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Comunicação, Linguagem e Semiótica Prof. Dr. Lemuel de Faria Diniz Módulo 1 - Fundamentos da Semiótica Unidade 2 - Charles Peirce e a imagem Os polímatas e a semiótica ● Os polímatas são os sábios e/ou eruditos em distintas matérias, que têm trazido contribuições inovadoras e relevantes em diferentes campos; ● Pessoas que têm vasto conhecimento em muitas ciências. Fonte: Wikimedia Commons https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Johann-Heinrich_Lambert.png Os polímatas e a Semiótica ● O desenvolvimento da semiótica se deve ao trabalho de diversos polímatas: Roman Jakobson, Yuri Lotman, Roland Barthes, Charles Morris, Umberto Eco; ● Esse grupo internacional promoveu a difusão da Semiótica partindo de perspectivas muito diferentes; ● Charles Morris estudou Engenharia, Psicologia e Filosofia antes de passar ao campo da Semiótica (BURKE, 2022, p. 244, 246). Os polímatas e a semiótica ● Umberto Eco: filósofo, crítico literário, estudioso do serialismo musical, candomblé, temas da Idade Média etc.; ● Fez uma ponte entre a alta cultura e a cultura popular, utilizando a teoria semiótica para analisar o Superman e o James Bond (BURKE, 2022, p. 247). Fontes: Flickr e Wikimedia Commons https://www.flickr.com/photos/124561666@N02/14218024197 https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Umberto_Eco_04.jpghttps://commons.wikimedia.org/wiki/File:Umberto_Eco_04.jpg O polímata Charles Peirce ● Peirce (1839-1914): inserido na lista dos polímatas relacionados nos estudos de Peter Burke; ● Na sua infância, a casa de seu pai era uma “espécie de centro de reuniões para onde naturalmente convergiam os mais renomados artistas e cientistas. Portanto, desde criança, o pequeno Charles já conduzia sua existência num ambiente de acentuada respiração intelectual”; ● Adulto, Peirce é denominado “um Leonardo das ciências modernas” (SANTAELLA, 1983, p. 3). Fontes: Wikimedia Commons; Flickr O polímata Charles Peirce ● Estudioso de Filosofia, Matemática, Química, Psicologia, Ciências Econômicas, Física, Astronomia, Geologia, Metrologia, Biologia, Arquitetura, “classificação zoológica”, idiomas, Literatura, Linguística (BURKE, 2022, p. 226, 233, 244, 401; SANTAELLA, 1983, p. 3); ● “Por trás de tudo isso, existia um fio condutor: sendo um cientista, Peirce era, acima de tudo, um lógico. Essa foi a grande e irresistível paixão de toda a sua vida” (SANTAELLA, 1983, p. 3). Fontes: Wikimedia Commons; Flickr O polímata Charles Peirce ● “Enquanto Saussure põe o acento na função social do signo, Peirce o põe sobre a função lógica”. “No entanto, os dois aspectos [...] “recorrem, em certo sentido, a uma mesma finalidade: o estudo da vida do signo” (SIMÕES, REI, 2014, p. 85). As tricotomias peirceanas e a semiótica ● Como filósofo, Peirce adere ao “esquematismo triplo da teoria aristotélica do silogismo”; ● Como lógico, Peirce escolhe fazer uso de tríades - “as ideias de um, dois e três são-nos impostos pela lógica”; ● Como psicólogo e adepto da fenomenologia, Peirce crê que um aspecto da natureza humana é “pensar e organizar a experiência por meio de processos tripartidos”; ● Elaboração da sua proposta: Peirce usa primeiro a Lógica, depois agrega a Fenomenologia, e, por fim, chega à Semiótica (COSTA, DIAS, 2019, p. 48, 49). Fontes: Wikimedia Commons; Flickr As tricotomias peirceanas e a Semiótica ● Ao erigir sua teoria semiótica, Peirce divide o signo em três, a saber, ícone, índice (ou indicador) e símbolo; ● São três as categorias fenomenológicas: primeiridade, secundidade e terceiridade; ● A “primeiridade (sensibilidade) corresponde àquilo que é apreendido em si mesmo, sem a necessidade de mediação para que tenha sentido. Um exemplo é a qualidade vermelho da maçã” (COSTA, DIAS, 2019, p. 49, 50, 55, grifo original). Fonte: Wikimedia Commons https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Red_Apple.jpg https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Red_Apple.jpg As tricotomias peirceanas e a Semiótica ● A “secundidade (reação) corresponde àquilo que somente aponta para algo a ser apreendido, que lhe é distinto e guarda com ele algum tipo de relação. Um exemplo é o sabor doce para o qual aponta a vermelhidão da maçã”; ● A “terceiridade (pensamento) corresponde a um objeto que é apreendido por meio de um terceiro e que não tem com ele nenhuma relação de semelhança ou contiguidade estrita. Um exemplo é a palavra maçã que representa o fruto” (COSTA, DIAS, 2019, p. 55, grifo original). Fontes: Wikimedia Commons; Flickr Peirce: a lógica e a fenomenologia ● Primeiramente, a lógica estuda os modos do raciocínio e suas condições de validade; ● Peirce procurou “mostrar a relação entre lógica e experiência”, ou seja, “entre os aspectos formais e materiais do nosso conhecimento”; ● Esse fato levou Peirce “a conceber uma fenomenologia que se acrescenta ao estudo lógico”; Fontes: Wikimedia Commons; Flickr Peirce: a lógica e a fenomenologia ● Por isso, a teoria peirceana também tem “um apoio intuitivo” e levou os signos a não serem “meras entidades abstratas, e sim componentes efetivos de nossa experiência” (COSTA, DIAS, 2019, p. 48). Fontes: Wikimedia Commons; Flickr Peirce e a imagem ● “Uma imagem é um hipoícone porque a qualidade de sua aparência é semelhante à qualidade da aparência do objeto que a imagem representa”; ● “Todas as formas de desenhos e pinturas figurativas são imagens” (SANTAELLA, 1983, p. 14). Fontes: Wikimedia Commons; Flickr Peirce e a imagem ● “Um diagrama é hipoícone de segundo nível, visto que representa as relações entre as partes de seu objeto, utilizando-se de relações análogas em suas próprias partes”; ● Exemplo: um diagrama que represente as partes constituintes do signo, evidenciando as relações que essas partes mantêm entre si (SANTAELLA, 1983, p. 14). Fontes: Wikimedia Commons; Flickr Peirce e a imagem ● “Hipoícone de terceiro nível são as metáforas verbais. Estas nascem da justaposição entre duas ou mais palavras, justaposição que põe em intersecção o significado convencional dessas palavras. ‘Olhos oceânicos’, por exemplo”. Fonte: Wikimedia Commons Fontes: Wikimedia Commons; Flickr https://commons.wikimedia.org/wiki/File:The-silent-voice-1217577-en-max.jpg Peirce e a imagem ● “Quando essas duas palavras são justapostas, o significado de olhos entra em paralelo com o de oceano e vice-versa, fazendo submergir uma relação de semelhança entre ambos” (SANTAELLA, 1983, p. 14). Fontes: Wikimedia Commons; Flickr Referências BURKE, Peter. El polímata: una historia cultural desde Leonardo da Vinci hasta Susan Sontag. Madri: Alianza Editorial, 2022. COSTA, Max; DIAS, André. Semiótica e produção de sentido: comunicação, cultura e arte. Curitiba: Editora Intersaberes, 2019. ISBN 9788559729023. Disponível na Biblioteca Digital da UFMS. https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Johann-Heinrich_Lambert.png https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Umberto_Eco_04.jpg https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Red_Apple.jpg https://commons.wikimedia.org/wiki/File:The-silent-voice-1217577-en-max.jpg https://www.flickr.com/photos/124561666@N02/14218024197 PEIRCE, Charles S.; HOUSER, Nathan (org). Writings of Charles S. Peirce: a chronological edition, v. 8: Indiana: Indiana University Press, 2001. ISBN 0253372089. SANTAELLA, Lucia. O que é Semiótica. São Paulo: Brasiliense, 1983. SIMÕES, Darcilia M. P.; REI, Claudio Artur O. Importância e permanência das ideias de Saussure. Matraga, v. 21, n. 34, 2014. Disponível em: https://link.ufms.br/r7B0D. Acesso em: 15 out. 2023. p. 73-89. https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Johann-Heinrich_Lambert.png https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Umberto_Eco_04.jpg https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Red_Apple.jpg https://commons.wikimedia.org/wiki/File:The-silent-voice-1217577-en-max.jpg https://www.flickr.com/photos/124561666@N02/14218024197 https://link.ufms.br/r7B0D Licenciamento Respeitadas as formas de citação formal de autores de acordocom as normas da ABNT NBR 6023 (2018), a não ser que esteja indicado de outra forma, todo material desta apresentação está licenciado sob uma Licença Creative Commons - Atribuição 4.0 Internacional. https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/ https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/