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TEMA 04 – INCIDENTES DE IMPEDIMENTO 
E SUSPEIÇÃO 
 
 
Aula 01 – Incidentes de impedimento e 
suspeição 
 
 A arguição de impedimento e suspeição é a última hipótese de resposta 
do réu/demandado em uma ação judicial. Como observado anteriormente, são 
modalidades de resposta do réu a contestação, a reconvenção e a arguição 
de impedimento ou suspeição. A contestação possui natureza defensiva, 
sendo que ela é utilizada estritamente para que o réu/demandado ofereça 
resistência à pretensão do autor/demandante. Todavia, a reconvenção possui 
natureza de ação, uma vez que, a partir dela, é possível trazer novos fatos e 
fundamentos à lide e, inclusive, formular pretensões em desfavor do autor 
originário da demanda, ora denominado réu reconvindo. Por outro lado, a 
arguição de impedimento ou suspeição tem natureza incidental. Isso significa 
que ela é um mero incidente processual que pode ser sanado. Para melhor 
compreender essa relação, observe-se o quadro a seguir: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Aspectos gerais sobre as modalidades de resposta do réu: 
 
 
 
 É importante destacar, neste sentido, que o objetivo da arguição de 
impedimento e suspeição é assegurar um julgamento imparcial da lide, motivo 
pelo qual trata-se de um instituto que não cabe somente ao réu, mas a ambas 
as partes envolvidas no litígio judicial. Isso porque a arguição de impedimento 
e suspeição é dirigida a pessoa do magistrado que está encarregado de 
processar e julgar a demanda judicial, sob os fatos e fundamentos admitidos 
em juízo como situações que prejudicam sua imparcialidade. 
 Assim, a suspeição e o impedimento do magistrado estão relacionados 
no Código de Processo Civil de 2015, no artigo 144 e seguintes: 
 
Art. 144. Há impedimento do juiz, sendo-lhe vedado exercer suas 
funções no processo: 
I - em que interveio como mandatário da parte, oficiou como perito, 
funcionou como membro do Ministério Público ou prestou 
depoimento como testemunha; 
II - de que conheceu em outro grau de jurisdição, tendo proferido 
decisão; 
III - quando nele estiver postulando, como defensor público, 
advogado ou membro do Ministério Público, seu cônjuge ou 
companheiro, ou qualquer parente, consanguíneo ou afim, em linha 
reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive; 
IV - quando for parte no processo ele próprio, seu cônjuge ou 
companheiro, ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou 
colateral, até o terceiro grau, inclusive; 
 
 
 
V - quando for sócio ou membro de direção ou de administração de 
pessoa jurídica parte no processo; 
VI - quando for herdeiro presuntivo, donatário ou empregador de 
qualquer das partes; 
VII - em que figure como parte instituição de ensino com a qual tenha 
relação de emprego ou decorrente de contrato de prestação de 
serviços; 
VIII - em que figure como parte cliente do escritório de advocacia de 
seu cônjuge, companheiro ou parente, consanguíneo ou afim, em 
linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive, mesmo que 
patrocinado por advogado de outro escritório; 
IX - quando promover ação contra a parte ou seu advogado. 
§ 1º Na hipótese do inciso III, o impedimento só se verifica quando o 
defensor público, o advogado ou o membro do Ministério Público já 
integrava o processo antes do início da atividade judicante do juiz. 
§ 2º É vedada a criação de fato superveniente a fim de caracterizar 
impedimento do juiz. 
§ 3º O impedimento previsto no inciso III também se verifica no caso 
de mandato conferido a membro de escritório de advocacia que 
tenha em seus quadros advogado que individualmente ostente a 
condição nele prevista, mesmo que não intervenha diretamente no 
processo. 
 Art. 145. Há suspeição do juiz: 
I - amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes ou de seus 
advogados; 
II - que receber presentes de pessoas que tiverem interesse na 
causa antes ou depois de iniciado o processo, que aconselhar 
alguma das partes acerca do objeto da causa ou que subministrar 
meios para atender às despesas do litígio; 
III - quando qualquer das partes for sua credora ou devedora, de seu 
cônjuge ou companheiro ou de parentes destes, em linha reta até o 
terceiro grau, inclusive; 
IV - interessado no julgamento do processo em favor de qualquer 
das partes. 
§ 1º Poderá o juiz declarar-se suspeito por motivo de foro íntimo, 
sem necessidade de declarar suas razões. 
§ 2º Será ilegítima a alegação de suspeição quando: 
I - houver sido provocada por quem a alega; 
II - a parte que a alega houver praticado ato que signifique manifesta 
aceitação do arguido. (BRASIL, 2015, s.p.). 
 
Nesse momento do estudo, a breve citação sobre tais dispositivos 
legais é suficiente, pois suas especificidades serão abordadas no próximo 
tópico. Basta compreender que os incidentes de suspeição e impedimento se 
referem à pessoa do magistrado que, por algum motivo de ordem pessoal, 
possa expressar um julgamento parcial. Nesse sentido, para que se evite a 
parcialidade do juiz, tanto a parte demandada quanto a parte demandante 
podem ingressar com a arguição de impedimento ou suspeição. 
 
 
 
Nessa senda, torna-se importante mencionar o significado da 
imparcialidade do julgamento do magistrado. A imparcialidade do juízo é um 
princípio do direito processual, tanto civil quanto penal. Tal princípio advém do 
artigo 5º da Constituição Federal de 1988, que dispõe que todos os cidadãos 
brasileiros são iguais perante a lei. Trata-se do mandamento constitucional da 
igualdade formal, que diz respeito à obrigatoriedade de o Estado tratar de 
forma igualitária todos os indivíduos, de acordo com a lei. Significa, em última 
análise, a proibição de o Estado agir de forma discriminatória ou de prover 
privilégios a determinadas pessoas, em virtude de seus status sociais. Assim 
o princípio da imparcialidade é uma forma de garantir que o magistrado irá 
proferir julgamentos com base estritamente na lei e no processo, e não guiado 
por motivações de ordem pessoal em razão de sua relação íntima com as 
partes envolvidas no litígio jurisdicional. Desta forma, segundo a doutrina: 
 
O magistrado imparcial é aquele que busca nas provas a verdade 
dos fatos, com objetividade e fundamento, mantendo ao longo de 
todo o processo uma distância equivalente das partes. [...]. 
A imparcialidade do juiz é pressuposto de validade do processo, 
devendo o juiz colocar-se entre as partes e acima delas, sendo esta 
a primeira condição para que possa o magistrado exercer sua 
função jurisdicional. (NOVO, 2019, s.p.). 
 
 
Desta forma, a imparcialidade do magistrado é demonstrada a partir da 
inexistência de vínculos subjetivos e objetivos com as partes envolvidas no 
litígio judicial. 
 
São vínculos objetivos os que podem ser comprovados objetivamente, 
diante da apresentação da materialidade de documentos. Por outro lado, os 
vínculos subjetivos são mais sutis, comprovados a partir da colheita de provas 
relacionadas às relações interpessoais do magistrado. Um exemplo de vínculo 
objetivo é a parentesco, enquanto que um exemplo de vínculo subjetivo é a 
amizade ou inimizade. 
 
 
 
 
 
Nesse sentido, é importante ressaltar que o objetivo da arguição de 
impedimento e suspeição é um incidente processual que objetiva afastar a 
pessoa do magistrado do julgamento da demanda, a partir da denúncia de seu 
vínculo objetivo ou subjetivo com as partes envolvidas no litígio. É, portanto, 
uma forma de assegurar o princípio da imparcialidade do juiz o que, 
consequentemente, garante um julgamento justo, no sentido de preservar o 
direito das partes com a base estrita dos fatos apresentados no processo e na 
lei. 
 
 Tanto o impedimento quanto a suspeição são objeções processuais, e 
isso significa que podem (e devem) ser reconhecidos de ofício pelo 
magistrado, sem necessidade da provocação das partes. Contudo, caso o 
magistral não declare o impedimento ou a suspeição de ofício, é possível que 
as partes recorram ao instrumentojurídico da arguição de suspeição ou 
impedimento para sanar o vício processual. 
 Assim sendo, uma diferenciação importante de ser realizada é entre 
impedimento e suspeição. Em linhas gerais, pode-se definir que ambas são 
objeções, porém, que os impedimentos são objeções objetivas, enquanto que 
a suspeição são objeções subjetivas. Portanto, o impedimento do magistrado 
se refere a manutenção, por exemplo, de vínculo familiar com uma das partes 
envolvidas no litígio, enquanto que a suspeição se refere, 
exemplificativamente, aos vínculos de amizade ou inimizade com as partes. 
Todavia, essa diferenciação não é meramente formalística. O impedimento e 
a suspeição possuem efeitos jurídicos distinto, pois, 
 
 O impedimento pode ser alegado a qualquer tempo e em qualquer 
grau de jurisdição, não sofrendo, portanto, os efeitos da preclusão. 
 A suspeição pode ser alegada em até 15 dias após a ciência da 
situação suspeita, sob pena de preclusão. 
 
 
 
 
 
Observe-se a figura a seguir sobre as diferenças e semelhanças entre 
suspeição e impedimento: 
 
 Figura 11: Impedimento versus suspeição 
 
 
Fonte: SERAVALI, Dayanne. Impedimento X Suspeição. Disponível em: 
https://www.passeidireto.com/arquivo/101170502/impedimento-x-suspeicao Acesso em 28 
nov. 2022. 
 
 A partir da figura relacionada, percebe-se que as hipóteses de 
impedimento se referem a situações mais gravosas, que vinculam de forma 
mais contundente a pessoa do magistrado às partes do processo, o que, 
consequentemente, tem reflexos na sua decisão. É por este motivo que o 
impedimento pode ser arguido a qualquer tempo e em qualquer grau de 
jurisdição. Da mesma forma, se houver sentença transitada em julgado e, 
apenas posteriormente, a parte se der conta da situação de impedimento do 
magistrado, é possível ingresso com ação rescisória, a fim de revisar a 
decisão anteriormente proferida. Assim, outro ponto importante do 
impedimento é que ele pode ser objeto de ação rescisória na iminência de 
sentença com transito em julgado proferida pelo magistrado impedido. 
 
 
 
 
 A ação rescisória serve para atacar uma decisão judicial que já tenha 
alcançado o trânsito em julgado e, portanto, da qual não cabe recurso. Ela é 
determinada pelo artigo 966 do CPC/2015, que dispõe: 
 
Art. 966. A decisão de mérito, transitada em julgado, pode ser 
rescindida quando: 
I - se verificar que foi proferida por força de prevaricação, concussão 
ou corrupção do juiz; 
II - for proferida por juiz impedido ou por juízo absolutamente 
incompetente; 
III - resultar de dolo ou coação da parte vencedora em detrimento da 
parte vencida ou, ainda, de simulação ou colusão entre as partes, a 
fim de fraudar a lei; 
IV - ofender a coisa julgada; 
V - violar manifestamente norma jurídica; 
VI - for fundada em prova cuja falsidade tenha sido apurada em 
processo criminal ou venha a ser demonstrada na própria ação 
rescisória; 
VII - obtiver o autor, posteriormente ao trânsito em julgado, prova 
nova cuja existência ignorava ou de que não pôde fazer uso, capaz, 
por si só, de lhe assegurar pronunciamento favorável; 
VIII - for fundada em erro de fato verificável do exame dos autos. 
(BRASIL, 2015, s.p. Grifo nosso). 
 
 
 Apesar de a ação rescisória poder ser proposta sob o fundamento do 
impedimento do magistrado, o mesmo não é válido quando se tratar de 
suspeição. A suspeição não pode ser alegada a qualquer tempo e, em caso 
de ciência da parte sobre a situação suspeição, haverá o prazo de 15 dias 
para protocolo da arguição de suspeição do magistrado. É importante 
mencionar que o prazo é de 15 dias a contar da ciência da situação suspeita, 
e não se trata, portanto, do mesmo prazo da contestação, como muitas 
doutrinas mencionam. É possível que o prazo de contestação coincida com o 
prazo para a arguição de suspeição, mas não se trata do mesmo prazo. É 
interessante relacionar, nesse sentido, o artigo 146 do CPC/2015: 
 
Art. 146. No prazo de 15 (quinze) dias, a contar do conhecimento 
do fato, a parte alegará o impedimento ou a suspeição, em petição 
específica dirigida ao juiz do processo, na qual indicará o 
fundamento da recusa, podendo instruí-la com documentos em que 
se fundar a alegação e com rol de testemunhas. (BRASIL, 2015, 
s.p.). 
 
 
 
 
 Se não proposta neste período de tempo, a suspeição estará preclusa 
e não poderá mais ser arguida em instância judicial. Contudo, se a ciência da 
suspeição for descoberta apenas após o transito em julgado da sentença, não 
haverá mais nada a ser feito. A suspeição pode ser alegada em sede de 
apelação, porém, para apelação é preciso que a sentença não tenha 
transitado em julgado. Após o transito em julgado, não se pode ingressar com 
ação rescisória com base na suspeição, pois não é uma hipótese que admite 
essa ação. Isso nos termos do artigo 966 do CPC/2015, que se trata de um 
rol taxativo, e não meramente exemplificativo. 
Estes são, portanto, os aspectos gerais do impedimento e da 
suspeição. Na próxima aula serão abordadas as especificidades de cada 
hipótese que gera impedimento ou suspeição do magistrado. 
 
 
 
 
Aula 02 – Incidentes de impedimento e 
suspeição 
 
 No tópico anterior abordaram-se questões referentes aos aspectos 
gerais do incidente de impedimento e suspeição. Observou-se que a arguição 
de impedimento e suspeição é uma modalidade de resposta do réu, de caráter 
incidental, que objetiva resguardar o princípio da imparcialidade do 
magistrado e, assim, resguardar também o mandamento constitucional de 
igualdade formal entre os cidadãos brasileiros. Tanto o impedimento quanto a 
suspeição são incidentes processuais que devem ser reconhecidos de ofício 
pelo julgador, porém, possuem efeitos jurídicos distintos. Enquanto que o 
impedimento pode ser alegado a qualquer tempo ou em qualquer grau de 
jurisdição, a suspeição só pode ser alegada no prazo de 15 dias a contar a 
ciência da parte sobre a situação suspeita do magistrado. Se houver decisão 
judicial com trânsito em julgado, é possível ingressar com ação rescisória com 
base na verificação de impedimento do magistrado. Por outro lado, o mesmo 
não é válido na suspeição, que só pode ser alegada em sede recursal, se 
verificada após ser proferida a sentença, sem que antes tenha se esgotado 
do prazo recursal. 
 Entretanto, para que o profissional da área jurídica possua os aportes 
teóricos necessários para a prática na advocacia contenciosa, não basta 
apenas ter noção das premissas básicas teóricas. É muito importante que se 
verifique especificadamente cada hipótese geradora de impedimento ou 
suspeição. Este será o objetivo deste e dos próximos tópicos de estudo. 
 Iniciando pelas hipóteses de impedimento, é importante mencionar que 
elas estão dispostas no artigo 144 do CPC/2015, que dispõe: 
 
Art. 144. Há impedimento do juiz, sendo-lhe vedado exercer suas 
funções no processo: 
I - em que interveio como mandatário da parte, oficiou como perito, 
funcionou como membro do Ministério Público ou prestou 
depoimento como testemunha; 
II - de que conheceu em outro grau de jurisdição, tendo proferido 
decisão; 
 
 
 
 
III - quando nele estiver postulando, como defensor público, 
advogado ou membro do Ministério Público, seu cônjuge ou 
companheiro, ou qualquer parente, consanguíneo ou afim, em linha 
reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive; 
IV - quando for parte no processo ele próprio, seu cônjuge ou 
companheiro, ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou 
colateral, até o terceiro grau, inclusive; 
V - quando for sócio ou membro de direção ou de administração de 
pessoa jurídica parte no processo; 
VI - quando for herdeiro presuntivo, donatário ou empregador de 
qualquer das partes; 
VII - em que figure como parte instituição de ensino com a qual 
tenha relação de emprego ou decorrente de contrato de prestação 
de serviços; 
VIII - em que figure como parte cliente do escritório de advocaciade 
seu cônjuge, companheiro ou parente, consanguíneo ou afim, em 
linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive, mesmo que 
patrocinado por advogado de outro escritório; 
IX - quando promover ação contra a parte ou seu advogado. 
§ 1º Na hipótese do inciso III, o impedimento só se verifica quando 
o defensor público, o advogado ou o membro do Ministério Público 
já integrava o processo antes do início da atividade judicante do juiz. 
§ 2º É vedada a criação de fato superveniente a fim de caracterizar 
impedimento do juiz. 
§ 3º O impedimento previsto no inciso III também se verifica no caso 
de mandato conferido a membro de escritório de advocacia que 
tenha em seus quadros advogado que individualmente ostente a 
condição nele prevista, mesmo que não intervenha diretamente no 
processo. (BRASIL, 2015, s.p.). 
 
 Analisando cada hipótese específica, tem-se o primeiro inciso do artigo 
144 do CPC/2015, que dispõe sobre o magistrado que interviu efetivamente 
no processo, seja como mandatário da parte (procurador jurídico), perito, 
membro do ministério público ou testemunha. Evidentemente que, neste caso, 
há uma relação objetivamente verificável entre o magistrado e não apenas as 
partes litigantes, mas o objeto do litígio em si. É importante denotar que a 
figura do juiz inquisidor, que era, simultaneamente, defensor, acusador e 
julgador, inexiste tanto no processo civil quanto no processo penal brasileiro. 
Para que se resguarde a imparcialidade do magistrado, é fundamental que a 
as funções do julgador, do defensor, do acusador, da testemunha e do perito 
estejam desconcentradas em pessoas diferentes. 
 Portanto, se o magistrado julgador da demanda atuou como procurador 
da parte, membro do ministério público, testemunha ou perito do litígio, estará 
impedido a proferir o seu julgamento. Se mesmo assim o fizer, estará violando 
 
 
 
a imparcialidade do juízo, e caberá tanto recurso, quanto ação rescisória no 
caso de haver sentença com o trânsito em julgado. 
 Prosseguindo com a segunda hipótese de impedimento do artigo 144 
do CPC/2015, tem-se a situação em que o magistrado se encontra impedido 
de analisar uma demanda que já foi analisada por si em outro grau de 
jurisdição. Comumente isso pode ocorrer nos tribunais superiores. Tendo em 
vista a morosidade dos processos judicias, é possível que um magistrado do 
primeiro grau altere suas atribuições e passe a integrar um tribunal superior. 
Se, por ventura, o novo desembargador se deparar com um recurso sobre um 
processo que ele foi responsável por apreciar no primeiro grau de jurisdição, 
estará o magistrado impedido de analisar o documento recursal. 
 Mais uma vez se resguarda, além da imparcialidade do magistrado, o 
princípio do duplo grau de jurisdição. 
 
O princípio do duplo grau de jurisdição garante a todo cidadão brasileiro 
a possibilidade de revisão da decisão proferida por um grau de jurisdição 
superior. Essa revisão é realizada por intermédio de recurso direcionado à 
instância superior competente, desde que dentro do prazo recursal. 
 
 A ideia da garantia do duplo grau de jurisdição é promover um olhar 
diferenciado sobre o processo, o que implica a análise da demanda por outro 
julgador, que não aquele que proferiu a sentença. Não obstante, ao juízo que 
proferiu a sentença é possível um juízo de retratação em diversos recursos. 
Portanto, seria incoerente não apenas ao princípio da imparcialidade, mas ao 
próprio princípio do duplo grau de jurisdição e ao procedimento do juízo de 
retratação a possibilidade de análise em segunda instância pelo mesmo 
magistrado julgador que proferiu a sentença em primeira instância. 
 Na sequência, o inciso III do artigo 144 do CPC/2015 traduz uma 
terceira hipótese de impedimento, que seria a questão da parentesco. O texto 
do referido inciso dispõe que estará impedido o magistrado 
 
 
 
 
III - quando nele estiver postulando, como defensor público, 
advogado ou membro do Ministério Público, seu cônjuge ou 
companheiro, ou qualquer parente, consanguíneo ou afim, em linha 
reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive. (BRASIL, 2015, s.p.). 
 
 Tal disposição retrata a situação em que o cônjuge ou parente, em linha 
reta ou colateral até terceiro grau, atuam com interesse na demanda. Isso 
inclui a atuação desses indivíduos como procuradores (advogado), membros 
do ministério público ou da defensoria. 
 
Lembre-se que a parentesco em linha reta é definida pelo grau de 
ascendência e descendência. São parentes em linha reta os bisavós, avós, 
pais, filhos, netos e bisnetos. Por outro lado, a linha colateral envolve os 
irmãos, primos e tios. A linha reta até o terceiro grau envolve os avós, pais e 
filhos. Em linha colateral, envolve os irmãos, tios e sobrinhos. Portanto, esses 
são os parentes que, se atuando na causa do litígio, impedem a apreciação 
da demanda pelo magistrado. 
 
 Para melhor compreender a questão dos graus de parentesco, 
observe-se a figura a seguir: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Figura 12: Graus de parentesco 
 
 
Fonte: TRILHANTE. Impedimento do Juiz. Disponível em: https://trilhante.com.br/curso/juiz-
e-auxiliares-da-justica/aula/impedimento-do-juiz-1 Acesso em 29 nov. 2022. 
 
A questão da parentesco na apreciação das demandas judiciais é muito 
delicada, pois envolve os vínculos familiares do julgador. Tento em vista a 
afetividade e também os interesses pessoais envolvidos entre o julgador e o 
parente que atua na demanda, é evidente que uma forma de resguardar a 
imparcialidade do juízo e a igualdade formal é a partir do impedimento do 
magistrado em atuar nas causas em que seus parentes estiverem atuando. 
 
 Nessa senda, por outro lado, é interessante mencionar a situação em 
que o cônjuge ou parente do magistrado atua como julgador em instância 
superior, de recursos formulado com base em decisão por si proferida. É 
importante mencionar que o Superior Tribunal de Justiça, em 2016, deliberou, 
 
 
 
a partir do julgamento do REsp 1.673.3271, que a decisão proferida que não 
analisou o mérito da causa poderá ser apreciada, em segunda instância, 
por cônjuge ou parente do magistrado julgador do primeiro grau. O 
mesmo não ocorre, portanto, com a decisão que aprecia o mérito da demanda. 
Para assegurar a imparcialidade e o duplo grau de jurisdição, das sentenças 
de mérito cabe recurso ao tribunal superior e também a desembargador que 
não possui vínculo afetivo com o magistrado julgador de primeira instância. 
 
 Dando seguimento as demais hipóteses do artigo 144 do CPC/2015, o 
inciso IV do dispositivo legal menciona novamente a questão da parentesco, 
entretanto, desta vez vinculada às partes envolvidas na demanda. Da mesma 
forma que as hipóteses de impedimento que resguardam a atividade da 
pessoa do magistrado diante da atuação de seu cônjuge ou parente na 
demanda, há também uma hipótese semelhante de impedimento relacionada 
a esses indivíduos atuando como parte da demanda. Ainda, o dispositivo 
menciona o impedimento do magistrado que é ele mesmo parte do processo. 
Evidentemente, que o julgador não pode ser também parte da demanda, pois 
há uma grande incompatibilidade entre os interesses. 
Deve-se sempre relembrar que o magistrado não está, no exercício e 
sua função, agindo em interesse próprio, mas sim representando o interesse 
do Estado em dizer o direito e ponderar a justiça em cada caso in concreto. 
Enquanto parte no litígio judicial, evidente que o magistrado poderá defender 
interesses próprios. Teoricamente esta distinção de interesses é possível, 
mas no efetivo cumprimento dos deveres e levando em consideração a 
subjetividade humana, que não pode ser reduzida apenas a uma mera 
representação de um ente jurisdicional abstrato, a linha de separação entre 
eles é frágil. Portanto, não é apensa coerente, mas extremamente necessário 
manter essa condição de impedimento aos magistrados,no sentido de que 
 
1 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RECURSO ESPECIAL Nº 1.673.327 – SC. 
(2015/0023129-4). RELATORA: MINISTRA NANCY ANDRIGHI. Disponível em: 
Acesso em 29 nov. 2022. 
 
 
 
eles não devem atuar em causas das quais fazem parte, ou das quais seu 
cônjuge ou parente, em linha reta ou colateral até terceiro grau, fazem parte. 
Outra hipótese de impedimento a ser estudada nesta aula é a que 
consta no inciso V do artigo 144 do CPC/2015, que dispõe o seguinte como 
causa de impedimento do magistrado: “V - quando for sócio ou membro de 
direção ou de administração de pessoa jurídica parte no processo” (BRASIL, 
2015, s.p.). Tal disposição legal impõe que o magistrado que seja associado 
ou membro de alguma empresa que presta serviços jurídicos não atue como 
julgador em demandas que tal empresa represente. Mais uma vez, é evidente 
que se resguarda a imparcialidade do juízo, uma vez que o magistrado terá 
interesse no objeto do litígio, pois uma empresa da qual aufere lucros está 
atuando na demanda. Novamente, a fim de distinguir os interesses estatais 
dos interesses privados, é preciso que haja o delineamento do impedimento 
do magistrado em atuar nas causas em que ele pode possuir um interesse 
próprio. 
Na sequência, a próxima hipótese de impedimento do magistrado 
consta no inciso VI do artigo 144 do CPC/2015, que dispõe sobre a relação 
de herdeiro ou donatário que o próprio julgador pode ter com qualquer das 
partes envolvidas no litígio. Mais uma vez, nessa hipótese o interesse pessoal, 
mais especificadamente patrimonial, do julgador pode interferir na sentença, 
o que significa, portanto, uma interferência na vocação estatal de dizer o 
direito e ponderar pela justiça. Assim, é causa de impedimento do magistrado 
o fato de ele ser herdeiro presuntivo, donatário ou empregador de qualquer 
das partes envolvidas no litígio. 
 
Observe-se que o herdeiro presuntivo é a pessoa que, por proximidade 
ou parentesco, tem o direito à sucessão. Porém, é um direito que pode ser 
ratificado em testamento. Assim, o herdeiro presuntivo é aquele que tem 
direito à sucessão, porém, ainda não pode exercer tal direito porque a linha 
sucessória ainda não está aberta. 
 
 
 
 
Mais uma causa de impedimento encontra-se elencada no inciso VII do 
artigo 144 do CPC/2015, e trata sobre a questão de instituição de ensino que 
mantêm vínculos com o magistrado figurar como parte da demanda. Nesse 
sentido, é sempre importante mencionar que muitos magistrados também 
atuam como professores em instituições de ensino. Nestes casos, é impedido 
ao magistrado que mantenha vínculo empregatício ou de prestação de 
serviços com instituição de ensino superior, julgar demanda na qual a mesma 
instituição de ensino figura como parte. Novamente, há uma mescla entre os 
interesses pessoais e patrimoniais do julgador com o interesse de sua função 
vinculada ao poder jurisdicional do Estado. Por mais que o magistrado, no 
exercício de sua função, esteja representando o ente público, ele ainda é uma 
pessoa humana, com sua subjetividade e que pode incorrer em erros que 
prejudicam sua função de dizer a justiça. Por esse motivo esses impedimentos 
são importantes: eles são garantias de que o interesse privado do magistrado 
não interferirá em seu julgamento e, portanto, são garantias de sua 
imparcialidade. 
Restam ainda duas hipóteses de impedimento do juiz, que serão 
abordadas no próximo tópico do estudo. 
 
 
 
Aula 03 – Incidentes de impedimento e 
suspeição 
 
A penúltima hipótese de impedimento do magistrado é elencada no 
inciso VIII do artigo 144 do CPC/2015. Ela se refere a situação em que a parte 
seja também cliente de escritório do cônjuge ou de parente consanguíneo, em 
linha reta ou colateral até terceiro grau do julgador. Ainda, mesmo que outro 
procurador patrocine a causa, ainda assim estará o magistrado impedido, 
devido ao vínculo pessoal com o procurador da parte e ao interesse 
patrimonial que possa vir a ter no objeto do litígio. 
 E, por fim, a nona e última hipótese de impedimento do magistrado 
versa sobre a situação em que o magistrado julgador tenha movido ação 
contra a parte ou o procurador da parte envolvida no litígio. Neste sentido, não 
se visa resguardar a imparcialidade apenas por motivos de possível 
interferência dos interesses patrimoniais do magistrado na causa, mas 
também por motivos de vingança ou inimizade com as partes envolvidas. 
Nesse ponto é muito importante uma atenção especial para distinguir que esta 
hipótese não se confunde com a suspeição, que será objeto de estudo no 
próximo tópico. As hipóteses de suspeição se fundamentam no vínculo 
subjetivo do magistrado para com as partes, isto é, aqueles vínculos que não 
podem ser objetivamente verificados e comprovados. Neste caso, o que se 
busca evitar são os possíveis prejuízos que o magistrado pode auferir a parte 
em virtude da inimizade antes contraída devido a um vínculo que pode ser 
comprovado objetivamente (ação movida pelo magistrado em face da parte 
ou do seu procurador). 
 Estas são, portanto, as hipóteses de impedimento do magistrado. 
Deve-se lembrar sempre que o impedimento é matéria de ordem pública que 
pode ser reconhecido de ofício pelo julgador. Contudo, se o julgador não o 
fizer, o impedimento pode ser alegado por qualquer das partes, em qualquer 
grau de jurisdição e a qualquer tempo, inclusive, se já houver sentença 
 
 
 
transitado em julgado pode-se ingressar com ação rescisória com o 
fundamento do impedimento. 
 A suspeição difere substancialmente do impedimento, tanto pelas suas 
hipóteses, quanto pelas suas consequências jurídicas. Lembre-se que os 
incidentes de impedimento e suspeição são matérias que podem ser arguidas 
por ambas as partes, porém, neste estudo, o foco recai sobre esses incidentes 
como matéria de defesa, isto é, como alternativa de resposta do réu. A fim de 
retomar as hipóteses de impedimento, observe-se o quadro síntese a seguir: 
 
 Hipóteses de impedimento do magistrado, nos termos do artigo 
144 do CPC/2015: 
 
 
Observe-se que todas as hipóteses de impedimento podem ser 
objetivamente comprovadas a partir de documentos, o que caracteriza a 
objetividade desse tipo de alegação. A suspeição, por outro lado, é 
denominada subjetiva justamente porque não é comprovável com tanta 
objetividade quanto o impedimento. Isso se percebe a partir da leitura atenta 
do artigo 145 do CPC/2015, que traduz as hipóteses de suspeição no 
ordenamento jurídico brasileiro: 
 
 
 
 
Art. 145. Há suspeição do juiz: 
I - amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes ou de seus 
advogados; 
II - que receber presentes de pessoas que tiverem interesse na 
causa antes ou depois de iniciado o processo, que aconselhar 
alguma das partes acerca do objeto da causa ou que subministrar 
meios para atender às despesas do litígio; 
III - quando qualquer das partes for sua credora ou devedora, de 
seu cônjuge ou companheiro ou de parentes destes, em linha reta 
até o terceiro grau, inclusive; 
IV - interessado no julgamento do processo em favor de qualquer 
das partes. 
§ 1º Poderá o juiz declarar-se suspeito por motivo de foro íntimo, 
sem necessidade de declarar suas razões. 
§ 2º Será ilegítima a alegação de suspeição quando: 
I - houver sido provocada por quem a alega; 
II - a parte que a alega houver praticado ato que signifique manifesta 
aceitação do arguido. (BRASIL, 2015, s.p.). 
 
 Observe-se que o próprio parágrafo primeiro do artigo dispõe que o 
magistrado pode se declarar suspeito na demanda em explicar seus motivos, 
o que já ressalta o caráter subjetivo e pessoal da suspeição. Não obstante, a 
doutrina dispõe que: 
 
Questão relevante, que deve ser analisadacom razoabilidade, por 
poder gerar uma renúncia da função jurisdicional, é a suspeição por 
motivo de foro íntimo, sem necessidade de declarar suas razões 
(art. 145, § 1º, do CPC), devendo ser controlada, a fim de impedir 
que o juiz a use de forma arbitrária, para não julgar a causa que não 
lhe convier. O CNJ, recentemente, por meio da Resolução 82/2009, 
restabeleceu regra contida no art. 119 do CPC/1939, exigindo 
motivação por parte do magistrado para alegar tal suspeição. Tal 
resolução tem sido questionada por setores da magistratura, que a 
consideram inconstitucional. (LOURENÇO, 2021, p. 66). 
 
 Denota-se que a referida resolução do Conselho Nacional de Justiça 
(CNJ) dispõe o seguinte: 
 
Art. 1º No caso de suspeição por motivo íntimo, o magistrado de 
primeiro grau fará essa afirmação nos autos e, em ofício reservado, 
imediatamente exporá as razões desse ato à Corregedoria local ou 
a órgão diverso designado pelo seu Tribunal. (CONSELHO 
NACIONAL DE JUSTIÇA, 2009, s.p.). 
 
 Devido ao questionamento acerca da inconstitucionalidade da 
resolução do CNJ, em 2018 foi publicada uma nova resolução que revogou a 
 
 
 
disposição de 2009 sobre a necessidade de manifestação das razões do 
magistrado acerca da suspeição. Tal resolução é a de número 250, de 31 de 
agosto de 2018. Portanto, atualmente, não é exigido que o magistrado 
exponha os motivos e razões pelas quais se declara suspeito em proferir 
determinada apreciação sobre um litígio jurisdicional. 
Explicadas essas noções iniciais sobre suspeição, é possível 
prosseguir no estudo, analisando as hipóteses específicas de suspeição do 
juízo, elencadas no artigo 145 do CPC/2015. A primeira hipótese consta no 
inciso I do referido dispositivo legal, e diz respeito á relação de amizade ou 
inimizade que o juiz pode manifestar em relação a uma das partes ou aos 
seus procuradores. Essa relação é denominada, comumente, de amizade 
íntima ou inimizade capital. 
Contudo, a alegação de suspeição com base na amizade íntima ou na 
inimizade capital deve ser comprovada de forma robusta, porque não se pode 
confundi-la com o mero conhecimento ou coleguismo entre as partes, 
procuradores e o magistrado. Não obstante, no cotidiano das profissões 
jurídicas, é comum que magistrados, procuradores, e até mesmo as partes 
convivam e mantenham vínculos de coleguismo. Essa relação não configura 
a hipótese de suspeição com base na amizade íntima. Da mesma forma, um 
mero aborrecimento entre as partes não gera motivos suficientes para que se 
alegue suspeição com base na inimizade capital. Para que se caracterize a 
suspeição, é necessário que a relação de amizade ou inimizade entre o 
magistrado e os procuradores ou as partes seja tamanha que prejudique 
manifestamente a sua isenção. 
Com base nisso, é importante relacionar o julgado pelo Tribunal de 
Justiça do Rio Grande do Sul de 2015, que dispõe sobre a prova de alegação 
de suspeição com base em contato em redes sociais: 
 
EXCEÇÃO DE SUSPEIÇÃO. AMIZADE ÍNTIMA DO JUIZ E DA 
PARTE AUTORA NÃO COMPROVADA. CONTATO EM REDE 
SOCIAL. REJEIÇÃO. 1. No feito em exame nenhuma das hipóteses 
legais de suspeição se opera em razão de a parte autora ter contato 
em rede social com o julgador que preside a causa. 2. Amizade 
íntima não demonstrada. Rejeição da exceção, que resta afastada 
 
 
 
na medida em que contato em rede social por si só não demonstra 
a existência da relação interpessoal íntima alegada. (…) Rejeitada 
a exceção de suspeição. (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO RIO 
GRANDE DO SUL, Quinta Câmara Cível, Exceção de Suspeição 
0261276-19.2015.8.21.7000, rel. Des. Jorge Luiz Lopes do Canto, 
s.p.). 
 
 Pelo julgado, se percebe que o mero contato do magistrado a partir das 
redes sociais não caracteriza uma hipótese de suspeição com base na 
amizade íntima. Contudo, isso não obsta que as redes sociais sejam utilizadas 
como meio de prova, o que, inclusive, pode ocorrer a partir de fotos e 
publicações constantes compartilhadas. 
 A segunda hipótese de suspeição do magistrado é a que consta no 
inciso II do artigo 145 do CPC/2015, que trata sobre o recebimento de 
presentes, aconselhamento das partes ou financiamento para a causa. 
Evidente que o magistrado não pode se envolver pessoalmente nas causas 
que é responsável por apreciar, pois isso corrompe sua isenção e 
imparcialidade. Nesse sentido, aconselhar as partes durante o litígio judicial é 
inconcebível, pois se trata de uma conduta parcial que fere os princípios do 
processo civil brasileiro. Da mesma forma, o magistrado não deve se envolver 
pessoalmente a ponto de financiar a própria causa, como, por exemplo, 
concedendo empréstimos para o pagamento das custas judiciais às partes. 
Mais uma vez, se trata de não se envolver pessoalmente com os litigantes a 
ponto de prejudicar sua isenção no julgamento da demanda. 
 A questão do recebimento de presentes, por outro lado, é mais sutil. A 
legislação dispõe claramente que os presentes não devem ser recebidos das 
partes ou de qualquer interessado no objeto do litígio, antes, durante ou 
depois do processamento da demanda. Significa, portanto, que o magistrado, 
não pode aceitar presentes das partes ou de qualquer interessado no objeto 
da causa. 
 Nessa senda, a terceira hipótese de suspeição do magistrado é aquele 
presente no inciso III do artigo 145 do CPC/2015. Tal hipótese de refere à 
situação em que a parte é credora ou devedora do magistrado, de seu cônjuge 
ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral. Essa causa de 
 
 
 
suspeição existe justamente porque pode haver uma natural inclinação do 
magistrado em mesclar seus interesses privados de credor ou devedor no 
interesse das partes no processo e, portanto, prejudicando sua 
imparcialidade. 
 É importante mencionar, nesse sentido, que não se está afirmando que 
todo o magistrado que possui uma dessas situações de suspeição 
caracterizada estará agindo de forma imparcial. É plenamente possível que o 
magistrado distinga de forma coerente os seus interesses próprios do objeto 
do litígio e das partes litigantes. Contudo, para se resguardar a lisura do 
processamento, é importante que essas hipóteses de suspeição existam e 
sejam reconhecidas de ofício ou alegadas pelas partes, pois como se tratam 
de situações extremamente subjetivas, não há como comprovar que 
efetivamente a decisão judicial foi parcial ou não. Assim, persistindo a dúvida, 
o preferível é que o magistrado se afaste da apreciação da demanda, para 
resguardar não apenas as partes, mas a sua própria função e o papel do 
Estado jurisdicional. 
 Por fim, a quarta e última hipótese de suspeição do magistrado é 
elencada no inciso IV do artigo 145 do CPC/2015, e diz respeito a situação de 
haver interesse do magistrado no favorecimento ou desfavorecimento das 
partes no julgamento da demanda. Novamente, tem-se o interesse privado do 
magistrado no objeto do litígio, sejam quais forem os motivos que ainda não 
foram elencados nas hipóteses antecessoras. Trata-se, portanto, de uma 
hipótese subsidiária, na qual pode se enquadrar qualquer outro motivo que 
leve o magistrado a tomar partido de um dos polos litigantes que ainda não foi 
elencado nas outras hipóteses legais. 
 Ainda, é importante destacar os parágrafos do artigo 145, que 
traduzem outras questões importantes e tangentes à suspeição do 
magistrado. A primeira questão elencada no parágrafo primeiro do artigo 145 
é que há a reafirmação de que o magistrado que se declarar suspeito não 
poderá ser obrigado a expor suas razões. Nesse sentido, o Superior Tribunal 
de Justiça (2022, s.p.) compreende que 
 
 
 
É ilegal e abusiva a intervenção do conselho de magistratura de um 
tribunal ao invalidar a manifestação do julgador que se declarou 
suspeito por motivo de foro íntimo, uma vez que essa declaração é 
dotada de imunidade constitucional e, por isso, é ressalvada de 
censura ou de críticada instância superior. 
Para o ministro Raul Araújo, relator do RMS 33.531, a declaração 
de suspeição por motivo de foro íntimo se relaciona com os 
predicamentos da magistratura (artigo 95 da Constituição Federal), 
que funcionam como asseguradores de um juiz independente e 
imparcial, o que é inerente ao devido processo legal (artigo 5º, LIV, 
da CF). 
 
 Portanto, a não exposição dos motivos da suspeição, quando o 
magistrado a declara de oficio, é tida como uma condição par assegurar a 
liberdade e segurança do julgador na sua função de proferir sentenças 
judiciais, sendo, portanto, um requisito da própria imparcialidade e do devido 
processo legal. 
 A segunda questão elencada no parágrafo segundo o artigo 145 se 
refere à ilegitimidade da alegação de suspeição. A lei exige que o magistrado 
reconheça de ofício a suspeição ou que ela seja alegada por uma das partes. 
Isso significa que a suspeição não pode ser alegada: a) pela parte que 
provoca a situação de suspeição; e b) quando a parte faz originar a situação 
de suspeição alegada. Significa que, por exemplo, é vedada a alegação de 
suspeição pela parte quanto o motivo da suspeição é ela mesma. Um exemplo 
seria o réu/demandado de um litígio judicial ingressar com petição de arguição 
de impedimento e suspeição com base em uma situação de suspeição 
formada entre ele próprio e o magistrado. 
 Também não cabe alegação de suspeição quando a situação que a 
origina é arquitetada pela parte. Um exemplo seria a parte insistir em 
presentar o magistrado, a fim de utilizar-se da situação para alegar em juízo 
a suspeição do juízo. Nesse caso é evidente que se trata de uma situação 
orquestrada para fins escusos e, portanto, a legislação veda sua utilização em 
juízo para fins de incidente de suspeição. 
 A fim de retomar as informações estudadas até esse momento, 
observe-se a imagem a seguir: 
 
 
 
 
 Figura 14: Esquematização das hipóteses de suspeição e 
impedimento: 
 
 
CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. Impedido ou suspeito? Disponível em: https://pt-
br.facebook.com/cnj.oficial/photos/a.191159914290110/2422788274460585/?type=3&theate
r Acesso em 30 nov. 2022. 
 
 Deve relembrar, contudo, que a suspeição não possui as mesmas 
consequências jurídicas do impedimento. O impedimento pode ser alegado a 
qualquer tempo, inclusive qualquer grau de jurisdição e, se for percebido 
depois de sentença transitada em julgado, é possível ingressar com ação 
rescisória sob o fundamento do impedimento. Todavia, o mesmo não ocorre 
com a suspeição, que possui prazo para ser alegada e, se fora deste prazo, 
sofre os efeitos da preclusão. Esses aspectos finais da suspeição são tema 
de abordagem do próximo tópico do estudo. 
 
 
 
Aula 04 – Incidentes de impedimento e 
suspeição 
 
 
 Diferentemente do impedimento, portanto, a suspeição possui um 
prazo para ser arguida, que é de 15 dias a partir da ciência da ocorrência da 
situação geradora da suspeição pela parte que a está arguindo. Esse prazo 
também se aplica para o impedimento, porém, é na suspeição que ele importa, 
pois, o impedimento não sofre os efeitos da preclusão, enquanto que a 
suspeição sim. 
 Se por um lado já se tem ciência sobre as hipóteses que geram 
impedimento ou suspeição do magistrado, por outro lado é importante 
esclarecer qual o procedimento formal para ingresso com arguição de 
impedimento e suspeição. Tal incidente processual deve ser formulado em 
petição própria, dirigida ao juízo que aprecia a demanda. Isso significa que a 
arguição de impedimento e suspeição é realizada em uma peça processual 
distinta da petição inicial, contestação ou revelia por exemplo, e é dirigida para 
o próprio magistrado que se deseja declarar impedido ou suspeito. 
 Se por um lado o magistrado que se declarar suspeito no processo, 
sem que haja necessidade de provocação da parte, não precisa expor suas 
razões, por outro lado, a parte que alega a suspeição deve provar o alegado, 
expondo os motivos da possível suspeição. É isso que aponta o artigo 146 do 
CPC/2015, que dispõe: 
 
Art. 146. No prazo de 15 (quinze) dias, a contar do conhecimento 
do fato, a parte alegará o impedimento ou a suspeição, em petição 
específica dirigida ao juiz do processo, na qual indicará o 
fundamento da recusa, podendo instruí-la com documentos em 
que se fundar a alegação e com rol de testemunhas. (BRASIL, 
2015, s.p. Grifo nosso). 
 
 Portanto, quando a parte é quem alega a suspeição ou impedimento, 
ela deve fazê-lo por petição própria e munida de provas, sejam elas 
documentais ou testemunhais. 
 
 
 
 A título de conhecimento, observe-se o modelo de petição de arguição 
de impedimento ou suspeição relacionada abaixo: 
 
EXCELENTISSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA 
DE.... DO FORO DA COMARCA ....................... (ENDEREÇAR A 
PETIÇÃO AO PROPRIO JUÍZO OU TRIBUNAL) 
Processo autuado sob nº 
FREDDO (nome do réu), já qualificado nos autos da AÇÃO DE 
PROCEDIMENTO COMUM, de numero em epigrafe, que lhe move 
JERRY (nome do autor), vem, por seu procurador, com fundamento nos 
artigos 145 e 146 do Código de Processo Civil, arguir SUSPEIÇÃO, pelos 
seguintes fundamentos: 
 No dia ___/___/___ Vossa Excelencia em seu gabinete recebeu flores, 
caixas de bombom e balões infláveis de Jerry, autor da presente ação. 
Além disso, por ser sabido o gosto do juiz por gatos, Jerry comprou e deu 
a Vossa Excelencia um dos gatos mais caros do mundo, o gato britânico 
de pelo curto cujo preço varia entre 500 a 1500 dolares. 
Ainda, conforme comprovam as certidões expedidas pelo Cartorio de 
Protesto (dos. 3 e 4), o magistrado possui crédito no valor de R$ 
15.000,00 em relação à parte autora. 
 No devido processo legal a imparcialidade é imprescindível como 
medida de justiça, além de ser pressuposto processual em relação ao 
órgão jurisdicional. A Lei nesse caso é clara ao declarar que havendo 
impedimento ou suspeição o magistrado deverá ser afastado do 
processo, devendo o processo ser encaminhado para o seu substituto 
legal. 
 O art. 145 do Novel Processual Civil de 2015 em seu inciso segundo 
declara ser causa de suspeição quando o juiz receber presentes de 
pessoas que tiverem interesse na causa antes ou depois de iniciado o 
processo. Portanto, flagrante a respectiva ilegalidade no caso em 
concreto. 
 Assim, devido ao exposto, requer a Vossa Excelência o acolhimento 
de suspeição de imparcialidade remetendo os autos ao substituto legal. 
 Caso Vossa Excelência não reconheça o impedimento, requer a 
remessa dos autos ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, para 
o julgamento do incidente processual que se formará. 
Requer provar o alegado com a ouvida das seguintes testemunhas: 
(rol) 
Termos em que, 
Pede deferimento. 
Local, ___de ______de ANO 
Nome e assinatura do advogado 
OAB 
Endereço completo para recebimento de intimações 
 
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/28895309/artigo-145-da-lei-n-13105-de-16-de-marco-de-2015
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/28895291/artigo-146-da-lei-n-13105-de-16-de-marco-de-2015
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/174788361/lei-13105-15
 
 
 
 Portanto, deve-se ter bem clara a ideia de que a arguição de 
impedimento ou suspeição é uma peça processual própria, com pedidos 
próprios, que não pode ser formulada dentro de outra peça, como, por 
exemplo, dentro da contestação. Existe, contudo, uma única hipótese de 
exceção dessa regra, que é no caso da apelação. Em caso de apelação, 
excepcionalmente as matérias da suspeição ou do impedimento podem 
ser arguidas como preliminar processual. 
 Recebida a arguição de impedimento ou suspeição pelo magistrado, 
este seguirá o procedimento do artigo 146 do CPC/2015, parágrafo 1º: 
 
§ 1º Se reconhecer o impedimento ou a suspeição ao receber a 
petição, o juiz ordenará imediatamente a remessa dos autos a seu 
substituto legal, caso contrário, determinará a autuação em 
apartado da petição e, no prazo de 15 (quinze) dias,apresentará 
suas razões, acompanhadas de documentos e de rol de 
testemunhas, se houver, ordenando a remessa do incidente ao 
tribunal. (BRASIL, 2015, s.p.). 
 
 Nesse sentido, diante do recebimento da petição de arguição de 
impedimento ou suspeição, abrem-se duas vias para o magistrado: a primeira, 
diz respeito ao reconhecimento da situação de impedimento ou suspeição, 
momento no qual o magistrado enviará imediatamente os autos do processo 
a um juiz substituto; e, a segunda, em caso de não reconhecimento da 
situação de impedimento ou suspeição, o magistrado poderá apresentar 
resposta à arguição, remetendo os autos para julgamento do tribunal superior. 
Nessa segunda hipótese, o magistrado se comporta como se parte fosse da 
demanda, pois terá de responder ao processo, defendendo-se das alegações 
de impedimento ou suspeição. 
 É importante mencionar, neste ponto do estudo, que em 2020 o 
Superior Tribunal de Justiça cassou um acórdão proferido pelo Tribunal de 
Justiça de São Paulo que negava o reconhecimento de embargos de 
declaração interpostos pelo próprio magistrado à decisão que o declarava 
afastado de um processo sob os fundamentos de impedimento ou suspeição. 
Para ciência, segue ementa do acórdão proferido pelo STJ: 
 
 
 
 RECURSO ESPECIAL - EXCEÇÃO DE SUSPEIÇÃO DE JUIZ 
JULGADA PROCEDENTE - TRIBUNAL A QUOQUE REPUTOU 
INEXISTENTE A LEGITIMAÇÃO RECURSAL DO MAGISTRADO 
EXCEPTO E NÃO CONHECEU DOS EMBARGOS DE 
DECLARAÇÃO OPOSTOS. 1. O juiz, apesar de não participar 
como parte ou terceiro prejudicado da relação jurídica de 
direito material é sujeito do processo e figura como parte no 
incidente de suspeição, por defender de forma parcial direitos 
e interesses próprios, possuindo, portanto, interesse jurídico e 
legitimação recursal para impugnar, via recurso, a decisão que 
julga procedente a exceção de suspeição, ainda que não lhe 
seja atribuído o pagamento de custas e honorários 
advocatícios. 2. Recurso especial provido para cassar o acórdão 
embargado e determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem 
a fim de que aprecie o mérito dos aclaratórios opostos. (SUPERIOR 
TRIBUNAL DE JUSTIÇA, 2020, p. 1). 
 
 Portanto, se reconhece o direito do magistrado de recorrer de decisão 
que o declara afastado do processo. Na mesma senda, se reconhece a 
capacidade postulatória do magistrado em causa própria, o que lhe isenta de 
constituir um advogado para tal. 
 Imprescindível ressaltar, ainda, que até que a arguição de 
impedimento ou suspeição seja resolvida, o processo originário poderá 
estar suspenso, dependendo da forma de recebimento da arguição pelo 
tribunal. Na prática cotidiana, a maioria dos recebimentos desse tipo de 
petição é de natureza suspensiva. 
 Nos termos dos demais parágrafos do artigo 146 do CPC/2015: 
 
§ 2º Distribuído o incidente, o relator deverá declarar os seus efeitos, 
sendo que, se o incidente for recebido: 
I - sem efeito suspensivo, o processo voltará a correr; 
II - com efeito suspensivo, o processo permanecerá suspenso 
até o julgamento do incidente. 
§ 3º Enquanto não for declarado o efeito em que é recebido o 
incidente ou quando este for recebido com efeito suspensivo, a tutela 
de urgência será requerida ao substituto legal. 
§ 4º Verificando que a alegação de impedimento ou de suspeição é 
improcedente, o tribunal rejeitá-la-á. 
§ 5º Acolhida a alegação, tratando-se de impedimento ou de 
manifesta suspeição, o tribunal condenará o juiz nas custas e 
remeterá os autos ao seu substituto legal, podendo o juiz recorrer da 
decisão. 
§ 6º Reconhecido o impedimento ou a suspeição, o tribunal 
fixará o momento a partir do qual o juiz não poderia ter atuado. 
§ 7º O tribunal decretará a nulidade dos atos do juiz, se 
praticados quando já presente o motivo de impedimento ou de 
suspeição. (BRASIL, 2015, s.p. Grifo nosso). 
 
 
 
 
 Observe-se que, reconhecido o impedimento ou a suspeição pelo 
tribunal superior, os atos praticados pelo juízo imparcial estarão 
automaticamente nulos. Isso significa que tanto a suspeição quanto ao 
impedimento são causas de nulidade de atos processuais, tendo em vista o 
grande prejuízo que causam à ordem pública e a justiça. Também se deve 
atentar para o fato de que, em caso de julgamento procedente, determinando 
o impedimento ou suspeição do magistrado, o próprio juiz deverá arcar com 
as custas do processamento da arguição. 
 
Dizer que um ato processual é nulo significa que ele não pode produzir 
efeitos desde a sua origem, pois não é válido. A nulidade do ato processual 
gera efeitos ex tunc, isto é, que retroagem à data da origem do ato. Assim, os 
demais atos que se originaram da causa de nulidade, são considerados 
também automaticamente nulos: é como se nunca tivessem existido no 
mundo jurídico, portanto, incapazes de produzir efeitos. 
 
 
 Assim, quanto ao procedimento da arguição de impedimento ou 
suspeição, observe-se a figura a seguir: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Figura 16: impedimento ou suspeição – procedimento: 
 
 
Fonte: JUSBRASIL. Suspeição do Juiz no Novo CPC. Disponível em: 
https://cursoonlinenovocpc.jusbrasil.com.br/artigos/464370285/suspeicao-do-juiz-no-novo-cpc 
Acesso em 30 nov. 2022. 
 
 
 
Outra questão muito importante diz respeito à impossibilidade de alegar 
impedimento ou suspeição contra instituição. Em 2017, o STJ julgou 
improcedente o REsp 1.469.827que pretendia declarar toda a instituição do 
Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Segundo a ementa da decisão, 
 
PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXCEÇÃO DE 
SUSPEIÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. VÍCIOS 
INEXISTENTES. QUEBRA DA IMPARCIALIDADE DO 
MAGISTRADO. MERAS CONJECTURAS. INADMISSIBILIDADE. 
JUIZ NATURAL. PRESERVAÇÃO. 1. Recurso especial interposto 
em 20/01/2014 e atribuído a este Gabinete em 25/08/2016. 2. 
Ausentes os vícios do art. 535 do CPC, rejeitam-se os embargos de 
declaração.3. Para o acolhimento da suspeição do magistrado 
prevista no art. 135, V, do CPC/73 é indispensável que a parte 
supostamente prejudicada pela quebra de imparcialidade 
demonstre concretamente quais elementos convergem para o 
induvidoso interesse do juiz no desfecho da lide. 4. Meras 
conjecturas, ilações sem vínculo efetivo com a realidade ou 
pretensões destituídas de qualquer elemento objetivo e 
demonstrável nos autos não são hipóteses de afastamento do juiz 
natural da causa. 5. Recurso especial não provido. (SUPERIOR 
TRIBUNAL DE JUSTIÇA, 2017, p. 1). 
 
 Nesse sentido, o superior tribunal fixou a tese de que não cabe 
alegação de suspeição ou impedimento contra instituição, apenas contra a 
pessoa. Assim, 
 
além da exceção de suspeição não ser cabível contra uma 
instituição, "a alegação de parcialidade, na realidade, constitui mera 
conjectura, destituída de qualquer elemento objetivo de prova, pois 
não há nenhuma evidência de que a atividade jurisdicional restou 
comprometida pelos fatos narrados pela recorrente". (SUPERIOR 
TRIBUNAL DE JUSTIÇA, 2022, s.p.). 
 
 Contudo, dizer que instituições não podem ser consideradas 
suspeitas ou impedidas, não significa dizer que os membros de tais 
instituições não podem ser suspeitos ou impedidos. Nos termos do próprio 
artigo 148 do CPC/2015, os membros do Ministério Público, auxiliares da 
justiça e quaisquer outras pessoas imparciais que estejam envolvidas no 
processo: 
 
 Art. 148. Aplicam-se os motivos de impedimento e de suspeição: 
 
 
 
I - ao membro do Ministério Público; 
II - aos auxiliares da justiça; 
III - aos demais sujeitos imparciais do processo. 
§ 1º A parte interessada deverá arguir o impedimento ou a 
suspeição, em petição fundamentada e devidamente instruída, na 
primeira oportunidade em que lhe couber falar nos autos. 
§ 2º O juiz mandará processar o incidente em separado e sem 
suspensão do processo, ouvindo o arguido no prazo de 15 (quinze) 
dias e facultando a produção de prova, quando necessária. 
§ 3º Nos tribunais, a arguição a que se refereo § 1º será disciplinada 
pelo regimento interno. 
§ 4º O disposto nos §§ 1º e 2º não se aplica à arguição de 
impedimento ou de suspeição de testemunha. (BRASIL, 2015, s.p.). 
 
Na sequência, ainda é importante mencionar, nesse tema das 
instituições, que se deve sempre lembrar que os prazos correm dobrados para 
o Ministério Público, Defensoria Pública ou entes federativos. Isso também 
significa que, no caso de impedimento ou suspeição, para essas entidades, o 
prazo para a arguição é de trinta dias, e não quinze. 
Esses são os aspectos principais que norteiam a arguição de 
impedimento e suspeição. Retomando alguns pontos fundamentais sobre o 
tema, observe-se o quadro síntese a seguir: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Quadro síntese sobre as distinções entre impedimento e 
suspeição: 
 
 
Fonte: TAQUINI, Sérgio. Impedimento e Suspeição. Disponível em: 
https://www.passeidireto.com/arquivo/89979403/1-impedimento-e-suspeicao Acesso em 30 
nov. 2022. 
 
 Nesse sentido, cabe ressaltar que 
 
O instituto da Suspeição delimita as hipóteses em que o magistrado 
fica impossibilitado de exercer sua função em determinado 
processo, devido a vinculo subjetivo (relacionamento) com algumas 
das partes, fato que compromete seu dever de imparcialidade. 
[...].No instituto do Impedimento, a lei relaciona expressamente os 
casos em que o magistrado fica impossibilitado de atuar, independe 
de sua intenção no processo ou de sua relação com as partes. As 
causas de impedimento também decorrem do dever de 
imparcialidade do juiz, mas se referem à sua relação com o 
processo. (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E 
DOS TERRITÓRIOS, 2020, s.p.). 
 
 A arguição de impedimento e suspeição não é apenas uma faculdade 
que o réu pode dispor, mas, neste estudo, ela é elencada como uma forma de 
resposta do réu/demandado. Apesar de não obstar ou resolver o processo, 
 
 
 
esse incidente é importante para que se assegure a imparcialidade do 
magistrado e, portanto, um julgamento justo. 
 
Legislação 
 
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ultrices orci non elit finibus, in auctor dolor fermentum. 
 
 
 
 
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https://diarioprocessualonline.files.wordpress.com/2020/05/enunciados-forum-permanente-processualistas-civis-fppc-2020-atualizado.pdf
https://www.academia.edu/21599868/AGRAVO_DE_INSTRUMENTO_CONTRA_O_INDEFERIMENTO_LIMINAR_DA_RECONVEN%C3%87%C3%83O_%C3%80_LUZ_DO_PRINC%C3%8DPIO_DO_DUPLO_GRAU_DE_JURISDI%C3%87%C3%83O_E_DAS_GARANTIAS_PROCESSUAIS
https://www.academia.edu/21599868/AGRAVO_DE_INSTRUMENTO_CONTRA_O_INDEFERIMENTO_LIMINAR_DA_RECONVEN%C3%87%C3%83O_%C3%80_LUZ_DO_PRINC%C3%8DPIO_DO_DUPLO_GRAU_DE_JURISDI%C3%87%C3%83O_E_DAS_GARANTIAS_PROCESSUAIS
 
 
 
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https://jus.com.br/artigos/57692/reconvencao-da-reconvencao-e-possivel
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