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Acne SUMÁRIO 1. Importância na atenção primária ...............................................................................4 2. Fisiopatologia .............................................................................................................4 3. Principais causas ........................................................................................................6 4. Avaliação clínica .........................................................................................................6 5. Tipos de acne .............................................................................................................7 6. Abordagem diagnóstica ...........................................................................................10 7. Tratamento ................................................................................................................10 Orientações gerais ....................................................................................................10 Tratamento medicamentoso ...................................................................................11 Retinoides tópicos ....................................................................................................11 Outros agentes tópicos ............................................................................................11 Antibióticos tópicos ..................................................................................................12 Antibióticos sistêmicos ............................................................................................12 Anticoncepcional oral ...............................................................................................13 Isotretinoína ..............................................................................................................13 8. Principais erros cometidos na atenção primária ....................................................15 9. Prognóstico e complicações possíveis ...................................................................15 Atividades preventivas e de educação ....................................................................15 10. Quando referenciar ao dermatologista ..................................................................16 11. Equipe multiprofissional ........................................................................................16 Referências ....................................................................................................................18 Acne 4 1. IMPORTÂNCIA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA Acne vulgar é um distúrbio cutâneo extremamente frequente. Estima-se uma fre- quência de 85% dos adolescentes com essa condição clínica, sendo mais comum até a segunda década de vida, apresentando remissão por volta da terceira década de vida, porém, pode persistir na idade adulta ou se desenvolver novamente na ida- de adulta. A acne está muito associada a diversos impactos sociais, psicológicos e emocio- nais. Devido a sua capacidade de afetar a imagem do indivíduo, pode levar ao isola- mento social, à distorção da imagem corporal, à insegurança e baixa autoestima. A Atenção Primária de Saúde (APS) é nossa porta de entrada ao sistema de saú- de, sendo nosso local de desenvolvimento do atendimento integral e longitudinal do paciente, inclusive das queixas dermatológicas relacionadas à acne e seus impac- tos no cotidiano. 2. FISIOPATOLOGIA A acne é uma doença caracterizada pela produção sebácea em excesso ocorrendo o bloqueio e a distensão folicular. Essa doença folicular inflamatória geralmente é co- lonizada pela bactéria Propionibacterium acnes gerando os famosos comedões que apresenta-se pretos quando abertos ou branco quando fechados, em graus variados, distribuídas nas áreas de alta densidade de unidades pilossebáceas (face, região cer- vical, região superior do tronco). Logo, é de conhecimento geral que os sebócitos e os queratinócitos causam hi- perresponsividade androgênica que gera a hiperplasia das glândulas sebáceas e a elevação da oleosidade da pele que caracteriza a acne. O aumento da produção de sebo fornece um meio de crescimento para Cutibacterium acnes (também chamado de Propionibacterium acnes). O C. acnes utiliza triglicerídeos no sebo como fonte de nutrientes hidrolisando-os em ácidos graxos livres e glicerol. O ambiente anaeróbico e rico em lipídios dos microcomedões permite que essas bacté- rias se desenvolvam. Com a progressão do evento haverá a reação inflamatória e a produção de pus. As cepas associadas à acne têm uma maior propensão para estimular as células TH17 a secretar interferon-gama e interleucina pró-inflamatória (IL-17), enquanto as cepas associadas à pele saudável estimulam as células TH17 a produzir IL-10 anti-inflamatória. Nesse contexto, a vitamina A e a vitamina D podem desempenhar papéis regulatórios na resposta de IL-17. Indivíduos com familiares próximos com Acne 5 acne apresentam risco aumentado para a doença, sustentando um componente ge- nético da doença. Figura 1: Patogênese da distensão folicular, ruptura e inflamação na acne vulgar. Acne é caracterizada pela obstrução do folículo sebáceo. O comedão começa a ser formado pelo estrato córneo compacto e a camada granular espessada no infundíbulo. Formam-se os microcomedões (A) e os comedões fe- chados (B) e abertos (C). A secreção excessiva de sebo ocorre e a bactéria Cutibacterium (anteriormente Propionibacterium) acnes prolifera. O organismo produz fatores quimiotáticos, levando à migração de neutrófilos para o comedão intacto. Enzimas neutrofílicas são liberadas e o comedão se rompe, induzin- do um ciclo de quimiotaxia e intensa inflamação neutrofílica (D e E). Fonte: Sanarflix. Acne 6 3. PRINCIPAIS CAUSAS • Puberdade; • Cosméticos comedogênicos: cosméticos capazes de obstruir os poros ou que apresentam óleos que acabam exacerbando as lesões de pele, assim como a lavagem constante da pele com esfoliantes pode causar traumas mecânicos na derme; • Tabagismo • Irritação contínua; • Estresse/dieta; • Problemas hormonais: como síndrome dos ovários policísticos; • Medicações: antiepilépticos, antituberculosos, vitaminas do complexo B, hor- mônios como: corticoides, androgênios, progesterona. 4. AVALIAÇÃO CLÍNICA A avaliação clínica do paciente com queixa de acne se faz essencialmente pela his- tória da lesão, devendo-se determinar o seu início/surgimento; evolução clínica, ou seja, se houve piora ou melhora ao longo do tempo; exposição a fatores de risco e medica- mentos em uso. Em mulheres, deve-se investigar sobre sinais de possível hiperandro- genismo que são: rarefação de pelos, ciclos mestruais inrregulares. O método clínico centrado na pessoa (MCCP) será um recurso importante para ava- liação dos fatores psicossociais envolvidos no quadro. Cabe ao médico identificar os impactos que a doença desencadeia no paciente: sentimentos, ideias, funcionali- dade e expectativa. A realização de um exame físico adequado, com exposição das áreas afetadas e boa iluminação, é fundamental para o diagnóstico e a classificação adequada das lesões. É importante observar as áreas do corpo mais acometidas, como face, pes- coço, tronco e membros superiores (MMSS). Acne 7 5. TIPOS DE ACNE • Tipo 1 (acne leve ou comedoniana): caracterizada pela presença dos come- dões (lesões não inflamatórias) fechados e/ou abertos, podendo, em alguns casos, estarem presentes algumas pápulas; • Tipo 2 (acne moderada ou papulopustulosa): caracterizada pela presença de comedões e lesões inflamatórias (pápulas e pústulas) tipicamente menores do que 5 mm de diâmetro; • Tipo 3 (acne severa ou nodulocística): caracterizada por numerosos come- dões, pápulas e pústulas, frequentemente sensíveis. Nela, há presença de al- guns cistos (maiores do que 5 mm) ou nódulos (maiores do que 1 cm); • Tipo 4 (acne grave ou conglobata): caracterizada pela presença de numerosos cistos e/ou nódulos, dolorosos, com existênciade abscessos e escarificação (lesões cicatriciais); • Tipo 5 (acne fulminans): caracterizada pelo surgimento abrupto de múltiplas lesões e nódulos hemorrágicos associado a sinais e sintomas sistêmicos (fe- bre, artralgia, fadiga). Figura 2: Tipos de acne. Fonte: Avector/shutterstock.com. Figura 3: Comedão aberto. Fonte: Nau Nau/shutterstock.com. Acne 8 Figura 4: Comedão fechado. Fonte: Boyloso/shutterstock.com. Figura 5: Papulopustulosa. Fonte: Bencemor/shutterstock.com. Acne 9 Figura 6: Nodulocística. Fonte: Bencemor/shutterstock.com. Figura 7: Conglabata. Fonte: Dermatology11/shutterstock.com. Se liga! A acne fulminante e a rosácea fulminante apresen- tam baixa prevalência e, por serem mais graves, demandam cuidados com dermatologista. Acne 10 6. ABORDAGEM DIAGNÓSTICA A abordagem clínica é a base necessária para estabelecer o diagnóstico de acne. Os exames complementares não apresentam indicação de rotina, somente se sus- peita de acne secundária a distúrbios hormonais: síndrome dos ovários policísticos (SOP); hiperplasia suprarrenal congênita (HSC) de início tardio; hiperprolactinemia; síndrome de Cushing. 7. TRATAMENTO Orientações gerais Para além da abordagem medicamentosa, alguns hábitos e orientações devem ser explicados para o paciente: • Evitar lavar a pele mais do que 2 vezes ao dia; • Usar um sabonete neutro e água em temperatura ambiente (tanto a água fria como a quente podem piorar a acne); • Não manipular as lesões (não espremer ou esfregar os comedões), para não permitir o surgimento de uma nova porta de entrada para infecções; • Evitar a esfoliação vigorosa nas áreas com acne, ou a utilização de sabonetes abrasivos, produtos esfoliantes ou adstringentes. Orientar uso de pano ou es- ponja macia, ou mesmo os dedos; • Evitar uso excessivo de cosméticos, mas se necessário, que sejam à base de água, e não comedogênicos; • Retirar toda a maquiagem à noite; • Utilizar um hidratante neutro e sem cheiro, apenas se a pele estiver ressecada; • Utilizar protetor solar. É fundamental, durante a consulta, traçar os objetivos do tratamento junto com o paciente: • Controlar as lesões de acne (prevenir o surgimento de novas lesões); • Prevenir a escarificação; • Minimizar a morbidade. Acne 11 Tratamento medicamentoso As intervenções para acne consistem em uma ampla variedade de terapias tópi- cas, orais/sistêmicas e procedimentais destinadas a combater os principais aspec- tos dos mecanismos patogênicos de formação de lesões de acne. O tipo de conduta estabelecida depende do tipo de acne que é identificada no paciente, assim como o tipo de pele e a opção do paciente determinará se a base do medicamento será em gel, creme ou solução. O gel e a solução apresentam um efeito secante, e os cremes e as loções são umidificantes. Quadro 1. Exemplos de alvos terapêuticos e terapias comuns associada Hiperproliferação folicular e desca- mação anormal Aumento da produção de sebo Proliferação de cutibacterium (anteriormente Propionibacterium) acnes Inflamação Terapia antiandrogênica Retinoides tópicos Isotretinoina oral Ácido azelaico Ácido salicílico Isotretinoina oral Contraceptivos orais Espironolactona Clascoterone Peróxido de benzoíla Antibióticos tópi- cos e orais Ácido azelaico Isotretinoina oral Tetraciclinas orais Retinóides tópicos Ácido azelaico Dapsona tópica Espironolactona Contraceptivos hor- monais combina- dos: etinilestradiol com progestágeno Antiandrogênico: Ciproterona; Desogestrel; Drospirenona Fonte: Elaborado pelo autor. Retinoides tópicos Temos como fármacos de primeira escolha para a acne leve a tretinoína e o adapaleno, que são capazes de normalizar a queratinização folicular e prevenir a formação de novos comedões. Vale ressaltar que todos os retinoides são capazes de causar irritação local e maior sensibilidade à luz solar. Portanto, a aplicação deve ser realizada à noite e, pela manhã, deve-se utilizar protetor solar. A irritação cau- sada pela tretinoína é considerada maior do que a do adapaleno, porém, pode ser minimizada se o tratamento começar com a menor concentração. Outros agentes tópicos O peróxido de benzoíla (PBO) tem propriedades bacteriostáticas e comedolíti- cas. Tal medicação age sob lesões inflamatórias de modo similar aos antibióticos tópicos, porém, tem-se mostrado superior em lesões não inflamatórias. Compõe Acne 12 também uma das primeiras opções de tratamento da acne leve, devendo ser apli- cado duas vezes ao dia. Pode ser usado como monoterapia, mas formulações com antibióticos ou com retinoides têm-se mostrado superiores ao seu uso isolado. O ácido azelaico tem ação antimicrobiana, anti-inflamatória e comedolítica, re- duzindo a concentração de Propionibacterium acnes (P. acnes) na superfície da pele e nos folículos, sem induzir resistência bacteriana. Tem como efeito a capacidade de causar hipopigmentação da pele, sendo indicada a monitorização do seu uso em pacientes de pele escura. Alguns estudos sugerem que seu uso pode reduzir a hiperpigmentação pós-inflamatória característica da acne. Este permanece como tratamento de segunda escolha para acne leve, por ter eficácia limitada em compa- ração com outros agentes. O ácido salicílico está presente em diversas soluções e sabonetes, sendo utiliza- do como comedolítico. No entanto, não há estudos suficientes e de boa qualidade demonstrando esse efeito. Antibióticos tópicos Os antibióticos tópicos são utilizados para eliminar o P. acnes do folículo sebá- ceo, com ação anti-inflamatória e antibacteriana. Apresentam boa tolerabilidade, mas oferecem benefício limitado para o tratamento da acne comedônica, além de que seu uso prolongado pode promover o aparecimento de cepas resistentes, não sendo recomendados como monoterapia. O uso combinado com peróxido de ben- zoíla é considerado a estratégia primária para prevenir essa resistência. Os antibióticos tópicos mais comumente utilizados são a eritromicina e a clinda- micina. É possível encontrar o peróxido de benzoíla gel a 5% associado à eritromici- na 3%. A combinação de antibióticos e retinoides tópicos também é possível, sendo mais eficiente do que quando ambos os medicamentos são usados de forma isola- da. Todavia, diferentemente do PBO, os retinoides não oferecem proteção contra o surgimento de cepas resistentes. Antibióticos sistêmicos Os antibióticos sistêmicos inibem a colonização do folículo pelo P. acnes de forma mais rápida, no entanto, há um risco maior de efeitos adversos, sendo re- servados para acne moderada/severa, acne predominantemente no tronco e acne irresponsiva à terapia tópica. A escolha do antibiótico deve levar em consideração a preferência do paciente, o custo e o perfil de efeitos colaterais. As tetraciclinas (tetraciclina, doxiciclina e minociclina) costumam ser indicadas como agentes de primeira escolha para o tratamento da acne; contudo, o uso de sulfametoxazol/tri- metropim, eritromicina, azitromicina, amoxicilina/clavulanato e cefalexina também pode ser indicado. Acne 13 A prescrição de antibióticos sistêmicos deve ser limitada à menor duração pos- sível, devendo-se reavaliar em 3 a 4 meses e evitando a monoterapia, para minimi- zar o desenvolvimento de resistência bacteriana, com diminuição gradual da dose, podendo suspender conforme a melhora da acne. O uso concomitante de PBO pode reduzir problemas com resistência bacteriana, mas a associação de antibiótico oral e tópico deve ser evitada. Caso um indivíduo não responda ou pare de responder ao tratamento com anti- bióticos orais, a dose pode ser aumentada, embora não haja evidência de que essa medida seja efetiva. O uso concomitante de PBO pode reduzir problemas com resis- tência bacteriana. Limitar o uso de antibióticos orais é importante, uma vez que seu uso está associado à doença intestinal inflamatória (DII), à faringite, à infecção por C. difficile e à vulvovaginite por cândida. Tabela 1. Antibióticossistêmico Tetraciclina 500mg 12/12h Conforme melhora pode ser reduzido para 250mg 12/12h Doxiciclina 100mg 1 a 2x ao dia Azitromicina 500mg 1x ao dia por 5 dias e por 3 meses Fonte: Elaborado pelo autor. Anticoncepcional oral Os anticoncepcionais orais combinados (ACO) são recomendados como mo- noterapia ou tratamento adjunto de primeira escolha para mulheres que têm acne, sendo necessário um tempo mínimo de 3 a 6 meses para avaliar a eficácia do trata- mento. Anticoncepcionais de progestágeno isolado frequentemente pioram a acne e devem ser evitados em mulheres que não tenham contraindicação para o uso do ACO combinado. Isotretinoína A isotretinoína é um derivado da vitamina A, de uso sistêmico, indicado no trata- mento de acne severa. É o único medicamento com potencial de suprimir a acne em longo prazo. É indicada quando não há resposta ao uso de antibióticos sistêmicos associado com outros fármacos tópicos. Na acne nodulocística, nos casos em que há formação de cicatrizes, lesões no tron- co e em pessoas com sintomas psicossociais pronunciados, deve-se pensar na utiliza- ção precoce da isotretinoína. A dose usual é de 0,5 mg a 1 mg/kg/dia, diariamente, por 4 meses ou mais. O efeito da isotretinoína só pode ser avaliado vários meses após o término do tratamento, pois a pele continua melhorando nesse período. A isotretinoína Acne 14 só pode ser prescrita por médico dermatologista ou que tenha experiência no seu uso, pois é um fármaco teratogênico, com muitos efeitos adversos. Tabela 2. Tratamento tópico MEDICAMENTO APRESENTAÇÃO EFEITO ADVERSO APLICAÇÃO Tretinoína 0,25mg/g gel e creme 0,5 mg/g creme 1 mg/g creme Eritema, ressecamento, descamação, ardência e prurido. Toda face à noite Adapaleno 1mg/g gel e creme 3mg/g gel Peróxido de benzoíla 4-10% gel Irritação local, pode des- colorir cabelos e roupas 1 a 3 vezes ao dia Ácido azelaico 15% gel 20% creme Irritação local 2 vezes ao dia Peróxido de benzoíla + clindamicina 50mg/g + 10mg/g Irritação local, descolorir cabelos e roupas 1 a 2 vezes ao dia Tretinoína + clindamicina 25mg/g + 12mg/g Irritação loca, eritema, ressecamento, ardência e prurido 1 vez ao dia, aplicado à noiteAdapaleno + clindamicina 1mg/g + 10mg/g Fonte: Elaborado pelo autor. Tabela 3. Tratamento para cada tipo de acne ACNE PRIMEIRA ESCOLHA MANUTENÇÃO COMEDONIANA Retinoide tópico Retinoide tópico PAPULOPUSTULOSA LEVE Terapia tópica combinada: Antibiótico tópico + retinoide tópi- co ou peroxido de benzoíla Retinoide tópico com ou sem pe- róxido de benzoíla PAPULOPUSTULOSA MODERADA Terapia combinada oral e tópica: Antibiótico oral e retinoide tópico ou peróxido de benzoíla Retinóide tópico com ou sem pe- róxido de benzoíla NODULAR Terapia combinada oral e tópica: Antibiótico oral e retinoide tópico ou peróxido de benzoíla OU Isotretinoína oral Retinoide tópico com ou sem pe- róxido de benzoíla CONGLOBATA Isotretinoína oral - FULMINANS Isotretinoína oral + corticoide oral - Fonte: Elaborado pelo autor. Acne 15 8. PRINCIPAIS ERROS COMETIDOS NA ATENÇÃO PRIMÁRIA • Considerar acne como uma condição normal da adolescência e não valorizar; • Encaminhar todos os casos de acne; • Retardar o início do tratamento; • Não levar em conta os aspectos psicossociais atrelados à doença. 9. PROGNÓSTICO E COMPLICAÇÕES POSSÍVEIS O prognóstico da acne, na maioria dos casos, é favorável. O quadro clínico costu- ma ser pior na adolescência, resolvendo-se com o passar dos anos. A escarificação ocorre em 1 a cada 5 pessoas com acne, resultando de lesões profundas e em geral é de natureza atrófica. As lesões hipertróficas (queloides) são menos comuns. Pode ocorrer hiperpigmentação, sobretudo em pessoas com a pele mais escura. Um dos grandes objetivos no tratamento da acne é a prevenção de lesões cicatriciais, com- plicação que é mais frequente quando o tratamento é retardado. Atividades preventivas e de educação É importante esclarecer às pessoas os cuidados com a pele, evitando produtos oleosos e abrasivos, como já abordado neste capítulo. Da mesma forma, é impor- tante informar que, para um tratamento eficaz, os cuidados são prolongados, sendo necessário que a pessoa esteja envolvida com seu autocuidado. Acne 16 10. QUANDO REFERENCIAR AO DERMATOLOGISTA • Casos de acne fulminante (associada a sintomas sistêmicos); • Acne severa; • Indivíduos com problemas psicossociais severos; • Indivíduos com maior chance de formar cicatrizes ou com necessidade de tratá-las; • Acne refratária ao tratamento por, pelo menos, 6 meses e sem resposta; • Casos de suspeita de acne secundária (SOP, medicamento). 11. EQUIPE MULTIPROFISSIONAL É importante que toda a equipe esteja pronta para acolher a pessoa com acne. O(a) enfermeiro(a), sobretudo em consultas com adolescentes, deve estar atento às lesões características de acne, avaliando o impacto dessa condição sobre a vida do indivíduo e fazendo orientações sobre os cuidados com a pele. Acne 17 MAPA MENTAL - ACNE Obstrução e distensão folicular ACNE NA AP QUANDO REFERENCIAR AO DERMATOLOGISTA AVALIAÇÃO CLÍNICA TIPOS DE ACNE FISIOPATOLOGIA PRINCIPAIS CAUSAS TRATAMENTO ABORDAGEM DIAGNÓSTICA Colonização dos folículos (bactéria Propionibacterium acnes) Aumento da oleosidade Hiperplasia das glândulas sebáceas Hiperresponsividade androgênica Doença folicular inflamatória Cosméticos comedogênicos Estresse/dieta Tabagismo Irritação contínua Problemas hormonais Medicações Puberdade Antiepilépticos Antituberculosos Hormônios (corticoides, androgênios, contraceptivos de progesterona) Vitaminas do complexo B (B2, B6 e B12) História da lesão Exposição a fatores de risco Medicamentos em uso Método clínico centrado na pessoa (MCCP) Ácido azelaico Ácido salicílico Isotretinoína ACO ATBs sistêmicos (tetraciclinas) Tipo 1 (acne leve ou comedoniana) Tipo 2 (acne moderada ou papulopustulosa) Tipo 3 (acne severa ou nodulocística) Tipo 4 (acne grave ou conglobata) Tipo 5 (acne fulminans) Abordagem clínica Exames complementares não apresentam indicação de rotina Acne vulgar 85% dos adolescentes Isolamento social, distorção da imagem corporal, insegurança e baixa autoestima Atendimento integral e longitudinal do paciente ATBs tópicos (eritromicina e clindamicina) Casos de acne fulminante Acne severa Indivíduos com problemas psicossociais severos Indivíduos com maior chance de formar cicatrizes ou com necessidade de tratá-las Acne refratária ao tratamento por, pelo menos, 6 meses e sem resposta Casos de suspeita de acne secundária Hábitos de vida Evitar lavar a pele mais do que 2x/dia Utilizar protetor solar Usar um sabonete neutro e água em temperatura ambiente Não manipular as lesões Orientações gerais Tratamento medicamentoso Retinoides tópicos (tretinoína e adapaleno) Peróxido de benzoíla (PBO) Fonte: Elaborado pelo autor. Acne 18 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Gusso G, Lopes JMC, Dias LC. Tratado de medicina de família e comunidade: princí- pios, formação e prática. 2. ed. 2 v. Porto Alegre: Artmed, 2019. Duncan B et al. Medicina Ambulatorial: condutas de atenção primária baseada em evidências. 4. ed. Porto Alegre. Artmed, 2013. Thiboutot D, Zaenglein A. Pathogenesis, clinical manifestations, and diagnosis of acne vulgaris. [Internet]. 2021. [acesso em 26 abr. 2021]. Disponível em: https:// www.uptodate.com/contents/ pathogenesis-clinical-manifestations-and-diagnosis-of-acne-vulgaris. Graber E. Acne vulgaris: Overview of management. [Internet]. 2021. [acesso em 26 abr. 2021]. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/ acne-vulgaris-overview-of-management. Zaenglein AL et al. Guidelines of care for the management of acne vulgaris. J Am ACAD Dermatol, 2016; 74(5). Zaterka S, Eisig JN (eds.). Tratado de gastroenterologia: da graduação à pós-gradu- ação. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2016. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA Imagem utilizada sob licençada Shutterstock.com, disponível em: . Acesso em: 26 de janeiro de 2023 Imagem utilizada sob licença da Shutterstock.com, disponível em: . Acesso em: 26 de janeiro de 2023 Imagem utilizada sob licença da Shutterstock.com, disponível em: . Acesso em: 26 de janeiro de 2023 Imagem utilizada sob licença da Shutterstock.com, https://www.shutterstock.com/ pt/image-photo/close-photo-nodular-cystic-acne-skin-373412398 >. Acesso em: 26 de janeiro de 2023 Imagem utilizada sob licença da Shutterstock.com, https://www.shutterstock.com/ pt/image-photo/case-severe-form-acne-vulgaris-conglobata-1337767424 >. Acesso em: 26 de janeiro de 2023 sanarflix.com.br Copyright © SanarFlix. Todos os direitos reservados. Sanar Rua Alceu Amoroso Lima, 172, 3º andar, Salvador-BA, 41820-770 1. Importância na atenção primária 2. FISIOPATOLOGIA 3. PRINCIPAIS CAUSAS 4. AVALIAÇÃO CLÍNICA 5. TIPOS DE ACNE 6. ABORDAGEM DIAGNÓSTICA 7. TRATAMENTO Orientações gerais Tratamento medicamentoso Retinoides tópicos Outros agentes tópicos Antibióticos tópicos Antibióticos sistêmicos Anticoncepcional oral Isotretinoína 8. Principais erros cometidos na atenção primária 9. Prognóstico e complicações possíveis Atividades preventivas e de educação 10. Quando referenciar ao dermatologista 11. Equipe multiprofissional Referências bibliográficas