon, de Platão.M
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Platão e Aristóteles
Período socrático ou 
antropológico: Platão
Filósofo grego, discípulo de Sócrates, Platão deixou 
Atenas depois da condenação e morte de seu mestre 
(399 a.C.). Peregrinou 12 anos. Conheceu, entre outros, 
os pitagóricos. Retornou a Atenas em 387 a.C. , com 40 
anos, procurando reabilitar Sócrates, de quem guardava 
a memória e o ensinamento. Retomou a teoria de seu 
mestre sobre a “ideia”, e deu-lhe um sentido novo: a 
ideia é mais do que um conhecimento verdadeiro, ela é 
o ser mesmo, a realidade verdadeira, absoluta e eterna, 
existindo fora e além de nós, cujos objetos visíveis são 
apenas reflexos.
Platão parte do pressuposto de que existem dois 
mundos. O primeiro é constituído por ideias eternas, e 
o segundo é constituído por cópias das ideias (coisas 
sensíveis). 
Mundo sensível – realidade material, constituída pelos 
objetos da percepção sensorial; mundo da experiência. 
Especialmente em Platão, o mundo sensível opõe-se ao 
mundo inteligível, do qual é cópia. 
Mundo inteligível – mundo das ideias ou formas, em 
Platão entendido como tendo uma realidade autônoma, 
tanto em relação ao mundo sensível, do qual constitui 
o modelo perfeito, quanto ao pensamento humano, que, 
no entanto, o atinge pela dialética.
Com base neste pressuposto, afirmou que os sentidos 
estão permanentemente a nos enganar. A verdadeira 
realidade não nos é dada pelos sentidos, mas só pode 
ser intuída através da razão, e está no mundo das ideias.
Em resumo, para Platão, a realidade se dividia em duas 
partes. A primeira parte é o mundo dos sentidos, do qual 
não podemos ter senão um conhecimento aproximado 
ou imperfeito, já que, para tanto, fazemos uso de nossos 
cinco (aproximados e imperfeitos) sentidos. Neste mundo 
dos sentidos, tudo “flui” e, consequentemente, nada é 
perene. Nada é no mundo dos sentidos; nele, as coisas 
simplesmente surgem e desaparecem. A outra parte é 
o mundo das ideias, do qual podemos chegar a ter um 
conhecimento seguro, se, para isso, fizermos uso de 
nossa razão. Este mundo das ideias não pode, portanto, 
ser conhecido por meio dos sentidos.
Mundo das ideias Mundo material
Imaterial Aparência
Eterno Sombra
Imutável Crença
Conhecimento Opinião
Verdade Ilusão
 A alegoria da caverna
No livro VII da República, Platão narra uma história que 
se tornou célebre com o nome de "mito" ou "alegoria da 
caverna". Seu objetivo é fazer compreender a diferença 
entre o conhecimento grosseiro, que vem de nossos sen-
tidos e de nossas opiniões, e o conhecimento verdadeiro, 
ou seja, aquele que sabe apreender, sob a aparência das 
coisas, a ideia das coisas.
Platão define, a partir de uma metáfora, que a realidade 
seria constituída de dois espaços: um composto pelas 
coisas sensíveis e outro pelas ideias. Portanto, para ele, 
a maioria da humanidade viveria na infeliz condição da 
ignorância, ou seja, viveria no mundo ilusório das coisas 
sensíveis, as quais são mutáveis, não são universais e 
nem necessárias e, por isso, não são objetos de conhe-
cimento. Já o mundo das ideias, percebido pela razão, 
está acima do sensível (dominado pela subjetividade), 
FILOSOFIA aula 3
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que só existe na medida em que participa do primeiro, 
sendo apenas sombra dele. Aristóteles posteriormente 
criticou Platão dizendo que ele não havia questionado o 
que é "participar".
Platão faz uma analogia entre aptidão para ver e aptidão 
para conhecer, exercício da visão e exercício da razão, e 
entre faculdade da visão e faculdade da razão. Pode-se 
afirmar que, durante a descrição do mito, as fases pelas 
quais a visão do sujeito passa são as fases pelas quais 
passa a razão.
A primeira etapa é chegar à opinião (doxa), ilustra-
da pela saída da caverna até as imagens exteriores, 
tentando superar a inércia da ignorância (agnosis). O 
sujeito é ofuscado pela luz da fogueira, sendo esta (a 
luz) a representação da verdade, a qual lhe causa dor 
aos olhos, que representam o órgão do conhecimento. 
Neste primeiro momento, o homem não consegue ver 
muito bem, porém insiste e observa, investigando todos 
os objetos e suas formas originais que eram projetadas 
como sombras na caverna. 
Então, alcançou o conhecimento (episteme). A busca 
pelas ideias gerais, unas e imutáveis é ilustrada pela saída 
até a luz do sol, que simboliza o bem (alegoria do sol) que 
está no topo da hierarquia das ideias universais das quais 
também fazem parte o belo e a justiça.
Este percurso é apresentado noutra metáfora: primeiro 
o homem olha para a sombra dos objetos; em seguida, 
para a imagem deles refletida na água; por fim, para os 
próprios. Observa-se a passagem da ignorância para a 
opinião e depois para o conhecimento. O homem tornou-
-se capaz de contemplar o que há no céu e o próprio 
céu à noite representando a contemplação das ideias 
imutáveis. Finalmente, ele torna-se apto a olhar para o 
sol e o seu brilho de dia ilustrando o descobrimento da 
ideia do bem.
Platão questiona: o que ocorreria ao homem se ele 
descesse novamente à caverna e tentasse contar o que 
havia descoberto? Sua vista demoraria a se acostumar 
às trevas novamente. Poderia ser ridicularizado, hostili-
zado e até morto pelos demais. Esta descida à caverna 
representa o dever do filósofo para com o Estado de 
compartilhar com os outros cidadãos o conhecimento a 
que chegou com o apoio deste Estado. Por mais que seja 
dolorosa esta atitude, para o homem sábio, de conviver 
com os demiurgos, o Estado deve preocupar-se com a 
felicidade de toda a cidade e não apenas de uma parte 
dela. Por isso o filósofo teria a função de orientador e 
educador nessa cidade, além da função de governante 
(o filósofo-rei).
E por que a função de governante? Justamente por 
ele ter sido o único a ter contemplado o belo, o bem e 
o justo. E, por ter o conhecimento do que é a justiça, 
governaria melhor a cidade. Sendo indiferente ao poder, 
não estaria disputando contra rivais e não governaria por 
interesses próprios, ao agir de acordo com o justo. Assim, 
Platão concebeu a idealização de um estado sustentado 
no

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