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Pós-graduação em Engenharia Geotécnica aplicada à Mineração Modulo 01/2024 Geologia de Engenharia Atividade 01 de Geologia de Engeharia: Estudo de Caso Profa : Rosyelle Corteletti Data de entrega: 20/11/2024 Valor: 40 Pontos A Atividade 1 é um de estudo de caso verídidico, realizado para um empreendimento de estração de Ouro da TristGold, localizado na região sul do estado do Pará, no município de Castelo dos Sonhos. Trata-se de uma análise geotécnica de seis taludes do arranjo geométrico preliminar da Cava Esperança Central que é composta por duas cavas denominadas como Cava A e Cava B. Este estudo foi realizado para compor o projeto geotécnico conceitual (Etapa conceitual) do Projeto Geotécnico das Cava A e Cava B, do Projeto Castelo dos Sonhos. A partir das informações no relatorio você, como Geotécnico da empresa responsável pelo empreendimento, deverá analisar o documento e apresentar os itens abaixo, para aprovação projeto geotécnico conceitual da Cava Esperança Central (Cavas A e B). o A caracterização final do maciços rochosos a partir das tabelas do ISMR (1983). caracterização do maciços rochosos e as tabelas dos parametros de descontinuidade do ISMR (1983). o Uma análise critica dos resultados apresentados, utilizando além das informações contidas no texto, as Classes de causas de escorregamentos Cruden e Vargas (1996), os parâmetros que definem os tipos de ruptura e suas caracteristicas, para auxiliar o desenvolvimento do projeto geotécnico da Cava Esperança Central (Cavas A e B). Pós-graduação em Engenharia Geotécnica aplicada à Mineração Modulo 01/2024 Geologia de Engenharia Figura 1.1 - Mapa de Localização do Complexo do Projeto Castelo dos Sonhos 1. INTRODUÇÃO O depósito de Castelo de Sonhos, estudado pela empresa de mineração TriStar Gold Inc., está localizado no município de Altamira, no distrito de Castelo de Sonhos, na porção sudoeste do Estado do Pará (Figura 1.1). Este estudo apresenta dados do Projeto Castelo de Sonhos que irá durante sua implantação e nas decorrentes atividades que serão desenvolvidas na fase de operação, formarão um complexo de estruturas para empreendimento, das quais se destacam: cavas Esperança Sul e Esperança Centro; pilhas de estéril Norte, Sul e Centro; planta de beneficiamento; barragem de rejeitos; rejeitoduto; sistema de reaproveitamento de água; estrada principal e acessos internos; edificações de apoio, como restaurante, escritórios, vestiários, laboratório, dentre outros e os sistemas de controle ambiental, como sumps de contenção de sedimentos e depósito intermediário de resíduos sólidos e Central de Materiais Descartáveis (CMD). A figura 1.2 apresenta o a planta do Plano diretor do Complexo do Projeto Castelo dos Sonhos Pós-graduação em Engenharia Geotécnica aplicada à Mineração Modulo 01/2024 Geologia de Engenharia Figura 1.2 - Plano Diretor do complexo do Projeto Castelo dos Sonhos Pós-graduação em Engenharia Geotécnica aplicada à Mineração Modulo 01/2024 Geologia de Engenharia 2.1 - Mapa Geológico Regional 2. CONTEXTO GEOLÓGICO 2.1 Geologia Regional Na região que se insere o Projeto Castelo de Sonhos, a compartimentação geotectônica compreende a Província Amazônia Central da qual faz parte o Domínio Iriri-Xingu e a Província Tapajós-Parima que integra o Domínio Tapajós, os quais são descritos no presente tópico. O mapa geológico regional é apresentado na Figura 2.1. Contextualiza-se por rochas metassedimentares da Formação Castelo dos Sonhos, com ocorrência de mineralizações de ouro em ambiente caracterizado como paleoplacer modificado. Província Tapajós-Parima/ Domínio Tapajós As unidades que representam o Domínio Tapajós de forma mais expressiva no âmbito regional do Projeto Castelo de Sonhos compreendem aquelas relacionadas ao Magmatismo Orogênico (Orogênese Cuiú-Cuiú), ao Magmatismo Pós-Orogênico (pós Orogênese Cuiú-Cuiú) e ao Magmatismo Intracontinental. Magmatismo Orogênico (Orogênese Cuiú-Cuiú) Complexo Cuiú-Cuiú As rochas do Complexo Cuiú-Cuiú foram intrudidas por rochas das suítes intrusivas Creporizão, Parauari, Ingarana e Maloquinha e pelo Granito Caroçal. Na região, o complexo mantém contato tectônico com as supracrustais do Grupo Jacareacanga, por meio de falhas ou zonas de cisalhamento contracionais, e com as rochas sedimentares da Formação Buiuçu e do Grupo Jatuarana através de falhas rúpteis normais e transcorrentes. Localmente, o Complexo Cuiú-Cuiú é recoberto por rochas vulcânicas do Grupo Iriri (Domínio Iriri-Xingu). As litologias presentes compreendem ortognaisses tonalíticos e granodioríticos bandados ou porfiroclásticos, com a presença de termos monzograníticos, quartzo dioríticos, quartzo monzodioríticos e dioríticos associados. Esses gnaisses hospedam diques e apófises em geral lenticulares de leucogranitos ricos em muscovita. Pós-graduação em Engenharia Geotécnica aplicada à Mineração Modulo 01/2024 Geologia de Engenharia Suíte Intrusiva Crepurizão A Suíte Intrusiva Crepurizão (1,99 – 1,96 Ga) é caracterizada como batólitos graníticos cálcio- alcalinos de alto K, com características geoquímicas de arco magmáticos de rochas póscolisionais que intrudiram o Arco Cuíu-Cuíu (Vasquez et al., 2008,). Suíte Intrusiva Tropas A Suíte Intrusiva Tropas (1,9 – 1,89 Ga), composta por rochas vulcânicas e plutônicas pós orogênicos caracterizados por granitoides calcioalcalinos de alto K e tonalitos (Vasquez et al., 2008a). Suíte Intrusiva Parauari Essa suíte se desenvolveu a partir de uma grande intrusão (1,88 – 1,87 Ga), caracterizada em sua maior parte por granodioritos, tonalitos e em menor parte por diversos tipos de granitoides. Tais rochas possuem registro cálcio-alcalino com alto K. Dessa forma, foram interpretadas, segundo Santos (2004), como originadas de arco magmático continental e, de acordo com Vasquez (2008a), como um ambiente extensional pós-orogênico. Suíte Intrusiva Creporizão As litologias dessa suíte intrusiva compreendem sieno e monzogranitos, granodioritos, tonalitos e subordinados quartzo monzodioritos. Os corpos granitóides são geralmente milonitizados e podem hospedar enclaves de rochas máficas (VASQUEZ et al., 2000b, c apud VAZQUEZ & ROSA-COSTA, 2008). A idade aproximada é 1,9 Ga. 2.1.1 Arcabouço Estrutural Em um cenário regional o platô da área do Projeto Castelo de Sonhos está localizado na porção interior de um sinclinal de eixo segundo NW-SE, concordante com o trend tectônico do Domínio Iriri- Xingú, no qual se insere. Porém, em detalhe, o arcabouço estrutural deste platô constitui-se de elementos discordantes da trama regional. Duas estruturas deformacionais, pelo menos, afetaram todo o pacote da Formação Castelo dos Sonhos: uma de natureza dúctil, sin-metamórfica (Dn) que reflete um episódio de deformação transpressional sinistral, desencadeado por um campo de solicitações principais segundo a direção NS; uma segunda deformação, de natureza rúptil (Dn+1), que originou um sistema de juntas e falhas cujas superfícies geralmente, estão cobertas por um filme de hematita e estiveram sob a ação de uma solicitação principal máxima horizontal de direção NS. 2.2 Geologia Local As rochas sedimentares da Formação Castelo dos Sonhos recobrem uma extensa área do território do Projeto Castelo de Sonhos, é situada nos limites leste da Província Tapajós-Parima, pertencente ao Domínio Tapajós (Vasquez, 2008a). A área é construída por rochas metassedimentares, principalmente metarenitos e metaconglomerados fortemente silicificados (Figuras 2.1 e Figura 2.2), e possuem mergulho médio ~30º para SE, e em algumas regiõesapresentam estruturas sedimentares. Ainda, em algumas porções, ocorrem intrusões graníticas e rochas vulcânicas e subvulcânicas félsicas e máficas que cortam as associações sedimentares (Karpeta, 2016). A Formação Castelo dos Sonhos trata-se de uma sequência metassedimentar, constituída por metaquartzoarenitos e metaconglomerados, localmente milonitizados e que foi intrudita por rochas granitóides e vulcânicas. Pós-graduação em Engenharia Geotécnica aplicada à Mineração Modulo 01/2024 Geologia de Engenharia 2.2 - Área de garimpo antigo, aflorando metarenitos (a direita) e metaconglomerados (a esquerda) da Formação Castelo dos Sonhos 2.1 - Vista de cima do platô constituído pela Formação Castelo dos Sonhos. Pós-graduação em Engenharia Geotécnica aplicada à Mineração Modulo 01/2024 Geologia de Engenharia Figura 2.4 - Mapa Geológico da área do Projeto Castelo dos Sonhos Pós-graduação em Engenharia Geotécnica aplicada à Mineração Modulo 01/2024 Geologia de Engenharia 2.4 - Mapa Litológico Simplificado da área de estudo Na área da Futura Cava Esperança está geologicamente na Formação Castelo dos Sonhos, e compreende estratos areníticos e conglomeráticos dispostos em uma estrutura sinformal com eixo mergulhando de 15 a 20º para SW. O flanco sul dessa estrutura apresenta direção NE-SW com mergulhos de 30 a 35º para NW; o flanco leste/central apresenta direção N-S com mergulhos de 30 a 35º para oeste; e, por fim, o flanco norte/noroeste desta sinforme apresenta direção NE-SW com mergulhos de 60 a 80º para SE. Desta forma, o contorno em superfície do estrato conglomerático apresenta, grosso modo, a forma de uma ferradura (Figura 2.4). • Metarenitos (mA): arenitos de granulação média a grossa, mal selecionados a bem classificados, constituídos por grãos de quartzo, quartzito, mica branca e hematita, podendo conter seixos e grânulos. Raramente exibem estratificação cruzada acanalada ou tabular planar de médio porte e mostram granulação fina. Leitos planos ou com estratificação cruzada de grande porte e marcas de ondas, também são raramente identificados. Ocorrem na forma de dois pacotes, um basal e outro de topo, entre os quais se intercala o estrato conglomerático. Os contatos entre os pacotes são aparentemente gradacionais e as espessuras dos metarenitos e metaconglomerados atingem centenas de metros (Figuras 2.5 e 2.6). • Metarenitos Conglomeráticos (mAC): nessas litologias tem-se o predomínio da fração arenosa, entretanto contendo seixos conglomeráticos. A matriz é composta por areias e grãos/grânulos essencialmente angulares a sub-angulares e sub-arredondados; os seixos apresentam-se em geral bem arredondados (2.7) Pós-graduação em Engenharia Geotécnica aplicada à Mineração Modulo 01/2024 Geologia de Engenharia Figura 2.5 - Pacote de metarenitos (mA) da Formação Castelo dos Sonhos no paredão da Cachoeira da Kátia Bloco de metarenito alterado da Formação Castelos dos Sonhos 2.6 - Bloco de metarenito (mA) alterado da Formação Castelos dos Sonhos 2.7 - Metarenitos Conglomeráticos (mAC)com estratificação cruzada da Formação Castelo dos Sonhos • Metaconglomerados (mC): os metaconglomerados apresentam uma ampla variação faciológica, que resultou de diferenças nas condições de transporte e sedimentação dos seixos. Em termos de composição, são oligomíticos, predominando clastos de quartzo, quartzitos, xistos e, mais esporadicamente, de formação ferrífera bandada (BIFs). Raramente ocorrem clastos de rochas vulcânicas. Os clastos são mal selecionados, de dimensões centimétricas a métricas e bem arredondados, porém, com baixa esfericidade. A matriz conglomerática é areno-granular, de grãos angulares a sub-angulares, composta por quartzo de granulação média grossa, muscovita, clorita, magnetita, hematita, turmalina e zircão. Em função das variações faciológicas, os metaconglomerados podem ser suportados pela matriz, pelos clastos ou se apresentarem como microconglomeráticos, resultando nas seguintes subunidades litológicas: o Metaconglomerados clasto-suportados (mC1): predomínio de clastos sobre a matriz, os quais fazem contato entre si sustentando o pacote litológico. Os clastos podem apresentar entrelaçamento, configurando um padrão típico de seixos imbricados. Não existe uniformidade no tamanho dos clastos. Esta subunidade pode ser denominada de metaconglomerado bem empacotado (Figuras 2.8). Pós-graduação em Engenharia Geotécnica aplicada à Mineração Modulo 01/2024 Geologia de Engenharia Figura 2.8 - Afloramento de Metaconglomerados clasto-suportados (mC1) da Formação Castelo dos Sonhos Figura 2.9 - Afloramento de Metaconglomerados matriz- suportados (mC2) da Formação Castelo dos Sonhos Figura 2.7 - Cascalho formado sobre o pacote de metaconglomerado da Formação Castelos dos Sonhos em área de antigo garimpo o Metaconglomerados matriz-suportados (mC2): predomínio da matriz sobre os clastos, sendo que estes não fazem contato. A matriz é geralmente areno-granular, composta por grãos de quartzo, hematita/magnetita e sericita. Não são observadas estruturas sedimentares primárias uma vez que o arranjo tende a ser caótico, típico de fluxo de massa em ambiente de alta energia. A subunidade é também denominada de metaconglomerado mal empacotado (Figura 2.9). o Microconglomerados (mC3): predomínio amplo dos grânulos sobre os clastos, que neste caso, são normalmente subcentimétricos. O predomínio amplo da fração granular confere às litologias um aspecto rugoso-sacaroidal. Dentre as subunidades dos metaconglomerados, apresentam melhores graus de seleção e classificação. Têm uma ocorrência bem subordinada em relação às outras duas subunidades. Pós-graduação em Engenharia Geotécnica aplicada à Mineração Modulo 01/2024 Geologia de Engenharia Figura 2.9 - Coluna Estratigráfica da Formação Castelo dos Sonhos, Alkimin (2011) A Figura 2.9 apresenta uma seção esquemática do pacote litológico da Formação Castelo dos Sonhos. A composição dos clastos dos metaconglomerados indica área fonte constituída principalmente por rochas vulcanossedimentares clásticas e químicas, já que a maioria dos seixos e calhaus desta litologia é composta de quartzo e quartzitos e, subordinadamente, de formações ferríferas e/ou jaspilitos hematíticos, além de raros seixos de xistos. Karpeta (2016) apresentou de forma simplificada a Formação Castelo de Sonhos em quatro unidades litoestratigráficas para o pacote sedimentar da região (Figura 2.10). • Unidade I: composto por pacotes de 50 metros de espessura, estruturados por alternância de metarenitos com estratificação cruzada acanalada, moderadamente selecionados, sub-maturos e de granulação grossa, e camadas menos espessas de metaconglomerados seixosos com clastos suportados pela matriz, oligomíticos, moderadamente selecionados, com clastos de veios de quartzo em sua maioria, além de clastos de quartzito. • Unidade II: pacote de até 50 metros, com alternância entre conglomerados suportados pela matriz, oligomíticos, pobremente selecionados, com clastos de tamanho bloco, sub-arredondados a muito bem arredondados de quartzito, e metarenitos com granulação areia muito grossa a média e estratificação cruzada tabular. Pós-graduação em Engenharia Geotécnica aplicada à Mineração Modulo 01/2024 Geologia de Engenharia 2.10 - Coluna Estratigráficada Formação Castelo dos Sonhos Karpeta (2016) • Unidade III: pacote maior que 100 metros, integrado pela alternância entre lentes de metaconglomerados seixosos muito grossos, matriz-suportados, oligomíticos, com clastos de quartzito e metarenitos de granulação grossa com estratificação cruzada acanalada. • Unidade IV: pacote mais espesso 100 metros, composto por metarenitos com estratificação cruzada do tipo herringbone em direção ao topo e concentrações de minerais pesados nos foresets. A composição das rochas, principalmente em relação aos conglomerados indica a área fonte composta por rochas metassedimentares clásticas e metassedimentares químicas (quando se trada de rochas metavulcanossedimentares), pela presença de blocos de quartzo e quartzito além de formações ferríferas e seixos de xisto (Karpeta, 2016). Ocorre intrusões graníticas que variam em composição de granodioritos a monzogranitos e sienogranitos. Eventualmente apresentam feições subvulcânicas (pórfiros) de composição intermediária. Também a ocorrência de Diques de rochas máficas, de coloração vermelha e textura argilosa quando intemperizados, e de cor esverdeada a cinza escuro quando frescos, são comuns e foram observados nos furos de sondagem mais profundos, geralmente apresentando metamorfismo de contato com as rochas sedimentares. O depósito de ouro de Castelo de Sonhos, definido como depósito paleoplacer modificado, por conta da intercalação de rochas sedimentares pode refletir o avanço e recuo de um sistema aluvial. Com isso, essa formação pode ser interpretada como um complexo aluvial, dominada por um sistema entrelaçado, onde a sedimentação possa ter ocorrido devido ao soerguimento regional da área (Miall, 1996; Alkmim, 2011). Pós-graduação em Engenharia Geotécnica aplicada à Mineração Modulo 01/2024 Geologia de Engenharia Tabela 3.2 - Medidas estruturais das feições de análise do estudo Tabela 3.1 - Características dos furos utilizados no estudo. 3. METODOLOGIA A área da análise geológica geotécnica do estudo está localizada na porção norte/noroeste do completo do Projeto Castelo dos Sonhos denominado Cava Esperança Centro, onde foi dividida em duas cavas, sendo elas Cava A localizada na porção sudoeste (SW) e a Cava B, na porção nordeste (NE). O conjunto de rochas presentes no depósito é altamente silicificado com padrões de fraturamento. A partir das informações adquiridas por meio de amostragem por sondagem foi realizada a caraterização geomecânica do maciço rochoso, a identificação dos tipos de rupturas na área, para o desenvolvimento do projeto geotécnico, e possível geometria conceitual da Cava A e Cava B, que compõe as estruturas da área da Cava Esperança Central para explotação de ouro. Para a realização do estudo foram utilizados três furos de sondagem, F28, F173 e F287, os quais foram submetidos a distintas análises geotécnicas conforme explicitado pelo Quadro 3.1. Ainda como orientação, foi utilizado o projeto teórico da cava de mineração sequenciado a partir do recurso, onde o furo F173 está inserido na Cava A e o furo F287 na Cava B. O furo F28, que possui seu testemunho preservado, teve amostras recolhidas para ensaios de compressão uniaxial. Este furo também foi submetido para a aquisição das características geomecânicas da região. Os furos F173 e F287, que possuem imagens de televisionamento óptico foram utilizados para análise estrutural das famílias de fraturas presentes localmente na região das cavas conceituais para identificação das descontinuidades e suas atitudes para análise das possíveis rupturas que poderão ocorrer ao logo das seis seções que representam o talude global de cada uma das faces. Na Tabela 3.1 são apresentadas as características gerias dos furos utilizados neste estudo A partir da setorização das cavas conceitual A e B foram definidas seções para as análises de identificação dos tipos de rupturas utilizando a partir de uma geometria teórica para os taludes, análise de estabilidade do talude global nas seis seções escolhidas. A figura 3.3 apresenta disposição das seis seções analisadas, assim como a locação dos furos de sondagem F28, F173 e F287. Essas seções e medidas levaram em consideração o predomínio da disposição geométrica de ambas as cavas conceituais. Dessa forma, os elementos estão espacialmente dispostos exibidos na Figura 3.1 e estão descritas na Tabela 3.2. Pós-graduação em Engenharia Geotécnica aplicada à Mineração Modulo 01/2024 Geologia de Engenharia 3.1 Disposição da possível configuração das Cavas conceituais A e B na área da Cava Esperança Centro, bem como os respectivos taludes. Em destaque observa-se as seções definidas e a localização dos furos utilizados nesse estudo. \\ Pós-graduação em Engenharia Geotécnica aplicada à Mineração Modulo 01/2024 Geologia de Engenharia 4. CONTEXTO GEOTÉCNICO O Furo 28 localiza-se a noroeste da Cava Esperança Central, aproximadamente 10km da área. No entanto está dentro da Formação Castelo dos Sonhos, caracterizada por suas rochas metassedimentares, principalmente metarenitos e metaconglomerados fortemente silicificados, e que possuem mergulho médio de aproximadamente 30º para SE. Logo justificando a utilização deste furo para obtenção de parâmetros geotécnicos para análise da estabilidade das seções propostas na figura xxx. As figuras 4.1 e 4.2 apresentam Trechos de testemunhos do furo F28 correspondentes às profundidades entre 94,15 e 122,30metros. E possível identificar trechos com grau de resistência menor, e com grau de intemperismo. Figura 4.1 - Trechos de testemunhos do furo F28 correspondentes às profundidades entre 94,15 e 122,30 metros. A maior porção do furo F28 apresenta nas profundidades: A- 314,2 a 329,8 m. B –343,55 a 377,6 m, rochas muito coesas, silicificadas e baixo intemperismo. Figura 4.2 - Trechos de testemunhos do furo F28 correspondentes às profundidades entre 94,15 e 122,30 metros. Furo 28 trata-se de uma sondagem rotativa para exploração e identificação estratigráfica. Dessa forma foi possível obter testemunho recuperado e preservado. As amostragens foram realizadas a partir da recuperação do testemunho em cilindros de rocha de representatividade Pós-graduação em Engenharia Geotécnica aplicada à Mineração Modulo 01/2024 Geologia de Engenharia direta da litologia, possibilitando a realização das caracterizações geomecânicas e o teste de compressão uniaxial a partir de dez amostras coletadas do testemunho (Figura 4.3). Pós-graduação em Engenharia Geotécnica aplicada à Mineração Modulo 01/2024 Geologia de Engenharia Tabela 4.1 Resultados e classificação testes de compressão uniaxial do furo F28. 4.3 - Amostras coletadas do furo F28 para teste de compressão uniaxial. 4.1 Ensaio de Compressão Uniaxial As 10 amostras analisadas por meio do teste mecânico de compressão uniaxial forneceram os valores apresentados na Tabela 4.1. Com análise dos parâmetros definidos pela ISRM (1983) acerca do furo de sondagem F28, os testes de compressão uniaxial, as descrições litológicas e as análises das feições via OTV, foi possível realizar a caracterização geomecânica das rochas presentes na área do projeto conceituas da Cava A e Cava B. Em síntese foi observado que: o A rocha está ligeiramente alterada; o Analisando o espaçamento das descontinuidades observado no furo F173 e F287 atestou-se a média de 0,6 a 2 metros de espaçamento.; o As descontinuidadespossuem, em sua maioria, comprimentos de 1 a 3 metros, aberturas de 0,1 a 1 mm, o As fraturas apresentam rugosidade e possuem preenchimento duroBrazil. Internal report, Tristar Gold, 15 p. Karpeta, W. S. 2016. The geology of the Castelo de Sonhos Project, Para, Brazil: An Initial Assessment. Internal report, Tristar Gold, 27p. Miall, A.D. 1996. The Geology of fluvial deposits. Springer-Verlag, Berlin, 582p.Vasquez, M.L. & P.S.F. RICCI. 2002. Caracterização dos lamprófiros da Província Tapajós. Boletim de Resumos do Simpósio sobre Vulcanismo e Ambientes Associados 2: p. 91. Vasquez, M.L. & P.S.F. RICCI. 2002. Caracterização dos lamprófiros da Província Tapajós. Boletim de Resumos do Simpósio sobre Vulcanismo e Ambientes Associados 2: p. 91. Vasquez M.L., Rosa-Costa L.T., Silva C.M.G., Klein E.L. 2008a. Compartimentação tectônica. In: VasquezM.L. & Rosa-Costa L.T. (Eds.): Geologia e Recursos Minerais do Estado do Pará: Sistema de Informações Geográficas e SIG: texto explicativo dos mapas Geológico e Tectônico e de Recursos Minerais do Estado do Pará. Escala 1:1.000.000. Belém: CPRM – Serviço Geológico do Brasil, p. 39- 112. Vasquez M.L., Rosa-Costa L.T., Silva C.M.G., Ricci P.S.F., Barbosa J.P.O., Klein E.L., Lopes E.C.S., Macambira E.M.B., Chaves C. L., Carvalho J.M.A., Oliveira J.G.F., Anjos G.C., Silva H.R. 2008b. Unidades litoestratigráficas. In: Vasquez, M.L., L.T. Rosa-Costa (Eds.): Geologia e Recursos Minerais do Estado do Pará: Sistema de Informações Geográficas e SIG: texto explicativo dos mapas Geológico e Tectônico e de Recursos Minerais do Estado do Pará. Escala 1:1.000.000. Belém: CPRM – Serviço Geológico do Brasil, p. 113-214.