Prévia do material em texto
HISTÓRIA 4° ANO ENSINO FUNDAMENTAL LIVRO DO PROFESSOR Realização Parceiros da Associação Nova Escola HISTÓRIA 4° ANO ENSINO FUNDAMENTAL LIVRO DO PROFESSOR O conteúdo deste livro é, em sua maioria, uma adaptação do Material Educacional Nacional. Esse material foi adaptado dos Planos de Aula publicados no site da Nova Escola em 2019, produzidos por mais de 600 educadores do Brasil inteiro que fizeram parte dos nossos times de autores. Os nomes dos autores dos projetos dos Planos de Aula e do Material Educacional Nacional não foram incluídos na íntegra aqui por uma questão de espaço. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (BENITEZ Catalogação Ass. Editorial, MS, Brasil) Material Educacional Nova Escola : Coleção Nacional : 4º ano : história : ensino fundamental : livro do professor [livro eletrônico] / [organização Associação Nova Escola]. – 1.ed. – São Paulo : Associação Nova Escola, 2022. (Coleção nacional ; 4) PDF. ISBN : 978-65-5965-180-1 História (Ensino fundamental). I. Associação Nova Escola. II. Série. 03-2022/136 CDD 372.89 Índice para catálogo sistemático 1. História : Ensino fundamental 372.89 Bibliotecária : Aline Graziele Benitez CRB-1 / 3129 ASSOCIAÇÃO NOVA ESCOLA Diretora executiva Raquel Gehling Gerência pedagógica Ana Ligia Scachetti e Tatiana Martin Equipe de conteúdo Alessandra Borges, Amanda Chalegre, Carla Fernanda Nascimento, Dayse Oliveira, Felipe Holler, Isabela Sued, Karoline Cussolim, Marília Malheiros Munhoz, Marcela Muniz e Pedro Annunciato Equipe de arte e projeto gráfico Andréa Ayer, Débora Alberti e Leandro Faustino Equipe de relacionamento Lohan Ventura, Luciana Campos, Pedro Alcantara e Rodrigo Petrola Professores-autores Renata Gonçalves, Sherol Santos, Midian Kelly Especialistas pedagógicas Danielle Ferreira Produção editorial Oficina Editorial Edição Oficina Editorial Preparação e revisão Oficina Editorial Diagramação Estúdio Anexo Revisão técnica Audrey Ribas Camargo Ilustrações Estúdio Calamares Design Editorial: Mari Heffner, Carla Viana, Diógenes Martins, Kayna Melloh, Luis Leal, Luiza Dora, Pedro Nogueira, Pedro Ribeiro, Rafael Vilarino, Suellen Machado Iconografia e licenciamento Barra Editorial APRESENTAÇÃO Cara professora e caro professor, É com imensa alegria que apresentamos o Material Educacional Nova Escola – 1o a 5o ano. Trata-se de uma coleção com 50 volumes de cinco compo- nentes – Língua Portuguesa, Matemática, Ciências, História e Geografi a – dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, que abrange todas as habilidades pro- postas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC). São, ao todo, 25 Livros do Aluno (um por ano/componente) e 25 Livros do Professor correspondentes. Este material apresenta duas características marcantes que, para nós, são a grande contribuição que podemos oferecer ao seu trabalho docente. A primeira é a proposta pedagógica. Nossos livros foram pensados para uma dinâmica de aula em que, por um lado, o aluno investiga, discute, expe- rimenta, desenha, escreve e reescreve, e, por outro, o professor atua como o mediador e o facilitador desse processo. E o livro? Seu papel é ser o suporte e o incentivador desse diálogo permanente. Nesse sentido, este Livro do Professor é muito diferente de qualquer outro que você já usou: ele conta com uma rique- za de orientações e detalhes para que as propostas do Livro do Aluno ganhem vida e se transformem em uma aula interessante e efi caz. A segunda característica marcante é a extensão da obra. Os livros da cole- ção incluem um grande número de unidades e capítulos, oferecendo um mate- rial absolutamente completo, que, como dissemos, contempla todas as habilida- des da BNCC. Mas aí você deve estar se perguntando: “Como eu vou dar conta de termi- nar o livro se ele não cabe no meu ano letivo?”. Na verdade, queremos propor que sua preocupação central não seja “dar conta de terminar o livro”, mas esco- lher e priorizar o que é melhor para a sua turma. Acreditamos que você conhece melhor do que ninguém os seus alunos, a sua escola, o seu currículo local e as possibilidades de planejamento, e que pode – e deve! – escolher o que e como priorizar. Desejamos, em suma, que você exerça a docência com autonomia. Nossa intenção foi fazer uma coleção que se apresentasse, acima de tudo, o seu melhor companheiro de jornada. Que ela seja o apoio que você precisa para se fortalecer e, assim, garantir que as crianças brasileiras, sem exceção, aprendam, desenvolvam-se e tenham a mais bonita trajetória pela frente. Vamos juntos? Equipe Associação Nova Escola CONHEÇA SEU MATERIAL Nas próximas páginas, convidamos você a conhecer a proposta didática e a es- trutura deste material, cuidadosamente pensado para lhe apoiar em seu planejamento. Caso opte por realizar a impressão (total ou parcial), lembre-se de que cada capí- tulo tem correspondência entre o Livro do Aluno e o Livro do Professor (que conta tam- bém com a reprodução de miniaturas das páginas do LA). Pode ser que o capítulo que você escolha trabalhar com seus alunos contenha anexos – neste caso, é importante viabilizar impressão sufi ciente para toda a turma, conforme a orientação da atividade. Por fi m, é importante destacar que este material abrange todas as habilidades da BNCC previstas para o ano correspondente. A ordem das unidades foi elaborada segundo uma lógica de progressão das aprendizagens, que pode servir de referência para o seu planejamento anual. No entanto, esta é apenas uma possibilidade: você pode eleger as unidades que trabalhará e desenvolvê-las em uma ordem diferente, adequada às suas necessidades. Recomendamos, porém, que a ordem dos capítulos dentro de uma unidade não seja alterada, nem que esses capítulos sejam desenvolvidos como uma atividade avul- sa, sem conexão com um planejamento mais amplo. Cada unidade foi construída con- forme uma rotina didática especialmente pensada para o ensino do componente. Ao fragmentar as unidades, essa proposta se perde. Além disso, há uma relação estabe- lecida entre os capítulos de uma mesma unidade, de modo que, muitas vezes, um faz referência a outro. Vamos conversar um pouco sobre as especifi cidades do componente História? HISTÓRIA A rotina didática sugerida para as aulas de História permite que os professores façam a mediação de atividades que possibilitem aos estudantes reconhecer no seu entorno aspectos da sua cultura e da sua História. A referida produção coaduna com os princípios de construção do sujeito tomando como base a consciência de si – a existência de um “Eu”, do “Outro” e do “Nós”, preconizados na BNCC. As propostas de atividade são orientadas pela perspectiva da aprendizagem histórica, de forma que os estudantes possam se reconhecer como protagonistas da sua realidade social e valorizar os conhecimentos da sua experiência de vida. As atividades propostas buscam alcançar as habilidades indicadas, de modo pluralista, contextualizado e interdisciplinar, trazendo a história do aluno para o cerne das re� exões. Nesse cenário, o projeto didático é bastante instigante, na medida em que tem como grande mote as realidades experienciadas nas diferentes realidades brasileiras. HISTÓRIA 4° ANO ENSINO FUNDAMENTAL LIVRO DO PROFESSOR Cada capítulo se inicia com uma abertura sobre o tema principal. Em seguida, você encontra diferentes propostas de atividades. CUIDE BEM DO SEU MATERIAL! Ele será o seu companheiro durante todo o ano escolar. ÍCONES Indicam como as atividades devem ser realizadas. Atividade oral Atividade em dupla Atividade em grupo Atividade com anexo Atividade de recorte Atividade no caderno HISTÓRIA594o ANO58 Cerâ�ica: a �ais a�tiga das i�dústrias Primórdios da cerâmica Quando saiu das cavernas e se tornou um agricultor, o homem precisava de outros meios de subsistência além de um abrigo. Logo, surgiu a necessidade de ter também vasilhas para armazena-produção para os colegas da turma e, oralmente, explique o que buscou representar. De Tupinambá a Parintins As primeiras viagens exploratórias da Coroa Portuguesa em Parintins foram registra- das somente em 1796. [...] a região era habitada por diversas etnias indígenas, en- tre eles os Tupinambás [...]. O primeiro nome recebido por Parintins, já na categoria de freguesia, foi Nossa Senhora do Carmo de Tupinambarana, em 1833. O nome da Freguesia só foi alterado em 1880, quando a sede passou a chamar-se “Parintins” [...]. Sua descoberta ocorreu em 1749, quando, descendo o rio Amazonas, o explorador José Gonçalves da Fonseca notou uma ilha que [...] se sobressaía das outras localiza- das à direita do grande rio. A fundação da localidade só foi realizada em 1796, por José Pedro Cordovil, que veio com seus escravos e agregados para se dedicar à pesca do pirarucu e à agricultura [...]. Ali instalado, fundou uma fazenda de cacau, dedicando-se à cultura desse produto em grande escala [...]. DIAS, Daniel dos Santos. Parintins a "ilha encantada" do Amazonas e terra do boi bumbá. Portal do Amazonas, 2017. Disponível em: http://portaldoamazonas.com/parintins-a-ilha-encantada-do-amazonas-e-terra-do-boi-bumba. Acesso: 17 ago. 2021. 020-023_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN1_CAP4_P4V1bx.indd 22 23/03/2022 10:47:07 HISTÓRIA21 Vista do centro histórico da cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais, com destaque para o casario em estilo colonial. Foto de 2016. M ar em ag nu m /C or bi s D oc um en ta ry /G et ty Im ag es Batizou-se o povoamento de Vila Rica de Albuquerque, em 8 de julho de 1711, data oficial de sua fundação [...]. A riqueza da economia baseada na mineração de ouro em Vila Rica deixou um legado de grande valor para a cultura [...]. A arquitetura religiosa do período leva a marca da ostentação e do luxo, como pode ser observado nas igrejas de Nossa Senhora do Pilar, São Francisco de Assis, Nossa Senhora do Rosário e de Santa Efigênia. Uma das soluções originais deu-se com o largo emprego da pedra-sabão, abundante na região, como forma de substituir o mármore europeu. Os chafarizes de Marília e do largo de Frei Vicente Botelho acrescentam uma graça ainda mais especial ao tortuoso traçado urbano. Vila Rica tornou-se a primeira capital de Minas Gerais, já em 1721. Mudou o nome para Ouro Preto, em 1823, e permaneceu como capital até 1897, quando a sede do Estado passou a ser Belo Horizonte [...]. GOVERNO DO ESTADO DE MINAS GERAIS. Secretaria de Turismo. A cidade de Ouro Preto. Disponível em: https://www.mg.gov.br/conteudo/conheca-minas/turismo/cidade-de-ouro-preto. Acesso em: 17 ago. 2021. Agora, observe uma fotografia da cidade de Ouro Preto atualmente. ⊲ Você acha que há mais mudanças ou permanências nas características desse espaço? Justifique sua resposta. 020-023_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN1_CAP4_P4V1bx.indd 21020-023_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN1_CAP4_P4V1bx.indd 21 23/03/2022 10:47:0723/03/2022 10:47:07 HISTÓRIA23 Vista panorâmica do bairro do Caminho das Árvores, na cidade de Salvador. Foto de 2021. Pe te r A da m s/S to ne /G et ty Im ag es RETOMANDO 1. Observe a fotografia a seguir. Ela apresenta a cidade de Salvador atualmente. ⊲ Ao comparar a imagem de Salvador na atualidade com a de antigamente, in- dicada no início deste capítulo, é possível identificar as mudanças ocorridas ao longo do tempo? 2. Ao longo da sua trajetória, você vai participar de eventos e ações que vão con- tribuir para a construção e para transformações do lugar em que vive. Essas mudanças vão fazer parte da sua história, assim como fizeram parte da história de seus antepassados. ⊲ Escreva o seu projeto de cidade com base no que conheceu neste capítulo e em suas percepções da cidade em que vive. Pense nas características de seu projeto de cida- de e no que deve existir nele para que a cidade se torne um lugar melhor para viver. 3. Depois, faça a ilustração do seu projeto ideal de cidade e compartilhe seus registros com os colegas. 020-023_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN1_CAP4_P4V1bx.indd 23020-023_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN1_CAP4_P4V1bx.indd 23 23/03/2022 10:47:0823/03/2022 10:47:08 PÁGINA 20 PÁGINA 21 PÁGINA 22 PÁGINA 23 4. A estrutura histórica das primeiras cidades brasileiras 4o ANO22 Sobre o capítulo • Contextualizando: analisar uma gravura da ci- dade de Salvador do século XVII, que apresenta informações históricas e acerca das estruturas das primeiras cidades brasileiras. • Praticando: conhecer a origem de duas cidades históricas do Brasil, Ouro Preto e Parintins, e identificar as mudanças e permanências ocor- ridas ao longo do tempo. • Retomando: compreender como uma cidade deve estar estruturada para atender às demandas do contexto histórico e social. Objetivo de aprendizagem • Comparar a formação das primeiras cidades brasileiras com as características e organiza- ção das cidades da atualidade, percebendo as mudanças e permanências nos últimos séculos. Materiais • Canetas hidrográficas. • Giz de cera. • Lápis de cor. Contexto prévio É importante que os alunos tenham conheci- mentos acerca da história do município em que vivem e de outros municípios brasileiros. É espera- do que os alunos reconheçam alguns espaços de seu município e compreendam os seus significados históricos, sociais e políticos. Para isso, é preciso que eles considerem que as cidades brasileiras passaram por transformações desde sua funda- ção, em decorrência de motivos sociais, políticos e econômicos. Além disso, é importante que eles sejam convidados a se expressarem sobre possíveis transformações visíveis no município onde moram, referentes à estrutura local, a mudanças nas mo- radias e no contexto como um todo. Dificuldades antecipadas É possível que os alunos não identifiquem de imediato os aspectos estruturais do município onde moram, assim como de outras cidades importantes para a formação histórica do país ou, ainda, que não dominem o nome dos municípios brasileiros ou de questões relevantes para a história do país. É importante levar essas informações para a sala de aula e explicar as mudanças ocorridas ao longo do tempo. Outra possibilidade é solicitar aos alunos que identifiquem mudanças no bairro e na comu- nidade em que vivem, de forma que percebam as mudanças visíveis em outros espaços do município em que moram. Habilidade da BNCC EF04HI01 Reconhecer a história como resultado da ação do ser humano no tempo e no espaço, com base na identificação de mudanças e permanências ao longo do tempo. CONTEXTUALIZANDO Expectativas de respostas 1. • As cidades brasileiras que têm mais de 400 anos de história apresentam características do passado que foram preservadas e mantidas ao longo dos séculos, como as construções antigas e os marcos de fundação. Mas também passaram por diversas transformações sociais, econômicas e políticas. • Todas as cidades passaram por transformações ao longo da história e continuam sendo alteradas, para atender às necessidades da sociedade. • Entre as atividades desenvolvidas nas primei- ras cidades brasileiras podem ser citadas a dos comerciantes e vendedores ambulantes, calceteiros, alfaiates, costureiras etc. 2. Resposta pessoal. Orientações Leia as questões disparadoras com os alunos. Espera-se que eles reflitam sobre a organização social e o desenvolvimento das primeiras cidades brasileiras, compreendendo-as como espaços em que é possível observar permanências e transformações ocorridas ao longo do tempo. Além das mudanças sociais e políticas, espera-se que compreendam mu- danças econômicas, como os ofícios e as atividades desenvolvidas no passado. Com base nessa reflexão, propõe-se que os alunos estabeleçam relações com os municípios atuais. Os alunos poderão citar construções ou espaços históricos, identificados no município em que vivem, bem como citar formas de trabalho que são comuns HISTÓRIA23 na comunidade da qualfazem parte, como comer- ciantes, professores, agentes de saúde, profissionais liberais etc. Incentive os alunos a refletirem sobre as primeiras cidades brasileiras e sua importância histórica, da fundação aos dias atuais. Explique aos alunos que ao colonizar o Brasil, os portugueses adotaram uma série de medidas para controlar e organizar o territó- rio. Nesse contexto, a cidade de Salvador tornou-se a primeira capital da Colônia (1549 a 1763). Analise com a turma a gravura de Salvador, feita no século XVII. Reforce que ela foi a primeira capital do Brasil e que foi local de importantes decisões vindas de Portugal. Explique que essa época, o Nordeste era grande produtor de açúcar, uma das mais lucrativas riquezas exploradas pelos colonizadores. Nesse sen- tido, Salvador possuía uma localização importante para manter a comunicação com grandes polos pro- dutores de açúcar. Peça que observem as questões relevantes sobre a cidade de Salvador, na Bahia, levando em consideração aspectos de sua fundação, sua importância econômi- ca e política para a época, bem como as partes que compõe essa cidade. Promova um debate sobre como as cidades histó- ricas do Brasil, como Salvador, foram organizadas no passado para receber e atender as demandas da Corte portuguesa, em 1808, e se permanecem com a mesma estrutura. Estabeleça a relação das necessidades de espaço e tempo de cada um dos contextos. A realida- de em que vivem pode ser o ponto de partida para as discussões sobre a formação e evolução das cidades brasileiras ao longo da história, visando a compreen- são inicial dos processos que acarretaram mudanças e transformações nos ambientes. Confira o texto a seguir sobre a importância histórica da cidade de Salvador. A família real aportando em Salvador A família real portuguesa aportou em Salvador, situada na capitania da Bahia de Todos os Santos, em 22 de janeiro de 1808. O príncipe regente D. João (1767-1826), que iria desembarcar naquela cidade, segundo a historiadora Mary Del Priore, não era um refugiado, “e sim o chefe de um Estado nacional em funções que resolveu migrar para cá”. Era o governante de um reino que ainda se estendia por quatro continentes; reino que realizara feitos náuticos nos séculos anteriores. Essa chegada seria uma surpresa para o go- vernador da capitania e para a população. Pelas ruas e janelas curiosas, perguntas derramavam-se, alcançando o cais. Afinal, era a primeira vez que alguém da realeza chegava até a possessão lusa na América. Outro espanto aconteceu quando os habitantes avistaram o estado lastimável dos via- jantes que desembarcaram, exauridos, da travessia. Citado pelo historiador Kenneth Light, um marinheiro do navio inglês Belford, que fazia parte da frota que transportou a família real portuguesa, registrou em seu diário pessoal: “Minha pena é inadequada para descrever a situação angustiosa das pobres mulheres que superlotavam a nau”. O governador da capitania de Pernambuco, sen- do informado da chegada de tão ilustres visitantes, enviou uma embarcação repleta de frutas tropicais, como pitanga e caju, além de verduras e de legumes. Sabores exóticos para aqueles europeus, agora em terras tropicais; alimentos frescos depois de tanta carne salgada, tanto biscoito envelhecido. No período em que permaneceu em Salvador, o regente visitou plantações e recebeu a elite local. Festejos espalhavam-se pelas ruas, homenageando o príncipe D. João. Porém, não só as visitas, as mis- sas, os folguedos e os rapapés ocuparam o tempo do príncipe. Medidas régias, como a Abertura dos Portos, foram adotadas, permitindo leituras diferen- ciadas. Tal atitude, concebida pela necessidade da corte portuguesa de assegurar a sua sobrevivência na possessão americana, gerou, de fato, o fim do monopólio comercial – base das relações entre me- trópole e colônia. Para alguns, esse monopólio era fruto de um cálculo político associado ao sistema mercantilista vigente. Para outros, somente refor- çava a dependência econômica que Portugal e a sua possessão americana tinham com a Inglaterra, diretamente beneficiada por aquele decreto real promulgado em 28 de janeiro de 1808. Consta que o governador da capitania da Bahia de Todos os Santos propôs a D. João (1767-1826) construir um palácio, em troca da permanência da corte na cidade de Salvador – saudoso estava, possivelmente, da condição de antiga sede do vi- ce-reinado no Brasil. O príncipe, porém, manteve o propósito original, contrariando até desejos de alguns componentes da sua corte: fixar-se no Rio de Janeiro, centro do poder, muito bem guardado por inúmeras fortalezas e bem distante dos franceses. 4o ANO24 Em Salvador, o povo lamentou a decisão em rimas citadas pelo historiador Pedro Calmon: “Meu príncipe regente, Não saias daqui, Cá ficamos chorando, Por Deus, e por ti”. MULTIRIO. A família real aportando em Salvador. MultiRio. Disponível em: http://www.multirio.rj.gov.br/index.php/estude/historia-do-brasil/rio- de-janeiro/52-o-rio-de-janeiro-como-a-capital-do-reino/2472-a-familia-real- aportando-em-salvador. Acesso em: 4 dez. 2021. PRATICANDO Expectativas de respostas 1. O aluno deverá indicar elementos da cidade de Ouro Preto, estado de Minas Gerais, apresenta- dos no texto, como os chafarizes, as igrejas e a arquitetura religiosa. Esses elementos poderão ser citados como parte da arquitetura que se manteve preservada devido à sua importância histórica. 2. É importante que a turma leia atentamente o texto sobre a origem e fundação da cidade de Parintins, estado do Amazonas para, em seguida, elaborar uma ilustração da cidade. Com essa atividade, os alunos vão viajar no tempo e ilustrar a cidade como ela foi descrita no texto elaborado com base em relatos históricos. Para isso, é importante que estejam atentos aos detalhes e características da cidade apresentados no texto. Orientações Leia o texto sobre a fundação e organização da ci- dade de Ouro Preto, estado de Minas Gerais. Depois, oriente os alunos elaborar uma lista com elementos que se mantiveram na cidade, mesmo com o passar do tempo, e elementos que passaram por transformações, de acordo com as informações apresentadas no texto. Em seguida, faça a leitura coletiva do texto sobre a ori- gem e a fundação da cidade de Parintins, no estado do Amazonas. Explique aos alunos que o texto foi elaborado com base em fontes históricas e relatos dos viajantes do século XVIII. Peça que ilustrem o lugar em que está situada a atual cidade de Parintins, de acordo com as informações descritas no texto. RETOMANDO Expectativas de respostas 1. Ao comparar a gravura que apresenta a cidade de Salvador, no século XVII, com a fotografia atual, observa-se que as construções foram bastante modificadas. Antigamente, havia construções mais baixas, como casas e sobrados, atualmente a cidade possui construções mais altas, com a orla composta de vários prédios. Antigamente, as cons- truções estavam mais espaçadas. Atualmente, as construções parecem estar mais próximas umas das outras. 2. Resposta pessoal. Espera-se que os alunos elabo- rem um projeto de cidade que contemple serviços públicos como escolas e hospitais de qualidade, espaços para lazer e entretenimento da comu- nidade e lugares com boa infraestrutura para atender às necessidades da população. 3. Resposta pessoal. Orientações Auxilie os alunos no desenvolvimento do projeto pessoal de cidade. Após o registro, oriente-os na elabo- ração da ilustração do seu projeto ideal de cidade. Em seguida, oriente-os quanto à apresentação aos colegas tanto da leitura como da imagem do projeto pronto. Solicite aos alunos que retornem à página inicial do capítulo e comparem a ilustração de Salvador, em 1640, com a imagem apresentada nesta página. Converse com a turma sobre algumas mudanças que eles puderam perceber entre as duas imagens. Ressalte que os mo- radores de uma cidade estão constantemente agindo para a mudança do espaçoem que vivem, seja pela exigência de melhorias ou pela luta para a manutenção de espaços historicamente importantes para o lugar. http://www.multirio.rj.gov.br/index.php/estude/historia-do-brasil/rio-de-janeiro/52-o-rio-de-janeiro-como-a-capital-do-reino/2472-a-familia-real-aportando-em-salvador http://www.multirio.rj.gov.br/index.php/estude/historia-do-brasil/rio-de-janeiro/52-o-rio-de-janeiro-como-a-capital-do-reino/2472-a-familia-real-aportando-em-salvador http://www.multirio.rj.gov.br/index.php/estude/historia-do-brasil/rio-de-janeiro/52-o-rio-de-janeiro-como-a-capital-do-reino/2472-a-familia-real-aportando-em-salvador HISTÓRIA25 4o ANO24 Arqueóloga trabalhando com fóssil do sítio arqueológico de Lapa do Santo, município de Matozinhos, estado de Minas Gerais. Foto de 2021. Ri ca rd o Az ou ry /P ul sa r 5. Desenvolvimento histórico dos primeiros grupos humanos 1. A forma como os primeiros grupos humanos viviam há milhares de anos era bem diferente da forma como vivemos hoje. Sabendo disso, leia as perguntas abaixo e converse com a turma e o professor. ⊲ Como viviam e se organizavam os primeiros grupos humanos? ⊲ De que maneira acontecia a comunicação entre os primeiros grupos humanos? ⊲ Quais eram os tipos de habitação que os primeiros grupos humanos construíam ou utilizavam? 2. Em grupo, observe com atenção a imagem a seguir, que retrata uma arqueóloga trabalhando. Discuta com a turma e o professor hipóteses sobre o que está sendo analisado pela arqueóloga e registre as respostas das questões abaixo. a. Você sabe o que é desenvolvido durante o trabalho de um arqueólogo? b. Você conhece a importância do trabalho desenvolvido por esse profissional? c. Que contribuição esse profissional oferece para entendermos a transformação do modo de vida humano desde os primeiros grupos até hoje? 024-027_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN1_CAP5_P4V1bx.indd 24024-027_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN1_CAP5_P4V1bx.indd 24 23/03/2022 10:48:4423/03/2022 10:48:44 4o ANO26 Ja vie r E tch ev er ry/ VW P IC S/ Un ive rsa l Im ag es G ro up vi a G et ty Im ag es ) 2. Ainda em grupo, leia os textos abaixo para conhecer algumas informações sobre a vida dos primeiros humanos durante o Paleolítico e o Neolítico. Texto 1 Período Paleolítico No período Paleolítico, [...] sabe-se que as temperaturas da Terra eram bem menores, o que obrigava as populações hominídeas a viverem dentro de cavernas. A falta das técnicas de cultivo agrícola e a não criação de animais limitavam as atividades subsistentes à pesca, a caça e a coleta de frutos. Tais práticas impediam a sedentarização dos primeiros grupos humanos, que se deslocavam constantemente. SOUSA, Rainer. Período Paleolítico. Mundo Educação. Disponível em: https://mundoeducacao.uol.com.br/ historiageral/periodo-paleolitico.htm. Acesso em: 17 ago. 2021. (Adaptado). Texto 2 Período Neolítico: características, sociedade O período Neolítico é conhecido também como período da Pedra Polida. Foi um momento marcante da Pré-História, pois a vida do humano primitivo passou por diversas transformações nele. Os grupos humanos sedentarizaram-se, isto é, fixaram-se em um único lugar e intensificaram a prática da agricultura. Com o aumento populacional, os grupos cresceram e tornaram-se sociedades complexas que começaram a organizar-se politicamente. As transformações do Neolítico foram marcantes para a formação das primeiras civilizações da Antiguidade oriental. HIGA, Carlos César. Período Neolítico. Mundo Educação. Disponível em: https://mundoeducacao.uol.com.br/ historiageral/periodo-neolitico.htm. Acesso em: 17 ago. 2021. ⊲ Produza um cartaz que mostre pelo menos um aspecto da vida cotidiana dos grupos humanos que viveram no passado. ⊲ Elabore com seu grupo uma encenação de situações vivenciadas pelos primei- ros grupos humanos, como caçadas, reuniões, proteção contra os perigos do dia a dia, e apresente à turma e ao professor. RETOMANDO Observe uma pintura rupestre produzida pelos grupos humanos que habitaram a região hoje denominada de Argentina. Pintura rupestre em caverna conhecida como Cueva de las Manos, na região da Patagônia, Argentina. Acredita-se que essas pinturas tenham mais de 9 mil anos. 024-027_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN1_CAP5_P4V1bx.indd 26024-027_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN1_CAP5_P4V1bx.indd 26 23/03/2022 10:48:4423/03/2022 10:48:44 HISTÓRIA25 PRATICANDO 1. O período chamado de Pré-história, no qual os primeiros grupos humanos surgi- ram e se desenvolveram, é tradicionalmente dividido em outros três períodos: o Paleolítico, o Neolítico e a Idade dos Metais. Durante esse período histórico os grupos humanos ainda não tinham desenvolvido formas de escrita. Pré-história Paleolítico 2,7 milhões de anos Neolítico 10000 a.C. a 4000 a.C. Idade dos Metais 6 000 a.C. Surgimento dos primeiros sistemas de escrita 4000 a.C. As datas entre um período e outro podem variar conforme novos artefatos e estudos são realizados. ⊲ O que você sabe sobre cada um desses períodos? 024-027_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN1_CAP5_P4V1bx.indd 25024-027_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN1_CAP5_P4V1bx.indd 25 23/03/2022 10:48:4423/03/2022 10:48:44 HISTÓRIA27 Para se comunicar, os grupos humanos faziam pinturas em paredes e rochas, as chama- das pinturas rupestres. 1. Faça sua própria pintura rupestre. ⊲ Ela deve representar aspectos cotidianos dos nossos ancestrais. Lembre-se de deixar seu desenho bem colorido! 2. Para finalizar, escreva no quadro a seguir algumas diferenças no modo de viver dos grupos humanos na Pré-história e na atualidade. As diferenças no modo de vida Pré-história Atualidade 024-027_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN1_CAP5_P4V1bx.indd 27024-027_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN1_CAP5_P4V1bx.indd 27 23/03/2022 10:48:4423/03/2022 10:48:44 PÁGINA 24 PÁGINA 25 PÁGINA 26 PÁGINA 27 5. Desenvolvimento histórico dos primeiros grupos humanos 4o ANO26 Sobre o capítulo • Contextualizando: apresentar os conhecimentos prévios sobre a relação entre os primeiros grupos humanos com o espaço em que habitavam. • Praticando: conhecer aspectos de organização social e estratégias de convívio presentes nas sociedades ao longo da história. • Retomando: compreender as formas de comunicação entre os primeiros grupos humanos, de maneira que se possa comparar com os modos de vida na atualidade. Objetivo de aprendizagem • Conhecer o modo de vida e organização dos primeiros grupos humanos, percebendo mudanças e permanências ao longo do tempo. Materiais • Canetas hidrográficas. • Fita adesiva. • Giz de cera. • Lápis de cor. • Papel kraft (1 por grupo). Contexto prévio Os alunos devem trazer informações sobre a vida em sociedade dos primeiros grupos humanos, antes da invenção da escrita e da produção de formas de tecnologia mais complexas. É esperado que a turma tenha informações de como se vivia em períodos remotos; nesse sentido, investigue se alguém já ouviu falar ou usou a expressão “homem das cavernas”, e, a partir dela, peça que reflitam sobre essas pessoas e sobre como viviam. Dificuldades antecipadas É possível que os alunos tenham dificuldades em organizar os conhecimentos relativos aos pe- ríodos e grupos humanos que fizeram parte da chamada Pré-história. Nesse sentido, a turma pode ter dificuldade sobre como e onde viviam, como se comunicavam, quais eram suas crenças, como se alimentavam etc. Para solucionar parte des- sas dificuldades, é importante facilitar a discussão sobre a descoberta de elementos essenciais da Pré-história. Habilidade da BNCC EF04HI01 Reconhecer a história como resultado da ação do ser humano no tempo e no espaço, com base na identificação de mudanças e permanências ao longo do tempo. CONTEXTUALIZANDO Expectativas de respostas 1. Espera-se que o aluno traga informações sobre a relação dos primeiros grupos humanos com a natureza e com o espaço habitado. Eles pode- rão levantar hipótesesou utilizar conhecimentos prévios sobre a maneira de viver dos primeiros povos, como as práticas de caça e coleta para a obtenção de alimentos, a produção das vestes com peles de animais, a comunicação por meio de símbolos e a reprodução de ações que garantiam a sobrevivência do grupo. 2. a. O arqueólogo é o profissional que estuda a sociedade e as culturas humanas por meio da análise de objetos produzidos e utilizados no passado. Ele investiga e faz escavações em sítios arqueológicos, onde busca compreender como o lugar foi ocupado. b. O trabalho do arqueólogo é importante pois, por meio dele, podemos obter informações sobre práticas, valores e estruturas sociais do passado. c. Por meio da arqueologia podemos compreender as formas de vida de grupos humanos que não existem mais. Orientações Organize uma roda de conversa para introdução ao tema. Faça a leitura das perguntas em conjunto com os alunos, de maneira que a turma se sinta motivada a participar e expressar suas hipóteses. Dedique um momento para as respostas dos alunos, elaboradas a partir dos conhecimentos prévios deles. Dê oportunidade para que socializem suas respostas. Peça a cada grupo que analise a fotografia que apresenta uma arqueóloga analisando um fóssil encon- trado no sítio arqueológico de Lapa do Santo, estado HISTÓRIA27 de Minas Gerais, e pergunte o que está sendo feito e o porquê de essa atividade ser importante. Conduza a conversa de maneira que os alunos iniciem a identifi- cação da profissão da pessoa retratada na imagem. Pergunte o que está sendo feito, se a atividade é interessante etc. Ressalte que os primeiros grupos humanos não construíam moradias e não utilizavam sistemas com- plexos de escrita e que tudo isso foi sendo construído e aprendido ao longo do tempo. Compartilhe infor- mações sobre a atuação do arqueólogo no estudo da relação dos primeiros grupos humanos. Em conjunto com os alunos, faça a leitura das perguntas e oriente a turma a respondê-las em grupo e fazer o registro delas. Essa atividade pode ser direcionada como avaliação em grupo. PRATICANDO Expectativas de resposta A ideia aqui é que os alunos compreendam as formas de organização social dos primeiros gru- pos humanos, reconhecendo suas práticas para a aquisição de recursos que lhes garantissem a sobrevivência e percebendo como se abrigavam da chuva, do frio e dos animais ferozes, entre outros aspectos. 1. Paleolítico: esse período, é também conhecido como Idade da Pedra Lascada, teve início há cerca de 3 milhões de anos e se estendeu até aproximadamente o ano 10000 a.C., quando se teve início as práticas agrícolas. Os grupos hu- manos desse período, eram nômades e viviam da coleta de alimentos e da caça de animais. O recurso mais utilizado como ferramenta nesse período foi a pedra. Através do desenvolvimento da pedra lascada, os grupos humanos produziam instrumentos de corte, utilizados na caça e no corte de alimentos. Neolítico: também conhecido como Idade da Pedra Polida, esse período tem como principal característica o aperfeiçoamento das técnicas de polimento das pedras, dando a elas um formato mais arredondado. Nesse período, foram desen- volvidas a prática da agricultura e a criação de animais, além disso, os grupos humanos passaram a se fixar em determinados locais, tornando-se sedentários. Idade dos Metais: este período ocorreu aproxi- madamente entre 5000 a.C. e 3500 a.C. e nele destaca-se o uso de objetos feitos de metais. Orientações Mantenha os grupos de trabalho da atividade anterior, leia os textos com a turma e explique que devem produzir um cartaz que mostre aspectos da vida cotidiana dos primeiros grupos humanos. Para auxiliar na visualização dos períodos históricos abordados, foi inserida nesta seção uma linha do tempo que permitirá aos alunos identificar a cronologia abordada nesse momento. Faça a leitura dela, ressaltando que as datas para a divisão de cada período podem variar conforme a interpretação dos pesquisadores que as definirem, a partir de dados obtidos ou conforme no- vas informações são descobertas. Oriente os grupos na realização da atividade, relembrando passagens dos textos e as discussões feitas até o momento. Após a confecção do cartaz, peça que os alunos se organizem para apresentar uma breve encenação aos colegas da turma. Oriente-os a representar situa- ções que mostrem hábitos cotidianos das primeiras comunidades humanas. RETOMANDO Expectativas de respostas 1. Resposta pessoal. 2. Os alunos podem indicar como características do modo de vida na Pré-história o nomadismo, as cavernas utilizadas como abrigo, as atividades de caça e coleta, as pinturas rupestres etc. Com relação as características dos modos de se viver na atualidade, elas são diversas e podem variar de acordo com a localidade e a cultura dos indivíduos. Orientações Explique aos alunos o que são pinturas rupestres e porque elas eram utilizadas. Ressalte que essas ima- gens eram a forma que os primeiros grupos humanos desenvolveram provavelmente para se comunicar, sendo, na atualidade, fontes históricas importantís- simas. Por meio de fontes históricas, como as pintu- ras rupestres, é possível conhecer um pouco da vida dos antepassados humanos. Para a confecção do cartaz, oriente os alunos na escolha de cores fortes 4o ANO28 e explique que os grupos humanos da Pré-história usavam as tintas feitas do que encontravam na na- tureza e conduza-os à produção de uma releitura da imagem rupestre apresentada. Caso seja possível, apresente outras figuras para que os alunos possam ampliar a visão sobre esses símbolos. Para concluir os estudos, peça aos alunos que escrevam pontos referentes à maneira de viver dos primeiros grupos humanos que sejam diferentes da organização na Pré-história e na atualidade. ANOTAÇÕES HISTÓRIA29 UNIDADE 2 COMPETÊNCIAS GERAIS DA BNCC 1; 3; 7. HABILIDADE DA BNCC EF04HI02 Identificar mudanças e permanências ao longo do tempo, discutindo os sentidos dos grandes marcos da história da humanidade (nomadismo, desenvolvimento da agricultura e do pastoreio, criação da indústria etc.). OBJETO DE CONHECIMENTO A ação das pessoas, grupos sociais e comunidades no tempo e no espaço: nomadismo, agricultura, escrita, nave- gações, indústria, entre outras. UNIDADE TEMÁTICA Transformações e permanências nas trajetórias dos grupos humanos. PARA SABER MAIS • CALACIA, Deborah. 4 estratégias para despertar a curiosidade nas crianças. LinkedIn, 2017. Disponível em: https:// www.linkedin.com/pulse/4-estrat%C3%A9gias-para-despertar-curiosidade-nas-crian%C3%A7as-deborah-calacia/. Acesso em: 17 ago. 2021. • MANSANI, Mara. Como estimular a curiosidade científica nos alunos. Nova Escola, 2018. Disponível em: https:// novaescola.org.br/conteudo/12604/blog-de-alfabetizacao-como-estimular-a-curiosidade-cientifica-nas-criancas. Acesso em: 18 ago. 2021. • MOREIRA, Isabela. Origem e propósito das linhas de Nazca continuam sendo um mistério. Revista Galileu [on-line], 2015. Disponível em: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2015/09/origem-e-proposito-das-linhas-de- -nazca-continuam-sendo-um-misterio.html/. Acesso em: 17 ago. 2021. • OLIVEIRA, Ana Clara. Por que a curiosidade melhora o processo de aprendizagem? Leiturinha, 2018. Disponível em: https://leiturinha.com.br/blog/por-que-a-curiosidade-melhora-o-processo-de-aprendizagem/. Acesso em: 18 ago. 2021. • VEIGA, Edison. O misterioso geoglifo de 2 mil anos que deve se tornar patrimônio brasileiro. BBC News Brasil, 2018. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-46115252. Acesso em: 17 ago. 2021. MUDANÇAS NA TRAJETÓRIA DA HUMANIDADE https://www.linkedin.com/pulse/4-estrat%C3%A9gias-para-despertar-curiosidade-nas-crian%C3%A7as-deborah-calacia/ https://www.linkedin.com/pulse/4-estrat%C3%A9gias-para-despertar-curiosidade-nas-crian%C3%A7as-deborah-calacia/ https://novaescola.org.br/conteudo/12604/blog-de-alfabetizacao-como-estimular-a-curiosidade-cientifihttps://novaescola.org.br/conteudo/12604/blog-de-alfabetizacao-como-estimular-a-curiosidade-cientifi https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2015/09/origem-e-proposito-das-linhas-de-nazca-continuam-sendo-um-misterio.html https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2015/09/origem-e-proposito-das-linhas-de-nazca-continuam-sendo-um-misterio.html https://leiturinha.com.br/blog/por-que-a-curiosidade-melhora-o-processo-de-aprendizagem/ https://www.bbc.com/portuguese/brasil-46115252 4o ANO30 PÁGINA 28 PÁGINA 29 PÁGINA 30 PÁGINA 31 1. O ser humano e o domínio do fogo UNIDADE 2 4o ANO28 MUDANÇAS NA TRAJETÓRIA DA HUMANIDADE 1. Observe a imagem e converse com os colegas sobre os tópicos a seguir. ⊲ Você já foi a algum circo ou já assistiu a algum espetáculo de artistas manipulando o fogo? ⊲ O que vocês sabem sobre dominar fogo? Como se faz isso? ⊲ Como se faz fogo, ou, então, quais materiais são necessários para se fazer fogo? 1. O ser humano e o domínio do fogo 2. Agora, vamos brincar de faz de conta. Siga os comandos do professor e escreva a sua resposta. Flu xF ac to ry /E +/ Ge tty Im ag es 028-031_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN2_CAP1_P4V1bx.indd 28028-031_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN2_CAP1_P4V1bx.indd 28 22/03/2022 17:39:3222/03/2022 17:39:32 4o ANO30 e. Para que o fogo é utilizado na atualidade? 2. Leia uma explicação mítica ou filosófica para a origem do fogo. Conta uma lenda indígena que, há muito tempo, os homens não sabiam fazer fogo e só tinham acesso a ele quando um raio incendiava a mata. Então, o pajé escolheu o mais corajoso dos guerreiros, o índio Japu, e o transformou em um pássaro para que trouxesse o fogo para a Terra. Ele saiu vitorioso de uma batalha contra o raio e trouxe no bico uma porção de fogo. O pajé pegou essa chama, transferiu seu poder para pedras e gravetos e ensinou para toda a aldeia que quando quisessem produzir fogo bastava esfregar esses objetos. Todos estavam felizes, mas quando Japu voltou à forma humana, notaram que o rosto dele estava queimado. Não suportando viver daquele jeito, implorou que o pajé o transformasse novamente em pássaro. E assim surgiu o japuaçu, um pássaro com plumagem que lembra a cor das labaredas e que tem bico vermelho. ALMEIDA, Carla; KRAUSE, Maggi; BERNARDO, Nairim. O domínio do fogo. Nova Escola. Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/8997/o-dominio-do-fogo. Acesso em: 11 jul. 2021. ⊲ Faça uma ilustração para representar o mito da origem do fogo. 028-031_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN2_CAP1_P4V1bx.indd 30028-031_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN2_CAP1_P4V1bx.indd 30 22/03/2022 17:39:3222/03/2022 17:39:32 HISTÓRIA29 PRATICANDO 1. O fogo é um elemento que intriga a humanidade desde seus primórdios. Os misté- rios em torno de sua origem incentivam historiadores, filósofos e cientistas a bus- car explicações para o fenômeno. Observe as imagens e responda ao que se pede. a. Como você chamaria a época em que os seres humanos dominaram o fogo? b. Quais materiais foram usados para fazer fogo? c. Para que era preciso usar fogo no tempo em que viveram os seres humanos mostrados nas imagens? d. O que pode acontecer quando os seres humanos não têm controle do fogo? Que cuidados eles devem ter? HISTÓRIA31 RETOMANDO 1. Retome a ideia do circo ou dos artistas que usam o fogo para fazer demonstrações artísticas. Você já viu algum mágico fazendo truque de queimar papel e, “em um passe de mágica”, fazer esse papel voltar ao seu estado normal? Você vai restaurar mensagens queimadas, assim como o truque do mágico. Assim como o mágico, o historiador e o arqueólogo são profissionais que trabalham in- vestigando e desvendando partes perdidas dos vestígios deixados pelos seres hu- manos ao longo do tempo. Qual mensagem poderia ter sido escrita? b. Os usavam o fogo para . c. O domínio do fogo possibilitou . d. Quando o fogo não é dominado, ele pode . PJ F M ilit ar y C ol le ct io n / A lam y / Fo to ar en a Se rg ey K uc he ro v/M om en t/G et ty Im ag es An dr ew M er ry /M om en t/G et ty Im ag es Photo by Prisma/UIG/Getty Images a. O fogo 028-031_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN2_CAP1_P4V1bx.indd 31028-031_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN2_CAP1_P4V1bx.indd 31 22/03/2022 17:39:3622/03/2022 17:39:36 HISTÓRIA31 Sobre o capítulo • Contextualizando: levantar conhecimentos prévios dos alunos sobre as práticas relacionadas ao domínio do fogo pelos primeiros grupos humanos. • Praticando: analisar e problematizar fontes históricas sobre a origem e o domínio do fogo. • Retomando: construir frases sobre o uso do fogo no passado e no presente. Objetivo de aprendizagem • Identificar as mudanças ocorridas após o domínio do fogo pelo ser humano. Materiais • Imagens de incêndios (opcional). • Dicionário (opcional). Contexto prévio Para este capítulo, os alunos entrarão em contato com o assunto principal deste capítulo: o domínio do fogo pelos primeiros grupos humanos. Pretende-se que o aluno identifique as mudanças que a mani- pulação do fogo trouxe ao longo da história da humanidade, a permanência do uso do fogo na atualidade e os prejuízos que o não domínio deste recurso pode causar. Dificuldades antecipadas Caso os alunos não conheçam alguns dos termos comumente usados pelos historiadores, é válido criar com a turma um glossário que poderá ser consultado sempre que precisarem. CONTEXTUALIZANDO Expectativas de respostas 1. Respostas pessoais. Espera-se que o aluno traga para a discussão suas experiências na manipula- ção e informações acerca da produção do fogo por meio do atrito entre pedaços de madeira ou pedra, gerando faíscas. 2. Resposta pessoal. Espera-se que os alunos inter- pretem o texto e produzam uma ilustração sobre a explicação mitológica da origem do fogo. Orientações Faça as perguntas norteadoras. Se os alunos já foram ao circo ou já viram algum espetáculo com ar- tistas manipulando fogo, peça que relatem como foi essa experiência e descrevam as sensações vivencia- das quando viram uma pessoa “dominando” o fogo: susto, surpresa, medo, pasmo – qual foi a sensação? Peça que imaginem que alguém responsável por eles precisa esquentar algo, tarde da noite, período em que não há nenhuma loja aberta, não há eletricidade nem instrumentos para acender o fogão. Como fazer? Se os alunos derem a ideia de usar o fósforo ou isqueiro, fale que esse material também acabou. Sucessivamente, vá tirando deles todas as possibilidades sugeridas até restarem pedaços de madeira ou pedras para ser es- fregados um no outro e produzir faíscas. PRATICANDO Expectativas de respostas 1. a. Possíveis respostas: “muito tempo atrás”, “no tempo dos primeiros humanos”, “no tempo das cavernas”, “antes das construções de cidades”. b. Ao analisar a imagem, podemos identificar que foram utilizados materiais para acender o fogo, como madeira seca, palha e pedra. c. Os primeiros grupos humanos usavam o fogo para cozinhar alimentos, se aquecer e para se proteger de animais ferozes. d. Quando um indivíduo perde o controle do fogo, podem ocorrer incêndios ou acidentes, como o acontecido no Museu Nacional (RJ), no Museu da Língua Portuguesa (SP) ou os inúmeros in- cêndios florestais. e. Atualmente, o fogo é a principal fonte de energia do planeta. Ele é usado nas usinas de carvão, nas caldeiras de aquecimento, no cozimento dos alimentos, para iluminação etc. 2. Respostas pessoais. Habilidade da BNCC EF04HI02 Identificar mudanças e permanências ao longo do tempo, discutindo os sentidos dos grandes marcos da história da humanidade (nomadismo, desenvolvimento da agricultura e do pastoreio, criação da indústria etc.). 4o ANO32 Orientações Faça uma leitura coletiva das imagens. Peça que expressem suas interpretações e comente confrontando-as com as hipóteses levantadas na seção Contextualizando. Existem alguns termos que sãocomumente usados quando tratamos desse conteúdo, como “Pré-História”, “Idade da Pedra”, “homens das cavernas”, entre outros que refor- çam alguns estereótipos estabelecidos por uma divisão tradicional da história (Pré-História, Idade Antiga, Idade Média, Idade Moderna e Idade Contemporânea) e que pretendemos superar, uma vez que estão sendo revisa- dos e modificados conforme estudos atuais. Se possível, leve reportagens locais e imagens sobre incêndios ou acidentes envolvendo fogo. Esse questionamento busca relacionar a ideia de permanência do uso e manipulação do fogo na atualidade, contrariando a falsa ideia de que há um domínio total sobre ele. RETOMANDO Expectativas de resposta 1. Respostas pessoais. a. O fogo foi dominado pelos primeiros huma- nos, ou o fogo era feito com madeira e pedra friccionadas pelos primeiros humanos. b. Os primeiros grupos humanos usavam o fogo para cozinhar alimentos, se aquecer do frio, iluminar lugares escuros, espantar animais ferozes etc. c. O domínio do fogo alterou o modo de vida dos seres humanos, pois, por meio dele, foi possível cozinhar os alimentos, se aquecer e produzir formas de geração de energia (como o uso dele nas usinas de carvão, nas caldeiras de navios e na queima de combustíveis). d. Quando o fogo não é dominado, ainda hoje continua sendo um perigo para a humanidade. Orientações Oriente os alunos a completar as frases, ressaltando que a proposta é colocar em prática os conhecimentos desenvolvidos no capítulo. As frases das mensagens não são respostas fechadas, ou seja, os alunos não são obrigados a dar uma única resposta, mas, sim, uma fundamentada em tudo o que aprenderam du- rante os estudos. Organize um painel coletivo com as ideias da turma, que servirá como pauta de observação para a retomada da aula. Para finalizar, cada dupla deverá explicar como desvendou as mensagens e quais são elas. ANOTAÇÕES HISTÓRIA33 PÁGINA 32 PÁGINA 33 PÁGINA 34 PÁGINA 35 2. Vestígios dos primeiros humanos 4o ANO32 2. Vestígios dos primeiros humanos 1. Reúna-se com os colegas e o professor e converse sobre as questões a seguir. ⊲ Como você acha que que surgiu o ser humano? ⊲ Como os primeiros seres humanos sobreviviam e se organizavam? 2. Imagine que você é um aventureiro e esteja em busca de tesouros da humanidade. Então, depois de longas pesquisas, você descobriu o lugar onde um deles está escondido e o desenterra. a. Que tesouro é este? b. Observe a fotografia a seguir. Ar ct ic- Im ag es /S to ne /G et ty Im ag es ⊲ Qual é a profissão das pessoas que trabalham escavando vestígios históricos? 032-035_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN2_CAP2_P4V1bx.indd 32032-035_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN2_CAP2_P4V1bx.indd 32 23/03/2022 10:55:2223/03/2022 10:55:22 4o ANO34 2. Agora, compare os artefatos da atividade anterior com as pinturas nas paredes das cavernas que se encontram no mesmo lugar onde as peças foram encontradas. a. Quem você acha que fez as pinturas da imagem acima? Explique o motivo e os possíveis métodos utilizados na pintura. b. Na sua opinião, o que o grupo que fez a pintura mostrada na imagem quis expressar por meio dela? Ri ca rd o Az ou ry /P ul sa r Pintura rupestre em paredes do sítio arqueológico da Serra da Capivara, no Piauí. 032-035_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN2_CAP2_P4V1bx.indd 34032-035_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN2_CAP2_P4V1bx.indd 34 23/03/2022 10:55:2623/03/2022 10:55:26 HISTÓRIA33 PRATICANDO 1. Atualmente, há muitos arqueólogos que escavam e desenterraram esses “tesouros” no solo brasileiro. Alguns deles estão expostos no Museu do Homem Americano, em São Raimundo Nonato, no Piauí. Esses objetos são chamados de vestígios da humanidade. Observe detalhadamente as imagens a seguir. a. Na sua opinião, por que essas peças recebem o nome de vestígios da humanidade? b. Por que estes vestígios são tão importantes para que profissionais os desenterrem e os estudem? c. Quando você acha que foram feitos esses artefatos e para que serviam? Fa bi o Co lo m bi ni P alê Z up pa ni /P ul sa r Exposição de artefatos encontrados nos sítios arqueológicos da Serra da Capivara, no Piauí. Objetos em pedra produzidos pelos primeiros grupos humanos que habitaram a região da Serra da Capivara, no Piauí. 032-035_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN2_CAP2_P4V1bx.indd 33032-035_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN2_CAP2_P4V1bx.indd 33 23/03/2022 10:55:2423/03/2022 10:55:24 HISTÓRIA35 RETOMANDO 1. Agora, você será o arqueólogo. Seu grupo receberá uma caixa que representa o pedaço de chão de algum lugar. Vocês devem limpar e vasculhar a caixa com os pincéis para descobrir uma peça arqueológica. Ao descobri-la, faça o desenho dela e complete o quadro a seguir com suas hipóteses sobre a peça. Nome do objeto (que nome você daria?): Data (pode ser aproximada. De quando você acha que é este objeto?): Material (do que a peça é feita?): Utilidade (qual é a possibilidade de utilidade? Para que você acha que servia o objeto?): Por quê (por que você acha isso? Para que servia?): De onde (de que local a terra foi retirada? De qual chão?): Como seria este objeto se os primeiros humanos o construíssem sem todo o material disponível? 032-035_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN2_CAP2_P4V1bx.indd 35032-035_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN2_CAP2_P4V1bx.indd 35 23/03/2022 10:55:2623/03/2022 10:55:26 4o ANO34 Sobre o capítulo • Contextualizando: levantar os conhecimentos prévios e hipóteses acerca dos primeiros humanos e como eles viviam. • Praticando: problematizar os estudos sobre os primeiros grupos humanos ao comparar vestígios históricos. • Retomando: vivenciar o trabalho de um arqueólogo em busca de vestígios da humanidade. Objetivo de aprendizagem • Reconhecer objetos dos primeiros humanos como vestígios, identificando mudanças e continuidades. Materiais • Seis caixas de papelão. • Terra (em quantidade suficiente para cobrir um objeto dentro da caixa). • Areia (em quantidade suficiente para cobrir um objeto dentro da caixa). • Pedras. • Objetos a serem enterrados (a critério do professor). • Pincéis de pintura. • Pás de jardim (tamanhos pequenos). • Jornais para proteger as mesas de sujeiras. Contexto prévio Para este capítulo, os alunos devem saber que os objetos deixados pelos seres humanos há muito tempo em determinados lugares podem servir como sinais da passagem de pessoas por ali e que isso são vestígios da humanidade que ajudam historia- dores e outros cientistas a compreender como um determinado povo vivia. Dificuldades antecipadas Podem surgir dúvidas em relação ao vocabulário usado durante o capítulo, como a palavra “vestí- gios”. Ouça as hipóteses e, se for preciso, informe que os objetos deixados pelos seres humanos há muito tempo em determinados lugares podem servir como sinais, e que esses são considerados vestígios. É possível que os alunos tenham dificuldade em realizar um deslocamento temporal tão extenso, por isso, a todo momento enfatize a longinquidade do tema estudando em relação ao tempo presente e, se possível, apresente vídeos sobre o tema, ana- lisando sempre a adequação à faixa etária. Habilidade da BNCC EF04HI02 Identificar mudanças e permanências ao longo do tempo, discutindo os sentidos dos grandes marcos da história da humanidade (nomadismo, desenvolvimento da agricultura e do pastoreio, criação da indústria etc.). CONTEXTUALIZANDO Expectativas de respostas 1. Respostas pessoais. Provavelmente, os alunos responderão de acordo com a sua crença reli- giosa ou mitos conhecidos, ou dirão que os seres humanos descendem dos primatas e que sobre- viviam da coleta de alimentos e da caça, além de viverem em pequenos grupos. 2. a. Resposta pessoal. b. Arqueólogo. Orientações Apresente a primeira questão para os alunos e dis- ponibilize tempo para que possam desenhar os seus tesouros; em seguida, questione-os sobre qual foi o tesouroe porque o escolheram. Faça a segunda per- gunta e, caso nenhum aluno saiba a resposta, informe sobre a profissão de arqueólogo. Converse sobre o que fazem e onde podem trabalhar, como em sítios arqueológicos, museus etc. No Brasil, existem mais de 26 mil sítios arqueológicos cadastrados, segundo informações do site do Iphan, disponível em: http:// portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/1376/ (acesso em: 3 jun. 2021). Converse com os alunos sobre as questões propostas no Livro do Aluno, deixando que falem livremente e levantem suas hipóteses acerca do tema. PRATICANDO Expectativas de respostas 1. a. Vestígios são artefatos ou pistas deixadas por povos do passado e descobertas pelos arqueó- logos em sítios arqueológicos. http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/1376/ http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/1376/ HISTÓRIA35 conseguem chegar a uma resposta fechada e conclusi- va. Eles sempre criam hipóteses e se utilizam de várias ciências para tentar respondê-las. RETOMANDO Expectativas de resposta 1. Respostas pessoais. Orientações Prepare as seis caixas de papelão, colocando dentro delas, nesta ordem: camada de terra, camada de areia, um objeto, mais uma camada de areia e uma camada de pedras. Escreva em um dos lados da caixa se o solo escavado pertence a um parque, a uma praça, a uma fazenda ou a um campo de treinamento. Explique aos alunos que eles deverão usar pincéis e pás para cavar a terra e descobrir um objeto, que será como um vestígio enterrado. Diga que, assim como os arqueólogos, eles devem ter o máximo de cuidado para não estragar o material a ser encontrado. Descobrindo o vestígio, os alunos devem olhar verticalmente, de cima para baixo, o objeto dentro da caixa e representá-lo por meio de desenho, registrando a mesma posição em que ele foi encontrado. Oriente os alunos a preencher o quadro do Livro do Aluno registrando suas hipóteses (assim como fazem os arqueólogos), mas que essas hipóteses devem ter algum fundamento, e, para isso, a primeira dica é observar que tipo de chão se está cavando (se um parque, uma praça, uma fazenda ou um campo de treinamento). Esta informação deve ser escrita e colada por você, professor, em um dos lados da caixa. Depois de preenchido o quadro, um representante de cada grupo deve apresentar para a turma toda a quais conclusões hipotéticas chegou. b. Os vestígios da humanidade são importantes para a história porque trazem informações sobre um determinado povo em tempos longínquos. c. Resposta pessoal. 2. a. As pinturas foram feitas pelos primeiros grupos humanos que habitaram as terras brasileiras e, de acordo com os arqueólogos, essas pinturas eram utilizadas para expressar o convívio em grupo, as caças, as “festas”, entre outras hipóte- ses e, para fazê-las, utilizavam materiais como barro, pigmentos naturais, carvão e pedras. b. Nessa pintura, especificamente, os arqueólo- gos levantam as hipóteses de que os primeiros humanos parecem realizar “festas”, atividades comunitárias e de caça. Orientações Fale que as imagens são alguns “tesouros” encon- trados durante as escavações feitas pelos arqueólogos de um sítio arqueológico na Serra da Capivara. Eles são chamados de “vestígios” por terem importância para a história. Para saber mais sobre as teorias de como os primeiros humanos chegaram ao solo americano, seus modos de vida, suas culturas e o ambiente que encontra- ram quando chegaram por aqui, assista ao documentá- rio Serra Capivara, disponível em: https://www.youtube. com/watch?v=9576H-X39J8 (acesso em: 05 jun. 2021). Na atividade 2, os alunos farão uma comparação entre objetos encontrados pelos arqueólogos e as pinturas rupestres. Relembre os objetos vistos na atividade 1 e pergunte: Se as pinturas podem representar momentos daqueles povos, em quais destes momentos vocês acham que os primeiros humanos poderiam estar usando cada objeto? Deixe que façam a relação e sorteie alguns alunos para dizerem por que escolheram o objeto e a pintura. Explique que, muitas vezes, os arqueólogos também não https://www.youtube.com/watch?v=9576H-X39J8 https://www.youtube.com/watch?v=9576H-X39J8 4o ANO36 PÁGINA 36 PÁGINA 37 PÁGINA 38 PÁGINA 39 3. Mudanças no jeito de viver 4o ANO36 3. Mudanças no jeito de viver 1. Converse com a turma sobre as questões a seguir. ⊲ De onde vêm os legumes, as verduras e frutas que consumimos? ⊲ O que é agricultura? 2. Você já viu ou visitou algum lugar em que havia o cultivo de algum produto, como uma chácara ou fazenda? Se sim, esses lugares eram parecidos com os das imagens? Ro n Le vin e/ St on e/ Ge tty Im ag es co ld sn ow sto rm /E +/ Ge tty Im ag es 3. Converse com os colegas e o professor sobre o assunto e descreva: ⊲ como era esse espaço; ⊲ que tipo de produto agrícola havia em maior quantidade; ⊲ como eles foram plantados (se enfileirados ou desorganizados); ⊲ quais ferramentas e materiais você identificou no lugar; ⊲ quantas pessoas trabalhavam nesse local. 036-039_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN2_CAP3_P4V1bx.indd 36036-039_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN2_CAP3_P4V1bx.indd 36 23/03/2022 10:56:3523/03/2022 10:56:35 4o ANO38 a. O que será que a autora quis dizer com “índios que viveram há mil anos no Sul do país” ou “grupos no Sul do país”? b. As descobertas sobre plantações dos proto-jês contribuíram para diminuir a ideia de que esses povos eram nômades. Mas o que significa a palavra nômades? c. Em sua opinião, como a prática da agricultura fez com que as pessoas mudassem o jeito de viver, deixando de ser nômades, por exemplo? Justifique sua resposta por meio de um desenho e de um parágrafo explicativo. 036-039_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN2_CAP3_P4V1bx.indd 38036-039_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN2_CAP3_P4V1bx.indd 38 23/03/2022 10:56:3723/03/2022 10:56:37 HISTÓRIA37 Ge tty Im ag es /R ich ar d T. No wi tz Escavações revelam hábitos de índios que viveram há mil anos no Sul do país Quinhentos anos antes de os portugueses desembarcarem no Brasil, grupos no Sul do país plantavam o próprio alimento [...] [Isso] mostra a complexidade dos proto-jês e enfraquece a ideia de que fossem índios nômades [...] Vestígios em cerâmicas [...] apontaram que os índios plantavam milho, mandioca, feijão, abóbora e inhame. [...]. COISSI, Juliana. Escavações revelam hábitos de índios que viveram há mil anos no Sul do país. Folha de S.Paulo, 2016. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2016/03/1751784-escavacoes-revelam-habitos-de- indios-que-viveram-em-1000-dc-no-sul-do-pais.shtml. Acesso em: 5 jun. 2021. 4. As pessoas que são donas ou responsáveis pela produção agrícola podem viajar o tempo todo ou mudar de uma cidade para outra? O que você acha que aconteceria com o cultivo? 5. Como você acha que as pessoas aprenderam a cultivar alimentos? Será que foi um processo rápido? E no Brasil, você acha que os portugueses foram os primeiros a trazer técnicas agrícolas para cá? PRATICANDO 1. Leia um trecho do texto “Escavações revelam hábitos índios que viveram há mil anos no Sul do país”, de Juliana Coissi para o jornal Folha de S.Paulo. Pote sendo desenterrado em sítio arqueológico. 036-039_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN2_CAP3_P4V1bx.indd 37036-039_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN2_CAP3_P4V1bx.indd 37 23/03/2022 10:56:3723/03/2022 10:56:37 HISTÓRIA39 RETOMANDO 1. Agora é a sua vez! Pesquise algum grupo humano e encontre as seguintes informações: ⊲ Nome do povo. ⊲ Em que espaço vive: espaço urbano, espaço rural, área de floresta ou outro. ⊲ É nômade ou sedentário? ⊲ Depende de alguma plantação ou agricultura? ⊲ É um grupo antigo ou do tempo presente? ⊲ Qual(is) curiosidade(s) há sobre esse povo? Com as informações pesquisadas, elabore um quadro informativo no espaço a seguir. Por fim, compartilhe o que você encontrou com os colegas e o professor. Gravura rupestre em rocha na cidade de Formosa (GO). Ge tty Im ag es /Lu ca s N in no036-039_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN2_CAP3_P4V1bx.indd 39036-039_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN2_CAP3_P4V1bx.indd 39 23/03/2022 10:56:3823/03/2022 10:56:38 HISTÓRIA37 Sobre o capítulo • Contextualizando: levantar hipóteses acerca da agricultura e sua contribuição para o modo de vida da humanidade. • Praticando: interpretar uma fonte histórica escrita e construir noções acerca dos conceitos de nômade e sedentário. • Retomando: pesquisar informações sobre um povo, ressaltando suas características e classificando-o como nômade ou sedentário. Objetivo de aprendizagem • Reconhecer que a prática da agricultura gerou mudanças na maneira de viver da humanidade. Contexto prévio Para este capítulo, os alunos ampliarão os con- ceitos de agricultura e dos tipos dessa atividade. É importante abordar o papel que a agricultura exerce na manutenção da vida das pessoas, por isso, pense sobre a realidade dos alunos e o nível de contato deles com a realidade agrícola, no sentido de que as temáticas aqui abordadas possam ser significativas para eles. Habilidade da BNCC EF04HI02 Identificar mudanças e permanências ao longo do tempo, discutindo os sentidos dos grandes marcos da história da humanidade (nomadismo, desenvolvimento da agricultura e do pastoreio, criação da indústria etc.). CONTEXTUALIZANDO Expectativas de respostas 1. Respostas pessoais. Espera-se que o aluno diga que os legumes, as verduras e as frutas são resul- tado da produção agrícola. A palavra agricultura significa a cultura e o cultivo do solo para produzir vegetais úteis ao homem e/ou para a criação de animais. 2. Resposta pessoal. 3. Respostas pessoais. 4. Resposta pessoal. Espera-se que os alunos res- pondam que não, pois as plantações morreriam. 5. Resposta pessoal. Espera-se que os alunos co- nheçam um pouco sobre a história da agricultura, possivelmente já estudada no 3o ano, e reconhe- çam a prática agrícola como uma atividade que levou centenas de anos para ser aprimorada e popularizada pelos grupos humanos. Refletindo sobre a história do Brasil, é possível que eles res- pondam que os indígenas já conheciam as técnicas agrícolas antes da chegada dos portugueses. Orientações Organize uma roda de conversa para que os alunos troquem experiências sobre as questões apresentadas nas atividades 1 e 2. Na atividade 3, caso algum aluno responda que é possível se ausentar dos cuidados com as plantações, proponha outras situações que permitam aos alunos compreender o que foi questionado, como: • E se a pessoa que for viajar não deixar alguém responsável para regar as plantas? • E se crescerem outras plantas indesejáveis? • E se aparecerem animais que podem prejudicar a plantação? • Será que realmente é possível viajar todas as vezes que quiser e deixar a plantação sem cuidados? Em seguida, para a atividade 4, pergunte: • E as pessoas envolvidas com plantações têm de permanecer no lugar, quando vocês acham que elas aprenderam isso? • Será que foi “da noite para o dia”? • E no Brasil, quem vocês acham que foram os primeiros a saber sobre plantações, os povos indígenas ou os portugueses? Expectativas de resposta 1. a. Resposta pessoal. Explique que os proto-jês foram povos que viveram em um extenso território ao sul da América do Sul, em áreas pertencentes ao Brasil, ao Uruguai e à Argentina. Desde os tempos pré-colombianos, esses povos mora- vam em casas subterrâneas e praticavam a agricultura. Aproveite o momento e reforce a ideia de que a palavra “índio” não é apropriada para deno- minar as pessoas que viviam em solo brasileiro 4o ANO38 antes de os portugueses chegarem, uma vez que esse nome foi dado pelos europeus e não pelos povos nativos. Assim, o uso da expres- são “grupos”, escolhido pela autora, é mais apropriado. A autora se refere aos ancestrais de grupos indígenas Caingangues e Xokleng, existentes na atualidade e na mesma região, no Sul do país, em Santa Catarina. b. As descobertas feitas pelos arqueólogos, so- bre as plantações de milho, mandioca, feijão, abóbora e inhame dos proto-jês contestam a ideia de que eles eram nômades. Nômades são pessoas ou grupos que se deslocam de uma região outra em busca de alimentos para si ou para seus animais. c. O domínio da agricultura e da técnica de irriga- ção contribuíram para a fixação dos grupos em determinados locais, passando a ser sedentários. PRATICANDO Orientações Retome a questão feita em Contextualizando, “E no Brasil, quem foram os primeiros a saber sobre plantações: os povos indígenas ou os portugueses?”, e explique sobre a diversidade dos povos indígenas no Brasil, contrastando as ideias formuladas pelo senso comum de que os indígenas são todos iguais, que todos vivem da caça e da coleta ou que vivem na floresta. Para saber mais sobre a diversidade indígena no Brasil, leia as informações do tópico “Quem são?” do site Povos Indígenas no Brasil, parte do portal do Instituto Socioambiental, disponível em: https://pib. socioambiental.org/pt/Quem_s%C3%A3o. (acesso em: 5 jun. 2021). RETOMANDO Expectativas de resposta 1. Resposta pessoal. Orientações Leia a proposta de atividade para os alunos e ex- plique a eles que deverão escrever um pequeno texto, contendo as informações sobre um povo. Esta atividade poderá ser realizada em casa. Socialize os textos com a turma e discuta se os povos pesquisados são nômades ou sedentários. ANOTAÇÕES https://pib.socioambiental.org/pt/Quem_s%C3%A3o https://pib.socioambiental.org/pt/Quem_s%C3%A3o HISTÓRIA39 UNIDADE 3 COMO FOI E COMO É: A MINHA CIDADE COMPETÊNCIAS GERAIS DA BNCC 3; 7; 9. HABILIDADE DA BNCC EF04HI03 Identificar as transformações ocorridas na cidade ao longo do tempo e discutir suas interferências nos modos de vida de seus habitantes, tomando como ponto de partida o presente. OBJETO DE CONHECIMENTO A ação das pessoas, grupos sociais e comunidades no tempo e no espaço: nomadismo, agricultura, escrita, navega- ções, indústrias, entre outras. UNIDADE TEMÁTICA Transformações e permanências nas trajetórias dos grupos humanos. PARA SABER MAIS • CINCO Cantos de Moçambique. Compositor e intérprete: Maurício Tizumba. Disponível em: https://www.letras.mus. br/mauricio-tizumba/757739/. Acesso em: 22 jul. 2021. • CRUZ, Mércia Socorro Ribeiro; MENEZES, Santos Menezes; PINTO, Odilon. Festas culturais: tradição, comidas e celebrações. I Encontro Baiano de Cultura – I EBECULT – FACOM/UFBA. Salvador, Bahia. 11 dez. 2008. Disponível em: http://www.uesc.br/icer/artigos/festasculturais_mercia.pdf. Acesso em: 22 jul. 2021. • DORRICO, Julie. 3 Poemas de Márcia Kambeba. Acrobata, 23 abr. 2020. Disponível em: https://revistaacrobata.com. br/julie-dorrico/poesia/3-poemas-de-marcia-kambeba/. Acesso em: 22 jul. 2021. • MONTEIRO, Lívia Nascimento. História oral e as festas do Rosário: memória, ancestralidade e identidade negra em Minas Gerais. Resgate, v. XXII, n. 27, p. 31-40, jan./jun. 2014. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/ index.php/resgate/article/view/8645765/13064. Acesso em: 22 jul. 2021. • UM ÍNDIO. Compositor e intérprete: Caetano Veloso. Disponível em: https://www.letras.mus.br/caetano-veloso/44788/. Acesso em: 22 jul. 2021. https://www.letras.mus.br/mauricio-tizumba/757739/ https://www.letras.mus.br/mauricio-tizumba/757739/ http://www.uesc.br/icer/artigos/festasculturais_mercia.pdf https://revistaacrobata.com.br/julie-dorrico/poesia/3-poemas-de-marcia-kambeba/ https://revistaacrobata.com.br/julie-dorrico/poesia/3-poemas-de-marcia-kambeba/ https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/resgate/article/view/8645765/13064 https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/resgate/article/view/8645765/13064 https://www.letras.mus.br/caetano-veloso/44788/ 4o ANO40 PÁGINA 40 PÁGINA 41 PÁGINA 42 PÁGINA 43 1. Comunidades indígenas e o tempo: interferências das transformações 4o ANO40 COMO FOI E COMO É: A MINHA CIDADE UNIDADE 3 1. Comunidades indígenas e o tempo: interferênciasdas transformações 1. No Brasil, a presença de diversos povos indígenas pode ser perce- bida em várias partes do país. Observe o mapa com alguns dos principais grupos indígenas. Entre os grupos indígenas, está a comunidade dos Karajá, que preserva seus costumes e mantém vivas suas tradições mesmo com a passagem do tempo. Converse com o professor e a turma sobre a preservação de hábitos da cultura indígena pelos próprios povos que fazem parte dela. Depois, reúna-se com seu grupo para discutir as questões propostas. ⊲ As tradições indígenas são bastante importantes, pois elas ajudam a contar um pou- co da história desses povos. Será que as tradições indígenas são iguais para todas as comunidades? Será que as tradições são preservadas desde que esses povos surgiram até hoje? ⊲ Existem diferenças nos costumes entre os povos de comunidades indígenas que vivem nas grandes cidades e os que vivem mais afastados dos espaços urbanos? ⊲ Qual é a importância das trocas culturais entre os diferentes povos e comunidades? IB GE E du ca /F re ep ik Fonte: INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL (Brasil). Povos indíge- nas no Brasil. Disponível em: https://pib.socioambiental. org/pt/Quadro_Geral_dos_Povos. Acesso em: 17 set. 2021. 040-043_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN3_CAP1_P4.indd 40040-043_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN3_CAP1_P4.indd 40 29/03/2022 14:46:2529/03/2022 14:46:25 4o ANO42 2. O poema e a canção a seguir apresentam um pouco do cenário enfrentado pelos povos indígenas para manter vivas suas tradições, apesar da passagem do tempo e das transformações culturais. Faça a leitura dos textos com o professor e seu grupo de trabalho. Território Ancestral […] Como estratégia de sobrevivência Em silêncio decidimos ficar. Hoje nos vem a força De nosso direito reclamar. Assegurando aos tanu tyura A herança do conhecimento milenar. Mesmo vivendo na cidade Nos unimos em um único ideal Um índio Um índio descerá de uma estrela colorida, brilhante De uma estrela que virá numa velocidade estonteante E pousará no coração do hemisfério sul Na América, num claro instante Depois de exterminada a última nação indígena. UM ÍNDIO. Compositor e intérprete: Caetano Veloso. Disponível em: https://www.letras.mus.br/caetano-veloso/44788/. Acesso em: 22 jul. 2021. DORRICO, Julie. 3 Poemas de Márcia Kambeba. Acrobata, 23 abr. 2020. Disponível em: https://revistaacrobata.com.br/julie-dorrico/poesia/3-poemas-de-marcia-kambeba/. Acesso em: 22 jul. 2021. ⊲ Agora, escreva um parágrafo sobre o movimento dos povos indígenas para resistir às mudanças e fortalecer a manutenção da tradição do seu povo ao longo do tempo. HISTÓRIA41 PRATICANDO 1. Na fotografia a seguir, são mostrados representantes da comunidade Karajá par- ticipando dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas. Essa comunidade mostra a intenção em preservar hábitos e traços originais da própria cultura, mesmo com as transformações, mudanças e influências de culturas não indígenas com o passar do tempo. Analise a imagem com os colegas do grupo e responda às questões. Ri ca rd o Te le s/P ul sa r Apresentação de luta na primeira edição dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas. Palmas (TO), 2015. a. Sabendo que a comunidade Karajá participa de campeonatos indígenas, jogos em que aspectos da tradição são valorizados, como você imagina que seja o lugar onde os povos originários vivem? b. Você acha que, com o passar do tempo, as comunidades indígenas alteraram seu modo de viver? c. Existe a possibilidade de pessoas de diferentes tradições viverem de forma parecida? 040-043_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN3_CAP1_P4.indd 41040-043_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN3_CAP1_P4.indd 41 29/03/2022 14:46:2729/03/2022 14:46:27 HISTÓRIA43 RETOMANDO 1. Observe a fotografia a seguir, que apresenta indígenas da etnia Ikpeng durante uma pesca coletiva. Na pesca coletiva feita pelos indígenas Ikpeng, os homens são encarregados de bater o timbó na água, e as mulheres são responsáveis por coletar os peixes pescados. Feliz Natal (MT), 2016. Re na to S oa re s/P ul sa r Agora, imagine que você vai escrever uma carta para um familiar, contando o que foi vivenciado neste capítulo. Para isso, pense: ⊲ na vida dos indígenas; ⊲ se todas as comunidades são iguais; ⊲ se os costumes se mantiveram preservados ao longo do tempo; ⊲ quais fatores podem influenciar nas mudanças dos costumes e hábitos indígenas ao longo do tempo; ⊲ se você ficou curioso para conhecer de perto uma comunidade indígena. Utilize as linhas a seguir para a escrita da carta. 040-043_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN3_CAP1_P4.indd 43040-043_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN3_CAP1_P4.indd 43 29/03/2022 14:46:2929/03/2022 14:46:29 HISTÓRIA41 Sobre o capítulo • Contextualizando: discutir, identificar e registrar os elementos ligados à manutenção e à preservação de hábitos e costumes da cultura indígena. • Praticando: refletir sobre a resistência dos povos indígenas na manutenção de suas tradições por meio da análise de textos e imagem. • Retomando: sistematizar os estudos por meio da escrita de uma carta, relatando os costumes e tradições indígenas que se mantêm até os dias atuais ou que foram modificados com o tempo. Objetivo de aprendizagem • Compreender como as comunidades indígenas valorizam seu modo de vida e suas tradições, bem como refletir sobre as permanências e as transformações nessa comunidade ao longo do tempo. Contexto prévio Os alunos devem partilhar o que já sabem das comunidades indígenas, seus costumes, tradições e elementos culturais presentes em nosso dia a dia e que são de origem indígena. É importante que os alunos apresentem conhecimentos acerca de diferentes comunidades indígenas que possuem formas distintas de viver e de se organizar. Dificuldades antecipadas Os alunos podem imaginar que os povos indígenas possuem hábitos de vida iguais em todas as comu- nidades, muitas vezes por causa do senso comum homogeneizar culturas tão diversas e peculiares. Sendo assim, comente com os alunos acerca da exis- tência de diferentes comunidades indígenas e suas formas distintas de viver e de se organizar. Explique que há indígenas que vivem em cidades, fora das comunidades tradicionais, e que possuem hábitos e costumes que foram incorporados dos não indígenas. Habilidade da BNCC EF04HI03 Identificar as transformações ocorridas na cidade ao longo do tempo e discutir suas interferências nos modos de vida de seus habitantes, tomando como ponto de partida o presente. CONTEXTUALIZANDO Expectativas de resposta 1. Explique as questões de forma que o aluno possa inferir que as comunidades indígenas possuem diferentes modos de vida e que buscam manter vivos seus costumes e tradições. É importante mencionar que as comunidades indígenas não são estáticas e a cultura dialoga com outros aspectos da vida urbana, por exemplo, com a tecnologia e com os hábitos dos não indígenas, sem que isso os descaracterize como indígenas. Orientações Organize sua turma em grupos com quatro a cinco alunos. Chame a atenção dos alunos para a existência de diferentes comunidades indígenas e para as ma- neiras distintas de viver e de se organizar que muitas delas possuem. Explique que há indígenas que vivem nas comunidades tradicionais, enquanto outros optam por morar nas grandes cidades, vivendo de forma dife- rente do seu povo, com hábitos incorporados dos não indígenas. Peça aos alunos que discutam e respondam às questões propostas no caderno. Em seguida, peça que apresentem uns para os outros suas respostas. Você pode desenvolver essa atividade como avaliação diag- nóstica da turma, para dimensionar o que eles já sabem e o que ainda precisam conhecer acerca da temática. PRATICANDO Expectativas de respostas 1. Respostas pessoais. Espera-se que os alunos res- pondam que os indígenas podem se apropriar de espaços específicos para sua vivência além da importância de esses grupos terem garantidos o direitoà terra para a manutenção e preservação das suas culturas, agregando e valorizando a his- tória indígena que, em profundidade, representa os brasileiros. Ressalte com a turma a não existência da ideia de propriedade privada e de que a terra é a representação da sua cultura e o lar em que seus antepassados viveram e passaram os costumes e as tradições para as gerações futuras. Instigue os alunos e fale sobre indígenas que vivem em cidades e contribuem com as comunidades de ou- tras maneiras. Espera-se que eles discutam como 4o ANO42 muitos indígenas se deslocam para as cidades em busca de novas oportunidades de vida, saem de suas comunidades para viver conforme hábitos não indígenas ou, em alguns casos, a cidade avançou sobre territórios tradicionais indígenas, que pas- saram a fazer parte do mundo urbano. 2. Explore as questões, faça intervenções durante as respostas dos alunos, a fim de que o grupo compreenda que, com o passar do tempo, muitas comunidades se organizaram mudando sua forma de vida, ora pela falta de terra, ora pela aproxima- ção com as comunidades não indígenas, ora pela omissão de seus direitos, entre outros motivos. Orientações Mantenha os alunos nos grupos de trabalho ante- riores. Analisem juntos a imagem dos povos indígenas Karajá. Se possível, busque mais informações sobre há- bitos dessa comunidade para partilhar com os alunos, como os trabalhos artesanais que apresentam aspectos importantes das culturas indígenas, além da vida da comunidade estar cercada pelo Rio Araguaia, que car- rega parte da história desse povo. As moradias feitas de alvenaria e as vestimentas, por exemplo, mostram como essa comunidade convive com outras comunidades não indígenas. Converse com a turma durante a análise da imagem sobre a manutenção de aspectos culturais em cada comunidade como fator importante para que ela sobreviva através dos tempos, mas que, com o passar do tempo, novos modos de vida são agregados. Leia com os alunos um trecho do poema “Território Ancestral”, de Márcia Kambeba, e a canção “Um ín- dio”, de Caetano Veloso. Em uma roda de conversa, proponha uma reflexão inicial sobre a resistência dos povos indígenas para a manutenção da tradição do seu povo ao longo do tempo. Em seguida, peça a eles que elaborem um resumo escrito, com ideia central de cada obra sobre pontos discutidos nessa etapa da atividade, e apresentem aos demais grupos da turma. Para isso, durante a roda de conversa, discuta como as relações entre os indivíduos dessa comunidade e suas manifestações culturais passaram por transformações ao longo dos anos. RETOMANDO Expectativas de resposta 1. Nessa atividade, espera-se que os alunos registrem os conhecimentos estudados ao longo do capí- tulo acerca da diversidade cultural e das formas de viver dos indígenas. É importante que eles compreendam que as comunidades indígenas possuem semelhanças e diferenças entre si e que, em geral, buscam preservar seus costumes e tradições. Ao compreender que há indígenas que vivem nas comunidades tradicionais e outros que optam por viver em grandes cidades, espera-se que os alunos identifiquem as influências e trocas culturais entre as diversas comunidades. Orientações Se achar necessário, organize um quadro com cada ponto apresentado no capítulo, de forma que a turma toda apresente oralmente suas percepções e conhecimentos. Essa discussão inicial será de grande ajuda para que eles consigam se expressar por meio da escrita. Depois, peça a cada grupo que eleja dois representantes para apresentar suas descobertas durante as atividades. Oriente os alunos a valorizar aspectos culturais que foram mantidos pelas comu- nidades com o passar do tempo; leve-os a perceber se alguma das comunidades estudadas apresenta o modo de vida que se aproxima do modo de vida de um não indígena. Traga mais informações que orien- tem o grupo a perceber o uso sustentável que todas as comunidades fazem da natureza, os rituais típicos, a produção de objetos artesanais para a manuten- ção da economia. Converse com o grupo sobre como a vida em meio às cidades pode facilitar a vida dos indígenas e como eles, vivendo em meio às cidades, podem contribuir para a manutenção de áreas de preservação e para a vida das comunidades locais por meio de sua agricultura e artesanato. Evidencie também que, em meio às cidades, indígenas de dife- rentes povos integram escolas, universidades, postos de trabalho, serviços públicos, vida política. Retome com o grupo o fato de que ainda há dificuldade en- contrada pelos indígenas que vivem nas cidades; procure mostrar aos alunos que, embora nos últimos anos, algumas medidas tenham sido tomadas para manutenção de terras e reservas indígenas, amplia- ção de direitos, participação na vida política, ainda há muito a ser conquistado, e, para isso, é preciso conscientização e participação de toda a população. Em seguida, apoie os alunos a criar uma carta en- dereçada a um familiar, relatando os conhecimentos estudados no capítulo a respeito da cultura indígena, sua diversidade de tradições e formas de vida. HISTÓRIA43 PÁGINA 44 PÁGINA 45 PÁGINA 46 PÁGINA 47 2. Cultura popular: festejos e tradições 4o ANO44 2. Cultura popular: festejos e tradições 1. Leia as perguntas a seguir e reflita sobre as suas vivências e o lugar onde mora. Depois, responda a cada uma das perguntas com o que se pede. a. Você sabe o que é uma festa popular? b. Como as festas populares são celebradas na região em que você mora? c. Onde as comemorações populares costumam acontecer? 2. Faça a leitura do texto e observe a imagem a seguir. Depois, troque informações com os colegas sobre a importância desse festejo para a comunidade do lugar em que é praticada. Ad ria no K iri ha ra /P ul sa r Reisado do Mestre Dedé de Luna. Folia de Reis em Crato (CE). Foto de 2015. As festas e comemorações populares sempre fizeram parte da vida do homem. É por meio dessas manifestações que a sociedade homenageia, honra ou rememora personagens, símbolos ou aconte- cimentos com os quais ela se identifica. CRUZ, Mércia Socorro Ribeiro; MENEZES, Santos Menezes; PINTO, Odilon. Festas culturais: tradição, comidas e celebrações. I Encontro Baiano de Cultura. FACOM/UFBA. Salvador, Bahia. 11 dez. 2008. Disponível em: http://www.uesc.br/icer/artigos/festasculturais_mercia.pdf. Acesso em: 22 jul. 2021. 044-047_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN3_CAP2_P4.indd 44044-047_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN3_CAP2_P4.indd 44 29/03/2022 16:12:0129/03/2022 16:12:01 4o ANO46 reencontro nas festas anuais e a terceira geração, atual e responsável pela transformação em festa turís- tica e possível registro como patrimônio imaterial do estado de Minas Gerais. Ao longo do século XX, os membros das três gerações a Congada e o Moçambique de Piedade reinventaram seus ritmos, suas danças e celebrações e suas festas mesclaram práticas como procissões, cerimônia de coroação dos reis, rainhas e princesas, banquetes e várias representações dramáticas. MONTEIRO, Lívia Nascimento. História Oral e as festas do Rosário: memória, ancestralidade e identidade negra em Minas Gerais. Resgate, v. XXII, n. 27, p. 31-40, jan./jun. 2014. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/resgate/ article/view/8645765/13064. Acesso em: 22 jul. 2021. ⊲ Após a análise dos textos e da fotografia apresentada, produza um texto respon- dendo às seguintes questões: a. O que a manifestação cultural tratada nos documentos apresentados comemora? b. Por que o festejo passou por três gerações de congadeiros e moçambiqueiros? c. Se os festejos têm mais de 80 anos, será que eles foram sempre realizados da mesma forma? 044-047_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN3_CAP2_P4.indd 46044-047_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN3_CAP2_P4.indd 46 29/03/2022 16:12:0429/03/2022 16:12:04 HISTÓRIA45 História oral e as festas do Rosário: memória, ancestralidade e identidade negra em Minas Gerais Reconhecida como festamento de água, alimentos e sementes para a próxima safra. Tais objetos tinham que ser resistentes ao uso, impermeáveis à umidade e de fácil fabricação – qualidades inerentes à argila. Além disso, a cerâmica mostrou-se muito eficiente na construção de casas. As primeiras cerâmicas que se têm notícia são da Pré-História: vasos de barro, sem asa, que ti- nham cor de argila natural ou eram escurecidas por óxidos de ferro. Por outro lado, a cerâmica para a construção e a cerâmica artística com características industriais só ocorreu na Antiguidade, em grandes centros comerciais. Após a Revolução Industrial, iniciou-se uma nova e vigorosa etapa de evolução, estendida até hoje. Estudiosos confirmam ser, realmente, a cerâmica a mais antiga das indústrias, pois ela nasceu no momento em que o homem começou a utilizar-se do barro endurecido pelo fogo. Desse proces- so de endurecimento, obtido casualmente, evoluiu até os dias de hoje. A cerâmica passou, assim, a substituir a pedra trabalhada, a madeira e mesmo utensílios domésticos feitos de frutos. [...] NAPOLI, Laís; SOUZA, Manuela. Cerâmica: a mais antiga das indústrias. Revista Eletrônica ANICER. Associação Nacional da Indústria Cerâmica, n. 96, out. 2015. Disponível em: https://www.anicer.com.br/revista-anicer/revista-96/ historia/. Acesso em: 24 jul. 2021. RETOMANDO 1. Vamos explorar a criatividade! Faça de conta que você é um ceramis- ta ainda com pouca experiência e que busca aprender técnicas de produção muito anti- gas. Escreva uma carta para um ceramista do passado contando a ele tudo o que você já sabe sobre a arte da cerâmica. Na carta, peça orientação de como aperfeiçoar o tra- balho que irá desenvolver no presente. Artesã africana trabalhando na confecção de um vaso de cerâmica. Do m in ic A. K yil le h/ Cr ea tiv e Co m m on s By D or ni ck e - O wn w or k, CC B Y- SA 4 .0 1. Com base na leitura dos textos e na análise das imagens, descreva hipóteses de como cada povo, a partir de seus hábitos e regiões de vivência, utilizava e ainda faz uso de objetos semelhantes aos apresentados. Utensílio de cerâmica amazônica do acervo de arqueologia do Museu Nacional, Rio de Janeiro (RJ), 2015. SEÇÕES Indicam a etapa do capítulo. Momento de rever e registrar o que foi visto no capítulo. PRATICANDO RETOMANDO É hora de aprender fazendo! Vamos praticar por meio de atividades individuais ou em grupo? Cerâ�ica: a �ais a�tiga das i�dústrias Primórdios da cerâmica Quando saiu das cavernas e se tornou um agricultor, o homem precisava de outros meios de subsistência além de um abrigo. Logo, surgiu a necessidade de ter também vasilhas para armazena- mento de água, alimentos e sementes para a próxima safra. Tais objetos tinham que ser resistentes ao uso, impermeáveis à umidade e de fácil fabricação – qualidades inerentes à argila. Além disso, a cerâmica mostrou-se muito eficiente na construção de casas. As primeiras cerâmicas que se têm notícia são da Pré-História: vasos de barro, sem asa, que ti- nham cor de argila natural ou eram escurecidas por óxidos de ferro. Por outro lado, a cerâmica para a construção e a cerâmica artística com características industriais só ocorreu na Antiguidade, em grandes centros comerciais. Após a Revolução Industrial, iniciou-se uma nova e vigorosa etapa de evolução, estendida até hoje. Estudiosos confirmam ser, realmente, a cerâmica a mais antiga das indústrias, pois ela nasceu no momento em que o homem começou a utilizar-se do barro endurecido pelo fogo. Desse proces- so de endurecimento, obtido casualmente, evoluiu até os dias de hoje. A cerâmica passou, assim, a substituir a pedra trabalhada, a madeira e mesmo utensílios domésticos feitos de frutos. [...] NAPOLI, Laís; SOUZA, Manuela. Cerâmica: a mais antiga das indústrias. Nacional da Indústria Cerâmica, n. 96, out. 2015. Disponível em: https://www.anicer.com.br/revista-anicer/revista-96/ By D or ni ck e - O wn w or k, CC B Y- SA 4 .0 1. Com base na leitura dos textos e na análise das imagens, descreva hipóteses de como cada povo, a partir de seus hábitos e regiões de vivência, utilizava e ainda faz uso de objetos semelhantes aos apresentados. HISTÓRIA574o ANO56 3. Cerâmica: pistas do passado no presente 1. Observe as imagens a seguir. Elas representam objetos elaborados por diferentes povos. Ru be ns C ha ve s/P ul sa r Do rn ick e/ Cr ea tiv e Co m m on s By Je bu lo n/ CC 0 By P au l R . B ur le y - O wn w or k, CC B Y- SA 4 .0 Urnas marajoaras expostas no Museu do Encontro. Museu do Forte do Presépio, Belém (PA), 2019. Cachimbo do acervo de etnologia africana e afro-brasileira do Museu Nacional, Rio de Janeiro (RJ), 2015. Peças europeias de 1851, produzidas para a apreciação de chás e sobremesas. Acervo do Palácio de Viena, na Áustria. Prato de barro pintado no estilo “tauá”, produzido apenas por oleiros e outros tipos de artesãos homens. Maragogipinho, Aratuípe, Bahia (BA), 2019. ⊲ Você sabe com qual matéria-prima esses objetos foram construídos? Troque ideias a respeito com os colegas e o professor. PRATICANDO Há muito séculos, diversos povos que habitaram as terras que hoje formam o Brasil fa- ziam uso de utensílios de cerâmica para variados fins. As imagens e os textos a seguir trazem contribuições de como esses objetos têm sido utilizados em diferentes épocas. [...] A cerâmica de Maragogipinho constitui um grande patrimônio cultural não apenas por possuir um quantitativo estimado em 150 olarias ativas, mas por fazer parte de uma história de mais de dois séculos de trabalho ininterrupto e dedicado a este ofício artesanal. [...] A forte expressão da cerâmica da região encontra-se tradicionalmente na chamada “louça de barro” e em objetos decorativos. Diferente das outras comunidades ceramistas do estado, sua principal forma de modelagem é desenvolvida em tornos artesanais, dando origem a potes, porrões, quartinhas, talhas, mo- ringas, bilhas, panelas e etc. SIMÕES, Iaçanã Costa. A cerâmica tradicional de Maragogipinho. Dissertação de mestrado. Escola de Belas Artes, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2016. Disponível em: https://docplayer.com.br/63687202-Universidade-federal-da-bahia.html. Acesso em: 24 jul. 2021. SUMÁRIO Unidade 1 – Movimento humano: caminhos para transformação ................................ 8 1 Somos a história que construímos..............................................................................................................9 2 Organizações familiares brasileiras ao longo do tempo ................................................................... 13 3 Comunidades indígenas brasileiras: culturas em tempos distintos ............................................... 17 4 A estrutura histórica das primeiras cidades brasileiras .................................................................... 21 5 O desenvolvimento histórico dos primeiros grupos humanos ........................................................ 25 Unidade 6 – Circulação de pessoas ao longo do tempo ............................................. 68 1 Práticas e trocas comerciais ...................................................................................................................... 69 2 Pessoas não são mercadorias! .................................................................................................................73 3 Circulação de pessoas no tempo e espaço ......................................................................................... 77 Unidade 5 – Fomos, viemos, ficamos e modificamos .................................................. 58 1 Povos agrícolas da África Antiga ............................................................................................................. 59 2 Desafios da agricultura no Brasil ............................................................................................................. 62do povo negro em devoção a Nossa Senhora do Rosário. [...], a festa [...], reme- mora a escravidão e a Abolição, em seus cantos, ritmos e rituais, desde a década de 1920 [...]. A festa em homenagem a Nossa Senhora do Rosário, organizada pela Sociedade de Congada e Moçambique de Piedade do Rio Grande, pequena cidade localizada nos campos das vertentes [...] sul do estado de Minas Gerais, é também conhecida como “festa de maio”, [...]. Por mais de 80 anos os congadeiros e moçambiqueiros, vestidos de roupas brancas, fitas coloridas e chapéus, pedem licença, tocam a caixa e a sanfona, dançam, cantam e rezam, nas ruas das cidades. Os grupos se apresentam em forma de cortejo real, incluem danças e cantos e são compos- tos predominantemente por homens e mulheres negros(as), que se reúnem para louvar seus santos de devoção. Às três gera- ções de congadeiros e moçam- biqueiros, respectivamente: a primeira, que são os fundado- res do grupo na década de 1920, todos descendentes de escra- vos, já falecidos; a segunda, fi- lhos e sobrinhos da primeira geração, marcados pelo fenô- meno da migração de Piedade para outras cidades e para o M ar co A nt on io S á/ Pu lsa r Jo ão P ru de nt e/ Pu lsa r PRATICANDO 1. Entre os festejos populares do Brasil está a Festa do Rosário. Sobre esse tema, leia o texto a seguir e observe a fotografia. Participantes da festa de Nossa Senhora do Rosário, na comunidade dos Jato- bás, em Belo Horizonte (MG). Foto de 2010. Congado Santa Efigênia e Nossa Senhora do Rosário no Largo do Rosário. 044-047_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN3_CAP2_P4.indd 45044-047_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN3_CAP2_P4.indd 45 29/03/2022 16:12:0429/03/2022 16:12:04 HISTÓRIA47 RETOMANDO 1. Agora, é hora de colocar em prática o que você aprendeu neste capítulo. Apresente aos colegas da turma o texto que produziu na seção anterior. Durante a leitura dos colegas, preste atenção nos textos recitados e questione quando tiver dúvidas. Depois, organize com a turma e o professor um varal de textos em sua sala. Você e os colegas poderão criar ilustrações para compor o varal junto com os textos com caracterís- ticas da festa de Nossa Senhora do Rosário e a Folia de Reis na atualidade. Lembre-se de produzir uma legenda para as imagens ilustradas. Festa do Reinado de Nossa Senhora do Rosário, no município de São Gonçalo do Sapucaí (MG), com a reprodução da coroação do rei e rainha do Congo. Foto de 2011. Quanto a: Tenho muitas dificuldades Tenho poucas dificuldades Consigo identificar facilmente identificar o que é uma festa popular. compreender a importância dos festejos para a cultura popular. como as tradições são passadas de geração em geração. M ar co A nt on io S á/ Pu lsa r 044-047_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN3_CAP2_P4.indd 47044-047_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN3_CAP2_P4.indd 47 29/03/2022 16:12:0429/03/2022 16:12:04 4o ANO44 Sobre o capítulo • Contextualizando: levantar os conhecimentos prévios e analisar registros sobre a Festa de Reis. • Praticando: refletir sobre a Festa do Rosário e produzir um registro pessoal. • Retomando: discutir e apresentar os trabalhos sobre os festejos populares trabalhados neste capítulo. Objetivo de aprendizagem • Compreender os festejos/manifestações culturais como forma de expressão da história e da memória de determinados grupos sociais em tempos distintos. Materiais • Folha de papel A4 (uma para cada aluno). • Tinta guache. • Lápis de cor. Contexto prévio Nesta unidade vamos analisar manifestações culturais de diferentes matrizes que formaram o povo brasileiro e que foram preservadas ao longo do tempo por meio de sua valorização e dissemi- nação da cultura através das épocas e espaços distintos. Inicie o capítulo perguntando aos alunos quem conhece as festas populares da região onde moram ou de outras regiões do país. É possível que os alunos tragam como resposta festas tradicionais, por exemplo, carnaval, festas juninas, festas religio- sas locais, entre outras. Organize as atividades de maneira que os alunos possam trocar experiências sobre as festas tradicionais que conhecem, aten- tando-se para que não haja preconceitos. Dificuldades antecipadas Durante o capítulo os alunos poderão encontrar dificuldade em citar nomes de festas e comemorações que acontecem tradicionalmente por várias cidades do país; também podem não conseguir estabelecer a conexão entre estes festejos que surgiram no pas- sado com os que ainda são praticados no presente. Em conjunto, apresente à turma uma ou mais festas e festejos que estão presentes na sua região. Traga imagens, representações de trajes típicos, de comidas, performance e músicas. Pergunte aos alunos como é essa festa e por que é comemorada por eles. Atente para a noção de que as comemorações tradicionais não são estáticas, elas se modificam ao longo do tempo, sofrem influências e se reconstroem. Se puder, traga algumas dessas mudanças relacionadas às práticas realizadas na realidade dos alunos. Habilidade da BNCC EF04HI03 Identificar as transformações ocorridas na cidade ao longo do tempo e discutir suas interferências nos modos de vida de seus habitantes, tomando como ponto de partida o presente. CONTEXTUALIZANDO Expectativas de respostas 1. Espera-se que os alunos digam que os festejos populares são celebrações associadas à reli- giosidade e à cultura, que envolvem sujeitos da comunidade, realizadas, às vezes, em lugares específicos e com práticas próprias que represen- tam a história e a cultura do lugar, como cortejos religiosos, fogueiras juninas no quintal das casas, expressões da memória local. É importante que consigam perceber as mudanças nos festejos, conforme os lugares de origem (explore se houver algum aluno oriundo de outra região). Espera-se que eles saibam caracterizar as comemorações tradicionais como realizadas geralmente em ambientes de livre acesso à população e com a participação das pessoas que se interessarem. 2. Espera-se que os alunos compreendam que os festejos populares são importantes manifesta- ções culturais que se remetem às tradições de uma comunidade. Eles reforçam a identidade, promovem a cultura, homenageiam figuras com as quais há identificação e mantêm vivas as tra- dições de um povo. Orientações A ideia aqui é explorar a experiência do horizonte de sociabilidades do aluno para que ele possa atri- buir sentidos à temática estudada a partir das suas vivências. Peça aos alunos que façam a leitura das perguntas e, em seguida, registrem por escrito suas respostas. Os alunos já devem ter autonomia para realizar a leitura individual, mas você pode ajudar os que sentem dificuldade ou propor uma leitura coletiva. HISTÓRIA45 É importante ressaltar com a turma os nomes que os festejos recebem e as datas nas quais são realizados em cada região, como a Congada (ou coroação do rei do Congo), a festa do reinado de Nossa Senhora do Rosário e o Reisado (essas comemorações ocorrem entre dezembro de um ano e janeiro do próximo, mas com características diferentes. Para saber mais, acesse o link https://www.mg.gov.br/conteudo/conheca-minas/ folclore/folclore-e-folguedos-de-minas). Faça referência à observação da imagem da co- memoração da festa popular do Reisado do Mestre Dedé de Luna, na cidade do Crato, no Ceará. Solicite que os alunos observem a imagem; leia o trecho do texto em voz alta para a turma. Você pode pesquisar antecipadamente essa festa, falar mais sobre onde ela acontece e qual o significado dela para as pessoas do lugar. Traga imagens, representações de trajes típicos, comidas e músicas desses festejos e de outros que considerar importante. Pergunte aos alunos se sabem como essa festa é comemorada por eles ou por outros grupos populares. Explique a importância das festas populares que acontecem em muitas cidades do Brasil e que têm como objetivo acionar as memórias ligadas a aspectos culturais importantes de povos que viveramno passado, como suas representações religiosas, seu folclore, sua culinária, entre outros. PRATICANDO Expectativas de resposta 1. A partir da análise do texto e da imagem, espe- ra-se que os alunos identifiquem o festejo em comemoração à Nossa Senhora do Rosário, re- conhecendo alguns elementos que fazem parte dela. Na sequência, eles devem expressar a sua noção de passagem de tempo, quando questio- nados sobre o festejo permanecer em diferentes gerações e compreender que, se o festejo ainda é realizado por tanto tempo, é porque faz parte da memória e da história daquele grupo espe- cífico, constituindo também a sua identidade. Além disso, o texto deve versar também sobre a percepção dos alunos sobre as continuidades e descontinuidades do festejo em diferentes tempos. É importante que você os leve a perceber que os festejos têm raízes ancestrais, como expressão e marca das pessoas de um dado tempo e espaço, porém lembre-se de explicar que as culturas se movimentam, sofrem influência e influenciam outros movimentos culturais. Assim, apesar de muitos aspectos dessa prática cultural serem mantidos, não se pode afirmar que ela sempre foi realizada da mesma forma. Orientações Peça aos alunos que analisem as roupas usadas pelas pessoas, os objetos que eles portam, os instru- mentos musicais e as construções que aparecem ao fundo. Se achar necessário, mostre imagens desse festejo em várias partes do Brasil para que os alunos compreendam que há semelhanças e diferenças dele de acordo com o lugar onde ocorre, bem como as trans- formações pelas quais pode ter passado ao longo do tempo. Os alunos devem construir hipóteses sobre o tipo de festa representada pela imagem e texto. Para isso, é necessário que sejam acompanhados e indagados. Ao final dessa etapa, espera-se que os alunos construam um texto respondendo às questões solicitadas. Informe a eles que a foto representa a festa de Nossa Senhora do Rosário, que é comemorada em algumas cidades brasileiras anualmente. RETOMANDO Expectativas de resposta 1. Resposta pessoal. Espera-se que os alunos apre- sentem suas produções aos colegas, bem como montem o varal com as ilustrações e os textos que fizeram. Orientações Os alunos precisam perceber, ao final desta aula, que a continuidade dessas festividades representa, em certa medida, a vida de nossos ancestrais, as crenças e o modo de vida deles. Ao final da apresentação dos textos e discussões, monte um grande varal de textos na sala e solicite aos grupos que registrem as informações mais importantes desse festejo. Peça que ilustrem o varal com imagens e informações que caracterizam e retratam a festa em homenagem à Nossa Senhora do Rosário na atualidade. Se necessário, retome com a turma alguns elementos que estão associados a esse festejo, como as congadas, os reisados e as coroações dos reis e rainhas do Congo. Solicite que produzam uma legenda para as imagens. Se possível, traga imagens e entregue-as aos grupos para que enriqueçam o mural. https://www.mg.gov.br/pagina/folclore-e-folguedos-de-minas https://www.mg.gov.br/pagina/folclore-e-folguedos-de-minas 4o ANO46 UNIDADE 4 QUEM SÃO OS NÔMADES E OS SEDENTÁRIOS? COMPETÊNCIAS GERAIS DA BNCC 3; 5; 9. HABILIDADE DA BNCC EF04HI04 Identificar as relações entre os indivíduos e a natureza e discutir o significado do nomadismo e da fixação das primeiras comunidades humanas. OBJETO DE CONHECIMENTO A circulação de pessoas e as transformações no meio natural. UNIDADE TEMÁTICA Circulação de pessoas, produtos e culturas. PARA SABER MAIS • MILLER, Joana. Nambikwara. Povos indígenas no Brasil. Instituto Socioambiental, jul. 2008. Disponível em: https:// pib.socioambiental.org/pt/Povo:Nambikwara. Acesso em: 17 ago. 2021. • MINISTÉRIO DA CULTURA. Povo Cigano – O direito e suas mãos. Brasília: Secretaria Especial de Direitos Humanos/ Secretaria de Identidade e da Diversidade Cultural/Secretaria Especial de Política de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), 2008. • SCHAAN, Denise Pahl; MARTINS, Cristiane Pires (org.). Muito além dos campos. Arqueologia e história da Amazônia Marajoara. 1. ed. Belém: GKNORONHA, 2010. Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/uploads/publicacao/PubDivArq_ MuitoAlemCampos_m.pdf. Acesso em: 17 ago. 2021. https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Nambikwara https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Nambikwara http://portal.iphan.gov.br/uploads/publicacao/PubDivArq_MuitoAlemCampos_m.pdf http://portal.iphan.gov.br/uploads/publicacao/PubDivArq_MuitoAlemCampos_m.pdf HISTÓRIA47 UNIDADE 4 4o ANO48 QUEM SÃO OS NÔMADES E OS SEDENTÁRIOS? 1. Nomadismo: relação humanos x natureza 1. Observe a imagem ao lado. Analise com dois colegas as características e possíveis situações que dizem respeito a ela. Depois, respondam às perguntas propostas a seguir. a. Você sabe o que significa nômade? Registre a seguir o que você sabe sobre essa palavra ou o que acha que ela significa. b. Explique com suas palavras que relação você acha que a imagem apresentada tem com o nomadismo. c. Quais grupos humanos você conhece que adotaram ou adotam esse modo de vida? 2. Agora, você e seu grupo devem criar um mural com as respostas elaboradas nas questões anteriores e apresentá-lo à turma. Acampamento do povo nômade Dzhugi, em 1870. Região do Uzbequistão, Ásia Central. Bi bl io te ca d o Co ng re ss o 4o ANO50 Acampamento nômade na região de Ladakh, na Índia, 2019. Lu isa p uc cin i/ A lam y/ Fo to ar en a HISTÓRIA49 PRATICANDO 1. Nas imagens a seguir, podemos ver alguns grupos nômades que viveram em épo- cas diferentes e ainda estão presentes no mundo atual. Observe cada uma dessas imagens e converse sobre elas com dois colegas. Depois, crie um texto sobre as características desses grupos e sua necessidade de se movimentar para procurar locais que possibilitem sua sobrevivência. Bi bl io te ca d o Co ng re ss o By Jo aq uí n Ar aú jo R ua no /C re at ive C om m on s Acampamento nômade de família do povo Sami ou Lapão, que habita partes da Noruega. Foto de 1890-1900. Esse povo vivia tradicionalmente do pastoreio de renas. Pintura de Joaquim Araújo Ruano, produzida no século 19, retratando uma família cigana. HISTÓRIA51 RETOMANDO Leia o texto a seguir e circule aspectos que considerar interessantes, enfatizando as ca- racterísticas apresentadas sobre o modo de vida dos povos nômades no decorrer do capítulo. Povo Nambikwara (Nambiquara) Embora vivam em região de floresta, os Nambikwara estabelecem suas aldeias em áreas mais elevadas que possuem o solo arenoso e a vegetação típica do cerrado [...]. As roças devem ser, preferencialmente, abertas em local próximo à aldeia. No entanto, é também co- mum haver roças situadas a duas ou três horas de caminhada da aldeia. Neste caso, a família responsável por ele costuma construir abrigos temporários, onde permanece pelo período de plantio e, depois, no perí- odo da colheita, evitando, assim, ter que voltar para a aldeia todos os dias [...]. De um modo geral, as aldeias são os locais em que os grupos Nambiquara permanecem grande parte do ano. A localização de uma aldeia costumava mudar, em média, a cada 10 ou 12 anos. Na época do plantio e da colheita, as famílias podiam deslocar-se para acampamentos nas roças, mudando a composição residen- cial da aldeia, mas após este período retornavam para o mesmo local. Durante as expedições de caça, ou em viagens para visitar parentes distantes, os Nambiquara também cos- tumavam permanecer em habitações temporárias. Lévi-Strauss esteve com os Nambiquara em acampamentos temporários ao longo da linha telegráfica construída pela Comissão Rondon, e afirmou que os Nambiquara eram seminômades que passavam a maior parte do tempo em deslocamento, reunindo-se em aldeias maiores apenas no período chuvoso [...]. MILLER, Joana. Nambikwara. Povos indígenas no Brasil. Instituto Socioambiental, jul. 2008. Disponível em: https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Nambikwara.Acesso em: 17 ago. 2021. Faça uma ilustração que represente o que mais lhe chamou a atenção sobre o tema do texto e compartilhe seus registros com os colegas. PÁGINA 48 PÁGINA 49 PÁGINA 50 PÁGINA 51 1. Nomadismo: relação humanos × natureza 4o ANO48 Sobre o capítulo • Contextualizando: acessar conhecimentos pré- vios acerca do conceito de nomadismo por meio de questões e análise de imagem histórica. • Praticando: discutir e registrar características dos grupos nômades. • Retomando: identificar características do estilo de vida dos indígenas da etnia Nambiquara por meio de leitura de texto informativo e associar seu modo de vida aos conceitos de nomadismo estudado no capítulo. Objetivo de aprendizagem • Identificar algumas características de comunidades nômades do passado e do presente. Materiais • Folhas de papel A4 (uma para cada aluno). • Folha de papel pardo ou papel kraft (uma para cada trio). • Dicionários. Contexto prévio Na primeira etapa deste capítulo, deixe um momento livre para que os alunos socializem entre si o que entendem sobre o significado da palavra nômade. Espera-se que nessa socialização comentem que os termos nômade e nomadismo dizem respeito a modos de vida de grupos ou sociedades no passado e no presente, e que estão associados à necessidade desses grupos ou sociedades em manter a comunidade em mo- vimento constante com o objetivo de procurar um novo local de moradia e a possibilidade de encontrar novas áreas com abundância alimentar para a sua sobrevivência. Dificuldades antecipadas Por ser um termo não usual, pode ser que haja dificuldade de compreensão da palavra “nôma- de”. Peça, então, aos alunos que procurem esse conceito no dicionários. Habilidade da BNCC EF04HI04 Identificar as relações entre os indivíduos e a natureza e discutir o significado do nomadismo e da fixação das primeiras comunidades humanas. CONTEXTUALIZANDO Expectativas de respostas 1. a. Espera-se que os alunos mencionem que povos nômades são aqueles que não estão fixos a um território; que se deslocam constantemente com o objetivo de encontrar um ambiente com alimentos e uma estrutura onde seja possível sobreviver. b. Espera-se que os alunos afirmem que sim, que a imagem tem relação com o conceito de nomadismo. Nela pode-se observar um acampamento nômade. c. Entre os exemplos de grupos atuais e pas- sados que têm esse modo de vida em suas culturas estão os beduínos, grupos indígenas isolados, grupos étnicos africanos, europeus e asiáticos. Orientações Organize os alunos em trios. Solicite que anali- sem a imagem do acampamento nômade e troquem ideias previamente sobre o conceito de nômade. Na sequência, motive-os a ler as perguntas e, escrever as respostas com base na análise da imagem e no que eles têm na memória. Converse com os alunos sobre as características de cada grupo nômade. Os que se deslocam procurando locais para viver e se alimentar melhor, os que que vivem do pastoreio, da caça de animais e da coleta de vegetação ao longo do cami- nho, bem como aqueles que migram para realizar o comércio de mercadorias em outros acampamentos e cidades. Quando concluírem a escrita, solicite que os trios partilhem oralmente suas respostas e escolham um espaço na sala para criar um mural de ideias com a escrita dos grupos. Acompanhe os grupos para que todos escrevam o que construíram e disponibilizem em seus respectivos murais. PRATICANDO Expectativas de resposta 1. Com a produção de texto, espera-se que os alu- nos iniciem a reflexão sobre a forma de vida dos HISTÓRIA49 grupos nômades do passado e a comparem com características dos grupos nômades da atualidade. No texto, os alunos deverão mencionar algumas mudanças e permanências presentes no modo de vida desses grupos. Orientações Concluída a análise das imagens e a identificação de características comuns dos grupos nômades, os alunos devem registrar, por meio de um texto, a necessidade desses povos em se movimentar para procurar locais que possibilitem condições para viverem. Oriente os alunos sobre pontos importantes para elaboração de uma produ- ção textual e que tragam para o texto os conhecimentos discutidos dos perfis dos grupos nômades. Antes de ini- ciarem a produção, converse com eles para desmistificar a ideia de que o nomadismo está associado aos povos do passado bem distante, e ao tempo dos povos coletores e caçadores. A turma precisa pensar esses povos como grupos que só juntavam o necessário para sobreviver, sem acúmulos, e concluir que, no início, praticamente todos os grupos humanos eram nômades, mas, ao longo da história, com as descobertas e desenvolvimento de técnicas de plantio e o domínio do fogo, gradativamente, alguns foram deixando de ser nômades e passaram a ser sedentários. É importante ressaltar com a turma que o modo de vida dos grupos nômades não pode ser associado a noções de pobreza, já que está atrelado a formas de ver o mundo, bem como é parte cultural de tradições antepassadas. RETOMANDO Orientações Solicite aos alunos que, em duplas, leiam o texto sobre os povos nômades da atualidade. Cada dupla ou grupo lerá sobre esta comunidade e deverá circular, no texto, aspectos que considerarem interessantes. Ao final, oriente que socializem o que aprenderam sobre esses povos, agregando informações novas a cada socialização. Sugere-se que a proposta de atividade seja utilizada como uma avaliação por pares, pois é uma etapa em que os alunos caminham juntos para ampliação das aprendizagens dessa unidade. Leitura complementar Pandemia de coronavírus fez surgir um novo estilo de vida profissional: o nomadismo digital A pandemia da covid-19 fez empresas e funcio- nários descobrirem novas formas de trabalhar além da presencial; tudo para tornar possível continuar produzindo durante um período tão conturbado. O home office se tornou padrão e conhecido e surgiu ainda outro estilo, o nomadismo digital. A novidade vem ganhando cada vez mais adeptos, já que possibilita o exercício profissional enquanto o indivíduo conhece novos lugares ao redor do planeta. É o que explica a consultora de empresas e doutoranda em Administração pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da USP, Bárbara Lespinasse. “O nomadismo digital é um estilo de vida, no qual as pessoas viajam pelo mundo sem abrir mão da carreira para isso. Esses indivíduos trabalham de forma remota como no home office, utilizando a tecnologia a seu favor.” E a pandemia fez com que o nomadismo digital ganhasse adeptos de diferentes áreas ao propiciar trabalho remoto. “Anteriormente, apenas profissões mais flexíveis como jornalistas, escritores, fotógra- fos e social media podiam realizar seu trabalho de maneira digital ou serem adeptos ao nomadismo digital”, conta Bárbara, analisando que a realidade foi alterada pela pandemia. Segundo a especialista, profissionais de diversas áreas mais tradicionais, como psicologia, ensino, e até mesmo saúde, passaram a atuar a distância. Para Bárbara, muitas são as vantagens do tra- balho remoto, tanto para as empresas quanto para os funcionários. “Existem muitos impactos nessas formas de trabalho. Para as empresas, existe uma economia muito grande relacionada aos custos de aluguel, energia elétrica, água, refeição e transporte para os trabalhadores. Já para os funcionários, a flexibilidade e a liberdade são os principais fatores do trabalho remoto; e, no caso do nomadismo digi- tal, além de conhecer novos lugares enquanto se trabalha, também é possível aprender novas línguas e aprender sobre as culturas dos países.” O que é preciso para se tornar um nômade digital Mas, apesar das inúmeras vantagens, o nomadis- mo digital requer organização e disciplina. Bárbara adianta que, para seguir esse tipo de trabalho, “é preciso muita organização e planejamento com os prazos, metas e também em relação à parte financeira, pois existem muito maisimprevistos no nomadismo do que no trabalho tradicional”. A especialista chama a atenção para algumas dicas importantes para este estilo de trabalho. O 4o ANO50 ANOTAÇÕES nômade digital deve, segundo ela, trabalhar com cronogramas de metas para prazos e compromis- sos; deve organizar-se através de uma agenda úni- ca e não anotar informações e afazeres em papéis soltos; deve considerar a opção da agenda digital; planejamento financeiro é imprescindível. E, quanto a isso, Bárbara é categórica: “É importante que a pessoa comece a guardar dinheiro um ano antes de adotar esse estilo de trabalho para conseguir se manter por pelo menos seis meses, se não houver oportunidade de trabalho. Além disso, é importante diminuir gastos como, por exemplo, adotar meios de transportes mais econômicos e cozinhar ao invés de comer fora.” COLTRI, Flávia. Pandemia de coronavírus fez surgir um novo estilo de vida profissional: o nomadismo digital. Jornal da USP, 02 fev. 2021. Disponível em: https://jornal.usp.br/atualidades/pandemia- de-coronavirus-fez-surgir-um-novo-estilo-de-vida-profissional-o- nomadismo-digital/. Acesso em: 17 nov. 2021. HISTÓRIA51 4o ANO52 2. Agricultura dos primeiros grupos humanos 1. Leia o texto e faça a atividade a seguir. Grande inauguração – Bem-vindo à civilização A partir de 10000 a.C. uma revolução transformou o homem das cavernas em nós. Cientistas tentam entender como este processo começou – e o que fizemos para chegar até aqui [...] Uma das primeiras descobertas foi a possibilidade de manipular plantas. Imagine-se na pele de um homem (ou mulher) das cavernas que, num belo dia, encontra por acaso um pé de milho. Você prova e adora [...]. “O homem do Neolítico observava a natureza e constata, por exemplo, que uma semente podia dar origem a uma planta”, diz a geógrafa Silvia Maranca, do MAE da USP e da Fundação Museu do Homem Americano. Nasciam aí as primeiras protoculturas agrícolas – ou, no popular, as primeiras roças domésticas. [...] Para cuidar da lavoura, era preciso tempo e dedicação. Em vez de se organizarem dentro de um esquema nômade (propício a comunidades de caçadores-coletores, que periodicamente precisavam buscar novas áreas para sobreviver), os membros dessas primeiras comunidades agrícolas teriam finalmente fincado os pés no solo e se tornado sedentários. Também era preciso vigilância – afinal, a terra tão suadamente cultivada poderia ser rapinada por animais ou por grupos nômades [...]. [...] No fim das contas, é possível que a revolução do Neolítico tenha sido mais plural do que se ima- gina. O fato é que, sem todas as transformações do período, o homem não teria virado eu e você, com as qualidades e defeitos do nosso tempo [...]. ONÇA, Fabiano. Grande inauguração – Bem-vindo à civilização. Superinteressante, São Paulo, 31 out. 2016. Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/grande-inauguracao-bem-vindo-a-civilizacao/. Acesso em: 24 jul. 2021. ⊲ Sublinhe no texto as mudanças e transformações que ocorreram no modo de vida dos grupos humanos no passado. Depois, anote-as no quadro abaixo. Na moradia Como era no passado Como é hoje Na agricultura Como era no passado Como é hoje 052-055_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN4_CAP2_P4V1bx.indd 52052-055_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN4_CAP2_P4V1bx.indd 52 24/03/2022 11:13:5124/03/2022 11:13:51 4o ANO54 3. a. Analise a imagem de uma antiga inscrição egípcia. Quais são os recursos em- pregados na lavoura representada? Antes dos objetos agrícolas Depois dos objetos agrícolas Ze v R ad ov an / A lam y/ Fo to ar en a b. Ainda com base na imagem, reflita como era o trabalho dos primeiros seres humanos nas plantações, levando em consideração o tempo para a produção agrícola, as ferramentas e os esforços necessários. 052-055_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN4_CAP2_P4V1bx.indd 54052-055_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN4_CAP2_P4V1bx.indd 54 24/03/2022 11:13:5924/03/2022 11:13:59 HISTÓRIA53 PRATICANDO By A do lfo br ig id o - O wn w or k, CC B Y- SA 4 .0 Pu bl ic Do m ain FLORÊNCIO. Milho e peneira. 1997. Óleo sobre tela, [S. I.]. a. A plantação de alimentos sempre existiu? b. Como ela surgiu? 2. O objeto ao lado foi utilizado para moer cereais, há milhares de anos. Converse com seus colegas e professor a respeito da seguinte questão: por que os seres hu- manos passaram a moer grãos de cere- ais? O que desejavam fabricar com isso? Registre sua conclusão. Peça de instrumento agrícola datado do sé- culo 6 a.C., possivelmente utilizado por grupo que habitou a região do mar Mediterrâneo. 1. Observe as imagens a seguir. Depois, responda ao que se pede. 052-055_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN4_CAP2_P4V1bx.indd 53052-055_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN4_CAP2_P4V1bx.indd 53 24/03/2022 11:13:5524/03/2022 11:13:55 HISTÓRIA55 RETOMANDO 1. Observe o mapa sobre a expansão da agricultura pelo mundo. Em seguida, conver- se com os colegas a respeito das informações apresentadas. Agora, responda às questões a seguir. a. Por que a agricultura apareceu em regiões específicas, mas não permaneceu ape- nas nelas? b. Como você acha que a agricultura e os conhecimentos acerca dos utensílios e téc- nicas agrícolas chegaram a outros locais? Fonte: ATLAS da história do mundo. São Paulo: Times; Folha de S.Paulo, 1995. p. 38-39. Planalto da Nova Guiné (9000-6000 AP) By Jo e Ro e - O wn w or k, CC B Y- SA 3 .0 Sudeste norte-americano (4000-3000 AP) México central (5000-4000 AP) Noroeste da América do Sul (5000-4000 AP) África subsaariana (5000-4000 AP) Crescente Fértil (11000 AP) Vale dos rios Yangtzé e Amarelo (9000 AP) Legenda: Prováveis locais de origem da agricultura. Expansão da agricultura. PÁGINA 52 PÁGINA 53 PÁGINA 54 PÁGINA 55 2. Agricultura dos primeiros grupos humanos 4o ANO52 Sobre o capítulo • Contextualizando: compreender a importância do desenvolvimento da agricultura na história. • Praticando: refletir sobre o cultivo de alimentos e os instrumentos agrícolas usados pelos primeiros grupos humanos. • Retomando: analisar um mapa que apresenta a expansão da agricultura em diversas partes do mundo. Objetivo de aprendizagem • Identificar as mudanças que a agricultura trouxe ao modo de vida dos primeiros grupos humanos. Contexto prévio Inicie o capítulo explicando o conceito de agri- cultura e qual é a sua relação com a produção de alimentos e matérias-primas. Em seguida, comente com os alunos que os primeiros grupos humanos eram extremamente dependentes dos recursos encontrados na natureza para sua sobrevivên- cia. Após o desenvolvimento da prática agrícola e aprimoramento das técnicas na agricultura, os seres humanos passaram a ter maior controle da produção de alimentos. Dialogue com os alunos de forma que eles sejam incentivados a elabo- rar hipóteses sobre como os humanos iniciaram a prática da agricultura. Instigue a compreensão da necessidade dos seres humanos se fixarem em um determinado local para cuidar da plantação. O mapa permitirá à turma perceber como a agricul- tura se expandiu para diversas partes do mundo e que esse processo se deu de diferentes formas e com o uso de técnicas variadas em cada lugar, tendo ocorrido em tempos e épocas variadas, ou seja, não sendo um processo uniforme em todas as partes do mundo. Dificuldades antecipadas Caso os alunos apresentem dúvidas em relação ao significado das palavras nômade, sedentário e agricultura, peça para que pesquisem as palavras no dicionário. Apresente o significado delas, porque, na próxima etapa, essa compreensão será acionada. Habilidade da BNCC EF04HI04 Identificar as relações entre os indivíduos e a natureza e discutir o significado do nomadismo e da fixação das primeiras comunidades humanas. CONTEXTUALIZANDO Expectativas de resposta 1. Espera-se que os alunos percebam as mudan- ças provocadas pela sedentarização dos seres humanos em decorrência das mudanças nasprá- ticas agrícolas, o desenvolvimento de técnicas de plantio e a permanência da prática de caça e coleta, associadas ao nomadismo. Orientações Oriente os alunos a ler e comentar o que o texto diz. Peça que sublinhem, ao longo do texto, mudan- ças e transformações referentes ao modo de vida dos primeiros grupos humanos e a relação deles com a agricultura. Por fim, peça que concluam, anotan- do no quadro, as mudanças que a agricultura trouxe para os seres humanos no passado. Problematize com a turma o conceito de civilização atrelado er- roneamente a um processo evolutivo da sociedade em oposição ao primitivismo. Explique que ser se- dentário não significa ser, necessariamente, mais evoluído. Povos nômades e sedentários coexistem na contemporaneidade e não há uma relação de hierarquia entre eles. Refletindo sobre as transfor- mações agrícolas, que favoreceram a fixação do homem na terra e com isso a sua sedentarização, podemos pensar em várias mudanças ocorridas ao longo do tempo como a ampliação da produção de alimentos, a atual condição de mecanização das la- vouras e a utilização de componentes químicos para aumento de produção agrícola. PRATICANDO Expectativas de respostas 1. a. Espera-se que os alunos identifiquem que a agricultura foi desenvolvida pelos seres humanos no período da pré-História (início do Neolítico). b. É esperado que os alunos respondam que foi por meio da observação do estado das sementes no solo e de sua germinação que os nossos ancestrais descobriram a prática da agricultura. HISTÓRIA53 2. Os alunos devem analisar a imagem do instru- mento de moagem da Antiguidade. Os grãos eram inseridos no orifício do instrumento e moídos com outra pedra que se encaixava perfeitamente no mesmo orifício, pressionando os grãos e produzindo farinha. A partir da farinha e água são produzi- dos pães e outros alimentos que constiuíram a base nutricional para as primeiras sociedades sedentárias do Neolítico e, de lá pra cá, conti- nuam a formar a dieta das diferentes sociedades contemporâneas. 3. a. A partir da análise da imagem espera-se que os alunos identifiquem o arado movido por força animal (tração animal). Auxilie os alunos no entendimento da importância do arado. b. Espera-se que o aluno compreenda que a agricul- tura passou por diversas transformações ao longo do tempo, desde os povos nômades, passando por sua sedentarização, até chegar aos dias atuais, e reconheça os motivos que possibilitaram tais transformações. É importante que ele perceba o uso de ferramentas e técnicas auxiliares e o uso da mecanização na produção atual, que possibilitou mudanças profundas na forma do ser humano se relacionar com a terra, com o meio ambiente e com a produção de alimentos até a sua comercialização, atualmente. Orientações Converse com os alunos sobre a imagem e peça que observem, identifiquem e nomeiem o produto. Provoque a turma perguntando para que serve esse produto e solicitando que deem exemplos de duas ou três comidas que são feitas atualmente a partir do milho. Instigue-os a imaginar o que os seus an- tepassados faziam com o milho e o que os povos nômades/sedentários da pré-História poderiam fazer na época. Os alunos devem elaborar hipóteses sobre como os povos nômades e sedentários realizavam práticas agrícolas e de que maneira eles utilizavam instrumentos para cultivarem o milho e outros ali- mentos. Essas hipóteses também devem abranger noções sobre o que mudou ao longo do tempo na realização das atividades agrícolas. Provoque uma reflexão sobre como se fazia na época em que os grupos humanos iniciavam a agricultura para cuidar de uma plantação e o que fazemos hoje. RETOMANDO Expectativas de resposta 1. a e b. Nesse momento, os alunos devem expressar a compreensão sobre ocupação do espaço em razão do nomadismo e posterior seden- tarização. À medida que os seres humanos foram ocupando outros espaços ou compar- tilhando seus conhecimentos com grupos vizinhos, foi possível difundir as técnicas sobre agricultura. Orientações Explique aos alunos que as datas apresentadas no mapa (AP – antes do Presente) são outra forma de registrar eventos ocorridos no passado. Essa forma de datação criada por arqueólogos leva em conta o tempo passado a partir do ano de 1950, diferentemente da datação a.C., que considera os eventos a partir do ano 1 (nascimento de Jesus Cristo). Na atividade, os alunos irão analisar e trabalhar no mapa, além de responder às perguntas por escrito sobre as informações conti- das nele. Convide um representante da turma para ler as informações do mapa e comentar o que conseguiu interpretar. Questione o grupo sobre a propagação da descoberta e da expansão da agricultura para outros povos e locais. Pergunte como imaginam que uma descoberta era transmitida aos povos que estavam distantes e o quanto a introdução da agricultura trouxe mudanças para alguns grupos de seres humanos. Leitura complementar Breve história do pão Há estudos que apontam que os pães começaram a ser produzidos há aproximadamente seis mil anos, na região da Mesopotâmia, onde hoje está situado o Iraque, e foram difundidos por várias civilizações da Antiguidade. Esse pão era resultado de uma mistura seca, dura e amarga feita à base de farinha de trigo. A origem do pão está intimamente ligada ao processo de sedentarização do homem, quando se iniciou o desenvolvimento da agricultura, sendo o trigo um dos cereais resultantes dessa atividade produtiva. O processo de fermentação foi uma técnica desen- volvida pelos egípcios por volta de 4000 a.C., dando ao pão o aspecto pelo qual o conhecemos hoje em dia. Por ser um produto extremamente necessário à 4o ANO54 alimentação, ele foi usado durante muitos séculos também como moeda. Há indícios de que os faraós o utilizavam como meio de pagamento para serviços realizados. Em Roma, o pão era um dos componentes da política do panis et circenses (pão e circo), utili- zada pelos imperadores para manter uma satisfação aparente da população, desviando a atenção das disputas de poder e das condições de vida a que o povo estava submetido. O trigo era distribuído em espetáculos públicos pela administração do império. Durante a Idade Média, o pão era feito artesanal- mente no ambiente doméstico pelos camponeses. A limitação agrícola e técnica que tinha essa classe social não possibilitava a produção de pães fermen- tados, o que resultava em um produto de menor qualidade. Situação diferente era a vivenciada pelos senhores feudais, que consumiam pães de maior qualidade produzidos nas padarias dos castelos. Foi também neste período histórico que surgiu a figura do padeiro, que aos poucos passou a se organizar em corporações de ofícios, controlando assim o processo de produção do alimento e gozando de certo prestígio nas cortes. Com a Revolução Industrial, a produção do pão ganhou um forte impulso, seja no aumento de terras destinadas ao plantio do trigo, seja no desenvolvimen- to de técnicas de moagem do cereal nos moinhos, passando dos moinhos de tração animal ou humana aos moinhos a vapor, que começaram a surgir em 1784. A grande produção que se verificou se destinava a alimentar principalmente a classe operária que crescia nas cidades industriais, criando condições para uma produção em larga escala. O pão chegou a ser inclusive um dos motivos de eclosão da Revolução Francesa. Sendo base da alimentação da população francesa há séculos, a severa queda na produção do cereal tornou o ali- mento caro e escasso. Este foi um dos motivos que levaram à revolta da população francesa e à queda do rei Luís XVI. Hoje em dia, o pão está disseminado pelo mundo. Sua fabricação envolve vários métodos diferentes, que resultam numa variedade enorme de tipos e qualidades de pães. Apesar desse desenvolvimento, uma boa parcela da população mundial ainda não tem acesso a esse alimento cotidianamente. PINTO, Tales. Breve história do pão. Históriado mundo. Disponível em: https://www.historiadomundo.com.br/curiosidades/breve-historia- do-pao.htm. Acesso em: 17 nov. 2021. ANOTAÇÕES https://www.historiadomundo.com.br/curiosidades/ breve-historia-do-pao.htm https://www.historiadomundo.com.br/curiosidades/ breve-historia-do-pao.htm HISTÓRIA55 4o ANO56 3. Cerâmica: pistas do passado no presente 1. Observe as imagens a seguir. Elas representam objetos elaborados por diferentes povos. Ru be ns C ha ve s/P ul sa r Do rn ick e/ Cr ea tiv e Co m m on s By Je bu lo n/ CC 0 Urnas marajoaras expostas no Museu do Encontro. Museu do Forte do Presépio, Belém (PA), 2019. Cachimbo do acervo de etnologia africana e afro-brasileira do Museu Nacional, Rio de Janeiro (RJ), 2015. Peças europeias de 1851, produzidas para a apreciação de chás e sobremesas. Acervo do Palácio de Viena, na Áustria. ⊲ Você sabe com qual matéria-prima esses objetos foram construídos? Troque ideias a respeito com os colegas e o professor. 056-059_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN4_CAP3_P4V1bx.indd 56056-059_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN4_CAP3_P4V1bx.indd 56 23/03/2022 11:11:3723/03/2022 11:11:37 4o ANO58 Cerâmica: a mais antiga das indústrias Primórdios da cerâmica Quando saiu das cavernas e se tornou um agricultor, o homem precisava de outros meios de subsistência além de um abrigo. Logo, surgiu a necessidade de ter também vasilhas para armazena- mento de água, alimentos e sementes para a próxima safra. Tais objetos tinham que ser resistentes ao uso, impermeáveis à umidade e de fácil fabricação – qualidades inerentes à argila. Além disso, a cerâmica mostrou-se muito eficiente na construção de casas. As primeiras cerâmicas que se têm notícia são da Pré-História: vasos de barro, sem asa, que ti- nham cor de argila natural ou eram escurecidas por óxidos de ferro. Por outro lado, a cerâmica para a construção e a cerâmica artística com características industriais só ocorreu na Antiguidade, em grandes centros comerciais. Após a Revolução Industrial, iniciou-se uma nova e vigorosa etapa de evolução, estendida até hoje. Estudiosos confirmam ser, realmente, a cerâmica a mais antiga das indústrias, pois ela nasceu no momento em que o homem começou a utilizar-se do barro endurecido pelo fogo. Desse proces- so de endurecimento, obtido casualmente, evoluiu até os dias de hoje. A cerâmica passou, assim, a substituir a pedra trabalhada, a madeira e mesmo utensílios domésticos feitos de frutos. [...] NAPOLI, Laís; SOUZA, Manuela. Cerâmica: a mais antiga das indústrias. Revista Eletrônica ANICER. Associação Nacional da Indústria Cerâmica, n. 96, out. 2015. Disponível em: https://www.anicer.com.br/revista-anicer/revista-96/ historia/. Acesso em: 24 jul. 2021. By D or ni ck e - O wn w or k, CC B Y- SA 4 .0 1. Com base na leitura dos textos e na análise das imagens, descreva hipóteses de como cada povo, a partir de seus hábitos e regiões de vivência, utilizava e ainda faz uso de objetos semelhantes aos apresentados. Utensílio de cerâmica amazônica do acervo de arqueologia do Museu Nacional, Rio de Janeiro (RJ), 2015. 056-059_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN4_CAP3_P4V1bx.indd 58 23/03/2022 11:11:39 HISTÓRIA57 By P au l R . B ur le y - O wn w or k, CC B Y- SA 4 .0 Prato de barro pintado no estilo “tauá”, produzido apenas por oleiros e outros tipos de artesãos homens. Maragogipinho, Aratuípe, Bahia (BA), 2019. PRATICANDO Há muito séculos, diversos povos que habitaram as terras que hoje formam o Brasil fa- ziam uso de utensílios de cerâmica para variados fins. As imagens e os textos a seguir trazem contribuições de como esses objetos têm sido utilizados em diferentes épocas. [...] A cerâmica de Maragogipinho constitui um grande patrimônio cultural não apenas por possuir um quantitativo estimado em 150 olarias ativas, mas por fazer parte de uma história de mais de dois séculos de trabalho ininterrupto e dedicado a este ofício artesanal. [...] A forte expressão da cerâmica da região encontra-se tradicionalmente na chamada “louça de barro” e em objetos decorativos. Diferente das outras comunidades ceramistas do estado, sua principal forma de modelagem é desenvolvida em tornos artesanais, dando origem a potes, porrões, quartinhas, talhas, mo- ringas, bilhas, panelas e etc. SIMÕES, Iaçanã Costa. A cerâmica tradicional de Maragogipinho. Dissertação de mestrado. Escola de Belas Artes, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2016. Disponível em: https://docplayer.com.br/63687202-Universidade-federal-da-bahia.html. Acesso em: 24 jul. 2021. 056-059_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN4_CAP3_P4V1bx.indd 57056-059_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN4_CAP3_P4V1bx.indd 57 23/03/2022 11:11:3723/03/2022 11:11:37 HISTÓRIA59 RETOMANDO 1. Vamos explorar a criatividade! Faça de conta que você é um ceramis- ta ainda com pouca experiência e que busca aprender técnicas de produção muito anti- gas. Escreva uma carta para um ceramista do passado contando a ele tudo o que você já sabe sobre a arte da cerâmica. Na carta, peça orientação de como aperfeiçoar o tra- balho que irá desenvolver no presente. Artesã africana trabalhando na confecção de um vaso de cerâmica. Do m in ic A. K yil le h/ Cr ea tiv e Co m m on s 056-059_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN4_CAP3_P4V1bx.indd 59056-059_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN4_CAP3_P4V1bx.indd 59 23/03/2022 11:11:3923/03/2022 11:11:39 PÁGINA 56 PÁGINA 57 PÁGINA 58 PÁGINA 59 3. Cerâmica: pistas do passado no presente 4o ANO56 Sobre o capítulo • Contextualizando: refletir sobre a produção de cerâmica, por meio de análise de fontes imagéticas. • Praticando: analisar imagens e interpretar tex- tos para formular hipóteses sobre a atividade ceramista. • Retomando: escrever uma carta a um ceramis- ta antigo de modo a rever os conhecimentos desenvolvidos no capítulo. Objetivo de aprendizagem • Identificar a cerâmica como fonte e expressão da cultura de grupos humanos. Materiais • Dicionário (um por aluno). • Folhas de papel A4 (uma para cada aluno). Contexto prévio Motive os alunos a pensar sobre o significado da palavra cerâmica a partir do cotidiano familiar. A palavra vem do grego, kéramos e significa terra queimada ou argila queimada. Crie situações para que os alunos elaborem hipóteses sobre o tema que será abordado neste capítulo. Dificuldades antecipadas É possível que os alunos tenham dificuldade para compreender a fabricação de cerâmicas e sua origem nos tempos remotos. Nesse caso, re- flita com a turma a necessidade de transportar e armazenar os alimentos, sementes e água; em outros locais, seu surgimento está ligado a rituais de celebração. Aproveite o momento para reconhecer as cerâmicas como elemento da cultura material de grande importância para muitas comunidades, bem como para os arqueólogos e outros pesquisa- dores que, em razão de sua durabilidade, podem encontrá-las em diversos sítios arqueológicos e estudá-las para compreender as sociedades anti- gas. Organize uma roda de conversa sobre como a cerâmica permite a análise, mesmo estando fragmentada, e de que maneira esses fragmentos possibilitam o levantamento de hipóteses sobre a dinâmica cotidiana, social e cultural dos povos de um passado distante. Habilidade da BNCC EF04HI04 Identificar as relações entre os indivíduos e a natureza e discutir o significado do nomadismo e da fixação das primeiras comunidades humanas. CONTEXTUALIZANDO Expectativas de resposta 1. Espera-se que os alunos mencionem a cerâmica e a porcelana. Orientações Convide a turma para apreciação das imagens apre- sentadas e, diante do que os alunos já conhecem, solicite que façam uma análise seguida de discussão sobre os tipos de cerâmica apresentados. As imagens devem ser compreendidas como fontes históricas que representam o uso e a construção de utensílios de cerâmica por diferentes grupos humanos no passado. É interessante fazer uma breve explicação sobre comoessas peças eram utilizadas por cada um desses grupos e como era o dia a dia dos povos que a utilizavam. Esses pontos serão abordados na continuidade do capítulo. Incentive os alunos a formular opiniões de maneira que sejam capazes de compreender os conceitos que envolvem o assunto. É importante que eles façam registros dos conceitos formulados em seu material. Espera-se que a turma perceba, a partir dos traços e da decoração das peças, que são artefatos antigos com finalidades específicas; para essa análise, é importante realizar a leitura das legendas. Instigue o grupo a levantar hipó- teses sobre o surgimento das peças de cerâmica, quais são suas semelhanças e diferenças e o que é preciso para fabricá-las. Retome com os alunos vivências que remetam a brincadeiras em que eles utilizavam barro ou argila na confecção de bonecos ou esculturas. A partir disso, pergunte quanto tempo essas peças duram e se eles saberiam informar como deixá-las mais resistentes ao tempo. Auxilie a turma a relacionar a produção de objetos de cerâmica com o uso da argila, encontrada próxima aos leitos dos rios, e o uso de fogueiras ou do calor do Sol para o cozimento das peças para deixá-las mais resistentes. HISTÓRIA57 PRATICANDO Expectativas de resposta 1. Os alunos podem falar sobre os usos das cerâmicas para armazenamento de alimentos, como utensílios de preparação de alimentos, para ritos religiosos, como peças decorativas, e até de representação figurativa para celebrações e rituais comunitários. Orientações Durante a realização da atividade, acompanhe a leitura dos alunos, auxiliando-os sempre que necessário. Peça que observem atentamente os detalhes das peças de cerâmica, instigando a discussão e o levantamento de hipóteses. Ao término, realize a socialização da atividade: um aluno por vez, para que a turma perceba as diferentes hipóteses. Motive-os a discutir as ideias apresentadas pelos colegas. O objetivo da proposta não é de que os alunos cheguem a uma consideração parecida, mas que percebam as informações possíveis de ser levantadas com a observação das fontes mate- riais, fazendo inferências e interpretações a partir das evidências históricas. Ao término das socializações, retome os pontos que julgar necessário. Comente com os alunos que as imagens trazem um tipo de cerâmica utilitária (objetos de usos domésticos e cerimoniais), e o tipo figurativo (feita para decoração). Reforce que a análise dos fragmentos cerâmicos, o tamanho, a quan- tidade das peças etc. possibilitam levantar hipóteses de como era a vida nas aldeias: os hábitos alimentares, a disposição das casas, as relações sociais e com o meio ambiente. Retome sempre com a turma a utilidade dos recipientes cerâmicos no passado e atualmente. Faça perguntas que possibilitem aos alunos refletir sobre o modo de vida dos grupos antigos, do que se alimentavam e como viviam. Instigue o grupo para que percebam que a necessi- dade de armazenamento e preparo de alimentos, bem como a necessidade do armazenamento de água ou de sementes, foram algumas das situações que fa- voreceram o surgimento dos recipientes cerâmicos. Esclareça que, com a prática da agricultura, os seres humanos produziam seu próprio alimento e já não pre- cisavam se mudar de local constantemente à procura de alimentos. A própria atividade agrícola precisa de cuidados constantes, por isso estar próximo facilita nos cuidados com as lavouras. Esse processo contribuiu para que pequenos grupos se tornassem sedentários, formando aldeias. Esclareça que esse processo não ocorreu da mesma forma e no mesmo período entre os grupos humanos e que muitos povos permaneceram seminômades ou nômades. RETOMANDO Expectativas de resposta 1. O aluno deve apontar as principais aprendizagens alcançadas no capítulo, mostrando curiosidade sobre as práticas da produção ceramistas de povos africanos e indígenas no passado. Você poderá trabalhar com o componente curricular Língua Portuguesa e suas tecnologias a fim de contemplar o gênero textual carta. Orientações De forma breve, retome oralmente com a turma a importância do material cerâmico e o que ele proporcionou para os grupos humanos. Essa retomada servirá para que eles desenvolvam a compreensão sobre o modo de vida dos grupos no passado. Oriente-os a selecionar aspectos presentes na cultura desses povos a partir dos quais são possíveis imaginar e concluir informações com base nas imagens das cerâmicas vistas até aqui. Proponha que cada aluno escreva uma carta ficcional para um ceramista do passado contando a ele (como se fosse um jovem ceramista com pouca experiência) tudo que sabe sobre a arte da cerâmica, os tipos de peças que já produziu e que ainda deseja criar. Para complementar o texto, sugira aos alunos que peçam dicas e informações sobre a produção ceramista desses povos para que possam aperfeiçoar o trabalho que de- senvolveriam no presente. Após as produções, realize a socialização dos grupos. Provoque a turma durante as apresentações para que percebam que a criação da cerâmica foi uma das revoluções daquele tempo. Destaque que, embora a arte da cerâmica seja antiga, ela perdura até os dias atuais, tendo sofrido algumas mudanças ao longo do tempo, mas mantendo certas características. Assim como no passado, atualmente a cerâmica ainda tem uso utilitário e decorativo. Já em relação às mudanças, pode ser mencionado o modo de fabricação, que se tornou mais prático e, muitas vezes, executado em escala industrial, possibilitando um melhor acabamento e mais delicadeza às peças. Essa atividade se configura como uma proposta de atividade avaliativa formal para realizar com os alunos da turma. Havendo possibilidade, crie com os alunos da turma uma oficina de modelagem por meio do uso da argila. UNIDADE 5 4o ANO58 FOMOS, VIEMOS, FICAMOS E MODIFICAMOS COMPETÊNCIAS GERAIS DA BNCC 3; 1; 7. HABILIDADE DA BNCC EF04HI05 Relacionar os processos de ocupação do campo, as intervenções na natureza, avaliando os resultados dessas intervenções. OBJETOS DE CONHECIMENTO A circulação de pessoas e as transformações no meio natural; a invenção do comércio e a circulação de produtos. UNIDADES TEMÁTICAS Circulação de pessoas, produtos e culturas. PARA SABER MAIS • EMBRAPA. O desafio do uso da água na agricultura brasileira. Embrapa Disponível em: https://www.embrapa.br/ agua-na-agricultura/sobre-o-tema. Acesso em: 24 jul. 2021. • FONSECA, Dagoberto José da. A História, o africano e o afro-brasileiro. Conteúdos e Didática de História. Departamento de Antropologia, Política e Filosofia - Faculdade de Ciências e Letras. Unesp/ Araraquara. Disponível em: https:// acervodigital.unesp.br/bitstream/123456789/46188/1/01d21t05.pdf. Acesso em: 24 jul. 2021. • KI-ZERBO, Joseph (org.). História geral da África, I: Metodologia e pré-história da África. Brasília: Unesco, 2010. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ue000318.pdf. Acesso em: 24 jul. 2021. • MAYNART. Georgina. Rota Valiosa: Especiarias somam US$26 milhões por ano às exportações baianas. Correio, 10 nov. 2019. Disponível em: https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/rota-valiosa-especiarias-somam-us-26- milhoes-por-ano-as-exportacoes-baianas/. Acesso em: 24 jul. 2021. • PROUS, André. O Brasil antes dos brasileiros. A pré-história do nosso país. Rio de Janeiro: Zahar, 2007. Disponível em: https://leaarqueologia.files.wordpress.com/2013/11/o-brasil-antes-dos-brasileiros-andre-prous.pdf. Acesso em: 24 jul. 2021. • RINCÓN, M. L. Veja como o sal e as especiarias ajudaram a “temperar” a História. Mega curioso, 20 jul. 2019. Disponível em: https://www.megacurioso.com.br/historia-e-geografia/74077-veja-como-o-sal-e-as-especiarias-ajudaram- a-temperar-a-historia.htm. Acesso em: 24 jul. 2021. • VEZZALI, F. Desmatamento e poluição seguem o rastro do agronegócio. Repórter Brasil, 20 jul. 2006. Disponível em: https://reporterbrasil.org.br/2006/07/desmatamento-e-poluicao-seguem-o-rastro-do-agronegocio/.Acesso em: 24 jul. 2021. https://www.embrapa.br/agua-na-agricultura/sobre-o-tema https://www.embrapa.br/agua-na-agricultura/sobre-o-tema https://acervodigital.unesp.br/bitstream/123456789/46188/1/01d21t05.pdf https://acervodigital.unesp.br/bitstream/123456789/46188/1/01d21t05.pdf http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ue000318.pdf https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/rota-valiosa-especiarias-somam-us-26-milhoes-por-ano-as-exportacoes-baianas/ https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/rota-valiosa-especiarias-somam-us-26-milhoes-por-ano-as-exportacoes-baianas/ https://leaarqueologia.files.wordpress.com/2013/11/o-brasil-antes-dos-brasileiros-andre-prous.pdf https://www.megacurioso.com.br/historia-e-geografia/74077-veja-como-o-sal-e-as-especiarias-ajudaram-a-temperar-a-historia.htm https://www.megacurioso.com.br/historia-e-geografia/74077-veja-como-o-sal-e-as-especiarias-ajudaram-a-temperar-a-historia.htm https://reporterbrasil.org.br/2006/07/desmatamento-e-poluicao-seguem-o-rastro-do-agronegocio/ HISTÓRIA59 UNIDADE 5 4o ANO60 FOMOS, VIEMOS, FICAMOS E MODIFICAMOS 1. Povos agrícolas da África Antiga 1. O continente africano é conhecido como o continente onde teriam surgido os hu- manos modernos. Leia o texto a seguir e analise a cena apresentada na imagem. O passado que não foi contado [...] As evidências demonstram que tivemos a primeira revolução tecnológica da humanidade na África. Nesse espaço, deu-se a passagem do homem de caçador e coletor de frutos e raízes para o estatuto de agricultor e pecuarista. A agricultura africana, no vale do rio Nilo, desenvolveu-se cerca de 18 mil anos atrás, sendo duas vezes mais antiga do que no sudoeste asiático [...]. A pecu- ária apareceu 15 mil anos atrás, perto da atual Nairobi (Quênia), sendo uma técnica sofisticada de domesticação de animais que deve ter se espalhado para os vales dos rios Tigre e Eufrates séculos depois. [...] FONSECA, Dagoberto José da. A História, o africano e o afro-brasileiro. Conteúdos e Didática de História. Departamento de Antropologia, Política e Filosofia - Faculdade de Ciências e Letras. Unesp/ Araraquara. Disponível em: https://acervodigital.unesp.br/bitstream/123456789/46188/1/01d21t05.pdf. Acesso em: 24 jul. 2021. Você percebeu que o texto e a imagem tratam de alguns aspectos da agricultura dos povos africanos no passado? Agora, participe de uma roda de conversa e discuta com os co- legas e o professor sobre como os conhecimentos agrícolas dos povos africanos chegaram às demais civilizações. Reprodução de desenho feito por volta do ano de 1700, mostrando cena de colheita em aldeia Khoikhoi, um povo antigo que ainda habita o continente africano. dl .w dl .o rg 060-063_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN5_CAP1_P4V1bx.indd 60060-063_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN5_CAP1_P4V1bx.indd 60 23/03/2022 11:23:0423/03/2022 11:23:04 4o ANO62 Agora, formalize as conclusões a que o grupo chegou sobre: ⊲ Por que a prática da agricultura ficou restrita a apenas algumas regiões do continente? ⊲ O que era necessário para que os povos realizassem o plantio agrícola no passado? Elabore hipóteses sobre as estratégias agrícolas que os povos africanos criaram e re- gistr-as por escrito. A África parece ser ao mesmo tempo um conjunto de berços agrícolas originais e um mosaico de centros de origem de plantas cultivadas, algumas das quais adquiriram uma importância eco- nômica de escala mundial. A África foi o local de origem de outros cereais importantes, entre os quais se destaca o arroz. Inicialmente, a rizicultura baseou-se nas variedades de arroz propriamente africanas, que mere- cem atenção [...]. O arroz africano fornece uma boa ilustração [...] quanto à origem das plantas cultivadas: grande extensão da área da espécie selvagem; possibilidade máxima de variação do arroz africano com predominância de características dominantes no delta central do Níger [...]; diversificação em va- riedades com caracteres recessivos no Alto Gâmbia e Casamance [...]. Portanto, a partir do delta central do Níger, as variedades cultivadas de arroz africano se difun- diram por todo o oeste da África até o litoral da Guiné. A coleta da espécie selvagem O. glaberrima é, sem dúvida, muito antiga. Esse cereal deveria ser abundante nas regiões de coleta relativamente intensiva, onde as condições favoreceram o início do cultivo de vegetais. Podemos, portanto, supor que o cultivo desse arroz é, pelo menos, tão antigo quanto o dos outros cereais africanos. KI-ZERBO, Joseph (Ed.). História geral da África, I: Metodologia e pré-história da África. 2.ed. rev. Brasília: Unesco, 2010. p. 797. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/ download/texto/ue000318.pdf. Acesso em: 24 jul. 2021. (Adaptado) 060-063_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN5_CAP1_P4V1bx.indd 62060-063_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN5_CAP1_P4V1bx.indd 62 23/03/2022 11:23:0523/03/2022 11:23:05 HISTÓRIA61 PRATICANDO 1. Organize-se em grupo para fazer a análise da imagem e do texto a seguir. Origem, desenvolvimento e expansão das técnicas agrícolas [...] O papel da África no desenvolvimento da agricultura, de suas técnicas e de seus recursos foi minimi- zado, até mesmo ignorado, devido a preconceitos coloniais e ao desconhecimento da origem [...]. Essa situação mudou radicalmente e, nos últimos anos, tem-se manifestado um grande interesse pelo estudo das origens da agricultura africana [...]. A propósito dos desertos, mais especificamente do Saara, é preciso lembrar que nem sempre foram re- giões áridas, tendo permitido, no passado, a prática da agricultura e da criação de animais. Diversos autores sugeriram que certos berços agrícolas e pastoris poderiam estar situados no Saara. [...] O desenvolvimento da pesca e a relativa sedentarização das populações que se dedicavam a essa atividade, condição propícia a uma transição progressiva para a produção agrícola. [...] parecem ter existido no continente africano locais privilegiados onde a coleta abundante certamente encorajou a concentração de populações humanas [...]. Foi o que aconteceu nas zonas de transição entre floresta e savana situadas na periferia da floresta equatorial, nos planaltos herbáceos do leste da África, nas margens dos lagos e gran- des rios, inclusive o Nilo, assim como nas regiões litorâneas ao norte e ao sul do continente. Essas zonas de transição, particularmente a interface floresta-savana, tornaram-se, muito mais tarde, “nichos” privilegia- dos para o desenvolvimento da agricultura e, consequentemente, para a emergência de algumas das civi- lizações africanas [...] “nos limites das duas savanas (sahel e orlas de florestas) [em] que se situam as mais prestigiosas civilizações bantu”. [...]. Cy nt hi a B rit o/ Pu lsa r Mulheres trabalhando na colheita do arroz no Senegal, um país do continente africano, em 1987. KI-ZERBO, Joseph (org.). História geral da África, I: Metodologia e pré-história da África. 2.ed. rev. Brasília: Unesco, 2010. p. 782 - 787. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/ download/texto/ue000318.pdf. Acesso em: 24 jul. 2021. (Adaptado) 060-063_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN5_CAP1_P4V1bx.indd 61060-063_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN5_CAP1_P4V1bx.indd 61 23/03/2022 11:23:0523/03/2022 11:23:05 HISTÓRIA63 RETOMANDO 1. Analise as imagens abaixo. Elas retratam situações e atividades nas quais os grupos africanos que eram trazidos para o Brasil e seus descendentes foram colocados. Os africanos e seus descendentes tiveram importante participação no desenvolvimento da agricultura brasileira em diferentes épocas, como durante a produção da cana-de-açúcar e do cacau. Agora, como forma de expressar seus conhecimentos e valorizar o trabalho desses grupos, crie uma paródia de uma música que você conheça, contando o que aprendeu com a prática agrícola africana dos povos antigos e as possíveis contribuições deles para a agri- cultura atual. Ar qu ivo N ac io na l Ch ico Fe rre ira /P ul sa r RUGENDAS,Johann Moritz. Moenda de cana- -de-açúcar, 1835. Coleção do Arquivo Nacional, Rio de Janeiro. Detalhe de colheita de cacau plantado em área reflorestada no sistema Agroflorestal do Assentamento Terra Vista. Rota do Cacau. Arataca (BA), 2019. 060-063_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN5_CAP1_P4V1bx.indd 63060-063_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN5_CAP1_P4V1bx.indd 63 23/03/2022 11:23:0923/03/2022 11:23:09 PÁGINA 60 PÁGINA 61 PÁGINA 62 PÁGINA 63 1. Povos agrícolas da África Antiga 4o ANO60 Sobre o capítulo • Contextualizando: analisar texto e imagem para embasar a roda de conversa. • Praticando: intepretar fontes escritas e visuais sobre os modos de vida dos africanos ao longo da história. • Retomando: sistematizar os conteúdos estuda- dos no capítulo por meio de um registro escrito. Objetivos de aprendizagem • Investigar algumas características do desenvol- vimento agrícola de povos africanos no passado. Contexto prévio Para este capítulo, a turma deve possuir conhe- cimentos sobre costumes de povos do continente africano, possivelmente já estudado no 2o e 3o anos. Esses conhecimentos devem abranger a geogra- fia física diversificada do continente africano, com áreas de deserto sem água e densas florestas, com distribuição desigual da população, concentrando- -se nas regiões mais próximas dos locais em que há água disponível. Caso seja possível, aborde o tema de forma interdisciplinar com o professor de Geografia. Dificuldades antecipadas Durante o capítulo, é possível que a turma encontre alguma dificuldade para compartilhar o que sabe sobre como aconteceu o processo de migração forçada dos povos africanos para a América (principalmente para o Brasil) e o processo de escravização desses povos. Nesse caso, diga que os povos africanos, antes da chegada dos europeus à África, também tinham seus reinos e organizações políticas próprias, desenvolvimento de comércio interno e agricultura, o que aos poucos foi sendo destruído devido à ex- ploração e à diáspora dos povos africanos. Para saber mais • Ciência Hoje das Crianças, Ano 19, nº. 168, maio 2006. Disponível em: https://cienciahoje. periodicos.capes.gov.br/storage/acervo/chc/ chc_168.pdf. Acesso em: 22 set. 2021. • LIMA, Mônica. Reinos da África. Ciência hoje das Crianças, 6 dez. 2018. Disponível em: http://chc.org. br/artigo/reinos-da-africa/. Acesso em: 22 set. 2021. • O desafio da agricultura africana. TV Brasil, 17 maio 2017. Disponível em: https://tvbrasil.ebc.com. br/novaafrica/episodio/o-desafio-da-agricultura- africana. Acesso em: 22 set. 2021. Habilidade da BNCC EF04HI05 Relacionar os processos de ocupação do campo a intervenções na natureza, avaliando os resultados dessas intervenções. CONTEXTUALIZANDO Orientações Auxilie, se necessário, os alunos na leitura do texto e na interpretação da cena apresentada na imagem. Em seguida, incentive os alunos a refletir sobre o que contribuiu para que os povos africanos desenvolvessem a agricultura. Se necessário, chame a atenção da turma para a geografia do continente africano e da possível proximidade de determinadas comunidades aos grandes rios, ao terreno, às condições naturais essenciais, ao desenvolvimento de técnicas e a ferramentas agrícolas. Aproveite o momento e converse com os alunos sobre a possibilidade de os conhecimentos agrícolas dos povos africanos antigos terem sido preservados em apenas um grupo ou se esses conhecimentos foram disseminados para outros povos e de que maneira isso aconteceu. Espera-se que a turma perceba que a circulação das pessoas e das informações permitiu que as técnicas, ferramentas e produtos chegassem a outros lugares, próximos ou distantes, com a passa- gem do tempo, inclusive chegando ao Brasil com os africanos que foram escravizados. Questione e escute os alunos sobre a movimentação dos povos africanos para outros lugares e se essa movimentação sempre aconteceu pela vontade desses povos. Aproveite o momento para conversar com a turma sobre o processo de escravização, que forçou essa migração dos africa- nos e, junto com eles, conhecimentos e habilidades. Realize o fechamento da roda de conversa retomando as questões mais relevantes, esclarecendo os pon- tos conflitantes e os equívocos trazidos pelos alunos. Sugere-se que essa atividade seja desenvolvida como avaliação diagnóstica da turma. https://cienciahoje.periodicos.capes.gov.br/storage/acervo/chc/chc_168.pdf https://cienciahoje.periodicos.capes.gov.br/storage/acervo/chc/chc_168.pdf https://cienciahoje.periodicos.capes.gov.br/storage/acervo/chc/chc_168.pdf http://chc.org.br/artigo/reinos-da-africa/ http://chc.org.br/artigo/reinos-da-africa/ https://tvbrasil.ebc.com.br/novaafrica/episodio/o-desafio-da-agricultura-africana https://tvbrasil.ebc.com.br/novaafrica/episodio/o-desafio-da-agricultura-africana https://tvbrasil.ebc.com.br/novaafrica/episodio/o-desafio-da-agricultura-africana HISTÓRIA61 PRATICANDO Expectativa de resposta 1. Espera-se que os alunos levantem hipóteses de acordo com a imagem e o texto apresentados. Orientações Organize a turma em grupos. Apresente a imagem e faça a leitura coletiva dos textos. No conteúdo em destaque, chame a atenção dos alunos e peça que ob- servem atentamente as informações e digam sobre qual assunto ele trata. Incentive os grupos a refletir sobre os primeiros cultivos no continente africano. Peça que observem a imagem novamente e identifiquem o produto cultivado. Informe que há outros produtos cultivados, como milho e soja. Com base nas leituras, pergunte a eles por que as plantações são encontradas apenas em algumas regiões e não em todo o continente, bem como de que os povos precisariam, naquela época, para realizar o plantio agrícola. Auxilie a turma, se necessário, a levantar hipóteses sobre estratégias que os povos afri- canos do passado poderiam ter criado para desenvolver a agricultura. Informe sobre a diversidade geográfica do continente africano. Oriente cada grupo a registrar suas respostas por escrito. RETOMANDO Expectativa de resposta 1. Resposta pessoal. Espera-se que os alunos esco- lham uma canção e criem uma paródia de acordo com as aprendizagens do capítulo. Orientações Mantenha os alunos nos grupos e os oriente quanto à análise das imagens e das situações que elas repre- sentam. Ressalte com a turma os momentos históricos e econômicos nos quais os povos africanos, trazidos de maneira forçada para o Brasil, e seus descendentes, os afro-brasileiros, tiveram participação importante para a nossa sociedwade e contribuíram, a partir do seu trabalho e dos conhecimentos que possuíam, para o desenvolvi- mento da agricultura brasileira em diferentes períodos, como o da cana-de-açúcar e do cacau. Em seguida, apre- sente o conceito de paródia para a turma e os auxilie, se necessário, ao longo do processo de criação. Ressalte a necessidade de se ter cuidado com as palavras e as frases, evitando termos inadequados ou que possam promover o racismo e o preconceito. Em seguida, solicite que realizem a socialização de suas produções. Para complementar a atividade, se achar válido e se houver tempo, peça que façam uma ilustração para acompanhar com a letra da paródia que produziram. ANOTAÇÕES 4o ANO62 4o ANO64 2. Desafios da agricultura no Brasil 1. Observe a imagem a seguir junto com os colegas e o professor. A imagem traz uma cena de plantio agrícola por integrantes de uma comunidade indí- gena. Agora, leia o texto a seguir: Os primeiros agricultores e ceramistas Os arqueólogos têm buscado descobrir como viviam os povos do passado distante nas terras que depois foram chamadas de Brasil. As pesquisas revelaram pistas de que havia cultivo de plantas que eram utili- zadas para alimentação e da criação de reservas alimentares – ou de sementes para plantio – no último milênio antes da nossa era, e talvez no final do milênio anterior. Grãos de milho descobertos em Santana do Riacho (MG) foram datados com cerca de 2.800anos atrás, enquanto outros, encontrados em ca- madas de outros terrenos, supõe-se que teriam quase 4.000 anos. Depósitos de espigas de milho, mandioca, caroços de algodão, cascas de amendoim (os mais recentes contêm também grãos de feijão) e outros elementos perecíveis, guardados em estruturas vegetais tran- çadas, ou mantidas por cordões, foram encontrados em vários abrigos do norte de Minas Gerais e do oes- te da Bahia. Além de vegetais cultivados, contêm co- quinhos, restos de fruto de jatobá, urucum, sementes de maracujá e até penas coloridas. PROUS, André. O Brasil antes dos brasileiros - A pré-história do nosso país. Rio de Janeiro: Zahar, 2007. Disponível em: https://leaarqueologia.files.wordpress.com/ 2013/11/o-brasil-antes-dos-brasileiros-andre-prous.pdf. Acesso em: 24 jul. 2021. (Adaptado) Glossário Arqueólogo: Profissional que estuda as culturas e os povos do passado, por meio de fósseis, habitações, resíduos cerâmi- cos e outros materiais. Datado: Indicação da data de produção ou de existência de um material. Milênio: Período de mil anos. Perecível: Que pode estragar facilmente. Ge rs on G er lo ff/ Pu lsa r Família indígena Guarani cuidando de sua roça na aldeia Tekoá Porã, no município de Salto de Jaú (RS), em 2017. 064-067_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN5_CAP2_P4V1bx.indd 64064-067_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN5_CAP2_P4V1bx.indd 64 23/03/2022 11:24:2223/03/2022 11:24:22 4o ANO66 VEZZALI, F. Desmatamento e poluição seguem o rastro do agronegócio. Repórter Brasil, 20 jul. 2006. Disponível em: https://reporterbrasil.org.br/2006/07/desmatamento-e-poluicao- seguem-o-rastro-do-agronegocio/. Acesso em: 24 jul. 2021. 2. Escolha uma das manchetes analisadas e faça uma sugestão de como poderia ser solucionado o problema apresentado. Desmatamento e poluição seguem o rastro do agronegócio 064-067_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN5_CAP2_P4V1bx.indd 66064-067_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN5_CAP2_P4V1bx.indd 66 23/03/2022 11:24:2323/03/2022 11:24:23 HISTÓRIA65 Depois de ter analisado a imagem e feito a leitura do texto, responda: a. Como acontecia o plantio de alimentos e produtos no passado? b. Como deveriam ser as condições do ambiente e do solo em que se plantava? c. Quais eram as possíveis dificuldades encontradas pelos povos do passado para o plantio? Como você acha que eles resolviam esses problemas? PRATICANDO 1. Analise as manchetes a seguir, que trazem informações sobre a agricultura no Brasil. Depois, escreva uma frase relacionada ao problema identificado nas situa- ções apresentadas em cada uma dessas manchetes. EMBRAPA. O desafio do uso da água na agricultura brasileira. Embrapa Disponível em: https://www.embrapa.br/agua-na-agricultura/sobre-o-tema. Acesso em: 24 jul. 2021. Água na Agricultura O desafio do uso da água na agricultura brasileira 064-067_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN5_CAP2_P4V1bx.indd 65064-067_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN5_CAP2_P4V1bx.indd 65 23/03/2022 11:24:2323/03/2022 11:24:23 HISTÓRIA67 RETOMANDO 1. É hora de aprender com um jogo chamado “A trilha da plantação”. As frases que você criou na etapa anterior serão as peças do jogo. No Anexo 1, você tem à dispo- sição o tabuleiro para desenvolvê-lo. Leia a seguir as regras do jogo e organize-se em grupo com os colegas. Trilha da plantação ⊲ Participantes: de 2 a 4 jogadores ou duplas de jogadores. ⊲ Peças: tabuleiro, dado, marcadores pequenos (grãos) e cartas. Como jogar: ⊲ O grupo define coletivamente quem começa o jogo e a ordem dos jo- gadores. ⊲ O jogador ou dupla escolhe a sua trilha. ⊲ Na ordem estabelecida, cada jogador, na sua vez, joga os dados e mo- vimenta sua peça de acordo com o número de casas que o dado indicar. ⊲ Se o marcador parar em uma das casas coloridas da trilha de um jo- gador, ele deverá retirar uma carta e fazer a leitura. De acordo com a situação da carta, ele poderá avançar ou voltar 1 casa na trilha. ⊲ A carta lida será colocada no final do monte. Ganha quem chegar primeiro à última casa! 2. Para finalizar os estudos deste capítulo, registre a seguir os principais aprendiza- dos e o que você achou mais interessante. PÁGINA 64 PÁGINA 65 PÁGINA 66 PÁGINA 67 2. Desafios da agricultura no Brasil HISTÓRIA63 Sobre o capítulo • Contextualizando: analisar uma foto e um texto e refletir sobre os desafios da agricultura no Brasil. • Praticando: analisar manchetes e elaborar frases e sugestões de como resolver os problemas evidenciados. • Retomando: sistematizar os conhecimentos por meio do jogo Trilha da plantação. Objetivo de aprendizagem • Associar algumas características da agricultura brasileira antiga com a agricultura atual. Materiais • Dados. • Folhas de papel A4. • Grãos de milho ou grãos de feijão. • Tesouras de pontas arredondadas (uma por grupo). Contexto prévio A primeira atividade do capítulo aborda as con- tribuições agrícolas dos povos indígenas que atual- mente habitam terras demarcadas. Dialogue com a turma sobre essas contribuições. Em um primeiro momento, converse sobre o que eles compreendem dos conceitos de sedentário e nômade. Em seguida, incentive a turma a refletir sobre o que influenciou algumas comunidades brasileiras antigas a desenvol- ver a agricultura e a permanecer por mais tempo em um local, tornando-se sedentárias, enquanto outros continuaram sendo nômades. Ressalte que a práti- ca da agricultura favoreceu o desenvolvimento de técnicas agrícolas etc. Mesmo sendo uma época em que havia bastante espaço, a agricultura nas hortas e roças primitivas se desenvolveu preferencialmente em áreas onde havia escassas formações florestais. É importante incentivar a turma a refletir e a construir hipóteses sobre a agricultura primitiva brasileira e sua prática nas proximidades de rios e lagos, bem como sobre o desenvolvimento de instrumentos e técnicas. Explique à turma que os materiais retirados da natureza eram utilizados na produção de instru- mentos que facilitavam trabalhos agrícolas como revolver a terra em que a produtividade do solo não perdurava, para, após determinado tempo, buscar outros lugares férteis para o plantio. Dificuldades antecipadas É possível que a turma, a partir das noções que possuem sobre a produção agrícola do presente, apresente dificuldades em compreender o longo tempo e os obstáculos e atribulações pelos quais os primeiros grupos humanos passaram para de- senvolver a agricultura. Converse com a turma, en- fatizando que ter terra boa para plantar ainda é uma questão importante e polêmica para a qual são buscadas diferentes soluções – algumas benéficas, outras nem tanto, como o uso de produtos químicos. Atualmente, cerca de 25% das terras produtivas pertencem à agricultura familiar, enquanto a grande maioria, 75%, pertence ao agronegócio, voltado para a produção em larga escala, visando, sobretudo, à agroexportação, com o uso de maquinário e de produtos químicos para potencializar a produção. Habilidade da BNCC EF04HI05 Relacionar os processos de ocupação do campo a intervenções na natureza, avaliando os resultados dessas intervenções. CONTEXTUALIZANDO Expectativas de resposta 1. Respostas pessoais. Registre hipóteses dos alunos sobre as questões lançadas. Incentive a turma a pensar sobre os itens essenciais para fazer um plantio. Orientações Motive os alunos a analisar a imagem, que mostra um sistema agrícola atual, e a ler o texto, que retrata aspectos da agricultura dos povos antigos para per- ceberem que existe relação entre práticas antigas, e mais atuais. Registre as hipóteses dos alunos sobre as questões lançadas. Incentive a turma a pensar sobre os itens essenciais para fazer um plantio. Informe que a imagem apresentada é da agricultura familiar, a qual algumas comunidades agrícolas chamam de roça. Abra para comentários e hipóteses dos alunos sobre o que é agricultura familiar e sobre possíveis características sobre esse tipo de cultivo. Diga que o texto trata de práticas agrícolas3 As especiarias novimentando a história .............................................................................................. 65 Unidade 4 – Quem são os nômades e os sedentários? ............................................... 46 1 Nomadismo: relação humanos × natureza .............................................................................................47 2 Agricultura dos primeiros grupos humanos .......................................................................................... 51 3 Cerâmica: pistas do passado no presente .......................................................................................... 55 Unidade 3 – Como foi e como é: a minha cidade ......................................................... 39 1 Comunidades indígenas e o tempo: interferências das transformações ...................................... 40 2 Cultura popular: festejos e tradições ...................................................................................................... 43 Unidade 2 – Mudanças na trajetória da humanidade .................................................. 29 1 O ser humano e o domínio do fogo ........................................................................................................ 30 2 Vestígios dos primeiros humanos ........................................................................................................... 33 3 Mudanças no jeito de viver ..................................................................................................................... 36 Unidade 8 – Gastando as palavras e usando a comunicação ................................... 92 1 Meios de comunicação: transformações e evolução. ........................................................................ 93 2 Vamos entender a invenção da escrita? ............................................................................................... 96 3 O perigo das fake news ........................................................................................................................... 100 4 É possível incluir ou excluir através da internet? ...............................................................................103 Unidade 9 – Migrações no Brasil .................................................................................. 106 1 Migração indígena no Brasil ..................................................................................................................... 107 2 Migração nordestina ...................................................................................................................................110 3 Haitianos no Brasil ...................................................................................................................................... 113 Unidade 11 – Heranças do Brasil ....................................................................................123 1 Movimento migratório ................................................................................................................................ 124 2 Herança portuguesa no Brasil ................................................................................................................ 127 3 Herança africana no Brasil .................................................................................................................... 130 Unidade 10 – Fluxos migratórios .................................................................................... 116 1 Influência italiana no Brasil ........................................................................................................................ 117 2 De volta ao lar ............................................................................................................................................120 Unidade 7 – Rotas do Brasil ..............................................................................................81 1 Expansão marítima e a relação com o Brasil ........................................................................................ 82 2 Hidrovias do Brasil ..................................................................................................................................... 86 3 Transporte e trabalhadores do Brasil ................................................................................................... 89 Anexo .................................................................................................................................133 4o ANO8 UNIDADE 1 MOVIMENTO HUMANO: CAMINHOS PARA TRANSFORMAÇÃO COMPETÊNCIAS GERAIS DA BNCC 1; 9; 10. HABILIDADE DA BNCC EF04HI01 Reconhecer a história como resultado da ação do ser humano no tempo e no espaço, com base na identificação de mudanças e permanências ao longo do tempo. OBJETO DE CONHECIMENTO A ação das pessoas, grupos sociais e comunidades no tempo e no espaço: nomadismo, agricultura, escrita, navega- ções, indústrias, entre outras. UNIDADE TEMÁTICA Transformações e permanências nas trajetórias dos grupos humanos. PARA SABER MAIS • DIAS, Daniel dos Santos. Parintins a “ilha encantada” do Amazonas e terra do boi bumbá. Portal do Amazonas, 2017. Disponível em: http://portaldoamazonas.com/parintins-a-ilha-encantada-do-amazonas-e-terra-do-boi-bumba. Acesso: 17 ago. 2021. • FERNANDES, Cláudio. Família patriarcal no Brasil. Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/ historiab/familia-patriarcal-no-brasil.htm. Acesso em: 18 ago. 2021. • GOVERNO DO ESTADO DE MINAS GERAIS. Secretaria de Turismo. A cidade de Ouro Preto. Disponível em: https:// www.mg.gov.br/conteudo/conheca-minas/turismo/cidade-de-ouro-preto. Acesso em: 17 ago. 2021. • HIGA, Carlos César. Período Neolítico. Mundo Educação. Disponível em: https://mundoeducacao.uol.com.br/ historiageral/periodo-neolitico.htm. Acesso em: 17 ago. 2021. • SCOTT, Ana Silvia Volpi. As teias que a família tece: uma reflexão sobre o percurso da história da família no Brasil. História: Questões & Debates, n. 51, p. 13-29, jul./dez. 2009. Disponível em: https://revistas.ufpr.br/historia/article/ download/19983/13277. Acesso em: 18 ago. 2021. • SOUSA, Rainer. Período Paleolítico. Mundo Educação. Disponível em: https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/ periodo-paleolitico.htm. Acesso em: 17 ago. 2021. http://portaldoamazonas.com/parintins-a-ilha-encantada-do-amazonas-e-terra-do-boi-bumba https://brasilescola.uol.com.br/historiab/familia-patriarcal-no-brasil.htm https://brasilescola.uol.com.br/historiab/familia-patriarcal-no-brasil.htm https://www.mg.gov.br/conteudo/conheca-minas/turismo/cidade-de-ouro-preto https://www.mg.gov.br/conteudo/conheca-minas/turismo/cidade-de-ouro-preto https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/periodo-neolitico.htm https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/periodo-neolitico.htm https://revistas.ufpr.br/historia/article/download/19983/13277 https://revistas.ufpr.br/historia/article/download/19983/13277 https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/periodo-paleolitico.htm https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/periodo-paleolitico.htm HISTÓRIA9 UNIDADE 1 MOVIMENTO HUMANO: CAMINHOS PARA TRANSFORMAÇÃO 1. Somos a história que construímos 4o ANO8 1. Converse com os colegas da turma sobre as questões a seguir. ⊲ Como você imagina que viviam as pessoas na época dos avós de seus avós? ⊲ Como você pensa que devia ser a vida de seus avós quando eles eram crianças? ⊲ Será que atualmente existem pessoas que fazem as mesmas coisas da época dos seus avós? 2. Observe a imagem a seguir. Ela é o registro, feito por um viajante, há quase 200 anos, de uma cena comum em várias cidades do Brasil. DEBRET, Jean-Baptiste. Lavadeiras do rio das Laranjeiras, 1826. Aquarela, 16,6 cm × 22,3 cm. Coleção do Museu do Açude. Rio de Janeiro, Brasil. ⊲ Converse com os colegas e com o professor sobre o que está representado nela. ⊲ Quais são as semelhanças e as diferenças dados primeiros povos brasileiros. Peça à turma que pontue itens essenciais para o plantio. Pergunte se todos os tipos de plantio precisam dos itens listados e se é necessária a mesma quantidade 4o ANO64 de itens. Instigue o grupo a levantar hipóteses sobre como era o plantio e se essas técnicas ainda são utilizadas atualmente, além de como deveriam ser as condições do ambiente e do que plantavam, quais seriam as dificuldades para o plantio e como essas situações eram possivelmente resolvidas. PRATICANDO Expectativas de respostas 1. Resposta pessoal. É esperado que o aluno ela- bore uma frase semelhante à manchete. O que importa é que demonstre ter compreendido as questões relacionadas à manchete. Se a frase não for idêntica, valorize a paráfrase e procure ajudá-lo a desenvolver um pouco mais a ideia, de acordo com o que já viu neste e nos capítulos anteriores. 2. Resposta pessoal. Caso o aluno escolha a primei- ra manchete, é esperado que sugira formas de combater o desperdício de água, a proteção aos aquíferos etc. Se escolher a segunda, é possível que fale sobre a redução do uso de agrotóxicos e a diminuição na emissão de poluentes, entre outras sugestões. Orientações Converse com os alunos sobre a proposta de lei- tura de manchetes referentes à agricultura do Brasil. Esclareça à turma que cada aluno refletirá sobre as manchetes apresentadas. Converse com os alunos sobre a proposta de atividade. Oriente que leiam e re- flitam coletivamente sobre algumas questões. Durante a realização da conversa coletiva sobre as manchetes, circule entre os alunos e esclareça eventuais dúvidas. Informe o tempo que terão para realizar a atividade. Ao término dessa etapa, informe que cada aluno vai elaborar uma frase sobre cada uma das manchetes trabalhadas. Esclareça que essa frase será utilizada em um jogo que será trabalhado na próxima etapa e que as frases serão escritas em tiras de papel com o verso colorido nas cores rosa, verde, azul ou vermelho, antecipadamente organizadas por você. Auxilie os alu- nos a relacionar a produção das frases com o problema identificado na leitura das manchetes e de acordo com a situação apresentada: se as manchetes trabalhadas falarem de um problema da agricultura, o aluno de- verá registrar esse problema, pensar em uma solução e escrevê-la; se as manchetes trabalhadas indicarem uma solução, o grupo deverá identificar o problema e registrá-lo. Organize os alunos para a socialização das frases. A cada socialização, pergunte à turma se alguém gostaria de fazer um comentário sobre a produção do colega, sendo possível, assim, perceber os diferentes pontos de vista. Chame a atenção dos alunos para os desafios apresentados nas manchetes. Esclareça que muitos avanços são considerados revolucionários, fruto das técnicas positivas da época e em benefício da agri- cultura, respeitando o meio ambiente e os seres vivos, enquanto outros avanços não têm o mesmo cuidado. Peça que nomeiem os possíveis avanços diante do que trazem as manchetes. Ao final da seção, peça aos alu- nos que escolham uma das manchetes apresentadas e proponha uma solução para o problema. Sugere-se que essa atividade seja utilizada como avaliação por pares com a turma. RETOMANDO Expectativas de respostas 1. Durante o jogo, circule entre os grupos, oferecendo o auxílio necessário. 2. Respostas pessoais. Espera-se que os alunos consigam apresentar o que aprenderam sobre agricultura familiar. Orientações Para essa etapa, oriente os alunos quanto à forma- ção de grupos. Comunique que brincarão com um jogo em grupo de modo a rever, de forma lúdica, algumas situações sobre a agricultura no Brasil. Lembre à turma que as situações foram elaboradas por eles na propos- ta anterior (frases elaboradas na seção Praticando). Solicite que leiam as regras do jogo para os grupos e analisem o tabuleiro do jogo no Anexo 1. Depois, faça a mediação da leitura coletiva dessas regras para o esclarecimento das dúvidas da turma. Entregue o res- tante do material para os grupos (marcadores e o dado). Dê início ao jogo. Durante a atividade, circule entre os grupos, oferecendo o auxílio necessário. Diga que um dos membros do grupo ficará incumbido de controlar o avanço das peças marcadoras no tabuleiro do jogo. HISTÓRIA65 4o ANO68 3. As especiarias movimentando a história Geladeira armazenando alimentos. Lu is Da vil la/ Ph ot od isc /G et ty Im ag esObserve a imagem da geladeira. Esse é um eletrodoméstico encontrado em muitas residências que armazena e preserva me- lhor os alimentos. Mas será que sempre foi assim? 1. Pense e responda às perguntas. ⊲ Antes da energia elétrica, o que exis- tia no lugar do refrigerador para con- servar alimentos? ⊲ Que estratégias os povos antigos uti- lizavam para que os alimentos duras- sem por um tempo maior? ⊲ Quando seus familiares mais velhos eram crianças, o refrigerador já existia? Pa lê Z up pa n/ Pu lsa r Banca em mercado público municipal de Parnaíba (PI), 2008. Por volta dos séculos 15 e 16, especiarias como pimenta-do-reino, cravo-da-índia, anis- -estrelado, canela, entre outras, eram consideradas muito valiosas. Esses artigos, além de im- portantes no preparo de várias refeições, também eram usados para conservar os alimentos por mais tempo. Observe a imagem de um balcão de especiarias em um mercado no Brasil. ⊲ Quais as diferenças entre as formas de conservação dos alimentos apresentados nas imagens? 068-071_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN5_CAP3_P4V1bx.indd 68068-071_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN5_CAP3_P4V1bx.indd 68 23/03/2022 11:25:2623/03/2022 11:25:26 4o ANO70 Leia os textos a seguir, que trazem mais informações sobre o processo de expansão comercial das civilizações. Texto 1 Uma pitadinha de pimenta [O] comércio de especiarias foi extremamente importante para a civilização humana [...]. No início, as especiarias eram transportadas em caravanas puxadas por camelos que saiam de Chang’na, a então capital chinesa, passando pela Índia e pelos territórios que hoje correspondem ao Afeganistão e Paquistão, com destino ao leste do Mediterrâneo. [...] E os mercadores venezianos cobravam tão alto por seus produtos, que logo os espanhóis e os portu- gueses decidiram sair em busca de novas rotas para encontrar as especiarias. [...] Com as rotas de comércio abertas, não foram apenas as especiarias que começaram a circular livre- mente pelo mundo. As plantas também passaram a ser levadas de um país a outro, e o cultivo de determi- nadas variedades acabou se popularizando [...] RINCÓN, Maria Luciana. Veja como o sal e as especiarias ajudaram a “temperar” a História. Mega curioso, 20 jul. 2019. Disponível em: https://www.megacurioso.com.br/historia-e-geografia/ 74077-veja-como-o-sal-e-as-especiarias-ajudaram-a-temperar-a-historia.htm. Acesso em: 24 jul. 2021. (Adaptado) Texto 2 1. Responda às perguntas e socialize com os colegas as respostas. ⊲ Que palavras chamaram a sua atenção durante a análise da imagem e dos tex- tos lidos? Encontre-as e sublinhe-as ou circule-as. ⊲ Quais informações o texto trouxe sobre a importância das especiarias no passa- do? E no presente? Rota Valiosa: Especiarias somam US$ 26 milhões por ano às exportações baianas [...] Na Feira de São Joaquim, em Salvador, um dos principais entrepostos do estado, o cheiro dos condimentos se espalha pela loja Miranda dos Temperos [...]. O local comercializa mais de 100 variedades de especiarias, entre elas alecrim, anis, cravo, cominho, gengibre, canela e ambura- na de cheiro. Boa parte dos condimentos vêm do interior da Bahia, mas existem temperos de outros lugares, como o curry, comum na culinária indiana, e a páprica doce, indispensável na cozinha húngara [...]. Na culinária baiana, os temperos se tornaram indispensáveis em quase todos os pratos, salga- dos ou doces [...]. MAYNART, Georgina Rota Valiosa: Especiarias somam US$26 milhões por ano às exportações baianas. Correio,10 nov. 2019. Disponível em: https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/rota- valiosa-especiarias-somam-us-26-milhoes-por-ano-as-exportacoes-baianas/. Acesso em: 24 jul. 2021. 068-071_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN5_CAP3_P4V1bx.indd 70068-071_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN5_CAP3_P4V1bx.indd 70 23/03/2022 11:25:2723/03/2022 11:25:27 HISTÓRIA69 1. Crie uma lista sobre as possíveis especiarias que você consegue identificar, quais são seus usos e quais delas você e as pessoas com quem você mora utilizam em casa. PRATICANDO O mapa a seguir apresenta o caminho de Pedro Álvares Cabral até as Índias, em busca de expansão comercial por meio do uso e da produção de especiarias. Na tu ra l_W ar p/ Di gi ta lV isi on V ec to rs /G et ty Im ag es Viagem de Cabral ao Brasil e Calicute em 1500. Percurso percorrido por Pedro Álvares Cabral de Portugal à Índia em 1500. Percurso de regresso. OCEANO ATLÂNTICO NORTE BezeguicheBezeguicheBezeguicheBezeguicheBezeguicheBezeguicheBezeguicheBezeguicheBezeguicheBezeguicheBezeguiche CALICUTECALICUTECALICUTECALICUTECALICUTECALICUTE MoçambiqueMoçambiqueMoçambiqueMoçambiqueMoçambiqueMoçambiqueMoçambiqueMoçambiqueMoçambiqueMoçambiqueMoçambiqueMoçambiqueMoçambiqueMoçambique Piras e SegundasPiras e Segundas SofalaSofalaSofalaSofalaSofalaSofalaSofalaSofala QuíloaQuíloaQuíloaQuíloa MelindeMelindeMelindeMelindeMelinde CochimCochim CananoCananoCananoCanano AgendivaAgendivaAgendivaAgendivaAgendivaAgendivaAgendivaAgendivaAgendivaAgendiva Porto SeguroPorto SeguroPorto SeguroPorto SeguroPorto SeguroPorto SeguroPorto Seguro OCEANO ATLÂNTICO SUL OCEANO ÍNDICO Cabo da Boa Esperança Lisboa Canárias Cabo Verde 068-071_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN5_CAP3_P4V1bx.indd 69 23/03/2022 11:25:26 HISTÓRIA71 RETOMANDO Banca de especiarias. Pa lê Z up pa ni /P ul sa r 1. Organize um grupo com três colegas e escolha uma especiaria entre as que foram estudadas ao longo do capítulo para pesquisar e apresentar informações sobre ela. Organize com os colegas essas informações em uma folha avulsa e, depois, leve-as para a sala para uma produção de imagens e escrita. Socialize com a tur- ma sua produção, organizando com o professor um varal de textos e imagens. Crie com o grupo uma legenda sobre as imagens de especiarias que aparecem no varal interativo. ⊲ Converse com os colegas sobre a utilização das especiarias no lugar onde você mora: Qual é a mais utilizada? E qual é a sua preferência? 068-071_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN5_CAP3_P4V1bx.indd 71068-071_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN5_CAP3_P4V1bx.indd 71 23/03/2022 11:25:2723/03/2022 11:25:27 PÁGINA 68 PÁGINA 69 PÁGINA 70 PÁGINA 71 3. As especiarias movimentando a história 4o ANO66 Habilidade da BNCC EF04HI05 Relacionar os processos de ocupação do campo a intervenções na natureza, avaliando os resultados dessas intervenções. Sobre o capítulo • Contextualizando: analisar e discutir coletiva- mente sobre a conservação dos alimentos hoje e nos séculos passados. • Praticando: analisar fontes históricas escritas e relacioná-las com a importância e o consumo das especiarias. • Retomando: produzir varal interativo sobre a utilidade das especiarias trabalhadas. Objetivo de aprendizagem • Reconhecer a importância das especiarias no passado e no presente. Materiais • Folhas de cartolinas (uma para cada grupo). • Material para desenho. Contexto prévio Este capítulo contextualiza o comércio das espe- ciarias no passado, mais especificamente durante a participação dos portugueses no comércio com a região das Índias. Procure saber o que a turma conhece a respeito das especiarias como produtos naturais trazidos do Oriente, principalmente nos séculos 15 e 16. Incentive os alunos a criar hipóteses sobre como as especiarias são usadas. É impor- tante saber se esse assunto é de conhecimento de todos. Ouça o que os alunos têm a dizer sobre o uso desses produtos no passado e no presente, esclarecendo que, assim como o sal, eles eram importantes para a conservação dos alimentos. A turma deve compreender que o comércio das especiarias foi extremamente importante também para a circulação de mercadorias, pessoas e ideias entre os continentes. É importante ainda que per- cebam que esse comércio incentivou a busca por novas rotas marítimas que fossem seguras e rápidas até os locais onde as especiarias eram coletadas, contribuindo para mudança do rumo da história, como a navegação para territórios desconhecidos dos europeus e a disseminação de produtos e costumes pelos continentes. Dificuldades antecipadas Converse com a turma sobre o objetivo do capítulo. É possível que os alunos apresentem insegurança quanto ao significado da palavra “especiarias”. Caso perceba essa dúvida, convide um aluno voluntário para ler o significado no dicionário. Peça também que procure o significado de algumas especiarias que você conhece para perceber se elas fazem parte do contexto da turma. CONTEXTUALIZANDO Expectativas de resposta 1. Respostas pessoais. Espera-se que o aluno reflita sobre as questões propostas e socialize suas re- flexões. Abra o momento para o aluno comentar e complementar as discussões com suas vivências pessoais. Caso algum aluno partilhe que não é comum a utilização do refrigerador em seu con- texto, peça que partilhe o método de conservação dos alimentos utilizado no lugar onde vive. Orientações Convide a turma a fazer a análise das imagens e a refletir sobre as perguntas. Proponha a leitura das questões de maneira coletiva. Convide os alunos para uma socialização voluntária das reflexões deles e crie um espaço para aqueles que desejarem trazer contribuições pessoais. Informe que realizarão uma lista coletiva. Convide voluntários para falar o nome das especiarias que ob- servarem na imagem. Pergunte para a turma a utilidade de cada uma delas e peça que deem exemplos de seus usos em suas casas ou outro uso que conheçam. Retome o significado do termo “especiarias”. Peça para um dos voluntários que também leia no dicionário o significado das especiarias encontradas na imagem. Peça à turma que retorne à imagem e tente classificar as especiarias como ervas, condimentos ou temperos. Durante a elaboração da lista, abra o momento para quem quiser comentar ou complementá-la. Se não hou- ver tempo hábil para a produção da lista coletiva, peça que listem suas respostas de maneira individual. Após a elaboração da lista, registre no quadro os produtos HISTÓRIA67 existentes na imagem e a utilidade desses produtos na atualidade. Faça a leitura coletiva da lista e do uso das especiarias citadas pela turma. Essa atividade pode ser desenvolvida como uma avaliação formal escrita pelos alunos. PRATICANDO Expectativas de resposta 1. Espera-se que a turma mostre atenção para os traçados em vermelho e azul, que identificam no mapa a rota de ida e volta para o continente de produção e venda das especiarias. Espera-se que a turma relacione a rota das especiarias com a chegada dos portugueses às terras que hoje formam o Brasil. Orientações Incentive a turma a analisar o mapa da rota das especiarias. Façam a leitura coletiva da imagem. Chame a atenção para os traçados em vermelho e azul das rotas no mapa. Convide-os a identificar o continente de produção e venda das especiarias e peça a um aluno que socialize essa leitura do mapa. Incentive a turma a complementar as colocações do colega. Destaque os aspectos que foram observados pela turma e chame a atenção para os que não foram percebidos. A turma deve realizar a leitura das per- guntas e responder a cada uma delas por escrito. As respostas devem ser socializadas. Após análise do mapa, a turma realizará um momento de leitura dos textos, um deles remetendo ao passado e o outro à atualidade. A ideia é que possam ler e perceber que as especiarias trazidas pelos europeus se espalharam pelo mundo, sendo utilizadas e procuradas até hoje. Durante a leitura, circulepelos grupos, esclareça as dúvidas, retome as orientações necessárias. Ao tér- mino, leia as perguntas disparadoras da atividade para a turma e peça que respondam por escrito para, após isso, socializarem as respostas entre os grupos. Incentive cada grupo em seu momento de socializa- ção com perguntas para que façam reflexões a partir das colocações dos colegas. Faça um fechamento destacando os pontos mais relevantes trazidos em cada resposta. RETOMANDO Orientações A turma deve continuar em grupos. Dê alguns minutos para que os integrantes dos grupos relembrem pontos interessantes sobre o que foi estudado no capítulo. Em seguida, informe que cada grupo produzirá uma atividade sobre uma especiaria. Para que haja uma diversidade de especiarias, liste coletivamente o nome de algumas delas no quadro. Convide um voluntário de cada grupo para escolher o nome da especiaria que o grupo irá pesquisar. Informe que o grupo pode falar sobre a especiaria escolhida por meio de desenho e da escrita. Diga que, para esse momento, poderão utilizar informações dos textos e imagens, além de colocações da turma e do próprio grupo. Convide cada grupo para a socialização, retomando os pontos relevantes ou ne- cessários conforme as discussões. Com a turma toda, organize um varal com as produções. Faça a legenda coletivamente e permita que a turma escolha o local de exposição do trabalho. 4o ANO68 UNIDADE 6 CIRCULAÇÃO DE PESSOAS AO LONGO DO TEMPO COMPETÊNCIAS GERAIS DA BNCC 1; 2; 3; 7. HABILIDADE DA BNCC EF04HI06 Identificar as transformações ocorridas nos processos de deslocamento das pessoas e mercadorias, analisando as formas de adaptação ou marginalização. OBJETO DE CONHECIMENTO A invenção do comércio e a circulação de pessoas. UNIDADE TEMÁTICA Circulação de pessoas, produtos e culturas. PARA SABER MAIS • PREFEITURA Municipal de Itabira. Museu do tropeiro. Disponível em: https://turismo.itabira.mg.gov.br/detalhe-da- materia/info/museu-do-tropeiro/154241. Acesso em: 28 jul. 2021. • SANTOS, Leandro. O caminho original. Gazeta do Povo, abr. 2014. Disponível em: https://media.gazetadopovo.com. br/2011/04/d56759df02b00d6b7be0cfc77436e71d-gpLarge.jpg. Acesso em: 29 jul. 2021. Infográfico produzido pelo jornal Gazeta do povo que mostra a rota dos tropeiros entre o Rio Grande do Sul e o estado de São Paulo e apresenta algumas informações sobre o modo de vida desse grupo. • Vista minha pele. Direção: Joel Zito Araújo. Produção: CEERT – Centro de Estudos e Relações de Trabalho e Desigualdades. 2008. (26 min.). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=FRq4fkkm5Iw. Acesso em: 29 jul. 2021. O filme conta sobre uma história invertida, em que os negros são a classe dominante, e os brancos foram escra- vizados. Os países pobres são Alemanha e Inglaterra, enquanto os países ricos são, por exemplo, África do Sul e Moçambique. Maria é uma menina branca, pobre, que estuda num colégio particular graças à bolsa de estudos que tem pelo fato de sua mãe ser faxineira nesta escola. A maioria de seus colegas a hostilizam por sua cor e por sua condição social, com exceção de sua amiga Luana, filha de um diplomata que, por ter morado em países pobres, possui uma visão mais abrangente da realidade. Este filme é apropriado para as turmas de 4o ano. https://turismo.itabira.mg.gov.br/detalhe-da-materia/info/museu-do-tropeiro/154241 https://turismo.itabira.mg.gov.br/detalhe-da-materia/info/museu-do-tropeiro/154241 https://media.gazetadopovo.com.br/2011/04/d56759df02b00d6b7be0cfc77436e71d-gpLarge.jpg https://media.gazetadopovo.com.br/2011/04/d56759df02b00d6b7be0cfc77436e71d-gpLarge.jpg https://www.youtube.com/watch?v=FRq4fkkm5Iw HISTÓRIA69 UNIDADE 6 4o ANO72 CIRCULAÇÃO DE PESSOAS AO LONGO DO TEMPO 1. Práticas e trocas comerciais 1. Em uma roda de conversa, discuta com os colegas e o professor sobre as pergun- tas a seguir: ⊲ O que significa a palavra trocar? ⊲ O que seriam trocas ou práticas comerciais? ⊲ Cite exemplos de trocas ou práticas comerciais que ocorrem em seu cotidiano. 2. Observe as palavras abaixo. Você conhece o significado de todas? Consegue pen- sar em algo que elas têm em comum? ⊲ Qual é a diferença entre comprar algo e vender algo? ⊲ Todos os objetos que existem podem ser comprados ou vendidos? ⊲ Como e quem determina qual será o preço ou o valor de um produto? ⊲ Quais são os meios utilizados para o pagamento de algo? MERCADO VENDA COMPRA DOAÇÃO EMPRÉSTIMO NEGÓCIO CARTÃO ESCAMBO PREÇO PERMUTA PAGAMENTO COMÉRCIO DINHEIRO DÍVIDA ECONOMIA SALÁRIO MOEDA VALOR OURO LUCRO 4o ANO74 2. Agora, leia os documentos: Antigamente, as pessoas produziam as coisas apenas para a sua subsistência, ou seja, era tudo feito para o consumo próprio. Mas quando a produção era maior que a necessidade, as pessoas trocavam seus exce- dentes. Essa troca de mercadorias ficou conhecido por escambo. Não havia dinheiro como conhecemos nos dias de hoje. Mas havia uma dificuldade na hora de fazer as comparações entre mercadorias: como conseguir com- prar alimentos que valem meio boi se eu só tenho um boi inteiro? Além disso, era difícil acumular a “rique- za” uma vez que as coisas usadas nas trocas eram perecíveis. Foi com o uso de metais – principalmente cobre, outro, prata e bronze – que permitiu a padronização de valores e facilitou a troca de mercadorias, deixando o comércio mais dinâmico. Nas feiras da Idade Média, as pessoas trocavam produtos por moedas de ouro. A profissão de ban- queiro surgiu nessa época. Ele era o responsável pela pesagem das moedas. ⊲ Represente, em um esquema com desenhos, o desenvolvimento das trocas comer- ciais, desde os primeiros grupos humanos até os dias atuais. Para essa atividade, considere o que você apreendeu com as leituras dos documentos dessa página. O Banqueiro e sua mulher, de Q. Matsys (1514). Óleo sobre painel de madeira, 74 × 68 cm, Museu do Louvre, Paris, França. By Q ui nt en M et sy s - Th e Yo rc k P ro je ct (2 00 2) P ub lic D om ain 072-075_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN6_CAP1_P4V1bx.indd 74072-075_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN6_CAP1_P4V1bx.indd 74 23/03/2022 12:02:2023/03/2022 12:02:20 HISTÓRIA73 PRATICANDO 1. Leia o texto abaixo, inspirado por Darcy Ribeiro, um importante antropólogo que es- tudou e pesquisou sobre as populações indígenas e a formação do povo brasileiro. DINHEIRO O dinheiro pode parecer algo estranho e assustador. Afinal, é só um pedaço de papel. Em tempos antigos, cada um desses pedaços de papel equivalia a uma quantia em ouro, guardada em algum lugar. Para os índios, que não estavam acostumados com o conceito de dinheiro e de papel como moeda de troca, podia ser confuso ver alguém trocando os mesmos cinco cruzeiros por tantas coisas dife- rentes. Alguém podia comprar um cacho de bananas ou um remédio com aquela quantia, e ninguém estaria sendo enganado. Ou assim parecia... Baseado em: RIBEIRO, Darcy. Noção das coisas. São Paulo: FTD, 1965. p. 61. a. Por que o dinheiro pode parecer assustador ou ruim? b. Você consegue imaginar um mundo em que as pessoas não utilizassem dinhei- ro, cartão, banco ou nenhum tipo de moeda? Explique. c. Por que os indígenas poderiam ficar confusos com o fato de uma mesma nota de dinheiro poder comprar diversas coisas diferentes? HISTÓRIA75 RETOMANDO 1. Faça um exercício de imaginação histórica, tentando se colocar no lugar de pessoas que viviam ou vivem sem a utilização do dinheiro. Para essa atividade, siga as orientações abaixo. ⊲ Forme dupla com um colega de sala. ⊲ Em seguida, converse sobre o que mudaria na vida de vocês se não existisse dinheiro e o quanto o dinheiro faz ou não parte da vida de vocês e de suas famílias. ⊲ Elabore um pequeno texto sobre como seria um dia da vida de vocês sem a existência do dinheiro. Quais seriam as dificuldades? Vocês teriam algumas van- tagens? Como fariam para adquirir alimentos, roupas, materiais escolares, entre outros itens? ⊲ Organizeuma apresentação oral para que outras duplas conheçam quais foram as soluções pensadas por você e seu colega de dupla. 072-075_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN6_CAP1_P4V1bx.indd 75072-075_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN6_CAP1_P4V1bx.indd 75 23/03/2022 12:02:2023/03/2022 12:02:20 PÁGINA 72 PÁGINA 73 PÁGINA 74 PÁGINA 75 1. Práticas e trocas comerciais 4o ANO70 Sobre o capítulo • Contextualizando: levantar os conhecimentos prévios sobre trocas e atividades comerciais na história. • Praticando: desenvolver reflexões sobre o texto de Darcy Ribeiro mediadas por questões para o estudo da fonte. Ampliar os conhecimentos sobre o conceito de comércio e comercialização, relacionando o passado e a atualidade. • Retomando: sistematizar os estudos do capítulo em uma atividade de imaginação histórica em que os alunos vão vivenciar situações que se remetem a um período em que não existia dinheiro. Objetivo de aprendizagem • Reconhecer a existência de diversas práticas e trocas comerciais em diferentes espaços e tempos históricos. Contexto prévio A ideia central deste capítulo é fazer com que os alunos reflitam sobre a existência de diferen- tes práticas comerciais para além daquelas que provavelmente estão presentes em seu cotidiano. Contemplar a socialização de experiências com formas de pagamento como uma das possibilidades de comércio da atualidade. Dificuldades antecipadas É possível que os alunos apresentem certa dificuldade em imaginar um tempo em que não existia moeda, no caso, o dinheiro, como forma de pagamento para as trocas comerciais. Caso seja necessário, busque mais fontes que possam ser usadas para exemplificação e ilustração do capítulo. Habilidade da BNCC EF04HI06 Identificar as transformações ocorridas nos processos de deslocamento das pessoas e mercadorias, analisando as formas de adaptação ou marginalização. CONTEXTUALIZANDO Expectativas de resposta 1. Respostas pessoais. Espera-se que o aluno res- ponda que trocar significa entregar algo para se obter outra coisa. É possível que eles respondam a partir de exemplos reais como trocas entre itens colecionáveis. Sobre os termos trocas ou práticas comerciais, espera-se que os alunos respondam que são qualquer ação que envolva a troca de um produto por outro ou por uma moeda. Essa ação é um ato pós-produção, ou seja, que tem por objetivo a entrega do produto ou serviço ao consumidor. Para a última pergunta, podem surgir exemplos diversos, entre eles, as vendas diretas de produtos. Orientações Na atividade 1, converse com a turma sobre as questões. Deixe que falem livremente e levantem suas hipóteses sobre o tema. Com essas indagações pre- tende-se fazer com que os alunos se familiarizem com a temática do capítulo. Na atividade 2, conceda um tempo para que os alunos leiam e façam comentários espontâneos. Fique atento, pois o que for mencionado pode ser um “assunto gatilho” para outros temas que serão tratados na aula. A ideia aqui é fazer com que os alunos se familiarizem com diversos termos relaciona- dos ao universo das trocas de mercadorias, produtos e culturas. É provável que grande parte dos alunos já tenha ouvido falar e saiba dar exemplos sobre a maioria das palavras que constam na ilustração. Não é necessário que eles saibam explicar com profundidade cada um desses conceitos, mas é fundamental que entendam que são palavras que compõem um mesmo conjunto de ideias. PRATICANDO Expectativas de respostas 1. a. O autor diz que dinheiro “é só papel impresso” e esse papel pode ter muito valor. b. Respostas pessoais. Espera-se que os alunos sejam imaginativos em suas respostas, demons- trando haver certa dificuldade para viver sem dinheiro. Todos teriam que produzir algo para trocar com os demais e obter os diferentes produtos necessários à sobrevivência. c. Os indígenas não entendiam que a nota é uma representação de uma quantidade que poderia ser usada em diversos contextos. HISTÓRIA71 2. Em seus cadernos, é esperado que os alunos de- senhem o desenvolvimento das trocas comerciais, evidenciando algumas etapas discutidas nesse capítulo: a época do escambo (das primeiras ci- dades), depois, a invenção das moedas (na Grécia e Roma antigas), o surgimento dos banqueiros e das feiras (na Idade Média), e, podem ilustrar as trocas atuais, com cartões de crédito ou compras pela internet. Orientações Promova a leitura e a compreensão do texto. Logo após , você pode perguntar aos alunos o que enten- deram. A medida em que forem mencionando suas ideias, escreva palavras-chave correspondentes no quadro. Explique que o desenvolvimento do comér- cio foi algo lento, que ocorreu em milhares de anos: desde os primeiros grupos humanos sedentários até os dias atuais. RETOMANDO Orientações Fazer esse tipo de exercício provoca no aluno uma empatia com outros sujeitos históricos e o faz refletir sobre as próprias condições em que vive. É muito in- teressante que os alunos percebam que o mundo nem sempre foi como eles o encontraram quando nasceram, ou seja, foram necessários milhares de anos para que chegássemos onde estamos, e nem por isso precisamos ter apenas uma maneira de viver, de se relacionar e de trocar. Oriente-os a imaginar e registrar como seria um dia da vida deles levando em consideração as questões apresentadas no terceiro tópico. Ao final, as duplas devem fazer uma breve apresen- tação para a turma contando o que mudaria em seu cotidiano caso o dinheiro deixasse de existir de uma hora para outra. Para isso, organize o momento que cada dupla falará, ressaltando com os outros colegas a importância em respeitar as apresentações, podendo fazer perguntas apenas em momentos adequados. Aproveite esse momento para realizar uma ava- liação diagnóstica (ou sondagem) que identificará potencialidades e fragilidades na aprendizagem sobre a temática, reconhecendo as lacunas de aprendizagem que os alunos apresentarem. Esses conhecimentos serão aperfeiçoados durante os demais capítulos desta unidade. Leitura complementar para o professor Um pouco de História Nem sempre o dinheiro existiu. Na verdade, no início dos tempos, não havia dinheiro em nenhum lugar do mundo. As pessoas trocavam as coisas de que precisavam. Se alguém tinha bastante carne e outra pessoa havia colhido muitas frutas, trocavam a carne pelas frutas. Assim, as duas ficavam satisfeitas. Pesquisas arqueológicas indicam que as moedas sur- giram há quase 4 mil anos (2 500 a.C.), o que torna o dinheiro tão antigo quanto as pirâmides do Egito. As primeiras moedas surgiram no séc. 7 a.C., no reino da Lídia, onde hoje fica a Turquia. Os lídios inventaram a moeda moderna, com pesos, tamanhos e valores diferentes. Cada pedaço de metal tinha um valor que correspondia a um determinado produto. Assim, o homem começou a dividir e pesar o metal quando pretendia realizar um negócio. Entre 640 e 630 a.C., é inventada a cunhagem: as moedas passam a ser identificadas por imagens gravadas em relevo, como as moedas de hoje. Ao cunhar e emitir milhares de moedas, os lídios inventaram uma economia muito rica e farta, e fizeram fortunas na Antiguidade. A primeira moeda cunhada em Roma foi feita em 268 a.C., e chamava-se denário – termo que é a origem da palavra dinheiro. O denário era feito de prata e servia como base do sistema de moedas (sistema monetário) de Roma. Ele também era fabricado no templo dedicado à deusa Juno Moneta, que deu origem às palavras “moeda” e “monetário”. Apesar do dinheiro ter surgido pela primeira vez no reino da Lídia, há milhares de anos, ele desapareceu com o fim do Império Romano. E quando a Idade Média chegou, com servos que cultivavam os alimentos em imensas propriedades de senhores feudais, a terra passou a ser a coisa mais valiosa. As pessoas só produziam o que precisavam, e o escambo (a troca) tomou o lugar do dinheiro. Nas sociedades modernas, o dinheiro é essen- cialmente um símbolo – uma abstração. Asnotas são o tipo mais comum de dinheiro utilizado presen- temente. No entanto, bens como o ouro e a prata mantêm muitas das características essenciais de ser dinheiro. A emergência do dinheiro não depende de uma autoridade central ou governo. É um fenómeno do mercado; na prática, entretanto, os tipos de moeda mais aceites atualmente são aqueles produzidos e sancionados pelos governos. A maior parte dos 4o ANO72 países possuem um padrão monetário específico – um dinheiro reconhecido oficialmente. Algumas excepções são o euro (usado por diversos países europeus) e o dólar (utilizado em todo mundo). As funções do dinheiro As moedas e notas diariamente utilizadas para aquisição de bens e serviços são uma invenção re- cente na história da Humanidade, aliás a sua desco- berta representou um marco histórico. Há milhares de anos, os homens não precisavam de dinheiro. As poucas pessoas que existiam viviam em peque- nas comunidades, compostas por uma só família, e subsistiam com a caça e a vegetação disponíveis na região habitada. Mais tarde, o crescimento des- sas minúsculas comunidades deu origem a novos núcleos de famílias, que se fixaram na sua própria fronteira, delimitando a sua área de plantação e caça. Entretanto, nem todos produziam os mesmos produtos, o que deu origem ao processo primitivo de divisão do trabalho e especialização. Enquanto uns pescavam, outros caçavam ou plantavam, o que permitiu que os núcleos passassem a trocar o seu excedente. Uma boa caça poderia ser trocada por uma quantidade razoável de feijões; e estes, por sua vez, por um número generoso de frutos. Como era natural, determinadas comunidades, por seus recursos naturais, habilidades dos seus cidadãos ou por outros motivos, produziam em abundância determinados bens, em detrimento da escassez de outros; em contrapartida, povos vizinhos ou até dis- tantes, pelos mesmos motivos, tinham os mesmos ou outros produtos suplementares. Surge, assim, por necessidades coletivas e individuais, a troca ou a permuta de mercadorias, também denominada escambo. É claro que nem tudo era tão simples. Para trocar um objeto por outro os desejos das partes tinham de ser coincidentes. Imaginem um indivíduo que tenha laranjas e queira maçãs. Seria pouco pro- vável encontrar um outro indivíduo com gostos exa- tamente opostos, ou seja, ansioso por vender maçãs e comprar laranjas. Mesmo que se verificasse essa coincidência, ainda assim colocavam-se problemas relacionados com as quantidades e os termos de troca desejados. Outras vezes, não era do interesse do que possuía maçãs, trocá-las por laranjas, mas por açúcar. Então, o que tinha laranjas, e que que- ria maçãs, teria que procurar alguém que tivesse açúcar e o quisesse trocar por laranjas e depois ir obter as maçãs. Assim, à medida que aumentavam os produtos disponíveis nos mercados, a prática do escambo tornou-se cada vez mais difícil. BCV. O que é o dinheiro. Caderno n. 2, Série Educação Financeira. BCV. Disponível em: http://www.bi.cv/upl/%7B90e4daab-068f-4b1f- 9e18-8fbfb04cd90f%7D.pdf. Acesso em: 30 nov. 2021. ANOTAÇÕES http://www.bi.cv/upl/%7B90e4daab-068f-4b1f-9e18-8fbfb04cd90f%7D.pdf http://www.bi.cv/upl/%7B90e4daab-068f-4b1f-9e18-8fbfb04cd90f%7D.pdf HISTÓRIA73 4o ANO76 2. Pessoas não são mercadorias! 1. Converse com a turma e o professor. ⊲ O que é comércio? ⊲ O que seria o comércio de pessoas? ⊲ Você acha que é correto as pessoas serem tratadas como mercadorias? 2. Discuta com os colegas os anúncios publicados no jornal A Província de S.Paulo, do século 19, em que pessoas eram tratadas como mercadoria e propriedade. ANÚNCIOS em jornais do século 19. In: FREYRE, G. O escravo nos anúncios de jornais brasileiros do século XIX. 1 ed. digital. São Paulo: Global, 2012. p. 71. Bi bl io te ca B ra sil ian a G ui ta e Jo sé M in dl in 076-079_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN6_CAP2_P4V1bx.indd 76076-079_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN6_CAP2_P4V1bx.indd 76 23/03/2022 12:02:3623/03/2022 12:02:36 4o ANO78 2. Forme dupla com um colega e elabore um cartaz que promova o combate à escra- vidão nos dias atuais. Crie-o no espaço a seguir. Você sabia que... Luiz Gama nasceu na Bahia livre, era filho de uma africana livre e de um fidalgo de origem portugue- sa, cujo pai o nome ele nunca revelou. Aos 10 anos, seu pai o vendeu como escravo e foi para São Paulo. No cativeiro, aprendeu a ler e escrever e reconquistou a sua liberdade após provar que havia nascido livre. Daí em diante, sua paixão pelas letras e seu espírito aguerrido não pararam de crescer. [...] Ativista da causa republicana e abolicionista, colaborou com a sua pena em diversos jornais [...] Na sua missão de libertar e garantir o direito dos escravizados, Luiz Gama valeu-se de uma “bre- cha” no próprio sistema escravista: a lei de 7 de novembro de 1831 que extinguiu o tráfico negreiro. Por esta lei, aqueles trazidos para o Brasil depois desta data seriam considerados livres. Luiz Gama dedicou-se com afinco e gratuitamente a libertar pessoas escravizadas de várias províncias do Brasil. Mesmo não sendo “diplomado”, era advogado autodidata com grande cultura jurídica. [...] LUIZ Gama, ativista abolicionista. Biblioteca Nacional. Disponível em: https://www.bn.gov.br/acontece/noticias/2020/05/luiz-gama-ativista-abolicionista. Acesso em: 26 ago. 2021. 076-079_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN6_CAP2_P4V1bx.indd 78 23/03/2022 12:02:36 HISTÓRIA77 PRATICANDO Será que, nos dias de hoje, ainda existe comércio de pessoas? 1. Leia a notícia abaixo e analise-a. Escravizar pessoas é uma prática criminosa que, infelizmente, ainda acontece em diver- sos países e, também, no Brasil. a. Pesquise, em notícias e artigos de jornais, alguns outros nomes de países onde fo- ram encontradas pessoas escravizadas atualmente. Registre as informações aqui. b. Quais são as regiões do mundo com maiores números de pessoas escravizadas na atualidade? c. Em sua opinião, como se deve combater a prática da escravidão nos dias atuais? Fonte: LEILÃO de escravos é flagrado na Líbia. Carta Capital, 14 nov. 2017. Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/mundo/leilao-de-escravos-e-flagrado-na-libia/. Acesso em: 28 jul. de 2021. “Alguém precisa de um escavador? Este é um escavador, um homem forte e grande”, diz o responsável pelo leilão de seres humanos. “500, 550, 600, 650…” Em cerca de sete mi- nutos, uma dezena de pessoas foi vendida. A todo tempo, afirma a repórter responsável pela matéria, os criminosos se referiam aos imigrantes como “mercadoria”. 650 dinares, o valor pelo qual um dos homens foi vendido, equivalem hoje a 1,5 mil reais. Glossário dinar: nome da moeda (unidade monetária) da Líbia e de outros países como Iraque, Jordânia e Tunísia. Leilão de escravos é flagrado na Líbia 076-079_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN6_CAP2_P4V1bx.indd 77 23/03/2022 12:02:36 HISTÓRIA79 RETOMANDO Como vimos, o trabalho forçado ainda é um problema na atualidade. Segundo a Organização Internacional do trabalho (OIT), entre 1995 e 2016, o Brasil resgatou 55 mil pes- soas de situações semelhantes ao trabalho escravo. 1. Veja a seguir o texto da lei que proíbe a escravidão no país e discuta com a turma. Art. 149. Reduzir alguém à condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto. Pena - reclusão, de 2 (dois) a 8 (oito) anos, e multa, além da pena correspondente à violência. § 1º Nas mesmas penas incorre quem: I - cerceia o uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho; II - mantém vigilância ostensiva no local de trabalho ou se apodera de documentos ou objetos pessoais do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho. § 2º A pena é aumentada da metade, se o crime é cometido: I - contracriança ou adolescente; II - por motivo de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou origem. BRASIL. Lei n. 10.803, de 11 de dezembro de 2003. Altera o art. 149 do Decreto-Lei n. 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, para estabelecer penas ao crime nele tipificado e indicar as hipóteses em que se configura condição análoga à de escravo. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil: Brasília, DF, p. 1, 12 dez. 2003. 2. Registre a seguir as palavras do texto de que você desconhece o significado. Depois, pesquise-as no dicionário. 076-079_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN6_CAP2_P4V1bx.indd 79076-079_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN6_CAP2_P4V1bx.indd 79 23/03/2022 12:02:3623/03/2022 12:02:36 PÁGINA 76 PÁGINA 77 PÁGINA 78 PÁGINA 79 2. Pessoas não são mercadorias! 4o ANO74 Sobre o capítulo • Contextualizando: analisar e refletir sobre anún- cios de jornais do século 19 em que pessoas eram tratadas como mercadoria. • Praticando: compreender que escravidão não é apenas uma realidade do passado, ela continua existindo em vários países, inclusive no Brasil, e deve ser combatida. • Retomando: analisar o artigo de Lei no 149, da Constituição Federal do Brasil e rever as ideias debatidas no capítulo. Objetivo de aprendizagem • Analisar criticamente a comercialização de pessoas em diferentes tempos e espaços, relacionando-a à perpetuação de desigualdades e racismos na contemporaneidade. Materiais • Dicionário da Língua Portuguesa. Contexto prévio Neste capítulo, mostraremos como os eventos históricos foram capazes de ressignificar sistemas e transformar pessoas em mercadorias. Essa práti- ca gerou profundas consequências para os povos que foram tratados como mercadoria, perpetuando desigualdades, racismos e discriminações. Dificuldades antecipadas Durante as discussões, destaque que o comércio de pessoas escravizadas não foi um fenômeno que ocorreu exclusivamente na África, durante os séculos 16 ao 19. A instituição da escravidão esteve presente ao longo da história da Humanidade, em diferentes contextos. É importante deixar explícito que as ações que transformaram pessoas em mercadorias são, no presente, atitudes que devem ser combatidas e criticadas. Habilidade da BNCC EF04HI06 Identificar as transformações ocorridas nos processos de deslocamento das pessoas e mercadorias, analisando as formas de adaptação ou marginalização. CONTEXTUALIZANDO Expectativas de resposta 1. Respostas pessoais. Espera-se que os alunos iden- tifiquem o comércio como qualquer atividade de troca de um tipo de bem ou serviço por outro ou por um meio de pagamento. No que se refere à ideia de comércio de pessoas, é possível que os alunos associem ao que já estudaram sobre a escravização de grupos africanos trazidos para a América de ma- neira forçada. Destaque que, ao longo da história, há outros exemplos de povos escravizados que não apenas os africanos. Para responder à última questão, provavelmente os alunos mencionem que a prática de escravizar pessoas não é correta. Reitere que tal prática é considerada ilegal no Brasil e em outros países que seguem a Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948. Saiba mais em: LAFER, Celso. História da Declaração por Celso Lafer. 1948: Declaração Universal dos Direitos Humanos, 6 dez. 2021. Disponível em: https://declaracao1948.com.br/declaracao-universal/ historia-da-declaracao-por-celso-lafer/declaracao- universal-dos-direitos-humanos-19481/?gclid=Cjw KCAiAhreNBhAYEiwAFGGKPBbzaKIgUXWtJOrgYx CTZgT01GWhjEtprRIRsi0ZYuXiHZy6pj3eexoCCuw QAvD_BwE. Acesso em: 6 dez. 2021. Orientações Essas perguntas são provocativas, para que os alunos reflitam sobre o assunto. Nesse momento não é neces- sário aprofundar os temas, nem ter respostas precisas para todas as perguntas. O intuito é fazer com que os alunos se aproximem da temática e se preocupem com a ideia de que, em algum tempo histórico, em alguma cultura, pessoas já foram comercializáveis. Converse com os alunos sobre as questões e inter- venha ao sinal de qualquer fala preconceituosa. Com os anúncios de jornal, a ideia é demonstrar que tratar pessoas como mercadoria não é apenas uma hipótese, isso já aconteceu de maneira massiva no Brasil bem como em outros lugares do mundo. Na seção Praticando, será discutida a escravidão contemporânea. PRATICANDO Expectativas de respostas 1. a. É esperado que os alunos mencionem paí- ses como a Coreia do Norte, a Índia, o Brasil, https://declaracao1948.com.br/declaracao-universal/historia-da-declaracao-por-celso-lafer/declaracao-universal-dos-direitos-humanos-19481/?gclid=CjwKCAiAhreNBhAYEiwAFGGKPBbzaKIgUXWtJOrgYxCTZgT01GWhjEtprRIRsi0ZYuXiHZy6pj3eexoCCuwQAvD_BwE https://declaracao1948.com.br/declaracao-universal/historia-da-declaracao-por-celso-lafer/declaracao-universal-dos-direitos-humanos-19481/?gclid=CjwKCAiAhreNBhAYEiwAFGGKPBbzaKIgUXWtJOrgYxCTZgT01GWhjEtprRIRsi0ZYuXiHZy6pj3eexoCCuwQAvD_BwE https://declaracao1948.com.br/declaracao-universal/historia-da-declaracao-por-celso-lafer/declaracao-universal-dos-direitos-humanos-19481/?gclid=CjwKCAiAhreNBhAYEiwAFGGKPBbzaKIgUXWtJOrgYxCTZgT01GWhjEtprRIRsi0ZYuXiHZy6pj3eexoCCuwQAvD_BwE https://declaracao1948.com.br/declaracao-universal/historia-da-declaracao-por-celso-lafer/declaracao-universal-dos-direitos-humanos-19481/?gclid=CjwKCAiAhreNBhAYEiwAFGGKPBbzaKIgUXWtJOrgYxCTZgT01GWhjEtprRIRsi0ZYuXiHZy6pj3eexoCCuwQAvD_BwE https://declaracao1948.com.br/declaracao-universal/historia-da-declaracao-por-celso-lafer/declaracao-universal-dos-direitos-humanos-19481/?gclid=CjwKCAiAhreNBhAYEiwAFGGKPBbzaKIgUXWtJOrgYxCTZgT01GWhjEtprRIRsi0ZYuXiHZy6pj3eexoCCuwQAvD_BwE https://declaracao1948.com.br/declaracao-universal/historia-da-declaracao-por-celso-lafer/declaracao-universal-dos-direitos-humanos-19481/?gclid=CjwKCAiAhreNBhAYEiwAFGGKPBbzaKIgUXWtJOrgYxCTZgT01GWhjEtprRIRsi0ZYuXiHZy6pj3eexoCCuwQAvD_BwE HISTÓRIA75 Eritreia, o Burundi, a República Central Africana, o Afeganistão, a Mauritânia, o Sudão do Sul, o Paquistão, o Camboja, o Irã, o Haiti, a Venezuela, a Índia, entre outros. Você pode propor que pes- quisem essas informações em sites. Sugerimos alguns como referência: • ESCRAVIDÃO moderna atinge mais de 40 mi- lhões de pessoas no mundo. DW, 27 jul. 2018. Disponível em: https://www.dw.com/pt-br/ escravid%C3%A3o-moderna-atinge-mais-de-40- milh%C3%B5es-no-mundo/a-44760076. Acesso em: 30 nov. 2021. • VIEIRA, Ana Luísa. Mundo ainda tem 403 mi- lhões de escravos. R7, 20 jul. 2018. Disponível em: https://noticias.r7.com/internacional/fotos/ mundo-ainda-tem-403-milhoes-de-escravos- veja-paises-mais-afetados-20072018#/foto/1. Acesso em: 30 nov. 2021. • FRANCE PRESSE. Há 30 milhões de escravos no mundo; Ásia e África lideram ranking. G1, 16 out. 2013. Disponível em: http://g1.globo.com/mundo/ noticia/2013/10/ha-30-milhoes-de-escravos- no-mundo-asia-e-africa-lideram-ranking.html. Acesso em: 30 nov. 2021. b. As pessoas precisam conhecer seus direitos e as autoridades devem fiscalizar e pedir que os cidadãos denunciem os casos de escravidão. Após as pesquisas e levantamento de informa- ções pelos alunos, espera-se que concluam que os continentes com os maiores índices de pessoas escravizadas são a Ásia e a África. c. Espera-se que os alunos mencionem modos de combater a baixa escolaridade da população; podem mencionar campanhas de esclareci- mento da população quanto aos seus direi- tos, especialmente de imigrantes; programas governamentais de assistência à imigrantes; criação de órgãos de fiscalização de práticas de escravidão, entre outros. 2. Os alunos podem escrever frases de combate ao trabalho compulsório e ilustrar situações que apre- sentem ideias de liberdade e igualdade de direitos. Orientação Em relação à atividade de pesquisa proposta, amplie-a convidando os alunos a uma análise crítica das informa- ções levantadas, questionando a turma sobre quais são os fatores que intensificam a escravidão no mundo. Destaque que as as dificuldadesfinanceiras são fatores que impul- sionam as pessoas a saírem de seus países em busca de melhores condições de vida. E, uma parcela considerável de pessoas escravizadas são imigrantes ilegais, que chega aos países de destino destituída de direitos civis. Outros fatores que levam as pessoas ao trabalho compulsório ou forçado são as dívidas, os baixos índices de escolaridade e de renda. Explique que, a princípio, todos os países do mundo já aboliram legalmente a escravidão. A Mauritânia foi o último. Mas, nesse país, a escravidão só deixou de ser crime em 2007. É importante destacar que a escravidão se combate com o entendimento da sociedade de que essa prática é criminosa e deve ser reprimida pelas forças de segurança (polícia, Ministério Público), denunciada pela sociedade civil organizada (ONGs) e também pelo cidadão, que deve levar às autoridades os casos de seu conhecimento. RETOMANDO Expectativas de resposta 1. Resposta pessoal. Espera-se que os alunos per- cebam quais são as práticas proibidas que ca- racterizam o trabalho escravizado ou análogo à escravidão. 2. Resposta pessoal. Os alunos devem, com certa autonomia, perceber quais são as palavras que desconhecem, procurando-as no dicionário. Orientações Leia com a turma o artigo 149, da Lei nº 10.803, que estabelece penas ao crime de trabalho análogo ao es- cravizado, bem como indica as hipóteses em que se configura essa condição. Após a leitura da lei, peça aos alunos para identificar as palavras do texto do artigo de lei que lhes são desconhecidas e para que pesquisem os significados delas no dicionário. Converse com os alunos de forma que eles compreen- dam como a lei conceitua o trabalho escravizado, o que seria uma jornada exaustiva, condições degradantes, vigilância ostensiva, restrição de locomoção e a dívida com o empregador. Depois, fale da pena imposta e seus agravantes, que são o uso de mão de obra escravizada de crianças e adolescentes. Possibilite aos alunos discutir e relatar se já tiveram contato com essa situação. Leitura complementar Relatório da Fundação Walk Free aponta que 45,8 milhões de pessoas em todo o mundo estão sujeitas a alguma forma de escravidão moderna Divulgação MPT https://www.dw.com/pt-br/escravid%C3%A3o-moderna-atinge-mais-de-40-milh%C3%B5es-no-mundo/a-44760076 https://www.dw.com/pt-br/escravid%C3%A3o-moderna-atinge-mais-de-40-milh%C3%B5es-no-mundo/a-44760076 https://www.dw.com/pt-br/escravid%C3%A3o-moderna-atinge-mais-de-40-milh%C3%B5es-no-mundo/a-44760076 https://noticias.r7.com/internacional/fotos/mundo-ainda-tem-403-milhoes-de-escravos-veja-paises-mais-afetados-20072018#/foto/1 https://noticias.r7.com/internacional/fotos/mundo-ainda-tem-403-milhoes-de-escravos-veja-paises-mais-afetados-20072018#/foto/1 https://noticias.r7.com/internacional/fotos/mundo-ainda-tem-403-milhoes-de-escravos-veja-paises-mais-afetados-20072018#/foto/1 http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/10/ha-30-milhoes-de-escravos-no-mundo-asia-e-africa-lideram-ranking.html http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/10/ha-30-milhoes-de-escravos-no-mundo-asia-e-africa-lideram-ranking.html http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/10/ha-30-milhoes-de-escravos-no-mundo-asia-e-africa-lideram-ranking.html 4o ANO76 Cerca de 45,8 milhões de pessoas em todo o mundo estão sujeitas a alguma forma de escravidão moderna. A estimativa é do relatório Índice de Escravidão Global 2016, da Fundação Walk Free, divulgado hoje (30). Segundo o documento, 58% dessas pessoas vivem em apenas cinco países: Índia, China, Paquistão, Bangladesh e Uzbequistão. Já os países com a maior proporção de população em condições de escravidão são a Coreia do Norte, o Uzbequistão, o Camboja e a Índia. A escravidão moderna ocorre quando uma pessoa controla a outra, de tal forma que retire dela sua liber- dade individual, com a intenção de explorá-la. Entre as formas de escravidão estão o tráfico de pessoas, o trabalho infantil, a exploração sexual, o recrutamento de pessoas para conflitos armados e o trabalho forçado em condições degradantes, com extensas jornadas, sob coerção, violência, ameaça ou dívida fraudulenta. [...] No último relatório, de 2014, cerca de 35,8 milhões de pessoas viviam nessa situação. Escravidão moderna Segundo a Walk Free, a escravidão moderna é um crime oculto que afeta todos os países e tem impacto na vida das pessoas que consomem produtos feitos a partir do trabalho escravo. Por isso, é preciso o envolvimento dos governos, da sociedade civil, do setor privado e da comunidade para proteção da população vulnerável. Segundo a fundação, quase todos os países se comprometeram a erradicar a escravidão moderna por meio de suas legislações e políticas. Os governos que mais respondem no combate ao trabalho forçado são aqueles com Produto Interno Bruto (PIB) mais elevado como a Holanda, os Estados Unidos, o Reino Unido, a Suécia e a Austrália. As Filipinas, a Geórgia, o Brasil, a Jamaica e a Albânia estão fazendo grandes esforços, apesar de ter relativamente menos recursos do que países mais ricos, segundo a Walk Free. No prefácio do relatório ao qual a reportagem da Agência Brasil teve acesso, o fundador e presidente da Walk Free, Andrew Forrest, diz que o Brasil foi um dos países pioneiros na divulgação de uma lista de empresas nacionais multadas na Justiça pela uti- lização de trabalho forçado. Uma liminar impedia a publicação da chamada Lista Suja do Trabalho Escravo desde dezembro de 2014. Na semana passada, en- tretanto, o Supremo liberou a divulgação dos nomes das empresas autuadas. Os governos que menos fazem para conter a escravidão moderna, segundo o relatório, são a Coreia do Norte, o Irã, a Eritreia, a Guiné Equatorial e Hong Kong. Na avaliação da entidade, levando-se em conta o Produto Interno Bruto (PIB) e a riqueza relativa do país, Hong Kong, Catar, Singapura, Arábia Saudita e Bahrein poderiam fazer mais para resolver problemas de escravidão moderna dentro de suas fronteiras. Segundo a Walk Free, muitos países, incluindo as nações mais ricas, continuam resgatando vítimas, enquanto muitos não conseguem garantir proteções significativas para os trabalhadores mais vulneráveis. A pobreza e a falta de oportunidades são fatores determinantes para o aumento da vulnerabilidade à escravidão moderna. Os estudos também apontam para desigualdades sociais e estruturais mais pro- fundas para que a exploração persista - a xenofobia, o patriarcado, as classes e castas, e as normas de gênero discriminatórias. Escravidão no Brasil e nas Américas Segundo a Walk Free, o Brasil tem 161,1 mil pessoas submetidas à escravidão moderna – em 2014, eram 155,3 mil. Apesar do aumento, a fundação considera uma prevalência baixa de trabalho escravo no Brasil, com uma incidência em 0,078% da população. O relatório aponta que a exploração no Brasil geralmente é mais concentrada nas áreas rurais, especialmente em regiões de cerrado e na Amazônia. Em 2015, 936 trabalhadores foram resgatados da con- dição de escravidão no país, em sua maioria homens entre 15 e 39 anos, com baixo nível de escolaridade e que migraram dentro do país buscando melhores condições de vida. Nas Américas, pouco mais de 2 milhões de pessoas são vítimas de trabalho escravo, mais identificados na Guatemala, no México, no Chile, na República Dominicana e na Bolívia. Os resultados da Walk Free sugerem que os setores de trabalho manuais, como a construção, os trabalhos em fábricas e domésticos são os que concentram mais escravos modernos nas Américas. O país com maior número de pessoas submetidas à escravidão é o México, com 376,8 mil. Os governos com melhores respostas no combate a esse crime são os Estados Unidos, a Argentina, o Canadá e o Brasil. O relatório completo da Walk Free está disponível na internet. VERDÉLIO, Andreia. Escravidão moderna atinge 45,8 milhões de pessoas no mundo. Agência Brasil, 30 mai. 2016. Disponível em: https:// agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2016-05/escravidao-moderna-atinge-458-milhoes-de-pessoas-no-mundo. Acesso em: 30 nov. 2021. HISTÓRIA77 4o ANO80 3. Circulação de pessoas no tempo e espaço O café é originário da Etiópia. O arroz é originário da Ásia e faz parte da dieta de vários brasileiros. A manga é originária do Sul da Ásia e foi trazida pelos portugueses ao Brasil no período em que o país era colônia de Portugal. 1. Em uma roda de conversa, troque ideias com os colegas e o professor sobre as questões a seguir. ⊲ Você sabe o significado da palavra tropeiro? ⊲ O que significa dizer que as pessoas, os produtos, as culturas e as ideias circu- lam pelos lugares? Como você acha que isso acontece? ⊲ No passado, os tropeiros contribuíram para levar mercadorias de um ponto a outro do território do Brasil? 2. Você conhece a origem de alguns alimentos que consumimos? Veja os exemplos a seguir. a. Há outros produtos que consumimos que vêm de regiões e países diferentes dos nossos? Verifique as informações contidas nas embalagens de alguns produtos que você possui em casa. Depois, registre o local de produção de cada um. AL EA IM AG E/ E+ /G et ty Im ag es Bo ng ko ch ru t R oj an at re ek oo n / E ye Em / Ge tty Im ag es Nc ikN am e / iS to ck / Ge tty Im ag es P lu s 080-083_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN6_CAP3_P4.indd 80080-083_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN6_CAP3_P4.indd 80 29/03/2022 16:13:4729/03/2022 16:13:47 4o ANO82 Caminho do Tropeiro Para chegar ao litoral, os paulistas utilizavam o chamado Caminho do Mar, um con- junto de trilhas que saíam de São Paulo de Piratininga rumo à Serra de Paranapiacaba, através do território que hoje compõem o ABCD. Sobre as trilhas que levavam a Santos foi construída a Calçada de Lorena, a primeira estrada calçada de São Paulo. A obra, que começou em 1790, marcou uma nova era na economia da capitania, que sofria até então com a falta de estradas para transportar os produtos dos engenhos do interior, como al- godão, tabaco e açúcar. BARRETO, Cristina; MENDES, Denise. Caminho do tropeiro. Memorial do Trabalho e do Trabalhador. Disponível em: http://mttvirtual.org/conteudos/visualizar/Caminho-do-Tropeiro. Acesso em: 29 jul. 2021. Bi bl io te ca d a A ju da (L isb oa ) Mapa da Vila de Olinda e do porto de Recife no século 16, produzido por Luiz Teixeira, c. 1582-1585. Biblioteca da Ajuda, Lisboa. RETOMANDO 1. Para finalizar os estudos desse capítulo, vamos colocar em prática alguns conhe- cimentos. Leia o texto e observe um mapa antigo da Vila de Olinda, do século 16, período em que o Brasil era colônia de Portugal. 080-083_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN6_CAP3_P4.indd 82080-083_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN6_CAP3_P4.indd 82 29/03/2022 16:13:5129/03/2022 16:13:51 HISTÓRIA81 M us eu s C as tro M ay a/ IB RA M /M IN C, Ri o de Ja ne iro Carvão, pintura de Jean-Baptiste Debret, de 1822. Em aquarela. Coleção do Museu Castro Maya, cidade do Rio de Janeiro. b. Como você acha que produtos e alimentos de diversas partes do mundo che- gam até nossas casas? PRATICANDO 1. Os tropeiros tiveram papel importante na economia e na cultura do Brasil. Além de abastecer regiões mineradoras com alimentos, eles foram responsáveis por levar notícias de uma região à outra e por disseminar ideias e costumes entre as comunidades existentes ao longo do caminho que percorriam. Observe as imagens a seguir. Descanso de tropeiros, de J. M. Rugendas, c. 1820. Litografia. Co le çã o Pa rti cu lar ⊲ Como estão caracterizados os tropeiros nas obras de arte? Para responder, observe seus objetos, seus trajes e seu meio de locomoção. 080-083_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN6_CAP3_P4.indd 81080-083_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN6_CAP3_P4.indd 81 29/03/2022 16:13:4929/03/2022 16:13:49 HISTÓRIA83 Você reparou que o mapa da Vila de Olinda tem ilustrações de casas, igrejas, árvores, nomes de vilas e cidades, meios de transportes, rios e até uma rosa dos ventos? Bem dife- rente dos mapas atuais, concorda? 2. Agora, você vai elaborar um mapa com a rota utilizada pelos tropeiros nos séculos 18 e 19. Para isso, siga as orientações abaixo. ⊲ Utilize o mapa a seguir para a sua representação. ⊲ Insira alguns caminhos percorridos pelos tropeiros, mostrando o trajeto que costu- mavam fazer. ⊲ Crie desenhos ao longo do caminho para identificar os abrigos que foram surgindo com a passagem dos tropeiros. ⊲ Insira ilustrações de alguns dos produtos que os tropeiros transportavam de uma região para outra. ⊲ Localize e indique o nome de algumas cidades e regiões do período colonial por onde os tropeiros passavam. ico ne er /D ig ita lV isi on V ec to rs /G et ty Im ag es 080-083_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN6_CAP3_P4.indd 83080-083_EFAI_NAC_HI_4ANO_2BI_LA_UN6_CAP3_P4.indd 83 29/03/2022 16:13:5129/03/2022 16:13:51 PÁGINA 80 PÁGINA 81 PÁGINA 82 PÁGINA 83 3. Circulação de pessoas no tempo e espaço 4o ANO78 Habilidade da BNCC EF04HI06 Identificar as transformações ocorridas nos processos de deslocamento das pessoas e mercadorias, analisando as formas de adaptação ou marginalização. Sobre o capítulo • Contextualizando: refletir e argumentar sobre a circulação de mercadorias e sua comerciali- zação no passado e no presente. É importante que o aluno perceba que nem tudo o que ele consome e usa foi feito na região onde mora e perceba, também, a interdependência das cidades e dos países na aquisição de determinados bens, alimentos etc.; ampliar os dos conhecimentos sobre o conceito de comércio e comercialização, relacionando o passado e a atualidade. • Praticando: identificar as características dos viajantes tropeiros, relacionando-as ao seu papel de transportar mercadorias para a região das Minas Gerais. • Retomando: traçar rotas percorridas pelos tropeiros, nos séculos 18 e 19, a partir de um mapa político do Brasil; relacionar a atividade tropeira ao desenvolvimento do comércio e das primeiras cidades do Brasil. Objetivo de aprendizagem • Identificar características do período colonial no Brasil por meio das relações comerciais e da circulação de pessoas pelo território. Contexto prévio Para este capítulo, os alunos devem apre- sentar noções de que as pessoas, os produtos e as mercadorias circulam em diferentes espaços, promovendo consequentemente trocas culturais; devem compreender que, no período colonial da história do Brasil, o país era uma colônia de Portugal, ou seja, o território brasileiro pertencia à Coroa portuguesa e a população brasileira de- via obediência às leis e autoridades de Portugal. Dificuldades antecipadas É possível que os alunos, em um primeiro mo- mento, tenham dificuldades em perceber que alguns produtos não são fabricados em sua região e são trazidos de outras cidades, estados ou países. Para que o aluno inicie essa compreensão, é possível apresentar à turma alguns produtos que tenham em sua embalagem informações de seu lugar de origem. Da mesma forma, produtos culturais que os alunos consomem podem ser trabalhados a partir de seu local de origem e produção, ressal- tando que essas produções alcançam crianças de diversas partes do mundo, por vezes influenciando costumes, modos de falar e hábitos de consumo. CONTEXTUALIZANDO Expectativas de resposta 1. Respostas pessoais. Espera-se que o aluno res- ponda que o termo tropeiro esteja associado à palavra tropas e talvez faça referência a solda- dos ou ao exército; é possível ainda que alguns alunos associem a palavra ao feijão tropeiro, de- pendendo da região em que estiverem. Ressalte que tropeiro é um termo associado ao condutor de tropas, condutor de mulas ou de gado. Já no segundo item, os alunos poderão responder que a frase significa fazer com que pessoas, produtos, culturas e ideias cheguem em diferentes locali- dades e que isso ocorre por meio do comércio, das migrações, das transmissões de rádio, tv e internet etc.; no terceiro item, espera-se que os alunosapresentem seus conhecimentos prévios sobre os tropeiros; aproveite para sondar o que já sabem e começar a apresentar novos conceitos a partir dessa questão. Espera-se que os alunos respondam que os tropeiros foram sim, aqueles que levavam mercadorias de um ponto a outro do território do Brasil colonial. Partiam do Rio Grande do Sul e seguiam rumo à São Paulo, passando por Santa Catarina e Paraná. Depois, seguiam para a região das Minas Gerais. Destaque que, durante a época colonial, cada estado era chamado de província e possuíam nomes diferentes dos atuais. Orientações Converse com os alunos sobre as imagens e pro- mova uma reflexão sobre a circulação de produtos no Brasil e no mundo. Explique para eles que grande parte do que consumimos hoje não é produzido no lugar em que moramos e que isso se deve ao modo como as relações de produção das cidades e do campo se configuraram desde muito tempo atrás. Conduza a HISTÓRIA79 discussão de forma que os alunos reflitam sobre o pas- sado. Faça-os refletir sobre a época em que os primeiros alimentos e produtos de outras partes do mundo ou de outras regiões do Brasil (diferente daquelas emque eles moram) chegaram a suas residências. Na atividade 2, converse com a turma sobre as ques- tões para que os alunos possam começar a pensar que há muito tempo existe movimentação de pessoas, de mercadorias, de alimentos e também de ideias, de hábitos e costumes. Ou seja, é importante que eles percebam que o que consomem, o que pensam e o que fazem possui uma explicação histórica e cultural e influências de outros povos. PRATICANDO Expectativas de resposta 1. Sobre as imagens, os alunos podem identificar que o retrato do tropeiro reflete a diversidade de pessoas que faziam esse tipo de trabalho. Na primeira imagem, chame a atenção dos alunos para a grande carga carregada no lombo da mula e explique a importância que esses animais tinham no trabalho do tropeiro. Com as mulas carregadas de produtos, os tropeiros andavam por muitos quilômetros, levando não só alimentos, mas também notícias e ideias, em uma época em que os meios de comunicação eram primários. Assim, a passagem dos tropeiros por determinadas regiões fez com que alguns pequenos núcleos urbanos fossem se forman- do, uma vez que eles também necessitavam de pouso e recursos para continuar a viagem. Como os tropeiros ficavam muitos dias viajando, era preciso que levassem alimentos que resistissem por alguns dias. Explique que é daí que surge um prato muito típico em Minas Gerais, o “feijão tro- peiro”, no qual as carnes usadas são defumadas e duram mais tempo sem estragar. Orientações Peça aos alunos que analisem as imagens, e a partir delas, façam o levantamento de hipóteses e elaborem suas respostas, no caderno. Conforme os alunos tentam responder a questão, chame a atenção deles para os elementos que estão presentes nas obras. Não forneça todas as respostas de uma vez e, primeiramente,faça-os criar suas próprias hipóteses. Em seguida, chame a atenção para o ano em que as obras foram elaboradas e o nome de seus respectivos autores. Explique que a primeira delas foi pintada por um artista francês que veio ao Brasil no período colonial e que representou vários aspectos que observava do cotidiano. Já a segun- da obra foi elaborada por um pintor viajante alemão. Ambos os artistas viveram no século 19. É importante que os alunos percebam que essa era a visão de um estrangeiro sobre o Brasil. Aproveite para chamar a atenção para o fato de que grande parte das fontes históricas sobre a história do Brasil a que temos acesso foi feita por europeus e que isso revela um determinado ponto de vista sobre a história, que é o ponto de vista do colonizador. RETOMANDO Expectativas de respostas 1 e 2. Espera-se que, com base na leitura do texto, os alunos consigam no mapa uma rota de tropeiros. Orientações Proponha aos alunos a leitura do texto e apresente, também, o mapa da Vila de Olinda, do período colonial. Peça a eles para observarem todas as informações con- tidas nesse registro histórico. A ideia é que essa análise cartográfica e iconográfica os auxilie na elaboração de um mapa com as rotas percorridas pelos tropeiros. Nesse mapa os alunos deverão traçar algumas das rotas tropeiras além de inserir as informações estudadas ao longo do capítulo. Destaque, para os alunos, que os tropeiros tiveram um papel significativo na construção de estradas entre diversas regiões, em um período em que não havia asfalto e nem meios de transporte automatizados. Os tropeiros foram, portanto, essenciais na manutenção de rotas, que eram tão importantes para a circulação de pessoas e produtos e, consequen- temente, para a divulgação de ideias. Mostre que a atividade dos tropeiros também interferia na paisagem dos lugares, transformando-a. Explique que os tropeiros tinham a função de abastecer determinadas regiões com mercadorias que não eram produzidas em todas as localidades. Esclareça, também, que essa atividade realizada pelos tropeiros foi, em grande parte, incen- tivada pela Coroa Portuguesa. Com a descoberta do ouro e o início da exploração dele, a Metrópole proibiu atividades como a pecuária e a agricultura nas regiões auríferas da colônia. O objetivo era reduzir a quantidade de escravizados envolvidos em outras atividades que não tivessem ligação direta com a extração de metais 4o ANO80 e pedras preciosas. Grande parte dos tropeiros vinha do Sul do país, e as Minas Gerais foram um destino importante desses homens, uma vez que a principal atividade econômica dessa região era a extração de ouro e, portanto, não produziam todo tipo de alimento necessário para subsistência da população. Para auxiliar os alunos na construção do mapa, apresente o infográfico disponível em: https://media. gazetadopovo.com.br/2011/04/d56759df02b00d6b7be- 0cfc77436e71d-gpLarge.jpg. Acesso em: 29 jul. 2021. Leitura complementar Conheça a história do tropeirismo no Brasil Quando as estradas de ferro ainda eram sonhos de consumo em uma realidade rural marcada por uma topografia de muitas serras, vales e montanhas, foi em cima do lombo de mulas que os tropeiros construíram o início do desenvolvimento da economia brasileira. Por volta do século XVII, começaram as primeiras viagens cortando vários estados, principalmente nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste. Nas longas viagens, além de escoarem a pro- dução de ouro rumo ao porto de Paraty, no Rio de Janeiro, com destino à Europa, os tropeiros também transportavam alimentos para abastecer não só os pequenos povoados da época, como também as minas onde os garimpeiros estavam proibidos de plantar ou criar gado, em circunstância de uma de- terminação do Império. O motivo? Não tirar o foco de quem estava trabalhando muitos metros abaixo do solo, além de mantê-los em regime de escravidão. E foi nesse Brasil colonial que a história do tro- peirismo começou a ser escrita. Ou melhor, onde deixou suas marcas cravadas na terra por caminhos que hoje são contemplados por muitos viajantes apaixonados por aventuras, como no Circuito do Ouro. Nesse post, vamos contar um pouco sobre o tropeirismo, que deixou imensas raízes culturais, gastronômicas, econômicas e políticas em nossa realidade. Rumo ao desconhecido As mulas, fruto do cruzamento do burro com a égua, foram os principais animais utilizados pelos tropeiros nas longas viagens, muitas sem o prévio conhecimento do caminho que seria percorrido. Seguindo algumas trilhas abertas pelos índios, muitas caravanas tinham que desbravar novas rotas, abrindo espaço para o surgimento dos primeiros povoados já por volta do século 18. Foi o que aconteceu com a cidade mineira de Congonhas, formada graças à influência do tropeiris- mo. Pelo fato de ser situado bem distante do litoral, além da existência de muitas serras, o estado de Minas Gerais acabou dependendo em grande escala do sistema de transporte criado pelos tropeiros.Os animais de carga acabaram se transformando em um dos principais mercados do período. Por conta disso, as mulas chegavam a custar até 40 vezes mais do que uma vaca. Haja disposição E a viagem não começava somente quando os animais já estavam carregados. Como na época as mulas só eram criadas no Rio Grande do Sul, trazidas ilegalmente do Uruguai, muitos tropeiros precisavam andar milhares de quilômetros somente para buscar os animais. Viagens cansativas que formaram várias gerações, seja na fundação de vilas, na abertura de estradas ou na inauguração de feiras comerciais. Afinal, ser tropeiro era uma herança familiar. Frequentemente, os filhos homens já caíam trilhas adentro por volta dos 10 anos de idade, enfrentando logo cedo os percalços das matas, situações adver- sas por conta do tempo, saqueadores, cobranças de impostos abusivas e perdas de animais. Inicialmente, o caminho velho do Rio de Janeiro demandava dois meses para que as tropas chegassem até Minas Gerais ou vice e versa. Ele era feito via Vale do Camanducaia, passando por Mogi Mirim-SP e Garganta do Embu. Depois de aberto o caminho novo, a viagem caiu para cerca de 17 dias, tempo que variava de acordo com as intempéries do clima. Entre os registros históricos, a tropa com o maior nú- mero de mulas citada pelo historiador Sérgio Buarque de Holanda foi em 1754. Naquele ano, 3.780 mulas saíram do Rio Grande do Sul rumo a Minas Gerais. CONHEÇA a história do tropeirismo no Brasil. Roteiros Circuito do Ouro, 27 out. 2016. Disponível em: https://circuitodoouro.tur.br/ blog/2016/10/27/conheca-historia-do-tropeirismo-no-brasil/. Acesso em: 31 nov. 2021. https://media.gazetadopovo.com.br/2011/04/d56759df02b00d6b7be0cfc77436e71d-gpLarge.jpg https://media.gazetadopovo.com.br/2011/04/d56759df02b00d6b7be0cfc77436e71d-gpLarge.jpg https://media.gazetadopovo.com.br/2011/04/d56759df02b00d6b7be0cfc77436e71d-gpLarge.jpg https://circuitodoouro.tur.br/blog/2016/10/27/conheca-historia-do-tropeirismo-no-brasil/ https://circuitodoouro.tur.br/blog/2016/10/27/conheca-historia-do-tropeirismo-no-brasil/ HISTÓRIA81 UNIDADE 7 ROTAS DO BRASIL COMPETÊNCIAS GERAIS DA BNCC 1; 3; 7. HABILIDADE DA BNCC EF04HI07 Identificar e descrever a importância dos caminhos terrestres, fluviais e marítimos para a dinâmica da vida comercial. OBJETO DE CONHECIMENTO As rotas terrestres, fluviais e marítimas e seus impactos para a formação de cidades e as transformações do meio natural. UNIDADE TEMÁTICA Circulação de pessoas, produtos e culturas. PARA SABER MAIS • BRASIL. Agência Nacional de Transportes Aquaviários. Seminário internacional sobre hidrovias. Brasília, DF: ANTAQ, 2009. Disponível em: http://web.antaq.gov.br/portalv3/pdf/Palestras/SeminarioBrasilHolanda/04Marco/ PalestraAlexOlivaBrasilHolanda.pdf. Acesso em: 17 ago. 2021. • KAWAMOTO JR., Luiz Teruo; SANTOS, Nellis Oliveira; CARDOSO, Hewely. Condições de trabalho dos caminhonei- ros: sugestão de políticas públicas. Revista Diálogos Interdisciplinares, v. 6, n. 2, p. 136-144, 2017. Disponível em: https://revistas.brazcubas.br/index.php/dialogos/article/view/339. Acesso em: 18 ago. 2021. • LIGA NAVAL UFRJ. O transporte hidroviário no Brasil. Liga Naval, 4 mar. 2021. Disponível em: https://liganaval.poli.ufrj. br/index.php/2021/03/04/o-transporte-hidroviario-no-brasil/. Acesso em: 30 nov. 2021. • PENTEADO, Regina Zanella et. al. Trabalho e saúde em motoristas de caminhão no interior de São Paulo. Saúde e Sociedade, v. 17, n. 4, p. 35-45, 2008. Disponível em: https://www.scielo.br/j/sausoc/a/8fy3z6Qc4M6HrgQ4cyNZTMS/ ?lang=pt&format=pdf. Acesso em: 18 ago. 2021. • SOUZA, José Carlos; PAIVA, Teresa; REIMÃO Rubens. Sono, qualidade de vida e acidentes em caminhoneiros brasileiros e portugueses. Psicologia em Estudo, v. 13, n. 3, p. 429-436, jul./set. 2008. Disponível em: https://www.scielo.br/j/pe/a/ J6nzNJJWrTWHQHVJxHLkCSP/abstract/?lang=pt#. Acesso em: 18 ago. 2021. • TERRA Brasilis. Biblioteca Nacional Digital, 10 anos. Disponível em: https://bndigital.bn.gov.br/dossies/biblioteca-virtual- da-cartografia-historica-do-seculo-xvi-ao-xviii/artigos/terra-brasilis/. Acesso em: 30 nov. 2021. http://web.antaq.gov.br/portalv3/pdf/Palestras/SeminarioBrasilHolanda/04Marco/PalestraAlexOlivaBrasilHolanda.pdf http://web.antaq.gov.br/portalv3/pdf/Palestras/SeminarioBrasilHolanda/04Marco/PalestraAlexOlivaBrasilHolanda.pdf https://revistas.brazcubas.br/index.php/dialogos/article/view/339. https://liganaval.poli.ufrj.br/index.php/2021/03/04/o-transporte-hidroviario-no-brasil/ https://liganaval.poli.ufrj.br/index.php/2021/03/04/o-transporte-hidroviario-no-brasil/ https://www.scielo.br/j/sausoc/a/8fy3z6Qc4M6HrgQ4cyNZTMS/?lang=pt&format=pdf https://www.scielo.br/j/sausoc/a/8fy3z6Qc4M6HrgQ4cyNZTMS/?lang=pt&format=pdf https://www.scielo.br/j/pe/a/J6nzNJJWrTWHQHVJxHLkCSP/abstract/?lang=pt# https://www.scielo.br/j/pe/a/J6nzNJJWrTWHQHVJxHLkCSP/abstract/?lang=pt# https://bndigital.bn.gov.br/dossies/biblioteca-virtual-da-cartografia-historica-do-seculo-xvi-ao-xviii/artigos/terra-brasilis/ https://bndigital.bn.gov.br/dossies/biblioteca-virtual-da-cartografia-historica-do-seculo-xvi-ao-xviii/artigos/terra-brasilis/ 4o ANO82 UNIDADE 7 ROTAS DO BRASIL 4o ANO84 1. Observe a imagem e, em seguida, converse com o professor e os colegas da turma. 1. Expansão marítima e a relação com o Brasil ⊲ Você já parou para pensar em quantos meios de transporte existem? ⊲ Qual é a relação entre o meio de transporte e o comércio? ⊲ Qual foi o meio de transporte utilizado pelos navegantes portugueses para che- gar ao Brasil pela primeira vez? 2. Faça uma breve pesquisa e responda: a. O que foi o processo de Expansão Marítima europeia, que ocorreu nos séculos XV e XVI? b. Por que os países iniciaram essa expansão marítima? Th at re e Th iti vo ng va ro on /M om en t/G et ty Im ag es 084-087_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN7_CAP1_P4.indd 84084-087_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN7_CAP1_P4.indd 84 29/03/2022 14:45:3529/03/2022 14:45:35 4o ANO86 Fonte: DESTRO, G. et al. Esforços para o combate ao tráfico de animais silvestres no Brasil. p. 14. (Publicação traduzida do original “Efforts to Combat Wild Animals Trafficking in Brazil”. BIODIVERSITY, Book 1, chapter XX, 2012.) 2. Compare a carta náutica com o mapa atual do Brasil, indicado a seguir. Agora, registre a seguir as semelhanças e diferenças entre a antiga carta náutica e o mapa atual do Brasil. Brasil: principais vias do tráfico de animais silvestres IB AM A 084-087_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN7_CAP1_P4.indd 86084-087_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN7_CAP1_P4.indd 86 29/03/2022 14:45:3729/03/2022 14:45:37 HISTÓRIA85 PRATICANDO 1. Com seu colega de dupla, observe uma carta náutica do ano de 1504. As cartas náuticas são documentos cartográficos elaborados a partir de estudos de áre- as navegáveis, como os oceanos. Essas cartas se destinam a servir de base à navegação. A ce rv o da B ib lio te ca N ac io na l. Agora, responda: a. Como você acha que essa carta náutica foi elaborada? b. Quais elementos estão representados na carta? O que eles podem significar? Fonte: Terra Brasilis, por Pedro Reinel e Lopo Homem (1519). Acervo da Biblioteca Nacional. 084-087_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN7_CAP1_P4.indd 85084-087_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN7_CAP1_P4.indd 85 29/03/2022 14:45:3629/03/2022 14:45:36 HISTÓRIA87 RETOMANDO 1. Leia o texto e, depois, desenvolva a atividade proposta. Encontre no texto as palavras que irão completar as sentenças a seguir. a. O principal objetivo das grandes navegações marítimas do século XV era o (desbravamento/comércio). b. As mercadorias que mais davam lucros aos comerciantes da época eram cha- madas de (Índias/especiarias). c. Quando os comerciantes do mar Mediterrâneo passaram a controlar as navega- ções daquela região, outros povos da Europa buscaram outras (rotas de comércio/especiarias) que não as mediterrâneas. d. Os primeiros países acena apresentada na obra e das ações ocorridas no presente? Th e Pi ct ur e Ar t C ol le ct io n/ Al am y/F ot oa re na 008-011_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN1_CAP1_P4.indd 8008-011_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN1_CAP1_P4.indd 8 04/04/2022 16:26:4404/04/2022 16:26:44 4o ANO10 2. Converse com um adulto de sua família e pergunte quais brincadeiras ele costu- mava realizar quando era criança. No espaço a seguir, faça um desenho que represente as brincadeiras relatadas. 008-011_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN1_CAP1_P4.indd 10008-011_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN1_CAP1_P4.indd 10 04/04/2022 16:26:4504/04/2022 16:26:45 HISTÓRIA9 PRATICANDO 1. Observe a imagem a seguir. Nela, crianças vivem a infância em meio à natureza. Crianças indígenas brincando durante pescaria na lagoa Iananpaú, na Aldeia Kamayurá. Mato Grosso (MT), 2014. Agora, responda às questões. a. A situação apresentada na foto se parece com a sua infância no tempo presente? b. O que as crianças retratadas na foto estão fazendo se refere apenas ao tempo presente ou também já fez parte da vida de crianças de antigamente? c. Para você, existem crianças que vivem em situação diferente da sua e da que é apresentada na foto? Explique. Ri ca rd o Te le s/P ul sa r 008-011_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN1_CAP1_P4.indd 9008-011_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN1_CAP1_P4.indd 9 04/04/2022 16:26:4504/04/2022 16:26:45 HISTÓRIA11 RETOMANDO 1. Agora é o momento de analisar outra situação. Observe a imagem a seguir. a. Você já fez um passeio de aventura? Se sim, como foi essa experiência? b. Quais elementos são comuns entre o seu modo de viver e o das crianças retrata- das na foto? c. Que diferenças você consegue observar entre os hábitos das crianças que se di- vertem na lagoa, na seção Praticando, e os das crianças que estão em um passeio de aventura? d. Você tem o hábito de conversar com pessoas mais velhas sobre a infância de- las? O que você já descobriu de interessante? e. Quais são as semelhanças e as diferenças entre o seu modo de viver e o de outras crianças do lugar onde você mora? f. Com os colegas, elabore uma carta coletiva para as crianças representadas nas fotos que você viu até aqui, contando como são organizadas atualmente a rotina e a vida dos colegas da turma. Crianças durante passeio de aventura. Ka re n M os ko wi tz/ Th e Im ag e Ba nk / G et ty Im ag es 008-011_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN1_CAP1_P4.indd 11008-011_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN1_CAP1_P4.indd 11 04/04/2022 16:26:4604/04/2022 16:26:46 PÁGINA 8 PÁGINA 9 PÁGINA 10 PÁGINA 11 1. Somos a história que construímos 4o ANO10 Sobre o capítulo • Contextualizando: organizar uma roda de conversa para que os alunos compartilhem informações prévias sobre o modo de vida de grupos antepassados. • Praticando: analisar as permanências e as mudanças nas práticas sociais do passado e do presente. • Retomando: elaborar uma lista com hábitos comuns e diferentes dos grupos sociais atuais e dos grupos do passado, bem como elaborar uma carta com organização da rotina atual. Objetivo de aprendizagem • Comparar o modo de vida das pessoas, em tempos e espaços diferentes, ao identificar o que muda ou permanece nos hábitos adotados de acordo com as vivências. Contexto prévio Para este capítulo, os alunos já devem se ver como sujeitos de uma história pessoal, que faz parte de um contexto amplo, influenciado por mudanças dentro do espaço e do tempo, devido a contribuições de realidades anteriores à sua que colaboram para sua maneira de viver. Dificuldades antecipadas Os alunos podem ter dificuldades para estabelecer comparações entre os hábitos diários desenvolvidos em diferentes períodos da história. Para superar isso, faça questionamentos sobre informações trazidas nas fontes históricas e aponte situações reais que caracterizam o contexto estudado, para que visualizem e comparem com a realidade. Você pode ampliar o debate apresentando outras fontes e outras realidades, em tempos e espaços diferentes. Habilidade da BNCC EF04HI01 Reconhecer a história como resultado da ação do ser humano no tempo e no espaço, com base na identificação de mudanças e permanências ao longo do tempo. CONTEXTUALIZANDO Expectativas de respostas 1. Respostas pessoais. Espera-se que os alunos ex- pressem impressões e compartilhem informações com os colegas da turma sobre as formas de viver de seus avós ou bisavós. Os alunos podem compartilhar hábitos, costumes e práticas sociais presentes na história da família, e citar as brin- cadeiras praticadas pelos seus antepassados. A ideia é que, ao fazer esse levantamento, eles identifiquem as permanências e as mudanças ocorridas nos hábitos e costumes do passado e do presente. Essas questões vão levar os alunos a fazer uma reflexão temporal para pensar sobre as atividades de antigamente, que se mantive- ram e/ou se transformaram ao longo do tempo. Assim, eles vão refletir sobre a construção e a manutenção de hábitos e vivências. 2. Ao analisar a obra Lavadeiras do rio das Laranjeiras, de Jean-Baptiste Debret, espera-se que os alunos identifiquem a prática e o ofício das mulheres que, no passado, lavavam roupas à beira dos rios. Algumas mulheres estão agachadas esfre- gando tecidos, enquanto outras carregam cestos com roupas sobre a cabeça. Os alunos podem identificar que as mulheres retratadas na obra são escravizadas e que há um capataz montado em um cavalo, à direita da cena, acompanhando o desenvolvimento das atividades. Os alunos podem citar que essa era uma prática adotada no passado, e que passou por grandes mudanças na atualidade, em que as pessoas costumam lavar suas roupas em casa ou em la- vanderias, além de poder contar com o auxílio das máquinas de lavar. Orientações Para auxiliar os alunos nessa reflexão sobre épocas passadas é possível citar alguns exemplos de hábitos e costumes que temos no presente e solicitar que façam uma regressão a outros tempos e pensem como eles eram realizados ou praticados. Pergunte se possuem informações sobre a época em que seus avós eram crianças, se podem contar alguma história sobre esse período e quais mudanças ocorreram ao longo do tempo, sobre como as pessoas se organizavam em situações simples do dia a dia. Analise com os alunos a obra de Jean-Baptiste Debret. É importante que eles observem que a imagem HISTÓRIA11 apresenta lavadeiras à beira do rio das Laranjeiras. Peça que descrevam o lugar, a atividade desenvolvi- da pelas lavadeiras e se existe algum recurso auxiliar que as ajude a lavar roupas. Oriente-os na leitura da legenda, indicando o autor, o título da obra e a época em que ela foi produzida. Leia o texto a seguir e conheça o contexto e as características do período em que a obra de arte Lavadeiras do rio das Laranjeiras, de Jean-Baptiste Debret, foi elaborada. Segundo Debret: Ainda em 1816, ano da chegada dos estrangeiros nessa cidade, podemos datar a introdução no Rio de Janeiro da empresa de lavanderia brasileira. Este novo ramo de empreendimento foi desenvolvido pouco a pouco e, em 1822, já atingira um crescimento bastante considerável; crescimento provocado pela presença instantânea de uma multidão de indivíduos atraídos à capital pela solenidade da sagração do Imperador. De fato, antes da invasão desta indústria europeia, o brasileiro de todas as classes mandava, como ainda hoje o faz, um escravo lavar sua roupa. Uma família rica continua a ter suas lavadeiras negras, e a mucama (arrumadeira) é encarregada especificamente de passar as peças bordadas, no que leva pelo menos dois dias por semana: uma senhora não veste nada que não tenha sido passado de fresco, trocando novamente de roupa ao sair pela segunda vez de manhã [...]. É um bom negócio o de alugar uma chácara (casa de campo) situada perto de um riacho a fim de utilizar suas negras como lavadeiras [...]. De forma que assis- timos todos os dias nesses estabelecimentos,se lançarem nos mares em busca de outros caminhos para as Índias foram (Portugal e Espanha/Inglaterra e França). Expansão marítima europeia Na expansão marítima europeia, o interesse comercial era o principal. Nos mercados europeus, o que gerava maior lucro era a venda de produ- tos orientais, principalmente os chamados de especiarias. Alguns exemplos dessas especiarias são o cravo e a canela. Essas mercadorias estavam nas mãos dos comerciantes italianos e mu- çulmanos, que tinham relações comerciais fortes. A forma de desviar desses comerciantes era contornando o continen- te africano para chegar às índias. E foi essa estratégia que levou primei- ro Portugal e depois a Espanha a se tornarem os pioneiros na expansão marítima. Baseado em: PINTO, Tales. Expansão marítima europeia. Escola Kids, 2021. Disponível em: https://escolakids.uol.com.br/historia/expansao-maritima-europeia.htm. Acesso em: 17 ago. 2021. PÁGINA 84 PÁGINA 85 PÁGINA 86 PÁGINA 87 1. Expansão marítima e a relação com o Brasil HISTÓRIA83 Sobre o capítulo • Contextualizando: levantar os conhecimentos prévios dos alunos sobre os meios de transporte na atualidade, a relação deles com o comércio; investigar o que os alunos já conhecem sobre o processo de Expansão Marítima. • Praticando: analisar uma carta náutica e compará- -la a um mapa do Brasil atual, identificando semelhanças e diferenças. • Retomando: compreender texto-síntese do capítulo e desenvolver atividade de sistematização dos conceitos apreendidos. Objetivos de aprendizagem • Relacionar a expansão marítima europeia à busca por riquezas nos séculos 15 e 16. • Identificar o contexto histórico que motivou o processo da expansão marítima europeia. Material • Mapa-múndi ou globo terrestre. Contexto prévio Para este capítulo, é importante que os alunos já tenham noções básicas de leitura cartográfica e consigam compreender a representação do globo terrestre por meio do planisfério. Dificuldades antecipadas Alguns aspectos geográficos e de localização serão abordados neste capítulo. Caso os alunos apresentem dificuldades em relação a esses aspectos, providencie um mapa-múndi ou globo terrestre e mostre para os alunos os lugares que serão estu- dados e representados. Habilidade da BNCC EF04HI07 Identificar e descrever a importância dos caminhos terrestres, fluviais e marítimos para a dinâmica da vida comercial. CONTEXTUALIZANDO Expectativas de respostas 1. Respostas pessoais. Espera-se que o aluno res- ponda que: • Existem diversos meios de transportes e cada um tem a sua função e importância. • Os meios de transporte possibilitam a expansão do comércio, pois permitem o deslocamento de pessoas e mercadorias entre grandes distâncias • Em relação aos meios de transporte e a história do Brasil, é possível que os alunos associem à chegada dos colonizadores portugueses à América, por meio de naus e caravelas. 2. a. A expansão marítima europeia corresponde ao processo histórico em que navegantes europeus se aventuraram em expedições além-mar, em busca de novas terras e do domínio do comércio. b. Os países iniciaram essa expansão em busca de novos caminhos com destino às Índias, local onde poderiam obter especiarias para revenda nos mercados europeus. O mar Mediterrâneo estava sob controle dos comerciantes árabes e italianos; portanto, rotas que não passassem por esse mar pareciam ser mais vantajosas aos europeus. Orientações Converse com os alunos a respeito das questões propostas. Incentive-os a participar e levantar hipó- teses sobre o tema. Você pode utilizar esse momento como avaliação diagnóstica, identificando as poten- cialidades e fragilidades, bem como reconhecendo tanto os conhecimentos prévios quanto as lacunas de aprendizagem. Você pode solicitar a pesquisa como tarefa de casa ou, ainda, disponibilizar materiais para que os alunos a façam na sala de aula. É importante que eles des- taquem as ideias principais dos temas apresentados. PRATICANDO Expectativas de resposta 1. a. Espera-se que os alunos respondam que as car- tas náuticas foram feitas a partir das incursões sobre o mar e do conhecimento acumulado entre os navegadores. b. Espera-se que os alunos identifiquem que a carta náutica representa a costa marítima brasileira e proximidades. Analisando o documento, é possível 4o ANO84 identificar, em terra, indígenas trabalhando na extração de pau-brasil. Em mar, há bandeiras de diferentes cores. Espera-se que os alunos levan- tem hipóteses a respeito do significado delas. Auxilie-os a compreender que essas bandeiras indicam os domínios dos países europeus sobre os territórios recém-descobertos. As caravelas representam as atividades dos navegadores e suas esquadras. 2. Semelhanças: os alunos podem mencionar que ambos os documentos representam o território do Brasil; ambos os documentos representam rotas, caminhos, sejam marítimos, sejam terrestres; nos dois documentos é citada a presença de animais (por símbolos ou por desenhos da figura desses animais). Diferenças: a carta náutica representa apenas a parte do território do Brasil que era conhecido na época; já o mapa do Brasil atual apresenta o território por inteiro. Na carta náutica, há desenhos e ela é mais ilus- trada do que o mapa atual. Orientações Na atividade 1, destine um tempo da aula para a observação e análise coletiva da fonte. Explique que essa carta foi escrita à mão, em um pergaminho, por um cartógrafo português. Você pode também explicar que Portugal, na época das Grandes Navegações, con- tava com um grupo chamado de Escola de Sagres, que estudava cartas de navegação, rotas e instrumentos marítimos. Se possível, exponha a carta náutica no quadro para todos acompanharem a leitura de seus elementos. Chame a atenção, no mapa, para a atividade desenvolvida pelos indígenas. Explique que o pau-brasil foi a primeira riqueza brasileira explorada pelos euro- peus. Eles utilizavam a mão de obra indígena para a extração da madeira, abasteciam as embarcações e levavam a mercadoria para a Europa. Na atividade 2, converse com os alunos e os au- xilie na comparação da carta náutica com o mapa. Comente que, além dos portugueses, os espanhóis também buscaram conquistar novas terras. Fale sobre Cristóvão Colombo e sua chegada à América. Ressalte que, para trazer a essas terras aquilo que chamavam de “colonização”, populações nativas foram dizimadas e, em outros casos, sua mão de obra foi utilizada para diversas atividades desenvolvidas pelos europeus nos territórios coloniais. RETOMANDO Expectativas de resposta 1. a. comércio e o lucro b. especiarias c. rotas de comércio d. Portugal e Espanha Orientações Converse com os alunos sobre a atividade proposta. Caso os alunos tenham dificuldades em relacionar os temas indicados, explique que a expansão marítima promoveu a busca pelo lucro e competição entre povos e envolveu a escravização de pessoas e a dizimação de povos e culturas por aqueles que desejavam obter mais lucro e terras. Leitura complementar Terra Brasilis O mapa com o título “Terra Brasilis”, segundo os Portugaliae Monumenta Cartográfica, é de autoria de cartógrafo português Lopo Homem, auxiliado por Pedro e Jorge Reinel e foi feito no ano de 1519. Este mapa que faz parte do chamado “Atlas Miller”, mostra a costa do Brasil e parte do Atlântico central, desde as duas largas aberturas do Amazonas até o Prata e ainda, parte da costa que se lhe segue ao sul. No topo do mapa há uma legenda de caráter histórico, característica da cartografia portuguesa do século XVI, que foi traduzida do latim para o português por Jaime Cortesão, em 1935, que diz: “Esta carta é da região do grande Brasil e do lado ocidental alcança as Antilhas do Rei de Castela. Quanto à sua gente, é de cor um tanto escuro. Selvagem e crudelíssima, alimenta-se de carne humana. Este mesmo povo emprega, de modo notável, o arco e as setas. Aqui [há] papagaiosmulticores e outras inúmeras aves e feras monstruosas. E encontram-se muitos gêneros de macacos e nasce em grande quantidade a árvore que, chamada brasil, é considerada conveniente para tingir o vestuário com a cor púrpura”. Duas bandeiras portuguesas, uma no norte e outra no sul, reivindicam para Portugal a sobe- rania sobre a vasta zona intermediária. Também são representados os navios, naus e caravelas, perfeitamente diferenciados. HISTÓRIA85 No interior do mapa avultam as iluminuras – que, segundo Armando Cortesão, a partir do século XVI são predominantemente vivas, dando a impressão de realidade, através principalmente da perfeição do desenho e da riqueza do colorido – figurando a população indígena do Brasil perfeitamente caracte- rizada, e animais como papagaios, araras, macacos e abundante vegetação representada pela árvore de pau-brasil, sua extração e transporte. Este se constitui no primeiro mapa onde aparece a representação do comércio português. TERRA Brasilis. Biblioteca Nacional Digital, 10 anos. Disponível em: https://bndigital.bn.gov.br/dossies/biblioteca-virtual-da- cartografia-historica-do-seculo-xvi-ao-xviii/artigos/terra-brasilis/. Acesso em: 30 nov. 2021. ANOTAÇÕES https://bndigital.bn.gov.br/dossies/biblioteca-virtual-da-cartografia-historica-do-seculo-xvi-ao-xviii/artigos/terra-brasilis/ https://bndigital.bn.gov.br/dossies/biblioteca-virtual-da-cartografia-historica-do-seculo-xvi-ao-xviii/artigos/terra-brasilis/ 4o ANO86 4o ANO88 1. Observe as imagens e converse com a turma e o professor. ⊲ O que é uma hidrovia? ⊲ Você sabe qual é a região do Brasil que tem a maior capacidade para navega- ção fluvial? 2. Hidrovias do Brasil 2. Em sua opinião, as hidrovias favorecem o desenvolvimento da economia de uma região? Explique. Complexo portuário de São Simão e barcaça no Rio Paranaíba. São Simão (GO), 2020. Transporte hidroviário de passageiros na Lagoa dos Patos, travessia entre cidades de Rio Grande e São José do Norte. Rio Grande (RS), 2020. Ce sa r D in iz/ Pu lsa r Ge rs on G er lo ff/ Pu lsa r 088-091_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN7_CAP2_P4.indd 88088-091_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN7_CAP2_P4.indd 88 04/04/2022 16:45:5904/04/2022 16:45:59 4o ANO90 PRATICANDO 1. Leia o texto a seguir. a. Faça uma pesquisa e organize um resumo com o nome das primeiras hidrovias utilizadas no Brasil e suas respectivas regiões. b. Qual é a importância das hidrovias que você mencionou no item anterior para a economia do Brasil? Histórico das hidrovias brasileiras Desde o século 16, a bacia hidrográfica do rio São Francisco foi explorada, com a planta- ção de cana-de-açúcar, a pecuária bovina e a exploração de minérios. Entretanto, somente em 1828, no século 19, buscou-se construir um sistema para explorar os rios brasileiros com fins de transportar produtos e pessoas. Em 1869, foi apresentado a D. Pedro II um plano de vias navegáveis, mas foi só em 1890, quando o Brasil já era uma República, que o governo estruturou um plano de transporte que contava com hidrovias. Em 1906, já havia movimento de transporte fluvial na região Sul do país pela bacia do Sul (rio Jacuí e as lagoas dos Patos e Mirim), depois na região Sudeste, na bacia do rio Tietê e rio Paraná (1950), e mais recentemente, as hidrovias Araguaia-Tocantins, Teles Pires-Tapajós e a Madeira, situadas na região Norte. POMPERMAYER, Fabiano Mezadre; CAMPOS NETO, Carlos Álvares da Silva; PAULA, Jean Marlo Pepino de. Hidrovias no Brasil: perspectiva histórica, custos e institucionalidade. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Rio de Janeiro: Ipea, 2014. Disponível em: http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/2714/1/TD_1931.pdf. Acesso em: 17 ago. 2021. 088-091_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN7_CAP2_P4.indd 90088-091_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN7_CAP2_P4.indd 90 04/04/2022 16:45:5904/04/2022 16:45:59 HISTÓRIA89 3. Observe o mapa a seguir. a. Quais informações o mapa apresenta? Descreva-as no espaço a seguir. b. A área representada pelo mapa é muito ou pouco navegável? c. Pesquise: qual é o maior rio do Brasil? Qual é sua extensão? Po r K m us se r - O wn w or k u sin g Di gi ta l C ha rt of th e W or ld an d GT OP O da ta ., CC B Y- SA 3 .0 Mapa hidroviário da Bacia Amazônica HISTÓRIA91 RETOMANDO 1. Na região Norte do Brasil, os rios são como as estradas. As hidrovias têm tanta im- portância para as pessoas que vivem nessa região quanto às estradas e rodovias para as pessoas de outros lugares do país. A população ribeirinha é aquela que vive nas proximidades dos rios. Faça uma breve pesquisa sobre essa população e registre as informações em um mapa conceitual no espaço a seguir. 088-091_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN7_CAP2_P4.indd 91088-091_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN7_CAP2_P4.indd 91 04/04/2022 16:45:5904/04/2022 16:45:59 PÁGINA 88 PÁGINA 89 PÁGINA 90 PÁGINA 91 2. Hidrovias do Brasil HISTÓRIA87 Sobre o capítulo • Contextualizando: levantar os conhecimentos prévios sobre as hidrovias brasileiras e sua importância para o desenvolvimento econômico do país. • Praticando: identificar as primeiras hidrovias brasileiras e refletir sobre elas, por meio da leitura de um texto sobre o tema, considerando os aspectos econômicos das hidrovias. • Retomando: pesquisar e refletir sobre o modo de vida da população ribeirinha, considerando a importância dos aspectos hidrográficos e culturais desse povo. Objetivos de aprendizagem • Analisar a importância das hidrovias brasileiras para o desenvolvimento econômico do país. Habilidade da BNCC EF04HI07 Identificar e descrever a importância dos caminhos terrestres, fluviais e marítimos para a dinâmica da vida comercial. • Identificar aspectos sociais e populacionais referentes à presença dos rios no território brasileiro. Contexto prévio Para este capítulo, os alunos devem saber quais são os meios de transportes fluviais e que existem regiões do país em que o transporte de pessoas e mercadorias ocorre, principalmente, via hidrovias. Dificuldades antecipadas Pode ser que os alunos desconheçam no que consistem e como funcionam os transportes fluviais, dificultando as reflexões propostas. Caso isso acon- teça, apresente fotografias ou pequenos vídeos que ilustrem situações em que esse tipo de transporte é empregado. CONTEXTUALIZANDO Expectativas de respostas 1. Respostas pessoais. Espera-se que os alunos respondam que: • Uma hidrovia é uma via aquática (marítima, fluvial etc.) que serve ao transporte de mercadorias e de pessoas e à comunicação. • A região Norte tem o maior potencial para a navegação fluvial no Brasil, em razão da extensão da bacia do rio Amazonas. 2. Espera-se que os alunos respondam afirmativa- mente, explicando que as hidrovias constituem uma alternativa de transporte de pessoas e mer- cadorias para além das rodovias e ferrovias. Em regiões mais isoladas, constituem a única via de acesso. Portanto, são capazes de promover o desenvolvimento econômico de uma região. 3. a. Espera-se que o aluno responda que é possível observar no mapa: o nome dos rios; as linhas mais grossas e as mais estreitas, que representam os rios mais caudalosos e suas ramificações, respectivamente; uma legenda que apresenta os tipos de hidrovia; e o fato de que os estados contam com a presença de rios em seus territórios. b. A bacia Amazônica é bastante navegável. c. Rio Amazonas com cerca de 6 400 km de extensão. Orientações Converse com os alunos a respeito das questões propostas. Incentive-os a se expressar e levantar hi- póteses sobre a importância das hidrovias para o de- senvolvimento econômico do país. PRATICANDO Expectativas de resposta 1. a. Espera-se que os alunos identifiquem como principais hidrovias brasileiras: Região Nordeste: Bacia do São Francisco (rio São Francisco e afluentes) Região Sul – Bacia do Sul (rio Jacuí e as lagoas dos Patos e Mirim) Região Sudeste: Bacia do rioTietê e rio Paraná. Região Norte: as hidrovias Araguaia-Tocantins, Teles Pires-Tapajós e a Madeira. b. O transporte hidroviário cumpre um papel im- portante no transporte de cargas e passageiros no Brasil. 4o ANO88 Orientações Converse com os alunos sobre o mapa e conduza as discussões, auxiliando-os a compreender as informações contidas na região representada. Para auxiliar no emba- samento teórico da aula, no link a seguir é apresentado o histórico do transporte hidroviário do Brasil, que nos leva a uma viagem no tempo pelas regiões do país. • POMPERMAYER, Fabiano Mezadre; CAMPOS NETO, Carlos Álvares da Silva; PAULA, Jean Marlo Pepino de. Hidrovias no Brasil: perspectiva histórica, custos e institucionalidade. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Rio de Janeiro: Ipea, 2014. Disponível em: http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/2714/1/ TD_1931.pdf. Acesso em: 18 ago. 2021. Faça a leitura coletiva do texto “Histórico das hi- drovias brasileiras” e oriente a pesquisa dos alunos. O transporte fluvial no Brasil melhorou as condições de transporte internamente, possibilitando o transporte de produtos voltados para exportação com mais rapidez. A exploração do transporte fluvial teve início ainda no Brasil colônia e, com o passar do tempo, outras ações foram tomadas para expandir esse modo de transporte. Foram criadas leis, como a de 29 de agosto de 1828, a partir da qual D. Pedro I estabeleceu regras para a construção de obras públicas, que tinham por objeto a navegação de rios, abertura de canais, edificação de estradas, pontes, calçadas ou aquedutos. Entretanto, somente por meio da Lei no 586, de 6 de setembro de 1850, foi autorizado por D. Pedro II o estabelecimento da navegação a vapor no Rio Amazonas. O transporte fluvial durante o Império se preocupou em transportar produtos entre as províncias e, principal- mente, em atender ao comércio exterior, transportando não só o açúcar produzido no Brasil, mas também outros produtos extraídos da natureza. RETOMANDO Expectativas de resposta 1. Resposta pessoal. Orientações Faça uma leitura colaborativa da atividade e oriente os alunos para a realização da pesquisa. Em segui- da, eles devem elaborar um mapa conceitual com as principais informações levantadas. Você pode consi- derar essa atividade como tarefa para casa ou, ainda, disponibilizar materiais de pesquisa para fazerem o levantamento de informações. Leitura complementar O transporte hidroviário no Brasil O Brasil possui um grande potencial de transporte hidroviário, entretanto esse modal não é tão usado no país. De acordo com um estudo da Confederação Nacional do Transporte (CNT), “O Brasil desperdiça um enorme potencial hidroviário ao subutilizar os rios navegáveis de suas 12 regiões hidrográficas. Atualmente, dos 63 mil quilômetros que poderiam ser utilizados, praticamente dois terços não são. O transporte hidro- viário no país aproveita comercialmente (para cargas e passageiros) apenas 30,9% da malha.” Ainda assim, muitos produtos agrícolas são trans- portados por hidrovias até chegar aos portos marítimos ou outras regiões onde possam ser distribuídos. Os principais produtos levados por esse meio são alimentos não perecíveis como milho, soja, minério e outros. E as principais hidrovias brasileiras que transportam produtos são: Amazonas-Solimões, Tocantins-Araguaia, Tapajós-Teles Pires, Madeira, Paraguai-Paraná, Tietê- -Paraná, Parnaíba e São Francisco. Este é o modal mais econômico e sustentável, além de ser o mais vantajoso para implementar a intermo- dalidade. Isso se dá devido a uma grande eficiência energética no transporte, uma vez que a queima de combustível por carga transportada é muito inferior, se comparada a outros modais, como o rodoviário. Ainda no modal hidroviário, não há restrições de carga, como acontece com o rodoviário, e a quantidade de carga transportada é muito grande. LIGA Naval UFRJ. O transporte hidroviário no Brasil. Liga Naval, 4 mar. 2021. Disponível em: https://liganaval.poli.ufrj.br/index.php/2021/03/04/o- transporte-hidroviario-no-brasil/. Acesso em: 30 nov. 2021. http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/2714/1/TD_1931.pdf http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/2714/1/TD_1931.pdf https://liganaval.poli.ufrj.br/index.php/2021/03/04/o-transporte-hidroviario-no-brasil/ https://liganaval.poli.ufrj.br/index.php/2021/03/04/o-transporte-hidroviario-no-brasil/ HISTÓRIA89 4o ANO92 1. Observe as imagens. Depois, converse com o professor e os colegas da turma. ⊲ Você sabe o que é transporte rodoviário? ⊲ Qual é a importância dos meios de transporte para as pessoas? ⊲ Quem são os profissionais responsáveis pelo transporte de pessoas e alimentos? 2. Agora, responda no caderno às questões. a. No Brasil, temos hidrovias, ferrovias e rodovias. Você sabe dizer qual dessas vias transporta maior fluxo de produtos e pessoas no país? b. Quais produtos são transportados pelas rodovias brasileiras? c. Em sua opinião, existem muitas diferenças entre os meios de transporte de anti- gamente e os atuais? 3. Transporte e trabalhadores do Brasil Moradores usando o transporte público da cidade. Laguna (SC), 2021. Trabalhadores realizando o transporte de alimentos. São Paulo (SP), 2017. Ge rs on G er lo ff/ Pu lsa r Al ex an dr e To kit ak a/ Pu lsa r 092-095_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN7_CAP3_P4.indd 92092-095_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN7_CAP3_P4.indd 92 29/03/2022 14:44:2629/03/2022 14:44:26 4o ANO94 c. O que percebemos ao comparar os dois mapas? d. Em quais regiões esse aumento foi mais evidente? 2. Leia o texto a seguir. O Brasil começou a investir, realmente, em rodovias somente ao longo do século XX. O auge dessa política veio com o Governo JK. [...] Nesse sentido, Juscelino Kubitschek trou- xe para o país a indústria automobilística, construiu a capital Brasília no interior do espaço brasileiro e promoveu a construção de várias rodovias importantes [...]. Durante o Regime Militar, a política rodoviarista manteve-se com o Programa de Integração Nacional (PIN), que visava a uma maior ocupação do Centro-Oeste do país e, também, da Amazônia. Nesse momento, foram construídas estradas como a Perimetral Norte, Cuiabá/Santarém e a polêmica Transamazônica, que liga a região Nordeste à região Norte no sentido Leste-Oeste. [...] A partir dos anos 1990, iniciaram-se os processos de privatização das estradas brasileiras, uma política que repassava para a iniciativa privada a manutenção das estradas e transferia os custos para o usuário por meio dos pedágios. Atualmente, o governo vem dando conti- nuidade a esse processo, enquanto obras públicas tentam priorizar o acabamento de outras estradas e os investimentos em outros modais de transporte, com ênfase no ferroviário. PENA, Rodolfo F. Alves. Rodoviarismo no Brasil. Mundo Educação Uol. Disponível em: https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/rodoviarismo-no-brasil.htm. Acesso em: 30 nov. 2021. Agora, comente, de modo resumido, o que ocorreu com as rodovias em cada época da história do Brasil: a. Durante o governo de Juscelino Kubitschek (de 1956-1961): b. Durante o Regime Militar (1964-1985): c. A partir de 1990 até a atualidade: 092-095_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN7_CAP3_P4.indd 94092-095_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN7_CAP3_P4.indd 94 29/03/2022 14:44:2929/03/2022 14:44:29 HISTÓRIA93 PRATICANDO 1. Analise os mapas a seguir, que apresentam o sistema rodoviário no Brasil. Em se- guida, responda ao que se pede. a. De que ano é o primeiro mapa? b. De que ano é o segundo mapa? Fonte: BRASIL. Ministério dos Transportes. Fonte: IBGE. 2000 Brasil: sistema rodoviário – 1973 IB GE M in ist ér io d os tr an sp or te s 092-095_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN7_CAP3_P4.indd 93092-095_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN7_CAP3_P4.indd 93 29/03/2022 14:44:2929/03/2022 14:44:29 HISTÓRIA95 RETOMANDO 1. Observe a imagem e converse com sua turma sobre a forma de preparodas refeições dos caminhoneiros. Como você se sentiria se tivesse que cozinhar, almo- çar e jantar sozinho, longe de casa todos os dias? Que comida prepararia? Registre sua resposta nas linhas a seguir. 2. Escolha um dos temas listados a seguir e faça uma pesquisa sobre ele. Depois, produza um cartaz com imagens que chamem a atenção dos leitores. Após a construção do cartaz, exponha seu trabalho e suas considerações sobre o tema. ⊲ Importância das rodovias para o Brasil e as condições de conservação dessas vias. ⊲ Consequências da falta de investimentos em ferrovias e hidrovias. ⊲ Dificuldades dos caminhoneiros: jornada exaustiva e distância da família. ⊲ Dificuldades dos caminhoneiros: estradas perigosas e acidentes. ⊲ Dificuldades dos caminhoneiros: risco de assalto. An to ni o M ac ha do /F ut ur a P re ss 092-095_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN7_CAP3_P4.indd 95092-095_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN7_CAP3_P4.indd 95 29/03/2022 14:44:2929/03/2022 14:44:29 PÁGINA 92 PÁGINA 93 PÁGINA 94 PÁGINA 95 3. Transporte e trabalhadores do Brasil 4o ANO90 Sobre o capítulo • Contextualizando: levantar os conhecimentos prévios sobre rodovias e transportes do Brasil. • Praticando: comparar dois mapas com o objetivo de compreender a história da expansão das estradas brasileiras. • Retomando: trazer para a atualidade os conhecimentos adquiridos e refletir sobre as condições em que os caminhoneiros vivem. Objetivo de aprendizagem • Analisar aspectos do setor rodoviário brasileiro, em relação ao transporte de pessoas e produtos, e as condições de trabalho dos caminhoneiros na atualidade. Materiais • Cartolinas (uma folha para cada aluno). • Canetas hidrográficas. • Lápis de cor e demais materiais para confecção de cartazes. Contexto prévio Os alunos devem apresentar noções básicas de leitura cartográfica para a comparação de mapa; também devem distinguir os tipos de meio de trans- porte mais utilizados no país. Habilidade da BNCC EF04HI07 Identificar e descrever a importância dos caminhos terrestres, fluviais e marítimos para a dinâmica da vida comercial. Dificuldades antecipadas Caso os alunos não tenham conhecimento sobre a vida e o trabalho dos caminhoneiros, sugerimos a leitura dos artigos indicados a seguir, que apresen- tam informações acerca das condições de trabalho e de vida dos caminhoneiros. • PENTEADO, Regina Zanella et al. Trabalho e saúde em motoristas de caminhão no interior de São Paulo. Saúde e Sociedade, v. 17, n. 4, p. 35- 45, 2008. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ sausoc/a/8fy3z6Qc4M6HrgQ4cyNZTMS/?lang= pt&format=pdf. Acesso em: 18 ago. 2021. • SOUZA, José Carlos; PAIVA, Teresa; REIMÃO Rubens. Sono, qualidade de vida e acidentes em caminhoneiros brasileiros e portugueses. Psicologia em Estudo, v. 13, n. 3, p. 429-436, jul./set. 2008. Disponível em: https://www. scielo.br/j/pe/a/J6nzNJJWrTWHQHVJxHLkCSP/ abstract/?lang=pt#. Acesso em: 18 ago. 2021. • KAWAMOTO JR., Luiz Teruo; SANTOS, Nellis Oliveira; CARDOSO, Hewely. Condições de trabalho dos caminhoneiros: sugestão de políticas públicas. Revista Diálogos Interdisciplinares, v. 6, n. 2, p. 136-144, 2017. Disponível em: https:// revistas.brazcubas.br/index.php/dialogos/article/ view/339. Acesso em: 18 ago. 2021. CONTEXTUALIZANDO Expectativas de respostas 1. Respostas pessoais. Espera-se que os alunos respondam que: • Os meios de transporte rodoviário são aqueles que se utilizam de rodovias e caminhos terrestres para locomoção, como automóveis e caminhões. • Os meios de transporte são importantes pois auxiliam no transporte de alimentos, produtos e pessoas. • Os profissionais responsáveis pelo transporte de pessoas e alimentos são os motoristas. 2. a. O transporte rodoviário é responsável pela maior parte dos fluxos de bens e pessoas no Brasil. b. Espera-se que os alunos mencionem os produtos que utilizam em seu cotidiano. c. Os meios de transporte passaram por diversas transformações ao longo dos anos. Muitas mo- dificações ocorreram pelo uso de tecnologia, tornando os meios de transporte mais modernos, rápidos e confortáveis. Orientações Na atividade 1, converse com os alunos sobre as questões propostas. Caso necessite de mais informa- ções sobre o uso das rodovias, hidrovias e ferrovias no Brasil, sugerimos a leitura do conteúdo indicado a seguir. • PENA, Rodolfo F. Alves. Transportes no Brasil. Mundo educação. Disponível em: https://mundoeducacao.uol. com.br/geografia/transportes-no-brasil.htm. Acesso em: 18 ago. 2021. https://www.scielo.br/j/sausoc/a/8fy3z6Qc4M6HrgQ4cyNZTMS/?lang= pt&format=pdf https://www.scielo.br/j/sausoc/a/8fy3z6Qc4M6HrgQ4cyNZTMS/?lang= pt&format=pdf https://www.scielo.br/j/sausoc/a/8fy3z6Qc4M6HrgQ4cyNZTMS/?lang= pt&format=pdf https://www.scielo.br/j/pe/a/J6nzNJJWrTWHQHVJxHLkCSP/abstract/?lang=pt# https://www.scielo.br/j/pe/a/J6nzNJJWrTWHQHVJxHLkCSP/abstract/?lang=pt# https://www.scielo.br/j/pe/a/J6nzNJJWrTWHQHVJxHLkCSP/abstract/?lang=pt# https://revistas.brazcubas.br/index.php/dialogos/article/view/339 https://revistas.brazcubas.br/index.php/dialogos/article/view/339 https://revistas.brazcubas.br/index.php/dialogos/article/view/339 https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/transportes-no-brasil.htm https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/transportes-no-brasil.htm HISTÓRIA91 Na atividade 2, permita que os alunos exponham suas ideias e elaborem hipóteses. Esse é o momento de sondar os conceitos que os alunos já sabem. Explique que, ao longo do capítulo, será possível verificar se as hipóteses levantadas inicialmente se comprovam. Ressalte que, nesse momento, não é necessário dar respostas corretas e efetivas; o importante é pensar sobre o tema dos meios de transporte no Brasil e suas características principais. PRATICANDO Expectativas de respostas 1. a. O primeiro mapa é do ano de 1973. b. O segundo mapa é do ano de 2000. c. Percebe-se um aumento significativo de linhas em vermelho, que representam as estradas pavimentadas. d. Percebe-se um aumento de estradas nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste. 2. a. Ocorreu o desenvolvimento da indústria de automóveis e a ampliação da rede de estradas. b. Foram construídas grandes estradas de inte- gração da região Norte e Centro-Oeste. c. Ocorreu a privatização de muitas estradas brasileiras. Orientações Converse com os alunos sobre os mapas e a evo- lução da rede rodoviária brasileira. Chame atenção para as linhas vermelhas, que representam as estra- das pavimentadas. Peça aos alunos que observem a quantidade de rodovias duplicadas e, em segui- da, comentem a pequena proporção em relação à quantidade de rodovias existentes. Explique o que é uma rodovia duplicada e sua importância para a segurança daqueles que trafegam por ela. No mapa, é possível observar os nomes de muitas cidades em todas as regiões do Brasil. Leia o destaque para os alunos e converse com eles sobre como são tratados os trabalhadores que trafegam pelas rodovias (como motoristas e caminhoneiros) e como acham que a falta de cuidados com as rodovias interfere na vida desses trabalhadores. Complete as respostas dos alunos, explicando que a zona rural produz alimentos e matéria-prima para confecção de muitos produtos e que, sem o transporte dos caminhoneiros, o abastecimento das cidades é prejudicado. Da mesma forma, os produtores rurais precisam transportar materiais diversos da cidade para o campo e todo esse trabalho é feito pelos caminhoneiros. RETOMANDO Expectativas de respostas 1. Resposta pessoal. Espera-se que os alunos consi- derem, em suas respostas, as dificuldades que os caminhoneiros enfrentam ao cozinhar na estrada. 2. Resposta pessoal. Os alunos devem confeccionar seus cartazes de acordo com o tema escolhido e a pesquisa realizada. Orientações Peça aos alunos que exponham suas impressões a respeito de como se sentiriam se tivessem que cozinhar e almoçar e jantar sozinhos todos os dias, longe de casa, e qualcomida preparariam. Essa conversa servirá como base para a atividade em grupo. Oriente os alunos na atividade e garanta que eles tenham compreendido que os investimentos em rodovias no Brasil, em quantidade muito maior que outras vias, é uma situação histórica, que a abertura de rodovias traz consigo o nascimento de estradas ao seu redor e que, atualmente, a condição dessas estradas é precária e os profissionais desse setor trabalham com grande sofrimento e precariedade de condições. 4o ANO92 UNIDADE 8 GASTANDO AS PALAVRAS E USANDO A COMUNICAÇÃO COMPETÊNCIAS GERAIS DA BNCC 1; 2; 4; 5. HABILIDADES DA BNCC EF04HI01 Reconhecer a história como resultado da ação do ser humano no tempo e no espaço, com base na identificação de mudanças e permanências ao longo do tempo. EF04HI08 Identificar as transformações ocorridas nos meios de comunicação (cultura oral, imprensa, rádio, televisão, cinema, internet e demais tecnologias digitais de informação e comunicação) e discutir seus significados para os diferentes grupos ou estratos sociais. OBJETOS DE CONHECIMENTO A ação das pessoas, grupos sociais e comunidades no tempo e no espaço: nomadismo, agricultura, escrita, nave- gações, indústria, entre outras; o mundo da tecnologia: a integração de pessoas e as exclusões sociais e culturais. UNIDADE TEMÁTICA Circulação de pessoas, produtos e culturas. PARA SABER MAIS • LINCOLINS, Thiago. Conheça as 10 fake news que mais mataram na História. Aventuras da História [on-line], 13 set. 2019. Disponível em: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/almanaque/10-casos-fake-news- mataram-historia-inquisicao-peste-negra-bruxa.phtml. Acesso em: 10 ago. 2021. • PERES, Paula; NICOLIELO, Bruna. A comunicação virou objeto de estudo. Nova Escola. 1 maio 2014. Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/3462/a-comunicacao-virou-objeto-de-estudo. Acesso em: 10 ago. 2021. • PRATA, Mário. A máquina da Canabrava. Disponível em: https://marioprata.net/cronicas/a-maquina-da-canabrava/. Acesso em: 10 ago. 2021. • REIS, Caroline Kirsten. História da escrita: uma contextualização necessária para o processo de alfabetização. 2019. Trabalho de conclusão de curso. Monografia – UFMG, Uberlândia, 2019. Disponível em: https://repositorio.ufu.br/ bitstream/123456789/28854/1/Hist%C3%B3riaEscritaUma.pdf. Acesso em: 10 ago. 2021. • ROSA, Rosemar; SILVA, Rachel Inês da; PALHARES, Márcia Maria. As novas tecnologias: influências no cotidiano. Trabalho de conclusão de curso. Monografia – Uniube, Uberaba. Disponível em: http://www.cinform-anteriores. ufba.br/vi_anais/docs/RosemarRosaRachelMarcia.pdf. Acesso em: 10 ago. 2021. • TERRA. Há 75 anos, rádio transmitiu ‘invasão alienígena’ à Terra e assustou milhões. Educação: Você sabia?, 30 out. 2013. Disponível em: https://www.terra.com.br/noticias/educacao/voce-sabia/ha-75-anos-radio-transmitiu- invasao-alienigena-a-terra-e-assustou-milhoes,afb3d216fa802410VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html. Acesso em: 10 ago. 2021. https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/almanaque/10-casos-fake-news-mataram-historia-inquisicao-peste-negra-bruxa.phtml https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/almanaque/10-casos-fake-news-mataram-historia-inquisicao-peste-negra-bruxa.phtml https://novaescola.org.br/conteudo/3462/a-comunicacao-virou-objeto-de-estudo https://marioprata.net/cronicas/a-maquina-da-canabrava/ https://repositorio.ufu.br/bitstream/123456789/28854/1/Hist%C3%B3riaEscritaUma.pdf https://repositorio.ufu.br/bitstream/123456789/28854/1/Hist%C3%B3riaEscritaUma.pdf http://www.cinform-anteriores.ufba.br/vi_anais/docs/RosemarRosaRachelMarcia.pdf http://www.cinform-anteriores.ufba.br/vi_anais/docs/RosemarRosaRachelMarcia.pdf HISTÓRIA93 PÁGINA 96 PÁGINA 97 PÁGINA 98 PÁGINA 99 1. Meios de comunicação transformações e evolução UNIDADE 8 GASTANDO AS PALAVRAS E USANDO A COMUNICAÇÃO 4o ANO96 1. As imagens a seguir mostram objetos usados antigamente. Perceba como eram suas formas e, depois, converse com os colegas e o professor sobre as tecnolo- gias, os equipamentos e os meios de comunicação de antigamente. ⊲ Qual dos objetos apresentados você conhece? ⊲ Para que eles eram usados? ⊲ Por que quase não vemos mais objetos como esses sendo utilizados pelas pes- soas atualmente? 1. Meios de comunicação transformações e evolução Antigo telefone de parede em exposição no Centro Cultural Correios do Recife. Coleção de máquinas de escrever. Jo ão C ar lo s M az el la/ Fo to ar en a m ig ue lan ge lo rte ga /M om en t/G et ty Im ag es 096-099_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN8_CAP1_P4V1bx.indd 96096-099_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN8_CAP1_P4V1bx.indd 96 24/03/2022 11:15:1924/03/2022 11:15:19 HISTÓRIA97 PRATICANDO 1. Leia os textos a seguir. A comunicação virou objeto de estudo Analisar formas de trocar informações ajuda a entender diferentes épocas Das pinturas rupestres aos celulares, muita coisa mudou na forma como nos comunicamos. A troca de dados no mundo atual exige velocidade. Por isso, velhos meios se reinventam para fazer frente às novas tecnologias. Leia abaixo quando surgiram as primeiras formas de comunicação do mundo: Pré-história: Os homens trocam mensagens utilizando a voz — a forma de comunicação mais natural que existe — [...] 1455: Surge a imprensa. As mensagens deixam de ser escritas só à mão ou transmitidas oralmente, e as informações podem ser reproduzidas. 1831: O telégrafo e, quatro anos depois, o código Morse, são usados por governos e militares para trans- mitir mensagens em longas distâncias. Ainda hoje, este código é utilizado por radioamadores. 1876: É criado o telefone, que tem uma central operada manualmente. O aparelho passa por várias trans- formações até chegar à forma atual. 1896: O rádio inaugura a era dos meios de comunicação de massa. Assim, a informação pode chegar a um público bem maior, não somente a quem sabe ler. 1923: Outro meio de comunicação, a TV, atinge grandes públicos. A família se reúne em volta do aparelho para acompanhar a novela e o noticiário. 1947: Começa a ser desenvolvido um sistema telefônico capaz de interligar várias antenas. Cada uma delas era uma célula do projeto, daí o nome celular. 1994: Surge a World Wide Web, um sistema global de computadores interligados. A audiência, passiva nos meios anteriores, passa a ser ativa. A comunicação está mais presente na vida em sociedade do que imaginamos. Além de todos os meios midiáticos existentes, como o jornal e a televisão, por exemplo, dar uma aula, assistir a um filme, ler um livro ou receber uma revista em casa pelo correio são atos de troca de informação. PERES, Paula; NICOLIELO, Bruna. A comunicação virou objeto de estudo. Nova Escola. 1 maio 2014. Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/3462/a-comunicacao-virou-objeto-de-estudo. Acesso em: 10 ago. 2021. – Então. Essa máquina tem assim, tipo... uma impressora, ligada nesse teclado, mas assim, ligada direto. Sem fio. Bem, a gente vai, digita, digita... Ela ia se animando, os olhos brilhando. [...] — … e a máquina imprime direto na folha de papel que a gente coloca ali mesmo! É muuuito legal! Direto, na mesma hora, eu juro! Eu não sabia o que falar. Eu ju-ro que não sabia o que falar diante de uma explicação dessas, de menina de 12 anos, sobre uma máquina de escrever. Era isso mesmo? — … entendeu mãe?… zupt, a gente escreve e imprime, a gente até vê a impressão tipo na hora, e não precisa essa coisa chata de entrar no computador, ligar, esperar hóóóras, entrar no Word, de escrever olhando na tela, mandar para a impressora, esse monte de máquina, de ter que ter até estabilizador, comprar cartucho caro, de nada, mãe! É muuuito legal, e nem precisa colocar na tomada! Funciona sem energia e escreve direto na folha da impressora! — Nossa, filha… 096-099_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN8_CAP1_P4V1bx.indd 97096-099_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN8_CAP1_P4V1bx.indd 97 24/03/2022 11:15:1924/03/2022 11:15:19 4o ANO98Discuta com os colegas os assuntos que os textos abordam. Em seguida, faça uma lista com os meios de comunicação apresentados nos textos. 2. Agora, observe a imagem ao lado. Ela representa o resultado do de- senvolvimento dos meios de co- municação ao longo do tempo. Relacione essa imagem às outras que você viu no início do capítu- lo e escreva um texto sobre as transformações e os avanços dos meios de comunicação. Je ns K ala en e/ dp a- Ze nt ra lb ild /Z B (Je ns K ala en e/ pi ct ur e all ian ce vi a G et ty Im ag es ) — … só tem duas coisas: não dá para trocar a fonte nem aumentar a letra, mas não tem proble- ma. Vem, que a gente vai te mostrar. Vem… Eu parei e olhei, pasma, a máquina velha. Eles davam pulinhos de alegria. — Mãe. Será que alguém da família vai querer? Hein? Ah, a gente vai ficar torcendo, torcendo para ninguém querer para a gente poder levar lá para casa, isso é o máximo! O máximo! Bem, enquanto estou aqui, neste ‘teclado’, estou ouvindo o plec-plec da tal máquina, que, cla- ro, ninguém da família quis, mas que aqui em casa já deu até briga, de tanto que já foi usada. Está no meio da sala de estar, em lugar nobre, rodeada de folhas e folhas de textos ‘impressos na hora’ por eles. Incrível, eles dizem, plec-plec-plec, muito legal, plec-plec-plec. Eu e o Zé estamos até pensando em comprar outras, uma para cada filho. Mas, pensa bem se não é incrível mesmo para os dias de hoje: sai direto, do teclado para o papel, e sem tomada! Céus. Que coisa. Um beijo grande, Lúcia. [...] PRATA, Mário. A máquina da Canabrava. Disponível em: https://marioprata.net/cronicas/ a-maquina-da-canabrava/. Acesso em: 10 ago. 2021. 096-099_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN8_CAP1_P4V1bx.indd 98096-099_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN8_CAP1_P4V1bx.indd 98 24/03/2022 11:15:2124/03/2022 11:15:21 HISTÓRIA99 RETOMANDO 1. Pense nos meios de comunicação e aparelhos tenológicos que há no lugar em que você vive e faça o que se pede a seguir. ⊲ Liste os meios de comunicação que você tem em casa atualmente. ⊲ Depois, faça um levantamento por escrito sobre cada um deles: há quanto tem- po eles estão em sua casa? Desde de quando são utilizados por você e seus familiares? As características deles são semelhantes ou diferentes dos meios de comunicação mais antigos? ⊲ Em seguida, classifique cada um deles em duradouros ou frágeis de acordo com o tempo de uso e o estado de conservação em que se encontram. 2. No caderno, crie uma história em quadrinhos com personagens contando por que os aparelhos atuais são substituídos com mais frequência e o que é feito com aqueles que são inutilizados e descartados como lixo. 096-099_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN8_CAP1_P4V1bx.indd 99096-099_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN8_CAP1_P4V1bx.indd 99 24/03/2022 11:15:2124/03/2022 11:15:21 4o ANO94 Sobre o capítulo • Contextualizando: levantar os conhecimentos prévios sobre os meios de comunicação antigos. • Praticando: analisar textos sobre os meios de comunicação e descrever as transformações e os avanços tecnológicos desses meios. • Retomando: identificar e registrar os meios de comunicação presentes no cotidiano. Refletir sobre as transformações sofridas pelos meios de comunicação ao longo do tempo por meio da criação de uma história em quadrinhos. Objetivo de aprendizagem • Associar transformações tecnológicas dos meios de comunicação às mudanças das necessidades do cotidiano. Habilidades da BNCC EF04HI01 Reconhecer a história como resultado da ação do ser humano no tempo e no espaço, com base na identificação de mudanças e permanências ao longo do tempo. EF04HI08 Identificar as transformações ocorridas nos meios de comunicação (cultura oral, imprensa, rádio, televisão, cinema, internet e demais tecnologias digitais de informação e comunicação) e discutir seus significados para os diferentes grupos ou estratos sociais. Contexto prévio Para este capítulo, os alunos devem saber o que é tecnologia, avanços tecnológicos e a importância dos meios de comunicação. Dificuldades antecipadas A turma pode associar tecnologia apenas a apa- relhos tecnológicos atuais e modernos. Assim, pode ser necessário intermediar a compreensão de que tecnologia vai além de aparelhos analógicos ou digitais: refere-se à técnica, métodos e instrumentos criados para auxiliar as atividades humanas. CONTEXTUALIZANDO Expectativas de resposta 1. Respostas pessoais. Espera-se que o aluno de- monstre interesse pelos meios de comunicação antigos ao analisar as imagens. Deve, também, criar hipóteses enquanto identifica como e para que cada objeto era utilizado. Orientações Converse com a turma sobre os meios de comunicação antigos que aparecem nas imagens. Deixe que a turma explore as figuras apresentadas. Tome como direciona- mento as questões disparadoras propostas. Permita que a turma crie diferentes argumentos sobre a utilidade e a importância dos meios de comunicação de antigamente. Pergunte aos alunos se já viram ou se já tiveram contato com algum dos objetos apresentados pelas imagens e se algum deles permanece utilizado no contexto atual. Essa atividade pode ser desenvolvida com a turma como avaliação diagnóstica, para verificar os conhecimentos que os alunos têm dos meios de comunicação de anti- gamente e quais informações sobre esse tema podem ser complementadas no decorrer do capítulo. PRATICANDO Expectativas de respostas 1. Espera-se que os alunos tenham compreendi- do que o primeiro texto trata da evolução dos meios e das formas de comunicação desde a Pré-História aos nossos dias, como uma linha do tempo, mostrando as principais inovações nessa área. E o segundo texto conta as impressões de uma criança, nos dias atuais, que encontra uma máquina de escrever antiga e se surpreende com ela e seu funcionamento. Entre os meios de comunicação citados pelos textos, os alu- nos devem identificar: a imprensa, o telégrafo, telefone, rádio, TV, celulares, world wideweb (internet). Esclareça que a máquina de escrever não é um meio de comunicação propriamente dito, mas ela foi utilizada para produzir cartas, jornais, livros e outros. 2. Espera-se que o aluno registre por escrito as transformações nos meios de comunicação de- vido aos avanços tecnológicos e às mudanças das necessidades do cotidiano em cada contexto. HISTÓRIA95 Orientações Incentive a resposta descritiva do aluno, que deve des- tacar a transformação ocorrida com o tempo em cada um dos meios de comunicação. Chame a atenção dos alunos para as diversas funções que os aparelhos tecnológicos atuais acumulam, diferentemente dos que existiam antiga- mente. Para finalizar a descrição peça ao aluno que cite no texto descritivo outros aparelhos que também possam ser substituídos pelo smartphone e pelo laptop ou notebook, como calculadora, agenda, filmadora, despertador, álbum de fotos, calendário, rádio, televisão, jornal etc. RETOMANDO Expectativas de resposta 1. Respostas pessoais. Os alunos podem citar como meios de comunicação encontrados em casa: o telefone, o rádio, a televisão, o computador ou celular com acesso à internet etc. Orientações Estimule o aluno a fazer o levantamento escrito sobre os meios de comunicação existentes na casa dele. Oriente-o a analisar e registrar há quanto tempo eles estão em uso na casa dele e desde quando estão sendo utilizados. Se necessário, registre um exemplo no quadro de como ele poderia responder a essas perguntas. Quanto às caracte- rísticas desses objetos, solicite ao aluno que mencione: se eles se aproximam dos meios de comunicação antigos ou se assumem um formato mais atual e moderno. Peça ao aluno que classifique cada um deles por escrito como duradouros ou frágeis de acordo com o tempo de uso e o estado de conservação em que se encontram. Com esse levantamento, espera-se que o aluno reflita sobre a necessidade de compra e de descarte dos objetos que possui em casa. Destaque que, quanto maior a durabili-dade do objeto, melhor para o meio ambiente. Na atividade 2, oriente o aluno a criar uma história em quadrinhos que conte por que, no tempo presente, há o hábito de as pessoas substituírem seus aparelhos e objetos relacionados aos meios de comunicação com mais frequência. Nesse momento, é possível desenvol- ver o tema relacionando-o com o consumismo, o meio ambiente e os avanços tecnológicos. Durante a criação dos quadrinhos, instigue o aluno a abordar a questão do destino dos objetos inutilizados. Aproveite o momento e chame a atenção dos alunos para os problemas do descarte, questionando sobre o que eles fazem com seus aparelhos e objetos inutilizados. É esperado que o aluno cite a reciclagem e possa, também, citar objetos oriundos desse processo. Leitura complementar De onde vem e para onde vai seu smartphone? Os novos aparelhos celulares, como os smart- phones, têm sido atualizados cada vez mais rápido. Novos aparelhos se tornam obsoletos em menos de um ano. Essa rápida obsolescência gera uma série de impactos, como o volume de lixo eletrônico produzido pelo brasileiro, assim como a utilização exagerada de matérias-primas que podem se esgotar rapidamente da natureza, como o famoso silício, elemento químico crucial aos aparelhos. De onde vêm esses produtos cada vez mais necessários, mas com uma vida tão curta? O que podemos fazer com eles após não servirem mais? Muitas vezes saber de onde vem é fácil, basta olhar nas etiquetas que veremos o país de origem, mas não é só isso. Além de sua origem, o produto carrega o histórico de suas matérias-primas, de onde vem esses produtos para a produção deste novo aparelho? Qual impacto esses processos geram nas várias etapas dessa cadeia?. É necessário entender qual a história até chegar às mãos de 84% dos brasileiros que possuem celulares [...]. Celulares reciclados ajudam a evitar desma- tamento ilegal Essa história significa a quantidade de materiais utilizados para sua produção. Um destes é a safira, pedra recém utilizada por algumas marcas para a tela de seus celulares, protegendo os aparelhos de quedas. Novo elemento, o Grafeno, é motivo de pesquisas de especialistas que acreditam ver nele o benefício do baixo custo da produção. O motivo é sua maior disponibilidade na natureza, já que se trata de uma forma cristalina do carbono. Olhar para essa história, não é apenas olhar para a produção, mas também o transporte, o uso e o descarte dos materiais. Imaginamos o volume de lixo eletrônico gerado pelo brasileiro, considerando não só os celulares, mas diversos aparelhos eletrôni- cos. Segundo dados do E-waste World Map, primeiro mapa global de lixo eletrônico, lançado pela Step, aliança entre ONU, empresas, governos e ONGs de todo o mundo, com dados de 2012, o Brasil produziu 1,4 milhão de toneladas de lixo eletrônico (7 kg por habitante). Ainda de acordo com a Step, para 2017, o volume de lixo eletrônico no mundo aumentará 33%, o equivalente a altura de 200 edifícios como o Empire State Building, de Nova York. CIRILO, Fábio. De onde vem e para onde vai seu smartphone. Consumidor moderno, 8 abril 2018. Disponível em: https://www. consumidormoderno.com.br/2015/04/08/de-onde-vem-e-para-onde- vai-seu-smartphone/. Acesso em 13 dez. 2021. 4o ANO96 PÁGINA 100 PÁGINA 101 PÁGINA 102 PÁGINA 103 2. Vamos entender a invenção da escrita? 4o ANO100 1. Faça de conta que você vive na época em que a escrita ainda não existia. Para que você consiga se comunicar com os colegas, use a criatividade. Ao final da experi- ência responda: ⊲ Como será que as pessoas se comunicavam antes de a escrita existir? ⊲ Você sabe por que a escrita foi criada? ⊲ Na sociedade em que vivemos, qual é a importância da escrita? PRATICANDO 1. Abaixo, você pode observar a imagem de uma parede com pintura rupestre. Antes da invenção da escrita, os povos que existiram há milhares de anos se comunica- vam por meio de pinturas nas paredes das cavernas. 2. Vamos entender a invenção da escrita? Pintura rupestre em Cerro Azul, Guaviare, na Colômbia. Converse com os colegas e o professor: ⊲ O que há na arte rupestre observada na imagem? ⊲ Na sua opinião, qual seria a mensagem que ela deveria transmitir no passado? Po rk y P ie s P ho to gr ap hy / A lam y/ Fo to ar en a 100-103_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN8_CAP2_P4.indd 100100-103_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN8_CAP2_P4.indd 100 04/04/2022 16:11:5404/04/2022 16:11:54 HISTÓRIA101 As pinturas rupestres são inscrições realizadas desde 30 mil a.C. por povos que ainda não havia desenvolvido a agricultura. Eles desejavam transmitir mensagens por meio de desenhos. Muitos estudiosos de hoje procuram decifrar o significado dessas mensagens, mas ainda há muito por se descobrir. A maioria das figuras rupestres representa animais. Os “artistas das cavernas” ob- tinham suas tintas moendo pigmentos naturais de terra, rocha e algumas plantas, até obterem um pó fino que era misturado à água. Estudiosos afirmam que, pintando os animais em rochas, nossos ancestrais acre- ditavam que seria mais fácil caçá-los, ou ainda, que os desenhos pudessem trazer abundância e fertilidade aos outros animais da região. Produzido para este material. 2. Leia o texto a seguir. ⊲ Agora você deverá se imaginar como integrante de um grupo caçador-coletor. No espaço abaixo, crie uma pintura rupestre com um significado importante para aque- la época vivenciada pelos primeiros grupos humanos. Em seguida, mostre sua pintu- ra a um colega. Ele deverá tentar interpretar seu desenho e desvendar o significado. Você fará o mesmo com a pintura dele. 100-103_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN8_CAP2_P4.indd 101100-103_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN8_CAP2_P4.indd 101 04/04/2022 16:11:5404/04/2022 16:11:54 4o ANO102 3. O texto abaixo vai ajudar você a conhecer um pouco sobre a história da escrita. Faça a leitura dele com os colegas e o professor. História da escrita: uma contextualização necessária para o processo de alfabetização A escrita cuneiforme nasceu na Suméria, região da Mesopotâmia e foi decifrada no século XIX, sendo considerado o sistema de escrita mais antigo até hoje conhecido. Contadores registravam o patrimônio com uma espécie de estilete pontiagudo, usando sinais e números sobre placas de argila mais ou menos do ta- manho de um cartão de crédito. O ato de pressionar uma cunha na argila mole deu esse nome a esse siste- ma de escrita. Terminada as inscrições, as placas eram secadas ao sol. Posteriormente, a escrita mesopotâ- mica passou a ser usada para registar contratos jurídicos, inscrições dirigidas aos deuses e narrativas. [...] [...] Usada por cerca de três mil anos, a mesma extensão de tempo que nosso alfabeto é conhecido, a es- crita cuneiforme é hoje apreciada como uma das principais escrituras. REIS, Caroline Kirsten. História da escrita: uma contextualização necessária para o processo de alfabetização. 2019. Trabalho de conclusão de curso: Monografia - UFMG, Uberlândia, 2019. Disponível em: https://repositorio.ufu.br/ bitstream/123456789/28854/1/Hist%C3%B3riaEscritaUma.pdf. Acesso em: 10 ago. 2021. ⊲ Há objetos que são verdadeiros tesouros históricos, pois nos ajudam a entender a evolução e a transformação da linguagem escrita. Será que você conseguiu desco- brir alguns deles neste capítulo? Faça uma roda de conversa os colegas sobre objetos que ajudam ou ajudaram os seres humanos a escrever e, na sequência, preencha a cruzadinha dos tesouros históricos. I. V. VI.VII. IX. VIII. II. III. IV. 100-103_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN8_CAP2_P4.indd 102100-103_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN8_CAP2_P4.indd 102 04/04/2022 16:11:5404/04/2022 16:11:54 HISTÓRIA103 Horizontais I. Objeto feito de madeira para realizar o registro escrito. V. Objeto utilizado na atualidade para regis- tro escrito contendo tinta em seu interior. VI. Recurso utilizado na criação de registro em diferentes superfícies por meio de pincéis. IX. Objeto utilizado para criarrabiscos na areia e facilitar a comunicação. Verticais II. Recurso retirado de aves e utilizado du- rante muito tempo como instrumento de escrita. III. Material natural utilizado como base para a escrita cuneiforme. IV. Material utilizado para a escrita feito com o caule de plantas. VII. Recurso de cor escura utilizado na escrita e obtido da queima de madeira. VIII. Superfície das paredes das cavernas onde as pinturas rupestres eram feitas. Carta de Pero Vaz de Caminha relatando a expedição de Pedro Álvares Cabral em terras brasileiras. Registro feito entre 26 de abril e 2 de maio de 1500. le ch at no ir/ E+ /G et ty Im ag es Na tio na l A rc hi ve o f T or re d o To m bo Pessoa utilizando comunicação escrita por meio de recursos tecnológicos digitais. RETOMANDO 1. Observe as imagens a seguir. As duas imagens apresentam exemplos de como a escrita evoluiu desde seu surgimen- to entre os primeiros grupos humanos, apresentando materiais e recursos característicos da cada época. Ciente disso, escreva em seu caderno um texto respondendo à questão: De que forma a invenção e a evolução das formas de escrita favoreceram a comunica- ção entre pessoas ao longo do tempo? 100-103_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN8_CAP2_P4.indd 103100-103_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN8_CAP2_P4.indd 103 04/04/2022 16:11:5504/04/2022 16:11:55 HISTÓRIA97 Sobre o capítulo • Contextualizando: levantar os conhecimentos prévios sobre o surgimento da escrita e sua importância para a sociedade em que vivemos; compreender a pintura rupestre como uma forma de comunicação dos primeiros grupos humanos. • Praticando: ler texto e desenvolver atividade em duplas sobre pinturas rupestres; desenvolvimento de cruzadinha (diagrama de palavras) sobre os instrumentos utilizados para a escrita. • Retomando: organizar os conhecimentos construídos durante o capítulo por meio da produção de texto. Objetivos de aprendizagem • Perceber a função social da escrita como fator de transformação comunicativa e integração entre pessoas. Habilidades da BNCC EF04HI01 Reconhecer a história como resultado da ação do ser humano no tempo e no espaço, com base na identificação de mudanças e permanências ao longo do tempo. EF04HI08 Identificar as transformações ocorridas nos meios de comunicação (cultura oral, imprensa, rádio, televisão, cinema, internet e demais tecnologias digitais de informação e comunicação) e discutir seus significados para os diferentes grupos ou estratos sociais. • Associar as diferentes formas de registros utilizados pela humanidade, desde os primeiros grupos humanos até os dias atuais. Contexto prévio Espera-se que o aluno compreenda a escrita como forma de integração, aproximação, além de promotora de expressão em diferentes formatos. Dificuldades antecipadas O aluno pode apresentar dificuldade em com- preender que a escrita nem sempre foi como é hoje. CONTEXTUALIZANDO Expectativas de resposta 1. Respostas pessoais. Espera-se que o aluno reflita sobre as formas de comunicação na Pré-história, época em que os grupos humanos criaram registros pictóricos e desenvolveram a comunicação por sons e gestos. Sobre a segunda questão, será necessário que você explique aos alunos que a escrita foi inventada pelos sumérios (aprox. 4.000 a.C.) para a contagem de sacas de grãos e registros de transações comerciais. As inscrições rupes- tres são muito anteriores a isso, como veremos adiante, nesse capítulo. Para responder à terceira questão, é esperado que os alunos se lembrem de que, atualmente, uma parte significativa da comunicação entre as pessoas é feita por meio de mensagens digitais, em sua maioria, escrita (em redes sociais e e-mails). Dessa forma, eles devem concluir que as mensagens e a linguagem escritas, no mundo contemporâneo são um importante motor para as atividades humanas econômicas e sociais. Muitos serviços, transações comerciais e interações entre as pessoas dependem desse tipo de comunicação. Orientações Desperte o interesse do aluno pelo tema ao desen- volver a reflexão sobre a origem da escrita. Estimule a turma a responder às perguntas de maneira a trazer informações que já domina sobre o assunto. Aqui é importante explicar como a invenção da escrita facilitou a relação entre as pessoas, desde a Antiguidade. Para isso, é importante que o aluno socialize hipóteses de como surgiu a escrita e de que maneira as pessoas estabeleciam uma comunicação antes de sua criação. PRATICANDO Expectativas de respostas 1. Espera-se que o aluno reconheça nas pinturas rupestres uma forma de expressão artística e de comunicação. Também, devem interpretar o conteúdo 4o ANO98 da imagem de acordo com o que é possível visua- lizar, mencionando seus elementos e grafismos. Permita a livre interpretação e, a partir dela, o levantamento de hipóteses pelos alunos. 2. Respostas pessoais. 3. I. Lápis; II. Pena; III. Argila; IV. Papiro; V. Caneta; VI. Tinta; VII. Carvão; VIII. Pedra; IX. Graveto. Orientações Convide o aluno a pensar sobre as etapas do de- senvolvimento vividas pelos grupos humanos até a in- venção da escrita convencional, permitindo que ele crie hipóteses sobre o processo que possibilitou a invenção da escrita, bem como sobre seus diferentes usos, suas técnicas e os instrumentos utilizados nesse processo. Sensibilize a turma para perceber que, durante cada etapa rumo à invenção da escrita, os grupos humanos experimentaram formas diferentes para se comunicar, como a comunicação pictórica, a linguagem oral simples (sons e grunhidos), a linguagem oral complexa (com palavras, mas sem o uso da escrita), e a invenção de alfabetos que permitiram o desenvolvimento da escrita. Nesse momento, mencione o registro cuneiforme como uma das etapas dessa evolução até os registros escri- tos se configurarem como nos dias atuais. Incentive a turma a analisar a imagem do registro rupestre, para criação de hipóteses e promova uma conversa sobre por que o registro cuneiforme foi criado, bem como sobre os tipos de instrumento utilizados nessa cria- ção. Na atividade 1, ao tentar interpretar as imagens, é importante instigar os alunos a pensar na realidade dos primeiros grupos humanos. Lance hipóteses para que refiltam a respeito, como: será que essa pintura deseja comunicar que houve sucesso em uma caçada? Ou deseja mostrar que foi caçado um animal muito grande garantindo o sustento para um grupo grande de pessoas? Ou será que nossos ancestrais, ao pintuarem nas paredes das cavernas, acreditavam atrair animais para as suas caçadas? Ou, ainda, é possível que essas inscrições teriam o objetivo de ensinar aos caçadores inexperientes como eram os animais? Permita que outras hipóteses sejam levantadas du- rante a discussão. Na atividade 2, organize a turma em duplas. Peça para que leiam o texto e, em seguida, desenvolvam a atividade de livre expressão. No primeiro momento, peça que cada um elabore sua “arte rupestre”, individualmente. Em seguida, peça aos integrantes de cada dupla que troquem as atividades entre si e ten- tem advinhar o significado do desenho elaborado pelo colega. Em relação à atividade 3, leia as sentenças do diagrama coletivamente. Caso os alunos apresentem dificuldades para encontrar as respostas, dê algumas dicas de modo que cada desafio seja resolvido coletiva- mente pelos alunos. Ressalte a existência de diversos materiais que já foram utilizados para registo escrito na história. Fale sobre a existência dos suportes para a escrita com base em materiais diversos. Solicite ao aluno que preencha a cruzadinha e que, ao fazer isso, pense sobre o tipo de material que, desenvolve a escrita com mais praticidade e velocidade, quais materiais são mais difíceis de manusear e por quê. RETOMANDO Expectativa de resposta 1. Espera-se que os alunos percebam que, com as mudanças tecnológicas, a comunicação ficou mais rápida. Orientações Essa atividade é para consolidaro aprendizado do aluno durante o capítulo. É um momento oportuno para relembrar a ele que o texto deverá mostrar que, da mesma forma que conhecemos como se escrevia no passado, é importante que as gerações futuras conheçam como escrevemos hoje. É o momento também para estimular a reflexão do aluno sobre como os avanços tecnológicos poderão continuar a transformar a maneira como as pes- soas se comunicam, bem como quais as transformações nos materiais e recursos utilizados na escrita e em outras formas de comunicação. Antes da produção, converse com a turma sobre o fato de o surgimento da escrita ser um processo de integração ou exclusão social e diga que, na produção de texto, o aluno deve sinalizar como a escrita permanece em constante mudança. Leitura complementar Arte rupestre no Brasil Quando os portugueses chegaram ao Brasil encontraram, ao invés de pedras preciosas como queriam, figuras aparentemente incompreensíveis HISTÓRIA99 gravadas nas pedras. Estas gravuras hoje chamadas de gravuras rupestres, datam de aproximadamente, entre 3.000 e 10.000 anos atrás. Ao longo deste tempo muitas destas gravuras já foram destruídas e algumas continuam ameaçadas. No Nordeste, Rio Grande do Norte e Paraíba, é onde se encontra a maior concentração de arte rupestre do mundo. O clima seco, a vegetação impenetrável e a dificuldade de ocupação em algumas áreas, contribuí- ram para conservação dessa arte. E no Piauí onde se encontram as figuras rupestre mais antigas do Brasil. Os temas retratados nas gravuras e pinturas ru- pestres geralmente estão ligados ao cotidiano, como caça, fertilidade, objetos domésticos ou de trabalho. Acredita-se que muitas cenas tinham carácter mágico- religioso, como uma preparação para o que ainda seria vivido, como uma situação de caça por exemplo. As pinturas rupestres podem ser feitos com os dedos ou com a ajuda de utensílios; as cores, obtidas do carvão (preta), do óxido de ferro (vermelha e ama- rela) e, às vezes, com cera de abelha. Substâncias líquidas – água, clara de ovo, sangue etc. – são empregadas nas pinturas. Às diferentes técnicas e cores (muitas vezes superpostas) são atribuídos sentidos variados. No Brasil existem três estilos predominantes na arte rupestre. Os traços geométricos pertencem à tradição agreste. As figuras humanas são a marca da tradição Nordeste. Já as gravuras na pedra formam a tradição Itacotiara. ARTE rupestre no Brasil. Arte Brasileira UTFP. Disponível em: https://artebrasileirautfpr.wordpress.com/2012/06/01/arte- rupestre-no-brasil/. Acesso em: 13 dez. 2021. ANOTAÇÕES 4o ANO100 PÁGINA 104 PÁGINA 105 PÁGINA 106 PÁGINA 107 3. O perigo das fake news 4o ANO104 1. Vamos jogar lereia? Lereia é uma brincadeira também conhecida como jogo do dicionário. As regras desse jogo são as seguintes: ⊲ Tenha em mãos um dicionário e escolha uma palavra que você acha que os co- legas não conhecem e apresente-a para a turma. ⊲ Cada aluno deve pensar em um significado que acha “combinar” com essa pa- lavra, escrever e entregar a você. ⊲ Depois, leia em voz alta todas as definições, entre elas a verdadeira, retirada do dicionário. Lembre que você não pode dizer qual é a definição correta. ⊲ Cada aluno vota na definição que acredita ser a correta. Quem acertar a defi- nição da palavra ganha pontos e quem tiver a sua definição apontada como a certa pelos demais, também. ⊲ Se ninguém acertar a definição correta, você, que escolheu a palavra, vence. Na rodada seguinte, outro aluno fica com o dicionário e escolhe a palavra. 2. Agora que o jogo acabou, responda às questões abaixo. a. Selecione a alternativa correta: ao jogar esse jogo foi possível perceber que o aluno que se sai melhor é aquele que: ( ) tem agilidade no raciocínio. ( ) conhece o maior número de palavras. ( ) tem facilidade com cálculo. ( ) é capaz de fazer rimas com rapidez. b. O conhecimento é algo muito importante em nossa sociedade. Muitas pessoas bus- cam conhecimento por meio de sites na internet. Buscam, até mesmo, o significado de palavras. No entanto, nem sempre os sites apresentam conteúdo confiável e seguro. Então, quanto menor for seu conhecimento sobre um determinado assunto, mais facilmente você irá confiar em informações pouco seguras. ⊲ Você já teve contato com um site de informações duvidosas? Se sim, como des- cobriu que eram falsas? Compartilhe as respostas com a turma. 3. O perigo das fake news 104-107_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN8_CAP3_P4V1bx.indd 104104-107_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN8_CAP3_P4V1bx.indd 104 24/03/2022 10:37:3424/03/2022 10:37:34 HISTÓRIA105 c. Você já ouviu falar em fake news? Sabe o que essa expressão significa? Registre seus conhecimentos sobre o tema. PRATICANDO 1. Agora, você tem dois textos para ler e realizar a atividade que vem na sequência. Esses textos dizem respeito a informações divulgadas em determinada época e que causaram problemas para muitas pessoas. Vamos conhecê-los! Em 30 de outubro de 1938, marcianos invadiram a Terra [...]. Nesse dia, em uma rádio no Estados Unidos, foi transmitido aos ouvintes que um meteoro havia caído em uma fazenda da região. Quando alguns moradores e policiais se aproximaram, descobriram que na rea- lidade era “[...] uma nave cheia de alienígenas, munidos de raios mortais e inclinados a exterminar a espécie humana.” “[...] Às 21h, uma mulher entrou apavorada na 47ª delegacia de Nova York. Carregava duas crianças pe- quenas, roupas e mantimentos: “Estou pronta para deixar a cidade”, anunciou para os policiais, segundo relato do New York Times do dia posterior.” Texto adaptado de TERRA. Há 75 anos, rádio transmitiu ‘invasão alienígena’ à Terra e assustou milhões. Educação. Você Sabia? [30 out. 2013]. Disponível em: https://www.terra.com.br/noticias/educacao/voce-sabia/ha-75-anos-radio-transmitiu-invasao- alienigena-a-terra-e-assustou-milhoes,afb3d216fa802410VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html. Acesso em: 10 ago. 2021. Campanha de antivacinação A polêmica em torno da vacina tríplice (caxumba, sarampo e rubéola) teve início quando o médico britâ- nico Andrew Wakefield, um gastroenterologista, publicou um artigo no jornal Lancet, em 1998, a respeito do tratamento de crianças diagnosticadas com autismo. Wakefield afirmava que tais crianças desenvolveram o distúrbio neurológico após receberem a vacina. O médico era, na verdade, um vigarista que havia arquitetado a farsa após ser pago por um grupo que pretendia processar a indústria farmacêutica. O jornal retirou o artigo e Wakefield foi impedido de exercer a profissão. LINCOLINS, Thiago. Conheça as 10 fake news que mais mataram na História. Aventuras da História [on-line], 13 set. 2019. Disponível em: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/almanaque/10-casos-fake-news-mataram-historia- inquisicao-peste-negra-bruxa.phtml. Acesso em: 10 ago. 2021. ⊲ Depois da leitura dos textos, reúna-se com os colegas e o professor e reflitam sobre as informações apresentadas. Em seguida, participe com a turma de uma roda de conversa sobre o crescimento do alcance e da rapidez dos meios de comunicação na divulgação de notícias falsas. 104-107_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN8_CAP3_P4V1bx.indd 105104-107_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN8_CAP3_P4V1bx.indd 105 24/03/2022 10:37:3524/03/2022 10:37:35 4o ANO106 2. Crie a seguir uma campanha de conscientização sobre a importância do acesso às informações seguras e de se combater as notícias falsas. 104-107_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN8_CAP3_P4V1bx.indd 106104-107_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN8_CAP3_P4V1bx.indd 106 24/03/2022 10:37:3524/03/2022 10:37:35 HISTÓRIA107 RETOMANDO 1. Nas atividades anteriores, você refletiu sobre o impacto das fake news. Agora, or- ganize os conhecimentos sobre o assunto. Pesquise em diferentes fontes informa- ções que caracterizam as notícias falsas. Apresente o resultado da pesquisa com a criação de um painel que traga informações coletadas de maneira dinâmica, com dicas e passos para facilitara identificação de notícias verdadeiras e de fake news. Use sua criatividade durante a elaboração do painel. Você poderá desenhar, utilizar imagens diversas e descrever as informações pesquisadas para representar o que aprendeu. Em seguida, organize um mapa conceitual com os conteúdos estudados neste capítulo. 104-107_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN8_CAP3_P4V1bx.indd 107104-107_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN8_CAP3_P4V1bx.indd 107 24/03/2022 10:37:3524/03/2022 10:37:35 HISTÓRIA101 Sobre o capítulo • Contextualizando: levantar os conhecimentos prévios com a realização da brincadeira da lereia e desenvolver atividades sobre a busca por informações e conhecimento na atualidade. • Praticando: ler textos e refletir sobre o impacto da veiculação de notícias falsas e a importância de se buscar e compartilhar informações confiáveis. • Retomando: sistematizar os estudos por meio da elaboração de um painel-síntese. Objetivo de aprendizagem • Discutir sobre o impacto e a existência de perigo na disseminação de fake news e reconhecer o impacto dos meios digitais no processo de comunicação humana. Materiais • Dicionário (um exemplar por grupo). Habilidade da BNCC EF04HI08 Identificar as transformações ocorridas nos meios de comunicação (cultura oral, imprensa, rádio, televisão, cinema, internet e demais tecnologias digitais de informação e comunicação) e discutir seus significados para os diferentes grupos ou estratos sociais. • Folhas de papel A4 para o jogo da lereia (uma por aluno). Contexto prévio O aluno precisa conhecer o significado de fake news. Atente para a ideia de que a disseminação de fake news não ocorre só em meio digital; é uma prática antiga que, com o avanço da internet, se alastra de maneira rápida e fora de controle por meios digitais. Dificuldades antecipadas É possível que o aluno não perceba o perigo que existe em passar adiante uma informação fal- sa, que interprete inicialmente as fake news como uma brincadeira e não reconheça a possibilidade de causarem grandes problemas devido à invera- cidade das informações propagadas. Diante disso, é importante esclarecer ao aluno os problemas que podem ser gerados por esse tipo de informação falsa. CONTEXTUALIZANDO Expectativas de respostas 1. Respostas pessoais. Espera-se que com essa ati- vidade, os alunos façam uso do dicionário como ferramenta de aprendizagem e explorem o máximo de palavras possíveis dentro do tempo delimitado. Os alunos serão incentivados a apresentar conhe- cimentos prévios ao colocar em prática palavras de seu vocabulário, durante a brincadeira. Com isso, espera-se que os alunos reflitam acerca do levantamento de hipóteses acerca do significado das palavras e compreendam a importância de se consultar fontes de informações confiáveis. 2. a. Espera-se que o aluno identifique a segunda alternativa como resposta correta. b. Conceda espaço para que os alunos compar- tilharem experiências sobre notícias falsas e dicas de como reconhecê-las. c. Escreva a palavra “fake news” no quadro. Explique que ela é uma expressão em inglês que signi- fica “notícia falsa”. Explique que o fenômeno, ganhou bastante visibilidade na atualidade e ocorre em diferentes países. Autoridades têm discutido diferentes estratégias para combater a disseminação de tais notícias. Orientações Espera-se que, com a atividade do jogo, os alunos façam uso do dicionário, como ferramenta de apren- dizagem, e explorem o máximo de palavras possíveis dentro do tempo delimitado. Os alunos serão incen- tivados a apresentar conhecimentos prévios ao colo- car em prática palavras de seu vocabulário, durante a brincadeira. Também serão motivados a refletir sobre a importância de se pesquisar o significado das palavras em uma fonte confiável. Motive a turma convidando-a a participar da ativi- dade e, nesse momento, procure verificar se alguém sabe como ela é desenvolvida. Caso algum aluno saiba, convide-o a ajudá-lo na explicação aos demais. Explique à turma as regras do jogo, que consiste em escolher uma palavra no dicionário e apresentá-la para a turma. Feito isso, explique que cada aluno deve criar um significado que achar que “combina” com a palavra escolhida. Oriente o aluno a ler em 4o ANO102 voz alta todas as definições da palavra escolhida, entre elas a verdadeira, retirada do dicionário. Cada aluno vota na definição que acredita ser a correta. O aluno que acertar a definição da palavra ganha pontos e quem tiver a sua definição apontada como certa pelos outros, também. Se ninguém acertar a definição certa, quem escolheu a palavra vence. Na rodada seguinte, outro aluno fica com o dicionário e escolhe a palavra. Se a turma for grande, organize grupos com o mínimo de quatro alunos para otimizar o tempo. Como dica, diga à turma que serão jogadas duas rodadas em aula e que se eles gostarem poderão continuar o jogo em outro momento. Após as rodadas do jogo, oriente os alunos a iniciar um debate sobre as causas da dificuldade em distinguir significados falsos de verdadeiros, tendo como base as perguntas norteadoras do material do aluno. PRATICANDO Expectativas de resposta 1. Espera-se que, após a leitura dos textos, o aluno apresente, na roda de conversa, reflexões sobre o desenvolvimento dos meios de comunicação e da internet, bem como sobre a importância de se manter atento ao conteúdo das informações veiculadas. É importante incentivá-lo a refletir sobre a divulgação de notícias que nem sempre são verdadeiras. O aluno deve compreender que por meio de pesquisas, de conhecimentos prévios e pelo uso do bom senso é possível descobrir se a notícia é falsa. Orientações Convide a turma para a leitura dos textos sugeridos. Em seguida, pergunte aos alunos se acreditariam em qualquer notícia ou informação que ouvissem ou lessem por meio de um colega, na rádio, na TV ou nas redes sociais. Explique à turma que, desde muito tempo até os dias atuais, os meios de comunicação continuam a ser potentes fontes de informação para a população, mas há pessoas mal-intencionadas que buscam produzir informações falsas para confundir. Comente com a turma que as notícias presentes nos textos foram divulgadas décadas atrás e que a falta de acesso da população a outras fontes de informação a fez acreditar nas falsas notícias. Ressalte que o primeiro texto não era uma notícia e, sim, um programa de rádio que estava narran- do a passagem de um livro de ficção científica, porém os ouvintes não se atentaram para essa informação e passaram a crer que tal evento era real. No segundo texto, o cientista manipulou informações para tentar comprovar que o seu estudo era verdadeiro. Estimule os alunos a partilhar as maneiras como as notícias são veiculadas hoje, os meios de comunicação atuais utili- zados, como eles se informam sobre os acontecimentos, bem como a comentar sobre histórias que já ouviram e não sabem ao certo discernir se são verdadeiras. Aponte que muitas vezes há interesses específicos na divulgação de informações falsas. RETOMANDO Expectativas de resposta 1. Espera-se que o aluno, com base nos conheci- mentos adquiridos nas atividades anteriores e com a realização da pesquisa, perceba como se compõem as fake news e seja capaz de elaborar um painel representativo com dicas que facilitem identificar pontos de destaque desse tipo de no- tícia da maneira mais criativa possível. Orientações Possibilite a reflexão da turma sobre características de notícias falsas Essa atividade vai estimular o uso do recurso da pesquisa como suporte para trabalhar a atenção do aluno diante da veracidade de notícias da vida contemporânea. Ressalte com a turma que o resultado da pesquisa será apresentado por meio da elaboração de uma espécie de infográfico. Explique o que é o infográfico para a turma entender como se constrói essa ferramenta para sistematização da apren- dizagem. É possível que esta atividade seja utilizada como avaliação por pares,graças à beleza deste clima aprazível, as negras reunidas na beira do mesmo e límpido riacho, ocupadas a virar a lixívia ao ar livre, perto daquelas que ensaboam a roupa, mas o fazem de uma maneira incrivelmente econômica, empregando para tanto somente plantas saponáceas, como a folha da babosa [...]. Na lavagem, são também empregados excremento de cavalo e sumo de limão para fixar o colorido dos tecidos e estampados. As lavadeiras brasileiras, de resto in- finitamente mais cuidadosas que as nossas, têm a honra não apenas de devolver a roupa bem passada e arrumada com cuidado dentro de uma cesta, mas também perfumada com flores olorosas, como a rosa das quatro estações (só existe no Rio), o jasmim e a esponjinha, florzinha amarela cujo forte perfume seria desagradável em grandes quantidades. O artista francês relata sobre o empreendimento das lavanderias brasileiras, os quais cresceram de- vido à cerimônia de sagração de D. Pedro I em 1822. Através de seus escritos Debret nos informa sobre o tempo que era gasto para se lavar e passar as roupas; sobre os costumes, como por exemplo, o de que uma senhora não repetia a roupa quando saia pela segunda vez no mesmo dia; também descreve como era a lavagem e os ingredientes utilizados para deixar a roupa mais branca, perfumada e colorida. E nos conta também, que era comum alugar uma chácara próxima a um riacho com a finalidade de colocar as escravas como lavadeiras. Nesta cena observamos uma casa de campo com aproximadamente treze lavadeiras à beira do rio. Ao redor da propriedade notamos a vegeta- ção tropical da região. Algumas escravas carregam cestas com roupas sobre a cabeça, outras estão agachadas esfregando e batendo os tecidos. No primeiro plano à esquerda, uma escrava de costas estica um pano branco; no canto à direita vemos um escravo a cavalo o qual provavelmente supervisiona todo o serviço das lavadeiras. Ao fundo e à frente da propriedade reparamos uma pessoa sentada, também a observar o que se passa, talvez seja o proprietário dos escravos. Debret representa todo o tipo de trabalho es- cravo no Rio de Janeiro, podemos citar aqui não só as lavadeiras, mas também os vendedores de frutas, flores, fumo, carvão, capim, leite, café, cestos, refrescos, aves, carne, doces, angu, polvilho, pão de ló, milho verde, entre outras coisas; escravos carregando telhas, trabalhando nos engenhos ou nas residências, transportando água, acompanhando seus senhores e/ou carregando seus pertences, etc. TUTUI, Mariane Pimentel. Aquarelas do Brasil oitocentista: olhares de Debret e Rugendas nos trópicos. Revista Cantareira, n. 28, jan./jul. 2018, p. 184-185. Disponível em: https://periodicos.uff.br/cantareira/ article/view/27995. Acesso em: 4 dez. 2021. PRATICANDO Expectativas de resposta 1. a. Resposta pessoal. b. A brincadeira apresentada na foto, na qual crianças saltam de uma pequena árvore em uma lagoa, pode ter sua origem associada às comunidades tradicionais, como a indígena, a ribeirinha e a quilombola, e ser considerada uma brincadeira antiga e ainda presente na https://periodicos.uff.br/cantareira/article/view/27995 https://periodicos.uff.br/cantareira/article/view/27995 4o ANO12 atualidade. A brincadeira está relacionada à cultura e às vivências de cada indivíduo. c. Resposta pessoal. 2. Resposta pessoal. Os alunos devem ilustrar brin- cadeiras de antigamente, praticadas por seus avós e bisavós. Podem ser retratadas imagens de brincadeiras como amarelinha, pular corda, corrida de sacos, soltar pião, jogo com bolinhas de gude etc. Orientações Peça aos alunos que analisem a imagem de crianças indígenas brincando em um rio e pergunte se a turma se identifica com esse tipo de atividade. Peça que identifiquem e registrem por escrito se essa brincadeira se remete ao tempo presente ou ao passado. Espera-se que o aluno relacione suas experiências da infância a possíveis ex- periências de crianças de comunidades com modos de vida diferentes das dele. Eles devem compreender que a brincadeira apresentada na imagem está relacionada ao modo de vida e aos hábitos das crianças indígenas retratadas. Ela pode ser relacionada às brincadeiras tradicionais, ligada aos povos tradicionais, como pode estar presente em muitas comunidades da atualidade. Peça que apresentem o registro oralmente com situações relatadas por seus antepassados sobre a infância deles. Organize a apresentação dos alunos e solicite que enfatizem características de formas de vida diferentes, determinadas também por questões econômicas, culturais e territoriais. Sugere-se que essa etapa do capítulo seja administrada como avaliação diagnóstica da turma. RETOMANDO Expectativas de resposta 1. a. Resposta pessoal. b. Resposta pessoal. c. As brincadeiras apresentadas nas imagens po- dem ser relacionadas às características culturais e às vivências de cada criança. Nota-se que, ao brincar na lagoa, as crianças não fazem uso de nenhum objeto e não há um trajeto a ser seguido, enquanto no passeio de aventura as crianças fazem uso de equipamentos como capacetes, roupas, luvas, óculos e botas de proteção, além de usar um quadriciclo e ge- ralmente, é seguido um roteiro de passeio. d. Resposta pessoal. e. Resposta pessoal. f. Resposta pessoal. Orientações Peça aos alunos que analisem a fotografia de crian- ças durante um passeio de aventura. Pergunte sobre o que as crianças retratadas na foto estão fazendo, como estão equipadas, bem como as características do lugar em que estão. Pergunte se algum aluno já fez algum passeio de aventura e peça a ele que compartilhe sua experiência com os colegas da turma. Peça à turma que reflita se a atividade de lazer apresentada na foto é uma brincadeira antiga e tradi- cional ou ela refere-se à uma atividade mais recente. Após os alunos responderem às questões propostas, solicite que compartilhem oralmente seus registros. com os colegas da turma. Finalize a atividade elaborando uma carta coletiva de acordo com os apontamentos feitos pela turma. Você pode fazer o registro no quadro e os alunos devem copiá-la no caderno. Espera-se que, com essa atividade, os alunos ampliem as noções sobre as transformações históricas ocorridas na convivência social em diferentes contextos e épocas, bem como compreendam que essas transformações ocorrem para atender o desenvolvimento social, cul- tural e econômico das pessoas de cada época. E que, assim, percebam situações que se mantêm presentes historicamente ao ultrapassar tempos e contextos, podendo ter seus significados mantidos ou alterados, influenciados pela passagem do tempo. HISTÓRIA13 4o ANO12 1. Com um colega, converse sobre como as famílias se organizavam no século pas- sado. Para isso, reflitam sobre as perguntas a seguir. ⊲ As famílias eram formadas por muitas ou poucas pessoas? ⊲ A maneira como as pessoas se vestiam era igual à maneira como as pessoas se vestem hoje? ⊲ Em fotos antigas, como era a expressão do rosto e a pose das pessoas? 2. Analise a foto a seguir com os colegas. Família posando para foto durante o casamento de Esvaldo Ângelo e Verônica de Oliveira Sousa, em 23 de abril de 1949. Acervo particular. a. Converse com os colegas da turma sobre sua organização familiar e sobre as for- mas de união que existem atualmente em comparação com as de antigamente. b. Em seguida, faça uma ilustração representando o seu núcleo familiar. Fo to gr afi a d e ac er vo p ar tic ul ar , D om ín io P úb lic o. 2. Organizações familiares brasileiras ao longo do tempo 012-015_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN1_CAP2_P4V1bx.indd 12012-015_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN1_CAP2_P4V1bx.indd 12 23/03/2022 10:43:4723/03/2022 10:43:47 4o ANO14 Com a sedentarização do ser humano (...), a agricultura passou a fazer parte do cotidiano humano, bem como a domesticação e criação de animais. O alimento não era mais coletado e caçado, e sim cultivado. Com isso, passou ana qual tanto os alunos quanto você podem perceber onde avançaram e/ou precisam melhorar em relação ao conteúdo. Se achar válido, apresente à turma algumas fontes seguras para realizar a pesquisa. Ao final da atividade, oriente a turma a elaborar um mapa conceitual, como forma de sistematizar os conteúdos estudados, por meio de palavras-chaves e setas e/ou esquemas. HISTÓRIA103 4o ANO108 1. Analise a imagem e participe do debate com a turma sobre a cena. ⊲ De que modo o computador pode aproximar as pessoas? ⊲ Como é possível a internet ser algo que, ao mesmo tempo, inclui e exclui as pessoas? ⊲ Se a internet também exclui, por quais dificuldades as pessoas podem passar por não terem acesso à internet? 2. Observe a linha do tempo abaixo. Ela apresenta as principais redes sociais existen- tes no mundo atualmente e o seu ano de fundação. a. Você conhece alguma das plataformas apresentadas na linha do tempo? 4. É possível incluir ou excluir através da internet? Entrega de computadores em centro educacional da cidade de Bauru, disponibilizados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. Fotografia de 2019. Na linha do tempo estão destacados apenas alguns dos eventos importantes relacionados à internet. b. Observe o ano de fundação delas e compare com o ano de seu nascimento. Quem é mais velho: elas ou você? c. Todas as pessoas conhecem e utilizam essas redes sociais? d. Como uma pessoa que não utiliza a internet pode fazer uso dessas redes sociais? e. As redes sociais oferecem às pessoas muitas informações, às vezes boas, às ve- zes más. Como uma pessoa que não usa redes sociais pode manter-se informada? Lu cia na W hi ta ke r/P ul sa r 1962 1991 20081998 20121976 20051995 20102002 20141972 1994 20092001 20131980 20061997 20112004 2015 Início da Rede mundial de computadores (World Wide Web) Netflix® Facebook® Twitter® Whatsapp® Google® Skype® Youtube® Uber® Instagram® 4o ANO110 Pai fotografa seus filhos em visita a parque ecológico. ⊲ Após a leitura do texto e análise das imagens, responda às perguntas. ⊲ a. As pessoas que se comunicam pela internet podem viver próximas ou distantes entre si? b. Caso as pessoas morem em locais muito distantes, existe algum meio ou possibi- lidade de elas se aproximarem e se tornarem amigos muito próximos? Explique. c. De que maneira o não acesso a meios de comunicação, principalmente os liga- dos à internet, pode causar exclusão? 2. Crie, em seu caderno, uma imagem que represente formas como as pessoas se comunicavam antes do uso da internet e como elas têm se comunicado hoje após o acesso a ela. Re be cc a N el so n/ Di gi ta lV isi on /G et ty Im ag es 108-111_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN8_CAP4_P4.indd 110108-111_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN8_CAP4_P4.indd 110 29/03/2022 10:42:5029/03/2022 10:42:50 HISTÓRIA109 PRATICANDO 1. Leia o texto a seguir. Ele conta como a tecnologia e seus avanços têm facilitado a comunicação entre as pessoas. As novas tecnologias: influências no cotidiano Na história da humanidade onde o imprevisto, o novo e a mudança estão presentes a cada dia e a cada instante ao lado dos grandes avanços científicos e tecnológicos, as transformações indicam que estamos vi- vendo [...] uma época de abertura, de evolução e de novas conquistas em termos do conhecimento humano. Tal cenário traz inúmeras transformações em todos setores da vida humana. O progresso tecnológico é evidente, agora é impossível processar, armazenar, recuperar e comunicar informação em qualquer for- mato, sem interferência de fatores como distância, tempo ou volume. As modificações causadas pela substituição crescente do homem pela máquina, em grandes setores de suas atividades, criaram o que se chama de mundo moderno, em oposição ao mundo pré-industrial. Este não desapareceu, mas persiste em extensas regiões do globo, se bem que atingido em diferentes graus, positiva ou negativamente [...] ROSA, Rosemar; SILVA, Rachel Inês da; PALHARES, Márcia Maria. As novas tecnologias: influências no cotidiano. Trabalho de conclusão de curso: Monografia – Uniube, Uberaba. Disponível em: http://www.cinform-anteriores.ufba.br/vi_anais/docs/ RosemarRosaRachelMarcia.pdf. Acesso em: 10 ago. 2021. Agora, observe as imagens apresentadas a seguir. Elas nos mostram como, desde muito cedo, o uso da tecnologia e da internet tem se ampliado de variadas maneiras. Irmãos fazendo uso de aparelhos celulares. Pe te r C ad e/ St on e/ Ge tty Im ag es 108-111_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN8_CAP4_P4.indd 109108-111_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN8_CAP4_P4.indd 109 29/03/2022 10:42:4929/03/2022 10:42:49 HISTÓRIA111 RETOMANDO 1. O professor vai organizar uma roda de conversa com a turma toda. Participe desta atividade e comente sobre a importância da inclusão digital. Depois, escreva sobre o que você e seus colegas concluíram. Por fim, crie coletivamente um painel intera- tivo com uma mensagem escrita e uma ilustração sobre a inclusão digital. 108-111_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN8_CAP4_P4.indd 111108-111_EFAI_NAC_HI_4ANO_3BI_LA_UN8_CAP4_P4.indd 111 29/03/2022 10:42:5029/03/2022 10:42:50 PÁGINA 108 PÁGINA 109 PÁGINA 110 PÁGINA 111 4. É possível incluir ou excluir através da internet? 4o ANO104 Sobre o capítulo • Contextualizando: analisar uma linha do tempo e refletir sobre a relação das pessoas com as plataformas digitais. • Praticando: analisar textos e imagens sobre a internet como meio de interação e exclusão entre as pessoas. • Retomando: sistematizar os conhecimentos por meio da elaboração de uma mensagem sobre inclusão digital. Objetivo de aprendizagem • Reconhecer a internet como um importante elemento na vida contemporânea. Materiais • Folhas de cartolina (uma por aluno). • Canetas hidrográficas (uma caixa com 12 unidades por aluno). Habilidade da BNCC (EF04HI08) Identificar as transformações ocorridas nos meios de comunicação (cultura oral, imprensa, rádio, televisão, cinema, internet e demais tecnologias digitais de informação e comunicação) e discutir seus significados para os diferentes grupos ou estratos sociais. • Giz de cera (uma caixa com 12 unidades por aluno). Contexto prévio Para o desenvolvimento do capítulo, é importante que o aluno saiba o que é a internet e como ela tem traçado novos caminhos para os meios de comu- nicação. Também é importante que o aluno reflita sobre os processos sociais que promovem inclusão ou exclusão por meio dos meios de comunicação. Dificuldades antecipadas Dependendo da realidade da turma, é possível que alguns alunos que se identifiquem com as pessoas fora do círculo de inclusão digital e se categorizem como à margem do uso da internet. Nesse caso, é importante trazer para a turma a reflexão sobre o acesso à internet de acordo com os contextos em que as pessoas estão inseridas. CONTEXTUALIZANDO Expectativas de resposta 1. Espera-se que o aluno diga que o computador apro- xima as pessoas por meio da internet. Além disso, que esse meio pode ser usado para aproximar as pessoas e divulgar informações; no entanto, nem todos gostam, sabem usar ou têm acesso a ela. Orientações Oriente a turma a analisar a imagem e proponha um debate partindo das questões reflexivas lançadas para ela. Leia as questões em voz alta. Peça à turma que pense no seu contexto de vivência e responda às questões oralmente. Expectativas de respostas 2. a. Resposta pessoal. É provável que o aluno conheça pelo menos uma das plataformas mencionadas. b. O aluno deve perceber que o ano de fundação das plataformas analisadas provavelmente é anterior ao seu nascimento, ou seja, elas estão no nosso cotidiano há mais tempo. c. Nem todas as pessoas conhecem e utilizam redes sociais. d. Não há possibilidade de fazer uso das redes sociais sem acesso à internet. e. O aluno pode citar outros meios de comunica- ção, como a televisão. Orientações É provável que ao menos um aluno conheça uma dessas redes sociais.ser função do patriarca, além da segurança da família, a criação dos animais e o cuidado e preparo da terra (lavra), enquanto as mulheres plantavam, colhiam, preparavam os alimentos e cuida- vam dos filhos. Esse modelo patriarcal perdurou por milênios, recebendo ajustes de acordo com o desenvolvimento das sociedades. (...) PORFÍRIO, Francisco. Família. Mundo Educação. Disponível em: https://mundoeducacao.uol.com.br/psicologia/familia.htm. Acesso em 27 jun. 2022. O que mudou na família brasileira? Da colônia à atualidade A família sempre foi pensada na História do Brasil como a instituição que moldou os padrões da colo- nização e ditou as normas de conduta e de relações sociais desde o período colonial. No entanto, até a al- gumas décadas atrás ainda pouco conhecíamos sobre o perfil dessa família, predominando na literatura uma imagem vinculada ao modelo patriarcal extraído da obra de Gilberto Freyre, Casa Grande e Senzala (Freyre, 1987), escrita no início do século XX. E assim, para várias gerações de estudiosos, esse modelo funcionou como critério e medida de valor para entendermos a vida familiar brasileira ao longo do tempo. No entanto, pesquisas recentes têm tornado evidente que as famílias extensas do tipo patriarcal não foram as predominantes, sendo mais comuns aquelas com estruturas mais simples e menor número de integrantes. Isso significa que a descrição de Freyre (1987) para as áreas de lavoura canavieira do Nordeste, foi impropria- mente utilizada e deve ser reelaborada nos estudos de família, a partir de critérios que levem em conta tem- poralidade, etnias, grupos sociais, contextos econômicos regionais, razão de sexo e movimento da população. SAMARA, Eni de Mesquita. O que mudou na família brasileira? Da colônia à atualidade. Psicologia USP, v. 13, n. 2, p. 27-48, 2002. Disponível em: https://www.scielo.br/j/pusp/a/GhXXDBp5YNgpDRqZrWHfQ3k/?lang=pt. Acesso em: 18 ago. 2021. GÓMEZ, Modesto Brocos y. A redenção de Cam. 1895. Óleo sobre tela, 166 cm × 199 cm. Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro. M us eu N ac io na l d e Be las A rte s ⊲ Agora, elabore no seu caderno uma lista com semelhanças e as diferenças existen- tes entre as famílias apresentadas nos textos e nas imagens e a sua família. HISTÓRIA13 PRATICANDO 1. Leia os textos e observe as imagens a seguir. Eles contextualizam de maneira bre- ve as relações familiares brasileiras de antigamente. Texto 1 Família A família é a mais antiga instituição social criada pela humanidade. Quando os seres humanos come- çaram a se agrupar para facilitar a vida, eles buscavam os laços familiares para promover o agrupamento. (...) Nesse período, a humanidade ainda levava um estilo de vida nômade. Com o sedentarismo, que foi a fixação das pessoas em locais estabelecidos, os clãs de famílias deram origem às tribos e, posteriormente, às cidades. A família passou a ser o laço de confiança para a procriação e a continuidade da espécie, além de garantir proteção e o compartilhamento da alimentação. Nesse perí- odo, criou-se um modelo de família patriarcal, baseado na chefia da família pelos pais, que eram casados com as mães. (...) Família patriarcal: o mais antigo modelo familiar (...) o modelo patriarcal estabeleceu-se como o modelo familiar por excelência. Chamamos de patriarcal a família chefiada por um homem (o patriarca, ou seja, o pai), que tem por responsabilidade adquirir ali- mentos e cuidar da segurança de seus filhos e de sua esposa. Nesse modelo, no início, os homens caçavam para alimentar a esposa e os filhos, que ficavam sob os cuidados da mãe. ALMEIDA JÚNIOR, José Ferraz de. Cena da família de Adolfo Augusto Pinto. 1891. Óleo so- bre tela, 103 cm × 137 cm. Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo. Pi na co te ca d o Es ta do d e Sã o Pa ul o HISTÓRIA15 RETOMANDO Até aqui você já desenhou sua família, registrou por escrito as semelhanças e as diferen- ças entre ela e as famílias do passado. 1. Agora, forme um grupo com os colegas e apresente as produções. a. Após as apresentações, finalize, em colaboração com seus colegas, a organização coletiva de um mural interativo, integrando as produções deste capítulo. b. Registre a seguir como foi essa experiência com os colegas da turma: registre o que você aprendeu e o que achou mais interessante. Alunos produzindo um mural coletivo. Fa tC am er a/ E+ /G et ty Im ag es 012-015_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN1_CAP2_P4V1bx.indd 15012-015_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN1_CAP2_P4V1bx.indd 15 23/03/2022 10:43:5023/03/2022 10:43:50 PÁGINA 12 PÁGINA 13 PÁGINA 14 PÁGINA 15 2. Organizações familiares brasileiras ao longo do tempo 4o ANO14 Sobre o capítulo • Contextualizando: apresentar a organização familiar e relacioná-la às formas de vida e organização das famílias do século XX. • Praticando: desenvolver os conhecimentos acerca da estrutura das relações familiares no século passado e na atualidade, bem como compreender o conceito de família em contextos históricos distintos. • Retomando: ressaltar o conceito de família na contemporaneidade, para além dos laços sanguíneos e de parentesco, entendendo sua multiplicidade e organização próprias, mantendo valores importantes identificados nas famílias do passado, bem como nas da atualidade. Objetivo de aprendizagem • Reconhecer mudanças e permanências nas formas de ser e de se organizar de famílias de meados do século XX e de famílias de hoje. Materiais • Canetas hidrográficas. • Lápis de cor. • Giz de cera. Contexto prévio Neste capítulo, o aluno irá refletir sobre mudanças ou constâncias estruturais e comportamentais na vida, nos hábitos e crenças de famílias dos sécu- los XIX e XX e nas da atualidade. Nesse sentido, incentive a turma a buscar informações no próprio núcleo familiar. Dificuldades antecipadas Os alunos podem ter dificuldade em compreender que há diferentes formatos familiares, para além daqueles com os quais eles convivem. Nesse sentido, é importante ficar atento e compartilhar diferentes experiências com configurações familiares múltiplas, como as que não têm homens como chefes de famí- lia, as famílias formadas de mães solo, as em que há duas mães ou dois pais, as chefiadas por avós e avôs, entre outras. Habilidade da BNCC EF04HI01 Reconhecer a história como resultado da ação do ser humano no tempo e no espaço, com base na identificação de mudanças e permanências ao longo do tempo. CONTEXTUALIZANDO Expectativas de respostas 1. • Resposta pessoal. Espera-se que os alunos res- pondam que as famílias de antigamente eram mais numerosas do que as família da atualidade. • As formas de se vestir do passado e do presente passaram por diversas mudanças. No passado, as pessoas usavam roupas tradicionais e mais longas. Atualmente, as pessoas usam roupas mais leves, confortáveis e modernas. • Nas fotos de antigamente, as pessoas se or- ganizavam para posar para o fotógrafo e as feições, em geral, eram sérias. 2. Resposta pessoal. Orientações Ao refletir sobre as questões propostas, é possível que os alunos apresentem memórias formatadas por situações acompanhadas em programas de televisão, imagens comumente divulgadas pela mídia e conver- sas em família que pontuem aspectos das famílias da atualidade e das de antigamente. Faça perguntas para que o aluno reflita sobre a estrutura familiar atual. Se é semelhante ou não à estrutura de família de antiga- mente. Conversem sobre as características próprias das famílias de cada época. Chame a atenção dos alunos para a forma como é retratada a figura paterna nas fotografias de antigamente. Abra o debate entre os alunos sobre características fami- liares do passado e da atualidade. Concluído o debate, peça que ilustrem a organização familiar em que estão inseridos e discutam sobre as formas de união atuais. É importante destacar que as imagens para reflexão não são necessariamente cópias fiéis da realidade e do con- texto históricoem que estão inseridas, mas contribuições para ampliar o entendimento do objetivo deste capítulo. PRATICANDO Expectativas de resposta 1. Resposta pessoal. O aluno deverá comparar sua estrutura familiar com as realidades retratadas HISTÓRIA15 no texto, o resultado provável é que ele perceba que ainda há semelhanças entre as famílias de antigamente e as atuais bem como há alterações significativas. Orientações Os textos podem apresentar vocabulário e conceitos que não fazem parte da realidade dos alunos, bem como o desconhecimento dos autores citados no se- gundo texto. Por isso é de extrema importância fazer uma leitura pontual do texto, explicitando, sempre que possível, o contexto e as informações apresentadas em cada parágrafo. Explique sobre as configurações familiares do Brasil, no passado, e trace um compa- rativo com as formações familiares da atualidade. É importante que os alunos compreendam o papel do pai e/ou da figura masculina, no contexto do passado, como figura central da organização familiar, e como as mulheres, embora desenvolvessem atividades dentro e fora do lar, estavam distantes do mercado de trabalho. É importante ressaltar que até o século XIX não se pensava em políticas ou ações sociais que visassem à inserção da mulher na política, no mercado de trabalho ou no sistema educacional; seja por condutas religiosas ou sociais, a mulher era con- siderada a figura responsável por cuidar de assuntos ligados ao lar, como a criação dos filhos e o cuidado com a casa. É fundamental destacar a importância da emancipação da mulher para as configurações familiares na sociedade atual. Na sequência, elabore com a turma uma lista com semelhanças e diferenças existentes entre as formações familiares apresentadas nos textos e a deles. Sobre a tela Cena de família, de Adolfo Augusto Pinto, confira um texto em que a obra é analisada. • SARAIVA, Juracy Assmann; KUPSSINSKÜ, Cátia Silene. Cena de família de Adolfo Augusto Pinto: retrato da cultura brasileira oitocentista. Fênix - Revista De História E Estudos Culturais, 16(1), p. 1-16, 2020. Disponível em: https://www.revistafenix.pro.br/ revistafenix/article/view/342. Acesso em: 4 dez. 2021. Sobre a tela A redenção de Cam, de Modesto Brocos, confira o vídeo com a análise e o contexto em que a obra de arte foi feita. • SCHWARCZ, Lili. Ler Imagens | A Redenção de Cam, de Modesto Brocos. YouTube. Disponível em: https:// www.youtube.com/watch?v=v3mtwEoBZJM. Acesso em: 4 dez. 2021. Não é indicado entrar em discussões aprofundadas sobre racismo. Contudo, é importante que os alunos percebam a miscigenação das famílias brasileiras, já registrada historicamente há mais de 100 anos. É im- portante que reflitam e compreendam que atualmente o Brasil é um dos países em que a população negra mais sofre as consequências da desigualdade social. Leia o texto a seguir, sobre a configuração da família patriarcal no Brasil e seu contexto de origem. Família patriarcal e nuclear: conceito, carac- terísticas e transformações [...] Gilberto Freire (1951, 1973) pesquisou e relatou a história da sociedade brasileira no período da colo- nização, explicitando como a nossa família, tanto no campo como na cidade, se formou a partir do regime patriarcal2 e sob a influência da miscigenação de três culturas: indígena, europeia e africana. Nesse contexto, desenvolveu-se uma estrutura social em que a família funcionava como um núcleo composto pelo chefe da família (patriarca), sua mulher, filhos e netos, que eram os representantes principais; e um núcleo de membros considerados secundários, for- mados por filhos ilegítimos (bastardos) ou de criação, parentes, afilhados, serviçais, amigos, agregados e escravos. No comando tanto do grupo principal como do secundário, estava o patriarca, responsável por cuidar dos negócios e defender a honra da família, exercendo autoridade sobre toda a sua parente- la e demais dependentes que estivessem sob sua influência. Ainda dentro deste sistema patriarcal, desenvolveu-se o costume da primogenitura, em que o filho mais velho herdava todas as terras do pai. Se a família fosse composta de mais de um filho, os outros seriam encaminhados aos estudos para se formarem médicos, advogados ou mesmo padres, caso sua formação fosse religiosa. (Cotrim 2005, p.54) No caso das meninas, na maioria das vezes elas eram encaminhadas aos conventos, onde aprendiam a ler, cantar, escrever e bordar, enquanto não se casassem. Caso ficassem solteiras, a família deixaria um dote em dinheiro, escravos ou outros bens, que seriam entregues ao convento que con- duziria a jovem à vida religiosa. [...] No Brasil - Colônia, “família” passou a ser sinônimo de organização familiar latifundiária, o que provocou a instalação dessa sociedade do tipo paternalista, em que as relações de caráter pessoal assumiram vital importância. https://www.revistafenix.pro.br/revistafenix/article/view/342 https://www.revistafenix.pro.br/revistafenix/article/view/342 https://www.youtube.com/watch?v=v3mtwEoBZJM. https://www.youtube.com/watch?v=v3mtwEoBZJM. 4o ANO16 [...] Entretanto, quem era esse patriarca orgulhoso, a quem se submetiam todos? Era o grande senhor rural, proprietário de terras incomensuráveis, onde se plantavam as bases da economia brasileira: café, cacau, cana-de-açúcar e outras grandes lavouras. Não havia comunidades sólidas, sindicatos, clubes ou outros órgãos que congregassem pessoas de interesses similares. A grande família patriarcal, ocupava todos esses espaços. E o que não fosse provido por ela representava um corpo estranho e indesejável. O próprio Estado, que, enquanto ordem pública, deveria estar acima das questões familiares, esbarrava nestas quando necessitava intervir. Mas os governantes sabiam que essa família exclusivista, dobrada sobre si mesma e extremamente organi- zada, era, por sua vez, o sustentáculo do Estado, pois impedia que a população, tão escassa e quase nômade, se diluísse neste imenso país. A família patriarcal era, portanto, a espinha dorsal da sociedade e desempenhava os papéis de pro- criação, administração econômica e direção política. Na casa-grande, coração e cérebro das poderosas fazendas, nasciam os numerosos filhos e netos do patriarca, traçavam-se os destinos da fazenda e educavam-se os futuros dirigentes do país. Cada um com seu papel, todos se moviam segundo in- tensa cooperação. A unidade da família devia ser preservada a todo custo, e, por isso, eram comuns os casamentos entre parentes. A fortuna do clã e suas propriedades se mantinham assim indivisíveis sob a chefia do patriarca. (Freire, 1933). ALVES, Roosenberg Rodrigues. Família Patriarcal e Nuclear: Conceito, características e transformações. II Seminário de Pesquisa da Pós-graduação em História da UFG/UCG, set. 2009, p. 2-5, UCG – Goiânia – Goiás. Disponível em: https://files.cercomp.ufg.br/weby/ up/113/o/IISPHist09_RoosembergAlves.pdf. Acesso em: 15 fev. 2022. RETOMANDO Expectativas de resposta 1. Resposta pessoal. Os alunos devem indicar os conhecimentos adquiridos e os conteúdos que consideraram mais interessantes ao longo do capítulo. Orientações Oriente os alunos a retomar os temas estudados no capítulo e listar aqueles que consideraram mais interes- santes. Em seguida, organize a turma para a apresenta- ção das produções criadas em cada etapa do capítulo. Incentive os alunos a compartilhar com os colegas um breve comentário, explicando os conteúdos desenvolvidos. Após socialização e interações, oriente a turma na criação de um mural coletivo para expor as atividades. https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/113/o/IISPHist09_RoosembergAlves.pdf https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/113/o/IISPHist09_RoosembergAlves.pdf HISTÓRIA17 4o ANO16 1. Vamos conversar sobre seus conhecimentos prévios a respeito da história dos povos indígenas brasileiros. ⊲ O que você conhece sobre a maneira de viver dos povos indígenas? ⊲ Vocêconhece as comunidades indígenas que integram a população brasileira e sua diversidade? ⊲ Você já teve oportunidade de visitar uma comunidade indígena? Se não, qual seria o seu objetivo ao entrar em contato com a cultura de um determinado grupo indígena? 2. A cultura indígena é naturalmente diversa e rica. Cada povo tem uma rotina e hábitos de comunicação próprios. Leia o texto a seguir sobre uma lenda indígena. Guaraná – a essência dos frutos [...] Aguiry era um alegre indiozinho, que se alimentava somente de frutas. Todos os dias saía pela floresta à procura delas, trazendo-as num cesto para distribuir entre seus amigos. Certo dia, Aguiry se afastou demais da aldeia e se perdeu na mata. Jurupari, o demônio das trevas que tinha corpo de morcego, bico de coruja e também se alimentava de frutas, vagava pela floresta quando encontrou o índio, que não hesitou em atacá-lo. Os outros índios encontraram Aguiry morto ao lado de um cesto vazio. Tupã, o deus do bem, ordenou que retirassem os olhos da criança e os plantassem sob uma grande árvore seca. Seus amigos deveriam re- gar o local com lágrimas, até que ali brotasse uma nova planta, da qual nasceria o fruto que conteria a essência de todos os outros, deixando mais fortes e mais felizes aqueles que dele comessem. A planta que brotou dos olhos de Aguiry possui sementes em forma de olhos e recebeu o nome de guaraná. [...] MUSEU DO ÍNDIO – FUNAI. Mitos e lendas da cultura indígena. ProgDoc. Disponível em: http://prodoc.museudoindio.gov.br/ noticias/retorno-de-midia/68-mitos-e-lendas-da-cultura-indigena. Acesso em: 6 jun. 2021. Agora, converse com os colegas e o professor. ⊲ O que a lenda revela? ⊲ Qual é a importância das lendas para os povos indígenas? 3. Comunidades indígenas brasileiras: culturas em tempos distintos Frutos do guaraná. By A ni ta Fo rti s - O wn w or k, CC B Y- SA 3 .0 , 016-019_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN1_CAP3_P4V1bx.indd 16016-019_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN1_CAP3_P4V1bx.indd 16 23/03/2022 10:45:3023/03/2022 10:45:30 4o ANO18 RETOMANDO 1. Os povos indígenas são diversos em sua organização, nas línguas, na forma de se vestir, em seus rituais e na maneira como interagem com outros povos. Eles vivem e se organizam conforme as tradições de seus antepassados. Meninos indígenas da etnia Waurá na escola da aldeia Piyulaga – Parque Indígena do Xingu. Manifestação dos povos indígenas na Esplanada dos Ministérios contra o Projeto de Lei 490 e julgamento do Marco Temporal pelo Supremo Tribunal Federal, em 2021. Lu cio la Zv ar ick /P ul sa r An dr e Di b/ Pu lsa r 016-019_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN1_CAP3_P4V1bx.indd 18016-019_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN1_CAP3_P4V1bx.indd 18 23/03/2022 10:45:3123/03/2022 10:45:31 HISTÓRIA17 PRATICANDO 1. Histórias indígenas são contadas por gerações e permanecem vivas até hoje. Essas histórias buscam explicar a origem do mundo, dos seres vivos e de elemen- tos da natureza. Vamos conhecer, além das tradições indígenas, algumas formas de organização dessas comunidades. Leia o texto a seguir e, depois, compare o modo de vida dos povos indígenas com a forma de viver das sociedades não indígenas da atualidade. Como era a vida dos povos indígenas brasileiros? Cada povo indígena tinha seus próprios costumes e modos de vida quando os portugueses chegaram ao Brasil. [...] os Tupinambás [...] Era um povo que tinha como língua predominante o tupi-guarani [...] se banhavam praticamente com a mesma frequência com que encaramos o chuveiro hoje – aliás, nossa higiene atual é herança indígena. [...] os rios eram locais de brincadeiras para as crianças. As pinturas eram pretas (feitas com jenipapo) ou vermelhas (com urucum). Penas de aves eram usadas em cocares e em adornos[...]. A aldeia era rodeada por paliçadas, espécies de cercas de lanças [...]. Uma aldeia tinha de quatro a oito malocas, que abrigavam pelo menos três núcleos familiares. [...] Os arcos e flechas eram “customizados”, trocando-se o desenho das pontas, a posição e o estilo das penas da flecha, além do tamanho e do formato dos arcos. [...] As mulheres preparavam alimentos, faziam artefatos e outras atividades internas, enquanto os homens cuidavam da parte externa. Algumas das funções masculinas eram guerrear, caçar [...]. CABRAL, Danilo Cezar. Como era a vida dos povos indígenas brasileiros? Superinteressante, 4 jul. 2018. Disponível em: https://super.abril.com.br/mundo-estranho/como-era-a-vida-dos-povos-indigenas-brasileiros/. Acesso em: 6 jun. 2021. ⊲ Escreva os elementos que são comuns entre a cultura indígena e as culturas não indígenas. Depois, reúna-se com mais dois colegas, elabore um texto e apresente a produção à turma. 016-019_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN1_CAP3_P4V1bx.indd 17016-019_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN1_CAP3_P4V1bx.indd 17 23/03/2022 10:45:3023/03/2022 10:45:30 HISTÓRIA19 ⊲ Ao longo da história do Brasil, o modo de vida indígena sofreu influência de povos indígenas e não indígenas. As imagens apresentadas anteriormente mostram essa diversidade. Em trio, converse sobre o tema e, depois, registre quais mudanças são observadas na cultura indígena. Por fim, participe de uma roda de conversa com toda a turma. 016-019_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN1_CAP3_P4V1bx.indd 19016-019_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN1_CAP3_P4V1bx.indd 19 23/03/2022 10:45:3123/03/2022 10:45:31 PÁGINA 16 PÁGINA 17 PÁGINA 18 PÁGINA 19 3. Comunidades indígenas brasileiras: culturas em tempos distintos 4o ANO18 CONTEXTUALIZANDO Expectativas de respostas 1. Respostas pessoais. Espera-se que os alunos apresentem informações acerca da diversidade cultural dos povos indígenas brasileiros, ou que apontem aspectos que fazem parte da maneira como esses povos viviam antes da chegada dos portugueses às terras que hoje formam o Brasil e durante o contato com a cultura europeia, no contexto inicial dessa interação, além de contribuí- rem com informações de como esses povos vivem hoje. Os alunos podem indicar que existem no país diversas comunidades indígenas, cada uma com cultura, hábitos e formas de comunicação únicas. 2. • A lenda apresentada conta a história da origem do fruto nativo da Amazônia, e muito cultivado pelos indígenas, o guaraná. • As lendas fazem parte das tradições dos povos indígenas, que tem como uma de suas principais características, a transmissão de conhecimentos de geração para geração por meio da oralidade. As lendas são uma forma de representação da realidade, na qual são explicadas a origem do mundo e o desenvolvimento do ser humano. Orientações Apresente aos alunos o objetivo do capítulo. Explique que devem conversar sobre o tema e as perguntas apontadas. Oriente a discussão e depois peça que respondam às perguntas. Caminhe pela sala para es- clarecer eventuais dúvidas. Em seguida, leia com a turma a lenda que conta a origem do guaraná. Caso os alunos não conheçam o guaraná, explique que antes de compor alimentos, como o refrigerante, ele é um fruto cuja aparência lembra um olho humano, como mostrado na foto. Esse fruto é encontrado principalmente nos estados do Amazonas e da Bahia. Traga mais algumas ques- tões para a turma refletir sobre a proposta do texto, oriente as respostas e faça intervenções de modo a valorizar a tradição oral dos indígenas. • Como vocês acham que os primeiros indígenas registravam suas histórias? • Você já ouviu histórias como essas? Conhece outra lenda indígena ou alguma lenda que não seja de origem indígena? Ressalte a importância da tradição oral, presente nas comunidades tradicionais, que ajudam a preser- var histórias e garantir os conhecimentos acerca dos antepassados às novas gerações. Sobre o capítulo • Contextualizando: levantar os conhecimentos prévios dos alunos sobre a história dos povos indígenas do Brasil. • Praticando: desenvolver a percepção das tradições indígenas com base nas formas de organização dos Tupinambá. • Retomando:registrar as influências no modo de vida e na cultura indígena no decorrer da história do Brasil. Objetivo de aprendizagem • Analisar mudanças e permanências no modo de vida das comunidades indígenas ao longo do tempo. Contexto prévio Faça um levantamento dos conhecimentos prévios dos alunos sobre a chegada dos portugueses às terras que hoje formam o Brasil e as mudanças ocorridas na cultura dos povos indígenas que habitavam esse território séculos atrás. Peça que destaquem o que pode ter mudado ou sido ampliado como contribui- ção social da cultura indígena nos últimos tempos. Dificuldades antecipadas Caso os alunos tenham dúvidas sobre as con- tribuições dos povos indígenas e dos europeus, converse com eles sobre a história dos povos in- dígenas no Brasil e sobre como se deu a interação entre essas culturas. Habilidade da BNCC EF04HI01 Reconhecer a história como resultado da ação do ser humano no tempo e no espaço, com base na identificação de mudanças e permanências ao longo do tempo. HISTÓRIA19 Povos indígenas do Brasil No processo de conquista e colonização da América, os portugueses dependeram fundamentalmente dos povos indígenas. Os diferentes grupos etno-lingüisticos aqui encontrados, tais como os Tamoio, Tupiniquim, Aimoré, Goitacaz, etc foram todos chamados índios pelos europeus. Na condição de aliados ou inimigos, eles desempenharam importantes e variados papéis na nova colônia que, então, se construía. Tais grupos, no entanto, não estavam aqui à disposição dos europeus nem com eles colaboraram por ingenui- dade ou tolice. Suas relações de aliança ou hostilida- de com os estrangeiros faziam-se também de acordo com seus próprios objetivos e interesses ligados, como observou John Monteiro, à dinâmica de suas organiza- ções sociais. Assim é que enquanto alguns colaboraram, outros mantiveram-se hostis. Para ambos, no entanto, a chegada dos europeus na América inaugurou uma época de holocausto, com altíssima mortalidade e pre- juízos incalculáveis, com epidemias, escravizações em massa, intensificação de guerras intertribais, trabalhos forçados, desestruturação social, etc… Carregados de idéias preconceituosas e sem entender direito a língua, o comportamento e as formas de organização social e cultural dos povos indígenas, os portugueses cometeram vários equívocos ao descrevê-los. A imensa variedade de povos com línguas e culturas diversas foram, em geral, reduzidos a dois grandes grupos: os Tupi e os Tapuia. [...] A conquista do terrritório na América portuguesa fêz-se com guerras violentas, que se acentuaram após o esgotamento das relações de escambo estabelecidas nas três primeiras décadas do século XVI. Nesse tempo, quando a ocupação da terra era rarefeita, foi possível aos portugueses obter trabalho, alimentos, mulheres e escravos, principalmente, através da troca com os grupos aliados, também interes- sados nas relações de amizade e em algumas mercadorias européias, sobretudo, instrumentos de ferro. Tal situação que, apesar de menos traumática, já trazia imensos prejuízos aos índios, não iria se manter. Quando a ocupação efetiva da terra levou os colonos a tentar obter mais trabalho e escravos do que os índios estavam dispostos a dar, os conflitos se intensificaram e guerras indígenas contra os portugueses explodiram em toda a costa brasílica [...]. ALMEIDA, Maria Regina Celestino de. Povos indígenas do Brasil. Biblioteca Nacional. Disponível em: http://bndigital.bn.gov.br/dossies/rede-da-memoria-virtual-brasileira/ alteridades/povos-indigenas-no-brasil/. Acesso em: 4 dez. 2021. PRATICANDO Expectativas de resposta 1. Podem ser indicados como elementos culturais comuns entre os indígenas e os não indígenas os hábitos de higiene, como tomar banho, as brinca- deiras das crianças realizadas nos rios e a divisão de tarefas entre as pessoas da comunidade. Orientações Organize a turma em trios e peça que, coletivamente, leiam o texto e identifiquem elementos comuns entre as culturas indígenas e a não indígena. Promova uma breve conversa com a turma sobre as formas como os povos indígenas buscam manter vivas suas tradições e como costumam compartilhar seus conhecimentos com as novas gerações. Em seguida, peça que façam o registro escrito e compartilhem com os colegas da turma. Após as apresentações, peça a cada trio que elabore uma frase sintetizando o tema estudado. Essa atividade pode ser considerada como avaliação diagnóstica da turma. Nessa atividade, os alunos devem priorizar a va- lorização da cultura indígena conforme apresenta o texto: sua história, seus costumes, suas contri- buições para a nossa sociedade. Os alunos devem identificar aspectos da vida indígena que podem ou não estar associados à vida dos não indígenas, elementos característicos da sua cultura e de seu modo de vida que mostram as relações de trabalho e a organização social, percebendo como viviam os primeiros povos que aqui habitavam na época da chegada dos portugueses. RETOMANDO Expectativas de resposta 1. Os alunos devem elaborar um texto sobre as mudanças nas formas de viver dos indígenas na atualidade. Podem ser citados o acesso dos indígenas a diversas atividades e serviços, como escolas e universidades, o uso de tecnologias, como celulares e computadores, a participação na política entre outros. http://bndigital.bn.gov.br/dossies/rede-da-memoria-virtual-brasileira/alteridades/povos-indigenas-no-brasil/ http://bndigital.bn.gov.br/dossies/rede-da-memoria-virtual-brasileira/alteridades/povos-indigenas-no-brasil/ 4o ANO20 Orientações Oriente os alunos a manter os trios de trabalho da atividade anterior. Peça que observem as imagens e registrem as mudanças na cultura indígena que podem ser observadas na atualidade. Ao analisar as imagens da seção, os alunos podem indicar que, mesmo vivendo em comunidades tradicionais, muitos indígenas da atua- lidade incorporaram às suas vidas, hábitos e tradições de outros povos e culturas, distintas das suas. Por fim, conduza a roda de conversa coletiva da turma. ANOTAÇÕES HISTÓRIA21 4o ANO20 Co le çã o Pa rti cu lar . 4. A estrutura histórica das primeiras cidades brasileiras 1. Para você, 100 anos é muito tempo? Você sabia que existem cidades no Brasil com mais de 400 anos de existência? Agora, com os colegas e o professor, pense sobre essas cidades e responda às perguntas a seguir. ⊲ As construções das cidades que têm mais de 100 anos de história permaneceram iguais ao longo do tempo? ⊲ Será que todas as cidades passaram por mudanças desde a data de sua fundação até os dias de hoje? ⊲ Quais trabalhos as pessoas realizavam na época em que essas cidades foram fundadas? 2. Observe uma gravura da cidade de Salvador entre os anos de 1640 e 1641, há mais de 380 anos. Nessa época, a cidade de Salvador era a capital do Brasil. Depois, converse com os colegas e o professor sobre o que mais chamou a sua atenção. Vista da cidade de Salvador, na Bahia, por volta da década de 1640, de John Ogilby. PRATICANDO 1. Leia o texto a seguir sobre a fundação e a organização de uma antiga cidade bra- sileira: Ouro Preto. A cidade de Ouro Preto Localizada na região Central de Minas Gerais, a cidade de Ouro Preto reúne o maior e mais importante acervo da arquitetura e da arte do período colonial de todo o Brasil [...]. Sua origem data da última década do século 17, com a descoberta do ouro no leito de um córrego, fato que atraiu centenas de bandeirantes paulistas e fez a riqueza da região por quase um século [...]. 020-023_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN1_CAP4_P4V1bx.indd 20020-023_EFAI_NAC_HI_4ANO_1BI_LA_UN1_CAP4_P4V1bx.indd 20 23/03/2022 10:47:0623/03/2022 10:47:06 4o ANO22 2. Leia o texto a seguir, que trata da fundação da cidade de Parintins, no estado do Amazonas. ⊲ Faça uma ilustração da cidade de Parintins, de acordo com a descrição apresen- tada no texto. Ao finalizar, apresente sua