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Número 1, pág. 1Número Temático: Avaliação do Estado de Conservação das Tartarugas Marinhas 
Biodiversidade Brasileira (2011) Ano I, Nº 1, 1-2
É com grande satisfação que apresentamos a primeira validação científica do conjunto de avaliações 
conduzidas pelo ICMBio, neste número “Avaliação do Estado de Conservação das Tartarugas Marinhas”. 
Trata-se de uma avaliação para as populações em território brasileiro de espécies que ocorrem globalmente 
e, segundo a UICN (2001), essas avaliações são consideradas “avaliações regionais”.
Parabenizamos Maria Ângela Marcovaldi (TAMAR/ICMBio), coordenadora de táxon e Alexsandro 
Santos (Fundação Pró-TAMAR), ponto focal para o grupo, pelo intenso trabalho refletido nos cinco artigos a 
seguir. Não existem avaliações consistentes sem o trabalho, a disponibilidade e o entusiasmo dos especialistas 
para disponibilizar e sintetizar o conhecimento sobre cada espécie, tornando-o coletivo.
Após a avaliação do estado de conservação das espécies segue-se o processo de revisão que se 
concentra-se na verificação de coerência entre informações científicas trazidas e a categoria proposta, bem 
como na clareza da informação consolidada para aplicação dos critérios. Esse formato atende a orientação 
da UICN de validação por profissionais não envolvidos nas análises. Por isso, agradecemos aos revisores 
anônimos pela dedicação à essa tarefa.
As próximas páginas deste número contam que as tartarugas, originalmente tão abundantes na costa 
brasileira, foram quase totalmente dizimadas nos últimos cem anos, o que levou à avaliação das cinco espécies 
como ameaçadas de extinção, em diferentes categorias: a tartaruga- verde (Chelonia mydas), avaliada como 
“Vulnerável”; a tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) e a tartatura-oliva (Lepidochelys olivacea) como “Em 
Perigo”; a tartaruga-de-pente (Eretmochelis imbricata) e a tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea) como 
“Criticamente em Perigo”.
 Quando a equipe do TAMAR começou a trabalhar no final da década de 70, muitos pescadores 
jovens jamais tinham visto um filhote de tartaruga... Na época, o principal impacto era o consumo humano 
de carne e ovos de tartaruga. O trabalho dedicado e qualificado do Projeto TAMAR ao longo de 30 anos 
transformou essa realidade no Brasil. O consumo humano de tartarugas marinhas, diferente das tartarugas 
continentais, praticamente não existe mais. O aumento gradual do número de ninhos nas principais áreas 
de desova são a prova da mudança de costumes, que não se deu em um esquema de repressão, mas a 
uma adesão da população ao programa de conservação com atividades que incluem alternativas de renda 
e intenso envolvimento nas atividades de manejo de praia.
Monica Brick Peres1,2, Rafael de Almeida Magris1 e Katia Torres Ribeiro3
Biodiversidade Brasileira
Número Temático
Avaliação do Estado de Conservação das Tartarugas Marinhas
Apresentação
Afiliação
1 Editores do número temático
2 Coordenadora do Processo de Avaliação do Estado de Conservação de Espécies (COABIO/CGESP/DIBIO/ICMBio)
3 Editora gerente – Coordenação editorial de Biodiversidade Brasileira (COAPE/CGPEQ/DIBIO/ICMBio)
monica.peres@icmbio.gov.br; rafael.magris@icmbio.gov.br; katia.ribeiro@icmbio.gov.br
Número 1, pág. 2
Instituto Chico Mendes de Conservção da Biodiversidade
Número Temático: Avaliação do Estado de Conservação das Tartarugas Marinhas 
Desde então os desafios passaram a ser outros. Nas praias, a expansão urbana e o turismo desordenado 
ameaçam os habitats essenciais de nidificação. No mar, o esforço e o poder de pesca aumentaram 
drasticamente nos últimos anos e causam a morte de milhares de tartarugas por captura incidental nos anzóis 
e redes de pesca, como documentado nos artigos a seguir, tornando-se tema de pesquisa e monitoramento 
essencial para entender os danos e apoiar a elaboração de políticas públicas e propostas de ordenamento 
pesqueiro.
Uma vez que as tartarugas podem levar 30 anos para atingir a maturidade sexual e chegar até as 
praias para desovar, não há como saber ainda qual é o impacto da pesca sobre cada espécie. Só saberemos 
isso daqui a muito tempo, e desde que se mantenha a obtenção de informação qualificada tanto nas praias 
como nas pescarias, e claro, par e passo com as ações de conservação e manejo.
As tartarugas dessas espécies vivem muitos anos, provavelmente mais de cem! Isso faz com que a 
capacidade de reposição populacional seja muito, muito lenta. Perguntamo-nos se nossos filhos teriam tido 
a chance de conhecer tartarugas marinhas na costa brasileira se não fosse pelo trabalho de conservação e 
pesquisa capitaneado pelo TAMAR. Também é o caso de nos questionarmos se nossos bisnetos e tataranetos 
conhecerão esses seres que sobreviveram a tantas transformações da Terra, tantas oscilações climáticas 
naturais e antrópicas e suas consequências nos mares e terras, se não conseguirmos controlar e ordenar o 
desenvolvimento costeiro e o da pesca no país.
Por isso tudo, essa síntese é tão importante. E por isso, o trabalho de avaliação é tão empolgante. 
Agradecemos a todos o trabalho realizado, que deve se seguir da avaliação de diversos outros grupos da 
biota brasileira. Trabalho este que só fará sentido se vier a apoiar o debate, a definição de políticas públicas, a 
tomada de decisão pela sociedade que, torcemos, opte, sempre que houver discernimento, pela coexistência 
do ser humano com as demais espécies do planeta. E por estas razões optamos pela publicação integral 
das informações que levaram à proposição das categorias de estado de conservação, de modo a permitir a 
construção continuada do conhecimento e o debate, essencial à ciência, à conservação e à cidadania.
Agradecimentos
Por se tratar do primeiro número de Biodiversidade Brasileira, além dos agradecimentos acima, 
consideramos fundamental reconhecer o belo trabalho de Denys Márcio de Sousa, no projeto gráfico e arte 
da capa da revista e dos artigos do número temático.
Número 1, pág. 3Caretta caretta
Biodiversidade Brasileira (2011) Ano I, Nº 1, 3-11
Apresentação e Justificativa de 
Categorização
O estado de conservação da tartaruga marinha Caretta caretta 
Linnaeus, 1758 (Cheloniidae) no Brasil foi avaliado de acordo com os 
critérios da IUCN (2001), com base nos dados disponíveis até 2009. 
Síntese do processo de avaliação pode ser encontrada em Peres et 
al., neste número. A categoria proposta para o táxon é “Em perigo 
(EN)” segundo o critério A2abcd, ou seja, ameaçado, de acordo com 
informações sobre redução da população.
A espécie Caretta caretta apresenta distribuição circunglobal. 
No Brasil, as áreas prioritárias de desova estão localizadas no norte da 
Bahia, Espírito Santo, norte do Rio de Janeiro e Sergipe. Ocorrências 
de indivíduos em diferentes estágios de vida também são registradas 
na costa de diversos estados do Brasil entre o Pará e o Rio Grande do 
Sul, em águas costeiras ou oceânicas. 
A espécie apresenta ciclo de vida longo com maturação sexual 
entre 25 e 35 anos. O tempo geracional utilizado nesta avaliação é de 
100 anos. Este táxon é altamente migratório. As fêmeas migram das 
áreas de alimentação e descanso para as áreas de reprodução, em 
deslocamentos que podem chegar a mais de 1500 km. São carnívoros 
durante todo o ciclo de vida.
As principais ameaças para C. caretta no passado foram a coleta 
de ovos e o abate de fêmeas, o que não acontece mais nas áreas 
prioritárias de reprodução. Desde a implantação do Projeto TAMAR/
ICMBio em 1982, que promoveu esta proteção, o desenvolvimento 
e a ocupação desordenada da zona costeira e a pesca artesanal e 
industrial aumentaram vertiginosamente – principalmente nos últimos 
10-15 anos. As tartarugas marinhas são capturadas incidentalmente 
em praticamente todas as pescarias no Brasil. 
Não existem dados quantitativos consistentes sobre a abundân-
cia deste táxon para o período anterior ao levantamento realizado pelo 
TAMAR entre 1980-82, quando foi registrada a interrupção do ciclo 
de vida desses animais em váriasMusick, J.A.; Nel, R.; Pilcher, N.J.; Seminoff, J.A.; Troëng, S.; Witherington, B. 
& Mast, R.B. 2010. Regional management units for marine turtles: a novel framework for prioritizing conservation and 
research across multiple scales. PLoS ONE, 5(12): 1-11.
Ficha Técnica
Avaliação do estado de conservação da tartaruga marinha Chelonia mydas (Linnaeus, 1758) no Brasil.
Antônio de Pádua Almeida; Armando José Barsante Santos; João Carlos Alciatti Thomé; Claudio Belini;
Cecilia Baptistotte; Maria Ângela Marcovaldi; Alexsandro Santana dos Santos & Milagros Lopez
Biodiversidade Brasileira, 2011, 1(1): 18-25. 
Número temático: Avaliação do Estado de Conservação das Tartarugas Marinhas no Brasil
Participantes da oficina de avaliação dos dados:
•	Alexsandro	Santana	dos	Santos	–	Fundação	Protamar	 •	Jaqueline	Comin	de	Castilhos	–	Fundação	Protamar
•	Amely	Branquinho	Martins	–	CPB/ICMBio	 •	Luciano	Soares	–	Fundação	Protamar
•	Antônio	de	Pádua	Almeida	–	TAMAR/ICMbio	 •	Maria	Ângela	Marcovaldi	–	TAMAR/ICMBio
•	Armando	Barsante	–	Fundação	Protamar	 •	Monica	Brick	Peres	–	COABIO/ICMBio
•	Danielle	Monteiro	–	NEMA	 •	Paulo	Barata	–	Pesquisador	–	FIOCRUZ
•	Gustavo	D.	Stahelin	–	Fundação	Protamar	 •	Yeda	Bataus	–	RAN/ICMBio
Local e data da oficina: Praia do Forte, BA, em 22 de setembro de 2009.
Fotos: TAMAR/ICMBio – Mapa: Rodrigo Ranulpho – Diagramação: Denys Márcio de Sousa
Número 1, pág. 20
Instituto Chico Mendes de Conservção da Biodiversidade
Número Temático: Avaliação do Estado de Conservação das Tartarugas Marinhas 
Apresentação e Justificativa de 
Categorização
O estado de conservação da tartaruga marinha Eretmochelys 
imbricata (Linnaeus, 1766) (Cheloniidae) foi avaliado de acordo com 
os critérios da IUCN (2001), com base nos dados disponíveis até 2009. 
Síntese do processo de avaliação pode ser encontrada em Peres et 
al., neste número. A categoria proposta para o táxon é “Criticamente 
em Perigo (CR)” segundo o critério A2abcde, ou seja, ameaçado, de 
acordo com informações sobre redução da população.
Eretmochelys imbricata é encontrada circunglobalmente, em 
águas tropicais e numa menor extensão, em águas subtropicais. No 
Brasil, as áreas prioritárias de reprodução de E. imbricata são o litoral 
norte da Bahia e Sergipe; e o litoral sul do Rio Grande do Norte. 
Sendo a mais tropical das espécies de tartarugas marinhas, as áreas 
de alimentação conhecidas deste táxon conhecidas no Brasil, são 
as ilhas oceânicas de Fernando de Noronha-PE e Atol das Rocas-
RN, havendo evidências de que o banco dos Abrolhos-BA seja uma 
importante área de alimentação. Há ainda ocorrência na reserva 
biológica do Arvoredo/SC e também na Ilha de Trindade/ES.
A principal ameaça para E. imbricata no passado foi a coleta 
de ovos e o abate de fêmeas, principalmente para exploração e 
comércio do casco, o que não acontece mais nas áreas prioritárias 
de reprodução. Desde a implantação do Projeto TAMAR/ICMBio em 
1982, o desenvolvimento e a ocupação desordenada da zona costeira 
e a pesca aumentaram vertiginosamente – principalmente nos últimos 
10-15 anos. As tartarugas de pente são capturadas incidentalmente, 
principalmente em redes costeiras de emalhe e lagosteira.
Não existem dados quantitativos comprovados da abundância 
deste táxon para o período anterior ao levantamento realizado pelo 
TAMAR entre 1980-82, onde está registrada a interrupção do ciclo 
de vida desses animais em várias áreas visitadas, devido a um longo 
histórico de coleta de praticamente todos os ovos e abate de quase 
todas as fêmeas. Historicamente, a abundância destas populações 
era enorme. A falta de perspectiva adequada para quantificação 
ou o uso de uma linha imaginária equivocada de dados iniciais de 
abundância para o estudo de tendência populacional podem levar a 
uma interpretação errônea destas análises. A síndrome da mudança 
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Testudines
Família: Cheloniidae
Nome popular
Tartaruga-de-pente (português 
/ em todo o Brasil), tartaruga-
verdadeira (português / Ceará), 
tortue imbriquée (francês), 
tortuga carey (espanhol), 
hawksbill turtle (inglês)
Maria Ângela Marcovaldi1; Gustave G. Lopez2; Luciano S. Soares2; Armando J.B. Santos2; Claudio Bellini1;
Alexsandro Santana dos Santos2 & Milagros Lopez2
Estado de Conservação
Criticamente em perigo (CR) 
A2abcde
Submetido em: 24 / 02 / 2010
Versão reformulada enviada em:
10 / 01 / 2011
Aceito em: 27 / 01 / 2011
Avaliação do Estado de Conservação da Tartaruga Marinha
Eretmochelys imbricata (Linnaeus, 1766) no Brasil
Afiliação
1 Centro Nacional de Conservação 
e Manejo de Tartarugas Marinhas – 
TAMAR/ICMBio – Caixa Postal 2219 
– Rio Vermelho – CEP 41950-970 – 
Salvador/BA
2 Fundação Protamar – Rua Rubens 
Guelli, 134 – sl. 307 – Ed. Empresarial 
Itaigara – CEP 41815-135 – Salvador/BA
alex@tamar.org.br
Número 1, pág. 21Eretmochelys imbricata
Biodiversidade Brasileira (2011) Ano I, Nº 1, 20-27
de referencial, ou “shifting baseline syndrome”, é conhecida como o uso de dados de tamanho da população 
que correspondem ao início das atividades dos pesquisadores e não da sua real abundância no passado, e 
que pode levar a subestimativas de perdas (Bjorndal, 1999).
 Considera-se que o índice de abundância populacional mais adequado para as tartarugas-marinhas 
seja o número de ninhos em cada temporada. Desta forma, o aumento no número de ninhos observado nos 
últimos anos representa um indício de aumento no tamanho populacional. No entanto, apesar de promissora, 
acredita-se que essa recuperação é insignificante em relação ao tamanho populacional no passado.
Adicionalmente, características da estratégia de vida das tartarugas marinhas como a maturação tardia 
e ciclo de vida longo tornam a recuperação muito lenta. É possível que os números de desovas observados 
até o presente não se mantenham no futuro, devido à ação das atuais ameaças sobre o estoque de juvenis 
a serem recrutados para a população reprodutiva. Além disso, os estudos de tendência de população não 
cobrem um tempo geracional para este táxon (estimado entre 35 e 45 anos, no mínimo).
Portanto, a recuperação do número de adultos ou do tamanho populacional observado só poderá ser 
considerada consistente quando a série histórica de dados for mais longa, incluindo várias décadas.
As informações coletadas no levantamento inicial do TAMAR sugerem que o potencial de áreas 
de desova e a abundância nas áreas remanescentes deve ser maior do que a encontrada, indicando 
desaparecimento de desovas em várias destas áreas e, nas remanescentes, o declínio acentuado das 
populações. O TAMAR iniciou suas atividades apenas nas áreas remanescentes com concentração ainda 
significativa de desova.
Mantém-se a categoria CR, pois além da população brasileira estar isolada, a principal área de 
ocorrência reprodutiva atual (norte da Bahia, Sergipe e sul do Rio Grande do Norte) é bastante reduzida 
quando comparada à sua área de ocorrência no passado. Não há possibilidade de migração de adultos 
de outras regiões para o Brasil: as tartarugas marinhas são conhecidas por sua alta filopatria (homing) – 
capacidade das fêmeas de voltarem para se reproduzir na praia onde nasceram, tornando praticamente 
impossivel a recolonização das praias por fêmeas oriundas de outras populações.
Distribuição Geográfica
A espécie Eretmochelys imbricata tem distribuição circunglobal em águas tropicais e, em menor 
extensão, em águas subtropicais (Mortimer & Donnelly 2007). No Brasil, as áreas de desova distribuem-
se desde o Espírito Santo ao Ceará, porém desovas regulares com maior concentração (definindo áreas 
prioritárias) encontram-se apenas no litoral norte do Estado da Bahia e Sergipe, e no litoral sul do Rio 
Grande do Norte (Marcovaldi et al. 2007). Há ainda outras áreas com menor concentração de desovas, 
mas que devem ser ressaltadas: Paraíba (Mascarenhas et al. 2004), Ceará (Lima 2002) e Espírito Santo 
(Marcovaldi et al. 2007). Há evidências de desovas regulares, mas também em menornúmero, no estado de 
Pernambuco (Moura et al. 2009) e no norte do Rio Grande do Norte (Marlova Itini com. pessoal).
Juvenis distribuem-se em todo o litoral Norte-Nordeste do Brasil e, com menor freqüência, no Sul-
Sudeste, sendo as principais áreas de alimentação conhecidas no Brasil o Arquipélago Fernando de Noronha-
PE (Sanches & Bellini 1999) e o Atol das Rocas-RN (Marcovaldi et al. 1998), havendo também registros 
para a Ilha de Trindade-ES (TAMAR 2009), Abrolhos-BA, arquipélagos de São Pedro e São Paulo e a Ilha 
do Arvoredo-SC (Reisser et al. 2008). Há evidências de que o banco dos Abrolhos-BA seja uma importante 
área de alimentação (Pedrosa & Verissimo 2006) para este táxon.
Registros de encalhes de tartarugas-de-pente e capturas incidentais pela pesca na costa indicam 
a presença de indivíduos juvenis e adultos (TAMAR 2009). Estudos de telemetria indicam migrações de 
fêmeas adultas próximas à costa do estado da Bahia, entre Salvador e Abrolhos, e entre Salvador e áreas de 
alimentação no estado do Ceará (Marcovaldi et al. 2009a) (Figura 1).
População
Para tartarugas marinhas, o número de ninhos é usualmente adotado como índice de abundancia 
populacional (Meylan 1995).
Não existem dados quantitativos comprovados da abundância deste táxon para o período anterior 
à implantação do Projeto TAMAR/ICMBio nas áreas principais de desova em 1982. O levantamento 
Figura 1 – Distribuição geográfica da tartaruga marinha Eretmochelys imbricata (Linnaeus, 1766) no Brasil. Fonte: Banco 
de dados do TAMAR / SISTAMAR.
Número 1, pág. 23Eretmochelys imbricata
Biodiversidade Brasileira (2011) Ano I, Nº 1, 20-27
inicial realizado através de entrevistas com os pescadores ao longo do litoral entre os anos de 1980 e 1982 
constatou um histórico muito longo de exploração/uso direto. O depoimento mais freqüente descrevia um 
número de tartarugas muito maior, coleta de praticamente todos os ovos e matança de quase todas as 
fêmeas (Marcovaldi & Marcovaldi 1999). Relatos em algumas comunidades litorâneas nos primeiros anos 
de atuação do Projeto TAMAR/ICMBio indicavam que muitos moradores jamais tinham visto um filhote de 
tartaruga marinha (Marcovaldi & Albuquerque 1983).
No norte da Bahia e Sergipe e em Pipa (Rio Grande do Norte), esta espécie apresentou em 2005-
2006 um número estimado de desovas entre 1.530 e 1.820 ninhos, sendo cerca de 80% no norte da Bahia 
e em Sergipe (Marcovaldi et al. 2007). É uma espécie que apresenta maturação tardia e ciclo de vida longo. 
Normalmente apresenta alta fecundidade, com média de 120 a 130 ovos por ninho, e várias ninhadas por 
estação reprodutiva (Horrocks & Scott 1991). Porém, como ocorre com todas as espécies de tartarugas 
marinhas, a mortalidade de filhotes e juvenis é alta, sendo que de cada 1.000 ovos aproximadamente, 
menos de um filhote sobrevive até a fase adulta (Frazer 1986).
Devido a características bioecológicas das tartarugas marinhas, tais como ciclo de vida longo e 
complexo, maturação tardia estimada entre 25 e 35 anos (Chaloupka & Limpus 1997) – tempo geracional 
estimado entre 35 e 45 anos - comportamento altamente migratório com utilização de uma grande área 
geográfica (o que inclui normalmente mais de um país) e múltiplos habitats (Bjorndal 1997), somente uma 
série histórica de dados de no mínimo 20 a 25 anos pode fornecer uma indicação confiável de tendência 
populacional para as tartarugas marinhas (Chaloupka et al. 2008).
Estudos com DNA mitocondrial (DNAmt) mostraram que as diversas populações de locais de desova 
podem ser distinguidas por diferentes haplótipos. Em áreas de alimentação há uma mistura de haplótipos, 
indicando que tartarugas de diferentes estoques genéticos (áreas de desova) coexistem em áreas de 
alimentação e em outras áreas distantes das de desova (Bass 1999, Lara-Ruiz et al. 2006).
A população que desova no litoral da Bahia é significativamente distinta das demais populações de 
tartarugas de pente existentes no mundo (Lara Ruiz et al. 2006). Recente trabalho realizado pelo Grupo de 
Especialistas em Tartarugas Marinhas da IUCN define a população do Brasil como uma Unidade de Manejo 
independente e caracterizada como máxima prioridade de conservação (Wallace et al. 2010).
Um estudo realizado no litoral norte da Bahia (n=119 indivíduos) mostrou que 44% do total das 
tartarugas analisadas são híbridas, sendo 42% entre E. imbricata e C. caretta e 2% entre E. imbricata e L. 
olivacea (Lara Ruiz et al. 2006).
A ocorrência de hibridização interespecífica pode acarretar sérias conseqüências para as espécies 
envolvidas e é de suma importância para sua conservação (Lara-Ruiz et al. 2006).
As áreas de alimentação conhecidas de Fernando de Noronha e Atol das Rocas são compostas por 
juvenis e subadultos pertencentes a estoques múltiplos, com contribuição, por exemplo, de Guinea Bissau, 
Cuba, Barbados e Brasil (Sanches & Bellini 1999, Mortimer & Donnelley 2007, Lara-Ruiz com. pess.).
Corroborando com os resultados dos estudos genéticos, os dados de marcação realizados no Brasil 
mostram migrações de longa distância através de dois indivíduos subadultos marcados em Fernando de 
Noronha e no Atol das Rocas, recapturados no Gabão e no Senegal (África), respectivamente (Bellini et al. 
2000, Grossman et al. 2007).
O Grupo de Especialistas de Tartarugas Marinhas (MTSG) da UICN, baseado em resultados de 
genética molecular, áreas de reprodução, resultados de marcação e recaptura, satélite telemetria, bem como 
aspectos da historia natural e biogeografia, definiu Unidades de Manejo Regional para E.imbricata (Wallace 
et al. 2010). Segundo Wallace 2010, Unidades de Manejo Regionais referem-se às áreas ocupadas por 
populações funcionalmente independentes, possuidoras de processos demográficos distintos. O Brasil (praias, 
plataforma costeira e Zona Econômica Exclusiva) pertence à unidade de manejo do Atlântico Sudoeste.
Outras Informações Ecológicas
A determinação sexual nas tartarugas marinhas, inclusive para a espécie E. imbricata, depende da 
temperatura na qual os ovos são incubados – temperaturas mais altas produzem fêmeas e mais baixas, 
machos (Marcovaldi et al. 1997). Para E. imbricata as desovas incubadas nas praias do norte da Bahia 
produzem mais de 90% de filhotes fêmeas (Godfrey et al. 1999).
Número 1, pág. 24
Instituto Chico Mendes de Conservção da Biodiversidade
Número Temático: Avaliação do Estado de Conservação das Tartarugas Marinhas 
Como as demais espécies de tartarugas marinhas, E. imbricata apresenta maturação tardia e ciclo de 
vida longo, podendo demorar de 25 a 35 anos para atingir a maturidade sexual (Chaloupka & Limpus 1997, 
Meylan & Donnelly 1999).
Fêmeas desovando no norte da Bahia entre 1990-1991 e 1996-1997 apresentaram comprimento 
curvilíneo da carapaça em média de 97,4 cm (Marcovaldi et al. 1999). No norte da Bahia e em Sergipe, 
a temporada de reprodução ocorre principalmente entre novembro e março, com 80% das desovas de 
dezembro a fevereiro. Em Pipa, Rio Grande do Norte, a temporada de reprodução ocorre principalmente 
entre novembro e abril, com 80% das desovas de janeiro a março. No norte da Bahia, as fêmeas depositam 
em média a cada postura 136,4 ovos (Marcovaldi et al. 1999).
Seus hábitos de desova são noturnos, porém eventualmente podem ocorrer desovas no período 
diurno. Juvenis e adultos alimentam-se principalmente em locais com substratos duros, como recifes, sendo 
suas presas: crustáceos, moluscos, briozoários, celenterados, ouriços, esponjas e algas (Sanches & Bellini 
1999). No Arquipélago Fernando de Noronha, são encontradas normalmente em profundidades rasas, até 
cerca de 40 m (Sanches & Bellini 1999).
Ameaças
A captura incidental em atividades de pesca costeira (principalmente redes de emalhe) (Gallo et al. 
2006; Marcovaldi et al. 2009b) é a principal causa de mortalidade conhecida para esta espécie.
O impacto humano sobre os habitats das tartarugas marinhas é reconhecido há décadas (Lutcavage 
et al. 1997), com os esforços para mitigação concentradosno ambiente terrestre. Apesar de progressos feitos 
na proteção e recuperação de ecossistemas marinhos em algumas áreas, impactos antropogênicos diretos 
ou indiretos continuam a ocorrer (Hamann et al. 2010).
Os principais fatores ligados ao desenvolvimento costeiro desordenado e que causam um impacto 
negativo nas populações de tartarugas marinhas são: movimentação da areia da praia (extração de areia 
e aterros); fotopoluição; tráfego de veículos; presença humana nas praias; portos, ancoradouros e molhes; 
ocupação da orla (hotéis e condomínios); e a exploração (produção e distribuição) de óleo e gás.
Segundo Poloczanska et al. (2009), as tartarugas marinhas são geralmente vistas como vulneráveis 
às alterações climáticas devido ao papel que a temperatura desempenha na determinação do sexo dos 
embriões. O aumento da temperatura na ordem de 2 ° C pode causar a feminização de toda uma população. 
Além disto, por se tratar de espécies de natureza altamente migratórias, mudanças de disponibilidade de 
recursos alimentares, de circulação de correntes marinhas e ventos podem comprometer seu ciclo de vida 
longo e complexo.
Existem diferentes formas de poluição que constituem uma ameaça para os habitats marinhos e 
terrestres das tartarugas marinhas que incluem som, temperatura, luz, plásticos, produtos químicos, efluentes 
e outros. De um modo geral, a poluição de qualquer tipo ocorrendo acima de um certo limiar, pode produzir 
uma área inabitável. Em níveis abaixos desse limiar, pode significativamente degradar a qualidade do habitat, 
a capacidade de carga e outros aspectos da função do ecossistema (Hamann et al. 2010).
O alto índice de ocorrência de híbridos de Caretta caretta e Eretmochelys imbricata na Bahia (Lara-
Ruiz et al. 2006), podem significar uma ameaça. No entanto não são compreendidas as causas e implicações 
deste fato e seu impacto na diversidade genética, taxonomia e conservação destas espécies (Lara-Ruiz et al. 
2006, Reis et al. 2010), sendo necessário um estudo a longo prazo dos possíveis efeitos desse fenômeno na 
viabilidade dessas populações.
Atualmente há baixos índices de coleta de ovos (menos de 2% dos ninhos a cada ano) (Banco de 
dados TAMAR/SITAMAR).
 
Ações de Conservação
A espécie é totalmente protegida por instrumentos legais nacionais (Anexo 01), que proíbem todo 
e qualquer tipo de uso direto além de prever medidas de proteção das áreas de desova. O táxon também 
faz parte do Anexo I do CITES do qual o Brasil é signatário. O país também participa da Convenção 
Interamericana para Conservação e Proteção das Tartarugas Marinhas (IAC).
Número 1, pág. 25Eretmochelys imbricata
Biodiversidade Brasileira (2011) Ano I, Nº 1, 20-27
Ao longo da costa, há Unidades de Conservação que abrangem a área de ocorrência da espécie, 
sendo: Parque Estadual (PE) Marinho do Parcel do Manuel Luís (MA); Reserva Biológica (REBIO) do Atol 
das Rocas e Área d Proteção Ambiental (APA) Estadual Bonfim-Guaraíras (RN); REBIO de Santa Isabel 
e APA Estadual do Litoral Sul (SE); APA de Piaçabuçu (AL); APA de Fernando de Noronha – Rocas São 
Pedro e São Paulo, Parque Nacional (PARNA) de Fernando de Noronha e APA Costa dos Corais (PE); 
PARNA Marinho dos Abrolhos, APA Rio Capivara, APA Lagoas de Guarajuba, APA Litoral Norte, APA de 
Mangue Seco, APA Ponta da Baleia/Abrolhos, APA da Plataforma Continental do Litoral Norte (BA); REBIO 
de Comboios, PE de Itaúnas e APA Municipal da Praia de Guanabara – Anchieta (ES); Estação Ecológica 
(ESEC) Tupinambás e Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) de Queimada Grande e Queimada 
Pequena (SP); REBIO da Ilha do Arvoredo (SC).
Para a conservação da espécie, considera-se fundamental:
•	 Dar	continuidade	às	atividades	de	educação	ambiental,	sensibilização	pública	e	desenvolvimento	
local, incluindo geração de emprego e renda, junto às comunidades costeiras onde a espécie 
ocorre;
•	 Manter	o	monitoramento	das	áreas	de	desova,	garantindo	a	proteção	dos	ninhos	in	situ,	filhotes	e	
fêmeas; 
•	 Manter	 e	 incrementar	 as	 atividades	 de	 pesquisa	 a	 longo	 prazo	 para	 avaliar	 as	 tendências	 das	
populações (crescimento, estabilidade, diminuição); 
•	 Identificar	as	áreas	de	alimentação	e	implementar	ações	de	conservação,	manejo	e	pesquisa	de	
longa duração;
•	 Desenvolver	e	implementar	tecnologia	para	minimizar	impactos	antropogênicos;
•	 Dar	 continuidade	 ao	 “Programa	 Interação	 Tartarugas	 e	 Pesca”	 para	 redução	 das	 capturas	
incidentais, com ênfase em:
•	 Estimular	 a	 gestão	 participativa	 nas	 comunidades	 pesqueiras	 para	 busca	 de	 soluções	 e	
alternativas e de ordenamento;
•	 Realizar	levantamento	sobre	a	interação	com	as	pescarias	costeiras;
•	 Manter	e	 incrementar	a	marcação	de	adultos	e	 juvenis,	para	determinação	das	áreas	de	uso	e	
deslocamento e biologia reprodutiva;
•	 Dar	continuidade	aos	estudos	genéticos	para	determinação	das	populações	(áreas	de	alimentação	
e desova);
•	 Fomentar	a	criação,	implantação	e	gestão	de	Unidades	de	Conservação	litorâneas	e	marinhas;	
•	 Desenvolver	 e	 implementar	 medidas	 mitigadoras	 e	 compensatórias,	 nas	 três	 esferas	 de	
licenciamento, para os empreendimentos desenvolvidos na área de ocorrência do táxon;
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Ficha Técnica
Avaliação do estado de conservação da tartaruga marinha Eretmochelys imbricata (Linnaeus, 1766) no Brasil.
Maria Ângela Marcovaldi; Gustave G. Lopez; Luciano S. Soares; Armando J.B. Santos; Claudio Bellini;
Alexsandro Santana dos Santos & Milagros Lopez
Biodiversidade Brasileira, 2011, 1(1): 26-34. 
Número temático: Avaliação do Estado de Conservação das Tartarugas Marinhas no Brasil
Participantes da oficina de avaliação dos dados:
•	Alexsandro	Santana	dos	Santos	–	Fundação	Protamar	 •	Jaqueline	Comin	de	Castilhos	–	Fundação	Protamar
•	Amely	Branquinho	Martins	–	CPB/ICMBio	 •	Luciano	Soares	–	Fundação	Protamar
•	Antônio	de	Pádua	Almeida	–	TAMAR/ICMbio	 •	Maria	Ângela	Marcovaldi	–	TAMAR/ICMBio
•	Armando	Barsante	–	Fundação	Protamar	 •	Monica	Brick	Peres	–	COABIO/ICMBio
•	Danielle	Monteiro	–	NEMA	 •	Paulo	Barata	–	Pesquisador	–	FIOCRUZ
•	Gustavo	D.	Stahelin	–	Fundação	Protamar	 •	Yeda	Bataus	–	RAN/ICMBio
Local e data da oficina: Praia do Forte, BA, em 22 de setembro de 2009.
Fotos: TAMAR/ICMBio – Mapa: Rodrigo Ranulpho – Diagramação: Denys Márcio de Sousa
Número 1, pág. 28
Instituto Chico Mendes de Conservção da Biodiversidade
Número Temático: Avaliação do Estado de Conservação das Tartarugas Marinhas 
Apresentação e Justificativa de 
Categorização
O estado de conservação da tartaruga marinha Lepidochelys 
olivacea (Eschscholtz, 1829) (Cheloniidae) foi avaliado de acordo 
com os critérios da IUCN (2001), com base nos dados disponíveis 
até 2009. Síntese do processo de avaliação pode ser encontrada em 
Peres et al., neste número. A categoria proposta para o táxon é “Em 
perigo (EN)” segundo o critério A2abcde, ou seja, ameaçado, de 
acordo com informações sobre redução da população.
Lepidochelys olivacea tem distribuição circunglobal. A área 
prioritária de desova desta espécie no Brasil está localizada entre 
o litoral sul do estado de Alagoas e o litoral norte da Bahia com 
maior densidade de desovas no estado de Sergipe. Juvenis e adultos 
ocorrem em áreas costeiras e oceânicas desde o Rio Grande do Sul 
até o Pará, e em águas internacionais adjacentes à zona econômica 
exclusiva do Brasil.
Este táxon é altamente migratório. As fêmeas migram das 
áreasde alimentação e descanso para as áreas de reprodução, em 
deslocamentos que podem chegar a mais de 1500 km. São carnívoros 
durante todo o ciclo de vida.
A principal ameaça para L.olivacea no passado foi a coleta de 
ovos e o abate de fêmeas, o que não acontece mais nas áreas prioritárias 
de reprodução. Desde a implantação do Projeto TAMAR/ICMBio em 
1982, o desenvolvimento e a ocupação desordenada da zona costeira 
e a pesca artesanal e industrial aumentaram vertiginosamente – 
principalmente nos últimos 10-15 anos. As tartarugas-marinhas são 
capturadas incidentalmente em praticamente todas as pescarias no 
Brasil, destacando-se a alta mortalidade de fêmeas adultas que ocorre 
no entorno das áreas de reprodução.
Não existem dados quantitativos comprovados da abundância 
deste táxon para o período anterior ao levantamento realizado pelo 
TAMAR entre 1980-82, onde está registrada a interrupção do ciclo 
de vida desses animais em várias áreas visitadas, devido a um longo 
histórico de coleta de praticamente todos os ovos e abate de quase 
todas as fêmeas. Historicamente, a abundância destas populações era 
enorme. A falta de perspectiva adequada para quantificação ou o 
uso de uma linha imaginária de dados iniciais de abundância para o 
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Testudines
Família: Cheloniidae
Nome popular
Tartaruga-oliva; tartaruga-
pequena; tartaruga-comum; 
xibirro (português / Brasil); 
tortuga lora; tortuga golfina; 
tortuga olivácea (espanhol); 
tortue olivâtre (francês); olive 
ridley (inglês)
Jaqueline Comin de Castilhos1; César Augusto Coelho2; Jamyle Freitas Argolo1, Erik Allan Pinheiro dos Santos2; Maria 
Ângela Marcovaldi2; Alexsandro Santana dos Santos1 & Milagros Lopez1
Estado de Conservação
Em Perigo (EN) A2abcde
Submetido em: 24 / 02 / 2010
Versão reformulada enviada em:
10 / 01 / 2011
Aceito em: 27 / 01 / 2011
Avaliação do Estado de Conservação da Tartaruga Marinha
Lepidochelys olivacea (Eschscholtz, 1829) no Brasil
Afiliação
1 Fundação Protamar – Rua Rubens 
Guelli, 134 – sl. 307 – Ed. Empresarial 
Itaigara – CEP 41815-135 – Salvador/BA
2 Centro Nacional de Conservação 
e Manejo de Tartarugas Marinhas – 
TAMAR/ICMBio – Caixa Postal 2219 
– Rio Vermelho – CEP 41950-970 – 
Salvador/BA
alex@tamar.org.br
Número 1, pág. 29Lepidochelys olivacea 
Biodiversidade Brasileira (2011) Ano I, Nº 1, 28-36
estudo de tendência populacional podem levar a uma interpretação errônea destas análises. A síndrome da 
mudança de referencial ou “shifting baseline syndrome” é conhecida como o uso de dados de tamanho da 
população que correspondem ao início das atividades dos pesquisadores e não da sua real abundância no 
passado, levando potencialmente a subestimativas da redução populacional (Bjorndal 1999).
 Considera-se que o índice de abundância populacional mais adequado para as tartarugas-marinhas 
seja o número de ninhos em cada temporada. Desta forma, o aumento no número de ninhos observado nos 
últimos anos representa um indício de aumento no tamanho populacional. No entanto, apesar de promissora, 
acredita-se que essa recuperação é insignificante em relação ao tamanho populacional no passado.
A espécie apresenta ciclo de vida longo. Estudo mostra para que para o Oceano Pacífico, esta espécie 
atinge a maturidade sexual entre 10 e 18 anos, o que permite a estimativa de tempo geracional em 20 anos. 
Porém, para outras regiões não se conhece o período de tempo referente a uma geração, mas é provável que 
três gerações não ultrapassem 100 anos. 
Adicionalmente, características da estratégia de vida das tartarugas marinhas como a maturação tardia 
e ciclo de vida longo tornam a recuperação muito lenta. É possível que os números de desovas observados 
até o presente não se mantenham no futuro, devido à ação das atuais ameaças sobre o estoque de juvenis 
a serem recrutados para a população reprodutiva. Além disso, os estudos de tendência de população não 
cobrem um tempo geracional para este táxon (estimado entre 15 e 36 anos).
Portanto, a recuperação do número de adultos ou do tamanho populacional observado só poderá ser 
considerada consistente quando a série histórica de dados for mais longa, incluindo várias décadas. 
As informações coletadas no levantamento inicial do TAMAR sugerem um potencial de área de desova 
e abundância nas áreas remanescentes maior do que a encontrada, indicando desaparecimento de desovas 
em várias destas áreas e, nas remanescentes, o declínio acentuado das populações. O TAMAR iniciou suas 
atividades apenas nas áreas remanescentes com concentração ainda significativa de desova. 
Estudos genéticos comprovam a ocorrência de híbridos: existe alta proporção de hibridismo entre 
tartarugas da espécie Caretta caretta e Lepidochelys olivacea, não sendo ainda entendidas as causas e 
implicações deste fato, e seu impacto na diversidade genética e identificação destas espécies. A ocorrência 
de hibridização interespecífica pode acarretar sérias conseqüências para as espécies envolvidas e é de suma 
importância para sua conservação.
Mantém-se a categoria EN, pois além da população brasileira estar isolada, a principal área de 
ocorrência reprodutiva atual (sul de Alagoas ao norte da Bahia) é bastante reduzida quando comparada à 
sua área de ocorrência no passado. A morte de fêmeas reprodutivas em frente às praias de desova também 
contribui para esta categorização. Não há possibilidade de migração de adultos de outras regiões para o 
Brasil: as tartarugas marinhas são conhecidas por sua alta filopatria (homing), – capacidade das fêmeas de 
voltarem para se reproduzir na praia onde nasceram, tornando praticamente impossível a recolonização das 
praias por fêmeas oriundas de outras populações.
Distribuição Geográfica
Lepidochelys olivacea tem distribuição circunglobal (Abreu-Grobois & Plotkin 2008). No Brasil, a 
área prioritária de reprodução do táxon está localizada entre o litoral sul do estado de Alagoas e o litoral 
norte da Bahia com maior densidade de desovas no estado de Sergipe (Marcovaldi & Marcovaldi 1999, 
Castilhos & Tiwari 2006, Silva et al. 2007). Ocorrências reprodutivas, em muito menor densidade, também 
são registradas no estado do Espírito Santo. Desovas ocasionais já foram registradas nos estados do Rio de 
Janeiro, Rio Grande do Norte (TAMAR 2009) e Ceará (Lima et al. 2003). 
O táxon está presente nas áreas costeiras e oceânicas. Há registros de captura incidental na pesca 
oceânica do Norte/Nordeste e Sul/Sudeste do Brasil, com capturas se estendendo para águas internacionais 
adjacentes (Sales et al. 2008). Na pesca costeira, registros foram realizados nos estados do Ceará, Pernambuco, 
Alagoas, Sergipe, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, assim como registros de encalhes de animais vivos e 
mortos nas praias dos estados do Rio Grande do Norte, São Paulo (TAMAR 2009), Paraná (D´Amato 1992), 
Santa Catarina (Marcovaldi et al. 2000), Rio Grande do Sul, no extremo sul do Brasil (Soto & Beheregaray 
1997, Pinedo et al. 1998, Monteiro 2004). 
Os estudos de telemetria apontaram deslocamentos costeiros desde o Espírito Santo até o Pará, além 
de migrações para regiões equatoriais do Atlântico (Marcovaldi et al. 2008) (Figura 1).
Figura 1 – Distribuição geográfica da tartaruga marinha Lepidochelys olivacea (Eschscholtz, 1829) no Brasil. Fonte: Banco 
de dados do TAMAR / SISTAMAR.
Número 1, pág. 31Lepidochelys olivacea 
Biodiversidade Brasileira (2011) Ano I, Nº 1, 28-36
População
O censo de tartarugas marinhas é normalmente feito em praias de desova por causa da dificuldade 
em se levantar números de indivíduos nas áreas de alimentação. O número total de ninhos registrados a 
cada temporada reprodutiva é comumente adotado como índice de abundância (Meylan 1995).
Não existem dados quantitativos comprovados da abundância deste táxon para o período anterior 
à implantação do Projeto TAMAR/ICMBio nas áreas principais de desova em 1982. O levantamento 
inicial realizado através de entrevistas com os pescadores aolongo do litoral entre os anos de 1980 e 1982 
constatou um histórico muito longo de exploração/uso direto. O depoimento mais freqüente descrevia um 
número de tartarugas muito maior, coleta de praticamente todos os ovos e matança de quase todas as 
fêmeas (Marcovaldi & Marcovaldi, 1999). Relatos em algumas comunidades litorâneas nos primeiros anos 
de atuação do Projeto TAMAR/ICMBio indicavam que muitos moradores jamais tinham visto um filhote de 
tartaruga marinha (Marcovaldi & Albuquerque 1983). 
Desde 1982, um programa de monitoramento das praias e o registro das ocorrências reprodutivas foi 
estabelecido nas principais áreas de reprodução da espécie. Um crescimento de quase 10 vezes no número 
de desovas foi observado mediante análise dos dados coletados em Sergipe e Bahia entre 1991/1992 (252 
desovas) e 2002/2003 (2602 desovas) (Silva et al. 2007). Na última temporada reprodutiva de 2008/2009, 
6492 desovas foram registradas nas bases monitoradas pelo Projeto TAMAR/ICMBio: 77% das desovas 
foram registradas no estado de Sergipe, 22,4% das desovas registradas no estado da Bahia e 0,6% das 
desovas registradas nos estados do Espírito Santo (TAMAR 2009).
As capturas incidentais de tartarugas olivas ocorrem em praticamente toda a costa do Brasil e na 
zona oceânica, sendo que as pescas de arrasto de camarão e espinhel pelágico representam as maiores 
ameaças, com capturas de adultos e juvenis (Sales et al. 2008, TAMAR 2009). Entre setembro de 2005 e 
março de 2009, 760 tartarugas mortas foram registradas nas principais áreas de desova deste táxon. Das 
tartarugas mortas com espécie identificada (n=639), as olivas totalizaram 53,4% dos registros. Resultados 
das análises de fêmeas grávidas (com presença de ovos em formação) encontradas mortas nas praias de 
desova confirmam a perda de animais reprodutivamente ativos (Castilhos & Tiwari 2006). Estes dados 
evidenciam a susceptibilidade do táxon à captura nas pescarias costeiras (redes de arrasto de camarão 
e emalhe) (Silva et al. 2010, TAMAR 2009). Para o período de agosto de 2009 a julho de 2010, foram 
registrados 326 animais desta espécie encalhados mortos nas praias de Sergipe e região sul de Alagoas, 
sendo que destes, 275 animais tinham biometria de adulto, permitindo identificar que a grande maioria 
era composta de fêmeas adultas, muitas delas com ovos em formação no interior (TAMAR 2009), como 
observado anteriormente por Castilhos & Tiwari (2006). 
O registro de animais adultos encalhados mortos nas praias de desova, com presença de camarão 
no trato digestório indica uma possível interação com pescaria costeira de arrasto de camarão local 
(TAMAR 2009).
Registros de captura nas pescarias oceânicas (espinhel) (Sales et al. 2008), apontam para a 
vulnerabilidade deste táxon durante deslocamentos pós reprodutivos (Silva et al. em prep). Por serem animais 
de ciclo de vida longo, é impossível se prever quando está ameaça se refletirá em declínio populacional.
O Grupo de Especialistas de Tartarugas Marinhas (MTSG) da UICN, baseado em resultados 
de genética molecular, áreas de reprodução, resultados de marcação e recaptura, satélite telemetria, 
bem como aspectos da historia natural e biogeografia, definiu Unidades de Manejo Regional para L. 
olivacea (Wallace et al. 2010). Segundo Wallace 2010, Unidades de Manejo Regionais referem-se às 
áreas ocupadas por populações funcionalmente independentes, possuidoras de processos demográficos 
distintos. O Brasil (praias, plataforma costeira e Zona Econômica Exclusiva) pertence à unidade de 
manejo do Atlântico Oeste.
Outras Informações Ecológicas
As tartarugas marinhas apresentam maturação tardia e ciclo de vida longo, podendo demorar da 
ordem de 15 a 40 anos, dependendo da espécie, para a maturidade sexual (Meylan & Donnelly 1999). 
Para a Lepidochelys olivacea, existe estimativa de 13 anos para o tempo mediano de maturação sexual 
no Pacífico, o que resulta num tempo geracional estimado de 20 anos, o que não é conhecido para outras 
Número 1, pág. 32
Instituto Chico Mendes de Conservção da Biodiversidade
Número Temático: Avaliação do Estado de Conservação das Tartarugas Marinhas 
populações do mundo (Zug et al. 2006). Mesmo assim, não acredita-se que 3 gerações do táxon ultrapassem 
os 100 anos.
A Lepidochelys olivacea, assim como as demais tartarugas marinhas, possuem um complexo ciclo de 
vida e utilizam uma grande área geográfica e múltiplos habitats (Abreu-Grobois & Plotkin 2008, Márquez 
1990). As fêmeas desovam em praias, das quais os filhotes eclodem e seguem ao mar para continuarem 
o desenvolvimento. Embora o habitat dos filhotes recém-eclodidos não seja conhecido, é possível que 
permaneçam numa fase pelágica, flutuando ao sabor das correntes marinhas que podem levá-los para longe 
da praia natal (Kopitsky et al. 2000). 
Algumas populações de Lepidochelys olivacea apresentam comportamento reprodutivo distinto. 
As fêmeas podem emergir em massa e de forma sincronizada, comportamento denominado de arribada 
(termo em espanhol) ou podem emergir solitariamente, sozinhas ou em pequenos grupos, mas não de forma 
sincronizada (Kalb 1999). As maiores arribadas ocorrem em poucas praias no mundo como em: Rushikulya 
(India), Playa Escobilla (México) e Ostional (Costa Rica), enquanto que as desovas solitárias apresentam 
ampla distribuição (Bernardo & Plotkin 2007). No Brasil, a temporada reprodutiva deste táxon inicia-se em 
setembro e prossegue até março (Silva et al. 2007), sendo que as fêmeas desovam 1, 2 ou 3 vezes a cada 
temporada reprodutiva e apresentam intervalo internidal de 22,5 ± 7,1 dias (média ± DP; n= 132) (Matos 
et al. 2008, Matos 2009). 
Os juvenis compartilham algumas áreas utilizadas pelos adultos (Kopitsky et al., 2000) até a 
maturidade sexual ser atingida (Musick & Limpus 1997). Machos e fêmeas ativos e em fase de reprodução 
migram para zonas costeiras e se concentram próximos às praias de desova. Contudo, alguns machos 
aparentemente permanecem em águas oceânicas e acasalam com as fêmeas em rotas para as praias de 
desovas (Plotkin 1994, Plotkin et al. 1995, Kopitsky et al. 2000). O movimento pós migratório é complexo, 
com rotas que variam anualmente e que podem cobrir centenas a milhares de quilômetros (Morreale et al. 
2007), preferencialmente em regiões do oceano com temperaturas acima de 20º C (Márquez 1990). Estudos 
recentes de telemetria mostram que a maioria dos animais monitorados deslocou-se dentro da plataforma 
continental, desde o Espírito Santo até o Pará, em profundidades de 8 a 30 m, além de migrações para 
regiões equatoriais do Atlântico (Marcovaldi et al. 2008). 
A determinação sexual nas tartarugas marinhas depende da temperatura na qual os ovos são 
incubados – temperaturas mais altas produzem fêmeas e mais baixas, machos (Marcovaldi et al. 1997). 
A determinação sexual nas tartarugas marinhas depende da temperatura na qual em que os ovos são 
incubados – temperaturas mais altas produzem fêmeas e mais baixas, machos (Marcovaldi et al. 1997). 
Para essa espécie a temperatura pivotal (na qual são produzidos 50 % de filhotes machos e 50% de filhotes 
fêmeas) no Brasil não é conhecida.
Ameaças
A captura incidental em atividades de pesca representa uma das principais ameaças a este táxon, 
principalmente redes de arrasto empregadas na pesca de camarão no entorno das praias de desova em Sergipe 
(Silva et al. 2010). Destaca-se que as informações obtidas através da telemetria mostram uma sobreposição 
com áreas conhecidas para diferentes pescarias ao longo de todo o deslocamento pós reprodutivo (Silva et 
al. em prep.). Há registros de captura incidental nas pescarias oceânicas (longline ou espinhel de superfície) 
do norte/Nordeste e sul/sudeste do Brasil com capturas se estendendo para águas internacionais adjacentes 
(Domingo et al. 2006; Coluchi 2006, Sales et al. 2008). 
O impacto humano sobre os habitats das tartarugas marinhas é reconhecido há décadas (Lutcavage 
et al. 1997), com os esforços para mitigação concentrados noambiente terrestre. Apesar de progressos feitos 
na proteção e recuperação de ecossistemas marinhos em algumas áreas, impactos antropogênicos diretos 
ou indiretos continuam a ocorrer (Hamann et al. 2010). Atualmente são baixos os índices de coleta de ovos 
(menos de 2% dos ninhos a cada ano ) (TAMAR 2009).
Os principais fatores ligados ao desenvolvimento costeiro desordenado e que causam um 
impacto negativo nas populações de tartarugas marinhas são: movimentação da areia da praia 
(extração de areia e aterros); fotopoluição; tráfego de veículos; presença humana nas praias; portos, 
ancoradouros e molhes; ocupação da orla (hotéis e condomínios); e a exploração (produção e 
distribuição) de óleo e gás.
Número 1, pág. 33Lepidochelys olivacea 
Biodiversidade Brasileira (2011) Ano I, Nº 1, 28-36
Segundo Poloczanska et al. (2009), as tartarugas marinhas são geralmente vistas como vulneráveis 
às alterações climáticas devido ao papel que a temperatura desempenha na determinação do sexo dos 
embriões. O aumento da temperatura na ordem de 2° C pode causar a feminização de toda uma população. 
Além disto, por se tratar de espécies de natureza altamente migratórias, mudanças de disponibilidade de 
recursos alimentares, de circulação de correntes marinhas e ventos podem comprometer seu ciclo de vida 
longo e complexo.
Existem diferentes formas de poluição que constituem uma ameaça para os habitats marinhos e 
terrestres das tartarugas marinhas que incluem som, temperatura, luz, plásticos, produtos químicos, efluentes 
e outros. De um modo geral, a poluição de qualquer tipo ocorrendo acima de um certo limiar, pode produzir 
uma área inabitável. Em níveis abaixos desse limiar, pode significativamente degradar a qualidade do habitat, 
a capacidade de carga e outros aspectos da função do ecossistema (Hamann et al. 2010). 
O alto índice de ocorrência de híbridos de Caretta caretta com Lepidochelys olivacea em Sergipe 
(Reis et al. 2010, Reis 2008), podem significar uma ameaça. No entanto não são compreendidas as causas e 
implicações deste fato e seu impacto na diversidade genética, taxonomia e conservação destas espécies.
 
Ações de Conservação
A espécie é totalmente protegida por instrumentos legais nacionais (Anexo 01), que proíbem todo 
e qualquer tipo de uso direto, além de prever medidas de proteção das áreas de desova. O táxon também 
faz parte do Anexo I do CITES do qual o Brasil é signatário. O país também participa da Convenção 
Interamericana para Conservação e Proteção das Tartarugas Marinhas (IAC).
No Brasil a Lepidochelys olivacea está protegida nas áreas costeiras e oceânicas nas seguintes Unidades 
da Federaração e Unidades de Conservação: Rio Grande do Norte – Reserva Biológica (REBIO) do Atol das 
Rocas, Área de Proteção Ambiental (APA) Estadual dos Recifes de Coral; Pernambuco – Parque Nacional 
(PARNA) Marinho de Fernando de Noronha; Alagoas – APA de Piaçabuçu, APA da Costa dos Corais (entre 
o litoral Sul pernambucano e Norte alagoano); Sergipe – REBIO de Santa Isabel, APA Estadual do litoral 
Norte e Litoral Sul; Bahia – APA Estadual Litoral Norte, APA Estadual da Plataforma Continental do Litoral 
Norte, Reserva Extrativista (RESEX) Marinha de Corumbau, PARNA Marinho de Abrolhos); Espírito Santo 
– REBIO de Comboios/ES.
Para a conservação da espécie, considera-se fundamental: 
•	 Dar	continuidade	às	atividades	de	educação	ambiental,	sensibilização	pública	e	desenvolvimento	
local, incluindo geração de emprego e renda, junto às comunidades costeiras onde a espécie 
ocorre;
•	 Manter	o	monitoramento	das	áreas	de	desova,	garantindo	a	proteção	dos	ninhos	in	situ,	filhotes	e	
fêmeas; 
•	 Manter	 e	 incrementar	 as	 atividades	 de	 pesquisa	 a	 longo	 prazo	 para	 avaliar	 as	 tendências	 das	
populações (crescimento, estabilidade, diminuição); 
•	 Identificar	as	áreas	de	alimentação	e	implementar	ações	de	conservação,	manejo	e	pesquisa	de	
longa duração;
•	 Desenvolver	e	implementar	tecnologia	para	minimizar	impactos	antropogênicos;
•	 Dar	 continuidade	 ao	 “Programa	 Interação	 Tartarugas	 e	 Pesca”	 para	 redução	 das	 capturas	
incidentais, com ênfase em:
•	 Estimular	 a	 gestão	 participativa	 nas	 comunidades	 pesqueiras	 para	 busca	 de	 soluções	 e	
alternativas de ordenamento;
•	 Realizar	levantamento	sobre	a	interação	com	as	pescarias	costeiras;
•	 Promover	a	revisão	da	legislação	que	obriga	o	uso	do	Dispositivo	Excluidor	de	Tartarugas	–	
TED.
•	 Manter	e	 incrementar	a	marcação	de	adultos	e	 juvenis,	para	determinação	das	áreas	de	uso	e	
deslocamento e biologia reprodutiva;
Número 1, pág. 34
Instituto Chico Mendes de Conservção da Biodiversidade
Número Temático: Avaliação do Estado de Conservação das Tartarugas Marinhas 
•	 Dar	continuidade	aos	estudos	genéticos	para	determinação	das	populações	(áreas	de	alimentação	
e desova);
•	 Fomentar	a	criação,	implantação	e	gestão	de	Unidades	de	Conservação	litorâneas	e	marinhas;	
•	 Desenvolver	e	implementar	medidas	mitigadoras	e	compensatórias,	nas	três	esferas	de	licenciamento,	
para os empreendimentos desenvolvidos na área de ocorrência do táxon.
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Número 1, pág. 36
Instituto Chico Mendes de Conservção da Biodiversidade
Número Temático: Avaliação do Estado de Conservação das Tartarugas Marinhas 
Ficha Técnica
Avaliação do estado de conservação da tartaruga marinha Lepidochelys olivacea (Eschscholtz, 1829) no Brasil.
Jaqueline Comin de Castilhos; César Augusto Coelho; Jamyle Freitas Argolo, Erik Allan Pinheiro dos Santos;
Maria Ângela Marcovaldi; Alexsandro Santana dos Santos & Milagros Lopez
Biodiversidade Brasileira, 2011, 1(1): 26-34. 
Número temático: Avaliação do Estado de Conservação das Tartarugas Marinhas no Brasil
Participantes da oficina de avaliação dos dados:
•	Alexsandro	Santana	dos	Santos	–	Fundação	Protamar	 •	Jaqueline	Comin	de	Castilhos	–	Fundação	Protamar
•	Amely	Branquinho	Martins	–	CPB/ICMBio	 •	Luciano	Soares	–	Fundação	Protamar
•	Antônio	de	Pádua	Almeida	–	TAMAR/ICMbio	 •	Maria	Ângela	Marcovaldi	–	TAMAR/ICMBio
•	Armando	Barsante	–	Fundação	Protamar	 •	Monica	Brick	Peres	–	COABIO/ICMBio
•	Danielle	Monteiro	–	NEMA	 •	Paulo	Barata	–	Pesquisador	–	FIOCRUZ
•	Gustavo	D.	Stahelin	–	Fundação	Protamar	 •	Yeda	Bataus	–	RAN/ICMBio
Local e data da oficina: Praia do Forte, BA, em 22 de setembro de 2009.
Fotos: TAMAR/ICMBio – Mapa: Rodrigo Ranulpho – Diagramação: Denys Márcio de Sousa
Wallace, B.P.; Dimatteo, A.D.; Hurley, B.J.; Finkbeiner, E.M.; Bolten, A.B.; Chaloupka, M.Y.; Hutchinson, B.J.; Abreu-
Grobois, F.A.; Amorocho, D.; Bjorndal, K.A.; Bourjea, J.; Bowen, B.W.; Dueñas, R.B.; Casale, P.; Choydhury, B.C.; 
Costa, A.; Dutton, P.H.; Fallabrino, A.; Girard, A.; Girondont, M.; Godfrey, M.H.; Hamann, M.; López-Mendilaharsu, 
M.; Marcovaldi, M.A.; Mortimer, J.A.; Musick, J.A.; Nel, R.; Pilcher, N.J.; Seminoff, J.A.; Troëng, S.; Witherington, B. 
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Número 1, pág. 37Dermochelys coriacea
Biodiversidade Brasileira (2011) Ano I, Nº 1, 37-44
Apresentação e Justificativa de 
Categorização
O estado de conservação da tartaruga marinha Dermochelys 
coriacea (Vandelli 1761) (Dermochelyidae) foi avaliado de acordo com 
os critérios da IUCN (2001), com base nos dados disponíveis até 2009. 
Síntese do processo de avaliação pode ser encontrada em Peres et al., 
neste número. A categoria proposta para o táxon é “Criticamente em 
Perigo (CR)” segundo o critério A2ab, ou seja, ameaçado, de acordo 
com informações sobre redução da população. 
A espécie Dermochelys coriacea é cosmopolita, ocorrendo nos 
oceanos tropicais e temperados de todo o mundo, chegando próximo 
de águas sub-árticas. Vive usualmente na zona oceânica durante a 
maior parte da vida. A única área regular de desova conhecida no 
Brasil situa-se no litoral norte do Espírito Santo.
A espécie apresenta ciclo de vida longo com maturação 
sexual entre 24,5 e 29 anos, valor estimado para a população que 
desova no Atlântico norte. É uma espécie altamente migratória. As 
fêmeas migram das áreas de alimentação e descanso para as áreas de 
reprodução, em deslocamentos que podem chegar até mais de 4.000 
km. São carnívoros, alimentando-se de zooplâncton gelatinoso, como 
celenterados, pyrossomos e salpas durante todo o ciclo de vida.
A principal ameaça para D. coriacea no passado foi a coleta de 
ovos e o abate de fêmeas, o que não acontece mais nas áreas principais 
de reprodução. Desde a implantação do Projeto TAMAR/ICMBio em 
1982, quando as desovas em numerosas praias passaram a estar 
protegidas, o desenvolvimento e a ocupação desordenada da zona 
costeira e a pesca artesanal e industrial aumentaram vertiginosamente 
– principalmente nos últimos 10-15 anos. As tartarugas-marinhas são 
capturadas incidentalmente em praticamente todas as pescarias no 
Brasil, com destaque para a alta mortalidade em rede de emalhe de 
deriva. 
Não existem dados quantitativos comprovados da abundância 
deste táxon para o período anterior ao levantamento realizado pelo 
TAMAR entre 1980-82, onde está registrada a interrupção do ciclo 
de vida desses animais em várias áreas visitadas, devido a um longo 
histórico de coleta de praticamente todos os ovos e abate de quase 
todas as fêmeas. Historicamente, a abundância destas populações era 
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Testudines
Família: Dermochelyidae
Nome popular
Tartaruga-gigante, tartaruga-
de-couro, careba-mole, careba-
gigante, tartaruga-de-leste, 
tartaruga-preta, tartaruga-
de-cerro, tartaruga-de-quilha 
(português); tortuga baula, 
tortuga laúd, tortuga siete 
quillas (espanhol); tortue luth 
(francês); leatherback (inglês)
Antônio de Pádua Almeida 1; João Carlos Alciati Thomé2; Cecilia Baptistotte2; Maria Angela Marcovaldi2; 
Alexsandro Santana dos Santos3; Milagros Lopez3
Estado de Conservação
Criticamente em perigo (CR) 
A2ab
Submetido em: 24 / 02 / 2010
Versão reformulada enviada em:
10 / 01 / 2011
Aceito em: 27 / 01 / 2011
Avaliação do Estado de Conservação da Tartaruga Marinha
Dermochelys coriacea (Vandelli, 1761) no Brasil
Afiliação
1 Reserva Biológica de Comboios/
ICMBio, Rodovia ES 440, Km 47 – 
Regência – Linhares/ES
2 Centro Nacional de Conservação 
e Manejo de Tartarugas Marinhas – 
TAMAR/ICMBio – Caixa Postal 2219 
– Rio Vermelho – CEP 41950-970 – 
Salvador/BA
3 Fundação Protamar – Rua Rubens 
Guelli, 134 – sl. 307 – Ed. Empresarial 
Itaigara – CEP 41815-135 – Salvador/BA
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enorme. A falta de perspectiva adequada para quantificação ou o uso de uma linha imaginaria de dados 
iniciais de abundância para o estudo de tendência populacional podem levar a uma interpretação errônea 
dos dados. Síndrome da mudança de referencial (“shifting baseline syndrome”) é como se conhece o uso 
de dados de tamanho da população que correspondem ao início das atividades dos pesquisadores e não da 
sua real abundância no passado (Bjorndal 1999). 
Características da estratégia de vida das tartarugas marinhas, como a maturação tardia e ciclo de vida 
longo, tornam a recuperação populacional muito lenta. É possível que os números de desovas observados 
até o presente não se mantenham no futuro, devido à ação das atuais ameaças sobre o estoque de juvenis 
a serem recrutados para a população reprodutiva. Além disso, os estudos de tendência de população não 
cobrem ainda um tempo geracional para este táxon.
As informações coletadas no levantamento inicial do TAMAR sugerem que o potencial de áreas de 
desova e de abundância nas áreas remanescentes seja maior do que a encontrada, sugerindo desaparecimento 
de desovas em várias destas áreas e, nas remanescentes, o declínio acentuado das populações. O TAMAR 
iniciou suas atividades apenas nas áreas remanescentes com concentração ainda significativa de desova. 
Mantém-se a categoria CR, pois a população brasileira está isolada. Não há possibilidade de migração 
de adultos de outras regiões para o Brasil: as tartarugas marinhas são conhecidas por sua alta filopatria 
(homing) – capacidade das fêmeas de voltarem para se reproduzir na praia onde nasceram, tornando 
praticamente impossível a recolonização das praias por fêmeas oriundas de outras populações. Também 
possui um número muito baixo de fêmeas (estimada entre 1 e 19) desovando a cada temporada reprodutiva 
e área de ocorrência reprodutiva prioritária atual restrita somente ao norte do Espírito Santo.
Distribuição Geográfica
A área conhecida com desovas regulares de D. coriacea situa-se no litoral norte do Espírito Santo, 
com relatos de desovas ocasionais no Rio Grande do Norte, Bahia, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio 
Grande do Sul (Soto et al. 1997, Barata & Fabiano 2002). Há registros de ocorrências reprodutivas no Piauí 
(Loebmann et al. 2008).
Existem registros de ocorrências de encalhes nos Estados do Maranhão (Santana et al. 2007), Pará 
(Cunha 1975, Figueiredo et al. 2008); Ceará (Lima & Evangelista 1997, Barata et al. 2004), Rio Grande do 
Norte (Sanches et al. 1999), Bahia (Barata et al. 2004), Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná 
(D’Amato 1991) e Rio Grande do Sul (Pinedo et al. 1998).
Fêmeas de D. coriacea marcadas no Gabão foram recapturadas ou encontradas mortas no Brasil e 
na Argentina, confirmando a primeira evidência de migração transatlântica de tartarugas que desovam no 
Atlântico leste para o Atlântico oeste (Billes et al. 2006).
Registros de captura incidental na pesca oceânica estão disponíveis para as costas Nordeste Sudeste 
e Sul, entre as latitudes 10°N e 35°N (Pinedo & Polacheck 2004, Giffoni et al. 2008, Sales et al. 2008). Ver 
Figura 1.
População
Para as tartarugas marinhas o número de ninhos é adotado como índice de abundância populacional 
(Meylan 1995). Não existem dados quantitativos comprovados da abundância deste táxon para o período 
anterior à implantação do Projeto TAMAR/ICMBio nas áreas principais de desova em 1982. O levantamento 
inicial realizado através de entrevistas com os pescadores ao longo do litoral entre os anos de 1980 e 1982 
constatou um histórico muito longo de exploração/uso direto. O depoimento mais freqüente descrevia um 
número de tartarugas muito maior, coleta de praticamente todos os ovos e matança de quase todas as 
fêmeas (Marcovaldi & Marcovaldi 1999). Relatos em algumas comunidades litorâneas nos primeiros anos 
de atuação do Projeto TAMAR-ICMBio indicavam que muitos moradores jamais tinham visto um filhote de 
tartaruga marinha (Marcovaldi & Albuquerque 1983). 
A população que desova no litoral norte do Espírito Santo é extremamentereduzida (6 a 92 ninhos 
por ano entre 1988-1989 e 2003-2004; 1 a 19 fêmeas por ano, considerando uma média de 5 ninhos por 
fêmea; Thomé et al. 2007, Banco de dados do Projeto TAMAR/SITAMAR).
Figura 1 – Distribuição geográfica da tartaruga marinha Dermochelys coriacea (Vandelli, 1761) no Brasil. Fonte: Banco 
de dados do TAMAR / SISTAMAR.
Número 1, pág. 40
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Número Temático: Avaliação do Estado de Conservação das Tartarugas Marinhas 
A população do Espírito Santo representa uma unidade genética distinta das demais populações 
conhecidas do Atlântico (Turtle Expert Working Group 2007; Vargas et al. 2008).
O Grupo de Especialistas de Tartarugas Marinhas (MTSG) da UICN, baseado em resultados de 
genética molecular, áreas de reprodução, resultados de marcação e recaptura, satélite telemetria, bem como 
aspectos da historia natural e biogeografia, definiu Unidades de Manejo Regional para D. coriacea. Unidades 
de Manejo Regionais referem-se às áreas ocupadas por populações funcionalmente independentes, com 
processos processos demográficos distintos (Wallace, 2010). O Brasil (incluindo praias, plataforma costeira e 
Zona Econômica Exclusiva) pertence à unidade de manejo do Atlântico Sul (Sudoeste e Sudeste).
Outras Informações Ecológicas
As tartarugas marinhas apresentam maturação tardia e ciclo de vida longo. Para a espécie Dermochelys 
coriacea, estimativas utilizando diferentes métodos apontam um período de maturação entre 24,5 e 29 anos 
(Avens et al. 2009). O sexo dos filhotes é influenciado pela temperatura de incubação dos ninhos (Rimblot 
et al. 1995). 
A ecologia reprodutiva da espécie varia nas diferentes bacias oceânicas (Wallace et al. 2006), com 
variações no intervalo de remigração, tamanho dos indivíduos e fertilidade. As populações do Atlântico 
apresentam indivíduos maiores, que depositam mais ovos a intervalos inter-sazonais menores do que nas 
outras regiões (Van Buskirk & Crowder 1994, Boulon et al. 1996, Reina et al. 2002, Dutton et al. 2005).
As fêmeas de D. coriacea que se reproduzem no Espírito Santo possuem comprimento curvilíneo da 
carapaça entre 139 e 182 cm, com média de 159,8 cm, e depositam em média 87,7 ovos viáveis, além de 
22,1 ovos menores, não-viáveis, por desova (Thomé et al. 2007). Desovas deste táxon concentram-se entre 
os meses de outubro e fevereiro (Thomé et al. 2007) e em uma mesma temporada reprodutiva as fêmeas 
podem realizar até 11 desovas (Boulon et al. 1996). O intervalo de remigração geralmente é entre dois e três 
anos (Thomé et al. 2007). No Espírito Santo, a média anual do sucesso de eclosão das desovas variou entre 
53,3% e 78,8% entre 1994-1995 e 2003-2004, e a média anual do período de incubação variou entre 61,5 
dias e 78,0 dias entre 1988-1989 e 2003-2004 (Thomé et al. 2007). 
A espécie realiza grandes deslocamentos transoceânicos (Eckert 2006, Eckert et al. 2006). Indivíduos 
de diferentes classes de tamanho são capturados na pesca oceânica monitorada no mar territorial e na zona 
econômica exclusiva do Brasil e em águas internacionais adjacentes, e subadultos e juvenis foram capturados 
principalmente na costa Nordeste (Sales et al. 2008). Fêmeas adultas marcadas no Gabão foram capturadas 
em áreas de pesca na costa Sul-Sudeste do Brasil (Billes et al. 2006). A quantidade de encalhes, avistagens no 
mar e capturas acidentais em atividades de pesca sugere, com base em cálculos demográficos, que as águas 
adjacentes à costa do Brasil são frequentadas não apenas por indivíduos que compõem a população que 
desova no Brasil, mas também por indivíduos de outras populações do Atlântico e talvez mesmo do Oceano 
Índico, uma vez que há comprovação, por meio de telemetria por satélite, de que indivíduos de D. coriacea 
que desovaram em praias do leste da África entraram depois no Atlântico (Barata et al. 2004).
Estudos de telemetria por satélite mostraram deslocamentos costeiros, das praias de desova no Espírito 
Santo até o estuário do rio da Prata e vice versa (Almeida et al. no prelo, López-Mendilaharsu et al. 2009). 
D. coriacea forrageia desde a superfície do oceano até grandes profundidades (Doyle et al. 2008). 
A dieta é composta por zooplâncton gelatinosos, como celenterados, pyrossomos e salpas (James & 
Herman 2001, Witt et al. 2007).
Ameaças
O aumento da atividade pesqueira nos últimos anos é considerado a principal ameaça para a 
população de D. coriacea (Sales et al. 2008). Há captura incidental em atividades de pesca, tanto em 
pesca costeira (principalmente redes de emalhe) quanto em pesca oceânica (redes de deriva, espinhéis 
de superfície) e indícios de captura em pesca de arrasto no sul do país. Uma pescaria oceânica de grande 
impacto para D. coriacea é a pescaria com redes de emalhe de deriva (malhão) direcionada principalmente 
à captura de tubarões-martelo, realizada de São Paulo ao Rio Grande do Sul por embarcações oriundas dos 
portos de São Paulo e Santa Catarina (Fiedler 2009, Sales et al. 2003).
Na pesca de emalhe de fundo oceânico na frota arrendada (barcos estrangeiros que são arrendados 
por uma empresa brasileira e assim conseguem permissão para pescar dentro da ZEE brasileira) foram 
Número 1, pág. 41Dermochelys coriacea
Biodiversidade Brasileira (2011) Ano I, Nº 1, 37-44
registradas capturas de D. coriacea, com mortalidade registrada de Santa Catarina a São Paulo (Contato 
et al. 2004). A pesca com espinhel pelágico para atuns, espadartes e cações captura D. coriacea na região 
oceânica de todo o Brasil, em águas internacionais adjacentes e na Elevação do Rio Grande, com alguma 
mortalidade registrada no momento das atividades de pesca (Sales et al. 2008). 
Em pescarias costeiras, é conhecida até o momento a captura incidental de D. coriacea em currais 
de pesca no Ceará; em redes de emalhe para lagosta nos estados do Ceará e Bahia; em redes de emalhe 
para peixes e no arrasto para camarão no Espírito Santo (Marcovaldi et al. 2006). Em Santa Catarina foram 
registradas capturas de D. coriacea na pescaria com cerco flutuante (Santos & Soto 2004). No Rio Grande 
do Sul observa-se a captura incidental no emalhe de fundo e arrasto (Nema 2006). De acordo com Thomé 
et al. (2007), a pesca artesanal de emalhe no entorno da foz do Rio Doce, no Espírito Santo (no entorno 
da área de desova naquele Estado), oferece risco significativo para D. coriacea, com registros de capturas 
acidentais. 
O impacto humano sobre os hábitats das tartarugas marinhas é reconhecido há décadas (Lutcavage 
et al. 1997), com os esforços para mitigação concentrados no ambiente terrestre. Apesar de progressos feitos 
na proteção e recuperação de ecossistemas marinhos em algumas áreas, impactos antropogênicos diretos 
ou indiretos continuam a ocorrer (Hamann et al. 2010). 
Os principais fatores ligados ao desenvolvimento costeiro desordenado e que causam um impacto 
negativo nas populações de tartarugas marinhas são: movimentação da areia da praia (extração de areia 
e aterros); fotopoluição; tráfego de veículos; presença humana nas praias; portos, ancoradouros e molhes; 
ocupação da orla (hotéis e condomínios); e a exploração (produção e distribuição) de óleo e gás.
No Brasil, não há comércio de ovos ou carne nas áreas de desova. Desde 1982 quando o Projeto 
TAMAR-ICMBio foi implantado no Norte do Espírito Santo, não houve registros de abate de fêmeas, mas há 
registros esporádicos de coleta de ovos, cerca de uma desova por ano.
Segundo Poloczanska et al. (2009), as tartarugas marinhas são geralmente vistas como vulneráveis 
às alterações climáticas devido ao papel que a temperatura desempenha na determinação do sexo dos 
embriões. O aumento da temperatura na ordem de 2° C pode causar a feminização de toda uma população. 
Além disto, por se tratar de espécies de natureza altamente migratórias, mudanças de disponibilidade de 
recursos alimentares, de circulação de correntes marinhas e ventos podem comprometer seu ciclo de vida 
longo e complexo.
Existem diferentesáreas visitadas, devido a um longo 
histórico de coleta de praticamente todos os ovos e abate de quase 
todas as fêmeas. Historicamente, a abundância destas populações era 
enorme. A falta de perspectiva adequada para quantificação ou o 
uso de uma linha imaginária de dados iniciais de abundância para o 
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Testudines
Família: Cheloniidae
Nome popular
Tartaruga-cabeçuda, careba-
dura, careba-amarela, 
tartaruga-amarela, tartaruga-
mestiça, tartaruga-avó, 
avó-de-aruanã (português); 
loggerhead turtle (inglês) 
tortuga cabezona, caguama, 
tortuga boba (espanhol); tortue 
caouanne (francês)
Alexsandro Santana dos Santos1, Luciano Soares e Soares1, Maria Ângela Marcovaldi2, Danielle da Silveira Monteiro3, 
Bruno Giffoni1 & Antônio de Pádua Almeida4
Estado de Conservação
Em perigo (EN) A2abcd
Submetido em: 24 / 02 / 2010
Versão reformulada enviada em:
10 / 01 / 2011
Aceito em: 27 / 01 / 2011
Avaliação do Estado de Conservação da Tartaruga Marinha
Caretta caretta Linnaeus, 1758 no Brasil
Afiliação
1 Fundação Protamar – Rua Rubens 
Guelli, 134 – sl. 307 – Ed. Empresarial 
Itaigara – CEP 41815-135 – Salvador/BA
2 Centro Nacional de Conservação 
e Manejo de Tartarugas Marinhas – 
TAMAR/ICMBio – Caixa Postal 2219 
– Rio Vermelho – CEP 41950-970 – 
Salvador/BA
3 NEMA – R. Maria Araujo, 450 – CEP 
96270-480, Cassino – Rio Grande/RS
4 Reserva Biológica de Comboios/
ICMBio, Rodovia ES 440, Km 47 – 
Regência – Linhares/ES
alex@tamar.org.br
Número 1, pág. 4
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Número Temático: Avaliação do Estado de Conservação das Tartarugas Marinhas 
estudo de tendência populacional podem levar a uma interpretação errônea. A (shifting baseline syndrome) 
síndrome da mudança de referencial, conhecida como o uso de dados de tamanho da população que 
correspondem ao início das atividades dos pesquisadores e não da sua real abundância no passado, pode 
levar a subestimativa da perda populacional (Bjorndal 1999). Considera-se que o índice de abundância 
populacional mais adequado para as tartarugas-marinhas seja o número de ninhos em cada temporada. 
Desta forma, o aumento no número de ninhos observado nos últimos anos representa um indício de 
aumento no tamanho populacional. No entanto, apesar de promissora, acredita-se que essa recuperação é 
insignificante em relação ao tamanho populacional no passado. 
Adicionalmente, a estratégia de vida das tartarugas marinhas, com características como a maturação 
tardia e ciclo de vida longo, tornam a recuperação muito lenta. É possível que os números de desovas 
observados até o presente não se mantenham no futuro, devido à ação das atuais ameaças sobre o estoque de 
juvenis a serem recrutados para a população reprodutiva. Além disso, os estudos de tendência populacional 
não cobrem ainda um período geracional para este táxon (estimado em no mínimo 46 anos). Portanto, 
a recuperação do número de adultos ou do tamanho populacional observado só poderá ser considerada 
consistente quando a série histórica de dados for mais longa, incluindo várias décadas. 
As informações coletadas no levantamento inicial do TAMAR sugerem um potencial de áreas de 
desova e de abundância nas áreas remanescentes maior do que a encontrada, indicando desaparecimento 
de desovas em várias destas áreas e, nas remanescentes, o declínio acentuado das populações. O TAMAR 
iniciou suas atividades apenas nas áreas remanescentes com concentração ainda significativa de desova. 
Mantém-se a categoria EN, pois além da população brasileira estar isolada, a principal área de 
ocorrência reprodutiva atual foi muito reduzida quando comparada à área no passado. A morte de indivíduos 
subadultos e adultos na região sul do Brasil e norte do Uruguai – inclusive de fêmeas marcadas em praias 
de desova brasileira – devido à pesca de arrasto de fundo também contribui para esta categorização. 
Não há possibilidade de migração de adultos de outras regiões para o Brasil: as tartarugas marinhas são 
conhecidas por sua alta filopatria (homing) – i.e. a capacidade das fêmeas de voltarem para se reproduzir 
na praia onde nasceram, tornando praticamente impossível a recolonização das praias por fêmeas oriundas 
de outras populações.
Distribuição Geográfica
A espécie Caretta caretta apresenta distribuição circunglobal (Dodd 1988). No Brasil, as áreas 
prioritárias de desova estão localizadas no norte da Bahia, Espírito Santo, norte do Rio de Janeiro e Sergipe 
e áreas secundárias ocorrem em alguns pontos dos litorais do Espírito Santo e sul da Bahia (Marcovaldi & 
Marcovaldi 1999 Marcovaldi & Chaloupka 2007, Figura 1). Desovas ocasionais foram registradas em Parati 
– RJ (Campos et al. 2004), litoral norte de São Paulo (Banco de Dados TAMAR/SITAMAR), Pontal do Peba 
– AL, litoral do Ceará, Pipa – RN (Banco de Dados TAMAR/SITAMAR), Santa Catarina (Soto et al. 1997) e 
Rio Grande do Sul (Nakashima et al. 2004).
Ocorrências de indivíduos em diferentes estágios de vida são registradas na costa de diversos estados 
do Brasil entre o Pará e o Rio Grande do Sul, em áreas costeiras ou oceânicas, o que é conhecido através 
da interação destes animais com a atividade pesqueira, encalhes ou estudos telemétricos (Banco de Dados 
TAMAR/SITAMAR, Pinedo et al. 1998, Sales et al. 2008, Reis et al. 2009a). Encalhes de C. caretta são 
relativamente raros com exceção do sul do Brasil (Marcovaldi & Chaloupka 2007), onde a maioria dos 
encalhes (cerca de 75%) é de indivíduos juvenis/subadultos com comprimento curvilíneo médio da carapaça 
de 74,3 cm (Monteiro 2004), o que sugere que o sul do Brasil pode ser uma importante área de alimentação 
para juvenis/subadultos de C. caretta (Marcovaldi & Chaloupka 2007). Existem registros de encalhes em 
praias do Uruguai e do Rio Grande do Sul de fêmeas marcadas na Bahia (Laporta & Lopez 2003) e no 
Espírito Santo (Almeida et al. 2000).
O monitoramento de oito fêmeas através de transmissores por satélite, durante a temporada 
2000/2001, no litoral do Espírito Santo, mostrou que estes animais migraram em direção ao sul e nordeste 
do Brasil ao longo da plataforma continental (Marcovaldi et al. 2009, Lemke et al. 2006). Os resultados 
obtidos em outro estudo de telemetria por satélite com 10 fêmeas durante a temporada reprodutiva 
2005/2006, no norte da Bahia, revelaram a existência de um corredor migratório ao longo de toda a 
costa Nordeste do Brasil, e áreas de alimentação e descanso na costa Norte, especialmente no Ceará 
(Marcovaldi et al. 2009, Marcovaldi et al. 2010).
Figura 1 – Distribuição geográfica da tartaruga marinha Caretta caretta Linnaeus, 1785 no Brasil. Fonte: Banco de da-
dos do TAMAR / SISTAMAR.
Número 1, pág. 6
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Número Temático: Avaliação do Estado de Conservação das Tartarugas Marinhas 
População
Para tartarugas marinhas, o número de ninhos é usualmente adotado como índice de abundância 
populacional (Meylan 1995).
Não existem dados quantitativos comprovados da abundância deste táxon para o período anterior à 
implantação do Projeto TAMAR/ICMBio nas áreas principais de desova, em 1982. O levantamento inicial 
realizado através de entrevistas com os pescadores ao longo do litoral entre os anos de 1980 e 1982 constatou 
um histórico muito longo de exploração/uso direto. O depoimento mais freqüente descrevia um número de 
tartarugas muito maior anteriormente, coleta de praticamente todos os ovos e matança de quase todas as 
fêmeas (Marcovaldi & Marcovaldi 1999). Relatos em algumas comunidades litorâneas nos primeiros anos 
de atuação do Projeto TAMAR-ICMBio indicavam que muitos moradores jamais tinham visto um filhote de 
tartaruga marinha (Marcovaldi & Albuquerque 1983). Atualmente são baixos os índices de coleta de ovos 
(menos de 2% dos ninhos a cada ano) (Banco de dados TAMAR/SITAMAR).
Caretta caretta é a espécie de tartaruga marinha com maior ocorrência de desovas nas praias 
continentais brasileiras (Marcovaldi & Chaloupkaformas de poluição que constituem uma ameaça para os habitats marinhos e 
terrestres das tartarugas marinhas que incluem som, temperatura, luz, plásticos, produtos químicos, efluentes 
e outros. De um modo geral, a poluição de qualquer tipo, ocorrendo acima de um certo limiar, pode produzir 
uma área inabitável. Em níveis abaixos desse limiar, pode significativamente degradar a qualidade do habitat, 
a capacidade de carga e outros aspectos da função do ecossistema (Hamann et al. 2010). 
 
Ações de Conservação
D. coriacea é totalmente protegida por instrumentos legais nacionais, que proíbem todo e qualquer 
tipo de uso direto além de prever medidas de proteção das áreas de desova. O táxon também faz parte do 
Anexo I do CITES do qual o Brasil é signatário. O país participa ainda da Convenção Interamericana para 
Conservação e Proteção das Tartarugas Marinhas (IAC).
A única Unidade de Conservação que protege a área de desova no Espírito Santo é a Reserva 
Biológica de Comboios – ES, de gestão federal.
Para a conservação da espécie, considera-se fundamental:
•	 Dar	continuidade	às	atividades	de	educação	ambiental,	sensibilização	pública	e	desenvolvimento	
local, incluindo geração de emprego e renda, junto às comunidades costeiras onde a espécie 
ocorre;
•	 Manter	o	monitoramento	das	áreas	de	desova,	garantindo	a	proteção	dos	ninhos	in situ, filhotes e 
fêmeas;
•	 Manter	 e	 incrementar	 as	 atividades	 de	 pesquisa	 a	 longo	 prazo	 para	 avaliar	 as	 tendências	 das	
populações (crescimento, estabilidade, diminuição);
•	 Identificar	as	áreas	de	alimentação	e	implementar	ações	de	conservação,	manejo	e	pesquisa	de	
longa duração;
•	 Desenvolver	e	implementar	tecnologia	para	minimizar	impactos	antropogênicos;
Número 1, pág. 42
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Número Temático: Avaliação do Estado de Conservação das Tartarugas Marinhas 
•	 Dar	 continuidade	 ao	 “Programa	 Interação	 Tartarugas	 e	 Pesca”	 para	 redução	 das	 capturas	
incidentais, com ênfase em:
•	 Estimular	 a	 gestão	 participativa	 nas	 comunidades	 pesqueiras	 para	 busca	 de	 soluções	 e	
alternativas e de ordenamento;
•	 Realizar	levantamento	sobre	a	interação	com	as	pescarias	costeiras;
•	 Manter	e	 incrementar	a	marcação	de	adultos	e	 juvenis,	para	determinação	das	áreas	de	uso	e	
deslocamento e biologia reprodutiva;
•	 Dar	continuidade	aos	estudos	genéticos	para	determinação	das	populações	(áreas	de	alimentação	
e desova);
•	 Fomentar	a	criação,	implantação	e	gestão	de	Unidades	de	Conservação	litorâneas	e	marinhas;
•	 Desenvolver	 e	 implementar	 medidas	 mitigadoras	 e	 compensatórias,	 nas	 três	 esferas	 de	
licenciamento, para os empreendimentos desenvolvidos na área de ocorrência do táxon.
Referências Bibliográficas
Almeida, A. P.; Eckert, S. A.; Bruno, S. C.; Scalfoni, J. T.; Giffoni, B. & Thomé, J. C. A. (No prelo). Satellite-tracked 
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Avens, L.; Taylor, J.C.; Goshe, L.R.; Jones, T.T. & Hastings, M. 2009. Use of skeletochronological analysis to estimate 
the age of leatherback sea turtles Dermochelys coriacea in the western North Atlantic. Endangered Species Research, 
8(3): 165-177. 
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Cabo, State of Rio de Janeiro, and a review of occasional leatherback nests in Brazil. Marine Turtle Newsletter, 96: 
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Barata, P.C.R.; Lima, E.H.S.M.; Borges-Martins, M.; Scalfoni, J.T.; Bellini, C. & Siciliano, S. 2004. Records of the 
leatherback sea turtle (Dermochelys coriacea) on the Brazilian coast, 1969–2001. Journal of the Marine Biological 
Association of the United Kingdom, 84: 1233–1240. 
Billes, A.; Fretey, J.; Verhage, B.; Huijbregts, B.; Giffoni, B.; Prosdocimi, L.; Albareda, D. A.; Georges, J.Y. & Tiwari, M. 
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Boulon, R.H.; Dutton, P. H.; Mcdonald, D.L. 1996. Leatherback turtles (Dermochelys coriacea) on St. Croix, US Virgin 
Islands: fifteen years of conservation. Chelonian Conservation and Biology, 2(2): 141–147.
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la Investigación y Conservación de Tortugas Marinas del Atlántico Sur Occidental. PRICTMA/ FVSA.
Cunha, O.R. 1975. Sobre a ocorrência da tartaruga de couro Dermochelys coriacea (Linnaeus, 1758) na foz do Rio 
Amazonas (Chelonia, Dermochelyidae). Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, Série Zoologia, 81: 1-18.
D’Amato, A.F. 1991. Ocorrência de tartarugas marinhas (Testudines: Cheloniidae, Dermochelyidae) no Estado do Paraná 
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Ficha Técnica
Avaliação do estado de conservação da tartaruga marinha Dermochelys coriacea (Vandelli, 1761) no Brasil.
Antônio de Pádua Almeida; João Carlos Alciati Thomé; Cecília Baptistotte; Maria Ângela Marcovaldi;
Alexsandro Santana dos Santos & Milagros Lopez.
Biodiversidade Brasileira, 2011, 1(1): 10-17. 
Número temático: Avaliação do Estado de Conservação das Tartarugas Marinhas no Brasil
Participantes da oficina de avaliação dos dados:
•	Alexsandro	Santana	dos	Santos	–	Fundação	Protamar	 •	Jaqueline	Comin	de	Castilhos	–	Fundação	Protamar
•	Amely	Branquinho	Martins	–	CPB/ICMBio	 •	Luciano	Soares	–	Fundação	Protamar
•	Antônio	de	Pádua	Almeida	–	TAMAR/ICMbio	 •	Maria	Ângela	Marcovaldi	–	TAMAR/ICMBio
•	Armando	Barsante	–	Fundação	Protamar	 •	Monica	Brick	Peres	–	COABIO/ICMBio
•	Danielle	Monteiro	–	NEMA	 •	Paulo	Barata	–	Pesquisador	–	FIOCRUZ
•	Gustavo	D.	Stahelin	–	Fundação	Protamar	 •	Yeda	Bataus	–	RAN/ICMBio
Local e data da oficina: Praia do Forte, BA, em 22 de setembro de 2009.
Fotos: TAMAR/ICMBio – Mapa: Rodrigo Ranulpho – Diagramação: Denys Márcio de Sousa
Número 1, pág. 45Número Temático: Avaliação do Estado de Conservação das Tartarugas Marinhas 
Biodiversidade Brasileira (2011) Ano I, Nº 1, 45-48
A biodiversidade é um bem comum essencial para a sobrevivência da humanidade na Terra. Seu valor 
intrínsecoe extrínseco tem sido amplamente reconhecido por governos e sociedade civil em diversos acordos 
internacionais. A perda de biodiversidade é uma das piores crises mundiais da atualidade com espécies e 
habitats diminuindo a uma taxa alarmante como mostrou a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas de 
Extinção de 2008 (Vié et al. 2009). Por isso a Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB) definiu para 
2020 metas claras de redução das taxas de extinção a nível mundial.
As listas de espécies ameaçadas de extinção ou Listas Vermelhas (“Red List”), tornaram-se mundial-
mente conhecidas através da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). Inicialmente 
elaboradas para mamíferos e aves, essas listas foram criadas para chamar a atenção para a necessidade 
de agir rápida e efetivamente em prol da conservação das espécies com maior risco de extinção em futuro 
próximo (Fitter & Fitter 1987). Avaliar o estado de conservação nada mais é do que estimar a probabilidade 
ou risco relativo de extinção de uma espécie ou subespécie. Além de apontar as espécies com maior urgência 
de ações de conservação, as avaliações podem gerar índices do estado de degeneração ou recuperação da 
biodiversidade por grupo taxonômico ou por região geográfica. Por isso, quando o objetivo é reduzir a taxa 
de extinção de espécies, a avaliação do estado de conservação é considerado o passo inicial e também o 
mais importante para planejar e priorizar recursos e ações (Mace & Lande 2001, Mace et al. 2008). 
Segundo estimativas de Lewinsohn & Prado (2005) o número total de espécies conhecidas no Brasil 
seria algo entre 170 e 210 mil, sendo 103-134 mil animais e 43-49 mil, plantas. Os vertebrados foram 
estimados em aproximadamente 7 mil espécies, sendo 541 mamíferos, 1.696 aves, 633 répteis, 687 anfíbios 
e 3.420 peixes, mas os autores acreditam que esses números devem ser bem maiores. Em 2011, os Centros 
Nacionais de Pesquisa e Conservação1 do Instituto Chico Mendes de Conservação de Biodiversidade 
(ICMBio/MMA) estimam que o Brasil abrigue algo em torno de 8.200 espécies descritas de vertebrados, 
sendo 713 mamíferos, 1.826 aves, 721 répteis, 875 anfíbios e aproximadamente 4.100 peixes (2.800 peixes 
continentais e 1.300 marinhos). Para as plantas, Lewinsohn & Prado (2005) estimaram entre 43 e 49 mil 
espécies descritas enquanto Forzza et al. (2010) publicaram a Lista de Espécies da Flora do Brasil com 
40.982 espécies. 
Monica Brick Peres1, Ugo Eichler Vercillo1, Braúlio Ferreira de Souza Dias2
Avaliação do Estado de Conservação da Fauna Brasileira 
e a Lista de Espécies Ameaçadas: o que significa, qual sua 
importância, como fazer?
Afiliação
1 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade/ICMBio, Coord. Geral de Espécies Ameaçadas/ CGESP. EQSW 
103/104 Bloco D, 1o. andar, Complexo Administrativo, Setor Sudoeste, Brasília/DF - CEP: 70.670-350
2 Ministério do Meio Ambiente/MMA, Secretaria de Biodiversidade e Florestas/SBF. Ed. Marie Prendi Cruz
SEPN 505 Norte, Bloco “B” 5 º andar sala 504, Brasília DF - CEP: 70.730-542 
Emails: Monica.Peres@icmbio.gov.br, Ugo.Vercillo@icmbio.gov.br, Braulio.Dias@mma.gov.br
1 Centros Nacionais de Pesquisa e Conservação do ICMBio: TAMAR (de Tartarugas Marinhas); CMA (de Mamíferos Aquáticos); CEMAVE 
(de Aves Silvestres); CENAP (de Mamíferos Carnívoros); CEPTA (de Peixes Continentais); CPB (de Primatas Brasileiros); CECAV (de 
Cavernas); CECAT (da Biodiversidade do Cerrado e Caatinga); CEPAM (de Biodiversidade Amazônica); RAN (de Répteis e Anfíbios)
Número 1, pág. 46
Instituto Chico Mendes de Conservção da Biodiversidade
Número Temático: Avaliação do Estado de Conservação das Tartarugas Marinhas 
Esses números mostram que a biodiversidade brasileira é definitivamente um patrimônio natural 
imensurável, e o Estado Brasileiro reconhece o valor e a importância desse patrimônio. A Constituição 
Federal estabelece a obrigatoriedade de conservar espécies e suas funções ecológicas quando incube o 
poder público de “proteger a fauna e a flora, vedadas... as práticas que coloquem em risco sua função 
ecológica, e provoquem a extinção de espécies...”. Esse princípio constitucional tem sido regulamentado por 
diversas normas legais, mas em especial pela Lei de Crimes Ambientais2. 
As Listas Nacionais de Espécies Ameaçadas de Extinção no Brasil3, publicadas pelo Ministério do 
Meio Ambiente (MMA) são uma das ferramenta mais importante de conservação porque estabelecem 
proteção legal imediata para qualquer espécie listada, funcionando como marco legal guarda-chuva com 
diversas implicações para o país. Por isso, a definição das espécies que constam nas Listas Oficiais é uma 
decisão de governo que deve estar calçada em três aspectos fundamentais: os aspectos ecológicos, os sociais 
e os econômicos. Enquanto o processo de avaliação do estado de conservação da biodiversidade analisa os 
aspectos relacionados ao risco de extinção biológica de cada espécie em relação às suas principais ameaças, 
os aspectos socioeconômicos são analisados na Comissão Nacional de Biodiversidade (CONABIO), um 
colegiado paritário entre representantes de governo e da sociedade civil organizada. Diante de todas as 
informações disponibilizadas, cabe ao Ministro de Estado de Meio Ambiente publicar a(s) Lista(s) Nacional(is) 
da Fauna Ameaça de Extinção.
Com a criação do ICMBio, órgão executor do MMA, foi-lhe delegada a atribuição legal4 de identificar 
as espécies ameaçadas, elaborar e implementar os seus planos de ação ou recuperação. Com isso, a 
Coordenação Geral de Espécies Ameaçadas da Diretoria de Conservação da Biodiversidade (CGESP/DIBIO/
ICMBio) estabeleceu uma estratégia de conservação da fauna brasileira que começa com as Avaliações que 
não só definem o risco de extinção, mas também produzem informações sobre taxonomia, distribuição 
geográfica, tendências populacionais, biologia reprodutiva, longevidade, principais ameaças, tipos de uso, 
áreas críticas e ações para conservação (ver os cinco artigos sobre as tartarugas marinhas neste número – 
Almeida et al. 2011a,b, Castilhos et al. 2011; Marcovaldi et al. 2011, Santos et al. 2011). Esse conjunto de 
informações permite identificar as áreas críticas e as medidas necessárias para conservação de grupos de 
espécies, ecossistemas ou regiões para combater ou mitigar os principais impactos.
Nesse novo desenho, o planejamento e implantação do trabalho de avaliação no ICMBio estão 
sendo conduzidos por uma Coordenação Setorial criada especialmente para isso, a Coordenação de 
Avaliação do Estado de Conservação da Biodiversidade (COABio/CGESP/DIBIO/ICMBio). Para apoiar a 
COABIO nesta tarefa, cada um dos dez Centros de Pesquisa e Conservação do ICMBio coordenará as 
avaliações de um ou mais grupos da fauna brasileira, executando e dando suporte logístico ao trabalho de 
uma rede de especialistas. Dessa forma, estão sendo diretamente envolvidos nesse trabalho centenas de 
especialistas das principais Instituições de Pesquisa e Ensino, das Sociedades Científicas e de Organizações 
Não Governamentais. 
As avaliações dos vertebrados estão sendo organizadas por recortes taxonômicos - ordens ou 
famílias, e incluirão todas as espécies descritas com ocorrência no Brasil. Pelo grande número de espécies, 
a avaliação dos invertebrados está sendo conduzida para alguns grupos que cumprem pelo menos um 
dos seguintes critérios: grupos especialmente vulneráveis, com alto endemismo, indicadores de qualidade 
ambiental ou com espécies sob exploração comercial direta. Todas as avaliações estão sendo organizadas 
como um processo regular e contínuo em cada recorte, com procedimentos metodológicos e administrativos 
padronizados e documentados, com vários mecanismos para viabilizar a ampla participação de especialistas 
e utilizando a versão 3.1 das categorias e critérios da UICN (UICN 2001). 
O sistema desenvolvido pela UICN é a metodologia mais aceita e testada mundialmente. Ela éreconhecidamente objetiva, aplicável para uma ampla variedade de grupos e ambientes, razoavelmente 
rigorosa e defensável cientificamente e, em geral, produz resultados replicáveis independente do avaliador 
2 Artigo no. 29 da Lei Federal no. 9.605, de 12/02/1998. Dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e 
atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências.
3 Instrução Normativa no. 3 de 2003; Instrução Normativa no. 5 de 2004; Instrução Normativa no. 52 de 2005, todas do MMA.
4 Portaria Conjunta MMA/ICMBio no. 316, de 09/09/2009. Define os instrumentos de implementação da Política Nacional da 
Biodiversidade voltados para a conservação e recuperação de espécies ameaçadas de extinção sob responsabilidade do Instituto Chico 
Mendes de Conservação da Biodiversidade.
Número 1, pág. 47Número Temático: Avaliação do Estado de Conservação das Tartarugas Marinhas 
Biodiversidade Brasileira (2011) Ano I, Nº 1, 45-48
(Vié et al. 2009, UICN 2010). Esse sistema foi desenvolvido para avaliar espécies na escala global mas 
pode ser utilizado em escala nacional com as devidas adaptações (UICN 2003). Nessa última, cada espécie 
pode ser avaliada em uma das seguintes categorias: Extinta (EX); Extinta na Natureza (EW); Regionalmente 
Extinta (RE); Criticamente em Perigo (CR), Em Perigo (EN), Vulnerável (VU), Quase Ameaçada (NT), 
Menor Preocupação (LC), Dados Insuficientes (DD), baseando-se em uma série de critérios quantitativos 
relacionados às tendências populacionais, tamanho e estrutura populacional, e distribuição geográfica (UICN 
2010). Para a UICN, as categorias VU, EN e CR representam, respectivamente, níveis crescentes de risco 
de extinção em escalas de tempo cada vez menores, e as espécies classificadas em qualquer uma delas são 
consideradas “ameaçadas” (Mace & Lande 1991).
 De uma forma geral as avaliações de cada espécie passam por 3 etapas básicas: Preparação, 
Avaliação e Validação. A Preparação compreende todas as etapas de compilação de informações para 
cada espécie e incluem revisões bibliográficas, consultas diretas a especialistas e consultas às Sociedades 
Científicas Organizadas. O conjunto das melhores informações disponíveis e os mapas de distribuição de 
cada espécie são levados para subsidiar as categorizações, definidas em plenária pelos especialistas de 
várias áreas do conhecimento. Essas Avaliações são submetidas à Validação como artigos científicos em um 
sistema de revisão por pares (“peer-review”), duplo cego, através da publicação na revista Biodiversidade 
Brasileira, estruturada pela Coordenação Geral de Pesquisa/DIBIO/ICMBio. Cada artigo é revisado por pelo 
menos dois pesquisadores com larga experiência na aplicação de categorias e critérios, e preferencialmente 
com envolvimento ativo em grupos de especialistas da UICN, mas em geral com sua experiência em grupos 
taxonômicos diferentes dos que estão sendo validados. Esse processo de Validação visa garantir clareza das 
informações apresentadas, consistência e coerência da aplicação dos critérios e também a padronização e 
rigor da aplicação da metodologia utilizada entre os grupos taxonômicos a médio e longo prazos.
 Para fortalecer e qualificar a execução deste processo, foi celebrada a parceria do ICMBio com a 
UICN por meio de um Termo de Reciprocidade assinado em 2010. De forma prática a parceria se dá desde 
2008 através da participação ativa de especialistas UICN nas avaliações nacionais ou através de avaliações 
efetivamente conjuntas. Nesse último caso, a avaliação global sob responsabilidade da UICN e a avaliação 
nacional ocorrem concomitantemente, com especialistas brasileiros e estrangeiros trabalhando nas informações 
de cada espécie. As reuniões presenciais de especialistas são também conjuntas e realizadas no Brasil. Esse 
formato tem qualificado ambas as avaliações pela eficiência do aporte de dados e pela troca de experiências 
entre especialistas, mas especialmente pela padronização metodológica que esse trabalho conjunto vem 
permitindo. Outro aspecto especialmente importante das avaliações conjuntas é garantir que espécies 
endêmicas brasileiras possam estar nas mesmas categorias de risco na avaliação global e na nacional.
Esse trabalho depende fundamentalmente da disponibilidade dos especialistas para sintetizar o 
conhecimento coletivo atual acerca do estado de cada espécie, produzindo as melhores e mais confiáveis 
avaliações possíveis. O trabalho e a dedicação dos Coordenadores de Táxon, que são os coordenadores 
científicos de cada grupo taxonômico, assim como o trabalho anônimo dos revisores junto à revista 
Biodiversidade Brasileira têm sido absolutamente fundamentais. Sem o compromisso e o entusiasmo de 
centenas de pesquisadores, sem sua experiência de campo muitas vezes não publicada e sem o tempo 
dedicado a esse trabalho, nada disso seria possível. Com isso, esperamos estar contribuindo para que o país 
possa usar com sabedoria uma das suas maiores riquezas, a fauna brasileira.
Agradecimentos
Os autores agradecem a Rosana Junqueira Subirá pela revisão do manuscrito.
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registrados no Brasil cerca de 6.800 ninhos (Banco de Dados TAMAR/SITAMAR) distribuídos em 639 km de 
praias. Para os estados da Bahia e Espírito Santo, onde ocorrem mais de 75% das desovas de C. caretta no 
Brasil, observa-se um aumento no número de ninhos desde 1988, com taxa de 6,4% ao ano para a Bahia 
e de 1,9% para o Espírito Santo (Marcovaldi & Chaloupka 2007). Entretanto, há elevada captura incidental 
na pescaria de espinhel pelágico de indivíduos juvenis (Sales et al. 2008, Monteiro 2008), principalmente no 
talude da região sul e Elevação do Rio Grande.
Devido a características bioecológicas das tartarugas marinhas, tais como ciclo de vida longo e 
complexo, maturação tardia estimada entre 25 e 35 anos (Chaloupka & Musick 1997), comportamento 
altamente migratório com utilização de uma grande área geográfica (o que inclui normalmente mais de um 
país) e múltiplos habitats (Bjorndal 1997), somente uma série histórica de dados de no mínimo 20 a 25 anos 
pode fornecer uma indicação confiável de tendência populacional para as tartarugas marinhas (Chaloupka 
et al. 2008).
As fêmeas migram das áreas de alimentação e descanso para as áreas de reprodução, em deslocamentos 
que, confirmados por telemetria por satélite, podem chegar a mais de 1500 km (Marcovaldi et al. 2010). O 
filhote, após deixar a praia ao nascer, atinge o ambiente oceânico e raramente é visto novamente até um 
estágio de tamanho juvenil (Bolten 2003). Os juvenis podem compartilhar algumas áreas utilizadas pelos 
adultos (Kopitsky et al. 2000) até a maturidade sexual ser atingida (Musick & Limpus 1997). Como as demais 
espécies de tartarugas marinhas, as fêmeas de C. caretta possuem alta filopatria, ou seja, voltam, quando 
adultas, para desovar na praia em que nasceram, o que torna extremamente improvável o recrutamento de 
outras populações para ocupar o nicho deixado por uma população extinta.
Em um estudo genético com 125 indivíduos juvenis, 59,5% pertenciam à população brasileira e os 
demais a outras populações (Marcovaldi & Chaloupka 2007, Reis et al. 2009b). Estudos recentes de genética, 
baseados em DNA mitocondrial, mostram que a população brasileira é distinta das demais populações 
conhecidas no mundo, e se divide em duas sub-populações: nordeste (praias da Bahia e Sergipe) e sudeste 
(praias do Rio de Janeiro e Espírito Santo). Há ocorrência de alto índice de hibridismo para o táxon com 
Lepidochelys olivacea em Sergipe (Reis et al. 2009b) e com Eretmochelys imbricata (Lara-Ruiz et al. 2006) na 
Bahia. Soares (2005) e Reis et al. (2009a), ao analisarem imaturos capturados incidentalmente na pescaria 
com espinhel pelágico em alto mar, identificaram indivíduos de diferentes populações, incluindo Brasil, 
Atlântico Norte, Mediterrâneo e Oceano Indo- Pacífico.
O Grupo de Especialistas de Tartarugas Marinhas (MTSG) da UICN, com base em resultados de 
genética molecular, áreas de reprodução, resultados de marcação e recaptura, satélite telemetria, bem como 
aspectos da história natural e biogeografia, definiu um conjunto de Unidades de Manejo Regional para 
C. caretta. Unidades de Manejo Regionais referem-se às áreas ocupadas por populações funcionalmente 
independentes, com processos demográficos distintos (Wallace 2010). O Brasil (incluindo praias, plataforma 
costeira e Zona Econômica Exclusiva) pertence à unidade de manejo do Atlântico Sudoeste.
Outras Informações Ecológicas
A determinação sexual nas tartarugas marinhas, inclusive nas C. caretta, depende da temperatura na 
qual os ovos são incubados – temperaturas mais altas produzem fêmeas e mais baixas, machos (Marcovaldi 
Número 1, pág. 7Caretta caretta
Biodiversidade Brasileira (2011) Ano I, Nº 1, 3-11
et al. 1997). Para C. caretta as praias de desova localizadas no estado do Espírito Santo apresentam uma 
proporção de filhotes machos (entre 29,5 a 46,5% dos filhotes nascidos) maior do que nos estados da Bahia 
e Sergipe, que produzem quase que exclusivamente fêmeas (89,3 a 100 %) (Marcovaldi et al. 1997). Este 
estudo ainda não foi aplicado às praias do estado do Rio de Janeiro, porém dados de tempo de incubação 
(Banco de Dados TAMAR/SITAMAR) apontam para um tempo médio semelhante ao do estado do Espírito 
Santo, sugerindo possivelmente proporção de machos semelhante.
No Brasil, a estação reprodutiva estende-se do final de agosto ao final de fevereiro, com pico das 
desovas entre outubro e dezembro (Marcovaldi & Laurent 1996). Para algumas populações deste táxon 
conhecidas em outros países, as fêmeas desovam em intervalos de um a nove anos (Dodd 1988), com 
média de dois anos e meio a três anos (Schroeder et al. 2003) e realizam de uma a sete desovas em uma 
mesma estação reprodutiva (Bjorndal 1997). Este tipo de dados não são ainda conhecidos para o Brasil.
Áreas de alimentação para C. caretta imaturas e adultas na fase nerítica são essencialmente a 
plataforma continental (Hopkins-Murphy et al. 2003). Shoop & Kenney (1992) observaram que indivíduos 
de C. caretta tendem a permanecer em profundidades menores de 200 m, sendo observadas geralmente 
em profundidades inferiores a 60 m. Esta espécie apresenta uma dieta carnívora durante toda a sua vida 
(Bjorndal 1997). Nos estágios iniciais e de juvenil são epipelágicas e habitam zonas oceânicas, se alimentando 
na maior parte do tempo nos cinco primeiros metros da coluna d’água, já em estágios de subadulto e adulto 
se tornam neríticas e se alimentam principalmente no fundo (Bolten 2003).
No Rio Grande do Sul, a dieta dos indivíduos de C. caretta na fase oceânica (comprimento curvo 
da carapaça (CCC) médio de 57 cm) foi composta principalmente por salpas, representando cerca de 
70% do volume da dieta. Já os animais neríticos, com CCC médio de 70,7 cm se alimentam sobre a 
plataforma interna do Rio Grande do Sul, com dieta bentônica composta principalmente por crustáceos, 
que representaram 55% do volume da dieta. Moluscos e peixes também ocorrem na dieta, sendo os peixes 
provavelmente provenientes do descarte de pesca (Barros et al. 2009, Barros et al. no prelo).
Nos meses de primavera e verão são freqüentes os encalhes de C. caretta nas praias do Rio Grande do 
Sul. De 1995 a 2003 foram observados 295 indivíduos (Monteiro 2004). A partir de 2004 tem-se observado 
um aumento nos encalhes de C. caretta no litoral sul e médio do Rio Grande do Sul. Entre 2004 e 2008 foram 
registrados 1195 indivíduos de C. caretta mortos nas praias, com média de 239 animais/ano (Banco de Dados/
NEMA). Os dados dos encalhes, associados às informações da dieta e de captura incidental na pesca sugerem 
que o Rio Grande do Sul é uma área de extrema importância para a conservação do táxon no Brasil.
A partir de análises genéticas foi observado que todos os indivíduos juvenis e subadultos analisados 
em estudo realizado por Caraccio et al. (2008) na pescaria de arrasto de parelha no estuário do Rio da Prata 
(n = 14) pertencem à população do Brasil.
Ameaças
O aumento da atividade pesqueira nos últimos anos é considerado a principal ameaça para a 
população deste táxon, atingindo diretamente a população de juvenis (Sales et al. 2008) e também de 
subadultos e adultos que se alimentam na plataforma continental do Rio Grande do Sul (Monteiro 2004). 
O esforço da pesca industrial tem aumentado desde 2001, tanto na quantidade de cruzeiros como no 
número de anzóis (Sales et al. 2008). Embora tenha havido capturas de C. caretta em todas as latitudes 
entre 10° N e 40° S, a maior parte das capturas se concentraram na região sul (≥20° S; Sales et al. 2008). 
Apesar de haver capturas de adultos, 95,5% dos registros correspondem a animais menores que 70 cm de 
comprimento de casco (N = 624; Sales et al. 2008). Em comparação com o Atlântico Norte, as capturas 
pelo espinhel pelágico no Sul/Sudeste brasileiro são consideradas mais altas (Sales et al. 2008). A pesca com 
espinhel pelágico para atuns, espadartes e cações, captura C. caretta na região oceânica de todo o Brasil,principalmente nas regiões sudeste e sul e em águas internacionais adjacentes (Sales et al. 2008). A Elevação 
do Rio Grande, localizada cerca de 1100 km a leste da costa do sul do Brasil, e a região do talude entre o 
Uruguai e Santa Catarina, locais conhecidos de elevada captura incidental de juvenis tardios e subadultos 
de C. caretta (Sales et al. 2008, Monteiro 2008, Giffoni et al. 2008) sugerem que estes são importantes 
habitats oceânicos de desenvolvimento para imaturos de C. caretta no Atlântico Sul (Marcovaldi et al. 2006). 
Capturas de C. caretta também ocorrem: na pescaria com espinhel de superfície (boiado) direcionada à 
captura de dourados, realizada principalmente no sudeste do Brasil (Leite-Jr. et al. 2005); em redes de 
emalhe de deriva (malhão) direcionada principalmente à captura de tubarões-martelo, realizada de São 
Paulo ao Rio Grande do Sul.
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Instituto Chico Mendes de Conservção da Biodiversidade
Número Temático: Avaliação do Estado de Conservação das Tartarugas Marinhas 
Em pescarias costeiras, é conhecida até o momento a captura incidental de C. caretta em currais 
de pesca no Ceará; em redes de emalhe para lagosta nos estados do Ceará, Sergipe e Bahia; em redes de 
emalhe para peixes nos estados do Ceará, Sergipe, Bahia, Espírito Santo e Rio de Janeiro; no arrasto para 
camarão nos estados de Sergipe, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo e no cerco flutuante em 
São Paulo (Marcovaldi et al. 2006). No Rio Grande do Sul observa-se a captura incidental no emalhe de 
fundo e arrasto (Nema 2006) e no emalhe de superfície (malhão) (Monteiro et al. 2005), das quais a captura 
incidental no arrasto é provavelmente a maior ameaça para indivíduos imaturos e maduros de C. caretta na 
fase nerítica que estão se alimentando na plataforma continental (Danielle Monteiro, com. pessoal). 
O impacto humano sobre os habitats das tartarugas marinhas é reconhecido há décadas (Lutcavage 
et al. 1997), com os esforços para mitigação concentrados no ambiente terrestre. Apesar de progressos feitos 
na proteção e recuperação de ecossistemas marinhos em algumas áreas, impactos antropogênicos diretos 
ou indiretos continuam a ocorrer (Hamann et al. 2010). 
Os principais fatores ligados ao desenvolvimento costeiro desordenado e que causam um impacto 
negativo nas populações de tartarugas marinhas são: movimentação da areia da praia (extração de areia 
e aterros); fotopoluição; tráfego de veículos; presença humana nas praias; portos, ancoradouros e molhes; 
ocupação da orla (hotéis e condomínios); e a exploração (produção e distribuição) de óleo e gás.
Segundo Poloczanska et al. 2009, as tartarugas marinhas são geralmente vistas como vulneráveis 
às alterações climáticas devido ao papel que a temperatura desempenha na determinação do sexo dos 
embriões. O aumento da temperatura na ordem de 2 ° C pode causar a feminização de toda uma população. 
Além disto, por se tratar de espécies de natureza altamente migratórias, mudanças de disponibilidade de 
recursos alimentares, de circulação de correntes marinhas e ventos podem comprometer seu ciclo de vida 
longo e complexo.
Existem diferentes formas de poluição que constituem uma ameaça para os habitats marinhos e 
terrestres das tartarugas marinhas, que incluem som, temperatura, luz, plásticos, produtos químicos, efluentes 
e outros. De um modo geral, a poluição de qualquer tipo, ocorrendo acima de um certo limiar, pode produzir 
uma área inabitável. Em níveis abaixos desse limiar, pode significativamente degradar a qualidade do habitat, 
a capacidade de carga e outros aspectos da função do ecossistema (Hamann et al. 2010). 
O alto índice de ocorrência de híbridos de Caretta caretta com Lepidochelys olivacea em Sergipe (Reis 
et al. 2009b) e Eretmochelys imbricata na Bahia (Lara-Ruiz et al. 2006), podem significar uma ameaça. No 
entanto, não são compreendidas as causas e implicações deste fato e seu impacto na diversidade genética, 
taxonomia e conservação destas espécies (Lara-Ruiz et al. 2006, Reis et al. 2009b), sendo necessário um 
estudo ao longo prazo dos possíveis efeitos desse fenômeno na viabilidade dessas populações.
Ações de Conservação
A espécie é totalmente protegida por instrumentos legais nacionais, que proíbem todo e qualquer 
tipo de uso direto além de prever medidas de proteção das áreas de desova. O táxon também faz parte do 
Anexo I do CITES do qual o Brasil é signatário. O país também participa da Convenção Interamericana para 
Conservação e Proteção das Tartarugas Marinhas (IAC).
O litoral brasileiro abriga indivíduos provenientes de diferentes populações do mundo, dando 
dimensões globais à conservação da espécie no Brasil (Reis et al. 2009b). 
O táxon está presente nas seguintes unidades da federação e unidades de conservação: Rio Grande 
do Norte (Reserva Biológica do Atol das Rocas, Área de Proteção Ambiental Estadual dos Recifes de Coral); 
Pernambuco (Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha); Alagoas (Área de Proteção Ambiental 
de Piaçabuçu, Área de Proteção Ambiental da Costa dos Corais entre o litoral Sul pernambucano e Norte 
alagoano); Sergipe (Reserva Biológica de Santa Isabel, Área de Proteção Ambiental Estadual do Litoral 
Norte e Litoral Sul); Bahia (Área de Proteção Ambiental Estadual Litoral Norte, Área de Proteção Ambiental 
Estadual da Plataforma Continental do Litoral Norte, Reserva Extrativista Marinha de Corumbau, Parque 
Nacional Marinho de Abrolhos); Espírito Santo (Reserva Biológica de Comboios/ES).
Para a conservação da espécie, considera-se fundamental:
• Dar continuidade às atividades de educação ambiental, sensibilização pública e desenvolvimento 
local, incluindo geração de emprego e renda, junto às comunidades costeiras onde a espécie ocorre;
• Manter o monitoramento das áreas de desova, garantindo a proteção dos ninhos in situ, filhotes e 
fêmeas; 
Número 1, pág. 9Caretta caretta
Biodiversidade Brasileira (2011) Ano I, Nº 1, 3-11
• Manter e incrementar as atividades de pesquisa ao longo prazo para avaliar as tendências das 
populações (crescimento, estabilidade, diminuição); 
• Identificar as áreas de alimentação e implementar ações de conservação, manejo e pesquisa de 
longa duração;
• Desenvolver e implementar tecnologia para minimizar impactos antropogênicos;
• Dar continuidade ao “Programa Interação Tartarugas e Pesca” para redução das capturas incidentais, 
com ênfase em:
• Estimular a gestão participativa nas comunidades pesqueiras para busca de soluções e alternativas 
e de ordenamento;
• Realizar levantamento sobre a interação com as pescarias costeiras;
• Promover a revisão da legislação que obriga o uso do Dispositivo Excluidor de Tartarugas – TED 
• Manter e incrementar a marcação de adultos e juvenis, para determinação das áreas de uso e 
deslocamento e biologia reprodutiva;
• Dar continuidade aos estudos genéticos para determinação das populações (áreas de alimentação 
e desova);
• Fomentar a criação, implantação e gestão de Unidades de Conservação litorâneas e marinhas; 
• Desenvolver e implementar medidas mitigadoras e compensatórias, nas três esferas de licenciamento, 
para os empreendimentos desenvolvidos na área de ocorrência do táxon.
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Ficha Técnica
Avaliação do estado de conservação da tartaruga marinha Caretta caretta Linnaeus, 1758 no Brasil.
Alexsandro Santana dos Santos; Luciano Soares e Soares; Maria Ângela Marcovaldi; Danielle da Silveira Monteiro; 
Bruno Giffoni & Antonio de Pádua Almeida
Biodiversidade Brasileira, 2011, 1(1): 1-9. 
Número temático: Avaliação do Estado de Conservação das Tartarugas Marinhas no Brasil
Participantes da oficina de avaliação dos dados:
• Alexsandro Santana dos Santos – Fundação Protamar • Jaqueline Comin de Castilhos – Fundação Protamar
• Amely Branquinho Martins – CPB/ICMBio • Luciano Soares – Fundação Protamar
• Antonio de Pádua Almeida – TAMAR/ICMbio • Maria Ângela Marcovaldi – TAMAR/ICMBio
• Armando Barsante – Fundação Protamar • Monica Brick Peres – COABIO/ICMBio
• Danielle Monteiro – NEMA • Paulo Barata – Pesquisador – FIOCRUZ
• Gustavo D. Stahelin – Fundação Protamar • Yeda Bataus – RAN/ICMBio
Local e data da oficina: Praia do Forte, BA, em 22 de setembro de 2009
Fotos: TAMAR/ICMBio – Mapa: Rodrigo Ranulpho – Diagramação: Denys Márcio de Sousa
Número 1, pág. 12
Instituto Chico Mendes de Conservção da Biodiversidade
Número Temático: Avaliação do Estado de Conservação das Tartarugas Marinhas 
Apresentação e Justificativa de 
Categorização
O estado de conservação da tartaruga marinha Chelonia 
mydas (Linnaeus, 1758) (Cheloniidae) foi avaliado de acordo com os 
critérios da IUCN (2001), com base nos dados disponíveis até 2009. 
Síntese do processo de avaliação pode ser encontrada em Peres et 
al., neste número. A categoria proposta para o táxon é “Vulnerável 
(VU)” segundo o critério A2ab, ou seja, ameaçado, de acordo com 
informações sobre redução da população.
A espécie Chelonia mydas possui distribuição cosmopolita, 
desde os trópicos até as zonas temperadas, sendo a espécie de tartaruga 
marinha que apresenta hábitos mais costeiros, utilizando inclusive 
estuários de rios e lagos. As desovas ocorrem principalmente nas ilhas 
oceânicas, Ilha da Trindade (ES), Atol das Rocas (RN) e Fernando 
de Noronha (PE). Na costa brasileira, áreas de desova secundárias 
ocorrem no litoral norte do estado da Bahia. Esporadicamente 
ocorrem também ninhos nos estados do Espírito Santo, Sergipe e Rio 
Grande do Norte. Ocorrências não reprodutivas são registradas em 
toda a costa do Brasil e também nas ilhas.
Este táxon apresenta ciclo de vida longo, com maturação sexual 
entre 26 e 40 anos. É altamente migratório. As fêmeas migram das áreas
de alimentação e descanso para as áreas de reprodução, em desloca-
mentos que podem chegar a mais de 1500 km. São onívoros nos primeiros 
anos de vida e depois adotam dieta exclusivamente herbívora.
Pelo fato das áreas prioritárias de reprodução estarem localizadas 
em ilhas oceânicas isoladas, C. mydas sofreu menor impacto de 
predação sobre ovos e fêmeas que outras espécies, e estas áreas de 
desova não estão sujeitas à ocupação desordenada da zona costeira. 
Esta espécie apresenta o maior número de indivíduos juvenis mortos 
encalhados ao longo da costa brasileira em decorrência do aumento 
da pesca costeira de emalhe.
Não existem dados quantitativos comprovados da abundância 
deste táxon para o período anterior ao levantamento realizado pelo 
TAMAR entre 1980-82, onde está registrada a interrupção do ciclo 
de vida desses animais em várias áreas visitadas, devido a um longo 
histórico de coleta de praticamente todos os ovos e abate de quase 
todas as fêmeas. Historicamente, a abundância destas populações era 
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Testudines
Família: Cheloniidae
Nome popular
Tartaruga-verde, aruanã, 
tartaruga-do-mar, depéia, 
jereba, suçuarana, tartaruga-
pedrês (português), green 
turtle (inglês), tortuga verde 
(espanhol)
Antônio de Pádua Almeida1; Armando José Barsante Santos2; João Carlos Alciatti Thomé3; Claudio Belini3; Cecilia 
Baptistotte3; Maria Ângela Marcovaldi3; Alexsandro Santana dos Santos2 & Milagros Lopez2
Estado de Conservação
Vulnerável (VU) A2ab
Submetido em: 24 / 02 / 2010
Versão reformulada enviada em:
10 / 01 / 2011
Aceito em: 27 / 01 / 2011
Avaliação do Estado de Conservação da Tartaruga Marinha
Chelonia mydas (Linnaeus, 1758) no Brasil
Afiliação
1 Reserva Biológica de Comboios/
ICMBio, Rodovia ES 440, Km 47 – 
Regência – Linhares/ES
2 Fundação Protamar – Rua Rubens 
Guelli, 134 – sl. 307 – Ed. Empresarial 
Itaigara – CEP 41815-135 – Salvador/BA
3 Centro Nacional de Conservação 
e Manejo de Tartarugas Marinhas – 
TAMAR/ICMBio – Caixa Postal 2219 
– Rio Vermelho – CEP 41950-970 – 
Salvador/BA
alex@tamar.org.br
Número 1, pág. 13Chelonia mydas
Biodiversidade Brasileira (2011) Ano I, Nº 1, 12-19
enorme. A falta de perspectiva adequada para quantificação ou o uso de uma linha imaginaria de dados 
iniciais de abundância para o estudo de tendência populacional podem levar a uma interpretação errônea 
destas análises. A síndrome damudança de referencial (shifting baseline syndrome) é conhecida como o uso 
de dados de tamanho da população que correspondem ao inicio das atividades dos pesquisadores e não da 
sua real abundância no passado, o que pode levar a subestimativa da perda populacional (Bjorndal 1999).
 Considera-se que o índice de abundância populacional mais adequado para as tartarugas marinhas 
seja o número de ninhos em cada temporada. A espécie vem mantendo um número estável de ninhos 
ao longo dos últimos anos. Adicionalmente, algumas características da estratégia de vida das tartarugas 
marinhas como a maturação tardia e ciclo de vida longo tornam a recuperação muito lenta. É possível que 
os números de desovas observados até o presente não se mantenham no futuro, devido à ação das atuais 
ameaças sobre o estoque de juvenis a serem recrutados para a população reprodutiva. Além disso, os estudos 
de tendência de população não cobrem um tempo geracional para este táxon (estimado em no mínimo 35,5 
anos). Portanto, a manutenção do número de ninhos ou do tamanho populacional observado só poderá ser 
considerada consistente quando a série histórica de dados for mais longa, incluindo várias décadas. 
Mantém-se a categoria VU, pois a população brasileira está isolada, não havendo a possibilidade 
de migração de adultos de outras regiões para o Brasil: as tartarugas marinhas são conhecidas por sua 
alta filopatria (homing) – capacidade das fêmeas de voltarem para se reproduzir na praia onde nasceram, 
tornando praticamente impossível a recolonização das praias por fêmeas oriundas de outras populações. O 
táxon apresenta alta mortalidade de juvenis por captura incidental em pescarias costeiras ao longo de toda 
a costa brasileira.
Distribuição Geográfica
A espécie Chelonia mydas possui distribuição cosmopolita, desde os trópicos até as zonas temperadas, 
sendo a espécie de tartaruga marinha que apresenta hábitos mais costeiros, utilizando inclusive estuários de 
rios e lagos (Hirth 1997).
No Brasil, as áreas prioritárias de desova estão localizadas em ilhas oceânicas: Ilha da Trindade 
(Estado do Espírito Santo, Moreira et al. 1995), Atol das Rocas (Estado do Rio Grande do Norte, Bellini et al. 
1996, Grossman et al. 2003) e Fernando de Noronha (Estado de Pernambuco, Bellini & Sanches 1996). Na 
costa brasileira, áreas de desova secundárias ocorrem no litoral norte do estado da Bahia. Esporadicamente, 
ocorrem ninhos nos estados do Espírito Santo, Sergipe e Rio Grande do Norte (Figura 1). 
Apesar das áreas reprodutivas com informação disponível se limitarem aos estados descritos acima, 
as ocorrências não reprodutivas, sobretudo de indivíduos em estágio juvenil, se distribuem ao longo de toda 
a costa, inclusive com recaptura de indivíduos juvenis marcados em águas brasileiras e recapturados em 
outros países (D`Amato 1991, Marcovaldi & Marcovaldi 1999, Marcovaldi et al. 2000, Mascarenhas et al. 
2005, Gallo et al. 2006, Barros et al. 2007, Meurer et al. 2007, Sales et al. 2007, Proietti et al. 2009, Torezani 
no prelo) e também das ilhas oceânicas.
A conexão entre as tartarugas-verdes no Brasil e da Ilha de Ascencion, Reino Unido (uma das maiores 
agregações reprodutivas no Oceano Atlântico, Mortimer & Carr 1987) é amplamente descrita na literatura, 
através de marcação e recaptura (Mortimer & Carr 1987), telemetria (Hays et al. 2001) e genética de 
populações (Naro-Maciel et. al. 2007).
População
Para as tartarugas marinhas, o número de ninhos é adotado como índice de abundância populacional 
(Meylan 1995).
Não existem dados quantitativos comprovados da abundância deste táxon para o período anterior à 
implantação do Projeto TAMAR/ICMBio nas áreas principais de desova, em 1982. O levantamento inicial 
realizado através de entrevistas com os pescadores ao longo do litoral entre os anos de 1980 e 1982, 
constatou um histórico muito longo de exploração/uso direto. O depoimento mais freqüente descrevia um 
número de tartarugas muito maior, coleta de praticamente todos os ovos e matança de quase todas as 
fêmeas (Marcovaldi & Marcovaldi 1999). Relatos em algumas comunidades litorâneas nos primeiros anos 
de atuação do Projeto TAMAR-ICMBio indicavam que muitos moradores jamais tinham visto um filhote de 
tartaruga marinha (Marcovaldi & Albuquerque 1983). 
Figura 1 – Distribuição geográfica da tartaruga marinha Chelonia mydas (Linnaeus, 1758) no Brasil. Fonte: Banco de 
dados do TAMAR / SISTAMAR.
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Biodiversidade Brasileira (2011) Ano I, Nº 1, 12-19
Na temporada reprodutiva 2008/2009 foram registradas 2.961 desovas na Ilha de Trindade e 55 desovas 
em Fernando de Noronha. Em Atol das Rocas não houve atividades de monitoramento naquela temporada, 
mas na temporada 2007/2008 foram registradas 474 desovas (Banco de Dados TAMAR/SITAMAR).
As tartarugas-verdes agregam-se nas áreas de reprodução e se espalham pelas áreas de alimentação, 
podendo haver em uma mesma área indivíduos de estoques genéticos diferentes. Estudos genéticos realizados 
em dois pontos da costa brasileira (Almofala, CE e Ubatuba, SP) indicam a presença de haplótipos do Atol 
das Rocas, Ilha da Trindade, Ilha de Ascencion, África, México, Costa Rica e Suriname (Naro-Maciel et al. 
2007). Para as áreas de desova, os estudos indicam estrutura populacional significativamente distinta entre 
a ilha de Trindade e Fernando de Noronha/Atol das Rocas (Bjorndal et al. 2006).
Entre as ocorrências não reprodutivas registradas pelo Projeto TAMAR/ICMBio no Brasil, a grande 
predominância é da espécie C. mydas (Marcovaldi et al. 2009). 
O Grupo de Especialistas de Tartarugas Marinhas (MTSG) da UICN, com base em resultados de 
genética molecular, áreas de reprodução, resultados de marcação e recaptura, satélite telemetria, bem como 
aspectos da historia natural e biogeografia, definiu Unidades de Manejo Regional para C. mydas. Unidades de 
Manejo Regionais referem-se às áreas ocupadas por populações funcionalmente independentes, possuidoras 
de processos demográficos distintos (Wallace 2010). O Brasil (incluindo praias, plataforma costeira e Zona 
Econômica Exclusiva) pertence à unidade de manejo do Atlântico Sudoeste.
Outras Informações Ecológicas
As tartarugas marinhas, em geral, apresentam maturação tardia e ciclo de vida longo, e podem levar 
mais de uma década para atingir a maturidade sexual, podendo demorar de 40 a 60 anos para voltarem 
à mesma praia de nascimento para reproduzir pela primeira vez (Balaz 1982, Bjorndal & Zug 1995). O 
período de três gerações ultrapassa os 100 anos (Seminoff 2004).
Nos primeiros anos de vida, C. mydas apresenta uma dieta onívora, com tendência carnívora 
(Bjorndal 1997). Após a fase pelágica, com carapaça entre 30 e 40 cm de comprimento (Balazs 1995), 
torna-se herbívora, com uma dieta principalmente de macroalgas e fanerógamas (Mortimer 1992). Como 
é de ampla distribuição, as preferências alimentares podem variar de acordo com disponibilidade em cada 
área (herbivoria).
Habita áreas neríticas, associadas a bancos de fanerógamas submersas e algas durante a fase imatura 
pós-fase pelágica e também na fase adulta (Bugoni et al. 2003). Ao atingirem a maturidade sexual, realizam 
migrações buscando as áreas de reprodução. Os adultos se agregam nas áreas reprodutivas e espalham-se 
durante os períodos não reprodutivos, podendo haver em uma mesma área de alimentação indivíduos de 
estoques genéticos mistos (Naro-Maciel et al. 2007, Proietti et al. 2009).
A atividade reprodutiva das tartarugas verdes no Brasil é semelhante entre as colônias que nidificam 
no Atol Rocas, Fernando de Noronha e na Ilha de Trindade, iniciando em dezembro e prolongando-se até 
maio ou início de junho (Grossman 2001, Bellini & Sanches 1996, Bellini et al. 1996, Moreira et al. 1995). 
As fêmeas que desovam no Atol das Rocas e Trindade apresentam comprimento curvilíneo da carapaça 
(CCC) médio de 115,6 cm. Em cada desova depositam uma média de 122 a 125 ovos e o intervalo de 
remigração mais freqüenteobservado para estas populações é de 3 anos (Grossman 2001, Moreira 2003).
A determinação sexual nas tartarugas marinhas depende da temperatura em que os ovos são 
incubados – temperaturas mais altas produzem fêmeas e mais baixas, machos (Marcovaldi et al. 1997). 
Para essa espécie a temperatura pivotal (na qual são produzidos 50 % de filhotes machos e 50% de filhotes 
fêmeas) no Brasil não é conhecida.
Ameaças
O aumento da atividade pesqueira nos últimos anos é considerado a principal ameaça para a 
população de C. mydas, atingindo diretamente a população de juvenis (Sales et al. 2008), principalmente as 
atividades de pesca costeira (em especial as redes de emalhe em fundos irregulares), com poucos registros 
de ocorrência em pescarias oceânicas (espinhel de superficie) (Monteiro et al. 2005, Silva 2006, Gallo et al. 
2006, Sales et al. 2008, Marcovaldi et al. 2009). Há indícios de consumo e comércio da carne no litoral do 
Ceará (Eduardo Lima, com. pessoal).
Número 1, pág. 16
Instituto Chico Mendes de Conservção da Biodiversidade
Número Temático: Avaliação do Estado de Conservação das Tartarugas Marinhas 
O impacto humano sobre os habitats das tartarugas marinhas é reconhecido há décadas (Lutcavage 
et al. 1997), com os esforços para mitigação concentrados no ambiente terrestre. Apesar de progressos feitos 
na proteção e recuperação de ecossistemas marinhos em algumas áreas, impactos antropogênicos diretos 
ou indiretos continuam a ocorrer (Hamann et al. 2010). 
Os principais fatores ligados ao desenvolvimento costeiro desordenado e que causam um impacto 
negativo nas populações de tartarugas marinhas são: movimentação da areia da praia (extração de areia 
e aterros); fotopoluição; tráfego de veículos; presença humana nas praias; portos, ancoradouros e molhes; 
ocupação da orla (hotéis e condomínios); e a exploração (produção e distribuição) de óleo e gás.
Segundo Poloczanska et al. (2009), as tartarugas marinhas são geralmente vistas como vulneráveis 
às alterações climáticas devido ao papel que a temperatura desempenha na determinação do sexo dos 
embriões. O aumento da temperatura na ordem de 2° C pode causar a feminização de toda uma população. 
Além disto, por se tratarem de espécies de natureza altamente migratórias, mudanças de disponibilidade de 
recursos alimentares, de circulação de correntes marinhas e ventos podem comprometer seu ciclo de vida 
longo e complexo.
Existem diferentes formas de poluição que constituem uma ameaça para os habitats marinhos e 
terrestres das tartarugas marinhas, que incluem som, temperatura, luz, plásticos, produtos químicos, efluentes 
e outros. De um modo geral, a poluição de qualquer tipo, ocorrendo acima de um certo limiar, pode produzir 
uma área inabitável. Em níveis abaixos desse limiar, pode significativamente degradar a qualidade do habitat, 
a capacidade de carga e outros aspectos da função do ecossistema (Hamann et al. 2010). 
A fibropapilomatose é uma doença de origem infecciosa, debilitante, que pode levar à morte, e se 
caracteriza por múltiplas massas de tumores cutâneos variando de 0,1 cm a mais de 30 cm de diâmetro 
(TAMAR 2005). No Brasil, foram registrados tumores em 15,41% dos 8359 indivíduos de C. mydas 
examinados pelo Projeto TAMAR entre os anos de 2000 e 2005 (Baptistotte et al. 2005, Baptistotte 2007).
 
Ações de Conservação
As principais áreas de desova de C. mydas estão protegidas por Unidades de Conservação Federais 
(Reserva Biológica do Atol das Rocas e Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha) e uma Municipal 
(Trindade/ ES, que também é área militar da Marinha).
Este táxon é protegido por leis nacionais que proíbem o uso de qualquer parte do animal ou produto 
derivado do mesmo e protegem seu habitat. O Brasil é signatário da Convenção sobre Comércio Internacional 
de Espécies Ameaçadas da Flora e Fauna Silvestres de Extinção – CITES e signatário da IAC (Convenção 
Interamericana para a Proteção e Conservação das Tartarugas Marinhas).
Para a conservação da espécie, considera-se fundamental:
•	 Dar	 continuidade	às	atividades	de	educação	ambiental,	 sensibilização	pública	e	desenvolvimento	
local, incluindo geração de emprego e renda, junto às comunidades costeiras onde a espécie ocorre;
•	 Manter	o	monitoramento	das	áreas	de	desova,	garantindo	a	proteção	dos	ninhos	in	situ,	filhotes	
e fêmeas; 
•	 Manter	 e	 incrementar	 as	 atividades	 de	 pesquisa	 a	 longo	 prazo	 para	 avaliar	 as	 tendências	 das	
populações (crescimento, estabilidade, diminuição); 
•	 Identificar	as	áreas	de	alimentação	e	implementar	ações	de	conservação,	manejo	e	pesquisa	de	
longa duração;
•	 Desenvolver	e	implementar	tecnologia	para	minimizar	impactos	antropogênicos;
•	 Dar	continuidade	ao	“Programa	Interação	Tartarugas	e	Pesca”	para	redução	das	capturas	incidentais,	
com ênfase em:
•	 Estimular	a	gestão	participativa	nas	comunidades	pesqueiras	para	busca	de	soluções	alternativas	
e de ordenamento;
•	 Realizar	levantamento	sobre	a	interação	com	as	pescarias	costeiras;
•	 Manter	e	 incrementar	a	marcação	de	adultos	e	 juvenis,	para	determinação	das	áreas	de	uso	e	
deslocamento e biologia reprodutiva;
•	 Dar	continuidade	aos	estudos	genéticos	para	determinação	das	populações	(áreas	de	alimentação	
e desova);
•	 Fomentar	a	criação,	implantação	e	gestão	de	Unidades	de	Conservação	litorâneas	e	marinhas;	
•	 Desenvolver	e	implementar	medidas	mitigadoras	e	compensatórias,	nas	três	esferas	de	licenciamento,	
para os empreendimentos desenvolvidos na área de ocorrência do táxon.
Número 1, pág. 17Chelonia mydas
Biodiversidade Brasileira (2011) Ano I, Nº 1, 12-19
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Número 1, pág. 19Chelonia mydas
Biodiversidade Brasileira (2011) Ano I, Nº 1, 12-19
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M.; Marcovaldi, M.A.; Mortimer, J.A.;

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