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QUIMIOTERAPIA: CONCEITO, 
MODALIDADES E ASPECTOS 
DE BIOSSEGURANÇA 
Unidade 1
Neoplasias
Diretor Executivo 
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Gerente Editorial 
ALESSANDRA FERREIRA
Projeto Gráfico 
TIAGO DA ROCHA
Autoria 
 FLÁVIA DEFFERT 
4 QUIMIOTERAPIA: CONCEITO, MODALIDADES E ASPECTOS DE BIOSSEGURANÇA
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​​Flávia​Deffert​​
Sou formada em farmácia pela Universidade Federal 
do Paraná, onde também cursei o mestrado em Ciências 
Farmacêuticas. Já dei aulas para ensino técnico e graduação de 
elementos de farmacologia e farmacotécnica. Hoje curso pós-
graduação lato sensu em Gestão por Processos e da Qualidade 
e em Gestão de Serviços de Saúde na FAE Business School. 
Atualmente, trabalho como farmacêutica na diretoria técnica 
da FUNEAS, sob supervisão da Gerência de Apoio em Serviços 
Médicos. Sou apaixonada por aprender e por ensinar. Amo o 
que faço e pretendo fazer a diferença na sua profissão. Por isso 
fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de 
autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você 
nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo!
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ÍC
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Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que:
OBJETIVO
Para o início do 
desenvolvimento 
de uma nova 
competência. DEFINIÇÃO
Houver necessidade 
de apresentar um 
novo conceito.
NOTA
Quando necessárias 
observações ou 
complementações 
para o seu 
conhecimento.
IMPORTANTE
As observações 
escritas tiveram que 
ser priorizadas para 
você.
EXPLICANDO 
MELHOR
Algo precisa ser 
melhor explicado ou 
detalhado.
VOCÊ SABIA?
Curiosidades e 
indagações lúdicas 
sobre o tema em 
estudo, se forem 
necessárias.
SAIBA MAIS
Textos, referências 
bibliográficas 
e links para 
aprofundamento do 
seu conhecimento.
ACESSE
Se for preciso acessar 
um ou mais sites 
para fazer download, 
assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast.
REFLITA
Se houver a 
necessidade de 
chamar a atenção 
sobre algo a 
ser refletido ou 
discutido.
RESUMINDO
Quando for preciso 
fazer um resumo 
acumulativo das 
últimas abordagens.
ATIVIDADES
Quando alguma 
atividade de 
autoaprendizagem 
for aplicada. TESTANDO
Quando uma 
competência for 
concluída e questões 
forem explicadas.
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 Quimioterápicos e neoplasias ................................................ 9
Quimioterápicos e terapia antineoplásica: o que é? Qual é a 
diferença? ............................................................................................................ 9
Neoplasia: etiologia e bases patofisiológicas da doença .........................12
Oncogênese física .............................................................................................16
 Oncogênese biológica .....................................................................................17
Bases patofisiológicas da doença .......................................... 20
Etapas da oncogênese ......................................................................20
Bases moleculares da oncogênese .................................................22
Mediadores químicos da oncogênese ...........................................25
Classificação das neoplasias ...........................................................30
Estadiamento de cânceres ................................................................32
Fatores influenciadores para o aparecimento de 
neoplasias ............................................................................... 35
Prevenção e detecção de neoplasias ............................................................35
Prevenção e diagnóstico do câncer ..............................................................39
Tratamentos disponíveis para as neoplasias ...................... 48
Tratamentos disponíveis para neoplasias ...................................................48
Quimioterapia: como funciona? ......................................................49
Classificação dos quimioterápicos ..................................................54
Quimioterapia: subclasses farmacológicas ...................................56
Quimioterapia: terapia combinada .................................................59
Quimioterapia: resistência ...............................................................60
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Olá, meu caro estudante! Você sabia que o câncer é a 
segunda principal causa de morte no mundo? Essa doença foi 
a causa de morte de 9,6 milhões de pessoas no ano de 2018? 
Isso significa que uma a cada seis mortes são causadas, direta ou 
indiretamente, por essa doença. 
Os principais fatores que ocasionam as mortes por câncer, 
cerca de 60%, devem-se aos fatores de risco causados pelo 
comportamento do ser humano, como alto índice de massa 
corporal, baixo consumo de frutas e vegetais, falta de atividade 
física e consumo de álcool e tabaco. 
Assim, pode-se entender por que a Organização Pan-
Americana de Saúde (OPAS/OMS) afirma que entre 30 e 50% dos 
cânceres podem ser evitados. 
O diagnóstico correto do câncer é essencial para um 
tratamento adequado e eficaz, porque cada tipo da doença 
precisa de um tratamento específico. Por isso, precisamos 
entender o surgimento e desenvolvimento da doença, bem como 
os fatores bioquímicos que influenciam no desenvolvimento 
do tumor e que podem ser “atacados” e “neutralizados” pelas 
medicações. 
Muitos cânceres têm uma alta chance de cura se detectados 
precocemente e tratados adequadamente. 
 Entendeu? Ao longo desta unidade letiva, você vai mergulhar 
nesse universo! 
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Olá! Seja muito bem-vindo à Unidade 1 - Neoplasias . Nosso 
objetivo é auxiliar você no atingimento dos seguintes itens de 
aprendizagem até o término desta etapa de estudos: 
1. Definir o conceito e explicar as diferenças e 
peculiaridades dos quimioterápicos e das neoplasias. 
2. Identificar e conceituar as bases patofisiológicas das 
doenças. 
3. Discernir sobre os fatores influenciadores para o 
aparecimento de neoplasias, como as prevenir e 
diagnosticar. 
4. Aplicar os tratamentos disponíveis para as neoplasias, 
identificando os respectivos quimioterápicos de acordo 
com suas subclasses. 
Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao 
conhecimento? Ao trabalho!
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​Quimioterápicos​e​neoplasias​
OBJETIVO
Ao término desta unidade, você será capaz de en-
tender por que e como um tumor se desenvolve 
e qual a influência que terá na escolha do trata-
mento quimioterápico adequado. A compreen-
são das bases patofisiológicas dessa doença 
fará com que você compreenda muito mais fa-
cilmente os mecanismos de ação de cada classe 
de droga antineoplásica, já que todas elas agem 
em algum dos fatores que influenciam na divi-
são celular. Sem a compreensão da doença, não 
haverá a compreensão do tratamento nem dos 
riscos embutidos no uso dos quimioterápicos. 
E, então! Vamos conhecer como o câncer se desen-
volve e o que pode ser feito para evitá-lo e com-
batê-lo? 
Quimioterápicos​e​terapia​
antineoplásica:​o​que​é?​Qual​é​a​
diferença?​​
Quimioterápicos são substâncias químicas que causam a 
morte celular. Ou seja, antibióticos, antivirais e antiparasitários 
também são quimioterápicos, sendo que algumas classes, 
inclusive, são utilizadas para o tratamento de tumores, mais 
corretamente denominados de neoplasias, que podem ser 
benignas ou malignas (câncer). 
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Figura 1 - Diagrama que representa as classes gerais de quimioterápicos 
Fonte: Elaboradosendo assim, espero que vocês tenham 
compreendido a nossa unidade, pois ela servirá de 
alicerce para tudo o que vamos aprender mais na 
frente.
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 BRASIL. Ministério da Saúde. Ações de enfermagem para o 
controle do câncer: uma proposta de integração ensino-
serviço. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da 
Silva (INCA). Rio de Janeiro: INCA, 2008. 488 p. Disponível em: . Acesso em: 12 jan. 2022. 
 BRASIL. Manual de bases técnicas da oncologia – sia/sus - sistema 
de informações ambulatoriais. Ministério da Saúde. Secretaria da 
Saúde. Departamento de Regulação, Avaliação e Controle. Brasília: 
Ministério da Saúde, 2013. 116 p. Disponível em: . Acesso em: 12 jan. 2022. 
 BRASIL. ABC do câncer: abordagens básicas para o controle 
do câncer. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer José 
Alencar Gomes da Silva (INCA). Rio de Janeiro: INCA, 2 ed., 2012. 129 
p. Disponível em: . Acesso em: 12 jan. 2022. 
 BRASIL. Manual de boas práticas: exposição ao risco químico 
na central de quimioterapia: conceitos e deveres. Ministério da 
Saúde. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva 
(INCA). Rio de Janeiro: Inca, 2015. 32 p. Disponível em: . Acesso em: 12 jan. 2022. 
 GOLAN, D. E. et al. Princípios de farmacologia: a base 
fisiopatológica da farmacoterapia. 3. ed. Rio de Janeiro: 
Guanabara Koogan, 2014. 
 SANTOS, M. et al. Diretrizes oncológicas 2. São Paulo: Doctor Press, 
2019. 844 p. Disponível em: https://diretrizesoncologicas.com.br/
wp-content/uploads/2019/01/Diretrizes-oncolo%CC%81gicas-2-
isbn.pdf. Acesso em: 17 jun. 2019.
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http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/acoes_enfermagem_controle_cancer.pdf
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/acoes_enfermagem_controle_cancer.pdf
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/inca/manual_oncologia_14edicao.pdf
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/inca/manual_oncologia_14edicao.pdf
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/inca/manual_oncologia_14edicao.pdf
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/inca/abc_do_cancer_2ed.pdf
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/inca/abc_do_cancer_2ed.pdf
https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files//media/document//manual-exposicao-ao-risco-quimico.pdf
https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files//media/document//manual-exposicao-ao-risco-quimico.pdf
https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files//media/document//manual-exposicao-ao-risco-quimico.pdf
https://diretrizesoncologicas.com.br/wp-content/uploads/2019/01/Diretrizes-oncolo%CC%81gicas-2-isbn.pdf
https://diretrizesoncologicas.com.br/wp-content/uploads/2019/01/Diretrizes-oncolo%CC%81gicas-2-isbn.pdf
https://diretrizesoncologicas.com.br/wp-content/uploads/2019/01/Diretrizes-oncolo%CC%81gicas-2-isbn.pdf
	 Quimioterápicos e neoplasias 
	Quimioterápicos e terapia antineoplásica: o que é? Qual é a diferença? 
	Neoplasia: etiologia e bases patofisiológicas da doença 
	Oncogênese física 
	 Oncogênese biológica 
	Bases patofisiológicas da doença
	Etapas da oncogênese 
	Bases moleculares da oncogênese 
	Mediadores químicos da oncogênese 
	Classificação das neoplasias 
	Estadiamento de cânceres
	Fatores influenciadores para o aparecimento de neoplasias 
	Prevenção e detecção de neoplasias 
	Prevenção e diagnóstico do câncer 
	Tratamentos disponíveis para as neoplasias 
	Tratamentos disponíveis para neoplasias 
	Quimioterapia: como funciona? 
	Classificação dos quimioterápicos 
	Quimioterapia: subclasses farmacológicas 
	Quimioterapia: terapia combinada 
	Quimioterapia: resistênciapelo autor (2022). 
IMPORTANTE
A quimioterapia antineoplásica, foco do nosso 
estudo, diz respeito à utilização de substâncias 
químicas, de origem natural ou sintética, para 
eliminar células tumorais do organismo. 
Os objetivos da quimioterapia para o tratamento de cânceres 
podem ser: primários, paliativos, adjuvantes e neoadjuvantes, 
tendo como desfechos a cura, a resposta completa, a resposta 
parcial, a inalterabilidade ou o retardo da progressão da doença. 
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Figura 2 – Paciente em tratamento quimioterápico 
Fonte: Freepik 
Como a escolha do tratamento antineoplásico está 
intrinsecamente ligada às características do tipo de câncer, esta 
unidade será dedicada a apresentar: 
 • Etiologia do câncer. 
 • Bases patofisiológicas da doença. 
 • Características diferenciadoras das neoplasias. 
 • Classificação. 
 • Introdução aos antineoplásicos – categorias e classes 
farmacológicas. 
VOCÊ SABIA?
A oncologia é a especialidade da medicina que 
estuda as/os neoplasias/cânceres (tumores) be-
nignos e malignos, determinando, a partir de sua 
identificação, o tratamento mais adequado. 
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A palavra “oncologia” foi primeiramente usada na escola 
de medicina de Hipócrates, na Grécia, onde se definiu a doença 
como um tumor duro que, muitas vezes, reaparecia depois de 
retirado. 
DEFINIÇÃO
A etimologia da palavra significa “onkos” – “volu-
me” – e “logia” – “estudo”. 
Já câncer foi definido por Hipócrates pela palavra 
grega “karkinos”, que significa “caranguejo”. 
E o termo “neoplasias” significa “novos crescimen-
tos”. O termo surgiu para os crescimentos de cé-
lulas que resultam na recuperação de tecidos, por 
exemplo, o fechamento de feridas. Hoje, esse con-
ceito já foi esquecido. 
O câncer não é uma doença nova. Existem registros da 
antiguidade dos egípcios, persas e indianos. Em uma escavação 
arqueológica, já foi encontrado um maxilar com sinais de linfoma, 
um tipo de câncer nos linfonodos, datado de 4000 a.C. 
Mas, somente no século XVIII, com o anatomista italiano 
Giovanni Battista Morgagni e o médico francês Marie François 
Xavier Bichat, é que se compreendeu que o câncer é uma unidade 
específica localizada em uma parte do corpo. Como cada órgão 
apresenta tecidos diferentes, eles podem ser afetados por 
diferentes tipos de cânceres. 
Neoplasia:​etiologia​e​bases​
patofisiológicas​da​doença​​
As neoplasias são doenças caracterizadas por um defeito 
nos mecanismos normais de controle de diversos processos 
celulares: 
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 • Proliferação. 
 • Diferenciação. 
 • Reparo de DNA. 
 • Morte celular. 
Ocorrem mutações genéticas nas células normais que 
passam a se comportar com crescimento descontrolado, ao invés 
de ocorrer o crescimento celular controlado como a hiperplasia, 
a metaplasia e a displasia. 
As células neoplásicas competem com as células normais 
pela obtenção de energia e nutrição, resultando em deterioração 
da função orgânica normal. 
Figura 3 – Diferença entre células normais e células neoplásticas 
Fonte: Freepik 
Essas mutações podem ativar genes que promovem 
o crescimento (oncogenes), inativar genes que inibem o 
crescimento, alterar genes que regulam apoptose, conferir 
imortalização celular e inativar genes de reparo do DNA. A 
expressão de produtos gênicos alterados e/ou a perda de 
proteínas reguladoras pode causar instabilidade genética e 
crescimento descontrolado. 
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DEFINIÇÃO
“Neoplasia é uma proliferação anormal do tecido 
que foge, parcial ou totalmente, ao controle do 
organismo e tende à autonomia e à perpetuação, 
com efeitos agressivos sobre o hospedeiro” (PÉRE-
Z-TAMAYO, 1987; ROBBINS, 1984 apud Ministério 
da Saúde, 2013). 
A origem das neoplasias é multifatorial e a sua incidência, 
distribuição geográfica e comportamento dos tipos específicos 
de câncer podem estar relacionados ao sexo, idade, raça, 
predisposição genética e exposição a carcinógenos ambientais. 
Figura 4 – Classificação das neoplasias 
Fonte: Elaborado pela autora (2022). 
Podem ser classificadas em benignas e malignas, como 
visto na figura, essas últimas são denominadas de câncer. 
Popularmente, denominamos câncer qualquer tipo de neoplasia, 
mas, lembre-se, conceitualmente se refere a neoplasias malignas. 
As causas externas, relacionadas ao meio ambiente, 
causam cerca de 80% a 90% dos casos de neoplasias. Entre esses 
carcinógenos, destacam-se a exposição à radiação ionizante, 
carcinógenos químicos, como a fumaça do cigarro, além de 
corantes azos, aflatoxinas, asbestos, benzeno e radônio. 
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Além disso, há a infecção por diversos vírus, como a hepatite 
B (HBV) e a hepatite C (HCV), HIV e papiloma vírus humano (HPV), 
também estão associados a diversos tipos de cânceres. 
Figura 5 – Vacinação contra o vírus do HPV 
Fonte: Freepik 
Por sua vez, as causas internas, também chamadas 
de causas não modificáveis, geralmente são geneticamente 
predeterminadas. Essas determinações genéticas são respostas 
predeterminadas do nosso organismo para se defender de 
agressões externas. 
No entanto, com a ativação desses genes, respostas 
exacerbadas podem ocorrer e, certas vezes, podem acarretar 
multiplicações celulares desenfreadas que mesmo com a 
parada da agressão, as células continuam a se multiplicar para 
se “defender”. Alguns tipos de câncer, como, por exemplo, os 
cânceres de mama, estômago e intestino, parecem ter um forte 
componente familiar. 
Os fatores de risco modificáveis e não modificáveis podem 
se combinar de diferentes formas, o que altera a probabilidade 
de causar células malignas nas células normais. O surgimento do 
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câncer, tumor maligno, depende da intensidade e da duração da 
exposição das células aos agentes causadores. 
Para que um câncer se desenvolva, pode levar 1, 5, 10 anos, 
dependendo dessa combinação de fatores. Ou seja, o tempo 
para a carcinogênese ser completada é indeterminável. 
No entanto, ao menos em tese, o desenvolvimento do câncer 
pode ser interrompido em qualquer uma de suas etapas. Até o 
próprio corpo pode eliminar essas células, se tiver a capacidade 
de reparar o dano causado ao genoma. 
Oncogênese​física​
A oncogênese física é ocasionada por fatores que geram 
determinada energia atômica que são capazes de causar danos 
ao D NA. Entre os fatores físicos, os mais importantes são as 
energias radiantes, solar e as ionizantes. 
Geralmente, esses fatores causam quebras nas moléculas 
de nossas células, formando radicais livres que ocasionam 
alterações genéticas. Essas mutações podem resultar em algum 
efeito direto da energia radiante ou efeito indireto intermediado 
pela produção de radicais livres a partir da água ou do oxigênio. 
Cânceres de mama, ossos e do intestino são menos 
suscetíveis à carcinogênese por esse tipo de radiação, já que 
não atingem as camadas tão profundas do nosso corpo. Mas, 
é importante dizer que os cânceres ocasionados pelos fatores 
físicos podem causar tumores malignos e metástases. 
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Figura 6 – Autoexame para detecção do câncer de mama 
Fonte: Freepik 
​Oncogênese​biológica​
A oncogênese biológica ocorre pela influência de 
organismos vivos no corpo humano, como, por exemplo, a 
presença do Papiloma vírus humano (HPV), de Epstein-Barr (EBV) 
e o da hepatite B (HBV). 
 Esses vírus incorporam o seu DNA ao da célula hospedeira 
que passa a ter sua maquinaria utilizada para a produção de 
novos vírus. Durante esse processo, ou mesmo muito tempo 
depois, podemhaver alterações dos proto-oncogenes e dos 
genes supressores de tumor, o que causa a sobrevida celular e 
divisões celulares desenfreados. 
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Diversos estudos demonstram que apenas essas alterações 
genômicas, isoladamente, não são capazes de induzir a 
transformação maligna de uma célula. Para que essa aconteça, 
são necessárias mutações adicionais, muito facilitadas pelas 
frequentes mitoses que ocorrem nas células infectadas. 
A expressão de neoplasia induzida por vírus também pode 
depender de outros fatores ambientais e do hospedeiro, que 
modulam o processo de transformação. Foram identificados 
genes celulares que são homólogos aos genes de transformação 
dos retrovírus, uma família de vírus RNA, e que induzem 
transformação oncogênica. 
Figura 7 – Mutações de DNA causadas por vírus 
Fonte: Freepik 
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RESUMINDO
 Conseguiram compreender esta parte inicial 
dos nossos estudos? Afinal, antes que possamos 
compreender exatamente como se dá o processo 
quimioterápico, é necessário que comecemos ex-
plorando o que é o câncer em si e como este se 
dá dentro do organismo. Assim, neste primeiro 
capítulo, pudemos observar que a quimioterapia 
tem os principais objetivos, que são, primário, 
paliativo, adjuvante e neoadjuvante, os quais ire-
mos explorar melhor mais à frente. A partir daí, 
pudemos conhecer as diferenças essenciais entre 
as células normais e as células neoplásticas e as 
mutações pelas quais elas passam. Vimos também 
que as neoplasias podem se dividir entre benignas 
e malignas, sendo que esta segunda é aquela que 
vamos denominar como câncer. Sobre esta doen-
ça tão cruel, pudemos observar um pouco sobre 
sua origem, principais causas e fatores determi-
nantes, de forma que pudemos dividi-los entre a 
oncogênese física - ocorrida por meio de fatores 
que podem causar danos ao DNA, bem como o 
caso da oncogênese biológica - ocorrida por meio 
da influência de organismos vivos dentro do cor-
po humano. Então, estão prontos para seguir em 
frente? Vamos lá!
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Bases​patofisiológicas​da​
doença
OBJETIVO
Neste capítulo, poderemos complementar um 
pouco mais tudo aquilo que vimos no capítulo an-
terior, ou seja, ao termino dele, você poderá com-
preender melhor quais as etapas da oncogênese, 
seja ela física ou biológica, bem como você será 
capaz de reconhecer as bases moleculares da on-
cogênese, seus mediadores químicos, entre outros 
pontos de extrema relevância. Por fim, iremos co-
nhecer também as classificações das neoplasias e 
o processo de estadiamento do câncer. Então, es-
tão prontos para desvendar ainda mais este novo 
passo na nossa trilha do conhecimento? Vamos lá! 
Etapas​da​oncogênese​
A oncogênese ocorre em três etapas principais – 
transformação, proliferação e metástase. 
 • Transformação (também chamada de iniciação) refere-
se à mudança no fenótipo (características genéticas 
expressas) de uma célula com controle normal de 
seu crescimento para uma célula com crescimento 
descontrolado. 
 • Proliferação (também chamada de promoção): inicial-
mente, cânceres são, em sua maioria, clonais (isto é, 
geneticamente idênticos à célula precursora única), po-
rém desenvolvem heterogeneidade à medida que no-
vas mutações aumentam a variação genética entre as 
células-filhas. 
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 • Progressão: quando ocorre seleção de células com 
maior capacidade de sobrevida, verifica-se o aumento 
na proliferação celular, bem como na variabilidade 
genética do tumor. Com a progressão da proliferação 
e das mutações, após múltiplas etapas, haverá a 
formação de um tumor maligno. 
A estimulação da proliferação celular normal é quase 
sempre desencadeada por fatores de crescimento que se ligam 
aos receptores dispostos nas membranas celulares. O sinal 
recebido por esses receptores é transmitido para o citoplasma e, 
por fim, para o núcleo (BRASIL, 2008). 
Figura 8 - Representação gráfica da carcinogênese 
Fonte: INCA (2013). 
NOTA
As neoplasias (câncer in situ e câncer invasivo) 
correspondem a essa forma não controlada de 
crescimento celular. Ainda, segundo o BRASIL 
(2013):
Hiperplasia - aumento localizado e limitado do número de 
células, com a diferenciação e função correta. Assim que cessam 
os estímulos, isto é, as “agressões celulares”, a proliferação celular 
também para. Um exemplo disso é um indivíduo fumante, que, 
enquanto fuma, tem a perda das células ciliares da traqueia e 
22 QUIMIOTERAPIA: CONCEITO, MODALIDADES E ASPECTOS DE BIOSSEGURANÇA
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proliferação de fibroblastos, o que causa a característica tosse 
com pigarro dos fumantes. Parando de fumar em tempo, as 
células ciliares voltam a sua atividade e divisão normal. 
Metaplasia – Esse processo ocorre quando células com 
características diferentes da do tecido original se multiplicam 
com o intuito de aumentar a proteção daquele tecido. Na maioria 
das vezes, são os fibroblastos as células que se multiplicam e 
tomam, provisoriamente, o lugar das células originais. Isso 
ocorre porque, de uma forma geral, originam os fibróticos, que 
são células mais resistentes aos fatores danosos. Enquanto não 
houver alterações nos oncogenes, a metaplasia cessa quando 
houver a parada da agressão ao tecido. 
Displasia – A displasia significa um crescimento e/ou 
divisão celular diferente do normal, que ocorre em diferentes 
patologias, como na pré-neoplasia. Considera-se que a displasia 
é também um processo proliferativo reversível, desde que o 
estímulo causador seja removido. 
Bases​moleculares​da​oncogênese​
As alterações genéticas que promovem o desenvolvimento 
de câncer ocorrem em duas classes de genes reguladores 
do crescimento, que estão presentes em células normais: os 
proto-oncogenes, que promovem o crescimento, e os genes 
supressores de tumor, que inibem o crescimento celular. 
Alterações nos proto-oncogenes e nos genes supressores 
de tumor podem provocar desenvolvimento de células com 
crescimento descontrolado. Essas alterações podem ocorrer 
devido a um dano genético não letal (mutação), que pode ser 
herdado da linhagem germinativa (de seus pais), surgir de modo 
espontâneo ou ser causado por agentes ambientais, como 
substâncias químicas, radiação ou vírus. 
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Foi constatado que os proto-oncogenes e os genes 
supressores de tumor codificam fatores de crescimento 
específicos e seus receptores correspondentes. 
Os proto-oncogenes são códigos para as oncoproteínas, 
que participam da transdução de sinais e a regulam durante 
as diversas fases do ciclo celular. Entre os oncogenes, quatro 
categorias se destacam: fator de crescimento, receptor de fator 
de crescimento, proteínas envolvidas na transdução de sinais e 
proteínas reguladoras nucleares. 
Esses genes podem ser amplificados ou sofrer mutação, 
e ambos os processos podem levar a uma hiperexpressão 
constitutiva em células malignas. Os proto-oncogenes podem 
transformar-se em oncogenes por meio de: 
 • Mutação em ponto - o gene RAS é tido como o 
melhor exemplo de mutação em ponto. Esses genes 
são responsáveis por 90% dos adenocarcinomas 
pancreáticos, 50% dos cânceres de cólon, endométrio 
e tireoide e 30% dos adenocarcinomas pulmonares, 
entre outros tipos de neoplasias. 
 • Translocação cromossômica – a translocação significa 
que um pedaço de um cromossomo troca de lugar com 
outro. Esse tipo de modificação usualmente resulta 
em aumento da expressão do proto-oncogene. Um 
dos exemplos mais característicos é a translocação do 
C-myc do cromossomo 8 para o cromossomo 14q na 
banda 32, causando o linfoma de Burkitt. 
 • Amplificação gênica – a amplificação gênica são 
diversas cópiasdo próprio oncogene no DNA, causando 
a produção de várias cópias de proto-oncogene nas 
células tumorais. Esse tipo de modificação gênica 
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ocorre no gene N-myc em neuroblastoma, assim como 
no C-erb B2 em câncer de mama. 
Essas modificações são, em sua maioria, adquiridas, e não 
herdadas. 
As mutações nos oncogenes BRAF estão presentes em 
8% das neoplasias. Mutações adquiridas têm sido encontradas 
em diferentes cânceres, incluindo linfoma não Hodgkin, câncer 
colorretal, melanoma maligno, Hodgkin, carcinoma papilar da 
tireoide, carcinoma de não pequenas células do pulmão. 
A família de genes Bcl-2 constitui uma série de genes de 
pró-sobrevida, que promovem a sobrevida ao inibir diretamente 
a apoptose, uma via essencial de morte celular programada. 
Genes modificados, como o Bcl-2, podem inibir a apoptose, que 
é o mecanismo de destruição de células com defeitos ou em 
número exagerado. Outros exemplos desses genes são Myc, 
RAS, Erb B, sis, entre outros. 
Além dos proto-oncogenes, os genes supressores de tumor 
também são responsáveis pela regulação da divisão e da vida 
celular. Esses genes codificam proteínas para a inibição da 
divisão ou do crescimento celular. 
O primeiro gene supressor de tumor descrito foi o Rb, 
que está localizado no cromossomo 13q14 e está associado 
ao desenvolvimento do retinoblastoma, câncer que afeta 
aproximadamente 1 em 20.000 crianças. 
O p53 é o gene supressor tumoral mais bem estabelecido 
identificado até́ o momento. O gene tipo selvagem normal 
parece desempenhar uma importante função na supressão da 
transformação neoplásica, pois reconhece os defeitos no DNA e 
encaminha a célula para apoptose. 
25QUIMIOTERAPIA: CONCEITO, MODALIDADES E ASPECTOS DE BIOSSEGURANÇA
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A alteração em genes supressores de tumor pode ser 
diagnosticada em aproximadamente 70% dos cânceres de cólon, 
em 30 a 50% dos cânceres de mama e em 50% dos cânceres de 
pulmão. 
Além dos tumores epiteliais, mutação no p53 tem sido 
encontrada em leucemias, linfomas, sarcomas e tumores 
neurogênicos. 
Os mecanismos pelos quais os genes supressores de tumor 
inibem a divisão celular são pouco conhecidos. Entretanto, 
algumas pesquisas encontraram indícios que sugerem a 
utilização de receptores de membrana, proteínas citoplasmáticas 
e proteínas nucleares para realizarem seus efeitos. Assim como 
ocorre nos oncogenes. 
Mediadores​químicos​da​oncogênese​
Células cancerosas transformadas secretam e induzem 
uma variedade de mediadores químicos, que induzem ambiente 
local especializado. Esses mediadores químicos incluem fatores 
de crescimento, como o fator de crescimento da epiderme (FCE). 
Aliado a isso, foram desenvolvidos inibidores da sinalização 
de fatores de crescimento para uso clínico na quimioterapia 
antineoplásica. 
A maioria dos tumores sólidos também requer indução 
do crescimento de vasos sanguíneos (angiogênese) para liberar 
nutrientes no centro do tumor; por esse motivo, inibidores 
de angiogênese representam valiosa classe de agentes 
antineoplásicos. 
Os fatores de crescimento (FC) são polipeptídeos que 
regulam a divisão e demais funções celulares, proliferação 
celular, bem como outras funções celulares, como a deposição e 
26 QUIMIOTERAPIA: CONCEITO, MODALIDADES E ASPECTOS DE BIOSSEGURANÇA
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resolução de proteínas da matriz extracelular, a manutenção da 
viabilidade celular e a diferenciação celular. 
Os fatores celulares específicos parecem ser essenciais 
para o crescimento celular, apesar de pouco conhecidos. 
Seus mecanismos de controle do crescimento celular estão 
fundamentados no equilíbrio entre os fatores estimulantes e 
inibidores de crescimento e divisão celular. 
No crescimento não controlado, tem-se uma massa anormal 
de tecido, cujo crescimento é quase autônomo, persistindo 
mesmo após o término dos estímulos que o provocaram. Uma 
célula cancerosa em proliferação tem três destinos possíveis: 
a célula-filha pode tornar-se quiescente, entrando em fase 
de repouso, denominada G0; a célula pode entrar no ciclo e 
proliferar; ou a célula pode morrer. 
IMPORTANTE
Para entendermos bem o mecanismo de ação dos 
antineoplásicos, precisamos revisar as etapas do 
ciclo celular. Nesse caso, mais especificamente, 
divisão mitótica.
Os dois principais eventos da multiplicação celular são a 
síntese de DNA durante a fase S e a divisão da célula-mãe em 
duas células-filhas durante a mitose ou fase M. A fase entre a 
divisão celular e a síntese de DNA é denominada lacuna 1 (G1), e 
a fase entre a síntese de DNA e a mitose é denominada G2. 
Na figura a seguir, podem-se ver claramente as três fases 
da interfase G1, S e G2, assim como as etapas da mitose. 
27QUIMIOTERAPIA: CONCEITO, MODALIDADES E ASPECTOS DE BIOSSEGURANÇA
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Figura 9 - Representação gráfica do ciclo celular 
Os anéis dos filamentos de 
miosina e actina se contraem 
para dividir a célula em duas
Fase de Descanso
Fase de síntese de DNA
Fase S
Interfase
Lacuna I G1
 G0
Os microtúbulos polares se 
empurram uns contra os outros, 
afastando os centrossomos
A célula cresce
A célula cresce um pouco mais
Lacuna II G2
Microtúbulos de cinetócitos 
invadem o espaço nuclear e 
se ligam a cinetócitos
Células filhas
Citocinese
Nucléolo desaparece
Os cromossomos quebram nos 
centrômeros e as cromátides-irmãs 
se movem para extremidades 
opostas da célula
Centrossomos duplicados
A cromatina se condensa 
em cromossomos
A célula duplica seu DNA
Quebra de membrana nuclear
Os cromossomos se alinham 
ao longo da placa de metáfase 
(plano imaginário)
Reformas das membranas 
nucleares, reaparecem os 
núcleos, os cromossomos 
se desenrolam na cromatina
Prometáfase
Prófase
Telófase
Metáfase
Anáfase
Fase Mitótica Fase-M
e
Microtúbulos
Cinetocoro
Centrômero
Cromátides-irmãs
Centríolos
Microtúbulos astrais
Membrana nuclear
Cromatina
Nucléolo
Cromossomo
Cromossomo
Centrossomo
O Cicle Celular
(Célula Animal)
Núcleo
Anel contrátil
Cromátides-irmãs
Sulco de clivagem
Nucléolo
Fonte: Wikimedia Commons. 
Fase G1: há a preparação para a síntese de DNA, com 
aumento da concentração das bases púricas e pirimídicas, 
dos fosfatos e das riboses para a síntese dos nucleotídeos. Há 
também aumento da concentração de aminoácidos, para a 
síntese de proteínas. 
Fase S: nessa fase, há duplicação do material genético. 
Fase G2: período pré-mitótico. Nessa fase, a síntese de 
DNA está completa, e os cromossomos, em número dobrado, 
rearranjam-se, preparando o núcleo para a divisão celular. 
28 QUIMIOTERAPIA: CONCEITO, MODALIDADES E ASPECTOS DE BIOSSEGURANÇA
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Fase M: corresponde à mitose. Nessa fase, há a mobilidade 
dos cromossomos, arranjo e divisão dos pares, além da clivagem 
da célula. O resultado é a distribuição de pares de cromossomos 
para as duas células-filhas. 
Fase G0: nessa fase, as células apresentam menor atividade 
metabólica, e é observado um período prolongado de repouso. 
Durante a fase G0, as células não respondem aos estímulos que 
normalmente iniciam a síntese de DNA. Essas células, apesar 
de serem derivadas de células em G1, não fazem parte do ciclo 
celular proliferativo. Ou seja, é como se estivessem em “paralelo” 
às demais. 
IMPORTANTE
A maioria dos agentes antineoplásicos tem como 
alvos as células em divisão.
Ou seja, células tumorais em estado quiescente (G0), tais 
como células sem nutrientes no centro de grande tumor, não são 
facilmente destruídas por quimioterapia. 
Ainda, células dos tecidos normais caracterizadas por 
elevada fração de crescimento, como as de medula óssea e 
mucosa gastrintestinal, também são destruídas por agentes 
antineoplásicos, resultando em toxicidades limitantes de dose. 
Além disso, são onde se concentram os efeitos colaterais agudos 
do tratamento: náusea e vômitos, diarreia, leucopenia, alopecia 
etc. 
A carcinogênese começa espontaneamenteou por meio da 
incidência de fatores de risco (químicos, físicos ou biológicos). Em 
ambos os casos, verifica-se a indução de alterações mutagênicas 
e não mutagênicas ou epigenéticas nas células. 
29QUIMIOTERAPIA: CONCEITO, MODALIDADES E ASPECTOS DE BIOSSEGURANÇA
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O processo de oncogênese é dividido em três etapas que 
ocorrem simultaneamente: 
 • Iniciação – quando ocorre a ação dos agentes cancerí-
genos sobre os genes. 
 • Promoção – os agentes oncopromotores atuam na cé-
lula alterada. 
 • Progressão – multiplicação descontrolada e irreversível 
da célula. 
Figura 10 - Diagrama do processo de oncogênese 
Fonte: BRASIL (2013). 
ACESSE
Visite o site do Instituto Nacional do Câncer (Minis-
tério da Saúde) saber mais. Acesse no QR code.
https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/como-surge-o-cancer
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Classificação​das​neoplasias​​
Benigno ou maligno? 
As neoplasias benignas, ou tumores benignos, têm seu 
crescimento de forma organizada, geralmente lento e expansivo 
e apresentam limites bem nítidos. Apesar de não invadirem os 
tecidos vizinhos, podem causar a compressão de órgãos, que, 
por consequência, têm suas funções fisiológicas alteradas. 
Alguns exemplos de neoplasias benignas são o lipoma, o 
mioma e o adenoma, que são derivados e com características 
semelhantes às dos tecidos adiposos, muscular liso e das 
glândulas, respectivamente. 
Ou seja, não é porque tem o nome de benigno que é menos 
ruim que o maligno. Uma mulher com um grande mioma no útero 
pode ser impedida de ter filhos; uma pessoa com um grande 
meningioma benigno (tumor benigno no cérebro) pode perder 
funções fisiológicas e motoras e ter até mesmo a personalidade 
alterada. 
Por sua vez, as neoplasias malignas, ou tumores malignos, 
manifestam maior autonomia e são capazes de invadir tecidos 
vizinhos e provocar metástases, podendo ser resistentes ao 
tratamento e causar a morte do hospedeiro. 
Uma neoplasia maligna é chamada de câncer.
Então, as principais características que diferem neoplasias/
tumores benignos e malignos são:
31QUIMIOTERAPIA: CONCEITO, MODALIDADES E ASPECTOS DE BIOSSEGURANÇA
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Fonte: Adaptado de BRASIL (2013). 
Segundo o INCA (BRASIL, 2013), os critérios que permitem 
estabelecer com segurança o diagnóstico são, na maioria dos 
casos, morfológicos: 
 • Encapsulação - Os tumores benignos apresentam 
pseudocápsulas fibrosas que delimitam o tumor e 
comprimem os tecidos adjacentes pelo crescimento 
lento e expansivo do tecido tumoral. Já no caso 
dos tumores malignos, o seu crescimento rápido, 
desordenado e infiltrativo nos tecidos periféricos não 
permite a formação das pseudocápsulas. 
 • Crescimento - Os tumores benignos exibem 
crescimento lento e expansivo, com um bom 
suprimento vascular, raramente mostrando necrose e 
hemorragia. Os tumores malignos, ao contrário, pela 
rapidez e desorganização no crescimento, apresentam 
caráter infiltrativo e alto índice de multiplicação celular. 
 • Morfologia – As células dos tumores benignos são 
bem diferenciadas e reproduzem o aspecto das 
células do tecido original. Já as células dos tumores 
malignos apresentam menores graus de diferenciação 
32 QUIMIOTERAPIA: CONCEITO, MODALIDADES E ASPECTOS DE BIOSSEGURANÇA
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e não reproduzem as características dos tecidos que as 
originaram. 
 • Antigenicidade - As células dos tumores benignos 
são muito parecidas com o tecido normal, assim o 
corpo não tem a capacidade de produzir antígenos. 
No entanto, as células cancerosas podem apresentar 
essa capacidade, já que o próprio corpo reconhece 
esse tecido como “estranho”. Os antígenos tumorais 
vêm sendo utilizados no diagnóstico de alguns tipos 
de câncer e também para a elaboração de tratamentos 
imunológicos. 
 • Metástases – Enquanto os tumores benignos tendem 
a ficar confinados em determinado tecido, os tumores 
malignos têm a característica de invadir tecidos e se 
espalhar pelo corpo. Esse movimento de metástase 
constitui o crescimento neoplásico secundário, a 
distância, sem continuidade com o foco primitivo. 
In situ ou invasivo? 
In situ: as células cancerígenas estão apenas no local 
primário, onde se desenvolveram. 
Invasivo: as células cancerosas invadem outras camadas 
celulares do órgão, ganham a corrente sanguínea ou linfática e 
têm a capacidade de se disseminar para outras partes do corpo, 
causando metástases. 
Estadiamento​de​cânceres
Estadiar um câncer, ou seja, tumor maligno, é classificá-lo 
de acordo com determinadas características, conforme veremos 
a seguir. 
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O estadiamento pode ser realizado pelos sintomas clínicos, 
assim como pelos achados patológicos. O estadiamento clínico 
é estabelecido a partir da anamnese e dos exames físicos de 
pacientes, bem como pelos exames complementares que sejam 
necessários. 
Já o estadiamento patológico é feito por meio da coleta 
de material cirúrgico, que se baseia em achados cirúrgicos 
que são encaminhados para laboratórios a serem analisados 
anatomopatologicamente. 
Esse tipo de estadiamento é estabelecido após o 
tratamento cirúrgico e determina a extensão da doença e as 
características morfológicas com maior precisão. O estadiamento 
anatomopatológico pode ou não coincidir com o estadiamento 
clínico e não é aplicável a todos os tumores. 
O estadiamento faz com que tumores com a mesma 
classificação histopatológica e extensão apresentem evolução 
clínica, resposta terapêutica e prognóstico semelhantes. Um 
estadiamento bem conduzido leva a condutas terapêuticas 
corretamente aplicadas, já que se conhecem mais fielmente as 
características daquele câncer. 
O sistema de estadiamento mais utilizado é o estabelecido 
pela União Internacional para o Controle do Câncer (UICC), 
chamado de Sistema TNM de Classificação dos Tumores Malignos. 
Esse sistema baseia-se na extensão anatômica da doença, 
levando em conta as características do tumor primário (T), as 
características dos linfonodos das cadeias de drenagem linfática 
do órgão em que o tumor se localiza (N) e a presença ou ausência 
de metástases (M). Esses parâmetros recebem graduações, 
geralmente de T0 a T4, de N0 a N3 e de M0 a M1, respectivamente. 
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Além das graduações numéricas, as categorias T e N podem 
ser subclassificadas em graduações alfabéticas (a, b, c). 
Tanto as graduações numéricas como as alfabéticas 
expressam o nível de evolução do tumor e dos linfonodos 
comprometidos. O símbolo “X” é utilizado quando uma categoria 
não pode ser devidamente avaliada. Já a classificação “is” é usada 
quando o tumor se localiza in situ, ou seja, sem metástases. 
Assim, além do TNM, a classificação das neoplasias malignas 
deve considerar, também, localização, tipo histopatológico, 
produção de substâncias e manifestações clínicas do tumor, além 
do sexo, idade, comportamentos e características biológicas do 
paciente. 
RESUMINDO
E então, gostaram deste capítulo? Espero que te-
nham conseguido compreender cada um dos con-
ceitos e teorias abordadas nos nossos estudos. 
Começamos nossos estudos compreendendo as 
etapas da oncogênese, que englobam a transfor-
mação, proliferação e progressão. Assim, aprende-
mos também as diferenças entre hiperplasia, me-
taplasia e displasia. A partir deste ponto, passamos 
a explorar as bases moleculares da oncogênese, 
suas alterações e mutações que acabam por gerar 
uma neoplasia. Ainda nesse tema, entendemos o 
que são os mediadores químicos que influenciam 
no crescimento e proliferação da neoplasia. Con-
versamos sobre a classificação das neoplasias, en-
tre benignas e malignas e as principais diferenças 
entre estas. Por fim, tratamos sobre o processo de 
estadiamento do câncer e o seu processo. Espero 
que você tenha compreendido toda esta partee 
esteja pronto para seguir em frente. Vamos lá?!
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Fatores​influenciadores​para​o​
aparecimento​de​neoplasias​
OBJETIVO
Ao final deste capítulo, você será capaz de com-
preender quais os principais fatores internos e ex-
ternos que impactam e influenciam no desenvol-
vimento e propagação dos mais diversos tipos de 
neoplasia. Ainda, iremos também explorar as me-
lhores formas de prevenir e também de diagnosti-
car a ocorrência de uma neoplasia. Estão ansiosos 
para esta nova etapa da nossa trilha de conheci-
mento? Vamos lá!
Prevenção​e​detecção​de​
neoplasias​
A Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que 
aproximadamente 40% das mortes por câncer poderiam ser 
evitadas, tornando a prevenção um dos fatores essenciais para o 
controle do câncer. 
A prevenção do câncer compreende um conjunto de 
medidas para evitar ou reduzir a exposição a fatores que 
aumentam a possibilidade de uma pessoa desenvolver uma 
determinada doença. 
O processo pelo qual se dá a formação de uma neoplasia é 
chamado de carcinogênese, de forma que salientamos o fato de 
que esta ocorre de forma lenta, podendo demorar anos até que 
a célula cancerígena se espalhe e forme aquilo que é chamado 
de tumor visível. 
Quando tratamos a questão e análise da carcinogênese, 
é importante levar em conta os fatores de risco que estão 
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envolvidos neste processo, de forma que tais fatores podem ser 
internos ou externos, como iremos explorar mais à frente. 
Figura 11 – Cores utilizadas em campanhas de prevenção e combate às mais diversas formas 
de câncer 
Fonte: Freepik 
Os fatores de risco para neoplasias são encontrados no 
meio ambiente, herdados ou resultado de costumes e hábitos 
sociais e culturais. Estudos mostram, por exemplo, a associação 
entre álcool e tabaco e o câncer da cavidade oral. 
A finalidade da prevenção primária é impedir que a doença 
se desenvolva. Para isso, deve-se adotar uma vida saudável, 
evitando a exposição a substâncias cancerígenas. 
As causas externas, como irradiação e substâncias químicas, 
estão relacionadas ao meio ambiente. Estima-se que, de todos os 
casos de câncer, 80 a 90% estão associados a esses fatores. 
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As causas internas, como hormônios, condições 
imunológicas e mutações genéticas são, na maioria das vezes, 
geneticamente predeterminadas e estão ligadas à capacidade 
do organismo de se defender das agressões externas. Embora o 
fator genético aumente a probabilidade de formação de tumores 
(oncogênese), são raros os casos de câncer que se devem 
exclusivamente a fatores hereditários, familiares e étnicos. 
Figura 12 – Causas do câncer 
Fonte: Elaborado pela autora com base em Santos (2019). 
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Em contrapartida aos fatores de risco, há fatores de 
proteção que dão ao organismo a capacidade de se defender 
contra uma determinada doença. São fatores de proteção, por 
exemplo, o consumo de frutas, legumes e verduras. 
Diversos fatores de risco classificados como modificáveis 
e, portanto, perigosos, já foram identificados: o uso de 
tabaco e álcool, hábitos alimentares inadequados, inatividade 
física, agentes infecciosos, radiação ultravioleta, exposições 
ocupacionais, poluição ambiental, radiação ionizante, alimentos 
contaminados, obesidade e má situação socioeconômica. 
Há também fatores de risco que não dependem do 
comportamento, dos hábitos e das práticas individuais ou 
coletivas, ou seja, não são modificáveis. Também são conhecidos 
como fatores de risco intrínsecos. São eles: idade, gênero, etnia/
raça e herança genética ou hereditariedade. 
De um modo geral, eliminar ou reduzir a exposição aos 
fatores de risco modificáveis é a medida de prevenção mais 
adequada e eficiente para evitar diversos tipos de câncer. O 
câncer ocupacional possui o mais alto potencial de prevenção, 
uma vez que se conhece o local e o momento exato da exposição, 
o que permite interromper a exposição mediante a substituição 
do produto cancerígeno ou da tecnologia empregada. 
O objetivo da prevenção secundária do câncer é detectar 
e tratar doenças pré-malignas (por exemplo, lesão causada pelo 
vírus HPV ou pólipos nas paredes do intestino) ou cânceres 
assintomáticos iniciais. 
De modo geral, sabe-se que, quanto antes o câncer for 
detectado e tratado, mais efetivo o tratamento tenderá a ser e, 
portanto, será maior a possibilidade de cura e melhor a qualidade 
de vida do paciente. 
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Fatores de risco que não dependem do comportamento, 
hábitos e práticas individuais ou coletivas, ou seja, não são 
modificáveis. Também são conhecidos como fatores de risco 
intrínsecos. São eles: idade, gênero, etnia/raça e herança genética 
ou hereditariedade. 
Prevenção​e​diagnóstico​do​
câncer​
De um modo geral, eliminar ou reduzir a exposição aos 
fatores de risco modificáveis é a medida de prevenção mais 
adequada e eficiente para evitar diversos tipos de câncer. 
A prevenção do câncer compreende um conjunto de 
medidas para evitar ou reduzir a exposição a fatores que 
aumentam a possibilidade de uma pessoa desenvolver uma 
determinada doença. 
O câncer ocupacional possui o mais alto potencial de 
prevenção, uma vez que se conhece o local e o momento exatos 
da exposição, o que permite interromper a exposição mediante 
a substituição do produto cancerígeno ou da tecnologia 
empregada. 
Neste sentido, podemos afirmar que a prevenção do câncer 
pode acontecer de duas formas distintas, sendo elas a prevenção 
primária e a prevenção secundária. 
 • Prevenção primária: Está voltada para impedir que a 
doença se desenvolva. Para isso, deve-se adotar uma 
vida saudável, evitando a exposição a substâncias 
cancerígenas. 
 • Prevenção secundária: Está no ato de detectar e tratar 
doenças pré-malignas (por exemplo, lesão causada 
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pelo vírus HPV ou pólipos nas paredes do intestino) ou 
cânceres assintomáticos iniciais. 
Figura 13 – Cartaz de campanha de prevenção ao câncer de mama 
Fonte: Freepik 
De modo geral, sabe-se que, o quanto antes o câncer 
for detectado e tratado, mais efetivo o tratamento tende a 
ser, portanto, é maior a possibilidade de cura, e melhor será a 
qualidade de vida do paciente. 
A partir do momento que falamos de prevenção, estamos 
falando da tomada de atitudes que possam reduzir e até eliminar 
as chances de desenvolvimento da doença, de forma que esta 
estará mais presente naqueles fatores que consideramos como 
variáveis. 
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Neste sentido, a prevenção pode envolver algumas atitudes 
básicas, tais como: 
 • Não fumar. 
 • Reduzir o uso de bebidas alcóolicas. 
 • Prática constante de atividades físicas. 
 • Adoção de uma alimentação mais saudável. 
 • Redução na exposição de riscos ambientais. 
 • Entre outros. 
Existem alguns outros fatores genéticos que podem 
interferir no desenvolvimento de uma neoplasia, de forma que, 
uma vez que estes fatores sejam identificados é preciso que o 
indivíduo tenha precauções a mais a tomar para prevenir que a 
doença se manifeste. 
A prevenção vai tratar de todos os fatores e estratégias 
que podem reduzir as chances de desenvolvimento de uma 
neoplasia, sendo assim, esta se distingue da questão da detecção, 
uma vez que fala sobre a realização de exames constantes que 
possam apontar o surgimento da doença. Sendo assim, ambos 
os conceitos, mesmo sendo diferentes, estão bastante alinhados, 
uma vez que a prevenção constante pode levar à detecção 
precoce da neoplasia. 
IMPORTANTE
O diagnóstico precoce é realizadocom o objetivo 
de descobrir o mais cedo possível uma doença 
por meio dos sintomas e/ou sinais clínicos que o 
paciente apresenta. 
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A exposição a fatores de risco é umas das condições a 
que se deve estar atento quando se suspeita da formação de 
um câncer, principalmente quando o paciente convive com tais 
fatores. 
O rastreamento (screening) é o exame realizado em 
pessoas saudáveis (sem sintomas de doenças) com o objetivo 
de selecionar aquelas com maiores chances de ter uma 
enfermidade por apresentarem exames alterados ou suspeitos 
e que, portanto, devem ser encaminhadas para investigação 
diagnóstica. De acordo com o Ministério da Saúde (2010), 
programas de rastreamento podem ser oferecidos de duas 
formas diferentes: 
 • Rastreamento organizado – ocorre quando um 
método de cuidado assistencial comprovadamente 
efetivo para detectar uma doença, condição ou risco 
é oferecido de forma sistematizada para a população-
alvo. 
 • Rastreamento oportunístico – ocorre quando a 
pessoa procura o serviço de saúde por algum outro 
motivo, e o profissional de saúde aproveita o momento 
para rastrear alguma doença, utilizando um método de 
cuidado assistencial comprovadamente efetivo para 
detectar uma determinada doença, condição ou risco. 
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Figura 14 – Exame preventivo de câncer de tireóide 
Fonte: Freepik 
A detecção precoce aumenta a possibilidade de cura para 
alguns tipos de cânceres e reduz a morbidade resultante da 
doença e de seu tratamento. 
Neste sentido, a detecção precoce de uma neoplasia se 
dá por meio da realização constante de exames, de forma que 
qualquer manifestação da doença seja identificada de forma 
rápida e em seu estágio inicial, oferecendo assim, mais chances 
de que o paciente possa iniciar seu tratamento o mais rápido 
possível. 
Portanto, quando falamos sobre o processo de detecção 
estamos tratando de esforços não para impedir a manifestação 
de uma neoplasia, mas sim de investigar se este já está presente 
no corpo do indivíduo, dando a ele uma maior chance de cura. 
44 QUIMIOTERAPIA: CONCEITO, MODALIDADES E ASPECTOS DE BIOSSEGURANÇA
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IMPORTANTE
O passo fundamental para o tratamento adequado 
do câncer é o diagnóstico, incluindo o estadiamen-
to, ou seja, a avaliação da extensão do comprome-
timento do organismo, na qual se baseará o plane-
jamento terapêutico. 
É importante destacar que a neoplasia pode estar no 
corpo do paciente sem sequer manifestar quaisquer sintomas 
realmente relevantes e é justamente por isso que os exames 
preventivos se tornam tão relevantes na tentativa de levar o 
paciente a um diagnóstico precoce. 
O diagnóstico de câncer é feito a partir da história clínica e do 
exame físico detalhados e, sempre que possível, de visualização 
direta da área atingida, utilizando exames endoscópicos, como 
broncoscopia, endoscopia digestiva alta, mediastinoscopia, entre 
outros. 
O tecido das áreas em que for notada alteração deverá 
ser biopsiado e encaminhado para confirmação do diagnóstico 
por meio do exame histopatológico, realizado pelo médico 
anatomopatologista. 
VOCÊ SABIA?
Existem inúmeras campanhas de incentivo e pre-
venção aos mais diversos tipos de câncer, de for-
ma que existem, inclusive, leis que incentivam e 
facilitam este tipo de exame, como é o caso da Lei 
n.º 11.664/2008, que determina a necessidade de 
realização anual de mamografia para mulheres en-
tre 40 e 69 anos, de forma que estas possam estar 
em constante atenção para o eventual diagnóstico 
precoce do câncer de mama. 
45QUIMIOTERAPIA: CONCEITO, MODALIDADES E ASPECTOS DE BIOSSEGURANÇA
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Segundo o INCA (BRASIL, 2013), a confirmação diagnóstica 
pelo exame histopatológico, a determinação da extensão 
da doença e a identificação dos órgãos por ela acometidos 
constituem um conjunto de informações fundamentais para: 
 • Obtenção de informações sobre o comportamento 
biológico do tumor. 
 • Seleção da terapêutica. 
 • Previsão das complicações. 
 • Obtenção de informações para estimar o prognóstico 
do caso. 
 • Avaliação dos resultados do tratamento. 
 • Investigação em oncologia – pesquisas básicas, clínica, 
epidemiológica, translacional, entre outras. 
 • Publicação dos resultados e troca de informações. 
Além de estadiar a doença, deve-se avaliar também 
a condição funcional do paciente. Deve-se determinar se 
essa condição, quando comprometida, dá-se em função da 
repercussão do câncer no organismo, se é anterior à neoplasia ou 
se é decorrente do tratamento ou de outra doença concomitante. 
Outro ponto bastante relevante e que devemos estar 
atentos está relacionado ao fato de que qualquer pessoa, em 
qualquer idade, corre o risco de desenvolver alguma forma de 
câncer, mesmo que algumas estejam mais dispostas que outras, 
ainda assim é preciso ter em mente que todas as pessoas devem 
estar atentas e realizar os exames de forma constante para 
proporcionar uma detecção precoce. 
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Figura 15 – Realização de um exame preventivo de mamografia 
Fonte: Freepik 
Quando observamos os dados da OMS (2022), o câncer é 
uma das doenças que mais mata no mundo inteiro, de forma 
que mais de 8 milhões de pessoas morrem devido a essa doença 
e cerca de 14 milhões são diagnosticadas a cada ano. Analisando 
os casos detectados no Brasil, a Organização Mundial da Saúde 
destaca que o câncer é a segunda maior causa de morte no país. 
47QUIMIOTERAPIA: CONCEITO, MODALIDADES E ASPECTOS DE BIOSSEGURANÇA
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Figura 16 – Etapas para o diagnóstico precoce do câncer 
Fonte: Elaborado pela autora (2022). 
RESUMINDO
E então, curtiram este capítulo? Neste capítulo 
pudemos aprender um pouco sobre os principais 
fatores de risco que podem levar um indivíduo a 
desenvolver uma neoplasia, sendo esses fatores 
internos ou externos. A partir do momento em 
que temos estes fatores de risco, começamos a 
compreender a necessidade de que existam cam-
panhas de prevenção ao câncer, principalmente 
no sentido de que seja realizado o diagnóstico pre-
coce, uma vez que ambos podem ser entendidos 
como as maiores armas para combater uma doen-
ça tão cruel, já que quanto mais cedo o câncer for 
identificado, mais fácil é de se tratar e garantir uma 
maior chance de cura, reduzindo a mortalidade e a 
letalidade da doença. 
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Tratamentos​ disponíveis​ para​
as​neoplasias​
OBJETIVO
Ao final desta unidade, você será capaz de identi-
ficar os principais tratamentos que estão disponí-
veis atualmente para tratar as mais diversas neo-
plasias, assim como será possível compreender 
um pouco mais os tratamentos quimioterápicos, 
suas vantagens, formas de atuação no corpo do 
paciente e as suas subclasses dentro do tratamen-
to de câncer. E então, estão prontos para embarcar 
nesta nova unidade? Vamos lá!
Tratamentos​disponíveis​para​
neoplasias​​
As principais metas do tratamento das neoplasias são cura, 
prolongamento da vida útil e melhora da qualidade de vida. 
Existem três formas básicas de tratamento do câncer: a 
quimioterapia, a radioterapia e a cirurgia. Podem ser realizadas 
juntas ou não, sendo que a escolha depende da suscetibilidade 
do tumor ao tratamento, do local e da melhor forma de 
administração para aumentar a adesão dos pacientes ao 
tratamento. Além disso, outros determinantes para a escolha do 
tratamento são: 
 • Estadiamento da doença – clínico e anatomopatológico 
do câncer. 
 • O estágio da doença, incluindo padrões prováveis de 
disseminação para localizações regionais e à distância. 
 • Grau de toxicidade do tratamento. 
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 • Duração da toxicidade presumida.• Condições clínicas do paciente, que podem ser quantifi-
cadas pelas escalas de “performance status”. 
Os pacientes com maior capacidade funcional e sintomas 
discretos respondem melhor ao tratamento e têm uma sobrevida 
maior do que aqueles com menores capacidades funcionais e 
com sintomas graves. 
DEFINIÇÃO
O INCA (BRASIL, 2013) define quimioterapia co-
mo “tratamento sistêmico do câncer que usa me-
dicamentos denominados quimioterápicos (ou 
antineoplásicos) administrados em intervalos re-
gulares, que variam de acordo com os esquemas 
terapêuticos”. 
O Ministério da Saúde complementa informando que as 
substâncias quimioterápicas podem ser quimioterápicas pro-
priamente ditas, hormonioterápicas, bioterápicas, imunoterápi-
cas, alvoterápicas, entre outros. 
Quimioterapia:​como​funciona?​
A aplicação dos agentes antineoplásicos no tratamento do 
câncer é feita dado o conhecimento do ciclo de vida celular, que 
inclui o tempo e a função de cada fase, a fração do crescimento e 
a própria massa corporal. 
A quimioterapia contra o câncer se esforça para causar um 
evento citotóxico letal ou uma apoptose nas células cancerosas, 
impedindo a progressão do tumor. De forma ideal, esses 
fármacos anticâncer devem interferir somente nos processos 
celulares próprios das células malignas. 
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Figura 17 – Paciente em tratamento quimioterápico 
Fonte: Freepik 
À medida que o tumor cresce, ocorre uma competição entre 
as células em busca de nutrientes, oxigênio e espaço, e o número 
de células ativas em reprodução diminui. 
Assim, usualmente, as células contidas no cerne de um 
tumor estão no estágio G0 e, por não terem suas maquinarias 
prontas para que ocorra a divisão celular, são menos suscetíveis 
à quimioterapia. Se isso não for levado em consideração, 
o tratamento pode ser falho e causar resistência às células 
tumorais. 
Por isso, um dos conceitos para o tratamento do câncer 
é o de “desavolumar”, ou seja, diminuir o tamanho do tumor, 
fazendo com que as células de seu interior saiam do estado 
Gores, com tamanhos menores, aumentem a sua velocidade de 
crescimento, tornando as células mais suscetíveis à quimioterapia 
em decorrência de uma função de divisão celular aumentada. 
51QUIMIOTERAPIA: CONCEITO, MODALIDADES E ASPECTOS DE BIOSSEGURANÇA
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IMPORTANTE
As células em divisão rápida geralmente são mais 
sensíveis à quimioterapia, ao passo que as células 
que proliferam lentamente são menos sensíveis. 
Células que não estão se dividindo (fase G0), em 
geral, sobrevivem aos efeitos tóxicos de vários 
desses fármacos.
Uma segunda noção que pode ser observada é que, cada 
vez que a dose é repetida, mantém-se a proporção de células 
mortas, ou seja, não é o número absoluto de células que são 
mortas. 
IMPORTANTE
O tratamento ideal para o câncer visa alvos especí-
ficos para o determinado tipo celular que a massa 
tumoral apresenta. 
Para tanto, é necessário saber que o câncer é heterogêneo. 
Dessa forma, além do diagnóstico histopatológico, é preciso 
determinar alguns marcadores que auxiliam na terapêutica, 
como receptores hormonais e proliferação celular (células Ki-67 
positivas), ou que apresentem algum tipo específico de mutação, 
como a translocação BCR-ABL (cromossomo Filadélfia). 
Sabendo disso, é possível utilizar a melhor droga para um 
determinado tipo de câncer, visto que as drogas antitumorais 
apresentam vários efeitos colaterais, incluindo carcinogênese 
secundária por lesão de DNA (efeito clínico geralmente baixo, 
pois o paciente morre por outras causas antes de desenvolver o 
câncer induzido pela farmacoterapia antitumoral). 
As vias de administração da quimioterapia podem ser via 
oral, intravenosa, intramuscular, subcutânea, intratecal e tópica. 
Pode ainda ser administrada no local do acometimento, na região 
ou sistematicamente. 
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A maioria dos quimioterápicos utilizados tem sua dose 
básica, para efeito antiblástico, que deve ser ajustada para cada 
doente de acordo com sua superfície corporal. Alguns outros 
quimioterápicos empregam a área abaixo da curva para o cálculo 
da dosagem e, ainda, alguns apresentam somente uma dosagem. 
O quimioterápico é administrado ambulatorialmente, 
quando a pessoa se desloca ao centro hospitalar para 
receber o tratamento e volta para casa, ou quando o paciente 
está hospitalizado. Muitas vezes, a administração desses 
medicamentos pode causar desconforto, ardência, queimação, 
placas avermelhadas na pele e coceira. 
As principais ações dos quimioterápicos são: bloquear a 
síntese e a transcrição de ácidos nucleicos e/ou inibir a divisão 
celular. Também, impedem o crescimento de vasos sanguíneos e 
causam a morte celular espontânea. 
Os principais alvos farmacológicos são: o código genético 
(DNA), enzimas envolvidas na biossíntese de purinas e pirimidinas, 
fuso mitótico, receptores hormonais, mecanismos de sinalização 
celular (proteínas). 
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Figura 18 - Representação gráfica da classificação de Calabresi e Chabner dos 
quimioterápicos e seus locais de ação farmacológicos 
Fonte: Almeida et al. (2005). 
O tratamento de tumores com quimioterapia pode não 
ser recomendado em determinadas situações, como para 
portadores de doença maligna em fase terminal, grávidas no 
primeiro trimestre, portadores de infecções graves e pacientes 
comatosos. 
Agentes quimioterápicos podem ser contraindicados nas 
seguintes situações: 
 • Quando os efeitos colaterais causados pelo tratamento 
forem superiores aos benefícios. 
 • Quando o estado clínico do paciente for comprometido 
ao ponto de não suportar intervenções quimioterápicas 
ou radioterápicas. 
 • Quando não houver formas adequadas de avaliar ou 
monitorar as reações adversas do tratamento. 
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Classificação​dos​quimioterápicos​
Classificação dos quimioterápicos quanto à finalidade 
 • Quimioterapia prévia, neoadjuvante ou citorredutora: 
indicada para a redução de tumores in loco, como 
também dos tumores metastáticos que naquele 
momento não podem ser extraídos de seus locais. O 
objetivo dessa terapia é diminuir o tamanho dos tumores 
com a intensão de facilitar a sua retirada cirúrgica, 
melhorando, assim, o prognóstico do paciente. 
 • Quimioterapia adjuvante ou profilática: é realizada 
após tratamentos cirúrgicos, a fim de eliminar qualquer 
célula tumoral que possa ter restado. 
 • Quimioterapia curativa: tem como objetivo a cura do 
paciente, sendo que, nesse caso, a quimioterapia é o 
principal tratamento. 
 • Quimioterapia para controle temporário de doença: 
é utilizada para dar ao paciente uma sobrevida, para 
pacientes diagnosticados com a doença. Permite longa 
sobrevida (meses ou anos), mas sem possibilidade de 
cura; é, porém, possível obter o aumento da sobrevida 
global do doente. 
 • Quimioterapia paliativa: indicada para a paliação de 
sinais e sintomas que comprometem a capacidade 
funcional do paciente, mas não repercutem, 
obrigatoriamente, na sua sobrevida. 
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Classificação quanto à relação com o ciclo celular 
A maioria dos agentes quimioterápicos pode ser agrupada 
de acordo com a atuação no ciclo celular, quer seja em fase de 
atividade ou de repouso. 
As drogas ciclo-específicas podem ser divididas em dois 
subgrupos: drogas fase-específicas e drogas fase-inespecíficas. 
O efeito citotóxico das drogas fase-inespecíficas é obtido 
em qualquer fase do ciclo celular. Esses agentes são eficazes 
em tumores grandes com menos células ativas em divisão no 
momento da administração da droga. Os quimioterápicos fase-
inespecíficos são geralmente mais dose-dependentes que os 
quimioterápicosfase-específicos. Isso significa que o número de 
células destruídas é diretamente proporcional à dose de droga 
administrada. 
As drogas fase-específicas são aquelas que se mostram mais 
ativas contra células que se encontram numa fase específica do 
ciclo celular. A especificidade para a fase apresenta implicações 
importantes: observa-se um limite no número de células que 
podem ser erradicadas com uma única exposição instantânea 
(ou muito curta) à droga, uma vez que somente aquelas células 
que estiverem na fase sensível são mortas. 
Uma dose mais elevada não consegue matar mais células. 
É necessário, então, promover uma exposição prolongada ou 
repetir as doses da droga para permitir que mais células entrem 
na fase sensível do ciclo. Exemplos de drogas fase-específicas: 
S-antimetabólitos e M-alcaloides da vinca. 
Já as drogas ciclo-inespecíficas são um grupo de drogas 
que parecem ser eficazes, quer estejam as células neoplásicas 
em ciclo de divisão ou em repouso. Atuam geralmente em 
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tumores de crescimento lento, com baixa fração de duplicação. 
A farmacocinética desse grupo de drogas é semelhante à das 
drogas de fase inespecíficas, sendo caracterizada principalmente 
pela linearidade da curva dose-resposta. 
Figura 19 - Ação de agentes quimioterápicos de acordo com a fase do ciclo celular 
Fonte: Almeida et al (2005). 
Quimioterapia:​subclasses​
farmacológicas​
Brevemente, as subclasses farmacológicas são: 
 • Alquilantes: ciclofosfamida, melfalano, clorambucila, 
bussufano; nitrosureias; clorambucila (mostardas 
nitrogenadas); cisplatina, oxaliplatina e carboplatina 
(análogos da platina). Exercem efeito citotóxico por 
meio da transferência de um grupo alquil para diversos 
constituintes e tecidos de rápido crescimento (TGI, 
medula óssea, sistema reprodutor). 
57QUIMIOTERAPIA: CONCEITO, MODALIDADES E ASPECTOS DE BIOSSEGURANÇA
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 • Antimetabólitos: 5-fluoracila, capecitabina, metotrexa-
to, pemetrexede, citarabina, gentamicina, cladribina, 
mercaptopurina e tioguanina. São subdivididos em: 
antagonistas do folato; fluoropirimidinas; análogos da 
desoxicitidina; e antagonistas das purinas. 
 • Produtos naturais: bleomicina, docetaxel, paclitaxel, 
etoposídeo, irinotecano, doxorrubicina, mitomicina, 
topotecana, vincristina, vimblastina, vinorelbina. São 
subclassificados em alcaloides da vinca, taxanos, 
epipodofilotoxinas, camptotecinas e antibióticos 
tumorais. 
Ainda, destacam-se os tratamentos denominados de 
terapias-alvo, que englobam os hormônios e a imunoterapia, 
entre outras. 
As terapias-alvo são tipos de quimioterapia voltados mais 
especificamente a determinados alvos moleculares que estão 
presentes em uma maior concentração somente em células 
tumorais. Para a escolha dessas drogas, é necessário que sejam 
feitos testes laboratoriais para a identificação desses alvos 
moleculares, que podem ser enzimas, proteínas ou demais 
metabólitos presentes em células com replicação rápida. 
Esses fármacos bloqueiam ou diminuem o crescimento 
tumoral, interferindo em GENES, FATORES DE CRESCIMENTO, 
RECEPTORES ou VIAS ESPECÍFICAS envolvidas no processo 
tumoral. As alterações ocorrem nesses genes, FC e/ou em 
seus receptores, ou ainda nas vias de transdução de sinais 
que dão às células tumorais suas características importantes 
para sobrevivência. São exemplos: imatinibe, bevacizumabe, 
crizotinibe e trastuzumabe. 
58 QUIMIOTERAPIA: CONCEITO, MODALIDADES E ASPECTOS DE BIOSSEGURANÇA
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 Na hormonioterapia, são utilizados fármacos que competem 
com hormônios para a ligação nos receptores hormonais, nesses 
casos o tumor é de crescimento dependente. Os tumores 
malignos sensíveis ao tratamento hormonal são: os carcinomas 
de mama, o adenocarcinoma de próstata e o adenocarcinoma 
de endométrio. São eles: anastrozol, tamoxifeno e extemestano, 
utilizados no câncer de mama; e abiraterona e flutamida, 
utilizados no câncer de próstata. 
Os ANTICORPOS MONOCLONAIS são os utilizados na 
imunoterapia. Simplificadamente, permitem que ocorra uma 
interação entre a célula T do sistema imune e a célula tumoral. 
Exemplo: nivolumabe, pembrolizumabe e ipimumabe. 
ACESSE
Acesse o caderno “ABC do câncer – Abordagens 
Básicas para o controle do Câncer”, material do 
INCA/ Ministério da Saúde, disponível no QR code. 
Os anticorpos monoclonais são medicamentos derivados 
de substâncias naturais do próprio corpo humano. São exemplos 
de anticorpos monoclonais: os interferons, a interleucina e os 
anticorpos monoclonais. Para o uso desses medicamentos, 
deve-se verificar a presença dos antígenos no corpo do paciente. 
Por exemplo, o CD20, para a prescrição de rituximabe na 
quimioterapia do linfoma não Hodgkin difuso de grandes células. 
https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files//media/document//livro-abc-4-edicao.pdf
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Quimioterapia:​terapia​combinada​
Fármacos citotóxicos com toxicidades qualitativamente 
diferentes, com locais moleculares e mecanismos de ação 
distintos, são combinados com dosagem plena. Isso resulta em 
maiores taxas de resposta, devido aos efeitos citotóxicos aditivos 
e/ou potencializados e sem sobreposição de toxicidade contra o 
paciente. 
Em contraste, fármacos com toxicidades similares limitantes 
de dose, como mielossupressão, nefro ou cardiotoxicidade, só́ 
podem ser associados com segurança se a dosagem de cada um 
for reduzida. 
Figura 20 – Vantagens da associação de fármacos 
Fonte: Elaborado pela autora (2022). 
60 QUIMIOTERAPIA: CONCEITO, MODALIDADES E ASPECTOS DE BIOSSEGURANÇA
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Quimioterapia:​resistência​
Algumas células neoplásicas (por exemplo, o melanoma) são 
inerentemente resistentes à maioria dos fármacos anticâncer. 
Outros tipos tumorais podem adquirir resistência aos efeitos 
citotóxicos de um fármaco por mutação, particularmente após 
administração prolongada de doses subótimas. 
IMPORTANTE
Segundo a OMS, os cuidados paliativos consistem 
na abordagem para melhorar a qualidade de vida 
dos pacientes e de seus familiares, e no enfrenta-
mento de doenças que oferecem risco de vida, por 
meio da prevenção e do alívio do sofrimento. Isso 
significa a identificação precoce e o tratamento da 
dor e de outros sintomas de ordem física, psicos-
social e espiritual. 
O desenvolvimento de resistência aos fármacos é minimi-
zado por tratamento de curta duração, intensivo e intermitente, 
com associação de fármacos. A associação também é eficaz con-
tra uma faixa mais ampla de células resistentes na população do 
tumor. 
A seleção gradual de um gene amplificado que codifica 
para uma proteína transmembrana que bombeia os fármacos 
para fora da célula e é responsável pela resistência a inúmeros 
medicamentos. 
As ações de controle do câncer não se restringem à 
prevenção, à detecção precoce, ao diagnóstico ou ao tratamento, 
mas envolvem também cuidados paliativos. 
61QUIMIOTERAPIA: CONCEITO, MODALIDADES E ASPECTOS DE BIOSSEGURANÇA
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RESUMINDO
Encerramos a nossa unidade com este capítulo re-
cheado de novos conhecimentos. Vocês consegui-
ram aprender tudo direitinho? Vamos lá, neste ca-
pítulo pudemos conhecer mais sobre quais são os 
principais tratamentos disponíveis para o câncer, 
de forma a promover a cura, o prolongamento da 
vida do paciente e a melhora de sua qualidade de 
vida. Assim, começamos também a compreender 
o funcionamento da quimioterapia, as formas co-
mo ela age no corpo do paciente e seus principais 
impactos contra a doença. Além disso, pudemos 
também explorar uma classificação dos quimiote-
rápicos, tanto quanto a finalidade deles, bem como 
com relação ao ciclo celular. Por fim, pudemos ex-
plorar as subclasses farmacológicas e as vantagens 
de sua utilização com a quimioterapia de forma as-
sociada. Ainda temos muito a aprender nos nossos 
estudos,

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