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APRENDIZAGEM, EDUCAÇÃO INCLUSIVA E
NEUROCIÊNCIA
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SUMÁRIO
NOSSA HISTÓRIA ......................................................................................................... 3
REVENDO CONCEITOS IMPORTANTES ................................................................... 7
MATURAÇÃO NERVOSA ............................................................................................ 9
NEUROPSICOLOGIA INFANTIL ............................................................................... 13
NEUROPSICOLOGIA DA MEMÓRIA HUMANA..................................................... 15
AMNÉSIA DO LOBO TEMPORAL MEDIAL ............................................................ 16
SÍNDROME AMNÉSICA, AMNÉSIA GLOBAL OU AMNÉSIA ORGÂNICA ........ 18
A ESTRUTURA CRÍTICA: O HIPOCAMPO? ............................................................ 19
AMNÉSIA DIENCEFÁLICA ........................................................................................ 21
AMNÉSIA DO LOBO TEMPORAL E AMNÉSIA DIENCEFÁLICA: UMA ÚNICA
ENTIDADE? .................................................................................................................. 23
QUANTOS TIPOS DE MEMÓRIA EXISTEM? .......................................................... 25
ESTRUTURAS CEREBRAIS ENVOLVIDAS COM MEMÓRIA IMPLÍCITA ......... 28
PERSPECTIVAS ........................................................................................................... 30
REFERÊNCIAS ............................................................................................................. 31
EDUCAÇÃO, INCLUSIVA E LEGISLAÇÃO ............................................................. 33
O DESPREPARO PARA PRÁTICA INCLUSIVA ...................................................... 35
PRÁTICAS INCLUSIVAS NAS ESCOLAS ................................................................ 38
A REDEFINIÇÃO DO OLHAR SOBRE A EDUCAÇÃO ESPECIAL ....................... 39
O QUE A ESCOLA PODE FAZER PARA DAR RESPOSTAS ÀS NECESSIDADES
........................................................................................................................................ 41
A INTEGRAÇÃO DE ALUNOS NEE (NECESSIDADES EDUCATIVAS
ESPECIAIS) NAS ESCOLAS REGULARES ............................................................... 43
REFERÊNCIAS ............................................................... Erro! Indicador não definido.
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NOSSA HISTÓRIA
A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de
empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de
Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como
entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior.
A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a
participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua
formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos
culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e
comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de
comunicação.
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de
forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir
uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma
das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela
inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido.
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Dando prosseguimento aos estudos da Neuropsicologia e os problemas
de aprendizagem, abaixo serão disponiblizados/indicados alguns vídeos, que
deverão ser assistidos antes de iniciar a leitura do artigo sobre o tema desta
apostila Aprendizagem, Educação Inclusiva e Neurociência.
Os vídeos foram selecionados de forma que aborde todos os conteúdos
que devem ser estudos neste curso, visando complementação do
conhecimento da psicologia e no ensino.
Serão apontodos vídeos em que aponta a visão e conhecimentos de
vários profissionais de áreas interligadas ao conteúdo que está sendo
abordado.
Vídeo de apoio 1: Psicologia da Educação - Neurociência e
educação inclusiva: os desafios da educação no século XXI
Disponiblizado em:
Sinopse: Num vídeo realizado pela UNIVESP a Profª Caroline Magro
de Santana Braga, psicológa e neuropsicológa, através da disciplina
Psicologia da Educação, como lidar com os diversos saberes e a diversidade
em sala de aula.
Vídeo de apoio 2: Neuropsicologia e a avaliação dos problemas de
aprendizagem
Disponiblizado em:
Sinopse: neste vídeo o Porf. Liércio Pinheiro fala sobre a importância
de perceber onde está o problema da disficuldade de aprendizagem e as
interveções do profissional.
https://www.youtube.com/watch?v=yvFQyw-Z-40
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Vídeo de Apoio 3: Divertida Mente - Entendendo os Processos
Psicológicos Básicos da memória e emoção.
Disponível em:
Sinopse: neste vídeo a psicóloga Jemima Giron faz a análise
comparativa do filme Divertidamente com processo da memória humana.
Vídeo de apoio 4: Educação Inclusiva e Psicologia Escolar
Disponiblizado em:
Sinopse: Cláudia Lopes, psicóloga escolar e doutora em educação fala
sobre o conceito de educação inclusiva; a relação da psicologia escolar e
educação inlcusiva.
Vídeo de apoio 5: NEUROPSICOLOGIA INFANTIL | Distúrbios ou
dificuldades de aprendizagem?
Disponiblizado em:
Sinopse: neste vídeo o Porf. Liércio Pinheiro fala sobre os dificuldades
de aprendizagem e distúrbios da aprendizagem, que são diferentes, e como
devem ser identificados para indicação da melhor intervenção.
https://www.youtube.com/watch?v=3Nn92OWV7Jk
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Vídeo de apoio 7: A EDUCAÇÃO ESPECIAL na Perspectiva da
INCLUSÃO ESCOLAR: A Escola Comum INCLUSIVA - Edilene Ropoli
Disponiblizado em:
Sinopse: no canal Intensivo Pedagógico traz Resenha completa e
objetiva do documento "A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão
Escolar: a escola Comum Inclusiva" das autoras Edilene Ropoli, Maria
Mantoan, Maria Terezinha dos Santos e Rosângela Machado, você encontra
só aqui no Intensivo Pedagógico.
Vídeo de apoio 6: Avaliação pedagógica na perspectiva inclusiva
Disponiblizado em:
Sinopse: Aqui será relatado, pela psicóloga Cláudia Lopes, que pode
parecer óbvio, mas muitas vezes a avaliação pedagógica de alunos com
deficiências incluídos na escola comum fica em segundo plano, sendo
destacado aquilo que o aluno não sabe ou a busca de um olhar especializado.
Neste vídeo, é apresentada e comentada as etapas básicas da avaliação
pedagógica na perspectiva inclusiva exemplificando-a a partir da Base
Nacional Curricular Comum.
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PRENDIZAGEM, EDUCAÇÃO INCLUSIVA E NEUROCIÊNCIA
GIOVANA ROMERO PAULAI;
BÁRBARA COSTA BEBERII;
SANDRA BOSCHI BAGGIOIII;
TIAGO PETRYIV
IFonoaudióloga, Mestre em Distúrbios da Comunicação Humana pela
Universidade Federal de Santa Maria
IIFonoaudióloga, Especializanda em Fonoaudiologia com área de concentração
em Linguagem pela Universidade Federal de Santa Maria
IIIFonoaudióloga, Especializanda em Fonoaudiologia com área de concentração
em Linguagem pela Universidade Federal de Santa Maria
IVFonoaudiólogo, Especializando em Fonoaudiologia com área de concentração
em Audição pela Universidade Federal de Santa Maria
REVENDO CONCEITOS IMPORTANTES
Este texto tem o intuito de discutir a aprendizagem, por meio de um
estudo das funções neurais no processamentona rede regular de ensino
e têm avançado aceleradamente em alguns países desenvolvidos,
constatando-se que a inclusão bem-sucedida desses educandos requer um
sistema educacional diferente do atualmente disponível. Implicam a inserção
de todos, sem distinção de condições linguísticas, sensoriais, cognitivas,
físicas, emocionais, étnicas, socioeconômicas ou outras e requer sistemas
educacionais planejados e organizados que deem conta da diversidade dos
alunos e ofereçam respostas adequadas às suas características e
necessidades.
A inclusão escolar constitui, portanto, uma proposta politicamente
correta que representa valores simbólicos importantes, condizentes com a
igualdade de direitos e de oportunidades educacionais para todos, em um
ambiente educacional favorável. Impõe-se como uma perspectiva a ser
pesquisada e experimentada na realidade brasileira, reconhecidamente ampla
e diversificada.
Ao pensar a implementação imediata do modelo de educação inclusiva
nos sistemas educacionais de todo o país (nos estados e municípios), há que
se contemplar alguns de seus pressupostos. Que professor o modelo
inclusivista prevê? O professor especializado em todos os alunos, inclusive nos
que apresentam deficiências?
O plano teórico-ideológico da escola inclusiva requer a superação dos
obstáculos impostos pelas limitações do sistema regular de ensino. Seu ideário
defronta-se com dificuldades operacionais e pragmáticas reais e presentes,
como recursos humanos, pedagógicos e físicos ainda não contemplados nesse
Brasil afora, mesmo nos grandes centros. Essas condições, a serem
plenamente conquistadas em futuro remoto, supõe-se, são exequíveis na
atualidade, em condições restritamente específicas de programas-modelos ou
experimentais.
O que se afigura de maneira mais expressiva ao se pensar na
viabilidade do modelo de escola inclusiva para todo o país no momento, é a
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situação dos recursos humanos, especificamente dos professores das classes
regulares, que precisam ser efetivamente capacitados para transformar sua
prática educativa. A formação e a capacitação docente impõem-se como meta
principal a ser alcançada na concretização do sistema educacional que inclua
todos, verdadeiramente.
É indiscutível a dificuldade de efetuar mudanças, ainda mais quando
implicam novos desafios e inquestionáveis demandas socioculturais. O que se
pretende, numa fase de transição onde os avanços são inquietamente
almejados, é o enfrentamento desses desafios mantendo-se a continuidade
entre as práticas passadas e as presentes, vislumbrando o porvir; é procurar
manter o equilíbrio cuidadoso entre o que existe e as mudanças que se
propõem.
Observe-se a legislação atual. Quando se preconiza, para o aluno com
necessidades especiais, o atendimento educacional especializado
preferencialmente na rede regular de ensino, evidencia-se uma clara opção
pela política de integração no texto da lei, não devendo a integração – seja
como política ou como princípio norteador – ser penalizada em decorrência dos
erros que têm sido identificados na sua operacionalização nas últimas décadas.
O êxito da integração escolar depende, dentre outros fatores, da
eficiência no atendimento à diversidade da população estudantil. Como atender
a essa diversidade? Sem pretender respostas conclusivas, sugere-se estas,
dentre outras medidas: elaborar propostas pedagógicas baseadas na interação
com os alunos, desde a concepção dos objetivos; reconhecer todos os tipos de
capacidades presentes na escola; sequenciar conteúdos e adequá-los aos
diferentes ritmos de aprendizagem dos educandos; adotar metodologias
diversas e motivadoras; avaliar os educandos numa abordagem processual e
emancipadora, em função do seu progresso e do que poderá vir a conquistar.
Alguns educadores defendem que uma escola não precisa preparar-se
para garantir a inclusão de alunos com necessidades especiais, mas tornar-se
preparada como resultado do ingresso desses alunos. Indicam, portanto, a
colocação imediata de todos na escola. Entendem que o processo de inclusão
é gradual, interativo e culturalmente determinado, requerendo a participação do
próprio aluno na construção do ambiente escolar que lhe seja favorável.
Embora os sistemas educacionais tenham a intenção de realizar intervenções
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pedagógicas que propiciem às pessoas com necessidades especiais uma
melhor educação, sabe-se que a própria sociedade ainda não alcançou níveis
de integração que favoreçam essa expectativa.
Vídeo de Apoio 9: Click e assista ao vídeo: Política Nacional de Educação
Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva
Disponível em:
PRÁTICAS INCLUSIVAS NAS ESCOLAS
Para incluir todas as pessoas, a sociedade deve ser modificada,
devendo firmar a convivência no contexto da diversidade humana, bem como
aceitar e valorizar a contribuição de cada um conforme suas condições
pessoais.
A educação tem se destacado como um meio privilegiado de favorecer o
processo de inclusão social dos cidadãos, tendo como mediadora uma escola
realmente para todos, como instância sociocultural.
A prática escolar tem evidenciado o que pesquisas científicas vêm
comprovando: os sistemas educacionais experimentam dificuldades para
integrar o aluno com necessidades especiais. Revelam os efeitos dificultadores
de diversos fatores de natureza familiar, institucionais e socioculturais.
A maioria dos sistemas educacionais ainda baseia-se na concepção
médicopsicopedagógica quanto à identificação e ao atendimento de alunos
com necessidades especiais. Focaliza a deficiência como condição individual e
minimiza a importância do fator social na origem e manutenção do estigma que
cerca essa população específica. Essa visão está na base de expectativas
massificadas de desempenho escolar dos alunos, sem flexibilidade curricular
que contemple as diferenças individuais.
Outras análises levam à constatação de que a própria escola regular tem
dificultado, para os alunos com necessidades especiais, as situações
educacionais comuns propostas para os demais alunos. Direcionam a prática
pedagógica para alternativas exclusivamente especializadas, ou seja, para
alunos com necessidades especiais, a resposta educacional adequada
consiste em serviços e recursos especializados.
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Tais circunstâncias apontam para a necessidade de uma escola
transformada. Requerem a mudança de sua visão atual. A educação eficaz
supõe um projeto pedagógico que enseje o acesso e a permanência – com
êxito – do aluno no ambiente escolar; que assume a diversidade dos
educandos, de modo a contemplar as suas necessidades e potencialidades. A
forma convencional da prática pedagógica e do exercício da ação docente é
questionada, requerendo-se o aprimoramento permanente do contexto
educacional. Nessa perspectiva é que a escola virá a cumprir o seu papel,
viabilizando as finalidades da educação.
Em uma dimensão globalizada da escola e no bojo do seu projeto
pedagógico, a gestão escolar, os currículos, os conselhos escolares, a parceria
com a comunidade escolar e local, dentre outros, precisam ser revistos e
redimensionados, para fazer frente ao contexto da educação para todos. A lei
nº 9.394 – de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – respalda, enseja e
oferece elementos para a transformação requerida pela escola de modo que
atenda aos princípios democráticos que a orientam.
Vídeo de Apaoio 10: Click e assista o incrível vídeo sobre a
professora cadeirante, intitulado: Inclusão: O que as escolas precisam
mudar?
Disponível em:
A REDEFINIÇÃO DO OLHAR SOBRE A EDUCAÇÃO ESPECIAL
A Educação Especial tem sido atualmente definida no Brasil segundo
uma perspectiva mais ampla, que ultrapassa a simples concepção de
atendimentos especializados talcomo vinha sendo a sua marca nos últimos
tempos.
Conforme define a nova LDB, trata-se de uma modalidade de educação
escolar, voltada para a formação do indivíduo, com vistas ao exercício da
cidadania. Como elemento integrante e indistinto do sistema educacional,
realiza-se transversalmente, em todos os níveis de ensino, nas instituições
escolares, cujo projeto, organização e prática pedagógica devem respeitar a
diversidade dos alunos, a exigir diferenciações nos atos pedagógicos que
contemplem as necessidades educacionais de todos. Os serviços educacionais
https://www.youtube.com/watch?v=ieasHdgWDJA
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especiais, embora diferenciados, não podem desenvolver-se isoladamente,
mas devem fazer parte de uma estratégia global de educação e visar suas
finalidades gerais.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais preconizam a atenção à
diversidade da comunidade escolar e baseiam-se no pressuposto de que a
realização de adaptações curriculares pode atender a necessidades
particulares de aprendizagem dos alunos. Consideram que a atenção à
diversidade deve se concretizar em medidas que levam em conta não só as
capacidades intelectuais e os conhecimentos dos alunos, mas, também, seus
interesses e motivações.
A atenção à diversidade está focalizada no direito de acesso à escola e
visa à melhoria da qualidade de ensino e aprendizagem para todos,
irrestritamente, bem como as perspectivas de desenvolvimento e socialização.
A escola, nessa perspectiva, busca consolidar o respeito às diferenças,
conquanto não elogie a desigualdade. As diferenças vistas não como
obstáculos para o cumprimento da ação educativa, mas, podendo e devendo
ser fatores de enriquecimento.
A diversidade existente na comunidade escolar contempla uma ampla
dimensão de características. Necessidades educacionais podem ser
identificadas em diversas situações representativas de dificuldades de
aprendizagem, como decorrência de condições individuais, econômicas ou
socioculturais dos alunos:
• Crianças com condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais e
sensoriais diferenciadas;
• Crianças com deficiências e bem dotadas;
• Crianças trabalhadoras ou que vivem nas ruas;
• Crianças de populações distantes ou nômades;
• Crianças de minorias linguísticas, étnicas ou culturais;
• Crianças de grupos desfavorecidos ou marginalizados.
A expressão necessidades educacionais especiais podem ser utilizadas
para referir-se a crianças e jovens cujas necessidades decorrem de sua
elevada capacidade ou de suas dificuldades para aprender. Está associada,
portanto, a dificuldades de aprendizagem, não necessariamente vinculada a
deficiência(s). O termo surgiu para evitar os efeitos negativos de expressões
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utilizadas no contexto educacional – deficientes, excepcionais, subnormais,
superdotados, infradotados, incapacitados etc. – para referir-se aos alunos com
altas habilidades/superdotação, aos portadores de deficiências cognitivas,
físicas, psíquicas e sensoriais. Tem o propósito de deslocar o foco do aluno e
direcioná-lo para as respostas educacionais que eles requerem, evitando
enfatizar os seus atributos ou condições pessoais que podem interferir na sua
aprendizagem e escolarização.
É uma forma de reconhecer que muitos alunos, sejam ou não portadores
de deficiências ou de superdotação, apresentam necessidades educacionais
que passam a ser especiais quando exigem respostas específicas adequadas.
O que se pretende resgatar com essa expressão é o seu caráter de
funcionalidade, ou seja, o que qualquer aluno pode requerer do sistema
educativo quando frequenta a escola. Isso requer uma análise que busque
verificar o que ocorre quando se transforma as necessidades especiais de uma
criança numa criança com necessidades especiais. Com frequência, necessitar
de atenção especial na escola pode repercutir no risco de tornar-se um
portador de necessidades especiais. Não se trata de mero jogo de palavras ou
de conceitos.
O QUE A ESCOLA PODE FAZER PARA DAR RESPOSTAS ÀS
NECESSIDADES
Falar em necessidades educacionais especiais, portanto, deixa de ser
pensar nas dificuldades específicas dos alunos e passa a significar o que a
escola pode fazer para dar respostas às suas necessidades, de um modo
geral, bem como aos que apresentam necessidades específicas muito
diferentes dos demais. Considera os alunos, de um modo geral, como
passíveis de necessitar, mesmo que temporariamente, de atenção específica e
poder requerer um tratamento diversificado dentro do mesmo currículo. Não se
nega o risco da discriminação, do preconceito e dos efeitos adversos que
podem decorrer dessa atenção especial. Em situação extrema, a diferença
pode conduzir à exclusão. Por culpa da diversidade ou de nossa dificuldade em
lidar com ela?
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Nesse contexto, a ajuda pedagógica e os serviços educacionais, mesmo
os especializados – quando necessários – não devem restringir ou prejudicar
os trabalhos que os alunos com necessidades especiais compartilham na sala
de aula com os demais colegas. Respeitar a atenção à diversidade e manter a
ação pedagógica “normal” parece ser um desafio presente na integração dos
alunos com maiores ou menos acentuadas dificuldades para aprender.
Embora as necessidades especiais na escola sejam amplas e
diversificadas, a atual Política Nacional de Educação Especial aponta para uma
definição de prioridades no que se refere ao atendimento especializado a ser
oferecido na escola para quem dele necessitar.
Nessa perspectiva, define como aluno portador de necessidades
especiais aquele que “... por apresentar necessidades próprias e diferentes dos
demais alunos no domínio das aprendizagens curriculares correspondentes à
sua idade, requer recursos pedagógicos e metodologias educacionais
específicas.” A classificação desses alunos, para efeito de prioridade no
atendimento educacional especializado (preferencialmente na rede regular de
ensino), consta da referida Política e dá ênfase a:
• portadores de deficiência mental, visual, auditiva, física e múltipla;
• portadores de condutas típicas (problemas de conduta);
• portadores de Superdotação.
A educação especial pode ser oferecida em instituições públicas ou
particulares. As políticas recentes de educação especial têm indicado as
seguintes situações para a organização do atendimento:
• Integração plena na rede regular de ensino, com ou sem apoio em sala
de recursos.
• Classe especial em escola regular. Pelas dificuldades de integração
dos alunos em salas de ensino regular, algumas escolas optam pela
organização de salas de aula exclusivas ao atendimento de alunos com
necessidades especiais.
• Escola especializada, destinada a atender os casos em que a
educação integrada não se apresenta como viável, seja pelas condições do
aluno, seja pelas do sistema de ensino.
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Vídeo de Apoio 12: Click e assista ao vídeo sobre a resposta da escola à
inclusão, intitulado: Por Dentro da Escola - Educação Especial Inclusão
Disponível em:
A INTEGRAÇÃO DE ALUNOS NEE (NECESSIDADES EDUCATIVAS
ESPECIAIS) NAS ESCOLAS REGULARES
A integração dos portadores de necessidades educativas especiais no
sistema de ensino regular é uma diretriz constitucional (art. 208, III), fazendo
parte da política governamental há pelo menos uma década. Mas, apesar
desse relativamente longo período, tal diretriz ainda não produziu a mudança
necessária na realidade escolar, de sorte que todas as crianças, jovens e
adultos com necessidades especiais sejam atendidos em escolas regulares,
sempre que for recomendado pela avaliação de suas condições pessoais. A
concepção da política de integração da educação especial na rede regular de
ensino abrange duas vertentes fundamentais:
O âmbito social, a partir do reconhecimento das crianças, jovense
adultos especiais como cidadãos e de seu direito de estarem integrados à
sociedade o mais plenamente possível;
O âmbito educacional, tanto nos aspectos administrativos (adequação
do espaço escolar, de seus equipamentos e materiais pedagógicos) quanto na
qualificação dos professores e demais profissionais envolvidos. O ambiente
escolar como um todo deve ser sensibilizado para uma perfeita integração.
Propõe-se uma escola integradora, inclusiva, aberta à diversidade dos alunos,
no que a participação da comunidade é fator essencial.
Entre outras características dessa política, são importantes a
flexibilidade e a diversidade, quer porque o aspecto das necessidades
especiais é variado, quer porque as realidades são bastante diversificadas no
país. Quanto às escolas especiais, a política de inclusão as reorienta para
prestarem apoio aos programas de integração.
Enquanto modalidade de ensino, a educação especial deve seguir os
mesmos requisitos curriculares dos respectivos níveis de ensino aos quais está
associada. No entanto, de modo a considerar as especificidades dessa
modalidade de ensino e auxiliar no processo de adaptação à nova política de
https://www.youtube.com/watch?v=w8EDNWyJKg0
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integração, os sistemas de ensino contam atualmente com o documento
Adaptações curriculares. Esse documento define estratégias para a educação
de alunos com necessidades educativas especiais e orienta os sistemas de
ensino para o processo de construção da educação na diversidade.
Os currículos devem ter uma base nacional comum, conforme
determinam os arts. 26 e 27 da LDBEN, a ser suplementada e complementada
por uma parte diversificada, exigida, inclusive, pelas características dos alunos.
Em casos muito singulares, em que o educando com graves
comprometimentos mentais e/ou múltiplos não puder beneficiar-se de um
currículo que inclua formalmente a base nacional comum, deverá ser proposto
um currículo especial para atender suas necessidades, com características
amplas apresentadas pelo aluno.
O currículo especial – tanto na educação infantil como nas séries iniciais
do ensino fundamental – distingue-se pelo caráter funcional e pragmático das
atividades previstas.
Alunos com grave deficiência mental ou múltipla têm, na grande maioria
das vezes, um longo percurso educacional sem apresentar resultados de
escolarização previstos no Inciso I do art. 32 da LDBEN: «o desenvolvimento
da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da
leitura, da escrita e do cálculo».
Nesse caso, e esgotadas todas as possibilidades apontadas no art. 24
da LDBEN, deve ser dada, a esses alunos, uma certificação de conclusão de
escolaridade, denominada «terminalidade específica». Terminalidade
específica, portanto, é «uma certificação de conclusão de escolaridade, com
histórico escolar que apresenta, de forma descritiva, as habilidades atingidas
pelos educandos cujas necessidades especiais, oriundas de grave deficiência
mental ou múltipla, não lhes permitem atingir o nível de conhecimento exigido
para a conclusão do ensino fundamental, respeitada a legislação existente,
esgotadas as possibilidades pontuadas no art. 24 da Lei n.º 9.394/96 e de
acordo com o regimento e a proposta pedagógica da escola».
A referida certificação de escolaridade deve possibilitar novas
alternativas educacionais, tais como o encaminhamento para cursos de
educação de jovens e adultos e de preparação para o trabalho, cursos
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profissionalizantes e encaminhamento para o mercado de trabalho competitivo
ou não.
A educação especial para o trabalho é uma alternativa que visa à
integração do aluno com deficiência na vida em sociedade, a partir de ofertas
de formação profissional. Efetiva-se por meio de adequação dos programas de
preparação para o trabalho, de educação profissional, de forma a viabilizar o
acesso das pessoas com necessidades educacionais especiais em cursos de
nível básico, técnico e tecnológico, possibilitando o acesso ao mercado formal
ou informal. As adequações efetivam-se por meio de:
• Adaptação dos recursos instrucionais: material pedagógico,
equipamento, currículo e outros.
• Capacitação de recursos humanos: professores, instrutores e
profissionais especializados.
• Eliminação de barreiras arquitetônicas.
A educação especial para o trabalho pode ser realizada em escolas
especiais, governamentais ou não, em oficinas pré-profissionais ou oficinas
profissionalizantes (de forma protegida ou não), em escolas profissionais do
sistema S (SESI, SENAI, SENAC, etc.), em escolas agrotécnicas e técnicas
federais ou em centros federais de educação tecnológica e em outras
congêneres.
Os arts. 3º e 4º do Decreto n.º 2.208/97 contemplam a inclusão de
alunos em cursos de educação profissional de nível básico,
independentemente de escolaridade prévia, além dos cursos de nível técnico e
tecnológico. Assim, alunos com necessidades especiais também podem, com
essa condição, beneficiar-se desses cursos, qualificando-se para o exercício de
funções demandadas pelo mundo do trabalho.
A educação para o trabalho oferecida aos alunos com necessidades
especiais que não apresentarem condições de se integrar aos cursos
profissionalizantes acima mencionados deve ser realizada em oficinas
profissionalizantes protegidas, com vista à inserção não-competitiva no mundo
do trabalho.
Sendo a educação especial uma modalidade de ensino que perpassa os
diversos níveis de ensino, o nível de formação exigido equivale aos requisitos
para atuação nos respectivos níveis de ensino aos quais está associada.
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Sendo assim, para atuação na educação infantil e no primeiro segmento do
ensino fundamental, exige-se formação mínima em nível médio, na modalidade
Normal. Para atuação no segundo segmento do ensino fundamental e no
ensino médio, exige-se formação em nível superior.
A partir de 2007, a formação mínima exigida para atuação nos
respectivos níveis de ensino e, portanto, na modalidade de educação especial
será a licenciatura plena, obtida em nível superior.
O Ministério da Educação, através da Secretaria de Educação Especial,
também desenvolve o Programa Nacional de Capacitação de Recursos
Humanos, dirigido aos profissionais que atuam no ensino regular. O Programa
prevê atendimento gradual dos municípios brasileiros, utilizando-se de recursos
da educação à distância, de modo a possibilitar maior oferta de atendimento
aos alunos com necessidades educacionais especiais.
O conhecimento da realidade da educação especial no país é ainda
bastante precário, porque não se dispõe de estatísticas completas nem sobre o
número de pessoas com necessidades especiais nem sobre o atendimento.
Somente a partir do ano 2000, o Censo Demográfico passou a oferecer dados
mais precisos, permitindo análises mais profundas da realidade.
A Organização Mundial de Saúde estima que em torno de 10% da
população de um país têm necessidades especiais de diversas ordens: visuais,
auditivas, físicas, mentais, múltiplas, distúrbios de conduta e, também,
superdotação ou altas habilidades. Se essa estimativa se aplicar ao Brasil,
estima-se a existência de cerca de 15 milhões de pessoas nessa condição.
A informação mais recente de que se dispõe, em âmbito nacional, foi
obtida pelo Censo Demográfico de 1991, que investigou a existência de
pessoas portadoras de cegueira, surdez, paralisia, falta de membros ou parte
deles e deficiência mental, em uma amostra com aproximadamente 10% dos
domicílios do país. Apuradas as respostas, a parcela de pessoas portadoras de
deficiência foi calculada em 1,5% da população brasileira, bem inferior,
portanto, às estimativas dos organismos internacionais de saúde.
De qualquer forma, o atendimento nos estabelecimentos escolares
mostra-se muito inferior ao necessário. Em 1999, havia cerca de 311 mil alunos
matriculados,distribuídos da seguinte forma: 53,8% deficientes mentais; 12,6%
com deficiências múltiplas; 12,6% com deficiência auditiva; 4,9% com
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deficiência física; 4,6% com deficiência visual; 2,7% com problemas de
condutas típicas. Apenas 0,4% com altas habilidades/superdotados e 8,5%
com outro tipo de deficiência.
Assim como o movimento inclusivo exige mudanças estruturais para as
escolas comuns e especiais, ele também propõe que haja uma articulação
entre os diferentes profissionais envolvidos neste processo. O diálogo entre
diversos profissionais é necessário para o aprofundamento e melhor
desempenho, seja do aluno, do professor ou do especialista.
No entanto, o diálogo só acontece quando as partes que se respeitam
mutuamente e não assumem uma posição de superioridade de conhecimento e
de dominação sobre o outro. Desta forma, para que cada espaço se organize e
cumpra com o que se propõe, sem ocupar ou se sobrepor ao trabalho do outro,
faz-se necessário destacar:
• Escola (sala comum): Espaço educacional responsável pela saída da
vida particular e familiar para o domínio público tem função social reguladora e
formativa para os alunos. A escola cabe ensinar a compartilhar o saber,
introduzir o aluno no mundo social, cultural e cientifico, ou seja, cabe a escola
socializar o saber universal.
• Atendimento Educacional Especializado: Tem por objetivo ampliar o
ponto de partida e de chegada do aluno em relação ao seu conhecimento. Não
se atém a solucionar os obstáculos da deficiência, mas criar outras formas de
interação, de acessar o conhecimento particular e pessoal. É de caráter
educacional, mas ao contrário da escola que trabalha o saber universal, o AEE
trabalha com o saber particular do aluno, aquilo que traz de casa, de suas
convicções visando propiciar uma relação com o saber diferente do que possui
ampliar sua autonomia pessoal, garantir outras formas de acesso ao
conhecimento (como por exemplo, através do BRAILLE, LIBRAS, uso de
tecnologia, uso de diferentes estratégias de pensamento, etc.)
• Atendimento Clínico: Preocupam-se com os sintomas específicos, as
patologias apresentadas em cada área, que são trabalhados de maneira a
superar ou reabilitar o indivíduo nas manifestações que ocorrem. Exemplo: o
fonoaudiólogo trabalhará com a dificuldade de linguagem expressiva ou
receptiva, melhorando a condição da pessoa neste aspecto, o fisioterapeuta
buscará, por exemplo, melhorar os movimentos perdidos, etc.
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Sabemos que a pessoa é um ser indivisível, em que cada uma de suas
partes interage com a outra, influenciando e determinando a condição do seu
funcionamento e crescimento como pessoa. Como exemplo, podemos citar o
atendimento educacional especializado, que na construção do conhecimento
toca em questões subjetivas para o aluno, o que fatalmente acarretará
consequências no seu desenvolvimento global e consequentemente na
resposta ao atendimento clínico.
Se uma instituição especializada mantém o atendimento educacional e
clínico, esses especialistas devem interagir, embora cada um mantenha os
limites de suas especificidades. E mesmo naquelas escolas especiais e
comuns que não têm o propósito de desenvolver o atendimento clínico, o
diálogo com os especialistas é fundamental. E que esta interação não se
estabeleça para encerrar as possibilidades do aluno em um diagnóstico que
contempla apenas as deficiências, mas para descobrir saídas conjuntas de
atuação em cada caso.
Todos esses três saberes: o clínico, o escolar e o especializado devem
fazer suas diferentes ações convergir para um mesmo objetivo, o
desenvolvimento das pessoas com deficiência. O atendimento educacional
especializado foi criado para dar um suporte para os alunos deficientes para
facilitar o acesso ao currículo.
De acordo com o Decreto nº 6571, de 17 de setembro de 2008:
Art. 1o A União prestará apoio técnico e financeiro aos sistemas públicos
de ensino dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na forma deste
Decreto, com a finalidade de ampliar a oferta do atendimento educacional
especializado aos alunos com deficiência, transtornos globais do
desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, matriculados na rede
pública de ensino regular.
§ 1º Considera-se atendimento educacional especializado o conjunto de
atividades, recursos de acessibilidade e pedagógicos organizados
institucionalmente, prestado de forma complementar ou suplementar à
formação dos alunos no ensino regular. § 2o O atendimento educacional
especializado deve integrar a proposta pedagógica da escola, envolver a
participação da família e ser realizado em articulação com as demais políticas
públicas.
49
O AEE é um serviço da Educação Especial que identifica, elabora e
organiza recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem barreiras para
a plena participação dos alunos, considerando suas necessidades específicas.
Ele deve ser articulado com a proposta da escola regular, embora suas
atividades se diferenciem das realizadas em salas de aula de ensino comum.
(MEC, 2009).
Deve ser realizado no período inverso ao da classe frequentada pelo
aluno e preferencialmente, na própria escola. Há ainda a possibilidade de esse
atendimento acontecer em uma escola próxima. Nas escolas de ensino regular
o AEE deve acontecer em salas de recursos multifuncionais que é um espaço
organizado com materiais didáticos, pedagógicos, equipamentos e profissionais
com formação para o atendimento às necessidades educacionais especiais,
projetadas para oferecer suporte necessário a estes alunos, favorecendo seu
acesso ao conhecimento. (MEC, 2007).
O atendimento educacional especializado é muito importante para os
avanços na aprendizagem do aluno com deficiências na sala de ensino regular.
Os professores destas salas devem atuar de forma colaborativa com o
professor da classe comum para a definição de estratégias pedagógicas que
favoreçam o acesso ao aluno ao currículo e a sua interação no grupo, entre
outras ações que promovam a educação inclusiva.
Quanto mais o AEE acontecer nas escolas regulares nas que os alunos
com deficiências estejam matriculados mais trará benefícios para esses, o que
contribuirá para a inclusão, evitando atos discriminatórios.
Vídeo de Apoio 13: Click e assista: Caminhos da Reportagem - Inclusão
escolar, uma equação complexa
Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=S7hu2sthM2I
50
REFERÊNCIAS
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Armazém do Ipê, 2005.
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Porto Alegre : Artmed, 1996.
TUNES, Elizabeth. Identificando concepções relacionadas à prática com o
deficiente mental.das informações. Com isso,
pretende-se abordar a aprendizagem sob a óptica neuropsicológica. Não é
intenção discutir especificamente os distúrbios da aprendizagem, porém, é
inevitável não efetuar tais correlações.
Para melhor compreender a aprendizagem, sob o ponto de vista da
maturação nervosa, é necessário saber como o comportamento acontece, a fim
de investigar os processos neurais de sua mudança.
A neuropsicologia é a ciência que tem por objeto o estudo das relações
entre as funções do sistema nervoso e o comportamento humano1.
A neuropsicologia pretende inter-relacionar os conhecimentos da
psicologia cognitiva com as neurociências, desvendar a fisiopatologia do
transtorno e, sobre esta base, encarar racionalmente a estratégia de
tratamento2.
Entende-se como neuropsicologia o estudo dos distúrbios das funções
superiores produzidos por alterações cerebrais, investigando, especificamente,
os distúrbios dos comportamentos adquiridos, pelos quais cada homem
mantém relações adaptadas com o meio. Somente há pouco mais de cem anos
é que se passou a conhecer o funcionamento ao nível do córtex cerebral, por
8
meio do estudo das lesões espontâneas localizadas e ressecções parciais do
cérebro, que permitiram demonstrar que as diversas partes hemisféricas não
possuem a mesma função e que existe uma organização cerebral semelhante
em todos os indivíduos3.
A neuropsicologia entende a participação do cérebro como um todo, no
qual as áreas são interdependentes e inter-relacionadas, funcionando
comparativamente a uma orquestra, que depende da integração de seus
componentes para realizar um concerto. Isso se denomina sistema funcional.
Dessa maneira, sabe-se que, a partir do conhecimento do desenvolvimento e
funcionamento normal do cérebro, pode-se compreender alterações cerebrais,
como no caso de disfunções cognitivas e do comportamento resultante de
lesões, doenças ou desenvolvimento anormal do cérebro4.
É através da neuropsicologia que podemos compreender os processos
mnêmicos, perceptivos, de aprendizado e de solução de problemas, dentre
outras atividades cognitivas5.
Quando falamos de aprendizagem estamos nos referindo a um processo
global de crescimento, pois toda aprendizagem desencadeia, em algum
sentido, crescimento individual ou grupal6.
Às vezes, os termos aprendizagem e conhecimento são utilizados como
sinônimos, porém, é por meio do processo de aprendizagem que se adquire
conhecimento, no entanto, o conhecimento resultante do processo não pode
ser confundido com aprendizagem. Em alguns manuais de psicologia da
aprendizagem, a aprendizagem é definida como "uma mudança de
comportamento resultante de prática ou experiência anterior"7. Já, para outros
autores, a aprendizagem é a mudança de comportamento viabilizada pela
plasticidade dos processos neurais cognitivos8.
A aprendizagem é um processo contínuo, que opera sobre todos os
dados que alcançam um umbral de significação, dependendo, essencialmente,
da memória e da atenção. A capacidade de especialização cerebral em
armazenar dados ('engramas') para a sua utilização posterior permite,
mediante a memória, codificar e decodificar informação; existem vários tipos de
memória (sensorial, curto prazo ou de trabalho, e longo prazo) que podem
trabalhar, não só sequencialmente, mas também em paralelo, dependente
basicamente da plasticidade sináptica. Atenção permite focalizar atividades
9
conscientes dependentes de sistemas e subsistemas anátomo-funcionais, que
trabalham como redes em paralelo, permitindo uma atuação simultânea e
interativa nas tarefas cognitivas9.
Os transtornos de aprendizagem representam a consequência de um
transtorno na organização funcional do sistema nervoso central, em geral de
caráter leve, mas com consequências de considerável importância para o
futuro social da criança, já que perturbam a conduta pedagógica esperada de
acordo com sua inteligência normal. Desde o ponto de vista etiopatogênico,
estes transtornos se inserem dentro das alterações funcionais (disfunções),
porém sua base é evidentemente orgânica9.
Dificuldades, transtornos, distúrbios e problemas de aprendizagem são
expressões muito usadas para se referir às alterações que muitas crianças
apresentam na aquisição de conhecimentos, de habilidades motoras e
psicomotoras, no desenvolvimento afetivo e outras10.
Há alunos com dificuldades para aprender, cuja afecção mais evidente é
a deficiência de aprendizagem, apesar de adequadas inteligência, visão,
audição, capacidade motora e equilíbrio emocional. Estudos sobre a
neuropsicologia da aprendizagem demonstram que, nesse grupo, a
generalizada integridade orgânica convive com a deficiência na aprendizagem.
Esta pode se manifestar como dificuldades motoras ou psicomotoras, de
atenção, memorização, compreensão, desinteresse, escassa participação e
problemas de comportamento10.
MATURAÇÃO NERVOSA
A noção de maturação nervosa é uma das mais fundamentais para se
explicar o processo de aprendizagem11. Psicólogos acreditam que os
comportamentos não podem ser externados até que seu mecanismo neural
tenha se desenvolvido12.
A aprendizagem infantil, no que tange ao processo escolar em geral,
está intimamente relacionada ao desenvolvimento da criança, às figuras
representativas desta aprendizagem (escola, professores), ambiente de
aprendizagem formal, condições orgânicas, condições emocionais e estrutura
familiar. Qualquer intercorrência em um ou mais destes fatores pode
influenciar, direta ou indiretamente, o processo de aquisição da aprendizagem6.
10
Um dos aspectos fundamentais envolvidos com a aprendizagem é a
valorização dos processos neurais, além do fato de diferentes formas de
aprendizagem envolverem não só circuitos neurais diferentes, mas diversos
mecanismos fundamentais, que devem ser ressaltados13.
O cérebro humano é um sistema complexo que estabelece relações com
o mundo que o rodeia por meio de fatores significativos como: a especificidade
das vias neuronais, que da periferia levam ao córtex informações provenientes
do mundo exterior; e, a especificidade dos neurônios, que permitem determinar
áreas motoras, sensoriais, auditivas, ópticas, olfativas, etc, estabelecendo inter-
relações funcionais exatas e ricas que são de extrema importância para o
aprendizado13.
O processo de aprendizagem exige um certo nível de ativação e
atenção, de vigilância e seleção das informações. A ativação, por meio da
vigilância, conecta-se com a atenção no sentido da capacidade de focalização
da atividade. São elementos fundamentais de toda atividade neuropsicológica,
essenciais para manter as atividades cognitivas, inibindo o efeito de muitos
neurônios que não interessam à situação. Sem uma organização cerebral
integrada, intra e interneurossensorial, não é possível uma aprendizagem
normal. Os processos de codificação e decodificação são de extrema
importância, quando se abordam problemas de aprendizagem. A linguagem,
oral e escrita, receptiva ou expressiva, faz parte com toda sua especificidade,
do sistema cognitivo. Distinguindo a dimensão de percepção e gnose, como
sendo o reconhecimento modal específico por meio de analisadores visuais,
auditivos e somestésicos do processamento conceptual e ação, como
pensamento e resposta (verbal ou não-verbal), a linguagem é um dos
componentes fundamentais na organização cognitiva e nos processos
complexos da aprendizagem. Os componentes cognitivos e as regiões
cerebrais, que os processam, constituem um todo interconexo3.
A aprendizagem resulta da recepção e da troca de informações entre o
meio ambiente e os diferentes centros nervosos. Desta forma, a aprendizagem
inicia com um estímulo de natureza físico-química advindo do ambiente que é
transformado em impulso nervoso pelos órgãos dos sentidos11.
Prestar atenção, compreender, aceitar,reter, transferir e agir são alguns
dos componentes principais da aprendizagem. Assim, a informação captada é
11
submetida a contínuo processamento e elaboração, que funciona em níveis
cada vez mais complexos e profundos, desde a extração das características
sensoriais, a interpretação do significado até, finalmente, a emissão da
resposta13.
As áreas de projeção estão relacionadas com a sensibilidade, a
motricidade, e as áreas de associação e de sobreposição estão relacionadas
com funções psíquicas complexas: gnosias, linguagem, esquema corporal,
memória, emoções, etc14.
O aprender implica em certas integridades básicas, que devem estar
presentes, quando oportunidades são oferecidas para a realização da
aprendizagem. Essas integridades são caracterizadas em três níveis:
Funções psicodinâmicas - à medida que o organismo internaliza o
observado ou o experienciado, começa a assimilar hierarquicamente,
pelos processos psíquicos, devendo, portanto, existir controle e
integridade psicoemocional para que ocorra a aprendizagem;
Funções do sistema nervoso periférico - responsáveis pelos receptores
sensoriais, que são canais principais para aprendizagem simbólica. Uma
subcarga sensorial implicaria em privação do cérebro de estimulação
básica, para o crescimento e amadurecimento dos processos
psicológicos;
Funções do sistema nervoso central - responsável pelo armazenamento,
elaboração e processamento da informação, resultante da resposta
apropriada do organismo15.
Considerando a aprendizagem humana como processamento de
informações, veremos que os processos "centrais" são modificações e
combinações que ocorrem nas estruturas cognitivas. Na verdade, o aprendiz é
concebido como um manipulador inteligente e flexível, que busca a informação
e trata de organizá-la, integralizá-la, armazená-la e recuperá-la, quando
necessário, de forma ativa e ajustada às estruturas cognitivas de que dispõem
internamente16.
O modelo neuropsicológico aplicado aos transtornos de aprendizagem
assume que estes constituem a expressão de uma disfunção cerebral
específica, causada por fatores genéticos ou ambientais que alteram o
neurodesenvolvimento17.
12
A investigação neuropsicológica permite conhecer a estrutura interna
dos processos psicológicos e da conexão interna que os une. Ela também nos
possibilita realizar um exame pormenorizado das alterações que surgem nos
casos de lesões cerebrais locais, assim como as maneiras pelas quais os
processos psicológicos são alterados por essas lesões. Esse exame também
se estende ao processo ensino-aprendizagem em geral, pois nos permite
estabelecer algumas relações entre as funções psicológicas superiores
(linguagem, atenção, memória, etc.) e a aprendizagem simbólica (conceitos,
escrita, leitura, etc.), ou seja, o modelo neuropsicológico das dificuldades da
aprendizagem se preocupa em reunir uma amostra de funções mentais
superiores envolvidas na aprendizagem simbólica, as quais estão, obviamente,
correlacionadas com a organização funcional do cérebro. Sem essa
condição "sine qua non", a aprendizagem não se processa normalmente e,
neste caso, podemos nos deparar com uma disfunção ou lesão cerebral1.
Muitos procedimentos de aprendizagem se apoiam precisamente em um
marco de referência que inclui a noção clássica de psicomotricidade, o
conhecimento implícito que o sujeito possui de seu próprio corpo, estático e em
movimento, e sua relação com os objetos externos. O desenvolvimento da
somatognosia, normalmente, se realiza posterior ao uso dos diversos
componentes corporais: assim, por exemplo, uma criança de cinco anos possui
uma notável capacidade manipulativa, entretanto, suas gnosias digitais se
mostram bastante imaturas18.
Em geral, os testes que seguem a orientação neuropsicológica
apresentam algumas diferenças com os que se utilizam habitualmente em
psicopedagogia. A neuropsicologia explora funções pontuais da mente que
correspondem, por sua vez, a áreas e circuitos bem identificados do cérebro.
Mas, na realidade, a diferença na abordagem que propõe a neuropsicologia
não se apoia tanto no tipo de teste utilizado, mas, sim, no reconhecimento das
síndromes e quadros clínicos caracterizados sobre as bases anátomo-
funcionais do cérebro19.
No processo ensino-aprendizagem, a avaliação global das funções
psicológicas deve levar em conta todo o mecanismo cerebral, nos seus níveis
sucessivos de evolução. Sendo assim, a avaliação neuropsicológica é a única
forma possível de se avaliar uma determinada função, posto que somente
13
quando a mesma é colocada à prova (mediante testes específicos), podemos
observar sua integridade ou comprometimento20.
A exploração neuropsicológica na infância pode ser dividida em dois
grandes grupos:
a investigação mais rigidamente conduzida sob a forma de uma bateria
sistematizada, levando-se em conta, na inclusão de cada item, os
mecanismos subjacentes à função examinada;
o exame menos sistemático decorrente da re-leitura neuropsicológica do
próprio psicodiagnóstico clássico e de toda produção escolar dos dados
da anamnese, bem como da observação do comportamento21.
NEUROPSICOLOGIA INFANTIL
Para identificar precocemente alterações no desenvolvimento cognitivo e
comportamental, a neuropsicologia infantil se tornou um dos componentes
essenciais das consultas periódicas de saúde infantil, sendo necessária a
utilização de instrumentos adequados a esta finalidade (testes
neuropsicológicos e escalas para a avaliação do desenvolvimento). A
importância desses instrumentos reside, principalmente, na prevenção e
detecção precoce de distúrbios do desenvolvimento/aprendizado, indicando de
forma minuciosa o ritmo e a qualidade do processo e possibilitando um
"mapeamento" qualitativo e quantitativo das áreas cerebrais e suas
interligações (sistema funcional), visando a intervenções terapêuticas precoces
e precisas4.
A contribuição da avaliação neuropsicológica da criança é extensiva ao
processo de ensino-aprendizagem, pois nos permite estabelecer algumas
relações entre as funções corticais superiores, como a linguagem, a atenção e
a memória, e a aprendizagem simbólica (conceitos, escrita, leitura, etc.). O
modelo neuropsicológico das dificuldades da aprendizagem busca reunir uma
amostra de funções mentais superiores envolvidas na aprendizagem simbólica,
as quais estão, obviamente, correlacionadas com a organização funcional do
cérebro. Sem essa condição, a aprendizagem não se processa normalmente4.
As disfunções cerebrais, bem como as lesões, interferem no
processamento das informações: recepção (ocasiona problemas perceptuais);
14
integração (surgem dificuldades na retenção-memória e elaboração); e
expressão (surgirão distúrbios na ordenação, seqüencialização, planificação e
execução), sendo essas informações envolvidas pelo aprendizado5.
As funções psicológicas e o funcionamento cerebral são descritos,
considerando o cérebro como um sistema inter-relacionado a partir de três
unidades funcionais:
unidade para regular o tono, a vigília e os estados mentais (área de
projeção que abrange a formação reticular);
unidade para receber, analisar e armazenar informações (área de
projeção que abrange parietal, occipital e temporal primários; área de
associação que abrange parietal, occipital e temporal secundários);
unidade para programar, regular e verificar a atividade (área de
sobreposição que abrange as áreas pré-frontais e frontais)22.
Cada unidade funcional compreende, portanto, um conjunto de órgãos
ou de áreas corticais que, em termos interdependentes, constituem o grande
sistema neuropsicológico da aprendizagem humana23.
A maturação cognitiva e comportamental é consequente à estrutural e à
fisiológica e esta se produz de maneira diferente, cronológica e
qualitativamente,nas distintas regiões cerebrais24.
De certa forma, a aprendizagem é fruto do desenvolvimento dessas
unidades funcionais que estão organizadas verticalmente e se estabelecem
geneticamente da primeira unidade (reflexos) à terceira unidade (intenções),
passando pela segunda unidade (experiências e ações multissensoriais).
Assim, por exemplo, as aprendizagens complexas, como a leitura, assentam
sobre aprendizagens compostas, como a discriminação e identificação
perceptiva, que, por sua vez, decorrem de aprendizagens simples, como a
aquisição de postura bípede e das aquisições preensivas na primeira idade1.
A leitura, um dos processos mais complexos da aprendizagem,
compreende a discriminação visual de símbolos gráficos (grafemas) por meio
de um processo de decodificação que se passa na segunda unidade, só
possível com um processo de atenção seletiva regulada pela primeira unidade.
Posteriormente, e ainda na mesma unidade, há que selecionar e identificar os
equivalentes auditivos (fonemas) por meio de um processo de análise e
transdução, de síntese e comparação, a fim de edificar a busca da significação
15
(conjectura) e avaliar os níveis de compreensão latentes. A partir daqui, surgirá
uma nova operação de equivalência que compreende a codificação, ou seja, a
rechamada dos articulemas que são executados e verificados na área da
Broca, isto é, na terceira unidade. Dos motoneurônios superiores frontais, a
linguagem interior se transformará em linguagem expressiva, por meio da
oralidade, ou seja, da produção de sons articulados. É este o todo funcional
que caracteriza a aprendizagem da leitura. É dentro desse conjunto funcional
que se pode verificar um distúrbio ou disfunção neuropsicológica que pode, por
consequência, redundar numa dificuldade de aprendizagem23.
No que se refere aos problemas de aprendizagem, tem sido assinalado
que reprovações escolares têm múltipla etiologia, justificando, portanto,
múltiplo enfoque21.
A relevância da abordagem neuropsicológica da aprendizagem está no
reconhecimento dos quadros clínicos caracterizados sobre as bases anátomo-
funcionais do cérebro, e não no tipo de teste utilizado.
Ao fornecer subsídios para investigar a compreensão do funcionamento
intelectual da criança, a neuropsicologia pode instrumentar diferentes
profissionais, tais como médicos, psicólogos, fonoaudiólogos e
psicopedagogos, promovendo uma intervenção terapêutica mais eficiente.
Somente dessa forma é que as dificuldades de aprendizagens serão
melhor compreendidas e, principalmente, tratadas.
NEUROPSICOLOGIA DA MEMÓRIA HUMANA
Maria Gabriela Menezes Oliveira; Orlando F. A. Bueno (ADAPTADO)
Departamento de Psicobiologia - Escola Paulista de Medicina
O termo neuropsicologia refere-se, originalmente, a investigações de
desordens de percepção o, memória, linguagem, pensamento, emoção o e
ação em pacientes neurológicos (Shallice, 1988), ampliado para abarcar o
resultado de numerosos estudos complementares em animais de laboratório,
como se depreende do uso que dele fazem Squire e Butters (1984). No seu
uso original ele designava o trabalho conjunto de psicólogos, neurologistas e
neurocirurgiões, e no seu uso mais generalizado -e este é o aspecto
16
fundamental que necessita ser destacado - ele continua a refletir o trabalho em
cooperação o de psicólogos, neurologistas, neurocirurgiões, neuroanatomistas,
neurofísiologistas e outros neurocientistas. É nossa crença que somente este
trabalho cooperativo pode fazer avançar o conhecimento a respeito do cérebro
e do comportamento. O que se segue é uma tentativa de resumo de resultados
obtidos nas últimas duas ou três décadas num campo particular da
neuropsicologia, a neuropsicologia da memória humana, que neste período
conheceu um crescimento espetacular.
Amnésia do lobo temporal medial
A década de 50 foi um marco na história da neuropsicologia da memória.
Em 1954 o neurocirurgião Scoville descreveu o caso do paciente H.M., por ele
operado em 1953, o qual começou a apresentar uma grave e inesperada
deficiência de memória logo após a ablacão bilateral do lobo temporal medial.
Brenda Milner e colaboradores publicaram vários trabalhos relatando os
resultados obtidos em testes formais de memória e inteligência executados
neste paciente (Milner, Corkin & Teuber, 1968; Scoville & Milner, 1957). Estes
resultados confirmaram amplamente os relatos informais de seus familiares, de
médicos e de pesquisadores, os quais constataram que H.M. não conseguia
recordar nenhum evento pessoal ou público ocorrido após a cirurgia (amnésia
anterógrada), além de sempre subestimar a própria idade e não reconhecer
amigos aos quais havia sido apresentado após o ano de 1953.
Apesar deste profundo e persistente quadro amnésico, o paciente H.M.
tinha uma inteligência superior, era capaz de estabelecer diálogos
normalmente, desde que não fosse distraído, e tinha preservada sua memória
para eventos remotos, sendo, porém, incapaz de lembrar com acuidade
eventos ocorridos até cerca de três anos antes da cirurgia (amnésia
retrógrada). Em testes de percepção o seu desempenho era normal, indicando
que o prejuízo observado não era devido à incapacidade de registrar novas
informações (Milner et al., 1968; Scoville & Milner, 1957). A memória de curto
prazo de H.M. achava-se preservada (Milner et al., 1968), assim como a sua
capacidade de adquirir novas habilidades motoras e cognitivas (Corkin, 1968).
Além disso, ele também conseguia aprender, e reter na memória por algum
17
tempo, o trajeto de labirintos visuais e tácteis muito simples (onde o número de
pontos de escolha a serem lembrados não excedesse a capacidade da
memória de curto prazo), embora a aquisição o destas tarefas de labirinto fosse
extremamente lenta (Milner et al., 1968). Foi demonstrado também que H.M.
era capaz de se beneficiar do efeito de pré-ativação (Corkin, 1984), efeito no
qual a performance do indivíduo pode ser facilitada ou enviesada por
informações apresentadas previamente, sem que o sujeito se dê conta disso. O
paradigma básico dos estudos de pré-ativação (priming) é aquele imaginado
por Warrington e Weiskrantz (1970), que consiste em apresentar uma lista de
palavras e subseqüentemente testar os sujeitos através de dois testes. Um dos
testes é de reconhecimento, no qual a tarefa é identificar no meio de várias
palavras quais foram apresentadas anteriormente. O outro teste é de
completamente de palavras, no qual são dadas as letras iniciais para que se
forme a palavra completa. H.M., assim como outros amnésicos, tipicamente
completava as palavras de acordo com a lista apresentada previamente, mas
não conseguia reconhecer as palavras que constavam desta lista. O paciente
H.M. foi exaustivamente estudado ao longo dos anos e muito se sabe sobre as
características de sua amnésia, mas o seu não é, de modo algum, o único caso
descrito na literatura. Em 1958 Penfield e Milner descreveram vários casos de
cirurgia de ablação unilateral do lobo temporal medial, que incluía a amígdala e
boa parte do hipocampo. Destes pacientes, dois desenvolveram um quadro
amnésico semelhante ao observado em H.M.. Estudos post-mortem mostraram
que o hipocampo do hemisfério cerebral não operado se apresentava necrótico
e provavelmente inoperante (Penfield & Mathieson, 1974). Portanto, a
síndrome amnésica só aparecia quando havia comprometimento bilateral desta
estrutura. Estes achados mostraram um claro envolvimento do hipocampo no
processamento de informações mnemônicas, o que já havia sido sugerido em
1900 por Bechterew, que descreveu alterações neuropatológicas no lobo
temporal medial de uma pessoa que havia apresentado problema de memória
durante a sua vida (citado por Zola-Morgan, Squire & Amaral, 1986). Síndrome
amnésica semelhante pode ser observada em pacientes pós-encefalíticos,nos
quais há lesões extensas do lobo temporal medial, incluindo hipocampo,
amígdala e uncus (Damasio, Eslinger, Damasio, Van Hoesen & Cornell, 1985).
O hipocampo também tem sido responsabilizado pela amnésia que se
18
manifesta após oclusão da artéria cerebral posterior (Benson, Marsden &
Meadows, 1974) ou após isquemia cerebral (Volpe & Hirst, 1983).
Síndrome amnésica, amnésia global ou amnésia orgânica
A síndrome amnésica é definida por algumas características positivas -
das quais a mais importante é uma severa amnésia anterógrada -
concomitantes e ausência de outros déficits cognitivos (linguagem, raciocínio,
capacidade intelectual, habilidades sociais, percepção, etc). Amnésia
retrógrada pode aparecer, porém em graus variados e restrita aos anos, meses
ou dias que antecederam o agente amnésico. A memória para eventos remotos
se conserva intacta, todavia. Pacientes com amnésia do lobo temporal medial
apresentam capacidade preservada de aprender tarefas que envolvam apenas
habilidades motoras, perceptuais ou cognitivas (como as tarefas de
perseguição o de um ponto giratório, de traçado bimanual, e de escrever ou ler
palavras invertidas por um espelho, ou como solucionar o jogo da Torre de
Hanói e congêneres), ou seja, que não exijam a lembrança de eventos
específicos. Um bom exemplo para ilustrar esta dissociação apresentada por
pacientes amnésicos encontra-se no experimento realizado por Cohen e Squire
(1980), no qual os sujeitos liam tríades de palavras invertidas como num
espelho, durante três dias. Com o treino, o tempo de leitura, tanto de sujeitos
normais como de amnésicos, caía igualmente, revelando que a habilidade de
ler palavras invertidas estava sendo bem aprendida. Esta habilidade persistiu
por três meses, pelo menos. Porém, testes de reconhecimento revelaram que
os amnésicos se esqueciam muito mais rapidamente das palavras específicas
que foram apresentadas durante o treino. A esta dissociação o os autores
chamaram sugestivamente de " saber como" e " saber o quê".
O condicionamento clássico da resposta de piscar o olho é outro
exemplo de aprendizagem e retenção de longo prazo preservados em
pacientes amnésicos (Weiskrantz & Warrington, 1979).
A memória de curto prazo, avaliada através do desempenho em testes
de capacidade (span) de memória ou através do efeito de recência em testes
de recordação livre de palavras, também não é afetada nestes pacientes
(Baddeley & Warrington, 1970; Brooks & Baddeley, 1976).
19
A síndrome amnésica não se restringe a uma modalidade sensorial
específica, nem à qualidade do material apresentado (verbal, seja escrito ou
falado, e não-verbal), sendo, por isso mesmo, também chamada de amnésia
global (Cohen, 1984; Rozin, 1976; Squire, 1982b). No entanto, lesões focais do
lobo temporal direito (não-dominante) e do esquerdo revelaram,
respectivamente, que o hipocampo direito desempenha papel crítico na
memorização do material difícil de verbalizar (como rostos e sons não-
familiares, padrões visuais abstratos) e de material disposto espacialmente, e
que o hipocampo esquerdo está mais relacionado com a memória de material
verbal (Jones-Gotman, 1986; Jones-Gotman & Milner, 1978; Smith & Milner,
1981).
A síndrome amnésica ou amnésia global é também conhecida como
amnésia orgânica. Este termo refere-se ao fato da amnésia provir de uma
alteração orgânica resultante de cirurgia, ruptura de aneurismas, anóxia,
tumores cerebrais, infecções, lesões cerebrais por penetração, traumatismo
craniano, etc.
A estrutura crítica: o hipocampo?
Desde o trabalho pioneiro de Scoville e Milner (1957) o hipocampo tem
sido considerado a estrutura crítica no desencadeamento da síndrome
amnésica associada ao lobo temporal medial, pois observa-se uma correlação
entre o grau de prejuízo e a magnitude do comprometimento do hipocampo.
Alguns autores, no entanto, questionaram a conclusão de que a ausência do
hipocampo seria necessária e suficiente para causar o quadro amnésico e
lançaram algumas explicações alternativas. Horel (1978) propôs que a
estrutura crítica para as funções mnemônicas seria o pedúnculo temporal (um
sistema de fibras que conectam a amígdala e o córtex temporal a outras
estruturas subcorticais). Segundo o autor, esta região necessariamente seria
atingida no procedimento cirúrgico utilizado para remover o lobo temporal
medial. Estudos com primatas não-humanos comprovaram posteriormente que
a lesão do pedúnculo temporal não provoca prejuízo em testes de memória.
Aparentemente este tipo de lesão leva a um déficit de aprendizagem em
tarefas onde se exige a discriminação entre padrões visuais diferentes (Zola-
20
Morgan & Squire, 1984; Zola-Morgan, Squire & Mishkin, 1982). Este déficit
provavelmente se deve a um problema no processamento de informações
visuais e não de memória propriamente (Zola-Morgan & Squire, 1984).
Mishkin (1978, 1982), por sua vez, não nega a importância do
hipocampo, mas sustenta que o extraordinário déficit de memória observado
em pacientes como H.M. é devido a lesões conjuntas de hipocampo e
amígdala. Mishkin verificou, em macacos, que a lesão bilateral conjunta de
hipocampo e amígdala produz um prejuízo maior que lesões bilaterais de
qualquer uma destas duas estruturas feitas isoladamente. Macacos com este
tipo de lesão conjunta apresentavam prejuízos em tarefas nas quais pacientes
amnésicos também mostravam dificuldades (Squire, Zola-Morgan & Chen,
1988; Zola-Morgan & Squire, 1985).
Zola-Morgan, Squire e Amaral (1989), entretanto, puseram em dúvida as
conclusões tiradas por Mishkin em relação à contribuição da amígdala na
gênese da síndrome amnésica. Segundo estes autores, lesões controladas em
macacos, que realmente só atinjam a amígdala, poupando o cortéx adjacente
(conseguidas através de técnicas estereotóxicas), não apenas não produzem
efeito em várias tarefas de memória, como também não potencializam os
efeitos da lesão hipocampal. Eles sugeriram, então, que o prejuízo observado
por Mishkin deve-se ao fato de que as lesões produzidas por ele atingiram,
além da amígdala, áreas corticais adjacentes (córtex perirrinal, giro para-
hipocampal), e apontam uma provável contribuição destas áreas no prejuízo de
memória. E realmente a lesão conjunta bilateral do hipocampo e destas áreas
corticais (poupando a amígdala, porém) produziu um efeito deletério maior em
testes de memória do que a lesão apenas do hipocampo (Squire & Zola-
Morgan, 1991).
Revendo as evidências disponíveis na literatura sobre casos de lesões
na amígdala, além de estudos de registro e estimulação desta estrutura em
seres humanos, Sarter e Markowitsch (1985) propuseram um papel mais
restrito para a amígdala: ela seria responsável pelos eventos mnemônicos que
têm um significado emocional para o sujeito.
O caso do paciente R.B. foi o primeiro relatado no qual uma lesão
restrita ao hipocampo produziu amnésia anterógrada, sem sinais de outros
déficits cognitivos ou de amnésia retrógrada significativa. Este paciente ficou
21
amnésico devido a um episódio isquêmico, e após sua morte o exame
histológico do cérebro mostrou que havia lesão bilateral restrita ao campo CA1
do hipocampo (Zola-Morgan, Squire & Amaral, 1986). É importante notar,
entretanto, que o déficit observado no paciente R.B. não era tão severo quanto
o observado no paciente H.M.
Estes achados indicam que a formação hipocampal (entendida como o
conjunto que inclui o giro denteado, o corno de Amon, o subículo e o córtex
entorrinal) e mais o córtex perirrinal e para-hipocampal desempenham papel de
fundamental importância na memória, presumivelmente devido às conexões
recíprocas entre estas estruturas e o neocórtex associativo posterior. Em
consonância com esta ideia está o relato de perda de memória em primatas
devida à desconexão entre o córtexintertemporal (área TE) e o sistema límbico
(Mishkin, 1982).
AMNÉSIA DIENCEFÁLICA
A síndrome descrita primeiramente por Korsakoff no século passado
(citações em Lhermitte & Signoret, 1972; Victor, Adams & Collins, 1971), é
outra patologia que apresenta a perda de memória como um de seus sinais
mais marcantes. Esta síndrome é causada por deficiência de tiamina,
geralmente secundária a desnutrição associada com alcoolismo crônico, com
possível contribuição dos efeitos tóxicos do álcool per se (Butters, 1985;
Lishman, 1981; Victor et al., 1971). Em pacientes portadores desta doença
constatou-se, através de autópsia, que o lobo temporal medial se apresenta
intacto. A lesão cerebral centra-se principalmente em estruturas do diencéfalo,
sendo que as mais atingidas são o núcleo medial dorsal do tálamo e os corpos
mamilares no hipotálamo (Mair, Warrington & Weiskrantz, 1979; Victor et al.,
1971).
Pacientes de Korsakoff apresentam amnésia global anterógrada
persistente, semelhante à encontrada em pacientes com lesão bilateral do lobo
temporal medial (Butters, 1985; Mair et al., 1979; Parkin, 1984). Amnésia
retrógrada também é uma característica marcante, sendo mais difícil para os
pacientes se lembrarem de eventos que ocorreram logo antes do início da
doença do que de eventos mais remotos, como por exemplo da infância
22
(Butters, 1985; Shimamura & Squire, 1986). Testes formais de amnésia
retrógrada, como o teste de personalidades famosas de Albert, comprovaram a
existência deste gradiente de dificuldade (Albert, Butters & Levin, 1979). Além
da amnésia anterógrada e retrógrada, os pacientes com Korsakoff apresentam
alguns outros déficits cognitivos, principalmente em tarefas que envolvam
resolução de problemas, atribuídos geralmente a atrofia de regiões neocorticais
(Butters, 1985). Assim como a amnésia do lobo temporal, a amnésia
diencefálica também é de natureza seletiva, pois estes pacientes são capazes
de se beneficiarem do efeito de pré-exposição (Shimamura, 1986) e de
aprenderem habilidades percepto-motoras (Brooks & Baddeley, 1976), apesar
da severa amnésia anterógrada.
Não existe consenso na literatura a respeito do comprometimento da
memória de curto prazo na síndrome de Korsakoff. Baddeley e Warrington
(1970) e Brooks e Baddeley (1976) notaram que, em vários testes de memória
de curto prazo, estes pacientes não apresentaram alteração. Entre estes testes
estava a tarefa de memória de curto prazo de Brown-Peterson, na qual
Baddeley e Warrington (1970) observaram um esquecimento normal em seus
pacientes amnésicos. Cermak, Butters e Good-glass (1971) e Butters, Lewis,
Cermak e Goodglass (1973) obtiveram em tarefa semelhante resultados
opostos ao de Baddeley e Warrington (1970). Butters e Cermak (1974)
atribuíram este resultado conflitante principalmente ao fato de que os outros
autores utilizaram pacientes de diversas etiologias (não apenas com a doença
de Korsakoff), e também ao fato de que a metodologia por eles empregada
permitia que os pacientes tivessem um tempo para repetir mentalmente a
informação apresentada, facilitando, assim, a execução da tarefa.
Pacientes com lesões penetrantes confirmam o envolvimento de
estruturas do diencéfalo na memória. O paciente N.A. ficou amnésico após
sofrer um acidente com um florete em miniatura que penetrou em sua narina e
atingiu estruturas do diencéfalo. Depois do acidente, ele não conseguia
relembrar a maioria dos eventos correntes pouco tempo após eles terem
acontecido (amnésia anterógrada), e nem de eventos que ocorreram logo antes
da lesão (amnésia retrógrada). Sua amnésia não era acompanhada de
qualquer outro déficit intelectual ou perceptual (Teuber, Milner & Vaughan,
1968). Inicialmente achava-se que a lesão se restringia ao núcleo medial dorsal
23
esquerdo do tálamo (Squire & Moore, 1979), porém, dez anos após, Squire,
Amaral, Zola-Morgan, Kritchevsky e Press (1989) verificaram, através de
exames com ressonância magnética nuclear, que outras estruturas como os
corpos mamilares, o trato mamilotalâmico esquerdo, entre outras, também
foram atingidas.
Outro paciente (B.J.) tornou-se amnésico após um acidente com um taco
de bilhar que, à semelhança de N.A., penetrou por sua narina atingindo o
cérebro. Ressonância magnética nuclear mostrou que a lesão atingiu
principalmente os corpos mamilares, permanecendo o tálamo intacto. A
amnésia apresentada por este paciente, entretanto, restringia-se a materiais
verbais (Dusoir, Kapur, Byrnes, Mackinstry & Hoare, 1990).
Embora seja comum atribuir o prejuízo de memória observado em
pacientes com a doença de Korsakoff a lesões de estruturas como o núcleo
medial dorsal do tálamo e/ou corpos mamilares (Mair, Warrington &
Weiskrantz, 1979; Victor, Adams & Collins, 1971), outros autores sugerem que,
mais importante que a destruição das massas nucleares mencionadas, seria a
lesão do trato mamilotalâmico e da lâmina medular interna do tálamo (Cramon,
Hebel & Schuri, 1985; Graff-Radford, Tranel, Van Hoesen & Brant, 1990;
Markowitsch, 1988). O trato mamilotalâmico conecta os corpos mamilares aos
núcleos do grupo anterior do tálamo. Pela lâmina medular interna trafegam
fibras que conectam o núcleo medial dorsal do tálamo ao córtex prefrontal,
córtex cíngulado anterior e amígdala. A dificuldade em se chegar a uma
conclusão definitiva a respeito de qual estrutura diencefálica seria crítica no
desenvolvimento da síndrome amnésica reside no fato de que a maioria das
lesões observadas não se restringe a um determinado grupo de fibras ou
núcleos (Markowitsh, 1988).
Em resumo, do ponto de vista neuroanatômico, dois grandes tipos de
amnésia global estão amplamente documentados: a amnésia temporal e a
amnésia diencefálica. Controvérsias a respeito das estruturas envolvidas no
primeiro caso parecem satisfatoriamente resolvidas; na amnésia diencefálica
ainda não.
Amnésia do lobo temporal e amnésia diencefálica: uma única entidade?
24
Dada a interconexão entre o hipocampo e os corpos mamilares através
da fímbria-fórnix, entre os corpos mamilares e núcleos do grupo anterior do
tálamo através do trato mamilotalâmico e entre a amígdala e o núcleo medial
dorsal do tálamo, alguns pesquisadores consideram que qualquer interrupção
bilateral deste circuito provoca a síndrome amnésica, que seria única em
essência (Baddeley & Warrington, 1970; Warrington & Weiskrantz, 1974;
Weiskrantz, 1987).
A identidade entre a amnésia do lobo temporal medial e a amnésia
diencefálica é controversa, porém. Embora existam muitas semelhanças entre
os dois quadros, algumas diferenças também foram observadas. Por exemplo:
ao contrário dos pacientes com lesão de lobo temporal medial, pacientes com
Korsakoff geralmente não percebem que têm problemas de memória e
confabulam; também a amnésia retrógrada apresentada por estes últimos
parece ser mais notável (Parkin, 1984). Diferença importante apontada por
vários autores (Lhermitte & Signoret, 1972; Parkin, 1984; Rozin, 1976; Squire,
1982a) é que pacientes com a síndrome de Korsakoff freqüentemente
apresentam sintomas que são tópicos de danos ao lobo frontal. Estas
diferenças, segundo Parkin (1984), sugerem que a amnésia do lobo temporal e
a amnésia diencefálica são entidades distintas. Advogando a favor da
identidade entre amnésia do lobo temporal e diencefálica, porém, Squire
(1982a) argumenta que os déficits cognitivos adicionais apresentados pelos
pacientes com Korsakoff não são essenciais para a caracterização da
síndrome amnésica, mas, influenciam a forma final do quadro apresentado. Em
especial, este autor realça o comprometimento do lobo frontal nestes
pacientes. Alguns outros autores, porém, acreditam na existência de mais uma
diferença entre a amnésia temporal e a diencefálica, diferença esta que
dificilmente poderia ser atribuída a outrodéficit cognitivo que não ao problema
de memória. Mais especificamente estes dois tipos de amnésia difeririam
quanto à velocidade de esquecimento de materiais armazenados na memória
de longo prazo. A velocidade de esquecimento de pacientes com lesão de
diencéfalo, como N.A. e doentes de Korsakoff seria normal, enquanto que
pacientes com lesão do lobo temporal medial esqueceriam anormalmente
rápido (Lhermitte & Signoret, 1972; Mayes & Meudell, 1984; Parkin, 1982).
Entretanto, em trabalho recente, Mckee e Squire (1992) não observaram
25
diferenças estatisticamente significativas nas curvas de esquecimento de
pacientes com lesão de lobo temporal medial e pacientes com lesão de
diencéfalo.
Quantos tipos de memória existem?
Seja única ou múltipla em sua origem, a síndrome amnésica é de
natureza seletiva, pois, embora os pacientes amnésicos, tanto diencefálicos
como temporais, não consigam se lembrar da maioria dos eventos que
experienciam no dia-a-dia, muitas funções de aprendizagem e memória estão
preservadas, como por exemplo, a capacidade de adquirirem habilidades
motoras, cognitivas e perceptuais e a capacidade de se beneficiarem do efeito
de pré-exposição. Este fato levanta a questão fundamental a respeito da
existência de diferentes sistemas de memória. Existiria pelo menos um
segundo sistema de memória, independente de estruturas como o lobo
temporal medial e o diencéfalo, através do qual seriam processadas aquelas
funções preservadas. Vários pesquisadores, de fato, têm argumentado a favor
da existência de múltiplos sistemas de memória (Cohen, 1984; Poulos &
Wilkinson, 1984; Squire, 1986; Squire & Zola-Morgan, 1988;Tulving, 1983).
A noção de que a memória poderia ser dividida em componentes é
antiga. Ainda no século passado William James1 (citado por Waugh & Norman,
1965) definiu, por introspecção, os conceitos de memória primária e memória
secundária. A memória primária se estenderia por um curto prazo de tempo e
dela fariam parte eventos pertencentes ao "presente psicológico" que após
serem percebidos ainda não deixaram a consciência. A memória secundária
pertenceria ao "passado psicológico" e já esteve ausente da consciência.
Posteriormente estes conceitos evoluíram em memória de curto prazo (ou
memória imediata) e memória de longo prazo, respectivamente. Atualmente
existe alguma evidência experimental que permite diferenciar memória de curto
prazo (retenção de itens por apenas alguns segundos) de memória de longo
prazo (retenção de itens por intervalos maiores) (Baddeley & Warrington,
1970). A memória de curto prazo tem capacidade limitada (máximo de sete a
nove itens) e o material nela armazenado apresenta uma taxa de esquecimento
bem rápida (em torno de segundos). Apesar desta rápida taxa de
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-51771993000100006#nt01
26
esquecimento, a informação pode ser mantida por mais tempo na memória
através de reverberação (rehearsal) (Atkinson & Shiffrin, 1971). Estudos
neuropsicológicos têm confirmado e estendido a noção de memória de curto
prazo, sob a rubrica de memória operacional(working memory) (Baddeley,
1986). Na síndrome amnésica, aparentemente, a memória de curto prazo
encontra-se preservada, embora alguma discussão ainda exista com relação
ao possível déficit deste tipo de memória apresentado por pacientes com
Korsakoff.
Além da distinção tradicionalmente feita entre memória de curto e longo
prazo, os estudos com pacientes amnésicos, relatados acima, levaram à
distinção entre memória declarativa e memória de procedimento, dissociadas
tanto funcionalmente como anatomicamente (Cohen, 1984; Squire, 1986).
A memória declarativa é a habilidade de armazenar e recordar ou
reconhecer conscientemente fatos e acontecimentos; a lembrança pode ser
declarada, isto é, trazida à mente verbalmente como uma proposição, ou não
verbalmente como uma imagem (Saint-Cyr, Taylor & Lang, 1988; Squire,
1986). Seria este tipo de memória que estaria afetada em pacientes
amnésicos.
A memória de procedimento é a capacidade de adquirir gradualmente
uma habilidade percepto-motora ou cognitiva através da exposição repetida a
uma atividade específica que segue regras constantes. Esta capacidade é
implícita e independe da consciência, só podendo ser aferida através do
desempenho do paciente (Saint-Cyr et al., 1988; Squire, 1986). Pacientes
amnésicos teriam este tipo de memória preservada.
A aprendizagem de novas habilidades é um exemplo do que Schacter
(1987a, 1987b) denomina memória implícita, isto é, conhecimento que para ser
demonstrado não requer referência explícita a um episódio particular. A
memória implícita contrapõe-se à memória explícita, que implica na recordação
consciente de experiências vividas. O termo memória implícita, por ser mais
genérico que memória de procedimento, permite acomodar melhor, nesta
categoria, o efeito de pré-ativação que se apresenta intacto em pacientes
amnésicos e pode ser observado após uma única exposição ao estímulo.
Cohen (1984) considera a memória declarativa e a de procedimento mais ou
27
menos como sinônimos de memória explícita e memória implícita,
respectivamente.
Para Mishkin e Petri (1984) o produto do sistema de memória de
procedimento é um hábito, e não uma memória propriamente dita, produto,
esta última, do sistema declarativo. Com esta distinção entre hábito e memória
pretendem estes autores remeter o sistema de aprendizagem de procedimento
aos estudos clássicos do behaviorismo (aprendizagem de estímulo-resposta).
Lembremo-nos de que no sistema de Hull o conceito de hábito ocupa posição
central em sua teoria da aprendizagem (Hilgard, 1975).
Tulving (1983) propôs ainda uma outra distinção conceituai entre o que
ele chama de memória episódica e memória semântica. O termo memória
episódica refere-se ao armazenamento de informações pessoais que permite
ao indivíduo se lembrar de eventos dos quais participou no passado. A
memória semântica capacita o indivíduo a adquirir conhecimento factual do
mundo, ou seja, conhecimento impessoal de fatos relevantes.
Estas diversas variantes de conceituação e principalmente de
terminologia têm gerado certa confusão na literatura. Uma tentativa de
estabelecer uma taxonomia para a memória, tentando acomodar várias destas
divisões em um sistema coerente levou ao seguinte quadro, modificado de
Squire (1986):
A memória declarativa ou explícita incluiria as memórias episódica e
semântica. A memória de procedimento ou implícita incluiria habilidades
(motoras, perceptuais e cognitivas), efeito de pré-ativação, condicionamento
clássico, habituação, sensitização e tudo que foi aprendido mas que só pode
ser aferido através do desempenho (Squire, 1986). Estes diversos tipos de
memória pertenceriam à memória de longo prazo. Este quadro, entretanto, não
é universalmente aceito. Mishkin e Petri (1984), por exemplo, consideram que o
seu sistema de memória estaria relacionado com memória episódica ou
declarativa e utilizam os termos memória semântica e de procedimento como
pertencentes a um mesmo sistema: ao sistema de hábito. Parte pelo menos
das dificuldades deste sistema de classificação deriva da ambiguidade dos
conceitos de memória episódica e memória semântica.
28
ESTRUTURAS CEREBRAIS ENVOLVIDAS COM MEMÓRIA IMPLÍCITA
As estruturas cerebrais envolvidas na memória implícita certamente
abarcam regiões muito mais extensas do sistema nervoso e ainda não foram
bem identificadas. Além disso, o conceito de memória implícita engloba vários
tipos de memória que, embora satisfaçam todos os critérios de independência
da consciência, são dessemelhantes entre si em outros aspectos.
O envolvimento do corpo estriado na memória de procedimento foi
sugerido por Mishkin, Malamut e Bachevalier (1984). Segundo eles,o
neoestriado, principalmente o núcleo caudado, teria um papel importante no
estabelecimento do que ele chama de hábito. Por suas conexões anatômicas,
o neoestriado seria uma estrutura apropriada para promover ligação entre
estímulos e ações, pois recebe projeções de várias áreas do córtex, incluindo
áreas sensoriais, e envia fibras a estruturas subcorticais que fazem parte do
sistema de controle dos movimentos (Mishkin & Appenzeller, 1987).
Algumas evidências diretas deste envolvimento já existem. Na tentativa
de melhor caracterizar demências de etiologias diversas, Martone, Butters e
Payne (1984) compararam o desempenho de pacientes portadores do mal de
Huntington, de Korsakoff e indivíduos normais no teste de leitura de palavras
invertidas, no qual tríades de palavras eram apresentadas de forma que
parecessem projetadas em um espelho. O procedimento foi determinado de
forma que os indivíduos fossem submetidos a uma tarefa de aprendizagem de
habilidade perceptual (teste de memória de procedimento) e a uma tarefa de
29
reconhecimento de palavras já vistas (teste de memória declarativa). Na
primeira tarefa os experimentadores mediam o tempo que o indivíduo
demorava para ler cada tríade. Na segunda tarefa, os sujeitos deviam apontar,
no meio de uma lista, as palavras apresentadas anteriormente. Os resultados
mostraram uma dupla dissociação no desempenho de pacientes com
Huntington e Korsakoff, ou seja, os pacientes com Korsakoff tiveram um
desempenho pobre na tarefa de reconhecimento mas aprenderam tão
eficientemente quanto indivíduos normais a tarefa de ler as palavras invertidas.
O desempenho dos indivíduos com Huntington foi inferior ao desempenho dos
controles normais nesta última tarefa. Na tarefa de reconhecimento, entretanto,
seu desempenho foi normal. O mal de Huntington é uma doença transmitida
geneticamente que resulta em uma atrofia progressiva dos gânglios da base.
Os sintomas mais comuns são a presença de movimentos coreiformes e de um
processo de demenciação. Martone et al. (1984) sugeriram então que
pacientes cuja demência é resultado de atrofia nos gânglios da base, têm
problemas mais relacionados à aquisição de conhecimento procedimental.
Entretanto, a patologia apresentada por estes pacientes é complexa e os
prejuízos cognitivos não se restringem à memória de procedimento. Em
verdade, estes pacientes não apresentam desempenho normal em alguns
testes de memória declarativa que envolvem recordação livre, mas
apresentam, se não desempenho normal, pelo menos próximo ao normal, em
tarefas de reconhecimento (Butters, 1985). É possível entretanto que alguns
prejuízos observados em pacientes com Huntington sejam devidos a alterações
corticais também presentes nestes indivíduos (Saint-Cyr, Taylor & Lang, 1988).
Saint-Cyr et al. (1988) encontraram em pacientes com a doença de Parkinson -
portadores, portanto, de disfunção dos gânglios basais - prejuízo seletivo numa
tarefa cognitiva tida como exemplo de aprendizagem de procedimento (torre de
Hanoi simplificada), enquanto que o desempenho em testes de memória
declarativa permanecia intacto.
Segundo Squire (1986), o efeito de pré-ativação encontra-se reduzido
em doentes de Alzheimer, o que pode ser uma pista para envolver o córtex
cerebral com este fenômeno. Alguns outros estudos apontam para o córtex
posterior como uma das estruturas responsáveis pela pré-ativação,
30
independentemente de regiões límbico-diencefálicas essenciais para a
memória declarativa (Cave & Squire, 1992).
O papel essencial do cerebelo no condicionamento clássico de
respostas motoras (piscar o olho) foi estabelecido claramente por Thompson e
seus colaboradores, trabalhando com coelhos (Thompson, 1986). Em seres
humanos o cerebelo parece desempenhar papel semelhante, pois uma lesão
na circuitaria cerebelar de uma paciente provocou um grande déficit na
aquisição de condicionamento clássico da resposta de piscar (Solomon, Stowe
& Pendlbeury, 1989).
Perspectivas
Estudos neuropsicológicos têm conseguido fazer a identificação de
estruturas e conexões cerebrais importantes para a memória, ou mais
precisamente, para as memórias, pois a existência de múltiplos sistemas de
memória vem sendo atestada por tais estudos.
Em que pese o grande progresso ocorrido na área, muito resta por
descobrir e muitos pontos polêmicos precisam ser esclarecidos, como a
questão da identidade ou não da amnésia do lobo temporal medial e da
amnésia diencefálica.
Grande empenho está sendo colocado atualmente na identificação de
estruturas relacionadas ao processamento de informações dos tipos abarcados
pelo conceito de memória implícita.
O papel de cada estrutura, isto é, o que cada uma delas faz para tornar
possível as funções psicológicas abrangidas sob a rubrica geral de memória,
continua quase inteiramente um mistério. Outra questão pouco tocada ainda
refere-se à s interações entre as diversas estruturas envolvidas.
31
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http://www.revneurol.com/RNC/b010024.pdf
33
Educação, Inclusiva e Legislação
Constituição Federal, através do artigo 205, garante o direito à educação
a todos os indivíduos. Quando a constituição se refere ao termo “todos os
indivíduos”, subtende-se que não há distinção. No artigo 206 é ressaltada a
igualdade de condições para acesso e permanência na escola. Observa-se
então que, a constituição garante a todos o direito de a educação sem distinção
de raça, sexo, cor, origem ou deficiência. Fica claro que não é permitido
nenhum tipo de discriminação ou impedimento da matrícula do indivíduo com
deficiência na rede regular de ensino. A Conferência Mundial em Educação
Especial, organizada pelo governo da Espanha na cidade de Salamanca, em
cooperação com a UNESCO, em 1994, ressalta que o direito de cada criança a
educação é proclamado na Declaração Universal de Direitos Humanos e foi
fortemente reafirmado pela Declaração Mundial Sobre Educação para Todos.
Na Declaração de Salamanca ficou estabelecido que:
Toda criança tem direito fundamental a educação, e deve ser dada a
oportunidade de atingir e manter o nível adequado de aprendizagem” e “toda
criança possui características, interesses, habilidades e necessidades de
aprendizagens que são únicas. Qualquer pessoa portadora de deficiência tem
o direito de expressar seus desejos com relação à sua educação, tanto quanto
estes possam ser realizados. Pais possuem o direito inerente de serem
consultados sobre a forma de educação mais apropriada às necessidades,
circunstâncias e aspirações de suas crianças. (MEC/SEESP, 2006:33)
A inclusão requer mais que integração, mas respeito à individualidade de
cada um, considerando as necessidades e desejos apresentados pelo
indivíduo com deficiência e a opinião da Família em relação ao sujeito incluído.
De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB
9.394/96), o Atendimento Educacional Especializado, Assegurado no artigo 58,
§ 1º e § 2º, ressalta que: 7§ 1º. Haverá, quando necessário, serviço de
apoio especializado, na escola regular, para atender as peculiaridades da
clientela de Educação Especial. § 2º. O atendimento educacional será feito em
classes, escolas ou serviços especializados, sempre que, em função das
condições específicas dos alunos, não for possível a sua integração nas
classes comuns de ensino regular. (LDB 9.394/96).
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O artigo da LDB assegura o serviço de apoio especializado, ou
atendimento educacional especializado, aos indivíduos com deficiência sempre
que for necessário para atender as necessidades de cada aluno. Quando não
for possível a integração do aluno nas classes comuns de ensino regular,
poderá ocorrer o atendimento educacional através do serviço de apoio
especializado.
A lei Nº 10.845, de 5 de março de 2004, institui o programa de
Complementação ao Atendimento Educacional Especializado às pessoas com
Deficiência e ressalta no artigo 1º que:
Fica instituído, no âmbito do Fundo Nacional de desenvolvimento da
Educação – FND, programa de complementação ao Atendimento Educacional
Especializado às Pessoas Portadoras de deficiências – PAED, em
cumprimento do disposto no inciso III do artigo 208 da Constituição, com os
seguintes objetivos:
I – garantir a universalização do atendimento especializado de
educandos portadores de deficiência cuja situação não permita a integração
em classes comuns de ensino regular;
II – garantir, progressivamente, a inserção dos educandos portadores de
deficiência nas classes comuns de ensino regular.” (MEC/SEESP, 2006: 190).
A lei citada destaca a necessidade de garantir às crianças com
necessidades especiais nas escolas inclusivas, apoio e suporte extra que
assegurem uma educação efetiva evitando-se o encaminhamento dessas
crianças a escolas, classes ou seções permanentes de Educação Especial,
salvo exceções, quando há incapacidade do aluno frequentar a classe regular
de ensino.
Há estruturas de ação em Educação Especial, adotadas pela
Conferência Mundial em Educação Especial, que se compõe de aspectos que
visam à implementação de políticas, recomendações e ações governamentais
que visão aspectos de melhoria para a Educação Especial, dentre eles estão
incluídos os serviços externos de apoio à Educação Especial.
De acordo com a LDB (artigo 58), existe a possibilidade do Atendimento
Educacional Especializado, ocorrer fora do ambiente escolar, entretanto, o
ensino regular não deve ser substituído, e sim, apoiado através de
intervenções que visem o aprendizado e o desenvolvimento do aluno. A
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importância do apoio ou suporte ao professor que possui em sala de aula um
aluno com deficiência é percebida através da dificuldade que o educador
apresenta em alfabetizar esse aluno, visto que, normalmente as salas de aula
do ensino regular público, onde a inclusão ocorre de forma mais efetiva,
normalmente apresentam problemas de superlotação. Tal fato impossibilita o
professor de desenvolver com este aluno, um trabalho mais específico que
atenda suas reais necessidades.
Para crianças com necessidades educacionais especiais uma rede
contínua de apoio deveria ser providenciada, com variação desde a ajuda
mínima na classe regular até programas adicionais de apoio à aprendizagem
dentro da escola e expandindo, conforme necessário, à provisão de assistência
dada por professores especializados e pessoal de apoio externo.
(MEC/SEESP, 2006:335)
Vídeo de apoio 8: Click e assista ao vídeo do MEC sobre Inclusão
Disponível em:
O DESPREPARO PARA PRÁTICA INCLUSIVA
O despreparo e o medo do desconhecido ainda pairam sobre as salas
de aula frente à inclusão. Incluir um aluno na escola regular vai muito além de
permitir a frequência e participação do mesmo nas aulas sem dá-lo condições
para aprender. A inclusão requer participação ativa no processo de ensino e
aprendizagem, socialização e vivência. Para que isto ocorra de forma efetiva é
necessário que a escola se organize funcionalmente e estruturalmente para
receber este aluno e incluí-lo. O currículo deve ser adaptado às necessidades
dos alunos, promovendo oportunidades que se adéquem as habilidades e
interesses diferenciado na intenção de promover a inclusão de todos.
A Educação Especial deve fazer parte do cotidiano da escola,
abrangendo a educação básica e o ensino superior, na intenção de garantir aos
alunos que necessitem de apoio especializado e de intervenção pedagógica
adequada, uma maior eficiência no processo de ensino e aprendizagem, dentro
do contexto no qual está inserido.
https://www.youtube.com/watch?v=T5E_8ct-JEA
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O movimento nacional para incluir todas as crianças na escola e o ideal
de uma escola para todos vêm dando novo rumo às expectativas educacionais
para os alunos com necessidades especiais.
Esses movimentos evidenciam grande impulso desde a década de 90 no
que se refere à colocação de alunos com deficiência