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Prof. Dr. Elvis Wanderley UNIDADE II Técnicas de Reportagem e Entrevistas Jornalísticas 1. Entrevista A verdadeira vida comunitária é aquela que permite a cada indivíduo relacionar-se com o próximo em termos da relação EU-TU, e não em termos da relação EU-ISTO. (Martin Buber) A entrevista é a base do jornalismo. Por meio dela, são conseguidas as informações que alimentam as notícias e as reportagens. Podem variar quanto à extensão e quanto à profundidade, mas estão na origem da apuração das informações. UNIDADE II Fonte: https://profissionaisdotexto.com.br/blog/ dicas-boa-entrevista-imprensa/ Acesso em: 17 set. 2021. Entrevista como diálogo De acordo com o Manual de Redação e Estilo do Estadão, a entrevista constitui uma das principais fontes de informação de um jornal e está presente, direta ou veladamente, na maioria das notícias que ele publica. Ela pode tanto ser a própria reportagem como apenas parte dela (MARTINS, 1997, p. 108). No entanto, a entrevista não é, como pode parecer, um mero quadro de perguntas e respostas. Não se trata de um questionário. É uma situação de interação. Por isso, é mais adequado dizer que a entrevista é, ou deveria ser, um diálogo. Observação Devemos distinguir duas acepções da palavra entrevista. A palavra pode ser compreendida como o procedimento definido por Beltrão como também pode identificar um gênero textual jornalístico. Nesse último caso, temos o formato pingue- pongue, ou seja, com a estrutura de perguntas e respostas. UNIDADE II Fonte: https://profissionaisdotexto.com.br/blog/dicas-boa-entrevista-imprensa/ Acesso em: 17 set. 2021. Tipos de entrevistas Há diversas possíveis classificações para as entrevistas, formuladas de acordo com diferentes critérios. Lage (2017) afirma que as entrevistas podem ser classificadas com base nos seus objetivos nas categorias descritas a seguir. - Ritual. É breve e tem por objetivo principal a participação do entrevistado, sem muito destaque para o que ele efetivamente tem a dizer. É o que ocorre quando os jornalistas se esforçam para ter uma declaração de um jogador que foi destaque em uma partida. - Temática. Aborda um tema sobre o qual o entrevistado tem domínio. As declarações do entrevistado ajudam na compreensão de um acontecimento e servem, normalmente, como um argumento de autoridade na defesa de um ponto de vista. Um exemplo é a entrevista com um médico sobre a importância da vacina. UNIDADE II - Testemunhal. Apresenta a versão de quem presenciou determinado fato. Na declaração, o entrevistado pode acrescentar outras informações e suas impressões. Um exemplo é o depoimento de alguém que sobreviveu a uma tragédia. - Em profundidade. Foca a figura do entrevistado, em sua maneira de ser e de pensar. É o caso de entrevistas em formato pingue-pongue com um escritor ou filósofo, por exemplo. - Ocasional. Trata-se do encontro não combinado previamente. É o caso de um político que é questionado ao descer do carro ou de um cidadão comum que está na porta do estádio para ver seu time em campo. - De confronto. Tem como objetivo apresentar ao entrevistado acusações, e o jornalista atua geralmente como um inquisidor. Segundo Lage (2017, p. 76), a tática é comum “em jornalismo panfletário, quando se pretende ouvir o outro lado sem lhe dar, na verdade, condições razoáveis de expor seu ponto de vista”. Nesses casos, é comum que o entrevistado seja exposto a constrangimentos. UNIDADE II Fonte: https://www.portosmercados.com.br/o-watergate-e-a-essencia-do-jornalismo-profissional/ Acesso em: 17 set. 2021. - Dialogal. É a entrevista ideal, em que entrevistado e entrevistador se encontram em ambiente controlado e constroem o tom da conversa. Busca-se o aprofundamento dos temas abordados. - Perfil do pitoresco. Trata-se da caricatura do perfil humano. São feitos retratos de figuras proeminentes em que se salientam a fofoca, o grotesco e os traços sensacionalistas. - Perfil do inusitado. No lugar do cotidiano revelador da pessoa, procura-se extrair dela o que a caracterizaria como excêntrica, exótica. - Perfil da condenação. É frequente no setor policial do jornalismo, força a entrevista para que o indivíduo seja implicitamente condenado. Ideologicamente pautada pelo maniqueísmo e pelo julgamento apriorístico. - Perfil da ironia “intelectualizada”. De forma mais sutil, busca extrair da pessoa uma forma de contestar as ideias e a contribuição do entrevistado. Fonte: https://www.portosmercados.com.br/o-watergate-e-a-essencia-do-jornalismo-profissional/ Acesso em: 17 set. 2021. UNIDADE II - Entrevista conceitual. O jornalista busca abordar determinados conceitos que a fonte detém. Está interessado em conceitos, não em comportamentos. - Entrevista/enquete. O jornalista busca mais de uma pessoa para depor em relação a uma questão. - Entrevista investigativa. Trata-se daquela que vai investigar informações que não estão acessíveis. - Confrontação/polemização. Em temas polêmicos, em que se visualizem contradições sobre o fato, os veículos de comunicação apelam para o debate. - Perfil humanizado. Ao contrário da espetacularização, a entrevista com finalidade de traçar um perfil humano mergulha no outro para compreender conceitos, valores, comportamentos, histórico de vida. Fonte: https://www.portosmercados.com.br/o-watergate-e-a-essencia-do-jornalismo-profissional/ Acesso em: 17 set. 2021. UNIDADE II Técnicas de entrevista O primeiro passo para a realização de uma entrevista (com exceção das ocasionais) é o agendamento. É necessário que o repórter combine com a fonte, ou com o seu assessor, o dia, a duração e o local da entrevista. Deve-se também explicitar o tema da entrevista. Observação Joel Silveira, um dos grandes repórteres da história do jornalismo brasileiro, conta, no texto “A não entrevista de Joel Silveira com Getúlio Vargas”, a sua tentativa frustrada de entrevistar o presidente em 1954. Ele sabia que haveria resistência de Vargas, pois, como jornalista, Joel assumia uma postura antigetulista. Resolveu, por isso, usar a estratégia de dizer ao assessor do presidente que seria uma conversa pessoal. Ao encontrar Vargas em seu gabinete, o repórter disse que queria fazer umas perguntas; o presidente apagou o charuto e deixou imediatamente a sala. A decepção gerou a crônica. UNIDADE II Fonte: https://exibirgospel.com.br/2019/08/12/jornalismo-investigativo-vira-ferramenta-para-entender-as-escrituras/ Acesso em: 17 set. 2021. Uso do gravador e do bloco de notas Uma questão muito importante diz respeito aos meios como o jornalista registra as falas do entrevistado para posteriormente redigir o texto. São muitos os profissionais que recomendam que o repórter grave a conversa com o entrevistado. Entre as vantagens apontadas estão: - A fala do entrevistado é preservada da forma como se deu; - As gravações são backups das entrevistas; - A gravação dispensa o repórter da tarefa de anotar e possibilita que ele olhe mais para o entrevistado; - O repórter pode ouvir várias vezes a conversa; - A gravação funciona como uma prova caso a fonte conteste a declaração. UNIDADE II Fonte: https://pt.dreamstime.com/gravador-de-%C3%A1udio-desenho- decorativo-ilustra%C3%A7%C3%A3o-vetorial-image189554745 Acesso em: 18 set. 2021. Cleide Floresta e Ligia Braslauskas (2009, p. 103) aconselham: Tome o cuidado de ter documentado em áudio ao menos o que lhe pareça polêmico ou passível de contestação posterior por parte do entrevistado. As autoras afirmam, ainda, que o gravador é imprescindível quando se faz uma entrevista “pingue-pongue”, em que as falas do entrevistado serão reproduzidas. Observação O fato de gravar a entrevista não exime o repórter de prestar atenção no que o entrevistado fala. A boa condução do diálogo depende de sua capacidade de ouvir. UNIDADE II Fonte: https://www.jornalcidademg.com.br/informacao-nao-e-conhecimento/ Acesso em: 17 set. 2021. Há, no entanto, jornalistas que acham que o gravador pode intimidar o entrevistado e preferem fazer anotações em um bloco de papel. Truman Capote é, talvez, o caso mais famoso de um jornalista avesso a gravações. Segundo ele, o equipamento “gera interferências e distorce ou destrói qualquer naturalidade que possa existir entre o observador e o observado: o nervoso beija-flor e seu predador potencial” (apud OYAMA, 2020, p. 16). Capote tinha um método muito particular de entrevistar, que lhe rendeu admiradores e desafetos. Ele não usava gravador nem bloco de notas. O jornalista-escritor produziu um famoso perfil de Marlon Brando quando o ator estava em um hotel do Japão. Truman Capote criou, como era seu hábito, um clima de confiança ao falar de sua vida para Brando. Essa inversão de papéis fez com que o ator fizesse uma série de confissões. Ao ver a matéria publicada, Brando desabafou: “Aquele pequeno canalha passou metade da noite me contando seus problemas” (apud OYAMA, 2020, p. 33). UNIDADE II Características do entrevistado e do entrevistador Até aqui, apresentamos orientações gerais para a realização de boas entrevistas. No entanto deve ter ficado claro que não existem fórmulas para isso. Em cada situação, é necessário considerar as características do entrevistador e do entrevistado e o objetivo da entrevista. Há jornalistas que são mais afáveis, mais simpáticos. Há os mais tímidos e os mais provocadores. Como já dissemos, o repórter, por mais que controle sua personalidade e siga as orientações dos veículos, não deixa de ser um sujeito. É importante que ele saiba das suas habilidades e das suas limitações. UNIDADE II O entrevistado também tem de ser considerado. Oyama (2020) aponta alguns tipos de entrevistados que oferecem dificuldades ao jornalista: o hostil, o prolixo, o evasivo, o disperso, o frequentemente entrevistado, o fragilizado, o suspeito e o acusado de crimes. UNIDADE II Fonte: https://profissionaisdotexto.co m.br/blog/dicas-boa- entrevista-imprens Acesso em: 17 set. 2021. A mentira é algo que não pode acontecer no jornalismo, pois fere os princípios básicos da profissão. Isso não significa, no entanto, que ela não apareça, inclusive em veículos que têm credibilidade. UNIDADE II Fonte: https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/lingua-portuguesa/entrevista Acesso em: 18 set. 2021. Segundo Nilson Lage (2000, p. 46), “o futuro do jornal parece estar mais ligado à reportagem. Esta palavra tem duplo sentido: por um lado designa o setor das redações que trata da apuração e codificação de dados, em geral; por outro, um gênero jornalístico diferente da notícia por vários aspectos”. A distância entre reportagem e a notícia estabelece-se, na prática, a partir da _____. Assinale a alternativa que preencha corretamente a lacuna. (IBFC-2018) a) Entrevista. b) Pauta. c) Informação. d) Investigação. e) Nota. Interatividade Segundo Nilson Lage (2000, p. 46), “o futuro do jornal parece estar mais ligado à reportagem. Esta palavra tem duplo sentido: por um lado designa o setor das redações que trata da apuração e codificação de dados, em geral; por outro, um gênero jornalístico diferente da notícia por vários aspectos”. A distância entre reportagem e a notícia estabelece-se, na prática, a partir da _____. Assinale a alternativa que preencha corretamente a lacuna. (IBFC-2018) a) Entrevista. b) Pauta. c) Informação. d) Investigação. e) Nota. Resposta 2. Reportagem A arte da reportagem é de natureza extremamente complexa, pois é um processo sem fim. Sempre será possível apurar mais e melhor (Caco Barcellos). De acordo com o Manual de Redação e Estilo do Estadão: A reportagem pode ser considerada a própria essência de um jornal e difere da notícia pelo conteúdo, extensão e profundidade. A notícia, de modo geral, descreve o fato e, no máximo, seus efeitos e consequências. A reportagem busca mais: partindo da própria notícia, desenvolve uma sequência investigativa que não cabe na notícia (MARTINS, 1997, p. 254). Os autores colocam que, enquanto o verbo que define a notícia é “anunciar”, a reportagem é caracterizada pelos verbos “enunciar, pronunciar e denunciar”. UNIDADE II Eles afirmam que a prática contemporânea do jornalismo, nas diferentes mídias, apresenta uma grande variedade de tipos de reportagem. Para simplificar, eles consideram três modelos fundamentais de reportagem: reportagem de fatos (fact-story); reportagem de ação (action-story); reportagem documental (quote-story). Os nomes são autoexplicados. A fact-story caracteriza-se pelo relato objetivo dos acontecimentos. A action-story, por sua vez, foca o desenrolar dos acontecimentos, normalmente por meio da construção de cenas, como em um filme. A quote-story é um relato documentado; em alguns casos, tem como objetivo a denúncia, mas sempre com a fundamentação de dados. Deve-se ressaltar, no entanto, que nem sempre é clara a linha que separa um tipo de outro e que é possível mesclá-los. UNIDADE II Uma boa reportagem depende sempre de uma boa apuração e de entrevistas bem realizadas. Importante Leia o livro Técnica de reportagem: notas sobre a narrativa jornalística, de Muniz Sodré e Maria Helena Ferrari. Tomemos como exemplo a reportagem a seguir. Não são só os ricos que leem livros no Brasil, comprovam dados e também os relatos. Receita Federal usa argumento para justificar taxação do produto, mas faixas mais pobres também são leitoras. UNIDADE II São Paulo – Walter Porto – 8 abr. 2021 às 20h47 Quando escuta que o governo federal tem argumentado que só ricos consomem livros, para defender a taxação do produto, o coveiro Osmair Cândido solta uma gargalhada. Conhecido como Fininho, ele se formou em filosofia no Mackenzie há 14 anos, quando já estava na casa dos 40, mas gosta de literatura desde sempre. Os pais, no entanto, não tinham condições de comprar livros para ele e para o irmão. “Eu ia na biblioteca, pedia emprestado, mas depois de um certo tempo senti necessidade de comprar os livros mesmo. É um tantinho caro, mas a gente compra. É melhor ter o Machado de Assis em livro, né?”, comenta, sobre o autor de quem diz ter lido a obra completa. O coveiro, que falou com o repórter durante o expediente no cemitério da Penha, em São Paulo, afirma que certa vez vendeu a televisão para gastar em literatura. “Ler livros economiza tolices”, brinca. UNIDADE II A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, na sua edição mais recente, mostrou que 46% das pessoas com renda familiar de menos de um salário mínimo são leitoras. Na faixa salarial seguinte, que recebe de um a dois salários mínimos, 51% têm o hábito de ler. Isso não impediu a Receita Federal de produzir um relatório, nesta semana, afirmando que pessoas com renda de até dois salários mínimos não consomem livros e, por isso, eles deveriam ser tributados, com o objetivo de arrecadar recursos para políticas mais direcionadas. É mais um capítulo da ameaça que a reforma tributária de Paulo Guedes impõe ao mercado editorial. A ideia é substituir as contribuições PIS e Cofins, que os livros não pagam por lei, por uma Contribuição sobre Bens e Serviços, a CBS, com alíquota de 12%, a que eles estariam submetidos. “Digo por experiência própria que esse discurso de que o brasileiro não gosta de ler é uma estratégia para justificar a ausência de políticas públicas voltadas ao livro e à literatura”, diz Débora Garcia, produtora cultural que toca o Sarau das Pretas, com forte atuação nas periferias de São Paulo. “A postura de taxar livros é uma forma de afastar ainda mais as pessoas do acesso ao conhecimento”. UNIDADE II A Frente Parlamentar em Defesa do Livro também emitiu, nesta quinta, uma nota em repúdio ao documento da Receita, afirmando que “as famílias com renda inferior a dez saláriosmínimos respondem por quase a metade do mercado de livros não didáticos”. “Em vez de ampliar esse acesso, o governo busca restringir.” “Não é ausência de interesse, é ausência de possibilidade”, aponta a poeta Luz Ribeiro, uma das convidadas da Flip do ano passado, buscando resumir a relação dos brasileiros mais pobres com os livros. Repare que o gancho da matéria foi o anúncio do aumento da taxação de livros, justificado pelo governo pela alegação de que livros são produtos consumidos por ricos. Trata-se, na classificação de Sodré e Ferrari, de uma fact-story. Fica nítido que a intenção da reportagem, definida na pauta, é contestar a justificativa governamental para o aumento dos impostos sobre os livros, que encareceria o produto. Dessa forma, tenta-se comprovar que os não ricos também leem, ou melhor, que gostam de ler, mas, muitas vezes, não têm condições de adquirir obras. UNIDADE II Para essa contestação, são ouvidos os quatro leitores a seguir. Osmair Cândido, coveiro, que é citado logo no início e tem sua foto na matéria. Na imagem, ele está com o livro aberto no meio dos túmulos, em um cemitério. Ele, assim, também comprova seu gosto pela leitura. Débora Garcia, produtora cultural na periferia. Luz Ribeiro, poeta que foi convidada da Flip e moradora do Capão Redondo. Uma de suas declarações é destacada em um “olho” da matéria. Lívia Lima da Silva, que atua na programação audiovisual do Sesc Belenzinho. Os quatro entrevistados têm em comum o fato de suas famílias pertencerem à faixa socioeconômica que, segundo o governo, não compraria livros e o gosto pela leitura. Eles enfatizam a falta de políticas públicas para estimular o ato de ler e tomam como falácia a afirmação comum de que o brasileiro não gosta de ler. Para eles, falta a oportunidade. Além disso, a reportagem ainda apresenta a nota da Frente Parlamentar em Defesa do Livro e os dados estatísticos. UNIDADE II De acordo com Edson Flosi (2012), todo repórter produz, basicamente, três tipos de matéria: a reportagem comum; o furo de reportagem; a grande reportagem. A reportagem comum é a mais frequente e, normalmente, atinge, no máximo, quatro laudas de texto. O furo de reportagem é caracterizado pela exclusividade no anúncio de uma informação. Trata-se de algo ocasional no cotidiano do jornalista. A grande reportagem, por sua vez, é mais longa do que as comuns e exige uma apuração mais demorada e completa. Segundo Flosi, a grande reportagem só pode ser escrita por um repórter que tenha bom texto, no mínimo acima da média, pois, necessariamente extensa, não será lida se a narrativa for fraca, monótona, cansativa ou desinteressante. Sempre ilustrada com fotografias, desenhos ou gráficos, a grande reportagem exige diagramação competente e deve conter atrativos como UNIDADE II (Continuação) mistério, suspense, calor humano e outros elementos que só um texto criativo será capaz de explorar (FLOSI, 2012, p.11) Observação A reportagem apresentada como exemplo neste item é, na perspectiva apontada por Flosi, uma reportagem comum. Uma lauda jornalística é composta por 20 linhas de 70 toques (caracteres), ou seja, tem 1400 caracteres. Ricardo Kotscho aponta que a grande reportagem significa um grande investimento em termos humanos, para o repórter, e em termos financeiros, para o veículo. Segundo ele, a grande reportagem rompe todos os organogramas, todas as regras sagradas da burocracia – e, por isso mesmo, é o mais fascinante reduto do Jornalismo, aquele em que sobrevive o espírito de aventura, de romantismo, de entrega, de amor pelo ofício (KOTSCHO, 2003, p. 70). UNIDADE II Para Cremilda Medina (1982), a produção de uma reportagem densa está atrelada à competência do jornalista no trato com o real, com o devido domínio técnico, com a sensibilidade dialógica, a postura ética e a narrativa criativa. Assim, a autora considera que o repórter não é aquele que apenas informa, mas também é o responsável por desvelar a complexidade do real. UNIDADE II Fonte: https://www.dicio.com.br/reportagem/ Acesso em: 20 set. 2021. (adaptado) Função ou serviço de repórter em um jornal. Artigo de jornal escrito segundo as informações colhidas por um repórter. Marque a alternativa abaixo que corresponde a um gênero do jornalismo que confere extensão e aprofundamento à notícia, com maior rigor na apuração de dados, na consulta às fontes, no planejamento e na redação do texto. Esse mesmo gênero possibilita o uso de extensa série de recursos editoriais e a humanização da narrativa, podendo se concentrar em determinadas pessoas, situações ou aspectos das histórias, quebrando o fluxo linear da construção jornalística tradicional. (VUNESP-2019) a) Entrevista. b) Nota. c) Reportagem. d) Artigo. e) Coluna. Interatividade Marque a alternativa abaixo que corresponde a um gênero do jornalismo que confere extensão e aprofundamento à notícia, com maior rigor na apuração de dados, na consulta às fontes, no planejamento e na redação do texto. Esse mesmo gênero possibilita o uso de extensa série de recursos editoriais e a humanização da narrativa, podendo se concentrar em determinadas pessoas, situações ou aspectos das histórias, quebrando o fluxo linear da construção jornalística tradicional. (VUNESP-2019) a) Entrevista. b) Nota. c) Reportagem. d) Artigo. e) Coluna. Resposta UNIDADE II Relação com a literatura Jornalismo e literatura são duas áreas com diversas afinidades e, com frequência, a narrativa jornalística busca, na literária, técnicas para envolver o leitor. Muniz Sodré e Maria Helena Ferrari (1986, p. 77) apontam a existência da reportagem-conto: “não raro o repórter vai buscar no conto o modelo condutor de seus textos. Houve mesmo uma revista (Realidade, já desaparecida) que usou e abusou desse recurso”. Segundo os autores, esse tipo particulariza a ação ao escolher um personagem para ilustrar o tema que vai desenvolver. Vejamos, como exemplo, o início da reportagem “O que fazer com tanto café?”, de Hamilton Ribeiro, publicada na Realidade em abril de 1967. A ordem chegou no sábado para o capataz. Devia preparar o trator e contratar todos os peões que pudesse, para começar a arrancar 85 mil pés de café, segunda de manhãzinha. Jesuíno estava prevenido e não se espantou muito com a ordem. Mas seo Onofre, o caseiro, que tinha vindo para a fazenda quando aquilo era um mato só, achou que alguma coisa estranha estava acontecendo. – Arrancar 85 mil pés de café ainda novos? Acho que esta história está mal contada, Jesuíno. No seu lugar, eu arreava um cavalo e ia até o patrimônio para falar no telefone com seo João, lá em Londrina. Meter o trator no cafezal é um sacrilégio, e esse risco eu não corria só a troco de um bilhete. – Seo João já tinha me falado nisso, Onofre. É negócio do governo: eles pagam quase 900 contos por alqueire de café arrancado. E no lugar dele é para plantar arroz, feijão e milho durante dois anos, depois vira pasto. UNIDADE II Seo Onofre continuou não entendendo. E passou o domingo todo pensando que a ordem era um engano, que a qualquer momento o patrão apareceria para dizer que tudo era brincadeira e que o café ia continuar dominando a paisagem da fazenda Águas Claras. Mas chegou segunda-feira e, com ela, 60 machadeiros e o trator. O espigão de café foi ficando aos poucos rasgado e vermelho, a terra rachando em lascas junto às raízes. – Para nós, seo Onofre, o general café não existe mais. Quem vai mandar nas Águas Claras agora vai ser o marechal feijão (SODRÉ e FERRARI, 1986, p. 77). No texto, observa-se a construção de uma cena, com o uso do diálogo, que tem como efeito contribuir para dar vivacidade a ela. Cabe ressaltar que, na reportagem com inspiração literária, a apuração tende a ser extensa. É com que o jornalista se insira no local de modo a captar o estilo devida dos personagens e possa vivenciar sua atmosfera. UNIDADE II Edson Flosi afirma que a prática do jornalismo literário exige o planejamento da matéria, a pesquisa às vezes demorada, a descrição dos personagens e dos lugares, a técnica da entrevista, a construção de um perfil e, sobretudo, o estilo da narrativa, que, dependendo do caso, pode ser realista ou romântica, nervosa ou suave, solene ou irônica, esclarecedora ou misteriosa (FLOSI, 2012, p. 12). Sodré e Ferrari (1986) também apontam a existência da reportagem-crônica. Segundo eles, esse tipo se detém mais em situações fortuitas, tem um caráter mais circunstancial. Observação A questão dos gêneros textuais é bastante complexa, pois, muitas vezes, as linhas que os separam são tênues. Diz-se que Mário de Andrade, cansado da discussão sobre o que definiria um conto, afirmou que conto é tudo aquilo que o autor chamou de conto. UNIDADE II 3. Fotos, gráficos e arte em reportagens As reportagens impressas e on-line contam com recursos de outras linguagens para enriquecer seu conteúdo, como fotografias, gráficos, mapas e infográficos. Não se trata de mera ilustração. Tais elementos exercem importante função na construção do sentido da matéria. A fotografia é importante no efeito de referencialidade, pois normalmente é entendida como uma representação fiel do real e uma comprovação de que o fato relatado aconteceu ou de que o entrevistado existe. No entanto, a foto também deve ser vista como um texto, produzido por um sujeito. Ela expressa um ponto de vista sobre a realidade. O momento, o ângulo e a iluminação são elementos que interferem na interpretação que o leitor terá do fato. Não é à toa que os repórteres fotográficos sempre realizam grande número de registros para que, depois, na edição, sejam escolhidos os melhores e os mais adequados ao viés da matéria. UNIDADE II Em 2004, por exemplo, vários jornais publicaram uma sequência de fotos em que o então presidente George W. Bush tentava segurar seu guarda-chuva em uma base aérea. A figura a seguir é a última da sequência e sugere a falta de controle do homem mais poderoso do mundo sobre um objeto comum. Essa fotografia não é meramente ilustrativa da presença do presidente na base aérea. Seu discurso insere-se no contexto sociopolítico do momento de sua produção e pretende desqualificar a capacidade de Bush de controlar o mundo. É importante destacar que a foto jornalística se caracteriza também por sua naturalidade, ou seja, para que mantenha a credibilidade nela depositada, não pode ser “montada”. Normalmente, as fotos vêm acompanhadas de legendas, ou seja, uma ou duas linhas com o essencial do fato registrado. UNIDADE II Fonte: http://www.poynter.org/news/mediawire/213787/ap-photographer-has- chronicled-several-presidents-umbrella-problems/. Acesso em: 20 set. 2021. Os infográficos procuram organizar, de forma mais didática, as informações para o leitor. Gráficos, por sua vez, traduzem em linhas, em setores ou em barras as informações. Podem apresentar dados relativos ou absolutos ao leitor, que, com um olhar rápido, pode compreender, por exemplo, a evolução da vacinação contra covid-19 no Brasil, como se vê a seguir. UNIDADE II Fonte: https://www.signifi cados.com.br/infog rafico/ Acesso em: 20 set. 2021. Fonte: https://arte.folha.uol.com.br/ciencia/2021/veja-como-esta-a-vacinacao/brasil/. Acesso em: 20 set. 2021. Evolução da vacinação 100 75 50 25 0 1. fev 15. fev 1. mar 15. mar 29. mar 12. abr 26. abr 10. mai 24. mai 7. jun 21. jun Observa-se que, até o final de março, o número de vacinados crescia muito demoradamente e que, mesmo com o crescimento mais acentuado em junho, cerca de 40% da população estava vacinada no momento da publicação. Observação Optar por números absolutos ou relativos não é indiferente. Muitas vezes, o número absoluto parece grande, mas torna-se pequeno se comparado com o total. A escolha de como apresentar os dados, que inclui também a definição da escala, faz parte das decisões editoriais do veículo. UNIDADE II Fonte: https://www.significados.com. br/infografico/ Acesso em: 20 set. 2021. Exemplo Exemplo Exemplo Exemplo Exemplo Cidade VERDE 40% 10% 10% 5% 20% 30% Observação Alguns livros-reportagem apresentam encartes com fotografias e há, ainda, livros jornalísticos compostos basicamente por fotos. Os infográficos procuram organizar, de forma mais didática, as informações para o leitor. De acordo com Edvaldo Pereira Lima, o objetivo da infografia não é apenas tornar a informação jornalística mais atrativa, mas auxiliar o leitor a compreender algo que, comunicado de outra maneira, poderia ser complexo demais (LIMA, 2015, p. 1). Observemos as capas dos dois maiores jornais de São Paulo no dia em que o número de mortes por covid-19 superou 500 mil. UNIDADE II Fonte: https://www.significados.com.br/infografico/ Acesso em: 20 set. 2021. Repare que os dois veículos mostram preocupação com o número de mortes, mas encontraram formas diferentes para expressar isso. No Estadão, temos um título chamativo, com frases nominais em letras bem grandes, um subtítulo que aponta medidas necessárias e falhas ocorridas para frear o vírus, um mapa do Brasil, que fornece um comparativo entre os Estados, e um gráfico que deixa claro o crescimento acelerado das mortes de março a junho. UNIDADE II Fonte: O Estado de S. Paulo, 20 jun. 2021b. Fonte: Folha de S. Paulo.20 jun. 2021b A Folha, por sua vez, optou por uma chamada nada ortodoxa. A capa em branco em um jornal choca, e foi essa a intenção. No pé da página, o texto verbal faz referência às 500 mil mortes e ao vazio provocado por elas, representado pela ausência de imagens e palavras no jornal. Por fim, cabe destacar que as novas tecnologias permitem, atualmente, o uso de elementos variados, com possibilidades interativas. UNIDADE II Assinale a alternativa que corresponde a um infográfico: a) É um conteúdo explicativo que une informações verbais e visuais. b) Uma fotografia. c) Reportagem detalhada. d) Seria um tipo de reportagem. e) É um gênero jornalístico. Interatividade Assinale a alternativa que corresponde a um infográfico: a) É um conteúdo explicativo que une informações verbais e visuais. b) Uma fotografia. c) Reportagem detalhada. d) Seria um tipo de reportagem. e) É um gênero jornalístico. Resposta 4. Diferentes editorias As redações dos veículos são, em geral, divididas em editorias correspondentes a áreas de interesse: cidade, política, esportes, economia, ciência e tecnologia, artes e espetáculos. Essas editorias apresentam características diferentes e, em algumas matérias, é necessário que o jornalista tenha conhecimentos específicos. Economia e ciência, por exemplo, são áreas em que o domínio do repórter sobre conceitos e termos é importante, devido à complexidade de algumas pautas. Dessa forma, há profissionais que se especializam em determinadas áreas. Outros permanecem no que se chama de “geral”. Observação Em tom anedótico, costuma-se dizer que o jornalista tem um oceano de conhecimento com 2 cm de profundidade. Isso se deve ao fato de que o repórter tem contato com uma infinidade de temas, e é importante que ele tenha bom repertório cultural, conhecimentos básicos de história e geografia, noções de sociologia e filosofia. UNIDADE II Fonte: https://www.folha.uol.com.br/. Acesso em: 20 set. 2021. O jornalista especializado não deve ser confundido com o especialista, isto é, um jornalista econômico não é um economista. O jornalista especializado é, antes de tudo, um jornalista, com o diferencial de ter conhecimento mais aprofundado em uma área. Alguns autores consideram que a especialização do jornalismo é uma saída para o excesso de informações e a superficialidade delas, pois existe demanda por informações direcionadas. O jornalista especializado pode romper com a uniformidade informativa apresentada pelos generalistas e, assim, democratizar o conhecimento, ao apresentar, em linguagem acessível a seu público, uma matéria com maior carga informativa e fontes diferenciadas. Ele atua como um mediador de discursos. UNIDADE II Fonte: https://www.folha.uol.com.br/ Acesso em: 20 set. 2021. Reportagem Especializada As redações são divididas em editorias, que correspondem aproximadamente a áreas de atividade de interesse jornalístico: cidade, polícia, política, esportes, economia, ciência e tecnologia, artes e espetáculos... Se é assim, e se cada área dessas pressupõe algum conhecimento específico, porque não transformar especialistas (urbanistas, criminologistas, cientistas políticos, técnicos de educação física, economistas, cientistas, artistas, promotores culturais) em jornalistas, e não o contrário? A questão tem sido repetida insistentemente e admite várias respostas. A primeira delas apoia-se ao que poderíamos chamar de “teoria da inocência”: a crença de que os repórteres, sendo agentes do público, devem observar a realidade com os critérios do senso comum que excluiriam a formação especializada. UNIDADE II Fonte: https://www.folha.uol.com.br/ Acesso em: 20 set. 2021. Não é muito consistente: um professor de primeiro grau não precisa ser criança para comunicar-se com seus alunos nem um médico abandonar o que sabe para expor um diagnóstico a alguém – seja cientista nuclear ou dona de casa. A segunda resposta faz mais sentido. Cada profissão tem sua própria ética e seus valores corporativos, fixados ao longo de uma experiência histórica. Assim, médicos são impedidos de criticar publicamente outros médicos e advogados devem manter, perante juízes, promotores ou colegas, uma série de cuidados de tratamento. Isto significa que, transferidos para a função de jornalistas, esses profissionais teriam que abandonar os valores de suas atividades de origem. A terceira resposta faz mais sentido ainda. Trata-se do fato de que a formação de um bom especialista em cada área dessas envolve grande investimento intelectual. UNIDADE II A formação de um bom jornalista, nas condições modernas de exercício da profissão, também não é rápida. Não haveria ganho, mas perda social, em se transformar, por exemplo, um físico teórico em jornalista especializado em ciência: sua formação como físico funcionaria para uma especialidade científica, a Física, e não para outras (ajudaria pouco, por exemplo, numa reportagem sobre Paleontologia). Por outro lado, muitas de suas habilidades, custosamente adquiridas, perderiam qualquer sentido útil, ainda que se limitasse a noticiar pesquisas e descobertas da Física. UNIDADE II Fonte: https://academiadojornalista .com.br/producao-de-texto- jornalistico/diferenca-entre- noticia-e-reportagem/ Acesso em: 28 set. 2021. O universo das notícias (e, quase sempre, o da informação jornalística em geral) é o das aparências do mundo: o noticiário não permite nem persegue o conhecimento essencial das coisas, objeto do estudo científico e da prática teórica, a não ser por eventuais aplicações a fatos concretos. Por trás das notícias corre uma trama infinita de relações e percursos subjetivos que elas, por definição, não abarcam. Isso explica o custo social menor da especialização do jornalista, se comparado com a transformação do especialista em jornalista. UNIDADE II Fonte: https://teletronix.com.br/bl og/5-dicas-para-conseguir- uma-boa-reportagem- mais-rapido-na-era-digital/ Acesso em: 01 set. 2021. Resumo da Unidade II Nesta unidade, apresentamos definições de entrevistas e suas classificações de acordo com os objetivos e com as situações de sua realização. Foram abordadas técnicas para se conseguir uma boa entrevista, que é a base para uma matéria jornalística consistente. Essa matéria pode ser uma notícia, uma reportagem, um perfil, uma entrevista em formato pingue- pongue ou um livro-reportagem. Abordamos a reportagem, que é a essência do jornalismo desde o século XIX. Apresentamos algumas classificações possíveis para o gênero. Vimos que aquelas que têm inspiração na literatura e as grandes reportagens exigem um profissional com capacidade redacional diferenciada. Comentamos, ainda, a importância de fotografias, gráficos e infográficos nas reportagens, não como ilustração, mas como complementação de sentido. Por fim, mencionamos brevemente as características gerais das reportagens especializadas. UNIDADE II O que é uma “editoria” dentro do jornalismo? a) Editorias são áreas de interesse: cidade, política, esportes, economia, ciência e tecnologia, artes e espetáculos. b) A exibição dos créditos de produção ao final de um telejornal. c) O momento de transição entre o texto da reportagem e excertos de entrevistas de personagens. d) O momento da reportagem em que o repórter aparece e fala diretamente ao espectador. e) A exibição dos créditos de produção ao final de um telejornal. Interatividade O que é uma “editoria” dentro do jornalismo? a) Editorias são áreas de interesse: cidade, política, esportes, economia, ciência e tecnologia, artes e espetáculos. b) A exibição dos créditos de produção ao final de um telejornal. c) O momento de transição entre o texto da reportagem e excertos de entrevistas de personagens. d) O momento da reportagem em que o repórter aparece e fala diretamente ao espectador. e) A exibição dos créditos de produção ao final de um telejornal. Comentamos, ainda, a importância de fotografias, gráficos e infográficos nas reportagens, não como ilustração, mas como complementação de sentido. Por fim, mencionamos brevemente as características gerais das reportagens especializadas. Resposta https://academiadojornalista.com.br/producao-de-texto-jornalistico/diferenca-entre-noticia-e- reportagem https://exibirgospel.com.br/2019/08/12/jornalismo-investigativo-vira-ferramenta-para- entender-as-escrituras https://www.jornalcidademg.com.br/informacao-nao-e-conhecimento/ https://profissionaisdotexto.com.br/blog/dicas-boa-entrevista-imprensa/ https://www.portosmercados.com.br/o-watergate-e-a-essencia-do-jornalismo-profissional Referências BUBER, Martin. Introdução e Tradução: Newton Aquiles Von Zuben. 2. ed. São Paulo: Moraes, 1977 FLOSI, E. Por trás da notícia: o processo de criação das grandes reportagens. São Paulo: Summus, 2012. FLORESTA, C.; BRASLAUSKAS, L. Técnicas de reportagem e entrevista em jornalismo: roteiro para uma boa apuração. São Paulo: Saraiva, 2009. FOLHA DE S. PAULO. São Paulo: Grupo Folha, ano 101, n. 33.681, 20 jun. 2021b. KOTSCHO, R. A prática da reportagem. São Paulo: Ática, 2003. LAGE, N. 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