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P1- SHANGRI LÁ
1. Senescência, Senilidade, Geriatria,
Gerontologia (conceitos,
diferenças)
⇨ Senescência e senectude: são sinônimos
e incluem as alterações orgânicas e
funcionais inerentes ao envelhecimento
normal.
EX: presbiopia, presbiacusia, xerodermia,
alteração trófica genital, diminuição do
metabolismo basal, boca seca.
⇨ Senilidade: se refere às modificações
determinadas por afecções bastantes
frequentes entre os idosos.
EX: a osteoartrose é uma doença muito
prevalente no idoso, porém, não é natural do
envelhecimento, logo é classificada como
senilidade. O mesmo ocorre com catarata,
transtorno cognitivo (demência),
incontinência urinária, hipotireoidismo, perda
dentária, câncer.
⇨ Geriatria: É a especialidade médica com
foco no diagnóstico, tratamento e prevenção
de doenças em pessoas idosas. Atua
diretamente na assistência à saúde,
buscando proporcionar qualidade de vida,
funcionalidade e autonomia ao paciente
idoso.
⇨ Gerontologia: É a ciência que estuda o
processo de envelhecimento em seus
múltiplos aspectos: biológicos, psicológicos,
sociais, econômicos, culturais e ambientais.
É uma área multidisciplinar que atua na
promoção de políticas públicas, pesquisas,
educação e ações sociais, envolvendo
profissionais de diversas áreas como
psicologia, serviço social, enfermagem,
fisioterapia, educação física, nutrição, [...].
Com o objetivo de promover o
envelhecimento saudável e a qualidade de
vida.
2. Epidemiologia do envelhecimento
na população brasileira (transição
demográfica, mortalidade por
gênero, causas de mortalidade,
principais fatores de risco de
mortalidade).
⇨ Transição demográfica: Esse fenômeno
ocorre devido à redução das taxas de
natalidade e mortalidade, que resulta em um
aumento proporcional da população idosa.
↳ consequências: aumento da pressão
assistencial sobre os sistemas de saúde,
uma vez que o envelhecimento, embora não
seja sinônimo de doença, torna os indivíduos
mais vulneráveis biológica e socialmente.
Além disso, há uma maior prevalência de
doenças crônicas não transmissíveis
(DCNTs) entre os idosos, o que eleva ainda
mais a demanda por serviços e ações de
saúde específicas.
↳ Desafios: O país ainda não completou seu
processo de transição epidemiológica e
vivencia uma tripla carga de doenças:
1. Doenças crônicas não
transmissíveis, que estão em
crescimento contínuo.
2. Doenças infectocontagiosas, ainda
prevalentes, especialmente aquelas
típicas da Medicina Tropical, como as
arboviroses.
3. Doenças e mortes por causas
externas, como a violência.
Assim, a rápida mudança demográfica pode
agravar a sobrecarga assistencial.
⇨ Mortalidade por Gênero
● Feminização do envelhecimento:
devido à sobremortalidade masculina
na vida adulta, há predominância de
mulheres entre os idosos. Em 2019,
para cada 100 idosas jovens, havia
apenas 83 homens; entre os
octogenários, apenas 63 homens
para cada 100 mulheres.
● Sobrevida: mulheres que completam
80 anos vivem, em média, mais 11
anos, enquanto homens vivem mais 9
anos. Em 2040, estima-se que será
12 anos para mulheres e 10 anos
para homens.
● Diferenças por idade: a mortalidade
masculina é maior entre os idosos
jovens, mas essa diferença diminui
com o avanço da idade, tornando-se
mais semelhante entre homens e
mulheres entre os octogenários.
⇨ Principais causas de mortalidade:
↳ Idosos Jovens (60-69 anos)
● Doenças circulatórias: Doenças
isquêmicas do coração: 11,8% das
mortes. Doenças cerebrovasculares:
7,8%. Outras (insuficiência cardíaca,
hipertensão, arritmias): 6%.
● Neoplasias: Pulmão e brônquios:
6,1%. Sistema digestivo: estômago,
esôfago e colorretal: 5,1%.
● Doenças respiratórias: DPOC e
doenças associadas ao tabagismo:
122/100.000.
● Diabetes melito: 6,4% dos óbitos.
● Causas externas: Acidentes de
transporte: principalmente homens
(83%). Agressões (homicídios):
também majoritariamente homens.
● Doenças infecciosas: pneumonia e
septicemia.
↳ Idosos mais velhos (80 anos ou mais)
● Doenças respiratórias: Pneumonia:
principal causa, com 10,5% das
mortes, taxa 16 vezes maior que
entre idosos jovens. Pneumonia por
aspiração: elevada incidência.
● Doenças circulatórias: Doenças
cerebrovasculares: 9,3% das mortes.
Doenças isquêmicas do coração:
8,1%. Insuficiência cardíaca: mais
significativa do que em idosos jovens.
● Demências: Doença de Alzheimer e
outras demências: oitava causa de
morte, com taxa 20 vezes superior à
dos idosos jovens.
● Doenças do trato geniturinário:
Infecções como pielonefrite: taxa 18
vezes superior à dos idosos jovens.
● Neoplasias: Pulmão, próstata,
colorretal, estômago, esôfago,
pâncreas, fígado e bexiga. Taxas
maiores em homens, mas a diferença
reduz com a idade.
● Causas externas: Quedas: principal
causa de morte externa, com taxa 15
vezes superior à dos idosos jovens.
⇨ Principais Fatores de Risco de
Mortalidade
↳ Doenças Circulatórias e Diabetes
● Hipercolesterolemia: fator central
para aterosclerose.
● Hipertensão arterial: agrava a
patogênese, predispondo a arritmias
e infarto.
● Diabetes melito: acelera a
aterogênese.
● Tabagismo: aumenta a
trombogenicidade e risco de infarto e
AVE.
↳ Causas externas
● Idosos jovens: maior risco de
acidentes de trânsito e agressões,
especialmente entre homens, pela
maior exposição ocupacional e ao
álcool.
● Octogenários: risco elevado de
quedas e suas complicações.
↳ Fatores relacionados à coorte
● Idosos jovens de hoje foram adultos
nas décadas de 1970-80, quando
havia menor acesso ao controle de
hipertensão, diabetes, dislipidemias e
menos campanhas anti-tabagismo.
↳ Neoplasias
● Tabagismo: Principal fator de risco
para cânceres de pulmão, bexiga,
fígado, colorretal, gástrico e
pancreático. Responsável por metade
das neoplasias na população geral.
● Alcoolismo: Associado a
hepatopatias, pancreatite, neoplasias
do trato digestivo e acidentes.
● Obesidade e dieta inadequada:
Associadas a doenças metabólicas,
cardiovasculares e diversos cânceres.
3. Teorias Biológicas do
Envelhecimento
Diversas teorias explicam o envelhecimento,
mas ainda não há uma definição única ou
completa do processo. Ele resulta da
interação de cinco fatores: genes, nutrição,
estilo de vida, ambiente e acaso. O
envelhecimento biológico ocorre pelo
acúmulo gradual de danos em moléculas,
células, tecidos e órgãos, mas não é um
processo totalmente passivo, pois existem
mecanismos de manutenção e reparo
controlados geneticamente, que são, por sua
vez, influenciados por fatores externos.
⇨ Teorias estocásticas: explicam o
envelhecimento como resultado de danos
acumulativos e aleatórios causados por
agressões ambientais ao longo da vida,
afetando moléculas, células e órgãos.
↳ Uso e desgaste: Defende que o
envelhecimento resulta do acúmulo de danos
causados pelo uso contínuo do organismo.
Porém, não é amplamente aceita, pois o
corpo possui mecanismos eficientes de
reparo, e níveis moderados de estresse
podem até aumentar a longevidade.
↳ Proteínas alteradas: Com o tempo,
proteínas sofrem alterações estruturais que
prejudicam suas funções. Exemplos:
aumento de ligações cruzadas no colágeno
leva ao enrijecimento arterial e à elevação da
pressão sistólica, afetando diversos
sistemas.
↳ Mutações somáticas e dano ao DNA: O
DNA sofre mutações (alterações na
sequência de nucleotídeos) e danos
estruturais (causados por fatores internos ou
externos), resultando em expressão gênica
inadequada, comprometendo a função
celular e contribuindo para o envelhecimento.
↳ Erro catastrófico: Erros aleatórios e
cumulativos na transcrição ou tradução
genética poderiam gerar proteínas
defeituosas e comprometer a função celular,
levando ao declínio funcional característico
do envelhecimento. Contudo, testes mostram
que a taxa de erro no maquinário proteicoé
mínima.
↳ Desdiferenciação: Células podem perder
sua capacidade de manter funções
específicas, passando a produzir proteínas
desnecessárias, levando à disfunção e
envelhecimento celular. A pleiotropia
antagonista sugere que genes benéficos na
juventude podem ser prejudiciais na velhice.
↳ Dano oxidativo — Radicais livres: A
produção de energia nas mitocôndrias gera
espécies reativas de oxigênio (radicais livres)
que danificam proteínas, lipídios e DNA.
Esse estresse oxidativo aumenta com a
idade, contribuindo para doenças como
catarata e cardiovasculares. No entanto,
suplementação antioxidante não demonstrou
aumentar a longevidade.
⇨ Teorias sistêmicas: Afirmam que o
envelhecimento segue um programa
biológico, um “relógio biológico” que continua
após o desenvolvimento e crescimento.
↳ Metabólica: A longevidade é inversamente
relacionada à taxa metabólica: animais com
metabolismo acelerado tendem a viver
menos. Embora intuitiva, essa teoria é
controversa e com evidências limitadas. Em
humanos, alta taxa metabólica basal é fator
de risco para mortalidade.
↳ Genética: Sugere que alterações na
expressão gênica ao longo da vida
promovem o envelhecimento. Há conversão
gradual de eucromatina (ativa) em
heterocromatina (inativa).
A teoria dos telômeros: encurta o telômero
cromossômico a cada divisão celular. O
encurtamento progressivo dessas estruturas
a cada divisão leva à senescência celular
(limite de Hayflick). Ainda é uma área de
debate.
↳ Neuroendócrina: Alterações no sistema
endócrino causam desequilíbrio
homeostático e favorecem a senescência. O
envelhecimento está associado a aumento
da inflamação e níveis elevados de cortisol,
podendo resultar em resistência insulínica e
risco cardiovascular.
↳ Imunológica: O envelhecimento está
ligado à imunossenescência, com redução
na produção de anticorpos e menor resposta
a infecções e vacinas. Há desregulação entre
a imunidade inata e adaptativa, favorecendo
doenças autoimunes e câncer.
↳ Epigenética: refere-se a modificações no
genoma que não alteram a sequência do
DNA, mas podem ser herdadas e influenciar
a expressão gênica. Fatores como hábitos de
vida e ambiente social modificam o
funcionamento celular por meio de alterações
químicas no DNA e nas histonas (proteínas
que organizam o DNA como um "carretel").
Resultando na ativação ou inibição de genes
por processos como metilação, acetilação,
ubiquitinação e fosforilação.
↳ Apoptose: A apoptose é a morte celular
programada, essencial para o
desenvolvimento e funcionamento do
organismo, eliminando células danificadas ou
desnecessárias. A perda de regulação desse
processo pode causar problemas na
cicatrização tecidual, sendo considerada uma
possível explicação parcial para o
envelhecimento. Contudo, como a apoptose
ocorre ao longo de toda a vida, ela não
explica completamente o envelhecimento.
Além disso, sua detecção in vivo é difícil.
↳ Hormese e Resistência ao Estresse:
sugere que o organismo responde
positivamente a estresses moderados, mas
não a excessivos, superando sua capacidade
de reparação.
No envelhecimento, há redução da
capacidade de resposta ao estresse (interno
e externo), mas a exposição regular a
estresses leves ou moderados está
associada a maior longevidade.
EX: Embora o exercício físico cause
aumento de radicais livres e microlesões, ele
estimula proteção celular, como maior
atividade de proteossomos, reparo de DNA e
redução de inflamação.
4. Aspectos fisiológicos do
envelhecimento (sistemas,
sentidos, incluir envelhecimento
pulmonar)
O envelhecimento é um processo natural,
progressivo e inevitável, caracterizado pelo
declínio das funções celulares e mudanças
estruturais em vários sistemas do organismo.
Essas alterações representam a
senescência, que é parte normal do
envelhecimento e não resulta de doenças,
mas de mudanças fisiológicas inerentes ao
tempo.
⇨ Composição corporal: No idoso, há
redução do número total de células e do
volume de água corporal, causando
“contração plasmática” e maior
vulnerabilidade à desidratação.
➢ OBS: Como há menos água corporal,
drogas hidrossolúveis, como digoxina
(ICC), ficam mais concentradas no
plasma, aumentando o risco de
toxicidade mesmo com doses
habituais. Por isso, é necessário
ajustar a dose para evitar efeitos
adversos.
↳ Redução de massa magra: ocorre uma
redução de 20% a 40% da massa muscular,
mais acentuada nos membros inferiores e
nas fibras de contração rápida (tipo II).
● Consequência: Diminuição da força e
mobilidade. Aumento da incapacidade,
fragilidade, quedas, sarcopenia e
mortalidade, já que perdas superiores a
40% são incompatíveis com a vida, pois
com a redução da massa muscular,
temos redução da taxa metabólica e do
consumo de oxigênio pelos tecidos.
● Causas: Sedentarismo. Redução de
hormônios anabólicos (GH, hormônios
sexuais). Aumento de citocinas
inflamatórias (IL-6, TNF).
↳ Perda óssea: há perda de osso cortical e
trabecular, por redução na atividade dos
osteoblastos (formadores de osso), enquanto
os osteoclastos (reabsorção) permanecem
ativos. As células precursoras dos
osteoblastos permanecem em número
constante após os 30 anos, mas sua função
declina, com uma tendência acentuada de se
tornarem adipócitos em vez de formarem
ossos.
● causa: Menor ingestão de cálcio e
vitamina D. Déficit estrogênico
(principalmente em mulheres após a
menopausa).
● consequência: Predisposição a
osteopenia, osteoporose e fraturas
● Perda anual: Homens: 1% ao ano
após os 50 anos. Mulheres: 2-3% ao
ano após a menopausa.
↳ Aumento da gordura corporal: Após os
40 anos de idade, temos aumento da gordura
corporal de 2 a 5% por década, o que
justifica um aumento da gordura corporal
total de 20 a 30%, em idosos. Também
temos redistribuição dessa gordura, com
aumento da gordura abdominal (visceral). Há
também maior concentração de gordura no
fígado e músculo, justificando um aumento
da resistência periférica à insulina.
● Consequência: Aumento do risco de
diabetes tipo 2 e doenças
cardiovasculares. Miosteatose: infiltração
de gordura no músculo, que compromete
sua qualidade e função.
● Causas: Desequilíbrio energético, menor
gasto calórico por sedentarismo,
associado a alterações endócrinas e
metabólicas.
OBS: Com o aumento da gordura corporal,
drogas lipossolúveis, como
benzodiazepínicos e antipsicóticos, ficam
mais distribuídas nos tecidos adiposos,
prolongando sua meia-vida e efeitos no
organismo. Isso eleva o risco de sedação
excessiva, quedas e outros efeitos colaterais
indesejáveis. Logo, Deve-se ter cuidado com
medicações, pois sua farmacocinética estará
alterada.
ATENÇÃO: Como a alteração da composição
corporal é significativa, os pontos de corte para o
índice de massa corporal (IMC) precisam ser
reajustados, não sendo os mesmos utilizados
para a população adulta. Para os idosos, os
pontos de corte do IMC são:
• Baixo peso: IMC 27 kg/m2.
⇨ Pele e fâneros: No envelhecimento
normal, a pele torna-se mais fina, menos
elástica, mais seca e apresenta rugas finas,
acentuadas pelo fotoenvelhecimento.
● Alterações: Redução de colágeno,
elastina e glicosaminoglicanos.
Epiderme mais fina e junção
dermoepidérmica achatada,
aumentando a fragilidade e risco de
equimoses. Menor número de
glândulas sudoríparas e vasos
sanguíneos, prejudicando a
termorregulação. Glândulas sebáceas
aumentam de tamanho, mas reduzem
a produção de gordura e cera.
Embranquecimento dos cabelos pela
perda de melanócitos. Unhas
crescem mais lentamente, ficando
mais quebradiças e frágeis.
● Consequências: Pele seca
(xerodermia) e barreira cutânea
comprometida. Maior suscetibilidade
a danos ao remover curativos.
Redução na síntese de vitamina D.
⇨ Sistema sensorial:
↳ Visao: atrofia dos tecidos periorbitários,
levando à flacidez das pálpebras e risco de
ectrópioou entrópio. A produção lacrimal e a
função das células caliciformes diminuem,
mas o lacrimejamento pode aumentar devido
à drenagem ineficaz. A conjuntiva atrofia-se
e amarela, e a sensibilidade corneana
reduz-se em 50%. A deposição de lipídios na
córnea causa o arcus senilis. A íris torna-se
mais rígida, com pupilas menores e menos
responsivas. O cristalino sofre amarelamento
e rigidez, dificultando o foco em objetos
próximos, caracterizando a presbiopia, que
inicia-se na quarta década. A visão em baixa
luminosidade piora pela opacificação do
cristalino, rigidez pupilar e redução da
sensibilidade retiniana, exigindo mais luz
para atividades como a leitura. A adaptação
a mudanças de luz torna-se mais lenta, e há
redução da sensibilidade ao contraste e
alteração na percepção das cores,
agravadas pelo amarelamento do cristalino.
↳ Audição: a audição de altas frequências
diminui, prejudicando o reconhecimento da
fala em ambientes ruidosos e aumentando o
risco de isolamento social e delirium. O
cerume fica mais seco e pode impactar o
canal auditivo. O ouvido interno sofre
alterações que causam presbiacusia,
dificultando discriminar sons e localizar
fontes sonoras. Idosos têm dificuldade em
entender a fala, especialmente em meio a
ruídos, e amplificar o som não resolve o
problema, pois amplifica também o ruído.
↳ Olfato e Paladar: o número de papilas
gustativas diminui, mas isso não afeta
diretamente a acuidade do paladar. A perda
do paladar está mais relacionada à redução
do olfato. A sensibilidade ao sabor também
diminui, exigindo concentrações maiores de
substâncias para detecção, como
demonstrado pelo aumento na concentração
necessária de adoçantes para idosos.
A acuidade olfatória cai significativamente
com a idade, com aumento dos limiares de
detecção e pior reconhecimento de cheiros
familiares, incluindo odores importantes
como comida estragada ou gás vazando.
Essa redução afeta o prazer de comer e a
capacidade de distinguir sabores, além de
impactar o apetite.
⇨ Sistema imunológico: O envelhecimento
leva à imunossenescência, caracterizada
pela maior suscetibilidade a infecções,
redução da resposta vacinal, aumento do
risco de neoplasias, doenças autoimunes e
inflamatórias crônicas.
↳ resposta inata: Com o envelhecimento,
parte dessas funções sofre declínio,
enquanto outras se tornam hiperativas,
contribuindo para um estado de inflamação
crônica de baixo grau, conhecido como
“inflammaging”. Esse estado é marcado pelo
aumento de citocinas inflamatórias como
interleucina-6, interleucina-1, fator de
necrose tumoral alfa (TNF-α), interferon-γ,
fator de crescimento tumoral e marcadores
como proteína C-reativa e fibrinogênio. A
inflamação crônica de baixo grau está
associada a diversos desfechos negativos,
como sarcopenia, osteoporose, incapacidade
funcional, depressão, demência, câncer e
maior mortalidade.
↳ resposta adaptativa:
● celular: Os linfócitos T, que
representam cerca de 40 a 70% dos
linfócitos totais, adquirem sua
funcionalidade no timo, cuja involução
com a idade reduz drasticamente a
produção de células T naïve. Isso
diminui a diversidade do repertório
imunológico, dificultando a resposta a
antígenos novos. Além disso, há
menor secreção de interleucina-2,
essencial para a proliferação das
células T, o que prejudica
principalmente a atuação das células
T CD4+. Como consequência, há
comprometimento da resposta efetora
e menor capacidade de adaptação a
novos desafios imunológicos.
● humoral: O número total de células B
tende a permanecer estável, mas sua
função também declina. A capacidade
de produção de anticorpos pelas
células B de memória se reduz, e há
aumento na produção de
autoanticorpos, favorecendo o
aparecimento de doenças
autoimunes. A quantidade de células
de memória aumenta, enquanto as
células virgens diminuem, o que limita
a resposta imunológica a patógenos
inéditos.
↳ infecções: Imunossenescência também
facilita a reativação de infecções latentes,
como herpes simples (HSV), Epstein-Barr
(EBV), varicela-zóster (VZV) e especialmente
citomegalovírus (CMV), cuja prevalência em
idosos ultrapassa 90% e está fortemente
associado à aceleração do envelhecimento
imunológico e ao estado inflamatório
persistente.
↳ vacinas: Em idosos, a resposta
imunológica a vacinas como influenza,
pneumococo e herpes-zóster é reduzida,
com exceção da vacina dT (tétano e difteria),
que mantém boa resposta. A redução na
produção de anticorpos e na funcionalidade
das células T contribui para essa menor
imunogenicidade.
Atenção: Mesmo que a resposta
imunológica seja menor, a vacina ainda
reduz o risco de complicações graves da
gripe em idosos, como pneumonia,
hospitalização e óbitos
⇨ sistema hematopoiético: maior incidência
de anemia crônica, disfunção imunológica e
aumento do risco de síndromes
mieloproliferativas e neoplasias mieloides.
A eritropoese se mantém preservada, mas
há necessidade de maiores níveis de
eritropoetina devido à menor sensibilidade ao
hormônio, especialmente em situações
inflamatórias, nas quais a produção de
eritropoetina também diminui, favorecendo a
anemia do idoso. A vida útil dos eritrócitos, a
renovação do ferro e o volume sanguíneo
não se alteram com a idade, mas ocorre
redução da massa hematopoiética e
aumento do tecido adiposo na medula,
sobretudo nas regiões proximais dos ossos
longos, o que comprometendo a
regeneração, especialmente em situações de
estresse fisiológico.
↳ homeostasia: embora o número de
plaquetas se mantenha estável, há aumento
da reatividade plaquetária, resultado da
menor disponibilidade de óxido nítrico e
maior dano oxidativo, levando a uma
hiper-responsividade e discreta redução do
tempo de sangramento. Além disso, há
elevação nos níveis de fatores de
coagulação (fibrinogênio, fatores V, VII, VIII,
IX, cininogênio de alto peso molecular e
pré-calicreína) e aumento do dímero-D,
mesmo sem trombose, o que pode dificultar
a interpretação diagnóstica de eventos
trombóticos, aumentando a possibilidade de
falso-positivos. Assim, na avaliação deve-se
levar em conta a idade e o quadro clínico.
A anemia de doença crônica, apesar de
comum, também não é senescência. As
causas mais comuns de anemia no idoso são
deficiência de ferro e doença crônica. Os
idosos estão mais sujeitos a neoplasias
hematológicas. Entre elas, as leucemias
mais comuns são as crônicas. Deve-se
sempre lembrar do mieloma múltiplo e de
suas características, como anemia, dor
óssea e alteração da função renal.
⇨ sistema nervoso:
↳ Estrutural: Há redução significativa no
número total de células nervosas (neurônios
e glia), resultando em menor peso cerebral.
O encéfalo, que atinge cerca de 1,350 kg na
segunda década de vida, passa a sofrer uma
perda lenta e contínua, com redução de 1,4 a
1,7% do peso por década. A perda neuronal,
especificamente, ocorre a uma taxa de
aproximadamente 0,1% ao ano, podendo
chegar a uma diminuição de até 150 g de
massa neuronal aos 90 anos, As áreas mais
afetadas são lobos frontal e temporal, com
preservação relativa do hipotálamo, ponte e
medula.
● consequência: A perda de
densidade sináptica e alterações nos
neurotransmissores impactam
especialmente a fala e a memória,
aumento de 20 a 30% no acúmulo de
lipofuscina e proteína beta-amiloide
no córtex, que desempenha um papel
na neurodegeneração.
↳ funcional: Os neurônios remanescentes
não conseguem compensar a perda celular,
pois não há hipertrofia neuronal. A
diminuição das células de Schwann prejudica
a produção de mielina, levando à redução na
velocidade de condução dos impulsos
nervosos. Essas mudanças são evidentes
macroscopicamente pela atrofia dos sulcos
cerebrais, aumento dos ventrículos e
afunilamento da medula espinhal,
configurando um “encolhimento” do sistema
nervoso.
● consequência: Clinicamente,
espera-se reflexos mais lentos,
prejuízo no equilíbrio e nasensibilidade protopática,
aumentando o risco de quedas.
Alterações nos neurotransmissores
também são comuns, com redução
de acetilcolina, serotonina, GABA e
catecolaminas, embora ainda não se
saiba ao certo o impacto funcional
dessas mudanças. As funções
cognitivas cristalizadas, como
vocabulário e elaboração de
conceitos, tendem a ser preservadas,
enquanto habilidades relacionadas à
inteligência fluida, como memória,
raciocínio, velocidade de
processamento e multitarefas, sofrem
declínio progressivo. A capacidade de
manter atenção, especialmente em
ambientes com múltiplos estímulos,
também se reduz.
ATENÇÃO: Importante ressaltar que essas
alterações são próprias do envelhecimento e
não causam, por si só, doenças como
demência ou Parkinson; envelhecer aumenta
a vulnerabilidade, mas não implica adoecer
necessariamente.
⇨ sistema gastrointestinal: O sistema
digestivo mantém a funcionalidade na maior
parte dos casos. Queixas devem sempre ser
investigadas, pois podem indicar doenças.
↳ Boca: redução do fluxo basal de saliva
(boca seca). Diminuição da massa muscular
mastigatória, piora da mastigação. Redução
do olfato (maior risco de não perceber
vazamentos de gás). Menor sensibilidade ao
salgado e amargo, mas o doce permanece
inalterado.
↳ Esôfago: redução da peristalse e rigidez
das paredes. Diminuição do clearance do
refluxo, maior risco de broncoaspiração.
Relaxamento incompleto do esfíncter inferior,
causando refluxo.
ATENÇÃO: As alterações que ocorrem no
esôfago, geralmente, não causam
manifestações clínicas, por isso, diante de
idosos com disfagia ou odinofagia, uma
avaliação mais cuidadosa deve ser realizada.
↳ Estômago: Menor produção de ácido
clorídrico (hipocloridria), o que piora a
digestão protéica e menor absorção de ferro.
Redução de prostaglandinas e bicarbonato, o
que aumenta risco de úlceras com AINEs.
Esvaziamento gástrico mais lento para
líquidos. Menor produção de fator intrínseco,
levando ao risco de deficiência de vitamina
B12. Maior risco de infecção por Helicobacter
pylori, pois a hipocloridria favorece a
proliferação de bactérias.
↳ Intestino delgado: Redução de vilosidades
e fluxo sanguíneo. Menor motilidade,
aumentando o risco de supercrescimento
bacteriano. Menor atividade da lactase,
levando a intolerância à lactose.
↳ Intestino grosso: Menor peristalse,
causando constipação.
↳ Pâncreas: Redução do peso e secreção de
lipase e bicarbonato. Dilatação ductal
principal e aparecimento cistos.
↳ Fígado: Redução do peso, vascularização
e metabolismo. Acúmulo de lipofuscina,
deixando mais acastanhado. Pode reduzir
discretamente a secreção de albumina e
colesterol. Risco aumentado de efeitos
adversos de medicamentos devido
comprometimento da metabolização hepática
↳ Absorção de nutrientes: alteração na
absorção de vitaminas lipossolúveis, como
aumento da vitamina A e diminuição de
vitamina D (pois há uma diminuição da
expressão dos receptores responsáveis por
essa absorção).
● Vitaminas hidrossolúveis: sem
alteração significativa. Ácido fólico, os
dados são controversos, algumas
literaturas trazem que não sofre
alteração. Outras, mostram que a
absorção é prejudicada devido a
alterações na mucosa intestinal, no
metabolismo hepático ou no uso
frequente de medicamentos que
interferem na absorção (como
antiácidos e metotrexato).
● minerais: há diminuição da absorção
de zinco e cálcio e pode haver
diminuição da absorção de ferro, visto
que há hipocloridria, como vimos
anteriormente.
⇨ sistema pulmonar: sofre alterações
anatômicas e funcionais, agravadas por
fatores como tabagismo e poluição. As
principais alterações redução da elasticidade
dos pulmões, enrijecimento da caixa torácica
e redução da força dos músculos
respiratórios.
● A função pulmonar atinge o pico aos
20-25 anos e, a partir daí, declina de
forma linear: homens perdem ~26
mL/ano de capacidade vital e
mulheres ~22 mL/ano.
↳ Alterações principais:
● Pulmão: redução da elastina,
aumento de colágeno, bronquíolos
estreitados, maior complacência
pulmonar, aumento do volume aéreo
residual ("enfisema senil"), redução
da difusão de oxigênio e do fluxo
expiratório.
● Parede torácica: calcificação das
cartilagens, perda óssea,
deformidades (como cifose),
resultando em maior rigidez.
● Músculos respiratórios: perda de
massa e força muscular, com redução
da potência, especialmente do
diafragma (queda de 13 a 25%).
↳ alterações funcionais:
● Redução da troca gasosa e aumento
do espaço morto (de 30% para 50%
do volume corrente).
● Fechamento precoce das vias aéreas
menores, o que justifica aumento do
gradiente alveoloarterial de oxigênio.
● Desacoplamento ventilação/perfusão,
o que diminui fisiologicamente a
saturação de oxigênio com o avanço
da idade, podendo agravar sintomas
como dispneia e hipoxia.
● Diminuição do reflexo de tosse, o que
aumenta risco de microaspiração e
pneumonia aspirativa.
● Redução da capacidade vital;
aumento da capacidade residual
funcional (CRF) e do volume residual,
mas capacidade pulmonar total e
volume corrente permanecem
estáveis.
ATENÇÃO: É importante ressaltar que os
livros de pneumologia relatam que a
capacidade residual funcional (CRF) não se
altera com o envelhecimento. Já alguns livros
de geriatria afirmam que esse parâmetro
aumenta com o envelhecimento. Ou seja,
não há consenso.
⇨ sistema excretor: envolve uma série de
mudanças anatômicas e fisiológicas que,
embora sejam progressivas, nem sempre
comprometem a função renal de forma
significativa em repouso. No entanto, tornam
o idoso mais vulnerável a situações de
estresse hemodinâmico ou metabólico.
↳ anatomicas:
● tamanho e peso renal: A partir dos
40 anos, há uma redução gradual do
volume e peso dos rins. Aos 90 anos,
espera-se que um indivíduo tenha
aproximadamente 70% da massa
renal que possuía aos 20 anos. A
perda ocorre predominantemente na
região cortical, com relativa
preservação da medular.
● néfrons: Há uma redução
progressiva no número, com
glomeruloesclerose e atrofia tubular.
Aos 70 anos, estima-se que reste
apenas cerca de 1/3 dos glomérulos
presentes ao nascimento. Os néfrons
remanescentes sofrem hipertrofia
compensatória, aumentando de
tamanho para manter a função renal.
Alterações estruturais incluem
proliferação de células mesangiais e
espessamento da membrana basal.
● Fibrose e alterações vasculares: A
aterosclerose começa a se manifestar
a partir dos 40 anos, com deposição
lipídica e substituição do tecido
muscular por tecido conjuntivo nos
vasos. Isso leva à redução da
elasticidade vascular, diminuição do
calibre dos vasos renais e isquemia.
A isquemia crônica contribui para
nefroesclerose (glomeruloesclerose
global, fibrose intersticial e atrofia
tubular).
● Alterações tubulares: A isquemia
renal também provoca redução do
comprimento e volume dos túbulos
renais. Formação de divertículos nos
túbulos contornados distal e coletor,
podendo evoluir para cistos simples,
com prevalência crescente a partir
dos 40 anos.
● trato urinário inferior: Redução da
atividade das áreas corticais
envolvidas no controle da continência.
Redução de neurotransmissores
vesicais, aumento de inflamação e
estresse oxidativo. Isquemia crônica
da bexiga causa fibrose e diminuição
da complacência, levando à
hiperatividade do detrusor. No
homem, há influência da hiperplasia
prostática benigna, promovendo
obstrução uretral, hipertrofia
compensatória do detrusor e,
posteriormente, incontinência urinária
por hipocontratilidade. Nas mulheres,
redução do estrogênio
pós-menopausa leva à atrofia da
mucosa uretral, facilitando infecções
e sintomas irritativos.
↳ Funcional: redução da reserva renal, com
menor capacidade de eliminação de potássio
e carga ácida, predispondo a
hiperpotassemia, acidose metabólica e maior
risco de nefrotoxicidade. A capacidade de
conservare excretar sódio também diminui,
com maior eliminação noturna, favorecendo
poliúria, especialmente pela redução da ação
do ADH e da aldosterona.
● consequência: Esse desequilíbrio
pode causar manifestações
neurológicas, como confusão mental,
agravadas pelo uso de
medicamentos. Além disso, a
capacidade de diluir urina e excretar
água está prejudicada, aumentando o
risco de desidratação
O fluxo sanguíneo renal reduz-se,
principalmente por aumento da resistência
vascular, com vasodilatação compensatória
via prostaglandinas. A perda da resposta
vascular torna o rim mais vulnerável a
insultos isquêmicos, como hipovolemia e
baixo débito cardíaco. A taxa de filtração
glomerular (TFG) declina progressivamente,
mas a creatinina sérica pode permanecer
aparentemente normal devido à menor
massa muscular e ingestão proteica. Assim,
fórmulas como MDRD e CKD-EPI são
preferíveis à de Cockcroft-Gault para estimar
a TFG, sendo a CKD-EPI mais precisa. Em
casos específicos, recomenda-se o uso da
cistatina C, menos influenciada por variáveis
como idade e massa muscular.
A função tubular, responsável pela
reabsorção de água e eletrólitos, controle do
pH e formação de urina, permanece
preservada, apesar das alterações
estruturais.
Redução da secreção de renina,
possivelmente como compensação ao
aumento da angiotensina II intrarrenal.
Eritropoetina (EPO) pode apresentar níveis
elevados devido a perdas sanguíneas
subclínicas, aumento do turnover eritrocitário
ou resistência à EPO; contudo, em idosos
anêmicos, os níveis de EPO são
inadequadamente baixos. Diminuição na
conversão de 25-hidroxivitamina D em sua
forma ativa (1,25-di-hidroxivitamina D),
prejudicando a absorção intestinal de cálcio.
⇨ sistema cardiaco:
↳ arterial: espessamento da parede,
decorrente da hipertrofia das células
musculares lisas, acúmulo de matriz
extracelular, deposição de cálcio e colágeno,
além da perda de fibras elásticas na camada
média. A espessura médio-intimal pode
triplicar entre os 20 e 90 anos de idade.
Essas alterações contribuem para o aumento
progressivo da pressão arterial sistólica e
para a redução da diastólica após a sexta
década de vida, resultando em maior rigidez
vascular e elevação da pressão de pulso, um
importante preditor de eventos
cardiovasculares em idosos.
↳ coração: O átrio esquerdo aumenta
aproximadamente 50% da terceira à oitava
década de vida, enquanto o ventrículo
esquerdo apresenta um espessamento
médio de 10% da parede, embora sem
alteração significativa do volume da
cavidade. A rigidez do ventrículo esquerdo
reduz sua complacência e elasticidade,
comprometendo o enchimento ventricular e
diminuindo o volume ejetado por minuto,
levando à queda progressiva do débito
cardíaco, que se reduz em torno de 1% ao
ano a partir da terceira década de vida.
Assim, um indivíduo de 80 anos pode
apresentar cerca de metade do débito
cardíaco que possuía aos 20 anos. há
espessamento e calcificação progressiva das
válvulas, especialmente da aórtica e do anel
mitral, o que pode predispor a alterações de
condução elétrica, insuficiência mitral e
aumento do risco de endocardite infecciosa.
Além disso, ocorre deposição de substância
amiloide no miocárdio, especialmente após
os 70 anos, presente em até 80% dos
idosos, o que pode contribuir para o
desenvolvimento de insuficiência cardíaca.
↳ condução elétrica: redução do numero de
células no nó sinusal e no feixe de His, além
de infiltração gordurosa, que pode isolar o nó
sinusal da musculatura subjacente,
aumentando o risco de arritmias, como a
fibrilação atrial
↳ função: função, observa-se uma redução
discreta da frequência cardíaca de repouso,
mas uma redução acentuada na resposta ao
esforço, devido à diminuição da
responsividade aos estímulos
beta-adrenérgicos e à redução do tônus
parassimpático. A aptidão cardiorrespiratória
também declina, com queda do consumo
máximo de oxigênio de cerca de 10% por
década, processo que se acelera em idosos,
principalmente pela redução da frequência
cardíaca máxima e da utilização periférica de
oxigênio. A hipertensão arterial manifesta-se
predominantemente como elevação sistólica
isolada, aumentando a carga pulsátil sobre o
coração e a vasculatura. A pressão de pulso
se eleva significativamente, sendo
considerada um dos mais importantes
indicadores de risco cardiovascular em
adultos de meia-idade e idosos.
⇨ sistema endócrino: A menopausa é uma
das mudanças endócrinas mais significativas
no envelhecimento feminino, representando
a falência ovariana em resposta ao FSH e
marcando o fim da vida fértil. Considerando
uma expectativa de vida média de 78 anos,
cerca de um terço da vida da mulher ocorre
no período pós-menopausa, fase associada
a sintomas como fogachos, sudorese
noturna, alterações do sono, atrofia
geniturinária, incontinência urinária,
dispareunia, redução da libido e alterações
do humor. A longo prazo, o hipoestrogenismo
aumenta o risco cardiovascular, de
osteoporose e de doença de Alzheimer.
Nos homens, há uma redução progressiva
dos níveis séricos de testosterona e um
aumento da SHBG, reduzindo os níveis de
testosterona livre, que é a fração
biologicamente ativa. A reposição hormonal
pode ser considerada em casos de
hipogonadismo clínico, desde que não haja
contraindicações.
Além disso, ocorre redução da secreção
noturna do hormônio do crescimento (GH).
No eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, há
diminuição dos hormônios androgênicos
adrenais (pregnenolona, DHEA e
17-hidroxipregnenolona), associada à atrofia
da camada reticular da adrenal, embora os
níveis de cortisol permaneçam estáveis.
Quanto à função tireoidiana, há redução dos
níveis de T3 total e livre discreto aumento
fisiológico do TSH, geralmente sem
necessidade de tratamento. No entanto, no
hipotireoidismo subclínico, o tratamento é
indicado em idosos apenas quando o TSH
for superior a 10 mU/L.
Além disso, ocorre redução da sensibilidade
à insulina, favorecida por alterações na
composição corporal, menor atividade física,
alterações hormonais e inflamação crônica,
contribuindo para o risco de disfunção
metabólica e intolerância à glicose.
Por fim, há queda nos níveis séricos de
vitamina D, resultando em menor absorção
de cálcio intestinal e predispondo ao
hiperparatireoidismo secundário, com
aumento das concentrações do
paratormônio, independentemente dos níveis
de vitamina D, cálcio, fosfato ou da função
renal.
4. Avaliação Geriátrica Ampla
É um processo diagnóstico multidimensional
e interdisciplinar que visa identificar
deficiências, incapacidades e desvantagens
do idoso, além de planejar cuidados e
assistência médica, psicossocial e funcional
a médio e longo prazos.
Sua principal diferença em relação ao
atendimento médico tradicional é o foco no
estado funcional e na qualidade de vida,
utilizando instrumentos específicos (testes,
índices e escalas) que facilitam a
comunicação entre profissionais e o
acompanhamento evolutivo. A AGA é
especialmente indicada para idosos frágeis e
com multimorbidades.
Também chamada de Avaliação Geriátrica
Multidimensional (AGM) ou Avaliação
Geriátrica Global (AGG), é considerada o
padrão-ouro na avaliação do idoso, sendo
descrita como o "coração e alma da medicina
geriátrica".
Seus principais objetivos são:
● Realizar um diagnóstico global.
● Desenvolver um plano terapêutico e de
reabilitação.
● Gerenciar adequadamente os recursos.
Embora seja eficaz na identificação de
limitações funcionais e sociais, não substitui
a avaliação clínica tradicional, sendo
complementar a ela. A AGA é essencial na
detecção de síndromes geriátricas, doenças
ocultas ou de manifestações atípicas, que
muitas vezes passam despercebidas em
avaliações médicas padrão.
5. Síndromes Geriátricas (grandes
“Is” da geriatria)
são quadros clínicos frequentes em idosos,
impactando negativamente sua qualidade de
vida e aumentando morbidade emortalidade.
Elas servem como eventos sentinelas,
indicando risco elevado de desfechos
desfavoráveis. São conhecidas como os 7
"Is":
https://drive.google.com/file/d/1M8UHag7kEF
NfbHtlhi_3CfJiQcVdwRpw/view
pag: 47
1. Incapacidade cognitiva: redução
das funções cognitivas essenciais
(memória, linguagem, função
executiva, praxia, gnosia, percepção
visual-espacial), prejudicando
atividades de vida diária. Causas
comuns incluem demência,
depressão e delirium.
2. Incontinência urinária: perda
involuntária de urina, com etiologia
multifatorial, afetando a qualidade de
vida e podendo gerar
constrangimento social.
3. Instabilidade postural: alteração no
equilíbrio e marcha, aumentando o
risco de quedas e a dependência
funcional. Pode ser agravada por
medicamentos como
anti-hipertensivos, hipoglicemiantes,
corticoides, antidepressivos,
anticonvulsivantes, antiarrítmicos e
antibióticos.
4. Incapacidade comunicativa:
dificuldade de comunicação
decorrente de alterações na audição,
fala, motricidade oral e linguagem,
levando ao isolamento social.
5. Insuficiência familiar: ausência de
rede de apoio familiar, elevando o
risco social e a vulnerabilidade do
idoso a eventos adversos.
6. Imobilidade: limitação do movimento,
comprometendo a independência e
favorecendo complicações como
úlceras de pressão e trombose.
7. Iatrogenia: danos causados por
intervenções médicas excessivas ou
inadequadas. Idosos são mais
suscetíveis devido às alterações na
composição corporal, que influenciam
a farmacocinética, aumentando o
risco de reações adversas
medicamentosas.
https://drive.google.com/file/d/1M8UHag7kEFNfbHtlhi_3CfJiQcVdwRpw/view
https://drive.google.com/file/d/1M8UHag7kEFNfbHtlhi_3CfJiQcVdwRpw/view
6. Aspectos biopsicossociais e
epidemiológicos, relacionados ao
abuso dos procedimentos
estéticos para retardo do
envelhecimento
O abuso de procedimentos estéticos para
retardar o envelhecimento é impulsionado
por fatores biopsicossociais, como a
valorização da juventude, insatisfação
corporal e pressão social, especialmente
pelas mídias. Esse comportamento pode
gerar riscos biológicos, como complicações
físicas e dependência estética, além de
agravar transtornos psicológicos, como a
dismorfofobia. Epidemiologicamente, há
aumento expressivo desses procedimentos,
sobretudo entre mulheres e, mais
recentemente, homens, muitas vezes
realizados por profissionais não qualificados,
elevando os riscos. Esse fenômeno exige
abordagem ética, regulamentação rigorosa e
promoção de uma visão positiva e saudável
do envelhecimento.
⇨ Mortalidade por Gênero
↳ Idosos Jovens (60-69 anos)
↳ Idosos mais velhos (80 anos ou mais)
⇨ Principais Fatores de Risco de Mortalidade
↳ Doenças Circulatórias e Diabetes
↳ Causas externas
↳ Fatores relacionados à coorte
↳ Neoplasias
↳ Uso e desgaste: Defende que o envelhecimento resulta do acúmulo de danos causados pelo uso contínuo do organismo. Porém, não é amplamente aceita, pois o corpo possui mecanismos eficientes de reparo, e níveis moderados de estresse podem até aumentar a longevidade.
↳ Proteínas alteradas: Com o tempo, proteínas sofrem alterações estruturais que prejudicam suas funções. Exemplos: aumento de ligações cruzadas no colágeno leva ao enrijecimento arterial e à elevação da pressão sistólica, afetando diversos sistemas.
↳ Mutações somáticas e dano ao DNA: O DNA sofre mutações (alterações na sequência de nucleotídeos) e danos estruturais (causados por fatores internos ou externos), resultando em expressão gênica inadequada, comprometendo a função celular e contribuindo para o envelhecimento.
↳ Erro catastrófico: Erros aleatórios e cumulativos na transcrição ou tradução genética poderiam gerar proteínas defeituosas e comprometer a função celular, levando ao declínio funcional característico do envelhecimento. Contudo, testes mostram que a taxa de erro no maquinário proteico é mínima.
↳ Desdiferenciação: Células podem perder sua capacidade de manter funções específicas, passando a produzir proteínas desnecessárias, levando à disfunção e envelhecimento celular. A pleiotropia antagonista sugere que genes benéficos na juventude podem ser prejudiciais na velhice.
↳ Dano oxidativo — Radicais livres: A produção de energia nas mitocôndrias gera espécies reativas de oxigênio (radicais livres) que danificam proteínas, lipídios e DNA. Esse estresse oxidativo aumenta com a idade, contribuindo para doenças como catarata e cardiovasculares. No entanto, suplementação antioxidante não demonstrou aumentar a longevidade.
↳ Metabólica: A longevidade é inversamente relacionada à taxa metabólica: animais com metabolismo acelerado tendem a viver menos. Embora intuitiva, essa teoria é controversa e com evidências limitadas. Em humanos, alta taxa metabólica basal é fator de risco para mortalidade.
↳ Genética: Sugere que alterações na expressão gênica ao longo da vida promovem o envelhecimento. Há conversão gradual de eucromatina (ativa) em heterocromatina (inativa).A teoria dos telômeros: encurta o telômero cromossômico a cada divisão celular. O encurtamento progressivo dessas estruturas a cada divisão leva à senescência celular (limite de Hayflick). Ainda é uma área de debate.
↳ Neuroendócrina: Alterações no sistema endócrino causam desequilíbrio homeostático e favorecem a senescência. O envelhecimento está associado a aumento da inflamação e níveis elevados de cortisol, podendo resultar em resistência insulínica e risco cardiovascular.
↳ Imunológica: O envelhecimento está ligado à imunossenescência, com redução na produção de anticorpos e menor resposta a infecções e vacinas. Há desregulação entre a imunidade inata e adaptativa, favorecendo doenças autoimunes e câncer.
↳ Epigenética: refere-se a modificações no genoma que não alteram a sequência do DNA, mas podem ser herdadas e influenciar a expressão gênica. Fatores como hábitos de vida e ambiente social modificam o funcionamento celular por meio de alterações químicas no DNA e nas histonas (proteínas que organizam o DNA como um "carretel"). Resultando na ativação ou inibição de genes por processos como metilação, acetilação, ubiquitinação e fosforilação.