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<p>DEFESA DO ESTADO E DAS INSTITUIÇÕES DEFESA DO ESTADO E DAS INSTITUIÇÕES</p><p>DEMOCRÁTICASDEMOCRÁTICAS</p><p>ESTADO DE DEFESA E ESTADO DE SÍTIOESTADO DE DEFESA E ESTADO DE SÍTIO</p><p>Prof. Esp. Matheus Nascimento</p><p>Servidor Público Federal e Advogado</p><p>Mestrando em Ciências da Sociedade</p><p>Pós Graduado</p><p>Ex-assessor de Procurador da República - MPF/RS</p><p>E-mail: matheus.nascimento.adv@outlook.com</p><p>2</p><p>Introdução</p><p>A defesa das instituições democráticas caracteriza-se</p><p>como o equilíbrio da ordem constitucional, não</p><p>havendo preponderância de um grupo sobre outro,</p><p>mas, em realidade, o equilíbrio entre os grupos de</p><p>poder. Se a competição entre os grupos sociais</p><p>extrapola os limites constitucionais, teremos o que a</p><p>doutrina denomina situação de crise.</p><p>3</p><p>Assim, ocorrendo qualquer violação da normalidade constitucional, surge</p><p>o denominado sistema constitucional das crises, definido por Aricê Amaral</p><p>Santos como “... o conjunto ordenado de normas constitucionais que,</p><p>informadas pelos princípios da necessidade e da temporariedade, têm por</p><p>objeto as situações de crises e por finalidade a mantença ou o</p><p>restabelecimento da normalidade constitucional”.</p><p>4</p><p>José Afonso da Silva observa que o sistema</p><p>constitucional das crises fixa “... normas que visam</p><p>à estabilização e à defesa da Constituição contra</p><p>processos violentos de mudança ou perturbação</p><p>da ordem constitucional, mas também à defesa do</p><p>Estado quando a situação crítica derive de guerra</p><p>externa. Então, a legalidade normal é substituída</p><p>por uma legalidade extraordinária, que define e</p><p>rege o estado de exceção”.</p><p>5</p><p>REQUISITOS</p><p>■ excepcionalidade: a decretação dos estados de defesa e de sítio deve</p><p>se dar em último caso, quando não existirem outras medidas mais</p><p>adequadas e menos gravosas para enfrentar a crise;</p><p>■ taxatividade: os pressupostos materiais para a decretação devem ser</p><p>apenas aqueles indicados na Constituição;</p><p>■ temporariedade (transitoriedade): a legalidade extraordinária</p><p>não pode ser perpetuada no tempo;</p><p>■ determinação geográfica: deve haver determinação do espaço</p><p>de atuação das medidas restritivas, não apenas em relação ao estado de</p><p>defesa (em razão de sua própria definição — “locais restritos e</p><p>determinados”) como também em relação ao estado de sítio, pois as medidas</p><p>deverão se circunscrever às “áreas abrangidas”, mesmo nas hipóteses de</p><p>decretação de estado de sítio nos casos de “comoção grave de repercussão</p><p>nacional” — art. 138, caput;</p><p>6</p><p>■ sujeição a controles: “o controle decorre do caráter</p><p>excepcional das medidas, da proteção aos direitos afetados e do inter-</p><p>relacionamento dos Poderes de Estado (separação de poderes)”;</p><p>■ publicidade: a regra é a publicidade, seguindo, inclusive, a</p><p>exigência da comunidade internacional, prevista, por exemplo, no art.</p><p>4.º, n. 3, do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos (ONU,</p><p>1966);</p><p>■ proporcionalidade: “essas situações de crise grave</p><p>justificam-se apenas excepcionalmente, na proporção justamente</p><p>necessária para debelar as causas e restabelecer a normalidade”.</p><p>7</p><p>HISTÓRICO</p><p>8</p><p>9</p><p>10</p><p>11</p><p>12</p><p>13</p><p>CONTROLE JUDICIAL</p><p>● É possível o controle judicial dos atos praticados</p><p>pelo presidente e congresso?</p><p>● art. 5.º, XXXV, CF/88 (inafastabilidade da</p><p>jurisdição): O Poder Judiciário poderá reprimir</p><p>abusos e ilegalidades cometidos durante o estado</p><p>de crise constitucional por meio, por exemplo, do</p><p>mandado de segurança, do habeas corpus ou de</p><p>qualquer outra medida jurisdicional cabível.</p><p>14</p><p>● Poderia haver controle judicial do mérito político da</p><p>decretação (supondo o Poder Legislativo ter aprovado o</p><p>estado de defesa instituído e autorizado o pedido para</p><p>decretação do estado de sítio)?</p><p>● Abuso de direito ou o desvio de finalidade: possibilidade</p><p>de controle judicial em relação aos requisitos</p><p>constitucionais para a decretação.</p><p>15</p><p>ESTADO DE DEFESA (CF/88)</p><p>As hipóteses em que se poderá decretar o estado de defesa, em correspondência</p><p>com as medidas de emergência introduzidas pela EC n. 11/78 do direito</p><p>constitucional anterior, estão, de forma taxativa, previstas no art. 136, caput, da</p><p>CF/88, quais sejam para:</p><p>● preservar (e nesse caso seria preventivo) ou</p><p>● prontamente restabelecer (sendo nessa hipótese repressivo),</p><p>● em locais restritos e determinados, a</p><p>● ordem pública ou a paz social ameaçadas por grave e iminente</p><p>● instabilidade institucional ou atingidas por</p><p>● calamidades de grandes proporções na natureza.</p><p>Art. 136. O Presidente da República pode, ouvidos o Conselho da República e o</p><p>Conselho de Defesa Nacional, decretar estado de defesa para preservar ou</p><p>prontamente restabelecer, em locais restritos e determinados, a ordem pública</p><p>ou a paz social ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional ou</p><p>atingidas por calamidades de grandes proporções na natureza.</p><p>16</p><p>● Procedimento e regras gerais</p><p>■ Titularidade: o Presidente da República (art. 84, IX, c/c o art. 136),</p><p>mediante decreto, pode, ouvidos o Conselho da República e o Conselho de</p><p>Defesa Nacional, decretar estado de defesa.</p><p>■ Conselho da República e Defesa Nacional: como órgãos de consulta, são</p><p>previamente ouvidos, porém suas opiniões não possuem caráter</p><p>vinculativo, ou seja, o Presidente da República, mesmo diante de um</p><p>parecer opinando pela desnecessidade de decretação, poderá decretar o</p><p>estado de defesa.</p><p>■ O decreto que instituir o estado de defesa deverá determinar:</p><p>a) o tempo de duração;</p><p>b) a área a ser abrangida (locais restritos e determinados);</p><p>c) as medidas coercitivas que devem vigorar durante a sua vigência.</p><p>17</p><p>■ Tempo de duração: máximo de 30 dias prorrogados por mais 30 dias, uma única</p><p>vez. (30+30).</p><p>■ Medidas coercitivas:</p><p>a) restrições (não supressão) aos direitos de reunião, sigilo de correspondência, sigilo</p><p>de comunicação telegráfica e telefônica e à garantia prevista no art. 5.º, LXI, ou seja,</p><p>prisão somente em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da</p><p>autoridade judicial competente;</p><p>b) ocupação e uso temporário de bens e serviços públicos, na hipótese de calamidade</p><p>pública, respondendo a União pelos danos e custos decorrentes.</p><p>■ Prisão por crime contra o Estado: como exceção ao art. 5.º, LXI, a prisão poderá ser</p><p>determinada pelo executor da medida (não pela autoridade judicial competente). O</p><p>juiz competente, imediatamente comunicado, poderá relaxá-la. Tal comunicação</p><p>deverá vir acompanhada do estado físico e mental do detido no momento de sua</p><p>autuação. Referida ordem de prisão não poderá ser superior a 10 dias, facultando-se</p><p>ao preso requerer o exame de corpo de delito à autoridade policial.</p><p>■ Incomunicabilidade do preso: é vedada.</p><p>18</p><p>19</p><p>ESTADO DE SÍTIO (CF/88)</p><p>As hipóteses em que poderá ser decretado o estado de sítio</p><p>estão, de forma taxativa, previstas no art. 137, caput, da CF/88:</p><p>■ comoção grave de repercussão nacional (se fosse de</p><p>repercussão restrita e em local determinado, seria hipótese,</p><p>primeiro, de decretação de estado de defesa);</p><p>■ ocorrência de fatos que comprovem a ineficácia de medida</p><p>tomada durante o estado de defesa (portanto, pressupõe-se</p><p>situação de maior gravidade);</p><p>■ declaração de estado de guerra ou resposta a agressão</p><p>armada estrangeira.</p><p>20</p><p>● Para a decretação do estado de sítio ou sua</p><p>prorrogação, ao contrário do que ocorre com o</p><p>estado de defesa, deverá haver, relatando os</p><p>motivos determinantes do pedido, prévia</p><p>solicitação pelo Presidente da República de</p><p>autorização do Congresso Nacional, que se</p><p>manifestará pela maioria absoluta de seus</p><p>membros, mediante decreto legislativo (art. 49, IV,</p><p>c/c o art. 137, parágrafo único).</p><p>21</p><p>MEDIDAS ESTADO DE DEFESA</p><p>I - restrições aos direitos de:</p><p>a) reunião, ainda que exercida</p><p>no seio das associações;</p><p>b) sigilo de correspondência;</p><p>c) sigilo de comunicação</p><p>telegráfica e telefônica;</p><p>II - ocupação e uso temporário</p><p>de bens e serviços públicos,</p><p>na hipótese de calamidade</p><p>pública, respondendo a União</p><p>pelos danos e custos</p><p>decorrentes.</p><p>MEDIDAS ESTADO DE SÍTIO</p><p>I - obrigação de permanência em localidade</p><p>determinada;</p><p>II - detenção em edifício não destinado a</p><p>acusados ou condenados por crimes comuns;</p><p>III - restrições relativas à inviolabilidade da</p><p>correspondência, ao sigilo das comunicações, à</p><p>prestação de informações e à liberdade de</p><p>imprensa, radiodifusão e televisão, na forma da</p><p>lei;</p><p>IV - suspensão da liberdade de reunião;</p><p>V - busca e apreensão em domicílio;</p><p>VI - intervenção nas empresas de serviços</p><p>públicos;</p><p>VII - requisição de bens.</p><p>Parágrafo único. Não se inclui nas restrições do</p><p>inciso III a difusão de pronunciamentos de</p><p>parlamentares efetuados em suas Casas</p><p>Legislativas, desde que liberada pela respectiva</p><p>Mesa.</p><p>22</p><p>23</p><p>AGU Explica - Estado de sítio x Estado de</p><p>defesa</p><p>https://www.youtube.com/watch?</p><p>v=yCZvhxB6XkU&t=34s</p><p>24</p><p>Questões</p><p>Um deslizamento de terra considerado uma calamidade de grande proporção na</p><p>natureza desabrigou inúmeras famílias e provocou a formação de grupos de</p><p>saqueadores, que não puderam ser contidos pelas forças de segurança locais e</p><p>que abalaram a ordem pública e a paz social na cidade atingida ao invadirem</p><p>casas, comércios e prédios. Diante desse contexto e conforme a Constituição da</p><p>República Federativa do Brasil de 1988, para prontamente restabelecer a ordem</p><p>pública e a paz social atingidas, o Presidente da República, nesse caso, pode,</p><p>ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional, decretar</p><p>A) estado de defesa.</p><p>B) estado de emergência.</p><p>C) estado de sítio.</p><p>D) estado de necessidade.</p><p>E) estado de calamidade.</p><p>25</p><p>Maria, estudante de direito, questionou sua professora de direito constitucional a</p><p>respeito da existência de uma possível precedência condicionada entre as medidas</p><p>passíveis de serem decretadas para a defesa do Estado e das instituições</p><p>democráticas.</p><p>A professora de Maria respondeu, corretamente, que a referida precedência:</p><p>Alternativas</p><p>A) não existe em hipótese alguma;</p><p>B) sempre existe em relação ao estado de sítio e ao estado de defesa, de modo que</p><p>este último, em hipótese alguma, pode ser decretado sem que aquele tenha se</p><p>mostrado ineficaz;</p><p>C) pode existir em relação ao estado de defesa e ao estado de sítio, de modo que</p><p>este último, em algumas situações, somente pode ser decretado com a ineficácia</p><p>de medida tomada naquele;</p><p>D) pode existir em relação ao estado de calamidade pública e ao estado de defesa,</p><p>de modo que este último, em algumas situações, somente pode ser decretado com</p><p>a ineficácia de medida tomada naquele;</p><p>E) sempre existe em relação ao estado de calamidade pública, ao estado de defesa</p><p>e ao estado de sítio, de modo que a decretação da medida subsequente está</p><p>condicionada à ineficácia da medida antecedente.</p><p>26</p><p>No que tange à defesa do Estado e das instituições democráticas, assinale a</p><p>opção correta. Alternativas</p><p>A) Durante o estado de defesa, a prisão de qualquer pessoa não poderá ser</p><p>superior a cinco dias, salvo quando autorizada pelo Poder Judiciário.</p><p>B) Para pôr termo a grave comprometimento da ordem pública, a União</p><p>poderá decretar estado de defesa em estado, município e no Distrito Federal, o</p><p>qual perdurará pelo prazo máximo de trinta dias.</p><p>C) Na vigência de estado de sítio, admite-se a imposição de restrições à</p><p>liberdade de imprensa, de radiodifusão e de televisão.</p><p>D) Compete ao Conselho de Defesa Nacional aprovar a decretação do estado de</p><p>defesa e do estado de sítio.</p><p>E) O presidente da República deve solicitar ao Congresso Nacional autorização</p><p>para decretar estado de defesa.</p><p>Slide 1</p><p>Slide 2</p><p>Slide 3</p><p>Slide 4</p><p>Slide 5</p><p>Slide 6</p><p>Slide 7</p><p>Slide 8</p><p>Slide 9</p><p>Slide 10</p><p>Slide 11</p><p>Slide 12</p><p>Slide 13</p><p>Slide 14</p><p>Slide 15</p><p>Slide 16</p><p>Slide 17</p><p>Slide 18</p><p>Slide 19</p><p>Slide 20</p><p>Slide 21</p><p>Slide 22</p><p>Slide 23</p><p>Slide 24</p><p>Slide 25</p><p>Slide 26</p>