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METABOLISMO AMINOÁCIDOS, PEPTÍDEOS E PROTEÍNAS As proteínas são as biomoléculas mais abundantes nos seres vivos e são responsáveis por controlar praticamente todos os processos que ocorrem em uma célula. Estas são constituídas por cadeias de aminoácidos unidos por ligações peptídicas ➢ Todas as proteínas dos organismos vivos são formadas através da combinação de 20 aminoácidos Cada aminoácido (exceto a glicina), o carbono alfa está ligado a quatro grupos diferentes: um grupo carboxila -COOH, um grupo amino -NH2 (exceto a prolina que possui um grupo imino), um grupo R (também chamado de cadeia lateral, sendo diferente para cada aminoácido) e um átomo de hidrogênio. O posicionamento central do carbono faz com que haja uma assimetria que permite a existência de isômeros. Ou seja, amesma fórmula molecular mas com orientação espacial diferente. ● Essa propriedade, dá a molécula atividade óptica, assim, podem desviar o plano de luz polarizada (mudar a direção da luz que passa através dela) ● Isômeros que não se sobrepõem são chamados enantiômeros (como uma mão esquerda e uma mão direita) ➢ As moléculas enantioméricas podem ser do tipo D (dextrorrotatorios) ou L (levorrotatórios) ● Todos os seres vivos que conhecemos até o momento possuem somente os isômeros L dos aminoácidos, no entanto, pode ser encontrado D-aminoácidos em paredes celulares bacterianas ou em alguns antibióticos peptídicos O pH influencia o modo como os aminoácidos se comporta: ● Em soluções neutras, o grupo carboxila se ioniza doando seus prótons até atingir o pK, no qual haverá o mesmo número de aminoácidos com suas carboxilas na forma protonada (associada) e não protonada (dissociada) - efeito tamponante ● Em pH ácido, o aminoácido está na sua forma catiônica, ou seja, tanto o grupamento amino quanto o carboxila se encontram protonados (NH3+ e -COOH) - comportado-se como uma base (ganhando prótons) ● Em pH alcalino, o grupo carboxila de todas as moléculas de aminoácidos se apresentaram na forma dissociada (doando seus prótons) Em pH fisiológico, o grupo amino (NH2) permanece protonado (ganhou H+) como NH3+ e o grupo carboxila (COOH) desprotonado (COO-)(perdeu H+), resultando em uma molécula que possui cargas opostas, mas continua sendo uma molécula neutra – forma zwitteriônica AMINOÁCIDOS PODEM SER CLASSIFICADOS PELO GRUPO R A cadeia lateral determina como os aminoácidos vão se comportar nas reações bioquímicas e como influenciam a estrutura e função das proteínas 01. GRUPOS R APOLARES E HIDROFÓBICOS Alanina, valina, leucina, isoleucina, glicina, metionina (contém enxofre, com isso. participa da estrutura de sítios ativos em enzimas) e prolina (possui uma cadeia lateral alifática, que devido a estrutura rígida, reduz a flexibilidade da região onde está presente) Compostos principalmente de hidrocarbonetos (constituídos por átomos de carbono e hidrogênio), sendo incapazes de formar interações com a água. Essas cadeias ficam interiorizadas na molécula ➢ Apresentam hidrocarbonetos saturados como cadeias laterais (átomos de C e H, contendo apenas ligações simples). 02. GRUPOS R AROMÁTICOS (fenilalanina, tirosina e triptofano) Cadeias laterais contendo anéis benzênicos (estrutura cíclicas formada por átomos de carbono que contém ligações duplas conjugadas). responsáveis pela absorção da luz ultravioleta, apesar de serem relativamente apolares, eles podem participar de interações hidrofóbicas A absorção de luz ultravioleta explica a forte absorbância de luz com comprimento de onda de 280 nm da maior parte das proteínas 03. POLARES NEUTROS (serina, treonina, cisteína, metionina, asparagina e glutamina) Contêm em suas cadeias laterais grupos que formam ligações de hidrogênio com a água, podendo ser hidroxila (serina e treonina) ou amida (asparagina e glutamina) em suas cadeias laterais. Estes não apresentam carga, mas podem formar pontes de hidrogênio com outros resíduos ou solventes. ABSORÇÃO DE LUZ PORMOLÉCULAS Muitas moléculas absorvem a luz em comprimentos de onda específicos. A medida da absorção de luz por um espectrofotômetro é utilizada para detectar e identificar moléculas e para determinar suas concentrações em solução. Quando a luz passa por uma solução, parte dela é absorvida pela substância presente e o restante é transmitido. Quando duas moléculas de cisteína estão próximas uma da outra pode ocorrer uma ligação dissulfeto - o produto dessa reação é a cistina Os resíduos ligados por ligações dissulfeto são fortemente hidrofóbicos (apolares), 04. CARREGADOS NEGATIVAMENTE (aspartato e glutamato) Possui nas cadeias laterais, grupos com carga elétrica líquida ou grupos com cargas residuais negativas, que os capacitam a interagir com a água. São geralmente encontrados na superfície da molécula. 05. CARREGADOS POSITIVAMENTE (lisina, arginina e histidina) Possui nas cadeias laterais, grupos com carga elétrica líquida ou grupos com cargas residuais positivas, que os capacitam a interagir com a água. São geralmente encontrados na superfície da molécula. AMINOÁCIDOS INCOMUNS EM PROTEÍNAS Algumas proteínas contêm aminoácidos incomuns formados por modificação de resíduos após a sua síntese. Entre eles, destacam-se: Ácido y-carboxiglutâmico - aminoácido ligado ao cálcio, encontrado na protrombina (uma proteína da cascata de coagulação sanguínea) Hidroxiprolina e hidroxilisina - são produtos da hidroxilação da prolina e lisina (componentes estruturais do colágeno) AMINOÁCIDOS BIOLOGICAMENTE ATIVOS Além da função primária de constituir as proteínas, os aminoácidos podem ser responsáveis por atuar como: Mensageiros - a glicina, GABA (ácido y-aminobutírico derivado do glutamato), serotonina e melatonina (derivados do triptofano) atuam como neurotransmissores (liberados de uma célula que influenciam outras células vizinhas) enquanto a tiroxina e o ácido indolacético (derivado do triptofano) são exemplos de hormônios Precursores de moléculas complexas como as bases nitrogenadas dos nucleotídeos, o heme e a clorofila Intermediários metabólicos - como a arginina, citrulina e ornitina encontrados no ciclo da ureia PEPTÍDEOS SÃO CADEIAS DE AMINOÁCIDOS O tripeptídeo glutationa (GSH) no qual o grupo y-carboxílico participa da ligação peptídica e não o a-carboxílico. Encontrado em quase todos os organismos, a glutationa está envolvida em diferentes processos, tais como, síntese de proteínas e DNA, transporte de aminoácidos e metabolismo de fármacos e substâncias tóxicas. A glutationa também atua como agente redutor e protege as células dos efeitos destrutivos da oxidação por reação com substâncias como o peróxido, que são metabólitos reativos do O2. - Nos eritrócitos. quando o ferro da hemoglobina é oxidado (passa da forma ferrosa Fe2+ para a forma férrica Fe3+), resulta na formação de metahemoglobina, forma incapaz de se ligar ao oxigênio, em níveis elevados, a presença de metemoglobina pode reduzir a capacidade do sangue de transportar oxigênio, levando a uma condição conhecida como metahemoglobinemia. - A glutationa protege contra a formação de metahemoglobina pela redução do peróxido de hidrogênio (H2O2) que é gerado durante o metabolismo normal das células. catalisada pela enzima glutationa−peroxidase. A enzima y-glutamil-transpeptidase (GGT) desempenha um papel fundamental no metabolismo da glutationa, presente em altas concentrações no fígado. quando há uma lesão ou doença hepática, os níveis da GGT na circulação é aumentada, tornando-se um marcador sensível em disfunções hepáticas. PROTEÍNAS Muitas proteínas contém apenas resíduos de aminoácidos enquanto outras podem estar associadas a outros componentes químicos inorgânicos permanentes, chamados de grupo prostético ESTRUTURA DE PROTEÍNAS As proteínas são diferenciadas funcionalmente de acordo com a sua estrutura - a estrutura das proteínas são descrita em níveis de complexidade sendo: ESTRUTURA PRIMÁRIA - cadeia linear de aminoácidos ligados covalentemente entre si entre o grupo α−COOH de um aminoácido com o grupo α−NH2 de outro, com a remoção daágua, para formar ligações peptídicas. - Após incorporação dos peptídeos, os aminoácidos individuais são denominados resíduos de aminoácidos. A estrutura que contém dois resíduos de aminoácidos é chamada dipeptídeo; com três aminoácidos tripeptídeo, etc. Quando um grande número de aminoácidos estão unidos dessa forma, o produto é denominado polipeptídeo. Por convenção, diz que as proteínas são formadas através da ligação de mais de 100 aminoácidos. - A estrutura primária da proteína (a sequência de aminoácidos) determina a forma que ela adquirirá na estrutura terciária. ESTRUTURA SECUNDÁRIA - arranjo local da cadeia polipeptídica em padrões como hélices (estrutura) ou folha beta (cadeias polipeptídicas alinhadas lado a lado) – estabilizadas por ligações de hidrogênio formadas entre o oxigenio da carboxila e o hidrogenio do grupo amino adjacente - As pontes de hidrogênio são essenciais para a estabilização da estrutura, mesmo sendo relativamente fracas a presença de muitas pontes ao longo da cadeia da uma grande estabilidade Hélice as pontes de hidrogênio se formam entre o grupo C=O de uma ligação peptídica e o grupo N-H de outra ligação peptídica de um resíduo que está quatro posições à frente - As cadeias laterais R dos aminoácidos projetam-se para fora da hélice. Folha B-Pregueada As ligações de hidrogênio se formam entre diferentes cadeias polipeptídicas adjacentes. As cadeias laterais se projetam alternadamente acima e abaixo do plano da folha. A folha-beta é formada pela presença de aminoácidos como prolina e hidroxiprolina ESTRUTURA TERCIÁRIA - Conformação tridimensional que uma cadeia polipeptídica adquire quando está enovelada (dobrada), sendo biologicamente ativa (funcional). O dobramento das proteínas resulta em uma estrutura compacta, onde o interior da proteína é hidrofóbico e o exterior é hidrofílico, permitindo interações com o meio aquoso. Isso também permite que as cadeias laterais polares e não polares interajam entre si, criando uma estabilidade estrutural. Algumas proteínas são organizadas em várias regiões compactas chamadas domínios, esses domínios são unidades funcionais, formadas por 30 a 400 resíduos que apresentam funções específicas estabilização da estrutura terciária 01. interações hidrofóbicas - interação não covalente que ocorre entre as cadeias laterais hidrofóbicas a fim de minimizar seus contatos com a água, quando circundados por moléculas de água, os grupos hidrofóbicos são induzidos a se juntarem para ocupar o menor volume possível 02. interações eletrostáticas (ligações iônicas/pontes salinas) - associação de dois grupos iônicos de cargas opostas 03. ponte dissulfeto - ocorre entre resíduos de cisteína, mais especificamente entre o grupo sulfidrilo (-SH), quando duas moléculas de cisteína se aproximam, cada uma delas perde seus átomos de hidrogênio e forma uma ponte dissulfeto. Essa reação de oxidação resulta na formação de uma nova molécula chamada cistina. Essa ligação é responsável pela estabilização da estrutura tridimensional única interação covalente presente na estrutura terciária. No meio extracelular, essas ligações protegem parcialmente a estrutura das proteínas de modificações adversas de pH e das concentrações de sais. 04. pontes de hidrogênio 05. forças de Van der Waals - força de atração que ocorre quando há a formação de um dipolo induzido temporário ESTRUTURA QUATERNÁRIA - É a interação entre várias cadeias polipeptídicas que se unem para formar uma proteína funcional. - Podendo formar estruturas diméricas (duas subunidades), triméricas (três subunidades) ou multiméricas (mais de três subunidades) PROTEÍNAS CHAPERONAS São um tipo de proteína especializadas que auxiliam o correto dobramento e montagem de outras proteínas DESNATURAÇÃO É o processo de alteração da conformação tridimensional das proteínas (quaternária, terciária e secundária) sem romper as ligações peptídicas (primária). Como a estrutura tridimensional específica das proteínas é fundamental para o exercício de suas funções, alterações estruturais provocadas pela desnaturação ocasionam a perda parcial ou completa das suas funções biológicas. ➢ Renaturação pode ocorrer, em alguns casos, quando o agente desnaturante é removido, permitindo que a proteína recupere sua forma e função. Condições que causam desnaturação: 1. Ácidos e bases fortes: Alteram o pH, mudando o estado iônico das cadeias laterais, interferindo nas pontas de hidrogênio e salinas, causando precipitação da proteína. 2. Solventes orgânicos: Interferem nas interações hidrofóbicas, modificando as interações das cadeias laterais e rompendo a estrutura da proteína. 3. Detergentes: Rompem as interações hidrofóbicas e podem desenrolar as cadeias polipeptídicas. 4. Agentes redutores: Reduzem as pontes de dissulfeto e rompem pontes de hidrogênio e interações hidrofóbicas. 5. Concentração de sais: A presença de altos níveis de sal desestabiliza as interações de cargas opostas e causa precipitação. 6. Íons de metais pesados: Metais como mercúrio e chumbo rompem pontes salinas e ligam-se a grupos sulfidrílicos, prejudicando a estrutura e função da proteína. 7. Aumento de temperatura: Eleva a vibração molecular, rompendo interações fracas como pontes de hidrogênio, alterando a conformação. 8. Estresse mecânico: Agitação ou trituração física pode romper as interações que mantêm a estrutura, como observado na clara do ovo batida. PROTEÍNAS FIBROSAS Geralmente apresentam altas proporções de estruturas secundárias (a-helices ou folhas b-pregueadas). Estas proteínas compõem os materiais estruturais de órgãos e tecidos, dando a eles elasticidade e/ou resistência. Em geral, são pouco solúveis em água devido a presença elevada de aminoácidos hidrofóbicos COLÁGENO É a proteína mais abundante em vertebrados, sendo componente essencial no tecido conjuntivo compondo a matriz óssea, pele, tendões, cartilagens, córneas, vasos sanguíneos, dentes e etc. Sintetizado pelo tecido conjuntivo, o colágeno é uma proteína extracelular pouco solúvel em água e organizada em fibras de grande resistência. Cada molécula de colágeno é constituída de três cadeias polipeptídicas sendo elas: glicina, prolina e hidroxiprolina, enroladas uma na outra. A síntese do colágeno inicia com a produção de pre-colágeno no retículo das células fibroblastos, essa estrutura sofre modificações pós-traducionais para se tornar procolágeno, em seguida é transportado para o aparelho de Golgi, onde ocorre a adição de carboidratos e outras modificações. Finalmente, o procolágeno é secretado para o espaço extracelular, onde é convertido em tropocolágeno e forma fibras de colágeno. modificações pós-traducionais: - hidroxilação - adição de hidroxila aos resíduos de prolina e lisina (essa reação requer vitamina c como cofator) - oxidação - processos que ajudam na formação de ligações cruzadas entre as cadeias - condensação aldólica e redução - processos que contribuem para a estabilidade da estrutura - glicosilação - adição de carboidratos As ligações cruzadas covalentes do colágeno, formadas a partir da oxidação da lisina e a subsequente reação do grupo aldeído com outros resíduos de lisina, são cruciais para a estabilidade e resistência das fibras de colágeno Na deficiência de vitamina C, o tropocolágeno não forma as ligações cruzadas covalentes. O resultado é o escorbuto, uma doença nutricional cujos sintomas são: descolorações da pele, fragilidade dos vasos sangüíneos, hemorragia gengival e, em casos extremos, a morte. CLASSIFICAÇÃO DE ACORDO COM A SUA FUNCIONALIDADE PROTEÍNAS CATALÍTICAS - ENZIMAS Atuam como catalisadores biológicos, ou seja, aceleram as reações químicas no organismo. As moléculas que sofrem a ação enzimática são chamadas de substratos e aquelas produzidas em decorrência da reação são os produtos. Como todo catalisador, as enzimas agem de modo a reduzir a energia de ativação para uma dada reação, e como resultado disso, os produtos são formados de maneira mais rápida ➢ Moléculas de ácido ribonucleico, denominadasribozimas também exercem atividade catalítica ➢ A maioria das enzimas é altamente específica tanto para o tipo de reação catalisada quanto para a natureza do(s) substrato(s) As enzimas possuem um sítio ativo, que é o local onde a reação química ocorre. Esse sítio é composto por aminoácidos específicos, formando cadeias responsáveis pela ligação ao substrato e cadeias responsáveis pela reação catalítica ➢ O sítio ativo interagem também com os cofatores algumas enzimas possuem um sítio alostérico afastado do sitio ativo, responsável pela ligação de moléculas que alteram a conformação do sítio ativo, aumentando ou reduzindo a atividade enzimática A maioria das enzimas, só desempenham sua função catalítica quando associada a cofatores e coenzimas frequentemente derivadas de vitaminas a enzima é cataliticamente ativa quando forma um complexo denominado holoenzima (apoenzima + cofator) - apoenzima se refere a parte proteica da enzima MECANISMO DE AÇÃO DAS ENZIMAS PELOS QUAIS ELA REDUZ A ENERGIA DE ATIVAÇÃO Para que ocorra a reação, o substrato deve colidir com orientação apropriada e com a quantidade de energia necessária para formar o complexo ativado - estado de transição. Para atingir esse estado de transição, necessita-se de uma quantidade de energia definida como energia de ativação. Em condições fisiológicas as enzimas consumir reduzir a energia necessária para ativação - Os catalisadores aumentam a velocidade da reação reduzindo a energia necessária para ativação - O substrato se liga ao sítio ativo através de ligações não-covalentes MODELO DE INTERAÇÃO COMO SUBSTRATO Modelo chave-fechadura : A enzima (chave) deve se encaixar perfeitamente em seu substrato (fechadura). Isso explicava a especificidade das enzimas, ou seja, por que cada enzima reage com apenas alguns substratos específicos. Contrapartidas: - Não explica a liberação dos produtos e exigiria uma energia maior - Não explica como a enzima acomoda os produtos da reação antes de libera-los Modelo de encaixe induzido: Koshland propôs que o sítio ativo é flexível e se ajusta ao substrato à medida que este se aproxima do mesmo modo que o substrato também pode se ajustar ao sitio ativo da enzima FATORES QUE INFLUENCIAM A ATIVIDADE ENZIMÁTICA - Temperatura - Em reações catalisadas por enzimas, a velocidade é acelerada pelo aumento da temperatura até atingir uma temperatura ótima na qual a enzima opera com a máxima eficiência. Acima dessa temperatura, a atividade das enzimas declina abruptamente por desnaturação proteica. - pH - A concentração de íons hidrogênio afeta as enzimas de vários modos. Primeiro, o grupo amino em pH fisiológico se encontra protonado, em pH alcalino o grupo pode perder seu próton. Segundo. se o substrato conter grupos ionizáveis, pode ocorrer a modificação da estrutura terciária e a capacidade de ligação será afetada, Apesar de algumas enzimas tolerarem grandes mudanças no pH, a maioria delas são ativas somente em intervalos mais estreitos. Por essa razão, os organismos vivos empregam tampões que regulam o pH. - concentração da enzima e substrato - a velocidade de uma reação é proporcional a quantidade de enzimas e substratos presentes no meio À medida que a concentração de substrato aumenta, chega-se a um ponto em que todos os sítios ativos da enzima estão ocupados - enzimas saturadas e a reação atinge sua velocidade máxima, Nesse ponto, a adição de mais substrato não aumenta a velocidade da reação, ou seja, a velocidade da reação se torna independente da concentração de substrato. INIBIÇÃO ENZIMÁTICA Inibidores são substâncias que reduzem a atividade das enzimas, atuando como reguladores das vias metabólicas. Há dois tipos de inibição enzimática: (1) inibição reversível - interações não-covalentes entre o inibidor e a enzima, no qual, após a retirada do inibidor, a atividade enzimática é retomada e (2) inibição irreversível - envolve modificações químicas da molécula enzimática, levando a uma inativação definitiva. na inibição reversível são descritas três classes de inibidores: 01. Inibidores competitivos - os inibidores competem diretamente com o substrato normal pelo sítio ativo das enzimas. sendo estruturalmente semelhantes ao substrato - a inibição é revertida pelo aumento da concentração de substrato 02. inibidores não-competitivos - se liga tanto à enzima como ao complexo enzima-substrato em um sítio diferente do sítio de ligação do substrato. A ligação do inibidor não bloqueia a ligação do substrato, mas provoca uma modificação da conformação da enzima que evita a formação de produto. - reduz a concentração da enzima ativa 03. inibidores incompetitivos - liga-se apenas ao complexo enzima-substrato originando um complexo inativo. Este não se liga a enzimas livres As enzimas estão integradas em vias metabólicas que consistem em várias etapas interconectadas. Os produtos de uma via podem influenciar a atividade de outras vias, permitindo uma coordenação global do metabolismo celular. Nem todas as vias funcionam ao mesmo tempo ou em capacidade máxima; ao contrário, elas podem ser ativadas ou inibidas conforme a necessidade da célula. APLICAÇÕES CLÍNICAS →utilizados na dosagem sérica pois estão disponíveis no plasma INTRODUÇÃO AOMETABOLISMO os seres vivos podem ser classificados de acordo com a maneira de que obtém energia: 01. autotróficos - capazes de produzir seu próprio alimento a partir de substâncias inorgânicas, utilizando uma fonte de energia externa: - Fototroficos - utilizam a luz solar como fonte de energia (fotossíntese) - quimiotróficos - utilizam a energia de reações químicas envolvendo compostos inorgânicos (quimiossíntese) 02. Heterotróficos - dependem de fontes externas de matéria orgânica para obter energia, consumindo outros seres vivos FORMAS DE ENERGIA UTILIZADAS PELO ORGANISMO ENERGIA QUÍMICA (FONTE PRIMÁRIA DE ENERGIA) Os mamíferos extraem energia química das moléculas de nutrientes (carboidratos, proteínas e lipídios não-esteroides) para realizar suas funções. - energia armazenada nas ligações de moléculas A energia liberada nos processos de quebra de moléculas dos nutrientes orgânicos é conservada na forma de ATP (adenosina trifosfato) e NADPH (nicotinamida adenina dinucleotídeo fosfato) A biossíntese de macromoléculas é realizada a partir de precursores mais simples - ácidos nucleicos a partir de nucleotídeos, proteínas a partir de aminoácidos, lipideos a partir de ácidos graxos e polissacarídeos a partir de monossacarídeos. ENERGIA ELÉTRICA gerada por potenciais de ação, que são diferenças de voltagem entre o interior eo exterior das células excitáveis ENERGIA MECÂNICA A energia química do ATP é convertida em energia mecânica pelas proteínas motoras, como a miosina nas células musculares - contração muscular ENERGIA TÉRMICA Embora o calor não seja uma forma de energia diretamente utilizável para realizar trabalho celular, ele é importante para manter a temperatura corporal em níveis adequados para o funcionamento das enzimas e processos bioquímicos ENERGIA PROTONICA A uma formação de gradientes eletroquímicos de prótons ao longo de uma membrana biológica, no qual, gera energia química utilizada na produção de energia química. Esse gradiente de prótons é gerado durante processos como a fosforilação oxidativa TERMODINÂMICA Nos ajuda a entender como a energia é e como ela se transforma. A Bioenergética é o ramo da termodinâmica que trata especificamente de como as células vivas gerenciam a energia, ou seja, como as reações metabólicas produzem e utilizam energia para manter a vida. - Primeira lei: princípio da conservação de energia - a energia não pode ser criada nem destruída, apenas transformada. - Segunda lei: entropia - todos os sistemas têm tendência a se desorganizar ao longo do tempo (reação espontânea). Por isso, os seres vivos precisam de uma entrada constante de energia para manter a ordem dentro das células. Existem três fatores principais que controlam como as reações químicas acontecem nos seres vivos: - ENTALPIA- é a energia térmica envolvida em uma reação ou processo químico, a variação de entalpia determinará se estamos lidando com uma reação que libera (reação exotérmica) ou absorve calor (reação endotérmica) ➢ reflete o número e os tipos de ligações químicas nos reagentes e produtos. - ENTROPIA- como já dito, se refere a desorganização do sistema no qual o corpo utiliza da energia para manter a ordem - ENERGIA LIVRE - energia que pode ser utilizada para a (1) realização de trabalho mecânico na contração muscular e outros movimentos celulares, (2) transporte ativo de moléculas e íons e (3) síntese de macromoléculas e outras biomoléculas a partir de precursores simples. Se a reação libera energia livre (exergônico). Se a reação ganha energia livre (só ocorre por meio de fornecimento de energia) é dito endergônico. Uma reação exergônica é espontânea porque não precisa de energia extra para ocorrer; ela já possui energia suficiente para se conduzir de forma natural e liberar energia ao longo do processo. VIAS METABÓLICAS ANABOLISMO - processos biossintéticos onde moléculas pequenas e simples (como aminoácidos, açúcares e nucleotídeos) são usadas para construir moléculas maiores e mais complexas, como proteínas, lipídios, ácidos nucléicos e carboidratos. São processos endergônicos e redutivos que necessitam de fornecimento de energia. CATABOLISMO - São os processos de degradação das moléculas orgânicas nutrientes e dos constituintes celulares que são convertidos em produtos mais simples com a liberação de energia. As vias catabólicas são processos exergônicos e oxidativos. PRIMEIRO ESTÁGIO DO CATABOLISMO - macromoléculas são quebradas em unidades menores SEGUNDO ESTÁGIO DO CATABOLISMO - os produtos do primeiro estágio são transformados em unidades simples como o acetil-CoA (acetil coenzima A) TERCEIRO ESTÁGIO - o acetil-CoA é oxidado no ciclo do ácido cítrico a CO2, enquanto as coenzimas NAD+ e FAD+ são reduzidas para formar três NADH e um FADH2. As coenzimas reduzidas transferem seus elétrons para o O2 através da cadeia mitocondrial transportadora de elétrons, produzindo H2O e ATP em um processo denominado fosforilação oxidativa. O ATP é o doador de energia livre para os processos endergônicos. O NADPH é o principal doador de elétrons nas biossínteses redutoras. CARBOIDRATOS Os carboidratos (glicídios ou sacarídeos) são as principais fontes alimentares para produção de energia, além de exercerem inúmeras funções estruturais e metabólicas nos organismos vivos. São substâncias que contêm carbono, hidrogênio e oxigênio. São classificados como: monossacarídeos, dissacarídeos, oligossacarídeos e polissacarídeos de acordo com o número de unidades de açúcares simples que contém. MONOSSACARÍDEOS Os monossacarídeos (oses ou açúcares simples) são as unidades básicas dos carboidratos, contendo de 3 a 9 átomos de carbono. Trioses - gliceraldeído e diidroxiacetona Os monossacarídeos são classificados de acordo com a natureza química do grupo carbonila (C=O) e pelo número de seus átomos de carbono (4 C são tetroses, 5 C são pentoses, 6 C são hexoses etc). Os que têm grupos aldeídicos (grupos carbonila na extremidade ligado a um hidrogênio) são aldoses e os que têm grupos cetônicos (grupo carbonila no carbono 2’), formam as cetoses. Os monossacarídeos, com exceção da dihidroxiacetona, possuem pelo menos um átomo de carbono assimétrico (também chamado de quiral) responsável por originar estereoisômeros, ou seja, moléculas que têm a mesma fórmula química, mas diferem na disposição espacial A classificação como D ou L é baseada na posição do grupo hidroxila (-OH) no centro quiral mais distante do grupo funcional carbonila (C=O), que está no carbono 1 (C1) nas aldoses ou no carbono 2 (C2) nas cetoses. - Se o grupo OH no centro quiral estiver a direita, o açúcar pertence à série D - Se o grupo OH estiver a esquerda, pertence a série L Estereoisômeros que não se sobrepõem são denominados enantiômeros como a D-glicose e L-glicose, enquanto aqueles que diferem em mais um carbono quiral, mas não em todos são chamados diastereoisômeros como a D-ribose e D-arabinose Em solução aquosa, menos de 1% das aldoses e cetoses se apresentam como estruturas de cadeia aberta (acíclica), Os monossacarídeos com cinco ou mais átomos de carbono ciclizam-se, formando anéis pela reação de grupos alcoólicos (OH) com os grupos carbonila dos aldeídos e das cetonas para formar hemiacetais e hemicetais- tornando-os mais estáveis. Por ciclização, os monossacarídeos com mais de cinco átomos de carbono não apresentam o grupo carbonila livre, pois se encontram ligados covalentemente a um grupo hidroxila (OH-) presentes ao longo da sua cadeia, criando um novo carbono quiral (central), chamado carbono anomérico. Este carbono anomérico pode adotar duas configurações possíveis, resultando em dois anômeros que diferem apenas na posição do grupo -OH no carbono anomérico. α-D-glicose: O grupo hidroxila (-OH) ligado ao carbono anomérico C1 está abaixo do plano do anel β-D-glicose: O grupo - OH ligado ao C1 está acima do plano do anel. Poder de mutarrotação: Interconversão das formas α e β em solução, provocando variações no desvio de luz polarizada. classificação de acordo com o tipo de anel formado Piranoses: São estruturas cíclicas de seis membros (5 carbonos e 1 oxigênio), que ocorrem em açúcares como a glicose Furanoses: São estruturas cíclicas de cinco membros (4 carbonos e 1 oxigênio), que aparecem em aldopentoses como a ribose e em cetohexoses como a frutose AÇÚCAR REDUTOR - Se esse carbono anomérico se encontra livre, ele pode alternar entre a forma cíclica e a forma aberta (linear), portanto, na forma aberta o grupo carbonila (aldeído ou cetose) pode ser oxidado AÇÚCAR NÃO REDUTOR - quando o carbono anomérico se encontra ligado, a forma cíclica é permanente e portanto, não pode ser oxidado DERIVADOS DEMONOSSACARÍDEOS Os açúcares simples podem ser convertidos em outros compostos, muitos deles são componentes metabólicos e estruturais dos seres vivos ÁCIDO URÔNICO - formados a partir da oxidação do grupo terminal (-CH2OH) de um açúcar, que é então transformado em ácido carboxílico (-COOH) Ácido D-glicurônico (derivado da glicose) - nos hepatócitos (células do fígado), esse ácido se liga a moléculas como esteroides, alguns fármacos e bilirrubina (produto da degradação da hemoglobina), aumentando a solubilidade destas e facilitando sua excreção seja pela urina ou pela bile AMINOAÇÚCARES - nestes, um grupo hidroxila (OH-) geralmente no carbono 2, é substituído por um grupo amino (NH2), aumentando sua polaridade e potencial de formar ligações com outras moléculas D-glicosamina - componentes do tecido conjuntivo, da cartilagem e do líquido sinovial nas articulações. D-Galactosamina - É um componente comum de glicoproteínas, como as que estão envolvidas no reconhecimento celular e na resposta imune. DESOXIAÇÚCARES - formados a partir da substituição do grupo hidroxila (-OH) por um átomo de hidrogênio. 2-desoxi-D-ribose - componente do DNA L-fucose - encontrada nas glicoproteínas que determinam os antígenos do sistema ABO de grupos sangüíneos na superfície dos eritrócitos. DISSACARÍDEOS Os monossacarídeos podem se ligar entre si através de ligações glicosídicas entre o grupo hidroxila de uma molécula com o átomo de carbono anomérico de outra molécula, para formar moléculas maiores. sendo eles: - MALTOSE (GLICOSE+GLICOSE) - SACAROSE (GLICOSE-FRUTOSE) extraído da cana - LACTOSE (GALACTOSE+GLICOSE) POLISSACARÍDEOS METABOLISMO DOS CARBOIDRATOS A glicose fornecida pela ingestão de carboidratos, é utilizado por diferentes vias: 01. Pode ser convertida em duas moléculas de piruvato (ou lactato), que serão degradadas posteriormente para produção de energia pela via glicolítica 02. Na glicogênese a glicose que não é necessária para imediata produção de energia pode ser armazenada na forma de glicogênio no músculo e quando necessário fornece energia através da sua conversão para glicose pela via glicogenólise 03. A gliconeogênesepode sintetizar glicose a partir de precursores não-carboidratos Para que seja possível a absorção dos carboidratos pelo organismo, se faz necessário a quebra das macromoléculas em seus componentes monossacarídeos. As quebras ocorrem seqüencialmente em diferentes pontos no trato gastrointestinal; - α-amilase salivar - digestão inicia durante a mastigação com a quebra das ligações glicosídicas pela enzima amilase salivar (ptialina), liberando maltose e oligossacarídeos - α-amilase pancreática - O amido e o glicogênio são hidrolisados no duodeno em presença da α-amilase pancreática que produz maltose como produto principal e oligossacarídeos chamados dextrinas - A hidrólise final da maltose e dextrina é realizada pela maltase e a dextrinase, presentes na superfície das células epiteliais do intestino delgado. Outras enzimas também atuam na superfície das células intestinais: Isomaltose + H2O —-------→ 2 Glicose Sacarose + H2O —-------→ Frutose + Glicose Lactose + H2O —---------→ Galactose + Glicose Após a absorção, a glicose no sangue aumenta e as células β das ilhotas pancreáticas secretam insulina que estimula a captação de glicose principalmente pelos tecidos adiposo e muscular. O fígado, o cérebro e os eritrócitos, não necessitam de insulina para captação de glicose por suas células GLICÓLISE / VIA DE EMBDEN-MEYERHOF-PARNAS É a via central do catabolismo da glicose em uma sequência de dez reações enzimáticas que ocorrem no citosol das células. Onde são formadas duas moléculas de piruvato e parte da energia liberada é conservada na forma de ATP e de NADH. Em dois estágios: 1. Primeiro estágio (fase preparatória) - na última etapa desse estágio a a molécula de glicose é convertida em duas moléculas de gliceraldeído-3-fosfato através da fosforilação da molécula por duas moléculas de ATP catalisadas pelas enzimas hexocinase e fosfofrutocinase A glicose-6-fosfato é um intermediário de várias rotas metabólicas como: - A glicose livre (que circula no sangue até os tecidos periféricos) é obtida a partir da hidrólise da glicose-6-fosfato - sendo essencial na manutenção dos níveis glicêmicos A enzima PFK-1 (fosfofrutocinase-1) é a principal reguladora da glicólise, esta apresenta um papel fundamental na regulação dos níveis glicêmicos no fígado - a atividade da PFK-1 é aumenta com a liberação da insulina e diminuída em resposta ao glucagon. A presença de frutose-2,6-bifosfato ativa a atividade da PFK-1. Quando os níveis de glicose sanguínea estão elevados, a insulina eleva os teores de frutose-2,6,difosfato que induz a atividade da PFK-1 ativando a glicólise e inibindo a enzima que catalisa a reação reversa a frutose-1,6-bifosfatase importante na via gliconeogênese O substrato gliceraldeído-3-fosfato é essencial também na biossíntese de triacilgliceróis e fosfolipídios Segundo estágio (fase de pagamento) - as duas moléculas de gliceraldeído-3-fosfato formadas anteriormente são oxidadas pelo NAD+ e fosforiladas por duas moléculas de fosfato inorgânico glicose + 2 ADP + 2 Pi + 2 NAD+ = 2 piruvato + 2 NADH + 2 H+ + 4 ATP + 2 H2O O NADH formado necessita ser reoxidado para a continuação da via glicolítica, que pode ocorrer por duas vias: oxidação pela cadeia mitocondrial transportadora de elétrons (metabolismo aeróbio) ou pela transformação do piruvato em lactato (metabolismo anaeróbio) A partir do 1,3-bifosfoglicerato é sintetizado o 2,3-bifosfoglicerato - presente nos eritrócitos responsável por regular a ligação do oxigênio a hemoglobina Nessa etapa ocorre a produção de quatro moléculas de ATP a partir da transferência direta de fosfato do substrato para o ATP em ausência de oxigênio - fosforilação ao nível do substrato. Porém devido ao gasto energético na primeira fase, é dito que o ganho líquido de ATP é de duas moléculas REDUÇÃO DO PIRUVATO EM LACTATO Em condições de baixo suprimento de oxigênio (hipóxia) ou em células sem mitocôndrias (eritrócitos), o produto final da glicólise é o lactato em um processo denominado glicólise anaeróbica, Na fermentação láctica o ácido pirúvico é reduzido (ganhou H +) a partir dos carreadores NADH+H para formar o ácido lático através da enzima lactato desidrogenase LDH - O NADH utilizado na redução é gerado durante a glicólise na oxidação do gliceraldeído-3-fosfato PIRUVATO + NADH = LACTATO + NAD+ Essa regeneração de NAD + permite que a glicólise continue acontecendo e produzindo ATP (mesmo que menos eficiente) na ausência de oxigênio. O lactato produzido se difunde para o sangue e é transportado até o fígado onde é convertido novamente em glicose. REGULAÇÃO DA GLICÓLISE A glicólise é uma via responsável não só pela geração de energia na forma de ATP mas também na produção de vários intermediários de outras vias metabólicas. Sua regulação é dada em pontos chaves de acordo com a necessidade do organismo pelas principais enzimas: hexoquinase, fosfofrutoquinase-1 e piruvato cinase - a reação catalisada por essas enzimas são irreversíveis e podem ser ativadas ou inibidas por efetores alostéricos (regulação pela ligação de substâncias ao sítios alostéricos). - A alta concentração de AMP indica baixa produção de energia estimulando a atividade da PFK-1 e a piruvato cinase - Alta concentração de ATP, citrato e acetil CoA indica que as necessidades energéticas da célula foram atendidas inibindo a atividade das enzimas - A produção de frutose-2,6-bifosfato produzida por induçao da PFK2 é um indicador de altas concentrações de glicose - Após uma refeição rica em carboidratos, a insulina promove o aumento na síntese das enzimas glicocinase, fosfofrutocinase−1 e Piruvato cinase. Por outro lado, a síntese dessas mesmas enzimas é reduzida quando o glucagon plasmático está aumentado e a insulina reduzida, como no jejum ou diabetes. DESTINO DO PIRUVATO GLICOGÊNESE É a síntese intracelular de glicogênio - polímero de glicose, atuando como armazenamento de energia. Esse processo ocorre em vários tecidos porém os dois maiores depósitos se encontram no fígado e nos músculos esqueléticos - glicogênio hepático - libera glicose regulando os níveis de glicose sanguínea. Acumulando após uma refeição e degrada lentamente para manter a concentração de glicose constante quando os níveis de glicose no sangue caem - glicogênio muscular - durante atividades físicas o glicogênio é convertido em glicose-6-fosfato para que possa ocorrer a glicólise, sendo formado durante o repouso após as refeições Esse processo se inicia na conversão de glicose em glicose-6-fosfato catalisada pela enzima hexoquinase nos músculos e pela glicoquinase no fígado, é então convertida em glicose-1-fosfato que se combina com a uridina trifosfato (UTP), formando a UDP-glicose liberando pirofosfato (PPi) - essa forma de glicose ativada é capaz de doar unidades de glicose para a cadeia de glicogênio em crescimento. O início da incorporação da glicose se dá pela enzima glicogenina responsável por catalisar a adição das primeiras moléculas de glicose a si mesma, utilizando a UDP-glicose como doadora de glicose - a cadeia inicial conta com cerca de 8 resíduos de glicose - A partir daí o glicogênio sintase é responsável pela incorporação da glicose a cadeia GLICOGENÓLISE GLICONEOGÊNESE Consiste na síntese de glicose no fígado e em menor grau nos rins, a partir de precursores não-carboidrato incluindo o lactato, piruvato, glicerol e cadeias de aminoácidos. Essa via é uma alternativa quando o estoque de glicogênio hepático é esgotado. A gliconeogênese consiste em uma série de reações semelhantes às reações de glicólise, porém, no sentido inverso e como algumas reações da glicólise são irreversíveis, a gliconeogênese utiliza diferentes enzimas para contornar essas reações, como: - CONVERSÃO DO PIRUVATO EM FOSFOENOLPIRUVATO (PEP) O piruvato entra na mitocôndria, onde será convertido em oxaloacetato pela piruvato-carboxilase através da adição de CO2 proveniente da coenzima biotina que carrea bicarbonato responsável por fornecer CO2 a reação e energia oriunda do ATP. Como o oxaloacetato não consegueatravessar a membrana mitocondrial, ele é reduzido a malato pela malato-desidrogenase que sera transportado ate o citosol, onde é oxidado novamente a oxaloacetato. No citosol, o oxaloacetato é convertido em PEP pela fosfoenolpiruvato-carboxicinase (PEPCK) usando GTP como fonte de energia e liberando CO2 Após a formação do PEP, as etapas seguintes da gliconeogênese são idênticas às etapas reversíveis da glicólise, mas ocorrem no sentido contrário - CONVERSÃO DA FRUTOSE-1,6-BIFOSFATO EM FRUTOSE-6-FOSFATO Catalisada pela enzima frutose-1,6-bifosfato que realiza a desfosforilação da frutose-1,6-bifosfato produzindo frutose-6-fosfato liberando fosfato inorganico A frutose-6-fosfato é convertida em glicose-6-fosfato por uma ocorrência reversível, catalisada pela enzima fosfoglicose isomerase, A última ocorrência irreversível contornada é a fosforilação da glicose catalisada pela hexoquinase na glicólise. Na gliconeogênese, para que a glicose-6-fosfato seja convertida em glicose, entra em ação a glicose-6-fosfatase , que remove o fosfato da glicose-6-fosfato, liberando glicose. - a glicose-6-fosfatase é encontrada somente no fígado e rim, que catalisa a hidrólise reversível da glicose-6-fosfato em glicose Esse processo de gliconeogênese demanda muita energia (no mínimo seis ATP). Quando esse processo ocorre em alta velocidade, ela consome cerca de 60% do ATP produzido no fígado. Esse ATP vem principalmente da oxidação de ácidos graxos. Provenientes do tecido adiposo transportados até o fígado, onde serão oxidados para gerar ATP e corpos cetônicos VIA DAS PENTOSES FOSFATO Via alternativa a glicólise para a oxidação da glicose que não requer e não produz ATP, formando NADPH (nicotinamida adenina dinucleotídeo fosfato reduzido) sendo um agente redutor empregado em processos anabólicos e ribose-5-fosfato sendo um componente estrutural de nucleotídeos e ácidos nucleicos. Esse processo é dividido em duas fases: FASE OXIDATIVA - ocorre a oxidação da glicose-6-fosfato através da redução de 2 NADP+ a 2 NADPH pela enzima glicose-6-fosfato desidrogenase formando como produto final a ribulose-5-fosfato liberando CO2 - a deficiência dessa enzima nos eritrócitos provoca anemia A NADPH é essencial para processos redutores como na biossíntese de lipídeos e mecanismos antioxidantes, sendo uma reação muito ativa em células que produzem grande quantidade de lipídeos FASE NÃO-OXIDATIVA - essa fase permite a conversão entre pentoses, permitindo a flexibilidade para atender as demandas células no qual ocorre a conversão da ribulose-5-fosfato em ribose-5-fosfato (essencial na síntese de nucleotídeos e ácidos nucleicos) ou em xilulose-5-fosfato que com auxílio das enzimas transcetolase e transaldolase pode formar intermediários para a glicólise caso a célula não precise das pentoses para síntese de nucleotídeos CICLO DO ÁCIDO CÍTRICO | CICLO DE KREBS Consiste na etapa final de oxidação dos combustíveis metabólicos, nos quais, os carboidratos (principalmente glicose), ácidos graxos e aminoácidos são metabolizados para formar o acetil-CoA, que é a molécula precursora para a entrada no ciclo, onde no final do processo serão formados duas moléculas de CO2, com a conservação de energia livre em três moléculas de NADH e uma FADH2 (quais serão oxidados e seus elétrons são conduzidos pela cadeia mitocondrial transportadora de elétrons com a liberação de energia na forma de ATP em um processo denominado fosforilação oxidativa) e um composto de alta energia (GTP ou ATP) . Além da geração de energia, o ciclo também é responsável por formar monômeros para a síntese de macromoléculas e aminoácidos não-essenciais OXIDAÇÃO DO PIRUVATO A ACETIL-COA E CO2 Sob condições aeróbicas, o piruvato presente na matriz mitocondrial é convertido em acetil-CoA através da retirada de uma molécula de CO2 e redução do NAD+ a NADH 2 catalisada pelo complexo da piruvato-desidrogenase (EI), diidrolipoil-transacetilase (E2) e a diidrolipoil-desidrogenase (E3) 01. Descarboxilação do piruvato - catalisado pela E1 liberando uma molécula de CO2 formando hidroxi-etil ligado ao cofator TPP 02. Oxidação do grupo hidroxi-etil pela E1 (reduzido a grupo acetil) e transferido para o ácido lipóico que está ligado ao E2 03. O grupo acetil, agora ligado ao ácido lipóico é transferido para a coenzima A pela ação da E2, formando acetil-CoA 04. Regeneração do ácido lipóico pela E2 para que ela possa participar de uma nova reação - nessa etapa os elétrons liberados são captados pelo FAD, formando FADH2 05. Os elétrons de FADH2 são transferido para o NAD+ formando NADH e liberando FAD 06. O NADH transfere os elétrons para a cadeia mitocondrial transportadora de elétrons por meio da fosforilação oxidativa DESTINOS METABÓLICOS DO ACETIL-COA Os principais destinos metabólicos do acetil−CoA produzido na mitocôndria incluem: (1) completa oxidação do grupo acetila no ciclo do ácido cítrico para a geração de energia; (2) conversão do excesso de acetil−CoA em corpos cetônicos no fígado; (3) transferência de unidades acetila para o citosol com a subseqüente biossíntese de moléculas complexas como os esteróis e ácidos graxos de cadeia longa. REAÇÕES DO CICLO DO ÁCIDO CÍTRICO 01. Condensação do acetil-CoA com o oxaloacetato através da enzima citrato sintase para formar citrato - essa reação libera a coenzima A que será reciclada para participar da descarboxilação oxidativa de outra molécula de piruvato 02. isomerização do citrato em isocitrato - o citrato é convertido em isocitrato onde primeiro forma-se o cis-aconitato e depois isocitrato atraves da enzima aconitase 03. primeira descarboxilação (remoção de CO2) do isocitrato resultando na formação de alfa-cetoglutarato e produzindo NADH através da enzima isocitrato desidrogenase 04. segunda descarboxilação do alfa-cetoglutarato em succinil-CoA pela adiçao de CoA-SH onde há a produção do segundo NADH e liberação da segunda molécula de CO2 catalisada pelo complexo enzimático α−cetoglutarato−desidrogenase. 05. clivagem do succinil-CoA para formar succinato onde ocorre a liberação de energia captada pelo GTD formando a GTP em uma fosforilação a nivel do substrato 06. O succinato é oxidado em fumarato, e nesta reação o FAD é reduzido a FADH₂. 07. A molécula de fumarato sofre uma hidratação, adicionando uma molécula de água para formar o malato. 08. O malato é oxidado a oxaloacetato, regenerando o oxaloacetato inicial necessário para a entrada de outra molécula de acetil-CoA. Nessa reação, uma molécula de NAD⁺ é reduzida a NADH. As moléculas de NADH+H + e FADH2 serão oxidadas na cadeia transportadora de elétrons, formando moléculas de ATP. A estequiometria para cada molécula é de aproximadamente NADH=2,5 ATP, FADH2=1,5 ATP e GTP=1 ATP, portanto, podemos dizer que a cada ciclo podem ser produzidas dez moléculas de ATP A regulação do ciclo do ácido cítrico consiste na disponibilidade de substratos como acetil CoA, NAD, FAD e ADP, da demanda de precursores provenientes do ciclo do acido cítrico e da necessidade de ATP da celula. A velocidade da reação é influenciada por controles exercidos sobre o complexo enzimatico piruvato-desidrogenase no qual este é inibido pelos produtos da reação (acetil CoA, ATP e NADH) e ativado pelos intermediários (CoA, ADP e NAD+) FOSFORILAÇÃO OXIDATIVA A produção de ATP ocorre de duas maneiras: diretamente (apesar de baixo rendimento) pela degradação de nutrientes via fosforilação ao nível de substrato e indiretamente, onde os elétrons liberados da reação de degradação são captados pelas coenzimas NAD+ e FAD+. Essas coenzimas por sua vez, transferem esses elétrons capturados para a cadeia transportadora de elétrons, localizada na membrana interna das mitocôndrias, onde por meio de uma série de reações de oxidação-redução a energia é liberada gradualmente. Grande parte da energia liberada no sistema bombeia prótons para fora da matriz mitocondrial, gerando um gradiente eletroquímico de H +. O retorno dos prótons para a matriz mitocondrial libera energia livre que é canalizada paraa síntese de ATP a partir de ADP e Pi, por meio da fosforilação oxidativa (maior fonte de ATP nas células eucariontes) REAÇÕES DE OXIDAÇÃO-REDUÇÃO (REDOX) Consiste na transferência de elétrons de um redutor (doador de elétrons) para um oxidante (aceptor de elétrons) - nenhuma substância pode doar elétrons sem que outra receba - na transferência de elétrons também pode ser transferidos protons CADEIA MITOCONDRIAL TRANSPORTADORA DE ELÉTRONS Os carreadores formados nas reações anteriores são responsáveis por transferir os elétrons que capturaram durante as reações para o oxigênio (aceptor final de elétrons) através de uma série de reações. Na medida que os elétrons são transferidos ao longo da cadeia, ocorre a liberação de energia livre suficiente para sintetizar ATP a partir do ADP e Pi por meio da fosforilação oxidativa. A cadeia é formada por proteinas integrais de membrana associadas a grupos prosteticos capazes de aceitar ou doar elétrons - onde os elétrons passam de moléculas com menor potencial de redução para moléculas com maior potencial de redução. Os componentes que atuam nessa transferência estão localizados na superfície interna da membrana mitocondrial interna por onde fluem os elétrons provenientes do NADH e FADH2 para o oxigênio molecular. Os grupos prostéticos transportadores de elétrons associados aos complexos protéicos são: nucleotídeos da nicotinamida (NAD+ou NADP+), nucleotídeos da flavina (FMN ou FAD), ubiquinona (coenzima Q), citocromos e proteínas ferro−enxofre. Essa passagem ocorre em quatro complexos principais: - COMPLEXO I (NADH-coenzima Q oxidorredutase) - responsável por transferir elétrons do NADH para a coenzima Q (ou ubiquinona), ao mesmo tempo em que bombeia prótons (H⁺) para o espaço intermembrana, contribuindo para a criação do gradiente de prótons, crucial para a síntese de ATP. O NADH doa dois elétrons para o Complexo I, sendo oxidado para NAD⁺. Os elétrons entram no complexo através de um grupo prostético chamado FMN (flavina mononucleotídeo), que aceita os dois elétrons do NADH e é reduzido para FMNH 2. Depois de serem transferidos para o FMN, os elétrons passam por uma série de centros de ferro-enxofre (Fe-S), até chegarem à ubiquinona que é reduzida a ubiquinol - COMPLEXO II (succinato-coenzima Q oxidorredutase) - O FADH2 é formado no ciclo do ácido cítrico pela oxidação do succinato a fumarato em presença da enzima succinato−desidrogenase, pertencente ao complexo II, ou seja, esse complexo participa diretamente do ciclo de krebs. Os elétrons do FADH 2, são transportados pela cadeia de ferro-enxofre ate chegarem a ubiquinona - os complexos I e II não operam em série, - COMPLEXO III (coenzima Q-citocromo e oxidorredutase) - transfere os elétrons da ubiquinona formados pelos complexos I e II para o citocromo c em um processo chamado ciclo Q. Esse processo também realiza o transporte de prótons da matriz para o espaço intermembranas FASE I - Quando o ubiquinol (QH₂) se liga ao Complexo III, ele doa seus dois elétrons, um dos quais vai para o citocromo c, enquanto o outro se desloca através do citocromo b. Nesse estágio, quatro prótons são bombeados para o espaço intermembrana. Para cada ubiquinol (QH₂) que é oxidado no Complexo III, quatro prótons são translocados: dois para o espaço intermediário e dois para a formação de um novo ubiquinol na matriz. FASE 2 - Após a oxidação de QH₂, a ubiquinona (Q) é liberada, e o ciclo continua quando um novo QH₂ se liga ao complexo. - COMPLEXO IV (citocromo e oxidase) - o citocromo c reduzido no complexo III doa seus elétrons ao complexo IV que são transferidos finalmente para o oxigenio molecular que é então reduzido à água - A redução do O2 a H2O consome quatro prótons da matriz mitocondrial. Durante a transferência de elétrons e a redução de oxigênio, o Complexo IV bombeia prótons (H⁺) da matriz mitocondrial para o espaço intermembrana. Para cada par de elétrons que passa pelo complexo, dois prótons são bombeados FOSFORILAÇÃO OXIDATIVA É o processo no qual a energia gerada pela cadeia mitocondrial transportadora de eletrons é conservada na forma de ATP - o fluxo de prótons pela membrana impermeavel ao proton da mitocondria cria um gradiente eletroquimico de membrana fornecendo energia livre para a sintese de ATP por meio da ATP-sintase a partir de ADP e Pi