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HISTÓRIA DO BRASIL COM RODRIGO BIONE 1
2 HISTÓRIA DO BRASIL COM RODRIGO BIONE
PROCESSO DE
PROCLAMAÇÃO 
DA REPÚBLICA.
ESQUEMA DE AULA.
 ƍ Os militares ganharam muita força após a vitória 
brasileira na Guerra do Paraguai. 
 қ Essa classe se sentia sub-representada 
politicamente. Além disso, os militares 
costumavam ser censurados quando 
expressavam opiniões publicamente.
 ƍ O Manifesto Republicano: 1870.
 қ Escrito por por Quintino Bocaiúva, expressa os 
novos ideais da elite paulista do PRP (Partido 
Republicano Paulista). 
 ƍ 1887: criação do Clube Militar.
 қ Influenciado pelos ideais positivistas.
 қ Participação de figuras como Benjamin 
Constant e Deodoro da Fonseca.
 ƍ O último baile da Ilha Fiscal.
 қ Última grande festa do período monárquico.
 қ D. Pedro II sabia que não poderia conter o 
movimento republicano. 
 ƍ 15 de novembro de 1889: a República é 
proclamada.
 қ O movimento foi antecipado, após a difusão 
de boatos sobre uma possível repressão 
monarquista sobre o Clube Militar.
 қ Deodoro assume como primeiro presidente do 
Brasil e Floriano, como seu vice.
 қ D. Pedro II foi exilado e morreu em Paris dois 
anos mais tarde.
A Primeira República (1889 - 1930)
 ƍ Período histórico dividido em duas etapas: 
República da Espada (1889 - 1894) e República 
Oligárquica (1895 - 1930).
A República da Espada (1889 - 1894)
 ƍ O nome do período é referência ao destaque de 
militares na centralização do poder. Essa classe, 
no geral, tinha muito poder político. 
 ƍ Governo do Marechal Deodoro da 
Fonseca (1889 - 1891)
 қ Após o golpe que instituiu a 
República, Deodoro passou a 
comandar o Governo Provisório. 
 қ O Governo Provisório assumiu 
a responsabilidade de iniciar a 
transição para a República e convocar uma 
nova Constituinte. 
 ◼ Uma comissão foi formada para elaborar a 
Constituição (com destaque para a figura de 
Rui Barbosa), documento posteriormente 
revisado e assinado pelo Legislativo.
 ƍ A Constituição de 1891 estabeleceu as seguintes 
mudanças:
 қ Consolidação do republicanismo.
 қ Estabelecimento do sistema federalista.
 ◼ A assembleia de cada estado federativo 
poderia elaborar sua própria Constituição 
(sem contrariar a Constituição Federal). 
 ◼ Apesar do estabelecimento do federalismo, 
o período da República da Espada é 
marcado pela grande centralização política. 
 ◼ Isso vai ser modificado no período 
político subsequente, conhecido como 
República Oligárquica.
HISTÓRIA DO BRASIL COM RODRIGO BIONE 3
 қ Regime presidencialista.
 ◼ Foi estabelecido que o presidente seria 
a autoridade máxima do país, escolhida 
a cada quatro anos através de eleições 
diretas. 
 ◼ Contudo, houve uma exceção: a primeira 
eleição pós-governo provisório foi 
indireta. Deodoro da Fonseca utilizou 
esse artifício para garantir a sua vitória. 
 қ O voto.
 ◼ Sufrágio universal para homens a 
partir dos 21 anos, com a exclusão de 
analfabetos, mendigos e soldados rasos. 
 ◼ Nesse período da República Velha, o voto 
não era secreto.
 ◼ Lembrete: mulheres só puderam votar a 
partir de 1932 e analfabetos, 1988. 
 қ Separação entre Igreja e Estado.
 ƍ Em 1891, foram realizadas eleições indiretas. 
 қ Deodoro foi eleito presidente, e Floriano 
Peixoto, seu vice. 
 қ Política econômica e monetária (idealizada 
por Rui Barbosa):
 ◼ O objetivo fixado era desenvolver a 
indústria nacional.
 ◼ Para atingir esse fim, houve a expansão 
dos empréstimos oferecidos por bancos 
para indústrias nascentes, sem que fosse 
investigada a real condição das empresas 
em pagar o dinheiro. 
 ƍ Isso gerou grande proliferação de "empresas 
fantasmas". Algumas delas fecharam logo após 
receberem o empréstimo e, mesmo assim, suas 
ações fictícias continuavam na bolsa de valores. 
 ◼ Esse cenário aumentou muito a 
circulação de dinheiro, resultando em 
alto percentual inflacionário.
 ◼ Essa política econômica ficou conhecida 
por “Encilhamento”.
 қ O início do governo de Deodoro foi marcado 
pelo autoritarismo, que culminou no 
fechamento do Congresso.
 қ Como reação a essa medida, ocorreu a primeira 
Revolta da Armada, conduzida por grupos da 
Marinha opositores ao governo de Deodoro. 
 ◼ O grande líder do movimento de oposição 
foi Custódio de Melo. 
 ◼ Os marinheiros também estavam 
insatisfeitos porque, além de terem 
menos força política que os membros do 
Exército, recebiam salários mais baixos. 
 ◼ Navios da marinha brasileira foram 
tomados pelos revoltosos e seus canhões 
atiraram contra o Rio de Janeiro. 
 қ Essa crise militar e o fenômeno do 
"encilhamento" forçaram a renúncia de 
Deodoro.
 ƍ O Governo de Floriano Peixoto, o 
Marechal de Ferro (1891 - 1894):
 қ A posse de Floriano foi polêmica.
 ◼ A Constituição de 1891 
afirmava que, caso a 
renúncia do presidente 
acontecesse nos dois primeiros 
anos do mandato, novas eleições 
deveriam ser convocadas. 
 ◼ No entanto, Floriano utilizou a brecha 
de que a eleição de Deodoro havia sido 
indireta e a regra exposta acima só 
passaria a vigorar a partir das eleições 
seguintes. 
 қ O governo de Floriano foi caracterizado pela 
unificação nacional em torno dos ideais 
republicanos.
 ◼ Floriano enfrentou duas grandes revoltas: 
a Segunda Revolta da Armada (1892 - 
1894) e a Revolução Federalista (1893 - 
1895), e a sua postura firme na repressão 
delas lhe rendeu a alcunha de "Marechal 
de Ferro".
 қ A Segunda Revolta da Armada (1892 - 1894):
 ◼ A Marinha, liderada por Custódio de 
Melo, se contrapôs à posse de Floriano.
 ◼ Assim como na primeira Revolta 
da Armada, o Rio de Janeiro foi 
bombardeado. 
 ƍ Isso provocou a transferência momentânea do 
status de capital para Petrópolis. 
4 HISTÓRIA DO BRASIL COM RODRIGO BIONE
 ◼ Floriano recebeu o apoio da marinha 
estadunidense, que ajudou a derrotar os 
revoltosos. 
 ƍ Vários marinheiros fugiram para o Sul do Brasil, 
onde apoiaram a Revolução Federalista. 
 қ Revolução Federalista (1893 - 1895):
 ◼ Estopim: Floriano Peixoto nomeou 
Júlio Castilhos como governador do Rio 
Grande do Sul. 
 ƍ Esse ato provocou a insatisfação da população 
local, a qual buscava mais autonomia e defendia a 
concretização do modelo federalista. 
 ◼ Dois partidos estavam em lados opostos: 
Partido Republicano Rio-Grandense 
(comandado por José de Castilhos 
e apoiado por Floriano) e Partido 
Federalista (liderado por Gaspar Silveira 
Martins).
 ◼ Os revoltosos chegaram a dominar os 
estados do Paraná e Santa Catarina.
 ◼ Após o fim da segunda Revolta da Armada, 
marinheiros se uniram aos federalistas. 
 ◼ Disputas internas enfraqueceram os 
federalistas.
 ƍ Quando a cidade de Desterro, capital de Santa 
Catarina, foi reconquistada pelas tropas leais a 
Floriano, ela passou a se chamar Florianópolis.
 ◼ A Revolução Federalista terminou 
definitivamente no governo do 
presidente seguinte, Prudente de Moraes. 
Um acordo permitiu a continuidade do 
mandato de Júlio de Castilhos e a anistia 
aos revoltosos. 
 ƍ Fim do Governo de Floriano Peixoto:
 қ Após o término do mandato de Floriano, em 
1894, Prudente de Moraes foi eleito de forma 
direta e se tornou o primeiro presidente civil 
da história do Brasil. 
 ◼ Ele recebeu forte apoio dos cafeicultores 
paulistas.
 ◼ Esse é o marco do fim da República da 
Espada e início da República Oligárquica. 
TEXTOS AUXILIARES.
O Manifesto Republicano (1870).
"Não reconhecendo nós outra soberania mais do que a 
soberania do povo, para ela apelamos. Nenhum outro 
tribunal pode julgar-nos: nenhuma outra autoridade 
pode interpor-se entre ela e nós. Como homens livres e 
essencialmente subordinados aos interesses da nossa 
pátria, não é nossa intenção convulsionar a sociedade 
em que vivemos. Nosso intuito é esclarecê-la. [...] 
As armas da discussão, os instrumentos pacíficos 
da liberdade, a revolução moral, os amplos meios de 
direito [...] bastam [...] para a vitória de nossa causa, 
que é a causa do progresso e grandeza da nossa pátria."
Renúncia de Deodoro da Fonseca (1891).
"Circunstâncias extraordinárias, para asquais não 
concorri, perante Deus o declaro, encaminharam 
os fatos a uma situação excepcional e não prevista. 
Julguei conjurar tão temerosa crise pela dissolução do 
Congresso, medida que muito me custou, mas de cuja 
responsabilidade não me eximo. [...] As condições 
em que nestes últimos dias, porém, se acha o país, a 
ingratidão daqueles para quem mais me sacrifiquei, 
e o desejo de não atear-se a guerra civil em minha 
pátria, aconselho-me a resignar o poder nas mãos do 
funcionário a quem incube substituir-me".
O Encilhamento - Comentário do Visconde 
de Taunay:
"O governo, [...] visando efeitos imediatos, como que 
esquecido do futuro e do rigor da lógica, a amontoar 
premissas de que deviam fatalmente decorrer as mais 
perigosas consequências, o governo, com a faca e o 
queijo na mão, promulgava decretos sobre decretos, 
expedia avisos e mais avisos, concessões de todas as 
espécies, garantias de juros, subvenções, privilégios, 
favores sem fim, sem conta, sem nexo, sem plano [...] 
Pululavam os bancos de emissão e quase diariamente 
se viam na circulação monetária notas de todos os 
tipos, algumas novinhas, faceiras, artísticas, com 
figuras de bonitas mulheres e símbolos elegantes, 
outras sarapintadas às pressas, empastadas de largos 
e nojentos borrões".
HISTÓRIA DO BRASIL COM RODRIGO BIONE 5
Floriano Peixoto, em seu discurso de 
posse, promete austeridade fiscal e 
mudança da política monetária: 
A administração da fazenda pública com a mais 
severa economia e a maior fiscalização no emprego da 
renda do Estado será uma das minhas preocupações. 
Povos novos e onerados de dívidas nunca foram 
povos felizes, e nada aumenta mais as dívidas dos 
estados do que as despesas sem proporção com os 
recursos econômicos da nação, com as forças vivas do 
trabalho, das indústrias e do comércio, o que produz 
o desequilíbrio dos orçamentos, o mal estar social, 
a miséria. Espero que, fiscalizada e economizada a 
fazenda pública, mantida a ordem no País, a paz com 
as nações estrangeiras sem quebra da nossa honra 
e dos nossos direitos, animado o trabalho agrícola 
e industrial e reorganizado o regime bancário, os 
abundantes recursos do nosso solo vaporização 
progressivamente o nosso meio circulante, depreciado 
para as permutas internacionais, e fortificarão o nosso 
credito no interior e no exterior.
Cidadania e República (José Murilo de 
Carvalho, “Os Bestializados: o Rio de 
Janeiro e a República que não foi”).
“‘A República que não foi’. Em frase que se tornou 
famosa, Aristides Lobo, o propagandista da República, 
manifestou seu desapontamento com a maneira pela 
qual foi proclamado o novo regime. Segundo ele, o 
povo, que pelo ideário republicano deveria ter sido 
protagonista dos acontecimentos, assistira a tudo 
bestializado, sem compreender o que se passava, 
julgando ver talvez uma parada militar”.
Sobre o voto (José Murilo de Carvalho, 
“Os Bestializados: o Rio de Janeiro e a 
República que não foi”). 
Sendo função social antes que direito, o voto era 
concedido àqueles a quem a sociedade julgava 
poder confiar sua preservação. No Império, como na 
República, foram excluídos os pobres (seja pela renda, 
seja pela exigência da alfabetização), os mendigos, as 
mulheres, os menores de idade [menores de 21], as 
praças de pré (soldados e marinheiros), os membros 
de ordens religiosas. Ficava fora da sociedade política 
a grande maioria da população. 
Algumas mudanças, como a eliminação do Poder 
Moderador, do Senado Vitalício e do Conselho de 
Estado e a introdução do federalismo, tinham, sem 
dúvida, inspiração democratizante, na medida em que 
buscavam desconcentrar o exercício do poder. Mas, 
não vindo acompanhadas por expansão significativa 
da cidadania política, resultaram em entregar o 
governo mais diretamente aos setores dominantes, 
tanto rurais quanto urbanos.
Revolta da Armada (“Triste fim de 
Policarpo Quaresma”, Lima Barreto).
"O almirante, também, tinha grande 
confiança nos talentos guerreiros e 
de estadista de Floriano. A sua causa 
não ia lá muito bem. Perdera-a em 
primeira instância, estava gastando 
muito dinheiro... O governo precisava 
de oficiais de Marinha, quase todos 
estavam na revolta".