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INFORMATIVOS 2022
STF info até 1079 e STJ info até 761
INFORMATIVOS 2022 2
DIREITO ADMINISTRATIVO 2
PODER REGULAMENTAR 2
SERVIDORES PÚBLICOS 2
SISTEMA REMUNERATÓRIO 12
DIREITO ADMINISTRATIVO MILITAR 12
FGTS 12
SERVIÇOS PÚBLICOS 13
PROCESSO ADMINISTRATIVO 16
CONTRATOS ADMINISTRATIVOS 18
RESPONSABILIDADE CIVIL 19
COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS 21
CARGOS EM COMISSÃO 21
CONCURSO PÚBLICO 22
APOSENTADORIA 23
IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA 24
PODER DE POLÍCIA 26
ORGANIZAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 26
LICENCIAMENTO AMBIENTAL 28
LICENÇAS E AFASTAMENTOS 28
DESAPROPRIAÇÃO 29
ACESSO À INFORMAÇÃO 29
PRINCÍPIOS 30
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 33
PRIVATIZAÇÃO 33
PODERES ADMINISTRATIVOS 33
INTERVENÇÃO DO ESTADO NA PROPRIEDADE 34
CONTROLE ADMINISTRATIVO 35
ATO ADMINISTRATIVO 35
DIREITO AMBIENTAL 36
SANEAMENTO BÁSICO 36
PROIBIÇÃO DO RETROCESSO AMBIENTAL 36
COMPETÊNCIAS 38
RESPONSABILIDADE CIVIL 38
COMPOSIÇÃO DOS ÓRGÃOS AMBIENTAIS 40
LICENCIAMENTO AMBIENTAL 42
DIREITO CIVIL 42
PESSOAS JURÍDICAS 42
BEM DE FAMÍLIA 44
AUSÊNCIA 47
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS 48
CURATELA 48
PRESCRIÇÃO 49
PRISÃO CIVIL 50
CLÁUSULA PENAL 51
ARBITRAGEM 52
RESPONSABILIDADE CIVIL E INTERNET 53
ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA 59
DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA 62
PROMESSA DE COMPRA E VENDA 63
DIVÓRCIO 64
CONDOMÍNIO 66
SISTEMA FINANCEIRO DE HABITAÇÃO 67
ALIMENTOS 68
CONTRATOS 68
DIREITO AO ESQUECIMENTO 76
NOME 76
CASAMENTO E UNIÃO ESTÁVEL 78
LOCAÇÃO DE IMÓVEIS URBANOS 79
DIREITO AUTORAL 80
SUCESSÕES 81
COMPENSAÇÃO 82
PROPRIEDADE INTELECTUAL 83
DOAÇÃO INOFICIOSA 83
SEPARAÇÃO 85
DIREITOS REAIS 85
PREFERÊNCIA E PRIVILÉGIOS CREDITÓRIOS 87
JUROS 88
CORREÇÃO MONETÁRIA 88
ADOÇÃO 88
NEGÓCIO JURÍDICO 88
DPVAT 88
DIREITOS DE PERSONALIDADE 89
DIREITO CONSTITUCIONAL 89
DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS 89
DIREITOS SOCIAIS 94
EDUCAÇÃO 95
DIREITO À SAÚDE 96
COMPETÊNCIA LEGISLATIVA 97
INTERVENÇÃO FEDERAL 105
PODER LEGISLATIVO 106
PROCESSO LEGISLATIVO 107
TRIBUNAL DE CONTAS 109
PODER EXECUTIVO 110
PODER JUDICIÁRIO 110
PRECATÓRIOS 113
DEFENSORIA PÚBLICA 114
SEGURANÇA PÚBLICA 114
CULTURA 115
ÍNDIOS 116
PAGAMENTO DE TAXAS 116
ORDEM SOCIAL 117
TRIBUTAÇÃO E ORÇAMENTO 119
FUNÇÕES ESSENCIAIS DA JUSTIÇA 120
LIBERDADE DE EXPRESSÃO 121
CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE 122
MEIO AMBIENTE 123
REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS 123
OUTROS TEMAS 123
DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE 125
MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS 125
ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL 126
INFRAÇÕES ADMINISTRATIVAS 126
DIREITO DO CONSUMIDOR 126
PLANOS DE SAÚDE 126
INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA 130
CONCEITO DE CONSUMIDOR 130
RESPONSABILIDADE PELO VÍCIO DO PRODUTO OU SERVIÇO 131
RESPONSABILIDADE PELO FATO DO PRODUTO 131
COMPRA DE IMÓVEIS 132
SERVIÇOS BANCÁRIOS 133
RESPONSABILIDADE PELO FATO DO SERVIÇO 133
CONTRATOS BANCÁRIOS 135
SOLIDARIEDADE 135
RELAÇÃO JURÍDICA DE CONSUMO 135
DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA 136
PROTEÇÃO CONTRATUAL 136
PRÁTICAS COMERCIAIS 136
DIREITO E PROCESSO DO TRABALHO 136
REGIME DE ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA 136
COMPETÊNCIA 137
CONVENÇÃO E ACORDO COLETIVO 138
DISPENSA OU DESPEDIDA IMOTIVADA 138
DIREITO ELEITORAL 139
FEDERAÇÕES PARTIDÁRIAS 139
PROPAGANDA ELEITORAL 140
FINANCIAMENTO ELEITORAL 140
PARTIDOS POLÍTICOS 140
AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO JUDICIAL - AIJE 141
CAMPANHA ELEITORAL 141
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS 141
DIREITO EMPRESARIAL 141
MARCA 141
CHEQUE 143
SOCIEDADE ANÔNIMA 144
FALÊNCIA E RECUPERAÇÃO DE EMPRESAS 144
TÍTULOS DE CRÉDITO (NOTA PROMISSÓRIA) 153
DIREITO DE EMPRESA E SOCIEDADES 154
CONTRATOS EMPRESARIAIS 155
PROPRIEDADE INDUSTRIAL 155
DIREITO FINANCEIRO 156
ORÇAMENTO 156
RESPONSABILIDADE FISCAL 158
FINANÇAS PÚBLICAS 158
FUNDO DE PARTICIPAÇÃO DOS MUNICÍPIOS 159
DIREITO INTERNACIONAL 160
EXPULSÃO 160
HOMOLOGAÇÃO DE SENTENÇA ESTRANGEIRA 160
JUÍZO DE RETRATAÇÃO 160
DIREITO NOTARIAL E REGISTRAL 160
TABELIONATO DE PROTESTO 160
REGIME JURÍDICO 160
REGISTRO IMOBILIÁRIO 161
DIREITO PENAL - GERAL 161
PENA DE MULTA 161
DOSIMETRIA DA PENA 162
EFEITOS DA CONDENAÇÃO 166
CAUSAS DE EXTINÇÃO DE PUNIBILIDADE 166
CONCURSO DE CRIME 169
PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL 169
OUTROS TEMAS 170
DIREITO PENAL - ESPECIAL 170
CRIME DE PERSEGUIÇÃO (STALKING) 170
CRIMES CONTRA A HONRA (INJÚRIA) 171
ABANDONO DE INCAPAZ 172
CRIMES CONTRA VIDA 172
ESTELIONATO 173
DESOBEDIÊNCIA 173
ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO DE DROGAS 173
FURTO NOTURNO 174
CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL 175
CORRUPÇÃO ATIVA 175
CRIMES CONTRA FAMÍLIA 175
CRIMES CONTRA A PAZ PÚBLICA 175
CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 176
DIREITO PENAL - LEGISLAÇÃO EXTRAVAGANTE 176
ESTATUTO DO DESARMAMENTO 176
CRIMES EM LICITAÇÕES E CONTRATOS ADMINISTRATIVOS 176
CRIME CONTRA A ORDEM ECONÔMICA 177
CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA 178
APROPRIAÇÃO INDÉBITA TRIBUTÁRIA 178
LEI MARIA DA PENHA 179
LAVAGEM DE DINHEIRO 181
CRIMES NO ECA 182
LEI DE DROGAS 182
INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA 188
CRIME DE RESPONSABILIDADE DO PREFEITO 188
DIREITO PREVIDENCIÁRIO 189
AUXÍLIO-DOENÇA 189
APOSENTADORIA 189
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA 191
PREVIDÊNCIA PRIVADA 192
AUXÍLIO-ACIDENTE 193
BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS 193
PENSÃO POR MORTE 194
RGPS 194
PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL PREVIDENCIÁRIO 195
OUTROS TEMAS 196
DIREITO PROCESSUAL CIVIL 196
COMPETÊNCIA 196
INTIMAÇÕES 200
EXECUÇÃO 201
FRAUDE À EXECUÇÃO 205
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS 206
SENTENÇA 208
TUTELA PROVISÓRIA 211
ASTREINTES 211
RECLAMAÇÃO 212
PRECATÓRIOS 212
PROCESSO COLETIVO 213
RECURSOS 216
AGRAVO DE INSTRUMENTO 221
MANDADO DE SEGURANÇA 221
CITAÇÃO 222
COISA JULGADA 224
NULIDADES 225
GRATUIDADE DA JUSTIÇA 225
AÇÃO RESCISÓRIA 226
PRAZOS 227
CUMPRIMENTO DE SENTENÇA 227
PARTES E PROCURADORES 227
PROCEDIMENTO DE JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA 232
ARBITRAGEM 232
PROCESSO COLETIVO 233
IRDR 236
RESPOSTAS DO RÉU 236
ALIMENTOS 236
PROCEDIMENTOS ESPECIAIS 239
PROVAS 240
JUIZ E AUXILIARES DA JUSTIÇA 240
INTERVENÇÃO DE TERCEIROS 240
LITISCONSÓRCIO 241
SANEAMENTO DO PROCESSO 241
PETIÇÃO INICIAL 241
AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO E MEDIAÇÃO 242
JUIZADO DA FAZENDA PÚBLICA 242
DIREITO PROCESSO PENAL 243
COMPETÊNCIA POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO 243
COMPETÊNCIA 244
PRISÃO TEMPORÁRIA 247
PRISÃO DOMICILIAR 248
PROVAS 248
TERMO CIRCUNSTANCIADO 257
PRISÃO PREVENTIVA 257
INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA 258
NULIDADES 259
TRIBUNAL DO JÚRI 260
CADEIA DE CUSTÓDIA 263
HABEAS CORPUS 263
INDULTO 264
PRISÃO 264
PROCEDIMENTOS INVESTIGATÓRIOS CRIMINAIS 268
EXECUÇÃO PENAL 270
AÇÃO PENAL 273
SIGILO BANCÁRIO 274
INCIDENTES E MEDIDAS CAUTELARES 274
ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL 275
PROCEDIMENTO 275
SENTENÇA 276
TRANSAÇÃO PENAL E SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO 276
COLABORAÇÃO PREMIADA 276
PARTES DO PROCESSO 276
RECURSOS 277
REVISÃO CRIMINAL 277
DIREITO TRIBUTÁRIO 277
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS 277
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 280
CONTRIBUIÇÕES 280
ISS 283
ICMS 283
IMUNIDADE TRIBUTÁRIA 286
IPI 287
PIS E COFINS 287
CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA – CDA 289
COMPENSAÇÃO 289
IOF 290
ITCMD 290
FATO GERADOR 290
ISSQN 291
EXECUÇÃO FISCAL 292
PARCELAMENTO TRIBUTÁRIO 293
IPTU 294
DIREITO ADUANEIRO 295
MORATÓRIA 295
ITBI 295
IMPOSTO DE RENDA 296
TAXAS 297
IPVA 299
CRÉDITO TRIBUTÁRIO 299
DÉBITO FISCAL 299
SUJEITOS TRIBUTÁRIOS 300
RESTITUIÇÃO 300
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO 300
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA 300
DIREITO ADMINISTRATIVO
PODER REGULAMENTAR
A Lei não pode estipular um prazo para que o chefe do Poder Executivo faça a sua regulamentação.
Ofende os arts. 2º e 84, II, da Constituição Federal norma de legislação estadual que estabelece prazo para o
chefe do Poder Executivo apresentar a regulamentação de disposições legais. Exemplo: Art. 9º O Chefe do
Poder Executivo regulamentará a matéria no âmbito da Administração Pública Estadual no prazo de 90 dias.
Essa previsão é inconstitucional. STF. Plenário. ADI 4728/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 12/11/2021
(Info 1037).
SERVIDORES PÚBLICOS
É inconstitucional a vedação ao exercício provisório, de que trata o § 2º do art. 84 da Lei 8.112/90, nas
unidades administrativas do Ministério das Relações Exteriores (MRE) no exterior. O § 2º do art. 84 da
Lei nº 8.112/90 afirma que, se o servidor público federal for transferidoo
Plenário, por maioria, julgou parcialmente procedente a ação para dar interpretação conforme ao art. 6º-A e
ao inciso III do art. 11-A, ambos da Lei 14.195/2021 (3), não aplicando-os às licenças em matéria ambiental.
STF. Plenário. ADI 6808/DF, relatora Min. Cármen Lúcia, julgamento em 28/4/2022 (Info 1052).
LICENÇAS E AFASTAMENTOS
O servidor público que seja pai solo – de família em que não há a presença materna – faz jus à licença
maternidade e ao salário maternidade pelo prazo de 180 dias, da mesma forma em que garantidos à
mulher pela legislação de regência. A construção interpretativa e jurisprudencial do Tribunal,
acompanhando os avanços da Constituição no campo da justiça social e dos direitos da dignidade da pessoa
humana, passou a legitimar e igualar as diversas configurações de família e filiação. Inclusive, esta Corte tem
reiteradamente realçado que a CF/1988 e o ECA adotaram a doutrina da proteção integral e o princípio da
prioridade absoluta das crianças e dos adolescentes enquanto pessoas em desenvolvimento, devendo-lhes
ser asseguradas todas as condições para uma convivência familiar saudável, harmônica e segura, quer seja o
vínculo familiar biológico ou estabelecido pelos institutos da guarda ou adoção. Assim, embora inexistente
previsão legal, o benefício deve ser excepcionalmente estendido ao pai de família monoparental, em respeito
aos princípios da isonomia de direitos entre o homem e a mulher e da proteção integral à criança, já que
destinado a assegurar o melhor interesse do menor, cujos laços de afetividade com o responsável por sua
criação e educação são formados ainda nos primeiros dias de vida. Com base nesse entendimento, o
Plenário, por unanimidade, ao apreciar o Tema 1.182 da repercussão geral, negou provimento ao recurso
extraordinário. STF. Plenário. RE 1348854/DF, relator Min. Alexandre de Moraes, julgamento finalizado em
12/05/2022 (Info 1054).
DESAPROPRIAÇÃO
Na hipótese de desistência da ação de desapropriação por utilidade pública, face a inexistência de
condenação e de proveito econômico, os honorários advocatícios sucumbenciais observam o valor
atualizado da causa, assim como os limites da Lei das Desapropriações. REsp 1.834.024-MG, Rel. Min.
Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 10/05/2022. (Info 736)
Há violação aos limites das matérias que podem ser discutidas em ação de desapropriação direta
quando se admite o debate - e até mesmo indenização - de área diferente da verdadeiramente
expropriada, ainda que vizinha. REsp 1.577.047-MG, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Turma, por
unanimidade, julgado em 10/05/2022, DJe 25/05/2022. (Info 738)
ACESSO À INFORMAÇÃO
Tese A) O direito de acesso à informação no Direito Ambiental brasileiro compreende: i) o dever de
publicação, na internet, dos documentos ambientais detidos pela Administração não sujeitos a sigilo
(transparência ativa); ii) o direito de qualquer pessoa e entidade de requerer acesso a informações
ambientais específicas não publicadas (transparência passiva); e iii) direito a requerer a produção de
informação ambiental não disponível para a Administração (transparência reativa);
Tese B) Presume-se a obrigação do Estado em favor da transparência ambiental, sendo ônus da
Administração justificar seu descumprimento, sempre sujeita a controle judicial, nos seguintes
termos: i) na transparência ativa, demonstrando razões administrativas adequadas para a opção de
não publicar; ii) na transparência passiva, de enquadramento da informação nas razões legais e
taxativas de sigilo; e iii) na transparência ambiental reativa, da irrazoabilidade da pretensão de
produção da informação inexistente;
Tese C) O regime registral brasileiro admite a averbação de informações facultativas sobre o imóvel,
de interesse público, inclusive as ambientais;
Tese D) O Ministério Público pode requisitar diretamente ao oficial de registro competente a
averbação de informações alusivas a suas funções institucionais. REsp 1.857.098-MS, Rel. Min. Og
Fernandes, Primeira Seção, por unanimidade, julgado em 11/05/2022. (Tema IAC 13) (Info 737)
PRINCÍPIOS
O Decreto presidencial 10.540/2020, que estabelece prazo para que os entes federados promovam
adequação necessária para a integração ao sistema de publicidade de dados, estabelecido pela Lei
Complementar 156/2016, com padrão mínimo de transparência e qualidade, não ofende os princípios
da legalidade, da separação dos Poderes, da reserva de lei complementar, da publicidade, da eficiência
e da impessoalidade.
A Lei de Responsabilidade Fiscal retirou o caráter legal da matéria atinente às normas gerais de contabilidade
pública e delegou ao órgão técnico-burocrático da União a função de harmonização dos ditames contábeis
dos entes da Federação. Dessa forma, o Poder Executivo atuou dentro do campo discricionário que lhe
foi reservado pela lei. Sobre o tema, cumpre ressaltar ser razoável a escolha realizada no decreto
impugnado de estabelecer um novo regime de transição, com a dilação dos prazos, já que o novo padrão
demanda notória expertise técnica. ADPF 763/DF, relator Min. André Mendonça, julgamento virtual finalizado
em 28.10.2022 (sexta-feira), às 23:59. (Info 1074 STF)
É inconstitucional, por violação aos princípios republicano, democrático, da moralidade, da
impessoalidade e da igualdade, lei municipal que concede pensão especial mensal e vitalícia a viúvas
de ex-prefeitos.
Os cargos políticos de chefia do Poder Executivo são exercidos por mandatos temporários e os seus
ocupantes são transitórios, motivo pelo qual a jurisprudência desta Corte é no sentido da inexistência
de qualquer direito ao recebimento de pensão vitalícia por seus ex-ocupantes, nas esferas estadual e
municipal, e por seus respectivos dependentes. A concessão do referido benefício pelo mero exercício de
cargo eletivo implica quebra do tratamento igual que deve ser conferido para pessoas em idênticas
condições jurídico-funcionais. Assim, assegurar a percepção de verba mensal a viúvas de ex-prefeitos
configura condição privilegiada e injustificada em relação aos demais beneficiários do Regime Geral de
Previdência Social (CF/1988, art. 40, § 13, com a redação dada pela EC 103/2019), que atenderam aos
requisitos constitucionais e legais para a concessão de seus benefícios.ADPF 975/CE, relatora Min. Cármen
Lúcia, julgamento virtual finalizado em 7.10.2022 (sexta-feira), às 23:59. (Info 1071 STF)
No exercício do seu poder de autotutela, poderá a Administração Pública rever os atos de concessão
de anistia a cabos da Aeronáutica com fundamento na Portaria n. 1.104/1964, quando se comprovar a
ausência de ato com motivação exclusivamente política, assegurando-se ao anistiado, em
procedimento administrativo, o devido processo legal e a não devolução das verbas já recebidas. MS
18.442DF, Rel. Min. Sérgio Kukina, Primeira Seção, por unanimidade, julgado em 09/11/2022. (Info 756 STJ)
⚠ ATENÇÃO: MUDANÇA DE ENTENDIMENTO
Em anterior apreciação, esta Primeira Seção concedeu a ordem em harmonia com a jurisprudência
então formada, no sentido de que "o direito da Administração de rever portaria concessiva de anistia é limitado
ao prazo decadencial de cinco anos, previsto no art. 54 da Lei n. 9.784/1999, salvo se comprovada a má-fé do
destinatário, hipótese sequer alegada na espécie".
Todavia, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar, sob o regime de repercussão geral (Tema n. 839/STF), o
Recurso Extraordinário 817.338/DF, da relatoria do Ministro Dias Toffoli, assentou compreensão diversa,
declarando que, "no exercício do seu poder de autotutela, poderá a Administração Pública rever os atos de
concessão de anistia a cabos da Aeronáutica com fundamento na Portaria n. 1.104/1964, quando se
comprovar a ausência de ato com motivação exclusivamente política, assegurando-se ao anistiado, em
procedimento administrativo, o devido processo legal e a não devolução das verbas já recebidas", ainda que
transcorrido lapso maior queo quinquênio previsto na LPA.
No exercício de seu poder de autotutela, poderá a Administração Pública rever os atos de concessão
de anistia a cabos da Aeronáutica relativos à Portaria n. 1.104/1964, quando se comprovar a ausência
de ato com motivação exclusivamente política, assegurando-se ao anistiado, em procedimento
administrativo, o devido processo legal e a não devolução das verbas já recebidas.
O Supremo Tribunal Federal efetuou o julgamento do Tema 839 da pauta de repercussão geral, tendo
emitido a tese de que, no exercício de seu poder de autotutela, poderá a Administração Pública rever os atos
de concessão de anistia a cabos da Aeronáutica relativos à Portaria 1.104, editada pelo Ministro de Estado da
Aeronáutica, em 12 de outubro de 1964, quando se comprovar a ausência de ato com motivação
exclusivamente política, assegurando-se ao anistiado, em procedimento administrativo, o devido processo
legal e a não devolução das verbas já recebidas. Cumpre frisar que, no referido julgado, a Corte Suprema
lançou a diretriz de que o decurso do lapso temporal de 5 (cinco) anos não é causa impeditiva bastante para
inibir a Administração Pública de revisar determinado ato, haja vista que a ressalva da parte final da cabeça
do art. 54 da Lei nº 9.784/1999 autoriza a anulação do ato a qualquer tempo, uma vez demonstrada, no
âmbito do procedimento administrativo, com observância do devido processo legal, a má-fé do beneficiário.
No caso, a União manejou recurso extraordinário contra o acórdão que adotou a seguinte linha de
pensamento: "o Ministro de Estado da Justiça expediu a Portaria Ministerial 286, de 28.1.2013, a qual anulou o ato
que concedeu a anistia política. Impõe-se reconhecer a ocorrência da decadência, já que entre a Portaria,
concessiva da anistia, 21, de 8.1.2004 e a Portaria Ministerial, que anulou o ato que concedeu a anistia política da
parte Impetrante, decorreu o lapso temporal quinquenal". Ao que se verifica do cotejo das razões de decidir do
Tema 839/STF com o aresto ora submetido a juízo de retratação, há conclusões dissonantes, pois, enquanto a
tese de repercussão adota o entendimento de que o lapso temporal de cinco anos não impede a revisão do
ato (quando se apurar eventual má-fé) o aresto aplica a decadência ao caso concreto. Ademais, somente com
a apuração administrativa é que se pode ter alguma apreciação originária acerca de eventual ato de má-fé
como afastador de qualquer prazo de revisão da concessão anistiária. Assim, conforme a solução emitida
pela Corte Suprema no Tema 839, no exercício de seu poder de autotutela, poderá a Administração Pública
rever os atos de concessão de anistia a cabos da Aeronáutica relativos à Portaria n. 1.104, editada pelo
Ministro de Estado da Aeronáutica, em 12 de outubro de 1964, quando se comprovar a ausência de ato com
motivação exclusivamente política, assegurando-se ao anistiado, em procedimento administrativo, o devido
processo legal e a não devolução das verbas já recebidas. MS 20.187DF, Rel. Min. Manoel Erhardt
(Desembargador convocado Do TRF5), Primeira Seção, por unanimidade, julgado em 10/08/2022. (Info 744
STJ)
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
É inconstitucional lei estadual que veda ao Poder Executivo e às empresas públicas e de economia
mista, cujo controle acionário pertença ao estado, de assinarem contratos ou outros instrumentos
legais congêneres que viabilizem a transferência do controle técnico, administrativo ou de gestão
compartilhada. ADI 1846/SC, relator Min. Nunes Marques, julgamento virtual finalizado em 21.10.2022
(sexta-feira), às 23:59. (Info 1073 STF)
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) submete-se à disposição contida no art. 8º da Lei n.
12.514/2011, a limitação de execução judicial de anuidades, quando o valor for inferior a R$ 2.500,00
(dois mil e quinhentos reais). AREsp 2.147.187MS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, por
unanimidade, julgado em 08/11/2022. (Info 756 STJ)
aplica-se a prescrição quinquenal do Decreto n. 20.910/1932 às empresas estatais prestadoras de
serviços públicos essenciais, não dedicadas à exploração de atividade econômica com finalidade
lucrativa e natureza concorrencial. REsp 1.635.716DF, Rel. Min. Regina Helena Costa, Primeira Turma, por
unanimidade, julgado em 04/10/2022, DJe 11/10/2022. (Info 753 STJ)
Ao Poder Judiciário não cabe se imiscuir na decisão administrativa da ANAC acerca da realocação de
slots e hotrans (horários de transporte), serviço prestado por empresa aérea em recuperação judicial,
a ponto de impor a observação absoluta do princípio da preservação da empresa, quando inexistirem
vícios objetivos na decisão, mesmo em prejuízos à concorrência do setor e aos usuários do serviço
público concedido. REsp 1.287.461SP, Rel. Min. Og Fernandes, Segunda Turma, por unanimidade, julgado
em 21/06/2022, DJe 30/06/2022. (Info 745 STJ)
PRIVATIZAÇÃO
É constitucional norma estadual que prevê a assunção de obrigações financeiras resultantes de
sentença judicial proferida após a privatização de sociedade de economia mista prestadora de serviço
público pelo respectivo estado. ADI 5271/MA, relatora Min. Rosa Weber, julgamento virtual finalizado em
26.8.2022 (sexta-feira), às 23:59 (Info 1065 STF)
PODERES ADMINISTRATIVOS
É constitucional a instituição do Programa de Monitoramento da Qualidade dos Combustíveis (PMQC)
por normativo da Agência Nacional do Petróleo (ANP), na medida em que o ato regulatório apresenta
correspondência direta com as diretrizes e os propósitos conferidos por sua lei instituidora.
As agências reguladoras, assim como os Poderes, instituições e órgãos do poder público, submetem-se ao
princípio da legalidade (CF/1988, art. 37, caput). (...). ADI 7031/DF, relator Min. Alexandre de Moraes,
julgamento virtual finalizado em 5.8.2022 (sexta-feira), às 23:59. (Info 1062 STF)
É ilegítimo o ato de autoridade que condiciona a liberação de veículo retido por realizar transporte
irregular de passageiros ao pagamento de multa. AgInt no REsp 2.003.502MG, Rel. Ministro Herman
Benjamin, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 24/10/2022, DJe 4/11/2022. (Info 759 STJ)
Não extrapola o poder regulamentar da Administração Pública, ou os princípios que a regem, Decreto
Estadual que dispõe sobre o dever de agentes púbicos disponibilizarem informações sobre seus bens e
evolução patrimonial. AgInt nos EDcl no RMS 55.819MG, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Turma, por
unanimidade, julgado em 08/08/2022, DJe 17/08/2022. (Info 747 STJ)
O oferecimento de denúncia criminal por autoridade que, em razão de suas atribuições legais, seja
obrigada a fazê-lo não a inabilita, só por isso, a desempenhar suas funções como autoridade julgadora
no processo administrativo. RMS 54.717SP, Rel. Min. Sérgio Kukina, Primeira Turma, por unanimidade,
julgado em 09/08/2022. (Info 744 STJ)
INTERVENÇÃO DO ESTADO NA PROPRIEDADE
É cabível a avaliação pericial provisória como condição à imissão na posse nas ações regidas pelo
Decreto-Lei n. 3.365/1941, quando não observados os requisitos previstos no art. 15, § 1.º, do referido
diploma.
Transpondo as regras previstas nos arts. 680 a 685 do CPC/1973 aos processos regidos pelo Decreto-Lei n.
3.365/1941, o que se vê é que o procedimento de avaliação do bem, conforme o antigo Código,
apresentava-se em breve contraditório, e por isso as partes auxiliariam o avaliador na aquilatação do bem,
quando então, depois da manifestação de todos esses sujeitos processuais, o magistrado poderia determinar
a complementação do valor ofertado inicialmente. Desse modo, a correta leitura da cabeça do art. 15 do
Decreto-Lei n. 3.365/1941 deve ser a de que, regra geral, para haver a imissão provisória na posse o
ente público interventor deve cumulativamente:
(a) alegar urgência; e
(b) depositar a quantia apurada, mediante contraditório, em avaliação prévia, da qual pode resultar inclusive
a complementação da oferta inicial.
Essa regra geral pode ceder espaço, contudo, a procedimento de que não participao proprietário do bem.
Nesse sentido, a imissão provisória na posse pode ser feita, sem a oitiva do proprietário, e sem a
avaliação prévia, desde que:
(a) seja depositado o preço oferecido, sendo este superior a vinte vezes o valor locativo do imóvel sujeito a
IPTU;
(b) seja depositada a quantia correspondente a vinte vezes o valor locativo do imóvel sujeito a IPTU, se o
preço for menor;
(c) seja depositado o valor cadastral do imóvel, para fins de lançamento do IPTU, caso tenha havido
atualização no ano fiscal imediatamente anterior; OU
(d) se não tiver havido essa atualização, o juiz fixará o valor a ser depositado tendo em conta a época em que
houver sido fixado originalmente o valor cadastral e a valorização ou desvalorização posterior do imóvel.
Assim, o contraditório do proprietário do bem é dispensado apenas se o ente público interventor
cumpre algum desses requisitos, que basicamente se bipartem em duas ordens:
1. A oferta inicial deve ser superior a vinte vezes o preço locativo e, caso não seja, isso deve ser
complementado (hipótese da alínea "b"); ou
2. A oferta deve ser correspondente ao valor cadastral do imóvel, desde que atualizado no ano fiscal anterior
ao da propositura da demanda, e se não tiver havido a atualização será o juiz quem fixará o valor do
depósito.
Dessa maneira, ressalvadas as hipóteses do art. 15, § 1.º, do Decreto-Lei n. 3.365/1941, é de rigor a
observância da regra geral prevista na cabeça do preceito, a fim de que se condicione a imissão do
desapropriante, ou, como no caso, do dominante, na posse do bem imóvel. Para além disso, as hipóteses que
dispensam o contraditório, com perícia provisória e prévia, devem seguir estritamente o que consignado no
texto legal. Portanto, tratando-se de hipótese de intervenção limitativa do direito de propriedade, e não
de intervenção supressiva, a oferta indenizatória, caso comprovado o prejuízo, não imporá à
concessionária a obrigação de pagar o montante como se fosse pela propriedade inteira, antes lhe
autorizando a abater as depreciações do bem e a proceder com os descontos de direito. Contudo,
havendo a limitação, o valor da indenização, e da oferta inicial, há observar como parâmetro aqueles
vetores estabelecidos no parágrafo primeiro do art. 15, de maneira que se não houver, é de rigor o
indeferimento da imissão possessória. É cabível a avaliação pericial provisória como condição à imissão na
posse nas ações regidas pelo Decreto-Lei n. 3.365/1941, quando não observados os requisitos previstos no
art. 15, § 1.º, do referido diploma. AREsp 1.674.697RJ, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma,
por maioria, julgado em 08/11/2022. (Info 756 STJ)
A faixa não edificável às margens de ferrovia, prevista na Lei n. 6.766/1979, se inicia ao final da faixa
de domínio. REsp 1.997.590PE, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, por unanimidade,
julgado em 04/10/2022, DJe 06/10/2022. (Info 752 STJ)
CONTROLE ADMINISTRATIVO
Nas hipóteses em que não haja exercício do controle de legalidade por Tribunal de Contas, o prazo
decadencial quinquenal previsto no art. 54 da Lei n. 9.784/1999 transcorre a partir da edição do ato
pela Administração. AgInt no AREsp 1.761.417RS, Rel. Min. Manoel Erhardt (Desembargador convocado do
TRF da 5ª Região), Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 20/06/2022, DJe 23/06/2022. (Info 750 STJ)
ATO ADMINISTRATIVO
Não é possível a condenação de prefeito ao ressarcimento de valores despendidos na realização dos
trabalhos desenvolvidos com vista à elaboração de Projeto de Lei, na hipótese em que o ato
administrativo encaminhado à Câmara Municipal desconsidera a legislação vigente, e é praticado com
desvio de finalidade. AREsp 1.408.660SP, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Turma, por unanimidade,
julgado em 16/08/2022. (Info 745 STJ)
DIREITO AMBIENTAL
SANEAMENTO BÁSICO
É constitucional o novo Marco Legal do Saneamento Básico. A Lei nº 14.026/2020, fundamentada nos
arts. 21, XX, 22, XXVII, e 23, IX, da Constituição Federal, possibilitou a formação de arranjos federativos
de contratação pública compatíveis com a autoadministração dos municípios. Embora a organização
das atividades continue sob a titularidade dos Municípios, o planejamento das políticas de saneamento é o
resultado da deliberação democrática em dois níveis, o Plano federal e o Plano estadual ou regional, não
havendo, assim, se falar em violação à autonomia municipal. Da mesma forma, não ocorre ofensa ao
princípio federativo em decorrência da nova redação do art. 50 da Lei nº 11.445/2007, a qual determina os
requisitos de conformidade regulatória esperados dos Municípios, do Distrito Federal e dos Estados, para
que façam jus às transferências voluntárias, onerosas e não onerosas, provenientes da União. Trata-se de
mecanismo de compliance e o condicionamento da destinação de recursos federais via transferências
voluntárias pode ocorrer, inclusive, por pactuação contratual, sendo desnecessária a existência de lei
disciplinadora das condições para a percepção das dotações. Ademais, a exclusão do contrato de programa
para a execução dos serviços públicos de saneamento básico a partir da promulgação da Lei nº 14.026/2020,
representa uma afetação proporcional à autonomia negocial dos municípios, em prol da realização de
objetivos setoriais igualmente legítimos. Essa proibição ocorre no mesmo ritmo da opção legislativa pela
delegação sob o modelo de concessão, que, além de proteger a segurança jurídica com a continuidade dos
serviços, estipula metas quanto à população atendida pela distribuição de água (99% da população) e pelo
esgotamento sanitário (90% da população), visa a fomentar a concorrência para os mercados e a aumentar a
eficiência na prestação dos serviços. STF. Plenário. ADI 6492/DF, ADI 6536/DF, ADI 6583/DF e ADI 6882/DF,
Rel. Min. Luiz Fux, julgados em 2/12/2021 (Info 1040).
PROIBIÇÃO DO RETROCESSO AMBIENTAL
É inconstitucional a revogação da Resolução do Conama que protegia o meio ambiente sem que ela
seja substituída ou atualizada por outra que também garanta proteção. Tema já apreciado no Info
1000-STF. A revogação de normas operacionais fixadoras de parâmetros mensuráveis necessários ao
cumprimento da legislação ambiental, sem sua substituição ou atualização, compromete a observância da
Constituição Federal, da legislação vigente e de compromissos internacionais. STF. Plenário. ADPF 747/DF e
STF. Plenário. ADPF 749/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 13/12/2021 (Info 1041).
É inconstitucional a Resolução CONAMA 500/2020.
O poder normativo atribuído ao Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) pela respectiva lei
instituidora consiste em instrumento para viabilizar, ao agente regulador, a implementação das diretrizes,
finalidades, objetivos e princípios expressos na Constituição e na legislação ambiental, orientando-se
necessariamente de modo compatível com a ordem constitucional de proteção do patrimônio ambiental.
Assim, a mera revogação de normas operacionais fixadoras de parâmetros mensuráveis necessários ao
cumprimento da legislação ambiental, sem sua substituição ou atualização, compromete a observância do
texto constitucional, da legislação vigente e de compromissos internacionais.
No caso, a Resolução CONAMA 500/2020 revogou as Resoluções CONAMA 284/2001, 302/2002 e 303/2002, as
quais dispõem, respectivamente, sobre (i) licenciamento de empreendimentos de irrigação; (ii) parâmetros,
definições e limites de Áreas de Preservação Permanente de reservatórios artificiais e o regime de uso do
entorno; e (iii) parâmetros, definições e limites de Áreas de Preservação Permanente.
Nesse contexto, ao revogar normativa necessária e primária de proteção ambiental na seara hídrica, o ato
normativo impugnado implicou evidente retrocesso na proteção e defesa dos direitos fundamentais à vida, à
saúde e ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, pois revela autêntica situação de degradação de
ecossistemas essenciais à preservação da vidasadia, comprometimento da integridade de processos
ecológicos essenciais e perda de biodiversidade, assim como o recrudescimento da supressão de cobertura
vegetal em áreas legalmente protegidas. ADPF 748/DF, relatora Min. Rosa Weber, julgamento virtual
finalizado em 20.5.2022. (Info 1055)
É constitucional a Resolução CONAMA 499/2020.
Ao disciplinar condições, critérios, procedimentos e limites a serem observados no licenciamento de fornos
rotativos de produção de clínquer para a atividade de coprocessamento de resíduos, a Resolução atende não
apenas à exigência de estudo prévio de impacto ambiental para a instalação de atividade potencialmente
causadora de degradação do meio ambiente, como também à obrigação imposta ao Poder Público de
controlar o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de
vida e o meio ambiente.
Além disso, sua disciplina guarda consonância com a Lei 12.305/2020, que institui a Política Nacional de
Resíduos Sólidos, muito bem observando os critérios de razoabilidade e proporcionalidade nela positivados
como princípios setoriais. ADPF 748/DF, relatora Min. Rosa Weber, julgamento virtual finalizado em
20.5.2022. (Info 1055)
COMPETÊNCIAS
É inconstitucional lei estadual que legitime ocupações em solo urbano de área de preservação
permanente (APP) fora das situações previstas em normas gerais editadas pela União. Os arts. 2º, III; 3º,
II, “c”; e 17, da Lei nº 20.922/2013, do Estado de Minas Gerais, ampliaram os casos de ocupação antrópica em
áreas de preservação permanente previstos na norma federal vigente à época (no caso, a Lei nº 11.977/2009,
revogada pela Lei nº 13.465/2017). Com isso, essa lei estadual, além de estar em descompasso com o
conjunto normativo elaborado pela União, flexibilizou a proteção ao meio ambiente local, tornando-o mais
propenso a sofrer danos. A legislação mineira, ao flexibilizar os casos de ocupação antrópica em áreas de
Preservação Permanente, invadiu a competência da União, que já havia editado norma que tratava da
regularização e ocupação fundiária em APPs. STF. Plenário. ADI 5675/MG, Rel. Min. Ricardo Lewandowski,
julgado em 17/12/2021 (Info 1042).
É inconstitucional — por invadir a competência legislativa geral da União (CF/1988, art. 24, VI, §§ 1º e
2º) e violar o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado (CF/1988, art. 225, § 1º, IV) — norma
estadual que cria dispensa do licenciamento ambiental para atividade potencialmente causadora de
significativa degradação do meio ambiente. ADI 4529/MT, relatora Min. Rosa Weber, julgamento virtual
finalizado em 21.11.2022 (segunda-feira), às 23:59, (Info 1076 STF)
RESPONSABILIDADE CIVIL
Súmula 652-STJ: A responsabilidade civil da Administração Pública por danos ao meio ambiente,
decorrente de sua omissão no dever de fiscalização, é de caráter solidário, mas de execução
subsidiária. STJ. 1ª Seção. Aprovada em 02/12/2021, DJe 06/12/2021.
Sob a vigência da Lei n. 4.771/1965, é lícita a queima da palha de cana-de-açúcar em atividades
agroindustriais, desde que devidamente autorizada pelo órgão ambiental competente e com a
observância da responsabilidade civil por eventuais danos de qualquer natureza causados ao meio
ambiente ou a terceiros. REsp 1.443.290-GO, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, por
unanimidade, julgado em 19/04/2022, DJe 28/04/2022. (Info 734)
A indenização de dano ambiental deve abranger a totalidade dos danos causados, não sendo
possível ser decotadas em seu cálculo despesas referentes à atividade empresarial (impostos e
outras). REsp 1.923.855-SC, Rel. Min. Francisco Falcão, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em
26/04/2022, DJe 28/04/2022. (Info 734)
A omissão na fiscalização e mitigação dos danos ambientais enseja a imposição judicial de obrigações
positivas para o Município a fim de solucionar o problema cuja extensão temporal e quantitativa
revela afronta à dimensão ecológica da dignidade humana. AREsp 2.024.982-SP, Rel. Min. Og Fernandes,
Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 14/06/2022, DJe 24/06/2022. (Info 742)
A responsabilidade civil por dano ambiental é objetiva e solidária. E, nos casos em que o Poder Público
concorre para o prejuízo por omissão, a sua responsabilidade solidária é de execução subsidiária (ou
com ordem de preferência). AREsp 1.756.656SP, Rel. Min. Francisco Falcão, Segunda Turma, por
unanimidade, julgado em 18/10/2022, DJe 21/10/2022. (Info 758 STJ)
COMPOSIÇÃO DOS ÓRGÃOS AMBIENTAIS
São inconstitucionais as normas que, a pretexto de reestruturarem órgãos ambientais, afastam a
participação da sociedade civil e dos governadores do desenvolvimento e da formulação de políticas
públicas, bem como reduzem, por via de consequência, o controle e a vigilância por eles promovidos. A
Constituição Federal confere ao Poder Público e à coletividade o dever de preservar e defender o meio
ambiente. A responsabilidade da coletividade só existe se a ela for viabilizada a participação na formulação,
execução e controle das políticas públicas ambientais, razão pela qual a Constituição também teve o cuidado
de estabelecer o dever de o Poder Público promover a educação ambiental, em todos os níveis de ensino, e a
conscientização pública para a necessidade de preservação do meio ambiente (CF, art. 225, § 1º, VI). Nesse
sentido, as medidas de proteção ambiental devem se orientar para acolher a participação da
sociedade civil. Nesse contexto, a eliminação da presença de seus representantes na composição de órgãos
ambientais exclui a coletividade da atuação cívica das políticas adotadas, bem como confere ao Poder
Executivo o controle exclusivo de suas decisões, neutralizando o caráter plural, crítico e diversificado da
formulação, desempenho e controle social, que, por definição constitucional, caracteriza condição inerente à
atuação desses órgãos. Com base nesses entendimentos, o Plenário, por maioria, julgou procedente a ação
para declarar a inconstitucionalidade do art. 5º do Decreto 10.224/2020, que extinguiu a participação da
sociedade civil no Conselho Deliberativo do Fundo Nacional do Meio Ambiente; e (ii) declarar a
inconstitucionalidade do Decreto 10.239/2020, especificamente no ponto em que excluída a participação de
governadores no Conselho. Nacional da Amazônia Legal; e do inciso CCII do art. 1º do Decreto 10.223/2020,
especificamente no ponto em que se extinguiu o Comitê Orientador do Fundo Amazônia. STF. ADPF 651/DF,
relatora Min. Cármen Lúcia, julgado em 28/4/2022 (Info 1052).
Ainda é constitucional a Resolução 491/2018 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que
dispõe sobre padrões de qualidade do ar. Entretanto, nova norma deve ser editada. Mantém-se a
constitucionalidade da resolução haja vista o cotejo das teses trazidas na inicial com a jurisprudência desta
Corte. Ademais, quando editada, a regulação consistiu em avanço, de forma razoável, no tratamento da
matéria. A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece que, embora suas diretrizes sejam
pensadas para o uso mundial, os padrões locais podem variar de acordo com abordagens específicas para o
equilíbrio de riscos à saúde, viabilidade tecnológica, considerações econômicas e outros fatores políticos e
sociais. Apesar disso, a resolução está em trânsito para a inconstitucionalidade e precisa ser aperfeiçoada.
Logo, o Conama deve editar norma atualizada tendo em conta os novos parâmetros de qualidade do ar
recomendados pela OMS. Com esses entendimentos, o Plenário, por maioria, conheceu de ação direta de
inconstitucionalidade e julgou improcedente o pedido nela formulado, para declarar ser ainda constitucional
a Resolução 491/2018-Conama e determinar que, no prazo de 24 meses a contar da publicação do acórdão, o
Conama edite nova resolução sobre a matéria, a qual deverá levar em consideração: (i) as atuais orientações
da OMS sobre os padrões adequados da qualidade do ar; (ii) a realidade nacional e as peculiaridades locais;
bem como (iii)os primados da livre iniciativa, do desenvolvimento social, da redução da pobreza e da
promoção da saúde pública. Decorrido o prazo de vinte e quatro meses concedido, sem a edição de novo ato
que represente avanço material na política pública relacionada à qualidade do ar, passarão a vigorar os
parâmetros estabelecidos pela OMS enquanto perdurar a omissão administrativa na edição da nova
resolução. Vencidos os ministros Cármen Lúcia (relatora), Edson Fachin, Roberto Barroso e Rosa Weber. STF.
Plenário. ADI 6148/DF, relatora Min. Cármen Lúcia, redator do acórdão Min. André Mendonça, julgado em
04/05/2022
LICENCIAMENTO AMBIENTAL
É inconstitucional interpretação do art. 264 da Constituição do Estado do Ceará de que decorra a
supressão da competência dos Municípios para regular e executar o licenciamento ambiental de
atividades e empreendimentos de impacto local.
Cabe aos municípios promover o licenciamento ambiental das atividades ou empreendimentos que
possam causar impacto ambiental de âmbito local. Com amparo nas regras de repartição de
competências, o entendimento desta Corte se firmou no sentido de que o município é competente para
legislar sobre o meio ambiente com a União e o estado no limite do seu interesse local e desde que tal
regramento seja harmônico com a disciplina estabelecida pelos demais entes federados (CF/1988, art. 24, VI
c/c o art. 30, I e II). A Política Nacional do Meio Ambiente, estabelecida pela Lei 6.938/1981,
expressamente prevê que dependem de licenciamento ambiental a construção, a instalação, a
ampliação e o funcionamento de estabelecimentos e atividades utilizadores de recursos ambientais,
efetiva ou potencialmente poluidores ou capazes de causar degradação ambiental sob qualquer
forma. Nesse contexto, o conjunto normativo e a jurisprudência acerca do tema reforçam a referida
competência municipal e a sua importância. ADI 2142/CE, relator Min. Roberto Barroso, julgamento virtual
finalizado em 24.6.2022 (sexta-feira), às 23:59. (Info 1060 STF)
DIREITO CIVIL
PESSOAS JURÍDICAS
A Cooperativa de Trabalho Médico pode limitar, justificada e objetivamente, o ingresso de médicos em
seus quadros. Diante do híbrido regime jurídico ao qual as Cooperativas de Trabalho Médico estão sujeitas
(Lei nº 5.764/71 e Lei nº 9.656/98), é juridicamente legítima a limitação, de forma impessoal e objetiva, do
número de médicos cooperados, tendo em vista o mercado para a especialidade e o necessário equilíbrio
financeiro da cooperativa. A interpretação harmônica das duas leis de regência consolida o interesse público
que permeia a atuação das cooperativas médicas e viabiliza a continuidade das suas atividades, mormente ao
se considerar a responsabilidade solidária existente entre médicos cooperados e cooperativa e o possível
desamparo dos beneficiários que necessitam do plano de saúde. Assim, é admissível a recusa de novos
associados se for atingida a capacidade máxima de prestação de serviços pela cooperativa, o que deve ser
aferido por critérios objetivos e verossímeis. Neste caso, a recusa é legítima porque a entrada de novos
sócios pode comprometer o equilíbrio econômico-financeiro da cooperativa, impedindo-a de cumprir sua
finalidade. O princípio da porta aberta (livre adesão) não é absoluto, devendo a cooperativa de trabalho
médico, que também é uma operadora de plano de saúde, velar por sua qualidade de atendimento e
situação financeira estrutural, até porque pode ser condenada solidariamente por atos danosos de
cooperados a usuários do sistema (a exemplo de erros médicos), o que impossibilitaria a sua viabilidade de
prestação de serviços. STJ. 3ª Turma. REsp 1.901.911/SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em
24/8/2021. STJ. 4ª Turma. REsp 1.396.255-SE, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 07/12/2021 (Info 723).
É inconstitucional o condicionamento da desfiliação de associado à quitação de débito referente a
benefício obtido por intermédio da associação ou ao pagamento de multa.
Condicionar a desfiliação de associado à quitação de débitos e/ou multas constitui ofensa à dimensão
negativa do direito à liberdade de associação (direito de não se associar), cuja previsão constitucional é
expressa. É possível, em tese, restringir um direito fundamental em três situações:
(a) em razão de seu desenho constitucional, quando a própria Constituição prevê limitação para o seu
exercício;
(b) em virtude de expressa autorização na Carta Magna para que o legislador ordinário limite o seu exercício
mediante regulamentação legal; ou
(c) em decorrência de uma ponderação com outros valores que possuam igual proteção constitucional.
Na hipótese, nenhuma dessas situações se faz presente, de modo que inexiste violação à isonomia entre os
associados. Isso porque (a) a Constituição Federal garante o amplo exercício da liberdade associativa,
restringindo somente a criação daquelas de caráter paramilitar; e (b) considerados os instrumentos próprios
do direito civil, não há princípio ou regra constitucional passíveis de serem invocados em favor da medida
objeto de análise. No entanto, a associação pode se valer dos instrumentos de direito para cobrar eventuais
compensações ou multas em face de quem a ela se filia para obter benefícios, mas, após, dela se desliga,
desde que o valor guarde razoabilidade e proporcionalidade. RE 820823/DF, relator Min. Dias Toffoli,
julgamento virtual finalizado em 30.9.2022 (sexta-feira) às 23:59. Tema 922 da Repercussão Geral. (Info 1070
STF).
É inválida a cobrança taxa de manutenção de loteamento fechado - por administradora constituída
sob a forma de associação, de proprietários de lote não associados ou que a ela não anuíram
expressamente - às relações jurídicas constituídas antes da entrada em vigor da Lei n. 13.465/2017 ou
de anterior lei municipal. REsp 1.991.508-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade,
julgado em 09/08/2022, DJe 12/08/2022. (Info 746 STJ)
BEM DE FAMÍLIA
A penhorabilidade de bem de família pertencente a fiador de contrato de locação também se aplica no
caso de locação de imóvel comercial.
Mudança de entendimento! É constitucional a penhora de bem de família pertencente a fiador de contrato
de locação, seja residencial, seja comercial. STF. Plenário. RE 1.307.334/SP, Rel. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 8/3/2022 (Repercussão Geral – Tema 1127) (Info 1046).
O benefício da impenhorabilidade do bem de família deve ser concedido ainda que o imóvel tenha
sido adquirido no curso da demanda executiva, salvo na hipótese do art. 4º da Lei 8.009/90. Para o bem
de família instituído nos moldes da Lei nº 8.009/90, a proteção conferida pelo instituto alcançará todas as
obrigações do devedor, indistintamente, ainda que o imóvel tenha sido adquirido no curso de uma demanda
executiva. STJ. 4ª Turma. REsp 1.792.265-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 14/12/2021 (Info 723).
Admite-se a penhora do bem de família para saldar o débito originado de contrato de empreitada
global celebrado para promover a construção do próprio imóvel. Exemplo hipotético: João tinha um
terreno vazio e contratou uma construtora para edificar uma casa no local. O contrato celebrado foi do tipo
“empreitada global”, ou seja, a empresa foi contratada para construir a casa fornecendo todo o material
necessário. A casa foi entregue, mas João deixou de pagar as últimas parcelas do contrato. Diante disso, a
empresa ajuizou execução contra o devedor e o juiz determinou a penhora da casa, mesmo sendo bem de
família. Isso é permitido com base na inciso II do art. 3º da Lei nº 8.009/90: Art. 3º A impenhorabilidade é
oponível em qualquer processo de execução civil, fiscal, previdenciária, trabalhista ou de outra natureza,
salvo se movido: (...) II - pelo titular do crédito decorrente do financiamento destinado à construção ou à
aquisição do imóvel, no limite dos créditos e acréscimos constituídos em função do respectivo contrato; O
intuito do legislador ao prever a exceçãolegal ora tratada foi o de evitar que aquele que contribuiu para a
aquisição ou construção do imóvel ficasse impossibilitado de receber o seu crédito. Nesse cenário, é nítida a
preocupação do legislador no sentido de impedir a deturpação do benefício legal, vindo a ser utilizado como
artifício para viabilizar a aquisição, melhoramento, uso, gozo e/ou disposição do bem de família sem
nenhuma contrapartida, à custa de terceiros. STJ. 3ª Turma. REsp 1.976.743-SC, Rel. Min. Nancy Andrighi,
julgado em 08/03/2022 (Info 728).
É impenhorável o bem de família oferecido como caução em contrato de locação comercial. Assunto já
apreciado no Info 683-STJ. Exemplo hipotético: em um contrato de locação comercial de terceiro, Ricardo
ofereceu sua casa como caução (garantia) da relação locatícia (art. 37, I, da Lei nº 8.245/91). O terceiro
(locatário) não pagou os aluguéis e o locador executou o locatário e Ricardo pedindo a penhora da casa
objeto da caução. Ocorre que se trata de bem de família onde Ricardo reside. Será possível a penhora? Não.
As hipóteses excepcionais nas quais o bem de família pode ser penhorado estão previstas,
taxativamente, no art. 3º da Lei nº 8.009/90. Tais hipóteses não admitem interpretação extensiva. O
escopo da Lei nº 8.009/90 não é proteger o devedor contra suas dívidas, mas sim a entidade familiar no seu
conceito mais amplo, razão pela qual as hipóteses permissivas da penhora do bem de família, em virtude do
seu caráter excepcional, devem receber interpretação restritiva. A caução levada a registro, embora constitua
garantia real, não encontra previsão em qualquer das exceções contidas no art. 3º da Lei nº 8.009/90,
devendo, em regra, prevalecer a impenhorabilidade do imóvel, quando se tratar de bem de família. Assim,
não é possível a penhora do bem de família mesmo que o proprietário tenha oferecido o imóvel como caução
em contrato de locação. STJ. 4ª Turma. REsp 1.789.505-SP, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 22/03/2022 (Info
732).
O imóvel dado em caução em contrato de locação comercial, que pertence a determinada
sociedade empresária e é utilizado como moradia por um dos sócios, recebe a proteção da
impenhorabilidade de bem de família. O art. 37 da Lei n. 8.245/1991 estipula as seguintes garantias que
o locatário pode prestar em contrato de locação: caução, fiança, seguro de fiança locatícia e cessão fiduciária
de quotas de fundos de investimentos. Por sua vez, o art. 3º, VII, da Lei n. 8.009/1990 afasta expressamente a
proteção da impenhorabilidade do bem de família em caso de obrigação decorrente de fiança concedia em
contrato de locação. Com efeito, as exceções à regra da impenhorabilidade do bem de família são taxativas,
não cabendo, portanto, interpretações extensivas (REsp 1.887.492/SP, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira
Turma, julgado em 13/4/2021, DJe 15/4/2021). Assim, a jurisprudência desta Corte Superior firmou-se no
sentido de que a exceção prevista no art. 3º, VII, da Lei n. 8.009/1990 não se aplica à hipótese de caução
oferecida em contrato de locação. A finalidade da Lei n. 8.009/1990 é proteger a residência do casal ou da
entidade familiar por dívidas contraídas pelos "cônjuges ou pelos pais ou filhos que sejam seus proprietários
e nele residam" (art. 1º, caput). Constitui, portanto, em corolário da dignidade da pessoa humana e tem o
condão de proteger o direito fundamental à moradia (arts. 1º, III, e 6º da Constituição Federal).
Assim, o imóvel no qual reside o sócio não pode, em regra, ser objeto de penhora pelo simples fato de
pertencer à pessoa jurídica, ainda mais quando se trata de sociedades empresárias de pequeno porte. Em
tais situações, mesmo que no plano legal o patrimônio de um e outro sejam distintos - sócio e sociedade -, é
comum que tais bens, no plano fático, sejam utilizados indistintamente pelos dois.
Nesse contexto, se a lei tem por escopo a ampla proteção ao direito de moradia, o fato de o imóvel ter sido
objeto de caução, não retira a proteção somente porque pertence à pequena sociedade empresária. Caso
contrário, haveria o esvaziamento da salvaguarda legal e daria maior relevância do direito de crédito em
detrimento da utilização do bem como residência pelo sócio e por sua família. REsp 1.935.563-SP, Rel. Min.
Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 03/05/2022. (Info 735)
É válida a penhora do bem de família de fiador apontado em contrato de locação de imóvel, seja
residencial, seja comercial, nos termos do inciso VII, do art. 3º da Lei n. 8.009/1990. REsp 1.822.040-PR,
Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Segunda Seção, por unanimidade, julgado em 08/06/2022. (Tema 1091) (Info
740)
O terreno cuja unidade habitacional está em fase de construção, para fins de residência, está
protegido pela impenhorabilidade por dívidas, por se considerar antecipadamente bem de família.
REsp 1.960.026-SP, Rel. Min. Marco Buzzi, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 11/10/2022. (Info 753
STJ)
AUSÊNCIA
Se o ausente tem mais de 80 anos e há mais de 5 anos não se tem notícias dele, será possível requerer
diretamente a sucessão definitiva, sem necessidade de sucessão provisória. Exemplo: Roberto está
desaparecido há 20 anos, sem qualquer notícia sobre seu paradeiro. Se Roberto estiver vivo, ele já tem mais
de 80 anos de idade. Regina é irmã e única herdeira de Roberto. Ela ajuizou ação declaratória de ausência. O
juiz deferiu o pedido, declarou que Roberto está ausente e nomeou Regina como curadora dos seus bens.
Passado 1 ano, Regina requereu a abertura da sucessão definitiva, pedindo a aplicação do art. 38 do CC/2002:
Art. 38. Pode-se requerer a sucessão definitiva, também, provando-se que o ausente conta oitenta anos de
idade, e que de cinco datam as últimas notícias dele. O juiz indeferiu o pedido afirmando o seguinte, antes da
sucessão definitiva, o correto seria a decretação da sucessão provisória e, ultrapassado o prazo legal, pedir a
sucessão definitiva. Não seria possível requerer diretamente a sucessão definitiva. O art. 38 do CC somente
se aplica para a conversão de sucessão provisória em sucessão definitiva. O STJ não concordou com essa
interpretação. A regra do art. 38 do CC traz uma hipótese autônoma de abertura da sucessão definitiva, que
ocorre de forma direta e que não depende da existência, ou não, de sucessão provisória. É dispensável a
abertura da sucessão provisória quando presentes os requisitos da sucessão definitiva previstos no
art. 38 do CC. Não se afigura razoável o entendimento de que o herdeiro de um octogenário desaparecido há
mais de cinco anos precisa, obrigatoriamente, passar pela fase da abertura de sucessão provisória, com
todos os seus expressivos prazos, diante de uma hipótese em que é absolutamente presumível a morte do
autor da herança. STJ. 3ª Turma. REsp 1.924.451-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 19/10/2021 (Info
716).
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS
O termo inicial da prescrição da pretensão dos herdeiros ao arbitramento dos honorários
advocatícios, não pagos ao de cujus que renunciara ao mandato, conta-se da data da renúncia ou
revogação. Exemplo: João contratou Rui (advogado) para propor e acompanhar uma ação de indenização.
Vale ressaltar que não foi formalizado um contrato, tendo sido o ajuste verbal. O advogado elaborou e
protocolou a petição inicial da ação. Ocorre que durante a tramitação do processo, João e Dr. Rui se
desentenderam e o patrono renunciou ao mandato outorgado. Isso ocorreu em 02/02/2015. João não pagou
os honorários devidos a Rui pelo trabalho realizado. Em 03/03/2018, Rui faleceu. Os herdeiros de Rui desejam
ajuizar uma ação de arbitramento dos honorários advocatícios não pagos contra João a fim de receberem o
valor que seria devido ao seu pai. STJ. 3ª Turma. REsp 1.745.371-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Rel.
Acd. Min. Nancy Andrighi, julgado em 26/10/2021 (Info 716).
É cabível a pactuação da verba honorária contratual no bojo do próprio instrumento de mandato. O
advogadoda parte vencedora pode pedir ao juiz para que os honorários contratuais sejam “destacados”
(reservados, separados) do valor que o seu cliente irá receber da Fazenda Pública. Ex.: João (cliente) e Rui
(advogado) combinaram que o profissional, como remuneração pelo seu trabalho, teria direito a 20% do
valor que a parte fosse receber da União caso se sagrasse vencedora na lide. Essa verba constitui-se em
honorários advocatícios contratuais. Em caso de procedência do pedido na ação, o advogado pode pedir que
essa quantia seja destacada do montante principal que a parte irá receber, nos termos do art. 22, § 4º, da Lei
nº 8.906/94: Art. 22. (...) § 4º Se o advogado fizer juntar aos autos o seu contrato de honorários antes de
expedir-se o mandado de levantamento ou precatório, o juiz deve determinar que lhe sejam pagos
diretamente, por dedução da quantia a ser recebida pelo constituinte, salvo se este provar que já os pagou. É
possível que essa combinação entre o advogado e o cliente seja feita na própria procuração, não se exigindo
um instrumento contratual autônomo. Assim, se esse ajuste constou na procuração, o advogado pode pedir
o destaque juntando apenas esse instrumento. STJ. 1ª Turma. REsp 1.818.107-RJ, Rel. Min. Sérgio Kukina,
julgado em 07/12/2021 (Info 721).
CURATELA
O laudo médico, previsto no art. 750 do CPC/2015 como necessário à propositura da ação de
interdição, pode ser dispensado na hipótese em que o interditando resiste em se submeter ao exame.
Caso concreto: Regina é filha de João e cuida do seu pai idoso e enfermo. Com o objetivo de melhor gerenciar
os atos da vida civil de seu genitor, Regina propôs ação de interdição com pedido de tutela provisória de
curatela. Ocorre que o seu pai se nega a realizar tratamento com especialista. Assim, Regina não conseguiu
juntar o laudo médico necessário para a ação de interdição (art. 750). O art. 750 do CPC ressalva,
expressamente, a possibilidade de o laudo médico ser dispensado na hipótese em que for impossível
colacioná-lo à petição inicial: “O requerente deverá juntar laudo médico para fazer prova de suas alegações
ou informar a impossibilidade de fazê-lo.” No caso, a justificativa apresentada para a ausência do laudo é
plausível. Vale ressaltar que a juntada do laudo médico na petição inicial não tem a finalidade de substituir a
prova pericial que ainda será produzida em juízo, conforme expressamente prevê o art. 753 do CPC/2015.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.933.597-RO, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 26/10/2021 (Info 717).
PRESCRIÇÃO
Prescreve em 1 ano a pretensão relativa a contrato de transporte terrestre de cargas. Incide o prazo de
prescrição anual às pretensões relativas ao contrato de transporte terrestre de cargas antes e depois da
vigência do Código Civil de 2002. STJ. 3ª Turma. REsp 1.448.785-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado
em 26/10/2021 (Info 717).
A interrupção da prescrição ocorre somente uma única vez para a mesma relação jurídica, isto é,
independentemente de seu fundamento. Exemplo hipotético: Montago Ltda deveria pagar, em setembro
de 2012, R$ 300 mil à Galícia Comércio Ltda. Essa quantia estava materializada em três duplicatas mercantis
de R$ 100 mil cada. Não houve pagamento na data do vencimento. Logo, iniciou-se a contagem do prazo
prescricional para a credora exigir o pagamento da quantia. Em outubro de 2012, a credora (Galícia) levou as
duplicatas a protesto. Isso interrompeu a prescrição (art. 202, III, do CC). Em dezembro de 2014, a devedora
(Montago) ajuizou, contra a credora, ação declaratória de inexigibilidade dos débitos. O pedido foi julgado
improcedente. Isso, em tese, tem o condão de interromper a prescrição. No entanto, no caso concreto, essa
ação não teve o condão de interromper porque a prescrição já havia sido interrompida uma vez antes e o art.
202 do CC somente admite uma única interrupção da prescrição. Em suma: não é possível a interrupção do
prazo prescricional em razão do ajuizamento de ação declaratória de inexigibilidade dos débitos pelo
devedor quando já tenha havido anterior interrupção do prazo prescricional pelo protesto das duplicatas. STJ.
3ª Turma. REsp 1.963.067-MS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 22/02/2022 (Info 727).
O art. 200 do CC/2002 assegura que o prazo prescricional não comece a fluir antes do trânsito em
julgado da sentença penal, independentemente do resultado da ação na esfera criminal. Art. 200.
Quando a ação se originar de fato que deva ser apurado no juízo criminal, não correrá a prescrição
antes da respectiva sentença definitiva. Exemplo hipotético: em 2010, “P” praticou estupro, sem violência
real, contra “T”. Em 2012, o Ministério Público ofereceu denúncia contra “P”. Em 2014, o processo penal foi
extinto sob o argumento de que o MP seria parte ilegítima porque não houve representação, conforme se
exigia antes da Lei nº 13.718/2018. Logo em seguida, “T” (a vítima) ajuizou ação de indenização por danos
morais contra “P”. Mesmo já tendo passado três anos do fato (art. 206, § 3º V, do CC), não houve prescrição.
Isso porque o prazo prescricional somente se iniciou com o trânsito em julgado da sentença do processo
penal. STJ. 3ª Turma. REsp 1.987.108-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 29/03/2022 (Info 732).
O prazo prescricional para propor ação de petição de herança conta-se da abertura da sucessão.
Processo sob segredo judicial, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, Segunda Seção, por maioria, julgado em
26/10/2022. (Info 757 STJ)
Em ação indenizatória que se origina de alegado ilícito concorrencial, uma vez verificada inexistência
de decisão do CADE sobre a formação de cartel, o prazo prescricional é de três anos art. 206, § 3º, V,
CC/2002 e o termo inicial para sua contagem é a data da ciência do fato danoso. REsp 1.971.316SP, Rel.
Min. Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 25/10/2022. (Info 756 STJ).
Em razão do princípio da unicidade da interrupção prescricional, mesmo diante de uma hipótese
interruptiva extrajudicial (protesto de título) e outra em decorrência de ação judicial de cancelamento
de protesto e título executivo, apenas admite-se a interrupção do prazo pelo primeiro dos eventos.
REsp 1.786.266-DF, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em
11/10/2022. (Info 754 STJ)
A propositura da ação revisional pelo devedor interrompe o prazo prescricional para o ajuizamento da
ação executiva. REsp 1.956.817-MS, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, por unanimidade,
julgado em 14/06/2022, DJe 17/06/2022. (Info 743 STJ)
PRISÃO CIVIL
A prisão civil do devedor de alimentos pode ser excepcionalmente afastada, quando a técnica de
coerção não se mostrar a mais adequada e eficaz para obrigá-lo a cumprir suas obrigações. No caso
concreto, o STJ decidiu afastar a prisão civil com base nas seguintes particularidades: (i) o credor é maior de
idade, com formação superior e inscrito no respectivo conselho de classe; (ii) o devedor de alimentos está
com a saúde física e psicológica fragilizada, razão pela qual não consegue manter regularidade no exercício
de atividade laborativa; e (iii) a dívida se prolongou no tempo e se tornou gravoso exigir todo seu montante
para afastar o decreto de prisão. De acordo com o quadro fático delineado, a medida extrema da prisão civil,
no caso, não vai conseguir compelir o devedor a cumprir a obrigação alimentar na medida em que, pelo
menos desde 2017, nada foi pago ao credor, mesmo com a ameaça concreta de sua constrição, com a
expedição do mandado de prisão civil em 2019, que só não foi efetivada em virtude da pandemia causada
pelo Covid-19. A medida coativa extrema, no caso concreto, revela-se desnecessária e ineficaz, pois o risco
alimentar e a própria sobrevivência do credor, não se mostram iminentes e insuperáveis, podendo ele, por si
só, como vem fazendo, afastar a hipótese pelo próprio esforço. STJ. 3ª Turma. RHC 160.368-SP, Rel. Min.
Moura Ribeiro, julgadoem 05/04/2022 (Info 733).
CLÁUSULA PENAL
Caso CBF e Marfrig: contrato de patrocínio da Seleção Brasileira de Futebol. Caso concreto: a CBF e a
Marfrig celebraram contrato de patrocínio que tinha previsão de anos de vigência. Ocorre que a empresa
deixou de efetuar os pagamentos, tendo ocorrido a resolução do ajuste. Havia, no contrato, cláusula penal
prevendo o pagamento de multa de 20%. O STJ não aceitou a sua redução, com base nos seguintes
fundamentos: A cláusula penal possui natureza mista, ou híbrida, agregando, a um só tempo, as funções de
estimular o devedor ao cumprimento do contrato e de liquidar antecipadamente o dano. A jurisprudência do
STJ tem admitido o controle judicial do valor da multa compensatória pactuada, sobretudo quando esta se
mostrar abusiva, para evitar o enriquecimento sem causa de uma das partes, sendo impositiva a sua redução
quando houver adimplemento parcial da obrigação. Não é necessário que a redução da multa, na
hipótese de adimplemento parcial da obrigação, guarde correspondência matemática exata com a
proporção da obrigação cumprida, sobretudo quando o resultado final ensejar o desvirtuamento da
função coercitiva da cláusula penal. No caso concreto, a cláusula penal tinha preponderantemente função
coercitiva, de modo que ela não poderia ser reduzida ao valor de uma única prestação ao fundamento de
que essa seria a quantia que mais se aproximava do prejuízo suportado pela autora. Quando na estipulação
da cláusula penal prepondera a finalidade coercitiva, a diferença entre o valor do prejuízo efetivo e o
montante da pena não pode ser novamente considerada para fins de redução da multa convencional com
fundamento na segunda parte do art. 413 do Código Civil. A preponderância da função coercitiva da cláusula
penal justifica a fixação de uma pena elevada para a hipótese de rescisão antecipada, especialmente para o
contrato de patrocínio, em que o tempo de exposição da marca do patrocinador e o prestígio a ela atribuído
acompanham o grau de desempenho da equipe patrocinada. Em tese, não se mostra excessiva a fixação da
multa convencional no patamar de 20% sobre o valor total do contrato de patrocínio, de modo a evitar que,
em situações que lhe pareçam menos favoráveis, o patrocinador opte por rescindir antecipadamente o
contrato. Deve-se considerar ainda que a cláusula penal está inserida em contrato empresarial firmado entre
empresas de grande porte, tendo por objeto valores milionários, inexistindo assimetria entre os contratantes
que justifique a intervenção em seus termos, devendo prevalecer a autonomia da vontade e a força
obrigatória dos contratos. STJ. 3ª Turma. REsp 1.803.803-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em
09/11/2021 (Info 717).
ARBITRAGEM
Não é aceitável que a parte provoque a manifestação do juízo arbitral e, depois de obter o
pronunciamento acerca da matéria, venha a pleitear a nulidade da decisão ao argumento de que não
poderia ter enfrentado o tema. Caso concreto: foi instaurado procedimento de arbitragem no qual a
prestadora de serviços demanda valores ilíquidos que seriam devidos por uma empresa que está em
recuperação judicial. Essa empresa alegou que o juízo arbitral não seria competente para apreciar a causa
porque os créditos cobrados pela prestadora seriam concursais. O juízo arbitral refutou o argumento dizendo
que os créditos eram extraconcursais e que o juízo arbitral tinha competência. A empresa ajuizou ação de
nulidade afirmando que só o juízo estatal da recuperação judicial poderia dizer se o crédito perseguido é, ou
não, extraconcursal. O juízo arbitral não poderia ter entrado nessa discussão. A ação de nulidade foi julgada
improcedente. O juízo arbitral se manifestou sobre a natureza extraconcursal do crédito em cobrança como
resposta à arguição da própria empresa autora. Se a competência do juízo arbitral foi questionada com
fundamento na concursalidade do crédito, era óbvio que o juízo arbitral precisava enfrentar esse argumento
para decidir sobre a sua competência. STJ. 3ª Turma. REsp 1.953.212-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
26/10/2012 (Info 717).
A impugnação ao cumprimento de sentença arbitral, devido à ocorrência dos vícios elencados no art.
32 da Lei nº 9.307/96, possui prazo decadencial de 90 dias. Tema já apreciado nos Infos 691 e 709-STJ A
declaração de nulidade da sentença arbitral pode ser pleiteada, judicialmente, por duas vias: a) ação
declaratória de nulidade de sentença arbitral (art. 33, § 1º, da Lei nº 9.307/96); ou b) impugnação ao
cumprimento de sentença arbitral (art. 33, § 3º, da Lei nº 9.307/96). O § 1º do art. 33 prevê um prazo de 90
dias para ajuizar a ação de declaração de nulidade. O § 3º do mesmo artigo não prevê prazo. Diante disso,
indaga-se: o prazo de 90 dias do § 1º do art. 33 também se aplica para a hipótese do § 3º? A impugnação ao
cumprimento de sentença arbitral também deve ser apresentada no prazo de 90 dias? Depende: • se a parte
executada quiser alegar algum dos vícios do art. 32 da Lei nº 9.307/96: ela possui o prazo de 90 dias. Assim,
se já tiver se passado 90 dias da notificação da sentença, ela não poderá apresentar impugnação alegando
um dos vícios do art. 32. A escolha entre a ação de nulidade e a impugnação ao cumprimento de sentença em
nada interfere na cristalização ou não da decadência, de modo que, escoado o prazo de 90 dias para o
ajuizamento da ação de nulidade, não poderá a parte suscitar as hipóteses de nulidade previstas no art. 32
da Lei de Arbitragem pela via da impugnação. • Mesmo que já tenha se passado o prazo de 90 dias, a parte
ainda poderá alegar uma das matérias do § 1º do art. 525 do CPC. Não é cabível a impugnação ao
cumprimento da sentença arbitral, com base nas nulidades previstas no art. 32 da Lei nº 9.307/96, após o
prazo decadencial nonagesimal. STJ. 3ª Turma. REsp 1.900.136/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
06/04/2021 (Info 691). STJ. 3ª Turma. REsp 1.862.147-MG, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em
14/09/2021 (Info 709). STJ. 3ª Turma. REsp 1.928.951-TO, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 15/02/2022
(Info 727).
RESPONSABILIDADE CIVIL E INTERNET
Condomínio responde pelos danos causados por funcionário do condomínio que, em seu período de
folga, mas em razão do seu trabalho, pegou o carro do condomínio e causou danos. O condomínio
edilício responde pelos danos causados por seus empregados mesmo que fora do horário de expediente,
desde que em razão do seu trabalho. No caso concreto, o evento danoso ocorreu com a participação do
empregado do condomínio, tendo em vista que o empregado permaneceu no trabalho e lá mesmo se
embebedou, além de ter se locupletado da informação adquirida em função de seu emprego para ingressar
no veículo e causar o dano. A situação se enquadra no art. 932, III, do Código Civil. Trata-se de
responsabilidade objetiva do empregador, ou seja, independentemente de culpa. STJ. 3ª Turma. REsp
1.787.026-RJ, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 26/10/2021 (Info 717).
Não se pode impor a provedores de buscas a obrigação genérica de desindexar resultados obtidos a
partir do arquivo ilicitamente divulgado na internet. Não é possível impor a provedores de aplicações de
pesquisa na internet o ônus de instalar filtros ou criar mecanismos para eliminar de seu sistema a exibição de
resultados de links contendo o documento supostamente ofensivo. STJ. 3ª Turma. REsp 1.593.249-RJ, Rel. Min.
Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 23/11/2021 (Info 719).
Provedor de e-mail não é obrigado a guardar e-mails que foram deletados Provedor de e-mail não
pode ser responsabilizado pelo fato de um hacker, ao conseguir acessar a conta de e-mail do usuário,
ter subtraído as criptomoedas que ele possuía. Provedor de e-mail não é obrigado a guardar e-mails que
foram deletados Não há previsão legal atribuindo aos provedores de aplicações que oferecem serviços de
email o dever de armazenar as mensagens recebidas ou enviadas pelo usuárioe que foram deletadas. O
Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014) não impõe esse dever aos provedores de email. Provedor de
e-mail não pode ser responsabilizado pelo fato de um hacker, ao conseguir acessar a conta de e-mail do
usuário, ter subtraído as criptomoedas que ele possuía O provedor de aplicações que oferece serviços de
e-mail não pode ser responsabilizado pelos danos materiais decorrentes da transferência de bitcoins
realizada por hacker. O usuário teve a sua conta de e-mail invadida por um hacker, que também acessou a
sua carteira de bitcoins e transferiu as criptomoedas para a conta de outro usuário. Não se pode atribuir ao
Gmail a responsabilidade por tais danos materiais porque, ainda que a gerenciadora adote o sistema de
dupla autenticação, qual seja, digitação da senha e envio, via e-mail, do link de acesso, a simples entrada
neste é insuficiente para propiciar o ingresso na carteira virtual e, consequentemente, a transação das
criptomoedas. Logo, a ausência de nexo causal entre o dano e a conduta do Gmail obsta a atribuição a esta
da responsabilidade pelo prejuízo material experimentado pelo usuário. STJ. 3ª Turma. REsp 1.885.201-SP,
Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 23/11/2021 (Info 719).
Os provedores de conexão à internet devem guardar para eventualmente fornecer, mediante ordem
judicial, os dados cadastrais dos usuários. Os provedores de conexão à internet devem fornecer os dados
cadastrais (nome, endereço, RG e CPF) dos usuários responsáveis por publicação de vídeos no Youtube com
ofensas à memória de pessoa falecida. Os provedores são obrigados a guardar os DADOS PESSOAIS do
usuário? • Provedores de conexão à internet: SIM (devem guardar os dados pessoais). • Provedores de
aplicações de internet: NÃO (basta armazenarem o IP). STJ. 4ª Turma. REsp 1.914.596-RJ, Rel. Min. Luis Felipe
Salomão, julgado em 23/11/2021 (Info 720).
Não se aplica o art. 21 do Marco Civil da Internet para os casos de divulgação não autorizada de
imagens de nudez produzidas para fins comerciais. Se o provedor de aplicações (exs: Facebook,
Instagram, Youtube) disponibilizar conteúdo gerado por terceiros e a postagem feita causar prejuízos a
alguém (ex: ofensa à honra), o que deve ser feito para a remoção do material? Exige-se autorização judicial
para a remoção do conteúdo? • Regra geral: SIM (exige-se ordem judicial). É a regra do art. 19 do MCI.
● Exceção: se houver divulgação de imagens, vídeos ou outros materiais contendo cenas de nudez ou
de atos sexuais de caráter privado (exposição pornográfica não consentida). Neste caso, basta que
o provedor seja notificado extrajudicialmente. É o que prevê o art. 21. Caso concreto: “F”, modelo,
realizou ensaio fotográfico de nudez para uma revista masculina. Ocorre que ela passou a encontrar suas
fotos de nudez em blogs hospedados pela Google sem que tivesse autorizado. Ela fez então a notificação
extrajudicial da Google para a retirada dos materiais dos blogs. O STJ decidiu que, neste caso, não era
suficiente a notificação, sendo necessária a ordem judicial. Em outras palavras, não se aplica o art. 21,
sendo situação que se amolda ao art. 19. Para a aplicação do art. 21 é indiscutível que a nudez e os atos
de conteúdo sexuais envolvam inerentes à intimidade das pessoas, de modo reservado, particular e
privativo. Nem toda divulgação indevida de material de nudez ou de conteúdo sexual atrai a regra do art.
21, mas apenas aquele que apresenta, intrinsecamente, uma natureza privada. O ensaio fotográfico de
nudez realizado especificamente para sua exploração econômica por revista adulta, voltada para público
seleto mediante pagamento pelo acesso no seu website, não pode mesmo ser definido como de caráter
privado. STJ. 3ª Turma. REsp 1.930.256-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, relator p/ acórdão Min. Marco Aurélio
Bellizze, julgado em 07/12/2021 (Info 721).
É possível, com fundamento no art. 22 do MCI, a requisição de fornecimento dos nomes ou domínios
das empresas que patrocinam links na ferramenta “Google Ads” relacionados à determinada
expressão? Tendo em vista a obrigação legal de guarda de registros de conexão e de acesso a aplicações de
internet, é possível, desde que preenchidos os requisitos legais, impor aos provedores o dever de fornecer os
nomes ou domínios das sociedades empresárias que patrocinam links na ferramenta “Google Ads”
relacionados à determinada expressão utilizada de forma isolada ou conjunta, pois tal medida representa
mero desdobramento daquelas obrigações. O provedor de internet deve manter armazenados os registros
relativos a patrocínio de links em serviços de busca pelo período de 6 (seis) meses contados do fim do
patrocínio e não da data da contratação. STJ. 3ª Turma. REsp 1.961.480-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado
em 07/12/2021 (Info 721).
Provedor de aplicação deve remover conteúdo ofensivo a menor na internet, mesmo sem ordem
judicial. Para atender ao princípio da proteção integral, é dever do provedor de aplicação de internet
proceder à retirada de conteúdo que viola direitos de crianças e adolescentes assim que for
comunicado do caráter ofensivo da publicação, independentemente de ordem judicial. Caso concreto:
foi feito um post, no Facebook, trazendo a foto de uma criança com seu pai e uma acusação, no texto, de que
este último (o genitor), teria envolvimento com pedofilia e estupro. O pai denunciou o fato à empresa, que,
no entanto, se recusou a excluir a publicação, sob o argumento de ter analisado a foto e não haver
encontrado nela nada que violasse os “padrões de comunidade” da rede social. Diante disso, foi ajuizada
ação de indenização por danos morais, tendo o Facebook sido condenado. O provedor de aplicação que se
nega a excluir publicação ofensiva a pessoa menor de idade, mesmo depois de notificado – e ainda que sem
ordem judicial –, deve ser condenado a indenizar os danos causados à vítima. A divulgação da foto do menor
sem autorização de seus representantes legais, vinculada a conteúdo impróprio, em total desacordo com a
proteção conferida pelo ECA, representou grave violação do direito à preservação da imagem e da
identidade. O ECA possui caráter “especialíssimo” e prevalece como sistema protetivo, em detrimento da lei
que rege o serviço de informação prestado pelo provedor de internet. Dessa forma, no caso julgado, não
pode haver aplicação isolada do art. 19 do Marco Civil da Internet, que condiciona a responsabilização civil do
provedor ao prévio descumprimento de ordem judicial. Em suma: responde civilmente por danos morais o
provedor de aplicação de internet que, após formalmente comunicado de publicação ofensiva a imagem de
menor, se omite na sua exclusão, independentemente de ordem judicial. STJ. 4ª Turma. REsp 1.783.269-MG,
Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 14/12/2021 (Info 723).
É descabido imputar ao banco responsabilidade por reparar danos morais suportados por clientes que
tiveram seus nomes citados em reportagem feita por jornal que relatava supostas fraudes na
concessão de empréstimos. Caso adaptado: João, agricultor, obteve um financiamento agrícola com o
Banco do Brasil em um programa de crédito chamado de PROAGRO. Passado algum tempo, o Jornal Diário da
Serra publicou reportagem narrando que estariam ocorrendo fraudes no PROAGRO e que João seria uma das
pessoas envolvidas porque beneficiada com um empréstimo neste programa. João ajuizou ação de
indenização contra o Banco do Brasil afirmando que a instituição seria a responsável pelos danos morais a si
causados. O STJ afirmou inexistir responsabilidade do banco nesse caso. É descabido reputar à instituição
financeira, que foi mencionada em matéria jornalística retratando fatos que lhe eram desabonadores,
responsabilidade por reparar danos morais suportados por clientes que tiveram seus nomes citados nessa
mesma reportagem. STJ. 3ª Turma. REsp 1.761.078-MS, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em
22/02/2022 (Info 727).
Ação de indenização deLula contra Deltan Dallagnol (entrevista do PowerPoint). O excesso no exercício
do direito de informar é capaz de gerar dano moral ao denunciado quando o membro do Ministério Público
comete abusos ao divulgar, na mídia, o oferecimento da denúncia criminal. STJ. 4ª Turma. REsp 1.842.613-SP,
Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 22/03/2022 (Info 730).
Montadora convidou jornalista para lançamento de seu novo veículo, tendo se comprometido a pagar
a passagem aérea, o transporte terrestre e a hospedagem; no trajeto para o evento, houve um
acidente e o jornalista faleceu; a montadora tem responsabilidade objetiva. A empresa que expede
convites a jornalistas para a cobertura e divulgação de seu evento, ou seja, em benefício de sua atividade
econômica, e se compromete a prestar o serviço de transporte destes, responde objetivamente pelos
prejuízos advindos de acidente automobilístico ocorrido quando de sua prestação. A responsabilidade
objetiva é baseada na teoria do risco prevista no parágrafo único do art. 927 do Código Civil: Art. 927 (...)
Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados
em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco
para os direitos de outrem. STJ. 3ª Turma. REsp 1.717.114-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em
29/03/2022 (Info 731).
Em tese, é possível que um advogado seja responsabilizado caso cometa algum excesso em sua
manifestação profissional. Excessos cometidos pelo advogado não podem ser cobertos pela imunidade
profissional, sendo em tese possível a responsabilização civil ou penal do causídico pelos danos que provocar
no exercício de sua atividade. STJ. 3ª Turma. REsp 1.731.439-DF, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado
em 05/04/2022 (Info 732).
Terceiro ofensor também está sujeito à eficácia transubjetiva das obrigações, haja vista que seu
comportamento não pode interferir indevidamente na relação, perturbando o normal desempenho da
prestação pelas partes, sob pena de se responsabilizar pelos danos decorrentes de sua conduta.
Processo sob segredo de justiça, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, por unanimidade,
julgado em 26/04/2022, DJe 29/04/2022. (Info 734)
São critérios que indicam a tendência de adoção excepcional do viés subjetivo da teoria da actio nata:
a) a submissão da pretensão a prazo prescricional curto; b) a constatação, na hipótese concreta, de
que o credor tinha ou deveria ter ciência do nascimento da pretensão, o que deve ser apurado a partir
da boa-fé objetiva e de standards de atuação do homem médio; c) o fato de se estar diante de
responsabilidade civil por ato ilícito absoluto; e d) a expressa previsão legal a impor a aplicação do
sistema subjetivo. REsp 1.836.016-PR, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Rel. Acd. Min. Nancy Andrighi,
Terceira Turma, por maioria, julgado em 10/05/2022. (Info 736)
É imprescindível perícia técnica para quantificar dano moral, ante divulgação não autorizada de obra,
reconhecido em título executivo em que se determina que seja considerada a repercussão
econômica do ilícito. REsp 1.983.290-SP, Rel. Min. Moura Ribeiro, Terceira Turma, por maioria, julgado
em 26/04/2022. (Info 734)
A) É presumido, em regra, o rateio em partes iguais do numerário mantido em conta corrente
conjunta solidária quando inexistente previsão legal ou contratual de responsabilidade solidária dos
correntistas pelo pagamento de dívida imputada a um deles.
B) Não será possível a penhora da integralidade do saldo existente em conta conjunta solidária no
âmbito de execução movida por pessoa (física ou jurídica) distinta da instituição financeira
mantenedora, sendo franqueada aos cotitulares e ao exequente a oportunidade de demonstrar os
valores que integram o patrimônio de cada um, a fim de afastar a presunção relativa de rateio. REsp
1.610.844-BA, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Corte Especial, por unanimidade, julgado em 15/06/2022. (Tema
IAC 12) (Info 741)
Não se aplica a teoria da perda de uma chance para responsabilizar empresa que deixou de
apresentar seus livros societários em prazo hábil para subsidiar impugnação de alegada doação
inoficiosa por um de seus sócios, na hipótese de não restar comprovado o nexo de causalidade entre o
extravio dos livros e as chances de vitória na demanda judicial.
(...) Na perda de uma chance, há prejuízo certo, e não apenas hipotético, situando-se a certeza na
probabilidade de obtenção de um benefício frustrado por força do evento danoso imputado. Repara-se a
chance perdida, e não o dano final. (...) Os pressupostos para o reconhecimento da responsabilidade civil por
perda de uma chance, no caso concreto, foram bem sintetizados no acórdão de origem: "(i) a viabilidade e a
probabilidade de sucesso de futura ação declaratória de nulidade de doações inoficiosas; (ii) a viabilidade e a
probabilidade de sucesso de futura ação de sonegados; (iii) a existência de nexo de causalidade entre o extravio de
dois livros e as chances de vitória nas demandas judiciais." REsp 1.929.450-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso
Sanseverino, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 18/10/2022. (Info 754 STJ)
A concessionária de rodovia não deve ser responsabilizada por roubo com emprego de arma de fogo
cometido contra seus usuários em posto de pedágio.
As pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviço público possuem responsabilidade
objetiva pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de
regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa, nos termos do que dispõe o art. 37, § 6º, da
Constituição Federal. A jurisprudência desta Corte Superior pacificou-se no sentido de que a concessionária
que administra rodovia mantém relação consumerista com os respectivos usuários, o que também atrai a
responsabilidade objetiva. Contudo, não há como responsabilizar a concessionária de rodovia pelo roubo
com emprego de arma de fogo cometido contra seus respectivos usuários, por se tratar de nítido fortuito
externo (fato de terceiro), o qual rompe o nexo de causalidade, nos termos do art. 14, § 3º, inciso II, do Código
de Defesa do Consumidor. Com efeito, o dever da concessionária de garantir a segurança e a vida dos
cidadãos que transitam pela rodovia diz respeito a aspectos relacionados à própria utilização da
estrada de rodagem, como, por exemplo, manter sinalização adequada, evitar animais na pista,
buracos ou outros objetos que possam causar acidentes, dentre outros, não se podendo exigir que a
empresa disponibilize segurança armada na respectiva área de abrangência, ainda que no posto de
pedágio, para evitar o cometimento de crimes. A causa do evento danoso - roubo com emprego de
arma de fogo - não apresenta qualquer conexão com a atividade desempenhada pela concessionária,
estando fora dos riscos assumidos na concessão da rodovia, que diz respeito apenas à manutenção e
administração da estrada, sobretudo porque a segurança pública é dever do Estado. REsp 1.872.260-SP,
Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 04/10/2022, DJe 07/10/2022.
(Info 752 STJ)
Em partida de futebol, se houver tumulto causado por artefatos explosivos jogados contra a torcida
visitante, o time mandante deve responder pelos danos causados aos torcedores. REsp 1.773.885-SP,
Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 30/08/2022. (Info 747 STJ)
Incide a Súmula n. 326/STJ, segundo a qual "[n]a ação de indenização por dano moral, a condenação
em montante inferior ao postulado na inicial não implica sucumbência recíproca", no caso de
discrepância entre o valor indicado no pedido e o quantum arbitrado na condenação, não havendo
falar em sucumbência dos autores da demanda, vencedores em seu pedido indenizatório. REsp
1.837.386-SP, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 16/08/2022.para local diverso de onde ele
morava, o seu cônjuge/companheiro – que também for servidor público – ficará de licença de seu órgão de
origem e poderá exercer provisoriamente atividade compatível com seu cargo em órgão ou entidade da
Administração Federal no local para onde se mudou. Trata-se do chamado exercício provisório. O art. 69 da
Lei nº 11.440/2006 proibiu, nas unidades administrativas do Ministério das Relações Exteriores no exterior, o
exercício provisório. Assim, o servidor público cônjuge de diplomata, oficial ou assistente de chancelaria não
poderia ter direito à licença remunerada do § 2º do art. 84 da Lei nº 8.112/90. O STF decidiu que essa vedação
do art. 69 da Lei nº 11.440/2006 é inconstitucional porque: • confere tratamento anti-isonômico injustificável;
• viola a especial proteção constitucional da família; • a possibilidade de exercício provisório também gera
benefícios para a Administração Pública. STF. Plenário. ADI 5355/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 10 e
11/11/2021 (Info 1038).
É inconstitucional a vinculação de reajuste de vencimentos de servidores públicos estaduais ou
municipais a índices federais de correção monetária. Caso concreto: a Lei estadual nº 8.278/2004, do
Mato Grosso, previu que um dos requisitos para que haja a revisão anual dos servidores públicos estaduais é
a constatação de que houve perdas salariais resultantes de desvalorização do poder aquisitivo da moeda,
medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), índice de inflação calculado pelo IBGE
(fundação federal). Para o STF, essa previsão é inconstitucional por violar a autonomia dos entes federados e
o art. 37, XIII, da CF/88. Esse tema está pacificado pelo STF na SV 42: É inconstitucional a vinculação do
reajuste de vencimentos de servidores estaduais ou municipais a índices federais de correção monetária. STF.
Plenário. ADI 5584/MT, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 3/12/2021 (Info 1040).
Não se admite a concessão do Adicional de Compensação por Disponibilidade Militar no percentual
máximo estabelecido pela Lei 13.954/2019 a todos os integrantes das Forças Armadas, com
fundamento no princípio da isonomia. Contraria o disposto na Súmula Vinculante 37 a extensão, pelo
Poder Judiciário e com fundamento no princípio da isonomia, do percentual máximo previsto para o Adicional
de Compensação por Disponibilidade Militar, previsto na Lei 13.954/2019, a todos os integrantes das Forças
Armadas. STF. Plenário. ARE 1341061/SC, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 15/10/2021 (Repercussão Geral -
Tema 1175) (Info 1043).
Se o indivíduo, apesar de ser titular de serventia não estatizada, receber remuneração dos cofres
públicos, estará sujeito à aposentadoria compulsória. O STF, ao julgar o RE 647827/PR (Tema 571) fixou a
seguinte tese: Não se aplica a aposentadoria compulsória prevista no art. 40, § 1º, II, da CF aos titulares de
serventias judiciais não estatizadas, desde que não sejam ocupantes de cargo público efetivo e não recebam
remuneração proveniente dos cofres públicos. No caso concreto, o STJ reconheceu que o impetrante estava
sujeito à aposentadoria compulsória porque ele se enquadrava na parte final da tese acima exposta. Apesar
de o indivíduo ser titular de serventia não estatizada, ele recebia remuneração dos cofres públicos.
Desse modo, estava sujeito à aposentadoria compulsória aos 75 anos. STJ. 2ª Turma. RMS 57.258-GO, Rel.
Min. Herman Benjamin, julgado em 16/11/2021 (Info 718).
A norma de edital que impede a participação de candidato em processo seletivo simplificado em razão
de anterior rescisão de contrato por conveniência administrativa fere o princípio da razoabilidade.
Caso concreto: em 2012, após processo seletivo, João foi contratado como servidor temporário (art. 37, IX, da
CF/88) para prestar serviços como inspetor penitenciário. Em 2014, foi exonerado por “conveniência
administrativa”, não tendo recebido, contudo, qualquer punição durante o tempo em que exerceu suas
funções. Em 2019, o Estado instaurou processo seletivo simplificado para novamente contratar servidores
temporários para exercerem as funções de inspetor penitenciário. João se inscreveu e foi aprovado. A
despeito disso, não pode ser contratado por conta da vedação constante no item 11.8 do edital, que dizia o
seguinte: “11.8. O candidato que houver sido contratado ou nomeado anteriormente pela SEJUS e que tiver
sido exonerado, ou tiver tido o contrato rescindido por conveniência administrativa e/ou ato motivado pela
Corregedoria e/ou por determinação judicial, será automaticamente eliminado do processo seletivo.” Impedir
que o candidato participe do processo seletivo simplificado porque, há alguns anos, seu contrato foi
rescindido por conveniência administrativa, equivale a impedir, hoje, a sua participação na seleção por mera
conveniência administrativa, o que viola o princípio da isonomia e da impessoalidade. STJ. 2ª Turma. RMS
67.040-ES, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 23/11/2021 (Info 719).
O servidor público reintegrado não faz jus ao recebimento das parcelas remuneratórias referentes ao
auxílio-transporte e ao adicional de insalubridade pelo período em que esteve indevidamente
afastado do cargo público. Servidor público que havia sido demitido e que foi reintegrado, terá direito ao
recebimento retroativo dos vencimentos, férias indenizadas e auxílio-alimentação. Por outro lado, não terá
direito ao retroativo de auxílio-transporte e adicional de insalubridade. STJ. 1ª Turma. REsp
1.941.987-PR, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 07/12/2021 (Info 722).
A progressão funcional não está elencada no rol de proibições do art. 22, parágrafo único, da LRF
(limite prudencial). É ilegal o ato de não concessão de progressão funcional de servidor público, quando
atendidos todos os requisitos legais, a despeito de superados os limites orçamentários previstos na Lei de
Responsabilidade Fiscal, referentes a gastos com pessoal de ente público, tendo em vista que a progressão é
direito subjetivo do servidor público, decorrente de determinação legal, estando compreendida na exceção
prevista no inciso I do parágrafo único do art. 22 da Lei Complementar n. 101/2000. STJ. 1ª Seção. REsp
1.878.849-TO, Rel. Min. Manoel Erhardt (Desembargador Convocado do TRF da 5ª região), julgado em
24/02/2022 (Recurso Repetitivo – Tema 1075) (Info 726).
Servidor admitido sem concurso antes da promulgação da CF, ainda que beneficiado pela estabilidade
excepcional do art. 19 do ADCT, não pode ser reenquadrado em novo Plano de Cargos, Carreiras e
Remuneração previsto para servidores efetivos. É vedado o reenquadramento, em novo Plano de Cargos,
Carreiras e Remuneração, de servidor admitido sem concurso público antes da promulgação da Constituição
Federal de 1988, mesmo que beneficiado pela estabilidade excepcional do artigo 19 do ADCT, haja vista
que esta regra transitória não prevê o direito à efetividade, nos termos do artigo 37, II, da Constituição
Federal e decisão proferida na ADI 3609 (Rel. Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, DJe. 30/10/2014). STF.
Plenário. ARE 1306505/AC, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 28/3/2022 (Repercussão Geral – Tema
1157) (Info 1048).
A Lei 19.569/16, de Goiás, exigia que o servidor fizesse opção formal para ser enquadrado no novo
regime remuneratório; se o servidor não fez essa opção, não se pode dizer que o administrador tenha
praticado ato ilegal ao não reenquadrá-lo. Não havendo pleito optativo por inativos nos termos da Lei nº
19.569/2016 do Estado de Goiás, não há ilegalidade em não reposicioná-los com base nos parâmetros da
nova estrutura funcional inaugurada pela referida lei. STJ. 1ª Turma. RMS 64.121-GO, Rel. Min. Sérgio Kukina,
julgado em 22/03/2022 (Info 730).
Bolsa de desempenho é uma verba paga aos servidores do Estado da Paraíba; por ter natureza propter
laborem, não é devida aos aposentados. A bolsa de desempenho instituída pela Lei nº 9.383/2011 do
Estado da Paraíba possui natureza propter laborem(Info 746 STJ)
ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA
É necessária a juntada do original do título de crédito na ação de busca e apreensão ajuizada em
virtude do inadimplemento de contrato de financiamento garantido por alienação fiduciária. Exemplo:
João queria comprar um carro de R $100 mil, mas só tinha R $40 mil. Diante disso, ele procurou o banco para
obter um empréstimo de R $60 mil. A instituição financeira aceitou emprestar a quantia, no entanto, exigiu
que o negócio fosse assim materializado: i) João deveria emitir uma cédula de crédito bancário em favor da
BV; ii) o carro adquirido deveria ficar em nome da BV como garantia em alienação fiduciária. Como João se
tornou inadimplente, o banco ajuizou ação de busca e apreensão contra ele. É indispensável que o autor
junte o original do título de crédito (no caso, a cédula de crédito bancário). Isso porque, se o bem não for
encontrado, a busca e apreensão se converterá em execução e na execução é indispensável, como regra, a
juntada do título original. Obs: a cédula de crédito pode ser emitida de forma cartular (“em papel”) ou
escritural (eletrônica). Se a CCB for escritural, por óbvio, não há que se falar em juntada do original já que não
é um documento físico. STJ. 3ª Turma. REsp 1.946.423-MA, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 09/11/2021
(Info 717).
Locatário do imóvel objeto da alienação fiduciária em garantia não tem que pagar taxa de ocupação
ao credor fiduciário que teve a propriedade consolidada em suas mãos. O locatário do imóvel cuja
propriedade foi consolidada nas mãos do credor fiduciário diante da inadimplência do devedor fiduciante
(antigo locador do bem) não é parte legítima para responder pela taxa de ocupação, prevista no art. 37-A da
Lei nº 9.514/97, por não fazer parte da relação jurídica que fundamenta a cobrança da taxa em questão.
Exemplo hipotético: Pedro (devedor fiduciante) alugou o imóvel objeto da alienação fiduciária para Carlos.
Pedro não pagou as prestações do mútuo ao banco e houve a consolidação da propriedade em nome do
credor fiduciário (instituição financeira). O banco não pode cobrar a taxa de ocupação de Carlos. STJ. 4ª
Turma. REsp 1.966.030-SP, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado em 23/11/2021 (Info 720).
O atraso do banco em baixar gravame de alienação fiduciária no registro do veículo não gera dano
moral in re ipsa, sendo indispensável demonstrar que houve consequências que ultrapassem os
aborrecimentos normais. O atraso, por parte de instituição financeira, na baixa de gravame de alienação
fiduciária no registro de veículo não caracteriza, por si só, dano moral in re ipsa. STJ. 2ª Seção. REsp
1881453-RS, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 30/11/2021 (Recurso Repetitivo – Tema 1078) (Info
721).
O credor fiduciário de bem imóvel que tem um título executivo em seu favor pode optar por propor a
execução extrajudicial da Lei 9.514/97 ou ajuizar ação de execução. Ao credor fiduciário é dada a
faculdade de executar a integralidade de seu crédito judicialmente, desde que o título que dá lastro à
execução esteja dotado de todos os atributos necessários (liquidez, certeza e exigibilidade). O credor de
dívida garantida por alienação fiduciária de imóvel não está obrigado a promover a execução extrajudicial de
seu crédito na forma determinada pela Lei nº 9.514/97. A constituição de garantia fiduciária como pacto
adjeto ao financiamento instrumentalizado por meio de Cédula de Crédito Bancário em nada modifica o
direito do credor de optar por executar o seu crédito de maneira diversa daquela estatuída na Lei nº 9.514/97
(execução extrajudicial). STJ. 3ª Turma. REsp 1.965.973-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em
15/02/2022 (Info 725).
Em contrato de compra e venda de imóvel com garantia de alienação fiduciária devidamente
registrado em cartório, a resolução do pacto, na hipótese de inadimplemento do devedor,
devidamente constituído em mora, deverá observar a forma prevista na Lei n. 9.514/1997, por se
tratar de legislação específica, afastandose, por conseguinte, a aplicação do Código de Defesa do
Consumidor. REsp 1.891.498SP, Rel. Min. Marco Buzzi, Segunda Seção, por unanimidade, julgado
26/10/2022. (Tema 1095 Recursos Repetitivos). (Info 755 STJ)
No contrato de mútuo com alienação fiduciária, o prazo quinquenal de prescrição é contado da data
em que consolidada a propriedade do imóvel em nome da instituição financeira (transferência
definitiva da propriedade do imóvel), e não da data em que instituída a garantia da alienação
fiduciária.
Nos termos do que prevê o art. 22 da Lei n. 9.514/1997, "A alienação fiduciária regulada por esta lei é o negócio
jurídico pelo qual o devedor, ou fiduciante, com o escopo de garantia, contrata a transferência ao credor, ou
fiduciário, da propriedade resolúvel de coisa imóvel". Assim, não se trata a alienação fiduciária de
transferência definitiva da propriedade do imóvel do fiduciante ao fiduciário, mas institui uma
garantia da dívida. (...) Já decidiu o STJ que a "intenção do devedor fiduciante, ao oferecer o imóvel como
garantia ao contrato de alienação fiduciária, não é, ao fim e ao cabo, transferir para o credor fiduciário a
propriedade plena do bem, diversamente do que ocorre na compra e venda, mas apenas garantir o adimplemento
do contrato de financiamento a que se vincula, objetivando que, mediante o pagamento integral da dívida, a
propriedade plena do bem seja restituída ao seu patrimônio" (REsp 1.726.733/SP, Relator Ministro Marco Aurélio
Bellizze, Terceira Turma, DJe de 16/10/2020). Com efeito, é também entendimento consolidado que a
cobrança de dívida líquida constante em instrumento particular sujeita-se ao prazo prescricional de 5
anos, nos termos do art. 206, § 5º, I, do CC/2002. REsp 2.018.619-SP, Rel. Min. Raul Araújo, Quarta Turma,
por unanimidade, julgado em 04/10/2022. (Info 752 STJ)
Para a retomada da posse direta por adquirente de imóvel objeto de contrato de locação, o rito
processual adequado é o da ação de despejo, sob pena de malferir o direito de terceiro que
regularmente ocupa o bem.
De acordo com a doutrina, a alienação do imóvel permite ao adquirente denunciar o contrato de
locação, tendo em vista a incidência do princípio da relatividade dos efeitos contratuais, um dos
princípios fundamentais da teoria geral dos contratos, segundo o qual as estipulações contratuais só
produzem efeitos entre as partes contratantes, não atingindo terceiros estranhos ao negócio jurídico,
salvo se presente expressa cláusula de vigência devidamente averbada. Para que seja exercida a
pretensão de retomada do bem locado, não se exige que a efetiva transferência da propriedade já se tenha
operado, admitindo-se a denúncia pelo promissário comprador ou promissário cessionário, bastando que o
título aquisitivo esteja registrado na matrícula do imóvel. O art. 8º, da Lei n. 8.245/1991 dispõe que "se o
imóvel for alienado durante a locação, o adquirente poderá denunciar o contrato, com o prazo de noventa dias
para a desocupação, salvo se a locação for por tempo determinado e o contrato contiver cláusula de vigência em
caso de alienação e estiver averbado junto à matrícula do imóvel". Ainda no referido dispositivo, os §§ 1º e 2º,
apontam que "idêntico direito terá o promissário comprador e o promissário cessionário, em caráter irrevogável,
com imissão na posse do imóvel e título registrado junto à matrícula do mesmo" e que "a denúncia deverá ser
exercitada no prazo de noventa dias contados do registro da venda ou do compromisso, presumindo-se, após esse
prazo, a concordância na manutenção da locação". Também por força de expressa disposição na Lei n.
8.245/1991 (artigo 5º), a ação adequada para retomar a posse do imóvel em casos de aquisição de imóvel
locado é a ação de despejo: "Seja qual for o fundamento do término da locação, a ação do locador para reaver o
imóvel é a de despejo." Isso porque, segundo doutrina abalizada, a alienação do imóvel durante a relação
locatícia nãorompe a locação, que continuará tendo existência e validade, tanto que o adquirente que
assume a posição do antigo proprietário tem o direito de denunciar o contrato se assim desejar ou de
permanecer inerte e sub-rogar-se nos direitos e deveres do locador dando continuidade à relação locatícia.
Logo, o adquirente tem direito de denunciar o contrato de locação na forma do art. 8º, mas só poderá reaver
a posse direta do imóvel mediante o ajuizamento da ação de despejo, nos termos do art. 5º. Ainda, a
averbação junto à matrícula do imóvel apenas é necessária nos contratos de locação com cláusula de
vigência para afastar a denunciação do contrato pelo novo proprietário. Em outras palavras, se o contrato de
locação contém cláusula de vigência e está averbado junto à matrícula do imóvel, o novo adquirente é
obrigado a respeitá-lo até o seu termo final. Por outro lado, se não há cláusula de vigência ou não há
averbação, o novo adquirente não está obrigado a respeitar o contrato, podendo exercer livremente seu
direito potestativo de denunciá-lo, mas, para imitir-se na posse direita do imóvel, deve seguir o rito
processual adequado, valendo-se da ação de despejo. O Superior Tribunal de Justiça já se manifestou em
caso análogo no mesmo sentido ora preconizado, de modo que, havendo relação locatícia comprovada, a
pretensão de retomada do bem deverá seguir o rito próprio, com o ajuizamento de ação de despejo, sob
pena de malferir o direito de terceiro que regularmente ocupa o bem. REsp 1.864.878-AM, Rel. Min. Ricardo
Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 30/08/2022, DJe de 05/09/2022. (Info 751
STJ)
Na ausência de registro do contrato que serve de título à propriedade fiduciária no competente
registro de imóveis, como determina o art. 23 da Lei n. 9.514/1997, não é exigível do adquirente que se
submeta ao procedimento de venda extrajudicial do bem para só então receber eventuais diferenças
do vendedor. REsp 1.976.082-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em
09/08/2022, DJe 12/08/2022. (Info 746 STJ)
DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA
Ainda que intimada após a vigência do CPC/2015, é possível o decreto de desconsideração da
personalidade jurídica, sem o prévio contraditório, quando a decisão foi publicada na vigência do
CPC/1973. Caso adaptado: em 2012, a seguradora ajuizou ação de indenização por danos materiais contra
uma empresa (Arnon Ltda). O juiz julgou o pedido procedente, condenando a empresa a pagar a indenização.
Houve o trânsito em julgado em 2014. No cumprimento de sentença, sem ainda receber o pagamento e ter
tentado de todas as formas alcançar o patrimônio da executada (Arnon Ltda – “Arnon 1”), a seguradora
apresentou pedido de desconsideração inversa da personalidade jurídica, para alcançar o patrimônio de
outra pessoa jurídica pertencente ao mesmo grupo econômico que detinha o mesmo sócio, a Arnon
Participações Ltda. (“Arnon 2”). Em 2014, ou seja, antes da entrada em vigor do CPC/2015, o Juiz, em decisão
interlocutória inaudita altera pars (sem que fosse ouvida a outra parte), acolheu o pedido e desconsiderou a
personalidade jurídica da executada Arnon 1, para alcançar o patrimônio da Arnon 2. Essa decisão foi
publicada em 2014, isto é, ainda na vigência do CPC/1973. A Arnon 2, contudo, não fazia parte do processo
anteriormente. Logo, a publicação da decisão não servia como forma de comunicação para ela da decisão
judicial. A Arnon 2 somente foi intimada da decisão acima em 2019, ou seja, depois que já estava em vigor o
CPC/2015. A Arnon 2 recorreu alegando nulidade da decisão que decretou a desconsideração porque não
houve contraditório prévio. A controvérsia jurídica pode assim ser resumida: - o juiz, por decisão
interlocutória proferida e publicada na vigência do CPC/1973, decretou a desconsideração sem prévio
contraditório. Nem o CPC/1973 nem a jurisprudência do STJ exigiam prévio contraditório. - a parte atingida foi
intimada quando já estava em vigor o CPC/2015, que passou a exigir prévio contraditório. A decisão foi
mantida. O fato de a intimação da empresa alcançada pela desconsideração ter ocorrido depois da em vigor
do CPC/2015 não torna essa legislação aplicável a fatos processuais anteriores, sob pena de se estar
aplicando retroativamente a norma processual, o que viola o art. 14 do CPC. STJ. 3ª Turma. REsp 1.954.015-PE,
Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 26/10/2021 (Info 718).
Fundo de investimento pode sofrer os efeitos da aplicação do instituto da desconsideração da
personalidade jurídica. O fato de ser o Fundo de Investimento em participação (FIP) constituído sob a forma
de condomínio e de não possuir personalidade jurídica não é capaz de impedir, por si só, a aplicação do
instituto da desconsideração da personalidade jurídica em caso de comprovado abuso de direito por desvio
de finalidade ou confusão patrimonial. O patrimônio gerido pelo Fundo de Investimento em Participações
pertence, em condomínio, a todos os investidores (cotistas), a impedir a responsabilização do fundo por
dívida de um único cotista, de modo que, em tese, não poderia a constrição judicial recair sobre todo o
patrimônio comum do fundo de investimento por dívidas de um só cotista, ressalvada a penhora da sua
cota-parte. As cotas dos fundos de investimento podem ser objeto de penhora em processo de execução por
dívidas pessoais dos próprios cotistas, mas não podem ser penhoradas por dívidas do fundo, tampouco de
outros cotistas que não tenham nenhuma relação com o verdadeiro devedor. A impossibilidade de
responsabilização do fundo por dívidas de um único cotista, de obrigatória observância em circunstâncias
normais, deve ceder diante da comprovação inequívoca de que a própria constituição do fundo de
investimento se deu de forma fraudulenta, como forma de encobrir ilegalidades e ocultar o patrimônio de
empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico. Comprovado o abuso de direito, caracterizado pelo
desvio de finalidade (ato intencional dos sócios com intuito de fraudar terceiros), e/ou confusão patrimonial,
é possível desconsiderar a personalidade jurídica de uma empresa para atingir o patrimônio de outras
pertencentes ao mesmo grupo econômico. STJ. 3ª Turma.REsp 1.965.982-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas
Cueva, julgado em 05/04/2022 (Info 733)
PROMESSA DE COMPRA E VENDA
Na rescisão de contrato de compra e venda de imóvel residencial não edificado, o adquirente não
pode ser condenado ao pagamento de taxa de ocupação. Exemplo: João celebrou contrato de promessa
de compra e venda de um lote de terreno com uma empresa (promitente-vendedora). João obrigou-se a
pagar o valor de R$ 96 mil, parcelados em 48 meses. Durante a vigência do contrato, João já ficaria na posse
do lote porque ali iria construir uma casa. Depois de 1 ano pagando as parcelas, João perdeu seu emprego.
Como não mais iria conseguir adimplir as prestações, ele ajuizou ação de resilição contratual requerendo o
desfazimento do negócio com a restituição dos valores que havia pagado. Vale ressaltar que a casa que João
pretendia edificar nem começou a ser construída no local. A empresa apresentou resposta pedindo para que
João fosse condenado ao pagamento de taxa de ocupação pelo período de 1 ano que passou na posse do
imóvel. Não é devida a taxa de ocupação. No contrato de compra e venda de imóveis residenciais, o
enriquecimento sem causa do comprador é identificado pela utilização do bem para sua moradia, a qual
deveria ser objeto de contraprestação mediante o pagamento de aluguéis ao vendedor pelo tempo de
permanência. Na presente hipótese, o terreno não está edificado, de modo que não existe possibilidade
segura e concreta de se afirmar que a empresa auferiria proveito com a cessão de seu uso e posse a
terceiros, se não o tivesse concedido ao promitente-comprador, estando, pois, ausente o requisito de seu
empobrecimento. STJ. 3ª Turma. REsp 1.936.470-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 26/10/2012(Info
718).
DIVÓRCIO
Não se comunicam, na partilha decorrente de divórcio, os bens adquiridos por uma das partes antes
do casamento, no período de namoro. Exemplo hipotético: em 2015, Lúcia adquiriu um apartamento
financiado em 60 prestações mensais; nessa época, Lúcia namorava Henrique. Lúcia arcou, de forma
autônoma e independente, com os valores para a aquisição do imóvel, sem qualquer ajuda financeira por
parte de Henrique. Em 2018, Lúcia e Henrique se casaram, sob o regime da comunhão parcial de bens. Em
2020, Lúcia terminou de pagar o financiamento do apartamento. Em 2021, Lúcia e Henrique se divorciaram. A
mulher arcou de forma autônoma e independente com os valores para a aquisição do bem, motivo pelo qual
o pagamento de financiamento remanescente não repercute em posterior partilha por ocasião do divórcio,
sendo considerado montante estranho à comunhão de bens. O ex-cônjuge não faz jus a nenhum benefício
patrimonial decorrente do negócio jurídico, sob pena de a circunstância configurar um manifesto
enriquecimento sem causa. STJ. 3ª Turma. REsp 1.841.128-MG, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em
23/11/2021 (Info 719).
A atribuição dinâmica do ônus probatório acerca da realização de acessões/benfeitorias em imóvel de
propriedade do cônjuge varão, objeto de eventual partilha em ação de divórcio, pode afastar a
presunção do art. 1.253 do CC. Situação adaptada: João e Regina casaram-se, pelo regime da comunhão
parcial de bens, em 4/10/1997. O casal se separou em 21/5/2002. Em 01/02/2003, João comprou uma
chácara. Em 02/10/2003, o casal restabeleceu a união conjugal. Em 25/3/2014, Regina ajuizou novamente
ação de divórcio litigioso contra João. Na ação, Regina pediu a partilha das acessões e benfeitorias feitas na
chácara alegando que elas foram realizadas durante o casamento, com esforço comum. João
contra-argumentou afirmando que tais acessões e benfeitorias não foram realizadas durante o casamento.
Em regra, de quem seria o ônus de provar que a data das acessões e benfeitorias: de Regina ou de João? O
ônus seria de Regina, com base no art. 373, I, do CPC. João goza de uma presunção legal em seu favor.
Trata-se da presunção relativa prevista no art. 1.253 do CC: “Toda construção ou plantação existente em um
terreno presume-se feita pelo proprietário e à sua custa, até que se prove o contrário.” Diante desse cenário,
o magistrado entendeu que seria o caso de inverter o ônus da prova e determinar que João prove a data da
realização das acessões e benfeitorias já que, por ele ser o proprietário e possuidor do imóvel, teria melhores
condições de comprovar que não foram edificadas na constância do casamento. Essa inversão é possível com
base no art. 373, § 1º, do CPC. STJ. 3ª Turma. REsp 1.888.242/PR, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado
em 29/03/2022 (Info 731).
Dissolvida a sociedade conjugal, o bem imóvel comum do casal rege-se pelas regras relativas ao
condomínio, ainda que não realizada a partilha de bens, possuindo legitimidade para usucapir em
nome próprio o condômino que exerça a posse por si mesmo, sem nenhuma oposição dos demais
coproprietários. O propósito da controvérsia consiste em definir a natureza da posse exercida por um dos
ex-cônjuges sobre fração ideal pertencente ao casal dos imóveis descritos na petição inicial, após a
dissolução da sociedade conjugal, mas sem que tenha havido a partilha dos bens, a ensejar a aquisição da
propriedade, pelo cônjuge possuidor, da totalidade da fração ideal por usucapião. A jurisprudência deste
Tribunal Superior assenta-se no sentido de que, dissolvida a sociedade conjugal, o bem imóvel comum do
casal rege-se pelas regras relativas ao condomínio, ainda que não realizada a partilha de bens, cessando o
estado de mancomunhão anterior. Nesse contexto, possui legitimidade para usucapir em nome próprio o
condômino que exerça a posse por si mesmo, sem nenhuma oposição dos demais coproprietários, tendo
sido preenchidos os demais requisitos legais. Ademais, a posse de um condômino sobre bem imóvel exercida
por si mesma, com ânimo de dono, ainda que na qualidade de possuidor indireto, sem nenhuma oposição
dos demais coproprietários, nem reivindicação dos frutos e direitos que lhes são inerentes, confere à posse o
caráter de ad usucapionem, a legitimar a procedência da usucapião em face dos demais condôminos que
resignaram do seu direito sobre o bem, desde que preenchidos os demais requisitos legais. No caso, após o
fim do matrimônio houve completo abandono pelo cônjuge da fração ideal pertencente ao casal dos imóveis
usucapidos pela ex-esposa, sendo que esta não lhe repassou nenhum valor proveniente de aluguel nem o
recorrente o exigiu, além de não ter prestado conta nenhuma por todo o período antecedente ao
ajuizamento da referida ação.
Em razão disso, revela-se descabida a presunção de ter havido administração dos bens pela recorrida. O que
houve foi o exercício da posse pela ex-esposa do recorrente, com efetivo ânimo de dona, a amparar a
procedência do pedido de usucapião. REsp 1.840.561-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, por
unanimidade, julgado em 03/05/2022, DJe 17/05/2022. (Info 739)
É possível, em acordo celebrado em ação de divórcio, dispor sobre a manutenção do ex-cônjuge como
dependente em plano de saúde fechado, restrito a servidores públicos. AgInt no RMS 67.430-BA, Rel.
Min. Manoel Erhardt (Desembargador convocado do TRF da 5ª Região), Primeira Turma, por unanimidade,
julgado em 05/09/2022, DJe 09/09/2022. (Info 750 STJ)
Nas hipóteses em que encerrada a convivência more uxorio, mas ainda não decretado o divórcio, o
bem gravado com cláusula de inalienabilidade temporária não integra o patrimônio partilhável.
Processo sob segredo de justiça, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, por unanimidade, julgado
em 24/05/2022, DJe 31/05/2022. (Info 748 STJ)
CONDOMÍNIO
O condomínio que possui destinação exclusivamente residencial pode proibir a locação de unidade
autônoma por curto período de tempo. Tema apreciado no Info 693-STJ. A exploração econômica de
unidades autônomas mediante locação por curto ou curtíssimo prazo, caracterizada pela eventualidade e
pela transitoriedade, não se compatibiliza com a destinação exclusivamente residencial atribuída ao
condomínio. A afetação do sossego, da salubridade e da segurança, causada pela alta rotatividade de
pessoas estranhas e sem compromisso duradouro com a comunidade na qual estão temporariamente
inseridas, é o que confere razoabilidade a eventuais restrições impostas com fundamento na destinação
prevista na convenção condominial. O direito de propriedade, assegurado constitucionalmente, não é só de
quem explora economicamente o seu imóvel, mas sobretudo daquele que faz dele a sua moradia e que nele
almeja encontrar, além de um lugar seguro para a sua família, a paz e o sossego necessários para recompor
as energias gastas ao longo do dia. STJ. 3ª Turma. REsp 1.884.483-PR, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva,
julgado em 23/11/2021 (Info 720).
O promitente comprador tem direito de votar na assembleia, desde que já esteja na posse direta do
imóvel e o condomínio tenha sido comunicado da promessa de compra e venda. Os promissários
compradores têm legitimidade para participar das assembleias, ordinária ou extraordinária, desde que tenha
havido a imissão na posse da unidade imobiliária e a cientificação do condomínio acerca da transação. STJ. 3ª
Turma. REsp 1.918.949-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 07/12/2021 (Info 722).
Não cabe o arbitramento de aluguel em desfavor da coproprietária vítima de violência doméstica,
que, em razão de medida protetiva de urgência decretada judicialmente, detém o uso e gozo exclusivo
do imóvel de cotitularidade do agressor. Em regra, a utilização ou a fruição da coisa comum indivisa com
exclusividade por um dos coproprietários, impedindo o exercício de quaisquer dos atributos da propriedade
pelos demais consortes, ensejao pagamento de indenização àqueles que foram privados do regular domínio
sobre o bem, tal como o percebimento de aluguéis. É o que prevê o art. 1.319 do Código Civil. Contudo, impor
à vítima de violência doméstica e familiar obrigação pecuniária consistente em locativo pelo uso exclusivo e
integral do bem comum constituiria proteção insuficiente aos direitos constitucionais da dignidade humana e
da igualdade, além de ir contra um dos objetivos fundamentais do Estado brasileiro de promoção do bem de
todos sem preconceito de sexo, sobretudo porque serviria de desestímulo a que a mulher buscasse o
amparo do Estado para rechaçar a violência contra ela praticada, como assegura a Constituição Federal em
seu art. 226, § 8º, a revelar a desproporcionalidade da pretensão indenizatória em tais casos. A imposição
judicial de uma medida protetiva de urgência - que procure cessar a prática de violência doméstica e familiar
contra a mulher e implique o afastamento do agressor do seu lar - constitui motivo legítimo a que se limite o
domínio deste sobre o imóvel utilizado como moradia conjuntamente com a vítima, não se evidenciando,
assim, eventual enriquecimento sem causa, que legitime o arbitramento de aluguel como forma de
indenização pela privação do direito de propriedade do agressor. STJ. 3ª Turma. REsp 1.966.556-SP, Rel. Min.
Marco Aurélio Bellizze, julgado em 08/02/2022 (Info 724).
O adquirente de imóvel deve pagar as taxas condominiais desde o recebimento das chaves ou, em
caso de recusa ilegítima, a partir do momento no qual as chaves estavam à sua disposição. O
promitente comprador passa a ser responsável pelo pagamento das despesas condominiais a partir da
entrega das chaves, tendo em vista ser o momento em que tem a posse do imóvel. A recusa em receber as
chaves constitui, em regra, comportamento contrário aos princípios contratuais, principalmente à boa-fé
objetiva, desde que não esteja respaldado em fundamento legítimo. A rejeição em tomar a posse do imóvel,
sem justificativa adequada, faz com que o adquirente das unidades imobiliárias passe a ser responsável pelas
taxas condominiais. STJ. 3ª Turma.REsp 1.847.734-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em
29/03/2022 (Info 731).
SISTEMA FINANCEIRO DE HABITAÇÃO
Não é possível usucapião de imóvel vinculado ao Sistema Financeiro de Habitação, ainda que em
situação de abandono. O imóvel vinculado ao Sistema Financeiro de Habitação, porque afetado à prestação
de serviço público, deve ser tratado como bem público, sendo, pois, imprescritível. Mesmo o eventual
abandono de imóvel público não possui o condão de alterar a natureza jurídica que o permeia, pois não é
possível confundir a usucapião de bem público com a responsabilidade da Administração pelo abandono de
bem público. Com efeito, regra geral, o bem público é indisponível. Eventual inércia dos gestores públicos, ao
longo do tempo, não pode servir de justificativa para perpetuar a ocupação ilícita de área pública, sob pena
de se chancelar ilegais situações de invasão de terras. STJ. 3ª Turma. REsp 1.874.632-AL, Rel. Min. Nancy
Andrighi, julgado em 25/11/2021 (Info 720).
ALIMENTOS
O alimentante pode propor ação de exigir contas contra a guardiã do menor/alimentado para
obtenção de informações acerca da destinação da pensão paga mensalmente? O alimentante pode
propor ação de exigir contas contra a guardiã do menor/alimentado para obtenção de informações acerca da
destinação da pensão paga mensalmente?
4ª Turma do STJ: SIM O genitor pode propor ação de prestação de contas em face do outro genitor
relativamente aos valores decorrentes de pensão alimentícia. O Código Civil prevê que, após cessar a
coabitação dos genitores pela dissolução da sociedade conjugal, os pais continuam com o dever de sustentar
os filhos. O pai ou a mãe que não ficar na companhia dos filhos cumprirá esse dever por meio da prestação
de alimentos (art. 1.703). Por outro lado, o pai ou a mãe que não ficar com a guarda do filho tem o
direito-dever de fiscalizar a manutenção e a educação de sua prole (art. 1.589). O poder-dever fiscalizatório
do genitor que não detém a guarda com exclusividade tem por objetivo evitar que ocorram abusos e desvios
de finalidade no que tange à administração da pensão alimentícia. Para isso, esse genitor poderá verificar se
as despesas e gastos estão sendo realizados para manutenção e educação da prole. STJ. 4ª Turma. REsp
1.911.030-PR, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 01/06/2021 (Info 699).
3ª Turma do STJ: NÃO O alimentante não possui interesse processual em exigir contas da detentora da
guarda do alimentando. A ação de prestação de contas tem a finalidade de declarar a existência de um
crédito ou débito entre as partes. Nas obrigações alimentares, não há saldo a ser apurado em favor do
alimentante, porquanto, cumprida a obrigação, não há repetição de valores. A ação de prestação de contas
proposta pelo alimentante é via inadequada para fiscalização do uso de recursos transmitidos ao
alimentando por não gerar crédito em seu favor e não representar utilidade jurídica. O alimentante não
possui interesse processual em exigir contas da detentora da guarda do alimentando porque, uma vez
cumprida a obrigação, a verba não mais compõe o seu patrimônio, remanescendo a possibilidade de
discussão do montante em juízo com ampla instrução probatória. STJ. 3ª Turma. REsp 1.767.456-MG,
Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 25/11/2021 (Info 720).
CONTRATOS
A Lei 1.046/1950 não ampara a extinção do débito de empréstimo consignado em razão do óbito de
servidor público estadual ou municipal. O art. 16 da Lei nº 1.046/1950 previa: Art. 16. Ocorrido o
falecimento do consignante, ficará extinta a dívida do empréstimo feito mediante simples garantia da
consignação em folha. Esse dispositivo nunca se aplicou aos servidores públicos municipais ou
estaduais/distritais porque não foi pensado para eles. Ao se analisar o Projeto de Lei nº 63/1947, que deu
origem à Lei nº 1.046/1950, bem como sua respectiva exposição de motivos, é possível constatar que a
intenção do legislador era disciplinar o empréstimo consignado tão somente na esfera dos servidores
públicos da União. STJ. 2ª Turma. REsp 1.835.511-SP, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 07/12/2021(Info 721).
Obs: a 3ª Turma do STJ entende que o art. 16 da Lei nº 1.046/1950 também não pode ser aplicado aos
servidores públicos federais porque foi revogado pela Lei nº 8.112/9.
Qual deve ser o valor da indenização na hipótese de perdimento total do bem segurado? Ainda que o
sinistro tenha ocasionado a perda total do bem, a indenização securitária deve ser calculada com base no
prejuízo real suportado pelo segurado, sendo o valor previsto na apólice, salvo expressa disposição em
contrário, mero teto indenizatório. A indenização a ser recebida pelo segurado no caso de sinistro deve
corresponder ao real prejuízo do interesse segurado, normalmente apurado por perícia técnica. O limite
máximo é o da garantia fixada na apólice. Se os prejuízos forem menores do que o limite máximo fixado na
apólice, o segurador só está obrigado a pagar por aquilo que realmente aconteceu. Desse modo, podemos
afirmar que, na hipótese de perda total do bem segurado, o valor da indenização só corresponderá ao
montante integral da apólice se o valor segurado, no momento do sinistro, não for menor. STJ. 3ª Turma.
REsp 1.943.335-RS, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 14/12/2021 (Info 722).
O termo inicial dos juros de mora relativos às diferenças dos aluguéis vencidos será a data para
pagamento fixada na sentença ou a data da intimação do devedor - prevista no art. 523 do CPC - para
pagamento na fase de cumprimento de sentença. Qual será o termo inicial dos juros de mora relativos às
diferenças dos aluguéis vencidos? Depende: 1) Se, na sentença, for prevista uma data para pagamento: o
termo inicial dos juros será esse dia. Assim, se a própria sentença marcar data para pagamento das
diferenças,incorrerá em mora o devedor que não adimplir no termo estipulado, pois esta data integrará,
definitivamente, o título executivo. Trata-se de hipótese de mora ex re. 2) Se, na sentença, não for prevista
data para pagamento: os juros serão contados a partir da data em que o devedor for intimado para pagar na
fase de cumprimento de sentença. Inexistindo o referido prazo na própria sentença, o devedor deverá ser
interpelado para pagar, sob pena de incidir em mora. Trata-se, aqui, de mora ex persona. A teor do disposto
no art. 523 do CPC, deve-se considerar que essa interpelação do devedor para a sua constituição em mora
ocorre com a intimação para o cumprimento definitivo da sentença. Somente com a intimação do art. 523 do
CPC/2015 é que o devedor se verá adstrito a pagar as diferenças de aluguéis, motivo pelo qual, caso não o
faça, incorrerá em mora. STJ. 3ª Turma. REsp 1.929.806-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 07/12/2021
(Info 722).
A pretensão do segurado contra o segurador envolvendo inadimplemento contratual ou do segurador
contra o segurado prescreve em 1 ano. É ânuo o prazo prescricional para exercício de qualquer pretensão
do segurado em face do segurador - e vice-versa - baseada em suposto inadimplemento de deveres
(principais, secundários ou anexos) derivados do contrato de seguro, ex vi do disposto no artigo 206, § 1º, II,
"b", do Código Civil de 2002 (artigo 178, § 6º, II, do Código Civil de 1916). STJ. 2ª Seção. REsp 1.303.374-ES, Rel.
Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 30/11/2021 (Tema IAC 2) (Info 723).
Prazo prescricional para a seguradora cobrar do segurado prêmios inadimplidos nos seguros de
responsabilidade civil do transportador rodoviário de carga (RCTR-C e RCF-DC). O prazo prescricional
ânuo para a seguradora cobrar do segurado prêmios inadimplidos nos seguros de responsabilidade civil do
transportador rodoviário de carga (RCTR-C e RCF-DC) conta-se a partir do vencimento de cada título, ficha de
compensação ou boleto, sendo, para os prêmios calculados com base no valor dos bens ou mercadorias
averbados (apólice aberta), o vencimento de cada fatura ou conta mensal. STJ. 3ª Turma.REsp 1.947.702-SP,
Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 07/12/2021 (Info 723).
A contagem do prazo prescricional de 1 ano que o segurado possui para exigir a indenização da
seguradora somente se inicia na data em que o segurado toma ciência de que a seguradora se recusou
a pagar. Nos contratos de seguro em geral, a ciência do segurado acerca da recusa da cobertura securitária é
o termo inicial do prazo prescricional da pretensão do segurado em face da seguradora. STJ. 3ª Turma. REsp
1.970.111-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado 15/03/2022 (Info 729).
A cláusula de eleição de foro firmada entre a autora do dano e o segurado não é oponível à
seguradora sub-rogada em ação regressiva na qual pleiteia o ressarcimento do valor pago ao
segurado. Caso adaptado: José contratou transportadora para levar bens de sua propriedade em Paris
(França) para Miami (EUA). A fim de se precaver contra possíveis prejuízos decorrentes do transporte, José
celebrou um contrato de seguro com uma seguradora. Durante o transporte, houve algumas avarias nos
bens de José, o que lhe causou um prejuízo de R$ 100 mil. A seguradora pagou essa quantia em favor de José
a título de indenização. Em seguida, a seguradora ingressou com ação regressiva contra a transportadora
pedindo o reembolso. A ação de regresso foi proposta no Brasil, na vara cível da comarca do Rio Janeiro. A ré
suscitou a incompetência do juízo alegando que, no contrato firmado entre ela e José, havia uma cláusula de
eleição de foro fixando o Condado de Los Angeles, Califórnia, como competente para dirimir as questões
relacionadas com o ajuste. O STJ não concordou com a ré. O CC trata da relação jurídica obrigacional
existente entre o credor e o devedor da dívida, prevendo, com a sub-rogação, hipótese de substituição do
credor nessa relação que é de direito material. Assim, o instituto da sub-rogação transfere o crédito apenas
com suas características de direito material. Logo, a cláusula de eleição do foro estabelecida no contrato
entre segurado e transportador não opera efeitos com relação ao agente segurador sub-rogado. STJ. 3ª
Turma. REsp 1.962.113-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 22/03/2022 (Info 730).
O seguro de vida não pode ser instituído por pessoa casada em benefício de parceiro em relação
concubinária. A doutrina e a jurisprudência afirmam que é proibido que a concubina seja a beneficiária do
seguro de vida. Essa conclusão é baseada em uma interpretação teleológica dos arts. 550 e 793 do Código
Civil. Vale ressaltar que essa interpretação existe desde o Código Civil de 1916. Para o STJ, esse entendimento
se harmoniza com o recente julgamento pelo STF do RE 1.045.273/SE, com repercussão geral reconhecida, no
qual foi estabelecida a seguinte tese: “A preexistência de casamento ou de união estável de um dos
conviventes, ressalvada a exceção do artigo 1.723, § 1º, do Código Civil, impede o reconhecimento de novo
vínculo referente ao mesmo período, inclusive para fins previdenciários, em virtude da consagração do dever
de fidelidade e da monogamia pelo ordenamento jurídico-constitucional brasileiro.” STJ. 4ª Turma. REsp
1.391.954 - RJ, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 22/03/2022 (Info 731).
Termo inicial dos juros de mora incidentes sobre as diferenças entre os valores do aluguel
estabelecido no contrato e aquele fixado na ação renovatória. Assunto já apreciado no Info 722-STJ. O
termo inicial dos juros de mora incidentes sobre as diferenças entre os valores do aluguel estabelecido no
contrato e aquele fixado na ação renovatória será: a) a data para pagamento fixada na própria sentença
transitada em julgado (mora ex re); ou b) a data da intimação do devedor para pagamento na fase de
cumprimento de sentença (mora ex persona). Deve-se perquirir se a sentença da ação renovatória fixa prazo
para o pagamento do saldo devedor, haja vista que, se o fizer, a mora do devedor se dará com o trânsito em
julgado (mora ex re), mas caso o título executivo judicial não faça referência ao prazo para adimplemento,
caberá ao credor interpelar o devedor para pagamento (mora ex persona). STJ. 3ª Turma. REsp 1.888.401-DF,
Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 22/03/2022 (Info 732).
Caso Campari. Situação adaptada: Campari é uma marca de bebida alcóolica surgida há muitos anos
na Itália. Na década de 1970, a Campari celebrou contrato de distribuição com uma empresa brasileira
(DSB), que seria a responsável pela produção, distribuição e comercialização da bebida no Brasil. Após
muitos anos de contrato, a Campari decidiu não mais renovar o contrato e constituiu uma empresa própria
para fazer as atividades que eram desenvolvidas pela contratada. A DSB ajuizou ação de indenização contra a
Campari do Brasil Ltda alegando que a ré, de forma ilícita, apropriou-se de toda a estrutura de vendas e
distribuição montada pela DSB, com vistas a criar sua própria organização de distribuição e venda do produto
Campari. Requereu indenização pela apropriação indevida de todo o seu know-how relativo à sua estrutura
de vendas e distribuição de produtos, de sua clientela, em resumo, de todo esse patrimônio incorpóreo
desenvolvido por décadas. Para o STJ, a autora não tem direito à indenização. Nos contratos de distribuição é
normal que o produtor seja amplamente informado e participe das técnicas mercadológicas usuais de venda
desenvolvidas pela distribuidora e de seu campo de atuação. Essas informações não configuram expertise
singular indenizável, ou seja, não é cabível, em regra, indenização pelo simples fato de o produtor utilizar
essas informações para continuar vendendo o produto no futuro sem a participação da empresa
distribuidora. Para que a Campari fosse condenada a indenizar seria necessário se provar que ela se utilizou
de know-how secreto e original da distribuidora,o que não é o caso. Sem essa demonstração, o que se
conclui é que a Campari utilizou-se dos conhecimentos e informações que adquiriu ao longo de todos esses
anos de contrato em função do exercício legítimo do seu poder de controle na qualidade de fornecedor sobre
o seu distribuidor exclusivo. Vale ressaltar que, por força do próprio contrato, a empresa distribuidora
deveria fornecer à Campari as informações sobre estratégias de vendas, marketing, base de consumidores
etc. Assim, aquilo que a autora afirma que a ré se apropriou são informações que, pelo contrato, já deveriam
ser fornecidas. Isso afasta o caráter original e/ou secreto desses dados. Ademais, a formação de clientela está
normalmente associada às estratégias de marketing utilizadas pelo fabricante, à qualidade do produto e à
notoriedade da marca, e não ao esforço e à dedicação do distribuidor. Dessa feita, no caso, não se identifica
nenhum elemento ou técnica distintiva original ou protegida por sigilo, legal ou contratualmente, a indicar
apropriação indevida de know-how, sendo certo que a organização de lista de clientes ou a dinâmica de
vendas transferida contratualmente não tem o condão de embasar pedido indenizatório de danos
emergentes ou de lucros cessantes. STJ. 3ª Turma.REsp 1.727.824-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva,
julgado em 05/04/2022 (Info 733).
Nos contratos de seguro, o valor de indenização a ser recebido na hipótese de ocorrência do evento
segurado é estabelecido previamente no contrato e, por isso, não há a "guarda" dos prêmios.
Nos seguros de vida, o valor de indenização a ser recebido na hipótese de ocorrência do evento segurado é
estabelecido previamente no contrato e, por isso, não há a "guarda" dos valores produtos da arrecadação, ou
seja, dos prêmios.
Nesse cenário, de fato, falta ao segurado, bem como ao eventual beneficiário, interesse processual para
promover a ação de exigir contas decorrente do contrato de seguro porque, nessa hipótese, tratando-se de
negócio aleatório, falta à pretensão a premissa fática essencial, qual seja, a existência da administração de
bens ou interesses de terceiros.
Por conseguinte, não é devida a prestação de contas em relação ao valor recebido pela segurada, a título do
evento saúde, que a afastou de suas atividades laborais.
Em outras palavras , não é o caso de exigir a prestação de contas dos valores recebidos da seguradora, tendo
em vista que a sua obrigação jamais foi a de investir ou administrar o valor recebido, mas sim o de pagar ao
segurado, quando do evento "saúde", o valor previamente delineado na apólice. REsp 1.738.657-DF, Rel. Min.
Moura Ribeiro, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 14/06/2022. (Info 741)
A situação decorrente da pandemia pela Covid-19 não constitui fato superveniente apto a viabilizar a
revisão judicial de contrato de prestação de serviços educacionais com a redução proporcional do
valor das mensalidades. REsp 1.998.206-DF, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, por unanimidade,
julgado em 14/06/2022. (Info 741)
Nos contratos de mútuo celebrados pelas entidades fechadas de previdência complementar com seus
beneficiários, é ilegítima a cobrança de juros remuneratórios acima do limite legal, autorizada a
capitalização de juros somente na periodicidade anual, desde que pactuada, após a entrada em vigor
do Código Civil de 2002. REsp 1.854.818-DF, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, Rel. Acd. Min. Marco Buzzi, Quarta
Turma, por maioria, julgado em 07/06/2022. (Info 741)
É necessária a exigência geral de outorga do cônjuge para prestar fiança, sendo indiferente o fato de o
fiador prestá-la na condição de comerciante ou empresário, considerando a necessidade de proteção
da segurança econômica familiar. REsp 1.525.638-SP, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por
unanimidade, julgado em 14/06/2022. (Info 742)
Em caso de perda total do bem segurado, a indenização securitária deve corresponder ao valor do
efetivo prejuízo experimentado no momento do sinistro, observado, contudo, o valor máximo previsto
na apólice do seguro de dano, nos termos dos arts. 778 e 781 do CC/2002. REsp 1.955.422-PR, Rel. Min.
Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por maioria, julgado em 14/06/2022. (Info 742)
A cláusula que desobriga uma das partes a remunerar a outra por serviços prestados na hipótese de
rescisão contratual não viola a boa-fé e a função social do contrato quando presente equilíbrio entre
as partes contratantes no momento da estipulação.
A Lei n. 13.874/2019, também intitulada de Lei da Liberdade Econômica, em seu art. 3°, VIII, determinou que
são direitos de toda pessoa, natural ou jurídica, essenciais para o desenvolvimento e o crescimento
econômicos do País, observado o disposto no parágrafo único do art. 170 da Constituição Federal, ter a
garantia de que os negócios jurídicos empresariais paritários serão objeto de livre estipulação das
partes pactuantes, de forma a aplicar todas as regras de direito empresarial apenas de maneira
subsidiária ao avençado, exceto normas de ordem pública. O controle judicial sobre eventuais cláusulas
abusivas em contratos empresariais é mais restrito do que em outros setores do Direito Privado, pois as
negociações são entabuladas entre profissionais da área empresarial, observando regras costumeiramente
seguidas pelos integrantes desse setor da economia. Assim, não obstante a liberdade de contratação e a
autonomia privada sejam princípios fundamentais no Direito Civil, eles não são absolutos, porquanto
encontram limites na função social do contrato, na probidade e na boa-fé objetiva. A existência de equilíbrio
e liberdade entre as partes durante a contratação, bem como a natureza do contrato e as expectativas são
itens essenciais a serem observados quando se alega a nulidade de uma cláusula com fundamento na
violação da boa-fé objetiva e na função social do contrato. Em se tratando de contrato de prestação de
serviços firmado entre dois particulares os quais estão em pé de igualdade no momento de
deliberação sobre os termos do contrato, considerando-se a atividade econômica por eles
desempenhada, inexiste legislação específica apta a conferir tutela diferenciada para este tipo de
relação, devendo prevalecer a determinação do art. 421, do Código Civil. REsp 1.799.039-SP, Rel. Min.
Moura Ribeiro, Rel. Acd. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por maioria, julgado em 04/10/2022, DJe
07/10/2022. (Info 754 STJ)
Apesar de, em princípio, a empresa estipulante de contrato de seguro de vida coletivo não possuir
legitimidade passiva em ações nas quais pleiteia-se o pagamento de indenizações securitárias, em se
tratando de ação que questiona o cumprimento das obrigações firmadas entre as partes
contratantes, pode ser reconhecida a legitimidade ativa da mandatária, sem prejudicar os
beneficiários do segurado a fazer jus ao recebimento da indenização. REsp 2.004.461-SP, Rel. Min. Nancy
Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 27/09/2022, DJe 30/09/2022. (Info 753 STJ)
Para o cancelamento de cláusulas de inalienabilidade e de impenhorabilidade em imóvel rural, os
dispositivos protetivos do Estatuto da Pessoa Idosa devem ser analisados em conjunto com a
exigência de justa causa para manutenção ou levantamento dos gravames. REsp 2.022.860-MG, Rel.
Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 27/09/2022, DJe 30/09/2022.
(Info 753 STJ)
Em caso de recusa de cobertura securitária, não cabe ao Poder Judiciário, em ação civil pública, impor
a obrigação de a seguradora fornecer todos os elementos coligidos no procedimento de regulação de
sinistros, e não apenas a mera justificativa. REsp 1.836.910-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Quarta
Turma, por unanimidade, julgado em 27/09/2022.
Nos seguros de pessoas, é vedada a exclusão de cobertura na hipótese de sinistros ou acidentes
decorrentes de atos praticados pelo segurado em estado de insanidade mental, de alcoolismo ou sob
efeito de substânciastóxicas. REsp 1.999.624-PR, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Rel. Acd. Min. Raul Araújo,
Segunda Seção, por maioria, julgado em 28/09/2022. (Info 751 STJ)
🚨 PACIFICAÇÃO DE ENTENDIMENTO
Os arts. 1.443, 1.444 e 1.454 do Código Civil de 1916, bem como seus correlatos no Código Civil atual,
evidenciam que a existência ou não de cláusula excludente da cobertura de contrato de seguro de vida
ou mesmo do agravamento do risco pelo segurado, em eventos como tal, é desimportante. Com efeito,
o agravamento do risco pela embriaguez, assim como a existência de eventual cláusula excludente da
indenização, são cruciais apenas para o seguro de coisas, sendo desimportante para o contrato de
seguro de vida, nos casos de morte. Sob a vigência do anterior Código Civil, a jurisprudência desta Corte,
assim, como a do Supremo Tribunal Federal, consolidou a compreensão de que o seguro de vida cobre até
mesmo os casos de suicídio, desde que não tenha havido premeditação. Em consonância com o novel Código
Civil, a jurisprudência da Segunda Seção consolidou seu entendimento para preconizar que "o legislador
estabeleceu critério objetivo para regular a matéria, tornando irrelevante a discussão a respeito da premeditação
da morte" e que, assim, a seguradora não está obrigada a indenizar apenas o suicídio premeditado, ocorrido
dentro dos dois primeiros anos do contrato. Assim, e com mais razão, a cobertura do contrato de seguro
de vida deve abranger os casos de morte involuntária em decorrência de acidente de trânsito, ainda
que o segurado condutor do veículo, também vítima do sinistro, eventualmente estivesse dirigindo
sob os efeitos da ingestão de álcool. (...) Recentemente, a Segunda Seção desta Corte julgou os embargos
de divergência no recurso especial 973.725/SP, consolidando o entendimento de que a cobertura dos seguros
de vida deve abranger os casos de sinistros ou acidentes decorrentes de atos praticados pelo segurado,
inclusive em estado de insanidade mental, alcoolismo ou sob efeito de outras substâncias tóxicas, ressalvado
o suicídio ocorrido dentro dos dois primeiros anos de contrato; somente podendo ser excluída a cobertura
nos seguros de bens cujo objeto segurado seja veículo automotor quando os danos ocorridos a este sejam
em decorrência de sua condução por pessoa embriagada ou sob efeito de drogas, quando haja comprovação
do estado de entorpecência. Outrossim a Segunda Seção, tendo o assinalado julgamento como vetor, editou
o enunciado sumular número 620 da jurisprudência dessa Corte com a seguinte redação: "A embriaguez do
segurado não exime a seguradora do pagamento da indenização prevista em contrato de seguro de vida".
Desse modo, propõe-se que a jurisprudência da Segunda Seção seja confirmada, relativamente ao
entendimento de que, nos seguros de pessoas, é vedada a exclusão de cobertura na hipótese de
sinistros ou acidentes decorrentes de atos praticados pelo segurado em estado de insanidade mental,
de alcoolismo ou sob efeito de substâncias tóxicas. REsp 1.999.624-PR, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Rel.
Acd. Min. Raul Araújo, Segunda Seção, por maioria, julgado em 28/09/2022. (Info 751 STJ)
Embora não constitua instituição financeira, não é vedado à sociedade empresária de factoring
celebrar contrato de mútuo feneratício, devendo apenas serem respeitadas as regras dessa espécie
contratual aplicáveis aos particulares, especialmente quanto aos juros devidos e à capitalização. REsp
1.987.016-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 06/09/2022, DJe
13/09/2022. (Info 750 STJ)
Em contrato de mútuo vinculado ao Sistema Financeiro de Habitação (SFH), o termo inicial para a
contagem do prazo prescricional da pretensão de cobrança de parcelas vencidas é a data de
vencimento da última parcela. AgInt no REsp 1.837.718-PR, Rel. Min. Raul Araújo, Quarta Turma, por
unanimidade, julgado em 09/08/2022, DJe 30/08/2022. (Indo 747 STJ)
O possuidor de aeronave acidentada é considerado explorador e, nessa condição, responsável pelos
danos provocados aos a terceiros em superfície advindos de sua queda. REsp 1.984.282-SP, Rel. Min. Luis
Felipe Salomão, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 16/08/2022. (Info 745 STJ)
Cessado o comodato, o condômino privado da posse do imóvel tem direito ao recebimento de
indenização equivalente aos aluguéis proporcionais ao seu quinhão, dos proprietários que
permaneceram na posse exclusiva do bem, os quais, caso não notificados extrajudicialmente, podem
ser constituídos em mora por meio da citação nos autos da ação de arbitramento dos aluguéis. REsp
1.953.347-SP, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 09/08/2022.
(Info 745 STJ)
A empresa arrendatária e possuidora indireta de aeronave acidentada é considerada responsável
pelos danos provocados a terceiros em superfície advindos de sua queda. REsp 1.785.404-SP, Rel. Min.
Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 16/08/2022. (Info 745 STJ)
O roubo de carga em transporte rodoviário, mediante uso de arma de fogo, exclui a responsabilidade
da transportadora perante a seguradora do proprietário da mercadoria transportada, quando
adotadas todas as cautelas que razoavelmente dela se poderia esperar, assim como a conduta direta
do segurado que agravar o risco da cobertura contratada, por ato culposo ou doloso, acarreta a
exoneração do dever da seguradora do pagamento da indenização. EREsp 1.577.162-SP, Rel. Min. Moura
Ribeiro, Segunda Seção, por maioria, julgado em 10/08/2022. (Info 744 STJ)
DIREITO AO ESQUECIMENTO
O direito ao esquecimento não justifica a exclusão de matéria jornalística. ODireito ao esquecimento é
considerado incompatível com o ordenamento jurídico brasileiro. Logo, não é capaz de justificar a atribuição
da obrigação de excluir a publicação relativa a fatos verídicos. STJ. 3ª Turma. REsp 1.961.581-MS, Rel. Min.
Nancy Andrighi, julgado em 07/12/2021 (Info 723).
NOME
Não é cabível, sem motivação idônea, a alteração do nome de menor para exclusão do agnome “filho”
e inclusão do sobrenome materno. Exemplo hipotético: Carlos Barbosa e Helena Garcia tiveram um filho e
deram-lhe o nome de Carlos Barbosa Filho. Vamos analisar cada uma das partes que compõem o nome desta
criança. Carlos e Helena se divorciaram. Helena ingressou com ação judicial pedindo para que fosse incluído
seu sobrenome (Garcia) no nome do filho e que, como consequência, fosse excluído o agnome “Filho”. Em
outras palavras, Helena pediu que o nome de seu filho passasse a ser Carlos Garcia Barbosa. Helena
argumentou que essa alteração teria o objetivo de atender ao melhor interesse da criança, por propiciar sua
melhor identificação e gerar um maior estreitamento de laços para com a família materna. O STJ entendeu
que o pedido não se baseava em motivo idôneo e negou a alteração. Aquele que recebe o nome de seu
genitor acrescido do agnome “filho” ou “filha” não tem nenhuma mitigação do vínculo com as famílias de seus
genitores, tampouco sofre constrangimento por não ter os mesmos sobrenomes de eventual irmão, pois não
é função do nome de família estreitar ligação afetiva. Além disso, os nomes da mãe e dos avós maternos
constam na certidão de nascimento. STJ. 4ª Turma. REsp 1.731.091-SC, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado
em 14/12/2021 (Info 723).
A discrepância entre a assinatura artística e o nome registral não consubstancia situação excepcional
e motivo justificado à alteração da grafia do apelido de família. Caso concreto: o sobrenome do artista
plástico Romero Britto, mundialmente conhecido, é grafado com apenas uma letra “t” (Brito). Sua assinatura
artística, contudo, é feita com duas letras “t” (Britto). O artista ajuizou, então, uma ação pedindo a alteração
do seu patronímico (de Brito para Britto). O pedido não foi acolhido. Como o sobrenome é também uma
característica exterior de qualificação familiar, não é possível a sua livre disposição. Assim, o indivíduo não
pode alterar o patronímico(apelido de família) para satisfazer interesse exclusivamente estético e pessoal. A
modificação pretendida alteraria a própria grafia do apelido de família e, assim, representaria violação à
regra registral que exige a preservação do sobrenome, com o objetivo de indicar a estirpe familiar, o que tem
relação com o próprio interesse público. A discrepância entre a assinatura artística e o nome registral não se
consubstancia em situação excepcional e motivo justificado para a alteração pretendida. O nome do autor da
obra de arte, lançado por ele nos trabalhos que executa, pode ser escrito da forma como ele bem desejar,
sem que tal prática importe em consequência alguma ao autor ou a terceiros, pois se trata de uma opção de
cunho absolutamente subjetivo, sem impedimento de qualquer ordem. Todavia, a utilização de nome de
família, de modo geral, que extrapole o objeto criado pelo artista, com acréscimo de letras que não constam
do registro original, não para sanar equívoco, mas para atender a desejo pessoal, não está elencado pela lei
como um motivo que autorize a modificação do assento de nascimento. STJ. 4ª Turma. REsp 1.729.402-SP,
Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 14/12/2021 (Info 723).
A existência de um homônimo que responde a processo criminal, ainda que em outro estado da
federação, pode ensejar um constrangimento capaz de configurar o justo motivo para fundamentar a
inclusão de patronímico.
Incialmente, cumpre acentuar que uma das reais funções do patronímico é diminuir a possibilidade de
homônimos e evitar prejuízos à identificação do sujeito a ponto de lhe causar algum constrangimento.
A mera existência de homonímia não é argumento suficiente para determinar a retificação do registro
civil, sendo imprescindível a demonstração de que o fato impõe ao sujeito situações vexatórias,
humilhantes e constrangedoras, que possam atingir diretamente a sua personalidade e sua dignidade.
Na espécie, a Corte estadual consignou que há efetivamente um caso de homonímia, que é réu em um
processo criminal. (...). Repise-se que, malgrado o caráter público que envolve a questão, o atual
entendimento desta Corte vem se inclinando para entender que a retificação do nome está inserida
no âmbito da autonomia privada, sendo que, na espécie, além de afastar o constrangimento
suportado pelo requerente, não há nenhuma ofensa à segurança jurídica e à estabilidade das relações
jurídicas, já que haverá tão somente a inclusão do sobrenome da avó materna do autor, sem exclusão de
nenhum outro patronímico. REsp 1.962.674-MG, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, por
unanimidade, julgado em 24/05/2022, DJe 31/05/2022. (Info 748 STJ)
CASAMENTO E UNIÃO ESTÁVEL
É possível que os nubentes/companheiros, por meio de pacto antenupcial, ampliem o regime de
separação obrigatória e proíbam até mesmo a comunhão dos bens adquiridos com o esforço comum,
afastando a Súmula 377 do STF. No casamento ou na união estável regidos pelo regime da separação
obrigatória de bens, é possível que os nubentes/companheiros, em exercício da autonomia privada,
estipulando o que melhor lhes aprouver em relação aos bens futuros, pactuem cláusula mais protetiva ao
regime legal, com o afastamento da Súmula 377 do STF, impedindo a comunhão dos aquestos. A mens legis
do art. 1.641, II, do Código Civil é conferir proteção ao patrimônio do idoso que está se casando e aos
interesses de sua prole, impedindo a comunicação dos aquestos. Por uma interpretação teleológica da
norma, é possível que o pacto antenupcial venha a estabelecer cláusula ainda mais protetiva aos bens do
nubente septuagenário, preservando o espírito do Código Civil de impedir a comunhão dos bens do ancião.
Súmula 377-STF: No regime de separação legal de bens, comunicam-se os adquiridos na constância do
casamento. STJ. 4ª Turma. REsp 1.922.347-PR, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 07/12/2021 (Info 723).
Os valores depositados em planos abertos de previdência privada durante a vida em comum do casal,
integram o patrimônio comum e devem ser partilhados. Os valores depositados em planos de
previdência complementar aberta equiparam-se a investimentos financeiros como outro qualquer. Deste
modo, rompida a sociedade conjugal, tais valores devem ser partilhados conforme o regime de bens. Por
outro lado, as contribuições feitas para plano de previdência fechado, em percentual do salário do
empregado, aportadas pelo beneficiário e pelo patrocinador, conforme definido pelo estatuto da entidade,
não integram o patrimônio sujeito à comunhão de bens a ser partilhado quando da extinção do vínculo
conjugal. STJ. 4ª Turma. REsp 1.545.217-PR, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Rel. Acd. Min. Maria Isabel Gallotti,
julgado em 07/12/2021 (Info 723). Os valores depositados em planos de previdência privada durante a vida
em comum do casal, integram o patrimônio comum e devem ser partilhados? • se for um plano ABERTO: SIM.
• se for um plano FECHADO: NÃO
Para formalização do casamento nuncupativo, é admissível a flexibilização do prazo de 10 dias para as
testemunhas comparecerem perante a autoridade judicial. Casamento nuncupativo é uma espécie de
casamento realizado quando um dos contraentes está em iminente risco de vida, não houve a prévia
habilitação para o matrimônio e não se conseguiu fazer com que a autoridade que poderia presidir o
casamento estivesse presente. Neste caso, o casamento é realizado perante 6 testemunhas. O art. 1.541 do
CC afirma que, depois que o casamento for realizado, as testemunhas deverão comparecer perante o juiz, no
prazo de 10 dias, para declarar o que aconteceu. Esse prazo é absoluto ou pode ser flexibilizado? Se as
testemunhas comparecerem perante o juiz após esse prazo mesmo assim será possível reconhecer a
validade e eficácia do casamento nuncupativo? SIM. O prazo de 10 dias para que as testemunhas
compareçam à autoridade judicial é uma formalidade do ato, no entanto, não está relacionado com a sua
essência ou substância. Logo, esse prazo não está relacionado com a existência, validade ou eficácia do ato.
Desse modo, esse prazo consiste, em tese, em formalidade suscetível de flexibilização, especialmente
quando constatada a ausência de má-fé. Assim, não é adequado impedir a formalização do casamento
apenas por esse fundamento, sem perquirir, antes ou conjuntamente, se estão presentes os demais
requisitos estabelecidos pelo legislador, especialmente àqueles que digam respeito à essência do ato. O
desrespeito ao prazo deve ser contextualizado para que possa, eventualmente, ser mitigado. STJ. 3ª Turma.
Resp 1.978.121/RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 22/03/2022 (Info 730).
LOCAÇÃO DE IMÓVEIS URBANOS
Prazo prescricional para pedir a restituição da caução prestada em contrato de locação: 3 anos. É
trienal o prazo prescricional aplicável à pretensão de restituição da caução prestada em contrato de locação,
com fundamento no art. 206, § 3º, I, do Código Civil: “Art. 206. Prescreve: § 3º Em três anos: I - a pretensão
relativa a aluguéis de prédios urbanos ou rústicos;” A caução é um pacto acessório do contrato de locação.
Logo, o acessório deve seguir o mesmo prazo prescricional do contrato principal. Não há dúvidas que a
caução é uma garantia prestada ao contrato de locação, constituindo-se, portanto, um acessório ao contrato
principal, impondo-se a aplicação do mesmo prazo prescricional a ambos, e, em observância ao princípio da
gravitação jurídica, o acessório deve seguir a sorte do principal, isto é, a aplicação do prazo trienal à
pretensão de restituição da caução decorre da incidência do 206, § 3º, I, do CC ao contrato de locação. STJ. 3ª
Turma. REsp 1.967.725-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 15/02/2022 (Info 725).
O prazo máximo da renovação compulsória do contrato de locação comercial será de 5 anos, ainda
que a vigência da avença locatícia supere esse período. REsp 1.990.552-RS, Rel. Min. Raul Araújo, Quarta
Turma, por unanimidade, julgado em 17/05/2022. (Info737)
É cabível revisão judicial de contrato de locação não residencial - empresa de coworking - com redução
proporcional do valor dos aluguéis em razão de fato superveniente decorrente da pandemia da
covid-19. REsp 1.984.277-DF, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em
16/08/2022. (Info 745 STJ)
Pratica ato ilícito apto à indenização, o locador que proíbe o funcionamento de imóvel comercial
locado, cujo acesso é autônomo e independente, sob a justificativa de cumprimento às normas de
restrição sanitária pela Covid-19. REsp 1.997.050-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, por
unanimidade, julgado em 02/08/2022. (Info 743 STJ)
DIREITO AUTORAL
É lícita a divulgação de paródia sem a indicação do autor da obra originária. Caso concreto: programa de
TV Pânico na Band fez uma paródia de determinada música. O compositor da canção ajuizou ação de
indenização por danos morais. O pedido foi julgado improcedente. A paródia é forma de expressão do
pensamento, é imitação cômica de composição literária, filme, música, obra qualquer, dotada de comicidade,
que se utiliza do deboche e da ironia para entreter. É interpretação nova, adaptação de obra já existente a
um novo contexto, com versão diferente, debochada, satírica. As paródias são permitidas e o autor da obra
musical, em regra, não pode impedir a sua veiculação. Tanto que a paródia é considerada como uma
limitação do direito de autor, conforme prevê o art. 47 da Lei nº 9.610/98. Assim, se respeitados os limites da
paródia, não é necessária prévia autorização do autor nem enseja pagamento de indenização, não se
aplicando o art. 29 da Lei nº 9.610/98. Vale ressaltar, por fim, que não há, na Lei de Direitos Autorais,
qualquer dispositivo que imponha, quando do uso da paródia, o anúncio ou a indicação do nome do autor da
obra originária. STJ. 3ª Turma. REsp 1.967.264-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 15/02/2022 (Info 725).
SUCESSÕES
O herdeiro que seja autor, coautor ou partícipe de ato infracional análogo ao homicídio doloso
praticado contra os ascendentes fica excluído da sucessão. É juridicamente possível o pedido de exclusão
do herdeiro em virtude da prática de ato infracional análogo ao homicídio, doloso e consumado, contra os
pais, à luz da regra do art. 1.814, I, do CC/2002. STJ. 3ª Turma. REsp 1.938.984-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi,
julgado em 15/02/2022 (Info 725).Indignidade são situações previstas no Código Civil nas quais o indivíduo
que normalmente iria ter direito à herança, ficará impedido de recebê-la em virtude de ter praticado uma
conduta nociva em relação ao autor da herança ou seus familiares. Trata-se, portanto, de uma causa de
exclusão da sucessão. A indignidade é considerada uma sanção civil aplicada ao herdeiro ou legatário
acusado de atos reprováveis contra o falecido. As hipóteses de indignidade estão previstas no art. 1.814 do
Código Civil, que traz um rol taxativo, que não admite analogia nem interpretação extensiva. Veja o que diz o
inciso I: O Art. 1.814. São excluídos da sucessão os herdeiros ou legatários: I - que houverem sido autores,
co-autores ou partícipes de homicídio doloso, ou tentativa deste, contra a pessoa de cuja sucessão se tratar,
seu cônjuge, companheiro, ascendente ou descendente; Imagine que o filho, adolescente de 17 anos, ceifa
dolosamente a vida dos pais. Neste caso, o filho, tecnicamente, não praticou homicídio, mas sim ato
infracional análogo a homicídio. Mesmo assim, a presente situação poderá ser enquadrada no inciso I do art.
1.814 do CC? Sim. A regra do art. 1.814, I, do CC/2002, se interpretada literalmente, induziria ao resultado de
que o uso da palavra “homicídio” possuiria um sentido único, importado diretamente da legislação penal para
a civil, razão pela qual o ato infracional análogo ao homicídio praticado pelo filho contra os pais não poderia
acarretar a exclusão da sucessão, pois, tecnicamente, homicídio não houve. Ocorre que não se pode fazer
uma mera interpretação literal. A partir de uma perspectiva teleológica-finalística conclui-se que o objetivo do
enunciado normativo do art. 1.814, I, do CC é o de proibir que tenha direito à herança quem atentar,
propositalmente, contra a vida de seus pais. Logo, apesar de existir uma diferença técnico-jurídica entre
homicídio e ato análogo a homicídio, essa distinção tem importância apenas no âmbito penal, mas não
possui a mesma relevância na esfera cível, não devendo ser levada em consideração para fins de exclusão da
herança, sob pena de ofensa aos valores e às finalidades que nortearam a criação da norma e de completo
esvaziamento de seu conteúdo. STJ. 3ª Turma. REsp 1.943.848-PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
15/02/2022 (Info 725).
Tem direito ao recebimento de aluguéis a parte que, sem vínculo de parentalidade com a cônjuge
supérstite, possuía imóvel em copropriedade com o de cujus. REsp 1.830.080-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso
Sanseverino, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 26/04/2022, DJe 29/04/2022. (Info 734)
É possível aplicar a pena de perdimento da herança aos herdeiros, ainda que estes não tenham sido
interpelados pessoalmente, quando comprovados o conhecimento acerca da ocultação de bens da
herança e o dolo existente na conduta de sonegação desses bens.
A despeito do entendimento de que "somente após a interpelação do herdeiro sobre a existência de bens
sonegados é que a recusa ou omissão configura prova suficiente para autorizar a incidência da pena de
sonegados", ainda que a interpelação dos herdeiros não tenha ocorrido, é possível aplicar a pena de
perdimento da herança quando comprovados o conhecimento dos herdeiros acerca da ocultação de bens da
herança (elemento objetivo), e o dolo (má-fé) existente na conduta de sonegação de bens da herança
(elemento subjetivo). (...) EDcl no REsp 1.567.276CE, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, Rel. Acd. Raul Araújo, por
maioria, julgado em 22/11/2022. (Info 758 STJ)
O espólio possui legitimidade ativa para ajuizar ação postulando pelo pagamento de reparação
econômica retroativa à data da concessão de anistia política, na hipótese em que a data do óbito do
anistiado é posterior a esta. MS 28.276-DF, Rel. Min. Regina Helena Costa, Primeira Seção, por
unanimidade, julgado em 10/08/2022, DJe 16/08/2022. (Info 747)
Inexiste qualquer vedação legal ao reconhecimento da fraternidade/irmandade socioafetiva, ainda
que post mortem, pois a declaração da existência de relação de parentesco de segundo grau na linha
colateral é admissível no ordenamento jurídico pátrio, merecendo a apreciação do Poder Judiciário.
Processo sob segredo de justiça, Rel. Min. Marco Buzzi, Quarta Turma, por maioria, julgado em 04/10/2022.
(Info 753 STJ)
COMPENSAÇÃO
A prescrição somente obsta a compensação se for anterior ao momento da coexistência das dívidas.
Caso hipotético: João deve R$ 100 mil a Pedro. Essa dívida surgiu em 2018. Como não houve o pagamento,
em 2022, Pedro ajuizou ação de cobrança contra ele. Ao ser citado, João apresentou contestação admitindo
que existe a dívida. Alegou, contudo, que Pedro também lhe deve R$ 80 mil. Essa dívida surgiu em 2014.
Diante disso, João pediu a compensação das obrigações e que, ao final, só teria que pagar R$ 20 mil. Pedro se
insurgiu contra isso argumentando que esses R$ 80 mil que João está cobrando estão prescritos desde 2019.
Logo, não é mais possível exigir a quantia ainda que para fins de compensação. O argumento de Pedro deve
ser acolhido? Não. A prescrição somente obstará (impedirá) a compensação se ela for anterior ao momento
da coexistência das dívidas. Se o prazo prescricional se completou posteriormente a esse fato, tal
circunstância não constitui empecilho à compensação dos débitos. Foi justamente o exemplo dado acima. No
momento em que surgiu a dívida de João para com Pedro (2018), a dívida de Pedro para com João ainda
existia. Logo, houve um período de coexistência de dívidas exigíveis. STJ. 3ª Turma. REsp 1.969.468-SP, Rel.Min. Nancy Andrighi, julgado em 22/02/2022 (Info 726).
PROPRIEDADE INTELECTUAL
É legal a cláusula contratual que confere à gravadora a propriedade dos masters de obra musical. Caso
adaptado: na década de 1960, o grande cantor João Gilberto celebrou contratos com a gravadora EMI para a
gravação de discos de vinil (Long Plays – LPs). O contrato chegou ao fim e, em 2013, o cantor ajuizou ação
contra a gravadora pedindo a devolução das fitas masters dos LP´s gravados. O pedido não foi acolhido. A fita
master (também chamada apenas de master) é o resultado final do processo de criação. O master pode ser
copiado em vinil, CD ou fita magnética e constitui um fonograma, para os fins do art. 5º, IX, da Lei nº 9.610/98
(Lei de Direitos Autorais). O direito autoral distingue o corpus misticum do corpus mechanicum: a) corpus
misticum: é a criação autoral propriamente dita, ou seja, é a obra imaterial fruto do espírito criativo humano;
b) corpus mechanicum: é o meio físico no qual essa criação autoral se encontra materializada. O master,
assim como as cópias que dela podem ser extraídas, são classificadas como bens corpóreos (corpus
mechanicum) e, nessa condição, podem ser alienados. Isso significa que a gravadora comprou esses bens
corpóreos (fitas masters), sendo plenamente válida essa aquisição. Quem adquire um livro ou um vinil passa
a ser o proprietário desse objeto, desse corpus mechanicum. Se o compositor/intérprete de uma canção não
pode reivindicar a posse/propriedade de um vinil já comercializado com fundamento em uma suposta
transmutação operada pelo seu direito moral de autor, tampouco pode fazê-lo em relação aos masters, uma
vez que estes são apenas uma forma diferenciada de apresentação do mesmo fonograma. Não se vislumbra,
por essa razão, nenhuma ilegalidade flagrante na cláusula contratual que conferiu a propriedade dos masters
à gravadora. STJ. 3ª Turma. REsp 1.727.950-RJ, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 08/03/2022 (Info 728).
DOAÇÃO INOFICIOSA
Na ação de nulidade de doação inoficiosa, o prazo prescricional é contado a partir do registro do ato
jurídico que se pretende anular, salvo se houver anterior ciência inequívoca do suposto prejudicado.
Doação inoficiosa é a que invade a legítima dos herdeiros necessários. A pessoa que tenha herdeiros
necessários só pode doar até o limite máximo da metade de seu patrimônio, considerando que a outra
metade é a chamada “legítima” (art. 1.846 do CC) e pertence aos herdeiros necessários. O art. 549 do CC
afirma que é nula. A ação cabível para se obter a anulação é a ação de nulidade de doação inoficiosa (ação de
redução), que pode ser proposta pelos herdeiros necessários do doador, no prazo prescricional de 10 anos.
Quando se inicia esse prazo? Regra: conta-se a partir do registro do ato jurídico que se pretende anular.
Exceção: este prazo pode ser iniciado antes se ficar comprovado que, em momento anterior ao registro, o
suposto prejudicado já teve ciência inequívoca do ato. Caso concreto no qual o STJ aplicou a exceção acima
explicada: Rui e Sandra são irmãos. Em 09/09/2005, foi lavrada escritura pública na qual os pais doaram para
Sandra um bem imóvel muito valioso. Vale ressaltar que essa doação foi inoficiosa, pois atingiu a parte
indisponível do patrimônio dos doadores, ferindo o direito de Rui à legítima. Rui, mesmo não sendo doador
nem donatário, participou da assinatura da escritura pública na qualidade de “interveniente anuente”. Em
18/05/2009, essa doação foi registrada no cartório de registro de imóveis. Em 22/08/2018, Rui ajuizou ação
pedindo a nulidade dessa doação por ser inoficiosa. Sandra arguiu a prescrição da pretensão considerando
que o prazo de 10 anos teria se iniciado em 09/09/2005 (data da lavratura da escritura pública). Rui se
defendeu alegando que o termo inicial da prescrição foi 18/05/2009, quando ocorreu o registro do ato
jurídico que se pretende anular. O STJ concordou com os argumentos de Sandra. Isso porque, no momento
da lavratura da escritura pública, Rui já teve ciência inequívoca do ato. STJ. 3ª Turma. REsp 1.933.685-SP, Rel.
Min. Nancy Andrighi, julgado em 15/03/2022 (Info 729).
A condição resolutiva de doação verbal estabelecida entre pai e filho e desconhecida por terceiros não
produz efeitos jurídicos contra estes. Situação hipotética: João era sócio de uma empresa. Ele estava
enfrentando notícias negativas na imprensa e, para não comprometer a empresa, decidiu doar suas cotas
sociais para seu filho Henrique. A doação, contudo, tinha uma condição resolutiva: se João contraísse um
novo matrimônio, Henrique teria que devolver as cotas ao pai. Vale ressaltar, contudo, que essa condição
resolutiva foi verbal e não constou no documento de alteração societária. Algum tempo depois, João contraiu
novas núpcias e, portanto, ocorreu a condição resolutiva. João solicitou, então, que Henrique devolvesse as
cotas em conformidade com o negócio jurídico estabelecido entre as partes. Henrique negou-se a alegando
que já até doou as cotas sociais para a sua filha Jaqueline. Diante desse cenário, João ajuizou ação de
obrigação de fazer contra Henrique e Jaqueline pedindo para que os réus fossem condenados a devolver as
cotas sociais. Durante a instrução, foram ouvidas duas testemunhas que presenciaram a reunião na qual
João combinou de doar as cotas para Henrique e atestaram que entre eles ficou combinada a referida
condição resolutiva. Apesar disso, o pedido deve ser julgado improcedente. Não pairam dúvidas acerca da
existência da combinação entre pai e filho (doador e donatário). No entanto, não é possível o reconhecimento
de que esse arranjo estabelecido entre os dois tenha o condão de atingir terceiros, que dele não
participaram. Assim, em que pese ter ficado comprovado o ajuste feito entre João e Henrique não é possível
submeter aos demais sócios uma condição inserida num acordo verbal do qual eles não fizeram parte. Como
se sabe, o contrato faz lei entre as partes, mas não produz efeitos na esfera juridicamente protegida de
terceiros que não tomaram parte na relação jurídica de direito material. STJ. 3ª Turma.REsp 1.905.612-MA,
Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 29/03/2022 (Info 731).
SEPARAÇÃO
Sob a égide do CPC/1973, inexiste incompatibilidade lógica entre o acordo efetuado quanto à
pretensão principal de separação conjugal e o prosseguimento do feito quanto às pretensões conexas.
Caso hipotético: Soraya ajuizou ação de separação judicial litigiosa contra Ferdinando pedindo: a) separação;
b) alimentos; c) a regulamentação da guarda dos filhos; d) a condenação do réu cônjuge ao pagamento de
danos morais e materiais. Na audiência de conciliação, as partes celebraram transação na qual houve acordo
quanto à separação (houve a conversão da separação litigiosa em consensual), guarda dos filhos e alimentos.
O juiz homologou o acordo, mas extinguiu o processo sem resolução do mérito quanto aos pedidos
condenatórios. O STJ não concordou com a decisão. A circunstância de ter sido celebrado acordo no que
tange à separação, aos alimentos, visitas e guarda da prole comum (resultado da transformação consensual
do pedido original de separação judicial), não impede a apreciação judicial das demais pretensões
inicialmente deduzidas, neste caso, de cunho condenatório. Não existe qualquer incompatibilidade lógica
entre o acordo efetuado quanto à pretensão principal (separação) e o prosseguimento do feito quanto às
pretensões conexas. STJ. 4ª Turma. REsp 1.560.520/SP, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 15/03/2022 (Info
729).
DIREITOS REAIS
O indivíduo beneficiado com um imóvel do PAR (arrendatário do imóvel) pode ceder esse direito para
outra pessoa? A cessão, pelo arrendatário do imóvel, de posição contratual ou de direitos decorrentes de
contrato de arrendamento residencial no âmbito do PAR, somente será válida se forem cumpridos os
seguintes requisitos: I) atendimento, pelo novo arrendatário, dos critérios para ingresso no PAR; II) respeitonão sendo, portanto, devida aos servidores
inativos. STJ. 2ª Turma. RMS 68.357-PB, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 22/03/2022 (Info 730).
A indenização de campo (art. 16 da Lei 8.216/91), devida a determinados servidores públicos federais,
deve ser reajustada na mesma data e nos mesmos percentuais de reajustes aplicados às diárias. A
indenização de campo, prevista no art. 16 da Lei nº 8.216/91, deve ser reajustada pelo Poder Executivo na
mesma data e nos mesmos percentuais de reajustes aplicados às diárias, conforme determina o art. 15 da Lei
nº 8.270/91. STJ. 2ª Turma. AgRg no AgRg no AREsp 480.379-PB, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em
22/03/2022 (Info 730).
Valores recebidos por servidores públicos por força de decisão judicial precária, posteriormente
reformada, devem ser restituídos ao erário. AREsp 1.711.065-RJ, Rel. Min. Assusete Magalhães, Segunda
Turma, por unanimidade, julgado em 03/05/2022, DJe 05/05/2022. (Info 735)
Presente a redação original do art. 87, § 2º, da Lei n. 8.112/1990, bem como a dicção do art. 7º da Lei n.
9.527/1997, o servidor federal inativo, sob pena de enriquecimento ilícito da Administração e
independentemente de prévio requerimento administrativo, faz jus à conversão em pecúnia de
licença-prêmio por ele não fruída durante sua atividade funcional, nem contada em dobro para a
aposentadoria, revelando-se prescindível, a tal desiderato, a comprovação de que a licença-prêmio
não foi gozada por necessidade do serviço. REsp 1.854.662-CE, Rel. Min. Sérgio Kukina, Primeira Seção, por
unanimidade, julgado em 22/06/2022. (Tema 1086) (Info 742)
As regras previstas nos arts. 18 a 21 do Estatuto da Advocacia (Lei 8.906/1994) — que tratam da relação
de emprego, salário, jornada de trabalho e honorários de sucumbência — são aplicáveis aos
advogados empregados de empresas públicas e de sociedade de economia mista que atuam no
mercado em regime concorrencial (sem monopólio).
O poder público, ao exercer atividade econômica em regime de livre concorrência, deve nivelar-se aos
demais agentes produtivos para não violar princípios da ordem econômica, em especial o da livre
concorrência (CF/1988, art. 170, IV). Assim, ao atuar como empresário, o Estado se submete aos mesmos
bônus e ônus do setor, tornando imprescindível a submissão das empresas estatais não monopolistas
às regras legais aplicáveis à concorrência privada, inclusive no que tange às normas trabalhistas. No
entanto, esses advogados, assim como todos os servidores e empregados públicos em geral, também estão
sujeitos ao teto remuneratório do serviço público (CF/1988, art. 37, XI), quanto ao total da sua remuneração
(salários mais vantagens e honorários advocatícios), com exceção daqueles vinculados a empresa pública,
sociedade de economia mista ou subsidiária que não receba recursos do ente central para pagamento de
pessoal ou custeio e nem exerça sua atividade em regime monopolístico (CF/1988, art. 37, § 9º). Também
ficam excluídos dessa disciplina do Estatuto da Advocacia (arts. 18 a 21) todos os advogados empregados de
empresas públicas ou sociedades de economia mista ou suas subsidiárias que tenham sido admitidos por
concurso público, em cujos editais tenham sido estipuladas condições diversas daquelas do estatuto,
sem qualquer impugnação. ADI 3396/DF, relator Min. Nunes Marques, julgamento finalizado em 23.6.2022.
(Info 1060 STF)
A lacuna em Lei Complementar Estadual acerca da possibilidade de suspender processo de concessão
de aposentadoria enquanto tramita processo administrativo disciplinar deve ser suprida com a
aplicação subsidiária da Lei n. 8.112/1990. AgInt no AgInt no RMS 61.130PR, Rel. Min. Mauro Campbell
Marques, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 27/09/2022. (Info 751 STJ)
O parâmetro remuneratório sobre o qual deve incidir a VNPI para o cálculo da remuneração dos
Procuradores da Fazenda Nacional é o existente em março/2002.
É pacífico no âmbito do STJ que, a partir de 26/6/2002, data da publicação da MP 43/2002, a composição
da remuneração dos Procuradores da Fazenda Nacional passou a ser a seguinte:
a) vencimento básico;
b) pro labore, calculado no percentual de 30% sobre o referido vencimento básico;
c) Vantagem Pessoal Nominalmente Identificada VPNI, caso ocorra redução na totalidade da remuneração
dos servidores públicos.
A MP 43/2002 (convertida na Lei n. 10.549/2002), embora tenha sido publicada em julho/2002,
determinou, no art. 3º, que a nova estrutura de pagamento nela prevista retroagiria ao mês de
março/2002, sem excluir, desse período "intermediário", as vantagens que até então foram percebidas
pelos Procuradores da Fazenda Nacional, o que acabou ocasionando uma situação virtualmente híbrida,
porque entre o regime remuneratório anterior (até março/2002) e o regime novo (a partir de julho/2002) os
agentes públicos fizeram jus aos valores correspondentes às vantagens de ambos os regimes. Hipótese em
que a discussão é sobre qual o parâmetro remuneratório em relação ao qual deve incidir a VNPI acima citada:
(a) se aquele existente em março/2002; ou
(b) se o que existiu entre março/2002 e junho/2002, sendo certo que deve prevalecer a primeira opção, em
função de interpretação teleológica e histórica da lei.
A MP 43/2002 (convertida na Lei n. 10.549/2002) foi criada para esmorecer o estado de incongruência,
então existente, entre os cargos das carreiras jurídicas da União, no que diz respeito às remunerações
daqueles profissionais, sendo certo que, a se concluir pela necessidade de manutenção do regime
"intermediário", em vez de dar tratamento isonômico com as demais carreiras da AGU, estaria conferindo aos
Procuradores da Fazenda Nacional tratamento muito mais benéfico, no sentido oposto à finalidade legal. Se
era para preponderar, em caráter definitivo, um regime remuneratório intermediário, que somava vantagens
da antiga estrutura remuneratória, com os novos benefícios, não faria o menor sentido determinar a
exclusão de rubricas ou mesmo determinar a aplicação retroativa de parte da lei, pois bastaria criar novas
vantagens e somá-las às já existentes. Hipótese em que, na prática, não houve realmente a existência de três
regimes, um antigo, um intermediário e um novo, pois o regime "híbrido" ou "intermediário" figurou apenas
como uma ficção legal, que teve impactos financeiros favoráveis em relação aos Procuradores da Fazenda
Nacional, somente em caráter retroativo, mas que não chegou a efetivamente vigorar ao longo dos meses de
março a junho/2002, o que reforça a conclusão de que a irredutibilidade de vencimentos deve tomar como
parâmetro o regime que efetivamente existia antes da alteração, qual seja: a composição remuneratória
prevista em março/2002. Caso o parâmetro remuneratório para fins de pagamento da VPNI fosse aquele
fictícia e tecnicamente criado pela MP 43/2002 (convertida na Lei n. 10.549/2002), possibilitaria que os
Procuradores da Fazenda Nacional violassem mensal e prolongadamente o art. 37, XI, da CF, o qual
estabelece o teto remuneratório do serviço público e que, naquela época, previa importância inferior à que
resultou do regime "intermediário". AREsp 956.526SP, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Turma, por
unanimidade, julgado em 13/09/2022. (Info 749 STJ)
SISTEMA REMUNERATÓRIO
A EC 41/2003 alterou o inciso XI do art. 37 e permitiu que os Estados, DF e Municípios instituíssem
subtetos diferentes da União; essa previsão não viola o princípio da isonomia. A CF/88 prevê, em seu
art. 37, XI, o chamado “teto remuneratório”, ou seja, o valor máximo que os agentes públicos podem receber
no país. A EC nº 41/2003 alterou a redação desse inciso XI e permitiu que os Estados, DF e Municípios
instituíssem subtetos estaduais e municipais, diferentes do teto da União. A instituição de subtetos
remuneratórios com previsão de limites distintos para as entidades políticas, bem como para os
Poderes, no âmbito dos Estados e do Distrito Federal não ofende o princípio da isonomia. A isonomia,de eventual fila para ingresso no PAR; e III) consentimento prévio pela Caixa Econômica Federal, na condição
de agente operadora do Programa. STJ. 3ª Turma. REsp 1.950.000-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
22/03/2022 (Info 731).
Promovido o leilão do bem pelo credor hipotecário, a permanência do mutuário no imóvel
caracteriza posse de má-fé.
A qualificação da posse em de boa ou má-fé depende se o possuidor ignora ou não o vício ou obstáculo que
impede a aquisição da coisa (art. 1.201 do CC). Não há nenhuma anormalidade na transmutação da natureza
jurídica da posse, porque é instituto que não é estanque, sendo certo que, modificado o contexto de fato e de
direito relacionado àquele que tem a coisa em seu poder, é natural que se altere também a qualidade da
posse. Hipótese em que inexiste incongruência no reconhecimento da posse como de boa-fé em
determinado período - portanto, o direito à indenização por todas as benfeitorias levantadas nesse tempo
(art. 1.219 do CC) - e, em seguida, reconhece-se a modificação da qualidade da posse para má-fé, para,
doravante, só admitir o pagamento das benfeitorias necessárias e afastar do possuidor o direito a qualquer
retenção (art. 1.220 do CC). No caso, quando foi comprado o bem, ainda que mediante contrato de
financiamento, não havia tecnicamente nenhum impedimento para que fosse adquirida a propriedade do
imóvel, pelo que de boa-fé a posse; ao revés, no momento em que, em razão do inadimplemento das
parcelas daquele contrato, a credora hipotecária promove o leilão do bem, ao permanecer o particular de
maneira irregular no imóvel, a posse passa a se caracterizar como de má-fé. AREsp 1.013.333-MG, Rel. Min.
Gurgel de Faria, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 03/05/2022. (Info 735)
Não é cabível a adjudicação compulsória de imóvel pelos promitentes compradores de unidades
autônomas adquiridas de incorporadora não titular do domínio do terreno e sem o devido registro do
memorial de incorporação no Cartório de Registro de Imóveis. REsp 1.770.095-DF, Rel. Min. Marco Aurélio
Bellizze, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 10/05/2022. (Info 736)
O fato gerador do laudêmio é o registro do imóvel em Cartório de Registro de Imóveis, que é o
momento em que ocorre a transferência do domínio útil do aludido direito real. REsp 1.833.609PE, Rel.
Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 08/11/2022, DJe 11/11/2022. (Info
757 STJ)
O fato de os possuidores serem proprietários de metade do imóvel usucapiendo não faz incidir a
vedação de não possuir "outro imóvel" urbano, contida no artigo 1.240 do Código Civil. REsp
1.909.276-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 27/09/2022,
DJe 30/09/2022. (Info 753 STJ)
A existência de bem público não demarcado em condomínio pro indiviso com particulares não impede
ação de usucapião parcial.
Inicialmente, consigna-se que bens públicos são todos os bens pertencentes às pessoas jurídicas de direito
público interno, isto é, União, Distrito Federal, Estados, Municípios, Autarquias e Associações Públicas. Não se
incluem no rol de bens públicos aqueles pertencentes às empresas públicas e sociedades de economia
mista, por serem detentoras de personalidade jurídica de direito privado. (...) Portanto, a propriedade da
área não é exclusiva da Empresa Pública, de modo que, diante das especificidades do caso, não há como se
estender a natureza pública a todo o imóvel, a ponto de considerá-lo absolutamente insuscetível de
usucapião, pois tal hipótese não se amolda perfeitamente nem ao critério subjetivo da titularidade, adotado
pelo art. 98 do Código Civil, tampouco ao critério destinador, tratado nos arts. 99 a 101 do CC/2002, para o
enquadramento do bem como público e insuscetível de alienação a particulares. REsp 1.504.916-DF, Rel. Min.
Luis Felipe Salomão, Rel. Acd. Min. Raul Araújo, Quarta Turma, por maioria, julgado em 27/09/2022. (Info 752
STJ)
Em contrato garantido por hipoteca, a efetivação de penhora sobre o bem dado em garantia, por si só,
não impede que o credor requeira a falência do devedor com fundamento no art. 94, II, da Lei n.
11.101/2005. REsp 1.698.997-SP, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por unanimidade, julgado
em 16/08/2022. (Info 748 STJ)
Na hipótese de composse, a decisão judicial de reintegração de posse deverá atingir de modo
uniforme todas as partes ocupantes do imóvel, configurando-se caso de litisconsórcio passivo
necessário. REsp 1.811.718-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, por unanimidade, julgado
em 02/08/2022, DJe 05/08/2022. (Info 743 STJ)
PREFERÊNCIA E PRIVILÉGIOS CREDITÓRIOS
A solvência dos créditos privilegiados detidos por credores concorrentes (concurso particular)
independe de se perquirir acerca da anterioridade da penhora, devendo o rateio do montante
constrito ser procedido de forma proporcional ao valor dos créditos (art. 962 do CC). O propósito
recursal consiste em definir se a anterioridade da penhora constitui critério a ser considerado para
estabelecimento da forma de satisfação dos créditos de igual privilégio em concurso particular de credores. A
norma do art. 908 do CPC/2015, segundo a qual deve ser observada a anterioridade da penhora (e que
repete, no que importa à espécie, o teor do art. 711 do CPC/1973), incide apenas e tão somente quando se
tratar de credores quirografários, não se aplicando, portanto, aos detentores de privilégio. Segundo a
doutrina, "a preferência emanada da anterioridade da penhora, porém, é condicional e eventual, visto que
apenas atua em sua plenitude quando concorrerem ao dinheiro penhorado, ou ao produto da alienação
judicial de outro bem, dois ou mais credores quirografários, não envolvendo credores pertencentes àquele
segundo grupo, cuja primazia é oriunda de direito material. Dessa forma, além de depender da solvência do
executado, pressuposto geral ao concurso particular de credores [...], para ser plenamente eficaz depende
também da inexistência de credores concorrentes com título legal à preferência". Desse modo, não havendo
necessidade de se perquirir acerca de qual credor obteve a penhora anteriormente, aplica-se ao concurso
particular de credores formado por titulares de verbas privilegiadas de mesma natureza - como no particular
- a norma insculpida no art. 962 do Código Civil. STJ. REsp 1.987.941-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira
Turma, por unanimidade, julgado em 03/05/2022, DJe 05/05/2022 (info 735)
JUROS
É cabível a capitalização mensal dos juros remuneratórios que incidem sobre as diferenças
decorrentes de expurgos inflacionários reconhecidas em ação civil pública. REsp 1.940.427SP, Rel. Min.
Moura Ribeiro, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 09/08/2022, DJe de 15/08/2022. (Info 755 STJ)
Não incidem juros remuneratórios na restituição de depósito judicial. REsp 1.809.207-PA, Rel. Min.
Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 18/10/2022. (Info 754 STJ)
CORREÇÃO MONETÁRIA
O CUB-SINDUSCON é indexador válido para a correção monetária das prestações ajustadas
relativamente ao período de edificação do imóvel e após a conclusão da obra deve incidir o Índice
Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). AgInt no REsp 1.716.741-RS, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti,
Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 12/09/2022, DJe 19/09/2022. (Info 754 STJ)
ADOÇÃO
O pedido de nova adoção formulado pela mãe biológica, em relação à filha adotada por outrem,
anteriormente, na infância, não se afigura juridicamente impossível.
(...) A adoção de qualquer pessoa, maior ou menor de 18 anos, deve "constituir efetivo benefício para o
adotando" (CC/2002, art. 1.625), o que corresponde às "reais vantagens" da diretriz do ECA (art. 43), sendo,
dessa forma, expressões que se equivalem e induzem ao princípio do melhor interesse. Processo sob
segredo de justiça, Rel. Min. Raul Araújo, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 11/10/2022,DJe
24/10/2022. (Info 754 STJ)
NEGÓCIO JURÍDICO
O reconhecimento de simulação na compra e venda de imóvel em detrimento da partilha de bens do
casal gera nulidade do negócio e garante o direito à meação a ex-cônjuge. REsp 1.969.648-DF, Rel. Min.
Moura Ribeiro, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 18/10/2022, DJe 21/10/2022. (Info 754 STJ)
DPVAT
(I) O infortúnio qualificado como acidente de trabalho pode também ser caracterizado como sinistro
coberto pelo seguro obrigatório (DPVAT), desde que estejam presentes seus elementos constituintes:
acidente causado por veículo automotor terrestre, dano pessoal e relação de causalidade, e
(II) Os sinistros que envolvem veículos agrícolas passíveis de transitar pelas vias públicas terrestres
estão cobertos pelo seguro obrigatório (DPVAT). REsp 1.937.399-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva,
Segunda Seção, por unanimidade, julgado em 28/09/2022, DJe de 03/10/2022. (Tema 1111 - Recursos
Repetitios). (Info 751 STJ)
DIREITOS DE PERSONALIDADE
A simples pretensão de homenagear um ascendente não constitui fundamento bastante para
configurar a excepcionalidade que propicia a modificação do registro. REsp 1.962.674-MG, Rel. Min.
Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 24/05/2022, DJe 31/05/2022. (Info 748
STJ)
A utilização de fotografias que servirem tão somente para ilustrar matéria jornalística sobre fato
ocorrido e narrado pelo ponto de vista do repórter não constitui, per se, violação ao direito de
preservação de imagem ou de vida íntima e privada de outrem, não havendo que se falar em causa
para indenização por danos morais. Processo em segredo judicial, Rel. Min. Raul Araújo, Quarta Turma, por
unanimidade, julgado em 23/08/2022, DJe 31/08/2022. (Info 748 STJ)
Configura dano moral, sujeito à indenização, a veiculação, em rede nacional de TV, de imagem de
pessoa nua em praia de naturismo, sem autorização e com atribuição de conotação pejorativa.
Processo sob segredo judicial, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em
23/08/2022. (Info 746 STJ)
DIREITO CONSTITUCIONAL
DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS
“ADPF das favelas”. O STF determinou que: 1) o Estado do Rio de Janeiro elabore e encaminhe ao STF,
no prazo máximo de 90 dias, um plano para redução da letalidade policial e controle das violações aos
direitos humanos pelas forças de segurança, que apresente medidas objetivas, cronogramas
específicos e previsão dos recursos necessários para a sua implementação. 2) o emprego e a fiscalização
da legalidade do uso da força sejam feitos à luz dos Princípios Básicos sobre a Utilização da Força e de Armas
de Fogo pelos Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei. 3) seja criado um grupo de trabalho sobre
Polícia Cidadã no Observatório de Direitos Humanos localizado no Conselho Nacional de Justiça; 4) nos
termos dos Princípios Básicos sobre a Utilização da Força e de Armas de Fogo pelos Funcionários
Responsáveis pela Aplicação da Lei, só se justifica o uso da força letal por agentes de Estado quando,
ressalvada a ineficácia da elevação gradativa do nível da força empregada para neutralizar a situação de risco
ou de violência, exauridos os demais meios, inclusive os de armas não-letais, e necessário para proteger a
vida ou prevenir um dano sério, decorrente de uma ameaça concreta e iminente. 5) as investigações de
incidentes que tenham como vítimas crianças ou adolescentes terão a prioridade absoluta; 6) No caso de
buscas domiciliares por parte das forças de segurança do Estado do Rio de Janeiro, devem ser observadas as
seguintes diretrizes constitucionais, sob pena de responsabilidade: (i) a diligência, no caso específico de
cumprimento de mandado judicial, deve ser realizada somente durante o dia, vedando-se, assim, o ingresso
forçado a domicílios à noite; (ii) a diligência, quando feita sem mandado judicial, pode ter por base denúncia
anônima; (iii) a diligência deve ser justificada e detalhada por meio da elaboração de auto circunstanciado,
que deverá instruir eventual auto de prisão em flagrante ou de apreensão de adolescente por ato infracional
e ser remetido ao juízo da audiência de custódia para viabilizar o controle judicial posterior; e (iv) a diligência
deve ser realizada nos estritos limites dos fins excepcionais a que se destina. 7) seja obrigatória a
disponibilização de ambulâncias em operações policiais previamente planejadas em que haja a possibilidade
de confrontos armados, sem prejuízo da atuação dos agentes públicos e das operações; 8) o Estado do Rio de
Janeiro, no prazo máximo de 180 dias, instale equipamentos de GPS e sistemas de gravação de áudio e
vídeo nas viaturas policiais e nas fardas dos agentes de segurança, com o posterior armazenamento digital
dos respectivos arquivos. STF. Plenário. ADPF 635 MC-ED/RJ, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 2 e 3/02/2022
(Info 1042).
A liberdade de expressão não alcança a prática de discursos dolosos, com intuito manifestamente
difamatório, de juízos depreciativos de mero valor, de injúrias em razão da forma ou de críticas
aviltantes. É possível vislumbrar restrições à livre manifestação de ideias, inclusive mediante a aplicação da
lei penal, em atos, discursos ou ações que envolvam, por exemplo, a pedofilia, nos casos de discursos que
incitem a violência ou quando se tratar de discurso com intuito manifestamente difamatório. A garantia da
imunidade parlamentar não alcança os atos praticados sem claro nexo de vinculação recíproca entre o
discurso e o desempenho das funções parlamentares. Isso porque as garantias dos membros do Parlamento
são vislumbradas sob uma perspectiva funcional, ou seja, de proteção apenas das funções consideradas
essenciais aos integrantes do Poder Legislativo, independentemente de onde elas sejam exercidas. No caso,
os discursos proferidos pelo querelado teriam sido proferidos com nítido caráter injurioso e difamatório, de
forma manifestamente dolosa, sem qualquer hipótese de prévia provocação ou retorsão imediata capaz de
excluir a tipificação, em tese, dos atos descritos nas queixas-crimes. Com base nesses entendimentos, a
Segunda Turma, por maioria, ao dar provimento a agravos regimentais, recebeu queixas-crimes pelos delitos
dos arts. 139 e 140 do Código Penal. STF. 2ª Turma Pet 8242 AgR/DF, Pet 8259 AgR/DF, Pet 8259 AgR/DF, Pet
8262 AgR/DF, Pet 8263 AgR/DF, Pet 8267 AgR/DF, Pet 8366 AgR/DF, relator Min. Celso de Mello, redator do
acórdão Min. Gilmar Mendes, julgamento em 03/05/2022. (Info 1053).
Os órgãos do Sistema Brasileiro de Inteligência, conquanto necessários para a segurança pública,
segurança nacional e garantia de cumprimento eficiente dos deveres do Estado, devem operar com
estrita vinculação ao interesse público, observância aos valores democráticos e respeito aos direitos e
garantias fundamentais. Nesse contexto, caracterizam desvio de finalidade e abuso de poder a colheita, a
produção e o compartilhamento de dados, informações e conhecimentos específicos para satisfazer
interesse privado de órgão ou de agente público. Na hipótese, a utilização da máquina estatal para a colheita
de informações de servidores com postura política contrária ao governo caracteriza desvio de finalidade e
afronta aos direitos fundamentais da livre manifestação do pensamento, da privacidade, reunião e
associação, aos quais deve ser conferida máxima efetividade, pois essenciais ao regime democrático.
Ademais, os órgãos de inteligência de qualquer nível hierárquico de qualquer dos Poderes do Estado, embora
sujeitos ao controle externo realizado pelo Poder Legislativo, submetem-se também ao crivo do Poder
Judiciário, em respeito ao princípio da inafastabilidade da jurisdição). Com base nesses entendimentos, o
Plenário, por maioria, julgou procedente o pedido para confirmar a medida cautelar e declarar
inconstitucionais atos do Ministério da Justiça e Segurança Pública de produção ou compartilhamento de
informações sobre a vida pessoal,as escolhas pessoais e políticas, e as práticas cívicas de cidadãos,
servidores públicos federais, estaduais e municipais identificados como integrantes de movimento político,
professores universitários e quaisquer outros que, atuando nos limites da legalidade, exerçam seus direitos
de livremente expressar-se, reunir-se e associar-se. STF. Plenário. ADPF 722/DF, relatora Min. Cármen Lúcia,
julgamento virtual finalizado em 13/05/2022 (Info 1054).
Não viola a Constituição a previsão legal de imposição das sanções administrativas ao condutor de
veículo automotor que se recuse à realização dos testes, exames clínicos ou perícias voltados a aferir
a influência de álcool ou outra substância psicoativa (art. 165-A e art. 277, §§ 2º e 3º, todos do Código
de Trânsito Brasileiro, na redação dada pela Lei 13.281/2016). RE 1224374/RS - ADI 4017/DF - ADI 4103/DF,
relator Min. Luiz Fux, julgamento em 18 e 19.5.2022. (Tema 1079 RG) (Info 1055)
É constitucional a requisição, sem prévia autorização judicial, de dados bancários e fiscais
considerados imprescindíveis pelo Corregedor Nacional de Justiça para apurar infração de sujeito
determinado, desde que em processo regularmente instaurado mediante decisão fundamentada e
baseada em indícios concretos da prática do ato. ADI 4709/DF, relatora Min. Rosa Weber, julgamento
virtual finalizado em 27.5.2022. (Info 1056)
A Resolução 23.714/2022 do TSE — que dispõe sobre o enfrentamento à desinformação atentatória à
integridade do processo eleitoral — não exorbita o âmbito da sua competência normativa e tampouco
impõe censura ou restrição a meio de comunicação ou linha editorial da mídia imprensa e eletrônica.
ADI 7261 MC/DF, relator Min. Edson Fachin, julgamento virtual finalizado em 25.10.2022 (terça-feira), às 23:59.
(Info 1074 STF)
É legítimo, desde que observados alguns parâmetros, o compartilhamento de dados pessoais entre
órgãos e entidades da Administração Pública federal, sem qualquer prejuízo da irrestrita observância
dos princípios gerais e mecanismos de proteção elencados na Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais
(Lei 13.709/2018) e dos direitos constitucionais à privacidade e proteção de dados. ADI 6649/DF, relator
Min. Gilmar Mendes, julgamento finalizado em 15.9.2022. ADPF 695/DF, relator Min. Gilmar Mendes,
julgamento finalizado em 15.9.2022 (Info 1068 STF)
É inconstitucional ato normativo que, ao disciplinar a licença maternidade no âmbito das Forças
Armadas, estabelece prazos distintos de afastamento com fundamento na diferenciação entre a
maternidade biológica e a adotiva, bem como em função da idade da criança adotada. ADI 6603/DF,
relatora Min. Rosa Weber, julgamento virtual finalizado em 13.9.2022 (terça-feira), às 23:59. (Info 1067 STF)
Mesmo se ausente coação direta e explícita sobre o acusado, as circunstâncias de ele já haver sido
preso em flagrante pelo porte da arma de fogo em via pública e estar detido, sozinho - sem a
oportunidade de ser assistido por defesa técnica e sem mínimo esclarecimento sobre seus direitos -,
diante de dois policiais armados, poderiam macular a validade de eventual consentimento para a
realização de busca domiciliar, em virtude da existência de um constrangimento
ambiental/circunstancial.
Isso porque a prova do consentimento do morador para a realização de busca domiciliar é um
requisito necessário, mas não suficiente, por si só, para legitimá-la, porquanto deve ser assegurado
que tal consentimento, além de existente, seja válido, isto é, livre de vícios aptos a afetar a
manifestação de vontade. HC 762.932-SP, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, por
unanimidade, julgado em 22/11/2022, DJe 30/11/2022. (Info 760 STJ)
O simples fato de o acusado ter antecedente por tráfico de drogas não autoriza a realização de busca
domiciliar, porquanto desacompanhado de outros indícios concretos e robustos de que, nesse
momento específico, ele guarda drogas em sua residência. HC 762.932-SP, Rel. Ministro Rogerio Schietti
Cruz, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 22/11/2022, DJe 30/11/2022. (Info 760 STJ)
Havendo controvérsia entre as declarações dos policiais e do flagranteado, e inexistindo a
comprovação de que a autorização do morador foi livre e sem vício de consentimento, impõe-se o
reconhecimento da ilegalidade da busca domiciliar. AgRg no HC 766.654-SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares
da Fonseca, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 13/09/2022, DJe 19/09/2022. (Info 759 STJ)
A habitação em prédio abandonado de escola municipal pode caracterizar o conceito de domicílio em
que incide a proteção disposta no art. 5º, inciso XI da Constituição Federal. AgRg no HC 712.529-SE, Rel.
Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 25/10/2022, publicado em 04/11/2022. (Info
755 STJ)
A divulgação de notícia ou crítica acerca de atos ou decisões do Poder Público, ou de comportamento
de seus agentes, não configuram, a princípio, abuso no exercício da liberdade de imprensa, desde que
não se refiram a núcleo essencial de intimidade e de vida privada da pessoa. REsp 1.325.938-SE, Rel.
Min. Raul Araújo, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 23/08/2022, DJe 31/08/2022. (Info 749 STJ)
O princípio da intranscendência da pena, previsto no art. 5º, XLV da Constituição Federal, tem
aplicação às pessoas jurídicas, de modo que, extinta legalmente a pessoa jurídica - sem nenhum
indício de fraude -, aplica-se analogicamente o art. 107, I, do Código Penal, com a consequente
extinção de sua punibilidade. REsp 1.977.172-PR, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Terceira Seção, por maioria,
julgado em 24/08/2022. (Info 746 STJ)
O acesso ao chip telefônico descartado pelo acusado em via pública não se qualifica como quebra de
sigilo telefônico. HC 720.605-PR, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em
09/08/2022. (Info 744 STJ)
A determinação para que os provedores de busca na internet procedam a desvinculação do nome de
determinada pessoa, sem qualquer outro termo empregado, com fato desabonador a seu respeito dos
resultados de pesquisa não se confunde com o direito ao esquecimento, objeto da tese de repercussão
geral 786/STF. Processo em segredo judicial, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, por maioria,
julgado em 21/06/2022, DJe 30/06/2022. (Info 743 STJ)
DIREITOS SOCIAIS
Não há vedação para a fixação de piso salarial em múltiplos do salário mínimo, desde que inexistam
reajustes automáticos. A fixação do piso salarial em múltiplos do salário mínimo mostra-se compatível com
o texto constitucional, desde que não ocorra vinculação a reajustes futuros. STF. Plenário. ADPF 53 Ref-MC/PI,
ADPF 149 Ref-MC/DF e ADPF 171 Ref-MC/MA, Rel. Min. Rosa Weber, julgados em 18/02/2022 (Info 1044). No
mesmo sentido é a OJ 71, da SBDI-2 do TST: “A estipulação do salário profissional em múltiplos do salário
mínimo não afronta o art. 7º, inciso IV, da Constituição Federal de 1988, só incorrendo em vulneração do
referido preceito constitucional a fixação de correção automática do salário pelo reajuste do salário mínimo.”
No exercício da autonomia legislativa municipal, não pode o Município, ao disciplinar o regime
jurídico de seus servidores, restringir o direito de férias a servidor em licença saúde de maneira a
inviabilizar o gozo de férias anuais previsto no art. 7º, XVII da Constituição Federal de 1988.
Lei municipal não pode limitar o direito fundamental de férias do servidor público que gozar, em seu período
aquisitivo, de mais de 2 meses de licença médica. O direito ao gozo de férias anuais remuneradas é
constitucionalmente assegurado aos trabalhadores urbanos e rurais (CF/1988, art. 7º, XVII) e extensível
aos servidores públicos (CF/1988, art. 39, § 3º). Não é possível inferir ou extrair do texto da Constituição
Federal qualquer limitação ao exercício desse direito, de modo que a legislação infraconstitucional não pode
fazê-lo. Portanto, embora a autonomia municipal também seja protegida por disposição constitucionalexpressa (CF/1988, arts. 18 e 30), o município não pode, mesmo sob o pretexto de disciplinar o regime
jurídico de seus servidores, tornar irrealizável direito fundamental a eles conferido. (...) RE 593448/MG,
relator Ministro Edson Fachin, julgamento virtual finalizado em 2.12.2022 (sexta-feira), às 23:59. (Tema 221 -
Repercussão Geral). (Info 1078 STF)
Nos casos de internações pós-parto que durem mais de duas semanas, o termo inicial da
licença-maternidade e do salário-maternidade é a alta hospitalar da mãe ou do recém-nascido — o
que ocorrer por último —, prorrogando-se ambos os benefícios por igual período ao da internação,
visto que não podem ser reduzidos de modo irrazoável e conflitante com o direito social de proteção à
maternidade e à infância. ADI 6327/DF, relator Min. Edson Fachin, julgamento virtual finalizado em
21.10.2022 (sexta-feira), às 23:59. (Info 1073 STF)
EDUCAÇÃO
É inconstitucional a concessão de descontos lineares nas mensalidades das faculdades privadas na
pandemia da Covid-19. São inconstitucionais as interpretações judiciais que, unicamente fundamentadas na
eclosão da pandemia de Covid-19 e no respectivo efeito de transposição de aulas presenciais para ambientes
virtuais, determinam às instituições privadas de ensino superior a concessão de descontos lineares nas
contraprestações dos contratos educacionais, sem considerar as peculiaridades dos efeitos da crise
pandêmica em ambas as partes contratuais envolvidas na lide. Tese fixada pelo STF: É inconstitucional
decisão judicial que, sem considerar as circunstâncias fáticas efetivamente demonstradas, deixa de sopesar
os reais efeitos da pandemia em ambas as partes contratuais, e determina a concessão de descontos lineares
em mensalidades de cursos prestados por instituições de ensino superior. STF. Plenário. ADPF 706/DF e ADPF
713/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgados em 17 e 18/11/2021 (Info 1038).
Se o Estado ou Município receber da União valores de complementação do FUNDEB, por força de
condenação judicial, ele não precisa aplicar a quantia recebida na forma do art. 60, XII, do ADCT. O
caráter extraordinário dos valores de complementação do FUNDEB pagos pela União aos estados e aos
municípios, por força de condenação judicial, justifica o afastamento da subvinculação prevista nos arts. 60,
XII, do ADCT e 22 da Lei nº 11.949/2007. É inconstitucional o pagamento de honorários advocatícios
contratuais com recursos destinados ao FUNDEB, o que representaria indevido desvio de verbas
constitucionalmente vinculadas à educação. STF. Plenário. ADPF 528/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 18/3/2022 (Info 1047).
DIREITO À SAÚDE
STF determinou à União o restabelecimento dos leitos de UTI destinados ao tratamento da Covid-19
que estavam custeados pelo Ministério da Saúde até dezembro de 2020, e que foram reduzidos nos
meses de janeiro e fevereiro de 2021. A União deve prestar suporte técnico e apoio financeiro para a
expansão da rede de UTI’s nos estados durante o período de emergência sanitária. STF. Plenário. ACO
3473/DF, ACO 3474/SP, ACO 3475/DF, ACO 3478/PI e ACO 3483/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgados em
10/11/2021 (Info 1037).
Não se pode utilizar verbas do Fundeb para combater a pandemia da Covid-19. É vedada a utilização,
ainda que em caráter excepcional, de recursos vinculados ao Fundeb para ações de combate à pandemia do
novo coronavírus (Covid-19). Ainda que se reconheça a gravidade da pandemia da Covid-19 e os seus
impactos na economia e nas finanças públicas, nada justifica o emprego de verba constitucionalmente
vinculada à manutenção e desenvolvimento do ensino básico para fins diversos do que ela se destina. STF.
Plenário. ADI 6490/PI, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 18/2/2022 (Info 1044).
Notas técnicas do Ministério da Mulher e do Ministério da Saúde devem esclarecer a validade da
compulsoriedade da vacinação, conforme decidiu o STF; disque denúncia não pode ser utilizado para
queixas contra a obrigatoriedade da vacinação e das medidas restritivas contra a Covid. As notas
técnicas objeto de análise, ao disseminarem informações matizadas pela dubiedade e ambivalência, no
concernente à compulsoriedade da imunização, podem desinformar a população, desestimulando a
vacinação contra a Covid-19. É vedado ao governo federal a utilização do canal de denúncias “Disque 100” do
Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos (MMFDH) para recebimento de queixas relacionadas à
vacinação contra a Covid-19, bem como para o recebimento de queixas relacionadas a restrições de direitos
consideradas legítimas pelo STF. Resumo do caso concreto: o MMFDH produziu uma nota técnica em que se
opõe ao passaporte vacinal e à obrigatoriedade de vacinação de crianças contra a Covid. O Ministério da
Saúde divulgou em seu site uma nota técnica dedicada unicamente a fornecer argumentos jurídicos para
sustentar que a vacinação de crianças não é obrigatória. MMFDH estava disponibilizando canal de denúncia
para que a população apresentasse queixas contra a vacinação e restrições da Covid. STF considerou que
essas práticas seriam ilegítimas, devendo as notas técnicas serem retificadas para que seja esclarecida a
validade da compulsoriedade da vacinação. Além disso, foi proibida a utilização do disque denúncia para a
finalidade com a qual estava sendo usada. STF. Plenário. ADPF 754 16ª TPI-Ref/DF, Rel. Min. Ricardo
Lewandowski, julgado em 18/3/2022 (Info 1047).
É possível obrigar o Estado a fornecer medicamento off label? • Em regra, não é possível que o paciente
exija do poder público o fornecimento de medicamento para uso off label. Excepcionalmente, será
possível que o paciente exija o medicamento caso esse determinado uso fora da bula (off label) tenha
sido autorizado pela ANVISA. O Estado não é obrigado a fornecer medicamento para utilização off label,
salvo autorização da ANVISA. STJ. 1ª Seção. PUIL 2.101-MG, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 10/11/2021
(Info 717).
É obrigatória a inclusão da União no polo passivo de demanda na qual se pede o fornecimento gratuito
de medicamento registrado na Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas não incorporado aos
Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas do Sistema Único de Saúde. No caso, a decisão de
autoridade judicial no sentido de que a União deve necessariamente compor o polo passivo da lide está em
consonância com a tese fixada por este Tribunal em sede de embargos de declaração no RE 855.178 (Tema
793 da repercussão geral). Com base nesse entendimento, a Primeira Turma deu provimento a agravo
interno para negar seguimento a recurso extraordinário, mantendo a remessa à Justiça Federal determinada
na origem, bem como a medida liminar deferida, até que o juízo competente analise a causa. STF. RE 1286407
AgR-segundo/PR, relator Min. Alexandre de Moraes, julgado em 26/04/2022.
COMPETÊNCIA LEGISLATIVA
É inconstitucional lei estadual que preveja que os serviços privados de educação são obrigados a
conceder, a seus clientes preexistentes, os mesmos benefícios de promoções posteriormente
realizadas.
É inconstitucional lei estadual que impõe aos prestadores privados de serviços de ensino a obrigação de
estender o benefício de novas promoções aos clientes preexistentes. Lei fluminense dizia que os serviços
privados de educação prestados de forma contínua no Estado do Rio de Janeiro seriam obrigados a conceder,
a seus clientes preexistentes, os mesmos benefícios de promoções posteriormente realizadas. O STF
declarou a inconstitucionalidade dessa previsão. A norma estadual, ao impor aos prestadores de serviços de
ensino a obrigação de estender o benefício de novas promoções aos clientes preexistentes, promove
ingerência indevida em relações contratuais estabelecidas, sem que exista conduta abusiva por parte do
prestador. Logo, afronta o art. 22, I, da CF/88. STF. Plenário. ADI 6614/RJ, Rel. Min. Rosa Weber, redator do
acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 12/11/2021 (Info 1037).
É inconstitucionala lei estadual que proíbe a cobrança de juros, multas e parcelas vencidas de
contratos de financiamento. Foi declarada a inconstitucionalidade da Lei nº 11.962/2021, do Estado da
Paraíba, que previa o seguinte: Art. 1º Fica vedada a cobrança de juros, multas e demais encargos financeiros,
além da inscrição do consumidor junto aos órgãos de proteção ao crédito, em razão do inadimplemento de
contratos de financiamento, quando o inadimplemento das parcelas decorrer de ação de boa-fé do
consumidor no cumprimento de legislação vigente a época do inadimplemento. STF. Plenário. ADI 6938/PB,
Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 22/11/2021 (Info 1038).
É inconstitucional lei estadual que imponha obrigações às empresas seguradoras, sendo também
inconstitucional lei estadual, de iniciativa parlamentar, que imponha obrigações ao DETRAN. Tema já
apreciado no Info 934-STF. É inconstitucional a lei estadual que disciplina, no âmbito do ente federado,
aspectos das relações entre seguradoras e segurados Esta lei estadual viola a competência privativa da União
para legislar sobre direito civil, seguros, trânsito e transporte (art. 22, I, VII e XI, da CF/88). São
inconstitucionais normas estaduais que disponham sobre relações contratuais securitárias, por
consubstanciarem tema de direito civil e seguros, afetos à competência legislativa privativa da União (art. 22, I
e VII, CF/88). É inconstitucional lei estadual, de iniciativa parlamentar, que atribua competências ao
Departamento Estadual de Trânsito (DETRAN) Aplica-se, em âmbito estadual, o art. 61, § 1º, da Constituição
Federal, que consagra reserva de iniciativa do Chefe do Poder Executivo para iniciar o processo legislativo das
matérias nele constantes. A criação de atribuições, por meio de lei oriunda de projeto de iniciativa
parlamentar, a órgão vinculado à estrutura do Poder Executivo revela-se colidente com a reserva de iniciativa
do Governador do Estado (arts. 61, § 1º, II, e, 84, VI, “a”, CF/88). STF. Plenário. ADI 6132/GO, Rel. Min. Rosa
Weber, julgado em 26/11/2021 (Info 1039).
MPTC não possui iniciativa legislativa, sua organização não é tratada por lei complementar e a CF/88
não autoriza que seus vencimentos e vantagens sejam equiparados aos do MP comum. O Ministério
Público junto ao Tribunal de Contas encontra-se estritamente vinculado à estrutura da Corte de Contas e não
detém autonomia jurídica e iniciativa legislativa para as leis que definem sua estrutura organizacional. É
inconstitucional a exigência de lei complementar para regular a organização do Ministério Público especial. A
Constituição não autoriza a equiparação de “vencimentos” e “vantagens” entre membros do Ministério
Público especial e membros do Ministério Público comum. STF. Plenário. ADI 3804/AL, Rel. Min. Dias Toffoli,
julgado em 3/12/2021 (Info 1040).
É inconstitucional lei estadual que legitime ocupações em solo urbano de área de preservação
permanente (APP) fora das situações previstas em normas gerais editadas pela União. Os arts. 2º, III; 3º,
II, “c”; e 17, da Lei nº 20.922/2013, do Estado de Minas Gerais, ampliaram os casos de ocupação antrópica em
áreas de preservação permanente previstos na norma federal vigente à época (no caso, a Lei nº 11.977/2009,
revogada pela Lei nº 13.465/2017). Com isso, essa lei estadual, além de estar em descompasso com o
conjunto normativo elaborado pela União, flexibilizou a proteção ao meio ambiente local, tornando-o mais
propenso a sofrer danos. A legislação mineira, ao flexibilizar os casos de ocupação antrópica em áreas de
Preservação Permanente, invadiu a competência da União, que já havia editado norma que tratava da
regularização e ocupação fundiária em APPs. STF. Plenário. ADI 5675/MG, Rel. Min. Ricardo Lewandowski,
julgado em 17/12/2021 (Info 1042).
Lei estadual não pode proibir que os prestadores de serviço público de abastecimento de água e de
esgotamento sanitário inscrevam os usuários inadimplentes no SPC/Serasa. É inconstitucional lei
estadual que vede a inscrição em cadastro de proteção ao crédito de usuário inadimplente dos serviços de
abastecimento de água e esgotamento sanitário. STF. Plenário. ADI 6668/MG, Rel. Min. Gilmar Mendes,
julgado em 11/2/2022 (Info 1043).
Lei estadual pode obrigar empresas de TV por assinatura e estabelecimentos comerciais de venda a
fornecerem atendimento telefônico gratuito aos clientes. É válida lei estadual que obrigue empresas
prestadoras de serviços de televisão por assinatura e estabelecimentos comerciais de vendas no varejo e no
atacado — que já possuam Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) — a fornecerem atendimento
telefônico gratuito a seus clientes. STF. Plenário. ADI 4118/RJ, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 25/2/2022
(Info 1045).
A lei estadual não pode conceder porte de arma para Procuradores do Estado. A concessão de porte de
arma a procuradores estaduais, por lei estadual, é incompatível com a Constituição Federal. STF. Plenário. ADI
6985/AL, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 25/2/2022 (Info 1045).
Análise da inconstitucionalidade de lei estadual que trouxe regras para a inclusão e exclusão de
consumidores dos cadastros de proteção ao crédito (ex: SPC/Serasa). 1) Lei estadual não pode exigir que
o consumidor, antes de ser inserido no cadastro restritivo, seja comunicado por meio de AR A adoção de
sistema de comunicação prévia a consumidor inadimplente por carta registrada com aviso de recebimento
configura desrespeito à Constituição Federal. 2) Lei estadual não pode exigir que seja dado ao consumidor
um prazo de tolerância antes da sua inserção no cadastro restritivo É inconstitucional a previsão, por lei
estadual, de “prazo de tolerância” a impedir que o nome do consumidor inadimplente seja imediatamente
inscrito em cadastro ou banco de dados. 3) As empresas administradoras de bancos de dados e cadastros de
consumidores não se qualificam como entidades certificadoras da certeza, liquidez e exigibilidade dos títulos
de dívidas A supressão da verificação prévia quanto à existência do crédito, exigibilidade do título e
inadimplência do devedor não caracteriza violação do princípio da vedação ao retrocesso. STF. Plenário. ADI
5224/SP, ADI 5252/SP, ADI 5273/SP e ADI 5978/SP, Rel. Min. Rosa Weber, julgados em 8/3/2022 (Info 1046).
É inconstitucional lei estadual que fixe a obrigatoriedade de divulgação diária de fotos de crianças
desaparecidas em noticiários de TV e em jornais de estado-membro. Lei estadual 16.576/2015, de Santa
Catarina, previa “a obrigatoriedade diária de divulgação de fotos de crianças desaparecidas nos noticiários de
TV e jornais sediados” no Estado. Essa lei é inconstitucional sob os pontos de vista formal e material. A lei
estadual invadiu a competência privativa da União para legislar sobre radiodifusão de sons e imagens (art. 22,
IV, da CF/88). No que tange ao aspecto material, a lei estadual viola o princípio da livre iniciativa e a liberdade
de informação jornalística dos veículos de comunicação social (art. 220 da CF/88). Além disso, disciplina o
tema de forma diferente daquilo que prevê a Lei federal nº 12.127/2009, que criou o Cadastro Nacional de
Crianças e Adolescentes Desaparecidos. STF. Plenário. ADI 5292/SC, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em
25/3/2022 (Info 1048).
Não há vício de iniciativa de lei na edição de norma de origem parlamentar que proíba a substituição
de trabalhador privado em greve por servidor público. Dispositivo legal, de iniciativa parlamentar, que foi
considerado constitucional: “ao servidor público do Distrito Federal é proibido substituir, sob qualquer
pretexto, trabalhadores de empresas privadas em greve”. A proibição de que o trabalhador privado em greve
seja substituído por servidor público não inibe a iniciativa do Governador do Distrito Federal para propor leis
sobre organização administrativa, servidores públicos e regime jurídico destes. STF. Plenário. ADI 1164/DF,
Rel. Min. Nunes Marques, julgado em 1º/4/2022 (Info 1049).
Competeaos estados-membros a definição do prazo de validade de bilhetes de transporte rodoviário
intermunicipal de passageiros. A União possui competência para explorar os serviços de transporte
rodoviário interestadual e internacional (art. 21, XII, “e”, da CF/88). Logo, compete à União privativamente
legislar sobre o transporte rodoviário interestadual e internacional. O transporte coletivo intramunicipal é de
competência do Município (art. 30, V, da CF/88). Logo, como consequência, compete aos Municípios legislar
sobre o transporte coletivo intramunicipal. A Constituição Federal não trouxe uma regra expressa
dizendo de quem seria a competência para explorar os serviços de transporte intermunicipal. Diante
disso, a competência será dos Estados-membros, que possuem competência residual, na forma do art. 25, §
1º, da CF/88. O prazo de validade pode influenciar na política tarifária e, por consequência, impactar o
equilíbrio econômico-financeiro do contrato celebrado em âmbito estadual. O prazo de validade do bilhete,
mais elastecido ou não, corresponde a um benefício que, por sua natureza, tem um custo. Logo, incumbe aos
Estados-membros, como titulares da exploração do transporte rodoviário intermunicipal, a definição da
respectiva política tarifária, à luz dos elementos que possam influenciá-la, como o prazo de validade do
bilhete, nos termos do art. 175 da Constituição. A União, ao dispor acerca do prazo de validade dos bilhetes
de transporte coletivo rodoviário intermunicipal, imiscuiu-se na competência constitucional residual do
Estado-membro. STF. Plenário. ADI 4289/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 8/4/2022 (Info 1050).
É constitucional lei estadual que concede aos professores das redes públicas estadual e municipais de
ensino o benefício da meia-entrada nos estabelecimentos de lazer e entretenimento. O Estado que
edita lei concedendo meia-entrada para os professores das redes públicas estadual e municipais de ensino
atua no exercício da competência suplementar prevista no art. 24, § 2º, da Constituição Federal. Ao não
incluir no benefício da meia-entrada os professores pertencentes à rede privada e aqueles vinculados às
unidades federais de ensino, a legislação atacada não atuou de forma anti-isonômica. Os professores da rede
privada estão sob influência de outros mecanismos de incentivo e os professores da rede pública federal
estão dedicados quase exclusivamente ao ensino superior e à educação profissional e tecnológica. STF.
Plenário. ADI 3753/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 8/4/2022 (Info 1050).
É formalmente inconstitucional lei estadual que estabelece obrigações referentes a serviço de
assistência médico-hospitalar que interferem nas relações contratuais estabelecidas entre as
operadoras de planos de saúde e seus usuários. Esses temas são relativos a direito civil e concernem à
política de seguros, matérias conferidas constitucionalmente à competência legislativa privativa da União, nos
termos do art. 22, I e VII, da CF (2). Com base nesse entendimento, o Plenário, por unanimidade, julgou
procedente o pedido formulado em ação direta para declarar a inconstitucionalidade formal da Lei
11.782/2020 do Estado da Paraíba. STF. Plenário. ADI 7029/PB, relatora Min. Cármen Lúcia, julgamento virtual
finalizado em 06/05/2022.
É inconstitucional lei federal, de iniciativa parlamentar, que veda medida privativa e restritiva de
liberdade a policiais e bombeiros militares dos estados, dos territórios e do Distrito Federal. ADI
6595/DF, relator Min. Ricardo Lewandowski, julgamento virtual finalizado em 20.5.2022. (Info 1055)
É formalmente inconstitucional norma federal que concede anistia a policiais e bombeiros militares
estaduais por infrações disciplinares decorrentes da participação em movimentos reivindicatórios por
melhorias de vencimentos e de condições de trabalho. ADI 4869/DF, relatora Min. Cármen Lúcia,
julgamento virtual finalizado em 27.5.2022. (Info 1056)
É constitucional norma estadual decorrente de emenda parlamentar a projeto de lei de iniciativa do
Tribunal de Contas estadual que veicule regras sobre prescrição e decadência a ele aplicáveis. ADI
5384/MG, relator Min. Alexandre de Moraes, julgamento virtual finalizado em 27.5.2022. (Info 1056)
São inconstitucionais emendas parlamentares estaduais de caráter impositivo em lei orçamentária
anteriores à vigência das ECs 86/2015 e 100/2019.
Não cabe à Constituição estadual instituir a figura das programações orçamentárias impositivas fora das
hipóteses previstas no regramento nacional. ADI 6308/RR, Min. Roberto Barroso, julgamento virtual
finalizado em 3.6.2022. (Info 1057)
É inconstitucional, por ofensa ao princípio da separação dos Poderes, norma estadual que submete as
despesas com pessoal do Ministério Público de Contas aos limites orçamentários fixados para o Poder
Executivo. ADI 5563/RR, relator Min. Edson Fachin, julgamento virtual finalizado em 3.6.2022. (Info 1057)
É inconstitucional lei estadual que impõe aos prestadores privados de serviços de ensino e de
telefonia celular a obrigação de estender o benefício de novas promoções aos clientes preexistentes.
ADI 5399/SP - ADI 6191/SP,, relator Min. Roberto Barroso, julgamento em 9.6.2022. (Info 1058)
A repartição de competências comuns, instituída pela LC 140/2011, mediante atribuição prévia e
estática das competências administrativas de fiscalização ambiental aos entes federados, atende às
exigências do princípio da subsidiariedade e do perfil cooperativo do modelo de Federação, cuja
finalidade é conferir efetividade nos encargos constitucionais de proteção dos valores e direitos
fundamentais. É inconstitucional regra que autoriza estado indeterminado de prorrogação
automática de licença ambiental. No exercício da cooperação administrativa cabe atuação
suplementar — ainda que não conflitiva — da União com a dos órgãos estadual e municipal. ADI
4757/DF, relatora Ministra Rosa Weber, julgamento virtual finalizado em 12.12.2022 (segunda-feira), às 23:59.
(Info 1079 STF)
É constitucional a instituição, por lei municipal, de feriado local para a comemoração do Dia da
Consciência Negra, a ser celebrado em 20 de novembro, em especial porque a data representa um
símbolo de resistência cultural e configura ação afirmativa contra o preconceito racial. ADPF 634/SP,
relatora Ministra Cármen Lúcia, julgamento finalizado em 30.11.2022. (Info 1078 STF)
É inconstitucional — por violar a competência privativa da União para legislar sobre trânsito e
transporte (CF/1988, art. 22, XI) e conferir tratamento diverso do previsto no Código de Trânsito
Brasileiro — lei estadual que proíbe a apreensão e a remoção de motocicletas, motonetas e
ciclomotores de até 150 cilindradas, por autoridade de trânsito, em razão da falta de pagamento do
IPVA. ADI 6997/RN, relator Ministro Gilmar Mendes julgamento virtual finalizado em 25.11.2022 (sexta-feira),
às 23:59. (Info 1077 STF)
É privativa da União a competência para legislar sobre condições para o exercício da profissão de
despachante (CF/1988, art. 22, XVI), de modo que a disciplina legal dos temas relacionados à sua
regulamentação também deve ser estabelecida pela União. ADI 6740/RN, relator Min. Gilmar Mendes,
julgamento virtual finalizado em 21.11.2022 (segunda-feira), às 23:59. ADI6738/GO, relator Min. Gilmar
Mendes, julgamento virtual finalizado em 21.11.2022 (segunda-feira), às 23:59. (Info 1076 STF)
É constitucional lei estadual que prevê a reserva de assentos especiais a serem utilizados por pessoas
obesas, correspondente a 3% dos lugares em salas de projeções, teatros e espaços culturais
localizados em seu território e a, no mínimo, 2 lugares em cada veículo do transporte coletivo
municipal e intermunicipal. ADI 2477/PR, relator Min. Roberto Barroso, julgamento virtual finalizado em
21.10.2022 (sexta-feira), às 23:59. ADI 2572/PR, relator Min. Roberto Barroso, julgamento virtual finalizado em
21.10.2022 (sexta-feira), às 23:59. (Info 1073 STF)
É constitucional– formal e materialmente – lei municipal que obriga à substituição de sacos e sacolas
plásticos por sacos e sacolas biodegradáveis. RE 732686/SP, relator Min. Luiz Fux, julgamento finalizado
em 19.10.2022. Tema 970 da Repercussão Geral. (Info 1073 STF)
É inconstitucional, por ofensa à competência privativa da União para legislar sobre direito civil e
política de seguros (CF/1988, art. 22, I e VII), lei estadual que veda, no âmbito de seu território,
operadoras de plano de saúde de limitarem consultas e sessões para o tratamento de pessoas com
deficiência. ADI 7172/RJ, relatora Min. Cármen Lúcia, julgamento virtual finalizado em 17.10.2022
(segunda-feira), às 23:59. (Info 1072 STF)
É inconstitucional, por violar competência legislativa privativa da União, lei estadual que obriga a
Fazenda Pública a antecipar o pagamento das despesas com diligências dos oficiais de justiça. ADI
5969/PA, relator Min. Dias Toffoli, julgamento virtual finalizado em 30.9.2022 (sexta-feira), às 23:59. (Info 1070
STF)
É inconstitucional, por ofensa à competência privativa da União para legislar sobre telecomunicações,
lei estadual que veda a aplicação de multa por quebra de fidelidade nos serviços de TV por assinatura,
telefonia, internet e serviços assemelhados, enquanto perdurar a pandemia da Covid-19. ADI 7211/RJ,
relator Min. Alexandre de Moraes, julgamento virtual finalizado em 30.9.2022 (sexta-feira), às 23:59. (Info
1070 STF)
É inconstitucional, por violar competência da União para legislar sobre materiais bélicos, norma
estadual que reconhece o risco da atividade e a efetiva necessidade do porte de arma de fogo ao
atirador desportivo integrante de entidades de desporto legalmente constituídas e ao vigilante de
empresa de segurança privada. ADI 7188/AC, relatora Min. Cármen Lúcia, julgamento virtual finalizado em
23.9.2022 (sexta-feira), às 23:59. ADI 7189/AM, relatora Min. Cármen Lúcia, julgamento virtual finalizado em
23.9.2022 (sexta-feira), às 23:59. (Info 1069 STF)
A flexibilização, via decreto presidencial, dos critérios e requisitos para a aquisição de armas de fogo
prejudica a fiscalização do Poder Público, além de violar a competência legislativa em sentido estrito
para a normatização das hipóteses legais quanto à sua efetiva necessidade. ADI 6119 MC-Ref/DF, relator
Min. Edson Fachin, julgamento virtual finalizado em 20.9.2022 (terça-feira), às 23:59. ADI 6139 MC-Ref/DF,
relator Min. Edson Fachin, julgamento virtual finalizado em 20.9.2022 (terça-feira), às 23:59. ADI 6466
MC-Ref/DF, relator Min. Edson Fachin, julgamento virtual finalizado em 20.9.2022 (terça-feira), às 23:59. (Info
1069 STF)
É inconstitucional a Lei 13.756/2004 do município de São Paulo, por configurar invasão à competência
privativa da União para legislar sobre telecomunicações e radiodifusão (CF/1988, art. 22, IV).
É inconstitucional, por violação à competência legislativa privativa da União, lei municipal que versa
sobre a instalação de estação rádio base (ERB) e dá ensejo à atividade fiscalizatória do município,
quanto ao uso e a ocupação do solo urbano em seu território. ARE 1370232/SP, relator Min. Luiz Fux,
julgamento finalizado no Plenário Virtual em 8.9.2022. (Info 1067 STF. Tema 1235 de Repercussão Geral)
É inconstitucional, por violação ao princípio da simetria, norma de Constituição Estadual que confere
foro por prerrogativa de função a autoridades que não guardam semelhança com as que o detém na
esfera federal. ADI 6511/RR, relator Min. Dias Toffoli, julgamento virtual finalizado em 13.9.2022 (terça-feira),
às 23:59. (Info 1067 STF).
É inconstitucional, por violar os arts. 21, XI, 22, IV, e 48, XII da CF/1988, norma estadual que proíbe
concessionárias de serviços de telecomunicação de ofertarem e comercializarem serviço de valor
adicionado (SVA). ADI 6199/PE, relator Min. Nunes Marques, julgamento virtual finalizado em 15.8.2022
(segunda-feira), às 23:59. (Info 1063 STF)
É inconstitucional, por invadir a competência municipal para legislar sobre assuntos de interesse local
(CF/1988, art. 30, I e V), lei estadual que concede, por período determinado, isenção das tarifas de água
e esgoto e de energia elétrica aos consumidores residenciais, industriais e comerciais.
Não cabe às leis estaduais a interferência em contratos de concessão de serviços federal e municipal,
alterando condições que impactam na equação econômico-financeira. ADI 6912/MG, relator Min.
Alexandre de Moraes, julgamento virtual finalizado em 15.8.2022 (segunda-feira), às 23:59. (Info 1063 STF).
É inconstitucional, por violação à competência privativa da União para legislar sobre direito civil
(CF/1988, art. 22, I), norma estadual que impede as instituições particulares de ensino superior de
recusarem a matrícula de estudantes inadimplentes e de cobrar juros, multas, correção monetária ou
quaisquer outros encargos durante o período de calamidade pública causado pela pandemia da
COVID-19. ADI 7104/RJ, relator Min. Edson Fachin, julgamento virtual finalizado em 5.8.2022 (sexta-feira), às
23:59. ADI 7179/RJ, relator Min. Edson Fachin, julgamento virtual finalizado em 5.8.2022 (sexta-feira), às 23:59.
É inconstitucional norma de Constituição estadual que dispõe sobre serviços de atividades nucleares
de qualquer natureza. ADI 6858/AM, relator Min. Ricardo Lewandowski, julgamento virtual finalizado em
1º.7.2022 (sexta-feira), às 23:59. (Info 1061 STF)
É inconstitucional norma de Constituição estadual que impõe condições locais para a construção de
instalações nucleares e de energia elétrica. ADI 7076/PR, relator Min. Roberto Barroso, julgamento virtual
finalizado em 24.6.2022 . (Info 1060 STF)
É inconstitucional norma estadual que dispõe sobre valores correspondentes a depósitos judiciais e
extrajudiciais de terceiros, ou seja, em que o ente federado não é parte interessada. ADI 6660/PE,
relatora Min. Rosa Weber, julgamento virtual finalizado em 20.6.2022. (Info 1060 STF)
Compete às Turmas de Direito Público do STJ o julgamento de ação civil pública ajuizada por Órgão
estadual que fiscaliza a implementação e a manutenção adequada do serviço gratuito SAC, por
telefone, "lei do call center", e o prestador de serviço regulado pelo Poder Público federal - serviço de
televisão por assinatura. CC 179.846-DF, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Corte Especial, por unanimidade,
julgado em 03/08/2022. (Info 743 STJ)
A competência para julgamento de controvérsia que diz respeito a pretensão de recomposição do
equilíbrio econômico-financeiro do contrato, que não ostenta índole administrativa, e reconvenção
relacionado a devolução de adiantamentos realizados nesse mesmo acordo, entre empresas privadas,
é das Turmas de Direito Privado. CC 182.897-DF, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Corte Especial, por
unanimidade, julgado em 01/08/2022. (Info 743 STJ)
INTERVENÇÃO FEDERAL
Juiz prolatou sentença determinando a reintegração de posse em imóvel rural ocupado pelo MST;
apesar de a decisão ter sido proferida há muitos anos, a ordem nunca foi cumprida; deverá ser
deferida a intervenção federal? A excepcionalidade e a gravidade que circundam a intervenção federal,
bem como a complexidade que emana do cumprimento da ordem de desocupação, sobrepõem-se ao
interesse particular dos proprietários do imóvel. Na hipótese em análise, não há como reconhecer tenha o
ente estatal se mantido inerte, em afronta à decisão judicial, não havendo que se falar em recusa ilícita, a
ponto de justificar a intervenção, porquanto a situação fática comprovada nos autos revela questão de cunho
social e coletivo, desbordando da esfera individual da parte autora. STJ. Corte Especial. IF 113-PR, Rel. Min.
Jorge Mussi, julgado em 06/04/2022 (Info 732). Obs: existem decisões mais antigas deferindo a intervenção:
STJ. Corte Especial. IF 115/PR, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 21/6/2017.
PODER LEGISLATIVO
Norma estadual ou municipal não pode conferir ao parlamentar, individualmente, o poder de
requisitar informações ao PoderExecutivo. O art. 101 da CE/RJ estabelecia que “a qualquer Deputado”
seria permitido formular requerimento de informação ao Poder Executivo, constituindo crime de
responsabilidade, nos termos da lei, o não atendimento no prazo de trinta dias, ou a prestação de
informações falsas. O STF declarou a inconstitucionalidade da expressão “a qualquer Deputado” constante do
caput desse dispositivo. O art. 49, X, da CF/88 é taxativo ao conferir exclusivamente às Casas do Poder
Legislativo a competência para fiscalizar os atos do Poder Executivo. Não se admite que norma estadual crie
outras modalidades de controle ou inovem a forma de exercício desse controle ultrapassando aquilo que foi
previsto na Constituição Federal, sob pena de violação ao princípio da separação dos poderes (art. 2º). STF.
Plenário. ADI 4700/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 13/12/2021 (Info 1041).
(i) a eleição dos membros das Mesas das Assembleias Legislativas estaduais deve observar o limite de
uma única reeleição ou recondução, limite cuja observância independe de os mandatos consecutivos
referirem-se à mesma legislatura;
(ii) a vedação à reeleição ou recondução aplica-se somente para o mesmo cargo da mesa diretora, não
impedindo que membro da mesa anterior se mantenha no órgão de direção, desde que em cargo
distinto;
(iii) o limite de uma única reeleição ou recondução, acima veiculado, deve orientar a formação da
Mesa da Assembleia Legislativa no período posterior à data de publicação da ata de julgamento da ADI
6.524, de modo que não serão consideradas, para fins de inelegibilidade, as composições eleitas antes
de 7.1.2021, salvo se configurada a antecipação fraudulenta das eleições como burla ao entendimento
do Supremo Tribunal Federal. ADI 6688/PR, ADI 6698/MS, ADI 6714/PR, ADI 7016/MS, relator Ministro
Gilmar Mendes, julgamento finalizado em 7.12.2022. ADI 6683/AP, ADI 6686/PE, ADI 6687/PI, ADI 6711/PI,
relator Ministro Nunes Marques, julgamento finalizado em 7.12.2022. (Info 1079 STF)
É inconstitucional norma de Constituição Estadual que amplia as competências de Assembleia
Legislativa para julgamento de contas de gestores públicos, sem observar a simetria com a
Constituição Federal, por violação aos arts. 71, II, e 75 da CF/1988. ADI 6981/SP, relator Ministro Roberto
Barroso, julgamento virtual finalizado em 12.12.2022 (segunda-feira), às 23:59. (Info 1079 STF)
É inconstitucional, por violação ao princípio da simetria e à competência privativa da União para
legislar sobre o tema (CF/1988, art. 22, I), norma de Constituição estadual que amplia o rol de
autoridades sujeitas à fiscalização direta pelo Poder Legislativo e à sanção por crime de
responsabilidade. ADI 6640/PE, relator Min. Edson Fachin, julgamento virtual finalizado em 19.8.2022
(sexta-feira), às 23:59. ADI 6645/AM, relator Min. Edson Fachin, julgamento virtual finalizado em 19.8.2022
(sexta-feira), às 23:59. (Info 1064 STF)
PROCESSO LEGISLATIVO
O Poder Legislativo pode emendar projeto de lei de conversão de medida provisória quando a emenda
estiver associada ao tema e à finalidade original da medida provisória. O Poder Legislativo pode
emendar projeto de lei de conversão de medida provisória quando a emenda estiver associada ao tema e à
finalidade original da medida provisória. É constitucional o art. 6º da Lei 14.131/2021, que simplificou o
processo de concessão de benefício de auxílio por incapacidade temporária. STF. Plenário. ADI 6928/DF, Rel.
Min. Cármen Lúcia, julgado em 22/11/2021 (Info 1038).
É inconstitucional norma de Constituição estadual que preveja quórum diverso de 3/5 dos membros
do Poder Legislativo para aprovação de emendas constitucionais. A Constituição do Estado de Rondônia
estabeleceu que, para a aprovação de emendas à Constituição estadual seria necessário o voto de 2/3 dos
Deputados Estaduais. Ocorre que a Constituição Federal diz que, para uma emenda alterar seu texto, é
necessário o voto de 3/5 dos Deputados Federais e Senadores (art. 60, § 2º). Logo, a CE/RO não seguiu o
modelo previsto na Constituição Federal. As regras básicas do processo legislativo previstas na Constituição
Federal são de observância obrigatória pelos Estados-membros por força do princípio da simetria (art. 25 da
CF/88 c/c o art. 11 do ADCT). STF. Plenário. ADI 6453/RO, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 11/2/2022 (Info
1043).
É constitucional a previsão regimental de rito de urgência para proposições que tramitam na Câmara
dos Deputados e no Senado Federal, descabendo ao Poder Judiciário examinar concretamente as
razões que justificam sua adoção. A previsão regimental de um regime de urgência que reduza as
formalidades processuais em casos específicos, reconhecidos pela maioria legislativa, não ofende o devido
processo legislativo. A adoção do rito de urgência em proposições legislativas é matéria genuinamente
interna corporis, não cabendo ao STF adentrar tal seara. Precedente. Quando não caracterizado o
desrespeito às normas constitucionais pertinentes ao processo legislativo, é defeso ao Poder Judiciário
exercer o controle jurisdicional em relação à interpretação do sentido e do alcance de normas
meramente regimentais das Casas Legislativas. STF. Plenário. ADI 6968/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado
em 20/4/2022 (Info 1051).
A atribuição de iniciativa privativa ao Governador do Estado para leis que disponham sobre a
organização do Ministério Público estadual contraria o modelo delineado pela Constituição Federal
nos arts. 61, § 1º, II, d, e 128, § 5º.
É inconstitucional a atribuição de iniciativa privativa a governador de estado para leis que disponham sobre a
organização do Ministério Público estadual. ADI 400/ES, relator Min. Nunes Marques, redator do acórdão Min.
Roberto Barroso, julgamento virtual finalizado em 20.6.2022. (Info 1059)
O poder de veto previsto no art. 66, § 1º, da Constituição não pode ser exercido após o decurso do
prazo constitucional de 15 (quinze) dias.
A prerrogativa do poder de veto presidencial somente pode ser exercida dentro do prazo expressamente
previsto na Constituição, não se admitindo exercê-la após a sua expiração. ADPF 893/DF, relatora Min.
Cármen Lúcia, redator do acórdão Min. Roberto Barroso, julgamento virtual finalizado em 20.6.2022. (Info
1059)
É inconstitucional — por violar o princípio da separação dos Poderes (CF/1988, art. 2º), em decorrência
da usurpação da iniciativa exclusiva do Poder Executivo para legislar sobre a organização e a
administração dos órgãos da Administração Pública (CF/1988, art. 61, § 1º, II, “e”, e art. 84, VI, “a”) — lei
de iniciativa parlamentar que institui regra de reserva de vagas de estacionamento aos órgãos
públicos estaduais. ADI 6937/RO, relator Min. Gilmar Mendes, julgamento virtual finalizado em 21.11.2022
(segunda-feira), às 23:59. (Info 1076 STF)
Devem ser suspensos os efeitos da Medida Provisória 1.135/2022 que, ao tratar sobre tema já
deliberado pelo Poder Legislativo, alterou a entrega obrigatória de recursos financeiros destinada ao
setor de cultura e eventos para mera autorização de repasse de verbas da União aos estados, Distrito
Federal e municípios, observada a disponibilidade orçamentária e financeira. ADI 7232 MC-Ref/DF,
relatora Min. Cármen Lúcia, julgamento virtual finalizado em 8.11.2022 (terça-feira), às 23:59. (Info 1075 STF)
É inconstitucional norma de Constituição estadual, oriunda de iniciativa parlamentar, que disponha
sobre a nomeação, pelo governador do estado, de ocupante do cargo de diretor-geral da Polícia Civil, a
partir de lista tríplice elaborada pelo Conselho Superior de Polícia. ADI 6923/RO, relator Min. Edson
Fachin, julgamento virtual finalizado em 28.10.2022 (sexta-feira), às 23:59. (Info 1074 STF).
TRIBUNAL DE CONTAS
O conselheiro do TCE não está sujeito a notificação ou intimação para comparecimento como
testemunha perante comissão parlamentar de investigação, podendo apenas ser convidado. Caso
concreto: Câmara Municipal instaurou Comissão de Investigaçãopara apurar possível quebra de decoro
parlamentar envolvendo Vereadores. Dois conselheiros do TCE foram intimados para depor como
testemunhas de defesa. O STJ não concordou com essa intimação. Os Conselheiros do TCE são equiparados a
magistrados (equiparados a Desembargador do TJ). Logo, não podem ser notificados ou intimados pela
comissão, podendo ser convidados a comparecer. Aplicam-se aos Conselheiros do TCE as garantias do art.
33, I e IV, da LOMAN (LC 35/79). STJ. Corte Especial. HC 590.436-MT, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em
11/11/2021 (Info 718).
De quem é a legitimidade para a execução de crédito decorrente de multa aplicada por Tribunal de
Contas estadual a agente público municipal? Atualize o Info 1029-STF. Os Estados não têm legitimidade
ativa para a execução de multas aplicadas, por Tribunais de Contas estaduais, em face de agentes públicos
municipais, que, por seus atos, tenham causado prejuízos a municípios. O Município prejudicado é o
legitimado para a execução de crédito decorrente de multa aplicada por Tribunal de Contas estadual a agente
público municipal, em razão de danos causados ao erário municipal. STF. Plenário. RE 1003433/RJ, Rel. Min.
Marco Aurélio, redator do acórdão Min. Alexandre de Moraes, julgado em 14/9/2021 (Repercussão Geral –
Tema 642) (Info 1029). STJ. 2ª Turma. AgInt no AREsp 926.189-MG, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em
15/02/2022 (Info 725).
Compete ao Tribunal de Contas da União (TCU) fiscalizar a aplicação, por parte dos demais entes da
Federação, de verbas federais, transferidas pela União, para complementar o Fundo de
Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério (FUNDEF)/Fundo de
Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação
(FUNDEB). ADI 5791/DF, relator Min. Ricardo Lewandowski, julgamento virtual finalizado em 2.9.2022
(sexta-feira), às 23:59. (Info 1066 STF)
A vantagem pecuniária estabelecida no art. 3º da Lei n. 6.932/1996 do Estado da Bahia não pode ser
aplicada em relação aos integrantes do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia. RMS 58.436-BA,
Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 4/10/2022, DJe 9/11/2022. (Info
760 STJ)
O Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Paraná, quando não puder ser reintegrado
imediatamente, deve permanecer em disponibilidade, conforme legislação estadual, haja vista que a
perda do cargo ocupado com garantia de vitaliciedade necessita de decisão judicial transitada em
julgado, em ação própria. RMS 52.896-PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Rel. Acd. Min. Assusete
Magalhães, Segunda Turma, por maioria, julgado em 23/08/2022, DJe 17/10/2022. (Info 757 STJ)
PODER EXECUTIVO
É inconstitucional norma de constituição estadual que disponha sobre o processamento e julgamento
de Governador e Vice-governador nos casos de crime de responsabilidade. O Estado-membro não pode
dispor sobre crime de responsabilidade, ainda que seja na Constituição estadual. Isso porque a competência
para legislar sobre crime de responsabilidade é privativa da União, nos termos do art. 22, I, e art. 85 da CF/88.
Súmula vinculante 46-STF: São da competência legislativa da União a definição dos crimes de
responsabilidade e o estabelecimento das respectivas normas de processo e julgamento. Assim, é
inconstitucional norma da Constituição Estadual que preveja a competência da Assembleia Legislativa para
autorizar a instauração do processo e para julgar o Governador e o Vice-Governador do Estado por crimes de
responsabilidade. Também é inconstitucional a previsão contida na Constituição Estadual afirmando que o
Governador será suspenso de suas funções nos crimes de responsabilidade, se admitida a acusação e
instaurado o processo, pela Assembleia Legislativa. STF. Plenário. ADI 4811/MG, Rel. Min. Gilmar Mendes,
julgado em 13/12/2022 (Info 1041).
É inconstitucional, por violação ao princípio democrático, norma de Constituição estadual que, a
pretexto de disciplinar a dupla vacância no último biênio do mandato do chefe do Poder Executivo,
suprime a realização de eleições. ADI 7137/SP, relatora Min. Rosa Weber, julgamento virtual finalizado em
19.8.2022 (sexta-feira), às 23:59. ADI 7142/AC, relatora Min. Rosa Weber, julgamento virtual finalizado em
19.8.2022 (sexta-feira), às 23:59. (Info 1064 STF)
A renúncia ao cargo de governador impede o recebimento de pedido de abertura de impeachment.
RMS 68.932-SP, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 16/08/2022, DJe
06/09/2022. (Info 753 STJ)
PODER JUDICIÁRIO
Se, após elaborar a lista sêxtupla para o quinto constitucional, a OAB perceber que um dos indicados
não preencheu os requisitos, ela poderá pedir a desconsideração da lista ainda que já tenha havido a
nomeação do indicado. A Ordem dos Advogados do Brasil possui autonomia para elaborar e revisar lista
sêxtupla para indicação de advogados para concorrer à vaga do quinto constitucional. STJ. Corte Especial.
AgInt na SS 3.262-SC, Rel. Presidente Min. Humberto Martins, julgado em 20/10/2021 (Info 716).
É ilegal a inclusão de oficiais de infância e juventude previstos na LC 501/2010 do Estado de Santa
Catarina na escala de plantão dos oficiais gerais. Segundo a legislação do Estado de Santa Catarina (LC nº
501/2010), todas as atribuições dos oficiais da infância e juventude estão associadas à atuação nessa área
específica e encontram-se vinculadas ao juízo da infância e juventude. Desse modo, não há margem de
discricionariedade para que o administrador, neste caso, inclua os oficiais de infância e juventude no plantão
geral, por mais razoável que pareça a ideia. Essa inclusão contraria a lei estadual. STJ. 1ª Turma. RMS
55.554-SC, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 22/03/2022 (Info 730).
Magistrado que está de licença para estudar no exterior não tem direito à retribuição por direção de
fórum nem à gratificação pelo exercício cumulado de jurisdição. O magistrado em gozo de licença para
capacitação no exterior não faz jus ao pagamento das vantagens de Retribuição por Direção de Fórum e
Gratificação pelo Exercício Cumulado de Jurisdição ou Acumulação de Acervo Processual. STJ. 1ª Turma. RMS
67.416-SE, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 29/03/2022 (Info 731).
É constitucional a Resolução 184/2013 do CNJ no que determina aos tribunais de justiça estaduais o
encaminhamento, para eventual elaboração de nota técnica, de cópia dos anteprojetos de lei de
criação de cargos, funções comissionadas e unidades judiciárias. ADI 5119/DF, relatora Min. Rosa Weber,
julgamento virtual finalizado em 20.6.2022. (Info 1059)
É constitucional — por não violar o princípio da legalidade — lei estadual que prevê que o Órgão
Especial do Tribunal de Justiça pode transformar, instalar juizado em substituição a adjunto e fixar a
competência dos juizados especiais. ADI 4235/RJ, relator Ministro Edson Fachin, julgamento virtual
finalizado em 12.12.2022 (segunda-feira), às 23:59. (Info 1079 STF).
É inconstitucional, por disciplinar matéria concernente ao Estatuto da Magistratura, norma estadual
que prevê a adoção do maior tempo de serviço público como critério de desempate para a promoção
de magistrados. ADI 6772/AL, relator Min. Edson Fachin, julgamento virtual finalizado em 23.9.2022
(sexta-feira), às 23:59. (Info 1069 STF)
É inconstitucional norma do provimento do Conselho da Magistratura estadual que proíbe o juiz de
converter os autos de prisão em flagrante em diligência.
A possibilidade de ordenar diligências prévias consiste em prerrogativa inafastável do magistrado. É
inconstitucional norma do provimento do Conselho da Magistratura estadual que proíbe o juiz de converter
os autos de prisão em flagrante em diligência. Isso porque, a norma, além de desbordar dos limites do poder
regulamentar, invade a competência privativa da União para legislar sobre Direito Processual Penal (CF/1988,
art. 21, I). Ademais, não há na lei processual, mesmo após as alteraçõesintroduzidas pela Lei 13.964/2019,
qualquer proibição à conversão do auto de prisão em flagrante em diligência. Dessa forma, o Conselho
Superior da Magistratura, a pretexto de disciplinar o bom funcionamento do plantão judiciário,
indevidamente, inovou em matéria processual penal. A possibilidade de ordenar diligências prévias consiste
em prerrogativa inafastável do magistrado. A norma impugnada também vulnera, diretamente, o princípio da
independência funcional do juiz, motivo pelo qual está eivada de vício material. O princípio da independência
judicial, corolário do princípio constitucional da independência do Poder Judiciário, garante ao magistrado
tomar medidas indispensáveis para a formação de sua convicção. Isso não significa que se possa admitir a
indefinida e irrazoável postergação da decisão judicial a respeito da manutenção ou não da privação de
liberdade em caráter cautelar, mas sim que, excepcionalmente, havendo necessidade de se determinar
diligências prévias para a formação da convicção judicial, o juiz competente, inclusive o plantonista, deve
decidir o quanto antes, ou seja, com a maior celeridade possível. ADI 4662/SP, relator Min. Dias Toffoli,
julgamento virtual finalizado em 15.8.2022 (segunda-feira), às 23:59. (Info 1063 STF)
É inconstitucional o cancelamento automático — realizado diretamente pela instituição financeira
oficial depositária e sem prévia ciência do beneficiário ou formalização de contraditório — de
precatórios e RPV federais não resgatados em dois anos. ADI 5755/DF, relatora Min. Rosa Weber,
julgamento em 29 e 30.6.2022. (Info 1061 STF)
Ausente a efetiva mudança de residência para a sede do CNJ, e findo o seu mandato junto a esse
mesmo Conselho, o magistrado não fará jus à ajuda de custo para despesas de retorno ao seu
domicílio funcional de origem. REsp 1.819.105-RS, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, por
unanimidade, julgado em 29/11/2022, DJe 5/12/2022. (Info 761 STJ)
Os períodos de férias, recesso, licenças e afastamentos de juiz convocado para atuar como
desembargador devem ser considerados quanto ao direito de recebimento de diferença de
vencimentos previsto no art. 124 da Lei Complementar n. 35/1979. REsp 1.902.244-CE, Rel. Min. Og
Fernandes, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 16/08/2022, DJe 30/08/2022. (Info 759 STJ)
A Terceira Seção deferiu o incidente de deslocamento de competência para a Justiça Federal em razão
da incapacidade dos agentes públicos na condução de investigações, de identificar os autores dos
homicídios/execuções cometidos nos casos conhecidos como "Maio Sangrento" e "Chacina do Parque
Bristol". IDC 9-SP, Rel. Min. João Otávio de Noronha, Terceira Seção, por unanimidade, julgado em
10/08/2022. (Info 744 STJ)
O art. 12 do Código de Ética da Magistratura Nacional (Resolução CNJ n. 60/2008) não impede o livre
exercício do direito de manifestação do juiz.
Ao regulamentar a relação entre os membros do Poder Judiciário e a imprensa, o Código de Ética da
Magistratura Nacional (Resolução CNJ n. 60/2008) estabelece critérios que assegurem, de um lado, a força
normativa dos princípios da liberdade de expressão e da publicidade dos atos emanados do Estado (art. 5º,
IV, art. 37, caput, e art. 93, IX, da CF/1988), e, de outro, a prudência, atributo inerente ao exercício da
judicatura. Na hipótese tem-se que a Corte de origem constatou que a magistrada não discorreu, em
entrevista à imprensa, diretamente sobre o conteúdo dos autos, motivo pelo qual considerou que a defesa
não demonstrou como a magistrada teria incorrido em uma das hipóteses legalmente previstas, que
motivasse eventual suspeição para o julgamento da causa. Nesse sentido, da atenta análise do art. 12 do
Código de Ética da Magistratura Nacional, aprovado pelo Conselho Nacional de Justiça - CNJ, em linha com o
que estabelece o art. 36, III, da Lei Complementar n. 35/1979, destaque-se que não há impedimento ao livre
exercício do direito de manifestação do Juiz. AgRg no REsp 2.004.098-SC, Rel. Min. Jesuíno Rissato
(Desembargador convocado do TJDFT), Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 02/08/2022. (Info 743
STJ)
É devido o pedido de complementação do crédito de natureza alimentícia, dotado de
superpreferência, na forma dos arts. 100, § 2º, da CF/1988 e 102, § 2º, do ADCT, com a adoção dos
limites estabelecidos por lei local que majorou o teto para as obrigações de pequeno valor. RMS
68.549-DF, Rel. Min. Assusete Magalhães, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 02/08/2022. (Info
743 STJ)
PRECATÓRIOS
Caesb – Companhia de Saneamento do Distrito Federal (sociedade de economia mista) está sujeita ao
regime de precatórios e não pode ter seus bens penhorados para pagamento de verbas trabalhistas.
São inconstitucionais os pronunciamentos judiciais que determinam bloqueios e outros atos de constrição
sobre bens e valores da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) para o pagamento
de verbas trabalhistas. STF. Plenário. ADPF 890 MC-Ref/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 26/11/2021 (Info
1039).
DEFENSORIA PÚBLICA
A prerrogativa de requisição conferida aos membros da Defensoria Pública é constitucional. A
Defensoria Pública detém a prerrogativa de requisitar, de quaisquer autoridades públicas e de seus agentes,
certidões, exames, perícias, vistorias, diligências, processos, documentos, informações, esclarecimentos e
demais providências necessárias à sua atuação. STF. Plenário. ADI 6852/DF e ADI 6862/PR, Rel. Min. Edson
Fachin, julgados em 18/2/2022 (Info 1045). STF. Plenário. ADI 6865/PB, ADI 6867/ES, ADI 6870/DF, ADI
6871/CE, ADI 6872/AP, ADI 6873/AM e ADI 6875/RN, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgados em 18/2/2022
(Info 1045).
É inconstitucional norma estadual que restabeleça, no âmbito do Poder Judiciário local, cargos de
Advogado da Justiça Militar vocacionados a patrocinar a defesa gratuita de praças da Polícia Militar.
Esse modelo não se coaduna com aquele implementado pela ordem constitucional inaugurada em 1988, o
qual dispõe que a função de defesa dos necessitados, quando desempenhada pelo Estado, é própria à
Defensoria Pública (CF, art. 134; LC 80/1994). Com base nesse entendimento, o Plenário, por unanimidade,
julgou procedente o pedido formulado em ação direta para declarar a inconstitucionalidade do art. 5º da Lei
12.832/1998 do Estado do Ceará. STF. Plenário. ADI 3152/CE, relatora Min. Rosa Weber, julgado em
26/04/2022 (Info 1052).
É constitucional a norma federal que criou a Ouvidoria-Geral da Defensoria Pública nos
estados-membros e estabeleceu suas competências. Ao editar a Lei Complementar federal 80/1994, a
União atuou conforme sua competência legislativa, pois se limitou a instituir diretrizes gerais sobre a
organização e a estrutura da Ouvidoria-Geral das Defensorias Públicas estaduais, sem prever qualquer
singularidade regional ou especificidade local. Ademais, inexiste inconstitucionalidade na decisão estatal de
instituir um órgão composto por agentes que satisfaçam determinados requisitos de capacidade técnica e
institucional, com respeito aos princípios da razoabilidade e da obrigatoriedade de concurso público. No
caso, as atribuições que a lei conferiu aos seus membros estão em consonância com as que a Constituição
previu para a criação de cargos em comissão. Com base nesse entendimento, o Plenário, por unanimidade,
julgou improcedente o pedido formulado. STF. Plenário. ADI 4608/DF, relator Min. Gilmar Mendes, julgado em
13/05/2022 (Info 1054).
SEGURANÇA PÚBLICA
É inconstitucional norma estadual que assegure a independência funcional aos delegados de polícia,
bem como que atribua à polícia civil o caráter de função essencial ao exercício da jurisdição e à defesa
da ordem jurídica. A Constituição Federal, ao tratar dos órgãos de Administração Pública, escolheu aqueles
que deveriam ter assegurada autonomia. Além de não assegurar autonomia à Polícia Civil, a Constituição
Federal afirmou expressamente, no seu art. 144, § 6º, queem seu sentido material, significa tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais. A autorização
para a instituição de tetos diferenciados para União, Estados, Distrito Federal e Municípios tem por objetivo
permitir que os entes federativos limitem a remuneração do serviço público com base em suas respectivas
realidades financeiras. Existem singularidades materiais e funcionais nos diversos estratos do poder público,
de modo que é legítima a instituição de tetos de remuneração particularizados a cada situação peculiar. Essa
permissão, na verdade, prestigia a autonomia dos entes federados e a separação de poderes na medida em
que poderão solucionar – conforme a peculiaridade de cada um – os limites máximos de remuneração do seu
pessoal. STF. Plenário. ADI 3855/DF e ADI 3872/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgados em 26/11/2021 (Info
1039).
É constitucional norma estadual que prevê o pagamento proporcional da remuneração devida a
conselheiro de Tribunal de Contas para auditor em período de substituição. ADI 6951/CE - ADI 6952/AM,
relator Min. Edson Fachin, julgamento virtual finalizado em 10.6.2022. (Info 1058)
DIREITO ADMINISTRATIVO MILITAR
O período em que o Militar foi aluno em Curso Preparatório de Oficiais da Reserva é computado em 1
dia de trabalho a cada 8 horas de instrução. O período em que o Militar foi aluno em Curso Preparatório
de Oficiais da Reserva é computado em 1 dia de trabalho a cada 8 horas de instrução. STJ. 2ª Turma. REsp
1.876.297-SC, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 05/04/2022 (Info 733).
FGTS
Não há direito adquirido à incidência de correção monetária nas contas vinculadas ao FGTS pelo IPC
de fevereiro/1991 (relativo ao Plano Collor II). Inexiste direito adquirido à diferença de correção monetária
dos saldos das contas vinculadas ao FGTS referente ao Plano Collor II (fevereiro de 1991), conforme
entendimento firmado no RE 226.855, o qual não foi superado pelo julgamento do RE 611.503 (Tema 360).
STF. Plenário. ARE 1288550/PR, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 13/12/2021 (Repercussão Geral –
Tema 1112) (Info 1041).
SERVIÇOS PÚBLICOS
Em regra, não cabe ao Poder Judiciário anular cláusula de contrato de concessão de serviço público
que autoriza o reajuste de tarifa telefônica em percentual superior ao índice inflacionário. Afronta o
princípio da separação dos Poderes a anulação judicial de cláusula de contrato de concessão firmado por
Agência Reguladora e prestadora de serviço de telefonia que, em observância aos marcos regulatórios
estabelecidos pelo Legislador, autoriza a incidência de reajuste de alguns itens tarifários em percentual
superior ao do índice inflacionário fixado, quando este não é superado pela média ponderada de todos os
itens. STF. Plenário. RE 1059819/PE, Rel. Min. Marco Aurélio, redator do acórdão Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 18/2/2022 (Repercussão Geral – Tema 991) (Info 1044).
O Decreto Presidencial 7.777/2012 é constitucional, mas se restringe aos serviços públicos essenciais.
O Decreto Presidencial 7.777/2012 prevê a realização de convênios com os Estados, DF e Municípios para o
compartilhamento da execução de serviços públicos federais em caso de greves e paralisações. Esse Decreto
é constitucional, mas deve ficar restrito aos serviços e atividades essenciais. São constitucionais o
compartilhamento, mediante convênio, com estados, Distrito Federal ou municípios, da execução de
atividades e serviços públicos federais essenciais, e a adoção de procedimentos simplificados para a garantia
de sua continuidade em situações de greve, paralisação ou operação de retardamento promovidas por
servidores públicos federais. STF. Plenário. ADI 4857/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 11/3/2022 (Info
1046).
A requisição administrativa “para atendimento de necessidades coletivas, urgentes e transitórias,
decorrentes de situações de perigo iminente, de calamidade pública ou de irrupção de epidemias” —
prevista na Lei Orgânica do Sistema Único de Saúde (Lei 8.080/1990) — não recai sobre bens e/ou
serviços públicos de outro ente federativo. ADI 3454/DF, relator Min. Dias Toffoli, julgamento virtual
finalizado em 20.6.2022. (Info 1059)
A exigência de diploma de nível superior, promovida por legislação estadual, para o cargo de perito
técnico de polícia que anteriormente tinha o nível médio como requisito de escolaridade não viola o
princípio do concurso público (CF/1988, art. 37, II) nem as normas constitucionais sobre competência
legislativa (CF/1988, arts. 22, I; 24, XVI e § 4º). ADI 7081/BA, relator Min. Edson Fachin, julgamento virtual
finalizado em 21.9.2022 (sexta-feira), às 23:59. (Info 1074 STF)
Viola o art. 40, caput e § 13, da Constituição Federal, a instituição, por meio de lei estadual, de um
regime previdenciário específico para os agentes públicos não titulares de cargos efetivos.
A competência legislativa dos estados e do Distrito Federal em MATÉRIA PREVIDENCIÁRIA restringe-se à
competência suplementar para o respectivo regime próprio (CF/1988, art. 24, § 2º) e à instituição da
contribuição previdenciária para o regime próprio (CF/1988, art. 149, § 1º). Em qualquer hipótese, o
exercício dessa competência legislativa é sempre limitada aos servidores titulares de cargo efetivo.
Não há, pois, espaço para que os entes subnacionais criem regime próprio de previdência para agentes
públicos não titulares de cargos efetivos. Ressalte-se que, conforme disposto no art. 40, § 13, da CF/1988,
aplica–se o Regime Geral de Previdência Social ao agente público ocupante, exclusivamente, de cargo em
comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração; de outro cargo temporário — inclusive mandato
eletivo — ou de emprego público. ADI 7198/PA, relator Min. Alexandre de Moraes, julgamento virtual
finalizado em 28.10.2022 (sexta-feira), às 23:59. (Info 1074 STF)
A Portaria n. 931/2005 do Ministério da Defesa, que alterou a fórmula de cálculo do auxílio-invalidez
para os servidores militares, está em harmonia com os princípios da legalidade e da irredutibilidade
de vencimentos.
A alteração da forma de cálculo do auxílio-invalidez devido aos servidores militares não viola os
princípios da legalidade e da irredutibilidade de vencimentos, DESDE QUE o valor global da
remuneração não sofra redução. Isso porque o que a Constituição Federal assegura é a irredutibilidade
nominal da remuneração global, isto é, o montante constituído pela soma de todas as parcelas,
gratificações e outras vantagens percebidas pelo servidor. Além disso, a jurisprudência desta Corte é
firme no sentido da inexistência de direito adquirido a regime jurídico e de direito à forma como são
calculados os vencimentos, de modo que é possível suprimir ou alterar auxílios, adicionais, gratificações ou
outras parcelas, sob a condição de que seja preservada a irredutibilidade nominal da remuneração global. RE
642890/DF, relator Min. Nunes Marques, julgamento virtual finalizado em 7.10.2022 (sexta-feira), às 23:59.
Tema 465 da Repercussão Geral. (Info 1071 STF)
É defeso o pagamento de remuneração em valor inferior ao salário mínimo ao servidor público, ainda
que labore em jornada reduzida de trabalho.
É inconstitucional remunerar servidor público, mesmo que exerça jornada de trabalho reduzida, em
patamar inferior a um salário mínimo. O direito fundamental ao salário mínimo é previsto
constitucionalmente para garantir a dignidade da pessoa humana por meio da melhoria de suas condições
de vida (CF/1988, art. 7º, IV), garantia que foi estendida aos servidores públicos sem qualquer sinalização no
sentido da possibilidade de flexibilizá-la no caso de jornada reduzida ou previsão em legislação
infraconstitucional (CF/1988, art. 39, § 3º). A leitura conjunta dos dispositivos constitucionais atinentes ao
tema, somado ao postulado da vedação do retrocesso de direitos sociais, denota a finalidade de assegurar o
mínimo existencial aos integrantes da Administração Pública Direta e Indireta com a fixaçãoela deveria estar subordinada ao Governador do
Estado. A norma do poder constituinte decorrente que venha a atribuir autonomia funcional, administrativa
ou financeira a outros órgãos ou instituições que não aquelas especificamente constantes da Constituição
Federal, padece de vício de inconstitucionalidade material, por violação ao princípio da separação dos
poderes. STF. Plenário. ADI 5522/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18/2/2022 (Info 1044).
É inconstitucional norma de Constituição estadual, oriunda de iniciativa parlamentar, que atribui às
funções de polícia judiciária e à apuração de infrações penais exercidas pelo Delegado de Polícia
natureza jurídica e caráter essencial ao Estado. ADI 5528/TO, relator Min. Nunes Marques, julgamento
virtual finalizado em 21.11.2022 (segunda-feira), às 23:59. (Info 1076 STF)
É incompatível com a Constituição Federal norma de Constituição estadual que estabelece a natureza
jurídica da Polícia Civil como função essencial à atividade jurisdicional do Estado e à defesa da ordem
jurídica, bem como atribui aos Delegados de Polícia a garantia de independência funcional. ADI
5517/ES, relator Min. Nunes Marques, julgamento virtual finalizado em 21.11.2022 (segunda-feira), às 23:59.
(Info 1076 STF)
É inconstitucional preceito de lei estadual que institui contribuição compulsória de bombeiros e
policiais militares estaduais para compor fundo de assistência, com o objetivo de custear serviços de
saúde a eles prestados. Contudo, o legislador estadual pode estabelecer contribuição facultativa com
o aludido fim. ADI 5368/TO, relator Min. Dias Toffoli, julgamento virtual finalizado em 28.10.2022
(sexta-feira), às 23:59. (Info 1074 STF)
É inconstitucional — por violação aos princípios da simetria e da autonomia dos entes federados —
norma de Constituição estadual que prevê hipótese de intervenção do estado no município fora das
que são taxativamente elencadas no artigo 35 da Constituição Federal. ADI 6619/RO, relator Min. Gilmar
Mendes, julgamento virtual finalizado em 21.10.2022 (sexta-feira), às 23:59. (Info 1073 STF)
As guardas municipais não possuem competência para patrulhar supostos pontos de tráfico de
drogas, realizar abordagens e revistas em indivíduos suspeitos da prática de tal crime ou ainda
investigar denúncias anônimas relacionadas ao tráfico e outros delitos cuja prática não atinja de
maneira clara, direta e imediata os bens, serviços e instalações municipais. REsp 1.977.119-SP, Rel. Min.
Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 16/08/2022. (Info 746 STJ)
CULTURA
Entidades estudantis municipais e estaduais podem emitir a carteira estudantil mesmo sem estarem
filiadas às entidades nacionais; é constitucional a exigência de um modelo único nacionalmente
padronizado da carteira. É inconstitucional exigir das entidades estudantis locais e regionais, legitimadas
para a expedição da carteira de identidade estudantil (CIE), filiação às entidades de abrangência nacional.
Admite-se a definição de um modelo único nacionalmente padronizado da CIE, desde que publicamente
disponibilizado e fixados parâmetros razoáveis que não obstem o acesso pelas entidades com prerrogativa
legal para sua emissão. STF. Plenário. ADI 5108/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 25/3/2022 (Info 1048).
ÍNDIOS
É necessário que a União e a FUNAI executem e implementem atividade de proteção territorial nas
terras indígenas, independentemente de sua homologação. Nos termos do art. 231 da Constituição
Federal, a União tem o dever (e não a escolha) de demarcar as terras indígenas. Tais demarcações deveriam
estar concluídas no prazo de 5 anos, contados da promulgação da Constituição, conforme art. 67 do ADCT. A
não homologação das demarcações dessas terras deriva de inércia deliberada do Poder Público, em afronta
ao direito originário dos índios. Ao afastar a proteção territorial em terras não homologadas, a FUNAI sinaliza
a invasores que a União se absterá de combater atuações irregulares em tais áreas, o que pode constituir um
convite à invasão de terras que são sabidamente cobiçadas por grileiros e madeireiros, bem como à prática
de ilícitos de toda ordem. Além disso, a suspensão da proteção territorial abre caminho para que terceiros
passem a ali transitar, o que põe em risco a saúde dessas comunidades, expondo-as a eventual contágio por
COVID-19 e outras enfermidades. STF. Plenário. ADPF 709-MC-Segunda-Ref/DF, Rel. Min. Roberto Barroso,
julgado em 25/2/2022 (Info 1045).
PAGAMENTO DE TAXAS
É imune ao pagamento de taxas para registro da regularização migratória o estrangeiro que
demonstre sua condição de hipossuficiente, nos termos da legislação de regência. O estrangeiro que
desejar regularizar sua situação no Brasil, pode fazê-lo por meio de um procedimento chamado de
“regularização migratória”. Exige-se o pagamento de uma taxa. Ocorre que muitos estrangeiros são
hipossuficientes e não conseguem pagar o valor exigido. Diante disso, indaga-se: é possível a dispensa do
pagamento dessa taxa caso o estrangeiro seja hipossuficiente? SIM. O STF decidiu que o estrangeiro com
residência permanente no Brasil, na condição de hipossuficiência, está dispensado do pagamento de taxas
cobradas para o processo de regularização migratória. Não se mostra condizente com a CF a exigência de
taxas em face de sujeito passivo evidentemente hipossuficiente. Fundamento: art. 5º, LXXVI e LXXVII, da
CF/88. Tese fixada pelo STF: É imune ao pagamento de taxas para registro da regularização migratória o
estrangeiro que demonstre sua condição de hipossuficiente, nos termos da legislação de regência. STF.
Plenário. RE 1018911/RR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 10/11/2021 (Repercussão Geral – Tema 988) (Info
1037).
ORDEM SOCIAL
É inconstitucional — por tratar de matéria que diz respeito a norma de direito econômico e contrariar
a disciplina conferida a benefício já previsto no art. 23 da Lei federal 10.741/2003 (Estatuto do Idoso) —
lei municipal que institui o acesso gratuito de idosos às salas de cinema da cidade, de segunda a
sexta-feira. ARE 1307028/SP, relator Ministro Edson Fachin, redator do acórdão Ministro Gilmar Mendes,
julgado em 22.11.2022. (Info 1077 STF)
É constitucional a ratificação de registros imobiliários prevista na Lei 13.178/2015, desde que
observados os requisitos e condições exigidos pela própria norma e os previstos pela Constituição
Federal de 1988 concernentes à política agrícola, ao plano nacional de reforma agrária e à proteção
dos bens imóveis que atendam a sua função social. ADI 5623/DF, relatora Ministra Cármen Lúcia,
julgamento virtual finalizado em 25.11.2022 (sexta-feira), às 23:59. (Info 1077 STF)
É constitucional — por não ofender o direito de propriedade e os princípios da ordem econômica e do
equilíbrio econômico-financeiro dos contratos administrativos — lei federal que determina a reserva,
por veículo, de duas vagas gratuitas e, após estas esgotarem, de duas vagas com tarifa reduzida em,
no mínimo, 50%, para serem utilizadas por jovens de baixa renda no sistema de transporte coletivo
interestadual de passageiros. ADI 5657/DF, relator Min. Luiz Fux, julgamento em 16 e 17.11.2022. (Info 1076
STF)
São constitucionais os prazos para conclusão dos procedimentos administrativos de atualização do rol
de procedimentos e eventos em saúde suplementar (Lei 9.656/1998, art. 10, §§ 7º e 8º), por inexistir
incompatibilidade entre a sua definição e a urgência dos pacientes na obtenção de um tratamento.
ADI 7088/DF, relator Min. Roberto Barroso, julgamento virtual finalizado em 9.11.2022 (quarta-feira),
às 23:59. ADI 7183/DF relator Min. Roberto Barroso, julgamento virtual finalizado em 9.11.2022 (quarta-feira),
às 23:59. (Info 1075 STF)
É formalmente inconstitucional lei federal que determina a todos os entes federados mantenedores
de regimes próprios da previdência social a realização de reajustes, na mesma data e índice em que se
der o reacerto dos benefícios do regime geral,excetuados os beneficiados pela garantia da paridade.
ADI 4582/DF, relator Min. André Mendonça, julgamento virtual finalizado em 28.10.2022 (sexta-feira), às
23:59. (Info 1074 STF)
São constitucionais — por não violarem o direito à saúde — os arts. 2º e 3º da EC 86/2015 (“Emenda do
Orçamento Impositivo”), os quais alteraram a forma de cálculo dos recursos mínimos aplicados
anualmente, pela União, em Ações e Serviços Públicos de Saúde (ASPS) mediante a instituição de
subpisos anuais progressivos, neles incluída a parcela oriunda das receitas de “royalties” de petróleo e
de gás natural. ADI 5595/DF, relator Min. Ricardo Lewandowski, redator do acórdão Min. Alexandre de
Moraes, julgamento virtual finalizado em 17.10.2022 (segunda-feira), às 23:59. (Info 1073 STF)
É constitucional lei estadual, de iniciativa parlamentar, que determina a reserva de vagas, no mesmo
estabelecimento de ensino, para irmãos que frequentem a mesma etapa ou ciclo escolar, pois
disciplina medida que visa consolidar políticas públicas de acesso ao sistema educacional e do maior
convívio familiar possível. ADI 7149/RJ, relator Min. Ricardo Lewandowski, julgamento virtual finalizado em
23.9.2022 (sexta-feira), às 23:59. (Info 1069 STF)
1. A educação básica em todas as suas fases — educação infantil, ensino fundamental e ensino médio
— constitui direito fundamental de todas as crianças e jovens, assegurado por normas constitucionais
de eficácia plena e aplicabilidade direta e imediata.
2. A educação infantil compreende creche (de zero a 3 anos) e a pré-escola (de 4 a 5 anos). Sua oferta
pelo Poder Público pode ser exigida individualmente, como no caso examinado neste processo.
3. O Poder Público tem o dever jurídico de dar efetividade integral às normas constitucionais sobre
acesso à educação básica. RE 1008166/SC, relator Min. Luiz Fux, julgamento finalizado em 22.9.2022. Tema
548 de Repercussão Geral. (Info 1069 STF)
Não viola o texto constitucional a imposição legal de restrições à publicidade de produtos fumígenos e
de inserção de advertências sanitárias em suas embalagens quando se revelarem adequadas,
necessárias e proporcionais para alcançar a finalidade de reduzir o fumo e o consumo do tabaco,
hábitos que constituem perigo à saúde pública. ADI 3311/DF, relatora Min. Rosa Weber, julgamento virtual
finalizado em 13.9.2022 (terça-feira) às 23:59. (Info 1068 STF)
É constitucional norma estadual que, a pretexto de proteger a saúde pública, obriga as prestadoras de
serviços de telefonia celular e de internet a inserirem, nas faturas de consumo, mensagem
incentivadora à doação de sangue. ADI 6088/AM, relator Min. Edson Fachin, julgamento virtual finalizado
em 26.8.2022 (sexta-feira), às 23:59. (Info 1065 STF)
É constitucional norma federal que prevê compensação financeira de caráter indenizatório a ser paga
pela União por incapacidade permanente para o trabalho ou morte de profissionais da saúde
decorrentes do atendimento direto a pacientes acometidos pela Covid-19. ADI 6970/DF, relatora Min.
Cármen Lúcia, julgamento virtual finalizado em 15.8.2022 (segunda-feira), às 23:59. (Info 1065 STF)
É constitucional norma federal que prevê a transferência de recursos pela União aos estados e ao
Distrito Federal para garantir o acesso à internet, com fins educacionais, por alunos e professores da
educação básica em virtude da calamidade pública decorrente da Covid-19. ADI 6926/DF, relator Min.
Dias Toffoli, julgamento virtual finalizado em 1º.7.2022 (sexta-feira), às 23:59. (Info 1061 STF)
A sobreposição da propriedade rural com área indígena, ainda que o processo de demarcação não
tenha sido concluído, inviabiliza a certificação de georreferenciamento. AREsp 1.640.785-MS, Rel. Min.
Francisco Falcão, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 25/10/2022, DJe 27/10/2022. (Info 755 STJ)
A empresa que efetua irregularmente a lavra de minério, enriquecendo-se ilicitamente, não pode
pretender o ressarcimento dos custos operacionais dessa atividade contra legem, sob o argumento de
que a não remuneração ensejaria o locupletamento sem causa da União. REsp 1.860.239-SC, Rel. Min.
Sérgio Kukina, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 09/08/2022, DJe 19/08/2022. (Info 746 STJ)
TRIBUTAÇÃO E ORÇAMENTO
I. O legislador ordinário possui autonomia para disciplinar a não cumulatividade a que se refere o art.
195, § 12, da CF/1988, respeitados os demais preceitos constitucionais, como a matriz constitucional
das contribuições ao PIS e Cofins e os princípios da razoabilidade, da isonomia, da livre concorrência e
da proteção à confiança;
II. É infraconstitucional, a ela se aplicando os efeitos da ausência de repercussão geral, a discussão
sobre a expressão ‘insumo’ presente no art. 3º, II, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 e sobre a
compatibilidade, com essas leis, das IN/SRF 247/2002 (considerada a atualização pela IN/SRF 358/2003)
e 404/2004;
III. É constitucional o § 3º do art. 31 da Lei 10.865/2004. RE 841979/PE, relator Ministro Dias Toffoli,
julgamento virtual finalizado em 25.11.2022 (sexta-feira), às 23:59. (Tema 756 - Repercussão Geral). (Info 1077
STF)
É inconstitucional, por violação à cláusula constitucional da não afetação da receita oriunda de
impostos e à autonomia municipal, norma estadual que determina a forma de aplicação dos recursos
destinados ao município em razão da repartição constitucional de receitas. ADI 2355/PR, relator Min.
Nunes Marques, julgamento virtual finalizado em 16.9.2022 (sexta-feira), às 23:59. (Info 1068 STF)
FUNÇÕES ESSENCIAIS DA JUSTIÇA
A prerrogativa atribuída aos membros do Ministério Público de situar-se no mesmo plano e
imediatamente à direita dos magistrados nas audiências e sessões de julgamento (Lei Complementar
75/1993, art. 18, I, “a”; e Lei 8.625/1993, art. 41, XI) não fere os princípios da isonomia, do devido
processo legal, da ampla defesa e do contraditório (CF/1988, art. 5º, I, LIV e LV) nem compromete a
necessária paridade de armas que deve existir entre a defesa e a acusação. ADI 4768/DF, relatora
Ministra Cármen Lúcia, julgamento finalizado em 23.11.2022. (Info 1077 STF)
É inconstitucional a limitação de despesas da folha complementar do Ministério Público Estadual do
Estado do Ceará em percentual da despesa anual da folha normal de pagamento, sem a devida
participação efetiva do órgão financeiramente autônomo no ato de estipulação em conjunto dessa
limitação na Lei de Diretrizes Orçamentárias. ADI 7073/CE, relator Min. André Mendonça, julgamento
virtual finalizado em 23.9.2022 (sexta-feira), às 23:59. (Info 1069 STF)
É constitucional lei complementar estadual que, desde que observados os parâmetros de
razoabilidade e proporcionalidade, confere à Defensoria Pública a prerrogativa de requisitar, de
quaisquer autoridades públicas e de seus agentes, certidões, exames, perícias, vistorias, diligências,
processos, documentos, informações, esclarecimentos e demais providências necessárias ao exercício
de suas atribuições. ADI 6860/MT, relator Min. Nunes Marques, julgamento virtual finalizado em 13.9.2022
(terça-feira), às 23:59. ADI 6861/PI, relator Min. Nunes Marques, julgamento virtual finalizado em 13.9.2022
(terça-feira), às 23:59. ADI 6863/PE, relator Min. Nunes Marques, julgamento virtual finalizado em 13.9.2022
(terça-feira), às 23:59. (Info 1067 STF)
Os Advogados da União não possuem direito a férias de 60 (sessenta) dias, nos termos da legislação
constitucional e infraconstitucional vigentes.
O atual ordenamento jurídico brasileiro prevê aos Advogados da União o direito de gozar somente 30
dias de férias anuais. As normas que equiparavam os Advogados da União aos membros do Ministério
Público da União, assegurando-lhes o direito às férias de 60 dias (Lei 2.123/1953, Lei 4.069/1962 e Decreto-lei
147/1967) não foram recepcionadas pela CF/1988 com status de lei complementar, mas sim de leis
ordinárias, visto não tratarem de matéria relativa à organização e ao funcionamento da Advocacia-Geral da
União.Por essa razão, é válida a revogação de dispositivos dos referidos diplomas legais imposta pela Lei
9.527/1997, a qual, com o objetivo de conceder tratamento isonômico às carreiras jurídicas da União,
estabelece o direito de 30 dias de férias anuais aos servidores ocupantes de cargo efetivo de advogado,
assistente jurídico, procurador e demais integrantes do Grupo Jurídico, da Administração Pública Federal
direta, autárquica, fundacional, empresas públicas e sociedades de economia mista, a partir do período
aquisitivo de 1997. RE 929886/SC, relator Min. Dias Toffoli, julgamento virtual finalizado em 2.9.2022
(sexta-feira), às 23:59. (Info 1066 STF)
É inconstitucional lei estadual que prevê movimentação funcional entre membros do Ministério
Público, mediante procedimentos e critérios diversos dos estabelecidos pelo modelo federal. ADI
6328/GO, relator Min. Alexandre de Moraes, julgamento virtual finalizado em 15.8.2022 (segunda-feira), às
23:59. (Info 1063 STF)
LIBERDADE DE EXPRESSÃO
Condenação do ex-Deputado Federal Daniel Silveira. A liberdade de expressão existe para a manifestação
de opiniões contrárias, jocosas, satíricas e até mesmo errôneas, mas não para opiniões criminosas, discurso
de ódio ou atentados contra o Estado Democrático de Direito e a democracia. A Constituição garante a
liberdade de expressão, com responsabilidade. A liberdade de expressão não pode ser usada para a prática
de atividades ilícitas ou para a prática de discursos de ódio, contra a democracia ou contra as instituições.
Nesse sentido, são inadmissíveis manifestações proferidas em redes sociais que objetivem a abolição do
Estado de Direito e o impedimento, com graves ameaças, do livre exercício de seus poderes constituídos e de
suas instituições. Ademais, conforme jurisprudência do STF, a garantia constitucional da imunidade
parlamentar incide apenas sobre manifestações proferidas no desempenho da função legislativa ou
em razão desta, não sendo possível utilizá-la como escudo protetivo para a prática de atividades
ilícitas. Não configurada abolitio criminis com relação aos delitos previstos na Lei de Segurança Nacional (Lei
nº 7.170/83). Quando determinada conduta típica (e suas elementares) permanece descrita na nova lei penal,
com a manutenção do caráter proibido da conduta, há a configuração do fenômeno processual penal da
continuidade normativo-típica. Na hipótese, o legislador não pretendeu abolir as condutas atentatórias à
democracia, ao Estado de Direito e ao livre exercício dos poderes. Na realidade, aprimorou, sob o manto
democrático, a defesa do Estado, de suas instituições e de seus poderes. Observa-se, assim, a ocorrência de
continuidade normativo-típica entre as condutas previstas nos arts. 18 e 23, IV, da Lei nº 7.170/83 e a conduta
prevista no art. 359-L do CP (com redação dada pela Lei nº 14.197/2021), bem como entre a conduta prevista
no art. 23, II, da Lei nº 7.170/83 e a conduta típica prevista no art. 286, parágrafo único, do CP, com redação
dada pela Lei nº 14.197/2021. STF. Plenário. AP 1044/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em
20/4/2022 (Info 1051).
Manifestações por parte da imprensa de natureza crítica, satírica, agressiva, grosseira ou deselegante
não autorizam, por si sós, o uso do direito penal para, mesmo que de forma indireta, silenciar a
atividade jornalística. AgRg no HC 691.897-DF, Rel. Min. Olindo Menezes (Desembargador convocado do
TRF 1ª Região), Rel. Acd. Min. Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 17/05/2022, DJe 26/05/2022.
(Info 738)
CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
A procuradoria jurídica estadual ou municipal possui legitimidade para interpor recurso em face de
acórdão de tribunal de justiça proferido em representação de inconstitucionalidade. Prevaleceu o
entendimento de que a ausência de assinatura do chefe do Poder Executivo na petição recursal não
constitui óbice para a análise do recurso, sendo suficiente que a peça seja subscrita pelo procurador,
que também detém legitimidade recursal em ações de controle de constitucionalidade. ARE 873804
AgR-segundo-ED-EDv-AgR/RJ, relatora Min. Cármen Lúcia, julgado em 13.10.2022. (Info 1072 STF)
🚨 PACIFICAÇÃO DE ENTENDIMENTO
A procuradoria jurídica estadual ou municipal possui legitimidade para interpor recurso em face de acórdão
de tribunal de justiça proferido em representação de inconstitucionalidade.
Em que pese existirem alguns paradigmas em sentido contrário ao da decisão ora agravada, a decisão
embargada é no sentido da orientação fixada pelo Plenário desta Corte, de modo que não subsiste a alegada
divergência jurisprudencial.
Nesse contexto, prevalece o entendimento de que a ausência de assinatura do chefe do Poder
Executivo na petição recursal não constitui óbice para a análise do recurso, sendo suficiente que a
peça seja subscrita pelo procurador, que também detém legitimidade recursal em ações de controle
de constitucionalidade.
MEIO AMBIENTE
O Poder Executivo tem o dever constitucional de fazer funcionar e alocar anualmente os recursos do
Fundo Clima, para fins de mitigação das mudanças climáticas, estando vedado seu
contingenciamento, em razão do dever constitucional de tutela ao meio ambiente (CF, art. 225), de
direitos e compromissos internacionais assumidos pelo Brasil (CF, art. 5º, § 2º), bem como do princípio
constitucional da separação dos poderes (CF, art. 2º c/c art. 9º, § 2º, LRF). ADPF 708/DF, relator Min.
Roberto Barroso, julgamento virtual finalizado em 1º.7.2022 (sexta-feira), às 23:59. (Info 1061 STF)
REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS
É lícito ao impetrante desistir da ação de mandado de segurança, independentemente de
aquiescência da autoridade apontada como coatora, e a qualquer tempo, mesmo após sentença de
mérito, desde que antes do trânsito em julgado, ainda que lhe seja desfavorável. DESIS nos EDcl no
AgInt no REsp 1.916.374-PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em
18/10/2022, DJe 27/10/2022. (Info 761 STJ)
Não cabe recurso ordinário em mandado de segurança com fundamento no art. 105, inciso II, alínea
"b", da Constituição da República, na hipótese em que houver a concessão da segurança e a parte
impugna capítulo que havia tão-somente excluído a multa cominatória para o cumprimento da
liminar. RMS 69.727-RJ, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em
18/10/2022. (Info 755 STJ)
A data do último ato administrativo reputado ilegal é o termo inicial do prazo decadencial para
impetração de Mandado de Segurança com objetivo de reclassificação em concurso público em
virtude de anulação de questões por decisão judicial após o encerramento do prazo de validade do
certame. RMS 64.025-BA, Rel. Min. Assusete Magalhães, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em
04/10/2022, DJe 10/10/2022. (Info 752 STJ)
OUTROS TEMAS
A Medida Provisória 144/2003, convertida na Lei nº 10.848/2004, que dispõe sobre a comercialização de
energia elétrica, não viola o art. 246 da Constituição Federal. O autor da ADI alegava que, como a MP
144/2003 estipulou um novo modelo para o setor elétrico após a EC 06/95, o que essa MP fez foi
regulamentar o § 1º do art. 176 da CF/88 (alterado pela EC 06/95). Logo, a MP teria violado o art. 246 da
CF/88: Art. 246. É vedada a adoção de medida provisória na regulamentação de artigo da Constituição cuja
redação tenha sido alterada por meio de emenda promulgada entre 1º de janeiro de 1995 até a promulgação
desta emenda, inclusive. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32/2001) O STF não concordou. A EC
6/95 não promoveu alteração substancial na disciplina constitucional do setor elétrico. O que a EC 06/95 fez
foi tão somente substituir a expressão “empresa brasileira de capital nacional” pela expressão “empresa
constituída sob as leis brasileiras e que tenha sua sede e administração no país”, que foi incluída no § 1º do
art. 176 da CF/88. O setor elétrico já estava, antes dessa alteração, aberto ao capital privado. Houveapenas
ampliação colateral em relação às empresas que poderiam ser destinatárias de autorização ou concessão
para explorar o serviço. Além disso, a MP 144/2003 não se destinou a dar eficácia às modificações
introduzidas pela EC 6/1995. O que ela fez foi regulamentar o art. 175 da CF/88, que dispõe sobre o regime de
prestação de serviços públicos no setor elétrico. Logo, não houve violação ao art. 246 da CF/88. STF. Plenário.
ADI 3090/DF e ADI 3100/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgados em 20/4/2022 (Info 1051).
É inconstitucional norma que prevê a concentração excessiva do poder decisório nas mãos de só um
dos entes públicos integrantes de região metropolitana. ADI 6573/AL - ADI 6911/AL - ADPF 863/AL, relator
Min. Edson Fachin, julgamento virtual finalizado em 13.5.2022. (Info 1055)
Em processo de apuração de ato infracional, é inadmissível ação rescisória proposta pelo Ministério
Público visando a desconstituição de coisa julgada absolutória.
Embora as medidas socioeducativas tenham natureza pedagógica, é inegável que possuem,
igualmente, caráter sancionador e punitivo. Tanto é assim, que a sua imposição depende da
comprovação da prática de ato infracional, feita por meio de processo judicial, no qual devem ser
observadas as garantias do devido processo legal e do contraditório. (...). O art. 152 do Estatuto da
Criança e do Adolescente estatui que lhe são aplicáveis, "subsidiariamente as normas gerais previstas na
legislação processual pertinente". No caso de processo para apuração de ato infracional, as regras subsidiárias
a serem aplicadas ao Estatuto da Criança e do Adolescente, são aquelas relativas ao Código de Processo
Penal que estabelece, em seus arts. 621 e 626, que a revisão criminal é cabível tão-somente contra sentença
condenatória e que o julgamento proferido na revisional nunca pode agravar a situação do condenado. (...)
Não obstante o Ministério Público afirme que a intenção seria proteger e educar o menor, que é vulnerável,
observa-se que o real escopo da ação rescisória é reabrir a discussão acerca da prática do ato infracional e
aplicar ao menor, medida socioeducativa por fato em relação ao qual foi definitivamente absolvido,
mostrando-se indevida a tentativa de usar a vulnerabilidade do menor em seu próprio desfavor. Processo
sob segredo judicial, Rel. Min. Laurita Vaz, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 22/11/2022, DJe
28/11/2022. (Info 759 STJ)
A gravidade do ato infracional cometido, dissociada de elementos concretos colhidos no curso da
execução da medida socioeducativa, não é fundamento suficiente para, por si, justificar a
manutenção de adolescente em internação.
De início, assevera-se que "[n]a esfera da Lei n. 8.069/1990, as medidas socioeducativas aplicadas em resposta a
ato infracional cometido por adolescente possuem o objetivo de responsabilização quanto às consequências lesivas
do ato, a integração social e garantia de seus direitos individuais e sociais, bem como a desaprovação da conduta
infracional (art. 1.º, § 2.º, incisos I, II e III, da Lei n. 12.594/2012 - SINASE)" (REsp 1.916.596/SP, Rel. Ministra Laurita
Vaz, Sexta Turma, julgado em 27/04/2021, DJe 04/05/2021). (...) Desse modo, a manutenção da internação
do adolescente implicaria sua manutenção em regime de execução mais gravoso que o devido, tendo
em vista a incapacidade do aparato estatal em oferecer condições para a progressão à semiliberdade
e ao gozo das saídas temporárias. De fato, a finalidade principal da aplicação das medidas previstas no
Estatuto da Criança e do Adolescente não é retributiva, mas reeducativa, com vistas à proteção
integral do adolescente. Processo sob segredo de justiça, Rel. Min. Laurita Vaz, Sexta Turma, por
unanimidade, julgado em 16/08/2022, DJe 30/08/2022. (Info 749 STJ)
DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS
Na execução de medida socioeducativa, o período de tratamento médico deve ser contabilizado no
prazo de 3 anos para a duração máxima da medida de internação, nos termos do art. 121, § 3º, do ECA.
O art. 121, § 3º do ECA afirma que “em nenhuma hipótese o período máximo de internação excederá a três
anos”. Se o adolescente está cumprindo medida socioeducativa de internação e sobrevém transtorno mental,
ele será submetido a tratamento médico. O período de tratamento deverá ser somado ao tempo em que ele
ficou cumprindo a medida de internação, não podendo ultrapassar 3 anos, nos termos do art. 121, § 3º do
ECA. A medida de segurança imposta ao apenado adulto que desenvolve transtorno mental no curso da
execução, com espeque no art. 183 da LEP, tem sua duração limitada ao tempo remanescente da pena
privativa de liberdade. Esse mesmo raciocínio deve ser aplicado aos adolescentes, por força do art. 35, I, da
Lei nº 12.594/2012. Se a contagem do prazo trienal previsto no art. 121, § 3º, do ECA fosse suspensa durante
o tratamento médico referido no art. 64 da Lei 12.594/2012 e até a alta hospitalar, a restrição da liberdade do
jovem seria potencialmente perpétua, hipótese inadmissível em nosso sistema processual. STJ. 5ª Turma.
REsp 1.956.497-PR, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 05/04/2022 (Info 732).
ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL
O risco real de contaminação pelo coronavírus (covid-19) em casa de abrigo justifica a manutenção de
criança de tenra idade com a família substituta, apesar da suposta irregularidade/ilegalidade dos
meios empregados para a obtenção da guarda da infante. Processo sob segredo judicial, Rel. Min. Paulo
de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 21/06/2022, DJe 23/06/2022. (Info 742)
INFRAÇÕES ADMINISTRATIVAS
É admissível a redução do valor da multa do art. 249 do Estatuto da Criança e do Adolescente,
inclusive aquém do mínimo legal de três salários mínimos. Processo sob segredo judicial, Rel. Min. Nancy
Andrighi, Terceira Turma, julgado em 23/08/2022, DJe 25/08/2022. (Info 746 STJ)
DIREITO DO CONSUMIDOR
PLANOS DE SAÚDE
A operadora do plano de saúde deve custear medicamentos importados, o qual, apesar de não
registrado pela ANVISA, possui autorização para importação em caráter excepcional. Como regra geral:
as operadoras de plano de saúde não estão obrigadas a fornecer medicamento não registrado pela
ANVISA(STJ. 2ª Seção. REsp 1.712.163-SP, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 08/11/2018. Recurso Repetitivo
– Tema 990). No entanto, se o medicamento prescrito pelo médico, embora se trate de fármaco importado
ainda não registrado pela ANVISA, teve a sua importação excepcionalmente autorizada pela referida Agência
Nacional, neste caso, ele será considerado como de cobertura obrigatória pela operadora de plano de saúde.
Trata-se, portanto, de uma exceção ao que o STJ decidiu no Tema 990 acima exposto. Resumindo: é de
cobertura obrigatória pela operadora de plano de saúde, o medicamento que, apesar de não registrado pela
ANVISA, teve a sua importação excepcionalmente autorizada pela referida Agência Nacional. STJ. 3ª Turma.
REsp 1.943.628-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 26/10/2021 (Info 717).
Após o prazo de 30 dias do nascimento, o neonato submetido a tratamento terapêutico e não inscrito
no plano de saúde deve ser considerado usuário por equiparação, o que acarreta para ele o direito de
manter a cobertura recolhendo as mensalidades. Caso hipotético: Regina é cliente de um plano de saúde.
Vale ressaltar que seu contrato oferece cobertura inclusive para tratamento obstétrico. Regina ficou grávida e
deu à luz a Lucas. Ocorre que o bebê apresentou problema cardíaco ao nascer e necessitou de cirurgia.
Assim, logo após o parto, o neonato foi submetido à cirurgia cardíaca. O plano custeou o procedimento.
Ocorre que Lucas necessitou de internação hospitalar por período superior a 30 dias. Diante daquele cenário
de desespero por conta da internação, os pais de Lucas nem o inscreveram como dependente no plano de
saúde da genitora. Logo, após o 30º dia, o plano não mais aceitou custear as despesas de internação de
Lucas.Então, se, de um lado, a lei exime a operadora da obrigação de custear o tratamento médico prescrito
para o neonato, após o 30º dia do parto, se ele não foi inscrito como beneficiário do plano de saúde, impede,
de outro lado, que se interrompa o tratamento ainda em curso, assegurando, pois, a cobertura assistencial
até a sua alta hospitalar. Nesse contexto, após o prazo de 30 (trinta) dias do nascimento, o neonato
submetido a tratamento terapêutico e não inscrito no plano de saúde deve ser considerado usuário por
equiparação. Em outras palavras, deve ser considerado como se inscrito fosse, ainda que provisoriamente, o
que lhe acarreta não o ressarcimento de despesas conforme os valores de tabela da operadora, mas o
recolhimento de quantias correspondentes a mensalidades de sua categoria, a exemplo também do que
acontece aos beneficiários sob tratamento assistencial em planos extintos. STJ. 3ª Turma. REsp 1.953.191-SP,
Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 15/02/2022 (Info 727).
É ilegal a cobrança, pelo plano de saúde, de coparticipação em forma de percentual no caso de
internação domiciliar não alusiva a tratamento psiquiátrico. A contratação de coparticipação para
tratamento de saúde, seja em percentual ou seja em montante fixo, desde que não inviabilize o acesso ao
serviço de saúde é legal (válida). Todavia, em regra, é vedada a cobrança de coparticipação apenas em forma
de percentual nos casos de internação. A exceção são os eventos relacionados à saúde mental. Nos contratos
de plano de saúde não é abusiva a cláusula de coparticipação expressamente ajustada e informada ao
consumidor, à razão máxima de 50% do valor das despesas, nos casos de internação superior a 30 dias por
ano, decorrente de transtornos psiquiátricos, preservada a manutenção do equilíbrio financeiro. No caso
concreto, foi estabelecida, contratualmente, a coparticipação da consumidora sobre o total das despesas
arcadas pelo plano de saúde no caso de internação domiciliar em forma de percentual, razão pela qual se
conclui pela sua ilegalidade, até mesmo porque substituta da internação hospitalar não relacionada à saúde
mental. STJ. 3ª Turma. REsp 1.947.036-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 22/02/2022 (Info 727).
Se for uma situação de urgência, o plano de saúde é obrigado a custear o parto mesmo que, no caso
concreto, o plano da mãe não inclua serviços de obstetrícia. A operadora de plano de saúde tem o dever
de cobrir parto de urgência, por complicações no processo gestacional, ainda que o plano tenha sido
contratado na segmentação hospitalar sem obstetrícia. STJ. 3ª Turma. REsp 1.947.757-RJ, Rel. Min. Nancy
Andrighi, julgado em 08/03/2022 (Info 728).
Usuário do plano de saúde fez o procedimento em um hospital não credenciado; o ressarcimento dos
gastos efetuados pelo usuário ocorrerá segundo o preço de tabela previsto pelo plano de saúde. É
devida a limitação do reembolso, pelo preço de tabela, ao usuário que utilizar para o tratamento de terapia
coberta, os profissionais e estabelecimentos não credenciados, estejam eles dentro ou fora da área de
abrangência do município/área geográfica e de estar ou não o paciente em situação de emergência ou
urgência. STJ. 4ª Turma. AgInt no REsp 1.933.552-ES, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Rel. Acd. Min. Marco Buzzi,
julgado em 15/03/2022 (Info 729).
Apesar de o Tema 952/STJ ter sido firmado para os planos individuais e familiares, ele também se
aplica para os planos coletivos. (a) Aplicabilidade das teses firmadas no Tema 952/STJ aos planos coletivos,
ressalvando-se, quanto às entidades de autogestão, a inaplicabilidade do CDC. (b) A melhor interpretação do
enunciado normativo do art. 3°, II, da Resolução n. 63/2003, da ANS, é aquela que observa o sentido
matemático da expressão "variação acumulada", referente ao aumento real de preço verificado em cada
intervalo, devendo-se aplicar, para sua apuração, a respectiva fórmula matemática, estando incorreta a
simples soma aritmética de percentuais de reajuste ou o cálculo de média dos percentuais aplicados em
todas as faixas etárias. STJ. 2ª Seção. REsp 1.716.113-DF, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em
23/03/2022 (Recurso Repetitivo – Tema 1016) (Info 730).
1 - O rol de Procedimentos e Eventos em Saúde Suplementar é, em regra, taxativo;
2 - A operadora de plano ou seguro de saúde não é obrigada a arcar com tratamento não constante do
rol da ANS se existe, para a cura do paciente, outro procedimento eficaz, efetivo e seguro já
incorporado ao rol;
3 - É possível a contratação de cobertura ampliada ou a negociação de aditivo contratual para a
cobertura de procedimento extra rol;
4 - Não havendo substituto terapêutico ou esgotados os procedimentos do rol da ANS, pode haver, a
título excepcional, a cobertura do tratamento indicado pelo médico ou odontólogo assistente, desde
que (i) não tenha sido indeferido expressamente, pela ANS, a incorporação do procedimento ao rol da
Saúde Suplementar; (ii) haja comprovação da eficácia do tratamento à luz da medicina baseada em
evidências; (iii) haja recomendações de órgãos técnicos de renome nacionais (como CONITEC e
NATJUS) e estrangeiros; e (iv) seja realizado, quando possível, o diálogo interinstitucional do
magistrado com entes ou pessoas com expertise técnica na área da saúde, incluída a Comissão de
Atualização do rol de Procedimentos e Eventos em Saúde Suplementar, sem deslocamento da
competência do julgamento do feito para a Justiça Federal, ante a ilegitimidade passiva ad causam da
ANS. EREsp 1.886.929-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Segunda Seção, por maioria, julgado em 08/06/2022.
(Info 740)
A operadora, mesmo após o exercício regular do direito à rescisão unilateral de plano coletivo, deverá
assegurar a continuidade dos cuidados assistenciais prescritos a usuário internado ou em pleno
tratamento médico garantidor de sua sobrevivência ou de sua incolumidade física, até a efetiva alta,
desde que o titular arque integralmente com a contraprestação devida. REsp 1.846.123-SP, Rel. Min. Luis
Felipe Salomão, Segunda Seção, por unanimidade, julgado em 22/06/2022. (Tema 1082) (Info 742)
É abusiva a exclusão unilateral do usuário, quando seu direito de manutenção tem amparo
contratual, pactuado/firmado no "Termo de Opção", e o rompimento unilateral do vínculo somente
seria admitido nas hipóteses previstas na RN ANS n. 195/2008. REsp 1.940.391-MG, Rel. Min. Paulo de
Tarso Sanseverino, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 21/06/2022, DJe de 23/06/2022. (Info 742)
É abusiva a rescisão do contrato de plano de saúde pela operadora com fundamento na
inadimplência, se quando da notificação exigida pela Lei n. 9.656/1998 o consumidor não mais se
encontra inadimplente, tendo adimplido todas as parcelas devidas com correção monetária e juros de
mora. REsp 2.001.686-MS, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em
16/08/2022, DJe 18/08/2022. (Info 746 STJ)
INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA
Se o consumidor alega que a assinatura do contrato bancário é falsa, a instituição financeira é quem
terá o ônus de provar que é autêntica. Na hipótese em que o consumidor/autor impugnar a autenticidade
da assinatura constante em contrato bancário juntado ao processo pela instituição financeira, caberá a esta o
ônus de provar a autenticidade (arts. 6º, 369 e 429, II, do CPC). STJ. 2ª Seção. REsp 1.846.649-MA, Rel. Min.
Marco Aurélio Bellizze, julgado em 24/11/2021 (Recurso Repetitivo - Tema 1061) (Info 720).
CONCEITO DE CONSUMIDOR
O seguro contratado por pessoa jurídica para proteção do seu patrimônio está submetido às regras
protetivas do CDC. A pessoa jurídica que firma contrato de seguro visando à proteção de seu próprio
patrimônio é considerada destinatária final dos serviços securitários, incidindo, assim, as normas do Código
de Defesa do Consumidor. STJ. 3ª Turma. REsp 1.943.335-RS, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 14/12/2021
(Info 722). STJ. 4ª Turma. AgInt no AREsp 1.392.636/SP, Rel.Min. Raul Araújo, DJe 29/4/2019.
Não tem legitimidade ativa para propor ação indenizatória por danos morais a mãe de pessoa
impossibilitada de usar cartão de crédito em viagem internacional. Caso adaptado: Priscila e sua mãe
Regina fizeram uma viagem internacional. Priscila tentou utilizar o cartão de crédito que foi indevidamente
bloqueado por uma falha da operadora do cartão. Regina ajuizou ação contra a operadora do cartão
alegando que a sua filha é quem iria pagar todas as despesas durante a viagem. Logo, como o cartão de
crédito de Priscila não funcionou, ela (Regina) passou por constrangimentos e pela angústia de não saber se
conseguiria pagar as despesas. O STJ afirmou que Regina – que não era a titular do cartão – não era
destinatária dos serviços e, portanto, não possuía legitimidade ativa para propor a respectiva ação
indenizatória. Vale ressaltar que, por se tratar de vício do produto, Regina não pode ser considerada
consumidora por equiparação (bystander), sendo essa figura restrita aos casos de fato do produto ou serviço.
STJ. 3ª Turma. REsp 1.967.728-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 22/03/2022 (Info 730).
3
RESPONSABILIDADE PELO VÍCIO DO PRODUTO OU SERVIÇO
Em caso de vício no veículo comprado, o banco no qual foi realizado o financiamento terá
responsabilidade civil e o contrato de arrendamento mercantil poderá ser rescindido? Os agentes
financeiros (“bancos de varejo”) que financiam a compra e venda de automóvel não respondem pelos vícios
do produto, subsistindo o contrato de financiamento mesmo após a resolução do contrato de compra e
venda, exceto no caso dos bancos integrantes do grupo econômico da montadora (“bancos da montadora”).
Em caso de vício no veículo comprado, o banco no qual foi realizado o financiamento terá responsabilidade
civil e o contrato de arrendamento mercantil poderá ser rescindido? • Se foi feito com um “banco de varejo”:
NÃO. • Se foi feito com um “banco de montadora”: SIM. STJ. 3ª Turma. REsp 1.946.388-SP, Rel. Min. Paulo de
Tarso Sanseverino, julgado em 07/12/2021 (Info 722).
RESPONSABILIDADE PELO FATO DO PRODUTO
A inexistência de responsabilidade solidária por fato do produto entre os fornecedores da cadeia de
consumo impede a extensão do acordo feito por um réu em benefício do outro. Exemplo: Marina
adquiriu um suco de caixinha industrializado no supermercado e, depois de tomar o primeiro gole, percebeu
que o produto estava contaminado com um corpo estranho. A consumidora ajuizou ação de indenização por
danos morais contra a fabricante do suco e o supermercado. O comerciante (supermercado) resolveu fazer
um acordo com a consumidora e pagou R$ 4 mil à autora. A fabricante, por sua vez, não participou da
transação. O juiz, ao homologar a transação, irá extinguir o processo apenas no que tange ao supermercado,
prosseguindo o feito com relação à fabricante. A ingestão parcial de produto contaminado configura hipótese
de fato do produto, situação na qual o comerciante não possui responsabilidade solidária, mas sim
subsidiária (art. 13 do CDC). Sendo a responsabilidade do supermercado subsidiária, o acordo por ele
firmado não se estende necessariamente à fabricante porque não se aplica o § 3º do art. 844 do CC (este
dispositivo afirma que se a transação foi feita entre um dos devedores solidários e seu credor, ela extingue a
dívida em relação aos codevedores). STJ. 3ª Turma. REsp 1.968.143-RJ, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado
em 08/02/2022 (Info 724).
COMPRA DE IMÓVEIS
A relação jurídica estabelecida no contrato de corretagem é diversa daquela firmada entre o
promitente comprador e o promitente vendedor do imóvel, de modo que a responsabilidade da
corretora está limitada a eventual falha na prestação do serviço de corretagem. Caso concreto: o
promitente vendedor alegou que a incorporadora/promitente vendedora do apartamento descumpriu suas
obrigações contratuais. Diante disso, o consumidor ajuizou ação pedindo a restituição de todas as quantias
pagas e indenização por danos morais. Ocorre que a ação foi proposta não apenas contra a incorporadora,
mas também contra a corretora. Indaga-se: a corretora possui responsabilidade neste caso? Não. A
responsabilidade da corretora de imóveis está associada ao serviço por ela ofertado, qual seja, o de
aproximar as partes interessadas no contrato de compra e venda, prestando ao cliente as informações
necessárias sobre o negócio jurídico a ser celebrado. Eventual inadimplemento ou falha na prestação do
serviço relacionada ao imóvel em si, ao menos em regra, não pode ser imputada à corretora, pois, do
contrário, ela seria responsável pelo cumprimento de todos os negócios por ela intermediados. Isso
desvirtuaria a natureza jurídica do contrato de corretagem e a própria legislação de regência. Exceção: a
corretora pode responder solidariamente com a incorporadora se ficarem constatadas eventuais distorções
na relação jurídica de corretagem. Ex: se a corretora se envolver na construção e incorporação do imóvel, o
que originalmente não seria sua função. Neste caso, poderia ser reconhecida a sua responsabilidade
solidária. STJ. 3ª Turma. REsp 1.811.153-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 15/02/2022 (Info 725).
Nos contratos firmados na vigência da Lei 13.786/2018, é indevida a intervenção judicial para vedar o
abatimento das despesas de corretagem, desde que esteja especificada no contrato, inclusive no
quadro-resumo. É comum que os contratos das empresas de incorporação imobiliária prevejam que o
promitente-comprador (“consumidor”) será o responsável pelo pagamento da comissão do corretor. Essa
cláusula é válida? Antes da Lei nº 13.786/2018: O STJ havia decidido que: É válida a cláusula contratual que
transfere ao promitente-comprador a obrigação de pagar a comissão de corretagem nos contratos de
promessa de compra e venda de unidade autônoma em regime de incorporação imobiliária, desde que
previamente informado o preço total da aquisição da unidade autônoma, com o destaque do valor da
comissão de corretagem. STJ. 2ª Seção. REsp 1.599.511-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em
24/8/2016 (Recurso Repetitivo – Tema 938) (Info 589). Depois da Lei nº 13.786/2018: As empresas continuam
podendo transferir esse encargo para o consumidor/promitente comprador. Além disso, a Lei nº 13.786/2018
incluiu o art. 67-A na Lei nº 4.591/64, cujo inciso I dispõe expressamente que, em caso de desfazimento do
contrato celebrado exclusivamente com o incorporador, será possível a dedução da integralidade da
comissão de corretagem. Em palavras mais simples, o valor da comissão de corretagem – que foi pago pelo
promitente comprador – não será devolvido. STJ. 4ª Turma. REsp 1.947.698-MS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão,
julgado em 08/03/2022 (Info 730).
SERVIÇOS BANCÁRIOS
Banco que tem muitos caixas eletrônicos inoperantes, com falta de numerário nos caixas e muito
tempo de espera nas filas é condenado a pagar indenização por danos morais coletivos. A inadequada
prestação de serviços bancários, caracterizada pela reiterada existência de caixas eletrônicos inoperantes,
sobretudo por falta de numerário, e pelo consequente excesso de espera em filas por tempo superior ao
estabelecido em legislação municipal, é apta a caracterizar danos morais coletivos. STJ. 3ª Turma. REsp
1.929.288-TO, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 22/02/2022 (Info 726).
RESPONSABILIDADE PELO FATO DO SERVIÇO
Se ocorreu um acidente em um espetáculo artístico, a patrocinadora desse evento pode ser
responsabilizada? A empresa patrocinadora de evento, que não participou da sua organização, não pode
ser enquadrada no conceito de fornecedor para fins de responsabilização por acidente de consumo ocorrido
no local. STJ. 3ª Turma. REsp 1.955.083-BA, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 15/02/2022 (Info 727).
O médico é civilmente responsável por falha no dever de informação acerca dos riscos de morte em
cirurgia. Todo paciente possui, como expressão do princípioda autonomia da vontade (autodeterminação),
o direito de saber dos possíveis riscos, benefícios e alternativas de um determinado procedimento médico,
possibilitando, assim, manifestar, de forma livre e consciente, o seu interesse ou não na realização da
terapêutica envolvida, por meio do consentimento informado. Esse dever de informação decorre do art. 22
do Código de Ética Médica e dos arts. 6º, III, e 14 do CDC. Além disso, o Código Civil também disciplinou sobre
o assunto no art. 15. Justamente por isso, é indispensável o consentimento informado do paciente acerca dos
riscos inerentes ao procedimento cirúrgico. O médico que deixa de informar o paciente acerca dos riscos
da cirurgia incorre em negligência, e responde civilmente pelos danos resultantes da operação. Vale
ressaltar, ainda, que a informação prestada pelo médico ao paciente, acerca dos riscos, benefícios e
alternativas ao procedimento indicado, deve ser clara e precisa, não bastando que o profissional de saúde
informe, de maneira genérica ou com termos técnicos, as eventuais repercussões no tratamento, o que
comprometeria o consentimento informado do paciente, considerando a deficiência no dever de informação.
Com efeito, não se admite o chamado “blanket consente”, isto é, o consentimento genérico, em que não há
individualização das informações prestadas ao paciente, dificultando, assim, o exercício de seu direito
fundamental à autodeterminação. STJ. 3ª Turma. REsp 1.848.862-RN, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado
em 05/04/2022 (Info 733).
A sociedade empresária que comercializa ingressos no sistema on-line responde civilmente pela falha
na prestação do serviço. A venda de ingresso para um determinado espetáculo cultural é parte típica do
negócio. Logo, trata-se de um risco da própria atividade empresarial que visa ao lucro e que integra o
investimento do fornecedor, compondo, portanto, o custo básico embutido no preço. Desse modo, as
sociedades empresárias que atuaram na organização e na administração da festividade e da estrutura do
local integram a mesma cadeia de fornecimento e, portanto, são solidariamente responsáveis pelos danos,
em virtude da falha na prestação do serviço, ao não prestar informação adequada, prévia e eficaz acerca do
cancelamento/adiamento do evento. Os integrantes da cadeia de consumo, em ação indenizatória
consumerista, também são responsáveis pelos danos gerados ao consumidor, não cabendo a alegação de
que o dano foi gerado por culpa exclusiva de um dos seus integrantes. Caso concreto: ação de indenização
proposta pelos consumidores em razão dos custos advindos da compra de ingresso para o evento Pretty
Little Weekend, a ser sediado na cidade do Rio de Janeiro-RJ, cancelado, contudo, sem qualquer satisfação
aos consumidores. A sociedade empresária que comercializou os ingressos no sistema on-line possui
responsabilidade pela falha na prestação do serviço, a ensejar a reparação por danos materiais e a
compensação dos danos morais. STJ. 3ª Turma. REsp 1.985.198-MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
05/04/2022 (Info 733).
CONTRATOS BANCÁRIOS
O limite de desconto do empréstimo consignado não se aplica aos contratos de mútuo bancário em
que o cliente autoriza o débito das prestações em conta-corrente. Tema já apreciado no Info 612-STJ.
São lícitos os descontos de parcelas de empréstimos bancários comuns em conta-corrente, ainda que
utilizada para recebimento de salários, desde que previamente autorizados pelo mutuário e enquanto esta
autorização perdurar, não sendo aplicável, por analogia, a limitação prevista no § 1º do art. 1º da Lei nº
10.820/2003, que disciplina os empréstimos consignados em folha de pagamento. STJ. 2ª Seção. REsp
1.863.973-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 09/03/2022 (Recurso Repetitivo – Tema 1085) (Info
728).
A declaração de ilegalidade de tarifas bancárias, com a consequente devolução dos valores cobrados
indevidamente, em ação ajuizada anteriormente, faz coisa julgada em relação ao pedido de repetição
de indébito dos juros remuneratórios incidentes sobre as tarifas. Caso concreto: a parte autora ajuizou a
primeira ação pedindo a devolução em dobro de todos os valores pagos com as tarifas declaradas nulas.
Nessa ação é possível concluir que o pleito abarcou também os encargos incidentes sobre as respectivas
tarifas. Se a parte eventualmente esqueceu de deduzir, de forma expressa, a pretensão de ressarcimento dos
juros remuneratórios que incidiram sobre as tarifas declaradas nulas na primeira ação, não poderá propor
nova demanda com essa finalidade, sob pena de violação à coisa julgada. O acessório (juros remuneratórios
incidentes sobre a tarifa) segue o principal (valor correspondente à própria tarifa), razão pela qual o pedido
de devolução de todos os valores pagos referentes à tarifa nula abrange, por dedução lógica, a restituição
também dos respectivos encargos, sendo incabível, portanto, nova ação para rediscutir essa matéria. Desse
modo, a declaração de ilegalidade de tarifas bancárias, com a consequente devolução dos valores cobrados
indevidamente, em ação ajuizada anteriormente com pedido de forma ampla, faz coisa julgada em relação ao
pedido de repetição de indébito dos juros remuneratórios incidentes sobre as referidas tarifas. STJ. 3ª Turma.
REsp 1.899.115-PB, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 05/04/2022 (Info 733).
SOLIDARIEDADE
A previsão de solidariedade prevista no art. 25, §1º, do CDC deve ser interpretada restritivamente.
REsp 1.647.238-RJ, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 17/05/2022. (Info
737)
RELAÇÃO JURÍDICA DE CONSUMO
Não há relação de consumo em contrato de seguro de responsabilidade civil de conselheiros, diretores
e administradores de sociedade empresária (Seguro RC D&O). REsp 1.926.477-SP, Rel. Ministro Marco
Aurélio Bellizze, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 18/10/2022, DJe 27/10/2022. (Info 761 STJ)
A empresa aérea que disponibilizar a opção de resgate de passagens aéreas com "pontos" pela
internet é obrigada a assegurar que o cancelamento ou reembolso dessas seja solicitado pelo mesmo
meio. REsp 1.966.032-DF, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em
16/08/2022. (Info 745 STJ)
DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA
Para fins de aplicação da Teoria Menor da desconsideração da personalidade jurídica, o § 5º do art. 28
do CDC não dá margem para admitir a responsabilização pessoal de quem não integra o quadro
societário da empresa (administrador não sócio). REsp 1.860.333-DF, Rel. Min. Marco Buzzi, Quarta Turma,
por unanimidade, julgado em 11/10/2022. (Info 754 STJ)
PROTEÇÃO CONTRATUAL
Não é abusiva a cláusula constante de programa de fidelidade que impede a transferência de
pontos/bônus de milhagem aérea aos sucessores do cliente titular no caso de seu falecimento. REsp
1.878.651-SP, Rel. Min. Moura Ribeiro, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 04/10/2022, DJe
07/10/2022. (Info 753 STJ)
PRÁTICAS COMERCIAIS
Constitui dever da instituição de ensino a informação clara e transparente acerca do curso ofertado,
orientando e advertindo seus alunos acerca da separação entre bacharelado e licenciatura. AgInt no
REsp 1.738.996-RJ, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em
30/05/2022, DJe 02/06/2022. (Info 746 STJ)
DIREITO E PROCESSO DO TRABALHO
REGIME DE ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA
Não se aplica a Taxa Referencial (TR) como índice de correção monetária de débitos trabalhistas. I - É
inconstitucional a utilização da Taxa Referencial - TR como índice de atualização dos débitos
trabalhistas, devendo ser aplicados, até que sobrevenha solução legislativa, os mesmos índices de
correção monetária e de juros vigentes para as condenações cíveis em geral, quais sejam a incidência
do IPCA-E na fase pré-judicial e, a partir do ajuizamento da ação, a incidência da taxa SELIC (art. 406 do
Código Civil), à exceção das dívidas da FazendaPública, que possuem regramento específico. A
incidência de juros moratórios com base na variação da taxa SELIC não pode ser cumulada com a aplicação
de outros índices de atualização monetária, cumulação que representaria bis in idem; II - A fim de garantir
segurança jurídica e isonomia na aplicação desta tese, devem ser observados os marcos para modulação dos
efeitos da decisão fixados no julgamento conjunto da ADI 5.867, ADI 6.021, ADC 58 e ADC 59, como segue: (i)
são reputados válidos e não ensejarão qualquer rediscussão, em ação em curso ou em nova demanda,
incluindo ação rescisória, todos os pagamentos realizados utilizando a TR (IPCA-E ou qualquer outro índice),
no tempo e modo oportunos (de forma extrajudicial ou judicial, inclusive depósitos judiciais) e os juros de
mora de 1% ao mês, assim como devem ser mantidas e executadas as sentenças transitadas em julgado que
expressamente adotaram, na sua fundamentação ou no dispositivo, a TR (ou o IPCA-E) e os juros de mora de
1% ao mês; (ii) os processos em curso que estejam sobrestados na fase de conhecimento,
independentemente de estarem com ou sem sentença, inclusive na fase recursal, devem ter aplicação, de
forma retroativa, da taxa Selic (juros e correção monetária), sob pena de alegação futura de inexigibilidade de
título judicial fundado em interpretação contrária ao posicionamento do STF (art. 525, §§ 12 e 14, ou art. 535,
§§ 5º e 7º, do CPC e (iii) os parâmetros fixados neste julgamento aplicam-se aos processos, ainda que
transitados em julgado, em que a sentença não tenha consignado manifestação expressa quanto aos índices
de correção monetária e taxa de juros (omissão expressa ou simples consideração de seguir os critérios
legais). STF. Plenário. RE 1269353/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 17/12/2021 (Repercussão Geral – Tema
1191) (Info 1043).
COMPETÊNCIA
Compete à Justiça do Trabalho julgar ação proposta contra o empregador nas quais se pretenda o
reconhecimento de verbas de natureza trabalhista e os reflexos nas respectivas contribuições para a
entidade de previdência privada a ele vinculada. Caso concreto: ação proposta em face da CEF e da
FUNCEF na qual o autor pretende a inclusão da verba salarial denominada CTVA - Complemento Temporário
Variável Ajuste de Mercado na composição de salário de participação, com os devidos reflexos no cálculo de
benefício de complementação de aposentadoria. Há, portanto, cumulação de pretensões de naturezas
distintas, havendo a necessidade de prévio julgamento da controvérsia trabalhista pois, somente em caso de
procedência desta, haverá possibilidade de análise do pleito relacionado ao plano previdenciário. Ou seja, a
causa de pedir originária (exclusão da parcela denominada CTVA do salário de contribuição) desdobra-se em
dois pedidos, de natureza diversa: (a) na seara trabalhista, pugna-se pelo reconhecimento da natureza
salarial, com o respectivo recolhimento das contribuições devidas; e, (b) no âmbito previdenciário, busca-se a
revisão do benefício complementar. Logo, em razão desta cumulação de pedidos, não incide - ao menos não
de forma direta - o entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal (Tema 190/STF), no sentido da
competência da Justiça Comum para “o processamento de demandas ajuizadas contra entidades privadas de
previdência com o propósito de obter complementação de aposentadoria”, ante a necessidade de prévio
enfrentamento da controvérsia laboral. Ademais, em recente julgamento, a Suprema Corte fixou nova tese,
em repercussão geral, no sentido de que “compete à Justiça do Trabalho processar e julgar causas ajuizadas
contra o empregador nas quais se pretenda o reconhecimento de verbas de natureza trabalhista e os
reflexos nas respectivas contribuições para a entidade de previdência privada a ele vinculada” (Tema 1.166 -
RE 1.265.564-SC). STJ. 4ª Turma. EDcl no AgInt no AREsp 1.547.767-SP, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em
22/03/2022 (Info 733).
CONVENÇÃO E ACORDO COLETIVO
É inconstitucional a interpretação jurisprudencial da Justiça do Trabalho que mantém a validade de
direitos fixados em cláusulas coletivas com prazo já expirado até que novo acordo ou convenção
coletiva seja firmado. ADPF 323/DF, relator Min. Gilmar Mendes, julgamento virtual finalizado em
27.5.2022. (Info 1056)
São constitucionais os acordos e as convenções coletivos que, ao considerarem a adequação setorial
negociada, pactuam limitações ou afastamentos de direitos trabalhistas, independentemente da
explicitação especificada de vantagens compensatórias, desde que respeitados os direitos
absolutamente indisponíveis.
É constitucional norma oriunda de negociação coletiva que, apesar de limitar ou afastar direitos trabalhistas,
assegura aos trabalhadores os direitos absolutamente indisponíveis. ARE 1121633/GO, relator Min. Gilmar
Mendes, julgamento em 1º e 2.6.2022. (Tema 1046 RG) (Info 1057)
DISPENSA OU DESPEDIDA IMOTIVADA
A intervenção sindical prévia é exigência procedimental imprescindível para a dispensa em massa de
trabalhadores, que não se confunde com autorização prévia por parte da entidade sindical ou
celebração de convenção ou acordo coletivo.
A dispensa em massa de empregados deve ser precedida da tentativa de diálogo entre a empresa e o
sindicato dos trabalhadores. RE 999435/SP, relator Min. Marco Aurélio, redator do acórdão Min. Edson
Fachin, julgamento em 8.6.2022. (Tema 638 RG) (Info 1058)
DIREITO ELEITORAL
FEDERAÇÕES PARTIDÁRIAS
As federações partidárias, introduzidas no ordenamento pela Lei 14.208/2021, são constitucionais, no
entanto, o prazo para a sua constituição deve ser o mesmo aplicável para a criação dos partidos
políticos. A federação partidária, instituto trazido pela Lei nº 14.208/2021, não é uma tentativa de se recriar
as coligações partidárias nas eleições proporcionais, que foram proibidas pela EC 97/2017, que deu nova
redação ao art. 17, § 1º, da CF/88. A Lei nº 14.208/2021 criou mecanismos para impedir que as federações
partidárias provocassem um desvirtuamento do sistema representativo. Logo, a figura da federação
partidária é compatível com a Constituição Federal. Vale ressaltar, contudo, que a previsão legal que permite
que as federações partidárias possuam prazo superior ao dos partidos políticos para se constituírem viola o
princípio da isonomia. A fim de participarem das eleições, as federações partidárias devem estar constituídas
como pessoa jurídica e obter o registro de seu estatuto perante o TSE no mesmo prazo aplicável aos partidos
políticos. Excepcionalmente, nas eleições de 2022, o prazo para constituição de federações partidárias fica
estendido até 31 de maio do mesmo ano. STF. Plenário. ADI 7021/DF MC-Ref, Rel. Min. Roberto Barroso,
julgado em 9/2/2022 (Info 1043).
PROPAGANDA ELEITORAL
São constitucionais as restrições, previstas na Lei 9.504/97, quanto à veiculação de propaganda
eleitoral em meios de comunicação impressos e na internet. São constitucionais as restrições, previstas
na Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997, arts. 43, caput, e 57-C, caput e § 1º), à veiculação de propaganda
eleitoral em meios de comunicação impressos e na internet. STF. Plenário. ADI 6281/DF, Rel. Min. Luiz Fux,
redator do acórdão Min. Nunes Marques, julgado em 10, 16 e 17/2/2022 (Info 1044).
FINANCIAMENTO ELEITORAL
STF mantém nova fórmula de cálculo do valor do FEFC imposta pela Lei 14.192/2021. Não cabe ao
Supremo Tribunal Federal adentrar o mérito da opção legislativa para redesenhar a forma de cálculo do valor
do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) (Lei 14.194/2021, art. 12, XXVII). STF. Plenário. ADI
7058 MC/DF, Rel. Min. André Mendonça, redator do acórdão Min. Nunes Marques, julgado em 3/3/2022 (Info
1045).
PARTIDOS POLÍTICOS
Estatuto previa que o partido poderia cobrar multa do ocupante de mandato que saísse da legenda;
ocorre que o estatuto exigia que o filiado assinasse um formulário concordando; logo, sem essa
aquiescência, a multa não é devida. A multa estatutáriapor desfiliação partidária não decorre
automaticamente da filiação e da consequente submissão às regras do estatuto, sendo imprescindível o
documento de aquiescência assinado pelo candidato. O Estatuto dizia: “Todos os candidatos às Eleições
Gerais, majoritárias ou proporcionais, que disputam cargos eletivos pelo PRTB, deverão assinar formulário de
autorização de concordância com pagamento de 10% (dez por cento) sobre suas futuras remunerações
como também multas de 12 (doze) meses sobre seus salários caso venham a desfiliar-se do Partido, no
decurso de seus respectivos mandatos.” STJ. 3ª Turma. REsp 1.796.737-DF, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze,
julgado em 25/11/2021 (Info 720).
São constitucionais, visto não ofenderem a autonomia partidária, os dispositivos de Resolução
editada pelo TSE que vedam o repasse de recursos do Fundo Partidário e do Fundo Especial de
Financiamento de Campanha (FEFC) por partidos políticos ou candidatos não pertencentes à mesma
coligação e/ou não coligados. ADI 7214/DF, relator Min. Ricardo Lewandowski, julgamento virtual finalizado
em 30.9.2022 (sexta-feira), às 23:59. (Info 1070 STF)
1. Os partidos políticos podem, no exercício de sua autonomia constitucional, estabelecer a duração
dos mandatos de seus dirigentes, desde que compatível com o princípio republicano da alternância do
poder concretizado por meio da realização de eleições periódicas em prazo razoável.
2. É inconstitucional a previsão do prazo de até oito anos para a vigência dos órgãos provisórios dos
partidos, para evitar distorções ao claro significado de “provisoriedade”, notadamente porque, nesse
período, podem ser realizadas distintas eleições em todos os níveis federativos.
3. É constitucional a previsão de concessão de anistia às cobranças, devoluções ou transferências ao
Tesouro Nacional que tenham como causa as doações ou contribuições feitas em anos anteriores por
servidores públicos que exerçam função ou cargo público de livre nomeação e exoneração, desde que
filiados a partido político. ADI 6230/DF, relator Min. Ricardo Lewandowski, julgamento virtual finalizado em
5.8.2022 (sexta-feira), às 23:59. (Info 1062 STF)
AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO JUDICIAL - AIJE
A fixação do prazo de 15 (quinze) dias para o ajuizamento da representação prevista no art. 30-A da Lei
9.504 /1997, com a redação dada pela Lei 12.034/2009, não compromete os valores da isonomia entre
os candidatos nem afronta o sistema de proteção à lisura e à legitimidade das eleições (CF/1988, art.
14, § 9º). ADI 4532/DF, relator Ministro Dias Toffoli, julgamento virtual finalizado em 25.11.2022 (sexta-feira)
às 23:59. (Info 1077 STF)
CAMPANHA ELEITORAL
É constitucional a criação do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) por meio de
norma infraconstitucional, dada a inexistência de obrigação ou proibição sobre o tema na CF/1988. ADI
5795/DF, relatora Min. Rosa Weber, julgamento virtual finalizado em 19.8.2022 (sexta-feira), às 23:59. (Info
1065 STF)
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS
A ampliação dos limites para gasto com publicidade institucional às vésperas das eleições pode afetar
significativamente as condições da disputa eleitoral, sendo necessário postergar, em obediência ao
princípio da anterioridade eleitoral (CF/1988, art. 16), a eficácia de alterações normativas nesse
sentido. ADI 7178/DF, relator Min. Dias Toffoli, redator do acórdão Min. Alexandre de Moraes, julgamento
virtual finalizado em 1º.7.2022 (sexta-feira), às 23:59. ADI 7182/DF, relator Min. Dias Toffoli, redator do
acórdão Min. Alexandre de Moraes, julgamento virtual finalizado em 1º.7.2022 (sexta-feira), às 23:59(Info
1062 STF)
DIREITO EMPRESARIAL
MARCA
Impossibilidade de cumulação de ação de nulidade de registro com indenização por danos. É indevida a
cumulação, em um mesmo processo, do pedido de reconhecimento de nulidade de registro marcário com o
de reparação de danos causados por particular que teria utilizado indevidamente marca de outro particular.
STJ. 4ª Turma. REsp 1188105-RJ, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 5/3/2013 (Info 519). Não é possível
a cumulação dos pedidos de nulidade de registro de marca e abstenção de uso com o pedido de indenização
por danos materiais e morais. STJ. 3ª Turma. REsp 1.848.033-RJ, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado
em 19/10/2021 (Info 716).
O marco inicial e o prazo de vigência previstos no parágrafo único do art. 40 da LPI não são
aplicáveis às patentes depositadas na forma estipulada pelo art. 229, parágrafo único, dessa mesma
lei (patentes mailbox). REsp 1.869.959-RJ, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, Rel. Acd. Min. Nancy Andrighi,
Segunda Seção, por unanimidade, julgado em 27/04/2022. (Tema 1065) (Info 734)
CHEQUE
O protesto de título de crédito realizado enquanto ainda existe a possibilidade de cobrança relativa ao
crédito referente ao negócio jurídico subjacente não gera danos morais ao devedor. Situação hipotética:
João emitiu um cheque em 27/9/2005 em favor de Pedro. Pedro protestou o cheque em 09/10/2009. Esse
protesto foi regular? Não. Isso porque o cheque já estava prescrito. Não é possível o protesto de cheques
após ter transcorrido o lapso prescricional de 6 meses para a execução (cambial), que flui após o prazo
de apresentação. Diante disso, João ajuizou ação de indenização por danos morais contra Pedro alegando
que o réu lhe causou abalo extrapatrimonial porque fez um protesto indevido. Pedro contestou a demanda
afirmando que, realmente, o cheque está prescrito, no entanto, mesmo assim, ele ainda poderá cobrar o
valor da cártula por outros meios, como a ação monitória (Súmula 503 do STJ). Logo, não deveria haver
condenação em danos morais. O que o STJ decidiu? Cabe condenação em danos morais neste caso? Não. O
protesto de título de crédito realizado enquanto ainda existe a possibilidade (pretensão) de cobrança relativa
ao crédito referente ao negócio jurídico subjacente não gera danos morais ao devedor. Cuidando-se de
protesto irregular de título de crédito, o reconhecimento do dano moral está atrelado à ideia do abalo do
crédito causado pela publicidade do ato notarial, que, naturalmente, faz associar ao devedor a pecha de
“mau pagador” perante a praça. Todavia, na hipótese em que o protesto é irregular por estar prescrita a
pretensão executória do credor, havendo, porém, vias alternativas para a cobrança da dívida
consubstanciada no título, não há se falar em abalo de crédito, na medida em que o emitente permanece na
condição de devedor. STJ. 3ª Turma. REsp 1713130/MG, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 10/03/2020. STJ.
4ª Turma. REsp 1.536.035-PR, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 26/10/2021 (Info 717).
SOCIEDADE ANÔNIMA
No cálculo para emissão de novas ações é possível considerar a rentabilidade futura da companhia? O
valor fixado das ações a serem subscritas, com base na perspectiva de rentabilidade, deve ser aferido com
base em elementos disponíveis na época do aumento de capital e não a partir do efetivo desempenho da
empresa no futuro. STJ. 4ª Turma. REsp 1.838.870-RJ, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 14/09/2021
(Info 718).
FALÊNCIA E RECUPERAÇÃO DE EMPRESAS
É possível que a Fazenda Pública habilite na falência o crédito tributário que já está sendo cobrado em
uma execução fiscal em curso? É possível a Fazenda Pública habilitar em processo de falência crédito
tributário objeto de execução fiscal em curso, mesmo antes da vigência da Lei nº 14.112/2020, e desde que
não haja pedido de constrição de bens no feito executivo. STJ. 1ª Seção. REsp 1.872.759-SP, Rel. Min. Gurgel
de Faria, julgado em 18/11/2021 (Recurso Repetitivo - Tema 1092) (Info 718).
É possível que a Fazenda Pública habilite na falência o crédito tributário que já está sendo cobrado em
uma execução fiscal em curso? É cabível o pedido de habilitação de crédito da Fazenda Pública na falência,
desde que suspensa a execução fiscal. STJ. 4ª Turma. REsp 1.872.153-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão,
julgado em 09/11/2021(Info 719).
É possível a submissão de cooperativa de crédito ao processo de falência. O art. 2º, II, da Lei nº
11.101/2005, afirma que esta Lei não se aplica à cooperativa de crédito. Existe, porém, regra específica na Lei
nº 6.024/74 prevendo que as instituições financeiras e equiparadas (como as cooperativas de crédito) podem
ir à falência após liquidação extrajudicial pelo Banco Central. Essa possibilidade foi reafirmada pela Lei nº
13.506/2017, que alterou a Lei nº 6.024/74. Desse modo, a doutrina, ao interpretar o art. 2º, II, da Lei nº
11.101/2005 afirma que as instituições financeiras e cooperativas de crédito apenas não ingressam, de
imediato, no processo judicial de execução coletiva empresarial, passando antes por intervenção e liquidação
extrajudicial. STJ. 3ª Turma. REsp 1.878.653-RS, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 14/12/2021
(Info 722).
Na hipótese de autofalência, inexistindo protestos contra a devedora, o termo legal deve ser fixado
em até 90 (noventa) dias antes da distribuição do pedido. Quando o juiz decreta a falência, ele deverá
tratar sobre diversos assuntos nesse pronunciamento. Um dos temas que é definido pelo juiz é o termo legal
da falência. O termo legal de falência é o dia que se considera – por presunção – que se tenha iniciado o
estado de insolvência do empresário devedor. O objetivo de fixar o termo legal de falência está no fato de
que investigar se, neste período, o devedor praticou atos ilegítimos que prejudicaram seus credores. Assim, a
finalidade é definir o período que será “investigado”. Caso o devedor tenha praticado determinadas condutas
ilegítimas, isso será considerado ineficaz porque a lei presume que tenham sido feitas para se furtar ao
pagamento dos credores. Segundo o art. 99, II, da Lei nº 11.101/2005, no caso de autofalência, inexistindo
protestos contra a devedora, o termo legal deve ser fixado em até 90 dias antes da distribuição do pedido O
juiz não pode ampliar esse prazo, utilizando como marco o ajuizamento de ação de despejo e cobrança
contra o devedor. STJ. 3ª Turma.REsp 1.890.290-RS, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em
22/02/2022 (Info 726).
É possível a desconsideração da personalidade jurídica incidentalmente no processo falimentar,
independentemente de ação própria, verificada a fraude e a confusão patrimonial entre a falida e
outras empresas. Uma vez verificada a ocorrência de fraude e confusão patrimonial entre a falida e outras
empresas, é possível a desconsideração das personalidades jurídicas incidentalmente no processo
falimentar, independentemente de ação própria (anulatória ou revocatória), inclusive com o objetivo de
arrecadar bens das sociedades empresariais envolvidas na fraude reconhecida pelas instâncias ordinárias.
Precedentes. A desconsideração da personalidade jurídica, quando preenchidos os seus requisitos, pode ser
requerida a qualquer tempo, não se submetendo, à míngua de previsão legal, a prazos decadenciais ou
prescricionais. STJ. 3ª Turma.REsp 1.686.123-SC, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 22/03/2022
(Info 730).
É possível a aplicação do art. 83, I, da Lei nº 11.101/2005 para a recuperação judicial? Em se tratando de
crédito trabalhista por equiparação (honorários advocatícios de alta monta), é possível a aplicação do limite
previsto no art. 83, I, da Lei nº 11.101/2005 por deliberação da Assembleia Geral de Credores, desde que
devido e expressamente previsto no plano de recuperação judicial. Art. 83. A classificação dos créditos na
falência obedece à seguinte ordem: I - os créditos derivados da legislação trabalhista, limitados a 150 (cento e
cinquenta) salários-mínimos por credor, e aqueles decorrentes de acidentes de trabalho; STJ. 4ª Turma. REsp
1.812.143-MT, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 09/11/2021 (Info 718).
Se os bens alienados em garantia não pertencem ao avalista que está em recuperação judicial, o
credor não pode invocar o art. 49, § 3º para alegar que o crédito é extraconcursal e querer expropriar
os bens do avalista sem respeitar o plano de recuperação. Exemplo hipotético: Gatron S/A celebrou
contrato de mútuo com o banco, que exigiu duas garantias: • que 10 caminhões da Gatron ficassem
alienados em garantia ao banco; • que outra empresa (Artecola S/A) figurasse como avalista. Algum tempo
depois, a Gatron entrou em recuperação judicial. Como não recebeu a quantia devida, o banco ingressou
com execução de título executivo extrajudicial cobrando a dívida. Vale ressaltar, contudo, que a instituição
financeira propôs a execução unicamente contra a Artecola (avalista). Nessa execução foram penhorados
bens da Artecola (salas comerciais). Antes que a execução terminasse, a Artecola também ingressou em
recuperação judicial. O banco argumentou que poderia expropriar os bens penhorados porque seu crédito é
extraconcursal e não se submete aos efeitos da recuperação judicial da avalista, nos termos do art. 49, § 3º
da Lei nº 11.101/2005. O STJ não aceitou a tese do banco porque os bens dados em garantia não são da
avalista. Logo, isso não interfere na recuperação judicial da avalista. Não pertencendo os bens alienados em
garantia ao avalista em recuperação judicial, não podem ser expropriados outros bens de sua titularidade,
pois devem servir ao pagamento de todos os credores. Isso se justifica porque os credores fiduciários estão
excluídos dos efeitos da recuperação judicial somente em relação ao montante alcançado pelos bens
alienados em garantia. Se a alienação do bem dado em garantia for suficiente para quitar o débito,
extingue-se a obrigação. Ex: vendidos os 10 caminhões, todo o dinheiro será destinado ao pagamento da
dívida com o banco. Se cobrir todo o débito, extingue-se a obrigação. Por outro lado, se o valor apurado com
a venda do bem não for bastante para extinguir a obrigação, o restante do crédito em aberto não mais
poderá ser exigido fora da recuperação judicial do devedor, pois não mais existirá a característica que
diferenciava o credor titular da posição de proprietário fiduciário dos demais. Ex: se, mesmo com a venda dos
10 caminhões, pagou-se parcialmente o banco, restando ainda uma dívida de R$ 200 mil. Esse valor
remanescente não é considerado crédito extraconcursal e deverá estar sujeito às regras da recuperação
judicial. Logo, não faz sentido pretender excluir da recuperação judicial bens da avalista que não são os que
estão em alienação fiduciária. STJ. 3ª Turma. REsp 1.953.180-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado
em 25/11/2021 (Info 720).
A cessão fiduciária de título de crédito não se submete à recuperação judicial, independentemente de
registro em cartório. Ex: a empresa recebeu mútuo bancário de R$2 milhões. Como garantia, a empresa
cedeu ao banco títulos e direitos que ela possuía para receber (operações de desconto de recebíveis de
cartões de crédito). Em outras palavras, a empresa tinha valores para receber no futuro (daqui a alguns dias,
meses ou anos) de alguns devedores e cedeu fiduciariamente tais créditos para o banco. Se ela pagasse o
empréstimo, o banco “devolveria” os créditos; caso se tornasse inadimplente, o banco se tornaria, em
definitivo, proprietário dos valores. Alguns meses após a assinatura desse contrato, a referida empresa
entrou em recuperação judicial. Estes créditos cedidos ao banco fiduciariamente como garantia da dívida não
deverão entrar na recuperação judicial porque se enquadram na exceção à regra do caput do art. 49, nos
termos do § 3º do mesmo artigo. Não é necessário que a cessão de crédito realizada tenha sido registrada em
cartório. A cessão fiduciária de título de crédito não depende de registro em RTD para ser constituída, não se
lhe aplicando a regra do art. §1º do art. 1.361 do Código Civil, regente da cessão fiduciária de coisa móvel
infungível. STJ. 2ª Seção. REsp 1.629.470-MS, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 30/11/2021 (Info 721).
A caracterização de conflito de competência perante o STJ pressupõedo menor
patamar remuneratório admissível, especialmente se consideradas as limitações inerentes ao regime jurídico
dos servidores públicos, cujas características se distinguem do relativo às contratações temporárias ou
originadas de vínculos decorrentes das recentes reformas trabalhistas. RE 964659/RS, relator Min. Dias
Toffoli, julgamento virtual finalizado em 5.8.2022 (sexta-feira), às 23:59. (Info 1062 STF)
É possível ao servidor que já usufruiu o primeiro período de férias, após cumprida a exigência de 12
(doze) meses de exercício, usufruir as férias seguintes no mesmo ano civil, dentro do período
aquisitivo ainda em curso, nos termos do § 1° do art. 77 da Lei n. 8.112/1990.
(...) Tendo cumprido o período aquisitivo de 12 meses, pretende-se analisar se pode ou não usufruir
dois períodos no mesmo exercício. Acerca dessa temática, o art. 77, § 1º, da Lei n. 8.112/1990, prevê que "O
servidor fará jus a trinta dias de férias, que podem ser acumuladas, até o máximo de dois períodos, no caso
de necessidade do serviço, ressalvadas as hipóteses em que haja legislação específica", bem como que "Para
o primeiro período aquisitivo de férias serão exigidos 12 (doze) meses de exercício". No entanto, a
interpretação que se conferiu ao tema é a de que o servidor público pode usufruir as férias ainda
durante o respectivo período aquisitivo, na conformidade de escala de férias organizada pelo órgão
público a que está vinculado, independentemente de isso implicar o gozo de dois períodos de férias no
mesmo ano, contanto que já tenha cumprido os 12 meses de exercício. Dessa forma, FICA
EXPRESSAMENTE RESSALVADO QUE, havendo necessidade do serviço, a Administração Pública deve
formalizar sua negativa em decisão fundamentada, na qual demonstre quais seriam os prejuízos
decorrentes do afastamento do servidor nos períodos solicitados. Por óbvio, a motivação dada pela
Administração Pública tem efeito determinante para a sua validade. Bem por isso, apesar de a concessão das
férias decorrer da conveniência e oportunidade da Administração Pública postulado que assegura o
equilíbrio entre os interesses da Administração e os dos servidores , há de se considerar, por todo, que não
existe no serviço público federal óbice legal para a concessão das férias na forma que se debate, isto é, dois
períodos para o mesmo exercício. Essa é a leitura que tem sido verberada pelos dois órgãos fracionários do
Superior Tribunal de Justiça, responsáveis pelo controle de legalidade acerca do direito público. REsp
1.907.153CE, Rel. Min. Manoel Erhardt (Desembargador convocado do TRF da 5ª Região), Primeira Seção, por
unanimidade, julgado em 26/10/2022, DJe 28/10/2022. (Tema 1135 Recursos Repetitivos) (Info 755 STJ)
É desnecessária a presença de farmacêutico em dispensário de medicamentos em pequena unidade
hospitalar, mesmo com a inovação trazida pela Lei n. 13.021/2014.
A Lei n. 13.021/2014 não revogou as disposições que, até então, regulavam os dispensários de medicamentos
em pequena unidade hospitalar ou equivalente. Com essa inovação legislativa, foram excluídas normas que
limitariam às farmácias a atividade de dispensário de medicamento e que obrigariam os dispensários a
serem convertidos em farmácias dentro de determinado prazo, circunstância que evidencia a não revogação
da Lei n. 5.991/1973 no que tange ao funcionamento de dispensário de medicamentos. Pela mesma razão, o
precedente qualificado do REsp 1.110.906/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Primeira Seção, julgado em
23/5/2012, DJe 7/8/2012 não foi superado. Cite-se: "(...) 2. Não é obrigatória a presença de farmacêutico em
dispensário de medicamentos, conforme o inciso XIV do art. 4º da Lei n. 5.991/73, pois não é possível criar a
postulada obrigação por meio da interpretação sistemática dos arts. 15 e 19 do referido diploma legal. 3.
Ademais, se eventual dispositivo regulamentar, tal como o Decreto n. 793, de 5 de abril de 1993 (que alterou
o Decreto n. 74.170, de 10 de junho de 1974), fixar tal obrigação ultrapassará os limites da lei, porquanto
desbordará o evidente rol taxativo fixado na Lei n. 5.991/73. 4. A jurisprudência do Superior Tribunal de
Justiça é firme no sentido de que não é obrigatória a presença de farmacêutico em dispensário de
medicamentos de hospital ou de clínica, prestigiando inclusive a aplicação da Súmula 140 do extinto
Tribunal Federal de Recursos.(...)". Em síntese, a jurisprudência do STJ mantém-se no sentido de que,
mesmo na vigência da Lei 13.021/2014, é desnecessária a presença de farmacêutico em dispensário de
medicamentos em pequena unidade hospitalar. AREsp 1.985.200SP, Rel. Min. Francisco Falcão, Segunda
Turma, por unanimidade, julgado em 20/09/2020, DJe 26/09/2022. (Info 750 STJ)
PROCESSO ADMINISTRATIVO
Em regra, a imposição de sigilo a processos administrativos sancionadores, instaurados por agências
reguladoras contra concessionárias de serviço público, é incompatível com a Constituição. Os
processos administrativos sancionadores instaurados por agências reguladoras contra concessionárias de
serviço público devem obedecer ao princípio da publicidade durante toda a sua tramitação, ressalvados
eventuais atos que se enquadrem nas hipóteses de sigilo previstas em lei e na Constituição. STF. Plenário. ADI
5371/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 25/2/2022 (Info 1045).
Quando o interessado poderá ser notificado por edital no processo administrativo? Em processo
administrativo, a notificação por edital reserva-se exclusivamente para as hipóteses de: a) interessado
indeterminado; b) interessado desconhecido; ou c) interessado com domicílio indefinido. STJ. 1ª Seção. MS
27.227-DF, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 27/01/2021 (Info 716).
É necessária condenação anterior na ficha funcional do servidor ou, no mínimo, anotação de fato que
o desabone, para que seus antecedentes sejam valorados como negativos na dosimetria da sanção
disciplinar. Caso concreto: na decisão do processo administrativo instaurado contra o servidor, a
administração pública aplicou contra ele a pena de suspensão pelo prazo máximo (90 dias) sob o argumento
de que os seus “antecedentes funcionais” deveriam ser qualificados como negativos já que se trata de
“servidor veterano, com larga experiência” e, portanto, deveria ter conduzido com mais zelo e cuidado a
tarefa que estava sob sua responsabilidade. Invocou o art. 128 da Lei nº 8.112/90: “Na aplicação das
penalidades serão considerados (...) a os antecedentes funcionais.” Ocorre que isso não pode ser considerado
como “antecedentes funcionais” negativos. A Administração só poderia considerar como desfavorável o fato
de o servidor ter sido tão imprudente, mesmo tendo larga experiência, se a legislação autorizasse o exame da
culpabilidade do agente, tal como o art. 59 do CO permite. No entanto, a Lei nº 8.112/90 só admite
considerar, na “dosimetria” da sanção disciplinar, os antecedentes funcionais, que ostentam concepção
técnica própria. Nesse passo, para que os antecedentes funcionais do servidor fossem considerados
negativos, deveria constar na ficha funcional do impetrante alguma condenação anterior, ou, no mínimo,
alguma anotação de fato que desabone seu histórico funcional, o que não era o caso. STJ. 1ª Seção. MS
22.606-DF, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 10/11/2021 (Info 718).
São inadmissíveis, em processos administrativos de qualquer espécie, provas consideradas ilícitas
pelo Poder Judiciário.
A Constituição Federal preconiza, de modo expresso, a inadmissibilidade, no processo, de provas
obtidas com violação a normas constitucionais ou legais. Nesse sentido, não é dado a nenhuma
autoridade pública valer-se de provas ilícitas em prejuízo do cidadão, seja no âmbito judicial, seja na
esfera administrativa, INDEPENDENTEMENTE da natureza das pretensões deduzidas pelas partes.
Ademais, as provas declaradas nulas em processos judiciais não podem ser valoradas e aproveitadas,
em desfavor do cidadão, em qualquer âmbito ou instânciaa materialização da oposição
concreta do Juízo da execução fiscal à efetiva deliberação do Juízo da recuperação judicial a respeito
do ato constritivo. A Lei nº 14.112/2020 alterou a Lei nº 11.101/2005 e deixou expressamente consignado
que: - a execução fiscal não se suspende pelo deferimento da recuperação judicial); e que - o juízo da
execução fiscal possui competência para determinar os atos de constrição judicial sobre os bens da empresa
recuperanda. Além disso, a Lei nº 14.112/2020 afirmou que o Juízo da recuperação judicial possui
competência para substituir os atos de constrição decretados pelo Juízo da execução fiscal caso eles tenham
recaído sobre bens de capital essenciais à manutenção da atividade empresarial. A partir da Lei nº
14.112/2020 não se pode mais falar que exista conflito de competência pelo simples fato de o juízo da
execução fiscal ter determinado a constrição de um bem e o juízo da recuperação judicial ainda não ter
decidido se irá, ou não, substituir essa constrição. Para que se configure o conflito é necessário que o Juízo da
execução fiscal se oponha, concretamente, à superveniente deliberação do Juízo da recuperação judicial a
respeito da constrição judicial. STJ. 2ª Seção. CC 181.190-AC, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em
30/11/2021 (Info 722).
Possibilidade de uma associação civil sem fins lucrativos se submeter a recuperação judicial.
Associações civis sem fins lucrativos com finalidade e atividades econômicas detêm legitimidade para
requerer recuperação judicial. STJ. 4ª Turma. AgInt no TP 3.654-RS, Rel. Min. Raul Araújo, Rel. Acd. Min. Luis
Felipe Salomão, julgado em 15/03/2022 (Info 729).
Cram down é a possibilidade de o magistrado conceder a recuperação judicial mesmo tendo o plano
sido recusado pela assembleia (art. 58, § 1º da Lei 11.101/2005). É cabível a homologação pelo juízo do
plano de recuperação judicial rejeitado pelos credores em assembleia (cram down), cumpridos os requisitos
legais previstos no art. 58 da Lei nº 11.101/2005. STJ. 3ª Turma.REsp 1.788.216-PR, Rel. Min. Paulo de Tarso
Sanseverino, julgado em 22/03/2022 (Info 730).
Os encargos derivados de adiantamento de contratos de câmbio se submetem aos efeitos da
recuperação judicial da devedora. Assunto já apreciado no Info 661-STJ. O crédito referente ao efetivo
adiantamento do contrato de câmbio deve ser objeto de pedido de restituição nos autos da recuperação
judicial e os respectivos encargos reclamam habilitação no quadro geral de credores, por estarem sujeitos ao
regime especial, mostrando-se inadequada a execução direta. STJ. 3ª Turma. REsp 1.723.978-PR, Rel. Min.
Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 22/03/2022 (Info 730).
O crédito constituído anteriormente à incorporação de empresa a grupo empresarial em recuperação
judicial deve se submeter ao juízo universal. No caso, o crédito foi constituído até a data do pedido da
recuperação judicial, no entanto, a incorporação da empresa pelo conglomerado de empresas em
recuperação se deu posteriormente. Mesmo que a empresa não estivesse no conglomerado de empresas
que tiveram o pedido de recuperação judicial deferido, deve prevalecer o princípio da preservação da
empresa, razão pela qual o juízo universal deve ser o único a gerir os atos de constrição e alienação dos bens
do grupo de empresas em recuperação. Sendo assim, o juízo universal deve exercer o controle sobre os atos
constritivos sobre o patrimônio do grupo em recuperação judicial, adequando a essencialidade do bem à
atividade empresarial, independente da data em que a empresa foi incorporada à outra, já em plano de
recuperação judicial. Nessa esteira, mesmo que a incorporação tenha ocorrido após a constituição do crédito
e ao pedido de recuperação judicial, deve se operar a força atrativa do juízo universal como forma de manter
a higidez do fluxo de caixa das empresas e, assim, gerenciar de forma exclusiva o plano de recuperação. STJ.
3ª Turma. REsp 1.972.038-RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 29/03/2022 (Info 733).
O credor que não foi citado na relação inicial de que trata o artigo 51, III e IX, da Lei n.
11.101/2005 não está obrigado a se habilitar, pois o direito de crédito é disponível, porém não terá
como receber seu crédito fora da recuperação, salvo quando a decisão que reconhece estar o crédito
submetido a seus efeitos for posterior ao trânsito em julgado da sentença de encerramento da
recuperação judicial. REsp 1.655.705-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Segunda Seção, por
unanimidade, julgado em 27/04/2022. (Info 734)
Produtos agrícolas - soja e milho - não são bens de capital essenciais à atividade empresarial, não
incidindo a norma contida na parte final do § 3º do art. 49 da Lei n. 11.101/2005.STJ. REsp 1.991.989-MA,
Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 03/05/2022, DJe 05/05/2022 (info
735).
As sociedades de propósito específico que atuam na atividade de incorporação imobiliária e que não
administram patrimônio de afetação podem se valer dos benefícios da recuperação judicial, desde
que não utilizem a consolidação substancial como forma de soerguimento e a incorporadora não
tenha sido destituída pelos adquirentes na forma do art. 43, VI, da Lei n. 4.591/1964. REsp 1.975.067-SP,
Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 17/05/2022. (Info 737)
O credor não indicado na relação inicial de que trata o art. 51, III e IX, da Lei n. 11.101/2005 não está
obrigado a se habilitar, mas não terá o direito de receber seu crédito pelo valor integral, devendo se
submeter às condições estabelecidas no plano de recuperação judicial aprovado. REsp 1.655.705-SP,
Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Segunda Seção, por unanimidade, julgado em 27/04/2022, DJe
25/05/2022. (Info 738)
O prazo de 10 (dez) dias, previsto no art. 8º da Lei n. 11.101/2005, para apresentar impugnação à
habilitação de crédito, deve ser contado em dias corridos.
Esta Corte Superior possui entendimento no sentido de ser inaplicável a forma de contagem em dias úteis
prevista no CPC/2015 para o âmbito da Lei n. 11.101/2005. Tal entendimento se estende não apenas aos
lapsos relacionados ao stay period de que trata o art. 6º, § 4º, da referida lei, mas também aos demais prazos,
tendo em vista a lógica temporal estabelecida pela lei especial de recuperação judicial.
Nesse sentido, de acordo com os fundamentos adotados pela Quarta Turma no julgamento do REsp 1.699.
528/MG, da relatoria do Ministro Luis Felipe Salomão, a contagem em dias corridos dos prazos é a que
melhor se coaduna com a especialização do procedimento disposto na Lei n. 11.101/2005, conferindo maior
concretude às suas finalidades. Confira-se: "a adoção da forma de contagem prevista no Novo Código de
Processo Civil, em dias úteis, para o âmbito da Lei 11.101/05, com base na distinção entre prazos processuais
e materiais, revelar-se-á árdua e complexa, não existindo entendimento teórico satisfatório, com critério
seguro e científico para tais discriminações. Além disso, acabaria por trazer perplexidades ao regime especial,
com riscos a harmonia sistêmica da LRF, notadamente quando se pensar na velocidade exigida para a prática
de alguns atos e na morosidade de outros, inclusive colocando em xeque a isonomia dos seus participantes,
haja vista a dualidade de tratamento".
Tem-se, ademais, questão que ora se encontra resolvida pela Lei n. 14.112/2020, que alterou o disposto no
art. 189 da Lei n. 11.101/2005, adotando a previsão de que "todos os prazos nela previstos ou que dela
decorram serão contados em dias corridos". AgInt no REsp 1.830.738-RS, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira,
Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 24/05/2022. (Info 739)
A habilitação do crédito e a posterior homologação do plano de recuperação judicial não impede a
rediscussão do seu valor em ação revisional de contrato relativa à mesma dívida. REsp 1.700.606-PR,
Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceiradecisória. ARE 1316369/DF, relator Ministro
Edson Fachin, redator do acórdão Ministro Gilmar Mendes, julgamento finalizado no Plenário Virtual em
9.12.2022. (Tema 1238 Repercussão Geral). (Info 1079 STF)
CONTRATOS ADMINISTRATIVOS
É constitucional a transferência da concessão e do controle societário das concessionárias de serviços
públicos, mediante anuência do poder concedente prevista no art. 27 da Lei 8.987/95. O art. 27 da Lei nº
8.987/95 permite que se transfira a concessão ou o controle societário da concessionária para uma outra
pessoa, desde que o poder público concorde e sejam respeitados os requisitos legais. Art. 27. A transferência
de concessão ou do controle societário da concessionária sem prévia anuência do poder concedente
implicará a caducidade da concessão. Parágrafo único. Para fins de obtenção da anuência de que trata o
caput deste artigo o pretendente deverá: I - atender às exigências de capacidade técnica, idoneidade
financeira e regularidade jurídica e fiscal necessárias à assunção do serviço; e II - comprometer-se a cumprir
todas as cláusulas do contrato em vigor. O STF decidiu que esse dispositivo é constitucional. O parágrafo
único do art. 27 prevê que, mesmo com essa transferência, a base objetiva do contrato continuará intacta.
Permanecem o mesmo objeto contratual, as mesmas obrigações contratuais e a mesma equação
econômico-financeira. O que ocorre é apenas a sua modificação subjetiva, seja pela substituição do
contratado, seja em razão da sua reorganização empresarial. Em nosso sistema jurídico, o que interessa à
Administração é, sobretudo, a seleção da proposta mais vantajosa, independentemente da identidade do
particular contratado, ou dos atributos psicológicos ou subjetivos de que disponha. STF. Plenário. ADI
2946/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 8/3/2022 (Info 1046).
É possível cobrar um valor da concessionária de serviço público pelo fato de ela estar utilizando faixas
de domínio de uma rodovia? Tema já apreciado no Info 722-STJ. As concessionárias de serviço público
podem efetuar a cobrança pela utilização de faixas de domínio de rodovia, mesmo em face de outra
concessionária, desde que haja previsão editalícia e contratual. STJ. 1ª Turma. REsp 1.677.414-SP, Rel. Min.
Regina Helena Costa, julgado em 14/12/2021 (Info 722).
As concessionárias de serviço público podem efetuar a cobrança pela utilização de faixas de domínio por
outra concessionária que explora serviço público diverso, desde que haja previsão no contrato de concessão.
STJ. 2ª Turma. AREsp 1.510.988-SP, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em 08/02/2022 (Info 724).
É possível cobrar um valor da concessionária de serviço público pelo fato de ela estar utilizando faixas
de domínio de uma rodovia?
• Se essa cobrança é feita diretamente pelo ente público: NÃO. STF. Plenário. RE 581947, Rel. Min. Eros Grau,
julgado em 27/05/2010 (Repercussão Geral – Tema 261).
• Se essa cobrança é feita por outra concessionária de serviço público: SIM, desde que haja previsão no edital
e no contrato de concessão. STJ. 1ª Seção. EREsp 985695-RJ, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em
26/11/2014 (Info 554).
Não se exige contraditório prévio à decretação de intervenção em contrato de concessão com
concessionária de serviço público. O art. 33 da Lei nº 8.987/95 afirma que, depois de ter sido declarada a
intervenção, o poder concedente deverá, no prazo de 30 dias, instaurar procedimento administrativo para
comprovar as causas determinantes da medida e apurar responsabilidades, assegurado o direito de ampla
defesa. Desse modo, verifica-se claramente que, em se tratando de intervenção, o direito de defesa do
concessionário só é propiciado após a decretação da intervenção, a partir do momento em que for
instaurado o procedimento administrativo para apuração das irregularidades. Isso porque a intervenção
possui finalidades investigatória e fiscalizatória, e não punitiva. STJ. 2ª Turma. RMS 66.794-AM, Rel. Min.
Francisco Falcão, julgado em 22/02/2022 (Info 727).
Nos contratos administrativos, é válida a cláusula que prevê renúncia do direito aos honorários de
sucumbência por parte de advogado contratado. Não contrariando a lei nem sendo abusivo, o contrato
administrativo pode tratar de renúncia a direito do contratado. Esta renúncia será eficaz e produzirá seus
regulares efeitos na hipótese em que houver expressa concordância do contratado. Especificamente com
relação aos advogados, o Estatuto da OAB (Lei nº 8.906/94) dispõe serem do advogado os honorários de
sucumbência. Havia previsão expressa a respeito da impossibilidade de retirar-lhes esse direito. Estava no
art. 24, § 3º. Contudo, em 2009, o STF declarou a inconstitucionalidade da regra, uma vez que se trata de
direito disponível e, por isso, negociável com o constituinte do mandato (ADI 1194, Relatora p/ Acórdão
Min. Cármen Lúcia, Tribunal Pleno, julgado em 20/05/2009). Nessa linha, não se pode concluir pela
abusividade ou ilegalidade da cláusula contratual que prevê a renúncia do direito aos honorários de
sucumbência, notadamente quando a parte contratada, por livre e espontânea vontade, manifesta sua
concordância e procede ao patrocínio das causas de seu cliente mediante a remuneração acertada no
contrato. No caso em análise, a parte autora manifestou, de forma expressa e consciente, a renúncia e só
procurou discutir a cláusula após o fim do contrato. STJ. 1ª Turma. AREsp 1.825.800-SC, Rel. Min. Benedito
Gonçalves, julgado em 05/04/2022 (Info 733).
A queda de arrecadação fiscal de município contratante advinda da redução do preço do barril de
petróleo no mercado internacional não constitui motivo suficiente para redução da contraprestação
devida à concessionária de serviços públicos se essa contraprestação não estiver vinculada
contratualmente à variação do preço do petróleo. AgInt na SLS 2.779RJ, Rel. Min. Humberto Martins, Rel.
Acd. Min. João Otávio de Noronha, Corte Especial, por maioria, julgado em 01/06/2022, DJe 16/08/2022. (Info
748 STJ)
RESPONSABILIDADE CIVIL
O termo inicial do prazo prescricional para ajuizamento da ação de indenização contra o Estado em
razão da demora na concessão da aposentadoria conta-se a partir do seu deferimento. O servidor
público pode ser indenizado caso haja uma demora injustificada da Administração Pública em analisar o seu
requerimento de aposentadoria? SIM. Existem julgados do STJ reconhecendo ser possível: A demora
injustificada da Administração em analisar o pedido de aposentadoria do servidor público gera o
dever de indenizá-lo, considerando que, por causa disso, ele foi obrigado a continuar exercendo suas
funções por mais tempo do que o necessário. STJ. 1ª Turma. AgInt no AREsp 483398/PR, Rel. Min. Benedito
Gonçalves, julgado em 11/10/2016. STJ. 2ª Turma. AgRg no REsp 1469301/SC, Rel. Min. Assusete Magalhães,
julgado em 21/10/2014. Qual é o prazo prescricional neste caso? 5 anos, nos termos do art. 1º do Decreto nº
20.910/1932. Qual o termo inicial do prazo prescricional? A partir de quando se inicia essa contagem? A
partir da data do deferimento da aposentadoria. STJ. 1ª Turma. REsp 1.840.570-RS, Rel. Min. Benedito
Gonçalves, julgado em 16/11/2021 (Info 720).
Reconhecida a responsabilidade estatal por acidente com evento morte em rodovia, é devida a
indenização por danos materiais aos filhos menores e ao cônjuge do de cujus. Caso concreto: ação de
indenização ajuizada contra o Departamento de Estradas e Rodagens de Sergipe (DER/SE), em face da morte
do pai e companheiro dos autores, decorrente de acidente de veículo em rodovia estadual, ocasionado por
buraco não sinalizado. Segundo o entendimento do STJ, a responsabilidade civil do Estado por condutas
omissivas é subjetiva, sendo necessário, dessa forma, a comprovação da conduta omissiva e culposa
(negligência na atuação estatal - má prestação do serviço), o dano e o nexo causal entre ambos. No caso,
restou incontroverso que o acidente com evento morte ocorreu em rodovia estadual,mediante a queda de
caminhão em buraco de 15 metros de profundidade, decorrente da ausência de manutenção e fiscalização
estatal da via pública, não havendo quaisquer indícios de culpa exclusiva da vítima. Desse modo, é possível
concluir pela existência de omissão culposa por parte do ente público, consubstanciada na inobservância ao
dever de fiscalização e sinalização da via pública, bem como pelo nexo causal entre a referida conduta estatal
e o evento danoso, que resultou na morte do pai e marido dos recorrentes, causando-lhes, evidentemente,
prejuízos materiais e morais, os quais devem ser indenizados. Presentes os elementos necessários para
responsabilização do Estado pelo evento morte, deve-se reconhecer devida a indenização por danos
materiais, visto que a dependência econômica dos cônjuges e filhos menores do de cujus é presumida,
dispensando a demonstração por qualquer outro meio de prova. STJ. 1ª Turma. REsp 1.709.727-SE, Rel. Min.
Benedito Gonçalves, julgado em 05/04/2022 (Info 733).
O hospital que deixa de fornecer o mínimo serviço de segurança, contribuindo de forma determinante
e específica para homicídio praticado em suas dependências, responde objetivamente pela conduta
omissiva. REsp 1.708.325-RS, Rel. Min. Og Fernandes, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em
24/05/2022. (Info 740)
Considera-se fortuito externo a queda de passageiro em via férrea de metrô, por decorrência de mal
súbito, não ensejando o dever de reparação do dano por parte da concessionária de serviço público,
mesmo considerando que não houve adoção, por parte do transportador, de tecnologia moderna para
impedir o trágico evento. REsp 1.936.743-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, por maioria,
julgado em 14/06/2022. (Info 741)
A fundação privada de apoio à universidade pública presta serviço público, razão pela qual responde
objetivamente pelos prejuízos causados a terceiros, submetendo-se a pretensão indenizatória ao
prazo prescricional quinquenal previsto no art. 1ºC da Lei n. 9.494/1997. AREsp 1.893.472SP, Rel. Min. Og
Fernandes, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 21/06/2022, DJe 28/06/2022. (Info 744 STJ)
COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS
Indivíduo foi condenado administrativamente pela CVM pela prática de insider trading; recorreu e a
decisão foi mantida pelo CRSFN; eventual ação contra essa punição deve ser proposta contra o CRSFN
(e não contra a CVM). O Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional (CRSFN) constitui órgão
colegiado que julga em última instância recursos contra decisões da CVM. Quando a decisão administrativa
sancionadora é submetida a recurso administrativo e substituída por acórdão do CRSFN, o órgão que aplicou
originariamente a sanção (ex: CVM, BACEN etc.) não detém legitimidade para figurar no polo passivo de ação
judicial anulatória. Em outras palavras, diante desse efeito substitutivo ocorrido no processo administrativo
no âmbito da União (órgão da Administração Direta), a CVM (autarquia, órgão da Administração Indireta) não
possui legitimidade para figurar no polo passivo da ação que visa questionar a sanção administrativa. A
Comissão de Valores Mobiliários não possui legitimidade para figurar no polo passivo de ação que visa
questionar sanção imposta pelo cometimento de crime de uso indevido de informação privilegiada (insider
trading). STJ. 2ª Turma. AREsp 1614577-SP, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 07/12/2012 (Info 721).
CARGOS EM COMISSÃO
É inconstitucional a criação de cargos em comissão sem a devida observância dos requisitos
indispensáveis fixados pelo STF. A Constituição Federal reservou à Administração Pública regime jurídico
minucioso na conformação do interesse público com a finalidade de resguardar a isonomia e a eficiência na
formação de seus quadros de pessoal. Os cargos em comissão, por sua vez, representam exceção à regra.
Nesse contexto, a jurisprudência do STF é assertiva quanto às condições para a criação de cargos em
comissão. No julgamento do RE 1.041.210 (Tema 1010 RG), o Tribunal cuidou de consolidar os critérios
cumulativos que devem nortear o controle de constitucionalidade das leis que os criam. Com base nesses
entendimentos, o Plenário, por unanimidade, julgou procedente a ação, com eficácia ex nunc a contar da
publicação da ata de julgamento. STF. Plenário. ADI 6655/SE, relator Min. Edson Fachin, julgado em
06/05/2022 (Info 1053).
CONCURSO PÚBLICO
É inconstitucional lei estadual que isenta servidores públicos da taxa de inscrição em concursos
públicos promovidos pela Administração Pública local, privilegiando, sem justificativa razoável para
tanto, um grupo mais favorecido social e economicamente. O STF compreende o concurso público como
mecanismo que proporciona a realização concreta dos princípios constitucionais da isonomia e da
impessoalidade, não admitindo discrímen que, ao invés de fomentar a igualdade de acesso aos cargos e
empregos públicos, amplia a desigualdade entre os possíveis candidatos. Nesse contexto, esta Corte já
proclamou a constitucionalidade de normas que, com fulcro na ideia de igualdade material, instituíram
benefício em favor de grupo social desfavorecido. No caso, as normas impugnadas – ao fundamento de
incentivarem a permanência dos servidores públicos nessa condição, valorizando-os de modo a concretizar o
princípio da eficiência – se mostram discriminatórias, pois, de forma anti-isonômica, favorecem a categoria
em detrimento de um grupo de pessoas que, por insuficiência de recursos, não conseguiria arcar com os
custos da inscrição, restringindo, consequentemente, o acesso à via do concurso público. Com base nesse
entendimento, o Plenário, por maioria, em julgamentos autônomos, julgou procedentes as ações diretas para
declarar a inconstitucionalidade do parágrafo único do art. 4º da Lei 11.449/1988, inserido pela Lei
11.551/1989, ambas do Estado do Ceará; e do art. 6º, III, “d”, da Lei 2.778/1989, do Estado do Sergipe. STF.
Plenário. ADI 5818/CE, relator Min. Ricardo Lewandowski, redator do acórdão Min. Dias Toffoli, julgado em
13/05/2022 e ADI 3918/SE, relator Min. Dias Toffoli, julgado em 13/05/2022 (Info 1054).
A reclassificação do candidato para dentro do número de vagas oferecidas no edital de abertura de
concurso público, operada em razão de ato praticado pela Administração Pública, confere-lhe o direito
público subjetivo ao provimento no cargo público, ainda que durante a vigência do ato não tenha sido
providenciada a sua nomeação e que, em seguida, o ato de que derivada a reclassificação tenha sido
posteriormente anulado. RMS 62.093-TO, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, por
unanimidade, julgado em 24/05/2022. (Info 738)
O autor da ação civil pública dá causa à nulidade processual quando deixa de indicar no polo passivo
as pessoas beneficiadas pelo procedimento e pelos atos administrativos inquinados, deixando de
formar o litisconsórcio na hipótese em que homologado o resultado final do concurso, com as
consequentes nomeação e posse dos aprovados. REsp 1.735.702-PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques,
Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 14/06/2022, DJe 20/06/2022. (Info 742)
É inconstitucional norma estadual que, de maneira genérica e abrangente, permite a convocação
temporária de profissionais da área da educação sem prévio vínculo com a Administração Pública
para suprir vacância de cargo público efetivo. ADPF 915/MG, relator Min. Ricardo Lewandowski,
julgamento virtual finalizado em 20.5.2022. (Info 1055)
Em concurso de remoção para notários e registradores, é possível que ocupantes de vagas de natureza
específica concorram a vagas de natureza mista, não havendo necessidade de titulação específica.
RMS 50.366RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 08/11/2022, DJe
10/11/2022. (Info 757 STJ)
A exigência dos requisitos previstos em edital para nomeação em cargo público não pode ser afastada
por legislação posterior mais benéfica ao candidato. AgIntno RMS 61.658RS, Rel. Min. Mauro Campbell
Marques, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 10/05/2022, DJe 27/05/2022. (Info 748 STJ)
É inadequado o manejo de mandado de segurança com vistas à defesa do direito de candidato em
concurso público a continuar concorrendo às vagas reservadas às pessoas pretas ou pardas, quando a
comissão examinadora de heteroidentificação não confirma a sua autodeclaração. RMS 58.785MS, Rel.
Min. Sérgio Kukina, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 23/08/2022. (Info 746 STJ)
APOSENTADORIA
Até a edição da EC 103/2019, é admissível, aos servidores públicos, a conversão do tempo de serviço
especial em comum objetivando a contagem recíproca de tempo de serviço. Tema já apreciado no Info
992-STF. O STF, ao julgar o Tema 942, assim decidiu: Até a edição da Emenda Constitucional nº 103/2019, o
direito à conversão, em tempo comum, do prestado sob condições especiais que prejudiquem a saúde ou a
integridade física de servidor público decorre da previsão de adoção de requisitos e critérios diferenciados
para a jubilação daquele enquadrado na hipótese prevista no então vigente inciso III do § 4º do art. 40 da
Constituição da República, devendo ser aplicadas as normas do regime geral de previdência social relativas à
aposentadoria especial contidas na Lei nº 8.213/91 para viabilizar sua concretização enquanto não sobrevier
lei complementar disciplinadora da matéria (STF. Plenário. RE 1014286, Rel. Luiz Fux, Relator p/ Acórdão
Edson Fachin, julgado em 31/08/2020. Repercussão Geral – Tema 942). Antes do julgado do STF acima
mencionado, o STJ possuía entendimento em sentido diverso (EREsp 524.267/PB, Rel. Min. Jorge Mussi, DJe
24/3/2014). Com a tese fixada no Tema 942, o STJ teve que se alinhar à posição do STF e, em juízo de
retratação, decidiu que: Até a edição da EC 103/2019, é admissível, aos servidores públicos, a conversão do
tempo de serviço especial em comum objetivando a contagem recíproca de tempo de serviço. STJ. 2ª Turma.
REsp 1.592.380-SC, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 08/02/2022 (Info 724).
O tempo de residência médica exercido na vigência da Lei 1.711/52 deve ser considerado como tempo
de serviço para aposentadoria, contanto que tenha sido remunerado pelos cofres públicos. O período
de residência médica exercido na regência da Lei nº 1.711/52 deve ser considerado como tempo de serviço
para aposentadoria, independentemente da forma de admissão, contanto que tenha sido remunerado pelos
cofres públicos. STJ. 2ª Turma. REsp 1.487.518-GO, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 08/03/2022 (Info 730).
Para a aposentadoria voluntária de servidor público, o prazo mínimo de cinco anos no cargo em que se der a
aposentadoria refere-se ao cargo efetivo ocupado pelo servidor e não à classe na carreira alcançada
mediante promoção. A promoção por acesso de servidor a classe distinta na carreira não representa
ascensão a cargo diverso daquele em que já estava efetivado, de modo que, para fins de aposentadoria, o
prazo mínimo de cinco anos no cargo efetivo, exigido pelo artigo 40, § 1º, inciso III, da Constituição Federal,
na redação da Emenda Constitucional 20/1998, e pelos artigos 6º da Emenda Constitucional 41/2003 e 3º da
Emenda Constitucional 47/2005, não recomeça a contar pela alteração de classe. STF. Plenário. RE
1322195/SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 1º/4/2022 (Repercussão Geral – Tema 1207) (Info 1049).
IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA
Competência para julgar ação de improbidade proposta por Município contra ex-prefeito que não
prestou contas de convênio federal. Nas ações de ressarcimento ao erário e improbidade
administrativa ajuizadas em face de eventuais irregularidades praticadas na utilização ou prestação
de contas de valores decorrentes de convênio federal, o simples fato de as verbas estarem sujeitas à
prestação de contas perante o Tribunal de Contas da União, por si só, não justifica a competência da
Justiça Federal. Igualmente, a mera transferência e incorporação ao patrimônio municipal de verba
desviada, no âmbito civil, não pode impor de maneira absoluta a competência da Justiça Estadual. Se houver
manifestação de interesse jurídico por ente federal que justifique a presença no processo, (v.g. União ou
Ministério Público Federal) regularmente reconhecido pelo Juízo Federal nos termos da Súmula 150/STJ, a
competência para processar e julgar a ação civil de improbidade administrativa será da Justiça Federal. As
Súmulas 208 e 209 do STJ provêm da 3ª Seção do STJ e versam hipóteses de fixação da competência em
matéria penal, em que basta o interesse da União ou de suas autarquias para deslocar a competência para a
Justiça Federal, nos termos do inciso IV do art. 109 da CF. Logo, não podem ser utilizadas como critério para
as demandas cíveis. Diante disso, é possível afirmar que a competência cível da Justiça Federal deve ser
definida em razão da presença das pessoas jurídicas de direito público previstas no art. 109, I, da CF/88 na
relação processual, seja como autora, ré, assistente ou oponente e não em razão da natureza da verba
federal sujeita à fiscalização do TCU. Assim, em regra, compete à Justiça Estadual processar e julgar agente
público acusado de desvio de verba recebida em razão de convênio firmado com o ente federal, salvo se
houver a presença das pessoas jurídicas de direito público previstas no art. 109, I, da CF/88 na relação
processual. STJ. 1ª Seção. CC 174.764-MA, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 09/02/2022 (Info
724).
O acordo de não persecução cível pode ser celebrado mesmo que a ação de improbidade
administrativa já esteja em fase de recurso. Tema já apreciado no Info 686-STJ. É possível a
homologação judicial de acordo de não persecução cível no âmbito da ação de improbidade administrativa
em fase recursal. STJ. 1ª Seção. EAREsp 102.585-RS, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 09/03/2022 (Info
728).
A contratação de servidores públicos temporários sem concurso público, mas baseada em legislação
local, por si só, não configura a improbidade administrativa prevista no art. 11 da Lei n. 8.429/1992,
por estar ausente o elemento subjetivo (dolo) necessário para a configuração do ato de improbidade
violador dos princípios da administração pública. REsp 1.913.638-MA, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira
Seção, por unanimidade, julgado em 11/05/2022. (Tema 1108) (Info 736)
Os entes públicos que sofreram prejuízos em razão de atos de improbidade também estão
autorizados, de forma concorrente com o Ministério Público (MP), a propor ação e a celebrar acordos
de não persecução civil em relação a esses atos.
A CF/1988 prevê, de modo expresso, a privatividade da legitimidade do MP apenas para a propositura
da ação penal pública, eis que afasta tal característica com relação às ações de natureza cível, não
impedindo, para as mesmas hipóteses elencadas, a legitimação de terceiros. Além disso, nas ações de
improbidade administrativa, a atuação do MP é extraordinária na defesa do patrimônio público em
sentido amplo. Já a atuação da pessoa jurídica lesada que foi quem sofreu os efeitos gravosos dos atos
ímprobos ─ é ordinária, pois objetiva a proteção, em seu próprio nome, daquilo que lhe é inerente: seu
patrimônio. A Constituição consagrou, como vetores básicos da Administração Pública, o respeito à
legalidade, impessoalidade e moralidade (CF/1988, art. 37, caput), além do combate à corrupção e à
improbidade administrativa. Dessa forma, a supressão da prerrogativa das pessoas jurídicas lesadas fere
a lógica constitucional de proteção ao patrimônio público, e representa grave limitação ao amplo
acesso à jurisdição. No tocante ao polo passivo, não deve existir obrigatoriedade de defesa judicial do
agente público que cometeu ato de improbidade por parte da Advocacia Pública, pois a sua predestinação
constitucional, enquanto função essencial à Justiça, identifica-se com a representação judicial e extrajudicial
dos entes públicos. Contudo, permite-se essaatuação em caráter extraordinário e desde que norma
local assim disponha. ADI 7042/DF, relator Min. Alexandre de Moraes, julgamento finalizado em 31.8.2022.
ADI 7043/DF, relator Min. Alexandre de Moraes, julgamento finalizado em 31.8.2022. (Info 1066 STF)
É necessária a comprovação de responsabilidade subjetiva para a tipificação dos atos de improbidade
administrativa, exigindo-se — nos artigos 9º, 10 e 11 da LIA — a presença do elemento subjetivo —
DOLO; 2) A norma benéfica da Lei 14.230/2021 — revogação da modalidade culposa do ato de
improbidade administrativa —, é IRRETROATIVA, em virtude do artigo 5º, inciso XXXVI, da Constituição
Federal, não tendo incidência em relação à eficácia da coisa julgada; nem tampouco durante o
processo de execução das penas e seus incidentes; 3) A nova Lei 14.230/2021 aplica-se aos atos de
improbidade administrativa culposos praticados na vigência do texto anterior da lei, porém sem
condenação transitada em julgado, em virtude da revogação expressa do texto anterior; devendo o
juízo competente analisar eventual dolo por parte do agente; 4) O novo regime prescricional previsto
na Lei 14.230/2021 é IRRETROATIVO, aplicando-se os novos marcos temporais a partir da publicação da
lei. ARE 843989/PR, relator Min. Alexandre de Moraes, julgamento finalizado em 18.8.2022. (Info 1065 STF)
PODER DE POLÍCIA
É ilegal a imposição de limitação métrica ao funcionamento de rádios comunitárias por meio de ato
regulamentar. O Decreto Presidencial e a Portaria do Ministério das Comunicações estabeleceram que: a) a
área de execução da rádio comunitária deveria ficar limitada ao raio de 1.000 (mil) metros da antena
transmissora; e que b) os dirigentes da rádio comunitária deveriam residir dentro dessa mesma área. O STJ
concluiu que essas exigências são ilegais porque não encontram amparo na Lei nº 9.612/98, que rege as
rádios comunitárias. STJ. 2ª Turma. REsp 1.955.888-SP, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em
15/03/2022 (Info 729).
ORGANIZAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
É inconstitucional decreto que preveja que a participação dos peritos no Mecanismo Nacional de
Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT) será uma atividade não remunerada. São indevidos, mediante
decreto, o remanejamento dos cargos em comissão destinados aos peritos do Mecanismo Nacional de
Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT), a exoneração de seus ocupantes e a transformação dessa atividade
em prestação de serviço público relevante não remunerado. O Decreto nº 9.831/2019, ao transformar o
trabalho dos membros do MNPTC em serviço não remunerado, exonerando-os dos cargos em comissão que
ocupavam, alterou de forma substancial a forma de execução das atividades voltadas à prevenção e ao
combate à tortura exercidas pelo órgão, que demandam dedicação, tempo e apoio logístico e que
dificilmente serão realizadas em concomitância a outras atividades remuneradas. Essas medidas esvaziam a
estrutura de pessoal técnico do órgão, na medida em que impossibilitam que o trabalho seja feito com
dedicação integral e desestimula profissionais especializados a integrarem o corpo técnico. STF. Plenário.
ADPF 607/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 25/3/2022 (Info 1048).
A interposição de recurso administrativo não afasta a incidência dos juros moratórios sobre multa
aplicada por agência reguladora.
O art. 37-A da Lei n. 10.522/2002, com redação alterada pela Lei n. 11.941/2009, que dispõe sobre o
Cadastro Informativo dos créditos não quitados de órgãos e entidades federais e dá outras
providência, prevê que "os créditos das autarquias e fundações públicas federais, de qualquer natureza, não
pagos nos prazos previstos na legislação, serão acrescidos de juros de mora, calculados nos termos e na forma da
legislação aplicável aos tributos federais".
Por sua vez, a legislação tributária sobre disposições gerais de acréscimos moratórios, no caso o §1º, do
art. 61, da Lei n. 9.430/1996, prescreve que: "§ 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do
primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até
o dia em que ocorrer o seu pagamento".
Sobre o tema, o Superior Tribunal de Justiça manifestou-se no sentido de que "a interposição do recurso
administrativo apenas pode ensejar a suspensão da exigibilidade da multa administrativa, mas não interfere no
termo inicial dos encargos da mora, os quais incidem a partir do primeiro dia subsequente ao vencimento do prazo
previsto para pagamento do crédito" (AgInt no AREsp 1.705.876/PR, Relator Ministro Og Fernandes, DJe
29/03/2021). Com efeito, a interposição de recurso administrativo não afasta a incidência dos juros
moratórios. Esse entendimento encontra-se amparado nos arts. 2º e 5º do Decreto Lei n. 1.736/1979 (Dispõe
sobre débitos para com a Fazenda e dá outras providências). Registre-se, por oportuno, que a
impossibilidade de a agência reguladora dar início aos atos executivos, para fins de cobrança de seu crédito,
antes da conclusão definitiva do processo administrativo, não altera a data do vencimento da dívida nem
impede a constituição em mora do devedor, nos termos da legislação aplicável aos tributos federais. De notar
que, no julgamento do Incidente de Assunção de Competência IAC 11, a Primeira Seção do Superior
Tribunal de Justiça estabeleceu que, o artigo 4º, § 1º, da Lei n. 9.847/1999, pela especialidade que
ostenta, afasta a incidência dos arts. 37-A da Lei n. 10.522/2001 e 61, §§ 1º e 3º, da Lei n. 9.430/1996,
relativamente ao termo inicial da incidência dos juros e da multa moratória sobre a penalidade
imposta pela ANP. Entretanto, o precedente vinculante aplica-se tão somente às multas
administrativas aplicadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás natural e biocombustíveis ANP, em
face do princípio da especialidade (Lei n. 9.847/1999). Portanto, se negado o recurso administrativo
pela agência reguladora, a data de vencimento do crédito continua sendo aquela contida na primeira
notificação passando a incidir os juros de mora a partir do primeiro dia subsequente ao vencimento
do prazo previsto para o pagamento da multa administrativa, conforme disposição do art. 61, §1º, da
Lei n. 9.430/1996 c/c art. 37A da Lei n. 10.552/2002. AREsp 1.574.873RJ, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira
Turma, por unanimidade, julgado em 18/10/2022. (Info 754 STJ)
LICENCIAMENTO AMBIENTAL
É inconstitucional a concessão automática de licença ambiental no sistema responsável pela
integração (Redesim) para o funcionamento de empresas que exerçam atividades de risco médio nos
termos da classificação estabelecida em ato do Poder Público. O licenciamento ambiental dispõe de base
constitucional (1) e não pode ser suprimido, ainda que de forma indireta, por lei. Também não pode ser
simplificado a ponto de ser esvaziado, salvo se a norma que o excepcionar apresentar outro instrumento
apto a assegurar a proteção ao meio ambiente com igual ou maior qualidade. Nesse contexto, a simplificação
do procedimento pelo argumento da desburocratização e desenvolvimento econômico, com controle apenas
posterior, configura retrocesso inconstitucional, pois afasta os princípios da prevenção e da precaução
ambiental. A automaticidade, por sua vez, contraria norma específica sobre o licenciamento ambiental,
segundo a qual as atividades econômicas potencial ou efetivamente causadoras de impacto ambiental
estão sujeitas ao controle estatal (2). Não possui fundamento constitucional válido a vedação da coleta
adicional, pelos órgãos competentes, de dados que não tenham sido disponibilizados na Redesim
previamente ou no ato do protocolo do pedido de licenciamento. A proteção ao meio ambiente
ecologicamente equilibrado, para as presentes e futuras gerações, não pode ser comprometida por
interesses empresariais nem ser dependente de motivações exclusivamente econômicas, na medida em que
o desenvolvimento econômico deve ocorrer de forma sustentável. Com base nesses entendimentos,

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