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COMPOSIÇÃO	CORPORAL,	PELE	E	ANEXOS	
FREITAS, Elizabete V., PY, (eds.). Tratado de Geriatria e Gerontologia, 4ª edição. Guanabara Koogan, 05/2016 
	
Composição	corporal	
Há controvérsias em relação ao início do envelhecimento, porém, por volta dos 25 anos já 
podemos observar modificações na composição corporal. Toda a celularidade diminui, reduzindo 
a função dos órgãos, continuamente. Ocorre diminuição da água intracelular, tornando o 
organismo da pessoa idosa desidratado, fisiologicamente. Daí devemos ficar alertas ao 
prescrevermos fármacos hidrossolúveis, como a digoxina, pois elas estarão em maior 
concentração, podendo ocorrer efeitos indesejáveis. A musculatura vai diminuindo, especialmente 
as fibras tipo II, de contração rápida, como as encontradas nas mãos. Com isso a força muscular 
vai diminuindo, estando na 8a década de vida 40% menor quando comparada à 2a década. Em 
contrapartida, há aumento proporcional da gordura, especialmente em torno da cintura pélvica, 
provocando modificações da silhueta. Aqui também teremos que dar atenção às regras 
farmacológicas, pois as substâncias lipossolúveis, como as de ação central (por exemplo 
Benzodiazepínicos), terão seu tempo de ação aumentado (Navazio e Testa, 2007). 
	
Pele	
A pele é um importante órgão pelas várias funções que exerce. Além de ser o invólucro que nos 
separa do meio externo, previne a perda de água, regula o equilíbrio hidreletrolítico, controla a 
temperatura corporal e recebe os estímulos sensoriais de tato, pressão, temperatura e dor. Uma de 
suas camadas, a epiderme é responsável pelas glândulas sudoríparas, sebáceas, unhas, pelos e 
cabelo. Outro tipo de célula encontrada é o melanócito. Portanto, a pele ainda acumula as funções 
excretora e protetora. 
A pele se torna seca, por diminuição das glândulas sebáceas, e espessada, com as papilas dérmicas 
menos profundas, levando a menor junção entre a epiderme e a derme, facilitando a formação de 
bolhas e predispondo a lesões. O número de melanócitos diminui de 8 a 20%, por década, após os 
30 anos. Esse fato, associado ao alentecimento da reposição das células da epiderme, ao maior 
tempo de exposição aos raios UV e à redução das células de Langerhans (células mediadoras da 
resposta imunológica na pele), contribui para o aumento da incidência do câncer de pele. Na 
derme do indivíduo idoso, observa-se menor número de fibras elásticas e colágenas, levando a 
uma perda da resiliência e à formação de rugas. Também há diminuição da vascularização, 
justificando a palidez e a diminuição da temperatura da pele, aumentando a frequência de 
dermatites. 
A pele suporta seu próprio ecossistema de microrganismos, incluindo leveduras e bactérias, as 
quais não devem ser removidas por limpeza. Por isso, devemos fazer higiene somente dos locais 
com odor, como face, orelhas, pescoço, axilas, períneo e pés (du Plessis et al., 2013). 
As orelhas e nariz do idoso crescem. Há diminuição do numero de pêlos, exceto em algumas 
regiões como narinas, orelhas e sobrancelhas. 
	
Pálpebras	
A flacidez das pálpebras superiores leva a uma limitação do campo visual lateral, podendo a 
pessoa não ver objetos ao seu lado, não ver um veículo se aproximar ao atravessar a rua, 
aumentando o risco de sofrer acidentes. Apesar da diminuição da secreção lacrimal, a flacidez nas 
pálpebras inferiores desloca o orifício de entrada do canal lacrimal, provocando um 
lacrimejamento incomodativo, obrigando a pessoa a limpar os olhos, nem sempre com as mãos 
limpas, provocando infecções oculares. A atrofia da fáscia palpebral pode levar à herniação da 
gordura orbitária para dentro do tecido palpebral, produzindo “bolsas” embaixo dos olhos. Há 
tratamento cirúrgico simples para essas modificações. 
Ocorre também atrofia da aponeurose do músculo elevador da pálpebra, podendo cobrir a pupila, 
como visto na ptose senil. Essa alteração provoca uma lentidão nos idosos ao olharem o retrovisor 
quando estão dirigindo, podendo ser causa de acidentes automobilísticos (Brodie, 2003). 
	
Fâneros	
A diminuição do número das glândulas sudoríparas somada à diminuição dos vasos sanguíneos da 
derme e da espessura do tecido celular subcutâneo dificultam a termorregulação. As glândulas 
sebáceas mantêm seu número constante, mas seu tamanho aumenta enquanto a liberação de 
gordura e a produção de cera diminuem. O embranquecimento dos cabelos ocorre pela perda 
progressiva de melanócitos nos bulbos capilares. As alterações do crescimento e da aparência dos 
cabelos são devidas a um processo complexo representando um estado de saúde. O número dos 
corpúsculos de Pacini e Meissner, responsáveis pela sensação de pressão e tato leve, diminuem 
predispondo a lesões e diminuindo a destreza para certos movimentos com as mãos. O 
crescimento longitudinal das unhas diminui. Elas se tornam mais quebradiças e frágeis (Timiras, 
2007). 
	
Musculatura	
A massa muscular diminui quase 50% entre os 20 e 90 anos, e a força muscular, que é máxima por 
volta dos 30 anos, sofre perda de 15% por década a partir dos 50 anos. Essa perda é mais 
acelerada, chegando a 30%, por década, aos 70 anos e, praticamente a metade aos 80 anos. Essa 
redução ocorre tanto em número quanto no volume das fibras. Entretanto, a força muscular do 
diafragma sofre pouca alteração, enquanto a força da musculatura da panturrilha diminui 
significativamente ao longo dos anos (McLean e Kiel, 2015). 
Foi observada uma associação entre níveis baixos de vitamina D e fraqueza muscular, entretanto a 
concentração ótima para a função da musculatura continua desconhecida. Sabe-se que a 
suplementação de vitamina D traz benefícios na força muscular quando os níveis dessa vitamina 
estão abaixo de 20 ng/mℓ (50 nmol/ℓ) (Girgis et al., 2013). 
O trabalho muscular é necessário para a manutenção de quase todas as funções do corpo como 
postura, locomoção, respiração e digestão. A atividade física, independentemente da idade, 
aumenta a força e a velocidade muscular, além de prevenir perda óssea, quedas, hospitalizações e 
melhorar a função articular. Portanto, os profissionais devem estar aptos a identificar os 
indivíduos com baixa massa muscular e força, pois mesmo os mais frágeis podem melhorar seu 
desempenho com intervenções na atividade física (Xue et al., 2011). 
Os exercícios praticados com regularidade diminuem os fatores de risco para doenças cardíacas, 
diabetes e alguns tipos de câncer. Promovem o bem-estar, melhoram o ritmo do sono e alcançam 
benefícios para além do físico, como maior integração social, ajudando na esfera psicológica. 
 
Ossos 
O pico de massa óssea é alcançado entre 30 e 40 anos de idade, sendo maior nos homens do que 
nas mulheres. Alguns anos após esse pico, começa a ocorrer perda progressiva de massa óssea, 
que é de aproximadamente 3,3% ao ano em homens e de 1% ao ano em mulheres, tanto a massa 
cortical como a trabecular. A osteoclastogênese excessiva e a osteoblastogênese inadequada são 
responsáveis pela desarmonia entre formação e reabsorção óssea observada na menopausa e no 
envelhecimento 
	
	
	
SISTEMA	CARDIOVASCULAR 
FREITAS, Elizabete V., PY, (eds.). Tratado de Geriatria e Gerontologia, 4ª edição. Guanabara Koogan, 05/2016 
 
No coração idoso ocorre perda progressiva dos miócitos, devido a um declínio progressivo da 
habilidade de duplicação das células-tronco cardíacas. Entretanto, observa-se aumento de seu 
volume celular. Apesar da contratilidade miocárdica estar mantida fisiologicamente, existe uma 
atrofia dessas células que causa aumento do coração. Em uma aparente contradição, as câmeras 
cardíacas dilatadas e o coração senil, embora atrófico em número celular, morfologicamente, é 
hipertrófico. Há redução progressiva do número de células do nódulo sinusal. Comparada com 
uma pessoa de 20 anos, aos 75 anos permanecem somente 10% delas. Observa-se também perda 
de fibras na bifurcação do feixe de His. Daí a maior chance de arritmias cardíacas e bloqueios 
atrioventriculares (Libertini, 2014). 
O envelhecimento compromete severamentealgumas partes do sistema cardiovascular enquanto 
outras são mantidas sem alterações (Quadro 14.1). 
	
Quadro	14.1	Estruturas	cardiovasculares.	
Alteradas	com	o	envelhecimento	 Diminuição	da	resposta	beta-adrenérgica	
Aumento	da	rigidez	miocárdica	e	vascular	
Diminuição	dos	barorreflexos	arteriais	
Aumento	do	fluxo	simpático	
Diminuição	do	fluxo	vagal	
Diminuição	do	VO2	
Mantidas	com	o	envelhecimento	 Contratilidade	miocárdica	
Controle	do	sistema	nervoso	autônomo	
Fluxo	sanguíneo	coronariano	
Vasoconstrição	alfa-adrenérgica	mediada	
Barorreflexos	cardiopulmonares	
Estrutura	cardíaca	
Ocorre hipertrofia do ventrículo esquerdo, provocando aumento da pressão arterial dependente da 
idade. O aumento médio é de 1 g/ano nos homens e 1,5 g/ano nas mulheres. O volume diastólico 
final diminui somente nas mulheres e, portanto, não está correlacionado com a idade. Também se 
observa aumento no número e na espessura das fibras colágenas presentes no miocárdio. Nos 
muito velhos a massa ventricular esquerda pode diminuir, provavelmente devido ao extremo 
sedentarismo. O acúmulo da proteína amiloide é encontrado em aproximadamente 50% dos 
pacientes acima de 70 anos. Se faz parte do processo de envelhecimento, ainda é discutível 
(Lakatta, 2000) (Quadro 14.2). 
	
Estrutura	arterial	
O aumento da rigidez da parede arterial é um fenômeno universal e contribui para muitas 
alterações do sistema cardiovascular. A diferença se dá na camada média, diferentemente do que 
ocorre na aterosclerose, em que o comprometimento está na camada íntima. Com o aumento da 
rigidez das paredes, as artérias aumentam de diâmetro e de espessura. Após os 60 anos a 
elasticidade está bem diminuída, aumentando a impedância do fluxo sanguíneo durante a sístole 
(Quadro 14.3). 
 
 
 
	
Quadro	14.2	Alterações	cardíacas	com	o	envelhecimento.	
Endocárdio	e	valvas	 ↑	Lipofuscina	
↑	Fibrose	
↑	Lipídios	
↑	Calcificação	
Miocárdio	 ↑	Lipofuscina	
↑	Fibrose	
↑	Amiloidose	
↑	Apoptose	
↑	Miosina	isoenzima	beta	
↑	Mutações	genéticas	
↓	Tecido	conjuntivo	
	
Quadro	14.3	Alterações	arteriais	com	o	envelhecimento.	
Dilatação	da	aorta	e	grandes	artérias	
↑	da	espessura	da	parede	arterial	
↑	do	número	de	fibras	colágenas	na	parede	arterial	
↓	do	conteúdo	de	glicoproteína	
↑	da	rigidez	arterial	
↑	da	tensão	da	parede	arterial	
↑	da	resistência	periférica	
↑	da	pressão	sistólica	do	pulso	
↑	da	pressão	arterial	média	
 
O aumento da velocidade da onda de pulso aórtico e a diminuição da pressão diastólica são outras 
consequências da rigidez aórtica. Como a perfusão coronariana acontece durante a diástole pode-
se provocar um dano ao paciente coronariopata ao prescrevermos anti-hipertensivos (Lakatta, 
2000; Smulyan e Safar, 2000). 
Parâmetros	funcionais	
A frequência cardíaca de repouso é modulada pelo equilíbrio entre a inervação simpática e a 
parassimpática, sendo esta última dominante. A frequência cardíaca máxima durante o exercício 
vai diminuindo com o avanço da idade e tem sido definida pela fórmula 220 – idade. A 
sensibilidade ao sistema nervoso autônomo não é uniforme no organismo podendo estar 
preservada em um local e comprometida em outro, porém seu controle é mantido (Parati e Di 
Rienzo, 2003). 
Existe marcante diminuição na resposta do sistema cardiovascular a estimulação beta-adrenérgica 
com consequente diminuição da frequência cardíaca máxima. Para compensar essa baixa resposta 
há aumento das catecolaminas plasmáticas, especialmente durante exercícios físicos. Entretanto, a 
resposta é tímida, havendo aumento do volume diastólico final. 
A fração de ejeção ventricular esquerda, em repouso, não está alterada no idoso saudável, porém 
em resposta ao exercício ela está diminuída em relação ao adulto jovem. Há piora do enchimento 
ventricular esquerdo com maior compensação da sístole atrial. Essa modificação explica, em parte, 
por que a fibrilação atrial pode precipitar a insuficiência cardíaca em idosos e também a presença 
da quarta bulha, um achado normal no exame físico de pessoas acima de 75 anos, em ritmo sinusal 
(Taffet, 2015). 
 
	
SISTEMA	NERVOSO	
FREITAS, Elizabete V., PY, (eds.). Tratado de Geriatria e Gerontologia, 4ª edição. Guanabara Koogan, 05/2016 
 
Os avanços técnicos possibilitam aumentar o número de anos que vivemos na faixa etária idosa, 
quando as doenças neurológicas são muito prevalentes. 
	
Alterações	estruturais	
A diferença do tamanho do cérebro entre indivíduos adultos e idosos tem pequeno significado 
funcional. O volume do cérebro diminui em torno de 7 cm3 por ano após os 65 anos de idade, com 
maior perda nos lobos frontal e temporal e perda maior da substância branca do que da substância 
cinzenta. O fluxo cerebral diminui heterogeneamente de 5 a 20% com deterioração dos 
mecanismos que mantêm o fluxo sanguíneo cerebral com a flutuação da pressão arterial (Wagner 
et al., 2012). 
O cérebro do adulto tem aproximadamente 86 bilhões de neurônios e 10 a 15 vezes o número de 
células gliais. A perda do volume cerebral é de 2 a 3% por década depois dos 50 anos e o peso 
diminui 8% comparado ao peso máximo quando adulto. A perda neuronal é mais evidente nos 
neurônios maiores no cerebelo e no córtex cerebral. Também pode haver perdas como no locus 
ceruleus – neurônios catecolaminérgicos –, na substância nigra – neurônios dopaminérgicos – e 
no hipocampo – neurônios colinérgicos. No hipotálamo, na ponte e na medula a perda é mínima. 
Com o envelhecimento também se observa diminuição das sinapses. Essas modificações estão 
mais ligadas à apoptose do que a processos inflamatórios ou isquêmicos. Novos neurônios são 
formados ao longo da vida, entretanto, a perda é maior do que sua formação (Walhovd et al., 
2011). 
Em resposta ao dano neuronal, as células gliais aumentam. Esse acúmulo de células gliais, 
denominado gliose, representa uma resposta compensatória protegendo a função neuronal e 
plasticidade. Há perda dos axônios e redução da mielina que cobre esses axônios levando a 
rarefação da substância branca periventricular denominada no exame de ressonância de 
leucoaraiose. 
Enovelados neurofibrilares e placas senis são também encontrados no envelhecimento normal, 
porém em menor extensão que na doença de Alzheimer. 
Além das modificações do sistema nervoso central, há também mudanças dos nervos periféricos e 
da musculatura. As células do corno anterior da medula diminuem. Ocorre redução da mielina nos 
nervos sensoriais. A consequência dessas mudanças inclui perda da sensação vibratória, do tato e 
da dor, assim como disfunção autonômica afetando a reatividade pupilar, a regulação da 
temperatura corporal e o controle vascular cardíaco e periférico (Elkind, 2003). 
Parte da cognição pode sofrer certa deterioração nas pessoas idosas saudáveis, como a velocidade 
do processamento cognitivo, menor destreza para executar movimentos finos e problemas com a 
memória recente (van der Zee, 2015), porém a cognição no idoso sem doenças é considerada 
normal. 
	
Alterações	bioquímicas	
A acetilcolina diminui devido à diminuição dos neurônios colinérgicos e muscarínicos, reduzindo 
sua síntese e liberação. Também a dopamina e seus receptores no estriato e na substância nigra 
podem estar diminuídos e a sua administração como L-DOPA, em cérebros normais, pode levar a 
melhora do desempenho de algumas tarefas cognitivas (Chowdhury et al., 2013). 
	
Alterações	metabólicas	e	circulatórias	
Além dos neurotransmissores, outras substâncias estão alteradas no sistema nervoso central 
(SNC). No cérebro há diminuição tanto da água extracelular quanto da intracelular; lentidão da 
síntese proteica; aumento na oxidação das proteínas e sua glicosilação, com aumento do acúmulo 
intraneural (emaranhados neurofibrilares); alteração na membrana lipídica e na condução nervosa; 
alterações circulatórias relacionadas à aterosclerose; diminuição do fluxo sanguíneo cerebral e da 
utilização da glicose (Timiras, 2007). 
	
Alterações	cognitivas	e	comportamentais	
As memórias processual e semântica são bem conservadas com oavanço da idade. A habilidade 
de reconhecer objetos e faces, assim como a percepção visual, permanecem estáveis ao longo da 
vida. As memórias episódica e laborativa e a função executiva são as mais afetadas no 
envelhecimento. A velocidade de processamento e a função executiva diminuem com a idade, 
especialmente após os 70 anos. As capacidades de atenção e concentração diminuem a habilidade 
para desempenhar múltiplas tarefas ao mesmo tempo. 
A capacidade de solucionar problemas e aprender informações novas diminui após os 30 anos. Já 
a fluência verbal pode ficar comprometida após os 70 anos. Apesar de todas as alterações 
descritas, o sistema nervoso se mantém íntegro graças à sua plasticidade e à sua capacidade de 
compensar e reparar os danos ocorridos, sendo possível manter-se funcionalmente estável no 
meio social, no trabalho e em casa (Harada et al., 2013). 
	
Marcha,	postura	e	equilíbrio	
A instabilidade postural representa um dos gigantes da geriatria devido às suas complicações. 
Com o avanço da idade a marcha se altera. Na maioria das vezes a mulher, tanto adulta jovem 
quanto idosa, tem um desempenho pior quando comparada ao homem. É comum uma certa 
hesitação no andar, menor balanço dos braços e passos menores. Ao mudar de direção no caminho 
faz a volta com o corpo em bloco. A postura típica, mais rígida, como se estivesse em alerta para 
se defender de alguma queda, caracteriza-se pela base alargada, retificação da coluna cervical, um 
certo grau de cifose torácica, flexão do quadril e dos joelhos. Esse conjunto de fatores indica piora 
da estabilidade (Baehr et al., 2000). 
A prática regular de exercícios físicos é uma forma de driblar essas modificações impostas pela 
natureza, trazendo ainda benefícios tanto neurológicos quanto mentais, promovendo sensação de 
bem-estar e de saúde. 
Mais recentemente tem-se estudado a relação da vitamina D e a função muscular. Apesar de não 
ser consenso, a maior parte dos trabalhos confirmam a hipótese que existe uma significativa 
associação entre os níveis séricos da 25(OH)D3 e a força muscular nos quatro membros e o 
desempenho físico (Iolascon et al., 2015). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
	
	
	
SISTEMA	RESPIRATÓRIO	
FREITAS, Elizabete V., PY, (eds.). Tratado de Geriatria e Gerontologia, 4ª edição. Guanabara Koogan, 05/2016 
	
Alterações	morfológicas	no	tórax	e	nos	pulmões	com	o	envelhecimento	
Com o envelhecimento há grandes modificações tanto na arquitetura quanto na função pulmonar, 
contribuindo para o aumento da frequência de pneumonia, aumento da probabilidade de hipoxia e 
diminuição do consumo máximo de oxigênio pela pessoa idosa (Quadro 14.8). Os primeiros sinais 
de piora da respiração pulmonar já podem ser vistos por volta dos 25 anos (Quadro 14.9). Os 
pulmões se tornam mais volumosos, os ductos e bronquíolos se alargam e os alvéolos se tornam 
flácidos, com perda do tecido septal. A consequência é o aumento de ar nos ductos alveolares e 
diminuição do ar alveolar com piora da ventilação e perfusão (Taffet et al., 2014). 
	
Quadro	14.8	Alterações	pulmonares	com	o	envelhecimento.	
↑	dos	espaços	aerados	
↓	da	superfície	de	troca	gasosa	
Perda	 do	 tecido	 de	 suporte	 das	 vias	 respiratórias	 periféricas,	 diminuindo	 a	
elasticidade	alveolar,	antigamente	denominado	“enfisema	senil”	
↑	do	tecido	fibroso	
Modificações	do	surfactante	pulmonar	
	
	
Quadro	14.9	Sinais	precoces	do	envelhecimento	pulmonar.	
↓	da	capacidade	máxima	respiratória	
↓	progressiva	da	pressão	parcial	de	O2	
Perda	da	elasticidade	pulmonar	
Enfraquecimento	da	musculatura	respiratória	
↓	da	elasticidade	da	parede	torácica	
↑	da	rigidez	da	estrutura	interna	pulmonar	
Fadiga	fácil	
Concorrem para o declínio da capacidade respiratória os maus hábitos de vida, a poluição do local 
de moradia e trabalho e as doenças concomitantes. 
	
Respiração	
A inspiração e a expiração se dão da mesma forma no adulto. Na inspiração participam os 
músculos intercostais externos para elevarem as costelas e o diafragma, responsável por 75% do 
aumento do volume torácico durante a respiração de repouso. A expiração se faz, basicamente, de 
forma passiva. Também estão envolvidos os músculos intercostais internos que, ao se contraírem, 
puxam as costelas para baixo e para dentro, diminuindo o volume torácico. Caso seja necessário as 
musculaturas abdominal e dos ombros podem participar como músculos auxiliares dos 
movimentos respiratórios. Além das alterações descritas, há falha no controle central (medula e 
ponte) e nos quimiorreceptores carotídeos e aórticos com diminuição da sensibilidade a PCO2, 
PO2 e ao pH, limitando a adaptação da pessoa idosa ao exercício físico. 
A maioria dos músculos sofre um certo grau de sarcopenia, daí a capacidade de a função pulmonar 
piorar em algumas pessoas pela diminuição da força e da resistência da musculatura respiratória, 
tornando a tosse menos vigorosa. A função mucociliar é lenta, prejudicando a limpeza de 
partículas inaladas e facilitando a instalação de infecções (Svartengren et al., 2005). 
Todas as modificações do sistema respiratório são lentas, mas progressivas. A partir dos 25 anos a 
VO2 máxima diminui em 5 mℓ/kg/min/década. O tórax se torna enrijecido devido à calcificação 
das cartilagens costais e os pulmões distendidos pela diminuição da capacidade de as fibras 
elásticas retornarem após a distensão na inspiração. Com isso o volume pulmonar e a capacidade 
ventilatória diminuem. A capacidade vital pode chegar a diminuir 75% entre a 7
a
 e a 2
a
 década, 
enquanto o volume residual aumenta em torno de 50%. A consequência é a inadequada 
oxigenação do sangue, enquanto a PCO2 não se altera (Taffet et al., 2014). 
	
Surfactante	
O surfactante é um líquido secretado pelos pneumócitos tipo II, localizado na superfície interna do 
alvéolo, com a finalidade de manter sua tensão baixa. Sua produção está diminuída nos idosos. Na 
deficiência do surfactante os alvéolos poderão colabar na expiração, fazendo atelectasias. O 
surfactante também tem função protetora, impedindo a entrada de partículas, e aumenta a 
capacidade de os macrófagos pulmonares destruírem bactérias. Ainda na deficiência de 
surfactante, há o aumento da permeabilidade alveolar, podendo levar ao edema pulmonar. Apesar 
de sua perda progressiva, a maioria dos idosos é capaz de levar uma vida normalmente ativa. 
 
 
 
 
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
SISTEMA	URINÁRIO	
FREITAS, Elizabete V., PY, (eds.). Tratado de Geriatria e Gerontologia, 4ª edição. Guanabara Koogan, 05/2016 
 
Há perda do tecido renal, especialmente após os 50 anos. Em seu lugar observam-se tecido 
gorduroso e fibrose. Essa modificação inicia-se no córtex, comprometendo a concentração 
urinária, alcançando os glomérulos, piorando também a filtração renal. 
A função renal começa a diminuir de maneira progressiva, chegando a sua metade aos 85 anos. 
Aos 60 anos, o rim pesa em média 250 g; aos 70 anos, 230 g; e aos 80 anos, 190 g. Paralelamente 
ocorre diminuição do fluxo plasmático de 600 mℓ/min para 300 mℓ/min. Para compensar, os rins 
mantêm uma vasodilatação com o aumento das prostaglandinas contribuindo para o aumento da 
lesão renal com o uso de anti-inflamatórios não esteroides. 
A avaliação renal é feita mediante simples exames de urina e sangue, facilitando os estudos das 
alterações que acontecem com o envelhecimento. O rim pode ser afetado diretamente como 
acontece nas lesões do néfron (Figura 14.3) ou indiretamente como no caso de doenças 
cardiovasculares. Da mesma forma a lesão renal pode levar a alterações a distância como 
distúrbios hidreletrolíticos e hipertensão arterial. Ainda, pela sua função excretora, o declínio da 
função renal pode levar a intoxicação medicamentosa, particularmente perigosa no idoso (Sands, 
2012). 
Função renal 
O glomérulo filtra o plasma, formando o filtrado glomerular que praticamente não tem proteínas. 
Em condições normais 99% do filtrado são reabsorvidos, havendo a produção de mais ou menos 
um litro de urina por dia. Podemos medir o filtrado por meio doclearance plasmático e da 
excreção na urina de inulina ou creatinina, pois essas substâncias são filtradas, mas não são 
secretadas nem absorvidas. 
Uma pessoa jovem tem uma taxa de filtração em torno de 125 mℓ/min. A insulina precisa ser 
injetada na veia e para a dosagem da creatinina é necessário coleta de urina por 1 dia inteiro. 
Apesar de bons parâmetros, ambos trazem dificuldades. Por isso, o clearance da creatinina (ClCr) 
é calculado, facilmente, usando-se uma fórmula em que só precisamos saber o peso, a idade, o 
sexo e a creatinina plasmática do paciente e aplicar os dados seguindo a fórmula: 
 
 
 
Sabe-se que o resultado do ClCr para as pessoas idosas não é uma medida precisa, pois a 
creatinina é uma proteína muscular e sua produção está diminuída enquanto sua secreção tubular 
está aumentada, fazendo com que a creatinina plasmática permaneça estável a despeito da 
diminuição da filtração glomerular (Giannelli et al., 2007). Principalmente como guia para ajuste 
de dose de medicamentos eliminados pela filtração glomerular, a equação de Cockcroft and Gault 
(Schuck et al., 2004) leva em conta a massa magra corporal (MMC) (Clark, 2000): 
 
 
 
As mulheres têm 10% menos que os valores encontrados nos homens. O clearance da creatinina 
para mulheres é o ClCr para os homens multiplicado por 0,85. 
A massa magra corporal é calculada de acordo com a fórmula a seguir: 
MMC para homens = 50 kg + 2,23 kg por cada 2,54 cm acima de 152,4 cm 
MMC para mulheres = 45,5 kg + 2,3 kg por cada 2,54 cm acima de 152,4 cm 
As fórmulas utilizadas para estimar a taxa de filtração glomerular devem ser avaliadas com cautela 
nos indivíduos idosos, especialmente para os com mais de 90 anos. Quando houver necessidade de 
uma avaliação mais apurada devemos avaliar a função renal com a prova da cistatina C. Um 
aumento de 50% de seus níveis é observado entre os 40 e 90 anos (Christensson 2011). 
Alterações das funções glomerular e tubular 
As alterações ocorridas com o envelhecimento na função glomerular não comprometem o bem-
estar da pessoa idosa. Entretanto, como acontece com outros órgãos, não há reserva para seu pleno 
funcionamento em caso de sobrecarga. Sob estresse como infecção ou dieta rica em proteína, a 
taxa de filtração glomerular piora significativamente, aumentando a permeabilidade celular com 
perda de proteína bem maior que os traços normalmente observados na urina. É possível a 
manutenção da função tubular em nível suficiente ao longo dos anos. Entretanto, muitas pessoas 
idosas sofrem perda da habilidade de concentrar ou diluir a urina de tal monta que se tornam 
incapazes de equilibrar o organismo frente a uma desidratação ou a uma sobrecarga hídrica. Se 
administrarmos solução hipertônica de cloreto de sódio a uma pessoa idosa o hormônio 
antidiurético (ADH) se elevará, porém não haverá retenção de água como normalmente se poderia 
esperar. Esse fato nos leva a concluir que o problema de concentração urinária não é devido à 
diminuição do ADH e sim à diminuição de resposta do túbulo coletor ao ADH (Sands, 2012). 
Para manter o funcionamento do rim adequadamente, a pessoa idosa deverá ingerir 2,5 a 3 ℓ de 
líquidos ao dia. É difícil para essas pessoas seguirem tal orientação, pois muitas vezes evitam, de 
propósito, beber líquidos por medo de sofrerem constrangimentos devido à incontinência. Existem 
outros fatores que colaboram para a dificuldade em manterem-se hidratados como a diminuição do 
reflexo da sede, a solidão, a imobilidade e outros. 
Como mencionado anteriormente, há diminuição da capacidade renal de concentração e 
conservação do sódio, estando os idosos mais propensos à hiponatremia e à hipopotassemia 
quando em uso de diurético ou na vigência de dietas restritivas. A ureia contribui para estabelecer 
um gradiente osmótico na medula renal e concentra a urina nos túbulos coletores. Como a pessoa 
idosa muitas vezes faz uma dieta pobre em proteínas e tem déficit na produção hepática de ureia a 
uremia também pode estar diminuída (Lindner et al., 2014). O padrão do ritmo urinário apresenta-
se modificado na pessoa idosa, passando a eliminar água e eletrólitos mais à noite que durante o 
dia. Essa alteração, conhecida como poliúria noturna, ocorre por múltiplos fatores como a 
diminuição da capacidade renal de concentração e conservação do sódio, assim como alteração da 
função do sistema renina-angiotensina-aldosterona. Outros fatores também concorrem para essa 
diferença como mostrado no Quadro 14.11. 
Outras alterações funcionais do sistema renal são redução da acidificação da urina e piora da 
excreção de cargas ácidas. Esse é mais um fator contribuinte para a nefrotoxicidade relacionada a 
medicamentos e a contrastes intravenosos (Pucelikova et al., 2008), diminuição da hidroxilação da 
vitamina D (Lima et al., 2014) e da regulação do sistema renina angiotensina. Entretanto, a 
produção da eritropoetina em resposta à hemoglobina parece não sofrer alteração (Kanasaki et al., 
2012). 
Quadro	14.11	Fatores	que	alteram	o	ritmo	urinário	na	pessoa	idosa.	
↓	na	capacidade	de	concentração	renal	
↓	na	habilidade	de	conservação	do	sódio	
Alterações	nos	receptores	do	ADH	
↓	na	produção	e	excreção	do	ADH	
Modificações	na	produção	e	função	do	ANP	
ADH: hormônio antidiurético; ANP: peptídio natriurético atrial. 
 
	
SISTEMA	ENDÓCRINO	
FREITAS, Elizabete V., PY, (eds.). Tratado de Geriatria e Gerontologia, 4ª edição. Guanabara Koogan, 05/2016 
 
O sistema endócrino, como o sistema nervoso, coordena respostas fisiológicas aos fatores 
ambientais, melhorando a sobrevida individual. As alterações hormonais influenciam o declínio 
funcional, as incapacidades, as doenças da pessoa idosa e a longevidade. 
	
Tireoide	
Geralmente os valores de tiroxina (T4) e tri-iodo-tironina (T3) estão em níveis normais baixos e os 
do TSH normais altos. O hormônio tireoestimulante (TSH) elevado e a T4 normal podem ocorrer 
devido à manutenção da imunorreatividade do TSH nas análises laboratoriais, porém com ação 
biologicamente menos ativa. 
A diminuição dos hormônios tireoidianos, especialmente a conversão de T4 em T3, sugere uma 
ação protetora para o organismo contra o catabolismo, levando à diminuição da taxa do 
metabolismo basal (46 kcal em homens e 43 em mulheres de 14 a 16 anos para 35 e 33 de 70 a 80 
anos, respectivamente) e ao aumento progressivo do tecido adiposo corporal. Este, 
metabolicamente menos ativo que a massa magra, diminui a demanda pelo hormônio tireoidiano, 
fechando o ciclo. Os hormônios tireoidianos estimulam o consumo de oxigênio em quase todos os 
tecidos, aumentando a taxa do metabolismo celular e contribuindo para a manutenção da 
temperatura corporal. Seu efeito calorigênico diminui com o aumento da idade, aumentando a 
suscetibilidade de hipotermia nos idosos. A resposta ao calor também está comprometida devido à 
menor sudorese. A redução da resposta febril (muitas vezes o idoso não faz febre) ao ataque de 
diferentes agentes se dá pela incompetência termorregulatória observada, em que a participação 
dos hormônios tireoidianos, junto com a resposta termostática do hipotálamo, é fundamental 
(Cappola et al., 2015). 
O aumento do colesterol sérico, assim como das lipoproteínas de baixa densidade, observado no 
envelhecimento, pode ser devido ao declínio da função tireoidiana (Timiras, 2007). 
	
Paratireoide	
As glândulas paratireoidianas, responsáveis pela secreção dos hormônios paratireoidiano (PTH) e 
calcitonina, parecem não alterar suas funções de forma marcante. Algumas diferenças étnicas e de 
gênero têm sido observadas. Mulheres negras e asiáticas, pós-menopausa, apresentam baixos 
níveis de PTH e elevados níveis de cálcio em relação às mulheres brancas. Os homens mantêm 
baixos níveis desse hormônio, coincidindo com menor incidência de osteoporose que as mulheres. 
Já o aumento do PTH pode ser devido a piora do clearance renal ou acúmulo de fragmentos 
biologicamente inativos. Pode ser ainda uma resposta compensatória pela redução de cálcio 
intestinal (Carrivicket al., 2015). 
Os níveis do cálcio sérico são mantidos ao longo da vida, porém o mecanismo da regulação muda 
com o avanço da idade. Sabe-se que a manutenção dos níveis plasmáticos do cálcio, na infância e 
na fase adulta, é mantida mediante ingesta de cálcio sem perda óssea. Na idade avançada a 
calcemia é mantida pela reabsorção do cálcio ósseo mais do que pela absorção intestinal do cálcio 
ofertado pela dieta ou pela reabsorção do mineral pelo rim. Uma possível explicação para essa 
mudança pode ser uma diminuição na capacidade do PTH de estimular a produção da forma ativa 
da vitamina D, a qual estimula a absorção de cálcio intestinal (Timiras, 2007). 
Embora a reabsorção óssea seja reconhecida quando o PTH está elevado, existem evidências de 
que a administração intermitente do PTH aumenta a força mecânica e a massa óssea pela 
transformação das células precursoras em osteoblastos. Este hormônio também aumenta a 
formação óssea, prevenindo a apoptose dos osteoblastos (ver Capítulo 78). 
	
	
Hipófise	
Com o envelhecimento, a hipófise aumenta de volume, e as alterações bioquímicas que aí ocorrem 
variam de indivíduo para indivíduo. Os níveis de melatonina tanto diurnos quanto noturnos 
diminuem na maioria das pessoas, interferindo no sono, visto que este hormônio tem efeito 
hipnótico. Este hormônio também apresenta ação protetora contra os danos oxidativos (Timiras, 
2007). 
	
Pâncreas	
São pequenas as alterações morfológicas observadas no pâncreas com o envelhecimento, o mesmo 
não ocorrendo com os hormônios. É esperado um leve aumento da glicemia de jejum relacionado 
à idade (1 mg/dℓ/década). Para os idosos ativos pode não haver essa diferença. Entretanto, após 
ingesta de alimentos a glicemia alcança níveis mais elevados e o tempo de retorno ao normal é 
mais longo quando comparado com adultos jovens. 
A intolerância à glicose com o envelhecimento é devida a vários fatores, além da diminuição da 
insulina (Quadro 14.12). 
Os mecanismos que levam ao surgimento da intolerância à glicose com o envelhecimento ainda 
não estão completamente esclarecidos. Parece haver uma exaustão progressiva do turnover das 
células β. O fato é que ocorre menor resposta dos tecidos à glicose e à insulina (Kalyani e Egan, 
2013). 
	
Quadro	 14.12	 Alguns	 fatores	 responsáveis	 pela	 intolerância	 à	 glicose	 com	 o	
envelhecimento.	
Alteração	nos	receptores	de	insulina	
↓	do	número	das	unidades	transportadoras	de	glicose	
↑	proporcional	da	secreção	da	proinsulina	em	relação	à	insulina	
↓	da	musculatura	e	aumento	do	tecido	adiposo	
↓	da	atividade	física	
↑	da	gliconeogênese	hepática	
↑	dos	níveis	do	glucagon	
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SISTEMA DIGESTÓRIO 
FREITAS, Elizabete V., PY, (eds.). Tratado de Geriatria e Gerontologia, 4ª edição. Guanabara Koogan, 05/2016 
 
Boca 
Cáries: As cáries dentárias continuam sendo um dos principais problemas dos idosos, sendo o 
mais importante responsável pela perda dentária (Devlin e Ferguson, 2003). Por volta dos 40 anos 
a circunferência da arcada dentária poderá estar um centímetro menor, fazendo com que os dentes 
tenham maior atrito entre si com lesão do esmalte provocando cáries e fazendo aparecer o 
amarelado da dentina e escurecimento dos dentes. (Murphy, 1987). 
Mucosa oral: A mucosa oral se torna fina, lisa e seca. Perde a elasticidade e parece edemaciada. 
A língua também é lisa devido à perda das papilas, podendo trazer alterações no paladar e 
sensação de queimação. 
Glândulas salivares: A função das glândulas salivares permanece sem alterações na ausência 
de doenças e uso de medicamentos. Mais de 50% dos pacientes queixam-se de boca seca, 
comprometendo a mastigação e a deglutição. Entretanto, essas queixas podem ser atribuídas mais 
aos efeitos colaterais de medicamentos do que pelo próprio envelhecimento (Smith et al., 2013). A 
queilite angular, inflamação com ulceração nas comissuras, pode ser por má oclusão da 
mandíbula, como nos pacientes edentados ou por deficiência de vitaminas ou xerostomia. 
Orofaringe 
Observam-se adelgaçamento da camada epitelial da mucosa, retração gengival e exposição das 
raízes dentárias predispondo a cáries (Ikebe, 2015). 
Devido à alteração da musculatura esofágica há um aumento da resistência da passagem dos 
alimentos pelo esfíncter esofágico superior. Observa-se ainda alteração da transferência do bolo 
alimentar para a faringe na maioria dos pacientes idosos, mesmo aqueles sem disfagia que, junto a 
menor eficiência mastigatória aumenta o risco de aspiração (Kang et al., 2010). 
Esôfago 
Com o avanço da idade observam-se hipertrofia da musculatura esquelética do terço superior do 
esôfago, diminuição das células ganglionares mioentéricas, que coordenam a peristalse, e aumento 
da espessura da musculatura lisa (Hall et al., 2005). A motilidade esofágica pode ser anormal pela 
redução da amplitude da contração muscular após a deglutição e pelas contrações terciárias, 
raramente associadas a queixas. Peristalse anormal após a deglutição e as contrações repetitivas 
não peristálticas, ao mesmo tempo, são chamadas de “presbiesôfago”; atualmente, acredita-se que 
sejam devidas a processos patológicos, tendo sido o termo presbiesôfago abandonado.Em 35% das 
pessoas entre 50 e 75 anos de idade pode ocorrer a incompetência esfincteriana distal do esôfago, 
permitindo o refluxo do conteúdo ácido do estômago e levando a esofagite. (Timiras, 2007). 
Estômago 
Com a idade há diminuição das células parietais e aumento dos leucócitos intersticiais. Com isso 
diminui a secreção do ácido clorídrico e de pepsina, dificultando a digestão de alimentos, 
principalmente, os ricos em proteína. Ainda pode ocorrer a ruptura da barreira da mucosa gástrica, 
permitindo que o ácido clorídrico e a pepsina do lúmen do estômago entrem nas células da 
mucosa, destruindo-as (Sonnenberg e Genta, 2015). Mais de 50% dos indivíduos idosos estão 
infectados pelo H. pylori, com a prevalência aumentando com a idade (Pilotto e Franceschi, 2014). 
Além disso, observa-se dificuldade do esvaziamento gástrico pela diminuição de sua motilidade 
normal, a gastroparesia (Sonnenberg e Genta, 2015). Em decorrência dessasalterações, o estômago 
fica mais exposto a lesões, com a gastrite e a úlcera péptica sendo responsáveis por metade dos 
sangramentos digestivos altos ocorridos nos pacientes acima de 60 anos (Ahmed e Stanley, 2012). 
Intestino delgado 
Com o avanço da idade, as vilosidades que cobrem toda a mucosa intestinal, em camada única de 
epitélio colunar, diminuem de altura. A absorção de várias substâncias está diminuída, mas a 
homeostase é mantida. A absorção do cálcio diminui devido à redução dos receptores da vitamina 
D no intestino. Mulheres acima de 75 anos absorvem 25% menos de cálcio quando comparadas 
com uma mulher jovem, especialmente se houver diminuição da secreção ácida. O ferro também 
tem menor absorção, porém com pouca repercussão clínica (Salles, 2007). 
Malformações vasculares são comuns no trato digestivo alto, provocando sangramentos 
(angiodisplasia, malformação arteriovenosa e ectasia vascular) (Bitar e Patil, 2004). 
Intestino grosso 
As alterações encontradas no intestino grosso são praticamente exclusivas do envelhecimento. As 
anatômicas incluem atrofia da mucosa, anomalias estruturais das glândulas da mucosa, hipertrofia 
da camada muscular da mucosa e atrofia da camada muscular externa. 
A perda dos neurônios intrínsecos sensoriais pode levar a diminuição da resposta visceral a 
perfuração intestinal, sendo o “abdome em tábua” pouco frequente no idoso (Lyon e Clark, 2006). 
Em outras palavras, o idosos possui menos sinais de descompressão brusca que os jovens. 
Das alterações funcionais, a constipação intestinal é uma das queixas mais comuns. Ocorre por 
alimentação pobre em fibras, baixa hidratação oral, falta da prática de exercícios físicos regulares, 
coordenação das contrações alterada e o aumento da sensibilidade aos opioides. A diminuição do 
tônus e da força do esfíncter anal, associada a menor complacência retal,aumenta a chance de 
incontinência fecal nas pessoas idosas (Alavi et al., 2015). 
A presença de divertículos é muito prevalente. Podem variar de 3 mm a 3 cm, sendo encontrados 
em 30 a 40% das pessoas acima de 50 anos. Eles surgem devido a um aumento da pressão 
intraluminal, herniando a mucosa entre as camadas das fibras musculares lisas. Complicam com 
sangramentos digestivos baixos e processos inflamatórios, a diverticulite. (Spiller, 2015). 
Pâncreas 
O pâncreas diminui de tamanho, endurece pelo aumento da fibrose e torna-se mais amarelado pelo 
depósito de lipofucsina. Produz o suco pancreático, auxiliar na função digestiva, onde se 
encontram as enzimas amilase, lipase e a tripsina. A amilase se mantém em volume constante, 
porém a lipase e a tripsina têm a sua produção bastante diminuída. A despeito da queda dramática 
da produção dessas enzimas, não há expressão clínica, pois precisamos somente de 1/10 da 
produção da secreção pancreática para fazermos uma digestão normal (Hall et al., 2005). 
Fígado 
Durante toda a vida os hepatócitos se dividem somente duas a três vezes e sua capacidade de 
regeneração com o envelhecimento é ainda controversa. Entre os 24 e 90 anos o fígado diminui de 
volume em aproximadamente 37% e também diminui seu fluxo sanguíneo em 35%. Como o 
pâncreas, escurece pelo depósito da proteína lipofucsina. Esse depósito é também visto em outros 
órgãos, notadamente no cérebro devido à diminuição da proteólise intracelular própria do 
envelhecimento. O sistema reticuloendotelial liso dos hepatócitos diminui e está correlacionado 
com a redução da capacidade de metabolizar substâncias contribuindo para aumentar a 
suscetibilidade do idoso à intoxicação por medicamentos. Já a síntese proteica é mantida. A 
síntese do colesterol diminui e há redução da bile total. Como a função da bile é garantir uma boa 
digestão e absorção dos lipídios, essa diminuição da produção biliar hepática pode agravar a 
deficiência de vitaminas lipossolúveis, já comprometida nas pessoas idosas que, por diferentes 
motivos, se alimentam mal, fazendo dieta pobre em vitaminas lipossolúveis. Embora a função e a 
anatomia da vesícula estejam bem preservadas com o envelhecimento, a composição biliar tem 
alto índice litogênico, predispondo o idoso à formação de cálculos por colesterol (Reshetnyak, 
2012). O conteúdo do citocromo P-450 diminui com a idade, podendo ser a justificativa para o 
alentecimento da metabolização de algumas substâncias (Tajiri e Shimizu, 2013). 
A menor quantidade de antagonistas da vitamina K necessária para anticoagular idosos é 
consistente com diminuição da síntese de fatores de coagulação vitamina K-dependentes, 
relacionada com a idade (Sharma et al., 2015). Apesar de todas essas modificações as provas de 
função hepática não se alteram. 
ÓRGÃOS	DOS	SENTIDOS	
FREITAS, Elizabete V., PY, (eds.). Tratado de Geriatria e Gerontologia, 4ª edição. Guanabara Koogan, 05/2016 
	
Peculiaridades	da	função	gustatória	em	idosos	
No envelhecimento saudável, ocorre somente modesta redução na sensibilidade gustativa, 
enquanto a textura e a temperatura dos alimentos são percebidas normalmente. A capacidade de 
detecção declina de maneira diferente para cada sensação. A sensibilidade ao sabor salgado reduz-
se, enquanto o sabor doce é percebido normalmente. Em consequência dessas mudanças, pode 
haver declínio no prazer ao se alimentar, com maior risco potencial de desnutrição. 
Dificuldades na percepção do gosto podem decorrer de problemas bucais (estomatite e glossite), 
doenças sistêmicas, alterações do sistema olfatório (rinites, lesões na lâmina crivosa), lesões no 
sistema nervoso central (acidentes vasculares encefálicos) e deficiência de zinco, fármacos ou 
fatores não esclarecidos (forma idiopática). O uso de medicamentos é o principal fator etiológico 
nas disfunções do paladar em idosos. 
Problemas com próteses dentárias (infecções fúngicas, traumas, perda óssea alveolar, próteses 
soltas) podem afetar o processamento do alimento e a gustação. 
Alterações	do	sistema	olfatório	em	idosos	
Em idosos, há redução na secreção do muco nasal associada a menor fluidez do muco produzido. 
Também ocorre substituição parcial do epitélio sensorial nasal por mucosa respiratória e redução 
de sua espessura, com diminuição da concentração de neurônios. 
Alterações	da	visão	em	idosos	
Por volta dos 60 anos, o diâmetro pupilar está reduzido a menos da metade do que tinha aos 20 
anos; as reações pupilares à luz tornam-se mais lentas; o suporte gorduroso retro-ocular é perdido, 
fazendo com que os olhos se localizem mais profundamente nas órbitas. 
O idoso normal perde parte da capacidade de acomodação, da acuidade visual em meios com 
pouco contraste, da adaptação a ambientes escuros, da tolerância ao brilho, da capacidade de 
discriminar cores, da capacidade de leitura e do campo visual atencional ou de processamento 
rápido (em que os estímulos são mais facilmente percebidos). A adaptação ao escuro declina em 
decorrência das reduções do diâmetro pupilar e da velocidade de condução intraocular do estímulo 
visual. Para pessoas de todas as idades, é mais difícil distinguir tons de azul e verde do que tons de 
amarelo e vermelho. Essa dificuldade é ainda maior para o idoso. 
Em idosos, a perda visual pode instalar-se gradualmente, não sendo percebida ou valorizada pelo 
paciente. Mesmo cientes da deficiência, alguns idosos preferem não a relatar, por considerarem 
parte do envelhecimento normal. Na presbiopia, caracterizada pela perda da elasticidade da 
cápsula do cristalino, ocorre dificuldade no ajuste refrativo para enxergar alvos próximos (ler 
jornais, por exemplo). 
Com o envelhecimento, pode haver dificuldade para dirigir à noite, embora a habilidade visual 
para a condução veicular durante o dia seja, em geral, preservada. Há intolerância às luzes dos 
veículos que trafegam em sentido contrário ou dificuldade para adaptar-se às áreas com pouca 
iluminação. Perdas no campo visual e glaucoma em idosos também determinam maior risco de 
acidentes automobilísticos. 
Perda	auditiva	em	idosos	
Presbiacusia	
A partir da quarta década de vida, o aparelho auditivo humano (especialmente nos homens) é 
progressivamente mais suscetível às consequências do envelhecimento. A presbiacusia é a 
principal causa de perda auditiva em idosos (Veras e Mattos, 2007). Ela pode decorrer de lesões 
nas células sensórias do órgão de Corti (com perdas para sons de alta frequência), nos neurônios 
aferentes (com perda na capacidade de discriminar palavras), na estria vascular (com redução do 
volume do som ouvido), na membrana basilar (com perda de mais de 50 dB em todas as 
frequências) ou no sistema nervoso central (com dificuldade de compreender o som que é ouvido). 
Mais comumente, na perda auditiva relacionada com a idade, o déficit começa para as altas 
frequências (1.000 a 8.000 Hz), progredindo para as médias e baixas com a evolução da doença. 
A capacidade discriminatória de sons com altas frequências é importante em ambientes com ruído 
de fundo. Uma das primeiras manifestações da presbiacusia é a dificuldade de comunicação nesses 
ambientes. Queixas de zumbido podem ocorrer à medida que a perda auditiva torna-se mais 
significativa. 
Fatores genéticos e ambientais podem interferir no risco de perda auditiva relacionada com a 
idade. Parece haver maior risco de presbiacusia em afrodescendentes (é difícil, porém, estimar a 
importância das influências ambientais nessa população). Exposição a ruídos, solventes, 
tabagismo, diabetes melito, doenças das vias respiratórias, infecções (vírus e bactérias) e 
medicamentos (diuréticos, quimioterápicos e antibióticos) podem estar relacionados com a 
enfermidade. 
A perda auditiva relacionada com a idade pode ser prevenida evitando-se exposições a ruídos, 
medicamentos ototóxicos, tabaco, solventes industriais e grande volume de bebidas alcoólicas. 
Tato	
O sistema sensorial somático, com receptores difusamente presentes no corpo, evoca diversas 
modalidadesperceptuais: tato, pressão, vibração, propriocepção, dor e sensações térmicas. 
Os receptores para tato, pressão e vibração são terminações nervosas localizadas na pele. Os 
receptores para a propriocepção, por outro lado, localizam-se nas cápsulas das articulações, nos 
tendões e na musculatura esquelética. 
Após o acionamento do receptor periférico, os estímulos são conduzidos por neurônios, da raiz 
dorsal da medula espinal ao sistema nervoso central. Tais estímulos são interpretados e integrados 
nos córtices somestésicos primário e secundário, tornando-se sensações. 
Os estímulos mecânicos da região da cabeça, por sua vez, são conduzidos ao sistema nervoso 
central diretamente pelos ramos do nervo trigêmeo. 
Com o envelhecimento, pode haver reduções nas sensações de dor, vibração, frio, calor, pressão e 
toque. Parte dessas alterações deve-se a deficiências microcirculatórias nos receptores periféricos, 
na medula espinal ou no córtex cerebral. 
Deficiências vitamínicas (principalmente do complexo B), diabetes melito, uso abusivo de álcool, 
doenças renais, mieloma múltiplo, neoplasias (de pulmão, linfoma, leucemia), doenças 
autoimunes, exposições a toxinas e infecções (vírus da imunodeficiência humana) podem causar 
perda sensorial na forma de neuropatia periférica. Em alguns casos, após o controle do fator 
etiológico, pode haver certa recuperação funcional. 
A perda da sensibilidade às alterações de temperatura faz com que os idosos estejam mais 
suscetíveis a hipotermia, queimaduras (quando aplicam compressas quentes nos pés) ou 
congelamento de extremidades (como na exposição à neve). 
A redução das sensibilidades ao toque, à pressão e à vibração aumenta a possibilidade de 
ocorrerem lesões de pele, como as úlceras de decúbito. 
A perda das aferências proprioceptivas pode dificultar a percepção da posição dos membros em 
relação ao chão, causando quedas e úlceras em extremidades inferiores (como as úlceras dos pés 
dos pacientes diabéticos com neuropatia periférica). 
O teste do monofilamento de Semmes-Weinstein pode ser utilizado para avaliar a sensibilidade 
tátil plantar em diabéticos, correlacionando-se à presença de neuropatia periférica. 
O conhecimento das alterações fisiológicas dos órgãos dos sentidos que ocorrem no 
envelhecimento normal permite que o médico geriatra identifique indícios de doença e interceda, 
visando à recuperação da funcionalidade do paciente idoso.

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