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DIREITO PENAL ESPECIAL III 
Professor César Cândido Neves Junior 
 
 
DIREITO PENAL ESPECIAL III 
 
 
BIBLIOGRAFIA INDICADA: 
 
1 – BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal, v. 
2. São Paulo: Saraiva, 2018. 
2 – CAPEZ, Fernando. Curso de Direito Penal, v. 2. São Paulo, Editora Saraiva, 2013. 
3 – CUNHA, Rogério Sanches. Manual de Direito Penal, Parte Geral. Salvador, Ed. 
JusPodivm, 2014. 
4 – GRECO, Rogério. Curso de Direito Penal: Parte Especial. Niterói, RJ: Editora 
Impetus, 2014. 
5 – MASSON, Cleber. Direito Penal: Parte Especial. V.2. 13. Ed. São Paulo: Método, 
2019. 
6 – ESTEFAM, ANDRÉ. Direito Penal: Parte Especial. V.2. 10. Ed. São Paulo: Saraiva, 
2023. 
 
EMENTA DO SEMESTRE 
 
UNIDADE 1 - Dos Crimes contra a pessoa: Dos Crimes contra a vida 
1.1 Homicídio 
1.2 Outros crimes contra a vida: Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio, 
Infanticídio e Aborto (e sua relação com o crime de homicídio) 
UNIDADE 2 - Dos Crimes contra a pessoa: Das lesões corporais e da violência 
doméstica 
UNIDADE 3 - Dos Crimes contra a pessoa: Da Periclitação da vida e da saúde e da 
rixa 
3.1 Perigo de contágio venéreo, Perigo de contágio de moléstia grave, Perigo para a 
vida ou saúde de outrem 
3.2 Abandono de incapaz, Exposição ou abandono de recém-nascido 
 
 
DIREITO PENAL ESPECIAL III 
Professor César Cândido Neves Junior 
 
3.3 Omissão de socorro, Condicionamento de atendimento médico-hospitalar 
emergencial, Maus-tratos 
3. 4 Rixa 
UNIDADE 4 - Dos Crimes contra a pessoa: Dos Crimes contra a honra: Calúnia, 
Difamação, Injúria, suas semelhanças, diferenças e as disposições comuns 
UNIDADE 5 - Dos Crimes contra a pessoa: Dos Crimes contra a liberdade 
individual 
5.1 Dos crimes contra a liberdade pessoal: Constrangimento ilegal; Ameaça; Seqüestro 
e cárcere privado; Redução a condição análoga à de escravo 
5.2. Violação de domicílio 
5.3. Dos crimes contra a inviolabilidade de correspondência: Violação de 
correspondência; Sonegação ou destruição de correspondência; Violação de 
comunicação telegráfica, radioelétrica ou telefônica; Correspondência comercial. 
5.4 Dos crimes contra a inviolabilidade dos segredos: Divulgação de segredo; Violação 
do segredo profissional; Invasão de dispositivo informático. 
UNIDADE 6 - Dos Crimes contra o patrimônio: do furto, furto de coisa comum, 
suas semelhanças, diferenças. 
UNIDADE 7 - Dos Crimes contra o patrimônio: do roubo e da extorsão 
7.1 Roubo 
7.2 Extorsão; Extorsão mediante sequestro; Extorsão indireta 
UNIDADE 8 - Dos Crimes contra o patrimônio: da usurpação 
8.1 Alteração de limites 
8.2 Esbulho possessório 
8.3 Supressão ou alteração de marca em animais 
UNIDADE 9 - Dos Crimes contra o patrimônio: do dano; Introdução ou abandono 
de animais em propriedade alheia 
 
 
DIREITO PENAL ESPECIAL III 
Professor César Cândido Neves Junior 
 
UNIDADE 10. Dos Crimes contra o patrimônio: da Apropriação Indébita; 
Apropriação indébita previdenciária; Apropriação de coisa havida por erro, caso fortuito 
ou força da natureza; Apropriação de tesouro; Apropriação de coisa achada, suas 
semelhanças e diferenças. 
UNIDADE 11. Dos Crimes contra o patrimônio: do estelionato, suas semelhanças e 
diferenças em relação as suas modalidades especiais como a Disposição de coisa alheia 
como própria; Alienação ou oneração fraudulenta de coisa própria; Defraudação de 
penhor; Fraude na entrega de coisa; Fraude para recebimento de indenização ou valor de 
seguro; Fraude no pagamento por meio de cheque; Duplicata simulada; Abuso de 
incapazes; Induzimento à especulação; Fraude no comércio; Outras fraudes; Fraudes e 
abusos na fundação ou administração de sociedade por ações; Emissão irregular de 
conhecimento de depósito ou warrant; Fraude à execução 
UNIDADE 12 - Dos Crimes contra o patrimônio: da receptação 
UNIDADE 13 - Dos Crimes contra o patrimônio: disposições gerais 
UNIDADE 14 - Crimes contra a propriedade imaterial: Violação de direito 
autoral; Usurpação de nome ou pseudônimo alheio 
UNIDADE 15 - Crimes contra a organização do trabalho: Atentado contra a 
liberdade de trabalho; Atentado contra a liberdade de contrato de trabalho e boicotagem 
violenta; Atentado contra a liberdade de associação; Paralisação de trabalho, seguida de 
violência ou perturbação da ordem; Paralisação de trabalho de interesse coletivo; 
Invasão de estabelecimento industrial, comercial ou agrícola( Sabotagem); Frustração 
de direito assegurado por lei trabalhista; Frustração de lei sobre a nacionalização do 
trabalho; Exercício de atividade com infração de decisão administrativa; Aliciamento 
para o fim de emigração; Aliciamento de trabalhadores de um local para outro do 
território nacional; 
UNIDADE 16 - Crimes contra o sentimento religioso e contra o respeito aos 
mortos: Ultraje a culto e impedimento ou perturbação de ato a ele relativo; 
Impedimento ou perturbação de cerimônia funerária; Violação de sepultura; Destruição, 
subtração ou ocultação de cadáver; Vilipêndio a cadáver 
 
 
 
DIREITO PENAL ESPECIAL III 
Professor César Cândido Neves Junior 
 
 
PONTO 01 – DOS CRIMES CONTRA A VIDA 
 
1 – HOMICÍDIO (ART. 121) 
 
1.1) Introdução: 
Conceito: 
É a injusta morte de uma pessoa praticada por outrem (Rogério Sanches). 
Quando Nelson Hungria fala sobre o crime de homicídio ele diz que é o “tipo 
central de crimes contra a vida e o ponto culminante na orografia dos crimes; é o 
crime por excelência”. 
Há um interesse muito grande do Estado na proteção do bem jurídico vida, o 
qual, vale lembrar, é pressuposto para o exercício de todos os outros bens do ser 
humano. Nesta perspectiva há doutrinadores, como Magalhães Noronha, que colocam o 
Estado como sujeito passivo no crime de homicídio. 
Por esta razão, há uma grande proteção ao bem jurídico vida, o que se revela 
tanto na tipificação do homicídio em suas variadas modalidades (simples, privilegiado, 
qualificado e majorado), bem como na previsão do crime de induzimento, auxilio ou 
instigação ao suicídio; infanticídio e aborto. 
 A preocupação do Estado com a vida é tamanha que ele próprio se impõe uma 
restrição, ao estabelecer no art. 5º, XLVII, “a”, que não haverá pena de morte. 
Contudo, não poderíamos deixar de anotar que o direito à vida, como ocorre 
com a grande maioria de todos os outros direitos, não é absoluto, ressalvando a própria 
Constituição uma situação em que se admitirá a pena de morte, qual seja, no caso de 
guerra declarada (art. 84, XIX). 
Outra exceção ao direito à vida são as normas permissivas previstas no Código 
Penal, as quais, em determinadas circunstâncias, autorizam-nos a agir contra bens 
jurídicos de terceiros, se preciso a própria vida, como ocorre na legítima defesa e estado 
de necessidade, por exemplo. 
 
Topografia do crime de homicídio: 
- 121, caput: homicídio simples; 
- 121, § 1º: homicídio doloso privilegiado; 
- 121, § 2º: homicídio doloso qualificado; 
- 121, § 3º: homicídio culposo; 
- 121, § 4º: homicídio majorado; 
- 121, § 5º: perdão judicial; 
- 121, § 6º: homicídio praticado por milícia ou grupo de extermínio 
(Inovação da Lei 12.720/2012); 
 
 
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- 121, § 7º: causa de aumento para o feminicídio, que, assim como o 
homicídio funcional, foram recentemente inseridos no § 2º como 
formas qualificadas. 
Agora, onde encontramos o homicídio preterdoloso? 
Resposta: o homicídio preterdoloso é um nome diferente para a lesão corporal 
seguida de morte, prevista no art. 129, § 3º. Na verdade o que se denomina de 
“homicídio preterdoloso” não se trata, em verdade, de um crime contra a vida, mas sim 
contra a incolumidade pessoal. 
 
Existe alguma diferença entre os termos homicídio e assassinato? 
No Brasil não se tem uma distinção legislativa para referidos termos, 
diferentemente do que ocorre em legislações alienígenas, onde se utiliza a terminologiaou se o agente 
 
 
DIREITO PENAL ESPECIAL III 
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deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir as consequências do 
seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante. Sendo doloso o homicídio, a pena é 
aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 
(quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos. (Redação dada pela Lei nº 10.741, de 2003) 
 
1ª) Inobservância de regra técnica, de profissão arte ou oficio: esta 
majorante não se confunde com a imperícia. 
Na majorante o agente conhece a técnica, mas não a observa. Na verdade, a 
majorante trabalha com a negligência profissional. Por exemplo, o médico que esquece 
alguma gaze dentro do corpo do paciente que estava operando. 
Na imperícia o agente não domina a técnica. 
Discute-se sobre eventual caracterização de bis in idem no caso desta 
majorante, já que que o mesmo fato (inobservância de regra técnica, de profissão, arte 
ou ofício) estaria sendo utilizado tanto para configurar a culpa quanto para majorá-la. 
O STJ tem deixado transparecer em seus julgados que a causa de aumento 
somente terá aplicação se constituir-se em fato destacado, devendo, inclusive, a 
denúncia descrever de maneira detalhada tanto a conduta que caracterizou a culpa, sob 
quaisquer de suas modalidades, quanto aquela que configurou a majorante. Vejamos 
pequeno trecho do HC 238.221/SP: “(...) o desrespeito às normas técnicas não pode se 
apresentar como a própria falta de diligência ou como núcleo caracterizador da 
ausência do devido cuidado, pois, do contrário, incorrer-se-á em invencível bis in 
idem”. 
 
2ª) Omissão de socorro: o agente deixa de prestar socorro à vítima, podendo 
fazê-lo sem risco pessoal. 
Cuidado: não incide o art. 135 do CPB (omissão de socorro). 
Obs. 1: se a vítima é imediatamente socorrida por terceiros não incide o 
aumento. Agora, se o agente se recusa a prestar socorro, o fato de a vítima ser 
posteriormente socorrida por terceiros não afastará a causa de aumento; 
Obs. 2: no caso de morte instantânea também não incide (Veja-se, contudo, 
art. 304, parágrafo único do CTB); 
De acordo com o STF, se o autor do crime, apesar de reunir condições de 
socorrer a vítima, não o faz, concluindo pela inutilidade da ajuda, não elide a majorante 
que do art. 121, § 4º. 
 
3ª) Não procura diminuir as consequências do seu comportamento: 
embora Capez aduza que esta parte seja redundante com a anterior, pois quem não 
presta socorro também não procura diminuir as consequências do seu comportamento, 
poderemos ter situações em que esta circunstância ocorrerá de maneira autônoma. Por 
exemplo, o agente, sabendo que a vítima não dispõe de recursos financeiros para custear 
o tratamento,e podendo fazê-lo, se recusa a ajudá-lo. 
 
4ª) Fuga para evitar a prisão em flagrante: a maioria reconhece como válida 
a presente majorante, pois o agente demonstra ausência de escrúpulo, prejudicando a 
investigação. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.741.htm#art121%C2%A74
 
 
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A minoria, no entanto, questiona sua constitucionalidade, pois acaba 
obrigando o agente a produzir prova contra si mesmo. 
Ademais, devemos nos lembrar do art. 301 do CTB segundo o qual não se 
imporá a prisão em flagrante ao condutor que prestar imediato e integral socorro à 
vítima. 
 
Majorante no crime doloso (art. 121, § 4º, 2ª parte): 
A pena é aumentada de 1/3 se o crime é praticado contra pessoa maior de 14 
anos ou maior de 60 anos. 
Em que pese a redação tenha sido mantida na 2ª parte do § 4º, houve um 
revogação tácito quanto ao menor de 14 anos, uma vez que, com a Lei n. 14.344/2022 
referida circunstância passou a ser considerada como qualificadora. 
 
Momento da conduta Momento do resultado 
- vítima menor de 60 anos; - vítima maior de 60 anos; 
A lei diz “praticado”, de maneira que devemos analisar a idade da vítima 
apenas no momento da conduta, por aplicação da teoria da atividade. 
Para incidir o aumento, sob pena de responsabilidade objetiva, o agente tem 
que saber a idade da vítima, ou pelo menos que ela maior de 60 anos. 
 
Perdão Judicial (art. 121, § 5º): 
 
§ 5º - Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar de aplicar 
a pena, se as consequências da infração atingirem o próprio agente de forma 
tão grave que a sanção penal se torne desnecessária. 
 
Perdão judicial é um instituto pelo qual o juiz, não obstante a prática de um 
fato típico e antijurídico por um sujeito comprovadamente culpado, deixa de lhe aplicar, 
nas hipóteses taxativamente prevista em lei, o preceito sancionador cabível, levando 
em consideração determinadas circunstancias que concorrem para o evento. O 
ESTADO PERDE O INTERESSE DE PUNIR. 
Atenção: não é necessário existir qualquer relação afetiva entre o autor e a 
vítima para ser cabível o perdão judicial. Imagine, por exemplo, que em um acidente de 
jetski o autor, que culposamente matou um banhista, fique tetraplégico. 
Qual a natureza jurídica da sentença concessiva de perdão judicial? 
Embora haja alguma divergência doutrinária, no sentido de que o perdão 
judicial teria natureza absolutória, condenatória ou meramente declaratória da 
extinção da punibilidade, o STJ há muito tempo já se posicionou neste último sentido, 
por intermédio da Súmula 18, que diz: 
“A sentença concessiva do perdão judicial é declaratória da extinção da 
punibilidade, não subsistindo qualquer efeito condenatório”. 
Atenção: presentes as circunstâncias previstas em lei o juiz deve deixar de 
aplicar a pena, pois o perdão judicial constitui-se em direito subjetivo do réu. 
 
 
DIREITO PENAL ESPECIAL III 
Professor César Cândido Neves Junior 
 
O perdão judicial também se aplica ao homicídio culposo do CTB? 
Inicialmente é preciso relembrar que, como dissemos há pouco, o perdão 
judicial deve ser aplicado apenas nas hipóteses taxativamente previstas em lei. 
De outro lado, contudo, também deve ser registrado que quando da elaboração 
do CTB, inicialmente foi previsto o perdão judicial, tanto para a hipótese de homicídio 
culposo quanto para o caso de lesão corporal culposa no trânsito. 
Ocorre que o Presidente da República vetou tais disposições, sob o argumento 
de que aquelas previstas no Código Penal versavam sobre os institutos de maneira mais 
abrangente. 
A partir daí surge alguma divergência sobre a aplicação do perdão judicial no 
CTB. 
Deve se anotar, no entanto, que prevalece o entendimento de que deve ser 
aplicado o perdão judicial para o homicídio e lesão corporal culposos no trânsito, 
não obstante a regra de que tal instituto somente deveria ser aplicável em caso de 
previsão essa expressa. 
Tal posicionamento se justifica tanto pelas razões do veto como por razões 
de política criminal e em atenção ao princípio da isonomia. 
 
6) Homicídio Praticado Por Milícia Privada Ou Grupo De Extermínio: 
§ 6º A pena é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for 
praticado por milícia privada, sob o pretexto de prestação de serviço de segurança, ou 
por grupo de extermínio. (Incluído pela Lei nº 12.720, de 2012) 
Rogério Sanches nos fornece a seguinte definição de milícia privada: “Grupo 
de pessoas armado (de civis ou não), tendo como finalidade (anunciada) devolver a 
segurança retirada das comunidades mais carentes, restaurando a paz.” 
Do mesmo modo, define grupo de extermínio como: “reunião de pessoas, 
matadores, ‘justiceiros’ (civis ou não) que atuam na ausência ou leniência do poder 
público, tendo como finalidade a matança generalizada, chacina de pessoas 
supostamente etiquetadas como marginais ou perigosas.” 
 
Quantas pessoas são necessárias para se formar uma milícia privada ou 
grupo de extermínio? 
Há dois entendimentos. 
Um primeiro posicionamento utiliza-se do art. 288 do Código Penal, que exige 
três ou maispessoas para caracterizar associação criminosa. 
Já uma segunda corrente, à qual se filia o autor Rogério Sanches, toma de 
empréstimo o conceito de organização criminosa (Lei 12.850/13), que exige no mínimo 
quatro pessoas. 
Atenção: o art. 288-A do Código Penal prevê como crime a “constituição de 
milícia privada”: 
Art. 288-A. Constituir, organizar, integrar, manter ou custear organização 
paramilitar, milícia particular, grupo ou esquadrão com a finalidade de praticar 
qualquer dos crimes previstos neste Código:(Incluído dada pela Lei nº 12.720, de 2012) 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12720.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12720.htm#art4
 
 
DIREITO PENAL ESPECIAL III 
Professor César Cândido Neves Junior 
 
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos.(Incluído dada pela Lei nº 
12.720, de 2012) 
 
No caso de homicídio praticado por grupo de extermínio, a 
responsabilização penal deverá ser apenas pelo homicídio majorado ou por este em 
concurso com o art. 288-A? 
1ª corrente: os agentes devem ser denunciados somente pelo art. 121, § 6º, pois 
cumular com o art. 288-A seria indisfarçável bis in idem; 
2ª corrente: os agentes devem ser denunciados pelos dois crimes, em concurso 
material, pois são infrações autônomas, com penas independentes. Esta segunda 
corrente está de acordo com o entendimento dos Tribunais Superiores em situações 
semelhantes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
PARTICIPAÇÃO EM SUICÍDIO E EM AUTOMUTILAÇÃO 
 
Art. 122 - Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou a praticar automutilação 
ou prestar-lhe auxílio material para que o faça: 
Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos. 
§ 1º Se da automutilação ou da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de 
natureza grave ou gravíssima, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 129 deste 
Código: 
Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos. 
§ 2º Se o suicídio se consuma ou se da automutilação resulta morte: 
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos. 
§ 3º A pena é duplicada: 
I - se o crime é praticado por motivo egoístico, torpe ou fútil; 
II - se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade 
de resistência. 
§ 4º A pena é aumentada até o dobro se a conduta é realizada por meio da 
rede de computadores, de rede social ou transmitida em tempo real. 
§ 5º Aumenta-se a pena em metade se o agente é líder ou coordenador de 
grupo ou de rede virtual. 
§ 5º Aplica-se a pena em dobro se o autor é líder, coordenador ou administrador de 
grupo, de comunidade ou de rede virtual, ou por estes é responsável. (Redação dada 
pela Lei nº 14.811, de 2024) 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12720.htm#art4
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12720.htm#art4
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2024/Lei/L14811.htm#art5
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2024/Lei/L14811.htm#art5
 
 
DIREITO PENAL ESPECIAL III 
Professor César Cândido Neves Junior 
 
§ 6º Se o crime de que trata o § 1º deste artigo resulta em lesão corporal de 
natureza gravíssima e é cometido contra menor de 14 (quatorze) anos ou contra 
quem, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário 
discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode 
oferecer resistência, responde o agente pelo crime descrito no § 2º do art. 129 
deste Código. 
§ 7º Se o crime de que trata o § 2º deste artigo é cometido contra menor de 14 
(quatorze) anos ou contra quem não tem o necessário discernimento para a 
prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência, 
responde o agente pelo crime de homicídio, nos termos do art. 121 deste Código. 
 
1) Introdução/Bem jurídico: 
Esse dispositivo sofreu grandes alterações recentemente, implementadas 
pela Lei n. 13.968/19, publicada em 26 de dezembro de 2019. 
Para se ter uma ideia do volume de mudanças, vejamos como era a redação 
anterior do art. 122: 
Art. 122 - Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para 
que o faça: 
Pena - reclusão, de dois a seis anos, se o suicídio se consuma; ou reclusão, de 
um a três anos, se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza 
grave. 
Parágrafo único - A pena é duplicada: 
Aumento de pena 
I - se o crime é praticado por motivo egoístico; 
II - se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade 
de resistência. 
Já de início não poderíamos deixar de tecer algumas críticas à referida 
inovação legal. 
O legislador não foi muito feliz ao reunir, em um único tipo penal, 
condutas diferentes, que violam bens jurídicos igualmente distintos, consignando, 
por outro lado, penas iguais, desrespeitando, nesta senda, o princípio da 
proporcionalidade, que, por certo, também deve ser observado no momento da 
elaboração normativa. 
De fato, não se pode conceber que sejam punidos da mesma forma tanto quem 
induz, instiga ou ajuda alguém a suicidar-se, como aquele que, por outro lado, induz, 
instiga ou auxilia alguém a se automutilar. 
O primeiro comportamento, afetando o bem jurídico vida, tem consequências 
bem mais severas que o segundo, que atenta contra a integridade física. 
E, como se tal atropelo jurídico por si só já não fosse suficiente, o novo texto 
legal incorre em várias outras incongruências, como veremos a seguir. 
Dito isto, passamos a análise do tipo em questão. 
O suicídio pode ser conceituado como a supressão voluntária e consciente 
da própria vida. 
 
 
DIREITO PENAL ESPECIAL III 
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Embora este comportamento por si só não seja crime, o art. 122 do 
Código Penal pune a conduta daquele que concorre para a prática de suicídio de 
outrem. 
Várias razões podem ser citadas para justificar a não incriminação do suicídio, 
em sua forma consumada ou tentada. 
A primeira delas relaciona-se com a finalidade da pena. É cediço que a pena 
possui duas importantes funções: preventiva e repressiva. No tocante à primeira delas, 
conclui-se desde já que a pena seria inócua, pois, certamente aquele que não teme 
sequer a própria morte também não temerá uma sanção penal. Quanto à segunda, tem-se 
uma dificuldade de ordem prática, pois que é impossível aplicar uma pena a um 
cadáver. 
Além disso, já no que se refere à tentativa, questões de política criminal 
também desaconselham a punição, uma vez que aquele que já tentou se matar, com 
muito mais razão tentará novamente se vier a ser preso. 
Vale anotar, ainda, acompanhando Rogério Greco, que a punição do suicídio 
violaria o princípio da alteridade, que requer a lesão a bem jurídico de terceiros para 
ocorrência de crime. 
Por fim, embora o suicídio não seja crime, relembrando o que dissemos de 
início, não se constitui, de outra via, em um ato lícito. Tanto é assim que o artigo 
146, § 3º, II, ao versar sobre o constrangimento ilegal, aduz que não deve ser 
compreendido no tipo a coação exercida para impedir suicídio. 
Citando Cezar Roberto Bitencourt “O suicídio ofende interesses morais e 
éticos do Estado, e só não é punível pela inocuidade de tal proposição. No entanto, a 
ausência de tipificação criminal desta conduta não lhe afasta a ilicitude, já que a 
supressão de um bem jurídico indisponível caracteriza sempre um ato ilícito”. 
O bem jurídico que se protege é a vida. 
Quanto ao segundo comportamento incriminado (participação em 
automutilação), citando Rogério Sanches, podemos asseverar que a automutilação 
pode ser definida “como o ato intencional de provocar lesões no próprio corpo, sem o 
propósito consciente de cometer suicídio”. 
A justificativa para criação desta nova figura típica (automutilação) encontra-
se no novo contexto social e tecnológico em que nos encontramos, onde um número 
cada vez maior de pessoas, especialmente jovens, adolescentes e até mesmo crianças, 
participam de jogos na internet,que têm a automutilação como um de seus propósitos. 
Tal conduta, em si mesma (automutilação), também não é considerada crime, 
embora não configure ato totalmente lícito, ressalvada, eventualmente, algum delito 
relacionado, como o estelionato previsto no inciso V, § 2º do art. 171: 
§ 2º - Nas mesmas penas incorre quem: 
V - destrói, total ou parcialmente, ou oculta coisa própria, ou lesa o próprio 
corpo ou a saúde, ou agrava as consequências da lesão ou doença, com o intuito 
de haver indenização ou valor de seguro; 
Notem, todavia, que neste caso o ato delituoso não é lesionar o próprio corpo, 
mas sim fraudar a seguradora. 
 
 
 
 
DIREITO PENAL ESPECIAL III 
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2) Sujeitos do Crime: 
O sujeito ativo deste crime pode ser qualquer pessoa (crime comum). 
Ressalve-se, todavia, segundo o § 5º, com a nova redação que lhe foi 
concedida pela Lei n. 14.811 de 2024, a pena será aplicada em dobro se o autor do 
crime for líder, coordenador ou administrador de grupo, de comunidade ou de 
rede virtual, ou por estes é responsável. 
Já quanto ao sujeito passivo, devemos fazer as seguintes ponderações: 
Inicialmente o sujeito passivo pode ser qualquer pessoa, devendo salientar-se, 
contudo, que a vítima deve ter capacidade de discernimento e autodeterminação, 
sob pena de se configurar o crime de homicídio, no caso da participação em 
suicídio, ou lesão corporal, no caso da automutilação. 
Dessa forma, quem induz, instiga ou auxilia um absolutamente incapaz a 
suicidar-se ou a automutilar-se não está praticando o crime de participação em suicídio 
ou automutilação, mas sim homicídio ou lesão corporal, como autor mediato, figurando 
a vítima, neste caso, como um instrumento utilizado contra si mesma. 
E mais, no caso de suicídio, se a vítima não vier a morrer, é importante que se 
anote que o agente responderá por tentativa de homicídio, e não pela lesão resultante de 
sua conduta. 
Em relação especificamente à participação em suicídio, aduz Rogério Greco 
que “aquele que induz, instiga ou auxilia materialmente alguém que não possua 
capacidade de discernimento deve ser considerado autor mediato do delito de 
homicídio. A vítima, na verdade, deve ser encarada como um instrumento contra si 
própria, em face da ausência da possibilidade de conhecimento da gravidade de seu 
comportamento”. 
A partir da Lei n. 13.968/19 o texto legal passou a ser explícito neste sentido, 
embora tenha sido extremamente infeliz, carecendo de rigor dogmático em sua redação. 
Vejamos o que dispõe o § 6º: 
§ 6º Se o crime de que trata o § 1º deste artigo resulta em lesão corporal de 
natureza gravíssima e é cometido contra menor de 14 (quatorze) anos ou 
contra quem, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário 
discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não 
pode oferecer resistência, responde o agente pelo crime descrito no § 2º do art. 
129 deste Código. 
Tamanha é a falta de técnica deste dispositivo que somos levados a imaginar 
que, de fato, foi redigido pelo próprio Senador Ciro Nogueira, não passando sob o crime 
de um corpo técnico especializado. 
Antes de tudo, é preciso dizer que o dispositivo é totalmente desnecessário, já 
que a punição pelo homicídio (consumado ou tentado) e pela lesão corporal (grave ou 
gravíssima), já resultaria da interpretação da norma principal. 
Teria andado bem o legislador se houvesse laborado com a explicitação legal, 
que às vezes serve de fato para afastar eventuais divergências, se abordasse o assunto de 
maneira adequada, o que não se verificou aqui. Acarretou, isto sim, uma verdadeira 
confusão sobre a matéria. 
O imbróglio começa com a remissão inicial ao § 1º, que trata, especificamente, 
do crime de participação ao suicídio e automutilação do qual resulte lesão grave ou 
 
 
DIREITO PENAL ESPECIAL III 
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gravíssima, restringindo, por outro lado, a aplicação do § 6º apenas quando ocorrer 
lesão gravíssima, o que não se justificaria. 
Ora, qual a razão então da remissão? 
Bastava dizer “se do crime resulta lesão gravíssima”, sem qualquer 
necessidade de remissão ao § 1º, do art. 122. 
Disto isto, passemos a análise do dispositivo, fazendo-o de maneira estanque 
para as duas formas de conduta (suicídio e automutilação): 
Como anotamos anteriormente, se o agente induz, instiga ou auxiliar alguém 
sem capacidade de discernimento e autodeterminação a suicidar-se, o crime em análise 
será o de homicídio e não o de participação em suicídio. 
Atenção: só há que se falar em suicídio se a vítima tiver consciência e 
vontade em relação ao ato que está praticando. Assim, se, por razão da tenra idade 
ou deficiência mental, a vítima do autoextermínio não possui vontade válida, o 
crime será de homicídio, funcionando ele como um objeto contra si mesmo. 
Assim, tratando-se de crime de homicídio, se o resultado não se consumar, 
será o caso de o autor ser punido pela TENTATIVA DE HOMICÍDIO, e não por lesão 
corporal. E mais, a punição pela tentativa de homicídio terá lugar independentemente de 
qualquer resultado, sendo desnecessária a ocorrência de lesão gravíssima. 
Já no que diz respeito à automutilação andou bem o legislador ao explicitar 
que o agente deve responder pela lesão corporal gravíssima. 
No entanto, não vemos sentido em não ter previsto a punição pela lesão 
corporal grave, pois, como já acentuado, aquele que induz, instiga ou auxilia incapaz a 
automutilar-se, pratica, em verdade, o crime de lesão corporal (de qualquer natureza) e 
não mera participação em automutilação alheia. 
E esta observação nos remete à outra crítica. 
No caso de vítima incapaz o agente responde por lesão corporal 
independentemente da gravidade do resultado (leve, grave ou gravíssimo) ou mesmo no 
caso de resultado algum, quando então será responsabilizado pela tentativa. 
Ocorre que a lesão corporal leve tem pena menor (detenção, de três meses a 
um ano) do que a automutilação simples (reclusão, de seis meses a dois anos). 
Então a situação fica mais ou menos assim: 
Quando o agente induz, instiga ou auxilia maior e capaz a automutilar-se, e 
dessa conduta resulta lesão leve ou não resulta resultado algum, será punido com pena 
de reclusão de seis meses a dois anos, já que se trata de delito formal. Se o agente, 
diretamente, praticar lesão corporal leve contra a vítima responde pela pena de detenção 
de três meses a um ano. 
Por outro lado, ao induzir, instigar ou auxiliar menor ou incapaz, por outra 
circunstância, a automutilar-se, e dessa conduta resulta lesão leve ou não resulta 
resultado algum, será punido com pena detenção de três meses a um ano, já que o crime 
em comento será o de lesão corporal e não o de participação à automutilação. 
Enfim, uma balbúrdia jurídica total. 
 
§ 7º Se o crime de que trata o § 2º deste artigo é cometido contra menor de 14 
(quatorze) anos ou contra quem não tem o necessário discernimento para a 
 
 
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prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência, 
responde o agente pelo crime de homicídio, nos termos do art. 121 deste Código. 
Este dispositivo também merece críticas por confundir as condutas de 
autoextermínio e automutilação perpetradas em face de quem não possua capacidade de 
discernimento e autodeterminação. 
O § 7º, tipo remetido que é, faz referência ao § 2º do art. 122, que prevê o 
resultado morte para o caso suicídio e de automutilação. 
Pois bem, quando o agente induz, instiga ou presta auxílio ao suicídio de 
terceiro e esta pessoa é menor de quatorze anos ou não tem, por qualquer outra razão, o 
necessário discernimento para o ato, o crime em análise será o de homicídio e não 
participação em suicídio. 
Assim, perfeita a previsão legislativa no sentido de que, neste caso, em se 
consumando o suicídio, deva oautor responder pelo crime de homicídio. 
Todavia, mesmo rigor técnico técnico não foi dispensado à situação 
envolvendo à automutilação. 
Prevê o § 7º que, no caso de participação à automutilação, se ocorrer morte em 
razão da mesma, o agente deva responder pelo crime de homicídio. 
Ora, quem participa de automutilação alheia possui dolo de lesão corporal, 
pois, se se tratasse de animus necandi, o caso seria de participação em suicídio. 
Assim, se em decorrência do seu ato doloso para a lesão corporal decorre 
morte, o correto seria responder por lesão corporal seguida de morte e não por 
homicídio. 
 
Prosseguindo na discussão quanto ao sujeito passivo, devemos ressaltar, 
também, que a vítima deve ser determinada ou, pelo menos determinável, não se 
configurando este crime quando falarmos de pessoas indeterminadas, como pode 
acontecer com um livro ou uma música que, genericamente, incite as pessoas a se 
suicidar ou automutilar-se. 
Face à nova realidade social não poderíamos deixar de lembrar, como o faz 
Rogério Sanches, que ainda que a conduta seja efetivada por meio da internet, somente 
se caracterizará o crime se as vítimas foram determinadas ou determináveis. 
Neste sentido, colacionamos aqui trecho em que referido autor pontua que 
“Ainda que o crime seja cometido por meios eletrônicos, como internet e redes sociais, 
a conduta transmitida deve atingir pessoas determinadas. Caso se trate, por exemplo, 
de uma página dedicada à apologia da automutilação, sem, contudo, se dirigir a 
alguém para indução ou instigação concreta, não se perfaz o crime”. 
 
 
3) Elementos Objetivos do Tipo: 
O crime de participação em suicídio e automutilação é um tipo misto 
alternativo, plurinuclear ou de conteúdo variado, vale dizer, o crime se consuma 
com a prática de qualquer um dos três verbos núcleos do tipo: induzir, instigar ou 
auxiliar. E mais, mesmo a prática de mais de um desses verbos configura crime único. 
Induzir: significar fazer surgir em alguém uma ideia até então inexistente; 
 
 
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Instigar: implica em reforçar uma ideia pré-existente; 
Auxiliar: qualquer contribuição material a fim de que a vítima consume o seu 
intento. 
Nas duas primeiras formas (induzimento e instigação) o que temos são 
espécies de participação moral em que o sujeito ativo influencia a vontade do autor, 
quer provocando para que surja nele a deliberação de cometer o crime (induzimento), 
quer estimulando uma idéia já existente (instigação), mas, em qualquer caso, 
influenciando moralmente na prática do auto-extermínio. 
Já no verbo auxiliar o que temos é uma participação material, ou seja, uma 
contribuição material para que a vítima venha a tirar a própria vida. Esta contribuição 
tanto pode se dar por meio de um comportamento (ensinar a vítima a manusear uma 
arma) quanto por meio de um efetivo auxílio material (emprestar a arma para a 
vítima). 
Antes da redação conferida pela Lei n. 13.968/19, a conduta somente seria 
punida se resultasse em lesão grave ou morte da vítima, havendo, àquela época, a 
discussão se tal circunstância funcionaria como condição objetiva de punibilidade ou 
elemento do tipo. 
Agora, temos a punição pela simples indução, instigação ou auxílio ao suicídio 
ou à automutilação, independentemente de qualquer resultado. 
Assim, em seu tipo fundamental (art. 122, caput), o dispositivo assume nítido 
caráter formal. 
Por outro lado, em seus parágrafos seguintes, passou o art. 122 a prevê formas 
qualificadas, a depender do resultado. 
Vejamos: 
§ 1º Se da automutilação ou da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de 
natureza grave ou gravíssima, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 129 deste 
Código: 
Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos. 
Anteriormente referida circunstância era tida como pressuposto de aplicação 
da pena, passando agora a funcionar como qualificadora. 
Como se pode notar, trata-se de tipo penal remetido, que faz remissão à outro 
dispositivo penal. 
Assim, conforme o § 1º do art. 129, será considerada grave a lesão quando: 
incapacidade para as ocupações habituais por mais de trinta dias; perigo de vida; 
debilidade permanente de membro, sentido ou função; e aceleração de parto. 
Por outro lado, o § 2º tem por gravíssima a lesão em razão da qual decorre: 
incapacidade permanente para o trabalho; enfermidade incurável; perda ou inutilização 
de membro, sentido ou função; deformidade permanente; e aborto. 
 
§ 2º Se o suicídio se consuma ou se da automutilação resulta morte: 
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos. 
Assim como no § 1º, anteriormente referida circunstância era tida como 
pressuposto de aplicação da pena, passando agora a funcionar como qualificadora. 
 
 
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Repise-se, apenas, a crítica quanto à violação da proporcionalidade, pois é 
punido com a mesma pena aquele que participa da morte de outrem tanto a título doloso 
quanto culposo. 
De fato, na conduta de induzir, instigar ou auxiliar alguém a suicidar-se o 
agente tem dolo em relação ao resultado morte. 
Já quanto à automutilação, o seu dolo é apenas de lesão corporal, sendo o 
resultado morte culposo. 
 
 
4) Elementos Subjetivos do Tipo: 
O crime é punido apenas em sua forma dolosa (direta ou eventual), não se 
admitindo a punição por conduta culposa. 
O dolo deve consistir na vontade livre e consciente de provocar o 
resultado previsto no tipo, não se restringido simplesmente à vontade de realizar os 
verbos nucleares do crime. 
Rogério Greco é bastante claro neste sentido ao lecionar que “A conduta do 
agente deve, de alguma forma, exercer influência na vontade da vítima em suicidar-se, 
bem como deverá ser idônea a este fim, não se configurando o delito quando o agente 
atua com animus jocandi, simplesmente com o intuito de com ela brincar”. 
Quanto à conduta culposa é preciso que se esclareça, na brilhante doutrina de 
Cezar Roberto Bitencourt que “Quando o agente, por culpa, leva alguém a suicidar-se, 
tampouco responderá por homicídio culposo, e o fundamento desta premissa é 
irretorquível: se a cooperação voluntária à morte do suicida não constitui homicídio 
doloso, como poderá constituir homicídio culposo a cooperação imprudente ao 
suicídio? Se o mesmo ato não constitui homicídio quando praticado dolosamente, como 
poderá sê-lo quando é praticado culposamente? Normativamente não se confundem os 
atos destinados à causação direta do homicídio e aqueles destinados a levar alguém a 
suicidar-se”. 
 
5) Modalidade comissiva e omissiva: 
Em que pese haver certa divergência sobre o tema, predomina na doutrina o 
entendimento pela possibilidade do crime em estudo na sua forma omissiva. 
Contudo, mesmo para aqueles que acolhem tal posicionamento, somente será 
possível a forma omissiva quando estiver presente o dever de garantidor, e aí, mais 
tecnicamente, deve se falar em crime comissivo por omissão. E mais, apenas a conduta 
nuclear “prestar auxílio” é que admite a forma omissiva. 
Assim, por exemplo, um pai sabedor que sua jovem filha está bastante 
perturbada emocionalmente, com nítidas intenções suicidas, tem a obrigação de agir de 
modo a evitar que chegue ao seu alcance meios de consumar o seu intento. Se não o faz, 
responderá pelo delito em sua na forma omissiva. 
Vale acentuar, como bem lembrado por Luiz Regis Prado, que o suicida deve 
possuir vontade penalmente relevante, pois, caso contrário, restará caracterizado o crime 
de homicídio. Veja-se, ipsis literis, o ponto em que o mesmo aborda referida temática: 
“Se irrelevante a vontade do suicida por não ter discernimento ou maturidade 
suficientes para compreender e assumir plenamente as consequências do ato suicida, o 
 
 
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comportamento omissivo configuraria, em princípio, o delitode homicídio comissivo 
por omissão”. 
 
6) Consumação e tentativa: 
Anteriormente, tendo em conta a redação do dispositivo que previa como 
pressupostos de aplicação da pena o resultado lesão grave ou morte, ensinava-se que o 
crime apenas se consumava com a ocorrência de tais resultados, sendo inadmissível a 
tentativa. 
Havia, é verdade, divergências quanto à natureza jurídica desse resultado: se 
condição objetiva de punibilidade ou elementar integrante do tipo. 
Atualmente, tal questão encontra-se totalmente modificada, restando a 
controvérsia superada. 
O delito em comento consuma-se com o mero ato de induzimento, instigação 
ou auxílio, independentemente de qualquer resultado, o qual, se ocorrer, irá qualificar o 
crime. 
A tentativa é perfeitamente possível, inclusive nas formas de induzimento e 
instigação, como podemos verificar quando a execução se der por forma escrita ou 
mesmo através de difusão em redes sociais. 
 
7) Causas de aumento de pena: 
Conforme o § 3º a pena será duplicada nas seguintes hipóteses: 
- motivo egoístico: caracteriza-se quando o agente sobrepõe seus interesses 
pessoais à própria vida da vítima. Nas palavras de Magalhães Noronha, egoísmo “é o 
excessivo amor ao interesse próprio”. Exemplo: o irmão que induz o outro a se matar 
apenas para ficar com a herança; 
- motivo torpe ou fútil: tais motivações já foram objeto de análise quando do 
estudo do homicídio qualificado, dispensando-se, desta forma, maiores comentários. 
- vítima menor: quando a lei fala em vítima menor ela está se referindo ao 
menor de 18 e maior de 14 anos, pois, no caso de menor de 14 haverá uma presunção de 
sua incapacidade de discernimento, caracterizando, assim, o crime de homicídio ou 
lesão corporal e não de participação em suicídio ou automutilação; 
- vítima que tem diminuída, por qualquer causa, sua capacidade de 
resistência: atenção, a capacidade de resistência deve estar DIMINUÍDA, mas não 
eliminada, pois neste caso também teríamos configurado o crime de homicídio ou lesão 
corporal. 
No § 4º temos uma previsão de aumento de pena até o dobro, quando o crime 
for: 
- praticado por meio da rede de computadores ou de rede social; 
- transmitido em tempo real. 
Por certo que a razão de ser de tal majorante reside na maior potencialidade da 
conduta praticada em tais circunstâncias, que vai atingir um número muito maior de 
pessoas, havendo possibilidade, inclusive, de direcionamento para pessoas ou grupo de 
pessoas mais vulneráveis. 
 
 
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Atente-se para o fato, conforme bem lembrado por Rogério Sanches, de que 
quando o legislador disse “rede de computadores” certamente quis se referir à “rede 
mundial de computadores – (internet)”. 
Por fim, no § 5º temos a pena aumentada em dobro se o agente é líder ou 
coordenador ou administrador de grupo, de comunidade ou de rede virtual, ou por 
estes é responsável (Nova redação conferida pela Lei n. 14.811/2024). 
 
8) Formas Qualificadas: 
Conforme o § 1º a pena será de reclusão de 1 a 3 anos (e não mais de reclusão 
de seis meses a dois anos, como no tipo fundamental) quando da automutilação ou 
tentativa de suicídio decorrer: 
- lesão grave (incapacidade para as ocupações habituais por mais de trinta dias; 
perigo de vida; debilidade permanente de membro, sentido ou função; e aceleração de 
parto); 
- lesão gravíssima (incapacidade permanente para o trabalho; enfermidade 
incurável; perda ou inutilização de membro, sentido ou função; deformidade 
permanente; e aborto). 
Pelo texto do § 1º devemos concluir, então, que quando da automutilação ou 
da tentativa de suicídio resultar lesão leve deve o agente responder pelo tipo 
fundamental (art. 122, caput). 
 
Já o § 2º dispõe que a agente deverá ser punido com reclusão de dois a seis 
anos se o suicídio se consumar ou se em razão da automutilação resultar morte. 
Vale aqui as mesmas críticas feitas anteriormente à este dispositivo, no que 
tange à conduta relacionada à participação em automutilação. 
 
8) Casos especiais: 
1º) Suicídio conjunto ou pacto de morte: vamos imaginar, por exemplo, que 
dois namorados resolvam se matar ao mesmo tempo, por aplicação de injeção letal. 
Nesta hipótese teremos de analisar a conduta de cada um e os possíveis resultados. 
- os dois sobrevivem: ambos responderão pelo artigo 122, desde que 
nenhum deles tenha praticado qualquer ato de execução no outro (aplicar a injeção, 
por exemplo). Se algum deles praticar atos executórios responderá por homicídio 
tentado; 
- apenas um deles sobrevive: teremos também de analisar a conduta do 
sobrevivente: se não praticou nenhum ato executório responde por participação em 
suicídio; se praticou algum ato executório responderá por homicídio. 
 
2º) Testemunhas de Jeová: como se sabe as testemunhas de Jeová não 
admitem a transfusão de sangue. No caso de tal procedimento médico ser 
imprescindível para salvar a vida do paciente teremos as seguintes situações: 
- Se o paciente for maior e capaz e estiver consciente a recusa deverá ser 
entendida como tentativa de suicídio, devendo o médico intervir mesmo sem o 
consentimento, no que estará albergado pelo inciso I, § 3º do art. 146. Caso contrário, 
poderá responder pelo art. 122 (auxiliar) na condição de garantidor. Em resumo: no 
 
 
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caso de paciente maior e capaz o médico deve intervir, sob pena de responder pela 
participação na forma omissiva imprópria. 
- Agora se os pais ou responsáveis, no caso de incapaz ou pessoa 
inconsciente, recusarem-se a autorizar o procedimento, o médico deverá agir pelas 
mesmas razões anteriormente citadas. Em relação à conduta dos pais entende-se que 
estes deverão responder pelo crime de homicídio caso o filho venha a falecer em 
decorrência da ausência do procedimento. 
 
 
 
 
 
INFANTICÍDIO 
 
Art. 123 - Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante 
o parto ou logo após: 
Pena - detenção, de dois a seis anos. 
 
1 – Introdução / Bem Jurídico Tutelado: 
 
O infanticídio é uma espécie de homicídio especial (privilegiado), cuja pena é 
abrandada por conta do estado puerperal que provoca algumas alterações na mulher, 
inclusive, levando-a a tirar a vida do próprio filho. 
O bem jurídico protegido é a vida do nascente ou neonato. 
 
2 – Sujeitos do Crime: 
Quanto ao sujeito ativo trata-se de crime próprio, ou seja, somente a mãe, 
influenciada pelo estado puerperal, é que pode praticar este delito. 
Em relação ao sujeito passivo, somente poderá figurar como vítima deste 
delito o nascente ou neonato. 
- nascente: quando a lei diz “durante o parto” está se referindo ao nascente, ou 
seja, àquele que está nascendo (recém-nascido); 
- neonato: já quando a lei diz “logo após o parto” refere-se à vítima que 
acabou de nascer, chamada de neonato (feto). 
Agravantes do art. 61, II, “e” e “h”: tais dispositivos agravam a pena quando 
o crime for praticado contra descendente ou criança, respectivamente. Logicamente, 
tratando-se de infanticídio não têm aplicação, pois tais circunstâncias já estão sendo 
utilizadas para constituir o próprio crime. Caso contrário, teríamos um caso patente de 
bis in idem. 
 
3 – Elementos Objetivos do Tipo: 
 
 
 
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– Influência do Estado Puerperal (Elemento fisio-psíquico): 
Conceito de estado puerperal: para efeitos penais, devem assim ser 
consideradas as alterações/perturbações físicas e psicológicas que acometem as 
mulheres em decorrência do parto. 
Puerpério, de outro lado, como se nota na própria semântica da palavra, é o 
período após o parto até que os órgãos genitais e o estado geral da mulher voltem à 
situação “normal”, anterior à gestação. 
Obs.: para configuração do crime de infanticídio não basta a simples presença 
doestado puerperal, sendo imprescindível que a mãe atue sob a INFLUÊNCIA. Em 
outras palavras, a mãe deve agir influenciada pelo estado puerperal. 
Psicoses puerperais: o parto pode ocasionar transtornos na mulher de tal 
ordem que lhe suprima inteiramente a capacidade de discernimento e autodeterminação. 
Neste caso, teremos presente uma excludente da culpabilidade, ou seja, a 
inimputabilidade penal, prevista no art. 26, caput do CPB. Por outro lado, se tais 
transtornos não suprimirem totalmente essa capacidade de discernimento e 
determinação, poderá ser o caso de aplicação do art. 26, parágrafo único. 
Segundo Bitencourt o estado puerperal poderá manifestar-se em quatro 
estágios, apresentando, logicamente, consequências distintas em cada um deles. 
Vejamos: 
1º) não produz nenhuma alteração na mulher: neste caso o crime será o de 
homicídio comum; 
2º) apresenta perturbações psicossomáticas (fisiopsicológicas), que são a 
causa da morte do próprio filho: configurar-se-á o infanticídio; 
3º) provoca doença mental, que lhe retira totalmente a capacidade de 
discernimento e autodeterminação: será o caso de inimputabilidade, tal qual prevista no 
art. 26, caput; 
4º) causa perturbação mental, diminuindo-lhe a capacidade de discernimento 
e autodeterminação: será o caso de semi-imputabilidade, prevista no parágrafo único do 
art. 26, reduzindo-lhe a pena de um a dois terços. 
Quanto à esta última hipótese, existe divergência sobre a possibilidade de 
incidência da semi-imputabilidade no crime de infanticídio, posicionando-se a maioria 
pela admissibilidade. 
Ousamos, todavia, discordar de tal raciocínio. 
Não se pode deixar de considerar que o que torna o infanticídio uma espécie 
de homicídio privilegiado é o estado de perturbação fisiopsicológico da mulher, que lhe 
provoca diminuição no entendimento e autodeterminação. Outro não é o aviso deixado 
na própria exposição de motivos, quando, ao explicar o estado puerperal, dispõe “Esta 
cláusula, como é óbvio, não quer significar que o puerpério acarrete sempre uma 
perturbação psíquica: é preciso que fique averiguado ter esta realmente sobrevindo em 
consequência daquele, de modo a diminuir a capacidade de entendimento ou de auto 
inibição da parturiente. Fora daí, não há por que distinguir entre infanticídio e 
homicídio.”. 
Em que pese considerarmos que a influência do estado puerperal e a semi-
imputabilidade não sejam exatamente a mesma coisa, podendo, eventualmente, estarem 
ambas presentes no mesmo contexto fático, não se pode descurar que, ainda quando 
atuando concomitantemente, não terão maior efeito do que reduzir ou diminuir a 
 
 
DIREITO PENAL ESPECIAL III 
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capacidade da vítima, circunstância que, no caso do infanticídio, é tratada de maneira 
especial, inclusive, com pena menor (pelo menos, a pena máxima) do que aquela 
resultante da redução de um a dois terços sobre a pena do homicídio simples. 
Por outro lado, quando for o caso de inimputabilidade penal do art. 26, caput, 
ou de uma psicose puerperal que subtraia da mulher totalmente a capacidade de 
discernimento e autodeterminação, que se equipara à situação anterior, não haverá que 
se falar em crime. 
 
– Durante ou logo após o parto (Elemento temporal): 
Dentre os elementos integrantes do tipo de infanticídio temos mais um de 
natureza normativa (vale dizer, a sua análise demandará valoração do intérprete), qual 
seja, “durante o parto ou logo após”. 
Este elemento normativo relaciona-se, mais especificamente, ao lapso 
temporal dentro do qual poderemos efetivamente falar em infanticídio, pois, definidos 
os marcos iniciais e finais que compreendem a expressão, teremos o aborto, caso a 
morte ocorra antes do seu início, e homicídio, caso a morte se consume após o seu 
término. 
 
a) quando se inicia o parto? 
O parto se inicia com a dilatação do colo do útero, havendo autores (Nucci, 
Bitencourt, Hungria) que o tem por iniciado com o rompimento da membrana 
amniótica, que seria uma fase mais avançada, em que se dá o início da expulsão. 
A definição do momento exato em que se inicia a parto é de essencial 
importância para a configuração do tipo, pois, se a morte ocorrer em momento anterior, 
não há que se falar em INFANTICÍDIO, mas sim em ABORTO, crime que veremos a 
seguir. 
 
b) até onde vai a expressão “logo após o parto”? 
Já em relação a este segundo questionamento a doutrina tem entendido que 
deve ser levada em consideração a duração do estado puerperal, analisando-se cada 
caso concreto especificamente. 
Assim, a expressão “logo após o parto” compreenderia o período de tempo 
em que a autora ainda estivesse agindo sob a influência do estado puerperal. 
André Estefam aduz que “Não há acordo na literatura jurídica ou médica a 
respeito da duração do estado puerperal. De regra, o parâmetro máximo apontado 
costuma ser de sete dias. O ideal, entretanto, é que não haja definição prévia, 
cumprido aos peritos avaliaram se o ato foi ou não praticado sob tal influência”. 
Por outro lado, Rogério Greco entende que a expressão “logo após” deve ser 
compreendida à luz da razoabilidade, ressaltando que a medicina aponta o período de 
seis a oito semanas como de duração do puerpério. Para referido autor seria 
totalmente desarrazoado defender o estado puerperal por um período muito longo, como 
cinco meses, por exemplo. 
Temos ainda posicionamento bastante peculiar de Guilherme de Souza Nucci, 
mas, nem por isso menos interessante, no sentido de que “O correto é presumir o estado 
puerperal quando o delito é cometido imediatamente após o parto, em que pese poder 
 
 
DIREITO PENAL ESPECIAL III 
Professor César Cândido Neves Junior 
 
haver prova em contrário, produzida pela acusação. Após o parto ter se consumado, no 
entanto, a presunção vai desaparecendo e o correr dos dias inverte a situação, 
obrigando a defesa a demonstrar, pelos meios de prova admitidos (perícia ou 
testemunhas) que o puerpério, excepcionalmente, naquela mãe persistiu, levando-a a 
matar o próprio filho”. 
 
4 – Elementos Subjetivos do Tipo: 
O crime é punido apenas a título de dolo, não havendo previsão para a 
modalidade culposa. 
Desse modo, a mãe que, culposamente e sob a influência do estado puerperal, 
matar o próprio filho, durante o parto ou logo após NÃO estará praticando 
INFANTICÍDIO CULPOSO, por falta de previsão legal. 
Mas será que ela, com tal conduta, terá cometido algum outro crime? 
Em relação a este ponto há duas correntes: 
1ª corrente: o fato é atípico: Damásio de Jesus, Cleber Masson, José Frederico 
Marques (aparentemente minoritária); 
2ª corrente: configura-se o homicídio culposo: Nelson Hungria, Bitencourt, 
Capez, Mirabete, Greco, etc. 
Em minha humilde opinião trata-se, efetivamente, de uma conduta atípica. 
Senão vejamos: 
O crime de infanticídio é uma figura autônoma, ou seja, um crime próprio, 
com um tipo penal próprio (art. 123). 
Partindo desta premissa devemos lembrar ainda que todos os crimes, a 
princípio, são construídos para serem punidos apenas quando praticados dolosamente, 
constituindo a punição da modalidade culposa em situação excepcional (princípio da 
excepcionalidade do crime culposo). 
Assim, se o legislador, ciente de tais premissas, silenciou-se em relação à 
punição do infanticídio culposo é porque, efetivamente, não o queria ver punido. 
Considerar uma situação de infanticídio decorrente de conduta culposa como 
homicídio culposo (reparem que são condutas absolutamente distintas) e fazer analogia 
em prejuízo da parte, o que é vedado pelo Direito Penal. 
E não podemos, por mais que o bem jurídico vida seja relevante (em verdade, 
o mais relevante de todos), tornar típica uma conduta que o legislador tratou, com uma 
omissão intencional, como atípica. 
Por fim, pontuou-se ainda que, a adotar tal entendimento, teríamos uma 
patente violação ao princípio da proporcionalidade, já quena relação homicídio 
doloso/culposo temos as seguintes penas: 6 a 20/1 a 3; enquanto que na relação 
infaticídio doloso/culposo temos penas de: 2 a 6/1 a 3. 
 
5 – Consumação e Tentativa: 
Em se tratando de crime material, consuma-se com a ocorrência do resultado 
previsto no tipo, qual seja, a morte do nascente ou neonato. 
Quanto a tentativa, perfeitamente admissível, uma vez que se trata de crime 
plurissubsistente. 
 
 
DIREITO PENAL ESPECIAL III 
Professor César Cândido Neves Junior 
 
 
6 – Erro Sobre a Pessoa (art. 20, § 3º): 
Imaginem a situação da mãe que logo após o parto, influenciada pelo estado 
puerperal, se dirija até o berçário objetivando matar o próprio filho, vindo, contudo, a 
matar o filho de uma colega. Porque qual crime responderá? 
Neste caso, tratando-se de erro sobre a pessoa, conforme previsão do art. 20, § 
3º, não se consideram as condições ou qualidades pessoais da vítima, mas sim as 
daquela que autora efetivamente objetiva atingir. 
Logo, nesta hipótese, mesmo não tendo matado o seu filho, a mãe responderá 
pelo crime de infanticídio. 
 
7 – Concurso de Pessoas: 
Temática bastante interessante no estudo do crime de infanticídio diz respeito 
ao concurso de pessoas, ou seja, situação em que teremos a concorrência 
(envolvimento) de várias pessoas em um único delito. 
E aí devemos, desde logo, estabelecer uma premissa indispensável para o 
prosseguimento na análise desta questão: o conhecimento por parte do coautor ou 
partícipe das circunstancias que caracterizarão o infanticídio. A ausência de tal 
pressuposto subjetivo fará com que a conduta do concorrente se amolde ao tipo de 
homicídio. 
Partindo então deste pressuposto a doutrina costuma abordar a problemática 
sob três perspectivas distintas: 
1ª) A parturiente e o terceiro executam a conduta núcleo do tipo (matar): 
ambos responderão por infanticídio, em atenção ao art. 30 do CP que, a contrario sensu, 
diz que as elementares do crime, ainda que de natureza subjetiva (pessoal), comunicam-
se a todos os agentes. A mãe e o terceiro responderão como coautores. 
Importa aqui fazer a seguinte distinção: 
- elementares: são todos os dados que, uma vez agregados à conduta, alteram 
a própria configuração típica. Assim, os elementos “próprio filho”, “durante ou logo 
após o parto” e “sob influência do estado puerperal”, quando somados à conduta 
homicida, fazem com que o fato deixe de ser considerado homicídio, para configurar 
infanticídio; 
- circunstancias: são dados secundários que não interferem na configuração 
típica do delito, influenciando tão somente o quantitativo de pena, seja para aumentá-la 
ou diminuí-la. 
 
2ª) Somente a parturiente executa a conduta núcleo do tipo (matar), o que 
faz com a participação do terceiro: neste caso ambos também responderão por 
infanticídio, com a diferença de que agora a mãe responde como autora e o terceiro 
como partícipe. 
 
3ª) O terceiro executa a conduta núcleo do tipo, auxiliado pela mãe: neste 
ponto, bastante complexo, há uma certa divergência doutrinária. 
 
 
DIREITO PENAL ESPECIAL III 
Professor César Cândido Neves Junior 
 
Cezar Roberto Bitencourt aduz que o terceiro deve responder pelo crime de homicídio, 
sendo que a mãe, partícipe, deve responder pelo infanticídio, devendo ser aplicado o § 
2º do art. 29 (a fim de se justificar a exceção à teoria monista), segundo o qual quando 
um dos concorrentes quis participar de crime menos grave, deve lhe ser aplicada a pena 
deste. Assim, embora o crime principal seja realmente o homicídio, a mãe, dadas as suas 
circunstâncias pessoais teria querido participar de crime menos grave, o infanticídio. 
De outro lado temos a posição defendida por Damásio e Greco, os quais, 
embora admitam que o terceiro efetivamente tenha praticado um homicídio, defendem 
que no caso não se pode admitir tal solução, pois senão estaríamos diante de uma 
grande incongruência: a mãe quando apenas auxiliasse o terceiro, responderia pelo 
homicídio (delito principal); quando ela mesma matasse o próprio filho responderia por 
infanticídio. Assim, objetivando-se evitar tal incongruência, entende-se que ambos 
devem responder por infanticídio. 
Critica-se tal solução jurídica, uma vez que o terceiro matará alguém sem estar 
influenciado pelo estado puerperal e responderá por infanticídio. Contudo, para os 
autores supra, esta é a solução mais acertada. De lege ferenda, pode-se incluir tal 
conduta como um parágrafo do art. 121, prevendo-se uma pena diminuída, fato que 
possibilitaria a punição do terceiro por homicídio, uma vez que tais dados (“próprio 
filho”, “durante ou logo após o parto” e “influência do estado puerperal”) deixariam de 
ser elementares, passando a ser “meras circunstancias”. 
Atenção: embora tenhamos citado divergência doutrinária apenas neste último 
caso, fato é que existe uma pequena divergência doutrinária sobre a correta qualificação 
da conduta do terceiro interveniente, em qualquer das hipóteses acima elencadas. 
Para alguns autores mais antigos, como Claudio Heleno Fragoso, as condições 
pessoais da mãe que caracterizam o crime de infanticídio seriam elementares 
personalíssimas, razão pela qual não deveriam se comunicar a todos os coautores. 
 
 
 
 
 
 
 
 
ABORTO 
 
Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento 
Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho 
provoque: (Vide ADPF 54) 
Pena - detenção, de um a três anos. 
Aborto provocado por terceiro 
Art. 125 - Provocar aborto, sem o consentimento da gestante: 
Pena - reclusão, de três a dez anos. 
http://www.stf.jus.br/portal/peticaoInicial/verPeticaoInicial.asp?base=ADPF&s1=54&processo=54
 
 
DIREITO PENAL ESPECIAL III 
Professor César Cândido Neves Junior 
 
Art. 126 - Provocar aborto com o consentimento da gestante: (Vide ADPF 54) 
Pena - reclusão, de um a quatro anos. 
Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, se a gestante não é 
maior de quatorze anos, ou é alienada ou débil mental, ou se o consentimento é 
obtido mediante fraude, grave ameaça ou violência. 
Forma qualificada 
Art. 127 - As penas cominadas nos dois artigos anteriores são aumentadas de 
um terço, se, em consequência do aborto ou dos meios empregados para 
provocá-lo, a gestante sofre lesão corporal de natureza grave; e são duplicadas, 
se, por qualquer dessas causas, lhe sobrevém a morte. 
Art. 128 - Não se pune o aborto praticado por médico: (Vide ADPF 54) 
Aborto necessário 
I - se não há outro meio de salvar a vida da gestante; 
Aborto no caso de gravidez resultante de estupro 
II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento 
da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal. 
 
1 – Introdução / Bem Jurídico: 
O crime de aborto sempre foi muito debatido em nossa sociedade, envolvendo 
os mais variados segmentos sociais, para além da classe jurídica, como a Igreja e a 
classe médica. 
Atualmente, com recente posicionamento do STF, assim como projeto de 
reforma do Código Penal, o tema tende a ganhar ainda mais relevância. 
De fato, no HC 124306 a 1ª turma do STF, em 29 de novembro de 2016, 
julgou inconstitucional a criminalização do aborto nos três primeiros meses da 
gravidez (Veja-se a íntegra do voto do relator no seguinte endereço eletrônico: 
http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/HC124306LRB.pdf), sob o 
argumento de que tal criminalização violaria direitos fundamentais da mulher, a 
saber: a autodeterminação, a integridade física e psíquica, a liberdade sexual e 
reprodutiva, a igualdade de gênero e a igualdade de classes. 
Registre-se que em referido voto vista o relator pontua que boa parte dos 
países democráticos descriminalizou o aborto no primeiro trimestre da gravidez, sendo 
que nestes a taxa é menor do naqueles que o tipificam penalmente (34 contra 37 abortos, 
por cada mil mulheres). 
Atenção: referido julgamento do STF tem efeitoapenas inter partes, e não 
representa o entendimento de todo o Tribunal, mas somente o da 1ª Turma, que, 
inclusive, não foi unânime. Todavia, não se pode desconsiderar que o mesmo servirá de 
precedente para casos semelhantes. 
De outro giro, o Projeto de Lei 236/2012 do Senado Federal, ao tratar no art. 
128 das causas de exclusão do crime, trouxe as seguintes modificações; 
Art. 128. Não há crime de aborto: 
I – se houver risco à vida ou à saúde da gestante; 
http://www.stf.jus.br/portal/peticaoInicial/verPeticaoInicial.asp?base=ADPF&s1=54&processo=54
http://www.stf.jus.br/portal/peticaoInicial/verPeticaoInicial.asp?base=ADPF&s1=54&processo=54
http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/HC124306LRB.pdf
 
 
DIREITO PENAL ESPECIAL III 
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II – se a gravidez resulta de violação da dignidade sexual, ou do emprego não 
consentido de técnica de reprodução assistida; 
III – se comprovada a anencefalia ou quando o feto padecer de graves e 
incuráveis anomalias que inviabilizem a vida extrauterina, em ambos os casos 
atestado por dois médicos; ou 
IV – se por vontade da gestante, até a décima segunda semana da gestação, 
quando o médico ou psicólogo constatar que a mulher não apresenta condições 
psicológicas de arcar com a maternidade. 
Parágrafo único. Nos casos dos incisos II e III e da segunda parte do inciso I 
deste artigo, o aborto deve ser precedido de consentimento da gestante, ou, 
quando menor, incapaz ou impossibilitada de consentir, de seu representante 
legal, do cônjuge ou de seu companheiro. 
Conceito: a doutrina traz os mais variados conceitos a fim de se definir o 
aborto do ponto de vista jurídico-penal. Preferimos aqui o conceito que nos é fornecido 
por Frederico Marques, dada sua simplicidade e abrangência: “o aborto é a 
interrupção voluntária da gravidez, com a morte do produto da concepção”. 
A este conceito acrescentamos outros elementos de modo a torná-lo um pouco 
mais completo: “aborto é a interrupção voluntária e ilícita da gravidez, com a 
morte do produto da concepção, haja ou não expulsão do ventre materno, 
qualquer que seja o seu estágio evolutivo, desde a nidação até o início do parto”. 
Obs. 1: Podemos dividir a vida do produto da concepção em três estágios 
distintos: 
- óvulo: até os dois meses; 
- embrião: dos dois aos quatro meses; 
- feto: a partir do quarto mês. 
Obs. 2: O crime de aborto é uma exceção à teoria monista ou unitária, 
adotada pelo Código Penal no art. 29, segundo o qual aquele que de qualquer modo 
concorrer para o crime incidirá nas penas a este cominadas. Assim, tanto o autor, 
coautor ou partícipe, pela teoria monista, devem responder pelo mesmo crime, fato que 
não ocorre no aborto. Além da teoria monista, temos ainda outras duas teorias 
relacionadas ao concurso de pessoas: 
- teoria dualista: há duas categorias de crimes: uma para os autores e outra 
para os partícipes; 
- teoria pluralística: haverá tantos crimes quanto forem os seus concorrentes 
(autores e partícipes). 
Notem, ainda quanto à exceção à teoria monista, que temos três diferentes 
tipos penais tratando do crime de aborto: 
Art. 124: auto aborto ou consentimento para o aborto: pune a conduta da 
gestante que pratica aborto em si mesma ou que dá o consentimento para que terceiro o 
faça; 
Art. 125: aborto praticado por terceiro sem o consentimento da gestante: pune 
a conduta daquele que pratica o aborto sem o consentimento da gestante; 
Art. 126: aborto praticado por terceiro com o consentimento da gestante: pune 
a conduta de quem pratica o aborto na gestante, com o consentimento desta. 
 
 
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Vejam que no caso de uma gestante consentir que terceiro realize aborto nela 
teríamos, a princípio, uma única conduta (único crime), já que os comportamentos 
distintos da gestante e do terceiro estariam vinculados subjetivamente. 
Contudo, o legislador houve por bem seccionar as condutas, alocando-as cada 
uma em tipo penal distinto, excepcionando, dessa forma, a teoria unitária. 
 
O bem jurídico protegido no crime de aborto poderá variar de acordo com a 
espécie do crime. 
Assim, no aborto provocado pela gestante ou no consentimento para prática de 
aborto, o bem jurídico tutelado é a vida do feto ou ser vivo em formação. 
Já no aborto provocado por terceiro, com ou sem consentimento da gestante, 
teremos com bem jurídico principal a vida do feto, e, secundariamente, a integridade 
física da gestante, no caso de aborto sem o seu consentimento, ou mesmo com 
consentimento quando resultar lesões corporais graves ou morte. 
 
2 – Sujeitos do Crime: 
Para identificarmos o sujeito ativo e o sujeito passivo no crime de aborto, 
necessário se faz uma análise específica de cada um dos dispositivos em espécie: 
 
1º) Art. 124: o sujeito ativo neste crime é própria gestante e o sujeito passivo 
o produto da concepção. 
Atenção: temos aqui um crime de mão própria, ou seja, apenas a gestante 
pode ser autora deste delito, não se admitindo a coautoria, mas tão somente a 
participação. 
Observação: Rogério Sanches entende que se trata de crime próprio. 
 
2º) Art. 125: qualquer terceiro pode ser sujeito ativo neste delito, não se 
exigindo nenhuma qualidade especial do agente. O sujeito passivo será em primeiro 
lugar o produto da concepção e, secundariamente, a gestante. 
 
3º) Art. 126: aqui também qualquer terceiro pode ser sujeito ativo. Quanto ao 
sujeito passivo inicialmente apenas o produto da concepção poderá sê-lo. Contudo, no 
caso de o crime ter sua pena aumentada pela ocorrência de lesão grave ou morte da 
gestante, como previsto no art. 127, aí sim esta poderá, secundariamente, figurar como 
vítima, uma vez que o seu consentimento nenhum valor terá sobre os bens jurídicos 
protegidos no caso da lesão grave ou morte da gestante. 
 
Obs. Sujeito passivo gêmeos: se o autor conhecia tal situação e, mesmo 
assim, assentiu com o resulto morte de ambos os frutos da concepção, deverá responder 
por dois crimes de aborto em concurso formal impróprio (desígnios autônomos). 
 
3 – Elementos Objetivos do Tipo: 
 
 
 
DIREITO PENAL ESPECIAL III 
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Início e término da proteção pelo tipo penal: 
O que indagamos aqui é: 
- a partir de quando poderemos ter configurado o crime de aborto? 
- até que momento poderemos falar em aborto (e não em homicídio ou 
infanticídio)? 
Quanto à primeira questão devemos assentar que a vida humana, 
biologicamente falando, tem início com a fecundação do óvulo materno pelo 
espermatozoide. Contudo, este não é o momento a ser considerado para fins de 
proteção penal. Apenas a partir da nidação, ou seja, após a implantação do óvulo 
fecundado no útero materno é que poderemos falar em aborto. A nidação ocorre 
cerca de 14 dias após a fecundação. (Rogério Sanches) 
A utilização da pílula do dia seguinte e do DIU configuram crime de aborto? 
Não, pois ambos os métodos agem em momento anterior à NIDAÇÃO, que, 
como vimos, é o termo inicial para a proteção da vida no delito de aborto. 
Atenção: Para Capez a proteção do crime de aborto inicia-se com a 
fecundação do óvulo materno pelo espermatozoide, entendendo, por conseguinte, que 
no caso da pílula do dia seguinte e do DIU não teremos configurado o crime em razão 
da presença de uma excludente de ilicitude, qual seja, o exercício regular de um direito, 
uma vez que tanto o DIU quanto a pílula do dia seguinte encontram-se com o uso 
autorizado pela legislação brasileira. Para referido autor poderíamos também nestes dois 
exemplos trabalhar com a teoria da imputação objetiva (se a conduta está permitida por 
uma norma não pode estar proibida por outra) ou com a teoria da adequação social (tais 
condutas encontram ampla aceitação na sociedade), o que excluiria a própria tipicidade. 
Em sentido similar temos também o posicionamento de CleberMasson. 
Obs. Biologicamente é possível a gravidez fora do útero, também chamada de 
gravidez ectópica. Nestes casos não há que se falar em crime de aborto, se houver 
interrupção desta gravidez, pois, juridicamente falando, apenas a interrupção da 
gravidez uterina configura o crime de aborto. 
Prosseguindo, quanto ao segundo questionamento, ou seja, “até que momento 
poderemos ter configurado o crime de aborto?”, devemos nos lembrar do que já dito 
em aulas anteriores. Assim, como visto, o parto se inicia com a dilatação do colo do 
útero ou com o rompimento da membrana amniótica, sendo que somente até o início do 
parto é que teremos configurado o delito de aborto. A partir daí a supressão da vida 
poderá configurar infanticídio ou homicídio, a depender do caso concreto, mas não 
crime de aborto. 
 
Espécies de aborto: 
Além das formas legais de aborto previstas nos art. 124, 125 e 126, a doutrina 
costuma citar, ainda, as seguintes espécies de aborto: 
- natural ou espontâneo; 
- acidental; 
- criminoso; 
- legal; 
- honoris causa; 
- econômico ou miserável; 
 
 
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- eugênico ou eugenésico. 
4 – Elementos Subjetivos do Tipo: 
É o dolo, direto ou eventual. 
No caso do dolo eventual podemos exemplificar com a conduta daquele que 
agride mulher sabidamente grávida, desferindo chutes em sua barriga, assumindo o 
risco de produzir o resultado aborto. 
Neste caso, consoante doutrina de Rogério Greco, como havia dolo direto para 
as lesões e dolo eventual para o aborto, o agente deverá responder pelos dois delitos, em 
concurso formal impróprio (desígnios autônomos). 
Não há previsão de aborto culposo, o que não quer dizer que, na vida 
prática, tal evento não possa ocorrer. 
E aí não poderíamos deixar de fazer a seguinte pergunta: 
Qual o tratamento jurídico dispensado pelo Direito Penal no caso de um 
aborto culposo? 
A resposta completa à esta questão depende da análise de dois pontos: qual o 
sujeito ativo e se existe ou não dolo de lesão corporal. 
Pois bem, sendo a gestante a responsável pelo aborto culposo não haverá 
crime algum, considerando-se o fato atípico. Ex: gestante grávida que pratica esporte 
sem a devida cautela quanto ao seu estado, vindo a provocar, culposamente, a expulsão 
do feto. 
Já em se tratando de terceiro, alguma responsabilidade penal lhe deve ser 
atribuída, ainda que, como já vimos, não responderá pelo aborto culposo, diante da 
inexistência de tal tipo penal. 
Se não possuía dolo de lesão corporal, deverá responder por lesão corporal 
culposa. Ex: terceiro passeia em sua bicicleta distraidamente, quando atropela uma 
gestante, causando-lhe o aborto. 
Por outro lado, se queria lesionar a gestante, mas não tinha dolo de 
abortamento (aborto culposo), deverá responder por lesão corporal gravíssima (art. 
129, § 2º, V). Ex: marido, durante uma briga, desfere um soco leve no rosto da esposa, a 
qual se desequilibra e cai, ocorrendo o aborto. 
Atenção: quanto à esta última hipótese devemos ficar atentos quanto à exata 
conduta do terceiro pois, a depender do caso, poderemos ter o concurso de crimes 
(concurso formal impróprio) de lesão corporal com o aborto. Isto ocorrerá sempre que, 
além do dolo da lesão corporal, tivermos presente o dolo eventual para o aborto. É 
justamente a situação tratada no exemplo do dolo eventual, no início deste tópico. 
 
5 – Consumação e tentativa: 
Sendo crime material, consuma-se com a morte do feto ou embrião, pouco 
importando se a morte ocorra no ventre materno ou fora dele. É irrelevante, ainda, que 
ocorra a expulsão do feto. É indispensável comprovar que o feto ou embrião, isto é, 
o produto da concepção, estava vivo quando a manobra abortiva foi praticada e 
que esta foi a causa de sua morte. 
Obs. Para fins de caracterização do crime de aborto não é necessário que o 
feto seja viável, desde, é claro, que seja intrauterino. 
 
 
DIREITO PENAL ESPECIAL III 
Professor César Cândido Neves Junior 
 
A tentativa é perfeitamente admissível, uma vez que a conduta pode ser 
fracionada em diversos atos. 
Devemos ainda nos atentar para o seguinte: 
Se, após expelido, o feto morrer em decorrência de manobras abortivas, 
teremos crime consumado; se o feto falecer em decorrência de outras razões, teremos 
aborto tentado, assim como também se o feto, não obstante as manobras abortivas, não 
vier a falecer. 
E se após as manobras abortivas, nascendo o feto com vida, vier o agente a 
matá-lo. Por qual (is) crime (s) responderá? 
Neste caso teremos o crime de homicídio ou infanticídio, caso estejam 
presentes as elementares deste último delito, ficando a tentativa de aborto absorvida. 
Obs. Alguns autores, como Cezar Roberto Bitencourt, por exemplo, defendem 
a impunibilidade da tentativa de autoaborto, na medida em que tal postura incentivaria a 
gestante a não prosseguir em seu objetivo de consumar o crime. Ademais, para referido 
autor “a tentativa de autoaborto está mais para desistência voluntária ou 
arrependimento eficaz do que propriamente para tentativa punível (...)”. 
 
6 – Causas de aumento de pena: 
Embora o Código Penal se valha do termo “forma qualificada”, o que temos 
no art. 127 são verdadeiras causas de aumento, que devem ser observadas na 3ª fase de 
aplicação da pena. 
Este dispositivo prevê que a pena será aumentada em um terço se, em razão do 
aborto ou dos meios empregados para provocá-lo, sobrevier lesão corporal à vítima, 
sendo duplicada no caso de lhe sobrevir a morte. 
E aí devemos fazer duas observações: 
1ª) Estas causas de aumento não se aplicam ao aborto provocado pela 
gestante (art. 124), isto porque o direito penal brasileiro não pune a autolesão. Além 
disso, o próprio artigo 127 aduz “As penas cominadas nos dois artigos anteriores...”, 
excluindo, expressamente, o art. 124; 
2ª) Tais resultados (lesão grave e morte) devem ser culposos, pois temos 
nesta hipótese um crime preterdoloso. Se o agente, desde o início, queria algum 
desses resultados, buscando consumá-los através do aborto, responderá pelos dois 
delitos (aborto + lesão grave ou aborto + morte) em concurso formal impróprio 
(desígnios autônomos). 
 
Por qual(is) crime(s) responde o agente que participa do crime previsto no 
art. 124 (auto aborto ou consentimento para o aborto), sobrevindo lesão grave ou 
morte à gestante? 
Considerando que as majorantes não incidem sobre a conduta da gestante que 
presta o consentimento ou que provoca aborto em si própria, também não incidirão 
sobre a conduta do partícipe, até por conta da teoria unitária ou monista, adotada no art. 
29. 
Em que pese alguns autores sequer abordarem esta questão (Bitencourt) e 
outros o fazerem de modo superficial (Greco e Sanches), entendemos que merece um 
maior aprofundamento. 
 
 
DIREITO PENAL ESPECIAL III 
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Os dois últimos autores citados se restringem a noticiar a inaplicabilidade da 
majorante ao partícipe do art. 124, nada dizendo, todavia, como ficaria a punibilidade 
do resultado morte ou lesão grave. 
Capez, ao contrário, debruça-se um pouco mais sobre a temática, pontuando 
que o partícipe deve responder pelo art. 124 em concurso formal com o homicídio 
culposo ou lesão corporal culposa. 
Este também é o posicionamento de Guilherme de Souza Nucci e Cleber 
Masson. 
 
No caso de a gestante vier a morrer, sobrevivendo o feto, qual crime 
teremos? Aborto qualificado consumado ou tentado? 
Fernando Capez entende que neste caso deve se considerar o aborto 
consumado, independente da sobrevida do feto, em raciocínio similar ao que a 
jurisprudência faz para o crime de latrocínio. 
Por outro lado, contudo, vários autores a exemplo de Mirabete, José Frederico 
Marques, Nelson Hungria, Rogério Greco entendem que será o caso de aborto 
qualificado tentado, excepcionando-se, desse modo, a regra geral que não admite 
tentativaem crimes preterdolosos. 
 
7 – Aborto Permitido: 
 
O art. 128 do Código Penal prevê duas hipóteses em que se permitirá a 
realização do aborto por médico: 
1ª) Aborto necessário, terapêutico ou profilático: quando não houver outro 
modo de salvar a vida da gestante: 
2ª) Aborto sentimental, humanitário ou ético: quando a gravidez resultar de 
estupro e houver consentimento da gestante ou de seu representante legal, no caso de 
incapaz. 
 
Qual a natureza jurídica desta autorização legal? 
A maioria da doutrina entende que, nestes casos, teremos uma excludente 
especial de ilicitude, não se descartando a possibilidade das tradicionais excludentes de 
ilicitude e de culpabilidade, a depender dos demais elementos do caso concreto. 
Especificamente quanto ao inciso I a doutrina é uníssona em dizer que se trata 
de estado de necessidade, chegando alguns a pontuar que seria dispensável tal previsão, 
diante do disposto no art. 24 do Código Penal. Fernando Capez, inclusive, aduz que o 
que distingue a causa especial de exclusão de ilicitude do art. 128, I para aquela prevista 
no art. 24 é que nesta exige-se um perigo atual, o que se dispensa naquela. 
Atenção: embora haja divergência quanto ao tema, ressalve-se que para 
Fernando Capez é desnecessária a concordância da gestante no caso acima, podendo, 
inclusive, o médico atuar contra sua vontade expressa. 
Por outro lado, cite-se doutrinadores como Rogério Greco, para o qual no caso 
do art. 128, II, estará presente uma excludente de culpabilidade: a inexigibilidade de 
conduta diversa, na medida em que não se pode exigir da gestante que leve à frente 
uma gravidez que resultou de uma violência sexual. 
 
 
DIREITO PENAL ESPECIAL III 
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Para referido autor não se pode tratar tal hipótese como excludente de ilicitude, 
uma vez que a mesma não se enquadra em nenhuma das hipóteses previstas pelo 
Código Penal (Legítima Defesa, Estado de Necessidade, Estrito Cumprimento do Dever 
Legar e Exercício Regular de Direito). 
Obs. 1: Embora a causa especial de exclusão de pena exija a figura do médico, 
nada obsta que outras pessoas, como uma enfermeira, por exemplo, tenha sua conduta 
justificada. Mas nesse caso não estaremos tratando da causa especial, e sim daquelas 
comuns, como ocorre no inciso I, que pode restar configurado o estado de necessidade, 
e com o inciso II, em que a conduta do autor poder estar albergada pela excludente de 
culpabilidade da inexigibilidade de conduta diversa, a depender das circunstâncias do 
caso concreto. 
Obs. 2: Havendo divergência no consentimento dado pela representante legal 
da menor incapaz e na vontade desta, entende Greco que deverá prevalecer a opção pela 
vida. 
Obs. 3: O aborto sentimental também é permitido no caso de gravidez 
resultante de estupro de vulnerável. 
Obs. 4: No caso de aborto humanitário ou sentimental não se exige prévia 
autorização judicial ou mesmo processo judicial em curso. O que o médico precisar ter é 
convicção sobre a ocorrência do estupro, entendendo a jurisprudência do STF que seria 
necessário, ao menos, o boletim de ocorrência. 
 
11 – Casos especiais: 
 
- Aborto eugenésico, eugênico ou piedoso: é aquele realizado quando o feto 
possui alguma deformidade ou enfermidade incurável. Não é admitido pela nossa 
legislação. A vida intrauterina, perfeita ou não, deve ser protegida, não somente em 
razão das disposições penais, mas também, e principalmente, pela ampla proteção do 
direito à vida, albergada na Constituição Federal. Contudo, no caso de haver prova 
irrefutável de que o feto não terá qualquer condição de sobrevida, o STJ já decidiu que 
não se configurará o crime de aborto; 
- Aborto de anencéfalos: o STF, na ADPF nº 54, proposta pela Confederação 
Nacional dos Trabalhadores na Saúde, julgou a inconstitucionalidade da interpretação 
que entendia por configurados os tipos do art. 124, 125 e 125 no caso de aborto de 
anencéfalos. 
Tem se entendido que nestes casos não há que se falar nem mesmo em bem 
jurídico a ser protegido, uma vez que a atividade cerebral é imprescindível ao conceito 
de vida. A Lei n. 9.434/97, em seu art. 3º, permite a retirada post mortem de tecidos e 
órgãos do corpo humano, uma vez comprovada a morte encefálica, ou seja, sem 
atividade cerebral, para o Direito brasileiro, não há mais vida a ser protegida. 
 
- Aborto social ou econômico: ocorre quando o nascimento do filho implica 
em um dispêndio financeiro que a família, dada sua miserabilidade, não tem condições 
de arcar. Totalmente inadmissível pelo Direito brasileiro.assassinato para classificar os homicídios mais graves, normalmente punidos com a 
pena de morte. 
Contudo, há quem entenda que, mesmo em lugares em que não há tal distinção 
legal, importa diferenciar os termos, enquadrando-se como assassinato quando não 
houver qualquer relação entre vítima e autor, e, por outro lado, homicídio, o contexto 
fático em que houver uma ligação entre os agentes, relacionada à algum tipo de disputa. 
 
1.2) Homicídio simples (art. 121, caput): 
 
Art. 121. Matar alguém: 
Pena – reclusão, de seis a vinte anos. 
 
1.2.1) Bem jurídico protegido: 
Bem jurídico é o interesse que a norma penal incriminadora busca proteger, 
resguardar. No caso em estudo, o bem jurídico protegido é a vida. 
Ressalve-se que estamos falando da vida extrauterina, pois, tratando-se de 
vida intrauterina, a tipificação já migra para o crime de aborto. 
Atenção: não se deve confundir bem jurídico com objeto material do crime. 
Bem jurídico, como já dito, é o interesse, o valor que a norma busca proteger. 
Objeto material do crime é a pessoa ou a coisa sobre a qual recai a conduta delituosa. 
Assim, no crime de homicídio o bem jurídico é a vida e o objeto material o corpo da 
pessoa; no crime de furto o bem jurídico é o patrimônio e o objeto material a coisa 
alheia móvel. 
 
1.2.2) Sujeitos do crime: 
Sendo crime comum, pode ser praticado por qualquer pessoa, dispensando 
qualidade ou condição especial do agente (sujeito ativo). 
Trata-se também de crime monossubjetivo, isto é, um crime que não exige 
pluralidade de agentes, podendo ser praticado por apenas uma pessoa. Não há 
necessidade da concorrência de duas ou mais pessoas para a configuração do crime, não 
muito embora isso possa ocorrer, quando então teremos o chamado concurso de 
agentes. 
 
 
DIREITO PENAL ESPECIAL III 
Professor César Cândido Neves Junior 
 
Ressalve-se, apenas, que o § 6º do art. 121 prevê um tipo de homicídio 
específico que requer qualidade especial do agente: grupo de extermínio ou milícia 
privada. 
Rogério Greco aborda a hipótese, bastante excepcional, de homicídio 
praticado por irmãos xifópagos ou siameses. Imagine que João e Paulo sejam irmãos 
xifópagos, sendo que João mate alguém. Vamos imaginar também que a separação 
cirúrgica seja impraticável. 
Prevalece na doutrina que ambos deverão permanecer em liberdade, pois um 
dos irmãos não poderá ser punido injustamente pelo comportamento do outro. Entre 
punir um inocente e absolver um culpado, o Direito Penal sempre tenderá para esta 
última opção. 
Quanto ao sujeito passivo, regra geral este crime não exige nenhuma 
qualidade especial da vítima. 
Há, contudo, algumas situações especiais: 
Vítima irmãos xifópagos: utilizando-nos ainda do exemplo de Greco sobre os 
irmãos siameses João e Paulo, imagine que alguém queira matar João, mas, 
consequentemente, acabará também matando Paulo. Com relação à João tem-se o 
chamado dolo de 1º grau;já no que diz respeito à Paulo o que se configura é o dolo de 2º 
grau. No caso o autor vai responder por dois homicídios dolosos em concurso formal 
impróprio (desígnios autônomos). 
Vítima índio não integrado: Aí teremos que observar o art. 59 da Lei 
6.001/73, que diz que quando o crime (contra a pessoa, o patrimônio ou os costumes) 
for contra índio não integrado teremos uma causa de aumento de pena de um terço. 
Se a vítima for menor de 14 (quatorze) anos teremos implementada a nova 
qualificadora prevista no inciso IX do § 2º do art. 121. 
Já no caso de maior de 60 (sessenta) incidirá a causa especial de aumento de 
pena de um terço, prevista na parte final do § 4º do art. 121. 
Matar com intenção de destruir, no todo ou em parte, grupo nacional, 
étnico, racial ou religioso, poderá caracterizar o crime de genocídio previsto no art. 1º, 
a da Lei n. 2.889/56. 
Atenção: o genocídio não é crime contra a vida, mas sim contra a 
humanidade. 
Art. 1º Quem, com a intenção de destruir, no todo ou em parte, grupo 
nacional, étnico, racial ou religioso, como tal: 
a) matar membros do grupo; 
Será punido: 
Com as penas do art. 121, § 2º, do Código Penal, no caso da letra a; 
Vítima mulher, por razões do sexo feminino: caracterizará o feminicídio, 
que nada mais é do que uma das espécies de homicídio qualificado. 
Vítima agente de segurança: consubstanciará o que, doutrinariamente, tem-
se denominado de homicídio funcional, desde que a motivação do crime esteja 
relacionada com o exercício da função da vítima. 
 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art121%C2%A72
 
 
DIREITO PENAL ESPECIAL III 
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1.2.3) Elementos objetivos do tipo: 
A conduta punida pelo art. 121, caput, é tirar a vida de alguém. 
Obviamente estamos falando da vida extrauterina, pois se for intrauterina 
será aborto. 
Quando a vida deixa de ser intrauterina e passa a ser extrauterina? 
A vida extrauterina se dá com o início do parto. 
Mas quando deve se ter por iniciado o parto? 
Conforme a maior parte da doutrina o parto se inicia com a dilatação do colo 
do útero. Ressalve-se a posição de Cezar Roberto Bitencourt para quem o início do 
parto se dá com o rompimento da membrana amniótica. 
E se o parto for cesáreo? 
Considerar-se-á por iniciado, então, com o início da incisão abdominal. 
“Alguém”, a que se refere o tipo penal é qualquer outro ser humano. 
 
Admite-se crime de homicídio na forma omissiva? 
Sim, desde que presente o dever jurídico de evitar o resultado. É a figura do 
garantidor prevista no art. 13, § 2º do CP: 
§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir 
para evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem: 
 a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; 
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado; 
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado. 
 
Prova da materialidade: 
Na classificação doutrinária dos crimes podemos ter: 
- Delito de fato permanente: são aqueles que deixam vestígios, a exemplo do 
homicídio; 
- Delito de fato transeunte: são os que não deixam vestígios, como a injúria 
verbal. 
O homicídio, assim, é um crime que deixa vestígios e, por força do art. 158 do 
CPP, é imprescindível que se realize o exame de corpo de delito, direto ou indireto, não 
podendo supri-lo a confissão do acusado. 
Art. 158. Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de 
corpo de delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado. 
Exame de corpo de delito direto é aquele levado a efeito pelos peritos 
diretamente sobre os vestígios materiais deixados pelo crime. 
Exame de corpo de delito indireto é aquele realizado não diretamente sobre 
os vestígios do crime, mas a partir de informações a seu respeito, por meio de 
documentos, testemunhas, etc. 
Atenção: o exame de corpo de delito indireto é firmado pelo perito, ainda que 
com base em informações testemunhas, trazendo consigo sempre um juízo de valor dos 
expertos sobre a dinâmica do crime. 
 
 
DIREITO PENAL ESPECIAL III 
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Acrescente-se que, conforme o art. 167 do CPP, quando for impossível a 
realização de exame de corpo de delito, direto ou indireto, a prova da materialidade do 
crime poderá ser suprida por meio de testemunhas. 
Art. 167. Não sendo possível o exame de corpo de delito, por haverem 
desaparecido os vestígios, a prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta. 
Observação: doutrina e jurisprudência dominantes entendem que prova 
testemunhal supletiva (art. 167) e exame de corpo de delito indireto sejam a mesma 
coisa. Não concordamos com tal posição, como se pode ver nas definições retro 
mencionadas. Entendemos que razão assiste à Cezar Roberto Bitencourt, para quem “o 
intérprete não pode equiparar aquilo que o legislador distinguiu”. De fato, é bem 
perceptível pela leitura dos arts. 158e 167 que o legislador considera como coisas 
totalmente distintas a prova testemunhal e o exame de corpo de delito (direto ou 
indireto). 
 
1.2.4) Elementos subjetivos do tipo: 
O crime é punido a título de dolo, podendo ser direto (1º grau/2º grau) ou 
eventual. 
Obs. O tipo não exige finalidade específica animando o comportamento do 
agente. Mas, uma vez existente, poderemos ter configurado uma qualificadora ou 
privilegiadora, a depender do caso. 
Dolo, relembrando os conceitos do Direito Penal Geral, consiste na vontade e 
consciência de realizar a conduta típica e produzir o resultado. 
O dolo pode ser classificado em: 
- dolo direto: é o conceito acima já exposto, ou seja, o agente quer praticar a 
conduta e produzir o resultado; 
- dolo indireto: pode ser eventual, quando embora o agente não queira 
diretamente o resultado, ele o prevê assumindo o risco de produzi-lo, ou alternativo, 
quando antevendo a possibilidade de ocorrência de dois resultados o agente anui com 
um ou outro; 
- dolo geral ou aberractio causae: aqui o agente pratica uma conduta 
objetivando um resultado e, acreditando já tê-lo atingido, pratica uma nova conduta, a 
qual, esta sim, é real causadora do evento desejado pelo agente. Ex: “A” querendo matar 
“B” desfere-lhe alguns golpes de faca, e, acreditando que a vítima já se encontra sem 
vida, joga-a no rio para desaparecer com o corpo, vindo “B” a morrer, efetivamente, 
afogado. Neste caso “A” responderá pelo crime de homicídio doloso consumado (e 
apenas por este crime) em decorrência do seu dolo geral. 
Ainda dentro do elemento subjetivo importa trazer aqui a discussão sobre duas 
condutas bastante em voga nos dias atuais. Trata-se da morte em acidente de transito 
decorrente da embriaguez ao volante associada à excesso de velocidade e também 
daquela decorrente do que se chama “racha”. 
A questão que se coloca é: tais condutas caracterizam crime culposo ou 
doloso, na modalidade de dolo eventual? 
Embora possamos encontrar decisões dos Tribunais Superiores considerando 
tais casos como dolo eventual, especialmente no caso de “racha”, Rogério Greco e 
 
 
DIREITO PENAL ESPECIAL III 
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Rogério Sanches ponderam que não se pode, de início, concluir ser culposo ou doloso o 
crime, o que somente poderá ser feito após análise do caso concreto. 
 
1.2.5) Consumação e tentativa: 
Consumação é uma fase do intercriminis que ocorre quando todos os 
elementos da conduta típica já se encontrarem realizados. Em outras palavras, e nos 
exatos termos do art. 14, I do CPB, “Diz-se o crime consumado quando nele se reúnem 
todos os elementos de sua definição legal. 
Sendo crime material, o homicídio consuma-se com a morte da vítima. 
Hoje não há mais dúvida quanto ao exato momento da morte: cessação da atividade 
encefálica (morte encefálica). Esta questão foi pacificada com a edição da Lei de 
Doação de Órgãos (Lei n. 9.434/97, art. 3º). 
Admite-se tentativa, pois estamos diante de um crime plurissubsistente. 
Tentado é o crime que, uma vez iniciada a execução, não chega a se consumar 
por circunstâncias alheias à vontade do agente (art. 14, II). 
 
Podemos ter três espécies distintas de tentativa: 
- Tentativa imperfeita (ou inacaba): o processo executivo é interrompido no 
meio, ou seja, antes de o agente esgotar toda a sua potencialidade lesiva. Ex: João, 
querendo matar Pedro, desfere-lhe um golpe de faca, sendo interrompido por terceiros 
quando tentava desferir outros golpes. 
- Tentativa perfeita ou acabada (também chamada de crime falho): ocorre 
quando o agente esgota sua potencialidade lesiva, contudo, o crime acaba não se 
consumando por circunstancias alheias à sua vontade. Ex: João, querendo matar Pedro, 
acerta seis tiros contra o mesmo, descarregando o seu revólver 38. Pedro, no entanto, é 
socorrido e sobrevive. 
- Tentativa branca (ou incruenta): é aquela em relação à qual não se resulta 
nenhum ferimento na vítima. Ex: no caso anterior, João não consegue acertar nenhum 
dos disparos em Pedro. 
 
Como distinguir a tentativa de homicídio da lesão corporal? 
Tanto um quanto outro delito podem apresentar o mesmo resultado material, 
que é lesão à integridade física da pessoa, inclusive com risco de morte. 
Assim, a distinção fica por conta do elemento anímico do agente, de maneira 
que sempre que estiver presente o animus necandi ou occidendi, o caso será de tentativa 
de homicídio. Tal elemento anímico por certo não deverá ser extraído simplesmente das 
declarações do agente, mas de todo o conjunto de circunstâncias e provas relacionadas 
ao caso. 
 
1.3) Homicídio privilegiado: 
 
Art. 121, § 1º: Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante 
valor social ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a 
injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço. 
 
 
DIREITO PENAL ESPECIAL III 
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Temos aqui, na verdade, uma causa especial de diminuição de pena 
(minorante). 
Podemos dividir o § 1º do art. 121 em duas partes: 
 
1ª) Motivo de relevante valor social ou moral: 
Valor social são interesses de toda a coletividade. Ex: matar perigoso bandido 
que está aterrorizando determinado bairro; 
Valor moral diz respeito aos interesses particulares do agente. Ex: o pai que 
mata o estuprador da filha. 
A eutanásia é crime? 
Sim, trata-se de um homicídio privilegiado, por relevante valor moral. 
Eutanásia: é a chamada morte boa, assim considerada aquela em que o agente 
causa a morte de um paciente em estado terminal, com o fim de lhe abreviar a dor e 
sofrimento. A eutanásia pode ser: 
- ativa: quando a morte é provocada mediante condutas positivas; 
- passiva: omissão de tratamento ou procedimento que seja capaz de prolongar 
a vida de quem se encontra em estado terminal. 
Cuidado: a eutanásia não pode ser confundida com a ORTOTANÁSIA, que, 
embora apresente certa relação com a eutanásia passiva, significa a morte certa, justa, 
em seu momento oportuno. Destarte, corresponde à supressão de cuidados de 
reanimação em pacientes em estado de coma profundo e irreversível, em estado 
terminal ou vegetativo. 
Obs. 1: não basta matar impelido por valor social ou moral, tem que estar 
presente o caráter RELEVANTE do motivo, que é uma elementar imprescindível. 
Obs. 2: O art. 65, III, a, também prevê o relevante valor social ou moral como 
atenuante genérica, de maneira que quando tal circunstancia estiver presente no crime 
de homicídio será causa especial de diminuição de pena; quando presente em outro 
crime funcionará como atenuante genérica. 
 
2ª) Domínio de violenta emoção, logo em seguida à injusta provocação da 
vítima: 
É o chamado homicídio emocional, que tem os seguintes requisitos: 
a) domínio de violenta emoção: quer dizer que ela deve ser intensa, 
absorvente, devendo o agente estar completamente dominado pela emoção. Não se 
confunde com a mera influência, que é uma atenuante genérica de pena, prevista no 
art. 65, III, c. 
Quanto à emoção importa fazer os seguintes apontamentos. 
Conforme o art. 28, I a emoção e a paixão não excluem a imputabilidade 
penal, contudo, como vimos acima, podem diminuir a censurabilidade da conduta do 
agente, seja como causa especial de diminuição de pena no homicídio (art. 121, § 1º) e 
na lesão corporal (art. 129, § 4º), seja como atenuante genérica (art. 65, III, c) nos 
demais delitos. 
Cezar Roberto Bitencourt nos traz uma límpida lição quanto à esta 
circunstância: “Sob o domínio de violenta emoção significa agir sob choque emocional 
 
 
DIREITO PENAL ESPECIAL III 
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próprio de quem é absorvido por um estado de ânimo caracterizado por extrema 
excitação sensorial e afetiva, que subjuga o sistema nervoso do indivíduo. Nesses casos, 
os freios inibitórios são liberados, sendo orientados, basicamente, por ímpetosincontroláveis, que, é verdade, não justificam a conduta criminosa, mas reduzem 
sensivelmente a sua censurabilidade, como reconhece o art. 121. § 1º, 2ª parte.”. 
b) Reação imediata: tem de haver uma relação de imediatidade entre a injusta 
provocação da vítima e a reação do autor. No entanto, essa relação de imediatidade não 
quer dizer que não possa haver algum lapso temporal. Segundo a jurisprudência diz-
se que a reação é imediata enquanto perdurar o domínio da violenta emoção. Por 
exemplo, na “reação imediata” pode se compreender o tempo necessário para que, após 
sofrer a injusta provocação, o autor se dirija até sua casa, se arme, e retorne ao local 
para praticar o crime. 
c) Injusta provocação: provocação injusta é aquela sem motivo razoável; 
uma ofensa injustificada. Ex: injúria real. 
Atenção: a injusta provocação não precisa ser, necessariamente, uma agressão, 
a qual, dependendo das circunstancias, se presente poderá configurar até mesmo a 
legítima defesa. 
Homicídio passional: é aquele no qual o agente atua movido por extremos 
sentimentos de paixão, de posse, de um egoísmo exacerbado. Tal conduta, por si só, não 
configura o homicídio privilegiado, que, no entanto, poderá ocorrer, desde que presentes 
todos os requisitos previstos no § 1º do art. 121. Ex: marido que flagra a esposa traindo-
o, em sua própria cama, matando-a. Tal situação, se presentes os demais requisitos, 
pode vir a configurar o homicídio privilegiado. 
O privilégio se comunica a autores e partícipes? 
Vamos imaginar o pai que mata o estuprador da filha com a ajuda de um 
amigo. Neste caso o amigo também será beneficiado pela privilegiadora? 
Para responder a esta indagação devemos fazer, antes de mais nada, a leitura 
do art. 30 do Código Penal, segundo o qual: “Não se comunicam as circunstâncias e as 
condições de caráter pessoal, salvo quando elementares do crime.” 
A partir daí, devemos analisar se o privilégio é uma elementar ou 
circunstancia do crime? 
Elementar é todo dado que, agregado ao tipo fundamental, modifica o crime. 
Circunstancia é um dado que, agregado ao tipo, altera a pena. 
Vamos exemplificar: no crime de peculato do art. 312, caput (peculato 
apropriação), “funcionário público” é uma elementar, pois faz parte da própria estrutura 
do crime. Se estiver ausente tal condição o crime será outro: apropriação indébita. 
Art. 312 - Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer 
outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, 
ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio: 
Já em outros delitos previstos no Código Penal, como a falsificação de 
documento público (art. 297) a condição de “funcionário público” é uma mera 
circunstância, já que sua ausência em nada prejudica a configuração típica. Se estiver 
ausente apenas não será aplicada a causa de aumento prevista no § 1º daquele 
dispositivo. 
 
 
DIREITO PENAL ESPECIAL III 
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 Art. 297 - Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar 
documento público verdadeiro: 
§ 1º - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do 
cargo, aumenta-se a pena de sexta parte. 
Cuidado: não se pode afirmar que as elementares sempre vêm previstas no 
caput, embora isto ocorra na maioria das vezes. 
No crime de peculato, por exemplo, temos uma modalidade, chamada 
“peculato-furto”, que vem prevista no § 1º do art. 312, em que funcionário público 
continua figurando como elementar. 
§ 1º - Aplica-se a mesma pena, se o funcionário público, embora não tendo a 
posse do dinheiro, valor ou bem, o subtrai, ou concorre para que seja subtraído, 
em proveito próprio ou alheio, valendo-se de facilidade que lhe proporciona a 
qualidade de funcionário. 
Dito isto podemos concluir que o privilégio no crime de homicídio é uma mera 
circunstância. 
Agora devemos indagar se o privilégio é uma circunstância objetiva ou 
subjetiva. 
Objetiva: quando ligada ao meio ou modo de execução. 
Subjetiva: quando ligada ao motivo ou estado anímico do agente. 
Verificamos, então, que estamos diante de circunstancias subjetivas. 
Assim, relembrando o teor do art. 30, podemos concluir, finalmente, que o 
privilégio no crime de homicídio não se aplica a todos os coautores, pois as 
circunstancias subjetivas são incomunicáveis. 
Atenção: se os jurados reconhecem o privilégio o juiz está obrigado a reduzir 
a pena, pois se trata de direito subjetivo do réu. A discricionariedade do juiz está apenas 
no quantum da diminuição. 
Obs. O homicídio privilegiado não é crime hediondo. Já o homicídio simples 
poderá sê-lo, desde que praticado em atividade típica de grupo de extermínio (nesse 
caso ele é chamado de homicídio condicionado). Já o homicídio qualificado, que 
veremos a seguir, sempre será qualificado. 
 
 
1.4) Homicídio Qualificado (art. 121, § 2º): 
 
§ 2° Se o homicídio é cometido: 
I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe; 
II - por motivo futil; 
III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio 
insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum; 
IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que 
dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido; 
 
 
DIREITO PENAL ESPECIAL III 
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V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de 
outro crime: 
Feminicídio (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015) 
VI - contra a mulher por razões da condição de sexo feminino: (Incluído pela 
Lei nº 13.104, de 2015) 
VII – contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição 
Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança 
Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, 
companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa 
condição: (Incluído pela Lei nº 13.142, de 2015) 
VIII - com emprego de arma de fogo de uso restrito ou proibido: (Incluído 
pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência) 
Homicídio contra menor de 14 (quatorze) anos (Incluído pela Lei nº 14.344, 
de 2022) Vigência 
IX - contra menor de 14 (quatorze) anos: (Incluído pela Lei nº 14.344, de 
2022) Vigência 
Pena - reclusão, de doze a trinta anos. 
§ 2o-A Considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o 
crime envolve: (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015) 
I - violência doméstica e familiar; (Incluído pela Lei nº 13.104, de 2015) 
II - menosprezo ou discriminação à condição de mulher. (Incluído pela Lei nº 
13.104, de 2015) 
§ 2º-B. A pena do homicídio contra menor de 14 (quatorze) anos é aumentada 
de: (Incluído pela Lei nº 14.344, de 2022) Vigência 
I - 1/3 (um terço) até a metade se a vítima é pessoa com deficiência ou com 
doença que implique o aumento de sua vulnerabilidade; (Incluído pela Lei nº 
14.344, de 2022) Vigência 
II - 2/3 (dois terços) se o autor é ascendente, padrasto ou madrasta, tio, irmão, 
cônjuge, companheiro, tutor, curador, preceptor ou empregador da vítima ou por 
qualquer outro título tiver autoridade sobre ela. (Incluído pela Lei nº 14.344, de 
2022) Vigência 
III - 2/3 (dois terços) se o crime for praticado em instituição de educação 
básica pública ou privada. (Incluído pela Lei nº 14.811, de 2024) 
 
Trata-se de crime que sempre será hediondo, não importando a qualificadora 
(art. 1º, inciso I da Lei n. 8.072/90). 
No caso do homicídio qualificado a pena sai do patamar de 6 a 20 passando 
para 12 a 30 anos. 
 
§ 2° Se o homicídio é cometido: 
I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe; 
Aqui temos o homicídio qualificado pelo motivo torpe. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13104.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13104.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13104.htm#art1http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art142
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art144
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art144
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13142.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art2
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art2
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art20
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14344.htm#art31
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14344.htm#art31
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14344.htm#art34
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14344.htm#art31
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14344.htm#art31
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14344.htm#art34
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13104.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13104.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13104.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13104.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14344.htm#art31
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14344.htm#art34
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14344.htm#art31
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14344.htm#art31
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14344.htm#art34
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14344.htm#art31
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14344.htm#art31
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Lei/L14344.htm#art34
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2024/Lei/L14811.htm#art5
 
 
DIREITO PENAL ESPECIAL III 
Professor César Cândido Neves Junior 
 
Torpe é aquele motivo moralmente reprovável, repugnante, desprezível, 
que demonstra uma depravação espiritual do agente e, quase sempre, vai provocar 
uma repulsa geral. Ex: matar alguém para receber herança; matar uma pessoa 
que se recusa a fazer sexo. 
O inciso I trabalha com a interpretação analógica, ou seja, aquela em que o 
legislador enumera alguns exemplos casuísticos e depois encerra com uma expressão 
genérica. 
 
Homicídio mercenário: 
Neste caso temos o mandante e o executor (sicário). Assim, se considerado 
como autônomo, trata-se de um delito plurissubjetivo ou de concurso necessário, isto 
é, aquele em que obrigatoriamente exige-se a presença de duas ou mais pessoas. 
A qualificadora é só para o executor ou se comunica também ao mandante? 
Conforme grande parte da doutrina (Greco, Bitencourt, Cleber Masson e 
Capez) por se tratar de uma circunstância de caráter subjetivo, a torpeza não se 
comunica a todos os agentes. Pode ser, inclusive, que o mandante esteja imbuído de 
relevante valor moral, como, por exemplo, contratar uma pessoa para matar o 
estuprador de sua jovem filha de 15 anos. Neste caso o pai da menina irá responder pelo 
homicídio com diminuição de pena e o autor pelo homicídio qualificado. 
Lado outro, temos um segundo posicionamento, no sentido de que a 
qualificadora deve ser aplicada tanto ao executor quanto ao mandante. Esse é o 
entendimento de Nelson Hungria, citado por Capez, para o qual os tipos qualificados 
conteriam circunstâncias especiais (circunstâncias elementares), as quais deveriam se 
comunicar a todos os autores. 
Atenção: Temos uma aparente divergência entre a 5ª e 6ª turma do STJ quanto 
ao tema. Na quinta turma podemos encontrar alguns julgados que não admitem a 
comunicabilidade. Neste sentido veja-se HC 403263/SP (Data do julgamento: 
13/11/2018); REsp 1415502/MG (Data do julgamento: 15/12/2016). Já na sexta turma 
podemos citar os seguintes julgados que aceitam a comunicabilidade: REsp 
1209852/PR (Data do julgamento: 15/12/2015); HC 99144/RJ (Data do julgamento: 
04/11/2008). 
 
Qual a natureza da paga ou promessa de recompensa? 
Há bastante divergência sobre a natureza da paga ou promessa de recompensa. 
É saber, ela deve ter natureza patrimonial ou econômica ou pode ser de qualquer 
espécie? 
1ª) corrente:(Rogério Sanches, Capez e Bitencourt): entendem que a paga ou 
promessa de recompensa deve ter conteúdo exclusivamente patrimonial, econômico. 
2ª) corrente: (Rogério Greco, Cleber Masson e Damásio de Jesus) entendem 
que a paga ou promessa de recompensa pode ter qualquer natureza. 
Conforme Sanches predomina o primeiro entendimento. 
Atenção: esta discussão é um tanto quanto irrelevante, porquê, ainda que não 
se considere a vantagem extrapatrimonial como homicídio mercenário, o crime 
continuará sendo qualificado, pois também será considerado torpe. Exemplo: matar 
alguém em troca de favores sexuais. 
 
 
DIREITO PENAL ESPECIAL III 
Professor César Cândido Neves Junior 
 
 
E a vingança, ciúmes, configura torpeza? 
A vingança ou o ciúme pode ou não constituir motivo torpe, dependendo da 
causa que o originou. Por exemplo, o filho que mata aquele que tirou a vida do seu pai, 
embora esteja agindo por vingança, não configura motivo torpe. 
 
II – por motivo fútil: 
É o motivo insignificante, que se apresenta absolutamente 
desproporcional com a gravidade do crime. Ex: o cliente que mata o dono do bar 
que lhe recusou vender fiado. 
É comum, diante de um motivo fútil, proferirmos a seguinte exclamação: não 
acredito que fulano matou beltrano por isso!!! 
A ausência de motivos equipara-se à motivo fútil? 
1ª corrente: equipara-se a motivo fútil (Greco e Capez), pois seria 
contraditório conceber que o legislador punisse com pena mais grave aquele que mata 
por futilidade, permitindo que o que age sem qualquer motivo receba sanção mais 
branda. Prevalece na jurisprudência, conforme Capez. 
2ª corrente: ausente previsão legal, não se equipara a motivo fútil (respeito 
ao princípio da reserva legal). Temos aqui, por exemplo, o autor Cezar Roberto 
Bitencourt, Rogério Sanches, Damásio de Jesus, dentre outros, conforme os quais o 
princípio da legalidade impede o reconhecimento da qualificadora pela falta de motivo. 
Obs. 1: Embora a ausência de motivos, para boa parte da doutrina e 
jurisprudência, qualifique o homicídio, o desconhecimento dos motivos do crime não 
pode qualificá-lo. 
Obs. 2: Segundo Rogério Sanches o STJ decidiu, recentemente, que não incide 
a qualificadora do motivo fútil nos casos em que o homicídio doloso é praticado 
durante competição automobilística ilegal que atinge pessoa alheia à própria 
competição (HC 307.617/SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, Rel. para acórdão Min. Sebastião 
Reis Júnior, DJe 16/5/2016). 
Ainda segundo SANCHES os Tribunais Superiores tendem a não admitir a 
coexistência do dolo eventual com qualificadores de natureza subjetiva. 
Obs. 3: um motivo inicialmente fútil, quando incrementado por uma calorosa 
discussão entre as partes, inviabiliza o reconhecimento desta qualificadora. Em outros 
termos, ainda que o motivo seja por si mesmo fútil, quando, todavia, contextualizado 
com uma acirrada discussão entre as partes, poderá descaracterizar a incidência da 
qualificadora, já que, neste caso, o entrevero entre autor e vítima é que será o real 
motivo do crime. 
Obs. 4: conforme Cleber Masson o motivo fútil é incompatível com o estado de 
embriaguez, já que “o embriagado não tem pleno controle do seu modo de agir, 
afastando assim a futilidade da força que o impele a transgredir o Direito Penal”. 
 
III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio 
insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum; 
O inciso três também trabalha com interpretação analógica, pois após alguns 
exemplos casuísticos encerra com uma expressão genérica.DIREITO PENAL ESPECIAL III 
Professor César Cândido Neves Junior 
 
Assim, temos que veneno é exemplo de meio insidioso; asfixia e tortura, de 
meio cruel; e fogo e explosivo, de que possa resultar perigo comum. 
Atenção: fogo e explosivo, a depender do contexto, podem também ser 
enquadrados como meio cruel. 
Homicídio com emprego de veneno (venefício): 
O que é veneno? 
Veneno é toda substância, biológica ou química, que, introduzida no 
organismo, pode produzir lesões ou causar morte (Damásio de Jesus). Tal conceito 
faz com que se compreenda na expressão “veneno” toda substância que, mesmo 
inofensivas para uns, possam se mostrar letais para outros, como o açúcar para o 
diabético, o camarão para quem é alérgico a tal alimento. 
Cuidado: é imprescindível que a vítima desconheça estar ingerindo a 
substância letal. 
Então vamos imaginar que alguém coloque a arma na cabeça da outra e a 
obrigue a tomar veneno. Neste caso não incidirá a qualificadora pelo emprego de 
veneno, mas sim pelo meio cruel. 
Notem que tal exigência decorre da fórmula genérica “insidioso”, na qual o 
veneno está abrangido, e que em sua significação vocabular quer dizer “traiçoeiro”. 
Assim, faz-se necessário que a vítima desconheça o fato de estar sendo envenenada. 
Fogo, explosivo e asfixia dispensam maiores comentários, lembrando apenas 
que este último modo será bem analisado pelas aulas de Medicina Legal. 
Atenção: o fogo e explosivo, dependendo das circunstâncias, podem 
configurar um meio cruel ou de que resulta perigo comum. 
 
Tortura: 
Não se deve confundir o homicídio qualificado pelo emprego de tortura, que 
ora estudamos (art. 121, § 2º, III) com a tortura qualificada pelo resultado morte, 
prevista no art. 1º, § 3º da Lei n. 9.455/97 (Lei de Tortura). 
No primeiro caso o agente quer matar a vítima, e, para tanto, utiliza-se de 
meios de tortura. Aqui teremos um homicídio qualificado pela prática de tortura, com 
previsão no art. 121, § 2º, III, cuja pena é de reclusão de 12 a 30 anos. 
Já no segundo caso o agente quer torturar, mas acaba matando a vítima, 
respondendo por tal resultado a título de culpa. Trata-se do crime de tortura qualificado 
pelo resultado morte. Neste caso a lei de tortura prevê uma pena de 8 a 16 anos. 
A tortura qualificada pelo resultado morte é exemplo do que se chama de 
crime preterdoloso, ou seja, um crime em que há dolo no antecedente (tortura) e culpa 
no consequente (resultado morte). 
Obs.: Fernando Capez chama a atenção para a possibilidade do concurso 
material entre os crimes de tortura e homicídio. Assim, sempre que a tortura figurar 
como causa da morte teremos o homicídio qualificado. Contudo, se o agente tortura a 
vítima e, após isso, efetua um disparo de arma de fogo em sua cabeça, matando-a (por 
causa distinta da tortura), teremos o concurso de crimes. 
 
Meio insidioso: qualquer artifício para que o agente pratique o crime sem 
que a vítima tenha conhecimento. 
 
 
DIREITO PENAL ESPECIAL III 
Professor César Cândido Neves Junior 
 
 
Meio cruel: cruel é todo meio que provoca um sofrimento desnecessário à 
vítima ou revela uma brutalidade e sadismo do agente fora do normal. Ex: matar a 
vítima, esquartejando-a. 
Atenção: a crueldade praticada após a morte da vítima não qualifica o crime. 
 
IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso 
que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido; 
 
Traição: é o ataque desleal, sorrateiro, no qual a vítima é surpreendida. 
Também caracteriza traição o ataque súbito, de surpresa. Ex: tiro pelas costas (que não 
deve ser confundido com o tiro nas costas). 
Embora boa parte dos doutrinadores não façam menção à isso, estamos com 
Fernando Capez e Cleber Masson, para os quais é imprescindível a existência de um 
vínculo de confiança entre autor e vítima para configuração desta qualificadora. 
Emboscada: pressupõe ocultamento do agente, atacando a vítima com 
surpresa (o agente, escondido no jardim de entrada da casa da vítima, ataca quando esta 
chegava do serviço). 
Dissimulação: fingimento, disfarçando o agente a sua intenção criminosa. Ex: 
convida a vítima para jantar, levando-a para lugar ermo onde ocorre o ataque fatal. 
Obs. A dissimulação se parece bastante com o meio insidioso, já que em 
ambos há a intenção do agente em ocultar a sua finalidade criminosa. A diferença, 
contudo, pode ser percebida na medida em que o meio insidioso, como o próprio nome 
indica, está relacionado com o meio, o instrumento utilizado para a prática do crime, 
como o veneno, por exemplo. Já a dissimulação está mais relacionada com o modo de 
execução, a maneira pela qual o agente vai consumar o crime. Observem que os outros 
dois exemplos, traição e emboscada, também são indicativos deste sentido. Outra 
distinção também bastante nítida é que na dissimulação o agente tem o objetivo de 
surpreender a vítima, tornando impossível ou mais difícil a sua reação. Já no meio 
insidioso não há essa relação necessária de surpreendimento. 
Atenção: a premeditação não serve como qualificadora, mas pode ser 
considerada na fixação da pena, como circunstancia judicial desfavorável. 
Condições pessoais da vítima, que dificultem ou impossibilitem sua defesa, 
podem caracterizar a qualificadora? 
Por exemplo, vítima de tenra idade ou muito senil, ou ainda, vítima que se 
encontrava totalmente embriagada quando foi morta? 
A idade da vítima, por si só, não possibilita a aplicação da presente 
qualificadora, pois constitui característica da vítima e não recurso procurado pelo 
agente. No segundo caso temos que distinguir: se a vítima encontrava-se totalmente 
embriagada no momento do crime e tal condição não foi buscada pelo agente, 
entendemos que não há que se falar da qualificadora em comento. Ao contrário, entanto, 
incidirá a qualificadora se o próprio agente embriaga a vítima para facilitar a sua 
execução. 
 
 
 
DIREITO PENAL ESPECIAL III 
Professor César Cândido Neves Junior 
 
V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de 
outro crime: 
No caso desta qualificadora teremos sempre uma conexão entre o homicídio e 
outro crime, daí ser chamado de homicídio por conexão. 
Esta conexão pode ser teleológica ou consequencial. 
Antes de tudo, é preciso que se diga que a qualificadora do inciso V se dá em 
razão da finalidade perseguida pelo agente quando da prática de homicídio, finalidade 
esta que está sempre relacionada (conexa) com outro crime. A diferença é que na 
conexão teleológica o crime fim é futuro, ou seja, ainda vai ser praticado; na conexão 
consequencial o crime fim é passado, ou seja, já foi cometido pelo agente. Vejamos: 
- teleológica: quando o agente mata para assegurar a execução de um 
crime futuro. Ex: o agente mata o segurança para estuprar a atriz; o agente mata o 
vigilante no dia anterior para roubar o banco. 
Cuidado: em se tratando de homicídio relacionado à um crime de ROUBO, a 
depender do caso, também poderemos ter configurado o latrocínio. A distinção, 
basicamente, fica por conta da unidade ou pluralidade de contextos fáticos, cuja 
delineação se dará, principalmente, em razão da questão temporal. No exemplo anterior 
da conexão, notem que são dois contextos fáticos totalmente distintos: em um dia o 
agente mata o vigilante do banco; no outro ele pratica o crime de roubo. Quando 
tivermos o mesmo quadro fático (o agente entra no banco, mata os vigilantes e rouba o 
dinheiro) aí o crime será de roubo qualificado pelo resultado morte (latrocínio – art. 
157, § 3º). 
Obs. 1: o crime futuro precisa ocorrer para o crime ser qualificado? 
Não, a qualificadora não depende da concretização do crime futuro. O que 
qualifica é a sua intenção, a sua finalidade: matar para praticar outro crime. Se o outro 
crime efetivamente ocorrer, o agente responderá pelos dois delitos em concurso 
material. 
Obs. 2: o crime futuro sequer precisa ter como autoro agente homicida. 
Ex: o agente pode matar o segurança para que o seu irmão estupre a atriz. 
- consequencial: o agente mata para assegurar a ocultação, a vantagem ou 
impunidade de um crime passado. Ex: a agente mata a testemunha de um estupro, 
visando garantir a ocultação do crime e sua impunidade. 
Obs. o crime passado não precisa ter sido praticado pelo homicida. Ex: Pedro 
mata uma testemunha para garantir a impunidade de um crime praticado por seu irmão. 
Cuidado: a conexão meramente ocasional, que ocorre quando o agente mata 
por ocasião de outro crime, sem qualquer vínculo finalístico, não qualifica o homicídio. 
Qual crime pratica o agente que mata alguém para assegurar a execução, 
ocultação, impunidade ou vantagem de uma contravenção penal? 
Aqui não podemos aplicar a qualificadora do art. 121, § 2º, V, sob pena de 
analogia in malam partem. Contudo, o homicídio continuará sendo qualificado pelo 
motivo torpe ou fútil, a depender do caso concreto. 
No caso do homicídio por conexão, a extinção da punibilidade do crime 
conexo afeta a existência da qualificadora? 
Não. É o que vê expressamente na segunda parte do art. 108 do Código Penal: 
 
 
DIREITO PENAL ESPECIAL III 
Professor César Cândido Neves Junior 
 
Art. 108 - A extinção da punibilidade de crime que é pressuposto, elemento 
constitutivo ou circunstância agravante de outro não se estende a este. Nos 
crimes conexos, a extinção da punibilidade de um deles não impede, quanto 
aos outros, a agravação da pena resultante da conexão. 
 
 
FEMINICÍDIO 
Esta figura penal foi incluída no § 2º do art. 121 do CP pela Lei n. 13.104/15 e 
pode ser conceituada como a morte da mulher em razão de sua condição do sexo 
feminino. 
Referida lei teve origem a partir da CPMI de Violência Contra a Mulher que 
apresentou dados alarmantes: morte de 43,7 mil mulheres, entre os anos de 2000 a 2010, 
sendo 41% delas dentro de sua própria casa. 
O aumento de 2,3 para 4,6 assassinatos por 100 mil mulheres entre os anos de 
80 a 2010, acabou colocando o Brasil na 7ª posição de assassinatos contra mulheres. 
Além disso, precisamos lembrar que o Brasil é signatário de algumas 
convenções prevenindo este tipo de violência. 
Por esses motivos o legislador acabou optando por tipificar o feminicídio. 
Atenção: não obstante tenha ficado bastante claro nas linhas anteriores, 
impende ressaltar que o feminicídio não é um crime autônomo, tratando-se de mais uma 
das formas qualificadas do homicídio. 
Assim, o § 2º do art. 121 conta com mais esta qualificadora: 
VI – contra a mulher por razões da condição de sexo feminino (Lei. 13.104) 
Mas o que seria um homicídio por razões da condição de sexo feminino? 
O próprio legislador, valendo-se da interpretação autêntica, nos traz o 
conceito no art. 121, § 2-A: 
Considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o crime 
envolve: 
- violência doméstica e familiar: o conceito desta violência nos é dado pela 
conjugação do art. 5º com o art. 7º da Lei Maria da Penha; 
- menosprezo ou discriminação à condição de mulher: a doutrina não vê com 
bons olhos estes elementos normativos, pois trata-se de expressões muito vagas. Grosso 
modo podemos dizer que tais elementos (menosprezo e discriminação) revelam 
condições em que alguém vai abusar da situação de vulnerabilidade da mulher. 
Conforme André Estefam “Essa modalidade, cuja configuração independe da Lei 
Maria da Penha, caracteriza-se quando a morte guarda conexão com atos ou posturas 
de menosprezo (menoscabo) ou discriminação (preconceito) à condição de mulher.” 
 
Cuidado: no inciso I do § 2º-A temos a caracterização do feminicídio quando o crime 
envolver violência doméstica e familiar. Contudo, isto não quer dizer que qualquer 
homicídio contra mulher praticado no âmbito doméstico ou familiar vá caracterizar o 
feminicídio. Devemos fazer uma análise contextualizada da expressão “violência 
 
 
DIREITO PENAL ESPECIAL III 
Professor César Cândido Neves Junior 
 
doméstica e familiar”, tendo em mente, principalmente, o disposto no art. 5º da Lei n. 
11.340/06 (Lei Maria da Penha), in verbis: 
Art. 5o Para os efeitos desta Lei, configura violência doméstica e familiar 
contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause 
morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou 
patrimonial: 
De acordo com o Superior Tribunal de Justiça, “a incidência da Lei n. 
11.340/2006 reclama situação de violência praticada contra a mulher, em contexto 
caracterizado por relação de poder e submissão, praticada por homem ou mulher sobre 
mulher em situação de vulnerabilidade” (HC 175.816/RS, rel. Min. Marco Aurélio 
Bellizze, 5ª T., j. 20-6-2013, DJe de 28-6-2013) 
O legislador também introduziu um § 7º no art. 121 que prevê uma causa de 
aumento de pena de um terço até metade. Essa causa de aumento é específica do 
feminicídio e se aplica quando o crime for praticado: 
- durante a gestação ou nos três meses posteriores ao parto; 
- contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos, com deficiência ou portadora de 
doenças degenerativas que acarretem condição limitante ou de vulnerabilidade física ou 
mental; 
- na presença física ou virtual de descendente ou de ascendente da vítima; 
- em descumprimento das medidas protetivas de urgência previstas nos incisos 
I, II e III do caput do art. 22 da Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006. 
 
No caso do feminicídio majorado pela gestação o agente deve responder 
também pelo crime de aborto? 
O STJ já entendeu não haver bis in idem na condenação do crime de aborto em 
concurso material: “enquanto o art. 125 do CP tutela o feto enquanto bem jurídico, o 
crime de homicídio praticado contra gestante, agravado pelo art. 61, II, h, do Código 
Penal protege a pessoa em maior grau de vulnerabilidade, raciocínio aplicável ao caso 
dos autos, em que se imputou ao acusado o art. 121, § 7º, I, do CP, tendo em vista a 
identidade de bens jurídicos protegidos pela agravante genérica e pela qualificadora 
em referência.” (REsp 1.860.829/RJ, rel. Min. Nefi Cordeiro, 6ª T., DJe 23-9-2020) 
 
O agente que praticar o feminicídio em desrespeito à medida protetiva de 
urgência responderá também pelo crime autônomo de desobediência a medida 
protetiva (art. 24-A da Lei Maria da Penha)? 
 Segundo André Estefam não será possível, em face do princípio da 
subsidiariedade implícita, que soluciona o conflito aparente de normas penais; explica-
se: o tipo penal da Lei Maria da Penha foi inserido como causa de aumento de pena do 
feminicídio, razão pela qual sua aplicação dúplice (ou seja, na condição de delito 
autônomo e de exasperante) configuraria bis in idem. Há corrente doutrinária, contudo, 
no sentido da possibilidade de configuração do concurso material, sob o fundamento de 
serem bens jurídicos tutelados distintos. 
O legislador fez constar expressamente o feminicídio como crime hediondo, 
incluindo o VI no art. 1º da Lei n. 8.072/90, o que não seria necessário, já que todo 
homicídio qualificado deve ser considerado hediondo. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11340.htm#art22i
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11340.htm#art22i
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11340.htm#art22ii
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11340.htm#art22iii
 
 
DIREITO PENAL ESPECIAL III 
Professor César Cândido Neves Junior 
 
Consoante Rogério Sanches, no caso da primeira majorante, o aumento de 
pena incidirá ainda que o aborto não venha a se efetivar, pois o que se busca tutelar, 
primordialmente, é a condição especial da mulher na fase gestacional, e não o feto. Caso 
o aborto se verifique, teremos então o concurso formal entre os crimes de homicídio 
qualificado majorado e aborto. 
 
A transexual pode ser vítima de feminicídio? 
Se partirmos de um conceito biológico concluiremos que a transexual não 
poderáa pena? De acordo com o entendimento pacificado 
pelo STJ, o magistrado deverá aplicar o maior aumento (no caso, o do inciso II), 
utilizando o outro como agravante genérica (se subsumível ao rol das agravantes – arts. 
61 e 62 do CP) ou como circunstância judicial desfavorável (refletindo, portanto, na 
pena-base). 
 
- Pluralidade de circunstancias qualificadoras: 
 
 
DIREITO PENAL ESPECIAL III 
Professor César Cândido Neves Junior 
 
Imagine que alguém pratique um homicídio por motivo fútil e mediante meio 
cruel. Teremos, neste caso um homicídio duplamente qualificado? 
Não existe homicídio duplamente ou triplamente qualificado. No caso de 
pluralidade de circunstancias qualificadoras apenas uma delas vai servir para 
qualificar o crime. Quanto às demais, temos a seguinte divergência: 
- 1ª corrente: entendendo que as demais qualificadoras devem ser utilizadas 
como circunstancia judicial (art. 59); 
- 2ª corrente: entende-se que as demais qualificadoras devem servir como 
agravante genérica (art. 61). É a que prevalece. Mas atenção: Dentre as 
qualificadoras do § 2º apenas o homicídio funcional e a nova qualificadora do inciso 
VIII (emprego de arma de uso restrito ou proibido) não encontram previsão no art. 61. 
As qualificadoras previstas nos incisos I a V encontram-se literalmente repetidas como 
agravantes. Já o feminicídio, embora não seja totalmente expresso, encontra previsão na 
parte final da alínea “f” do art. 61, quando diz “com violência contra mulher na forma 
da lei específica”. 
Assim, é importante que se diga que somente poderão funcionar como 
agravante genérica as qualificadoras excedentes que encontrarem previsão no art. 61. 
Em caso negativo aí deverão realmente ser aproveitadas como circunstância judicial 
negativa. 
 
É possível homicídio qualificado-privilegiado? 
 
Art. 121, § 1º Art. 121, § 2º 
- motivo de relevante valor social ou 
moral; 
- domínio de violenta emoção; 
♦ todas as privilegiadoras são subjetivas. 
- motivo torpe (subjetiva); 
- motivo fútil (subjetiva); 
- meio insidioso, cruel ou de que possa 
resultar perigo comum (objetiva); 
- recurso que dificulte ou torne impossível 
a defesa do ofendido (objetiva); 
- vinculo finalístico (subjetiva); 
- por razões da condição de sexo feminino 
(subjetiva); 
- contra agente de segurança no exercício 
da função (subjetiva); 
- com emprego de arma de fogo de uso 
restrito ou proibido (objetiva) 
 
Sim, desde que as qualificadoras sejam de natureza objetiva. Isto porque 
os jurados votam primeiro o privilégio e depois a qualificadora. Assim, reconhecida 
qualquer circunstância privilegiadora, que é sempre de natureza subjetiva, ficam 
prejudicadas as qualificadoras de natureza subjetiva, dada a incompatibilidade entre elas 
(privilégio de natureza subjetiva não se compatibiliza com qualificadora de natureza 
subjetiva). 
 
 
DIREITO PENAL ESPECIAL III 
Professor César Cândido Neves Junior 
 
 
O homicídio qualificado-privilegiado continua sendo hediondo? 
Fazendo uma analogia com o artigo 67, do CP (no concurso de 
circunstancias agravantes e atenuantes prevalecem as de natureza subjetiva), 
prevalece a doutrina que ensina que o homicídio qualificado-privilegiado deixa de 
ser hediondo. 
 
5) Homicídio Culposo: 
§ 3º Se o homicídio é culposo: 
Pena - detenção, de um a três anos. 
Conceito: crime culposo é aquele decorrente de uma conduta humana 
voluntária, causadora de um resultado penalmente típico, não querido pelo agente, 
previsível (culpa inconsciente) ou previsto (culpa consciente), o qual poderia ter sido 
evitado se o agente atuasse com o cuidado que lhe era exigível nas circunstâncias. 
Deste conceito podemos extrair os seis elementos do crime culposo: conduta 
humana voluntária; resultado involuntário; nexo; previsibilidade; inobservância do 
dever objetivo de cuidado e tipicidade. 
 
Excepcionalidade do crime culposo: o crime culposo é excepcional, isto é, 
regra geral não é punido; somente o será quando houver expressa previsão legal. É o 
que dispõe o art. 18, Parágrafo Único do CPB: 
Parágrafo único - Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por 
fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente. 
Por exemplo, o dano culposo não é punido, pois não existe previsão legal para 
tanto. 
Crime de resultado necessário: não existe homicídio culposo na forma 
tentada. 
Tipo penal aberto: o homicídio culposo é um exemplo de um tipo penal 
aberto, ou seja, um tipo penal em que não há uma descrição pormenorizada da conduta 
criminosa. O legislador apenas diz que o homicídio é culposo, sem especificar 
exatamente qual conduta humana configura o tipo. 
Modalidades de culpa (art. 18, II): 
Ocorre homicídio culposo quando o agente, com manifesta imprudência, 
negligência ou imperícia, deixa de empregar a atenção ou diligência de que era capaz, 
provocando, com sua conduta o resultado morte, previsto (culpa consciente) ou 
previsível (culpa consciente), porém jamais aceito ou querido. 
Tanto a imprudência, negligência ou imperícia são formas de violação do 
dever de cuidado. Agora, não adianta dizer que o autor foi imprudente, negligente ou 
imperito, é preciso, na denúncia, delinear em que consistiu a imprudência, negligência 
ou imperícia. 
Imprudência: é a prática de uma conduta arriscada ou perigosa, tendo 
caráter comissivo (ação). É a imprevisão ativa (culpa in faciendo ou in committendo). 
Conduta imprudente é aquela que se caracteriza pela intempestividade; 
 
 
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Negligência: é a displicência no agir, a falta de precaução, a indiferença do 
agente, que, podendo adotar cautelas necessárias, não o faz. É a imprevisão passiva, 
o desleixo, a inação (culpa in ommittendo). É não fazer o que deveria ser feito; 
Imperícia: é a ausência de capacidade ou insuficiência de conhecimentos 
técnicos para o exercício de arte, profissão ou ofício. 
 
Atenção: o homicídio culposo na direção de veículo automotor configura o 
art. 302 do CTB. 
Art. 302. Praticar homicídio culposo na direção de veículo automotor: 
Penas - detenção, de dois a quatro anos, e suspensão ou proibição de se obter 
a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor. 
 
Neste dispositivo temos uma pena restritiva de direitos cumulada com uma 
privativa de liberdade. O normal é a restritiva de direitos substituir a privativa de 
liberdade. 
 
Art. 121, § 3º do CPB Art. 302 do CTB 
- Pena: detenção de 1 a 3 anos; 
- Infração de médio potencial ofensivo 
(admite suspensão do processo) 
- Pena: detenção de 2 a 4 anos; 
- Infração de grande potencial ofensivo 
(não admite suspensão do processo). 
 
Esta diferença de tratamento é constitucional? 
Prevalece que o desvalor da conduta (no trânsito ela é mais perigosa) justifica 
a diferença de tratamento. 
Atenção: Conforme o § 1º do art. 302, no homicídio culposo no trânsito a 
pena será aumentada de 1/3 até metade quando o agente: 
- não possuir CNH; 
- praticar o crime na faixa de pedestres ou na calçada; 
- deixar de prestar socorro, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à vítima 
do acidente; 
- estiver transportando passageiros, no exercício de sua profissão ou atividade 
(motorista profissional que trabalha com o transporte de passageiros). 
A embriaguez ao volante, que já foi considerada também como causa de 
aumento, hoje é tratada como qualificadora, fazendo com que a pena passe de detenção 
de 2 a 4 anos para reclusão de 5 a 8 anos. 
Já no caso do crime racha, teremos o resultado morte como forma qualificada 
de referido delito, que vem previsto no art. 308 do CTB, o qual traz uma pena de 
reclusão de 5 a 10 anos. 
 
Majorantes do homicídio culposo (art. 121, § 4º, 1ª parte): 
§ 4
o
 No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 (um terço), se o crime 
resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício,em crimes preterdolosos. 
 
7 – Aborto Permitido: 
 
O art. 128 do Código Penal prevê duas hipóteses em que se permitirá a 
realização do aborto por médico: 
1ª) Aborto necessário, terapêutico ou profilático: quando não houver outro 
modo de salvar a vida da gestante: 
2ª) Aborto sentimental, humanitário ou ético: quando a gravidez resultar de 
estupro e houver consentimento da gestante ou de seu representante legal, no caso de 
incapaz. 
 
Qual a natureza jurídica desta autorização legal? 
A maioria da doutrina entende que, nestes casos, teremos uma excludente 
especial de ilicitude, não se descartando a possibilidade das tradicionais excludentes de 
ilicitude e de culpabilidade, a depender dos demais elementos do caso concreto. 
Especificamente quanto ao inciso I a doutrina é uníssona em dizer que se trata 
de estado de necessidade, chegando alguns a pontuar que seria dispensável tal previsão, 
diante do disposto no art. 24 do Código Penal. Fernando Capez, inclusive, aduz que o 
que distingue a causa especial de exclusão de ilicitude do art. 128, I para aquela prevista 
no art. 24 é que nesta exige-se um perigo atual, o que se dispensa naquela. 
Atenção: embora haja divergência quanto ao tema, ressalve-se que para 
Fernando Capez é desnecessária a concordância da gestante no caso acima, podendo, 
inclusive, o médico atuar contra sua vontade expressa. 
Por outro lado, cite-se doutrinadores como Rogério Greco, para o qual no caso 
do art. 128, II, estará presente uma excludente de culpabilidade: a inexigibilidade de 
conduta diversa, na medida em que não se pode exigir da gestante que leve à frente 
uma gravidez que resultou de uma violência sexual. 
 
 
DIREITO PENAL ESPECIAL III 
Professor César Cândido Neves Junior 
 
Para referido autor não se pode tratar tal hipótese como excludente de ilicitude, 
uma vez que a mesma não se enquadra em nenhuma das hipóteses previstas pelo 
Código Penal (Legítima Defesa, Estado de Necessidade, Estrito Cumprimento do Dever 
Legar e Exercício Regular de Direito). 
Obs. 1: Embora a causa especial de exclusão de pena exija a figura do médico, 
nada obsta que outras pessoas, como uma enfermeira, por exemplo, tenha sua conduta 
justificada. Mas nesse caso não estaremos tratando da causa especial, e sim daquelas 
comuns, como ocorre no inciso I, que pode restar configurado o estado de necessidade, 
e com o inciso II, em que a conduta do autor poder estar albergada pela excludente de 
culpabilidade da inexigibilidade de conduta diversa, a depender das circunstâncias do 
caso concreto. 
Obs. 2: Havendo divergência no consentimento dado pela representante legal 
da menor incapaz e na vontade desta, entende Greco que deverá prevalecer a opção pela 
vida. 
Obs. 3: O aborto sentimental também é permitido no caso de gravidez 
resultante de estupro de vulnerável. 
Obs. 4: No caso de aborto humanitário ou sentimental não se exige prévia 
autorização judicial ou mesmo processo judicial em curso. O que o médico precisar ter é 
convicção sobre a ocorrência do estupro, entendendo a jurisprudência do STF que seria 
necessário, ao menos, o boletim de ocorrência. 
 
11 – Casos especiais: 
 
- Aborto eugenésico, eugênico ou piedoso: é aquele realizado quando o feto 
possui alguma deformidade ou enfermidade incurável. Não é admitido pela nossa 
legislação. A vida intrauterina, perfeita ou não, deve ser protegida, não somente em 
razão das disposições penais, mas também, e principalmente, pela ampla proteção do 
direito à vida, albergada na Constituição Federal. Contudo, no caso de haver prova 
irrefutável de que o feto não terá qualquer condição de sobrevida, o STJ já decidiu que 
não se configurará o crime de aborto; 
- Aborto de anencéfalos: o STF, na ADPF nº 54, proposta pela Confederação 
Nacional dos Trabalhadores na Saúde, julgou a inconstitucionalidade da interpretação 
que entendia por configurados os tipos do art. 124, 125 e 125 no caso de aborto de 
anencéfalos. 
Tem se entendido que nestes casos não há que se falar nem mesmo em bem 
jurídico a ser protegido, uma vez que a atividade cerebral é imprescindível ao conceito 
de vida. A Lei n. 9.434/97, em seu art. 3º, permite a retirada post mortem de tecidos e 
órgãos do corpo humano, uma vez comprovada a morte encefálica, ou seja, sem 
atividade cerebral, para o Direito brasileiro, não há mais vida a ser protegida. 
 
- Aborto social ou econômico: ocorre quando o nascimento do filho implica 
em um dispêndio financeiro que a família, dada sua miserabilidade, não tem condições 
de arcar. Totalmente inadmissível pelo Direito brasileiro.

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