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2 
Olá, Alunos! 
 
Sejam bem-vindos! 
 
Esse material foi elaborado com muito carinho para que você 
possa absorver da melhor forma possível os conteúdos e se 
preparar para a sua 2ª fase, e deve ser utilizado de forma 
complementar junto com as aulas. 
 
Qualquer dúvida ficamos à disposição via plataforma 
“pergunte ao professor”. 
 
Lembre-se: o seu sonho também é o nosso! 
Bons estudos! Estamos com você até a sua aprovação! 
 
Com carinho, 
Equipe Ceisc ♥ 
 
 
 
 
 
3 
 
2ª FASE OAB | PENAL | 41º EXAME 
Direito Penal 
 
 SUMÁRIO 
Arrependimento posterior
1.1. Introdução ......................................................................................................6
1.2. Requisitos .......................................................................................................6
1.3. Critério para redução da pena ........................................................................7
1.4. Como pode cair ..............................................................................................8
1.5. Reparação do dano ou restituição da coisa em situações específicas...........8
1.6. Questões ........................................................................................................9 
Crime Impossível
2.1. Introdução ....................................................................................................12
2.2. Crime impossível por ineficácia absoluta do meio ........................................12
2.3. Crime impossível por impropriedade absoluta do objeto ..............................13
2.4. Como pode cair ............................................................................................14
2.5. Questões: .....................................................................................................14 
Erro de tipo
3.1. Erro de tipo essencial ...................................................................................17
3.1.1. Introdução .................................................................................................17
3.1.2. Erro de tipo essencial invencível, inevitável ou escusável ........................19
3.1.3. Erro de tipo essencial vencível, evitável ou inescusável ...........................20
3.1.4. Como pode cair .........................................................................................22
3.1.5. Questões: ..................................................................................................23
3.2. Erro de tipo acidental....................................................................................24
3.2.1. Erro sobre o objeto ....................................................................................25
3.2.2. Erro sobre a pessoa ..................................................................................26
4 
3.2.2.1. Consequência.........................................................................................26
3.2.2.2. Como pode cair ......................................................................................27
3.2.3. Erro na execução (ABERRATIO ICTUS) ...................................................28
3.2.3.1. Introdução ..............................................................................................28
3.2.3.2. Aberratio ictus com unidade simples ......................................................29
3.2.3.3. Aberratio ictus com resultado duplo .......................................................30
3.2.3.4. Como pode cair ......................................................................................31
3.2.4. Resultado diverso do pretendido (aberratio criminis) ................................32
3.2.4.1. Conceito .................................................................................................32
3.2.4.2. Espécies .................................................................................................32
3.2.4.3. Como pode cair ......................................................................................33
3.3. Questões: .....................................................................................................34
3.4. Erro Provocado Por Terceiro ........................................................................36
Padrão Resposta...................................................................................................................... 38
 
 
Olá, aluno(a). Este material de apoio foi organizado com base nas aulas do curso preparatório 
para a 2ª Fase do 41º Exame da OAB e deve ser utilizado como um roteiro para as respectivas 
aulas. Além disso, recomenda-se que o aluno assista as aulas acompanhado da legislação 
pertinente. 
 
Bons estudos, Equipe Ceisc. 
Atualizado em julho de 2024. 
5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6 
Arrependimento posterior 
Prof. Nidal Ahmad 
@prof.nidal 
1.1. Introdução 
Trata-se de causa obrigatória de diminuição da pena que incide quando o agente, 
responsável pelo crime praticado sem violência ou grave ameaça à pessoa, repara o dano 
provocado ou restitui a coisa, desde que por ato voluntário do agente, até o recebimento da 
denúncia ou da queixa. 
Difere do arrependimento eficaz, porque o arrependimento é manifestado após a 
consumação do delito até o recebimento da denúncia. Por isso, chama-se arrependimento 
posterior. 
 
1.2. Requisitos 
a) Crime cometido sem violência ou grave ameaça à pessoa 
Nos termos do artigo 16 do Código Penal, cabe arrependimento posterior nos crimes 
praticados sem violência ou grave ameaça à pessoa. 
Não se restringe aos crimes contra o patrimônio, podendo ser aplicado a qualquer delito 
compatível com a reparação do dano decorrente da conduta do agente. Por isso, entende-se, 
por exemplo, possível a aplicação do arrependimento posterior no peculato doloso (CP, art. 
312). 
Se a reparação do dano ou restituição da coisa foi realizada no contexto de crime 
praticado com violência ou grave ameaça, como o roubo, por exemplo, não incidirá o 
arrependimento posterior, podendo incidir a atenuante genérica prevista no art. 65, III, b, do CP. 
b) Reparação do dano ou restituição da coisa 
A reparação do dano ou restituição da coisa deve ser voluntária, pessoal e integral. 
A reparação do dano ou restituição da coisa deve ser realizada de modo voluntário. Não 
é necessário que seja espontâneo. Logo, pode ser por meio de conselho ou sugestão de 
terceiro, uma vez que o ato, embora não espontâneo, foi voluntário (aceitou o conselho ou 
sugestão porque quis). 
7 
A reparação do dano ou restituição da coisa deve ser sempre integral, podendo, no 
entanto, ser parcial mediante concordância da vítima. 
A recusa do ofendido em aceitar a reparação do dano ou restituição da coisa não impede 
a redução da pena pelo arrependimento posterior. 
c) Até o recebimento da denúncia ou queixa 
A reparação do dano ou restituição da coisa deve ser realizada até o recebimento da 
denúncia ou queixa. Trata-se de um limite temporal. 
Se a reparação do dano ou restituição da coisa ocorrer após o recebimento da denúncia 
ou da queixa, mas até sentença, aplica-se a atenuante genérica prevista no art. 65, III, b, do 
CP. 
O quadro abaixo ilustra os momentos de incidência dos institutos da desistência 
voluntária, arrependimento eficaz, arrependimento posterior e atenuante genérica. 
*Para todos verem: Esquema. 
 
Assim, se o agente subtraiu uma TV do seu local de trabalho e, ao chegar em casa com 
a coisa subtraída, é convencido pela esposa a devolvê-la, o que efetivamente vem a fazer no 
dia seguinte, mesmo quando o fato já havia sido registrado na delegacia, haverá 
arrependimento posterior, com reflexo na dosimetria da pena. 
 
1.3. Critério para redução da pena 
O arrependimento posterior constitui causa de diminuição da pena, devendo ser 
observadode advogado(a), assumir a causa e apresentar memoriais. Com base 
nas informações expostas, responda, como advogado(a) contratado por Gilberto, aos itens a 
seguir. 
 
41 
A) Existe argumento de direito material a ser apresentado em favor de Gilberto para evitar 
sua condenação? (Valor: 0,60) 
B) Qual o argumento de direito processual a ser apresentado em memoriais para 
questionar toda a instrução produzida? (Valor: 0,65) 
Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal 
não confere pontuação. 
 
Gabarito Comentado 
A) Sim, o argumento de direito material a ser apresentado em favor de Gilberto é o requerimento 
da extinção da punibilidade, nos termos do artigo 312, § 3º, do Código Penal. Isso porque, no 
dia anterior à audiência, Gilberto ressarciu a Administração do prejuízo causado, havendo a 
reparação do dano antes de ser proferida sentença irrecorrível. 
B) O argumento de direito processual a ser apresentado é o de que houve nulidade do processo, 
por violação do disposto no artigo 514 do Código de Processo Penal. Isso porque não houve 
notificação do réu para apresentação de defesa prévia, antes do recebimento da denúncia, 
havendo violação do princípio do contraditório e da ampla defesa, nos termos do artigo 514 do 
Código de Processo Penal e art. 5º, LV, da Constituição Federal/88. 
3) QUESTÃO 3 – IX EXAME – 2012-3 
Mário está sendo processado por tentativa de homicídio, uma vez que injetou substância 
venenosa em Luciano, com o objetivo de matá-lo. No curso do processo, uma amostra da 
referida substância foi recolhida para análise e enviada ao Instituto de Criminalística, ficando 
comprovado que, pelas condições de armazenamento e acondicionamento, a substância não 
fora hábil para produzir os efeitos a que estava destinada. Mesmo assim, arguindo que o 
magistrado não estava adstrito ao laudo, o Ministério Público pugnou pela pronúncia de Mário 
nos exatos termos da denúncia. Com base apenas nos fatos apresentados, responda 
justificadamente: 
A) O magistrado deveria pronunciar Mário, impronunciá-lo ou absolvê-lo sumariamente? 
(Valor: 0,65) 
B) Caso Mário fosse pronunciado, qual seria o recurso cabível, o prazo de interposição 
e a quem deveria ser endereçado? (Valor: 0,60) 
42 
Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal 
não confere pontuação. 
 
Gabarito Comentado 
A) Deveria absolvê-lo sumariamente, por força do art. 415, III, do CPP. Isso porque o caso 
retratado se trata de crime impossível, previsto no artigo 17 do Código Penal, já que pelas 
condições de armazenamento e acondicionamento, a substância injetada em Luciano, não fora 
hábil para produzir os efeitos a que estava destinada. Logo, o fato não constitui crime, diante 
da atipicidade da conduta de Mário. 
B) É cabível recurso em sentido estrito, com base no artigo art. 581, IV, do CPP; deve ser 
interposto no prazo de cinco dias, nos termos do artigo 586 do CPP, a petição de interposição 
deve ser endereçada ao juiz de 1º grau, que proferiu a decisão, as razões deverão ser 
endereçadas ao Tribunal de Justiça. 
 
4) QUESTÃO AUTORAL 
Wilson, irado e nervoso, entra em sua casa, após séria e acirrada discussão com Tobias, seu 
vizinho, com quem tem profunda desavença. Desesperado, apanha a primeira arma que 
visualiza. Na sequência, sai ao encalço do vizinho e, tomado por violenta emoção, aponta-lhe 
a arma, acionando o gatilho várias vezes. Porém, nenhum disparo é detonado, sendo Wilson 
detido por populares, que chamaram a polícia. Instaurado inquérito policial, a arma foi 
apreendida e encaminhada a perícia, que constatou que a arma não deflagraria qualquer tiro, 
porque apresentava defeito. O Ministério Público ofereceu denúncia contra Wilson, pela prática 
do delito de tentativa de homicídio. Após regular instrução, o Magistrado pronunciou Wilson 
como incurso no delito do artigo 121, “caput”, c/c o artigo 14, inciso II, ambos do Código Penal. 
Analise o caso narrado e, com base apenas nas informações dadas, responda, 
fundamentadamente, aos itens a seguir: 
 
A) Qual a peça cabível contra a decisão proferida pelo Magistrado? 
B) Qual tese de direito material pode ser invocada para absolvição de Wilson? 
Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal 
não confere pontuação. 
 
 
43 
Gabarito Comentado 
A) A peça cabível é a interposição de Recurso em Sentido Estrito, com base no artigo 581, 
inciso IV, do Código de Processo Penal. 
B) A tese de direito material que pode ser invocada para absolvição de Wilson seria a 
atipicidade da conduta, em face do crime impossível, nos termos do artigo 17 do Código Penal. 
Isso porque, conforme perícia realizada na arma de fogo, não haveria possibilidade de disparo, 
restando comprovada a ineficácia absoluta do meio. Logo, deve o juiz proferir sentença de 
absolvição sumária, com fundamento no artigo 415, inciso III, do Código de Processo Penal. 
 
5) QUESTÃO AUTORAL 
Mariquinha, apavorada com o fato de ter engravidado de seu namorado, Félix Solano, de vinte 
e oito anos de idade, resolveu interromper a gravidez, provocando a morte do feto. Diante disso, 
após ingerir medicamento contendo substância abortiva, começou a passar mal, sendo levada 
ao hospital, oportunidade em que revelou ao médico a substância ingerida, recebendo a notícia 
de que o feto estava bem e em desenvolvimento. Observando o seu dever de ofício, o médico 
comunicou o fato à autoridade policial, que, de imediato, deslocou-se até o hospital. No curso 
do inquérito policial, uma amostra da referida substância foi recolhida para análise e enviada 
ao Instituto de Criminalística, ficando comprovado que, pelas condições de armazenamento e 
quantidade ingerida, não seria hábil para produzir os efeitos a que estava destinada, qual seja, 
causar o aborto. A autoridade policial concluiu o inquérito policial e encaminhou ao Ministério 
Público, que, após constatar que Mariquinha respondia a outro processo criminal, ofereceu 
denúncia, imputando a ela a prática do delito aborto tentado, previsto no artigo 124, c/c o artigo 
14, inciso II, ambos do Código Penal. Durante a instrução, Mariquinha exerceu o seu direito de 
permanecer em silêncio. Encerrada a instrução, após apresentação das alegações derradeiras 
pelas partes, o Magistrado proferiu decisão de pronúncia, encaminhando a ré a Júri pela prática 
do crime do artigo 124 c/c o artigo 14, inciso II, ambos do Código Penal. A defesa foi intimada 
para apresentar a peça correspondente no dia 20 de novembro de 2017 (segunda-feira). Em 
face dessa situação hipotética, analise o caso narrado e, com base apenas nas informações 
dadas, responda, fundamentadamente, aos itens a seguir. 
 
A) Qual recurso cabível contra a decisão proferido pelo Magistrado? 
B) Qual a tese de direito material pode ser adotada em favor de Mariquinha? 
44 
Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal 
não confere pontuação. 
 
Gabarito Comentado 
A) O recurso cabível é o Recurso em Sentido Estrito, com base no artigo 581, IV, do Código de 
Processo Penal. 
B) A tese de direito material que pode ser adotada em favor de Mariquinha seria a atipicidade 
da conduta, em face do crime impossível, previsto no artigo 17 do Código Penal. Isso porque o 
meio utilizado era absolutamente ineficaz para produzir o resultado pretendido, uma vez que 
uma amostra da substância ingerida foi recolhida para análise e enviada ao Instituto de 
Criminalística, ficando comprovado que, pelas condições de armazenamento e quantidade 
ingerida, não seria hábil para produzir os efeitos a que estava destinada, qual seja, causar o 
aborto. Logo, deve ser proferida sentença de absolvição sumária, com base no artigo 415, 
inciso III, do Código de Processo Penal. 
 
Questões Erro de Tipo 
6) QUESTÃO 2 – VII EXAME– 2012-1 
Larissa, senhora aposentada de 60 anos, estava na rodoviária de sua cidade quando foi 
abordada por um jovem simpático e bem vestido. O jovem pediu-lhe que levasse, para a cidade 
de destino, uma caixa de medicamentos para um primo, que padecia de grave enfermidade. 
Inocente e seguindo seus preceitos religiosos, a Sra. Larissa atende ao rapaz: pega a caixa, 
entra no ônibus e segue viagem. Chegando ao local da entrega, a senhora é abordada por 
policiais que, ao abrirem a caixa de remédios, verificam a existência de 250 gramas de cocaína 
em seu interior. Atualmente, Larissa está sendo processada pelo crime de tráfico de 
entorpecente, previsto no art. 33 da Lei nº 11.343, de 23 de agosto de 2006. 
Considerando a situação anteriormente descrita e empregando os argumentos jurídicos 
apropriados e a fundamentação legal pertinente, responda: qual é a tese defensiva 
aplicável à Larissa? (Valor: 1,25). 
Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal 
não confere pontuação. 
 
Gabarito Comentado 
45 
A tese defensiva aplicável é a de atipicidade da conduta, já que Larissa agiu em erro de tipo 
essencial, previsto no artigo 20, “caput”, do Código Penal. Isso porque Larissa não sabia que 
estava transportando drogas, supondo ser uma caixa de medicamentos. Nesse caso, há a 
exclusão do dolo, e, como não existe crime de tráfico na modalidade culposa, o fato será atípico. 
 
7) QUESTÃO 1 – V EXAME – 2011-2 
Antônio, pai de um jovem hipossuficiente preso em flagrante delito, recebe de um serventuário 
do Poder Judiciário Estadual a informação de que Jorge, defensor público criminal com 
atribuição para representar o seu filho, solicitara a quantia de dois mil reais para defendê-lo 
adequadamente. Indignado, Antônio, sem averiguar a fundo a informação, mas confiando na 
palavra do serventuário, escreve um texto reproduzindo a acusação e o entrega ao juiz titular 
da vara criminal em que Jorge trabalha como defensor público. Ao tomar conhecimento do 
ocorrido, Jorge apresenta uma gravação em vídeo da entrevista que fizera com o filho de 
Antônio, na qual fica evidenciado que jamais solicitara qualquer quantia para defendê-lo, e 
representa criminalmente pelo fato. O Ministério Público oferece denúncia perante o Juizado 
Especial Criminal, atribuindo a Antônio o cometimento do crime de calúnia, praticado contra 
funcionário público em razão de suas funções, nada mencionando acerca dos benefícios 
previstos na Lei nº 9.099/95. Designada Audiência de Instrução e Julgamento, recebida a 
denúncia, ouvidas as testemunhas, interrogado o réu e apresentadas as alegações orais pelo 
Ministério Público, na qual pugnou pela condenação na forma inicial, o magistrado concede a 
palavra à Vossa Senhoria para apresentar alegações finais orais. Em relação à situação 
anterior, responda aos itens a seguir, empregando os argumentos jurídicos apropriados e a 
fundamentação legal pertinente ao caso: 
A) O Juizado Especial Criminal é competente para apreciar o fato em tela? (Valor: 0,30) 
B) Antônio faz jus a algum benefício da Lei nº 9.099/95? Em caso afirmativo, qual(is)? 
(Valor: 0,30) 
C) Antônio praticou crime? Em caso afirmativo, qual? Em caso negativo, por que razão? 
(Valor: 0,65) 
Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal 
não confere pontuação. 
 
46 
Gabarito Comentado 
A) Não, o Juizado Especial não é o Juízo competente para apreciar o fato, já que a pena máxima 
cominada ao delito é superior a dois anos, conforme se extrai do artigo 61 da Lei 9099/95. Isso 
porque a ofensa foi praticada contra funcionário público em razão da função, incidindo a causa 
de aumento de pena de 1/3 prevista no artigo 141, II, do CP, razão pela qual a pena máxima 
cominada ao delito será superior a dois anos. 
B) Sim, suspensão condicional do processo, já que preenchidos os requisitos do art. 89 da Lei 
nº 9.099/1995, uma vez que o crime prevê pena mínima não superior a um ano, o réu é primário 
e não responde a outro processo pela prática de crime. 
C) Antônio não praticou crime, diante da atipicidade da conduta, já que agiu em erro de tipo 
vencível/inescusável, previsto no artigo 20, “caput”, do Código Penal. Isso porque haverá a 
exclusão do dolo, respondendo o agente pelo crime na sua modalidade culposa. Como não 
existe calúnia na modalidade culposa, o fato será atípico. 
 
8) QUESTÃO 2 – OAB FGV – X EXAME – 2013-11 
Maria, mulher solteira de 40 anos, mora no Bairro Paciência, na cidade Esperança. Por conta 
de seu comportamento, sempre foi alvo de comentários maldosos dos vizinhos; alguns até 
chegavam a afirmar que ela tinha “cara de quem cometeu crime”. Não obstante tais 
comentários, nunca houve prova de qualquer das histórias contadas, mas o fato é que Maria é 
conhecida na localidade onde mora por ter má índole, já que sempre arruma brigas e 
inimizades. Certo dia, com raiva de sua vizinha Josefa, Maria resolve quebrar a janela da 
residência desta. Para tanto, espera chegar a hora em que sabia que Josefa não estaria em 
casa e, após olhar em volta para ter certeza de que ninguém a observava, arremessa com 
força, na direção da casa da vizinha, um enorme tijolo. Ocorre que Josefa, naquele dia, não 
havia saído de casa e o tijolo, após quebrar a vidraça, atinge também sua nuca. Josefa falece 
instantaneamente. Nesse sentido, tendo por base apenas as informações descritas no 
enunciado, responda justificadamente: É correto afirmar que Maria deve responder por 
homicídio doloso consumado? (Valor: 1,25). 
Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal 
não confere pontuação. 
 
Gabarito comentado 
47 
Não é correto afirmar que Maria deve responder por homicídio doloso consumado, diante da 
aplicação do resultado diverso do pretendido, previsto no artigo 74 do Código Penal. Isso 
porque Maria pretendia quebrar a janela da residência de Josefa, e, por erro na execução e 
acidente, atingiu também Josefa, causando sua morte. Assim, além do resultado pretendido, 
consistente no crime de dano, ocorreu o resultado diverso do pretendido, devendo, nesse caso, 
responder por homicídio culposo, já que existe homicídio na modalidade culposa. Como com 
uma única ação, Maria praticou o crime de dano, previsto no artigo 163 do Código Penal, e 
homicídio culposo, previsto no artigo 121, § 3º, do Código Penal, com aplicação do concurso 
formal perfeito ou próprio de crimes, nos termos do artigo 70 do Código Penal, que determina 
a majoração da pena do crime mais grave de 1/6 até 1/2. 
 
9) QUESTÃO AUTORAL 
No dia 15 de março de 2013, Silas Graça teria desferido um golpe de faca contra Max Novaes, 
acertando, todavia, Leleco, que estava próximo a eles. Em razão disso, após a conclusão do 
inquérito policial, o Ministério Público ofereceu denúncia contra Silas, imputando-lhe a prática 
do delito do artigo 121, “caput”, do Código Penal, já que Leleco teria falecido. Durante a 
instrução, Silas afirmou que Max partiu em sua direção com uma faca, buscando matá-lo. 
Acrescentou que, para se defender da agressão perpetrada por Max, sacou de sua faca e 
desferiu um golpe contra o agressor, que desviou, tendo, em razão disso, atingido Leleco, que 
estava próximo a eles. Tal versão foi confirmada pelas testemunhas anteriormente ouvidas pelo 
Magistrado. Encerrada a instrução, após manifestação do Ministério Público, que pugnou pela 
pronúncia, nos termos da denúncia, a defesa de Silas foi intimada no dia 10 de julho de 2015 
(sexta-feira) para apresentar a peça correspondente. Analise o caso narrado e, com base apnas 
nas informações dadas, responda, fundamentadamente, aos itens a seguir. 
 
A) Qual o meio de impugnação cabível e o último dia do prazo para apresentá-lo? 
B) Qual(is) o(s) argumento(s) e o pedido a ser formulado em favor de Silas? 
Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentarsuas respostas. A mera citação do dispositivo legal 
não confere pontuação. 
 
Gabarito Comentado 
A) O meio de impugnação cabível é o oferecimento de Memoriais, com base no artigo 403, §3º 
do Código de Processo Penal, sendo que o último dia do prazo será no dia 17 de julho de 2015. 
48 
B) O argumento de direito material que pode ser adotado em favor de Silas seria a incidência 
do erro na execução, previsto no artigo 73 do Código Penal, e, por consequência, legítima 
defesa, causa de exclusão da ilicitude, prevista no artigo 23, II, e 25, ambos do Código Penal. 
Isso porque, para se defender da agressão perpetrada por Max, Silas sacou de sua faca e 
desferiu um golpe contra o agressor, que desviou, tendo, por acidente e erro na execução, 
atingido Leleco, que estava próximo a eles. Logo, como devem ser consideradas as condições 
ou qualidades da pessoa pretendida, que, no caso, seria o agressor injusto, Silas agiu em 
legítima defesa. Assim, deve o juiz proferir sentença de absolvição sumária, com base no artigo 
415, IV, do Código de Processo Penal. 
 
10) QUESTÃO AUTORAL 
Wilson, pretendendo matar Lucas, de 59 anos, realiza disparos de arma de fogo contra um 
homem que estava na varanda da residência da vítima, causando a morte deste. Wilson, então, 
deixa o local satisfeito, por acreditar ter concluído seu intento delitivo, mas vem a descobrir que 
matara um amigo de Lucas, de 70 anos, que, de costas, era com ele parecido. Após conclusão 
do inquérito policial, o Ministério Público ofereceu denúncia contra Wilson, imputando-lhe a 
prática do crime de homicídio doloso, com a causa de aumento de pena em razão da idade da 
vítima atingida (art. 121, § 4º, do Código Penal). Após regular instrução, o Ministério Público 
pugnou pela pronúncia nos termos da denúncia. A defesa foi intimada no dia 11 de novembro 
de 2020, que caiu numa quarta-feira, para se manifestar. Com base na hipótese apresentada, 
responda, na condição de advogado(a) de Wilson, fundamentadamente, aos itens a seguir. 
 
A) Qual peça deverá ser apresentada pela defesa de Wilson e qual o último dia do prazo? 
Justifique. 
B) Existe argumento de direito material a ser apresentado em favor de Wilson em busca 
de uma decisão mais branda do que a postulado pelo Ministério Público? Justifique 
Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal 
não confere pontuação. 
 
Gabarito Comentado 
A) A peça cabível seria memoriais, com base no artigo 403, § 3º, do Código de Processo Penal. 
O último dia do prazo seria dia 16.11.2020. 
49 
B) O argumento de direito material a ser apresentado em favor de Wilson para questionar a 
capitulação atribuída pelo Ministério Público na denúncia seria a incidência do erro sobre a 
pessoa, previsto no artigo 20, §3º, do Código Penal. Isso porque Wilson pretendia matar Lucas, 
mas, por erro na identificação, acabou matando um amigo de Lucas, que contava com 70 
(setenta) anos de idade. Logo, deve-se considerar as condições e qualidades da vítima 
pretendida, qual seja, Lucas, que contava com 59 (cinquenta e nove) anos de idade. Assim, 
deve ser afastada a causa de aumento de pena, prevista no artigo 121, §4º, do Código Penal, 
já que a vítima pretendida contava com a idade inferior a 60 (sessenta) anos. 
 
 
 
 
 
50o patamar de 1/3 a 2/3. 
Para definir o quantum da redução, o juiz deve considerar a celeridade da reparação do 
dano ou restituição da coisa, bem como o grau de voluntariedade do agente. Quanto mais 
Durante a 
execução
•Desistência 
voluntária
Esgotada a 
execução
•Arrependimento 
eficaz
Consumação
•Arrependimento 
posterior
Recebimento 
da denúncia ou 
queixa
•Atenuante 
genérica do 
art. 65, III, b, 
do CP
8 
célere e sincera a reparação do dano ou restituição da coisa, maior será a redução da pena; 
quanto mais distante do fato a reparação do dano ou a restituição da coisa e menos sincera, 
menor será a redução da pena. 
 
1.4. Como pode cair 
Pode cair em questões dissertativas, sobretudo para diferenciar da atenuante da 
reparação do dano. 
Na peça, trata-se de tese subsidiária, já que constitui causa de diminuição da pena. E, 
nesse caso, deve-se buscar a redução na fração máxima, ou seja, de 2/3. 
 
1.5. Reparação do dano ou restituição da coisa em situações 
específicas 
a) Peculato culposo 
Nos termos do art. 312, § 3º, do CP, no caso do peculato culposo, se anterior à sentença 
transitada em julgado, a reparação é causa de extinção da punibilidade; se a reparação do dano 
for posterior à sentença irrecorrível, incidirá causa de diminuição da pena até metade da pena 
imposta. 
Se o peculato for doloso, a reparação antes do recebimento da denúncia ensejará a 
incidência do arrependimento posterior, tendo como consequência a diminuição da pena de 1/3 
a 2/3, nos termos do art. 16 do CP. Se a reparação do dano ocorrer após o recebimento da 
denúncia, incidirá a atenuante genérica do art. 65, III, b, do CP. 
b) Estelionato mediante emissão de cheque sem fundos 
No caso da emissão de cheque sem suficiente provisão de fundos, a reparação do dano 
até o recebimento da denúncia impede o prosseguimento da ação penal, adotando-se uma 
interpretação a contrario sensu da Súmula nº 554 do STF. 
Nesse caso, segundo a doutrina, haveria uma causa supralegal de extinção da 
punibilidade, porque o delito de estelionato exige como pressuposto necessário à sua 
consumação o efetivo prejuízo da vítima. 
 
 
9 
 
1.6. Questões 
1) QUESTÃO 4 – XXXIV Exame – 2022-2 
Geraldo, 30 anos, constrangeu Eugênia, desconhecida que passava pela rua, mediante grave 
ameaça, a transferir R$ 2.000,00 (dois mil reais) para sua conta. Diante da grave ameaça, 
Eugênia compareceu ao estabelecimento bancário com Geraldo e fez a transferência devida, 
sendo liberada em seguida. Eugênia, nervosa, compareceu à sede policial e narrou o ocorrido, 
sendo instaurado inquérito para identificação do autor do fato. Ocorre que Geraldo, no dia 
seguinte, antes de qualquer denúncia, arrependeu-se de sua conduta e transferiu de volta para 
a conta de Eugênia todo o valor antes obtido de maneira indevida. Confirmada a autoria, o 
Ministério Público ofereceu denúncia em face de Geraldo pela prática do crime de extorsão 
simples consumada (Art. 158, caput, do Código Penal), sendo decretada sua prisão preventiva, 
em razão da gravidade do fato e da reincidência. Durante audiência de instrução e julgamento, 
foi ouvida a vítima, que confirmou os fatos narrados na denúncia. O réu permaneceu em sala 
10 
de audiência, e o reconhecimento foi realizado ao final da oitiva da vítima, ainda no local, sob 
o argumento de que, como havia muitos presos no Fórum, não haveria policiais suficientes para 
transporte de presos até a sala de reconhecimento. Assim, Eugênia apenas apontou para o 
denunciado e disse que ele seria o autor. As demais testemunhas esclareceram que não 
presenciaram o ocorrido. Com base no reconhecimento realizado, foi o réu condenado nos 
termos da denúncia, sendo aplicada pena base de 04 anos; pena intermediária de 04 anos e 
03 meses em razão da reincidência, não sendo reconhecidas atenuantes ou outras agravantes; 
na terceira fase, não foram reconhecidas causas de aumento ou de diminuição de pena. O 
regime inicial aplicado foi o fechado. Intimado da sentença, esclareça, na condição de advogado 
de Geraldo em atuação em recurso de apelação, os itens a seguir. 
 
A) Qual argumento de direito processual poderá ser apresentado para questionar a 
produção probatória em audiência? Justifique. (Valor: 0,65) 
B) Qual argumento de direito material poderá ser apresentado, caso mantida a 
condenação, em busca da redução da pena aplicada? Justifique. (Valor: 0,60) 
Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal 
não confere pontuação. 
 
2) QUESTÃO 1 – XXXI Exame – 2022-3 
Após receber informações de que teria ocorrido subtração de valores públicos por funcionários 
públicos no exercício da função, inclusive com vídeo das câmeras de segurança da repartição 
registrando o ocorrido, o Ministério Público ofereceu, sem prévio inquérito policial, uma única 
denúncia em face de Luciano e Gilberto, em razão da conexão, pela suposta prática do crime 
de peculato, sendo que, ao primeiro, foi imputada conduta dolosa e, ao segundo, conduta 
culposa. De acordo com a denúncia, Gilberto, funcionário público, com violação do dever de 
cuidado, teria contribuído para a subtração de R$ 2.000,00 de repartição pública por parte de 
Luciano, que teria tido sua conduta facilitada pelo cargo público que exercia. Diante da 
reincidência de Gilberto, já condenado definitivamente por roubo, não foram à ele oferecidos os 
institutos despenalizadores. O magistrado, de imediato, sem manifestação das partes, recebeu 
a denúncia e designou audiência de instrução e julgamento. No dia anterior à audiência, 
Gilberto ressarciu a Administração do prejuízo causado. Com a juntada de tal comprovação, 
após a audiência, foram os autos encaminhados às partes para apresentação de alegações 
finais. O Ministério Público, diante da confirmação dos fatos, requereu a condenação dos réus 
11 
nos termos da denúncia. Insatisfeito com a assistência técnica que recebia, Gilberto procura 
você para, na condição de advogado(a), assumir a causa e apresentar memoriais. Com base 
nas informações expostas, responda, como advogado(a) contratado por Gilberto, aos itens a 
seguir. 
 
A) Existe argumento de direito material a ser apresentado em favor de Gilberto para evitar 
sua condenação? (Valor: 0,60) 
B) Qual o argumento de direito processual a ser apresentado em memoriais para 
questionar toda a instrução produzida? (Valor: 0,65) 
Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal 
não confere pontuação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
12 
Crime Impossível 
 
Prof. Nidal Ahmad 
@prof.nidal 
2.1. Introdução 
O crime impossível está previsto no art. 17 do CP. Trata-se de hipótese de tentativa não 
punível, verificando-se quando a ineficácia absoluta do meio empregado na execução do delito 
ou impropriedade absoluta do objeto sobre o qual recaiu a conduta do agente tornam impossível 
a consumação do crime. 
Embora o art. 17 do CP contenha a expressão “não se pune a tentativa”, o que poderia 
revelar eventual causa de isenção de pena, o crime impossível, na verdade, tem natureza 
jurídica de causa excludente da tipicidade. 
 
2.2. Crime impossível por ineficácia absoluta do meio 
O crime impossível por ineficácia absoluta do meio guarda relação com o meio de 
execução ou instrumento utilizado pelo agente, que, por sua natureza, será incapaz de produzir 
qual- quer resultado, ou seja, jamais alcançará a consumação do delito. 
Constitui crime impossível, por ineficácia absoluta do meio, a conduta da gestante que 
busca interromper a gravidez com a morte do feto, fazendo uso de substância que não tem 
efeito abortivo, como, por exemplo, chá de boldo. 
Da mesma forma, trata-se de crime impossível a conduta do agente que, penalmente 
imputável, pretendendo matar seu desafeto, aponta em sua direção arma de fogo que não 
realizanenhum disparo em razão de defeito estrutural que, de forma absoluta, impede o seu 
funcionamento. 
Não será punida, ainda, a conduta do agente que portava arma de fogo inapta para 
efetuar qualquer disparo. É o que decidiu o STJ
O crime impossível se caracteriza quando a ineficácia do meio for absoluta. A ineficácia 
do meio, quando relativa, leva à tentativa e não ao crime impossível, por aplicação da teoria 
objetiva temperada, adotada pelo Código Penal. 
Há ineficácia relativa do meio quando, não obstante eficaz à produção do resultado, este 
não ocorre por circunstâncias acidentais. É o caso do agente que pretende desfechar um tiro 
13 
de revólver contra a vítima, mas a arma nega o disparo, por defeito daquele projétil específico, 
embora os demais que constavam no tambor fossem aptos a efetuar disparos. 
 
2.3. Crime impossível por impropriedade absoluta do objeto 
O crime impossível pela impropriedade absoluta do objeto guarda relação com o objeto 
material, compreendendo a pessoa ou coisa, sobre o qual recai a conduta do agente. 
O objeto será absolutamente impróprio quando inexistente ao tempo da conduta do 
agente ou, ainda, pelas circunstâncias em que se encontra, afigura-se impossível a produção 
do resultado visado pelo agente. 
Tomemos como exemplo a conduta do agente, que, ao pretender matar a vítima, desfere 
vários disparos de arma de fogo contra o corpo dela, verificando-se, após, que, ao receber os 
disparos, já se encontrava morta, em decorrência de ter sofrido, momentos antes, fulminante 
ataque cardíaco. Nesse caso, é evidente a impropriedade absoluta do objeto, diante da 
impossibilidade de ceifar a vida de pessoa que já estava morta. 
Da mesma forma, caracteriza crime impossível pela impropriedade absoluta do objeto a 
conduta da mulher que ingere substância abortiva, demonstrando-se, após, que jamais 
estivera grávida. Trata-se de fato atípico, pois não há objeto material a ser atingido (feto com 
vida intrauterina), não sendo possível, pois, punir a mulher nem mesmo a título de tentativa de 
aborto. 
Considera-se, ainda, crime impossível por impropriedade absoluta do objeto a conduta 
do punguista que pretende subtrair a carteira da vítima, que, ao tempo da ação, não trazia 
consigo nenhuma quantia ou bem com valor econômico. 
 
Se a impropriedade do objeto for relativa, o agente poderá ser responsa-
bilizado criminalmente ao menos na modalidade tentada. 
 
Assim, se o punguista, buscando subtrair a carteira da vítima, coloca a mão no seu bolso 
direito, quando, na verdade, o objeto material se encontra no bolso esquerdo, haverá, à 
evidência, tentativa de furto, já que se trata de uma circunstância meramente acidental que não 
torna impossível o crime. A existência de qualquer bem com a vítima impede o reconhecimento 
da impropriedade absoluta do objeto. 
14 
2.4. Como pode cair 
Pode cair em questões dissertativas e como tese absolutória de peça. Por se tratar de 
causa de exclusão da tipicidade: 
 
 
 
2.5. Questões: 
3) QUESTÃO 3 – IX EXAME – 2012-3 
Mário está sendo processado por tentativa de homicídio, uma vez que injetou substância 
venenosa em Luciano, com o objetivo de matá-lo. No curso do processo, uma amostra da 
referida substância foi recolhida para análise e enviada ao Instituto de Criminalística, ficando 
• Se for resposta à acusação: absolvição sumária, com base no artigo 397, III, do 
CPP 
• Se for memoriais ou apelação no procedimento comum: absolvição, com base no 
artigo 386, III, do CPP 
• Se for memoriais ou recurso em sentido estrito no procedimento do júri: absolvição 
sumária, com base no artigo 415, III, do CPP. 
15 
comprovado que, pelas condições de armazenamento e acondicionamento, a substância não 
fora hábil para produzir os efeitos a que estava destinada. Mesmo assim, arguindo que o 
magistrado não estava adstrito ao laudo, o Ministério Público pugnou pela pronúncia de Mário 
nos exatos termos da denúncia. Com base apenas nos fatos apresentados, responda 
justificadamente: 
A) O magistrado deveria pronunciar Mário, impronunciá-lo ou absolvê-lo sumariamente? 
(Valor: 0,65) 
B) Caso Mário fosse pronunciado, qual seria o recurso cabível, o prazo de interposição 
e a quem deveria ser endereçado? (Valor: 0,60) 
Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal 
não confere pontuação. 
 
4) QUESTÃO AUTORAL 
Wilson, irado e nervoso, entra em sua casa, após séria e acirrada discussão com Tobias, seu 
vizinho, com quem tem profunda desavença. Desesperado, apanha a primeira arma que 
visualiza. Na sequência, sai ao encalço do vizinho e, tomado por violenta emoção, aponta-lhe 
a arma, acionando o gatilho várias vezes. Porém, nenhum disparo é detonado, sendo Wilson 
detido por populares, que chamaram a polícia. Instaurado inquérito policial, a arma foi 
apreendida e encaminhada a perícia, que constatou que a arma não deflagraria qualquer tiro, 
porque apresentava defeito. O Ministério Público ofereceu denúncia contra Wilson, pela prática 
do delito de tentativa de homicídio. Após regular instrução, o Magistrado pronunciou Wilson 
como incurso no delito do artigo 121, “caput”, c/c o artigo 14, inciso II, ambos do Código Penal. 
Analise o caso narrado e, com base apenas nas informações dadas, responda, 
fundamentadamente, aos itens a seguir: 
 
A) Qual a peça cabível contra a decisão proferida pelo Magistrado? 
B) Qual tese de direito material pode ser invocada para absolvição de Wilson? 
Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal 
não confere pontuação. 
 
 
 
16 
5) QUESTÃO AUTORAL 
Mariquinha, apavorada com o fato de ter engravidado de seu namorado, Félix Solano, de vinte 
e oito anos de idade, resolveu interromper a gravidez, provocando a morte do feto. Diante disso, 
após ingerir medicamento contendo substância abortiva, começou a passar mal, sendo levada 
ao hospital, oportunidade em que revelou ao médico a substância ingerida, recebendo a notícia 
de que o feto estava bem e em desenvolvimento. Observando o seu dever de ofício, o médico 
comunicou o fato à autoridade policial, que, de imediato, deslocou-se até o hospital. No curso 
do inquérito policial, uma amostra da referida substância foi recolhida para análise e enviada 
ao Instituto de Criminalística, ficando comprovado que, pelas condições de armazenamento e 
quantidade ingerida, não seria hábil para produzir os efeitos a que estava destinada, qual seja, 
causar o aborto. A autoridade policial concluiu o inquérito policial e encaminhou ao Ministério 
Público, que, após constatar que Mariquinha respondia a outro processo criminal, ofereceu 
denúncia, imputando a ela a prática do delito aborto tentado, previsto no artigo 124, c/c o artigo 
14, inciso II, ambos do Código Penal. Durante a instrução, Mariquinha exerceu o seu direito de 
permanecer em silêncio. Encerrada a instrução, após apresentação das alegações derradeiras 
pelas partes, o Magistrado proferiu decisão de pronúncia, encaminhando a ré a Júri pela prática 
do crime do artigo 124 c/c o artigo 14, inciso II, ambos do Código Penal. A defesa foi intimada 
para apresentar a peça correspondente no dia 20 de novembro de 2017 (segunda-feira). Em 
face dessa situação hipotética, analise o caso narrado e, com base apenas nas informações 
dadas, responda, fundamentadamente, aos itens a seguir. 
 
A) Qual recurso cabível contra a decisão proferido pelo Magistrado? 
B) Qual a tese de direito material pode ser adotada em favor de Mariquinha? 
Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal 
não confere pontuação. 
 
17 
Erro de tipo 
 
Prof. Nidal Ahmad 
@prof.nidal 
 
3.1. Erro de tipo essencial 
3.1.1. Introdução 
Nos termos do artigo 20, caput, do Código Penal, caracteriza-se pelo erro sobre o 
elemento constitutivo do tipo penal. 
Antes de mais nada, mostra-seimportante compreender o que significa a expressão 
elemento constitutivo do tipo penal. A figura típica (ou tipo legal) é composta de elementos 
específicos ou elementares. Cada expressão que compõe uma figura típica é um elemento que 
constitui o modelo legal de conduta proibida. 
Exemplo: O crime de homicídio (CP, art. 121) é composto pelos elementos “matar” 
“alguém”. “Matar” é um elemento constitutivo do tipo que define o crime de homicídio. “Alguém” 
é também um elemento constitutivo do tipo que define o crime de homicídio. 
Se o agente desenvolve conduta sem consciência em relação à realidade a que está 
inserido, adotando compreensão equivocada da situação de fato, pode-se cogitar da hipótese 
de erro de tipo. 
E
R
R
O
 D
E
 T
IP
O Essencial
Invencível Exclusão
DOLO Fato atípico
CULPA Fato atípico
Vencível
Exclusão do dolo
Responde por culpa, 
se tiver previsão legal
Acidental
Erro do objeto
Erro sobre pessoa 
- art. 20, §3º, CP
Aberratio ictus - art. 
73, CP
Aberratio criminis -
art. 74, CP
18 
Agora fica mais clara a compreensão de que o erro de tipo é aquele que recai sobre um 
dos elementos constitutivos do tipo penal. Há uma falsa percepção da realidade que cerca o 
agente. O agente desenvolve uma conduta sem saber que está praticando um fato típico. Não 
sabe, em função do erro, que está praticando uma conduta típica. 
Em outras palavras, o agente, diante do erro, desenvolve conduta sem a plena 
consciência da presença de um elemento do tipo penal. Se, diante da situação de fato, tivesse 
atingido essa consciência, não incorreria em erro, e, portanto, não teria praticado a conduta. 
 
Exemplo: Durante uma caçada, o agente percebe que há movimentação atrás de 
arbustos. Supondo ser um animal, atira em direção ao alvo, e, quando vai se certificar do 
produto da caça, verifica que, na realidade, atingiu uma pessoa, que estava escondida 
atrás dos arbustos. O contexto fático, na percepção do caçador, era a de que estava 
atirando contra um animal. Todavia, trata-se de uma falsa percepção da realidade, já que 
acabou atingindo uma pessoa. O agente errou sobre o elemento constitutivo “alguém”. 
Desenvolveu uma conduta sem saber que estava praticando um fato típico, ou seja, sem 
saber que estava incorrendo no tipo penal que descreve o crime de homicídio. 
Outro exemplo: Imaginemos a conduta de uma pessoa que se apossa do aparelho 
celular que estava sobre a mesa do escritório, supondo ser seu, quando, na realidade, era 
do colega de trabalho. A realidade do agente era a de que estava se apossando do seu 
aparelho celular. Todavia, trata-se de uma falsa percepção da realidade, pois se apossou 
do aparelho celular que pertence a outra pessoa. O agente não sabia que estava 
praticando uma conduta típica, pois errou sobre o elemento constitutivo “coisa alheia 
móvel” do tipo penal que define o crime de furto (CP, art. 155). 
 
Dessarte, no erro de tipo, o agente desenvolve conduta sem consciência e vontade em 
relação a todos os elementos que integram o tipo penal. Há desconformidade entre a realidade 
e a representação do sujeito que, se a conhecesse, não realizaria a conduta. Se o agente 
soubesse que era uma pessoa atrás dos arbustos, não teria efetuado o disparo; se o agente 
tivesse consciência que pertencia a outra pessoa, não teria se apossado do aparelho celular 
do colega. 
19 
O erro de tipo essencial pode ser invencível ou vencível. 
 
3.1.2. Erro de tipo essencial invencível, inevitável ou escusável 
O erro de tipo invencível, inevitável ou escusável é aquele em que qualquer pessoa, nas 
mesmas circunstâncias, incorreria. É um erro escusável, que não seria evitado ainda que se 
tratasse de pessoa cautelosa e prudente. 
 
Exemplo: Tomemos como exemplo a conduta de um estudante que deixou seu 
aparelho celular carregando na tomada da sala de aula, saindo para comprar café na 
cantina da escola. Quando retorna, retira o aparelho celular da tomada, que, na verdade, 
não era o que havia deixado para carregar, mas outro idêntico, que pertencia à sua colega, 
que havia retirado o celular do agente da tomada e colocou o seu no lugar. Nesse caso, 
há evidente erro de tipo, pois o estudante, por conta da falsa percepção da realidade 
(supõe ser seu o celular, já que idêntico), errou em relação ao elemento “alheio” do tipo 
que define o crime de furto. E trata-se de erro de tipo invencível, porque qualquer pessoa, 
nas circunstâncias, consideraria que era o seu aparelho celular que havia deixado 
carregando na tomada da sala de aula. 
Outro exemplo: Agente que se embrenha em mata fechada, distante de qualquer 
centro urbano, com rara circulação de pessoas. Em dado momento, visualiza algo se 
movimentando atrás da intensa vegetação. Supondo ser um animal, efetua um disparo. 
Ao verificar o produto da caça, constata, para sua surpresa, que não matou um animal, 
mas uma pessoa, que, por infeliz coincidência, também caçava no local. Trata-se de erro 
de tipo, pois o caçador, por conta da falsa percepção da realidade (supôs ser um animal), 
errou em relação ao elemento “alguém” do tipo que define o crime de homicídio. E, trata-
se de erro de tipo invencível, porque qualquer pessoa, nas circunstâncias, consideraria 
que a movimentação atrás da vegetação seria a de um animal, não sendo possível supor, 
nem mesmo para uma pessoa mais cautelosa e diligente, que, na verdade, tratava-se de 
uma pessoa. 
 
Da mesma forma, imaginemos um rapaz, imputável, que conhece uma menina no 
interior de uma boate onde era vedada a entrada de pessoas menores de 18 anos. Os 
20 
dois, após algumas trocas de carícias, resolvem se dirigir a um motel e ali, de forma 
consentida, o jovem mantém relações sexuais com a menina. Após, o rapaz descobre que 
a moça, na verdade, tinha apenas 13 anos e que somente conseguira entrar na casa 
noturna mediante apresentação de carteira de identidade falsa. Trata-se de erro de tipo 
invencível ou inevitável, pois qualquer pessoa nas circunstâncias também consideraria 
que a menina não era menor de 14 anos de idade. 
O erro de tipo essencial invencível exclui o dolo e a culpa. Há exclusão do dolo, 
porque desenvolveu a conduta sem consciência e vontade na produção do resultado; há 
exclusão da culpa, diante da ausência de previsibilidade objetiva. 
Assim, se a peça for resposta à acusação, o pedido será de absolvição sumária, 
com base no artigo 397, III, do CPP. 
Se for memoriais ou apelação, em crimes que não envolvem procedimento do júri, 
o pedi- do será de absolvição, com base no artigo 386, III, do CPP. 
Tratando-se de procedimento do júri, ao final da primeira fase, como em 
memoriais ou recurso em sentido estrito contra a decisão de pronúncia, o pedido será de 
absolvição sumária, com base no art. 415, III, do CPP. 
3.1.3. Erro de tipo essencial vencível, evitável ou inescusável 
É aquele erro em que uma pessoa mais cautelosa e prudente, nas mesmas 
circunstâncias, não incorreria. É um erro evitável, indesculpável ou inescusável, que uma 
pessoa, observando o dever de cuidado objetivo, teria evitado. 
Considerando o exemplo anterior, imaginemos que outro estudante, menos cauteloso, 
tivesse deixado seu celular carregando na tomada da sala de aula, saindo, após, para comprar 
café na cantina da escola. Quando retorna, retira um celular da tomada, que, na verdade, não 
era o seu aparelho, mas de sua colega, que havia colocado para carregar em substituição ao 
do estudante. Todavia, não obstante e troca dos aparelhos, o celular da colega, embora pa-
recido, era de outro modelo e marca, diferença que uma pessoa mais prudente teria percebido. 
Nesse caso, há evidente erro de tipo, pois o estudante, por conta da falsa percepção da 
realidade (supõe ser seu o celular), errou em relação ao elemento “alheio” do tipo que define o 
crime de furto. No entanto, nesse caso, trata-se erro de tipo vencível, plenamente evitável 
porque uma pessoa mais diligente teria,nas circunstâncias, percebido que não era seu o 
aparelho celular que se apossou. 
21 
Suponha-se, ainda, que o agente resolve caçar em mata próxima à zona urbana, 
comumente frequentada por outras pessoas, e, ao avistar algo se movimentando atrás da 
vegetação, supondo ser uma animal, efetua um disparo de arma de fogo. Todavia, na verdade, 
não se tratava de um animal, mas de uma pessoa que também estava caçando no local. Trata-
se de erro de tipo, pois o caçador, por conta da falsa percepção da realidade (supôs ser um 
animal), errou em relação ao elemento “alguém” do tipo que define o crime de homicídio. E, 
nesse caso, trata-se de erro de tipo vencível, porque, nas circunstâncias, uma pessoa mais 
prudente adotaria as cautelas necessárias para se certificar que a movimentação atrás da 
vegetação seria a de um animal, e não de uma pessoa1. 
O erro vencível, evitável ou inescusável exclui o dolo, mas não a culpa. Se o erro 
pode- ria ter sido evitado com emprego de diligência mínima, pode-se responsabilizar o agente 
pelo crime culposo, desde que previsto em lei nessa modalidade. 
Assim, se o fato for punido na modalidade culposa, o agente responderá por crime 
culposo. Quando o tipo, entretanto, não admitir essa modalidade, a consequência será 
inexoravelmente a exclusão do crime, já que configurará fato atípico. 
No exemplo do caçador que praticava a caça em mata próxima à zona urbana, onde 
havia circulação de pessoas, o agente responderá pelo crime de homicídio culposo, já que se 
trata de erro de tipo vencível, que poderia ter sido evitado, se tivesse empregado um pouco 
mais de cautela. Isso porque o crime de homicídio prevê a modalidade culposa (CP, art. 121, § 
3º). 
Se não existir previsão do delito na modalidade culposa, o fato praticado mediante erro 
evitável será atípico. Assim, considerando o exemplo do jovem estudante que não empregou a 
necessária diligência para identificar se o aparelho celular que se apossou era seu ou não, 
restará afastado o dolo, permanecendo, no entanto, a possibilidade de responsabilização pelo 
crime na modalidade culposa, já que se trata de erro de tipo vencível. Todavia, como não existe 
furto na modalidade culposa, haverá exclusão do crime, já que o fato é atípico. 
 
1 Situação comumente apontada pela doutrina como exemplo de erro de tipo aconteceu em agosto de 2020 no 
interior de Minas Gerais, em que um caçador foi morto por amigo ao ser confundido com javali 
(https://g1.globo.com/mg/ sul-de-minas/noticia/2020/08/03). 
22 
3.1.4. Como pode cair 
 
O erro de tipo caiu como tese das peças 
dos Exames XXXIII, XXIII, XIV 
 
Pode cair em questões dissertativas e peça. 
Na peça, pode cair como tese absolutória ou, até mesmo, de desclassificação. 
Se for erro de tipo invencível/inevitável, ou, se vencível ou evitável, não existir o crime 
na modalidade culposa, o fato será atípico. 
Nesse caso: 
 
 
 
 
 
Na hipótese de erro de tipo vencível ou evitável, se existir previsão do delito na 
modalidade culposa, e o Ministério Público denunciar pelo crime na modalidade dolosa, pode-
se, ao desenvolver a tese do erro de tipo evitável, desclassificar para crime culposo. 
Imaginemos que o Ministério Público tenha oferecido denúncia pelo crime de homicídio 
doloso. Com a tese do erro de tipo vencível ou evitável, o candidato deverá desclassificar para 
homicídio culposo, com a remessa do processo ao juízo competente, nos termos do artigo 419 
do CPP. 
Nesse caso, em peça, será possível alegar, como tese principal, o erro de tipo invencível, 
buscando a absolvição sumária do réu (art. 415, III, do CPP), e, subsidiariamente, o erro de tipo 
vencível, buscando a desclassificação para homicídio culposo, nos termos do artigo 419 do 
CPP. Na peça, nesse caso, não há nada de tese contraditória. 
 
• Se for resposta à acusação: absolvição sumária, com base no artigo 397, III, do CPP 
• Se for memoriais ou apelação no procedimento comum: absolvição, com base no 
artigo 386, III, do CPP 
• Se for memoriais ou recurso em sentido estrito no procedimento do júri: absolvição 
sumária, com base no artigo 415, III, do CPP. 
23 
3.1.5. Questões: 
6) QUESTÃO 2 – VII EXAME – 2012-1 
Larissa, senhora aposentada de 60 anos, estava na rodoviária de sua cidade quando foi 
abordada por um jovem simpático e bem vestido. O jovem pediu-lhe que levasse, para a cidade 
de destino, uma caixa de medicamentos para um primo, que padecia de grave enfermidade. 
Inocente e seguindo seus preceitos religiosos, a Sra. Larissa atende ao rapaz: pega a caixa, 
entra no ônibus e segue viagem. Chegando ao local da entrega, a senhora é abordada por 
policiais que, ao abrirem a caixa de remédios, verificam a existência de 250 gramas de cocaína 
em seu interior. Atualmente, Larissa está sendo processada pelo crime de tráfico de 
entorpecente, previsto no art. 33 da Lei nº 11.343, de 23 de agosto de 2006. 
Considerando a situação anteriormente descrita e empregando os argumentos jurídicos 
apropriados e a fundamentação legal pertinente, responda: qual é a tese defensiva 
aplicável à Larissa? (Valor: 1,25) 
 
7) QUESTÃO 1 – V EXAME – 2011-2 
Antônio, pai de um jovem hipossuficiente preso em flagrante delito, recebe de um serventuário 
do Poder Judiciário Estadual a informação de que Jorge, defensor público criminal com 
atribuição para representar o seu filho, solicitara a quantia de dois mil reais para defendê-lo 
adequadamente. Indignado, Antônio, sem averiguar a fundo a informação, mas confiando na 
palavra do serventuário, escreve um texto reproduzindo a acusação e o entrega ao juiz titular 
da vara criminal em que Jorge trabalha como defensor público. Ao tomar conhecimento do 
ocorrido, Jorge apresenta uma gravação em vídeo da entrevista que fizera com o filho de 
Antônio, na qual fica evidenciado que jamais solicitara qualquer quantia para defendê-lo, e 
representa criminalmente pelo fato. O Ministério Público oferece denúncia perante o Juizado 
Especial Criminal, atribuindo a Antônio o cometimento do crime de calúnia, praticado contra 
funcionário público em razão de suas funções, nada mencionando acerca dos benefícios 
previstos na Lei nº 9.099/95. Designada Audiência de Instrução e Julgamento, recebida a 
denúncia, ouvidas as testemunhas, interrogado o réu e apresentadas as alegações orais pelo 
Ministério Público, na qual pugnou pela condenação na forma inicial, o magistrado concede a 
palavra à Vossa Senhoria para apresentar alegações finais orais. Em relação à situação 
24 
anterior, responda aos itens a seguir, empregando os argumentos jurídicos apropriados e a 
fundamentação legal pertinente ao caso: 
A) O Juizado Especial Criminal é competente para apreciar o fato em tela? (Valor: 0,30) 
B) Antônio faz jus a algum benefício da Lei nº 9.099/95? Em caso afirmativo, qual(is)? 
(Valor: 0,30) 
C) Antônio praticou crime? Em caso afirmativo, qual? Em caso negativo, por que razão? 
(Valor: 0,65) 
 
3.2. Erro de tipo acidental 
É o erro que incide sobre dados acidentais do delito, sobre circunstâncias (qualificadoras, 
agravantes e causas de aumento de pena) e elementos irrelevantes da conduta típica. Não 
recai, portanto, sobre elementos essenciais do delito. Logo, no erro de tipo acidental não há 
exclusão do dolo ou culpa do agente. 
No erro de tipo acidental, o agente tem consciência do caráter criminoso da sua conduta, 
mas, por erro meramente secundário, o resultado produzido não sai exatamente conforme o 
desejado. 
Em outras palavras, há um crime, embora com resultado não exatamente conforme o 
desejado, por conta de um erro acidental. 
Por isso, o erro de tipo acidental não afasta a responsabilização penal do agente. 
São casos de erro acidental: a) erro sobre o objeto; b) erro sobre pessoa; c) erro na 
execução (aberratio ictus); d) resultado diverso do pretendido (aberratio criminis); e) erro sobre 
o nexo causal. 
 
 
 
 
 
 
 
25 
Erro de tipo 
acidentalErro sobre o 
objeto
Erro sobre a 
pessoa 
Art. 20, §3º, 
CP
Erro na 
execução 
(Aberratio 
ictus)
Art. 73, CP
Resultado 
diverso do 
pretendido 
(Aberratio 
Criminis)
Art. 74, CP
*Para todos verem: esquema. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3.2.1. Erro sobre o objeto 
Há erro sobre objeto quando o sujeito supõe que sua conduta recai sobre determinada 
coisa, mas, na realidade, incide sobre outra. 
É o caso de o sujeito subtrair farinha pensando ser açúcar. O erro é irrelevante, pois 
a tutela penal abrange a posse e a propriedade de qualquer coisa, pelo que o agente responde 
por furto. 
É o caso, ainda, de o sujeito desejar subtrair joia preciosa, mas apossar-se de objeto 
com valor reduzido, pois banhado a ouro. O erro é irrelevante, sendo meramente acidental, não 
influenciando a tipicidade da conduta do agente, pois subtraiu conscientemente coisa alheia 
móvel, errando, no entanto, quanto ao objeto. 
Todavia, boa parte da doutrina considera possível, verificando-se o caso concreto, a 
aplicação do princípio da insignificância, quando, por exemplo, o agente, primário e sem 
antecedentes criminais, subtrai a réplica de uma joia avaliada em R$ 10,00, supondo ser 
verdadeira e de elevado valor. 
 
26 
3.2.2. Erro sobre a pessoa 
Ocorre quando há erro de representação, em face do qual o sujeito atinge uma 
pessoa supondo tratar-se da que pretendia ofender. Pretende atingir certa pessoa, vindo a 
ofender outra inocente, pensando tratar-se da primeira. 
Nos termos do art. 20, § 3º, 2ª parte, reza o seguinte: “Não se consideram, neste caso” 
(erro sobre pessoa), “as condições ou qualidades da vítima, senão as de pessoa contra quem 
o agente queria praticar o crime”. Significa que no tocante ao crime cometido pelo sujeito, não 
devem ser considerados os dados subjetivos da pessoa diversa, mas sim os dados em relação 
à pessoa pretendida. 
No erro quanto à pessoa, a pessoa pretendida não corre risco de ser atingida, porque, 
em tese, não estava no local no momento dos fatos. Há um erro de representação, pois o agente 
se equivoca quanto à pessoa da vítima. 
 
Exemplo: 
Vinícius pretendia matar Dudu, camisa 10 e melhor jogador de futebol do time 
Energia, seu adversário no campeonato do bairro. No dia de um jogo do Energia, 
Vinicius vê, de costas, um jogador com a camisa 10 do time rival. Acreditando ser Dudu, 
efetua diversos disparos de arma de fogo, mas, na verdade, aquele que vestia a camisa 
10 era Ricardo, adolescente que substituiria Dudu naquele jogo. Em virtude dos 
disparos, Ricardo faleceu. Note-se que Vinicius pretendia matar Dudu, mas, por erro na 
identificação, acabou matando Ricardo. Trata-se, pois, de erro sobre a pessoa. 
O erro quanto à pessoa é considerado tão secundário que o próprio legislador cuidou de 
assentar que, embora tenha atingido pessoa diversa (vítima efetiva), o agente responderá como 
se tivesse atingido a pessoa pretendida (vítima virtual). 
 
3.2.2.1. Consequência 
Conforme se extrai do art. 20, § 3º, do CP, no contexto de erro quanto à pessoa, o agente 
não será isento de pena, respondendo pelo delito considerando-se as condições ou qualidades 
da vítima pretendida. 
Consideremos, por exemplo, a hipótese do filho desalmado, que, pretendendo matar 
seu pai, que contava com 55 anos de idade, realiza disparos de arma de fogo contra o 
homem que estava na varanda da residência do genitor, causando a morte deste. O filho 
27 
desalmado, então, deixa o local satisfeito, por acreditar ter concluído seu intento delitivo, mas 
vem a descobrir que matara um amigo de seu pai, que contava com 65 anos de idade, 
que, de costas, era com ele parecido. 
Nesse caso, nos termos do art. 20, § 3º, do CP, consideram-se as condições e 
qualidades da vítima pretendida. Logo, o filho desalmado responderá pelo crime de homicídio, 
com a incidência da agravante de ter praticado crime contra ascendente, prevista no art. 61, II, 
e, 1ª parte, do CP. Despreza-se, pois, as condições e características da pessoa atingida, ou 
seja, o agente não responderá pelo crime de homicídio doloso, com a causa de aumento de 
pena em razão da idade da vítima efetivamente atingida. 
De outro lado, consideremos que Wilson, pretendendo matar Tobias, de 70 anos de 
idade, amigo do seu pai, realiza disparos de arma de fogo contra o homem que estava na 
varanda da sua residência, causando a morte deste. Wilson, então, deixa o local satisfeito, por 
acreditar ter concluído seu intento delitivo, mas, logo depois, descobre que, na verdade, 
matara o seu próprio pai, que estava visitando o amigo, e, de costas, era com ele 
parecido. Nesse caso, o agente não responderá pelo crime de homicídio doloso, com a 
agravante por ter praticado crime contra o próprio pai, pois devem ser consideradas as 
condições e qualidades da vítima pretendida. E, como a vítima pretendida era Tobias, senhor 
de 70 anos de idade, Wilson responderá pelo crime de homicídio, com a causa de aumento de 
pena em razão da idade da vítima. 
Consideremos a hipótese da mãe que, sob o efeito do estado puerperal, logo após o 
parto, durante a madrugada, vai até o berçário de um hospital e, supondo ser o seu filho recém-
nascido, sufoca um bebê até a morte. Após, verifica-se que, na verdade, a criança morta não 
era o seu filho, que se encontrava no berçário ao lado, mas um bebê diverso, tendo ela se 
equivocado, portanto, quanto à vítima desejada. Nesse caso, como desejava, sob influência do 
estado puerperal, matar o seu filho recém-nascido, despreza-se as condições e qualidades do 
bebê efetivamente morto, devendo ser consideradas às do próprio filho. Assim, a mãe deverá 
responder pelo crime de infanticídio (CP, art. 123), pois, embora tenha atingido bebê diverso, a 
responsabilização penal deve ser como se tivesse matado a vítima pretendida, ou seja, seu 
filho. 
 
3.2.2.2. Como pode cair 
Pode cair em questões dissertativas e na peça. 
28 
Em questões dissertativas, o candidato deverá cuidar para não confundir com o erro na 
execução, sob pena de perda de pontos, sobretudo na hipótese de a banca considerar tese 
contraditória. 
Tanto da peça quanto das questões, o erro sobre a pessoa influenciará na correta 
tipificação da conduta do agente, sempre considerando as condições e qualidades da vítima 
pretendida. Assim, se o agente foi acusado de ter praticado crime de homicídio contra o pai, 
aplicando a agravante de ter matado ascendente, e o enunciado proporcionar informações que 
o agente pretendia praticar crime contra pessoa diversa, mas, por erro sobre a pessoa, já que 
estava escuro e a vítima pretendida apresentava a mesma estrutura física do pai. Nesse caso, 
deve-se afastar a agravante de praticar crime contra ascendente, já que se consideram as 
condições e qualidades de pessoa pretendida. 
Da mesma forma, é possível a desclassificação do crime para outro menos grave, como, 
por exemplo, a mãe ter sido denunciado pelo crime de homicídio qualificado, por ter matado um 
bebê asfixiado, tendo o enunciado proporcionado informações que ela estava sob influência do 
estado puerperal, e que pretendia matar o próprio filho. Nesse caso, o candidato deverá 
desenvolver a tese do erro sobre a pessoa, e postular que a ré seja pronunciada pelo crime de 
infanticídio (CP, art. 123), e não pelo crime de homicídio qualificado pela asfixia e recurso que 
impossibilitou a defesa da vítima (CP, art. 121, § 2º, III e IV). 
 
3.2.3. Erro na execução (ABERRATIO ICTUS) 
3.2.3.1. Introdução 
Ocorre erro na execução quando o agente, pretendendo atingir uma pessoa, por acidente 
ou erro no uso dos meios de execução, acaba atingindo pessoa diversa. 
O agente não erra quanto à identidade da pessoa, mas quanto ao uso dos meios de 
execução do delito. Com efeito, visualiza como certa a vítima pretendida, mas, por erro na 
pontaria, por exemplo, acaba atingindo pessoa diversa. 
A aberratio ictus pode ocorrer quando, por acidente, o agente,em vez de atingir a pessoa 
pretendida, atinge pessoa diversa. Nesse caso, suponhamos que o agente pretende matar 
Wilson, deixando na sua mesa de trabalho uma xícara de café contendo veneno. Todavia, quem 
toma o café é Pedro, que acaba falecendo. 
Pode ocorrer também quando, por erro nos meios de execução, o agente, em vez de 
atingir a pessoa pretendida, atinge pessoa diversa. Exemplo: agente pretendendo matar Wilson, 
29 
visualiza a vítima, tendo-a como certa, faz a mira e efetua o disparo, mas, no entanto, erra o 
alvo pretendido, atingindo pessoa diversa, que se encontrava próxima ao local. 
 
3.2.3.2. Aberratio ictus com unidade simples 
Ocorre a aberratio ictus com resultado único quando em face de erro na execução 
somente a pessoa diversa da pretendida é atingida, resultando lesão corporal ou morte. 
A consequência jurídica da conduta do agente se encontra retratada no artigo 73, 1ª 
parte do Código Penal, que faz expressa remissão ao artigo 20, § 3º, do Código Penal. Ou seja, 
na hipótese de erro na execução, deve-se observar o disposto no artigo 20, § 3º, do Código 
Penal, segundo o qual, embora tenha atingido pessoa diversa, o agente deve receber 
tratamento penal considerando-se as condições ou qualidades da pessoa pretendida (vítima 
virtual), desprezando-se as condições pessoais da vítima efetivamente atingida. 
É o caso do agente que, pretendendo matar o seu pai, efetua disparo de arma de fogo, 
mas, por erro na pontaria, acaba atingindo pessoa diversa, que se encontrava próximo ao seu 
genitor. Nesse caso, teríamos, em tese, tentativa de homicídio em relação ao pai, e homicídio 
culposo em relação à pessoa diversa. 
Todavia, como se trata de resultado único, não é possível imputar a prática de dois 
crimes. Por isso, nos termos do art. 73 c/c 20, § 3º, ambos do CP, deve-se considerar as 
condições ou qualidades da vítima pretendida. Assim, no caso, embora tenha atingido pessoa 
diversa, o agente responde como se tivesse atingido a pessoa pretendida, ou seja, como se 
tivesse matado o próprio pai. Logo, responderá somente pelo crime de homicídio doloso 
consumado, com a incidência da agravante de ter praticado crime contra ascendente, prevista 
no art. 61, II, e, 1ª figura, do CP. 
Consideramos, ainda, a conduta de Wilson, que, após acirrada discussão com Pedro 
num evento comemorativo, efetuou disparo de arma de fogo contra a vítima pretendida. 
Contudo o projétil não atingiu Pedro e sim Maria, criança que estava correndo pelo salão da 
festa, matando-a. Nesse caso, Wilson deverá responder pelo crime de homicídio doloso 
consumado, sem a agravante de ter praticado crime contra criança. Isso porque devem ser 
consideradas as condições e qualidades da vítima pretendida (Pedro) e não da pessoa 
efetivamente atingida (a criança Maria). 
Imaginemos, por exemplo, que Wilson, pretendendo matar a sua esposa, efetua disparos 
de arma de fogo em sua direção, mas, por erro na pontaria, acaba atingindo Pedro, que reside 
30 
na casa em frente a do casal, causando-lhe a morte. Nesse caso, Wilson deverá responder 
pelo crime de homicídio doloso consumado, com a qualificadora do feminicídio (CP, art. 121, 
§ 2o, VI), uma vez que, embora tenha acertado Pedro, o tratamento penal deve considerar as 
condições e qualidades da vítima pretendida (esposa). 
Em que pese constar no art. 73 do CP que o agente responde como se tivesse praticado 
crime contra a pessoa pretendida, essa regra também alcança eventual causa excludente de 
ilicitude. 
Assim, se, ao repelir agressão injusta, o agente, por acidente ou erro no uso dos meios 
de execução, atinge terceiro inocente, o tratamento penal deve levar em conta as condições ou 
qualidades da pessoa pretendida, que, no caso, seria o autor da agressão injusta. Logo, estará 
amparado pela excludente de ilicitude legítima defesa. 
Imaginemos que Wilson, agindo em legítima defesa contra agressão injusta praticada 
por José, atinja, por erro na execução, Maria, terceira inocente que estava passando pelo local 
no momento dos fatos, causando-lhe lesões graves. Nessa situação hipotética, Wilson não será 
responsabilizado criminalmente pelas lesões corporais graves provocadas em Maria, pois 
estará abarcado pela legítima defesa, como se tivesse atingido o agressor injusto. 
3.2.3.3. Aberratio ictus com resultado duplo 
A aberratio ictus com resultado duplo ocorre quando o agente, além de atingir a vítima 
pretendida, atinge também pessoa diversa. 
Nesse caso, com uma única ação, o agente produz mais de um resultado: atinge a 
pessoa pretendida e também pessoa diversa. Por essa razão, o art. 73, 2ª parte, do CP faz 
expressa remissão ao art. 70 do CP, devendo ser aplicada a regra do concurso formal de 
crimes. 
 
 
Exemplo: Ao pretender matar Wilson, o agente efetua um disparo, que, além de 
atingir Wilson, atinge também Pedro, que se encontrava atrás da vítima pretendida. Por conta 
da potência da arma utilizada, o disparo efetuado causou a morte da pessoa pretendida e 
também a da pessoa diversa. Em tese, teríamos homicídio doloso em relação à vítima 
pretendida e homicídio culposo em relação à pessoa diversa. 
 
31 
Erro na execução
Pessoa pretendida
Acidente ou erro no uso 
dos meios de execução
Pessoa diversa
Com resultado único Consideram-se
Condições ou 
qualidades da pessoa 
pretendida
Com resultado duplo Concurso formal Art. 70 do CP
Nesse caso, nos termos do que dispõe o artigo 73, 2ª parte, do Código Penal, deve-se 
aplicar a regra do artigo 70 do Código Penal, segundo o qual, se o agente com uma única ação 
praticar dois ou mais crimes, deve-se considerar a pena do crime mais grave, aumentando-a 
de 1/6 (um sexto) até a 1/2 (metade). 
*Para todos verem: esquema. 
 
 
 
 
 
 
 
 
3.2.3.4. Como pode cair 
Pode cair em questões dissertativas e na peça. 
Em questões dissertativas, o candidato deverá cuidar para não confundir com o erro 
sobre a pessoa, sob pena de perda de pontos, sobretudo na hipótese de a banca considerar 
tese contraditória. 
A tese do erro na execução influenciará na correta tipificação da conduta do agente, 
sempre considerando as condições e qualidades da pessoa pretendida. 
Assim, se o agente pretender matar uma pessoa, erra o disparo e acerta a própria 
esposa, e for denunciado pelo homicídio qualificado pelo feminicídio (CP, art. 121, § 2º, VI), o 
candidato, desenvolvendo a tese do erro na execução, de- verá buscar afastar a qualificadora. 
Da mesma forma, se a pessoa pretendida for o agressor injusto, e, para se defender o 
agente teve de fazer uso de arma de fogo, mas, por acidente, atingiu pessoa diversa, o 
candidato deverá adotar a tese da legítima defesa, considerando as condições e qualidades da 
pessoa pretendida (agressor injusto). Nesse caso, se for resposta à acusação: absolvição 
sumária, com base no artigo 397, I, do CPP; se for memoriais ou apelação no procedimento 
comum: absolvição, com base no artigo 386, VI, do CPP; se for memoriais ou recurso em 
sentido estrito no procedimento do júri: absolvição sumária, com base no artigo 415, IV, do 
CPP. 
 
32 
3.2.4. Resultado diverso do pretendido (aberratio criminis) 
3.2.4.1. Conceito 
A aberratio criminis também resulta de acidente ou erro na execução do crime, mas em 
contexto distinto da aberratio ictus. 
Na aberratio criminis, o agente pretende ofender um determinado bem jurídico, mas, por 
acidente ou erro na execução, acaba produzindo resultado diverso do pretendido. Na verdade, 
o agente pretendia praticar um crime, mas acaba praticando crime diverso do pretendido. 
Por essa razão, diz-se que na aberratio criminis há desvio do crime. 
Enquanto na aberratio ictus, a relação é entre “pessoa x pessoa”, ou seja, o agente, 
pretendendo atingir uma pessoa, acaba ofendendo pessoa diversa (ou ambas), na aberratio 
criminis, o agente quer atingir um bem jurídico e ofende outro bem jurídico, produzindo resultado 
diverso do pretendido.Exemplo: Ao pretender praticar o crime de dano (CP, art. 163), o agente atira uma pedra 
contra um carro. Todavia, por erro na pontaria, a pedra acabou atingindo uma pessoa que se 
encontrava próxima ao local. Note-se que o agente pretendia produzir um resultado (dano no 
veículo), mas acabou produzindo um resultado diverso do pretendido (lesão corporal). 
 
3.2.4.2. Espécies 
a) Com unidade simples ou resultado único: 
Na aberratio criminis com unidade simples, o agente somente atinge o bem jurídico 
diverso do pretendido. Ou seja, o agente quer atingir uma coisa, mas, por acidente ou erro no 
uso dos meios de execução, ofende somente bem jurídico diverso. 
Nesse caso, conforme a primeira parte do art. 74 do CP, o agente responderá pelo 
resultado diverso do pretendido a título de culpa, se o fato é previsto como crime culposo. 
Assim, se o agente, pretendendo atingir o veículo do desafeto, com o intuito de praticar 
o crime dano (CP, art. 163), por erro na execução, não atinge o objeto, mas somente uma 
pessoa que se encontrava próxima ao local. No caso, não responderá por tentativa de dano e 
o crime culposo, mas somente por um crime: lesão corporal culposa (CP, art. 129, § 6º), se 
resultar lesão corporal; ou por homicídio culposo (CP, art. 121, § 3º, do CP), se resultar morte. 
Cumpre ressaltar, por pertinente, que, se o resultado previsto como crime culposo for 
menos grave ou se o crime não prever modalidade culposa, não se aplica o disposto no art. 74 
33 
do CP. Assim, se o agente efetua disparos de arma para matar a vítima, mas não o acerta e 
quebra a vidraça de uma casa ou acertar um carro, deve-se desprezar a hipótese do art. 74 do 
CP, respondendo por tentativa de homicídio. Primeiro, porque o crime de tentativa de homicídio 
é mais grave do que o delito de dano; segundo, porque não há previsão legal de dano culposo. 
b) Com unidade complexa ou resultado duplo 
Na aberratio criminis com resultado duplo, o agente, além de praticar o crime pretendido, 
também acaba produzindo um resultado diverso do pretendido, ou seja, com uma ação ou 
omissão, acaba provocando dois resultados. 
Nesse caso, como expressamente prevê a parte final do art. 74 do CP, aplica-se a regra 
do concurso formal de crimes (CP, art. 70), considerando-se a pena do crime mais grave 
aumentada de 1/6 até 1/2, de acordo com o número de resultados diversos produzidos. 
Certo dia, imaginemos que o agente, com raiva do vizinho, resolva quebrar a janela da 
residência dele. Para tanto, espera chegar a hora adequada e, supondo não haver ninguém na 
residência, o agente arremessa com força, na direção da casa do vizinho, um enorme tijolo, 
que, além de quebrar a vidraça, atinge também a nuca dele. O vizinho falece instantaneamente. 
Nesse caso, o agente deverá responder por homicídio culposo em concurso formal com o crime 
de dano (art. 121, § 3º, e art. 163, na forma do art. 70, todos do CP), considerando-se a pena 
aplicada ao crime de homicídio culposo, já que mais grave, aumentada de 1/6. 
 
3.2.4.3. Como pode cair 
Pode cair em questões dissertativas e na peça. 
Em questões dissertativas, o candidato deverá cuidar para não confundir com erro na 
execução, sob pena de perda de pontos, sobretudo na hipótese de a banca considerar tese 
contraditória. 
A tese do resultado diverso do pretendido influenciará na correta tipificação da conduta 
do agente. Se, por exemplo, na hipótese de resultado único, o agente, ao invés de atingir um 
determinado bem, atinge, por acidente, uma pessoa, não poderá responder por dois crimes: 
tentativa de dano e lesão corporal culposa. Nesse caso, responderá somente pelo crime de 
lesão corporal culposa. 
 
 
34 
3.3. Questões: 
8) QUESTÃO 2 – OAB FGV – X EXAME – 2013-11 
Maria, mulher solteira de 40 anos, mora no Bairro Paciência, na cidade Esperança. Por conta 
de seu comportamento, sempre foi alvo de comentários maldosos dos vizinhos; alguns até 
chegavam a afirmar que ela tinha “cara de quem cometeu crime”. Não obstante tais 
comentários, nunca houve prova de qualquer das histórias contadas, mas o fato é que Maria é 
conhecida na localidade onde mora por ter má índole, já que sempre arruma brigas e 
inimizades. Certo dia, com raiva de sua vizinha Josefa, Maria resolve quebrar a janela da 
residência desta. Para tanto, espera chegar a hora em que sabia que Josefa não estaria em 
casa e, após olhar em volta para ter certeza de que ninguém a observava, arremessa com 
força, na direção da casa da vizinha, um enorme tijolo. Ocorre que Josefa, naquele dia, não 
havia saído de casa e o tijolo, após quebrar a vidraça, atinge também sua nuca. Josefa falece 
instantaneamente. Nesse sentido, tendo por base apenas as informações descritas no 
35 
enunciado, responda justificadamente: É correto afirmar que Maria deve responder por 
homicídio doloso consumado? (Valor: 1,25). 
 
Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal 
não confere pontuação. 
 
9) QUESTÃO AUTORAL 
No dia 15 de março de 2013, Silas Graça teria desferido um golpe de faca contra Max Novaes, 
acertando, todavia, Leleco, que estava próximo a eles. Em razão disso, após a conclusão do 
inquérito policial, o Ministério Público ofereceu denúncia contra Silas, imputando-lhe a prática 
do delito do artigo 121, “caput”, do Código Penal, já que Leleco teria falecido. Durante a 
instrução, Silas afirmou que Max partiu em sua direção com uma faca, buscando matá-lo. 
Acrescentou que, para se defender da agressão perpetrada por Max, sacou de sua faca e 
desferiu um golpe contra o agressor, que desviou, tendo, em razão disso, atingido Leleco, que 
estava próximo a eles. Tal versão foi confirmada pelas testemunhas anteriormente ouvidas pelo 
Magistrado. Encerrada a instrução, após manifestação do Ministério Público, que pugnou pela 
pronúncia, nos termos da denúncia, a defesa de Silas foi intimada no dia 10 de julho de 2015 
(sexta-feira) para apresentar a peça correspondente. Analise o caso narrado e, com base apnas 
nas informações dadas, responda, fundamentadamente, aos itens a seguir. 
 
A) Qual o meio de impugnação cabível e o último dia do prazo para apresentá-lo? 
B) Qual(is) o(s) argumento(s) e o pedido a ser formulado em favor de Silas? 
Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal 
não confere pontuação. 
 
10) QUESTÃO AUTORAL 
Wilson, pretendendo matar Lucas, de 59 anos, realiza disparos de arma de fogo contra um 
homem que estava na varanda da residência da vítima, causando a morte deste. Wilson, então, 
deixa o local satisfeito, por acreditar ter concluído seu intento delitivo, mas vem a descobrir que 
matara um amigo de Lucas, de 70 anos, que, de costas, era com ele parecido. Após conclusão 
do inquérito policial, o Ministério Público ofereceu denúncia contra Wilson, imputando-lhe a 
prática do crime de homicídio doloso, com a causa de aumento de pena em razão da idade da 
vítima atingida (art. 121, § 4º, do Código Penal). Após regular instrução, o Ministério Público 
36 
pugnou pela pronúncia nos termos da denúncia. A defesa foi intimada no dia 11 de novembro 
de 2020, que caiu numa quarta-feira, para se manifestar. Com base na hipótese apresentada, 
responda, na condição de advogado(a) de Wilson, fundamentadamente, aos itens a seguir. 
 
A) Qual peça deverá ser apresentada pela defesa de Wilson e qual o último dia do prazo? 
Justifique. 
B) Existe argumento de direito material a ser apresentado em favor de Wilson em busca 
de uma decisão mais branda do que a postulado pelo Ministério Público? Justifique 
Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal 
não confere pontuação. 
 
3.4. Erro Provocado Por Terceiro 
O erro provocado por terceiro está previsto no art. 20, § 2º, do CP, segundo o qual 
somente o terceiro que determina o erro responderá pelo delito. 
Ao contráriodo erro de tipo essencial, em que o agente incide no erro sobre os elementos 
constitutivos do tipo legal por conta própria, no erro provocado por terceiro o agente é induzido 
por alguém a ter uma falsa percepção da realidade em relação aos elementos constitutivos do 
tipo legal. 
Há a figura do agente provocador e do agente provocado. O agente provocador induz o 
provocado a praticar determinada conduta, razão pela qual se diz que o erro não foi 
espontâneo, mas em decorrência da atuação de uma terceira pessoa. 
O terceiro provocador responde pelo delito na condição de autor mediato, podendo a 
provocação ser dolosa ou culposa. O terceiro provocado figura como autor imediato, podendo 
sua responsabilidade penal ser excluída, conforme a escusabilidade ou não do erro que 
incorreu. 
Há provocação dolosa quando o erro é preordenado pelo terceiro, que conscientemente 
induz o sujeito a incidir em erro. Neste caso, o terceiro provocador responde pelo crime a título 
de dolo. 
Existe determinação (ou provocação) culposa quando o terceiro provocador age com 
imprudência, negligência ou imperícia. O terceiro provocador responderá a título de culpa pelo 
delito decorrente da conduta do provocado. 
O tratamento penal em relação ao agente provocado (autor imediato) vai depender da 
escusabilidade ou não do erro ao qual foi induzido. Se o erro provocado pelo terceiro for 
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escusável ou inevitável, haverá exclusão do dolo e da culpa, não incidindo, portanto, qualquer 
responsabilização criminal em relação ao terceiro provocado. Se o erro provocado pelo terceiro 
for inescusável ou evitável, haverá exclusão do dolo, mas o terceiro provocado responderá pelo 
crime na modalidade culposa, desde que prevista em lei. 
Exemplo: Wilson havia alugado um apartamento parcialmente mobiliado e, após o 
encerramento do contrato de locação, chamou Pedro, seu amigo, que nunca havia estado no 
imóvel, para ajudá-lo com a retirada de seus pertences. Durante a mudança, Wilson garantiu a 
Pedro que a televisão que se encontrava na sala era de sua propriedade e deveria ser retirada, 
embora soubesse que o aparelho pertencia ao proprietário do imóvel. Ao perceber a situação, 
o proprietário do imóvel registrou boletim de ocorrência contra Wesley e Sidney. Nesse caso, 
apenas Wilson responderá por furto, pois Pedro agiu em erro de tipo escusável provocado por 
terceiro, sendo atípica sua conduta. 
Imaginemos outra situação. “A”, sem verificar se a arma se encontra carregada ou não, 
entrega o artefato a “B”, afirmando que está sem munição, induzindo-o a acionar o gatilho. Sem 
maiores cautelas, “B” acionado o gatilho, atingindo “C”, matando-o. O agente provocador “A” 
responde por homicídio culposo, na condição de autor mediato. Em relação a “B”, agente 
provocado, verificando-se que se trata de erro inescusável ou evitável, haverá a exclusão do 
dolo, mas a responsabilização pelo crime de homicídio culposo, já que há previsão legal do 
crime de homicídio na modalidade culposa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Padrão Resposta 
 
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Questões Arrependimento Posterior 
1) QUESTÃO 4 – XXXIV Exame – 2022-2 
Geraldo, 30 anos, constrangeu Eugênia, desconhecida que passava pela rua, mediante grave 
ameaça, a transferir R$ 2.000,00 (dois mil reais) para sua conta. Diante da grave ameaça, 
Eugênia compareceu ao estabelecimento bancário com Geraldo e fez a transferência devida, 
sendo liberada em seguida. Eugênia, nervosa, compareceu à sede policial e narrou o ocorrido, 
sendo instaurado inquérito para identificação do autor do fato. Ocorre que Geraldo, no dia 
seguinte, antes de qualquer denúncia, arrependeu-se de sua conduta e transferiu de volta para 
a conta de Eugênia todo o valor antes obtido de maneira indevida. Confirmada a autoria, o 
Ministério Público ofereceu denúncia em face de Geraldo pela prática do crime de extorsão 
simples consumada (Art. 158, caput, do Código Penal), sendo decretada sua prisão preventiva, 
em razão da gravidade do fato e da reincidência. Durante audiência de instrução e julgamento, 
foi ouvida a vítima, que confirmou os fatos narrados na denúncia. O réu permaneceu em sala 
de audiência, e o reconhecimento foi realizado ao final da oitiva da vítima, ainda no local, sob 
o argumento de que, como havia muitos presos no Fórum, não haveria policiais suficientes para 
transporte de presos até a sala de reconhecimento. Assim, Eugênia apenas apontou para o 
denunciado e disse que ele seria o autor. As demais testemunhas esclareceram que não 
presenciaram o ocorrido. Com base no reconhecimento realizado, foi o réu condenado nos 
termos da denúncia, sendo aplicada pena base de 04 anos; pena intermediária de 04 anos e 
03 meses em razão da reincidência, não sendo reconhecidas atenuantes ou outras agravantes; 
na terceira fase, não foram reconhecidas causas de aumento ou de diminuição de pena. O 
regime inicial aplicado foi o fechado. Intimado da sentença, esclareça, na condição de advogado 
de Geraldo em atuação em recurso de apelação, os itens a seguir. 
 
A) Qual argumento de direito processual poderá ser apresentado para questionar a 
produção probatória em audiência? Justifique. (Valor: 0,65) 
B) Qual argumento de direito material poderá ser apresentado, caso mantida a 
condenação, em busca da redução da pena aplicada? Justifique. (Valor: 0,60) 
Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal 
não confere pontuação. 
 
Gabarito Comentado 
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A) O argumento de direito processual a ser apresentado em favor de Geraldo é o da ilegalidade 
do reconhecimento de Geraldo realizado em audiência, por violação do disposto no artigo 226 
do Código de Processo Penal. Isso porque, o reconhecimento não observou as formalidades 
do artigo 226 do Código de Processo Penal, sobretudo porque não realizado na presença de 
outras pessoas com características semelhantes àquelas da pessoa a ser reconhecida, 
mesmo havendo outros presos no local. 
B) O argumento de direito material seria a incidência da atenuante de reparação do dano, 
prevista no artigo 65, III, alínea “b”, do Código Penal. Isso porque Geraldo, no dia seguinte, 
antes de qualquer denúncia, arrependeu-se de sua conduta e transferiu de volta para a conta 
de Eugênia todo o valor antes obtido de maneira indevida, procurando, minorar as 
consequências de seu ato e reparou o dano, devolvendo o valor obtido indevidamente. 
2) QUESTÃO 1 – XXXI Exame – 2022-3 
Após receber informações de que teria ocorrido subtração de valores públicos por funcionários 
públicos no exercício da função, inclusive com vídeo das câmeras de segurança da repartição 
registrando o ocorrido, o Ministério Público ofereceu, sem prévio inquérito policial, uma única 
denúncia em face de Luciano e Gilberto, em razão da conexão, pela suposta prática do crime 
de peculato, sendo que, ao primeiro, foi imputada conduta dolosa e, ao segundo, conduta 
culposa. De acordo com a denúncia, Gilberto, funcionário público, com violação do dever de 
cuidado, teria contribuído para a subtração de R$ 2.000,00 de repartição pública por parte de 
Luciano, que teria tido sua conduta facilitada pelo cargo público que exercia. Diante da 
reincidência de Gilberto, já condenado definitivamente por roubo, não foram à ele oferecidos os 
institutos despenalizadores. O magistrado, de imediato, sem manifestação das partes, recebeu 
a denúncia e designou audiência de instrução e julgamento. No dia anterior à audiência, 
Gilberto ressarciu a Administração do prejuízo causado. Com a juntada de tal comprovação, 
após a audiência, foram os autos encaminhados às partes para apresentação de alegações 
finais. O Ministério Público, diante da confirmação dos fatos, requereu a condenação dos réus 
nos termos da denúncia. Insatisfeito com a assistência técnica que recebia, Gilberto procura 
você para, na condição

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