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92 H S M M a n a g e m e n t 1 1 n o v e m b r o - d e z e m b r o 1 9 9 8 O Swatch Group provou que realmente acompanha o passar do tempo. A estratégia de converter seu relógio em acessório de moda permitiu-lhe recuperar a vitalidade. De 1983, ano de seu lançamento, até hoje, o Swatch –feito de plástico, com baixo custo e design atraente– conseguiu fazer com que as caixas registradoras emitissem 250 milhões de vezes o som característico de mais uma venda. Além do mais, o Swatch Group, que nasceu como SMH, há 15 anos, da fusão de duas empresas tradicionais, contribuiu para que a indústria relojoeira suíça recuperasse a competitividade perdida por obra da astúcia japonesa. Além de contar com um líder visionário, Nicolas Hayek, capaz de defender com unhas e dentes um conceito em que poucos acreditavam, a Swatch respeitou os princípios básicos do marketing: uma marca poderosa, o produto certo no momento certo e uma excelente estratégia de vendas e distribuição. Essa foi a bem-sucedida combinação que HSM Management pôde observar durante sua visita à sede da empresa, em Biel Bienne, Suíça. E, para quem não sabe, o Swatch quase se chamou Emilio Santo. Seu nome só apareceu com o slogan que o posicionava como o “segundo relógio”, em uma fusão do “s” de second (segundo) com watch (relógio). A reportagem é de Mercedes Reincke. EM PR ES A S Swatch: um milagre de marketing que, além de salvar duas empresas, ressuscitou a indústria relojoeira suíça O dono do Por mais inabalável que pareça, uma indústria sempre está sujeita a fortes golpes da concorrência. E, por mais tradicional que seja, precisa investir em inovação para sobreviver. A indústria relojoeira suíça aprendeu essas lições e de forma precisa e sur- preendente acertou seus ponteiros. “Os suíços inventaram o quartzo”, lembra o especialista em marketing Edward De Bono, “mas não o utilizaram porque tinham medo que ele acabasse com o mercado tradi- cional”. Com os anos, o medo se revelou acertado, mas nem assim ele fez parte da estratégia. “Rapidamen- te, o Japão e Hong Kong apodera- ram-se do quartzo e, em um ano, a venda dos relógios suíços sofreu uma redução de 25%”, completa De Bono. Naquele momento, Nicolas Hayek, um dos principais executivos do setor na Suíça, vislumbrou uma estratégia para recuperar a rentabili- dade da ASUAG e da SSIH (veja quadro na página 94). Eram as duas empresas suíças mais importantes do setor e ambas estavam sendo acossa- das pela concorrência japonesa no final dos anos 70, chegando à beira da insolvência. Seu plano revolucionário ia além da fusão de ambas as companhias e apostava na urgência de criar um relógio barato, capaz de recuperar a participação anterior no mercado. Para tanto, ele sabia que era funda- mental fazer inovações no projeto, na fabricação e na distribuição dos relógios para reduzir os preços. Ele também estava convencido de que só a produção em massa permitiria retomar o mercado. Entretanto, uma pergunta ainda precisava ser respondida: como criar demanda para o novo relógio? Seu baixo preço (que segundo Hayek não devia superar US$ 60) e sua precisão (a mesma de um relógio de US$ 30 mil) não pareciam ser atrativos suficientes. Ele pensou então num produto diferente, especialmente sedutor, com modelos e cores distintos. Imaginou que o conceito de jóia devia ceder lugar à idéia de acessório de moda. Revolução de plástico Os 200 técnicos envolvidos no projeto foram incumbidos de descobrir qual seria o material mais adequado para reduzir custos e quais peças podiam ser eliminadas. A resposta-chave, que se transfor- mou na maior fonte de renda do grupo, foi o relógio de plástico. Até 1981, o projeto ainda não tinha nome. Depois das primeiras idéias um tanto exóticas, como Emilio Santo, entrou em cena uma agência publicitária de Nova York, cuja equipe de criação trabalhou com várias opções, sempre enfatizan- do a necessidade de identificar o produto como um acessório. O primeiro slogan da marca confirmou a idéia: “Você tem uma segunda casa; por que não ter um 102789 Texto digitado 102789 Imagem colocada 93 ➙ H S M M a n a g e m e n t 1 1 n o v e m b r o - d e z e m b r o 1 9 9 8 F ot os : B ea t P au l tempo segundo relógio?” A proposta vence- dora foi “Swatch” –o “s” acrescentado à palavra watch lembrava sua condi- ção de segundo relógio. Um nome curto, com significado e capaz de criar uma identidade para o produto. A empresa entendeu o que os espe- cialistas aconselhavam: uma marca forte e reconhecida pode se conver- ter em uma arma muito poderosa. O novo produto foi lançado em 1º de março de 1983. No meio de uma coletiva de imprensa, realizada na Suíça, a Swatch mostrou sua quadra de ases: um relógio de quartzo a um preço nunca visto; uma qualidade comparável à dos relógios de preço mais alto; uma marca capaz de ser convertida em sinônimo de nova tecnologia, espírito jovem e inova- ção; e um produto que se adapta a qualquer estilo, excelente para informar a hora e ideal para ser usado como acessório de moda. Marketing à altura “A empresa que não consegue liderar certa categoria precisa criar uma nova, em que possa ser a primeira”, recomenda o especialista em marketing Al Ries. O autor de Leis Vencedoras do Marketing (ed. Makron Books) logo explica que o relógio de plástico foi a resposta da Swatch a esse desafio. Dessa forma, ela se diferenciou das marcas tradi- cionais, que pertenciam à categoria de luxo e eram extremamente caras, como Piaget e Rolex, bem como das marcas reconhecidas por seus avanços tecnológicos, como Tag, Heuer ou Seiko. Entretanto, Hayek não se preocu- pou apenas em criar o produto, mas também em lançar uma campanha de marketing à altura. “Para conquis- tar amigos”, dizia, “precisamos fazer alguma coisa que os atraia”. Na 102789 Imagem colocada 94 H S M M a n a g e m e n t 1 1 n o v e m b r o - d e z e m b r o 1 9 9 8 valor agregado seria conferido por aspectos intangíveis, fortemente vinculados à emoção. Dar um nome diferente a cada modelo pareceu ser uma boa idéia. E, desde então, todos os modelos, dos primeiros ao 1,8 mil da linha atual, ganharam um nome próprio, como Tutti Frutti, Knight of the Night, Monoblue, Cigars ou Glorious Runner, ressaltando o toque de individualidade que caracteriza a marca. Mas a empresa só entendeu totalmente o poder de sua idéia depois de abandoná-la. Esse foi um erro muito criticado pelos especialis- tas de marketing. Entre eles, Ries afirmou: “Em vez de manter o foco na moda, o grupo lançou em 1994 uma linha de relógios convencionais, de metal e pulseira de couro, o que não funcionou, pois na mente do consumidor o Swatch é um produto que acompanha a moda”. Mensagem certeira Apesar dos poucos recursos, os profissionais da Swatch entende- ram o poder da publicidade desde o princípio. Mas não era fácil escolher qual seria a mensagem correta para um produto com um público-alvo quase ilimitado. Apesar da importância do consumidor jovem, que acompanha a moda do momento, precisavam falar com um público bem mais amplo, dos 8 aos No final dos anos 70, a indústria relojoeira suíça estava imersa em uma profunda crise. Embora o mercado estivesse crescendo consi- deravelmente, boa parte dele havia sido conquistada pelos relógios japoneses de quartzo, seus maiores concorrentes. Empresas-líderes da Suíça, como ASUAG (Allgemeine Schweizerische Uhrenindustrie AG) e SSIH (Société Suisse pour l’Indus- trie Horlogère SA), viram-se diante da ruína financeira. Justamente nessa hora entrou em cena Nicolas Hayek: ele convenceu as diretorias dessas duas empresas de que a única saída seria a fusão e que, se reunis- sem esforços, seria possível superar a crise e até mesmo ressuscitar o setor. A fusão foi realizada em 1983, dando origem à SMH, hoje denomi- nada Swatch Group. A necessidade de uma reviravolta ficou imediata- mente clara. O coração da SSIH era a marca Omega, que carregava uma longa trajetória de sucesso. Mas nesse momento ela sofria uma volumosa perda de vendas, colocan- do em risco a estabilidade da compa- nhia. Hoje elavoltou a ser uma das marcas mais rentáveis do grupo. Longines e Rado eram as estrelas da ASUAG, mas sua verdadeira força estava no fornecimento de peças para a indústria relojoeira suíça. A ASUAG tinha sacudido o mercado com um modelo de relógio cuja caixa tinha apenas 2mm de espessu- ra. Desta forma, tinham tomado a dianteira em relação aos japoneses, que em 1978 haviam conquistado o primeiro lugar do mercado com um relógio de 4,1mm de espessura. Mas Hayek, no comando da transformação do grupo, estava certo de que para ganhar a batalha não era suficiente ter o relógio mais fino do mundo. Acreditava que era necessário criar uma estratégia que permitisse concorrer em volume de vendas, mas a partir de um conceito revolucionário. Conceito esse no qual os engenheiros da fornecedora de peças ETA estavam trabalhando desde 1981. Os esforços foram redobrados, e pouco depois da fusão o grupo cruzou a linha de chegada: criaram um relógio preciso, resistente, à prova d’água, feito com material sintético e barato. A empresa já estava a postos para começar uma produção em massa, de baixo custo e com modelos atraentes e colori- dos. Em 1984, um ano depois do lançamento do Swatch, os números deram razão a Hayek: 1 milhão de unidades já haviam sido vendidas. A reviravolta verdade, era uma necessidade imperiosa, pois todas as linhas e os modelos do Swatch tinham cores, desenhos e pulseiras diferentes, mas sempre a mesma caixa. Era essencial enfatizar sua característica de acessó- rio adaptável ao gosto de milhões de possíveis compradores. Embora fosse um relógio produzido em massa, ele ressaltava a individualidade do usuário. Mas como transmitir a idéia de que sua natureza única abrangia uma pluralidade de estilos? Para começar, o atrativo da precisão e do custo baixo, ainda que importante, não conseguiria criar demanda para um produto ligado à moda e a seus caprichos. Hayek e sua equipe compreenderam que o O famoso relógio de 152 metros de altura pendurado em um edifício de Frankfurt 102789 Carimbo 95 ➙ H S M M a n a g e m e n t 1 1 n o v e m b r o - d e z e m b r o 1 9 9 8 96 H S M M a n a g e m e n t 1 1 n o v e m b r o - d e z e m b r o 1 9 9 8 80 anos de idade, para conquistar o reconhecimento e as vendas deseja- das. De olho nessa diversidade, vários slogans foram criados, desde o primeiro, “Manter a forma”, até o atual, “O tempo é aquilo que se faz com ele”, passando por “Quanto dura um minuto Swatch?” O especialista Jack Trout, co-autor de Posicionamento (ed. Makron Books), afirma que “a Swatch gravou sua mensagem com perfeição e de maneira inabalável”. Para ele, “uma mensagem simples, mas que produz uma impressão duradoura”. Ao penetrar no mercado alemão, o Swatch Group deu mais um exemplo de inovação. Esta é uma das histórias favoritas de Philip Kotler, um dos maiores especialistas mundiais de marketing: “A companhia de Hayek criou um relógio enorme, de 152 metros de altura, e o pendurou em um dos edifícios mais altos de Frank- furt. Em poucas semanas a Alemanha inteira reconhecia a marca”. Essa idéia, segundo a avaliação do conceituado professor David Aaker, de Berkeley, feita em artigo publica- do no número 5 de HSM Manage- ment (página 38), prova que é possível construir uma marca sem apelar para os veículos de massa. Convocar todos os saxofonistas de Paris para tocar no mesmo lugar, conseguir que muitos artistas pintas- sem as paredes dos edifícios de um bairro ou estimular uma competição de dança foram outras demonstra- ções da criatividade da Swatch. Afinal, como aponta Amanda Blair, diretora de comunicação do Swatch Group, “é um produto que quer chamar a atenção das pessoas”. Portanto, em vez de patrocinar esportes convencionais, opta por aqueles que surpreendem o público. Pela mesma razão, participa de eventos ligados com fortes emoções. “Eles atraem os jovens, e assim a marca Swatch pode renovar sua vitalidade”, completa. Uma agência publicitária de Milão, a Barbella Gagliardi Saffirio, foi escolhida para concretizar as idéias que surgem na companhia. Diferentemente da Omega, outra marca do mesmo grupo, que buscou associar sua imagem à da modelo Cindy Crawford, a Swatch decidiu contar com outra estratégia. “A Swatch tem 250 milhões de mensa- geiros que se encarregam de difun- dir sua poderosa marca por todo o mundo”, diz sua equipe. O desafio da distribuição Apesar de hoje existirem 250 milhões de pessoas com um Swatch no pulso, no início dos anos 80 um relógio de plástico parecia demasia- damente revolucionário para que pudesse ser distribuído pelos canais tradicionais do mercado. Pelo menos é o que pensavam os profis- sionais de marketing. Mas, logo depois do lançamento, a empresa apostou nos varejistas, apesar de a equipe de marketing não querer colocar essa responsabilidade nas mãos de pessoas alheias à organiza- ção. Afinal, todos perceberam que estavam errados. Os varejistas não conheciam a cultura ou a filosofia da Swatch e não souberam que tipo de tratamento dar ao produto. A Swatch começou então a vender seus relógios na rede de subsidiárias e representantes que o grupo havia desenvolvido para suas marcas iniciais, como Omega e Tissot. Hoje, observa-se que essa mudança parece não ter sido suficiente, pois o grupo começa a apostar na criação de pontos-de-venda próprios. No ano passado, depois de redefinir a apresentação do produto e a emba- lagem, a empresa inaugurou 61 pontos de venda e duas megastores (uma em Londres e outra em Tóquio), a exemplo da que já existia em Nova York. Para o ano 2000, estima-se que sejam mais de 500 pontos-de-venda no total. Nicolas Hayek, o pai, artífice da transformação 102789 Carimbo 97 ➙ H S M M a n a g e m e n t 1 1 n o v e m b r o - d e z e m b r o 1 9 9 8 Nos novos estabelecimentos, todos os detalhes são cuidadosamen- te concebidos para despertar o interesse de clientes. Na edição do último mês de janeiro, a revista norte-americana Frame publicou o seguinte comentário: “O futuro do varejo está em megastores como as da Nike, Swatch e Diesel. Trata-se de uma solução total que combina a arte do design e o marketing de última geração em um espaço no centro da cidade”. “Decidimos que o melhor cami- nho era sair à procura de nosso público, colocando muitos locais de venda a seu alcance”, afirma Blair. “A megastore de Nova York apresenta vendas extraordinárias. Os números relativos a janeiro e fevereiro deste ano aumentaram 70% em compara- ção com os do ano passado, que já eram bons. Nossos clientes gostam do ambiente criado e não querem ver nossos produtos junto com outras marcas.” Swatchmania Aproveitando essa “paixão”, a empresa decidiu começar a lançar edições limitadas, ideais para cole- cionadores. Todo ano são criadas pelo menos mais quatro, incluindo obrigatoriamente a edição de Natal. Essas produções totalizam de 120 a 50 mil unidades, e a concepção do modelo está a cargo dos dez designers que trabalham para a companhia em Milão. Os colecionadores esperam ansiosamente pelas novidades, e a Swatch sabe disso. Afinal, um deles chegou a pagar US$ 65 mil por um relógio de uma edição esgotada. Ao mesmo tempo, a “swatchma- nia” deu à empresa a idéia de formar um clube de colecionadores, que em pouquíssimo tempo reuniu quase 100 mil membros. A exemplo de outros grupos, a Swatch percebeu a necessidade de diferenciar seus melhores clientes, recompensando sua fidelidade com benefícios especiais. Anualmente, eles recebem um relógio de presente, acompanha- do de um catálogo com as coleções e edições criadas só para eles, e todo mês eles têm a oportunidade de saber o que acontece com o grupo pela revista Swatch Watch Journal. Na verdade, o clube se transformou em uma valiosa fonte de pesquisa para a Swatch, um grande grupo de teste que faz sugestões, opina e aprova os novos produtos. Totalmente suíço Com mais de 17 mil funcionários, o Swatch Group abrange várias marcas e empresas, como Blancpain, Certina, cK Watch, Endura, Flik Flak, Hamilton, Lanco, Longines, Mido, Omega, Pierre Balmain, Rado, Tissot, mas não há dúvidasde que a Swatch é a preferida. Como explica o espe- cialista Adrian Slywotzky, em seu A Estratégia Focada no Lucro (ed. Cam- pus; esta edição traz artigo de Slywotzky na página 18), a empresa criou uma linha de produtos com funções diferentes dentro de seu mix. A marca Swatch está na base da pirâmide, com um grande volume de vendas, formando uma espécie de barreira que impede que os concorrentes desenvolvam um negócio semelhante. Paralelamente, a empresa obtém 80% de seu lucro com as três marcas de luxo que estão no topo da pirâmide e têm a maior margem de lucro. Apesar de cada marca e cada empresa terem organização, estraté- gia e até edifício próprios, todas elas são dirigidas pelo mesmo grupo de diretores. Essa diretoria administrati- va é formada por dez membros, entre os quais Nicolas Hayek, à frente do grupo, e seu filho Nick, o carismático presidente da Swatch. Os diretores reúnem-se a cada duas semanas em Biel Bienne, sede da matriz, para definir as estratégias a serem adotadas pelo grupo. A empresa ETA, localizada a 20 minutos de Biel Bienne, é encarrega- da da fabricação de cada uma das Apesar de cada marca e cada empresa terem organização, estratégia e até edifício próprios, todas elas são dirigidas pelo mesmo grupo de diretores Nick Hayek, o filho, atual presidente da Swatch 102789 Carimbo 98 H S M M a n a g e m e n t 1 1 n o v e m b r o - d e z e m b r o 1 9 9 8 � peças que compõem os relógios, assim como de sua montagem. Resumindo: tudo é made in Switzer- land. Embora as atuais teorias administrativas sugiram que as companhias globais não devem amarrar-se a seu país de origem mas sim procurar produção e mão-de-obra baratas no exterior, o grupo continua muito compro- metido com a Suíça. E Hayek garante: “Em nosso país é possível fazer produtos para o mundo todo; basta lançar a idéia”. Espírito arrojado Na realidade, o fenômeno Swatch representa muito mais que o sucesso de uma companhia ou a possibilida- de de enfrentar a poderosa indústria japonesa. É um caso que merece ser estudado pela visão, pelo pensamen- to estratégico e, especialmente, pela qualidade da liderança de Nicolas Hayek. Dono de mais de metade da companhia, Hayek comporta-se como uma criança de 68 anos e con- 1997 1996 Vendas brutas, em US$ milhões 2.180 1.992 Aumento em relação ao ano anterior 9,5 % 5,8 % Vendas líquidas, em US$ milhões 2.121 1.939 Lucro líquido, em US$ milhões 237 201 Ativo circulante, em US$ milhões 1.905 1.725 Ativo fixo, em US$ milhões 690 738 Ativo total, em US$ milhões 2.595 2.463 Funcionários 17.729 16.459 O Swatch Group em números fessa que quase todos os seus sonhos se transformaram em realidade. “Às vezes acusam-me de ser otimista e estimular a euforia”, diz. “É verdade. Todas as manhãs preciso ver gente sorrindo, pessoas felizes com o que fazem. E devo admitir que ainda acredito em Papai Noel, na Bela Adormecida e em muitas outras histórias.” Diante dessas palavras, fica clara a razão por que o Swatch, sua jogada mais arriscada, mantém-se sempre jovem e com espírito irrequieto. Também não é por acaso que a empresa costuma explorar novos mercados, desenvolvendo compo- nentes de alta tecnologia para outros setores, como informática, teleco- municações, medicina e indústria automobilística. Em 1994, por exemplo, em associação com a Mercedes-Benz, a Swatch projetou o automóvel ecológico do futuro. A produção começou no mês de julho e espera-se que ainda este ano esteja à disposição do público. Há 15 anos, ninguém poderia imaginar que um relógio de plástico, pesando 20 gramas e custando menos de US$ 60, estaria presente no mundo todo. Nem que ele se converteria em uma peça atraente para colecionadores, sendo protago- nista de Olimpíadas, galerias de arte, festivais de cinema, torneios de snowboard e até de museus. Mas a verdade é que, em apenas 15 anos, foi provada a força de uma combina- ção perfeita entre marca poderosa, liderança visionária, produto certo no momento certo e boa estratégia de marketing e distribuição. A pergunta inevitável é qual será a continuação dessa história. Segun- do o consagrado especialista Tom Peters, a Swatch procura “fascinar, enfeitiçar, deslumbrar e deleitar”. Portanto, tudo indica que a empresa seguirá crescendo enquanto manti- ver seu espírito inovador, pesquisan- do novas tecnologias e definindo o rumo da moda. “Devo admitir que ainda acredito em Papai Noel, na Bela Adormecida e em outras histórias” Nicolas Hayek 102789 Carimbo