Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 1 
 
Informativo comentado: 
Informativo 665-STJ 
Márcio André Lopes Cavalcante 
 
 
ÍNDICE 
 
DIREITO ADMINISTRATIVO 
PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR 
▪ Súmula 641-STJ 
▪ Na portaria de instauração do PAD não é necessário que seja feita uma exposição detalhada dos fatos que serão 
apurados. 
 
DIREITO CIVIL 
BEM DE FAMÍLIA 
▪ Não se pode penhorar o bem de família com base no inciso IV do art. 3º da Lei 8.009/90 se o débito de natureza 
tributária está relacionado com outro imóvel que pertencia ao devedor. 
 
SEGURO DE VIDA 
▪ A cláusula de não renovação do seguro de vida, quando constituiu faculdade conferida a ambas as partes do 
contrato, assim como a de reajuste do prêmio com base na faixa etária do segurado, mediante prévia notificação, 
não configuram abusividade. 
 
CONDOMÍNIO 
▪ O condomínio, por ser uma massa patrimonial, não possui honra objetiva e não pode sofrer dano moral. 
 
USUCAPIÃO 
▪ O interesse jurídico no ajuizamento direto de ação de usucapião independe de prévio pedido na via extrajudicial. 
 
ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA 
▪ Em caso de conversão da busca e apreensão em execução, a quantia cobrada na ação executiva será o valor da 
integralidade da dívida, ou seja, a soma das parcelas vencidas e vincendas do contrato. 
 
ARRENDAMENTO MERCANTIL 
▪ O arrendante é o responsável final pelo pagamento das despesas, junto a pátio privado, com a remoção e a estadia 
do automóvel apreendido em ação de reintegração de posse. 
 
DIREITO DO CONSUMIDOR 
PLANO DE SAÚDE 
▪ O rol de procedimentos e eventos da ANS é meramente explicativo? 
 
PUBLICIDADE ENGANOSA 
▪ Se a matriz havia sido condenada a publicar contrapropaganda, mas encerrou suas atividades, essa condenação 
poderá ser redirecionada para a filial. 
 
BANCOS DE DADOS DE CONSUMIDORES 
▪ A Súmula 385-STJ pode ser flexibilizada para reconhecer o dano moral decorrente da inscrição indevida, mesmo que 
a ação ajuizada para questionar a inscrição anterior ainda não tenha transitado em julgado, desde que 
demonstrada a verossimilhança das alegações do consumidor. 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 2 
 
DIREITO EMPRESARIAL 
CONTRATOS BANCÁRIOS 
▪ É possível que o contrato de abertura de crédito fixo preveja que os encargos financeiros serão um percentual da 
taxa média do CDI. 
 
RECUPERAÇÃO JUDICIAL 
▪ Seguradora que não recebeu os prêmios arrecadados por empresa que atuou como representante de seguros terá 
que receber esse crédito segundo o plano de recuperação judicial caso a representante entre em recuperação 
judicial. 
▪ Os créditos derivados da prestação de serviços contábeis e afins podem ser classificados como créditos trabalhistas 
no processo de recuperação judicial. 
 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
PETIÇÃO INICIAL 
▪ Autor propôs ação monitória envolvendo duas notas promissórias; juiz determina que ele traga aos autos o original 
de uma dessas promissórias; ele descumpre; deverá haver o indeferimento parcial da inicial, prosseguindo o 
processo quanto a outra promissória. 
 
RECURSOS 
▪ A simples referência à existência de feriado local previsto em Regimento Interno e em Código de Organização 
Judiciária Estadual não é suficiente para a comprovação de tempestividade do recurso especial nos moldes do art. 
1.003, §6º, do CPC/2015 
 
AÇÃO RESCISÓRIA 
▪ Se o autor da ação rescisória – fundada em violação literal à disposição de lei – afirma que a sentença rescindenda 
violou o art. XX da Lei, o Tribunal não pode julgar a rescisória procedente com base na violação do art. YY, mesmo 
que se trate de matéria de ordem pública. 
 
CUMPRIMENTO DE SENTENÇA 
▪ Na execução de sentença que condenou ao pagamento de pensão mensal, o percentual dos honorários advocatícios 
deverá incidir apenas sobre as parcelas vencidas da dívida. 
 
PROCESSO COLETIVO 
▪ Em ação civil pública, é possível a substituição da associação autora por outra associação caso a primeira venha a 
ser dissolvida. 
 
DIREITO PENAL 
PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA 
▪ Em regra, não se aplica o princípio da insignificância ao furto qualificado, salvo quando presentes circunstâncias 
excepcionais que recomendam a medida. 
 
HOMICÍDIO 
▪ A qualificadora do meio cruel é compatível com o dolo eventual. 
 
DIREITO TRIBUTÁRIO 
IMPOSTO DE RENDA 
▪ É ilegal o art. 4º, I, da IN SRF nº 139/1989 que proibiu a compensação envolvendo exercícios financeiros diferentes. 
 
DIREITO ADUANEIRO 
▪ Súmula 640-STJ 
▪ As empresas nacionais que vendem mercadorias para a Zona Franca de Manaus possuem direito ao benefício fiscal 
do REINTEGRA. 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 3 
DIREITO ADMINISTRATIVO 
 
PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR 
Súmula 641-STJ 
Na portaria de instauração do PAD não é necessário que seja 
feita uma exposição detalhada dos fatos que serão apurados 
 
Súmula 641-STJ: A portaria de instauração do processo administrativo disciplinar prescinde 
da exposição detalhada dos fatos a serem apurados. 
STJ. 1ª Seção. Aprovada em 18/02/2020, DJe 19/02/2020. 
 
Processo administrativo disciplinar (PAD) 
O processo administrativo disciplinar dos servidores públicos federais encontra-se previsto nos arts. 143 
a 182 da Lei nº 8.112/90. 
 
Fases do PAD 
Segundo o art. 151 da Lei nº 8.112/90, o processo disciplinar possui três fases: 
FASES DO PAD 
1) INSTAURAÇÃO 2) INQUÉRITO ADMINISTRATIVO 3) JULGAMENTO 
Ocorre com a 
publicação de um ato 
(portaria) indicando os 
membros da comissão 
processante. 
Nesta etapa ocorrerá: 
• a instrução (oitiva de testemunhas, 
perícias etc.); 
• o indiciamento; 
• a apresentação de defesa e 
• a elaboração de um relatório pela 
comissão processante. 
A autoridade julgadora, no prazo de 
20 dias após receber o processo (com 
o relatório), irá proferir a sua decisão. 
Obs: na portaria de 
instauração do 
processo 
administrativo 
disciplinar não precisa 
constar a a exposição 
detalhada dos fatos a 
serem apurados. 
Obs: relatório é o documento no qual 
a comissão expõe as suas conclusões 
sobre as provas produzidas e a defesa 
apresentada pelo acusado. 
O relatório deve ser motivado e 
conclusivo, ou seja, precisa apontar 
se a comissão recomenda a 
absolvição do servidor ou a sua 
condenação, sugerindo a punição 
aplicável. 
Esse relatório será encaminhado à 
autoridade competente para o 
julgamento, segundo a estrutura 
hierárquica do órgão. 
Obs: o PAD se encerra com o 
julgamento do feito pela autoridade 
competente, que poderá absolver ou 
condenar o servidor. 
A autoridade poderá acolher ou não 
as conclusões expostas no relatório 
da comissão. 
• Se decidir acolher: não precisará 
motivar essa decisão, podendo 
encampar a fundamentação exposta 
no relatório. 
• Se decidir não acolher: nesse caso, 
é indispensável a motivação, 
demonstrando que o relatório 
contraria as provas dos autos. 
 
Veja a redação literal do art. 151 da Lei nº 8.112/90: 
Art. 151. O processo disciplinar se desenvolve nas seguintes fases: 
I - instauração, com a publicação do ato que constituir a comissão; 
II - inquérito administrativo, que compreende instrução, defesa e relatório; 
III - julgamento. 
 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 4 
Instauração. Como é instaurado o processo administrativo disciplinar? 
O PAD é instaurado por meio de uma portaria. Nesta portaria constarão os nomes de três servidores 
estáveis que irão formar a comissãosubsidiária das empresas do mesmo grupo econômico 
A mera modificação do estabelecimento comercial para outro endereço não pode ser considerado como 
motivo idôneo para que a empresa deixe de cumprir o comando judicial. 
Assim, não havendo plena extinção da atividade empresarial praticada pela matriz, incumbe às filiais a 
assunção da responsabilidade subsidiária, nos termos do art. 28, § 2º, do CDC: 
Art. 28 (...) 
§ 2º As sociedades integrantes dos grupos societários e as sociedades controladas, são 
subsidiariamente responsáveis pelas obrigações decorrentes deste código. 
 
Sob a ótica consumerista é indiferente qual a empresa infratora, incidindo a teoria da aparência. O consumidor, 
ao buscar os produtos ofertados, desconhece os meandros empresariais que não lhe dizem respeito. 
 
Matriz e filial possuem CNPJs diferentes, mas são a mesma pessoa jurídica 
A matriz e a filial, mesmo tendo CNPJs diferentes, não formam pessoas jurídicas diversas, mas apenas uma 
só, composta por unidades integrantes da mesma empresa. 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 23 
Dessa forma, havendo decisão judicial favorável, ou contrária à matriz, automaticamente se estende às 
filiais; logo, não há que se falar em autonomia entre as duas unidades. Nesse sentido: 
(...) 2. O fato de as filiais possuírem CNPJ próprio confere a elas somente autonomia administrativa e 
operacional para fins fiscalizatórios – para facilitar a atuação da administração fazendária no controle de 
determinados tributos, como ocorre com o ICMS e o IPI -, não abarcando a autonomia jurídica, já que 
existe a relação de dependência entre o CNPJ das filiais e o da matriz. 
3. A pessoa jurídica como um todo é que possui personalidade, pois é ela sujeito de direitos e obrigações, 
assumindo com todo o seu patrimônio a correspondente responsabilidade, sendo certo que as filiais são 
estabelecimentos secundários da mesma pessoa jurídica, desprovidas de personalidade jurídica e 
patrimônio próprio, apesar de poderem possuir domicílios em lugares diferentes (art. 75, § 1º, do CC) e 
inscrições distintas no CNPJ. 
4. Havendo inadimplência contratual, a obrigação de pagamento deve ser imposta à sociedade empresária 
por completo, não havendo ensejo para a distinção entre matriz e filial, raciocínio a ser adotado também 
em relação a débitos tributários. (...) 
STJ. 1ª Turma. AgInt no AREsp 1.286.122/DF, Rel. p/ Acórdão Min. Gurgel de Faria, julgado em 27/08/2019. 
 
(...) No âmbito do direito privado, cujos princípios gerais, à luz do art. 109 do CTN, são informadores para 
a definição dos institutos de direito tributário, a filial é uma espécie de estabelecimento empresarial, 
fazendo parte do acervo patrimonial de uma única pessoa jurídica, partilhando dos mesmos sócios, 
contrato social e firma ou denominação da matriz. Nessa condição, consiste, conforme doutrina 
majoritária, em uma universalidade de fato, não ostentando personalidade jurídica própria, não sendo 
sujeito de direitos, tampouco uma pessoa distinta da sociedade empresária. Cuida-se de um instrumento 
de que se utiliza o empresário ou sócio para exercer suas atividades. (...) 
STJ. 1ª Seção. REsp nº 1.355.812/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 22/05/2013. 
 
 
 
BANCOS DE DADOS DE CONSUMIDORES 
A Súmula 385-STJ pode ser flexibilizada para reconhecer o dano moral decorrente da inscrição 
indevida, mesmo que a ação ajuizada para questionar a inscrição anterior ainda não tenha 
transitado em julgado, desde que demonstrada a verossimilhança das alegações do consumidor 
 
Admite-se a flexibilização da orientação contida na súmula 385/STJ para reconhecer o dano 
moral decorrente da inscrição indevida do nome do consumidor em cadastro restritivo, ainda 
que não tenha havido o trânsito em julgado das outras demandas em que se apontava a 
irregularidade das anotações preexistentes, desde que haja nos autos elementos aptos a 
demonstrar a verossimilhança das alegações. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.704.002-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 11/02/2020 (Info 665). 
 
Se o consumidor está inadimplente, o fornecedor poderá incluí-lo em cadastros de proteção ao crédito 
(exs.: SPC e SERASA)? 
SIM. 
 
Qual o cuidado prévio que deve ser tomado? 
A abertura de qualquer cadastro, ficha, registro e dados pessoais ou de consumo referentes ao 
consumidor deverá ser comunicada por escrito a ele (§ 2º do art. 43 do CDC). 
Logo, o órgão mantenedor do Cadastro de Proteção ao Crédito deverá notificar o devedor antes de 
proceder à inscrição: 
Súmula 359-STJ: Cabe ao órgão mantenedor do cadastro de proteção ao crédito a notificação do devedor 
antes de proceder à inscrição. 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 24 
 
++ (Promotor MP/GO 2019) A abertura de cadastro, ficha, registro e dados pessoais e de consumo deverá 
ser comunicada por escrito ao consumidor, quando não solicitado por ele. Logo, cabe ao órgão mantenedor 
do Cadastro de Proteção ao Crédito a notificação do devedor após proceder à inscrição. (ERRADO) 
 
Assim, é ilegal e sempre deve ser cancelada a inscrição do nome do devedor em cadastros de proteção ao 
crédito realizada sem a prévia notificação exigida pelo art. 43, § 2º do CDC. 
Em outras palavras, antes de “negativar” o nome do consumidor, o SPC ou a SERASA deverão notificá-lo 
por escrito, informando acerca dessa possibilidade, a fim de que o consumidor, se quiser, possa pagar o 
débito ou questioná-lo judicialmente. 
 
O que acontece se não houver essa notificação prévia? 
A ausência de prévia comunicação ao consumidor da inscrição do seu nome em órgão de proteção ao 
crédito enseja indenização por danos morais, a ser paga pelos órgãos mantenedores de cadastros 
restritivos (exs.: SERASA, SPC). 
 
O credor (fornecedor) deverá também pagar indenização por danos morais pelo fato de o consumidor 
ter sido negativado sem notificação prévia? 
NÃO. O credor não é parte legítima para figurar no polo passivo de ação de indenização por danos morais 
decorrentes da inscrição em cadastros de inadimplentes sem prévia comunicação. 
A responsabilidade pela inclusão do nome do devedor no cadastro incumbe à entidade que o mantém, e 
não ao credor, que apenas informa a existência da dívida (STJ AgRg nos EDcl no REsp 907.608/RS). 
A situação será diferente se o consumidor for negativado por conta de uma dívida que não existia 
realmente (dívida irregular). Nesse caso, o fornecedor é quem será responsabilizado. 
 
Se não houve comunicação prévia, a indenização é devida mesmo que depois fique provado que o débito 
realmente existe? 
SIM. Para que se caracterize o dever da SERASA/SPC de indenizar, é suficiente a ausência de prévia 
comunicação, mesmo quando existente a dívida que gerou a inscrição. 
 
Para que haja a condenação em dano moral, é necessário que seja provado o prejuízo sofrido pelo 
consumidor? 
NÃO. A indenização por danos morais decorre da simples ausência de prévia notificação, circunstância que 
se mostra suficiente à caracterização do dano moral. Não há necessidade da prova do prejuízo sofrido. 
Trata-se de dano moral in re ipsa, no qual o prejuízo é presumido. 
 
E no caso de dano material? 
Para que haja condenação por danos materiais, é indispensável a prova dos prejuízos sofridos. 
 
Como é comprovada essa notificação prévia? Exige-se prova de que o consumidor tenha efetivamente 
recebido a notificação? 
NÃO. Basta que seja provado que foi enviada uma correspondência ao endereço do consumidor 
notificando-o quanto à inscrição de seu nome no respectivo cadastro, sendo desnecessário aviso de 
recebimento (AR): 
Súmula 404-STJ: É dispensável o Aviso deRecebimento (AR) na carta de comunicação ao consumidor sobre 
a negativação de seu nome em bancos de dados e cadastros. 
 
++ (Promotor MP/GO 2019) É indispensável o Aviso de Recebimento (AR) na carta de comunicação ao 
consumidor sobre a negativação de seu nome em bancos de dados e cadastros. (ERRADO) 
 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 25 
Se o consumidor possui uma negativação anterior legítima e sofre uma nova anotação, porém desta vez 
ele não é notificado previamente, este consumidor terá direito de ser indenizado por causa desta 
segunda? 
NÃO, ele terá direito apenas de pedir o cancelamento da segunda anotação feita sem notificá-lo. 
Confira o que diz a Súmula 385 do STJ, editada em 2009: 
Súmula 385-STJ: Da anotação irregular em cadastro de proteção ao crédito, não cabe indenização por 
dano moral, quando preexistente legítima inscrição, ressalvado o direito ao cancelamento. 
 
++ (Promotor MP/GO 2019) Da anotação irregular em cadastro de proteção ao crédito, cabe indenização 
por dano moral, ainda quando preexistente legítima inscrição. (ERRADO) 
Desse modo, a ausência de prévia comunicação ao consumidor da inscrição do seu nome em cadastros de 
proteção ao crédito, prevista no art. 43, §2º do CDC não enseja o direito à compensação por danos morais 
quando preexista inscrição desabonadora regularmente realizada. 
 
Importante ressaltar que a Súmula 385-STJ também é aplicada às ações voltadas contra o suposto credor 
que efetivou inscrição irregular. Entenda melhor com o seguinte exemplo: 
João deixou de pagar a prestação de uma geladeira. Diante disso, a loja comunicou o fato ao SERASA, que 
expediu uma correspondência ao endereço do consumidor. Nesta carta, João foi informado de que existia 
a referida dívida e que se ela não fosse regularizada no prazo de 10 dias, seu nome seria inserido no 
cadastro negativo. Infelizmente João não tinha condições de quitar o débito e seu nome foi incluído no 
banco de dados do SERASA. Passaram-se dois anos deste fato. 
Determinado dia, João recebe uma nova carta do SERASA afirmando que a operadora de telefonia celular 
estava pedindo a sua inclusão no banco de dados de devedores em virtude de ele ter deixado de pagar a 
conta de dezembro/2015, no valor de R$ 100. O nome de João foi, então, incluído no SERASA por essa 
nova conta. Diante desse fato, João propôs ação de indenização por danos morais contra a operadora de 
telefonia afirmando que ela ordenou indevidamente sua inscrição no cadastro de inadimplentes 
considerando que a dívida já estava paga. Em sua defesa, a companhia telefônica afirmou que já solicitou 
a retirada do nome de João do SERASA, mas argumentou que não deveria haver condenação por danos 
morais, tendo em vista que o consumidor já possuía outra anotação legítima no cadastro de 
inadimplentes. Invoca, para fundamentar sua tese, a súmula 385 do STJ. João, assistido pela Defensoria 
Pública, refutou o argumento da operadora de telefonia afirmando que os precedentes que deram origem 
a essa súmula 385 foram de ações propostas pelo consumidor contra os cadastros de inadimplência 
(consumidor x SERASA/SPC). Alegou, portanto, que a súmula 385-STJ não se aplicaria para ações propostas 
pelo consumidor lesado contra o próprio credor, como no caso em tela. 
 
A tese de João foi aceita pelo STJ? A súmula 385 do STJ aplica-se apenas para os casos de ações propostas 
pelo consumidor contra os cadastros de inadimplência (SPC/SERASA)? 
NÃO. A Súmula 385-STJ também é aplicada às ações voltadas contra o suposto credor que efetivou 
inscrição irregular: 
A inscrição indevida comandada pelo credor em cadastro de proteção ao crédito, quando preexistente 
legítima inscrição, não enseja indenização por dano moral, ressalvado o direito ao cancelamento. 
STJ. 2ª Seção. REsp 1.386.424-MG, Rel. para acórdão Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 27/4/2016 
(Info 583). 
 
Feita esta breve revisão, imagine a seguinte situação hipotética envolvendo outro aspecto interessante 
sobre a Súmula 385: 
Roberto foi inscrito no SERASA em 2018 por uma suposta dívida. 
Vale ressaltar que, antes de ser incluído no cadastro restritivo, ele foi devidamente notificado. 
Depois de ser incluído, Roberto ajuizou ação questionado esse débito por entender que era ilegítimo. 
O processo ficou tramitando. 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 26 
Em 2019, Roberto foi novamente inscrito no SERASA por outra dívida. Dessa segunda vez, contudo, ele 
não foi previamente notificado. 
Diante disso, Roberto ajuizou ação contra o SERASA pedindo indenização por danos morais porque essa 
segunda inscrição ocorreu sem prévia notificação. 
O SERASA contestou afirmando que ele não teria direito à indenização porque quando ocorreu essa 
segunda inscrição, ele já tinha, contra si, uma primeira inscrição legítima. Logo, para o SERASA, não haveria 
direito à indenização com base na Súmula 385 do STJ: 
Súmula 385-STJ: Da anotação irregular em cadastro de proteção ao crédito, não cabe indenização por 
dano moral, quando preexistente legítima inscrição, ressalvado o direito ao cancelamento. 
 
Roberto questionou esse argumento do SERASA afirmando que a primeira inscrição não foi legítima. Isso 
porque a dívida não existia tanto que ela está sendo questionada judicialmente. Para provar que está 
questionando judicialmente a dívida que originou a primeira inscrição, Roberto juntou aos autos extrato 
comprovando a propositura da ação. 
 
Diante disso, indaga-se: o mero fato de já ter ajuizado a ação (o que foi comprovado pela certidão 
juntada aos autos) é suficiente para que se considere que a primeira inscrição foi ilegítima? 
NÃO. Até que haja o reconhecimento judicial definitivo acerca da inexigibilidade do débito, deve ser 
presumida como legítima a anotação realizada pelo credor junto aos cadastros restritivos. 
Essa presunção, via de regra, não é ilidida (afastada) pela simples juntada de extrato comprovando o 
ajuizamento de ação com a finalidade de contestar a primeira anotação. 
Logo, até aqui estamos aplicando integralmente a Súmula 385 do STJ e o SERASA realmente não terá que 
pagar indenização pela segunda inscrição sem prévio aviso. 
 
Existe alguma forma de, antes de o primeiro processo chegar ao fim, o consumidor já provar que a 
primeira inscrição foi ilegítima? 
SIM. A jurisprudência admite que o consumidor, mesmo antes de o primeiro processo transitar em 
julgado, demonstre que existe verossimilhança em suas alegações, ou seja, existe uma forte aparência de 
que a primeira inscrição foi realmente indevida porque a dívida não existira. Isso pode ser provado, por 
exemplo, com a demonstração de que o consumidor já obteve sentença favorável e que só está 
aguardando o julgamento de recurso. 
Assim, se o consumidor conseguir demonstrar que existe verossimilhança nas suas alegações e que, 
portanto, a primeira inscrição é aparentemente indevida, ele terá direito à indenização pelo fato de a 
segunda inscrição ter sido feita sem prévia comunicação. 
Em outras palavras, demonstrando a verossimilhança, o consumidor consegue afastar a incidência da 
Súmula 385 do STJ. 
 
Em suma: 
A Súmula 385 do STJ pode ser flexibilizada para permitir o reconhecimento de dano moral decorrente da 
inscrição indevida em cadastro restritivo de crédito, mesmo que a ação ajuizada para questionar a 
inscrição anterior ainda não tenha transitado em julgado, desde que haja elementos suficientes para 
demonstrar a verossimilhança das alegações do consumidor. 
Podemos resumir o tema da seguinte forma: 
Em regra, não cabe indenização por dano moral por inscrição irregular em órgãos de proteçãoao crédito 
quando já existia uma anotação legítima anterior, nos termos da Súmula 385 do STJ. 
Até o reconhecimento judicial definitivo acerca da inexigibilidade do débito, deve ser presumida como 
legítima a anotação realizada pelo credor junto aos cadastros restritivos. Essa presunção, via de regra, 
não é ilidida (afastada) pela simples juntada de extrato comprovando o ajuizamento de ação com a 
finalidade de impugnar a primeira anotação. 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 27 
Admite-se, no entanto, a flexibilização da orientação contida na súmula 385 do STJ para reconhecer o 
dano moral decorrente da inscrição indevida do nome do consumidor em cadastro restritivo, ainda que 
não tenha havido o trânsito em julgado das outras demandas em que se apontava a irregularidade das 
anotações preexistentes, desde que haja nos autos elementos aptos a demonstrar a verossimilhança 
das alegações. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.704.002-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 11/02/2020 (Info 665). 
 
 
 
DIREITO EMPRESARIAL 
 
CONTRATOS BANCÁRIOS 
É possível que o contrato de abertura de crédito fixo preveja que 
os encargos financeiros serão um percentual da taxa média do CDI 
 
É admissível a estipulação dos encargos financeiros de contrato de abertura de crédito em 
percentual sobre a taxa média aplicável aos Certificados de Depósitos Interbancários (CDIs). 
Nos depósitos interbancários, como em qualquer outro tipo de empréstimo, a instituição 
tomadora paga juros à instituição emitente. A denominada Taxa CDI, ou simplesmente DI, é 
calculada com base nas taxas aplicadas em tais operações, refletindo, portanto, o custo de 
captação de moeda suportado pelos bancos. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.781.959-SC, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 11/02/2020 (Info 665). 
 
Contrato de abertura de crédito 
No contrato de abertura de crédito o banco se obriga a disponibilizar determinada quantia em dinheiro 
para o contratante que poderá, ou não, utilizar-se desse valor a título de empréstimo. Se o contratante 
utilizar, depois terá que devolver, com juros e correção monetária. 
As duas espécies mais comuns desse contrato são: 
a) Contrato de abertura de crédito fixo; 
b) Contrato de abertura de crédito rotativo. 
 
Contrato de abertura de crédito fixo 
O contrato de crédito fixo consiste na concessão, por parte da instituição financeira ao seu cliente, de 
valor certo, com termo e encargos pré-definidos. No momento da assinatura do contrato, o contratante 
já sabe de antemão o valor total da dívida. 
O contrato de abertura de crédito fixo equivale a um contrato de mútuo feneratício. Depois de assinado 
o pacto, o banco credita o valor certo e determinado da quantia ao cliente e este assume a obrigação de 
devolvê-la com juros e correção monetária, quando chegar o termo ajustado. 
 
Contrato de abertura de crédito fixo com encargos financeiros vinculados à taxa média do CDI 
João celebrou com o banco um contrato de abertura de crédito fixo no qual foi prevista a incidência de encargos 
financeiros correspondentes a 180% da taxa média dos Certificados de Depósitos Interbancários (CDI). 
 
O que é CDI? 
O Certificado de Depósito Interbancário (CDI) é um título emitido pelos bancos para regular empréstimos 
de curtíssimo prazo (1 dia) entre as próprias instituições financeiras. 
Assim, se um banco vai emprestar dinheiro ao outro, ele cobra os encargos com base no CDI. 
E por que um banco precisa tomar dinheiro emprestado? Em geral, isso ocorre porque o Banco Central 
exige que as instituições financeiras, ao final de cada dia, tenham um percentual mínimo de recursos 
disponíveis em seu caixa a fim de demonstrar que esse banco possui liquidez. Assim, se naquele dia houve 
muitos saques ou o banco emprestou muito dinheiro, será necessário que ele tome recursos emprestados 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 28 
de outro banco para cumprir essa meta do BACEN. Vale ressaltar que isso tudo ocorre de forma rápida e 
quase que automática, por meio de sistemas informatizados que rodam entre os bancos. 
Conforme explica o Min. Ricardo Villas Bôas Cueva: 
“De acordo com as regras editadas pelo Banco Central do Brasil, os bancos devem 
necessariamente encerrar o dia com saldo positivo em caixa. Caso determinado ente bancário 
esteja com saldo negativo ao se aproximar do fechamento diário, deve recorrer a dinheiro 
emprestado de outras instituições financeiras. 
A função do mercado interfinanceiro ou interbancário, portanto, é a de transferir recursos entre 
instituições financeiras, dando liquidez ao mercado bancário, e permitir que as instituições que têm 
recursos sobrando possam emprestar àquelas que estão em posição deficitária. Nesse mercado, as 
instituições financeiras tanto podem atuar como tomadoras, quanto como fornecedoras de recursos. 
O instrumento por meio do qual ocorre a troca de recursos exclusivamente entre instituições 
financeiras denomina-se Depósito Interfinanceiro (DI). (...) 
O título que lastreia essas operações no mercado interbancário é o Certificado de Depósito 
Interfinanceiro (CDI) (...)” 
 
Assim, a taxa CDI (ou simplesmente, DI) é calculada com base nas taxas cobradas pelos bancos para 
empresarem dinheiro aos outros bancos. 
 
Voltando ao nosso caso concreto: essa previsão contratual é válida? É possível que o contrato de 
abertura de crédito preveja que os encargos financeiros serão um percentual da taxa média do CDI? 
SIM. É possível. O CDI pode ser utilizado como encargo remuneratório do contrato de abertura de crédito. 
É admissível a estipulação dos encargos financeiros de contrato de abertura de crédito em percentual 
sobre a taxa média aplicável aos Certificados de Depósitos Interbancários (CDIs). 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.781.959-SC, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 11/02/2020 (Info 665). 
 
De acordo com as normas da Resolução nº 1.143/1986, do Conselho Monetário Nacional, não há óbice em se 
adotar as taxas de juros praticadas nas operações de depósitos interfinanceiros como base para o reajuste 
periódico das taxas flutuantes, desde que calculadas com regularidade e amplamente divulgadas ao público. 
O depósito interfinanceiro (DI) é o instrumento por meio do qual ocorre a troca de recursos exclusivamente 
entre instituições financeiras, de forma a conferir maior liquidez ao mercado bancário e permitir que as 
instituições que têm recursos sobrando possam emprestar àquelas que estão em posição deficitária. 
Nos depósitos interbancários, como em qualquer outro tipo de empréstimo, a instituição tomadora paga 
juros à instituição emitente. 
A denominada Taxa CDI, ou simplesmente DI, é calculada com base nas taxas aplicadas em tais operações, 
refletindo, portanto, o custo de captação de moeda suportado pelos bancos. 
 
Essa estipulação contratual não vai de encontro à Súmula 176 do STJ, que diz: “É nula a cláusula 
contratual que sujeita o devedor a taxa de juros divulgada pela ANBID/CETIP”? 
NÃO. Esse entendimento não contraria a Súmula 176 do STJ. 
ANBID é a sigla de Associação Nacional dos Bancos de Investimentos e Desenvolvimento. 
Para o STJ, não era possível que um contrato entre o particular e um banco utilizasse as taxas de juros da 
ANBID porque esse índice teria um caráter potestativo já que calculado por entidade voltada à defesa dos 
interesses das instituições financeiras. 
Assim, a jurisprudência do STJ é firme no sentido de que é potestativa a cláusula que deixa ao arbítrio das 
instituições financeiras, ou associação de classe que as representa, o cálculo dos encargos cobrados nos 
contratos bancários. 
Vale ressaltar, no entanto,que não é potestativa a cláusula que estipula os encargos financeiros de contrato 
de abertura de crédito em percentual sobre a taxa média aplicável aos Certificados de Depósitos Interbancários 
(CDIs), visto que tal indexador é definido pelo mercado, a partir das oscilações econômico-financeiras, não se 
sujeitando a manipulações que possam atender aos interesses das instituições financeiras. 
 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 29 
Mas a taxa CDI não adota o mesmo raciocínio da taxa ANBID (atualmente extinta)? 
NÃO. A ANBID (Associação Nacional dos Bancos de Investimento) era uma associação que representava 
as instituições financeiras que operavam no mercado de capitais do Brasil e tinha como principal objetivo 
fomentar o desenvolvimento desse mercado no país. 
A ANBID divulgava a Taxa ANBID, que era a média das operações de mercado em determinados títulos 
emitidos por instituições financeiras (CDB, RDB entre outros). Os CDBs e RDBs - diferentemente dos CDIs 
- podem ser adquiridos por pessoas físicas e jurídicas e, assim, suas taxas podiam apresentar variações 
significativas dependendo do perfil da instituição financeira e do investidor. Já o CDI somente é operado 
entre instituições financeiras e, portanto, a Taxa DI exprime fielmente o custo de captação de recursos no 
mercado interfinanceiro e praticamente tem sua flutuação atrelada à da Taxa Selic. 
O CDI, como é uma taxa operada apenas entre os bancos, não possui excessos nem abusos. 
 
Eventual abusividade pode ser verificada no caso concreto 
Eventual abusividade deve ser verificada no julgamento do caso concreto em função do percentual fixado 
pela instituição financeira, comparado às taxas médias de mercado regularmente divulgadas pelo Banco 
Central do Brasil para as operações de mesma espécie. 
No entanto, não se pode afirmar, de forma abstrata, que essa previsão seja nula. 
 
 
RECUPERAÇÃO JUDICIAL 
Seguradora que não recebeu os prêmios arrecadados por empresa que atuou como 
representante de seguros terá que receber esse crédito segundo o plano de recuperação judicial 
caso a representante entre em recuperação judicial 
 
O crédito titularizado pela sociedade de seguros, decorrente do não repasse dos prêmios em 
contrato de representação de seguro, submete-se à recuperação judicial da empresa 
representante. 
Ex: a empresa fez um contrato de representação de seguro com uma seguradora (sociedade 
de seguros); a empresa recebia o valor dos prêmios pagos pelos segurados e, depois de 
determinado tempo, teria que entregar essa quantia à seguradora; a empresa entrou em 
recuperação judicial sem ter repassado esses prêmios; a seguradora terá que habilitar esse 
crédito que tem para receber na recuperação judicial. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.559.595-MG, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 10/12/2019 (Info 665). 
 
Imagine a seguinte situação hipotética: 
Carvalho Comércio Ltda era uma empresa que vendia eletrodomésticos e outros produtos eletrônicos. 
A empresa, no momento da venda, oferecia aos clientes a possibilidade de eles contratarem uma garantia 
estendida. Ex: o cliente comprava um celular; a garantia dada normalmente pela loja era de 3 meses; no 
entanto, se o consumidor quisesse, pagava mais R$ 100,00 e tinha uma garantia de 2 anos; assim, se nesse 
período de 2 anos, ocorresse algum problema técnico que não pudesse ser consertado, o cliente poderia 
receber o valor de um novo aparelho. 
 
Seguro 
O cliente que aceitava essa garantia estendida estava pagando, na verdade, um seguro. Ele pagava o prêmio 
de R$ 100,00 e, caso o risco se concretizasse, receberia uma indenização (o valor de um novo celular). 
 
Carvalho Comércio Ltda era apenas a representante da seguradora 
O consumidor não sabia, mas havia um outro personagem nessa situação: uma sociedade de seguros. 
Assim, o valor que o consumidor pagava a título de garantia estendida era revertido para a Royal Seguros 
S.A. e esta seguradora assumia a obrigação de pagar o valor de um novo celular caso houvesse algum 
problema com o aparelho adquirido. 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 30 
Desse modo, podemos apontar os seguintes personagens: 
• Carvalho Comércio Ltda = vendedora e representante de seguro. 
• Royal Seguros S.A = sociedade de seguros (seguradora). 
• Cliente que pagasse pela garantia estendida = segurado. 
• Valor pago pelo cliente que aceitasse a garantia estendida = prêmio. 
 
Contrato de representação de seguro 
A Carvalho Comércio Ltda possuía um contrato com a sociedade seguradora. Era um contrato de 
representação de seguro. 
Por força deste pacto, a Carvalho Comércio Ltda tinha as seguintes obrigações contratuais: 
• oferecer o seguro aos clientes; 
• receber os pagamentos (prêmio); 
• repassar para a seguradora, ao final do mês, todos os prêmios arrecadados dos clientes. 
 
Atraso no repasse dos valores e recuperação judicial 
A Carvalho Comércio Ltda passou a enfrentar inúmeras dificuldades financeiras e atrasou o repasse 
referente a 6 meses do valor dos prêmios à seguradora. 
Além disso, entrou em recuperação judicial. 
Diante desse cenário, a sociedade de seguros ajuizou ação contra a empresa cobrando o repasse de todas 
as quantias em atraso. 
 
Mesmo com a existência de recuperação judicial, essa ação poderia continuar tramitando? 
SIM. 
Em regra, as ações e execuções que tramitam contra a empresa em recuperação são suspensas para poder 
não atrapalhar a execução do plano. Veja o que diz o caput do art. 6º da Lei nº 11.101/2005: 
Art. 6º A decretação da falência ou o deferimento do processamento da recuperação judicial 
suspende o curso da prescrição e de todas as ações e execuções em face do devedor, inclusive 
aquelas dos credores particulares do sócio solidário. 
 
Ocorre que o § 1º do mesmo art. 6º traz exceção: 
Art. 6º (...) 
§ 1º Terá prosseguimento no juízo no qual estiver se processando a ação que demandar quantia 
ilíquida. 
 
++ (Juiz TJ/MG 2018) Quanto à Falência e Recuperação, segundo a Lei nº 11.101/2005, serão suspensas todas 
as ações e execuções em face do devedor, inclusive aquelas em que se demandar quantia ilíquida. (ERRADA) 
 
O que são ações que demandam quantia ilíquida? 
“A expressão usada pela lei não é muito clara e deve ser interpretada como abrangendo as ações de 
conhecimento, nas quais se discute a existência ou o valor de certos créditos.” (TOMAZETTE, Marlon. 
Curso de Direito Empresarial. São Paulo: Atlas, 2017, p. 404). 
Logo, a ação proposta pela Royal Seguros S.A continuou tramitando normalmente no juízo cível onde foi 
proposta. 
Ao final, o juiz proferiu sentença de procedência reconhecendo que a Carvalho Comércio deveria pagar 
R$ 600 mil à Royal Seguros. 
Houve trânsito em julgado. 
 
O cumprimento de sentença (execução) pode continuar normalmente no juízo cível que proferiu a 
sentença? 
NÃO. A autora (Royal Seguros) terá que habilitar o crédito na recuperação judicial. 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 31 
Foi contra isso que se insurgiu a autora. 
A seguradora argumentou que essa quantia exigida (R$ 600 mil) deveria ser entregue a ela fora das regras 
da recuperação judicial, ou seja, sem respeitar o plano geral de credores. Isso porque o dinheiro que a 
empresa deveria repassar à seguradora pertencia a ela, e não à recuperanda. Logo, ela só estava cobrando 
uma quantia que já era sua. 
 
A tese da seguradora foi acolhida pelo STJ? 
NÃO. O STJ decidiu que essecrédito deve sim ser habilitado na recuperação judicial para ser pago segundo 
o plano de recuperação. Veja as palavras exatas do STJ: 
O crédito titularizado pela sociedade de seguros, decorrente do não repasse dos prêmios em contrato 
de representação de seguro, submete-se à recuperação judicial da empresa representante. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.559.595-MG, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 10/12/2019 (Info 665). 
 
Vamos entender com calma. 
 
Contrato de representação de seguro 
Conforme já explicado, houve um contrato de representação de seguro no qual a Carvalho Comércio 
(representante de seguros) assumiu a obrigação de promover, em caráter não eventual e sem vínculos de 
dependência, a realização de contratos de seguro à conta e em nome da sociedade seguradora (Royal 
Seguros S.A.). 
O contrato de representação de seguro é uma espécie do chamado “contrato de agência”, previsto nos 
arts. 710 e seguintes do Código Civil, voltado especificamente à realização de determinados tipos de 
seguro, em geral, os microsseguros em que o agente/representante toma para si a obrigação de realizar, 
em nome da seguradora representada, mediante a retribuição, a contratação de determinados tipos de 
seguros, diretamente com terceiros interessados. 
Esse contrato de representação de seguros representa também uma relação de mandato, em que o agente 
de seguros (no caso, a Carvalho Comércio) realiza microsseguro com terceiros, recebendo destes os 
correlatos prêmios à conta e em nome da sociedade de seguros. 
Assim, a Carvalho Comércio assumiu a qualidade de mandatário e tinha o dever de prestar contas, bem 
como de repassar os prêmios recebidos e que eram devidos à sociedade de seguros. 
Como a Carvalho Comércio não repassou esses valores, houve inadimplemento do contrato. 
 
Esse crédito da sociedade de seguros se enquadra na previsão do art. 49 da Lei nº 11.101/2005 
O art. 49, caput, da Lei nº 11.101/2005 prevê o seguinte: 
Art. 49. Estão sujeitos à recuperação judicial todos os créditos existentes na data do pedido, ainda 
que não vencidos. 
 
++ (Juiz TJ/RJ 2019) Estão sujeitos à recuperação judicial os créditos existentes na data do pedido, desde 
que vencidos. (ERRADO) 
 
Vale ressaltar que a constituição de um crédito pressupõe a existência de um vínculo jurídico entre as 
partes e não se encontra condicionada a uma decisão judicial. Em outras palavras, o crédito surge antes 
da sentença, que apenas declara a existência do crédito. 
O crédito em comento advém do vínculo contratual estabelecido entre as partes e do descumprimento 
das obrigações contratuais. 
 
 
 
 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 32 
Empresa representante recebeu o dinheiro no papel de depositário (art. 627 do CC) 
Quando a empresa representante de seguros recebia o valor do prêmio, essa quantia integrava o seu 
patrimônio e ela passava a ter a obrigação de entregar (outro) bem, do mesmo gênero, qualidade e 
quantidade para a seguradora. 
O agente de seguros (Carvalho Comércio Ltda) recebe os prêmios (dinheiro - bem móvel fungível) na 
condição de mandatário da sociedade de seguros, conservando-os em seu poder até o prazo estipulado, 
e quando chega o vencimento ele teria que repassá-los à sociedade de seguros. 
Ao fazer isso e guardar esse dinheiro, a Carvalho Comércio Ltda age como depositário. Segundo o art. 627 
do Código Civil, o depositário recebe um objeto móvel para guardar até que o depositante o reclame. 
 
No depósito de bens fungíveis, os recebidos integram o patrimônio do depositário até serem entregues 
Em se tratando de depósito de bens fungíveis, assim denominado de depósito irregular, os bens passam à 
propriedade do depositário. 
Quando o depositário for entregar os bens, ele não paga com os mesmos bens e sim com outros do mesmo 
gênero, qualidade e quantidade. Nesse sentido, veja o que diz o Código Civil: 
Art. 645. O depósito de coisas fungíveis, em que o depositário se obrigue a restituir objetos do 
mesmo gênero, qualidade e quantidade, regular-se-á pelo disposto acerca do mútuo. 
 
Logo, como o dinheiro dos prêmios recebidos pela Carvalho Comércio passaram a integrar o patrimônio 
da empresa até a data em que deveriam ser entregues à seguradora, não se pode dizer que esses bens 
continuaram pertencendo à Royal Seguros e que estavam apenas na posse da empresa em recuperação. 
 
 
RECUPERAÇÃO JUDICIAL 
Os créditos derivados da prestação de serviços contábeis e afins podem ser 
classificados como créditos trabalhistas no processo de recuperação judicial 
 
Os créditos decorrentes da prestação de serviços contábeis e afins, mesmo que titularizados 
por sociedade simples, são equiparados aos créditos trabalhistas para efeitos de sujeição ao 
processo de recuperação judicial. 
O tratamento dispensado aos honorários devidos a profissionais liberais - no que se refere à 
sujeição ao plano de recuperação judicial - deve ser o mesmo conferido aos créditos de origem 
trabalhista, em virtude de ambos ostentarem natureza alimentar. 
Esse entendimento não é obstado pelo fato de o titular do crédito ser uma sociedade de 
contadores, considerando que, mesmo nessa hipótese, a natureza alimentar da verba não é 
modificada. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.851.770-SC, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 18/02/2020 (Info 665). 
 
Imagine a seguinte situação hipotética: 
Silva e Souza Contadores S/S é uma pessoa jurídica, constituída sob a forma de sociedade simples (art. 997 
do Código Civil), que presta serviços contábeis. 
A Silva e Souza prestou serviços de contabilidade para a empresa Viação Transportes Ltda. durante vários 
meses, mas acabou não pagando nos últimos meses e está devendo R$ 20 mil. 
Foi decretada a recuperação judicial da Viação Transportes Ltda. 
A Silva e Souza foi habilitar seu crédito para ser recebido no processo de recuperação judicial e pediu para 
que essa quantia, a ser recebida, fosse classificada como crédito trabalhista. Isso porque os créditos 
trabalhistas possuem preferência em relação às outras classes de crédito. 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 33 
O administrador judicial, contudo, não concordou com o pedido afirmando que o crédito não poderia ser 
classificado como trabalhista considerando que pertence à uma sociedade simples (pessoa jurídica) e não 
a pessoas físicas. 
 
O que decidiu o STJ? Essa quantia a ser recebida pela sociedade simples pode ser classificada como 
crédito trabalhista? 
SIM. 
Os créditos decorrentes da prestação de serviços contábeis e afins, mesmo que titularizados por 
sociedade simples, são equiparados aos créditos trabalhistas para efeitos de sujeição ao processo de 
recuperação judicial. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.851.770-SC, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 18/02/2020 (Info 665). 
 
Os créditos derivados da prestação de serviços contábeis e afins podem ser classificados como créditos 
trabalhistas no processo de recuperação judicial. 
 
Por quê? 
O valor recebido pelos serviços prestados por profissionais liberais (advogados, médicos, contadores, 
engenheiros etc.) é chamado de honorários. 
A jurisprudência do STF e do STJ afirma que os honorários possuem natureza alimentar. 
Assim, embora os honorários não sejam “salário”, possuem a mesma finalidade e, portanto, ostentam 
também caráter alimentar já que os profissionais liberais dele se utilizam para sua manutenção e de seu 
escritório, consultório etc. 
Tanto a verba honorária quanto os créditos de origem trabalhista constituem rubricas que ostentam a 
mesma natureza alimentar. Como consequência dessa afinidade ontológica, deve-se conferir tratamento 
isonômico, de modo que asverbas honorárias devem seguir as regras aplicáveis às quantias devidas em 
virtude da relação de emprego. 
Dessa feita, os créditos resultantes de honorários (não apenas advocatícios, mas também de outros 
profissionais liberais) têm natureza alimentar e são equiparados aos créditos trabalhistas para efeito de 
habilitação em falência e recuperação judicial. 
Veja este recurso repetitivo que tratou sobre honorários advocatícios na falência: 
 (...) 1.1) Os créditos resultantes de honorários advocatícios têm natureza alimentar e equiparam-se aos 
trabalhistas para efeito de habilitação em falência, seja pela regência do Decreto-Lei n. 7.661/1945, seja 
pela forma prevista na Lei n. 11.101/2005, observado, neste último caso, o limite de valor previsto no 
artigo 83, inciso I, do referido Diploma legal. 
1.2) São créditos extraconcursais os honorários de advogado resultantes de trabalhos prestados à massa 
falida, depois do decreto de falência, nos termos dos arts. 84 e 149 da Lei n. 11.101/2005. (...) 
STJ. Corte Especial. REsp 1152218/RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 07/05/2014. 
 
O mesmo raciocínio pode ser aplicado para outras espécies de honorários também no caso da recuperação 
judicial. 
As proteções conferidas ao salário pela Lei de Falência e Recuperação de Empresas (do que são exemplos 
as normas dos arts. 54 e 83, I, da Lei nº 11.101/2005) possuem uma finalidade: garantir ao trabalhador 
que receba seus proventos, e, consequentemente, tenha garantida sua sobrevivência e a de sua família. 
Classificar os honorários no processo de recuperação judicial como verba diferente das quantias de 
natureza trabalhista implicaria em um tratamento desigual e indesejável haja vista que tais valores 
ostentam natureza jurídica idêntica, qual seja, a de recursos destinados à aquisição de meios para 
suprimento das necessidades vitais de seus titulares. 
 
Mesmo sendo honorários devidos para uma sociedade simples? 
SIM. 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 34 
Em primeiro lugar, é importante explicar que é possível que receitas auferidas por uma pessoa jurídica tenham 
natureza alimentar, como é o caso, por exemplo, da remuneração recebida por representantes comerciais, 
equiparada, para fins falimentares, aos créditos trabalhistas (art. 44 da Lei nº 4.886/65), muito embora os 
representantes comerciais possam se organizar em torno de uma sociedade (art. 1º da mesma lei). 
Em segundo lugar, deve-se lembrar que uma sociedade simples é um tipo de sociedade não empresária, 
constituída sobretudo para a exploração da atividade de prestação de serviços decorrentes da atividade 
intelectual correspondente à especialização profissional de seus membros. 
Por fim, vale ressaltar que a jurisprudência entende que, mesmo quando a sociedade profissional adote o 
tipo de sociedade simples limitada, tal fato não interfere na pessoalidade do serviço prestado, nem 
tampouco na responsabilidade pessoal que é atribuída ao profissional pela legislação de regência (STJ. 1ª 
Turma. AgInt no REsp 1.400.942/RS, DJe 22/10/2018). 
 
 
 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
 
PETIÇÃO INICIAL 
Autor propôs ação monitória envolvendo duas notas promissórias; juiz determina que ele traga 
aos autos o original de uma dessas promissórias; ele descumpre; deverá haver o indeferimento 
parcial da inicial, prosseguindo o processo quanto a outra promissória 
 
Descumprida a determinação de emenda a inicial com relação à apresentação do original de 
uma das cártulas que embasou a monitória, não é juridicamente possível se falar em extinção 
total da demanda. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.837.301-SC, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 18/02/2020 (Info 665). 
 
Ação monitória 
Ação monitória é um procedimento especial, previsto no CPC, por meio do qual o credor exige do devedor 
o pagamento de soma em dinheiro ou a entrega de coisa com base em prova escrita que não tenha eficácia 
de título executivo. 
Ex1: ação monitória para cobrança de cheque prescrito. 
Ex2: ação monitória para cobrança de valores baseados em contrato bancário de abertura de conta-corrente. 
O cheque prescrito e o contrato bancário de abertura de conta são provas escritas do débito, mas que não 
se constituem em título executivo. 
Se o credor tem título executivo, pode ingressar desde logo com a execução. 
Se o credor não tem nenhuma prova documental, só lhe resta a ação de cobrança. 
Se o credor tem prova escrita que não goza de eficácia de título executivo: cabe ação monitória. 
 
Imagine agora a seguinte situação hipotética: 
A empresa “Alfa Ltda” ajuizou ação monitória contra a empresa “Ômega Ltda” embasada em duas notas 
promissórias, de R$ 100 mil cada uma, totalizando, portanto, R$ 200 mil. 
A petição inicial foi instruída com as duas notas promissórias, sendo que uma delas era a original e a outra 
uma cópia simples. 
O juiz determinou que a requerente juntasse aos autos também a original da outra nota promissória. 
Apesar de devidamente intimada, a autora não cumpriu a determinação do juízo. 
Diante disso, o magistrado julgou extinto todo o processo, sem resolução do mérito, com fundamento no 
art. 321, parágrafo único c/c o art. 485, I, do CPC/2015: 
Art. 321. O juiz, ao verificar que a petição inicial não preenche os requisitos dos arts. 319 e 320 
ou que apresenta defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento de mérito, 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 35 
determinará que o autor, no prazo de 15 (quinze) dias, a emende ou a complete, indicando com 
precisão o que deve ser corrigido ou completado. 
Parágrafo único. Se o autor não cumprir a diligência, o juiz indeferirá a petição inicial. 
 
Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: 
I - indeferir a petição inicial; 
 
Esse art. 321 do CPC é muito cobrado nas provas. Volte e leia novamente, ficando atenta(o) a todos os 
detalhes. Agora veja: 
++ (PGE/TO 2018 FCC) Se o juiz verificar que a petição inicial não preenche os requisitos legais ou que 
apresenta defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento de mérito, determinará que o 
autor, no prazo de quinze dias, a emende ou a complete, indicando com precisão o que deve ser corrigido 
ou complementado. (CERTO). 
++ (Promotor MPE/MT 2019 FCC) Se a petição inicial não preencher os requisitos legais, apresentando 
defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento de mérito e verificando-se ainda a 
incapacidade processual da parte, deverá o juiz, 
A) em ambas as situações, extinguir desde logo o processo, pois o atual sistema processual civil não admite 
vícios em relação à petição inicial nem convalida a incapacidade processual verificada no início da 
demanda. 
B) em ambas situações, suspender o processo e designar prazo razoável para que sejam sanados os vícios. 
(C) quanto aos defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento do mérito, determinar que o 
autor emende a inicial ou a complete em quinze dias, indicando com precisão o que deve ser corrigido ou 
completado; quanto à incapacidade processual verificada, o juiz suspenderá o processo e designará prazo 
razoável para que seja sanado o vício. 
D) em ambas as situações, sem suspender o processo, determinar a emenda à inicial e o suprimento do 
vício processual no prazo de quinze dias. 
E) determinar a emenda à inicial em quinze dias quanto aos defeitos e irregularidades verificados, 
extinguindo desde logo o processo no tocante à incapacidade processual verificada, por se tratar de vício 
que não admite convalidação. 
 
Letra C (Art. 76. Verificada a incapacidade processual ou a irregularidade da representação da parte,o juiz suspenderá o processo e designará prazo razoável para que seja sanado o vício). 
 
Voltando ao nosso caso concreto: agiu corretamente o magistrado? 
NÃO. 
A parte autora descumpriu a ordem judicial para que trouxesse aos autos o original de uma das duas notas 
promissórias. Logo, a inicial deveria ter sido indeferida apenas no que tange a essa nota promissória, 
prosseguindo o processo quanto a outra. 
 
Mas... é possível o indeferimento apenas parcial da petição inicial? 
SIM. Conforme explica Humberto Theodoro Júnior: 
“Pode haver indeferimento total ou parcial da petição inicial. 
Será parcial quando, sendo vários pedidos manifestados pelo autor, o despacho negativo 
relacionar-se apenas comum ou alguns deles, de modo a admitir o prosseguimento do processo 
com relação aos demais. 
Será total quando indeferimento trancar o processo no nascedouro, impedindo a subsistência da 
relação processual.” (Curso de Direito Processual Civil. Vol. I: teoria geral do direito processual 
civil, processo de conhecimento, procedimento comum. 60ª ed., Rio de Janeiro: Forense, 2019). 
 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 36 
Descumprida a determinação de emenda a inicial com relação à apresentação do original de uma das 
cártulas que embasou a monitória, não é juridicamente possível se falar em extinção total da demanda. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.837.301-SC, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 18/02/2020 (Info 665). 
 
 
RECURSOS 
A simples referência à existência de feriado local previsto em Regimento Interno e em Código de 
Organização Judiciária Estadual não é suficiente para a comprovação de tempestividade do 
recurso especial nos moldes do art. 1.003, §6º, do CPC/2015 
 
Importante!!! 
A parte, ao apresentar recurso especial ou recurso extraordinário, tem o ônus de explicar e 
comprovar que, na instância de origem, era feriado local ou dia sem expediente forense? 
SIM. O art. 1.003, § 6º, do CPC/2015 trouxe expressamente um dispositivo dizendo que a 
comprovação do feriado local deverá ser feita, obrigatoriamente, no ato de interposição do 
recurso: “O recorrente comprovará a ocorrência de feriado local no ato de interposição do 
recurso.” 
Assim, a comprovação da ocorrência de feriado local deve ser feita no ato da interposição do 
recurso, sendo intempestivo quando interposto fora do prazo previsto na lei processual civil. 
Imagine que em um recurso especial interposto, a parte mencionou que havia um feriado local, 
mas não juntou qualquer documento comprovando esse fato. Ao adotar essa prática, a parte 
comprovou validamente a existência do feriado local? A mera referência (menção) às normas 
estaduais é suficiente para comprovar a ocorrência de feriado local? 
NÃO. A comprovação da existência de feriado local que dilate o prazo para interposição de 
recursos dirigidos ao STJ deverá ser realizada por meio de documentação idônea, não sendo 
suficiente a simples menção ou referência nas razões recursais. 
A ocorrência de feriado local, recesso, paralisação ou interrupção do expediente forense deve 
ser demonstrada, no ato da interposição do recurso que pretende seja conhecido por este 
Tribunal, por documento oficial ou certidão expedida pelo Tribunal de origem, não bastando 
a mera menção ao feriado local nas razões recursais, tampouco a apresentação de documento 
não dotado de fé pública. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.763.167-GO, Rel. Min. Moura Ribeiro, Rel. Acd. Min. Nancy Andrighi, julgado em 
18/02/2020 (Info 665). 
 
Imagine a seguinte situação hipotética: 
João ajuizou ação contra Pedro, tendo o pedido sido julgado improcedente. 
O autor interpôs apelação, mas o Tribunal de Justiça manteve a sentença. 
Ainda inconformado, João interpôs recurso especial contra o acórdão do TJ. 
Como se sabe, o recurso especial é interposto no Tribunal de origem, ou seja, no juízo a quo (recorrido) e 
não diretamente no juízo ad quem (STJ). Isso está previsto no art. 1.029 do CPC: 
Art. 1.029. O recurso extraordinário e o recurso especial, nos casos previstos na Constituição 
Federal, serão interpostos perante o presidente ou o vice-presidente do tribunal recorrido, em 
petições distintas que conterão: 
(...) 
 
A parte recorrida (em nosso exemplo, Pedro) será intimada para apresentar suas contrarrazões. 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 37 
Após, o Presidente ou Vice-Presidente do Tribunal (isso vai depender do regimento interno), em decisão 
monocrática, irá fazer um juízo de admissibilidade do recurso especial: 
Se o juízo de admissibilidade for POSITIVO Se o juízo de admissibilidade for NEGATIVO 
Significa que o Presidente (ou Vice) do Tribunal 
entendeu que os pressupostos do REsp estavam 
preenchidos e, então, remeterá o recurso para o STJ. 
Significa que o Presidente (ou Vice) do Tribunal 
entendeu que algum pressuposto do REsp não 
estava presente e, então, não admitirá o recurso. 
Contra esta decisão, não cabe recurso, 
considerando que o STJ ainda irá examinar 
novamente esta admissibilidade. 
Contra esta decisão, a parte prejudicada poderá 
interpor recurso. 
 
Voltando ao nosso caso concreto: 
O prazo para interpor recurso especial é de 15 dias úteis. 
João interpôs o recurso especial no último dia do prazo. 
Na conferência para verificar se João interpôs o recurso dentro do prazo, pode-se cair em uma armadilha 
e achar que ele perdeu o prazo. Isso porque no período entre a intimação do acórdão e a interposição do 
recurso, um dos dias foi feriado estadual (ou seja, dia não útil). Assim, se a pessoa que está conferindo a 
tempestividade não desconsiderar esse dia, achará que João perdeu o prazo e que interpôs o REsp no 16º 
dia útil. No entanto, conforme expliquei, um desses dias era feriado local (feriado estadual) e, dessa forma, 
esse dia tem que ser excluído da contagem do prazo. 
Repetindo: tirando sábados e domingos, João interpôs o recurso no 16º dia. Ocorre que um desses dias 
foi feriado estadual. Logo, esse dia tem que ser excluído da contagem (porque não é dia útil). Isso significa 
que João interpôs o recurso no 15º dia útil e, portanto, o REsp é tempestivo. 
 
João, ao apresentar o REsp, tem o ônus de explicar e comprovar que, na instância de origem, era feriado 
local ou dia sem expediente forense? Em outras palavras, João tem o ônus de comprovar que houve um 
feriado local e, portanto, o recurso é tempestivo? 
SIM. 
O CPC/2015 trouxe expressamente um dispositivo dizendo que a comprovação do feriado local deverá ser 
feita, obrigatoriamente, no ato de interposição do recurso. Veja: 
Art. 1.003 (...) 
§ 6º O recorrente comprovará a ocorrência de feriado local no ato de interposição do recurso. 
 
Nos termos do art. 1.003, § 6º, do CPC/2015, a comprovação da ocorrência de feriado local deve ser feita 
no ato da interposição do recurso, sendo intempestivo quando interposto fora do prazo previsto na lei 
processual civil. 
STJ. 3ª Turma. AgInt nos EDcl no AREsp 1539007/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 09/03/2020. 
 
++ (Promotor MP/PI 2019 CEBRASPE) A comprovação da tempestividade de recurso especial, no caso de 
prorrogação de prazo em razão de feriado local, pode ocorrer posteriormente ao ato de interposição desse 
recurso. (ERRADO) 
++ (DPE/RS 2018 FCC) 55. Sobre os recursos no Código de Processo Civil, o recorrente comprovará a 
ocorrência de feriado local, se intimado pelo relator para tanto. (ERRADO) 
 
Voltando mais uma vez ao exemplo dado: 
No recurso especial interposto por João, ele mencionou que havia um feriado local, mas não juntou 
qualquer documento comprovando. Ele fez apenas a seguinte referência: 
“Conforme o art.XX do Código de Organização Judiciária do Estado e o art. YY do Regimento Interno do 
Tribunal de Justiça, não houve expediente forense no Poder Judiciário estadual no dia 08/12 em função 
de feriado local.” 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 38 
 
A dúvida que surge é a seguinte: ao adotar essa prática, João comprovou validamente a existência do 
feriado local? A mera referência (menção) às normas estaduais é suficiente para comprovar a ocorrência 
de feriado local? 
NÃO. 
A comprovação da existência de feriado local que dilate o prazo para interposição de recursos dirigidos ao 
STJ deverá ser realizada por meio de documentação idônea, não sendo suficiente a simples menção ou 
referência nas razões recursais. Nesse sentido: 
A ocorrência de feriado local, recesso, paralisação ou interrupção do expediente forense deve ser 
demonstrada, no ato da interposição do recurso que pretende seja conhecido por este Tribunal, por 
documento oficial ou certidão expedida pelo Tribunal de origem, não bastando a mera menção ao feriado 
local nas razões recursais, tampouco a apresentação de documento não dotado de fé pública. 
STJ. 2ª Turma. AgInt no REsp 1813192/AL, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 03/03/2020. 
 
A ocorrência de feriado local, recesso, paralisação ou interrupção do expediente forense deve ser 
demonstrada por documento oficial ou certidão expedida pelo Tribunal de origem, não bastando a mera 
menção nas razões recursais. 
STJ. 3ª Turma. AgInt no AREsp 1444176/SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 23/09/2019. 
 
O fato de o feriado local estar previsto no Regimento Interno do Tribunal de Justiça ou no Código de 
Organização Judiciária do Estado não altera o entendimento acima explicado. 
É irrelevante que o feriado local, o ponto facultativo ou a suspensão da atividade forense tenha sido 
instituída, no âmbito de um Estado ou Região, por intermédio de “provimento”, “informativo”, “portaria”, 
“ato normativo”, “regimento interno” ou “código de organização judiciária”. Todos esses atos são normas 
locais (estaduais ou regionais) cuja existência obrigatoriamente precisa ser documentalmente 
comprovada no ato de interposição do recurso (art. 1.003, §6º, do CPC). 
 
Para tentar “salvar” esse recurso, João poderia argumentar que o direito municipal ou estadual só tem 
que ser provado quando o juiz determinar, invocando o art. 376 do CPC/2015? 
NÃO. 
O art. 376 do CPC/2015 prevê que: 
Art. 376. A parte que alegar direito municipal, estadual, estrangeiro ou consuetudinário provar-
lhe-á o teor e a vigência, se assim o juiz determinar. 
 
Esse dispositivo está situado topologicamente no capítulo da teoria geral das provas, sendo uma regra 
especificamente destinada ao juiz de 1º grau ou, quando muito, aos Tribunais de Justiça ou Regionais Federais, 
mas sempre para o exercício de atividade instrutória da causa e não para a admissibilidade dos recursos. 
Em palavras mais simples: esse art. 376 vale para a produção de provas, e não para o juízo de 
admissibilidade de recursos. 
 
Em suma: 
A simples referência à existência de feriado local previsto em Regimento Interno e em Código de 
Organização Judiciária Estadual não é suficiente para a comprovação de tempestividade do recurso 
especial nos moldes do art. 1.003, §6º, do CPC/2015. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.763.167-GO, Rel. Min. Moura Ribeiro, Rel. Acd. Min. Nancy Andrighi, julgado em 
18/02/2020 (Info 665). 
 
 
 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 39 
Aprofundando: 
Cópia de calendário do Tribunal de origem é documento idôneo para comprovar feriado local? 
STJ: NÃO 
A jurisprudência do STJ entende que cópia de calendário editado pelo Tribunal de origem não é hábil a ensejar 
a comprovação da existência de feriado local, pois é necessária a juntada de cópia de lei ou de ato 
administrativo exarado pela Corte a quo, comprovando a ausência de expediente forense na data em questão. 
STJ. 3ª Turma. AgInt no REsp 1829351/RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 30/03/2020. 
 
STF: possui um julgado afirmando que sim. 
O calendário disponível no sítio do Tribunal de Justiça que mostra os feriados na localidade é documento 
idôneo para comprovar a ocorrência de feriado local no ato de interposição do recurso, nos termos do art. 
1.003, § 6º, do CPC/2015. 
STF. 1ª Turma. RMS 36114/AM, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 22/10/2019 (Info 957). 
 
 
 
AÇÃO RESCISÓRIA 
Se o autor da ação rescisória – fundada em violação literal à disposição de lei – afirma que a 
sentença rescindenda violou o art. XX da Lei, o Tribunal não pode julgar a rescisória procedente 
com base na violação do art. YY, mesmo que se trate de matéria de ordem pública 
 
Importante!!! 
Na ação rescisória fundada em literal violação de lei, não cabe o reexame de toda a decisão 
rescindenda, para verificar se nela haveria outras violações à lei não alegadas pelo 
demandante, mesmo que se trate de questão de ordem pública. 
Quando o autor da rescisória propõe a ação com fundamento na hipótese de violação literal à 
disposição de lei - art. 485, V, CPC/1973 (art. 966, V, CPC/2015) – ele tem o ônus de indicar 
o(s) dispositivo(s) que foi(foram) violado(s). 
O Tribunal que julgará a rescisória só irá examinar se houve violação aos dispositivos 
indicados, não podendo reexaminar toda a decisão rescindenda, para verificar se nela haveria 
outras violações a literal disposição de lei não alegadas pelo demandante, nem mesmo ao 
argumento de se tratar de matéria da ordem pública.” (YARSHELL, Flávio. Ação rescisória: 
juízos rescindente e rescisório. São Paulo: Malheiros, 2005, p. 151). 
Desse modo, na ação rescisória fundada no art. 485, V, CPC/1973 (art. 966, V, CPC/2015), o 
juízo rescisdente do Tribunal se encontra vinculado aos dispositivos de lei apontados pelo 
autor como literalmente violados, não podendo haver exame de matéria estranha à apontada 
na inicial, mesmo que o tema possua a natureza de questão de ordem pública, sob pena de 
transformar a ação rescisória em um recurso, natureza jurídica que ela não possui. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.663.326-RN, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 11/02/2020 (Info 665). 
 
Imagine a seguinte situação hipotética ocorrida na época do CPC/1973: 
João celebrou com Pedro promessa de compra e venda de uma sala comercial. 
A promessa de compra e venda (ou compromisso de compra e venda) é... 
- uma espécie de contrato 
- por meio do qual uma pessoa (promitente vendedor) se compromete a vender o seu bem 
- ao promissário comprador após este pagar integralmente o preço que foi ajustado. 
 
João (promitente comprador) comprometeu-se a pagar R$ 500 mil pela sala e Pedro (promitente 
vendedor) a transferir a propriedade do imóvel. 
 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 40 
Se o promitente vendedor, mesmo após receber o preço integral combinado, recusar-se a outorgar a 
escritura pública, o que o promissário comprador poderá fazer? 
Poderá ajuizar ação de adjudicação compulsória. 
A adjudicação compulsória é a ação proposta pelo promissário comprador contra o promitente vendedor 
que se recusa a cumprir sua obrigação de outorgar a escritura definitiva de compra e venda. O autor da 
ação pede que o juiz prolate uma sentença que supra (substituta) a declaração de vontade do promitente 
vendedor. Assim, a sentença já irá produzir o mesmo efeito da escritura pública que o promitente 
vendedor não outorgou, podendo o autoraté mesmo fazer o registro no Cartório de Registro de Imóveis. 
 
O pedido formulado na adjudicação compulsória era previsto de forma expressa no art. 466-B do CPC/1973: 
CPC/1973 CPC/2015 
Art. 466-B. Se aquele que se comprometeu a concluir 
um contrato não cumprir a obrigação, a outra parte, 
sendo isso possível e não excluído pelo título, poderá 
obter uma sentença que produza o mesmo efeito do 
contrato a ser firmado. 
Art. 466-C. Tratando-se de contrato que tenha por 
objeto a transferência da propriedade de coisa 
determinada, ou de outro direito, a ação não será 
acolhida se a parte que a intentou não cumprir a 
sua prestação, nem a oferecer, nos casos e formas 
legais, salvo se ainda não exigível. 
Não há dispositivo no novo CPC que reproduza 
expressamente a previsão do art. 466-B do 
CPC/1973. Apesar disso, a parte poderá continuar 
pedindo ao Judiciário a providência nele prevista 
com base no art. 501 do CPC/2015: 
Art. 501. Na ação que tenha por objeto a emissão 
de declaração de vontade, a sentença que julgar 
procedente o pedido, uma vez transitada em 
julgado, produzirá todos os efeitos da declaração 
não emitida. 
 
Voltando ao nosso exemplo: 
João pagou o preço combinado, mas Pedro não outorgou a escritura. 
Diante disso, João ajuizou ação de adjudicação compulsória, cujo pedido foi julgado procedente. 
Pedro não interpôs apelação e a sentença transitou em julgado. 
 
Ação rescisória 
Pedro, que perdeu a ação adjudicatória, ajuizou ação rescisória. 
 
Onde deverá ser proposta essa ação rescisória? De quem é a competência? 
Do Tribunal de Justiça. 
Se não houve apelação contra a sentença, a competência para julgar a ação rescisória será do tribunal de 
segundo grau (TJ ou TRF) que seria competente para o julgamento dessa apelação. 
 
A propositura da ação rescisória impede o cumprimento da sentença? 
Em regra, não. 
Excepcionalmente, o Relator ou o Tribunal poderá conceder tutela provisória determinando a suspensão 
do início ou da continuação do cumprimento de sentença. É o que prevê o art. 969 do CPC/2015: 
Art. 969. A propositura da ação rescisória não impede o cumprimento da decisão rescindenda, 
ressalvada a concessão de tutela provisória. 
 
Pedro poderá ajuizar a ação rescisória mesmo não tendo recorrido? Ele tinha um instrumento mais 
simples (recurso) e deixou passar o prazo; mesmo assim poderá ingressar com a ação rescisória? 
SIM. 
O fato de não ter sido interposto o recurso cabível e, em razão disso, ter ocorrido o trânsito em julgado 
não é motivo para se impedir o ajuizamento da ação rescisória. 
Não se exige exaurimento de instância como pressuposto para a ação rescisória. 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 41 
STJ. 2ª Seção. AgRg na AR 4.459/DF, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Rel. p/ Acórdão Min. Maria Isabel 
Gallotti, julgado em 14/10/2015. 
 
Dessa forma, ainda que, no caso concreto, Pedro não tenha interposto apelação contra a sentença 
rescindenda, essa circunstância, por si só, não representa óbice ao cabimento da ação rescisória. 
 
O que Pedro alegou na ação rescisória? 
Pedro afirmou que o magistrado fez o julgamento antecipado da lide fora das hipóteses legais. Logo, o juiz 
teria violado o art. 330, I, do CPC/1973 (que tratava sobre o julgamento antecipado da lide no CPC passado). 
Assim, segundo alegou Pedro, a sentença rescindenda violou literal disposição de lei, cabendo ação 
rescisória com fundamento no art. 485, V, CPC/1973 (art. 966, V, CPC/2015): 
CPC/1973 CPC/2015 
Art. 485. A sentença de mérito, transitada em 
julgado, pode ser rescindida quando: 
(...) 
V - violar literal disposição de lei; 
Art. 966. A decisão de mérito, transitada em 
julgado, pode ser rescindida quando: 
(...) 
V - violar manifestamente norma jurídica; 
 
O que decidiu o Tribunal de Justiça? 
O Tribunal de Justiça afirmou o seguinte: 
Não houve violação ao art. 330, I, do CPC/1973; o juiz poderia sim ter feito o julgamento antecipado da 
lide. Logo, não prospera esse argumento do autor da ação rescisória. 
No entanto, o Tribunal de Justiça reconheceu, de ofício, que havia um vício no negócio jurídico e que ele foi 
nulo. Desse modo, a sentença, ao afirmar que o negócio jurídico foi válido, violou literal disposição de lei 
porque afrontou o art. 166 do Código Civil (que trata sobre as hipóteses em que o negócio jurídico é nulo). 
O Tribunal de Justiça afirmou que poderia declarar essa nulidade absoluta porque se trata de matéria de 
ordem pública, reconhecível até mesmo de ofício pelo julgador, a qualquer tempo ou grau de jurisdição. 
 
Agiu corretamente o Tribunal de Justiça? 
NÃO. A indicação de violação literal de disposição de lei é ônus do autor da rescisória e essa indicação 
vincula o Tribunal que irá julgar a ação. Conforme explicava Barbosa Moreira: 
“(...) cada suposta violação constitui uma causa petendi”. Isso significa que “o autor precisa indicar, na inicial, 
a norma a seu ver infringida”. Logo, “ao órgão julgador não é lícito acolher o pedido senão com base em 
alguma(s) das alegadas” violações. “Se nenhuma delas ocorreu, terá de julgar o pedido improcedente, ainda 
que verifique a transgressão de norma não indicada pelo autor.” (Comentários ao Código de Processo Civil. 
Vol. V, 15ª ed., Rio de Janeiro: Forense, 2009, p. 132-133). 
 
No mesmo sentido, Flavio Yarshel afirma, de forma muito clara, que o Tribunal não pode “reexaminar toda 
a decisão rescindenda, para verificar se nela haveria outras violações a literal disposição de lei não 
alegadas pelo demandante, nem mesmo ao argumento de se tratar de matéria da ordem pública.” (Ação 
rescisória: juízos rescindente e rescisório. São Paulo: Malheiros, 2005, p. 151). 
 
Desse modo, na ação rescisória fundada no art. 485, V, CPC/1973 (art. 966, V, CPC/2015), o juízo 
rescindente do Tribunal se encontra vinculado aos dispositivos de lei apontados pelo autor como 
literalmente violados, não podendo haver exame de matéria estranha à apontada na inicial, mesmo que 
o tema possua a natureza de questão de ordem pública, sob pena de transformar a ação rescisória em um 
recurso, natureza jurídica que ela não possui. 
 
Logo, voltando ao nosso exemplo hipotético: o juízo rescindente realizado pelo Tribunal de Justiça 
ultrapassou os limites da causa de pedir deduzida pelo autor da ação rescisória. Isso porque a petição 
inicial da rescisória em nenhum momento mencionou a literal violação do art. 166 do Código Civil. 
 
 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 42 
Em suma: 
Na ação rescisória fundada em literal violação de lei, não cabe o reexame de toda a decisão rescindenda, 
para verificar se nela haveria outras violações à lei não alegadas pelo demandante, mesmo que se trate 
de questão de ordem pública. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.663.326-RN, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 11/02/2020 (Info 665). 
 
 
CUMPRIMENTO DE SENTENÇA 
Na execução de sentença que condenou ao pagamento de pensão mensal, o percentual dos 
honorários advocatícios deverá incidir apenas sobre as parcelas vencidas da dívida 
 
Importante!!! 
No cálculo dos honorários advocatícios devidos na fase de cumprimento de sentença, após 
escoado o prazo legal para o pagamento voluntário da obrigação, não devem ser incluídas as 
parcelas vincendas da dívida. 
Ex: em ação de indenização, a empresa ré foi condenada a pagar 60 prestações mensais de 1 
salário mínimo para o autor ofendido; transitou em julgado e a empresa não pagou nada; 
iniciou-se o cumprimento de sentença; a empresa está devendo 1 ano de pensão mensal (12 
prestações); o valor a ser pago irá, portanto, aumentar; isso porque incidirá 10% de multa e 
10%de honorários advocatícios, nos termos do § 1º do art. 523 do CPC; esses 10% dos 
honorários advocatícios incidirão apenas sobre as 12 prestações atualmente em atraso 
(parcelas vencidas) ou sobre o total das 60 prestações (parcelas vencidas e também 
vincendas)? Apenas sobre as parcelas vencidas (no caso, 12 prestações). 
O § 1º do art. 523 afirma que, se não ocorrer o pagamento voluntário dentro do prazo de 15 
dias, o débito será acrescido em 10% a título de honorários, além da multa de 10%. 
A expressão “débito”, para fins de honorários, engloba apenas as parcelas vencidas da pensão 
mensal, visto que, em cumprimento de sentença, o devedor/executado é intimado para quitar 
os valores exigíveis naquele momento. Não faz sentido condenar a parte executada ao 
pagamento de honorários de sucumbência sobre prestações que ainda não venceram e, 
portanto, não são exigíveis. 
Não confundir. Cálculo dos honorários advocatícios na ação de indenização com o objetivo de 
obter o pagamento de pensão mensal: 
• Na fase de conhecimento: o percentual dos honorários advocatícios deverá incidir todas as 
parcelas vencidas e mais 12 parcelas vincendas, ou seja, parcelas vencidas + 1 ano de parcelas 
vincendas (art. 85, § 9º, do CPC/2015). 
• Na fase de cumprimento de sentença: o percentual dos honorários advocatícios deverá 
incidir apenas sobre as parcelas vencidas. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.837.146-MS, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 11/02/2020 (Info 665). 
 
Imagine a seguinte situação hipotética: 
João sofreu um acidente causado pela empresa “Delta Ltda.”, tendo ficado com sequelas que diminuíram 
sua capacidade de trabalho. 
O lesado ajuizou ação de indenização por danos morais e materiais. 
 
Como decidiu o juiz? 
Condenou a empresa a pagar pensão mensal de 1 salário-mínimo, a partir do trânsito em julgado, até o 
dia em que João completasse seu tratamento e estivesse reabilitado (5 anos de tratamento, segundo 
perícia médica). 
A empresa perdeu o prazo para a apelação, de modo que ocorreu o trânsito em julgado. 
 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 43 
O que acontece agora? 
João terá que ingressar com uma petição em juízo requerendo o cumprimento da sentença. 
 
O início da fase de cumprimento da sentença pode ser feito de ofício pelo juiz? 
NÃO. O cumprimento da sentença que reconhece o dever de pagar quantia, provisório ou definitivo, só 
pode ser feito a requerimento do exequente (art. 513, § 1º do CPC/2015). 
Cabe ao credor o exercício de atos para o regular cumprimento da decisão condenatória, especialmente 
requerer ao juízo que dê ciência ao devedor sobre o montante apurado, consoante demonstrativo 
discriminado e atualizado do crédito (art. 524 do CPC/2015). 
Em outras palavras, o início da fase de cumprimento da sentença exige um requerimento do credor: 
Art. 523. No caso de condenação em quantia certa, ou já fixada em liquidação, e no caso de decisão 
sobre parcela incontroversa, o cumprimento definitivo da sentença far-se-á a requerimento do 
exequente, sendo o executado intimado para pagar o débito, no prazo de 15 (quinze) dias, 
acrescido de custas, se houver. 
 
A partir do requerimento do credor, o que faz o juiz? 
O juiz determina a intimação do devedor para pagar a quantia em um prazo máximo de 15 dias. 
 
O prazo de 15 dias, previsto no art. 523 do CPC/2015, é contado em dias úteis ou corridos? 
Dias úteis. 
O prazo previsto no art. 523, caput, do CPC, para o cumprimento voluntário da obrigação, possui natureza 
processual, devendo ser contado em dias úteis. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.708.348-RJ, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 25/06/2019 (Info 652). 
 
Se o devedor condenado é intimado para pagar, mas não efetua o pagamento no prazo de 15 dias, o 
que acontecerá? 
1) o montante da condenação será automaticamente acrescido de multa de 10% + honorários advocatícios 
de 10%. Em outras palavras, o valor que o devedor terá que pagar aumenta: 
Art. 523 (...) 
§ 1º Não ocorrendo pagamento voluntário no prazo do caput, o débito será acrescido de multa de 
dez por cento e, também, de honorários de advogado de dez por cento. 
 
++ (Juiz Federal TR3 2018) Em se tratando de quantia certa, não ocorrendo o pagamento voluntário no 
prazo legal, o débito será acrescido de multa e de honorários advocatícios, ambos no percentual de dez 
por cento (10%) cada. (CERTO) 
++ (PGE/TO 2018 FCC) Em relação ao cumprimento definitivo da sentença que obrigue a pagar quantia 
certa, se o pagamento voluntário não ocorrer no prazo legal, o débito será acrescido de multa de 10% e 
honorários advocatícios de 15% se houver impugnação futura que se julgue improcedente. (ERRADO) 
 
2) o juiz expede mandado para que os bens do devedor sejam penhorados para pagamento da dívida: 
Art. 523 (...) 
§ 3º Não efetuado tempestivamente o pagamento voluntário, será expedido, desde logo, 
mandado de penhora e avaliação, seguindo-se os atos de expropriação. 
 
Voltando ao nosso exemplo: 
Como já se passou 1 ano desde o trânsito em julgado, a empresa está devendo 1 ano de pensão mensal 
(12 prestações de 1 salário mínimo). 
Vale recordar que, na sentença, a empresa foi condenada a pagar 5 anos de pensão mensal (60 prestações 
de 1 salário mínimo). 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 44 
Mesmo intimada, a empresa não pagou, no prazo de 15 dias, essas 12 prestações que estão em atraso. 
O valor a ser pago irá, portanto, aumentar. Isso porque incidirá 10% de multa e 10% de honorários 
advocatícios, conforme vimos no § 1º do art. 523 do CPC. 
O juiz efetuou a penhora on line de uma grande quantia de dinheiro nas contas bancárias da empresa e 
agora irá transferir os valores para o credor. 
 
Surgiu, no entanto, uma dúvida: esses 10% dos honorários advocatícios incidirão apenas sobre as 12 
prestações atualmente em atraso (parcelas vencidas) ou sobre o total das 60 prestações (parcelas 
vencidas e também vincendas)? 
Apenas sobre as parcelas vencidas (no caso, 12 prestações). 
No cálculo dos honorários advocatícios devidos na fase de cumprimento de sentença, após escoado o 
prazo legal para o pagamento voluntário da obrigação, não devem ser incluídas as parcelas vincendas 
da dívida. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.837.146-MS, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 11/02/2020 (Info 665). 
 
Cálculo dos honorários advocatícios na ação de indenização com o objetivo de obter o pagamento de 
pensão mensal: 
• Na fase de conhecimento: 
O percentual dos honorários advocatícios deverá incidir todas as parcelas vencidas e mais 12 parcelas 
vincendas, ou seja, parcelas vencidas + 1 ano de parcelas vincendas (STJ. 3ª Turma. REsp 1.677.955/RJ, 
Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 18/9/2018). 
Esse critério, que já era adotado pela jurisprudência na vigência do CPC/1973, foi expressamente previsto 
no CPC/2015: 
Art. 85 (...) 
§ 9º Na ação de indenização por ato ilícito contra pessoa, o percentual de honorários incidirá sobre 
a soma das prestações vencidas acrescida de 12 (doze) prestações vincendas. 
 
• Na fase de cumprimento de sentença: 
O § 1º do art. 523 afirma que, se não ocorrer o pagamento voluntário dentro do prazo de 15 dias, o débito 
será acrescido em 10% a título de honorários, além da multa de 10%. 
A expressão “débito”, para fins de honorários, engloba apenas as parcelas vencidas da pensão mensal, 
visto que, em cumprimento de sentença, o devedor/executado é intimado para quitar os valores exigíveis 
naquele momento. Assim, não pode o executado ser compelido a pagar prestações futuras que ainda não 
atingiram o prazo de vencimento. 
O título executivo - no caso, a sentençaque conduzirá os trabalhos do processo disciplinar. 
Veja o que diz a doutrina sobre o conteúdo da portaria: 
“O ato publicado deve indicar os membros da comissão, e já então seu presidente. Esse ato deverá 
também indicar sucintamente dados essenciais ao processo, como o seu número, eventualmente 
o servidor envolvido, a acusação que se lhe faz e o seu enquadramento legal, o nome da 
repartição, a data e a assinatura da autoridade responsável.” (RIGOLIN, Ivan Barbosa. Comentários 
ao Regime Único dos Servidores Públicos Civis. 7ª ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 379) 
 
Na portaria de instauração do PAD, é necessário que seja feita uma exposição detalhada dos fatos que 
serão apurados? 
NÃO. 
Súmula 641-STJ: A portaria de instauração do processo administrativo disciplinar prescinde da exposição 
detalhada dos fatos a serem apurados. 
STJ. 1ª Seção. Aprovada em 18/02/2020, DJe 19/02/2020. 
 
Por quê? 
O objetivo principal da portaria de instauração, prevista no art. 151, I, da Lei) é dar publicidade à 
constituição da comissão processante, ou seja, informar quem serão os servidores responsáveis pela 
instrução do feito. 
Somente após a instrução probatória é que a Comissão Processante terá condições de fazer um relato 
circunstanciado das condutas supostamente praticadas pelo servidor indiciado, capitulando as infrações 
porventura cometidas. 
Desse modo, a descrição minuciosa dos fatos se faz necessária apenas quando o servidor for indiciado 
(etapa de indiciamento), não sendo imprescindível que conste da portaria de instauração. 
Jurisprudência em Teses do STJ (ed. 05) 
Tese 3: A portaria de instauração do processo disciplinar prescinde de minuciosa descrição dos fatos 
imputados, sendo certo que a exposição pormenorizada dos acontecimentos se mostra necessária 
somente quando do indiciamento do servidor. 
 
++ (Juiz TJDFT 2016 CESPE) A portaria de instauração de processo administrativo disciplinar dispensa a 
descrição minuciosa da imputação contra o servidor público, exigida na fase de indiciamento. (CERTO) 
 
E quando ocorre esse “indiciamento”? 
Após a instrução, ou seja, depois da produção das provas. 
Depois de terem sido produzidas as provas, a comissão processante irá tipificar a infração disciplinar, ou 
seja, especificar os fatos imputados ao servidor e as respectivas provas. É nesse momento, portanto, que 
será feita a descrição minuciosa dos fatos (e não na portaria de instauração). 
Depois desse indiciamento, será dada oportunidade de o servidor apresentar sua defesa. 
Veja o que diz o art. 161 da Lei nº 8.112/90: 
Art. 161. Tipificada a infração disciplinar, será formulada a indiciação do servidor, com a 
especificação dos fatos a ele imputados e das respectivas provas. 
§ 1º O indiciado será citado por mandado expedido pelo presidente da comissão para apresentar 
defesa escrita, no prazo de 10 (dez) dias, assegurando-se-lhe vista do processo na repartição. 
§ 2º Havendo dois ou mais indiciados, o prazo será comum e de 20 (vinte) dias. 
§ 3º O prazo de defesa poderá ser prorrogado pelo dobro, para diligências reputadas indispensáveis. 
§ 4º No caso de recusa do indiciado em apor o ciente na cópia da citação, o prazo para defesa 
contar-se-á da data declarada, em termo próprio, pelo membro da comissão que fez a citação, 
com a assinatura de (2) duas testemunhas. 
 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 5 
 
DIREITO CIVIL 
 
BEM DE FAMÍLIA 
Não se pode penhorar o bem de família com base no inciso IV do art. 3º da Lei 8.009/90 se o 
débito de natureza tributária está relacionado com outro imóvel que pertencia ao devedor 
 
Para a aplicação da exceção à impenhorabilidade do bem de família prevista no art. 3º, IV, da 
Lei nº 8.009/90 é preciso que o débito de natureza tributária seja proveniente do próprio 
imóvel que se pretende penhorar. 
Exemplo: João celebrou com Pedro contrato de “permuta de imóveis urbanos”. Ficou acertado 
que João transmitiria a propriedade de sua casa para Pedro e, em troca, Pedro faria a 
transferência de seu apartamento a João. Ficou consignado que cada parte iria transmitir o 
imóvel sem quaisquer dívidas tributárias. Depois da permuta e da transferência da posse, 
Pedro constatou que a casa cedida por João possuía débitos de IPTU. Para regularizar a 
situação, Pedro quitou essas dívidas. Em seguida, Pedro ajuizou ação contra João pedindo o 
ressarcimento desses valores considerando que houve um descumprimento do contrato neste 
ponto. O pedido foi julgado procedente. No cumprimento de sentença, Pedro pediu a penhora 
do apartamento que, depois da permuta, passou a pertencer a João e que é seu bem de família. 
Essa penhora não pode ser deferida porque não se enquadra no inciso IV do art. 3º da Lei: 
Art. 3º A impenhorabilidade é oponível em qualquer processo de execução civil, fiscal, 
previdenciária, trabalhista ou de outra natureza, salvo se movido: 
IV - para cobrança de impostos, predial ou territorial, taxas e contribuições devidas em função 
do imóvel familiar; 
Pode-se apontar três argumentos principais: 
• A dívida era referente a outro imóvel (e não ao que se pretende penhorar). 
• Não se está cobrando um imposto devido em função do imóvel; o que se está pleiteando é o 
ressarcimento decorrente de inadimplemento contratual. 
• As hipóteses de exceção à regra da impenhorabilidade do bem de família são taxativas, não 
comportando interpretação extensiva. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.332.071-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 18/02/2020 (Info 665). 
 
Bem de família legal 
A Lei nº 8.009/90 prevê a impenhorabilidade do bem de família. 
Trata-se daquilo que a doutrina chama de “bem de família legal”. 
• Regra: o bem de família legal é impenhorável e não responderá por qualquer tipo de dívida civil, 
comercial, fiscal, previdenciária ou de outra natureza, contraída pelos cônjuges ou pelos pais ou filhos que 
sejam seus proprietários e nele residam (art. 1º). 
• Exceções: o art. 3º da Lei nº 8.009/90 prevê situações nas quais o bem de família poderá ser penhorado. 
Confira a redação do texto legal: 
Art. 3º A impenhorabilidade é oponível em qualquer processo de execução civil, fiscal, 
previdenciária, trabalhista ou de outra natureza, salvo se movido: 
II - pelo titular do crédito decorrente do financiamento destinado à construção ou à aquisição do 
imóvel, no limite dos créditos e acréscimos constituídos em função do respectivo contrato; 
III - pelo credor da pensão alimentícia, resguardados os direitos, sobre o bem, do seu 
coproprietário que, com o devedor, integre união estável ou conjugal, observadas as hipóteses em 
que ambos responderão pela dívida; 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 6 
IV - para cobrança de impostos, predial ou territorial, taxas e contribuições devidas em função do 
imóvel familiar; 
V - para execução de hipoteca sobre o imóvel oferecido como garantia real pelo casal ou pela 
entidade familiar; 
VI - por ter sido adquirido com produto de crime ou para execução de sentença penal condenatória 
a ressarcimento, indenização ou perdimento de bens. 
VII - por obrigação decorrente de fiança concedida em contrato de locação. 
 
Imagine agora a seguinte situação hipotética envolvendo o inciso IV do art. 3º: 
João celebrou com Pedro um contrato de “permuta de imóveis urbanos”. 
Assim, ficou acertado que João transmitiria a propriedade de sua casa para Pedro e, em troca, Pedro faria 
a transferência de seu apartamento 1502 (edifício London) a João. 
Por ocasião da celebração do referido contrato, ficou consignado que cada parte iria transmitir o imóvel 
sem quaisquer dívidas tributárias. 
Apóscondenatória -, para ser objeto de execução forçada, deve ser 
exigível. A prestação só é exigível quando chega a data de seu vencimento. 
Logo, não faz sentido condenar a parte executada ao pagamento de honorários de sucumbência sobre 
prestações que ainda não venceram e, portanto, não são exigíveis. 
Desse modo, a regra inserida no art. 85, § 9º, do CPC/2015, acerca da inclusão de 12 prestações vincendas 
na base de cálculos dos honorários advocatícios, é aplicável somente na fase de conhecimento da ação 
indenizatória. No cumprimento de sentença, a verba honorária, quando devida, é calculada 
exclusivamente sobre as parcelas vencidas da pensão mensal. 
 
Resumindo: 
Os honorários devem obedecer às seguintes regras: 
1) na fase de conhecimento, havendo condenação em pensão mensal, os honorários advocatícios incidem 
sobre as parcelas vencidas, acrescidas de 12 prestações vincendas, de acordo com art. 85, § 9º, do 
CPC/2015; 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 45 
2) iniciado o cumprimento de sentença, caberá ao credor/exequente instruir o requerimento com o valor 
da dívida e com a verba honorária calculada conforme o item anterior (art. 523, caput, do CPC/2015). Em 
outras palavras, será cobrada a dívida principal mais os honorários advocatícios fixados para a fase de 
conhecimento. Se o devedor pagar em 15 dias, não haverá honorários advocatícios na fase de 
cumprimento de sentença; 
3) escoado o prazo de 15 dias para cumprimento voluntário da obrigação, haverá incidência de novos 
honorários advocatícios (honorários advocatícios para a fase de cumprimento de sentença). Estes 
honorários são calculados sobre o valor do débito, excluído o montante das parcelas vincendas da pensão. 
 
 
PROCESSO COLETIVO 
Em ação civil pública, é possível a substituição da associação autora 
por outra associação caso a primeira venha a ser dissolvida 
 
Importante!!! 
Caso ocorra dissolução da associação que ajuizou ação civil pública, é possível sua substituição 
no polo ativo por outra associação que possua a mesma finalidade temática. 
O microssistema de defesa dos interesses coletivos privilegia o aproveitamento do processo 
coletivo, possibilitando a sucessão da parte autora pelo Ministério Público ou por algum outro 
colegitimado (ex: associação), mormente em decorrência da importância dos interesses 
envolvidos em demandas coletivas. 
STJ. 3ª Turma. EDcl no REsp 1.405.697-MG, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 10/09/2019 
(Info 665). 
 
Imagine a seguinte situação adaptada: 
O Instituto Nacional de Defesa do Consumidor - INDC (associação civil) ajuizou ação civil pública contra o 
Banco “XX” postulando que fossem garantidos determinados direitos dos consumidores. 
O Banco foi citado, apresentou contestação e o processo seguia seu curso regular. 
Foi então que a Associação Nacional dos Consumidores de Crédito - ANCC, outra associação civil voltada 
à defesa dos consumidores, apresentou uma petição ao juiz da causa informando que o INDC foi extinto, 
razão pela qual ela (ANCC) requereu sua integração no feito na qualidade de demandante (polo ativo), em 
substituição ao INDC. 
O pedido da ANCC foi fundamentado no art. 5º, § 3º da Lei nº 7.347/85: 
Art. 5º (...) § 3º Em caso de desistência infundada ou abandono da ação por associação legitimada, 
o Ministério Público ou outro legitimado assumirá a titularidade ativa. 
 
Obs: esse dispositivo é muito cobrado em provas. Vale a pena voltar e ler de novo: 
++ (Promotor MP/GO 2019) Em caso de desistência infundada ou abandono da ação por associação 
legitimada, o Ministério Público ou outro legitimado assumirá a titularidade ativa. (CERTO) 
++ (Promotor MP/SC 2019) Em caso de desistência infundada ou abandono da ação coletiva de defesa do 
consumidor por associação legitimada, somente o Ministério Público assumirá a titularidade ativa. (ERRADO) 
++ (Juiz de Direito TJ/AC 2019 Vunesp) Em caso de desistência infundada ou abandono da ação por associação 
legitimada, o Ministério Público tem atribuição exclusiva para assumir a titularidade ativa. (ERRADO) 
 
O pedido de substituição poderá ser aceito? 
SIM. 
Caso ocorra dissolução da associação que ajuizou ação civil pública, é possível a sua substituição no polo 
ativo por outra associação que também defenda os mesmos interesses discutidos na demanda. 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 46 
Tal pretensão é plenamente possível, haja vista que o microssistema de defesa dos interesses coletivos 
privilegia o aproveitamento do processo coletivo, possibilitando a sucessão da parte autora pelo 
Ministério Público ou por algum outro colegitimado, considerando a importância dos interesses 
envolvidos em demandas coletivas. 
Esse entendimento tem substrato no art. 5º, § 3º, da Lei da Ação Civil Pública (acima transcrito) e também 
no art. 9º da Lei da Ação Popular (Lei nº 4.717/65): 
Art. 9º Se o autor desistir da ação ou der motiva à absolvição da instância, serão publicados editais 
nos prazos e condições previstos no art. 7º, inciso II, ficando assegurado a qualquer cidadão, bem 
como ao representante do Ministério Público, dentro do prazo de 90 (noventa) dias da última 
publicação feita, promover o prosseguimento da ação. 
 
++ (Promotor MP/PR 2019 – adaptada) Se o autor desistir da ação popular, serão publicados editais nos 
prazos e condições legais, sendo assegurado ao representante do Ministério Público, dentro do prazo de 
90 (noventa) dias da última publicação feita, promover o prosseguimento da ação. (CERTO) 
 
(...) 8. Diante do microssistema processual das ações coletivas, em interpretação sistemática de seus 
dispositivos (art. 5º, § 3º, da Lei nº 7.347/1985 e art. 9º da Lei nº 4.717/1965), deve ser dado 
aproveitamento ao processo coletivo, com a substituição (sucessão) da parte tida por ilegítima para a 
condução da demanda. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1192577/RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 15/05/2014. 
 
Em suma: 
Caso ocorra dissolução da associação que ajuizou ação civil pública, é possível sua substituição no polo 
ativo por outra associação que possua a mesma finalidade temática. 
O microssistema de defesa dos interesses coletivos privilegia o aproveitamento do processo coletivo, 
possibilitando a sucessão da parte autora pelo Ministério Público ou por algum outro colegitimado (ex: 
associação), mormente em decorrência da importância dos interesses envolvidos em demandas 
coletivas. 
STJ. 3ª Turma. EDcl no REsp 1405697/MG, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 10/09/2019. 
 
DOD Plus – Tema correlato – Quando uma associação ajuíza ação coletiva ela atua como representante 
processual ou como substituta processual? 
Imagine a seguinte situação hipotética: 
A Associação Nacional dos Consumidores de Crédito - Andec ajuizou ação coletiva em desfavor de Banco 
Gmac S.A. postulando a condenação do réu à obrigação de não fazer, consubstanciada na abstenção de 
cobrança da Tarifa de Cadastro (TC). 
O Banco réu alegou que a associação não poderia ter ingressado com a ação porque não teve 
autorização assemblear ou de seus associados. 
 
O argumento do Banco é aceito pela jurisprudência do STJ? 
NÃO. 
As associações possuem legitimidade para defesa dos direitos e dos interesses coletivos ou individuais 
homogêneos, independentemente de autorização expressa dos associados. 
STJ. 2ª Turma. REsp 1796185/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 28/03/2019. 
 
As associações de classe atuam como representantes processuais, sendo obrigatória a autorização 
individual ou assemblear dos associados - STF, RE 573.232. Esse entendimento, todavia, não se aplica nahipótese de a associação buscar em juízo a tutela de interesses ou direitos difusos - art. 82, IV, do CDC. 
STJ. 4ª Turma. AgInt no REsp 1335681/SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 26/02/2019. 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 47 
 
Por se tratar do regime de substituição processual, a autorização para a defesa do interesse coletivo em 
sentido amplo é estabelecida na definição dos objetivos institucionais, no próprio ato de criação da 
associação, sendo desnecessária nova autorização ou deliberação assemblear. 
As teses de repercussão geral resultadas do julgamento do RE 612.043/PR e do RE 573.232/SC tem seu 
alcance expressamente restringido às ações coletivas de rito ordinário, as quais tratam de interesses 
meramente individuais, sem índole coletiva, pois, nessas situações, o autor se limita a representar os 
titulares do direito controvertido, atuando na defesa de interesses alheios e em nome alheio. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1649087/RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 02/10/2018. 
STJ. 3ª Turma. AgInt no REsp 1719820/MG, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 15/04/2019. 
 
Não confundir: 
As associações precisam de autorização específica dos associados para ajuizar ação coletiva? 
Quando uma associação ajuíza ação coletiva ela atua como representante processual 
ou como substituta processual? 
1) Ação coletiva de rito ordinário proposta pela 
associação na defesa dos interesses de seus 
associados: SIM 
2) Ação civil pública (ação coletiva proposta na 
defesa de direitos difusos, coletivos ou individuais 
homogêneos): NÃO 
A associação, quando ajuíza ação na defesa dos 
interesses de seus associados, atua como 
REPRESENTANTE PROCESSUAL e, por isso, é 
obrigatória a autorização individual ou assemblear 
dos associados. 
A associação, quando ajuíza ação na defesa de 
direitos difusos, coletivos ou individuais 
homogêneos, atua como SUBSTITUTA 
PROCESSUAL e não precisa dessa autorização. 
Aplica-se o entendimento firmado pelo STF no RE 
573232/SC. 
O entendimento firmado no RE 573232/SC não foi 
pensado para esses casos. 
O disposto no artigo 5º, inciso XXI, da Carta da 
República encerra representação específica, não 
alcançando previsão genérica do estatuto da 
associação a revelar a defesa dos interesses dos 
associados. 
As balizas subjetivas do título judicial, formalizado 
em ação proposta por associação, é definida pela 
representação no processo de conhecimento, 
presente a autorização expressa dos associados e 
a lista destes juntada à inicial. 
STF. Plenário. RE 573232/SC, rel. orig. Min. Ricardo 
Lewandowski, red. p/ o acórdão Min. Marco 
Aurélio, julgado em 14/5/2014 (repercussão geral) 
(Info 746). 
(...) 1. Ação civil pública, ajuizada pelo Movimento 
das Donas de Casa e Consumidores de Minas 
Gerais, na qual sustenta a nulidade cláusulas de 
contratos de arrendamento mercantil. (...) 
3. Por se tratar do regime de substituição 
processual, a autorização para a defesa do 
interesse coletivo em sentido amplo é 
estabelecida na definição dos objetivos 
institucionais, no próprio ato de criação da 
associação, sendo desnecessária nova autorização 
ou deliberação assemblear. (...) 
9. As teses de repercussão geral resultadas do 
julgamento do RE 612.043/PR e do RE 573.232/SC 
tem seu alcance expressamente restringido às 
ações coletivas de rito ordinário, as quais tratam 
de interesses meramente individuais, sem índole 
coletiva, pois, nessas situações, o autor se limita a 
representar os titulares do direito controvertido, 
atuando na defesa de interesses alheios e em 
nome alheio. (...) 
STJ. 3ª Turma. AgInt no REsp 1799930/MG, Rel. 
Min. Nancy Andrighi, julgado em 26/08/2019. 
 
 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 48 
 
DIREITO PENAL 
 
PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA 
Em regra, não se aplica o princípio da insignificância ao furto qualificado, salvo quando 
presentes circunstâncias excepcionais que recomendam a medida 
 
A despeito da presença de qualificadora no crime de furto possa, à primeira vista, impedir o 
reconhecimento da atipicidade material da conduta, a análise conjunta das circunstâncias 
pode demonstrar a ausência de lesividade do fato imputado, recomendando a aplicação do 
princípio da insignificância. 
STJ. 5ª Turma. HC 553.872-SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 11/02/2020 (Info 665). 
 
NOÇÕES GERAIS SOBRE O PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA 
Origem 
Quem primeiro tratou sobre o princípio da insignificância no direito penal foi Claus Roxin, em 1964. 
Esse princípio busca raízes no brocardo civil minimis non curat praetor (algo como “o pretor – magistrado 
à época – não cuida de coisas sem importância). 
 
Terminologia 
Também é chamado de “princípio da bagatela” ou “infração bagatelar própria”. 
 
Previsão legal 
O princípio da insignificância não tem previsão legal no direito brasileiro. 
Trata-se de uma criação da doutrina e da jurisprudência. 
 
Natureza jurídica 
Para a posição majoritária, o princípio da insignificância é uma causa supralegal de exclusão da tipicidade 
material. 
 
Tipicidade material 
A tipicidade penal divide-se em: 
a) Tipicidade formal (ou legal): é a adequação (conformidade) entre a conduta praticada pelo agente e a 
conduta descrita abstratamente na lei penal incriminadora. 
b) Tipicidade material (ou substancial): é a lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico protegido pelo tipo penal. 
 
Verificar se há tipicidade formal significa examinar se a conduta praticada pelo agente amolda-se ao que 
está previsto como crime na lei penal. 
Verificar se há tipicidade material consiste em examinar se essa conduta praticada pelo agente e prevista 
como crime produziu efetivamente lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico protegido pelo tipo penal. 
 
Primeiro se verifica se a conduta praticada pelo agente se enquadra em algum crime descrito pela lei penal. 
• Se não se amoldar, o fato é formalmente atípico. 
• Se houver essa correspondência, o fato é formalmente típico. 
• Sendo formalmente típico, é analisado se a conduta produziu lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico 
que este tipo penal protege. 
• Se houver lesão ou perigo de lesão, o fato é também materialmente típico. 
• Se não houver lesão ou perigo de lesão, o fato é, então, materialmente atípico. 
 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 49 
 
Princípio da insignificância e tipicidade material 
Se o fato for penalmente insignificante, significa que não lesou nem causou perigo de lesão ao bem 
jurídico. Logo, aplica-se o princípio da insignificância e o réu é absolvido por atipicidade material, com 
fundamento no art. 386, III do CPP. 
O princípio da insignificância atua, então, como um instrumento de interpretação restritiva do tipo penal. 
 
Requisitos objetivos (vetores) para a aplicação do princípio 
O Min. Celso de Mello (HC 84.412-0/SP) idealizou quatro requisitos objetivos para a aplicação do princípio 
da insignificância, sendo eles adotados pela jurisprudência do STF e do STJ. 
Segundo a jurisprudência, somente se aplica o princípio da insignificância se estiverem presentes os 
seguintes requisitos cumulativos: 
a) mínima ofensividade da conduta; 
b) nenhuma periculosidade social da ação; 
c) reduzido grau de reprovabilidade do comportamento; e 
d) inexpressividade da lesão jurídica provocada. 
 
Qual é a diferença entre cada um desses requisitos? 
Não sei. Acho que ninguém sabe ao certo.Os julgados que mencionam esses requisitos não explicam o 
que seja cada um deles, até porque alguns parecem se confundir. A doutrina critica esses critérios. 
Paulo Queiroz, por exemplo, afirma que esses requisitos são claramente tautológicos e apenas dizem a 
mesma coisa com palavras diferentes, argumentando em círculo (Curso de Direito Penal. Salvador: 
Juspodivm, 2014, p. 89). 
Desse modo, não se preocupe em diferenciá-los, mas é importante ter uma noção dos quatro para fins de 
concurso. 
 
CASO CONCRETO JULGADO PELO STJ 
Feita esta breve revisão, imagine a seguinte situação hipotética: 
Adriana e Janaína, em concurso de pessoas, subtraíram dois pacotes de linguiça, um litro de vinho, uma 
lata de refrigerante e quatro salgados de um supermercado. 
Os bens subtraídos foram avaliados em R$ 69,23. 
As duas foram presas no estacionamento do supermercado e não houve prejuízo para o estabelecimento. 
O Ministério Público ofereceu denúncia contra elas pela prática de furto qualificado, tipificado no art. 155, 
§ 4º, IV, do Código Penal: 
Art. 155. Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel: 
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. 
(...) 
§ 4º - A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa, se o crime é cometido: 
(...) 
IV - mediante concurso de duas ou mais pessoas. 
 
A defesa pediu a absolvição com base na aplicação do princípio da insignificância. 
O juiz, contudo, negou o pedido argumentando que não se pode aplicar o princípio da insignificância no 
caso de furto qualificado. 
 
É possível aplicar o princípio da insignificância em caso de furto qualificado? 
Em regra, não. Como regra, a aplicação do princípio da insignificância tem sido rechaçada nas hipóteses 
de furto qualificado, tendo em vista que tal circunstância denota, em tese, maior ofensividade e 
reprovabilidade da conduta. 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 50 
Deve-se, todavia, considerar as circunstâncias peculiares de cada caso concreto, de maneira a verificar se, 
diante do quadro completo do delito, a conduta do agente representa maior reprovabilidade a 
desautorizar a aplicação do princípio da insignificância. 
No caso concreto, a 5ª Turma do STJ aplicou o princípio da insignificância e absolveu as acusadas. Afirmou-
se que “muito embora a presença da qualificadora possa, à primeira vista, impedir o reconhecimento da 
atipicidade material da conduta, a análise conjunta das circunstâncias demonstra a ausência de lesividade 
do fato imputado, recomendando a aplicação do princípio da insignificância.” 
 
A despeito da presença de qualificadora no crime de furto possa, à primeira vista, impedir o 
reconhecimento da atipicidade material da conduta, a análise conjunta das circunstâncias pode 
demonstrar a ausência de lesividade do fato imputado, recomendando a aplicação do princípio da 
insignificância. 
STJ. 5ª Turma. HC 553.872-SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 11/02/2020 (Info 665). 
 
 
HOMICÍDIO 
A qualificadora do meio cruel é compatível com o dolo eventual 
 
Importante!!! 
Não há incompatibilidade entre o dolo eventual e o reconhecimento do meio cruel, na medida 
em que o dolo do agente, direto ou indireto, não exclui a possibilidade de a prática delitiva 
envolver o emprego de meio mais reprovável, como veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura 
ou outro meio insidioso ou cruel (art. 121, § 2º, III, do CP). 
Caso concreto: réu atropelou o pedestre e não parou o veículo, arrastando a vítima por 500 
metros, assumindo, portanto, o risco de produzir o resultado morte; mesmo tendo havido dolo 
eventual, deve-se reconhecer também a qualificadora do meio cruel prevista no art. 121, § 2º, 
III, do CP. 
STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1573829/SC, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 
09/04/2019. 
STJ. 6ª Turma. REsp 1.829.601-PR, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 04/02/2020 (Info 665). 
 
Imagine a seguinte situação adaptada: 
João, com habilitação suspensa, conduzia uma caminhonete e, ao desrespeitar a preferência, atropelou 
um pedestre que vinha atravessando a rua na faixa. 
Após atingir a vítima, as pessoas que estavam no local começaram a gritar que o pedestre ainda estava 
preso no veículo, mas ele acelerou ainda mais para fugir e, com isso, arrastou a vítima por 
aproximadamente 500 metros, tendo assim assumido e consentido com o risco de produzir o resultado 
morte do pedestre. 
As provas revelaram que o réu tinha conhecimento do atropelamento, pois o acidente ocorreu pela 
manhã, em plena luz do dia, estava com os vidros abertos, tendo visto que as testemunhas faziam 
inúmeros sinais para parar e gritavam, mas mesmo assim ele fugiu em alta velocidade, arrastando a vítima. 
Tal atitude do réu revela, ao menos, indícios de que o réu agiu sem qualquer preocupação com o estado 
da vítima, arrastando-a por algumas quadras, de forma que assumiu o risco de produzir o resultado morte. 
O juiz concluiu, portanto, que ele agiu com dolo eventual e João foi pronunciado. 
 
Houve, no entanto, um debate jurídico que chegou até o STJ: é possível imputar ao agente a 
qualificadora do meio cruel (inciso III do § 2º do art. 121 do Código Penal)? O meio cruel é compatível 
com o dolo eventual? 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 51 
SIM. 
A qualificadora do meio cruel é compatível com o dolo eventual. 
STJ. 6ª Turma. REsp 1.829.601-PR, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 04/02/2020 (Info 665). 
 
O dolo do agente, seja direto ou indireto, não exclui a possibilidade de o homicídio ter sido praticado com 
o emprego de meio mais reprovável, como é o caso do meio cruel, previsto no art. 121, § 2º, III, do CP. 
Nesse sentido: 
Inexiste incompatibilidade entre o dolo eventual e o reconhecimento do meio cruel para a consecução da 
ação, na medida em que o dolo do agente, direto ou indireto, não exclui a possibilidade de a prática delitiva 
envolver o emprego de meio mais reprovável, como veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio 
insidioso ou cruel (art. 121, § 2º, inciso III, do CP). 
STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1573829/SC, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 09/04/2019. 
 
Assim, é admitida a incidência da qualificadora do meio cruel, relativamente ao fato de a vítima ter sido 
arrastada por cerca de 500 metros, presa às ferragens do veículo, ainda que já considerado o 
reconhecimento do dolo eventual, na sentença de pronúncia. 
 
Cuidado para não confundir: 
Dolo eventual NÃO é compatível com qualificadora de traição, emboscada, dissimulação 
O dolo eventual não se compatibiliza com a qualificadora do art. 121, § 2º, IV (traição, emboscada, 
dissimulação). 
STF. 2ª Turma. HC 111.442/RS, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 28/8/2012 (Info 677). 
STJ. 6ª Turma. REsp o/SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 05/04/2018. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 52 
DIREITO TRIBUTÁRIO 
 
IMPOSTO DE RENDA 
É ilegal o art. 4º, I, da IN SRF nº 139/1989 que proibiu a 
compensação envolvendo exercícios financeiros diferentes 
 
Baixa relevância para concursos 
É ilegal o art. 4º, I, da IN SRF nº 139/1989, que, ao suprimir a comunicação entre exercícios 
diferentes, traz inovação limitadora não prevista no Decreto-lei nº 1.790/1980. 
O Decreto-lei nº 1.790/1980, que foi recepcionado com força de lei ordinária, não estabeleceu 
restrição à compensação entre períodos diversos,isto é, não impôs nenhuma limitação 
temporal ao exercício de tal direito. Assim, era perfeitamente possível a compensação do 
imposto de renda retido na fonte mesmo que em calendários (exercícios) diferentes. 
STJ. 1ª Turma. REsp 1.628.374-SP, Rel. Min. Gurgel de Faria, Rel. Acd. Min. Regina Helena Costa, 
julgado em 04/02/2020 (Info 665). 
 
O que é compensação? 
Compensação é a extinção de duas ou mais obrigações, cujos credores são ao mesmo tempo devedores 
um do outro. 
Assim, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credora e devedora uma da outra, as duas obrigações 
extinguem-se, até onde se compensarem (art. 368 do CC). Trata-se de um “encontro de contas”. 
Ex: João deve 10 mil reais a Pedro por conta de uma obrigação (contrato de compra e venda); por força 
de outra obrigação (contrato de prestação de serviços), Pedro deve 10 mil reais a João. 
No exemplo acima, a compensação foi total (as dívidas eram iguais). Mas é possível (e bem mais comum) 
que a compensação seja parcial (quando os valores são diferentes). Seria a hipótese caso Pedro devesse 
apenas 6 mil reais a João. Logo, somente restaria um crédito de 4 mil reais. 
 
Requisitos 
Conjugando os arts. 368 e 369 do Código Civil, podem ser apontados os seguintes requisitos indispensáveis 
à compensação de créditos: 
a) reciprocidade de obrigações; 
b) liquidez das dívidas; 
c) exigibilidade das obrigações; e 
d) fungibilidade das coisas devidas. 
 
É possível que ocorra a compensação no direito tributário? 
SIM. Ocorre quando o contribuinte possui um crédito a receber do Fisco, podendo ser feito o encontro de 
contas do valor que o sujeito passivo tem que pagar com a quantia que tem a receber da Administração. 
Trata-se de causa de extinção da obrigação tributária (art. 156, II do CTN). 
Vale ressaltar, no entanto, que, para que haja a compensação de créditos tributários, é indispensável que 
o ente tributante (União, Estados/DF, Municípios) edite uma lei estabelecendo as condições e garantias 
em que isso ocorre ou, então, delegando essa estipulação para uma autoridade administrativa. É o que 
está previsto no CTN: 
Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada 
caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com 
créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. 
Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos 
deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 53 
correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da 
compensação e a do vencimento. 
 
A compensação tributária é muito parecida com a compensação prevista no Código Civil. É possível, no 
entanto, apontar uma importante diferença: 
• o Código Civil afirma que a compensação somente pode ocorrer entre dívidas vencidas (art. 369); 
• o CTN prevê que a compensação pode envolver débitos vincendos. 
 
Imagine agora a seguinte situação hipotética: 
A empresa “Auto Industrial” recebeu, em 20/02/1990, de empresa subsidiária domiciliada no Brasil, lucros 
apurados no balanço de 1988, com a retenção do imposto de renda na fonte. Nessa mesma data, distribuiu 
aos seus sócios cotistas, domiciliados no exterior, os lucros relativos aos balanços 1988 e 1989, os quais 
também estavam sujeitos ao recolhimento do imposto de renda. 
A empresa deduziu do imposto de renda devido na distribuição de lucros o imposto de renda pago quando 
do recebimento da distribuição de lucros da empresa subsidiária. Em outras palavras, ele fez uma 
compensação com base no art. 2º, § 2º do Decreto-lei nº 1.790/1980: 
Art. 2º Os dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses, distribuídos pelas 
pessoas jurídicas e pelas empresas individuais a outras pessoas jurídicas ou empresas individuais, 
domiciliadas no País, ficam sujeitos ao desconto de imposto de renda na fonte à alíquota de 15% 
(quinze por cento). 
(...) 
§ 2º O imposto descontado na fonte poderá ser compensado com o que a pessoa jurídica 
beneficiária tiver de reter na distribuição, a pessoas físicas ou jurídicas, de dividendos, 
bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses. 
 
No ano de 1990, a Auto Industrial foi compartilhar os lucros com as duas acionistas domiciliadas no 
exterior. Nesse momento, ela pediu a compensação do imposto de renda que ela reteve (pagou) na fonte 
no ano de 1989 com o imposto de renda que ela terá que pagar na distribuição dos lucros para os 
acionistas do exterior (em 1990). Essa compensação estava prevista no art. 2º, § 2º do Decreto-lei nº 
1.790/1980: 
Art. 2º (...) 
§ 2º O imposto descontado na fonte poderá ser compensado com o que a pessoa jurídica 
beneficiária tiver de reter na distribuição, a pessoas físicas ou jurídicas, de dividendos, 
bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses. 
 
O Fisco não aceitou essa compensação, sob o argumento de que a IN SRF nº 139/1989 passou a não mais 
permitir a compensação tributária de valores apurados em exercícios financeiros distintos, ou seja, essa 
IN teria proibido a compensação envolvendo anos diferentes. 
Essa IN SRF nº 139/1989 foi baseada na Lei nº 7.713/88, que previu o seguinte: 
Art. 35. O sócio quotista, o acionista ou titular da empresa individual ficará sujeito ao imposto de 
renda na fonte, à alíquota de oito por cento, calculado com base no lucro líquido apurado pelas 
pessoas jurídicas na data do encerramento do período-base. 
(...) 
§ 4º O imposto de que trata este artigo: 
(...) 
c) poderá ser compensado com o imposto incidente na fonte sobre a parcela dos lucros apurados 
pelas pessoas jurídicas, que corresponder à participação de beneficiário, pessoa física ou jurídica, 
residente ou domiciliado no exterior. 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 54 
(...) 
§ 6º O disposto neste artigo se aplica em relação ao lucro líquido apurado nos períodos-base 
encerrados a partir da data da vigência desta Lei. 
Art. 57. Esta Lei entra em vigor em 1º de janeiro de 1989. 
Art. 58. Revogam-se o art. 50 da Lei nº 4.862, de 29 de novembro de 1965, os arts. 1º a 9º do 
Decreto-Lei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976, os e , os arts. 1º a 4º do Decreto-Lei nº 1.641, 
de 7 de dezembro de 1978, os e , os arts. 15 e 100 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, o 
art. 18 do Decreto-Lei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, o e o parágrafo único do art. 12 do Decreto-
Lei nº 2.292, de 21 de novembro de 1986, o item III do art. 2º do Decreto-Lei nº 2.301, de 21 de 
novembro de 1986, o item III do art. 7º do Decreto-Lei nº 2.394, de 21 de dezembro de 1987, e 
demais disposições em contrário. 
 
Mesmo sendo de exercícios diferentes, a empresa tem direito à compensação neste caso? 
SIM. Vamos entender. 
 
Decreto-lei nº 1.790/1980 e Lei nº 7.713/88 não são incompatíveis 
Pelo disposto no art. 58 da Lei nº 7.713/88 acima citado, percebe-se que o Decreto-Lei nº 1.790/1980 não 
foi revogado expressamente. 
Além do mais não se verifica incompatibilidade entre os referidos atos normativos, porque a Lei nº 
7.713/88 disciplinou nova modalidade de compensação, do imposto de renda sobre o lucro líquido com o 
imposto de renda retido na distribuição para beneficiário, pessoa física ou jurídica, residente ou 
domiciliado no exterior. 
Assim, o Decreto-lei nº 1.790/1980 continuou a disciplinar o regime de compensação vinculado às relações 
jurídicas tributárias havidas sob a sua égide. A Lei nº 7.713/88, por outro lado, definiu regramentopróprio 
da modalidade de compensação complementar. 
Além disso, o art. 35, § 4º, “c”, da Lei nº 7.713/88, não traz nenhuma proibição de compensar entre 
exercícios diferentes, de forma que a instrução normativa que o regulamentou (IN SRF nº 139/1989) não 
poderia ter feito. 
 
IN SRF nº 139/1989 não poderia ter criado restrição temporal sem previsão na lei 
A compensação tributária é uma forma de extinção da obrigação tributária. 
Somente lei em sentido estrito pode tratar sobre obrigação tributária. 
Assim, a lei é o único veículo normativo capaz de criar e estabelecer requisitos para o direito à 
compensação, em observância à legalidade prevista no art. 5º, II, da CF/88. 
 
Decreto-lei nº 1.790/1980 não fez restrição 
O Decreto-lei nº 1.790/1980, que foi recepcionado com força de lei ordinária, não estabeleceu restrição à 
compensação entre períodos diversos, isto é, não impôs nenhuma limitação temporal ao exercício de tal 
direito. 
Assim, era perfeitamente possível a compensação do imposto de renda retido na fonte mesmo que em 
calendários (exercícios) diferentes. 
Portanto, o art. 4º, I, da IN SRF nº 139/1989, ao suprimir a comunicação entre exercícios diferentes, trouxe 
inovação limitadora não prevista na lei de regência, incorrendo, no ponto, em ilegalidade. 
 
É ilegal o art. 4º, I, da IN SRF nº 139/1989, que, ao suprimir a comunicação entre exercícios diferentes, 
traz inovação limitadora não prevista no Decreto-lei nº 1.790/1980. 
STJ. 1ª Turma. REsp 1.628.374-SP, Rel. Min. Gurgel de Faria, Rel. Acd. Min. Regina Helena Costa, julgado 
em 04/02/2020 (Info 665). 
 
 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 55 
DIREITO ADUANEIRO 
Súmula 640-STJ 
As empresas nacionais que vendem mercadorias para a Zona Franca de Manaus 
possuem direito ao benefício fiscal do REINTEGRA 
 
Súmula 640-STJ: O benefício fiscal que trata do Regime Especial de Reintegração de Valores 
Tributários para as Empresas Exportadoras (REINTEGRA) alcança as operações de venda de 
mercadorias de origem nacional para a Zona Franca de Manaus, para consumo, 
industrialização ou reexportação para o estrangeiro. 
STJ. 1ª Seção. Aprovada em 18/02/2020, DJe 19/02/2020. 
 
Zona Franca de Manaus (ZFM) 
A Amazônia é uma região de enorme relevância para o Brasil e o mundo em razão de sua biodiversidade. 
Em razão disso, existe uma grande pressão interna e até estrangeira para que essa área seja preservada. 
O Governo Federal chegou à conclusão de que precisava tomar medidas para evitar que a Floresta 
Amazônica fosse devastada. No entanto, ao mesmo tempo, seria necessário garantir que a população que 
vive na região tivesse uma alternativa econômica, ou seja, pudesse trabalhar e ter renda sem precisar 
desmatar. 
Diante desse cenário, decidiu-se que seria interessante criar um polo industrial em Manaus, capital do 
Amazonas, a fim de permitir que as pessoas tivessem emprego e não precisassem explorar, de forma 
desordenada, os recursos naturais existentes principalmente no interior no Estado. 
Ocorre que Manaus é distante dos grandes centros consumidores do Brasil (exs: SP, RJ, MG), de sorte que 
não havia motivos econômicos que justificassem uma indústria decidir se instalar no Amazonas. Para o 
setor industrial, seria muito mais vantajoso se manter nos Estados do centro-sul do país. 
Nesse contexto, o Governo Federal percebeu que seria indispensável fomentar a instalação das indústrias 
no Amazonas. Para fazer isso, mostrou-se imprescindível conceder incentivos fiscais, ou seja, a isenção ou 
redução drástica de impostos. Assim, quando uma indústria estivesse decidindo onde ficaria a sua unidade 
produtiva, poderia escolher se instalar em Manaus, já que, estando lá, pagaria menos impostos. 
Desse modo, em 1957, foi editada a Lei nº 3.273/57 criando uma zona franca na cidade de Manaus. Os 
incentivos, contudo, ainda eram muito restritos e não surtiram tanto efeito prático. 
Dez anos mais tarde, o Governo Federal publicou o Decreto-Lei nº 288/1967 ampliando bastante o modelo 
e estabelecendo que a Zona Franca de Manaus seria uma área de livre comércio. Veja o art. 1º: 
Art. 1º A Zona Franca de Manaus é uma área de livre comércio de importação e exportação e de 
incentivos fiscais especiais, estabelecida com a finalidade de criar no interior da Amazônia um 
centro industrial, comercial e agropecuário dotado de condições econômicas que permitam seu 
desenvolvimento, em face dos fatores locais e da grande distância, a que se encontram, os centros 
consumidores de seus produtos. 
 
As indústrias que se instalam na Zona Franca de Manaus gozam de incentivos fiscais, como a isenção total 
ou parcial de alguns impostos e contribuições federais, como é o caso do IPI, do imposto de importação, 
do imposto de renda e do PIS/PASEP. 
Conforme já expliquei, essa Zona Franca foi criada com o objetivo de levar o desenvolvimento para a 
Amazônia, fomentando a formação de um centro industrial e comercial na região. Com isso, os habitantes 
da localidade possuem alternativas econômicas para não precisarem utilizar, de forma devastadora, os 
recursos ambientais. 
 
A Zona Franca de Manaus é constitucional ou viola o princípio da uniformidade geográfica ou 
uniformidade tributária prevista no art. 151, I, da CF/88? 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 56 
Segundo o princípio da uniformidade geográfica, também chamado de princípio da não-discriminação 
tributária ou da defesa da identidade de alíquotas, os tributos federais deverão ser uniformes em todo o 
território nacional. Trata-se de previsão expressa do art. 151, I, da CF/88: 
Art. 151. É vedado à União: 
I - instituir tributo que não seja uniforme em todo o território nacional ou que implique distinção 
ou preferência em relação a Estado, ao Distrito Federal ou a Município, em detrimento de outro, 
admitida a concessão de incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio do desenvolvimento 
sócio-econômico entre as diferentes regiões do País; 
 
A Zona Franca de Manaus não viola esse princípio porque se enquadra na parte final do inciso I do art. 
151, ou seja, a concessão dos incentivos tem por objetivo desenvolver uma região do País que precisa de 
um tratamento diferenciado em razão de suas peculiaridades geográficas. 
Além disso, quando a CF/88 foi editada, a Zona Franca de Manaus (que já existia desde 1957) foi incluída 
no art. 40 do ADCT: 
Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, 
de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da 
promulgação da Constituição. 
Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou 
venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. 
 
O legislador constituinte optou por essa medida para que não houvesse dúvidas de que ela está de acordo 
com o princípio da uniformidade geográfica ou uniformidade tributária. 
Assim, a Zona Franca de Manaus é CONSTITUCIONAL porque foi mantida pela própria CF/88 (art. 40 do 
ADCT) e também porque se enquadra na parte final do art. 151, I, acima destacado. 
 
Prazo de duração da ZFM 
A ZFM é temporária. A ideia é a de que, com o tempo, a região se desenvolva, encontre outras matrizes 
econômicas e não precise mais dos incentivos fiscais. 
Infelizmente, contudo, essa alternativa econômica ainda não aconteceu. 
Em virtude disso, recentemente, o prazo de duração da ZFM foi prorrogado por mais 50 anos pela EC 
83/2014. 
Assim, pelo texto constitucional, a ZFM irá durar até o ano de 2073. 
 
REINTEGRA 
Reintegra é a sigla de “Regime especialde reintegração de valores tributários para empresas 
exportadoras”. 
Trata-se um programa econômico instituído pelo governo federal com o objetivo de incentivar as 
exportações. 
Veja o que diz o art. 21 da Lei nº 13.043/2014: 
Art. 21. Fica reinstituído o Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as 
Empresas Exportadoras - REINTEGRA, que tem por objetivo devolver parcial ou integralmente o 
resíduo tributário remanescente na cadeia de produção de bens exportados. 
 
Este programa prevê que a empresa que exporte bens terá direito a créditos. Esses créditos serão 
apurados mediante a aplicação de um percentual sobre a receita auferida com a exportação. Esse 
percentual poderia variar entre 0,1% e 3%: 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 57 
Art. 22. No âmbito do Reintegra, a pessoa jurídica que exporte os bens de que trata o art. 23 
poderá apurar crédito, mediante a aplicação de percentual estabelecido pelo Poder Executivo, 
sobre a receita auferida com a exportação desses bens para o exterior. 
§ 1º O percentual referido no caput poderá variar entre 0,1% (um décimo por cento) e 3% (três 
por cento), admitindo-se diferenciação por bem. 
(...) 
 
Assim, o art. 22, § 1º, da Lei nº 13.043/2014 determina que o Poder Executivo estabeleça o fator 
percentual de cálculo do valor do crédito, o qual pode variar entre 0,1% e 3%. 
 
As empresas nacionais que vendem mercadorias para a Zona Franca de Manaus são beneficiadas com 
o benefício fiscal do REINTEGRA? 
SIM. 
Súmula 640-STJ: O benefício fiscal que trata do Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários 
para as Empresas Exportadoras (REINTEGRA) alcança as operações de venda de mercadorias de origem 
nacional para a Zona Franca de Manaus, para consumo, industrialização ou reexportação para o 
estrangeiro. 
STJ. 1ª Seção. Aprovada em 18/02/2020, DJe 19/02/2020. 
 
Por quê? 
O art. 4º do Decreto-Lei nº 288/1967, recepcionado expressamente pelo art. 40 do ADCT, e o art. 506 do 
Decreto nº 6.759/2009 dizem que se uma mercadoria é vendida para a Zona Franca de Manaus isso é 
como se fosse uma exportação, ou seja, uma venda para o exterior. Confira: 
DL 288/1967 (regula a ZFM) 
Art. 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona 
Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, 
constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. 
 
Decreto nº 6.759/2009 (regulamenta a administração das atividades aduaneiras) 
Art. 506. A remessa de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona 
Franca de Manaus, ou posterior exportação, será, para efeitos fiscais, equivalente a uma 
exportação brasileira para o exterior (Decreto-Lei nº 288, de 1967, art. 4º). 
 
Assim, a venda de mercadorias para empresas situadas na Zona Franca de Manaus equivale, para efeitos 
fiscais, à exportação de produto brasileiro para o exterior, de modo que o contribuinte enquadrado nessas 
condições faz jus ao benefício fiscal instituído pelo REINTEGRA. 
 
* Direito Aduaneiro 
Por falta um tópico específico, essa súmula foi classificada dentro de Direito Tributário. No entanto, ela 
melhor se enquadra no Direito Aduaneiro. 
Direito Aduaneiro é um ramo do direito público que estuda o controle e a fiscalização exercidos sobre as 
operações de comércio exterior, regulando, portanto, a entrada e saída de mercadorias, veículos ou 
pessoas do país. 
 
 
 
 
 
 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 58 
EXERCÍCIOS 
 
Julgue os itens a seguir: 
1) (Juiz TJDFT 2016 CESPE) A portaria de instauração de processo administrativo disciplinar dispensa a descrição 
minuciosa da imputação contra o servidor público, exigida na fase de indiciamento. ( ) 
2) Na portaria de instauração do processo administrativo disciplinar é imprescindível a exposição detalhada dos 
fatos a serem apurados. ( ) 
3) Para a aplicação da exceção à impenhorabilidade do bem de família prevista no art. 3º, IV, da Lei nº 8.009/90 é 
preciso que o débito de natureza tributária seja proveniente do próprio imóvel que se pretende penhorar. ( ) 
4) A cláusula de não renovação do seguro de vida, quando constituiu faculdade conferida a ambas as partes do 
contrato, assim como a de reajuste do prêmio com base na faixa etária do segurado, mediante prévia 
notificação, não configuram abusividade. ( ) 
5) O condomínio, por ser uma massa patrimonial, não possui honra objetiva e não pode sofrer dano moral. ( ) 
6) O interesse jurídico no ajuizamento direto de ação de usucapião depende de prévio pedido na via extrajudicial. 
( ) 
7) Nos contratos de financiamento com cláusula de alienação fiduciária, quando houver a conversão da ação de 
busca e apreensão em ação de execução nos moldes do art. 4º do Decreto-Lei nº 911/1969, o débito 
exequendo deve representar o valor da integralidade da dívida (soma das parcelas vencidas e vincendas do 
contrato). ( ) 
8) O arrendatário é responsável pelo pagamento das despesas de remoção e estadia de veículo em pátio de 
propriedade privada quando a apreensão do bem ocorreu por ordem judicial no bojo de ação de reintegração 
de posse ajuizada pelo arrendante. ( ) 
9) (Juiz TJRS 2016 FAUGRS) Sobre as sanções administrativas na tutela consumerista, a imposição de 
contrapropaganda será cominada quando o fornecedor incorrer na prática de publicidade enganosa ou 
abusiva, nos termos do artigo 36 e seus parágrafos, sempre às expensas do infrator. ( ) 
10) (Promotor MP/RN 2001) A contrapropaganda não se destina à publicidade abusiva; somente à enganosa. ( ) 
11) (Juiz TJ/GO FCC 2015) A imposição de contrapropaganda será cominada quando o fornecedor incorrer na 
prática de publicidade enganosa ou abusiva, sempre às expensas do infrator e será divulgada pelo responsável 
da mesma forma, frequência e dimensão e, preferencialmente no mesmo veículo, local, espaço e horário, de 
forma capaz de desfazer o malefício da publicidade enganosa ou abusiva. ( ) 
12) (Juiz TJ/AL 2019 FCC) A imposição de contrapropaganda será cominada quando o fornecedor incorrer na 
prática de publicidade enganosa ou abusiva sempre às expensas do infrator; a contrapropaganda será 
divulgada pelo responsável da mesma forma, frequência e dimensão e, preferencialmente no mesmo veículo, 
local, espaço e horário, de forma capaz de desfazer o malefício da publicidade enganosa ou abusiva. ( ) 
13) (Juiz TJ/SP 2015) A sanção de contrapropaganda pode ser imposta tanto administrativamente, quanto 
judicialmente. ( ) 
14) É possível o redirecionamento da condenação de veicular contrapropaganda imposta a posto de gasolina 
matriz à sua filial. ( ) 
15) (Promotor MP/GO 2019) A abertura de cadastro, ficha, registro e dados pessoais e de consumo deverá ser 
comunicada por escrito ao consumidor, quando não solicitado por ele. Logo, cabe ao órgão mantenedor do 
Cadastro de Proteção ao Crédito a notificação do devedor após proceder à inscrição. ( ) 
16) (Promotor MP/GO 2019) É indispensável o Aviso de Recebimento (AR) na carta de comunicação ao 
consumidor sobre a negativação de seu nome em bancos de dados e cadastros. ( ) 
17) (Promotor MP/GO 2019) Da anotação irregular em cadastro de proteção ao crédito, cabe indenização por 
dano moral, ainda quando preexistente legítima inscrição. ( ) 
18) Admite-se a flexibilização da orientação contida na súmula 385/STJ para reconhecer o dano moral decorrente da 
inscrição indevida do nome do consumidor em cadastro restritivo, aindaque não tenha havido o trânsito em 
julgado das outras demandas em que se apontava a irregularidade das anotações preexistentes, desde que haja 
nos autos elementos aptos a demonstrar a verossimilhança das alegações. ( ) 
19) Não é admissível a estipulação dos encargos financeiros de contrato de abertura de crédito em percentual 
sobre a taxa média aplicável aos Certificados de Depósitos Interbancários (CDIs). ( ) 
20) (Juiz TJ/RJ 2019) Estão sujeitos à recuperação judicial os créditos existentes na data do pedido, desde que 
vencidos. ( ) 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 59 
21) (Juiz TJ/MG 2018) Quanto à Falência e Recuperação, segundo a Lei nº 11.101/2005, serão suspensas todas as 
ações e execuções em face do devedor, inclusive aquelas em que se demandar quantia ilíquida. ( ) 
22) O crédito titularizado pela sociedade de seguros, decorrente do não repasse dos prêmios em contrato de 
representação de seguro, submete-se à recuperação judicial da empresa representante. ( ) 
23) Os créditos derivados da prestação de serviços contábeis e afins podem ser classificados como créditos 
trabalhistas no processo de recuperação judicial. ( ) 
24) Descumprida a determinação de emenda a inicial com relação à apresentação do original de uma das cártulas que 
embasou a monitória, não é juridicamente possível se falar em extinção total da demanda. ( ) 
25) (PGE/TO 2018 FCC) Se o juiz verificar que a petição inicial não preenche os requisitos legais ou que apresenta 
defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento de mérito, determinará que o autor, no prazo de 
quinze dias, a emende ou a complete, indicando com precisão o que deve ser corrigido ou complementado. ( ) 
26) (Promotor MP/PI 2019 CEBRASPE) A comprovação da tempestividade de recurso especial, no caso de 
prorrogação de prazo em razão de feriado local, pode ocorrer posteriormente ao ato de interposição desse 
recurso. ( ) 
27) (DPE/RS 2018 FCC) Sobre os recursos no Código de Processo Civil, o recorrente comprovará a ocorrência de 
feriado local, se intimado pelo relator para tanto. ( ) 
28) A simples referência à existência de feriado local previsto em Regimento Interno e em Código de Organização 
Judiciária Estadual é suficiente para a comprovação de tempestividade do recurso especial nos moldes do art. 
1.003, §6º, do CPC/2015. ( ) 
29) Na ação rescisória fundada em literal violação de lei, não cabe o reexame de toda a decisão rescindenda, para 
verificar se nela haveria outras violações à lei não alegadas pelo demandante, mesmo que se trate de questão 
de ordem pública. ( ) 
30) (Juiz Federal TR3 2018) Em se tratando de quantia certa, não ocorrendo o pagamento voluntário no prazo 
legal, o débito será acrescido de multa e de honorários advocatícios, ambos no percentual de dez por cento 
(10%) cada. ( ) 
31) No cálculo dos honorários advocatícios devidos na fase de cumprimento de sentença, após escoado o prazo legal 
para o pagamento voluntário da obrigação, não devem ser incluídas as parcelas vincendas da dívida. ( ) 
32) (Promotor MP/GO 2019) Em caso de desistência infundada ou abandono da ação por associação legitimada, 
o Ministério Público ou outro legitimado assumirá a titularidade ativa. ( ) 
33) (Promotor MP/SC 2019) Em caso de desistência infundada ou abandono da ação coletiva de defesa do 
consumidor por associação legitimada, somente o Ministério Público assumirá a titularidade ativa. ( ) 
34) (Juiz de Direito TJ/AC 2019 Vunesp) Em caso de desistência infundada ou abandono da ação por associação 
legitimada, o Ministério Público tem atribuição exclusiva para assumir a titularidade ativa. ( ) 
35) (Promotor MP/PR 2019 – adaptada) Se o autor desistir da ação popular, serão publicados editais nos prazos 
e condições legais, sendo assegurado ao representante do Ministério Público, dentro do prazo de 90 (noventa) 
dias da última publicação feita, promover o prosseguimento da ação. ( ) 
36) Em ação civil pública, é possível a substituição da associação autora por outra associação caso a primeira 
venha a ser dissolvida. ( ) 
37) A despeito da presença de qualificadora no crime de furto possa, à primeira vista, impedir o reconhecimento 
da atipicidade material da conduta, a análise conjunta das circunstâncias pode demonstrar a ausência de 
lesividade do fato imputado, recomendando a aplicação do princípio da insignificância. ( ) 
38) A qualificadora do meio cruel é incompatível com o dolo eventual. ( ) 
39) O dolo eventual não se compatibiliza com a qualificadora do art. 121, § 2º, IV (traição, emboscada, 
dissimulação). ( ) 
40) O benefício fiscal que trata do Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas 
Exportadoras (REINTEGRA) alcança as operações de venda de mercadorias de origem nacional para a Zona 
Franca de Manaus, para consumo, industrialização ou reexportação para o estrangeiro. ( ) 
 
Gabarito 
1. C 2. E 3. C 4. C 5. C 6. E 7. C 8. E 9. C 10. E 
11. C 12. C 13. C 14. C 15. E 16. E 17. E 18. C 19. E 20. E 
21. E 22. C 23. C 24. C 25. C 26. E 27. E 28. E 29. C 30. C 
31. C 32. C 33. E 34. E 35. C 36. C 37. C 38. E 39. C 40. Ca concretização da permuta e transferência da posse, Pedro constatou que a casa cedida por João 
possuía débitos de IPTU relacionados a anos anteriores à celebração do contrato. 
Para regularizar a situação, Pedro quitou esses débitos junto ao Fisco municipal. 
Em seguida, Pedro ajuizou ação contra João pedindo o ressarcimento desses valores considerando que 
houve um descumprimento do contrato neste ponto. 
O pedido foi julgado procedente condenando João a pagar a quantia. 
Pedro iniciou o cumprimento de sentença e, como não houve pagamento espontâneo, pediu a penhora 
do apartamento 1502 (edifício London) que, depois da permuta, passou a pertencer a João. 
O juiz indeferiu a penhora porque ficou demonstrado que João mora neste apartamento, sendo 
considerado, portanto, bem de família. 
Pedro interpôs agravo de instrumento contra a decisão alegando que incide, neste caso, a exceção do 
inciso IV do art. 3º da Lei nº 8.009/90 e que, portanto, seria possível a penhora. 
 
O recurso de Pedro deve ser provido? A situação em tela se amolda ao inciso IV do art. 3º da Lei nº 
8.009/90? 
NÃO. 
Para a aplicação da exceção à impenhorabilidade do bem de família prevista no art. 3º, IV, da Lei nº 
8.009/90 é preciso que o débito de natureza tributária seja proveniente do próprio imóvel que se 
pretende penhorar. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.332.071-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 18/02/2020 (Info 665). 
 
Dívida era referente a outro imóvel 
Assim, em nosso exemplo, o apartamento que agora pertence a João só poderia ser penhorado se os 
débitos de IPTU fossem desse apartamento. Ocorre que a dívida do imposto era referente à casa. 
Em relação ao apartamento que se busca a penhora não havia qualquer dívida. Logo, não se trata de cobrança 
de imposto devido “em função do imóvel familiar”, nos termos em que dispõe o inciso IV do art. 3º. 
 
Não se está cobrando um imposto devido em função do imóvel; o que se está pleiteando é o 
ressarcimento decorrente de inadimplemento contratual 
Pode-se mencionar ainda um outro argumento: a dívida de IPTU foi quitada pelo particular. Logo, o que 
se está buscando é o reembolso dos valores que Pedro gastou. Isso significa que a obrigação discutida na 
referida ação não se refere à cobrança de imposto devido em função do respectivo imóvel familiar. Trata-
se sim de reembolso de valores pagos pelo autor em função do não cumprimento de cláusula contratual 
pelo devedor. 
Por essa razão, a hipótese em julgamento não se amolda à exceção prevista no art. 3º, inciso IV, da Lei nº 
8.009/90, razão pela qual o bem de família não pode ser penhorado. 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 7 
 
Interpretação restritiva 
Os incisos do art. 3º da Lei nº 8.009/90, por representarem norma de exceção à proteção conferida ao 
bem de família, devem ser interpretados de maneira restritiva. Assim, não se pode conferir uma 
interpretação que alcance outras situações não previstas pelo legislador. 
As hipóteses de exceção à regra da impenhorabilidade do bem de família são taxativas, não comportando 
interpretação extensiva. 
 
 
SEGURO DE VIDA 
A cláusula de não renovação do seguro de vida, quando constituiu faculdade conferida a ambas 
as partes do contrato, assim como a de reajuste do prêmio com base na faixa etária do 
segurado, mediante prévia notificação, não configuram abusividade 
 
No seguro de vida em grupo, não há abusividade na cláusula que permite a não renovação do 
contrato ou a renovação condicionada a reajuste por faixa etária. 
É válida a cláusula contratual que confere a prerrogativa de a seguradora optar por não 
renovar o contrato de seguro de vida em grupo. 
Também é válida a cláusula contratual que preveja a possibilidade de alteração da cobertura 
contratada e de reajuste por implemento de idade, mediante prévia comunicação, quando da 
formalização da estipulação da nova apólice. Em outras palavras, no contrato de seguro de 
vida em grupo, não há abusividade no reajuste por implemento de idade quando da 
formalização da nova apólice. 
Tais cláusulas são decorrentes da própria natureza do contrato. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1.769.111-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 10/12/2019 (Info 665). 
 
Imagine a seguinte situação hipotética: 
João da Silva e outros celebraram contrato de seguro de vida em grupo com a Seguradora Aliança. 
Esse contrato prevê, contudo, duas cláusulas “polêmicas”: 
1) a primeira, estipula que, ao fim do contrato, a seguradora pode optar por não renová-lo; 
2) a segunda, prevê faixas de idade do segurado e, conforme a idade for maior, a renovação do contrato 
exigirá o pagamento de um prêmio mais alto. 
 
Essas cláusulas são válidas ou abusivas? 
Válidas. 
 
O contratante do seguro de vida em grupo não tem direito à renovação da apólice sem a concordância 
da seguradora nem pode exigir a restituição dos prêmios pagos 
Não é abusiva a cláusula contratual que prevê a possibilidade de não renovação automática do seguro de 
vida em grupo por qualquer dos contratantes, desde que haja prévia notificação da outra parte. 
À exceção dos contratos de seguro de vida individuais, contratados em caráter vitalício ou plurianual, nos 
quais há a formação de reserva matemática de benefícios a conceder, as demais modalidades são geridas 
sob o regime financeiro de repartição simples, de modo que os prêmios arrecadados do grupo de 
segurados ao longo do período de vigência do contrato destinam-se ao pagamento dos sinistros ocorridos 
naquele período. 
Dessa forma, nos contratos de seguro de vida em grupo não há direito à renovação da apólice sem a 
concordância da seguradora ou à restituição dos prêmios pagos em contraprestação à cobertura do risco 
no período delimitado no contrato. 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 8 
Vale ressaltar que a seguradora pode decidir não mais renovar o contrato de seguro de vida, mesmo que 
não comprove que houve desequilíbrio atuarial-financeiro. Trata-se de um verdadeiro direito potestativo. 
STJ. 2ª Seção. REsp 1569627-RS, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 22/02/2018 (Info 622). 
 
Assim, a cláusula contratual que autoriza a não renovação do contrato de seguro de vida em grupo, 
concedida tanto para a seguradora como para o segurado, não configura procedimento abusivo, sendo 
decorrente da própria natureza do contrato. Esta cláusula encontra-se em perfeita harmonia com o 
princípio do mutualismo. 
Mutualismo (ou mutualidade) no contrato de seguro significa que o custo do risco individual (ex: morrer, 
ficar inválido etc.) será dissolvido solidariamente entre todos os “clientes” da seguradora. 
Todos os contratantes do seguro pagam os prêmios a que se obrigam, mas só uma pequena parte irá 
receber a indenização. Isso porque o sinistro não acontecerá para todos. Assim, o dinheiro pago por 
aqueles cujo risco não se concretizou será utilizado também para custear a indenização que será paga aos 
que sofreram o risco. 
 
Não se pode fazer analogia, neste caso, entre os contratos de seguro saúde com o de seguro de vida. Os 
contratos de seguros e planos de saúde são pactos cativos por força de lei. Por isso, a lei determina que eles 
têm renovação automática (art. 13, caput, da Lei nº 9.656/1998). Por serem diferentes e terem uma 
legislação própria, não é possível aplicar essa mesma regra, por analogia, para os seguros de vida em grupo. 
 
Não há abusividade no reajuste por implemento de idade quando da formalização da nova apólice 
O fator etário, ou seja, a idade do segurado, integra diretamente o risco tanto do contrato de seguro saúde 
quanto do contrato de seguro de vida. Isso porque éóbvio que o avanço da idade aumenta o risco de 
sinistro em ambos os contratos, ou seja, aumenta os riscos de doença e de morte. 
Assim, a previsão de reajuste por implemento de idade, mediante prévia comunicação, quando da 
formalização da estipulação da nova apólice, não configura procedimento abusivo, sendo decorrente da 
própria natureza do contrato. 
Vale ressaltar que esse entendimento tem sido aplicado não apenas para o seguro de vida em grupo, mas 
também para os casos de contrato individual de seguro de vida: 
Em regra, é válida a cláusula de reajuste por faixa etária em contrato de seguro de vida. 
Essa cláusula somente não será válida nos casos em que o contrato já tenha previsto alguma outra técnica 
de compensação do “desvio de risco” dos segurados idosos, como nos casos de constituição de reserva 
técnica para esse fim, a exemplo dos seguros de vida sob regime da capitalização (em vez da repartição 
simples). 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.816.750-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 26/11/2019 (Info 663). 
STJ. 4ª Turma. AgInt no AREsp 632992/RS, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 19/03/2019. 
 
 
CONDOMÍNIO 
O condomínio, por ser uma massa patrimonial, não possui 
honra objetiva e não pode sofrer dano moral 
 
Os condomínios são entes despersonalizados, pois não são titulares das unidades autônomas, 
tampouco das partes comuns, além de não haver, entre os condôminos, a affectio societatis, 
tendo em vista a ausência de intenção dos condôminos de estabelecerem, entre si, uma relação 
jurídica, sendo o vínculo entre eles decorrente do direito exercido sobre a coisa e que é 
necessário à administração da propriedade comum. 
Caracterizado o condomínio como uma massa patrimonial, não há como reconhecer que seja 
ele próprio dotado de honra objetiva. Qualquer ofensa ao conceito (reputação) que possui 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 9 
perante a comunidade representa, em verdade, uma ofensa individualmente dirigida a cada 
um dos condôminos, pois quem goza de reputação são os condôminos e não o condomínio, 
ainda que o ato lesivo seja a este endereçado. 
Diferentemente do que ocorre com as pessoas jurídicas, qualquer repercussão econômica 
negativa será suportada, ao fim e ao cabo, pelos próprios condôminos, a quem incumbe 
contribuir para todas as despesas condominiais, e/ou pelos respectivos proprietários, no caso 
de eventual desvalorização dos imóveis no mercado imobiliário. 
Assim, o condomínio, por ser uma massa patrimonial, não possui honra objetiva e não pode 
sofrer dano moral. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.736.593-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 11/02/2020 (Info 665). 
 
Imagine a seguinte situação hipotética: 
Jardim Morumbi é um condomínio residencial. 
Determinado dia, João, um dos condôminos, em total desrespeito às normas da convenção do condomínio 
e do regimento interno, realizou uma enorme festa no condomínio para 200 pessoas. 
Houve som alto, nudez, entrada e saída constante de pessoas estranhas, danos ao patrimônio comum e 
inúmeros outros transtornos. 
Diante disso, o Condomínio Jardim Morumbi ajuizou ação de indenização por danos morais contra João 
em virtude da realização do evento em desrespeito às normas condominiais. 
 
Imaginemos que, nesta ação, o condomínio tenha alegado que estava defendendo o direito dos condôminos. 
Em outras palavras, suponhamos que o condomínio tivesse dito que estava pedindo indenização em nome 
dos condôminos pelos danos morais que eles sofreram com a festa. Isso seria possível? 
NÃO. Para que alguém, em nome próprio, possa pleitear em juízo interesse alheio (de outrem), é 
necessário que esse alguém possua legitimação extraordinária. 
Assim, a legitimação extraordinária confere legitimidade para que alguém possa discutir em juízo direito 
que não é dele. 
A legitimidade extraordinária somente é admitida, de forma excepcional, quando isso for autorizado pelo 
ordenamento jurídico. Nesse sentido: 
Art. 18. Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado pelo 
ordenamento jurídico. 
 
Como não existe autorização do ordenamento jurídico, o condomínio não possui legitimação 
extraordinária para defender, em juízo, os direitos dos condôminos: 
Nem o Código Civil nem a Lei nº 4.591/64 (Lei dos Condomínios) preveem que o condomínio tenha 
legitimação extraordinária para, representado pelo síndico, atuar como parte processual em demanda que 
postule a compensação dos danos morais sofridos pelos condôminos. 
O dano extrapatrimonial possui natureza personalíssima e se caracteriza como uma ofensa à honra 
subjetiva do ser humano, dizendo respeito, portanto, ao foro íntimo do ofendido. 
Em suma: o condomínio é parte ilegítima para ajuizar ação pedindo indenização por danos morais em 
nome dos condôminos. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1177862/RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 03/05/2011. 
STJ. 4ª Turma. AgInt no REsp 1812546/MG, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 26/11/2019. 
 
Vamos agora mudar a pergunta. Imaginemos que, nesta ação, o condomínio tenha alegado que estava 
defendendo o seu próprio direito. Em outras palavras, suponhamos que o condomínio tenha dito que 
estava pedindo indenização porque ele (condomínio) sofreu danos extrapatrimoniais com a conduta 
praticada. Neste caso, o condomínio terá legitimidade ativa? 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 10 
SIM. O condomínio terá legitimidade ativa nesta situação considerando que ele defende um direito 
próprio, que julga possuir. 
O condomínio tem legitimidade ativa para pleitear, em favor próprio, indenização por dano moral, não 
podendo fazê-lo em nome dos condôminos. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.736.593-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 11/02/2020 (Info 665). 
 
E quanto ao mérito? Deverá ser julgada procedente a ação na qual o condomínio pleiteia, em nome 
próprio, indenização por danos morais que ele alega ter sofrido? 
NÃO. O condomínio não sofre dano moral. 
 
Condomínio não possui personalidade jurídica 
O art. 44 do Código Civil elenca as pessoas jurídicas de direito privado e não menciona os condomínios. 
Assim, para a doutrina majoritária, o condomínio não tem personalidade jurídica, possuindo apenas 
personalidade judiciária e capacidade processual. 
Desse modo, o condomínio possui a natureza jurídica de ente despersonalizado, também chamado de 
ente formal, assim como a massa falida e o espólio. 
 
Honra objetiva 
Como o condomínio é uma mera “massa patrimonial”, não se pode dizer que ele seja dotado de honra 
objetiva. 
As ofensas feitas e que atinjam o condômino representam uma ofensa individualmente dirigida a cada um 
dos condôminos. Em outras palavras, quem goza de reputação são os condôminos e não o condomínio, 
ainda que o ato lesivo seja a este endereçado. 
 
O que pode ser feito no caso, então? 
Cada condômino interessado pode ajuizar ação individual para a reparação dos danos morais que 
eventualmente tenha suportado. 
Além disso, o condomínio pode impor sanções administrativas para o condômino nocivo e/ou antissocial, 
sendo possível também o ajuizamento de ação para pleitear a interdição temporária ou até definitiva do uso 
da unidade imobiliária, nos termos do enunciado 508, aprovado na V Jornada de Direito Civil do CJF/STJ: 
Enunciado 508-CJF: Verificando-se que a sanção pecuniária mostrou-se ineficaz, a garantia fundamental 
da função social da propriedade (arts. 5º, XXIII, da CRFB e 1.228, § 1º, do CC) e a vedação ao abuso do 
direito (arts. 187 e 1.228, § 2º, do CC) justificam a exclusão do condômino antissocial, desde que a ulterior 
assembleia prevista na parte finaldo parágrafo único do art. 1.337 do Código Civil delibere a propositura 
de ação judicial com esse fim, asseguradas todas as garantias inerentes ao devido processo legal. 
 
Outro precedente no mesmo sentido: 
A doutrina dominante reconhece que os condomínios edilícios não possuem personalidade jurídica, 
sendo, pois, entes despersonalizados, também chamados de entes formais, assim com a massa falida e o 
espólio. 
Não havendo falar em personalidade jurídica, menos ainda se poderá dizer do maltrato a direitos voltados 
à personalidade e, especialmente, àqueles ligados à honra objetiva. 
STJ. 3ª Turma. AgInt no REsp 1521404/PE, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 24/10/2017. 
 
 
 
 
 
 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 11 
USUCAPIÃO 
O interesse jurídico no ajuizamento direto de ação de usucapião 
independe de prévio pedido na via extrajudicial 
 
A tentativa de usucapião extrajudicial não é condição indispensável para o ajuizamento da 
ação de usucapião. 
Mesmo que estejam preenchidos os requisitos para a usucapião extrajudicial, o interessado 
pode livremente optar pela propositura de ação judicial. 
O próprio legislador deixou claro, no art. 216-A da Lei de Registros Públicos, que a existência 
da possibilidade de usucapião extrajudicial não traz prejuízo à busca da usucapião na via 
jurisdicional: 
Art. 216-A. Sem prejuízo da via jurisdicional, é admitido o pedido de reconhecimento 
extrajudicial de usucapião (...) 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.824.133-RJ, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 11/02/2020 (Info 665). 
 
O que é usucapião? 
Usucapião é... 
- um instituto jurídico por meio do qual a pessoa que fica na posse de um bem (móvel ou imóvel) 
- por determinados anos 
- agindo como se fosse dono 
- adquire a propriedade deste bem ou outros direitos reais a ele relacionados (exs: usufruto, servidão) 
- desde que cumpridos os requisitos legais. 
 
Usucapião extrajudicial 
Tradicionalmente, a usucapião só podia ser conseguida por meio de um processo judicial. 
Em 2009, a Lei nº 11.977/2009 (que tratou sobre o Programa “Minha Casa, Minha Vida”) trouxe a previsão, 
ainda embrionária, de usucapião extrajudicial com aplicação, contudo, restrita ao contexto da 
regularização fundiária. 
A experiência se mostrou produtiva e, em 2015, foi editada a Lei nº 13.105/2015 (novo Código de Processo 
Civil) que acrescentou o art. 216-A na Lei de Registros Públicos (Lei nº 6.015/73) prevendo, de forma 
ampla, a possibilidade de usucapião extrajudicial. 
 
Imagine agora a seguinte situação hipotética: 
João ajuizou ação de usucapião. 
O juiz extinguiu o processo sem resolução do mérito afirmando que o autor deveria ter tentado primeiro obter 
a usucapião extrajudicial. Somente se não conseguisse, ele poderia ajuizar a ação de usucapião. Assim, para o 
magistrado, a ação de usucapião somente é cabível quando houver óbice ao pedido na esfera extrajudicial. 
A usucapião, como todo e qualquer processo, precisa preencher determinadas condições, dentre as quais 
o interesse processual, que é exatamente a necessidade de a parte buscar na via jurisdicional o que não 
poderia conseguir extrajudicialmente. 
Dessa forma, a usucapião que não encontre óbice ou empecilho em sede administrativa pode ser buscada 
na via judicial. 
 
Agiu corretamente o juiz? A tentativa de usucapião extrajudicial é condição indispensável para o 
ajuizamento da ação de usucapião? Antes de iniciar o processo judicial de usucapião, o interessado é 
obrigado a tentar primeiro a usucapião extrajudicial? 
NÃO. 
O interesse jurídico no ajuizamento direto de ação de usucapião independe de prévio pedido na via 
extrajudicial. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.824.133-RJ, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 11/02/2020 (Info 665). 
 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 12 
Veja a redação do art. 216-A da Lei de Registros Públicos: 
Art. 216-A. Sem prejuízo da via jurisdicional, é admitido o pedido de reconhecimento extrajudicial 
de usucapião (...) 
 
Desse modo, o próprio legislador deixou claro que a existência da possibilidade de usucapião extrajudicial 
não traz prejuízo à busca da usucapião na via jurisdicional. 
Além disso, como a propriedade é um direito real, oponível erga omnes, o simples fato de o possuidor 
pretender se tornar proprietário já faz presumir a existência de conflito de interesses entre este e o atual titular 
da propriedade, de modo que não seria possível afastar, de antemão, o interesse processual do possuidor. 
Assim, o interesse processual na ação de usucapião independe de prévio pedido da via extrajudicial. Nesse 
sentido, veja o que diz Daniel Amorim Assumpção Neves: 
“Registre-se que a novidade não cria um dever à parte que pretenda adquirir um bem por 
usucapião, que mesmo preenchidos os requisitos para o procedimento extrajudicial pode 
livremente optar pela propositura de ação judicial. Sendo a via extrajudicial a opção da parte, que 
deverá estar assistida de advogado, o procedimento tramitará obrigatoriamente perante a 
serventia imobiliária da situação do imóvel.” (Novo Código de Processo Civil Comentado. Salvador: 
JusPodvm, 2016, p. 1806) 
 
 
ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA 
Em caso de conversão da busca e apreensão em execução, a quantia cobrada na ação executiva será 
o valor da integralidade da dívida, ou seja, a soma das parcelas vencidas e vincendas do contrato 
 
Nos contratos de financiamento com cláusula de alienação fiduciária, quando houver a 
conversão da ação de busca e apreensão em ação de execução nos moldes do art. 4º do 
Decreto-Lei nº 911/1969, o débito exequendo deve representar o valor da integralidade da 
dívida (soma das parcelas vencidas e vincendas do contrato). 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.814.200-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 18/02/2020 (Info 665). 
 
Alienação fiduciária 
“A alienação fiduciária em garantia é um contrato instrumental em que uma das partes, em confiança, 
aliena a outra a propriedade de um determinado bem, ficando esta parte (uma instituição financeira, em 
regra) obrigada a devolver àquela o bem que lhe foi alienado quando verificada a ocorrência de 
determinado fato.” (RAMOS, André Luiz Santa Cruz. Direito Empresarial Esquematizado. São Paulo: 
Método, 2012, p. 565). 
 
Regramento 
O Código Civil de 2002 trata de forma genérica sobre a propriedade fiduciária em seus arts. 1.361 a 1.368-
B. Existem, no entanto, leis específicas que também regem o tema: 
• alienação fiduciária envolvendo bens imóveis: Lei nº 9.514/97; 
• alienação fiduciária de bens móveis no âmbito do mercado financeiro e de capitais: Lei nº 4.728/65 e 
Decreto-Lei nº 911/69. É o caso, por exemplo, de um automóvel comprado por meio de financiamento 
bancário com garantia de alienação fiduciária. 
 
Nas hipóteses em que houver legislação específica, as regras do CC aplicam-se apenas de forma subsidiária: 
Art. 1.368-A. As demais espécies de propriedade fiduciária ou de titularidade fiduciária submetem-
se à disciplina específica das respectivas leis especiais, somente se aplicando as disposições deste 
Código naquilo que não for incompatível com a legislação especial. 
 
 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 13 
Resumindo: 
Alienação fiduciária de 
bens MÓVEIS fungíveis e 
infungíveis quando o credor 
fiduciário for instituição 
financeira 
Alienação fiduciária de 
bens MÓVEIS infungíveis 
quando o credor fiduciário for 
pessoa naturalou jurídica (sem 
ser banco) 
Alienação fiduciária de 
bens IMÓVEIS 
Lei nº 4.728/65 
Decreto-Lei nº 911/69 
Código Civil de 2002 
(arts. 1.361 a 1.368-B) 
Lei nº 9.514/97 
 
ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA DE BENS MÓVEIS NO DL 911/69 
Imagine a seguinte situação hipotética: 
Antônio quer comprar um carro de R$ 30.000,00, mas somente possui R$ 10.000,00. Antônio procura o 
Banco “X”, que celebra com ele contrato de financiamento com garantia de alienação fiduciária. 
Assim, o Banco “X” empresta R$ 20.000,00 a Antônio, que compra o veículo. Como garantia do pagamento 
do empréstimo, a propriedade resolúvel do carro ficará com o Banco “X” e a posse direta com Antônio. 
Em outras palavras, Antônio ficará andando com o carro, mas, no documento, a propriedade do automóvel 
é do Banco “X” (constará “alienado fiduciariamente ao Banco X”). Diz-se que o banco tem a propriedade 
resolúvel porque, uma vez pago o empréstimo, a propriedade do carro pelo banco “resolve-se” (acaba) e 
o automóvel passa a pertencer a Antônio. 
 
O que acontece em caso de inadimplemento do mutuário (em nosso exemplo, Antônio)? 
Havendo mora por parte do mutuário, o procedimento será o seguinte (regulado pelo DL 911/69): 
 
Notificação do devedor 
O credor deverá fazer a notificação extrajudicial do devedor de que este se encontra em débito, 
comprovando, assim, a mora. Essa notificação é indispensável para que o credor possa ajuizar ação de 
busca e apreensão. Confira: 
Súmula 72-STJ: A comprovação da mora é imprescindível à busca e apreensão do bem alienado 
fiduciariamente. 
 
Súmula 245-STJ: A notificação destinada a comprovar a mora nas dívidas garantidas por alienação 
fiduciária dispensa a indicação do valor do débito. 
 
Como é feita a notificação do devedor? Essa notificação precisa ser realizada por intermédio do Cartório 
de Títulos e Documentos? 
NÃO. Essa notificação é feita por meio de carta registrada com aviso de recebimento. Logo, não precisa 
ser realizada por intermédio do Cartório de RTD. 
 
O aviso de recebimento da carta (AR) precisa ser assinado pelo próprio devedor? 
NÃO. Não se exige que a assinatura constante do aviso de recebimento seja a do próprio destinatário (§ 
2º do art. 2º do DL 911/69). 
Para a constituição em mora por meio de notificação extrajudicial, é suficiente que seja entregue no 
endereço do devedor, ainda que não pessoalmente. 
 
Ajuizamento de ação contra o devedor 
Após comprovar a mora, o mutuante (Banco “X”) terá duas opções: 
1) poderá ingressar com uma ação de busca e apreensão requerendo que lhe seja entregue o bem (art. 3º 
do DL 911/69). Essa busca e apreensão prevista no DL 911/69 é uma ação especial autônoma e 
independente de qualquer procedimento posterior; ou 
2) ajuizar uma ação de execução (arts. 4º e 5º do DL 911/69). 
 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 14 
Vale ressaltar que as ações de busca e apreensão e de execução não podem ser ajuizadas 
concomitantemente (STJ REsp 576.081/SP). Caberá, portanto, ao credor fiduciário optar pelo ajuizamento 
de apenas uma delas. 
Na esmagadora maioria dos casos, o mutuante prefere ingressar com a ação de busca e apreensão porque 
é muito mais vantajosa e eficiente do que propor uma execução. 
Vamos assim imaginar que o Banco “X” ingressou com uma ação de busca e apreensão contra Antônio. 
Vejamos abaixo o que acontece: 
 
Concessão da liminar 
O juiz concederá a busca e apreensão de forma liminar (sem ouvir o devedor), desde que comprovada a 
mora ou o inadimplemento do devedor (art. 3º do DL 911/69). 
 
Possibilidade de pagamento integral da dívida 
No prazo de 5 dias após o cumprimento da liminar (apreensão do bem), o devedor fiduciante poderá pagar a 
integralidade da dívida pendente, segundo os valores apresentados pelo credor fiduciário na inicial, hipótese 
na qual o bem lhe será restituído livre do ônus (§ 2º do art. 3º do DL 911/69). Veja o dispositivo legal: 
Art. 3º (...) 
§ 1º Cinco dias após executada a liminar mencionada no caput, consolidar-se-ão a propriedade e 
a posse plena e exclusiva do bem no patrimônio do credor fiduciário, cabendo às repartições 
competentes, quando for o caso, expedir novo certificado de registro de propriedade em nome 
do credor, ou de terceiro por ele indicado, livre do ônus da propriedade fiduciária. (Redação dada 
pela Lei 10.931/2004) 
§ 2º No prazo do § 1º, o devedor fiduciante poderá pagar a integralidade da dívida pendente, 
segundo os valores apresentados pelo credor fiduciário na inicial, hipótese na qual o bem lhe será 
restituído livre do ônus. (Redação dada pela Lei 10.931/2004) 
 
O que se entende por “integralidade da dívida pendente”? 
Todo o débito. 
Nos contratos firmados na vigência da Lei 10.931/2004, compete ao devedor, no prazo de 5 (cinco) dias 
após a execução da liminar na ação de busca e apreensão, pagar a integralidade da dívida - entendida esta 
como os valores apresentados e comprovados pelo credor na inicial -, sob pena de consolidação da 
propriedade do bem móvel objeto de alienação fiduciária. 
STJ. 2ª Seção. REsp 1.418.593-MS, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 14/5/2014 (recurso 
repetitivo) (Info 540). 
 
Resposta 
No prazo de 15 dias após o cumprimento da liminar (apreensão do bem), o devedor fiduciante apresentará 
resposta (uma espécie de contestação). 
Obs1: a resposta poderá ser apresentada ainda que o devedor tenha decidido pagar a integralidade da 
dívida, caso entenda ter havido pagamento a maior e deseje a restituição. 
Obs2: nesta defesa apresentada pelo devedor, é possível que ele invoque a ilegalidade das cláusulas 
contratuais (ex: juros remuneratórios abusivos). Se ficar provado que o contrato era abusivo, isso 
justificaria o inadimplemento e descaracterizaria a mora. 
 
Venda do bem 
Se houve o inadimplemento ou mora e o bem foi apreendido, o credor (proprietário fiduciário) poderá vender 
a coisa a terceiros, independentemente de leilão, hasta pública, avaliação prévia ou qualquer outra medida 
judicial ou extrajudicial, salvo disposição expressa em contrário prevista no contrato (art. 2º do DL 911/69). 
O preço da venda, isto é, o valor apurado com a alienação, deverá ser utilizado para pagar os débitos do 
devedor para com o credor e também para custear as despesas decorrentes da cobrança dessa dívida. 
Se, após o pagamento da dívida, ainda sobrar dinheiro, esse saldo apurado deverá ser entregue ao devedor. 
 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 15 
E se o bem não for localizado? Após o juiz conceder a liminar, o oficial de justiça vai até a casa de 
Antônio, mas não encontra o veículo. O que acontece neste caso? 
Se o bem alienado fiduciariamente não for encontrado ou não se achar na posse do devedor, o credor 
poderá requerer, nos mesmos autos, a conversão do pedido de busca e apreensão em ação executiva (art. 
4º do DL 911/69). 
Em outras palavras, a ação de busca e apreensão pode ser convertida em uma execução. 
 
Toda execução cobra uma quantia certa. Qual é valor que será cobrado nesta execução (débito 
exequendo)? Qual será o valor a ser executado quando há a conversão da busca e apreensão em 
execução? O débito exequendo será apenas o valor de mercado do bem (Tabela FIPE) ou será o valor 
integral da dívida estipulada em contrato? 
Será o valor integral da dívida estipulada no contrato. 
Em caso de conversão da busca e apreensão em execução, a quantia cobrada na ação executiva será o 
valor da integralidade da dívida, ou seja, a soma das parcelas vencidas e vincendas do contrato. 
Há uma grande diferença entre esses critérios. Isso porque o valor da dívida prevista no contrato é, em 
geral, bem maiordo que o valor de mercado do carro considerando que o veículo se desvaloriza bastante 
depois de usado. 
 
Título executivo é o contrato 
Não realizada a busca e apreensão e a consequente venda extrajudicial do bem, continua existindo o título 
executivo hábil a dar ensejo à busca pela satisfação integral do crédito. 
O próprio art. 5º do DL 911/69 dispõe que, se o credor preferir recorrer à ação executiva, direta ou a 
convertida na forma do art. 4º, serão penhorados, a critério do autor da ação, bens do devedor quantos 
bastem para assegurar a execução, o que denota a intenção de conferir proteção ao valor previsto no 
próprio título executivo. 
Ademais, o próprio art. 3º do DL 911/69, prevê que, após cumprida a liminar de busca e apreensão, o bem 
só poderá ser restituído livre de ônus ao devedor fiduciante, na hipótese de este pagar a integralidade da 
dívida pendente. 
 
Valor atual do bem não cobre a dívida do contrato 
A conversão da ação de busca e apreensão em ação de execução não representa apenas a cobrança do 
valor do bem equivalente em dinheiro. Isso porque o valor do veículo na Tabela FIPE não cobre a dívida 
do contrato, o que iria impor ao credor ter que ajuizar outra ação para o recebimento de saldo 
remanescente. 
Assim, deve-se reconhecer que o valor executado (débito exequendo) refere-se às parcelas vencidas e 
vincendas do contrato de financiamento. 
 
Resumindo: 
Nos contratos de financiamento com cláusula de alienação fiduciária, quando houver a conversão da 
ação de busca e apreensão em ação de execução nos moldes do art. 4º do Decreto-Lei nº 911/1969, o 
débito exequendo deve representar o valor da integralidade da dívida (soma das parcelas vencidas e 
vincendas do contrato). 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.814.200-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 18/02/2020 (Info 665). 
 
Observação de ordem prática: para o devedor é mais vantajoso entregar o bem. 
 
 
 
 
 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 16 
ARRENDAMENTO MERCANTIL 
O arrendante é o responsável final pelo pagamento das despesas, junto a pátio privado, com a 
remoção e a estadia do automóvel apreendido em ação de reintegração de posse 
 
Importante!!! 
O arrendante é responsável pelo pagamento das despesas de remoção e estadia de veículo em 
pátio de propriedade privada quando a apreensão do bem ocorreu por ordem judicial no bojo 
de ação de reintegração de posse por ele ajuizada em desfavor do arrendatário que se tornou 
inadimplente. 
Enquanto perdurar o arrendamento mercantil, o arrendante é o seu proprietário. 
As despesas decorrentes do depósito do veículo em pátio privado referem-se ao próprio bem, 
ou seja, constituem obrigações propter rem. Isso significa dizer que as despesas com a remoção 
e a guarda dos veículos objeto de contrato de arrendamento mercantil estão vinculadas ao 
bem e a seu proprietário, isto é, ao arrendante. 
Assim, o arrendante é o responsável final pelo pagamento das despesas com a estadia do 
automóvel junto a pátio privado, pois permanece na propriedade do bem alienado enquanto 
perdurar o pacto de arrendamento mercantil. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.828.147-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 20/02/2020 (Info 665). 
 
Quem deverá pagar as despesas com a remoção e estadia do carro apreendido? 
ALIENAÇÃO 
FIDUCIÁRIA 
1) Veículo apreendido em ação de busca e apreensão por inadimplemento 
contratual: o credor-fiduciário (ex: banco) (REsp 1657752/SP) 
2) Veículo apreendido por infração de trânsito: o credor-fiduciário (AgInt no AREsp 
1.210.496/SP). 
ARRENDAMENTO 
MERCANTIL 
1) Veículo apreendido em ação de reintegração de posse por inadimplemento 
contratual: o arrendante (ex: banco) (REsp 1.828.147/SP) 
2) Veículo apreendido por infração de trânsito: o arrendatário. 
Fundamento: art. 4º da Resolução nº 149/2003 do Contran (REsp 1.114.406/SP) 
 
 
 
O que é o leasing? 
O arrendamento mercantil (também chamado de leasing) é uma espécie de contrato de locação no qual 
o locatário tem a possibilidade de, ao final do prazo do ajuste, comprar o bem, pagando uma quantia 
chamada de valor residual garantido (VRG). 
O arrendamento mercantil, segundo definição do parágrafo único do art. 1º da Lei nº 6.099/74, constitui 
“negócio jurídico realizado entre pessoa jurídica, na qualidade de arrendadora, e pessoa física ou jurídica, 
na qualidade de arrendatária, e que tenha por objeto o arrendamento de bens adquiridos pela 
arrendadora, segundo especificações da arrendatária e para uso próprio desta.” 
A Lei nº 6.099/74 dispõe sobre o tratamento tributário das operações de arrendamento mercantil. 
 
++ (Juiz TJ/MG 2018) O arrendamento mercantil é a locação caracterizada pela faculdade conferida ao 
locatário de, ao seu término, optar pela compra do bem locado. (CERTO) 
 
Opções do arrendatário: 
Ao final do leasing, o arrendatário terá três opções: 
• renovar a locação, prorrogando o contrato; 
• não renovar a locação, encerrando o contrato; 
• pagar o valor residual e, com isso, comprar o bem alugado. 
 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 17 
Exemplo: 
 “A” faz um contrato de leasing com a empresa “B” para arrendamento de um veículo 0km pelo prazo de 
cinco anos. Logo, “A” pagará todos os meses um valor a título de aluguel e poderá usar o carro. A principal 
diferença para uma locação comum é que “A”, ao final do prazo do contrato, poderá pagar o valor residual 
e ficar definitivamente com o automóvel. 
Obs.: é comum, na prática, que o contrato já estabeleça que o valor residual será diluído nas prestações 
do aluguel. Assim, o contrato prevê que o arrendatário já declara que deseja comprar o bem e, todos os 
meses, junto ao valor do aluguel, ocorre também o pagamento do valor residual de forma parcelada. Como 
dito, isso é extremamente frequente, especialmente no caso de leasing financeiro. No entanto, nem 
sempre isso ocorre. 
 
Súmula 293: A cobrança antecipada do valor residual garantido (VRG) não descaracteriza o contrato de 
arrendamento mercantil. 
 
Imagine agora a seguinte situação hipotética: 
João adquiriu na concessionária “XX” um veículo. 
Como não tinha condições de pagar o carro à vista, o consumidor, no ato da compra, dentro da própria 
concessionária, fez um financiamento, na modalidade “arrendamento mercantil”, com o Banco. 
João pagou uma parte à vista e comprometeu-se em quitar o restante do carro em 60 prestações mensais 
sucessivas. O contrato já estabelecia que o valor residual estava diluído nas prestações, de forma que, 
pagas todas as parcelas, já seria transferida a propriedade plena do bem para o adquirente. 
Ocorre que ele deixou de pagar a partir da 40ª prestação. 
O Banco enviou uma notificação extrajudicial para João que, mesmo assim, continuou inadimplente. 
Diante disso, a instituição financeira ajuizou ação de reintegração de posse. 
O juiz concedeu a liminar, determinando a devolução do carro arrendado para o Banco. 
O veículo foi apreendido e levado para um “pátio privado”, ou seja, para um estacionamento privado que 
guarda carros que estão sendo disputados em juízo enquanto o processo não se encerra. 
 
Quem será o responsável pelo pagamento deste pátio privado: o arrendatário (João) ou o arrendante (Banco)? 
O arrendante (Banco). 
O arrendante é o responsável final pelo pagamento das despesas, junto a pátio privado, com a remoção 
e a estadia do automóvel apreendido em ação de reintegração de posse. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.828.147-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 20/02/2020 (Info 665). 
 
Enquanto perdurar o arrendamento mercantil, o arrendante é o seu proprietário. As despesas decorrentes 
do depósito do veículo empátio privado referem-se ao próprio bem, ou seja, constituem obrigações 
propter rem. Isso significa dizer que as despesas com a remoção e a guarda dos veículos objeto de contrato 
de arrendamento mercantil estão vinculadas ao bem e a seu proprietário, isto é, ao arrendante. 
 
O mesmo raciocínio acima explicado se aplica também para a alienação fiduciária 
Credor fiduciário deve pagar estadia de carro alienado em pátio privado 
As despesas decorrentes do depósito de bem alienado fiduciariamente em pátio privado constituem obrigações 
propter rem, de maneira que independem da manifestação expressa ou tácita da vontade do devedor. 
O credor fiduciário é o responsável final pelo pagamento das despesas com a estadia do automóvel junto 
a pátio privado, pois permanece na propriedade do bem alienado, ao passo que o devedor fiduciante 
detém apenas a sua posse direta. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1657752/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 13/11/2018. 
 
 
 
 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 18 
Aprofundando 
Quem deverá pagar as despesas com a remoção e estadia do carro apreendido? 
ALIENAÇÃO 
FIDUCIÁRIA 
1) Veículo apreendido em ação e busca e apreensão por inadimplemento contratual: 
o credor-fiduciário (ex: banco) (REsp 1657752/SP) 
2) Veículo apreendido por infração de trânsito: o credor-fiduciário (AgInt no AREsp 
1.210.496/SP). 
ARRENDAMENTO 
MERCANTIL 
1) Veículo apreendido em ação de reintegração de posse por inadimplemento 
contratual: o arrendante (ex: banco) (REsp 1.828.147/SP) 
2) Veículo apreendido por infração de trânsito: o arrendatário. 
Fundamento: art. 4º da Resolução nº 149/2003 do Contran (REsp 1.114.406/SP) 
 
Jurisprudência em Teses do STJ (el. 112) 
Tese 1: As despesas relativas à remoção, guarda e conservação de veículo apreendido no caso de 
arrendamento mercantil, independentemente da natureza da infração que deu origem à apreensão do 
veículo e ainda que haja posterior retomada da posse do bem pelo arrendante, são da responsabilidade 
do arrendatário, que se equipara ao proprietário enquanto em vigor o contrato de arrendamento. (Tese 
julgada sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 - TEMA 453) 
 
Obs: essa tese só se aplica para o caso de infração administrativa (infração de trânsito), não valendo para 
o caso de veículo apreendido por inadimplemento contratual. 
 
 
 
DIREITO DO CONSUMIDOR 
 
PLANO DE SAÚDE 
O rol de procedimentos e eventos da ANS é meramente explicativo? 
 
Tema polêmico! 
O rol de procedimentos e eventos da ANS é meramente explicativo? 
• SIM. Posição da 3ª Turma do STJ. 
O fato de o procedimento não constar no rol da ANS não significa que não possa ser exigido 
pelo usuário, uma vez que se trata de rol exemplificativo. 
STJ. 3ª Turma. AgInt no AREsp 1442296/SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 23/03/2020. 
 
• NÃO. Posição da 4ª Turma do STJ. 
O rol de procedimentos e eventos em saúde da Agência Nacional de Saúde Suplementar - ANS 
não é meramente exemplificativo. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1.733.013-PR, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 10/12/2019 (Info 665). 
 
Imagine a seguinte situação hipotética: 
João, cliente da Unimed, está acometido de uma doença que causa o desgaste de suas vértebras. 
Seu médico receitou determinado procedimento cirúrgico. 
Ocorre que o plano de saúde não autorizou o custeio argumentando que esse tratamento não está no rol 
de procedimento previsto pela Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS. 
Diante disso, João ajuizou ação contra a Unimed sustentando a tese de que o rol procedimentos e eventos 
da ANS é meramente explicativo (e não exaustivo). 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 19 
 
O que entende o STJ? O rol de procedimentos e eventos da ANS é meramente explicativo? 
Antes de responder a pergunta, vamos entender melhor o tema. 
 
O que é a ANS? 
ANS é a sigla para Agência Nacional de Saúde Suplementar. 
Trata-se de uma autarquia sob regime especial criada pela Lei nº 9.961/2000. 
 
Competência para elaborar a lista de procedimentos 
Uma das atribuições da ANS é a de elaborar uma lista de procedimentos que deverão ser custeados pelas 
operadoras de planos de saúde. Essa competência está prevista no art. 4º, III, da Lei nº 9.961/2000: 
Art. 4º Compete à ANS: 
(...) 
III - elaborar o rol de procedimentos e eventos em saúde, que constituirão referência básica para 
os fins do disposto na Lei nº 9.656, de 3 de junho de 1998, e suas excepcionalidades; 
 
Obs: a Lei nº 9.656/98 é a Lei dos Planos de Saúde. 
Assim, a ANS prepara uma lista de tratamentos que deverão ser obrigatoriamente fornecidos pelos planos 
de saúde. 
A Lei nº 9.656/98 também confere essa atribuição à ANS: 
Art. 10 (...) 
§ 4º A amplitude das coberturas, inclusive de transplantes e de procedimentos de alta 
complexidade, será definida por normas editadas pela ANS. (Incluído pela MP 2.177-44/2001) 
 
Esse rol da ANS é obrigatório para os planos de saúde? Em outras palavras, se o tratamento estiver ali 
previsto, o plano de saúde deverá fornecer? 
SIM. Trata-se de um rol de procedimentos de cobertura obrigatória. 
 
Onde está, atualmente, previsto esse rol? 
Na Resolução Normativa RN nº 428/2017, atualizada pela RN 439/2018. 
 
Diretrizes técnicas que norteiam a elaboração deste rol 
O rol da ANS, em consonância com o Direito Comparado, foi elaborado com base em diretrizes técnicas 
que levaram em consideração: 
a) os princípios da Avaliação de Tecnologias em Saúde - ATS; 
b) a observância aos preceitos da Saúde Baseada em Evidências - SBE; e 
c) o resguardo da manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do setor. 
 
Retomando o tema: qual é a natureza do rol de procedimentos e eventos da ANS? 
 
O ROL DE PROCEDIMENTOS E EVENTOS DA ANS É MERAMENTE EXPLICATIVO? 
SIM. Posição da 3ª Turma do STJ NÃO. Posição da 4ª Turma do STJ 
O fato de o procedimento não 
constar no rol da ANS não significa 
que não possa ser exigido pelo 
usuário, uma vez que se trata de 
rol exemplificativo. 
É inadmissível a recusa do plano 
de saúde em cobrir tratamento 
O rol de procedimentos e eventos em saúde da ANS não é 
meramente exemplificativo. 
O rol mínimo e obrigatório de procedimentos e eventos em saúde 
constitui uma garantia do consumidor para propiciar direito à 
saúde, com preços acessíveis, contemplando a camada mais ampla 
e vulnerável da população. 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 20 
médico voltado à cura de doença 
coberta pelo contrato sob o 
argumento de não constar da lista 
de procedimentos da ANS, pois 
este rol é exemplificativo, 
impondo-se uma interpretação 
mais favorável ao consumidor. 
STJ. 3ª Turma. AgInt no AREsp 
1442296/SP, Rel. Min. Paulo de 
Tarso Sanseverino, julgado em 
23/03/2020. 
Se considerarmos que o rol é meramente exemplificativo e que 
essa cobertura mínima não tem limitações definidas, isso fará com 
que os preços dos planos de saúde encareçam e fiquem 
padronizados já que eles serão obrigados, tacitamente, a fornecer 
qualquer tratamento prescrito, acabando com a possibilidade de 
haver planos com coberturas adicionais. Logo, isso restringirá a 
livre concorrência. 
O rol da ANS foi a solução encontrada pelo legislador para 
harmonizar a relação contratual, garantindo segurança, efetividade 
e equilíbrio contratual para não se inviabilizar a saúde suplementar. 
STJ. 4ª Turma. REsp 1.733.013-PR, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, 
julgado em 10/12/2019 (Info 665).PUBLICIDADE ENGANOSA 
Se a matriz havia sido condenada a publicar contrapropaganda, mas encerrou suas atividades, 
essa condenação poderá ser redirecionada para a filial 
 
Importante!!! 
É possível o redirecionamento da condenação de veicular contrapropaganda imposta a posto 
de gasolina matriz à sua filial. 
Ainda que possuam CNPJ diversos e autonomia administrativa e operacional, as filiais são um 
desdobramento da matriz por integrar a pessoa jurídica como um todo. Eventual decisão 
contrária à matriz por atos prejudiciais a consumidores é extensível às filiais. 
Obs: a contrapropaganda é uma medida imposta nos casos de veiculação de publicidade 
inverídica ou abusiva, que busca anular ou compensar os efeitos nocivos da publicidade ilícita. 
A finalidade, portanto, é corrigir o desvio cometido na publicidade antijurídica veiculada pelo 
fornecedor. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1.655.796-MT, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 11/02/2020 (Info 665). 
 
Imagine a seguinte situação hipotética: 
“Auto Gás Ltda - Cuiabá” é um posto de gasolina localizado no Município de Cuiabá. 
A bandeira deste posto era “Texaco”, ou seja, ao chegar no posto o consumidor via o emblema da Texaco. 
Porém, algumas vezes a empresa também vendia gasolina de outra marca sem que isso fosse avisado aos 
clientes. 
O Ministério Público ajuizou ação contra a “Auto Gás Ltda – Cuiabá”, que foi condenada pela prática de 
propaganda enganosa. Na sentença, o juiz determinou que o posto exibisse, na fachada do prédio 
comercial, pelo período de 12 (dozes meses), em letreiro de fácil visualização e nos mesmos locais em que 
constavam os símbolos da marca que: 
“(...) Esta empresa foi condenada judicialmente, em ação proposta pelo Ministério Público do Estado de 
Mato Grosso, por ter comercializado combustíveis de marcas diversas da bandeira que ostentava, o que 
caracteriza PUBLICIDADE ENGANOSA (...)” 
 
Houve publicidade enganosa neste caso? 
SIM. Publicidade enganosa é a publicidade falsa ou que possa induzir em erro o consumidor a respeito da 
natureza, características, qualidade, quantidade, propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados 
sobre produtos e serviços. Pode ser: 
 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 21 
Publicidade enganosa por COMISSÃO: 
Ocorre quando o fornecedor faz uma afirmação não verdadeira, parcial ou total, sobre o produto ou 
serviço, capaz de induzir o consumidor em erro (art. 37, § 1º, do CDC): 
Art. 37 (...) 
§ 1º É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação de caráter publicitário, 
inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo por omissão, capaz de induzir 
em erro o consumidor a respeito da natureza, características, qualidade, quantidade, 
propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados sobre produtos e serviços. 
 
Publicidade enganosa por OMISSÃO: 
Ocorre quando a publicidade deixa de informar dado essencial do produto ou serviço, também induzindo 
o consumidor em erro por deixar de esclarecer elementos fundamentais (art. 37, § 3º, do CDC): 
Art. 37 (...) 
§ 3º Para os efeitos deste código, a publicidade é enganosa por omissão quando deixar de informar 
sobre dado essencial do produto ou serviço. 
 
A comercialização de produto diverso daquele veiculado em propaganda pela empresa representa, 
indiscutivelmente, hipótese de propaganda enganosa. O abastecimento de veículo automotor com 
combustível diverso daquele adquirido pode, além de danificar o bem material, causar prejuízos maiores 
e imprevisíveis, a exemplo de acidentes de trânsito, inclusive com vítimas fatais. 
 
Essa condenação é possível? É possível condenar a empresa a publicar esse “aviso”? 
SIM. É possível. Juridicamente, isso é denominado de contrapropaganda (corrective advertising), estando 
prevista no art. 60 do CDC: 
Art. 60. A imposição de contrapropaganda será cominada quando o fornecedor incorrer na prática 
de publicidade enganosa ou abusiva, nos termos do art. 36 e seus parágrafos, sempre às expensas 
do infrator. 
§ 1º A contrapropaganda será divulgada pelo responsável da mesma forma, frequência e 
dimensão e, preferencialmente no mesmo veículo, local, espaço e horário, de forma capaz de 
desfazer o malefício da publicidade enganosa ou abusiva. 
(...) 
 
++ (Juiz TJRS 2016 FAUGRS) Sobre as sanções administrativas na tutela consumerista, a imposição de 
contrapropaganda será cominada quando o fornecedor incorrer na prática de publicidade enganosa ou 
abusiva, nos termos do artigo 36 e seus parágrafos, sempre às expensas do infrator. (CERTO) 
++ (Promotor MP/RN 2001) A contrapropaganda não se destina à publicidade abusiva; somente à 
enganosa. (ERRADO) 
++ (Juiz TJ/GO FCC 2015) A imposição de contrapropaganda será cominada quando o fornecedor incorrer 
na prática de publicidade enganosa ou abusiva, sempre às expensas do infrator e será divulgada pelo 
responsável da mesma forma, frequência e dimensão e, preferencialmente no mesmo veículo, local, 
espaço e horário, de forma capaz de desfazer o malefício da publicidade enganosa ou abusiva. (CERTO) 
++ (Juiz TJ/AL 2019 FCC) A imposição de contrapropaganda será cominada quando o fornecedor incorrer 
na prática de publicidade enganosa ou abusiva sempre às expensas do infrator; a contrapropaganda será 
divulgada pelo responsável da mesma forma, frequência e dimensão e, preferencialmente no mesmo 
veículo, local, espaço e horário, de forma capaz de desfazer o malefício da publicidade enganosa ou 
abusiva. (CERTO) 
++ (Juiz TJ/SP 2015) A sanção de contrapropaganda pode ser imposta tanto administrativamente, quanto 
judicialmente. (CERTO) 
 Informativo 
comentado 
 
 
Informativo 665-STJ (13/03/2020) – Márcio André Lopes Cavalcante | 22 
 
Art. 56. As infrações das normas de defesa do consumidor ficam sujeitas, conforme o caso, às 
seguintes sanções administrativas, sem prejuízo das de natureza civil, penal e das definidas em 
normas específicas: 
(...) 
XII - imposição de contrapropaganda. 
 
Contrapropaganda 
A contrapropaganda é uma medida imposta nos casos de veiculação de publicidade inverídica ou abusiva, 
que busca anular ou compensar os efeitos nocivos da publicidade ilícita. 
A finalidade, portanto, é corrigir o desvio cometido na publicidade antijurídica veiculada pelo fornecedor. 
Para que esta finalidade seja alcançada, a contrapropaganda deve ser cumprida de modo a atingir o maior 
número possível de consumidores que foram expostos a publicidade ilícita. 
 
Voltando ao caso concreto: 
Ao ser intimada para cumprir a sentença, a empresa executada “Auto Gás Ltda – Cuiabá” alegou que 
encerrou suas atividades no Município de Cuiabá, tendo fechado o posto. 
O Ministério Público pediu, então, que essa condenação fosse cumprida no “Auto Gás Ltda – Várzea 
Grande”, posto de gasolina integrante do mesmo grupo econômico, mas localizado no Município de 
Várzea Grande. 
A executada se insurgiu contra este pedido alegando que a “Auto Gás Ltda – Várzea Grande” é uma filial, 
com CNPJ diferente da empresa condenada. 
Argumentou também que a “Auto Gás Ltda – Várzea Grande” nem foi ré na ação proposta pelo MP. 
 
Essa discussão jurídica chegou até o STJ. É possível o redirecionamento neste caso? A Auto Gás Ltda – 
Várzea Grande terá que veicular a contrapropaganda? 
SIM. 
 
Não se aplica o princípio estrito da territorialidade 
O Direito do Consumidor não se submete ao princípio estrito da territorialidade. É, aliás, salutar a 
realização mais ampla possível do direito à informação dos consumidores. 
Assim, ao se cumprir o comando contido na sentença em comarca contígua à de Cuiabá/MT, toda a 
comunidade da região, possivelmente atingida, se beneficiará. 
 
Responsabilidade

Mais conteúdos dessa disciplina