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Bet� - 93 Organização celular básica ➢ Células São as unidades funcionais dos organismos vivos, e uma célula individual pode executar todos os processos da vida. Os organismos cujas células têm um núcleo são chamados de eucariotos (a partir das palavras gregas eu, significando "verdadeiro" ou “real”, e karyon, uma “parte central” ou “núcleo”). Os organismos cujas células não têm um núcleo são chamados de procariotos (de pro, significando “antes”). COMPARTIMENTALIZAÇÃO ➢ As células são divididas em compartimentos: Os compartimentos apresentam vantagens e desvantagens para os organismos. Pelo lado vantajoso, os compartimentos separam processos bioquímicos que poderiam, caso contrário, entrar em conflito um com o outro. A desvantagem dos compartimentos é que as barreiras entre eles podem dificultar o transporte dos materiais necessários de um compartimento a outro. ➢ Compartimentos funcionais do corpo: O corpo humano é um compartimento complexo, separado do mundo externo por camadas celulares. Anatomicamente, o corpo é dividido em três principais cavidades: a cavidade craniana (comumente chamada de crânio), a cavidade torácica (chamada de tórax) e a cavidade abdominopélvica. Além das cavidades do corpo, há vários compartimentos anatômicos distintos preenchidos com líquido. Os vasos sanguíneos, contendo o sangue, e o coração formam um compartimento no sistema circulatório. Os nossos olhos são esferas ocas cheias de líquido subdivididas em dois compartimentos, preenchidos com os humores aquoso e vítreo. O encéfalo e a medula espinal são cercados por um compartimento de líquido especial, denominado líquido cerebrospinal (LCS). Os sacos membranosos que circundam os pulmões (sacos pleurais) e o coração (pericárdio) também contêm pequenos volumes de líquido. ➢ Lúmen: O interior de qualquer órgão oco é chamado de lúmen. Um lúmen pode ser total ou parcialmente preenchido com ar ou líquido. Por exemplo, os lumens dos vasos sanguíneos são preenchidos com o líquido que chamamos de sangue. ➢ Funcionalmente, o corpo tem três compartimentos líquidos Se pensarmos em todas as células do corpo como uma unidade, podemos dividir o corpo em dois compartimentos: ○ (1) o líquido extracelular (LEC), fora das células; ○ (2) o líquido intracelular (LIC), dentro das células; ○ Membrana celular, parede que divide o LEC e o LIC. O LEC subdivide-se ainda em - Plasma, a porção fluida do sangue; - Líquido intersticial (“estar entre”), que circunda a maioria das células do corpo. MEMBRANAS BIOLÓGICAS (Membrana plasmática, plasmalema ou membrana celular) Por volta de 1890, os cientistas concluíram que a superfície externa das células, a membrana celular, era uma fina camada de lipídios que separa o fluido aquoso do interior da célula do seu meio externo. Agora, sabemos que a membrana consiste em camadas duplas, ou bicamadas, de fosfolipídios com proteínas inseridas neles. A palavra membrana mencionada pode ser aplicada a um tecido ou a uma camada limitante de fosfolipídeos e proteínas. ➢ funções gerais da membrana celular incluem: 1. Isolamento físico. A membrana celular é uma barreira física que separa o líquido intracelular, dentro da célula, do líquido extracelular que a circunda. 2. Regulação das trocas com o seu ambiente externo (líquido extracelular). A membrana celular controla a entrada de íons e nutrientes na célula, a eliminação de resíduos celulares e a liberação de produtos da célula. 3. Comunicação entre a célula e o seu ambiente externo. A membrana celular contém proteínas que permitem à célula reconhecer e responder a moléculas ou a mudanças no seu meio externo. Qualquer alteração na membrana celular pode afetar as atividades celulares. 4. Suporte estrutural. Proteínas na membrana celular fixam o citoesqueleto, o arcabouço estrutural intracelular, para manter a forma da célula. Proteínas de membrana também criam junções especializadas entre células adjacentes ou entre células e a matriz extracelular, que é o material extracelular sintetizado e secretado pelas células. Junções célula a célula e célula-matriz estabilizam a estrutura dos tecidos. ➢ As membranas são constituídas principalmente de lipídeos e proteínas. ○ Os lipídios das membranas biológicas são principalmente fosfolipídeos arranjados em uma bicamada, de forma que as cabeças de fosfato se encontram nas superfícies da membrana, e as caudas lipídicas ficam ocultas no centro da membrana. A membrana celular é crivada com moléculas de proteínas. ○ A proporção de proteínas em relação aos lipídeos varia muito, dependendo da origem da membrana. Em geral, a membrana mais ativa metabolicamente é a que contém mais proteínas. Por exemplo, 75% da membrana interna de uma mitocôndria, que contém enzimas para a produção de ATP, é constituída por proteínas. ○ No início dos anos 1970, micrografias eletrônicas em criofraturas revelaram o real arranjo tridimensional de lipídeos e proteínas nas membranas celulares. Com base no que os cientistas aprenderam a partir da observação de membranas submetidas à criofratura, S. J. Singer e G. L. Nicolson, em 1972, propuseram o modelo de membrana do mosaico fluido. ➢ Lipídeos de membrana criam uma barreira hidrofóbica Os três principais tipos de lipídeos que compõem a membrana celular são os fosfolipídeos, os esfingolipídeos e o colesterol. Os fosfolipídeos são constituídos de um arcabouço de glicerol com dois ácidos graxos apontando para um lado e um grupo fosfato para o outro. A cabeça glicerol-fosfato da molécula é polar e hidrofílica. A “cauda” de ácido graxo é apolar e, portanto, hidrofóbica. Esse arranjo pode ser visto em três estruturas: 1. Membranas celulares: Os fosfolipídeos são os principais lipídeos das membranas, mas algumas membranas também têm uma quantidade significativa de esfingolipídeos. - Os esfingolipídeos também possuem caudas de ácidos graxos, mas suas cabeças podem ser tanto fosfolipídeos como glicolipídeos. Eles são ligeiramente mais longos do que os fosfolipídeos. - O colesterol também constitui uma parte significativa de muitas membranas celulares. As moléculas de colesterol, as quais são principalmente hidrofóbicas, introduzem-se entre as cabeças hidrofílicas dos fosfolipídeos. O colesterol ajuda a tornar as membranas impermeáveis a pequenas moléculas solúveis em água (hidrofílicas) e a manter a flexibilidade das membranas em uma ampla faixa de temperaturas. 2. Micelas são pequenas gotas com uma única camada de fosfolipídeos arranjados de modo que o interior da micela é preenchido com as caudas hidrofóbicas dos ácidos graxos. Elas são importantes na digestão e na absorção das gorduras no trato digestório. 3. Lipossomos são esferas maiores, com paredes de bicamada fosfolipídica. Este arranjo deixa um centro oco com um núcleo aquoso, que pode ser preenchido com moléculas solúveis em água. ➢ As proteínas de membrana podem estar frouxas ou fortemente ligadas à membrana ○ Proteínas integrais são fortemente ligadas à membrana, e a única forma pela qual podem ser removidas é pela quebra da estrutura da membrana com detergentes ou outros métodos que destruam a integridade da membrana. Proteínas integrais incluem proteínas transmembranas e proteínas ancoradas em lipídeos. ○ Proteínas periféricas ligam-se a outras proteínas de membrana por interações não covalentes e podem ser separadas da membrana por métodos químicos que não destruam a integridade da membrana. Elas incluem algumas enzimas, assim como proteínas estruturais de ligação que ancoram o citoesqueleto (o “esqueleto” interno das células) à membrana. ○ Proteínas transmembranas possuem cadeias que atravessam toda a membrana. Quando uma proteína atravessa a membrana mais de uma vez, alças da cadeia de aminoácido projetam-se para o citoplasma e para o líquido extracelular. Os carboidratos podem ligar-se às alças extracelulares, e os grupos fosfato podem ligar-se às alças intracelulares. Fosforilação e desfosforilação de proteínas são maneiras de a célula alterar a função proteica. Proteínas transmembranas estão firmemente,mas não covalentemente ligadas à MP . Os cerca de 20 a 25 aminoácidos dos segmentos da cadeia proteica que atravessam a membrana são apolares. Isso permite que esses aminoácidos criem ligações não covalentes fortes com as caudas lipídicas dos fosfolipídeos, mantendo-as firmemente no lugar. OBS*: Sabe-se, hoje, que algumas proteínas de membrana que antes eram consideradas proteínas periféricas são proteínas ancoradas a lipídeos. Algumas dessas proteínas são covalentemente ligadas às caudas lipídicas que as inserem nas bicamadas. Outras, encontradas somente na superfície externa da célula, mantêm-se ligadas à membrana por moléculas de glicosil-fosfatidil-inositol (GPI), um lipídio mais uma cadeia de açúcar-fosfato. OBS**: Algumas proteínas integrais são ancoradas às proteínas do citoesqueleto e são, portanto, imóveis. A capacidade do citoesqueleto de restringir o movimento das proteínas integrais permite que as células desenvolvam a polaridade, na qual diferentes faces da célula têm proteínas diferentes e, consequentemente, propriedades diferentes. Isso é particularmente importante nas células dos epitélios de transporte, conforme será visto em vários tecidos no corpo. ➢ Os carboidratos da membrana ligam-se a lipídeos e proteínas A maior parte dos carboidratos das membranas são açúcares ligados às proteínas de membrana (glicoproteínas) ou aos lipídeos de membrana (glicolipídeos). Eles são encontrados exclusivamente na superfície externa da célula, onde formam uma camada protetora, chamada de glicocálice. As glicoproteínas presentes na superfície da célula desempenham um papel-chave na resposta imune do corpo. CITOPLASMA O citoplasma inclui todo o material envolvido pela membrana celular, exceto o núcleo. Ele possui quatro componentes: 1. Citosol, ou líquido intracelular: é um líquido semi gelatinoso separado do líquido extracelular pela membrana celular. O citosol contém nutrientes e proteínas dissolvidos, íons e produtos residuais. Os outros componentes do citoplasma – inclusões, fibras e organelas – estão suspensos no citosol. 2. Inclusões são partículas de materiais insolúveis. Algumas são nutrientes armazenados. Outras são responsáveis por funções celulares específicas. Essas estruturas são, às vezes, chamadas de organelas não membranosas. - Ribossomos: grânulos de RNA e proteínas pequenos e densos que produzem proteínas sob o comando do DNA celular. Os ribossomos fixos ligam-se à superfície citosólica das organelas. Os ribossomos livres estão em suspensão, livres no citosol. Alguns ribossomos livres formam grupos de 10 a 20 ribossomos, chamados de polirribossomos. 3. Proteínas fibrosas insolúveis formam o sistema de sustentação interno da célula, ou citoesqueleto. 4. Organelas – “pequenos órgãos” – são compartimentos delimitados por membrana que têm papéis específicos a desempenhar na função geral da célula. ➢ As inclusões estão em contato direto com o citosol As inclusões das células não possuem membranas limitantes, de modo que estão em contato direto com o citosol. O movimento de material entre inclusões e citosol não requer transporte através de uma membrana. Os nutrientes são armazenados como grânulos de glicogênio e gotas lipídicas. A maioria das inclusões com funções que não o armazenamento de nutrientes é constituída de proteínas ou combinações de RNA e proteínas. CITOESQUELETO As proteínas fibrosas citoplasmáticas podem ter três tamanhos As três famílias de proteínas fibrosas citoplasmáticas são classificadas de acordo com o diâmetro e a composição proteica . Todas as fibras são polímeros de proteínas menores. ○ As mais finas são as fibras de actina, também chamadas de micro-filamentos. ○ Os filamentos intermediários são um pouco maiores, e podem ser formados por diferentes tipos de proteínas, incluindo queratina, no cabelo e na pele, e neurofilamentos, em neurônios. ○ As proteínas fibrosas maiores são os microtúbulos ocos, formados por uma proteína chamada de tubulina. Um grande número de proteínas acessórias está associado às proteínas fibrosas da célula. As proteínas fibrosas insolúveis da célula têm dois propósitos gerais: suporte estrutural e movimento. O suporte estrutural vem principalmente do citoesqueleto. O movimento da célula ou de elementos dentro da célula ocorre com a ajuda de proteínas fibrosas e de um grupo de enzimas especializadas, denominadas proteínas motoras. - Cílios são estruturas curtas semelhantes a pêlos, que se projetam a partir da superfície celular como cerdas de uma escova. A superfície de um cílio é uma continuação da membrana celular. O eixo dos cílios móveis contém nove pares de microtúbulos cercando um par central. Os microtúbulos terminam dentro da célula no corpo basal. Estes cílios batem de forma rítmica, para trás e para a frente, quando os pares de microtúbulos deslizam um sobre o outro com a ajuda da proteína motora dineína. - Flagelos têm o mesmo arranjo de microtúbulos que os cílios, mas são consideravelmente mais longos. Os flagelos são encontrados em células únicas livres, e em seres humanos a única célula flagelada é o espermatozóide. ➢ O citoesqueleto é uma estrutura modificável Algumas proteínas fibrosas do citoesqueleto são permanentes, porém a maioria é sintetizada ou desmontada de acordo com as necessidades da célula. As suas funções são: 1. Forma das células. A estrutura proteica do citoesqueleto da resistência mecânica para a célula e, em algumas células, desempenha um papel importante na determinação da forma celular. As fibras do citoesqueleto ajudam na sustentação de microvilosidades, que aumentam a área de superfície para a absorção de materiais. 2. Organização interna. As fibras do citoesqueleto estabilizam a posição das organelas. 3. Transporte intracelular. O citoesqueleto ajuda a transportar materiais para dentro da célula e dentro do citoplasma, funcionando como um “trilho” intracelular para o deslocamento de organelas. 4. União das células nos tecidos. Proteínas fibrosas do citoesqueleto se conectam com as do espaço extracelular, ligando as células umas às outras e ao material de suporte extracelular. Além de dar resistência mecânica aos tecidos, essas ligações permitem a transferência de informações de uma célula à outra. 5. Movimento. O citoesqueleto ajuda a célula a se mover. Os movimentos e o transporte intracelular são facilitados por proteínas motoras especiais que usam energia proveniente do ATP para deslizar ou andar pelas fibras do citoesqueleto. ➢ As proteínas motoras geram movimento As proteínas motoras são proteínas que convertem energia armazenada em movimento. Existem três grupos de proteínas motoras associadas com o citoesqueleto: miosinas, cinesinas e dineínas. Todos os três grupos usam energia armazenada no ATP para impulsioná-las ao longo das fibras do citoesqueleto. As miosinas ligam-se a fibras de actina e são mais bem conhecidas pelo seu papel na contração muscular. Cinesinas e dineínas auxiliam o movimento de vesículas pelos microtúbulos. As dineínas também se associam com feixes de microtúbulos dos cílios e flagelos para criar seu movimento de chicote. A maioria das proteínas motoras são compostas por várias cadeias de proteínas arranjadas em três partes: duas cabeças que se ligam à fibra do citoesqueleto, um pescoço e uma região de cauda que é capaz de se ligar à “carga”, como uma organela que necessita ser transportada através do citoplasma. As cabeças ligam-se alternadamente à fibra do citoesqueleto e, depois, soltam-se, “dando um passo” à frente, usando a energia armazenada no ATP. ORGANELAS ➢ As organelas criam compartimentos para desempenhar funções especializadas ○ Mitocôndrias são estruturas aproximadamente esféricas com uma dupla parede que cria dois compartimentos separados dentro da organela. A matriz interna é circundada por uma membrana que se dobra em folhetos, chamados de cristas. O espaço intermembrana, que se situa entre as duas membranas, exerce um importante papel na produção de ATP. As mitocôndrias são os locais de produção da maioria do ATP celular.A matriz contém enzimas, ribossomos, grânulos e, surpreendentemente, seu próprio DNA. Este DNA mitocondrial possui uma sequência de genes diferente da encontrada no núcleo. Por ter seu próprio DNA, a mitocôndria pode produzir algumas de suas próprias proteínas. OBS: De acordo com a teoria endossimbionte procariótica, a mitocôndria descende de bactérias que invadiram as células há milhões de anos. As bactérias desenvolveram uma relação de benefício mútuo com seus hospedeiros e, logo, tornaram-se uma parte integrante da célula hospedeira. O elemento que reforça essa teoria é o fato de que os nossos DNA, RNA e enzimas mitocondriais são semelhantes aos de bactérias, porém diferentes daqueles dos nossos núcleos celulares. O DNA mitocondrial permite que a organela controle sua própria duplicação. ○ Retículo endoplasmático, ou RE, é uma rede de tubos membranosos interligados que possuem três funções principais: síntese, armazenamento e transporte de biomoléculas. O nome retículo vem da palavra latina para rede e se refere ao arranjo em rede dos túbulos. Micrografias eletrônicas revelam que há duas formas de RE: retículo endoplasmático rugoso (RER) e retículo endoplasmático liso (REL). - O retículo endoplasmático rugoso é o principal local de síntese proteica. As proteínas são montadas em ribossomos ligados à superfície citoplasmática do RE rugoso e, em seguida, levadas ao lúmen do RE rugoso, onde elas sofrem alterações químicas. - O retículo endoplasmático liso não possui ribossomos e é o principal local para a síntese de ácidos graxos, esteróides e lipídios. No RE liso, os fosfolipídios da membrana celular são produzidos, e o colesterol é modificado, formando hormônios esteróides, como os hormônios sexuais estrogênio e testosterona. O RE liso das células hepáticas e renais desintoxica ou inativa fármacos. Nas células do músculo esquelético, uma forma modificada do RE liso armazena íons cálcio (Ca2⫹ ção muscular. ○ Aparelho de Golgi: Descrito primeiro por Camillo Golgi, em 1898. Ele consiste em uma série de sacos curvados ocos, chamados de cisternas, empilhados um em cima do outro como uma série de bolsas de água quente e rodeados por vesículas. O aparelho de Golgi recebe proteínas sintetizadas no RE rugoso e modifica e armazena essas proteínas nas vesículas. ● Vesículas citoplasmáticas As vesículas citoplasmáticas delimitadas por membrana são de dois tipos: secretoras e de armazenamento. As vesículas secretoras contêm proteínas que são liberadas pela célula. O conteúdo da maioria das vesículas de armazenamento, contudo, nunca deixa o citoplasma. ○ Lisossomos são pequenas vesículas de armazenamento que aparecem na forma de grânulos delimitados por membrana no citoplasma. Os lisossomos atuam como o sistema digestório da célula. Eles utilizam enzimas poderosas para degradar bactérias ou organelas velhas, como as mitocôndrias, até seus componentes moleculares. Aquelas moléculas que podem ser reutilizadas são reabsorvidas no citosol, ao passo que o restante é eliminado da célula.. Quando os músculos atrofiam (encolhem) por falta de uso ou o útero diminui de tamanho após a gestação, a perda de massa celular é devida à ação dos lisossomos. OBS*: As enzimas lisossômicas são ativadas apenas em condições muito ácidas, 100 vezes mais ácidas do que os níveis de acidez normais do citoplasma. Logo que os lisossomos se desprendem do aparelho de Golgi, o seu pH é próximo ao do citosol, 7,0 a 7,3. As enzimas são inativas nesse pH. Sua inatividade é uma forma de segurança. Se o lisossomo se romper ou acidentalmente liberar as enzimas, elas não prejudicarão a célula. OBS**: Uma liberação inapropriada de enzimas lisossômicas tem sido implicada em certas doenças, como a inflamação e a destruição dos tecidos das articulações que ocorrem na artrite reumatoide. Uma das doenças de armazenamento do lisossomo mais conhecidas é a condição fatal herdada, chamada de doença de Tay-Sachs. Bebês com a doença de Tay-Sachs possuem lisossomos defeituosos que falham na degradação dos glicolipídeos. O acúmulo de glicolipídeos nos neurônios causa disfunção do sistema nervoso, incluindo cegueira e perda da coordenação. A maioria dos bebês que apresentam a doença de Tay-Sachs morre no início da infância. ○ Peroxissomos são vesículas de armazenamento ainda menores que os lisossomos. Sua principal função parece ser a degradação de ácidos graxos de cadeia longa e de moléculas exógenas potencialmente tóxicas. Os peroxissomos possuem esse nome a partir do fato de que as reações que ocorrem dentro deles geram peróxido de hidrogênio (H2O2), uma molécula tóxica. Eles convertem rapidamente esse peróxido para oxigênio e água, utilizando a enzima catalase. NÚCLEO ○ O núcleo é o centro de controle da célula O núcleo da célula contém DNA, o material genético que, em última análise, controla todos os processos celulares. Seu envoltório, ou envelope nuclear, é uma estrutura com membrana dupla que separa o núcleo do compartimento citoplasmático. Ambas as membranas do envelope são perfuradas por orifícios redondos, ou poros. A comunicação entre o núcleo e o citosol ocorre por meio dos complexos dos poros nucleares, grandes complexos de proteínas com um canal central. Os íons e as moléculas pequenas movem-se livremente através desse canal, quando está aberto, mas o transporte de moléculas grandes, como proteínas e RNA, é um processo que requer energia. A especificidade do processo de transporte permite que a célula restrinja o DNA ao núcleo e que várias enzimas sejam restritas ao citoplasma ou ao núcleo. Em micrografias eletrônicas de células que não estão se dividindo, o núcleo aparece preenchido com um material granular espalhado aleatoriamente, ou cromatina, constituído por DNA e proteínas associadas. Em geral, um núcleo também contém de 1 a 4 corpos de coloração escura contendo DNA, RNA e proteínas, chamados de nucléolos. Os nucléolos contêm os genes e as proteínas que controlam a síntese de RNA ribossomal. A cromatina pode ser distinta em eucromatina, na sua forma descondensada, correspondendo a regiões em transcrição ativa (regiões claras), e heterocromatina, com regiões do material genético que não estão envolvidas na transcrição, podendo mostrar-se bastante densa (regiões mais escuras). A heterocromatina tem localização variável, podendo se mostrar dispersa, em grumos, sendo denominada CAN, quando associada ao nucléolo e, freqüentemente, se dispõem em delgada camada associada à lâmina nuclear, na superfície carioplasmática da carioteca interna. Sua coloração define o limite nuclear ao microscópio de luz. ○ Em todas as células vivas, a informação genética flui do DNA para o RNA (transcrição) e do RNA para a proteína (tradução) – uma sequência conhecida como dogma central. A sequência de nucleotídeos em um determinado segmento de DNA (um gene) é transcrita em uma molécula de RNA que pode então ser traduzida em uma sequência linear de aminoácidos de uma proteína. Apenas uma pequena parte do gene, RNA e proteína é mostrada. ORGANISMOS-MODELO ➢ Acredita-se que todas as células sejam descendentes de ancestrais comuns cujas principais propriedades têm sido conservadas ao longo da evolução. Biólogos se dedicaram a estudar os diferentes aspectos da biologia de algumas poucas espécies selecionadas, reunindo o seu conhecimento de forma a ganhar uma compreensão mais profunda do que poderia ser obtida se os seus esforços estivessem dispersos entre várias espécies diferentes.