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1 E.E. ANTÔNIO CANELA História – Prof. José Reinaldo Pereira / 3º EJA República Velha (1889 a 1930) No dia 15 de novembro de 1889, foi proclamada a República no Brasil; formou-se o governo provisório que iria dirigir o país sob o comando do Marechal Deodoro. O Governo Provisório, assim formado, decretou o regime republicano e federalista e a transformação das antigas províncias em "estados" da federação. O Brasil chamava-se, agora, com a República, "Estados Unidos do Brasil". Em caráter de urgência, foram tomadas também as seguintes medidas: • a "grande naturalização", que ofereceu a cidadania a todos os estrangeiros residentes; • a separação entre Igreja e Estado e o fim do padroado; • a instituição do casamento e do registro civil. • "encilhamento", adotado por Rui Barbosa, então ministro da Fazenda. Que consiste na emissão de dinheiro em grande quantidade que redundou numa desenfreada especulação na Bolsa de Valores. • Federalismo: províncias transformadas em estados-membros da federação com maior autonomia. • Bandeira da República: Criada a bandeira nacional com lema positivista: "Ordem e Progresso". Primeira Constituição republicana A nova Constituição organizou o governo em três poderes autônomos: • Poder Legislativo - exercido pelo Congresso Nacional (Câmara dos Deputados e Senado). • Poder Executivo - exercido pelo presidente da República. • Poder Judiciário - exercido pelo Supremo Tribunal Federal. Entre os direitos dos cidadãos, a Constituição estabeleceu: a igualdade de todos perante a lei; liberdade religiosa e separação entre o Estado e a Igreja; a inviolabilidade do lar e o sigilo da correspondência (isto é, todos teriam o direito de não ter a casa invadida nem a correspondência aberta); a manutenção da propriedade particular; o livre exercício de qualquer profissão; a liberdade de associação e de manifestação de pensamento; o casamento civil; o ensino leigo (não religioso) nas escolas públicas; para votar e ser votado, o cidadão já não precisaria ter renda mínima anual. Bastaria ser maior de 21 anos e do sexo masculino, desde que não fosse mendigo, analfabeto, soldado raso ou membro de ordem religiosa. Principais Fases • República da Espada (1889-1894) - corresponde aos governos militares de Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, responsáveis pela instalação e consolidação do regime republicanos no Brasil. • Governo Provisório (1889-1891) - Marechal Deodoro, foi eleito presidente pelo Congresso entre tanto sofrera constantes pressões do Congresso. O presidente buscou o apoio dos governos dos estados. Na oposição estavam o mais poderoso dos estados - São Paulo - e o mais influente dos partidos - o PRP (Partido Republicano Paulista). Encilhamento, ilustração do Pereira Neto. Revista Ilustrada, 1890. Em 1891, depois de um ano de orgia especulativa, Rui Barbosa se deu conta do caráter irreal de sua medida e tentou remediá-la, buscando unificar as emissões no Banco da República dos Estados Unidos do Brasil. Mas a demissão coletiva do ministério naquele mesmo ano frustrou a sua tentativa. A grande marca de seu governo foi a política económica adotado por Rui Barbosa, denominada Encilhamento que consistia na emissão de dinheiro em grande quantidade que redundou numa desenfreada especulação na Bolsa de Valores. Por isso, o resultado foi muito diverso do esperado: em vez de estimular a economia a crescer, desencadeou uma onda especulativa. Os especuladores criaram projetos mirabolantes e irrealizáveis e, em seguida, lançaram as suas ações na Bolsa de Valores, onde eram vendidas a alto preço. Desse modo, algumas pessoas fizeram fortunas da noite para o dia, enquanto seus projetos permaneciam apenas no papel. 2 E.E. ANTÔNIO CANELA História – Prof. José Reinaldo Pereira / 3º EJA Sem levar em conta a proibição constitucional, Deodoro fechou o Congresso e decretou o estado de sitio, a fim de neutralizar qualquer reação e tentar reformar a Constituição, no sentido de conferir mais poderes ao Executivo. Porém, o golpe fracassou. As oposições - tanto civis como militares - cresceram e culminaram com a rebelião. Deodoro renunciou, assumindo em seu lugar Floriano Peixoto. Floriano Peixoto (1891-1894). A ascensão de Floriano foi considerada como o retorno à legalidade. As Forças Armadas - Exército e Marinha e o Partido Republicano Paulista apoiaram o novo governo. Os primeiros atos de Floriano foram: a anulação do decreto que dissolveu o Congresso; a derrubada dos governos estaduais que havi am apoiado Deodoro; o controle da especulação financeira e da especulação com gêneros alimentícios, através de seu tabelamento. Tais medidas desencadearam, imediatamente, violentas reações contra Floriano. Para agravar ainda mais a situação, a esperada volta à legalidade não aconteceu. De fato, para muitos, era preciso convocar rapidamente uma nova eleição presidencial, conforme estabelecia o artigo 42 da Constituição. Entretanto Floriano não convocou nova eleição e permaneceu no firme propósito de concluir o mandato do presidente renunciante. A alegação de Floriano era de que a lei só se aplicava aos presidentes eleitos diretamente pelo povo. Ora, como a eleição do primeiro presidente fora indireta, feita pelo Congresso, Floriano simplesmente ignorou a lei. Devido à resistência de Floriano em realizar as eleições inicia-se uma série de revoltas no país; • A revolta da Armada organizada por generais; exigiam que a Constituição fosse respeitada e as eleições realizadas imediatamente • A revolução federalista. No Rio Grande do Sul, desde 1892, uma grave dissensão política con duzira o Partido Republicano Gaúcho e o Federalista ao confronto armado. Os partidários do primeiro, conhecidos como "pica-paus", eram apoiados por Floriano, e os do segundo, chamados de "maragatos", aderiram à rebelião de Custódio de Melo. Floriano, o Marechal de Ferro. Contra as rebeliões armadas, Floriano agiu energicamente, graças ao apoio do Exército e do PRP (Partido Republicano Paulista), o que lhe valeu a alcunha de Marechal de Ferro. Retomando o controle da situação ao reprimir as revoltas, Floriano aplainou o caminho para a ascensão dos civis. A "política dos governadores". Criada por Campos Sales (1898-1902), a "política dos governa dores" consistia no seguinte: o presidente da República apoiava, com todos os meios ao seu alcance, os governadores estaduais e seus aliados (oligarquia estadual dominante) e, em troca, os governadores garantiriam a eleição, para o Congresso, dos candidatos oficiais. Desse modo, o poder Legislativo, constituído por deputados e senadores aliados do presidente - poder Executivo -, aprovava as leis de seu interesse. Estava afastado assim o conflito entre os dois poderes. Em cada estado existia, portanto, uma minoria (oligarquia) dominante, que, aliando-se ao governo federal, se perpetuava no poder. Existia também uma oligarquia que dominava o poder federal, representada pelos políticos paulistas e mineiros. Essa aliança entre São Paulo e Minas - que eram os estados mais poderosos, cujos líderes políticos passaram a se revezar na presidência, ficou conhecida como a "política do café com leite". As eleições na República Velha não eram, como hoje, garantidas por uma justiça eleitoral. A aceitação dos resultados de um pleito era feita pelo poder Legislativo, através da Comissão de Verificação. Essa comissão, formada por deputados, é que oficializava os resultados das eleições. O presidente da República podia, portanto, através do controle que tinha sobre a Comissão de Verificação, legalizar qualquer resultado que conviesse aos seus interesses, mesmo no caso de fraudes, que, aliás, não eram raras. O título de "coronel”, recebido ou comprado, era uma patente da Guarda Nacional,durante a Regência, como já vimos. Geralmente, o termo era utilizado para designar os fazendeiros ou comerciantes mais ricos da cidade e havia se espalhado por todos os municípios. Em tomo dos coronéis giravam o membro das oligarquias locais e regionais. O seu poder residia no controle que exerciam sobre os eleitores. Todos eles tinham o seu "curral" eleitoral, isto é, eleitores cativos que votavam sempre nos candidatos por eles indicados, em geral através de troca de favores fundados na relação de compadrio. Assim, os votos despejados nos candidatos dos coronéis ficaram conhecidos como "votos de cabresto". Porém, quando a vontade dos coronéis não era atendida, eles a impunham com seus bandos armando jagunços, que garantiam a eleição de seus candidatos pela violência. A importância do coronel media-se, portanto, por sua capacidade de controlar o maior número de votos, dando- lhe prestigio fora de seu domínio local. Dessa forma, conseguia obter favores dos governantes estaduais ou federais, o que, por sua vez, lhe dava condições para preservar o seu domínio.