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Técnicas de Pesquisa, 
Entrevista e Reportagem
Material Teórico
Responsável pelo Conteúdo:
Prof.ª Me. Flavia Daniela Pereira Delgado
Revisão Textual:
Prof.ª Dr.ª Selma Aparecida Cesarin
Apuração e Pesquisa Jornalísticas
• A Importância da Pesquisa Jornalística;
• Técnicas de Pesquisa;
• Fontes de Pesquisa;
• A Checagem e o Fazer Jornalístico.
 · Abordar a fase da apuração/checagem como elemento chave do 
processo de construção da Reportagem Jornalística.
OBJETIVO DE APRENDIZADO
Apuração e Pesquisa Jornalísticas
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem 
aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua 
formação acadêmica e atuação profissional, siga 
algumas recomendações básicas: 
Assim:
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e 
horário fixos como seu “momento do estudo”;
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma 
alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo;
No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos 
e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você 
também encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão 
sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados;
Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus-
são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o 
contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e 
de aprendizagem.
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Determine um 
horário fixo 
para estudar.
Aproveite as 
indicações 
de Material 
Complementar.
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma 
Não se esqueça 
de se alimentar 
e de se manter 
hidratado.
Aproveite as 
Conserve seu 
material e local de 
estudos sempre 
organizados.
Procure manter 
contato com seus 
colegas e tutores 
para trocar ideias! 
Isso amplia a 
aprendizagem.
Seja original! 
Nunca plagie 
trabalhos.
UNIDADE Apuração e Pesquisa Jornalísticas
A Importância da Pesquisa Jornalística
Sejam bem vindos(as) a mais uma Unidade da nossa Disciplina, a qual particular-
mente consideramos um dos pilares de nossa carreira, por tratar das técnicas em torno 
de um dos mais importantes gêneros jornalísticos: a Reportagem. Mas, antes de falar-
mos sobre ela, vamos discutir sobre uma importante etapa que a precede: a apuração. 
É durante essa fase que o jornalista busca informações sobre o assunto a ser 
tratado, sejam informações, sejam documentos ou pessoas que contribuam com 
seus relatos para a construção do texto. 
Na Unidade passada, vimos a importância da pauta. Mas, como transformá-la, 
afinal, em reportagem? 
É preciso passar pela fase da apuração, rumo ao burilar das informações que 
dão subsídio ao jornalista. 
Os dados necessários à composição do material jornalístico em relação a uma 
reportagem são como uma pedra bruta em relação a uma pedra preciosa – que 
precisa ser refinada, lapidada, polida e liberta daquilo que eventualmente a torne 
menos valiosa – no nosso caso, menos informativa ou jornalística. 
E o jornalismo de qualidade não é feito com pedra bruta. A pedra preciosa é o 
que interessa!
Figura 1
Fonte: iStock/Getty Images
Como lembra Marleth Costa, em Técnicas de Redação e Edição na Imprensa:
A apuração bem feita, rica em detalhes, garante ao jornalista condições 
de produzir um texto memorável que cause impacto no leitor. Assim como 
um romancista que domina a técnica da escrita não fará um bom roman-
ce se não tiver criatividade pra desenvolver o enredo um jornalista não 
produzirá uma boa reportagem, por mais que escreva bem, se não tiver 
8
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realizado previamente uma apuração, cuidadosa. A apuração é para o jor-
nalista o que a imaginação é para o escritor: o ponto de partida. (COSTA, 
2017, p. 20)
A autora lembra, ainda, que todo o trabalho de apuração resume-se à busca pela 
exatidão de informações, já que a falibilidade do ser humano não serve de argumento 
contra a perseguição obsessiva pela informação correta. O rigor na apuração signi-
fica dirimir toda e qualquer dúvida, sem deixar “pontas soltas” na reportagem, na 
história a ser contada. 
E apurar bem passa por fazer as perguntas corretas às pessoas certas, conside-
rando o contexto do fato apurado. 
A principal arma para essa fase é a pesquisa. Costumamos dizer aos nossos 
alunos que reportagem é igual a uma cadeira: precisa estar assentada sobre quatro 
pilares – pesquisa, observação, entrevista e documentação. Se uma das pernas não 
estiver firme ou for curta demais, a reportagem não se sustenta, cai e é descartada, 
porque fica “manca”. 
Quando se fala em pesquisa, é importante fazermos uma consideração relevante. 
Há uma grande diferença entre a Pesquisa Jornalística e a Pesquisa em Jornalismo.
Enquanto a primeira diz respeito a uma atividade subjacente à prática jornalística 
que se refere, sobretudo, ao hábito cotidiano de conhecer e investigar o tema que o 
jornalista pretende cobrir, a segunda trata da construção de um campo científico na 
área jornalística, menos focado na técnica e na prática profissional em si e mais na 
Ciência, cujo objetivo é formar jornalistas pesquisadores, que trabalham com mé-
todo, contribuindo para a evolução do saber jornalístico – como o fazem Mestres e 
Doutores em Comunicação, que seguem Carreira Acadêmica. 
Figura 2
Fonte: iStock/Getty Images
Todo jornalista é responsável pelo que apura. Por isso, o profissional tem de 
pensar nas consequências do que publica e, portanto, precisa evitar a todo custo 
um dado incompleto ou enviesado, uma informação distorcida ou equivocada. 
9
UNIDADE Apuração e Pesquisa Jornalísticas
Técnicas de Pesquisa
Uma das Técnicas mais usadas diariamente para a Pesquisa Jornalísticas é a 
busca pela Internet, que é um manancial inesgotável para a pesquisa do jornalista.
Ao usar ferramentas de busca na web, por exemplo, abre-se para o jornalista 
um universo repleto, com informações preciosas, democratizando a informação de 
forma quase universal. 
Imagine a quantidade de Banco de Dados de Instituições e outros milhões de 
Dados a apenas um clique do repórter?
Figura 3
Fonte: iStock/Getty Images
Além disso, a rede mundial ajuda o jornalista a ganhar tempo também. O que 
levava horas sendo apurado em vários lugares, é encontrado em sites de busca – 
desde que o repórter saiba pesquisar (usando corretamente palavras-chave, colo-
cando entre aspas, por exemplo). 
Mas, usar apenas essa técnica de pesquisa é muito arriscado, porque, por outro 
lado a tela aceita tudo. Qualquer pessoa pode publicar qualquer coisa na Internet 
– ou seja, a web tem também um potencial infinito para disseminar bobagens e 
mentiras – as ditas fake news.
Por isso, sua importância como técnica de pesquisa também precisa ser relati-
vizada. É ilusório achar que seja possível compor uma reportagem apenas sentado 
em frente a um computador. 
Uma boa apuração ainda se faz na rua, com fontes primárias – vamos falar 
sobre fontes no próximo tópico. O ideal é combinar várias técnicas, rumo à verifi-
cação da exatidão das informações. 
Outra técnica de pesquisa é a busca em documentos disponíveis em arquivos 
públicos das cidades, em livros, em Bibliotecas Públicas, de jornais e revistas e 
arquivos de Empresas – essa inclusive era a forma de pesquisa mais antiga para 
jornalistas, antes de existir a Internet. 
10
11
Aliás, importante frisar, não existe hierarquia entre esses meios de pesquisa – e 
nem um roteiro pré-definido (primeiro, busca-se na web, depois parte-se para ou-
tras fontes de pesquisa. Isso pode ser um bomcomeço para se apropriar do tema, 
mas absolutamente não é uma regra na Pesquisa Jornalística). 
Cada jornalista define sua estratégia de pesquisa ante a pauta que lhe couber. 
Uma terceira técnica, bem comum no jornalismo americano, é o chamado “con-
f ronto de três fontes”: se depois de muito pesquisar, o jo rnalista conseguir confron-
tar três pessoas, de preferência que não tenham se comunicado que, se possível, 
não se conheçam – e s e elas dão a um fato a mesma interpretação ou versões 
parecidas, eis uma visão muito próxima à realidade. 
Quando essa s três fontes têm interesses distintos fica mais evidente a diferença 
entre fato e versão, como exemplifica Eduardo Belo:
Durante uma campanha eleitoral para a prefeitura, um jornal descobre que 
parte do material de propaganda – camisetas – de um candidato está sendo 
pago por uma empresa com interesse em serviços públicos terceirizados pelo 
município. O repórter recebe essa dica de uma fonte de oposição. Como 
empresa e candidato negam o negócio, ele procura um funcionário de se-
gundo escalão com acesso aos gastos da campanha. O repórter descobre as 
empresas que produzem as camisetas e chega a um funcionário que emite 
as faturas da malharia. Sob o compromisso de sigilo, ele também confirma 
a informação. Juntando todas as conversas com as fontes de informação, a 
história “bate” e aí sim pode ser publicada. (BELO, 2010, p. 90)
Mas obter uma informação e conseguir fazer uma pesquisa consistente nem 
sempre é um tarefa fácil para jornalistas – sobretudo os que lidam com jorna-
lismo investigativo. 
Nos casos de denúncias envolvendo Órgãos Públicos – algo infelizmente muito 
comum em nosso país, por exemplo, dificilmente um jornalista conseguirá que as 
fontes espontaneamente concedam informações.
Mas a Constituição de 1988 garantiu a existência de um dispositivo jurídico que 
anos mais tarde foi regulamentado. 
Você sabia que no Brasil existe um dis-
positivo legal que garante o acesso a infor-
mações públicas aos jornalistas e a todos 
os cidadãos?
Trata-se da Lei de Acesso à Informa-
ção, Lei 12.527 de 18 de novembro de 
2011, que entrou em vigor em 2012. O 
Brasil foi o último país da América do Sul a 
aprovar uma Lei de acesso a esses dados. 
Nas Américas, Costa Rica e Cuba conti-
nuam sem uma Lei específica que regula-
mente o direito de acesso à informação.
Figura 4
Fonte: iStock/Getty Images
11
UNIDADE Apuração e Pesquisa Jornalísticas
Importante!
Nos Estados Unidos, a Lei de Liberdade à Informação (FOIA – Freedom of Information 
Act) já existe há mais de 50 anos.
Você Sabia?
Conheça o regulamento americano. Acesse: https://goo.gl/Jf8pxf
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A LAI define informação pública aquela contida em registros ou documentos, 
produzidos ou acumulados por Entidades ou Órgãos Públicos, e prevê uma série de 
exceções para o não fornecimento de algumas informações – como as que põem em 
risco a defesa e a soberania nacionais; a vida, a segurança ou a saúde da população; 
a estabilidade financeira e as operações ou planos estratégicos das Forças Armadas.
A Lei é aplicável aos três poderes nas esferas federal, estadual e municipal e inclui 
Órgãos Públicos além da administração indireta (empresas públicas, autarquias, fun-
dações e sociedades de economia mista). O fornecimento das informações é gratuito. 
Aprenda sobre a LAI. Acesse: https://goo.gl/C3UkF3
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A seguir, nove dicas do repórter Luiz Fernando Toledo sobre o uso frequente da 
LAI, em reportagens deles sobre Educação, para o jornal O Estado de S. Paulo1:
1. Seja insistente. Já ouvi de diversos gestores que os pedidos são recusa-
dos em 1ª instância para haver tempo hábil de coletar os dados. Se você 
tiver o pedido recusado, insista. Mostre ao órgão que você não teve a 
solicitação atendida e que respeitou integralmente as regras da Lei.
2. Saiba o que perguntar. A LAI só disponibiliza documentos e dados, 
mas não responde a perguntas genéricas nem reclamações. É importante 
tentar achar os dados de forma exaustiva antes de pedi-los. Pedidos gené-
ricos geram respostas genéricas.
3. Não aceite qualquer resposta. É muito comum que os órgãos respon-
dam só parte do que foi perguntado ou digam, de forma genérica, que 
não os têm. Insista e entre com recursos até a última instância, se neces-
sário. Já tive negativa de pedidos em que o órgão disse não ter os dados 
disponibilizados, mas depois, na 2ª instância, os forneceu.
4. Faça vários pedidos ao mesmo tempo para diferentes órgãos. Como 
as respostas são demoradas, montar um “banco” de perguntas pode 
1 Disponível em: 
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garantir uma série de pautas após algum tempo. Una os pedidos. Muitas 
reportagens podem envolver mais de um órgão público. Às vezes, um 
cruzamento de dois bancos de dados diferentes pode render um lead 
muito melhor do que um único sozinho.
5. Organize os pedidos em uma planilha. Os canais de Lei de Acesso à 
Informação são completamente diferentes entre si. O da Prefeitura de São 
Paulo, por exemplo, permite ao cidadão acessar todos os pedidos já feitos 
em uma mesma página. O do governo do Estado de São Paulo só fornece 
um protocolo, e é com ele que você terá acesso às informações. Mas e 
se eu quiser acessar um pedido de dois anos atrás, como fazer?  Um dos 
canais mais chatos é o da Universidade de São Paulo (USP): só é possível 
ter acesso ao pedido original com um link enviado ao e-mail do cidadão no 
momento do pedido. O ideal é ter um controle próprio padronizado.
6. Conheça o comportamento das instituições. Apesar de a Lei ser uma só 
para todos os órgãos públicos, é nítido que cada um deles se comporta de 
uma forma. Alguns passam mais dados do que o pedido, outros não pas-
sam nada. Depois de certa insistência, vai fi cando mais fácil entender como 
pedir informações a determinado órgão. Sim, isso não deveria acontecer. 
Mas é uma forma de agilizar as coisas enquanto os recursos não chegam. 
Também é possível aprender o que funciona e o que não funciona em um 
pedido, já que muitas perguntas podem não render matéria nenhuma.
7. Compartilhe os dados com colegas. Muitas vezes um dado que você 
recebeu não o ajudará em nada, mas pode ser útil a outras reportagens.
8. Boletins de ocorrência escondem excelentes pautas. Não que isso 
seja exatamente uma novidade, mas tenho visto cada vez mais repor-
tagens em que os jornalistas pediram acesso a conjuntos de boletins de 
ocorrência de determinado assunto para fazer levantamentos exclusivos. 
É possível cruzar dados de escolas com violência, policiamento E tráfi co 
de drogas, entre outros, enriquecendo qualquer material.
9. Exponha os descumpridores da lei. Quanto mais cobrarmos transpa-
rência e cumprimento dos prazos dos órgãos públicos, mais os dados 
fi carão disponíveis. Se determinada informação não chegar, vale ques-
tionar o órgão responsável e, se possível, publicar matéria caso não haja 
nenhum retorno.  
Recomendamos, ainda, o excelente site do jornalista Léo Arcoverde. Há inúme-
ras matérias feitas com uso da LAI por lá, que podem dar uma boa base do que se 
pode pedir ou não.
Site Fiquem Sabendo, do jornalista Léo Arcoverde, disponível em: https://goo.gl/IYBT2Q
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UNIDADE Apuração e Pesquisa Jornalísticas
A organização dos dados pesquisados é muito importante. Recomenda-se que o 
jornalista crie métodos de organização – em seu computador, que crie pastas refe-
rentes ao assunto pesquisado e que sempre faça backup de seus arquivos. 
Caso decida fazer arquivo físico, que disponha o material em pastas e que sem-
pre tenha uma ou mais cópias, para que, em caso de perda ou extravio, todo o 
trabalho não tenha sido em vão. 
Fontes de Pesquisa
Fonte é sinônimo de nascente, de lugar de origem, princípio. Em jornalismo, 
convencionou-se chamar de fonte toda pessoa ou documento a partir do qual se 
pode apurar um fato jornalístico. 
Hierarquizar as fontes de informação é fundamental na atividade jornalística”, 
confirma a Folha de S. Paulo (2010, p. 37), pois anotícia polifônica converge 
da diversidade de opiniões, relatos, testemunhos e mídias, facilitada pelas Novas 
Tecnologias, como a telefonia móvel e a Internet. 
Essa pluralidade e diversidade de fontes, que agem de formas diferentes e detêm 
qualidades diversas, exige uma classificação para que se entenda a sua força.São 
díspares as classificações e as nomenclaturas em torno das fontes jornalísticas, mas 
aqui vamos abordar as principais classificações.
Nilson Lage descreve a natureza das fontes como sendo mais ou menos confiá-
veis, pessoais, institucionais ou documentais. 
Ele as classifica como: oficiais: instituições que preservam algum poder de Esta-
do (secretários municipais, estaduais, ministros, vereadores); oficiosas: reconheci-
damente são ligadas a uma entidade ou indivíduo, mas não estão autorizadas a falar 
em nome dele ou dela, o que significa que o que disserem pode ser desmentido 
(no filme Todos os Homens do Presidente, a principal fonte dos jornalistas do 
Washington Post, Bob Woodward e Carl Bernstein, o “garganta profunda” – que 
anos depois revelou sua verdadeira identidade, um funcionário da CIA incomodado 
com a política de promoções dentro da instituição e que resolveu revelar o que sa-
bia – se encaixa no perfil de fonte oficiosa. Mas os repórteres foram tão exaustivos 
naquela Pesquisa Jornalística que mesmo que a fonte oficiosa fosse desmentida, 
havia o relato de outras testemunhas para comprovar a veracidade da denúncia 
contra o então Governo republicano dos EUA).
Para relembrar o escândalo Watergate (documentário em inglês, 40 anos depois), acesse: 
https://youtu.be/Xo7KWzOgnf8Ex
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Figura 5
Fonte: iStock/Getty Images 
Já as fontes indep endentes são aquelas desvinculadas de uma relação de 
poder ou interesse específico, mas por algum motivo estão aptas a dar declara-
ções, por seus conhecimentos ou experiência. Lage também aponta as fontes 
primárias e as secundárias, na perspectiva da sua relação direta e indireta com 
os fatos, respectivamente. 
Indica, ainda, as “testemunhas” que presenciam os fatos e os “experts”, es-
pecialistas em determinados assuntos e que interpretam os eventos. O autor não 
relaciona as fontes, as organizações em geral, não oficiais, nem as suas ações.
O professor Manuel Chaparro (2009), por sua vez, propõe uma iniciação à 
Teoria das Fontes, com a classificação de sete tipos: “organizadas”: organizações 
que produzem conteúdos noticiáveis com grande competência e utilizam a notícia 
como forma de ação; “informais”: falam apenas por si; “aliadas”: informantes 
que mantêm relação de confiança com os jornalistas; “de aferição”: são especia-
lizadas em certos temas e cenários; “de referência”: entendidas como pessoas 
sábias ou instituições detentoras de um conhecimento; “documentais”: referentes 
a documentos de origem confiável e identificada; e “bibliográficas”: que abrangem 
livros, teses, artigos etc. 
Pelo conceito de Chaparro (2009), a fonte “organizada”, além da representativida-
de (qualquer organização, grupo ou pessoa), age proativamente, “com competência”. 
15
UNIDADE Apuração e Pesquisa Jornalísticas
Denominada de “informal” a fonte “individual”, embora essa nem sempre aja na 
“informalidade”, pode ser um artista, esportista, profissional liberal etc. que, nesse 
caso, torna-se “organizada”. 
Também apresenta sobreposições entre fontes de “aferição” e de “referência”, 
bem como “documentais” e “bibliográficas”. Seu esquema fixa-se na representativi-
dade e dentro dela tenta aduzir as ações e as qualificações mais evidentes. Aponta 
apenas uma qualificação, “aliada”, no sentido de “fonte confiável”, embora nem 
todas apresentem este atributo. 
E, ainda, a Folha de S. Paulo (2010, p. 37-8), que distingue quatro classes 
de fontes: “tipo zero”, são enciclopédias, documentos, vídeos, que “prescindem 
de cruzamento” com outras fontes; “tipo um”, com “histórico de confiabilidade” 
e fala com conhecimento de causa, estando “próxima do fato que relata e não 
tem interesses imediatos na sua divulgação”, sendo que o veículo admite publicar 
informações de fonte desse tipo sem checagem; “tipo dois”, tem os atributos da 
fonte “tipo um”, menos o histórico de confiabilidade, por isso, recomenda-se que 
a informação seja cruzada com pelo menos mais uma fonte; e o “tipo três”, tido 
como a de menor confiabilidade, sendo “bem informada, mas tem interesses (polí-
ticos, econômicos etc.)”. Assim, o Jornal trata as suas informações como sugestão 
de pauta. 
Independente da classificação, no entanto, é preciso tomar alguns cuidados com 
as fontes que se dispõem a falar, mas apenas na condição em off (do original “off 
the record”, ou seja, com gravadores desligados ou sem revelar a identidade. Em 
outras palavras: quando a fonte condiciona dar entrevista em off, seu anonimato 
tem de ser preservado. É uma questão de ética, inclusive prevista no Código de 
Ética dos Jornalistas). 
Falaremos mais sobre isso na aula sobre entrevista, mas, desde já, é importante 
você entender que o jornalista deve, nas matérias em off, tomar algumas precau-
ções, como, por exemplo, verificar as informações colhidas e avaliar o interesse de 
quem as forneceu.
Deve, também, verificar e checar os dados, resguardar e proteger o informante, 
evitando sua exposição, como fizeram Bob Woodward e Carl Bernstein, no já cita-
do episódio Watergate e, lembre-se: mesmo que a notícia seja exclusiva, há sempre 
a necessidade de verificação de dados, isto é: a exclusividade não se sobrepõe à 
necessidade de checagem, porque jornalismo sério não se faz sobre boatos ou in-
formações plantadas. 
É importante lembrar de que o uso de fontes não nominadas não pode ser pra-
xe, pois acarreta risco jurídico para o veículo, na medida em que a responsabilidade 
pela informação fica repartida apenas entre a Empresa de Comunicação e o repór-
ter, já que a figura do informante, nesses casos, não existe oficialmente. 
Parte inferior do formulário
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A Checagem e o Fazer Jornalístico
Dois riscos rondam frequentemente a atividade de um repórter e podem com-
prometer a credibilidade de sua carreira, especialmente daqueles que trabalham na 
cobertura diária. 
O primeiro – e maior – deles é a pressa. Quando a velocidade e a busca pelo 
furo jornalístico é o que importa, o repórter tende a publicar uma informação rasa. 
Pode editar uma frase como sendo verdadeira ou falsa, sem ter levado em conside-
ração o cenário mais amplo em que ela se encaixa. 
A perda do contexto é sempre perigosa. Por isso recomenda-se, durante todo o 
tempo de apuração e pesquisa, que os dados sejam checados. 
Isso leva ao segundo risco: o uso de dados imprecisos ou desatualizados. Ao 
escrever uma reportagem, o repórter deve recorrer a fontes fidedignas e de atesta-
da respeitabilidade. Por vezes, no entanto, pode terminar usando bases de dados 
desatualizadas e cometendo um erro. Por isso, checar e rechecar é a única solução. 
Talvez, se nos anos 1990, essas máximas do Jornalismo tivessem sido leva-
das à risca, não teria acontecido o caso da Escola Base, um dos momentos mais 
vexatórios para o Jornalismo brasileiro, em que donos de uma Escola Infantil em 
São Paulo e os responsáveis pelo transporte escolar foram execrados pela opinião 
pública, injustamente acusados de pedofilia, graças a uma cobertura jornalística ir-
responsável, apressada e à irresponsabilidade dos Meios de Comunicação à época. 
Sobre o caso Escola Base, acesse: https://youtu.be/ChmiDNh7TrM
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Algumas revistas como a Veja, por exemplo, tem um Departamento específi-
co para checagem, no qual trabalham checadores de informações apuradas pelos 
repórteres, isto é, além da verificação já feita por quem apurou a reportagem, há, 
ainda, uma equipe específica para confirmar dados e informações citadas nas ma-
térias antes de a Revista ser impressa. Uma realidade que é possível num veículo 
semanal, mas difícil de operacionalizar na mídia diária. 
A chec agem é uma importante ferramenta contra errose contra aquilo que se 
convencionou chamar de fake news ou notícias falsas. Por isso, além da checagem 
antes de a notícia ser divulgada, em tempos de Internet e de Redes Sociais (e dada 
a profusão de notícias falsas, especialmente, em épocas de eleições), uma tendên-
cia em Jornalismo tem sem sido a checagem posterior às publicações na web, o 
fact checking.
O fact checking é uma checagem de fatos, isto é, um confrontamento de histó-
rias com dados, pesquisas e registros rumo à precisão dos fatos. 
17
UNIDADE Apuração e Pesquisa Jornalísticas
Se um político jura que nunca foi acusado de corrupção; há registros judiciais 
que irão atestar se é verdade. Se o Governo diz que a inflação diminuiu, é preciso 
checar nos índices se isso realmente ocorreu; e se uma corrente diz que há um pro-
jeto de lei para cancelar as eleições, é preciso conferir nas propostas em tramitação 
se essa informação é real.
O fact checking também é uma forma de qualificar o debate público por meio 
da apuração jornalística, de checar qual é o grau de verdade das informações. 
Reportagens do Buzzfeed e do The Guardian, por exemplo, mostraram que 
boa parte do conteúdo compartilhado na Internet durante as últimas eleições nos 
Estados Unidos, vieram de sites de notícias falsas. Situação semelhante aconteceu 
no Brasil, na semana do impeachment de Dilma Rousseff.
Mas... quando e onde teve origem essa vertente do Jornalismo?
Segundo a LUPA (primeira agência de fact checking do Brasil, que tem sede no 
Rio de Janeiro, em 1991, o jornalista americano Brooks Jackson entrou na sala 
de seu chefe, no escritório da CNN em Washington, e recebeu a tarefa de checar 
se era mesmo verdade tudo aquilo que os possíveis candidatos à presidência dos 
Estados Unidos diziam nos anúncios de TV.
LUPA: https://goo.gl/AngUsK
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Era tempo de eleições primárias nos EUA. O presidente George Bush (pai) pre-
tendia disputar a reeleição pelo Partido Republicano, e o democrata Bill Clinton 
sonhava em derrotá-lo nas urnas. Jackson fundou a Ad Police, a primeira equipe 
especializada em checar propaganda eleitoral de que se tem notícia.
Em 2003, estimulado pelo sucesso do trabalho na CNN, Jackson criou o pri-
meiro site independente de fact checking. Com a ajuda da Universidade da Pen-
silvânia e do Annenberg Public Policy Center, inaugurou o Fact Check Org, que 
está ativo até hoje. 
Meses depois, foi a vez do jornalista Bill Adair, do Tampa Bay Times, lançar 
uma nova seção em seu jornal, oPolifact.com (também ativo hoje) e ganhar um 
prêmio Pulitzer com isso. 
De lá para cá, a checagem de dados se espalha a olhos vistos. Em maio de 
2018, havia 149 iniciativas de fact checking ativas no Planeta.
Para acompanhar a evolução dessa comunidade e a expansão das plataformas de checagem 
pelo mundo, visite https://goo.gl/0BqBxiEx
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Até pouco tempo atrás, não havia internet, não havia canais de TV 24 
horas, Twitter ou redes sociais. As pessoas recebiam informações filtra-
das pelos meios de comunicação, que trabalhavam como guardiões e de-
tentores da notícia. Agora as pessoas são bombardeadas por informação
disse Jackson, num encontro de checadores realizado em 2014, na Argentina. 
“É aí que a imprensa precisa se reinventar, virar uma espécie de filtro para tantas 
histórias descabeladas”, isto é, o fact checking é um novo nome para o velho 
procedimento de checagem de informações, mas que, d evido à profusão de infor-
mações na web demandou a criação de uma área específica para verificação de 
veracidade dos fatos e boatos, a fim de combater as fake news.
Isso porque no século XXI, apurar, confrontar histórias com dados, pesquisas e 
registros e checar informações continuam sendo procedimentos jornalísticos ainda 
mais valorizados. 
Quem pensa que a Tecnologia substituiu o valor da Imprensa, já pode rever suas 
previsões pessimistas para o Jornalismo!
Nós nos vemos na próxima Unidade!
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UNIDADE Apuração e Pesquisa Jornalísticas
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Sites
FactCheck
Empresa de fact checking americana
https://goo.gl/RXJ7vj
PolitiFact
Empresa de fact checking americana
https://goo.gl/DVPN6n
 Vídeos
Fact checking da Agência Pública
https://youtu.be/vSs8pStib5U
Agência Lupa: quem somos e o que checamos 
A primeira agência de fact checking do país é a Lupa e fica no Rio de Janeiro. Saiba 
mais sobre a primeira agência de Fact Checking
https://youtu.be/OyzTrBZpZ-s
 Leitura
Fact-checking como possibilidade de accountability do jornalismo sobre o discurso político: as três iniciativas 
brasileiras
Artigo sobre fact checking
https://goo.gl/1jA8HB
Pós-verdade, fake news e fact-checking: impactos e oportunidades para o jornalismo
Artigo sobre pós-verdade e fake news
https://goo.gl/FJLZVf
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Referências
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