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Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da 1ª Vara do Tribunal do
Júri da Comarca de XXXXXX/XX
Processo nº: XXXXXX
Recorrente: Benedito
Recorrido: Ministério Público
Benedito, já qualificado nos autos do processo em epígrafe, vem, por
intermédio de seu advogado que esta subscreve, com fulcro no artigo 581,
inciso IV, do Código de Processo Penal, interpor, tempestivamente, o presente
RECURSO EM SENTIDO ESTRITO
contra a r. decisão de pronúncia que o pronunciou pelo suposto cometimento
de duas tentativas de homicídio, proferida por este juízo. Pede-se que este
recurso seja recebido, processado e, ao final, encaminhado ao Egrégio
Tribunal de Justiça, para que lhe seja dado provimento.
Termos em que,
Pede deferimento.
Local e data,
Advogado OAB XX/XXXX
RAZÕES DE RECURSO EM SENTIDO ESTRITO
Egrégio Tribunal de Justiça do Estado XXXX
Recorrente: Benedito
Recorrido: Ministério Público
Colenda Câmara, Ilustres Julgadores,
Benedito foi pronunciado pela suposta prática de duas tentativas de homicídio contra
Jennifer e Anselmo. A decisão de pronúncia, no entanto, merece ser reformada, uma vez
que não há justa causa para submeter o Recorrente a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Passa-se a expor as razões que fundamentam este pedido de reforma da decisão.
I. DOS FATOS
Benedito, que preparava uma surpresa romântica para sua namorada Jennifer, flagrou-a aos
beijos com Anselmo, colega de trabalho dela, no local onde faria o pedido de casamento.
Abalado e emocionalmente descontrolado, acabou reagindo impulsivamente ao evento,
movendo seu carro de forma descuidada, o que resultou em lesões tanto em Jennifer quanto
em Anselmo.
A acusação imputou ao Recorrente o crime de tentativa de homicídio em concurso material,
sustentando a existência de dolo direto na conduta. Entretanto, os elementos dos autos,
inclusive testemunhas e laudos, apontam para uma situação de ausência de animus
necandi, ou seja, sem intenção deliberada de matar.
II. DO PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DO RECURSO
Conforme o artigo 586 do Código de Processo Penal, o prazo para a interposição do
Recurso em Sentido Estrito é de 5 (cinco) dias, contados a partir da intimação da decisão de
pronúncia.
III. DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS
1. DA AUSÊNCIA DE ANIMUS NECANDI (AUSÊNCIA DE INTENÇÃO DE MATAR)
Conforme os depoimentos colhidos em audiência, incluindo o de Ivete, integrante do coral,
Benedito teria jogado o carro contra Anselmo em um único momento, sem persistir em uma
conduta de agressão continuada. Além disso, a amiga Aline, que conhece Benedito há anos,
relatou que ele é pessoa pacífica e que, ao conversar com ele, soube que sua intenção era
apenas dar uma "lição" no rival, não havendo qualquer planejamento de agressão fatal.
O próprio Recorrente, em seu interrogatório, esclareceu que não tinha intenção de machucar
gravemente qualquer dos envolvidos, mas sim reagiu de forma impulsiva devido ao impacto
emocional. Desta forma, inexiste a configuração de dolo eventual ou direto em sua conduta,
devendo-se descartar a tese de tentativa de homicídio, considerando-se o delito como lesão
corporal de natureza grave, conforme o artigo 129, § 1º, do Código Penal.
2. DO CRIME IMPOSSÍVEL (ART. 17 DO CÓDIGO PENAL)
Ainda que se entenda que Benedito agiu com intenção de lesionar, o resultado morte era, na
verdade, impossível diante das circunstâncias. Ao jogar o carro contra Anselmo apenas uma
vez e se afastar, a conduta não revelou aptidão concreta para provocar o resultado letal,
sendo o evento delimitado a lesões corporais.
IV. DA DESCLASSIFICAÇÃO PARA CRIME DE LESÃO CORPORAL
GRAVE
Diante dos elementos narrados e dos laudos periciais, é evidente que as lesões sofridas por
Jennifer e Anselmo não decorreram de uma conduta intencional de matar, mas sim de um
descontrole emocional momentâneo e do comportamento impulsivo de Benedito. Assim, o
que caberia ao Recorrente é a imputação de crime de lesão corporal grave, uma vez que
tanto Jennifer quanto Anselmo sobreviveram e os ferimentos, embora graves, não
apresentaram risco de morte iminente.
Assim, a desclassificação da conduta para o crime de lesão corporal grave está em perfeita
consonância com o conjunto probatório, que não evidencia qualquer intenção de matar.
V. DA INAPLICABILIDADE DA PRONÚNCIA
Em face do exposto, observa-se que a decisão de pronúncia desconsiderou elementos
essenciais e promoveu o juízo de admissibilidade sem fundamentação que indicasse
concretamente a intenção de Benedito de matar as vítimas. A pronúncia, ao tomar como
verdade uma narrativa não comprovada de tentativa de homicídio, incorreu em erro.
Nesse sentido, a doutrina e a jurisprudência são claras ao apontar que a decisão de
pronúncia deve se restringir aos casos em que realmente existam indícios veementes de
dolo homicida, o que não se verifica no presente caso.
VI. DOS PEDIDOS
Diante do exposto, requer-se:
1. O conhecimento e provimento do presente Recurso em Sentido Estrito, para
que seja reformada a decisão de pronúncia, desclassificando-se a imputação para
o crime de lesão corporal grave (art. 129, § 1º, do Código Penal), afastando-se a
competência do Tribunal do Júri;
2. Alternativamente, caso não seja esse o entendimento, que o Recorrente seja
impronunciado pela ausência de provas de dolo homicida;
3. Subsidiariamente, que se determine o retorno dos autos ao Juízo de origem para
nova análise da decisão de pronúncia, fundamentando-a adequadamente quanto à
inexistência de dolo.
Termos em que,
Pede deferimento.
Local e data,
Advogado
OAB XX/XXXXX

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