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ENFERMAGEM INTERDISCIPLINAR POLÍTICA NACIONAL DE ATENÇÃO BÁSICA (PNAB) Na Atenção Básica, a universalidade é o eixo estrutural da atenção à saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Considerando a pessoa em sua singularidade social e cultural, proporciona a ela uma atenção integral, além de incorporar as ações de vigilância em saúde num processo contínuo e sistemático de coleta, análise e disseminação de dados sobre eventos relacionados à saúde. Isso se dá visando ao planejamento e à implementação de ações públicas para proteger a saúde da população, além de prevenir e reduzir riscos, agravos e doenças. A Atenção Básica é caracterizada por ser a porta de entrada preferencial do SUS, relacionando-se ao cuidado das pessoas e a um papel estratégico na Rede de Atenção à Saúde (RAS), servindo como base para a integralidade da saúde. Dentro das estratégias do cuidar, o Programa Saúde da Família, criado em 1994, amplia a cobertura de saúde, voltando‑se à população em situação social mais vulnerável e, ao longo dos anos, organizando o processo de trabalho com equipe multiprofissional, base territorial e responsabilidade sanitária. Em 2006 foi promulgada a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), inserida no contexto do Pacto da Saúde. Ela ainda teve uma segunda edição em 2011, com a Portaria n. 2.488, estabelecendo diretrizes e normas para a organização da Atenção Básica, para a Estratégia Saúde da Família (ESF) e para o Programa de Agentes Comunitários de Saúde (Pacs). Sua terceira edição data de 2017. Essa política, conforme normatização vigente no SUS, define a organização em RAS como uma estratégia para um cuidado integral e direcionado às necessidades de saúde da população, além de destacar a Atenção Básica como o primeiro ponto de atenção e a porta de entrada preferencial do SUS, devendo ordenar os fluxos e contrafluxos de pessoas, produtos e informações em todos os pontos de atenção à saúde. Tendo em vista uma melhor articulação, a PNAB rege princípios e diretrizes que caracterizam a relação de serviços ofertados na Atenção Básica e são orientadores para a sua organização nos municípios. PRINCÍPIOS Universalidade Possibilitar o acesso universal e contínuo a serviços de saúde de qualidade e resolutivos, caracterizados como a porta de entrada preferencial da RAS (primeiro contato), acolhendo as pessoas e promovendo a vinculação e a corresponsabilização pela atenção às suas necessidades de saúde. Equidade Ofertar o cuidado reconhecendo as diferenças nas condições de vida e de saúde de acordo com as necessidades de cada pessoa. Considerar que o direito à saúde passa pelas diferenciações sociais e deve atender à diversidade, ficando proibida qualquer exclusão baseada em idade, gênero, cor, crença, nacionalidade, etnia, orientação sexual, identidade de gênero, estado de saúde, condição socioeconômica, escolaridade e limitação física, intelectual ou funcional, entre outras. Integralidade É o conjunto de serviços executados pela equipe de saúde que atendem às necessidades da população adscrita, envolvendo promoção e manutenção da saúde, prevenção de doenças e agravos, cura, reabilitação, redução de danos e cuidados paliativos, além do adequado reconhecimento das necessidades biológicas, psicológicas, ambientais e sociais causadoras de doenças. DIRETRIZES Regionalização e hierarquização É a Atenção Básica como ponto de comunicação entre a RAS, considerando regiões de saúde um recorte espacial estratégico para fins de planejamento, organização e gestão de redes de ações e serviços de saúde. Territorialização e adstrição Permite a programação e o desenvolvimento de ações setoriais e intersetoriais com foco em um território específico, impactando a situação, os condicionantes e os determinantes da saúde das pessoas e das coletividades que constituem aquele espaço e estão, portanto, adstritos a ele. População adscrita Trata-se da população que está presente no território da UBS. O objetivo é estimular o desenvolvimento de relações de vínculo e responsabilização entre as equipes e a população, garantindo a continuidade das ações de saúde e a longitudinalidade do cuidado. Cuidado centrado na pessoa Aponta para ações de cuidado singularizados que auxiliem as pessoas a desenvolver os conhecimentos, as aptidões, as competências e a confiança necessária para gerir e tomar decisões embasadas sobre sua própria saúde e seu cuidado de saúde de forma mais efetiva. Resolutividade Refere‑se à importância de a Atenção Básica ser resolutiva, utilizando e articulando diferentes tecnologias de cuidado por meio de uma clínica ampliada capaz de construir vínculos positivos e intervenções clínica e sanitariamente efetiva, centradas na pessoa e nos grupos sociais. Longitudinalidade do cuidado Pressupõe a continuidade da relação de cuidado, com construção de vínculo e responsabilização entre profissionais e usuários ao longo do tempo e de modo permanente e consistente, acompanhando os efeitos das intervenções em saúde e de outros elementos da vida das pessoas, evitando, assim, a perda de referências. Coordenação do cuidado Trata‑se de elaborar, acompanhar e organizar o fluxo dos usuários entre os pontos de atenção das RAS, articulando também as outras estruturas das redes de saúde e intersetoriais, públicas, comunitárias e sociais. Ordenação das redes Significa reconhecer as necessidades de saúde da população sob sua responsabilidade, organizando tais necessidades em relação aos outros pontos de atenção à saúde, contribuindo para que o planejamento das ações, assim como a programação dos serviços de saúde, parta das necessidades de saúde das pessoas Participação da comunidade Refere‑se a estimular a participação das pessoas, a orientação comunitária das ações de saúde na Atenção Básica e a competência cultural no cuidado como forma de ampliar sua autonomia e capacidade na construção do cuidado à sua saúde e das pessoas e coletividades do território Entre as atribuições dos profissionais das equipes de Atenção Básica, as atividades devem seguir as referidas disposições legais que regulamentam o exercício de cada uma das profissões. Assim, trataremos agora das atividades específicas do enfermeiro, destacando a seguir suas obrigações: ● Realizar atenção à saúde aos indivíduos e famílias vinculadas às equipes e, quando indicado ou necessário, no domicílio e/ou nos demais espaços comunitários (escolas, associações, entre outras), em todos os ciclos de vida. ● Realizar consulta de enfermagem, procedimentos, solicitar exames complementares, prescrever medicações conforme protocolos, diretrizes clínicas e terapêuticas, ou outras normativas técnicas estabelecidas pelo gestor federal, estadual, municipal ou do Distrito Federal, observadas as disposições legais da profissão. ● Realizar e/ou supervisionar acolhimento com escuta qualificada e classificação de risco, de acordo com protocolos estabelecidos. ● Realizar estratificação de risco e elaborar plano de cuidados para as pessoas que possuem condições crônicas no território, junto aos demais membros da equipe. ● Realizar atividades em grupo e encaminhar, quando necessário, usuários a outros serviços, conforme fluxo estabelecido pela rede local. ● Planejar, gerenciar e avaliar as ações desenvolvidas pelos técnicos/auxiliares de enfermagem, ACS e ACE em conjunto com os outros membros da equipe. ● Supervisionar as ações do técnico/auxiliar de enfermagem e ACS. ● Implementar e manter atualizados rotinas, protocolos e fluxos relacionados à sua área de competência na UBS. ● Exercer outras atribuições conforme legislação profissional, e que sejam de responsabilidade da sua área de atuação. A Portaria n. 2.436/2017, do Ministério da Saúde, aprovou a PNAB no Brasil e revisou as diretrizes para a organização da Atenção Básica no âmbito do SUS. Essa portaria define a Atenção Básica, ou Atenção Primária em Saúde (APS), como um conjunto de ações de saúde individuais, familiares e coletivas que envolvepara promover a saúde e os cuidados. Ao ouvir a si mesmo e aos outros participantes, a pessoa pode atribuir outros significados ao seu sofrimento, diminuindo o processo de somatização e as complicações clínicas. É uma prática que combina postura, técnicas de respiração, meditação e relaxamento. Funciona como um exercício físico, respiratório e mental. TUBERCULOSE Com foco na criação de instrumentos que tragam qualidade de vida à população, a Atenção Básica definiu como estratégias para atuação em todo o território nacional, além de outros pontos de atenção, a eliminação da hanseníase e o controle da tuberculose. A tuberculose é uma doença infectocontagiosa causada pelo Mycobacterium tuberculosis, que se aloja no pulmão ou em outras partes do corpo. Pode manifestar‑se como tuberculose miliar (forma mais grave que ocorre quando o bacilo entra na corrente sanguínea e chega a todos os órgãos, havendo grande risco de meningite), tuberculose óssea (se dá quando o bacilo consegue penetrar e se desenvolver nos ossos), tuberculose ganglionar (pode acometer os gânglios do tórax, virilha, abdômen ou, mais frequentemente, do pescoço) e tuberculose pleural (ocorre quando o bacilo afeta a pleura, tecido que reveste os pulmões, causando intensa dificuldade em respirar; este tipo não é contagioso). A tuberculose pode ser causada por qualquer uma das sete espécies que integram o complexo Mycobacterium tuberculosis: M. tuberculosis, M. bovis, M. africanum, M. canetti, M. microti, M. pinnipedi e M. caprae. Em saúde pública, a espécie mais importante é a M. tuberculosis, pois está relacionada a uma doença infecciosa causada por bacilo álcool‑ácido‑resistente (Baar), que inicialmente atinge os alvéolos pulmonares e, após englobado por macrófagos, é transportado para os linfonodos hilares e mediastinais. O modo de infecção ocorre pela inalação de núcleos secos de partículas contendo bacilos expelidos pela tosse, pela fala ou pelo espirro do doente com tuberculose ativa de vias respiratórias (pulmonar ou laríngea). A doença atinge principalmente os pulmões, porém existem formas exclusivamente extrapulmonares e não transmissíveis. O período de incubação varia de 4 a 12 semanas após a infecção, havendo desenvolvimento de reação tuberculínica positiva. O período de transmissão acontece com doentes bacilíferos, isto é, aqueles cuja baciloscopia de escarro é positiva, os quais são a principal fonte de infecção. Sabe‑se que, entre os principais sinais e sintomas, observa‑se o comprometimento do estado geral de saúde, febre vespertina, sudorese noturna, inapetência, emagrecimento, fadiga e tosse, que pode ser acompanhada ou não de escarros hemoptoicos. No quadro a seguir destacam-se as ações que o enfermeiro deve tomar na consulta a fim de monitorar, controlar e informar o paciente com tuberculose. CONSULTA DE ENFERMAGEM Investigação/E ntrevista Deve‑se questionar duração e aspecto da tosse, perda de peso e de apetite, aumento de temperatura (principalmente no período da tarde), fraqueza, cansaço, sudorese (principalmente noturna), preocupações e dúvidas sobre a doença, preocupações familiares e sociais, além de hábitos pessoais e ambiente em que vive. Também história prévia de TB,outras comorbidades, história familiar de TB, moradia, uso/abuso de álcool e drogas, abandono de tratamento e aspectos psicossociais que podem estar ligados ao isolamento e à rejeição de familiares e amigos devido ao estigma e ao preconceito relacionado à doença. Exame físico Observar tosse insidiosa e progressiva, aspecto da tosse (mucoide ou mucopurulenta), hemoptise, dispneia, ortopneia; avaliar fraqueza, fadiga, umidade da pele devido à sudorese, dor torácica durante palpação, diminuição do frêmito (caso tenha derrame pleural) e atentar para macicez (principalmente em bases pulmonares devido a derrame pleural e murmúrios vesiculares reduzidos, ou crepitações devido a muco) Diagnóstico Com base na interpretação e nas conclusões quanto às necessidades, aos problemas e às preocupações da pessoa diante dos dados obtidos na anamnese, alguns diagnósticos, descritos a seguir, podem ser dados: - Controle ineficaz da saúde relacionado ao regime de tratamento complexo, apoio social insuficiente e conhecimento insuficiente do regime terapêutico Para detectar a doença, a baciloscopia direta torna-se imprescindível, deve‑se solicitar imediatamente a coleta da primeira amostra do escarro para aproveitar a presença do cliente. Essa amostra deve ser coletada em um ambiente aberto, de preferência ao ar - Conhecimento deficiente relacionado à informação insuficiente ou errônea, interesse insuficiente em aprender, limitação na função cognitiva - Nutrição desequilibrada (menor que as necessidades corporais na situação da doença, fatores biológicos,culturais, incapacidade de absorver os nutrientes e desvantagens econômicas) - Risco de infecção evidenciado por desnutrição, imunossupressão, conhecimento insuficiente para evitar exposição a patógenos - Intolerância à atividade relacionada à fadiga, fraqueza e desequilíbrio entre a oferta e as demandas de oxigênio - Padrão respiratório ineficaz relacionado a fadiga e dor Planejamento Alguns pontos devem ser observados para se alcançar as metas da assistência, como orientar sobre a percepção da presença de complicações, sobre os medicamentos em uso (indicação, doses, horários, efeitos desejados e colaterais), solicitar e avaliar os exames previstos no protocolo assistencial local e, quando pertinente, encaminhar aos outros profissionais Intervenções Fazer avaliação da saúde, facilitando o acesso aos serviços de saúde, orientando sobre razões e propósitos da monitorização da saúde; obter consentimento informado para os procedimentos e avaliações; obter a história de saúde e realizar o exame físico; atentar para a condição nutricional, avaliar o peso a cada consulta e investigar os recursos disponíveis e usuais de alimentação do doente e, quando necessário, estabelecer parcerias para obtenção de recursos, como cesta básica e vale‑refeição É importante a troca de informações sobre os cuidados de saúde, identificando as capacidades do cliente para adesão ao regime terapêutico; administrar dose supervisionada e orientar sobre a importância da continuidade do uso da medicação de maneira regular, das drogas utilizadas, da duração do tratamento, dos controles mensais da baciloscopia e das consultas com médico/enfermeiro, informando reações e interações dos medicamentos, atentando aos efeitos colaterais (hemoptise e dispneia, entre outros); orientar sobre a cura e encorajar quanto à dose supervisionada, orientar a família e o indivíduo com tuberculose quanto à importância de medidas preventivas (como o descarte adequado dos lenços utilizados, a proteção da boca durante a tosse e a correta lavagem das mãos); proceder busca dos faltosos e contatar comunicantes É vital a educação para a saúde, determinando os conhecimentos de saúde e os comportamentos de vida atuais dos indivíduos, desmitificando falsos conceitos relativos à tuberculose, formulando os objetivos para o programa de saúde, identificando os recursos necessários, enfatizando os benefícios à saúde a serem obtidos por comportamentos de vida positivos, incorporando estratégias que elevem a autoestima e façam o doente compreender todos os aspectos da doença durante o TDO (o que é a doença, como ocorre sua transmissão, medicamento em uso, condução/duração do tratamento, associação das drogas, regularidade na tomada da medicação, cura da doença, contatos, estigmas e preconceitos) Avaliação Avaliar a pessoa e a família quanto às metas de cuidados, se foram alcançadas e o grau de satisfação em relação ao tratamento; observar se ocorreu alguma mudança a cada retorno, avaliar a necessidade de mudança ou adaptação no processo de cuidado e reestruturar o plano de acordo com essas necessidades, registrando no prontuário todo o processo de acompanhamento livre. Para o diagnóstico, deve‑se coletar pelo menos duas amostrasde escarro: a primeira geralmente no momento da consulta, a segunda no dia seguinte, preferencialmente ao despertar – essa última geralmente é abundante, porque provém das secreções acumuladas na árvore brônquica durante a noite. As unidades de saúde devem receber, a qualquer hora de seu período de funcionamento, as amostras coletadas no domicílio e conservá‑las sob refrigeração até o seu processamento. Para o transporte, as amostras devem ser refrigeradas, ter proteção contra a luz solar e um acondicionamento adequado para que não haja risco de derramamento, as requisições dos exames devem ser enviadas com o material, fora do recipiente de transporte. Outro exame pode ser realizado para fins diagnósticos, como o teste rápido TRM‑TB, que apresenta o resultado em aproximadamente duas horas em ambiente laboratorial, sendo necessária somente uma amostra de escarro. Trata‑se de um teste de amplificação de ácidos nucleicos utilizado para detecção de DNA dos bacilos do complexo M. tuberculosis e triagem de cepas resistentes à rifampicina. A sensibilidade do TRM‑TB em amostras de escarro de adultos é de cerca de 90%, sendo superior à da baciloscopia. O COLETA AMOSTRA DE ESCARRO Orientações ao paciente - Entregar o recipiente ao paciente, verificando se a tampa fecha de forma adequada e se o pote está devidamente identificado (nome do paciente e data da coleta no corpo do pote). - Orientar o paciente quanto ao procedimento de coleta: ao despertar pela manhã, lavar bem a boca, inspirar profundamente, prender a respiração por um instante e escarrar após forçar a tosse; repetir essa operação até obter três eliminações de escarro, evitando que ele escorra pela parede externa do pote - Informar que o pote deve ser tampado e colocado em um saco plástico com a tampa para cima, cuidando para que permaneça nessa posição - Orientar o paciente a lavar as mãos - Na impossibilidade de envio imediato da amostra para o laboratório ou unidade de saúde, ela poderá ser conservada em geladeira comum até no máximo sete dias Qualidade e quantidade da amostra Uma boa amostra de escarro é a que provém da árvore brônquica, obtida após esforço de tosse, e não a que se obtém da faringe ou por aspiração de secreções nasais, nem tampouco a que contém somente saliva; o volume ideal é de 5 mL a 10 mL Recipiente O material deve ser coletado em potes plásticos descartáveis, com boca larga (50 mm de diâmetro), transparente, com tampa de rosca, altura de 40 mm, capacidade de 35 mL a 50 mL; a identificação (nome do paciente e data da coleta) deve ser feita no corpo do pote e nunca na tampa, utilizando‑se, para tal, esparadrapo, fita crepe ou caneta com tinta indelével Local da coleta As amostras devem ser coletadas em local aberto, de preferência ao ar livre ou em condições adequadas de biossegurança. teste também detecta a resistência à rifampicina, com uma sensibilidade de 95%, porém está indicado, prioritariamente, para o diagnóstico de tuberculose pulmonar e laríngea em adultos e adolescentes. Mais um método de investigação da tuberculose é a radiografia de tórax. Os achados radiológicos podem auxiliar no diagnóstico, apontando para a suspeita de doença em atividade ou cicatrizes da doença no passado, possibilitando também averiguar, nos casos positivos, a extensão do comprometimento pulmonar. Também se pode ter o diagnóstico através da histopatologia (biópsia), empregada para investigação de formas extrapulmonares ou pulmonares que se apresentam radiologicamente como doença difusa. Uma vez diagnosticada a doença, o tratamento antiTB consiste na quimioterapia antituberculosa com o uso de rifampicina (R), isoniazida (H), pirazinamida (Z) e etambutol (E), fármacos que interferem no sistema enzimático do bacilo ou bloqueiam a síntese de algum metabólito essencial para o seu crescimento. No Brasil, o esquema básico para tratamento da TB em adultos e adolescentes é composto de quatro fármacos na fase intensiva e dois na fase de manutenção. A apresentação farmacológica dos medicamentos atualmente em uso para o esquema básico é de comprimidos em doses fixas combinadas com a apresentação tipo 4 em 1 (RHZE) ou 2 em 1 (RH). Casos de falência são aqueles em que persiste a positividade do escarro ao final do tratamento e também os que, no início do tratamento, são fortemente positivos (++ ou +++) e mantêm essa situação até o quarto mês ou, ainda, aqueles com positividade inicial seguida de negativação e nova positividade por dois meses consecutivos, a partir do quarto mês de tratamento. Esses casos devem ser criteriosamente avaliados quanto a histórico terapêutico, adesão aos tratamentos anteriores e confirmação por meio de exames e testes de sensibilidade que comprovem a resistência aos medicamentos (para então receber um esquema padronizado para multirresistência ou esquemas especiais individualizados). É preconizado o acompanhamento do caso de tuberculose resistente por pelo menos cinco anos após a cura, a fim de detectar precocemente uma possível recidiva. Casos novos, para efeito de indicação de esquemas terapêuticos, são pessoas virgens de tratamento (VT), aqueles pacientes que nunca se submeteram a nenhum tipo de tratamento antiTB ou pacientes submetidos ao tratamento por até 30 dias. São considerados casos de retratamento ou com tratamento anterior (TA) os pacientes já tratados para TB por um período maior que 30 dias e que necessitam de novo tratamento por recidiva após cura (RC) ou retorno após abandono (RA). Alguns cuidados, listados a seguir, devem ser observados com relação ao tratamento: ● Os medicamentos devem ser administrados preferencialmente em jejum (uma hora antes ou duas horas após o café da manhã) em uma única tomada ou, em caso de intolerância digestiva, com uma refeição. ● Orientar a mulher a utilizar outros métodos anticoncepcionais que não os orais, pois a rifampicina interfere na ação desses contraceptivos. ● Atentar às reações adversas mais frequentes ao esquema básico, como mudança da coloração da urina (avermelhada), intolerância gástrica (40%), alterações cutâneas (20%), icterícia (15%) e dores articulares (4%). Diante de um caso de tuberculose, é necessária a investigação epidemiológica das pessoas que tiveram contato com o indivíduo infectado, especialmente os que residem na mesma casa. Outras situações, como contatos no trabalho ou escola, populações institucionalizadas, presos, albergues, asilos e habitações coletivas, devem ser avaliadas quanto ao tipo de contato e tempo de convivência. Vale lembrar que, para cada 100 SR examinados, espera‑se encontrar, em média, de três a quatro doentes bacilíferos, índice que pode variar de acordo com o coeficiente de incidência da região. Em 1993, a OMS declarou a tuberculose uma emergência mundial e passou a recomendar a estratégia Dots, sigla em inglês que significa tratamento diretamente observado de curta duração, como resposta global para o controle da doença. Esta estratégia fundamenta‑se em cinco componentes: 1. Compromisso político com fortalecimento de recursos humanos e garantia de recursos financeiros, elaboração de planos de ação (com definição de atividades, metas, prazos e responsabilidades) e mobilização social. 2. Diagnóstico de casos por meio de exames bacteriológicos de qualidade. 3. Tratamento padronizado com a supervisão da tomada da medicação e apoio ao paciente. 4. Fornecimento e gestão eficaz de medicamentos. 5. Sistema de monitoramento e avaliação ágil que possibilite o monitoramento dos casos, desde a notificação até o encerramento do caso. Diagnosticar e tratar correta e prontamente os casos de tuberculose pulmonar são as principais medidas para o controle da doença, sendo necessário encontrar precocemente o paciente e oferecer o tratamento adequado, interrompendo a cadeia de transmissão da doença. Na busca ativa, utiliza‑se como estratégia interrogar sobre a presença e duração da tosse à clientela dos serviços de saúde, independentemente do motivoda procura pelo serviço; orientar os sintomáticos respiratórios (SR) identificados para a coleta do exame de escarro e coletar duas amostras, uma no momento da identificação e outra no dia seguinte; estabelecer fluxo para conduta nos casos positivos e negativos à baciloscopia; acompanhar rotineiramente os indicadores sugeridos: proporção de SR examinados, proporção de baciloscopias positivas e proporção da meta alcançada. O tratamento diretamente observado (TDO) constitui um acompanhamento na forma de administrar os medicamentos, sem mudanças no esquema terapêutico: o profissional treinado passa a observar a tomada da medicação do paciente desde o início do tratamento até a sua cura, de todos os diagnosticados, pois não é possível predizer os casos que irão aderir ao tratamento. O TDO vai além da deglutição dos medicamentos. É necessário construir um vínculo entre o doente e o profissional de saúde e o serviço de saúde. Identifica-se a necessidade de remover as barreiras que impedem a adesão, através da reabilitação social, melhora da autoestima e qualificação profissional. Para a implementação do TDO, existem as seguintes modalidades de supervisão: ● Domiciliar: observação realizada na residência do paciente ou em local por ele solicitado. ● Na unidade de saúde: observação em unidades de ESF, UBS, serviço de atendimento de HIV/aids ou hospitais. ● Prisional: observação no sistema prisional. ● Compartilhada: quando o doente recebe a consulta médica em uma unidade de saúde e faz o TDO em outra, mais próxima em relação ao seu domicílio ou trabalho. O local de administração do medicamento ou a opção por observação não diária deve dizer respeito às dificuldades do doente, e nunca do serviço. Para definir se o tratamento foi observado, convenciona-se que este doente deverá ter tido no mínimo 24 tomadas observadas na fase de ataque e 48 tomadas observadas na fase de manutenção. As reações adversas podem ser divididas em dois grandes grupos: reações adversas menores, em que normalmente não é necessária a suspensão do medicamento antiTB; e reações adversas maiores, que normalmente causam a suspensão do tratamento. A maioria dos pacientes completa o tratamento sem qualquer reação adversa relevante. Os fatores de risco mais referidos para o desenvolvimento de efeitos maiores são: idade maior de 40 anos; dependência química ao álcool (ingestão diária de álcool > 80 g); desnutrição (perda de mais de 15% do peso corporal); história de doença hepática prévia; e coinfecção pelo vírus HIV, em fase avançada de imunossupressão. As reações adversas mais frequentes ao esquema básico são: mudança da coloração da urina (ocorre universalmente), intolerância gástrica (40%), alterações cutâneas (20%), icterícia (15%) e dores articulares (4%). Deve ser ressaltado que quando a reação adversa corresponde a uma reação de hipersensibilidade grave, como plaquetopenia, anemia hemolítica, insuficiência renal, o medicamento suspeito não pode ser reiniciado após a suspensão, pois na reintrodução a reação adversa é ainda mais grave. A competência do sistema imunológico pode interferir no risco de adoecimento, como no HIV. Outros fatores relacionados à competência imunológica são: doenças ou tratamentos imunodepressores; idade menor do que 2 anos ou maior do que 60 anos; e desnutrição. O período de incubação pode se estender por muitos anos e mesmo décadas a contar de dois anos da primoinfecção. A vacina BCG é prioritariamente indicada para crianças de 0 a 4 anos, com obrigatoriedade para menores de 1 ano. Trata‑se de uma vacina atenuada, e cada dose administrada contém de 200 mil a mais de um milhão de bacilos. A administração da vacina é intradérmica, no braço direito, na altura da inserção do músculo deltoide. Essa localização limita as reações ganglionares à região axilar. Ela pode ser simultaneamente administrada com outras vacinas, até mesmo com as de vírus vivos. Quando administrada, a vacina não protege os indivíduos já infectados pelo Mycobacterium tuberculosis nem evita o adoecimento por infecção endógena ou exógena, mas oferece proteção a não infectados contra as formas mais graves, tais como a meningoencefalite tuberculosa e a tuberculose miliar, na população menor de 5 anos. Não está recomendada a segunda dose da vacina BCG no Brasil. É recomendado o uso de máscaras tipo PFF2, padrão brasileiro e da União Europeia, ou N95, padrão dos Estados Unidos, por profissionais de saúde ou visitantes (acompanhantes) ao entrar em áreas de alto risco de transmissão (quartos de isolamento respiratório, ambulatório para atendimento referenciado de SR, bacilíferos e portadores de TB com suspeita ou resistência comprovada aos fármacos antiTB). É necessário treinamento especial para uso das máscaras PFF2 ou N95, uma vez que devem ser perfeitamente adaptadas ao rosto do funcionário. Elas podem ser reutilizadas desde que estejam íntegras e secas. Para os pacientes com tuberculose pulmonar ou SR com potencial de transmissão, o uso de máscaras cirúrgicas é recomendado em áreas onde haja falta de estrutura de ventilação adequada, como salas de espera e emergências, enquanto aguarda definição do caso, ou deslocamento de pacientes do isolamento para exames ou procedimentos. HANSENÍASE De acordo com o Ministério da Saúde, a hanseníase é uma doença crônica, infectocontagiosa, cujo agente etiológico é o Mycobacterium leprae (M. leprae). Esse bacilo tem a capacidade de infectar grande número de indivíduos (alta infectividade). No entanto, poucos adoecem (baixa patogenicidade). Essas prioridades não ocorrem em função apenas de suas características intrínsecas, mas dependem, sobretudo, da relação com o hospedeiro e o grau de endemicidade do meio, entre outros aspectos. A hanseníase é uma doença infecciosa, crônica, de evolução lenta, com tempo de multiplicação durando de 11 a 16 dias, e seus principais sinais e sintomas são dermatoneurológicos, como lesões de pele e de nervos periféricos, principalmente nos olhos, mãos e pés. É, também, de grande magnitude para a saúde pública pelo seu alto poder incapacitante, atingindo principalmente as pessoas economicamente ativas, comprometendo seu desenvolvimento profissional e/ou social, bem como causando problemas psicológicos, pelo estigma da doença e preconceito. O alto potencial incapacitante da hanseníase está diretamente relacionado à capacidade do bacilo de penetrar a célula nervosa e ao seu poder imunogênico, pelo micróbio apresentar afinidade pela pele e nervos periféricos. A hanseníase, para fins de tratamento, pode ser classificada em: ● Paucibacilar: poucos bacilos, com até cinco lesões de pele. ● Multibacilar: muitos bacilos, com mais de cinco lesões de pele. Essa patologia manifesta-se por lesões de pele que se apresentam com diminuição ou ausência de sensibilidade, ou seja, lesões dormentes. As lesões mais comuns são: ● Manchas esbranquiçadas ou avermelhadas; ● Alterações na cor da pele; ● Placas, alterações na espessura da pele, de forma localizada, com bordas elevadas; ● Infiltrações, alterações na espessura da pele, de forma difusa, sem bordas; ● Tubérculos, caroços externos; ● Nódulos, caroços subcutâneos. Também são lesões decorrentes de processos inflamatórios dos nervos periféricos, neurites, que podem ser causadas tanto pela ação do bacilo nos nervos como pela reação do organismo ao bacilo, podendo causar incapacidades e deformidades pela alteração de sensibilidade nas regiões comprometidas pelos nervos. Essas lesões envolvem: ● Dor e espessamento dos nervos periféricos; ● Perda de sensibilidade nas áreas inervadas por esses nervos, principalmente olhos, mãos e pés; ● Perda da força dos músculos inervados por esses nervos, principalmente nas pálpebras e nervos superiores e inferiores. O processo de diagnóstico da doença versa das seguintes ações: anamnese, avaliação dermatológica, avaliação neurológica, diagnóstico dos estados reacionais e classificação do grau de incapacidadefísica. As formas em que a doença se apresenta são: ● Forma I (indeterminada): mancha plana, com alteração geralmente gradual da sensibilidade, que pode ser ao calor, à dor e ao toque; a lesão é mais clara do que a tonalidade da pele ou um pouco avermelhada, e pode aparecer em qualquer parte do corpo; as manchas não apresentam prurido nem dor; não é contagiosa. ● Forma T (tuberculoide): lesões avermelhadas ou esbranquiçadas, com bordas elevadas e diminuição e/ou ausência da sensibilidade ao calor, à dor e ao tato; não é contagiosa. ● Forma D (dimorfa): lesões de cor avermelhada, acastanhada ou ferruginosa com limites imprecisos, podendo no centro da mancha não ter alterações; mancha com diminuição da sensibilidade ao calor, à dor e ao tato; quando não tratada, é contagiosa. ● Forma V (virchowiana): lesões de cor marrom‑avermelhada, mal delimitadas, espalhadas pelo corpo, podendo ainda aparecer caroços ou edema no rosto, orelhas, mãos, pés, articulações, assim como perda de cabelos nas sobrancelhas e nos cílios; quando não tratada, é contagiosa. O tratamento é realizado através da poliquimioterapia (PQT), com rifampicina, dapsona, clofazimina, a depender da forma como o bacilo se apresenta. MANEJO CLÍNICO DE PACIENTES COM DENGUE, CHIKUNGUNYA, ZIKA VÍRUS, FEBRE AMARELA E COVID‑19 O Aedes aegypti é capaz de transmitir doenças diferentes, e entre elas se destacam a dengue, o zika vírus, a febre amarela e a chikungunya. A doença que se desenvolve depende do vírus que o mosquito carrega. Evidentemente, nem todos os mosquitos dessa espécie estão infectados. A principal forma de transmissão é pela picada dos mosquitos Aedes aegypti. Há registros de transmissão vertical (gestante‑bebê) e por transfusão de sangue. Existem quatro tipos diferentes de vírus do dengue: DEN‑1, DEN‑2, DEN‑3 e DEN‑4. Em termos diagnósticos, não temos certeza de imediato se estamos diante de um doente com dengue ou zika, ou até mesmo com uma forma mais branda de chikungunya. Como a dengue, a infecção pelo vírus chikungunya causa febre alta de início agudo, dores fortes em músculos e articulações (principalmente tornozelos, punhos e mãos) e na cabeça. No entanto, em suas formas clínicas clássicas, a chikungunya provoca, além da dor, inflamação nas articulações, o que não acontece com a dengue. As dores podem ser tão intensas a ponto de impedir o doente de realizar atividades rotineiras, como tomar banho sozinho, vestir‑se ou pentear os cabelos. Além dessa diferença entre as doenças, a chikungunya com relativa frequência se torna crônica, fato inexistente na dengue. A síndrome de Guillain‑Barré é uma reação a agentes infecciosos, como vírus e bactérias, e tem como manifestação a fraqueza muscular e a paralisia dos músculos. Os sintomas começam pelas pernas, podendo irradiar para o tronco, braços e face. A síndrome pode apresentar diferentes graus de agressividade, provocando leve fraqueza muscular em alguns pacientes ou casos de paralisia total dos quatro membros. O principal risco é quando ocorre o acometimento dos músculos respiratórios, devido à dificuldade para respirar, podendo levar à morte. Em relação às manifestações clínicas, resumidamente pode‑se descrever cada uma como: ● Dengue: pode ser assintomática, leve ou causar doença grave, levando à morte. Normalmente, sua primeira manifestação é a febre alta (39 °C a 40 °C), de início abrupto, que em geral dura de 2 a 7 dias, acompanhada de dor de cabeça, dores no corpo e articulações, prostração, fraqueza, dor atrás dos olhos, erupção e coceira na pele. Perda de peso, náuseas e vômitos são comuns. A forma grave da doença inclui dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramento de mucosas, entre outros. ● Chikungunya: os principais sintomas são febre alta de início rápido, dores intensas nas articulações dos pés e mãos, dedos, tornozelos e punhos. Pode ocorrer ainda dor de cabeça, dores nos músculos e manchas vermelhas na pele. Não é possível ter chikungunya mais de uma vez. Os sintomas iniciam entre 2 e 12 dias após a picada do mosquito. O mosquito adquire o vírus CHIKV ao picar uma pessoa infectada, durante o período em que o vírus está presente no organismo infectado. Cerca de 30% dos casos não apresentam sintomas. ● Zika: cerca de 80% das pessoas infectadas pelo zika vírus não desenvolvem manifestações clínicas. Os principais sintomas são dor de cabeça, febre baixa, dores leves nas articulações, manchas vermelhas na pele, coceira e vermelhidão nos olhos. Sintomas menos frequentes são: edema generalizado no corpo, dor de garganta, tosse e vômitos. No geral, a evolução da doença é benigna e os sintomas desaparecem espontaneamente após 3 a 7 dias. A dor nas articulações pode persistir por aproximadamente um mês. Formas graves e atípicas são raras, mas quando ocorrem podem, excepcionalmente, evoluir para óbito. A microcefalia pode estar relacionada à infecção por zika vírus na gestante. Quando as infecções ocorrem nas primeiras semanas de gestação, é maior a chance de o vírus alcançar o feto e as complicações tendem a ser mais graves, às vezes incompatíveis com a vida. Também podem ocorrer pequenas malformações no sistema visual, auditivo ou em algum outro órgão. ● Febre Amarela: seus sintomas iniciais incluem o início súbito de febre, calafrios, dor de cabeça intensa, dores nas costas, dores no corpo em geral, náuseas e vômitos, fadiga e fraqueza. A maioria das pessoas melhora após esses sintomas iniciais. Cerca de 15% dos pacientes apresentam um breve período de horas a um dia sem sintomas e, então, desenvolvem uma forma mais grave da doença. Em casos graves, a pessoa pode desenvolver febre alta, icterícia, hemorragia (especialmente do trato gastrointestinal) e, eventualmente, choque e insuficiência de múltiplos órgãos. Cerca de 20% a 50% das pessoas que desenvolvem doença grave podem morrer. Não existe tratamento específico para dengue, chikungunya, infecção pelo vírus zika ou febre amarela. Os sintomas são tratados com medicação para a febre, acetominofeno (paracetamol), e anti-inflamatórios para as dores articulares. Não é recomendado usar o ácido acetilsalicílico (AAS) devido ao risco de hemorragia. Propõe‑se repouso absoluto ao paciente, que deve beber líquidos em abundância. Nas formas graves, o enfermo pode ser atendido em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), para reduzir as complicações e o risco de óbito. A pessoa que contrai a febre amarela e sobrevive adquire imunidade; no entanto, em relação à dengue, ela pode pegar novamente, mas nunca pelo mesmo tipo de vírus, pois existem quatro formas de vírus da dengue (sorotipos 1, 2, 3 e 4) – portanto, o indivíduo fica imune contra o tipo de vírus que provocou a sua doença, podendo ser contaminado pelas outras três formas conhecidas. Ainda não há estudos suficientes para afirmar sobre a imunidade em relação ao vírus zika. Covid-19 A covid-19 é uma infecção respiratória aguda causada pelo Sars‑CoV‑2, com alto poder de gravidade e transmissibilidade e de distribuição global. Essa categoria de vírus (Sars‑CoV‑2) é um betacoronavírus, pertencente ao subgênero Sarbecovírus, da família Coronaviridae, e é o sétimo coronavírus conhecido a infectar seres humanos. Assim sendo, os coronavírus são uma grande família de vírus comuns em muitas espécies diferentes de animais, incluindo homem, camelo, gado, gato e morcego. Raramente os coronavírus de animais podem infectar pessoas e depois se espalhar entre seres humanos, como já ocorreu com o Mers‑CoV e o Sars‑CoV‑2. Até o momento, não foi definido o reservatório silvestre do Sars‑CoV‑2. Inicialmente foram identificadas as variantes alfa, beta, gama e delta. Porém, em 2021, foi identificada uma nova variante, ômicron, apresentando um grande número de mutações. Essa infecção tem como sintomatologia principal febre, fadiga e tosse seca. Outros sintomas também são evidenciados, como perda do olfato e paladar, congestão nasal, conjuntivite, dor de garganta, cefaleia,dores musculares ou nas articulações, diferentes tipos de erupção cutânea, náusea ou vômito.a promoção, a prevenção, a proteção, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação, a redução de danos, os cuidados paliativos e a vigilância em saúde. Com as novas diretrizes, a PNAB permite que o gestor trabalhe a sua equipe de acordo com as suas especificidades e necessidades. Ela também traz novidades em relação ao financiamento da Atenção Básica, com o reconhecimento de novos modelos de atenção e a consequente ampliação do número de equipes que receberão recursos do Ministério da Saúde. POLÍTICA NACIONAL DE ATENÇÃO INTEGRAL DA SAÚDE DO HOMEM (PNAISH) A proposição da PNAISH visa qualificar a saúde da população masculina na perspectiva de linhas de cuidado que resguardem a integralidade da atenção, cujo objetivo é ampliar e melhorar o acesso da população masculina adulta, entre 20 e 59 anos. Sua diretriz versa sobre promover ações de saúde que contribuam significativamente para a compreensão da realidade singular masculina nos seus diversos contextos socioculturais e político‑econômicos, respeitando os diferentes níveis de desenvolvimento e organização dos sistemas locais de saúde e tipos de gestão de estados e municípios. Em geral, os homens adentram o sistema de saúde por meio da atenção especializada, e isso tem como consequência o agravo da morbidade pelo retardamento na atenção e maior custo para o SUS. É necessário fortalecer e qualificar a atenção primária, garantindo, assim, a promoção da saúde e a prevenção aos agravos evitáveis. Vários estudos comparativos entre homens e mulheres têm comprovado o fato de que os homens são mais vulneráveis às doenças, sobretudo às enfermidades graves e crônicas, e que morrem mais precocemente que as mulheres. A despeito da maior vulnerabilidade e das altas taxas de morbimortalidade, os homens não buscam, como as mulheres, os serviços de Atenção Básica. Grande parte da não adesão às medidas de atenção integral, por parte do homem, decorre das variáveis culturais. Os estereótipos de gênero, enraizados há séculos em nossa cultura patriarcal, potencializam práticas baseadas em crenças e valores do que é ser masculino. A doença é considerada um sinal de fragilidade que os homens não reconhecem como inerentes à sua própria condição biológica. O homem julga‑se invulnerável, o que acaba por contribuir para que ele cuide menos de si mesmo e se exponha mais a situações de risco. A isso se acresce o fato de que o indivíduo tem medo de que o médico descubra que algo vai mal com a sua saúde, o que põe em risco sua crença de invulnerabilidade. Uma questão apontada pelos homens para a não procura pelos serviços de saúde está ligada à sua posição de provedor. Alegam que o horário do funcionamento dos serviços coincide com a carga horária do trabalho. Não se pode negar que na preocupação masculina a atividade laboral tem um lugar destacado, sobretudo em pessoas de baixa condição social, o que reforça o papel historicamente atribuído ao homem de ser responsável pelo sustento da família. Ainda que isso possa se constituir, em muitos casos, em uma barreira importante, há de se destacar que grande parte das mulheres, de todas as categorias socioeconômicas, faz hoje parte da força produtiva, atuando no mercado de trabalho, e nem por isso deixam de procurar os serviços de saúde. Dentro da PNAISH foram estabelecidos cinco eixos temáticos que visam atingir aos objetivos, sendo eles: Acesso ao Acolhimento “objetiva reorganizar as ações de saúde, através de uma proposta inclusiva, na qual os homens considerem os serviços de saúde também como espaços masculinos e, por sua vez, os serviços reconheçam os homens como sujeitos que necessitam de cuidados.” A PNAISH, além de evidenciar os principais fatores de morbimortalidade, explicita o reconhecimento de determinantes sociais que resultam na vulnerabilidade da população masculina aos agravos à saúde, considerando que representações sociais sobre a masculinidade vigente comprometem o acesso à atenção integral, bem como repercutem de modo crítico na vulnerabilidade dessa população às situações de violência e de risco para a saúde. Mobilizar a população masculina brasileira pela luta e garantia de seu direito social à saúde é um dos desafios dessa política. Ela pretende tornar os homens protagonistas de suas demandas, consolidando seus direitos de cidadania. Assim sendo, a PNAISH visa a reorganização das ações de saúde por meio de uma proposta inclusiva, na qual os homens considerem os serviços de saúde também como espaços masculinos e, por sua vez, os serviços de saúde reconheçam os homens como sujeitos que necessitam de cuidados na esfera de atenção à promoção de saúde e prevenção de doenças. Doenças Prevalentes na População Masculina “busca fortalecer a assistência básica no cuidado à saúde dos homens, facilitando e garantindo o acesso e a qualidade da atenção necessária ao enfrentamento dos fatores de risco das doenças e dos agravos à saúde.” Os tumores que incidem com maior frequência na faixa etária de 25 a 59 anos são oriundos dos aparelhos digestivo, respiratório e urinário. No contexto geral das dez neoplasias malignas que mais regularmente causaram a morte, logo após o câncer de pulmão, traqueia e brônquios, aparece o câncer de próstata – uma neoplasia que comumente apresenta evolução muito lenta, de modo que a mortalidade poderá ser evitada quando o processo é diagnosticado e tratado com precocidade. Ao falar de neoplasias malignas do aparelho urinário, não se pode deixar de mencionar o câncer de pênis. Trata‑se de um tumor raro, relacionado a baixas condições socioeconômicas e má higiene íntima. No Brasil, esse câncer representa cerca de 2% de todas as neoplasias que atingem o homem, sendo mais frequente nas regiões Norte e Nordeste, havendo estados, como o Maranhão, nos quais sua incidência supera até a do câncer de próstata. Entre os tumores, há que salientar a hipertrofia prostática benigna, que atinge a maioria da população masculina após os 50 anos, produzindo diversos sintomas urinários com impacto significativo na qualidade de vida das pessoas. Além das causas externas e dos tumores, há muitas outras causas de mortalidade que podem ser assinaladas. Entre as doenças do aparelho digestivo, por exemplo, podemos destacar as do fígado, que, no último ano, foram responsáveis por 70% das mortes de homens de 25 a 59 anos. Destas, 46% devem‑se à doença alcoólica, 36% à fibrose e cirrose e 18% a outras doenças do fígado. Em termos de doenças do aparelho circulatório, a maior parte do resultado das internações hospitalares deve‑se aos acidentes coronarianos (40,5%), seguidos pela hipertensão arterial (18,7%). Prevenção de Violência e Acidentes “visa propor e/ou desenvolver ações que chamem atenção para a grave e contundente relação entre a população masculina e as violências (em especial a violência urbana) e acidentes, sensibilizando a população em geral e os profissionais de saúde sobre o tema.” Os acidentes englobam as quedas, o envenenamento, o afogamento, as queimaduras, os acidentes de trânsito, entre outros; já as violências são eventos considerados intencionais e compreendem a agressão, o homicídio, a violência sexual, a negligência, a violência psicológica, a lesão autoprovocada etc. Tanto os acidentes quanto as violências são eventos passíveis de prevenção. Os custos com as violências são inúmeros e abrangem desde as perdas humanas, com o desenvolvimento de sequelas permanentes ou não e o sofrimento causado a vítimas e familiares, o que não pode ser mensurado, até os custos com tratamento de saúde, despesas previdenciárias e absenteísmo no trabalho. Por conta dessas questões, é essencial reforçar a relevância desses agravos enquanto problema de saúde pública. Entre as causas externas, os acidentes de trânsito e os homicídios expressam as principais causas de internação e óbitos. Sua ocorrência está relacionada, na maioria das vezes, a atitudes e posturas que levam ao aumento de riscos e a situações a eles vinculadas.A vigilância de violências e acidentes tem o objetivo de subsidiar ações de enfrentamento dos determinantes e dos condicionantes das causas externas, que se tornaram objeto de vigilância e de prevenção em saúde no âmbito do SUS. Esse monitoramento tem subsidiado a elaboração de políticas públicas e de ações de saúde que estão voltadas para o enfrentamento desses problemas. Instituída em 2004, por meio da Portaria GM/MS n. 936, de 19 de maio de 2004, a Rede Nacional de Prevenção da Violência e Promoção da Saúde e Cultura de Paz. As principais atribuições da Rede Nacional envolvem a qualificação da gestão para o trabalho de prevenção de violências e promoção da saúde e de cultura de paz; qualificar e articular a rede de atenção integral às pessoas em situação de violência; desenvolver ações de promoção da saúde e prevenção de violências para grupos populacionais vulneráveis, visando à atuação nos determinantes sociais e na autodeterminação dos sujeitos; garantir a implantação da notificação de violências interpessoais e autoprovocadas; e promover e participar de políticas e ações intersetoriais e de redes sociais que tenham como objetivo a prevenção de violências e promoção da saúde e da cultura de paz. A violência é um fenômeno difuso, complexo, multicausal, com raízes em fatores sociais, culturais, políticos, econômicos e psicológicos, envolvendo práticas em diferentes níveis. O homem é mais vulnerável à violência, seja como autor, seja como vítima. Os homens adolescentes e jovens são os que mais sofrem lesões e traumas devido a ofensivas, e essas agressões sofridas são mais graves e demandam maior tempo de internação em comparação às sofridas pelas mulheres. A agressividade está biologicamente associada ao sexo masculino e, em grande parte, vinculada ao uso abusivo de álcool, de drogas ilícitas e ao acesso às armas de fogo. Sob o ponto de vista sociocultural, violência é uma forma social de poder que fragiliza a própria pessoa que a pratica. Homens iniciam precocemente o consumo de álcool, tendem a beber mais e a ter mais prejuízos em relação à saúde do que as mulheres. No Brasil, as internações de mulheres por transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de álcool, segundo o Datasus, representaram 2% de todas as internações por transtornos mentais e comportamentais; os homens, 20%. Avaliar os determinantes sociais de vulnerabilidade do homem para os problemas com o álcool torna‑se imperioso para a construção de ações efetivas de prevenção e promoção da saúde mental desse público. Direitos Sexuais e Reprodutivos “busca sensibilizar gestores(as), profissionais de saúde e a população em geral para reconhecer os homens como sujeitos de direitos sexuais e reprodutivos, os envolvendo nas ações voltadas a esse fim e implementando estratégias para aproximá-los desta temática.” É preciso conscientizar os homens do dever e do direito à participação no planejamento reprodutivo. A paternidade não deve ser vista apenas do ponto de vista da obrigação legal, mas, sobretudo, como um direito do homem a participar de todo o processo, desde a decisão de ter ou não filhos, como e quando tê‑los, bem como do acompanhamento da gravidez, do parto, do pós‑parto e da educação da criança. As pessoas idosas também devem ser consideradas como sujeitos de direitos sexuais, reconhecendo que o exercício da sexualidade não é necessariamente interrompido com o avanço da idade. Na atualidade, o homem deve envolver‑se mais nas ações, que são, até o momento, consideradas como responsabilidades femininas, a saber, o planejamento reprodutivo, o pré‑natal, o parto, a amamentação, o compartilhamento dos cuidados com as crianças e a divisão das atividades domésticas em casa. Esse envolvimento traz como possibilidade a promoção do autocuidado com a saúde e a redução de doenças e causas de morte masculina; previne e diminui a transmissão de infecções sexualmente transmissíveis (IST), como sífilis, HIV/aids, hepatites; melhora a qualidade de vida; cria vínculos afetivos mais fortes e saudáveis; ao mesmo tempo que contribui para uma sociedade com maior equidade de gênero. Assim sendo, procura-se incentivar a busca espontânea à UBS mais próxima do território adstrito a fim de receber as orientações pertinentes na participação das consultas de planejamento reprodutivo realizadas semanalmente pela equipe de Saúde da Família. Paternidade e Cuidado “objetiva sensibilizar gestores(as), profissionais de saúde e a população em geral sobre os benefícios do envolvimento ativo dos homens com em todas as fases da gestação e nas ações de cuidado com seus(uas) filhos(as), destacando como esta participação pode trazer saúde, bem‑estar e fortalecimento de vínculos saudáveis entre crianças, homens e suas(eus) parceiras(os).” A paternidade e o cuidado envolvem o engajamento da população masculina no acompanhamento da gestação e do parto de suas parceiras e nos cuidados no desenvolvimento da criança, possibilitando a todos uma melhor qualidade de vida e vínculos afetivos saudáveis. Esses pressupostos estão ancorados na Lei Federal n. 11.108/2005 (BRASIL, 2005a), que dispõe que a mulher tem direito a um acompanhante durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós‑parto imediato. Esse tema traz inúmeros benefícios, principalmente a valorização de modelos masculinos positivos que inspiram capacidade de ouvir, negociar e cooperar, pautados em respeito, tolerância, autocontrole e cuidado. Outro ponto importante é a possibilidade de integrar os homens na lógica dos serviços de saúde ofertados, sobretudo na Rede Cegonha, permitindo que eles realizem seus exames preventivos de rotina, tais como HIV, sífilis, hepatites, hipertensão e diabetes, vacinação, entre outros, e assim participem da estratégia pré‑natal do parceiro, se preparando para o exercício efetivo da paternidade ativa e consciente. No que concerne à paternidade na adolescência, ela não deve ser encarada somente como algo a ser evitado. Os adolescentes e jovens adultos devem ser assistidos diante de suas necessidades e projetos de vida, e não apenas segundo a percepção do profissional de saúde. A eles devem ser disponibilizadas informações e métodos contraceptivos. Na eventualidade de uma gravidez, o vital é assegurar condições para que a paternidade seja vivenciada de modo responsável. POLÍTICA NACIONAL DE SAÚDE DO TRABALHADOR E DA TRABALHADORA Conforme a Portaria n. 1.823, de 23 de agosto de 2012, todo trabalhador, rural ou urbano, do setor público ou privado, assalariado, autônomo, doméstico, aposentado ou desempregado, tem direito a uma atenção integral à saúde e, portanto, é sujeito da Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora. Uma das principais questões que essa política traz é a organização descentralizada do serviço de saúde, por meio do qual a esfera federal atua estabelecendo políticas e instrumentos que devem ser estudados e executados pelas esferas estaduais e municipais. Nesse sentido, os resultados dessa política dependerão diretamente de como a questão trabalho será abordada nos planos estaduais e municipais de saúde, que devem priorizar a promoção e a proteção da saúde dos trabalhadores e a redução da morbimortalidade associada à ocupação. Tais objetivos devem ser alcançados mediante a execução de ações de promoção, vigilância, diagnóstico, tratamento, recuperação e reabilitação da saúde. O fortalecimento da Vigilância em Saúde do Trabalhador (Visat) é foco dessa política. As inter‑relações entre produção e trabalho, ambiente e saúde, estabelecidas pelo modo de produção e consumo hegemônico em uma sociedade, são a principal referência para entender as condições de vida e o perfil de adoecimento e morte de uma população, a vulnerabilidade diferenciada de certos grupos sociais e a degradação ambiental, mas podem servir para construir alternativas capazes de garantir vida e saúde para o ambiente em que vivem. O encontro desses campos disciplinares articula-se,no plano teórico, pela visão sistêmica da relação sociedade‑natureza e pela centralidade do modo de produção definido pelo modelo de desenvolvimento adotado, e se concretiza no processo saúde‑doença. Na perspectiva da saúde, o ambiente deve ser entendido como território vivo, dinâmico, constituído por processos políticos, históricos, econômicos, sociais e culturais, no qual se materializa a vida humana, por meio de políticas públicas formuladas utilizando o conhecimento disponível, com participação e controle social. Assim, as ações de saúde ambiental e saúde do trabalhador devem estar articuladas nos serviços de saúde, uma vez que os riscos gerados direta e indiretamente pelos processos produtivos afetam o meio ambiente e a saúde das populações e dos trabalhadores de modo particular. Riscos Ambientais: ● Físicos: são aqueles que se referem às características físicas do ambiente, ligadas a fontes de energia como vibrações, ruídos excessivos, temperatura extrema, pressão anormal, radiação, tanto nas formas ionizantes quanto não ionizantes, e alterações sonoras, como o ultrassom e o infrassom. ● Químicos: são produtos, substâncias ou ainda compostos químicos que estão sujeitos à absorção por parte do organismo, seja através do contato direto, pelas vias respiratórias ou ainda ingeridos, como gases ou vapores, névoas, fumaça ou poeira. ● Biológicos: são as diferentes formas de micro‑organismos aos quais os colaboradores possam estar expostos e cujo contato se dá através da pele, da ingestão ou ainda pelas vias respiratórias, como fungos, bactérias, protozoários, vírus ou parasitas. ● Ergonômicos: são os riscos de natureza física ou psicológica, causados pela não adequação do ambiente de trabalho às limitações fisiológicas dos indivíduos, como sobrecarga de peso, intenso esforço físico, postura inadequada, jornada excessiva de trabalho, exigência de produtividade desproporcional, trabalho noturno, repetição de movimentos, entre outros fatores que causam estresse físico ou mental. ● Riscos de Acidentes ou Mecânicos: são os agentes de riscos relacionados a máquinas, equipamentos e outros elementos que podem causar dano através da incidência de acidentes de trabalho, como ausência de equipamento de proteção, ferramentas com defeito ou inadequadas, risco de explosão ou incêndio, luminosidade inadequada, armazenamento e estocagem inadequados, animais peçonhentos, entre outros fatores que aumentem o risco de acidentes. As duas últimas categorias, embora não contempladas pela NR‑9, que trata do programa de prevenção de riscos ambientais, devem ser observadas da mesma maneira, já que o objetivo principal é garantir a segurança de toda a equipe e são fundamentais para a correlação entre a saúde do trabalhador/trabalhadora e o ambiente. Entende-se como doença profissional aquela produzida ou desencadeada pelo exercício de trabalho peculiar a determinada atividade, sendo, portanto, uma consequência natural de certas ocupações. Consistem, assim, em enfermidades relacionadas com a profissão em si, e não com o modo pelo qual a atividade é empreendida. De outro lado, compreende-se como doença do trabalho aquela adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado, guardando relação direta com estas. Seu aparecimento decorre, portanto, não da profissão em si, mas da forma como o trabalho é prestado ou das condições específicas do ambiente em que é realizado. Já as doenças relacionadas ao trabalho são aquelas que têm sua frequência, surgimento e/ou gravidade modificados pelo trabalho e doenças comuns ao conjunto da população, que não guardam relação etiológica com o trabalho. As principais são: ● LER = lesão por esforço repetitivo, é adquirida ao realizar a mesma ação por dias e/ou horas seguidas, tendo como exemplo a tendinite. ● Dort = distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho são adquiridos pela má postura ou posturas antiergonômicas. Se não tratadas a tempo, podem se agravar, causando invalidez. ● Surdez temporária ou definitiva = gerada em ambientes de constante ruído, a perda da sensibilidade auditiva pode ser temporária ou definitiva, ocorrendo de modo lento e silencioso. ● Sofrimentos psíquicos relacionados ao trabalho = essa patologia está relacionada diretamente às pressões ocorridas no ambiente de trabalho. ● Dermatite alérgica de contato = esse adoecimento é caracterizado por alterações na mucosa e pele do cooperador, mediante a exposição a agentes nocivos no instante da execução de suas atividades. Esse termo engloba ulcerações, dermatite de contato, infecções e cânceres, entre outros. Biossegurança e Saúde A biossegurança pode ser definida como um conjunto de medidas que busca minimizar os riscos inerentes a uma determinada atividade. Esses riscos não são apenas aqueles que afetam o profissional que desempenha uma função, e sim todos aqueles que podem causar danos ao meio ambiente e à saúde das pessoas. A NR‑32 estabelece medidas para proteção e segurança à saúde dos trabalhadores da área da saúde em qualquer serviço desse setor, inclusive em escolas, ensino e pesquisa, tendo por objetivo prevenir os acidentes e o processo de doença causados por esses profissionais. Uma das principais normas de biossegurança em hospitais, clínicas e laboratórios diz respeito à higienização das mãos. Elas sempre devem ser lavadas antes do preparo e da ministração de medicamentos e do manuseio do paciente. Os profissionais de saúde também devem ficar atentos aos seus equipamentos de proteção, tais como jalecos e aventais, que devem ser usados apenas no local de trabalho, e nunca em áreas públicas ou mesmo em refeitórios e copas no interior da unidade de saúde. Além disso, é vital não abraçar pessoas ou carregar bebês utilizando jalecos, uma vez que existe o risco de contaminá-los. Os profissionais de saúde estão expostos frequentemente a material biológico, por isso os riscos de contaminação podem ser altos, a depender da atividade realizada. Os acidentes com esses profissionais usualmente envolvem ferimentos com agulhas ou outro utensílio cortante e contato direto com sangue ou elementos contaminados. Entre os mais envolvidos com esses acidentes, destacam-se os profissionais de enfermagem. Diante da exposição frequente a agentes patogênicos, recomenda-se que os profissionais de saúde mantenham atualizadas suas carteiras de vacinação. As vacinas são uma das melhores formas de prevenção contra doenças infecciosas. É importante frisar que qualquer acidente ocorrido com os profissionais da saúde durante o desenvolvimento de sua atividade é considerado um acidente de trabalho. Em casos de acidentes com material biológico, é essencial lavar o local de contato ou a lesão e notificar a chefia imediata, que examinará o acidente. Essa análise observará qual material biológico esteve envolvido e como ocorreu o acidente. Depois, será observado se o utensílio pode ou não transmitir HIV e hepatites. Se for esse o caso, será necessária a realização de uma quimioprofilaxia. Após esse momento, ocorrerá o seguimento clínico laboratorial apropriado. Acidentes de Trabalho A ocorrência de acidentes de trabalho gera consequências traumáticas. Na maioria das vezes, causa mutilações, invalidez permanente e outros danos que não se limitam ao corpo físico do trabalhador, afetando também sua integridade psicológica. Pode até causar sua morte, com repercussões para os familiares, para a sociedade de modo geral e para os cofres públicos. Os serviços de vigilância em saúde do trabalhador, municipais ou regionais, deverão investigar de modo integrado, obrigatoriamente, as ações gerais de vigilância do SUS, os acidentes de trabalho fatais graves e os ocorridos com trabalhadores com menos de 16 anos de idade. A investigação dos casos poderá ser feita em conjunto com outros órgãos públicos afins, como o Ministério do Trabalho, a Polícia Militar e a Civil e o Ministério Público. O nível mais simplesde análise consiste na utilização de listas de verificação baseadas no cumprimento de aspectos previstos em normas legais relativas à atividade – por exemplo, normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho, normas de vigilância, entre outras. As informações contidas na ficha de notificação de acidentes do trabalho do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) deverão permitir desenhar o perfil de acidentados e acidentes de trabalho no território em questão: idade e sexo do acidentado, dias e horas do dia em que mais se acidentam, número médio de vítimas de acidentes por mês e ano, empresas ou ramos de atividade com maior número de vítimas ou com vítimas com lesões de maior gravidade, parte do corpo atingida, natureza da lesão sofrida, aspectos do processo causal etc. Dois tipos de informações parecem particularmente importantes, tendo em vista a prevenção e a atenção à saúde em caso de acidentes: aquelas relativas aos aspectos do processo causal e das lesões sofridas pelas vítimas distribuídas conforme citado e, sempre que necessário, de modo cruzado, por exemplo, distribuindo lesões identificadas segundo aspectos do processo causal ou local de ocorrência. Nos termos da Portaria n. 3.908/1998 do Ministério da Saúde, que aprova a Norma Operacional de Saúde do Trabalhador, compete aos municípios habilitados o estabelecimento de rotina de sistematização e análise dos dados gerados no atendimento aos agravos à saúde associados ao trabalho, de modo a orientar as intervenções de vigilância, a organização dos serviços e das demais ações em saúde do trabalhador, e a utilização dos dados gerados nas atividades de atenção à saúde do trabalhador, com vistas a subsidiar a programação e avaliação das ações de saúde neste campo e alimentar os bancos de dados de interesse nacional. PROGRAMA NACIONAL DE SEGURANÇA DO PACIENTE SOB A ÓTICA DA ATENÇÃO BÁSICA Em 1º de abril de 2013, por meio da Portaria MS/GM n. 529, foi instituído pelo Ministério da Saúde o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP), com o objetivo de contribuir para a qualificação do cuidado em saúde em todos os estabelecimentos de saúde, tanto públicos quanto privados, de acordo com a prioridade à segurança do paciente. Assim sendo, o desenvolvimento de estratégias para a segurança do paciente depende do cumprimento e do conhecimento das normas e dos regulamentos que normatizam o funcionamento dos estabelecimentos de saúde. A Portaria MS/GM n. 529/2013, no artigo 3º, define como objetivos específicos do PNSP: promover e apoiar a implementação de iniciativas voltadas à segurança do paciente, por meio dos núcleos de segurança do paciente (NSPs), nos estabelecimentos de saúde; envolver os pacientes e os familiares nesse processo; ampliar o acesso da sociedade às informações relativas à segurança do paciente; produzir, sistematizar e difundir conhecimentos sobre segurança do paciente; e fomentar a inclusão do tema segurança do paciente no ensino técnico e de graduação e na pós‑graduação na área da saúde. São conceitos‑chave para Classificação Internacional de Segurança do Paciente da OMS: ● Segurança do paciente: redução a um mínimo aceitável do risco de dano desnecessário associado ao cuidado de saúde. ● Dano: comprometimento da estrutura ou função do corpo e/ou qualquer efeito oriundo dele, incluindo doenças, lesão, sofrimento, morte, incapacidade ou disfunção, podendo, assim, ser físico, social ou psicológico. ● Risco: probabilidade de um incidente ocorrer. ● Incidente: evento ou circunstância que poderia ter resultado, ou resultou, em dano desnecessário ao paciente. ● Circunstância notificável: incidente com potencial dano ou lesão. ● Near miss: incidente que não atingiu o paciente. ● Incidente sem lesão: incidente que atingiu o paciente, mas não causou dano. ● Evento adverso: incidente que resulta em dano ao paciente. O PNSP possui 4 eixos. 1. Estímulo a uma prática assistencial segura: estabelece que um conjunto de protocolos básicos, definidos pela OMS, deve ser elaborado e implantado: prática de higiene das mãos em estabelecimentos de saúde; cirurgia segura; segurança na prescrição, uso e administração de medicamentos; identificação de pacientes; comunicação no ambiente dos estabelecimentos de saúde; prevenção de quedas; úlceras por pressão; transferência de pacientes entre pontos de cuidado; e uso seguro de equipamentos e materiais. a. Planos (locais) de segurança do paciente dos estabelecimentos de saúde: são planos desenvolvidos pelos NSPs nos estabelecimentos de saúde, e pretendem fornecer uma compreensão global do domínio da segurança do paciente, tendo como objetivo representar um ciclo de aprendizagem e de melhoria contínua, realçando a identificação, a prevenção, a detecção e a redução do risco, a recuperação do incidente e a resiliência do sistema. b. Criação dos núcleos de segurança do paciente. c. Sistema de notificação de incidentes. d. Sistema de notificação de eventos. 2. Envolvimento do cidadão na sua segurança: Essa política é fundamentada nos princípios de autonomia e protagonismo dos indivíduos, corresponsabilidade mútua, fortalecimento de relações solidárias e participação coletiva na gestão do processo. 3. Inclusão do tema segurança do paciente no ensino. 4. O incremento de pesquisa em segurança do paciente. POLÍTICA NACIONAL DE SAÚDE INTEGRAL DA POPULAÇÃO NEGRA Compreende medidas de assistência, cuidado, prevenção e promoção da saúde, além de gestão compartilhada, participação da sociedade civil e controle social, produção de conhecimento, formação e aprendizado contínuo para os profissionais do sistema de saúde, visando à consolidação da equidade na saúde dos negros. Ela se insere na dinâmica do Sistema Único de Saúde (SUS), por meio de estratégias de gestão solidária e participativa, que incluem: utilização do quesito cor na produção de informações epidemiológicas para a definição de prioridades e tomada de decisão; ampliação e fortalecimento do controle social; desenvolvimento de ações e estratégias de identificação, abordagem, combate e prevenção do racismo institucional no ambiente de trabalho, nos processos de formação e educação permanente de profissionais; implementação de ações afirmativas para alcançar a equidade em saúde e promover a igualdade racial. O baixo nível de renda, tanto individual quanto domiciliar per capita, restringe as liberdades individuais e sociais dos sujeitos, fazendo com que todo o seu entorno seja deficiente, desgastante e produtor de doenças. Em 2001, mais de 32 milhões de negros com renda de até meio salário mínimo eram potencialmente demandantes de serviços de assistência social e viviam, em sua maioria, em lugares com características indesejáveis de habitação. O relatório destaca os dados associados às crianças menores de 5 anos. O risco de uma criança preta ou parda morrer antes dos 5 anos por causas infecciosas e parasitárias é 60% maior do que o de uma criança branca. Também o risco de morte por desnutrição expressa diferenças alarmantes, sendo 90% maior entre crianças pretas e pardas que entre brancas. Foram também realizadas análises da mortalidade por doenças transmissíveis e não transmissíveis. O estudo destaca a diferença de raça e cor para o risco de morte por tuberculose quando consideradas as taxas padronizadas de mortalidade para o ano de 2003: tendo como base de comparação a população branca, o risco de morrer por tuberculose foi 1,9 vez maior para o grupo de cor parda e 2,5 vezes maior para o de cor preta. A dimensão político‑programática de combate ao racismo institucional é caracterizada pela produção e disseminação de informações sobre as experiências diferentes e/ou desiguais de nascer, viver, adoecer e morrer; pela capacidade de reconhecer o racismo como um dos determinantes das desigualdades no processo de ampliação das potencialidades individuais; pelo investimento em ações e programas específicos para a identificação de práticasdiscriminatórias; pelas possibilidades de elaboração e implementação de mecanismos e estratégias de não discriminação, combate e prevenção do racismo e intolerâncias correlatas – incluindo a sensibilização e capacitação de profissionais –; e pelo compromisso em priorizar a formulação e execução de mecanismos e estratégias de redução das disparidades e promoção da equidade. POLÍTICA NACIONAL DE ATENÇÃO À SAÚDE DOS POVOS INDÍGENAS A proposta da Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas integrada à Política Nacional de Saúde foi regulamentada pelo Decreto n. 3.156, de 27 de agosto de 1999, que dispõe sobre as condições de assistência à saúde dos povos indígenas, e pela Medida Provisória n. 1.911‑8. Essa proposta inclui a transferência de recursos humanos e todos os bens destinados às atividades relacionadas à saúde da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) para a Fundação Nacional de Saúde (Funasa). A política supracitada requer um modelo diferenciado e organizado dos serviços de assistência, proteção, promoção e recuperação da saúde dessa população. Resumindo, a garantia de o índio assumir sua cidadania. Para tal fato se concretizar, é necessária a criação de uma rede de serviços no território indígena, a fim de suprir as deficiências de cobertura, acesso e aceitação do sistema para esta população. Todos os princípios do SUS, como descentralização, universalidade, equidade, participação comunitária e controle social, devem ser adotados para viabilizar e aperfeiçoar toda a estruturação do sistema. Para que tais medidas se tornem realidade, é preciso haver uma atenção diferenciada, respeitando as características culturais, epidemiológicas, crenças e valores desses povos. Isso não exclui a necessidade do uso de tecnologias apropriadas na organização dos serviços. O direito de existência futura, com distintos modos de pensar, de organizar‑se e relacionar‑se com o mundo, sempre lhes foi negado. A falta de políticas públicas relativas à educação e saúde, e a demarcação de territórios insuficientes para o modo de vida tradicional são respostas históricas com premissas integracionistas. Não é à toa que o atendimento à saúde se restringe a medidas paliativas e emergenciais. Em 1986 ocorreu a primeira Conferência Nacional de Proteção à Saúde do Índio, no contexto da VIII CNS, que estabeleceu os princípios para o funcionamento do SUS, aprovado na Assembleia Constituinte de 1988. Essa Conferência contou com a participação de um pequeno grupo de lideranças indígenas e organizações de apoio e propôs pela primeira vez em caráter oficial um modelo de atendimento específico e diferenciado aos povos indígenas do Brasil. De acordo com as deliberações aprovadas, os povos indígenas deveriam ter garantidos o acesso universal e integral à saúde e a participação em todas as etapas do processo de planejamento, execução e avaliação das ações desenvolvidas. Esse modelo de assistência específico e diferenciado lançou as bases para a implantação do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (Sasi‑SUS), sob a gestão direta do Ministério da Saúde. Com a criação do Sasi‑SUS e dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs), quase todos os serviços de saúde (Atenção Básica, prevenção e saneamento) passaram a ser executados através de convênios firmados com organizações da sociedade civil – organizações indígenas e indigenistas – e com alguns municípios. A perspectiva, no âmbito do Ministério da Saúde, era de que a União deveria transferir as suas responsabilidades no tocante à gestão e execução das ações em saúde indígena para terceiros. Essa política de parceria proposta pelo governo foi aceita por muitas dessas entidades com as seguintes condições: que fosse uma solução temporária; que o governo trabalharia na construção de um marco regulatório para a relação com essas organizações; que houvesse o aprimoramento da capacidade gestora do governo para a execução direta das ações de saúde indígena. Infelizmente, o Governo Federal nunca cumpriu o disposto. A partir dessas mudanças, as deliberações das CNSs tornaram-se inócuas, e os Conselhos de Saúde Indígena, em muitos lugares, tornaram-se entes figurativos diante das ações e decisões das entidades conveniadas. O controle social foi sendo paulatinamente desconsiderado por grande parte dos gestores, ampliando com isso os problemas nos espaços de organização dos serviços de saúde. Os DSEIs, que seriam a base de toda a política, tornaram-se apenas uma espécie de referência geográfica para que a Funasa pudesse definir os tipos de convênios e as atribuições dos prestadores de serviços. No processo de realização da IV Conferência Nacional de Saúde Indígena, ocorrida em 2006, várias conferências distritais apresentaram a proposta de criação da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), em razão do agravamento dos problemas recorrentes de má gestão, autoritarismo, uso político e corrupção nas coordenações regionais e instâncias centrais da Funasa. Essa proposta foi levada ao plenário da etapa nacional da conferência e acabou derrotada por uma pequena margem de votos, motivando a denúncia por grande parte da delegação indígena de manipulação nos trabalhos da conferência. Em termos gerais, observa-se um crescimento demográfico entre os povos indígenas do país, fato normalmente associado à conservação do ambiente natural, estabilização das relações interétnicas, demarcação das terras indígenas e melhoria do acesso aos serviços de atenção básica à saúde. Em relação à morbidade, verifica‑se uma alta incidência de infecções respiratórias e gastrointestinais agudas, malária, tuberculose (maior frequência e severidade nas comunidade indígenas), doenças sexualmente transmissíveis, desnutrição e doenças preveníveis por vacinas, evidenciando um quadro sanitário caracterizado pela alta ocorrência de agravos que poderiam ser significativamente reduzidos com o estabelecimento de ações sistemáticas e continuadas de atenção básica à saúde no interior das áreas indígenas. A descontinuidade das ações e a carência de profissionais fizeram com que muitas comunidades indígenas se mobilizassem, desde os anos 1970, de diversas maneiras, especialmente por intermédio de suas organizações juridicamente constituídas, para adquirir conhecimentos e controle sobre as doenças e agravos de maior impacto sobre sua saúde, dando origem a processos locais de capacitação de agentes indígenas de saúde e de valorização da medicina tradicional indígena, com a participação das diversas instituições envolvidas com a assistência à saúde indígena. O propósito da Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas é garantir a essa população o acesso à atenção integral à saúde, de acordo com os princípios e diretrizes do SUS, contemplando a diversidade social, cultural, geográfica, histórica e política de modo a favorecer a superação dos fatores que tornam essa população mais vulnerável aos agravos à saúde de maior magnitude e transcendência entre os brasileiros, reconhecendo a eficácia de sua medicina e o direito desses povos à sua cultura. Para o alcance desse propósito, são estabelecidas as seguintes diretrizes, que devem orientar a definição de instrumentos de planejamento, execução, avaliação e controle das ações de atenção à saúde dos povos indígenas: ● Organização dos serviços de atenção à saúde dos povos indígenas na forma de Distritos Sanitários Especiais e Polos‑Base, no nível local, onde a atenção primária e os serviços de referência se situam. ● Preparação de recursos humanos para atuação em contexto intercultural. ● Monitoramento das ações de saúde dirigidas aos povos indígenas. ● Articulação dos sistemas tradicionais indígenas de saúde. ● Promoção do uso adequado e racional de medicamentos. ● Promoção de ações específicas em situações especiais. ● Promoção da ética na pesquisa e nas ações de atenção à saúde envolvendo comunidades indígenas. ● Promoção de ambientes saudáveise proteção da saúde indígena. ● Controle social. POLÍTICA NACIONAL DE SAÚDE INTEGRAL DAS POPULAÇÕES DO CAMPO E DA FLORESTA As populações do campo e da floresta são caracterizadas por povos e comunidades que têm seus modos de vida, produção e reprodução social relacionados predominantemente com a terra. Assim estão os camponeses, sejam eles agricultores familiares, trabalhadores rurais assentados ou acampados, assalariados e temporários que residam ou não no campo, bem como as comunidades tradicionais, como as ribeirinhas, quilombolas e as que habitam ou usam reservas extrativistas em áreas florestais ou aquáticas e ainda as populações atingidas por barragens, entre outras. A diversidade da população rural brasileira transcende seus recursos naturais, pois é composta por uma variedade de raças, etnias, religiões, culturas, sistemas de produção, padrões tecnológicos, segmentos sociais e econômicos, ecossistemas e biodiversidade. Algumas doenças estão intimamente ligadas à condição do campo e da floresta e, portanto, são relevantes para as populações de que trata essa política. De acordo com o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) e o Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Malária (Sivep‑Malária), destacam‑se entre as doenças endêmicas: a malária, a febre amarela, a doença de Chagas e a leishmaniose. O Plano Operativo encontra-se estruturado em quatro eixos estratégicos e inclui ações que incidem sobre os diferentes condicionantes e determinantes que sustentam a desigualdade social em saúde e que acometem as populações do campo e da floresta. São eles: ● Eixo 1: acesso das populações do campo e da floresta à atenção à saúde. ● Eixo 2: ações de promoção e vigilância em saúde às populações do campo e da floresta. ● Eixo 3: educação permanente e educação popular em saúde com foco nas populações do campo e da floresta. ● Eixo 4: monitoramento e avaliação do acesso às ações e serviços de saúde às populações do campo e da floresta. POLÍTICA NACIONAL DE SAÚDE DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA Pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas. Instituída por meio da Portaria n. 1.060, de 5 de junho de 2002, a Política Nacional de Saúde da Pessoa com Deficiência está voltada para a inclusão desses indivíduos em toda a rede de serviços do SUS, e caracteriza‑se por reconhecer a necessidade de implementar o processo de respostas às complexas questões que envolvem a atenção à saúde das pessoas com deficiência no Brasil. A inclusão da assistência aos familiares é essencial para um atendimento humanizado e eficaz, com ações de apoio psicossocial, orientações para atividades de vida diária e suporte especializado em situações de internamento (hospitalar/domiciliar). Nas unidades especializadas, de abrangência regional, qualificadas para atender às necessidades específicas das pessoas com deficiência, a atenção será multiprofissional e interdisciplinar, com a presença de alguns dos seguintes profissionais: médico, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, psicólogo e assistente social, conforme o perfil do serviço. Assim, será possível a avaliação de cada caso para a dispensação de órteses, próteses e meios auxiliares da pessoa com deficiência. De acordo com suas características, as pessoas com deficiência têm direito ao encaminhamento para serviços mais complexos, a receber assistência específica nas unidades especializadas de média e alta complexidade, à reabilitação física, auditiva, visual e intelectual, bem como às ajudas técnicas, órteses, próteses e meios auxiliares de locomoção de que necessitem, complementando o trabalho de reabilitação e as terapias. A Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência tem como principal meta a criação, a ampliação e a articulação de pontos de atenção à saúde para pessoas com deficiência temporária ou permanente, progressiva, regressiva ou estável, intermitente ou contínua, no âmbito do SUS. SAÚDE DA POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA Considera‑se população em situação de rua o grupo populacional heterogêneo que possui em comum a pobreza extrema, os vínculos familiares interrompidos ou fragilizados e a inexistência de moradia convencional regular, e que utiliza os logradouros públicos e as áreas degradadas como espaço de moradia e de sustento, de forma temporária ou permanente, bem como as unidades de acolhimento para pernoite temporário ou como moradia provisória. Desse modo, devemos compreender o tema da pessoa em situação de rua tendo em vista essa multiplicidade de fatores que a levou a essa situação, desde os fatores estruturais, como os citados, até os fatores mais pessoais, como o rompimento das relações familiares e outros infortúnios (em alguns casos, dependência de álcool/drogas, perda de bens, transtornos mentais). A pesquisa revelou que a população em situação de rua é composta predominantemente de homens (82%), sendo a proporção de negros (67%) consideravelmente maior que o percentual de negros na população brasileira (50,7%, segundo Censo Demográfico de 2010), e que a maioria dessa população é composta de trabalhadores que exercem alguma atividade remunerada (70%). Os principais motivos que os levaram à situação de rua foram: desemprego (29,8%), conflitos familiares (29,1%) e alcoolismo/ drogas (35,5%). Viver na rua expõe as pessoas a diversos fatores de risco que ampliam sua vulnerabilidade, como: violências, preconceito, invisibilidade social, dificuldade de acesso a políticas públicas, alimentação incerta e pouca disponibilidade de água potável, privação de sono e afeição e a dificuldade de adesão a tratamento de saúde. Em 2013, as práticas do Ministério da Saúde para promover a saúde dessa população passaram a ser orientadas pelo Plano Operativo de Ações para a Saúde da População em Situação de Rua, que desenvolveu diversas ações, entre as quais se destaca a implantação dos Consultórios na Rua, compostos por equipes que prestam atendimento itinerante, conforme as necessidades das pessoas em situação de rua. Dados do Ministério da Saúde apontam que os problemas de saúde mais recorrentes entre essa população são: problemas nos pés; infestações; IST, HIV/aids; gravidez de alto risco; doenças crônicas; consumo de álcool e drogas; saúde bucal; tuberculose. As principais causas de internação são: uso de substâncias psicoativas (álcool, crack e outras drogas), problemas respiratórios e causas externas (acidentes e violência). A Pesquisa Nacional sobre a Saúde da População em Situação de Rua, realizada pelo MDS em 2008, ouviu cerca de 32 mil pessoas adultas em situação de rua em 71 cidades, revelando que: ● 18,4% já passaram por experiências de impedimento de receber atendimento na rede de saúde. ● 29,7% dos entrevistados afirmaram ter algum problema de saúde. ● Os problemas mais prevalentes foram: hipertensão (10,1%), problemas psiquiátricos/mentais (6,1%), HIV/aids (5,1%) e problemas de visão/cegueira (4,6%). ● 18,7% dos entrevistados afirmaram que fazem uso de algum medicamento, e os postos/centros de saúde são os principais meios de acesso a eles. ● 43,8% dos entrevistados afirmaram que procuram primeiramente o hospital/emergência quando estão doentes, e 27,4% procuram o posto de saúde. ● Os locais mais usados pelas pessoas em situação de rua para tomar banho são a rua (32,6%), os albergues/abrigos (31,4%), os banheiros públicos (14,2%) e a casa de parentes ou amigos (5,2%). ● Os locais mais usados pelas pessoas em situação de rua para fazer suas necessidades fisiológicas são a rua (32,5%), os albergues/abrigos (25,2%), os banheiros públicos (21,3%), os estabelecimentos comerciais (9,4%) e a casa de parentes ou amigos (2,7%). POLÍTICA NACIONAL DE SAÚDE INTEGRAL DE LÉSBICAS, GAYS, BISSEXUAIS, TRAVESTISE TRANSEXUAIS É importante salientar a importância da elaboração de políticas de saúde para que esses direitos sejam respeitados integralmente, além da necessidade de orientar os profissionais em suas ações de assistência à saúde, tanto do setor público quanto do setor privado, levando em consideração as especificidades de cada indivíduo e com a devida atenção biopsicossocial. A atenção biopsicossocial tem por objetivo compreender o ser humano na sua totalidade, ou seja, saúde e doença são condições que estão em equilíbrio dinâmico; estão codeterminadas por variáveis biológicas, psicológicas e sociais, todas em constante interação. Assim, estudo, diagnóstico, prevenção e tratamento de várias doenças devem considerar as contribuições especiais e diferenciadas dessas três variáveis citadas. Cada indivíduo tem sua história, suas necessidades e dificuldades que deverão ser levadas em consideração durante o atendimento nos serviços de saúde. Assim sendo, o objetivo geral dessa política é “Promover a saúde integral de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, eliminando a discriminação e o preconceito institucional, bem como contribuindo para a redução das desigualdades e a consolidação do SUS como sistema universal, integral e equitativo”. De acordo com a Resolução n. 2, de 6 de dezembro de 2011, da Comissão Intergestores Tripartites, foi criado o Plano Operativo da Política Nacional de Saúde Integral LGBT, cujo objetivo foi apresentar estratégias para as três gestões (federal, estadual e municipal), no processo de enfrentamento das iniquidades e desigualdades em saúde com foco na população LGBT para a consolidação do SUS como sistema universal, integral e equitativo. Esse plano está estruturado em quatro eixos estratégicos com ações que incluem a população LGBT, que são: ● Eixo 1: acesso da população LGBT à atenção integral à saúde. ● Eixo 2: ações de promoção e vigilância em saúde para a população LGBT. ● Eixo 3: educação permanente e educação popular em saúde com foco na população LGBT. ● Eixo 4: monitoramento e avaliação das ações de saúde para a população LGBT. POLÍTICA NACIONAL DE PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES Arteterapia, ayurveda, biodança, dança circular, meditação, musicoterapia, naturopatia, osteopatia, quiropraxia, reflexoterapia, reiki, shantala, terapia comunitária integrativa e yoga. O processo saúde‑doença vem sendo pensado sob diversas possibilidades de tratamento, onde o enfoque na patologia tem dado lugar a um pensar e agir na perspectiva de promoção da saúde. Nesse contexto, as práticas integrativas de saúde vêm se tornando uma concretização relevante para a aplicação da promoção da saúde. Dessa forma, em 2006, o Ministério da Saúde instituiu a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares, com o propósito de fomentar tratamentos que incrementem a qualidade de vida dos usuários e suas famílias, trazendo diretrizes norteadoras para o cuidado tradicional, como a medicina tradicional chinesa/acupuntura, homeopatia, plantas medicinais e fitoterapia. Em 2017 foram incorporadas às práticas integrativas e complementares (PICS) dança circular, biodança, yoga, auricoloterapia, massoterapia, tratamento termal/crenoterápico, meditação, musicoterapia, ayurveda, arteterapia, naturopatia, osteopatia, quiropraxia, reflexoterapia, reiki, shantala e terapia comunitária integrativa. Assim sendo, a Portaria n. 849, de 27 de março de 2017, institui as PICS e descreve as práticas utilizadas, indicadas a seguir Arteterapia É uma prática que utiliza a arte como base de um processo terapêutico. Baseia‑se no princípio de que o processo criativo é terapêutico e promove a qualidade de vida. A arteterapia estimula a expressão criativa, ajuda na motricidade, no raciocínio e nas relações afetivas. A arte promove a ressignificação dos conflitos, a reorganização do próprio entendimento, ampliando a percepção do indivíduo sobre si mesmo e sobre o mundo. A arte é utilizada no cuidado à saúde de pessoas de todas as idades; por meio da arte despertam‑se as possibilidades de reflexão para lidar de forma mais harmoniosa com o estresse e as experiências traumáticas. Ayurveda É considerado uma das mais antigas abordagens de cuidado do mundo, tendo sido desenvolvido na Índia durante o período de 2000‑1000 a.C., utilizando-se de observação, experiência e os recursos naturais. Ayurveda significa a ciência ou conhecimento da vida. Esse conhecimento estruturado agrega em si mesmo princípios relativos à saúde do corpo físico, de forma a não os desvincular, e considera os campos energético, mental e espiritual. Não é apenas um sistema terapêutico, mas também uma maneira de viver. No Ayurveda, a investigação diagnóstica leva em consideração tecidos corporais afetados, humores, local em que a doença está localizada, resistência e vitalidade, rotina diária, hábitos alimentares, gravidade das condições clínicas, condição de digestão, detalhes pessoais, sociais, situação econômica e ambiental da pessoa. A crença de que a doença começa muito antes de ser reconhecida no corpo soma‑se ao efeito preventivo desse esquema terapêutico, permitindo que medidas adequadas e eficazes sejam tomadas. Os tratamentos ayurvédicos levam em consideração a individualidade de cada pessoa em termos de dosha (humor biológico). Portanto, cada tratamento é planejado individualmente, utilizando técnicas de relaxamento, massagem, plantas medicinais, minerais, asanas, pranayamas (técnicas de respiração), mudras (posturas e exercícios) e dieta. Biodança É uma prática de abordagem sistemática inspirada nas origens mais primitivas da dança, que busca restabelecer a conexão do indivíduo consigo mesmo, com os outros, com o meio e com o emocional. É um sistema de integração humana, regeneração orgânica, integração psicofísica, reeducação emocional e reaprendizagem das funções vitais inatas. Sua metodologia orientada para a experiência estimula a dinâmica comportamental que opera in vivo e reforça os protagonistas da autocura individual. As relações com a natureza, a participação social e a prática em grupo ocupam um lugar importante nas intervenções em saúde. É um processo altamente integrador, cuja metodologia envolve aprendizagem coletiva integrativa em ambientes potencializados com estímulos selecionados, como músicas, canções, exercícios e dinâmicas que podem criar experiências neuroestimulantes, que consistem em desencadear experiências, estimular a plasticidade e criar novas redes sinápticas. Nesse sentido, estrutura-se como um sistema que acelera o processo de integração da existência. Existem efeitos na saúde, como psicológicos, neurológicos, endocrinológicos e imunológicos (PNEI), e ativação de todo o organismo, gerando processos adaptativos e integrados, otimizando a homeostase corporal. Dança Circular As danças circulares sagradas, ou danças folclóricas, ou simplesmente danças circulares, são um exercício tradicional e moderno de danças circulares de diferentes culturas que promovem a aprendizagem e a comunicação harmoniosa entre os participantes. As pessoas dançam juntas em círculos e lentamente começam a abraçar seus movimentos, libertando a mente, o coração, o corpo e o espírito. Através do ritmo, da melodia e do movimento sensível e profundo, os integrantes da dança são estimulados a aceitar e respeitar a diversidade. Na dança circular, a ênfase principal não está na técnica, mas na conexão do grupo, a comunidade que nasce a partir do momento em que todos apoiam e ajudam os parceiros de mãos dadas. Assim, esse exercício auxilia o indivíduo a tomar consciência de seu corpo físico, harmonizar emoções, focar e estimular a memória. As danças circulares podem criar espaços importantes para o desenvolvimento de estados emocionais positivos e tornar‑se um importante recurso em contextos de grupo, pois estimulam a cooperação, o respeito ao próximo, a integração, a inclusão e a aceitação das diferenças. Meditação A meditaçãovisa levar os praticantes a estar conscientes, experimentar o que a mente está fazendo no momento, desenvolver a autoconsciência e a consciência para perceber os pensamentos e reduzir seu fluxo, o que permite que os indivíduos vejam seus padrões de comportamento e como eles criam e mantêm situações que continuam caindo nos mesmos padrões de resposta mental/emocional. Nesse sentido, todas as atitudes e comportamentos, juntamente com os mecanismos de enfrentamento que os indivíduos escolhem para diferentes situações de vida, podem influenciar sua saúde ou doença. A meditação é uma ferramenta para o aperfeiçoamento físico, emocional, mental, social e cognitivo, melhora a concentração, ajuda a consciência das sensações físicas e emocionais, expande a autodisciplina nos cuidados de saúde, estimula a sensação de bem‑estar e relaxamento e reduz os sintomas de estresse, hiperatividade e depressão. Musicoterapia É a utilização da música e seus elementos (som, ritmo, melodia e harmonia), em grupo ou de forma individualizada, num processo para facilitar e promover a comunicação, relação, aprendizagem, mobilização, expressão, organização e outros objetivos terapêuticos relevantes, no sentido de alcançar necessidades físicas, emocionais, mentais, sociais e cognitivas. É importante destacar que a utilização terapêutica da música se deve à influência que esta exerce sobre o indivíduo, de forma ampla e diversificada. No desenvolvimento humano, a música é parte inerente de sua constituição, pois estimula o afeto, a socialização e o movimento corporal como expressões de processos saudáveis de vida. A musicoterapia favorece o desenvolvimento criativo, emocional e afetivo e, fisicamente, ativa o tato e a audição, a respiração, a circulação e os reflexos. Também contribui para ampliar o conhecimento sobre o uso da música como recurso de enfermagem em outras práticas e incentiva uma abordagem interdisciplinar, pois promove relaxamento, conforto e prazer nas interações sociais e no diálogo entre pessoas e profissionais. Naturopatia É entendida como abordagem de cuidado que, por meio de métodos e recursos naturais, apoia e estimula a capacidade intrínseca do corpo para curar‑se. Tem como origem o vitalismo que consiste na existência de um princípio vital presente em cada indivíduo, que influencia seu equilíbrio orgânico, emocional e mental, em sua cosmovisão. A naturopatia utiliza diversos recursos terapêuticos, como: plantas medicinais, águas minerais e termais, aromaterapia, trofologia, massagens, recursos expressivos, terapias corpo‑mente e mudanças de hábitos. Cada indivíduo recebe um tratamento individualizado, planejado para suas especificidades, seguindo seis princípios fundamentais: ● Não fazer mal: por meio do uso de métodos que minimizam o risco de efeitos colaterais. ● Identificar e tratar as causas fundamentais da doença: identificando e removendo as causas subjacentes das doenças em vez de suprimir os sintomas. ● Ensinar os princípios de uma vida saudável: compartilhando conhecimentos com os indivíduos e os encorajando a ter responsabilidade sobre sua própria saúde. ● Tratar o indivíduo como um todo por meio de um tratamento individualizado: compreendendo fatores físicos, mentais, emocionais, espirituais, genéticos, ambientais e sociais únicos que contribuem para a doença e personalizando os protocolos de tratamento para o indivíduo. ● Dar ênfase à prevenção de agravos e doenças e à promoção da saúde: avaliando os fatores de risco e vulnerabilidades e recomendando intervenções apropriadas para manter e expandir a saúde e prevenir a doença. ● Dar suporte ao poder de cura do organismo: reconhecendo e removendo os obstáculos que interferem no processo de autocura do corpo. Osteopatia É um método de diagnóstico e tratamento que atua no indivíduo a partir da manipulação de articulações e tecidos. Essa abordagem é baseada no princípio de que a disfunção no movimento articular e tecidual geralmente leva à doença. Se diferencia das demais manipulações na medida em que visa atuar de forma integrativa para que o próprio corpo busque a homeostase. Essa abordagem de cuidado e terapia pessoal baseia‑se na ideia de que o ser humano é uma unidade funcional dinâmica em que todas as partes estão inter‑relacionadas e possuem mecanismos próprios de autorregulação e autocura. O objetivo da terapia osteopata é detectar e tratar as chamadas disfunções somáticas, que correspondem a uma diminuição da mobilidade tridimensional de qualquer tecido conjuntivo, caracterizada por mobilidade limitada (falta de movimento). Quiropraxia Trata-se de uma abordagem de cuidado com elementos diagnósticos e terapêuticos voltados para o tratamento e prevenção de distúrbios do sistema nervoso e musculoesquelético e suas repercussões na saúde pública. O ajuste articular é facilitado pela quiropraxia, aplicado a segmentos específicos e tecidos adjacentes com o objetivo de afetar a função articular e a neurofisiologia para corrigir um complexo de subluxação, cujo padrão tem sido descrito como disfunção motora segmentar com alterações neuropatológicas e interações com músculos, ligamentos, tecidos vasculares e articulações do tecido conjuntivo. Reflexologia É a prática de utilizar a estimulação de zonas reflexas para fins terapêuticos. O corpo deve passar por meridianos, que o dividem em diferentes zonas. Cada uma dessas áreas tem reflexos especiais nos pés ou nas mãos. Ao massagear pontos‑chave, o equilíbrio pode ser reativado em áreas do corpo onde há algum bloqueio ou dificuldade. A área do corpo aparece nos pés e depois nas mãos, orelhas e outras partes do corpo, e é chamada de sistema sutil, usando o termo reflexologia ou terapia de zona. Reiki É a prática da imposição das mãos que utiliza a aproximação ou toque do corpo para estimular os mecanismos naturais de restauração da saúde. Com base na visão vitalista de saúde e doença, que também é encontrada em outros sistemas de cura, considera a presença de uma energia universal direcionada que equilibra a energia vital com o objetivo de integrar corpo e mente em harmonia. O tratamento visa fortalecer onde estão os bloqueios – “nós de energia” –, removendo toxinas, equilibrando as funções celulares saudáveis e restaurando o fluxo de energia vital. Revitaliza as glândulas, órgãos, nervos, coração e sistema imunológico, ajuda a aliviar o estresse, a depressão e a ansiedade e promove o equilíbrio das energias vitais. Shantala É uma prática de massagem infantil que consiste em uma série de movimentos corporais que despertam e ampliam o vínculo entre cuidador e bebê. Promove também a saúde geral, fortalecendo os vínculos afetivos, a cooperação, a confiança, a criatividade, a segurança e o equilíbrio da mente e do corpo. Favorece e fortalece os vínculos afetivos, tonifica e equilibra os sistemas imunológico, respiratório, digestivo, circulatório e linfático, além de dar a bebês e crianças a chance de estimular suas articulações e músculos, o que é ótimo para o desenvolvimento motor e ajuda em movimentos como rolar, sentar, engatinhar e andar. Terapia Comunitária Integrativa (TCI) É uma prática de interferir nos grupos sociais para criar e fortalecer redes de solidariedade social. Utiliza os recursos da comunidade com base no princípio de que, se as comunidades e os indivíduos encontram problemas, eles também desenvolvem recursos, habilidades e estratégias para encontrar soluções para as dificuldades. É um espaço que facilita a troca de experiências entre as pessoas. A TCI foi desenvolvida em forma de roda e projetada para trabalhar com praticidade. Baseia-se em cinco eixos teóricos, a saber: pedagogia do Paulo Freire, teoria da comunicação, pensamento sistemático, antropologia cultural e flexibilidade. A TCI constrói a autoestima e promove ligações positivas, fortalece as redes de apoio e melhora os recursos disponíveis nas comunidades, sendo essencialmente uma estratégia integrada e intersetorial