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Direito da criança e do adolescente
profandreauequed@hotmail.com
DIREITO PENAL JUVENIL
1. ASPECTOS GERAIS
● O direito penal juvenil é uma expressão do respeito à condição peculiar do adolescente de
desenvolvimento, haja vista que se reconhece sua autonomia a fim de que seja
responsabilizado pela prática de atos ilícitos;
● Nessa situação, o adolescente possui um papel determinante, já que o cumprimento da medida
socioeducativa dependerá dele;
● O direito penal juvenil difere-se do direito penal também em razão desse respeito à condição
peculiar de desenvolvimento;
● É possível mudar a personalidade do adolescente, se a intervenção for feita da forma correta e
precocemente por meio das medidas socioeducativas;
● Busca-se, por meio da aplicação das medidas socioeducativas, uma carga retributiva, mas
também um caráter pedagógico na tentativa de ressocialização, com maior peso;
● A compreensão de que o sistema é um sistema penal traz duas consequências: devem ser
observadas todas as garantias que o sistema penal impõe e sabe-se que haverá
sanções/responsabilidade penal para o adolescente;
● Não adianta dizer que o sistema é todo socioeducativo porque há um forte caráter retributivo
também e todo o sistema é construído com base nessa visão;
● Dentre todas as correntes do direito penal (direito penal máximo, abolicionismo penal e
direito penal mínimo), o direito penal juvenil fica no meio termo;
○ O direito penal juvenil fica no direito penal mínimo, que reconhece a necessidade de
responsabilização, mas prima pela aplicação de penas alternativas. Entende a privação
da liberdade como excepcional e breve, na medida do possível;
○ O direito penal juvenil é um sistema instituído pelo Estatuto que estabelece para os
adolescentes que cometam atos descritos como infração penal, um sistema
sancionatório de caráter pedagógico (em sua concepção e conteúdo) e retributivo (em
sua forma).
2. DENOMINAÇÕES IMPORTANTES
● Crime ou contravenção equivale a ato infracional;
● Prisão e auto de apreensão em flagrante chama-se de apreensão e auto de apreensão em
flagrante;
● Inquérito policial equivale a auto de apuração de ato infracional;
● Denúncia ou queixa crime é chamada de representação e o denunciado é representado;
● O processo criminal é chamado de processo ou procedimento de apuração de ato infracional
ou ação socioeducativa;
● Pena é medida socioeducativa e reclusão/detenção equivale à internação.
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3. ATO INFRACIONAL
● Ato infracional é qualquer conduta descrita como crime ou contravenção penal (art. 103,
ECA);
○ Isso é positivo pelo aspecto da legalidade. Assim, tem-se a garantia de que o
adolescente nunca será punido de forma mais severa que um adulto;
○ Isso é negativo, se analisado o prisma da perspectiva adultocêntrica com base na qual
os tipos penais são criados.
● Em princípio, importa apenas a figura típica do direito penal. A pena, de regra, não é utilizada
para aplicação das medidas.
4. TEMPO DO ATO INFRACIONAL
● Segundo o art. 104, parágrafo único, do ECA, o ato infracional é praticado de acordo com a
data do fato;
● Entende-se por data do fato a data em que foi praticada a conduta típica (adoção da teoria da
atividade, nos termos do art. 4º do Código Penal).
5. IMPUTABILIDADE E RESPONSABILIDADE PENAL
● O ato infracional pode ser praticado tanto por criança, como também pelo adolescente (art.
105, ECA);
● Se for praticado por criança, esta é inimputável e irresponsável penal (nem penal, nem penal
juvenil), pois só serão aplicadas medidas do sistema de proteção;
● Já o adolescente também é inimputável, mas ele é responsável penalmente, de acordo com o
sistema penal juvenil;
● Na execução das medidas socioeducativas, há mitigação da competência do Juizado da
Infância e Juventude, pois, se o fato for praticado antes da maioridade, ele poderá continuar
executando as sanções até os 21 anos.
Súmula 605, STJ: A superveniência da maioridade penal não interfere na apuração de ato
infracional nem na aplicabilidade de medida socioeducativa em curso, inclusive na liberdade
assistida, enquanto não atingida a idade de 21 anos.
6. DIREITOS E GARANTIAS INDIVIDUAIS
● Discriminação positiva: arts. 3.1, 3.2 e 9.1 das Regras Mínimas de Beijing e art. 54 das
Diretrizes de Riad;
○ Todo ato que não seja considerado um delito, nem seja punido quando cometido por
um adulto, também não deve ser punido quando praticado por um jovem;
○ Em uma situação fática e com circunstâncias idênticas, não é justificado que o
adolescente seja submetido a alguma consequência privativa ou restritiva de sua
liberdade em ocasião que o adulto não seria;
○ Não se pode punir o adolescente de forma mais severa, se comparado com um adulto,
nas mesmas condições;
○ Isso se expressa no procedimento da ação socioeducativa, por exemplo, quando o ECA
estipula que o adolescente pode se reunir reservadamente com seu advogado antes da
audiência instrutória; quando se aplica o princípio da insignificância e quando se
aplica o prazo prescricional igual ao do sistema penal (súmula 338, STJ).
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● Apreensão legal: a apreensão é legal quando for flagrante de ato infracional ou por ordem
escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente (art. 106, ECA);
○ Quando apreendido em flagrante, ele deve ser apresentado na Delegacia de Polícia ou,
se apreendido em razão de decisão judiciária, deve ser apresentado à própria
autoridade judiciária, prolatora da decisão;
○ Se houver apreensão ilegal, serão aplicadas as sanções do art. 230 do ECA;
Art. 230. Privar a criança ou o adolescente de sua liberdade, procedendo à sua apreensão sem
estar em flagrante de ato infracional ou inexistindo ordem escrita da autoridade judiciária
competente:
Pena - detenção de seis meses a dois anos.
Parágrafo único. Incide na mesma pena aquele que procede à apreensão sem observância das
formalidades legais.
● Direito à comunicação e informação: o adolescente tem direito a ser comunicado dos
responsáveis pela sua apreensão e deve ser informado acerca dos seus direitos (art. 106,
parágrafo único);
○ Caso ele não seja comunicado e informado, haverá o crime do art. 230, p. único, do
Estatuto.
● Condução condigna: o adolescente tem direito a ser conduzido coercitivamente de maneira
digna - não pode ser conduzido ou transportado em compartimento fechado de veículo
policial, em condições atentatórias à sua dignidade, ou que impliquem risco à sua integridade
(art. 178, ECA);
○ Se a condução for vexatória ou constrangedora, aplica-se o crime do art. 232 do ECA.
Art. 232. Submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a vexame
ou a constrangimento:
Pena - detenção de seis meses a dois anos.
● Direito à comunicação incontinenti: o adolescente tem direito que a apreensão seja
comunicada a autoridade judiciária e sua família ou responsável por ele indicada (art. 107,
ECA);
○ Se a autoridade policial não comunicar o juiz ou a família, aplica-se o art. 231 do
ECA.
Art. 231. Deixar a autoridade policial responsável pela apreensão de criança ou adolescente
de fazer imediata comunicação à autoridade judiciária competente e à família do apreendido
ou à pessoa por ele indicada:
Pena - detenção de seis meses a dois anos.
● Direito ao exame da possibilidade da liberação imediata: quando há uma apreensão, a
primeira coisa que as autoridades devem avaliar é se há possibilidade de liberá-lo
imediatamente para a família ou responsáveis (art. 107, parágrafo único, ECA);
○ Se a liberação puder ser imediata, mas a autoridade não respeitar, aplica-se o art. 234
do ECA;
Art. 234. Deixar a autoridade competente, sem justa causa, de ordenar a imediata liberação de
criança ou adolescente, tão logo tenha conhecimento da ilegalidade da apreensão:
Pena - detenção de seis meses a dois anos.
○ Para que o adolescente não seja liberado, deve haver indícios de autoria e
materialidade e necessidade imperiosa (que passa pelo exame da gravidade do ato
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infracional, repercussão social e manutenção da ordem ou garantia da segurança
pessoal).
●Direito à não identificação datiloscópica: o adolescente somente pode ser submetido à
identificação datiloscópica excepcionalmente (se houver fundada dúvida). Se ele estiver
identificado civilmente, isso não ocorrerá (art. 109, ECA);
○ Documento civil rasurado, indício de falsificação, documentos com dados
insuficientes, existência de irmãos semelhantes, informações conflitantes da
documentação com o que o adolescente diz, etc.
○ Em caso de descumprimento, aplica-se o crime do art. 232 do ECA.
● Direito à internação provisória por prazo limitado: se o juiz entender que o adolescente
deve ser internado, ele tem direito a ser internado por prazo limitado (art. 108, ECA);
○ O prazo máximo é de 45 dias, contados da data da apreensão;
○ Esse prazo pode ser relativizado quando a demora é atribuível à defesa ou em razão da
complexidade da causa, conforme construção doutrinária, mas não é tema pacífico;
○ Em caso de descumprimento desse prazo, aplica-se o art. 235 do ECA.
Art. 235. Descumprir, injustificadamente, prazo fixado nesta Lei em benefício de adolescente
privado de liberdade:
Pena - detenção de seis meses a dois anos.
● Direito de colocação em meio aberto, no caso de indisponibilidade de vagas: se inexistir
vaga para o cumprimento de medida de privação de liberdade, o adolescente tem direito a ser
incluído em programa em meio aberto, salvo se o ato for praticado com violência ou grave
ameaça à pessoa (art. 49, II, Lei do SINASE).
○ Nessa última hipótese, ele deve ser internado no local mais próximo de residência.
7. GARANTIAS PROCESSUAIS
● O adolescente tem todas as garantias processuais que o adulto tem;
● Contraditório, ampla defesa, devido processo legal, etc.
● Por serem garantias processuais, valem apenas a partir da formação válida da tríade
processual com a citação;
● Não valem, essas garantias, portanto, para o momento pré-processual;
● Devido processo legal: previsto no art. 110 do ECA;
● Pleno e formal conhecimento da atribuição: o adolescente tem que ter uma representação
com a descrição do fato (pleno conhecimento) e tem direito a ser citado pessoalmente
(conhecimento formal), conforme art. 184, §1º do ECA;
● Igualdade na relação processual: ele tem direito à produção de provas em paridade de armas
com a acusação;
● Defesa técnica por advogado: o adolescente deve estar assistido de advogado após a citação.
Na fase pré-processual, não há necessidade de assistência de advogado, já que se trata de uma
fase informal e inquisitorial;
● Ouvida pessoal: o adolescente deve ser pessoalmente ouvido (primeiro pelo delegado na
apreensão; depois, pelo juiz e, depois, pelo juiz);
○ Arts. 186, 124, I e 141 do ECA.
● Presença dos pais: os pais devem acompanhar o adolescente durante a apuração do ato
infracional, execução das medidas, na audiência, etc.
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8. MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS
● As medidas socioeducativas são uma resposta de natureza penal e finalidade pedagógica
aplicadas ao adolescente que pratica ato infracional;
● Possui três funções preponderantes, quais sejam:
○ Limitação ao poder punitivo estatal: redução da discricionariedade judicial e proteção
contra o menorismo;
○ Fazer cessar a conduta do adolescente: evitar reincidência e dissuadir o adolescente da
prática criminosa;
○ Função social de redução da criminalidade.
● Somente o juiz da Infância e Juventude pode aplicar as medidas socioeducativas;
Súmula 108, STJ: A aplicação de medidas sócio-educativas ao adolescente, pela prática de
ato infracional, é da competência exclusiva do juiz.
● Previstas no art 112 do ECA: advertência, obrigação de reparar o dano, prestação de serviço à
comunidade, liberdade assistida, semiliberdade e internação;
○ Trata-se de rol taxativo.
● Elas podem ser aplicadas isoladas ou cumulativamente, desde que compatíveis entre si.
8.1. Advertência
● É a medida mais branda de todas e consiste numa admoestação verbal;
● Encerra-se em si mesma, pois, uma vez aplicada, o processo deve ser extinto;
● É aplicada em audiência admonitória, que deve ser realizada, necessariamente, em juízo;
● Possui um caráter de orientação, direcionamento;
● Não vale como “antecedentes” (nem antecedentes criminais, nem infracionais).
8.2. Obrigação de reparar o dano
● É regida pela intranscendência, de modo que quem deve cumprir é o próprio adolescente,
respeitados seus limites;
● Não podem os pais serem obrigados a reparar o dano e, por isso, se o dano for eminentemente
patrimonial, é difícil a aplicação dessa medida, já que geralmente o adolescente não tem renda
própria;
● Consistente na restituição, compensação ou ressarcimento.
8.3. Prestação de serviços à comunidade
● Prevista no art. 117 do Estatuto da Criança e do Adolescente e prevê a execução de tarefas
gratuitas e de interesse geral para entidades assistenciais, hospitais, escolas e semelhantes;
● Embora possa ser determinada em acordo, não é voluntária, já que também pode ser
determinada em decisão judicial;
● Tempo máximo de 6 meses e limitada a 8 horas por semana.
8.4. Liberdade assistida
● Prevista no art. 118 do Estatuto, consiste em uma medida de acompanhamento, auxílio e
orientação do adolescente e de sua família;
● Há a figura de um orientador, que acompanha o núcleo familiar em tempo integral;
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● É a medida ideal, pois, por ter o orientador um maior controle do adolescente, as chances de
êxito e direcionamento à profissionalização e escolaridade são maiores;
● Exige revisão semestral;
● Tempo mínimo de 6 meses e máximo de 3 anos.
○ Esses prazos não estão na lei e derivam da doutrina. Por isso, deve-se observar
adequação, necessidade e proporcionalidade em sentido estrito.
8.5. Semiliberdade
● Prevista no art. 120 do Estatuto;
● Trata-se de medida restritiva da liberdade, mas não tão grave quanto a internação;
● A liberdade, isto é, a possibilidade de atividades externas é intrínseca à própria medida e
prescindem de autorização judicial;
● Não em hipóteses de cabimento previamente definidas;
● Exige revisão semestral.
8.6. Internação
● Prevista no art. 108 e 122 do Estatuto;
● É medida privativa de liberdade, que pode ou não ter atividades externas, desde que haja
autorização judicial;
○ A liberdade não é intrínseca à medida.
● Possui hipóteses de cabimento restritas: ato infracional com violência ou grave ameaça ou
reiteração em outras infrações graves;
Art. 122. A medida de internação só poderá ser aplicada quando:
I - tratar-se de ato infracional cometido mediante grave ameaça ou violência a pessoa;
II - por reiteração no cometimento de outras infrações graves;
● Para precisar o que é “infração grave”, deve-se analisar a gravidade concreta, isto é, as
circunstâncias específicas daquele caso concreto, de modo que a gravidade abstrata não basta;
● Possui alguns critérios norteadores na sua aplicação:
○ Brevidade: deve durar por um prazo mínimo necessário à readaptação e é ausente a
necessidade pedagógica (ex. prazo máximo, revisão semestral, liberação aos 21 anos,
etc);
○ Respeito à condição peculiar: ensino, profissionalização;
○ Excepcionalidade: a internação deve ser utilizada apenas em último caso e de forma
excepcional.
● Internação-sanção: é aquela que não é aplicada devido à gravidade do ato infracional, mas
sim porque o adolescente não cumpriu reiteradamente medidas impostas anteriormente por
meio de sentença ou não justificou o descumprimento;
Art. 122, III - por descumprimento reiterado e injustificável da medida anteriormente
imposta.
○ O prazo não pode ser superior a 3 meses;
○ Como regra, a medida que foi imposta e não está sendo cumprida é prestação de
serviço à comunidade ou liberdade assistida;
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○ Para decretação da internação-sanção, deve haver reiteração no descumprimento e
reiteração na não apresentação de justificação (reiteração em apenas um deles não
basta).
● Internação provisória: é determinada quando há indícios de materialidade e autoria e
necessidade imperiosa;
○ A necessidade imperiosa exige análise da gravidade do ato, repercussão social e
manutenção da ordem pública ou da segurançapessoal (art. 174, ECA).
9. APLICAÇÃO DAS MEDIDAS
9.1. Condições gerais
● As medidas devem ser aplicadas tendo em vista algumas condições gerais, quais sejam,
legalidade estrita, cumulatividade facultativa e substituição a qualquer tempo;
● A legalidade estrita respeita o art. 112 e sua taxatividade;
● A cumulatividade facultativa significa que elas podem ou não serem cumuladas com medidas
de proteção aplicáveis a crianças e adolescentes (art. 101, I a VI, ECA).
9.2. Individualização
● Ainda, deve-se respeitar a individualização das medidas;
● Isso ocorre com análise de proporcionalidade, que é análise sobre as circunstâncias e
gravidade da infração (art. 112, §1º);
● Deve ser analisada também a possibilidade de cumprimento pelo próprio adolescente e os
critérios do art. 100 do ECA;
● Ainda, não se pode esquecer das necessidades pedagógicas, que têm por objetivo o
fortalecimento dos vínculos familiares.
10. REMISSÃO
10.1. Aspectos gerais
● A remissão pode ser concedida judicial ou extrajudicialmente pelo Ministério Público;
● Quando for judicial, ela extingue o processo e, em caso de descumprimento, pode-se fazer
uso da internação-sanção, desde que preenchidos os requisitos para tal;
● Quando for extrajudicial, ela será causa de exclusão do processo e, em caso de
descumprimento, não há instrumentos de cogência e não é permitido fazer uso da
internação-sanção para forçar o adolescente a cumprir as condições;
○ O que o Ministério Público pode fazer, nesse caso, é representar contra o adolescente.
● Por isso, se a remissão for ajustada de forma condicional, é aconselhável que isso seja feito
judicialmente, justamente por causa dos instrumentos de cogência que podem ser utilizados.
10.2. Espécies
● Incondicionada: pura e simples. Não ajusta condição, o adolescente simplesmente é
“perdoado”;
● Condicionada: é remissão imprópria, pois pode ser cumulada com medidas em meio aberto
(meio fechado não).
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10.3. Parâmetros para concessão
● Previstos no art. 126 do Estatuto: circunstâncias e consequências do fato, contexto social do
fato e do infrator, personalidade e maior ou menor participação no ato infracional;
● Esses aspectos são analisados para saber se a remissão será concedida ou não ao adolescente.
Voltam-se para sua personalidade;
● Não é requisito para a concessão que o adolescente confesse a prática do ato infracional.
11. EXECUÇÃO DAS MEDIDAS
11.1. Aspectos gerais
● Regida pela Lei 12.954 (SINASE), que consagrou políticas de atendimento socioeducativo;
● A lei do SINASE repartiu as competências entre União, Estados e Municípios:
○ União: elabora política nacional de atendimento socioeducativo e contribui na parte de
orçamento e recursos financeiros;
○ Estados: execução de medidas socioeducativas em meio fechado;
○ Municípios: execução de medidas socioeducativas em meio aberto.
11.2. Fluxograma
● 1º passo: prolação de sentença determinando a aplicação de medida socioeducativa;
● 2º passo: encaminhamento da decisão para o programa, que remete para a entidade e sua
equipe técnica;
● 3º passo: a equipe técnica da entidade elabora o PIA e será montado um programa de
atendimento específico para aquele adolescente.
○ Nesse momento, deve haver participação do adolescente e de sua família;
○ A elaboração do PIA não é exclusivamente da equipe técnica (art. 53, Lei 12.594).
● 4º passo: elaborado o PIA, ele é juntado no processo e é dada vista, pelo prazo de 3 dias, ao
MP e ao defensor. Eles podem impugnar, modificar ou complementar o PIA (art 41 e ss., Lei
12.594);
○ Após, o PIA é homologado pelo juiz;
○ Conteúdo mínimo do PIA: art. 54, ECA + art. 55 (se semiliberdade ou internação).
● Prazo para elaboração:
○ Meio aberto (prestação de serviço ou liberdade assistida): 15 dias;
○ Meio fechado (semiliberdade ou internação): 45 dias, em razão da complexidade.
○ Podem ter acesso ao PIA o adolescente, o MP, o defensor e a equipe técnica.
12. SUBSTITUIÇÃO DAS MEDIDAS
● Podem ser substituídas a cada reavaliação semestral, conforme art. 42 da Lei 12.594;
○ Tanto para melhor, como para pior.
● Requisitos: art. 43, §1º, Lei 12.954;
○ Desempenho adequado do adolescente, adesão ao PIA (ainda que antes dos 6 meses)
→ progressão;
○ Inadaptação ao programa e reiterado descumprimento do PIA e suas atividades →
regressão;
○ A necessidade de maior restrição da liberdade (pode não implicar a substituição de
uma medida por outra e sim a modificação das condições da execução) → regressão.
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● É vedado utilizar como motivações únicas: gravidade do ato infracional, antecedentes e tempo
de duração da medida.
Art. 42, § 2º A gravidade do ato infracional, os antecedentes e o tempo de duração da medida
não são fatores que, por si, justifiquem a não substituição da medida por outra menos grave.
13. UNIFICAÇÃO DAS MEDIDAS
● Prevista no art. 45, Lei 12.954;
● Antes da unificação, MP e defesa devem ser ouvidos em prazo de 3 dias (prazo sucessivo);
● De regra, é vedado o reinício da contagem do prazo das medidas;
● Em duas medidas de igual natureza (ex. PSC, PSC), a de tempo maior absorve a de tempo
menor. Não se deve somar o tempo de cada uma das medidas;
● Se o ato infracional for cometido durante a execução de outra medida socioeducativa, quando
sobrevier a sentença, a medida “nova” prevalece sobre a antiga;
○ Assim, o adolescente não terminará o prazo da primeira medida. Será computado tudo
que ele cumpriu até a superveniência da segunda sentença determinando a aplicação
de MSE e, a partir desse marco, ele dá início ao cumprimento da nova medida (do
zero, claro).
● Não pode recomeçar o cumprimento da medida socioeducativa por ato infracional anterior à
execução de outro ato infracional (que só demorou para ser prolatada a sentença);
● Medidas diferentes e incompatíveis: a mais grave absorve a menos grave (ex. semiliberdade e
internação, internação absorve a semiliberdade);
● Medidas diferentes, mas compatíveis: cumprimento das duas em paralelo.
14. EXTINÇÃO DAS MEDIDAS
● Prevista no art. 46, Lei 12.954;
○ Morte do adolescente, cumprimento exitoso, aplicação de PPL (quando o adolescente
já está inserido no sistema penal adulto), condição de doença grave que impossibilite o
cumprimento e demais hipóteses.
Art. 46. A medida socioeducativa será declarada extinta:
I - pela morte do adolescente;
II - pela realização de sua finalidade;
III - pela aplicação de pena privativa de liberdade, a ser cumprida em regime fechado ou
semiaberto, em execução provisória ou definitiva;
IV - pela condição de doença grave, que torne o adolescente incapaz de submeter-se ao
cumprimento da medida; e
V - nas demais hipóteses previstas em lei.
15. PRESCRIÇÃO
● Não é prevista específica pelo ECA, tampouco pela Lei 12.594. Diante disso, antes, o
adolescente podia cumprir a medida socioeducativa até os 21 anos, ainda que este tivesse sido
aplicada quando ele tivesse 12 anos, por exemplo;
○ Para o adulto, a possibilidade de cumprimento da pena já tinha se extinguido nesse
prazo, porém o adolescente continuava sempre sendo procurado, estando submetido à
situação mais gravosa do que o adulto, que se beneficiava da prescrição;
○ Por isso, o STJ editou a súmula 338, a qual prevê a aplicação da prescrição penal a
adolescentes.
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● Assim, atualmente, utiliza-se a regra da prescrição (arts. 109 e 115, CP);
● O parâmetro será o tempo máximo de cada medida (tempo máximo da PSC é 6 meses e tempo
máximo das outras medidas é de 3 anos).
15.1. Pretensão punitiva
● Considera-se o prazo máximo das medidas socioeducativas em geral, qual seja, 3 anos.
● De acordo com o art. 109, CP, a prescrição em abstrato da pretensão punitiva será sempre de 4
anos (já com a redução etária);
● No caso de PSC, considera-se o prazo de 6 meses, que dá 3 anos e pela metade dá 1 ano e
meio;
○ A advertência e obrigação de reparar o dano também prescreve em 1 ano e meio.
15.2. Pretensão executória
● É quando a medida socioeducativa já está individualizada na sentença. Ou seja, parte da
premissa de que a sentença já foi prolatada;
● Advertênciae reparação do dano:
● Prestação de serviço à comunidade: 6 meses;
○ Prescrição em: 1 ano e meio.
● Liberdade assistida, semiliberdade e internação: 3 anos;
○ Prescrição: 4 anos.
15.3. Prescrição retroativa
● Deve-se lembrar dos marcos interruptivos: recebimento da representação, publicação da
sentença condenatória e publicação do acórdão, reincidência e fuga;
● Dependerá da medida específica que será aplicada na sentença ao adolescente.
15.4. Discriminação positiva
● Além de considerar o prazo previsto na legislação penal, deve-se ter em conta o princípio da
discriminação positiva, já que o adolescente não pode ter punição mais gravosa do que o
adulto teria, nas mesmas circunstâncias;
● Para casos de lesão corporal leve, por exemplo. Considerando que a pena é de 3 anos a 1 ano,
se o guri tiver 18 anos, a prescrição será de 2 anos (4 dividido pela metade, pois menor de 21).
Para o adolescente, se fosse seguido apenas o CP, o ato de lesão leve prescreveria em 4
(considerando o prazo máximo de prescrição da medida mais gravosa).
● Isso também deve ser considerado no caso concreto, de modo que o adolescente seja
beneficiado. Nessa situação, o prazo do adolescente será o mesmo do adulto maior de 18 e
menor de 21.
16. APURAÇÃO DE ATO INFRACIONAL
16.1. Fase policial
● Começa com a apreensão do adolescente, que pode ocorrer por mandado de busca ou
apreensão ou flagrante ou, ainda, pode ter início com o procedimento de adolescente infrator
(mediante elaboração de relatório de investigações).
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16.1.1. Flagrante
● A autoridade policial lavrará auto de apreensão em flagrante ou boletim de ocorrência
circunstanciada;
● Auto de apreensão em flagrante: lavrado quando o ato infracional foi praticado com violência
ou grave ameaça;
● Boletim de ocorrência circunstanciada: demais casos (art. 173, parágrafo único);
○ É mais informal, mais célere que o auto de apreensão em flagrante;
○ O delegado pode ou não escolher. Não se trata de obrigatoriedade.
Art. 173. Em caso de flagrante de ato infracional cometido mediante violência ou grave
ameaça a pessoa, a autoridade policial, sem prejuízo do disposto nos arts. 106, parágrafo
único, e 107, deverá:
I - lavrar auto de apreensão, ouvidos as testemunhas e o adolescente;
Parágrafo único. Nas demais hipóteses de flagrante, a lavratura do auto poderá ser substituída
por boletim de ocorrência circunstanciada.
● O adolescente não está sujeito ao indiciamento ao final do Procedimento de Apuração de Ato
Infracional (PAAI);
● Nesse caso, o adolescente deve ser encaminhado à autoridade policial competente (art. 172,
ECA) para elaboração de auto de apreensão ou boletim de ocorrência circunstanciada.
16.1.2. Mandado
● É quando o adolescente é apreendido por força de ordem judicial;
● Nesse caso, ele deve ser encaminhado imediatamente à autoridade judiciária competente (art.
171, ECA);
● O adolescente pode não ser liberado por:
○ Não comparecimento ou não localização dos pais e/ou responsáveis;
○ Gravidade do ato infracional, repercussão social e garantia de sua segurança pessoal
ou manutenção da ordem pública (art. 174) + requisitos que autorizam a decretação da
internação (art. 122, I e II).
Art. 174. Comparecendo qualquer dos pais ou responsável, o adolescente será prontamente
liberado pela autoridade policial, sob termo de compromisso e responsabilidade de sua
apresentação ao representante do Ministério Público, no mesmo dia ou, sendo impossível, no
primeiro dia útil imediato, exceto quando, pela gravidade do ato infracional e sua repercussão
social, deva o adolescente permanecer sob internação para garantia de sua segurança pessoal
ou manutenção da ordem pública.
○ Não ocorrendo uma das situações acima, o adolescente deve ser liberado para os pais
ou responsáveis mediante termo de compromisso.
○ Na sequência, a autoridade policial deve encaminhar cópia do boletim de ocorrência
circunstanciada para o Ministério Público (geralmente, se é lavrado auto de apreensão
não há liberação - justamente porque houve violência ou grave ameaça).
16.2. Fase judicial
● Só há o procedimento de apuração de ato infracional (PAAI) quando não for ajustada
remissão.
16.3. Procedimento
● Se o adolescente não for liberado, ele deve ser apresentado ao Ministério Público em 24 horas
(art. 175);
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● Se houver entidade de atendimento (exemplo: FASE), a autoridade policial pode encaminhar o
adolescente a ela para que, então, apresente-o ao Ministério Público;
○ Dessa maneira, a custódia do adolescente fica com essa entidade (o Ministério Público
não pode ficar com a custódia do guri).
● Se não houver entidade de atendimento apta a atendê-lo, ele fica sob custódia da autoridade
policial na própria Delegacia, mas em unidade separada. Caberá ao delegado apresentá-lo ao
Ministério Público;
Art. 175, § 2º Nas localidades onde não houver entidade de atendimento, a apresentação
far-se-á pela autoridade policial. À falta de repartição policial especializada, o adolescente
aguardará a apresentação em dependência separada da destinada a maiores, não podendo, em
qualquer hipótese, exceder o prazo referido no parágrafo anterior.
● O adolescente é ouvido pelo Ministério Público e volta para a Delegacia ou entidade de
atendimento e fica no aguardo de prolação de decisão judicial (prazo máximo de 24 horas).
○ Em algumas situações, o Estatuto excepciona esse prazo, prevendo o lapso de 5 dias.
Se a situação não for resolvida ao final do prazo, o adolescente deve ser liberado
mesmo assim.
16.4. Fase ministerial
● A apresentação do adolescente ao Ministério Público é informal e há entendimento
majoritário de que não é obrigatória;
Art. 179. Apresentado o adolescente, o representante do Ministério Público, no mesmo dia e à
vista do auto de apreensão, boletim de ocorrência ou relatório policial, devidamente autuados
pelo cartório judicial e com informação sobre os antecedentes do adolescente, procederá
imediata e informalmente à sua oitiva e, em sendo possível, de seus pais ou responsável,
vítima e testemunhas.
Parágrafo único. Em caso de não apresentação, o representante do Ministério Público
notificará os pais ou responsável para apresentação do adolescente, podendo requisitar o
concurso das polícias civil e militar.
● A oitiva informal não é critério de procedibilidade (não está sujeita às regras dos arts. 158 e
ss. do Código de Processo Penal);
● O Promotor já poderia ajustar medidas nessa ocasião. Todavia, em razão da ausência desses
critérios de procedibilidade e de fundamentação, ele fica sem saída;
● Se na oitiva não surgirem indícios de autoria e materialidade não poderá ser oferecida
representação.
○ Há dois entendimentos nesse caso: Ministério Público libera ou manda para a
autoridade policial para que esta libere.
● Se o adolescente não for liberado, deve ser oferecida representação com pedido de internação
provisória.
● Se o guri não vem da DP, o Ministério Público aguarda a autuação do Procedimento de
Apuração de Ato Infracional, designa audiência e notifica o adolescente e responsáveis para
comparecimento;
○ Se houver comparecimento: realização de oitiva informal;
○ Se não houver comparecimento: segundo o ECA, deve haver condução coercitiva do
adolescente; todavia, segundo a ADPF 395, o acusado não pode ser conduzido
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coercitivamente para o interrogatório. Por analogia, tem-se aplicado esse entendimento
também para o adolescente.
● A partir da audiência de apresentação, o Promotor tem 3 opções:
○ Oferecer representação;
○ Promover o arquivamento;
○ Ajustar remissão.
16.5. Fase judicial
● Tem início quando o Ministério Público pede a homologação da remissão ou do arquivamento
ou recebimento da representação;
● Se o Ministério Público promove o arquivamento ou ajusta remissão e o juiz concorda, ele
homologa;
○ Se o juiz discordar, ele deve remeter os autos para o Procurador-Geral de Justiça para
que este represente, nomeie outro membro do Ministério Público ou ratifique a
promoção de arquivamento (art. 181, §2º).
● Se foi oferecida representação, ojuiz analisa se receberá ou não a representação, defere ou
indefere eventual pleito de internação, determina a citação do adolescente e seus responsáveis
e notifica-os para audiência de apresentação;
○ Diferentemente do CPP, a oitiva do adolescente é no início (STJ entendeu que o ECA
é norma especial que prevalece sobre a geral);
○ Se o pedido de internação formulado for deferido, a autoridade policial deve
encaminhar o adolescente até a entidade fixada e transferi-lo. Essa transferência deve
ser imediata e, se não for, o prazo máximo que o adolescente pode aguardar em
repartição policial é de 5 dias. Se na comarca não houver entidade apta a atendê-lo, a
transferência deve ser para a entidade mais próxima.
● Quando o adolescente não é encontrado, o processo não prossegue sem sua presença. Nesse
caso, aplica-se o art. 184, §3º, que determina a busca e apreensão;
● Diferentemente, se o adolescente, embora tenha sido localizado, não comparecer
injustificadamente, o Estatuto determina a condução coercitiva. Nessa esteira, aplica-se o
entendimento da ADPF 395 (não é possível conduzi-lo para interrogatório);
● Se os pais, notificados, não comparecerem no processo, deve ser designado curador especial
nos autos e o processo segue (geralmente é nomeada a Defensoria Pública);
● Se o juiz ajusta remissão como forma de suspensão do processo, o adolescente deve executar
a medida. Se for como extinção do processo, arquiva-se.
● Ele pode também não ajustar a remissão. Nesse caso, o processo segue;
○ Oferecimento de defesa prévia com rol de testemunhas em 03 dias (art. 186, §2º).
16.6. Recursos
● Todo o sistema recursal da infância e juventude é fundado no sistema processual civil,
conforme art. 198;
● Prazo: 10 dias, salvo embargos de declaração.
SISTEMA DE PREVENÇÃO
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1. ASPECTOS GERAIS
● É dever de todos prevenir a ameaça ou violação dos direitos da criança e do adolescente (art.
70, ECA);
○ Não há consequências para violação. Por isso, afirma-se ser norma de cunho moral,
mas não jurídico, já que estipula uma recomendação/orientação de conduta e não
imposição.
● Somente o art. 70-A que trata das obrigações dos entes públicos quanto à prevenção de maus
tratos contra criança e adolescente:
Art. 70-A. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios deverão atuar de forma
articulada na elaboração de políticas públicas e na execução de ações destinadas a coibir o
uso de castigo físico ou de tratamento cruel ou degradante e difundir formas não violentas de
educação de crianças e de adolescentes, tendo como principais ações: …
● Todas as entidades públicas e privadas que atuem na área da infância e juventude (cultura,
lazer, esportes, diversões, espetáculos e produtos e serviços, conforme art. 71 do Estatuto)
devem contar com pessoas capacitadas a reconhecer comunicar ao Conselho Tutelar suspeitas
ou casos de maus-tratos (art. 70-B, ECA);
○ Também não há consequências específicas pelo descumprimento, razão pela qual se
aplica o art. 245 do Estatuto (infração administrativa).
Art. 245. Deixar o médico, professor ou responsável por estabelecimento de atenção à saúde e
de ensino fundamental, pré-escola ou creche, de comunicar à autoridade competente os casos
de que tenha conhecimento, envolvendo suspeita ou confirmação de maus-tratos contra
criança ou adolescente:
Pena - multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de
reincidência.
● Tradicionalmente, o sistema de prevenção sempre foi sobre três eixos: acesso a produtos e
serviços inadequados, acesso à liberdade de locomoção e acesso à informação e espetáculos
públicos de diversão e cultura.
2. ACESSO A TRANSPORTES E AUTORIZAÇÃO PARA VIAJAR
● Arts. 83 a 85, ECA + resolução 131, CNJ (viagem internacional) + resolução 295, CNJ
(nacional) + Lei 13.812/2019;
● Para dentro do território nacional, basta que um dos pais ou responsáveis autorizem. Para
viagem internacional, ambos devem autorizar;
● Viagem nacional:
○ Pessoas com mais de 16 anos: desacompanhadas;
○ Pessoas com até 16 anos: desacompanhadas para comarca contígua do mesmo Estado
ou região metropolitana; expressamente autorizados por pai, mãe ou responsável
(escritura pública ou reconhecimento de firma);
○ Pessoas com até 16 anos: acompanhadas de algum dos pais ou responsável; de parente
de até 3º grau; de adulto expressamente autorizado pelos pais ou responsáveis.
● Na viagem nacional, a autorização judicial é praticamente inexistente na prática. Só se o
próprio adolescente pedir porque os pais não precisarão;
● Viagem internacional:
○ Desacompanhados: autorização dos pais ou responsáveis, com firma reconhecida;
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○ Acompanhados: dos pais, de somente um deles (desde que com a autorização do
outro) ou com terceiros maiores e capazes (desde que haja documento expresso dos
pais com firma).
● Criança com nacionalidade brasileira não pode viajar com estrangeiro não residente no Brasil;
● Se não houver essa autorização prévia pelo ECA ou CNJ, pode ser pleiteada autorização
judicial;
● Se for necessária essa autorização judicial, ela será válida por até 2 anos;
● A Lei 13.726 prevê a possibilidade dos pais estarem presentes no embarque para autorizar a
viagem internacional naquele momento ali, sem necessidade de reconhecimento de firma;
● O art. 251 poderá ser aplicado para quem transportar a criança ou adolescente sem a
observância da autorização legal ou judicial.
Art. 251. Transportar criança ou adolescente, por qualquer meio, com inobservância do
disposto nos arts. 83, 84 e 85 desta Lei:
Pena - multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de
reincidência.
3. HOSPEDAGEM
● É proibida a hospedagem de criança ou adolescente desacompanhado dos pais, mesmo
naquelas situações em que o adolescente pode viajar desacompanhado;
● A hospedagem só poderá ocorrer mediante autorização dos pais (art. 82).
4. CLASSIFICAÇÃO ETÁRIA
● A classificação etária é indicativa, não é autorizativa ou compulsória (ADI 2404-2016);
● Não é vedação ou censura;
○ Conteúdo para 18 anos o adolescente precisa ter 16 anos.
○ Crianças com menos de 10 anos desacompanhadas, no cinema, por exemplo, também
não podem.
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